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Calendário vacinal da criança (PNI)
Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI) e esquemas por idade
A prova não pede o calendário de cor — ele está pregado na parede de toda sala de vacina. Pede o que fazer com a criança atrasada, com a dose aplicada cedo demais, com a contraindicação que não existe e com o imunossuprimido. O calendário é o dado; a regra de atualização é a resposta.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Uma criança comparece à unidade básica de saúde aos 2 meses de vida para vacinação de rotina, segundo o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde do Brasil. Qual das seguintes vacinas está indicada nesta idade?
Como esse tema cai
Este é o assunto de pediatria em que mais gente estuda a coisa errada. Decorar a tabela do calendário tem valor baixo: ela está impressa na parede de toda sala de vacina, na Caderneta da Criança e no celular de quem atende. O que separa quem acerta de quem erra é outra coisa — saber o que fazer quando a criança chega fora do roteiro. E ela quase sempre chega fora do roteiro.
As cinco perguntas que aparecem de verdade são estas: a criança atrasada reinicia ou completa o esquema? A dose aplicada antes da idade ou do intervalo mínimo vale ou tem de ser repetida? Que janelas fecham e não reabrem? O que é contraindicação de verdade e o que é aquela lista de coisas que parecem contraindicação e não são? E o que muda no imunossuprimido, no prematuro e em quem convive com um doente grave em casa? Nenhuma dessas se responde lendo a tabela. Todas se respondem com regras que cabem em uma página — e são essas regras que este capítulo persegue.
Há um segundo motivo para não decorar a tabela: ela muda todo ano, e mudou muito. Em menos de dois anos o PNI trocou o esquema da poliomielite duas vezes, transformou as duas doses de HPV em dose única, ampliou a janela do rotavírus, substituiu o reforço de meningocócica C aos 12 meses pela ACWY e começou a trocar a pneumocócica 10-valente pela 20-valente. Isso tem uma consequência prática desconfortável: questão de prova antiga sobre calendário pode ter gabarito hoje errado, e questão nova pode ter distrator montado justamente com o esquema antigo. Os documentos vigentes quando este capítulo foi escrito são o Calendário Nacional de Vacinação 2026 (arquivo revisado em 30 de julho de 2026) e a Instrução Normativa do CNV, 3ª edição de 2026, atualizada em 17 de julho de 2026. É por eles que os números abaixo estão cravados.
O que muda decisão
Idade mínima, idade máxima e a regra dos quatro dias
Toda vacina tem uma idade mínima abaixo da qual a dose não conta, e boa parte delas tem uma idade máxima acima da qual o SUS simplesmente não oferece mais o produto. Saber as duas pontas resolve metade das questões de esquema atrasado, porque a conduta muda conforme a criança esteja dentro ou fora de cada faixa.
As idades mínimas que a prova cobra: a penta só pode começar a partir de 6 semanas de vida (1 mês e 15 dias), e mesmo assim isso é recomendado só em situação excepcional — antes disso, não se administra; a meningocócica C é contraindicada abaixo de 2 meses; o rotavírus tem 1 mês e 15 dias como piso; a febre amarela é dos 9 meses, com a exceção dos 6 aos 8 meses; a varicela é contraindicada abaixo de 9 meses; a tríplice viral abaixo de 6 meses, mesmo em surto de sarampo; a hepatite A abaixo de 12 meses.
As idades máximas: a BCG é contraindicada a partir dos 5 anos, e na rotina vai até 4 anos, 11 meses e 29 dias (a única exceção é o contato domiciliar de hanseníase, e mesmo ele fica contraindicado se for pessoa vivendo com HIV); a penta é contraindicada a partir dos 7 anos, valendo até 6 anos, 11 meses e 29 dias, e o mesmo vale para a DTP e para a varicela na população geral; a VIP na rede pública, a meningocócica, a pneumocócica, a hepatite A e a covid-19 pediátrica vão até 4 anos, 11 meses e 29 dias; a influenza pediátrica até 5 anos, 11 meses e 29 dias; o rotavírus até 23 meses e 29 dias; o HPV em atraso até 14 anos, 11 meses e 29 dias. Passada a idade-teto, a criança não fica sem esquema — ela muda de esquema: a partir dos 7 anos, quem não tem esquema básico completo de difteria, tétano e hepatite B atualiza com dupla adulto (dT) e hepatite B monovalente, não com penta.
E vem a regra que quase ninguém sabe e que resolve a questão do 'aplicaram cedo demais': doses administradas até quatro dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima indicada são consideradas válidas. Se a primeira dose de uma série foi administrada mais de quatro dias antes da idade mínima recomendada, isso se registra como erro de imunização e a dose deve ser repetida, respeitando os intervalos recomendados. Quatro dias — não uma semana, não um mês. Um bebê que recebeu a penta com 1 mês e 12 dias (três dias antes das 6 semanas) está vacinado; com 1 mês e 5 dias, não está, e a dose se repete.
Um último conceito de idade que separa quem estudou: a dose zero. A febre amarela dos 6 aos 8 meses, dada em área de circulação comprovada do vírus, e a tríplice viral dos 6 aos 11 meses, dada em bloqueio de sarampo, são doses zero — protegem naquele momento e não contam para a rotina. A criança segue devendo o esquema básico inteiro depois. Alternativa que diz 'já recebeu, está em dia' está errada nas duas situações.

Intervalo padrão e intervalo mínimo: um é a rotina, o outro é a exceção
O intervalo recomendado entre as doses do esquema básico é de 60 dias. O intervalo mínimo é de 30 dias. Os dois números não são intercambiáveis, e a Instrução Normativa explica por quê em nota de rodapé repetida em cada vacina: o intervalo padrão se apoia em estudos clínicos e de efetividade, produz melhor resposta imunológica, maior persistência de anticorpos e maior duração da proteção; o intervalo mínimo é ferramenta de exceção, empregada quando há necessidade justificada de acelerar a proteção — risco de exposição iminente, viagem para área de risco, algumas comorbidades.
Registro aqui uma tensão real entre dois documentos vigentes do próprio Ministério da Saúde, porque ela aparece em prova. A Instrução Normativa trata o intervalo mínimo como exceção para risco iminente. O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação, na seção de situações especiais, é explícito em outra direção: 'em caso de atrasos vacinais, pode ser utilizado intervalo mínimo entre as doses para atualizar o calendário vacinal do indivíduo'. Na prática assistencial as duas leituras convergem — a criança muito atrasada está, ela própria, em risco aumentado — e o Manual de Normas autoriza nominalmente o uso do intervalo mínimo para recuperar calendário. Use 60 dias como a resposta padrão e 30 dias como a resposta do cenário de atraso ou de risco declarado.
O erro mais comum, porém, não é escolher entre 60 e 30: é achar que existe um único intervalo mínimo. Não existe. Cada vacina tem o seu, e os intervalos dos reforços são maiores e mais esquecidos. Os reforços de DTP e de VIP exigem no mínimo 6 meses após a terceira dose do esquema básico, e 6 meses entre o primeiro e o segundo reforço. O reforço da pneumocócica exige 60 dias após a segunda dose do básico. A tríplice viral usa 30 dias entre as duas doses (mínimo de 15 em situação excepcional). A varicela usa 3 meses entre as doses dos 1 aos 12 anos, e 8 semanas (mínimo de 4) a partir dos 13. A febre amarela pede no mínimo 30 dias entre a dose e o reforço. O rotavírus usa 60 dias, mínimo de 30. A primovacinação de influenza usa 30 dias. A covid-19 em atraso usa 4 semanas entre a primeira e a segunda dose e 8 semanas entre a segunda e a terceira.
E há dois intervalos que existem por razão de composição, não de imunogenicidade genérica: na penta em atraso, é preciso garantir no mínimo 4 meses entre a primeira e a terceira dose, e a terceira dose não deve ser administrada antes dos 6 meses de idade. O motivo é o componente hepatite B que a penta carrega — é a regra do esquema de hepatite B, não a da coqueluche, que manda aqui. Quem acelera a penta sem observar isso completa o esquema no papel e deixa a criança mal protegida contra hepatite B.
Esquema atrasado: nunca se reinicia — e as janelas que não reabrem
A regra é curta e vale para tudo: esquemas vacinais incompletos, independentemente da data da dose anterior, devem ser completados; os esquemas não devem ser reiniciados. Não importa se a última dose foi há três meses ou há três anos. A única exceção registrada no Manual de Normas é o indivíduo pós-transplantado de células-tronco hematopoiéticas, que perde a memória imunológica com o condicionamento e é revacinado do zero, conforme o Manual do CRIE. Fora disso, dose dada é dose contada.
O contrapeso dessa generosidade são as janelas que fecham de vez, e a prova adora as três. A primeira é o rotavírus, o exemplo clássico. A primeira dose só pode ser administrada de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias; a segunda, de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias. O calendário é explícito sobre a consequência: se a primeira dose não for recebida dentro do período indicado, perde-se a oportunidade de vacinação contra o rotavírus — a primeira E a segunda. Não há recuperação, não há dose tardia, não há esquema alternativo. A restrição existe porque o risco de intussuscepção associado à vacinação cresce com a idade de administração.
A segunda janela é a hepatite B do nascimento. A dose monovalente ao nascer é aplicada na sala de parto ou nas primeiras 12 horas, ainda na maternidade, e só pode ser administrada até 1 mês de vida. Criança que perdeu esse prazo não recebe mais essa dose — inicia o esquema de hepatite B aos 2, 4 e 6 meses com a penta. Isso confunde muita gente na consulta de puericultura do segundo mês, que tenta 'recuperar a dose do nascimento'. Não se recupera. Caso à parte, e cobrado com frequência: recém-nascido de mãe HBsAg positivo recebe, além da vacina, uma dose de imunoglobulina humana anti-hepatite B, em sítio muscular distinto, na sala de parto ou nas primeiras 12 horas (até 24 horas, se não for possível), com a imunoglobulina admitida até no máximo 7 dias após o parto; a soroconversão é depois checada com anti-HBs entre 30 e 60 dias após a última dose.
A terceira janela é a própria idade-teto de cada vacina, e ela não fecha o esquema: muda o esquema. É aqui que está o raciocínio mais cobrado do capítulo, porque a criança atrasada não recebe o esquema do calendário deslocado no tempo — recebe o esquema da idade em que ela chegou. Sem histórico vacinal, a partir de 13 meses até 4 anos, 11 meses e 29 dias, a pneumocócica é dose única com a 20-valente, não o esquema de duas doses mais reforço. Sem histórico, entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, a meningocócica é dose única de ACWY, não as duas doses de meningocócica C dos 3 e 5 meses. Na febre amarela, quem recebeu uma única dose a partir dos 5 anos está com esquema completo, enquanto quem recebeu uma única dose antes dos 5 anos ainda deve um reforço. Na tríplice viral, dos 12 meses aos 29 anos são 2 doses; dos 30 aos 59 anos, 1 dose.
Um caso de borda que vale memorizar porque é escrito de forma tentadora: criança de 6 anos com esquema básico completo de penta e nenhum reforço. Administra-se o primeiro reforço de DTP o mais breve possível, antes dos 7 anos. Se não couber o segundo reforço antes dos 7 anos — e não vai caber, porque exige 6 meses de intervalo —, essa criança fica liberada do segundo reforço com DTP, e se agenda uma dose de dT para 10 anos após o primeiro reforço. A conduta não é 'reiniciar', não é 'aplicar os dois reforços com 30 dias' e não é 'aplicar DTP depois dos 7 anos'.
Vacinas de vírus vivo: quem são e as quatro regras que as governam
No calendário da criança são vivas atenuadas: a BCG (bacteriana atenuada), o rotavírus (oral atenuada), a febre amarela, a tríplice viral e a tetraviral, e a varicela. No calendário do adolescente entra também a dengue. Todo o resto do calendário infantil é não vivo — penta, VIP, pneumocócica, meningocócicas, hepatite A, hepatite B, HPV, influenza inativada e covid-19 de RNA mensageiro. Saber essa divisão de cor é pré-requisito, porque as quatro regras abaixo só se aplicam à coluna das vivas.
Regra 1 — intervalo entre elas. Vacina inativada com inativada, ou inativada com atenuada: podem ser administradas simultaneamente ou com qualquer intervalo, sem restrição. Vacina atenuada com atenuada depende da idade: abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela exigem intervalo de 30 dias — não se aplicam no mesmo dia na rotina; A partir de 2 anos, varicela, febre amarela, tríplice viral, tetraviral e dengue podem ser simultâneas ou com 30 dias de intervalo. As vacinas orais atenuadas são a exceção da exceção: o rotavírus desencadeia resposta de mucosa, não interfere na resposta às injetáveis, e pode ser dado simultaneamente ou em qualquer momento. Na agenda oportuna esse conflito quase não aparece — febre amarela aos 9 meses e tríplice viral aos 12 estão a três meses de distância. Ele aparece exatamente na criança atrasada, quando as duas caem na mesma consulta antes dos 2 anos. Entre as virais atenuadas parenterais (tríplice viral e varicela), se não forem simultâneas, o intervalo também é de 30 dias — e a Instrução Normativa recomenda que a 2ª dose de tríplice viral, aos 15 meses, seja feita no mesmo dia que a 1ª de varicela, em sítios anatômicos distintos.
Regra 2 — gestante. Na rotina, gestante não recebe vacina de microrganismo vivo. Tríplice viral e varicela são contraindicadas; febre amarela só como exceção, para residente ou viajante de área de risco, na impossibilidade de adiamento e com avaliação de risco-benefício pelo serviço. Duas consequências que a prova cobra: mulher em idade fértil deve evitar gravidez por pelo menos 1 mês após tríplice viral ou varicela; e a vacinação inadvertida de gestante com essas vacinas não indica interrupção da gravidez — acompanha-se no pré-natal e notifica-se, porque a contraindicação é precaução teórica por se tratar de vírus vivo, e os estudos de seguimento não demonstraram risco aumentado de complicação.
Regra 3 — imunossupressão. Vacinas vivas são contraindicadas na imunodepressão grave, clínica ou laboratorial, primária ou adquirida; nas demais situações, a decisão é individual, por análise de risco-benefício. O ponto que mais se erra é o do corticoide: dose imunossupressora é prednisona (ou equivalente) igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por mais de duas semanas. Doses inferiores a essas, mesmo por período prolongado, não constituem contraindicação, e corticoide tópico, inalatório ou intra-articular não é considerado imunossupressor de forma alguma. Quando a dose é imunossupressora, o intervalo para vacinar é de 1 mês após a suspensão. Para os demais fármacos, o intervalo após o término é de cerca de 3 meses (metotrexato, azatioprina, micofenolato, ciclosporina, tacrolimo, ciclofosfamida, biológicos anticitocina), 6 meses para depletores de linfócito B como o rituximabe, e 2 semanas para inibidores da JAK; sulfassalazina e hidroxicloroquina não exigem intervalo nenhum. E o melhor momento é sempre antes: vacinas inativadas pelo menos 14 dias antes de iniciar a terapia imunossupressora, e atenuadas idealmente 4 semanas antes (mínimo de 2 semanas, se não for possível esperar).
Regra 4 — anticorpo passivo. Imunoglobulinas, sangue e hemoderivados bloqueiam a resposta às vacinas virais vivas atenuadas injetáveis (não às orais). Os intervalos, do mais curto ao mais longo: hemácias lavadas, nenhum; imunoglobulina antitetânica e anti-hepatite B, 3 meses; antirrábica, 4; antivaricela, 5; concentrado de hemácias, 5; sangue total, 6; imunoglobulina intramuscular profilática, 6; plasma ou plaquetas, 7; imunoglobulina intravenosa de reposição, 8; intravenosa terapêutica, 10 a 11. Na direção contrária, depois de aplicar a vacina viva deve-se esperar 2 semanas para administrar a imunoglobulina — e se a imunoglobulina entrou antes do prazo, a vacina é reaplicada depois de transcorrido o período de inibição.
Duas notas de neonatologia que fecham o assunto. Bebê de mãe que usou imunobiológico durante a gestação: vacinas vivas atenuadas podem ser aplicadas a partir dos 6 a 8 meses de idade; a BCG especificamente é contraindicada no recém-nascido cuja mãe usou anti-TNF (adalimumabe, infliximabe, etanercepte) nos dois últimos trimestres, por no mínimo 6 meses contados da última dose, e anti-CD20 (rituximabe), por 12 meses — e nessa mesma situação o rotavírus não está contraindicado. E criança exposta verticalmente ao HIV recebe as vacinas do calendário até os 18 meses; depois, excluída a infecção, segue o esquema básico, com duas ressalvas permanentes: pólio sempre com a inativada, por conviver com pessoas com imunodeficiência, e influenza anual enquanto esse convívio existir.
Contraindicação verdadeira e contraindicação falsa
Contraindicação comum a todo imunobiológico existem só duas: anafilaxia confirmada após dose anterior, e hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer excipiente. Todo o resto é específico de uma vacina ou não é contraindicação coisa nenhuma.
As específicas que valem a pena guardar: penta e DTP estão contraindicadas em quadro neurológico em atividade, e depois de convulsão nas primeiras 72 horas, episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas ou encefalopatia aguda grave após 7 dias de uma dose anterior — além da faixa etária de 7 anos em diante. A BCG está contraindicada a partir dos 5 anos, na imunodeficiência primária ou adquirida, no uso de corticoide em dose elevada por mais de duas semanas, em neoplasia maligna, em quimioterapia ou radioterapia e na gravidez; peso abaixo de 2.000 gramas adia a vacina, não a proíbe. O rotavírus está contraindicado em história de intussuscepção, em malformação congênita não corrigida do trato gastrointestinal que predisponha a intussuscepção (como divertículo de Meckel), na imunodepressão grave e fora da faixa etária. A tríplice viral está contraindicada na gestante e abaixo dos 6 meses. A varicela, na gestante, abaixo de 9 meses e em imunodeprimidos. A hepatite B tem uma contraindicação peculiar e cobrada: púrpura trombocitopênica idiopática após dose anterior. A hepatite A é contraindicada abaixo de 12 meses.
Agora a lista que decide questão — as falsas contraindicações, transcritas do Manual de Normas: doença aguda benigna sem febre, incluindo infecção simples de vias aéreas superiores; prematuridade e baixo peso ao nascer (vacina-se na idade cronológica, sem correção, com a única exceção da BCG, que espera os 2 kg); reação local em dose anterior — dor, vermelhidão, inflamação; febre baixa ou moderada após dose anterior; diagnóstico clínico prévio de tuberculose, coqueluche, tétano, difteria, poliomielite, sarampo, caxumba ou rubéola; doença neurológica estável ou pregressa com sequela presente; antecedente familiar de convulsão ou de morte súbita; história familiar de evento adverso à vacinação; alergias em geral, exceto anafilaxia comprovada a componente da vacina; uso de antibiótico profilático ou terapêutico e de antiviral; imunoterapia com extratos alérgenos; corticoide em dias alternados em dose não imunossupressora, e corticoide inalatório, tópico ou em dose de manutenção fisiológica; ser contato domiciliar de gestante com indicação de tríplice viral, porque o vacinado não transmite os vírus vacinais de sarampo, caxumba ou rubéola; estar em recuperação de doença aguda; internação hospitalar, com a ressalva do rotavírus em criança internada, pela eliminação do vírus no ambiente; mãe amamentando, exceto febre amarela em mãe de criança menor de 6 meses; e exposição recente a doença infecciosa sem sinais ou sintomas.
A alergia a ovo merece parágrafo próprio porque é onde mais se erra por excesso de zelo. Anafilaxia a ovo, mesmo grave, não contraindica a tríplice viral: está demonstrado em muitos estudos que o risco de reação anafilática à vacina nesse grupo é insignificante, e o teste cutâneo não é recomendado porque não tem valor preditivo. As duas vacinas em que a alergia a ovo pede cuidado são a febre amarela e a influenza, e mesmo assim a conduta é vacinar em ambiente com suporte e atendimento médico, não deixar de vacinar. Em compensação, existe uma alergia que realmente contraindica uma tríplice viral específica: alergia grave à proteína do leite de vaca, porque a tríplice viral do laboratório Serum Institute of India contém lactoalbumina hidrolisada — nesse caso usa-se uma tríplice viral sem lactoalbumina ou, se não houver, a tetraviral, nas duas doses. Intolerância à lactose não tem relação com isso e não impede nada.
Sobre febre, o corte é numérico: temperatura axilar igual ou maior que 37,8 °C adia a vacinação, a não ser que a situação epidemiológica ou o risco pessoal a tornem necessária; doença febril aguda moderada ou grave também adia, até a resolução. O motivo do adiamento não é risco da vacina — é não atribuir à vacina os sinais de uma doença que já estava em curso.
O imunossuprimido, o convivente e a rede de imunobiológicos especiais
Os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais nasceram em 1993 e continuam sendo o vocabulário das provas, mas o nome administrativo mudou: desde a Portaria GM/MS nº 6.623, de 14 de fevereiro de 2025, o conjunto se chama Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Clínicas Especiais (RIE). O documento técnico de referência continua sendo o Manual dos CRIE, 6ª edição, 2023.
Quem tem direito se organiza em quatro grupos. Primeiro, os imunodeprimidos: imunodeficiência primária ou erro inato da imunidade, pessoas vivendo com HIV, pacientes oncológicos com doença em atividade ou até alta médica, transplantados de órgãos sólidos e de células-tronco hematopoiéticas (e também candidatos e doadores cadastrados), e quem está em uso de drogas imunossupressoras. Segundo, pessoas com condições clínicas que aumentam a suscetibilidade sem imunodeprimir: asplenia anatômica ou funcional, doença falciforme e talassemias, deficiência de complemento e frações ou uso de inibidor de complemento, fístula liquórica e derivação ventrículo-peritoneal, implante coclear, trissomias, cardiopatia, pneumopatia, hepatopatia e nefropatia crônicas, fibrose cística, diabetes, doenças de depósito, doenças neurológicas crônicas incapacitantes, coagulopatias e doenças dermatológicas graves. Terceiro, os conviventes de imunodeprimidos. Quarto — e é a porta menos lembrada — crianças que tiveram evento adverso grave a uma vacina da rotina, ou que têm risco aumentado de tê-lo.
Os pares indicação-produto que a prova mais cobra, todos do resumo de indicações do Manual dos CRIE: DTPa acelular, penta acelular ou hexa acelular para quem teve convulsão nas primeiras 72 horas ou episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas após a DTP ou a penta de células inteiras, e também por risco aumentado — doença convulsiva crônica, cardiopatia ou pneumopatia crônica com risco de descompensar na vigência de febre, doença neurológica crônica incapacitante, bebê ainda internado na unidade neonatal na idade de vacinar, e prematuro nascido com menos de 33 semanas ou menos de 1.500 gramas. Dupla infantil (dT) para quem teve encefalopatia nos sete dias subsequentes a uma dose de vacina com pertussis — aqui o componente pertussis sai do esquema de vez. Meningocócica ACWY para asplenia, doença falciforme e talassemias, deficiência de complemento, terapia com inibidor de complemento, pessoas vivendo com HIV, imunodeficiências primárias e transplantados. Pneumocócica 13-valente seguida da 23-valente polissacarídica para pessoas vivendo com HIV, oncológicos, transplantados, asplenia, imunodeficiências primárias, fibrose cística e fístula liquórica ou derivação. Hepatite A para hepatopatia crônica de qualquer etiologia, portadores de hepatite B ou C, coagulopatias, doenças de depósito, fibrose cística, trissomias, hemoglobinopatias, asplenia e transplantados. Hib fora da rotina para transplantados, imunodeprimidos, fístula liquórica ou derivação, implante coclear, hemoglobinopatias e asplenia. HPV4 em três doses, dos 9 aos 45 anos, para imunodeprimidos.
Dois detalhes de tempo que decidem questão de cirurgia e de oncologia: em esplenectomia eletiva, a vacina pneumocócica deve ser aplicada pelo menos duas semanas antes da cirurgia; antes de quimioterapia, preferencialmente 15 dias antes do início.
A varicela dos imunobiológicos especiais tem dois tempos que não se confundem. A vacina pós-exposição, para controle de surto em ambiente hospitalar, creche ou escola que atenda menores de 7 anos, vale para o comunicante suscetível imunocompetente a partir de 9 meses, até 120 horas (5 dias) após o contato. A imunoglobulina antivaricela-zóster vale até 96 horas após o contato, e exige três condições ao mesmo tempo: suscetibilidade, contato significativo (domiciliar contínuo de pelo menos uma hora em ambiente fechado, ou hospitalar no mesmo quarto ou com contato direto prolongado) e condição especial de risco — imunodeprimido, menor de 9 meses em contato hospitalar, gestante, recém-nascido de mãe que iniciou varicela nos cinco últimos dias de gestação ou até 48 horas após o parto, e prematuros conforme a idade gestacional e a história materna. Vacina 5 dias, imunoglobulina 4 dias, e a imunoglobulina precisa das três condições.
Por fim, a regra que inverte a intuição de muita família: o convivente de imunodeprimido deve ser vacinado, e não o contrário. Familiares, cuidadores e profissionais de saúde são fontes involuntárias de patógenos imunopreveníveis; recomenda-se, além das vacinas de rotina, também a varicela para eles. Ter um irmão em quimioterapia em casa não adia nem cancela nenhuma vacina do irmão saudável — inclusive porque, desde a retirada da vacina oral da poliomielite, o único vírus vacinal excretado no calendário infantil é o do rotavírus, que não é contraindicado nem para conviventes domiciliares de transplantados. A única ressalva é comportamental: se o convivente vacinado contra varicela desenvolver exantema vesicular, evita-se o contato direto com o imunodeprimido enquanto durarem as lesões.
Eventos adversos: os que mudam a dose seguinte e os que não mudam
A pergunta prática é sempre a mesma — 'aconteceu isso depois da vacina; e a próxima dose?' — e as respostas se organizam em três degraus: contraindica de vez, troca o produto, ou não muda nada.
Trocam o produto, e são quase todos do bloco da coqueluche: convulsão, com ou sem febre, nas primeiras 72 horas após a vacinação, e episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas — nesses dois, a penta ou a DTP de células inteiras ficam contraindicadas e o esquema continua com vacina acelular (DTPa, penta acelular ou hexa acelular) obtida na rede de imunobiológicos especiais. Encefalopatia aguda grave depois de 7 dias de uma dose anterior é o degrau acima: sai o componente pertussis inteiro, e o esquema segue com dupla infantil (dT). A diferença entre esses dois desfechos é a pegadinha favorita do tema — convulsão e episódio hipotônico trocam por acelular; encefalopatia elimina o pertussis.
Contraindicam de vez, para aquela vacina: anafilaxia confirmada a dose anterior, em qualquer imunobiológico; púrpura trombocitopênica idiopática após dose anterior de hepatite B. E um evento que não contraindica, mas reprograma: reação local grave compatível com reação tipo Arthus (hipersensibilidade do tipo III) após vacina com toxoide diftérico e tetânico obriga a esperar o intervalo de 10 anos desde a última dose antes de fazer o próximo reforço.
Ficam no meio, como precaução — avaliar cuidadosamente doses adicionais com componente pertussis, sem proibir: temperatura igual ou maior que 40 °C nas 48 horas seguintes sem outra causa identificável; colapso ou estado semelhante a choque nas 48 horas; choro persistente e inconsolável com duração de 3 horas ou mais nas 48 horas; e convulsões, com ou sem febre, nos três dias seguintes.
Não mudam nada: febre baixa ou moderada após dose anterior, reação local em dose anterior e história familiar de evento adverso à vacinação — as três estão na lista oficial de falsas contraindicações. O que muda nesses casos é o preparo, não o produto: criança com história pessoal ou familiar de convulsão, ou com histórico de choro intenso incontrolável ou febre acima de 39,5 °C após dose anterior de penta, DTP ou DTPa, recebe antitérmico ou analgésico no momento da vacinação e em intervalos regulares nas 24 a 48 horas seguintes.
Dois cuidados de prematuro que a prova cobra e que não são contraindicação: crianças nascidas com menos de 1.000 gramas podem apresentar mais episódios de apneia após a DTP de células inteiras, o que é argumento para preferir a acelular e para reduzir o número de injeções em cada visita; e recém-nascidos muito prematuros, com 28 semanas ou menos, hospitalizados, pedem monitoramento respiratório por 48 a 72 horas após a série primária de meningocócica C e de pneumocócica — mas a Instrução Normativa é explícita ao dizer que, sendo o benefício elevado nesse grupo, a vacinação não deve ser suspensa nem postergada. Todo evento adverso grave, raro ou inusitado, todo erro de imunização e todo surto de eventos adversos devem ser notificados.
Calendário da criança e as réguas de decisão
A tabela é o dado: o Calendário Nacional de Vacinação 2026 para crianças de 0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias, com os limites e as armadilhas de cada idade na última coluna. Acima dela, o roteiro da consulta de atualização — a ordem em que as perguntas se fazem quando a criança chega atrasada. Abaixo, as quatro réguas que respondem à maioria das questões sem consultar a tabela.
- 1Pergunte a idade exata em meses e dias, não 'mais ou menos'. Quase todo limite deste capítulo é escrito em anos, meses e dias — e a diferença entre 11 meses e 29 dias e 12 meses decide se há rotavírus.
- 2Leia o cartão dose a dose e some o que existe. Esquema incompleto se completa, nunca se reinicia — independentemente de quando foi a última dose.
- 3Antes de aprazar, cheque as janelas que fecham: rotavírus (1ª dose até 11 meses e 29 dias; 2ª até 23 meses e 29 dias) e hepatite B monovalente do nascimento (só até 1 mês de vida).
- 4Cheque as idades-teto e troque o esquema pela idade: sem histórico, pneumocócica a partir de 13 meses é dose única com a 20-valente; meningocócica a partir de 12 meses é dose única de ACWY; a partir de 7 anos, o esquema de difteria/tétano/hepatite B passa a ser dT mais hepatite B monovalente.
- 5Confira se alguma dose do cartão foi aplicada antes da idade ou do intervalo mínimo: até 4 dias antes, vale; mais de 4 dias antes da idade mínima, é erro de imunização e a dose se repete.
- 6Separe as vivas: abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela precisam de 30 dias entre si. Tudo o mais pode ir no mesmo dia, em sítios distintos.
- 7Aplique o intervalo: 60 dias como padrão entre doses do esquema básico, 30 dias como mínimo para recuperar atraso; 6 meses para os reforços de DTP e VIP; e, na penta, no mínimo 4 meses entre a 1ª e a 3ª dose, com a 3ª nunca antes dos 6 meses.
- 8Antes de adiar por qualquer motivo, passe a situação pela lista de falsas contraindicações — resfriado sem febre, antibiótico, prematuridade, reação local prévia e convivência com imunodeprimido não adiam nada.
- 9Havendo imunodepressão, evento adverso grave anterior ou condição clínica de risco, encaminhe à rede de imunobiológicos especiais em vez de simplesmente deixar de vacinar.
- 10Registre tudo no cartão e no sistema, aprace a próxima dose a lápis e notifique qualquer evento adverso grave, raro, inusitado ou erro de imunização.
Não reinicia — completa
Esquema incompleto se completa, independentemente da data da dose anterior. Não se reinicia. A exceção registrada é o pós-transplantado de células-tronco hematopoiéticas, que é revacinado do zero. Alternativa que manda 'reiniciar o esquema porque já passaram mais de X meses' está errada em qualquer vacina do calendário.
A regra dos 4 dias
Doses aplicadas até 4 dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima são consideradas VÁLIDAS. Mais de 4 dias antes da idade mínima: registra-se erro de imunização e a dose é repetida, respeitando os intervalos recomendados. Serve para desmontar tanto a alternativa que invalida uma dose dada 2 dias cedo quanto a que valida uma dada 3 semanas cedo.
As janelas que não reabrem
Rotavírus: 1ª dose de 1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias; 2ª de 3 meses e 15 dias a 23 meses e 29 dias. Perdida a 1ª dentro da janela, perdem-se as duas — não há recuperação. Hepatite B monovalente do nascimento: só até 1 mês de vida; depois, o esquema segue com penta aos 2, 4 e 6 meses.
Vivo com vivo
Inativada com qualquer coisa: simultânea ou qualquer intervalo. Atenuada com atenuada abaixo de 2 anos: tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela pedem 30 dias. A partir de 2 anos: varicela, febre amarela, tríplice viral, tetraviral e dengue podem ser simultâneas ou com 30 dias. Rotavírus, por ser oral, não interfere em nada.
O corte do corticoide
Dose imunossupressora é prednisona ou equivalente igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por mais de duas semanas — aí se espera 1 mês para vacinar com vivas. Abaixo disso, mesmo por período prolongado, não contraindica; e corticoide tópico, inalatório ou intra-articular nunca conta como imunossupressor.
| Idade | Vacinas e doses | Limites e armadilhas |
|---|---|---|
| Ao nascer | Hepatite B monovalente (1 dose); BCG (dose única) | Hepatite B na sala de parto ou nas primeiras 12 horas, e só até 1 mês de vida — perdida, não se recupera. Mãe HBsAg positivo: acrescentar imunoglobulina anti-hepatite B em sítio distinto (até 24 h; imunoglobulina no máximo até o 7º dia). BCG intradérmica no braço direito; adiar se peso abaixo de 2.000 g; rotina até 4 anos, 11 meses e 29 dias, contraindicada a partir dos 5 anos; ausência de cicatriz não indica revacinação |
| 2 meses | Penta 1ª; VIP 1ª; rotavírus 1ª; pneumocócica 20-valente 1ª | Idade mínima da penta: 6 semanas (1 mês e 15 dias), e só em situação excepcional. Rotavírus: 1ª dose apenas entre 1 mês e 15 dias e 11 meses e 29 dias. A 1ª dose de pneumocócica é com a 20-valente na transição em curso |
| 3 meses | Meningocócica C 1ª | Contraindicada abaixo de 2 meses |
| 4 meses | Penta 2ª; VIP 2ª; rotavírus 2ª; pneumocócica 10-valente 2ª | Intervalo de 60 dias, mínimo de 30. Rotavírus: 2ª dose entre 3 meses e 15 dias e 23 meses e 29 dias. Durante a transição, a 2ª dose de pneumocócica é com a 10-valente; na indisponibilidade dela, iniciar ou completar com a 20-valente |
| 5 meses | Meningocócica C 2ª | Intervalo de 60 dias, mínimo de 30 |
| 6 meses | Penta 3ª; VIP 3ª; covid-19 1ª; influenza (dose anual a partir daqui) | A 3ª dose da penta não antes dos 6 meses de idade e com no mínimo 4 meses desde a 1ª — é o componente hepatite B que manda. Influenza: dos 6 meses aos 5 anos, 11 meses e 29 dias; na primovacinação, 2 doses com 30 dias, depois 1 dose por ano |
| 6 a 8 meses | Febre amarela (1 dose, apenas em caso excepcional) | Só para quem vive ou vai viajar para área com circulação comprovada do vírus, com avaliação do serviço, e pelo menos 10 dias antes do deslocamento. É dose zero: não vale para a rotina, e o esquema básico continua devido |
| 7 e 9 meses | Covid-19 2ª e 3ª doses | Dos 6 meses aos 4 anos, 11 meses e 29 dias. Em atraso: mínimo de 4 semanas entre 1ª e 2ª e de 8 semanas entre 2ª e 3ª. Imunocomprometidos mantêm doses de 6 em 6 meses após a 3ª |
| 9 meses | Febre amarela (1 dose) | Vírus vivo. Abaixo de 2 anos exige 30 dias de intervalo em relação à tríplice viral ou tetraviral |
| 12 meses | Pneumocócica 20-valente (reforço); meningocócica ACWY (1 dose); tríplice viral 1ª | A ACWY substituiu o reforço de meningocócica C em 1º de julho de 2025; quem já recebeu o reforço com MenC está vacinado. Sem histórico, entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias: dose única de ACWY. Reforço da pneumocócica: 60 dias após a 2ª dose do básico. Tríplice viral contraindicada abaixo de 6 meses e na gestante |
| 15 meses | DTP 1º reforço; VIP 1º reforço; tríplice viral 2ª; varicela 1ª; hepatite A (1 dose) | Reforços de DTP e VIP: no mínimo 6 meses após a 3ª dose do esquema básico. Recomenda-se aplicar a 2ª dose de tríplice viral no mesmo dia que a 1ª de varicela, em sítios distintos. Varicela contraindicada abaixo de 9 meses (população geral até 6 anos, 11 meses e 29 dias); hepatite A contraindicada abaixo de 12 meses e disponível até 4 anos, 11 meses e 29 dias |
| 4 anos | DTP 2º reforço; VIP 2º reforço; varicela 2ª; febre amarela (reforço) | Seis meses entre os dois reforços de DTP, e todos antes dos 7 anos. O 2º reforço de VIP voltou ao calendário em 3 de agosto de 2026. Varicela: intervalo de 3 meses entre as doses dos 1 aos 12 anos. Febre amarela: no mínimo 30 dias entre a dose e o reforço |
| 5 anos | Pneumocócica 20-valente (1 dose) | Somente povos indígenas a partir dos 5 anos, sem histórico vacinal com pneumocócica conjugada |
| 9 anos | HPV4 (dose única) | Dose única desde 2 de abril de 2024, para meninas e meninos. Em atraso, vacinar até 14 anos, 11 meses e 29 dias; dos 15 aos 19 anos, 11 meses e 29 dias, conforme a estratégia de cada estado. Imunodeprimidos de 9 a 45 anos e vítimas de violência sexual mantêm 3 doses |
A tabela é o calendário da CRIANÇA, que vai de 0 a 9 anos, 11 meses e 29 dias. A dengue (2 doses aos 10 anos, com 3 meses de intervalo), o reforço de meningocócica ACWY dos 11 aos 14 anos e o reforço de dT aos 14 anos pertencem ao calendário do adolescente.
Intervalo padrão entre doses do esquema básico: 60 dias. Intervalo mínimo: 30 dias. A Instrução Normativa descreve o mínimo como ferramenta de exceção para risco de exposição iminente, viagem a área de risco e algumas comorbidades; o Manual de Normas autoriza nominalmente seu uso para atualizar calendário em atraso. Os dois documentos são vigentes e a diferença é de leitura, não de número.
Reforços têm intervalos próprios e maiores: 6 meses entre a 3ª dose do esquema básico e o 1º reforço de DTP e de VIP, e 6 meses entre o 1º e o 2º reforço.
Dose zero não conta: febre amarela dos 6 aos 8 meses e tríplice viral dos 6 aos 11 meses em bloqueio protegem naquele momento e não são válidas para a rotina — o esquema básico segue devido.
A vacina oral da poliomielite (a 'gotinha') não existe mais no calendário desde 4 de novembro de 2024. Todo o esquema de pólio é com VIP injetável. Alternativa que mencione VOP em criança está descrevendo um calendário extinto.
Não confunda as duas apresentações da pneumocócica durante a transição: a 1ª dose (2 meses) e o reforço (12 meses) são com a 20-valente; a 2ª dose (4 meses) é com a 10-valente. Havendo indisponibilidade da 10-valente, inicia-se ou completa-se com a 20-valente.
Prematuro e baixo peso vacinam na IDADE CRONOLÓGICA, sem correção. A única exceção é a BCG, que espera o peso de 2.000 gramas.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Calendário Nacional de Vacinação (PNI/MS, 2026): oferta universal e gratuita, definida por incorporação
O PNI oferta 21 vacinas organizadas por curso de vida, gratuitamente, em mais de 38 mil salas de vacina. No calendário da criança isso significa: pneumocócica em esquema de duas doses mais reforço (2 e 4 meses, reforço aos 12), atualmente em transição da 10-valente para a 20-valente; hepatite A em dose única aos 15 meses; DTP de células inteiras nos reforços, com a acelular reservada a gestantes, profissionais de saúde e indicações da rede de imunobiológicos especiais; três doses de Hib dentro da penta; meningocócica C aos 3 e 5 meses com reforço de ACWY aos 12 meses e outro dos 11 aos 14 anos; rotavírus monovalente em duas doses; proteção do lactente contra vírus sincicial respiratório pela vacinação da GESTANTE a partir da 28ª semana; dengue dos 10 aos 14 anos; e febre amarela com duas doses apenas para quem iniciou o esquema antes dos 5 anos. Não há oferta de vacina meningocócica B em nenhum ponto do calendário.
Ministério da Saúde, Calendário Nacional de Vacinação 2026 e Instrução Normativa do CNV, 3ª edição, 2026 (atualizada em 17.07.2026)
Calendário da SBP (Documento Científico nº 12, 20 de outubro de 2025): o que a sociedade recomenda para a criança hígida
A SBP recomenda vacinas e esquemas que o SUS não oferece, e nomeia cada um. Meningocócica B recombinante (Bexsero para lactentes, crianças e adolescentes; Trumenba dos 10 aos 25 anos) — ausente do PNI. Pneumocócica 13, 15 ou 20-valente em esquema 3+1 (2, 4 e 6 meses mais reforço entre 12 e 15 meses), com dose adicional até os 5 anos para quem completou esquema com a 10-valente, justificada pela prevalência dos sorotipos 19A e 3 no país. Hepatite A em 2 doses a partir dos 12 meses, contra a dose única do PNI. DTPa acelular preferencial à DTP de células inteiras, por eficácia similar e menor reatogenicidade. Quarta dose de Hib aos 15 meses quando se usa combinada acelular. Reforço adicional de meningocócica ACWY entre 5 e 6 anos, pela queda de títulos. Nirsevimabe (anticorpo monoclonal) ao nascer como alternativa ou complemento à vacinação da gestante contra o vírus sincicial respiratório. Dengue a partir dos 4 anos. Rotavírus pentavalente (RV5) em 3 doses, disponível só na rede privada. E duas doses de febre amarela para todas as crianças e adolescentes, com o argumento de prevenir falhas vacinais.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Calendário de Vacinação da SBP — Atualização 2025/2026, Departamentos Científicos de Imunizações e de Infectologia
Na prova
A distância entre os dois calendários não é científica: é de custo, de fila de incorporação e de capacidade de oferta em escala nacional. O PNI compra para os 5.570 municípios e para mais de 38 mil salas de vacina, e cada dose adicional ou cada troca de apresentação exige avaliação de tecnologia, contrato e logística — a própria transição da pneumocócica 10 para a 20-valente, que o PNI está executando em 2026, é a SBP sendo alcançada com anos de distância. O recorte se identifica por três marcas. Primeira, o cenário: UBS, sala de vacina da rede pública, Caderneta da Criança, 'vacinas disponíveis no SUS' apontam para o corpo do PNI; consultório privado, 'esquema ideal', 'melhor proteção disponível' apontam para o corpo da SBP. Segunda, o vocabulário: 'penta', 'agenda oportuna', 'Calendário Nacional de Vacinação' e 'CRIE' são linguagem do PNI; 'DTPa', 'hexavalente acelular', 'VPC13', 'MenB', 'nirsevimabe' e 'RV5' são linguagem do calendário da sociedade. Terceira, e a mais decisiva, as alternativas: um distrator que oferece meningocócica B, quarta dose de Hib ou pneumocócica 3+1 só faz sentido no mundo da SBP, e a presença dele denuncia que a questão está discutindo recomendação de sociedade, não oferta do SUS. Régua útil: prova oficial do MEC tende à conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Até 27 de setembro de 2024: três doses de VIP e dois reforços com VOP oral
O esquema era misto. Três doses da vacina inativada injetável (VIP) aos 2, 4 e 6 meses, seguidas de dois reforços com a vacina oral bivalente atenuada (VOPb, a 'gotinha') aos 15 meses e aos 4 anos — cinco doses no total, sendo duas de vírus vivo por via oral.
Ministério da Saúde, Informe Técnico sobre a retirada da VOPb e adoção do esquema exclusivo com VIP, 2024
De 4 de novembro de 2024 a 2 de agosto de 2026: esquema exclusivo com VIP, com um único reforço
A VOP foi usada impreterivelmente até 27 de setembro de 2024 e retirada da rede. A partir de 4 de novembro de 2024 o esquema passou a ser exclusivamente com VIP, e as duas doses de reforço com VOPb foram substituídas por UMA dose de reforço com VIP aos 15 meses — quatro doses no total. A justificativa foi de segurança: eliminar o risco de poliovírus derivado da vacina, que só existe com o produto atenuado. Na transição, quem já tinha recebido o primeiro reforço com VOPb recebia mesmo assim um reforço com VIP, e quem tinha os dois reforços com VOP era considerado com esquema completo.
Ministério da Saúde, Informe Técnico sobre a retirada da VOPb, Quadros 2 e 3, 2024
A partir de 3 de agosto de 2026: volta o segundo reforço, agora com VIP
O segundo reforço aos 4 anos foi reincluído no Calendário Nacional de Vacinação, com a vacina inativada. O esquema vigente é de cinco doses, todas com VIP: três aos 2, 4 e 6 meses, primeiro reforço aos 15 meses e segundo reforço aos 4 anos — retomando a arquitetura que existia até 2024, sem nenhuma dose de vírus vivo.
Calendário Nacional de Vacinação 2026 e Instrução Normativa do CNV 2026, que remetem à Nota Técnica nº 64/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS (a nota em si não foi aberta; a data de vigência vem do comunicado do Ministério da Saúde de junho de 2026)
Na prova
Aqui a divergência é de data, não de mérito, e é a mais perigosa do capítulo, porque o candidato estuda por material de anos diferentes. Três marcas identificam qual configuração a questão está usando. Se a alternativa menciona VOP, gotinha ou vacina oral da poliomielite em criança, ela descreve o mundo anterior a setembro de 2024. Se descreve esquema com quatro doses e reforço único aos 15 meses, descreve a janela entre novembro de 2024 e agosto de 2026. Se traz cinco doses todas injetáveis, com reforços aos 15 meses e aos 4 anos, é o calendário vigente. Em prova aplicada em 2025 ou no primeiro semestre de 2026 com gabarito de reforço único, o gabarito era correto à época — e não é mais. Regra de leitura que serve para todo o tema: enunciado que traz o ano do documento ou diz 'calendário vigente' está pedindo a versão atual; enunciado montado sobre um informe datado está pedindo a versão daquele informe.
PNI: duas doses só para quem começou antes dos 5 anos
O esquema básico é 1 dose aos 9 meses e 1 reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. A partir dos 5 anos a lógica muda: quem tem histórico de 2 doses recebidas antes dos 5 anos está completo; quem tem 1 dose recebida antes dos 5 anos precisa de mais 1; e quem recebeu 1 dose já a partir dos 5 anos está completo, sem reforço. Na prática, o reforço é uma correção da resposta imune do lactente, não uma segunda dose universal. A vacinação entre 6 e 8 meses é exceção para área de circulação comprovada e conta como dose zero.
Instrução Normativa do CNV 2026, Quadro 2 — Recomendações para a vacinação contra a febre amarela
SBP: duas doses para todas as crianças e adolescentes
A SBP recomenda duas doses, aos 9 meses e aos 4 anos, e registra que o PNI oferece duas doses somente para quem iniciou o esquema com menos de 5 anos. O argumento é a prevenção de falhas vacinais: a aplicação de uma segunda dose para todas as crianças e adolescentes é considerada preferível, e os não vacinados devem receber preferencialmente duas doses. O documento observa ainda que, para viagens internacionais, prevalece a recomendação da Organização Mundial da Saúde, que aceita a comprovação de apenas uma dose.
Calendário de Vacinação da SBP 2025/2026, nota explicativa 14 (a posição da OMS aqui é a que consta do documento da SBP; não abri documento da OMS)
Na prova
Três corpos e três números na mesma vacina, o que torna o enunciado especialmente informativo. Cenário de sala de vacina, Caderneta da Criança ou pergunta sobre 'o que o SUS oferece' aponta para o Quadro 2 do PNI, com a divisão pela idade de início do esquema. Menção nominal à Sociedade Brasileira de Pediatria, ou vocabulário de 'falha vacinal' e 'segunda dose para todos', aponta para o documento da sociedade. E se o enunciado fala em viagem internacional, Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia, ou exigência de país de destino, o número que governa é o da regra internacional — dose única comprovada, com a vacinação feita pelo menos 10 dias antes do deslocamento, prazo que o próprio PNI adota para soroconversão. Um distrator que diga 'revacinar a cada 10 anos' pertence a um mundo que já não existe em nenhum dos três corpos.
Caso resolvido
- achado
- Nenhuma dose registrada e nenhuma cicatriz de BCG. Não há esquema a completar — há um esquema a iniciar, e a idade de 13 meses é que vai definir qual esquema é esse. A pergunta da avó já tem resposta: uma vez iniciado, nada será reiniciado; esquemas incompletos se completam, independentemente do tempo decorrido.
- achado
- Rotavírus: a janela da primeira dose ia de 1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias. Aos 13 meses ela está fechada, e o calendário é explícito — perdida a primeira dose no período, perde-se a oportunidade da primeira e da segunda. Esta criança não receberá vacina contra rotavírus. Não existe esquema de recuperação.
- achado
- Hepatite B: a dose monovalente do nascimento só valia até 1 mês de vida. Não se recupera. O componente hepatite B virá dentro da penta, e por isso será preciso garantir no mínimo 4 meses entre a primeira e a terceira dose da penta.
- achado
- Pneumocócica e meningocócica mudam de esquema pela idade. Sem histórico vacinal, criança de 13 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias recebe DOSE ÚNICA de pneumocócica 20-valente — não as duas doses mais reforço. E, entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, recebe DOSE ÚNICA de meningocócica ACWY — não as duas doses de meningocócica C dos 3 e 5 meses.
- achado
- Duas vacinas de vírus vivo estão pendentes e vão conflitar: tríplice viral (devida desde os 12 meses) e febre amarela (devida desde os 9 meses). Abaixo de 2 anos, tríplice viral e febre amarela exigem intervalo de 30 dias entre si — não podem ir no mesmo dia. Esse é o único conflito de simultaneidade da consulta.
- conduta
- Hoje: BCG (ainda indicada, porque a rotina vai até 4 anos, 11 meses e 29 dias, em criança assintomática e sem imunodepressão; a dose a partir de 1 ano é de 0,1 mL, intradérmica, no braço direito); penta 1ª dose; VIP 1ª dose; pneumocócica 20-valente em dose única; meningocócica ACWY em dose única; e a tríplice viral 1ª dose. Todas podem ser aplicadas no mesmo dia, em sítios anatômicos distintos.
- conduta
- Em 30 dias: febre amarela, respeitando o intervalo obrigatório em relação à tríplice viral. Aos 15 meses (ou 30 dias depois da 1ª dose de tríplice viral, se o atraso empurrar): 2ª dose de tríplice viral, 1ª dose de varicela — recomendadas no mesmo dia, em sítios distintos — e a dose única de hepatite A. Penta e VIP 2ª dose com 60 dias de intervalo (30 dias, se optar pelo intervalo mínimo para recuperar o atraso), e a 3ª dose 60 dias depois, respeitando os 4 meses mínimos entre a 1ª e a 3ª dose da penta.
- conduta
- Depois: reforços de DTP e de VIP no mínimo 6 meses após a 3ª dose da penta, e o segundo reforço de cada um 6 meses após o primeiro, tudo antes dos 7 anos. Aos 4 anos, também a 2ª dose de varicela (respeitando o intervalo de 3 meses entre as doses dos 1 aos 12 anos) e o reforço de febre amarela. Influenza anual, com 2 doses de 30 dias na primovacinação. Covid-19 em 3 doses, com intervalos mínimos de 4 e 8 semanas, até 4 anos, 11 meses e 29 dias.
- raciocínio
- O caso mostra a espinha do tema: quase nada aqui saiu da tabela do calendário. Saiu de quatro regras — não reiniciar, respeitar as janelas que fecham, trocar o esquema pela idade em que a criança chegou, e separar as vivas abaixo dos 2 anos. A única perda definitiva foi o rotavírus, e ela é a única porque é a única vacina do calendário infantil cuja janela superior é absoluta.
Agora feche você
- achado
- O episódio de 36 horas após a vacinação — hipotonia, palidez e hiporresponsividade autolimitadas — é um episódio hipotônico-hiporresponsivo, ocorrido dentro das primeiras 48 horas após dose de vacina com pertussis de células inteiras.
- achado
- Não houve convulsão nas 72 horas nem encefalopatia após 7 dias. Os três eventos têm consequências diferentes, e a distinção entre eles é o que define a conduta.
- achado
- Coriza clara sem febre e uso de antibiótico terapêutico constam nominalmente da lista oficial de falsas contraindicações. Prematuridade de 36 semanas e peso de nascimento de 2.400 g também: vacina-se na idade cronológica, sem correção.
- achado
- O irmão de 3 anos em quimioterapia é um imunodeprimido convivendo no mesmo domicílio. A pergunta da mãe inverte a lógica correta — a questão não é o que o bebê deixa de receber, é o que a casa inteira precisa receber.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Reiniciar o esquema porque o atraso foi grande É o erro mais frequente do tema e o mais fácil de evitar: esquemas incompletos se completam, independentemente da data da dose anterior, e não se reiniciam. A única exceção registrada é o pós-transplantado de células-tronco hematopoiéticas. A alternativa que manda reiniciar costuma vir com uma justificativa que soa técnica — 'perdeu a memória imunológica', 'passou de um ano' — e nenhuma delas existe no documento.
- 2Tentar recuperar o rotavírus fora da janela A generosidade da regra anterior faz o candidato assumir que tudo é recuperável. Não é. Se a primeira dose de rotavírus não foi dada até 11 meses e 29 dias, perdem-se a primeira e a segunda, definitivamente. E vale a inversa, que é a pegadinha da atualização: quem decorou o limite antigo de 3 meses e 15 dias vai marcar 'perdeu a oportunidade' para uma criança de 8 meses que ainda pode ser vacinada desde dezembro de 2024.
- 3Invalidar dose aplicada dois ou três dias cedo Doses administradas até quatro dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima são consideradas válidas. Só acima de quatro dias antes da idade mínima é que se registra erro de imunização e se repete a dose. Quem não conhece a regra dos quatro dias erra nas duas direções — invalida o que vale e valida o que não vale.
- 4Aplicar tríplice viral e febre amarela no mesmo dia em criança de 1 ano Abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela exigem intervalo de 30 dias. A partir de 2 anos, aí sim podem ser simultâneas ou com 30 dias. Como a agenda oportuna coloca febre amarela aos 9 meses e tríplice viral aos 12, o conflito só aparece na criança atrasada — que é justamente o cenário da questão. Nenhuma outra combinação do calendário infantil tem essa restrição.
- 5Contraindicar a tríplice viral por alergia a ovo Anafilaxia a ovo, mesmo grave, não contraindica a tríplice viral, e não se faz teste cutâneo porque ele não tem valor preditivo. As vacinas em que a alergia a ovo pede cautela são a febre amarela e a influenza — e mesmo nelas a conduta é vacinar com suporte médico disponível. A alergia que realmente contraindica é outra: alergia grave à proteína do leite de vaca impede a tríplice viral que contém lactoalbumina, e nesse caso se usa uma formulação sem ela ou a tetraviral.
- 6Adiar vacina por resfriado, antibiótico ou prematuridade Doença aguda benigna sem febre, infecção simples de vias aéreas superiores, uso de antibiótico profilático ou terapêutico, reação local em dose anterior e febre baixa ou moderada após dose anterior são todas falsas contraindicações. Prematuros e recém-nascidos de baixo peso vacinam na idade cronológica, sem correção — a única exceção é a BCG, que espera os 2.000 gramas. O corte que realmente adia é febre axilar igual ou maior que 37,8 °C, ou doença febril moderada a grave.
- 7Achar que qualquer corticoide contraindica vacina de vírus vivo Só é dose imunossupressora prednisona ou equivalente igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por MAIS DE DUAS SEMANAS — e só nesse caso se espera 1 mês. Doses inferiores, mesmo por período prolongado, não contraindicam. Corticoide inalatório, tópico, intra-articular ou em dose fisiológica de manutenção nunca conta, e corticoide em dias alternados em dose não imunossupressora está na lista de falsas contraindicações. A criança com asma em bombinha vacina normalmente.
- 8Revacinar a BCG por ausência de cicatriz Crianças vacinadas na faixa etária preconizada que não desenvolvem cicatriz não têm recomendação de revacinação. A única exceção é a dose considerada inválida por problema identificado no ato — vacina vencida ou dose subterapêutica por extravasamento —, e mesmo aí se monitora por três meses antes de revacinar. Comprovam vacinação: o registro no cartão, a cicatriz OU a palpação de nódulo no deltoide direito.
- 9Repetir a dose de rotavírus porque o bebê golfou Se a criança regurgita, cospe ou vomita após a vacinação, não se repete a dose. A instrução é literal na Instrução Normativa e contraria a intuição de quem acha que 'não desceu tudo'. Em compensação, quadro agudo de gastroenterite com vômitos, diarreia e febre adia a vacinação até a resolução.
- 10Confundir o que o evento adverso faz com a próxima dose São três desfechos distintos e a banca troca um pelo outro: convulsão nas primeiras 72 horas e episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas trocam a penta ou a DTP celular por vacina ACELULAR, na rede de imunobiológicos especiais; encefalopatia aguda grave depois de 7 dias elimina o componente pertussis e o esquema segue com dupla infantil (DT); e anafilaxia contraindica aquela vacina de vez. Febre alta e choro persistente por 3 horas ou mais são precaução — avaliam-se as doses seguintes, não se proíbem.
- 11Deixar de vacinar o irmão saudável porque há um imunodeprimido em casa É o inverso da conduta correta. Conviventes de imunodeprimidos devem ser vacinados, inclusive contra varicela, porque são fonte involuntária de patógenos imunopreveníveis. Desde a retirada da vacina oral da poliomielite, em novembro de 2024, o único vírus vacinal excretado no calendário infantil é o do rotavírus, que não é contraindicado nem para conviventes de transplantados. Contato domiciliar de gestante com indicação de tríplice viral também está na lista de falsas contraindicações — o vacinado não transmite os vírus vacinais de sarampo, caxumba e rubéola.
- 12Contar a dose zero como dose do esquema Febre amarela dos 6 aos 8 meses, em área de circulação comprovada, e tríplice viral dos 6 aos 11 meses, em bloqueio de sarampo, são doses zero: protegem naquele momento e não valem para a rotina. A criança continua devendo o esquema básico inteiro depois. A alternativa que diz 'já está em dia porque recebeu na campanha' está errada nas duas situações.
Aos 2 meses, o calendário do PNI prevê a 1ª dose de pentavalente (DTP+Hib+HepB), VIP (poliomielite inativada), pneumocócica 10-valente e rotavírus. A tríplice viral é aplicada aos 12 meses. Febre amarela aos 9 meses. HPV a partir dos 9 anos. dTpa é indicada a gestantes e como reforço em determinadas situações, não ao lactente de 2 meses.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Recém-nascido a termo, saudável, filho de mãe HBsAg negativa, deve receber ao nascimento, ainda na maternidade e nas primeiras horas de vida, segundo o Calendário Nacional de Vacinação, qual(is) imunobiológico(s)?
Ao nascimento são administradas a BCG (dose única, prevenção de formas graves de tuberculose) e a vacina hepatite B (idealmente nas primeiras 12–24 horas). A imunoglobulina anti-hepatite B (HBIG) só é indicada quando a mãe é HBsAg positiva (ou de status desconhecido), o que não é o caso. Tríplice viral (12 meses), pentavalente e VIP (a partir dos 2 meses) não são administradas no nascimento.
Uma criança de 2 anos comparece à unidade básica de saúde para atualização vacinal. Está com o calendário em dia até os 12 meses, mas perdeu as doses subsequentes. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI), qual vacina é indicada com reforço/dose habitualmente aos 15 meses de vida?
Aos 15 meses o PNI prevê o 1º reforço da DTP, o reforço da poliomielite (VOP), a dose da hepatite A (dose única) e a tetraviral (SCR+varicela). A pneumocócica 10-valente tem esquema com doses aos 2 e 4 meses e reforço aos 12 meses — não é dose primária aos 15. A meningocócica C é aplicada aos 3 e 5 meses com reforço aos 12 meses. O rotavírus é esquema de 2 doses (2 e 4 meses), não havendo 3ª dose no PNI. A febre amarela tem dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos, não aos 15 meses.
Adolescente de 13 anos, com HIV controlado em terapia antirretroviral e CD4 de 650 células/mm³, comparece para atualização do calendário vacinal. Qual das vacinas a seguir é CONTRAINDICADA ou requer cautela especial nesse paciente por ser de vírus vivo atenuado?
Em pacientes vivendo com HIV, vacinas de vírus vivo atenuado exigem avaliação criteriosa: a febre amarela é a resposta, pois seu uso depende da contagem de CD4 e da avaliação de risco epidemiológico (é a única de vírus vivo listada). Hepatite B, HPV, meningocócica ACWY e dTpa são vacinas inativadas/subunitárias/toxoides, seguras e recomendadas na imunização de adolescentes com HIV — não têm a restrição das vacinas de agentes vivos. A avaliação da imunossupressão orienta especificamente as vacinas vivas.
Lactente de 2 meses é levado à UBS para puericultura e atualização vacinal. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, além da vacina pentavalente e da VIP (poliomielite inativada), quais outras vacinas estão previstas para os 2 meses de idade?
Aos 2 meses aplicam-se pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus humano. BCG e hepatite B são ao nascer. Tríplice viral e febre amarela iniciam aos 9–12 meses. Meningocócica C é aos 3 meses (e hepatite A aos 15 meses). Varicela e DTP são administradas mais tarde (por volta de 12–15 meses), não aos 2 meses.
Segundo o calendário nacional de vacinação da criança, a vacina BCG (contra formas graves da tuberculose) deve ser administrada, idealmente, em qual momento e por qual via?
A BCG é aplicada preferencialmente ao nascer (ou o mais precocemente possível), em dose única, por via intradérmica na inserção do deltoide direito. Via e idade errados. Via subcutânea e esquema de duas doses estão incorretos. Via oral e idade errados (via oral é a rotavírus/pólio VOP). Idade incorreta.
Lactente de 2 meses comparece à unidade básica de saúde para vacinação de rotina. Qual das vacinas abaixo faz parte do esquema previsto para os 2 meses no calendário nacional de vacinação?
Aos 2 meses o calendário prevê pentavalente (DTP+Hib+hepatite B), VIP (pólio inativada), pneumocócica 10-valente e rotavírus. Tríplice viral inicia aos 12 meses. Febre amarela é aos 9 meses. Meningocócica ACWY é dose de adolescente (a do lactente é meningo C, aos 3 meses). Hepatite A é aos 15 meses.
Durante consulta de puericultura, mãe de lactente de 2 meses relata que a criança apresentou, aos 40 dias, um episódio de doença invasiva por rotavírus, sem complicações. Chega o momento de atualizar o calendário vacinal. Sobre a vacina oral de rotavírus no calendário do PNI brasileiro, qual afirmativa está correta?
A vacina de rotavírus (monovalente no PNI) tem janela etária rígida: 1ª dose até 3 meses e 15 dias e 2ª dose até 7 meses e 29 dias, por associação temporal a intussuscepção quando aplicada tardiamente (correta). Não pode ser iniciada a qualquer idade até 12 meses. Diarreia prévia não contraindica. A via é oral, não intramuscular. O esquema básico do PNI é de duas doses (monovalente), não três.
Durante consulta de puericultura em UBS, a mãe apresenta a caderneta de vacinação de seu filho de 2 meses de idade, que está em dia até o momento. Conforme o Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), qual conjunto de vacinas deve ser administrado nesta consulta?
Aos 2 meses, o Calendário Nacional de Vacinação do PNI preconiza: Pentavalente (DTP + Hib + Hepatite B), Poliomielite inativada (VIP), Pneumocócica 10-valente conjugada e Rotavírus humano. A tríplice viral, meningocócica C e febre amarela têm início a partir dos 3-12 meses, não aos 2 meses. BCG e Hepatite B em dose isolada são aplicadas ao nascer. DTP de reforço e Hepatite A são administradas mais tardiamente (a partir de 12-15 meses), e o esquema básico da poliomielite aos 2 meses é com a forma inativada (VIP), não a oral (VOP).
Lactente de 3 meses comparece à UBS para vacinação de rotina. A mãe pergunta sobre a proteção contra doenças respiratórias. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do SUS, qual imunobiológico está previsto para ser administrado aos 2 e 4 meses e protege contra causa importante de meningite e pneumonia bacteriana nessa faixa?
A vacina pneumocócica conjugada 10-valente é aplicada aos 2 e 4 meses (com reforço aos 12 meses) e protege contra Streptococcus pneumoniae, causa importante de meningite, pneumonia e otite. A meningocócica ACWY no calendário é indicada a adolescentes (11-14 anos); no lactente o esquema é da meningocócica C (3 e 5 meses). A influenza é indicada a partir dos 6 meses, em campanhas. A BCG é dose única ao nascer, contra formas graves de tuberculose, não protege primariamente contra pneumonia/meningite pneumocócica.
Um lactente de 2 meses e meio é levado à UBS para acompanhamento e vacinação. A mãe relata que ele apresentou, aos 45 dias de vida, um episódio de choro persistente e inconsolável por mais de 3 horas, cerca de 8 horas após a primeira dose da vacina pentavalente. Não houve febre alta, convulsão, colapso ou episódio hipotônico-hiporresponsivo. O lactente está hoje assintomático e com bom estado geral. Na UBS há disponível a vacina pentavalente (DTP+Hib+HepB) e a DTPa (acelular) na rede de referência para eventos adversos. Qual é a conduta correta quanto à continuidade do esquema contra coqueluche?
Choro persistente e inconsolável por mais de 3 horas nas 48h após a vacina é um evento adverso considerado benigno e autolimitado; não contraindica doses subsequentes nem indica troca obrigatória para a acelular — mantém-se a pentavalente (correta). A troca para DTPa é indicada em eventos como episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH) ou convulsão, ausentes aqui. Contraindicação absoluta ao componente pertussis só ocorre em encefalopatia nos 7 dias pós-dose. Reiniciar com dTpa aos 7 anos Incorreto: o esquema básico deve prosseguir na idade adequada.
Criança de 5 anos é levada à UBS para atualização do calendário vacinal. A mãe relata que a criança nunca teve varicela. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do SUS, qual vacina que protege contra a varicela deve ser oferecida nesta idade?
No calendário do SUS, a proteção contra varicela é feita pela vacina tetra viral (SCR-V) aos 15 meses e por dose de varicela aos 4 anos. Para criança de 5 anos com esquema em atualização, oferece-se a vacina que contém o componente varicela (tetra viral/varicela). A tríplice viral não protege contra varicela. A pentavalente cobre difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus. A DTP não inclui componente antivaricela.
Lactente de 3 meses comparece à UBS para vacinação de rotina. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação, qual das vacinas abaixo NÃO está indicada aos 3 meses de idade?
Aos 2 e 4 meses aplicam-se pentavalente, VIP, pneumocócica 10 e rotavírus; aos 3 e 5 meses, a meningocócica C conjugada. A tríplice viral só é aplicada a partir dos 12 meses, portanto NÃO está indicada aos 3 meses. As demais (meningo C, rotavírus, pentavalente) fazem parte do esquema do primeiro semestre de vida.
Recém-nascido a termo, com 12 horas de vida, ainda na maternidade, filho de mãe com sorologias pré-natais negativas. Segundo o calendário do SUS, quais vacinas devem ser administradas ao nascimento, antes da alta?
Ao nascimento, o SUS preconiza BCG (dose única) e a primeira dose de hepatite B, idealmente nas primeiras 12-24 horas de vida. Pentavalente e VIP iniciam aos 2 meses. Tríplice viral e febre amarela são aplicadas a partir de 9-12 meses. Rotavírus e pneumocócica 10 iniciam aos 2 meses. Assim, as vacinas do nascimento são BCG e hepatite B.
Durante consulta de puericultura na UBS, a mãe de um lactente de 2 meses apresenta a caderneta. A criança recebeu ao nascer BCG e hepatite B. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do SUS, quais vacinas devem ser aplicadas nesta consulta de 2 meses?
Aos 2 meses, o Calendário Nacional de Vacinação preconiza a primeira dose de pentavalente (DTP + Hib + hepatite B), poliomielite inativada (VIP), pneumocócica conjugada 10-valente e rotavírus humano oral. A tríplice viral e a febre amarela são iniciadas aos 9-12 meses; a hepatite A aos 15 meses; a varicela a partir dos 12/15 meses. A meningocócica C é aos 3 meses. Não há segunda dose de BCG de rotina no calendário. Assim, apenas a primeira opção corresponde ao esquema correto de 2 meses.
Durante campanha de vacinação na UBS, uma mãe traz o filho de 15 meses cujo cartão mostra apenas as doses do 1º ano completas (não recebeu doses do calendário previstas para 12 e 15 meses). A criança está assintomática e afebril. Qual conduta está correta quanto à atualização vacinal nessa visita?
Calendário atrasado não se reinicia: aproveita-se a oportunidade para aplicar todas as vacinas indicadas para a idade na mesma visita, pois vacinas podem ser coadministradas com segurança. Adiar e espaçar uma por vez perde oportunidade e aumenta o risco de faltas. Restringir a uma só vacina é infundado — a coadministração é segura e recomendada. Aos 15 meses cabem, por exemplo, tríplice viral/tetraviral, DTP e demais reforços em atraso conforme o cartão.
Uma mãe comparece à Unidade Básica de Saúde com a caderneta de vacinação do filho de 2 meses, para atualização do calendário. A criança nasceu a termo, com bom peso, sem intercorrências, e recebeu ao nascer as vacinas BCG e hepatite B. Está saudável e em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso adequado. A mãe pergunta quais vacinas o filho deve receber nesta consulta de rotina aos 2 meses de idade, segundo o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde. As vacinas indicadas nesse momento incluem:
Aos 2 meses, o Calendário Nacional prevê a primeira dose de pentavalente (DTP+Hib+hepatite B), poliomielite inativada (VIP), pneumocócica 10-valente e rotavírus. Tríplice viral, febre amarela e varicela são administradas a partir dos 9-12 meses, não aos 2 meses. Meningocócica C é aos 3 meses e hepatite A é aos 15 meses. BCG e hepatite B ao nascer já foram dadas e não há segunda dose isolada de hepatite B nesse momento (ela vem na pentavalente).
Uma mãe leva a filha de 15 meses a uma Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura e atualização da caderneta de vacinação. A criança nasceu a termo, sem intercorrências, e recebeu todas as vacinas recomendadas até os 12 meses de idade, incluindo a primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses. Está eutrófica, ativa, com bom desenvolvimento neuropsicomotor e sem qualquer sinal de imunodepressão. A mãe relata que a criança está bem, sem febre ou outras queixas, e pergunta quais vacinas devem ser aplicadas nesta consulta. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI/Ministério da Saúde), qual é a conduta correta quanto às vacinas a serem administradas aos 15 meses de idade?
Correta: Aos 15 meses, o Calendário Nacional de Vacinação do PNI prevê o primeiro reforço da DTP (tríplice bacteriana), o primeiro reforço da poliomielite com VOP (oral, atenuada), a vacina tetra viral (SCR + varicela, que corresponde à 2ª dose de tríplice viral + 1ª de varicela; onde indisponível, faz-se tríplice viral 2ª dose + varicela isolada) e a vacina hepatite A. Todas essas são as vacinas de rotina previstas para essa idade. Distrator Errado: a pentavalente e a VIP compõem o esquema primário aos 2, 4 e 6 meses; os reforços de poliomielite aos 15 meses e aos 4 anos são feitos com VOP (não VIP), e a pneumocócica 10-valente tem reforço aos 12 meses, não aos 15. Distrator Errado: não existe recomendação de segunda dose de meningocócica C aos 15 meses (o reforço da meningo C é aos 12 meses) e não se adiam os reforços de DTP/pólio, que são exatamente aos 15 meses. Distrator Errado: o segundo reforço da DTP ocorre aos 4 anos, não aos 15 meses; a febre amarela tem dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos (não aos 15 meses); e a vacina HPV é indicada a partir dos 9 anos, sendo inteiramente inapropriada para um lactente de 15 meses.
Uma criança de 8 meses é levada à Unidade Básica de Saúde pela mãe para acompanhamento e atualização vacinal. A criança está em bom estado geral, com desenvolvimento adequado e sem intercorrências. Ao revisar a caderneta de vacinação, o médico observa que ela recebeu ao nascer BCG e a primeira dose de hepatite B; aos 2, 4 e 6 meses recebeu pentavalente, VIP/VOP, pneumocócica 10-valente e rotavírus (nas doses previstas); e aos 3 e 5 meses recebeu meningocócica C. A mãe está preocupada, pois em breve a criança completará 9 meses. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, qual vacina está indicada aos 9 meses de idade?
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a vacina febre amarela (dose única aos 9 meses, com reforço aos 4 anos) é a indicada nessa idade (correta). A tríplice viral tem primeira dose aos 12 meses. O reforço da meningocócica C está previsto aos 12 meses, não aos 9. A varicela é ofertada aos 15 meses (tetra viral) e reforço aos 4 anos. Portanto, aos 9 meses, a vacina do calendário básico indicada é a febre amarela.
Lactente do sexo masculino, 4 meses de idade, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura e atualização vacinal. Nasceu a termo, sem intercorrências, e recebeu ao nascimento as vacinas BCG e hepatite B. Aos 2 meses, a mãe relata que ele recebeu "as vacinas de rotina", incluindo a primeira dose da pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus. Hoje, aos 4 meses, está afebril, em bom estado geral, com exame físico sem alterações. A mãe pergunta quais vacinas o filho deve receber nesta consulta. Assinale a alternativa que contém o esquema CORRETO a ser administrado aos 4 meses de idade, conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
Correta: Aos 4 meses, o Calendário Nacional de Vacinação prevê a 2ª dose de pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus humano (VORH). A meningocócica C tem esquema aos 3 e 5 meses (não aos 4), o que descarta B e E. Erra porque, no esquema básico atual, todas as três doses da poliomielite (2, 4 e 6 meses) são com VIP (inativada); a VOP passou a ser usada apenas em situações específicas/reforços conforme atualizações do PNI, e não como 2ª dose primária. Erra porque a febre amarela é administrada aos 9 meses, não aos 4. Inserem a meningocócica C em momento incorreto, pois seu esquema primário é aos 3 e 5 meses.
Menina de 7 anos é levada pela mãe à UBS para "colocar as vacinas em dia" antes da matrícula escolar. A criança nunca foi vacinada, pois nasceu no exterior em região sem acesso a serviços de saúde, e não há qualquer registro vacinal. Está assintomática, com desenvolvimento adequado e exame físico normal. A equipe decide iniciar o esquema de atualização (vacinação de resgate) conforme as orientações do Programa Nacional de Imunizações para crianças de 7 anos sem comprovação vacinal. Com relação especificamente à vacina contra poliomielite e à tríplice viral nessa criança de 7 anos não vacinada, assinale a conduta CORRETA.
Correta: na vacinação de resgate de criança de 7 anos sem comprovação vacinal, o esquema de poliomielite é completado com VIP (vacina inativada) — 3 doses com intervalo mínimo de 30 dias, já que a VOP não é usada para iniciar ou completar esquema de resgate nesse contexto. A tríplice viral deve ser feita com 2 doses, com intervalo mínimo de 30 dias, pois a criança tem menos de 30 anos e nunca foi vacinada. Propor VOP nas doses seguintes e dose única de tríplice viral erra nos dois pontos. Dizer que a pólio não é indicada acima de 5 anos também erra: em não vacinado a atualização com VIP está indicada, e a tríplice viral exige 2 doses. As 4 doses de VIP com reforço e 3 doses de tríplice viral exageram o número de doses de ambas. Duas doses de VIP com dose única de tríplice viral subestimam o esquema das duas.
Lactente de 5 meses comparece à UBS. A mãe traz a caderneta mostrando que a criança recebeu, aos 3 meses, a 1ª dose de meningocócica C conjugada. Aos 5 meses, além da meningocócica C, a mãe pergunta se há mais alguma vacina a ser feita hoje. Ao revisar a caderneta, a enfermeira nota que a criança está em dia com pentavalente, VIP, pneumocócica 10 e rotavírus (todas com 2 doses, feitas aos 2 e 4 meses). A criança está afebril e em bom estado geral. Considerando o Calendário Nacional de Vacinação, assinale a alternativa que indica corretamente a(s) vacina(s) a ser(em) administrada(s) aos 5 meses.
Correta: Aos 5 meses, o Calendário Nacional prevê apenas a 2ª dose da meningocócica C conjugada (esquema primário aos 3 e 5 meses). As demais vacinas do 3º trimestre de vida — pentavalente (3ª), VIP (3ª) e pneumocócica (nesse ponto) — têm suas próximas doses aos 6 meses, não aos 5. Erra: a pneumocócica 10-valente tem esquema de 2 doses no primeiro ano (2 e 4 meses) com reforço aos 12 meses; não há 3ª dose aos 5 meses. Erram porque a 3ª dose de pentavalente e de VIP é aos 6 meses. Erra porque o rotavírus é esquema de apenas 2 doses (2 e 4 meses), com limite de idade rígido para a 2ª dose, não havendo 3ª dose no calendário.
Lactente do sexo masculino, 4 meses de idade, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura de rotina. A mãe informa que o filho recebeu ao nascer as vacinas BCG e hepatite B, e aos 2 meses recebeu a primeira dose das vacinas pentavalente, VIP (poliomielite inativada), pneumocócica 10-valente e rotavírus. A criança está assintomática, com bom ganho ponderal, e não há contraindicações. Segundo o calendário nacional de vacinação do PNI vigente, qual é o conjunto de vacinas a ser administrado NESTA consulta de 4 meses?
Correta: Aos 4 meses o esquema do PNI prevê a 2ª dose de pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus — exatamente o mesmo bloco dos 2 meses, exceto a meningocócica C, cujas doses do esquema primário ocorrem aos 3 e 5 meses (não aos 2 e 4). Erra ao incluir meningocócica C aos 4 meses — ela é feita aos 3 e 5 meses. Febre amarela é administrada aos 9 meses, não aos 4. A poliomielite aos 2/4/6 meses é feita com VIP (inativada, injetável); a VOP (oral) ficou apenas para os reforços (atualmente também substituída por VIP no calendário mais recente) — trocar VIP por VOP nesta idade está incorreto. Tríplice viral tem 1ª dose aos 12 meses, não aos 4.
Lactente do sexo masculino, nascido prematuro com 30 semanas de idade gestacional e peso de nascimento de 1.150 g, encontra-se internado em unidade neonatal, clinicamente estável, sem uso de corticoide ou imunossupressor. Completou hoje 2 meses de idade cronológica (idade pós-concepcional de 38 semanas). A mãe é HBsAg negativa. A equipe revisa o esquema vacinal a ser iniciado. Qual a conduta correta em relação ao início da vacinação deste prematuro?
Correta: Prematuros devem ser vacinados de acordo com a IDADE CRONOLOGICA (não corrigida), com as mesmas doses e esquema dos recém-nascidos a termo, independentemente do peso e da idade gestacional, desde que clinicamente estáveis. Aos 2 meses cronológicos inicia-se pentavalente/DTP, VIP, pneumocócica e demais. A exceção é a vacina rotavírus (oral, de vírus vivo atenuado): não deve ser administrada a lactentes ainda internados, pelo risco teórico de transmissão do vírus vacinal no ambiente hospitalar, respeitando-se rigorosamente a idade limite para a primeira dose. Errada: não se adia o calendário por peso/idade pós-concepcional em prematuro estável — o adiamento prolonga janela de suscetibilidade. Errada: usa-se idade cronológica, não corrigida, para o calendário vacinal. Errada: fracionar dose não é recomendado e compromete a imunogenicidade. Errada: não há motivo para restringir o início do esquema a BCG e hepatite B; a BCG, aliás, tem particularidade de peso mínimo.
Recém-nascido prematuro, clinicamente estável, será vacinado na unidade neonatal. A equipe pergunta sobre a aplicação da vacina BCG. Qual é o peso mínimo recomendado para a aplicação da vacina BCG no prematuro?
Correta: a vacina BCG deve ser aplicada quando o prematuro atingir peso igual ou superior a 2.000 g (peso mínimo estabelecido pelo Ministério da Saude/PNI). Trata-se de recall direto do calendário do prematuro: enquanto as demais vacinas seguem a idade cronológica independentemente do peso, a BCG é a exceção que exige peso mínimo de 2.000 g. 1.000 g e (B) 1.500 g: abaixo do corte recomendado. 2.500 g e (E) 3.000 g: acima do necessário — atrasariam desnecessariamente a proteção. O valor exato preconizado é 2.000 g.
Menino de 4 anos com leucemia linfoblástica aguda está em quimioterapia de manutenção (uso de mercaptopurina e metotrexato). A mãe traz a caderneta e a equipe verifica que a dose de reforço da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e a segunda dose da varicela estão pendentes. A criança não teve varicela e não há contato domiciliar suscetível no momento. Encontra-se sem febre, com hemograma mostrando linfócitos de 400/mm³. Qual a conduta correta em relação a essas vacinas de vírus vivo atenuado?
Correta: Vacinas de vírus vivo atenuado (tríplice viral, varicela, febre amarela, rotavírus, BCG) são CONTRAINDICADAS em pacientes com imunossupressão grave, como quimioterapia para leucemia, pelo risco de doença pelo vírus/bactéria vacinal. Devem ser adiadas e reaplicadas em geral pelo menos 3 meses após a suspensão da quimioterapia (reconstituição imune). Enquanto isso, a proteção do suscetível depende de vacinação dos contactantes e, em caso de exposição, de imunoglobulina específica (ex.: imunoglobulina antivaricela-zóster pós-exposição). Errada: estabilidade clínica não autoriza vírus vivo em imunossupressão grave. Errada: a varicela é vírus vivo atenuado e também é contraindicada. Errada: imunoglobulina é profilaxia pós-exposição/transitória, não substitui vacina como imunização definitiva. Errada: contagem linfocitária isolada acima de 200/mm³ não libera vírus vivo durante quimioterapia ativa; o critério é o estado de imunossupressão pela terapia, não apenas o número de linfócitos.
Menina, 14 anos, imunocompetente, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização da carteira vacinal antes de iniciar o ensino médio. Ao exame do cartão, verifica-se esquema completo de hepatite B na infância, duas doses de tríplice viral, BCG, meningocócica C na infância e febre amarela. Nunca recebeu qualquer dose da vacina contra o HPV. Nega imunossupressão, gestação ou atividade sexual. De acordo com o calendário vacinal do adolescente do Programa Nacional de Imunizações vigente, qual a conduta quanto à vacina HPV?
Desde 2024 o PNI adotou o esquema de DOSE ÚNICA da vacina HPV quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos imunocompetentes. A adolescente tem 14 anos, é imunocompetente e nunca vacinou — portanto recebe 1 dose. Errada: a faixa contemplada vai até 14 anos, não 13. O esquema de 3 doses é reservado a imunocomprometidos (HIV, transplantados, oncológicos) de 9 a 45 anos, não é o padrão para imunocompetentes. Duas doses (0 e 6 meses) era o esquema antigo, substituído pela dose única nessa faixa. Adiar perde a janela ideal (9-14 anos, com melhor imunogenicidade) e após os 15 anos deixa de ser rotina gratuita para imunocompetentes.
Recém-nascido a termo, sexo masculino, 3.400 g, parto sem intercorrências, permanece em alojamento conjunto com a mãe. A equipe de enfermagem questiona quais imunizações devem ser realizadas ainda na maternidade, antes da alta. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI), quais vacinas estão indicadas ao nascimento?
Correta: Ao nascimento, o PNI preconiza a BCG (dose única, idealmente ainda na maternidade) e a 1ª dose da vacina hepatite B (preferencialmente nas primeiras 12–24 horas de vida, para bloqueio da transmissão vertical). A VIP só inicia aos 2 meses, não ao nascimento. O rotavírus (VORH) tem 1ª dose aos 2 meses, com idade mínima superior à do RN. A pentavalente (DTP+Hib+HepB) inicia aos 2 meses; ao nascimento aplica-se a HepB monovalente. Não há motivo para adiar a BCG em RN a termo com peso ≥ 2.000 g; ela deve ser feita o quanto antes.
Lactente do sexo feminino, 4 meses e 10 dias de vida, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. A caderneta mostra apenas BCG e hepatite B ao nascimento; a mãe não a trouxe antes por questões sociais. A criança está clinicamente bem. Entre as vacinas atrasadas, a equipe questiona a conduta quanto à vacina rotavírus humano (VORH), ainda não iniciada. Qual é a conduta correta em relação ao rotavírus?
Correta: a VORH tem limites rígidos de idade por risco de intussuscepção: a 1ª dose deve ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª dose até 7 meses e 29 dias. Como a lactente tem 4 meses e 10 dias e nunca iniciou o esquema, a 1ª dose está fora do prazo e o rotavírus NÃO deve ser administrado — as demais vacinas atrasadas devem ser atualizadas normalmente. Existe, sim, limite de idade — é o cerne da questão. Antecipar dose não corrige o fato de a janela da 1ª dose ter fechado. Não se aplica a 2ª dose sem a 1ª válida dentro do prazo. O esquema é de duas doses e não há regra de 'dose única após os 4 meses'.
Menina de 4 anos, previamente hígida, com caderneta vacinal completa e em dia até esta idade (três doses de poliomielite no primeiro ano e reforço aos 15 meses). Comparece à UBS para os reforços previstos aos 4 anos. A médica residente revisa o esquema de poliomielite a ser aplicado nesta consulta. Considerando o Calendário Nacional de Vacinação vigente, qual é a conduta correta quanto à poliomielite?
Correta: No calendário vigente, o Brasil concluiu a transição para esquema exclusivo com a vacina inativada (VIP): três doses (2, 4 e 6 meses) e dois reforços (15 meses e 4 anos), todos com VIP. A vacina oral (VOP) foi retirada do calendário de rotina. Logo, aos 4 anos o reforço de poliomielite é feito com VIP. Mantêm a VOP, que não faz mais parte do esquema. A imunidade não dispensa os reforços previstos. Não há indicação de adiar o reforço para os 5 anos — ele é previsto aos 4 anos.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, sem intercorrências. O cartão vacinal registra apenas BCG e a primeira dose da vacina hepatite B, ambas aplicadas na maternidade. A criança comparece à UBS para a vacinação de rotina desta idade. Conforme o calendário vacinal do PNI, quais vacinas devem ser administradas aos 2 meses? Quais vacinas estão indicadas nesta idade?
Correta: Aos 2 meses o PNI preconiza: Pentavalente (DTP + Hib + hepatite B), VIP (poliomielite inativada injetável), pneumocócica 10-valente e rotavírus humano. Tríplice viral, varicela e hepatite A erram: são do calendário a partir dos 12-15 meses. Erra porque meningocócica C é aos 3 meses, febre amarela aos 9 meses e tríplice viral aos 12 meses. Erra porque as primeiras doses de poliomielite são com VIP (inativada), não VOP; a DTP de células inteiras entra apenas nos reforços (15 meses e 4 anos), e a meningocócica ACWY é do adolescente. Erra porque a poliomielite aos 2 meses é com VIP e a influenza só é indicada a partir dos 6 meses.
Lactente do sexo feminino, 2 meses de idade, nascida a termo, em aleitamento materno exclusivo, comparece à unidade básica de saúde para puericultura. Recebeu ao nascer BCG e a primeira dose de hepatite B. Encontra-se em bom estado geral, afebril, com desenvolvimento adequado, e a mãe traz a caderneta atualizada. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação (PNI), assinale as vacinas que devem ser administradas nesta consulta.
Correta: aos 2 meses o PNI prevê exatamente quatro vacinas — pentavalente (DTP, Hib e hepatite B), VIP, rotavírus humano e pneumocócica 10-valente. As opções que acrescentam a meningocócica C erram: a 1ª dose dela só é aplicada aos 3 meses. Usar VOP oral também erra: aos 2, 4 e 6 meses usa-se a VIP inativada, ficando a oral reservada aos reforços — e essa opção ainda inclui a meningo C indevida. E trocar a pentavalente pela DTP isolada erra duas vezes: a DTP só entra como reforço aos 15 meses, e a opção ainda omite a pneumocócica.
Lactente do sexo masculino, 4 meses e 20 dias, é levado à unidade de saúde para atualização vacinal. Nasceu a termo, sem intercorrências, e recebeu apenas BCG e a primeira dose de hepatite B na maternidade; por faltas às consultas, não recebeu as vacinas dos 2 meses. Ao exame, encontra-se hígido e afebril. A equipe deseja completar o esquema. Em relação à vacina rotavírus humano (VORH), qual é a conduta correta?
Correta: a VORH tem limites rígidos de idade por segurança (risco de invaginação intestinal): a 1ª dose só pode ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª até 7 meses e 29 dias. Aos 4 meses e 20 dias o limite da 1ª dose já foi ultrapassado, portanto o esquema NÃO pode ser iniciado — a vacina é perdida para essa criança (as demais vacinas em atraso devem ser aplicadas normalmente). Erram ao iniciar fora do prazo; Confunde ainda o limite (os 6/7 meses referem-se à 2ª dose). É inválida: não se aplica 2ª dose sem a 1ª. Só agravaria o atraso, pois aos 6 meses estaria ainda mais fora do prazo.
Menino de 15 meses, hígido, comparece à unidade de saúde. A caderneta mostra esquema vacinal completo e em dia até a consulta dos 12 meses, quando recebeu tríplice viral, reforço da pneumocócica 10-valente e reforço da meningocócica C. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, quais vacinas estão indicadas nesta consulta dos 15 meses?
Correta: Aos 15 meses o PNI prevê o 1º reforço da DTP (tríplice bacteriana), o 1º reforço da poliomielite, a hepatite A (dose única) e a tetra viral (SCR + varicela). Erra: a tríplice viral 1ª dose é aos 12 meses e a febre amarela 1ª dose é aos 9 meses. Coloca esquema primário (pentavalente/VIP), próprio dos 2–6 meses, e não dos 15 meses. Traz o 2º reforço de DTP/pólio e o reforço de febre amarela, que ocorrem aos 4 anos. Repete os reforços de pneumocócica 10 e meningocócica C, que já foram feitos aos 12 meses e não se repetem aos 15 meses.
Lactente, sexo masculino, nascido com 30 semanas de idade gestacional e peso de 1.400 g, encontra-se clinicamente estável, em domicílio, sem intercorrências. Comparece à unidade básica de saúde aos 2 meses de idade cronológica para vacinação de rotina. Sobre a conduta vacinal nesse prematuro, assinale a alternativa correta.
Correta: a regra fundamental da imunização do prematuro clinicamente estável é vacinar pela IDADE CRONOLÓGICA, com as mesmas doses e o mesmo esquema do recém-nascido a termo — a resposta imune é adequada e o adiamento apenas expõe o lactente de risco a doenças imunopreveníveis. Errada: não se usa idade corrigida para calendário vacinal (só para avaliação do neurodesenvolvimento). Errada: não se fracionam doses; volume e antígeno são iguais aos do termo. Errada: vírus vivos não são contraindicados pela prematuridade em si (rotavirus, p.ex., pode ser feito no prematuro estável dentro da janela etária); a única ressalva clássica é a BCG, que aguarda peso ≥ 2.000 g. Errada: o peso condiciona apenas a BCG (≥ 2 kg) e a contagem da dose de hepatite B, não o restante do calendário.
Recém-nascida pré-termo, nascida com 32 semanas de idade gestacional e peso de 1.600 g, filha de mãe com sorologia HBsAg NEGATIVA. Recebeu a primeira dose da vacina hepatite B (monovalente) nas primeiras 12 horas de vida, ainda na maternidade. A equipe da unidade planeja o calendário vacinal. Em relação especificamente à vacina hepatite B nessa prematura de baixo peso, qual a conduta correta?
Correta: Em prematuros com peso ao nascer < 2.000 g (ou < 33 semanas), a resposta à dose de hepatite B aplicada ao nascimento é reduzida; por isso essa dose É APLICADA mas NÃO é contada, e o esquema é completado com 3 doses adicionais (2, 4 e 6 meses), totalizando 4 doses. Errada: o esquema de 3 doses vale para o termo; no prematuro < 2 kg a dose do nascimento não conta. Errada: imunoglobulina (associada à vacina nas primeiras 12 h) é indicada quando a mãe é HBsAg positiva ou de status desconhecido; aqui a mãe é negativa. Errada: a vacina não é contraindicada, e a dose ao nascimento está corretamente indicada para todo RN. Errada: a mãe já tem sorologia negativa documentada; não há motivo para suspender o calendário.
Lactente do sexo masculino, 8 meses de idade, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para atualização do cartão vacinal. A criança nasceu a termo, sem intercorrências, e recebeu ao nascer BCG e hepatite B. Aos 2 meses recebeu a primeira dose de pentavalente, poliomielite inativada (VIP), pneumocócica 10-valente e a primeira dose da vacina rotavírus humano (VORH). A partir de então, não compareceu a nenhuma consulta e não recebeu mais nenhuma vacina. A mãe traz o cartão comprovando essas doses. Ao exame, a criança está eutrófica, ativa, afebril e sem sinais de doença aguda. Qual é a conduta correta em relação à vacina rotavírus humano (VORH)?
Correta: o raciocínio exige dois passos: (1) recordar que a VORH é vacina de vírus vivo atenuado com limites rígidos de idade — a 1ª dose deve ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª dose até 7 meses e 29 dias; (2) reconhecer que, aos 8 meses, a criança já ultrapassou o limite máximo para a 2ª dose, que portanto NÃO deve ser administrada (risco teórico de intussuscepção fora da faixa e ausência de recomendação). A oportunidade deve ser usada para atualizar as vacinas ainda passíveis de aplicação (pentavalente, VIP, pneumo 10, meningo C). Erra por ignorar o limite de idade — aplicar a 2ª dose aos 8 meses é contraindicado. Erra porque não se reinicia esquema de rotavírus e, além disso, a criança já está fora da janela etária. Erra ao afirmar esquema de três doses — a VORH monovalente do PNI tem apenas DUAS doses. Erra porque não há indicação de sorologia para decidir vacinação de rotavírus; a decisão é etária e determinística pelo calendário.
Um menino de 2 anos e 3 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. Está em acompanhamento por síndrome nefrótica corticossensível e faz uso de prednisona 2 mg/kg/dia há 3 semanas, sem previsão imediata de suspensão. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril, com edema palpebral discreto. A caderneta de vacinação mostra que ele não recebeu a dose de tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) prevista para os 12 meses, além de estar com o reforço de hepatite A pendente. A mãe deseja regularizar todas as vacinas no dia de hoje. Considerando a conduta correta do calendário do Programa Nacional de Imunizações, qual é a orientação adequada quanto à tríplice viral?
Corticoide sistêmico em dose imunossupressora (prednisona ≥ 2 mg/kg/dia ou ≥ 20 mg/dia por ≥ 14 dias) contraindica temporariamente vacinas de vírus vivo atenuado; a conduta do PNI é adiar tríplice viral, varicela e febre amarela para pelo menos 1 mês (30 dias) após a suspensão — por isso adiar está correto. Aplicar hoje ignora o risco em imunossuprimido. Erra ao contraindicar definitivamente: trata-se de adiamento, não contraindicação permanente. Substituir pela imunoglobulina é conduta inadequada — não substitui o esquema vacinal de rotina.
Uma menina de 6 meses é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para receber as vacinas previstas para a idade (3ª dose de penta, 3ª dose de VIP e reforços conforme caderneta). Há 2 dias apresenta coriza hialina e obstrução nasal leve, mantendo-se ativa, alimentando-se bem, sem febre aferida em nenhum momento. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, corada, hidratada, eupneica, com discreta hiperemia de orofaringe e ausculta pulmonar sem alterações. A mãe pergunta se deve levar a criança de volta para casa e retornar quando estiver totalmente sem sintomas. Qual é a conduta correta em relação à vacinação neste momento?
Doenças agudas leves, como resfriado/IVAS sem febre ou com febre baixa, são falsas contraindicações: a conduta correta do PNI é vacinar normalmente. Adiar ou vacinar parcialmente atrasa a imunização sem justificativa e gera oportunidades perdidas. Exames laboratoriais não são necessários para vacinar uma criança em bom estado geral. Só se adia a vacinação em doença aguda moderada a grave, com comprometimento do estado geral.
Um lactente de 4 meses é trazido à Unidade Básica de Saúde para a 2ª dose da vacina penta (DTP + Hib + hepatite B). A mãe relata que, cerca de 3 dias após a 1ª dose (aos 2 meses), a criança apresentou rebaixamento importante do nível de consciência, movimentos anormais e permaneceu internada por vários dias, tendo recebido o diagnóstico de encefalopatia aguda sem outra causa identificada. Atualmente a criança encontra-se em bom estado geral, com desenvolvimento neuropsicomotor em acompanhamento. A mãe está preocupada e quer saber como prosseguir com a vacinação. Considerando as normas do Programa Nacional de Imunizações, qual é a conduta correta quanto ao componente pertussis?
Encefalopatia aguda sem outra causa nos primeiros 7 dias após vacina com componente pertussis é contraindicação definitiva a esse componente (tanto de células inteiras quanto acelular). A conduta do PNI é completar o esquema com DT (dupla infantil), preservando difteria e tétano — logo C está correta. A e B mantêm indevidamente o pertussis. Erra porque a encefalopatia contraindica também a DTPa acelular; a DTPa está indicada para outros eventos (episódio hipotônico-hiporresponsivo, convulsão, febre ≥ 39,5°C), não para encefalopatia.
Uma mãe comparece à Unidade Básica de Saúde com o filho de 2 meses de idade para a primeira consulta de puericultura e traz a caderneta de vacinação, na qual consta apenas a BCG e a primeira dose da vacina contra hepatite B, ambas aplicadas na maternidade ao nascimento. A criança nasceu a termo, está com bom ganho de peso, sem intercorrências, e a mãe deseja atualizar todas as vacinas previstas para esta idade. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI/Ministério da Saúde), quais vacinas devem ser administradas nesta consulta dos 2 meses?
Aos 2 meses o PNI preconiza a primeira dose de Penta — que cobre difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus influenzae b e hepatite B —, de VIP (poliomielite inativada, pois as duas primeiras doses do esquema básico são com a forma inativada injetável), de Pneumocócica 10-valente e de Rotavírus humano. O esquema com tríplice viral, VOP, meningocócica C e febre amarela lista vacinas de idades posteriores (tríplice viral e febre amarela a partir dos 9-12 meses; meningo C aos 3 meses). O conjunto que traz VOP aos 2 meses erra também nesse ponto (o início é com VIP), além de incluir Pneumo 23-valente (não é do calendário infantil de rotina) e varicela (aos 15 meses). Já o esquema com reforço de DTP e hepatite A propõe doses que só ocorrem mais tarde (15 meses).
Uma mae comparece a Unidade Basica de Saude preocupada com o braco direito do filho de 3 meses, que recebeu a vacina BCG na maternidade. Relata que, ha cerca de duas semanas, surgiu no local da aplicacao um nodulo endurecido que evoluiu para uma pequena ulcera com discreta secrecao, sem febre e sem comprometimento do estado geral. Ao exame, observa-se lesao ulcerada de aproximadamente 6 mm no deltoide direito, sem sinais flogisticos na pele adjacente e sem linfonodomegalia axilar volumosa. A crianca esta ativa, mamando bem e com desenvolvimento adequado. Diante desse quadro, qual e a conduta correta?
A evolucao da BCG (nodulo, ulcera com pequena secrecao, crosta e cicatriz ao longo de algumas semanas) e a reacao local esperada, nao um evento adverso; a conduta e orientar higiene com agua e sabao, sem curativo oclusivo nem antibiotico. Nao ha infeccao secundaria nem evento adverso a notificar. Isoniazida so em becegeite disseminada, que cursa com doenca sistemica/imunodeficiencia, ausente aqui. Nao ha abscesso; a lesao ulcerada e parte da evolucao normal.
Lactente de 2 meses e levado a UBS pela mae, que relata que cerca de 4 horas apos receber a primeira dose da vacina penta (DTP + Hib + hepatite B) a crianca apresentou episodio subito de palidez, hipotonia generalizada e reducao da resposta a estimulos, com duracao aproximada de 15 minutos, seguido de recuperacao espontanea e completa, sem febre elevada e sem movimentos tonico-clonicos. No momento da consulta o exame fisico e inteiramente normal e o lactente encontra-se ativo e reativo. Considerando a historia descrita, qual e, respectivamente, o diagnostico e a conduta em relacao as proximas doses?
O quadro (palidez, hipotonia e hiporresponsividade de inicio subito nas primeiras 48h, com recuperacao espontanea) e o episodio hipotonico-hiporresponsivo, atribuido ao componente pertussis de celula inteira; deve ser notificado e as doses seguintes feitas com DTPa (disponivel nos CRIE), sem contraindicar o esquema. Nao houve convulsao nem febre e o pertussis nao deve ser suspenso, apenas substituido. Nao e reacao vagal e a notificacao e obrigatoria. Nao ha encefalopatia; a criança segue o calendario com a apresentacao acelular.
Em uma maternidade vinculada ao SUS, nasce, de parto vaginal e a termo, um recém-nascido do sexo masculino, com peso de 3.200 g e Apgar 9/10 no quinto minuto. A gestação transcorreu sem intercorrências, com pré-natal completo na Unidade Básica de Saúde; as sorologias maternas foram todas não reagentes (incluindo HIV, sífilis e hepatite B). O bebê encontra-se em alojamento conjunto, em aleitamento materno exclusivo, sem sinais de infecção e clinicamente estável. A equipe de enfermagem prepara a alta hospitalar e revisa a caderneta de vacinação. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação do PNI, quais vacinas devem ser administradas ainda na maternidade, antes da alta?
Correta: ao nascer, o PNI preconiza a dose única de BCG (idealmente ainda na maternidade) e a 1ª dose de hepatite B nas primeiras 12-24 horas de vida. A alternativa com rotavírus está errada, pois essa vacina só é iniciada aos 2 meses (idade mínima de 1 mês e 15 dias). Pentavalente e VIP também começam aos 2 meses, não ao nascer. Adiar a BCG não é a conduta padrão para o RN a termo, estável e com peso adequado.
Uma menina de 5 meses é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para primeira consulta de puericultura. A criança nasceu a termo, está em bom estado geral, com desenvolvimento adequado e sem comorbidades. A mãe relata que, por receio, não vacinou a filha até o momento e agora deseja iniciar o esquema. À apresentação da caderneta, confirma-se que nenhuma vacina foi aplicada. A mãe pergunta especificamente sobre a vacina contra o rotavírus, pois ouviu falar de sua importância. Considerando os limites de idade estabelecidos pelo PNI, qual é a conduta correta em relação à vacina rotavírus e ao restante do esquema?
A vacina rotavírus humano tem limites rígidos de idade — a 1ª dose deve ser feita até 3 meses e 15 dias e a 2ª até 7 meses e 29 dias. Aos 5 meses sem nenhuma dose prévia, a 1ª dose não pode mais ser iniciada, mas as demais vacinas atrasadas (penta, VIP, meningocócica C e pneumo10) devem ser administradas o quanto antes. Aplicar rotavírus fora do prazo é contraindicado pelo risco de intussuscepção; não há esquema de 'dose única' de resgate; e adiar todo o esquema apenas amplia o período de vulnerabilidade.
Uma adolescente de 13 anos, acompanhada no serviço de atenção especializada, vive com HIV por transmissão vertical. Está em uso regular de terapia antirretroviral, com carga viral indetectável e contagem de LT-CD4+ de 620 células/mm³. Encontra-se assintomática, frequenta a escola e nega atividade sexual. Durante consulta na Unidade Básica de Saúde para atualização da caderneta, a mãe relata que a filha nunca recebeu a vacina contra o HPV, porque foi orientada em outro serviço a 'evitar vacinas' por causa do HIV. O exame físico não mostra alterações. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta quanto à vacina HPV?
Correta: pessoas vivendo com HIV constituem situação especial no Calendário Nacional — mantêm o esquema de três doses da HPV quadrivalente (0, 2 e 6 meses), com faixa etária ampliada, pela menor resposta imune esperada; a orientação recebida em outro serviço é equivocada e deve ser corrigida. Erradas: dose única — é o esquema vigente para adolescentes imunocompetentes de 9 a 14 anos, mas não se aplica a PVHIV. Contraindicar — a HPV é vacina inativada (partículas semelhantes ao vírus, sem material genético), não contém vírus vivo e é segura em imunossuprimidos; ela é, ao contrário, especialmente recomendada nesse grupo, de maior risco de lesões pelo HPV. Adiar até a sexarca — anula o principal benefício da vacina, que é a imunização antes da exposição ao vírus.
Um lactente de 5 meses, do sexo masculino, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para "colocar as vacinas em dia". Nasceu a termo, de parto normal, com peso adequado, e não apresenta comorbidades. A caderneta de vacinação registra apenas BCG e a primeira dose de hepatite B, aplicadas na maternidade; segundo a mãe, a criança não retornou à unidade desde então por dificuldade de transporte. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril, eutrófico, corado, hidratado, sem alterações ao exame físico. A mãe deseja receber hoje todas as vacinas possíveis. Considerando o Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações, qual é a conduta correta nesta consulta?
Correta: o PNI determina aproveitar toda oportunidade para atualizar o esquema, aplicando simultaneamente os imunobiológicos indicados — pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e meningocócica C. A vacina rotavírus humano é a exceção: tem limites etários rígidos (1ª dose até 3 meses e 15 dias; 2ª até 7 meses e 29 dias) e, aos 5 meses, não pode mais ser iniciada, pelo risco de intussuscepção fora da faixa estudada. A segunda opção erra ao incluir rotavírus fora do prazo. A terceira erra porque não há limite de número de vacinas por visita — o adiamento é oportunidade perdida. A quarta erra porque esquema atrasado é continuado, nunca reiniciado, e BCG/hepatite B da maternidade são válidas.
Uma menina de 9 meses é levada pela mãe à Unidade de Saúde da Família para consulta de puericultura. Nasceu a termo, é amamentada, apresenta desenvolvimento neuropsicomotor adequado e está com o Calendário Nacional de Vacinação rigorosamente em dia, tendo recebido todas as doses previstas até os 6 meses de idade. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, ativa, corada e hidratada, sem alterações. Não há relato de imunossupressão, alergia grave a proteína do ovo ou uso de imunobiológicos nos últimos meses. A mãe pergunta se há alguma vacina prevista para esta idade. De acordo com o PNI, qual vacina deve ser administrada nesta consulta?
Correta: no Calendário Nacional de Vacinação da criança, a vacina febre amarela (atenuada) está indicada aos 9 meses de idade, com dose de reforço aos 4 anos. A tríplice viral tem primeira dose prevista aos 12 meses, não aos 9. A hepatite A é administrada em dose única aos 15 meses. A varicela é oferecida aos 15 meses na apresentação tetraviral e aos 4 anos como monovalente. Nenhuma dessas três está indicada aos 9 meses em criança com calendário em dia.
Lactente de 6 meses, sexo masculino, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura e atualização da caderneta de vacinação. A mãe relata que, há três dias, a criança apresenta coriza hialina, tosse seca e temperatura axilar máxima de 37,8 °C aferida em casa. Há dois dias, iniciou amoxicilina prescrita em pronto-atendimento por otite média aguda. Está em aleitamento materno complementado, mantém-se ativa, aceita bem as mamadas e não apresentou vômitos nem diarreia. Ao exame: bom estado geral, hidratado, corado, temperatura axilar de 37,6 °C, otoscopia com hiperemia residual e ausculta respiratória sem ruídos adventícios. Na caderneta, constam pendentes as doses previstas para os 6 meses. Qual é a conduta correta quanto à vacinação?
O Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação (PNI/Ministério da Saúde) lista explicitamente como FALSAS contraindicações: doença aguda leve, com ou sem febre baixa; uso de antibióticos; infecção de vias aéreas superiores; otite média; aleitamento materno; e desnutrição. Nessa situação, o adiamento é a conduta errada — perde-se oportunidade de vacinação. Só se adia por doença febril MODERADA a GRAVE (comprometimento do estado geral), justamente para não atribuir à vacina sinais da própria doença. Correta: todas as doses de 6 meses (3ª dose de pentavalente/DTP+Hib+HepB, 3ª de VIP, pneumocócica conforme esquema e influenza na campanha) devem ser aplicadas hoje. Incorreta: antibiótico não interfere na resposta imune às vacinas do calendário nem é motivo de adiamento. Incorreta: além de a criança não ter contraindicação a atenuadas, aos 6 meses o calendário do PNI não prevê vacina de vírus vivo atenuado; a alternativa apenas reproduz uma falsa contraindicação. Incorreta: febre baixa (< 38,5 °C) em doença leve não é critério de adiamento pelo PNI.
Menino de 3 anos e 6 meses está em acompanhamento no ambulatório de pediatria de hospital do SUS por síndrome nefrótica corticossensível. Faz uso de prednisona 2 mg/kg/dia por via oral há 21 dias, com previsão de desmame nas próximas semanas. Ao exame: bom estado geral, edema palpebral discreto, sem sinais de infecção, pressão arterial normal para a idade. A mãe traz a caderneta, na qual constam pendentes a segunda dose da tríplice viral, a vacina varicela e a vacina influenza, cuja campanha anual está em curso na unidade. A criança nunca apresentou reação adversa a vacinas e não há relato de imunodeficiência primária na família. Qual é a conduta correta?
O critério do PNI para corticoterapia imunossupressora é dose ≥ 2 mg/kg/dia de prednisona (ou ≥ 20 mg/dia em crianças acima de 10 kg) por 14 dias ou mais — exatamente o caso. Nessa condição, vacinas de vírus vivo atenuado (tríplice viral, varicela, febre amarela) são ADIADAS até pelo menos 1 mês (30 dias) após a suspensão do corticoide, quando se presume recuperação da imunocompetência. Correta: vacinas inativadas (influenza) não têm contraindicação em imunossuprimidos e, no caso, são especialmente indicadas; só as atenuadas são adiadas. Incorreta: a imunossupressão aqui decorre da dose/duração do corticoide, não da doença de base. Incorreta: trata-se de adiamento temporário, não de contraindicação permanente; após o intervalo, a criança deve completar o esquema. Incorreta: adiar vacina inativada em imunossuprimido é conduta equivocada e o intervalo preconizado é de 1 mês, não 3.
Lactente de 4 meses e 20 dias comparece à Unidade Básica de Saúde trazido pelos pais para atualizar a caderneta. Aos 2 meses, recebeu a primeira dose da vacina rotavírus humano, além de pentavalente, VIP e pneumocócica 10-valente, sem intercorrências. Aos 4 meses, antes de receber a segunda dose de rotavírus, foi internado por invaginação intestinal confirmada por ultrassonografia, tratada com sucesso por redução hidrostática, com alta em bom estado após 48 horas. Atualmente encontra-se assintomático, com ganho ponderal adequado, aceitação alimentar normal, evacuações normais e exame físico abdominal sem alterações. Os pais desejam completar hoje as vacinas pendentes. Qual é a conduta correta?
Antecedente pessoal de invaginação (intussuscepção) intestinal é CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA e definitiva à vacina rotavírus, assim como malformação congênita não corrigida do trato gastrointestinal e imunodeficiência grave — conforme o Manual do PNI. Não é adiamento: o esquema de rotavírus é encerrado. Correta: o esquema de rotavírus não é completado, mas as demais vacinas dos 4 meses (2ª dose de pentavalente, VIP e pneumocócica 10-valente, além de meningocócica C conforme calendário) devem ser aplicadas normalmente, pois a criança está assintomática e não tem contraindicação a elas. Incorreta: embora a idade limite para a 2ª dose seja 7 meses e 29 dias, o antecedente de invaginação contraindica a vacina independentemente da idade. Incorreta: não há motivo para adiar vacinas inativadas em criança assintomática e recuperada; perder-se-ia oportunidade de proteção. Incorreta: a troca de apresentação não remove a contraindicação (o risco é de classe) e a vacina pentavalente de rotavírus não integra o calendário do PNI.
Recém-nascido a termo, do sexo masculino, com 39 semanas de idade gestacional, nasce de parto vaginal em maternidade vinculada ao SUS, com peso de 3.250 g e Apgar 9/10. A mãe realizou pré-natal completo na unidade básica de saúde, com sorologias não reagentes para HIV, sífilis e hepatite B no terceiro trimestre. O exame físico do neonato não apresenta alterações, e a amamentação foi iniciada na primeira hora de vida. A equipe da sala de vacinação da maternidade solicita ao médico a definição das vacinas a serem administradas antes da alta hospitalar, conforme o Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações. Qual é a conduta correta?
Correta: pelo Calendário Nacional de Vacinação (PNI/Ministério da Saúde), ao nascer o recém-nascido com peso maior ou igual a 2.000 g e em boas condições clínicas deve receber BCG (dose única) e hepatite B (preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida) — as duas vacinas antes da alta da maternidade. Adiar a BCG contraria a recomendação de aplicá-la ainda na maternidade, momento de maior oportunidade de cobertura. A VIP só inicia aos 2 meses de idade. A primeira dose do rotavírus humano é aos 2 meses (idade mínima de 1 mês e 15 dias), não podendo ser aplicada ao nascer.
Lactente do sexo feminino, com 4 meses e 10 dias de vida, é levada pela avó à unidade de saúde da família para a primeira consulta de puericultura após mudança de município. A caderneta mostra apenas BCG e hepatite B ao nascer, sem nenhuma outra dose. A criança nasceu a termo, está em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal, e o exame físico é normal, sem febre ou diarreia. A avó relata que a mãe não conseguiu levá-la ao serviço nos últimos meses. O médico decide atualizar o esquema vacinal conforme o Calendário Nacional de Vacinação. Qual é a conduta em relação à vacina rotavírus humano?
O PNI estabelece limites rígidos de idade para o rotavírus humano por causa do risco de invaginação intestinal — a 1ª dose só pode ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª até 7 meses e 29 dias. Com 4 meses e 10 dias sem nenhuma dose, a criança perdeu a janela e o esquema não deve ser iniciado; as demais vacinas em atraso (pentavalente, VIP, meningocócica C e pneumocócica 10-valente) devem ser aplicadas na mesma oportunidade. Iniciar o rotavírus agora com a 2ª dose em 60 dias, ou aplicar as duas doses com 30 dias de intervalo, viola a idade máxima da primeira dose e o intervalo mínimo de 30 dias entre doses; a vacina não é 'liberada' até os 6 meses. E adiar todas as vacinas em atraso para os 6 meses é oportunidade perdida — atraso vacinal se corrige na primeira oportunidade, nunca se posterga.
Lactente do sexo masculino, com 6 meses de vida, comparece à unidade básica de saúde para consulta de puericultura. Nasceu a termo, com 3.100 g, e recebeu BCG e hepatite B na maternidade, além de todas as demais vacinas nas idades corretas, segundo a caderneta. A mãe, preocupada, mostra o braço direito da criança e refere que 'a marquinha da vacina do bebê nunca apareceu', diferentemente do que ocorreu com os irmãos mais velhos. Ao exame, a criança está eutrófica, ativa, sem linfonodomegalias, sem sinais de infecção e sem cicatriz vacinal no local da aplicação da BCG. Qual é a conduta adequada, conforme as recomendações vigentes do Ministério da Saúde?
Correta: desde 2019 o Ministério da Saúde/PNI não recomenda mais a revacinação com BCG em crianças que não desenvolvem cicatriz vacinal — a ausência de cicatriz não significa ausência de proteção, e a criança com registro de dose aplicada é considerada vacinada. A conduta é tranquilizar a família e seguir o calendário. A revacinação de rotina foi abandonada justamente por não haver benefício demonstrado. A prova tuberculínica não é usada para decidir revacinação por BCG no PNI. Em criança hígida, eutrófica e sem infecções de repetição, a ausência isolada de cicatriz não justifica investigação de imunodeficiência.
Um lactente de 5 meses é levado à unidade de saúde da família porque a mãe notou, há duas semanas, um "caroço" na axila direita, que aumentou de tamanho e passou a drenar secreção espontaneamente há três dias. Recebeu BCG na maternidade e apresenta cicatriz vacinal no deltoide direito. Está em aleitamento materno exclusivo, ganhando peso adequadamente, sem febre, sem tosse e sem contato conhecido com tuberculose. Ao exame: ativo, corado, afebril, com linfonodo axilar direito de cerca de 3,5 cm, indolor, aderido, com flutuação e orifício de fistulização drenando material caseoso. Restante do exame físico sem alterações. Sorologia materna para HIV negativa no pré-natal e no parto.
O quadro é de linfadenite regional supurada pós-BCG (linfonodo maior que 3 cm, com flutuação e fistulização), evento adverso de notificação compulsória. Conforme o Manual do Ministério da Saúde, a conduta é isoniazida 10 mg/kg/dia (máximo 300 mg/dia) até a regressão da lesão, sendo formalmente contraindicada a incisão e drenagem cirúrgica, que perpetua a fístula. Incisão e drenagem com cefalexina estão errados tanto pela contraindicação cirúrgica quanto porque o agente é o bacilo vacinal (Mycobacterium bovis BCG), não sensível a cefalosporina. Conduta expectante isolada só se aplica à linfadenite não supurada; aqui há supuração e fistulização, e a notificação é obrigatória em ambos os casos. Esquema quádruplo com investigação de imunodeficiência reserva-se à doença disseminada por BCG (BCGite), em criança com sinais sistêmicos e/ou imunossupressão — a criança está afebril, eutrófica e sem exposição perinatal ao HIV.
Um recém-nascido do sexo masculino, com 38 semanas de idade gestacional, nasce de parto vaginal sem intercorrências, pesando 3.250 g, com Apgar 9 no primeiro minuto e 10 no quinto minuto. A mãe realizou pré-natal completo na Unidade Básica de Saúde, com sorologias do terceiro trimestre negativas para HIV, sífilis e hepatite B. O recém-nascido está em alojamento conjunto com a mãe, em aleitamento materno exclusivo, ativo, corado, com exame físico sem alterações. A equipe de enfermagem solicita orientação médica sobre a vacinação a ser realizada ainda na maternidade. De acordo com o calendário do Programa Nacional de Imunizações, quais vacinas devem ser administradas a este recém-nascido antes da alta?
Correta: o calendário do PNI prevê, ao nascimento, a vacina BCG (dose única, em recém-nascido com peso igual ou superior a 2.000 g) e a vacina hepatite B, esta preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida — ambas podem e devem ser aplicadas ainda na maternidade. Errada a segunda: a imunoglobulina humana anti-hepatite B está indicada apenas para recém-nascido de mãe HBsAg positiva (ou de status desconhecido), o que não é o caso, já que a sorologia materna é negativa. Errada a terceira: a vacina contra poliomielite só é iniciada aos 2 meses de idade, junto com o restante do esquema básico; não há dose ao nascer no calendário brasileiro. Errada a quarta: retardar a hepatite B para os 2 meses desperdiça a janela de prevenção da transmissão vertical e perinatal — a dose do nascimento é monovalente e independente das doses da pentavalente, que contém o componente hepatite B a partir dos 2 meses.
Um lactente de 6 meses, do sexo masculino, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. A família mudou-se recentemente de município e a criança não comparecia à unidade desde o nascimento. A mãe informa que ele nunca adoeceu, mama no peito e recebe complementação alimentar adequada. Ao exame, apresenta-se ativo, corado, hidratado, afebril, com ganho pôndero-estatural adequado, sem alterações cardiopulmonares, abdominais ou neurológicas. A caderneta de vacinação registra apenas BCG e hepatite B, ambas aplicadas na maternidade, sem nenhum outro registro posterior. Não há história de alergias, imunodeficiência ou uso de imunossupressores. A enfermeira da sala de vacina solicita orientação sobre a atualização do esquema vacinal. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações, qual é a conduta correta nesta consulta?
Criança de 6 meses com esquema atrasado deve ter as vacinas atualizadas na mesma oportunidade, sem necessidade de reiniciar esquemas e sem intervalo entre vacinas diferentes (podem ser aplicadas simultaneamente). Aos 6 meses cabem: pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e meningocócica C. A exceção é a vacina rotavírus humano, que tem limites rígidos de idade no PNI — primeira dose até 3 meses e 15 dias e segunda até 7 meses e 29 dias —, não podendo ser iniciada aos 6 meses pelo risco de intussuscepção; por isso a alternativa correta exclui o rotavírus. A alternativa que inclui rotavírus viola esse limite etário. Adiar pneumocócica e meningocócica C para os 12 meses é incorreto: aos 12 meses ocorrem os reforços, não o início do esquema básico, e a criança ficaria desprotegida no período de maior risco de doença invasiva. Antecipar a tríplice viral aos 6 meses só se justifica como dose zero em situação de surto de sarampo ou viagem a área de risco (não contabilizada no esquema), o que não é o caso, e não há motivo para adiar as demais vacinas indicadas.
Uma menina de 12 meses é levada pelo pai à Unidade Básica de Saúde para a consulta de rotina e atualização vacinal. A criança nasceu a termo, de parto normal, sem intercorrências, está em aleitamento materno complementado e apresenta desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade. Ao exame físico, encontra-se ativa, eutrófica, corada, afebril, sem alterações ao exame segmentar. O pai informa que ela nunca teve doenças relevantes, não tem alergias nem imunodeficiências e não faz uso de medicamentos. A caderneta de vacinação está completa e em dia até as doses previstas para os 9 meses de idade. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação da criança, quais vacinas devem ser administradas nesta consulta?
Aos 12 meses, o Calendário Nacional de Vacinação prevê a primeira dose da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e os reforços da pneumocócica 10-valente e da meningocócica C — exatamente a alternativa correta. As demais estão erradas por deslocamento etário: hepatite A, tetraviral (ou tríplice viral + varicela) e o primeiro reforço da DTP são aplicados aos 15 meses, não aos 12. Reforços de pentavalente não existem no esquema — o reforço aos 15 meses é feito com DTP, e o reforço da VIP também ocorre aos 15 meses. A vacina febre amarela é administrada aos 9 meses (com reforço aos 4 anos), portanto já constaria como aplicada em criança com caderneta em dia até os 9 meses, e a hepatite A, novamente, só aos 15 meses.
Um menino de 2 anos e 3 meses é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe para atualização da caderneta de vacinação. Ele está em acompanhamento no ambulatório de nefrologia por síndrome nefrótica, diagnosticada há cerca de dois meses, e faz uso contínuo de prednisolona na dose de 2 mg/kg/dia por via oral há 25 dias, sem previsão imediata de suspensão. Encontra-se assintomático, afebril, com bom estado geral, edema palpebral discreto e peso de 12 kg. A mãe informa que a criança nunca recebeu a vacina tríplice viral nem a vacina varicela, ambas já indicadas para a idade. As demais vacinas do calendário estão em dia. A enfermeira solicita orientação médica antes de administrar as doses.
O raciocínio exige dois passos: reconhecer que prednisolona 2 mg/kg/dia por mais de 14 dias configura dose imunossupressora (critério do Ministério da Saúde: ≥ 2 mg/kg/dia em crianças ou ≥ 20 mg/dia, por 14 dias ou mais) e, em seguida, aplicar a regra do PNI de que vacinas de vírus vivo atenuado devem ser ADIADAS — não contraindicadas definitivamente — até pelo menos um mês após a suspensão da corticoterapia, quando há recuperação da imunocompetência. Portanto, a alternativa correta é adiar tríplice viral e varicela e reagendar. Errada: corticoide sistêmico em dose imunossupressora reduz a resposta e traz risco de doença vacinal pelo agente atenuado, sendo uma contraindicação temporária real (diferente do corticoide tópico, inalatório ou em dose baixa/fisiológica, que são falsas contraindicações). Errada: a situação é transitória — contraindicação permanente se aplicaria a imunodeficiência grave, não a corticoterapia com prazo definido; rotular como permanente geraria perda definitiva de oportunidade vacinal. Errada: tanto a tríplice viral quanto a varicela são vacinas de vírus vivo atenuado, de modo que ambas seguem a mesma conduta de adiamento.
Uma lactente de 4 meses é levada à sala de vacina da Unidade de Saúde da Família para a segunda dose do calendário. A mãe relata que, cerca de 6 horas após a primeira dose da vacina pentavalente (DTPw-HB-Hib), aos 2 meses, a criança ficou subitamente pálida, mole, sem tônus e pouco responsiva por aproximadamente 15 minutos, sem febre alta e sem movimentos anormais; foi levada ao pronto-socorro, recuperou-se completamente e recebeu alta em poucas horas. Desde então está bem, com desenvolvimento adequado. Hoje está afebril, corada, ativa, com exame físico sem alterações. A mãe pergunta se a filha pode continuar a vacinação.
São dois passos: identificar o evento — palidez, hipotonia e hiporresponsividade nas primeiras 48 horas após vacina com pertussis de células inteiras caracteriza episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH), evento adverso benigno e autolimitado, mas atribuído ao componente pertussis integral — e depois definir a conduta do PNI: o EHH não contraindica a continuidade do esquema; indica a substituição pela vacina acelular (DTPa), fornecida pelos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), mantendo a proteção contra coqueluche. Errada porque o EHH é evento adverso reconhecido e de notificação, exigindo mudança de imunobiológico — repetir a célula inteira aumenta o risco de recorrência. Errada porque deixar a criança sem proteção contra coqueluche é desnecessário e perigoso em país com circulação de Bordetella pertussis, já que existe alternativa acelular segura. Errada porque o adiamento prolongado apenas amplia a janela de suscetibilidade a doenças imunopreveníveis, sem qualquer benefício — a criança está bem e apta a ser vacinada hoje com o imunobiológico especial.
Um adolescente de 15 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde do território após o irmão de 6 anos, que mora na mesma casa, ter tido sarampo confirmado laboratorialmente pela vigilância epidemiológica há 2 dias. O adolescente está assintomático, refere estar bem e nega febre, exantema ou coriza. Não apresenta comorbidades, não usa medicamentos e nunca foi internado. Na caderneta de vacinação, consta uma única dose de tríplice viral aplicada aos 12 meses de idade, e não há registro de outras doses dessa vacina. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, corado, hidratado, com orofaringe sem alterações e ausculta cardiopulmonar normal. A mãe pergunta o que deve ser feito para proteger o filho.
Correta: diante de caso confirmado de sarampo, o Ministério da Saúde preconiza a vacinação de bloqueio dos contatos suscetíveis idealmente até 72 horas da exposição; o adolescente tem esquema incompleto (apenas 1 dose) e, na faixa de 15 anos, o esquema previsto é de 2 doses, de modo que a dose de tríplice viral deve ser aplicada agora. Incorreta (imunoglobulina): reservada a grupos em que a vacina é contraindicada ou ineficaz (imunodeprimidos, gestantes, lactentes menores de 6 meses), não é o caso de adolescente hígido. Incorreta (não vacinar): uma única dose não caracteriza esquema completo para essa faixa etária, portanto ele é considerado suscetível. Incorreta (aguardar): postergar a vacina perde a janela de 72 horas, que é justamente o que confere eficácia ao bloqueio.
Uma adolescente de 12 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada do pai para consulta de rotina, assintomática, sem queixas e sem comorbidades. Refere menarca há 6 meses, ciclos regulares, boa frequência escolar e prática de futebol duas vezes por semana. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, índice de massa corporal adequado para a idade, pressão arterial normal para idade e estatura, sem alterações no exame segmentar. Na revisão da caderneta de vacinação, todas as vacinas da infância estão registradas e em dia, incluindo hepatite B, tríplice viral e HPV, e há dose de dT aplicada há 3 anos. Não há qualquer registro de vacina meningocócica após o primeiro ano de vida.
Correta: o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde prevê a vacina meningocócica ACWY conjugada em dose única para adolescentes de 11 a 14 anos, e a paciente, aos 12 anos e sem registro dessa dose, tem indicação imediata. Incorreta (duas doses): o esquema na adolescência é de dose única, independentemente de dose prévia na infância. Incorreta (não indicar): a proteção conferida pela meningocócica C do primeiro ano de vida decai ao longo do tempo e não cobre os sorogrupos A, W e Y, justificando a dose na adolescência. Incorreta (dT agora e adiar): o reforço de dT é a cada 10 anos e a última dose foi há 3 anos, não estando indicado agora; além disso, adiar a ACWY perde a oportunidade dentro da faixa preconizada.
Lactente de 5 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. A mãe informa que ele nasceu a termo, recebeu apenas as vacinas da maternidade e depois mudou de município, sem retornar ao serviço. A caderneta registra BCG e hepatite B ao nascimento. A criança está eutrófica, afebril, sem intercorrências e sem contraindicações. A mãe deseja regularizar o esquema hoje. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação, qual é a conduta correta?
A vacina rotavírus humano tem limites etários rígidos: a 1ª dose só pode ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª até 7 meses e 29 dias — aos 5 meses a oportunidade da 1ª dose está perdida e a vacina não deve ser administrada (risco de intussuscepção fora da faixa validada). As demais vacinas atrasadas devem ser aplicadas na mesma visita, aproveitando toda oportunidade vacinal (pentavalente, VIP, pneumocócica 10V e meningocócica C). A alternativa que inclui rotavírus contraria o limite etário do PNI e o intervalo de 60 dias é incorreto (o mínimo é 30 dias). Encaminhar ao CRIE é indevido: atraso vacinal é resolvido na APS, sem imunobiológico especial. Reiniciar o esquema também é errado — dose aplicada é dose contada, atraso não anula doses prévias.
Recém-nascido a termo, com 3.250 g, Apgar 9/10, filho de mãe com sorologias pré-natais não reagentes, encontra-se em alojamento conjunto em maternidade vinculada ao SUS, em boas condições clínicas e sem contraindicações. O médico plantonista revisa a prescrição de alta. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação da criança, quais vacinas devem ser administradas ainda na maternidade?
O calendário do PNI prevê ao nascimento apenas BCG (dose única, idealmente antes da alta, em crianças com peso ≥ 2.000 g) e hepatite B (dose ao nascer, preferencialmente nas primeiras 12 horas, para prevenir transmissão vertical). Postergar a BCG para os 2 meses perde a oportunidade da maternidade e não corresponde ao calendário. Rotavírus só é iniciada aos 2 meses (nunca na maternidade, por ser vacina oral atenuada com janela etária própria). VIP também tem início aos 2 meses, não ao nascimento.
Menina de 12 meses comparece à Unidade Básica de Saúde em município com recomendação de vacina febre amarela. A caderneta mostra esquema completo até os 6 meses, mas a dose de febre amarela dos 9 meses não foi aplicada por falta ao serviço. A criança nunca recebeu vacinas de vírus vivo atenuado injetáveis, está hígida, afebril e sem imunossupressão. A mãe quer atualizar tudo hoje. Qual a conduta mais adequada?
Em crianças menores de 2 anos que nunca receberam febre amarela nem tríplice/tetra viral, o PNI recomenda intervalo mínimo de 30 dias entre essas vacinas de vírus vivo atenuado injetáveis (risco de interferência na resposta imune). Assim, aplica-se hoje a tríplice viral com os reforços de pneumocócica 10V e meningocócica C dos 12 meses — vacinas inativadas/conjugadas, que podem ser simultâneas sem restrição — e agenda-se febre amarela em 30 dias (a ordem inversa também seria aceitável). Aplicar febre amarela e tríplice viral no mesmo dia é justamente o que a norma evita nessa faixa etária. Adiar os reforços de 12 meses sem motivo perde oportunidade vacinal. Febre amarela não é suspensa por atraso — a dose é aplicada assim que possível.
Uma menina de 3 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com a caderneta em atraso: faltam a segunda dose de tríplice viral e a dose de varicela. Está em tratamento de síndrome nefrótica com prednisolona 2 mg/kg/dia (25 mg/dia) por via oral há três semanas, com previsão de manter a dose por mais duas semanas antes do desmame. Encontra-se afebril, em bom estado geral, sem intercorrências infecciosas. Qual é a conduta adequada quanto às vacinas de vírus vivo atenuado?
Correta: corticoterapia sistêmica em dose imunossupressora (≥2 mg/kg/dia de prednisona/prednisolona, ou ≥20 mg/dia em crianças acima de 10 kg) por 14 dias ou mais é contraidicação TEMPORÁRIA às vacinas de vírus vivo atenuado; adia-se a aplicação para pelo menos 1 mês (30 dias) após a suspensão do corticoide, quando a imunocompetência é restabelecida. A dose usada é imunossupressora — doses baixas, tópicas, inalatórias ou de reposição fisiológica não contraindicam. A contraindicação é temporária e ligada ao imunossupressor, não à nefropatia em si; vacinas inativadas (influenza, pneumocócica) podem e devem ser aplicadas agora. Não existe fracionamento de dose de imunobiológicos como estratégia de segurança — a dose é padronizada.
Um lactente de 4 meses é avaliado em consulta na Unidade Básica de Saúde. Aos 2 meses, cinco dias após a primeira dose da vacina penta, apresentou rebaixamento do nível de consciência e crises convulsivas prolongadas, com internação por sete dias; a investigação (líquor, neuroimagem, metabólica) não identificou outra etiologia e firmou-se o diagnóstico de encefalopatia aguda pós-vacinal. Atualmente está estável, sem novas crises. Qual é a conduta correta para a continuidade do esquema aos 4 meses?
Correta: encefalopatia nos 7 dias seguintes a dose de vacina com componente pertussis, sem outra causa identificável, é contraindicação ABSOLUTA e definitiva a qualquer vacina que contenha pertussis — inclusive a acelular. O esquema segue sem esse componente: DT (difteria e tétano) mais os demais antígenos isoladamente (Hib, hepatite B, VIP). Repetir a penta expõe novamente ao antígeno contraindicado; antitérmico não previne encefalopatia. A DTPa é indicada nas PRECAUÇÕES (convulsão nas primeiras 72 h, episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 h), não na encefalopatia — nesse caso todo componente pertussis está proscrito. Apenas o componente pertussis é contraindicado; suspender o calendário deixaria a criança suscetível a doenças imunopreveníveis.
Lactente de 2 meses é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe cerca de 8 horas após receber a primeira dose da vacina pentavalente (DTP + Hib + hepatite B). Ela relata que, poucas horas após a aplicação, a criança ficou subitamente pálida, "molhada", hipotônica e pouco responsiva aos estímulos por alguns minutos, com recuperação espontânea e completa. No momento da consulta, o exame físico é inteiramente normal, sem febre, sem sinais neurológicos focais e sem alterações cardiorrespiratórias. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro descreve episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH), evento adverso pós-vacinação associado ao componente pertússis de células inteiras; a conduta é notificar e substituir as próximas doses por DTPa (acelular), fornecida pelo CRIE. Não se contraindicam todas as vacinas — apenas se ajusta o componente responsável. Manter a pentavalente de células inteiras expõe a novo EHH e o evento deve ser notificado. O EHH é benigno e autolimitado, não indicando internação nem investigação neurológica extensa na ausência de outros achados.
Mãe retorna à Unidade Básica de Saúde com seu filho de 4 meses, no dia seguinte à aplicação da vacina pentavalente. Refere que a criança apresentou temperatura axilar de 38,2 °C e que o local da aplicação, na coxa, está discretamente avermelhado, endurecido e doloroso. A criança mantém bom estado geral, está mamando normalmente, ativa e hidratada, sem outros sintomas. O exame físico não mostra sinais de flutuação, secreção ou celulite extensa. Qual é a conduta correta?
Febre e reação local (dor, calor, rubor, endurecimento) nas primeiras 24–48 h são eventos adversos locais/sistêmicos comuns e benignos; a conduta é sintomática (antitérmico, compressa) e manutenção do calendário. Reação local leve não contraindica doses futuras. Não há infecção bacteriana — trata-se de inflamação vacinal, sem indicação de antibiótico. O quadro é manejável na APS, sem necessidade de encaminhamento ao CRIE.
Adolescente de 11 anos comparece à Unidade Básica de Saúde (UBS) para consulta de rotina, com a caderneta de vacinação em dia até os 10 anos de idade. A mãe pergunta quais vacinas do calendário do adolescente devem ser aplicadas nessa idade. Assinale a alternativa que contempla vacinas indicadas de rotina para essa faixa etária pelo Programa Nacional de Imunizações.
No calendário do adolescente do PNI, aos 9-14 anos indica-se a vacina HPV (dose única) e, dos 11 aos 14 anos, a meningocócica ACWY — é essa a dupla contemplada na resposta correta. BCG com poliomielite oral, pentavalente com rotavírus e pneumocócica 10-valente com meningocócica C reúnem vacinas próprias do primeiro ano de vida / primeira infância, já aplicadas antes dessa idade e não correspondentes ao calendário do adolescente.
Menino de 12 meses é levado à Unidade Básica de Saúde (UBS) para consulta de puericultura. A caderneta de vacinação mostra esquema completo e em dia para a idade, sem atrasos. A mãe pergunta quais vacinas o filho deve receber na consulta de hoje. Considerando o Calendário Nacional de Vacinação da criança (PNI), qual conjunto está indicado nesta idade?
Aos 12 meses o PNI indica a 1ª dose da tríplice viral (SCR) e os reforços de pneumocócica 10-valente e de meningocócica C, esquema padrão desta idade. A alternativa da tetraviral, hepatite A e 1º reforço de DTP corresponde aos 15 meses. Febre amarela (1ª dose) é feita aos 9 meses, não aos 12. A 3ª dose de pentavalente e de VIP é aplicada aos 6 meses, já contemplada em quem está em dia.
Lactente de 4 meses e 12 dias é levado à UBS. A caderneta registra apenas BCG e hepatite B ao nascer; a família mudou de município e perdeu as consultas seguintes. A mãe deseja atualizar todas as vacinas, incluindo a vacina oral de rotavírus, que a criança nunca recebeu. Qual é a conduta correta especificamente quanto ao rotavírus?
A vacina oral de rotavírus humano tem limites rígidos de idade: a 1ª dose só pode ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª até 7 meses e 29 dias; ultrapassada a janela da 1ª dose, o esquema não deve ser iniciado, aproveitando-se a oportunidade para as demais vacinas devidas. Iniciar a 1ª dose aos 4m12d viola o limite etário. Aplicar duas doses no mesmo dia desrespeita o intervalo mínimo e o limite de idade. Agendar a 2ª até os 12 meses ignora tanto a janela da 1ª quanto o teto de 7m29d.
Recém-nascido a termo, com peso de nascimento de 1.900 g, é avaliado no alojamento conjunto da maternidade antes da alta. A mãe não teve intercorrências e a sorologia para HIV foi negativa. A equipe questiona a conduta quanto à vacina BCG. Segundo o PNI, qual é a orientação correta?
O PNI recomenda adiar a BCG em recém-nascidos com peso inferior a 2.000 g, aplicando-a quando esse peso for atingido, pois abaixo desse limite a técnica intradérmica e a resposta ficam prejudicadas. Aplicar antes da alta independentemente do peso desconsidera o ponto de corte de 2.000 g. Baixo peso não é contraindicação definitiva, apenas motivo de adiamento. Não há indicação de esperar até os 6 meses: a vacina é feita assim que o peso adequado é alcançado.
Lactente do sexo masculino, com 4 meses e 10 dias de vida, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para atualização da caderneta de vacinação. Nasceu a termo, sem intercorrências. O registro mostra: ao nascer, BCG e hepatite B; aos 2 meses, pentavalente, poliomielite inativada (VIP) e pneumocócica 10-valente. A mãe informa que, por um quadro febril à época, a criança NÃO recebeu a vacina rotavírus humano na consulta dos 2 meses. Exame físico sem alterações. Assinale a conduta correta quanto à vacina rotavírus.
A vacina rotavírus humano (VORH monovalente) tem limites de idade rígidos justamente pelo risco de intussuscepção: a 1ª dose só pode ser aplicada até 3 meses e 15 dias e a 2ª até 7 meses e 29 dias. Aos 4 meses e 10 dias a criança ultrapassou o limite da 1ª dose, e o esquema não pode mais ser iniciado (correta). Aplicar a vacina hoje erra o prazo (além de uma opção citar 3 doses, sendo o esquema de apenas 2). Iniciar sem restrição de idade ignora o limite etário, que existe exatamente por ser vírus vivo.
Recém-nascida a termo, sexo feminino, peso adequado para a idade gestacional, encontra-se em alojamento conjunto nas primeiras 12 horas de vida. O parto transcorreu sem intercorrências e a mãe apresentava sorologias pré-natais não reagentes. A equipe de enfermagem organiza as vacinas a serem administradas ainda na maternidade, conforme o Calendário Nacional de Vacinação da criança. Assinale a alternativa que contém, corretamente, as vacinas preconizadas para aplicação ao nascer.
Ao nascer, o PNI preconiza BCG (dose única, idealmente ainda na maternidade) e hepatite B (nas primeiras 12 a 24 horas de vida), sendo esta a resposta correta. VIP e rotavírus só têm início aos 2 meses; a meningocócica C começa aos 3 meses. As demais opções incluem vacinas que não fazem parte do esquema do nascimento.
Lactente de 6 meses comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. Recebeu BCG ao nascer, com registro na caderneta. Durante a consulta, a mãe questiona por que, diferentemente da irmã mais velha, a criança 'não tem a marquinha no braço'. Ao examinar o deltoide direito, o médico não identifica cicatriz vacinal nem nódulo residual. A criança está hígida, eutrófica e com desenvolvimento neuropsicomotor adequado. Assinale a conduta correta segundo as recomendações atuais do Programa Nacional de Imunizações.
Desde 2019 o Ministério da Saúde/PNI não recomenda mais a revacinação de crianças que receberam BCG comprovada e não desenvolveram cicatriz, pois a proteção não depende da formação da marca. Diante do registro da dose, a conduta é não revacinar (correta). Revacinar de imediato ou condicionar a nova dose ao resultado do PPD parte da premissa equivocada de que a ausência de cicatriz exige nova dose. Investigar imunodeficiência é desproporcional: uma criança hígida, sem histórico de infecções graves, não requer investigação apenas pela ausência de cicatriz.
Menino de 3 anos, 15 kg, com síndrome nefrótica corticossensível, está em uso de prednisona 30 mg/dia (2 mg/kg/dia) por via oral há 5 semanas; o nefrologista iniciará desmame com previsão de suspensão completa em duas semanas. Não apresenta outras comorbidades nem uso de imunobiológicos. A caderneta mostra: esquema básico completo, primeira dose de tríplice viral aos 12 meses, nunca recebeu varicela e não tomou influenza nesta temporada, que está em campanha. A criança está assintomática, afebril, sem sinais de atividade da doença. A mãe pergunta o que pode ser aplicado hoje. Assinale a conduta adequada.
Prednisona ≥ 2 mg/kg/dia (ou ≥ 20 mg/dia em crianças acima de 10 kg) por 14 dias ou mais é dose imunossupressora: a tríplice viral e a varicela, ambas com agente vivo atenuado, devem ser adiadas e aplicadas pelo menos um mês após a suspensão do corticoide; as inativadas, como a influenza, não são contraindicadas e devem ser feitas, mesmo com possível resposta reduzida, sobretudo em campanha. O critério é a dose e a duração, não a idade — 2 mg/kg/dia por 5 semanas é imunossupressora, e não existe piso etário que a torne inofensiva. Adiar também a influenza é falsa contraindicação e desprotege um paciente de risco. E não basta reduzir a dose durante o desmame: a contagem do intervalo de um mês começa após a suspensão completa do corticoide.
Lactente de 6 meses comparece à UBS para vacinação. Aos 2 meses recebeu a primeira dose de penta, VIP, pneumocócica 10 e rotavírus. No quarto dia após aquela aplicação, foi internado por rebaixamento do nível de consciência, crises convulsivas focais e alteração comportamental que persistiram por cinco dias; a investigação (liquor, neuroimagem, triagem metabólica e toxicológica) foi negativa e o quadro foi classificado como encefalopatia sem outra causa identificável. Evoluiu com recuperação parcial e segue em acompanhamento neurológico, sem crises há três meses. Os pais não retornaram para as doses seguintes por medo. Exame atual sem intercorrências. Assinale a conduta vacinal correta em relação ao componente pertussis.
Correta: encefalopatia aguda nos primeiros 7 dias após dose de vacina com componente pertussis, sem outra causa identificada, é contraindicação definitiva ao componente pertussis — celular e acelular. O esquema é completado com dupla infantil (DT), garantindo à parte os demais antígenos da penta (hepatite B e Hib). O evento ocorreu no 4º dia, dentro da janela de 7 dias que define a contraindicação. A troca por DTPa nos CRIE aplica-se a eventos como episódio hipotônico-hiporresponsivo, convulsão nas primeiras 72 horas e febre ≥ 39,5 °C — não à encefalopatia, que veta também o acelular. Adiar indefinidamente deixa a criança suscetível a doenças imunopreveníveis; doença neurológica estável não contraindica as demais vacinas.
Menino de 3 anos, em tratamento de manutenção de leucemia linfoblástica aguda (última dose de quimioterapia há 5 dias, linfócitos totais 480/mm³), é levado à UBS porque o irmão, que dorme no mesmo quarto, iniciou exantema vesicular de varicela há 36 horas. A criança nunca teve varicela e, por estar imunossuprimida, não recebeu a vacina. Está assintomática, afebril, sem lesões cutâneas. A mãe pergunta o que deve ser feito. Assinale a conduta profilática adequada para este contactante.
Correta: contactante suscetível, imunocomprometido (quimioterapia para LLA) e com contato domiciliar significativo preenche o critério do CRIE/Ministério da Saúde para imunoglobulina humana antivaricela-zóster (IGHAVZ), indicada por via intramuscular o mais cedo possível e dentro da janela de 96 horas da exposição — aqui o contato foi há 36 horas, dentro do prazo. Vacina de vírus vivo atenuado: contraindicada em imunossupressão grave (a janela de 120 h vale para o suscetível imunocompetente). Aciclovir EV profilático não é a estratégia de primeira escolha na profilaxia pós-exposição de contactante assintomático dentro da janela da IGHAVZ (o aciclovir oral só entra como alternativa quando a IGHAVZ não está disponível ou o prazo se esgotou, iniciado por volta do 7º-9º dia). IGIV inespecífica só substitui a IGHAVZ na indisponibilidade desta e não é a resposta padrão.
Uma adolescente de 15 anos, em acompanhamento no serviço de infectologia por infecção pelo HIV adquirida por transmissão vertical, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. Encontra-se clinicamente estável, em uso regular de terapia antirretroviral, com carga viral indetectável e contagem de linfócitos T CD4+ de 620 células/mm³. Nunca recebeu nenhuma dose da vacina contra o papilomavírus humano (HPV). A mãe relata ter ouvido que 'agora a vacina do HPV é em dose única' e pergunta como será feito o esquema. Assinale a conduta correta quanto à vacinação contra o HPV nesta paciente.
Pelo PNI, o esquema de dose única do HPV vale apenas para imunocompetentes de 9 a 14 anos; pessoas vivendo com HIV (e demais imunossuprimidos, como transplantados e pacientes oncológicos) mantêm o esquema de 3 doses (0-2-6) e faixa etária ampliada (9 a 45 anos), o que torna correto o esquema de três doses (0-2-6). Duas doses não é o esquema previsto para o imunossuprimido. E a vacina HPV é composta por partículas semelhantes ao vírus (VLP), não é vírus vivo e não é contraindicada por imunossupressão.
Um menino de 9 meses é levado à unidade básica de saúde pela mãe, que retorna após longo período sem acompanhamento. A caderneta registra BCG e hepatite B ao nascer e, aos 2 meses, pentavalente, poliomielite inativada (VIP), rotavírus humano e pneumocócica 10-valente. Não há registro de doses posteriores. A criança está eutrófica, afebril, sem sinais de infecção aguda, e a mãe nega reação adversa prévia a vacinas. Assinale a conduta vacinal adequada nesta consulta.
O Calendário Nacional de Vacinação prevê que esquemas atrasados sejam retomados de onde pararam, sem reinício, e que se aproveite a oportunidade para atualizar todas as vacinas possíveis na mesma consulta. Aos 9 meses cabem: 2ª dose de pentavalente, VIP e pneumocócica 10-valente, meningocócica C (esquema de resgate) e febre amarela, indicada a partir dos 9 meses. A vacina rotavírus humano é a única com limite etário rígido — 1ª dose até 3 meses e 15 dias e 2ª dose até 7 meses e 29 dias — e por isso não pode mais ser administrada. Aplicar todas as vacinas em atraso incluindo o rotavírus ignora esse limite: trata-se de vacina oral de vírus vivo atenuado cuja aplicação fora da faixa se associa a risco aumentado de intussuscepção. Reiniciar o esquema básico contraria a regra fundamental do PNI: intervalo maior que o recomendado não invalida doses, apenas atrasa a proteção. E adiar a febre amarela, já indicada aos 9 meses, invoca um falso limite de injeções por consulta — não há restrição ao número de vacinas simultâneas.
Menina de 15 meses comparece à unidade de saúde para consulta de puericultura. A caderneta mostra esquema completo e em dia até os 12 meses, incluindo primeira dose de tríplice viral, reforço de pneumocócica 10-valente e reforço de meningocócica C aos 12 meses, além de febre amarela aos 9 meses. A criança está assintomática, eutrófica, sem uso de imunossupressores e sem história de varicela. Assinale a conduta vacinal indicada nesta consulta, segundo o Calendário Nacional de Vacinação.
Aos 15 meses o Calendário Nacional prevê tetraviral (SCR-V), primeiro reforço de DTP, reforço de VIP e hepatite A (dose única). A tetraviral é indicada exatamente nesta situação — criança que já recebeu a primeira dose de tríplice viral aos 12 meses, respeitado o intervalo mínimo de 30 dias — cobrindo de uma só vez a segunda dose de sarampo/caxumba/rubéola e a dose de varicela (alternativa correta). Aplicar tríplice viral e varicela em consultas separadas fragmenta desnecessariamente em duas apresentações e adia reforços já indicados nesta idade. Trocar a DTP (vacina de células inteiras, indicada nos reforços de 15 meses e 4 anos) pela dTpa, que no PNI se destina a gestantes e profissionais de saúde, ainda omite o reforço de VIP dos 15 meses. Incluir a meningocócica ACWY, oferecida pelo PNI a adolescentes de 11 a 14 anos, e adiar as vacinas de vírus vivo cria falsa contraindicação em criança imunocompetente.
Lactente de 12 meses é levado à unidade básica de saúde para atualização do calendário vacinal (tríplice viral, pneumocócica 10-valente e meningocócica C). Está em aleitamento materno complementado, mantém bom estado geral e apetite preservado. Há dois dias apresenta coriza hialina e tosse seca, sem prostração. Ao exame: ativo, corado, hidratado, temperatura axilar de 37,8 °C, oroscopia com hiperemia de orofaringe, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. A mãe informa que a criança iniciou amoxicilina há três dias por otite média aguda e que houve febre baixa após a última dose de vacina, com resolução espontânea. Assinale a conduta adequada.
Todas as situações descritas são FALSAS contraindicações segundo o Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação (MS): doença aguda leve com febre baixa (<38,5 °C) e sem comprometimento do estado geral, uso de antibiótico, infecção de via aérea superior, aleitamento materno e febre autolimitada após dose prévia não impedem a vacinação — perder a oportunidade é o principal erro. Antibioticoterapia não interfere na resposta às vacinas do calendário. Não há razão para fracionar o esquema; quadro respiratório leve não contraindica vírus vivo atenuado. Só se adia diante de doença febril MODERADA a GRAVE, o que não é o caso.
Menina de 3 anos, com síndrome nefrótica corticossensível, foi tratada com prednisona 2 mg/kg/dia (30 mg/dia) por via oral durante quatro semanas, com desmame concluído e suspensão definitiva da medicação há 10 dias. Encontra-se em remissão, assintomática, sem outras medicações. A mãe traz a caderneta: faltam a segunda dose da tríplice viral e a vacina varicela. Ao exame, bom estado geral, sem sinais de infecção; peso e estatura adequados. A família tem dificuldade de retornar à unidade e pede que tudo seja aplicado hoje. Assinale a conduta correta.
Prednisona ≥ 2 mg/kg/dia (ou ≥ 20 mg/dia) por 14 dias ou mais é dose imunossupressora: as vacinas de vírus vivo atenuado devem ser adiadas por, no mínimo, um mês após a suspensão do corticoide (Manual dos CRIE/MS). Como a suspensão ocorreu há 10 dias, ainda não se atingiu esse intervalo. Aplicar hoje expõe ao risco de doença vacinal por imunossupressão residual. A contraindicação é temporária, não definitiva — a criança deve ser vacinada assim que decorrido o intervalo. Tríplice viral e varicela seguem a mesma regra; não há razão para separá-las.
Menino de 12 meses comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura acompanhado da mãe. A caderneta mostra calendário vacinal completo e em dia até os 9 meses de idade, conforme o Calendário Nacional de Vacinação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), incluindo a dose de febre amarela aos 9 meses. A criança está assintomática, eutrófica, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado e exame físico sem alterações. A mãe deseja atualizar as vacinas previstas para a idade. Assinale a alternativa que apresenta as vacinas indicadas nesta consulta.
Aos 12 meses, o Calendário Nacional de Vacinação prevê: tríplice viral (1ª dose), reforço da pneumocócica 10-valente e reforço da meningocócica C conjugada. Tetra viral (que corresponde à 2ª dose de tríplice viral + varicela), hepatite A e o primeiro reforço da DTP são marcos dos 15 meses, o que elimina as alternativas que os antecipam para os 12 meses. O esquema básico da pneumocócica 10-valente é feito aos 2 e 4 meses, com reforço aos 12 meses — não há 3ª dose de esquema básico —, e o reforço da poliomielite inativada ocorre aos 15 meses.
Menino de 2 anos, com síndrome nefrótica diagnosticada há um mês, encontra-se em uso de prednisona 2 mg/kg/dia (40 mg/dia) desde o diagnóstico, sem previsão de suspensão imediata — o nefrologista pretende iniciar o desmame nas próximas semanas. A mãe o leva à sala de vacinação com a caderneta, na qual constam pendentes a tríplice viral, a varicela e o reforço da pneumocócica 10-valente. A criança está em remissão da proteinúria, afebril, sem sinais de infecção, com exame físico sem alterações. Assinale a conduta correta quanto à vacinação.
A criança usa corticoide em dose imunossupressora (prednisona ≥ 2 mg/kg/dia, ou ≥ 20 mg/dia em crianças >10 kg, por 14 dias ou mais). Nessa situação, as vacinas de VÍRUS VIVO ATENUADO (tríplice viral, varicela, febre amarela, VOP, rotavírus) devem ser ADIADAS até pelo menos 1 mês (30 dias) após a suspensão do corticoide, pelo risco de doença vacinal e pela resposta imune prejudicada. Já as vacinas INATIVADAS, como a pneumocócica 10-valente, não são contraindicadas e devem ser aplicadas — inclusive é desejável imunizar contra pneumococo esses pacientes, de alto risco para infecção invasiva. Por isso é incorreto aplicar tudo hoje (ignora a imunossupressão), contraindicar definitivamente as vacinas vivas (trata-se de adiamento temporário, não de contraindicação permanente), ou adiar também as inativadas (resposta subótima não justifica omitir a proteção).
Mãe traz à Unidade Básica de Saúde lactente de 2 meses, que recebeu BCG na maternidade, no braço direito. Refere que há cerca de 3 semanas surgiu um nódulo no local da aplicação, que evoluiu para pústula e, atualmente, é uma úlcera de aproximadamente 0,8 cm de diâmetro, com discreta secreção. A criança está em bom estado geral, afebril, com ganho ponderal adequado, sem linfonodos axilares aumentados ou dolorosos e sem outras alterações ao exame. A mãe está preocupada e pergunta qual pomada deve usar. Assinale a conduta correta.
A evolução descrita é a REAÇÃO NORMAL da BCG intradérmica: nódulo entre a 3ª e a 6ª semana, evoluindo para pústula e úlcera de até 1 cm, que cicatriza espontaneamente em até 12 semanas, deixando cicatriz. Não é evento adverso e não exige notificação nem tratamento. A orientação é apenas manter o local limpo com água e sabão, sem cobrir, sem antissépticos, pomadas ou manipulação. Isoniazida está indicada em eventos adversos verdadeiros — abscesso subcutâneo frio, úlcera maior que 1 cm que não cicatriza, linfadenite regional supurada —, nenhum presente aqui. Antibiótico tópico e curativo oclusivo são contraindicados porque retardam a cicatrização e favorecem infecção secundária. Drenagem cirúrgica não é indicada nem mesmo na linfadenite supurada de rotina (prefere-se punção aspirativa quando necessária).
Menino de 6 anos, em quimioterapia de manutenção para leucemia linfoblástica aguda, está internado em enfermaria pediátrica. Um colega de quarto teve diagnóstico de varicela confirmado, com início do exantema há 48 horas; ambos permaneceram no mesmo ambiente por três dias. A mãe nega varicela prévia e a caderneta não registra doses de vacina varicela. O paciente encontra-se assintomático, afebril, sem lesões cutâneas, com contagem de linfócitos de 400/mm³. Assinale a conduta profilática mais adequada para este contactante.
Trata-se de comunicante suscetível e imunocomprometido (quimioterapia, linfopenia grave), com exposição hospitalar significativa — indicação clássica de imunoglobulina humana antivaricela-zóster (IGHAVZ), disponível nos CRIE, administrada por via intramuscular e o mais precocemente possível, até 96 horas após o contato. A janela ainda está aberta (48 horas). A vacina é de vírus vivo atenuado e está formalmente contraindicada em imunossupressão grave, além de não conferir proteção a tempo nesse paciente. O aciclovir profilático é estratégia de segunda linha, usada quando a IGHAVZ não está disponível ou o prazo de 96 horas foi ultrapassado, e mesmo assim iniciado tardiamente (por volta do 7º ao 10º dia pós-exposição), não imediatamente. A conduta expectante é inaceitável no imunossuprimido, no qual a varicela pode ser disseminada e fatal.
Lactente de 12 meses, sexo masculino, comparece à puericultura na Estratégia Saúde da Família acompanhado da mãe. Nasceu a termo, com boa vitalidade, em aleitamento materno complementado, com desenvolvimento neuropsicomotor adequado. A caderneta mostra o calendário do PNI rigorosamente em dia até os 9 meses de idade, incluindo BCG, hepatite B, penta, VIP/VOP, pneumocócica 10-valente, rotavírus, meningocócica C, febre amarela e as doses de reforço já previstas até o momento. Exame físico sem alterações, criança afebril e em bom estado geral. Assinale a alternativa que contém as vacinas indicadas nesta consulta, de acordo com o calendário vacinal vigente do PNI.
Aos 12 meses o PNI prevê a primeira dose da tríplice viral e os reforços da pneumocócica 10-valente e da meningocócica C. As demais alternativas deslocam marcos etários: tetraviral (ou tríplice viral 2ª dose + varicela), hepatite A e o primeiro reforço da DTP ocorrem aos 15 meses. O reforço da febre amarela e o segundo reforço de DTP/pólio são aos 4 anos. A meningocócica ACWY é destinada a adolescentes de 11 a 14 anos.
Lactente de 10 meses chega à unidade básica de saúde sem nenhuma dose de vacina rotavírus registrada. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação vigente, qual a conduta quanto a essa vacina?
Desde a atualização publicada em dezembro de 2024, os limites etários da vacina rotavírus humano G1 P[8] são: primeira dose a partir de 1 mês e 15 dias até 11 meses e 29 dias, e segunda dose a partir de 3 meses e 15 dias até 23 meses e 29 dias, com intervalo de 60 dias entre elas (mínimo de 30 dias em situação excepcional). Aos 10 meses a criança ainda está dentro da janela da primeira dose, e a segunda, dada 60 dias depois, cairá por volta dos 12 meses, bem dentro do limite. A alternativa que fala em 3 meses e 15 dias reproduz o limite ANTERIOR à atualização — é o distrator montado sobre o calendário antigo, e o motivo declarado da ampliação foi justamente a cobertura vacinal abaixo da meta de 90% e a dificuldade de oferta oportuna em áreas de difícil acesso geográfico. Não existe contraindicação por idade a partir dos 6 meses nem esquema de dose única para o rotavírus: o esquema é sempre de duas doses. E o intervalo de 15 dias não existe em nenhuma circunstância — o mínimo é de 30 dias. Vale lembrar o outro lado da regra: se a primeira dose não for administrada até 11 meses e 29 dias, perdem-se a primeira E a segunda, sem recuperação.
Menino de 6 anos e 2 meses comparece à sala de vacina. O cartão mostra esquema básico completo com três doses de penta, aos 2, 4 e 6 meses, e nenhuma dose de reforço contra difteria, tétano e coqueluche. Qual a conduta?
As três doses básicas válidas não devem ser reiniciadas. DTP pode ser aplicada até 6 anos, 11 meses e 29 dias, respeitando seis meses entre reforços. Administrando o primeiro aos 6 anos e 2 meses, o segundo ocorre aos 6 anos e 8 meses, dentro da idade permitida. A dispensa do segundo reforço só se aplica quando não é possível cumprir esse intervalo antes dos sete anos, o que não ocorre aqui. Referência: Ministério da Saúde, Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026, seção DTP.
Lactente de 4 meses apresentou, no quinto dia após a primeira dose da vacina penta, quadro de encefalopatia aguda grave, com rebaixamento do nível de consciência e crises convulsivas, sem outra causa identificada durante a investigação hospitalar. Qual a conduta quanto à continuidade do esquema contra difteria, tétano e coqueluche?
Os eventos adversos ligados a vacinas com pertussis têm consequências diferentes, e a diferença é exatamente o que a questão testa. Convulsão, com ou sem febre, nas primeiras 72 horas, e episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas, contraindicam a continuidade com a penta ou a DTP de células inteiras e indicam a TROCA por vacina acelular (DTPa, penta acelular ou hexa acelular) na rede de imunobiológicos especiais. Encefalopatia instalada nos sete dias subsequentes à dose anterior é o degrau acima: o componente pertussis sai do esquema, que passa a ser completado com vacina dupla infantil (DT) — e é essa, no Manual dos CRIE, a indicação nominal da DT. Como o quadro ocorreu no quinto dia, está dentro da janela dos sete dias. Manter a penta com antitérmico é conduta prevista para outra situação — história de convulsão ou de choro intenso ou febre acima de 39,5 °C após dose anterior, que são precaução, não contraindicação. Suspender todo o esquema deixaria a criança sem proteção contra tétano e difteria, o que não se faz: existe produto sem pertussis exatamente para isso. E reiniciar o esquema contraria a regra de que esquemas incompletos se completam.
Menina de 13 meses, nascida a termo, sem comorbidades, é levada à unidade básica de saúde sem nenhuma dose registrada na Caderneta da Criança e sem cicatriz vacinal. O exame físico é normal e ela está afebril. Considerando o Calendário Nacional de Vacinação vigente, qual conduta está correta?
A conduta correta reúne quatro regras. Primeira, o rotavírus: a janela da 1ª dose vai de 1 mês e 15 dias a 11 meses e 29 dias e, perdida a 1ª dose nesse período, perde-se também a 2ª — aos 13 meses não há mais recuperação possível, o que elimina a primeira alternativa. Segunda, a pneumocócica: criança sem histórico vacinal entre 13 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias recebe DOSE ÚNICA com a 20-valente, e não o esquema de duas doses mais reforço. Terceira, a meningocócica: entre 12 meses e 4 anos, 11 meses e 29 dias, sem histórico, a recomendação é dose única de ACWY, independentemente do histórico anterior aos 12 meses — não se reproduzem as duas doses de meningocócica C, o que elimina a segunda alternativa. Quarta, as vacinas de vírus vivo: abaixo de 2 anos, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela exigem intervalo de 30 dias e não podem ser aplicadas no mesmo dia na rotina, o que elimina a terceira alternativa. Quanto à última, atraso vacinal não é indicação de rede de imunobiológicos especiais nem de reinício: esquemas incompletos se completam, independentemente da data da dose anterior. O princípio que atravessa o caso é que a criança atrasada não recebe o calendário deslocado no tempo — recebe o esquema correspondente à idade em que ela chegou.
Criança de 2 anos e 3 meses, com asma persistente leve, faz uso contínuo de corticoide inalatório e recebeu prednisolona oral 1 mg/kg/dia por cinco dias durante uma exacerbação encerrada há uma semana. Está atrasada e precisa receber a vacina tríplice viral e a vacina varicela. Qual a conduta?
O critério de dose imunossupressora é explícito: prednisona ou equivalente igual ou maior que 2 mg/kg/dia em criança, ou igual ou maior que 20 mg/dia, por MAIS DE DUAS SEMANAS. A criança recebeu 1 mg/kg/dia por cinco dias — está abaixo do limiar tanto na dose quanto na duração, e o documento é claro ao afirmar que doses inferiores a essas, mesmo por período prolongado, não constituem contraindicação. O corticoide inalatório também não conta: o uso tópico, inalatório ou intra-articular não é considerado imunossupressor, e corticoide em dias alternados em dose não imunossupressora consta nominalmente da lista de falsas contraindicações. Portanto não há adiamento de um mês (que seria a conduta se a dose fosse imunossupressora), nem de três meses (intervalo previsto para outros imunossupressores, como azatioprina, micofenolato e biológicos anticitocina), nem contraindicação permanente. Também não há vacina inativada equivalente à tríplice viral ou à varicela para oferecer no lugar. Nesta idade, ainda, tríplice viral e varicela podem ser aplicadas no mesmo dia em sítios distintos — a restrição dos 30 dias abaixo dos 2 anos se aplica à dupla tríplice viral e febre amarela.
Ao revisar a Caderneta da Criança de um lactente, você identifica que a primeira dose da vacina penta foi administrada com 1 mês e 9 dias de vida, seis dias antes da idade mínima recomendada. Qual a conduta?
A regra é numérica e pouco conhecida: doses administradas até quatro dias antes do intervalo mínimo ou da idade mínima indicada são consideradas válidas; se a primeira dose de uma série foi administrada mais de quatro dias antes da idade mínima recomendada, registra-se como erro de imunização e a dose deve ser repetida, respeitando os intervalos recomendados. A idade mínima da penta é 6 semanas, ou 1 mês e 15 dias; aplicada com 1 mês e 9 dias, a dose está seis dias adiantada — acima da margem de quatro dias, portanto inválida. Se tivesse sido aplicada com 1 mês e 12 dias, seria válida. As alternativas que aproveitam a dose erram por ignorar o limite dos quatro dias; antecipar as doses seguintes não corrige uma dose inválida, porque o problema é a maturidade imunológica na aplicação, não o espaçamento posterior; e reiniciar todo o esquema contraria a regra geral de que esquemas incompletos se completam e não se reiniciam — repete-se a dose inválida, não o esquema. Também vale registrar que ocorrências desse tipo devem ser notificadas como erro de imunização.
Lactente de 4 meses comparece para as vacinas do calendário. Nasceu de 35 semanas com 2.300 g, está com coriza hialina há dois dias e sem febre, encontra-se no terceiro dia de amoxicilina para otite média aguda, apresentou vermelhidão e dor local após a dose anterior e tem um irmão de 5 anos em tratamento quimioterápico. Qual a conduta?
Todas as cinco situações do enunciado constam da lista oficial de falsas contraindicações. Doença aguda benigna sem febre, incluindo infecção simples de vias aéreas superiores, não contraindica — o que adia é febre axilar igual ou maior que 37,8 °C ou doença febril moderada a grave. Uso de antibiótico profilático ou terapêutico não interfere na resposta vacinal. Prematuridade e baixo peso ao nascer não pedem correção de idade: vacina-se na IDADE CRONOLÓGICA, com a única exceção da BCG, que espera o peso de 2.000 gramas. Reação local em dose anterior — dor, vermelhidão, inflamação — é falsa contraindicação e não justifica troca de produto: quem justifica troca por acelular é convulsão nas primeiras 72 horas ou episódio hipotônico-hiporresponsivo nas primeiras 48 horas. E o irmão em quimioterapia não impede nada, inclusive o rotavírus, que não é contraindicado nem para conviventes domiciliares de transplantados; desde a retirada da vacina oral da poliomielite em novembro de 2024, este é o único vírus vacinal excretado no calendário infantil. A regra correta é a inversa da intuição da família: conviventes de imunodeprimidos DEVEM ser vacinados, por serem fonte involuntária de patógenos imunopreveníveis.
Criança de 16 meses, com esquema atrasado, precisa receber a vacina tríplice viral e a vacina febre amarela, ambas pendentes. Qual a conduta correta quanto ao intervalo entre elas?
A regra depende da idade e é a única restrição de simultaneidade relevante no calendário infantil. Vacinas inativadas com inativadas, ou inativadas com atenuadas, podem ser administradas simultaneamente ou com qualquer intervalo. Entre vacinas atenuadas, a partir de 2 anos de idade, varicela, febre amarela, tríplice viral, tetraviral e dengue podem ser simultâneas ou guardar 30 dias. ABAIXO de 2 anos, porém, tríplice viral (ou tetraviral) e febre amarela exigem intervalo de 30 dias — não se aplicam no mesmo dia na rotina. A criança tem 16 meses, portanto está na faixa em que o intervalo é obrigatório. Não existe intervalo de 15 dias nessa regra (os 15 dias aparecem como intervalo mínimo excepcional entre as DUAS doses de tríplice viral, situação diferente). Adiar a tríplice viral até os 2 anos deixaria a criança suscetível a sarampo por oito meses sem necessidade — o intervalo resolve em 30 dias. E o intervalo de 3 meses é o exigido entre as duas doses de varicela dos 1 aos 12 anos, não entre vacinas diferentes. Na agenda oportuna esse conflito quase não aparece, porque febre amarela é dos 9 meses e tríplice viral dos 12; ele surge justamente na criança atrasada.
Lactente de 3 meses chega à sala de vacina sem nenhuma dose da vacina penta. A equipe pretende recuperar o esquema usando o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses, o que colocaria a terceira dose aos 5 meses de vida. Qual a observação correta sobre esse plano?
Na penta em atraso existem dois intervalos que não vêm da coqueluche e sim do componente contra a hepatite B que a combinada carrega: é preciso garantir no mínimo 4 meses entre a primeira e a terceira dose, e a terceira dose não deve ser administrada antes dos 6 meses de idade. Quem acelera o esquema sem observar essas duas travas completa o calendário no papel e deixa a criança mal protegida justamente contra a hepatite B. O intervalo mínimo de 30 dias existe e é ferramenta de exceção — o intervalo recomendado é de 60 dias, e o Manual de Normas autoriza nominalmente o mínimo para recuperar calendário —, de modo que negar a existência dos 30 dias também erra. Esquema incompleto se completa e nunca se reinicia, e não há quarta dose de penta. A dupla adulto entra na atualização de quem já tem 7 anos ou mais, idade a partir da qual a penta fica contraindicada, e não substitui dose de lactente.
Menina de 13 meses recebeu concentrado de hemácias, 10 mL/kg, há dois meses, por anemia aguda, e recuperou-se bem. A tríplice viral prevista para os 12 meses ficou pendente. Não há surto nem situação excepcional que demande antecipação. Segundo o Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, edição de 2024, qual é a conduta?
Para o produto e a dose descritos, o manual brasileiro recomenda cinco meses entre a transfusão e a vacina atenuada injetável. Como transcorreram dois, faltam três meses. Anticorpos passivos podem reduzir a resposta vacinal; não se deve afirmar que toda aplicação antecipada necessariamente produzirá proteção nula. Os intervalos variam com o produto e a dose, e a tabela diferencia hemácias lavadas, concentrado de hemácias, sangue total, plasma e imunoglobulinas. Repetir em duas semanas não resolve o período de interferência, e a idade prevista para outra dose não substitui o intervalo indicado.
Menino de 12 meses tem anafilaxia a ovo documentada por serviço de alergia e comparece para receber a vacina tríplice viral. A mãe pergunta se a vacina pode ser aplicada e quer saber qual alergia realmente restringe esse produto. Qual a resposta correta?
Verificar a composição e antecedentes de reação à própria vacina. A restrição à lactoalbumina não se estende a apresentações sem essa proteína. A SBIm recomenda, por precaução no antecedente de anafilaxia ao ovo, ambiente hospitalar ou outro com condições de tratar anafilaxia; não exige hospital em qualquer alergia ao ovo. Teste cutâneo com a vacina não é recomendado. Referência: SBIm, tríplice viral, atualização 2025.
Qual vacina do calendário nacional reduziu drasticamente a incidência de meningite por Haemophilus influenzae tipo b em crianças?
A introdução do componente conjugado contra Haemophilus influenzae tipo b na vacinação infantil praticamente eliminou essa etiologia como causa de meningite em crianças, alterando a epidemiologia que constava nos livros antigos. A BCG é o distrator com alguma plausibilidade, pois protege contra formas graves de tuberculose, incluindo a meníngea, mas não tem relação com o Haemophilus. As vacinas conjugadas contra pneumococo e meningococo C completaram essa transformação epidemiológica no país.
Qual das seguintes vacinas está disponível no calendário nacional para prevenção de doença meningocócica em crianças?
A vacina meningocócica C conjugada integra o calendário infantil e reduziu de forma expressiva os casos causados por esse sorogrupo, com reforço na adolescência e ampliação para a vacina que cobre os sorogrupos A, C, W e Y nessa faixa etária. Afirmar que não existe vacina é erro grosseiro, e as demais citadas protegem contra outros agentes. A vacina contra o sorogrupo B existe e está disponível na rede privada, com indicações específicas em surtos e grupos de risco.
Lactente de 2 meses comparece para vacinacao de rotina. Segundo o calendario basico do Programa Nacional de Imunizacoes, nessa idade estao previstas:
Aos 2 meses aplicam-se pentavalente, poliomielite inativada, pneumococica conjugada 10-valente e rotavirus humano; a vacina BCG e a primeira dose de hepatite B sao dadas ao nascer. Colocar triplice viral aos 2 meses engana quem nao lembra que as vacinas de virus vivo atenuado do sarampo so entram aos 12 meses, quando os anticorpos maternos ja declinaram. Meningococica C tem esquema aos 3 e 5 meses, com reforco aos 12.
Criança de 3 anos, esquema atrasado, recebeu hoje quatro vacinas em uma única visita. A avó questiona se tantas vacinas juntas 'sobrecarregam a imunidade'. Qual a resposta correta?
O sistema imune lida diariamente com uma carga antigênica muito superior à de qualquer combinação vacinal, e os estudos de administração simultânea mostram resposta preservada e perfil de segurança semelhante ao das aplicações isoladas. Limitar por precaução a duas vacinas por visita parece prudente mas é justamente o que gera doses perdidas. Só há aumento discreto de reações locais, sem impacto clínico relevante.
Criança de 2 anos chega à unidade básica com caderneta contendo apenas BCG e a primeira dose de hepatite B, aplicadas na maternidade. Está assintomática. Qual a conduta correta quanto à atualização vacinal?
Dose aplicada é dose contada: o esquema atrasado se completa, jamais se reinicia, e a aplicação simultânea de múltiplos imunobiológicos é segura e é o que garante que a criança saia protegida. Espaçar uma vacina por visita é a prática que mais perpetua o atraso, porque cada retorno perdido significa mais tempo desprotegido. Sorologia pré-vacinal não é rotina e só atrasaria o esquema.
Lactente de 8 meses nunca vacinado contra poliomielite. Qual a conduta conforme o esquema vigente no calendário nacional brasileiro?
O esquema básico brasileiro passou a ser feito com a vacina inativada injetável, e é com ela que se inicia a atualização de quem está atrasado. Escolher a formulação oral para as doses do esquema básico é o erro de quem ficou com o calendário antigo na memória. Campanha é estratégia complementar de cobertura e nunca justifica adiar o início do esquema de uma criança já identificada como suscetível.
Criança de 6 meses chega para vacinação com quadro de coriza e febre de 37,8 graus, em bom estado geral. A mãe pergunta se deve voltar outro dia. Qual a orientação correta?
Doença aguda leve, com ou sem febre baixa, não é contraindicação — adiar por esse motivo é a chamada oportunidade perdida de vacinação, causa principal de esquemas atrasados no país. O que de fato adia é doença febril moderada a grave, situação em que a preocupação é não confundir evolução da doença com evento adverso. Nesse cenário de resfriado comum, a criança deve sair vacinada.
Qual das situações abaixo constitui contraindicação verdadeira à vacinação, e não apenas falsa contraindicação?
Reação anafilática documentada a dose anterior ou a componente da fórmula é a contraindicação absoluta clássica. Convulsão febril prévia é a falsa contraindicação que mais adia esquemas, quando na verdade a criança deve ser vacinada, eventualmente com orientação sobre antitérmico. Prematuros seguem a idade cronológica para vacinar, e o uso de antibiótico ou a amamentação nunca impedem a aplicação.
Criança de 4 anos com esquema atrasado recebe, na mesma visita, tríplice viral e varicela em locais diferentes. Duas semanas depois retorna e a mãe pede a vacina de febre amarela. Qual a conduta?
Vacinas de vírus vivo atenuado injetáveis ou são aplicadas no mesmo dia ou guardam intervalo de 30 dias, pela interferência que uma pode exercer na resposta à outra — no caso da tríplice viral e da febre amarela em crianças, essa recomendação é explícita. Aplicar de imediato porque estão em membros diferentes confunde a regra de local com a regra de tempo. Não há contraindicação definitiva.
Menino de 5 anos, sem nenhuma dose registrada de tríplice viral. Qual a conduta em relação a essa vacina, conforme o calendário nacional?
O esquema previsto para essa faixa etária é de duas doses de vacina com componente sarampo, caxumba e rubéola, respeitando o intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Aplicar apenas uma dose é o erro que deixa lacuna imunológica e alimenta os surtos de sarampo. A idade recomendada define o momento ideal, nunca um limite que impeça a atualização de quem chegou atrasado.
Sobre a prevenção da caxumba e suas complicações, assinale a alternativa correta.
O componente caxumba integra a tríplice viral, e o esquema de duas doses é a única estratégia com impacto real sobre incidência e complicações — atualizar o adolescente suscetível é conduta de rotina. A imunoglobulina não tem eficácia comprovada na prevenção pós-exposição, ao contrário do que se propaga. A transmissão por gotículas é significativa e exige precaução por vários dias após o início do edema parotídeo.
Sobre os intervalos na atualização de esquemas atrasados, assinale a alternativa correta.
O princípio operacional do programa é que atraso não apaga o que já foi feito: intervalo maior que o ideal apenas prolonga o período de vulnerabilidade, sem comprometer a memória imunológica. O que realmente invalida uma dose é o oposto — aplicá-la antes da idade mínima ou com intervalo menor que o mínimo, e nesse caso ela precisa ser repetida. Sorologia de rotina não faz parte do processo.
Ao atualizar a caderneta de uma criança de 7 anos, o profissional encontra registro de dose de vacina aplicada 3 dias antes da idade mínima recomendada. Qual a conduta?
Doses aplicadas antes da idade mínima ou com intervalo menor que o mínimo não são consideradas válidas e devem ser repetidas, porque a resposta imune pode ser subótima. Muitos serviços aceitam uma janela de poucos dias, mas a regra formal do programa nacional não prevê essa tolerância, e é a regra que a prova cobra. Nada disso implica reiniciar o esquema inteiro: repete-se apenas a dose invalidada.
Menina de 10 anos, com esquema vacinal em dia até os 5 anos, comparece para atualização. Além de reforços de difteria e tétano, qual vacina do calendário nacional é especialmente indicada nessa idade?
A vacina contra o papilomavírus humano tem janela de aplicação iniciada aos 9 anos e é a grande oportunidade de proteção nessa consulta, com melhor resposta imunológica quanto mais cedo aplicada. Rotavírus tem idade máxima rígida no primeiro semestre de vida e não pode ser recuperada depois. O BCG não tem reforço previsto, e a pentavalente não se aplica nessa faixa etária.
Qual o esquema de vacinação contra rotavírus adotado no calendário básico brasileiro?
O esquema nacional usa vacina oral atenuada em duas doses no primeiro semestre, com janelas de idade estritas justamente por causa do risco de invaginação intestinal, que aumenta quando a primeira dose é aplicada tarde; fora do prazo, a dose não é feita. Confundir com esquemas de três doses de outra apresentação ou imaginar uma vacina injetável são erros que aparecem com frequência em prova. A vacinação reduziu drasticamente as internações por diarreia grave no país.
Sobre a vacina contra hepatite B, qual afirmação está correta no calendário brasileiro?
A dose ao nascer é a chave da estratégia de prevenção da transmissão vertical, aplicada o mais precocemente possível, e as doses seguintes vêm nas vacinas combinadas do calendário. Situar o início aos 2 meses engana quem se lembra do bloco de vacinas combinadas dessa idade, esquecendo que a proteção do recém-nascido depende justamente da dose da maternidade. Prematuros recebem a dose ao nascer e podem necessitar de esquema com doses adicionais, e a vacina é recombinante, não viva.
Segundo o calendário do Programa Nacional de Imunizações, quando é feita a primeira dose da vacina que protege contra a rubéola?
A tríplice viral, que cobre sarampo, caxumba e rubéola, é aplicada aos 12 meses, e o reforço vem aos 15 meses com a tetraviral, que acrescenta varicela. A dose aos 6 meses existe apenas como dose zero em situações de surto de sarampo ou viagem para área de risco, e não conta no esquema. BCG e pentavalente protegem contra outras doenças e ocupam outros momentos do calendário. Marcar a primeira dose aos 4 anos deixaria o lactente desprotegido justamente na faixa de maior gravidade e circulação viral.
Qual das situações abaixo contraindica a vacina tríplice viral?
Por ser vacina de vírus vivo atenuado, a tríplice viral é contraindicada na gestação e na imunossupressão grave. Aleitamento materno não contraindica — a mãe pode e deve ser vacinada no puerpério se suscetível. Infecção leve como resfriado, com ou sem febre baixa, não é motivo para adiar e a postergação desnecessária é causa importante de oportunidade vacinal perdida. Corticoide tópico não causa imunossupressão sistêmica relevante. História familiar de convulsão febril tampouco contraindica, apenas orienta antecipar a família sobre o manejo da febre.
Sobre a vacina contra hepatite A no calendário do Programa Nacional de Imunizações brasileiro, qual afirmação está correta?
A vacina contra hepatite A entrou na rotina brasileira aos 15 meses, é de vírus inativado e a estratégia adotada na rede pública é de dose única, com possibilidade de aplicação até faixas etárias mais altas em situações definidas. Confundi-la com a vacina contra hepatite B, aplicada nas primeiras horas de vida, é o erro mais comum porque as duas compartilham o nome da doença hepática, mas os calendários e as vias de transmissão são distintos. Por ser inativada, não há a contraindicação típica das vacinas de vírus vivo.
Sobre a administração simultânea da tríplice viral com outras vacinas, qual afirmação é correta?
A tríplice viral pode ser administrada simultaneamente a vacinas inativadas sem prejuízo de resposta; a restrição relevante é entre vacinas de vírus vivo atenuado injetáveis, que devem ser aplicadas no mesmo dia ou com intervalo mínimo de 30 dias, para evitar interferência na resposta imune. Exigir intervalos de 90 dias ou 6 meses cria oportunidades vacinais perdidas sem qualquer base. Vale lembrar também que a administração recente de imunoglobulina ou hemoderivados adia a vacina de vírus vivo, por interferência dos anticorpos passivos.
Segundo o calendário nacional, qual é o esquema de vacinação contra sarampo na criança?
O esquema básico é tríplice viral aos 12 meses e tetraviral aos 15 meses, esta última acrescentando a varicela; a dose zero aos 6 meses existe apenas em situações de surto ou viagem e não substitui nenhuma delas. Vacinar em dose única aos 9 meses era estratégia de outras épocas e deixa parte das crianças sem segunda dose, que é o que garante soroconversão próxima de 99%. Aos 2, 4 e 6 meses aplicam-se outras vacinas, e vacina de vírus vivo ao nascimento não é feita pela interferência dos anticorpos maternos.
Segundo o Programa Nacional de Imunizações, qual esquema básico protege contra difteria, tétano e coqueluche no primeiro ano de vida?
A pentavalente cobre difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae do tipo b em três doses no primeiro semestre, com dois reforços na primeira infância usando a tríplice bacteriana. A dupla adulto é a que se aplica a adolescentes e adultos a cada dez anos e em gestantes conforme protocolo, não ao lactente. Confundir tríplice bacteriana com tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é erro frequente de nomenclatura.
Qual vacina é CONTRAINDICADA em criança com infecção pelo HIV e imunossupressão grave?
Vacinas de agentes VIVOS atenuados podem causar doença disseminada em imunossuprimidos graves — a BCG é contraindicada na criança com infecção confirmada e a febre amarela depende da avaliação de CD4 e do risco epidemiológico. As demais listadas são inativadas ou conjugadas, seguras e especialmente importantes nesse grupo, cuja suscetibilidade a infecções é maior; recusá-las por medo genérico da imunossupressão é o erro que deixa a criança desprotegida contra doenças evitáveis.
Sobre a vacina pneumocócica conjugada no calendário da criança, qual afirmação é correta?
As vacinas conjugadas reduzem a colonização de nasofaringe, e não apenas a doença no vacinado, o que produz proteção de rebanho e diminui casos em faixas etárias não vacinadas, efeito que se somou à queda expressiva da doença invasiva e das formas complicadas de pneumonia. Elas são universais no calendário infantil e não substituem outras vacinas, cada uma dirigida a agentes distintos.
Recém-nascido de mãe com HBsAg positivo. Qual a conduta correta nas primeiras horas de vida?
A profilaxia da transmissão vertical da hepatite B combina imunização ativa e passiva nas primeiras 12 horas, em sítios distintos, e alcança eficácia alta. Aplicar só a vacina perde a proteção imediata que a imunoglobulina oferece durante a janela de soroconversão. A amamentação está liberada quando a profilaxia foi feita, e proibi-la é um dano adicional e desnecessário. Antiviral tem papel na gestante com alta carga viral, não no recém-nascido.
Segundo o calendário vacinal da criança do Programa Nacional de Imunizações, qual vacina é aplicada ao nascimento?
Ao nascimento aplicam-se BCG, em dose única, e a primeira dose de hepatite B, idealmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, porque é ela que interrompe a transmissão vertical. Pentavalente, poliomielite inativada e pneumocócica começam aos 2 meses; meningocócica C, aos 3 meses; tríplice viral e febre amarela, aos 9 a 12 meses. Confundir o momento é o erro que atrasa a proteção justamente nas doses mais tempo-dependentes do calendário.
Sobre o calendário vacinal do prematuro, qual afirmação é correta?
O sistema imune do prematuro responde adequadamente às vacinas na idade cronológica, e adiar o esquema deixa desprotegido justamente o grupo com maior risco de doença grave, sobretudo coqueluche e doença pneumocócica. As doses não são fracionadas, e as particularidades se restringem a pontos como o peso mínimo para a aplicação da BCG e o respeito às faixas etárias limite de algumas vacinas orais.
Sobre a vacina contra rotavírus no calendário brasileiro, assinale a afirmativa correta.
A vacina é oral, de vírus vivo atenuado, com duas doses e janelas etárias estritas — se a primeira dose não for aplicada dentro do limite, o esquema não deve ser iniciado, restrição relacionada ao risco de intussuscepção em idades mais avançadas. Desconhecer esse limite é o erro operacional mais frequente na sala de vacina. A proteção é maior justamente contra as formas graves, que são as que levam à internação e ao óbito.
Sobre o calendário vacinal da criança no Brasil, assinale a afirmativa correta.
BCG e a primeira dose da hepatite B são aplicadas na maternidade, a segunda preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, o que é decisivo para prevenir a transmissão vertical, sobretudo de mãe com antígeno de superfície positivo, situação em que se associa imunoglobulina específica. Adiar a hepatite B para os 2 meses é o erro que anula essa proteção. A tríplice viral e a febre amarela são aplicadas a partir dos 9 a 12 meses.
Criança de 2 anos com diagnóstico recente de imunodeficiência combinada grave. Qual vacina está contraindicada?
Vacinas de agentes vivos atenuados, como tríplice viral, varicela, febre amarela, rotavírus e BCG, são contraindicadas em imunodeficiência grave pelo risco de doença causada pelo próprio agente vacinal. As inativadas e as de subunidades permanecem indicadas e devem ser mantidas: elas podem ter resposta menor, mas não trazem esse risco, e retirá-las deixa a criança duplamente desprotegida. Vale ainda vacinar os contactantes domiciliares, estratégia que forma uma barreira em torno do paciente.
Prematuro de 30 semanas, hoje com 2 meses de idade cronológica e peso de 1.900 g, ainda internado. Quanto à BCG, qual a conduta correta?
A BCG é a exceção do calendário do prematuro: fica condicionada ao peso de 2.000 g, porque abaixo disso a resposta imune e a técnica intradérmica ficam comprometidas. As demais vacinas seguem a idade cronológica com dose plena, inclusive durante a internação. Adiar tudo até a alta é o erro que deixa desprotegido quem tem maior risco de doença invasiva, especialmente coqueluche e doença pneumocócica. Fracionamento de dose não existe como conduta vacinal.
Qual vacina do calendário infantil brasileiro contém o componente tetânico e é aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida?
A pentavalente reúne difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b, e é aplicada aos 2, 4 e 6 meses, com reforços posteriores pela tríplice bacteriana aos 15 meses e aos 4 anos. É por meio dela que a criança constrói a proteção antitetânica que depois orienta as decisões de profilaxia em ferimentos. Poliomielite inativada e pneumocócica são aplicadas no mesmo dia, mas não contêm componente tetânico, e rotavírus é vacina oral de vírus vivo atenuado.
Sobre a vacinação de criança em uso de corticoide, qual afirmação é correta?
O que importa é a dose e a duração: apenas o uso sistêmico em dose imunossupressora por período prolongado contraindica temporariamente os agentes vivos, exigindo intervalo após a suspensão para a recuperação imunológica. Corticoide tópico, inalatório, intra-articular ou em doses fisiológicas de reposição não contraindica nada, e as vacinas inativadas podem ser aplicadas, ainda que a resposta possa ser menor.
Qual das situações constitui uma FALSA contraindicação à vacinação na infância?
As falsas contraindicações respondem por grande parte das oportunidades perdidas de vacinação, e a lista inclui resfriados com febre baixa, uso de antibiótico, desnutrição, prematuridade, aleitamento e histórias familiares. As contraindicações verdadeiras são poucas e específicas, como anafilaxia a dose anterior, imunodeficiência grave e gestação para agentes vivos e a encefalopatia relacionada temporalmente ao componente pertussis.
Sobre a vacina oral contra rotavírus, qual afirmação é correta?
As janelas de idade existem porque o risco basal de invaginação aumenta com os meses de vida, e aplicar fora do prazo elevaria o risco atribuível sem ganho proporcional, motivo pelo qual doses atrasadas simplesmente não são aplicadas. O antecedente pessoal de invaginação e as malformações não corrigidas do trato digestivo contraindicam, e a dose regurgitada não é repetida.
Sobre a conduta diante de uma criança com esquema vacinal atrasado, qual afirmação é correta?
A memória imunológica não é apagada pelo atraso, e por isso o esquema é continuado de onde parou, respeitando os intervalos mínimos entre doses, com aproveitamento máximo de cada oportunidade de contato com o serviço de saúde. Reiniciar esquemas expõe a criança a doses desnecessárias, aumenta o custo e prolonga o período de vulnerabilidade, e é um erro ainda frequente na prática.
Sobre a aplicação simultânea de vacinas no mesmo atendimento, qual afirmação é correta?
A administração simultânea é segura e eficaz e é justamente o que permite completar esquemas atrasados sem multiplicar consultas, aplicando-se em sítios anatômicos distintos e registrando cada vacina. Espaçar doses por receio infundado é uma das principais causas de esquema incompleto, e as poucas exceções envolvem intervalos específicos entre determinadas vacinas de agentes vivos quando não aplicadas no mesmo dia.
Criança de 2 meses chega à sala de vacina da UBS para a primeira consulta de rotina. Nasceu a termo, recebeu BCG e primeira dose de hepatite B na maternidade. Está assintomática, com peso adequado. Considerando o Calendário Nacional de Vacinação vigente, quais vacinas devem ser aplicadas hoje?
Aos 2 meses o calendário prevê pentavalente, poliomielite inativada, pneumocócica conjugada 10-valente e rotavírus humano. Tríplice viral e febre amarela só são aplicadas a partir dos 9 a 12 meses e meningocócica C tem primeira dose aos 3 meses. A vacina oral contra poliomielite não é usada nas doses do esquema básico, que são todas com a forma inativada, e hepatite A é aplicada aos 15 meses. Adiar tudo exceto a pneumocócica atrasaria sem justificativa a proteção contra difteria, tétano, coqueluche, Haemophilus e hepatite B.
Uma criança de 4 anos chega à sala de vacina com esquema atrasado: recebeu apenas as vacinas do primeiro semestre de vida. Está saudável, sem febre, com quadro respiratório leve de coriza sem febre há 2 dias. A mãe teme que a criança adoeça se receber várias vacinas no mesmo dia. Qual é a conduta correta?
Infecções leves das vias aéreas superiores sem febre não contraindicam vacinação, e a administração simultânea de múltiplos imunizantes é segura e recomendada para resgatar esquemas atrasados. Adiar aumenta a janela de suscetibilidade sem ganho de segurança. Espaçar uma vacina por visita gera oportunidades perdidas e atraso prolongado. Reiniciar o esquema é erro conceitual, pois doses válidas anteriormente aplicadas são aproveitadas.
Lactente de 2 meses, nascido prematuro com 30 semanas e peso de 1.200 gramas, atualmente estável em domicílio, comparece à sala de vacina. Sobre as particularidades da imunização do prematuro, assinale a alternativa correta.
A imunização do prematuro segue a idade cronológica, sem correção, com uso da vacina inativada contra poliomielite e das demais vacinas do calendário na data prevista, porque o risco de doença é maior nesse grupo. Usar idade corrigida atrasaria a proteção justamente em quem mais adoece. A regra de peso mínimo aplica-se apenas à BCG, que exige 2 quilos, e não ao restante do calendário. O prematuro estável recebe as vacinas de rotina na própria unidade básica, sendo o Centro de Referência necessário apenas para imunobiológicos especiais, como o palivizumabe.
Criança de 3 anos, sem vacinação contra febre amarela, será levada pela família em viagem para área com recomendação de vacinação, com embarque previsto em 15 dias. Não tem comorbidades e nunca teve reação vacinal. A mãe tem dúvidas quanto à segurança da vacina. Qual é a orientação correta na Unidade Básica de Saúde?
A vacina contra febre amarela é indicada a partir dos 9 meses e deve ser aplicada com no mínimo dez dias de antecedência da entrada em área com recomendação, prazo suficiente para a soroconversão. Não há contraindicação por faixa etária a partir dos 9 meses, e a restrição vale para menores dessa idade, imunossuprimidos e alérgicos graves a ovo. Vacinar no dia do embarque não confere proteção a tempo. A quimioprofilaxia antimalárica não protege contra febre amarela, que é uma arbovirose com vacina específica.
Em uma Unidade Básica de Saúde, o médico avalia a caderneta de vacinação de criança de 12 meses que recebeu todas as doses previstas até os 9 meses. A mãe deseja atualizar o esquema hoje. Segundo o calendário vigente do Programa Nacional de Imunizações, quais vacinas são preconizadas aos 12 meses de idade?
Aos 12 meses o calendário do Programa Nacional de Imunizações prevê a primeira dose da tríplice viral e os reforços da pneumocócica conjugada e da meningocócica C. As doses de pentavalente e poliomielite inativada correspondem ao esquema básico de 2, 4 e 6 meses. A tetraviral e a hepatite A pertencem aos 15 meses e aos 15 meses ou 12 meses conforme a apresentação, respectivamente, e a febre amarela é aos 9 meses. A dupla adulto é vacina de adolescente e adulto, e a vacina de rotavírus tem idade limite de aplicação nos primeiros meses de vida.
Criança de 3 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. A mãe relata que a criança teve varicela há 15 dias e pergunta quando poderá receber a vacina tríplice viral, atrasada no calendário. A criança está bem, sem febre, e não usou imunoglobulina nem hemoderivados. Qual é a orientação correta?
Doença infecciosa leve já resolvida não contraindica a vacinação, e a criança recuperada pode receber a tríplice viral, sendo o adiamento indicado apenas em doença febril moderada a grave em curso. O intervalo de meses se aplica após uso de imunoglobulina ou hemoderivados, situação ausente no caso. Ter tido varicela não confere proteção contra sarampo, caxumba e rubéola nem contraindica a vacina. A sorologia prévia não é exigida e apenas retarda a atualização do calendário.
Criança de 10 meses é atendida em Unidade Básica de Saúde com diarreia aquosa volumosa e vômitos há 24 horas, com desidratação leve. A mãe informa que a criança não recebeu a vacina oral contra rotavírus por atraso no calendário. Hoje ela tem 10 meses e a mãe pergunta se pode receber a dose. Qual é a orientação correta?
A vacina oral contra rotavírus tem limites de idade rígidos para a primeira e a segunda doses, definidos pelo risco de invaginação intestinal, de modo que ultrapassado o prazo a dose não deve ser aplicada. Afirmar que pode ser feita até os 5 anos desconhece essa restrição. A restrição não é apenas pela diarreia em curso, mas pela faixa etária ultrapassada. O Centro de Referência não repõe doses fora da idade limite dessa vacina.
Lactente de 3 meses é levado à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. A mãe pergunta sobre a vacinação a ser realizada nesta idade, conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações. A criança nasceu a termo, recebeu as vacinas do nascimento e as dos 2 meses corretamente, e não tem imunodeficiência nem alergia conhecida. O exame físico é normal e ela está afebril. Assinale as vacinas indicadas aos 3 meses de idade.
Aos 3 meses o calendário nacional prevê a primeira dose da vacina meningocócica C conjugada, cuja segunda dose ocorre aos 5 meses, com reforço no segundo ano de vida. BCG e hepatite B são aplicadas ao nascimento. Tríplice viral e varicela iniciam-se aos 12 meses, por serem vacinas de vírus vivo cuja resposta é melhor após a queda dos anticorpos maternos. Febre amarela e hepatite A são previstas aos 9 e aos 15 meses, respectivamente.
Criança de 12 meses comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. Está com o calendário em dia até os 9 meses e não apresenta comorbidades, imunossupressão ou alergia a componentes vacinais. A família reside em área urbana e não há surto local em curso. A criança está afebril e o exame físico é normal. A equipe revisa as vacinas previstas para essa idade. Assinale as vacinas indicadas aos 12 meses.
Aos 12 meses o calendário nacional prevê a primeira dose de tríplice viral e os reforços das vacinas pneumocócica 10-valente e meningocócica C. A pentavalente e a poliomielite inativada compõem o esquema básico do primeiro semestre, com reforços em outras idades e não nessa apresentação. O rotavírus tem esquema restrito aos primeiros meses, com limites rígidos de idade, e a BCG não tem dose de reforço no calendário atual. Hepatite A e tetraviral são previstas aos 15 meses.
Lactente de 4 meses, nascido prematuro com 30 semanas e peso de 1.200 g, comparece à Unidade Básica de Saúde para vacinação. Está clinicamente estável, sem uso de corticoide sistêmico e sem imunodeficiência. A mãe pergunta se as vacinas devem ser adiadas por causa da prematuridade ou se a idade corrigida deve ser usada para o calendário vacinal. O exame físico é normal e a criança está afebril. Assinale a orientação correta.
O calendário vacinal do prematuro segue a idade cronológica, sem correção, pois a resposta imune é adequada e o risco de doenças imunopreveníveis é maior nesse grupo; as particularidades envolvem o uso preferencial da vacina inativada contra poliomielite em ambiente hospitalar e o respeito rigoroso aos limites de idade do rotavírus. Corrigir a idade atrasa a proteção justamente em quem mais precisa. Condicionar a vacinação ao peso não é recomendação vigente, exceto para a BCG ao nascimento. Vacinas inativadas são seguras e indicadas em prematuros.
Lactente de 3 meses é levado à sala de vacina da Unidade Básica de Saúde. A mãe relata que ele está com coriza leve e temperatura axilar de 37,2 °C, sem prostração, mamando normalmente. Refere ainda que ele usa corticoide inalatório em dose baixa por sibilância recorrente. A criança não tem imunodeficiência conhecida e não recebeu transfusão nem imunoglobulina. Assinale a conduta correta quanto à vacinação nesta consulta.
Doenças agudas leves, com ou sem febre baixa, e o uso de corticoide inalatório ou tópico são falsas contraindicações à vacinação, e adiá-la aumenta o risco de perda de oportunidade e de doenças imunopreveníveis. O corticoide que contraindica temporariamente vacinas de vírus vivo é o sistêmico em dose imunossupressora e por tempo prolongado. Aguardar a resolução de sintomas leves gera atrasos evitáveis no calendário. A sibilância recorrente não é contraindicação a vacinas de vírus vivo.
Lactente de 4 meses e 10 dias comparece à sala de vacina e a mãe relata que ele não recebeu nenhuma dose da vacina contra rotavírus, por faltas às consultas anteriores. A criança está saudável, sem imunodeficiência, sem malformação do trato digestório e sem antecedente de invaginação intestinal. O calendário das demais vacinas está atrasado e será atualizado hoje. Assinale a conduta correta quanto à vacina contra rotavírus.
A vacina contra rotavírus tem limites rígidos de idade para início e término do esquema, em razão do risco de invaginação intestinal, e a primeira dose não deve ser aplicada após a idade máxima preconizada, situação em que a oportunidade é considerada perdida. Afirmar que não há limite de idade desconsidera a principal particularidade dessa vacina. Aplicar duas doses no mesmo dia viola o intervalo mínimo e não confere proteção adequada. Não existe apresentação injetável de vacina contra rotavírus no calendário nacional.
Uma criança de 6 meses tem indicação de vacinação contra influenza durante a campanha anual. É a primeira vez que recebe essa vacina. A mãe pergunta quantas doses serão necessárias e se há alguma restrição, já que a criança teve reação leve a outra vacina no passado. Qual é a orientação correta?
Na primovacinação contra influenza de crianças de 6 meses a menores de 9 anos são indicadas duas doses com intervalo de 30 dias, passando a dose única anual nos anos seguintes. A dose única em todas as idades desconsidera a necessidade de duas doses na primeira exposição nessa faixa. Não existe esquema de três doses para essa vacina. A vacina é indicada a partir dos 6 meses, portanto não há contraindicação por idade nesse caso.
Uma criança de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com quadro de febre e a mãe menciona que a família é de uma comunidade indígena que se mudou recentemente para o município. A caderneta de vacinação não está disponível e a mãe não recorda o histórico. Qual é a conduta mais adequada em relação à imunização?
Na ausência de comprovação vacinal, a criança deve ser considerada não vacinada e o esquema deve ser iniciado conforme a idade, aproveitando a oportunidade do contato com o serviço, com atenção às recomendações específicas para populações indígenas. Aguardar o registro pode significar meses de suscetibilidade. Restringir à influenza deixa descoberta a maioria das doenças imunopreveníveis. Adiar a vacinação por questão administrativa contraria o princípio de oportunidade e equidade do Sistema Único de Saúde.
Menino de 9 anos, com diagnóstico de asma persistente moderada em uso de corticoide inalatório, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. A mãe pergunta se ele pode receber vacinas de vírus vivo, como a tríplice viral, considerando o uso do medicamento. Qual é a orientação correta?
O corticoide por via inalatória, em doses habituais, não produz imunossupressão relevante e não contraindica vacinas de vírus vivo atenuado. A contraindicação se aplica a corticoterapia sistêmica em dose imunossupressora por período prolongado. Suspender o tratamento de manutenção da asma para vacinar expõe a criança a exacerbação sem qualquer benefício. Restringir o asmático a vacinas inativadas o priva de proteção contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela sem respaldo técnico.
Lactente de 4 meses é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que a criança recebeu a primeira dose da vacina pneumocócica conjugada aos 2 meses e nada mais desde então. Não há comorbidades. A mãe deseja regularizar o esquema hoje. Qual é a conduta em relação ao intervalo entre as doses?
O atraso vacinal não invalida doses já aplicadas, e a conduta é continuar o esquema a partir de onde parou, respeitando intervalos mínimos, aproveitando a oportunidade do contato com o serviço. Reiniciar o esquema expõe a criança a doses desnecessárias e a custos evitáveis. Aguardar o reforço aos 12 meses deixa o lactente desprotegido no período de maior risco de doença pneumocócica invasiva. O encaminhamento ao Centro de Referência não é necessário para atraso vacinal em criança hígida.
Uma criança de 1 ano recebeu, na mesma consulta, as vacinas tríplice viral e febre amarela, aplicadas simultaneamente. A mãe retorna com dúvida sobre a validade das doses, após ouvir que essas vacinas não podem ser aplicadas juntas em crianças. Qual é a orientação correta segundo o Programa Nacional de Imunizações?
O Programa Nacional de Imunizações recomenda intervalo de 30 dias entre a primeira dose de tríplice viral e a de febre amarela em menores de 2 anos, por possível interferência na resposta imune, e a situação exige avaliação sobre dose adicional. Afirmar que as vacinas jamais podem ser aplicadas na mesma pessoa é incorreto, pois ambas fazem parte do calendário. Dizer que a aplicação simultânea nunca requer ajuste ignora a recomendação de intervalo nessa faixa etária. Reiniciar todo o calendário é conduta desproporcional e sem respaldo técnico.
Criança de 15 meses é levada à sala de vacina e a mãe relata que a criança está com quadro de diarreia leve, sem febre, e alimentando-se normalmente. Ela pergunta se pode receber as vacinas previstas para a idade hoje. Não há outras alterações no exame. Qual é a orientação correta?
Doença aguda leve, com ou sem febre baixa, não contraindica a vacinação, e a oportunidade perdida é uma das principais causas de atraso vacinal. Adiar todas as vacinas por diarreia leve gera suscetibilidade evitável. Restringir às injetáveis não corresponde às vacinas previstas para essa idade, que já não incluem a de rotavírus. O encaminhamento ao Centro de Referência é desnecessário em criança hígida com quadro leve.
Criança de 5 anos, com quadro de tosse, febre e dor torácica, tem diagnóstico de pneumonia. A mãe informa que a criança recebeu todas as doses da vacina pneumocócica conjugada. Ela questiona por que a criança adoeceu mesmo vacinada. Qual é a explicação tecnicamente correta?
A vacina pneumocócica conjugada reduz doença invasiva e pneumonia pelos sorotipos incluídos, mas não cobre todos os sorotipos nem outros agentes, como vírus, micoplasma e estafilococo, o que explica o adoecimento em criança corretamente vacinada. Reiniciar o esquema não tem respaldo. Restringir a proteção à meningite é incorreto, pois há impacto documentado sobre pneumonia. Presumir falha de conservação sem qualquer evidência é conclusão infundada.
Um município realiza campanha de vacinação contra poliomielite com uso da vacina oral em crianças que já receberam o esquema básico com a vacina inativada. Um profissional questiona a segurança dessa estratégia. Sobre o uso da vacina oral em campanha, assinale a alternativa correta.
O esquema brasileiro combina doses iniciais com a vacina inativada e reforços com a vacina oral em campanhas, estratégia que soma segurança à indução de imunidade de mucosa, reduzindo a circulação do poliovírus. Afirmar proibição total é incorreto diante da política vigente de campanhas. A vacina oral não substitui o esquema básico injetável, que é feito nas primeiras doses. A restrição a maiores de 5 anos inverte a faixa etária-alvo das campanhas, dirigidas a crianças menores.
Lactente nascido com 28 semanas de idade gestacional recebe alta da unidade neonatal com 3 meses de idade cronológica, correspondendo a idade corrigida de cerca de duas semanas. A mãe leva a criança à Unidade Básica de Saúde e a equipe revisa o calendário vacinal, uma vez que a criança recebeu apenas as vacinas da maternidade. O lactente está clinicamente estável, em aleitamento materno com complemento, com bom ganho ponderal e sem uso de corticoide sistêmico ou imunossupressor. A conduta correta quanto à vacinação é:
O calendário vacinal do prematuro segue a idade cronológica, sem correção pela idade gestacional, pois a proteção deve acompanhar o tempo real de exposição aos agentes, respeitando particularidades como a indicação de imunobiológicos especiais e a estabilidade clínica. Aguardar a idade corrigida deixa o lactente mais vulnerável desprotegido justamente no período de maior risco. Não há critério de peso mínimo que contraindique as vacinas do calendário nessa situação. Priorizar vacinas de vírus vivo e adiar as demais inverte a lógica de proteção e as recomendações vigentes.
Uma equipe de saúde da família analisa os dados de internação por pneumonia em menores de 5 anos do território e observa redução importante nos últimos anos, coincidente com a ampliação da cobertura vacinal infantil. A equipe discute, em reunião com a comunidade, o papel das vacinas do calendário nacional na prevenção das infecções respiratórias graves na infância e as estratégias para manter altas coberturas em um cenário de hesitação vacinal crescente entre algumas famílias. A afirmação correta é:
A vacina pneumocócica conjugada, a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b e a vacinação anual contra influenza reduzem de forma documentada pneumonias, meningites e internações por causas respiratórias na infância, sendo estratégias centrais de prevenção. Negar esse impacto contraria a evidência epidemiológica e os dados de vigilância. A vacinação contra influenza é especialmente recomendada em asmáticos, que integram grupo prioritário. A vacina reduz a incidência e a gravidade, mas não dispensa antibiótico quando a pneumonia bacteriana já está instalada.
Mãe leva o filho de 6 meses à sala de vacina da Unidade Básica de Saúde para as doses previstas no calendário, mas o menino está com coriza leve e temperatura axilar de 37,4 °C, sem outros sintomas. A técnica de enfermagem questiona se deve adiar a vacinação, pois a mãe relata que ele está gripado desde ontem. Ao exame: ativo, corado, hidratado, mamando bem, com ausculta pulmonar normal e sem sinais de gravidade. Ele não usa medicamentos e não tem imunossupressão. Qual é a conduta correta?
Doenças agudas leves, como resfriado comum sem febre alta, não contraindicam a vacinação, e adiar nessas situações gera oportunidades perdidas, uma das principais causas de atraso vacinal e de queda de cobertura. Adiar por trinta dias por coriza é exatamente a falsa contraindicação a ser evitada. Não há necessidade de separar vacinas inativadas de vacinas de vírus vivo nesse contexto clínico. Antibiótico não tem qualquer relação com a segurança da vacinação e seu uso seria inadequado.
Menino de 4 anos é levado à consulta com esquema vacinal atrasado, tendo recebido apenas as vacinas do nascimento e as dos 2 meses. A mãe conta que se mudou várias vezes e perdeu o acompanhamento, e teme que agora seja necessário recomeçar tudo do início. A criança está saudável, sem imunossupressão e sem uso de medicamentos. Ao exame: ativo, sem alterações, com crescimento adequado, sem doença aguda. A caderneta está disponível e legível. Qual é a conduta correta?
Esquemas vacinais atrasados devem ser completados a partir das doses já aplicadas, respeitando os intervalos mínimos recomendados, sem necessidade de reiniciar séries, e várias vacinas podem ser administradas simultaneamente na mesma consulta em sítios diferentes. Reiniciar do zero gera doses desnecessárias e desperdício. Adiar para concentrar tudo depois mantém a criança suscetível por mais tempo. Espaçar artificialmente uma vacina por consulta multiplica oportunidades perdidas e atrasa a proteção.
Uma sala de vacinação de Unidade Básica de Saúde recebe uma criança de 3 anos com esquema vacinal atrasado, e o profissional verifica que ela precisa receber, no mesmo dia, vacinas de agentes vivos atenuados e vacinas inativadas. A mãe pergunta se pode aplicar tudo na mesma visita ou se deve retornar em dias diferentes, preocupada com possíveis reações. A criança está afebril, em bom estado geral, sem imunossupressão e sem uso de corticoide sistêmico ou outras condições especiais. A conduta correta é:
As vacinas do calendário podem ser administradas simultaneamente em locais anatômicos diferentes, e a oportunidade de vacinação deve ser aproveitada para atualizar o esquema atrasado, sem necessidade de reiniciar doses já aplicadas. Aplicar uma vacina por visita aumenta o risco de abandono e perpetua o atraso. Adiar todas as vacinas por trinta dias sem indicação clínica prolonga a suscetibilidade. Adiar as vacinas de agentes vivos sem contraindicação específica não tem respaldo técnico.
Uma equipe de saúde da família recebe uma família recém-chegada de outro país, em situação de refúgio, sem documentos brasileiros e sem cartão de vacinação. A mãe relata que as crianças receberam algumas vacinas no país de origem, mas não sabe quais nem quando, e teme não ter direito ao atendimento no serviço público de saúde por não possuir documentação. As crianças estão assintomáticas, com bom estado geral, e a família reside no território adscrito à unidade há duas semanas. A conduta correta é:
O acesso ao Sistema Único de Saúde é universal e independe de documentação ou nacionalidade, e, na ausência de comprovação vacinal, considera-se a pessoa não vacinada, iniciando ou completando o esquema conforme a idade, sem risco relevante em doses adicionais. Recusar atendimento por falta de documentos é ilegal e viola o princípio da universalidade. Aguardar registros do país de origem mantém a suscetibilidade por tempo indeterminado. Vacinar apenas o que a mãe recorda deixa lacunas importantes de proteção.
Lactente de 6 meses é levado à Unidade Básica de Saúde e, na revisão da caderneta, verifica-se que ele recebeu a primeira dose da vacina oral contra rotavírus aos 2 meses, mas não recebeu a segunda dose no prazo previsto por adoecimento na época. A criança está saudável, sem imunossupressão, sem malformações do trato digestório e sem antecedente de invaginação intestinal. A mãe pergunta se ainda é possível completar o esquema nesta consulta. Qual é a orientação correta?
A vacina oral contra rotavírus tem limites rígidos de idade para a primeira e a última dose, definidos pelo risco de invaginação intestinal, de modo que a aplicação fora desse intervalo não é realizada, reforçando a importância de evitar oportunidades perdidas nos primeiros meses. Afirmar ausência de limite etário é incorreto. Aplicar duas doses no mesmo dia não respeita o intervalo mínimo nem o limite de idade. Não existe apresentação injetável dessa vacina disponível na rotina do calendário nacional.
Menino de 5 anos, com asma e uso de corticoide inalatório, é levado à Unidade Básica de Saúde no início do período de maior circulação de vírus respiratórios, e a mãe pergunta sobre a vacina contra influenza, pois ouviu dizer que crianças asmáticas não podem tomar. Ao exame: eupneico, com ausculta pulmonar limpa, sem exacerbação atual, sem febre e sem doença aguda. Ele não tem alergia grave a componentes da vacina e está com o restante do calendário em dia. Qual é a conduta correta?
A asma é condição que aumenta o risco de complicações da influenza e figura entre as indicações prioritárias de vacinação, que é segura e recomendada, inclusive em uso de corticoide inalatório, devendo-se apenas adiar diante de doença febril aguda moderada a grave. Contraindicar pela asma é erro que deixa a criança desprotegida. Exigir um ano sem crises inviabiliza a vacinação. Fracionar a dose não é prática recomendada e compromete a resposta imune.
Mãe de lactente de 4 meses comparece à sala de vacina e relata que leu nas redes sociais que aplicar várias vacinas no mesmo dia sobrecarrega o sistema imunológico da criança e pede para aplicar uma vacina por semana. O lactente está saudável, sem doença aguda, sem imunossupressão e sem uso de medicamentos. Ao exame: ativo, corado, hidratado, com ganho de peso adequado e desenvolvimento apropriado para a idade. Qual é a orientação correta?
A administração simultânea de várias vacinas em sítios diferentes é segura e eficaz, sem sobrecarga do sistema imunológico, e é justamente a estratégia que garante a proteção na idade adequada, evitando oportunidades perdidas e períodos de suscetibilidade. Fracionar em várias visitas semanais aumenta faltas e atrasa a proteção. Adiar até 1 ano deixa a criança desprotegida na fase de maior risco. Separar vacinas orais e injetáveis não tem fundamento técnico.
Lactente de 3 meses é levado à sala de vacina e a mãe informa que ele está em uso de antibiótico oral há três dias por infecção urinária, já afebril há 24 horas, com boa aceitação alimentar e melhora clínica evidente. A técnica de enfermagem questiona se deve adiar as vacinas previstas até o término do antibiótico. Ao exame: ativo, corado, hidratado, afebril, sem sinais de doença aguda grave e com bom estado geral. Qual é a conduta correta?
O uso de antibióticos e a presença de doença aguda leve em resolução não contraindicam a vacinação, sendo essa uma das falsas contraindicações mais frequentes e responsável por oportunidades perdidas e atraso vacinal. Adiar por semanas aumenta o período de suscetibilidade. Fracionar doses compromete a resposta imune e não é prática recomendada. Antibióticos não interferem nas vacinas virais atenuadas do calendário infantil de rotina.
Recém-nascido de 6 horas de vida, nascido a termo e com boa vitalidade, está no alojamento conjunto. A mãe questiona por que o bebê recebeu duas vacinas logo ao nascer, se ele ainda é tão pequeno, e pergunta se poderiam ter sido adiadas para a primeira consulta de puericultura. Ao exame: recém-nascido ativo, corado, mamando ao seio, sem alterações ao exame físico, com peso adequado e sorologias maternas do pré-natal sem alterações. Qual é a orientação correta?
As vacinas aplicadas ao nascimento protegem contra as formas graves da tuberculose, como a meníngea e a miliar, e contra a infecção pelo vírus da hepatite B, sendo esta última tanto mais eficaz quanto mais precoce, idealmente nas primeiras horas de vida, especialmente na prevenção da transmissão vertical. Adiar reduz a proteção justamente na fase de maior risco. Tratar as vacinas como opcionais contraria o calendário nacional. Não há indicação de repetição mensal dessas vacinas.
Uma criança de 3 anos, filha de família migrante recém-chegada ao município, é levada à Unidade Básica de Saúde para consulta. A família não possui comprovante de vacinação e relata que a criança recebeu algumas vacinas no país de origem, sem lembrar quais. A criança nunca foi atendida no serviço e a mãe teme perder o acesso por não ter documentação completa. Ao exame: criança em bom estado geral, com crescimento adequado e sem sinais de doença aguda. Qual é a conduta correta?
O acesso à saúde e à vacinação independe de documentação ou tempo de residência, devendo a criança sem comprovante ser considerada não vacinada e ter o esquema iniciado ou completado conforme a idade, com registro na caderneta e no sistema de informação. Recusar o atendimento cria barreira ilegal. Exigir tempo de residência não tem respaldo. Aplicar dose única sem seguir o esquema previsto deixa a criança sem proteção adequada.
Menina de 4 anos, com asma persistente moderada em uso regular de corticoide inalatório, é levada à Unidade Básica de Saúde durante o período de campanha de vacinação contra a influenza. A mãe pergunta se a vacina é segura, pois a criança teve crise asmática há três semanas, tratada com corticoide oral por cinco dias, com boa recuperação. Ao exame: eupneica, afebril, com ausculta pulmonar sem sibilos, saturação normal e bom estado geral, sem sinais de infecção aguda. Qual é a conduta correta?
Crianças com asma integram grupo prioritário para a vacinação contra a influenza, pois têm maior risco de complicações, e o uso de corticoide inalatório ou o antecedente de crise já resolvida não contraindicam a vacina, que deve ser aplicada aproveitando a oportunidade de contato com o serviço. Contraindicar por crise prévia resolvida é falsa contraindicação. Adiar por um ano deixa a criança desprotegida na sazonalidade. Exigir suspensão do corticoide inalatório não tem respaldo.
Uma mãe leva o filho de 6 meses à sala de vacina e questiona por que não existe mais a gotinha contra a poliomielite no esquema básico, como ocorria com os filhos mais velhos, e teme que a proteção da vacina injetável seja inferior. A criança está com o calendário em dia até o momento, sem intercorrências. Ao exame: lactente ativo, eutrófico, sem sinais de doença aguda e com desenvolvimento adequado, com caderneta registrando as doses previstas para a idade. Qual é a orientação correta?
O esquema vigente utiliza a vacina inativada injetável contra a poliomielite, que confere proteção adequada e elimina o risco de poliomielite associada ao vírus vacinal, medida adotada em contexto de eliminação da circulação do vírus selvagem, mantendo-se a vigilância de paralisias flácidas agudas e as altas coberturas. Afirmar redução de proteção é incorreto. A vacinação continua indispensável diante do risco de reintrodução. Adiar doses deixa a criança suscetível.
Uma mãe leva o filho de 9 meses à sala de vacina e a equipe verifica que estão indicadas, para a idade, a vacina tríplice viral e a vacina contra febre amarela, ambas de agente vivo atenuado e de aplicação injetável. A criança está saudável, sem uso de imunossupressores, sem antecedente de reações vacinais e com o restante do calendário em dia, e a família reside em município com recomendação de vacinação contra febre amarela. Qual é a conduta correta?
Em menores de 2 anos, a aplicação simultânea de vacinas de agente vivo atenuado injetáveis pode reduzir a resposta imunológica, recomendando-se respeitar o intervalo mínimo entre elas ou seguir a orientação vigente para a faixa etária, garantindo a proteção contra ambas as doenças. Aplicar sem considerar o intervalo pode comprometer a resposta nessa idade. Adiar as duas deixa a criança suscetível em período de maior risco. Substituir uma vacina pela outra não protege contra a doença correspondente.
Menino de 3 anos recebeu imunoglobulina endovenosa há duas semanas durante internação por doença de Kawasaki e a família comparece à Unidade Básica de Saúde para aplicar a vacina tríplice viral, que estava pendente. A criança está bem, sem febre, com boa aceitação alimentar e em uso apenas de ácido acetilsalicílico em dose de manutenção conforme prescrição do serviço de referência. Ao exame: bom estado geral, sem descamação ativa, sem exantema e sem sinais de doença aguda. Qual é a conduta correta?
Os anticorpos presentes na imunoglobulina interferem na resposta às vacinas de agente vivo atenuado, especialmente tríplice viral e varicela, exigindo o respeito ao intervalo recomendado conforme o produto e a dose recebidos, com registro para garantir a aplicação posterior. Aplicar imediatamente pode resultar em falha vacinal. Contraindicar definitivamente é incorreto, pois a interferência é temporária. Não existe recomendação de dose reduzida de vacina para compensar interferência.
Lactente nascido com 30 semanas de idade gestacional e 1.200 g completa 2 meses de vida cronológica, encontra-se estável em domicílio, com bom ganho ponderal e em aleitamento materno com complemento. A mãe pergunta na Unidade Básica de Saúde se as vacinas devem ser aplicadas considerando a idade corrigida, pois teme que o filho seja pequeno demais. Ao exame: lactente ativo, com peso de 3.100 g, sem desconforto respiratório, sem uso de oxigênio e sem intercorrências clínicas recentes. Qual é a conduta correta?
As vacinas do prematuro são aplicadas conforme a idade cronológica, sem correção pela prematuridade, pois esse grupo tem maior risco de doenças imunopreveníveis graves, observando-se particularidades como o uso de vacinas específicas e a avaliação da BCG conforme o peso ao nascimento e o estado clínico. Usar a idade corrigida atrasa a proteção. Aguardar peso determinado não tem respaldo para a maioria das vacinas. Reduzir doses compromete a imunogenicidade.
Uma equipe de saúde da família atende um menino de 5 anos cuja caderneta mostra várias vacinas em atraso, algumas com mais de dois anos de intervalo desde a última dose do esquema iniciado. A mãe pergunta se será necessário reiniciar todos os esquemas desde o começo, pois teme o número de picadas e o desconforto para a criança em uma única visita à unidade de saúde. Ao exame: criança hígida, sem sinais de doença aguda e sem contraindicações no momento. Qual é a orientação correta?
Intervalos maiores que o previsto entre doses não exigem reinício dos esquemas, devendo-se completar as doses faltantes a partir do que já foi aplicado, aproveitando ao máximo a oportunidade com aplicação simultânea de vacinas compatíveis para reduzir o número de visitas e o risco de nova perda de seguimento. Reiniciar os esquemas gera doses desnecessárias. Limitar a uma vacina por visita perpetua o atraso. Adiar até a entrada na escola mantém a criança suscetível.
Um lactente nascido com 30 semanas de idade gestacional, atualmente com 2 meses de idade cronológica e 1.900 g, está clinicamente estável em acompanhamento ambulatorial após alta da unidade neonatal. A mãe pergunta se a vacinação deve ser adiada por causa da prematuridade e do baixo peso. A médica revisa as recomendações do Programa Nacional de Imunizações para prematuros. Ele recebeu BCG e a primeira dose da vacina contra hepatite B ainda na maternidade, está em aleitamento materno exclusivo e vem ganhando peso adequadamente. Qual é a orientação correta?
Prematuros clinicamente estáveis devem ser vacinados conforme a idade cronológica, sem correção, porque a resposta imune é adequada e o risco de doenças imunopreveníveis é maior nesse grupo; as exceções envolvem particularidades como a aplicação da BCG a partir de determinado peso e o esquema ampliado de hepatite B. Aguardar o peso de 2.500 g deixa o lactente desprotegido no período de maior vulnerabilidade. Usar idade corrigida atrasa indevidamente o esquema. Contraindicar vacinas até os 6 meses não tem qualquer respaldo técnico.
Menino, 9 anos, com anafilaxia prévia a amendoim, comparece à unidade para vacinação de rotina. A família teme que a vacina possa desencadear nova reação alérgica e questiona se deve ser adiada. A criança está assintomática, sem uso de corticoide ou imunossupressor, sem doença aguda e sem histórico de reação a qualquer vacina anterior, com esquema em atraso apenas por receio familiar nos últimos dois anos. Qual a orientação correta?
A alergia alimentar, mesmo com anafilaxia prévia, não contraindica as vacinas do calendário, devendo a criança ser vacinada normalmente com período de observação após a aplicação e atenção a componentes específicos apenas quando houver alergia documentada a eles. Contraindicar todas as vacinas expõe a criança a doenças imunopreveníveis sem qualquer benefício. Fracionar a dose compromete a imunogenicidade e não reduz o risco alérgico. Adiar até a cura da alergia alimentar mantém a criança suscetível por anos. Corticoide profilático antes de cada dose não previne reação mediada por IgE e pode reduzir a resposta vacinal.
Lactente de 5 meses e 10 dias comparece à unidade básica de saúde com o calendário vacinal atrasado. Não recebeu nenhuma dose de vacina contra rotavírus. Encontra-se hígido, com bom ganho ponderal, sem imunodeficiência e sem antecedente de invaginação intestinal. FC 128 bpm, FR 40 ipm, T 36,6 °C, exame físico normal. A mãe questiona se ainda é possível iniciar o esquema. Qual a orientação correta?
Não administrar é a orientação correta: a vacina oral contra rotavírus tem idade máxima definida para a primeira dose, ultrapassada nesse lactente, restrição que existe pela associação entre a aplicação em idades mais avançadas e o risco de invaginação intestinal. Afirmar que não há limite de idade contraria a norma do programa de imunizações. Encurtar o intervalo entre doses não resolve o impedimento da primeira dose. Não existe apresentação injetável dessa vacina na rede pública. Adiar para os 12 meses agrava o problema, pois a idade limite já foi ultrapassada.
Menina, 5 anos, em uso de prednisona em dose imunossupressora por síndrome nefrótica corticodependente, será levada pela família para viagem a área com recomendação de vacina febre amarela daqui a 3 semanas. Encontra-se em remissão, com edema ausente. FC 96 bpm, T 36,5 °C, PA 96x60 mmHg. Nunca recebeu essa vacina e não tem antecedente de alergia grave a ovo. Qual a orientação correta?
Contraindicar a vacina no momento, orientando proteção e adiamento, é a conduta correta: a vacina febre amarela é de vírus vivo atenuado e está contraindicada durante imunossupressão farmacológica, pelo risco de doença viscerotrópica, devendo ser adiada até o intervalo recomendado após a suspensão do corticoide. Aplicar imediatamente ignora essa contraindicação. Fracionar a dose não elimina o risco em imunossuprimidos, sendo estratégia usada apenas em situações de desabastecimento para pessoas elegíveis. A imunoglobulina não protege contra o vírus vacinal. Não existe apresentação inativada dessa vacina disponível na rede.
Menino, 3 anos, chega à unidade básica com a caderneta mostrando apenas as vacinas do nascimento. Está hígido, com bom desenvolvimento, sem imunodeficiência e sem uso de medicamentos. FC 104 bpm, FR 24 ipm, T 36,5 °C, exame físico normal. A mãe se preocupa em aplicar muitas vacinas no mesmo dia e pergunta se é preciso recomeçar todos os esquemas do início. Qual a orientação correta?
Retomar de onde parou, aplicando simultaneamente as vacinas compatíveis, é a orientação correta: dose aplicada é dose contada, e a administração simultânea em sítios diferentes é segura e eficaz, além de reduzir oportunidades perdidas. Recomeçar do zero desperdiça doses válidas e expõe a criança a aplicações desnecessárias. Espaçar uma vacina por mês prolonga a vulnerabilidade sem qualquer benefício imunológico. Adiar até os 5 anos deixa a criança desprotegida por anos. Separar as atenuadas das inativadas não é necessário, respeitando-se apenas o intervalo entre vacinas atenuadas injetáveis quando não aplicadas no mesmo dia.
Menina, 18 meses, comparece à sala de vacinação com quadro de coriza hialina e febre de 37,6 °C aferida na unidade, em bom estado geral e alimentando-se bem. A mãe relata que a criança usa corticoide inalatório em dose baixa para asma e que teve reação local com dor e eritema após a última vacina. Não há imunodeficiência, uso de imunossupressor sistêmico ou antecedente de anafilaxia. Sobre contraindicações à vacinação, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que o aleitamento materno contraindica vacinas de vírus vivo atenuado é o erro pedido: amamentação não é contraindicação a nenhuma vacina do calendário, nem para a criança nem para a mãe. É verdadeiro que doença febril leve das vias aéreas superiores não impede a vacinação, sendo essa uma das falsas contraindicações mais frequentes. É correto que reação local prévia com dor e eritema não contraindica novas doses. É correto que corticoide inalatório em dose baixa não configura imunossupressão. Também é correto que anafilaxia a componente da vacina é contraindicação verdadeira.
Menino, 5 anos, com asma persistente leve, comparece à unidade básica em campanha de vacinação contra influenza. Nunca recebeu essa vacina em anos anteriores. FC 96 bpm, FR 22 ipm, T 36,5 °C, ausculta pulmonar limpa, sem sibilos. A mãe relata alergia a ovo com urticária leve, sem anafilaxia. A criança está assintomática e em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa. Qual a orientação correta?
Aplicar duas doses com intervalo de aproximadamente um mês é a orientação correta: crianças menores de 9 anos que recebem a vacina influenza pela primeira vez precisam de duas doses para obter resposta imune adequada. Contraindicar a vacina por urticária leve ao ovo é inadequado, já que apenas a anafilaxia grave exige cautela em ambiente apropriado. Afirmar que basta uma dose acima de 3 anos ignora o critério de primovacinação. O corticoide inalatório em dose baixa não é imunossupressor e não justifica adiamento. A apresentação viva atenuada por via nasal não é a disponível na rede e é evitada em asmáticos.
Recém-nascido a termo, com 3.400 g, nasce de parto vaginal sem intercorrências e permanece em alojamento conjunto com a mãe, em boas condições clínicas e mamando bem. A equipe de enfermagem prepara a alta hospitalar e revisa as imunizações que devem ser aplicadas ainda na maternidade, além das orientações sobre o calendário vacinal subsequente e sobre a caderneta que será entregue à família no momento da alta. Quais vacinas devem ser aplicadas ainda na maternidade?
O calendário prevê a aplicação da BCG e da primeira dose da vacina contra hepatite B ainda na maternidade, esta última preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, o que é decisivo na prevenção da transmissão vertical do vírus. Aplicar apenas a hepatite B e adiar a BCG contraria a recomendação de vacinação ao nascimento. A tríplice viral e a varicela são vacinas de vírus vivo indicadas a partir de 12 meses. Rotavírus e pentavalente iniciam aos dois meses. Não vacinar na maternidade perde a oportunidade de proteção precoce, especialmente contra a hepatite B.
Prematuro nascido com 29 semanas e 1.150 g encontra-se internado em unidade neonatal, estável, com 2 meses de idade cronológica e peso atual de 2.400 g. A equipe revisa o calendário vacinal, considerando as particularidades dessa população quanto ao momento de início das vacinas, ao uso da idade cronológica ou corrigida e às vacinas que dependem de peso mínimo ou de condição clínica específica para serem administradas. Qual a orientação correta?
O prematuro deve iniciar o calendário vacinal pela idade cronológica, com as doses habituais, pois a resposta imune é adequada e o adiamento aumenta a vulnerabilidade a doenças graves. Usar a idade corrigida atrasaria a proteção justamente na população de maior risco. Condicionar a vacinação a 5 kg de peso é critério inexistente, salvo a particularidade da BCG, que exige peso mínimo de 2 kg. Aplicar metade da dose compromete a imunogenicidade e não é recomendado. Contraindicar definitivamente as vacinas em prematuros extremos é erro grave, pois eles são prioritários na imunização.
Unidade básica de saúde registra baixa cobertura vacinal em lactentes do território e identifica, em auditoria, que parte das doses foi adiada por motivos que não constituem contraindicação real. A equipe organiza capacitação sobre contraindicações verdadeiras, adiamentos justificados e falsas contraindicações, buscando reduzir oportunidades perdidas de vacinação e melhorar a cobertura das crianças menores de um ano acompanhadas na unidade. Assinale a situação que NÃO contraindica nem justifica adiar a vacinação.
Resfriado comum com febre baixa e bom estado geral é falsa contraindicação e não justifica adiar a vacinação, sendo uma das principais causas de oportunidades perdidas. O uso de corticoide em dose imunossupressora contraindica vacinas de vírus vivo atenuado. Doença febril aguda grave com comprometimento do estado geral justifica adiar a vacinação até a melhora clínica. Reação anafilática a dose anterior da mesma vacina é contraindicação absoluta à sua repetição. Imunodeficiência congênita grave contraindica vacinas de agentes vivos atenuados, pelo risco de doença vacinal.
Lactente de 4 meses comparece à unidade básica para vacinação de rotina. Recebeu ao nascimento BCG e hepatite B e, aos 2 meses, as doses previstas para aquela idade. Está afebril, em bom estado geral, com peso e desenvolvimento adequados. A mãe relata que a criança apresentou febre de 38 graus Celsius por 24 horas após a última vacinação, sem outras intercorrências, e pergunta se pode vacinar hoje. Segundo o calendário nacional, quais vacinas estão indicadas nesta consulta?
Aos 4 meses estão previstas a segunda dose de pentavalente, de poliomielite inativada, de pneumocócica dez-valente e de rotavírus, e a febre autolimitada após dose anterior não contraindica a continuidade do esquema. O bloco com tríplice viral, varicela e hepatite A pertence ao segundo semestre e ao segundo ano de vida. A febre amarela e a vacina oral contra poliomielite não integram o esquema dos 4 meses, já que as duas primeiras doses de pólio são de vírus inativado. Adiar as demais por febre prévia é erro, pois febre pregressa é falsa contraindicação. Restringir a aplicação ao rotavírus deixa a criança desprotegida e perde oportunidade vacinal.
Equipe de enfermagem de unidade básica encaminha para avaliação médica quatro crianças cujos responsáveis questionam a aplicação de vacinas no dia. Todas estão em bom estado geral, sem febre no momento da consulta, com peso e desenvolvimento adequados e sem uso de medicações contínuas. Sobre contraindicações vacinais, assinale a alternativa correta.
A imunodeficiência grave é contraindicação verdadeira às vacinas de agentes vivos atenuados, pelo risco de doença causada pelo próprio imunobiológico. A doença febril leve com coriza é falsa contraindicação e não deve adiar a vacinação, sob pena de perder oportunidades. O uso de antibiótico também não contraindica vacinas, pois não interfere na resposta imune aos imunobiológicos do calendário. A desnutrição não contraindica a vacinação, e essas crianças são justamente as mais vulneráveis a doenças imunopreveníveis. A prematuridade não altera o momento da vacinação, que segue a idade cronológica, com atenção especial às doses do recém-nascido.
Recém-nascido a termo, com 2.900 g, nascido de parto vaginal sem intercorrências, encontra-se em alojamento conjunto com 12 horas de vida, mamando bem. FC 140 bpm, FR 44 ipm, T 36,8 °C; exame físico sem alterações. A mãe tem sorologias do pré-natal não reagentes e não há contraindicações clínicas. A equipe prepara as vacinas a serem aplicadas ainda na maternidade. Quais vacinas devem ser aplicadas neste momento?
Ao nascimento, o calendário brasileiro prevê a vacina BCG, para prevenção das formas graves de tuberculose, e a primeira dose da vacina contra hepatite B, idealmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida. A tríplice viral e a febre amarela são vacinas de vírus vivos aplicadas a partir dos nove a doze meses. A pentavalente e o rotavírus iniciam aos dois meses. A varicela é aplicada aos quinze meses e a meningocócica C aos três meses. A hepatite A é dada aos quinze meses e a pneumocócica conjugada aos dois meses, de modo que nenhuma delas cabe no período neonatal imediato.
Lactente nascido com 29 semanas de idade gestacional e 1.100 g encontra-se internado na unidade neonatal, clinicamente estável, com 2 meses de idade cronológica e peso atual de 2.300 g. A equipe discute a vacinação, considerando idade gestacional, peso ao nascer, peso atual e as particularidades do calendário para recém-nascidos prematuros nessa situação. Sobre a vacinação do prematuro, assinale a alternativa correta.
As vacinas devem ser aplicadas conforme a idade cronológica, sem correção da prematuridade, pois o prematuro é justamente mais vulnerável a doenças imunopreveníveis. Seguir a idade corrigida atrasaria a proteção. A vacina BCG depende do peso, sendo aplicada a partir de 2.000 g, o que torna a afirmação incorreta como generalização. Adiar todas as vacinas até 3.000 g deixaria a criança desprotegida por período prolongado. Prematuros podem e devem receber vacinas inativadas no primeiro ano, com boa segurança.
Equipe de unidade básica organiza campanha de prevenção de doenças respiratórias na infância, revisando o calendário vacinal e as principais medidas de proteção. A discussão inclui quais imunizações reduzem de forma comprovada a incidência de pneumonia e de suas complicações, além de medidas ambientais e de promoção da saúde aplicáveis à população infantil do território. Assinale a alternativa INCORRETA sobre essas medidas preventivas.
Afirmar que a vacina BCG protege contra pneumonia bacteriana comunitária é incorreto, pois sua proteção se dirige às formas graves de tuberculose, como a miliar e a meníngea, na criança. A vacina pneumocócica conjugada reduz comprovadamente doença invasiva e pneumonia. A vacina contra influenza reduz hospitalizações por complicações respiratórias. O aleitamento materno exclusivo diminui a incidência e a gravidade das infecções respiratórias. A exposição ao tabagismo passivo aumenta de forma consistente o risco dessas infecções.
Menino, 2 anos, teve pneumonia pneumocócica com bacteriemia documentada e recebeu alta após tratamento adequado. Está bem, FR 24 ipm, FC 100 bpm, SatO2 98%, com bom estado geral. A caderneta mostra esquema vacinal atrasado, com apenas uma dose de vacina pneumocócica conjugada aplicada aos 2 meses de vida e nenhuma dose subsequente registrada. Qual a conduta indicada?
A conduta é atualizar o esquema vacinal conforme as normas para a idade e, diante de doença invasiva, considerar investigação de imunodeficiência e de asplenia funcional, sobretudo se houver outros episódios graves. A infecção natural não confere proteção contra os demais sorotipos. Aguardar seis meses após o episódio atrasa desnecessariamente a proteção. A antibioticoprofilaxia contínua não substitui a imunização e seleciona resistência. A vacina polissacarídica isolada não substitui as doses da conjugada nessa faixa etária.
Família com criança de 3 anos, com calendário vacinal em dia, planeja viagem para área rural com recomendação de vacinação contra febre amarela, com embarque em 20 dias. A criança é saudável, sem imunossupressão, sem alergia a ovo e sem uso de medicações. Ela recebeu a vacina tríplice viral há uma semana, durante campanha realizada na unidade básica de saúde do bairro. Qual a orientação correta?
Respeitar o intervalo mínimo de 30 dias entre a tríplice viral e a febre amarela é a orientação correta em crianças menores de 5 anos, pela possibilidade de interferência na resposta imune quando as vacinas de agentes vivos não são aplicadas no mesmo dia. Aplicar hoje já não é possível, pois a aplicação simultânea deveria ter ocorrido no mesmo momento. Contraindicar definitivamente é incorreto, pois trata-se apenas de intervalo. Cancelar a viagem é decisão precipitada, cabendo reprogramar a vacinação e discutir o risco. Fracionar a dose por conta própria não é conduta admissível.
Lactente de 3 meses e 20 dias comparece à unidade para vacinação de rotina. A mãe informa que a criança teve episódio de invaginação intestinal aos 2 meses, tratada com redução por enema, sem necessidade de cirurgia. A criança está em bom estado geral, eutrófica, afebril, sem imunossupressão e com o restante do calendário vacinal em dia para a idade. Qual a conduta correta em relação à vacina oral contra rotavírus?
Contraindicar a vacina é a conduta correta, pois o antecedente de invaginação intestinal é contraindicação formal à vacina oral contra rotavírus, assim como malformações do trato gastrointestinal não corrigidas e imunodeficiência combinada grave. Aplicar normalmente ignora essa contraindicação. Fracionar a dose não é prática admissível e não reduz o risco. Adiar para os 12 meses é inviável, pois há idade máxima definida para a aplicação de cada dose. Não existe formulação injetável equivalente disponível para substituição.
Menino de 4 anos chega à unidade com caderneta mostrando apenas as vacinas do nascimento e as doses de 2 meses, sem qualquer registro posterior. Está saudável, afebril, eutrófico, sem imunossupressão e sem uso de medicações. A mãe relata que se mudou de cidade e perdeu o vínculo com o serviço de saúde, e pergunta se será necessário reiniciar todo o calendário vacinal da criança. Qual a orientação correta?
Completar as doses faltantes aproveitando as já aplicadas, sem reiniciar esquemas, é a orientação correta, pois o princípio da vacinação é que dose aplicada é dose contada, respeitando os intervalos mínimos. Reiniciar todo o calendário desperdiça doses e adia a proteção. Restringir a uma vacina por consulta com intervalos longos atrasa desnecessariamente a atualização, já que múltiplas vacinas podem ser aplicadas no mesmo dia. Adiar até os 5 anos mantém a criança suscetível. Não há motivo para evitar vacinas atenuadas em criança saudável e imunocompetente.
Lactente, 7 meses, com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, em uso de diurético e inibidor da enzima conversora, comparece a consulta de rotina antes do período de maior circulação viral. FC 128 bpm, FR 42 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, T 36,7 °C, sem infecção ativa. Calendário vacinal básico em dia. A mãe pergunta sobre vacinas adicionais recomendadas para a criança e para os familiares. Sobre a imunização, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que contraindica vacinas: a cardiopatia congênita, mesmo com repercussão hemodinâmica, não contraindica o calendário básico, e essas crianças integram grupos prioritários para imunizações adicionais. É correto que a vacinação anual contra influenza é recomendada. A imunização dos contatos domiciliares protege indiretamente o lactente por efeito de barreira. As vacinas pneumocócicas fazem parte da proteção recomendada. E o adiamento se justifica apenas em doença febril aguda moderada a grave, não pela cardiopatia em si.
Mãe leva lactente de 4 meses à unidade básica de saúde para atualizar o calendário vacinal. A criança está em bom estado geral, com FC 130 bpm, FR 36 ipm e T 36,8 °C, sem doença aguda no momento. Ela recebeu a primeira dose da vacina oral contra rotavírus aos 2 meses de idade e não apresentou eventos adversos após aquela aplicação. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma informação correta sobre essa vacina.
A vacina oral contra rotavírus tem limites rígidos de idade, com a segunda dose devendo ser aplicada até 7 meses e 29 dias, não podendo ser administrada em qualquer idade após os oito meses, pelo risco aumentado de invaginação em faixas etárias mais avançadas. Trata-se de vacina oral de vírus vivo atenuado do calendário básico. O antecedente de invaginação intestinal contraindica a aplicação. A redução de internações e de formas graves está bem documentada. A imunodeficiência combinada grave é contraindicação, por se tratar de vacina de agente vivo.
Prematuro nascido com 29 semanas e 1.100 g encontra-se com 60 dias de vida cronológica, estável, em ar ambiente, com ganho ponderal adequado e peso atual de 1.900 g. Ainda internado em unidade neonatal, sem uso de corticosteroide sistêmico e sem intercorrências recentes. FC 148 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C. Acerca da imunização desse prematuro, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que as doses devem ser reduzidas à metade pelo baixo peso é incorreto e corresponde à assertiva pedida: prematuros recebem as mesmas doses plenas das vacinas, pois a redução compromete a resposta imune sem qualquer ganho de segurança. As vacinas do calendário são de fato aplicadas pela idade cronológica, sem correção pela prematuridade. A BCG é adiada até que o peso alcance 2.000 g. O recém-nascido de mãe HBsAg reagente ou o prematuro de muito baixo peso recebe esquema com doses adicionais da vacina contra hepatite B. A vacina inativada contra poliomielite é a indicada enquanto o prematuro está internado, evitando a excreção viral da formulação oral.
Lactente de 8 meses, saudável, reside em área com recomendação de vacinação contra febre amarela. Está em aleitamento materno e recebeu todas as vacinas do calendário até o momento. Temperatura axilar 36,7 °C, frequência cardíaca 122 bpm, exame físico normal. A mãe amamenta e não é imunossuprimida. A equipe avalia a vacinação da criança contra febre amarela. Assinale a alternativa correta.
A vacina contra febre amarela é indicada a partir dos 9 meses de idade em áreas com recomendação, observando-se o intervalo com outras vacinas de vírus vivo atenuado, como a tríplice viral, quando não aplicadas no mesmo dia. Contraindicá-la em toda criança abaixo de 2 anos é incorreto. Aplicá-la aos 8 meses só se justifica em situações de surto com risco iminente, mediante avaliação. A contraindicação relacionada à amamentação diz respeito à vacinação da mãe de lactente menor de 6 meses, e não à vacinação da criança de 9 meses. A vacina não é aplicada desde o nascimento.
Menina de 15 meses recebeu a vacina tríplice viral há 10 dias e retorna à unidade para atualizar a caderneta, na qual falta a vacina varicela. Encontra-se saudável, sem febre, com desenvolvimento adequado. Temperatura axilar 36,6 °C, frequência cardíaca 118 bpm. Não é imunossuprimida e não recebeu hemoderivados recentemente. Qual a orientação correta quanto ao intervalo entre essas vacinas?
Vacinas de vírus vivo atenuado injetáveis podem ser aplicadas no mesmo dia; quando isso não ocorre, recomenda-se intervalo mínimo de 30 dias entre elas, para evitar interferência na resposta imune, de modo que a varicela deve aguardar esse prazo. Afirmar ausência de qualquer intervalo é incorreto. Um intervalo de 6 meses não corresponde à recomendação vigente e atrasaria desnecessariamente o esquema. Não há contraindicação por 12 meses. A aplicação simultânea é permitida e frequentemente recomendada, em locais anatômicos diferentes.
Menina de 3 anos, recém-adotada, comparece à primeira consulta de puericultura. Não há documentação de vacinas nem informações sobre antecedentes gestacionais e familiares. A criança está eutrófica, com desenvolvimento aparentemente adequado, porém retraída. Temperatura axilar 36,7 °C, frequência cardíaca 104 bpm, exame físico sem alterações. A família adotiva pergunta como proceder. Qual a conduta mais adequada?
Na ausência de comprovante vacinal, a criança deve ser considerada não vacinada e receber o esquema de resgate conforme a idade, associando-se rastreios pertinentes, como hemograma, sorologias e avaliação de desenvolvimento, além de acolhimento do vínculo com a nova família. Aguardar documentos oficiais atrasa proteção essencial. Postergar o calendário para os 7 anos deixa a criança suscetível por anos. Presumir esquema completo sem comprovação é inseguro. Adiar toda a vacinação até o resultado de sorologias não é necessário, pois vacinar quem já é imune não causa dano.
Paciente recebeu produto sanguíneo contendo anticorpos e pretende aplicar vacina viva contra sarampo imediatamente. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
Deve-se checar produto, dose e intervalo recomendado. Anticorpos passivos podem reduzir resposta a determinadas vacinas vivas, como sarampo; intervalo depende do produto e da dose recebidos. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/timing-spacing-immunobiologics.html
Criança apresenta doença aguda moderada com importante comprometimento do estado geral. A vacina é eletiva e pode ser reagendada. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A situação é precaução para adiamento temporário. Doença aguda moderada ou grave é precaução geral; a vacinação costuma ser reavaliada após melhora. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Paciente sob imunossupressão profunda tem vacina viva agendada; não houve liberação da equipe assistente. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A condição exige revisão do momento e da elegibilidade para vacina viva. Vacinas vivas podem ser contraindicadas na imunossupressão grave; decisão depende da condição, intensidade e produto. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Criança recebeu imunoglobulina em dose alta e precisa programar vacina contendo vírus do sarampo. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
O intervalo deve ser definido pelo produto e dose, não por regra única para todos. Anticorpos passivos podem reduzir resposta a determinadas vacinas vivas, como sarampo; intervalo depende do produto e da dose recebidos. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/timing-spacing-immunobiologics.html
Criança hospitalizada por doença aguda grave tem proposta de vacina eletiva antes de estabilização. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A prioridade é recuperação clínica e posterior reavaliação da dose. Doença aguda moderada ou grave é precaução geral; a vacinação costuma ser reavaliada após melhora. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Bebê apresenta apenas congestão nasal discreta, bom estado geral e ausência de febre importante, sem outras contraindicações. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A intercorrência leve não exige adiar vacinação por si só. Infecção leve, com bom estado geral, geralmente não contraindica vacinação; deve-se verificar o produto e demais condições. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Paciente tem imunossupressão grave documentada e está em uso de tratamento que contraindica vacinas vivas no período. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A administração deve ser evitada enquanto persistir essa condição. Vacinas vivas podem ser contraindicadas na imunossupressão grave; decisão depende da condição, intensidade e produto. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Paciente em quimioterapia intensamente imunossupressora tem proposta de receber vacina viva atenuada sem avaliação especializada. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A imunossupressão grave exige evitar vacina viva nesse momento. Vacinas vivas podem ser contraindicadas na imunossupressão grave; decisão depende da condição, intensidade e produto. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Criança comparece para vacina com coriza leve, ativa, hidratada e sem outra contraindicação. A dúvida é se o resfriado isolado impede a dose. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
Doença leve isolada não costuma contraindicar vacinação. Infecção leve, com bom estado geral, geralmente não contraindica vacinação; deve-se verificar o produto e demais condições. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Paciente está com doença aguda grave e instabilidade clínica, e há proposta de vacinação eletiva naquele momento. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A condição grave é motivo para adiar e reavaliar após melhora. Doença aguda moderada ou grave é precaução geral; a vacinação costuma ser reavaliada após melhora. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Criança recebeu imunoglobulina recentemente e deverá receber vacina contra sarampo. O produto e a dose da imunoglobulina são conhecidos. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
O intervalo depende da interferência específica dos anticorpos passivos. Anticorpos passivos podem reduzir resposta a determinadas vacinas vivas, como sarampo; intervalo depende do produto e da dose recebidos. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/timing-spacing-immunobiologics.html
Criança com imunodeficiência combinada grave tem indicação rotineira de imunizante vivo ainda não aplicado. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A imunodeficiência grave pode contraindicar essa vacina. Vacinas vivas podem ser contraindicadas na imunossupressão grave; decisão depende da condição, intensidade e produto. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Paciente usa antibiótico para infecção leve, está bem e não tem contraindicação específica à vacina injetável indicada. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
Uso de antibiótico e doença leve, isoladamente, não impedem a dose. Infecção leve, com bom estado geral, geralmente não contraindica vacinação; deve-se verificar o produto e demais condições. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Após transfusão de produto com anticorpos, família pergunta se existe um intervalo universal de poucos dias antes da tríplice viral. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
É preciso consultar o intervalo específico para o produto recebido. Anticorpos passivos podem reduzir resposta a determinadas vacinas vivas, como sarampo; intervalo depende do produto e da dose recebidos. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/timing-spacing-immunobiologics.html
Paciente apresenta doença aguda de intensidade moderada ou grave e ainda não se recuperou; a imunização é de rotina. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A precaução favorece adiamento temporário até melhora. Doença aguda moderada ou grave é precaução geral; a vacinação costuma ser reavaliada após melhora. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Criança saudável tem resfriado leve e está ativa, sem condição que contraindique a vacina programada. Qual decisão é mais adequada à situação descrita?
A vacinação pode seguir se a avaliação confirmar apenas doença leve. Infecção leve, com bom estado geral, geralmente não contraindica vacinação; deve-se verificar o produto e demais condições. Referência: https://www.cdc.gov/vaccines/hcp/imz-best-practices/contraindications-precautions.html
Qual documento ajuda a evitar doses desnecessárias e identificar atrasos?

Registro vacinal orienta atualização segundo calendário e critérios vigentes.
Qual criança apresenta condição que exige cuidado especial com vacina viva?

Imunossupressão importante pode contraindicar vacinas vivas; avaliação depende do tratamento e da recuperação imune.
Se houver anafilaxia comprovada à dose anterior, qual passo é necessário?

Anafilaxia exige investigação específica, diferenciando produto, componente e outras vacinas.
A tríplice viral protege contra quais doenças?

A combinação contém componentes contra sarampo, caxumba e rubéola.
Qual decisão evita perder oportunidade em A sem ignorar risco em B?

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em 7 dias
Escreva de memória, sem consultar, as quatro réguas: (1) esquema incompleto completa, não reinicia — exceção do transplante de células-tronco; (2) dose aplicada até 4 dias antes do intervalo ou da idade mínima é válida, acima disso é erro de imunização e repete; (3) as duas janelas que não reabrem — rotavírus (1ª dose até 11 meses e 29 dias, 2ª até 23 meses e 29 dias) e hepatite B monovalente do nascimento (só até 1 mês de vida); (4) abaixo de 2 anos, tríplice viral e febre amarela pedem 30 dias entre si. Depois recite os três desfechos de evento adverso com a penta: convulsão em 72 horas, episódio hipotônico em 48 horas, encefalopatia após 7 dias — o que muda em cada um.
em 30 dias
Monte a tabela do calendário em papel em branco, idade por idade, do nascimento aos 9 anos, e só então confira. Em seguida responda sem olhar: qual o esquema de uma criança de 13 meses nunca vacinada (quantas doses de pneumocócica, quantas de meningocócica, e o que ela perdeu de vez); o que fazer com uma criança de 6 anos e 2 meses com esquema básico de penta completo e nenhum reforço; quais são as vacinas de vírus vivo do calendário infantil; e liste dez falsas contraindicações. Depois, para cada mudança recente — pólio, HPV, rotavírus, meningocócica ACWY e pneumocócica —, escreva o antes, o depois e o ano.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você atende na UBS. Chega um menino de 14 meses, trazido pelo pai, com a Caderneta da Criança em branco a partir dos 2 meses — recebeu BCG e hepatite B na maternidade, e a primeira dose de penta, VIP, rotavírus e pneumocócica aos 2 meses, e nada mais. Está com coriza sem febre há três dias e tomando amoxicilina há dois. O pai avisa que a mãe está grávida de 30 semanas e mora na mesma casa, e pergunta se por causa disso alguma vacina do filho precisa esperar. Ele quer saber também se vai ter de começar tudo de novo e se o filho ainda pode tomar 'a vacina da gotinha da diarreia'. Conduza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
