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Clínica MédicaImunologia

Reações de hipersensibilidade a drogas

O tempo de latência e o fenótipo guiam o diagnóstico; retirar o fármaco suspeito e reconhecer gravidade vêm antes de qualquer escore.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 28 anos, previamente hígida, procura o serviço 10 dias após início de amoxicilina para faringite, com lesões cutâneas dolorosas e mal-estar. Ao exame: PA 100/60 mmHg, FC 110 bpm, T 38,7 °C; máculas eritemato-violáceas disseminadas com centro acinzentado e descolamento epidérmico ao toque (Nikolsky positivo) acometendo cerca de 15% da superfície corporal, além de erosões em mucosa oral e conjuntival. Qual é o diagnóstico mais provável?

02

Como esse tema cai

A pele é o órgão que mais denuncia o medicamento, e quase tudo o que ela denuncia é banal. Este capítulo trata da fração que não é: das reações tardias em que suspender o fármaco vale mais do que qualquer prescrição, e para as quais existem escores publicados que estimam quem morre. A separação entre o exantema que se observa e o exantema que interna não é morfológica — a mancha pode ser a mesma. Ela se faz por três dados que o enunciado sempre entrega e que o candidato raramente lê na ordem certa: o relógio desde a primeira dose, o que aconteceu com as mucosas e o que o laboratório mostrou.

Duas fronteiras ficam de fora, e convém saber onde passam. A reação imediata mediada por imunoglobulina E, cuja resposta única é adrenalina intramuscular, é matéria do capítulo de anafilaxia desta mesma apostila. A urtica e o angioedema, inclusive os desencadeados por fármaco, são do capítulo de urticária e angioedema, com as duas réguas de tempo que separam aguda de crônica e mastócito de bradicinina. Aqui a reação é tardia, mediada por célula T, e nenhum daqueles dois algoritmos resolve.

A terceira fronteira fica do outro lado. O que fazer com o rótulo de alergia à penicilina — como interrogá-lo, quem pode fazer provocação oral direta, quando encaminhar — está no capítulo de antibioticoterapia racional, na apostila de infectologia. Aquele texto usa a reação grave como critério de estratificação: diante de síndrome de Stevens-Johnson ou de necrólise epidérmica tóxica, o paciente é de alto risco e não se provoca. Ele não ensina, porém, como se separa uma da outra nem quanto cada uma vale de prognóstico. E o capítulo de psoríase e dermatite atópica, na apostila de dermatologia, avisa que em vinheta de necrólise epidérmica o índice de área e gravidade da psoríase aparece como distrator, sendo a resposta o escore prognóstico próprio daquela farmacodermia — sem dizer o nome dele. O nome é SCORTEN, e ele é o eixo deste capítulo.

A régua documental é desigual, e isso muda a forma de estudar. Não existe protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde para reação cutânea grave a medicamento, ao contrário do que ocorre com asma ou com angioedema hereditário. O que há em português são revisões de serviço publicadas em periódicos brasileiros de acesso aberto, e uma norma sanitária que não fala de tratamento nenhum: fala de notificação, com prazo e com lista de quem está dispensado. São duas metades com finalidades opostas, e a prova cobra as duas. A metade clínica pergunta o que fazer com o paciente; a metade sanitária pergunta o que o serviço deve à vigilância, e até quando.

03

O que muda decisão

Antes de nomear a síndrome, procure os sinais de alarme

Reação adversa a medicamento ocorre em 5% a 15% dos pacientes tratados. Entre os hospitalizados a incidência de reação adversa é de cerca de 30%, das quais 2% a 3% são cutâneas. A fração grave é pequena e tem prevalência estimada em um a cada mil pacientes hospitalizados. O problema pedagógico é que a fração grave começa parecida com a fração banal: o exantema morbiliforme, que é a apresentação mais comum de reação cutânea a droga, é também a forma de estreia da necrólise epidérmica tóxica, da doença do soro e da síndrome de hipersensibilidade a droga.

Por isso a primeira decisão não é diagnóstica, é de triagem. A revisão brasileira de referência sobre o assunto reproduz a lista de sinais de alerta proposta por Roujeau e Stern em 1994, e ela vale mais decorada do que qualquer classificação. Do lado cutâneo: eritema confluente acima de 60% da superfície, dor ou ardência na pele, edema facial, necrose, púrpura palpável, bolhas ou destacamento epidérmico, edema de língua ou de úvula, sinal de Nikolsky positivo e erosões de membranas mucosas. Do lado geral, febre alta acima de 40 graus.

Repare no item que quase ninguém procura: dor. Exantema banal coça; farmacodermia grave dói e arde, e a queixa de pele dolorosa costuma preceder o descolamento em horas. Edema facial é o segundo item negligenciado, e ele aponta para um fenótipo específico, não para gravidade genérica. Um terceiro estudo citado na mesma revisão, com 133 pacientes cujas reações se manifestaram como erupções eritematosas, concluiu que febre, linfadenopatia e acometimento cutâneo extenso são marcadores clínicos de gravidade e obrigam a pedir hemograma completo e provas de função hepática.

Guarde a consequência prática, porque ela reaparece em quase toda questão do tema: diante de exantema com qualquer sinal da lista, dois exames simples deixam de ser opcionais — o hemograma, que mostra eosinofilia e linfócitos atípicos, e as transaminases, que mostram a hepatite que o paciente não sente. Sem eles, o fenótipo grave que não descola pele passa como alergia comum.

O relógio é o primeiro discriminador, e cada fenótipo tem o seu

Todas as reações deste capítulo são de hipersensibilidade tardia, o que significa que nenhuma delas acontece em minutos. Mas tardia não é uma categoria única: os fenótipos se distribuem ao longo de semanas, e a posição no calendário é o dado que mais separa um do outro antes de qualquer exame.

A reação a droga com eosinofilia e sintomas sistêmicos é a mais lenta do grupo. Uma revisão de mecanismo registra que a erupção surge pelo menos três semanas após o início do fármaco e que essa latência é mais longa que a da síndrome de Stevens-Johnson, a da necrólise epidérmica tóxica, a da pustulose exantemática generalizada aguda, a da erupção fixa por droga e a do exantema maculopapular — e observa que justamente esse intervalo longo é o motivo de o diagnóstico falhar, porque o médico já não associa a erupção a um remédio começado há tanto tempo.

O número que operacionaliza isso é recente e é bom. Um estudo australiano comparou 44 casos de reação com eosinofilia e sintomas sistêmicos com 80 casos de exantema por droga com eosinofilia que não preenchiam os critérios do registro. O tempo entre o início do fármaco e o surgimento da erupção foi significativamente maior no primeiro grupo: mediana de 21 dias contra 5 dias, com valor de p menor que 0,001. E as transaminases foram mais altas, por um fator de 2,49. Uma revisão sistemática de 151 casos definidos encontrou latência de 24 dias.

A leitura prática é direta e cabe numa frase: exantema com eosinofilia no terceiro dia de antibiótico, pelo relógio, quase nunca é o fenótipo sistêmico grave — e exantema no vigésimo primeiro dia, mesmo com eosinofilia modesta, quase sempre merece hemograma, transaminases e creatinina no mesmo dia. Duas ressalvas: a contagem é a partir da primeira exposição, e exposição prévia ao mesmo fármaco encurta tudo, porque o sistema imune já está sensibilizado. Numa vinheta, a frase que informa que o paciente já usou aquele medicamento antes não é enfeite.

O espectro bolhoso é definido pela área descolada, não pela mucosa

Há uma concordância antiga, e reproduzida em português desde 2004, que separa o espectro do eritema multiforme do espectro que reúne a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica. O eritema multiforme maior é feito de alvos típicos, com ou sem bolhas, de distribuição simétrica e preferencialmente acral, costuma ser recorrente e pós-infeccioso — herpes simples e micoplasma são os gatilhos clássicos —, tem baixa morbidade e não mata. A síndrome de Stevens-Johnson é feita de erosões mucosas e máculas purpúricas disseminadas, com frequência confluentes, com sinal de Nikolsky positivo e destacamento epidérmico limitado a menos de 10% da superfície corporal, e é reação adversa a fármaco, grave, com letalidade significativa.

Dentro do espectro bolhoso a divisão é aritmética e não morfológica. Descolamento abaixo de 10% da superfície corporal é síndrome de Stevens-Johnson; entre 10% e 30% é a sobreposição; acima de 30% é necrólise epidérmica tóxica. A incidência da necrólise é de 0,4 a 1,9 caso por milhão de habitantes por ano, e a soma das três formas fica entre 2 e 7 por milhão por ano.

Duas armadilhas moram nessa definição. A primeira é a mucosa: erosão oral, ocular e genital aparece ao longo de todo o espectro e por isso não classifica nada. Vinheta com mucosa acometida e 35% de descolamento é necrólise, e não Stevens-Johnson só porque a mucosa está lá. A segunda é o que se mede: conta-se a epiderme descolada ou descolável — a que sai à pressão lateral, com o sinal de Nikolsky —, e não a área de eritema. Um paciente eritrodérmico com 90% de vermelhidão e 5% de descolamento tem 5%, não 90%.

O corte de 10% importa duas vezes: ele é a fronteira entre duas categorias diagnósticas e é também um dos itens do escore de gravidade. A mesma medida faz dois trabalhos, e é daí que sai a aritmética da próxima seção.

Retirar o fármaco é a única medida de efeito consensual

A revisão brasileira mais antiga do tema diz em letra que a retirada da droga suspeita é a intervenção mais importante para reduzir a morbidade, e nada do que veio depois desbancou essa frase. Tudo o mais é suporte ou aposta. O suporte é o de grande queimado: transferência para centro de queimados ou terapia intensiva, reposição volêmica e correção hidroeletrolítica, controle térmico, analgesia e cuidado de ferida.

O cuidado da pele tem regras próprias, e elas contrariam o instinto cirúrgico. Não há padrão-ouro para o tratamento das feridas. Epiderme desvitalizada é removida, mas desbridamentos agressivos devem ser evitados. Usam-se curativos não aderentes, biológicos ou sintéticos. E a profilaxia antibiótica sistêmica não demonstrou melhora de sobrevida e não deve ser feita: trata-se infecção documentada, guiada por cultura, não se previne com espectro largo. A ferida precisa ser monitorada, e o germe mais frequente é o estafilococo dourado.

Dois cuidados de sequela merecem entrar na resposta longa porque decidem o resto da vida do paciente. O olho: a avaliação oftalmológica é precoce, o tratamento começa por lavagem com soro para retirar restos mucosos e de tecido inflamatório, os casos de grau 1 recebem corticoide e antibiótico tópicos, e os graus 2 e 3 recebem também transplante de membrana amniótica para prevenir perda de acuidade. O trato genital feminino: dispareunia, aderências e estenose de introito são complicações descritas, e a prevenção passa por corticoide intravaginal, moldes vaginais e supressão menstrual.

A imunomodulação específica tem uma divergência dedicada adiante. Por ora fica o essencial: nenhuma alternativa que ofereça corticoide, imunoglobulina ou ciclosporina como medida de maior impacto vence a que retira o fármaco e transfere o paciente.

Quais fármacos, e por que a lista importa mais do que parece

O estudo europeu de casos e controles que serve de referência classifica os medicamentos em quatro faixas, e a de risco alto confirmado é curta o bastante para ser decorada: nevirapina, lamotrigina, carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, cotrimoxazol e outras sulfamidas, sulfassalazina, alopurinol e os anti-inflamatórios do grupo oxicam. Na faixa de risco baixo estão sertralina, macrolídeos, quinolonas, cefalosporinas, tetraciclinas e aminopenicilinas. Na de risco potencial, que a própria tabela marca como dependente de mais evidência, estão pantoprazol, corticoides, pirazolonas, ácido acetilsalicílico, tramadol, nimesulida, paracetamol e ibuprofeno. E na de risco não determinado ficam estatinas, betabloqueadores, inibidores da enzima conversora, bloqueadores de canal de cálcio, tiazídicos, furosemida, insulina e — o detalhe que separa duas coisas de mesmo nome — as sulfonamidas diuréticas e antidiabéticas.

Guarde essa assimetria da sulfa, porque ela é cobrável: a sulfonamida antimicrobiana está na faixa de risco alto confirmado, enquanto o diurético e o antidiabético derivados de sulfa estão na faixa de risco não determinado. A lista importa porque a vinheta quase sempre entrega um paciente em uso de três ou quatro medicamentos, e a pergunta implícita é qual deles é o culpado. A combinação que resolve tem dois filtros: o fármaco precisa estar na faixa de risco compatível com o fenótipo e precisa estar na janela de tempo daquele fenótipo. Um paciente com hidroclorotiazida há três anos e alopurinol há quatro semanas, com erupção sistêmica, tem um único candidato — o tiazídico está na faixa de risco não determinado e, sobretudo, está fora de qualquer janela.

Esse raciocínio tem um contrário perigoso. Trocar o fármaco suspeito por outro estruturalmente aparentado mantém o risco de reação cruzada e não resolve o quadro sistêmico já instalado. O seguimento de longo prazo da coorte australiana mostra os dois desfechos possíveis: houve pacientes que toleraram fármacos estruturalmente relacionados, e houve pacientes que reapresentaram a reação depois de reexposição inadvertida ao culpado ou a um parente estrutural. Ou seja, a decisão sobre o que o paciente pode voltar a tomar é individual, depende de investigação alergológica e não se resolve na alta do pronto-socorro.

Há um dado organizacional escondido nesse seguimento e que amarra as duas metades do capítulo: o registro formal do alerta de medicamento, que é o que impediria a próxima exposição, foi feito numa minoria dos pacientes. O paciente sobreviveu à reação e saiu do hospital sem que o sistema soubesse o que ele não pode mais tomar.

O escore de gravidade tem sete itens, e um deles é a própria área

O instrumento prognóstico do espectro bolhoso atribui um ponto a cada uma de sete condições, aferidas idealmente nas primeiras 24 horas de admissão e reaplicadas no terceiro dia, porque o valor preditivo melhora com a segunda medida. As sete são: idade acima de 40 anos; frequência cardíaca acima de 120 batimentos por minuto; diagnóstico de neoplasia maligna; descolamento epidérmico acima de 10% da superfície corporal no primeiro dia; ureia elevada; glicemia acima de 252 miligramas por decilitro; e bicarbonato abaixo de 20 miliequivalentes por litro.

Some os itens: são sete, cada um vale um ponto, e o máximo possível é sete. Agora cruze isso com a definição da seção anterior. Na síndrome de Stevens-Johnson pura o descolamento é, por definição, menor que 10% — logo o item de área nunca pontua. O teto aritmético da síndrome de Stevens-Johnson é, portanto, 6, e não 7. Vinheta que descreva descolamento de 6% e ofereça uma alternativa com escore 7 está oferecendo um número impossível.

As fontes não escrevem esse item exatamente igual: a revisão brasileira de terapia intensiva e uma revisão internacional de biomarcadores dizem descolamento acima de 10%; um capítulo de referência de língua inglesa diz área acometida de 10% ou mais no primeiro dia. A diferença só mudaria a conta de quem tivesse exatamente 10,0% — que já está na sobreposição, e não na síndrome de Stevens-Johnson. Nos dois modos de ler, o teto de 6 se mantém.

Repare também no que não está na lista, porque o enunciado costuma pôr dados a mais para ver quem soma o que não deve. Hiponatremia não pontua. Creatinina não pontua. Leucopenia não pontua. Acometimento de mucosa não pontua. Tempo de latência não pontua. Uma vinheta com sódio de 128 e creatinina de 1,9 tem dois dados clinicamente relevantes e zero pontos a mais no escore.

Vinte e oito miligramas por decilitro de quê?

O item de ureia é o único do escore em que a conversão de unidades muda a conta, e é onde as fontes se contradizem por escrito. Duas revistas brasileiras publicaram, no mesmo ano de 2017, a mesma tabela com rótulos diferentes. A revista de terapia intensiva escreve o item como nitrogênio ureico no sangue acima de 28 mg/dL. A revista de cirurgia plástica escreve, em português, ureia acima de 28 mg/dL. Um capítulo de referência de língua inglesa também rotula o valor como nitrogênio ureico. São dois analitos diferentes com o mesmo número.

A aritmética resolve. O item original é expresso em unidades do sistema internacional: ureia acima de 10 milimoles por litro. A ureia tem massa molar de 60,06 gramas por mol, e o nitrogênio contido nela pesa 28,014 gramas por mol. Logo 10 milimoles por litro equivalem a 60,1 mg/dL de ureia e a 28,0 mg/dL de nitrogênio ureico. A razão entre os dois é 2,14.

Isso tem consequência de beira de leito no Brasil, porque o laudo brasileiro informa ureia, e não nitrogênio ureico. Quem aplica o valor de 28 mg/dL ao número que veio do laboratório marca o ponto num paciente com ureia de 30 mg/dL — que está próxima do limite superior de referência e não indica nada. O limiar operacional correto, no laudo daqui, é ureia acima de aproximadamente 60 mg/dL. Um paciente com ureia de 40 mg/dL pontua pela leitura errada e não pontua pela correta, e um ponto a mais pode empurrar o escore de 3 para 4, ou seja, de mortalidade estimada em torno de 35% para algo perto de 58%.

Faça a mesma checagem nos outros dois itens de laboratório, para ver que só este morde. A glicose do escore é 14 milimoles por litro, e a massa molar da glicose é 180,156 gramas por mol: 14 milimoles por litro dão 252,2 mg/dL, exatamente o valor de 252 que as tabelas imprimem. O bicarbonato já vem em miliequivalentes por litro nos dois sistemas. Ureia é a exceção, e é por isso que ela merece uma frase decorada.

A faixa que não existe: o buraco no cinco

As faixas de mortalidade do escore são reproduzidas em quase todo material, e é aí que aparece a segunda contradição. A revista brasileira de terapia intensiva imprime: 0 a 1 ponto, 3,2%; 2 pontos, 12,2%; 3 pontos, 35,5%; 4 pontos, 58,3%; e maior que 5, 90,0%. A revista brasileira de cirurgia plástica imprime a mesma escada, com 3,2% para 0 a 1 ponto, 35,3% para 3 pontos e 90% para maior que 5. Já o capítulo de língua inglesa descreve a última faixa como 5 ou mais fatores de risco.

Teste o corte com a aritmética do próprio escore. Os valores possíveis vão de 0 a 7. As faixas de 0 a 1, 2, 3, 4 e “maior que 5” cobrem os valores 0, 1, 2, 3, 4, 6 e 7 — e deixam o 5 sem nenhuma linha. Com a leitura de “5 ou mais”, a cobertura fica completa. Não é detalhe de estilo: um escore de sete itens cujas faixas publicadas não classificam um dos oito resultados possíveis é um escore com um buraco, e o buraco cai justamente onde a mortalidade dá o maior salto.

Gráfico de barras da mortalidade estimada por pontuação do escore de gravidade, de 0 a 7 pontos. Barras cheias em 3,2 por cento para 0 e 1 ponto, 12,2 por cento para 2, 35,5 por cento para 3, 58,3 por cento para 4 e 90 por cento para 6 e 7. Na posição 5 há apenas um contorno tracejado vazio, indicando que nenhuma faixa publicada classifica esse valor, ao lado de uma barra fantasma a 90 por cento que corresponde à leitura alternativa de cinco ou mais. Um colchete sobre as posições de 0 a 6 marca o teto de 6 pontos da síndrome de Stevens-Johnson.
As faixas publicadas cobrem 0, 1, 2, 3, 4, 6 e 7 e deixam o escore 5 sem linha; e, como o item de área nunca pontua com descolamento abaixo de 10 por cento, o teto da síndrome de Stevens-Johnson é 6, não 7.

As duas revistas brasileiras também divergem nas casas decimais entre si: 12,2% contra os 12,1% mais reproduzidos para 2 pontos, e 35,5% contra 35,3% para 3 pontos. A diferença é irrelevante para o paciente e reveladora para o estudante — significa que as tabelas foram copiadas umas das outras, e que o número decorado pode não bater com o do gabarito.

A conduta de prova que resolve os dois problemas é a mesma: conte os pontos primeiro e escolha a faixa depois. Se contar 5, saiba que está no degrau mais alto pela leitura que fecha a escada, e que a tabela impressa em algumas fontes simplesmente não tem linha para você. E se a alternativa oferecer uma mortalidade precisa para um escore que a fonte não classifica, o problema está na alternativa.

O escore prediz, não trata — e tende a superestimar

Instrumento prognóstico serve para decidir onde o paciente fica e quem é chamado, nunca para decidir o que se prescreve. A própria revisão brasileira de terapia intensiva registra que, por causa dos avanços no manejo, é possível que o escore superestime a mortalidade em centros com experiência. Uma coorte europeia de 24 pacientes com necrólise confirmada por histologia mediu isso: escore médio de 3,29 na admissão, mortalidade estimada de 41,9% e mortalidade observada de 12,5%; sensibilidade de 100% e especificidade de apenas 23,81%.

Sensibilidade alta com especificidade baixa descreve um instrumento de triagem: ele quase não deixa escapar quem vai morrer e classifica como grave muita gente que sobrevive. Isso é exatamente o que se quer de uma ferramenta que decide transferência para unidade de queimados ou terapia intensiva, e exatamente o que não se quer de uma ferramenta que decidisse terapia imunomoduladora.

Há uma segunda razão para não travar a conduta no número: o escore mede o dia em que foi aplicado. Por isso a recomendação de refazê-lo no terceiro dia. Um paciente que abre com escore 2 e descola mais 20% da superfície em 48 horas mudou de prognóstico, e o valor da admissão não conta essa história.

A pergunta de prova tem duas variedades. Uma pede o instrumento correto, e a resposta é o escore específico do espectro bolhoso, nunca um índice de psoríase, uma escala de dermatite atópica ou a regra dos nove, que mede área e não prevê óbito. A outra pede a conduta de maior impacto prognóstico, e aí a resposta nunca é o escore: é retirar o fármaco.

O escore da reação com eosinofilia foi feito para o registro, não para o leito

A reação a droga com eosinofilia e sintomas sistêmicos tem um instrumento próprio, construído pelo registro europeu de reações cutâneas graves. Os itens revistos são: febre acima de 38,5 graus; linfonodos aumentados em mais de dois sítios e com mais de um centímetro; linfócitos atípicos; eosinofilia, definida por contagem acima de 700 por milímetro cúbico ou acima de 10% dos leucócitos; exantema, avaliado por extensão acima de 50% da superfície, por presença de edema, infiltração, púrpura ou descamação, e por biópsia compatível; acometimento de órgão interno; tempo até a resolução dos sintomas, medido em menos ou mais de duas semanas; e a realização de pelo menos três investigações laboratoriais para excluir diagnósticos alternativos.

A pontuação de cada item varia de menos um a dois. As faixas são: abaixo de 2 pontos, não é caso; de 2 a 3, caso possível; de 4 a 5, caso provável; acima de 5, caso definido. Somando os máximos item a item chega-se a 9; somando os valores negativos possíveis chega-se a menos 4. É um escore que pode dar negativo, o que já diz muito sobre a finalidade dele.

E a finalidade está escrita. Um documento de posição europeu sobre o tema em crianças afirma que esses critérios foram inicialmente desenhados para fins de pesquisa e não foram validados para a prática clínica de rotina, particularmente em populações específicas como crianças e imunossuprimidos. É a mesma distinção que atravessa outros capítulos desta coleção: critério que serve para incluir caso em registro não é critério que serve para decidir no leito, e confundir os dois custa tempo.

A estrutura do instrumento prova a afirmação melhor do que qualquer argumento. Dois dos itens só podem ser respondidos depois que o episódio terminou: o tempo até a resolução e o conjunto de três investigações negativas. E o item da biópsia é ainda mais revelador: quando a histologia é compatível, ele vale zero; ele só subtrai, quando a histologia contradiz. Ou seja, o exame que o estudante imagina como confirmação não acrescenta um ponto sequer — e não fazer a biópsia pontua igual a fazê-la e encontrá-la compatível.

O que o escore do registro não pergunta

A latência não é item. Isso é notável porque, como se viu, a latência é o dado que mais separa a reação sistêmica grave do exantema por droga com eosinofilia: mediana de 21 dias contra 5. O estudo que mediu isso foi construído exatamente para procurar o que distingue os dois quadros fora dos critérios do registro, e encontrou dois achados — latência mais longa e transaminases mais altas, por um fator de 2,49.

Há ainda um problema de concorrência entre réguas. Existem três conjuntos de critérios diagnósticos para o mesmo quadro, e eles não classificam os mesmos pacientes. Num estudo comparativo, 80% dos pacientes que preenchiam o critério de caso provável do registro europeu satisfaziam também os critérios de Bocquet, mas apenas 27,6% satisfaziam os critérios japoneses de síndrome atípica de hipersensibilidade induzida por droga. Em outra série, de 216 internados por reação cutânea a droga, 21% tinham pelo menos dois diagnósticos possíveis e três pacientes foram impossíveis de classificar.

A consequência de prova é sutil e precisa ser dita com clareza. Enunciado que descreve latência longa, exantema extenso com edema facial, febre, linfonodomegalia, eosinofilia e hepatite e pergunta o diagnóstico mais provável aceita a resposta do fenótipo sistêmico grave, ainda que o escore não pudesse ser calculado naquele momento. Enunciado que pergunta se o caso está classificado como definido, ou que fala em notificação e registro, está no outro terreno e exige o instrumento completo.

A conduta, essa, não espera nenhum dos dois. Suspender o fármaco suspeito, dosar transaminases e creatinina, procurar acometimento de outros órgãos e internar quem tem disfunção visceral são decisões que se tomam com o quadro clínico, e não com um número que só fecha depois que o paciente melhorou. Esperar o escore para retirar o remédio é trocar a ordem das coisas.

A outra metade: notificar tem prazo, e a régua é sanitária

Reação adversa a medicamento não é apenas evento clínico; é evento notificável, e a norma que obriga tem número, prazo e lista de exceções. A resolução de diretoria colegiada nº 36, de 2013, determina que os serviços de saúde nela contemplados notifiquem ao sistema nacional de vigilância sanitária os eventos adversos resultantes da assistência prestada, o que inclui os danos decorrentes do uso de medicamentos. A instância responsável dentro do serviço é o núcleo de segurança do paciente.

Os prazos são dois e caem em prova exatamente porque são contraintuitivos. A notificação de eventos adversos é feita mensalmente, até o 15º dia útil do mês subsequente ao mês de vigilância. Já os eventos adversos que resultarem em óbito devem ser notificados em até 72 horas a partir do ocorrido. Repare que o primeiro prazo conta dias úteis e o segundo conta horas corridas.

A obrigação alcança todos os serviços de saúde, sejam públicos, privados, filantrópicos, civis ou militares, inclusive os que exercem ações de ensino e pesquisa. E há uma lista de dispensados que quase ninguém decora: a norma não se aplica a consultórios individualizados, laboratórios clínicos, serviços móveis e serviços de atenção domiciliar, que ficam fora da obrigatoriedade de notificar.

O instrumento eletrônico para medicamento é o VigiMed, sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária que substituiu gradualmente o Notivisa para essa finalidade. Devem ser notificadas todas as suspeitas de evento adverso a medicamento identificadas pelo serviço, incluindo reações adversas, interação medicamentosa, inefetividade terapêutica, erros de medicação, uso fora da bula, intoxicação e uso abusivo, e eventos decorrentes de desvio de qualidade. Note a palavra suspeita: não se exige nexo causal comprovado para notificar, e é justamente por isso que a régua sanitária é mais larga que a clínica.

Fica então o critério de leitura que fecha o capítulo. O verbo da pergunta diz qual régua responde. Suspender, transferir, prescrever, calcular prognóstico — régua clínica, e os escores deste capítulo. Notificar, prazo, núcleo de segurança do paciente, sistema de vigilância — régua sanitária, e a resolução de 2013. Um mesmo paciente com necrólise epidérmica por alopurinol gera as duas obrigações no mesmo dia, e elas não se substituem.

04

Os dois escores, item por item, nas unidades do laudo brasileiro

A primeira tabela permite refazer a conta do escore do espectro bolhoso sem cair na troca de analito. A segunda mostra onde as reproduções divergem, inclusive entre duas revistas brasileiras do mesmo ano. A terceira separa os três fenótipos tardios pelo relógio, que é o dado que a vinheta sempre dá.

  1. 1Leia o verbo da pergunta. Suspender, transferir, prescrever ou prognosticar pede régua clínica; notificar, prazo ou núcleo de segurança do paciente pede régua sanitária.
  2. 2Marque a data de início de cada fármaco da lista e conte os dias até a erupção. Latência de dias aponta para pustulose ou exantema simples; de uma a quatro semanas, para o espectro bolhoso; de três semanas ou mais, para a reação com eosinofilia e sintomas sistêmicos.
  3. 3Procure na descrição os sinais de alarme: dor cutânea, edema facial, púrpura, bolha, Nikolsky, erosão de mucosa e febre alta. Qualquer um deles obriga hemograma e transaminases.
  4. 4Se houver descolamento, meça a área descolada ou descolável, não o eritema: abaixo de 10% é síndrome de Stevens-Johnson, de 10% a 30% é sobreposição, acima de 30% é necrólise epidérmica tóxica.
  5. 5Conte os sete itens do escore prognóstico usando o limiar de ureia convertido para o laudo brasileiro, e só depois procure a faixa de mortalidade. Se contar 5, saiba que algumas tabelas publicadas não têm linha para esse valor.
  6. 6Se não houver descolamento mas houver edema facial, linfonodomegalia, eosinofilia e hepatite, o fenótipo é o sistêmico tardio: retire o fármaco e investigue órgãos antes de tentar fechar qualquer escore.
  7. 7Retire o fármaco suspeito, defina o nível de cuidado e só então discuta imunomodulação. Registre o alerta de medicamento no prontuário e notifique pelo sistema de farmacovigilância.

O que o escore do espectro bolhoso responde

Qual é a mortalidade estimada deste paciente e, portanto, onde ele deve ser internado. Sete itens, um ponto cada, aferidos nas primeiras 24 horas e repetidos no terceiro dia. Não responde qual tratamento usar, e tende a superestimar a mortalidade em serviços experientes.

O que o escore do registro responde

Se este caso entra como possível, provável ou definido num registro de reações cutâneas graves. Itens de menos um a dois pontos, dois dos quais só respondíveis depois que o episódio terminou. O documento de posição europeu registra que os critérios foram desenhados para pesquisa e não validados para a rotina clínica.

O que a norma sanitária responde

Se o serviço deve notificar, por qual sistema e até quando. Vale para suspeita, sem exigir nexo comprovado. Prazo mensal até o 15º dia útil do mês seguinte; 72 horas quando houver óbito. Não alcança consultório individualizado, laboratório clínico, serviço móvel nem atenção domiciliar.

Os sete itens do escore do espectro bolhoso, e o que muda na conversão

ItemComo as fontes escrevemNo laudo brasileiroCuidado
IdadeAcima de 40 anosAcima de 40 anosPaciente com exatamente 40 anos não pontua
Frequência cardíacaAcima de 120 batimentos por minutoAcima de 120 batimentos por minutoAferida na admissão, junto com o restante do escore
Neoplasia malignaDiagnóstico de malignidadeDiagnóstico de malignidadeInclui neoplasia hematológica
Superfície descoladaAcima de 10% no primeiro dia; uma fonte escreve 10% ou maisÁrea descolada ou descolável, não área de eritemaNunca pontua na síndrome de Stevens-Johnson pura
UreiaUreia acima de 10 milimoles por litro; reproduzido como 28 mg/dL, ora rotulado ureia, ora nitrogênio ureicoUreia acima de cerca de 60 mg/dLÚnico item em que a troca de analito muda a conta
GlicemiaAcima de 14 milimoles por litro, reproduzido como 252 mg/dLAcima de 252 mg/dLConversão exata; não há divergência aqui
BicarbonatoAbaixo de 20 miliequivalentes por litroAbaixo de 20 miliequivalentes por litroMesma unidade nos dois sistemas

As faixas de mortalidade, e onde as reproduções divergem

PontosRev Bras Ter Intensiva, 2017Rev Bras Cir Plást, 2017Capítulo de referência em inglês
0 a 13,2%3,2%3,2%
212,2%Não impressoNão impresso na síntese
335,5%35,3%Não impresso na síntese
458,3%Não impressoNão impresso na síntese
5Sem linha: a tabela salta para maior que 5Sem linha: a tabela salta para maior que 5Incluído: a faixa é descrita como 5 ou mais
6 e 790,0%90%Acima de 90%

Três fenótipos tardios, três relógios

FenótipoLatência típicaPeleMucosaLaboratórioInstrumento próprio
Exantema maculopapular por drogaDias a cerca de duas semanasMáculas e pápulas, prurido, sem dor nem descolamentoPoupadaSem eosinofilia marcada e sem hepatiteNenhum; o que decide é a lista de sinais de alarme
Espectro Stevens-Johnson e necrólise epidérmicaCerca de uma a quatro semanasMáculas purpúricas confluentes, dor, bolha, Nikolsky positivo, descolamentoErosões orais, oculares e genitais em todo o espectroUreia, glicemia e bicarbonato entram no escoreEscore prognóstico de sete itens, dias 1 e 3
Reação com eosinofilia e sintomas sistêmicosTrês semanas ou mais; mediana medida de 21 diasExantema extenso com edema facial, sem descolamentoAcometimento leve quando existeEosinofilia, linfócitos atípicos, transaminases altasEscore do registro europeu, itens de menos um a dois

O escore prognóstico do espectro bolhoso não inclui sódio, creatinina, leucócitos, acometimento de mucosa nem latência. Dado clinicamente importante não é sinônimo de ponto no escore.

Na síndrome de Stevens-Johnson pura o item de área nunca pontua, porque o descolamento é menor que 10% por definição. O teto aritmético do escore nessa síndrome é 6.

O limiar de ureia do escore corresponde a 10 milimoles por litro, ou seja, cerca de 60 mg/dL de ureia no laudo brasileiro e 28 mg/dL de nitrogênio ureico. Glicose de 14 milimoles por litro equivale a 252 mg/dL, valor que as tabelas imprimem sem distorção.

Existe um escore clínico mais recente para o mesmo espectro, que dispensa exames laboratoriais e é proposto como auxiliar na estimativa precoce; ele não substitui o instrumento clássico, e a prova brasileira ainda cobra o clássico.

A pustulose exantemática generalizada aguda também integra o grupo das reações cutâneas graves a droga, ao lado da necrose cutânea por anticoagulante, das vasculites induzidas por droga e das reações do tipo doença do soro.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

O item de ureia do escore prognóstico: 28 mg/dL de ureia ou de nitrogênio ureico?

É nitrogênio ureico, e no laudo brasileiro o limiar corresponde a cerca de 60 mg/dL de ureia

A tabela de fatores prognósticos publicada na revista brasileira de terapia intensiva escreve o item como nitrogênio ureico no sangue acima de 28 mg/dL, e um capítulo de referência de língua inglesa escreve blood urea nitrogen acima de 28 mg/dL. O valor original é ureia acima de 10 milimoles por litro; com massa molar de 60,06 g/mol para a ureia e 28,014 g/mol para o nitrogênio nela contido, 10 milimoles por litro equivalem a 60,1 mg/dL de ureia e a 28,0 mg/dL de nitrogênio ureico. Como o laboratório brasileiro reporta ureia, o limiar operacional aqui é de cerca de 60 mg/dL.

Estrella-Alonso A, Aramburu JA, González-Ruiz MY, et al. Rev Bras Ter Intensiva. 2017;29(4):499-508, Tabla 2; e Stevens-Johnson Syndrome and Toxic Epidermal Necrolysis. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK459323, seção de avaliação

É ureia mesmo, acima de 28 mg/dL

A revisão brasileira de cirurgia plástica, publicada no mesmo ano, lista os sete itens do escore em português e escreve o quinto como ureia acima de 28 mg/dL, sem qualquer menção a nitrogênio ureico. Uma revisão internacional de biomarcadores em farmacodermias graves reproduz o item da mesma forma, como serum urea acima de 28 mg/dL. Lido ao pé da letra por quem tem um laudo brasileiro na mão, esse é o limiar que se aplica.

Santos Neto FC, et al. Abordagem cutânea na necrólise epidérmica tóxica. Rev Bras Cir Plást. 2017;32(1):128-134; e Hama N, et al. Diagnostic Tools and Biomarkers for Severe Drug Eruptions. Int J Mol Sci (PMC8306321), seção de biomarcadores prognósticos

Na prova

O enunciado entrega o limiar que quer que você use, e é isso que decide. Quando a alternativa ou o comentário citam o valor em milimoles por litro, a régua é a original e o corte é 10. Quando o enunciado dá ureia em miligramas por decilitro sem dizer mais nada, some o ponto se o valor estiver claramente acima de 60 e desconfie de vinheta construída na faixa entre 28 e 60, porque é exatamente ali que as duas leituras discordam. Se o valor for extremo — ureia de 78 ou 82 mg/dL —, ele pontua nas duas leituras e a divergência não decide a questão.

A faixa superior do escore começa em 5 pontos ou depois dele?

Cinco ou mais

O capítulo de referência de língua inglesa descreve a estimativa como variando de 3,2% quando há apenas um fator de risco até mais de 90% quando estão presentes cinco ou mais fatores. Essa leitura fecha a escada: com faixas de 0 a 1, 2, 3, 4 e cinco ou mais, todos os oito resultados possíveis do escore, de 0 a 7, recebem uma estimativa.

Stevens-Johnson Syndrome and Toxic Epidermal Necrolysis. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK459323, seção sobre avaliação e prognóstico

Maior que 5

As duas reproduções brasileiras imprimem a última faixa como maior que 5. A tabela da revista de terapia intensiva registra a escada como 0 a 1 com 3,2%, 2 com 12,2%, 3 com 35,5%, 4 com 58,3% e maior que 5 com 90,0%. A revisão de cirurgia plástica descreve o mesmo, escrevendo que a mortalidade chega a 90% em pacientes com mais de 5 pontos. Nessa leitura o valor 5 não pertence a nenhuma faixa impressa.

Estrella-Alonso A, et al. Rev Bras Ter Intensiva. 2017;29(4):499-508, Tabla 2; e Santos Neto FC, et al. Rev Bras Cir Plást. 2017;32(1):128-134

Na prova

Conte os pontos antes de olhar as alternativas, e trate a faixa como consequência da contagem, não como conteúdo memorizado. Enunciado que constrói um paciente com exatamente 5 pontos e oferece uma mortalidade precisa está apostando numa leitura específica; nesses casos a alternativa que descreve o paciente como de altíssima mortalidade costuma ser a esperada. Enunciado que pede o instrumento correto, e não o número, não é afetado por esta divergência.

O escore do registro europeu fecha o diagnóstico da reação com eosinofilia e sintomas sistêmicos à beira do leito?

Não: nasceu para pesquisa e não foi validado para a rotina

O documento de posição europeu sobre o quadro em crianças afirma que esses critérios foram inicialmente desenhados para fins de pesquisa e não foram validados para a prática clínica de rotina, particularmente em populações específicas como crianças e imunossuprimidos. A estrutura confirma: dois itens só podem ser respondidos após o término do episódio, e o item de biópsia vale zero quando a histologia é compatível, subtraindo apenas quando ela contradiz.

Clinical diagnosis and management of drug reaction with eosinophilia and systemic symptoms (DRESS) in children: an EAACI position paper. Pediatr Allergy Immunol. 2025;36(7):e70103

Sim, na prática é o critério mais aceito e usado como diagnóstico

O mesmo documento reconhece que, na Europa e em muitas outras regiões, os critérios do registro são os mais comumente utilizados, com limiares de 2 a 3 pontos para caso possível, 4 a 5 para provável e acima de 5 para definido. Estudos clínicos e séries de casos incluem pacientes por esse escore, e a literatura descreve os critérios como os mais amplamente aceitos para o diagnóstico do quadro.

Thompson G, Ali S, Trevenen M, et al. Distinguishing DRESS syndrome from drug rash and eosinophilia: beyond RegiSCAR criteria. J Allergy Clin Immunol Glob. 2024;3(4):100346, introdução e métodos

Na prova

Quando o enunciado pede o diagnóstico mais provável, aceite o fenótipo clínico mesmo que o escore não pudesse ser fechado naquele dia — a banca está usando o nome da síndrome como rótulo clínico. Quando o enunciado fala em classificar o caso como definido, em incluir em registro ou em notificar, a régua é o instrumento completo e o candidato precisa lembrar que faltam dados. Em nenhuma das duas leituras a suspensão do fármaco espera o escore.

Imunomodulação específica na necrólise epidérmica: ciclosporina e imunoglobulina, ou nada com prova de eficácia?

Nenhuma modalidade tem eficácia comprovada

O capítulo de referência de língua inglesa afirma que não existe modalidade de tratamento com eficácia comprovada, incluindo corticoide sistêmico, plasmaférese, ciclosporina, terapia contra o fator de necrose tumoral alfa e imunoglobulina intravenosa, e que todos os dados clínicos publicados são anedóticos ou observacionais, porque a raridade da doença torna extremamente difícil realizar ensaio randomizado de boa qualidade. Registra ainda que alguns estudos associaram corticoide a aumento de mortalidade, e que uma metanálise em rede de 2021 sugeriu que a combinação de corticoide com imunoglobulina pode reduzir o risco de morte.

Stevens-Johnson Syndrome and Toxic Epidermal Necrolysis. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK459323, seção de farmacoterapia

Na prática das unidades, imunoglobulina e ciclosporina são o que se usa

A revisão brasileira de terapia intensiva afirma que, de todos os tratamentos ensaiados, apenas a imunoglobulina G e a ciclosporina A são hoje usadas na maior parte dos centros, ainda que não exista evidência sólida para recomendar tratamento específico algum. Descreve dose de ciclosporina de 4 mg/kg/dia por via oral, dividida em duas tomadas, por período não superior a quatro semanas, com interrupção da progressão e início de reepitelização em dois a cinco dias, e registra que a coorte do registro europeu também observou benefício de sobrevida com ciclosporina.

Estrella-Alonso A, Aramburu JA, González-Ruiz MY, et al. Necrolisis epidérmica tóxica: un paradigma de enfermedad crítica. Rev Bras Ter Intensiva. 2017;29(4):499-508, seção de tratamento imunossupressor

Na prova

A pergunta que traz a expressão maior impacto prognóstico nunca é sobre imunomodulação: a resposta é retirar o fármaco e transferir para unidade de queimados ou terapia intensiva. Alternativa que ofereça corticoide em altas doses, imunoglobulina isolada ou ciclosporina como primeira medida é distrator montado sobre esta divergência. Quando o enunciado pede explicitamente a opção imunomoduladora mais respaldada, a ciclosporina é a que aparece com dose e com coorte favorável na literatura brasileira.

06

Caso resolvido

Homem de 58 anos, hipertenso, iniciou alopurinol há três semanas por hiperuricemia. Nas últimas 48 horas evoluiu com febre de 39,1 graus e eritema difuso doloroso que progrediu para desprendimento cutâneo em retalhos, deixando derme exposta e exsudativa. Ao exame: pressão arterial de 96 por 60 mmHg, frequência cardíaca de 122 batimentos por minuto, frequência respiratória de 24, saturação de 95%. Descolamento epidérmico em cerca de 40% da superfície corporal, sinal de Nikolsky positivo, erosões orais e oculares graves. Exames: sódio de 128 mEq/L, ureia de 78 mg/dL com referência de 15 a 40, glicemia de 260 mg/dL e bicarbonato de 18 mEq/L.
Classifique pela área, antes de qualquer outra coisa
Descolamento de 40% da superfície corporal está acima de 30% e define necrólise epidérmica tóxica. A presença de erosões orais e oculares graves não muda a classificação, porque a mucosa é acometida em todo o espectro. O eritema difuso não entra na conta: mede-se a epiderme descolada ou descolável.
Percorra os sete itens do escore, um a um
Idade de 58 anos, acima de 40: um ponto. Sem neoplasia maligna: zero. Frequência cardíaca de 122, acima de 120: um ponto. Descolamento de 40%, acima de 10%: um ponto. Ureia de 78 mg/dL, acima do limiar convertido de cerca de 60 mg/dL: um ponto. Glicemia de 260 mg/dL, acima de 252: um ponto. Bicarbonato de 18, abaixo de 20: um ponto. Total de seis pontos.
Não some o que não é item
O sódio de 128 é uma hiponatremia relevante e não é item do escore. A hipotensão de 96 por 60 e a frequência respiratória de 24 também não são. Somá-los levaria a um total impossível e, mais importante, distrairia da conta correta.
Leia a faixa e note onde ela cai
Com seis pontos, o paciente está na faixa mais alta em qualquer das reproduções, com mortalidade estimada de cerca de 90%. Repare que se ele não tivesse a glicemia alterada o total seria cinco — exatamente o valor que duas tabelas brasileiras deixam sem linha. Como não tem neoplasia, seis é o máximo que ele poderia alcançar.
Decida a conduta, que não depende do escore
A medida de maior impacto prognóstico é suspender imediatamente o alopurinol, e quanto mais precoce a retirada, melhor o desfecho. Em seguida, suporte intensivo em unidade de queimados ou terapia intensiva: reposição volêmica e correção hidroeletrolítica, controle térmico, analgesia e curativos não aderentes. Sem antibiótico profilático de rotina e sem desbridamento amplo.
Some o que o paciente vai precisar depois
Avaliação oftalmológica precoce, com lavagem, corticoide e antibiótico tópicos nos casos leves e transplante de membrana amniótica nos graus mais avançados, para prevenir perda de acuidade visual. Registro do alerta de alergia ao alopurinol no prontuário, para impedir a reexposição, e notificação da suspeita de evento adverso pelo sistema de farmacovigilância.
07

Agora feche você

Mulher de 34 anos iniciou carbamazepina há quatro semanas para neuralgia do trigêmeo e mantém hidroclorotiazida há três anos. Há três dias apresenta febre de 38,9 graus, exantema maculopapular difuso e confluente com edema de face, e linfonodomegalia cervical bilateral. Não há acometimento de mucosas nem descolamento cutâneo, e o sinal de Nikolsky é negativo. Exames: leucócitos de 14.500 por milímetro cúbico, com 1.800 eosinófilos; transaminases cerca de cinco vezes o limite superior; creatinina de 1,1 mg/dL. A equipe da enfermaria pergunta se deve calcular o escore do registro europeu para decidir a conduta e se o caso precisa ser notificado.
Diga qual fenótipo é, e por qual dado
Ausência de descolamento e de acometimento mucoso afasta o espectro bolhoso. Latência de quatro semanas, edema facial, linfonodomegalia, eosinofilia e hepatite compõem a reação a droga com eosinofilia e sintomas sistêmicos.
Aponte o fármaco culpado e justifique com dois filtros
Diga qual dos dois medicamentos é o candidato, usando a faixa de risco e a janela de latência do fenótipo. Explique por que o outro não concorre.
Responda se o escore do registro decide a conduta agora
Diga quais itens do instrumento não podem ser respondidos neste momento e por quê, e o que a fonte europeia afirma sobre a finalidade para a qual esses critérios foram desenhados.
Liste a conduta que não espera número nenhum
Diga o que se suspende, o que se dosa, o que se procura em outros órgãos e qual é o critério para internar.
Feche a metade sanitária
Diga se há obrigação de notificar, por qual sistema, dentro de qual prazo, e o que mudaria no prazo caso a paciente evoluísse para óbito.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Somar o ponto de ureia usando 28 mg/dL no laudo brasileiro Paciente de 55 anos com necrólise epidérmica, ureia de 40 mg/dL, glicemia de 200 e bicarbonato de 22. O candidato lê a tabela que imprime ureia acima de 28 mg/dL, soma o ponto e conclui um escore de 3. Pelo limiar convertido corretamente — 10 milimoles por litro, ou cerca de 60 mg/dL de ureia — o item não pontua e o escore é 2, o que muda a mortalidade estimada de cerca de 35% para cerca de 12%. O erro que o aluno marca é a faixa alta; o discriminador é reconhecer que 28 mg/dL é o valor do nitrogênio ureico, não da ureia.
  2. 2Parar a contagem antes da glicemia Homem de 58 anos, frequência cardíaca de 122, descolamento de 40% da superfície, ureia de 78 mg/dL, glicemia de 260 mg/dL e bicarbonato de 18. É tentador enumerar idade, taquicardia, área extensa, ureia e bicarbonato e parar em 5 pontos. A glicemia de 260 está acima do limiar de 252 e vale o sexto ponto. Escore 6, e não 5 — e como o paciente não tem neoplasia, esse é o valor máximo que ele poderia atingir. Contar itens de memória é diferente de percorrer a lista dos sete, um a um.
  3. 3Procurar na tabela a linha do escore 5 O candidato conta corretamente 5 pontos, vai à tabela decorada e encontra faixas para 0 a 1, 2, 3, 4 e maior que 5. Nenhuma linha serve, e ele volta atrás para refazer a conta, perdendo tempo e às vezes trocando o resultado certo por um errado. O buraco não está na conta, está na reprodução da tabela: a leitura que fecha a escada trata a última faixa como cinco ou mais.
  4. 4Exigir escore 7 numa síndrome de Stevens-Johnson Vinheta com descolamento de 6% da superfície, paciente idoso, taquicárdico, com neoplasia, ureia alta, glicemia alta e bicarbonato baixo. Uma alternativa oferece escore 7 e mortalidade acima de 90%. O item de área exige descolamento acima de 10%, e a síndrome de Stevens-Johnson é definida por descolamento abaixo de 10% — o item nunca pontua, e o teto aritmético nessa síndrome é 6. Alternativa com 7 pontos é impossível por construção.
  5. 5Somar ao escore dados que não são itens A vinheta traz sódio de 128, creatinina de 1,9 e leucopenia. Todos são dados de gravidade e nenhum é item do escore, que só conta idade, neoplasia, frequência cardíaca, área descolada, ureia, glicemia e bicarbonato. O aluno que soma nove itens acha um escore que não existe. O contrário também vale: a ausência desses achados não desconta ponto nenhum.
  6. 6Classificar o espectro pela mucosa em vez de pela área Paciente com erosões orais, oculares e genitais e descolamento de 35% da superfície. Uma alternativa afirma que se trata de síndrome de Stevens-Johnson porque há acometimento mucoso. A mucosa está presente em todo o espectro e não classifica; o que classifica é a área descolada, e 35% é necrólise epidérmica tóxica. Outra variante do mesmo erro é medir o eritema em vez da epiderme descolada ou descolável.
  7. 7Esperar o escore do registro fechar para suspender o fármaco Paciente no quinto dia de erupção, com febre, eosinofilia de 1.900, linfócitos atípicos, linfonodomegalia e transaminases elevadas. O escore do registro ainda não pode ser completado, porque dois itens dependem do tempo até a resolução e da exclusão de outras causas. Suspender o fármaco, dosar transaminases e creatinina e internar quem tem disfunção visceral não dependem do número. Adiar a retirada até classificar o caso é inverter a ordem das decisões.
  8. 8Contar a biópsia compatível como ponto no escore do registro O candidato assume que a histologia compatível confirma e soma pontos. No instrumento do registro, o item de biópsia vale zero quando é compatível ou quando é desconhecida, e vale menos um apenas quando contradiz o diagnóstico. Ou seja, não fazer a biópsia pontua igual a fazê-la e encontrá-la compatível. Quem soma um ponto por histologia sugestiva chega a um total maior que o real e pode classificar como definido um caso apenas provável.
  9. 9Chamar de reação sistêmica tardia todo exantema com eosinofilia Paciente no terceiro dia de antibiótico com exantema e 900 eosinófilos por milímetro cúbico. Eosinofilia acontece em parcela expressiva dos pacientes em antibioticoterapia endovenosa e não fecha diagnóstico nenhum. A mediana de latência do fenótipo sistêmico grave é de 21 dias contra 5 dias do exantema com eosinofilia sem repercussão, e as transaminases são o segundo separador. Relógio curto e fígado normal derrubam o diagnóstico.
  10. 10Trocar o fármaco por um parente estrutural Diante da reação, o candidato escolhe substituir o medicamento por outro da mesma família ou quimicamente aparentado. A reatividade cruzada mantém o risco e não trata o quadro sistêmico já instalado, e há relatos de recorrência após reexposição inadvertida ao culpado ou a um parente estrutural. Também há pacientes que toleram aparentados, o que faz da decisão matéria de investigação alergológica posterior, e não de escolha no pronto-socorro.
  11. 11Prescrever antibiótico profilático de rotina na pele desnudada A pele descolada parece uma queimadura e desperta o reflexo de proteger com espectro largo. A profilaxia antibiótica sistêmica não demonstrou melhora de sobrevida e não deve ser feita: monitora-se a ferida, colhe-se cultura e trata-se infecção documentada. O mesmo vale para o desbridamento cirúrgico amplo e precoce, que é evitado, ao contrário do que se faz na queimadura térmica.
  12. 12Achar que notificar é opcional, ou trocar os dois prazos O núcleo de segurança do paciente notifica os eventos adversos mensalmente, até o 15º dia útil do mês subsequente ao mês de vigilância; quando há óbito, o prazo é de até 72 horas a partir do ocorrido. Trocar os dois é o erro mais comum, e o segundo é supor que a obrigação alcança todo mundo: consultórios individualizados, laboratórios clínicos, serviços móveis e serviços de atenção domiciliar estão fora dela. E notifica-se a suspeita, sem exigir nexo causal comprovado.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Descolamento epidérmico com Nikolsky positivo, acometimento de mucosas, febre e relação temporal com fármaco (amoxicilina) caracterizam o espectro Stevens-Johnson/NET; com ~15% de superfície, situa-se na sobreposição SSJ-NET. Eritema multiforme minor cursa com lesões em alvo típicas, sem descolamento extenso nem acometimento mucoso grave. Pênfigo vulgar é doença bolhosa autoimune crônica, sem gatilho medicamentoso agudo típico. Farmacodermia exantemática é máculo-papular sem descolamento nem Nikolsky. A pele escaldada estafilocócica ocorre em crianças, poupa mucosas e a clivagem é intraepidérmica superficial.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite os sete itens do escore prognóstico do espectro bolhoso, um a um, e diga o limiar de cada um na unidade que o laudo brasileiro usa. Explique por que a ureia é o único item em que a conversão muda a conta, e diga de cabeça a quanto equivalem 10 milimoles por litro em miligramas por decilitro de ureia e de nitrogênio ureico. Diga qual é o teto aritmético do escore na síndrome de Stevens-Johnson pura e por quê. Recite as três faixas de área que separam a síndrome de Stevens-Johnson, a sobreposição e a necrólise epidérmica tóxica, e diga o que se mede para chegar a esse número. Enumere os sinais de alarme de reação grave a droga e aponte o que quase ninguém procura. Diga a mediana de latência que separa a reação sistêmica com eosinofilia do exantema por droga com eosinofilia. E diga os dois prazos de notificação, com a unidade de tempo de cada um.

em 30 dias

Reconstrua, sem consultar, a tabela de conversão dos três itens laboratoriais do escore e confira se o único que gera divergência entre fontes continua sendo a ureia. Explique a diferença entre um critério feito para incluir caso em registro e um critério feito para decidir à beira do leito, usando como prova os dois itens do escore do registro que só podem ser respondidos depois do fim do episódio e o item de biópsia que vale zero quando é compatível. Refaça a conta de cobertura das faixas de mortalidade e mostre em que valor a reprodução com maior que 5 deixa um buraco. Explique por que um instrumento com sensibilidade de 100% e especificidade de 24% serve para decidir nível de cuidado e não para decidir tratamento. Enumere os fármacos da faixa de alto risco e explique como o relógio decide entre dois candidatos da mesma lista. Diga, por fim, quais serviços de saúde estão fora da obrigatoriedade de notificar e qual sistema recebe a notificação de evento adverso a medicamento.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Paciente adulto chega ao pronto-socorro com exantema extenso e febre, em uso de mais de um medicamento iniciado em datas diferentes. Conduza o atendimento na ordem do capítulo: pergunte a data de início de cada fármaco antes de descrever a lesão, e diga em voz alta quantos dias se passaram até a erupção. Procure ativamente os sinais de alarme — dor cutânea, edema facial, púrpura, bolha, sinal de Nikolsky, erosão de mucosa e febre alta — e explique qual deles muda a sua conduta. Se houver descolamento, estime a área descolada ou descolável e classifique o espectro pela área, dizendo por que a mucosa não classifica. Peça hemograma, transaminases, creatinina, ureia, glicemia e bicarbonato, e calcule o escore prognóstico item a item em voz alta, convertendo o limiar de ureia para a unidade do laudo brasileiro e dizendo quais achados do paciente não são itens do escore. Decida o nível de cuidado com base no escore e a conduta com base no fármaco: diga o que suspende, o que não prescreve e por quê. Ao final, diga o que precisa ser registrado no prontuário para impedir a reexposição e qual é a obrigação de notificação do serviço, com o prazo. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Reações de hipersensibilidade a drogas — Preparatório para provas | OsceLabs