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Diarreia além de catorze dias: a dieta que nenhum guia de diarreia escreve

Diarreia persistente e crônica na criança: os dois cortes de tempo, a fórmula sem lactose e a dieta da diarreia funcional

O corte de catorze dias muda a categoria e a conduta, mas o documento que ensina a tirar o suco e devolver a gordura é o guia alimentar, que nunca escreve a palavra persistente.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Menino de 2 anos apresenta há 3 semanas fezes amolecidas, 4 a 6 evacuações por dia, contendo restos alimentares visíveis (pedaços de vegetais e grãos), sem sangue, muco ou dor. A criança está ativa, com bom estado geral, apetite preservado e crescimento adequado na curva. A mãe relata que oferece grande quantidade de sucos de fruta ao longo do dia. Exame físico e abdome normais. Qual a orientação mais adequada?

02

Como esse tema cai

O que este capítulo cobre começa onde o capítulo de diarreia aguda termina: a diarreia que passou de catorze dias. São três matérias distintas empilhadas sob o mesmo rótulo, e a prova cobra as três separadamente. A primeira é o relógio, que tem dois cortes na régua da sociedade de pediatria e um só no cartaz federal. A segunda é a diarreia persistente propriamente dita, aquela de risco nutricional, com regra própria de fórmula, de micronutriente e de encaminhamento. A terceira é a diarreia funcional do lactente, a criança que evacua muitas vezes e cresce bem, cuja conduta inteira é dietética e cujo maior risco é a investigação que não devia ter começado.

Fica de fora daqui a diarreia aguda, com os planos de reidratação, o zinco de rotina e a decisão de antibiótico na disenteria, que tem capítulo próprio nesta apostila. Ficam de fora também as causas nomeadas da diarreia arrastada que já têm capítulo: a alergia à proteína do leite de vaca, a doença celíaca e a fibrose cística. Aqui interessa o intervalo antes do diagnóstico específico — o que o tempo por si só já obriga a fazer, e o que separa a criança que precisa de investigação daquela que precisa de uma conversa sobre o copo.

03

O que muda decisão

O relógio tem dois cortes, e a régua federal só usa um

Como usar este capítulo: confirme duração e repercussão no crescimento, separe persistente de crônica e procure sinais de doença orgânica. Intolerância secundária à lactose e diarreia funcional têm mecanismos e dietas diferentes; não transforme duração isolada em indicação de fórmula especial.

A régua que a prova usa vem do guia da sociedade de pediatria e tem três faixas. A diarreia aguda dura menos de catorze dias. Entre sete e catorze dias alguns autores falam em diarreia aguda prolongada, e o valor dessa etiqueta é servir de alerta, não de diagnóstico. A partir de catorze dias o nome é diarreia persistente. Acima de trinta dias o nome é diarreia crônica. São dois cortes e três faixas, e o enunciado que quer testar a definição costuma escolher exatamente o número que cai na faixa do meio.

O cartaz federal em vigor no balcão do serviço não usa essa divisão. O item que trata do assunto se intitula identificar diarreia persistente ou crônica, com as duas palavras juntas na mesma linha, e dispara com mais de catorze dias de evolução. O corte de trinta dias não aparece no documento em nenhum lugar. Para o serviço público, portanto, passar de catorze dias já basta para sair do fluxo agudo — e o que vem depois não é uma segunda categoria, é uma lista de critérios de encaminhamento.

Há uma terceira direção, e ela vem da mesma instituição que fixou os dois cortes. A página institucional da sociedade de pediatria voltada ao público define diarreia crônica como a de duração maior do que catorze dias, colocando no primeiro corte a palavra que o guia da mesma sociedade reservou para o segundo. Não é erro de nenhum dos dois: são registros com finalidades diferentes, um organiza a conduta profissional e o outro conversa com a família. Mas quem estudou pela página e responde pela régua do guia erra a questão de definição, e quem estudou pelo guia e lê a página acha que decorou errado.

A leitura prática é simples e vale para qualquer enunciado. Quando a questão pede o nome da categoria, use a régua da sociedade: persistente a partir de catorze, crônica a partir de trinta. Quando a questão pede a conduta numa unidade básica e cita o material do Ministério, use a régua federal: passou de catorze dias, o fluxo agudo acabou. E quando a questão der o tempo em semanas, converta antes de decidir, porque três semanas caem na faixa do meio e cinco não.

Persistente não é a mesma diarreia com mais tempo

O guia da sociedade é explícito quanto ao que muda: a diarreia persistente é a diarreia aguda que se estende por catorze dias ou mais, pode provocar desnutrição e desidratação, e os pacientes que evoluem para ela constituem um grupo com alto risco de complicações e elevada letalidade. A frase não descreve uma inconveniência prolongada. Descreve uma mudança de prognóstico.

O mecanismo por trás disso é nutricional antes de ser infeccioso. A lesão da mucosa que o episódio agudo produziu não se reparou, a superfície de absorção continua reduzida, e a criança que já vinha com reserva escassa entra num ciclo em que a perda alimenta a atrofia e a atrofia alimenta a perda. Por isso a avaliação obrigatória na diarreia que passa de catorze dias não é laboratorial: é a balança. Peso, comparação com o peso da consulta anterior e cálculo do que foi perdido decidem mais do que qualquer exame de fezes pedido na mesma consulta.

O cartaz federal transforma isso em critério de porta. Passados catorze dias, a criança é encaminhada para unidade hospitalar se for menor de seis meses ou se apresentar sinais de desidratação; nesse segundo caso, reidrata-se primeiro e encaminha-se em seguida. São dois gatilhos, e os dois são de vulnerabilidade, não de gravidade aparente. O lactente pequeno vai porque a reserva é curta; o desidratado vai porque já provou que o balanço está negativo. A criança de dois anos, hidratada, com peso preservado, não preenche nenhum dos dois — e é justamente ela que o enunciado costuma trazer para ver se o candidato encaminha por reflexo.

Para quem fica, a régua alimentar da forma persistente é de reposição, não de restrição. O paciente hospitalizado deve receber cento e dez calorias por quilo por dia, e os critérios para julgar se está funcionando são dois: redução das perdas e retomada do ganho de peso esperado para a idade. Micronutrientes entram diariamente em quantidade definida — folato, zinco, vitamina A, cobre e magnésio —, e o guia lista os cinco com dose. Nada disso é intuitivo para quem chega com a lógica do episódio agudo, em que a preocupação é hidratar e esperar.

Vale separar duas leituras do mesmo peso, porque a prova usa as duas. O peso absoluto de hoje diz onde a criança está na curva; o peso comparado ao da consulta anterior diz para onde ela está indo. Uma criança pode estar abaixo do percentil esperado desde sempre, por constituição ou por prematuridade, e ainda assim seguir subindo no ritmo dela — essa não é a criança do risco nutricional. E outra pode estar num percentil confortável e ter perdido peso entre duas consultas, o que a coloca no trilho de investigação mesmo com a aparência boa. O que importa na diarreia arrastada é a inclinação, não a altura, e é por isso que a régua pede a comparação e não apenas o número.

A fórmula sem lactose tem porta, e a vinheta costuma bater na errada

Esta é a regra que mais decide questão neste capítulo, e ela tem três cláusulas ligadas por conectivo. O guia da sociedade escreve, na mesma frase, que na diarreia aguda não há recomendação de fórmula sem lactose para lactentes tratados ambulatorialmente; que para os pacientes hospitalizados com diarreia aguda há vantagem na prescrição; e que para os com diarreia persistente há vantagem tanto no hospital quanto no ambulatório.

Desdobrada, a condição fica assim. A fórmula sem lactose depende de duas variáveis: o tempo do quadro e o lugar do tratamento. Diarreia aguda em casa: não. Diarreia aguda internada: sim. Diarreia persistente, em casa ou internada: sim. Só uma das quatro combinações fica de fora, e é exatamente a mais comum na vida real — o lactente com diarreia de três dias cuja família compra a fórmula na farmácia.

O jeito como a prova explora isso é sempre o mesmo. A vinheta traz a palavra que satisfaz o gatilho e falha na condição: descreve uma criança com diarreia, em casa, há poucos dias, e oferece a fórmula sem lactose como alternativa plausível. Quem lê a palavra diarreia e lembra que existe indicação marca. Quem lê o tempo e o lugar antes de decidir não marca. O inverso também é cobrado, com menos frequência e mais valor: a criança com diarreia de vinte dias, ambulatorial, em que a fórmula sem lactose é a resposta certa e parece agressiva demais para quem decorou que na diarreia não se troca a fórmula.

Há um degrau seguinte, e o guia o registra com uma ressalva honesta sobre o próprio campo. Para os pacientes com diarreia persistente que não respondem adequadamente à dieta sem lactose, deve ser considerada a possibilidade de intolerância às proteínas do leite de vaca, com prescrição de dieta isenta dessas proteínas e uso de fórmula hipoalergênica no lactente. O texto abre esse parágrafo dizendo que as diretrizes não abordam o tema — ou seja, o próprio documento sinaliza que está preenchendo um vão, e não citando consenso. Quem sabe disso lê a sequência na ordem certa: primeiro o tempo, depois a lactose, e só depois a proteína.

O resumo do próprio guia devolve a criança ambulatorial para fora da regra

O guia da sociedade que escreve a regra completa também a resume ao final, e o resumo não é igual ao corpo. No corpo, a fórmula sem lactose vale para o hospitalizado com quadro agudo e para o persistente em qualquer lugar. No fecho, a frase que sobra diz apenas que a fórmula láctea sem lactose pode ser útil no tratamento de lactentes hospitalizados com diarreia aguda. O braço ambulatorial da forma persistente, que é o que a prova cobra, desaparece.

As duas passagens estão separadas por dezoito mil e setecentas e quatro posições de caractere no mesmo arquivo, cerca de cinco páginas das quinze. Quem lê o documento inteiro encontra as duas e reconcilia. Quem lê só o resumo — que é o que a maioria faz, porque é o pedaço que circula em resumo de véspera — sai com a metade da regra e responde errado a questão que traz a criança em casa.

A recomendação do resumo não está errada, e vale registrar isso com clareza. O alvo declarado do documento inteiro é a diarreia aguda, e é o nome que está na capa; resumir a conduta aguda é o que um fecho de capítulo de diarreia aguda deve fazer. O que falta não é correção, é a borda onde a recomendação vai ser lida. Um leitor que chegue ao resumo com uma criança de vinte dias na frente não tem como saber, por ali, que o corpo do texto tinha uma frase para ele.

No mesmo parágrafo de fecho aparece a única menção do guia à bebida: deve-se evitar sucos e refrigerantes com alta osmolaridade. É uma linha, sem número, sem faixa etária e sem doença nomeada — e é o ponto mais próximo que a literatura brasileira de diarreia chega da conduta que responde às vinhetas da diarreia funcional. A pista está lá; o desenvolvimento, não.

A criança que evacua mal e cresce bem

A entidade que fecha a maior parte das vinhetas deste capítulo tem nome e tem cara. É a diarreia funcional do lactente e do pré-escolar, também chamada de diarreia crônica inespecífica. A própria sociedade de pediatria a descreve como a causa mais frequente de diarreia crônica, e acrescenta as três informações que decidem a conduta: não provoca desidratação, não provoca desnutrição, e em geral desaparece perto dos dois anos de vida.

O retrato é estável entre os enunciados. Criança entre um e três anos, várias evacuações diárias, amolecidas ou líquidas, muitas vezes com restos alimentares visíveis, tipicamente indolores e concentradas na primeira metade do dia. Estado geral bom. Apetite preservado. E, o achado que vale mais do que todos os outros somados, curva de crescimento subindo dentro do canal. A criança que ganha peso e estatura no ritmo esperado não está perdendo nutriente pelo intestino, por mais impressionante que seja o relato da fralda.

Do outro lado da fronteira estão os sinais que tiram a criança do trilho funcional e obrigam a investigar: perda ou estagnação de peso, palidez, sangue nas fezes, febre arrastada, distensão abdominal com fezes volumosas e gordurosas, evacuações que acordam a criança à noite, e história familiar que sugira doença específica. Nenhum desses aparece na vinheta funcional, e a presença de qualquer um deles muda o capítulo — passa a ser doença celíaca, alergia, fibrose cística, parasitose ou doença inflamatória, todas com investigação própria.

O erro caro aqui é o excesso, não a falta. A criança funcional que entra numa investigação larga colhe parasitológico seriado, coprocultura, teste de suor e sorologia de celíaca; recebe dieta de exclusão que empobrece a alimentação; muda de fórmula duas ou três vezes; e sai da sequência meses depois com a mesma diarreia, uma família mais ansiosa e uma dieta pior do que a inicial. A conduta que a prova considera correta em criança sem sinal de alarme é orientação alimentar com acompanhamento do crescimento, sem investigação extensa.

A conduta que a prova cobra não está em nenhum documento de diarreia

A resposta certa dessas vinhetas tem duas metades e sempre as mesmas duas. A primeira é retirar ou reduzir drasticamente sucos e bebidas açucaradas. A segunda é normalizar o teor de gordura da dieta, quase sempre elevando-o, e assegurar aporte de fibra. Em muitos enunciados uma terceira metade aparece de brinde: tranquilizar a família e manter o acompanhamento do peso e da estatura, sem investigação extensa.

O primeiro mecanismo é osmótico. Sucos e bebidas adoçadas carregam açúcares que a criança pequena absorve mal em volume grande, sobretudo frutose e polióis, e a sobra osmoticamente ativa puxa água para a luz intestinal. O segundo mecanismo é de trânsito. A dieta pobre em gordura, que muitas famílias adotam justamente por causa da diarreia, acelera o esvaziamento e reduz o tempo de contato; devolver gordura desacelera o trânsito e melhora a consistência. Os dois se somam, e é por isso que a conduta correta troca a bebida e a comida ao mesmo tempo, em vez de escolher uma.

O que torna essa matéria difícil não é o conteúdo, é onde ele mora. Nos documentos brasileiros que governam a diarreia da criança, a palavra gordura e a palavra fibra simplesmente não aparecem. Nem no guia da sociedade de dois mil e dezessete, nem no de dois mil e vinte e três, nem no cartaz federal, nem no capítulo de vigilância das doenças diarreicas. São quatro documentos que somam mais de duzentas menções à palavra diarreia e nenhuma menção às duas palavras que respondem à questão.

A expressão diarreia crônica inespecífica é ainda mais rara. Entre os documentos consultados para este capítulo, ela aparece em um só, e ali como item de uma lista de causas, ao lado de cólon irritável, sem conduta associada. Mesmo esse documento, que nomeia a entidade, traz zero menções a suco e zero menções a fibra. Nomear e ensinar são coisas diferentes, e neste assunto a literatura brasileira faz uma e não faz a outra.

Há ainda um efeito de segunda ordem que explica por que a orientação funciona tão rápido quando funciona. O líquido açucarado não só puxa água: ele desloca comida. A criança que bebe quase um litro de suco por dia chega às refeições sem fome, come menos do prato e recebe daí uma dieta ainda mais pobre em gordura e em fibra do que a que a família imagina estar oferecendo. Retirar a bebida corrige os dois mecanismos ao mesmo tempo, porque libera o apetite que vai buscar a comida que faltava. É também por isso que a conversa com a família precisa nomear o volume, e não apenas o hábito: trocar suco por água sem reduzir a quantidade de líquido entre as refeições resolve menos do que parece.

Segmento de intestino delgado em corte, dividido em duas metades: em uma, pequenas moléculas de açúcar na luz intestinal com setas curtas de água entrando da parede para dentro do tubo; na outra, uma seta longa e reta ao longo da alça, indicando trânsito acelerado.
Dois mecanismos somados: o açúcar que sobra na luz puxa água para dentro do intestino, e a dieta pobre em gordura acelera o trânsito e encurta o tempo de contato.

O guia que manda tirar o suco nunca diz de que doença está falando

A metade dietética da resposta existe, e existe em documento federal. Está no guia alimentar da criança menor de dois anos, que dedica seções inteiras às bebidas açucaradas, aos ultraprocessados e aos adoçantes. O documento é categórico: sucos artificiais e refrigerantes estão na lista do que não deve fazer parte da alimentação da criança; adoçantes não são recomendados para crianças; e a recomendação alcança até a mulher que amamenta, orientada a evitar refrigerantes, sucos industrializados, néctares e demais bebidas açucaradas.

É esse o documento que governa o copo do caso. E ele nunca escreve a palavra persistente, nunca escreve diarreia crônica, e menciona diarreia meia dúzia de vezes em mais de duzentas e sessenta páginas. Ou seja: o texto que contém a conduta correta jamais nomeia a condição que a conduta trata, e os textos que nomeiam a condição jamais escrevem a conduta. As duas metades da resposta vivem em prateleiras que não se citam.

Há uma consequência prática e uma armadilha. A consequência é que a orientação do guia alimentar não é uma prescrição para doente: é regra de alimentação saudável para toda criança pequena, e vale igual para quem nunca teve diarreia. Isso torna a alternativa correta ainda mais fácil de descartar na prova, porque ela parece genérica demais para ser resposta de uma questão clínica. A armadilha é a inversão: como a regra vale para todos, o enunciado pode trazê-la como distrator num caso que exige investigação, e aí orientar a dieta e mandar para casa é justamente o erro.

Vale notar a diferença de tratamento que o guia alimentar dá às bebidas. Ele separa o suco natural de fruta, que classifica entre os alimentos in natura e minimamente processados quando não tem adição de açúcar, das bebidas prontas à base de fruta, que classifica como ultraprocessadas. Na conduta da diarreia funcional, porém, a redução recai sobre o volume de líquido açucarado em geral, natural ou industrializado — porque o que puxa água para o intestino é a carga osmótica, e ela não distingue a origem do açúcar.

Quando a lactase cai depois da infecção

Há um caminho intermediário entre a diarreia persistente clássica e a funcional, e ele tem nome próprio nas vinhetas: intolerância à lactose secundária, transitória, pós-infecciosa. O mecanismo é direto. A lactase fica na ponta das vilosidades, que é a parte da mucosa que a infecção destrói primeiro; enquanto a superfície não se refaz, a lactose ingerida não se desdobra, fermenta no cólon e sustenta uma diarreia que já não tem mais agente.

O quadro se reconhece pela cronologia mais do que pelo exame. Houve um episódio agudo bem definido, a criança melhorou parcialmente, e a diarreia se arrastou depois que o agente já não deveria estar em cena, tipicamente com fezes ácidas, gases e assadura perianal por irritação. O guia da sociedade registra o subproduto prático: como a lesão de mucosa pode derrubar a lactase, o lactente com diarreia persistente se beneficia de fórmula sem lactose, no hospital ou fora dele.

A palavra que decide na alternativa é transitória. A substituição é temporária, dura o tempo da recuperação da mucosa, e a alimentação habitual volta depois — inclusive o leite materno, que nunca se suspende por essa razão em nenhuma das réguas. Alternativa que proponha fórmula sem lactose em caráter definitivo, ou que suspenda o aleitamento materno, está errada mesmo quando o diagnóstico que ela nomeia é o certo.

A ordem também é cobrada. Diante da criança que não melhora com a retirada da lactose, o passo seguinte previsto é considerar a proteína do leite de vaca, e não repetir exames de fezes nem escalar antibiótico. E há um contraste que vale guardar: quando a mesma vinheta traz uma criança com bom estado geral, crescimento preservado e sem episódio agudo prévio identificável, o quadro não é de lactase derrubada — é funcional, e a resposta volta a ser o copo e a comida.

O zinco entra com dose e sai com ressalva no mesmo parágrafo

O zinco é o exemplo mais claro, neste assunto, de recomendação que o próprio documento relativiza enquanto a escreve. O guia da sociedade prescreve o esquema com precisão: uso em menores de cinco anos, por dez a catorze dias, iniciado a partir do momento em que a diarreia se caracteriza, na dose de vinte miligramas por dia para maiores de seis meses e dez miligramas por dia nos primeiros seis meses de vida.

No mesmo trecho, o texto registra que duas sociedades questionam a validade da terapia no primeiro semestre de vida, e que uma delas não recomenda zinco no tratamento da diarreia aguda nos países europeus, por considerar que a deficiência de zinco não é comum naquele continente. Ou seja: a mesma página traz o prazo, a dose por faixa etária e a observação de que o benefício é discutido justamente na faixa mais jovem que ela acabou de dosar.

O racional que sustenta a recomendação brasileira é epidemiológico, não farmacológico, e o documento diz isso com todas as letras: o emprego se justifica pela prevalência elevada de deficiência de zinco em países não desenvolvidos. A régua, portanto, é populacional. Ela não afirma que a molécula funciona melhor aqui; afirma que a carência é mais provável aqui. Um enunciado que situe a cena no sistema público brasileiro cobra o esquema nacional; um que discuta a evidência internacional cobra a ressalva.

Para a forma persistente, o zinco muda de papel. Ele deixa de ser medida isolada e entra numa lista diária de micronutrientes ao lado de folato, vitamina A, cobre e magnésio, com quantidade definida para cada um. É uma diferença de lógica que a prova aproveita: no episódio agudo o zinco é conduta de rotina com prazo; na diarreia persistente ele é um item de um pacote de reposição cujo objetivo declarado é a recuperação nutricional, medida pela retomada do ganho de peso.

A pergunta que a banca faz é sempre uma de três

Quando o enunciado deste assunto aparece, ele está fazendo uma de três perguntas, e reconhecer qual delas é metade do trabalho. A primeira é de definição pura: dá o tempo de evolução e pede o nome da categoria. Aqui só existe um erro possível, que é usar a régua errada — a do cartaz federal, que junta as duas categorias em catorze dias, quando a questão queria a da sociedade, que separa em catorze e trinta.

A segunda é de porta: dá uma criança com diarreia arrastada e pergunta quem vai para o hospital. Os dois gatilhos federais são idade menor que seis meses e sinais de desidratação, e o segundo vem com a ordem embutida de reidratar antes de transportar. Fora esses dois, o encaminhamento por tempo isolado não é a conduta esperada — e quem perdeu peso entre duas consultas entra por outra porta, a da falha de acompanhamento, que também manda referir.

A terceira é a mais frequente e a que mais separa candidatos: dá a criança que evacua muitas vezes, cresce bem e não tem sinal de alarme, e pergunta a conduta. A resposta é dietética e tem dois movimentos, tirar o líquido açucarado e devolver gordura e fibra, com acompanhamento do crescimento e sem investigação extensa. As alternativas erradas são todas plausíveis e todas do mesmo tipo: pedem um exame a mais.

Vale um último aviso sobre o que o tempo não decide sozinho. Diarreia que passou de catorze dias em criança com bom estado geral, hidratada e com peso preservado não vira urgência por causa do calendário; e diarreia de cinco dias em lactente de dois meses que já perdeu peso não é banal por causa dele. O relógio classifica e orienta, mas quem gradua o risco continua sendo a balança e o estado de hidratação — e é por isso que toda régua deste capítulo, federal ou de sociedade, coloca a idade pequena e a desidratação acima da duração.

04

Do décimo quarto dia à alta: o que o tempo classifica, quem vai para o hospital e o que muda no prato

A decisão treinada aqui tem quatro degraus, e o primeiro é o que mais se erra: antes de escolher exame, decida se a criança está no trilho funcional ou no de risco nutricional. O peso responde essa pergunta melhor do que qualquer fezes.

  1. 1Conte os dias. Menos de 14: fluxo da diarreia aguda, outro capítulo. De 14 a 30: persistente pela régua da sociedade, e já fora do fluxo agudo pela régua federal. Acima de 30: crônica.
  2. 2Pese e compare com a consulta anterior. Peso perdido ou estagnado tira a criança do trilho funcional, qualquer que seja o tempo.
  3. 3Aplique os dois gatilhos federais de encaminhamento hospitalar: idade abaixo de 6 meses, ou sinais de desidratação — neste caso, reidratar primeiro e encaminhar depois.
  4. 4Sem gatilho e sem sinal de alarme, classifique como funcional: conduta dietética, orientação e acompanhamento do crescimento, sem investigação extensa.
  5. 5Com sinal de alarme (sangue, febre arrastada, fezes gordurosas, evacuação noturna, palidez), investigue a causa nomeada — celíaca, alergia, fibrose cística, parasitose, doença inflamatória.

O relógio: três faixas, dois cortes

A faixa do meio é a que a prova escolhe. Entre 14 e 30 dias o nome é persistente na régua da sociedade, e já é 'persistente/crônica' na régua federal, que não usa o segundo corte.

Onde mora cada metade da resposta

Os documentos que governam a diarreia não escrevem gordura nem fibra. O documento que escreve gordura, fibra, suco e açúcar não escreve persistente. As duas colunas não se tocam.

Funcional ou de risco: o que a balança decide

Curva subindo dentro do canal fecha o trilho funcional e dispensa investigação. Peso estagnado ou em queda abre o trilho de risco, e aí o tempo deixa de ser o que manda.

As três réguas de tempo, lado a lado

DocumentoAté 14 diasDe 14 a 30 diasAcima de 30 dias
Guia da SBP (2017 e 2023)Aguda (prolongada entre 7 e 14)PersistenteCrônica
Cartaz do Ministério da Saúde (2023)Fluxo agudo, planos A, B e CPersistente/crônica — categoria única, item D.2Persistente/crônica — mesma categoria
Página institucional da SBP ao públicoAgudaCrônicaCrônica

Fórmula sem lactose: as quatro combinações

Tempo do quadroTratamento ambulatorialTratamento hospitalar
Diarreia aguda (menos de 14 dias)Sem recomendaçãoHá vantagem na prescrição
Diarreia persistente (14 dias ou mais)Há vantagem na prescriçãoHá vantagem na prescrição
Sem resposta à retirada da lactoseConsiderar proteína do leite de vaca e fórmula hipoalergênicaConsiderar proteína do leite de vaca e fórmula hipoalergênica

O corte de 30 dias não existe no cartaz federal: o item D.2 se chama 'identificar diarreia persistente/crônica' e dispara com mais de 14 dias. Enunciado ambientado numa unidade básica e que cite o material do Ministério trabalha com uma categoria só.

Zinco tem dois papéis. No episódio agudo é conduta de rotina com prazo — 10 mg/dia até 6 meses, 20 mg/dia acima, por 10 a 14 dias. Na forma persistente entra numa lista diária de micronutrientes ao lado de folato, vitamina A, cobre e magnésio.

O leite materno não se suspende em nenhuma das réguas deste capítulo, nem para retirada de lactose. Alternativa que suspende o aleitamento está errada mesmo quando acerta o diagnóstico.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Onde começa a diarreia 'crônica' na criança

O guia de atualização do Departamento Científico de Gastroenterologia fixa três faixas: aguda até 14 dias, com a etiqueta de 'prolongada' entre 7 e 14; persistente a partir de 14 dias; e crônica apenas acima de 30 dias.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda infecciosa, 2023; e Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda, 2017.

O cartaz federal em vigor não usa o segundo corte: o item D.2 se intitula 'identificar diarreia persistente/crônica' e dispara com mais de 14 dias de evolução, tratando as duas palavras como uma categoria só.

Brasil, Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Manejo do paciente com diarreia (cartaz), 2023, item D.2.

A página institucional da mesma sociedade voltada ao público define diarreia crônica como a de duração maior do que 14 dias, colocando no primeiro corte o rótulo que o guia reserva para o segundo.

Sociedade Brasileira de Pediatria, página institucional sobre diarreias, seção de diarreia crônica.

Na prova

O recorte se lê pelo cenário e pelo documento citado. Enunciado que situa a cena numa unidade básica, cita material do Ministério ou fala em 'manejo do paciente com diarreia' trabalha com a categoria única a partir de 14 dias. Enunciado que pede o nome da faixa, oferece 'persistente' e 'crônica' como alternativas distintas, ou cita sociedade de especialidade, quer a régua de três faixas — e aí 20 dias é persistente, não crônica. Quando nenhum documento é nomeado, a régua de três faixas é a que as bancas mais cobram.

Fórmula sem lactose na diarreia do lactente

O guia de 2017 prescreve com condição dupla: não há recomendação no quadro agudo tratado em ambulatório, mas há vantagem na prescrição para o hospitalizado com quadro agudo e para o paciente com diarreia persistente, tratado no hospital ou fora dele.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda, 2017, seção de cuidados com a alimentação na doença diarreica.

O resumo de recomendações do mesmo documento, cerca de cinco páginas adiante, mantém apenas o braço hospitalar do quadro agudo: a fórmula sem lactose 'pode ser útil no tratamento de lactentes hospitalizados com diarreia aguda'. O braço ambulatorial da forma persistente não é repetido.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda, 2017, resumo de recomendações.

O guia mais recente do mesmo departamento não trata do assunto: a palavra lactose não aparece no documento, que concentra a conduta em reidratação, zinco, antiemético e a nova régua de antibiótico.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda infecciosa, 2023.

Na prova

A questão quase sempre testa a combinação, não a droga. Leia duas variáveis antes de decidir: quantos dias e onde a criança está sendo tratada. Aguda em casa é a única das quatro combinações sem indicação — e é a que a vinheta mais oferece, porque é a mais comum na vida real. Persistente em ambulatório é a combinação que parece agressiva e é a certa. Quando o enunciado descreve falha da retirada da lactose, o passo seguinte previsto é a proteína do leite de vaca, não mais exame de fezes.

Zinco na diarreia do menor de seis meses

A régua brasileira prescreve zinco para menores de 5 anos por 10 a 14 dias, com 20 mg/dia acima de 6 meses e 10 mg/dia nos primeiros 6 meses, e justifica o uso pela prevalência elevada de deficiência de zinco em países não desenvolvidos.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda, 2017, seção de zinco; recomendação da Organização Mundial da Saúde ali reproduzida.

No mesmo trecho, o documento registra que a sociedade europeia e a diretriz ibero-latino-americana questionam a validade da terapia no primeiro semestre de vida, e que a europeia não recomenda zinco no tratamento da diarreia aguda em seus países, por considerar que a carência não é comum lá.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Guia Prático de Atualização: Diarreia aguda, 2017, mesma seção, parágrafo seguinte.

Na prova

O recorte é geográfico, e o enunciado o entrega. Cena no sistema público brasileiro, criança de área vulnerável, pergunta sobre conduta: a resposta é o esquema nacional com dose por faixa etária. Pergunta sobre força de evidência, comparação internacional ou 'qual sociedade recomenda o quê': a resposta é a ressalva. Distrator frequente é oferecer zinco com prazo indefinido ou sem faixa etária — o esquema tem prazo de 10 a 14 dias e duas doses, e alternativa sem esses elementos costuma ser a errada.

06

Caso resolvido

Menino de 22 meses é levado à unidade básica pela mãe, que relata 'diarreia que não passa há quase dois meses'. Faz de quatro a seis evacuações por dia, amolecidas a líquidas, muitas com pedaços de comida reconhecíveis, quase sempre pela manhã e à tarde, nunca à noite. Não tem dor, não tem sangue, não teve febre. Come bem e é descrito como agitado e brincalhão. A mãe conta que, para hidratar, oferece cerca de um litro de suco de caixinha por dia, e que retirou frituras, ovo e azeite da comida 'porque gordura solta o intestino'. Já usou dois antibióticos por conta própria. Ao exame: ativo, corado, hidratado, abdome sem alterações, sem lesão perianal. O peso e a estatura de hoje seguem no mesmo canal das últimas quatro consultas, com ganho ponderal adequado no intervalo.
achado
O tempo de evolução passa de 30 dias, o que classifica o quadro como diarreia crônica pela régua da sociedade de pediatria e como 'persistente/crônica' pela régua federal, que não usa o segundo corte. A classificação, porém, ainda não decide nada sozinha.
achado
Nenhum dos dois gatilhos federais de encaminhamento hospitalar está presente: a criança tem 22 meses, muito acima dos 6, e está hidratada ao exame. O tempo isolado não é critério de porta.
raciocínio
O achado que fecha o caso não está na fralda, está no gráfico: peso e estatura seguem no mesmo canal há quatro consultas, com ganho adequado. Criança que absorve o suficiente para crescer no ritmo esperado não está perdendo nutriente pelo intestino, e isso afasta o trilho de risco nutricional. Somam-se a isso a ausência de sangue, de febre arrastada, de fezes gordurosas e de evacuação noturna.
raciocínio
O quadro é o retrato clássico da diarreia funcional do lactente e do pré-escolar, a causa mais frequente de diarreia arrastada nessa faixa, que não desidrata, não desnutre e tende a se resolver perto dos 2 anos. E a história traz os dois fatores dietéticos que a sustentam, um em cada direção: cerca de um litro diário de bebida açucarada, que impõe carga osmótica ao intestino, e uma dieta deliberadamente empobrecida em gordura, que acelera o trânsito.
conduta
Retirar o suco de caixinha e as demais bebidas açucaradas, substituindo a oferta de líquido por água; devolver gordura à alimentação em teor normal para a idade, desfazendo a restrição que a família adotou; assegurar fibra na dieta; explicar à mãe que o quadro é benigno e autolimitado; e agendar retorno com pesagem, sem coprocultura, sem parasitológico seriado, sem troca de fórmula e sem antibiótico.
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Agora feche você

Lactente de 4 meses, em uso de fórmula infantil desde o segundo mês, teve há três semanas um episódio de diarreia aguda com vômitos, atendido no pronto-socorro e tratado com reidratação oral. Os vômitos cessaram em dois dias, mas as evacuações nunca voltaram ao normal: mantém seis a oito dejeções líquidas por dia, explosivas, com odor ácido, e desenvolveu eritema perianal intenso. Está hidratado ao exame, mas o peso de hoje é 200 g menor que o da consulta de um mês atrás. Não há sangue nas fezes, não há febre, e a mãe nega uso de medicamentos.
achado
Complete a classificação temporal: três semanas de evolução colocam o quadro em que faixa, pela régua da sociedade de pediatria, e em que categoria pela régua do cartaz federal?
achado
Aplique os dois gatilhos federais de encaminhamento hospitalar a este lactente e diga qual deles está presente. Lembre que um deles é etário e o outro depende do estado de hidratação.
raciocínio
Nomeie o achado que separa esta criança do caso anterior e a tira do trilho funcional. Depois explique por que a cronologia — episódio agudo bem definido, melhora parcial, diarreia que se arrasta — mais as fezes ácidas e o eritema perianal apontam para intolerância secundária, transitória, à lactose.
conduta
Decida sobre a fórmula. Situe o caso na tabela de quatro combinações — tempo do quadro e lugar do tratamento — e justifique se a fórmula sem lactose está indicada aqui, dizendo também por quanto tempo a substituição vale.
conduta
Escreva o passo seguinte caso a criança não melhore com a retirada da lactose, segundo a escada de três degraus, e diga o que não fazer: qual exame repetido e qual classe de medicamento não estão previstos nessa etapa.
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Onde a banca derruba

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Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é típico de diarreia crônica inespecífica da infância ("diarreia do toddler"): criança saudável, com crescimento normal, fezes com restos alimentares e história de excesso de sucos/líquidos hiperosmolares. O manejo é dietético — reduzir sucos e líquidos açucarados e adequar gordura/fibra (dieta dos 4 F: fluidos, frutose, fibras, gorduras/fat). Dieta sem lactose não se aplica sem evidência de intolerância. Investigação de má absorção (gordura fecal/elastase, celíaca) não se justifica em criança com crescimento normal e sem sinais de alarme. Loperamida é contraindicada nessa faixa etária.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Catorze dias abre a diarreia persistente e trinta dias abre a crônica na régua da sociedade de pediatria; o cartaz federal junta as duas numa categoria só, a partir de catorze. Persistente muda o prognóstico, não só a duração: risco de desnutrição e letalidade maior, e por isso a avaliação obrigatória é o peso. Os dois gatilhos federais de encaminhamento hospitalar são idade abaixo de seis meses e sinais de desidratação, reidratando antes de transportar. Fórmula sem lactose: não no agudo ambulatorial; sim no agudo hospitalizado e no persistente em qualquer lugar. Quem não responde a ela deve ter considerada a proteína do leite de vaca. O leite materno nunca se suspende.

em 30 dias

A criança de um a três anos que evacua várias vezes ao dia, sem dor, com restos alimentares, estado geral bom e curva de crescimento subindo tem diarreia funcional do lactente, também chamada crônica inespecífica — a causa mais frequente de diarreia arrastada nessa idade, que se resolve perto dos dois anos. A conduta é inteiramente dietética e tem dois movimentos: retirar sucos e bebidas açucaradas, que puxam água por carga osmótica, e normalizar ou elevar o teor de gordura da dieta, que desacelera o trânsito, com fibra adequada. Some-se orientar a família e acompanhar peso e estatura, sem investigação extensa. Sinais que tiram do trilho funcional e obrigam a investigar: perda de peso, sangue, febre arrastada, fezes volumosas e gordurosas, evacuação noturna, palidez. Zinco tem prazo de dez a catorze dias e duas doses, dez miligramas por dia até seis meses e vinte acima, e no persistente vira item de uma lista com folato, vitamina A, cobre e magnésio.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 20 meses trazido por diarreia de seis semanas, sem febre e sem sangue, cuja mãe oferece suco durante todo o dia e retirou gordura da comida — colha a história alimentar, leia a curva de crescimento e decida entre orientar e investigar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Diarreia persistente e crônica na criança – Diarreia além de catorze dias: a dieta que nenhum guia de diarreia escreve — Preparatório para provas | OsceLabs