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Quedas e imobilidade no idoso
Síndromes geriátricas: quedas e imobilidade
A prova mostra um idoso que caiu e testa três coisas: se você classifica o risco pela história e pela marcha em vez do escore, se lembra que queda repetida e inexplicada se investiga como síncope, e se conhece a régua do protocolo do Ministério da Saúde quando a queda acontece dentro do hospital.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Idoso de 78 anos é levado pela família por episódios de queda no último mês. Você decide aplicar um instrumento de rastreio simples do risco de quedas à beira do leito. Qual dos testes abaixo avalia diretamente mobilidade, marcha e equilíbrio, sendo amplamente usado para esse rastreio?
Como esse tema cai
Queda em idoso quase nunca é pergunta de diagnóstico. A questão mostra alguém que já caiu e cobra a decisão seguinte: em que faixa de risco essa pessoa está, o que precisa ser medido antes de intervir, e qual intervenção tem prova de que reduz queda. Há dois cenários com réguas diferentes — a pessoa idosa da comunidade, acompanhada na unidade básica, e o paciente internado, onde vale o protocolo do Programa Nacional de Segurança do Paciente. Confundir as duas réguas é o erro mais caro do tema.
A segunda metade do capítulo é a imobilidade, que a matriz junta à queda por um motivo clínico: as duas se alimentam. A queda produz medo de cair, o medo produz restrição de atividade, a restrição produz perda de força e de equilíbrio, e a perda de força produz a próxima queda — ou o acamamento. O protocolo brasileiro deixa esse laço explícito ao classificar o paciente totalmente acamado como de baixo risco de queda: ele parou de cair porque parou de levantar.
Três assuntos vizinhos ficam fora, e é de propósito. A revisão da receita e os critérios de Beers estão no capítulo de polifarmácia e prescrição segura no idoso. A densitometria, o cálcio e a dose de vitamina D para osso estão no capítulo de osteoporose. A investigação da perda transitória de consciência está no capítulo de síncope — aqui entra só o gatilho que manda abri-la.
O que muda decisão
A definição decide o que entra na conta
O protocolo do Ministério da Saúde define queda como o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, provocado por circunstâncias multifatoriais, resultando ou não em dano. A frase parece burocrática e não é: cada pedaço dela muda o que a equipe registra.
Conta como queda quando o paciente é encontrado no chão. E conta também quando, durante o deslocamento, ele precisa de amparo — ainda que não chegue ao chão. A queda amparada, aquela em que o acompanhante segura a pessoa a tempo, é queda. Conta a queda da própria altura, da cama, da maca e de assentos: cadeira de rodas, poltrona, cadeira higiênica, banheira, trocador de fraldas, bebê conforto, berço e o vaso sanitário.
O 'resultando ou não em dano' também tem consequência. O protocolo pede dois números separados — número de quedas com dano e número de quedas sem dano —, além da proporção de pacientes com avaliação de risco feita na admissão e do índice de quedas, que é o número de eventos dividido pelo número de pacientes-dia, multiplicado por mil. Serviço que só registra queda com fratura enxerga uma fração do problema e melhora o indicador sem melhorar o cuidado.
Na pessoa idosa da comunidade, o efeito prático da definição é outro: ela obriga a perguntar por episódios que o paciente não chama de queda. 'Escorregou e se segurou na pia' é queda. 'Sentou no chão devagar porque a perna falhou' é queda. Quem só pergunta 'a senhora caiu?' colhe menos da metade dos eventos.
Instabilidade postural é a síndrome; a queda é o desfecho
O protocolo do Distrito Federal nomeia as grandes síndromes geriátricas em bloco: insuficiência cognitiva, instabilidade postural, imobilidade, incontinências e iatrogenia — mais a insuficiência familiar, que ele manda investigar junto. Ler a lista inteira ajuda a entender por que a queda raramente vem sozinha: ela é o desfecho visível de uma delas, e costuma ter outra por trás.
A frequência sobe com a idade e com a fragilidade. Entre pessoas com 65 anos ou mais, a prevalência de queda descrita no guia de Belo Horizonte é de 28% a 35%; passa a 42% acima dos 70 anos e pode chegar a 51% acima dos 85. Em instituição de longa permanência, a ocorrência atinge 30% a 50% dos residentes, e em 40% dos idosos as quedas se repetem.
O que vem depois da queda é o que fecha o ciclo. A síndrome pós-queda é a perda de autonomia e de independência que se instala mesmo sem fratura. O medo de cair afeta 73% dos idosos que caíram nos últimos doze meses e 46% dos que não caíram recentemente — ou seja, quase metade restringe a vida sem nunca ter caído. A restrição traz descondicionamento, o descondicionamento traz instabilidade, e a instabilidade traz a queda seguinte, agora com menos reserva para absorvê-la.
Por isso a queda funciona como evento sentinela de funcionalidade, e não como acidente doméstico. A pergunta útil na consulta não é 'o que havia no chão', é 'o que essa pessoa deixou de fazer desde então'.

O rastreio é uma pergunta, e ela tem de ser feita todo ano
A recomendação internacional mais forte do tema é banal de executar: perguntar sobre quedas em toda interação com pessoa idosa, porque ela não relata espontaneamente. Toda pessoa idosa em contato com o serviço de saúde, por qualquer motivo, deve ser perguntada pelo menos uma vez por ano se caiu nos últimos doze meses e, em caso afirmativo, sobre frequência, características, contexto e gravidade.
A pergunta única 'a senhora caiu no último ano?' é muito específica e pouco sensível: a sensibilidade sobe de 43% entre 65 e 74 anos para 67% acima dos 85. Traduzindo: em idoso mais jovem, a pergunta isolada deixa passar a maioria dos que vão cair. Por isso a recomendação acrescenta as três perguntas-chave — caiu no último ano; sente-se inseguro quando fica em pé ou anda; tem preocupação de cair. Resposta positiva a qualquer uma delas manda avaliar marcha e equilíbrio objetivamente.
A terceira pergunta costuma ser descartada como 'subjetiva' e é a que mais rende. Preocupação de cair não é sintoma de ansiedade a ser tranquilizado: é preditor, e é alvo de tratamento. A avaliação da preocupação de cair deve usar instrumento padronizado — a Falls Efficacy Scale International (FES-I) ou a versão curta —, e o que reduz essa preocupação é exercício, terapia cognitivo-comportamental e terapia ocupacional, não conselho.
No SUS, o rastreio positivo tem para onde ir. As diretrizes da rede de atenção à pessoa idosa do município de São Paulo listam como critérios de encaminhamento à Unidade de Referência à Saúde do Idoso a pontuação de 11 ou mais na AMPI-AB, a instabilidade e alteração de marcha e equilíbrio, e duas ou mais quedas nos últimos doze meses. O protocolo do Distrito Federal usa critério equivalente para o ambulatório de geriatria: instabilidade postural com quedas de repetição ou fratura por baixo impacto.
Medir marcha e equilíbrio: o que se cronometra e onde está o corte
Respondida a pergunta, o passo seguinte é objetivo. A recomendação internacional de maior força é medir a velocidade da marcha, com corte de menos de 0,8 m/s (grade 1A). Faz-se cronometrando um percurso de 4 metros na velocidade habitual, descartando 2 metros iniciais e 2 metros finais para tirar aceleração e desaceleração; a primeira tentativa é de familiarização e não conta. É esse mesmo teste de 4 metros que o IVCF-20, instrumento desenvolvido e validado no Brasil, embute no domínio de mobilidade.
O Timed Up and Go entra como alternativa, e vale saber que ele foi rebaixado: a recomendação o classifica como grade 1B, registrando que a evidência para predizer queda é inconsistente e que ele prediz melhor em idoso de menor funcionalidade. O corte adotado é maior que 15 segundos para levantar da cadeira, andar 3 metros, voltar e sentar.
A atenção primária brasileira, na prática, usa outra coisa. O guia de prevenção de quedas de Belo Horizonte adota a bateria QuickScreen, proposta por Tiedemann, Lord e Sherrington em 2010 e validada para idosos brasileiros, que não inclui o Timed Up and Go. Ela soma oito fatores respondidos como sim ou não: queda nos últimos doze meses, uso de quatro ou mais medicamentos excluindo vitaminas, uso de qualquer psicotrópico, acuidade visual de baixo contraste, sensibilidade tátil, semi-tandem, passo alternado e sentar e levantar da cadeira.
Os cortes da bateria são específicos e caem em prova exatamente porque são fáceis de trocar entre si. Semi-tandem: um pé à frente do outro com afastamento de 2,5 cm, olhos fechados, 10 segundos — não conseguir manter os 10 segundos é positivo. Passo alternado: subir e descer um degrau de 18 cm alternando os pés, oito vezes ao todo, quatro com cada pé — mais de 10 segundos é positivo. Sentar e levantar: cadeira de 43 cm encostada na parede, braços cruzados no peito, cinco repetições completas — mais de 12 segundos é positivo. Acuidade visual: quadro de Snellen a 3 metros — não ler todos os símbolos até a quinta linha é positivo. Sensibilidade tátil: monofilamento de 10 gramas.
A soma dos fatores devolve um risco de cair nos próximos doze meses: de zero a um fator, 7%; de dois a três, 13%; de quatro a cinco, 27%; seis ou mais, 49%. Note o que a bateria diz de importante mesmo sem calculadora — sete em cada dez idosos com seis ou mais fatores ainda assim não cairão no ano, e um em cada catorze sem nenhum fator cairá. O escore orienta a intensidade da intervenção; ele não profetiza o evento.
Queda inexplicada que se repete é síncope até prova em contrário
Este é o parágrafo que mais separa quem estudou o tema de quem decorou 'avaliação multifatorial'. A recomendação internacional é explícita: quedas recorrentes inexplicadas estão, na maioria das vezes, associadas a causa cardiovascular, e a investigação adicional nesses casos deve ser a mesma da síncope (grade 1A).
O motivo é fisiológico e não estatístico. O idoso com perda transitória de consciência frequentemente não a percebe nem a relata — há amnésia do episódio —, então ele descreve a queda como tropeço. 'Não sei o que aconteceu, quando vi estava no chão' é descrição de síncope, não de queda mecânica.
Por isso a avaliação multifatorial já traz, de saída, um bloco cardiovascular mínimo: história cardíaca, ausculta, pressão arterial deitado e em pé e eletrocardiograma de 12 derivações (grade 1B). Se essa avaliação inicial é normal e não há suspeita de síncope, não é preciso ir adiante no eixo cardiovascular (grade 1C). Se há síncope descrita ou presenciada, pré-síncope, ou queda inexplicada de repetição, a investigação passa a ser a da síncope — e essa está no capítulo próprio.
A hipotensão ortostática é a primeira causa cardiovascular na ordem de frequência, e é a única que se trata na própria consulta. Seu manejo deve fazer parte da intervenção multidomínio (grade 1A). O protocolo hospitalar brasileiro traz a orientação prática correspondente: elevar a cabeceira a 30°, sentar no leito com os pés apoiados no chão por cinco minutos e só então sair da cama, com ajuda de profissional.
O que previne queda de verdade — e o que só parece prevenir
Exercício é a intervenção isolada com melhor evidência, mas com uma descrição estreita. O programa tem de incluir exercícios que desafiem o equilíbrio e exercícios funcionais — levantar e sentar, dar passos —, ser oferecido em sessões três ou mais vezes por semana, ser individualizado, progredir em intensidade, durar pelo menos 12 semanas e continuar além disso para maior efeito (grade 1A). Tai chi e treino resistido progressivo individualizado entram quando for viável (grade 1B). Essa recomendação vale para toda pessoa idosa, independentemente do risco avaliado e da idade.
O que não está aí é tão importante quanto o que está: caminhada isolada não é programa de prevenção de queda. Ela é excelente para outros desfechos e não desafia equilíbrio. Prescrever 'caminhe meia hora por dia' para quem tem alteração de marcha é trocar a intervenção eficaz por uma que não foi testada para esse fim — e, em quem já tem alto risco, caminhar rápido sem treino de equilíbrio expõe mais.
Para quem foi classificado como de alto risco, o formato muda: avaliação multifatorial multiprofissional primeiro, intervenção multidomínio desenhada em cima do que essa avaliação achou (grade 1B). Multidomínio significa duas ou mais frentes escolhidas individualmente — não um pacote igual para todos.
As frentes com recomendação própria são a revisão de medicamentos com desprescrição dos fármacos que aumentam risco de queda (grade 1B), o manejo da hipotensão ortostática (1A), a modificação de riscos ambientais da casa feita por profissional treinado (1B) e o tratamento da preocupação de cair (1B). A revisão da receita em si — quais classes, quais critérios, como desprescrever — é o capítulo de polifarmácia e prescrição segura no idoso.
Duas coisas que a prova gosta de oferecer como resposta e não são. Vitamina D para prevenir queda deve ficar reservada a quem tem risco de deficiência de vitamina D — não é medida populacional para idoso da comunidade; em residentes de instituição de longa permanência, ela entra dentro de um pacote de otimização nutricional, com alimentos ricos em cálcio e proteína (grade 1B), e a dose para osso está no capítulo de osteoporose. E dispositivos vestíveis: a evidência atual não sustenta o uso de wearables para prevenir queda; o que há é sinal de que eles aumentam a adesão quando usados dentro de um programa de exercício (grade 2C).
Dentro do hospital, quem manda é o protocolo de segurança do paciente
O protocolo de prevenção de quedas do Ministério da Saúde, da Anvisa e da Fiocruz integra o Programa Nacional de Segurança do Paciente e se aplica a hospitais, a todos os pacientes e a todo o período de permanência. Ele muda a lógica: aqui não se pergunta 'esse paciente cai muito?', pergunta-se 'esse serviço avalia, sinaliza, previne, notifica e mede?'.
A avaliação do risco é feita na admissão, com escala adequada ao perfil de pacientes da instituição, e repetida diariamente até a alta. Reavalia-se também a cada transferência de setor, mudança do quadro clínico, episódio de queda durante a internação e sempre que surgir novo fator de risco — o exemplo que o próprio protocolo dá é o paciente que começa a receber sedativo.
Na admissão avalia-se ainda o risco de dano caso a queda ocorra, que é outra coisa: osteoporose, fratura anterior, uso de anticoagulante e discrasias sanguíneas. Dois pacientes com o mesmo risco de cair podem ter risco de desfecho grave completamente diferente.
A classificação do protocolo é funcional, não numérica. É de alto risco: o paciente independente, que se locomove e realiza suas atividades sem ajuda, mas que tem pelo menos um fator de risco; o paciente dependente de terceiros, que anda com auxílio de pessoa ou dispositivo ou se locomove em cadeira de rodas; e o paciente acomodado em maca, esperando exame ou transferência, com ou sem fatores de risco. É de baixo risco: o paciente acamado, restrito ao leito, completamente dependente; e o indivíduo independente e sem nenhum fator de risco.
Guarde a lista de fatores de risco do protocolo, porque ela tem particularidades: a faixa demográfica inclui crianças menores de 5 anos e idosos acima de 65; entram hipotensão postural, tontura, síncope, convulsão, dor intensa, baixo índice de massa corpórea, anemia, insônia, incontinência ou urgência miccional e para evacuação, artrite, osteoporose e alterações metabólicas como hipoglicemia; entram déficit sensorial de visão, audição ou tato; e entra, no item medicamentos, a polifarmácia definida como uso de quatro ou mais medicamentos.
Ocorrida a queda, a sequência é fixa: notificar, avaliar e atender o paciente imediatamente para atenuar o dano, e analisar o caso no setor onde aconteceu para identificar os fatores contribuintes. O protocolo é claro sobre um ponto que costuma virar distrator: ele não adota nenhuma escala em particular. Cita Morse e stratify como as mais usadas no Brasil e no exterior, registra que a Morse foi traduzida e adaptada para o português em 2013 e avisa que nem a Morse nem as demais são de acesso livre — usar exige autorização dos autores.
Imobilidade: quando o repouso deixa de ser conduta e vira diagnóstico
Repare no que a classificação hospitalar acabou de dizer: o paciente acamado, restrito ao leito e completamente dependente é de baixo risco de queda. Não é erro do protocolo — é a descrição honesta do que aconteceu. Ele parou de cair porque parou de levantar, e o risco migrou inteiro para o outro lado da mesma síndrome.
A imobilidade é uma das grandes síndromes geriátricas, e o caminho até ela costuma passar pela queda. Dor, queda ou medo de cair levam à restrição de atividade; a restrição leva à perda de massa e de força; a perda de força leva a mais instabilidade e a mais dependência; e a dependência leva ao leito. Cada volta do ciclo é mais curta que a anterior, e a partir de certo ponto ela não se desfaz mais.
O custo se distribui por aparelho, e é útil saber de cor porque a prova pede a complicação ou a medida que a previne. No musculoesquelético: perda de força e de massa, encurtamentos e contraturas, com perda óssea acelerada e, na imobilização grave, hipercalcemia da imobilização. No cardiovascular: descondicionamento, queda do volume plasmático e hipotensão ortostática — que devolve o paciente ao risco de queda assim que ele tenta levantar — além do risco de tromboembolismo venoso, cuja profilaxia é assunto do capítulo próprio. No respiratório: menor expansibilidade, retenção de secreção, atelectasia e pneumonia. Na pele: lesão por pressão. No geniturinário: retenção urinária, infecção e incontinência. No digestivo: constipação e impactação fecal. No neuropsíquico: privação sensorial, delirium e depressão.
A prevenção é banal de escrever e difícil de sustentar: reposicionamento programado no leito, sentar fora do leito, mobilização precoce, treino de marcha e equilíbrio assim que possível, e retirada precoce de tudo que amarra o paciente à cama — sonda vesical, acesso, monitor. O intervalo de reposicionamento e a escala de risco de lesão por pressão pertencem ao protocolo de prevenção de lesão por pressão, outro anexo do mesmo Programa Nacional de Segurança do Paciente, e ao capítulo de incontinência urinária e úlceras por pressão no idoso.
Uma medida precisa ser dita pelo nome errado que ela costuma ter: contenção física não previne queda. A recomendação internacional é não usar restrição física como medida de prevenção de queda em instituição de longa permanência (grade 1B). Grade de leito elevada em paciente agitado transforma a queda da altura da cama em queda por cima da grade. A régua de enfermagem para contenção mecânica e a conduta no idoso agitado estão no capítulo de delirium.
A frase que resume o capítulo inteiro cabe numa linha: cama não é tratamento, é prescrição — e prescrição tem indicação, tem dose e tem data para ser revista.
Do rastreio à intervenção: onde cada pessoa idosa entra
O algoritmo internacional tem duas portas de entrada: a busca ativa na consulta de rotina e a chegada ao serviço por causa de uma queda. As duas desembocam na mesma classificação em três faixas, e é a faixa — não o escore — que define o que se oferece.
- 1Pergunte a toda pessoa idosa, pelo menos uma vez por ano: caiu nos últimos 12 meses? sente-se insegura em pé ou andando? tem preocupação de cair?
- 2Qualquer resposta positiva manda avaliar marcha e equilíbrio de forma objetiva — velocidade da marcha em 4 metros e, na indisponibilidade, o Timed Up and Go.
- 3Sem queda no último ano, ou uma queda não grave sem alteração de marcha ou equilíbrio: risco baixo — educação, exercício e reavaliação em 12 meses.
- 4Uma queda não grave, mas com alteração de marcha ou de equilíbrio: risco intermediário — exercício dirigido a equilíbrio e força, ou encaminhamento à fisioterapia.
- 5Queda com lesão que exigiu tratamento, duas ou mais quedas em 12 meses, fragilidade conhecida, incapacidade de levantar sozinho por pelo menos uma hora ou suspeita de perda transitória de consciência: risco alto — avaliação multifatorial multiprofissional.
- 6Do resultado da avaliação multifatorial sai a intervenção multidomínio: exercício, revisão de medicamentos, hipotensão ortostática, ambiente da casa e preocupação de cair.
- 7Em qualquer faixa, queda inexplicada e repetida abre a investigação de síncope, com o mesmo roteiro do capítulo de síncope.
Risco baixo
Nenhuma queda nos últimos 12 meses, ou uma única queda não grave sem alteração de marcha ou de equilíbrio. Baixo risco não é risco nenhum: oferece-se educação sobre prevenção e exercício, e reavalia-se anualmente.
Risco intermediário
Uma queda não grave, mas com alteração de marcha ou de equilíbrio na avaliação objetiva. Recebe tudo do risco baixo mais exercício dirigido a equilíbrio e força, ou encaminhamento à fisioterapia.
Risco alto
Queda com lesão que exigiu tratamento, duas ou mais quedas em 12 meses, fragilidade conhecida, incapacidade de levantar sozinho por pelo menos uma hora, ou suspeita de perda transitória de consciência. Avaliação multifatorial multiprofissional e intervenção multidomínio.
| Teste | Como se faz | Corte que marca risco | Documento que fixa o corte |
|---|---|---|---|
| Velocidade da marcha | Percurso de 4 metros na velocidade habitual, descartando 2 metros de aceleração e 2 de desaceleração; a primeira tentativa é de familiarização | Menos de 0,8 m/s | World Guidelines 2022 — GRADE 1A (teste preferido) |
| Timed Up and Go | Levantar da cadeira, andar 3 metros, virar, voltar e sentar | Mais de 15 segundos | World Guidelines 2022 — GRADE 1B (alternativa, evidência inconsistente) |
| Sentar e levantar da cadeira | Cadeira de 43 cm encostada na parede, braços cruzados no peito, cinco repetições completas o mais rápido possível com segurança | Mais de 12 segundos | Guia PBH 2022 (bateria QuickScreen) |
| Semi-tandem | Um pé à frente do outro com afastamento de 2,5 cm, olhos fechados, por 10 segundos | Não conseguir manter os 10 segundos | Guia PBH 2022 (bateria QuickScreen) |
| Passo alternado | Subir e descer um degrau de 18 cm alternando os pés, oito apoios ao todo (quatro com cada pé) | Mais de 10 segundos | Guia PBH 2022 (bateria QuickScreen) |
| Acuidade visual | Quadro de Snellen a 3 metros, com os óculos de uso habitual | Não ler todos os símbolos até a quinta linha | Guia PBH 2022 (bateria QuickScreen) |
| Sensibilidade tátil | Monofilamento de 10 gramas | Ausência de percepção | Guia PBH 2022 (bateria QuickScreen) |
No hospital: quem o protocolo do Ministério da Saúde chama de alto e de baixo risco
| Situação do paciente | Classificação | O que decorre disso |
|---|---|---|
| Independente, locomove-se e faz suas atividades sem ajuda, mas tem pelo menos um fator de risco | Alto risco | Medidas específicas individualizadas prescritas e implementadas, sinalização visual e comunicação na passagem de plantão |
| Dependente de terceiros: anda com auxílio de pessoa ou de dispositivo, ou se locomove em cadeira de rodas | Alto risco | Alocação próxima ao posto de enfermagem quando possível; só sair do leito acompanhado por profissional, mesmo com acompanhante presente |
| Acomodado em maca, aguardando exame ou transferência, com ou sem fatores de risco | Alto risco | Medidas de transporte seguro; a maca por si já classifica |
| Acamado, restrito ao leito, completamente dependente, com ou sem fatores de risco | Baixo risco | Baixo risco de queda e alto risco de imobilidade: o cuidado migra para reposicionamento, pele, respiratório e mobilização precoce |
| Independente e sem nenhum fator de risco | Baixo risco | Medidas gerais do ambiente seguro, educação e reavaliação diária como todos os demais |
Imobilidade: a complicação por aparelho e a medida que a previne
| Aparelho | O que a imobilidade produz | Medida preventiva |
|---|---|---|
| Musculoesquelético | Perda de força e de massa muscular, encurtamentos e contraturas, perda óssea acelerada e hipercalcemia da imobilização | Mobilização precoce, amplitude articular passiva e ativa, treino de força e de marcha assim que possível |
| Cardiovascular | Descondicionamento, redução do volume plasmático, hipotensão ortostática e risco de tromboembolismo venoso | Sentar fora do leito, levantar em etapas (cabeceira a 30°, pés no chão por 5 minutos) e profilaxia de tromboembolismo conforme o capítulo próprio |
| Respiratório | Redução da expansibilidade, retenção de secreção, atelectasia e pneumonia | Cabeceira elevada, mudança de decúbito programada, estímulo à tosse e à inspiração profunda |
| Pele | Lesão por pressão nas proeminências ósseas | Reposicionamento programado, superfície de suporte e inspeção diária da pele; a escala de risco está no protocolo próprio |
| Geniturinário | Retenção urinária, infecção e incontinência | Retirada precoce de sonda vesical, micção programada e acesso facilitado ao banheiro ou ao dispositivo |
| Digestivo | Constipação e impactação fecal | Hidratação, fibras, mobilização e rotina de evacuação |
| Neuropsíquico | Privação sensorial, delirium e depressão | Óculos e aparelho auditivo em uso, orientação temporal, luz de dia, sono à noite e retirada de dispositivos que prendem ao leito |
O protocolo do Ministério da Saúde não adota nenhuma escala em particular. Cita a Morse e a STRATIFY como as mais usadas no Brasil e no exterior, registra que a Morse foi traduzida e adaptada para o português em 2013 e avisa que nenhuma delas é de acesso livre — o uso depende de autorização dos autores.
Na admissão avalia-se também o risco de dano caso a queda ocorra, que é distinto do risco de cair: osteoporose, fratura anterior, uso de anticoagulante e discrasias sanguíneas.
Os quatro indicadores do protocolo: proporção de pacientes com avaliação de risco de queda realizada na admissão; número de quedas com dano; número de quedas sem dano; e índice de quedas, que é (nº de eventos ÷ nº de pacientes-dia) × 1.000.
A bateria QuickScreen devolve o risco de cair em 12 meses por número de fatores: de zero a um, 7%; de dois a três, 13%; de quatro a cinco, 27%; seis ou mais, 49%.
O IVCF-20 classifica vulnerabilidade clínico-funcional, não risco de queda: de 0 a 6 pontos, baixo risco; de 7 a 14, moderado; 15 ou mais, alto. Ele entra aqui só porque embute o teste de marcha de 4 metros — a leitura do índice pertence ao capítulo de avaliação geriátrica ampla e fragilidade.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Avaliar com escala adequada ao perfil da instituição, na admissão e diariamente até a alta
O protocolo brasileiro determina avaliação do risco na admissão com o emprego de uma escala adequada ao perfil de pacientes da instituição, repetida diariamente e a cada transferência, mudança de quadro ou nova queda. Não prescreve qual escala; cita Morse e STRATIFY como as mais usadas. O instrumento aqui cumpre função de governança: gera registro auditável, dispara a sinalização à beira do leito e alimenta os quatro indicadores do programa de segurança do paciente.
Ministério da Saúde / Anvisa / Fiocruz — Protocolo Prevenção de Quedas, Programa Nacional de Segurança do Paciente (2013)
Não usar ferramentas pontuadas de rastreio no hospital; tratar todo internado com mais de 65 anos como de alto risco
A recomendação internacional é fazer avaliação multifatorial de risco de queda em todo idoso internado acima de 65 anos e recomenda contra o uso de ferramentas pontuadas de rastreio de risco de queda no hospital para esse fim (GRADE 2B). O argumento é de acurácia: em população em que quase todos são de alto risco, o escore separa pouco e consome o tempo que deveria ir para a avaliação e para a intervenção. Vale o mesmo para instituição de longa permanência, onde a recomendação é não rastrear e considerar todos os residentes de alto risco (GRADE 1A).
World guidelines for falls prevention and management for older adults, Age and Ageing 2022;51(9):afac205
Na prova
A causa da diferença é dupla: data — 2013 contra 2022 — e finalidade do instrumento, governança auditável de um lado, acurácia preditiva do outro. O recorte se identifica pelo vocabulário do enunciado. Núcleo de Segurança do Paciente, notificação, indicador, sinalização à beira do leito, RDC e pacientes-dia são vocabulário do corpo brasileiro. Estratificação de risco, GRADE, sensibilidade e valor preditivo são vocabulário do corpo internacional. As alternativas também entregam: se uma delas nomeia Morse ou STRATIFY, a questão está dentro do protocolo nacional; se uma delas diz 'considerar todos os internados como alto risco', está no corpo internacional. Prova oficial do MEC tende à conduta do SUS.
Velocidade da marcha abaixo de 0,8 m/s como teste preferido, com o Timed Up and Go acima de 15 segundos como alternativa
A recomendação internacional coloca a velocidade da marcha em GRADE 1A pela capacidade preditiva e pela simplicidade, e rebaixa o Timed Up and Go a GRADE 1B, registrando que a evidência para predição de queda é inconsistente e que ele prediz melhor em idosos de menor funcionalidade. O corte do Timed Up and Go adotado é maior que 15 segundos.
World guidelines for falls prevention and management for older adults, Age and Ageing 2022
Bateria de oito fatores do QuickScreen, sem Timed Up and Go, com cortes próprios por teste
O guia municipal de prevenção de quedas adota o QuickScreen Clinical Falls Risk Assessment, validado para idosos brasileiros, que soma queda no último ano, quatro ou mais medicamentos, uso de psicotrópico, acuidade visual, sensibilidade tátil, semi-tandem, passo alternado e sentar e levantar — e converte o número de fatores em probabilidade de cair em 12 meses. O Timed Up and Go não faz parte da bateria; a velocidade da marcha entra pelo IVCF-20, com percurso de 4 metros.
Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte — Guia Prevenção de Quedas em Idosos (2022)
Na prova
A causa é de exequibilidade e de validação local: a bateria brasileira foi montada para ser aplicada por equipe multiprofissional de atenção primária com material de consultório e foi validada em idosos brasileiros, enquanto o corte internacional foi escolhido por desempenho preditivo em revisão sistemática. Cenário de UBS, NASF, Academia da Cidade, grupo de prevenção ou agente comunitário aponta para a bateria brasileira. Enunciado que fala em estratificação de risco, GRADE ou compara instrumentos aponta para o corpo internacional. E as alternativas denunciam: um distrator com semi-tandem, passo alternado ou monofilamento só existe no mundo do QuickScreen.
Quatro ou mais medicamentos
O protocolo nacional de prevenção de quedas lista, entre os fatores de risco de uso de medicamentos, a polifarmácia definida como uso de quatro ou mais medicamentos. O guia municipal repete o mesmo número, citando a Organização Mundial da Saúde, e o incorpora como um dos oito itens da bateria — 'quatro ou mais medicamentos, excluindo vitaminas'.
Ministério da Saúde / Anvisa / Fiocruz (2013) e Guia Prevenção de Quedas em Idosos, PBH (2022)
Cinco ou mais medicamentos
O protocolo estadual de atenção à saúde do idoso usa cinco ou mais medicamentos como critério de polifarmácia — ao lado de polipatologia com cinco ou mais diagnósticos — para indicar encaminhamento ao ambulatório de geriatria. É também o corte da definição numérica corrente de polifarmácia usada na revisão de prescrição.
Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Protocolo de Atenção à Saúde do Idoso (Portaria SES-DF nº 41/2014)
Na prova
A causa é de construto: os dois números respondem a perguntas diferentes. Quatro ou mais é um limiar de sinalização de risco de queda, calibrado para ser sensível dentro de uma bateria em que ele é apenas um item entre oito. Cinco ou mais é a definição de polifarmácia como problema de prescrição, usada para acionar revisão da receita e encaminhamento. Enunciado que fala em risco de queda, bateria de rastreio ou protocolo de segurança do paciente trabalha com quatro; enunciado que fala em revisão de medicamentos, desprescrição, critérios de Beers ou encaminhamento à geriatria trabalha com cinco. O capítulo de polifarmácia e prescrição segura no idoso trata do segundo.
Caso resolvido
- achado
- Duas quedas nos últimos doze meses e incapacidade de levantar sozinho por período prolongado — o critério internacional usa pelo menos uma hora, e quarenta minutos no chão sem conseguir levantar descreve exatamente o mesmo fenômeno de perda de força de membros inferiores. Ausência de fratura não muda a classificação.
- medida objetiva
- 4 metros em 6,0 segundos são 0,67 m/s, abaixo do corte de 0,8 m/s. Marcha lenta confirmada objetivamente, com o instrumento de maior força de recomendação e sem equipamento nenhum além de um cronômetro e uma fita no chão.
- o que o 'não foi nada' esconde
- Deixou a feira e evitou sair: restrição de atividade por preocupação de cair, que é preditor e é alvo de tratamento. A avaliação da preocupação de cair deve usar instrumento padronizado, como a FES-I ou a FES-I curta.
- descartar o que não é queda mecânica
- O relato é de escorregão com mecanismo claro, sem amnésia do episódio; a pressão deitado e em pé não mostra queda relevante e o eletrocardiograma é normal. Avaliação cardiovascular inicial normal e sem suspeita de síncope: não é preciso ir adiante nesse eixo.
- classificação
- Risco alto — duas ou mais quedas em doze meses e incapacidade de levantar sozinho já bastam, cada um isoladamente. Não é risco intermediário, porque o intermediário pressupõe uma única queda não grave.
- conduta
- Avaliação multifatorial multiprofissional e, a partir dela, intervenção multidomínio: exercício com desafio de equilíbrio e exercícios funcionais, três ou mais vezes por semana, progressivo, por pelo menos 12 semanas; avaliação do ambiente da casa por profissional treinado; revisão da receita; e abordagem da preocupação de cair. Preenche critério de encaminhamento à referência em saúde da pessoa idosa por duas ou mais quedas em doze meses e alteração de marcha.
- o que não fazer
- Prescrever caminhada como programa de prevenção, prescrever vitamina D sem risco de deficiência, ou orientar 'evite sair de casa' — esta última acelera o ciclo que trouxe o paciente até aqui.
Agora feche você
- achado
- Paciente encontrada no chão: é queda pela definição do protocolo, com ou sem dano. Antes do episódio ela já era de alto risco pela própria classificação do protocolo — dependente de auxílio de dispositivo para se locomover.
- falha de processo
- A avaliação de risco foi feita só na admissão. O protocolo exige reavaliação diária até a alta, e também a cada transferência de setor, mudança do quadro clínico, episódio de queda ou surgimento de novo fator de risco.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Só contar como queda o que chegou ao chão A definição do protocolo inclui o episódio em que o paciente precisou de amparo durante o deslocamento, ainda que não tenha chegado ao chão. A queda amparada é queda, e é justamente a que some do registro — o acompanhante segurou, ninguém notificou, e o indicador do serviço fica bonito enquanto o risco continua ali. Na consulta ambulatorial o efeito é o mesmo: quem pergunta só 'caiu?' perde o escorregão em que a pessoa se segurou na pia.
- 2Trocar os 12 segundos do sentar e levantar pelo cronômetro do Timed Up and Go São dois testes diferentes, com cadeira e cronômetro nos dois, e números que se confundem. Sentar e levantar da cadeira: cinco repetições completas, positivo acima de 12 segundos, item da bateria QuickScreen usada na atenção primária brasileira. Timed Up and Go: uma única ida e volta de 3 metros, corte acima de 15 segundos, e classificado como alternativa de força menor à velocidade da marcha. Trocar um pelo outro erra o teste, o número e a fonte ao mesmo tempo.
- 3Concluir que o paciente acamado é o de maior risco de queda Parece contraintuitivo e é o oposto: pelo protocolo do Ministério da Saúde, o paciente acamado, restrito ao leito e completamente dependente é de baixo risco de queda. Quem está em alto risco é o independente com um fator de risco, o dependente que anda com auxílio ou cadeira de rodas e o paciente acomodado em maca. O acamado saiu do risco de cair e entrou inteiro no risco de imobilidade — o cuidado não diminui, muda de eixo.
- 4Prescrever caminhada como prevenção de queda O programa com evidência é outro: exercícios que desafiam o equilíbrio mais exercícios funcionais como levantar e sentar e dar passos, três ou mais vezes por semana, individualizados, progressivos em intensidade, por pelo menos 12 semanas. Caminhada não desafia equilíbrio, e em quem já tem alto risco caminhar rápido sem treino de equilíbrio expõe mais do que protege. Tai chi e treino resistido progressivo entram como acréscimo, não como substituto.
- 5Chamar de queda mecânica a queda que se repete sem explicação Quedas recorrentes inexplicadas em idoso estão associadas, na maioria das vezes, a causa cardiovascular, e a investigação adicional é a mesma da síncope. A armadilha nasce da amnésia do episódio: o paciente não percebe a perda de consciência e descreve um tropeço. 'Quando vi, estava no chão' não é relato de tropeço. Antes de fechar o caso como distúrbio de marcha, meça a pressão deitado e em pé e faça o eletrocardiograma de 12 derivações.
- 6Suplementar vitamina D para prevenir queda em todo idoso A recomendação internacional restringe a suplementação de vitamina D com finalidade de prevenir queda a quem tem risco de deficiência. Em residentes de instituição de longa permanência ela entra, mas dentro de um pacote de otimização nutricional com alimentos ricos em cálcio e proteína. Suplementar todo mundo não é a intervenção do tema — o que reduz queda é exercício com desafio de equilíbrio. A dose de vitamina D para osso é assunto do capítulo de osteoporose.
- 7Elevar as grades e conter no leito para 'evitar nova queda' Contenção física não é medida de prevenção de queda, e a recomendação internacional é explícita contra esse uso em instituição de longa permanência. Grade elevada em quem está determinado a levantar transforma a queda da altura da cama em queda por cima da grade, com energia maior. Além disso, contenção produz agitação, delirium e imobilidade. A régua de enfermagem para contenção mecânica e o manejo do idoso agitado estão no capítulo de delirium.
- 8Parar de perguntar quando a resposta é 'não me machuquei' Duas informações mudam a classificação mesmo sem lesão nenhuma: quantas quedas houve nos últimos doze meses e quanto tempo a pessoa ficou no chão sem conseguir levantar. Duas ou mais quedas em doze meses, ou incapacidade de levantar sozinho por pelo menos uma hora, colocam o paciente em alto risco por si só — e o tempo prolongado no chão ainda traz rabdomiólise, desidratação, hipotermia e lesão por pressão como problemas próprios.
O Timed Up and Go avalia levantar da cadeira, marcha e equilíbrio, sendo instrumento clássico de rastreio de risco de quedas (correta). O MEEM avalia cognição. A escala de Yesavage rastreia depressão. O índice de Katz mede independência nas atividades básicas de vida diária, não a marcha diretamente. O CAGE rastreia uso abusivo de álcool.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Idoso de 78 anos é levado pela família à UBS por episódios de queda em casa nos últimos meses. Como parte da abordagem preventiva na atenção primária, qual das medidas abaixo é a mais custo-efetiva e recomendada para reduzir o risco de novas quedas?
A prevenção de quedas no idoso é multifatorial: revisão de medicamentos (especialmente psicotrópicos, hipotensores), correção de déficit visual, avaliação da marcha/força e adaptação do ambiente (retirar tapetes, iluminação, barras de apoio). Contenção física e repouso no leito aumentam o risco de imobilismo, sarcopenia e mais quedas, além de serem antiéticos. TC de crânio de rotina não é indicada sem trauma ou sinais neurológicos.
Uma mulher de 72 anos, previamente independente, procura a Unidade Básica de Saúde relatando duas quedas no último ano ao caminhar na rua. Após os episódios, passou a evitar sair de casa e a reduzir as atividades diárias por medo de cair novamente. Nega perda de consciência, dor torácica ou palpitações. Faz uso apenas de losartana, com pressão arterial controlada e sem hipotensão ortostática. Ao exame, apresenta força muscular discretamente reduzida em membros inferiores e teste Timed Up and Go de 16 segundos; acuidade visual e exame neurológico sem alterações relevantes. Qual é a medida mais eficaz para reduzir o risco de novas quedas nesta paciente?
Trata-se de quedas recorrentes com fraqueza de membros inferiores, mobilidade reduzida (TUG acima de 12 s) e medo de cair — a síndrome pós-queda. A intervenção com maior evidência para reduzir quedas em idosos da comunidade é o exercício físico com treino de equilíbrio e fortalecimento, por fisioterapia ou programas comunitários. Orientar repouso e restringir a deambulação piora força, equilíbrio e autonomia, aumentando o risco de novas quedas e de imobilidade. Os protetores de quadril reduzem apenas o risco de fratura em populações específicas e não previnem a queda, não devendo ser medida isolada. Indicar cadeira de rodas para uma idosa previamente independente antecipa a perda funcional que se quer evitar: retira o estímulo de marcha e acelera o descondicionamento.
Homem de 82 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhado da filha, para consulta de rotina. Ela relata que, nos últimos seis meses, ele sofreu duas quedas da própria altura dentro de casa, sem perda de consciência, e que passou a evitar sair à rua com medo de cair novamente. Tem hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo 2 e insônia; usa hidroclorotiazida, enalapril, metformina, glibenclamida e clonazepam (iniciado há dois anos por outro serviço). Ao exame: PA 138x82 mmHg deitado e 112x66 mmHg após 3 minutos em pé, com tontura referida; acuidade visual reduzida bilateralmente; marcha lentificada, com base alargada; Timed Up and Go de 18 segundos; força muscular globalmente preservada; exame neurológico sem déficits focais. Considerando a Avaliação Geriátrica Ampla, qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Correta a investigação multifatorial do risco de quedas, com desprescrição e exercícios: quedas em idosos são síndrome geriátrica de causa multifatorial, e a AGA identifica aqui pelo menos quatro fatores de risco modificáveis e prioritários — medicamentos inapropriados (benzodiazepínico, diurético, glibenclamida com risco de hipoglicemia), hipotensão ortostática (queda ≥20 mmHg na sistólica com sintomas), déficit visual e alteração de marcha/equilíbrio (TUG ≥12-20 s). A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde e pelas diretrizes de prevenção de quedas é a intervenção multifatorial, com desprescrição e exercícios de equilíbrio/força. Solicitar ressonância de crânio e encaminhar ao neurologista é incorreto: sem déficit focal, cefaleia ou sinais de alarme, a neuroimagem não é o passo inicial e desvia da causa evidente. Densitometria com cálcio e vitamina D é incorreta como conduta principal: prevenir fratura é importante, mas não trata a causa das quedas — é medida complementar, não a resposta ao problema. Orientar repouso e aumentar o clonazepam é francamente iatrogênico: restringir a deambulação agrava o descondicionamento e o medo de cair, e aumentar o benzodiazepínico eleva ainda mais o risco de nova queda.
Mulher de 79 anos comparece à unidade básica de saúde acompanhada do filho, relatando três quedas nos últimos dois meses, todas ao levantar-se da cama pela manhã ou da cadeira após as refeições, precedidas por tontura e escurecimento visual, sem perda de consciência prolongada, sem palpitações e sem liberação esfincteriana. É hipertensa e teve doxazosina acrescentada ao esquema há três meses. Nega uso de benzodiazepínicos ou álcool. Ao exame: lúcida, orientada, mini-exame do estado mental 28/30; PA deitada 134/80 mmHg, FC 72 bpm; após 3 minutos em pé, PA 104/60 mmHg, FC 76 bpm, com referência de tontura. Exame neurológico sem déficits focais; Dix-Hallpike negativo; força e marcha preservadas, Timed Up and Go de 13 segundos. Qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta?
A queda da pressão sistólica ≥ 20 mmHg (134→104) em até 3 minutos de ortostase, com sintomas reprodutíveis ao levantar-se, define hipotensão ortostática; o gatilho temporal é a doxazosina (alfabloqueador), fármaco potencialmente inapropriado no idoso e causa clássica de queda por hipotensão postural. A conduta de generalista é a desprescrição/troca do anti-hipertensivo somada a medidas não farmacológicas — revisão de medicamentos é a intervenção de maior impacto na prevenção de quedas. Errada: a tontura não é desencadeada por movimentação da cabeça e o Dix-Hallpike foi negativo, afastando VPPB. Errada: não houve perda de consciência com pródromo vagal em contexto típico, e a documentação da hipotensão ortostática torna o tilt test desnecessário. Errada: ausência de sintomas neurológicos focais ou déficits, e o quadro é plenamente explicado pela hipotensão postural — investigação vascular e antiagregação não estão indicadas.
Mulher de 76 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, acompanhada da filha, que relata dois episódios de queda da própria altura nos últimos seis meses, ambos dentro de casa, sem perda de consciência e sem fraturas. É hipertensa em uso de losartana e hidroclorotiazida, mora sozinha, deambula sem dispositivo auxiliar e permanece independente para as atividades básicas de vida diária. Ao exame, está lúcida e orientada, PA 132x78 mmHg, FC 72 bpm, sem déficits neurológicos focais e com força muscular preservada nos quatro membros. O médico de família deseja avaliar objetivamente a mobilidade e estratificar o risco de novas quedas. Assinale a opção que indica o teste adequado para essa finalidade.
O Timed Up and Go cronometra o tempo que a pessoa leva para levantar de uma cadeira com braços, andar 3 metros, girar, retornar e sentar; é o instrumento recomendado pelas diretrizes de avaliação de quedas (Caderno de Atenção Básica nº 19 / SBGG) para triagem de mobilidade em idosos que caíram, sendo tempo maior ou igual a 12-20 segundos indicativo de risco aumentado e gatilho para avaliação multifatorial. O MEEM rastreia declínio cognitivo, não mobilidade — e a paciente está lúcida e orientada. A Escala de Katz mede independência nas AVDs básicas, já referida como preservada, e não quantifica marcha nem equilíbrio. A Escala de Braden estima risco de lesão por pressão em pacientes com imobilidade/acamados, contexto oposto ao desta idosa que deambula.
Homem de 79 anos é levado pela filha à Unidade Básica de Saúde. É hipertenso em uso de hidroclorotiazida e independente para as atividades básicas de vida diária. A filha relata que, nos últimos 12 meses, o pai sofreu três quedas da própria altura dentro de casa, sem fraturas, sendo que em uma delas houve tontura ao levantar-se. Ao exame, a marcha está discretamente insegura e o teste Timed Up and Go é realizado em 16 segundos. Segundo as diretrizes de atenção à saúde da pessoa idosa do Ministério da Saúde, a conduta inicial mais adequada é:
Quedas recorrentes (≥ 2 em um ano) e TUG prolongado (> 12 s) sinalizam risco elevado e indicam AVALIAÇÃO MULTIFATORIAL do risco de quedas — revisão de fármacos, pesquisa de hipotensão postural (sugerida pela tontura ortostática e pelo uso de tiazídico), marcha e segurança domiciliar. Minimizar quedas como 'próprias da idade' contraria a diretriz, que as trata como evento sentinela. Exame de imagem/neurologia não é o passo inicial diante de quedas mecânicas/ortostáticas, sem sinais neurológicos focais. Aumentar o diurético tende a piorar a hipotensão postural, elevando o risco de novas quedas.
Mulher de 82 anos, mora sozinha, comparece a consulta de seguimento após duas quedas no último ano, sem síncope, ambas ao caminhar na sala. Faz uso apenas de losartana. Exame neurológico normal, força muscular preservada, sem hipotensão ortostática; Timed Up and Go de 18 segundos, com instabilidade no giro. A equipe já revisou as medicações (nenhuma de risco), corrigiu a acuidade visual com nova lente e realizou adequação ambiental do domicílio. Vitamina D sérica de 34 ng/mL. Assinale a intervenção com maior evidência para reduzir novas quedas nesta paciente.
Em idosos da comunidade com risco de queda (TUG > 12-13 s e instabilidade), o exercício multicomponente com treino de equilíbrio e fortalecimento progressivo é a intervenção isolada com melhor evidência de redução de quedas, sendo o próximo passo após revisão de medicações, visão e ambiente. A vitamina D está suficiente (>30 ng/mL) e doses altas/intermitentes não reduzem quedas — podem até aumentá-las. Dispositivo de marcha sem prescrição de altura adequada e treino não reduz quedas e pode aumentar o risco. Bisfosfonato reduz fratura em osteoporose, mas não altera a incidência de quedas.
Equipe de enfermagem de enfermaria clínica revisa a classificação de risco de queda dos pacientes internados segundo o protocolo de prevenção de quedas do Programa Nacional de Segurança do Paciente. Qual paciente é classificado como de BAIXO risco de queda?
O protocolo classifica como baixo risco duas situações: o paciente acamado, restrito ao leito e completamente dependente de terceiros, com ou sem fatores de risco, e o indivíduo independente sem nenhum fator de risco. Todas as demais são alto risco: o paciente independente que se locomove sozinho mas tem pelo menos um fator de risco (alternativa 1 — diurético e hipotensão postural), o paciente dependente de terceiros ou que anda com auxílio de pessoa ou dispositivo (alternativa 2), o que se locomove em cadeira de rodas (alternativa 5) e o acomodado em maca aguardando exame ou transferência, com ou sem fatores de risco (alternativa 4). O ponto contraintuitivo é justamente o da resposta: o acamado total sai do risco de cair e entra no risco de imobilidade, o que muda o eixo do cuidado sem diminuí-lo.
Homem de 85 anos, previamente deambulando com bengala, está internado há sete dias por pneumonia, já afebril e sem oxigênio suplementar. Permanece no leito o dia inteiro por orientação de 'repouso'. A família nota que ele ficou mais confuso à noite e que se queixa de tontura quando senta. Qual a interpretação e a conduta corretas?
Sete dias de leito em quem andava com bengala produzem a síndrome da imobilidade adquirida na internação: perda de força e de massa muscular, redução do volume plasmático com hipotensão ortostática — que explica a tontura ao sentar — e privação sensorial com delirium, que explica a confusão noturna. A conduta é mobilização precoce, sentar fora do leito, levantar em etapas (cabeceira a 30°, pés apoiados no chão por cinco minutos antes de sair da cama) e retirada precoce de sonda, acesso e monitor que amarram o paciente. A alternativa 1 naturaliza uma complicação iatrogênica. A alternativa 2 atribui à infecção um sintoma postural em paciente afebril e sem hipoxemia. A alternativa 4 agrava tudo: contenção não previne queda e piora agitação, delirium e imobilidade. A alternativa 5 institucionaliza uma perda funcional potencialmente reversível antes de tentar reverter.
Mulher de 76 anos, sem queixas, comparece à unidade básica para renovação de receita. Nega quedas no último ano. Segundo a recomendação internacional de prevenção de quedas, o que deve ser feito nessa consulta em relação ao risco de queda?
A pergunta isolada sobre queda no último ano é muito específica e pouco sensível: a sensibilidade vai de 43% entre 65 e 74 anos a 67% acima dos 85, o que deixa passar muitos que vão cair. Por isso a recomendação acrescenta as três perguntas-chave — caiu no último ano, sente-se insegura em pé ou andando, tem preocupação de cair — e manda avaliar marcha e equilíbrio objetivamente diante de qualquer resposta positiva. A alternativa 1 erra ao tratar a ausência de relato como ausência de risco. A alternativa 3 confunde rastreio de queda com investigação de fratura. A alternativa 4 erra o cenário: a escala de Morse é instrumento de risco de queda em paciente hospitalizado, citada pelo protocolo de segurança do paciente, e não é ferramenta de atenção primária. A alternativa 5 erra porque a vitamina D com essa finalidade se reserva a quem tem risco de deficiência.
Homem de 80 anos é avaliado após uma queda única, sem lesão, no último ano. Nega perda de consciência e não apresenta fragilidade ou outras quedas. Na avaliação objetiva, percorre 4 metros em 6 segundos, correspondendo a velocidade de marcha de 0,67 m/s. Qual conduta corresponde à sua faixa de risco?
A velocidade de marcha de 0,67 m/s está abaixo do corte de 0,8 m/s recomendado para estratificação do risco de quedas. Uma queda única não grave associada a alteração objetiva de marcha ou equilíbrio enquadra o paciente em risco intermediário, indicando exercício dirigido a equilíbrio e força ou encaminhamento à fisioterapia. Avaliação multifatorial imediata é reservada ao risco alto, como quedas recorrentes, queda com lesão, fragilidade, permanência prolongada no chão ou suspeita de síncope. Contenção física não previne quedas e pode causar dano. Fontes: World Guidelines for Falls Prevention and Management for Older Adults (2022); CDC STEADI.
Homem de 84 anos comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina, acompanhado do neto. Relata duas quedas nos últimos doze meses; na última, há dois meses, escorregou ao sair do banheiro à noite e permaneceu cerca de quarenta minutos no chão, sem conseguir levantar sozinho, até o neto chegar. Não houve fratura nem necessidade de atendimento. Usa losartana e sinvastatina. Ao exame: pressão arterial 132 x 78 mmHg deitado e 118 x 70 mmHg em pé, sem sintomas; ausculta cardíaca normal; eletrocardiograma de 12 derivações sem alterações. Percorre 4 metros em 6,0 segundos. Qual a classificação de risco de queda e a conduta correspondente?
Duas ou mais quedas em doze meses e incapacidade de levantar sozinho por período prolongado são, cada um isoladamente, critérios de alto risco — a ausência de fratura não rebaixa a classificação. Alto risco manda avaliação multifatorial multiprofissional, da qual sai a intervenção multidomínio. A alternativa 1 erra porque risco baixo pressupõe nenhuma queda ou uma única queda não grave sem alteração de marcha, e a marcha aqui é de 0,67 m/s, abaixo de 0,8 m/s. As alternativas 2 e 3 erram porque risco intermediário pressupõe queda única; além disso, a vitamina D para prevenir queda se restringe a quem tem risco de deficiência, e densitometria pertence à investigação de osteoporose. A alternativa 5 erra porque a avaliação cardiovascular inicial (pressão deitado e em pé, ausculta e eletrocardiograma) foi normal e o mecanismo da queda foi relatado, sem amnésia — não há indicação de investigar síncope, muito menos de internar.
Uma equipe de saúde da família vai organizar um grupo de prevenção de quedas para pessoas idosas do território. Qual prescrição de exercício corresponde à recomendação com maior força de evidência para reduzir quedas?
A recomendação de maior força prescreve programas que incluam exercícios que desafiem o equilíbrio e exercícios funcionais, como levantar e sentar e dar passos, com sessões três ou mais vezes por semana, individualizados, progredidos em intensidade, por pelo menos 12 semanas e mantidos além disso para maior efeito; tai chi e treino resistido progressivo entram como acréscimo. A alternativa 1 é o erro clássico: caminhada não desafia equilíbrio e não é programa de prevenção de queda — em quem já tem alto risco pode até expor mais. A alternativa 3 não contém desafio de equilíbrio nem progressão de intensidade e tem duração insuficiente. A alternativa 4 tem frequência baixa e erra ao universalizar a vitamina D, que se reserva a quem tem risco de deficiência. A alternativa 5 contraria a posição de que a evidência atual não sustenta wearables como intervenção para prevenir quedas.
Durante auditoria do Núcleo de Segurança do Paciente de um hospital, discute-se quais eventos devem ser notificados como queda segundo o protocolo do Ministério da Saúde. Qual das situações abaixo NÃO deve ser registrada como queda?
O protocolo define queda como deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior à posição inicial, resultando ou não em dano, e determina que se considere queda quando o paciente é encontrado no chão ou quando, durante o deslocamento, necessita de amparo ainda que não chegue ao chão. As situações 1 e 3 são quedas amparadas e contam — inclusive a partir de assentos como a cadeira higiênica, expressamente citada. A situação 2 conta pela regra do paciente encontrado no chão, mesmo sem testemunha e sem dano. A situação 5 conta e ainda entra no indicador de quedas com dano. A situação 4 é a única em que não houve deslocamento para nível inferior nem necessidade de amparo durante deslocamento: o paciente permaneceu sentado o tempo todo, e o evento a notificar seria a lipotimia, não uma queda.
Mulher de 82 anos é levada ao ambulatório pela filha por três quedas em oito meses. Em todas, a paciente diz que 'não sabe o que aconteceu' e que, quando percebeu, já estava no chão; não houve tontura prévia, palpitação ou aviso. Não há fraturas. A marcha é normal e o exame neurológico não mostra déficits. Qual a conduta mais apropriada?
Quedas recorrentes inexplicadas em idoso associam-se, na maioria das vezes, a causa cardiovascular, e a recomendação é que a investigação adicional seja a mesma da síncope. O relato 'não sei o que aconteceu, quando vi estava no chão' descreve amnésia do episódio, típica de perda transitória de consciência, e não de tropeço — sobretudo com marcha e exame neurológico normais. A avaliação inicial obrigatória inclui história cardíaca, ausculta, pressão arterial deitado e em pé e eletrocardiograma de 12 derivações; a hipotensão ortostática é a causa cardiovascular mais frequente. A alternativa 1 comete exatamente o erro que a recomendação combate. A alternativa 2 inverte a ordem: neuroimagem não é primeira linha em queda sem déficit focal nem trauma craniano relevante. A alternativa 3 não trata a causa. A alternativa 5 oferece medida ambiental sem diagnóstico, e grade de leito não previne queda.
Homem de 69 anos foi classificado na admissão hospitalar como de baixo risco de queda: independente, deambula sozinho e sem qualquer fator de risco identificado. No quarto dia de internação, recebe a primeira dose de um sedativo prescrito para insônia. Segundo o protocolo de prevenção de quedas do Programa Nacional de Segurança do Paciente, o que a equipe deve fazer?
O protocolo determina avaliação do risco na admissão e reavaliação diária até a alta, e também a cada transferência de setor, mudança do quadro clínico, episódio de queda durante a internação e sempre que surgir novo fator de risco — o exemplo que o próprio documento dá é o paciente que passa a receber sedativo. A classificação é funcional, não numérica: é de alto risco o paciente independente que se locomove sozinho mas tem pelo menos um fator de risco, o dependente de terceiros ou de dispositivo e o acomodado em maca; é de baixo risco apenas o acamado totalmente dependente e o independente sem fator nenhum. Congelar a classificação da admissão contraria a exigência de reavaliação, e esperar a queda inverte a lógica da prevenção. A dependência não é o único critério — o sedativo sozinho já muda a faixa. E contenção não é medida de prevenção de queda: a restrição física figura entre as causas de delirium e a grade elevada converte a queda da altura da cama em queda por cima da grade.
Mulher de 74 anos vem à unidade básica para consulta de rotina. Perguntada pelas três questões de rastreio, nega quedas nos últimos doze meses e nega insegurança ao ficar em pé ou ao andar, mas responde que tem preocupação de cair — e conta que, por causa disso, deixou de ir à igreja e de caminhar na rua no último ano. A marcha parece normal à observação informal do consultório. Qual a conduta correta?
A terceira pergunta do rastreio é a que costuma ser descartada como subjetiva e é a que mais rende: preocupação de cair não é queixa a tranquilizar, é preditor e é alvo de tratamento — o medo afeta quase metade das pessoas idosas que não caíram recentemente, e a restrição de atividade que ele provoca traz descondicionamento, instabilidade e a queda seguinte. Resposta positiva a qualquer uma das três perguntas manda avaliar marcha e equilíbrio de forma objetiva, com velocidade da marcha em quatro metros, e não pela impressão do consultório. A preocupação em si se mede com instrumento padronizado e se trata com exercício, terapia cognitivo-comportamental e terapia ocupacional. Orientar que evite sair acelera exatamente o ciclo que trouxe a paciente até aqui. Ansiolítico soma sedação e risco de queda. Densitometria pertence à investigação de osteoporose, e a vitamina D com finalidade de prevenir queda se reserva a quem tem risco de deficiência.
Homem de 78 anos pontua seis dos oito fatores da avaliação QuickScreen de risco de quedas na atenção primária. Considerando a estimativa da validação original de Tiedemann e colaboradores (2010), qual é o risco de apresentar duas ou mais quedas nos próximos doze meses e como interpretar esse resultado?
Na validação original do QuickScreen, seis ou mais fatores corresponderam a aproximadamente 49% de probabilidade de duas ou mais quedas em doze meses. O desfecho é queda recorrente, não qualquer queda. Assim, o complemento de 51% inclui tanto pessoas sem quedas quanto pessoas com uma queda isolada. O resultado apoia a avaliação dos fatores modificáveis e a prevenção, mas não prevê com certeza o que acontecerá com um indivíduo nem determina, por si só, internação. As alternativas de 7% e 13% não correspondem à faixa descrita; a afirmação de certeza de queda também é incorreta.
Sobre a relação entre sarcopenia e quedas no idoso, qual intervenção tem maior evidência de benefício?
Programas multifatoriais com exercício de força e equilíbrio, revisão de medicações, correção de visão e audição, avaliação do ambiente e tratamento de condições clínicas reduzem quedas de forma consistente. Restringir a deambulação engana quem tenta reduzir a exposição ao risco, mas acelera o descondicionamento e aumenta a chance de queda e de fratura quando o idoso volta a andar.
Paciente com doenca de Parkinson apresenta tonturas ao levantar, com queda de 30 mmHg na pressao sistolica em ortostase. Qual conjunto de medidas e apropriado?
A hipotensao ortostatica no parkinsoniano combina disautonomia da propria doenca com efeito das drogas dopaminergicas e de anti-hipertensivos, e o manejo comeca por medidas nao farmacologicas e revisao da prescricao, com fludrocortisona ou agentes pressores em casos refratarios. Restringir sal e agua ou usar diuretico engana quem aplica automaticamente a logica do paciente hipertenso - aqui essas medidas agravam o problema e aumentam o risco de sincope e fratura.
Na prevencao de quedas em idoso com parkinsonismo, qual conjunto de intervencoes tem melhor evidencia?
As intervencoes multifatoriais com componente de exercicio - treino de equilibrio e forca - somadas a desprescricao de psicotropicos, correcao de visao, adequacao ambiental e correcao de deficiencia de vitamina D sao as que reduzem quedas de forma consistente. Restringir mobilidade engana porque parece proteger, mas produz descondicionamento, sarcopenia e MAIS quedas, alem de delirium e ulceras por pressao. Hipnotico e um dos principais farmacos associados a queda no idoso.
Idosa de 83 anos que sofreu queda sem fratura passa a evitar sair de casa e reduz drasticamente a movimentacao por medo de cair novamente. Qual e o nome desse quadro e a conduta?
A sindrome pos-queda combina medo de cair, restricao voluntaria de atividades e perda de confianca, e cria um circulo vicioso de descondicionamento, sarcopenia, isolamento e aumento real do risco de novas quedas; a abordagem envolve fisioterapia com treino de marcha e equilibrio, exercicio progressivo, adequacao ambiental e manejo do componente psicologico. Benzodiazepinico piora o risco de queda e a cognicao, sendo a pior escolha. Antidepressivo isolado nao trata o descondicionamento, embora depressao possa coexistir. Reforcar a restricao acelera o declinio funcional. Demencia tem quadro cognitivo progressivo e nao explica a mudanca comportamental restrita ao medo de cair.
Qual teste simples avalia mobilidade e risco de quedas em idosos na pratica ambulatorial?
O teste de levantar da cadeira, caminhar tres metros, voltar e sentar, medido em segundos, avalia forca, equilibrio e marcha de forma rapida e reprodutivel, com tempos prolongados indicando maior risco de quedas e necessidade de avaliacao detalhada e intervencao com exercicio. O teste de Romberg avalia propriocepcao e equilibrio estatico, sem medir mobilidade funcional. O miniexame do estado mental rastreia cognicao e a escala de depressao geriatrica rastreia humor, dominios importantes da avaliacao ampla, mas nao a mobilidade. O indice de massa corporal informa estado nutricional, com a ressalva de que perde acuracia no idoso pela alteracao de composicao corporal.
Paciente parkinsoniano relata episodios de 'travamento dos pes' ao iniciar a marcha e ao passar por portas, com quedas associadas. Qual conduta ajuda a reduzir esse fenomeno?
O congelamento da marcha responde mal a ajustes farmacologicos isolados e melhora com pistas externas que 'contornam' o circuito automatico comprometido - linhas no chao, metronomo, contagem de passos - alem de fisioterapia dirigida e adequacao do ambiente. Escalonar a levodopa engana porque parte dos episodios ocorre nos periodos 'off' e melhora com ajuste, mas o congelamento tambem acontece no 'on', e o excesso traz discinesias. Benzodiazepinico e antipsicotico aumentam o risco de queda.
Mulher de 82 anos e trazida pela filha por duas quedas no ultimo semestre. Usa nove medicamentos, entre eles clonazepam e amitriptilina. Refere tontura ao levantar. Qual a primeira intervencao com maior impacto na prevencao de novas quedas?
A polifarmacia com psicotropicos e drogas anticolinergicas e um dos fatores de risco modificaveis mais potentes para quedas em idosos, e a desprescricao criteriosa, associada a avaliacao de hipotensao ortostatica, marcha, equilibrio, visao e ambiente, e a intervencao de maior impacto. Prescrever dispositivo de auxilio sem avaliacao pode ate aumentar o risco se inadequado. Tomografia de rotina sem trauma ou sinal neurologico nao previne quedas. Calcio e vitamina D reduzem risco de fratura em deficientes, mas nao previnem a queda em si. Restringir a deambulacao acelera o descondicionamento e a sarcopenia, aumentando o risco, e o exercicio multicomponente e justamente uma das medidas mais eficazes.
Qual e a conduta correta diante de idoso com queda recorrente e hipotensao ortostatica documentada?
A hipotensao ortostatica e causa tratavel de quedas e frequentemente iatrogenica, o que torna prioritaria a revisao de anti-hipertensivos, diureticos, alfabloqueadores, nitratos, antidepressivos e antipsicoticos, associada a orientacoes de levantar lentamente, hidratacao adequada, elevacao da cabeceira e meias compressivas, alem de investigar disautonomia, diabetes, parkinsonismo e insuficiencia adrenal. Aumentar anti-hipertensivo agrava o problema. Repouso prolongado piora o descondicionamento. Benzodiazepinico aumenta risco de queda, sendo a pior escolha possivel. Fludrocortisona pode ser considerada em casos selecionados e refratarios, mas nao como conduta inicial universal.
Homem de 86 anos internado ha cinco dias por insuficiencia cardiaca permanece restrito ao leito. Quais sao as consequencias esperadas da imobilidade e a conduta?
A imobilidade no idoso hospitalizado provoca perda de massa muscular em poucos dias, alem de ulceras por pressao, trombose venosa, pneumonia, constipacao, incontinencia, delirium e declinio funcional que muitas vezes nao se recupera apos a alta, motivo pelo qual a mobilizacao precoce e progressiva e uma das intervencoes de maior impacto. Considerar irrelevante em internacoes curtas contraria os dados de perda funcional hospitalar. Repouso prolongado na insuficiencia cardiaca compensada nao e recomendado. Sedacao aumenta delirium e quedas. Contencao fisica, longe de prevenir quedas, aumenta lesoes, agitacao e mortalidade, sendo pratica a ser evitada.
Qual estratégia melhor previne o declínio funcional em idoso hospitalizado?
A imobilidade hospitalar é causa modificável de declínio funcional e de institucionalização, e a mobilização precoce é a intervenção com melhor rendimento, reduzindo perda muscular, delirium, tromboembolismo e tempo de internação. O repouso prescrito por conforto é o hábito que a questão critica. Dispositivos que dispensam o paciente de levantar reforçam a imobilidade e adicionam risco infeccioso. Jejum prolongado agrava a sarcopenia, e sedação noturna aumenta delirium e queda.
Paciente de 86 anos, internado e acamado por pneumonia, sem sangramento ativo e sem contraindicação. Qual medida profilática é obrigatória?
Paciente clínico agudo, idoso e restrito ao leito tem risco tromboembólico elevado, e a heparina de baixo peso molecular ou não fracionada, na ausência de contraindicação, é medida obrigatória — a compressão pneumática substitui quando há risco de sangramento. Antibiótico profilático para trato urinário não é indicado e seleciona resistência. Sonda vesical de demora sem indicação é fator de risco para infecção e para imobilidade. Contenção física aumenta delirium, queda e lesão, e restrição hídrica favorece desidratação.
Idosa de 81 anos sofreu duas quedas nos últimos seis meses, sem síncope. Qual a avaliação inicial mais adequada?
Queda no idoso é síndrome geriátrica de causa multifatorial, e a abordagem estruturada avalia fármacos de risco, força e equilíbrio com testes como levantar e caminhar cronometrado, acuidade visual, hipotensão ortostática, calçado, cognição e riscos domiciliares. Partir direto para exame de imagem ou monitorização cardíaca sem síncope nem sinais focais tem baixo rendimento. Dispositivo de auxílio prescrito sem avaliação e sem treino pode até aumentar o risco de nova queda.
Idoso de 79 anos, após duas semanas de internação com repouso no leito, apresenta perda de força de membros inferiores, hipotensão ao levantar-se e constipação. Qual conjunto de complicações caracteriza melhor esse quadro?
O imobilismo prolongado desencadeia uma cascata previsível: perda de massa e força muscular em ritmo de 1 a 3% ao dia nos primeiros dias, redução do volume plasmático com intolerância ortostática, constipação, resistência insulínica, perda óssea, risco tromboembólico e lesão por pressão. Reconhecer o conjunto evita atribuir cada peça a uma doença nova. Neuropatia diabética não explica a hipotensão postural aguda associada ao repouso, e miastenia cursa com fatigabilidade flutuante e acometimento ocular ou bulbar.
Qual das medidas abaixo compõe a avaliação multifatorial do idoso que sofreu queda?
A queda no idoso é sintoma multifatorial e sua avaliação inclui revisar a polifarmácia — benzodiazepínicos, anti-hipertensivos, hipoglicemiantes e anticolinérgicos são os principais culpados —, testar marcha e equilíbrio, checar visão, avaliar hipotensão ortostática, cognição, força, estado nutricional e segurança do domicílio. Repouso prolongado, contenção e restrição da deambulação produzem descondicionamento, sarcopenia e mais quedas: são exatamente as condutas que agravam o problema que pretendem prevenir. Exercício e fisioterapia reduzem recorrência.
Qual classe medicamentosa tem associação mais consistente com quedas em idosos e deve ser priorizada na revisão da prescrição?
Os fármacos que atuam no sistema nervoso central — benzodiazepínicos, hipnóticos, antidepressivos, antipsicóticos e anticonvulsivantes — são os que mais consistentemente aumentam quedas, e a retirada gradual reduz o risco. Os antiagregantes preocupam por agravar a consequência da queda, sobretudo hemorragia intracraniana, mas não aumentam a chance de cair — confundir gravidade do desfecho com risco do evento é o erro que a questão testa.
Idosa de 76 anos completa o teste de levantar e caminhar cronometrado em 18 segundos. Como interpretar esse resultado?
O teste de levantar e caminhar cronometrado com tempo igual ou superior a 12 segundos sinaliza mobilidade prejudicada e risco aumentado de queda, servindo de gatilho para avaliação multifatorial. O teste mede mobilidade e não estabelece por si o diagnóstico de sarcopenia, que exige avaliação de massa e força muscular — usar um instrumento de rastreio como critério diagnóstico de outra síndrome é o erro conceitual mais comum.
Mulher de 80 anos relata três quedas em 6 meses, todas em casa, sem perda de consciência. Usa clonazepam para insônia, tem catarata bilateral, artrose de joelhos e mora em casa com tapetes soltos. Qual a melhor abordagem inicial?
Queda no idoso é síndrome geriátrica multifatorial, e o que reduz recorrência é a intervenção simultânea sobre os fatores encontrados: revisão de fármacos, exercício com treino de equilíbrio e força, correção visual, adequação ambiental e tratamento da dor articular. Investigar apenas o eixo cardiológico ou o neurológico é o recorte parcial mais comum. Restringir a mobilidade acelera o descondicionamento e aumenta o risco.
Sobre a prevenção de quedas em idoso com osteoporose, qual intervenção tem melhor evidência?
Exercício com componente de equilíbrio e força, somado à revisão de fármacos de risco — benzodiazepínicos, anti-hipertensivos causando hipotensão postural, anticolinérgicos, hipoglicemiantes — é a estratégia com melhor evidência de redução de quedas. Prescrever benzodiazepínico é o oposto: sedação, alteração de marcha e mais quedas. Restringir a deambulação engana quem quer proteger e acaba causando descondicionamento, que aumenta o risco.
Idosa de 82 anos, com fraturas múltiplas e medo de cair, permanece a maior parte do dia sentada e evita sair de casa. Qual a consequência mais provável dessa conduta e a abordagem correta?
O medo de cair leva à restrição de atividade, que produz sarcopenia, perda de equilíbrio e mais perda óssea, aumentando paradoxalmente o risco de queda e de fratura — é o ciclo que a reabilitação precisa quebrar com treino progressivo supervisionado. Achar que o repouso protege engana quem raciocina apenas com a exposição ao trauma e ignora que a fragilidade produzida pela imobilidade é o principal fator de risco modificável.
Qual intervenção isolada apresenta a melhor evidência para prevenção de quedas em idosos que vivem na comunidade?
Exercício estruturado com componente de equilíbrio é a intervenção isolada com melhor evidência de redução de quedas na comunidade. A suplementação universal de vitamina D é o distrator mais escolhido: beneficia quem tem deficiência, mas em doses altas e em populações repletas chegou a aumentar quedas em alguns estudos. Restringir atividade produz o efeito oposto do pretendido, com perda de massa muscular e piora do equilíbrio.
Mulher de 83 anos com múltiplas quedas apresenta PA deitada de 148/82 mmHg e, após 3 minutos em pé, 118/70 mmHg com tontura. Usa doxazosina, hidroclorotiazida e amitriptilina. Qual a primeira conduta?
Diante de hipotensão ortostática sintomática em idoso polimedicado, a primeira medida é retirar ou reduzir os agentes responsáveis — alfabloqueador, diurético e tricíclico atuam todos nesse sentido — antes de acrescentar fármaco pressor. Iniciar fludrocortisona ou midodrina sem revisar a prescrição é somar um remédio para tratar o efeito de outros, exatamente a lógica da cascata iatrogênica que a avaliação geriátrica busca interromper.
Mulher de 82 anos, frágil, é internada por pneumonia e permanece restrita ao leito. Qual medida reduz de forma mais efetiva a perda funcional durante a internação?
O declínio funcional hospitalar se instala em poucos dias de imobilidade e frequentemente não é recuperado após a alta; mobilização precoce e reabilitação são as medidas protetoras. Contenção física, sonda vesical desnecessária e sedativo noturno formam a tríade que produz delirium, imobilidade e infecção — são intervenções tomadas para 'proteger' o paciente e que na prática o incapacitam, sendo por isso os distratores mais realistas.
Qual fator ambiental doméstico está mais associado a quedas em idosos e deve ser corrigido na visita domiciliar?
Superfícies escorregadias, tapetes sem fixação, iluminação insuficiente, escadas sem corrimão e banheiro sem barras concentram os riscos ambientais modificáveis; a avaliação domiciliar com adequação do ambiente é componente eficaz dos programas multifatoriais de prevenção. As demais alternativas descrevem características sem relação com o risco de queda.
Sobre as consequências da imobilidade prolongada no idoso, qual conjunto de complicações é esperado?
A imobilidade desencadeia uma cascata previsível que atinge todos os sistemas: perda de massa e força muscular em poucos dias, encurtamentos e contraturas, isquemia tecidual com lesão por pressão, estase venosa com trombose, redução do peristaltismo com constipação e fecaloma, incontinência funcional, descondicionamento cardiovascular com hipotensão ortostática e desmineralização óssea. Também aumenta o risco de pneumonia por redução da expansibilidade e do clearance — imaginar proteção respiratória pelo repouso engana e inverte o mecanismo.
Qual medida é adequada para idoso com quedas e déficit visual por catarata?
A cirurgia de catarata, especialmente do primeiro olho, reduz a incidência de quedas em idosos. Os óculos multifocais são o distrator sofisticado: aumentam o risco de queda ao caminhar e ao descer escadas, por distorcerem a percepção de profundidade no campo inferior, e recomenda-se lente de visão única para deambulação externa.
Idosa de 84 anos com múltiplas quedas e osteoporose confirmada por densitometria. Além do tratamento antirresortivo, qual medida reduz o risco de fratura relacionada a quedas?
A prevenção de fratura tem duas frentes: fortalecer o osso e evitar o impacto. Vitamina D adequada, exercício com treino de equilíbrio e mudanças ambientais como retirada de tapetes, iluminação noturna, barras de apoio e calçado adequado atuam sobre a segunda. Sedar para impedir que o idoso se levante é o oposto do cuidado seguro, porque aumenta o risco de queda quando ele inevitavelmente levantar.
Qual é a consequência da síndrome pós-queda com medo de cair sobre a funcionalidade do idoso?
O medo de cair é um desfecho clínico próprio, e não uma queixa menor: ele produz evitação, perda de força e de equilíbrio, isolamento e depressão, e o resultado final é mais quedas, não menos. Por isso a abordagem inclui componente comportamental além do exercício. Supor que a evitação protege é o raciocínio intuitivo e errado que a questão quer desmontar.
Qual classe medicamentosa está mais fortemente associada ao aumento do risco de quedas em idosos e deve ser revisada na avaliação?
Os psicotrópicos encabeçam a lista dos medicamentos que aumentam quedas por sedação, lentificação psicomotora e hipotensão, e a desprescrição é uma das intervenções mais eficazes da avaliação multifatorial. Anti-hipertensivos com hipotensão postural, anticolinérgicos e opioides completam o grupo. As demais classes listadas têm efeitos adversos relevantes, mas não a associação direta e consistente com queda.
Idoso de 78 anos relata tontura ao levantar-se. Pressão arterial deitado 140x80 mmHg e, após 3 minutos em pé, 112x66 mmHg, com reprodução dos sintomas. Qual o diagnóstico e a primeira conduta?
Queda de pelo menos 20 mmHg na sistólica ou 10 mmHg na diastólica em até três minutos em pé define hipotensão ortostática, causa frequente e tratável de queda no idoso. A abordagem começa por revisar anti-hipertensivos, diuréticos e psicotrópicos, garantir hidratação e ensinar levantar em etapas, deixando fármacos como fludrocortisona e midodrina para casos refratários. Anticoagular por tontura postural é conduta sem qualquer base.
Idosa de 84 anos, com duas quedas nos últimos 6 meses, marcha lentificada, uso de cinco medicamentos, incluindo benzodiazepínico para insônia. Qual a intervenção com maior impacto na prevenção de novas quedas?
A abordagem multifatorial da queda no idoso tem dois pilares de maior impacto: revisar a prescrição, retirando benzodiazepínicos, anticolinérgicos, hipnóticos e outros fármacos que aumentam risco, e programa de exercícios com treino de força e equilíbrio. Restringir a mobilidade engana quem quer proteger o paciente e produz sarcopenia, mais fraqueza e mais quedas, além de imobilidade que gera lesão por pressão. Cálcio e vitamina D atuam sobre a saúde óssea e a fratura, não sobre a ocorrência da queda em si.
Mulher de 84 anos, sarcopênica e com múltiplas comorbidades, é internada e permanece 8 dias no leito. Qual a taxa aproximada de perda de massa muscular esperada e sua implicação?
A perda de massa e força começa nos primeiros dias de repouso e é desproporcionalmente maior no idoso, o que explica por que muitos pacientes deixam o hospital com dependência que não tinham na admissão. Supor que o repouso é neutro é o pressuposto que sustenta prescrições de 'repouso no leito' sem indicação, e a recuperação leva semanas a meses de reabilitação, não horas.
Idosa de 85 anos, após queda, permanece 6 horas no chão até ser encontrada. Além das lesões traumáticas, qual complicação deve ser ativamente pesquisada?
O tempo prolongado no chão é marcador independente de mau prognóstico e associa-se a rabdomiólise por compressão, desidratação, hipotermia, lesão por pressão e pneumonia, além de forte impacto sobre a confiança para deambular. Focar apenas nas fraturas é o recorte que deixa passar complicações metabólicas potencialmente fatais nas horas seguintes.
Qual síndrome descreve o medo persistente de cair, com restrição voluntária de atividades e piora progressiva da mobilidade?
A síndrome pós-queda combina medo de cair, redução voluntária de atividades, descondicionamento e aumento paradoxal do risco de nova queda, criando um círculo vicioso; sua abordagem exige reabilitação com exposição gradual e suporte psicológico. Reconhecê-la importa porque o paciente pode ter poucas lesões físicas e ainda assim perder independência de forma acelerada.
Qual instrumento é utilizado para triagem rápida de mobilidade e risco de queda em idosos na atenção primária?
O teste de levantar e andar cronometrado avalia em poucos segundos força, equilíbrio e marcha, e é a triagem mais prática em consultório, complementada por testes de equilíbrio e de velocidade de marcha. Glasgow avalia consciência, índice tornozelo-braquial avalia doença arterial periférica, Framingham estima risco cardiovascular e o questionário de Berlim rastreia apneia do sono — todos válidos, mas para outras perguntas.
Mulher de 81 anos caiu em casa há 2 meses, sem fratura. Desde então deixou de sair, evita andar sem apoio e reduziu as atividades por medo de nova queda. A filha relata que a paciente passa o dia sentada. Ao exame: marcha lentificada, base alargada, teste de levantar e andar em 19 segundos. Qual a conduta?
O medo de cair gera restrição de atividade, que produz perda de massa muscular e piora do equilíbrio, fechando um ciclo que aumenta o risco de nova queda — por isso a resposta é avaliação multifatorial somada a exercício com componentes de força e equilíbrio. Prescrever repouso ou cadeira de rodas acelera exatamente o descondicionamento que se quer evitar, e benzodiazepínico é uma das classes que mais aumentam quedas no idoso.
Qual achado ao exame físico sugere que a queda teve componente de fraqueza muscular proximal, e não apenas instabilidade postural?
Levantar-se sem usar os braços depende diretamente da força de extensores de quadril e joelho, e a incapacidade de fazê-lo é o sinal mais prático de fraqueza proximal à beira do leito. Romberg positivo indica déficit proprioceptivo, nistagmo aponta causa vestibular e a hipotensão ortostática é um eixo hemodinâmico — todos são causas de queda, mas por mecanismos distintos do muscular.
Idosa de 80 anos com quedas recorrentes tem 25-hidroxivitamina D de 12 ng/mL. Qual a conduta?
Corrigir a deficiência documentada é apropriado, e o benefício sobre quedas concentra-se justamente em quem tem níveis baixos, dentro de um programa multifatorial. Doses anuais muito altas em bolus estão associadas a aumento paradoxal de quedas e fraturas em alguns estudos, o que torna esse esquema o distrator perigoso — a reposição deve ser regular e em doses adequadas.
Ao final da avaliação multifatorial de um idoso com quedas, qual estratégia tem maior probabilidade de reduzir novas quedas?
As evidências mostram que programas multifatoriais e personalizados, com acompanhamento e verificação de adesão, superam intervenções isoladas. Material educativo aumenta conhecimento, mas isoladamente não reduz quedas, e é o distrator escolhido por ser a intervenção mais fácil de aplicar. Restringir a mobilidade com cadeira de rodas agrava o descondicionamento e a dependência.
Idosa de 85 anos, restrita ao leito há 3 semanas após fratura de úmero tratada conservadoramente, apresenta lesão em região sacral com perda de espessura total da pele, tecido subcutâneo exposto, sem exposição de músculo, tendão ou osso. Como se classifica a lesão e qual a medida mais importante?
A perda de espessura total da pele com tecido subcutâneo visível, sem exposição de estruturas profundas, define lesão por pressão de estágio 3; o estágio 1 é eritema que não embranquece com pele intacta, o 2 é perda parcial com leito róseo úmido, e o 4 expõe músculo, tendão, cartilagem ou osso. Reconhecer o estágio orienta o cuidado local, mas a intervenção decisiva é sempre remover a causa: reposicionamento programado, superfície de suporte redistribuidora de pressão, mobilização o quanto possível, além de desbridamento quando indicado, cobertura adequada, controle de dor, otimização nutricional com proteína e tratamento de infecção. Tratar como estágio 1 subestima a lesão. Indicar retalho imediato é desproporcional e não é conduta inicial. Úlcera venosa ocorre em terço distal de perna, com hiperpigmentação e edema, e compressão em sacro não faz sentido. Dermatite por incontinência não cursa com perda de espessura total.
Idosa de 82 anos com fratura de colo de fêmur após queda é internada. Qual a conduta que mais reduz mortalidade e complicações?
Fratura de fêmur proximal em idoso é evento sentinela, com mortalidade em 1 ano que chega a 20 a 30 por cento, e a evidência aponta na mesma direção: cirurgia precoce, idealmente em 24 a 48 horas, reduz mortalidade, dor, delirium, úlcera por pressão, pneumonia e tempo de internação. Ao lado dela vêm analgesia eficaz, incluindo bloqueio regional, profilaxia de tromboembolismo, prevenção de delirium, avaliação geriátrica e reabilitação começando no primeiro dia após a operação. Tratamento conservador com tração e semanas de leito é conduta histórica e hoje reservada a exceções, pois entrega o paciente à síndrome da imobilidade, sendo o distrator mais atraente para quem superestima o risco anestésico. Postergar dez dias para otimização generalizada também piora desfecho, e a otimização deve ser rápida e dirigida. O tratamento da osteoporose é essencial, mas depois, e não antes da estabilização cirúrgica.
Mulher de 74 anos relata duas quedas nos últimos 6 meses, ambas em casa, sem perda de consciência. Usa clonazepam para insônia, amitriptilina para dor crônica e furosemida. Refere tontura ao levantar. Qual a intervenção com maior impacto na prevenção de novas quedas?
Queda no idoso é síndrome multifatorial, e a intervenção com melhor evidência é a avaliação multifatorial com ações combinadas: revisão de medicamentos, exercício com foco em força e equilíbrio, correção de déficit visual, tratamento de hipotensão postural, ajuste do ambiente e reposição de vitamina D quando deficiente. Entre os fatores modificáveis, os fármacos são os de maior rendimento imediato, e este caso reúne três clássicos: benzodiazepínico, tricíclico e diurético, todos na lista de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos, com sedação, efeito anticolinérgico e hipotensão. Trocar por benzodiazepínico de meia-vida longa agrava o problema, e é o distrator que engana quem foca no sono. Restringir mobilidade com colar, cadeira de rodas ou repouso produz sarcopenia, descondicionamento e mais quedas, além de imobilidade e suas complicações. Tomografia e eletroencefalograma não são rotina em quedas sem perda de consciência e sem déficit neurológico.
Idosa de 81 anos, com catarata bilateral e visao corrigida de 20/80, apresenta quedas recorrentes. Ela usa oculos multifocais. A orientacao correta e:
Deficit visual e fator de risco modificavel para quedas, e a correcao da catarata reduz quedas; alem disso, lentes multifocais distorcem a percepcao de profundidade e do contorno de degraus, sendo desaconselhadas para deambulacao fora de casa. Manter os multifocais por comodidade engana porque parece favorecer a adaptacao, mas e justamente o efeito prismatico nas bordas que faz o idoso errar o degrau. Idade avancada nao contraindica a cirurgia, que tem baixa morbidade e alto ganho funcional.
Paciente acamado ha 8 meses, com contraturas em flexao de joelhos e cotovelos, dor a mobilizacao passiva e perda de amplitude articular. A medida que teria evitado esse quadro e a conduta atual sao:
Contraturas em flexao sao consequencia previsivel da imobilidade e se previnem com mobilizacao passiva precoce, posicionamento e orteses de posicionamento intermitentes; instaladas, o objetivo passa a ser conforto, analgesia, manutencao da amplitude possivel e prevencao de agravamento. Indicar repouso absoluto engana quem associa acamado a imobilidade obrigatoria, mas e justamente o que produz a contratura, a sarcopenia e a lesao por pressao.
Idosa de 76 anos refere tontura ao levantar-se pela manha. A pressao arterial e de 138x84 mmHg deitada e de 112x70 mmHg apos 3 minutos em pe, com reproducao do sintoma. O diagnostico e:
Queda de pelo menos 20 mmHg na pressao sistolica ou 10 mmHg na diastolica em ate 3 minutos de ortostase define hipotensao ortostatica, e a reproducao do sintoma confirma a relevancia clinica; a conduta inclui revisar anti-hipertensivos, diureticos e psicotropicos. A vertigem posicional engana por tambem piorar com a mudanca de posicao, mas produz vertigem rotatoria desencadeada por movimentos da CABECA, com nistagmo a manobra especifica, e nao queda pressorica.
Mulher de 79 anos relata duas quedas nos ultimos 6 meses, sem sincope. Na avaliacao inicial na unidade, o instrumento mais adequado para triagem do risco de novas quedas e:
O teste de levantar e andar cronometrado avalia mobilidade, equilibrio e forca de membros inferiores em um so gesto e e a triagem funcional recomendada apos queda, junto com a pesquisa ativa do historico de quedas. Avaliacao cognitiva e de funcionalidade basica engana porque compoem a avaliacao geriatrica ampla e informam risco global, mas nao medem diretamente marcha e equilibrio. Escala de risco de lesao por pressao e escore embolico respondem a outras perguntas.
Idoso de 82 anos com quedas recorrentes usa, entre outros, alprazolam para insonia. Sobre a intervencao com maior impacto na reducao de novas quedas nesse caso:
As intervencoes com melhor evidencia sao multifatoriais e combinam exercicio de equilibrio e fortalecimento com revisao de medicamentos, e o benzodiazepinico e uma das classes de maior associacao com queda. Trocar por hipnotico nao benzodiazepinico engana quem busca 'opcao mais leve', mas essa classe tambem aumenta quedas e fraturas no idoso. Restringir a deambulacao acelera o descondicionamento e aumenta o risco no medio prazo — o oposto do objetivo.
Sobre o exercicio na prevencao de quedas em idosos da comunidade, a modalidade com melhor evidencia e:
A reducao de quedas depende de treino que desafie o equilibrio de forma progressiva, somado a fortalecimento — e o efeito e proporcional ao volume e a continuidade do programa. Caminhada isolada engana porque melhora condicionamento cardiovascular, mas nao treina especificamente o controle postural, e em terreno irregular pode ate aumentar o risco em quem ja cai. Alongamento isolado nao tem efeito demonstrado sobre quedas, e atividade em meio aquatico nao transfere ganho suficiente para o equilibrio em solo.
Em visita domiciliar a idoso com quedas recorrentes, a modificacao ambiental com maior potencial de reducao de risco e:
Tapetes soltos, iluminacao deficiente e ausencia de apoio no banheiro estao entre os fatores ambientais mais associados a queda, e sua correcao integra os programas multifatoriais eficazes. Carpete espesso engana quem pensa em amortecer o impacto, mas dificulta o deslizamento do pe e aumenta tropecos, alem de atrapalhar dispositivos de auxilio a marcha. Restringir a circulacao reduz exposicao a curto prazo as custas de imobilidade, sarcopenia e mais quedas depois.
Sobre a relação entre quedas, imobilidade e hematoma subdural crônico no idoso, qual conduta preventiva é mais adequada após o tratamento?
A prevenção de novas quedas é a intervenção que evita a recidiva do trauma e envolve avaliação multifatorial, com desprescrição de sedativos e hipotensores excessivos, correção de déficit visual, treino de força e equilíbrio e adequação do domicílio. Restringir a deambulação é o erro que gera sarcopenia e aumenta o risco de queda a médio prazo. Sedativos figuram entre as medicações que mais contribuem para quedas e nunca devem ser a resposta preventiva.
Homem de 79 anos refere desequilibrio progressivo e sensacao de inseguranca ao caminhar, sem vertigem rotatoria. Tem catarata bilateral, neuropatia periferica diabetica, artrose de joelhos e usa cinco medicamentos, incluindo um hipnotico. Ja caiu duas vezes. Qual a abordagem mais adequada?
No idoso, a tontura costuma ser multifatorial, somando deficit visual, neuropatia com perda proprioceptiva, alteracao musculoesqueletica, disfuncao vestibular e efeitos de farmacos, e a abordagem eficaz atua em todos esses eixos simultaneamente. Prescrever antivertiginoso continuo engana porque parece tratar diretamente a queixa, mas essa classe seda, piora a cognicao e o equilibrio e aumenta o risco de queda no idoso. Aguardar exame antes de qualquer medida, prescrever repouso e realizar manobra empirica sem diagnostico posicional nao resolvem o problema.
Mulher de 83 anos com fratura de quadril refere que já caiu quatro vezes no último ano. Faz uso de amitriptilina para insônia, clonazepam, hidroclorotiazida e tem catarata bilateral não operada. Qual a intervenção com maior potencial de reduzir novas quedas?
Quedas recorrentes no idoso pedem intervenção multifatorial, e os elementos de maior rendimento são retirar as drogas que sedam e causam hipotensão — antidepressivo tricíclico, benzodiazepínico e diurético —, treinar força e equilíbrio e corrigir a visão. Reduzir a deambulação parece proteger, mas acelera a perda de massa muscular e piora o equilíbrio, aumentando o risco. Elevar a dose do benzodiazepínico agrava diretamente o problema. Cálcio isolado e densitometrias repetidas atuam sobre a fragilidade óssea, não sobre o evento queda, que é o que precisa ser interrompido.
Sobre a avaliação de quedas em idosos, é correto afirmar:
Queda no idoso é síndrome geriátrica multifatorial, e cada fator identificado é uma oportunidade de intervenção: benzodiazepínicos, antipsicóticos, anti-hipertensivos com hipotensão postural e hipoglicemiantes que causam hipoglicemia estão entre os principais culpados modificáveis; visão e audição comprometidas, fraqueza muscular, distúrbios de marcha, déficit cognitivo e obstáculos no domicílio completam o mapa. Programas multifatoriais reduzem quedas de forma comprovada. Limitar-se ao osso fraturado ou à densitometria trata a consequência e deixa a causa intacta.
Sobre a imobilidade prolongada após fratura de quadril em idosos, é correto afirmar:
Cada dia acamado custa massa muscular, condicionamento e independência, além de multiplicar o risco de trombose, pneumonia, úlceras de pressão e delirium — motivo pelo qual protocolos modernos priorizam saída do leito no primeiro dia de pós-operatório, com carga conforme tolerado quando a fixação permite. A ideia de que o repouso protege está entre as heranças mais nocivas do manejo antigo, e reduzir estímulos não previne delirium: pelo contrário, imobilidade, contenção e privação sensorial estão entre seus principais precipitantes em idosos hospitalizados.
Idosa de 79 anos, que mora sozinha, é avaliada em visita domiciliar pela equipe de Saúde da Família. Refere duas quedas no último ano, dificuldade para levantar da cadeira sem apoio e uso de clonazepam há 6 anos para insônia. Mora em casa com tapetes soltos e banheiro sem barras. Qual é a intervenção de maior impacto para reduzir o risco de nova queda?
O uso crônico de benzodiazepínico é fator de risco modificável de peso para quedas no idoso, e sua retirada gradual, somada à adequação ambiental e ao treino de força e equilíbrio, é a intervenção de maior impacto. Suplementar cálcio e vitamina D isoladamente não corrige o principal fator de risco identificado. A densitometria informa risco de fratura, mas não deve retardar medidas preventivas imediatas. Recomendar repouso agrava sarcopenia e descondicionamento, aumentando o risco de novas quedas.
Mulher de 78 anos, viúva, mora sozinha e é acompanhada na Estratégia Saúde da Família por hipertensão e osteoartrite. Na visita domiciliar, a equipe identifica duas quedas nos últimos seis meses, a última com escoriação no antebraço. Usa amitriptilina para insônia há dois anos, mantém tapetes soltos na sala e não tem barra de apoio no banheiro. Ao exame: marcha lentificada, teste de levantar e andar cronometrado em 18 segundos, sem déficit focal. A conduta mais adequada é:
Duas ou mais quedas no ano, ou uma queda com lesão associada a alteração de marcha, indicam avaliação multifatorial e intervenção combinada, que é a estratégia com maior evidência de redução de quedas: revisão de medicamentos de risco (a amitriptilina é anticolinérgica e sedativa), exercício de força e equilíbrio e adequação ambiental. Solicitar neuroimagem sem déficit focal não altera a conduta e atrasa as medidas efetivas. Cálcio e vitamina D isolados não reduzem quedas de forma consistente e não substituem o pacote multifatorial. Restringir a mobilidade acelera o descondicionamento e a sarcopenia, aumentando o risco de novas quedas e a perda de autonomia.
Homem de 80 anos relata na Unidade Básica de Saúde tonturas ao levantar-se da cama pela manhã e um episódio de queda sem perda de consciência. Usa hidroclorotiazida, losartana, doxazosina e amitriptilina para dor neuropática. Ao exame, pressão arterial deitado de 138 x 80 mmHg e, após três minutos em pé, de 108 x 66 mmHg, com frequência cardíaca variando de 72 para 78 bpm. Marcha discretamente instável, sem déficits neurológicos focais e sem sopros carotídeos. A conduta inicial mais adequada é:
Queda pressórica superior a 20 mmHg na sistólica ao ortostatismo, com sintomas, define hipotensão ortostática, cuja causa mais frequente e reversível no idoso é medicamentosa; a primeira medida é revisar o esquema, reduzindo diurético, alfabloqueador e antidepressivo tricíclico, além de orientar levantar-se lentamente, hidratação e elevação da cabeceira. Aumentar o diurético agrava a depleção. Fludrocortisona é medida de segunda linha, indicada após falha das medidas não farmacológicas e da revisão terapêutica. Meia elástica ajuda, mas manter todos os fármacos deixa a causa principal intocada.
Mulher de 84 anos, previamente independente e que caminhava sem apoio, está internada há oito dias por pneumonia, já com boa resposta ao antibiótico. Permaneceu no leito durante toda a internação, com sonda vesical instalada no segundo dia e dieta oferecida no leito. Hoje apresenta dificuldade para sentar-se sozinha, fraqueza global, medo de levantar e área de eritema não branqueável na região sacral. Sinais vitais estáveis e afebril há três dias. A conduta prioritária para evitar declínio funcional é:
A hospitalização do idoso frequentemente causa desfuncionalização por imobilismo, dispositivos desnecessários e privação de estímulos; a prioridade é retirar sonda vesical sem indicação, iniciar sedestação e deambulação precoces, alimentar fora do leito e acionar reabilitação, prevenindo lesão por pressão, sarcopenia e dependência. Manter repouso agrava a perda funcional. Suplemento nutricional isolado não recupera função sem exercício e mobilização. Prescrever cadeira de rodas permanente cristaliza uma dependência potencialmente reversível e é conduta iatrogênica.
Mulher de 79 anos teve três quedas nos últimos seis meses, uma delas com fratura de punho. Usa clonazepam para dormir, amitriptilina para dor, hidroclorotiazida e risperidona iniciada por insônia. Ao exame, marcha lenta com alargamento da base, teste de levantar e caminhar cronometrado alterado, acuidade visual reduzida por catarata, hipotensão ortostática assintomática e ausência de déficits neurológicos focais. Mora em casa com tapetes soltos e iluminação insuficiente. A intervenção com maior impacto na redução de novas quedas é:
A prevenção de quedas é multifatorial, e as intervenções com maior impacto são a retirada gradual de psicotrópicos, especialmente benzodiazepínicos, antidepressivos tricíclicos e antipsicóticos, associada a programa de exercícios de equilíbrio e força, correção de déficits visuais e adequação do ambiente domiciliar. Cálcio e vitamina D reduzem risco de fratura, mas isoladamente não previnem quedas. Reduzir a marcha promove descondicionamento e aumenta o risco. Cadeira de rodas em paciente que ainda deambula acelera a perda funcional e a dependência.
Uma equipe de saúde da família organiza ações de prevenção de quedas para as pessoas idosas do território, após identificar alto número de fraturas de fêmur e internações decorrentes de quedas domiciliares no último ano. Durante as visitas, observa tapetes soltos, iluminação insuficiente, ausência de barras de apoio no banheiro, calçados inadequados e uso de medicamentos com potencial de causar hipotensão e sonolência entre os moradores idosos avaliados nas residências visitadas. A intervenção com maior efetividade é:
As intervenções multifatoriais, que combinam adequação do ambiente domiciliar, revisão de medicamentos associados a queda, correção de déficits visuais, avaliação da marcha e do equilíbrio e exercícios de força e equilíbrio, são as mais efetivas na prevenção de quedas em pessoas idosas. Suplementação isolada tem efeito limitado sobre o risco de queda. Orientação genérica sem avaliação individual não modifica os riscos específicos. Restringir a mobilidade agrava a sarcopenia e o descondicionamento, aumentando o risco de quedas.
Mulher, 71 anos, mora sozinha e refere duas quedas da própria altura nos últimos 6 meses, sem fratura. Usa clonazepam 2 mg à noite há 10 anos para insônia, além de losartana e sinvastatina. Marcha lentificada, com base alargada; teste Timed Up and Go em 16 segundos (VR < 12). Acuidade visual reduzida por catarata. Pressão arterial 130/78 mmHg deitada e 122/74 mmHg em pé. Qual a intervenção de maior impacto na prevenção de novas quedas?
O benzodiazepínico de uso crônico é o fator de risco modificável de maior peso nesta paciente, e a retirada gradual associada a programa de exercícios multicomponente com treino de equilíbrio é a intervenção com melhor evidência de redução de quedas em idosos da comunidade. Cálcio e vitamina D em altas doses não reduzem a ocorrência de quedas e, em bolus elevados, podem até aumentá-las. Densitometria com bisfosfonato trata o desfecho fratura, mas não altera a probabilidade de cair, que é o problema apresentado. Trocar a losartana por hipotensão postural não se sustenta, pois a queda pressórica em pé foi de apenas 8 mmHg, abaixo do critério de 20 mmHg sistólicos. Restringir a deambulação e impor andador sem avaliação promove descondicionamento e sarcopenia, aumentando o risco a médio prazo.
Mulher, 76 anos, com osteoporose em tratamento, relata duas quedas da própria altura nos últimos seis meses, ambas dentro de casa, sem fratura. Usa clonazepam para insônia há anos e refere tontura ao levantar. PA deitada 132/80 mmHg e em pé 108/68 mmHg. Força de preensão reduzida e velocidade de marcha lenta ao teste. Acuidade visual não avaliada há mais de três anos e tapetes soltos no domicílio. Qual conjunto de medidas é o mais adequado para reduzir o risco de novas quedas?
A prevenção de quedas é multifatorial e comprovadamente eficaz quando associa exercício multicomponente com treino de equilíbrio e força, revisão de medicações de risco como o benzodiazepínico em uso, avaliação da acuidade visual e adequação do ambiente domiciliar, que são exatamente os fatores identificados nesta paciente. O repouso relativo agrava a sarcopenia e aumenta o risco futuro. Aumentar a dose do benzodiazepínico intensifica a sedação e a instabilidade postural. O protetor de quadril isolado pode atenuar a gravidade da fratura, mas não reduz a ocorrência de quedas. O suplemento proteico sem exercício não produz ganho funcional relevante.
Homem, 78 anos, com duas quedas no último semestre, é avaliado quanto ao risco de novas quedas. PA 136x78 mmHg, FC 74 bpm, IMC 26 kg/m², T 36,4 °C. Realiza o teste de levantar-se de uma cadeira, caminhar 3 metros, retornar e sentar novamente, completando o percurso em 18 segundos, com apoio das mãos para levantar-se e marcha com base alargada. Qual a interpretação desse resultado?
O teste Timed Up and Go avalia mobilidade, equilíbrio dinâmico e risco de quedas, e tempos iguais ou superiores a doze a catorze segundos indicam desempenho alterado, com risco aumentado, sendo o valor de dezoito segundos claramente anormal e reforçado pelo apoio das mãos e pela base alargada. Considerar normal para a idade é erro de interpretação. O teste avalia transferência, marcha e equilíbrio, e não força de membros superiores isoladamente. Restringir a deambulação agrava o descondicionamento e aumenta o risco de quedas. O achado indica justamente treinamento de força e equilíbrio, além de revisão de medicações, avaliação visual e adequação do ambiente.
Homem, 84 anos, permaneceu acamado por 3 semanas após internação por pneumonia, sem mobilização precoce. Recebe alta com dificuldade para sentar-se sem apoio, contraturas em joelhos, lesão por pressão sacral estágio 2 e incontinência urinária de instalação recente. PA 120x70 mmHg, FC 88 bpm, IMC 20 kg/m², T 36,4 °C. Exames: albumina 3,0 g/dL; hemoglobina 11,4 g/dL; creatinina 1,0 mg/dL. Qual a abordagem mais adequada?
A síndrome do imobilismo agrupa as consequências do repouso prolongado, com perda de massa e força muscular, contraturas, lesões por pressão, incontinência, constipação, tromboembolismo, hipotensão ortostática e delirium, e o manejo é a reabilitação motora precoce e progressiva, associada a cuidados da pele, suporte nutricional, reavaliação funcional e prevenção de novas complicações. Manter repouso até a cicatrização da lesão perpetua o ciclo do imobilismo. A institucionalização imediata desconsidera o potencial de recuperação funcional. Suplemento proteico isolado não reverte contraturas nem restaura força sem exercício. Corticoide não trata contraturas e agrava a perda muscular.
Idoso diabético relata pré-síncope ao levantar e apresenta queda pressórica reprodutível; a avaliação considera disfunção autonômica. Qual problema deve ser priorizado na avaliação?
Neuropatia autonômica pode causar hipotensão ortostática. Queda pressórica ao assumir postura ereta, acompanhada de sintomas, pode contribuir para quedas; avaliação inclui causas e medicamentos. Referência: https://www.nia.nih.gov/health/falls-and-falls-prevention/falls-and-fractures-older-adults-causes-and-prevention
Paciente em múltiplos anti-hipertensivos tem escurecimento visual ao ficar de pé, acompanhado de redução sustentada da pressão arterial. Qual problema deve ser priorizado na avaliação?
A correlação entre postura, sintomas e pressão aponta para hipotensão ortostática. Queda pressórica ao assumir postura ereta, acompanhada de sintomas, pode contribuir para quedas; avaliação inclui causas e medicamentos. Referência: https://www.nia.nih.gov/health/falls-and-falls-prevention/falls-and-fractures-older-adults-causes-and-prevention
Mulher tem tontura ao levantar. Pressão cai de 140/80 para 110/65 mmHg em três minutos de ortostatismo, reproduzindo os sintomas. Qual problema deve ser priorizado na avaliação?
A queda postural documentada explica a queixa. Queda pressórica ao assumir postura ereta, acompanhada de sintomas, pode contribuir para quedas; avaliação inclui causas e medicamentos. Referência: https://www.nia.nih.gov/health/falls-and-falls-prevention/falls-and-fractures-older-adults-causes-and-prevention
Após dias de baixa ingestão, idosa tem tontura exclusivamente ao levantar, queda de pressão documentada e melhora ao deitar. Qual problema deve ser priorizado na avaliação?
Depleção de volume pode desencadear hipotensão ortostática. Queda pressórica ao assumir postura ereta, acompanhada de sintomas, pode contribuir para quedas; avaliação inclui causas e medicamentos. Referência: https://www.nia.nih.gov/health/falls-and-falls-prevention/falls-and-fractures-older-adults-causes-and-prevention
Mulher de 76 anos, após avaliação dos fatores de queda e participação em exercícios de força e equilíbrio, continua evitando sair de casa por medo de cair. Não há instabilidade clínica que impeça atividade. Segundo a NICE NG249 de 2025, qual intervenção adicional pode ser considerada?
A recuperação física não garante recuperação da confiança. O plano deve abordar a limitação que a própria preocupação está impondo à vida da paciente. Referências: NICE NG249. Falls: assessment and prevention, 2025 — https://www.nice.org.uk/guidance/ng249/chapter/recommendations NICE NG249. Rationale and impact — https://www.nice.org.uk/guidance/ng249/chapter/Rationale-and-impact
Homem de 81 anos está clinicamente estável após tratamento de infecção urinária. Caminhava em casa com bengala e, na enfermaria, precisa de supervisão por fraqueza recente. Para prevenir quedas e perda funcional durante a internação, qual plano é mais adequado?
Prevenir quedas no hospital inclui orientar o paciente sobre o ambiente e o uso de ajuda disponível. A segurança deve ser incorporada ao plano de atividade. Referências: NICE NG249. Falls: assessment and prevention, 2025 — https://www.nice.org.uk/guidance/ng249/chapter/recommendations
Um serviço propõe substituir a avaliação dos fatores de queda e as intervenções individualizadas por vitamina D para todos os idosos, alegando prevenção comprovada de quedas em qualquer situação. Qual análise corresponde à NICE NG249 de 2025?
A proposta transforma uma possível necessidade nutricional em uma estratégia única sem suporte suficiente. O cuidado deve responder aos fatores identificados em cada pessoa. Referências: NICE NG249. Falls: assessment and prevention, 2025 — https://www.nice.org.uk/guidance/ng249/chapter/recommendations
Um idoso recebe baixa pontuação em um instrumento numérico de risco de queda. A equipe pretende, com esse único resultado, descartar risco futuro e dispensar a investigação de uma queda recente. Segundo a NICE NG249 de 2025, qual é a interpretação correta?
Testes podem ajudar a observar marcha e equilíbrio. Isso não significa que um ponto de corte permita excluir a ocorrência de uma nova queda. Referências: NICE NG249. Falls: assessment and prevention, 2025 — https://www.nice.org.uk/guidance/ng249/chapter/recommendations NICE NG249. Rationale and impact — https://www.nice.org.uk/guidance/ng249/chapter/Rationale-and-impact
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Três perguntas de rastreio uma vez por ano; positivo manda medir marcha e equilíbrio. Velocidade da marcha em 4 metros, corte abaixo de 0,8 m/s (1A); Timed Up and Go acima de 15 segundos (1B). Alto risco: queda com lesão tratada, duas ou mais quedas em 12 meses, fragilidade, uma hora no chão sem levantar ou suspeita de perda de consciência. Alto risco vai para avaliação multifatorial. Exercício com desafio de equilíbrio, três ou mais vezes por semana, progressivo, mínimo 12 semanas. Queda inexplicada repetida investiga-se como síncope.
em 30 dias
Queda pelo protocolo do Ministério da Saúde inclui a queda amparada e a de assentos, com ou sem dano; avaliação na admissão e reavaliação diária até a alta. Alto risco hospitalar: independente com um fator, dependente que anda com auxílio ou cadeira de rodas, e paciente em maca. Baixo risco: acamado totalmente dependente e independente sem fator nenhum. Depois da queda: notificar, atender imediatamente, analisar no setor. Polifarmácia é quatro ou mais medicamentos quando o desfecho é queda e cinco ou mais quando se fala em revisão de prescrição. Contenção física não previne queda. Imobilidade: perda de força, hipotensão ortostática, tromboembolismo, atelectasia e pneumonia, lesão por pressão, retenção e infecção urinária, constipação, delirium e depressão.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 79 anos chega à unidade básica trazido pela filha, que insistiu na consulta depois de encontrá-lo sentado no chão da cozinha pela segunda vez em quatro meses. Ele minimiza, diz que tropeçou nas duas vezes e que está bem. A filha conta que ele passou a dormir na poltrona da sala para não subir a escada e que quase não sai mais de casa. Colha a história das quedas, avalie marcha, equilíbrio e pressão arterial deitado e em pé, classifique o risco e proponha a conduta. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
