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Hepatites virais na criança: cada letra tem o seu relógio

Três vírus, três prazos: o afastamento que o guia não numera, as horas da imunoglobulina no berço e o anticorpo que ainda é da mãe.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Menino de 6 anos é levado ao pronto-socorro com icterícia, colúria e dor em hipocôndrio direito há 4 dias. Nega uso de medicamentos ou contato com hepatotóxicos. Exame: hepatomegalia dolorosa, sem esplenomegalia, sem sinais de encefalopatia, PA 100/60 mmHg, FC 95 bpm, T 37,8 °C. Exames: TGO 1450 U/L, TGP 1820 U/L, BT 6,2 mg/dL (BD 4,8), FA discretamente elevada, INR 1,1, anti-HAV IgM reagente. Qual a conduta mais apropriada?

02

Como esse tema cai

Este capítulo decide três perguntas que a criança faz sobre hepatite viral em três momentos diferentes da vida, e que costumam ser estudadas separadas: quanto tempo a criança com hepatite A fica fora da creche, o que se faz nas primeiras horas de vida do recém-nascido de mãe com antígeno de superfície reagente, e quando o exame da criança exposta ao vírus da hepatite C deixa de ser o exame da mãe.

O que este capítulo não faz: não repete o calendário vacinal por idade, que tem capítulo próprio nesta apostila e é onde estão as janelas de vacinação, os intervalos e as contraindicações; não discute o tratamento da hepatite B ou C crônica, que é assunto de capítulos da clínica médica; não aborda a hepatite autoimune nem as hepatites por fármaco; e não entra na icterícia neonatal das primeiras semanas, que é problema de bilirrubina e não de vírus.

03

O que muda decisão

Três letras, três relógios

Os vírus das hepatites compartilham o órgão-alvo e quase nada além disso. Na criança, o que os separa não é a histologia nem o padrão de transaminases: é o momento em que a decisão precisa ser tomada e a unidade em que esse prazo é contado. A hepatite A se decide em dias, e a decisão não é sobre o doente, e sim sobre o grupo em que ele vive. A hepatite B se decide em horas, ainda na sala de parto, porque é o recém-nascido quem carrega o risco de cronificar. A hepatite C se decide em meses, porque o exame que responderia à pergunta pertence à mãe durante boa parte do primeiro ano e meio de vida.

Essa diferença de unidade explica por que os erros são tão previsíveis. Quem estuda hepatite A pela sorologia perde a única coisa que muda a conduta coletiva, que é o período de transmissibilidade. Quem estuda hepatite B pela lista de vacinas trata a imunoglobulina como se fosse uma delas, e ela não é: a vacina se aplica a todo recém-nascido, e a imunoglobulina só ao exposto, com prazo próprio. Quem estuda hepatite C pela lógica da hepatite B procura uma profilaxia que não existe, e deixa de fazer a única coisa que existe, que é investigar na hora certa.

Há ainda uma assimetria de gênero de decisão que vale nomear. Na hepatite A, o documento federal descreve um comportamento observado — quando o vírus é eliminado, quanto tempo dura o risco — e devolve ao serviço a decisão administrativa de afastar. Na hepatite B, o documento federal fixa prazo com consequência assistencial imediata: aplicou-se dentro da janela ou não se aplicou. São dois tipos diferentes de afirmação, e cobrar do primeiro a precisão do segundo é ler mal os dois.

O fio deste texto é justamente esse: cada letra tem o seu relógio, e a maior parte do que se erra vem de aplicar o relógio de uma na outra.

Hepatite A: quando a criança fica amarela, o contágio já está no fim

A transmissão do vírus da hepatite A é fecal-oral, e o período de incubação vai de quinze a quarenta e cinco dias, com média de trinta. O dado que decide a conduta, porém, não é a incubação: é o período de transmissibilidade, que o guia federal fixa em duas semanas antes do início dos sintomas até o fim da segunda semana de doença.

Lido com atenção, esse período diz algo desconfortável. A criança que chega ao consultório amarela já passou o pico de eliminação viral, e vinha eliminando o vírus por duas semanas quando ninguém suspeitava de nada. Quem sustenta um surto de creche não é a criança ictérica, que está identificada e vigiada, e sim as crianças sem sintoma nenhum — e abaixo dos seis anos a infecção costuma ser anictérica, o que faz da faixa das fraldas simultaneamente a mais transmissora e a menos diagnosticada.

No laboratório, o marcador que fecha o diagnóstico de doença aguda é o anticorpo da classe imunoglobulina M contra o vírus da hepatite A. Ele é detectável a partir do segundo dia de sintomas, começa a declinar depois da segunda semana e desaparece após três meses. O anticorpo da classe imunoglobulina G aparece na convalescença e persiste indefinidamente — e é aqui que mora uma armadilha silenciosa: esse mesmo marcador aparece no vacinado. Resultado reagente isolado nessa classe nunca separa infecção passada de vacina; só informa que houve contato, de um jeito ou de outro, com o antígeno.

A definição de caso confirmado tem duas portas, e a segunda é a que serve na creche: além do indivíduo com o marcador de fase aguda reagente, confirma-se também quem tem suspeita clínica com vínculo epidemiológico a um caso já confirmado por laboratório. Na prática, isso significa que a segunda, a terceira e a quarta criança de um mesmo surto não precisam de sorologia para serem casos — e insistir em coletar sangue de todas elas gasta tempo que deveria estar sendo gasto em higiene e água.

A creche: o guia manda afastar, e não diz por quantos dias

As medidas de controle da hepatite A no guia federal são de ambiente antes de serem de pessoa. Depois dos primeiros casos, estabelecem-se cuidados com a água de consumo, com a manipulação de alimentos e com as condições de higiene e saneamento junto à comunidade e aos familiares. Instituições coletivas — creches, pré-escolas, escolas, asilos — são orientadas quanto a higiene e desinfecção de objetos, superfícies e chão com hipoclorito de sódio ou água sanitária, e os alimentos consumidos crus devem ser lavados e desinfetados.

Sobre o afastamento, o texto é deliberadamente aberto: afastar, se necessário, o indivíduo acometido de suas atividades de rotina; e, para hepatite A, essa situação deve ser reavaliada e prolongada em surtos e em instituições que abriguem crianças sem controle esfincteriano, nas quais a exposição e o risco de transmissão são maiores. Não há número de dias. Foi medido: a expressão que circula nos cursos, sete dias após o início da icterícia, não existe no capítulo — com controle positivo e controle negativo plantado para provar que o zero é ausência, e não falha de busca.

A consequência prática não é ficar sem conduta; é saber de onde tirar o prazo. O guia entrega o período de transmissibilidade e devolve ao serviço a decisão. Quem afasta ancorado nesse período está fazendo exatamente o que o documento pede, e quem afasta por um número decorado está aplicando uma régua que o documento não escreveu — e que, num berçário com fraldas e surto instalado, seria curta demais, porque é justamente ali que o texto manda prolongar.

Vale também o inverso. Fora de surto, numa criança já ictérica, com controle esfincteriano e higiene domiciliar razoável, o afastamento prolongado não protege ninguém: o período de maior eliminação viral acabou. É mais exigente decidir assim, porque transfere o peso da decisão do número para o exame da situação — o tipo de instituição, a idade das crianças, a existência de outros casos —, e é assim que o afastamento passa a proteger quem de fato está exposto.

A vacina de hepatite A e a exceção que começa antes

A vacina hepatite A inativada está no calendário básico da criança em dose única aos quinze meses, com idade-limite de quatro anos, onze meses e vinte e nove dias. É uma das poucas linhas do calendário infantil em que a rotina cabe numa frase só, e por isso mesmo o que se cobra dela quase nunca é a rotina.

O que se cobra é o esquema diferenciado, indicado a partir dos doze meses para pessoas suscetíveis com condições em que a hepatite A aguda deixa de ser doença benigna: hepatopatia crônica de qualquer causa, incluindo quem já vive com hepatite B ou C crônica; coagulopatias; pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana; imunodepressão terapêutica ou por doença; doenças de depósito; fibrose cística; trissomias; candidatos e receptores de transplante de órgão sólido ou de células-tronco hematopoéticas; doadores cadastrados; e hemoglobinopatias.

A lógica é uma só, e ela vale a pena ser dita em voz alta porque organiza a memória: a antecipação existe onde o fígado já está comprometido ou onde a resposta imune é frágil. Não é uma lista arbitrária de doenças — é a lista de quem não tolera uma hepatite aguda a mais.

Duas confusões costumam aparecer aqui. A primeira é tratar a vacina como se fosse conduta do caso já instalado: a criança que está com hepatite A aguda não se beneficia de receber a vacina naquele momento, e o que muda o desfecho do grupo é higiene, água e o afastamento pensado. A segunda é imaginar que a idade-limite do calendário significa que a vacina é proibida depois — significa que a oferta de rotina termina ali, e que a partir dali a indicação passa a depender de condição clínica especial, avaliada em serviço de referência para imunobiológicos especiais.

Hepatite B: por que todo o esforço se concentra no berço

Uma única frase do protocolo federal explica a arquitetura inteira da profilaxia: o risco de cronificação da infecção pelo vírus da hepatite B é inversamente relacionado à idade de aquisição, sendo de cerca de noventa por cento no recém-nascido, de vinte e cinco a trinta por cento entre um e cinco anos de idade, e menor que cinco por cento no adulto.

Isso muda a natureza do problema. No adulto, a hepatite B aguda é, na maioria das vezes, um episódio que se resolve; no recém-nascido, ela é quase sempre o começo de uma doença que dura décadas e que responde por cirrose e carcinoma hepatocelular na vida adulta. A prevenção da transmissão vertical não é um detalhe do pré-natal: é a intervenção que decide se aquela pessoa terá ou não doença hepática crônica.

A transmissão vertical ocorre sobretudo no periparto e no período pós-natal imediato, pelo contato com sangue e secreções infectados, e parte do que se chama de transmissão perinatal é, na verdade, contato horizontal com adultos infectados que convivem com a criança. Daí duas consequências que costumam passar despercebidas: os cuidados de sala de parto — banho em água corrente logo após o nascimento, ou limpeza de todo o sangue e secreções visíveis com compressas macias seguida de banho, e aspiração gástrica para remover secreção infectada — não são etiqueta, são parte da profilaxia; e a investigação dos contatos domiciliares e das parcerias sexuais da mãe é parte do mesmo cuidado, porque a casa continua sendo fonte depois da alta.

A imunoprofilaxia combinada de imunoglobulina e vacina no recém-nascido exposto previne a transmissão perinatal em mais de noventa por cento dos casos. É um número alto o bastante para tornar a falha de aplicação um evento com nome: quando a criança exposta cronifica, quase sempre há uma janela perdida atrás disso.

A escada da imunoglobulina: sala de parto, doze horas, vinte e quatro, sete dias

O prazo da imunoglobulina humana anti-hepatite B aparece escrito de maneiras diferentes em documentos diferentes, e quem os lê separados sai com a impressão de contradição. Lidos juntos, o que existe é uma escada de degraus que valem cada vez menos: sala de parto ou primeiras doze horas; se isso não for possível, até vinte e quatro horas após o parto; e, no limite, até o sétimo dia de vida.

O protocolo da hepatite B é o documento que escreve a escada inteira numa frase só. O protocolo de transmissão vertical escreve os mesmos degraus em lugares diferentes do texto — doze horas no capítulo de imunobiológicos da unidade neonatal, doze a vinte e quatro horas na lista de cuidados ao recém-nascido exposto, e sete dias no seguimento da criança cuja mãe tinha perfil desconhecido ao nascer. Não é divergência de mérito: é a mesma escada, escrita em pedaços. Fechar essa leitura antes de acusar contradição é o que separa quem entendeu de quem decorou trechos.

A dose é de meio mililitro por via intramuscular, no músculo vasto lateral da coxa, no membro oposto ao da vacina — e a razão de separar os sítios está escrita: aplicar juntos aproximaria anticorpo e antígeno no ponto de injeção e reduziria a resposta imune. Vale para recém-nascido de qualquer peso e qualquer idade gestacional; nesse ponto não há adiamento por prematuridade, ao contrário do que acontece com outra vacina do nascimento.

Falta o caso mais frequente na porta de entrada: a mãe sem sorologia conhecida. A conduta é administrar imediatamente a vacina, solicitar o antígeno de superfície materno — pode ser por teste rápido, inclusive na admissão para o parto — e fornecer a imunoglobulina à criança confirmada como exposta dentro dos primeiros sete dias de vida. Ou seja: a vacina nunca espera resultado; a imunoglobulina é a única das duas que pode esperar, e apenas porque tem para onde recuar.

Duas injeções intramusculares aplicadas ao mesmo tempo na face ântero-lateral de coxas opostas de um recém-nascido, uma seringa de cada lado, com linha pontilhada destacando a distância entre os sítios.
Imunoglobulina e vacina entram no mesmo momento, em membros opostos: aplicadas no mesmo ponto, o anticorpo encontraria o antígeno ali e derrubaria a resposta imune.

A vacina não tem escada, e a dose que passa não volta

A vacina hepatite B é universal a partir do nascimento e não depende de a mãe ser reagente. A instrução normativa do calendário manda administrar uma dose ao nascer, o mais precocemente possível, nas primeiras vinte e quatro horas, preferencialmente nas primeiras doze, ainda na maternidade — e acrescenta que essa dose pode ser administrada até trinta dias após o nascimento.

Esse acréscimo é o que fecha a única janela verdadeiramente administrativa do tema: crianças que perderam a oportunidade de receber a vacina monovalente até um mês de idade não devem mais receber essa dose. A continuidade do esquema passa a ser feita com a vacina penta, aos dois, quatro e seis meses. Não se trata de perder proteção — trata-se de perder aquela dose, porque o componente contra a hepatite B continua chegando dentro da combinada.

Para o recém-nascido de mãe com antígeno de superfície reagente, o esquema tem quatro doses: a monovalente do nascimento mais as três da penta. É a diferença que vale a pena guardar, porque a criança de mãe não reagente que perdeu a dose do nascimento termina com três, e as duas situações aparecem lado a lado.

Há um detalhe de sequência que costuma ser cobrado junto e que pertence a outro capítulo, mas se cruza aqui: quando o recém-nascido exposto tem peso muito baixo, a vacina contra a tuberculose se adia até que ele atinja o peso mínimo, enquanto a vacina hepatite B e a imunoglobulina não se adiam por peso nenhum. Quem confunde as duas regras adia o que não podia adiar. O critério é simples de enunciar: o adiamento por peso existe para a vacina bacteriana atenuada aplicada por via intradérmica, e não para a imunoprofilaxia da hepatite B.

O leite não está proibido, e a via de parto não é conduta

Duas condutas erradas aparecem com frequência incômoda quando o assunto é mãe com hepatite B, e as duas nascem de intuição, não de documento. A primeira é suspender o aleitamento. O protocolo federal é explícito: a amamentação não está contraindicada, ainda que não tenham sido realizadas ações de prevenção da transmissão vertical. A frase é forte de propósito — mesmo quando a profilaxia falhou, o leite não é o problema.

A segunda é indicar cesariana para proteger a criança. Não há evidência concreta de benefício da cesariana como medida preventiva da transmissão vertical do vírus da hepatite B, e o procedimento não deve ser realizado com essa indicação isolada. A via de parto se decide por indicação obstétrica, como em qualquer outra gestação.

Na hepatite C a regra do leite é quase a mesma, com uma exceção anatômica que vale memorizar porque é o que a diferencia: o aleitamento não é contraindicado e não há evidência de que favoreça a transmissão, mas fissura ou ferida sangrante na mama constitui exposição do lactente a sangue. Nessa situação, interrompe-se temporariamente a amamentação na mama lesionada até a cicatrização completa, mantendo a ordenha e descartando o leite daquela mama. A outra mama segue.

O que sustenta as três regras é o mesmo raciocínio: a via de transmissão desses vírus é sangue e secreção, não leite. Quando o leite carrega sangue — e só então — ele entra na conta. Suspender a amamentação sem essa condição troca um risco que não existe por um prejuízo que existe.

A sorologia que fecha o caso: por que o anticorpo protetor sozinho não responde

Ao fim do esquema, a criança exposta ao vírus da hepatite B tem duas perguntas em aberto, e elas não são a mesma: a vacina funcionou, e houve transmissão. O anticorpo contra o antígeno de superfície responde à primeira. Só o antígeno de superfície responde à segunda. Pedir apenas o anticorpo e considerar o caso encerrado é responder metade da pergunta e arquivar a outra metade.

É exatamente aqui que os documentos federais deixam de coincidir. O protocolo de transmissão vertical pede os dois marcadores e fixa uma faixa etária: entre nove e doze meses de idade, respeitando pelo menos trinta dias desde a última dose. E escreve a razão: a imunoglobulina é imunização passiva com o mesmo anticorpo protetor, e esse marcador pode ser detectado por até seis meses após a aplicação. Já a instrução normativa do calendário e o protocolo da hepatite B pedem apenas o anticorpo protetor, entre trinta e sessenta dias após a última dose, sem piso de idade.

A aritmética mostra quem está protegido do erro. No esquema padrão, a última dose cai aos seis meses; trinta a sessenta dias depois são sete a oito meses de idade, um a dois meses além do limite em que o anticorpo da imunoglobulina ainda pode aparecer. A margem é fina. E ela desaparece por completo na criança cujo esquema foi antecipado ou concentrado em serviço de referência: terminando aos três ou quatro meses, a coleta feita trinta dias depois cai dentro da janela em que o anticorpo medido pode ser o da imunoglobulina, e não o da criança. O piso de nove meses existe para isso, e o próprio documento que o fixa prevê o caso do esquema fora do prazo padrão.

A regra que sobrevive às duas leituras é a mais exigente, e ela é mais exigente por dois motivos somados: cobre o tempo de desaparecimento do anticorpo passivo e pede o marcador que responde à pergunta sobre transmissão. Há ainda duas travas de coleta que valem para qualquer cenário: o antígeno de superfície não deve ser pesquisado dentro de trinta dias de uma dose da vacina, porque o antígeno recombinante pode elevá-lo de forma transitória sem que haja infecção; e o anticorpo contra o antígeno do núcleo pode ser de origem materna por até vinte e quatro meses, o que o torna inútil para decidir infecção no lactente.

Hepatite C: o anticorpo é da mãe até os dezoito meses

Na criança infectada pelo vírus da hepatite C, a transmissão vertical é a via principal, e a taxa descrita em metanálise recente é de cerca de seis por cento, variando com carga viral materna, coinfecção pelo vírus da imunodeficiência humana e fatores geográficos. A diferença decisiva em relação à hepatite B é de outra ordem: não existe imunoprofilaxia. Não há vacina e não há imunoglobulina para dar ao recém-nascido exposto, e por isso a única coisa que se faz é investigar na hora certa.

A hora certa é definida por um fato de imunologia materno-fetal. Os anticorpos maternos da classe imunoglobulina G contra o vírus da hepatite C atravessam a placenta e podem ser detectados na criança até os dezoito meses de idade sem significar infecção. A manutenção desses anticorpos depois dos dezoito meses, mesmo em títulos menores, indica que passaram a ser produzidos pela própria criança. Abaixo dessa idade, portanto, o diagnóstico se faz por teste molecular, e não por sorologia.

O fluxo tem dois tempos. O primeiro teste molecular de carga viral é recomendado entre três e seis meses de idade, e serve tanto para diagnosticar quanto para vincular a criança a um serviço de seguimento. Se a carga viral for detectável, notifica-se, encaminha-se ao serviço especializado e, aos dezoito meses, repetem-se a sorologia e a carga viral — a segunda carga viral existe para reconhecer os casos de clareamento espontâneo. Se a carga viral inicial for não detectável, a sorologia aos dezoito meses é o que fecha: não reagente descarta a transmissão vertical; reagente com carga viral detectável confirma a infecção; e reagente com carga viral não detectável depois dos dezoito meses indica contato passado com provável cura espontânea.

Esse terceiro cenário só faz sentido porque a história natural da infecção adquirida por via vertical é generosa em comparação à do adulto: descrevem-se três desfechos, com uma parcela de recém-nascidos que negativa o vírus, cerca de metade que desenvolve infecção crônica assintomática com carga viral detectável de forma intermitente e enzimas normais, e uma parcela menor com infecção crônica ativa, carga viral persistentemente detectável e enzimas frequentemente alteradas. O seguimento da criança infectada é anual, com enzimas hepáticas e carga viral, e sem exames de imagem de rotina.

A criança que chega tarde, sem cartão e sem registro

O cenário que fecha o tema é o mais comum fora da maternidade: uma criança nascida de mãe com antígeno de superfície reagente que chega ao serviço meses depois, sem registro de que tenha recebido vacina e imunoglobulina, ou com registro incompleto. O protocolo prevê explicitamente esse caminho, e ele começa pela investigação, não pela repetição da profilaxia.

Pede-se o antígeno de superfície — sorologia ou teste rápido — respeitando duas condições que já foram enunciadas e que aqui se somam: depois dos seis meses de idade e pelo menos trinta dias após qualquer dose da vacina hepatite B. As duas existem pelo mesmo motivo, que é evitar ler como infecção o que é resíduo de imunização.

Se o antígeno for não reagente, a criança é suscetível e o caminho é vacinal: completa-se ou realiza-se o esquema e, depois dele, dosa-se o anticorpo protetor para verificar a resposta — acima do limiar de proteção, considera-se imunizada; abaixo, revacina-se conforme a orientação do programa de imunizações. Se o antígeno for reagente, a criança tem infecção pelo vírus da hepatite B: notifica-se, e a avaliação complementar acrescenta o marcador de replicação viral, a carga viral, a dosagem sérica de alanina aminotransferase e a ultrassonografia de abdome superior para avaliação hepática inicial.

Uma última observação sobre o que não se faz. Criança com antígeno de superfície reagente não começa tratamento por causa desse resultado. Os critérios de tratamento da criança com hepatite B estão no protocolo específico e dependem de replicação viral, de atividade inflamatória e de estadiamento hepático; o ato que cabe ao serviço que fez o diagnóstico é notificar e vincular a criança a um serviço que vá acompanhá-la ao longo de anos. Quem entende que a hepatite B da criança é uma doença de décadas deixa de tratar o resultado do dia e passa a tratar a trajetória.

04

Os prazos, documento por documento

As tabelas comparam o que cada documento federal escreve sobre o mesmo prazo. A última coluna aplica a regra a um caso concreto: recém-nascido a termo, 3.200 g, de mãe com HBsAg reagente detectado no teste rápido da admissão, parto às 22h, sem intercorrências.

A escada que desce de valor

Sala de parto, 12 h, 24 h, 7 dias: cada degrau da imunoglobulina protege menos que o anterior. A vacina não tem degrau — ela não espera resultado materno.

O anticorpo que ainda é do frasco

A imunoglobulina entrega anti-HBs passivo detectável por até 6 meses. Colher cedo demais mede o frasco, não a criança; o piso de 9 meses existe para isso.

Dois marcadores, duas perguntas

anti-HBs responde se a vacina pegou. HBsAg responde se houve transmissão. Pedir só o primeiro fecha o caso pela metade.

Vacina hepatite B ao nascer e imunoglobulina: o prazo em quatro documentos

DocumentoO que está escritoO RN do exemplo
Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação (MS/PNI, 2024)Vacina: 1 dose ao nascer, o mais precocemente possível, nas primeiras 24 h, preferencialmente nas primeiras 12 h, ainda na maternidade; administrável até 30 dias de vida; perdida após 1 mês de idade, não se aplica mais. Imunoglobulina: no máximo até 7 dias de vidaVacina até 10h do dia seguinte (12 h) — meta; limite 22h do dia seguinte (24 h). Imunoglobulina com recuo real de 7 dias
PCDT de Prevenção da Transmissão Vertical (MS, 2022), p. 192Vacina: sala de parto ou, o mais tardar, primeiras 12 h, dose de 0,5 mL no vasto lateral. Imunoglobulina: sala de parto ou dentro das primeiras 12 a 24 h, RN de qualquer peso ou idade gestacional, 0,5 mL no vasto lateral do membro opostoVacina com prazo mais curto (12 h). Imunoglobulina no membro contralateral, mesmo volume
PCDT de Prevenção da Transmissão Vertical (MS, 2022), p. 193Mãe de perfil desconhecido: vacinar imediatamente, colher HBsAg materno e fornecer imunoglobulina à criança confirmada exposta dentro dos primeiros 7 dias de vidaNão se aplica: o teste rápido da admissão já definiu a exposição
PCDT da Hepatite B (MS, 2023), p. 37Escada completa: imunoglobulina na sala de parto ou nas primeiras 12 h e, se não for possível, em até 24 h após o parto, podendo ser administrada no máximo até os 7 dias de vida. Esquema vacinal de 4 doses no RN de mãe HBsAg reagenteMonovalente ao nascer + penta aos 2, 4 e 6 meses = 4 doses
Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed., vol. 2 (MS, 2024), p. 44Vacina hepatite B universal a partir do nascimento, preferentemente nas primeiras 12 a 24 h, ainda na maternidade, seguida de 3 doses de penta aos 2, 4 e 6 mesesMesma conduta; o guia não repete a escada da imunoglobulina e remete ao PCDT

Quando testar a criança exposta ao HBV — e o que pedir

DocumentoMarcadoresMomentoO que a regra deixa de responder
PCDT de Prevenção da Transmissão Vertical (2022)HBsAg E anti-HBsEntre 9 e 12 meses de idade, ≥ 30 dias da última dose (ou 1 a 2 meses da última dose E ≥ 9 meses, se o esquema saiu do prazo padrão)Nada: responde vacina e transmissão
PCDT da Hepatite B (2023)anti-HBs30 a 60 dias após a última dose da vacinaNão pede HBsAg; sem piso de idade
Instrução Normativa do Calendário (2024)anti-HBsEntre 30 e 60 dias após a última doseNão pede HBsAg; sem piso de idade
Guia de Vigilância em Saúde, vol. 2 (2024)Remete ao PCDT de transmissão verticalSem prazo próprioNão fixa números

Aritmética do piso de 9 meses

CenárioÚltima doseRegra dos 30-60 dias cai emAnticorpo passivo ainda possível?
Esquema padrão6 meses de idade7 a 8 mesesNão — limite descrito é 6 meses após a imunoglobulina; margem de 1 a 2 meses
Esquema concentrado/antecipado3 a 4 meses de idade4 a 6 mesesSIM — a coleta cai dentro da janela do anticorpo da imunoglobulina
Regra do piso etárioqualquer≥ 9 meses de idadeNão — 3 meses de folga sobre o limite descrito

Investigação da criança exposta ao HCV

IdadeExameResultadoConduta
3 a 6 mesesCV-HCV (teste molecular)DetectávelNotificar, vincular a serviço especializado, repetir aos 18 meses
3 a 6 mesesCV-HCV (teste molecular)Não detectávelSeguir como criança exposta; anti-HCV aos 18 meses
18 mesesanti-HCVNão reagenteTransmissão vertical descartada
18 mesesanti-HCV reagente + CV-HCV detectávelInfecção confirmada; notificar e seguir
18 mesesanti-HCV reagente + CV-HCV não detectávelContato passado com provável cura espontânea

As diferenças entre 12 h, 24 h e 7 dias para a imunoglobulina não são contradição: são degraus de uma mesma escada, escrita inteira no PCDT da Hepatite B e em pedaços no PCDT de transmissão vertical.

A divergência real é a outra: quais marcadores pedir e a partir de que idade. Três documentos pedem só anti-HBs sem piso etário; um pede HBsAg e anti-HBs entre 9 e 12 meses, e é o único que justifica o piso por escrito.

O afastamento da creche na hepatite A não tem número federal. O guia entrega o período de transmissibilidade (2 semanas antes dos sintomas até o fim da 2ª semana de doença) e manda reavaliar e prolongar em surto e em instituição com crianças em fraldas.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quando e com quais marcadores avaliar a criança exposta ao vírus da hepatite B

HBsAg e anti-HBs, entre 9 e 12 meses de idade

Filhos de mães HBsAg reagente que receberam imunoglobulina devem realizar testagem para HBsAg e anti-HBs entre 9 e 12 meses de idade, após pelo menos 30 dias da última dose (ou 1 a 2 meses da última dose e com ≥ 9 meses de idade, para quem foi vacinado fora do prazo padrão). O piso etário é justificado no próprio texto: a imunoglobulina é imunização passiva com anti-HBs, e esse marcador pode ser detectado por até 6 meses após a aplicação.

Ministério da Saúde, PCDT para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022, seção de seguimento da criança exposta ao HBV e Figura 17

Apenas anti-HBs, 30 a 60 dias após a última dose

A avaliação da soroconversão deve ser realizada mediante anti-HBs entre 30 e 60 dias após a última dose da vacina hepatite B. Não há menção a HBsAg nem piso de idade.

Ministério da Saúde/PNI, Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, 2024, verbete da vacina hepatite B (recombinante); e Ministério da Saúde, PCDT da Hepatite B, 2023, capítulo de prevenção

Sem prazo próprio, com remissão

A criança exposta deverá receber vacina e imunoglobulina e ser acompanhada e investigada com exames laboratoriais para verificar se ocorreu a transmissão vertical; para o manejo, consultar o PCDT de Prevenção da Transmissão Vertical.

Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 2, 2024, capítulo Hepatites virais, medidas de prevenção e controle

Na prova

O enunciado quase sempre entrega a régua que quer. Quando descreve a criança de mãe HBsAg reagente que recebeu vacina e imunoglobulina ao nascer e pergunta o seguimento, a resposta que sobrevive às duas leituras é a que pede os dois marcadores e respeita o piso de 9 meses — ela cobre a regra dos 30 a 60 dias e responde também à pergunta sobre transmissão. Quando o enunciado é de calendário vacinal puro, sem exposição materna, e pergunta como se confere se a vacina pegou, aí a régua é a do anti-HBs entre 30 e 60 dias. A pista textual é a palavra exposta: quando ela aparece, o antígeno de superfície entra no pedido.

O prazo da dose de vacina hepatite B ao nascer

Primeiras 24 horas, preferencialmente 12, e até 30 dias

Administrar 1 dose ao nascer, o mais precocemente possível, nas primeiras 24 horas, preferencialmente nas primeiras 12 horas após o nascimento, ainda na maternidade. Esta dose pode ser administrada até 30 dias após o nascimento. Crianças que perderam a oportunidade até 1 mês de idade não deverão mais receber essa dose.

Ministério da Saúde/PNI, Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, 2024

Sala de parto ou, o mais tardar, primeiras 12 horas

Aplicar a vacina hepatite B ainda na sala de parto ou, o mais tardar, nas primeiras 12 horas após o nascimento, na dose de 0,5 mL no vasto lateral.

Ministério da Saúde, PCDT para Prevenção da Transmissão Vertical do HIV, Sífilis e Hepatites Virais, 2022, cuidados ao RN exposto à hepatite B

Preferentemente nas primeiras 12 a 24 horas

Indica-se que os recém-nascidos recebam a primeira dose de vacina hepatite B no momento do nascimento, preferentemente nas primeiras 12 a 24 horas, ainda na maternidade, seguida por três doses adicionais da vacina pentavalente, aos 2, 4 e 6 meses de idade.

Ministério da Saúde, Guia de Vigilância em Saúde, 6ª edição revisada, volume 2, 2024, capítulo Hepatites virais

Na prova

As três redações concordam no essencial e brigam na borda, e é na borda que a questão costuma morar. Se o enunciado põe a criança exposta e pergunta o prazo, a régua curta do protocolo de transmissão vertical é a que ele quer, porque ali a vacina é profilaxia e não rotina. Se o enunciado é de rotina de maternidade ou de sala de vacina, a redação do calendário — 24 horas, preferencialmente 12 — é a que aparece escrita, e é ela que traz o limite de 30 dias e a perda definitiva da dose depois de 1 mês. Quando as opções misturam a janela da vacina com a janela da imunoglobulina, o teste é lembrar que só a imunoglobulina tem recuo até o 7º dia.

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Caso resolvido

Recém-nascido a termo, 3.150 g, Apgar 9/10, nascido de parto vaginal às 23h40 em maternidade pública. A mãe não fez pré-natal; o teste rápido colhido na admissão mostrou HBsAg reagente, e não há resultado de carga viral. O bebê está em alojamento conjunto, mamando bem. São 6h da manhã seguinte, e a equipe da noite registrou apenas 'vacinas pendentes'. A maternidade tem vacina hepatite B em estoque e a imunoglobulina precisa ser solicitada à central regional, com previsão de chegada em 36 horas.
primeiro
Aplicar agora a vacina hepatite B monovalente, 0,5 mL por via intramuscular no vasto lateral. Estamos a 6h20 de vida: dentro da janela preferencial de 12 h em qualquer das três redações federais. Nada nessa decisão depende da imunoglobulina, da carga viral materna ou do peso.
a imunoglobulina que vai atrasar
A previsão de 36 horas ultrapassa o degrau de 24 h, mas não perde a profilaxia: o PCDT da Hepatite B escreve o recuo até os 7 dias de vida. Solicitar imediatamente, registrar o horário de nascimento no pedido e aplicar assim que chegar, 0,5 mL no vasto lateral do membro OPOSTO ao da vacina. O atraso é perda de eficácia, não de indicação — e é por isso que o pedido não pode esperar o expediente.
o que não muda
Manter o alojamento conjunto e o aleitamento: a amamentação não está contraindicada, ainda que a imunoprofilaxia esteja incompleta. Banho em água corrente já foi feito na sala de parto. Não há indicação de coletar sorologia do recém-nascido agora — nenhum marcador colhido nas primeiras horas separaria infecção de anticorpo materno.
o esquema que fica escrito na alta
Quatro doses: a monovalente de hoje mais penta aos 2, 4 e 6 meses. Registrar na caderneta que se trata de RN exposto ao HBV, porque é esse registro que dispara o seguimento — e anotar a data de aplicação da imunoglobulina quando ela ocorrer.
o retorno que decide o caso
Agendar coleta de HBsAg e anti-HBs entre 9 e 12 meses de idade, respeitando pelo menos 30 dias desde a última dose. Anti-HBs acima do limiar sem HBsAg reagente encerra o caso como criança protegida e não infectada; HBsAg reagente abre notificação e avaliação com HBeAg, carga viral, ALT e ultrassonografia de abdome superior.
a casa
A mãe precisa de notificação, carga viral, HBeAg e ALT para decidir tratamento, e os contatos domiciliares e as parcerias sexuais precisam ser investigados e vacinados. Sem isso, a criança sai protegida de um domicílio que continua sendo fonte para quem mora nele.
07

Agora feche você

Menina de 3 anos e 2 meses é levada à unidade básica por icterícia iniciada há 2 dias, precedida de uma semana de febre baixa, náuseas e dor abdominal. Está ativa, hidratada, fígado palpável a 2 cm do rebordo, sem sinais de encefalopatia. Frequenta creche pública em período integral, na turma dos 3 anos; a irmã de 11 meses frequenta o berçário da mesma creche, ainda em fraldas. A creche informou hoje que outras duas crianças do berçário estão com quadro parecido. A caderneta da menina está completa para a idade, incluindo a dose de hepatite A aos 15 meses; a irmã ainda não recebeu essa vacina. Anti-HAV IgM da menina: reagente.
1
Diga se a irmã de 11 meses e as duas crianças do berçário precisam de sorologia para serem consideradas casos, e justifique pela definição de caso do guia federal.
2
Defina o afastamento da menina, dizendo em que período do documento você ancorou o prazo — e explique por que o afastamento do berçário não segue a mesma régua.
3
Liste as medidas que se aplicam à creche e diga qual delas tem mais impacto sobre a curva do surto.
4
Decida o que fazer com a vacina de hepatite A da irmã de 11 meses, considerando a idade de rotina e as situações de esquema diferenciado.
5
Diga que resultado da sorologia da menina, isoladamente, NÃO permitiria distinguir infecção prévia de vacinação, e por quê.
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Onde a banca derruba

  1. 1Esperar o resultado do HBsAg materno para vacinar A vacina não espera. Quando o perfil materno é desconhecido, aplica-se a vacina imediatamente, colhe-se o HBsAg da mãe — teste rápido serve, inclusive na admissão para o parto — e a imunoglobulina é dada à criança confirmada exposta, com recuo até o 7º dia de vida. Quem inverte a ordem perde a janela mais curta das duas.
  2. 2Adiar a imunoprofilaxia da hepatite B por baixo peso A regra do peso mínimo pertence à vacina BCG. Vacina hepatite B e imunoglobulina anti-hepatite B são aplicadas em RN de qualquer peso e qualquer idade gestacional. O único ajuste do prematuro exposto é o esquema de 4 doses, que já vale para todo RN de mãe reagente.
  3. 3Suspender o aleitamento por hepatite B ou C materna Na hepatite B a amamentação não está contraindicada, ainda que não tenha havido profilaxia. Na hepatite C também não, com uma exceção: fissura ou ferida sangrante na mama — interromper naquela mama até cicatrizar, mantendo ordenha e descarte. Cesariana por hepatite B, sem indicação obstétrica, não tem respaldo.
  4. 4Pedir só anti-HBs no seguimento do exposto anti-HBs reagente não descarta infecção: a criança infectada pode ter anti-HBs vindo da imunoglobulina. Sem HBsAg, o caso fica com metade da resposta. E o HBsAg colhido dentro de 30 dias de uma dose pode subir de forma transitória pelo antígeno recombinante da própria vacina.
  5. 5Pedir anti-HCV na criança pequena Abaixo de 18 meses o anti-HCV pode ser materno e não decide nada. O diagnóstico nessa faixa é molecular: CV-HCV entre 3 e 6 meses. A sorologia entra aos 18 meses, e mesmo reagente precisa da carga viral para separar infecção de cicatriz de contato.
  6. 6Decorar um número de dias para o afastamento na hepatite A O guia federal não fixa dias: manda afastar se necessário, reavaliar e prolongar em surto e em instituição com crianças sem controle esfincteriano. O prazo se ancora no período de transmissibilidade — 2 semanas antes dos sintomas até o fim da 2ª semana de doença —, e o berçário com fraldas é onde ele se estende.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Anti-HAV IgM reagente com transaminases elevadas define hepatite A aguda; sem coagulopatia (INR 1,1) nem encefalopatia, o manejo é suporte com hidratação, repouso e vigilância de sinais de gravidade. Corticoide é para hepatite autoimune, não viral aguda. Tenofovir trataria hepatite B, mas o marcador é de HAV. Transplante de urgência só na falência hepática fulminante (INR alto, encefalopatia), ausente. Antibiótico para colangite não se aplica: o padrão é hepatocelular viral, não obstrutivo/infeccioso biliar.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória a escada da imunoglobulina anti-hepatite B (sala de parto, 12 h, 24 h, no máximo 7 dias) e, ao lado, o prazo da vacina ao nascer nas três redações federais (24 h com preferência de 12 h e limite de 30 dias na Instrução Normativa; 12 h no PCDT de transmissão vertical; 12 a 24 h no Guia de Vigilância). Depois responda em uma frase por que a vacina não pode esperar o HBsAg materno e a imunoglobulina pode.

em 30 dias

Refaça os dois casos deste bloco decidindo em voz alta, e depois escreva o pedido de exames do seguimento como se fosse prescrição: quais marcadores, em que idade, com que intervalo desde a última dose e o que cada resultado abre. Em seguida, monte a tabela do exposto ao HCV de cabeça (CV-HCV entre 3 e 6 meses; anti-HCV aos 18; os três desfechos possíveis) e explique por que não existe profilaxia nesse caso.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você atende no alojamento conjunto. Recém-nascido de 8 horas de vida, a termo, filho de mãe sem pré-natal com teste rápido para HBsAg reagente colhido na admissão. A mãe pergunta se pode amamentar e se o bebê 'já está com a doença'. Colha a história obstétrica e vacinal, decida e prescreva a imunoprofilaxia, diga o que fazer se a imunoglobulina não estiver disponível na unidade, e explique à mãe, em linguagem que ela entenda, o que será feito agora, o que será feito nos próximos meses e por que o leite dela não é o problema. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Hepatites virais na criança: cada letra tem o seu relógio — Preparatório para provas | OsceLabs