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Dermatite atópica
A vinheta do diagnóstico se resolve em segundos. O que a prova cobra depois é o protocolo: qual critério classifica, qual escala mede a gravidade, que degrau o SUS abre em cada idade — e o vão entre os 12 anos e os 40 quilos.
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Um lactente de 5 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por lesões cutâneas recorrentes há 6 semanas. Ao exame, apresenta placas eritematosas, descamativas e com escoriações em face (poupando a região central/maciço centrofacial), couro cabeludo e face extensora dos membros. A mãe relata que o bebê chora e esfrega o rosto nos lençóis, com piora do sono. O pai tem rinite alérgica e asma. A pele encontra-se difusamente seca. Não há febre, secreção purulenta ou crostas melicéricas. Considerando o quadro mais provável e a conduta inicial adequada na atenção primária, qual é a conduta de PRIMEIRA linha mais apropriada?
Como esse tema cai
A dermatite atópica entra na prova quase sempre pela mesma porta: lactente com placas eritematosas, mal delimitadas, em face poupando o maciço central e nas superfícies extensoras, ou pré-escolar com eczema nas fossas antecubitais e poplíteas, pele seca, prurido que atrapalha o sono e pai ou mãe com asma ou rinite. A pergunta é o diagnóstico, e os distratores são sempre os mesmos: escabiose, dermatite seborreica, dermatite de contato, psoríase. Quem reconhece a distribuição por faixa etária acerta sem pensar duas vezes.
O que vem depois dessa vinheta é outro assunto. O Brasil tem, desde novembro de 2025, um protocolo nacional inteiramente reescrito para esta doença, e ele funciona como qualquer PCDT: define quem entra por critério formal, mede a gravidade por escala com corte numérico, abre medicamentos diferentes em faixas etárias diferentes e fecha alguns degraus por idade e por peso. Nada disso aparece na vinheta clássica, e é justamente onde a questão fica difícil.
Este capítulo trabalha essa segunda camada: os dois conjuntos de critérios que o protocolo aceita para classificar, as escalas de gravidade e seus pontos de corte, o arsenal que o SUS abre em cada idade, a aritmética das doses do dupilumabe, as metas numéricas aos 3 e aos 6 meses, o que o protocolo tirou da mesa, os números de banho e emoliente que as fontes brasileiras dão pela metade, o vão que se abriu entre os 12 anos e os 40 quilos e o parágrafo sobre eczema herpético que a revisão de 2025 deixou de fora.
O que muda decisão
Dois critérios, e o prurido não está no mesmo lugar nos dois
Como usar este capítulo: confirme o diagnóstico clínico e classifique a gravidade antes de escolher o tratamento. Cuidados de barreira e terapia tópica sustentam todos os níveis; infecção, falha terapêutica e doença moderada a grave abrem os degraus sistêmicos.
O diagnóstico de dermatite atópica é clínico. O PCDT diz que ele se apoia na história, na morfologia e na distribuição das lesões, nos sinais associados e na exclusão de outras condições eritematosas e eczematosas, e que a variabilidade por idade, etnia e gravidade torna o reconhecimento difícil sobretudo em bebês e idosos. Para efeito de inclusão no protocolo, porém, clínica solta não basta: é preciso fechar um de dois conjuntos formais.
O primeiro é o de Hanifin e Rajka, que o protocolo chama de padrão-ouro. Ele exige 3 ou mais critérios maiores E 3 ou mais critérios menores. Os maiores são quatro: prurido; morfologia e distribuição típicas (liquenificação ou linearidade em superfícies flexoras no adulto, envolvimento de face ou de superfícies extensoras em bebês e crianças); dermatite crônica ou cronicamente recidivante; e história pessoal ou familiar de atopia. Os menores são vinte e três, e a lista inclui itens que raramente entram no raciocínio de enfermaria: xerose, ictiose ou hiperlinearidade palmar, IgE sérica elevada, tendência a infecções cutâneas por S. aureus e herpes simples, eczema do mamilo, queilite, conjuntivite recorrente, dobra infraorbitária de Dennie-Morgan, ceratocone, catarata subcapsular anterior, escurecimento orbitário, pitiríase alba, dobra cervical anterior, prurido ao suar, intolerância à lã, acentuação perifolicular, intolerância alimentar, dermografismo branco.
O segundo conjunto é o do Grupo de Trabalho do Reino Unido, que o próprio protocolo descreve como versão condensada do primeiro. Nele o prurido nos últimos 12 meses é obrigatório, e a ele se somam 3 ou mais de cinco itens: idade acima de 4 anos com início dos sintomas antes dos 2 anos; história de envolvimento flexural; história de pele geralmente seca; história de outra doença atópica no paciente ou em parente de primeiro grau; dermatite flexural visível.
A diferença de arquitetura é o que a prova cobra. Em Hanifin e Rajka o prurido é um critério maior entre quatro, e sozinho não obriga nada — é possível somar três maiores sem ele. No conjunto do Reino Unido o prurido é a porta de entrada, e sem ele não se classifica por mais itens que o caso reúna. Trocar um conjunto pelo outro na hora de contar produz erro nos dois sentidos: sobra critério de um lado e falta do outro.

Gravidade é número, e é dela que os medicamentos dependem
O protocolo separa a descrição clínica da gravidade da medida da gravidade, e usa as duas. A descrição vem de um quadro adaptado do posicionamento da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria e tem quatro degraus: livre (pele normal, sem impacto na qualidade de vida); leve (áreas de xerose, prurido infrequente, pequeno impacto); moderada (xerose, prurido frequente associado à inflamação, distúrbios do sono frequentes); grave (xerose difusa, prurido constante, pele espessada com sangramento, liquenificação, alterações de pigmentação, noites de sono perdidas).
A medida vem das escalas, e é ela que abre ou fecha prescrição. O SCORAD vai de 0 a 103 e considera extensão, gravidade da lesão e os sintomas subjetivos relatados pelo paciente, prurido e perda de sono: até 9,9 é limpo, de 10 a 28,9 leve, de 29 a 48,9 moderada, de 49 a 103 grave. O EASI avalia área e gravidade em quatro regiões — cabeça, braços, tronco e pernas — e vai de 0 a 72: 0 é limpo, de 0,1 a 1,0 quase limpo, de 1,1 a 7 leve, de 7,1 a 21 moderada, de 21,1 a 50 grave e de 50,1 a 72 muito grave.
As duas são as escalas validadas de referência, e o próprio protocolo avisa que são usadas principalmente em ensaios clínicos e consomem tempo na rotina. Para o consultório há as respondidas pelo paciente ou cuidador: o POEM, que cobre os últimos sete dias e vai de 0 a 28 (até 2 limpo ou quase limpo, 3 a 7 leve, 8 a 16 moderada, 17 a 24 grave, 25 a 28 muito grave), e o Po-SCORAD, com os mesmos cortes do SCORAD. Há ainda a vIGA-AD, avaliação global por examinador treinado sobre eritema, endurecimento, liquenificação e exsudação, de 0 a 4, e a NRS do prurido, de 0 a 10, com leve de 0 a 3, moderada de 4 a 6 e grave de 7 a 10. O protocolo registra que a IgA genérica não é validada — é um termo guarda-chuva para mais de vinte variantes publicadas — e que a NRS do prurido também não é.
A qualidade de vida entra por instrumentos próprios: o DLQI, validado no Brasil, com 10 itens pontuados de 0 a 3 e escore total de 0 a 30, em que redução de 5 pontos já é clinicamente significativa; e o CDLQI, criado para pacientes de 5 a 16 anos, também com 10 itens, referidos à semana anterior. Nos dois, quanto maior o escore, pior a qualidade de vida.
O que o SUS abre em cada idade
O arsenal do protocolo tem um andar sem restrição etária e outro que só se abre depois dos 2 anos. Dexametasona creme 1 mg/g e acetato de hidrocortisona creme 10 mg/g são corticoides de baixa potência e valem para qualquer idade e qualquer gravidade. Furoato de mometasona creme ou pomada 1 mg/g e tacrolimo pomada entram apenas acima de 2 anos, e para os dois o protocolo lista, entre as contraindicações, exatamente a expressão menores de dois anos.
Isso tem uma consequência prática que a vinheta clássica esconde: o lactente com dermatite atópica — o caso mais cobrado de todos — é justamente aquele para quem o protocolo abre menos coisa. Abaixo dos 2 anos sobram os dois corticoides de baixa potência, os emolientes e as medidas de banho. E mesmo a hidrocortisona vem com prazo: em lactentes e crianças abaixo de 4 anos o tratamento não deve prolongar-se por mais de 3 semanas, especialmente nas zonas cobertas por fraldas.
A potência do furoato de mometasona depende do veículo, e o protocolo é explícito: média potência quando em creme, alta potência quando em pomada. É a mesma molécula, a mesma concentração de 1 mg/g e o mesmo tubo na prateleira — o que muda a classificação é o que carrega o princípio ativo. A posologia também difere da dos corticoides de baixa potência: mometasona é uma aplicação por dia, enquanto a hidrocortisona é 2 a 3 vezes ao dia até a melhora e a dexametasona, 1 a 3 vezes ao dia por períodos inferiores a 30 dias.
O inibidor de calcineurina tópico do protocolo é o tacrolimo, e apenas ele. O pimecrolimo aparece no documento somente na lista de estudos identificados na revisão de literatura, nunca como opção preconizada. O tacrolimo é indicado a partir dos 2 anos para quem não responde bem ou não tolera o tratamento convencional, pode ser usado em áreas sensíveis — rosto, pescoço, áreas intertriginosas e genitais — e tem uso explícito de manutenção: para prevenir surtos em quem exacerba com alta frequência, definida como 4 ou mais vezes por ano, e que respondeu a um tratamento máximo de 6 semanas duas vezes ao dia.
O esquema de manutenção do tacrolimo é o que separa quem leu o protocolo de quem chutou. Entre 2 e 15 anos usa-se a pomada de 0,3 mg/g, duas vezes ao dia por até três semanas, depois uma vez ao dia até o desaparecimento da lesão, e a manutenção é uma aplicação por dia, duas vezes por semana, nas áreas comumente afetadas, com 2 a 3 dias de intervalo entre elas. A partir dos 16 anos começa-se com a pomada de 1 mg/g duas vezes ao dia, e a manutenção pode ser feita com 0,3 mg/g ou 1 mg/g, também duas vezes por semana. Ao aparecer sinal de surto, volta-se para duas vezes ao dia.
Moderada a grave: ciclosporina e metotrexato, sem corte de idade
Para doença moderada a grave em qualquer idade, o protocolo abre dois imunossupressores sistêmicos. A ciclosporina é usada por via oral, 3 a 5 mg/kg/dia divididos em duas tomadas na fase aguda, e após seis semanas a dose de manutenção cai para 2,5 a 3 mg/kg/dia. O uso deve ficar restrito preferencialmente a 8 a 12 meses, e não é recomendado por período superior a dois anos contínuos. A retirada é escalonada: reduzir 0,5 a 1,0 mg/kg/dia a cada duas semanas até a suspensão completa — e, se ainda for preciso manter imunossupressor, a recomendação é passar para o metotrexato.
A ciclosporina traz duas travas que caem direto em questão de conduta. A primeira: fototerapia e ciclosporina não se combinam, e a proteção solar é fortemente recomendada durante o tratamento. A segunda: vacinas de vírus vivos atenuados estão entre as contraindicações formais. O monitoramento é hemograma completo e provas hepática e renal no início e após as primeiras quatro semanas, repetidos a cada três meses, além de rastreio de hepatites B e C e HIV, e pressão arterial acompanhada de perto. O protocolo pede atenção ao equipamento — braçadeira de diâmetro ajustável à criança. Redução da função renal manda reduzir a dose por um mês; sem melhora, interromper. Hipertensão que não se controla com anti-hipertensivo apropriado também manda interromper. A nefrotoxicidade é mais comum em idosos, em doses acima de 5 mg/kg/dia, no uso prolongado e em quem já tem creatinina elevada.
O metotrexato é semanal, e o protocolo separa por idade: de 2 a 16 anos, 0,4 a 0,6 mg/kg por semana, ou 10 a 15 mg/m² por semana, por via oral ou injetável; a partir dos 16 anos, 15 a 25 mg por semana. A suplementação de ácido fólico é recomendada, e o protocolo registra que a maior parte das diretrizes não fixa dose: uma revisão sistemática identificou 5 mg por semana no dia seguinte ao metotrexato, ou 5 mg por dia exceto no dia do metotrexato, para adultos, e 400 microgramas por semana para crianças. O documento também é honesto sobre o estatuto do fármaco: a indicação para dermatite atópica não consta em bula, mas está prevista em diretrizes da Sociedade Brasileira de Dermatologia e das academias americana e europeia.
Os dois trocam de lugar conforme o tempo. Os estudos comparativos citados no protocolo mostram melhora clínica maior nas semanas iniciais com a ciclosporina, e melhor sustentação do controle na fase de seguimento com o metotrexato, principalmente em crianças e adolescentes. É por isso que a escada da ciclosporina termina no metotrexato, e não o contrário.
O vão entre os 12 anos e os 40 quilos
Os dois medicamentos novos do protocolo não se sobrepõem: cada um cobre uma faixa etária, e as faixas encostam sem se tocar. O dupilumabe, anticorpo monoclonal que inibe a sinalização da IL-4 e da IL-13 ligando-se à subunidade IL-4Rα, foi incorporado para crianças de 6 meses a menores de 12 anos com dermatite atópica grave que apresentem falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato. O upadacitinibe, inibidor seletivo e reversível da JAK1, foi incorporado para adolescentes de 12 a menores de 18 anos, com peso corporal de pelo menos 40 kg, na mesma condição de gravidade e de falha à primeira linha sistêmica.
Além do limite de entrada, cada um tem um limite de saída, e os dois vêm de recomendação da Conitec, não de bula: quem usa dupilumabe deve interromper o tratamento ao completar 12 anos; quem usa upadacitinibe, ao completar 18. Some as duas regras e aparece o vão: o adolescente que completa 12 anos perde o dupilumabe por idade e só ganha o upadacitinibe se pesar 40 kg ou mais. Quem estiver com 36 kg no aniversário não se enquadra em nenhum dos dois, e o protocolo não descreve ponte para essa situação — o que continua disponível é o restante do arsenal já incorporado, porque o documento repete, a cada medicamento novo, que todo o arsenal terapêutico permanece disponível respeitadas as indicações e contraindicações de cada um.
O outro corte é o do adulto. O protocolo registra que, embora o uso de dupilumabe e de upadacitinibe seja indicado também para adolescentes e adultos, a Conitec recomendou a não incorporação ao SUS para essas populações por alto impacto orçamentário, e cita a Portaria sectics/MS nº 53/2025. Ou seja: em dermatite atópica grave de adulto, o SUS oferece corticoide tópico, tacrolimo, ciclosporina e metotrexato — e para no metotrexato.
Antes de qualquer um dos dois, há uma etapa que o protocolo trata como obrigatória e que costuma ser esquecida em questão de conduta: a pesquisa de tuberculose ativa e de infecção latente. Além do exame clínico, o documento pede radiografia simples de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. O tratamento da infecção latente é indicado com prova tuberculínica maior ou igual a 5 mm ou IGRA reagente, e também sem esses exames quando houver alterações radiográficas compatíveis com tuberculose prévia não tratada ou contato próximo com caso de tuberculose pulmonar. O medicamento modificador do curso da doença começa 1 mês após o início do tratamento da infecção latente, ou concomitantemente ao tratamento da tuberculose ativa. Durante o uso, o rastreio é anual, e não há necessidade de repetir a radiografia se não houver suspeita clínica — exceto quando a prova tuberculínica ou o IGRA vierem alterados naquela avaliação anual.
A conta do dupilumabe: a carga é o dobro da manutenção, e só existe depois dos 6 anos
A tabela de dose do dupilumabe é o tipo de coisa que parece decoreba e não é: ela tem uma regra por trás, e a regra explica um comportamento que, lido de fora, parece erro de digitação. Na faixa de 6 meses a 5 anos, quem pesa de 5 kg a menos de 15 kg recebe 200 mg de início e 200 mg a cada quatro semanas; quem pesa de 15 kg a menos de 30 kg recebe 300 mg de início e 300 mg a cada quatro semanas. A dose inicial é igual à de manutenção — nessa faixa não existe dose de ataque.
Na faixa de 6 anos a menores de 12 anos existe. De 15 kg a menos de 30 kg, a dose inicial é de 600 mg, em duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada quatro semanas. De 30 kg a menos de 60 kg, a dose inicial é de 400 mg, em duas injeções de 200 mg, seguida de 200 mg a cada duas semanas. Com 60 kg ou mais, a dose inicial volta a 600 mg, em duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada duas semanas.
Repare no que acontece com a dose inicial ao longo do peso: 600 mg, depois 400 mg, depois 600 mg de novo. Ela não cresce com o peso — desce e sobe. Quem lê a tabela procurando progressão conclui que há erro. A regra que organiza tudo é outra: em cada faixa dessa idade a dose inicial é exatamente o dobro da dose de manutenção. 600 é o dobro de 300; 400 é o dobro de 200; 600 é o dobro de 300. A criança de 35 kg recebe carga menor porque a manutenção dela é menor por injeção — 200 mg — e mais frequente, a cada duas semanas.
A exposição, essa sim, cresce com o peso quando se olha o intervalo inteiro. Em quatro semanas, quem está entre 15 e menos de 30 kg recebe 300 mg; quem está entre 30 e menos de 60 kg recebe 200 mg duas vezes, isto é, 400 mg; quem tem 60 kg ou mais recebe 300 mg duas vezes, isto é, 600 mg. É a mesma escada, contada na unidade certa.
E há um detalhe que só aparece quando se cruza idade com peso. Uma criança de 20 kg com 4 anos recebe 300 mg de início e 300 mg a cada quatro semanas. A mesma criança de 20 kg, com 7 anos, recebe 600 mg de início e depois os mesmos 300 mg a cada quatro semanas. Mesmo peso, mesma manutenção, carga dobrada — porque mudou a faixa etária, não o peso.
Meta é número, e há duas maneiras de bater a mesma meta
O protocolo adota, do consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, metas explícitas para a terapia sistêmica, e são elas que decidem continuar ou trocar. Aos 3 meses, o objetivo inicial aceitável é atingir pelo menos EASI-50, isto é, redução de 50% em relação ao valor basal; SCORAD-50; redução de pelo menos três pontos no pico do prurido pela NRS de 0 a 10; redução de pelo menos quatro pontos no DLQI; e redução de pelo menos quatro pontos no POEM.
Aos 6 meses a régua endurece e, mais importante, ganha uma alternativa. A meta é EASI-75, redução de 75% em relação ao basal, ou EASI menor ou igual a 7; SCORAD-75 ou SCORAD menor ou igual a 24; pico de prurido pela NRS com escore absoluto menor ou igual a 4; DLQI menor ou igual a 5; POEM menor ou igual a 7.
Essa conjunção alternativa é a armadilha aritmética do bloco. Um paciente que começou com EASI 26,4 e chegou a 7,0 aos seis meses caiu 19,4 pontos, o que é 73,48% — abaixo dos 75%. Pelo braço relativo, ele falhou: EASI-75 exigiria chegar a 6,6, porque 26,4 vezes 0,25 dá 6,6. Mas o braço absoluto pede EASI menor ou igual a 7, e 7,0 satisfaz a condição na fronteira. A meta está batida, e quem contou só a porcentagem trocaria o tratamento sem precisar.
O inverso também acontece, e é o mesmo mecanismo. Um paciente que começou com EASI 40 e chegou a 9 caiu 31 pontos, o que é 77,5% — acima de 75%. Pelo braço relativo ele passou; pelo absoluto, não, porque 9 é maior que 7. Meta batida de novo. E é possível falhar nos dois: quem saiu de EASI 24 e chegou a 7,2 caiu 70%, abaixo de 75%, e 7,2 é maior que 7. Aí sim a resposta é inadequada. Note como os dois últimos casos têm valores finais quase idênticos, 7,0 e 7,2, com destinos opostos: dois décimos separam a meta batida da meta perdida quando o braço relativo já falhou.
Quando a troca é necessária, o protocolo recomenda manter a terapia tópica até que o novo sistêmico esteja plenamente eficaz, ou usá-la como adjuvante durante a terapia sistêmica em andamento. E, ao mudar de um sistêmico para outro, recomenda um período de 1 a 2 meses de sobreposição, em que o medicamento original tem a dose reduzida enquanto o novo começa a fazer efeito — estratégia que o próprio documento autoriza para a transição de ciclosporina ou metotrexato para dupilumabe ou upadacitinibe.
O que o protocolo tira da mesa
Tão cobrado quanto o que entra é o que fica de fora, e aqui o documento é direto. Anti-histamínicos: o protocolo registra que o prurido também é induzido pela histamina liberada pelos mastócitos em resposta à IgE, e emenda que anti-histamínicos não são utilizados para o tratamento da dermatite atópica e, por isso, não serão abordados no PCDT. A frase é curta e resolve uma alternativa inteira.
Fototerapia: o protocolo descreve o que ela pode oferecer — melhora dos sinais clínicos, redução do prurido e da colonização bacteriana, economia de corticoide — e lista as contraindicações, entre elas xeroderma pigmentoso, albinismo, dermatoses fotossensíveis e história de melanoma ou de múltiplos cânceres de pele não melanocíticos. Em seguida fecha a porta: a fototerapia está disponível no SUS para outras indicações, mas não foi avaliada para dermatite atópica, e por isso não é preconizada neste protocolo.
Biópsia e laboratório: biópsia de pele e testes laboratoriais, incluindo dosagem de IgE, não são usados rotineiramente na avaliação de quem tem suspeita de dermatite atópica; podem servir em alguns pacientes para descartar outras condições. A biópsia, aliás, não distingue dermatite de contato irritativa ou alérgica de dermatite atópica, porque compartilham características histopatológicas idênticas — o que separa é a localização, a exposição e o teste de contato.
Dieta de exclusão: a associação entre dermatite atópica e alergia alimentar existe e é mais importante na primeira infância, mas o padrão-ouro diagnóstico é a provocação oral, cega e controlada por placebo, feita em ambiente adequado, com suporte especializado e recursos para manejar reação grave. O guia brasileiro de dermatite atópica grave é ainda mais explícito sobre o outro lado: dietas de eliminação não justificadas não devem ser administradas, sensibilização — teste cutâneo positivo ou IgE específica detectável — não significa alergia, e a exclusão injustificada pode levar à perda de tolerância, com possibilidade de anafilaxia na reintrodução.
Coberturas antimicrobianas: as com prata, iodo, mel, biguanida e PHMB não são aprovadas para crianças e neonatos, associam-se a resistência microbiana e podem induzir sensibilidade em quem tem dermatite atópica. Para lesão mais grave, com ou sem infecção, o protocolo aponta antimicrobianos com corantes orgânicos, como violeta de genciana e azul de metileno, e os de ação mecânica, como o cloreto de dialquilcarbamoil.
Banho, emoliente e hipoclorito: os números que as fontes dão pela metade
O banho diário não piora a doença — o protocolo afirma isso com todas as letras. O que muda é como se toma: banhos curtos, de 5 a 10 minutos, com água entre 27 e 30 graus, preferencialmente com sabonetes de pH fisiológico, levemente ácido, porque o pH elevado da pele do paciente com dermatite atópica favorece colonização microbiana, mantém proteases microbianas no leito das lesões e facilita a ruptura da barreira. Sabonetes com formulações antissépticas devem ser evitados, sobretudo os que contêm ingredientes alimentares como proteína de trigo ou amido de arroz, pelo risco de irritação e sensibilização. O emoliente entra depois de secar a pele. O documento também registra que não existe consenso sobre a frequência dos banhos nem sobre banheira versus chuveiro.
O emoliente tem dois números no mesmo protocolo, e eles não são intercambiáveis. Um parágrafo, ao resumir a revisão de evidências sobre prevenir e tratar, recomenda aplicação de emolientes, cremes de barreira ou soluções micelares na pele íntegra pelo menos duas vezes por semana, para atrasar o desenvolvimento e melhorar as condições da pele na doença leve a moderada. O parágrafo seguinte, ao falar de manutenção da hidratação, diz que os emolientes devem ser aplicados pelo menos duas vezes ao dia e imediatamente após o banho ou a lavagem das mãos, porque o tempo médio de ação de cada hidratante varia de 2 a 6 horas. Duas vezes por semana e duas vezes ao dia estão a um parágrafo de distância um do outro, e quem lê rápido leva o número errado para a prescrição.
A quantidade também está tabelada, por semana e por faixa etária: 100 g para recém-nascidos e bebês, 150 a 200 g para crianças, 250 g para adultos. Cremes espessos com baixo teor de água ou pomadas sem água são preferíveis por protegerem melhor contra a xerose, ainda que os pacientes os achem mais gordurosos; loções são menos eficazes, mas servem de alternativa. O agente ideal deve ser seguro, eficaz, barato e livre de aditivos, fragrâncias, perfumes e outras substâncias potencialmente sensibilizantes. E há um detalhe de técnica que o protocolo faz questão de registrar: o emoliente deve ser espalhado, não esfregado, em toda a extensão corporal.
O banho com hipoclorito é o ponto em que as duas fontes brasileiras se comportam de maneira diferente. O protocolo dá a concentração final e o regime: alguns estudos sugerem benefício do banho com hipoclorito de sódio diluído a 0,006% por 5 a 10 minutos, duas a três vezes na semana, para minimizar a necessidade de anti-inflamatórios e antibióticos tópicos — sempre recomendado e monitorado por profissional de saúde habilitado. O guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria dá o produto e o volume de água, mas não a quantidade de produto: banhos de imersão com hipoclorito de sódio a 6% diluído em 100 litros de água, em três aplicações semanais, durante três meses, com imersão por 10 minutos em água morna, enxágue e hidratação depois. Falta na frase quanto do hipoclorito a 6% vai nos 100 litros, e sem esse número a instrução não é executável.
A conta que fecha o buraco vem de juntar as duas. Para sair de uma solução a 6% e chegar a 0,006% é preciso diluir mil vezes, porque 6 dividido por 0,006 é 1000. Mil vezes menos que 100 litros dá 0,1 litro, ou 100 mL. Confere pela massa: 0,006% de 100 litros de água, que pesam cerca de 100 kg, são 6 gramas de hipoclorito; uma solução a 6% carrega 6 gramas em 100 mL. Os dois caminhos dão 100 mL de hipoclorito de sódio a 6% para uma banheira de 100 litros. Vale registrar que a concentração final é a mesma nos dois documentos apenas se essa for a intenção do primeiro; o que está escrito nele é só o produto, o volume de água e a frequência.
Ainda no combate ao S. aureus, que coloniza cerca de 90% dos indivíduos atópicos, o guia brasileiro descreve a descolonização com mupirocina tópica na embrocação nasal, nas pregas axilares e inguinais e na cicatriz umbilical, duas vezes ao dia, durante os primeiros cinco dias do mês, para o paciente e para toda a família — e adverte que uso profilático ou prolongado de antibiótico não é recomendado. Mesmo com infecção secundária, a orientação é associar corticoide tópico ao antibiótico, porque o corticoide reduz a colonização.
O parágrafo sobre eczema herpético que saiu do protocolo
O protocolo de 2025 descreve o eczema herpético, também chamado erupção variceliforme de Kaposi, como complicação rara da dermatite atópica, e menciona que em crianças as lesões atípicas da doença mão-pé-boca tendem a aparecer sobre áreas afetadas pela dermatite, de modo semelhante. Também o cita entre os eventos adversos do tacrolimo. E é só: o documento vigente não traz conduta para essa complicação, e a palavra aciclovir não aparece nele.
A versão revogada trazia. No PCDT de 2023 o tratamento do eczema herpético era descrito como uso de aciclovir por via oral, com a via intravenosa reservada ao acometimento sistêmico, com febre, letargia, dor de cabeça, náusea, tonturas e hospitalização. A revisão de 2025, ao reescrever o documento em torno dos medicamentos incorporados, deixou a complicação sem degrau terapêutico no texto nacional.
O número que a prova cobra, portanto, está hoje na fonte de sociedade. O guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria coloca o aciclovir como medicação de escolha, na dose de 80 mg/kg/dia em 4 doses diárias por via oral durante 5 dias; nos pacientes graves e com lesões disseminadas, indica a via endovenosa na dose de 10 mg/kg/dose, em 3 doses diárias, por 5 a 10 dias. Valaciclovir é opção liberada para maiores de 12 anos e fanciclovir, para adultos.
O mesmo guia descreve o quadro e duas decisões que costumam ser cobradas junto. A hospitalização pode ser necessária nos casos graves e sobretudo nos menores de 12 meses com febre e sintomas sistêmicos. E, ao contrário do que o senso comum sugere, os corticosteroides tópicos utilizados nas áreas de eczema não alteram a resposta terapêutica ao antiviral. O diagnóstico é de alta suspeição clínica, confirmado pelo citológico do esfregaço do exsudado das vesículas, que mostra células gigantes multinucleadas típicas de inclusão viral mas não separa herpes simples de varicela-zóster — separação que se faz por PCR. A prevenção é orientar quem tem doença moderada ou grave a evitar contato pele a pele com pessoas com herpes simples em atividade.
A marcha atópica não está no protocolo
O termo marcha atópica não aparece nenhuma vez no PCDT de 2025. O protocolo trabalha o conceito por perto, ao dizer que a dermatite atópica é mais prevalente em pessoas com tendência atópica, que desenvolvem de uma até três condições intimamente ligadas — dermatite atópica, rinite alérgica e asma —, mas não nomeia a sequência nem lhe dá régua. Quem nomeia, no material brasileiro, é o guia de dermatite atópica grave da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria: há fortes evidências para a ligação entre o início precoce da dermatite atópica e o desenvolvimento de outras doenças alérgicas ao longo da vida, a chamada marcha atópica.
A consequência prática dessa divisão de trabalho é simples: numa questão sobre progressão natural, a fonte é de sociedade; numa questão sobre quem entra em qual medicamento no SUS, a fonte é o protocolo. Misturar as duas é o que produz alternativa que soa certa e não é.
Sobre prevenir a marcha, há divergência de verdade, e ela tem números dos dois lados. Os documentos brasileiros registram que o uso diário de emolientes desde o nascimento pode reduzir a incidência de dermatite atópica em população de alto risco, e que a aplicação profilática iniciada na primeira infância pode prevenir a doença, principalmente se contínua em populações de alto risco, ainda que não previna alergia alimentar. Do outro lado estão os dois grandes ensaios de 2020. O BEEP randomizou 1.394 recém-nascidos de alto risco e, aos 2 anos, encontrou eczema em 139 de 598 crianças no grupo emoliente, ou 23%, e em 150 de 612 no controle, ou 25%, com risco relativo ajustado de 0,95 e intervalo de confiança de 0,78 a 1,16 — e uma taxa maior de infecções de pele no grupo emoliente, com razão de incidência ajustada de 1,55 e intervalo de 1,15 a 2,09. O PreventADALL, de base populacional, encontrou dermatite atópica aos 12 meses em 48 de 596 crianças sem intervenção, 64 de 575 no grupo de emoliente e 58 de 642 no grupo de introdução alimentar precoce, com diferença de risco de 3,1% para a intervenção cutânea, a favor do controle.
O ponto de contato entre os dois lados é que ninguém discute o emoliente como tratamento de quem já tem a doença — a discussão é sobre aplicá-lo no recém-nascido saudável de família atópica para impedir que a doença apareça. Guardar essa fronteira evita marcar a alternativa errada quando o enunciado troca tratar por prevenir.
Quanto ao tamanho do problema, o protocolo traz a prevalência global do estudo ISAAC de 2013: 7,9% em crianças de 6 e 7 anos e 7,3% em adolescentes de 13 e 14 anos. Na população brasileira, o inquérito de 2006 identificou 12,1% das crianças de 6 e 7 anos e 10,2% dos adolescentes de 13 e 14 anos com eczema diagnosticado por médico — acima, portanto, da média global do mesmo instrumento. Em adultos, a prevalência fica em torno de 1% a 3% na maioria dos países, e um inquérito brasileiro com 300 mil pessoas em 88 municípios encontrou 2,3%, sendo 2,8% em mulheres e 1,8% em homens. Cerca de um terço de todos os casos novos ocorre em adultos.
Duas remissões, para fechar o território. A progressão respiratória da criança atópica — diagnóstico, classificação e manejo da crise — pertence ao capítulo Asma na infância. A relação entre eczema do lactente e alergia alimentar, com prova de provocação e dieta de exclusão, pertence ao capítulo Alergia à proteína do leite de vaca. E o rastreio da infecção latente exigido antes do biológico segue o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, cujo conteúdo pediátrico pertence ao capítulo Tuberculose na infância.
Ler o caso na ordem em que a decisão acontece
Quase toda questão do tema fora da vinheta clássica se resolve identificando primeiro que pergunta o enunciado faz: se é de classificação, de gravidade, de arsenal por idade, de meta ou de complicação. Cada uma delas tem uma régua diferente, e as réguas não se substituem.
- 1Identifique a pergunta antes do diagnóstico. Enunciado que descreve lesões e pede o quadro está na régua clínica; enunciado que pede critério está em Hanifin e Rajka ou no Grupo de Trabalho do Reino Unido; enunciado que pede conduta no SUS está no PCDT; enunciado que pede meta está nas escalas.
- 2Se a pergunta é de critério, confira qual conjunto o enunciado nomeia. Sem nomeação, o padrão do protocolo é aceitar qualquer um dos dois — e a diferença estrutural é o papel do prurido: um dos quatro maiores em Hanifin e Rajka, porta obrigatória no conjunto do Reino Unido.
- 3Se a pergunta é de arsenal, comece pela idade e só depois pela gravidade. Abaixo de 2 anos, mometasona e tacrolimo estão fora por contraindicação expressa. Acima de 2 anos, os dois entram em qualquer gravidade. Moderada a grave em qualquer idade abre ciclosporina e metotrexato.
- 4Se a pergunta é de biológico ou de inibidor de JAK, cheque três coisas na ordem: gravidade grave por uma das escalas, falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato, e a faixa etária, com o peso mínimo de 40 kg no caso do upadacitinibe. Antes de prescrever, rastreie tuberculose ativa e latente.
- 5Se a pergunta é de resposta ao tratamento, use o marco temporal. Aos 3 meses a régua é de redução: EASI-50, SCORAD-50, três pontos na NRS, quatro no DLQI e quatro no POEM. Aos 6 meses cada item ganha uma alternativa absoluta, e basta um dos dois braços.
- 6Se a pergunta é de complicação, separe o que é bactéria do que é vírus. Crostas melicéricas e pústulas apontam infecção bacteriana, tratada com antibiótico associado ao corticoide tópico. Vesículas monomórficas agrupadas, algumas umbilicadas, com erosões em saca-bocado sobre o eczema, febre e linfonodomegalia apontam eczema herpético, e a decisão é antiviral sistêmico precoce.
Duas portas, um prurido
Em Hanifin e Rajka o prurido é um critério maior entre quatro e pode faltar. No conjunto do Reino Unido ele é obrigatório e sem ele não se classifica. O protocolo aceita qualquer um dos dois para incluir o paciente.
A escada é etária antes de ser clínica
Abaixo dos 2 anos só existem dexametasona e hidrocortisona no andar tópico. Mometasona e tacrolimo entram acima dos 2 anos. Ciclosporina e metotrexato não têm corte de idade, e dependem da gravidade moderada a grave.
O vão dos 12 anos
Dupilumabe é interrompido ao completar 12 anos; upadacitinibe exige 12 anos e pelo menos 40 kg. Quem completa 12 anos pesando menos que isso não preenche nenhum dos dois, e permanece com o arsenal já incorporado.
Escalas de gravidade e seus cortes, como o PCDT as apresenta
| Escala | Quem avalia | Faixa e cortes |
|---|---|---|
| SCORAD | Examinador, com sintomas subjetivos do paciente | 0 a 103 — limpo 0 a 9,9; leve 10 a 28,9; moderada 29 a 48,9; grave 49 a 103 |
| EASI | Examinador (área e gravidade em 4 regiões) | 0 a 72 — limpo 0; quase limpo 0,1 a 1,0; leve 1,1 a 7; moderada 7,1 a 21; grave 21,1 a 50; muito grave 50,1 a 72 |
| POEM | Paciente ou cuidador, últimos 7 dias | 0 a 28 — limpo ou quase limpo 0 a 2; leve 3 a 7; moderada 8 a 16; grave 17 a 24; muito grave 25 a 28 |
| PO-SCORAD | Paciente ou cuidador | Mesmos cortes do SCORAD |
| vIGA-AD | Avaliador treinado (eritema, endurecimento, liquenificação, exsudação) | 0 limpo; 1 quase limpo; 2 leve; 3 moderada; 4 grave — validada |
| IGA | Avaliador treinado, avaliação global | 0 a 4 — NÃO validada (termo guarda-chuva para mais de 20 variantes) |
| Prurido-NRS | Paciente | 0 a 10 — leve 0 a 3; moderada 4 a 6; grave 7 a 10 — NÃO validada |
O que o SUS abre, por idade e gravidade (PCDT 2025)
| População | Gravidade | Medicamentos |
|---|---|---|
| Qualquer idade | Qualquer | Dexametasona creme 1 mg/g; acetato de hidrocortisona creme 10 mg/g |
| Acima de 2 anos | Qualquer | Acrescenta furoato de mometasona creme ou pomada 1 mg/g e tacrolimo pomada |
| Qualquer idade | Moderada a grave | Acrescenta ciclosporina e metotrexato |
| 6 meses a menos de 12 anos | Grave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato | Acrescenta dupilumabe — interromper ao completar 12 anos |
| 12 a menos de 18 anos, peso ≥ 40 kg | Grave com falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato | Acrescenta upadacitinibe 15 mg/dia — interromper ao completar 18 anos |
| Adultos e idosos | Qualquer, inclusive grave | Tópicos, tacrolimo, ciclosporina e metotrexato — dupilumabe e upadacitinibe NÃO incorporados (Portaria SECTICS/MS nº 53/2025) |
Dupilumabe: dose por idade e peso, e a regra por trás da tabela
| Idade | Peso | Dose inicial | Manutenção | Total em 4 semanas |
|---|---|---|---|---|
| 6 meses a 5 anos | 5 kg a < 15 kg | 200 mg (sem ataque) | 200 mg a cada 4 semanas | 200 mg |
| 6 meses a 5 anos | 15 kg a < 30 kg | 300 mg (sem ataque) | 300 mg a cada 4 semanas | 300 mg |
| 6 anos a < 12 anos | 15 kg a < 30 kg | 600 mg = 2 × 300 mg | 300 mg a cada 4 semanas | 300 mg |
| 6 anos a < 12 anos | 30 kg a < 60 kg | 400 mg = 2 × 200 mg | 200 mg a cada 2 semanas | 400 mg |
| 6 anos a < 12 anos | 60 kg ou mais | 600 mg = 2 × 300 mg | 300 mg a cada 2 semanas | 600 mg |
Metas do tratamento sistêmico (PCDT 2025, a partir do consenso da SBD)
| Marco | EASI | SCORAD | Prurido NRS | DLQI | POEM |
|---|---|---|---|---|---|
| 3 meses | EASI-50 (redução de 50%) | SCORAD-50 | Redução ≥ 3 pontos | Redução ≥ 4 pontos | Redução ≥ 4 pontos |
| 6 meses | EASI-75 OU EASI ≤ 7 | SCORAD-75 OU SCORAD ≤ 24 | Escore absoluto ≤ 4 | Escore absoluto ≤ 5 | Escore absoluto ≤ 7 |
Posologia dos medicamentos do protocolo
| Medicamento | Esquema |
|---|---|
| Acetato de hidrocortisona creme | Camada fina 2 a 3 vezes ao dia; após melhora, 1 vez ao dia. Em lactentes e crianças abaixo de 4 anos, não prolongar além de 3 semanas, especialmente em zonas de fralda |
| Dexametasona creme | 1 a 3 aplicações diárias por períodos inferiores a 30 dias; manutenção 2 vezes por semana |
| Furoato de mometasona | Camada fina cobrindo toda a área afetada, 1 vez ao dia; evitar curativo oclusivo salvo indicação médica |
| Tacrolimo 0,3 mg/g (2 a 15 anos) | 2 vezes ao dia por até 3 semanas, depois 1 vez ao dia até resolver; manutenção 1 vez ao dia, 2 vezes por semana, com 2 a 3 dias de intervalo |
| Tacrolimo 1 mg/g (a partir de 16 anos) | 2 vezes ao dia até a lesão desaparecer; manutenção com 0,3 ou 1 mg/g, 1 vez ao dia, 2 vezes por semana |
| Ciclosporina | 3 a 5 mg/kg/dia em 2 tomadas na fase aguda; após 6 semanas, 2,5 a 3 mg/kg/dia; retirada de 0,5 a 1,0 mg/kg/dia a cada 2 semanas; preferir 8 a 12 meses, nunca acima de 2 anos contínuos |
| Metotrexato | 2 a 16 anos: 0,4 a 0,6 mg/kg/semana ou 10 a 15 mg/m²/semana. A partir de 16 anos: 15 a 25 mg/semana. Suplementar ácido fólico |
| Upadacitinibe | 15 mg/dia por via oral, 12 a menos de 18 anos com peso ≥ 40 kg; não iniciar com linfócitos < 500/mm³, neutrófilos < 1.000/mm³ ou hemoglobina < 8 g/dL |
O Quadro 4 do PCDT, que lista os critérios do Grupo de Trabalho do Reino Unido, numera os cinco itens como 1, 2, 2, 4 e 5 — o terceiro item recebeu o número 2 e o número 3 não existe na lista. A mesma numeração aparece no relatório preliminar da Consulta Pública nº 57 e no texto final, gerados por programas diferentes, de modo que se trata do documento e não de leitura. Quem classifica não é afetado: continuam sendo cinco itens, dos quais bastam três. Quem conta pelos números encontra uma lista que termina em 5 com quatro rótulos distintos.
O protocolo dá dois números para o emoliente a um parágrafo de distância: pelo menos duas vezes por semana, quando resume a evidência sobre atrasar o desenvolvimento e melhorar a pele na doença leve a moderada, e pelo menos duas vezes ao dia mais imediatamente após o banho, quando fala de manter a hidratação. As duas frases estão na mesma seção 6.1.1.
Ao discutir o metotrexato, o texto afirma que a indicação está prevista em diretrizes da Sociedade Brasileira de Dermatologia e nas diretrizes das academias americana e europeia de dermatologia, e ancora a menção à academia americana na referência 2. A referência 2 da lista é um estudo de avaliação retrospectiva de adequação de medicamentos e recomendações de farmacêuticos clínicos em atenção primária domiciliar a veteranos, publicado em 2007 no American Journal of Geriatric Pharmacotherapy. As diretrizes da Academia Americana de Dermatologia citadas em outros pontos aparecem nas referências 33 e 42, e a europeia, na 3.
A lista de referências repete dois trabalhos com números diferentes: o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia de 2019 aparece como referência 14 e como referência 34, e o estudo de coorte sobre infecções sistêmicas em adultos com dermatite atópica aparece como 23 e como 43.
Ao apresentar a prevalência, o protocolo escreve que estudos brasileiros apresentam prevalências discrepantes, de 20,1% entre indivíduos de 6 meses a 17 anos e de 5,4% em crianças menores de 12 anos, e ancora a frase nas referências 9 e 10. A referência 9 é um inquérito transversal internacional conduzido em 18 países, cujo resumo situa o número de 20,1% como o extremo superior de uma faixa que começa em 2,7% e varia entre países. A referência 10 é o inquérito telefônico de base populacional brasileiro.
O texto tem dois erros de digitação que não mudam sentido, mas atrapalham a busca por palavra: a doença é classificada como leve, moderava e grave na abertura da seção de diagnóstico, e o corticoide de média potência é chamado de furoato de momentasona na seção de medicamentos tópicos.
A escala IGA e a NRS do prurido aparecem no quadro de escalas com a coluna de validação marcada como não. Ainda assim, a NRS é usada nas metas de 3 e de 6 meses que o próprio protocolo adota. Meta e validação são coisas diferentes, e o documento não as reconcilia.
A concentração do banho com hipoclorito aparece como percentual final no protocolo, 0,006%, e como produto mais volume de água no guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria, hipoclorito a 6% em 100 litros — este último sem dizer quanto do produto entra na água. A quantidade que faz as duas frases coincidirem, 100 mL, é resultado de conta, não está escrita em nenhum dos dois.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Tem, como alternativa
A fototerapia pode ser indicada como tratamento alternativo para dermatite atópica moderada a grave refratária ao tratamento tópico, e a UVB de banda estreita e a UVA1 são consideradas fototerapias úteis nesses pacientes.
Orfali RL et al. Consenso sobre o manejo terapêutico da dermatite atópica — Sociedade Brasileira de Dermatologia. An Bras Dermatol. 2023;98(6):814-836, Tabela 3 (texto aberto no Europe PMC).
Não é preconizada
A fototerapia está disponível no SUS para outras indicações, mas não foi avaliada para dermatite atópica, e por isso não é preconizada no protocolo. O documento descreve seus efeitos e contraindicações, e registra que quem usa ciclosporina não deve receber UVB nem PUVA simultaneamente.
Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, seção 6.1.3.
Na prova
Repare em quem o enunciado coloca decidindo. Questão que descreve ambulatório de dermatologia e pergunta opção terapêutica para doença refratária costuma trabalhar com a régua de sociedade, e aí a fototerapia é alternativa legítima. Questão que menciona SUS, unidade básica, protocolo, dispensação ou regulação está na régua do PCDT, e aí a fototerapia não é o degrau — o degrau é a terapia sistêmica incorporada. A palavra que mais entrega o recorte é protocolo.
30 kg
O upadacitinibe deve ser opção sistêmica dirigida ao alvo para adolescentes com dermatite atópica de 12 a 17 anos com peso corporal igual ou maior que 30 kg, na dose de 15 mg por dia.
Orfali RL et al. Consenso sobre o manejo terapêutico da dermatite atópica — Sociedade Brasileira de Dermatologia. An Bras Dermatol. 2023;98(6):814-836, Tabela 4 (texto aberto no Europe PMC).
40 kg
O critério de inclusão exige peso corporal de pelo menos 40 kg em adolescentes de 12 a menos de 18 anos, e o texto justifica o limite dizendo que o medicamento não foi estudado em adolescentes com peso menor que 40 kg nem em crianças menores de 12 anos, atribuindo a informação à bula.
Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, seções 4 e 6.2.2.
Na prova
Os dois números convivem na literatura brasileira, e a diferença não é de opinião clínica: é de qual documento governa a dispensação. Enunciado que pergunta se o paciente preenche critério para receber o medicamento pelo SUS trabalha com o limite do protocolo. Quando o enunciado dá o peso do adolescente, ele quase nunca o faz por acaso — um peso entre 30 e 40 kg é justamente o intervalo em que as duas réguas discordam, e costuma ser o eixo da questão.
A partir de 1 ano
A ciclosporina é registrada no Brasil para crianças a partir de 1 ano e para adultos com dermatite atópica moderada a grave.
Orfali RL et al. Consenso sobre o manejo terapêutico da dermatite atópica — Sociedade Brasileira de Dermatologia. An Bras Dermatol. 2023;98(6):814-836, seção sobre ciclosporina, item Approval (texto aberto no Europe PMC).
Sem restrição de idade
A ciclosporina foi incorporada ao SUS em 2022 para dermatite atópica moderada a grave sem restrição de idade, e o quadro de opções terapêuticas registra a população elegível como sem restrição. O texto reconhece que a bula descreve experiência limitada em crianças e que o consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia não contraindica o uso pediátrico desde que haja monitoramento de eventos adversos.
Brasil. Ministério da Saúde. PCDT da Dermatite Atópica, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 28, de 27/11/2025, Quadro 8 e seção 6.2.2.
Na prova
A pergunta que separa as duas posições é se o enunciado fala de registro ou de dispensação. Registro sanitário é da Anvisa e tem piso etário; incorporação é da Conitec e, neste caso, não impôs piso. Em lactente com dermatite atópica moderada a grave, a alternativa que diz que a ciclosporina está formalmente vedada pela idade não encontra apoio no protocolo — mas a alternativa que trata o lactente como candidato natural também ignora que o arsenal tópico dele é justamente o mais restrito.
Pode reduzir
O uso diário de emolientes desde o nascimento pode reduzir a incidência de dermatite atópica em população de alto risco, e a aplicação profilática iniciada na primeira infância pode prevenir a doença, principalmente se usada de modo contínuo em populações de alto risco, embora não previna alergia alimentar.
PCDT da Dermatite Atópica, seção 6.1.1; e Prado E et al. Dermatite atópica grave: guia prático da ASBAI e SBP. Arq Asma Alerg Imunol. 2022;6(4):432-467.
Não previne
No ensaio BEEP, com 1.394 recém-nascidos de alto risco, o eczema aos 2 anos ocorreu em 139 de 598 crianças do grupo emoliente e em 150 de 612 do controle, com risco relativo ajustado de 0,95 (intervalo de confiança de 95%: 0,78 a 1,16), e houve mais infecções de pele no grupo emoliente (razão de incidência ajustada 1,55; 1,15 a 2,09). No PreventADALL, de base populacional, a diferença de risco aos 12 meses foi de 3,1% para a intervenção cutânea, a favor do controle.
Chalmers JR et al. Lancet. 2020;395:962-972 (aberto no Europe PMC, PMC7086156); Skjerven HO et al. Lancet. 2020;395:951-961 (resumo aberto no Europe PMC, PMID 32087121).
Na prova
Separe tratar de prevenir antes de qualquer coisa. Não há divergência sobre o emoliente como base do tratamento de quem já tem a doença — nenhuma fonte o contesta, e alternativa que o contraindique está errada em qualquer régua. A divergência existe apenas na prevenção primária do recém-nascido saudável de família atópica. Enunciado que pergunta o que orientar aos pais de um bebê ainda sem lesão, com pai e mãe atópicos, é o que ativa essa controvérsia; enunciado com criança que já tem eczema não ativa nada.
Caso resolvido
- por que ele preenche o critério
- O protocolo pede três coisas para os medicamentos dirigidos ao alvo: diagnóstico por um dos dois conjuntos de critérios, doença grave por uma das escalas de gravidade e falha, intolerância ou contraindicação à ciclosporina ou ao metotrexato. O diagnóstico está fechado por Hanifin e Rajka. O EASI basal de 26,4 cai na faixa de 21,1 a 50, que é grave. A hipertensão não controlada por anti-hipertensivo apropriado é, no próprio protocolo, critério de interrupção da ciclosporina — ou seja, intolerância documentada, e não desistência.
- qual dos dois medicamentos, e por quê não é o outro
- Os dois dirigidos ao alvo dividem a infância por idade, não por gravidade. Dupilumabe cobre de 6 meses a menos de 12 anos; upadacitinibe, de 12 a menos de 18 anos com peso de pelo menos 40 kg. Com 7 anos, o medicamento é o dupilumabe. O peso de 28 kg não conta para essa escolha — ele só entrará na conta da dose. Se a idade fosse 12 anos, o peso de 28 kg fecharia as duas portas de uma vez.
- a dose, e a conta que a tabela esconde
- Aos 7 anos ele está na faixa de 6 anos a menos de 12 anos; com 28 kg, na faixa de peso de 15 kg a menos de 30 kg. A dose inicial é de 600 mg, aplicada como duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada quatro semanas. Repare que 600 é exatamente o dobro de 300 — em toda essa faixa etária a dose inicial é o dobro da de manutenção. A mesma criança de 28 kg, se tivesse 5 anos, receberia 300 mg de início e 300 mg a cada quatro semanas: manutenção idêntica, sem dose de ataque, porque abaixo dos 6 anos a tabela não prevê carga.
- o exame que precisa vir antes da primeira injeção
- Antes de qualquer medicamento modificador do curso da doença, o protocolo exige pesquisa de tuberculose ativa e de infecção latente, com exame clínico, radiografia de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. Aqui a radiografia é normal e a prova tuberculínica é de 3 mm, abaixo do corte de 5 mm que indicaria tratar a infecção latente — pode iniciar. Se a prova viesse com 5 mm ou mais, o tratamento da infecção latente começaria primeiro, e o biológico entraria 1 mês depois. Com prova abaixo de 5 mm, a recomendação é repetir prova tuberculínica ou IGRA anualmente durante o uso.
- a meta de seis meses, decidida em duas contas
- A meta de seis meses tem dois braços ligados por ou: EASI-75 ou EASI menor ou igual a 7. Pelo braço relativo, EASI-75 exige queda de 75% sobre 26,4, o que significa chegar a 6,6, porque 26,4 vezes 0,25 dá 6,6. Ele chegou a 7,0, uma queda de 19,4 pontos, isto é, 73,48% — falhou por pouco. Pelo braço absoluto, a exigência é EASI menor ou igual a 7, e 7,0 satisfaz exatamente. A meta está atingida, e a conduta é manter. Quem calculou só a porcentagem trocaria um tratamento que está funcionando.
- o que vai acontecer no aniversário de 12 anos
- Pela recomendação da Conitec incorporada ao protocolo, o dupilumabe deve ser interrompido quando o paciente completa 12 anos. A partir daí, o upadacitinibe só se abre com peso de pelo menos 40 kg. Se ele chegar aos 12 anos abaixo desse peso, não preenche critério para nenhum dos dois, e o que permanece disponível é o restante do arsenal já incorporado: corticoide tópico, tacrolimo, ciclosporina e metotrexato, respeitadas as contraindicações de cada um — no caso dele, a ciclosporina já está descartada pela hipertensão.
Agora feche você
- a idade dos dois primeiros medicamentos
- Confira, na lista de contraindicações do protocolo, se algum dos dois tópicos prescritos traz uma faixa etária escrita com todas as letras — e compare com a idade da criança. Depois verifique quais tópicos sobram para essa idade e por quanto tempo um deles pode ser mantido em criança abaixo de 4 anos.
- o exame que não confirma nada
- Procure, na seção de diagnóstico, a frase sobre o uso rotineiro de exames laboratoriais e de biópsia. Depois pergunte o que um teste positivo provaria, e qual é o padrão-ouro para afirmar alergia alimentar.
- o risco de retirar o alimento antes da resposta
- Pense no que acontece com a tolerância de uma criança que fica meses sem um alimento retirado por suspeita, e no que pode ocorrer no dia da reintrodução. Há uma fonte brasileira que descreve esse desfecho com nome próprio.
- o medicamento que o protocolo se recusa a discutir
- Um dos itens prescritos é mencionado no protocolo apenas para dizer por que ele não será abordado. Localize essa frase e verifique se o que foi prescrito tem alguma função declarada no tratamento da doença.
- a frequência do emoliente
- Há dois números de frequência de emoliente no mesmo protocolo, em parágrafos vizinhos, e eles servem a finalidades diferentes. Descubra qual dos dois vale para manter a hidratação de quem já tem a doença, e o que o outro número descreve.
- o encaminhamento que o protocolo não sustenta
- Procure o parágrafo em que o protocolo explica por que uma modalidade disponível no SUS para outras doenças não é preconizada nesta. Note que o motivo declarado não é falta de eficácia.
- o intervalo até o retorno
- Compare o prazo marcado com o prazo que o protocolo recomenda para reavaliar e ajustar a dose de quem começou corticoide tópico.
Onde a banca derruba
- 1Contar o prurido como critério menor de Hanifin e Rajka O prurido é o primeiro dos quatro critérios maiores. Os menores são vinte e três, e neles estão xerose, IgE sérica elevada, dobra infraorbitária de Dennie-Morgan, pitiríase alba, queilite e ceratocone. Quem coloca o prurido entre os menores fica com dois maiores e não fecha o critério.
- 2Trocar as duas réguas de classificação Hanifin e Rajka pedem 3 maiores E 3 menores, e o prurido pode faltar. O conjunto do Grupo de Trabalho do Reino Unido pede prurido nos últimos 12 meses obrigatoriamente, mais 3 de cinco itens. O protocolo aceita qualquer um dos dois, mas a estrutura interna deles não é intercambiável.
- 3Prescrever mometasona ou tacrolimo ao lactente Os dois têm menores de dois anos na lista de contraindicações do protocolo, e as duas linhas do quadro de opções dizem maiores de 2 anos. É justamente na faixa mais cobrada em prova de pediatria — o lactente com eczema de face e extensores — que esses dois estão fora.
- 4Achar que a mometasona tem uma potência só Mesma molécula, mesma concentração de 1 mg/g, potências diferentes: média quando em creme, alta quando em pomada. O veículo muda a classificação, e é o que decide se o produto pode ir para pele fina.
- 5Chamar o pimecrolimo de opção do SUS O inibidor de calcineurina tópico incorporado é o tacrolimo. O pimecrolimo aparece no protocolo apenas na lista de estudos identificados na revisão de literatura, nunca como opção preconizada.
- 6Calcular a meta de seis meses só pela porcentagem A meta tem dois braços ligados por ou. Quem sai de EASI 26,4 e chega a 7,0 caiu 73,48%, abaixo de 75%, mas cumpre a meta porque 7,0 é menor ou igual a 7. Quem sai de 40 e chega a 9 falha no braço absoluto e cumpre no relativo, porque caiu 77,5%. Basta um dos dois.
- 7Ler a dose inicial do dupilumabe como se crescesse com o peso Na faixa de 6 a menos de 12 anos a dose inicial é 600 mg, depois 400 mg, depois 600 mg de novo, à medida que o peso sobe. Não é erro de tabela: em todas essas faixas a inicial é o dobro da manutenção, e a criança de 30 a menos de 60 kg tem manutenção menor por injeção e mais frequente.
- 8Prescrever anti-histamínico como tratamento da dermatite atópica O protocolo registra que o prurido é induzido também pela histamina e emenda que anti-histamínicos não são utilizados no tratamento da doença, motivo pelo qual não são abordados no documento. Não é omissão: é exclusão declarada.
- 9Encaminhar para fototerapia dentro do protocolo A fototerapia existe no SUS para outras indicações e é recomendada pelo consenso da Sociedade Brasileira de Dermatologia como alternativa na doença moderada a grave refratária, mas não é preconizada pelo PCDT da dermatite atópica porque não foi avaliada para essa indicação. E ela nunca se combina com ciclosporina.
- 10Pedir IgE ou biópsia para confirmar o diagnóstico Nenhum dos dois é usado rotineiramente. A biópsia sequer separa dermatite de contato irritativa ou alérgica de dermatite atópica, porque as características histopatológicas são idênticas. Ambos servem, quando servem, para excluir outras condições.
- 11Suspender o corticoide tópico ao tratar eczema herpético O guia brasileiro registra que os corticosteroides tópicos usados nas áreas de eczema não alteram a resposta terapêutica ao antiviral. O que decide o prognóstico é a administração precoce do aciclovir, e a hospitalização entra nos casos graves e sobretudo em menores de 12 meses com febre e sintomas sistêmicos.
- 12Esquecer a tuberculose antes do biológico Antes de dupilumabe ou upadacitinibe o protocolo pede pesquisa de tuberculose ativa e latente, com radiografia de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. Prova tuberculínica maior ou igual a 5 mm ou IGRA reagente mandam tratar a infecção latente, e o medicamento entra 1 mês depois do início desse tratamento.
O quadro é dermatite atópica do lactente (lesões em face poupando o maciço central e superfícies extensoras, xerose, prurido intenso, história familiar de atopia). O tratamento de base é a hidratação com emolientes associada a corticosteroide tópico de baixa potência nas fases inflamatórias, além de controle do prurido e afastamento de irritantes. Sabonetes antissépticos, banhos quentes e demorados agravam a xerose e o prurido. Não há sinais de infecção (crostas melicéricas/pus ausentes), não se indica antibiótico/antifúngico. Corticoide oral prolongado não é conduta de manutenção pelos efeitos adversos e risco de rebote.
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Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Uma criança de 3 anos é atendida na Unidade de Saúde da Família com placas eritematosas, secas e muito pruriginosas localizadas nas dobras antecubitais e poplíteas, de caráter crônico e recidivante desde os primeiros meses de vida. A mãe refere que a pele é sempre ressecada e que a menina tem prurido que piora à noite. Há história de asma na mãe. Ao exame não há febre nem sinais de infecção secundária. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro clássico da criança maior/pré-escolar com eczema pruriginoso crônico e recidivante em dobras flexurais (antecubital e poplítea), xerose e história familiar de atopia é a dermatite atópica. Escabiose cursa com prurido de predomínio noturno mas com túneis, acometimento interdigital/punhos e caráter contagiante (outros conviventes). Dermatite de fralda localiza-se na área coberta pela fralda, não nas dobras flexurais dos membros. Psoríase gutata apresenta pápulas eritemato-descamativas disseminadas, tipicamente pós-infecção estreptocócica, sem o padrão flexural e crônico-atópico descrito.
Lactente de 5 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por lesões de pele que surgiram há cerca de 6 semanas e que o deixam irritado, com choro e sono fragmentado. A criança está em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal adequado e calendário vacinal em dia. O pai tem asma e a mãe, rinite alérgica. Ao exame, apresenta placas eritematosas, mal delimitadas, com descamação fina, escoriações e crostas serosas nas regiões malares (poupando o maciço centrofacial), no couro cabeludo sem escamas gordurosas aderentes e nas faces extensoras dos membros. Não há acometimento de axilas, região inguinal ou área da fralda, nem lesões em sulcos interdigitais ou punhos. Restante do exame sem alterações. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequados?
Correta: o quadro é típico de dermatite atópica do lactente — prurido (irritabilidade e sono ruim), eczema em face malar poupando o centro da face e em superfícies extensoras, curso crônico e história familiar de atopia. O tratamento de base preconizado é banho curto com água morna, emoliente em grandes quantidades e corticosteroide tópico de baixa potência (ex.: hidrocortisona 1%) nos surtos. Dermatite seborreica ocorre em geral antes dos 3 meses, é pouco pruriginosa, com escamas gordurosas aderentes no couro cabeludo e acometimento de dobras/área da fralda — ausentes aqui. Escabiose cursa com lesões em sulcos interdigitais, punhos, palmas/plantas e outros contatos sintomáticos, não relatados. A suspensão do aleitamento materno é contraindicada: não há sinais de alergia alimentar (ganho ponderal adequado, sem sintomas digestivos), e dietas de exclusão empíricas não têm respaldo no manejo da dermatite atópica.
Menina de 2 anos, com dermatite atópica moderada em acompanhamento na atenção primária, é levada ao pronto-socorro por piora abrupta das lesões há 2 dias. A mãe relata febre de 38,8 °C, choro intenso ao toque e recusa alimentar. Vinha em uso de emoliente e hidrocortisona tópica, sem melhora. Ao exame, encontra-se irritada, hidratada, com dezenas de vesículas monomórficas agrupadas, alguma delas umbilicadas, sobre as placas eczematosas de face e pescoço, além de erosões arredondadas "em saca-bocado" confluentes, com crostas hemorrágicas, e linfonodomegalia cervical dolorosa. Não há sinais de acometimento ocular. A tia materna apresentou lesão labial recorrente na semana anterior. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequados?
Correta: vesículas monomórficas agrupadas e umbilicadas com erosões "em saca-bocado" sobre áreas de eczema, febre, dor e contato com herpes labial caracterizam a erupção variceliforme de Kaposi (eczema herpético) — infecção disseminada pelo vírus herpes simples na pele atópica. É emergência dermatológica: exige aciclovir sistêmico precoce, com internação em lactentes/pré-escolares com febre, dor e extensão importante, pelo risco de disseminação, ceratite e sepse. Impetigo cursa com crostas melicéricas e pústulas, não com vesículas umbilicadas monomórficas e erosões escavadas (a coinfecção bacteriana pode existir, mas não é o diagnóstico principal nem dispensa o antiviral). Varicela produz lesões polimórficas em várias fases evolutivas, de distribuição centrípeta, e não se concentra sobre as placas de eczema. Corticosteroide potente ou sistêmico agrava a infecção herpética e não deve ser usado nesse contexto.
Menino de 2 anos é levado à Unidade Básica de Saúde por lesões cutâneas pruriginosas e recorrentes, localizadas nas dobras dos cotovelos e dos joelhos, com pele difusamente seca e descamativa. A mãe tem rinite alérgica e o pai, asma. As lesões melhoram com uso de hidratante e pioram no inverno. Qual o diagnóstico mais provável?
Prurido crônico e recorrente, distribuição flexural típica na criança maior, xerose cutânea, piora no inverno e forte história familiar de atopia (rinite e asma) fecham dermatite atópica. A escabiose cursa com prurido de predomínio noturno, túneis e acometimento de pregas/interdígitos, geralmente com outros casos na família, não com padrão flexural crônico atópico. A dermatite de contato irritativa restringe-se à área de contato com o agente, sem base atópica familiar. A psoríase apresenta placas eritematodescamativas com escamas prateadas em superfícies extensoras e couro cabeludo, sem o prurido intenso e a xerose atópica.
Pré-escolar de 4 anos, com história de dermatite atópica desde o primeiro ano de vida, atualmente bem controlada com hidratação e corticoide tópico intermitente, é trazido à Unidade Básica de Saúde. Nos últimos meses passou a apresentar episódios recorrentes de espirros em salva, coriza aquosa e obstrução nasal, além de dois episódios de sibilância com tosse noturna. Considerando a evolução natural das doenças atópicas, qual a conduta mais adequada na Atenção Primária?
A marcha atópica descreve a sequência temporal das manifestações atópicas — dermatite atópica e alergia alimentar nos primeiros anos, seguidas de rinite alérgica e asma na idade pré-escolar/escolar. O surgimento de rinite e sibilância recorrente nesse contexto é a progressão esperada, e a conduta na APS é reconhecer, investigar e manejar essas novas condições. Negar a relação entre os sintomas contraria uma associação bem estabelecida. Errada porque a DA exige acompanhamento e cuidado contínuo da barreira cutânea mesmo em fases de controle. Inadequada: a imunoterapia tem indicações específicas e não é a primeira medida, que é o diagnóstico e o controle clínico inicial na Atenção Primária.
Menino de 6 anos tem história de dermatite atópica desde o primeiro ano de vida, com melhora parcial após os 3 anos. Aos 4 anos passou a apresentar espirros em salva, prurido nasal e obstrução matinal recorrentes. No último ano iniciou episódios de tosse seca noturna e sibilância desencadeados por exercício e por infecções virais, com boa resposta a broncodilatador. Há forte história familiar de atopia. Sobre o quadro, assinale a alternativa correta.
A marcha atópica descreve a progressão natural das doenças alérgicas com base atópica, tendo a dermatite atópica como manifestação mais precoce, seguida frequentemente de rinite alérgica e asma na idade escolar — exatamente a evolução do caso, e é essa a sequência (dermatite atópica → rinite alérgica → asma) que a caracteriza. Afirmar que a marcha se inicia pela asma na lactância, com a dermatite por último, inverte a ordem: a dermatite vem primeiro. A dermatite atópica precoce e grave AUMENTA, não reduz, o risco de asma/rinite posteriores. Dermatite atópica e asma coexistem no mesmo atópico, de modo que a primeira não exclui o diagnóstico da segunda.
Lactente de 8 meses é levado à Unidade Básica de Saúde por lesões de pele recorrentes desde os 3 meses. A mãe refere prurido intenso, com irritabilidade e despertares noturnos, e melhora parcial com hidratante. Ao exame: placas eritematosas, mal delimitadas, com descamação, escoriações e crostas em face (poupando o maciço centrofacial), couro cabeludo e superfícies extensoras dos membros; pele difusamente xerótica. Não há lesões em túneis interdigitais nem outros familiares com prurido. Antecedentes: pai com rinite alérgica e mãe com asma. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro reúne os critérios clássicos de dermatite atópica: prurido (obrigatório), xerose, morfologia e distribuição típicas da faixa etária (face poupando região centrofacial e superfícies extensoras no lactente), curso crônico-recidivante iniciado antes dos 2 anos e história familiar de atopia (marcha atópica: dermatite atópica precede rinite/asma). Escabiose cursa com túneis, pápulas em regiões interdigitais/axilas e prurido em outros contatos domiciliares, ausentes aqui. Dermatite seborreica surge nas primeiras semanas, é pouco pruriginosa e acomete áreas sebáceas com escamas gordurosas amareladas. Dermatite de contato irritativa é localizada à área exposta ao agente, sem xerose difusa nem antecedente atópico familiar.
Paciente de 10 anos com dermatite atópica grave iniciou terapia sistêmica com EASI basal de 26,4. Na reavaliação de seis meses, o EASI é de 7,0, o pico de prurido pela escala numérica é 3 e o POEM é 6. Considerando as metas de tratamento adotadas pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, a resposta terapêutica aos seis meses deve ser considerada:
A meta de seis meses do protocolo é composta por pares alternativos: EASI-75 OU EASI menor ou igual a 7; SCORAD-75 OU SCORAD menor ou igual a 24; pico de prurido pela escala numérica com escore absoluto menor ou igual a 4; DLQI menor ou igual a 5; e POEM menor ou igual a 7. Pelo braço relativo, EASI-75 sobre um basal de 26,4 exigiria chegar a 6,6, já que 26,4 multiplicado por 0,25 resulta em 6,6; a queda de 26,4 para 7,0 corresponde a 19,4 pontos, ou 73,48%, e falha por pouco. Pelo braço absoluto, porém, a exigência é EASI menor ou igual a 7, satisfeita exatamente por 7,0. O prurido de 3 cumpre o limite de 4 e o POEM de 6 cumpre o limite de 7. A meta de 50% de redução pertence ao marco de três meses, não ao de seis, e o protocolo lista o SCORAD como uma das escalas disponíveis, não como obrigatória — a avaliação é possível com as escalas efetivamente aplicadas.
Menino de 9 anos com dermatite atópica grave e falha à ciclosporina tem indicação de dupilumabe pelo SUS. A avaliação pré-tratamento mostra radiografia de tórax sem alterações, ausência de sintomas respiratórios e prova tuberculínica de 8 mm. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, a conduta correta é:
O protocolo determina, antes de medicamentos modificadores do curso da doença como dupilumabe e upadacitinibe, a pesquisa de tuberculose ativa e de infecção latente, com exame clínico, radiografia simples de tórax e prova tuberculínica ou IGRA. O tratamento da infecção latente é indicado para prova tuberculínica maior ou igual a 5 mm ou IGRA reagente — 8 mm ultrapassa o corte —, e a recomendação é iniciar o medicamento modificador do curso da doença 1 mês após o início do tratamento da infecção latente, ou concomitantemente ao tratamento da tuberculose ativa quando for esse o caso. Radiografia normal não afasta infecção latente, que é justamente a situação sem doença ativa. Prova tuberculínica reagente não é critério de exclusão do protocolo: os critérios de exclusão são intolerância, hipersensibilidade ou contraindicação ao medicamento. E a repetição anual da prova ou do IGRA é a rotina de quem tem resultado abaixo do corte, não de quem já o ultrapassou.
Sobre os critérios diagnósticos adotados pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica para inclusão de pacientes, assinale a alternativa correta.
O protocolo aceita dois instrumentos, e a diferença entre eles está no papel do prurido. Em Hanifin e Rajka são necessários 3 ou mais de quatro critérios maiores — prurido; morfologia e distribuição típicas; dermatite crônica ou cronicamente recidivante; história pessoal ou familiar de atopia — somados a 3 ou mais de vinte e três critérios menores; o prurido é um dos maiores e, em tese, pode faltar sem impedir a classificação. Já nos critérios do Grupo de Trabalho do Reino Unido, versão condensada da anterior, o prurido nos últimos 12 meses é obrigatório e se soma a 3 ou mais de cinco itens, entre eles a dermatite flexural visível e a história de pele geralmente seca — sem o prurido não se classifica por esse caminho. Xerose está na lista dos critérios menores, ao lado de ictiose, hiperlinearidade palmar, IgE sérica elevada e dobra infraorbitária de Dennie-Morgan; história pessoal ou familiar de atopia é que é maior. E os dois conjuntos são aceitos alternativamente pelo protocolo, não apenas o primeiro.
Adolescente de 14 anos com dermatite atópica moderada a grave iniciará ciclosporina pelo SUS. Sobre o uso desse medicamento no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, assinale a alternativa correta.
O protocolo prescreve, na fase aguda, 3 a 5 mg/kg/dia por via oral divididos em duas tomadas, com redução para 2,5 a 3 mg/kg/dia na manutenção após seis semanas, e orienta a retirada gradual em 0,5 a 1,0 mg/kg/dia a cada duas semanas até a suspensão completa — quando ainda houver necessidade de imunossupressor, a recomendação é passar ao metotrexato. A combinação com fototerapia é contraindicada, e o documento acrescenta que a proteção solar é fortemente recomendada durante o tratamento. Vacinas de vírus vivos atenuados constam entre as contraindicações formais do medicamento. Quanto ao tempo, o protocolo determina o oposto do que a alternativa do uso prolongado sugere: preferencialmente 8 a 12 meses, não sendo recomendado período superior a dois anos contínuos. E níveis aumentados de creatinina sérica indicam necessidade de redução de dose ou suspensão, com interrupção definitiva se a função renal não melhorar após um mês de dose reduzida.
Adolescente de 12 anos e 2 meses, 36 kg, tem dermatite atópica grave desde a primeira infância. Vem em uso de dupilumabe pelo SUS desde os 9 anos, com boa resposta, após intolerância à ciclosporina por hipertensão não controlada e falha ao metotrexato. Comparece à consulta de rotina, assintomático do ponto de vista infeccioso, com EASI de 4,0. A família pergunta como fica o tratamento agora que ele fez 12 anos. Considerando o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica vigente, qual é a conduta correta?
O protocolo incorpora o dupilumabe para crianças de 6 meses a menos de 12 anos e registra, entre os critérios de interrupção, que por recomendação da Conitec os pacientes devem interromper o tratamento ao completar 12 anos — a regra é de idade, não de resposta, e por isso o bom controle com EASI 4,0 não a suspende nem autoriza estender o uso até um peso futuro. O upadacitinibe é incorporado para adolescentes de 12 a menos de 18 anos com peso corporal de pelo menos 40 kg; com 36 kg o paciente não preenche o critério, e o protocolo justifica o limite dizendo que o medicamento não foi estudado em adolescentes abaixo desse peso. Restam os degraus já incorporados — corticoides tópicos, tacrolimo e metotrexato, respeitadas as contraindicações, com a ciclosporina descartada pela hipertensão. A fototerapia não é preconizada pelo protocolo para dermatite atópica, porque não foi avaliada para essa indicação, ainda que esteja disponível no SUS para outras doenças.
Lactente de 15 meses tem dermatite atópica com placas eczematosas em face e superfícies extensoras, xerose difusa e prurido que fragmenta o sono. Não há sinais de infecção secundária. Considerando exclusivamente os medicamentos preconizados pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, qual das opções abaixo é apropriada para essa criança?
O protocolo separa o arsenal tópico por idade, e o corte é dois anos. Dexametasona creme 1 mg/g e acetato de hidrocortisona creme 10 mg/g são corticoides de baixa potência sem restrição de população, e a hidrocortisona vem com um limite explícito: em lactentes e crianças abaixo de 4 anos o tratamento não deve prolongar-se por mais de 3 semanas, especialmente nas zonas cobertas por fraldas. Furoato de mometasona e tacrolimo entram apenas acima de 2 anos, e ambos trazem menores de dois anos na lista de contraindicações — de modo que, aos 15 meses, os dois estão fora. O pimecrolimo não é opção preconizada pelo protocolo em idade alguma: o inibidor de calcineurina tópico incorporado é o tacrolimo, e o pimecrolimo aparece no documento apenas entre os estudos identificados na revisão de literatura.
Menina de 8 anos com dermatite atópica apresenta quatro a cinco surtos por ano e respondeu bem a um curso de tacrolimo pomada 0,3 mg/g aplicado duas vezes ao dia por seis semanas. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, qual é o esquema de manutenção apropriado para prolongar os intervalos livres de surto?
O protocolo prevê expressamente o uso do tacrolimo na manutenção, para prevenir surtos e prolongar os intervalos livres em pacientes com alta frequência de exacerbação — definida como quatro ou mais episódios por ano — que tenham respondido a um tratamento máximo de seis semanas, duas vezes ao dia, exatamente o histórico descrito. Entre 2 e 15 anos a apresentação é a de 0,3 mg/g, e a manutenção é uma aplicação por dia, duas vezes por semana, nas áreas comumente afetadas pela doença, deixando um intervalo de 2 a 3 dias sem tratamento entre as aplicações; se um sinal de surto ocorrer, retoma-se a aplicação duas vezes ao dia. A apresentação de 1 mg/g é a de início a partir dos 16 anos. Aplicar apenas sobre lesão nova descaracteriza a proposta, que é justamente tratar a pele aparentemente sã que costuma abrir surtos. E a manutenção com o inibidor de calcineurina não só existe no protocolo como tem esquema próprio descrito.
Uma criança de 7 anos, 28 kg, com dermatite atópica grave e falha ao metotrexato, terá dupilumabe iniciado pelo SUS. Segundo o esquema de administração do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, a dose inicial e a de manutenção são, respectivamente:
A tabela de dose cruza idade com peso. Aos 7 anos a criança está na faixa de 6 anos a menores de 12 anos, e com 28 kg, na faixa de peso de 15 kg a menos de 30 kg: a dose inicial é de 600 mg, aplicada como duas injeções de 300 mg, seguida de 300 mg a cada quatro semanas. Vale reparar na regra que organiza toda essa faixa etária — a dose inicial é exatamente o dobro da de manutenção, o que explica por que ela é de 600 mg entre 15 e menos de 30 kg, cai para 400 mg entre 30 e menos de 60 kg e volta a 600 mg acima de 60 kg: nas duas últimas faixas a manutenção é, respectivamente, de 200 mg e de 300 mg a cada duas semanas. A alternativa que traz 300 mg como dose inicial descreve o esquema da faixa de 6 meses a 5 anos com o mesmo peso, em que não existe dose de ataque; a de 200 mg pertence a essa faixa etária com peso de 5 a menos de 15 kg.
Menina de 9 anos com dermatite atópica é avaliada em ambulatório especializado. O examinador aplica o SCORAD, obtendo 52 pontos, e registra que a família respondeu o POEM referente aos últimos sete dias, com 19 pontos. De acordo com os cortes das escalas apresentados no Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Dermatite Atópica, esses dois resultados classificam a doença, respectivamente, como:
O SCORAD varia de 0 a 103 e considera extensão, gravidade da lesão e sintomas subjetivos relatados pelo paciente, prurido e perda de sono; os cortes são limpo de 0 a 9,9, leve de 10 a 28,9, moderada de 29 a 48,9 e grave de 49 a 103 — 52 pontos, portanto, caem na faixa grave, e não na moderada, que termina em 48,9. O POEM é respondido pelo paciente ou pelo cuidador, cobre os últimos sete dias e vai de 0 a 28, com limpo ou quase limpo de 0 a 2, leve de 3 a 7, moderada de 8 a 16, grave de 17 a 24 e muito grave de 25 a 28 — 19 pontos caem na faixa grave, acima do teto de 16 da moderada. A distinção importa porque as escalas de gravidade são exatamente o que o protocolo exige para liberar ciclosporina, metotrexato e, na doença grave com falha à primeira linha sistêmica, dupilumabe ou upadacitinibe.
Pré-escolar de 4 anos com dermatite atópica leve a moderada, em uso regular de emoliente e corticoide tópico de baixa potência, com controle parcial. A mãe traz resultado de IgE específica positiva para leite de vaca, colhido por conta própria, e pergunta se deve retirar o leite. A criança come laticínios diariamente, sem urticária, angioedema, vômito ou qualquer reação imediata. Segundo o protocolo nacional e o guia brasileiro de dermatite atópica grave, qual a conduta?
O guia brasileiro é explícito nos dois sentidos: dietas de eliminação não justificadas não devem ser administradas, sensibilização — teste cutâneo positivo ou IgE específica detectável — não significa alergia, e a exclusão injustificada pode levar à perda de tolerância, com possibilidade de anafilaxia na reintrodução. Uma criança que ingere laticínios todos os dias sem reação está demonstrando tolerância clínica, e o padrão-ouro para afirmar alergia alimentar é a provocação oral cega e controlada por placebo, feita em ambiente adequado, com suporte especializado. Retirar por três meses e reintroduzir em casa é justamente o roteiro que cria o risco. Anti-histamínico não é degrau do protocolo, que registra que esses fármacos não são utilizados no tratamento desta doença e, por isso, não seriam sequer abordados. E a biópsia não distingue dermatite de contato irritativa ou alérgica de dermatite atópica, porque as características histopatológicas são idênticas — o que separa é localização, exposição e teste de contato.
Menino de 3 anos, 15 kg, com dermatite atópica em acompanhamento, apresenta há 2 dias, sobre as áreas de eczema da face e do pescoço, vesículas monomorfas agrupadas que se umbilicaram, com erosões arredondadas de bordas em saca-bocado. Está afebril, em bom estado geral, alimentando-se bem, sem letargia e sem outros sinais sistêmicos; as lesões não se disseminaram para o tronco. Vem em uso de hidrocortisona creme nas placas. Segundo o guia brasileiro de dermatite atópica grave, qual a conduta?
Vesículas monomorfas umbilicadas com erosões em saca-bocado sobre áreas de eczema compõem o eczema herpético, ou erupção variceliforme de Kaposi. O protocolo nacional de 2025 descreve a complicação e não traz conduta — a palavra aciclovir não aparece nele —, de modo que a dose vem do guia da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia com a Sociedade Brasileira de Pediatria: aciclovir oral 80 mg/kg/dia em 4 doses por 5 dias, o que em 15 kg dá 1.200 mg ao dia, ou 300 mg por dose. Manter o corticoide tópico é correto e contraintuitivo: a mesma fonte registra que os corticosteroides usados nas áreas de eczema não alteram a resposta terapêutica ao antiviral. A via endovenosa, com 10 mg/kg por dose três vezes ao dia, fica reservada aos casos graves e com lesões disseminadas, e a hospitalização se impõe sobretudo abaixo dos 12 meses com febre e sintomas sistêmicos — nada disso está presente. Anti-histamínico não tem função declarada no tratamento desta doença, e o valaciclovir é liberado apenas para maiores de 12 anos.
Por que os inibidores tópicos de calcineurina são úteis no tratamento da dermatite atópica em face e pálpebras?
Tacrolimo e pimecrolimo tópicos inibem a calcineurina e a ativação de linfócitos T sem produzir atrofia cutânea, telangiectasias, estrias ou hipopigmentação, o que os torna especialmente úteis em face, pálpebras e dobras, além de permitirem terapia proativa em áreas de recidiva frequente. O efeito adverso mais comum é ardor local nas primeiras aplicações, que costuma diminuir com o uso. Eles não substituem os emolientes, que atuam na barreira, e não têm ação antimicrobiana. A resposta é mais lenta que a do corticoide, e não mais potente.
Quais critérios clínicos maiores apoiam o diagnóstico de dermatite atópica?
O diagnóstico é clínico e se apoia em quatro pilares: prurido, que é indispensável e costuma preceder a lesão, morfologia e distribuição típicas para a faixa etária, curso crônico com recidivas e história pessoal ou familiar de atopia. Critérios menores incluem xerose, ictiose, dupla prega de Dennie-Morgan, palidez centrofacial, ceratose pilar e elevação de imunoglobulina E. Ausência de prurido praticamente afasta o diagnóstico. Lesões anulares com crescimento centrífugo sugerem dermatofitose, e lesões restritas a áreas fotoexpostas apontam fotodermatoses.
Criança de 4 anos com dermatite atópica apresenta piora súbita com vesículas monomórficas agrupadas, erosões em saca-bocado, febre e prostração sobre as áreas eczematosas. Qual o diagnóstico e a conduta?
Vesículas monomórficas agrupadas com erosões em saca-bocado sobre pele eczematosa, acompanhadas de febre e prostração, caracterizam o eczema herpético, disseminação cutânea do vírus herpes simples favorecida pela barreira comprometida; a conduta é antiviral sistêmico imediato, pelo risco de disseminação, acometimento ocular e sepse. Tratar como exacerbação e intensificar o corticoide tópico é o erro que agrava a infecção viral. O impetigo produz crostas melicéricas, não vesículas monomórficas com erosões perfuradas, embora a infecção bacteriana secundária possa coexistir.
Qual alteração genética está mais associada à dermatite atópica e explica o defeito de barreira cutânea?
As mutações com perda de função no gene da filagrina são o fator genético mais consistentemente associado à dermatite atópica: a filagrina agrega os filamentos de queratina e origina o fator natural de hidratação, de modo que sua deficiência produz xerose, aumento da perda de água transepidérmica e permeabilidade aumentada a alérgenos e microrganismos. É essa compreensão que coloca os emolientes no centro do tratamento e não como mero coadjuvante. Também explica a associação com ictiose vulgar e a maior propensão à sensibilização alérgica que caracteriza a marcha atópica.
Paciente de 22 anos com dermatite atópica grave, refratária a corticoide tópico e inibidor de calcineurina tópico, com grande impacto na qualidade de vida. Qual opção sistêmica moderna é adequada?
O dupilumabe bloqueia a subunidade alfa do receptor de interleucina 4, inibindo a sinalização das interleucinas 4 e 13, eixo central da inflamação tipo 2 da dermatite atópica, e transformou o tratamento das formas graves refratárias; inibidores de janus quinase orais são outra opção moderna. Corticoide sistêmico contínuo é evitado pelo perfil de efeitos adversos e pelo rebote. Isotretinoína trata acne e resseca a pele, o que pioraria o quadro. Anti-histamínicos ajudam apenas no prurido e no sono, sem efeito sobre a inflamação de base.
Qual sequência descreve a marcha atópica?
A marcha atópica descreve a progressão temporal das manifestações alérgicas: a dermatite atópica costuma aparecer primeiro, no lactente, seguida de alergia alimentar e, mais tarde, de asma e rinite alérgica. A hipótese que sustenta essa sequência é a da sensibilização transcutânea: a barreira cutânea comprometida permite a apresentação de alérgenos pela pele, favorecendo a resposta tipo 2 sistêmica — o que dá suporte à ideia de que o cuidado precoce da barreira pode influenciar a evolução. Nem todo paciente percorre todas as etapas, mas a ordem é característica.
Qual microrganismo coloniza com mais frequência a pele do paciente com dermatite atópica e contribui para as exacerbações?
O Staphylococcus aureus coloniza a pele lesional da grande maioria dos pacientes com dermatite atópica e contribui para as exacerbações por meio de superantígenos que amplificam a inflamação, além de causar infecção secundária franca com crostas melicéricas e exsudação. O manejo prioriza restaurar a barreira e controlar a inflamação, com antibiótico reservado a infecção clínica evidente, e não à colonização isolada, para evitar resistência. Banhos com hipoclorito diluído são recurso adjuvante em casos selecionados com infecções de repetição.
Qual é a base do tratamento de manutenção da dermatite atópica, independentemente da gravidade?
A hidratação regular com emolientes é a base do tratamento porque atua diretamente no defeito de barreira, reduz a frequência das crises e diminui a necessidade de corticoide; deve ser mantida mesmo nos períodos sem lesão, junto de banhos curtos, água morna e sabonetes suaves. Corticoide tópico é usado nas exacerbações, com potência ajustada à área e à idade. Corticoide sistêmico em ciclos é desaconselhado pelo efeito rebote ao suspender. Restrições alimentares amplas e empíricas causam prejuízo nutricional sem benefício, devendo ser guiadas por história e testes quando há suspeita real.
Lactente de 8 meses apresenta lesões eczematosas pruriginosas em face, poupando a região centrofacial, e nas superfícies extensoras dos membros, com xerose difusa. A mãe tem rinite alérgica. Qual o diagnóstico e a distribuição típica nessa faixa etária?
A distribuição da dermatite atópica muda com a idade: no lactente predominam face, poupando a região centrofacial, couro cabeludo e superfícies extensoras dos membros; na fase infantil migra para as dobras antecubitais e poplíteas, pescoço e punhos; no adolescente e adulto acomete flexuras, mãos, pálpebras e pode assumir aspecto liquenificado. Conhecer essa progressão evita diagnósticos equivocados em cada faixa. A dermatite seborreica do lactente é menos pruriginosa, com escamas untuosas e acometimento de couro cabeludo e áreas de dobra, e a psoríase é rara nessa idade.
Paciente de 30 anos com dermatite atópica é tratado com corticoide sistêmico por 3 semanas, com melhora expressiva, e apresenta piora intensa poucos dias após a suspensão. Qual a interpretação e a conduta?
O corticoide sistêmico produz melhora rápida e enganosa na dermatite atópica, mas a suspensão costuma ser seguida de rebote, e o uso repetido acumula efeitos adversos sem controlar a doença de base — por isso ele é reservado a resgates curtos em exacerbações graves, enquanto se instala uma estratégia de manutenção. A conduta correta é otimizar emolientes, corticoide tópico ou inibidor de calcineurina, controlar gatilhos e considerar fototerapia ou terapia sistêmica dirigida, como o dupilumabe, e não repetir o ciclo em dose maior, o que perpetua o problema.
Menina de 2 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com lesões pruriginosas recorrentes há um ano, que pioram no inverno e após banhos quentes e demorados. A mãe tem rinite alérgica e o pai teve asma na infância. Ao exame: pele seca difusamente, com placas eritematosas e descamativas em dobras antecubitais e poplíteas, escoriações por coçadura e liquenificação discreta, sem secreção purulenta e sem febre. O sono da criança é interrompido pelo prurido várias noites por semana. Qual é a base do tratamento?
O tratamento da dermatite atópica se apoia na restauração da barreira cutânea com emolientes em grande quantidade, banhos curtos e mornos, uso de corticoide tópico nas crises e identificação de fatores desencadeantes, com educação da família. Corticoide sistêmico contínuo causa efeitos adversos importantes e não é tratamento de manutenção. Restrições alimentares amplas e empíricas prejudicam a nutrição sem benefício comprovado na maioria dos casos. Antibiótico prolongado só se justifica diante de infecção secundária, não como manutenção.
Menina, 3 anos, apresenta lesões eczematosas pruriginosas em superfícies flexoras de cotovelos e joelhos, com xerose cutânea difusa e liquenificação, iniciadas no primeiro ano de vida. Tem rinite alérgica e histórico familiar de atopia. As lesões não estão infectadas, sem crostas melicéricas ou secreção purulenta. O sono está prejudicado pelo prurido, com impacto na rotina familiar. Qual a base do tratamento?
O tratamento da dermatite atópica baseia-se na restauração da barreira cutânea com hidratantes aplicados regularmente, uso de corticoide tópico de potência adequada nas crises e identificação de fatores desencadeantes, podendo-se usar inibidores tópicos de calcineurina em áreas sensíveis. Corticoide sistêmico contínuo produz efeitos adversos graves e rebote ao ser suspenso. Antibiótico profilático permanente não está indicado sem infecção documentada e seleciona resistência. Dietas de exclusão amplas e empíricas causam déficit nutricional sem benefício comprovado na maioria dos casos. Anti-histamínico tópico em grandes áreas pode causar sensibilização de contato e absorção sistêmica.
Menina, 6 anos, com prurido intenso e lesões eczematosas em fossas antecubitais e poplíteas há anos, com xerose difusa e escoriações. T 36,8 °C, PA 96/60 mmHg, FC 92 bpm, sem sinais de infecção secundária. História familiar de asma e rinite. Já usa hidratante irregularmente e corticoide tópico apenas em crises muito intensas, com melhora parcial dos sintomas relatados. Qual a conduta mais adequada?
A base do tratamento da dermatite atópica é a restauração da barreira cutânea com hidratação intensiva e regular, associada a corticoide tópico nas exacerbações e ao controle de fatores desencadeantes, considerando-se inibidores de calcineurina tópicos em áreas sensíveis. O corticoide sistêmico contínuo é inadequado pela toxicidade. Dietas de exclusão sem investigação comprometem a nutrição sem benefício. O antibiótico prolongado só se justifica em infecção secundária documentada. Suspender hidratantes agrava a xerose e o prurido, piorando o quadro.
Menino, 5 anos, com dermatite atópica, apresenta piora súbita das lesões, com crostas melicéricas, exsudação e dor local há 3 dias. T 38 °C, PA 94/58 mmHg, FC 110 bpm, com linfadenomegalia regional. As lesões estão mais eritematosas e dolorosas que o habitual, com secreção amarelada em algumas áreas e sem vesículas agrupadas ou lesões umbilicadas. Qual a conduta mais adequada?
Crostas melicéricas com exsudação e dor em paciente atópico indicam impetiginização por Staphylococcus aureus, tratada com antibioticoterapia dirigida, mantendo-se os cuidados de barreira e o controle da inflamação. Suspender todo o tratamento tópico agrava a dermatite subjacente. O antiviral seria indicado no eczema herpético, que cursa com vesículas agrupadas e lesões umbilicadas, expressamente ausentes. Apenas aumentar a potência do corticoide não trata a infecção bacteriana. O antifúngico oral não tem alvo nesse quadro.
Menina de 3 anos apresenta há 1 ano lesões eritematosas, descamativas e muito pruriginosas em dobras antecubitais e poplíteas, com períodos de melhora e piora. A pele é difusamente seca. Não há febre, secreção purulenta, crostas melicéricas ou sinais de infecção secundária. A mãe tem rinite alérgica e o pai teve asma na infância. A criança dorme mal nos períodos de piora do prurido. Qual a conduta inicial?
A hidratação cutânea regular associada a corticoide tópico nas crises e ao controle de fatores desencadeantes é a conduta inicial na dermatite atópica, com uso de anti-histamínico para o prurido quando necessário. O corticoide sistêmico contínuo é inadequado como manutenção, pelos efeitos adversos e pelo efeito rebote. O antibiótico só é indicado diante de infecção secundária, ausente aqui. A restrição alimentar ampla empírica compromete a nutrição sem benefício comprovado. Banhos quentes prolongados com sabonete antisséptico agravam o ressecamento e o prurido.
Lactente, 8 meses, com dermatite atópica extensa desde os 3 meses e alergia à proteína do leite de vaca confirmada. A mãe pergunta sobre o risco de o filho desenvolver asma e rinite no futuro. Exame físico atual sem alterações respiratórias: FR 32 ipm, SatO2 98%, ausculta limpa. Não houve episódios de sibilância até o momento. Sobre a evolução natural da sensibilização alérgica nesse paciente, assinale a alternativa correta.
A afirmação correta é que a dermatite atópica de início precoce e curso grave eleva o risco de sibilância e de asma na idade escolar: é o primeiro degrau da marcha atópica, e a sensibilização cutânea antecede a via respiratória. Dizer que a alergia alimentar protege inverte a evidência, pois ela também marca risco aumentado de asma. A ausência de sibilância aos 8 meses não exclui asma futura, já que a maioria dos casos se manifesta entre 3 e 6 anos. O corticoide tópico controla a dermatite, mas não há prova de que interrompa a progressão para doença respiratória. Afirmar que a rinite precede a dermatite inverte a ordem clássica, em que eczema e alergia alimentar vêm primeiro.
No padrão eczematoso ilustrado, qual mudança clínica sugere infecção herpética disseminada e exige avaliação urgente?

São sinais de eczema herpético, uma complicação potencialmente grave.
Uma criança maior apresenta prurido crônico nas áreas assinaladas à direita. Qual medida constitui base do cuidado cutâneo?

A restauração da barreira é central no manejo da dermatite atópica.
A figura compara a distribuição de eczema em lactente e criança maior. Qual transição está ilustrada?

A dermatite atópica muda frequentemente de distribuição com a idade.
Por que cursos de glicocorticoide sistêmico não constituem estratégia rotineira de manutenção da dermatite atópica, mesmo quando produzem melhora inicial rápida?
A melhora transitória não garante controle sustentado. O risco de exacerbação após retirada e os efeitos adversos pesam contra seu uso rotineiro como manutenção. Referência: NIAMS/NIH. Atopic Dermatitis: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2022). https://www.niams.nih.gov/health-topics/atopic-dermatitis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
No tratamento da dermatite atópica, qual papel farmacológico é atribuído aos inibidores de calcineurina aplicados à pele, quando indicados para a idade e o quadro?
Inibidores tópicos de calcineurina são opções anti-inflamatórias. A escolha depende de idade, localização, gravidade e resposta ao plano terapêutico. Referência: NIAMS/NIH. Atopic Dermatitis: Diagnosis, Treatment, and Steps to Take (2022). https://www.niams.nih.gov/health-topics/atopic-dermatitis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
A xerose é frequente na dermatite atópica. Qual alteração ajuda a explicar esse achado e sua relação com a inflamação cutânea?
Alterações da barreira favorecem perda de umidade e contato do sistema imune com fatores ambientais. Genética, inflamação e ambiente interagem na doença. Referência: NIAMS/NIH. Atopic Dermatitis: Overview, Symptoms and Causes (2022). https://www.niams.nih.gov/health-topics/atopic-dermatitis
O prurido intenso pode manter a dermatite atópica em atividade. Qual relação entre coçadura e pele explica parte desse ciclo de perpetuação dos sintomas?
A inflamação provoca coceira, e o trauma de coçar piora a pele e aumenta o risco de infecção. Controlar o prurido ajuda a interromper esse ciclo. Referência: NIAMS/NIH. Atopic Dermatitis: Overview, Symptoms and Causes (2022). https://www.niams.nih.gov/health-topics/atopic-dermatitis
A distribuição das lesões de dermatite atópica varia com a idade. Qual padrão é compatível com a evolução clínica habitual, sem constituir uma regra absoluta?
A face é local comum na primeira infância, enquanto dobras de cotovelos e joelhos tornam-se mais características depois. A distribuição pode variar entre pacientes. Referência: NIAMS/NIH. Atopic Dermatitis: Overview, Symptoms and Causes (2022). https://www.niams.nih.gov/health-topics/atopic-dermatitis
Sobre o eczema surgem febre, dor e erosões monomórficas disseminadas. Qual hipótese exige avaliação urgente?

Infecção herpética disseminada em pele eczematosa pode ser grave e requer reconhecimento e tratamento rápido.
Criança com eczema nesse padrão tem IgE elevada, mas sem reação alimentar reprodutível. Qual cautela evita dieta restritiva desnecessária?

Resultados devem ser correlacionados à história; restrições sem indicação podem prejudicar nutrição e crescimento.
Qual plano combina controle inflamatório e reparo da barreira nas exacerbações, conforme gravidade e orientação?

Cuidado da barreira e controle da inflamação são complementares; antimicrobianos dependem de indicação específica.
No desenho da criança maior, a distribuição destaca quais regiões?

O mapa destaca áreas flexurais no indivíduo maior.
Qual sintoma é central na dermatite atópica?

Coceira é uma característica importante e contribui para o ciclo de lesão cutânea.
Criança cresce normalmente e tem eczema leve controlável. Come leite, ovo e trigo sem reação imediata ou sintomas digestivos. Os pais propõem retirar esses alimentos por conta própria para curar a pele. Qual orientação é mais adequada?
A história alimentar e a gravidade orientam investigação. Dietas devem ter justificativa e acompanhamento, sem substituir o tratamento cutâneo. Referências: NICE CG57. Atopic eczema in under 12s: recommendations — https://www.nice.org.uk/guidance/cg57/chapter/Recommendations
Menina apresenta três exacerbações mensais de eczema nas mesmas dobras, apesar de uso regular de emoliente. A crise atual foi controlada com corticoide tópico apropriado. Qual estratégia pode reduzir recidivas nessas áreas?
Após controlar a inflamação, prevenção intermitente dirigida aos locais habituais pode complementar o emoliente. Potência e duração devem ser individualizadas. Referências: NICE CG57. Atopic eczema in under 12s: recommendations — https://www.nice.org.uk/guidance/cg57/chapter/Recommendations
Menina de nove anos com dermatite atópica previamente controlada apresenta eczema persistente nas pálpebras após introdução de cosmético. A adesão ao tratamento habitual foi confirmada, e não há febre, vesículas ou secreção. Qual próximo passo é mais adequado?
Dermatite atópica não impede outras causas de eczema. Lesões persistentes em face ou pálpebras e novas exposições justificam avaliação dirigida. Referências: NICE CG57. Atopic eczema in under 12s: recommendations — https://www.nice.org.uk/guidance/cg57/chapter/Recommendations
Lactente tem eczema facial leve, sem infecção, que não melhorou apenas com emoliente. Qual princípio orienta a escolha de corticoide tópico para a região?
O manejo deve equilibrar controle e segurança. Baixa potência costuma ser a escolha facial, reservando exceções a situações específicas e supervisão. Referências: NICE CG57. Atopic eczema in under 12s: recommendations — https://www.nice.org.uk/guidance/cg57/chapter/Recommendations
Criança iniciou tratamento para eczema herpético e apresenta lesões nas pálpebras, dor ocular e fotofobia. Qual medida deve ser acrescentada?
Quando há possível comprometimento ocular, o cuidado precisa incluir oftalmologia no mesmo dia. Tratar apenas a pele pode deixar uma complicação importante sem avaliação. Referências: NICE CG57. Atopic eczema in under 12s: recommendations — https://www.nice.org.uk/guidance/cg57/chapter/Recommendations
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em 7 dias
Escreva de memória as duas réguas de classificação, dizendo em voz alta onde o prurido está em cada uma: um dos quatro maiores em Hanifin e Rajka, porta obrigatória no conjunto do Reino Unido. Em seguida reconstrua a escada do SUS por idade, começando pelo que existe abaixo dos 2 anos. Depois refaça a conta da meta de seis meses com outros números: um paciente que saiu de EASI 32 e chegou a 8 atinge a meta? Ele caiu 24 pontos, exatamente 75%, então cumpre o braço relativo mesmo com 8 sendo maior que 7 — a fronteira do EASI-75 é atingida na igualdade, não ultrapassada. E outro que saiu de 24 e chegou a 7,2: caiu 70% e 7,2 é maior que 7, de modo que falha nos dois braços por margem mínima. Note que 7,0 e 7,2 quase se confundem no papel e têm destinos opostos.
em 30 dias
Refaça os dois casos do capítulo decidindo item a item, e depois responda sem consultar: qual portaria aprovou o protocolo vigente e qual ela revogou; quais medicamentos o protocolo anterior dizia que não estavam disponíveis no SUS para esta doença; qual a idade e o peso que separam dupilumabe de upadacitinibe, e o que acontece com quem completa 12 anos pesando 36 kg; qual é a relação numérica entre a dose inicial e a de manutenção do dupilumabe na faixa de 6 a menos de 12 anos; que dose de aciclovir a fonte de sociedade indica no eczema herpético por via oral e por via endovenosa; qual palavra o protocolo usa para excluir os anti-histamínicos; e por que a fototerapia, existindo no SUS, não é degrau desta doença.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Uma auxiliar de cozinha de 22 anos procura o ambulatório por lesões que coçam nas dobras dos cotovelos e atrás dos joelhos há cerca de um mês, com piora nas últimas duas semanas. Conta que teve episódios parecidos desde criança, que vão e voltam no inverno e nas épocas de estresse, e que pioraram depois que passou a lavar louça com água quente e detergente o dia inteiro; a coceira é pior à noite e atrapalha o sono. Conduza a consulta: caracterize as lesões e o prurido, levante a história pessoal e familiar de atopia e a idade em que tudo começou, procure ao exame os estigmas que acompanham essa doença nas flexuras e nas mãos, e cheque se há infecção sobreposta. Não pare no reconhecimento: diga qual conjunto formal de critérios você está usando e mostre, um a um, que ele está preenchido; dimensione o quanto a doença pesa sobre o sono e sobre o trabalho; e monte o plano com o emoliente, com o que entra na fase aguda, com o cuidado do banho e com a proteção das mãos no serviço. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
