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Doenças exantemáticas da infância
A vinheta é sempre a mesma: criança com febre e manchas. A prova não quer que você descreva o exantema, quer que você diga qual é. E o que separa as doenças não é o desenho da mancha, é onde está a febre quando o exantema aparece, por onde a erupção começou e o que há dentro da boca.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Menino de 4 anos apresenta há 2 dias febre e lesões cutâneas pruriginosas que evoluem rapidamente. Ao exame, observam-se máculas, pápulas, vesículas de conteúdo claro sobre base eritematosa e algumas crostas, coexistindo simultaneamente na mesma região (lesões em diferentes estágios de evolução — 'céu estrelado'), distribuídas no tronco, face e couro cabeludo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Como esse tema cai
Quase todo mundo estuda exantemática pelo lado errado: decorando a aparência da mancha. É esforço mal gasto, porque a descrição morfológica não separa as doenças. Morbiliforme é o exantema típico do sarampo, mas aparece também na rubéola, no exantema súbito, nas enteroviroses, na dengue, na mononucleose, em Kawasaki e em farmacodermia. Escarlatiniforme é típico da escarlatina, mas ocorre em Kawasaki, em reação a droga e em queimadura solar. Se a mancha decidisse, não haveria vinheta.
O que decide é a cronologia. Pergunte onde está a febre no momento em que o exantema aparece e você já cortou o campo pela metade. Na criança que tem febre alta antes do exantema, que continua febril quando as manchas surgem e que está com aparência ruim, você está no território do sarampo. Na criança que teve três dias de febre alta, ficou afebril e só então ficou manchada, com bom estado geral, você está no exantema súbito. Na criança sem febre nenhuma, com a bochecha vermelha como se tivesse levado um tapa, você está no eritema infeccioso. Três doenças, três posições da febre, nenhuma dúvida. Depois disso é que entram a topografia (de onde a erupção partiu), o enantema (o que há dentro da boca) e a idade.
Há um segundo motivo para levar este tema a sério, e ele não é acadêmico. Sarampo e rubéola são de notificação compulsória imediata, e a suspeita — não a confirmação — já dispara um relógio: 24 horas para notificar, 48 horas para investigar, 72 horas para bloquear os contatos com vacina. Não existe conduta correta que comece por pedir sorologia e esperar. O Brasil perdeu a certificação de eliminação do sarampo depois dos surtos de 2018 e 2019 e só a recuperou em novembro de 2024 — e em 2025 as Américas registraram, até a semana epidemiológica 16, 2.325 casos confirmados e 4 óbitos, contra 205 casos no mesmo período de 2024. Um aumento de onze vezes. É por isso que a definição de caso suspeito foi ampliada em setembro de 2025 e é por isso que a Dose Zero voltou a existir.
E há uma armadilha com desfecho grave. Nem tudo o que dá febre e exantema em criança é vírus benigno. A doença de Kawasaki entra na mesma vinheta, é tratável e, tratada até o décimo dia, derruba o risco de aneurisma coronariano de um quinto dos pacientes para quase nada. Confundi-la com uma exantemática viral e mandar a criança para casa com sintomático é o erro deste capítulo que produz sequela real. Por isso ela está aqui, mesmo não sendo infecciosa.
O que muda decisão
O método: febre, topografia, enantema, idade
Quatro perguntas, sempre na mesma ordem, resolvem a esmagadora maioria das vinhetas.
Primeira: qual a relação temporal entre a febre e o exantema? Três padrões existem, e só três. (1) Febre que antecede e persiste durante o exantema: sarampo, escarlatina, Kawasaki, mononucleose, dengue. Aqui a criança piora quando as manchas aparecem. (2) Febre baixa ou ausente, simultânea ao exantema: rubéola, eritema infeccioso, enteroviroses. (3) Febre alta que cessa e só então dá lugar ao exantema: exantema súbito, e praticamente só ele. Esse terceiro padrão é tão específico que, sozinho, fecha o diagnóstico em lactente. Guarde a inversão que a prova adora: no sarampo, febre que persiste por mais de três dias depois do exantema é sinal de alerta de complicação; no exantema súbito, a febre acabar é o que anuncia o exantema.
Segunda: por onde a erupção começou e para onde foi? Sarampo e rubéola são cefalocaudais — começam atrás da orelha e na face e descem. A diferença é a velocidade e o que fica: o sarampo leva cerca de três dias para chegar aos pés, escurece e descama em farelo (descamação furfurácea); a rubéola sobe e desce rápido, some em um a três dias e não descama. O exantema súbito faz o contrário: começa no tronco e vai para face, pescoço e raiz dos membros. O eritema infeccioso começa na face, poupando a região perioral e o nariz, e depois faz o rendilhado nas superfícies extensoras dos membros. A escarlatina começa no tronco e nas dobras e poupa a região perioral. A varicela é a única com distribuição centrípeta e lesões de tipos diferentes convivendo na mesma área de pele.
Terceira: o que há dentro da boca? O enantema é onde estão os sinais quase patognomônicos. Manchas de Koplik — pontos brancos na mucosa jugal, na altura do terceiro molar, que antecedem o exantema em um a dois dias — são do sarampo e de mais nada. Língua em framboesa com palidez perioral é escarlatina. Língua em framboesa com lábios rachados e eritema difuso de orofaringe, em criança com cinco dias de febre, é Kawasaki. Amigdalite membranosa com linfonodo cervical volumoso e baço palpável é mononucleose. Vesículas em mucosa oral acompanham a varicela.
Quarta: que idade tem essa criança? Exantema súbito é de lactente — pico entre 6 e 15 meses, praticamente restrito aos menores de 4 anos. Kawasaki concentra-se abaixo dos 5 anos. Eritema infeccioso é de escolar, entre 2 e 14 anos. Escarlatina é de 2 a 10 anos e é rara antes dos 3, porque o quadro depende de sensibilização prévia à toxina. Mononucleose é de adolescente e adulto jovem. Sarampo e rubéola não têm idade — atacam qualquer suscetível, e é justamente por isso que a idade da criança nunca descarta sarampo.
Um alerta que vale por dez linhas de estudo: o estado vacinal do paciente não afasta sarampo nem rubéola. A definição oficial de caso suspeito termina com a expressão independentemente da idade e da situação vacinal. Alternativa que descarta sarampo porque a criança tem duas doses de tríplice viral está errada, e essa é uma pegadinha recorrente.

Sarampo: o quadro, os números e o relógio
Vírus RNA do gênero Morbillivirus, família Paramyxoviridae. Reservatório único: o ser humano. Transmissão direta por secreções nasofaríngeas e por aerossóis em ambiente fechado — é a doença infecciosa mais contagiosa que a pediatria vê, com número reprodutivo básico estimado entre 12 e 18 e taxa de ataque de cerca de 90% entre contactantes suscetíveis.
Incubação de 7 a 21 dias, contada da exposição até o exantema. Para isolamento e rastreamento de contatos, considere transmissibilidade de 4 dias antes até 4 dias depois do exantema — e é isso que torna o controle tão difícil: quando o diagnóstico clínico fica possível, a pessoa já pode ter transmitido por vários dias.
O quadro tem três tempos. O período de infecção dura cerca de sete dias: começa com febre alta, acima de 38,5 °C, acompanhada de tosse, coriza, conjuntivite não purulenta e fotofobia; do segundo ao quarto dia desse período surge o exantema maculopapular morbiliforme, de direção cefalocaudal, e os sintomas iniciais se acentuam. Repare no detalhe: no sarampo, o dia do exantema é o dia em que a criança fica pior, não melhor. As manchas de Koplik precedem a erupção. Depois vem o período toxêmico, em que caem as defesas e entram as superinfecções, e por fim a remissão, com queda da febre, escurecimento do exantema e descamação furfurácea.
As complicações comuns são otite média, diarreia, pneumonia e laringotraqueobronquite. As raras são as que a prova gosta de nomear: encefalite, em 1 a 4 casos por mil, e panencefalite esclerosante subaguda, em 4 a 11 casos por 100 mil, aparecendo em média sete a dez anos depois da infecção. A letalidade vai de 0,01% a 0,1% em países desenvolvidos, mas pode chegar a 30% em regiões isoladas de países em desenvolvimento sem contato prévio com o vírus. E o sinal de alerta clínico é objetivo: febre por mais de três dias após o aparecimento do exantema indica complicação em curso.
Não há antiviral. O tratamento é hidratação, suporte nutricional e controle da hipertermia — muitas crianças precisam de quatro a oito semanas para recuperar o estado nutricional. Antibiótico é contraindicado, salvo infecção secundária documentada. E há uma prescrição que o Ministério da Saúde faz para toda criança com suspeita de sarampo, não apenas para as desnutridas: palmitato de retinol (vitamina A), por via oral, em duas doses — uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte. As doses são por faixa etária: 50.000 UI para menores de 6 meses (solução oral), 100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 29 dias, e 200.000 UI a partir dos 12 meses. Decore as três, porque é o número mais cobrado do tema — e note que são duas doses, não uma.
O relógio da vigilância é o seguinte, e vale para caso suspeito: notificar à Secretaria Municipal de Saúde em até 24 horas; investigar em até 48 horas; realizar o bloqueio vacinal seletivo em até 72 horas. Coletar sangue para sorologia e material para identificação viral no primeiro contato com o paciente — amostra de sangue oportuna é a coletada até o 30º dia do exantema; swab de oro e nasofaringe e urina, até o 7º dia, preferencialmente nos três primeiros. Um único caso confirmado por laboratório já configura surto, e o surto só se encerra 90 dias depois do exantema do último caso. O paciente fica em isolamento até 4 dias após o início do exantema, e internado exige isolamento respiratório de aerossol. Os contatos são acompanhados por 30 dias.
O bloqueio vacinal é seletivo e alcança todos os contatos a partir dos 6 meses de idade, exceto gestantes e pessoas com sinais e sintomas de sarampo. O contato entre 6 e 11 meses e 29 dias recebe uma dose que não conta para a rotina — a chamada dose zero: ele segue devendo a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15. Contato já com esquema completo não recebe dose adicional. Imunodeprimido é avaliado antes de ser vacinado. Em 2025, o Ministério da Saúde foi além do bloqueio e passou a indicar a Dose Zero como estratégia preventiva em regiões de risco, com um detalhe de produto que confunde: dos 6 aos 8 meses e 29 dias usa-se a vacina dupla viral, e dos 9 aos 11 meses e 29 dias, a tríplice viral.
Rubéola: quadro leve, consequência grave
Vírus RNA do gênero Rubivirus. Atenção à taxonomia, que mudou e virou distrator: a família hoje é Matonaviridae, não mais Togaviridae. Incubação de 12 a 23 dias. Transmissibilidade simétrica em torno do exantema: 7 dias antes e 7 dias depois.
Clinicamente, a rubéola é o oposto do sarampo em intensidade. A febre é baixa, abaixo de 39 °C, com mal-estar e conjuntivite leve — mais comum em adultos que em crianças. O exantema é maculopapular, eritematoso, frequentemente pruriginoso, começa na face, no couro cabeludo e no pescoço, desce para tronco e membros e dura de um a três dias. E aparece em apenas 50% a 80% dos infectados: de 20% a 50% de todas as infecções por rubéola cursam sem exantema e sem qualquer manifestação clínica. Isso tem consequência prática enorme — a gestante suscetível pode ser infectada sem nunca saber.
O achado que faz o diagnóstico é a linfadenopatia retroauricular, occipital e cervical posterior, que geralmente antecede o exantema em cinco a dez dias. Ela é o critério clínico central da definição de caso suspeito de rubéola, do mesmo jeito que tosse, coriza e conjuntivite são no sarampo. Artralgia e artrite são frequentes em mulheres adultas — chegam a 70% delas — e raras em crianças e homens.
As complicações, com suas frequências: encefalite pós-infecciosa em cerca de 1 a cada 6 mil casos; artrite em 1 a cada 500 e artralgia em 1 a cada 1.600; manifestações hemorrágicas em 1 a cada 3 mil. Mas nada disso é a razão de a rubéola ser vigiada. A razão é a síndrome da rubéola congênita: infecção materna nas primeiras 8 a 10 semanas de gestação, e mesmo até 12 dias antes da concepção, resulta com frequência em aborto espontâneo, morte fetal ou defeitos congênitos múltiplos — catarata, glaucoma congênito, cardiopatia congênita, deficiência auditiva e retinopatia pigmentar. E há um fato de controle de infecção que quase ninguém sabe: o bebê com síndrome da rubéola congênita elimina vírus por até um ano ou mais, com 60% ainda excretando nos primeiros quatro meses. Ele é fonte de infecção para gestantes suscetíveis que o visitem no berçário.
O relógio é o mesmo do sarampo: notificação em até 24 horas, investigação em até 48 horas, bloqueio vacinal em até 72 horas nos contatos a partir de 6 meses, com uma exceção que muda tudo — gestante não entra no bloqueio, porque a vacina é de vírus vivo atenuado. A gestante suscetível é afastada do contato e vacinada no puerpério. O isolamento vai até 7 dias após o início do exantema, com precaução por gotículas, e a orientação oficial é iniciar as medidas de controle assim que houver suspeita em ambiente com gestantes, sem esperar confirmação laboratorial. Um caso confirmado é surto. Por fim, uma pergunta de pré-natal que cai: não se solicita sorologia de rotina para rubéola em gestante assintomática; a pesquisa de IgG só se justifica quando não há comprovação vacinal, e, se ela vier não reagente, a conduta é vacinar imediatamente após o parto.
Eritema infeccioso e exantema súbito: os dois que a febre entrega
Eritema infeccioso, quinta doença, parvovírus B19. Acomete preferencialmente escolares, de 2 a 14 anos. O quadro é trifásico e cada fase tem um nome que a prova usa. Primeiro, a face esbofeteada: eritema difuso e edema das bochechas, em asa de borboleta, poupando a região perioral e o nariz. Depois, em um a quatro dias, o exantema maculopapular com clareamento central que produz o aspecto rendilhado ou reticulado, no tronco e nas superfícies extensoras dos membros. Terceiro, a fase de recidiva: o exantema some e reaparece por até três semanas a cada exposição ao sol, ao calor, ao exercício ou ao estresse. Pródromos são discretos ou ausentes — no máximo febrícula.
A informação de maior valor prático do eritema infeccioso é epidemiológica: a transmissibilidade é máxima antes do exantema. Quando a bochecha fica vermelha, a fase virêmica já passou e o que se vê é fenômeno imunomediado. A criança não transmite mais e não precisa ser afastada da escola. Alternativa que manda isolar a criança com face esbofeteada está errada — e essa é uma das poucas questões em que a conduta correta é não fazer nada.
Só que essa regra tem duas exceções, e as duas caem. A primeira é a gestante. O parvovírus B19 tem tropismo por progenitores eritroides e pode causar anemia fetal grave, hidropisia e óbito fetal. Na infecção primária materna, a transmissão transplacentária ocorre em cerca de 30% a 50% dos casos; o risco de anemia fetal grave ou hidropisia fica em torno de 3% a 4% no conjunto e sobe para cerca de 6% a 7% quando a infecção se dá antes das 20 semanas de gestação. Não há vacina nem profilaxia — a conduta é sorologia materna e acompanhamento ultrassonográfico, com transfusão intrauterina se a anemia fetal se instalar. Gestante que trabalha em creche ou escola durante um surto é cenário clássico de questão.
A segunda exceção é o paciente com anemia hemolítica crônica — doença falciforme, esferocitose hereditária, talassemia. Nele, o parvovírus B19 não faz eritema infeccioso: faz crise aplásica transitória. O vírus interrompe a eritropoese por alguns dias, o que é irrelevante para quem tem hemácia de 120 dias de vida e catastrófico para quem tem hemácia de 15. O quadro é queda abrupta de hemoglobina com reticulócitos baixos ou ausentes — e é a reticulocitopenia que separa crise aplásica de crise hemolítica, em que os reticulócitos sobem. O tratamento é transfusional. E aqui a regra de isolamento se inverte: nessa apresentação o paciente está virêmico e É contagiante, exigindo precaução por gotículas se internado.
Exantema súbito, roséola, sexta doença, herpes-vírus humano tipo 6 (e, menos vezes, tipo 7). É a exantemática do lactente: tipicamente abaixo dos 4 anos, com pico entre 6 e 15 meses. O quadro é inconfundível quando se conhece a sequência. Início súbito de febre alta, de 39 a 40 °C, por três dias, com criança irritada mas sem foco infeccioso ao exame — é uma causa comum de crise febril e de investigação de febre sem sinais localizatórios nessa idade. Ao terceiro ou quarto dia a febre cessa, e é então que surge o exantema maculopapular róseo, de lesões discretas e não coalescentes, começando no tronco e indo para face, região cervical e raiz dos membros, durando de 24 a 72 horas e desaparecendo sem descamação.
Duas consequências práticas. A primeira: a criança com exantema súbito no dia do exantema está afebril e bem — se ela está febril e prostrada com as manchas, o diagnóstico é outro. A segunda: essa é a criança que recebeu antibiótico no segundo dia de febre sem foco e apareceu manchada no quarto dia. A família e o pediatra concluem alergia à droga, e o antibiótico entra no prontuário como alergia para o resto da vida. O tratamento é sintomático, não há vacina, e o rótulo indevido de alergia é um dano real que o diagnóstico correto evita.

Escarlatina, varicela e mononucleose
Escarlatina é a única exantemática bacteriana da lista e a única com tratamento que muda desfecho. O agente é o Streptococcus pyogenes, estreptococo beta-hemolítico do grupo A produtor de toxina eritrogênica. Incubação de 2 a 5 dias. Acomete principalmente crianças de 2 a 10 anos. O quadro é faringoamigdalite com febre alta e mal-estar, seguida ou acompanhada de exantema micropapular difuso, vermelho vivo, áspero ao tato como lixa, que poupa a região perioral (sinal de Filatov) e se acentua em linhas nas dobras de flexão (linhas de Pastia). A língua fica em framboesa. Uma semana depois vem a descamação laminar em mãos e pés, em dedos de luva.
O tratamento é o número que a prova cobra. Penicilina G benzatina por via intramuscular, em dose única: 600.000 UI para peso abaixo de 20 kg e 1.200.000 UI para 20 kg ou mais, conforme as Diretrizes Brasileiras de Febre Reumática. A alternativa oral é amoxicilina 30 a 50 mg/kg/dia, dividida a cada 8 ou 12 horas, por dez dias — e os dez dias não são negociáveis: encurtar o curso é a causa clássica de falha de erradicação. Para alérgicos à penicilina, eritromicina 40 mg/kg/dia por 10 dias (máximo de 1 g/dia) é a primeira escolha; clindamicina e azitromicina são alternativas. Dois prazos completam o quadro: o antibiótico ainda previne a febre reumática se iniciado até o nono dia do quadro, e 24 horas depois da primeira dose a criança já é minimamente contagiante e pode voltar à escola. Sem tratamento, a transmissibilidade dura de 10 a 21 dias.
As complicações separam-se em duas: a glomerulonefrite pós-estreptocócica, que o tratamento não previne, e a febre reumática, que o tratamento previne. É por isso que se trata. Alternativa que justifique o antibiótico pela prevenção da glomerulonefrite está errada.
Varicela é a exceção morfológica do capítulo: exantema papulovesicular, não maculopapular. Vírus varicela-zóster, incubação de 10 a 21 dias, transmissibilidade de 1 a 2 dias antes do exantema até que todas as lesões estejam em fase de crosta — e é esse, e não um número de dias, o critério de retorno à escola. As lesões surgem em surtos sucessivos, evoluindo de máculas a pápulas, vesículas, pústulas e crostas, com distribuição centrípeta, e o achado que define é o polimorfismo regional: lesões em estágios diferentes convivendo na mesma área de pele. A complicação mais frequente é a infecção bacteriana secundária de pele por Staphylococcus aureus ou Streptococcus pyogenes; seguem-se ataxia cerebelar aguda, trombocitopenia e pneumonia. O ácido acetilsalicílico é formalmente contraindicado pelo risco de síndrome de Reye.
Dois números de varicela que decidem questão. A imunoglobulina humana antivaricela é profilática, nunca terapêutica, exige três condições simultâneas (suscetibilidade, contato significativo e condição especial de risco) e é administrada na dose de 125 UI a cada 10 kg de peso, máximo de 625 UI, até 96 horas após a exposição. A vacina de bloqueio em surto, para o comunicante suscetível imunocompetente maior de 9 meses, vale até 120 horas (5 dias) do contato. Vacina cinco dias, imunoglobulina quatro dias. E note a diferença de estatuto: varicela não é de notificação individual compulsória — notificam-se apenas os casos graves internados, os óbitos e os surtos.
Mononucleose infecciosa fecha a lista. Vírus Epstein-Barr, incubação de 4 a 6 semanas, atinge sobretudo adolescentes e adultos jovens; metade das infecções é subclínica. O quadro característico é febre prolongada, linfadenopatia, amigdalite membranosa e esplenomegalia. O exantema é variável e inconstante e pode aparecer após aminopenicilina. Essa associação sugere mononucleose, mas não confirma nem exclui alergia ao beta-lactâmico: a maioria das reações é tardia e maculopapular, porém sensibilização verdadeira pode ocorrer. Registre cronologia e fenótipo; urticária imediata, angioedema, broncoespasmo, hipotensão, acometimento mucoso ou reação grave exigem abordagem de alergia. O hemograma mostra linfocitose com atipia. A transmissibilidade é prolongada, podendo durar um ano ou mais, o que torna o isolamento rotineiro inútil.
O que não é infecção: farmacodermia e doença de Kawasaki
Farmacodermia é a grande imitadora. O exantema maculopapular por droga costuma surgir de 7 a 14 dias depois do início do medicamento — ou em horas, se houver exposição prévia —, é pruriginoso, não tem enantema patognomônico, poupa a cronologia típica das viroses e pode vir com eosinofilia. Os agentes clássicos são beta-lactâmicos, sulfonamidas, anticonvulsivantes (hidantoínas) e alopurinol. A conduta é suspender a droga e observar, mas antes disso é obrigatório procurar os sinais de que aquilo não é uma farmacodermia banal: acometimento de mucosas, dor cutânea desproporcional, descolamento da pele à pressão lateral, febre alta, edema facial, linfadenopatia e alteração de enzimas hepáticas apontam para síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica ou DRESS — quadros de internação. E lembre-se sempre da armadilha inversa: antes de rotular uma criança como alérgica a antibiótico, verifique se não era exantema súbito ou mononucleose.
Doença de Kawasaki é a razão pela qual este capítulo não pode terminar nas viroses. É uma vasculite aguda de vasos de médio calibre, de causa desconhecida, que acomete sobretudo crianças abaixo de 5 anos e cuja gravidade está inteiramente nas artérias coronárias. Não tratada, produz dilatação ou aneurisma coronariano em 20% a 25% dos pacientes. Tratada a tempo, esse risco cai para a casa dos poucos por cento.
O diagnóstico é clínico e o critério é aritmético: febre por cinco dias ou mais somada a pelo menos quatro dos cinco critérios principais. São eles: (1) conjuntivite bilateral não exsudativa, isto é, olho vermelho sem secreção — diferente da conjuntivite catarral do sarampo; (2) alterações de lábios e cavidade oral: lábios rachados e eritematosos, língua em framboesa, eritema difuso de orofaringe, sem úlcera e sem exsudato; (3) exantema polimorfo, que pode ser morbiliforme, escarlatiniforme ou urticariforme, mas nunca vesicular; (4) alterações de extremidades: eritema e edema de mãos e pés na fase aguda, e descamação periungueal na fase subaguda; (5) linfadenopatia cervical, em geral unilateral e volumosa. Quando a febre de cinco dias vem com apenas dois ou três critérios, fala-se em Kawasaki incompleto, e o diagnóstico se apoia em laboratório e ecocardiograma — não é um diagnóstico menor, e é justamente o que mais evolui com aneurisma, por ser reconhecido tarde.
O laboratório é inespecífico mas sugestivo: elevação de proteína C reativa e de velocidade de hemossedimentação, leucocitose com neutrofilia e, na fase subaguda, trombocitose — plaquetas altas em uma criança com febre prolongada e exantema é um sinal que deve puxar Kawasaki para a mesa. O ecocardiograma é obrigatório na suspeita, para procurar dilatação e aneurisma e estratificar risco.
O tratamento é imunoglobulina humana intravenosa em dose única de 2 g/kg, associada ao ácido acetilsalicílico em dose anti-inflamatória na fase aguda e antiagregante depois. O prazo é o número mais importante do parágrafo: a imunoglobulina deve ser administrada até o décimo dia de doença, idealmente entre o quinto e o décimo. Passado o décimo dia, ela ainda está indicada se persistirem febre ou marcadores inflamatórios elevados — o prazo é uma meta, não uma porta que se fecha. Casos graves ou de alto risco recebem corticosteroide desde o início.
A diferenciação prática é esta. Sarampo tem tosse, coriza e Koplik, e Kawasaki não tem sintoma catarral nem enantema puntiforme. Escarlatina tem exantema em lixa e responde a antibiótico em 24 a 48 horas; Kawasaki não responde a antibiótico nenhum. Farmacodermia melhora com a suspensão da droga; Kawasaki não. E o dado que fecha: uma criança pequena com febre alta em quinto dia, irritadíssima, com olho vermelho sem secreção, lábio rachado e mão inchada, que já tomou antibiótico sem melhorar, é Kawasaki até prova em contrário — e o exame que se pede é o ecocardiograma, não a sorologia.
Vigilância: o que notificar, quando, e o que coletar
Das doenças deste capítulo, apenas sarampo e rubéola são de notificação compulsória imediata e individual. Escarlatina, exantema súbito, eritema infeccioso, mononucleose e Kawasaki não se notificam. Varicela é um caso intermediário: notificam-se somente os casos graves internados, os óbitos e os surtos, em creches, escolas e ambientes hospitalares — em ambiente hospitalar, um único caso confirmado já define surto.
A definição de caso suspeito de sarampo foi atualizada pela Nota Técnica Conjunta nº 344/2025, de setembro de 2025, e passou a ter três portas. A primeira é a clássica: febre e exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal acompanhados de tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente da idade e da situação vacinal. A segunda: febre e exantema em quem viajou nos últimos 30 dias para local com circulação viral, ou teve contato com alguém que viajou — repare que aqui não se exigem os sintomas catarrais, o vínculo epidemiológico basta. A terceira: febre e exantema maculopapular com IgM reagente para sarampo. Para rubéola a estrutura é idêntica, trocando os sintomas catarrais pela linfadenopatia retroauricular, occipital ou cervical.
A mesma nota resolveu uma situação que virava confusão diária: o que fazer com IgM reagente em quem não tem sinal nenhum. A resposta é que esse resultado deve ser comunicado imediatamente à vigilância epidemiológica e investigado caso a caso junto ao laboratório, mas não configura caso suspeito e não é registrado no Sinan — vai para uma planilha específica de IgM reagente. Se a investigação encontrar sinais e sintomas compatíveis, aí sim se notifica. E há uma orientação de contenção que inverte o reflexo de muita gente: não se recomenda testar sistematicamente para sarampo e rubéola todo caso que apresente apenas febre e exantema, nem se faz sorologia para verificar resposta vacinal ou imunidade.
A coleta segue prazos próprios. Sangue para sorologia (amostra S1) é oportuna até o 30º dia do exantema; a segunda amostra (S2), quando indicada, sai de 15 a 25 dias após a primeira. Swab de orofaringe e nasofaringe e urina para RT-PCR devem ser colhidos até o 7º dia do exantema, preferencialmente nos três primeiros. O material vai ao Lacen em até 5 dias, e o resultado deve sair em até 4 dias. O objetivo da identificação viral não é diagnosticar: é conhecer o genótipo, separar caso autóctone de importado e distinguir vírus selvagem de vacinal.
Por fim, o vocabulário de eliminação, que aparece em questão de saúde pública. As Américas foram certificadas livres do sarampo em 2016 e livres da rubéola e da síndrome da rubéola congênita em abril de 2015. O Brasil perdeu a certificação do sarampo após os surtos iniciados em 2018 e a recuperou em 12 de novembro de 2024. Caso autóctone é o primeiro caso identificado após a confirmação de cadeia de transmissão sustentada, e sustentada significa vírus circulando por mais de 12 meses na mesma cadeia — é esse o limiar que faz um país perder o certificado, e é por isso que casos importados isolados, mesmo confirmados, não alteram o status.
Tabela comparativa das exantemáticas e as réguas de decisão
A tabela é o instrumento do capítulo. Uma linha por doença, e as colunas escolhidas para que a leitura horizontal responda à vinheta: idade e incubação, onde está a febre quando o exantema aparece, por onde a erupção começou, o que há na boca, a complicação que muda a conduta e o período de transmissão com a regra de volta à escola. Acima dela, o roteiro do atendimento de uma criança com febre e exantema. Abaixo, as réguas que respondem à maioria das questões sem consultar linha nenhuma.
- 1Antes de qualquer coisa, pergunte por febre com mais de cinco dias de duração. Se houver, procure ativamente os cinco critérios de Kawasaki — é o único diagnóstico da lista em que atrasar significa aneurisma coronariano.
- 2Situe a febre em relação ao exantema: veio antes e persiste (sarampo, escarlatina, Kawasaki, mononucleose), veio junto e é baixa (rubéola, eritema infeccioso), ou cessou e só então veio o exantema (exantema súbito).
- 3Descreva a topografia inicial e o sentido: cefalocaudal a partir da região retroauricular (sarampo, rubéola), tronco primeiro (exantema súbito, escarlatina), face com palidez perioral e rendilhado nos membros (eritema infeccioso), centrípeta com lesões polimórficas (varicela).
- 4Abra a boca. Koplik é sarampo; língua em framboesa com palidez perioral é escarlatina; língua em framboesa com lábio rachado e febre de cinco dias é Kawasaki; amigdalite membranosa com esplenomegalia é mononucleose.
- 5Pergunte a idade e a época: lactente com febre que cessou é exantema súbito; escolar com bochecha vermelha é eritema infeccioso; adolescente com baço palpável é mononucleose.
- 6Verifique se o caso preenche a definição de caso suspeito de sarampo ou de rubéola — inclusive pelas portas novas: viagem ou contato com viajante nos últimos 30 dias, ou IgM reagente com febre e exantema. Situação vacinal completa NÃO descarta.
- 7Preenchendo, notifique à Secretaria Municipal de Saúde em até 24 horas. Não espere exame, não espere piora, não espere a evolução do exantema.
- 8Colha, no primeiro atendimento, sangue para sorologia e swab de oro e nasofaringe mais urina para identificação viral. Sangue até o 30º dia do exantema; swab e urina até o 7º dia, preferencialmente nos três primeiros.
- 9Faça o bloqueio vacinal seletivo dos contatos em até 72 horas, a partir dos 6 meses de idade, excluindo gestantes e quem já tem sintomas. Entre 6 e 11 meses e 29 dias, a dose é zero e não vale para a rotina.
- 10Trate o que tem tratamento: vitamina A em duas doses no sarampo, penicilina benzatina ou amoxicilina por 10 dias na escarlatina, imunoglobulina 2 g/kg até o 10º dia em Kawasaki. Nas demais, sintomático — e nunca ácido acetilsalicílico em varicela.
- 11Oriente o afastamento pelo período real de transmissão, que é diferente em cada doença — e explique à família que, no eritema infeccioso, afastar não faz sentido nenhum.
Onde está a febre
Febre que antecede e PERSISTE quando o exantema aparece: sarampo, escarlatina, Kawasaki, mononucleose. Febre baixa ou ausente, junto com o exantema: rubéola, eritema infeccioso. Febre alta que CESSA e só depois dá lugar ao exantema, em criança de bom estado geral: exantema súbito, e essencialmente só ele. Essa pergunta sozinha resolve metade das vinhetas.
O relógio de sarampo e rubéola
24 horas para NOTIFICAR o caso suspeito à Secretaria Municipal de Saúde. 48 horas para INVESTIGAR. 72 horas para o BLOQUEIO vacinal dos contatos, a partir de 6 meses, exceto gestantes e sintomáticos. Nada disso espera exame. Um único caso confirmado por laboratório já é surto, e o surto de sarampo só encerra 90 dias após o exantema do último caso.
Vitamina A no sarampo
Palmitato de retinol, via oral, DUAS doses — uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte — para TODA criança com suspeita de sarampo, não só para a desnutrida. Menores de 6 meses: 50.000 UI. De 6 a 11 meses e 29 dias: 100.000 UI. A partir de 12 meses: 200.000 UI. Dose única e faixa etária trocada são os distratores.
Parvovírus B19 tem três caras
Na criança hígida, eritema infeccioso: quando aparece a face esbofeteada, a transmissão já acabou e não se afasta da escola. Na gestante, anemia fetal e hidropisia — transmissão transplacentária de 30% a 50%, risco de 3% a 4% no conjunto e de 6% a 7% antes de 20 semanas. Na anemia hemolítica crônica, crise aplásica com RETICULÓCITOS BAIXOS, e aí o paciente É contagiante.
Kawasaki: 5, 4 e 10
Febre por 5 dias ou mais, mais 4 dos 5 critérios (conjuntivite não exsudativa, alterações de lábios e boca, exantema polimorfo não vesicular, alterações de extremidades, linfadenopatia cervical). Imunoglobulina 2 g/kg até o 10º dia de doença, com AAS. Sem tratamento, 20% a 25% desenvolvem aneurisma coronariano. Febre de 5 dias sem foco em criança pequena obriga a procurar os critérios.
Vacina 5 dias, imunoglobulina 4 dias
Na varicela, o comunicante suscetível imunocompetente maior de 9 meses recebe VACINA de bloqueio até 120 horas (5 dias) do contato. A IMUNOGLOBULINA antivaricela vale até 96 horas (4 dias), é só profilática, exige três condições simultâneas — suscetibilidade, contato significativo e condição especial de risco — e a dose é 125 UI a cada 10 kg, no máximo 625 UI.
Escarlatina: 20 kg, 10 dias, 9º dia
Penicilina G benzatina intramuscular em dose única: 600.000 UI abaixo de 20 kg, 1.200.000 UI a partir de 20 kg. Ou amoxicilina 30 a 50 mg/kg/dia por DEZ dias — encurtar o curso é a falha clássica. O antibiótico ainda previne febre reumática se iniciado até o 9º dia do quadro, e não previne glomerulonefrite. Após 24 horas de penicilina, a criança pode voltar à escola.
| Doença e agente | Idade típica e incubação | Febre em relação ao exantema | Exantema: início, sentido e desfecho | Enantema e sinal-chave | Complicação que decide a conduta | Transmissibilidade e volta à escola |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Sarampo — Morbillivirus (Paramyxoviridae) | Qualquer idade, inclusive vacinados; incubação de 7 a 21 dias | Febre alta acima de 38,5 °C antes do exantema e PERSISTE quando ele surge; a criança piora. Febre por mais de 3 dias após o exantema é sinal de complicação | Retroauricular e face, morbiliforme, cefalocaudal em cerca de 3 dias; escurece e descama em farelo (furfurácea) | Manchas de Koplik na mucosa jugal na altura do 3º molar, ANTECEDENDO o exantema; tosse, coriza e conjuntivite não purulenta | Pneumonia, otite, diarreia, laringotraqueobronquite; encefalite em 1 a 4 por mil; panencefalite esclerosante subaguda em 4 a 11 por 100 mil, 7 a 10 anos depois | De 6 dias antes a 4 dias após o exantema; isolamento até 4 dias após o exantema, respiratório de aerossol se internado. NOTIFICAÇÃO em 24 h, bloqueio em 72 h |
| Rubéola — Rubivirus (Matonaviridae) | Qualquer idade; incubação de 12 a 23 dias | Febre BAIXA, abaixo de 39 °C, junto com o exantema; estado geral preservado. De 20% a 50% das infecções não têm exantema nenhum | Face, couro cabeludo e pescoço, maculopapular eritematoso e pruriginoso, desce para tronco e membros; dura de 1 a 3 dias e não descama | Linfadenopatia RETROAURICULAR, OCCIPITAL e CERVICAL POSTERIOR, antecedendo o exantema em 5 a 10 dias; artralgia em até 70% das mulheres adultas | Síndrome da rubéola congênita (catarata, glaucoma, cardiopatia, surdez, retinopatia) se a infecção ocorre nas primeiras 8 a 10 semanas; encefalite em 1 por 6 mil | De 7 dias antes a 7 dias após o exantema; isolamento até 7 dias após o exantema. NOTIFICAÇÃO em 24 h, bloqueio em 72 h, e gestante NÃO é vacinada |
| Eritema infeccioso — parvovírus B19 | Escolares, de 2 a 14 anos | Sem febre ou apenas febrícula; pródromos discretos ou ausentes | Face esbofeteada (eritema em asa de borboleta poupando a região perioral), depois exantema RENDILHADO no tronco e nas faces extensoras; recidiva por até 3 semanas com sol, calor e estresse | Sem enantema. O sinal é a bochecha vermelha com palidez perioral seguida do rendilhado | Anemia fetal e hidropisia na gestante; crise aplásica transitória com RETICULÓCITOS BAIXOS em anemia hemolítica crônica | Transmissibilidade MÁXIMA ANTES do exantema; quando aparece a face esbofeteada não transmite mais e NÃO se afasta da escola. Na crise aplásica, é contagiante |
| Exantema súbito (roséola) — herpes-vírus humano 6 (e 7) | Lactentes, pico de 6 a 15 meses, quase sempre abaixo de 4 anos | Febre alta de 39 a 40 °C por 3 dias que CESSA, e só depois surge o exantema, com a criança já afebril e bem | TRONCO primeiro, depois face, pescoço e raiz dos membros; maculopapular róseo, lesões discretas e não coalescentes, dura de 24 a 72 horas e não descama | Sem enantema. O sinal é a sequência: 3 dias de febre alta sem foco, defervescência, exantema | Crise febril durante a fase de febre alta; nenhuma complicação decorrente do exantema | Contato próximo com secreção oral; sem medida de isolamento indicada. Não é de notificação |
| Escarlatina — Streptococcus pyogenes (toxina eritrogênica) | De 2 a 10 anos, rara antes dos 3; incubação de 2 a 5 dias | Febre alta com a faringoamigdalite, antes ou junto do exantema; persiste até o antibiótico agir | Tronco e dobras, micropapular vermelho vivo, ÁSPERO como lixa; palidez perioral (Filatov) e linhas nas dobras (Pastia); descamação em dedos de luva após 1 semana | Língua em framboesa e faringoamigdalite; palidez perioral | Febre reumática, que o antibiótico PREVINE; glomerulonefrite pós-estreptocócica, que o antibiótico NÃO previne | De 10 a 21 dias sem tratamento; 24 horas após a primeira dose de penicilina a criança já pode voltar à escola |
| Varicela — vírus varicela-zóster | Infância; incubação de 10 a 21 dias | Febre baixa a moderada, pródromo curto ou ausente na criança; o exantema costuma ser o primeiro sinal | Face, couro cabeludo e tronco, distribuição CENTRÍPETA; máculas, pápulas, vesículas, pústulas e crostas em surtos sucessivos | Pode haver vesículas em mucosa oral. O sinal é o POLIMORFISMO REGIONAL: estágios diferentes na mesma área de pele | Infecção bacteriana secundária de pele (a mais comum), ataxia cerebelar aguda, trombocitopenia, pneumonia; síndrome de Reye se usar AAS | De 1 a 2 dias antes do exantema até TODAS as lesões estarem em crosta — e é esse o critério de retorno à escola. Vacina de bloqueio até 120 h; imunoglobulina até 96 h |
| Mononucleose infecciosa — vírus Epstein-Barr | Adolescentes e adultos jovens; incubação de 4 a 6 semanas | Febre prolongada, presente com ou sem exantema; metade das infecções é subclínica | Exantema variável e inconstante; pode surgir após amoxicilina ou ampicilina, mas a associação não confirma nem exclui alergia verdadeira | Amigdalite membranosa, linfadenopatia e ESPLENOMEGALIA; linfocitose com atipia no hemograma | Rotura esplênica — evitar esporte de contato enquanto houver esplenomegalia; obstrução de via aérea por hipertrofia amigdaliana | Prolongada, podendo durar um ano ou mais pela saliva; isolamento é inútil e não se indica |
| Doença de Kawasaki — vasculite, causa desconhecida | Abaixo de 5 anos, na maioria | Febre alta por CINCO DIAS OU MAIS, que não cede a antibiótico e persiste com o exantema; criança muito irritada | Exantema polimorfo — morbiliforme, escarlatiniforme ou urticariforme, NUNCA vesicular; eritema e edema de mãos e pés, com descamação periungueal na fase subaguda | Lábios rachados e eritematosos, língua em framboesa, eritema de orofaringe sem exsudato; conjuntivite bilateral NÃO exsudativa; linfadenopatia cervical | Aneurisma coronariano em 20% a 25% dos não tratados. Imunoglobulina 2 g/kg até o 10º dia, com AAS; trombocitose na fase subaguda | Não é transmissível e não se notifica. O que importa é o prazo do tratamento, não o afastamento |
| Farmacodermia — reação a medicamento | Qualquer idade; de 7 a 14 dias após iniciar a droga, ou em horas se houver exposição prévia | Pode haver febre; a cronologia segue a droga, não um padrão viral | Exantema macular, maculopapular, urticariforme ou eritrodérmico, geralmente pruriginoso, sem sentido de progressão característico | Sem enantema típico. Podem ocorrer adenopatia, hepatoesplenomegalia e eosinofilia | Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica e DRESS: suspeitar diante de mucosa acometida, dor cutânea, descolamento à pressão, edema facial e alteração hepática | Não transmissível. A conduta é suspender a droga — e antes de rotular alergia, excluir exantema súbito e mononucleose |
A definição de caso suspeito de sarampo em vigor é a da Nota Técnica Conjunta nº 344/2025 e tem TRÊS portas: (a) febre e exantema morbiliforme cefalocaudal com tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite; (b) febre e exantema com viagem, nos últimos 30 dias, a local com circulação viral ou contato com quem viajou — sem exigir sintoma catarral; (c) febre e exantema maculopapular com IgM reagente. A de rubéola é idêntica, trocando os sintomas catarrais pela linfadenopatia retroauricular, occipital ou cervical.
IgM reagente em pessoa SEM febre e SEM exantema não é caso suspeito, não vai para o Sinan e não dispara notificação de caso: é comunicado à vigilância, investigado caso a caso com o Lacen e lançado em planilha própria de IgM reagente. E não se faz sorologia para sarampo ou rubéola só para verificar imunidade ou resposta vacinal.
O período TOTAL de transmissibilidade do sarampo (de 6 dias antes a 4 dias após o exantema) é o mesmo nas 3ª e 6ª edições do Guia de Vigilância em Saúde. O que mudou foi o período de MAIOR transmissibilidade: a 3ª edição descreve 2 dias antes e 2 dias depois; a 6ª edição, 4 dias antes e 4 dias depois. Questão antiga pode trazer o número antigo.
Situação vacinal completa NÃO exclui caso suspeito de sarampo nem de rubéola — a definição oficial termina com a expressão independentemente da idade e da situação vacinal. O que o antecedente vacinal recente muda é a interpretação do IgM, que pode refletir a vacina e exigir genotipagem para separar vírus vacinal de selvagem.
Dose zero e Dose Zero são a mesma ideia com dois usos. No bloqueio de um caso, o contato de 6 a 11 meses e 29 dias recebe tríplice viral que não conta para a rotina. Como estratégia preventiva em regiões de risco (Nota Técnica nº 63/2025), a Dose Zero usa vacina DUPLA viral dos 6 aos 8 meses e 29 dias e tríplice viral dos 9 aos 11 meses e 29 dias. Nos dois casos a criança segue devendo as doses dos 12 e dos 15 meses.
Das nove linhas da tabela, só duas exigem notificação individual imediata: sarampo e rubéola. Varicela notifica-se apenas em caso grave internado, óbito e surto — e em ambiente hospitalar um único caso confirmado já é surto. Escarlatina, exantema súbito, eritema infeccioso, mononucleose, Kawasaki e farmacodermia não são de notificação compulsória.
Nenhuma das doenças deste capítulo tem escala de gravidade ordinal ou estadiamento — são categorias diagnósticas concorrentes. O instrumento correto é a comparação horizontal da tabela, não uma classificação por graus.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde: administrar a todas as crianças com suspeita de sarampo, em duas doses por faixa etária
O Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, reproduz a tabela do guia de campo de eliminação do sarampo da OPAS e recomenda palmitato de retinol por via oral, em duas doses (uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte), para TODAS as crianças consideradas casos suspeitos, mediante avaliação clínica e/ou nutricional por profissional de saúde — 50.000 UI abaixo de 6 meses, 100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 29 dias e 200.000 UI a partir dos 12 meses. A finalidade declarada é reduzir a mortalidade e prevenir complicações. A base fisiopatológica é conhecida: o sarampo consome as reservas hepáticas de retinol, a deficiência resultante agrava a lesão epitelial e a imunossupressão pós-sarampo, e a hipovitaminose A é a principal causa evitável de cegueira infantil. A recomendação brasileira é universal para o caso suspeito e não é condicionada a deficiência documentada.
Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 1, 2024, capítulo Sarampo, Quadro 2 (traduzido do guia de campo da OPAS, 2005); a mesma tabela consta da 3ª edição, com a coluna de forma farmacêutica
Revisão sistemática Cochrane: benefício demonstrado nas duas doses e em menores de 2 anos, não na análise agrupada nem em dose única
A revisão Cochrane sobre vitamina A no tratamento do sarampo em crianças encontrou, quando todos os estudos foram agrupados, ausência de redução significativa do risco de óbito. O benefício aparece em um recorte específico: DUAS doses de 200.000 UI em dias consecutivos reduziram o risco de mortalidade em menores de 2 anos (risco relativo de 0,18) e a mortalidade específica por pneumonia (risco relativo de 0,33). Não houve evidência de que uma DOSE ÚNICA reduza mortalidade. Houve redução da incidência de crupe, sem redução significativa de pneumonia ou diarreia. A própria formulação da Organização Mundial da Saúde é condicionada: recomenda a vitamina A às crianças com sarampo que vivam em áreas onde a deficiência de vitamina A POSSA estar presente — condição que não se verifica de modo homogêneo em todo o território brasileiro, embora o país mantenha programa nacional de suplementação em regiões de risco nutricional.
Huiming Y, Chaomin W, Meng M. Vitamin A for treating measles in children, Cochrane Database of Systematic Reviews (resumo público da Cochrane Library e registro no PubMed); recomendação da OMS citada na mesma síntese
Na prova
A distância entre os dois corpos não é de mérito científico e sim de desenho de programa: o esquema de duas doses consecutivas em dias seguidos é exatamente o que a evidência sustenta, e o que o Brasil fez foi estendê-lo a todas as faixas etárias e a todos os casos suspeitos em vez de estratificar por estado nutricional no meio de um surto — a intervenção é barata, segura nessas doses e operacionalmente inviável de individualizar em campo. Três marcas identificam o recorte da questão. O CENÁRIO: unidade básica, notificação compulsória, criança com suspeita de sarampo no SUS apontam para o corpo do Ministério da Saúde e para a tabela das três faixas. O VOCABULÁRIO: palmitato de retinol, UI por faixa etária e a expressão caso suspeito são linguagem do Guia de Vigilância; risco relativo, revisão sistemática e área sem deficiência endêmica são linguagem do corpo de evidência. E as ALTERNATIVAS, que são o sinal mais confiável: um distrator com DOSE ÚNICA, ou que condicione a vitamina A à desnutrição comprovada, ou que ofereça 200.000 UI para o lactente de 4 meses, só existe para testar se o candidato conhece a tabela brasileira. Régua útil: prova oficial do MEC tende à conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Guia de Vigilância em Saúde (Ministério da Saúde, 6ª edição revisada, 2024): não indicado sem condição de risco, com uma lista própria de exceções
O texto é explícito: o uso de aciclovir oral para o tratamento de pessoas sem condições de risco de agravamento não está indicado até o momento. A lista de exceções que o Guia enumera reúne idade inferior a 12 anos, doença dermatológica crônica, pneumopatia crônica, uso prolongado de ácido acetilsalicílico e uso de corticoide por aerossol, oral ou endovenoso. As doses são de 20 mg/kg/dose por via oral, cinco vezes ao dia, máximo de 800 mg/dia, por cinco dias na criança sem comprometimento imunológico; 10 mg/kg endovenoso a cada oito horas por 7 a 14 dias no imunodeprimido; e 800 mg por via oral cinco vezes ao dia por sete dias no adulto sem comprometimento imunológico, item em que o próprio Guia registra que a maior efetividade ocorre nas primeiras 24 horas e que a indicação fica a critério médico. O documento também afirma, no mesmo capítulo, que a doença cursa de modo mais grave em adultos.
Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 1, 2024, capítulo Varicela/Herpes-zóster, seção Tratamento
American Academy of Pediatrics (Red Book): não indicado de rotina na criança hígida, e indicado justamente a partir dos 12 anos e nos casos secundários do domicílio
O corpo pediátrico norte-americano parte do mesmo ponto — aciclovir oral não é recomendado de rotina para a criança previamente saudável — mas a lista de quem deve receber tem sinal etário oposto: pessoas com MAIS de 12 anos de idade, portadores de doença cutânea ou pulmonar crônica, quem faz uso prolongado de salicilato e quem recebe corticoide em curso curto, intermitente ou inalatório. Inclui ainda os CASOS SECUNDÁRIOS do domicílio, que tendem a ser mais graves pelo inóculo maior. O racional é o risco de doença moderada a grave, que cresce com a idade — o mesmo racional que o texto brasileiro invoca quando descreve a varicela do adulto como mais grave. Em ambos os corpos o benefício é modesto e condicionado ao início nas primeiras 24 horas do exantema: reduz duração de febre e número máximo de lesões, sem diferença clinicamente importante em complicações.
American Academy of Pediatrics, Red Book, capítulo de varicela (posição reproduzida em documentos de sociedades pediátricas ibero-americanas sobre tratamento com aciclovir em varicela e herpes-zóster)
Na prova
O ponto de atrito é estreito e vale localizá-lo com precisão: os dois corpos concordam que a criança hígida não precisa de antiviral, concordam na lista de comorbidades e concordam na janela de 24 horas; divergem no SINAL do critério etário, com o texto brasileiro escrevendo idade inferior a 12 anos onde o corpo internacional coloca acima de 12 anos como marcador de risco. Note que o próprio Guia brasileiro contorna a questão por outro item, ao prever esquema oral para o adulto sem comprometimento imunológico a critério médico — de modo que, na prática assistencial, adolescente e adulto acabam contemplados pelos dois lados. Como identificar o recorte: vinheta de criança pequena previamente hígida com varicela típica em unidade básica testa a regra comum aos dois corpos, e a conduta discutida é sintomática, sem antiviral e sem AAS; vinheta com adolescente, segundo caso do mesmo domicílio, dermatite atópica extensa, asma em corticoide ou uso crônico de salicilato aciona a lista de risco, e aí os dois corpos convergem em tratar. Duas alternativas denunciam desconhecimento em qualquer dos mundos: a que prescreve aciclovir para toda criança com varicela, e a que oferece janela de 72 horas — 72 horas é o prazo do herpes-zóster para reduzir neuralgia pós-herpética, não o da varicela, que é de 24 horas.
Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada (Brasília, 2024): definição clínica única, ancorada nos sintomas acompanhantes
Para sarampo, caso suspeito é todo indivíduo que apresentar febre e exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal, acompanhados de um ou mais dos seguintes sinais e sintomas: tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente da idade e da situação vacinal. Para rubéola, é todo indivíduo com febre e exantema maculopapular acompanhado de linfadenopatia retroauricular e/ou occipital e/ou cervical, também independentemente de idade e situação vacinal. É uma definição fechada em torno do quadro clínico: quem tem apenas febre e exantema, sem os acompanhantes, não é caso suspeito e o sistema não sabe o que fazer com um IgM reagente que apareça fora dela.
Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 1, Brasília, 2024, capítulos Sarampo e Rubéola
Nota Técnica Conjunta nº 344/2025-CGVDI/DPNI/SVSA/MS (setembro de 2025): três portas de entrada, incluindo vínculo de viagem e sorologia
A nota substitui os itens correspondentes do Guia de 2024 e acrescenta duas portas a cada doença. Além do critério clínico clássico (item a), passa a ser caso suspeito de sarampo quem apresentar febre e exantema com história de viagem a local com circulação viral nos últimos 30 dias ou contato, no mesmo período, com alguém que viajou (item b) — sem exigir tosse, coriza ou conjuntivite; e quem apresentar febre e exantema maculopapular com resultado sorológico IgM reagente para sarampo (item c). Para rubéola a estrutura é a mesma, com linfadenopatia no lugar dos sintomas catarrais. A nota registra que a mudança foi aprovada por votação favorável de 100% dos membros da Câmara Técnica Nacional de Especialistas, discutida com a OPAS, e justificada pela ocorrência de resultados IgM reagentes em pessoas que não preenchiam a definição anterior — situação que se tornou crítica no contexto de reconquista da certificação de eliminação, que exige comprovar ausência de casos endêmicos. A mesma nota passa a desaconselhar a testagem sistemática de quem tem apenas febre e exantema e determina que IgM reagente em assintomático não seja registrado no Sinan.
Ministério da Saúde, Nota Técnica Conjunta nº 344/2025-CGVDI/DPNI/SVSA/MS, assinada entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2025
Na prova
Aqui não há dois corpos científicos em disputa: há um documento de 2024 e uma nota de 2025 do mesmo emissor, e a nota declara em seu próprio texto que as novas definições valem a partir da publicação e que só entrarão na PRÓXIMA edição do Guia, sem prazo estabelecido. O efeito prático é que os dois textos circulam simultaneamente, e material de estudo publicado antes de outubro de 2025 traz a definição antiga. Como identificar o recorte: enunciado que cite nominalmente o Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição, está no corpo de 2024; enunciado que fale em atualização recente, em nota técnica, em nova definição ou que construa a vinheta em torno de VIAGEM ou de um IgM isolado está no corpo de 2025 — e o item b existe precisamente para capturar o viajante com febre e exantema sem sintoma catarral, que na definição antiga escapava. As alternativas também denunciam: um distrator que descarte sarampo em quem tem febre e exantema por ausência de tosse, mas que voltou da Bolívia há duas semanas, só faz sentido no mundo de 2024. E vale registrar o movimento em sentido contrário, que é contraintuitivo e cai: a mesma nota que AMPLIA a definição de caso RESTRINGE a sorologia, desaconselhando testar sistematicamente quem tem só febre e exantema fora da busca ativa laboratorial.
Caso resolvido
- achado
- A relação temporal já fecha metade do raciocínio: a febre veio ANTES do exantema, está no quarto dia, e a criança PIOROU quando as manchas apareceram. Esse padrão exclui exantema súbito (em que o exantema surge com a febre já resolvida e a criança bem) e afasta eritema infeccioso e rubéola, que cursam sem febre ou com febre baixa e bom estado geral.
- achado
- A tríade catarral está completa — tosse, coriza e conjuntivite não purulenta com fotofobia — e a topografia é retroauricular com progressão cefalocaudal. Somadas à febre alta e ao exantema morbiliforme, essas são exatamente as condições da definição clássica de caso suspeito de sarampo.
- achado
- Os pontos brancos na mucosa jugal na altura dos molares são as manchas de Koplik. Elas antecedem o exantema em um a dois dias e não ocorrem em nenhuma outra doença desta lista — é o enantema que fecha o diagnóstico clínico.
- achado
- O esquema vacinal completo NÃO descarta a suspeita: a definição oficial termina com a expressão independentemente da idade e da situação vacinal. E o contato com quem viajou nos últimos 30 dias é, desde a Nota Técnica Conjunta nº 344/2025, uma porta autônoma de caso suspeito — bastariam febre e exantema, mesmo sem os sintomas catarrais.
- conduta
- Notificar à Secretaria Municipal de Saúde em até 24 HORAS, com base na suspeita. Não se espera exame, não se espera evolução do exantema e não se espera a confirmação laboratorial. A investigação epidemiológica deve ocorrer em até 48 horas.
- conduta
- Colher, NESTE atendimento, sangue para sorologia IgM e IgG (amostra oportuna até o 30º dia do exantema) e swab de orofaringe e de nasofaringe mais urina para RT-PCR — este material tem janela até o 7º dia do exantema, preferencialmente nos três primeiros dias, e a criança está no primeiro dia. A identificação viral serve para genotipar, separar caso autóctone de importado e distinguir vírus selvagem de vacinal.
- conduta
- Prescrever palmitato de retinol por via oral, DUAS doses — hoje e amanhã. Como a criança tem mais de 12 meses, a dose é de 200.000 UI. Não há antiviral; o restante é hidratação, suporte nutricional e antitérmico. Antibiótico só se surgir infecção secundária documentada. Orientar a família de que febre por mais de três dias depois do início do exantema significa complicação e exige reavaliação.
- conduta
- Isolamento domiciliar até 4 dias após o início do exantema, e isolamento respiratório de aerossol se houver necessidade de internação. Os contatos serão acompanhados por 30 dias.
- conduta
- Bloqueio vacinal seletivo em até 72 HORAS. A irmã de 8 meses recebe uma dose de tríplice viral — que é dose zero, não vale para a rotina, e ela seguirá devendo a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15. A MÃE GRÁVIDA NÃO É VACINADA: a tríplice viral é de vírus vivo atenuado e está contraindicada na gestação. Ela deve ser afastada do convívio com o caso durante o período de transmissibilidade e vacinada no puerpério. Demais contatos a partir de 6 meses têm a caderneta avaliada e atualizada; quem já tem esquema completo não recebe dose adicional.
- conduta
- Registrar que um único caso confirmado por laboratório já configura SURTO, que só se encerra 90 dias após o exantema do último caso — o que significa busca ativa de outros casos suspeitos na creche, na vizinhança e nos serviços de saúde da área, e revisita domiciliar em 30 dias para acompanhar a evolução e detectar casos secundários.
Agora feche você
- achado
- Ausência de febre, bom estado geral, eritema malar simétrico com palidez perioral e exantema reticulado em superfícies extensoras, em escolar, durante surto escolar — o quadro é de eritema infeccioso por parvovírus B19, e a ausência de febre no momento do exantema é o que o separa de sarampo, escarlatina e Kawasaki.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Descartar sarampo porque a criança está vacinada A definição de caso suspeito termina com a expressão independentemente da idade e da situação vacinal, e isso não é retórica: existe falha vacinal primária e secundária, e a vigilância de eliminação depende de sensibilidade máxima. O antecedente vacinal muda a INTERPRETAÇÃO do IgM, que pode refletir a vacina e exigir genotipagem para separar vírus selvagem de vacinal, mas não afasta a suspeita nem dispensa a notificação em 24 horas.
- 2Esperar o resultado da sorologia para notificar ou para bloquear É a conduta que parece prudente e é a que perde a janela. Notificação em 24 horas, investigação em 48 e bloqueio vacinal em 72 são prazos contados a partir do caso SUSPEITO. O bloqueio depois de 72 horas do contato já não interrompe a cadeia de transmissão, e a sorologia leva dias. Alternativa que condicione qualquer uma dessas três ações à confirmação laboratorial está errada.
- 3Vacinar a gestante no bloqueio Tríplice viral e dupla viral são de vírus vivo atenuado e estão contraindicadas na gestação. No bloqueio de sarampo e de rubéola, a regra é vacinar os contatos a partir de 6 meses EXCETO gestantes e pessoas já sintomáticas. A gestante suscetível é afastada do convívio durante o período de transmissibilidade e vacinada no puerpério. Em rubéola isso é ainda mais crítico, porque ela é justamente quem se quer proteger.
- 4Dar uma dose só de vitamina A, ou trocar a faixa etária São duas doses — uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte — e é justamente o esquema de duas doses consecutivas que a evidência sustenta; dose única não demonstrou redução de mortalidade. E as faixas não se confundem: 50.000 UI abaixo de 6 meses, 100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 29 dias, 200.000 UI a partir dos 12 meses. Também não se restringe a vitamina A à criança desnutrida: a recomendação brasileira é para todo caso suspeito.
- 5Afastar da escola a criança com eritema infeccioso É o inverso da conduta correta e a única doença da lista em que a resposta é não fazer nada. A transmissibilidade do parvovírus B19 é máxima ANTES do exantema; quando a bochecha fica vermelha, a transmissão já acabou. Afastar não protege ninguém e a criança pode voltar. A inversão só vale para o paciente com anemia hemolítica crônica em crise aplásica — esse, sim, está virêmico e é contagiante.
- 6Chamar automaticamente de alergia o exantema associado à doença Duas cenas produzem esse erro. O lactente com três dias de febre alta que recebeu antibiótico e apareceu manchado no quarto dia, quando a febre cessou: era exantema súbito. E o adolescente com amigdalite membranosa que recebeu amoxicilina e cobriu-se de manchas: a associação sugere mononucleose. Nenhuma cena, isoladamente, autoriza perpetuar ou apagar um rótulo de alergia. Registre a cronologia e o fenótipo; reações imediatas ou graves exigem avaliação, e reações tardias sem sinais de gravidade podem ser esclarecidas depois da recuperação.
- 7Confundir Kawasaki com exantemática viral e mandar para casa É o erro deste capítulo que produz dano permanente. Criança abaixo de 5 anos, com febre alta há cinco dias que não cede a antibiótico, muito irritada, com olho vermelho SEM secreção, lábio rachado, língua em framboesa, mão ou pé inchado e exantema polimorfo tem quatro dos cinco critérios. Sem tratamento, 20% a 25% desenvolvem aneurisma coronariano. A imunoglobulina de 2 g/kg deve entrar até o 10º dia de doença, e o exame que se pede é o ecocardiograma — não a sorologia.
- 8Achar que a janela do aciclovir na varicela é de 72 horas Setenta e duas horas é o prazo do HERPES-ZÓSTER, em que a terapia antiviral iniciada até 72 horas do rash reduz a neuralgia pós-herpética. Na varicela, a maior efetividade está nas primeiras 24 HORAS do exantema. E antes de discutir prazo, lembre que o aciclovir oral não está indicado para a pessoa sem condição de risco de agravamento — e que ácido acetilsalicílico é formalmente contraindicado na varicela pelo risco de síndrome de Reye.
- 9Trocar os prazos da varicela: 120 horas e 96 horas A VACINA de bloqueio, para o comunicante suscetível imunocompetente maior de 9 meses, vale até 120 horas (5 dias) do contato. A IMUNOGLOBULINA antivaricela vale até 96 horas (4 dias), é exclusivamente profilática e exige TRÊS condições ao mesmo tempo: suscetibilidade, contato significativo e condição especial de risco. A dose é 125 UI a cada 10 kg, no máximo 625 UI. Vacina cinco dias, imunoglobulina quatro dias.
- 10Justificar o antibiótico da escarlatina pela prevenção da glomerulonefrite O tratamento previne a febre reumática e NÃO previne a glomerulonefrite pós-estreptocócica. É por isso que a penicilina ainda é eficaz se iniciada até o 9º dia do quadro — a janela é da febre reumática. Dois outros números caem junto: o corte de peso da penicilina benzatina no Brasil é 20 kg (600.000 UI abaixo, 1.200.000 UI a partir dali) e o curso oral é de 10 dias inteiros, sob pena de falha de erradicação.
- 11Confundir bloqueio vacinal com Dose Zero, e dose zero com dose válida São três coisas. O bloqueio é reativo, vale para os contatos de um caso suspeito ou confirmado e roda em 72 horas. A Dose Zero de 2025 é preventiva, indicada em regiões de risco definidas por nota técnica, e usa dupla viral dos 6 aos 8 meses e 29 dias e tríplice viral dos 9 aos 11 meses e 29 dias. E, nas duas situações, a dose aplicada antes dos 12 meses NÃO conta para a rotina: a criança continua devendo a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15.
- 12Tratar todo IgM reagente como caso de sarampo Desde a Nota Técnica Conjunta nº 344/2025, IgM reagente em pessoa SEM febre e SEM exantema não é caso suspeito: comunica-se imediatamente à vigilância, investiga-se caso a caso com o Lacen e registra-se em planilha própria — sem entrar no Sinan. Só quando a investigação encontra sinais e sintomas compatíveis é que se notifica. A mesma nota desaconselha testar sistematicamente quem tem apenas febre e exantema, e desaconselha sorologia para verificar imunidade ou resposta vacinal.
Lesões polimórficas em diferentes estágios simultâneos (mácula, pápula, vesícula em base eritematosa e crosta) com distribuição centrípeta acometendo couro cabeludo e mucosas, muito pruriginosas, são típicas de varicela (VVZ). O sarampo cursa com exantema maculopapular morbiliforme craniocaudal, precedido de tosse/coriza/conjuntivite e manchas de Koplik, sem vesículas. Escarlatina dá exantema micropapular áspero ('lixa') com língua em framboesa. Impetigo é bacteriano, com crostas melicéricas localizadas, sem evolução vesicular polimórfica generalizada. Mão-pé-boca acomete predominantemente mãos, pés e boca.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro com febre (39,2 °C) há 3 dias, coriza e tosse. Ao 4º dia, a febre cede e surge exantema maculopapular róseo, iniciando no tronco e disseminando-se para o pescoço e a face, sem descamação. A criança está em bom estado geral, ativa, hidratada. FC 120 bpm, FR 32 ipm, SatO2 98% em ar ambiente. Qual é o diagnóstico mais provável?
A tríade febre alta por 3-4 dias que cede seguida do surgimento do exantema (defervescência) em lactente com bom estado geral é clássica do exantema súbito (roséola), causado pelo herpesvírus humano 6. Sarampo cursa com febre alta PERSISTINDO durante o exantema, tosse/coriza/conjuntivite e manchas de Koplik, com progressão craniocaudal. Rubéola tem exantema craniocaudal com linfadenopatia retroauricular/occipital e febre baixa. Eritema infeccioso (parvovírus B19) cursa com face esbofeteada e exantema rendilhado, sem essa sequência febril. Escarlatina tem exantema micropapular áspero (lixa), língua em framboesa e faringite, geralmente em pré-escolares/escolares.
Criança de 5 anos apresenta febre alta há 3 dias, seguida de exantema maculopapular que se iniciou em face/região retroauricular e progrediu no sentido craniocaudal. Ao exame nota-se conjuntivite, coriza, tosse e manchas branco-azuladas na mucosa oral (enantema patognomônico). Qual é o diagnóstico e o sinal patognomônico descrito?
Febre alta com tríade catarral (tosse, coriza, conjuntivite), exantema craniocaudal e manchas branco-azuladas na mucosa jugal caracterizam sarampo, sendo as manchas de Koplik o enantema patognomônico. Forchheimer é da rubéola (petéquias no palato), sem tríade catarral tão marcada. Escarlatina cursa com língua em framboesa e exantema micropapular áspero, sem Koplik. Exantema súbito tem exantema APÓS a febre ceder. Eritema infeccioso (parvovírus B19) tem face esbofeteada, sem Koplik.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, apresenta há 3 dias febre alta (até 39,5 °C) sem outros sintomas de localização. A mãe relata que hoje, após a febre ceder, surgiu exantema maculopapular róseo, difuso, em tronco, que poupa relativamente a face e desaparece à digitopressão. Ao exame: ativo, hidratado, sem sinais de toxemia; PA 90x55 mmHg, FC 128 bpm, T 37,1 °C; orofaringe sem alterações, sem linfonodomegalia cervical significativa. Qual o agente etiológico mais provável?
O quadro é o exantema súbito (roséola infantil): febre alta por 3-4 dias em lactente sem foco, com surgimento do exantema após a defervescência — clássico do HHV-6 (correta). Sarampo cursa com pródromo catarral, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, com exantema durante a febre. Parvovírus B19 (eritema infeccioso) dá face esbofeteada e exantema rendilhado, sem esse padrão de febre pré-exantema. EBHGA (escarlatina) tem exantema micropapular áspero com língua em framboesa e faringite, não a sequência febre-cede-exantema-surge. Rubéola tem exantema com linfadenopatia retroauricular/occipital proeminente e febre baixa.
Menino de 5 anos apresenta há 2 dias febre baixa, mal-estar e, hoje, lesões vesiculares dolorosas na cavidade oral (palato e língua) e vesículas ovaladas com halo eritematoso nas palmas das mãos, plantas dos pés e região glútea. Aceita pouco líquido pela dor oral. PA 96x58 mmHg, FC 104 bpm, T 37,9 °C. Qual o agente etiológico mais provável?
A distribuição de vesículas em mãos, pés e boca (síndrome mão-pé-boca), com lesões também em nádegas, é típica de enterovírus, mais comumente coxsackievírus A (A16) — correta. Herpes-simples causa gengivoestomatite herpética restrita à boca. Varicela dá exantema vesicular difuso em várias fases ('céu estrelado'), não limitado a extremidades. EBHGA causa faringite/escarlatina, não esse padrão vesicular. CMV não produz esse quadro exantemático.
Lactente de 10 meses, não vacinado por opção dos pais, retorna de viagem internacional e apresenta há 3 dias febre alta, tosse intensa, coriza e conjuntivite com fotofobia. Ao exame da mucosa oral notam-se pequenas manchas brancas com halo eritematoso na altura dos molares. No dia seguinte surge exantema maculopapular que se inicia atrás das orelhas e na linha de implantação dos cabelos, progredindo craniocaudalmente. PA 88x54 mmHg, FC 130 bpm, T 39,4 °C. Além do isolamento e notificação, qual medida está recomendada para este paciente?
Quadro clássico de sarampo (pródromo catarral com tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema craniocaudal). A OMS recomenda vitamina A para todas as crianças com sarampo agudo, reduzindo morbimortalidade (correta). Imunoglobulina IV não é tratamento de rotina do caso instalado (é profilaxia pós-exposição em suscetíveis específicos). Corticoide não é indicado. Antibiótico só se houver complicação bacteriana (otite/pneumonia), não profilaticamente para todos. Ribavirina não é terapia padrão do sarampo.
Uma criança de 4 anos é levada à UBS pela mãe. Está com quadro de febre há 3 dias, seguida do aparecimento de manchas vermelhas na pele que evoluíram para vesículas com líquido claro, em diferentes estágios de evolução (algumas em crosta), distribuídas pelo tronco, face e couro cabeludo, com prurido intenso. O estado geral está preservado. Qual é o diagnóstico mais provável?
O exantema vesicular polimórfico (lesões em diferentes estágios: máculas, vesículas e crostas simultaneamente), com prurido, distribuição centrípeta incluindo couro cabeludo, precedido de febre, é característico da varicela. O sarampo cursa com exantema maculopapular morbiliforme craniocaudal, associado a febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, sem vesículas. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero ("lixa") com sinal de Filatov e língua em framboesa, sem vesículas. O impetigo é infecção bacteriana localizada com lesões crostosas melicéricas, sem o caráter febril sistêmico e a disseminação vesicular difusa da varicela.
Um lactente de 8 meses é atendido na UBS com febre alta (39,5°C) há 3 dias, sem outros sintomas relevantes e com bom estado geral. No quarto dia a febre cede subitamente e, poucas horas depois, surge exantema maculopapular róseo, iniciando no tronco e disseminando-se, sem prurido, com a criança já afebril e em bom estado. Qual é o diagnóstico mais provável?
O exantema súbito (roséola infantil), causado pelo herpesvírus humano tipo 6, é típico de lactentes e caracteriza-se por febre alta por 3-5 dias com bom estado geral, seguida de defervescência súbita e surgimento do exantema maculopapular após a queda da febre ("febre que some e mancha que aparece"). Na rubéola o exantema surge junto com a febre e há linfadenopatia retroauricular/occipital. O eritema infeccioso apresenta a face esbofeteada e exantema rendilhado, geralmente sem a febre alta prévia típica. A dengue é incomum nessa faixa etária como primeira hipótese e cursa com mialgia, cefaleia e o exantema surge com a febre ainda presente ou na defervescência acompanhado de outros sinais de alarme.
Uma criança de 3 anos é levada à UBS com quadro de tosse, coriza e febre baixa há 4 dias, seguido de exantema maculopapular avermelhado que iniciou na face/região retroauricular e progride no sentido craniocaudal. Apresenta conjuntivite não purulenta e, à inspeção da mucosa oral, notam-se pequenas manchas branco-azuladas na mucosa jugal. Considerando a suspeita diagnóstica, além do manejo clínico, qual é a medida de saúde coletiva obrigatória?
O quadro (febre, tosse, coriza, conjuntivite, exantema craniocaudal e manchas de Koplik) é altamente sugestivo de sarampo, doença de notificação compulsória IMEDIATA (em até 24 horas) no Brasil, dada a alta transmissibilidade e o objetivo de manter a eliminação da doença. A notificação deve ser feita à vigilância epidemiológica diante da SUSPEITA, sem aguardar confirmação laboratorial, para permitir bloqueio vacinal e investigação de contatos. Orientar isolamento sem notificar ou classificar como notificação apenas semanal descumpre a legislação sanitária. O sarampo integra a lista de agravos de notificação imediata justamente para desencadear resposta rápida.
Lactente de 8 meses é levado à UBS pela mãe com febre há 2 dias e recusa alimentar. Ao exame, apresenta bom estado geral, temperatura de 38,5°C, e a mãe relata surgimento de exantema maculopapular difuso hoje, coincidindo com a queda da febre. A criança está ativa e hidratada. Qual é o diagnóstico mais provável?
O exantema súbito (herpes-vírus humano 6) cursa com febre alta por 3-4 dias que desaparece justamente quando surge o exantema maculopapular, em criança com bom estado geral — quadro clássico do lactente. No sarampo, o exantema surge no pico febril, com tosse, coriza e conjuntivite (fase catarral) e manchas de Koplik. Na rubéola há linfadenopatia retroauricular/occipital e o exantema acompanha a febre. A escarlatina cursa com faringite, língua em framboesa e exantema micropapular áspero (lixa), tipicamente em pré-escolares/escolares.
Menino de 9 anos é atendido na UBS com febre e lesões vesiculares pruriginosas em diferentes estágios (máculas, pápulas, vesículas e crostas) disseminadas pelo corpo há 2 dias. Frequenta escola. Qual é a orientação correta quanto ao controle de transmissão?
O quadro é varicela (lesões em diferentes estágios evolutivos simultâneos). A criança transmite desde 1-2 dias antes do exantema até que todas as lesões estejam em fase de crosta, momento em que deixa de ser contagiante; portanto deve ser afastada da escola até esse ponto. Liberar imediatamente mantém o contágio, pois há lesões ativas. Afastar apenas 24 horas é insuficiente. Afirmar que não há transmissibilidade é incorreto, pois a varicela é altamente contagiosa por via respiratória e contato.
Criança de 3 anos, previamente hígida e com esquema vacinal completo, é atendida na UBS com quadro de febre, coriza, tosse e um exantema maculopapular que iniciou na face/região retroauricular e progrediu craniocaudalmente, além de manchas esbranquiçadas na mucosa oral. A mãe relata que a família retornou há 12 dias de viagem internacional. O médico suspeita de sarampo. Qual é a conduta imediata mais adequada quanto à vigilância em saúde pública?
Sarampo é doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24h): todo caso SUSPEITO deve ser notificado, com coleta de amostras e bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis em até 72h — correta. Aguardar confirmação atrasa a resposta e a transmissão continua. Exigir segundo caso/surto contraria a notificação de caso suspeito isolado. Isolar sem notificar omite a ação central de vigilância, ainda mais num caso importado com risco de reintrodução do vírus.
Menino de 4 anos é atendido na UBS com febre há 3 dias, tosse, coriza, conjuntivite e manchas esbranquiçadas na mucosa oral (enantema). Hoje surgiu exantema maculopapular que se iniciou na face e região retroauricular, progredindo no sentido craniocaudal. Além do manejo clínico, qual é a conduta de saúde coletiva obrigatória diante da suspeita diagnóstica?
O quadro (febre, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema craniocaudal) é típico de sarampo, doença de notificação compulsória IMEDIATA (em até 24 horas) diante da suspeita, independentemente de confirmação laboratorial, dado o risco de surtos. Aguardar confirmação, não notificar ou condicionar a notificação a número de casos são condutas incorretas que comprometem o bloqueio vacinal e o controle epidemiológico.
Lactente de 8 meses é levado à UBS com febre alta (39,5 °C) por 3 dias, sem outros sintomas relevantes, com bom estado geral. Ao cessar a febre, surge exantema maculopapular róseo em tronco, com discreta disseminação, sem descamação. Qual é o diagnóstico mais provável?
Febre alta por 3-5 dias em lactente com bom estado geral seguida de exantema róseo APÓS a defervescência é o padrão clássico do exantema súbito (roséola), causado pelo herpesvírus humano 6. Na rubéola, o exantema é concomitante à febre e há linfadenopatia retroauricular. A escarlatina cursa com exantema micropapular áspero (lixa), língua em framboesa e faringite, geralmente em pré-escolares. O eritema infeccioso cursa com o sinal da face esbofeteada e exantema rendilhado.
Criança de 2 anos apresenta há 4 dias lesões vesiculares dolorosas na cavidade oral e vesículas nas palmas das mãos e plantas dos pés, acompanhadas de febre baixa e recusa alimentar. Está em creche onde outras crianças tiveram quadro semelhante. Qual é o agente etiológico mais provável?
A doença mão-pé-boca, com vesículas em mãos, pés e cavidade oral, febre baixa e caráter epidêmico em creches, é causada tipicamente pelo coxsackievírus (enterovírus). A varicela cursa com vesículas em todo o corpo, em diferentes estágios, e não com distribuição acral característica. O Epstein-Barr causa mononucleose (faringite, adenopatia, esplenomegalia). O estreptococo do grupo A causa faringoamigdalite/escarlatina, sem o padrão vesicular acral descrito.
Lactente de 8 meses é levado à UBS com febre há 4 dias (até 39,5°C) que cedeu ontem, seguida do surgimento de exantema maculopapular róseo iniciando no tronco e poupando a face, no mesmo dia em que a temperatura normalizou. A criança está em bom estado geral, ativa, aceitando bem a dieta, sem sinais de toxemia. Ao exame, discreta adenopatia cervical posterior. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é clássico de exantema súbito (roséola), causado pelo herpes-vírus humano 6: febre alta por 3-5 dias que desaparece abruptamente, seguida do surgimento do exantema maculopapular no tronco justamente quando a febre cede, em lactente com bom estado geral. O sarampo cursa com febre que persiste ou piora quando o exantema surge, além de tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik. A rubéola tem exantema que inicia na face e progride craniocaudalmente, com linfadenopatia retroauricular/occipital, mas sem o padrão febre-alta-que-cede-antes-do-rash. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero (lixa) com sinal de Pastia e língua em framboesa, associada à faringite estreptocócica, não a este padrão.
Menina de 2 anos é levada à UPA com febre alta há 3 dias e, hoje, surgimento de lesões vesiculares pruriginosas em diferentes estágios evolutivos (mácula, pápula, vesícula e crosta simultaneamente), distribuídas no tronco, face e couro cabeludo. Está em bom estado geral. A mãe pergunta como proteger o irmão recém-nascido de 20 dias, que convive na mesma casa. Qual é a orientação mais apropriada quanto ao neonato exposto?
O quadro é varicela (lesões em diferentes estágios evolutivos, distribuição centrípeta com acometimento de couro cabeludo). O recém-nascido é população de risco para varicela grave; diante de exposição significativa, deve-se avaliar a indicação de imunoglobulina específica anti-varicela-zóster (VZIG) para profilaxia pós-exposição, conforme critérios (por exemplo, mãe suscetível). A vacina de varicela é contraindicada em neonatos (vacina de vírus vivo, iniciada após 12 meses). Aciclovir oral profilático de rotina para todos os contatos saudáveis não é recomendado. Afirmar que a varicela é sempre benigna é incorreto, pois pode ser grave em neonatos e imunossuprimidos.
Um lactente de 8 meses é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que relata febre alta há 3 dias, com temperatura de até 39,5°C, e criança irritada. Hoje a febre cedeu e surgiram manchas rosadas no tronco, que depois se espalharam para o pescoço e a face. A criança está em bom estado geral, hidratada, ativa e sorridente, aceitando bem a alimentação. Ao exame, observam-se máculas e pápulas rosadas no tronco, sem descamação, e não há sinais de comprometimento respiratório ou meníngeo. O calendário vacinal está em dia. Considerando o quadro clínico descrito, o diagnóstico mais provável é:
Febre alta por 3 dias que desaparece e é seguida do surgimento de exantema maculopapular rosado no tronco, em lactente em bom estado geral, é o quadro típico de exantema súbito (roséola, herpes-vírus humano 6). No sarampo o exantema surge com a criança ainda febril e muito comprometida, com tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik. Na escarlatina há exantema micropapular áspero ('em lixa'), língua em framboesa e faringite estreptocócica. Na rubéola o exantema começa na face e desce, com linfadenopatia retroauricular, sem o padrão febre-que-cede-antes-do-exantema.
Uma criança de 3 anos é levada à emergência com febre alta há 4 dias e surgimento de manchas vermelhas pelo corpo. A mãe relata que, antes do exantema, a criança apresentava tosse, coriza e olhos vermelhos e lacrimejantes. Ao exame, a criança está febril (39°C), prostrada, com conjuntivite, coriza e tosse. Observa-se exantema maculopapular que iniciou na região retroauricular e na face, progredindo no sentido craniocaudal. Na mucosa jugal, notam-se pequenas manchas brancas com halo eritematoso. A caderneta vacinal está incompleta. Considerando o quadro clínico, o diagnóstico mais provável e uma medida de saúde pública associada, respectivamente, são:
Febre alta com tosse, coriza e conjuntivite (os três 'C'), exantema maculopapular de progressão craniocaudal começando na região retroauricular/face, e manchas de Koplik (pontos brancos com halo eritematoso na mucosa jugal), em criança com vacinação incompleta, definem o sarampo — doença de notificação compulsória imediata. A rubéola não cursa com Koplik nem com os três C tão intensos e é notificável (afasta B). O exantema súbito tem febre que cede antes do exantema e criança em bom estado. A escarlatina tem exantema 'em lixa' e língua em framboesa, sem os sintomas catarrais e Koplik.
Lactente de 8 meses é levado à UBS pela mãe com febre alta (39,5°C) há 4 dias, irritabilidade e recusa alimentar. Hoje, cerca de 12 horas após a queda da temperatura, a mãe percebeu o surgimento de exantema maculopapular róseo no tronco, que se espalhou para o pescoço e a raiz dos membros. Ao exame, a criança está em bom estado geral, ativa, hidratada, sem sinais de toxemia; a pele apresenta lesões que empalidecem à digitopressão e não há descamação. Orofaringe discretamente hiperemiada, sem enantema patognomônico. Não há linfadenopatia significativa nem sinais meníngeos. Considerando o quadro clínico descrito, assinale a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada, respectivamente.
O quadro clássico do exantema súbito (roséola infantum, herpes-vírus humano 6) é febre alta por 3-5 dias em lactente em bom estado geral, seguida do surgimento do exantema JUSTAMENTE quando a febre cede — exatamente o descrito. É autolimitado; a conduta é orientação sobre essa natureza e sintomáticos. O sarampo, distrator principal, cursa com exantema durante o pico febril, tosse, coriza e conjuntivite — os três C — e manchas de Koplik, com criança toxemiada; aqui não há febre-que-cai-antes-do-rash. A rubéola tem exantema com febre baixa e adenopatia retroauricular/occipital, ausentes aqui. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero (lixa), língua em framboesa e faringite exsudativa, respondendo a penicilina — incompatível com o exantema róseo pós-defervescência.
Lactente de 10 meses é atendido na UBS com febre de 39°C há 3 dias, sem foco aparente, e hoje apareceram lesões vesiculares em couro cabeludo, tronco e face, algumas já em crosta e outras ainda como máculas e pápulas. A mãe informa que uma priminha teve quadro semelhante há 2 semanas. Ao exame, a criança está em bom estado geral, com lesões pruriginosas em diferentes estágios de evolução simultaneamente, sem sinais de infecção secundária. Está hidratada e aceitando alimentação. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta na UBS, assinale a alternativa correta, respectivamente.
Exantema vesicular pruriginoso com lesões em diferentes estágios simultâneos (mácula, pápula, vesícula e crosta — polimorfismo regional), acometimento de couro cabeludo e contato prévio, define varicela. Na criança hígida a conduta é sintomática, cuidados de pele e isolamento até todas as lesões estarem em crosta. Impetigo (distrator) dá lesões com crosta melicérica localizada, não vesículas generalizadas em surtos. Sarampo é exantema maculopapular (não vesicular) com os 3 C e Koplik. Escabiose causa pápulas/vesículas pruriginosas em espaços interdigitais e pregas, sem o padrão em ondas e crostas típico da varicela.
Lactente de 18 meses é atendido na UBS com febre de até 39°C há 2 dias e, nas últimas horas, surgimento de lesões vesiculares dolorosas em mucosa oral (palato e língua) associadas a vesículas ovaladas com halo eritematoso nas palmas das mãos, plantas dos pés e nádegas. A mãe relata recusa alimentar por dor à deglutição, mas boa aceitação de líquidos gelados. Frequenta creche onde há outras crianças com quadro parecido. Ao exame, a criança está hidratada, sem toxemia, e as lesões não são pruriginosas. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta, assinale a alternativa correta, respectivamente.
Vesículas dolorosas em mucosa oral associadas a vesículas em palmas, plantas e nádegas, febre, surto em creche e ausência de prurido caracterizam a doença mão-pé-boca (coxsackievírus). A conduta é sintomática, com analgesia e estímulo à ingestão de líquidos para prevenir desidratação por odinofagia. Herpangina (distrator) restringe-se a lesões orofaríngeas posteriores, sem acometimento de mãos/pés, e não requer aciclovir. Gengivoestomatite herpética primária dá gengivite intensa com halitose e lesões periorais, e nem sempre exige internação. Varicela é exantema vesicular difuso e pruriginoso em vários estágios, sem a distribuição mão-pé-boca.
Menina de 3 anos chega à UBS com febre, coriza, tosse seca e olhos vermelhos e lacrimejantes há 3 dias, com fotofobia. Hoje surgiram manchas avermelhadas que começaram atrás das orelhas e na linha de implantação dos cabelos, progredindo para a face e o tronco, no sentido craniocaudal. Ao exame, encontra-se toxemiada, febril (39°C), com pequenas lesões branco-azuladas na mucosa jugal à altura dos molares. A criança é procedente de comunidade com baixa cobertura vacinal e não recebeu tríplice viral. Considerando o diagnóstico mais provável e as medidas cabíveis, assinale a alternativa correta, respectivamente.
A tríade tosse, coriza e conjuntivite — os três C — com fotofobia, criança toxemiada, manchas de Koplik (lesões branco-azuladas na mucosa jugal) e exantema maculopapular de progressão craniocaudal iniciando retroauricular, em criança não vacinada, define sarampo. As medidas são notificação IMEDIATA (doença de notificação compulsória), isolamento respiratório e vitamina A (reduz morbimortalidade). A rubéola, distrator frequente, tem febre baixa, adenopatia retroauricular e não apresenta Koplik nem os três C intensos. O exantema súbito não cursa com Koplik nem catarro, e a febre cai antes do rash. A escarlatina dá exantema em lixa e faringite, sem Koplik nem conjuntivite.
Lactente de 8 meses é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que refere febre alta há 3 dias (até 39,8°C), irritabilidade e recusa alimentar parcial. Hoje, após queda da febre, a criança apresentou o surgimento súbito de exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, iniciado no tronco e disseminado para pescoço e face. A mãe nega tosse, coriza ou conjuntivite. Ao exame, criança em bom estado geral, hidratada, ativa, com o exantema descrito, sem adenomegalias significativas e orofaringe sem alterações relevantes. Não há sinais meníngeos. O cartão vacinal está em dia para a idade. Considerando o quadro clínico, o diagnóstico mais provável e a conduta, respectivamente, são:
O quadro clássico do exantema súbito (roséola infantil, causada pelo herpes-vírus humano tipo 6) em lactente é febre alta por 3-4 dias que cede bruscamente, seguida do aparecimento do exantema maculopapular no tronco em criança em bom estado geral — exatamente o descrito. A conduta é sintomática, com orientação à mãe, pois é doença autolimitada e benigna. O sarampo, distrator principal, cursa com o exantema NA vigência da febre, acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite (não presentes) e manchas de Koplik; ademais a criança está vacinada, e não haveria por que notificar e dar vitamina A. A rubéola tem exantema durante a febre e linfadenopatia retroauricular/occipital marcante, ausente aqui, não cabendo notificação nem isolamento respiratório. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero ('lixa'), língua em framboesa e faringite estreptocócica, com exame de orofaringe alterado — não é o caso, e a penicilina benzatina não tem indicação.
Menino, 5 anos, sem vacinação em dia, é levado ao pronto-socorro com febre alta (39,5 °C) há 4 dias, tosse seca intensa, coriza e conjuntivite com fotofobia. Ao exame, apresenta-se prostrado, com FC 120 bpm, FR 28 ipm e SatO2 96%. Na mucosa jugal, à altura dos molares inferiores, observam-se pequenas manchas branco-azuladas sobre base eritematosa. Nas últimas horas surgiu exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e na fronte, com progressão craniocaudal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Sarampo. A tríade catarral (tosse, coriza, conjuntivite) com febre alta persistente, o enantema patognomônico das manchas de Koplik (branco-azuladas na mucosa jugal frente aos molares) e o exantema maculopapular de progressão craniocaudal iniciado atrás das orelhas, em criança não vacinada, definem sarampo. Rubéola: exantema também craniocaudal, porém febre baixa, quadro leve e linfadenopatia retroauricular/occipital, sem Koplik nem tríade catarral intensa. Eritema infeccioso: face esbofeteada e exantema rendilhado, sem pródromo catarral nem Koplik. Exantema súbito: febre alta que cessa e SÓ ENTÃO surge o exantema (tronco), tipicamente em lactentes. Escarlatina: exantema micropapular áspero (lixa), língua em framboesa e faringite estreptocócica, sem tosse/conjuntivite nem Koplik.
Lactente de 11 meses, previamente hígido, é avaliado por febre alta (39,8 °C) de início súbito há 3 dias, mantida apesar de antitérmicos, com bom estado geral entre os picos. Ao exame no 3º dia estava sem foco infeccioso aparente, orofaringe e otoscopia normais. A febre cessou abruptamente na manhã do 4º dia e, poucas horas depois, surgiu exantema maculopapular rosado, discreto, iniciando no tronco e pescoço, poupando a face, sem descamação. A criança encontra-se ativa e aceitando dieta. Qual é o agente etiológico mais provável?
Correta: HHV-6. O padrão de exantema súbito/roséola é altamente característico: lactente com febre alta por 3–5 dias e bom estado geral, com defervescência súbita seguida do aparecimento do exantema rosado no tronco que poupa a face — o HHV-6 (e menos comumente HHV-7) é o agente. Sarampo: febre e exantema COINCIDEM (a febre persiste no auge do rash), com tríade catarral e Koplik — não há intervalo febre-cai-então-surge-rash. Parvovírus B19: causa eritema infeccioso com face esbofeteada em pré-escolares/escolares, não roséola. Rubéola: exantema craniocaudal com linfadenopatia, sem o padrão febre-que-cessa-antes-do-rash. S. pyogenes: escarlatina, com exantema em lixa e faringite, incomum nessa faixa e sem esse padrão temporal.
Mulher, 26 anos, gestante de 16 semanas, professora do ensino fundamental, procura atendimento porque há 5 dias vários alunos apresentaram "bochechas vermelhas" e exantema rendilhado. Ela refere febrícula e artralgia leve em mãos e punhos há 2 dias, sem exantema. Nega vacinação prévia documentada para esse agente. A sorologia solicitada retorna: IgM reagente e IgG não reagente para parvovírus B19. A paciente está clinicamente estável. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: IgM reagente com IgG não reagente indica infecção aguda recente por parvovírus B19 em gestante suscetível. O risco fetal é anemia por aplasia eritroide e hidropisia fetal não imune (maior antes de 20 semanas); a conduta é vigilância com US seriada e Doppler da ACM para detectar anemia fetal (pico de velocidade sistólica), permitindo transfusão intrauterina se necessário. Não há imunoglobulina específica indicada para profilaxia de transmissão vertical do B19. O B19 NÃO causa síndrome de malformações congênitas (diferente da rubéola/CMV); interromper a gestação é injustificado. Aciclovir não tem ação sobre parvovírus (não é herpes-vírus). Dar alta sem seguimento ignora o risco real de hidropisia, que exige monitorização.
Menino, 6 anos, é levado à UBS com febre de 39°C há 2 dias, dor de garganta intensa e recusa alimentar. Ao exame: orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano bilateral, petéquias em palato, linfonodos cervicais anteriores dolorosos e aumentados. No 2º dia surge exantema micropapular difuso, áspero à palpação ("lixa"), com acentuação em pregas cutâneas (linhas de Pastia), poupando região perioral. Língua inicialmente saburrosa evoluiu para aspecto "em framboesa". Teste rápido para antígeno estreptocócico: positivo. Qual a conduta terapêutica de primeira escolha para este quadro?
O quadro é escarlatina clássica (faringite estreptocócica + exantema em lixa, linhas de Pastia, língua em framboesa, poupa perioral - sinal de Filatov) confirmada por teste rápido positivo. Correta: amoxicilina VO por 10 dias é a primeira escolha no Brasil pela boa palatabilidade/aderência e espectro adequado ao S. pyogenes; a penicilina V também seria válida. O tratamento visa erradicar o estreptococo e prevenir febre reumática, além de encurtar sintomas. Azitromicina/macrolídeos são reservados a alérgicos à penicilina, não primeira linha, e há crescente resistência do S. pyogenes. Penicilina benzatina IM é alternativa válida (dose única erradica), mas o corticoide para o exantema é desnecessário e não indicado - o exantema regride com o tratamento antibiótico e descamação subsequente. Cefalexina é opção em alérgicos não-anafiláticos, não primeira escolha, e 5 dias é insuficiente para cefalosporinas de 1ª geração nesse contexto (esquema padrão 10 dias). O tratamento antibiótico é mandatório: previne febre reumática e complicações supurativas - não é conduta apenas sintomática.
Menina, 5 anos, apresenta febre e odinofagia há 1 dia. No dia seguinte surge exantema puntiforme, eritematoso e áspero ao toco (textura de lixa), iniciado no tronco e pescoço, com face ruborizada mas com palidez ao redor da boca. A língua está com aspecto "em framboesa". Há acentuação do eritema nas dobras dos cotovelos e axilas. Qual é o agente etiológico responsável por este quadro clínico?
Quadro típico de escarlatina: exantema em lixa, sinal de Filatov (palidez perioral com rubor facial), língua em framboesa e sinal de Pastia (acentuação em dobras). Correta: a escarlatina é causada pelo Streptococcus pyogenes (EBHGA) produtor de toxinas eritrogênicas (exotoxinas pirogênicas). S. aureus com toxina esfoliativa causa a síndrome da pele escaldada estafilocócica, com bolhas e descolamento (sinal de Nikolsky), não exantema em lixa com faringite. O sarampo cursa com exantema maculopapular morbiliforme (não em lixa), manchas de Koplik, tosse, coriza e conjuntivite - não há língua em framboesa. Parvovírus B19 (eritema infeccioso) causa a face "esbofeteada" com exantema rendilhado em membros, sem faringite exsudativa nem língua em framboesa. EBV (mononucleose) causa faringite, mas o exantema clássico é maculopapular e frequentemente desencadeado por aminopenicilinas, sem o padrão em lixa.
Adolescente de 13 anos, imunocompetente, é levado à unidade de saúde porque seu irmão foi diagnosticado com sarampo confirmado laboratorialmente. O contato domiciliar ocorreu de forma contínua e o início dos sintomas do irmão foi há 48 horas. O adolescente está assintomático. Na carteira, consta apenas 1 dose de tríplice viral aos 12 meses, sem a segunda dose. Nega gestação, imunossupressão ou alergia a componentes vacinais. Qual a conduta de vacinação de bloqueio mais adequada?
Na vacinação de bloqueio do sarampo, contatos suscetíveis que possam receber vacina devem ser imunizados com tríplice viral (ou tetraviral) em até 72 horas do contato. O adolescente é imunocompetente, tem esquema incompleto (apenas 1 dose) e está há 48 horas do contato — dentro da janela — logo, vacina agora. Errada: a conduta de bloqueio é imediata; esperar sintomas perde a oportunidade de prevenção. A imunoglobulina é reservada aos suscetíveis que NÃO podem receber a vacina (menores de 6 meses, gestantes, imunocomprometidos), com janela de até 6 dias — não é o caso e não é a única medida. Uma única dose não garante proteção completa e o esquema está incompleto; no bloqueio vacina-se independentemente. Não existe quimioprofilaxia antiviral de rotina para sarampo.
Menino, 4 anos, sem carteira vacinal atualizada, trazido pela mãe com febre alta (39,2 °C) há 4 dias, tosse seca, coriza e conjuntivite com fotofobia. Ao exame, encontram-se pequenas manchas branco-azuladas sobre halo eritematoso na mucosa jugal, na altura dos molares. Hoje surgiu exantema maculopapular que iniciou na região retroauricular e na face, com progressão craniocaudal para o tronco. Bom estado geral, sem sinais de insuficiência respiratória. Além das medidas de suporte, qual é a conduta mais adequada?
A tríade tosse/coriza/conjuntivite (os '3 Cs') com manchas de Koplik (patognomônicas) e exantema maculopapular de progressão craniocaudal define sarampo. O 2º passo é a conduta: o Ministério da Saúde/OMS recomendam vitamina A para todo caso (reduz mortalidade e complicações) e o sarampo é doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 h). Aciclovir não tem papel no sarampo. Antibiótico só se houver complicação bacteriana (otite, pneumonia), e a notificação não pode ser postergada para 7 dias. Imunoglobulina é profilaxia pós-exposição em suscetíveis de risco, não tratamento do caso já estabelecido. Errado por omitir vitamina A e, sobretudo, a notificação imediata obrigatória.
Lactente de 11 meses, previamente hígido, apresenta febre alta (até 39,5 °C) há 3 dias, sem tosse, coriza ou outros sintomas localizatórios, mantendo bom estado geral e boa aceitação alimentar. No 4º dia a febre cede abruptamente e, poucas horas depois, surge exantema maculopapular rosado, não pruriginoso, predominante no tronco e no pescoço, com poupa relativa da face. Qual é o diagnóstico mais provável?
O padrão clássico é febre alta por 3–4 dias em lactente com bom estado geral, seguida de defervescência e SÓ ENTÃO surgimento do exantema rosado no tronco — exantema súbito, ou roséola infantil (HHV-6). No sarampo o exantema surge no pico febril, com os 3 Cs e Koplik, e há toxemia. A rubéola cursa com linfadenopatia retroauricular/occipital e exantema mais tênue, sem esse padrão de febre alta que cede e só depois brota. O eritema infeccioso dá face esbofeteada e exantema rendilhado, geralmente em pré-escolares/escolares e sem febre alta prolongada. A escarlatina tem exantema micropapular áspero (lixa), sinal de Pastia, língua em framboesa e faringite estreptocócica.
Menina de 7 anos, previamente hígida, é levada à consulta por eritema intenso em ambas as bochechas ('face esbofeteada'), surgido há 2 dias, seguido de exantema maculopapular com aspecto rendilhado (reticulado) em superfícies extensoras dos membros. No momento está afebril, em ótimo estado geral e brincando normalmente. A mãe relata que há colegas com quadro semelhante na escola e pergunta quando a filha poderá voltar às aulas. Qual é a orientação correta quanto ao retorno escolar?
O quadro é eritema infeccioso (parvovírus B19): face esbofeteada seguida de exantema rendilhado em criança afebril e em bom estado. O 2º passo é a transmissibilidade: a viremia e o contágio ocorrem na fase PRODRÔMICA (inespecífica); quando o exantema aparece, a criança já não transmite — não há indicação de afastamento escolar. O afastamento por 4 dias após o exantema é a regra do sarampo, não deste. Prolongam desnecessariamente o afastamento de uma criança não contagiante. A sorologia não é exigida para retorno e o exantema pode recorrer por semanas com calor/exercício sem significar contágio. Atenção: o B19 é relevante em gestantes suscetíveis e em pacientes com anemia hemolítica (crise aplásica), mas isso não muda a conduta escolar desta criança hígida.
Lactente de 11 meses, previamente hígido e com vacinas em dia para a idade, é levado ao pronto-socorro por febre alta (picos de até 39,8 °C) há 3 dias, sem outros sinais ou sintomas. Os pais relatam que a criança permanecia em bom estado geral, ativa e aceitando líquidos entre os picos febris. No 4º dia a febre cessou de forma abrupta e, poucas horas depois, surgiu exantema maculopapular róseo, iniciado no tronco e disseminando-se para pescoço e raiz dos membros, poupando a face. Ao exame: bom estado geral, orofaringe sem alterações, sem enantema e sem linfonodomegalias significativas. Assinale o diagnóstico mais provável.
O padrão característico é febre alta por 3–4 dias em lactente com bom estado geral, seguida de defervescência ABRUPTA e só então surgimento do exantema róseo de início no tronco — a marca semiológica do exantema súbito (HHV-6/HHV-7). Sarampo: o exantema surge NO auge da febre, precedido de pródromo catarral (tosse, coriza, conjuntivite) e manchas de Koplik, com progressão craniocaudal iniciando na face — todos ausentes aqui. Rubéola: febre baixa concomitante ao exantema e linfadenopatia retroauricular/suboccipital, não descritas. Eritema infeccioso: típico de escolares, com 'face esbofeteada' e exantema rendilhado, sem a febre alta prévia isolada. Escarlatina: exantema micropapular áspero ('lixa'), língua em framboesa, palidez perioral e faringite, com febre CONCOMITANTE ao rash.
Menino de 8 meses, ainda não vacinado com a tríplice viral (esquema previsto para os 12 meses), teve contato domiciliar prolongado há 2 dias com um primo de 5 anos com sarampo confirmado laboratorialmente. Atualmente está assintomático, afebril, sem exantema e com bom estado geral. Não é imunocomprometido e não há relato de gestante no domicílio. Qual a conduta profilática pós-exposição mais adequada?
Diante de contato suscetível com caso confirmado, a profilaxia de escolha é o bloqueio vacinal com tríplice viral em até 72 horas para pessoas a partir de 6 meses de idade (a 'dose zero' aos 6–11 meses não conta no calendário, que é reiniciado aos 12 meses). Como a criança tem 8 meses, é imunocompetente e está dentro da janela de 72 h, a vacina é indicada. A imunoglobulina fica reservada a quem NÃO pode ser vacinado (menores de 6 meses, gestantes suscetíveis, imunocomprometidos) ou quando já se passaram >72 h (até o 6º dia) — não é o caso. O anticorpo materno é incompleto/decrescente e não dispensa profilaxia após exposição confirmada. A vitamina A é tratamento de suporte de quem ADOECE (reduz gravidade/letalidade), não profilaxia pós-exposição. Não há antiviral específico com essa indicação para sarampo.
Menina de 6 anos, previamente hígida, apresenta há 2 dias eritema intenso em ambas as bochechas, com aspecto de 'face esbofeteada' e palidez perioral. Evoluiu com exantema maculopapular reticulado (rendilhado) em superfícies extensoras dos membros, que se acentua com exposição ao calor e ao sol. Está afebril, em bom estado geral, e havia tido apenas leve coriza cerca de uma semana antes. Frequenta escola regularmente. Assinale a alternativa correta quanto ao diagnóstico e à orientação.
A 'face esbofeteada' seguida de exantema rendilhado que reacende com calor/sol em escolar afebril e em bom estado é o quadro clássico do eritema infeccioso pelo parvovírus B19. Ponto-chave de manejo: a viremia (e a transmissibilidade) ocorre na fase prodrômica; quando o EXANTEMA aparece, a criança já não é mais contagiante, não havendo necessidade de afastá-la da escola. O agente é o parvovírus B19, não o HHV-6. É doença autolimitada; não há indicação de aciclovir (que atua sobre herpes-vírus). Não é sarampo — faltam pródromo catarral, Koplik e progressão craniocaudal — e não requer isolamento nessa fase. A crise aplásica transitória é risco em pacientes com anemias hemolíticas crônicas (ex.: anemia falciforme), e não uma consequência do exantema rendilhado em criança hígida.
Menino, 6 anos, previamente hígido, é levado à UPA com febre de 39 °C há 2 dias, odinofagia intensa e recusa alimentar. Ao exame: orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano, língua em framboesa e adenomegalia cervical anterior dolorosa. No 2º dia surgiu exantema micropapular puntiforme, áspero ao tato ("em lixa"), iniciado no pescoço e tronco, com acentuação em dobras (linhas de Pastia) e palidez perioral. FC 110 bpm, FR 22 ipm, sem sinais de esforço respiratório, ausculta pulmonar limpa. Qual é a conduta mais adequada para confirmar o diagnóstico etiológico?
O quadro é escarlatina clássica (faringoamigdalite exsudativa + língua em framboesa + exantema em lixa com linhas de Pastia e palidez perioral), causada pelo Streptococcus pyogenes (grupo A). A confirmação etiológica é feita por teste rápido de antígeno ou cultura de swab de orofaringe, que documenta o EGA e valida a antibioticoterapia para prevenir febre reumática. A ASLO só se eleva 1–3 semanas após a infecção e serve para documentar infecção prévia (ex.: complicações não supurativas), não para o diagnóstico agudo. Bacteriemia é rara e a hemocultura não é indicada nesse quadro. O sarampo cursa com exantema morbiliforme confluente, tosse/coriza/conjuntivite e Koplik, não com língua em framboesa e rash em lixa. A biópsia de pele é desnecessária e não define a etiologia estreptocócica.
Menino, 5 anos, previamente hígido e com cartão vacinal incompleto, é levado ao pronto-socorro com febre alta (39,5 °C), tosse, coriza e conjuntivite não purulenta há 3 dias. No exame da cavidade oral, a mãe nota pequenas manchas esbranquiçadas, com halo eritematoso, na mucosa jugal, próximas aos molares. No dia seguinte, surge exantema maculopapular que se inicia na região retroauricular e na fronte, progredindo em sentido craniocaudal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Sarampo. A tríade dos "3 C" (coriza, tosse e conjuntivite) associada a febre alta, pródromo catarral e, sobretudo, às manchas de Koplik (pequenas manchas branco-acinzentadas com halo eritematoso na mucosa jugal, patognomônicas), seguidas de exantema maculopapular com progressão craniocaudal iniciada na região retroauricular, define o sarampo. O contexto de vacinação incompleta reforça o diagnóstico. Rubéola: erra porque cursa com febre baixa, exantema róseo craniocaudal de progressão rápida e linfadenopatia retroauricular/occipital, sem manchas de Koplik nem a intensa tríade catarral. Eritema infeccioso: erra porque o quadro é do parvovírus B19, com face esbofeteada e exantema rendilhado em tronco/membros, tipicamente afebril ou febre baixa, sem enantema de Koplik. Exantema súbito: erra porque o herpesvírus 6 causa febre alta por 3-5 dias que cede ABRUPTAMENTE e só então surge o exantema (febre e rash não coincidem), acometendo lactentes, sem tosse/conjuntivite proeminentes. Escarlatina: erra porque é de etiologia bacteriana (estreptococo), com exantema micropapular áspero (lixa), língua em framboesa e sinal de Pastia, sem coriza/conjuntivite nem manchas de Koplik.
Menino de 3 anos é levado pela mãe a uma Unidade Básica de Saúde com febre alta (39,5°C) há 4 dias, associada a tosse, coriza e olhos vermelhos com intenso lacrimejamento. Há um dia surgiram manchas avermelhadas que se iniciaram atrás das orelhas e na face e progrediram em direção ao tronco. Ao exame, apresenta-se prostrado, com hiperemia conjuntival, e na mucosa jugal, próximo aos molares inferiores, observam-se pequenas lesões branco-acinzentadas circundadas por halo eritematoso. A caderneta de vacinação está incompleta e a área registrou casos semelhantes no último mês. Diante do quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta correta?
A tríade tosse/coriza/conjuntivite com febre alta, exantema de progressão craniocaudal e, sobretudo, as manchas de Koplik na mucosa jugal fecham o diagnóstico de sarampo. É doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24h) à vigilância epidemiológica, e o Ministério da Saúde/OMS recomendam administração de vitamina A para reduzir morbimortalidade. A rubéola cursa com quadro mais brando, sem Koplik, e também exige notificação imediata (não semanal). O exantema súbito ocorre em lactentes, com exantema que surge após a queda da febre. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero (lixa) e língua em framboesa, sem Koplik.
Lactente de 10 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, é atendido em Unidade Básica de Saúde. A mãe relata que a criança apresentou febre alta (até 39,8°C) por três dias, sem outros sintomas relevantes, mantendo-se ativa nos períodos afebris. No quarto dia, a febre cedeu abruptamente e, logo em seguida, surgiu exantema maculopapular róseo predominante no tronco e no pescoço, com discreta extensão para a face e a raiz dos membros, sem prurido. Ao exame físico atual, a criança encontra-se afebril, em bom estado geral, hidratada e sem sinais de toxemia. Qual é o diagnóstico mais provável?
O padrão clássico de febre alta por 3 a 4 dias em lactente em bom estado geral, seguida de defervescência abrupta e SÓ ENTÃO surgimento do exantema róseo no tronco, é típico do exantema súbito (roséola), causado pelo herpesvírus humano tipo 6. No sarampo há tosse, coriza, conjuntivite e Koplik, com exantema que surge durante a febre. Na rubéola o exantema também acompanha o período febril e há linfadenopatia retroauricular/occipital. No eritema infeccioso há a face esbofeteada e exantema rendilhado nos membros, geralmente sem a febre alta prévia descrita.
Menina de 6 anos é levada à Unidade de Saúde da Família por apresentar, há dois dias, vermelhidão intensa em ambas as bochechas, com aspecto de 'face esbofeteada' e palidez perioral. Estava afebril e em bom estado geral. Hoje surgiu, nos braços e nas coxas, um exantema róseo de aspecto rendilhado/reticular, que se acentua com o calor e a exposição solar. A mãe, gestante de 12 semanas, pergunta se deve manter a filha afastada da escola e se há risco para a gravidez. Qual é o diagnóstico e a orientação mais adequada?
A face esbofeteada seguida de exantema reticular/rendilhado que piora com calor e sol é característica do eritema infeccioso (parvovírus B19). A transmissibilidade ocorre na fase prodrômica/virêmica; quando o exantema aparece, a criança já não é mais contagiante e pode retornar à escola. Contudo, o parvovírus B19 pode causar hidropsia fetal e anemia grave se houver infecção materna, sobretudo no primeiro/segundo trimestres, de modo que a gestante exposta deve ser avaliada. A vacina contra rubéola é de vírus vivo e contraindicada na gestação (além de o quadro não ser rubéola). Não se trata de sarampo nem de escarlatina, cujos padrões clínicos são distintos.
Menina de 3 anos é trazida à Unidade de Saúde da Família com história de febre baixa há 2 dias e surgimento de lesões cutâneas pruriginosas. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, hidratada, ativa e sem sinais de gravidade. No tronco, na face e no couro cabeludo observam-se lesões em diferentes estágios de evolução simultaneamente: máculas, pápulas eritematosas, vesículas de conteúdo claro semelhantes a 'gota de orvalho' sobre base eritematosa e algumas crostas. Há poucas lesões em mucosa oral, sem outros achados. A mãe relata que a caderneta não registra vacinação para essa doença e que há um colega da creche com quadro semelhante. Qual é o diagnóstico mais provável?
O diagnóstico da varicela é essencialmente clínico: exantema vesicular pruriginoso de distribuição centrípeta com o polimorfismo característico — lesões em vários estágios ao mesmo tempo (máculas, pápulas, vesículas em 'gota de orvalho' e crostas) —, febre e história de contato/ausência de vacinação. Impetigo bolhoso cursa com bolhas e crostas melicéricas localizadas, sem o polimorfismo generalizado. Sarampo apresenta exantema maculopapular morbiliforme craniocaudal confluente, com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik — não vesículas em estágios variados. Doença mão-pé-boca localiza vesículas em mãos, pés e boca, sem a disseminação e o polimorfismo descritos.
Uma menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que relata febre alta (39,5°C) há 4 dias, associada a tosse seca, coriza intensa e olhos vermelhos e lacrimejantes. No exame físico, a criança apresenta-se abatida, com hiperemia conjuntival, e o médico observa, na mucosa jugal próxima aos molares inferiores, pequenas manchas branco-azuladas sobre base eritematosa. Nesse momento a criança ainda não apresenta lesões cutâneas. A mãe informa que a caderneta de vacinação está incompleta. Considerando o achado patognomônico descrito na mucosa oral e a evolução esperada, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta imediata correta?
As manchas branco-azuladas na mucosa jugal descritas são as manchas de Koplik, patognomônicas do sarampo, que surgem no período prodrômico (febre alta, tosse, coriza e conjuntivite - os '3 Cs') antes do exantema maculopapular. O sarampo é doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24h) no Brasil e o Ministério da Saúde recomenda vitamina A para todas as crianças com sarampo, reduzindo morbimortalidade. Rubéola tem quadro prodrômico leve, sem Koplik, e também é de notificação. Exantema súbito ocorre em lactentes, com febre que cede ao surgir o exantema, sem Koplik. Escarlatina cursa com faringite e língua em framboesa, sem Koplik nem os 3 Cs.
Um menino de 5 anos é trazido à Unidade de Saúde da Família com queixa de manchas vermelhas na face iniciadas há 2 dias. A mãe relata que ele teve febre baixa e coriza há cerca de uma semana, já resolvidas, e que agora está em bom estado geral, brincando normalmente. Ao exame, observa-se eritema intenso e confluente em ambas as bochechas, poupando a região perioral, conferindo aspecto de 'face esbofeteada'. Há também um exantema reticulado (rendilhado) em tronco e superfícies extensoras dos membros. A criança está afebril e sem outros sintomas. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro clássico de face 'esbofeteada' (eritema malar confluente poupando a região perioral) seguido de exantema reticulado/rendilhado em tronco e membros, em criança em bom estado geral e afebril, é típico do eritema infeccioso (quinta doença), causado pelo parvovírus B19. Quando o exantema aparece, a fase de transmissibilidade já passou. O sarampo cursa com criança toxemiada, febre alta, tosse, conjuntivite e manchas de Koplik. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero (pele em lixa), palidez perioral e língua em framboesa, com faringite. A rubéola tem exantema maculopapular difuso com linfadenopatia retroauricular/occipital, sem a face esbofeteada nem o padrão rendilhado.
Um lactente de 11 meses é levado ao pronto atendimento com história de febre alta (até 39,8°C) há 3 dias, sem outros sintomas relevantes, mantendo-se irritado apenas nos picos febris, mas com bom aspecto entre eles. Os exames físicos anteriores foram normais. Hoje, a mãe percebeu que a febre desapareceu subitamente e, poucas horas depois, surgiu um exantema maculopapular róseo, discreto, predominante no tronco e no pescoço, com pouca extensão para a face e os membros. A criança está afebril, alimentando-se bem e em bom estado geral. Considerando a sequência temporal entre febre e exantema, qual é o diagnóstico mais provável e o agente etiológico envolvido?
A característica definidora é a cronologia: febre alta por 3-4 dias em lactente com bom estado geral entre os picos, seguida do DESAPARECIMENTO súbito da febre e SÓ ENTÃO o surgimento do exantema maculopapular róseo no tronco/pescoço. Esse padrão 'febre que cede e depois exantema' é típico do exantema súbito (roséola infantil), causado principalmente pelo herpes-vírus humano tipo 6 (HHV-6), acometendo lactentes de 6 a 24 meses. No sarampo o exantema surge no auge da febre, com criança toxemiada e os 3 Cs. Na rubéola febre e exantema são concomitantes, com linfadenopatia. No eritema infeccioso há face esbofeteada e exantema rendilhado, geralmente em pré-escolares/escolares, sem essa relação febre-exantema.
Uma menina de 4 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde do território, com febre alta há 4 dias, tosse seca, coriza abundante e olhos vermelhos com lacrimejamento. Há dois dias surgiu exantema maculopapular que começou atrás das orelhas e na face e progrediu para o tronco. A mãe relata que a criança não recebeu a vacina tríplice viral e que a família retornou há duas semanas de viagem ao exterior. Ao exame: temperatura axilar de 39 °C, criança irritada, conjuntivite bilateral não purulenta, exantema morbiliforme confluente em face e tronco e pequenas lesões brancacentas na mucosa jugal. Diante da principal suspeita diagnóstica, qual é a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica?
O quadro (febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, exantema maculopapular craniocaudal e manchas de Koplik em criança não vacinada com histórico de viagem) é caso suspeito de sarampo. Pela Lista Nacional de Notificação Compulsória do Ministério da Saúde, sarampo é de notificação IMEDIATA (até 24 horas) a partir da suspeita, com investigação em até 48 horas e coleta de amostra para sorologia e identificação viral. Errada a notificação semanal: essa periodicidade vale para outros agravos (ex.: hanseníase, tuberculose), não para sarampo. Errado aguardar a sorologia: a notificação é feita pela SUSPEITA — esperar exame atrasa o bloqueio vacinal e a busca de contatos. Errado não notificar: sarampo consta na lista nacional e é doença sob eliminação nas Américas, com vigilância ativa obrigatória.
Uma adolescente de 13 anos é levada à Unidade Básica de Saúde pela mãe. Há dois dias, um colega da mesma sala de aula teve sarampo confirmado por sorologia, caso já notificado à vigilância epidemiológica municipal. A adolescente permaneceu em contato próximo com ele durante toda a semana. Encontra-se assintomática, afebril, sem exantema ou coriza, não está grávida, não tem comorbidades e não faz uso de imunossupressores. A caderneta registra apenas uma dose de tríplice viral, aplicada aos 12 meses, sem registro de tetra viral ou de segunda dose. Ao exame físico: bom estado geral, orofaringe sem enantema, ausculta pulmonar normal. Qual é a conduta adequada?
Correta: diante de caso confirmado de sarampo, o protocolo do Ministério da Saúde determina bloqueio vacinal seletivo dos contatos suscetíveis em até 72 horas da exposição; a adolescente tem apenas uma dose registrada (o esquema completo é de duas doses até os 29 anos), é imunocompetente e não gestante, portanto deve receber a dose de tríplice viral agora. Erradas: imunoglobulina — reservada a contatos suscetíveis com contraindicação à vacina (gestantes, imunodeprimidos, menores de 6 meses) ou após as 72 horas, até o 6º dia; não é o caso. Adiar 21 dias — a vacinação de bloqueio é urgência epidemiológica e não atrapalha a investigação; adiar perde a janela de proteção. Conduta expectante — uma única dose não caracteriza esquema completo e deixa a adolescente suscetível; além disso, bloqueio e busca ativa de contatos são obrigatórios.
Um lactente de 10 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe. Ela relata que a criança apresentou febre de até 39,5 °C por três dias, sem outros sintomas além de irritabilidade e discreta coriza. No segundo dia de febre, um médico de pronto-atendimento prescreveu amoxicilina por "garganta inflamada". Hoje, a febre cessou completamente e, poucas horas depois, surgiu exantema maculopapular róseo, de pequenos elementos, iniciado no tronco e no pescoço, com extensão discreta para a raiz dos membros, poupando a face, sem prurido ou descamação. Ao exame, a criança está ativa, hidratada, afebril, com orofaringe sem alterações e sem linfadenomegalias significativas. A mãe teme alergia ao antibiótico.
A sequência clássica "febre alta por 3-4 dias que cessa em crise, seguida imediatamente pelo surgimento do exantema maculopapular no tronco em criança em bom estado" define o exantema súbito (roséola infantil, herpes-vírus humano 6), típico de lactentes de 6 a 24 meses. Como o antibiótico foi introduzido durante a fase febril, é frequente atribuir-se erroneamente o exantema à droga; a conduta correta é suspender a amoxicilina (não havia indicação, quadro viral), manter sintomáticos e desfazer o rótulo indevido de alergia, que traria prejuízo futuro à criança. Rubéola cursa com exantema concomitante à febre baixa e linfadenomegalia retroauricular/occipital proeminente, ausentes aqui. Farmacodermia caracteristicamente é pruriginosa e não respeita a regra da defervescência que precede o exantema; rotular alergia sem critério é iatrogenia. Sarampo exige pródromo catarral intenso (tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik) e exantema que surge com a criança febril e toxemiada, não afebril e ativa.
Uma menina de 4 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento. Os pais informam que ela não recebeu nenhuma vacina, por opção da família. Há cinco dias apresenta febre alta (até 39,8 °C), tosse seca intensa, coriza abundante, hiperemia conjuntival com lacrimejamento e fotofobia. Há dois dias, o médico que a atendeu descreveu pequenas lesões branco-azuladas sobre base eritematosa na mucosa jugal, próximas aos molares. Hoje, ainda febril e prostrada, surgiu exantema maculopapular avermelhado, com áreas de confluência, iniciado na região retroauricular e na implantação dos cabelos, progredindo para face, pescoço e tronco. Ao exame: regular estado geral, tosse frequente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios, sem sinais de desconforto respiratório.
O quadro é típico de sarampo: criança não vacinada, pródromo catarral intenso (tosse, coriza, conjuntivite com fotofobia — os "3 C"), manchas de Koplik (enantema patognomônico) e exantema morbiliforme de progressão craniocaudal iniciado na região retroauricular, surgindo com a criança ainda febril e prostrada. O sarampo é doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 horas) no Brasil, com coleta de amostra para sorologia IgM, administração de vitamina A em duas doses (dias 1 e 2, conforme a idade — recomendação do Ministério da Saúde para todos os casos suspeitos) e isolamento respiratório (aerossóis) até quatro dias após o início do exantema. Rubéola tem febre baixa, exantema róseo mais discreto, linfadenomegalia retroauricular/occipital marcante e não cursa com manchas de Koplik — além disso, também é de notificação imediata, e não semanal. Escarlatina cursa com exantema micropapular em lixa, língua em framboesa, sinal de Pastia e ausência de coriza/conjuntivite. Exantema súbito acomete lactentes e o exantema surge após a defervescência.
Um menino de 7 anos é levado à Unidade de Saúde da Família. Há cerca de uma semana teve febre baixa, cefaleia e coriza leve, já resolvidos. Ontem a mãe notou eritema intenso e bem delimitado em ambas as bochechas, poupando a região perioral, e hoje surgiu exantema maculopapular de aspecto rendilhado/reticulado em braços, coxas e nádegas, que se acentua após o banho quente e a exposição ao sol. A criança está afebril, ativa, brincando, sem prurido importante e sem outras queixas. Vacinação em dia. A mãe pergunta quando ele pode voltar à escola e informa que a irmã dela, gestante de 12 semanas, mora na mesma casa.
A tríade "face esbofeteada" (eritema malar poupando o triângulo perioral), exantema reticulado/rendilhado em membros que recidiva com calor e sol, e pródromo inespecífico já resolvido, em criança afebril e em bom estado, define o eritema infeccioso (parvovírus B19, quinta doença). O ponto-chave do manejo é que a viremia — e, portanto, a transmissibilidade — ocorre na fase prodrômica; quando o exantema aparece, já há anticorpos e a criança NÃO transmite mais, podendo frequentar a escola normalmente. O risco relevante é para a gestante contactante, pela possibilidade de infecção fetal (anemia fetal, hidropisia não imune, óbito fetal), sobretudo na primeira metade da gestação: a conduta é encaminhá-la ao pré-natal para sorologia IgM/IgG anti-B19 e seguimento (ultrassonografia seriada se infecção aguda confirmada). Rubéola não cursa com face esbofeteada nem exantema reticulado, e a vacina tríplice viral é CONTRAINDICADA na gestação (vírus vivo atenuado). Afastar a criança da escola ou a gestante do domicílio é inútil, pois a exposição já ocorreu e não há mais transmissão. Escarlatina cursa com exantema em lixa, febre e faringite, ausentes no caso.
Uma criança de 11 meses, sexo feminino, é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde. Há 4 dias apresentou febre alta (até 39,5 °C), de difícil controle com antitérmico, sem tosse, coriza, vômitos ou diarreia; foi avaliada duas vezes e nenhum foco infeccioso foi identificado. A febre cessou há cerca de 12 horas e, logo após a defervescência, a mãe notou o surgimento de manchas avermelhadas no tronco e no pescoço. Vacinação em dia. Ao exame: em bom estado geral, ativa, sorridente, afebril, hidratada, com exantema maculopapular róseo no tronco e na região cervical, poupando as extremidades, sem descamação, oroscopia e otoscopia normais e ausculta pulmonar sem alterações. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta?
Correta: o exantema súbito (roséola infantum, causada pelo herpes-vírus humano 6) é a principal causa de febre sem sinais localizatórios em lactentes entre 6 e 24 meses e tem apresentação clássica: 3 a 5 dias de febre alta sem foco, com criança em bom estado geral, seguida de defervescência e surgimento de exantema maculopapular róseo no tronco e no pescoço. É autolimitado e o tratamento é apenas sintomático. Errada porque no sarampo o exantema morbiliforme surge com a criança ainda febril e em mau estado geral, precedido de tosse, coriza e conjuntivite (além de manchas de Koplik). Errada porque na escarlatina o exantema é micropapular com aspecto de lixa, acompanha a febre e há faringoamigdalite. Errada porque na dengue o exantema costuma acompanhar a fase febril e o quadro cursa com mialgia, dor retro-orbitária e prostração, ausentes aqui.
Menina de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde da Família. Há 9 dias iniciou quadro de febre baixa e exantema vesicular pruriginoso, com diagnóstico clínico de varicela; as lesões estão todas em fase de crosta e a febre cessou há 4 dias. Há 1 dia, entretanto, passou a apresentar marcha instável, com quedas frequentes, dificuldade para pegar objetos e fala arrastada. Ao exame: afebril, ativa, lúcida, orientada e interativa; ausência de rigidez de nuca e de sinais meníngeos; pupilas isocóricas e fotorreagentes; força e sensibilidade preservadas; presença de dismetria à prova índex-nariz, disdiadococinesia, nistagmo horizontal e marcha atáxica de base alargada. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
A ataxia cerebelar aguda é a complicação neurológica mais comum da varicela na infância (cerca de 1:4.000 casos em menores de 15 anos) e o quadro é clássico: instalação de ataxia de marcha, dismetria, disartria e nistagmo em criança com nível de consciência preservado e sem febre, surgindo dias após o exantema, quando as lesões já estão em crosta. Tem curso benigno e autolimitado (resolução em 2 a 4 semanas), sendo o manejo de suporte, com orientação quanto ao risco de quedas e reavaliação ambulatorial; internação e exames se reservam a dúvida diagnóstica ou piora. Meningite bacteriana cursaria com febre, toxemia e sinais meníngeos, ausentes. Encefalite herpética cursa com rebaixamento do nível de consciência, crises convulsivas e/ou alteração de comportamento — a criança está lúcida e interativa. A síndrome de Reye associa-se ao uso de AAS e cursa com vômitos, encefalopatia progressiva e disfunção hepática, não com síndrome cerebelar pura em criança alerta.
Um menino de 4 anos é levado pela mãe à unidade de saúde da família com febre alta há 4 dias, tosse, coriza e hiperemia conjuntival com fotofobia. Há 24 horas surgiu exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e na face e progrediu para o tronco. A mãe informa que a família retornou há 12 dias de viagem internacional e que a caderneta de vacinação da criança está incompleta. Ao exame: temperatura de 39 °C, exantema morbiliforme em face e tronco e enantema com pequenas manchas esbranquiçadas na mucosa jugal. A criança frequenta creche e reside com dois irmãos e uma avó. A conduta correta é
Correta: febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, exantema morbiliforme de progressão craniocaudal e manchas de Koplik configuram caso suspeito de SARAMPO — doença em eliminação, de notificação IMEDIATA (24 horas) à vigilância municipal, com coleta de sangue para sorologia (IgM/IgG) já no primeiro contato e amostras para identificação viral (urina/secreção nasofaríngea), além de bloqueio vacinal seletivo dos contatos suscetíveis em até 72 horas da exposição, conforme o Guia de Vigilância em Saúde/MS. A segunda alternativa erra ao atrasar a notificação e o bloqueio até a segunda sorologia: a notificação é por suspeita, e o bloqueio perde eficácia após 72 horas. A terceira erra ao usar fluxo semanal e postergar a vacinação para campanha, o que permite a transmissão. A quarta erra o diagnóstico (na rubéola a febre é baixa, não há Koplik nem tosse/conjuntivite exuberantes), o prazo de notificação e a indicação de bloqueio, que independe da presença de gestantes.
Um menino de 6 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por manchas na pele. Há cinco dias apresentou febre baixa, coriza e mal-estar leve, já resolvidos. Há dois dias surgiu vermelhidão intensa em ambas as bochechas, com palidez perioral, seguida, ontem, de exantema maculopapular em aspecto rendilhado/reticulado na face extensora dos braços e nas coxas, que a mãe percebeu ficar mais evidente após o banho quente. A criança está em bom estado geral, afebril, sem linfadenomegalia retroauricular ou occipital e com orofaringe normal. O cartão vacinal está atualizado. A mãe informa estar grávida de 20 semanas e trabalha como auxiliar na mesma escola que o filho frequenta. Considerando o quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
Correta: o exantema em "face esbofeteada" seguido de erupção reticulada/rendilhada em extremidades, que recrudesce com calor/sol, em criança em bom estado geral e afebril, é típico do eritema infeccioso (parvovírus B19). A transmissibilidade ocorre na fase prodrômica (virêmica), ANTES do exantema — quando as lesões aparecem, o quadro é imunomediado e a criança já não transmite, não havendo indicação de afastamento escolar. Como o parvovírus B19 na gestação pode causar hidropisia fetal e perda gestacional, a gestante exposta deve ser investigada com sorologia e ter seguimento pré-natal direcionado. Rubéola cursaria com linfadenomegalia retroauricular/occipital e exantema róseo craniocaudal, além de ser improvável com cartão vacinal em dia (tríplice viral). Exantema súbito acomete lactentes (6–24 meses), com febre alta que cessa antes do exantema, e não tem padrão rendilhado nem risco fetal. Escarlatina cursa com febre, faringite, língua em framboesa e exantema micropapular áspero ("em lixa"), ausentes aqui.
Uma criança de 4 anos é atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há quatro dias, tosse intensa, coriza abundante e olhos vermelhos com lacrimejamento e fotofobia. A mãe relata que a criança não recebeu nenhuma dose de vacina por opção familiar e que retornaram há duas semanas de viagem ao exterior. Ao exame, apresenta-se prostrada, com temperatura axilar de 39,2 °C, conjuntivas hiperemiadas, e observam-se pequenas manchas brancas com halo eritematoso na mucosa jugal, na altura dos molares. Há um exantema maculopapular avermelhado que se iniciou na região retroauricular e na face e progride para o tronco, com áreas de confluência. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta imediata?
Correta: febre alta com pródromo catarral clássico (tosse, coriza e conjuntivite), manchas de Koplik na mucosa jugal e exantema morbiliforme de progressão craniocaudal em criança não vacinada e com história de viagem configuram sarampo. É doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 horas) à vigilância epidemiológica, com coleta de sorologia e material para identificação viral, busca de contatos e bloqueio vacinal em até 72 horas; o Ministério da Saúde recomenda vitamina A para todos os casos, em duas doses (dias 1 e 2), conforme a idade, por reduzir morbimortalidade. Rubéola também é de notificação imediata (não semanal) e não cursa com manchas de Koplik nem com pródromo catarral tão exuberante. Exantema súbito ocorre em lactentes, com exantema surgindo após a queda da febre, e não é de notificação compulsória. Eritema infeccioso apresenta face esbofeteada e exantema rendilhado, sem toxemia, e não justificaria dispensar precauções — no sarampo o isolamento por aerossóis é obrigatório.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, é levado à Unidade Básica de Saúde porque seu irmão de 7 anos teve sarampo confirmado laboratorialmente, com início do exantema há 3 dias. A criança convive no mesmo domicílio, está assintomática, sem febre, e recebeu apenas as vacinas do calendário até o momento (BCG, hepatite B, pentavalente, VIP, rotavírus e pneumocócica). A mãe não sabe informar seu próprio histórico vacinal. Qual é a conduta profilática indicada para o lactente?
Correta: em contactantes suscetíveis que NÃO podem receber a vacina — menores de 6 meses, gestantes suscetíveis e imunocomprometidos —, o Guia de Vigilância em Saúde indica imunoglobulina humana normal (IGHN) IM, 0,25 mL/kg (0,5 mL/kg em imunocomprometidos, máximo 15 mL), até o 6º dia após a exposição; com 3 dias, a janela está aberta. A vacina tríplice viral não se aplica: além de o bloqueio vacinal só valer até 72 horas, a vacina é contraindicada abaixo dos 6 meses. Não é aceitável apenas observar, pois existe profilaxia disponível e eficaz nesse prazo. A vitamina A é tratamento de todo caso de sarampo em menores de 5 anos (reduz letalidade), não profilaxia pós-exposição. Lembrar ainda que sarampo é de notificação imediata (até 24 horas).
Menina de 6 anos é atendida na UBS por lesões cutâneas. Há 4 dias teve febre baixa, coriza e cefaleia, sintomas que cederam. Há 2 dias surgiu eritema intenso em ambas as bochechas, com palidez perioral, seguido de exantema maculopapular em tronco e membros que assumiu aspecto rendilhado/reticulado, mais visível após o banho quente e a exposição ao sol. Está afebril, ativa, sem linfonodomegalia retroauricular e sem enantema. Vacinação em dia. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: o quadro é eritema infeccioso (parvovírus B19) — pródromo inespecífico, face esbofeteada com palidez perioral e exantema reticulado que recrudesce com calor/sol. A transmissibilidade ocorre na fase prodrômica virêmica; quando o exantema aparece, a criança já não transmite, de modo que não há indicação de afastamento escolar, e o manejo é sintomático na APS. Afastar por 7 dias é errado justamente porque não há mais transmissão. Sarampo cursa com febre alta persistente ao surgimento do exantema, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, com progressão craniocaudal — não é o caso, e a notificação de sarampo/rubéola exige caso febril exantemático. Aciclovir não tem papel no parvovírus B19 em imunocompetentes. Vale orientar a família sobre o risco a gestantes suscetíveis (hidropsia fetal) e a pacientes com anemias hemolíticas (crise aplásica).
Lactente de 11 meses é levado à UBS com história de febre alta (39,5 °C) por 3 dias, sem outros sintomas além de irritabilidade, com bom estado geral nos intervalos da febre. Hoje a febre cessou e, poucas horas depois, surgiu exantema maculopapular róseo, de pequenos elementos, iniciado no tronco e pescoço, com discreta extensão à raiz dos membros e poupando a face. A criança está afebril, ativa, aceitando bem a dieta, sem sinais de toxemia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: exantema súbito (roséola infantil, herpes-vírus humano 6/7), típico de lactentes de 6 a 24 meses. A marca diagnóstica é a dissociação febre-exantema: 3 a 5 dias de febre alta com bom estado geral e, com a defervescência, surge exantema róseo maculopapular no tronco e pescoço, autolimitado. Na rubéola, o exantema é concomitante à febre baixa e acompanha linfonodomegalia retroauricular/occipital. No sarampo, a febre é alta e persiste ao surgimento do exantema, com tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik, toxemia e progressão craniocaudal a partir da face. No eritema infeccioso predominam a face esbofeteada e o exantema reticulado em escolares, sem essa relação com a queda da febre. Conduta na APS: sintomáticos e orientação, sem necessidade de exames.
Uma menina de 6 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde com febre alta há 4 dias, tosse, coriza e conjuntivite, seguidas do aparecimento de exantema maculopapular que se iniciou na face e progrediu para o tronco. Ao exame, apresenta enantema com pequenas manchas esbranquiçadas na mucosa jugal. A caderneta de vacinação está incompleta. Considerando a suspeita clínica e as normas da vigilância epidemiológica no Brasil, a conduta correta do médico da UBS é:
O quadro (febre, tosse, coriza, conjuntivite, exantema craniocaudal e manchas de Koplik em criança com vacinação incompleta) é caso suspeito de sarampo — doença de notificação COMPULSÓRIA IMEDIATA (até 24 horas) a partir da suspeita, com coleta de amostras para sorologia (IgM/IgG) e identificação viral (urina/secreção nasofaríngea), conforme a Lista Nacional de Notificação Compulsória e o Guia de Vigilância em Saúde. Aguardar a sorologia atrasa o bloqueio vacinal de contactantes e é incorreto: notifica-se a SUSPEITA, não a confirmação. A notificação semanal aplica-se a agravos de notificação semanal, não ao sarampo, cuja notificação é imediata. Exigir um segundo caso é errado: um único caso suspeito de sarampo já é evento de importância epidemiológica em país com eliminação do vírus autóctone.
Adolescente de 13 anos, assintomática, comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) porque um colega de sala recebeu diagnóstico de sarampo confirmado laboratorialmente, com contato ocorrido há 2 dias. Ela refere ter recebido apenas uma dose de vacina tríplice viral na infância. Diante desse contato domiciliar/escolar, qual é a conduta de imunização mais adequada neste momento?
Diante de contato com caso confirmado de sarampo, a vacinação de bloqueio com tríplice viral está indicada para suscetíveis em até 72 horas do contato — a adolescente é hígida e tem esquema incompleto, sendo candidata à vacina. Erra por adiar uma medida de contenção da cadeia de transmissão. Erra porque a imunoglobulina fica reservada a quem tem contraindicação à vacina (gestantes, imunodeprimidos, lactentes <6 meses), não a adolescente hígida. Erra porque uma única dose é insuficiente e não dispensa o bloqueio.
Menino de 3 anos é levado à Unidade Básica de Saúde (UBS) com febre alta há 4 dias, tosse, coriza e hiperemia conjuntival. Ao exame, apresenta manchas branco-acinzentadas na mucosa jugal, à altura dos pré-molares, e exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e na face, progredindo em sentido craniocaudal para o tronco. A caderneta de vacinação não está disponível e a mãe não recorda as doses. Além das medidas de suporte, qual a conduta mais adequada?
O quadro (febre, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik e exantema maculopapular craniocaudal) é clássico de sarampo. Sarampo é doença de notificação compulsória IMEDIATA (até 24h) para desencadear bloqueio vacinal e investigação de contatos; o Ministério da Saúde recomenda vitamina A para todos os casos, reduzindo morbimortalidade. Erra por retardar a notificação (não é semanal) e por antibiótico sem indicação. Erra por omitir a notificação imediata, obrigatória. Erra: aciclovir não trata sarampo e a transmissão é respiratória (isolamento aéreo), sem notificação.
Lactente de 10 meses, previamente hígido, é levado à UBS com febre alta (39-40 C) há 3 dias, mantendo bom estado geral entre os picos febris e sem outros sintomas. No dia da consulta, a febre cedeu e surgiu exantema maculopapular rosado no tronco, que se estende para o pescoço, poupando a face. Qual o diagnóstico mais provável?
O padrão febre alta por 3-4 dias em lactente com bom estado geral, seguida do surgimento do exantema APÓS a defervescência, é típico do exantema súbito (roséola), causado pelo herpes-vírus humano tipo 6. Sarampo cursa com pródromo catarral intenso (tosse, coriza, conjuntivite) e o exantema surge COM a febre alta. Rubéola tem exantema mais discreto com linfadenopatia retroauricular/occipital, sem esse padrão de febre que cede antes do rash. Escarlatina cursa com exantema micropapular áspero (pele em lixa), língua em framboesa e faringite estreptocócica.
Menino de 3 anos, sem comprovante vacinal, é levado à UPA com febre alta há 4 dias, tosse intensa, coriza e olhos vermelhos com lacrimejamento. Ao exame, apresenta manchas branco-azuladas puntiformes na mucosa jugal, à altura dos molares, e exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e na fronte, progredindo em sentido craniocaudal, com tendência à confluência na face. Está em regular estado geral, hidratado, eupneico, sem sinais de complicação. Confirmada a hipótese clínica de sarampo, além das medidas de suporte e da notificação, assinale a conduta específica recomendada pelo Ministério da Saúde para este paciente.
O tratamento do sarampo é de suporte, mas o Ministério da Saúde recomenda administração de vitamina A a TODA criança com sarampo, independentemente do estado nutricional, para reduzir morbimortalidade — em duas doses (dia do diagnóstico e no dia seguinte), com posologia por idade: 50.000 UI para menores de 6 meses, 100.000 UI de 6 a 11 meses e 200.000 UI para 12 meses ou mais. Como o paciente tem 3 anos, a dose correta é 200.000 UI/dia por 2 dias. O sarampo é doença de notificação IMEDIATA (até 24 h), o que elimina a proposta de notificar em até 7 dias. A dose de 100.000 UI em dose única corresponde a faixa etária menor e a regime incompleto. E a azitromicina por 5 dias está errada porque antibiótico não é profilático (só se houver infecção bacteriana secundária documentada), assim como o aciclovir não tem papel no sarampo.
Lactente de 10 meses, previamente hígido e com vacinas em dia, é trazido ao pronto-socorro por febre alta (até 39,8 °C) há 3 dias, aferida pela mãe, sem outros sintomas relevantes além de discreta irritabilidade nos picos febris; alimentou-se bem e manteve boa atividade nos períodos afebris. No terceiro dia, a febre cedeu subitamente e, poucas horas depois, surgiu exantema maculopapular de coloração rósea, não pruriginoso, predominando em tronco e pescoço, poupando a face, com desaparecimento à digitopressão. Ao exame, criança em bom estado geral, hidratada, com orofaringe sem alterações e sem descamação. Assinale a hipótese diagnóstica mais provável.
O quadro é clássico de exantema súbito (roséola infantum), causado principalmente pelo herpes-vírus humano tipo 6 (HHV-6), típico de lactentes de 6 meses a 2 anos: febre alta por 3–4 dias em criança em bom estado geral, seguida de defervescência SÚBITA e SÓ ENTÃO surge o exantema róseo em tronco/pescoço — a sequência 'febre some, exantema aparece' é o dado-chave. Na rubéola o exantema surge junto com a febre (baixa) e há linfadenopatia retroauricular/occipital. Na escarlatina há febre, faringite, exantema micropapular áspero ('lixa') com sinal de Filatov e descamação posterior. No sarampo a criança tem estado geral comprometido, tosse/coriza/conjuntivite, Koplik e exantema craniocaudal que aparece na vigência da febre.
Menina de 6 anos é levada ao ambulatório de pediatria por manchas na face e nos braços notadas há 2 dias. A mãe relata que a criança teve apenas sintomas leves de resfriado na semana anterior, sem febre significativa no momento. Ao exame, encontra-se em ótimo estado geral e apresenta eritema intenso e confluente em ambas as bochechas, com aspecto de 'face esbofeteada' e palidez perioral, além de exantema reticulado/rendilhado nas superfícies extensoras dos membros superiores. Não há acometimento de mucosas nem linfadenomegalia. Assinale o diagnóstico mais provável.
O eritema infeccioso (quinta doença), causado pelo parvovírus B19, tem apresentação clássica em escolares: eritema facial intenso em 'face esbofeteada' com palidez perioral, seguido de exantema reticulado/rendilhado em membros, em criança afebril ou com febre baixa e bom estado geral. O sarampo cursa com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite, Koplik e exantema craniocaudal, em criança toxemiada. A rubéola tem exantema craniocaudal róseo com linfadenopatia retroauricular/occipital. E a escarlatina apresenta faringite, língua em framboesa e exantema micropapular áspero com descamação — sem o padrão de face esbofeteada nem o rash rendilhado.
Menino de 5 anos é levado à UBS com febre de 39 °C há 2 dias, odinofagia intensa e recusa alimentar. A mãe notou, no segundo dia, um exantema que começou no pescoço e nas dobras. Ao exame: orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano puntiforme, adenomegalia cervical anterior dolorosa, língua com papilas hipertrofiadas sobre fundo eritematoso, palidez ao redor da boca e exantema micropapular difuso, de textura áspera à palpação, poupando as palmas e as plantas, com acentuação linear nas fossas antecubitais. Não há conjuntivite, edema de extremidades nem alteração do estado geral. Assinale a conduta terapêutica adequada para o caso.
O quadro é clássico de escarlatina: faringoamigdalite exsudativa febril com adenomegalia cervical anterior, língua em framboesa, sinal de Filatov (palidez perioral), exantema micropapular em lixa e sinal de Pastia (linhas nas dobras) — infecção por Streptococcus pyogenes produtor de toxina eritrogênica. O tratamento de escolha no Brasil é penicilina (benzatina IM dose única) ou amoxicilina VO 50 mg/kg/dia por 10 dias, cujo objetivo principal é a prevenção da febre reumática. Imunoglobulina + AAS trata doença de Kawasaki, que exigiria febre ≥5 dias com conjuntivite não exsudativa, alterações de extremidades e ausência de exsudato amigdaliano. Conduta apenas sintomática seria adequada a faringite viral, que não cursa com exantema em lixa, Pastia e Filatov. Oxacilina para síndrome da pele escaldada estafilocócica, que traz bolhas e Nikolsky positivo, ausentes aqui.
Durante um surto de sarampo em um município, um adolescente de 14 anos comparece à unidade de saúde acompanhado da mãe. Há cerca de 30 horas ele permaneceu na mesma sala de aula de um colega com sarampo confirmado laboratorialmente. Está assintomático, é imunocompetente e não faz uso de medicações. Na caderneta não há registro de nenhuma dose de vacina com componente contra o sarampo e a mãe não recorda vacinações prévias. Assinale a conduta mais adequada para este contato susceptível.
Correta: o bloqueio vacinal está indicado para contato susceptível e deve ser feito com a tríplice viral em até 72 horas da exposição, exatamente o cenário descrito. A imunoglobulina humana normal é reservada a susceptíveis com contraindicação à vacina de vírus vivo — gestantes, imunocomprometidos e lactentes menores de 6 meses — e não é a escolha para um adolescente imunocompetente. Aguardar o surgimento de sintomas perde a janela do bloqueio e mantém a cadeia de transmissão. Pedir sorologia antes de vacinar também erra: o tempo do resultado comprometeria a janela de 72 horas.
Menino de 4 anos, sem comprovante vacinal atualizado, é levado à UBS com febre alta há 4 dias, tosse, coriza e conjuntivite. Ao exame, apresenta exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e na face e progrediu para o tronco, além de pequenas lesões esbranquiçadas na mucosa jugal. A mãe relata que a família retornou há duas semanas de viagem internacional. Diante da principal hipótese diagnóstica, assinale a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica.
O quadro (febre, tosse, coriza, conjuntivite, manchas de Koplik na mucosa jugal e exantema maculopapular com progressão craniocaudal, em criança não vacinada com histórico de viagem) é típico de sarampo, doença de notificação compulsória IMEDIATA (em até 24 horas), com base apenas na suspeita clínica, para desencadear bloqueio vacinal e investigação — o que refuta tanto a notificação semanal apenas após confirmação quanto a espera pelo resultado do exame. Complicação/internação não é pré-requisito para notificar.
Menina de 4 anos, sem vacinas por recusa dos pais, é atendida na UBS com febre de 39,5 °C há 4 dias, tosse intensa, coriza abundante e hiperemia conjuntival com fotofobia. Ao exame, apresenta enantema com pequenas lesões branco-acinzentadas sobre halo eritematoso na mucosa jugal, na altura dos molares. No dia da consulta surgiu exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e na face e progride em sentido craniocaudal para o tronco. Assinale o diagnóstico mais provável.
A tríade catarral (tosse, coriza e conjuntivite com fotofobia) associada às manchas de Koplik na mucosa jugal é patognomônica de sarampo, e o exantema morbiliforme de progressão craniocaudal surgindo no 4º dia de febre alta em criança não vacinada confirma o quadro — doença de notificação compulsória imediata. Rubéola cursa com febre baixa, exantema róseo fugaz e linfadenopatia retroauricular/occipital dolorosa, sem Koplik nem pródromo catarral exuberante. No exantema súbito o rash aparece justamente quando a febre cessa, em lactentes, e poupa a face. A escarlatina produz exantema micropapular áspero (pele em lixa) com língua em framboesa e faringite, sem conjuntivite ou coriza.
Lactente de 11 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, apresentou febre de até 39,5 °C por 3 dias, irritabilidade durante os picos febris, porém ativo e aceitando bem a dieta nos intervalos, sem foco identificado ao exame. No 2º dia recebeu amoxicilina por suspeita de otite média. Hoje, a mãe relata que a febre cessou há 12 horas e que surgiu exantema maculopapular rosado no tronco e no pescoço, poupando face e extremidades, sem prurido, com a criança em ótimo estado geral. Assinale a conduta adequada.
O padrão temporal é a chave: febre alta por 3 dias em lactente com bom estado geral e sem foco, seguida de exantema que surge APÓS a defervescência, acometendo tronco e poupando face — quadro clássico de exantema súbito (roséola infantil) pelo herpes-vírus humano 6, de evolução benigna e manejo sintomático; o antibiótico prescrito sem confirmação de otite deve ser suspenso. Rotular alergia à penicilina é erro frequente e prejudicial, pois retira injustamente uma classe terapêutica de primeira linha da criança — o exantema é viral, não medicamentoso, o que também afasta a farmacodermia e o uso de corticoide. No sarampo o exantema surge no pico febril, acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite, ausentes aqui.
Lactente de 9 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, apresentou febre alta (39,0 a 39,5 °C) por 3 dias, com bom estado geral nos períodos afebris, mantendo aceitação alimentar e sem sintomas respiratórios, digestivos ou urinários. Foi avaliado duas vezes na unidade, sem foco identificado ao exame físico. No quarto dia, a febre cessou abruptamente e, poucas horas depois, surgiu exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, iniciado em tronco e pescoço, com discreta extensão para a raiz dos membros, poupando a face, sem descamação e com a criança em ótimo estado geral. O diagnóstico mais provável é:
O padrão é característico do exantema súbito (herpes-vírus humano 6): lactente entre 6 e 24 meses, febre alta por 3 a 5 dias sem foco e com bom estado geral, seguida de defervescência abrupta e surgimento do exantema maculopapular róseo em tronco e pescoço. No sarampo o exantema surge NO pico da febre, com tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, e é morbiliforme com progressão craniocaudal e descamação furfurácea. Na rubéola há linfadenopatia retroauricular/occipital e febre baixa, com exantema concomitante à febre. O eritema infeccioso tem face esbofeteada e exantema rendilhado nos membros, sem esse padrão de febre alta prévia.
Lactente de 9 meses, sem comorbidades, é atendido em unidade de pronto atendimento com febre de 39,5 °C há 4 dias, tosse intensa, coriza abundante e hiperemia conjuntival com fotofobia. No exame da mucosa jugal, à altura dos molares inferiores, observam-se pequenas lesões brancacentas com halo eritematoso. Há 24 horas surgiu exantema maculopapular morbiliforme iniciado na região retroauricular e na fronte, com progressão craniocaudal. Recebeu apenas as vacinas previstas até os 6 meses de idade. Além da notificação imediata e da coleta de amostras para sorologia e biologia molecular, assinale a conduta específica correta.
O quadro é sarampo (febre alta, tosse, coriza, conjuntivite com fotofobia, manchas de Koplik e exantema morbiliforme de progressão craniocaudal). O protocolo do Ministério da Saúde recomenda vitamina A para todas as crianças com sarampo, independentemente do estado nutricional, em duas doses, no dia do diagnóstico e no dia seguinte, com posologia por faixa etária: menores de 6 meses 50.000 UI, de 6 a 11 meses 100.000 UI e a partir de 12 meses 200.000 UI. Como o lactente tem 9 meses, a dose correta é 100.000 UI em dois dias consecutivos. A dose de 200.000 UI é a de crianças com 12 meses ou mais. O esquema em dose única está errado porque a recomendação é de duas doses. Restringir a vitamina A a desnutridos ou complicados contraria a recomendação vigente, que é universal nos casos de sarampo.
Menina de 5 anos é levada ao pronto-socorro por dificuldade para andar iniciada há 24 horas. Há 8 dias apresentou febre e exantema vesicular generalizado em diferentes estágios de evolução, com crostas atualmente. Não usou medicações. Ao exame: afebril, lúcida, orientada, sem rigidez de nuca ou outros sinais meníngeos. Apresenta marcha de base alargada com quedas frequentes, dismetria à prova índice-nariz bilateral, disartria discreta e nistagmo horizontal. Força muscular preservada, reflexos profundos normais e simétricos, sem alterações de sensibilidade. Assinale o diagnóstico mais provável.
A ataxia cerebelar aguda é a complicação neurológica mais frequente da varicela na infância, tipicamente surgindo entre o 5º e o 10º dia após o exantema, com ataxia de marcha, dismetria, disartria e nistagmo em criança afebril, com nível de consciência preservado e sem déficit motor. É autolimitada, com recuperação em 2 a 4 semanas, e o manejo é de suporte. A encefalite por VVZ cursaria com rebaixamento do nível de consciência, convulsões e/ou febre, o que não ocorre aqui. Guillain-Barré produz fraqueza ascendente com arreflexia — a paciente tem força e reflexos normais. A ADEM caracteriza-se por encefalopatia com déficits multifocais e lesões desmielinizantes extensas à ressonância, quadro mais grave e difuso que a síndrome cerebelar pura descrita.
Menino de 3 anos, sem comprovante vacinal, é levado à unidade básica de saúde com febre de 39,5 °C há quatro dias, tosse seca, coriza e hiperemia conjuntival com fotofobia. Ao exame, apresenta exantema maculopapular que iniciou na região retroauricular e na face e progride para o tronco, além de manchas branco-acinzentadas na mucosa jugal. A família retornou há duas semanas de viagem internacional. O médico levanta a hipótese de sarampo. Assinale a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica.
Sarampo é agravo de notificação compulsória IMEDIATA (até 24 horas) diante da SUSPEITA, com investigação em 48 horas, coleta de sorologia e RT-PCR e bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis em até 72 horas da exposição — conduta essencial para sustentar a eliminação do vírus no país. A notificação semanal aplica-se a outros agravos, não ao sarampo. Condicionar a notificação ao IgM reagente atrasa o bloqueio e é erro grave, pois a notificação é feita pela suspeita clínica. Nunca se dispensa a notificação de caso suspeito, ainda que se institua isolamento.
Menina de 6 anos, com 22 kg, apresenta febre alta, odinofagia intensa e exantema micropapular vermelho vivo, áspero ao tato, acentuado nas dobras, com palidez perioral e língua em framboesa. A orofaringe está hiperemiada com exsudato amigdaliano. Segundo a diretriz brasileira adotada pela Sociedade Brasileira de Pediatria para erradicação do estreptococo e prevenção da febre reumática, qual tratamento é correto?
O quadro é de escarlatina por estreptococo do grupo A. Na diretriz brasileira citada, a penicilina G benzatina é administrada em dose única intramuscular, com corte de 20 kg: 600.000 UI abaixo de 20 kg e 1.200.000 UI a partir de 20 kg. Para 22 kg, portanto, cabem 1.200.000 UI. Amoxicilina oral é alternativa por 10 dias, não por cinco. Macrolídeo é reservado principalmente à alergia à penicilina. A explicitação da diretriz é necessária porque outras referências internacionais utilizam corte de 27 kg. Fontes: Sociedade Brasileira de Pediatria, documento científico sobre febre reumática; Diretrizes Brasileiras para Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática.
Lactente de 11 meses é levado ao pronto-socorro por febre alta, aferida em 39,8 °C, com início há três dias, sem tosse, sem coriza e sem alteração ao exame físico além da irritabilidade. Foi medicado com antitérmico e recebeu amoxicilina no segundo dia, prescrita em outro serviço por suspeita de otite. Hoje, quarto dia, a mãe relata que a febre cessou pela manhã e que, algumas horas depois, surgiram manchas avermelhadas no tronco, que se estenderam para o pescoço e a raiz dos membros. Ao exame, a criança está afebril, ativa, aceitando líquidos, com exantema maculopapular róseo de lesões discretas e não coalescentes no tronco, sem descamação, sem enantema e sem linfadenopatia. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
A sequência descrita é a assinatura do exantema súbito: febre alta por três dias em lactente, sem foco ao exame, seguida de defervescência e SÓ ENTÃO o aparecimento do exantema, com a criança já afebril e em bom estado geral. A topografia confirma — começa no tronco e vai para pescoço e raiz dos membros, dura de 24 a 72 horas e não descama. Sarampo está excluído porque nele a febre PERSISTE e os sintomas se acentuam quando o exantema surge, além de haver tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, todos ausentes aqui; o exantema do sarampo também é cefalocaudal, começando na região retroauricular. Rubéola cursa com febre baixa simultânea ao exantema e linfadenopatia retroauricular, occipital ou cervical, ausente no caso. Escarlatina exige faringoamigdalite, exantema áspero como lixa, palidez perioral e língua em framboesa. A alternativa da farmacodermia é a armadilha real do caso e o erro que se comete na prática: o antibiótico foi prescrito no segundo dia de febre e o exantema apareceu no quarto, coincidência temporal que leva a rotular indevidamente a criança como alérgica à penicilina para o resto da vida. O antibiótico deve ser suspenso por não ter indicação — não por alergia. Vale registrar que essa mesma armadilha se repete na mononucleose infecciosa tratada com amoxicilina ou ampicilina, em que o exantema é quase a regra.
Em uma creche, uma criança de 3 anos recebe diagnóstico de varicela. Entre os contatos há: um menino de 4 anos, hígido, suscetível e sem vacinação; uma menina de 6 meses; e uma criança de 5 anos em quimioterapia por leucemia, suscetível, que dividiu a sala com o caso índice durante toda a manhã. A equipe é acionada 60 horas após o contato. Qual a conduta?
São dois prazos e duas indicações diferentes, e a questão obriga a separá-los. A VACINA de bloqueio, para controle de surto, está indicada ao comunicante suscetível IMUNOCOMPETENTE maior de 9 meses e vale até 120 horas (5 dias) do contato — o menino de 4 anos, hígido e suscetível, está a 60 horas e portanto dentro da janela. A IMUNOGLOBULINA humana antivaricela vale até 96 horas (4 dias) e exige TRÊS condições simultâneas: suscetibilidade, contato significativo (domiciliar contínuo de pelo menos uma hora em ambiente fechado, ou hospitalar no mesmo quarto ou com contato direto prolongado) e condição especial de risco. A lactente de 6 meses e a criança em quimioterapia preenchem as três: a primeira está abaixo dos 9 meses e não pode receber a vacina, e a segunda é imunodeprimida, situação em que vacina de vírus vivo atenuado está contraindicada. Ambas estão dentro das 96 horas. A dose é 125 UI a cada 10 kg de peso, no máximo 625 UI. As alternativas erradas testam confusões específicas: vacinar o imunodeprimido é contraindicado; vacinar a lactente de 6 meses é impossível pela idade mínima de 9 meses; não existe prazo de 48 horas para profilaxia pós-exposição de varicela; e não há indicação de aciclovir profilático para contatos sem risco de complicação — a imunoglobulina, por sua vez, tem finalidade exclusivamente profilática e nenhuma indicação terapêutica.
Menino de 3 anos está internado no quinto dia de febre alta contínua, que não cedeu a dois esquemas de antibiótico. Apresenta-se muito irritado, com hiperemia conjuntival bilateral sem secreção, lábios rachados e eritematosos, língua em framboesa, exantema maculopapular polimorfo no tronco, edema de dorso de mãos e pés e um linfonodo cervical de 2 cm à direita. Exames mostram PCR e VHS elevados, leucocitose com neutrofilia e plaquetas de 620.000/mm³. Qual a conduta?
O caso preenche os critérios clássicos de doença de Kawasaki: febre por cinco dias ou mais somada a QUATRO ou mais dos cinco critérios principais. Estão presentes todos os cinco — conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios e cavidade oral, exantema polimorfo não vesicular, alterações de extremidades com edema de mãos e pés, e linfadenopatia cervical. O laboratório reforça: elevação de PCR e VHS, leucocitose com neutrofilia e trombocitose, achado característico da fase subaguda. O tratamento é imunoglobulina humana intravenosa em dose única de 2 g/kg associada ao ácido acetilsalicílico, em dose anti-inflamatória na fase aguda e antiagregante depois, e o prazo é o que decide o prognóstico: até o DÉCIMO dia de doença, idealmente entre o quinto e o décimo. A criança está no quinto dia, na janela ideal. O ecocardiograma é obrigatório na suspeita, para procurar dilatação e aneurisma e estratificar risco. Sem tratamento, 20% a 25% dos pacientes desenvolvem aneurisma coronariano. Aguardar sorologia e manter só suporte é exatamente o erro que produz dano permanente — e note que a febre que não responde a dois antibióticos é parte do quadro, não sinal de que falta o antibiótico certo. Escarlatina compartilha a língua em framboesa, mas exige faringoamigdalite e exantema áspero em lixa com palidez perioral, e responde ao antibiótico em 24 a 48 horas. Farmacodermia melhora com a retirada da droga, o que não ocorreu. Aciclovir não tem papel algum em nenhuma das hipóteses do caso.
Menino de 4 anos é atendido na unidade básica com febre há quatro dias, tosse, coriza, conjuntivite não purulenta e exantema maculopapular morbiliforme que começou na região retroauricular e desceu para tronco. Ao exame da cavidade oral, observam-se pequenos pontos brancos na mucosa jugal na altura dos molares superiores. A caderneta registra duas doses de vacina com componente sarampo. Qual a conduta imediata?
O caso preenche integralmente a definição de caso suspeito de sarampo: febre e exantema maculopapular morbiliforme de direção cefalocaudal acompanhados de tosse, coriza e conjuntivite. A definição oficial encerra-se com a expressão independentemente da idade e da situação vacinal, de modo que ter duas doses registradas NÃO descarta a suspeita — existe falha vacinal, e a vigilância de eliminação depende de sensibilidade máxima. As manchas de Koplik, que antecedem o exantema, são praticamente patognomônicas. O relógio da vigilância é fixo e conta a partir da SUSPEITA: 24 horas para notificar à Secretaria Municipal de Saúde, 48 horas para investigar e 72 horas para o bloqueio vacinal seletivo dos contatos a partir de 6 meses. Aguardar sorologia inverte a lógica do sistema e perde a janela do bloqueio, que depois de 72 horas do contato já não interrompe a cadeia de transmissão. A coleta de sangue para sorologia e de swab de oro e nasofaringe mais urina para RT-PCR deve ocorrer no primeiro contato com o paciente — o material para identificação viral tem janela até o 7º dia do exantema, preferencialmente nos três primeiros. Antibiótico é contraindicado no sarampo, salvo infecção secundária documentada. Detalhe adicional: o antecedente vacinal recente pode tornar necessária a genotipagem para diferenciar vírus vacinal de selvagem, mas isso é problema de interpretação laboratorial, não motivo para não notificar.
Menina de 7 anos apresenta há dois dias eritema simétrico e quente em ambas as bochechas, com nítida palidez ao redor da boca e do nariz, seguido de exantema maculopapular com clareamento central, de aspecto rendilhado, no tronco e nas faces extensoras dos membros. Está afebril e em excelente estado geral. Há outros casos semelhantes na escola. A mãe está grávida de 15 semanas e pergunta o que deve ser feito. Qual a conduta correta?
O quadro é de eritema infeccioso por parvovírus B19: face esbofeteada com palidez perioral, exantema reticulado nas superfícies extensoras, ausência de febre, bom estado geral, surto escolar em escolar de 7 anos. A informação decisiva é que a transmissibilidade do parvovírus B19 é MÁXIMA ANTES do exantema — quando a bochecha fica vermelha, a fase virêmica já terminou e o que se vê é fenômeno imunomediado. Afastar a criança da escola não protege ninguém, e essa é a única doença exantemática da lista em que a conduta correta é não fazer nada quanto ao isolamento. Também não há vacina, não há antiviral (aciclovir não tem qualquer papel aqui, é fármaco para herpes-vírus) e não há imunoglobulina profilática para parvovírus B19 — o prazo de 96 horas pertence à imunoglobulina antivaricela, que é outra doença e outra indicação. Eritema infeccioso não é de notificação compulsória e não existe bloqueio vacinal para ele. O que realmente muda o desfecho é a gestante: o parvovírus B19 tem tropismo por progenitores eritroides e pode causar anemia fetal grave, hidropisia e óbito fetal, com transmissão transplacentária em cerca de 30% a 50% das infecções primárias e risco de anemia fetal grave ou hidropisia em torno de 3% a 4% no conjunto, subindo para cerca de 6% a 7% quando a infecção ocorre antes das 20 semanas. A conduta é sorologia materna e, havendo infecção aguda, seguimento em pré-natal de alto risco com ultrassonografia seriada, podendo chegar à transfusão intrauterina. Repare que a exposição da mãe já ocorreu dias antes do exantema do filho, o que torna qualquer afastamento agora inócuo.
Criança de 2 anos com diagnóstico clínico de sarampo, previamente eutrófica, é avaliada na unidade básica de saúde. Além das medidas de suporte e das ações de vigilância, qual a prescrição correta de vitamina A?
O Ministério da Saúde recomenda palmitato de retinol por via ORAL para todas as crianças consideradas casos suspeitos de sarampo, em DUAS doses — uma no dia da suspeita e outra no dia seguinte —, com a dose definida pela faixa etária: 50.000 UI para menores de 6 meses, 100.000 UI dos 6 aos 11 meses e 29 dias, e 200.000 UI a partir dos 12 meses. A criança tem 2 anos, portanto 200.000 UI. Três erros são testados pelas alternativas. O primeiro é a dose única: além de contrariar o documento brasileiro, é justamente o esquema que a revisão sistemática Cochrane não conseguiu associar a redução de mortalidade, enquanto o benefício aparece com duas doses de 200.000 UI em dias consecutivos, sobretudo em menores de 2 anos. O segundo é condicionar a prescrição à desnutrição ou à dosagem sérica: a recomendação brasileira é universal para o caso suspeito, mediante avaliação clínica e/ou nutricional por profissional de saúde, e a finalidade declarada é reduzir mortalidade e prevenir complicações, não corrigir uma deficiência já documentada. O terceiro é a via: o esquema é oral, disponível em solução oral e em cápsulas, e não intramuscular. Vale lembrar que o sarampo consome as reservas hepáticas de retinol e que a hipovitaminose A resultante agrava a lesão epitelial e a imunossupressão pós-sarampo, sendo causa evitável de cegueira infantil.
Você atende na unidade básica um caso suspeito de rubéola em uma mulher de 22 anos. No domicílio residem: um lactente de 8 meses com esquema vacinal em dia para a idade, uma criança de 5 anos com duas doses de vacina com componente rubéola, uma gestante de 26 semanas que não comprova vacinação, e um adulto de 35 anos sem registro de nenhuma dose. Qual a conduta de bloqueio vacinal?
O bloqueio vacinal da rubéola é seletivo, alcança todos os contatos a partir dos 6 meses de idade e deve ser operacionalizado em até 72 horas após a identificação do caso suspeito ou confirmado — esse é o período máximo em que ainda é possível interromper a cadeia de transmissão e evitar casos secundários. A situação vacinal de cada contato é avaliada pela caderneta e atualizada quando necessário; quem já tem esquema completo não recebe dose adicional, o que resolve a criança de 5 anos. O lactente de 8 meses entra no bloqueio, mas a dose aplicada antes dos 12 meses é dose zero e NÃO vale para a rotina: ele seguirá devendo a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15. O adulto de 35 anos, sem registro, recebe uma dose (dos 30 aos 59 anos o esquema é de dose única; de 12 meses a 29 anos são duas doses). A exclusão que a questão testa é a GESTANTE: a vacina com componente rubéola é de vírus vivo atenuado e está contraindicada na gestação, de modo que ela é afastada do convívio com o caso durante o período de transmissibilidade e vacinada no puerpério — o que é particularmente crítico porque é justamente o feto que se quer proteger. Aguardar confirmação laboratorial inverte a lógica do sistema: a orientação oficial é iniciar as medidas de controle assim que houver suspeita, sem esperar o laboratório, e um único caso confirmado já configura surto. Não existe imunoglobulina de bloqueio para rubéola; o prazo de 96 horas pertence à imunoglobulina antivaricela.
Menino de 9 anos com doença falciforme é levado ao pronto-socorro por palidez e cansaço progressivos há três dias, sem febre e sem dor. Um primo que mora na mesma casa teve, há duas semanas, eritema intenso das bochechas seguido de manchas rendilhadas nos braços. Ao exame há palidez cutâneo-mucosa acentuada, sem icterícia nova e sem dor à palpação do baço. Hemoglobina de 4,6 g/dL (basal 8,0), reticulócitos de 0,2% (basal 9%), leucócitos e plaquetas normais. Qual a interpretação e a conduta?
Queda abrupta de hemoglobina com reticulócitos baixos ou ausentes, em criança com anemia hemolítica crônica exposta a um caso de eritema infeccioso, é crise aplásica transitória pelo parvovírus B19: o vírus interrompe a eritropoese por alguns dias, o que é irrelevante para quem tem hemácia de 120 dias de vida e catastrófico para quem tem hemácia de 15. A reticulocitopenia é justamente o que separa a crise aplásica da crise hemolítica, em que os reticulócitos sobem. O tratamento é transfusional. O ponto que decide a conduta de isolamento é a inversão da regra: no eritema infeccioso do escolar a transmissibilidade é máxima antes do exantema e a criança com a bochecha vermelha já não transmite, mas nesta apresentação o paciente está virêmico e é contagiante, exigindo precaução por gotículas se internado. Sequestro esplênico cursa com baço aumentado e doloroso e queda de hemoglobina com reticulócitos altos. Ferro não corrige uma medula que parou de produzir, e manter só sintomáticos deixa sem transfusão uma criança com hemoglobina de 4,6 g/dL.
Adolescente de 15 anos, assintomática, colheu por conta própria sorologia para sarampo em laboratório privado, motivada por notícias de surto em outro estado. O resultado veio com imunoglobulina M reagente. Ela nega febre, exantema, tosse, coriza e conjuntivite nos últimos meses, e a caderneta registra duas doses de vacina com componente sarampo. Segundo a orientação vigente da vigilância, qual a conduta?
A Nota Técnica Conjunta nº 344/2025 resolveu exatamente esta situação: resultado de imunoglobulina M reagente em pessoa sem sinais nem sintomas deve ser comunicado imediatamente à vigilância epidemiológica e investigado caso a caso junto ao laboratório, mas não configura caso suspeito e não é registrado no Sinan — vai para uma planilha específica de resultados reagentes. Só se a investigação encontrar sinais e sintomas compatíveis é que se notifica. Notificar em 24 horas, investigar em 48 e bloquear em 72 é o relógio do caso suspeito, e a adolescente não preenche nenhuma das três portas da definição, que exigem febre com exantema maculopapular. A mesma nota traz duas orientações de contenção que a situação ilustra: não se recomenda testar sistematicamente todo caso de febre com exantema, e não se faz sorologia para verificar resposta vacinal ou imunidade — foi essa coleta desnecessária que criou o problema. Dose adicional de vacina não está indicada em quem já tem esquema completo, e isolamento e afastamento pressupõem doença, que aqui não existe.
Menina de 5 anos teve varicela típica, com surtos sucessivos de vesículas iniciados há seis dias. Hoje todas as lesões estão em fase de crosta, ela está afebril e em bom estado geral. A creche pede um documento do pediatra para o retorno, e a mãe pergunta se o caso precisa ser comunicado à vigilância. Qual a orientação correta?
O critério de retorno na varicela é morfológico, não de calendário: a transmissibilidade vai de 1 a 2 dias antes do exantema até que todas as lesões estejam em fase de crosta, e é isso — e não um número de dias — que libera a criança. Contar 21 dias ou dez dias de exantema mantém em casa uma criança que já não transmite. Quanto à vigilância, a varicela é um caso intermediário e a regra costuma ser lembrada pela metade: não há notificação individual compulsória, notificam-se apenas os casos graves internados, os óbitos e os surtos em creches, escolas e ambientes hospitalares, e no ambiente hospitalar um único caso confirmado já define surto. Uma criança em bom estado, afebril e com todas as lesões em crosta não preenche nenhuma dessas situações. Aciclovir não é conduta de rotina em criança previamente hígida e não encurta o período de afastamento, que depende da evolução das lesões. Vale lembrar que a única exantemática do grupo com notificação imediata e individual é o par sarampo e rubéola.
Crianca de 3 anos chega ao pronto-socorro com exantema maculopapular, febre alta, tosse, coriza e conjuntivite; a mae relata que a crianca nao foi vacinada. Diante da suspeita de sarampo, o medico deve:
Sarampo e doenca de notificacao IMEDIATA (ate 24 horas) diante da suspeita, porque o bloqueio vacinal dos contatos precisa ocorrer em ate 72 horas da exposicao para ser eficaz — a janela de acao e a razao do prazo. Esperar a sorologia engana quem confunde notificar com diagnosticar: a notificacao e por suspeita, e o caso pode ser descartado depois. Transferir a notificacao a familia e ilegal e clinicamente inutil, pois a obrigacao e do profissional e do servico.
Menino de 3 anos apresenta perda de marcos motores, ataxia progressiva, irritabilidade e regressão cognitiva após quadro exantemático febril compatível com sarampo há 6 anos em irmão mais velho; ele próprio teve sarampo aos 8 meses. Eletroencefalograma com complexos periódicos. A hipótese é:
A panencefalite esclerosante subaguda é complicação tardia do sarampo, com risco muito maior quando a infecção ocorre em lactentes jovens, e se manifesta anos depois por deterioração cognitiva, mioclonias e complexos periódicos ao eletroencefalograma. É doença progressiva e sem tratamento curativo, o que faz da vacinação a única prevenção efetiva. Encefalite herpética tem curso agudo e febril, incompatível com essa evolução arrastada.
Criança de 6 anos com febre há 5 dias, exantema e prostração. Considerando o diagnóstico diferencial de dengue na infância, o achado que mais sugere sarampo é:
O pródromo catarral com conjuntivite e tosse, seguido de exantema morbiliforme craniocaudal confluente, é do sarampo, e reconhecê-lo tem consequência imediata de vigilância e bloqueio vacinal. Exantema após a defervescência com prurido sugere dengue em convalescença, e a poliartralgia com edema aponta chikungunya. A confusão entre esses padrões é o que mais atrasa notificação de sarampo em surtos.
Qual a característica que melhor distingue o exantema da rubéola do exantema do sarampo?
A rubéola cursa com estado geral preservado, febre baixa e adenomegalia retroauricular e suboccipital dolorosa, com exantema róseo, discreto, que dura cerca de três dias. O sarampo tem pródromo catarral intenso, manchas de Koplik, exantema morbiliforme que descama de forma furfurácea e criança visivelmente doente. Exantema áspero com linhas de Pastia é escarlatina, e descamação lamelar em extremidades remete à escarlatina em convalescença e à doença de Kawasaki.
Menina de 7 anos com eritema infeccioso apresenta, além do exantema, dor e edema em punhos e joelhos, com rigidez matinal. Qual a interpretação?
O parvovírus B19 causa artropatia simétrica de pequenas e grandes articulações, mais frequente e mais intensa em meninas e mulheres, autolimitada em semanas, com tratamento sintomático. Pensar em artrite idiopática juvenil é o erro de precipitação: aquela exige pelo menos 6 semanas de artrite persistente, e o antecedente exantemático típico aqui aponta a causa viral. Febre reumática exige antecedente de faringite estreptocócica e cursa com artrite migratória de grandes articulações, além dos demais critérios de Jones.
Qual exame confirma o diagnóstico de rubéola durante a investigação de caso suspeito na vigilância epidemiológica?
A confirmação laboratorial se faz por IgM específica na fase aguda ou pela demonstração de aumento significativo de IgG em amostras pareadas, complementada por detecção viral por PCR quando disponível — a rubéola é doença de notificação compulsória imediata e a coleta é obrigatória. Hemograma, provas inflamatórias e radiografia são inespecíficos e não confirmam nada. Cultura de orofaringe responde à suspeita de faringite estreptocócica, que é diagnóstico diferencial da escarlatina, não desta exantemática.
Qual o tratamento indicado para uma criança imunocompetente com eritema infeccioso típico?
A doença é autolimitada no hospedeiro imunocompetente, e o tratamento é apenas sintomático — nem antiviral nem antibiótico alteram sua evolução. A imunoglobulina é o distrator com fundo verdadeiro: ela tem papel, mas apenas na infecção persistente por parvovírus B19 em imunossuprimidos, com anemia crônica por incapacidade de produzir anticorpos neutralizantes. Corticoide não é indicado e pode prolongar a viremia.
Criança de 6 anos com exantema e suspeita de rubéola atendida na unidade básica. Qual a conduta em relação à vigilância epidemiológica?
Toda doença exantemática febril com suspeita de sarampo ou rubéola é de notificação compulsória imediata, em até 24 horas, com coleta de amostra e bloqueio vacinal dos contatos — a notificação é do caso suspeito, nunca do confirmado. Esperar a confirmação laboratorial paralisa a resposta justamente na janela em que ela funciona. O prazo de 30 dias vale para outras agravos, não para este. E o fato de o Brasil ter obtido certificação de eliminação torna a vigilância mais rigorosa, não dispensável — cada caso suspeito é potencial reintrodução.
Menino de 4 anos apresenta febre alta por 4 dias que cessa abruptamente e, no mesmo dia, surge exantema maculopapular róseo em tronco, poupando a face, com criança em bom estado geral. Qual o agente?
Febre alta de 3 a 5 dias em lactente ou pré-escolar em bom estado, que desaparece no momento em que o exantema róseo surge no tronco, é exantema súbito, causado pelo herpes-vírus humano tipo 6. O parvovírus B19 é o distrator de proximidade temática, mas produz face esbofeteada e rendilhado, sem o padrão de febre que cessa com o exantema. Reconhecer o exantema súbito evita a prescrição de antibiótico durante os dias de febre sem foco e explica à família a crise febril que às vezes ocorre nessa fase.
Menino de 8 anos com anemia falciforme apresenta palidez intensa, fadiga e queda da hemoglobina de 8,5 para 4,2 g/dL, com contagem de reticulócitos de 0,2%. Teve contato recente com colega com eritema infeccioso. Qual a complicação?
Queda abrupta de hemoglobina com reticulócitos praticamente ausentes indica parada da eritropoese, e o parvovírus B19 é a causa clássica em quem depende de produção acelerada de hemácias, como nas anemias hemolíticas crônicas. O sequestro esplênico é o distrator próximo, mas nele há esplenomegalia dolorosa de instalação rápida e os reticulócitos estão elevados, porque a medula segue funcionante. Reconhecer a diferença muda a conduta: aqui, transfusão e suporte até a recuperação medular, que costuma ocorrer em 7 a 10 dias.
Menino de 10 anos, em uso de quimioterapia por leucemia, apresenta anemia grave persistente, com reticulocitopenia mantida por 6 semanas e sem exantema. A pesquisa de DNA de parvovírus B19 no sangue é positiva. Qual a conduta?
No imunossuprimido, a incapacidade de produzir anticorpos neutralizantes permite infecção persistente pelo parvovírus B19, com aplasia eritroide crônica e ausência de exantema, já que o exantema é fenômeno imunomediado — a imunoglobulina endovenosa fornece anticorpos e é o tratamento. Prescrever aciclovir é o erro de classe: o parvovírus não é herpes-vírus e não responde a análogos de nucleosídeo. A esplenectomia não tem qualquer papel numa falência de produção medular.
Adolescente de 15 anos, não vacinada, apresenta febre baixa, exantema maculopapular róseo que começou na face e se generalizou em 24 horas, linfadenopatia retroauricular e occipital dolorosa e artralgia em pequenas articulações. Qual o diagnóstico mais provável?
Exantema róseo de progressão craniocaudal rápida, febre baixa, linfadenopatia retroauricular e occipital e artralgia — mais comum em adolescentes e mulheres — compõem o quadro clássico da rubéola. O sarampo é o distrator mais forte, mas cursa com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite pronunciadas, manchas de Koplik e exantema que descama e escurece. A escarlatina tem exantema micropapular áspero com sinal de Pastia e língua em framboesa. O eritema infeccioso começa com face esbofeteada, e o exantema súbito aparece justamente quando a febre alta cessa.
Gestante de 16 semanas relata que seu filho de 5 anos foi diagnosticado com eritema infeccioso. Ela não sabe se já teve a doença. Qual a conduta?
O parvovírus B19 infecta precursores eritroides fetais e pode causar anemia grave, hidropisia e óbito, sobretudo antes de 20 semanas — a conduta é sorologia para definir suscetibilidade e, na infecção confirmada, vigilância ultrassonográfica seriada com Doppler da artéria cerebral média, já que a anemia fetal tem tratamento por transfusão intrauterina. Tranquilizar sem investigar é o erro que perde uma janela terapêutica real. Não há indicação de interrupção nem de antiviral.
Qual é o período de transmissibilidade da rubéola e a conduta de isolamento indicada?
A rubéola transmite-se por gotículas de 7 dias antes a 7 dias depois do início do exantema, o que explica a disseminação antes mesmo do diagnóstico; a precaução indicada é de gotículas. O sarampo é o que exige precaução por aerossol, e trocar um pelo outro é o erro de isolamento hospitalar mais comum entre as exantemáticas. Restringir a transmissão ao período febril subestima a janela pré-exantemática. Vale lembrar que o lactente com rubéola congênita pode eliminar vírus por até um ano, exigindo precaução prolongada.
Menina de 6 anos apresenta há 2 dias eritema intenso em ambas as bochechas, com aspecto de face esbofeteada e palidez perioral. Hoje surgiu exantema reticulado, em rendilhado, em braços e coxas. Está afebril e em bom estado geral. Qual o diagnóstico?
Face esbofeteada com palidez perioral seguida de exantema reticulado em tronco e membros, em criança afebril e bem, é eritema infeccioso, causado pelo parvovírus B19. O sarampo é o distrator que se afasta pelo estado geral: nele há febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e a criança está evidentemente doente, com exantema morbiliforme de progressão craniocaudal. A escarlatina tem língua em framboesa, exantema micropapular áspero e faringite. O exantema súbito começa com febre alta de 3 a 5 dias que cessa quando o exantema aparece.
Criança de 5 anos apresenta febre alta, tosse intensa, coriza, conjuntivite com fotofobia e, ao exame da mucosa jugal, pequenas lesões esbranquiçadas sobre base eritematosa. Qual a conduta além do isolamento e da notificação?
O quadro é sarampo, e as manchas de Koplik antecedem o exantema — o suporte inclui vitamina A em duas doses, que reduz mortalidade e gravidade, além de notificação imediata e isolamento respiratório por aerossol. Antibiótico profilático de rotina não é recomendado; ele entra apenas quando há complicação bacteriana como otite ou pneumonia. A imunoglobulina tem papel na profilaxia pós-exposição de suscetíveis de alto risco, não no paciente que já adoeceu.
Sobre a transmissibilidade do eritema infeccioso, assinale a afirmativa correta.
A viremia e a transmissão ocorrem na fase prodrômica, antes do exantema — quando aparece a face esbofeteada, a criança já não transmite, e o afastamento escolar não tem utilidade. Manter a criança em casa 'até o exantema sumir' é o erro que gera falta escolar sem benefício epidemiológico, ainda mais porque o rendilhado pode reaparecer por semanas com sol, calor ou exercício. A transmissão é respiratória, por gotículas, e não por contato com a pele.
Criança de 4 anos, sem cartão vacinal, com febre alta há 4 dias, tosse intensa, coriza, conjuntivite com fotofobia e, hoje, exantema maculopapular que começou atrás das orelhas e desce pelo corpo. Qual o diagnóstico?
O pródromo catarral intenso — febre alta, tosse, coriza e conjuntivite com fotofobia — precedendo exantema morbiliforme de progressão craniocaudal a partir da região retroauricular é a apresentação típica do sarampo. A rubéola engana por também ter exantema craniocaudal, mas a febre é baixa, o pródromo é discreto e a linfadenopatia retroauricular domina o quadro. Escarlatina tem exantema micropapular áspero e faringite exsudativa sem coriza. Dengue não tem pródromo catarral. Mononucleose cursa com faringite, adenomegalia generalizada e esplenomegalia.
Qual das populações abaixo NÃO exige atenção especial diante de exposição ao parvovírus B19?
A criança hígida tem doença benigna e autolimitada, sem necessidade de vigilância especial. Os três grupos de risco reais são a gestante suscetível (hidropisia fetal), o portador de hemólise crônica como anemia falciforme, talassemia e esferocitose (crise aplásica transitória) e o imunossuprimido (infecção persistente com anemia crônica). Reconhecer esses grupos muda a conduta prática: é para eles que se investiga a exposição e se orienta procurar atendimento diante de palidez ou fadiga.
Menina de 7 anos teve escarlatina tratada. Duas semanas depois, apresenta descamação lamelar em mãos e pés. Qual a conduta?
A descamação lamelar de extremidades ocorre uma a duas semanas após o exantema e é fenômeno esperado da convalescença da escarlatina, não exigindo qualquer intervenção. Reiniciar antibiótico é o erro que trata um achado benigno como recidiva. Vale a ressalva de que a mesma descamação aparece na doença de Kawasaki — e ali, sim, exige avaliação cardiológica —, mas naquela o quadro agudo é distinto, com febre prolongada e conjuntivite.
Criança de 4 anos apresenta febre alta há 5 dias, conjuntivite bilateral não purulenta, lábios fissurados, língua em framboesa, exantema polimorfo e edema de mãos e pés. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre por cinco dias somada a conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e língua, exantema polimorfo e alterações de extremidades preenche critérios de Kawasaki, e o tratamento com imunoglobulina nos primeiros 10 dias reduz drasticamente o risco de aneurisma coronariano. A escarlatina é o distrator mais próximo pela língua em framboesa, mas nela não há conjuntivite nem edema de extremidades, e a febre responde rapidamente ao antibiótico. Perder o diagnóstico de Kawasaki custa o coração da criança.
Qual complicação ocular do sarampo é a principal causa de cegueira infantil em regiões com deficiência de vitamina A?
A ceratite do sarampo, agravada pela hipovitaminose A, evolui para úlcera de córnea e ceratomalácia, com perfuração e cegueira irreversível — é o mecanismo que fundamenta a recomendação universal de vitamina A na doença. Glaucoma agudo é praticamente inexistente nessa faixa etária. Descolamento regmatogênico não tem relação com o vírus. Neurite óptica pode aparecer em encefalomielite pós-infecciosa, mas é rara. Catarata subcapsular associa-se a corticoterapia prolongada, e não à infecção aguda pelo vírus do sarampo.
Qual conduta terapêutica reduz morbimortalidade em toda criança hospitalizada com sarampo?
A vitamina A em duas doses reduz mortalidade e gravidade das complicações do sarampo, especialmente as oculares e a diarreia, e está recomendada para todas as crianças com a doença, ajustando a dose à idade. Aciclovir e oseltamivir agem sobre outros vírus e não têm atividade contra o vírus do sarampo. Imunoglobulina tem papel na profilaxia pós-exposição de suscetíveis de risco, não no tratamento do caso instalado. Corticoide sistêmico não é tratamento do sarampo e pode agravar a imunossupressão já induzida pelo vírus.
Qual medida de precaução deve ser adotada na internação de criança com sarampo?
O vírus do sarampo é transmitido por aerossol e permanece viável no ar por até 2 horas, o que exige precaução respiratória por aerossol com máscara N95 e, idealmente, quarto de pressão negativa, mantida até 4 dias após o início do exantema — em imunodeprimidos, por todo o período da doença. Confundir com precaução de gotículas, adequada à rubéola e à caxumba, é o erro que produz surto hospitalar. Achar que a transmissão cessa com o exantema inverte a cronologia: ela começa 4 a 6 dias antes dele.
Qual característica diferencia o exantema do sarampo do exantema da rubéola em sua evolução?
O exantema do sarampo tende à confluência, adquire tom acastanhado por extravasamento capilar e descama de modo furfuráceo, enquanto o da rubéola é róseo, mais tênue e some sem descamação relevante. Ambos começam na face e descem, de modo que dizer que o sarampo poupa a face inverte o padrão. A duração de 24 horas é característica do exantema súbito. Nenhum dos dois é vesicular — isso é varicela. Descamação em placas nas extremidades aponta escarlatina e doença de Kawasaki.
Qual amostra e em que prazo deve ser coletada para investigação laboratorial de caso suspeito de sarampo pela vigilância?
A vigilância exige sorologia IgM no primeiro contato com o caso suspeito e, para identificação viral e genotipagem, amostras de urina e secreção nasofaríngea colhidas preferencialmente até o 7º dia do exantema — a genotipagem é o que diferencia caso autóctone de importado e vírus vacinal. IgG isolada tardia não confirma caso agudo. Hemocultura, biópsia de pele e hemograma não têm papel diagnóstico e apenas atrasam a notificação, que deve ser imediata, em até 24 horas.
Qual mecanismo explica o aumento de infecções bacterianas nas semanas e meses seguintes ao sarampo?
O vírus do sarampo infecta linfócitos de memória e provoca depleção do repertório imunológico previamente adquirido — a chamada amnésia imunológica — deixando a criança suscetível a patógenos contra os quais já estava protegida, por meses a anos. Neutropenia autoimune permanente e hipogamaglobulinemia congênita são entidades distintas, não causadas pelo sarampo. Destruição irreversível do timo descreve imunodeficiências primárias. E a resposta imune ao sarampo não gera hipergamaglobulinemia protetora contra outros agentes, ao contrário do que o distrator sugere.
Qual das complicações abaixo é característica da rubéola e rara no sarampo?
Artralgia e artrite, principalmente de pequenas articulações de mãos e punhos, são complicações típicas da rubéola em adolescentes e mulheres adultas, geralmente autolimitadas. Pneumonia bacteriana, otite supurada, diarreia grave e ceratite com ulceração são o repertório do sarampo, doença que causa imunossupressão marcada e superinfecções — a rubéola é habitualmente benigna no indivíduo infectado, e sua gravidade está quase toda concentrada no feto. Confundir os perfis de complicação leva a superinvestigar a rubéola e subestimar o sarampo.
Qual das medidas abaixo é a mais efetiva para prevenir a síndrome da rubéola congênita em nível populacional?
A eliminação da rubéola congênita depende de cobertura vacinal alta e homogênea, que interrompe a circulação viral e protege indiretamente as gestantes — nenhuma medida individual substitui isso. Sorologia no terceiro trimestre chega tarde para o período de maior risco fetal, que é o primeiro trimestre. Imunoglobulina não previne de forma confiável a infecção fetal e é medida de exceção. Isolamento domiciliar não é sustentável nem eficaz em escala populacional, e não existe antiviral com atividade profilática contra o vírus da rubéola.
Lactente de 9 meses, filho de mãe com esquema vacinal completo, apresenta febre e exantema. Sobre a proteção conferida por anticorpos maternos contra sarampo, qual afirmação é correta?
A IgG materna transferida pela placenta protege nos primeiros meses e declina progressivamente, com perda em geral entre 6 e 12 meses — é justamente essa janela que explica a dose zero aos 6 meses em surtos e a vulnerabilidade do lactente. Afirmar proteção até os 5 anos deixaria a criança exposta na faixa de maior mortalidade. Os anticorpos atravessam sim a placenta, e a proteção nunca é vitalícia por transferência passiva. Anticorpos maternos só decaem após o nascimento, jamais aumentam.
Qual afirmação sobre a eliminação do sarampo e da rubéola nas Américas é correta?
A região das Américas obteve certificação de eliminação, mas eliminação não é erradicação: com queda de cobertura vacinal e circulação global, o vírus é reintroduzido por casos importados e volta a produzir surtos sustentados, o que levou o Brasil a perder o status. Confundir eliminação com erradicação leva a relaxar vigilância e vacinação, que é justamente o mecanismo do retorno. Notificação de caso suspeito continua obrigatória e imediata, e a cobertura vacinal é o determinante central, não fatores climáticos.
Qual achado do enantema é considerado patognomônico do sarampo e em que momento aparece?
As manchas de Koplik são pontos branco-azulados sobre base eritematosa na mucosa jugal, surgem 1 a 2 dias antes do exantema e desaparecem rapidamente — quem examina a boca no período catarral fecha o diagnóstico antes do exantema. As manchas de Forchheimer no palato aparecem na rubéola e não são patognomônicas. Língua em framboesa é da escarlatina e da doença de Kawasaki. Vesículas na orofaringe posterior caracterizam a herpangina por enterovírus, quadro completamente distinto.
Adolescente de 12 anos apresenta há 3 dias exantema em rendilhado nos membros, que reaparece após o banho quente e a aula de educação física. Teve, uma semana antes, eritema em face que já regrediu. Está afebril. Qual a orientação à família?
O rendilhado do eritema infeccioso é imunomediado e reaparece por semanas diante de vasodilatação — calor, sol, banho quente, exercício e estresse —, sem significar reinfecção nem atividade da doença. Repetir sorologia é o erro que gera custo e ansiedade, e o afastamento escolar é inútil porque a transmissão já cessou quando o exantema surgiu. Anti-histamínico pode ser usado se houver prurido incômodo, mas não de forma contínua e programada.
Qual é o período de incubação do sarampo e sua importância prática no seguimento de contatos?
A incubação do sarampo é habitualmente de cerca de 10 a 14 dias, mas o intervalo pode alcançar 21 dias. Para a vigilância de contatos, a média não deve ser usada para encerrar o seguimento: o acompanhamento deve cobrir 21 dias após a última exposição, com orientação para procurar atendimento se surgirem febre, exantema ou sintomas catarrais. Prazos de 24 a 48 horas ou de apenas uma semana são curtos demais; 30 a 45 dias superestimam a janela usual. Fontes: orientações de vigilância do sarampo da Anvisa/Ministério da Saúde e da OPAS.
Quais são as linhas de Pastia, achado característico da escarlatina?
As linhas de Pastia são o realce eritematoso, por vezes petequial, nas dobras de flexão, e compõem o quadro junto com o exantema em lixa e a palidez perioral (sinal de Filatov). Estrias esbranquiçadas na mucosa jugal remetem às manchas de Koplik do sarampo, e confundir os dois sinais leva ao erro diagnóstico entre uma doença que exige antibiótico e outra de manejo sintomático com notificação compulsória.
Menina de 7 anos com esferocitose hereditária apresenta palidez súbita e prostração. Hemoglobina 4,8 g/dL, reticulócitos 0,3%, bilirrubina indireta não elevada em relação ao habitual. Qual o diagnóstico e a conduta?
Reticulócitos baixos numa doença hemolítica crônica indicam que a medula parou, e não que a hemólise aumentou — o parvovírus B19 é a causa clássica dessa crise aplásica transitória, e a bilirrubina indireta que não se eleva reforça que não há hemólise exacerbada. Chamar de crise hemolítica é o erro de leitura do reticulócito: naquela, a resposta medular é intensa e os reticulócitos sobem. O tratamento é de suporte, com transfusão, e a recuperação vem em cerca de uma a duas semanas.
Menino de 8 anos, imunocompetente e sem doença hematológica, apresenta eritema nas bochechas com palidez ao redor da boca e exantema rendilhado nos membros após um pródromo leve. O diagnóstico clínico é eritema infeccioso por parvovírus B19. Está afebril e em bom estado geral. A mãe pergunta se ele pode voltar às aulas. Qual é a orientação?
No eritema infeccioso típico de criança imunocompetente, a maior transmissibilidade ocorre no início da infecção, antes do exantema. Quando surge o rash, em geral a criança já não está contagiosa e pode voltar à escola se estiver bem. Não é necessário esperar o desaparecimento do rendilhado ou a negativação de IgM. Essa orientação não deve ser extrapolada para imunodeprimidos ou pacientes com complicações hematológicas, que podem transmitir por mais tempo.
Criança de 3 anos com febre, exantema e quadro clínico compatível com suspeita de sarampo é atendida em unidade básica. Segundo a Nota Técnica MS 345/2025, qual conduta de vigilância deve ser iniciada ainda no atendimento?
A suspeita de sarampo deve ser notificada imediatamente, em até 24 horas, sem aguardar confirmação laboratorial. A investigação deve começar em até 48 horas da notificação, com coleta de amostras e identificação de contatos. A Nota Técnica MS 345/2025 orienta bloqueio vacinal oportuno em até 72 horas após a identificação do caso suspeito ou confirmado, conforme suscetibilidade e indicações do programa. Ultrapassar essa janela não encerra as ações de vacinação e vigilância. O atendimento também deve adotar as precauções pertinentes para evitar transmissão.
Menino de 3 anos, não vacinado, com sarampo confirmado, evolui no 6º dia de exantema com febre que havia cedido e retornou, taquipneia, tiragem subcostal e estertores crepitantes bilaterais. Qual a complicação mais provável e a conduta?
O retorno da febre depois de já ter cedido é o sinal de superinfecção bacteriana, e a pneumonia é a complicação mais frequente e a principal causa de morte por sarampo em crianças — exige internação e antibiótico dirigido a pneumococo e estafilococo. A pneumonia de células gigantes existe, mas ocorre em imunodeprimidos e não cursa com esse padrão bifásico de febre. Bronquiolite acomete lactentes menores e não explica o contexto. Tuberculose pode ser reativada pela imunossupressão do sarampo, porém em prazo bem mais longo que seis dias.
Gestante de 22 semanas com infecção comprovada por parvovírus B19 realiza ultrassonografia que mostra ascite fetal, derrame pericárdico e edema de subcutâneo. O Doppler mostra velocidade de pico sistólico na artéria cerebral média elevada. Qual a conduta?
Hidropisia fetal com velocidade de pico sistólico elevada na artéria cerebral média indica anemia fetal grave, e a transfusão intrauterina em centro de medicina fetal pode reverter o quadro — a hidropisia por parvovírus é potencialmente reversível, ao contrário de muitas outras causas. Antecipar o parto com 22 semanas é o erro que troca um tratamento intrauterino eficaz por uma prematuridade extrema com prognóstico muito pior. Não há benefício comprovado de imunoglobulina materna nessa situação.
Sobre a vacinação relacionada às doenças exantemáticas no calendário brasileiro, assinale a afirmativa correta.
A tríplice viral cobre sarampo, caxumba e rubéola, com a tetraviral acrescentando varicela — e não há vacina disponível contra o parvovírus B19, motivo pelo qual a prevenção do eritema infeccioso se limita a medidas gerais. Supor que a tríplice cobre o parvovírus é o erro de agrupar todas as exantemáticas sob a mesma proteção. As vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela são de vírus vivo atenuado, o que traz implicações para imunossuprimidos e gestantes.
Menina de 9 anos com eritema infeccioso confirmado. A mãe pergunta sobre a irmã de 6 meses que mora na mesma casa. Qual a orientação?
Não existe vacina nem quimioprofilaxia para o parvovírus B19, e a doença é benigna na criança hígida — a orientação é observação, com atenção especial apenas a gestantes suscetíveis, imunossuprimidos e portadores de anemia hemolítica crônica no domicílio. Indicar imunoglobulina de rotina é o erro de estender ao contactante hígido uma terapia reservada à infecção persistente do imunossuprimido. Isolamento não faz sentido, já que a transmissão ocorre antes do exantema.
Sobre a escarlatina, qual afirmativa está INCORRETA?
O exantema da escarlatina é justamente mais intenso nas dobras flexurais, onde forma as linhas de Pastia — dizer que ele as poupa inverte um dos sinais mais característicos da doença. As demais afirmativas estão corretas: palidez perioral, textura em lixa, evolução da língua saburrosa para framboesa e descamação lamelar tardia em mãos e pés compõem o conjunto que permite o diagnóstico clínico sem exames.
Qual é o alvo celular do parvovírus B19, responsável pelas manifestações hematológicas da infecção?
O parvovírus B19 usa o antígeno P (globosídeo) como receptor e infecta precursores eritroides, interrompendo temporariamente a eritropoese — daí a aplasia transitória em quem depende de produção acelerada de hemácias e a anemia fetal com hidropisia. Supor tropismo por linfócitos T é transportar o mecanismo do vírus da imunodeficiência humana. O acometimento endotelial explicaria o exantema, mas não a queda de reticulócitos, que é o achado laboratorial central da doença.
Criança de 6 meses, contactante domiciliar de caso confirmado de sarampo há 3 dias. Qual a conduta profilática correta?
O bloqueio vacinal é indicado em até 72 horas da exposição e pode ser feito a partir dos 6 meses como dose zero, que não conta no esquema básico e não dispensa as doses de 12 e 15 meses. Imunoglobulina é reservada a quem passou das 72 horas até 6 dias, a menores de 6 meses, gestantes e imunodeprimidos. Confiar em anticorpos maternos aos 6 meses é justamente o erro: eles já declinaram e essa é a faixa de maior gravidade. Antibiótico não previne infecção viral, e isolamento isolado não protege o contactante.
Qual é o período de transmissibilidade do sarampo?
A transmissão começa no período prodrômico, cerca de 4 a 6 dias antes do exantema, quando os sintomas ainda parecem um resfriado, e se estende até 4 dias depois do seu início — é essa janela pré-exantemática que explica por que o sarampo se dissemina antes de qualquer suspeita diagnóstica. Restringir ao período exantemático ou à febre subestima gravemente o risco e leva a falhas de bloqueio. Estender a 21 dias confunde com o período de incubação e de vigilância dos contatos, que é outra coisa.
Qual exame confirma infecção aguda por parvovírus B19 em criança imunocompetente com exantema atípico?
No imunocompetente, a imunoglobulina M específica aparece junto com o exantema e é o exame de escolha para confirmar infecção recente. A pesquisa de DNA viral é o distrator sofisticado: ela é a ferramenta certa no imunossuprimido, que não monta resposta de anticorpos, e no diagnóstico fetal, mas não é o exame de primeira linha na criança hígida. Imunoglobulina G isolada apenas indica contato prévio, sem datar a infecção. O vírus não cresce em cultura de rotina.
Menino de 6 anos apresenta há 2 dias febre de 39 °C, dor de garganta intensa e exantema micropapular difuso, áspero ao tato, poupando a região perioral, com acentuação nas dobras. A língua está com aspecto de framboesa. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Exantema em lixa com acentuação em dobras, palidez perioral e língua em framboesa, acompanhando faringite febril, é escarlatina, produzida pela toxina eritrogênica do Streptococcus pyogenes — o tratamento antibiótico por 10 dias tem o objetivo maior de prevenir febre reumática. A doença de Kawasaki é o distrator que exige atenção: também tem língua em framboesa e exantema, mas cursa com febre por cinco dias ou mais, conjuntivite não purulenta e alterações de extremidades, e não responde a antibiótico.
Adolescente com antecedente de sarampo aos 8 meses de idade apresenta, aos 12 anos, declínio cognitivo progressivo, mioclonias e deterioração motora. Eletroencefalograma com complexos periódicos. Qual o diagnóstico?
A panencefalite esclerosante subaguda é complicação tardia do sarampo, com latência de 7 a 10 anos, risco maior em quem teve a doença antes de 2 anos, e evolui com declínio cognitivo, mioclonias periódicas e eletroencefalograma com complexos de Radermecker. A encefalomielite disseminada aguda ocorre semanas após a infecção, não anos, e é monofásica. Encefalite herpética tem curso agudo e febril com acometimento temporal. As demais hipóteses não guardam relação com o antecedente de sarampo, que é justamente o dado que ancora a questão.
Sobre a transmissão e a evolução do exantema súbito, assinale a afirmativa correta.
A transmissão se dá por saliva e secreções respiratórias, frequentemente de adultos que eliminam o vírus de forma assintomática, e a doença é autolimitada, com exantema que dura de horas a poucos dias e não descama. Considerar necessário isolamento hospitalar é desproporcional a uma infecção benigna e ubíqua. As complicações neurológicas, embora descritas, são raras e não caracterizam a evolução habitual.
Lactente de 10 meses apresentou febre de 39,5 °C por 4 dias, sem outros sintomas, em bom estado geral entre os picos. Hoje a febre cessou e surgiu exantema maculopapular róseo em tronco e pescoço, poupando a face. Qual o diagnóstico?
A sequência é a marca da doença: febre alta por 3 a 5 dias em lactente que permanece em bom estado, seguida de exantema róseo no tronco exatamente quando a febre cessa — daí o outro nome, roséola infantil. A rubéola é o distrator mais próximo pelo exantema róseo, mas nela a febre é baixa e coexiste com o exantema, além da adenomegalia retroauricular dolorosa. Reconhecer o padrão evita antibiótico durante os dias de febre sem foco.
Criança de 4 anos apresenta exantema e febre, e a mãe relata que a irmã de 8 anos está com exantema rendilhado nos braços. A criança de 4 anos tem febre alta, conjuntivite não purulenta há 5 dias, lábios fissurados e edema de mãos. Qual a conduta para a criança de 4 anos?
O contexto familiar sugestivo de eritema infeccioso é uma armadilha: a criança de 4 anos tem febre por cinco dias, conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e edema de extremidades, conjunto que preenche critérios de Kawasaki e exige imunoglobulina nos primeiros 10 dias para prevenir aneurisma coronariano. Ancorar no diagnóstico epidemiológico do irmão é o erro que atrasa o tratamento numa janela terapêutica estreita.
Lactente de 14 meses, no terceiro dia de febre alta sem foco, apresenta crise convulsiva tônico-clônica generalizada de 3 minutos, com recuperação completa. Exame neurológico normal, sem sinais meníngeos. Qual a hipótese e a conduta?
O exantema súbito é uma das causas mais frequentes de crise febril nessa faixa etária, e uma crise generalizada breve, única, com recuperação completa e exame neurológico normal caracteriza crise febril simples — a conduta é tratar a febre e orientar, sem antiepiléptico contínuo. Iniciar tratamento crônico é o excesso mais comum. A punção lombar se reserva a sinais meníngeos, toxemia, crise complexa ou recuperação incompleta, ausentes aqui.
Mãe pergunta se o filho de 10 meses, com diagnóstico de exantema súbito, pode ter a doença novamente. Qual a resposta mais adequada?
Como o quadro pode ser produzido por dois vírus distintos, um segundo episódio clinicamente semelhante é possível e não indica falha imunológica. Afirmar imunidade absoluta é o erro que gera confusão diagnóstica quando o quadro se repete. Levantar imunodeficiência a partir de um segundo episódio de doença benigna é desproporcional. Não existe vacina contra esses vírus.
Sobre o exantema do exantema súbito, qual característica está correta?
O exantema é maculopapular róseo, começa no tronco e pescoço, poupa em geral a face, não coça e dura de horas a poucos dias. Vesículas em diferentes estágios descrevem varicela; exantema em lixa com linhas de Pastia é escarlatina; petéquias em extremidades levantam suspeita de meningococcemia ou febre maculosa, situações de urgência. Reconhecer a morfologia é o que evita tanto o alarme desnecessário quanto a subestimação de um exantema grave.
Criança de 6 anos com exantema rendilhado em membros e história de contato com colega com quadro semelhante apresenta também dor em punhos e joelhos. Qual a conduta?
A artropatia associada ao parvovírus B19 é autolimitada, geralmente resolvida em semanas, e o manejo é sintomático — não se justificam imunossupressores nem antibióticos. Artrocentese seria indicada diante de suspeita de artrite séptica, que cursa com monoartrite intensamente dolorosa, febre alta, recusa de movimentação e provas inflamatórias elevadas, quadro distinto da poliartralgia simétrica descrita aqui.
Qual achado clínico ajuda a diferenciar o exantema súbito de uma reação medicamentosa ao antibiótico prescrito durante os dias de febre?
A relação temporal é a chave: no exantema súbito, o exantema surge no momento da defervescência, e a criança está bem quando ele aparece. Essa é uma armadilha frequente na prática, porque muitas dessas crianças receberam antibiótico durante a febre e acabam rotuladas como alérgicas para sempre — um rótulo que restringe opções terapêuticas por décadas. Acometimento mucoso com úlceras aponta para reação grave, exigindo avaliação distinta.
Menino de 11 meses com exantema súbito apresenta, ao exame, adenomegalia occipital discreta e edema palpebral leve. Como interpretar?
Adenomegalia occipital e cervical discreta, edema palpebral leve e as chamadas manchas de Nagayama, no palato mole, fazem parte do quadro do exantema súbito e não indicam complicação. Interpretar como Kawasaki é o erro de precipitação: aquela exige febre por cinco dias ou mais associada a conjuntivite não purulenta, alterações de lábios e extremidades e exantema polimorfo, com a febre persistindo em vez de ceder no aparecimento do exantema.
Qual dessas doenças exantemáticas está mais associada à ocorrência de crise febril?
O exantema súbito é uma das causas mais frequentes de crise febril em lactentes, justamente por produzir febre alta e sustentada por dias na faixa etária de maior suscetibilidade. O eritema infeccioso é o distrator natural pelo tema, mas nele a criança está tipicamente afebril quando o exantema surge, e a febre prodrômica, quando existe, é baixa. Explicar essa associação à família reduz a angústia diante de uma crise febril simples.
Qual conduta é adequada durante os dias de febre alta sem foco em lactente com suspeita de exantema súbito?
Lactente com bom estado geral, febre alta sem foco e sem sinais de alerta é conduzido com sintomáticos, hidratação e reavaliação — a evolução esclarece o diagnóstico quando o exantema surge. Prescrever antibiótico empírico a todos é a prática que gera resistência e efeitos adversos sem benefício. A ressalva relevante é a idade: lactentes muito jovens, especialmente abaixo de 3 meses, exigem abordagem mais agressiva pela febre sem sinais localizatórios.
Lactente de 9 meses tem febre alta há 3 dias, sem foco, em bom estado geral. A mãe pergunta quando o exantema aparecerá. Qual a orientação correta?
A orientação combina a explicação do padrão esperado com a manutenção da vigilância: febre sem foco em lactente tem diagnósticos diferenciais relevantes, incluindo infecção urinária e bacteremia oculta, e o retorno programado é o que protege a criança. Garantir o desfecho e dispensar o retorno é o erro que fecha um diagnóstico antes que ele possa ser confirmado — o exantema súbito só se confirma retrospectivamente.
Qual dessas duas doenças exige atenção especial quando há gestante suscetível no domicílio?
O parvovírus B19 infecta precursores eritroides fetais e pode causar anemia grave com hidropisia e óbito, sobretudo antes de 20 semanas — daí a necessidade de sorologia na gestante exposta e de vigilância ultrassonográfica quando infectada. O exantema súbito não tem esse impacto fetal. Surdez congênita remete à rubéola e à infecção por citomegalovírus, e malformação cardíaca fetal também à rubéola, quadros distintos que costumam se misturar na memória.
Qual das seguintes doenças exantemáticas é de notificação compulsória imediata no Brasil?
O sarampo é de notificação compulsória imediata, dada a alta transmissibilidade e a meta de eliminação, exigindo bloqueio vacinal dos contatos em até 72 horas. Exantema súbito e eritema infeccioso são doenças benignas e não notificáveis. Confundir a notificação é mais do que um detalhe burocrático: a demora em notificar um caso suspeito de sarampo impede a intervenção que evita um surto.
Qual o agente etiológico do exantema súbito?
O herpes-vírus humano tipo 6 é o agente principal, com o tipo 7 respondendo por parte dos casos — o que explica por que uma criança pode ter dois episódios semelhantes. O parvovírus B19 é o distrator temático, mas causa eritema infeccioso, com face esbofeteada e rendilhado, sem o padrão de febre que cessa com o surgimento do exantema. Após a primoinfecção o vírus permanece latente e pode reativar em imunossuprimidos.
Qual afirmativa sobre o período de transmissibilidade dessas duas doenças está correta?
No eritema infeccioso a viremia ocorre no pródromo e cessa quando surge o exantema, que é fenômeno imunomediado — por isso não se afasta a criança da escola nessa fase. No exantema súbito, a eliminação viral se concentra na fase febril, e a transmissão a partir de adultos assintomáticos é frequente. Impor afastamento de três semanas é desproporcional para ambas e gera falta escolar sem impacto epidemiológico.
Menino de 5 anos, com leucemia em quimioterapia, teve contato com colega com eritema infeccioso. Qual a orientação?
O imunossuprimido não monta resposta de anticorpos neutralizantes e pode desenvolver infecção persistente com anemia crônica por aplasia eritroide, frequentemente sem exantema — a vigilância hematológica e a imunoglobulina em caso de infecção confirmada compõem a conduta. Tratar como criança hígida é o erro que deixa a anemia progredir sem diagnóstico. Não existe vacina, e o aciclovir não tem atividade contra esse vírus.
Criança de 2 anos, transplantada renal em uso de imunossupressores, apresenta febre, rebaixamento do sensório e crises convulsivas. A pesquisa de DNA do herpes-vírus humano tipo 6 no líquor é positiva. Qual a conduta?
No imunossuprimido, a reativação do herpes-vírus humano tipo 6 pode causar encefalite grave, e o tratamento envolve antiviral com atividade contra esse agente — ganciclovir, foscarnet ou cidofovir — associado à reavaliação do esquema imunossupressor. Prescrever aciclovir é o erro de espectro: ele tem atividade limitada contra esse vírus. Tratar apenas sintomaticamente ignora um quadro com morbimortalidade significativa nessa população.
Duas crianças de uma creche são avaliadas. A primeira, de 11 meses, teve febre alta por 4 dias e o exantema róseo surgiu quando a febre cessou. A segunda, de 7 anos, está afebril, com eritema em ambas as bochechas e exantema rendilhado nos braços. Qual a correspondência etiológica correta?
O padrão febre alta que cessa com o surgimento do exantema, no lactente, aponta o herpes-vírus humano tipo 6; face esbofeteada com rendilhado, em criança escolar afebril, aponta o parvovírus B19. Agrupar as duas sob o mesmo agente é o erro que a semelhança do termo exantemática favorece — mas as idades típicas, a relação com a febre e a morfologia do exantema separam claramente os quadros, e as implicações diferem, sobretudo pelo risco fetal do parvovírus.
Qual o tratamento do exantema súbito em criança imunocompetente?
A doença é benigna e autolimitada no hospedeiro imunocompetente, com tratamento apenas sintomático. Ganciclovir e foscarnet são o distrator com fundo verdadeiro: têm papel na reativação do herpes-vírus humano tipo 6 em imunossuprimidos, sobretudo pós-transplante, com encefalite ou pneumonite — mas não na criança hígida. Aciclovir tem atividade limitada sobre esse vírus, e antibiótico não tem qualquer indicação.
Lactente de 10 meses apresenta febre alta por três dias que cessa abruptamente, seguida do surgimento de exantema maculopapular em tronco, com bom estado geral. Qual o diagnóstico?
A sequência de febre alta em criança que se mantém em bom estado, seguida do exantema que aparece justamente quando a febre desaparece, é a marca do exantema súbito, causa comum de crise febril nessa faixa etária. No sarampo o exantema surge no auge da febre e com a criança visivelmente doente, o que inverte a relação temporal. Em Kawasaki a febre persiste apesar do exantema, e é essa persistência que obriga a contar os dias e revisar os critérios.
Criança de 6 anos apresenta exantema em face com aspecto de face esbofeteada, seguido de exantema reticulado em membros que recidiva com exposição solar e calor, sem febre importante. Qual o agente?
O eritema infeccioso tem apresentação bifásica com a face esbofeteada seguida do rendilhado em membros, que reaparece por semanas diante de calor, sol ou exercício, geralmente com criança em bom estado. O agente merece atenção especial por causar crise aplásica em portadores de anemias hemolíticas e hidropisia fetal em gestantes suscetíveis. Rubéola cursa com linfadenopatia retroauricular e occipital e exantema mais fugaz.
Criança de 5 anos com febre há 3 dias e exantema em face com aspecto de bochechas esbofeteadas, seguido de exantema reticulado em membros que piora com o sol. Qual o agente?
Face esbofeteada seguida de exantema reticulado em rendilhado nos membros, com recidiva ao sol e ao calor, é eritema infeccioso pelo parvovírus B19, que também causa crise aplástica em pacientes com anemia hemolítica e hidropisia fetal na gestante suscetível. Herpes-vírus humano 6 causa exantema súbito. O sarampo tem pródromo catarral e manchas de Koplik. Coxsackievírus A16 produz mão-pé-boca com vesículas, e o estreptococo causa escarlatina com exantema áspero e língua em framboesa.
Criança de 4 anos apresenta febre, exantema micropapular áspero ao tato com acentuação em dobras, palidez perioral, língua em framboesa e faringite exsudativa. Qual o diagnóstico e o tratamento?
A textura em lixa, as linhas de Pastia nas dobras, a palidez perioral e a faringite exsudativa compõem a escarlatina, causada por toxina estreptocócica, cujo tratamento antibiótico previne febre reumática. A língua em framboesa é compartilhada com Kawasaki e por isso não discrimina sozinha; a conjuntivite não exsudativa e o edema de extremidades é que apontam para a vasculite. A resposta rápida ao antibiótico ajuda a confirmar retrospectivamente.
Qual conduta é indicada para gestante suscetível exposta a criança com eritema infeccioso?
A infecção materna por parvovírus B19 pode causar anemia fetal grave e hidropisia por supressão da eritropoese, exigindo confirmação sorológica e vigilância fetal com Doppler da artéria cerebral média para detectar anemia e indicar transfusão intrauterina quando necessária. Não existe vacina contra parvovírus B19, e a imunoglobulina não é profilaxia estabelecida nesse contexto. Interrupção não está indicada, e negar risco fetal é justamente o erro que deixa passar uma hidropisia tratável.
Criança de 3 anos apresenta febre alta, sialorreia, gengivas edemaciadas e sangrantes, vesículas e úlceras na língua e mucosa jugal, com lesões periorais. Qual o diagnóstico e o tratamento?
O acometimento gengival intenso com sangramento, as lesões periorais e a febre alta em pré-escolar caracterizam a primoinfecção herpética, em que o antiviral oral traz benefício quando iniciado precocemente, especialmente nos quadros extensos. A doença mão-pé-boca poupa a gengiva e acrescenta lesões em extremidades, e a herpangina se limita ao palato posterior. A dor costuma ser o fator que define a necessidade de hidratação venosa nessa doença também.
Qual complicação neurológica da varicela é mais grave e exige internação e tratamento antiviral?
A encefalite associada à varicela é rara mas potencialmente grave, com rebaixamento de consciência, crises convulsivas e sinais focais, exigindo internação, aciclovir endovenoso e suporte neurointensivo, e pode deixar sequelas. A distinção com a ataxia cerebelar pós-infecciosa é clínica e prática: nesta a criança está alerta e o quadro é restrito ao cerebelo, enquanto na encefalite há comprometimento do nível de consciência, que é o divisor de águas na decisão de internar e tratar.
Criança de 4 anos, imunocompetente e sem comorbidades, com varicela típica no segundo dia de exantema, com febre baixa, prurido e bom estado geral. Qual a conduta?
Em criança previamente hígida a varicela é autolimitada e o tratamento é sintomático, com antitérmico que não seja salicilato nem anti-inflamatório não esteroidal, controle do prurido e higiene para prevenir infecção secundária. O antiviral não é rotina nesse grupo, tanto pelo benefício clínico modesto quanto pela janela estreita de eficácia. O essencial é orientar os sinais de alarme, sobretudo a febre que retorna após período afebril, que sinaliza complicação.
Gestante de 12 semanas, sem história de varicela e sem vacinação, teve contato domiciliar prolongado com criança com varicela há 2 dias. Sorologia IgG negativa. Qual a conduta?
Gestante suscetível exposta à varicela deve receber imunoglobulina específica o quanto antes, dentro da janela de profilaxia pós-exposição, para reduzir a gravidade da doença materna, que pode cursar com pneumonia grave. A vacina é de vírus vivo atenuado e está contraindicada na gestação. A infecção no primeiro e no início do segundo trimestre traz risco de síndrome da varicela congênita, com lesões cicatriciais, hipoplasia de membros e alterações oculares e neurológicas.
Adolescente de 16 anos, previamente hígido e não vacinado, apresenta varicela com exantema iniciado há 20 horas, com muitas lesões e febre alta. Qual a conduta?
O aciclovir oral tem indicação em grupos de maior risco de doença grave, como adolescentes, adultos, casos secundários domiciliares, portadores de doença pulmonar ou cutânea crônica e usuários de corticoide, e seu benefício depende do início nas primeiras 24 horas do exantema. Em crianças previamente hígidas, a doença costuma ser autolimitada e o antiviral não é rotina. Corticoide sistêmico durante a varicela aumenta o risco de doença disseminada.
Qual é o período de transmissibilidade da varicela e a orientação de isolamento?
A transmissão começa 1 a 2 dias antes do exantema, o que explica a dificuldade de conter surtos: a criança contagia quando ainda parece saudável. Ela se estende até que todas as lesões estejam em crosta, geralmente cerca de 5 a 7 dias após o início. A transmissão ocorre por via respiratória e por contato com o líquido das vesículas, o que exige cuidado especial com gestantes suscetíveis, recém-nascidos e imunodeprimidos que convivam com o caso.
Adolescente de 15 anos com faringite recebe amoxicilina e desenvolve exantema maculopapular difuso. Apresenta linfonodomegalia cervical posterior, esplenomegalia e linfocitose com atipia. Qual a hipótese?
O exantema que surge após aminopenicilina em paciente com mononucleose é um fenômeno clássico, não corresponde a alergia verdadeira e não contraindica o uso futuro de penicilinas, informação com consequência prática grande, porque muitos pacientes carregam um rótulo equivocado de alergia por décadas. Linfonodomegalia cervical posterior, esplenomegalia e linfócitos atípicos apoiam o diagnóstico, e a esplenomegalia exige orientação de evitar esportes de contato pelo risco de ruptura esplênica.
Criança de 5 anos com varicela e lesão de pele infectada evolui com febre alta, exantema difuso eritematoso, hipotensão, vômitos e descamação palmoplantar tardia. Qual a hipótese?
Febre alta, exantema difuso, hipotensão, envolvimento de múltiplos sistemas e descamação tardia em criança com foco cutâneo infectado configuram síndrome do choque tóxico, mediada por toxinas com atividade de superantígeno, e a varicela é um dos fatores de risco reconhecidos. O tratamento exige suporte hemodinâmico agressivo, antibiótico que cubra o agente e inibidor de síntese proteica como a clindamicina, além do controle do foco. A doença de Kawasaki é o diferencial, mas não cursa com choque de instalação rápida na maioria dos casos.
Em ambiente hospitalar, qual precaução deve ser adotada para paciente internado com varicela?
A varicela se transmite por via aérea e por contato com o conteúdo das vesículas, o que exige precauções de contato e por aerossóis, com quarto privativo e, quando possível, pressão negativa, mantidas até que todas as lesões estejam em crosta. Um cuidado organizacional relevante é escalar apenas profissionais comprovadamente imunes para o cuidado desses pacientes, e afastar do contato gestantes suscetíveis, recém-nascidos e imunocomprometidos internados.
Qual é a conduta correta em relação ao uso de ácido acetilsalicílico em criança com varicela ou influenza?
A associação entre salicilatos e síndrome de Reye, caracterizada por encefalopatia aguda com degeneração hepática gordurosa, tornou o ácido acetilsalicílico contraindicado em crianças com varicela e influenza, e por precaução em quadros febris virais em geral. A recomendação é usar paracetamol ou dipirona. Vale lembrar que o anti-inflamatório não esteroidal também deve ser evitado na varicela, por associação com maior risco de infecção necrosante de partes moles.
Gestante desenvolve varicela 3 dias antes do parto. Qual a conduta em relação ao recém-nascido?
Varicela materna entre cerca de 5 dias antes e 2 dias após o parto é o cenário de maior risco: o vírus atravessa a placenta sem que haja tempo para a transferência de anticorpos maternos protetores, e a varicela neonatal resultante tem alta letalidade. A conduta é imunoglobulina específica ao recém-nascido, vigilância rigorosa e aciclovir se surgir doença. Quando a infecção materna ocorre bem antes do parto, os anticorpos já transferidos atenuam o quadro.
Menino de 8 anos, com histórico de varicela aos 2 anos, apresenta lesões vesiculares agrupadas em faixa unilateral no dermátomo torácico, com dor local. Qual o diagnóstico e a explicação?
Após a infecção primária o vírus permanece latente nos gânglios sensitivos, e sua reativação produz lesões vesiculares agrupadas com distribuição em dermátomo, o herpes-zóster, que pode ocorrer em crianças, sobretudo naquelas que tiveram varicela muito precocemente. Um zóster em criança previamente hígida em geral não indica imunodeficiência, mas formas disseminadas ou multidermatoméricas obrigam a investigar imunossupressão. As lesões transmitem varicela a suscetíveis por contato.
Menino de 3 anos com varicela apresenta, no sexto dia, febre alta persistente, toxemia, taquipneia e queda da saturação. Radiografia mostra infiltrado intersticial difuso bilateral. Qual a hipótese e a conduta?
A pneumonia é a complicação mais grave da varicela e uma das principais causas de óbito, sendo mais frequente em adolescentes, adultos, gestantes e imunocomprometidos, mas possível em crianças pequenas. A conduta é internação com suporte, aciclovir endovenoso e cobertura antibacteriana quando há suspeita de infecção secundária. A febre que persiste ou retorna após o quinto dia é justamente o marcador que deve levantar suspeita de complicação em curso.
Criança com varicela e prurido intenso. Qual orientação está correta para reduzir o risco de infecção bacteriana secundária?
A prevenção da infecção secundária é simples e eficaz: unhas curtas, higiene com banho diário, controle do prurido e evitar escoriação. Evitar o banho é orientação popular equivocada, que aumenta a colonização bacteriana. O ácido acetilsalicílico é formalmente contraindicado na varicela e na influenza pela associação com a síndrome de Reye, e corticoide tópico sobre lesões ativas favorece a disseminação e a infecção secundária.
Menino de 6 anos com febre, dor de garganta intensa, exantema micropapular áspero ao tato ('em lixa'), com palidez perioral e língua em framboesa. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Faringite estreptocócica com exantema em lixa, sinal de Filatov com palidez perioral, linhas de Pastia nas dobras e língua em framboesa é escarlatina, tratada com penicilina ou amoxicilina, cujo objetivo principal é prevenir a febre reumática. A doença de Kawasaki é o diferencial que não se pode perder, e a pista é a febre com cinco ou mais dias que não responde ao antibiótico, com conjuntivite não exsudativa e alterações de extremidades.
Criança de 5 anos, vacinada com duas doses contra varicela, apresenta quadro leve com poucas lesões maculopapulares e vesiculares e febre baixa após contato com colega doente. Qual a interpretação?
A varicela modificada ocorre em vacinados expostos e se apresenta com poucas lesões, frequentemente sem evoluir para vesículas típicas, febre baixa ou ausente e curso curto, o que dificulta o reconhecimento clínico e favorece a transmissão silenciosa em escolas. Isso não significa falha vacinal no sentido pleno, já que a vacina cumpriu seu papel principal, que é prevenir a doença grave e as complicações. O paciente ainda transmite e deve ser afastado até que as lesões estejam em crosta.
Recém-nascido de 12 dias apresenta lesões vesiculares disseminadas, febre e prostração. A mãe teve varicela 1 dia após o parto. Qual a conduta?
A varicela neonatal decorrente de infecção materna no período perinatal é grave, com risco de acometimento visceral e pulmonar e alta letalidade sem tratamento, e por isso exige internação e aciclovir endovenoso, e não tratamento ambulatorial. Vacina não tem papel no tratamento e é contraindicada nessa idade. Corticoide sistêmico durante a infecção ativa favorece a disseminação e é contraindicado.
Qual é a recomendação atual do calendário vacinal brasileiro em relação à vacina contra varicela?
A proteção se dá com duas doses: a primeira aos 15 meses na apresentação tetraviral, que combina o componente varicela com sarampo, caxumba e rubéola, e a segunda aos 4 anos. Duas doses conferem proteção substancialmente maior que uma, reduzindo os casos de varicela modificada em vacinados. Por ser vacina de vírus vivo atenuado, é contraindicada em gestantes e em imunodeprimidos graves, situações em que a proteção depende da vacinação dos contactantes.
Menina de 4 anos com varicela há 5 dias apresenta, sobre algumas lesões do tronco, área de eritema, calor, edema, dor intensa e febre alta que reapareceu após período afebril. Qual a hipótese?
A recorrência da febre após período afebril é o sinal de alarme mais confiável de superinfecção bacteriana na varicela, e a associação com eritema, calor, edema e dor desproporcional confirma a suspeita. A infecção secundária de pele é a complicação mais frequente da doença, com Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes como agentes principais, e pode evoluir para celulite, abscesso, fasciite necrosante e sepse. A evolução natural das lesões não cursa com dor intensa nem com nova febre.
Criança de 4 anos com varicela apresenta, no quarto dia, vômitos persistentes, letargia e alteração do comportamento, com hipoglicemia e elevação importante de transaminases e amônia, sem icterícia. Havia recebido ácido acetilsalicílico. Qual a hipótese?
Encefalopatia aguda com vômitos, elevação de transaminases e amônia, hipoglicemia e ausência de icterícia, após uso de salicilato em criança com varicela ou influenza, é síndrome de Reye. A ausência de icterícia apesar da disfunção hepática é um detalhe característico e frequentemente cobrado. O tratamento é de suporte, com controle da hipertensão intracraniana e da hipoglicemia, e a prevenção, que é o que realmente reduziu a incidência, consiste em não usar salicilato em crianças.
Criança de 3 anos apresenta febre alta por 3 dias que cessa abruptamente, seguida do surgimento de exantema maculopapular no tronco, com criança em bom estado geral. Qual o diagnóstico?
A sequência característica do exantema súbito é febre alta por 3 a 5 dias em criança que se mantém em bom estado, seguida do desaparecimento abrupto da febre e do surgimento do exantema, geralmente no tronco. Essa cronologia inversa, em que o exantema aparece quando a febre some, é o que fecha o diagnóstico. A doença é causa frequente de crise febril e de idas ao pronto-socorro durante a fase febril sem foco, quando ainda não há exantema para orientar.
Criança de 6 anos em uso crônico de corticoide sistêmico em dose imunossupressora tem contato com colega com varicela. Não teve a doença nem foi vacinada. Qual a conduta?
Pacientes em corticoterapia imunossupressora, sem imunidade prévia, têm risco de varicela grave e disseminada, e a profilaxia pós-exposição indicada é a imunoglobulina específica, aplicada o mais cedo possível. A vacina é de vírus vivo atenuado e está contraindicada durante a imunossupressão. A suspensão abrupta do corticoide traz risco de insuficiência adrenal e não protege da infecção, e qualquer ajuste de dose deve ser avaliado com a equipe que acompanha a doença de base.
Criança de 7 anos apresenta eritema intenso em ambas as bochechas, seguido de exantema rendilhado em membros que se acentua com o calor. Está afebril e em bom estado. Qual o diagnóstico e qual grupo exige atenção especial?
A face esbofeteada seguida de exantema rendilhado que reaparece com calor e sol caracteriza o eritema infeccioso. Dois grupos exigem atenção: gestantes suscetíveis, pelo risco de hidropisia fetal e perda gestacional, e pacientes com anemias hemolíticas crônicas, como a falciforme, nos quais o parvovírus produz crise aplásica transitória grave. Quando o exantema surge, a criança já não é mais transmissora, o que muda a orientação de afastamento escolar.
Criança de 6 anos com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas brancas na mucosa jugal, seguida de exantema maculopapular que se inicia atrás das orelhas e progride craniocaudalmente. Qual o diagnóstico e a conduta?
Febre alta com o pródromo catarral de tosse, coriza e conjuntivite, seguido de manchas de Koplik e exantema craniocaudal, é sarampo, doença de notificação imediata que exige isolamento respiratório e bloqueio vacinal dos contactantes. A administração de vitamina A é recomendada e reduz morbidade e mortalidade, medida frequentemente esquecida. As complicações a vigiar incluem pneumonia, otite, diarreia e encefalite, e a doença é especialmente grave em desnutridos e lactentes.
Qual é a característica do exantema da varicela que permite o diagnóstico clínico?
O polimorfismo regional é a assinatura da varicela: lesões em estágios diferentes convivendo na mesma região, com prurido intenso e progressão centrípeta, acometendo couro cabeludo e mucosas. As demais descrições pertencem, respectivamente, a sarampo, eritema infeccioso, escarlatina e exantema súbito. Reconhecer o padrão evita exames desnecessários, já que o diagnóstico das exantemáticas é essencialmente clínico e epidemiológico.
Uma equipe de saúde é acionada por escola que relata caso confirmado de sarampo em aluno de 8 anos. A equipe precisa organizar a resposta. Além da notificação imediata, qual é a medida de bloqueio indicada para os contatos suscetíveis?
Diante de caso de sarampo, a vacinação de bloqueio deve ser feita idealmente em até 72 horas da exposição para contatos suscetíveis elegíveis, complementada por busca ativa de casos e notificação imediata. Antibióticos não têm ação preventiva contra vírus. Isolamento coletivo prolongado não é a estratégia preconizada e desorganiza a resposta. Aguardar sorologia de todos atrasa a intervenção que depende de rapidez para ser eficaz.
Menino de 6 anos chega à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há 3 dias, dor de garganta intensa e exantema puntiforme áspero, mais intenso nas dobras cutâneas, que poupa a região perioral. Ao exame, temperatura axilar de 39,2 graus Celsius, hiperemia de orofaringe com exsudato amigdaliano, língua com aspecto de framboesa e adenomegalia cervical anterior dolorosa. Não há coriza, tosse ou conjuntivite. Qual é o diagnóstico mais provável e o tratamento de escolha?
O exantema micropapular áspero em lixa com acentuação nas dobras, palidez perioral, língua em framboesa e faringite exsudativa sem sintomas catarrais caracterizam a escarlatina por estreptococo beta-hemolítico do grupo A, cujo tratamento erradica o agente e previne febre reumática. O sarampo cursa com tosse, coriza e conjuntivite, exantema maculopapular descendente e manchas de Koplik. O exantema súbito acomete lactentes e o exantema surge após a defervescência. A mononucleose costuma trazer esplenomegalia e linfocitose atípica, e o exantema aparece tipicamente após uso de aminopenicilina.
Lactente de 11 meses apresenta febre alta de 39,5 graus Celsius por 3 dias, sem outros sintomas, com bom estado geral entre os picos febris. No quarto dia a febre cessa e surge exantema maculopapular rosado em tronco, que se estende para pescoço e face, sem descamação e sem prurido. Ao exame, a criança está ativa, hidratada e sem outros achados. Qual é o diagnóstico mais provável?
O padrão característico de febre alta por três dias em lactente com bom estado geral, seguida do surgimento do exantema exatamente quando a febre desaparece, define o exantema súbito. Na rubéola o exantema surge junto com a febre baixa e há linfadenopatia retroauricular e occipital. No sarampo há pródromo catarral intenso com tosse, coriza e conjuntivite, e o exantema aparece com a criança ainda febril e toxemiada. No eritema infeccioso o achado típico é a face esbofeteada seguida de exantema reticulado em membros, geralmente em escolares.
Em uma Unidade Básica de Saúde, um médico atende criança de 5 anos com quadro de febre, exantema maculopapular generalizado, tosse, coriza e conjuntivite, com manchas esbranquiçadas em mucosa jugal. A criança não tem vacinação registrada. Além do manejo clínico do paciente, qual é a medida de vigilância epidemiológica obrigatória?
O sarampo é doença de notificação compulsória imediata, com prazo de 24 horas, coleta de material para confirmação laboratorial e bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis em até 72 horas da exposição, medidas que interrompem a cadeia de transmissão. A notificação semanal se aplica a agravos de menor urgência epidemiológica. Aguardar confirmação laboratorial para notificar atrasa a resposta e é justamente o que o sistema busca evitar, pois a notificação é do caso suspeito. Considerar dispensável a notificação ignora o risco de surto e o compromisso de eliminação da doença no país.
Criança de 3 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde com febre alta há quatro dias, tosse, coriza, conjuntivite e exantema maculopapular que iniciou atrás das orelhas e progrediu para o tronco. Vacinação incompleta, sem dose de tríplice viral. Há relato de caso semelhante em creche do município. Estado geral preservado, hidratada, sem sinais de complicação. Qual é a conduta imediata?
Febre com exantema, tosse, coriza e conjuntivite em criança sem vacina configura caso suspeito de sarampo, agravo de notificação imediata que exige coleta de amostra, administração de vitamina A e bloqueio vacinal dos contatos em até 72 horas. Aguardar confirmação retarda a interrupção da transmissão. Antibiótico profilático não previne as complicações e não substitui as medidas de controle. Isolamento sem notificação descumpre obrigação legal e impede a resposta da vigilância.
Criança de 4 anos com diagnóstico confirmado de sarampo é atendida na Unidade Básica de Saúde. Está febril, com exantema e tosse, hidratada e sem sinais de complicação respiratória. A mãe pergunta se há algum tratamento além dos sintomáticos. Qual é a intervenção recomendada pelo Ministério da Saúde para reduzir morbidade e mortalidade?
A suplementação de vitamina A em duas doses reduz a gravidade e a mortalidade do sarampo, sendo recomendada a todas as crianças com a doença, independentemente do estado nutricional. A imunoglobulina é medida de profilaxia pós-exposição em grupos específicos, não tratamento do caso confirmado. O antibiótico profilático não previne complicações e favorece resistência, sendo indicado apenas diante de infecção bacteriana estabelecida. O corticoide não integra o tratamento do sarampo não complicado.
Menina de 6 anos apresenta febre, exantema maculopapular róseo iniciado em face e com progressão craniocaudal rápida, além de linfadenopatia retroauricular e occipital dolorosa. O quadro é leve, sem toxemia, e o exantema desaparece em 3 dias sem descamação. Qual é o diagnóstico e a conduta de vigilância?
Exantema róseo craniocaudal com linfadenopatia retroauricular e occipital em quadro leve é típico da rubéola, doença de notificação imediata cuja investigação deve incluir a busca de gestantes expostas pelo risco de síndrome da rubéola congênita. A escarlatina apresenta exantema áspero com língua em framboesa e faringite exsudativa. O exantema súbito surge após defervescência em lactentes. A dengue não cursa com esse padrão de linfadenopatia característica.
Criança de 5 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com quadro de tosse e febre baixa há 5 dias. A mãe é profissional de saúde e teve diagnóstico de sarampo confirmado há 10 dias. A criança recebeu apenas uma dose de tríplice viral, aos 12 meses. Qual é a conduta correta em relação a essa criança?
Contato de caso confirmado de sarampo exige avaliação, bloqueio vacinal quando dentro do prazo e adequação do esquema, além da notificação do caso suspeito diante de sintomas compatíveis. Considerar a criança protegida por uma única dose ignora que o esquema completo é de duas doses. A imunoglobulina é indicada a grupos específicos, como imunossuprimidos, gestantes e lactentes muito jovens. Aguardar o exantema para agir compromete a interrupção da cadeia de transmissão.
Criança de 11 meses apresentou febre alta por três dias, sem outros sintomas relevantes, com bom estado geral entre os picos febris. No quarto dia, a febre cessou e surgiu exantema maculopapular róseo no tronco, que se estendeu para pescoço e face, sem descamação e sem prurido. Está ativa, hidratada, sem sinais de toxemia. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta?
Febre alta por três a cinco dias em lactente com bom estado geral, seguida do desaparecimento da febre e surgimento do exantema, é o padrão clássico do exantema súbito, doença benigna de manejo sintomático. Sarampo cursa com exantema durante a febre, associado a tosse, coriza e conjuntivite. Escarlatina apresenta exantema micropapular áspero com faringite e língua em framboesa. Rubéola tem exantema com linfadenopatia retroauricular e occipital, e não segue esse padrão temporal.
Menina de 7 anos apresenta febre alta, dor de garganta intensa e exantema micropapular áspero, com aspecto de lixa, iniciado em pescoço e tronco, poupando região perioral, com acentuação em dobras. Ao exame: língua com aspecto de framboesa, amígdalas hiperemiadas com exsudato e adenomegalia cervical dolorosa. Sem tosse e sem conjuntivite. Qual é a conduta correta?
Exantema áspero com acentuação em dobras, palidez perioral e língua em framboesa associados a faringite caracterizam escarlatina, causada por estreptococo do grupo A, cujo tratamento com penicilina previne febre reumática e encurta a transmissibilidade. Tratar como viral deixa sem cobertura uma infecção bacteriana com complicações tardias. Corticoide não tem papel terapêutico nesse quadro. Internação se reserva a formas complicadas ou toxêmicas, ausentes.
Uma criança de 2 anos com quadro febril e exantema é atendida em Unidade Básica de Saúde durante surto de sarampo no município. A equipe deve decidir sobre a coleta de amostras para confirmação laboratorial. Qual é a orientação correta em relação à coleta?
A confirmação laboratorial do sarampo envolve sorologia e coleta de material para identificação viral, com prazos definidos após o início do exantema, sendo a coleta precoce fundamental para a vigilância e a genotipagem. Aguardar 30 dias para sorologia única compromete a oportunidade diagnóstica. Considerar o diagnóstico exclusivamente clínico impede a confirmação exigida pela vigilância. A hemocultura não é o exame para identificação viral nesse agravo.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre de 39 °C e dor de garganta há 2 dias, seguidas de erupção cutânea. Ao exame apresenta orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa, exantema puntiforme eritematoso difuso com textura de lixa, mais intenso nas dobras, palidez perioral e língua com papilas proeminentes sobre fundo avermelhado. Não há conjuntivite, coriza ou lesões vesiculosas. A hipótese diagnóstica e a conduta são:
Faringoamigdalite exsudativa com exantema puntiforme em lixa, acentuação em dobras, palidez perioral e língua em framboesa caracteriza escarlatina, causada por estreptococo do grupo A e tratada com penicilina ou amoxicilina para prevenir febre reumática. O sarampo cursa com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, com exantema morbiliforme descendente. O exantema súbito acomete lactentes, com febre alta que cede e só então surge o exantema. A doença de Kawasaki exige febre por pelo menos cinco dias com conjuntivite não purulenta, alterações de extremidades e adenomegalia cervical volumosa.
Homem de 24 anos, estudante universitário, procura a Unidade Básica de Saúde com febre alta, tosse, coriza intensa, conjuntivite com fotofobia e exantema maculopapular que começou atrás das orelhas e progrediu para tronco e membros, há dois dias. Não sabe informar sobre vacinação e não apresenta caderneta. Ao exame: exantema morbiliforme confluente, conjuntivite bilateral, manchas esbranquiçadas na mucosa jugal. Há relato de casos semelhantes na universidade. Qual é a conduta correta além do suporte clínico?
O sarampo é doença de notificação compulsória imediata, e o caso suspeito exige comunicação em até 24 horas, coleta de amostras para confirmação, isolamento respiratório e bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis nas primeiras 72 horas, além de suplementação de vitamina A conforme protocolo. Condicionar a notificação à confirmação laboratorial inviabiliza a resposta oportuna diante de um surto. Considerar a doença benigna e dispensar a vigilância favorece a reintrodução da circulação viral. Antibiótico não trata a infecção viral e não substitui as medidas de controle.
Menino de 2 anos, não vacinado por decisão familiar, é levado ao pronto-socorro com febre alta há 5 dias, tosse intensa, coriza e conjuntivite, seguidas de exantema maculopapular que começou atrás das orelhas e progrediu para o tronco. Evolui com piora respiratória. Ao exame apresenta temperatura axilar 39,5 °C, FR 46 ipm, saturação de 90% em ar ambiente, tiragem, estertores difusos, exantema confluente e manchas esbranquiçadas na mucosa jugal. A conduta correta inclui:
O sarampo é doença de notificação imediata que exige isolamento respiratório com precaução para aerossóis, suporte clínico, administração de vitamina A conforme protocolo, tratamento das complicações, como a pneumonia, e bloqueio vacinal dos contatos. Considerá-lo sempre autolimitado ignora complicações graves, como pneumonia e encefalite. Antibiótico profilático universal aos contatos não é a medida indicada, que é a vacinação de bloqueio. Aguardar sorologia para notificar atrasa a resposta de vigilância e o bloqueio da transmissão.
Gestante de 26 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e relata que trabalha como professora e teve contato com aluno diagnosticado com rubéola há cinco dias. Ela não sabe se foi vacinada e não tem registro na caderneta. Está assintomática, sem exantema, febre ou linfadenomegalia, com pressão arterial de 108x66 mmHg e exame físico normal. A sorologia colhida hoje mostra IgG não reagente e IgM não reagente para rubéola. A conduta correta é
Gestante suscetível exposta à rubéola deve ser afastada do contato e seguida com sorologia seriada para detectar soroconversão, com vacinação programada para o puerpério, pois a vacina de vírus vivo atenuado é contraindicada na gestação. Vacinar durante a gestação é justamente o que não se pode fazer. Tranquilizar sem seguimento impede o diagnóstico de infecção materna e a avaliação do risco fetal. Não há indicação de interrupção da gestação por contato, sem infecção confirmada e sem alterações fetais.
Mulher de 32 anos, professora de educação infantil, procura a Unidade Básica de Saúde com dor e edema simétricos em pequenas articulações das mãos e punhos há uma semana, associados a exantema reticulado nos membros e mal-estar. Vários alunos apresentaram exantema em face descrito como bochechas esbofeteadas nas semanas anteriores. Ao exame: artrite simétrica de interfalângicas proximais e punhos, exantema rendilhado em membros, sem febre alta, sem úlceras orais e sem alopecia. Provas reumatológicas iniciais são negativas. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Poliartrite simétrica aguda de pequenas articulações com exantema reticulado em adulto exposto a crianças com eritema infeccioso caracteriza a artropatia pelo parvovírus B19, habitualmente autolimitada e tratada com sintomáticos, com atenção especial a gestantes e a pessoas com anemias hemolíticas. A artrite reumatoide tem evolução mais arrastada e autoanticorpos frequentemente positivos. O lúpus cursa com outras manifestações sistêmicas e autoanticorpos específicos. A artrite séptica é habitualmente monoarticular, com febre alta e líquido purulento.
Lactente de 9 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há três dias, sem outros sintomas localizatórios, com bom estado geral entre os picos febris. Hoje a febre cedeu e surgiu exantema. Ao exame: afebril no momento, ativo, hidratado, com exantema maculopapular róseo em tronco e pescoço, com poucas lesões em face e raiz dos membros, sem descamação, sem conjuntivite, sem alterações de mucosa oral e sem adenomegalias volumosas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Febre alta por três a cinco dias em lactente com bom estado geral, seguida de exantema maculopapular róseo que surge quando a febre cede, é a apresentação característica do exantema súbito, doença benigna causada por herpes-vírus humano dos tipos 6 e 7. No sarampo o exantema surge com a febre em ascensão, acompanhado de tosse, coriza e conjuntivite. A rubéola cursa com adenomegalia retroauricular e occipital. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero com língua em framboesa e faringite estreptocócica.
Menino de 4 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre alta há quatro dias, tosse intensa, coriza abundante e olhos vermelhos com lacrimejamento e fotofobia, evoluindo hoje com exantema que começou atrás das orelhas e na linha de implantação dos cabelos. A caderneta mostra ausência da vacina tríplice viral. Ao exame: exantema maculopapular confluente em face e pescoço, conjuntivite não purulenta, e pequenas manchas esbranquiçadas na mucosa jugal, com temperatura axilar de 39 °C. Qual é a conduta correta?
O sarampo é doença de notificação compulsória imediata, e o caso suspeito exige comunicação em até 24 horas, coleta de amostras para confirmação, isolamento respiratório, administração de vitamina A conforme protocolo e bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis nas primeiras 72 horas. Antibiótico não trata a infecção viral e a ausência de notificação impede o controle. Aguardar sorologia inviabiliza a resposta oportuna. Tratar apenas sintomas sem vigilância favorece a disseminação em comunidade com bolsões de não vacinados.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com exantema iniciado há um dia, sem febre alta, e a mãe relata que a criança está bem-disposta e brincando normalmente. Ao exame: exantema maculopapular róseo, discreto, iniciado em face e disseminado rapidamente para o tronco, com linfonodos retroauriculares e occipitais aumentados e dolorosos, sem conjuntivite exuberante, sem tosse importante e sem manchas na mucosa oral. Uma tia da criança está gestante e convive com ela. Qual é a conduta correta?
A rubéola é doença de notificação compulsória, e a principal preocupação é a exposição de gestantes suscetíveis, pelo risco de síndrome da rubéola congênita, exigindo notificação, isolamento do caso e avaliação sorológica e vacinal da gestante exposta, com seguimento adequado. Considerar a doença sem repercussão coletiva ignora o risco fetal. A vacina tríplice viral é de vírus vivo e contraindicada na gestação. Antibiótico não atua sobre infecção viral nem reduz a transmissibilidade.
Menina de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com exantema há dois dias, iniciado na face com aspecto de bochechas avermelhadas, seguido de exantema rendilhado nos braços e nas coxas, que fica mais evidente após o banho quente. Teve febre baixa e mal-estar antes das lesões, e agora está bem-disposta. Ao exame: eritema malar bilateral poupando a região perioral, exantema reticulado em membros, sem adenomegalias volumosas, sem alterações mucosas e sem descamação. Qual é o diagnóstico mais provável?
Eritema malar com aspecto de face esbofeteada, poupando a região perioral, seguido de exantema reticulado em membros que se acentua com calor, após pródromo leve, é característico do eritema infeccioso pelo parvovírus B19, com criança em bom estado geral e sem transmissibilidade na fase exantemática. O sarampo cursa com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite intensas. A escarlatina produz exantema micropapular áspero com palidez perioral e faringite. A dengue apresenta exantema difuso com mialgia intensa e alterações laboratoriais.
Menino de 5 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre alta há dois dias, dor de garganta intensa e exantema iniciado no pescoço e disseminado para o tronco. Ao exame: temperatura axilar 39 °C, exantema micropapular difuso, áspero ao tato, com acentuação em dobras cutâneas, palidez ao redor da boca, amígdalas hipertrofiadas com exsudato e língua inicialmente saburrosa que evoluiu para aspecto de framboesa, com adenomegalia cervical anterior dolorosa. Qual é a conduta correta?
Exantema micropapular áspero com acentuação em dobras, palidez perioral, língua em framboesa e faringite exsudativa caracterizam escarlatina, manifestação da infecção estreptocócica, cujo tratamento antimicrobiano previne complicações supurativas e febre reumática. Anti-histamínico e antitérmico não tratam a infecção bacteriana. Corticoide não é tratamento principal. O sarampo cursa com tosse, coriza e conjuntivite intensas e exantema morbiliforme, quadro distinto do descrito.
Uma equipe de saúde recebe notificação de caso confirmado de sarampo em criança de 3 anos que frequenta creche do território, com cerca de quarenta crianças e dez funcionários. A equipe precisa organizar a resposta nas próximas horas, considerando o alto potencial de transmissão e a existência de crianças menores de 6 meses e de gestantes entre os contatos. Muitos contatos têm situação vacinal desconhecida ou incompleta segundo os registros disponíveis. Qual é a conduta correta?
Diante de caso de sarampo, a resposta inclui bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis idealmente nas primeiras 72 horas da exposição, avaliação de imunoglobulina para contatos que não podem receber a vacina, como lactentes muito jovens, gestantes e imunossuprimidos, além de isolamento do caso e busca ativa. Aguardar novos casos desperdiça a janela de bloqueio. Restringir a vacinação a uma sala ignora a transmissão aérea ampla. Fechar a creche sem imunização não protege os contatos.
Gestante de 29 anos, com 16 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde após contato próximo e prolongado com sobrinho com diagnóstico confirmado de sarampo, ocorrido há três dias. Ela não tem registro de vacinação contra sarampo na caderneta e não sabe informar se teve a doença na infância. Está assintomática, afebril, sem exantema e sem sintomas respiratórios, com pressão arterial de 110x68 mmHg e exame obstétrico normal. A gestação evolui sem intercorrências e os exames do primeiro trimestre são normais. A conduta correta é
Na gestante suscetível exposta ao sarampo, a profilaxia pós-exposição é feita com imunoglobulina, pois a vacina de vírus vivo atenuado é contraindicada na gestação, sendo o caso de notificação imediata pela relevância epidemiológica. Aplicar a tríplice viral na gestação contraria a contraindicação. Aguardar sintomas perde a janela de profilaxia. Dispensar medidas expõe a gestante a doença com maior gravidade e risco de perda gestacional e prematuridade.
Menino de 2 anos é admitido em pronto-socorro com exantema maculopapular, febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, com forte suspeita de sarampo. A sala de espera está cheia de crianças, incluindo lactentes ainda não vacinados e uma criança em tratamento oncológico. A equipe precisa definir imediatamente as medidas de precaução e o fluxo de atendimento, considerando a alta transmissibilidade da doença e o risco para os demais pacientes presentes no serviço. Qual é a conduta correta?
O sarampo é transmitido por aerossóis e exige precaução respiratória com quarto privativo e máscara de proteção respiratória pelos profissionais, além de notificação imediata e identificação dos contatos para bloqueio vacinal em até 72 horas e uso de imunoglobulina nos suscetíveis com contraindicação à vacina. Manter a criança na sala de espera expõe suscetíveis. Precaução de contato isolada é insuficiente. Dispensar a notificação impede o bloqueio e a investigação do caso.
Um médico de Unidade Básica de Saúde atende criança de 4 anos com quadro clínico compatível com sarampo em município que não registra casos há anos. A equipe discute os prazos e o fluxo da notificação, considerando que a unidade funciona em horário comercial e que o caso foi identificado no fim da tarde de uma sexta-feira. A família reside em área de difícil acesso e há outras crianças pequenas na residência, algumas com esquema vacinal incompleto. Qual é a conduta correta?
O sarampo integra a lista de doenças de notificação imediata, devendo ser comunicado em até 24 horas diante da suspeita, independentemente de confirmação laboratorial, com investigação e bloqueio vacinal dos contatos em até 72 horas, medida que interrompe a cadeia de transmissão. Aguardar a confirmação laboratorial retarda o bloqueio. Notificar na semana seguinte descumpre o prazo. Exigir mais de um caso contraria a lógica da vigilância de doença em eliminação.
Menina de 2 anos, não vacinada por decisão familiar, é internada com sarampo confirmado laboratorialmente e evolui no sétimo dia de doença com piora do desconforto respiratório, febre persistente após defervescência inicial e queda da saturação. Ao exame: taquipneica, com temperatura axilar 39 °C, saturação de 89% em ar ambiente, tiragem intercostal, estertores crepitantes difusos e exantema em fase de descamação, com otoscopia mostrando abaulamento da membrana timpânica à direita. Qual é a conduta correta?
As complicações bacterianas do sarampo, como pneumonia e otite média, são causas frequentes de morte e exigem antibioticoterapia e suporte de oxigênio, além da administração de vitamina A em duas doses, que reduz morbimortalidade, e da notificação e busca de contatos. Vitamina A isolada não trata a pneumonia bacteriana. Corticoide em altas doses não é o tratamento das complicações descritas. Não existe antiviral específico disponível para o sarampo.
Gestante de 26 anos, na 18ª semana, é professora de educação infantil e relata contato com surto de eritema infeccioso na escola. Apresentou há dez dias febre baixa, artralgia e exantema facial em face esbofeteada, já resolvidos. Está assintomática, com exame obstétrico normal e batimentos cardíacos fetais presentes. A sorologia mostra imunoglobulina M reagente e imunoglobulina G em soroconversão para parvovírus B19, confirmando infecção recente. Qual é a conduta adequada?
A infecção materna por parvovírus B19 pode causar anemia fetal grave e hidropisia por supressão da eritropoiese, e a conduta é o seguimento com ultrassonografia seriada e Doppler da artéria cerebral média para detecção precoce da anemia, com possibilidade de transfusão intrauterina. Manter apenas o pré-natal habitual ignora esse risco em janela crítica. A imunoglobulina materna não é tratamento estabelecido nessa infecção. O vírus não é teratogênico clássico, e a interrupção da gestação não tem qualquer indicação nesse contexto.
Em um município, 60 casos de sarampo foram confirmados em 8 semanas, após 10 anos sem registros. A investigação identifica o caso índice em viajante retornado do exterior e transmissão subsequente em creche com cobertura vacinal de 78%. A vigilância epidemiológica municipal solicita apoio da equipe de Saúde da Família para a resposta imediata em área de abrangência com 900 crianças menores de 5 anos. Qual medida constitui a prioridade no bloqueio da transmissão?
Diante de caso confirmado de sarampo, a medida de maior impacto é a vacinação de bloqueio dos contatos suscetíveis realizada em até 72 horas da exposição, capaz de conferir proteção pós-exposição e interromper cadeias de transmissão. Não existe quimioprofilaxia antibiótica para sarampo, que é doença viral, e a azitromicina não tem qualquer papel preventivo. O isolamento respiratório é indicado, mas por cerca de 4 a 6 dias após o início do exantema, e sozinho não impede a disseminação, dada a alta transmissibilidade antes do rash. Aguardar sorologia de todas as crianças atrasa a vacinação além da janela de 72 horas, tornando-a inútil como bloqueio. Interditar a creche e suspender o calendário vacinal de rotina aumentaria a proporção de suscetíveis, exatamente o oposto do necessário.
Menino, 3 anos, apresenta febre alta há 3 dias, seguida de queda abrupta da temperatura e surgimento de exantema maculopapular róseo em tronco, que poupa a face e as extremidades. Ao surgir o exantema, a criança encontra-se em bom estado geral, ativa e sem prostração. T 36,8 °C, FC 110 bpm. O exame físico não revela adenomegalia significativa nem alterações em mucosas. Qual o diagnóstico mais provável?
Febre alta por três dias que cede abruptamente, seguida do aparecimento de exantema maculopapular em tronco com criança em bom estado geral, é o padrão característico do exantema súbito causado pelo herpes-vírus humano tipo 6. O sarampo cursa com febre que persiste no aparecimento do exantema, além de tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik. A rubéola tem exantema com linfadenopatia retroauricular e occipital marcante, ausente aqui. A escarlatina apresenta exantema micropapular áspero, sinal de Pastia e língua em framboesa, com faringite. O eritema infeccioso caracteriza-se pelo aspecto de face esbofeteada seguido de exantema rendilhado em membros, sem a febre alta prévia que cessa com a erupção.
Menina, 5 anos, chega ao serviço com febre, tosse, coriza e conjuntivite há 4 dias, evoluindo com exantema maculopapular que se iniciou atrás das orelhas e progrediu para a face e o tronco. A criança não recebeu vacina tríplice viral. Ao exame da mucosa jugal, observam-se pequenas manchas esbranquiçadas sobre base eritematosa. T 39,0 °C, FC 130 bpm, com prostração e fotofobia. Além das medidas de suporte, qual a conduta específica indicada?
O quadro é de sarampo, confirmado clinicamente pelo pródromo catarral com tosse, coriza e conjuntivite, pelas manchas de Koplik e pela progressão craniocaudal do exantema; além do suporte, deve-se administrar vitamina A, que reduz morbimortalidade, e notificar imediatamente o caso, pois é doença de notificação compulsória imediata. A azitromicina não trata a infecção viral e não deve ser usada de rotina. Corticoide sistêmico não tem indicação e pode agravar a imunossupressão transitória. A imunoglobulina é medida de profilaxia pós-exposição em suscetíveis de risco, não tratamento universal do caso já exantemático. O aciclovir não tem atividade contra o vírus do sarampo.
Uma unidade básica de saúde recebe a notificação de um caso confirmado de sarampo em criança de 3 anos residente na área de abrangência. A equipe precisa definir as ações imediatas de vigilância, considerando que a doença voltou a circular na região e que há crianças não vacinadas no território adscrito, além de contatos domiciliares e escolares identificados. Qual a conduta de vigilância indicada?
O sarampo é doença de notificação compulsória imediata, e a ação de controle central é o bloqueio vacinal dos contatos suscetíveis, idealmente nas primeiras 72 horas após a exposição, além da busca ativa de casos. A notificação semanal de rotina se aplica a agravos de menor urgência e retardaria a resposta. Isolar o caso sem agir sobre os contatos deixa a cadeia de transmissão ativa em uma doença de altíssima transmissibilidade. Aguardar a confirmação sorológica para iniciar a investigação perde a janela do bloqueio vacinal, que é tempo-dependente. A quimioprofilaxia antibiótica não tem qualquer papel, pois o agente é viral.
Menino, 6 anos, apresenta há 2 dias febre de 39 °C, odinofagia intensa e exantema micropapular difuso de textura áspera, semelhante a lixa, com acentuação em dobras formando linhas eritematosas transversais. Exame: orofaringe hiperemiada com exsudato, língua com papilas proeminentes sobre fundo eritematoso, palidez perioral. Teste rápido para estreptococo do grupo A positivo. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Exantema micropapular em lixa com sinal de Pastia nas dobras, palidez perioral, língua em framboesa e faringoamigdalite com teste rápido positivo definem escarlatina, tratada com penicilina ou amoxicilina por 10 dias para prevenir febre reumática. A doença de Kawasaki exige febre por cinco dias ou mais com conjuntivite não exsudativa e alterações de extremidades, sem teste estreptocócico positivo. O exantema súbito acomete lactentes, com febre alta que cessa antes do surgimento do exantema róseo. A mononucleose cursa com linfadenopatia generalizada, esplenomegalia e linfocitose atípica, e o corticoide não é tratamento de rotina. A farmacodermia exigiria fármaco desencadeante e não explicaria a faringite estreptocócica documentada.
Criança, 4 anos, não vacinada, apresenta há 4 dias febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, e hoje surgiu exantema maculopapular que começou na região retroauricular e na face e progride em sentido craniocaudal, tornando-se confluente. Exame: manchas branco-azuladas na mucosa jugal na altura dos molares, observadas ontem, hoje já desaparecendo. T 39,4 °C, com prostração importante e olhos vermelhos com fotofobia. Qual o diagnóstico?
Pródromo com febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, manchas de Koplik na mucosa jugal e exantema maculopapular de progressão craniocaudal com confluência caracterizam o sarampo, doença de notificação compulsória imediata. A rubéola cursa com exantema mais discreto, febre baixa e linfadenopatia retroauricular e occipital dolorosa, sem manchas de Koplik nem prostração intensa. O exantema súbito acomete lactentes, com febre alta que cessa e é seguida por exantema róseo no tronco. O eritema infeccioso apresenta face esbofeteada seguida de exantema rendilhado em membros, sem pródromo catarral intenso. A escarlatina cursa com exantema em lixa, língua em framboesa e faringite, sem conjuntivite e sem manchas de Koplik.
Menina, 7 anos, apresenta há 3 dias eritema intenso e bem delimitado em ambas as bochechas, poupando a região perioral, seguido hoje de exantema maculopapular rendilhado e reticulado em superfícies extensoras dos braços e coxas. Refere febre baixa e mal-estar leve na semana anterior, já resolvidos. A mãe está gestante de 16 semanas e trabalha na mesma escola. A criança está em bom estado geral, ativa e alimentando-se bem. Qual o agente etiológico e a principal implicação para a mãe?
Face esbofeteada seguida de exantema reticulado em extremidades é o eritema infeccioso, causado pelo parvovírus B19; na gestante suscetível, a infecção pode causar anemia fetal grave e hidropisia, exigindo avaliação sorológica e vigilância obstétrica com Doppler da artéria cerebral média. A rubéola produz exantema róseo difuso com linfadenopatia retroauricular, e o quadro descrito não corresponde. O herpes-vírus humano tipo 6 causa exantema súbito em lactentes e não tem esse padrão nem essa repercussão fetal. A varicela cursa com lesões vesiculosas em diferentes estágios, e a imunoglobulina se aplica a contactantes suscetíveis desse vírus. O Epstein-Barr causa mononucleose, sem esse exantema característico nem risco fetal desse tipo.
Lactente, 11 meses, apresentou febre alta de 39,5 °C por 3 dias, sem outros sintomas relevantes, com bom estado geral entre os picos febris. Hoje, com a defervescência, surgiu exantema maculopapular róseo, não pruriginoso, iniciado no tronco e com extensão ao pescoço e à raiz dos membros, poupando a face. Exame: criança ativa, hidratada, sem sinais meníngeos, sem exsudato faríngeo e sem adenomegalias volumosas. Qual o diagnóstico?
Febre alta por três dias em lactente com bom estado geral, seguida de exantema róseo no tronco justamente quando a febre cessa, é o padrão clássico do exantema súbito, causado pelo herpes-vírus humano tipo 6. O sarampo cursa com pródromo catarral, manchas de Koplik e exantema que surge no auge da febre, com progressão craniocaudal. A escarlatina apresenta exantema em lixa com faringite e língua em framboesa. A farmacodermia exigiria relação temporal com introdução do fármaco e costuma ser pruriginosa, sem a sequência febre-defervescência-exantema. A meningococcemia cursa com petéquias e púrpura, toxemia e deterioração rápida, incompatível com criança ativa e em bom estado geral.
Menina, 4 anos, apresenta há 2 dias febre, dor de garganta e prostração, evoluindo com exantema micropapular áspero ao tato, mais intenso em dobras cutâneas, com poupança da região perioral. T 38,9 °C, FC 130 bpm. Ao exame, língua com papilas hipertrofiadas sobre fundo eritematoso e amígdalas hiperemiadas com exsudato. Nas dobras antecubitais, observam-se linhas transversais mais pigmentadas. Qual o diagnóstico e o tratamento indicado?
Exantema micropapular em lixa com acentuação em dobras, sinal de Pastia, língua em framboesa, palidez perioral e faringite exsudativa definem escarlatina, causada por estreptococo do grupo A produtor de toxina eritrogênica, tratada com penicilina benzatina ou amoxicilina oral para prevenir febre reumática. A doença de Kawasaki exige febre por cinco dias com conjuntivite não purulenta e alterações de extremidades. O sarampo cursa com pródromo catarral, manchas de Koplik e exantema maculopapular craniocaudal. A síndrome do choque tóxico apresenta hipotensão e disfunção orgânica. Considerar exantema viral inespecífico deixaria de tratar uma infecção estreptocócica com risco de sequela cardíaca.
Menino, 10 anos, apresenta há 4 dias febre, mialgia e exantema, evoluindo com edema e dor em articulações de mãos e punhos. Nega uso de medicamentos novos. Tem histórico de infecção de vias aéreas há 3 semanas. Ao exame, apresenta artrite simétrica de pequenas articulações e linfonodomegalia cervical. Fator reumatoide negativo, provas inflamatórias moderadamente elevadas e sorologia positiva para parvovírus B19 com IgM reagente. Qual o diagnóstico e a conduta?
Artrite simétrica de pequenas articulações após quadro viral, com IgM positiva para parvovírus B19, caracteriza artropatia pós-viral, condição autolimitada tratada com anti-inflamatório e seguimento clínico, sem necessidade de imunossupressão. A artrite idiopática juvenil poliarticular exige artrite persistente por mais de seis semanas, prazo ainda não decorrido. A artrite séptica é geralmente monoarticular, com dor intensa, impotência funcional e toxemia. O lúpus juvenil cursa com autoanticorpos específicos, citopenias e acometimento multissistêmico. A febre reumática apresenta artrite migratória de grandes articulações com evidência de infecção estreptocócica prévia, e não sorologia viral positiva.
Um município enfrenta epidemia de sarampo após anos sem casos autóctones. A cobertura vacinal caiu para 72% nos últimos três anos, com bolsões de baixa cobertura em periferias. A vigilância confirma transmissão sustentada, com casos em lactentes ainda não vacinados e em adultos jovens. O gestor solicita orientação sobre a estratégia de imunização mais adequada para interromper a circulação viral no território. Qual a estratégia indicada?
Diante de transmissão sustentada com baixa cobertura, a estratégia é a intensificação vacinal com busca ativa dos não vacinados, atualização de esquemas e vacinação de bloqueio dos contatos em até 72 horas, além de considerar dose zero em lactentes conforme protocolo. Vacinar apenas os casos após a recuperação não interrompe a cadeia de transmissão. Aguardar a campanha do ano seguinte permite a progressão da epidemia com risco de óbitos. Restringir a vacinação aos profissionais de saúde protege parcialmente o serviço, mas não a população suscetível. Isolamento domiciliar prolongado de toda a população não é medida viável nem substitui a imunização, que é a intervenção definitiva.
Menino, 3 anos, apresenta há 2 dias febre e lesões cutâneas maculopapulares que evoluíram para vesículas e crostas, distribuídas em couro cabeludo, face e tronco, com lesões em diferentes estágios evolutivos simultaneamente. T 38,4 °C, FC 118 bpm. Está em bom estado geral, alimentando-se bem, sem sinais de infecção secundária, sem alterações respiratórias e sem comprometimento neurológico ao exame realizado na unidade. Qual a conduta indicada?
A varicela em criança previamente hígida, sem sinais de gravidade ou complicação, é tratada de forma sintomática, com higiene rigorosa, corte de unhas, antipruriginoso e orientação sobre sinais de alarme, incluindo febre persistente e sinais de infecção bacteriana secundária. O aciclovir venoso hospitalar é reservado a imunossuprimidos, recém-nascidos e formas complicadas. O antibiótico profilático não previne infecção secundária e seleciona resistência. O corticoide sistêmico é contraindicado, pois favorece disseminação e complicações. A imunoglobulina específica é medida de profilaxia pós-exposição em suscetíveis de risco, sem papel no paciente já com a doença instalada.
Menino, 6 anos, apresenta há 3 dias febre e dor de garganta, evoluindo com aparecimento de exantema e descamação em ponta dos dedos após uma semana. Teve diagnóstico de faringoamigdalite estreptocócica tratada com amoxicilina, com boa adesão. Encontra-se afebril, ativo e sem artrite, sopro cardíaco ou alterações ao exame neurológico. As provas inflamatórias estão em queda e a criança recuperou o apetite e o estado geral habitual. Qual a conduta indicada?
A descamação em extremidades após escarlatina é fenômeno esperado da própria doença e não indica complicação, bastando completar o antibiótico prescrito e orientar a família, sem necessidade de profilaxia secundária, que é reservada a quem teve febre reumática. Iniciar profilaxia por dez anos sem diagnóstico de febre reumática expõe a criança a injeções desnecessárias por longo período. Repetir o esquema antibiótico não tem indicação com tratamento adequado já realizado. Ecocardiogramas mensais por um ano não se justificam sem cardite ou critérios de febre reumática. O corticoide não previne febre reumática, cuja prevenção é feita pela erradicação estreptocócica adequada.
Menina, 8 anos, apresenta há 2 dias febre, dor de garganta e exantema micropapular áspero, com poupança da região perioral e acentuação em dobras. Foi diagnosticada escarlatina e iniciou amoxicilina. A mãe pergunta quando a criança pode retornar à escola e quais cuidados deve manter em casa com os irmãos menores, que estão assintomáticos e com esquema vacinal completo para a idade. Qual a orientação correta?
Após 24 horas de antibioticoterapia eficaz e com melhora clínica, a transmissibilidade da infecção estreptocócica cai marcadamente, permitindo o retorno escolar, sem necessidade de tratar contatos domiciliares assintomáticos. Afastamento por 21 dias é desnecessário e prejudica a criança. Tratar todos os contatos assintomáticos não é recomendado de rotina e favorece resistência. O isolamento respiratório rigoroso por 30 dias não corresponde ao período de transmissibilidade sob tratamento. Suspender o antibiótico com o desaparecimento do exantema compromete a erradicação estreptocócica e a prevenção da febre reumática, exigindo o curso completo.
Gestante de 22 anos, com 19 semanas, sem comprovação vacinal, teve contato domiciliar com caso confirmado de sarampo há três dias. Está assintomática, sem febre ou exantema. T 36,5 °C, PA 108x64 mmHg. A sorologia IgG para sarampo, colhida hoje, ainda não tem resultado disponível. Qual a conduta correta de profilaxia pós-exposição?
Gestante suscetível exposta ao sarampo deve receber imunoglobulina humana normal como profilaxia pós-exposição, indicada em até seis dias do contato, uma vez que a vacina tríplice viral, por ser de vírus vivo atenuado, é contraindicada na gravidez. Aplicar a vacina é justamente a conduta proibida nesse cenário. Alegar perda da janela por 72 horas confunde o prazo da vacina com o prazo mais amplo da imunoglobulina. Prescrever aciclovir é erro de agente, pois esse antiviral atua sobre herpes-vírus e não sobre o vírus do sarampo. Limitar-se ao isolamento deixa a gestante sem proteção contra uma doença associada a pneumonite grave, prematuridade e perda fetal.
Menino, 10 meses, sem nenhuma dose de vacina tríplice viral, teve contato domiciliar com irmão de 6 anos que teve sarampo confirmado laboratorialmente há 2 dias. O lactente encontra-se assintomático, sem febre ou exantema. FC 128 bpm, FR 36 ipm, T 36,6 °C, exame físico normal. Não é imunossuprimido e não apresenta contraindicação a vacinas de vírus vivo atenuado. Qual a conduta indicada?
A vacinação de bloqueio com tríplice viral em até 72 horas é a conduta indicada: o lactente já tem idade em que a vacina pode ser aplicada como bloqueio, é imunocompetente e está dentro da janela em que a imunização pós-exposição ainda previne ou atenua a doença. Aguardar sintomas abandona a profilaxia. A imunoglobulina é reservada a menores de 6 meses, imunossuprimidos e gestantes suscetíveis, ou a contatos fora da janela vacinal. O antibiótico não previne complicações do sarampo. O isolamento é medida complementar, mas não substitui a profilaxia pós-exposição.
Menino, 11 anos, com antecedente de sarampo aos 10 meses de idade, apresenta há 6 meses queda do rendimento escolar, alterações de comportamento e, nas últimas semanas, mioclonias periódicas. FC 82 bpm, T 36,4 °C. Ao exame, há déficit cognitivo evidente e abalos mioclônicos rítmicos. O eletroencefalograma mostra complexos periódicos de alta voltagem. O líquido cefalorraquidiano tem anticorpos antissarampo em título elevado. Qual o diagnóstico?
A panencefalite esclerosante subaguda é o diagnóstico: deterioração cognitiva progressiva com mioclonias periódicas, complexos periódicos ao eletroencefalograma e anticorpos antissarampo em título elevado no líquido cefalorraquidiano, anos após sarampo adquirido em lactente, definem a complicação tardia. A encefalite herpética tem curso agudo com febre e alteração temporal. A encefalomielite disseminada aguda ocorre semanas após infecção, com lesões desmielinizantes multifocais e curso monofásico. A variante de Creutzfeldt-Jakob é excepcional nessa idade. A epilepsia mioclônica juvenil não cursa com demência progressiva.
Menino de 3 anos, sem comprovação vacinal, apresenta há 4 dias febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, com surgimento hoje de exantema maculopapular que se iniciou na região retroauricular e progride no sentido craniocaudal. T 39,2 graus Celsius, FC 130 bpm, FR 30 ipm. Há manchas branco-azuladas na mucosa jugal. Não há adenomegalia retroauricular dolorosa característica de outra exantemática. Além da notificação imediata, qual conduta é indicada?
A vacinação de bloqueio dos contatos suscetíveis em até 72 horas, somada à administração de vitamina A à criança doente, é a conduta indicada no sarampo, sugerido pela tríade catarral, manchas de Koplik e exantema com progressão craniocaudal. A antibioticoterapia para todos os contatos não previne infecção viral e seleciona resistência. O isolamento adequado é de aerossóis, e não apenas de contato, já que a transmissão ocorre por via respiratória com alta contagiosidade. A imunoglobulina não é indicada indiscriminadamente, ficando restrita a suscetíveis com contraindicação vacinal, como lactentes pequenos, gestantes e imunossuprimidos. A corticoterapia não integra o tratamento e pode favorecer complicações.
Menina de 6 anos apresenta há 2 dias eritema intenso em ambas as bochechas, com aspecto de face esbofeteada, seguido hoje de exantema maculopapular reticulado em tronco e membros. Teve febre baixa e sintomas de resfriado na semana anterior, já resolvidos. T 36,9 graus Celsius, FC 96 bpm, sem adenomegalia significativa, sem enantema e em bom estado geral. Qual o diagnóstico e a orientação correta?
O eritema infeccioso pelo parvovírus B19 é o diagnóstico, reconhecido pela face esbofeteada seguida de exantema reticulado, e a orientação correta é que a transmissibilidade ocorre na fase prodrômica, de modo que na fase de exantema a criança já não transmite e pode frequentar a escola. O sarampo cursa com tríade catarral intensa, manchas de Koplik e exantema craniocaudal. A escarlatina produz exantema micropapular áspero com língua em framboesa e sinal de Pastia. A rubéola cursa com linfadenopatia retroauricular e occipital dolorosa. O exantema súbito acomete lactentes, com febre alta por 3 dias que cessa quando surge o exantema.
Lactente de 11 meses apresentou febre alta de 39,5 graus Celsius por 3 dias, sem outros sintomas relevantes e mantendo bom estado geral entre os picos febris. Hoje, com a defervescência, surgiu exantema maculopapular rosado, não pruriginoso, iniciado em tronco e com extensão para pescoço e raiz dos membros. Está afebril, ativo, hidratado, sem enantema, sem adenomegalia significativa e sem sinais meníngeos. Qual o diagnóstico mais provável?
O exantema súbito é o diagnóstico mais provável, caracterizado por febre alta em lactente com bom estado geral seguida de exantema que surge justamente quando a febre cessa. O sarampo cursa com exantema que aparece no auge da febre, precedido de tosse, coriza e conjuntivite. A escarlatina produz exantema micropapular áspero com palidez perioral e descamação posterior. A rubéola apresenta linfadenopatia retroauricular dolorosa e exantema concomitante à febre baixa. A doença de Kawasaki exige febre por pelo menos 5 dias com critérios como conjuntivite não exsudativa, alterações de extremidades e lábios fissurados.
Menino de 7 anos apresenta há 2 dias febre alta e dor de garganta, com surgimento de exantema que começou em pescoço e tronco. T 39,0 graus Celsius, FC 118 bpm. O exantema é micropapular, áspero ao tato, mais intenso em dobras, com palidez ao redor da boca. A língua está avermelhada com papilas proeminentes e há exsudato amigdaliano bilateral. Não há conjuntivite nem edema de extremidades. Qual o tratamento indicado?
A penicilina benzatina em dose única é o tratamento da escarlatina, causada por estreptococo do grupo A produtor de toxina, reconhecida pelo exantema micropapular áspero com acentuação em dobras, palidez perioral e língua em framboesa. O aciclovir trata infecções herpéticas, sem relação com o quadro. A imunoglobulina endovenosa é tratamento da doença de Kawasaki, que exige febre prolongada e outros critérios. O corticoide não trata a infecção estreptocócica. Manter apenas sintomáticos deixa de prevenir a febre reumática, principal justificativa do antibiótico.
Menino, 3 anos, não vacinado, apresenta febre alta, tosse, coriza e conjuntivite há quatro dias, seguidas de exantema maculopapular craniocaudal. FR 44 ipm, FC 140 bpm, SatO2 90%, com estertores difusos. Foram observadas manchas branco-acinzentadas na mucosa jugal antes do exantema. A radiografia mostra infiltrado intersticial difuso com áreas de consolidação em bases. Qual a conduta indicada?
O sarampo com pneumonia exige suporte com oxigenoterapia, administração de vitamina A, que reduz morbimortalidade, e antibiótico para a pneumonia bacteriana associada, além de notificação e isolamento. O corticoide não é tratamento das complicações respiratórias do sarampo. O oseltamivir trata influenza, agente diverso. A imunoglobulina tem papel profilático pós-exposição em suscetíveis, não terapêutico na fase exantemática. Considerar a evolução sempre benigna ignora a letalidade em não vacinados e desnutridos.
Mulher, 23 anos, sem vacinação documentada, apresenta exantema maculopapular róseo que iniciou na face e progrediu para o tronco em 24 horas, com febre baixa e artralgia. PA 114x72 mmHg, FC 84 bpm, T 37,8 °C. Linfonodomegalia retroauricular e occipital dolorosa. Não há tosse, coriza intensa ou conjuntivite marcante. Ausência de manchas na mucosa jugal. Qual a hipótese e a medida prioritária?
Exantema róseo com progressão craniocaudal rápida, febre baixa, artralgia e linfonodomegalia retroauricular e occipital dolorosa é o quadro típico da rubéola; a prioridade é a notificação imediata, coleta de sorologia e verificação de gestação, pela gravidade da síndrome da rubéola congênita. O sarampo cursa com febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik, ausentes na descrição. A escarlatina tem exantema micropapular áspero, sinal de Pastia e língua em framboesa, com faringite estreptocócica. O eritema infeccioso apresenta face esbofeteada seguida de exantema rendilhado, e a rubéola nunca dispensa notificação. A dengue não produz linfonodomegalia retroauricular característica nem exantema com essa progressão.
Menina, 3 anos, não vacinada, com febre alta há 5 dias, tosse, coriza e conjuntivita, evoluiu com exantema maculopapular craniocaudal confluente. No 8º dia apresenta piora, com febre persistente, taquipneia e hipoxemia. Temperatura axilar 39,2 °C, frequência respiratória 56 ipm, SatO2 89% em ar ambiente. Radiografia com infiltrado intersticial difuso e consolidação em base direita. Qual a alternativa correta?
A pneumonia, viral primária ou por infecção bacteriana secundária, é a complicação mais associada ao óbito por sarampo, e a suplementação com vitamina A em duas doses reduz mortalidade e gravidade, sendo indicada a todas as crianças com a doença. Afirmar que a pneumonia é rara e que a otite lidera os óbitos inverte a realidade epidemiológica. A vitamina A não é contraindicada, ao contrário, é recomendada pela Organização Mundial da Saúde. O sarampo confere imunidade duradoura, e a reinfecção sintomática é excepcional. A transmissibilidade vai de cerca de 4 dias antes até 4 dias após o início do exantema, exigindo isolamento por aerossóis.
Criança não vacinada tem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidas de exantema que começa na face. Há pequenas lesões esbranquiçadas na mucosa jugal e exposição epidemiológica compatível. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A suspeita clínica deve desencadear isolamento e notificação antes do resultado final. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Menina de sete anos tem febre, odinofagia, língua em framboesa e exantema áspero ao toque, com acentuação em dobras. Teste para estreptococo do grupo A é positivo. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A confirmação evita atribuir todo exantema com faringite a escarlatina. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Criança não vacinada tem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidas de exantema que começa na face. Há pequenas lesões esbranquiçadas na mucosa jugal e exposição epidemiológica compatível. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A transmissão aérea torna necessárias medidas imediatas de prevenção de exposição. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Menina de sete anos tem febre, odinofagia, língua em framboesa e exantema áspero ao toque, com acentuação em dobras. Teste para estreptococo do grupo A é positivo. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Antibiótico reduz transmissão e complicações; escolha depende de alergia e condições clínicas. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Menina de sete anos tem febre, odinofagia, língua em framboesa e exantema áspero ao toque, com acentuação em dobras. Teste para estreptococo do grupo A é positivo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Faringite estreptocócica com exantema escarlatiniforme caracteriza a doença. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Criança não vacinada tem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidas de exantema que começa na face. Há pequenas lesões esbranquiçadas na mucosa jugal e exposição epidemiológica compatível. Qual é o diagnóstico mais provável?
Pródromo catarral, manchas de Koplik e exantema descendente são sugestivos. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Criança não vacinada tem febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidas de exantema que começa na face. Há pequenas lesões esbranquiçadas na mucosa jugal e exposição epidemiológica compatível. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
O manejo reduz complicações e transmissão; antibiótico não trata o vírus e depende de infecção bacteriana associada. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Menina de sete anos tem febre, odinofagia, língua em framboesa e exantema áspero ao toque, com acentuação em dobras. Teste para estreptococo do grupo A é positivo. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O exantema é manifestação toxigênica da infecção estreptocócica. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Paciente com exposição compatível tem febre, coriza, tosse e conjuntivite antes de exantema generalizado com progressão típica. Qual diagnóstico é mais provável?
A síndrome clínica é compatível com sarampo. Febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema com progressão característica sugerem sarampo; suspeita exige medidas de controle e investigação apropriadas. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Escolar tem eritema intenso nas bochechas e, depois, rash rendilhado nos membros, com poucos sintomas sistêmicos. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão facial e reticular sugere eritema infeccioso. Parvovírus B19 pode causar eritema facial em aspecto de face esbofeteada e exantema rendilhado, com apresentações variáveis. Referência: https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Escolar tem eritema malar bem marcado seguido de lesões reticulares nos braços e pernas, sem toxemia importante. Qual diagnóstico é mais provável?
O conjunto favorece eritema infeccioso. Parvovírus B19 pode causar eritema facial em aspecto de face esbofeteada e exantema rendilhado, com apresentações variáveis. Referência: https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Após episódio febril intenso no lactente, surge rash no tronco quando a criança já está mais disposta e afebril. Qual diagnóstico é mais provável?
A sequência febre seguida de exantema sugere exantema súbito. Febre alta por alguns dias seguida de melhora e aparecimento de exantema, especialmente no tronco do lactente, sugere roséola. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/roseola/
Paciente apresenta lesões disseminadas pruriginosas em diferentes fases evolutivas, incluindo vesículas de conteúdo claro e crostas. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão favorece varicela. Exantema pruriginoso com lesões em diferentes estágios, incluindo vesículas e crostas, é característico de varicela. Referência: https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-overview/index.html
Criança tem febre alta, tosse, conjuntivite e exantema que se inicia na região cefálica, com lesões esbranquiçadas na mucosa jugal. Qual diagnóstico é mais provável?
O pródromo respiratório e ocular é característico. Febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema com progressão característica sugerem sarampo; suspeita exige medidas de controle e investigação apropriadas. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Criança tem face com aspecto de esbofeteada e exantema em renda, após quadro viral leve. Qual diagnóstico é mais provável?
A morfologia sugere infecção por parvovírus B19. Parvovírus B19 pode causar eritema facial em aspecto de face esbofeteada e exantema rendilhado, com apresentações variáveis. Referência: https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Bebê de nove meses apresenta febre alta sem foco por dias e exantema no momento em que a febre cessa e o estado geral melhora. Qual diagnóstico é mais provável?
O curso temporal é típico de roséola. Febre alta por alguns dias seguida de melhora e aparecimento de exantema, especialmente no tronco do lactente, sugere roséola. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/roseola/
Paciente com febre e conjuntivite apresenta exantema morbiliforme de progressão craniocaudal após tosse e coriza importantes. Qual diagnóstico é mais provável?
O conjunto favorece sarampo. Febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema com progressão característica sugerem sarampo; suspeita exige medidas de controle e investigação apropriadas. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Lactente maior tem surtos sucessivos de vesículas pruriginosas, com crostas antigas e lesões novas simultâneas. Qual diagnóstico é mais provável?
O polimorfismo de estágios apoia varicela. Exantema pruriginoso com lesões em diferentes estágios, incluindo vesículas e crostas, é característico de varicela. Referência: https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-overview/index.html
Criança não imunizada tem febre, tosse, coriza, conjuntivite e manchas de Koplik antes de exantema que começa na face e progride. Qual diagnóstico é mais provável?
O pródromo e as lesões orais favorecem sarampo. Febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema com progressão característica sugerem sarampo; suspeita exige medidas de controle e investigação apropriadas. Referência: https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Criança apresenta exantema muito pruriginoso com máculas, pápulas, vesículas e crostas coexistindo, predominando no tronco. Qual diagnóstico é mais provável?
Lesões em vários estágios são típicas de varicela. Exantema pruriginoso com lesões em diferentes estágios, incluindo vesículas e crostas, é característico de varicela. Referência: https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-overview/index.html
Lactente tem febre alta por três dias, melhora abruptamente e então apresenta exantema rosado no tronco. Qual diagnóstico é mais provável?
A erupção após defervescência favorece exantema súbito. Febre alta por alguns dias seguida de melhora e aparecimento de exantema, especialmente no tronco do lactente, sugere roséola. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/roseola/
Paciente tem dor de garganta e rash eritematoso fino, áspero, com pregas mais marcadas e teste estreptocócico positivo. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão é compatível com escarlatina. Faringite por estreptococo do grupo A pode acompanhar exantema áspero e alterações de língua, compatíveis com escarlatina. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Criança tem febre, faringite, exantema áspero como lixa e língua em framboesa, com confirmação de estreptococo do grupo A. Qual diagnóstico é mais provável?
O conjunto faríngeo e cutâneo favorece escarlatina. Faringite por estreptococo do grupo A pode acompanhar exantema áspero e alterações de língua, compatíveis com escarlatina. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Criança tem rash rendilhado que surgiu após eritema facial intenso e quadro sistêmico leve. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão é típico de eritema infeccioso. Parvovírus B19 pode causar eritema facial em aspecto de face esbofeteada e exantema rendilhado, com apresentações variáveis. Referência: https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Lactente fica afebril após quatro dias de febre alta e passa a ter exantema discreto no tronco, mantendo bom estado geral. Qual diagnóstico é mais provável?
A defervescência antes do rash caracteriza o padrão de roséola. Febre alta por alguns dias seguida de melhora e aparecimento de exantema, especialmente no tronco do lactente, sugere roséola. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/roseola/
Criança apresenta novas vesículas em meio a pápulas e crostas antigas, com prurido e distribuição centrípeta. Qual diagnóstico é mais provável?
O aparecimento em surtos favorece varicela. Exantema pruriginoso com lesões em diferentes estágios, incluindo vesículas e crostas, é característico de varicela. Referência: https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-overview/index.html
Paciente com estreptococo na faringe desenvolve exantema fino e áspero e alterações linguais compatíveis. Qual diagnóstico é mais provável?
O quadro corresponde a escarlatina. Faringite por estreptococo do grupo A pode acompanhar exantema áspero e alterações de língua, compatíveis com escarlatina. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Criança tem faringite, exantema de textura áspera e língua avermelhada, com evidência de infecção estreptocócica. Qual diagnóstico é mais provável?
A toxina estreptocócica pode produzir escarlatina. Faringite por estreptococo do grupo A pode acompanhar exantema áspero e alterações de língua, compatíveis com escarlatina. Referência: https://www.cdc.gov/group-a-strep/hcp/clinical-guidance/scarlet-fever.html
Durante orientação coletiva, um responsável propõe substituir a vacinação contra sarampo por suplemento de vitamina A. Qual esclarecimento é correto?
Seu uso terapêutico supervisionado não equivale a imunização nem previne sarampo como a vacina. Referência: CDC. Clinical Overview of Measles (2026). https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Após diagnóstico de eritema infeccioso em uma criança, a mãe informa estar grávida. Qual orientação referente à exposição materna é adequada?
Infecção por parvovírus na gestação pode ter repercussões fetais; a avaliação não depende apenas da gravidade na criança. Referência: CDC. About Parvovirus B19 (2025). https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Duas crianças tiveram contato com varicela. Uma é previamente saudável; a outra recebe quimioterapia. Por que a segunda requer avaliação específica e oportuna do risco?
O estado imune modifica avaliação e manejo da exposição e da doença, exigindo atenção especializada. Referência: CDC. Clinical Features of Chickenpox (2024). https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-signs/index.html
Escolar desenvolve deterioração cognitiva progressiva e mioclonias, anos após sarampo na primeira infância. A equipe considera panencefalite esclerosante subaguda. Qual característica distingue essa complicação de uma encefalite aguda durante o exantema?
A panencefalite esclerosante subaguda é complicação rara e tardia, com deterioração neurológica progressiva. Referência: CDC. Clinical Overview of Measles (2026). https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Criança previamente saudável tem eritema infeccioso típico, bom estado geral, hidratação preservada e ausência de sinais de anemia. Qual abordagem é usual nesse cenário?
Na maioria das crianças saudáveis, a infecção é autolimitada e o tratamento visa aliviar sintomas. Referência: CDC. About Parvovirus B19 (2025). https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Uma criança apresenta exantema vesicular atípico e é necessário confirmar ou afastar varicela. Há lesões acessíveis para coleta. Qual estratégia laboratorial é preferível para confirmar a etiologia?
PCR de material de lesões, como conteúdo vesicular, células da base ou crostas, é o método preferencial para confirmação de infecção por VZV quando há necessidade de teste. Referência: CDC. Laboratory Testing for Varicella-Zoster Virus. https://www.cdc.gov/chickenpox/php/laboratories/index.html
Criança previamente saudável apresentou eritema intenso nas bochechas, seguido de exantema rendilhado no tronco. Após melhora clínica, as manchas oscilam por algumas semanas, sem febre ou prostração. Qual informação é compatível com eritema infeccioso?
Essa oscilação pode ocorrer no parvovírus B19; a evolução deve ser interpretada com o estado clínico. Referência: CDC. About Parvovirus B19 (2025). https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
Criança vacinada contra varicela há anos apresenta poucas lesões predominantemente maculopapulares e febre baixa após exposição a um caso. Qual interpretação evita excluir precipitadamente a hipótese?
A apresentação modificada pode dificultar o diagnóstico clínico e tornar importante a confirmação laboratorial. Referência: CDC. Clinical Features of Chickenpox (2024). https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-signs/index.html
Durante varicela, uma criança apresenta recrudescimento da febre e uma área cutânea com dor crescente, calor e eritema em expansão ao redor de lesões. Qual complicação deve ser considerada?
Mudança inflamatória focal e piora sistêmica exigem avaliação de sobreinfecção, complicação importante na infância. Referência: CDC. Clinical Features of Chickenpox (2024). https://www.cdc.gov/chickenpox/hcp/clinical-signs/index.html
Ao investigar sarampo em uma criança, a família informa que ela foi à escola nos dias anteriores ao aparecimento das manchas. Qual informação fundamenta a avaliação dos contatos desse período?
O período pré-exantemático integra a janela de contagiosidade e deve ser considerado na investigação. Referência: CDC. Clinical Overview of Measles (2026). https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Criança com febre, tosse, coriza, conjuntivite e exantema descendente chega a uma unidade de saúde após contato epidemiológico relevante. Enquanto se organiza a investigação de sarampo, qual medida deve ser priorizada no fluxo de atendimento?
A suspeita exige reduzir exposição de outras pessoas enquanto se realiza avaliação e comunicação à vigilância. Referência: CDC. Clinical Overview of Measles (2026). https://www.cdc.gov/measles/hcp/clinical-overview/index.html
Criança com esferocitose hereditária é exposta a parvovírus B19. Os responsáveis ouviram que o vírus costuma causar doença leve. Qual risco específico justifica maior atenção nesse caso?
Parvovírus B19 pode causar anemia grave em portadores de doenças hemolíticas, incluindo esferocitose. Referência: CDC. About Parvovirus B19 (2025). https://www.cdc.gov/parvovirus-b19/about/index.html
A aparência do exantema sozinha permite identificar com certeza o vírus?

Há sobreposição entre erupções; morfologia ajuda, mas não é identificação etiológica definitiva.
No primeiro padrão, há febre alta, tosse, coriza, conjuntivite e exposição a sarampo. Qual medida acompanha a investigação, sem esperar confirmação?

Suspeita clínica e epidemiológica de sarampo exige medidas de controle e notificação, além de confirmação laboratorial.
Lesões em diferentes fases, algumas vesiculares, no último painel sugerem qual conceito morfológico?

Coexistência de lesões em estágios diferentes caracteriza polimorfismo e ajuda na correlação clínica.
Criança com padrão do segundo painel convive com familiar com doença falciforme. Qual complicação de infecção por parvovírus merece atenção nesse familiar?

Parvovírus B19 pode interromper eritropoiese e precipitar anemia grave em quem tem sobrevida eritrocitária reduzida.
O segundo painel destaca eritema em qual região da face?

O desenho mostra eritema malar bilateral, o aspecto conhecido como face esbofeteada.
Uma criança não vacinada tem febre baixa e exantema pruriginoso iniciado no tronco. Qual diagnóstico combina com o padrão ilustrado? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Lesões disseminadas em diferentes estágios, incluindo vesículas e crostas, favorecem varicela.
Um paciente com varicela permanece com lesões semelhantes às da ilustração durante internação. Qual precaução é adequada enquanto houver vesículas e lesões ainda não ressecadas? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A fase com lesões ativas demanda essas precauções até que as lesões estejam secas e em crostas.
Recém-nascido a termo, no terceiro dia de vida, ativo e mamando bem, apresenta a erupção ilustrada. Palmas e plantas estão poupadas. Qual hipótese é mais provável? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Pequenas lesões papulopustulosas com halos eritematosos em bebê saudável favorecem essa erupção transitória.
Como se denomina a pequena lesão elevada de conteúdo opaco e amarelado no centro de alguns halos vermelhos? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A elevação contém material de aspecto opaco.
Em um recém-nascido saudável de três dias, a erupção mostrada desaparece espontaneamente. Se o conteúdo de uma lesão típica tivesse sido examinado, qual célula seria classicamente predominante? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

É o padrão clássico do conteúdo pustuloso no eritema tóxico neonatal.
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em 7 dias
Escreva de memória, sem consultar, a coluna da febre para as nove doenças da tabela: para cada uma, a febre vem antes e persiste, vem junto e é baixa, ou cessa antes do exantema aparecer? Depois recite os três prazos de sarampo e rubéola (24, 48 e 72 horas) dizendo o que acontece em cada um, as três faixas de vitamina A com as respectivas unidades internacionais, e os cinco critérios de Kawasaki com o número de critérios exigido e o prazo da imunoglobulina. Por fim, diga em voz alta por onde começa o exantema em sarampo, exantema súbito, eritema infeccioso e varicela.
em 30 dias
Refaça a tabela comparativa inteira em papel em branco, linha por linha, e só então confira. Em seguida responda sem olhar: (1) criança vacinada com duas doses, febre, exantema morbiliforme e conjuntivite — é caso suspeito de sarampo? por quê? (2) qual a conduta com a gestante suscetível contato de um caso de rubéola? (3) o que muda no parvovírus B19 quando o paciente é falciforme, e qual exame define? (4) quantas horas para a vacina e quantas para a imunoglobulina na varicela? (5) dose e corte de peso da penicilina benzatina na escarlatina, e qual complicação o antibiótico NÃO previne? (6) quais as três portas da definição atualizada de caso suspeito de sarampo, e qual documento as criou? Depois, para as duas divergências do capítulo (vitamina A e aciclovir), escreva as duas posições, quem sustenta cada uma e o que no enunciado revelaria o recorte.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você está na unidade básica de saúde. Chega uma mãe com o filho de 2 anos e 4 meses, com febre há cinco dias, tosse, coriza e olhos vermelhos, e um exantema avermelhado que começou atrás das orelhas ontem e hoje já cobre o tronco. A criança está prostrada e recusa alimento. A caderneta mostra tríplice viral aos 12 meses e nada mais registrado depois disso. A mãe conta que a família voltou há duas semanas de uma viagem à Bolívia e que a filha caçula, de 7 meses, ainda não recebeu nenhuma dose de tríplice viral. Ela pergunta se precisa fazer exame, se pode dar antibiótico e se a bebê corre risco. Conduza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
