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Dermatite atópica

A vinheta do diagnóstico se resolve em segundos. O que a prova cobra depois é o protocolo: qual critério classifica, qual escala mede a gravidade, que degrau o SUS abre em cada idade — e o vão entre os 12 anos e os 40 quilos.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Um lactente de 5 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por lesões cutâneas recorrentes há 6 semanas. Ao exame, apresenta placas eritematosas, descamativas e com escoriações em face (poupando a região central/maciço centrofacial), couro cabeludo e face extensora dos membros. A mãe relata que o bebê chora e esfrega o rosto nos lençóis, com piora do sono. O pai tem rinite alérgica e asma. A pele encontra-se difusamente seca. Não há febre, secreção purulenta ou crostas melicéricas. Considerando o quadro mais provável e a conduta inicial adequada na atenção primária, qual é a conduta de PRIMEIRA linha mais apropriada?

02

Como esse tema cai

A dermatite atópica entra na prova quase sempre pela mesma porta: lactente com placas eritematosas, mal delimitadas, em face poupando o maciço central e nas superfícies extensoras, ou pré-escolar com eczema nas fossas antecubitais e poplíteas, pele seca, prurido que atrapalha o sono e pai ou mãe com asma ou rinite. A pergunta é o diagnóstico, e os distratores são sempre os mesmos: escabiose, dermatite seborreica, dermatite de contato, psoríase. Quem reconhece a distribuição por faixa etária acerta sem pensar duas vezes.

O que vem depois dessa vinheta é outro assunto. O Brasil tem, desde novembro de 2025, um protocolo nacional inteiramente reescrito para esta doença, e ele funciona como qualquer PCDT: define quem entra por critério formal, mede a gravidade por escala com corte numérico, abre medicamentos diferentes em faixas etárias diferentes e fecha alguns degraus por idade e por peso. Nada disso aparece na vinheta clássica, e é justamente onde a questão fica difícil.

Este capítulo trabalha essa segunda camada: os dois conjuntos de critérios que o protocolo aceita para classificar, as escalas de gravidade e seus pontos de corte, o arsenal que o SUS abre em cada idade, a aritmética das doses do dupilumabe, as metas numéricas aos 3 e aos 6 meses, o que o protocolo tirou da mesa, os números de banho e emoliente que as fontes brasileiras dão pela metade, o vão que se abriu entre os 12 anos e os 40 quilos e o parágrafo sobre eczema herpético que a revisão de 2025 deixou de fora.

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O que muda decisão

Dois critérios, e o prurido não está no mesmo lugar nos dois

Como usar este capítulo: confirme o diagnóstico clínico e classifique a gravidade antes de escolher o tratamento. Cuidados de barreira e terapia tópica sustentam todos os níveis; infecção, falha terapêutica e doença moderada a grave abrem os degraus sistêmicos.

O diagnóstico de dermatite atópica é clínico. O PCDT diz que ele se apoia na história, na morfologia e na distribuição das lesões, nos sinais associados e na exclusão de outras condições eritematosas e eczematosas, e que a variabilidade por idade, etnia e gravidade torna o reconhecimento difícil sobretudo em bebês e idosos. Para efeito de inclusão no protocolo, porém, clínica solta não basta: é preciso fechar um de dois conjuntos formais.

O primeiro é o de Hanifin e Rajka, que o protocolo chama de padrão-ouro. Ele exige 3 ou mais critérios maiores E 3 ou mais critérios menores. Os maiores são quatro: prurido; morfologia e distribuição típicas (liquenificação ou linearidade em superfícies flexoras no adulto, envolvimento de face ou de superfícies extensoras em bebês e crianças); dermatite crônica ou cronicamente recidivante; e história pessoal ou familiar de atopia. Os menores são vinte e três, e a lista inclui itens que raramente entram no raciocínio de enfermaria: xerose, ictiose ou hiperlinearidade palmar, IgE sérica elevada, tendência a infecções cutâneas por S. aureus e herpes simples, eczema do mamilo, queilite, conjuntivite recorrente, dobra infraorbitária de Dennie-Morgan, ceratocone, catarata subcapsular anterior, escurecimento orbitário, pitiríase alba, dobra cervical anterior, prurido ao suar, intolerância à lã, acentuação perifolicular, intolerância alimentar, dermografismo branco.

O segundo conjunto é o do Grupo de Trabalho do Reino Unido, que o próprio protocolo descreve como versão condensada do primeiro. Nele o prurido nos últimos 12 meses é obrigatório, e a ele se somam 3 ou mais de cinco itens: idade acima de 4 anos com início dos sintomas antes dos 2 anos; história de envolvimento flexural; história de pele geralmente seca; história de outra doença atópica no paciente ou em parente de primeiro grau; dermatite flexural visível.

A diferença de arquitetura é o que a prova cobra. Em Hanifin e Rajka o prurido é um critério maior entre quatro, e sozinho não obriga nada — é possível somar três maiores sem ele. No conjunto do Reino Unido o prurido é a porta de entrada, e sem ele não se classifica por mais itens que o caso reúna. Trocar um conjunto pelo outro na hora de contar produz erro nos dois sentidos: sobra critério de um lado e falta do outro.

Dois mapas corporais esquemáticos: no lactente, áreas em bochechas e superfícies extensoras; na criança maior, áreas nas dobras dos cotovelos e joelhos, punhos e tornozelos
A morfologia e a distribuição típicas mudam com a idade: face e superfícies extensoras predominam no lactente; as superfícies flexoras ganham importância conforme a criança cresce.

Gravidade é número, e é dela que os medicamentos dependem

O protocolo separa a descrição clínica da gravidade da medida da gravidade, e usa as duas. A descrição vem de um quadro adaptado do posicionamento da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria e tem quatro degraus: livre (pele normal, sem impacto na qualidade de vida); leve (áreas de xerose, prurido infrequente, pequeno impacto); moderada (xerose, prurido frequente associado à inflamação, distúrbios do sono frequentes); grave (xerose difusa, prurido constante, pele espessada com sangramento, liquenificação, alterações de pigmentação, noites de sono perdidas).

A medida vem das escalas, e é ela que abre ou fecha prescrição. O SCORAD vai de 0 a 103 e considera extensão, gravidade da lesão e os sintomas subjetivos relatados pelo paciente, prurido e perda de sono: até 9,9 é limpo, de 10 a 28,9 leve, de 29 a 48,9 moderada, de 49 a 103 grave. O EASI avalia área e gravidade em quatro regiões — cabeça, braços, tronco e pernas — e vai de 0 a 72: 0 é limpo, de 0,1 a 1,0 quase limpo, de 1,1 a 7 leve, de 7,1 a 21 moderada, de 21,1 a 50 grave e de 50,1 a 72 muito grave.

As duas são as escalas validadas de referência, e o próprio protocolo avisa que são usadas principalmente em ensaios clínicos e consomem tempo na rotina. Para o consultório há as respondidas pelo paciente ou cuidador: o POEM, que cobre os últimos sete dias e vai de 0 a 28 (até 2 limpo ou quase limpo, 3 a 7 leve, 8 a 16 moderada, 17 a 24 grave, 25 a 28 muito grave), e o Po-SCORAD, com os mesmos cortes do SCORAD. Há ainda a vIGA-AD, avaliação global por examinador treinado sobre eritema, endurecimento, liquenificação e exsudação, de 0 a 4, e a NRS do prurido, de 0 a 10, com leve de 0 a 3, moderada de 4 a 6 e grave de 7 a 10. O protocolo registra que a IgA genérica não é validada — é um termo guarda-chuva para mais de vinte variantes publicadas — e que a NRS do prurido também não é.

A qualidade de vida entra por instrumentos próprios: o DLQI, validado no Brasil, com 10 itens pontuados de 0 a 3 e escore total de 0 a 30, em que redução de 5 pontos já é clinicamente significativa; e o CDLQI, criado para pacientes de 5 a 16 anos, também com 10 itens, referidos à semana anterior. Nos dois, quanto maior o escore, pior a qualidade de vida.

O que o SUS abre em cada idade

O arsenal do protocolo tem um andar sem restrição etária e outro que só se abre depois dos 2 anos. Dexametasona creme 1 mg/g e acetato de hidrocortisona creme 10 mg/g são corticoides de baixa potência e valem para qualquer idade e qualquer gravidade. Furoato de mometasona creme ou pomada 1 mg/g e tacrolimo pomada entram apenas acima de 2 anos, e para os dois o protocolo lista, entre as contraindicações, exatamente a expressão menores de dois anos.

Isso tem uma consequência prática que a vinheta clássica esconde: o lactente com dermatite atópica — o caso mais cobrado de todos — é justamente aquele para quem o protocolo abre menos coisa. Abaixo dos 2 anos sobram os dois corticoides de baixa potência, os emolientes e as medidas de banho. E mesmo a hidrocortisona vem com prazo: em lactentes e crianças abaixo de 4 anos o tratamento não deve prolongar-se por mais de 3 semanas, especialmente nas zonas cobertas por fraldas.

A potência do furoato de mometasona depende do veículo, e o protocolo é explícito: média potência quando em creme, alta potência quando em pomada. É a mesma molécula, a mesma concentração de 1 mg/g e o mesmo tubo na prateleira — o que muda a classificação é o que carrega o princípio ativo. A posologia também difere da dos corticoides de baixa potência: mometasona é uma aplicação por dia, enquanto a hidrocortisona é 2 a 3 vezes ao dia até a melhora e a dexametasona, 1 a 3 vezes ao dia por períodos inferiores a 30 dias.

O inibidor de calcineurina tópico do protocolo é o tacrolimo, e apenas ele. O pimecrolimo aparece no documento somente na lista de estudos identificados na revisão de literatura, nunca como opção preconizada. O tacrolimo é indicado a partir dos 2 anos para quem não responde bem ou não tolera o tratamento convencional, pode ser usado em áreas sensíveis — rosto, pescoço, áreas intertriginosas e genitais — e tem uso explícito de manutenção: para prevenir surtos em quem exacerba com alta frequência, definida como 4 ou mais vezes por ano, e que respondeu a um tratamento máximo de 6 semanas duas vezes ao dia.

O esquema de manutenção do tacrolimo é o que separa quem leu o protocolo de quem chutou. Entre 2 e 15 anos usa-se a pomada de 0,3 mg/g, duas vezes ao dia por até três semanas, depois uma vez ao dia até o desaparecimento da lesão, e a manutenção é uma aplicação por dia, duas vezes por semana, nas áreas comumente afetadas, com 2 a 3 dias de intervalo entre elas. A partir dos 16 anos começa-se com a pomada de 1 mg/g duas vezes ao dia, e a manutenção pode ser feita com 0,3 mg/g ou 1 mg/g, também duas vezes por semana. Ao aparecer sinal de surto, volta-se para duas vezes ao dia.

Moderada a grave: ciclosporina e metotrexato, sem corte de idade

Para doença moderada a grave em qualquer idade, o protocolo abre dois imunossupressores sistêmicos. A ciclosporina é usada por via oral, 3 a 5 mg/kg/dia divididos em duas tomadas na fase aguda, e após seis semanas a dose de manutenção cai para 2,5 a 3 mg/kg/dia. O uso deve ficar restrito preferencialmente a 8 a 12 meses, e não é recomendado por período superior a dois anos contínuos. A retirada é escalonada: reduzir 0,5 a 1,0 mg/kg/dia a cada duas semanas até a suspensão completa — e, se ainda for preciso manter imunossupressor, a recomendação é passar para o metotrexato.

A ciclosporina traz duas travas que caem direto em questão de conduta. A primeira: fototerapia e ciclosporina não se combinam, e a proteção solar é fortemente recomendada durante o tratamento. A segunda: vacinas de vírus vivos atenuados estão entre as contraindicações formais. O monitoramento é hemograma completo e provas hepática e renal no início e após as primeiras quatro semanas, repetidos a cada três meses, além de rastreio de hepatites B e C e HIV, e pressão arterial acompanhada de perto. O protocolo pede atenção ao equipamento — braçadeira de diâmetro ajustável à criança. Redução da função renal manda reduzir a dose por um mês; sem melhora, interromper. Hipertensão que não se controla com anti-hipertensivo apropriado também manda interromper. A nefrotoxicidade é mais comum em idosos, em doses acima de 5 mg/kg/dia, no uso prolongado e em quem já tem creatinina elevada.

O metotrexato é semanal, e o protocolo separa por idade: de 2 a 16 anos, 0,4 a 0,6 mg/kg por semana, ou 10 a 15 mg/m² por semana, por via oral ou injetável; a partir dos 16 anos, 15 a 25 mg por semana. A suplementação de ácido fólico é recomendada, e o protocolo registra que a maior parte das diretrizes não fixa dose: uma revisão sistemática identificou 5 mg por semana no dia seguinte ao metotrexato, ou 5 mg por dia exceto no dia do metotrexato, para adultos, e 400 microgramas por semana para crianças. O documento também é honesto sobre o estatuto do fármaco: a indicação para dermatite atópica não consta em bula, mas está prevista em diretrizes da Sociedade Brasileira de Dermatologia e das academias americana e europeia.

Os dois trocam de lugar conforme o tempo. Os estudos comparativos citados no protocolo mostram melhora clínica maior nas semanas iniciais com a ciclosporina, e melhor sustentação do controle na fase de seguimento com o metotrexato, principalmente em crianças e adolescentes. É por isso que a escada da ciclosporina termina no metotrexato, e não o contrário.

O vão entre os 12 anos e os 40 quilos

Os dois medicamentos novos do protocolo não se sobrepõem: cada um cobre uma faixa etária, e as faixas encostam sem se tocar. O dupilumabe, anticorpo monoclonal que inibe a sinalização da IL-4 e da IL-13 ligando-se à subunidade IL-4Rα, foi incorporado para crianças de 6 meses a menores de 12 anos com dermatite atópica grave que apresentem falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato. O upadacitinibe, inibidor seletivo e reversível da JAK1, foi incorporado para adolescentes de 12 a menores de 18 anos, com peso corporal de pelo menos 40 kg, na mesma condição de gravidade e de falha à primeira linha sistêmica.

Além do limite de entrada, cada um tem um limite de saída, e os dois vêm de recomendação da Conitec, não de bula: quem usa dupilumabe deve interromper o tratamento ao completar 12 anos; quem usa upadacitinibe, ao completar 18. Some as duas regras e aparece o vão: o adolescente que completa 12 anos perde o dupilumabe por idade e só ganha o upadacitinibe se pesar 40 kg ou mais. Quem estiver com 36 kg no aniversário não se enquadra em nenhum dos dois, e o protocolo não descreve ponte para essa situação — o que continua disponível é o restante do arsenal já incorporado, porque o documento repete, a cada medicamento novo, que todo o arsenal terapêutico permanece disponível respeitadas as indicações e contraindicações de cada um.

O outro corte é o do adulto. O protocolo registra que, embora o uso de dupilumabe e de upadacitinibe seja indicado também para adolescentes e adultos, a Conitec recomendou a não incorporação ao SUS para essas populações por alto impacto orçamentário, e cita a Portaria sectics/MS nº 53/2025. Ou seja: em dermatite atópica grave de adulto, o SUS oferece corticoide tópico, tacrolimo, ciclosporina e metotrexato — e para no metotrexato.

Antes de qualquer um dos dois, há uma etapa que o protocolo trata como obrigatória e que costuma ser esquecida em questão de conduta: a pesquisa de tuberculose ativa e de infecção latente. Além do exame clínico, o documento pede radiografia simples de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. O tratamento da infecção latente é indicado com prova tuberculínica maior ou igual a 5 mm ou IGRA reagente, e também sem esses exames quando houver alterações radiográficas compatíveis com tuberculose prévia não tratada ou contato próximo com caso de tuberculose pulmonar. O medicamento modificador do curso da doença começa 1 mês após o início do tratamento da infecção latente, ou concomitantemente ao tratamento da tuberculose ativa. Durante o uso, o rastreio é anual, e não há necessidade de repetir a radiografia se não houver suspeita clínica — exceto quando a prova tuberculínica ou o IGRA vierem alterados naquela avaliação anual.

A conta do dupilumabe: a carga é o dobro da manutenção, e só existe depois dos 6 anos

A tabela de dose do dupilumabe é o tipo de coisa que parece decoreba e não é: ela tem uma regra por trás, e a regra explica um comportamento que, lido de fora, parece erro de digitação. Na faixa de 6 meses a 5 anos, quem pesa de 5 kg a menos de 15 kg recebe 200 mg de início e 200 mg a cada quatro semanas; quem pesa de 15 kg a menos de 30 kg recebe 300 mg de início e 300 mg a cada quatro semanas. A dose inicial é igual à de manutenção — nessa faixa não existe dose de ataque.

Na faixa de 6 anos a menores de 12 anos existe. De 15 kg a menos de 30 kg, a dose inicial é de 600 mg, em duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada quatro semanas. De 30 kg a menos de 60 kg, a dose inicial é de 400 mg, em duas injeções de 200 mg, seguida de 200 mg a cada duas semanas. Com 60 kg ou mais, a dose inicial volta a 600 mg, em duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada duas semanas.

Repare no que acontece com a dose inicial ao longo do peso: 600 mg, depois 400 mg, depois 600 mg de novo. Ela não cresce com o peso — desce e sobe. Quem lê a tabela procurando progressão conclui que há erro. A regra que organiza tudo é outra: em cada faixa dessa idade a dose inicial é exatamente o dobro da dose de manutenção. 600 é o dobro de 300; 400 é o dobro de 200; 600 é o dobro de 300. A criança de 35 kg recebe carga menor porque a manutenção dela é menor por injeção — 200 mg — e mais frequente, a cada duas semanas.

A exposição, essa sim, cresce com o peso quando se olha o intervalo inteiro. Em quatro semanas, quem está entre 15 e menos de 30 kg recebe 300 mg; quem está entre 30 e menos de 60 kg recebe 200 mg duas vezes, isto é, 400 mg; quem tem 60 kg ou mais recebe 300 mg duas vezes, isto é, 600 mg. É a mesma escada, contada na unidade certa.

E há um detalhe que só aparece quando se cruza idade com peso. Uma criança de 20 kg com 4 anos recebe 300 mg de início e 300 mg a cada quatro semanas. A mesma criança de 20 kg, com 7 anos, recebe 600 mg de início e depois os mesmos 300 mg a cada quatro semanas. Mesmo peso, mesma manutenção, carga dobrada — porque mudou a faixa etária, não o peso.

Meta é número, e há duas maneiras de bater a mesma meta

O protocolo adota, do consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, metas explícitas para a terapia sistêmica, e são elas que decidem continuar ou trocar. Aos 3 meses, o objetivo inicial aceitável é atingir pelo menos EASI-50, isto é, redução de 50% em relação ao valor basal; SCORAD-50; redução de pelo menos três pontos no pico do prurido pela NRS de 0 a 10; redução de pelo menos quatro pontos no DLQI; e redução de pelo menos quatro pontos no POEM.

Aos 6 meses a régua endurece e, mais importante, ganha uma alternativa. A meta é EASI-75, redução de 75% em relação ao basal, ou EASI menor ou igual a 7; SCORAD-75 ou SCORAD menor ou igual a 24; pico de prurido pela NRS com escore absoluto menor ou igual a 4; DLQI menor ou igual a 5; POEM menor ou igual a 7.

Essa conjunção alternativa é a armadilha aritmética do bloco. Um paciente que começou com EASI 26,4 e chegou a 7,0 aos seis meses caiu 19,4 pontos, o que é 73,48% — abaixo dos 75%. Pelo braço relativo, ele falhou: EASI-75 exigiria chegar a 6,6, porque 26,4 vezes 0,25 dá 6,6. Mas o braço absoluto pede EASI menor ou igual a 7, e 7,0 satisfaz a condição na fronteira. A meta está batida, e quem contou só a porcentagem trocaria o tratamento sem precisar.

O inverso também acontece, e é o mesmo mecanismo. Um paciente que começou com EASI 40 e chegou a 9 caiu 31 pontos, o que é 77,5% — acima de 75%. Pelo braço relativo ele passou; pelo absoluto, não, porque 9 é maior que 7. Meta batida de novo. E é possível falhar nos dois: quem saiu de EASI 24 e chegou a 7,2 caiu 70%, abaixo de 75%, e 7,2 é maior que 7. Aí sim a resposta é inadequada. Note como os dois últimos casos têm valores finais quase idênticos, 7,0 e 7,2, com destinos opostos: dois décimos separam a meta batida da meta perdida quando o braço relativo já falhou.

Quando a troca é necessária, o protocolo recomenda manter a terapia tópica até que o novo sistêmico esteja plenamente eficaz, ou usá-la como adjuvante durante a terapia sistêmica em andamento. E, ao mudar de um sistêmico para outro, recomenda um período de 1 a 2 meses de sobreposição, em que o medicamento original tem a dose reduzida enquanto o novo começa a fazer efeito — estratégia que o próprio documento autoriza para a transição de ciclosporina ou metotrexato para dupilumabe ou upadacitinibe.

O que o protocolo tira da mesa

Tão cobrado quanto o que entra é o que fica de fora, e aqui o documento é direto. Anti-histamínicos: o protocolo registra que o prurido também é induzido pela histamina liberada pelos mastócitos em resposta à IgE, e emenda que anti-histamínicos não são utilizados para o tratamento da dermatite atópica e, por isso, não serão abordados no PCDT. A frase é curta e resolve uma alternativa inteira.

Fototerapia: o protocolo descreve o que ela pode oferecer — melhora dos sinais clínicos, redução do prurido e da colonização bacteriana, economia de corticoide — e lista as contraindicações, entre elas xeroderma pigmentoso, albinismo, dermatoses fotossensíveis e história de melanoma ou de múltiplos cânceres de pele não melanocíticos. Em seguida fecha a porta: a fototerapia está disponível no SUS para outras indicações, mas não foi avaliada para dermatite atópica, e por isso não é preconizada neste protocolo.

Biópsia e laboratório: biópsia de pele e testes laboratoriais, incluindo dosagem de IgE, não são usados rotineiramente na avaliação de quem tem suspeita de dermatite atópica; podem servir em alguns pacientes para descartar outras condições. A biópsia, aliás, não distingue dermatite de contato irritativa ou alérgica de dermatite atópica, porque compartilham características histopatológicas idênticas — o que separa é a localização, a exposição e o teste de contato.

Dieta de exclusão: a associação entre dermatite atópica e alergia alimentar existe e é mais importante na primeira infância, mas o padrão-ouro diagnóstico é a provocação oral, cega e controlada por placebo, feita em ambiente adequado, com suporte especializado e recursos para manejar reação grave. O guia brasileiro de dermatite atópica grave é ainda mais explícito sobre o outro lado: dietas de eliminação não justificadas não devem ser administradas, sensibilização — teste cutâneo positivo ou IgE específica detectável — não significa alergia, e a exclusão injustificada pode levar à perda de tolerância, com possibilidade de anafilaxia na reintrodução.

Coberturas antimicrobianas: as com prata, iodo, mel, biguanida e PHMB não são aprovadas para crianças e neonatos, associam-se a resistência microbiana e podem induzir sensibilidade em quem tem dermatite atópica. Para lesão mais grave, com ou sem infecção, o protocolo aponta antimicrobianos com corantes orgânicos, como violeta de genciana e azul de metileno, e os de ação mecânica, como o cloreto de dialquilcarbamoil.

Banho, emoliente e hipoclorito: os números que as fontes dão pela metade

O banho diário não piora a doença — o protocolo afirma isso com todas as letras. O que muda é como se toma: banhos curtos, de 5 a 10 minutos, com água entre 27 e 30 graus, preferencialmente com sabonetes de pH fisiológico, levemente ácido, porque o pH elevado da pele do paciente com dermatite atópica favorece colonização microbiana, mantém proteases microbianas no leito das lesões e facilita a ruptura da barreira. Sabonetes com formulações antissépticas devem ser evitados, sobretudo os que contêm ingredientes alimentares como proteína de trigo ou amido de arroz, pelo risco de irritação e sensibilização. O emoliente entra depois de secar a pele. O documento também registra que não existe consenso sobre a frequência dos banhos nem sobre banheira versus chuveiro.

O emoliente tem dois números no mesmo protocolo, e eles não são intercambiáveis. Um parágrafo, ao resumir a revisão de evidências sobre prevenir e tratar, recomenda aplicação de emolientes, cremes de barreira ou soluções micelares na pele íntegra pelo menos duas vezes por semana, para atrasar o desenvolvimento e melhorar as condições da pele na doença leve a moderada. O parágrafo seguinte, ao falar de manutenção da hidratação, diz que os emolientes devem ser aplicados pelo menos duas vezes ao dia e imediatamente após o banho ou a lavagem das mãos, porque o tempo médio de ação de cada hidratante varia de 2 a 6 horas. Duas vezes por semana e duas vezes ao dia estão a um parágrafo de distância um do outro, e quem lê rápido leva o número errado para a prescrição.

A quantidade também está tabelada, por semana e por faixa etária: 100 g para recém-nascidos e bebês, 150 a 200 g para crianças, 250 g para adultos. Cremes espessos com baixo teor de água ou pomadas sem água são preferíveis por protegerem melhor contra a xerose, ainda que os pacientes os achem mais gordurosos; loções são menos eficazes, mas servem de alternativa. O agente ideal deve ser seguro, eficaz, barato e livre de aditivos, fragrâncias, perfumes e outras substâncias potencialmente sensibilizantes. E há um detalhe de técnica que o protocolo faz questão de registrar: o emoliente deve ser espalhado, não esfregado, em toda a extensão corporal.

O banho com hipoclorito é o ponto em que as duas fontes brasileiras se comportam de maneira diferente. O protocolo dá a concentração final e o regime: alguns estudos sugerem benefício do banho com hipoclorito de sódio diluído a 0,006% por 5 a 10 minutos, duas a três vezes na semana, para minimizar a necessidade de anti-inflamatórios e antibióticos tópicos — sempre recomendado e monitorado por profissional de saúde habilitado. O guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria dá o produto e o volume de água, mas não a quantidade de produto: banhos de imersão com hipoclorito de sódio a 6% diluído em 100 litros de água, em três aplicações semanais, durante três meses, com imersão por 10 minutos em água morna, enxágue e hidratação depois. Falta na frase quanto do hipoclorito a 6% vai nos 100 litros, e sem esse número a instrução não é executável.

A conta que fecha o buraco vem de juntar as duas. Para sair de uma solução a 6% e chegar a 0,006% é preciso diluir mil vezes, porque 6 dividido por 0,006 é 1000. Mil vezes menos que 100 litros dá 0,1 litro, ou 100 mL. Confere pela massa: 0,006% de 100 litros de água, que pesam cerca de 100 kg, são 6 gramas de hipoclorito; uma solução a 6% carrega 6 gramas em 100 mL. Os dois caminhos dão 100 mL de hipoclorito de sódio a 6% para uma banheira de 100 litros. Vale registrar que a concentração final é a mesma nos dois documentos apenas se essa for a intenção do primeiro; o que está escrito nele é só o produto, o volume de água e a frequência.

Ainda no combate ao S. aureus, que coloniza cerca de 90% dos indivíduos atópicos, o guia brasileiro descreve a descolonização com mupirocina tópica na embrocação nasal, nas pregas axilares e inguinais e na cicatriz umbilical, duas vezes ao dia, durante os primeiros cinco dias do mês, para o paciente e para toda a família — e adverte que uso profilático ou prolongado de antibiótico não é recomendado. Mesmo com infecção secundária, a orientação é associar corticoide tópico ao antibiótico, porque o corticoide reduz a colonização.

O parágrafo sobre eczema herpético que saiu do protocolo

O protocolo de 2025 descreve o eczema herpético, também chamado erupção variceliforme de Kaposi, como complicação rara da dermatite atópica, e menciona que em crianças as lesões atípicas da doença mão-pé-boca tendem a aparecer sobre áreas afetadas pela dermatite, de modo semelhante. Também o cita entre os eventos adversos do tacrolimo. E é só: o documento vigente não traz conduta para essa complicação, e a palavra aciclovir não aparece nele.

A versão revogada trazia. No PCDT de 2023 o tratamento do eczema herpético era descrito como uso de aciclovir por via oral, com a via intravenosa reservada ao acometimento sistêmico, com febre, letargia, dor de cabeça, náusea, tonturas e hospitalização. A revisão de 2025, ao reescrever o documento em torno dos medicamentos incorporados, deixou a complicação sem degrau terapêutico no texto nacional.

O número que a prova cobra, portanto, está hoje na fonte de sociedade. O guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria coloca o aciclovir como medicação de escolha, na dose de 80 mg/kg/dia em 4 doses diárias por via oral durante 5 dias; nos pacientes graves e com lesões disseminadas, indica a via endovenosa na dose de 10 mg/kg/dose, em 3 doses diárias, por 5 a 10 dias. Valaciclovir é opção liberada para maiores de 12 anos e fanciclovir, para adultos.

O mesmo guia descreve o quadro e duas decisões que costumam ser cobradas junto. A hospitalização pode ser necessária nos casos graves e sobretudo nos menores de 12 meses com febre e sintomas sistêmicos. E, ao contrário do que o senso comum sugere, os corticosteroides tópicos utilizados nas áreas de eczema não alteram a resposta terapêutica ao antiviral. O diagnóstico é de alta suspeição clínica, confirmado pelo citológico do esfregaço do exsudado das vesículas, que mostra células gigantes multinucleadas típicas de inclusão viral mas não separa herpes simples de varicela-zóster — separação que se faz por PCR. A prevenção é orientar quem tem doença moderada ou grave a evitar contato pele a pele com pessoas com herpes simples em atividade.

A marcha atópica não está no protocolo

O termo marcha atópica não aparece nenhuma vez no PCDT de 2025. O protocolo trabalha o conceito por perto, ao dizer que a dermatite atópica é mais prevalente em pessoas com tendência atópica, que desenvolvem de uma até três condições intimamente ligadas — dermatite atópica, rinite alérgica e asma —, mas não nomeia a sequência nem lhe dá régua. Quem nomeia, no material brasileiro, é o guia de dermatite atópica grave da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria: há fortes evidências para a ligação entre o início precoce da dermatite atópica e o desenvolvimento de outras doenças alérgicas ao longo da vida, a chamada marcha atópica.

A consequência prática dessa divisão de trabalho é simples: numa questão sobre progressão natural, a fonte é de sociedade; numa questão sobre quem entra em qual medicamento no SUS, a fonte é o protocolo. Misturar as duas é o que produz alternativa que soa certa e não é.

Sobre prevenir a marcha, há divergência de verdade, e ela tem números dos dois lados. Os documentos brasileiros registram que o uso diário de emolientes desde o nascimento pode reduzir a incidência de dermatite atópica em população de alto risco, e que a aplicação profilática iniciada na primeira infância pode prevenir a doença, principalmente se contínua em populações de alto risco, ainda que não previna alergia alimentar. Do outro lado estão os dois grandes ensaios de 2020. O BEEP randomizou 1.394 recém-nascidos de alto risco e, aos 2 anos, encontrou eczema em 139 de 598 crianças no grupo emoliente, ou 23%, e em 150 de 612 no controle, ou 25%, com risco relativo ajustado de 0,95 e intervalo de confiança de 0,78 a 1,16 — e uma taxa maior de infecções de pele no grupo emoliente, com razão de incidência ajustada de 1,55 e intervalo de 1,15 a 2,09. O PreventADALL, de base populacional, encontrou dermatite atópica aos 12 meses em 48 de 596 crianças sem intervenção, 64 de 575 no grupo de emoliente e 58 de 642 no grupo de introdução alimentar precoce, com diferença de risco de 3,1% para a intervenção cutânea, a favor do controle.

O ponto de contato entre os dois lados é que ninguém discute o emoliente como tratamento de quem já tem a doença — a discussão é sobre aplicá-lo no recém-nascido saudável de família atópica para impedir que a doença apareça. Guardar essa fronteira evita marcar a alternativa errada quando o enunciado troca tratar por prevenir.

Quanto ao tamanho do problema, o protocolo traz a prevalência global do estudo ISAAC de 2013: 7,9% em crianças de 6 e 7 anos e 7,3% em adolescentes de 13 e 14 anos. Na população brasileira, o inquérito de 2006 identificou 12,1% das crianças de 6 e 7 anos e 10,2% dos adolescentes de 13 e 14 anos com eczema diagnosticado por médico — acima, portanto, da média global do mesmo instrumento. Em adultos, a prevalência fica em torno de 1% a 3% na maioria dos países, e um inquérito brasileiro com 300 mil pessoas em 88 municípios encontrou 2,3%, sendo 2,8% em mulheres e 1,8% em homens. Cerca de um terço de todos os casos novos ocorre em adultos.

Duas remissões, para fechar o território. A progressão respiratória da criança atópica — diagnóstico, classificação e manejo da crise — pertence ao capítulo Asma na infância. A relação entre eczema do lactente e alergia alimentar, com prova de provocação e dieta de exclusão, pertence ao capítulo Alergia à proteína do leite de vaca. E o rastreio da infecção latente exigido antes do biológico segue o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, cujo conteúdo pediátrico pertence ao capítulo Tuberculose na infância.

04

Ler o caso na ordem em que a decisão acontece

Quase toda questão do tema fora da vinheta clássica se resolve identificando primeiro que pergunta o enunciado faz: se é de classificação, de gravidade, de arsenal por idade, de meta ou de complicação. Cada uma delas tem uma régua diferente, e as réguas não se substituem.

  1. 1Identifique a pergunta antes do diagnóstico. Enunciado que descreve lesões e pede o quadro está na régua clínica; enunciado que pede critério está em Hanifin e Rajka ou no Grupo de Trabalho do Reino Unido; enunciado que pede conduta no SUS está no PCDT; enunciado que pede meta está nas escalas.
  2. 2Se a pergunta é de critério, confira qual conjunto o enunciado nomeia. Sem nomeação, o padrão do protocolo é aceitar qualquer um dos dois — e a diferença estrutural é o papel do prurido: um dos quatro maiores em Hanifin e Rajka, porta obrigatória no conjunto do Reino Unido.
  3. 3Se a pergunta é de arsenal, comece pela idade e só depois pela gravidade. Abaixo de 2 anos, mometasona e tacrolimo estão fora por contraindicação expressa. Acima de 2 anos, os dois entram em qualquer gravidade. Moderada a grave em qualquer idade abre ciclosporina e metotrexato.
  4. 4Se a pergunta é de biológico ou de inibidor de JAK, cheque três coisas na ordem: gravidade grave por uma das escalas, falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato, e a faixa etária, com o peso mínimo de 40 kg no caso do upadacitinibe. Antes de prescrever, rastreie tuberculose ativa e latente.
  5. 5Se a pergunta é de resposta ao tratamento, use o marco temporal. Aos 3 meses a régua é de redução: EASI-50, SCORAD-50, três pontos na NRS, quatro no DLQI e quatro no POEM. Aos 6 meses cada item ganha uma alternativa absoluta, e basta um dos dois braços.
  6. 6Se a pergunta é de complicação, separe o que é bactéria do que é vírus. Crostas melicéricas e pústulas apontam infecção bacteriana, tratada com antibiótico associado ao corticoide tópico. Vesículas monomórficas agrupadas, algumas umbilicadas, com erosões em saca-bocado sobre o eczema, febre e linfonodomegalia apontam eczema herpético, e a decisão é antiviral sistêmico precoce.
HANIFIN-RAJKAREINO UNIDO3 maiores (de 4)+ 3 menores (de 23)PRURIDO 12 meses+ 3 (de 5)prurido = 1 dos 4 maioresprurido = porta obrigatória

Duas portas, um prurido

Em Hanifin e Rajka o prurido é um critério maior entre quatro e pode faltar. No conjunto do Reino Unido ele é obrigatório e sem ele não se classifica. O protocolo aceita qualquer um dos dois para incluir o paciente.

<2a>2amod-gravegrave+falhadexa/hidro+mometa+tacrolimociclosporinametotrexatodupi / upa

A escada é etária antes de ser clínica

Abaixo dos 2 anos só existem dexametasona e hidrocortisona no andar tópico. Mometasona e tacrolimo entram acima dos 2 anos. Ciclosporina e metotrexato não têm corte de idade, e dependem da gravidade moderada a grave.

6 m – <12 aDUPILUMABE12 – <18 aUPADACITINIBE≥ 40 kg12 anos< 40 kgvão sem degrau novo

O vão dos 12 anos

Dupilumabe é interrompido ao completar 12 anos; upadacitinibe exige 12 anos e pelo menos 40 kg. Quem completa 12 anos pesando menos que isso não preenche nenhum dos dois, e permanece com o arsenal já incorporado.

Escalas de gravidade e seus cortes, como o PCDT as apresenta

EscalaQuem avaliaFaixa e cortes
SCORADExaminador, com sintomas subjetivos do paciente0 a 103 — limpo 0 a 9,9; leve 10 a 28,9; moderada 29 a 48,9; grave 49 a 103
EASIExaminador (área e gravidade em 4 regiões)0 a 72 — limpo 0; quase limpo 0,1 a 1,0; leve 1,1 a 7; moderada 7,1 a 21; grave 21,1 a 50; muito grave 50,1 a 72
POEMPaciente ou cuidador, últimos 7 dias0 a 28 — limpo ou quase limpo 0 a 2; leve 3 a 7; moderada 8 a 16; grave 17 a 24; muito grave 25 a 28
PO-SCORADPaciente ou cuidadorMesmos cortes do SCORAD
vIGA-ADAvaliador treinado (eritema, endurecimento, liquenificação, exsudação)0 limpo; 1 quase limpo; 2 leve; 3 moderada; 4 grave — validada
IGAAvaliador treinado, avaliação global0 a 4 — NÃO validada (termo guarda-chuva para mais de 20 variantes)
Prurido-NRSPaciente0 a 10 — leve 0 a 3; moderada 4 a 6; grave 7 a 10 — NÃO validada

O que o SUS abre, por idade e gravidade (PCDT 2025)

PopulaçãoGravidadeMedicamentos
Qualquer idadeQualquerDexametasona creme 1 mg/g; acetato de hidrocortisona creme 10 mg/g
Acima de 2 anosQualquerAcrescenta furoato de mometasona creme ou pomada 1 mg/g e tacrolimo pomada
Qualquer idadeModerada a graveAcrescenta ciclosporina e metotrexato
6 meses a menos de 12 anosGrave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexatoAcrescenta dupilumabe — interromper ao completar 12 anos
12 a menos de 18 anos, peso ≥ 40 kgGrave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexatoAcrescenta upadacitinibe 15 mg/dia — interromper ao completar 18 anos
Adultos e idososQualquer, inclusive graveTópicos, tacrolimo, ciclosporina e metotrexato — dupilumabe e upadacitinibe NÃO incorporados (Portaria SECTICS/MS nº 53/2025)

Dupilumabe: dose por idade e peso, e a regra por trás da tabela

IdadePesoDose inicialManutençãoTotal em 4 semanas
6 meses a 5 anos5 kg a < 15 kg200 mg (sem ataque)200 mg a cada 4 semanas200 mg
6 meses a 5 anos15 kg a < 30 kg300 mg (sem ataque)300 mg a cada 4 semanas300 mg
6 anos a < 12 anos15 kg a < 30 kg600 mg = 2 × 300 mg300 mg a cada 4 semanas300 mg
6 anos a < 12 anos30 kg a < 60 kg400 mg = 2 × 200 mg200 mg a cada 2 semanas400 mg
6 anos a < 12 anos60 kg ou mais600 mg = 2 × 300 mg300 mg a cada 2 semanas600 mg

Metas do tratamento sistêmico (PCDT 2025, a partir do consenso da SBD)

MarcoEASISCORADPrurido NRSDLQIPOEM
3 mesesEASI-50 (redução de 50%)SCORAD-50Redução ≥ 3 pontosRedução ≥ 4 pontosRedução ≥ 4 pontos
6 mesesEASI-75 OU EASI ≤ 7SCORAD-75 OU SCORAD ≤ 24Escore absoluto ≤ 4Escore absoluto ≤ 5Escore absoluto ≤ 7

Posologia dos medicamentos do protocolo

MedicamentoEsquema
Acetato de hidrocortisona cremeCamada fina 2 a 3 vezes ao dia; após melhora, 1 vez ao dia. Em lactentes e crianças abaixo de 4 anos, não prolongar além de 3 semanas, especialmente em zonas de fralda
Dexametasona creme1 a 3 aplicações diárias por períodos inferiores a 30 dias; manutenção 2 vezes por semana
Furoato de mometasonaCamada fina cobrindo toda a área afetada, 1 vez ao dia; evitar curativo oclusivo salvo indicação médica
Tacrolimo 0,3 mg/g (2 a 15 anos)2 vezes ao dia por até 3 semanas, depois 1 vez ao dia até resolver; manutenção 1 vez ao dia, 2 vezes por semana, com 2 a 3 dias de intervalo
Tacrolimo 1 mg/g (a partir de 16 anos)2 vezes ao dia até a lesão desaparecer; manutenção com 0,3 ou 1 mg/g, 1 vez ao dia, 2 vezes por semana
Ciclosporina3 a 5 mg/kg/dia em 2 tomadas na fase aguda; após 6 semanas, 2,5 a 3 mg/kg/dia; retirada de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia a cada 2 semanas; preferir 8 a 12 meses, nunca acima de 2 anos contínuos
Metotrexato2 a 16 anos: 0,4 a 0,6 mg/kg/semana ou 10 a 15 mg/m²/semana. A partir de 16 anos: 15 a 25 mg/semana. Suplementar ácido fólico
Upadacitinibe15 mg/dia por via oral, 12 a menos de 18 anos com peso ≥ 40 kg; não iniciar com linfócitos < 500/mm³, neutrófilos < 1.000/mm³ ou hemoglobina < 8 g/dL

O Quadro 4 do PCDT, que lista os critérios do Grupo de Trabalho do Reino Unido, numera os cinco itens como 1, 2, 2, 4 e 5 — o terceiro item recebeu o número 2 e o número 3 não existe na lista. A mesma numeração aparece no relatório preliminar da Consulta Pública nº 57 e no texto final, gerados por programas diferentes, de modo que se trata do documento e não de leitura. Quem classifica não é afetado: continuam sendo cinco itens, dos quais bastam três. Quem conta pelos números encontra uma lista que termina em 5 com quatro rótulos distintos.

O protocolo dá dois números para o emoliente a um parágrafo de distância: pelo menos duas vezes por semana, quando resume a evidência sobre atrasar o desenvolvimento e melhorar a pele na doença leve a moderada, e pelo menos duas vezes ao dia mais imediatamente após o banho, quando fala de manter a hidratação. As duas frases estão na mesma seção 6.1.1.

Ao discutir o metotrexato, o texto afirma que a indicação está prevista em diretrizes da Sociedade Brasileira de Dermatologia e nas diretrizes das academias americana e europeia de dermatologia, e ancora a menção à academia americana na referência 2. A referência 2 da lista é um estudo de avaliação retrospectiva de adequação de medicamentos e recomendações de farmacêuticos clínicos em atenção primária domiciliar a veteranos, publicado em 2007 no American Journal of Geriatric Pharmacotherapy. As diretrizes da Academia Americana de Dermatologia citadas em outros pontos aparecem nas referências 33 e 42, e a europeia, na 3.

A lista de referências repete dois trabalhos com números diferentes: o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia de 2019 aparece como referência 14 e como referência 34, e o estudo de coorte sobre infecções sistêmicas em adultos com dermatite atópica aparece como 23 e como 43.

Ao apresentar a prevalência, o protocolo escreve que estudos brasileiros apresentam prevalências discrepantes, de 20,1% entre indivíduos de 6 meses a 17 anos e de 5,4% em crianças menores de 12 anos, e ancora a frase nas referências 9 e 10. A referência 9 é um inquérito transversal internacional conduzido em 18 países, cujo resumo situa o número de 20,1% como o extremo superior de uma faixa que começa em 2,7% e varia entre países. A referência 10 é o inquérito telefônico de base populacional brasileiro.

O texto tem dois erros de digitação que não mudam sentido, mas atrapalham a busca por palavra: a doença é classificada como leve, moderava e grave na abertura da seção de diagnóstico, e o corticoide de média potência é chamado de furoato de momentasona na seção de medicamentos tópicos.

A escala IGA e a NRS do prurido aparecem no quadro de escalas com a coluna de validação marcada como não. Ainda assim, a NRS é usada nas metas de 3 e de 6 meses que o próprio protocolo adota. Meta e validação são coisas diferentes, e o documento não as reconcilia.

A concentração do banho com hipoclorito aparece como percentual final no protocolo, 0,006%, e como produto mais volume de água no guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria, hipoclorito a 6% em 100 litros — este último sem dizer quanto do produto entra na água. A quantidade que faz as duas frases coincidirem, 100 mL, é resultado de conta, não está escrita em nenhum dos dois.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Fototerapia tem lugar no tratamento da dermatite atópica?

Tem, como alternativa

A fototerapia pode ser indicada como tratamento alternativo para dermatite atópica moderada a grave refratária ao tratamento tópico, e a UVB de banda estreita e a UVA1 são consideradas fototerapias úteis nesses pacientes.

Orfali RL et al. Consenso sobre o manejo terapêutico da dermatite atópica — Sociedade Brasileira de Dermatologia. An Bras Dermatol. 2023;98(6):814-836, Tabela 3 (texto aberto no Europe PMC).

Não é preconizada

A fototerapia está disponível no SUS para outras indicações, mas não foi avaliada para dermatite atópica, e por isso não é preconizada no protocolo. O documento descreve seus efeitos e contraindicações, e registra que quem usa ciclosporina não deve receber UVB nem PUVA simultaneamente.

Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, seção 6.1.3.

Na prova

Repare em quem o enunciado coloca decidindo. Questão que descreve ambulatório de dermatologia e pergunta opção terapêutica para doença refratária costuma trabalhar com a régua de sociedade, e aí a fototerapia é alternativa legítima. Questão que menciona SUS, unidade básica, protocolo, dispensação ou regulação está na régua do PCDT, e aí a fototerapia não é o degrau — o degrau é a terapia sistêmica incorporada. A palavra que mais entrega o recorte é protocolo.

Qual é o peso mínimo para o upadacitinibe no adolescente?

30 kg

O upadacitinibe deve ser opção sistêmica dirigida ao alvo para adolescentes com dermatite atópica de 12 a 17 anos com peso corporal igual ou maior que 30 kg, na dose de 15 mg por dia.

Orfali RL et al. Consenso sobre o manejo terapêutico da dermatite atópica — Sociedade Brasileira de Dermatologia. An Bras Dermatol. 2023;98(6):814-836, Tabela 4 (texto aberto no Europe PMC).

40 kg

O critério de inclusão exige peso corporal de pelo menos 40 kg em adolescentes de 12 a menos de 18 anos, e o texto justifica o limite dizendo que o medicamento não foi estudado em adolescentes com peso menor que 40 kg nem em crianças menores de 12 anos, atribuindo a informação à bula.

Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, seções 4 e 6.2.2.

Na prova

Os dois números convivem na literatura brasileira, e a diferença não é de opinião clínica: é de qual documento governa a dispensação. Enunciado que pergunta se o paciente preenche critério para receber o medicamento pelo SUS trabalha com o limite do protocolo. Quando o enunciado dá o peso do adolescente, ele quase nunca o faz por acaso — um peso entre 30 e 40 kg é justamente o intervalo em que as duas réguas discordam, e costuma ser o eixo da questão.

A ciclosporina tem idade mínima na dermatite atópica?

A partir de 1 ano

A ciclosporina é registrada no Brasil para crianças a partir de 1 ano e para adultos com dermatite atópica moderada a grave.

Orfali RL et al. Consenso sobre o manejo terapêutico da dermatite atópica — Sociedade Brasileira de Dermatologia. An Bras Dermatol. 2023;98(6):814-836, seção sobre ciclosporina, item Approval (texto aberto no Europe PMC).

Sem restrição de idade

A ciclosporina foi incorporada ao SUS em 2022 para dermatite atópica moderada a grave sem restrição de idade, e o quadro de opções terapêuticas registra a população elegível como sem restrição. O texto reconhece que a bula descreve experiência limitada em crianças e que o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia não contraindica o uso pediátrico desde que haja monitoramento de eventos adversos.

Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, Quadro 8 e seção 6.2.2.

Na prova

A pergunta que separa as duas posições é se o enunciado fala de registro ou de dispensação. Registro sanitário é da Anvisa e tem piso etário; incorporação é da Conitec e, neste caso, não impôs piso. Em lactente com dermatite atópica moderada a grave, a alternativa que diz que a ciclosporina está formalmente vedada pela idade não encontra apoio no protocolo — mas a alternativa que trata o lactente como candidato natural também ignora que o arsenal tópico dele é justamente o mais restrito.

Emoliente diário desde o nascimento previne dermatite atópica em recém-nascido de alto risco?

Pode reduzir

O uso diário de emolientes desde o nascimento pode reduzir a incidência de dermatite atópica em população de alto risco, e a aplicação profilática iniciada na primeira infância pode prevenir a doença, principalmente se usada de modo contínuo em populações de alto risco, embora não previna alergia alimentar.

PCDT da Dermatite Atópica, seção 6.1.1; e Prado E et al. Dermatite atópica grave: guia prático da ASBAI e SBP. Arq Asma Alerg Imunol. 2022;6(4):432-467.

Não previne

No ensaio BEEP, com 1.394 recém-nascidos de alto risco, o eczema aos 2 anos ocorreu em 139 de 598 crianças do grupo emoliente e em 150 de 612 do controle, com risco relativo ajustado de 0,95 (intervalo de confiança de 95%: 0,78 a 1,16), e houve mais infecções de pele no grupo emoliente (razão de incidência ajustada 1,55; 1,15 a 2,09). No PreventADALL, de base populacional, a diferença de risco aos 12 meses foi de 3,1% para a intervenção cutânea, a favor do controle.

Chalmers JR et al. Lancet. 2020;395:962-972 (aberto no Europe PMC, PMC7086156); Skjerven HO et al. Lancet. 2020;395:951-961 (resumo aberto no Europe PMC, PMID 32087121).

Na prova

Separe tratar de prevenir antes de qualquer coisa. Não há divergência sobre o emoliente como base do tratamento de quem já tem a doença — nenhuma fonte o contesta, e alternativa que o contraindique está errada em qualquer régua. A divergência existe apenas na prevenção primária do recém-nascido saudável de família atópica. Enunciado que pergunta o que orientar aos pais de um bebê ainda sem lesão, com pai e mãe atópicos, é o que ativa essa controvérsia; enunciado com criança que já tem eczema não ativa nada.

06

Caso resolvido

Menino de 7 anos, 28 kg, com dermatite atópica desde o primeiro ano de vida, em acompanhamento no ambulatório de dermatologia. Preenche os critérios de Hanifin e Rajka. EASI basal de 26,4. Usou emoliente, corticoide tópico e tacrolimo pomada 0,3 mg/g sem controle, e recebeu ciclosporina 4 mg/kg/dia por dez semanas, suspensa por hipertensão arterial que não se controlou com anti-hipertensivo apropriado. Radiografia de tórax normal, prova tuberculínica de 3 mm. A equipe decide iniciar terapia sistêmica dirigida ao alvo. Seis meses depois de iniciada, o EASI é de 7,0. Defina o medicamento, a dose de início, a dose de manutenção e se a meta de seis meses foi atingida.
por que ele preenche o critério
O protocolo pede três coisas para os medicamentos dirigidos ao alvo: diagnóstico por um dos dois conjuntos de critérios, doença grave por uma das escalas de gravidade e falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato. O diagnóstico está fechado por Hanifin e Rajka. O EASI basal de 26,4 cai na faixa de 21,1 a 50, que é grave. A hipertensão não controlada por anti-hipertensivo apropriado é, no próprio protocolo, critério de interrupção da ciclosporina — ou seja, intolerância documentada, e não desistência.
qual dos dois medicamentos, e por quê não é o outro
Os dois dirigidos ao alvo dividem a infância por idade, não por gravidade. Dupilumabe cobre de 6 meses a menos de 12 anos; upadacitinibe, de 12 a menos de 18 anos com peso de pelo menos 40 kg. Com 7 anos, o medicamento é o dupilumabe. O peso de 28 kg não conta para essa escolha — ele só entrará na conta da dose. Se a idade fosse 12 anos, o peso de 28 kg fecharia as duas portas de uma vez.
a dose, e a conta que a tabela esconde
Aos 7 anos ele está na faixa de 6 anos a menos de 12 anos; com 28 kg, na faixa de peso de 15 kg a menos de 30 kg. A dose inicial é de 600 mg, aplicada como duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada quatro semanas. Repare que 600 é exatamente o dobro de 300 — em toda essa faixa etária a dose inicial é o dobro da de manutenção. A mesma criança de 28 kg, se tivesse 5 anos, receberia 300 mg de início e 300 mg a cada quatro semanas: manutenção idêntica, sem dose de ataque, porque abaixo dos 6 anos a tabela não prevê carga.
o exame que precisa vir antes da primeira injeção
Antes de qualquer medicamento modificador do curso da doença, o protocolo exige pesquisa de tuberculose ativa e de infecção latente, com exame clínico, radiografia de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. Aqui a radiografia é normal e a prova tuberculínica é de 3 mm, abaixo do corte de 5 mm que indicaria tratar a infecção latente — pode iniciar. Se a prova viesse com 5 mm ou mais, o tratamento da infecção latente começaria primeiro, e o biológico entraria 1 mês depois. Com prova abaixo de 5 mm, a recomendação é repetir prova tuberculínica ou IGRA anualmente durante o uso.
a meta de seis meses, decidida em duas contas
A meta de seis meses tem dois braços ligados por ou: EASI-75 ou EASI menor ou igual a 7. Pelo braço relativo, EASI-75 exige queda de 75% sobre 26,4, o que significa chegar a 6,6, porque 26,4 vezes 0,25 dá 6,6. Ele chegou a 7,0, uma queda de 19,4 pontos, isto é, 73,48% — falhou por pouco. Pelo braço absoluto, a exigência é EASI menor ou igual a 7, e 7,0 satisfaz exatamente. A meta está atingida, e a conduta é manter. Quem calculou só a porcentagem trocaria um tratamento que está funcionando.
o que vai acontecer no aniversário de 12 anos
Pela recomendação da Conitec incorporada ao protocolo, o dupilumabe deve ser interrompido quando o paciente completa 12 anos. A partir daí, o upadacitinibe só se abre com peso de pelo menos 40 kg. Se ele chegar aos 12 anos abaixo desse peso, não preenche critério para nenhum dos dois, e o que permanece disponível é o restante do arsenal já incorporado: corticoide tópico, tacrolimo, ciclosporina e metotrexato, respeitadas as contraindicações de cada um — no caso dele, a ciclosporina já está descartada pela hipertensão.
07

Agora feche você

Lactente de 14 meses é levado à unidade básica por lesões eczematosas pruriginosas em face e superfícies extensoras, com xerose difusa, desde os 4 meses. Pai com asma. Sem febre, sem crostas melicéricas, sem vesículas. Ganho ponderal adequado, sem sintomas digestivos. A médica escreve na evolução: 'Dermatite atópica moderada. Inicio furoato de mometasona creme uma vez ao dia nas placas e tacrolimo pomada 0,3 mg/g duas vezes ao dia nas dobras. Solicito IgE sérica total e IgE específica para leite e ovo para confirmar o diagnóstico, e oriento excluir leite e ovo da dieta até o resultado. Prescrevo hidroxizina como tratamento da dermatite. Oriento aplicar o emoliente duas vezes por semana. Encaminho para fototerapia com UVB de banda estreita pelo SUS. Retorno em 3 meses.' Encontre os erros dessa conduta.
a idade dos dois primeiros medicamentos
Confira, na lista de contraindicações do protocolo, se algum dos dois tópicos prescritos traz uma faixa etária escrita com todas as letras — e compare com a idade da criança. Depois verifique quais tópicos sobram para essa idade e por quanto tempo um deles pode ser mantido em criança abaixo de 4 anos.
o exame que não confirma nada
Procure, na seção de diagnóstico, a frase sobre o uso rotineiro de exames laboratoriais e de biópsia. Depois pergunte o que um teste positivo provaria, e qual é o padrão-ouro para afirmar alergia alimentar.
o risco de retirar o alimento antes da resposta
Pense no que acontece com a tolerância de uma criança que fica meses sem um alimento retirado por suspeita, e no que pode ocorrer no dia da reintrodução. Há uma fonte brasileira que descreve esse desfecho com nome próprio.
o medicamento que o protocolo se recusa a discutir
Um dos itens prescritos é mencionado no protocolo apenas para dizer por que ele não será abordado. Localize essa frase e verifique se o que foi prescrito tem alguma função declarada no tratamento da doença.
a frequência do emoliente
Há dois números de frequência de emoliente no mesmo protocolo, em parágrafos vizinhos, e eles servem a finalidades diferentes. Descubra qual dos dois vale para manter a hidratação de quem já tem a doença, e o que o outro número descreve.
o encaminhamento que o protocolo não sustenta
Procure o parágrafo em que o protocolo explica por que uma modalidade disponível no SUS para outras doenças não é preconizada nesta. Note que o motivo declarado não é falta de eficácia.
o intervalo até o retorno
Compare o prazo marcado com o prazo que o protocolo recomenda para reavaliar e ajustar a dose de quem começou corticoide tópico.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Contar o prurido como critério menor de Hanifin e Rajka O prurido é o primeiro dos quatro critérios maiores. Os menores são vinte e três, e neles estão xerose, IgE sérica elevada, dobra infraorbitária de Dennie-Morgan, pitiríase alba, queilite e ceratocone. Quem coloca o prurido entre os menores fica com dois maiores e não fecha o critério.
  2. 2Trocar as duas réguas de classificação Hanifin e Rajka pedem 3 maiores E 3 menores, e o prurido pode faltar. O conjunto do Grupo de Trabalho do Reino Unido pede prurido nos últimos 12 meses obrigatoriamente, mais 3 de cinco itens. O protocolo aceita qualquer um dos dois, mas a estrutura interna deles não é intercambiável.
  3. 3Prescrever mometasona ou tacrolimo ao lactente Os dois têm menores de dois anos na lista de contraindicações do protocolo, e as duas linhas do quadro de opções dizem maiores de 2 anos. É justamente na faixa mais cobrada em prova de pediatria — o lactente com eczema de face e extensores — que esses dois estão fora.
  4. 4Achar que a mometasona tem uma potência só Mesma molécula, mesma concentração de 1 mg/g, potências diferentes: média quando em creme, alta quando em pomada. O veículo muda a classificação, e é o que decide se o produto pode ir para pele fina.
  5. 5Chamar o pimecrolimo de opção do SUS O inibidor de calcineurina tópico incorporado é o tacrolimo. O pimecrolimo aparece no protocolo apenas na lista de estudos identificados na revisão de literatura, nunca como opção preconizada.
  6. 6Calcular a meta de seis meses só pela porcentagem A meta tem dois braços ligados por ou. Quem sai de EASI 26,4 e chega a 7,0 caiu 73,48%, abaixo de 75%, mas cumpre a meta porque 7,0 é menor ou igual a 7. Quem sai de 40 e chega a 9 falha no braço absoluto e cumpre no relativo, porque caiu 77,5%. Basta um dos dois.
  7. 7Ler a dose inicial do dupilumabe como se crescesse com o peso Na faixa de 6 a menos de 12 anos a dose inicial é 600 mg, depois 400 mg, depois 600 mg de novo, à medida que o peso sobe. Não é erro de tabela: em todas essas faixas a inicial é o dobro da manutenção, e a criança de 30 a menos de 60 kg tem manutenção menor por injeção e mais frequente.
  8. 8Prescrever anti-histamínico como tratamento da dermatite atópica O protocolo registra que o prurido é induzido também pela histamina e emenda que anti-histamínicos não são utilizados no tratamento da doença, motivo pelo qual não são abordados no documento. Não é omissão: é exclusão declarada.
  9. 9Encaminhar para fototerapia dentro do protocolo A fototerapia existe no SUS para outras indicações e é recomendada pelo consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia como alternativa na doença moderada a grave refratária, mas não é preconizada pelo PCDT da dermatite atópica porque não foi avaliada para essa indicação. E ela nunca se combina com ciclosporina.
  10. 10Pedir IgE ou biópsia para confirmar o diagnóstico Nenhum dos dois é usado rotineiramente. A biópsia sequer separa dermatite de contato irritativa ou alérgica de dermatite atópica, porque as características histopatológicas são idênticas. Ambos servem, quando servem, para excluir outras condições.
  11. 11Suspender o corticoide tópico ao tratar eczema herpético O guia brasileiro registra que os corticosteroides tópicos usados nas áreas de eczema não alteram a resposta terapêutica ao antiviral. O que decide o prognóstico é a administração precoce do aciclovir, e a hospitalização entra nos casos graves e sobretudo em menores de 12 meses com febre e sintomas sistêmicos.
  12. 12Esquecer a tuberculose antes do biológico Antes de dupilumabe ou upadacitinibe o protocolo pede pesquisa de tuberculose ativa e latente, com radiografia de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. Prova tuberculínica maior ou igual a 5 mm ou IGRA reagente mandam tratar a infecção latente, e o medicamento entra 1 mês depois do início desse tratamento.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é dermatite atópica do lactente (lesões em face poupando o maciço central e superfícies extensoras, xerose, prurido intenso, história familiar de atopia). O tratamento de base é a hidratação com emolientes associada a corticosteroide tópico de baixa potência nas fases inflamatórias, além de controle do prurido e afastamento de irritantes. Sabonetes antissépticos, banhos quentes e demorados agravam a xerose e o prurido. Não há sinais de infecção (crostas melicéricas/pus ausentes), não se indica antibiótico/antifúngico. Corticoide oral prolongado não é conduta de manutenção pelos efeitos adversos e risco de rebote.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória as duas réguas de classificação, dizendo em voz alta onde o prurido está em cada uma: um dos quatro maiores em Hanifin e Rajka, porta obrigatória no conjunto do Reino Unido. Em seguida reconstrua a escada do SUS por idade, começando pelo que existe abaixo dos 2 anos. Depois refaça a conta da meta de seis meses com outros números: um paciente que saiu de EASI 32 e chegou a 8 atinge a meta? Ele caiu 24 pontos, exatamente 75%, então cumpre o braço relativo mesmo com 8 sendo maior que 7 — a fronteira do EASI-75 é atingida na igualdade, não ultrapassada. E outro que saiu de 24 e chegou a 7,2: caiu 70% e 7,2 é maior que 7, de modo que falha nos dois braços por margem mínima. Note que 7,0 e 7,2 quase se confundem no papel e têm destinos opostos.

em 30 dias

Refaça os dois casos do capítulo decidindo item a item, e depois responda sem consultar: qual portaria aprovou o protocolo vigente e qual ela revogou; quais medicamentos o protocolo anterior dizia que não estavam disponíveis no SUS para esta doença; qual a idade e o peso que separam dupilumabe de upadacitinibe, e o que acontece com quem completa 12 anos pesando 36 kg; qual é a relação numérica entre a dose inicial e a de manutenção do dupilumabe na faixa de 6 a menos de 12 anos; que dose de aciclovir a fonte de sociedade indica no eczema herpético por via oral e por via endovenosa; qual palavra o protocolo usa para excluir os anti-histamínicos; e por que a fototerapia, existindo no SUS, não é degrau desta doença.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Uma auxiliar de cozinha de 22 anos procura o ambulatório por lesões que coçam nas dobras dos cotovelos e atrás dos joelhos há cerca de um mês, com piora nas últimas duas semanas. Conta que teve episódios parecidos desde criança, que vão e voltam no inverno e nas épocas de estresse, e que pioraram depois que passou a lavar louça com água quente e detergente o dia inteiro; a coceira é pior à noite e atrapalha o sono. Conduza a consulta: caracterize as lesões e o prurido, levante a história pessoal e familiar de atopia e a idade em que tudo começou, procure ao exame os estigmas que acompanham essa doença nas flexuras e nas mãos, e cheque se há infecção sobreposta. Não pare no reconhecimento: diga qual conjunto formal de critérios você está usando e mostre, um a um, que ele está preenchido; dimensione o quanto a doença pesa sobre o sono e sobre o trabalho; e monte o plano com o emoliente, com o que entra na fase aguda, com o cuidado do banho e com a proteção das mãos no serviço. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Dermatite atópica — Preparatório para provas | OsceLabs