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Calendário vacinal da criança (PNI)

Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI) e esquemas por idade

A prova não pede o calendário de cor — ele está pregado na parede de toda sala de vacina. Pede o que fazer com a criança atrasada, com a dose aplicada cedo demais, com a contraindicação que não existe e com o imunossuprimido. O calendário é o dado; a regra de atualização é a resposta.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Uma criança comparece à unidade básica de saúde aos 2 meses de vida para vacinação de rotina, segundo o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde do Brasil. Qual das seguintes vacinas está indicada nesta idade?

02

Como esse tema cai

Este é o assunto de pediatria em que mais gente estuda a coisa errada. Decorar a tabela do calendário tem valor baixo: ela está impressa na parede de toda sala de vacina, na Caderneta da Criança e no celular de quem atende. O que separa quem acerta de quem erra é outra coisa — saber o que fazer quando a criança chega fora do roteiro. E ela quase sempre chega fora do roteiro.

As cinco perguntas que aparecem de verdade são estas: a criança atrasada reinicia ou completa o esquema? A dose aplicada antes da idade ou do intervalo mínimo vale ou tem de ser repetida? Que janelas fecham e não reabrem? O que é contraindicação de verdade e o que é aquela lista de coisas que parecem contraindicação e não são? E o que muda no imunossuprimido, no prematuro e em quem convive com um doente grave em casa? Nenhuma dessas se responde lendo a tabela. Todas se respondem com regras que cabem em uma página — e são essas regras que este capítulo persegue.

Há um segundo motivo para não decorar a tabela: ela muda todo ano, e mudou muito. Em menos de dois anos o PNI trocou o esquema da poliomielite duas vezes, transformou as duas doses de HPV em dose única, ampliou a janela do rotavírus, substituiu o reforço de meningocócica C aos 12 meses pela ACWY e começou a trocar a pneumocócica 10-valente pela 20-valente. Isso tem uma consequência prática desconfortável: questão de prova antiga sobre calendário pode ter gabarito hoje errado, e questão nova pode ter distrator montado justamente com o esquema antigo. Os documentos vigentes quando este capítulo foi escrito são o Calendário Nacional de Vacinação 2026 (arquivo revisado em 30 de julho de 2026) e a Instrução Normativa do CNV, 3ª edição de 2026, atualizada em 17 de julho de 2026. É por eles que os números abaixo estão cravados.

03

O que muda decisão

Idade mínima, idade máxima e a regra dos quatro dias

Toda vacina tem uma idade mínima abaixo da qual a dose não conta, e boa parte delas tem uma idade máxima acima da qual o SUS simplesmente não oferece mais o produto. Saber as duas pontas resolve metade das questões de esquema atrasado, porque a conduta muda conforme a criança esteja dentro ou fora de cada faixa.

As idades mínimas que a prova cobra: a penta só pode começar a partir de 6 semanas de vida (1 mês e 15 dias), e mesmo assim isso é recomendado só em situação excepcional — antes disso, não se administra; a meningocócica C é contraindicada abaixo de 2 meses; o rotavírus tem 1 mês e 15 dias como piso; a febre amarela é dos 9 meses, com a exceção dos 6 aos 8 meses; a varicela é contraindicada abaixo de 9 meses; a tríplice viral abaixo de 6 meses, mesmo em surto de sarampo; a hepatite A abaixo de 12 meses.

As idades máximas: a BCG é contraindicada a partir dos 5 anos, e na rotina vai até 4 anos, 11 meses e 29 dias (a única exceção é o contato domiciliar de hanseníase, e mesmo ele fica contraindicado se for pessoa vivendo com HIV); a penta é contraindicada a partir dos 7 anos, valendo até 6 anos, 11 meses e 29 dias, e o mesmo vale para a DTP e para a varicela na população geral; a VIP na rede pública, a meningocócica, a pneumocócica, a hepatite A e a covid-19 pediátrica vão até 4 anos, 11 meses e 29 dias; a influenza pediátrica até 5 anos, 11 meses e 29 dias; o rotavírus até 23 meses e 29 dias; o HPV em atraso até 14 anos, 11 meses e 29 dias. Passada a idade-teto, a criança não fica sem esquema — ela muda de esquema: a partir dos 7 anos, quem não tem esquema básico completo de difteria, tétano e hepatite B atualiza com dupla adulto (dT) e hepatite B monovalente, não com penta.

E vem a regra que quase ninguém sabe e que resolve a questão do 'aplicaram cedo demais': doses administradas até quatro dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima indicada são consideradas válidas. Se a primeira dose de uma série foi administrada mais de quatro dias antes da idade mínima recomendada, isso se registra como erro de imunização e a dose deve ser repetida, respeitando os intervalos recomendados. Quatro dias — não uma semana, não um mês. Um bebê que recebeu a penta com 1 mês e 12 dias (três dias antes das 6 semanas) está vacinado; com 1 mês e 5 dias, não está, e a dose se repete.

Um último conceito de idade que separa quem estudou: a dose zero. A febre amarela dos 6 aos 8 meses, dada em área de circulação comprovada do vírus, e a tríplice viral dos 6 aos 11 meses, dada em bloqueio de sarampo, são doses zero — protegem naquele momento e não contam para a rotina. A criança segue devendo o esquema básico inteiro depois. Alternativa que diz 'já recebeu, está em dia' está errada nas duas situações.

Ilustração de três locais de administração de vacinas em crianças: seringa em ângulo reto no vasto lateral da coxa de um lactente, seringa em ângulo reto no deltoide de uma criança maior, e seringa quase paralela à pele formando pápula no braço direito de um recém-nascido.
Via e local: intramuscular no vasto lateral da coxa até os 2 anos e no deltoide a partir daí, conforme a massa muscular; a BCG é intradérmica, no braço direito, na inserção inferior do deltoide — é a única aplicada assim, e é por isso que deixa cicatriz.

Intervalo padrão e intervalo mínimo: um é a rotina, o outro é a exceção

O intervalo recomendado entre as doses do esquema básico é de 60 dias. O intervalo mínimo é de 30 dias. Os dois números não são intercambiáveis, e a Instrução Normativa explica por quê em nota de rodapé repetida em cada vacina: o intervalo padrão se apoia em estudos clínicos e de efetividade, produz melhor resposta imunológica, maior persistência de anticorpos e maior duração da proteção; o intervalo mínimo é ferramenta de exceção, empregada quando há necessidade justificada de acelerar a proteção — risco de exposição iminente, viagem para área de risco, algumas comorbidades.

Registro aqui uma tensão real entre dois documentos vigentes do próprio Ministério da Saúde, porque ela aparece em prova. A Instrução Normativa trata o intervalo mínimo como exceção para risco iminente. O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação, na seção de situações especiais, é explícito em outra direção: 'em caso de atrasos vacinais, pode ser utilizado intervalo mínimo entre as doses para atualizar o calendário vacinal do indivíduo'. Na prática assistencial as duas leituras convergem — a criança muito atrasada está, ela própria, em risco aumentado — e o Manual de Normas autoriza nominalmente o uso do intervalo mínimo para recuperar calendário. Use 60 dias como a resposta padrão e 30 dias como a resposta do cenário de atraso ou de risco declarado.

O erro mais comum, porém, não é escolher entre 60 e 30: é achar que existe um único intervalo mínimo. Não existe. Cada vacina tem o seu, e os intervalos dos reforços são maiores e mais esquecidos. Os reforços de DTP e de VIP exigem no mínimo 6 meses após a terceira dose do esquema básico, e 6 meses entre o primeiro e o segundo reforço. O reforço da pneumocócica exige 60 dias após a segunda dose do básico. A tríplice viral usa 30 dias entre as duas doses (mínimo de 15 em situação excepcional). A varicela usa 3 meses entre as doses dos 1 aos 12 anos, e 8 semanas (mínimo de 4) a partir dos 13. A febre amarela pede no mínimo 30 dias entre a dose e o reforço. O rotavírus usa 60 dias, mínimo de 30. A primovacinação de influenza usa 30 dias. A covid-19 em atraso usa 4 semanas entre a primeira e a segunda dose e 8 semanas entre a segunda e a terceira.

E há dois intervalos que existem por razão de composição, não de imunogenicidade genérica: na penta em atraso, é preciso garantir no mínimo 4 meses entre a primeira e a terceira dose, e a terceira dose não deve ser administrada antes dos 6 meses de idade. O motivo é o componente hepatite B que a penta carrega — é a regra do esquema de hepatite B, não a da coqueluche, que manda aqui. Quem acelera a penta sem observar isso completa o esquema no papel e deixa a criança mal protegida contra hepatite B.

Esquema atrasado: nunca se reinicia — e as janelas que não reabrem

A regra é curta e vale para tudo: esquemas vacinais incompletos, independentemente da data da dose anterior, devem ser completados; os esquemas não devem ser reiniciados. Não importa se a última dose foi há três meses ou há três anos. A única exceção registrada no Manual de Normas é o indivíduo pós-transplantado de células-tronco hematopoiéticas, que perde a memória imunológica com o condicionamento e é revacinado do zero, conforme o Manual do CRIE. Fora disso, dose dada é dose contada.

O contrapeso dessa generosidade são as janelas que fecham de vez, e a prova adora as três. A primeira é o rotavírus, o exemplo clássico. A primeira dose só pode ser administrada de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias; a segunda, de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias. O calendário é explícito sobre a consequência: se a primeira dose não for recebida dentro do período indicado, perde-se a oportunidade de vacinação contra o rotavírus — a primeira E a segunda. Não há recuperação, não há dose tardia, não há esquema alternativo. A restrição existe porque o risco de intussuscepção associado à vacinação cresce com a idade de administração.

A segunda janela é a hepatite B do nascimento. A dose monovalente ao nascer é aplicada na sala de parto ou nas primeiras 12 horas, ainda na maternidade, e só pode ser administrada até 1 mês de vida. Criança que perdeu esse prazo não recebe mais essa dose — inicia o esquema de hepatite B aos 2, 4 e 6 meses com a penta. Isso confunde muita gente na consulta de puericultura do segundo mês, que tenta 'recuperar a dose do nascimento'. Não se recupera. Caso à parte, e cobrado com frequência: recém-nascido de mãe HBsAg positivo recebe, além da vacina, uma dose de imunoglobulina humana anti-hepatite B, em sítio muscular distinto, na sala de parto ou nas primeiras 12 horas (até 24 horas, se não for possível), com a imunoglobulina admitida até no máximo 7 dias após o parto; a soroconversão é depois checada com anti-HBs entre 30 e 60 dias após a última dose.

A terceira janela é a própria idade-teto de cada vacina, e ela não fecha o esquema: muda o esquema. É aqui que está o raciocínio mais cobrado do capítulo, porque a criança atrasada não recebe o esquema do calendário deslocado no tempo — recebe o esquema da idade em que ela chegou. Sem histórico vacinal, a partir de 13 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias, a pneumocócica é dose única com a 20-valente, não o esquema de duas doses mais reforço. Sem histórico, entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, a meningocócica é dose única de ACWY, não as duas doses de meningocócica C dos 3 e 5 meses. Na febre amarela, quem recebeu uma única dose a partir dos 5 anos está com esquema completo, enquanto quem recebeu uma única dose antes dos 5 anos ainda deve um reforço. Na tríplice viral, dos 12 meses aos 29 anos são 2 doses; dos 30 aos 59 anos, 1 dose.

Um caso de borda que vale memorizar porque é escrito de forma tentadora: criança de 6 anos com esquema básico completo de penta e nenhum reforço. Administra-se o primeiro reforço de DTP o mais breve possível, antes dos 7 anos. Se não couber o segundo reforço antes dos 7 anos — e não vai caber, porque exige 6 meses de intervalo —, essa criança fica liberada do segundo reforço com DTP, e se agenda uma dose de dT para 10 anos após o primeiro reforço. A conduta não é 'reiniciar', não é 'aplicar os dois reforços com 30 dias' e não é 'aplicar DTP depois dos 7 anos'.

Vacinas de vírus vivo: quem são e as quatro regras que as governam

No calendário da criança são vivas atenuadas: a BCG (bacteriana atenuada), o rotavírus (oral atenuada), a febre amarela, a tríplice viral e a tetraviral, e a varicela. No calendário do adolescente entra também a dengue. Todo o resto do calendário infantil é não vivo — penta, VIP, pneumocócica, meningocócicas, hepatite A, hepatite B, HPV, influenza inativada e covid-19 de RNA mensageiro. Saber essa divisão de cor é pré-requisito, porque as quatro regras abaixo só se aplicam à coluna das vivas.

Regra 1 — intervalo entre elas. Vacina inativada com inativada, ou inativada com atenuada: podem ser administradas simultaneamente ou com qualquer intervalo, sem restrição. Vacina atenuada com atenuada depende da idade: abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela exigem intervalo de 30 dias — não se aplicam no mesmo dia na rotina; A partir de 2 anos, varicela, febre amarela, tríplice viral, tetraviral e dengue podem ser simultâneas ou com 30 dias de intervalo. As vacinas orais atenuadas são a exceção da exceção: o rotavírus desencadeia resposta de mucosa, não interfere na resposta às injetáveis, e pode ser dado simultaneamente ou em qualquer momento. Na agenda oportuna esse conflito quase não aparece — febre amarela aos 9 meses e tríplice viral aos 12 estão a três meses de distância. Ele aparece exatamente na criança atrasada, quando as duas caem na mesma consulta antes dos 2 anos. Entre as virais atenuadas parenterais (tríplice viral e varicela), se não forem simultâneas, o intervalo também é de 30 dias — e a Instrução Normativa recomenda que a 2ª dose de tríplice viral, aos 15 meses, seja feita no mesmo dia que a 1ª de varicela, em sítios anatômicos distintos.

Regra 2 — gestante. Na rotina, gestante não recebe vacina de microrganismo vivo. Tríplice viral e varicela são contraindicadas; febre amarela só como exceção, para residente ou viajante de área de risco, na impossibilidade de adiamento e com avaliação de risco-benefício pelo serviço. Duas consequências que a prova cobra: mulher em idade fértil deve evitar gravidez por pelo menos 1 mês após tríplice viral ou varicela; e a vacinação inadvertida de gestante com essas vacinas não indica interrupção da gravidez — acompanha-se no pré-natal e notifica-se, porque a contraindicação é precaução teórica por se tratar de vírus vivo, e os estudos de seguimento não demonstraram risco aumentado de complicação.

Regra 3 — imunossupressão. Vacinas vivas são contraindicadas na imunodepressão grave, clínica ou laboratorial, primária ou adquirida; nas demais situações, a decisão é individual, por análise de risco-benefício. O ponto que mais se erra é o do corticoide: dose imunossupressora é prednisona (ou equivalente) igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por mais de duas semanas. Doses inferiores a essas, mesmo por período prolongado, não constituem contraindicação, e corticoide tópico, inalatório ou intra-articular não é considerado imunossupressor de forma alguma. Quando a dose é imunossupressora, o intervalo para vacinar é de 1 mês após a suspensão. Para os demais fármacos, o intervalo após o término é de cerca de 3 meses (metotrexato, azatioprina, micofenolato, ciclosporina, tacrolimo, ciclofosfamida, biológicos anticitocina), 6 meses para depletores de linfócito B como o rituximabe, e 2 semanas para inibidores da JAK; sulfassalazina e hidroxicloroquina não exigem intervalo nenhum. E o melhor momento é sempre antes: vacinas inativadas pelo menos 14 dias antes de iniciar a terapia imunossupressora, e atenuadas idealmente 4 semanas antes (mínimo de 2 semanas, se não for possível esperar).

Regra 4 — anticorpo passivo. Imunoglobulinas, sangue e hemoderivados bloqueiam a resposta às vacinas virais vivas atenuadas injetáveis (não às orais). Os intervalos, do mais curto ao mais longo: hemácias lavadas, nenhum; imunoglobulina antitetânica e anti-hepatite B, 3 meses; antirrábica, 4; antivaricela, 5; concentrado de hemácias, 5; sangue total, 6; imunoglobulina intramuscular profilática, 6; plasma ou plaquetas, 7; imunoglobulina intravenosa de reposição, 8; intravenosa terapêutica, 10 a 11. Na direção contrária, depois de aplicar a vacina viva deve-se esperar 2 semanas para administrar a imunoglobulina — e se a imunoglobulina entrou antes do prazo, a vacina é reaplicada depois de transcorrido o período de inibição.

Duas notas de neonatologia que fecham o assunto. Bebê de mãe que usou imunobiológico durante a gestação: vacinas vivas atenuadas podem ser aplicadas a partir dos 6 a 8 meses de idade; a BCG especificamente é contraindicada no recém-nascido cuja mãe usou anti-TNF (adalimumabe, infliximabe, etanercepte) nos dois últimos trimestres, por no mínimo 6 meses contados da última dose, e anti-CD20 (rituximabe), por 12 meses — e nessa mesma situação o rotavírus não está contraindicado. E criança exposta verticalmente ao HIV recebe as vacinas do calendário até os 18 meses; depois, excluída a infecção, segue o esquema básico, com duas ressalvas permanentes: pólio sempre com a inativada, por conviver com pessoas com imunodeficiência, e influenza anual enquanto esse convívio existir.

Contraindicação verdadeira e contraindicação falsa

Contraindicação comum a todo imunobiológico existem só duas: anafilaxia confirmada após dose anterior, e hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer excipiente. Todo o resto é específico de uma vacina ou não é contraindicação coisa nenhuma.

As específicas que valem a pena guardar: penta e DTP estão contraindicadas em quadro neurológico em atividade, e depois de convulsão nas primeiras 72 horas, episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas ou encefalopatia aguda grave após 7 dias de uma dose anterior — além da faixa etária de 7 anos em diante. A BCG está contraindicada a partir dos 5 anos, na imunodeficiência primária ou adquirida, no uso de corticoide em dose elevada por mais de duas semanas, em neoplasia maligna, em quimioterapia ou radioterapia e na gravidez; peso abaixo de 2.000 gramas adia a vacina, não a proíbe. O rotavírus está contraindicado em história de intussuscepção, em malformação congênita não corrigida do trato gastrointestinal que predisponha a intussuscepção (como divertículo de Meckel), na imunodepressão grave e fora da faixa etária. A tríplice viral está contraindicada na gestante e abaixo dos 6 meses. A varicela, na gestante, abaixo de 9 meses e em imunodeprimidos. A hepatite B tem uma contraindicação peculiar e cobrada: púrpura trombocitopênica idiopática após dose anterior. A hepatite A é contraindicada abaixo de 12 meses.

Agora a lista que decide questão — as falsas contraindicações, transcritas do Manual de Normas: doença aguda benigna sem febre, incluindo infecção simples de vias aéreas superiores; prematuridade e baixo peso ao nascer (vacina-se na idade cronológica, sem correção, com a única exceção da BCG, que espera os 2 kg); reação local em dose anterior — dor, vermelhidão, inflamação; febre baixa ou moderada após dose anterior; diagnóstico clínico prévio de tuberculose, coqueluche, tétano, difteria, poliomielite, sarampo, caxumba ou rubéola; doença neurológica estável ou pregressa com sequela presente; antecedente familiar de convulsão ou de morte súbita; história familiar de evento adverso à vacinação; alergias em geral, exceto anafilaxia comprovada a componente da vacina; uso de antibiótico profilático ou terapêutico e de antiviral; imunoterapia com extratos alérgenos; corticoide em dias alternados em dose não imunossupressora, e corticoide inalatório, tópico ou em dose de manutenção fisiológica; ser contato domiciliar de gestante com indicação de tríplice viral, porque o vacinado não transmite os vírus vacinais de sarampo, caxumba ou rubéola; estar em recuperação de doença aguda; internação hospitalar, com a ressalva do rotavírus em criança internada, pela eliminação do vírus no ambiente; mãe amamentando, exceto febre amarela em mãe de criança menor de 6 meses; e exposição recente a doença infecciosa sem sinais ou sintomas.

A alergia a ovo merece parágrafo próprio porque é onde mais se erra por excesso de zelo. Anafilaxia a ovo, mesmo grave, não contraindica a tríplice viral: está demonstrado em muitos estudos que o risco de reação anafilática à vacina nesse grupo é insignificante, e o teste cutâneo não é recomendado porque não tem valor preditivo. As duas vacinas em que a alergia a ovo pede cuidado são a febre amarela e a influenza, e mesmo assim a conduta é vacinar em ambiente com suporte e atendimento médico, não deixar de vacinar. Em compensação, existe uma alergia que realmente contraindica uma tríplice viral específica: alergia grave à proteína do leite de vaca, porque a tríplice viral do laboratório Serum Institute of India contém lactoalbumina hidrolisada — nesse caso usa-se uma tríplice viral sem lactoalbumina ou, se não houver, a tetraviral, nas duas doses. Intolerância à lactose não tem relação com isso e não impede nada.

Sobre febre, o corte é numérico: temperatura axilar igual ou maior que 37,8 °C adia a vacinação, a não ser que a situação epidemiológica ou o risco pessoal a tornem necessária; doença febril aguda moderada ou grave também adia, até a resolução. O motivo do adiamento não é risco da vacina — é não atribuir à vacina os sinais de uma doença que já estava em curso.

O imunossuprimido, o convivente e a rede de imunobiológicos especiais

Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais nasceram em 1993 e continuam sendo o vocabulário das provas, mas o nome administrativo mudou: desde a Portaria GM/MS nº 6.623, de 14 de fevereiro de 2025, o conjunto se chama Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Clínicas Especiais (RIE). O documento técnico de referência continua sendo o Manual dos CRIE, 6ª edição, 2023.

Quem tem direito se organiza em quatro grupos. Primeiro, os imunodeprimidos: imunodeficiência primária ou erro inato da imunidade, pessoas vivendo com HIV, pacientes oncológicos com doença em atividade ou até alta médica, transplantados de órgãos sólidos e de células-tronco hematopoiéticas (e também candidatos e doadores cadastrados), e quem está em uso de drogas imunossupressoras. Segundo, pessoas com condições clínicas que aumentam a suscetibilidade sem imunodeprimir: asplenia anatômica ou funcional, doença falciforme e talassemias, deficiência de complemento e frações ou uso de inibidor de complemento, fístula liquórica e derivação ventrículo-peritoneal, implante coclear, trissomias, cardiopatia, pneumopatia, hepatopatia e nefropatia crônicas, fibrose cística, diabetes, doenças de depósito, doenças neurológicas crônicas incapacitantes, coagulopatias e doenças dermatológicas graves. Terceiro, os conviventes de imunodeprimidos. Quarto — e é a porta menos lembrada — crianças que tiveram evento adverso grave a uma vacina da rotina, ou que têm risco aumentado de tê-lo.

Os pares indicação-produto que a prova mais cobra, todos do resumo de indicações do Manual dos CRIE: DTPa acelular, penta acelular ou hexa acelular para quem teve convulsão nas primeiras 72 horas ou episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas após a DTP ou a penta de células inteiras, e também por risco aumentado — doença convulsiva crônica, cardiopatia ou pneumopatia crônica com risco de descompensar na vigência de febre, doença neurológica crônica incapacitante, bebê ainda internado na unidade neonatal na idade de vacinar, e prematuro nascido com menos de 33 semanas ou menos de 1.500 gramas. Dupla infantil (dT) para quem teve encefalopatia nos sete dias subsequentes a uma dose de vacina com pertussis — aqui o componente pertussis sai do esquema de vez. Meningocócica ACWY para asplenia, doença falciforme e talassemias, deficiência de complemento, terapia com inibidor de complemento, pessoas vivendo com HIV, imunodeficiências primárias e transplantados. Pneumocócica 13-valente seguida da 23-valente polissacarídica para pessoas vivendo com HIV, oncológicos, transplantados, asplenia, imunodeficiências primárias, fibrose cística e fístula liquórica ou derivação. Hepatite A para hepatopatia crônica de qualquer etiologia, portadores de hepatite B ou C, coagulopatias, doenças de depósito, fibrose cística, trissomias, hemoglobinopatias, asplenia e transplantados. Hib fora da rotina para transplantados, imunodeprimidos, fístula liquórica ou derivação, implante coclear, hemoglobinopatias e asplenia. HPV4 em três doses, dos 9 aos 45 anos, para imunodeprimidos.

Dois detalhes de tempo que decidem questão de cirurgia e de oncologia: em esplenectomia eletiva, a vacina pneumocócica deve ser aplicada pelo menos duas semanas antes da cirurgia; antes de quimioterapia, preferencialmente 15 dias antes do início.

A varicela dos imunobiológicos especiais tem dois tempos que não se confundem. A vacina pós-exposição, para controle de surto em ambiente hospitalar, creche ou escola que atenda menores de 7 anos, vale para o comunicante suscetível imunocompetente a partir de 9 meses, até 120 horas (5 dias) após o contato. A imunoglobulina antivaricela-zóster vale até 96 horas após o contato, e exige três condições ao mesmo tempo: suscetibilidade, contato significativo (domiciliar contínuo de pelo menos uma hora em ambiente fechado, ou hospitalar no mesmo quarto ou com contato direto prolongado) e condição especial de risco — imunodeprimido, menor de 9 meses em contato hospitalar, gestante, recém-nascido de mãe que iniciou varicela nos cinco últimos dias de gestação ou até 48 horas após o parto, e prematuros conforme a idade gestacional e a história materna. Vacina 5 dias, imunoglobulina 4 dias, e a imunoglobulina precisa das três condições.

Por fim, a regra que inverte a intuição de muita família: o convivente de imunodeprimido deve ser vacinado, e não o contrário. Familiares, cuidadores e profissionais de saúde são fontes involuntárias de patógenos imunopreveníveis; recomenda-se, além das vacinas de rotina, também a varicela para eles. Ter um irmão em quimioterapia em casa não adia nem cancela nenhuma vacina do irmão saudável — inclusive porque, desde a retirada da vacina oral da poliomielite, o único vírus vacinal excretado no calendário infantil é o do rotavírus, que não é contraindicado nem para conviventes domiciliares de transplantados. A única ressalva é comportamental: se o convivente vacinado contra varicela desenvolver exantema vesicular, evita-se o contato direto com o imunodeprimido enquanto durarem as lesões.

Eventos adversos: os que mudam a dose seguinte e os que não mudam

A pergunta prática é sempre a mesma — 'aconteceu isso depois da vacina; e a próxima dose?' — e as respostas se organizam em três degraus: contraindica de vez, troca o produto, ou não muda nada.

Trocam o produto, e são quase todos do bloco da coqueluche: convulsão, com ou sem febre, nas primeiras 72 horas após a vacinação, e episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas — nesses dois, a penta ou a DTP de células inteiras ficam contraindicadas e o esquema continua com vacina acelular (DTPa, penta acelular ou hexa acelular) obtida na rede de imunobiológicos especiais. Encefalopatia aguda grave depois de 7 dias de uma dose anterior é o degrau acima: sai o componente pertussis inteiro, e o esquema segue com dupla infantil (dT). A diferença entre esses dois desfechos é a pegadinha favorita do tema — convulsão e episódio hipotônico trocam por acelular; encefalopatia elimina o pertussis.

Contraindicam de vez, para aquela vacina: anafilaxia confirmada a dose anterior, em qualquer imunobiológico; púrpura trombocitopênica idiopática após dose anterior de hepatite B. E um evento que não contraindica, mas reprograma: reação local grave compatível com reação tipo Arthus (hipersensibilidade do tipo III) após vacina com toxoide diftérico e tetânico obriga a esperar o intervalo de 10 anos desde a última dose antes de fazer o próximo reforço.

Ficam no meio, como precaução — avaliar cuidadosamente doses adicionais com componente pertussis, sem proibir: temperatura igual ou maior que 40 °C nas 48 horas seguintes sem outra causa identificável; colapso ou estado semelhante a choque nas 48 horas; choro persistente e inconsolável com duração de 3 horas ou mais nas 48 horas; e convulsões, com ou sem febre, nos três dias seguintes.

Não mudam nada: febre baixa ou moderada após dose anterior, reação local em dose anterior e história familiar de evento adverso à vacinação — as três estão na lista oficial de falsas contraindicações. O que muda nesses casos é o preparo, não o produto: criança com história pessoal ou familiar de convulsão, ou com histórico de choro intenso incontrolável ou febre acima de 39,5 °C após dose anterior de penta, DTP ou DTPa, recebe antitérmico ou analgésico no momento da vacinação e em intervalos regulares nas 24 a 48 horas seguintes.

Dois cuidados de prematuro que a prova cobra e que não são contraindicação: crianças nascidas com menos de 1.000 gramas podem apresentar mais episódios de apneia após a DTP de células inteiras, o que é argumento para preferir a acelular e para reduzir o número de injeções em cada visita; e recém-nascidos muito prematuros, com 28 semanas ou menos, hospitalizados, pedem monitoramento respiratório por 48 a 72 horas após a série primária de meningocócica C e de pneumocócica — mas a Instrução Normativa é explícita ao dizer que, sendo o benefício elevado nesse grupo, a vacinação não deve ser suspensa nem postergada. Todo evento adverso grave, raro ou inusitado, todo erro de imunização e todo surto de eventos adversos devem ser notificados.

04

Calendário da criança e as réguas de decisão

A tabela é o dado: o Calendário Nacional de Vacinação 2026 para crianças de 0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias, com os limites e as armadilhas de cada idade na última coluna. Acima dela, o roteiro da consulta de atualização — a ordem em que as perguntas se fazem quando a criança chega atrasada. Abaixo, as quatro réguas que respondem à maioria das questões sem consultar a tabela.

  1. 1Pergunte a idade exata em meses e dias, não 'mais ou menos'. Quase todo limite deste capítulo é escrito em anos, meses e dias — e a diferença entre 11 meses e 29 dias e 12 meses decide se há rotavírus.
  2. 2Leia o cartão dose a dose e some o que existe. Esquema incompleto se completa, nunca se reinicia — independentemente de quando foi a última dose.
  3. 3Antes de aprazar, cheque as janelas que fecham: rotavírus (1ª dose até 11 meses e 29 dias; 2ª até 23 meses e 29 dias) e hepatite B monovalente do nascimento (só até 1 mês de vida).
  4. 4Cheque as idades-teto e troque o esquema pela idade: sem histórico, pneumocócica a partir de 13 meses é dose única com a 20-valente; meningocócica a partir de 12 meses é dose única de ACWY; a partir de 7 anos, o esquema de difteria/tétano/hepatite B passa a ser dT mais hepatite B monovalente.
  5. 5Confira se alguma dose do cartão foi aplicada antes da idade ou do intervalo mínimo: até 4 dias antes, vale; mais de 4 dias antes da idade mínima, é erro de imunização e a dose se repete.
  6. 6Separe as vivas: abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela precisam de 30 dias entre si. Tudo o mais pode ir no mesmo dia, em sítios distintos.
  7. 7Aplique o intervalo: 60 dias como padrão entre doses do esquema básico, 30 dias como mínimo para recuperar atraso; 6 meses para os reforços de DTP e VIP; e, na penta, no mínimo 4 meses entre a 1ª e a 3ª dose, com a 3ª nunca antes dos 6 meses.
  8. 8Antes de adiar por qualquer motivo, passe a situação pela lista de falsas contraindicações — resfriado sem febre, antibiótico, prematuridade, reação local prévia e convivência com imunodeprimido não adiam nada.
  9. 9Havendo imunodepressão, evento adverso grave anterior ou condição clínica de risco, encaminhe à rede de imunobiológicos especiais em vez de simplesmente deixar de vacinar.
  10. 10Registre tudo no cartão e no sistema, aprace a próxima dose a lápis e notifique qualquer evento adverso grave, raro, inusitado ou erro de imunização.

Não reinicia — completa

Esquema incompleto se completa, independentemente da data da dose anterior. Não se reinicia. A exceção registrada é o pós-transplantado de células-tronco hematopoiéticas, que é revacinado do zero. Alternativa que manda 'reiniciar o esquema porque já passaram mais de X meses' está errada em qualquer vacina do calendário.

A regra dos 4 dias

Doses aplicadas até 4 dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima são consideradas VÁLIDAS. Mais de 4 dias antes da idade mínima: registra-se erro de imunização e a dose é repetida, respeitando os intervalos recomendados. Serve para desmontar tanto a alternativa que invalida uma dose dada 2 dias cedo quanto a que valida uma dada 3 semanas cedo.

As janelas que não reabrem

Rotavírus: 1ª dose de 1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias; 2ª de 3 meses e 15 dias a 23 meses e 29 dias. Perdida a 1ª dentro da janela, perdem-se as duas — não há recuperação. Hepatite B monovalente do nascimento: só até 1 mês de vida; depois, o esquema segue com penta aos 2, 4 e 6 meses.

Vivo com vivo

Inativada com qualquer coisa: simultânea ou qualquer intervalo. Atenuada com atenuada abaixo de 2 anos: tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela pedem 30 dias. A partir de 2 anos: varicela, febre amarela, tríplice viral, tetraviral e dengue podem ser simultâneas ou com 30 dias. Rotavírus, por ser oral, não interfere em nada.

O corte do corticoide

Dose imunossupressora é prednisona ou equivalente igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por mais de duas semanas — aí se espera 1 mês para vacinar com vivas. Abaixo disso, mesmo por período prolongado, não contraindica; e corticoide tópico, inalatório ou intra-articular nunca conta como imunossupressor.

IdadeVacinas e dosesLimites e armadilhas
Ao nascerHepatite B monovalente (1 dose); BCG (dose única)Hepatite B na sala de parto ou nas primeiras 12 horas, e só até 1 mês de vida — perdida, não se recupera. Mãe HBsAg positivo: acrescentar imunoglobulina anti-hepatite B em sítio distinto (até 24 h; imunoglobulina no máximo até o 7º dia). BCG intradérmica no braço direito; adiar se peso abaixo de 2.000 g; rotina até 4 anos, 11 meses e 29 dias, contraindicada a partir dos 5 anos; ausência de cicatriz não indica revacinação
2 mesesPenta 1ª; VIP 1ª; rotavírus 1ª; pneumocócica 20-valente 1ªIdade mínima da penta: 6 semanas (1 mês e 15 dias), e só em situação excepcional. Rotavírus: 1ª dose apenas entre 1 mês e 15 dias e 11 meses e 29 dias. A 1ª dose de pneumocócica é com a 20-valente na transição em curso
3 mesesMeningocócica C 1ªContraindicada abaixo de 2 meses
4 mesesPenta 2ª; VIP 2ª; rotavírus 2ª; pneumocócica 10-valente 2ªIntervalo de 60 dias, mínimo de 30. Rotavírus: 2ª dose entre 3 meses e 15 dias e 23 meses e 29 dias. Durante a transição, a 2ª dose de pneumocócica é com a 10-valente; na indisponibilidade dela, iniciar ou completar com a 20-valente
5 mesesMeningocócica C 2ªIntervalo de 60 dias, mínimo de 30
6 mesesPenta 3ª; VIP 3ª; covid-19 1ª; influenza (dose anual a partir daqui)A 3ª dose da penta não antes dos 6 meses de idade e com no mínimo 4 meses desde a 1ª — é o componente hepatite B que manda. Influenza: dos 6 meses aos 5 anos, 11 meses e 29 dias; na primovacinação, 2 doses com 30 dias, depois 1 dose por ano
6 a 8 mesesFebre amarela (1 dose, apenas em caso excepcional)Só para quem vive ou vai viajar para área com circulação comprovada do vírus, com avaliação do serviço, e pelo menos 10 dias antes do deslocamento. É dose zero: não vale para a rotina, e o esquema básico continua devido
7 e 9 mesesCovid-19 2ª e 3ª dosesDos 6 meses aos 4 anos, 11 meses e 29 dias. Em atraso: mínimo de 4 semanas entre 1ª e 2ª e de 8 semanas entre 2ª e 3ª. Imunocomprometidos mantêm doses de 6 em 6 meses após a 3ª
9 mesesFebre amarela (1 dose)Vírus vivo. Abaixo de 2 anos exige 30 dias de intervalo em relação à tríplice viral ou tetraviral
12 mesesPneumocócica 20-valente (reforço); meningocócica ACWY (1 dose); tríplice viral 1ªA ACWY substituiu o reforço de meningocócica C em 1º de julho de 2025; quem já recebeu o reforço com MenC está vacinado. Sem histórico, entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias: dose única de ACWY. Reforço da pneumocócica: 60 dias após a 2ª dose do básico. Tríplice viral contraindicada abaixo de 6 meses e na gestante
15 mesesDTP 1º reforço; VIP 1º reforço; tríplice viral 2ª; varicela 1ª; hepatite A (1 dose)Reforços de DTP e VIP: no mínimo 6 meses após a 3ª dose do esquema básico. Recomenda-se aplicar a 2ª dose de tríplice viral no mesmo dia que a 1ª de varicela, em sítios distintos. Varicela contraindicada abaixo de 9 meses (população geral até 6 anos, 11 meses e 29 dias); hepatite A contraindicada abaixo de 12 meses e disponível até 4 anos, 11 meses e 29 dias
4 anosDTP 2º reforço; VIP 2º reforço; varicela 2ª; febre amarela (reforço)Seis meses entre os dois reforços de DTP, e todos antes dos 7 anos. O 2º reforço de VIP voltou ao calendário em 3 de agosto de 2026. Varicela: intervalo de 3 meses entre as doses dos 1 aos 12 anos. Febre amarela: no mínimo 30 dias entre a dose e o reforço
5 anosPneumocócica 20-valente (1 dose)Somente povos indígenas a partir dos 5 anos, sem histórico vacinal com pneumocócica conjugada
9 anosHPV4 (dose única)Dose única desde 2 de abril de 2024, para meninas e meninos. Em atraso, vacinar até 14 anos, 11 meses e 29 dias; dos 15 aos 19 anos, 11 meses e 29 dias, conforme a estratégia de cada estado. Imunodeprimidos de 9 a 45 anos e vítimas de violência sexual mantêm 3 doses

A tabela é o calendário da CRIANÇA, que vai de 0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias. A dengue (2 doses aos 10 anos, com 3 meses de intervalo), o reforço de meningocócica ACWY dos 11 aos 14 anos e o reforço de dT aos 14 anos pertencem ao calendário do adolescente.

Intervalo padrão entre doses do esquema básico: 60 dias. Intervalo mínimo: 30 dias. A Instrução Normativa descreve o mínimo como ferramenta de exceção para risco de exposição iminente, viagem a área de risco e algumas comorbidades; o Manual de Normas autoriza nominalmente seu uso para atualizar calendário em atraso. Os dois documentos são vigentes e a diferença é de leitura, não de número.

Reforços têm intervalos próprios e maiores: 6 meses entre a 3ª dose do esquema básico e o 1º reforço de DTP e de VIP, e 6 meses entre o 1º e o 2º reforço.

Dose zero não conta: febre amarela dos 6 aos 8 meses e tríplice viral dos 6 aos 11 meses em bloqueio protegem naquele momento e não são válidas para a rotina — o esquema básico segue devido.

A vacina oral da poliomielite (a 'gotinha') não existe mais no calendário desde 4 de novembro de 2024. Todo o esquema de pólio é com VIP injetável. Alternativa que mencione VOP em criança está descrevendo um calendário extinto.

Não confunda as duas apresentações da pneumocócica durante a transição: a 1ª dose (2 meses) e o reforço (12 meses) são com a 20-valente; a 2ª dose (4 meses) é com a 10-valente. Havendo indisponibilidade da 10-valente, inicia-se ou completa-se com a 20-valente.

Prematuro e baixo peso vacinam na IDADE CRONOLÓGICA, sem correção. A única exceção é a BCG, que espera o peso de 2.000 gramas.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

O calendário do PNI e o calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria

Calendário Nacional de Vacinação (PNI/MS, 2026): oferta universal e gratuita, definida por incorporação

O PNI oferta 21 vacinas organizadas por curso de vida, gratuitamente, em mais de 38 mil salas de vacina. No calendário da criança isso significa: pneumocócica em esquema de duas doses mais reforço (2 e 4 meses, reforço aos 12), atualmente em transição da 10-valente para a 20-valente; hepatite A em dose única aos 15 meses; DTP de células inteiras nos reforços, com a acelular reservada a gestantes, profissionais de saúde e indicações da rede de imunobiológicos especiais; três doses de Hib dentro da penta; meningocócica C aos 3 e 5 meses com reforço de ACWY aos 12 meses e outro dos 11 aos 14 anos; rotavírus monovalente em duas doses; proteção do lactente contra vírus sincicial respiratório pela vacinação da GESTANTE a partir da 28ª semana; dengue dos 10 aos 14 anos; e febre amarela com duas doses apenas para quem iniciou o esquema antes dos 5 anos. Não há oferta de vacina meningocócica B em nenhum ponto do calendário.

Ministério da Saúde, Calendário Nacional de Vacinação 2026 e Instrução Normativa do CNV, 3ª edição, 2026 (atualizada em 17.07.2026)

Calendário da SBP (Documento Científico nº 12, 20 de outubro de 2025): o que a sociedade recomenda para a criança hígida

A SBP recomenda vacinas e esquemas que o SUS não oferece, e nomeia cada um. Meningocócica B recombinante (Bexsero para lactentes, crianças e adolescentes; Trumenba dos 10 aos 25 anos) — ausente do PNI. Pneumocócica 13, 15 ou 20-valente em esquema 3+1 (2, 4 e 6 meses mais reforço entre 12 e 15 meses), com dose adicional até os 5 anos para quem completou esquema com a 10-valente, justificada pela prevalência dos sorotipos 19A e 3 no país. Hepatite A em 2 doses a partir dos 12 meses, contra a dose única do PNI. DTPa acelular preferencial à DTP de células inteiras, por eficácia similar e menor reatogenicidade. Quarta dose de Hib aos 15 meses quando se usa combinada acelular. Reforço adicional de meningocócica ACWY entre 5 e 6 anos, pela queda de títulos. Nirsevimabe (anticorpo monoclonal) ao nascer como alternativa ou complemento à vacinação da gestante contra o vírus sincicial respiratório. Dengue a partir dos 4 anos. Rotavírus pentavalente (RV5) em 3 doses, disponível só na rede privada. E duas doses de febre amarela para todas as crianças e adolescentes, com o argumento de prevenir falhas vacinais.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2025/2026, Departamentos Científicos de Imunizações e de Infectologia

Na prova

A distância entre os dois calendários não é científica: é de custo, de fila de incorporação e de capacidade de oferta em escala nacional. O PNI compra para os 5.570 municípios e para mais de 38 mil salas de vacina, e cada dose adicional ou cada troca de apresentação exige avaliação de tecnologia, contrato e logística — a própria transição da pneumocócica 10 para a 20-valente, que o PNI está executando em 2026, é a SBP sendo alcançada com anos de distância. O recorte se identifica por três marcas. Primeira, o cenário: UBS, sala de vacina da rede pública, Caderneta da Criança, 'vacinas disponíveis no SUS' apontam para o corpo do PNI; consultório privado, 'esquema ideal', 'melhor proteção disponível' apontam para o corpo da SBP. Segunda, o vocabulário: 'penta', 'agenda oportuna', 'Calendário Nacional de Vacinação' e 'CRIE' são linguagem do PNI; 'DTPa', 'hexavalente acelular', 'VPC13', 'MenB', 'nirsevimabe' e 'RV5' são linguagem do calendário da sociedade. Terceira, e a mais decisiva, as alternativas: um distrator que oferece meningocócica B, quarta dose de Hib ou pneumocócica 3+1 só faz sentido no mundo da SBP, e a presença dele denuncia que a questão está discutindo recomendação de sociedade, não oferta do SUS. Régua útil: prova oficial do MEC tende à conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.

Esquema da poliomielite: três configurações em menos de dois anos

Até 27 de setembro de 2024: três doses de VIP e dois reforços com VOP oral

O esquema era misto. Três doses da vacina inativada injetável (VIP) aos 2, 4 e 6 meses, seguidas de dois reforços com a vacina oral bivalente atenuada (VOPb, a 'gotinha') aos 15 meses e aos 4 anos — cinco doses no total, sendo duas de vírus vivo por via oral.

Ministério da Saúde, Informe Técnico sobre a retirada da VOPb e adoção do esquema exclusivo com VIP, 2024

De 4 de novembro de 2024 a 2 de agosto de 2026: esquema exclusivo com VIP, com um único reforço

A VOP foi usada impreterivelmente até 27 de setembro de 2024 e retirada da rede. A partir de 4 de novembro de 2024 o esquema passou a ser exclusivamente com VIP, e as duas doses de reforço com VOPb foram substituídas por UMA dose de reforço com VIP aos 15 meses — quatro doses no total. A justificativa foi de segurança: eliminar o risco de poliovírus derivado da vacina, que só existe com o produto atenuado. Na transição, quem já tinha recebido o primeiro reforço com VOPb recebia mesmo assim um reforço com VIP, e quem tinha os dois reforços com VOP era considerado com esquema completo.

Ministério da Saúde, Informe Técnico sobre a retirada da VOPb, Quadros 2 e 3, 2024

A partir de 3 de agosto de 2026: volta o segundo reforço, agora com VIP

O segundo reforço aos 4 anos foi reincluído no Calendário Nacional de Vacinação, com a vacina inativada. O esquema vigente é de cinco doses, todas com VIP: três aos 2, 4 e 6 meses, primeiro reforço aos 15 meses e segundo reforço aos 4 anos — retomando a arquitetura que existia até 2024, sem nenhuma dose de vírus vivo.

Calendário Nacional de Vacinação 2026 e Instrução Normativa do CNV 2026, que remetem à Nota Técnica nº 64/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS (a nota em si não foi aberta; a data de vigência vem do comunicado do Ministério da Saúde de junho de 2026)

Na prova

Aqui a divergência é de data, não de mérito, e é a mais perigosa do capítulo, porque o candidato estuda por material de anos diferentes. Três marcas identificam qual configuração a questão está usando. Se a alternativa menciona VOP, gotinha ou vacina oral da poliomielite em criança, ela descreve o mundo anterior a setembro de 2024. Se descreve esquema com quatro doses e reforço único aos 15 meses, descreve a janela entre novembro de 2024 e agosto de 2026. Se traz cinco doses todas injetáveis, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos, é o calendário vigente. Em prova aplicada em 2025 ou no primeiro semestre de 2026 com gabarito de reforço único, o gabarito era correto à época — e não é mais. Regra de leitura que serve para todo o tema: enunciado que traz o ano do documento ou diz 'calendário vigente' está pedindo a versão atual; enunciado montado sobre um informe datado está pedindo a versão daquele informe.

Febre amarela: quantas doses uma criança precisa

PNI: duas doses só para quem começou antes dos 5 anos

O esquema básico é 1 dose aos 9 meses e 1 reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. A partir dos 5 anos a lógica muda: quem tem histórico de 2 doses recebidas antes dos 5 anos está completo; quem tem 1 dose recebida antes dos 5 anos precisa de mais 1; e quem recebeu 1 dose já a partir dos 5 anos está completo, sem reforço. Na prática, o reforço é uma correção da resposta imune do lactente, não uma segunda dose universal. A vacinação entre 6 e 8 meses é exceção para área de circulação comprovada e conta como dose zero.

Instrução Normativa do CNV 2026, Quadro 2 — Recomendações para a vacinação contra a febre amarela

SBP: duas doses para todas as crianças e adolescentes

A SBP recomenda duas doses, aos 9 meses e aos 4 anos, e registra que o PNI oferece duas doses somente para quem iniciou o esquema com menos de 5 anos. O argumento é a prevenção de falhas vacinais: a aplicação de uma segunda dose para todas as crianças e adolescentes é considerada preferível, e os não vacinados devem receber preferencialmente duas doses. O documento observa ainda que, para viagens internacionais, prevalece a recomendação da Organização Mundial da Saúde, que aceita a comprovação de apenas uma dose.

Calendário de Vacinação da SBP 2025/2026, nota explicativa 14 (a posição da OMS aqui é a que consta do documento da SBP; não abri documento da OMS)

Na prova

Três corpos e três números na mesma vacina, o que torna o enunciado especialmente informativo. Cenário de sala de vacina, Caderneta da Criança ou pergunta sobre 'o que o SUS oferece' aponta para o Quadro 2 do PNI, com a divisão pela idade de início do esquema. Menção nominal à Sociedade Brasileira de Pediatria, ou vocabulário de 'falha vacinal' e 'segunda dose para todos', aponta para o documento da sociedade. E se o enunciado fala em viagem internacional, Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, ou exigência de país de destino, o número que governa é o da regra internacional — dose única comprovada, com a vacinação feita pelo menos 10 dias antes do deslocamento, prazo que o próprio PNI adota para soroconversão. Um distrator que diga 'revacinar a cada 10 anos' pertence a um mundo que já não existe em nenhum dos três corpos.

06

Caso resolvido

Menina de 13 meses, nascida a termo, 3.100 g, sem comorbidades, trazida pela avó à UBS. Nunca recebeu nenhuma vacina: nasceu em domicílio, a família mudou de município duas vezes e o cartão nunca foi aberto. Exame físico normal, afebril, sem cicatriz vacinal no braço direito. A avó quer 'colocar tudo em dia hoje' e pergunta se vai ter de começar de novo daqui a um tempo.
achado
Nenhuma dose registrada e nenhuma cicatriz de BCG. Não há esquema a completar — há um esquema a iniciar, e a idade de 13 meses é que vai definir qual esquema é esse. A pergunta da avó já tem resposta: uma vez iniciado, nada será reiniciado; esquemas incompletos se completam, independentemente do tempo decorrido.
achado
Rotavírus: a janela da primeira dose ia de 1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias. Aos 13 meses ela está fechada, e o calendário é explícito — perdida a primeira dose no período, perde-se a oportunidade da primeira e da segunda. Esta criança não receberá vacina contra rotavírus. Não existe esquema de recuperação.
achado
Hepatite B: a dose monovalente do nascimento só valia até 1 mês de vida. Não se recupera. O componente hepatite B virá dentro da penta, e por isso será preciso garantir no mínimo 4 meses entre a primeira e a terceira dose da penta.
achado
Pneumocócica e meningocócica mudam de esquema pela idade. Sem histórico vacinal, criança de 13 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias recebe DOSE ÚNICA de pneumocócica 20-valente — não as duas doses mais reforço. E, entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, recebe DOSE ÚNICA de meningocócica ACWY — não as duas doses de meningocócica C dos 3 e 5 meses.
achado
Duas vacinas de vírus vivo estão pendentes e vão conflitar: tríplice viral (devida desde os 12 meses) e febre amarela (devida desde os 9 meses). Abaixo de 2 anos, tríplice viral e febre amarela exigem intervalo de 30 dias entre si — não podem ir no mesmo dia. Esse é o único conflito de simultaneidade da consulta.
conduta
Hoje: BCG (ainda indicada, porque a rotina vai até 4 anos, 11 meses e 29 dias, em criança assintomática e sem imunodepressão; a dose a partir de 1 ano é de 0,1 mL, intradérmica, no braço direito); penta 1ª dose; VIP 1ª dose; pneumocócica 20-valente em dose única; meningocócica ACWY em dose única; e a tríplice viral 1ª dose. Todas podem ser aplicadas no mesmo dia, em sítios anatômicos distintos.
conduta
Em 30 dias: febre amarela, respeitando o intervalo obrigatório em relação à tríplice viral. Aos 15 meses (ou 30 dias depois da 1ª dose de tríplice viral, se o atraso empurrar): 2ª dose de tríplice viral, 1ª dose de varicela — recomendadas no mesmo dia, em sítios distintos — e a dose única de hepatite A. Penta e VIP 2ª dose com 60 dias de intervalo (30 dias, se optar pelo intervalo mínimo para recuperar o atraso), e a 3ª dose 60 dias depois, respeitando os 4 meses mínimos entre a 1ª e a 3ª dose da penta.
conduta
Depois: reforços de DTP e de VIP no mínimo 6 meses após a 3ª dose da penta, e o segundo reforço de cada um 6 meses após o primeiro, tudo antes dos 7 anos. Aos 4 anos, também a 2ª dose de varicela (respeitando o intervalo de 3 meses entre as doses dos 1 aos 12 anos) e o reforço de febre amarela. Influenza anual, com 2 doses de 30 dias na primovacinação. Covid-19 em 3 doses, com intervalos mínimos de 4 e 8 semanas, até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
raciocínio
O caso mostra a espinha do tema: quase nada aqui saiu da tabela do calendário. Saiu de quatro regras — não reiniciar, respeitar as janelas que fecham, trocar o esquema pela idade em que a criança chegou, e separar as vivas abaixo dos 2 anos. A única perda definitiva foi o rotavírus, e ela é a única porque é a única vacina do calendário infantil cuja janela superior é absoluta.
07

Agora feche você

Lactente de 4 meses, nascido de 36 semanas com 2.400 g, trazido para a segunda dose do calendário. No cartão consta apenas a primeira dose de penta, VIP, rotavírus e pneumocócica 20-valente, aos 2 meses. A mãe relata que, cerca de 36 horas depois daquela vacinação, o bebê ficou 'mole, pálido e sem responder' por uns 20 minutos, foi levado ao pronto-socorro, ficou em observação e recebeu alta sem diagnóstico de infecção; nunca teve convulsão. Hoje ele está com coriza clara há dois dias, sem febre, aceitando bem o peito, e está no quarto dia de amoxicilina para otite média aguda. A mãe também conta que o irmão de 3 anos está em quimioterapia por leucemia e pergunta se por isso alguma vacina do bebê precisa ser evitada.
achado
O episódio de 36 horas após a vacinação — hipotonia, palidez e hiporresponsividade autolimitadas — é um episódio hipotônico-hiporresponsivo, ocorrido dentro das primeiras 48 horas após dose de vacina com pertussis de células inteiras.
achado
Não houve convulsão nas 72 horas nem encefalopatia após 7 dias. Os três eventos têm consequências diferentes, e a distinção entre eles é o que define a conduta.
achado
Coriza clara sem febre e uso de antibiótico terapêutico constam nominalmente da lista oficial de falsas contraindicações. Prematuridade de 36 semanas e peso de nascimento de 2.400 g também: vacina-se na idade cronológica, sem correção.
achado
O irmão de 3 anos em quimioterapia é um imunodeprimido convivendo no mesmo domicílio. A pergunta da mãe inverte a lógica correta — a questão não é o que o bebê deixa de receber, é o que a casa inteira precisa receber.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Reiniciar o esquema porque o atraso foi grande É o erro mais frequente do tema e o mais fácil de evitar: esquemas incompletos se completam, independentemente da data da dose anterior, e não se reiniciam. A única exceção registrada é o pós-transplantado de células-tronco hematopoiéticas. A alternativa que manda reiniciar costuma vir com uma justificativa que soa técnica — 'perdeu a memória imunológica', 'passou de um ano' — e nenhuma delas existe no documento.
  2. 2Tentar recuperar o rotavírus fora da janela A generosidade da regra anterior faz o candidato assumir que tudo é recuperável. Não é. Se a primeira dose de rotavírus não foi dada até 11 meses e 29 dias, perdem-se a primeira e a segunda, definitivamente. E vale a inversa, que é a pegadinha da atualização: quem decorou o limite antigo de 3 meses e 15 dias vai marcar 'perdeu a oportunidade' para uma criança de 8 meses que ainda pode ser vacinada desde dezembro de 2024.
  3. 3Invalidar dose aplicada dois ou três dias cedo Doses administradas até quatro dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima são consideradas válidas. Só acima de quatro dias antes da idade mínima é que se registra erro de imunização e se repete a dose. Quem não conhece a regra dos quatro dias erra nas duas direções — invalida o que vale e valida o que não vale.
  4. 4Aplicar tríplice viral e febre amarela no mesmo dia em criança de 1 ano Abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela exigem intervalo de 30 dias. A partir de 2 anos, aí sim podem ser simultâneas ou com 30 dias. Como a agenda oportuna coloca febre amarela aos 9 meses e tríplice viral aos 12, o conflito só aparece na criança atrasada — que é justamente o cenário da questão. Nenhuma outra combinação do calendário infantil tem essa restrição.
  5. 5Contraindicar a tríplice viral por alergia a ovo Anafilaxia a ovo, mesmo grave, não contraindica a tríplice viral, e não se faz teste cutâneo porque ele não tem valor preditivo. As vacinas em que a alergia a ovo pede cautela são a febre amarela e a influenza — e mesmo nelas a conduta é vacinar com suporte médico disponível. A alergia que realmente contraindica é outra: alergia grave à proteína do leite de vaca impede a tríplice viral que contém lactoalbumina, e nesse caso se usa uma formulação sem ela ou a tetraviral.
  6. 6Adiar vacina por resfriado, antibiótico ou prematuridade Doença aguda benigna sem febre, infecção simples de vias aéreas superiores, uso de antibiótico profilático ou terapêutico, reação local em dose anterior e febre baixa ou moderada após dose anterior são todas falsas contraindicações. Prematuros e recém-nascidos de baixo peso vacinam na idade cronológica, sem correção — a única exceção é a BCG, que espera os 2.000 gramas. O corte que realmente adia é febre axilar igual ou maior que 37,8 °C, ou doença febril moderada a grave.
  7. 7Achar que qualquer corticoide contraindica vacina de vírus vivo Só é dose imunossupressora prednisona ou equivalente igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por MAIS DE DUAS SEMANAS — e só nesse caso se espera 1 mês. Doses inferiores, mesmo por período prolongado, não contraindicam. Corticoide inalatório, tópico, intra-articular ou em dose fisiológica de manutenção nunca conta, e corticoide em dias alternados em dose não imunossupressora está na lista de falsas contraindicações. A criança com asma em bombinha vacina normalmente.
  8. 8Revacinar a BCG por ausência de cicatriz Crianças vacinadas na faixa etária preconizada que não desenvolvem cicatriz não têm recomendação de revacinação. A única exceção é a dose considerada inválida por problema identificado no ato — vacina vencida ou dose subterapêutica por extravasamento —, e mesmo aí se monitora por três meses antes de revacinar. Comprovam vacinação: o registro no cartão, a cicatriz OU a palpação de nódulo no deltoide direito.
  9. 9Repetir a dose de rotavírus porque o bebê golfou Se a criança regurgita, cospe ou vomita após a vacinação, não se repete a dose. A instrução é literal na Instrução Normativa e contraria a intuição de quem acha que 'não desceu tudo'. Em compensação, quadro agudo de gastroenterite com vômitos, diarreia e febre adia a vacinação até a resolução.
  10. 10Confundir o que o evento adverso faz com a próxima dose São três desfechos distintos e a banca troca um pelo outro: convulsão nas primeiras 72 horas e episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas trocam a penta ou a DTP celular por vacina ACELULAR, na rede de imunobiológicos especiais; encefalopatia aguda grave depois de 7 dias elimina o componente pertussis e o esquema segue com dupla infantil (DT); e anafilaxia contraindica aquela vacina de vez. Febre alta e choro persistente por 3 horas ou mais são precaução — avaliam-se as doses seguintes, não se proíbem.
  11. 11Deixar de vacinar o irmão saudável porque há um imunodeprimido em casa É o inverso da conduta correta. Conviventes de imunodeprimidos devem ser vacinados, inclusive contra varicela, porque são fonte involuntária de patógenos imunopreveníveis. Desde a retirada da vacina oral da poliomielite, em novembro de 2024, o único vírus vacinal excretado no calendário infantil é o do rotavírus, que não é contraindicado nem para conviventes de transplantados. Contato domiciliar de gestante com indicação de tríplice viral também está na lista de falsas contraindicações — o vacinado não transmite os vírus vacinais de sarampo, caxumba e rubéola.
  12. 12Contar a dose zero como dose do esquema Febre amarela dos 6 aos 8 meses, em área de circulação comprovada, e tríplice viral dos 6 aos 11 meses, em bloqueio de sarampo, são doses zero: protegem naquele momento e não valem para a rotina. A criança continua devendo o esquema básico inteiro depois. A alternativa que diz 'já está em dia porque recebeu na campanha' está errada nas duas situações.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Aos 2 meses, o calendário do PNI prevê a 1ª dose de pentavalente (DTP+Hib+HepB), VIP (poliomielite inativada), pneumocócica 10-valente e rotavírus. A tríplice viral é aplicada aos 12 meses. Febre amarela aos 9 meses. HPV a partir dos 9 anos. dTpa é indicada a gestantes e como reforço em determinadas situações, não ao lactente de 2 meses.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória, sem consultar, as quatro réguas: (1) esquema incompleto completa, não reinicia — exceção do transplante de células-tronco; (2) dose aplicada até 4 dias antes do intervalo ou da idade mínima é válida, acima disso é erro de imunização e repete; (3) as duas janelas que não reabrem — rotavírus (1ª dose até 11 meses e 29 dias, 2ª até 23 meses e 29 dias) e hepatite B monovalente do nascimento (só até 1 mês de vida); (4) abaixo de 2 anos, tríplice viral e febre amarela pedem 30 dias entre si. Depois recite os três desfechos de evento adverso com a penta: convulsão em 72 horas, episódio hipotônico em 48 horas, encefalopatia após 7 dias — o que muda em cada um.

em 30 dias

Monte a tabela do calendário em papel em branco, idade por idade, do nascimento aos 9 anos, e só então confira. Em seguida responda sem olhar: qual o esquema de uma criança de 13 meses nunca vacinada (quantas doses de pneumocócica, quantas de meningocócica, e o que ela perdeu de vez); o que fazer com uma criança de 6 anos e 2 meses com esquema básico de penta completo e nenhum reforço; quais são as vacinas de vírus vivo do calendário infantil; e liste dez falsas contraindicações. Depois, para cada mudança recente — pólio, HPV, rotavírus, meningocócica ACWY e pneumocócica —, escreva o antes, o depois e o ano.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você atende na UBS. Chega um menino de 14 meses, trazido pelo pai, com a Caderneta da Criança em branco a partir dos 2 meses — recebeu BCG e hepatite B na maternidade, e a primeira dose de penta, VIP, rotavírus e pneumocócica aos 2 meses, e nada mais. Está com coriza sem febre há três dias e tomando amoxicilina há dois. O pai avisa que a mãe está grávida de 30 semanas e mora na mesma casa, e pergunta se por causa disso alguma vacina do filho precisa esperar. Ele quer saber também se vai ter de começar tudo de novo e se o filho ainda pode tomar 'a vacina da gotinha da diarreia'. Conduza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.