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COVID-19 e síndromes respiratórias virais
Três definições de síndrome gripal convivem no Ministério da Saúde, cada uma para uma decisão diferente — e desde março de 2026 o isolamento virou 5 dias, sem exame para sair.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 24 anos apresenta há 4 dias tosse seca, febre de 38,5°C, anosmia e mialgia. Fez teste de antígeno para SARS-CoV-2, que foi positivo. Está estável, PA 120x78 mmHg, FC 84 bpm, FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, sem comorbidades e sem dispneia. Qual é a conduta mais adequada?
Como esse tema cai
A prova não pergunta o que é covid-19. Pergunta qual das réguas se aplica ao paciente daquele enunciado — e há três em vigor ao mesmo tempo, todas do Ministério da Saúde, todas chamando o mesmo quadro de síndrome gripal. Uma serve à vigilância e decide o que se notifica. Outra serve à prescrição de antiviral e decide quem recebe oseltamivir. A terceira nasceu em março de 2026, serve ao isolamento e traz, escrita no próprio documento, a advertência de que vale só para isso. O erro que mais custa ponto não é clínico: é aplicar a definição certa à pergunta errada.
O segundo eixo é o relógio. Oseltamivir rende mais até 48 horas e ainda é ofertado até o 5º dia no paciente hospitalizado; nirmatrelvir/ritonavir só entra dentro dos cinco primeiros dias e só com teste positivo em mãos; o isolamento passou a ser contado em 5, 10 ou 20 dias conforme o paciente seja imunocompetente na comunidade, imunocomprometido ou portador de SRAG por SARS-CoV-2. Enunciado de residência adora informar o dia de doença no meio da vinheta, junto com a idade e uma comorbidade, porque é ali que a decisão vira ou não vira ponto.
O terceiro eixo é o corte de idade, e ele não é um só. Fator de risco que autoriza oseltamivir em síndrome gripal começa aos 60 anos. Elegibilidade para nirmatrelvir/ritonavir começa aos 65. A vacina covid-19 entra na rotina do calendário aos 60, com dose a cada seis meses — enquanto quem tem comorbidade recebe uma dose por ano. Três números vizinhos para três decisões diferentes: quem decorar “idoso” como categoria única erra pelo menos uma das três.
O capítulo cobre o adulto na urgência e na atenção primária. Pneumonia adquirida na comunidade, insuficiência respiratória e oxigenoterapia têm capítulos próprios na apostila de Pneumologia; dengue, que disputa o diagnóstico diferencial em todo verão brasileiro, e a Lista Nacional de Notificação Compulsória, reescrita em maio de 2026, estão em capítulos vizinhos nesta apostila de Infectologia. O que fica aqui é o que a banca cobra da porta de entrada: classificar, notificar no sistema certo, decidir o antiviral e contar os dias.
O que muda decisão
Uma síndrome gripal, decisões diferentes
A Nota Técnica nº 11/2026-CGCOVID/DEDT/SVSA/MS substituiu as definições anteriores de vigilância e padronizou uma única definição de síndrome gripal para a vigilância integrada da covid-19, influenza e outros vírus respiratórios. Síndrome gripal é a infecção respiratória iniciada nos últimos 10 dias com pelo menos dois sinais ou sintomas, sendo obrigatoriamente ao menos um respiratório. A regra vale tanto para a vigilância de síndrome gripal por covid-19 quanto para a vigilância sentinela.
Os sintomas respiratórios são tosse, coriza, dor de garganta e congestão nasal; os sintomas gerais são febre, dor de cabeça, dor no corpo e calafrio. Portanto, febre com calafrios isoladamente não fecha síndrome gripal, porque falta sintoma respiratório. Anosmia e disgeusia continuam relevantes para a hipótese de covid-19, mas não integram a lista sindrômica da definição nacional unificada.
O caso de síndrome gripal por covid-19 pode ser confirmado por teste de antígeno reagente, biologia molecular detectável ou critério clínico-epidemiológico — síndrome gripal com contato próximo ou domiciliar, nos sete dias anteriores ao início dos sintomas, com caso confirmado. A confirmação é o gatilho da notificação universal no e-SUS Notifica; resultado positivo em pessoa assintomática não entra nessa obrigação.
Uma definição não significa uma única decisão. Depois de reconhecer a síndrome, o clínico ainda pergunta separadamente: há critério para notificação, para investigação laboratorial, para oseltamivir, para nirmatrelvir/ritonavir, para isolamento ou para internação? Esses fluxos têm gatilhos próprios, mas não devem mais ser ensinados como três definições concorrentes de síndrome gripal.
Para influenza, febre de início súbito associada a sintomas respiratórios e sistêmicos continua aumentando a suspeita clínica e orientando o tratamento antiviral, especialmente em pessoas com fatores de risco e em SRAG. Isso é uma regra terapêutica, não uma segunda definição oficial de síndrome gripal. Para isolamento, permanecem os prazos e critérios clínicos da Nota Técnica nº 5/2026, agora aplicados sem criar uma terceira definição de vigilância.

SRAG: a palavra que troca o sistema de notificação
A Nota Técnica nº 11/2026 define SRAG como o indivíduo hospitalizado que preenche síndrome gripal e apresenta pelo menos um sinal de agravamento — dispneia, taquipneia e/ou saturação de O2 menor ou igual a 94% em ar ambiente — ou o óbito por SRAG, independentemente de hospitalização. Em menores de 2 anos, observam-se também batimento de asas nasais, apneia, cianose e tiragem intercostal ou subcostal.
Todo caso de SRAG que cumpra a definição deve ser notificado no Sivep-Gripe em até 24 horas, independentemente do agente etiológico e do resultado laboratorial. A vigilância deixou de restringir a notificação universal a vírus específicos. Já a síndrome gripal por covid-19 é notificada universalmente somente quando confirmada, no e-SUS Notifica, também em até 24 horas.
A mudança elimina a contradição que existia entre a Lista Nacional e o Guia de 2024: suspeita de síndrome gripal por covid-19, por si só, não é mais o evento universalmente notificável. Nas unidades sentinelas, o registro de síndrome gripal permanece no Sivep-Gripe e a definição sindrômica é a mesma; o RT-qPCR continua sendo o método prioritário para a vigilância sentinela.
Para confirmação de SRAG por covid-19, prioriza-se biologia molecular; a pesquisa de antígeno pode ser considerada excepcionalmente quando não houver método molecular. Também existe confirmação clínico-epidemiológica por contato com caso confirmado nos sete dias anteriores ao início dos sintomas. Para influenza, a confirmação laboratorial de SRAG é feita por RT-qPCR ou por vínculo epidemiológico com caso confirmado por esse método.
O corte de saturação de 94% classifica agravamento na definição de SRAG, mas não substitui a avaliação de necessidade de terapia intensiva. Instabilidade hemodinâmica, trabalho respiratório, hipoxemia progressiva e disfunções orgânicas continuam determinando suporte e local de cuidado. Não se deve confundir a definição epidemiológica com uma regra automática de internação em UTI.
Um segundo número mora perto e serve a outra decisão: os critérios de internação em terapia intensiva. São a instabilidade hemodinâmica persistente — pressão que não respondeu à reposição volêmica de 30 mL/kg nas primeiras 3 horas, indicando amina vasoativa —, os sinais de insuficiência respiratória, incluindo hipoxemia com PaO2 abaixo de 60 mmHg e necessidade de suplementação de oxigênio para manter saturação acima de 90%, e a evolução para outras disfunções orgânicas, como injúria renal aguda e disfunção neurológica. Saturação de 94% classifica SRAG; saturação que só se mantém acima de 90% com oxigênio aponta UTI. São réguas distintas, e a banca gosta de trocá-las.
O guia ainda pede, na SRAG, avaliação inicial com sinais vitais completos, exame cardiorrespiratório e oximetria de pulso, repetida com frequência — duas a quatro aferições no prazo de 4 horas — para definir nesse mesmo prazo a necessidade de suporte intensivo. E manda coletar amostra de secreção respiratória para painel viral ou RT-PCR multiplex, preferencialmente antes do início do tratamento.
Oseltamivir: a prescrição que não espera o exame
Duas frases resolvem quase toda questão de oseltamivir. A primeira: está indicado para todos os casos de SRAG hospitalizados após a suspeita clínica e para os casos de síndrome gripal com condições e fatores de risco para complicações, independentemente da situação vacinal e mesmo em atendimento ambulatorial. A segunda: o tratamento deve ser iniciado imediatamente após a suspeita clínica, sem aguardar o resultado laboratorial — a coleta é feita, de preferência antes da primeira dose, mas ela não segura a prescrição. Distratores clássicos oferecem “colher RT-PCR e tratar se positivo”; isso contraria o texto do Ministério da Saúde.
A lista de condições e fatores de risco é longa e vale reconhecer os itens que a banca escolhe: gestantes em qualquer idade gestacional e puérperas até duas semanas após o parto, incluindo as que tiveram aborto ou perda fetal; adultos com 60 anos ou mais; crianças menores de 5 anos; população indígena aldeada ou com dificuldade de acesso; menores de 19 anos em uso prolongado de ácido acetilsalicílico, pelo risco de síndrome de Reye; pneumopatias, incluindo asma; tuberculose de todas as formas; cardiovasculopatias, com a exclusão expressa da hipertensão arterial sistêmica; nefropatias e hepatopatias; doenças hematológicas, incluindo anemia falciforme; distúrbios metabólicos, incluindo diabetes; transtornos neurológicos que comprometam a função respiratória ou aumentem o risco de aspiração; imunossupressão, inclusive a associada a corticoide em dose acima de 20 mg/dia de prednisona por mais de duas semanas; e obesidade, especialmente com IMC maior ou igual a 40 em adultos. Hipertensão isolada, portanto, não é o gatilho.
O relógio: o maior benefício clínico ocorre quando o antiviral começa em até 48 horas do início dos sintomas, mas o folheto de 2025 registra que ele ainda pode ser eficaz até o 5º dia, especialmente em pacientes hospitalizados, e o guia de 2024 diz o mesmo com outras palavras, apoiado em estudos observacionais de pacientes internados. Na gestante, o maior benefício em prevenir falência respiratória e óbito apareceu com tratamento em até 72 horas, com benefício ainda entre o terceiro e o quarto dia. Nada disso autoriza a resposta “passou de 48 horas, não trata”.
As doses, em cinco dias de tratamento: adulto, 75 mg de 12 em 12 horas. Criança maior de 1 ano, por peso — até 15 kg, 30 mg; acima de 15 até 23 kg, 45 mg; acima de 23 até 40 kg, 60 mg; acima de 40 kg, 75 mg, sempre de 12 em 12 horas. Criança menor de 1 ano, por quilo: de 0 a 8 meses, 3 mg/kg por dose; de 9 a 11 meses, 3,5 mg/kg por dose. Em recém-nascidos, a dose cai com a imaturidade renal: 1 mg/kg por dose abaixo de 38 semanas de idade gestacional, 1,5 mg/kg entre 38 e 40 semanas e 3 mg/kg acima de 40 semanas. Na insuficiência renal, o ajuste segue o clearance — entre 30 e 60 mL/min, 30 mg de 12 em 12 horas; entre 10 e 30 mL/min, 30 mg uma vez ao dia; em hemodiálise, 30 mg após cada sessão.
Quimioprofilaxia é a exceção, não a regra: o guia não a recomenda, salvo em duas situações — pessoas com graves deficiências imunológicas ou em uso de drogas imunossupressoras após contato com caso, e residentes de alto risco de instituições de longa permanência com comorbidades, durante surto na instituição. Ela não é recomendada se já se passaram mais de 48 horas da última exposição, e a dose é diária, por 10 dias — 75 mg/dia no adulto. Em instituição de longa permanência, dois casos com vínculo epidemiológico em até 72 horas caracterizam a situação de surto que autoriza a profilaxia, mantida por no mínimo duas semanas e até pelo menos 7 dias após o último caso. O zanamivir saiu de cena: segundo a Organização Mundial da Saúde, citada pelo guia, não está mais indicado, por baixa evidência de benefício em hospitalização, admissão em UTI e mortalidade.
Duas negativas fecham a seção. Oseltamivir não trata SARS-CoV-2 — o guia é explícito, e o erro tem sabor de armadilha justamente porque os quadros iniciais se parecem. E antimicrobiano não acompanha o antiviral por rotina: não há evidência de benefício em influenza, exceto na forte suspeita de coinfecção bacteriana.
Nirmatrelvir/ritonavir: dois grupos, cinco dias, um teste
O antiviral oral para covid-19 não grave está no SUS para dois grupos, e só dois: pessoas imunocomprometidas com 18 anos ou mais e pessoas com 65 anos ou mais. A indicação independe da situação vacinal. Os pré-requisitos são cumulativos: covid-19 confirmada por teste rápido de antígeno ou por teste de biologia molecular; estar nos cinco primeiros dias do início dos sintomas; apresentar quadro clínico não grave; e não necessitar de oxigênio suplementar ou de oferta adicional além do oxigênio basal por complicações da covid-19.
A palavra “confirmada” carrega peso. Para a vigilância, um caso pode ser confirmado por critério clínico-epidemiológico — síndrome gripal ou SRAG com histórico de contato próximo ou domiciliar, nos 7 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas, com caso confirmado. Esse critério fecha a notificação, mas não abre a prescrição: o pré-requisito do antiviral é teste rápido de antígeno ou biologia molecular. Um enunciado que confirma o caso pelo contato domiciliar e pergunta sobre nirmatrelvir/ritonavir está pedindo exatamente essa distinção.
A posologia é fixa: dois comprimidos de 150 mg de nirmatrelvir, totalizando 300 mg, mais um comprimido de 100 mg de ritonavir, tomados simultaneamente, duas vezes ao dia, por cinco dias. O ritonavir não trata a infecção — é potencializador farmacocinético, e é dele que vem o principal problema prático da droga, a interação medicamentosa, motivo pelo qual o Ministério da Saúde mantém guia próprio, hoje em segunda edição, para o uso do antiviral em pacientes de alto risco.
Para o paciente que já está internado, a resposta muda de prateleira. O guia de 2024 registra que foram incorporados ao SUS o tocilizumabe e o baricitinibe para tratamento de pacientes adultos hospitalizados com covid-19, e no quadro-resumo da vigilância a linha de tratamento aparece separada assim: nirmatrelvir/ritonavir na síndrome gripal, baricitinibe na SRAG. Nirmatrelvir/ritonavir não é droga de resgate para quem já precisa de oxigênio.
Os cinco dias de março de 2026
Até março de 2026 o isolamento da covid-19 seguia um quadro de três colunas do Guia de 2024: alta no 5º dia completo apenas se houvesse teste de biologia molecular não detectável ou antígeno não reagente colhido naquele dia, alta no 7º dia completo sem teste, e 10 dias completos para quem mantivesse sintomas, febre ou novo exame positivo. A Nota Técnica nº 5/2026 substituiu esse bloco inteiro — a frase de revogação está no assunto e repetida na conclusão: as recomendações passam a valer em substituição às orientações constantes no Guia de Vigilância Integrada (2024).
O que vale agora tem três números. Síndrome gripal na comunidade, independentemente da etiologia viral, em pessoa não imunossuprimida: 5 dias contados da data de início dos sintomas, com suspensão após o 5º dia desde que o indivíduo esteja sem febre há pelo menos 24 horas, sem uso de antitérmicos, e apresente remissão dos sintomas respiratórios. Síndrome gripal em pessoa imunocomprometida: 10 dias, com o limiar de febre subindo para 48 horas. SRAG por SARS-CoV-2: 20 dias, com 24 horas sem febre. Para SRAG por outros vírus respiratórios em paciente hospitalizado, o tempo é definido individualmente, conforme quadro clínico e agente identificado.
Duas mudanças de hábito vêm junto. O isolamento passou a ser orientado pela manifestação clínica, e não pela etiologia — o mesmo prazo de 5 dias vale para influenza, SARS-CoV-2 ou vírus sincicial respiratório, porque na prática assistencial a definição etiológica nem sempre está disponível. E o teste saiu do caminho: nos casos de síndrome gripal por SARS-CoV-2, não é necessário realizar exame de biologia molecular nem antígeno para terminar o isolamento. Só no imunocomprometido a nota admite a estratégia baseada em testagem, com RT-PCR, a critério médico. O assintomático com teste positivo conta os 5 dias a partir da data do exame, não de sintoma nenhum.
Terminar o isolamento não é voltar ao normal. Para a síndrome gripal comum e para o assintomático, o documento pede que se mantenham, até o 10º dia, o uso contínuo de máscara bem ajustada ao rosto, preferencialmente cirúrgica ou PFF2/N95, evitar contato com pessoas de risco — idosos, imunossuprimidos e pessoas com múltiplas comorbidades —, evitar aglomerações, manter distância mínima de 1 metro quando sem máscara e evitar viagens e refeições próximas a outras pessoas. Para o imunocomprometido, as mesmas medidas se estendem até o 20º dia. Contatos assintomáticos de casos de síndrome gripal não precisam cumprir quarentena: mantêm as medidas por 10 dias a contar da última exposição e se automonitoram.
A justificativa está escrita e é de prova. A revisão citada pela nota descreve positividade do isolamento viral entre 44% e 50% até o 5º dia, queda para 28% no 7º dia e cerca de 11% no 9º, estabilizando entre 0% e 8% depois. O período de incubação encurtou ao longo das variantes — cerca de 6,65 dias na linhagem ancestral, 4,41 na Delta e 3,42 na Ômicron, com mediana de 2,5 dias descrita para a subvariante BA.5 —, e o intervalo serial caiu de aproximadamente 4,8 dias nas linhagens ancestrais para 3,4 a 3,8 na Delta e 2 a 4,4 nas subvariantes Ômicron. Vírus que adoece mais cedo transmite mais cedo, e o isolamento acompanha.
Dois limites de leitura. As recomendações da nota destinam-se à população em geral e têm, no texto do próprio documento, caráter não obrigatório, cabendo a contextos específicos considerar seus riscos e normativas complementares. E, para o paciente internado, ela não se aplica sozinha: manda consultar a Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 04/2020 e suas atualizações, que trata das medidas de prevenção e controle nos serviços de saúde.

O que um exame negativo não faz
Confirma-se covid-19 por critério laboratorial ou clínico-epidemiológico. No laboratorial, entram a biologia molecular com resultado detectável — RT-qPCR ou RT-LAMP — e a pesquisa de antígeno com resultado reagente; assintomáticos com qualquer um desses exames positivos também são casos confirmados. No clínico-epidemiológico, entra o caso de síndrome gripal ou SRAG com histórico de contato próximo ou domiciliar nos 7 dias anteriores ao início dos sinais e sintomas com caso confirmado. Para fins de vigilância, a biologia molecular é o padrão-ouro, o que não exclui o teste de antígeno nem o critério clínico-epidemiológico.
Três exames saíram do fluxo diagnóstico e voltam como distratores. A sorologia não é mais indicada para diagnóstico, porque grande parte da população já foi exposta ao vírus e anticorpo não indica infecção aguda. O diagnóstico por imagem não confirma caso. E, desde a Nota Técnica nº 14/2022, os critérios clínico e clínico-imagem não são mais recomendados para encerramento de casos no âmbito da vigilância epidemiológica.
O ponto mais cobrado é o do teste negativo. O guia é literal: um exame negativo para covid-19, isoladamente, não é suficiente para descartar um caso. Descartar tem definição própria — caso de síndrome gripal para o qual houve identificação de outro agente etiológico confirmado por método laboratorial específico, excluída a possibilidade de coinfecção, ou confirmação de causa não infecciosa atestada pelo médico responsável. O registro do descarte também é feito no e-SUS Notifica, com a classificação final.
Vale conhecer também o desenho do contato próximo, porque ele define quem entra na investigação: quem esteve a menos de 1 metro por pelo menos 15 minutos de um caso confirmado sem que ambos usassem máscara ou usando-a de forma incorreta; quem teve contato físico direto seguido de toque em olhos, boca ou nariz com mãos não higienizadas; o profissional de saúde que prestou assistência sem o equipamento de proteção preconizado ou com ele danificado; e o contato domiciliar ou residente no mesmo ambiente. O período de transmissibilidade considerado vai de 48 horas antes do início dos sintomas até o 10º dia — ou, no assintomático, a partir da data da coleta.
Sessenta, sessenta e cinco: idades que não coincidem
A vacina covid-19 de RNA mensageiro está no Calendário Nacional de Vacinação de 2026 para três grupos de rotina: crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes; e pessoas a partir de 60 anos. As doses periódicas, porém, não têm todas a mesma cadência. Pessoas com 60 anos ou mais e pessoas imunocomprometidas recebem 1 dose a cada 6 meses, respeitado o intervalo mínimo de 6 meses desde a última dose. Pessoas com comorbidades recebem 1 dose anual. Gestantes recebem 1 dose durante cada gestação, em qualquer idade gestacional. Crianças saudáveis completamente vacinadas não têm dose periódica recomendada de rotina.
A vacina influenza do calendário de 2026 é trivalente, fragmentada e inativada, indicada na rotina para crianças de 6 meses a 5 anos, 11 meses e 29 dias, gestantes e idosos a partir de 60 anos, com disponibilidade o ano todo nas salas de vacina e reforço de oferta na temporada. Na primovacinação infantil são 2 doses com intervalo de 30 dias; nos anos seguintes, dose única. A gestante recebe 1 dose por temporada em cada gestação e, se não vacinada na gravidez, no pós-parto até 45 dias. A composição muda todo ano, conforme recomendação da Organização Mundial da Saúde para o hemisfério sul.
Some a isso o corte do antiviral e o quadro fica claro: 60 anos é a idade que transforma um adulto em fator de risco para complicações por influenza — e, portanto, em candidato a oseltamivir na síndrome gripal — e é a idade de rotina das duas vacinas; 65 anos é a idade que abre o nirmatrelvir/ritonavir. São três decisões diferentes ancoradas em dois números vizinhos, e a distância entre eles é exatamente o espaço em que a banca monta a alternativa errada.
A prevenção do vírus sincicial respiratório entrou no calendário pela gestante: dose única da vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B em cada gestação, a partir da 28ª semana gestacional, para proteger o lactente nos primeiros meses. O detalhamento da imunização do bebê pertence à pediatria, mas o clínico precisa saber que essa oferta existe — e que, na gestante, três vacinas diferentes convergem no pré-natal.
Um alerta que atravessa tudo: situação vacinal não altera a indicação de antiviral. O guia diz, com todas as letras, que o oseltamivir está indicado para os casos de síndrome gripal com fatores de risco independentemente da situação vacinal, e o nirmatrelvir/ritonavir foi incorporado justamente porque a resposta vacinal é reduzida em idosos e imunossuprimidos. “Paciente vacinado, não trata” é resposta errada nas duas frentes.
Quando saber o vírus muda alguma coisa
Síndrome gripal e SRAG são definições sindrômicas justamente porque servem a vários agentes — influenza, SARS-CoV-2, vírus sincicial respiratório e outros vírus respiratórios circulantes. O isolamento, desde 2026, também é sindrômico. Mas a escolha do antiviral não é: oseltamivir cobre influenza e não trata SARS-CoV-2; nirmatrelvir/ritonavir cobre SARS-CoV-2 e nada tem a ver com influenza. É por isso que o guia manda coletar painel viral ou RT-PCR multiplex nos casos de SRAG hospitalizados, preferencialmente antes de iniciar o tratamento — e, ao mesmo tempo, manda começar o oseltamivir sem esperar o resultado quando há suspeita clínica de influenza.
Na prática da porta de entrada, a sequência que resolve a maioria dos enunciados tem quatro perguntas. O paciente preenche síndrome gripal? Tem sinal de gravidade — dispneia, desconforto respiratório, saturação menor ou igual a 94% em ar ambiente, exacerbação de doença preexistente? Se sim, é SRAG: interna, notifica no Sivep-Gripe, colhe painel viral e trata. Se não, o paciente tem fator de risco para influenza, ou é elegível ao antiviral oral para covid-19? E, por fim, quantos dias de sintomas ele tem — porque esse número decide tanto o antiviral quanto a contagem do isolamento.
Sinais de piora que o guia lista para orientar o retorno merecem memória, porque aparecem como “o que você orienta na alta”: aparecimento de dispneia ou taquipneia; persistência ou aumento da febre por mais de três dias, ou retorno da febre após 48 horas de período afebril; alteração do sensório, com confusão mental, sonolência ou letargia; hipotensão arterial; diurese abaixo de 400 mL em 24 horas; desidratação; exacerbação de doença preexistente; miosite comprovada por creatinofosfoquinase duas a três vezes acima do valor de referência; elevação da creatinina sérica acima de 2,0 mg/dL; e, em crianças, exacerbação dos sintomas gastrointestinais.
O diagnóstico diferencial do verão brasileiro não é viral respiratório: é dengue, que compartilha febre, cefaleia, mialgia e prostração e tem manejo próprio, detalhado em capítulo separado desta apostila. Já pneumonia adquirida na comunidade e insuficiência respiratória aguda, que costumam ser o desfecho da SRAG que não melhora, estão na apostila de Pneumologia. Antibiótico, nesse cenário, não é reflexo: entra na forte suspeita de coinfecção bacteriana, com a lógica de indicação e desescalonamento tratada no capítulo de antibioticoterapia racional.
Da porta de entrada à alta: os cortes que a prova cobra
Uma definição sindrômica unificada, dois antivirais com janelas diferentes, três prazos de isolamento e sistemas distintos de notificação. O que decide a próxima conduta é o objetivo: confirmar, notificar, tratar, isolar ou internar.
- 1Confirme a síndrome gripal pela definição unificada da Nota Técnica nº 11/2026: início nos últimos 10 dias, pelo menos dois sinais ou sintomas e obrigatoriamente ao menos um respiratório.
- 2Procure sinal de gravidade: dispneia, desconforto respiratório, SpO2 ≤ 94% em ar ambiente, exacerbação de doença preexistente. Presente qualquer um, o rótulo é SRAG.
- 3SRAG: interne, colha painel viral ou RT-PCR multiplex de preferência antes de tratar, inicie oseltamivir na suspeita clínica de influenza e notifique no Sivep-Gripe em até 24 horas.
- 4Sem gravidade, pergunte pelos fatores de risco para complicações por influenza — gestante, puérpera até 2 semanas, ≥ 60 anos, < 5 anos, pneumopatia, cardiopatia (exceto hipertensão isolada), diabetes, obesidade com IMC ≥ 40, imunossupressão, entre outros. Presentes, prescreva oseltamivir.
- 5Ainda sem gravidade, verifique elegibilidade ao nirmatrelvir/ritonavir: imunocomprometido ≥ 18 anos ou pessoa ≥ 65 anos, com teste positivo, dentro dos 5 primeiros dias e sem necessidade de oxigênio.
- 6Notifique no sistema correto: e-SUS Notifica para síndrome gripal suspeita de covid-19; Sivep-Gripe para SRAG hospitalizada e para óbito por SRAG.
- 7Conte o isolamento pela Nota Técnica nº 5/2026: 5 dias na comunidade, 10 no imunocomprometido, 20 na SRAG por SARS-CoV-2 — sempre com o critério de febre e a remissão dos sintomas respiratórios.
- 8Oriente as medidas adicionais até o 10º dia (ou o 20º, no imunocomprometido) e os sinais de retorno imediato, e cheque a agenda vacinal antes de liberar.
60 ≠ 65
Sessenta anos é fator de risco para complicações por influenza (autoriza oseltamivir) e é a idade de rotina das vacinas influenza e covid-19. Sessenta e cinco é a idade que abre o nirmatrelvir/ritonavir.
Não espere o exame
Na suspeita clínica de influenza com risco, ou em qualquer SRAG hospitalizada, o oseltamivir começa imediatamente. A amostra é colhida de preferência antes da primeira dose, mas o resultado não é condição para prescrever.
Antiviral oral exige teste
Nirmatrelvir/ritonavir só com covid-19 confirmada por TR-Ag ou biologia molecular. Critério clínico-epidemiológico confirma o caso para a vigilância, mas não preenche o pré-requisito do medicamento.
Negativo não descarta
Um exame negativo, isoladamente, não descarta covid-19. Descartar exige outro agente etiológico confirmado por método laboratorial específico, excluída coinfecção, ou causa não infecciosa atestada pelo médico.
Vacinado também trata
A situação vacinal não altera a indicação de antiviral, nem para influenza nem para covid-19.
Cinco dias, sem teste
Desde março de 2026, síndrome gripal na comunidade em pessoa não imunossuprimida isola por 5 dias, sem exame para sair — 10 dias se imunocomprometida, 20 dias se SRAG por SARS-CoV-2.
Uma definição de síndrome gripal, decisões diferentes
| Decisão | Régua vigente | Ponto de prova |
|---|---|---|
| Reconhecer síndrome gripal | Nota Técnica nº 11/2026 | Infecção respiratória iniciada nos últimos 10 dias, com pelo menos 2 sinais ou sintomas e obrigatoriamente ao menos 1 respiratório |
| Notificar SG por covid-19 | Confirmação + e-SUS Notifica | Notificação universal somente do caso confirmado, por laboratório ou vínculo clínico-epidemiológico, em até 24 horas |
| Notificar SRAG | Definição universal + Sivep-Gripe | Todo caso hospitalizado de SG com dispneia, taquipneia ou SpO2 ≤94%, e todo óbito por SRAG, em até 24 horas |
| Indicar oseltamivir | Suspeita de influenza, gravidade e risco | O padrão clínico de influenza orienta tratamento; não é outra definição de SG |
| Definir isolamento | Nota Técnica nº 5/2026 | Aplicar os prazos e critérios clínicos sem criar uma definição paralela de vigilância |
SRAG e UTI: dois limiares que não se confundem
| Decisão | Critério | Fonte |
|---|---|---|
| Classificar como SRAG | SG com dispneia/desconforto respiratório, OU pressão ou dor persistente no tórax, OU SpO2 ≤ 94% em ar ambiente, OU cianose de lábios ou rosto | Guia de vigilância integrada, 2024 (Definição 2) |
| Notificar no Sivep-Gripe | SRAG hospitalizada de qualquer etiologia, e óbito por SRAG independentemente de hospitalização — em até 24 h da suspeita. O item da Lista passou a se chamar “Srag hospitalizado ou óbito por Srag” | Guia de vigilância integrada, 2024; Portaria GM/MS nº 11.211/2026, art. 4º |
| Notificar no e-SUS Notifica | SG suspeita de covid-19 e assintomático com teste positivo. Na Lista Nacional, o item passou a ser “Síndrome Gripal por covid-19 confirmada” (Portaria GM/MS nº 11.211/2026, arts. 3º e 4º) | Guia de vigilância integrada, 2024; Portaria GM/MS nº 11.211/2026 |
| Internar em UTI | Instabilidade hemodinâmica após 30 mL/kg em 3 h (indicando amina vasoativa), OU PaO2 < 60 mmHg com necessidade de O2 para manter SatO2 > 90%, OU outras disfunções orgânicas | Guia de vigilância integrada, 2024; folheto do MS, 2025 |
Os dois antivirais
| Droga | Quem recebe | Janela | Posologia (adulto) |
|---|---|---|---|
| Fosfato de oseltamivir | Todos os casos de SRAG hospitalizados após suspeita clínica; SG com condições ou fatores de risco, independentemente da situação vacinal | Maior benefício até 48 h; ainda eficaz até o 5º dia, especialmente em hospitalizados. Não se aguarda o exame para iniciar | 75 mg VO 12/12 h por 5 dias |
| Nirmatrelvir/ritonavir | Imunocomprometidos ≥ 18 anos e pessoas ≥ 65 anos, com covid-19 confirmada por TR-Ag ou biologia molecular, quadro não grave e sem necessidade de O2 suplementar | Dentro dos 5 primeiros dias de sintomas | 300 mg de nirmatrelvir (2 comp. de 150 mg) + 100 mg de ritonavir, 2×/dia, 5 dias |
| Quimioprofilaxia com oseltamivir | Exceção: imunodeficiência grave ou uso de imunossupressores após contato; residentes de risco em instituição de longa permanência durante surto | Não indicada se passaram mais de 48 h da última exposição | 75 mg/dia VO por 10 dias |
Oseltamivir — dose por faixa (tratamento 5 dias; profilaxia 10 dias)
| Faixa | Tratamento (12/12 h) | Profilaxia (1×/dia) |
|---|---|---|
| Adulto | 75 mg | 75 mg |
| Criança > 1 ano, até 15 kg | 30 mg | 30 mg |
| Criança > 1 ano, > 15 a 23 kg | 45 mg | 45 mg |
| Criança > 1 ano, > 23 a 40 kg | 60 mg | 60 mg |
| Criança > 1 ano, > 40 kg | 75 mg | 75 mg |
| Lactente de 0 a 8 meses | 3 mg/kg por dose | 3 mg/kg por dia |
| Lactente de 9 a 11 meses | 3,5 mg/kg por dose | 3,5 mg/kg por dia |
| Clearance > 30 a 60 mL/min | 30 mg | 30 mg |
| Clearance > 10 a 30 mL/min | 30 mg 1×/dia | 30 mg em dias alternados |
| Hemodiálise | 30 mg após cada sessão | 30 mg após sessões alternadas |
Isolamento — Nota Técnica nº 5/2026 (substitui o quadro do Guia de 2024)
| Situação | Dias | Condição para suspender | Depois |
|---|---|---|---|
| SG na comunidade, qualquer etiologia, não imunossuprimido | 5, do início dos sintomas | Sem febre há ≥ 24 h sem antitérmico e remissão dos sintomas respiratórios; sem necessidade de teste | Medidas adicionais até o 10º dia |
| Assintomático com RT-PCR ou TR-Ag positivo | 5, da data do exame | Sem necessidade de teste | Medidas adicionais até o 10º dia |
| SG em imunocomprometido | 10, do início dos sintomas | Sem febre há ≥ 48 h sem antitérmico e remissão dos sintomas respiratórios; RT-PCR pode ser considerado a critério médico | Medidas adicionais até o 20º dia |
| SRAG por SARS-CoV-2 | 20, do início dos sintomas | Sem febre há ≥ 24 h sem antitérmico e remissão dos sintomas respiratórios | — |
| SRAG por outros vírus respiratórios, hospitalizado | Individualizado | Conforme quadro clínico e agente identificado; RT-PCR pode ser considerado, sobretudo em imunossuprimidos | — |
Vacinação — Calendário Nacional 2026, recortes que o clínico usa
| Vacina | Grupo | Agenda |
|---|---|---|
| Covid-19 (RNAm) | Pessoas ≥ 60 anos e imunocomprometidos | 1 dose a cada 6 meses |
| Covid-19 (RNAm) | Pessoas com comorbidades | 1 dose anual |
| Covid-19 (RNAm) | Gestantes | 1 dose por gestação, em qualquer idade gestacional |
| Covid-19 (RNAm) | Crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias | Esquema básico de 3 doses (6, 7 e 9 meses); sem dose periódica de rotina para crianças saudáveis já vacinadas |
| Influenza trivalente (INF3) | Crianças de 6 meses a 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes; ≥ 60 anos | 1 dose anual (primovacinação infantil: 2 doses com 30 dias de intervalo) |
| VSR A e B (recombinante) | Gestantes | Dose única em cada gestação, a partir da 28ª semana |
A Nota Técnica nº 11/2026 substituiu as definições de vigilância anteriores. A Nota Técnica nº 5/2026 permanece útil para os prazos de isolamento, mas não deve ser apresentada como uma definição concorrente de síndrome gripal.
As recomendações de isolamento da Nota Técnica destinam-se à população em geral e têm, no texto do documento, caráter não obrigatório; para o paciente internado, ela remete à Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa nº 04/2020 e suas atualizações.
A Tabela 1 do folheto do Ministério da Saúde de 2025 imprime, para lactentes, “3 mg, 12/12h, 5 dias” (0 a 8 meses) e “3,5 mg, 12/12h, 5 dias” (9 a 11 meses), sem a unidade por quilo. O Quadro 10 do Guia de vigilância integrada (2024), da mesma origem, traz 3 mg/kg e 3,5 mg/kg. A dose correta é por quilo — a leitura literal do folheto subdoseia um lactente de 6 kg em seis vezes.
Ainda no folheto de 2025, o texto e a figura descrevem o grupo elegível ao nirmatrelvir/ritonavir como “indivíduos com idade ≥ 18 anos com imunossupressão”, enquanto a tabela ao lado imprime “Imunossuprimidos > 18 anos”. O Guia de 2024 usa ≥ 18 anos.
No Guia de 2024, o Quadro 13 divide a quimioprofilaxia em “0 a 8 meses” e “9 a 11 meses”, mas a lista de texto logo abaixo escreve “0 a 8 meses” e “8 a 11 meses”, colocando o oitavo mês nas duas faixas; a mesma lista escreve “< 15 kg” onde os quadros 10 e 13 escrevem “≤ 15 kg”, deixando o peso de exatamente 15 kg sem faixa.
No Fluxograma 1 do folheto de 2025, o ramo do teste não detectável em paciente sem febre e sem sinais de gravidade termina com “Notificar no e-SUS notifica e encerrar como caso descartado para covid-29” — com o erro de dígito no ano da doença.
A Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, também excluiu a SRAG da Lista Nacional de Doenças e Agravos monitorados pela Estratégia Sentinela (art. 7º). A vigilância sentinela de síndrome gripal, descrita no Guia de 2024, não foi atingida por essa exclusão.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Vigilância — suspeita de covid-19 (MS, 2024)
Pelo menos 2 entre febre (mesmo referida), calafrios, dor de garganta, dor de cabeça, tosse, coriza, distúrbios olfativos e distúrbios gustativos. Nenhum precisa ser respiratório, e a febre pode faltar.
BRASIL. MS. Guia de vigilância integrada da covid-19, influenza e outros vírus respiratórios, 2024, item 2.5.1, Definição 1.
Prescrição de antiviral — suspeita de influenza (MS, 2024/2025)
Febre de início súbito, mesmo referida, acompanhada de tosse ou dor de garganta, e pelo menos um entre cefaleia, mialgia e artralgia, na ausência de outro diagnóstico específico. A febre é obrigatória.
BRASIL. MS. Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): orientações para profissionais de saúde, 2025, Fluxograma 2 e quadro “definições de caso utilizadas para fins de prescrição de antivirais e manejo clínico”.
Isolamento (MS, Nota Técnica nº 5/2026)
Infecção respiratória iniciada nos últimos 10 dias com pelo menos 2 sinais ou sintomas, obrigatoriamente ao menos 1 respiratório — tosse, coriza, dor de garganta ou congestão nasal —, tendo como gerais febre, dor de cabeça, dor no corpo e calafrio.
BRASIL. MS. Nota Técnica nº 5/2026-CGCOVID/DEDT/SVSA/MS, item 2.2.
Na prova
Leia o verbo do enunciado antes da vinheta. Se a pergunta é o que notificar ou como encerrar, o avaliador está na régua de vigilância de 2024. Se pergunta se cabe oseltamivir, está na régua da influenza, em que a febre é obrigatória. Se pergunta quantos dias o paciente fica afastado, está na Nota Técnica de 2026 — e só ali a exigência de um sintoma respiratório vale.
Guia de vigilância integrada (MS, 2024)
Não exige. SRAG é o indivíduo com síndrome gripal que apresente dispneia ou desconforto respiratório, ou pressão ou dor persistente no tórax, ou SpO2 ≤ 94% em ar ambiente, ou cianose de lábios ou rosto. A hospitalização aparece depois, como recorte da notificação no Sivep-Gripe.
BRASIL. MS. Guia de vigilância integrada, 2024, item 2.5.1, Definição 2 e observações.
Nota Técnica nº 5/2026 (MS)
Para efeito das recomendações de isolamento, SRAG é o indivíduo hospitalizado com síndrome gripal que apresente pelo menos um sinal de agravamento: dispneia, taquipneia e/ou saturação de O2 ≤ 94% em ar ambiente.
BRASIL. MS. Nota Técnica nº 5/2026-CGCOVID/DEDT/SVSA/MS, item 2.2.
Na prova
Repare em qual decisão está sendo pedida. Questão de classificação e notificação segue a definição de 2024, em que o paciente pode preencher SRAG na sala de emergência antes de qualquer leito; questão sobre tempo de afastamento segue a de 2026. Alternativa que afirma, de forma categórica, que “sem internação não há SRAG” ignora o escopo declarado da Nota Técnica.
Guia de vigilância integrada (MS, 2024)
Não permite. O documento afirma que um exame negativo para covid-19 isoladamente não é suficiente para descartar um caso, e define caso descartado como aquele em que se identificou outro agente etiológico por método laboratorial específico, excluída coinfecção, ou causa não infecciosa atestada pelo médico responsável.
BRASIL. MS. Guia de vigilância integrada, 2024, item 2.5.1, “Caso de SG descartado para covid-19”.
Folheto de orientações a profissionais (MS, 2025)
O Fluxograma 1 conduz o paciente com teste não detectável ou não reagente, sem febre e sem sinais de gravidade, ao desfecho “notificar no e-SUS notifica e encerrar como caso descartado”, sem exigir a identificação de outro agente.
BRASIL. MS. Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): orientações para profissionais de saúde, 2025, Fluxograma 1, p. 2.
Na prova
Quando o enunciado cita o guia de vigilância, ou usa as palavras “encerramento de caso” e “classificação final”, a resposta é a regra mais restritiva: negativo isolado não descarta. O fluxograma de bolso é um atalho operacional e não costuma ser a régua cobrada — mas conhecer a existência do atalho evita a sensação de que a alternativa “descartar pelo teste negativo” veio do nada.
Guia de vigilância integrada (MS, 2024) — fluxo do serviço
Manda notificar os casos que atendam à definição de síndrome gripal suspeitos de covid-19, no e-SUS Notifica, e registrar ali também o caso descartado, com a classificação final. A notificação nasce da suspeita, não da confirmação.
BRASIL. MS. Guia de vigilância integrada da covid-19, influenza e outros vírus respiratórios, 2024, item 2.5.2.
Portaria GM/MS nº 11.211/2026 — redação da Lista Nacional
O art. 3º remove a covid-19 como item próprio, contemplando-a em “Síndrome Gripal por covid-19 confirmada”, e o art. 4º, VII, troca “Síndrome Gripal suspeita de covid-19” por essa mesma redação. O item vigente da Lista nomeia o caso confirmado.
BRASIL. Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, arts. 3º e 4º, VII (DOU de 14/05/2026).
Na prova
Deixe a data do enunciado escolher. Questão que pede o item da Lista Nacional, ou que ofereça alternativas com nomes de itens, está na redação de maio de 2026 — e a palavra que denuncia é “confirmada”. Questão que descreve um atendimento e pergunta o que fazer com aquele paciente segue o fluxo operacional do guia: notificar o suspeito no e-SUS Notifica, sem esperar resultado. Alternativa que mande aguardar a confirmação laboratorial para só então notificar inverte o sentido da vigilância.
Caso resolvido
- Passo 1
- Antes de nomear o vírus, feche a síndrome — e note que ela fecha duas vezes. Febre e tosse já somam dois dos oito itens da definição de síndrome gripal suspeita de covid-19. E febre de início súbito acompanhada de tosse, com cefaleia e mialgia, fecha a definição de síndrome gripal suspeita de influenza, que é a régua usada para decidir antiviral.
- Passo 2
- Procure gravidade antes de qualquer prescrição. Não há dispneia, não há desconforto respiratório, a saturação é de 96% em ar ambiente e não há exacerbação de doença preexistente. Nenhum critério de SRAG está presente, logo não há indicação de internação nem de notificação no Sivep-Gripe.
- Passo 3
- Some os fatores de risco para complicações por influenza. Ela tem 60 anos ou mais e tem diabetes, que entra na lista como distúrbio metabólico. A hipertensão, sozinha, não conta: o guia exclui expressamente a hipertensão arterial sistêmica do item das cardiovasculopatias. Dois gatilhos bastam, e um já bastaria.
- Passo 4
- Prescreva oseltamivir 75 mg por via oral, de 12 em 12 horas, por cinco dias, agora. A vacinação recente não altera a indicação — o texto diz “independentemente da situação vacinal”. E o terceiro dia de sintomas não fecha a janela: as 48 horas marcam o maior benefício, não o limite da prescrição.
- Passo 5
- Colha o teste rápido de antígeno, de preferência antes da primeira dose, mas sem que a coleta atrase o antiviral. O resultado tem consequência prática: com 68 anos, ela está no grupo etário elegível ao nirmatrelvir/ritonavir, e um antígeno reagente para SARS-CoV-2 no terceiro dia a coloca dentro dos cinco primeiros dias, com quadro não grave e sem necessidade de oxigênio.
- Passo 6
- Notifique no sistema certo. Trata-se de síndrome gripal suspeita de covid-19, de notificação compulsória e imediata: e-SUS Notifica, em até 24 horas a partir da suspeita. O Sivep-Gripe ficaria reservado à SRAG hospitalizada ou ao óbito por SRAG.
- Passo 7
- Conte os dias e oriente o retorno. O isolamento é de cinco dias a partir do início dos sintomas, e ela já está no terceiro; a suspensão exige estar sem febre há pelo menos 24 horas, sem antitérmico, e com remissão dos sintomas respiratórios — sem exame para sair. Até o 10º dia, máscara bem ajustada, distância de um metro e evitar contato com pessoas de risco. Retorno imediato se surgir dispneia, se a febre persistir por mais de três dias ou voltar após 48 horas sem febre, ou se houver confusão mental.
Agora feche você
- Passo 1
- Este quadro preenche a definição unificada de síndrome gripal da Nota Técnica nº 11/2026? Depois, diga se há obrigação de notificação universal e em qual sistema.
- Passo 2
- Há indicação de oseltamivir? Explique a resposta usando duas frases distintas do material do Ministério da Saúde.
- Passo 3
- Ele preenche os quatro pré-requisitos do nirmatrelvir/ritonavir e pertence a algum dos dois grupos elegíveis? Diga qual grupo e qual pré-requisito é o mais fácil de perder de vista neste paciente.
- Passo 4
- Quantos dias de isolamento, contados de quando, com qual critério de febre — e até que dia valem as medidas adicionais?
Onde a banca derruba
- 1Aplicar a definição de 2026 a uma pergunta de notificação Usar o Guia de 2024 para notificar toda síndrome gripal suspeita de covid-19 ficou incorreto após a Nota Técnica nº 11/2026. A definição de SG foi unificada, e a notificação universal no e-SUS Notifica passou a exigir confirmação de covid-19. Todo caso de SRAG, porém, continua sendo notificado universalmente no Sivep-Gripe, independentemente do agente.
- 2Concluir que SRAG passou a exigir internação A definição de vigilância descreve SRAG como síndrome gripal com sinal de gravidade, sem exigir hospitalização; é a notificação no Sivep-Gripe que se restringe aos hospitalizados e aos óbitos. A moldura “indivíduo hospitalizado” aparece na Nota Técnica de 2026 e vale para contar dias de isolamento.
- 3Segurar o oseltamivir esperando o RT-PCR O guia manda iniciar o tratamento imediatamente após a suspeita clínica, independentemente da coleta, e colher a amostra de preferência antes da primeira dose. Alternativa que condiciona a prescrição ao resultado do exame contraria o texto.
- 4Recusar o antiviral porque passaram 48 horas As 48 horas marcam o maior benefício, não o fim da indicação. O próprio material do Ministério da Saúde registra eficácia até o 5º dia, especialmente em pacientes hospitalizados, e todo caso de SRAG hospitalizado recebe oseltamivir após a suspeita clínica.
- 5Prescrever nirmatrelvir/ritonavir com caso confirmado por contato Contato próximo ou domiciliar nos 7 dias anteriores confirma o caso para a vigilância, mas o antiviral oral exige teste rápido de antígeno ou biologia molecular positivos, além do quadro não grave, dos cinco primeiros dias e da ausência de necessidade de oxigênio.
- 6Tratar covid-19 com oseltamivir O guia afirma expressamente que o fosfato de oseltamivir não está indicado para o tratamento do SARS-CoV-2. A semelhança dos quadros iniciais é o que torna a alternativa tentadora.
- 7Descartar covid-19 com um teste negativo Exame negativo isolado não é suficiente para descartar. Descartar exige outro agente etiológico confirmado por método específico, excluída coinfecção, ou causa não infecciosa atestada pelo médico. Sorologia não entra no diagnóstico, e imagem não confirma nem descarta caso.
- 8Repetir o quadro de 5, 7 e 10 dias de isolamento Aquele arranjo — alta no 5º dia só com teste negativo, 7 dias sem teste, 10 dias em caso de sintomas persistentes — é do Guia de 2024 e foi substituído pela Nota Técnica nº 5/2026, que fixou 5 dias sem exigir teste, 10 no imunocomprometido e 20 na SRAG por SARS-CoV-2.
- 9Repetir “síndrome gripal suspeita de covid-19” como item da Lista Nacional Essa era a redação até 13 de maio de 2026. A Portaria GM/MS nº 11.211/2026 substituiu o item por “Síndrome Gripal por covid-19 confirmada”, removeu a covid-19 como linha autônoma e renomeou o item da SRAG para “Srag hospitalizado ou óbito por Srag”. O fluxo assistencial de notificar o caso suspeito no e-SUS Notifica, descrito no Guia de 2024, continua sendo o que o serviço executa — o que mudou foi o nome do item na Lista.
Paciente jovem, sem comorbidades, com COVID-19 leve e SatO2 normal deve ser tratada em casa com sintomáticos e isolamento. Internação é reservada a casos com hipoxemia ou instabilidade. Corticoide (dexametasona) só traz benefício em pacientes com necessidade de oxigênio suplementar, podendo ser deletério na fase precoce/leve. Azitromicina não tem indicação em COVID sem infecção bacteriana associada. Oxigenoterapia não se justifica com saturação de 98%.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 8 anos, sem comorbidades, é atendido na UBS com febre há 2 dias, tosse seca, mialgia e prostração, em contexto de surto sazonal de síndrome gripal na comunidade. Não apresenta sinais de desconforto respiratório, hidratado e com boa aceitação oral. Segundo o manejo da síndrome gripal preconizado pelo Ministério da Saúde, qual é a conduta mais apropriada?
Trata-se de síndrome gripal não complicada em criança previamente hígida, sem fatores de risco nem sinais de gravidade. A conduta preconizada é tratamento sintomático, hidratação e orientação quanto a sinais de alarme (síndrome respiratória aguda grave), com retorno se necessário. O oseltamivir é indicado prioritariamente para casos de síndrome respiratória aguda grave ou pacientes com fatores de risco (idade <5 anos, sobretudo <2 anos, comorbidades etc.); não se prescreve indiscriminadamente. Antibiótico não é indicado em quadro viral sem sinais de infecção bacteriana. A internação de rotina é desnecessária em caso leve e estável.
Uma mulher de 26 anos, previamente hígida e sem comorbidades, comparece a uma Unidade Básica de Saúde com febre baixa, coriza, dor de garganta e tosse seca iniciados há 2 dias. Nega dispneia. Ao exame apresenta-se em bom estado geral, corada, hidratada, frequência respiratória de 16 irpm, ausculta pulmonar limpa e SpO2 de 98% em ar ambiente. Um teste rápido de antígeno para SARS-CoV-2 resulta positivo. Qual é a conduta mais apropriada para esse caso?
Correta: Trata-se de COVID-19 leve em jovem sem comorbidades e sem hipoxemia; a conduta é isolamento domiciliar, sintomáticos (antitérmico/analgésico) e orientação clara sobre sinais de alarme, com retorno se dispneia ou queda de saturação. Internação é desnecessária em quadro leve. Corticoide só traz benefício em pacientes que necessitam de oxigênio e pode ser deletério na fase inicial leve. Antibiótico não está indicado em infecção viral sem evidência de coinfecção bacteriana.
Uma gestante de 24 semanas, 29 anos, procura a UPA com febre de 38,5C, tosse, dor de garganta e mialgia iniciados há 36 horas, durante período de sazonalidade de influenza na cidade. Ao exame apresenta-se em bom estado geral, frequência respiratória de 18 irpm, ausculta pulmonar sem alterações e SpO2 de 97% em ar ambiente. Não há sinais de gravidade no momento. O teste rápido para influenza e para SARS-CoV-2 está indisponível na unidade no momento. Diante desse quadro de síndrome gripal em gestante, qual é a conduta mais adequada?
Correta: Gestantes integram o grupo de risco para complicações da influenza; o Ministério da Saude recomenda iniciar oseltamivir empiricamente em toda síndrome gripal de paciente de risco, o mais precoce possível (idealmente ate 48h), independentemente de confirmação laboratorial ou vacinação. Aguardar RT-PCR retarda o antiviral e reduz seu benefício. Oseltamivir é seguro e indicado na gestação. Sem sinais de gravidade, não há indicação de internação nem de antibiótico empírico.
Um homem de 68 anos comparece à Unidade Básica de Saúde referindo febre aferida de 38,5 °C, tosse seca, mialgia difusa, cefaleia e prostração iniciados há 2 dias. É hipertenso e diabético tipo 2, em uso de losartana e metformina, e não recebeu a vacina contra influenza nesta temporada. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, corado, hidratado, eupneico; temperatura axilar de 38,2 °C, frequência cardíaca de 92 bpm, frequência respiratória de 18 irpm, pressão arterial de 130x80 mmHg e saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente. A ausculta pulmonar revela murmúrio vesicular universalmente audível, sem ruídos adventícios. Não há dispneia, dor torácica nem hipotensão. O teste rápido para influenza não está disponível no serviço no momento.
Trata-se de síndrome gripal (febre + tosse/dor de garganta + mialgia/cefaleia) em paciente com fatores de risco para complicação (idade ≥ 60 anos e diabetes). O Protocolo de Tratamento de Influenza do Ministério da Saúde determina que, nesse grupo, o oseltamivir seja iniciado EMPIRICAMENTE, o mais precocemente possível (idealmente em até 48 horas do início dos sintomas), independentemente de confirmação laboratorial — a coleta não deve retardar o tratamento. O quadro é leve (sem taquipneia, sem hipoxemia, sem sinais de alarme), permitindo manejo ambulatorial com orientação de retorno. A alternativa com azitromicina está incorreta: não há indicação de antibiótico em síndrome gripal sem evidência de pneumonia bacteriana. Aguardar o teste está incorreto porque o benefício do oseltamivir cai drasticamente após 48 horas e o tratamento em grupo de risco é empírico. Internação está incorreta porque a comorbidade isolada, sem critérios de SRAG (dispneia, SpO2 < 95%, desconforto respiratório, hipotensão), não justifica hospitalização.
Uma mulher de 55 anos, obesa (IMC 34 kg/m²) e hipertensa, procura a UPA com piora do quadro respiratório. Há 8 dias iniciou febre, tosse e anosmia, tendo teste rápido de antígeno positivo para SARS-CoV-2 no 3º dia, quando permaneceu em isolamento domiciliar com sintomáticos. Nas últimas 24 horas passou a apresentar dispneia progressiva, cansaço aos mínimos esforços e desconforto para completar frases. Ao exame: regular estado geral, temperatura de 37,9 °C, frequência respiratória de 28 irpm com uso de musculatura acessória, frequência cardíaca de 112 bpm, pressão arterial de 118x74 mmHg e saturação de oxigênio de 88% em ar ambiente. Ausculta com estertores crepitantes bibasais. Radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial periférico bilateral.
A paciente preenche critérios de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG): síndrome gripal associada a dispneia, desconforto respiratório e SpO2 < 95% em ar ambiente — no caso, 88%, com taquipneia e uso de musculatura acessória. A conduta correta é oxigenoterapia para alvo de SpO2 ≥ 94%, internação hospitalar e corticoterapia sistêmica: a dexametasona reduz mortalidade justamente no subgrupo que necessita de oxigênio suplementar (fase inflamatória, tipicamente após o 7º dia), e a SRAG é de notificação compulsória imediata à vigilância epidemiológica. Manter em domicílio é inaceitável diante de hipoxemia grave, e corticoide inalatório não trata SRAG. A hipótese de pneumonia bacteriana com manejo ambulatorial está errada em dois níveis: o padrão radiológico e a evolução são típicos de acometimento viral, e nenhum paciente com SpO2 de 88% deve ser tratado fora do hospital. Oseltamivir não tem ação contra o SARS-CoV-2, e atribuir a dispneia a ansiedade ignora a hipoxemia objetivamente documentada.
Um homem de 63 anos procura a UPA com quadro iniciado há 7 dias, com febre aferida de 38,5 °C, tosse seca, mialgia e anosmia, evoluindo nas últimas 24 horas com piora importante da falta de ar aos mínimos esforços. É hipertenso e diabético tipo 2 em uso regular de losartana e metformina, e recebeu apenas duas doses da vacina contra a COVID-19, a última há mais de dois anos. Ao exame: regular estado geral, lúcido e orientado, dispneico, PA 130 x 80 mmHg, FC 104 bpm, FR 28 irpm, temperatura axilar 38,2 °C, saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente e estertores crepitantes bibasais à ausculta. A radiografia de tórax mostra opacidades reticulares periféricas bilaterais. Qual é a conduta adequada?
O paciente preenche a definição de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) do Ministério da Saúde: síndrome gripal com dispneia, saturação de O2 < 95% em ar ambiente e desconforto respiratório (FR 28 irpm). O primeiro passo é reconhecer a SRAG; o segundo é aplicar a conduta padronizada — internação com suporte de oxigênio (alvo SpO2 ≥ 94%), oseltamivir empírico iniciado o mais precocemente possível em todo caso de SRAG (independentemente da confirmação etiológica e do tempo de sintomas), coleta de swab para painel viral e notificação IMEDIATA (SRAG é de notificação compulsória imediata, registrada no SIVEP-Gripe). A alternativa de alta com sintomáticos ignora o critério de gravidade e trata SRAG como síndrome gripal leve (esta sim de notificação semanal na rede sentinela). Azitromicina com corticoide oral ambulatorial não tem respaldo: não há indicação de antibiótico macrolídeo empírico nesse cenário e o corticoide sistêmico só se justifica no paciente hipoxêmico — que, por definição, precisa de internação, não de casa. Aguardar o RT-PCR em domicílio expõe o paciente hipoxêmico a risco de deterioração e retarda o oseltamivir, cujo benefício depende de início precoce e não da confirmação laboratorial.
Homem de 68 anos, hipertenso e diabético tipo 2, procura a UPA com tosse, febre e dispneia progressiva há 7 dias. RT-PCR para SARS-CoV-2 positivo. Ao exame: FR 26 irpm, SpO2 de 89% em ar ambiente, subindo para 94% com cateter nasal de O2 a 3 L/min; ausculta com estertores crepitantes bibasais. Considerando as evidências atuais, qual conduta farmacológica específica reduz mortalidade nesse cenário?
O paciente tem COVID-19 com hipoxemia e necessidade de oxigênio suplementar — exatamente o grupo em que a corticoterapia sistêmica (dexametasona 6 mg/dia por até 10 dias, ensaio RECOVERY) reduz mortalidade. Azitromicina isolada não tem benefício e não há sinais de infecção bacteriana. O corticoide não está contraindicado: é justamente na fase hipoxêmica/inflamatória que ele atua. A indicação começa na necessidade de O2, não apenas na ventilação mecânica.
Mulher de 72 anos, diabética, é atendida na UBS com febre, tosse, mialgia e coriza iniciadas há 24 horas. Ao exame: FR 18 irpm, SpO2 97% em ar ambiente, sem dispneia. Há circulação comunitária de influenza no período, e o teste rápido não está disponível no momento da consulta. Qual o próximo passo mais adequado?
Trata-se de síndrome gripal em pessoa com fatores de risco para complicação (idade ≥ 60 anos e diabetes). A conduta do Ministério da Saúde é iniciar oseltamivir empiricamente e o mais cedo possível (idealmente até 48 h do início dos sintomas), independentemente de confirmação laboratorial. Aguardar exame atrasa o antiviral e perde a janela de eficácia. Não há indicação de antibiótico sem sinais de pneumonia bacteriana, e a presença de fator de risco contraindica a conduta apenas sintomática.
Mulher de 63 anos, transplantada renal há 4 anos, comparece à UBS no terceiro dia de febre, tosse seca, coriza e mialgia. Nega dispneia. Antecedentes: hipertensão, diabetes tipo 2 e dislipidemia. Medicações em uso: tacrolimo, micofenolato, prednisona 5 mg/dia, anlodipino, metformina e sinvastatina 40 mg/dia. Exame físico: BEG, corada, FC 88 bpm, FR 18 irpm, PA 132x84 mmHg, Tax 37,9 °C, SpO2 97% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Teste rápido de antígeno para SARS-CoV-2: positivo. Assinale a conduta mais adequada.
Paciente de alto risco para forma grave (transplantada, imunossuprimida, diabética), com doença leve e dentro da janela de até 5 dias de sintomas — indicação clássica de nirmatrelvir/ritonavir. O ritonavir é inibidor potente do CYP3A4: a sinvastatina é contraindicada e deve ser suspensa durante o tratamento e por alguns dias após; o tacrolimo (também 3A4) não contraindica o antiviral, mas exige redução drástica de dose e monitorização do nível sérico, idealmente com apoio da equipe de transplante. Contraindicar o antiviral de forma absoluta priva a paciente do maior benefício disponível, já que as interações do tacrolimo e da estatina são manejáveis. Manter todas as medicações habituais ignora a interação com a sinvastatina (rabdomiólise) e com o tacrolimo (nefro/neurotoxicidade). Aguardar RT-PCR e adiar o antiviral para a fase inflamatória perde a janela terapêutica: ele só reduz hospitalização se iniciado em até 5 dias, e o teste de antígeno positivo em sintomático já confirma o diagnóstico.
Homem de 45 anos, obeso (IMC 34), procura a UPA com início súbito, há 48 horas, de febre de 39 °C, calafrios, mialgia intensa, cefaleia e tosse seca. Refere piora da dispneia nas últimas horas. Não recebeu vacina contra influenza nesta temporada. Exame: REG, taquipneico, FC 112 bpm, FR 30 irpm, PA 118x72 mmHg, SpO2 92% em ar ambiente, estertores crepitantes em base direita. Radiografia de tórax com infiltrado intersticial bilateral. Coletados painel viral respiratório e hemograma, com resultado previsto para 24 horas. Assinale o próximo passo.
Correta: o quadro preenche critérios de SRAG (síndrome gripal com dispneia, FR > 24 irpm e SpO2 < 95%). O protocolo do Ministério da Saúde determina iniciar oseltamivir o mais precocemente possível em TODO caso de SRAG e em síndrome gripal com fator de risco (aqui, obesidade), independentemente de confirmação laboratorial, além de oxigenoterapia e notificação compulsória imediata. Aguardar a RT-PCR atrasa o antiviral, cujo benefício é tempo-dependente — a conduta é empírica. A ideia de que após 48 horas não há benefício é a pegadinha clássica: essa janela vale para síndrome gripal não complicada; em SRAG o oseltamivir está indicado mesmo com início tardio, especialmente em quadro em progressão. Antibiótico isolado, adiando o antiviral, não cobre o agente mais provável; se houver suspeita de coinfecção bacteriana, ele se soma, mas nunca substitui o oseltamivir.
Homem de 62 anos, hipertenso e obeso (IMC 34 kg/m²), procura o pronto-socorro no 9º dia de sintomas de febre, tosse seca e mialgia, referindo piora importante da dispneia nas últimas 48 horas. Ao exame: regular estado geral, FR 28 irpm, FC 104 bpm, PA 130x80 mmHg, SpO2 87% em ar ambiente, estertores crepitantes em ambas as bases. RT-PCR para SARS-CoV-2 positivo. Tomografia de tórax com opacidades em vidro fosco periféricas e bilaterais acometendo cerca de 50% do parênquima. Além da oxigenoterapia suplementar, assinale a medida farmacológica com benefício comprovado sobre a mortalidade nesse cenário.
O paciente tem COVID-19 com hipoxemia e necessidade de oxigênio suplementar — exatamente a população em que o corticoide sistêmico (RECOVERY) reduziu mortalidade; a dexametasona 6 mg/dia por até 10 dias é a conduta padrão. Oseltamivir trata influenza e não altera desfecho na COVID-19 com PCR positivo para SARS-CoV-2. Hidroxicloroquina com azitromicina foi formalmente abandonada por ensaios randomizados que mostraram ausência de benefício (e risco de toxicidade/QT prolongado). A anticoagulação em dose plena não é indicada indiscriminadamente: em pacientes hospitalizados a recomendação padrão é profilaxia, com dose terapêutica reservada a trombose comprovada ou forte suspeita.
Gestante de 27 anos, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando início há 24 horas de febre de 38,5 °C, tosse seca, odinofagia e mialgia. Nega dispneia. Ao exame: bom estado geral, corada, hidratada, FR 16 irpm, FC 92 bpm, PA 110x70 mmHg, SpO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem alterações. Não há disponibilidade de teste laboratorial rápido na unidade no momento. Assinale a conduta adequada.
Gestante é grupo de risco para complicações de influenza; diante de síndrome gripal, o protocolo do Ministério da Saúde manda iniciar oseltamivir o mais precocemente possível (idealmente em até 48 horas), independentemente de confirmação laboratorial ou de vacinação prévia. Tratar apenas com sintomáticos ou aguardar o RT-PCR retarda o antiviral justamente na janela em que ele reduz complicações. Antibiótico não está indicado: não há taquipneia, hipoxemia, consolidação ou qualquer dado sugestivo de pneumonia bacteriana.
Paciente de 72 anos é internado em enfermaria com síndrome gripal e saturação de 91% em ar ambiente. O painel viral identifica vírus sincicial respiratório, sem detecção de influenza ou SARS-CoV-2. Quanto à notificação, a conduta correta é:
O guia é explícito: notificam-se os casos que atendam à definição de síndrome gripal e de SRAG hospitalizada de qualquer etiologia, além do óbito por SRAG independentemente de hospitalização, e o Sivep-Gripe é o sistema da SRAG, com prazo de 24 horas a partir da suspeita. A redação vigente da Lista Nacional reforça esse desenho: desde a Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, o item se chama “Srag hospitalizado ou óbito por Srag”, sem amarra etiológica. A primeira alternativa erra o sistema: o e-SUS Notifica recebe a síndrome gripal e o assintomático com teste positivo, não a SRAG hospitalizada. A segunda erra porque a etiologia identificada não retira o caso da vigilância das síndromes respiratórias — a definição de SRAG é sindrômica, e foi justamente a menção a coronavírus que saiu do nome do item. A terceira restringe indevidamente a notificação ao óbito, que é apenas mais uma hipótese de registro. A quinta confunde o sistema laboratorial com o sistema de notificação de casos.
Paciente com quadro compatível com síndrome gripal realiza teste rápido de antígeno para SARS-CoV-2, com resultado não reagente. Não houve identificação de outro agente etiológico e não há causa não infecciosa estabelecida. Segundo o Guia de vigilância integrada da covid-19, influenza e outros vírus respiratórios, o encerramento do caso deve seguir qual orientação?
O guia afirma que um exame negativo para covid-19, isoladamente, não é suficiente para descartar um caso, e define caso de síndrome gripal descartado como aquele em que se identificou outro agente etiológico confirmado por método laboratorial específico, excluída a possibilidade de coinfecção, ou em que se confirmou causa não infecciosa atestada pelo médico responsável. A primeira alternativa é exatamente a leitura vedada pelo texto. A segunda erra porque a sorologia não é mais indicada para diagnóstico, uma vez que grande parte da população já foi exposta e o anticorpo não indica infecção aguda. A terceira erra porque o diagnóstico por imagem não confirma nem descarta caso. A quinta erra porque, desde a Nota Técnica nº 14/2022, os critérios clínico e clínico-imagem não são mais recomendados para encerramento de casos na vigilância epidemiológica.
Em uma instituição de longa permanência para idosos, dois residentes com vínculo epidemiológico apresentaram síndrome gripal com influenza confirmada em um intervalo de 48 horas. Um terceiro residente, de 79 anos, portador de doença pulmonar obstrutiva crônica, permanece assintomático e teve contato com um dos casos há 24 horas. Qual é a conduta recomendada pelo Ministério da Saúde para esse terceiro residente?
A quimioprofilaxia é exceção, e esta é uma das exceções previstas: residentes de alto risco em instituição de longa permanência, com comorbidades, durante surto na instituição — e a ocorrência de dois casos com vínculo epidemiológico em até 72 horas caracteriza a situação que a autoriza. A janela também é respeitada: a profilaxia não é recomendada se passaram mais de 48 horas da última exposição, e aqui passaram 24. A dose profilática no adulto é de 75 mg uma vez ao dia por 10 dias. A primeira alternativa erra por absolutizar a regra geral, ignorando as exceções expressas no guia. A terceira apresenta o esquema de tratamento, não o de profilaxia. A quarta contraria a recomendação, pois esperar o sintoma perde a janela de 48 horas após a exposição. A quinta erra porque a vacinação, embora indicada, não substitui a quimioprofilaxia no controle de um surto já instalado.
Mulher de 68 anos, diabética em uso de metformina e hipertensa em uso de losartana, procura a unidade básica no terceiro dia de doença com febre de início súbito, calafrios, tosse seca, cefaleia e mialgia. Recebeu a vacina influenza há dois meses. Ao exame: temperatura axilar de 38,2 °C, frequência respiratória de 18 irpm, saturação de O2 de 96% em ar ambiente, sem dispneia e sem alterações à ausculta. Segundo as orientações do Ministério da Saúde, qual é a conduta?
A paciente preenche síndrome gripal suspeita de influenza (febre de início súbito com tosse, mais cefaleia e mialgia) e tem dois fatores de risco para complicações: idade de 60 anos ou mais e diabetes. Não há critério de SRAG — saturação de 96%, sem dispneia —, então o manejo é ambulatorial com antiviral. A primeira alternativa erra porque o guia manda iniciar o tratamento imediatamente após a suspeita clínica, independentemente da coleta, e o resultado do exame não é condição para prescrever. A terceira erra porque a indicação vale independentemente da situação vacinal, dito com essas palavras no texto. A quarta erra porque as 48 horas marcam o momento de maior benefício, não o fim da indicação: há benefício descrito até o 5º dia, sobretudo em hospitalizados. A quinta erra porque não há evidência de benefício de antimicrobiano na influenza, exceto na forte suspeita de coinfecção bacteriana, que aqui não existe. Repare ainda que a hipertensão isolada não é o gatilho: o guia exclui expressamente a hipertensão arterial sistêmica do item das cardiovasculopatias — quem contou a hipertensão como fator de risco acertou a conduta pelo motivo errado.
Homem de 63 anos, hipertenso e diabético, com esquema vacinal para covid-19 atualizado, apresenta há dois dias tosse, coriza e febre baixa. Teste rápido de antígeno reagente para SARS-CoV-2. Está eupneico, com saturação de 97% em ar ambiente, sem necessidade de oxigênio. Quanto ao nirmatrelvir/ritonavir disponível no SUS, é correto afirmar que o paciente:
A incorporação do nirmatrelvir/ritonavir no SUS define dois grupos, e apenas dois: pessoas imunocomprometidas com 18 anos ou mais e pessoas com 65 anos ou mais. Aos 63 anos e sem imunossupressão, o paciente cumpre todos os pré-requisitos operacionais — teste positivo, dois dias de sintomas, quadro não grave, sem oxigênio — e mesmo assim fica de fora, porque não pertence a nenhum dos grupos. A primeira alternativa erra porque comorbidade, isoladamente, não é critério de elegibilidade ao medicamento, embora seja critério de dose anual da vacina covid-19. A segunda erra por trocar 65 por 60: sessenta anos é o corte de fator de risco para complicações por influenza e o da rotina vacinal, não o do antiviral oral. A quarta erra porque a indicação independe da situação vacinal. A quinta erra porque o teste rápido de antígeno é expressamente aceito como confirmação, ao lado da biologia molecular.
Homem de 41 anos, transplantado renal em uso contínuo de imunossupressores, apresenta coriza e dor de garganta iniciadas há 24 horas, com teste rápido de antígeno reagente para SARS-CoV-2. Está afebril, com saturação de 97% em ar ambiente, e não necessita de internação. Segundo a Nota Técnica nº 5/2026, qual é a orientação de isolamento?
Para síndrome gripal na comunidade em pessoa imunocomprometida, a Nota Técnica recomenda 10 dias contados do início dos sintomas, com retorno às atividades após o 10º dia desde que esteja sem febre há pelo menos 48 horas, sem antitérmicos, e com remissão dos sintomas respiratórios; as medidas adicionais seguem até o 20º dia. A primeira alternativa descreve a regra do imunocompetente, cujo limiar de febre é de 24 horas. A segunda repete o arranjo do Guia de 2024, que a Nota Técnica substituiu — o teste deixou de ser exigido para encerrar o isolamento. A terceira confunde o prazo de 20 dias, que é o da SRAG por SARS-CoV-2, com o do imunocomprometido em quadro comunitário. A quarta erra porque a testagem seriada não é a estratégia recomendada: no imunocomprometido, o RT-PCR pode ser considerado a critério médico, e não como obrigação.
De acordo com a Nota Técnica nº 5/2026 do Ministério da Saúde, que atualizou as orientações de isolamento para síndrome gripal e SRAG, qual das combinações de sinais e sintomas abaixo preenche a definição operacional de síndrome gripal ali estabelecida?
A definição da Nota Técnica exige pelo menos dois sinais ou sintomas, sendo obrigatoriamente ao menos um respiratório. Os respiratórios listados são tosse, coriza, dor de garganta e congestão nasal; os gerais são febre, dor de cabeça, dor no corpo e calafrio. Tosse e coriza somam dois e ambos são respiratórios, então fecham a definição. A primeira e a segunda alternativas somam dois itens, mas os dois são gerais, e por isso não fecham — repare que “febre e calafrio” fecharia a definição de síndrome gripal suspeita de covid-19 do Guia de vigilância integrada (2024), que pede dois de oito sem exigir sintoma respiratório: é aí que está a diferença de escopo entre as duas réguas. A quarta erra porque distúrbios olfativos e gustativos estão na lista de 2024 e não figuram na de 2026. A quinta erra porque um único item nunca preenche a definição.
Lactente de 8 meses e 8 kg é internado com quadro respiratório agudo, dispneia e saturação de 92% em ar ambiente, em período de circulação de influenza. Foi iniciada a investigação com painel viral. Qual é a dose de fosfato de oseltamivir recomendada pelo Ministério da Saúde para o tratamento nessa faixa?
Em crianças menores de 1 ano a dose é calculada por quilo: 3 mg/kg por dose de 0 a 8 meses e 3,5 mg/kg por dose de 9 a 11 meses, de 12 em 12 horas, por cinco dias. Para 8 kg, portanto, 24 mg a cada 12 horas. A segunda alternativa é a leitura literal de uma tabela do folheto de orientações do Ministério da Saúde de 2025, que imprime “3 mg” sem a unidade por quilo; o Quadro 10 do Guia de vigilância integrada (2024), da mesma origem, traz 3 mg/kg — e uma dose fixa de 3 mg subdoseia esta criança em seis vezes. A terceira usa a faixa de 9 a 11 meses. A quarta aplica a dose de criança maior de 1 ano com até 15 kg. A quinta é a dose de adulto. Vale lembrar que, tratando-se de SRAG hospitalizada, o antiviral começa após a suspeita clínica, sem aguardar o painel viral.
Numa mesma manhã, a sala de vacina atende três pessoas com a última dose de covid-19 recebida há treze meses: uma mulher de 67 anos hígida, um homem de 45 anos com diabetes e uma gestante de 22 semanas que se vacinou antes de engravidar. Conforme o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, quem deve receber dose hoje?
As doses periódicas da vacina covid-19 não têm cadência única. Pessoas com 60 anos ou mais e pessoas imunocomprometidas recebem uma dose a cada 6 meses, respeitado o intervalo mínimo de 6 meses desde a última. Pessoas com comorbidades, como o diabetes, recebem uma dose anual — e treze meses já venceram esse intervalo. A gestante recebe uma dose durante cada gestação, em qualquer idade gestacional, e ter se vacinado antes de engravidar não substitui essa dose. Por isso as três têm indicação hoje. Deixar o diabético de fora confunde a cadência anual com a semestral, e exigir doze meses para todos aplica a regra de um grupo aos demais. Crianças saudáveis completamente vacinadas é que não têm dose periódica recomendada de rotina.
Mulher de 71 anos, hipertensa, procura a unidade no terceiro dia de febre, tosse e mialgia. O marido, que mora com ela, teve covid-19 confirmada por teste molecular há cinco dias. Ela está eupneica, com saturação de 97% em ar ambiente. A unidade ainda não realizou nenhum teste nela. Qual é a conduta quanto ao nirmatrelvir com ritonavir?
Os pré-requisitos do antiviral oral são cumulativos: covid-19 confirmada por teste rápido de antígeno ou por biologia molecular, estar nos cinco primeiros dias de sintomas, quadro não grave e sem necessidade de oxigênio suplementar. O critério clínico-epidemiológico — síndrome gripal com contato próximo ou domiciliar nos 7 dias anteriores — fecha a notificação para a vigilância, mas não abre a prescrição, e é exatamente essa distinção que o caso cobra. A idade de 71 anos coloca a paciente no grupo elegível, já que a partir de 65 anos a indicação existe independentemente da situação vacinal, e o outro grupo é o de imunocomprometidos com 18 anos ou mais. As interações mediadas pelo ritonavir exigem revisão da prescrição em uso, não recusa automática pela idade.
Homem de 30 anos, sem comorbidades e sem imunossupressão, teve início de tosse, coriza e febre há cinco dias, com teste rápido de antígeno reagente para SARS-CoV-2. Hoje está sem febre há 30 horas, sem uso de antitérmico, e com os sintomas respiratórios em remissão. Pergunta quando pode encerrar o isolamento e se precisa repetir o exame.
Desde março de 2026, a síndrome gripal na comunidade em pessoa não imunossuprimida isola por 5 dias contados do início dos sintomas, com suspensão após o 5º dia desde que a pessoa esteja sem febre há pelo menos 24 horas, sem antitérmico, e com remissão dos sintomas respiratórios — critérios que o caso preenche. O teste saiu do caminho: não é necessário exame molecular nem de antígeno para terminar o isolamento, e a estratégia baseada em testagem ficou restrita ao imunocomprometido, a critério médico. Os prazos de dez e de vinte dias pertencem ao imunocomprometido e à forma respiratória grave por SARS-CoV-2. E terminar o isolamento não é voltar ao normal: até o 10º dia mantêm-se máscara bem ajustada, distância e cuidado com pessoas de risco.
Paciente de 58 anos internado com COVID-19 grave em uso de heparina profilática apresenta piora súbita da hipoxemia, taquicardia e elevação do dímero D. Angiotomografia confirma tromboembolismo pulmonar. Qual característica da doença explica esse achado?
A infecção grave cursa com coagulopatia própria, marcada por lesão endotelial, ativação de complemento, elevação de dímero D e microtrombose pulmonar, com incidência de eventos tromboembólicos acima da esperada mesmo sob profilaxia. Atribuir apenas à imobilização engana quem generaliza a estase do paciente acamado — a estase contribui, mas não explica a magnitude do risco nem a microtrombose vista em estudos anatomopatológicos. A doença cursa mais frequentemente com linfopenia e plaquetas normais ou baixas, não com trombocitose.
Sobre o uso de corticoide na COVID-19, qual afirmação está correta?
O corticoide sistêmico reduziu mortalidade nos pacientes hipoxêmicos, com maior magnitude de efeito naqueles em ventilação mecânica, e não trouxe benefício — podendo ser deletério — em quem não necessita de oxigênio. Prescrever a todos desde o início engana quem generaliza o resultado positivo do ensaio a toda a população com a doença, mas na fase inicial predomina a replicação viral, e a imunossupressão nesse momento é contraproducente.
Homem de 48 anos está internado por COVID-19, com mobilidade reduzida. Após avaliação clínica, não necessita de oxigênio suplementar, não apresenta suspeita de tromboembolismo nem outra indicação de anticoagulação terapêutica. Qual conduta em relação à anticoagulação é compatível com a orientação NICE NG191?
No paciente internado sem necessidade de oxigênio, a profilaxia deve seguir a avaliação habitual de risco tromboembólico e hemorrágico. Quando indicada, utiliza-se dose profilática apropriada ao peso, função renal e protocolo. Não há indicação de anticoagulação plena para todos nem de substituí-la por antiagregante. A situação difere de certos pacientes com COVID-19 que precisam de oxigênio em baixo fluxo, nos quais a diretriz permite considerar dose terapêutica após avaliação individual. Dímero D isolado não define a dose profilática.
Sobre a diferenciação clínica entre influenza e resfriado comum, qual conjunto é mais característico da influenza?
A influenza se caracteriza pelo início súbito com sintomas sistêmicos predominantes — febre alta, mialgia, prostração e cefaleia — que costumam superar em intensidade os sintomas nasais. O resfriado engana quem valoriza apenas a presença de sintomas respiratórios altos, mas nele a instalação é gradual, a febre é baixa ou ausente e o paciente permanece funcional. Prurido e espirros em salva apontam para rinite alérgica.
Mulher de 34 anos, gestante de 22 semanas, apresenta febre de 38,9 °C, mialgia intensa, tosse seca e cefaleia com 36 horas de evolução, durante período sazonal de circulação de influenza. Sem dispneia, saturação 97%. Qual a conduta?
Gestantes integram o grupo de risco para complicações da influenza, e a indicação de antiviral é clínica, iniciada preferencialmente nas primeiras 48 horas, sem esperar confirmação laboratorial — o benefício depende da precocidade. Aguardar o exame engana quem quer tratar apenas o caso confirmado, mas o tempo perdido anula o efeito da droga. Ausência de dispneia não afasta a indicação, porque nesse grupo o critério é a pertença ao grupo de risco, não a gravidade atual.
Sobre o oseltamivir no tratamento da influenza, qual afirmação está correta?
A precocidade maximiza o efeito, mas em pacientes hospitalizados, graves ou de grupo de risco o antiviral é iniciado ainda que ultrapassadas as 48 horas, porque a replicação viral pode persistir e o benefício sobre desfechos graves foi observado. Restringir rigidamente à janela inicial engana quem transforma uma recomendação de melhor eficácia em contraindicação absoluta e deixa o paciente grave sem tratamento. Na doença renal a droga não é proibida, apenas exige ajuste de dose.
Mulher de 39 anos apresenta anosmia e ageusia de instalação súbita, febre baixa e mialgia. Sem dispneia, saturação 98%. Qual a conduta mais adequada?
O caso leve, sem hipoxemia nem dispneia, é conduzido em domicílio com sintomáticos, isolamento e orientação clara sobre os sinais que motivam retorno. Prescrever corticoide engana quem generaliza o benefício demonstrado nos hipoxêmicos, mas na fase inicial e sem necessidade de oxigênio a imunossupressão pode prolongar a replicação viral e piorar o desfecho. Antibiótico e anticoagulação plena não têm indicação no quadro leve não complicado.
Sobre as medidas de precaução para paciente internado com síndrome gripal de etiologia a esclarecer, qual está indicada?
Para vírus respiratórios, a recomendação padrão combina precaução por gotículas e contato, com escalonamento para proteção respiratória com filtro durante procedimentos geradores de aerossol, como intubação, aspiração aberta e ventilação não invasiva. Pressão positiva engana quem confunde com o isolamento protetor, indicado para proteger o imunossuprimido do ambiente — no controle de transmissão respiratória, quando indicado, o quarto é de pressão negativa.
Sobre a interpretação do teste rápido de antígeno para vírus respiratório em paciente sintomático, qual afirmação está correta?
O teste de antígeno tem boa especificidade e sensibilidade limitada, especialmente com carga viral baixa ou fora da janela ideal: um positivo em sintomático confirma, mas um negativo em alta probabilidade clínica não afasta e pede teste molecular. Tratar o negativo como exclusão engana quem lê o resultado sem considerar a probabilidade pré-teste, e é a origem de surtos por pacientes liberados do isolamento indevidamente.
Homem de 58 anos com quadro respiratório viral apresenta, na segunda semana, piora clínica com hipoxemia. Tomografia mostra opacidades em vidro fosco periféricas e bilaterais, com espessamento septal. Qual a interpretação do momento evolutivo da doença?
A doença tem curso bifásico: a primeira semana é dominada pela replicação viral, e a deterioração da segunda semana reflete a resposta inflamatória, momento em que a corticoterapia beneficia os hipoxêmicos. Interpretar como fase de replicação e apostar apenas no antiviral engana quem ignora a linha do tempo, e leva a intervir com a ferramenta certa no momento errado — princípio que a prova cobra repetidamente nesse tema.
Homem de 66 anos, diabético, com síndrome gripal há 5 dias, apresenta dispneia progressiva e saturação de 92% em ar ambiente, com frequência respiratória de 26 irpm. Segundo a definição de síndrome respiratória aguda grave, qual conduta é indicada?
Síndrome gripal com dispneia, saturação abaixo de 95% ou desconforto respiratório configura síndrome respiratória aguda grave, que é caso de internação, notificação e coleta de amostra respiratória, com antiviral iniciado empiricamente. Liberar para casa engana quem se apoia na saturação ainda próxima do normal, mas em diabético e idoso a deterioração costuma ser rápida entre o quinto e o décimo dia — exatamente a janela em que esse paciente se encontra.
Qual achado clínico-radiológico é mais característico da pneumonia viral em relação à pneumonia bacteriana típica?
A pneumonia viral tende a produzir acometimento intersticial difuso e bilateral, com tosse seca, achados de ausculta muitas vezes discretos em relação à extensão radiológica e curso com hipoxemia progressiva. Consolidação lobar com expectoração purulenta é o padrão pneumocócico clássico. Cavitação, empiema e abscesso sugerem agentes como Staphylococcus aureus, anaeróbios ou tuberculose, e sua presença deve redirecionar a investigação e o esquema terapêutico.
Homem de 58 anos com influenza confirmada evolui no quinto dia com piora da febre, dor pleurítica, expectoração purulenta e consolidação lobar à radiografia, após período de melhora. Qual a hipótese?
O padrão bifásico, com melhora seguida de nova piora, expectoração purulenta e consolidação lobar, aponta infecção bacteriana secundária, sendo pneumococo, Staphylococcus aureus e Haemophilus influenzae os agentes clássicos; o esquema antibiótico deve contemplar o estafilococo em quadros graves. A pneumonia viral primária evolui de forma contínua, com infiltrados intersticiais difusos e hipoxemia progressiva, sem esse intervalo de melhora — é o diferencial que a questão explora.
Homem de 40 anos, tabagista, apresenta síndrome gripal há 6 dias, e retorna com febre persistente e piora do estado geral. Qual afirmação sobre o uso do oseltamivir nesse momento está correta?
A janela ideal é precoce, mas em pacientes graves, hospitalizados ou com fatores de risco, o antiviral segue indicado mesmo após 48 horas, porque a replicação viral pode persistir e há benefício em desfechos. Considerar a janela como contraindicação absoluta é o erro que deixa pacientes graves sem tratamento. O curso habitual é de cinco dias, podendo ser estendido em imunossuprimidos, e a droga não substitui o antibiótico quando há infecção bacteriana associada.
Qual medida tem maior impacto na redução de hospitalização e morte por influenza na população geral?
A vacinação anual reduz hospitalização, complicações e mortalidade, sobretudo em idosos, gestantes, crianças pequenas e portadores de doenças crônicas, e sua reformulação anual acompanha as cepas circulantes. Quimioprofilaxia com antiviral tem indicações restritas, como surtos em instituições de longa permanência e contactantes de alto risco. Antibiótico não previne infecção viral e alimenta resistência, e suplementos vitamínicos não demonstraram impacto em desfechos duros.
Mulher de 34 anos, gestante de 26 semanas, apresenta febre de 39 °C há 2 dias, mialgia intensa, tosse seca e cefaleia, em período de circulação de influenza. Saturação 96% em ar ambiente. Qual a conduta?
Gestante integra o grupo de risco para complicações da influenza, e o antiviral deve começar assim que houver suspeita clínica, idealmente nas primeiras 48 horas, sem esperar exame — o benefício depende da precocidade, e aguardar resultado é o erro que anula o tratamento. Antibiótico não trata vírus e só entra diante de suspeita de infecção bacteriana associada. Tratar como quadro banal ignora que a mortalidade materna por influenza é substancialmente maior.
Paciente de 45 anos com influenza evolui com dispneia, frequência respiratória de 32 irpm, saturação de 88% em ar ambiente e infiltrado intersticial bilateral. Qual a classificação e a conduta?
Dispneia, desconforto respiratório, saturação abaixo de 95% em ar ambiente ou hipotensão configuram síndrome respiratória aguda grave, situação de notificação obrigatória e internação, com oxigenoterapia, antiviral e vigilância de deterioração. O erro que a questão persegue é subestimar hipoxemia em paciente que ainda conversa e caminha. Broncodilatador e corticoide inalatório não corrigem hipoxemia por acometimento parenquimatoso difuso de origem viral.
Qual grupo NÃO é considerado prioritário para tratamento antiviral precoce em caso de síndrome gripal?
As indicações de antiviral concentram-se em quem tem maior risco de evolução grave: gestantes e puérperas, extremos de idade, imunossuprimidos, portadores de doenças crônicas cardíacas, pulmonares, renais, hepáticas, neurológicas ou metabólicas, obesidade, indígenas e pessoas com sinais de gravidade. Adulto hígido com quadro leve é o único do grupo sem indicação obrigatória, embora possa se beneficiar se tratado muito precocemente — a chave é reconhecer que a regra é orientada por risco, não por gosto.
Qual é a principal indicação de antiviral oral específico para covid-19 em ambiente ambulatorial?
O antiviral oral atua na fase de replicação viral, e por isso o benefício se concentra em quem tem risco de progressão e recebe o fármaco nos primeiros dias de sintomas — passada essa janela, a doença se torna predominantemente inflamatória e o alvo terapêutico muda para o corticoide e o suporte. Prescrever a todos, independentemente de risco, é o erro que gera custo e interações relevantes sem ganho clínico proporcional.
Homem de 72 anos, hipertenso e diabético, com sintomas gripais há cinco dias e teste positivo para SARS-CoV-2. Chega ao pronto-socorro com dispneia, saturação de 88% em ar ambiente e frequência respiratória de 30 incursões por minuto. Qual a conduta inicial?
Em covid-19 com hipoxemia, o corticoide sistêmico é a intervenção com maior redução de mortalidade demonstrada, e deve ser iniciado junto com a oxigenoterapia — reservá-lo apenas para quem já está em ventilação mecânica atrasa o benefício e é o distrator mais escolhido. Vale a contrapartida: em pacientes sem necessidade de oxigênio, o corticoide não mostra benefício e pode causar dano. Azitromicina com hidroxicloroquina foi descartada por ensaios clínicos.
Qual conduta é recomendada para contatos próximos de caso confirmado de influenza aviária em investigação?
Contatos de caso suspeito ou confirmado devem ser monitorados ativamente durante o período de incubação, com quimioprofilaxia com oseltamivir avaliada conforme o grau de exposição — a estratégia busca detectar precocemente qualquer sinal de transmissão inter-humana. A vacina sazonal não protege contra subtipos aviários, embora seja recomendada a expostos ocupacionalmente para reduzir a chance de coinfecção e rearranjo genético entre vírus.
Qual medida de proteção individual é recomendada para profissionais de saúde durante procedimentos geradores de aerossol em paciente com síndrome respiratória viral aguda de agente desconhecido?
Diante de agente respiratório desconhecido e de procedimento gerador de aerossol — intubação, aspiração aberta, broncoscopia, ventilação não invasiva — a precaução é máxima, com respirador de eficiência elevada, proteção ocular, avental impermeável e luvas. Usar máscara cirúrgica nesses procedimentos é o erro que produziu contaminações de profissionais no início de emergências sanitárias, quando o modo de transmissão ainda não estava caracterizado.
Sobre a vacinação contra covid-19, qual afirmação está correta quanto ao seu efeito principal na população?
O desfecho em que a vacinação contra covid-19 mostra maior e mais duradoura eficácia é a prevenção de doença grave, hospitalização e óbito, ainda que a proteção contra infecção sintomática seja parcial e diminua com o tempo e com o surgimento de variantes. Esperar bloqueio total da infecção é a expectativa equivocada que alimenta a percepção de falha vacinal quando ocorrem casos leves em vacinados.
Mulher de 28 anos, previamente hígida, com covid-19 há sete dias, apresenta dispneia súbita, dor torácica pleurítica e taquicardia, com saturação de 91%. Radiografia sem consolidação extensa. Qual a hipótese que deve ser ativamente investigada?
A covid-19 induz estado protrombótico com incidência aumentada de eventos tromboembólicos, e a dissociação entre a intensidade da dispneia e a pobreza dos achados radiológicos é a pista que deve levar à angiotomografia. Atribuir o quadro à ansiedade é o erro que mais atrasa o diagnóstico em pacientes jovens e sem comorbidades. A profilaxia com anticoagulante em dose adequada faz parte do manejo hospitalar desses pacientes.
Paciente com quadro respiratório agudo grave chega a serviço de emergência durante alerta de emergência sanitária por novo agente respiratório. Qual é a primeira medida de controle de infecção ao recebê-lo?
A primeira barreira é o controle da fonte: máscara cirúrgica no paciente e direcionamento imediato para área de isolamento, com precauções ativadas antes de qualquer confirmação diagnóstica. Manter o paciente em sala de espera comum enquanto se aguardam exames é o erro que produz transmissão dentro do serviço de saúde e já foi documentado em várias emergências sanitárias. Procedimentos geradores de aerossol exigem ambiente adequado e proteção respiratória reforçada.
Trabalhador de granja apresenta conjuntivite e sintomas respiratórios leves após contato com aves doentes durante mortandade no plantel. Qual a conduta de vigilância mais adequada?
Conjuntivite associada a sintomas respiratórios em pessoa com exposição a aves doentes é apresentação característica de infecção humana por influenza aviária, evento de notificação imediata pelo potencial pandêmico — a resposta inclui coleta para subtipagem em laboratório de referência, isolamento, oseltamivir precoce e monitoramento de contatos. Tratar como conjuntivite banal é o erro que perde o caso sentinela de uma emergência de saúde pública.
Qual é a base do tratamento antiviral na suspeita de influenza grave, incluindo casos com potencial zoonótico?
O oseltamivir deve ser iniciado o quanto antes na síndrome respiratória aguda grave com suspeita de influenza, sem esperar o resultado laboratorial, porque o benefício depende da precocidade — a espera é o erro que anula a eficácia do fármaco. A amantadina foi abandonada pela resistência disseminada dos vírus circulantes. O corticoide não é terapia de rotina na influenza e pode até se associar a desfechos piores em algumas séries.
Sobre a covid-19 prolongada, qual afirmação está correta?
A condição pós-covid pode surgir mesmo após episódios leves e se apresenta com fadiga, intolerância ao esforço, dispneia, alterações cognitivas e do olfato, entre outras queixas, com manejo baseado em reabilitação e abordagem multidisciplinar por não haver tratamento antiviral específico. Restringi-la aos casos graves é o erro que invalida a queixa de pacientes jovens com quadro inicial ambulatorial, situação clínica frequente e reconhecida.
Sobre a pneumonia por influenza em criança e suas complicações, qual afirmação é correta?
O padrão que deve acender o alerta é a piora depois de uma melhora inicial, típica da superinfecção bacteriana, com destaque para o estafilococo, que produz quadros graves e necrotizantes. O antiviral tem maior benefício quando iniciado nas primeiras 48 horas, e a vacinação é justamente recomendada com prioridade em crianças com doenças crônicas, incluindo asma, sendo esse um mito frequente entre familiares.
Gestante de 27 anos, com 28 semanas, chega à Unidade de Pronto Atendimento com febre, tosse seca, mialgia e dispneia leve iniciadas há 48 horas, durante período de circulação sazonal de influenza. A saturação de oxigênio é de 95% em ar ambiente e a frequência respiratória, de 22 incursões por minuto. A ausculta pulmonar é limpa e ela está hidratada. Não recebeu vacina contra influenza nesta gestação. Assinale a conduta correta.
Gestantes integram o grupo de risco para complicações da influenza e devem receber oseltamivir o mais precocemente possível diante de síndrome gripal, sem aguardar confirmação laboratorial, além de serem vacinadas. Esperar o resultado do teste atrasa o antiviral, cuja eficácia é maior nas primeiras 48 horas. O oseltamivir é seguro na gestação, e considerá-lo contraindicado nega tratamento a um grupo prioritário. Antibiótico não está indicado sem sinais de infecção bacteriana, e a maioria das síndromes gripais é viral.
Criança de 8 anos com febre há 3 dias, tosse seca e mialgia é atendida na Unidade Básica de Saúde durante período de circulação elevada de influenza. Tem asma em uso de corticoide inalatório de manutenção. Ao exame, está eupneica, saturação de 97 por cento, ausculta com sibilos discretos. Não há sinais de gravidade. Qual é a conduta correta?
O protocolo do Ministério da Saúde indica oseltamivir para síndrome gripal em pessoas com condição de risco, entre elas a asma, iniciado preferencialmente nas primeiras 48 horas e sem depender de confirmação laboratorial. Restringir o antiviral a internados contraria a recomendação para grupos de risco no ambulatório. Aguardar o resultado molecular perde a janela de eficácia do antiviral. O antibiótico não previne complicações bacterianas e não tem indicação em quadro viral sem sinais de infecção secundária.
Mulher de 34 anos, sem comorbidades, procura a Unidade Básica de Saúde com febre, mialgia, dor de garganta e tosse seca há dois dias. Frequência respiratória 16 irpm, saturação de oxigênio 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar normal, sem dispneia. Não é gestante e não pertence a grupo de risco. Não recebeu vacina contra influenza na campanha deste ano. Qual é a conduta correta?
Síndrome gripal sem sinais de gravidade e sem fator de risco tem manejo sintomático, com orientação de retorno diante de sinais de alarme e oferta de imunização oportuna. O antiviral é indicado a casos de síndrome respiratória aguda grave ou a pessoas com condição de risco. Antibiótico não previne complicação bacteriana e induz resistência. Exames de imagem e laboratoriais de rotina em quadro leve não modificam a conduta.
Mulher de 71 anos, diabética e cardiopata, procura a Unidade de Pronto Atendimento com febre alta de início súbito, mialgia intensa, cefaleia, tosse seca e prostração iniciadas há 36 horas, em período de sazonalidade de influenza. SpO2 95% em ar ambiente, FR 20 irpm, sem consolidação à ausculta. Qual é a conduta mais adequada?
Em síndrome gripal com fator de risco para complicação, como idade avançada, diabetes e cardiopatia, o oseltamivir deve ser iniciado o quanto antes, preferencialmente nas primeiras 48 horas, independentemente de confirmação laboratorial. Restringir o antiviral a quem já apresenta hipoxemia perde a janela de maior benefício. A azitromicina trata bactérias atípicas e não atua sobre o vírus influenza. Aguardar o resultado do teste atrasa o tratamento justamente no grupo que mais se beneficia da precocidade.
Criança de 4 anos apresenta há 2 dias febre, tosse e coriza, e a família relata contato com adulto com diagnóstico de COVID-19. Está eupneica, saturação de 98 por cento, hidratada e ativa, sem comorbidades. A mãe solicita antibiótico e corticoide para prevenir agravamento. Qual é a conduta correta?
A COVID-19 leve em criança sem comorbidades é manejada com sintomáticos, hidratação e orientação sobre sinais de alerta, sem indicação de antibiótico, corticoide ou antiparasitário. O macrolídeo não trata infecção viral e amplia resistência. O corticoide é indicado apenas em pacientes com hipoxemia e necessidade de oxigênio, podendo ser prejudicial em quadro leve. A ivermectina não tem eficácia comprovada e não integra nenhuma recomendação vigente.
Homem de 47 anos, com quadro respiratório agudo, é atendido em Unidade de Pronto Atendimento com febre, tosse e dispneia há 7 dias, em período de circulação elevada de vírus respiratórios. SpO2 92% em ar ambiente, FR 26 irpm. Tomografia de tórax com opacidades em vidro fosco periféricas e bilaterais. Ele não tem comorbidades e não completou o esquema vacinal contra COVID-19. Qual é a conduta mais adequada?
Quadro respiratório agudo com hipoxemia e taquipneia configura síndrome respiratória aguda grave, agravo de notificação com necessidade de coleta diagnóstica, oxigenoterapia e monitoramento de critérios de internação. Azitromicina com ivermectina não tem eficácia comprovada e libera para casa um paciente hipoxêmico. Corticoide sistêmico tem benefício demonstrado apenas em pacientes com necessidade de suporte de oxigênio, e usá-lo indiscriminadamente pode ser deletério. Dar alta sem exames a paciente com saturação de 92% e taquipneia ignora sinais de gravidade.
Gestante de 29 anos, com 26 semanas, é internada em unidade de terapia intensiva com pneumonia grave por influenza A, em ventilação mecânica invasiva. A equipe questiona sobre a manutenção do oseltamivir e sobre a decisão de resolver ou não a gestação. Ela está sob sedação, com pressão arterial de 108x64 mmHg mantida sem vasopressor, saturação de 94% com fração inspirada de oxigênio de 60%, e a cardiotocografia mostra padrão tranquilizador. Quanto à conduta obstétrica nesse contexto, a orientação correta é
O oseltamivir é indicado na gestante com influenza grave, com benefício claro sobre a mortalidade, e a gestação de 26 semanas é mantida enquanto houver estabilidade, ficando a resolução condicionada a indicação obstétrica ou a deterioração materna que não responda ao suporte. A ideia de que o parto sempre melhora a função respiratória não se sustenta e a cirurgia acrescenta risco em paciente hipoxêmica. O oseltamivir não é teratogênico e sua suspensão é erro grave. A corticoterapia antenatal deve ser considerada conforme o risco de parto prematuro, sem depender da extubação.
Mulher de 77 anos, com diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica, procura a Unidade Básica de Saúde com febre de 38,5 °C, tosse, mialgia e mal-estar iniciados há 24 horas, durante período de circulação elevada do vírus influenza no município. Ao exame, frequência respiratória de 22 irpm, saturação de 94% em ar ambiente, ausculta com discretos roncos difusos, sem crepitações focais e sem sinais de instabilidade hemodinâmica. Não recebeu vacina contra influenza neste ano. A conduta correta é:
Pessoas com 60 anos ou mais e portadoras de comorbidades integram grupo de risco para complicações da influenza, e o antiviral deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, independentemente de confirmação laboratorial e do estado vacinal. Aguardar exame atrasa o tratamento e reduz sua eficácia. Antibiótico não trata influenza e não deve ser prescrito de rotina sem evidência de infecção bacteriana. Afirmar que o antiviral não é indicado nessa faixa etária inverte a recomendação, que prioriza justamente esse grupo.
Menino de 6 anos, com asma, é levado à Unidade Básica de Saúde no período de circulação sazonal do vírus influenza, com febre alta de 39 °C iniciada há 20 horas, mialgia, cefaleia, prostração e tosse seca. Ao exame apresenta FR 28 ipm, saturação de 96% em ar ambiente, orofaringe hiperemiada, ausculta pulmonar sem estertores e sem sibilos no momento, hidratado e aceitando líquidos. Vários colegas da escola apresentam quadro semelhante e o município registra surto sazonal em curso. A conduta mais adequada é:
Crianças com asma integram os grupos de risco para complicações da influenza, e o oseltamivir deve ser prescrito precocemente diante de síndrome gripal, idealmente nas primeiras 48 horas, sem depender de confirmação laboratorial, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. Afirmar que antivirais não têm indicação na infância contraria essa recomendação. Antibiótico empírico não previne pneumonia bacteriana e favorece resistência. Esperar o resultado do teste retarda o tratamento além da janela de maior benefício.
Homem de 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes, procura a Unidade Básica de Saúde no segundo dia de febre, mialgia, cefaleia e tosse seca, em período de aumento de casos de síndrome gripal no município. Ao exame: temperatura axilar 38,3 °C, frequência respiratória 20 irpm, saturação de oxigênio 95% em ar ambiente, ausculta com sibilos esparsos habituais, sem sinais de gravidade. Ele não recebeu a vacina contra influenza nesta temporada. Qual é a conduta mais adequada?
Pessoas com condições de risco, como doença pulmonar crônica, diabetes, gestação, idade avançada e imunossupressão, devem receber oseltamivir precocemente diante de síndrome gripal, idealmente nas primeiras 48 horas, independentemente de confirmação laboratorial e da presença de sinais de gravidade. Esperar hipoxemia significa tratar quando o benefício já é menor. Antibiótico não trata infecção viral e deve ser reservado a suspeita de complicação bacteriana. Aguardar o teste molecular retarda o antiviral, cuja eficácia depende da precocidade.
Homem de 68 anos, com hipertensão, diabetes e obesidade, procura a Unidade Básica de Saúde no segundo dia de sintomas respiratórios, com febre, tosse seca, mialgia e cansaço. Está com esquema vacinal incompleto para o vírus respiratório em circulação no município. Ao exame: temperatura axilar 38 °C, frequência respiratória 20 irpm, saturação de oxigênio 96% em ar ambiente, sem uso de musculatura acessória e com ausculta pulmonar sem alterações. Ele mora sozinho e tem dificuldade de retorno rápido ao serviço. Qual é a conduta mais adequada?
Paciente com comorbidades, mas sem sinais de gravidade e com saturação preservada, pode ser manejado ambulatorialmente com sintomáticos, orientações precisas de sinais de alarme e plano de reavaliação, sendo prudente considerar dificuldade de acesso e isolamento social ao definir o seguimento. Internar todos os pacientes com comorbidades sobrecarrega o sistema sem benefício. Antibiótico não trata infecção viral e favorece resistência. Corticoide sistêmico em paciente sem hipoxemia associa-se a piores desfechos.
Uma instituição de longa permanência para idosos comunica à vigilância epidemiológica a ocorrência de vários residentes com febre, tosse e mialgia em poucos dias, com dois casos já internados por pneumonia. A maioria dos residentes tem comorbidades e a cobertura vacinal contra influenza na instituição é baixa neste ano. A equipe de saúde é acionada para orientar as medidas de controle do surto, considerando a alta letalidade nessa população. Qual é a conduta correta?
Em surtos de influenza em instituições de longa permanência, as medidas incluem isolamento e coorte de casos, precauções adequadas, tratamento antiviral precoce dos doentes, quimioprofilaxia dos expostos conforme protocolo, vacinação de residentes e trabalhadores e restrição de visitas, sem esperar confirmação laboratorial de todos. Aguardar exames retarda intervenções que reduzem mortalidade. Transferir todos ao hospital é desnecessário e desorganiza o cuidado. Suspender a vacinação durante o surto contraria a recomendação, pois ela protege os ainda não acometidos.
Homem de 44 anos é internado com febre alta, dispneia e tosse há uma semana, com piora rápida nas últimas 24 horas. Ao exame: taquipneico com 32 irpm, saturação de oxigênio 86% em ar ambiente, com estertores difusos bilaterais e uso de musculatura acessória. A radiografia mostra infiltrado bilateral difuso e a tomografia evidencia opacidades em vidro fosco. Ele não é vacinado contra influenza nem contra o coronavírus circulante, e o teste molecular respiratório está sendo coletado. Qual é a conduta correta quanto à vigilância epidemiológica?
A síndrome respiratória aguda grave, definida por síndrome gripal com dispneia, desconforto respiratório, saturação reduzida ou piora clínica, é de notificação compulsória imediata, com coleta de amostra respiratória para vigilância de vírus respiratórios e adoção das precauções recomendadas, independentemente do resultado laboratorial. Condicionar a notificação ao resultado inviabiliza a vigilância oportuna. Restringir a notificação a surtos ignora a definição de caso individual. Notificar apenas óbitos elimina a utilidade da vigilância para resposta rápida.
Mulher de 31 anos é atendida no pronto-socorro com febre, tosse e dispneia há uma semana, em período de circulação sazonal do vírus influenza. Ela está no terceiro trimestre de gestação. Ao exame: temperatura 38,7 °C, PA 108x68 mmHg, FC 112 bpm, FR 26 ipm, saturação 93% em ar ambiente, ausculta pulmonar com estertores discretos bilaterais, altura uterina compatível, batimentos cardiofetais normais. Radiografia de tórax com protetor abdominal mostra infiltrado intersticial bilateral discreto. Exames: leucócitos 8.400/mm3, proteína C reativa moderadamente elevada. A conduta correta é:
Gestantes integram o grupo de risco para complicações graves da influenza, e o antiviral deve ser iniciado o mais precocemente possível, com base na suspeita clínica e sem aguardar confirmação laboratorial, com internação para monitorização diante de hipoxemia e taquipneia. Esperar o resultado do teste retarda o tratamento que reduz complicações. Sintomáticos com alta subestimam o risco. O oseltamivir não é contraindicado na gestação e seu uso é expressamente recomendado nesse grupo.
Homem de 34 anos é atendido no pronto-socorro com febre, tosse, dispneia e mialgia há cinco dias, com piora progressiva. Ele apresenta obesidade e é tabagista. Ao exame: temperatura 38,8 °C, PA 118x74 mmHg, FC 112 bpm, FR 30 ipm, saturação 88% em ar ambiente, ausculta com estertores difusos bilaterais. Tomografia de tórax mostra opacidades em vidro fosco periféricas e bilaterais com áreas de consolidação. Exames: linfopenia, proteína C reativa elevada, desidrogenase láctica elevada, teste molecular positivo para vírus respiratório em circulação sazonal. A conduta correta é:
Infecção respiratória viral com hipoxemia significativa, taquipneia e acometimento pulmonar extenso exige internação, oxigenoterapia com alvo adequado, medidas de precaução para transmissão respiratória e tratamento conforme o protocolo vigente para o agente identificado, com monitorização estreita. Liberar paciente hipoxêmico é conduta inaceitável. Antibiótico isolado sem suporte não trata a insuficiência respiratória. Suspender precauções respiratórias favorece a transmissão nosocomial e comunitária do agente.
Gestante de 28 anos, com 30 semanas, é internada em maternidade de referência com quadro de febre alta, tosse produtiva, dispneia e dor pleurítica há quatro dias. Ela não tem comorbidades e não recebeu a vacina influenza nesta temporada. Ao exame, apresenta frequência respiratória de 32 ipm, saturação de 89% em ar ambiente, frequência cardíaca de 122 bpm, pressão arterial de 100x62 mmHg e crepitações difusas bilaterais. A radiografia mostra infiltrado intersticial bilateral e a cardiotocografia apresenta taquicardia fetal com variabilidade preservada. A conduta correta inclui
Na gestante com síndrome respiratória aguda grave, o oseltamivir deve ser iniciado precocemente, sem aguardar confirmação laboratorial, pois o benefício sobre mortalidade é maior nas primeiras 48 horas, associado a oxigenoterapia e a antibiótico empírico pela possibilidade de coinfecção bacteriana. Aguardar exames retarda a intervenção com maior impacto. Considerar a influenza autolimitada ignora que a gestação é fator de risco para forma grave. Antecipar o parto não trata a pneumonia e acrescenta risco em paciente hipoxêmica.
Menina de 6 anos, com cardiopatia congênita corrigida e sem repercussão hemodinâmica, é levada à Unidade Básica de Saúde durante período de circulação de vírus respiratórios, com febre, tosse e coriza iniciadas há 36 horas. Ao exame: temperatura axilar 38,2 °C, frequência respiratória adequada para a idade, saturação de oxigênio 97% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem alterações e sem sinais de gravidade, com boa aceitação de líquidos e bom estado geral. Qual é a conduta correta?
Crianças com condições de risco, como cardiopatias, pneumopatias, imunossupressão, doenças neurológicas e menores de 5 anos, devem receber oseltamivir precocemente diante de síndrome gripal, idealmente nas primeiras 48 horas, independentemente de confirmação laboratorial e da presença de sinais de gravidade. Esperar hipoxemia significa tratar quando o benefício é menor. Antibiótico não trata infecção viral. Aguardar exame molecular retarda o antiviral, cuja eficácia depende da precocidade.
Menino de 8 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre, tosse e dispneia progressiva há quatro dias, com piora nas últimas horas. Ao exame: taquipneico, com tiragem intercostal, saturação de oxigênio 90% em ar ambiente, estertores difusos bilaterais e uso de musculatura acessória, com bom nível de consciência. A radiografia mostra infiltrado bilateral. Ele não está vacinado contra influenza nesta temporada e há circulação de vírus respiratórios no município. Qual é a conduta quanto à vigilância epidemiológica?
A síndrome respiratória aguda grave, definida por síndrome gripal com dispneia, desconforto respiratório, saturação reduzida ou piora clínica, é de notificação compulsória imediata em qualquer idade, com coleta de amostra respiratória para vigilância de vírus respiratórios e adoção das precauções recomendadas. Condicionar a notificação ao resultado laboratorial inviabiliza a vigilância oportuna. Restringir a adultos é incorreto. Exigir internação em terapia intensiva como critério não corresponde à definição de caso.
Gestante de 30 anos, com 29 semanas, é internada com quadro de covid-19 confirmado, apresentando febre, tosse e dispneia progressiva há quatro dias. Ela está com saturação de 91% em ar ambiente, frequência respiratória de 28 ipm, pressão arterial de 112x70 mmHg e sem outras comorbidades além da gestação. A radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral e os exames laboratoriais evidenciam linfopenia. A cardiotocografia é tranquilizadora e o crescimento fetal é adequado, sem sinais de trabalho de parto. A conduta correta inclui
Gestante com covid-19 e hipoxemia requer internação, oxigenoterapia para manter a saturação em níveis adequados, tromboprofilaxia pelo risco aumentado de tromboembolismo, corticoterapia conforme indicação e vigilância fetal, sem que a infecção por si indique resolução da gestação. Cesariana não é tratamento da insuficiência respiratória e pode agravar o quadro. Manejo ambulatorial com saturação de 91% é inseguro. Suspender a tromboprofilaxia contraria a recomendação em gestante hospitalizada por covid-19.
Gestante de 33 anos, com 36 semanas, é internada com covid-19 grave, em ventilação mecânica invasiva, com relação entre pressão parcial de oxigênio e fração inspirada de oxigênio de 110 e necessidade de posição prona. A equipe intensivista questiona se a gestação impede a pronação e se a resolução deve ser antecipada. Ela está com pressão arterial mantida com noradrenalina em dose baixa, sedada, e a cardiotocografia mostra traçado com variabilidade reduzida sem desacelerações. O feto tem crescimento adequado e o líquido amniótico é normal. A conduta correta é
A pronação pode ser realizada na gestante com adaptações de posicionamento e coxins, não sendo contraindicada pela gestação, e a decisão sobre a resolução deve ser tomada em equipe conforme a evolução materna e fetal, ponderando o benefício respiratório do parto próximo ao termo. Contraindicar a pronação priva a paciente de estratégia que reduz mortalidade. Cesariana obrigatória em toda paciente ventilada não é recomendada. Suspender a sedação em hipoxemia grave é conduta inadequada.
Uma instituição de acolhimento de crianças registra três casos confirmados de influenza em uma semana, entre residentes que convivem em dormitório coletivo. Entre os demais residentes há crianças com comorbidades, incluindo uma com cardiopatia congênita e outra em uso de imunossupressor, ambas sem vacinação atualizada na temporada. A equipe de saúde precisa definir medidas de controle do surto no ambiente institucional, considerando o risco elevado nesses residentes. Qual é a conduta mais adequada?
Em surtos de influenza em instituições fechadas, indica-se tratamento antiviral precoce dos casos, quimioprofilaxia dos contatos de alto risco, vacinação dos suscetíveis e reforço de medidas de precaução e higiene, estratégia que reduz transmissão e complicações. Tratar apenas os casos deixa desprotegidos os residentes vulneráveis. Antiviral contínuo por meses não é recomendado e favorece resistência. Internar preventivamente crianças hígidas expõe a riscos hospitalares sem benefício.
Gestante de 32 anos, na 26ª semana, procura a Unidade de Pronto Atendimento com febre de 38,7 °C, tosse seca, mialgia e cefaleia iniciadas há 36 horas, em período de circulação sazonal do vírus influenza. Ao exame, está em bom estado geral, com frequência respiratória de 18 irpm, saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente e ausculta pulmonar sem alterações. Não recebeu vacina contra influenza nesta gestação e não tem comorbidades. Qual é a conduta adequada?
Gestantes integram o grupo de risco para complicações da influenza, e o antiviral deve ser iniciado precocemente com base na suspeita clínica, sem aguardar confirmação laboratorial, pois o benefício depende do início nas primeiras horas. Restringir a conduta a sintomáticos deixa de proteger contra a evolução para pneumonia viral grave. Aguardar o resultado do exame retarda o tratamento e reduz sua eficácia. O oseltamivir é seguro na gestação e sua contraindicação é equivocada, além de a vacinação estar indicada em qualquer trimestre.
Uma instituição de longa permanência para idosos com 60 residentes notifica três casos de síndrome gripal em 48 horas, dois deles com teste positivo para influenza A. A cobertura vacinal dos residentes é de 55% e a dos trabalhadores, de 30%. O médico da atenção primária responsável pela instituição precisa definir as medidas imediatas para conter a transmissão nesse ambiente fechado e de alta vulnerabilidade. Qual é a conduta mais adequada?
Dois ou mais casos de influenza em instituição fechada configuram surto e indicam quimioprofilaxia com oseltamivir para os residentes expostos, tratamento precoce dos sintomáticos e intensificação da vacinação de residentes e trabalhadores, além de medidas de precaução e restrição temporária de visitas. Esperar novos casos desperdiça a janela em que a profilaxia evita óbitos nessa população. Vacinar somente sintomáticos não protege os expostos e a vacina leva cerca de duas semanas para conferir proteção. Hospitalizar todos os residentes é desproporcional, expõe a infecções e desorganiza o cuidado.
Uma mulher de 71 anos, hipertensa e diabética, é internada em enfermaria com febre, tosse produtiva, dispneia e saturação de 88% em ar ambiente, com necessidade de oxigênio suplementar. O painel viral respiratório confirma influenza A. O médico assistente precisa cumprir a obrigação de vigilância relativa ao caso e definir o tratamento, considerando a definição vigente para esse tipo de apresentação. A radiografia de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral, a frequência respiratória é de 28 irpm e os sintomas começaram há três dias, com piora progressiva. Qual é a conduta correta?
Caso de síndrome gripal com dispneia e saturação abaixo de 95% em ar ambiente preenche a definição de síndrome respiratória aguda grave, de notificação individual e imediata, e o antiviral deve ser iniciado prontamente, independentemente do resultado laboratorial, porque reduz mortalidade em pacientes graves e de risco. Restringir a notificação ao óbito impede a vigilância oportuna. Limitar o oseltamivir às primeiras 24 horas é incorreto, pois em casos graves o benefício persiste mesmo com início mais tardio. Influenza sazonal grave é notificável, e a familiaridade com o agente não dispensa a vigilância.
Mulher, 30 anos, G1P0, com 25 semanas, procura atendimento com febre de 38,8 °C, tosse seca, mialgia e cefaleia iniciados há 36 horas, em período de circulação sazonal do vírus influenza. FR 20 ipm, SatO2 97%, PA 112/70 mmHg, FC 100 bpm. Ausculta pulmonar sem alterações e radiografia de tórax normal. Não recebeu vacina contra influenza nesta gestação e nega comorbidades. Qual a conduta correta?
Iniciar oseltamivir imediatamente, sem aguardar confirmação laboratorial, e programar a vacinação após a fase aguda é a conduta correta: a gestante integra o grupo de risco para complicações graves da influenza, e o antiviral tem maior benefício quando administrado nas primeiras 48 horas do início dos sintomas. Aguardar o painel viral atrasa o tratamento além da janela de maior eficácia. Restringir o antiviral a pacientes hospitalizados é incorreto, pois a indicação em gestante independe da gravidade inicial. Afirmar risco teratogênico é falso, já que o oseltamivir é considerado seguro na gestação. A vacina previne, mas não trata a infecção em curso, e não substitui o antiviral no quadro agudo.
Mulher, 33 anos, G3P2, com 30 semanas, apresenta tosse, febre e dispneia progressiva há 5 dias, com teste molecular positivo para SARS-CoV-2. FR 30 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, PA 112/70 mmHg, FC 112 bpm. Tomografia de tórax com opacidades em vidro fosco periféricas bilaterais em cerca de 40% do parênquima. Cardiotocografia categoria I, feto com crescimento adequado e movimentos presentes. Qual conjunto de condutas é o mais adequado?
Internação com oxigenoterapia para manter saturação materna adequada, corticoterapia sistêmica indicada nos casos com necessidade de oxigênio, profilaxia de tromboembolismo venoso e vigilância fetal contínua compõem o manejo correto, pois a gestante integra grupo de risco para formas graves de COVID-19. Dar alta com sintomáticos é inaceitável diante de saturação de 89% e extenso acometimento tomográfico. A cesariana imediata não reverte a insuficiência respiratória e acrescenta risco cirúrgico, sendo a resolução indicada por deterioração materna refratária ou por sofrimento fetal. Contraindicar corticoide e anticoagulação retira duas intervenções que reduzem mortalidade. A posição prona pode ser utilizada em gestantes com adaptações de coxins, e o decúbito dorsal exclusivo ainda agrava a compressão aortocava.
Menina, 5 anos, com quadro de febre e tosse há 3 dias, é diagnosticada com influenza confirmada por teste rápido durante período de sazonalidade. Tem asma persistente em uso de corticoide inalatório. FR 34 ipm, SatO2 94%, T 38,7 °C, com sibilância difusa leve. Está hidratada e aceita líquidos. O quadro começou há menos de 48 horas e não há sinais de pneumonia à ausculta ou consolidação na radiografia. Qual a conduta específica indicada?
Crianças com condições de risco, como asma, devem receber oseltamivir diante de influenza, preferencialmente nas primeiras 48 horas de sintomas, reduzindo complicações e hospitalização. Afirmar que o teste rápido dispensa tratamento inverte a lógica, pois a confirmação reforça a indicação em paciente de risco. Antibiótico não previne pneumonia bacteriana secundária e não deve ser usado profilaticamente. O corticoide sistêmico não tem ação antiviral e seu uso rotineiro na influenza associa-se a pior desfecho. Aguardar 72 horas perde a janela de maior eficácia do antiviral, que é tempo-dependente.
Menina, 7 anos, é atendida com febre há 3 dias, tosse e coriza, e recebe diagnóstico de síndrome gripal. Reside com irmão de 6 meses e avó de 78 anos com doença pulmonar crônica. A família pergunta sobre medidas para reduzir a transmissão no domicílio e sobre a necessidade de tratamento e profilaxia dos demais moradores. A criança está estável, sem sinais de gravidade, com SatO2 97% e boa aceitação oral, sem comorbidades conhecidas. Qual a orientação correta?
Diante de caso de síndrome gripal em domicílio com contatos de risco, orienta-se higiene das mãos, etiqueta respiratória e afastamento de contato próximo, avalia-se a indicação de antiviral para os contatos de maior risco conforme protocolo e verifica-se a situação vacinal de todos. Prescrever antiviral profilático indiscriminadamente para todos favorece resistência e efeitos adversos sem benefício. Isolamento absoluto por 30 dias é desproporcional e não corresponde ao período de transmissibilidade. Antibiótico profilático não previne infecção viral. Afirmar ausência de risco contraria o fato de lactentes e idosos com doença crônica estarem entre os grupos de maior morbimortalidade por influenza.
Mulher, 38 anos, gestante de 26 semanas, procura a unidade de saúde com febre de 38,8 °C, mialgia, tosse seca e odinofagia iniciadas há 30 horas, durante período de alta circulação de influenza na cidade. Exame: FR 20 ipm, FC 96 bpm, PA 110x70 mmHg, SatO2 97% em ar ambiente, orofaringe hiperemiada, ausculta pulmonar limpa. Não apresenta dispneia, hipotensão ou alteração do nível de consciência. Qual a conduta correta?
Gestantes integram o grupo de risco para complicações da influenza, e a recomendação é iniciar oseltamivir empiricamente diante de síndrome gripal, idealmente nas primeiras 48 horas do início dos sintomas, sem aguardar confirmação laboratorial, pois o benefício depende da precocidade. Limitar-se a sintomáticos ignora o risco aumentado de evolução grave próprio da gestação, mesmo sem sinais de alarme no momento. Condicionar o antiviral ao resultado do teste molecular atrasa o tratamento e desperdiça a janela de eficácia. A azitromicina não tem atividade antiviral e não cobre o agente em questão. Internação e corticoide sistêmico não estão indicados em paciente eupneica, com saturação normal e sem sinais de gravidade, e o corticoide pode inclusive prolongar a replicação viral.
Homem, 61 anos, obeso, com quadro respiratório iniciado há 8 dias e teste molecular positivo para SARS-CoV-2, chega ao pronto-socorro com dispneia. Exame: T 37,9 °C, FR 30 ipm, FC 102 bpm, PA 130x80 mmHg, SatO2 87% em ar ambiente, necessitando de máscara com reservatório a 12 L/min para atingir 93%. Tomografia mostra vidro fosco periférico bilateral acometendo mais de 50% do parênquima. Proteína C reativa e ferritina elevadas. Qual a conduta terapêutica indicada?
Paciente com covid-19 e necessidade de oxigênio suplementar apresenta indicação formal de corticoide sistêmico, cuja redução de mortalidade foi demonstrada em ensaio randomizado de grande porte justamente no subgrupo hipoxêmico, devendo ser associada a profilaxia de tromboembolismo venoso pelo estado protrombótico da doença. A combinação de azitromicina com hidroxicloroquina foi repetidamente testada e não mostrou benefício, acrescentando risco de arritmia. O antibiótico isolado não trata a fase inflamatória viral e a coinfecção bacteriana precoce é incomum. O corticoide inalatório não substitui o sistêmico em doença com hipoxemia estabelecida. A imunoglobulina endovenosa não tem indicação estabelecida nessa condição e carrega risco de sobrecarga volêmica e trombose.
Mulher, 68 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, procura atendimento com febre de início súbito há 36 horas, mialgia intensa, cefaleia e tosse seca. T 38,7 graus Celsius, FC 102 bpm, FR 22 ipm, SatO2 93% em ar ambiente. A ausculta mostra sibilos difusos, sem estertores. A radiografia de tórax não evidencia consolidação. Há relato de casos semelhantes na família na mesma semana. Qual a conduta mais adequada?
Iniciar o oseltamivir imediatamente é a conduta correta: a paciente pertence a grupo de risco por idade e pneumopatia crônica, está dentro da janela de 48 horas e o tratamento da síndrome gripal em grupo de risco é indicado por suspeita clínica, sem depender de confirmação laboratorial. Aguardar a biologia molecular atrasa o antiviral e reduz seu benefício. A azitromicina isolada não tem ação sobre o vírus influenza e seria reservada a suspeita de coinfecção bacteriana. Restringir o antiviral aos internados contraria a recomendação de tratar precocemente os grupos de risco. O corticoide sistêmico isolado não trata a infecção viral e pode prolongar a excreção viral.
Mulher, 79 anos, institucionalizada, com DPOC, apresenta tosse, sibilância e febre baixa há 4 dias, em surto respiratório na instituição. Exame: T 37,7 °C, FR 26 ipm, FC 98 bpm, SatO2 89% em ar ambiente, sibilos difusos e estertores esparsos. Painel molecular respiratório detecta vírus sincicial respiratório; influenza e SARS-CoV-2 negativos. Radiografia sem consolidação definida. Qual a conduta mais adequada?
A infecção por vírus sincicial respiratório em idosos com doença pulmonar crônica cursa com quadro semelhante a exacerbação, e o tratamento é essencialmente de suporte, com oxigenoterapia, broncodilatador, hidratação e precauções de contato para conter o surto na instituição, considerando-se corticoide conforme o componente de exacerbação da doença de base. O oseltamivir atua apenas sobre influenza, já afastada pelo painel. A ribavirina inalatória tem uso restrito a imunossuprimidos graves selecionados, com toxicidade e custo elevados, não sendo rotina. O antibiótico de amplo espectro não trata infecção viral e só se justifica diante de evidência de coinfecção bacteriana. O corticoide sistêmico isolado, sem as demais medidas de suporte, não constitui manejo adequado.
Mulher, 52 anos, internada por covid-19 grave com necessidade de ventilação mecânica por 12 dias, recebeu alta há 3 meses. Mantém dispneia aos esforços moderados e fadiga. Exame: FR 18 ipm, SatO2 95% em ar ambiente em repouso, caindo para 90% após teste de caminhada, força muscular reduzida em cinturas. Tomografia mostra opacidades residuais em regressão; espirometria com restrição leve e difusão de 66% do previsto. Qual a conduta mais adequada?
Após covid-19 grave com ventilação prolongada, a limitação decorre em boa parte de descondicionamento, fraqueza muscular adquirida e alterações pulmonares em regressão, e a intervenção com melhor evidência é a reabilitação pulmonar com treinamento físico supervisionado, associada a seguimento clínico, funcional e por imagem. O corticoide sistêmico prolongado não é indicado para opacidades residuais em regressão e acrescenta miopatia, que agravaria a fraqueza. O antifibrótico não tem indicação estabelecida nessa fase, com alterações ainda em resolução. O antibiótico não se justifica sem sinais de infecção ativa. A oxigenoterapia domiciliar contínua exige hipoxemia significativa em repouso, não presente, embora a dessaturação de esforço deva ser considerada durante o treinamento.
Menina, 5 anos, asmática, apresenta febre de 39,2 °C, mialgia, cefaleia e tosse de início súbito há 24 horas, durante período de circulação sazonal do vírus influenza. FR 30 ipm, FC 128 bpm, SatO2 95%, com sibilos esparsos à ausculta. Não há sinais de desconforto respiratório grave e ela aceita líquidos por via oral sem dificuldade no momento. Qual a conduta indicada?
A asma é condição de risco para complicações da influenza, e o oseltamivir deve ser iniciado precocemente, idealmente nas primeiras 48 horas, independentemente da confirmação laboratorial. Prescrever apenas sintomáticos desconsidera o grupo de risco. O antibiótico não previne complicação bacteriana e não trata a infecção viral. Aguardar o resultado do teste molecular retarda o tratamento na janela de maior benefício. O corticoide sistêmico não é tratamento da influenza e pode ser deletério, salvo indicação específica por crise asmática associada.
Homem, 54 anos, apresenta febre, tosse e dispneia há 5 dias. PA 116x72 mmHg, FC 104 bpm, FR 30 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, T 38,4 °C. Radiografia com infiltrado intersticial bilateral. Uma unidade de saúde discute os critérios de definição de caso e a conduta de vigilância. Sobre a síndrome respiratória aguda grave no Brasil, assinale a alternativa correta.
A síndrome respiratória aguda grave é agravo de notificação compulsória, definida por síndrome gripal com dispneia, desconforto respiratório, saturação abaixo de 95% em ar ambiente ou piora de doença de base, devendo-se coletar amostra respiratória para pesquisa viral, exatamente o caso deste paciente com saturação de 91%. Exigir confirmação laboratorial para notificar inverte a lógica da vigilância, que é oportuna e sindrômica. A definição de caso é clínica e não depende de tomografia. A notificação não se restringe a profissionais de saúde. Também não se limita aos internados em terapia intensiva, bastando o preenchimento dos critérios clínicos.
A composição das vacinas contra influenza é reavaliada periodicamente. Qual processo corresponde à deriva antigênica, ou antigenic drift, que contribui para essa necessidade?
A deriva envolve mudanças antigênicas associadas a mutações; pode reduzir o reconhecimento por imunidade prévia. Referência: CDC. How Flu Viruses Can Change. https://www.cdc.gov/flu/php/viruses/change.html
Oseltamivir é utilizado no tratamento de influenza quando indicado. Qual enzima viral é o alvo de sua forma ativa, prejudicando a liberação de novos vírions?
Oseltamivir é um inibidor de neuraminidase com atividade contra influenza A e B. Referência: CDC. Influenza Antiviral Medications: Summary for Clinicians. https://www.cdc.gov/flu/hcp/antivirals/summary-clinicians.html
Ao avaliar o potencial pandêmico de um influenza A, discute-se o antigenic shift. Qual descrição caracteriza esse fenômeno?
A mudança maior pode introduzir um influenza A contra o qual há pouca imunidade prévia, favorecendo pandemias. Referência: CDC. How Flu Viruses Can Change. https://www.cdc.gov/flu/php/viruses/change.html
Na combinação oral usada contra COVID-19, qual é a principal função do ritonavir em relação à exposição ao nirmatrelvir?
Ritonavir atua como potencializador farmacocinético; essa inibição também explica interações medicamentosas relevantes. Referência: DailyMed/FDA. PAXLOVID, seções 12.1 e 12.4. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=8a99d6d6-fd9e-45bb-b1bf-48c7f761232a
Amantadina e rimantadina têm atividade histórica contra influenza A. Por que não integram as opções rotineiramente recomendadas para tratar os vírus influenza sazonais circulantes?
A resistência disseminada do influenza A aos adamantanos impede recomendá-los rotineiramente contra influenza sazonal. Referência: CDC. Influenza Antiviral Medications: Summary for Clinicians. https://www.cdc.gov/flu/hcp/antivirals/summary-clinicians.html
Remdesivir é um pró-fármaco cujo metabólito ativo interfere na síntese do RNA do SARS-CoV-2. Qual enzima viral é diretamente afetada?
O metabólito ativo de remdesivir interfere na elongação do RNA viral pela RNA-polimerase. Referência: DailyMed/FDA. VEKLURY, seção 12.4. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=c0978fa8-53ff-4ca2-82a7-567fd3e958ca
Após recuperação clínica de COVID-19, um teste molecular continua positivo semanas depois. Qual propriedade do exame impede equiparar esse achado, isoladamente, à presença de vírus viável transmissível?
Detecção de material genético não demonstra, por si só, viabilidade viral nem contagiosidade atual. Referência: CDC. Overview of Testing for SARS-CoV-2. https://www.cdc.gov/covid/hcp/clinical-care/overview-testing-sars-cov-2.html
Um paciente com sintomas recentes compatíveis com COVID-19 apresenta teste de antígeno negativo. Qual interpretação é adequada diante de suspeita clínica persistente?
Testes de antígeno têm sensibilidade menor que NAAT, sobretudo conforme o momento da coleta; negativos são presumitivos. Referência: CDC. Overview of Testing for SARS-CoV-2. https://www.cdc.gov/covid/hcp/clinical-care/overview-testing-sars-cov-2.html
Na associação nirmatrelvir/ritonavir, o nirmatrelvir impede o processamento de poliproteínas necessárias à replicação do SARS-CoV-2. Qual é seu alvo?
A inibição de Mpro impede a clivagem adequada das poliproteínas virais. Referência: DailyMed/FDA. PAXLOVID, seções 12.1 e 12.4. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=8a99d6d6-fd9e-45bb-b1bf-48c7f761232a
Baloxavir apresenta mecanismo diferente do oseltamivir no tratamento da influenza. Qual alvo explica sua interferência na transcrição do RNA viral?
O baloxavir inibe a endonuclease necessária ao processo de transcrição do influenza. Referência: CDC. Influenza Antiviral Medications: Summary for Clinicians. https://www.cdc.gov/flu/hcp/antivirals/summary-clinicians.html
Por que corticoide sistêmico não deve ser prescrito automaticamente às duas pessoas?

Tratamentos devem corresponder à fase e gravidade; positividade isolada não indica corticoide sistêmico.
Se B piora subitamente com dor pleurítica e taquicardia, qual raciocínio é adequado?

Infecção confirmada não impede diagnósticos associados; mudança abrupta requer reavaliação.
Qual medida do quadro avalia oxigenação periférica?

Oximetria estima saturação periférica, interpretada com perfusão e qualidade do sinal.
Qual achado clínico acompanha gravidade respiratória em B?

Trabalho respiratório aumentado reforça a necessidade de avaliação e suporte.
Qual pessoa apresenta hipoxemia relevante?

Saturação de 86% em ar ambiente indica comprometimento da oxigenação.
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em 7 dias
Recite a definição unificada de síndrome gripal da Nota Técnica nº 11/2026: início nos últimos 10 dias, pelo menos dois sinais ou sintomas e obrigatoriamente ao menos um respiratório. Depois, diga o que é notificado: síndrome gripal por covid-19 somente quando confirmada, no e-SUS Notifica, e todo caso de SRAG, no Sivep-Gripe, ambos em até 24 horas. Complete com os antivirais: oseltamivir para suspeita de influenza com gravidade ou fator de risco, sem esperar exame; nirmatrelvir/ritonavir para os grupos elegíveis com covid-19 confirmada e dentro de cinco dias.
em 30 dias
Reconstrua sem consultar: os três prazos de isolamento da Nota Técnica nº 5/2026 (5, 10 e 20 dias), o critério de febre de cada um (24, 48 e 24 horas) e até quando vão as medidas adicionais em cada caso. Em seguida, escreva os três cortes de idade que quase se tocam — 60 anos para fator de risco de influenza e para a rotina das vacinas, 65 anos para o antiviral oral da covid-19 — e diga qual sistema recebe cada notificação. Feche recitando a regra que mais cai como pegadinha: exame negativo, isoladamente, não descarta caso.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Treine a consulta em que a decisão é de relógio e de lista: um adulto com fator de risco no terceiro dia de febre e tosse, uma unidade com teste rápido disponível e a pergunta que o paciente sempre faz — quantos dias vou ficar em casa. Pratique prescrever o antiviral antes do resultado, escolher o sistema de notificação e explicar os cinco dias sem prometer alta com exame. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
