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Malária: diagnóstico e tratamento
O que mudou não foi o parasita: foi a pergunta que vem antes da receita. A 3ª edição do Guia de tratamento (2026) substituiu o velho par 'cloroquina mais primaquina' por uma bifurcação em três faixas de atividade de G6PD medidas em UI/gHb, e a prova cobra três coisas — qual exame confirma e qual exame atrasa o diagnóstico, qual faixa de G6PD abre a porta da tafenoquina em dose única e quais a fecham, e quem fica fora de toda 8-aminoquinolina: gestante, lactante do primeiro mês, criança abaixo de 5 kg ou de 6 meses.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 26 anos retorna de viagem à região amazônica há 12 dias e apresenta febre alta intermitente com calafrios e sudorese, cefaleia e mialgia. Ao exame: PA 110x70 mmHg, FC 98 bpm, T 39°C, palidez cutânea e esplenomegalia leve. A gota espessa confirma malária por Plasmodium falciparum, com parasitemia de 1% e sem sinais de gravidade. Qual é a conduta terapêutica de primeira linha no Brasil?
Como esse tema cai
Malária não se trata sem laboratório e não se trata sem saber a espécie. Essas duas frases resolvem boa parte das questões, mas escondem a decisão que a banca realmente quer ver: no Plasmodium vivax, a escolha do medicamento que impede a recaída depende de um número que não é a parasitemia nem a hemoglobina — é a atividade da glicose-6-fosfato desidrogenase. O tratamento tem duas partes, e só a segunda alcança o hipnozoíto, a forma que dorme no fígado. Sem ela, cerca de 70% das pessoas recaem.
A 3ª edição do Guia de tratamento da malária no Brasil, de 2026, é o que torna este capítulo diferente do que se estudava até pouco tempo atrás. Ela deixou de tratar a G6PD como um sim-ou-não e passou a organizar o tratamento do vivax em três faixas quantitativas: atividade alta (maior ou igual a 6.1 UI/gHb) leva à tafenoquina em dose única; atividade intermediária (entre 4.1 e 6.0) leva à primaquina por sete dias; atividade baixa (menor ou igual a 4.0) leva à primaquina semanal por oito semanas, sob supervisão. O eixo do capítulo é esse: qual faixa, qual droga, quem fica de fora das três.
Três assuntos vizinhos ficam de fora, porque têm capítulo próprio. As regras de notificação da malária — o Sivep-Malária na região amazônica, o Sinan e a notificação imediata fora dela — estão no capítulo de vigilância das arboviroses e notificação compulsória, desta mesma apostila. A classificação da criança febril em área de risco pertence ao capítulo da estratégia AIDPI, na apostila de Emergências Pediátricas. E a cloroquina que aparece na reumatologia não é esta: aquela é a hidroxicloroquina, e a diferença entre as duas tem consequência de retina e de estoque, como se verá adiante.
O que muda decisão
O diagnóstico é laboratorial — e há um exame que só atrasa
Caso suspeito é toda pessoa que resida em área com possibilidade de transmissão, ou que tenha se deslocado para uma, no período de 8 a 30 dias anteriores aos primeiros sintomas, e que apresente febre acompanhada ou não de cefaleia, calafrios, sudorese, cansaço e mialgia. Também é suspeito quem foi submetido ao exame durante investigação epidemiológica. Caso confirmado exige parasito no sangue com espécie identificada, por lâmina, teste rápido ou PCR. Caso descartado é o suspeito com exame negativo — e, havendo forte evidência epidemiológica, o exame se repete em 24 ou 48 horas.
A microscopia da gota espessa, colhida por punção digital e corada por Giemsa ou azul de metileno, é o padrão-ouro. Nas mãos de um profissional experiente detecta de 5 a 10 parasitos por microlitro; em condições de campo, a capacidade cai para 100 por microlitro. O esfregaço tem menos sensibilidade que a gota espessa e serve apenas para dúvida de morfologia ou de espécie — trocar um pelo outro como se fossem equivalentes é erro clássico de alternativa. O teste rápido entrega resultado em 15 minutos e, acima de 100 parasitos por microlitro, alcança sensibilidade de 95% ou mais contra a gota espessa; em compensação, não mede parasitemia.
Dois exames aparecem em prova pelo motivo errado. A PCR não é método de rotina, por custo e por tempo de resultado, mas tem uma consequência administrativa que se cobra: quando realizada, a testagem gera notificação compulsória independentemente do resultado. E a sorologia para anticorpos antiplasmódio não deve ser solicitada na suspeita de malária: ela mede exposição prévia, não distingue infecção atual de pregressa e, pedida no contexto clínico, retarda o diagnóstico e aumenta o risco de complicação. A única indicação de IgM anti-Plasmodium é a suspeita de esplenomegalia hiper-reativa da malária — baço volumoso, anemia, sem febre e com gota espessa negativa —, condição rara cujo tratamento é cloroquina semanal, 5 mg/kg por semana durante seis meses.
Duas perguntas frequentes do Guia viram alternativa com facilidade. Antitérmico e anti-inflamatório — dipirona, paracetamol, ibuprofeno, aspirina — não interferem na positividade da gota espessa, e não se deve adiar a coleta esperando o pico febril. Já antibióticos com atividade antiplasmódica — doxiciclina, tetraciclina, clindamicina, ciprofloxacino, sulfonamidas — podem baixar ou negativar a parasitemia; nesses pacientes, persistindo a febre, repete-se a gota espessa a cada 48 horas. Caldo de cana, suco adoçado e glicemia alta não aumentam parasitemia, e coleta venosa não rende mais que a punção digital bem feita, com desprezo da primeira gota.
A febre terçã é a exceção, não a regra
O período de incubação separa as espécies: 8 a 12 dias para Plasmodium falciparum, 13 a 17 para Plasmodium vivax, 18 a 30 para Plasmodium malariae. O ciclo eritrocitário se repete a cada 48 horas em vivax e falciparum e a cada 72 horas em malariae, e é esse relógio que produz a febre periódica quando as gerações de parasitos se sincronizam. A crise aguda dura de 6 a 12 horas, com calafrio, febre que pode passar de 40 °C e sudorese.
O ponto que a banca explora é o inverso: nem sempre se observa o padrão clássico de febre a cada dois dias, e não se deve aguardar esse padrão para pensar no diagnóstico. Depois dos primeiros paroxismos a febre costuma virar intermitente, e há pacientes que chegam sem febre alguma — só com cefaleia, mialgia, artralgia, mal-estar, fadiga ou falta de apetite. Qualquer sintoma em quem esteve em área de transmissão indica gota espessa.
Há uma assimetria entre as espécies que explica por que o tratamento do falciparum tem urgência epidemiológica maior: no vivax os gametócitos circulam desde o primeiro dia de sintomas, enquanto no falciparum eles costumam aparecer na periferia só depois de sete dias de infecção. Diagnosticar e tratar cedo um falciparum ainda alcança a janela em que ele não infecta o mosquito; no vivax essa janela já passou quando o paciente chega.
Gestantes, crianças e primoinfectados evoluem mal com mais frequência, sobretudo no falciparum, que responde pela maioria dos casos letais. Mas o vivax também mata — por ruptura espontânea ou traumática do baço, por complicação respiratória e por anemia grave, em especial em pacientes com comorbidades ou debilitados. E não é raro que a forma complicada de vivax, com icterícia ou sangramento, esconda uma coinfecção, sendo a dengue a mais citada.
Antes da receita, o número da G6PD
Só o vivax e o ovale têm hipnozoítos, e só as 8-aminoquinolinas — primaquina e tafenoquina — alcançam essa forma. Uma única picada pode gerar vários episódios subsequentes, e sem o uso correto dessas drogas as recaídas acometem cerca de 70% das pessoas. Daí o nome do objetivo: cura radical, que soma a eliminação das formas sanguíneas à das formas hepáticas.
O preço dessa segunda parte é a hemólise. A G6PD protege a hemácia do estresse oxidativo, e quem tem atividade baixa e recebe primaquina ou tafenoquina pode desenvolver anemia hemolítica aguda — anemia, fadiga, icterícia e, o primeiro sinal, urina escura cor de café ou de refrigerante de cola. Num estudo conduzido na Amazônia brasileira, em média 5% da população local tem baixa atividade da enzima: cinco em cada cem pessoas. A herança é ligada ao cromossomo X, atinge ambos os sexos, e as manifestações clínicas mais relevantes ocorrem principalmente em homens.
Por isso a 3ª edição tornou obrigatória a testagem quantitativa da G6PD antes de definir o esquema do vivax, para todo paciente com 10 kg ou mais e mais de 2 anos. O resultado, em unidades internacionais por grama de hemoglobina, cai numa de três faixas. Maior ou igual a 6.1 UI/gHb é atividade alta: cloroquina por três dias mais tafenoquina em dose única. Entre 4.1 e 6.0 é atividade intermediária: cloroquina por três dias mais primaquina 0,5 mg/kg/dia por sete dias. Menor ou igual a 4.0 é atividade baixa: cloroquina por três dias mais primaquina 0,75 mg/kg por semana, durante oito semanas, com a primeira dose já no dia 1, junto da cloroquina, e de preferência sob supervisão.
Repare no que a faixa baixa faz, porque é contraintuitivo e por isso cobrável: ela não reduz a dose total de primaquina, ela a espalha. Sete dias a 0,5 mg/kg somam 3,5 mg/kg; oito semanas a 0,75 mg/kg somam 6 mg/kg. O paciente com G6PD baixa recebe mais primaquina ao longo do tratamento, não menos — o espaçamento é que dá à medula tempo de repor as hemácias entre uma dose e outra. É também por isso que esse esquema exige acompanhamento pela equipe até a oitava dose.
As contas que resolvem a questão de dose
A cloroquina é fixa e não se ajusta ao peso real: 10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3, somando 25 mg/kg de dose total. O motivo é farmacocinético e o Guia o explica numa das perguntas frequentes — a cloroquina não se distribui no tecido gorduroso, então sua dose se calcula pelo peso ideal. A primaquina faz o contrário: distribui-se por todos os tecidos, inclusive o gorduroso, e por isso se calcula pelo peso real, sem limite máximo. Pacientes acima do peso que recebem primaquina em dose habitual recaem mais; acima de 120 kg, calcula-se 0,5 mg/kg/dia.
O curso brasileiro de primaquina é de sete dias, e a conta explica por quê. Sete dias a 0,5 mg/kg/dia entregam 3,5 mg/kg — exatamente o mesmo total dos catorze dias a 0,25 mg/kg/dia do esquema clássico. Não é uma dose menor comprimida: é a mesma dose total num intervalo mais curto, escolhida no Brasil para melhorar a adesão, e o esquema de 0,25 mg/kg por 14 dias não se mostrou superior ao de 7 dias.
O tratamento da recorrência é o único que dobra a conta. Quando o vivax reaparece em até 60 dias, o esquema passa a ser ASMQ ou arteméter com lumefantrina por três dias, mais primaquina 0,5 mg/kg/dia por catorze dias: 7 mg/kg de dose total, o dobro do curso inicial, porque é o regime com maior eficácia contra o hipnozoíto. E há uma trava: não se usa tafenoquina no tratamento de recorrência.
A tafenoquina é dose única, e a quantidade acompanha o peso: 300 mg no adulto, com dois comprimidos de 150 mg. Nas faixas menores, o comprimido é o de 50 mg — dois deles, 100 mg, na faixa de 10 a 20 kg; quatro deles, 200 mg, na faixa de 21 a 34 kg. Ela fica proibida em sete situações que vale decorar como bloco: peso abaixo de 10 kg, idade abaixo de 2 anos, gestação, amamentação em qualquer tempo, atividade de G6PD baixa ou intermediária, tratamento de recorrência e infecção por falciparum ou mista. Some-se a oitava, que vem do hemograma: hemoglobina menor ou igual a 7 g/dL também contraindica.

Quem fica fora das três faixas
Gestante não recebe primaquina nem tafenoquina, e a razão não é teratogenicidade: nenhuma das duas causa malformação ou aborto. O risco é hemólise grave no feto, cuja atividade de G6PD é desconhecida. O esquema da gestante com vivax é cloroquina por três dias seguida de cloroquina profilática semanal, 5 mg/kg por dose até o máximo de dois comprimidos, mantida até completar um mês de amamentação. Como dois comprimidos somam 300 mg, o teto só passa a valer acima de 60 kg — abaixo disso vale a conta por peso.
Depois de completado esse primeiro mês de amamentação, repete-se o exame. Espera-se que esteja negativo em quem usou a cloroquina semanal corretamente: nesse caso basta completar o esquema com primaquina por sete dias. Se vier positivo, prescreve-se o tratamento completo — cloroquina por três dias mais primaquina por sete dias. A lactante pode receber primaquina a partir do segundo mês de amamentação, porque a concentração excretada no leite é mínima; a tafenoquina, essa permanece vetada durante toda a amamentação, independentemente do tempo.
Há ainda os limites pediátricos, e eles não coincidem. Primaquina é vetada abaixo de 5 kg ou de 6 meses. Tafenoquina é vetada abaixo de 10 kg ou de 2 anos. Cloroquina não deve ser dada em comprimido fracionado abaixo de 10 kg ou de 1 ano. E a criança de até 6 meses, ainda que pese mais de 5 kg, deve ser tratada apenas com terapia combinada baseada em artemisinina — ASMQ ou arteméter com lumefantrina. Três cortes diferentes para três drogas: é aí que a alternativa erra de propósito.
Também merece registro a razão pela qual a gestante recebe cloroquina semanal em vez de simplesmente esperar. A primaquina tem ação sinérgica com a cloroquina contra as formas assexuadas; quando ela não entra, o clareamento da parasitemia é mais lento e cresce a chance de recrudescência dentro dos primeiros 42 dias. A cloroquina semanal bloqueia essa recrudescência enquanto está em uso — mas não impede a recaída depois que se interrompe, e é por isso que a primaquina entra assim que pode.
Falciparum: uma droga para curar, outra para não transmitir
No falciparum o tratamento é uma terapia combinada baseada em artemisinina. O Guia recomenda ASMQ — artesunato com mefloquina — como primeira opção, ou arteméter com lumefantrina, conforme a disponibilidade local; eficácia e segurança são bastante semelhantes. A vantagem do ASMQ é ter administração diária única, o que ajuda a adesão, e uma apresentação pediátrica em comprimido que se degrada em água. A meia-vida longa da mefloquina ainda oferece profilaxia pós-tratamento, e o fracionamento da dose em três dias torna os eventos neuropsiquiátricos mais raros e mais brandos.
Sobre esse ACT entra a primaquina em dose única de 0,5 mg/kg no primeiro dia — e aqui está o detalhe que a prova adora: independentemente da atividade da G6PD, por se tratar de dose baixa. Ela não está ali para curar o paciente, está para eliminar os gametócitos maduros circulantes e bloquear a transmissão ao mosquito. Administra-se de forma sistemática ainda que nenhum gametócito apareça na gota espessa, porque os derivados de artemisinina agem sobretudo sobre gametócitos imaturos, e os maduros podem circular por semanas ou meses. As exceções são as de sempre: menores de 6 meses e gestantes.
Quem vive fora da Amazônia e tem falciparum também faz a dose única de primaquina, e o motivo é territorial: gametócito circulante em área não endêmica pode infectar vetores locais e dar origem a um surto onde não havia transmissão. As falhas têm janelas próprias — falha após ASMQ em até 28 dias troca-se para arteméter com lumefantrina; falha após arteméter com lumefantrina em até 42 dias troca-se para ASMQ. Gota espessa positiva mais de 42 dias depois do tratamento trata-se como caso novo, mesmo em paciente assintomático.
Uma situação tem conduta administrativa, não farmacológica: gota espessa ainda positiva no dia 5 com formas assexuadas — não apenas gametócito — em paciente com adesão garantida deve ser comunicada imediatamente ao gestor municipal, ao estadual e à Coordenação-Geral de Eliminação da Malária, pela possibilidade de resistência à artemisinina, que até aqui não foi detectada no País. Quanto à gestação, os ACT podem ser usados ao longo de toda ela, inclusive no primeiro trimestre, com morbimortalidade menor que a do tratamento com quinina.
Malária grave é emergência, e a dose muda com o peso
Qualquer paciente com exame positivo que apresente um dos sinais do quadro de gravidade é doente grave. Do lado clínico: dor abdominal intensa, que no vivax levanta a hipótese de ruptura de baço; icterícia; mucosas muito hipocoradas; diurese abaixo de 400 mL em 24 horas; vômitos persistentes que impeçam a via oral; qualquer sangramento; falta de ar; cianose; taquicardia; convulsão ou desorientação; prostração na criança; comorbidade descompensada. Três desses — mucosas hipocoradas, falta de ar e taquicardia — só valem se avaliados fora do acesso febril, e convulsão ou desorientação não devem ser confundidas com o próprio paroxismo.
Do lado laboratorial: hemoglobina menor ou igual a 7 g/dL no adulto, hipoglicemia, acidose metabólica, insuficiência renal, hiperlactatemia e hiperparasitemia acima de 250.000 por mm³ para falciparum. A avaliação inicial pede glicemia, hemograma, quantificação da parasitemia no falciparum, gasometria arterial e função renal e hepática, com registro do escore de coma — Glasgow no adulto, Blantyre na criança. O caso se conduz como sepse, e antibiótico de amplo espectro deve ser reavaliado a todo momento pela possibilidade de coinfecção bacteriana.
O antimalárico da forma grave é o artesunato injetável, intravenoso ou intramuscular, por no mínimo 24 horas, até que a via oral seja possível — e vale para adultos, crianças, lactentes e gestantes em qualquer trimestre e na amamentação. A dose inverte a intuição: criança com menos de 20 kg recebe dose maior por quilo, 3,0 mg/kg, enquanto crianças acima de 20 kg e adultos recebem 2,4 mg/kg, e a razão é garantir exposição equivalente ao medicamento.
Se o artesunato injetável não estiver disponível para uso imediato, usa-se algum ACT acessível até que ele chegue; a clindamicina intravenosa, 20 mg/kg/dia divididos em três doses por sete dias, é alternativa, com a ressalva de ação esquizonticida lenta. Não conseguindo o paciente tomar medicação oral, mantém-se o parenteral a cada 24 horas por no máximo sete dias. Assim que a via oral voltar, prescreve-se o esquema da espécie; se houver diagnóstico anterior em até 60 dias, o oral é ACT por três dias — ASMQ de preferência — com primaquina por catorze.
Depois da receita: verificação de cura e o efeito que imita hepatite
O controle de cura se faz com a Lâmina de Verificação de Cura, e a periodicidade depende do cenário de transmissão. Em área de baixa transmissão, definida como menos de 100 casos autóctones por ano, o falciparum é reavaliado nos dias 5, 8, 15, 22, 28 e 43, e o vivax ou a infecção mista nos dias 5, 8, 15, 22, 28, 43 e 64, contando o dia 1 como o primeiro dia de tratamento. Em áreas de moderada e de alta transmissão o esquema é otimizado para apenas dois pontos, dia 5 e dia 28, para todas as espécies.
A verificação de cura é por lâmina, e há uma razão para isso: o teste rápido não serve para acompanhamento de cura, porque pode permanecer positivo mesmo sem parasitas viáveis, gerando falso diagnóstico de resistência. Recomenda-se inclusive cautela com o uso do teste rápido até um mês depois de um diagnóstico prévio confirmado. Trocar lâmina por teste rápido no seguimento é uma das trocas mais fáceis de esconder numa alternativa.
As recorrências têm nomes com janelas fixas, e a prova cobra o nome. Recrudescência é a recorrência a partir de formas sanguíneas, geralmente entre o dia 5 e o dia 28 — sugere abandono, esquema inadequado, vômito ou resistência. Recaída é a recorrência a partir de formas hepáticas, do dia 29 ao dia 60, e é o hipnozoíto de vivax ou ovale cobrando a segunda parte que não foi feita. Reinfecção é o que acontece após o dia 60, por nova picada. Diante de qualquer uma, investigam-se antes a adequação do esquema ao peso, a adesão e os deslocamentos dos últimos dois meses.
Entre os eventos adversos, dois se confundem com a própria doença. A hemólise por primaquina ou tafenoquina em quem tem G6PD baixa costuma aparecer depois de dois dias de uso, e o primeiro sinal é o escurecimento da urina — mal-estar, fadiga, icterícia, redução da diurese e até febre podem seguir, e o quadro é frequentemente lido como anemia da malária ou hepatite pós-malária. O segundo é a anemia tardia pós-artemisinina: hemólise súbita 10 a 21 dias após o tratamento, com desidrogenase láctica elevada e sem parasitemia, mais comum em primoinfectados com parasitemia alta. Ambos se notificam à Anvisa pelo VigiMED, sistema em que qualquer pessoa pode notificar. E o prurido da cloroquina, que atinge cerca de 20% dos pacientes, raramente exige suspensão: é transitório, costuma repetir-se em administrações futuras e pode ser contornado fracionando a dose diária.
Da gota espessa à receita: espécie primeiro, G6PD depois
A sequência abaixo é a ordem em que a decisão precisa ser tomada, e não a ordem em que os dados chegam. Confirmar que existe parasito e qual é a espécie; procurar sinal de gravidade, porque ele muda a via antes de mudar a droga; e só então, no vivax, perguntar pelo número da G6PD, que é o que escolhe a segunda parte do tratamento.
- 1PASSO 0 — HÁ EXPOSIÇÃO? Residência em área com possibilidade de transmissão, ou deslocamento para uma, de 8 a 30 dias antes dos primeiros sintomas. Sem esse dado, o diagnóstico não é lembrado — e é o atraso, não o parasito, que produz a maioria das formas graves fora da Amazônia.
- 2PASSO 1 — CONFIRMAR NO LABORATÓRIO, SEM ESPERAR A FEBRE. Gota espessa é o padrão-ouro (5 a 10 parasitos/µL com microscopista experiente; 100/µL em campo). Teste rápido em 15 minutos, com sensibilidade de 95% ou mais acima de 100 parasitos/µL. Antitérmico não atrapalha a coleta; não adie por causa dele.
- 3NÃO PEÇA SOROLOGIA. Ela mede exposição prévia, não separa infecção atual de pregressa e atrasa o tratamento. IgM anti-Plasmodium tem uma indicação só: suspeita de esplenomegalia hiper-reativa — baço volumoso, anemia, sem febre, gota espessa negativa.
- 4PASSO 2 — QUAL ESPÉCIE? É a espécie que decide se existirá uma segunda parte do tratamento. Vivax e ovale têm hipnozoíto e exigem cura radical; falciparum e malariae, não. No falciparum, quantifique a parasitemia.
- 5PASSO 3 — HÁ SINAL DE GRAVIDADE? Percorra o quadro clínico e o laboratorial antes de escolher o comprimido. Avalie mucosas, dispneia e frequência cardíaca FORA do acesso febril, sob pena de chamar de grave o paroxismo.
- 6SE GRAVE — ARTESUNATO INJETÁVEL, IV ou IM, por no mínimo 24 horas: 3,0 mg/kg/dose abaixo de 20 kg; 2,4 mg/kg/dose de 20 kg para cima e no adulto. Vale em qualquer trimestre de gestação. Sem artesunato à mão, use um ACT acessível; a clindamicina IV 20 mg/kg/dia em três doses por sete dias é alternativa de ação lenta.
- 7PASSO 4A — FALCIPARUM (ou mista): ACT por três dias, ASMQ como primeira opção ou arteméter com lumefantrina, MAIS primaquina em dose única de 0,5 mg/kg no dia 1 — independentemente da G6PD, porque a dose é baixa e o alvo é o gametócito. Exceções: menores de 6 meses e gestantes.
- 8PASSO 4B — VIVAX (ou ovale): TESTE A G6PD antes de escolher, obrigatoriamente, em quem tem 10 kg ou mais e mais de 2 anos. Cloroquina por três dias é comum às três faixas: 10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3.
- 9PASSO 5 — A SEGUNDA PARTE, PELA FAIXA. 6.1 UI/gHb ou mais: tafenoquina dose única. Entre 4.1 e 6.0: primaquina 0,5 mg/kg/dia por 7 dias. 4.0 ou menos: primaquina 0,75 mg/kg/semana por 8 semanas, supervisionada.
- 10PASSO 6 — QUEM NÃO ENTRA EM NENHUMA FAIXA. Gestante: cloroquina 3 dias mais cloroquina semanal 5 mg/kg (máximo 2 comprimidos) até um mês de amamentação. Abaixo de 5 kg ou 6 meses: sem primaquina. Abaixo de 10 kg ou 1 ano: sem cloroquina fracionada. Até 6 meses, mesmo acima de 5 kg: somente ACT.
- 11PASSO 7 — MARQUE O SEGUIMENTO NA SAÍDA. Lâmina de Verificação de Cura, nunca teste rápido. Em área de alta ou moderada transmissão, dias 5 e 28. Em área de baixa transmissão, dias 5, 8, 15, 22, 28 e 43 no falciparum, acrescentando o dia 64 no vivax e na mista.
- 12PASSO 8 — AVISE SOBRE A URINA ESCURA. É o primeiro sinal de hemólise por primaquina ou tafenoquina, costuma surgir depois de dois dias de uso e é regularmente confundido com hepatite. Orientado, o paciente volta; não orientado, ele espera.
Atividade alta: 6.1 UI/gHb ou mais
Cloroquina por três dias mais TAFENOQUINA em dose única — 300 mg no adulto. É a única faixa em que a dose única entra, e ela só vale para quem tem 10 kg ou mais e 2 anos ou mais, fora de gestação e de amamentação, em primeiro episódio e com hemoglobina acima de 7 g/dL. Faltando cloroquina, não se usa tafenoquina isolada.
Atividade intermediária: 4.1 a 6.0 UI/gHb
Cloroquina por três dias mais PRIMAQUINA 0,5 mg/kg/dia por sete dias — 3,5 mg/kg de dose total. É o esquema mais frequente na prática e o que a maioria das questões descreve sem dizer o nome. A adesão é o ponto frágil: como o paciente melhora no terceiro dia, é preciso avisar que a primaquina continua depois que os sintomas somem.
Atividade baixa: 4.0 UI/gHb ou menos
Cloroquina por três dias mais PRIMAQUINA SEMANAL 0,75 mg/kg durante oito semanas, começando no dia 1 junto da cloroquina, sob supervisão da equipe até a oitava dose. Não é uma dose menor: são 6 mg/kg no total, contra 3,5 mg/kg do curso de sete dias. O que muda é o espaçamento, que dá à medula tempo entre uma dose e outra.
Malária não complicada: qual droga faz o quê, e o que trava cada uma
| Situação | Esquizonticida sanguíneo | Segunda parte (hipnozoíto ou gametócito) | A trava que a prova cobra |
|---|---|---|---|
| Vivax, G6PD ≥ 6.1 UI/gHb | Cloroquina 3 dias (10 mg/kg no dia 1; 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3) | Tafenoquina em dose única — 300 mg no adulto | Só com 10 kg ou mais E 2 anos ou mais; nunca em gestante, lactante, recorrência, falciparum, mista ou hemoglobina ≤ 7 g/dL |
| Vivax, G6PD 4.1 a 6.0 UI/gHb | Cloroquina 3 dias | Primaquina 0,5 mg/kg/dia por 7 dias (total 3,5 mg/kg) | Mesmo total do esquema clássico de 0,25 mg/kg por 14 dias — o que muda é o tempo, escolhido por adesão |
| Vivax, G6PD ≤ 4.0 UI/gHb | Cloroquina 3 dias | Primaquina 0,75 mg/kg por SEMANA, 8 semanas (total 6 mg/kg) | Primeira dose no dia 1, junto da cloroquina; supervisão da equipe até a oitava dose |
| Vivax em gestante | Cloroquina 3 dias | Cloroquina profilática semanal 5 mg/kg (máx. 2 comprimidos) até 1 mês de amamentação | Nem primaquina nem tafenoquina — o risco é hemólise no feto, de G6PD desconhecida, não malformação |
| Vivax abaixo de 10 kg ou de 1 ano | ASMQ ou arteméter com lumefantrina | Primaquina só a partir de 5 kg E 6 meses | Cloroquina fracionada está fora; criança até 6 meses, mesmo acima de 5 kg, recebe apenas ACT |
| Falciparum | ACT 3 dias — ASMQ como primeira opção, ou arteméter com lumefantrina | Primaquina em DOSE ÚNICA de 0,5 mg/kg no dia 1 | Independe da G6PD (dose baixa); é gametocitocida, não cura radical; exceto menores de 6 meses e gestantes |
| Recorrência de vivax em até 60 dias | ASMQ ou arteméter com lumefantrina por 3 dias | Primaquina 0,5 mg/kg/dia por 14 dias (total 7 mg/kg) | O dobro da dose total do curso inicial; tafenoquina está proibida em recorrência |
Recorrência: o nome depende do dia, e o nome muda a investigação
| Nome | Janela | De onde vem o parasito | O que investigar |
|---|---|---|---|
| Recrudescência | Geralmente do dia 5 ao dia 28 | Formas sanguíneas que não foram eliminadas | Adesão, dose ajustada ao peso, vômito nas primeiras horas, armazenamento do medicamento, resistência |
| Recaída | Do dia 29 ao dia 60 | Formas hepáticas — hipnozoítos de vivax ou ovale | Se a segunda parte do tratamento foi feita e completada; é a cobrança do que faltou |
| Reinfecção | Após o dia 60 | Nova picada infectante do vetor | Deslocamentos dos últimos dois meses, criadouros e horário de exposição |
Onde cada antimalárico é financiado — e por que a cloroquina é a exceção
| Medicamento | Apresentação | Componente da assistência farmacêutica | O que isso explica |
|---|---|---|---|
| Difosfato de cloroquina | 150 mg comprimido | Estratégico E Especializado | Único antimalárico em dois componentes: também é item do Componente Especializado, com PCDT de Artrite Reumatoide e de Lúpus Eritematoso Sistêmico como documentos norteadores |
| Sulfato de hidroxicloroquina | 400 mg comprimido | Especializado | Não é a droga da malária. É a escolhida na reumatologia porque o difosfato de cloroquina causa mais lesão de retina em uso prolongado |
| Difosfato de primaquina | 15 mg e 5 mg comprimidos | Estratégico | Comprimido de 5 mg existe justamente para a dose pediátrica ajustada ao peso |
| Succinato de tafenoquina | 150 mg comprimido (e 50 mg pediátrico) | Estratégico | Incorporado pela Portaria SECTICS/MS nº 27/2023; a apresentação de 50 mg entrou pela Portaria SECTICS/MS nº 50/2025 |
| Artesunato | 60 mg/mL pó para solução injetável | Estratégico | É o antimalárico da forma grave; não se compra em farmácia |
| Artesunato + mefloquina (ASMQ) | 25 mg + 50 mg e 100 mg + 220 mg comprimidos | Estratégico | A apresentação adulta aparece como 220 mg na Rename e como 200 mg no Guia — sal e base do mesmo comprimido |
Nenhum antimalárico é vendido em farmácia privada no Brasil. Eles pertencem ao Componente ESTRATÉGICO da assistência farmacêutica: são adquiridos pelo Ministério da Saúde e distribuídos aos estados, que os repassam às regionais e aos municípios. A restrição é deliberada — reduz automedicação e, com ela, a pressão de seleção que geraria resistência.
A conta das doses totais de primaquina organiza três esquemas que parecem arbitrários. Sete dias a 0,5 mg/kg/dia somam 3,5 mg/kg; catorze dias a 0,25 mg/kg/dia somam os mesmos 3,5 mg/kg; catorze dias a 0,5 mg/kg/dia, na recorrência, somam 7 mg/kg; oito semanas a 0,75 mg/kg somam 6 mg/kg. Em resumo: o curso inicial e o clássico entregam a mesma coisa, a recorrência dobra, e a faixa de G6PD baixa fica no meio — mais que o curso inicial, espalhado no tempo.
Na gestante, o teto de dois comprimidos da cloroquina semanal só passa a valer acima de 60 kg: dois comprimidos de 150 mg somam 300 mg, e 300 divididos por 5 mg/kg dão exatamente 60 kg. Abaixo disso, a conta é por peso.
A contagem de comprimidos de tafenoquina segue o peso: 100 mg na faixa de 10 a 20 kg, 200 mg na faixa de 21 a 34 kg e 300 mg de 35 kg para cima. O compêndio econômico do relatório de 2025 confirma essa escada pelo preço — R$ 19,66 são dois comprimidos de 50 mg a R$ 9,83; R$ 39,32 são quatro; e R$ 29,60 são dois de 150 mg a R$ 14,80.
A mefloquina do ASMQ adulto aparece com dois números em documentos oficiais diferentes porque um usa o sal e o outro, a base: 220 mg de cloridrato correspondem a cerca de 200 mg de base (378,3 ÷ 414,8 = 0,912; 220 × 0,912 = 200,6). O que separa alternativa certa de errada numa questão não é 200 contra 220 — é trocar a apresentação pediátrica pela adulta, que não devem ser fracionadas nem usadas fora da faixa de peso a que se destinam.
Uma faixa de transmissão fica sem definição explícita no Guia: área de moderada transmissão é a que tem de 100 a 364 casos autóctones por ano, e a de alta transmissão, mais de 365. Como as duas usam o mesmo esquema otimizado de Lâmina de Verificação de Cura — dias 5 e 28 —, a lacuna não muda conduta; ela só não deve virar pegadinha na hora de recitar os números.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
16 anos ou mais — texto da incorporação (2023)
A recomendação final, deliberada por unanimidade em 31/05/2023, é de incorporação temporária da tafenoquina para cura radical de malária por Plasmodium vivax em pacientes com 16 ANOS DE IDADE OU MAIS e atividade enzimática MAIOR QUE 70% de G6PD, confirmada por teste rápido validado. O teste quantitativo de G6PD foi incorporado sem restrição etária.
Brasil. Ministério da Saúde. Conitec. Relatório de Recomendação nº 832, maio de 2023; decisão pela Portaria SECTICS/MS nº 27, de 5 de junho de 2023.
10 kg e 2 anos — régua assistencial vigente (2025-2026)
Após atualização de bula na Anvisa e nova apresentação de 50 mg, a Conitec recomendou o uso em pacientes com peso superior a 10 kg, e a portaria incorporou a tafenoquina 50 mg para pacientes pediátricos. O Guia de tratamento opera com o par 'peso igual ou superior a 10 kg E 2 anos ou mais', e sua Tabela 1 já traz a faixa de 10 a 20 kg. Note que o Guia usa 'igual ou superior a 10 kg' onde o relatório escreve 'superior a 10 kg'.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de tratamento da malária no Brasil, 3ª edição, 2026, Figura 3 e Tabela 1; Conitec, 141ª Reunião Ordinária de 4 de junho de 2025; Portaria SECTICS/MS nº 50, de 23 de julho de 2025.
Na prova
O ano do enunciado decide, e a idade é o marcador. Questão escrita sobre a incorporação original trará '16 anos ou mais' e 'G6PD acima de 70%'. Questão escrita sobre a régua assistencial vigente trará peso e idade juntos — 10 kg e 2 anos — e faixa em UI/gHb. Se as alternativas misturarem '16 anos' com 'UI/gHb', foram montadas com as duas fontes sobrepostas. Em qualquer redação, o que nunca muda é a obrigatoriedade do teste de G6PD antes da dose.
Percentual — como a incorporação descreveu
A população da incorporação é definida como indivíduos com diagnóstico confirmado de malária por P. vivax e atividade de G6PD acima de 70% do normal, confirmada por teste rápido validado; abaixo de 70% ou com status desconhecido, a tafenoquina não entra. É um corte binário, sem faixa intermediária.
Brasil. Ministério da Saúde. Conitec. Relatório de Recomendação nº 832, maio de 2023.
UI/gHb em três faixas — como o Guia trata
O algoritmo organiza a decisão em três faixas de atividade medida em unidades internacionais por grama de hemoglobina: maior ou igual a 6.1 (alta, tafenoquina em dose única); entre 4.1 e 6.0 (intermediária, primaquina 0,5 mg/kg/dia por sete dias); menor ou igual a 4.0 (baixa, primaquina 0,75 mg/kg por semana durante oito semanas). O mesmo Guia também escreve 'acima de 70%' em prosa, ao apresentar a droga.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de tratamento da malária no Brasil, 3ª edição, 2026, seção 3.3.1 e Figura 3.
Na prova
Reconheça que as duas escalas descrevem o mesmo portão e que só uma delas tem três faixas. Enunciado que fale em 'atividade acima de 70%' está decidindo apenas SE a tafenoquina entra. Enunciado que dê um número em UI/gHb está pedindo mais: além de liberar ou não a tafenoquina, ele separa a primaquina diária de sete dias da primaquina semanal de oito semanas. Diante de um valor em UI/gHb, a pergunta útil é em qual das três faixas ele cai.
100 mg + 200 mg — como o Guia de tratamento grafa
As tabelas de tratamento identificam as duas apresentações como 'Artesunato 25 mg + Mefloquina 50 mg' e 'Artesunato 100 mg + Mefloquina 200 mg', com a observação de que se destinam a faixas de peso diferentes e não devem ser fracionadas.
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de tratamento da malária no Brasil, 3ª edição, 2026, legendas das Tabelas 7 e 9.
100 mg + 220 mg — como a Rename lista
A Rename registra duas concentrações para artesunato + mefloquina, ambas no Componente Estratégico: '25 mg + 50 mg comprimido' e '100 mg + 220 mg comprimido'. A apresentação pediátrica é grafada em base e a adulta, em sal, dentro do mesmo grupo.
Brasil. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais — Rename 2024, anexo do Componente Estratégico, grupo P (antiparasitários), código ATC P01BF02.
Na prova
Não gaste tempo escolhendo entre 200 e 220: os dois números descrevem o mesmo comprimido, um em base e outro em sal, e a conta fecha (220 × 378,3 ÷ 414,8 = 200,6). O que a questão está testando de fato é outra coisa — se você troca a apresentação pediátrica pela adulta. As duas não devem ser fracionadas nem usadas fora da faixa de peso a que se destinam, e é essa troca que produz a alternativa errada.
Caso resolvido
- achado
- Malária por vivax NÃO complicada. Vale conferir item por item antes de aceitar isso: não há dor abdominal intensa, icterícia, mucosas muito hipocoradas, oligúria abaixo de 400 mL/24 h, vômito que impeça a via oral, sangramento, dispneia, cianose, convulsão nem comorbidade descompensada. A taquicardia de 104 bpm existe, mas foi medida DURANTE o pico febril — e o quadro de gravidade manda avaliar frequência cardíaca, mucosas e dispneia fora do acesso malárico. A hemoglobina de 11,4 g/dL está longe do corte de 7 g/dL.
- a decisão que vem antes da receita
- Espécie definida: vivax tem hipnozoíto, logo haverá segunda parte de tratamento. Com 62 kg e 34 anos, o paciente está acima dos cortes de 10 kg e 2 anos, o que torna a testagem de G6PD OBRIGATÓRIA antes de escolher o esquema. O número já veio: 5,2 UI/gHb.
- em qual faixa cai
- 5,2 está entre 4.1 e 6.0 — atividade INTERMEDIÁRIA. Isso fecha a porta da tafenoquina, que exige 6.1 UI/gHb ou mais, e não abre a da primaquina semanal, que é da faixa de 4.0 ou menos. Sobra o meio: primaquina diária por sete dias. É o ponto exato em que a questão separa quem decorou 'vivax = cloroquina + primaquina' de quem entendeu que existem três caminhos.
- a conta da primeira parte
- Cloroquina por três dias: 10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3, somando 25 mg/kg. Para 62 kg isso dá cerca de 620 mg no primeiro dia e 465 mg em cada um dos dois seguintes. Lembre que a cloroquina se calcula pelo peso IDEAL, porque não se distribui no tecido gorduroso.
- a conta da segunda parte
- Primaquina 0,5 mg/kg/dia por sete dias — cerca de 31 mg/dia para 62 kg, com dose total de 3,5 mg/kg. Aqui o cálculo é pelo peso REAL, sem limite máximo. Se o paciente pesasse mais de 120 kg, a conta continuaria sendo 0,5 mg/kg/dia, sem teto.
- o que dizer na saída
- Duas frases mudam o desfecho. A primeira: a medicação continua depois que a febre passar — no terceiro dia ele estará bem e é aí que se abandona a primaquina, que é justamente a parte que impede a recaída. A segunda: se a urina escurecer, cor de café ou de refrigerante de cola, parar e procurar o serviço no mesmo dia, porque é o primeiro sinal de hemólise e costuma ser confundido com hepatite. Tomar após uma refeição e, se vomitar em até 60 minutos, repetir a dose inteira.
- seguimento
- Lâmina de Verificação de Cura, não teste rápido — o teste rápido pode seguir positivo sem parasita viável. O calendário depende do cenário de transmissão do município: em área de moderada ou alta transmissão vale o esquema otimizado, gota espessa nos dias 5 e 28, contando o primeiro dia de tratamento como dia 1; em área de baixa transmissão a série é mais longa, indo até o dia 64 no vivax.
- conduta
- Cloroquina por três dias (10 mg/kg no dia 1; 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3) mais primaquina 0,5 mg/kg/dia por sete dias, iniciada no dia 1. Orientação sobre adesão à primaquina e sobre urina escura. Lâmina de Verificação de Cura nos dias 5 e 28. Notificação do caso pelo sistema próprio do programa.
Agora feche você
- o que já sei
- Malária por vivax não complicada em gestante. Vivax tem hipnozoíto, e o tratamento completo teria duas partes — uma que apaga a parasitemia e outra que impede a recaída.
- a pergunta da equipe, respondida
- A testagem de G6PD serve para escolher ENTRE tafenoquina e os dois regimes de primaquina. Na gestante, nenhuma das três opções está disponível, então o resultado não muda a prescrição de agora. O motivo do veto não é malformação nem aborto: as 8-aminoquinolinas não causam nem uma coisa nem outra. O risco é hemólise grave NO FETO, cuja atividade de G6PD é desconhecida.
- o que entra no lugar da segunda parte
- Cloroquina profilática semanal, 5 mg/kg por dose até o máximo de dois comprimidos, mantida até completar um mês de amamentação. Com 58 kg, 5 mg/kg dá 290 mg — abaixo do teto de 300 mg, que só passaria a valer acima de 60 kg. Ela bloqueia a recrudescência enquanto está em uso, mas não impede a recaída depois que se interrompe.
- a trava de segurança
- Monitorar atividade uterina e sangramento vaginal — aparecendo qualquer um, encaminhamento urgente para atendimento especializado. E testar o recém-nascido, porque a transmissão vertical é rara mas existe, e o filho de mãe em tratamento ou sintomática às vésperas do parto entra na recomendação de exame.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Achar que a tafenoquina é a nova primeira escolha para todo vivax Ela é dose única e melhora a adesão, mas está travada por uma lista longa: peso abaixo de 10 kg, idade abaixo de 2 anos, gestação, amamentação em qualquer tempo, G6PD baixa OU intermediária, tratamento de recorrência, falciparum, malária mista e hemoglobina menor ou igual a 7 g/dL. Fora da faixa de G6PD alta, a resposta é primaquina.
- 2Suspender a primaquina no falciparum porque a G6PD é baixa No falciparum a primaquina entra em dose ÚNICA de 0,5 mg/kg no primeiro dia, independentemente da atividade da G6PD, justamente por ser dose baixa. Ela não está curando o paciente — está eliminando o gametócito maduro para bloquear a transmissão. As únicas exceções são menores de 6 meses e gestantes.
- 3Usar teste rápido para verificar a cura O teste rápido detecta antígeno e pode continuar positivo sem parasitas viáveis, o que produz falso diagnóstico de resistência. O controle de cura é por LÂMINA. O Guia pede inclusive cautela com o uso de teste rápido até um mês depois de um diagnóstico prévio confirmado.
- 4Pedir sorologia para malária Sorologia mede exposição prévia e não separa infecção atual de pregressa; solicitá-la no contexto clínico atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicação. A pesquisa de IgM tem uma única indicação: suspeita de esplenomegalia hiper-reativa da malária — baço volumoso, anemia, sem febre e com gota espessa negativa —, tratada com cloroquina 5 mg/kg por semana durante seis meses.
- 5Ajustar a cloroquina pelo peso real e a primaquina pela faixa etária É o inverso. A cloroquina não se distribui no tecido gorduroso e se calcula pelo peso ideal, com dose fixa de 10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3. A primaquina se distribui por todos os tecidos, inclusive o gorduroso, e se calcula pelo peso REAL, sem limite máximo — quem está acima do peso e recebe dose habitual recai mais.
- 6Dar dose menor de artesunato para a criança pequena Na malária grave, criança com menos de 20 kg recebe dose MAIOR por quilo — 3,0 mg/kg/dose — do que criança acima de 20 kg e adulto, que recebem 2,4 mg/kg/dose. O objetivo é garantir exposição equivalente ao medicamento, e a alternativa errada costuma inverter os dois números.
- 7Confundir a cloroquina da malária com a do lúpus São drogas diferentes. A da malária é o difosfato de cloroquina, que causa mais lesão de retina em uso prolongado; a da reumatologia é o sulfato de hidroxicloroquina. A separação também é de financiamento: a hidroxicloroquina 400 mg é item do Componente Especializado, enquanto o difosfato de cloroquina figura como Estratégico E Especializado. Desviar a cloroquina do programa da malária compromete o estoque local do antimalárico.
- 8Prescrever quimioprofilaxia para quem vai à Amazônia A quimioprofilaxia NÃO é indicada em território nacional. Como predomina o vivax, a eficácia é baixa; no falciparum, ela pode não assegurar proteção e favorece resistência. A profilaxia brasileira é outra: proteção contra picadas, diagnóstico oportuno e tratamento adequado — com a orientação de que febre até um mês depois de deixar a área exige procurar serviço e contar onde esteve.
Para malária não complicada por P. falciparum, o tratamento de primeira linha no Brasil é a combinação terapêutica à base de artemisinina (ACT), como artemeter + lumefantrina. Cloroquina isolada é usada para P. vivax não resistente, e o falciparum é resistente à cloroquina. Cloroquina + primaquina é o esquema clássico do P. vivax (primaquina para as formas hepáticas/recaída). Quinina IV é reservada à malária grave/complicada, não a este caso sem gravidade. Doxiciclina isolada não é adequada como monoterapia curativa; é usada como adjuvante ou profilaxia.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 32 anos retorna de viagem à Amazônia há 10 dias com febre alta intermitente a cada 48 horas, calafrios, cefaleia e sudorese. Exame: PA 110x70 mmHg, FC 98 bpm, palidez, esplenomegalia. A gota espessa identifica Plasmodium vivax. Sem sinais de gravidade. Além do tratamento da fase sanguínea com cloroquina, qual medida é essencial para evitar recaídas e qual exame deve precedê-la?
Plasmodium vivax possui formas hepáticas latentes (hipnozoítos) responsáveis por recaídas; a cura radical exige primaquina, além da cloroquina para a fase sanguínea. Antes da primaquina deve-se pesquisar deficiência de G6PD, pois a droga causa hemólise grave nesses pacientes. Artesunato IV é para malária grave (geralmente falciparum). Doxiciclina/clindamicina são associações para falciparum resistente, não cura de hipnozoítos. Dobrar cloroquina não elimina formas hepáticas.
Homem de 26 anos, morador de área ribeirinha na Amazônia, apresenta há 4 dias febre, calafrios e cefaleia. Esfregaço de sangue confirma Plasmodium vivax, com parasitemia de 0,8%. Glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) com atividade normal. Sem gravidez. Qual esquema terapêutico é o correto?
Malária por P. vivax não complicada trata-se com cloroquina (esquizonticida sanguíneo) + primaquina (cura radical dos hipnozoítos hepáticos), sendo a primaquina segura pois a G6PD é normal. Artemeter-lumefantrina é primeira linha para P. falciparum, não o esquema padrão do vivax no Brasil, e não elimina hipnozoítos. Cloroquina isolada não previne recaídas por hipnozoítos. Primaquina isolada não trata a fase sanguínea. Quinina+doxiciclina é opção para falciparum grave/resistente, não vivax.
Homem de 34 anos, morador de comunidade ribeirinha na Amazônia, procura a UBS com febre alta há 3 dias, que ocorre em picos acompanhados de calafrios intensos, sudorese profusa e cefaleia. Relata episódios semelhantes de febre a cada 48 horas. Nega tosse, disúria ou diarreia. Ao exame: temperatura de 39,2 °C, mucosas descoradas 2+/4+, baço palpável a 3 cm do rebordo costal. Refere não ter feito uso de repelente e trabalha na coleta de castanha na mata. Hemograma mostra hemoglobina de 10,1 g/dL e plaquetas de 98.000/mm³. Qual é o exame INICIAL indicado para confirmar a hipótese diagnóstica mais provável?
Febre com padrão de acessos periódicos (terçã/quartã), calafrios, sudorese, anemia, plaquetopenia e esplenomegalia em morador da Amazônia caracterizam malária. O exame padrão-ouro e inicial no SUS é a gota espessa (com esfregaço para diferenciar espécie e parasitemia), gratuito e amplamente disponível na rede. Sorologia de dengue não se aplica ao padrão febril cíclico com esplenomegalia. Hemocultura investiga bacteremia, não é o primeiro passo aqui. Reação de Widal (febre tifoide) não explica a periodicidade da febre nem a esplenomegalia com plaquetopenia deste contexto epidemiológico.
Homem de 30 anos retorna de viagem à região amazônica há 12 dias e procura o pronto-socorro com febre alta em picos, calafrios, sudorese, cefaleia e mialgia. Ao exame: temperatura 39,5°C, palidez, icterícia leve, esplenomegalia. Laboratório: hemoglobina 9,0 g/dL, plaquetas 65.000/mm³, bilirrubina indireta elevada. A gota espessa evidencia formas anelares e gametócitos em forma de banana, com parasitemia de 3%. Sobre a espécie provável e a conduta, assinale a alternativa correta.
Procedência amazônica, gametócitos em forma de banana (crescente) e parasitemia elevada indicam P. falciparum. O tratamento de primeira linha no Brasil é artemeter-lumefantrina; casos graves recebem artesunato EV. P. vivax apresenta gametócitos arredondados e trata-se com cloroquina + primaquina. Dengue não tem parasitas na gota espessa. Leishmaniose visceral cursa com febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia, mas o achado parasitológico e a viagem definem malária.
Homem de 30 anos retorna à UBS após viagem de trabalho de 3 semanas à região amazônica, com febre alta intermitente há 5 dias acompanhada de calafrios, sudorese, cefaleia e mialgia. Refere episódios febris que se repetem aproximadamente a cada 48 horas. Ao exame: temperatura 39,2°C, descorado +/4+, baço palpável a 2 cm do rebordo costal. Sem sinais de gravidade (consciente, orientado, sem icterícia, diurese preservada). A gota espessa evidencia trofozoítos e presença de gametócitos em forma de banana. Considerando o agente etiológico mais provável e a conduta, respectivamente, assinale a alternativa correta.
Os gametócitos em forma de banana (falciforme/crescente) são característicos de Plasmodium falciparum. Na ausência de sinais de gravidade, trata-se de malária falciparum NÃO complicada, cujo tratamento de primeira linha no Brasil é a terapia combinada com artemisininas (ACT), como artemeter-lumefantrina. Não é P. vivax: este cursa classicamente com febre terçã (a cada 48h também pode ocorrer), mas seus gametócitos são arredondados, e o tratamento com cloroquina + primaquina se aplica ao vivax, não ao falciparum. Não é malária grave, pois não há icterícia intensa, alteração de consciência, hipotensão, insuficiência renal ou hiperparasitemia — logo, artesunato EV não está indicado neste momento. Dengue não explica a periodicidade febril regular nem os achados parasitológicos na gota espessa.
Uma mulher de 38 anos retorna de viagem à região amazônica há 12 dias e procura o pronto-socorro com febre alta em picos, calafrios intensos e sudorese profusa, seguidos de melhora, repetindo-se a cada 48 horas. Refere cefaleia e mialgia. Ao exame: temperatura de 39,5 °C, discreta icterícia, esplenomegalia leve. A gota espessa revela formas anelares e gametócitos em forma de banana (crescente). Não há sinais de gravidade. Considerando o diagnóstico mais provável, assinale a conduta terapêutica correta.
O gametócito em forma de banana/crescente é característico do Plasmodium falciparum. Em malária por P. falciparum não complicada, o tratamento de primeira linha no Brasil é a combinação com derivados de artemisinina (artemeter+lumefantrina) por 3 dias. A cloroquina+primaquina é o esquema do P. vivax, cujos gametócitos são arredondados e que exige primaquina para eliminar hipnozoítos (cura radical) — não é o caso aqui. Não há sinais de gravidade descritos, portanto não se indica artesunato EV nem UTI. Febre tifoide não apresenta gametócitos na gota espessa e tem apresentação distinta.
Em uma comunidade ribeirinha da Amazônia, o médico da ESF atende um homem de 38 anos com febre alta há 3 dias, calafrios intensos que se repetem em dias alternados, cefaleia, mialgia e sudorese profusa. Refere viagem recente à mata para pesca. Ao exame: febril (38,9°C), descorado +/4+, baço palpável a 2 cm do rebordo costal, sem sinais de gravidade. A gota espessa confirma presença de Plasmodium vivax. Considerando a conduta terapêutica e a medida de vigilância preconizadas pelo Ministério da Saúde na malária por P. vivax, qual é a orientação correta?
Na malária por P. vivax não complicada, o tratamento preconizado combina cloroquina (esquizonticida sanguíneo) com primaquina (para eliminar hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas, após avaliação de contraindicações como deficiência de G6PD/gestação). A malária é doença de notificação compulsória e o caso deve ser notificado à vigilância. Cloroquina isolada não previne recaídas e a omissão da notificação é incorreta. Artesunato/internação é reservado à malária grave, ausente aqui. Aguardar segunda lâmina atrasa o tratamento de doença potencialmente grave com diagnóstico já confirmado.
Um homem de 34 anos, garimpeiro, comparece à unidade básica de saúde de um município do Amazonas com febre alta, calafrios, sudorese, cefaleia e mialgia há 3 dias. Relata episódios febris que se repetem em intervalos aproximados. Ao exame, está febril (39,2 °C), com discreta palidez e baço palpável a 2 cm do rebordo costal. Considerando a área endêmica e o quadro clínico, qual é o exame de escolha, disponível na rede pública, para confirmação diagnóstica e identificação da espécie de plasmódio?
A gota espessa por microscopia é o exame padrão-ouro do Ministério da Saúde para diagnóstico de malária no Brasil: barato, disponível na rede e permite identificar a espécie e quantificar a parasitemia. Hemocultura não isola plasmódio (parasita intracelular). A sorologia indica contato prévio, não infecção aguda, e não define espécie para tratamento. A PCR tem alta sensibilidade, mas é reservada a situações especiais (baixa parasitemia/pesquisa), não sendo o exame de rotina de confirmação.
Mulher de 28 anos procura UBS em Rondônia com febre intermitente, calafrios e cefaleia há 5 dias. A gota espessa confirma malária por Plasmodium vivax, com parasitemia baixa. Ela nega gestação (teste negativo), não tem comorbidades e a glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) está dentro da normalidade. Encontra-se em bom estado geral, hidratada, sem sinais de gravidade. De acordo com o Guia de Tratamento da Malária do Ministério da Saúde, qual é a conduta terapêutica correta?
Para malária por P. vivax não complicada no Brasil, o esquema preconizado é cloroquina (esquizonticida sanguíneo) por 3 dias mais primaquina (para eliminar hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas), habitualmente por 7 dias, após afastar gestação e deficiência de G6PD. Cloroquina isolada não elimina as formas hepáticas, permitindo recaídas. Artemeter-lumefantrina é o esquema de primeira linha para P. falciparum, não para vivax não complicado. Quinina+doxiciclina+clindamicina é reservado a situações específicas (ex.: falciparum grave/gestante), não ao vivax não complicado.
Homem de 45 anos, retornou há uma semana de viagem ao Pará, é levado ao pronto-socorro com febre há 4 dias, agora sonolento e confuso. A gota espessa confirma Plasmodium falciparum com parasitemia elevada (6%). Ao exame: torporoso (Glasgow 11), ictérico, taquipneico, hipotenso, com diurese reduzida; exames mostram creatinina elevada e hipoglicemia. Além de medidas de suporte e da notificação compulsória, qual é a conduta medicamentosa inicial mais adequada segundo o Ministério da Saúde?
O quadro caracteriza malária grave por P. falciparum (alteração de consciência, icterícia, insuficiência renal, hipoglicemia, parasitemia elevada). O tratamento de escolha é o artesunato intravenoso, que reduz mortalidade em relação à quinina e é preconizado pelo MS/OMS para malária grave. Cloroquina não é usada para falciparum (resistência) e a via oral é inadequada em paciente com rebaixamento. Artemeter-lumefantrina oral é para casos não complicados. Primaquina isolada não trata a forma sanguínea aguda; atua sobre gametócitos/hipnozoítos e não é terapia da malária grave.
Um homem de 34 anos, garimpeiro, procura a unidade básica de saúde de um município do sudoeste do Pará relatando que, há cinco dias, apresenta episódios de febre alta precedidos de calafrios intensos e seguidos de sudorese profusa, que se repetem aproximadamente a cada 48 horas. Refere ainda cefaleia, mialgia e astenia. Nega vômitos, sangramentos ou alteração do nível de consciência. Trabalha há três meses em área de garimpo às margens de igarapé. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, anictérico, temperatura axilar de 39,1 °C, pressão arterial de 120x70 mmHg, frequência cardíaca de 96 bpm, discreta hepatoesplenomegalia, sem outras alterações. A gota espessa evidencia trofozoítos em anel e hemácias parasitadas aumentadas de volume, com granulações de Schüffner; a parasitemia é baixa.
Correta: o achado de hemácias parasitadas aumentadas de volume com granulações de Schüffner, associado à febre terçã benigna em área endêmica amazônica, define malária por Plasmodium vivax. O esquema preconizado pelo Ministério da Saúde para malária por P. vivax não complicada é cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) associada à primaquina por 7 dias (esquema curto) para eliminar os hipnozoítos hepáticos e evitar recaídas — a chamada cura radical. Artemeter-lumefantrina é o esquema de primeira linha para P. falciparum não complicado, com primaquina em dose única apenas como gametocitocida — não trata hipnozoítos, que não existem no falciparum. Cloroquina isolada elimina apenas as formas sanguíneas e deixa o paciente sujeito a recaídas por hipnozoítos. Quinina com doxiciclina é esquema de segunda linha para P. falciparum, não indicado no vivax. Malária é doença de notificação compulsória.
Um homem de 34 anos comparece à unidade básica de saúde de Belém (PA) com febre alta acompanhada de calafrios intensos seguidos de sudorese profusa, que se repete a cada 48 horas há uma semana. Refere cefaleia, mialgia e astenia. Retornou há 15 dias de viagem de trabalho a uma área rural do interior do Amazonas. Nega uso de quimioprofilaxia. Ao exame: regular estado geral, corado, hidratado, afebril no momento, PA 118 x 76 mmHg, FC 88 bpm, FR 16 irpm, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Sem sinais de icterícia, sangramento ou alteração do nível de consciência. A gota espessa mostra trofozoítos em anel, hemácias parasitadas aumentadas de volume com granulações de Schüffner e parasitemia baixa. Considerando o agente etiológico identificado, o tratamento indicado é
As hemácias parasitadas aumentadas de volume com granulações de Schüffner e a febre terçã benigna (a cada 48 h) caracterizam Plasmodium vivax. O Guia de Tratamento da Malária do Ministério da Saúde recomenda, para P. vivax não complicado, cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) associada a primaquina por 7 dias (ou 14 dias), esta última para eliminar os hipnozoítos hepáticos e obter a cura radical, evitando recaídas — tratamento ambulatorial, gratuito, com notificação compulsória. Artemeter-lumefantrina é o esquema de primeira linha para P. falciparum não complicado, não para vivax. Artesunato endovenoso com clindamicina destina-se à malária grave, e o paciente não apresenta nenhum critério de gravidade. Cloroquina isolada trata apenas as formas sanguíneas e deixa os hipnozoítos, resultando em recaída — a cura radical não pode ser dispensada por parasitemia baixa.
Uma mulher de 27 anos é levada ao pronto-socorro de Porto Velho (RO) por familiares. Há 6 dias apresenta febre irregular, vômitos e prostração; hoje evoluiu com sonolência e confusão mental. Trabalhou por 2 meses em garimpo próximo ao rio Madeira, retornando há 10 dias. Ao exame: sonolenta, desorientada, ictérica 2+/4+, PA 92 x 58 mmHg, FC 118 bpm, FR 26 irpm, temperatura 39,2 °C, diurese escassa. Exames: hemoglobina 7,2 g/dL, plaquetas 48.000/mm³, bilirrubina total 4,8 mg/dL, creatinina 2,6 mg/dL. A gota espessa evidencia formas em anel de Plasmodium falciparum com parasitemia de 6% das hemácias. A conduta imediata correta é
A paciente preenche vários critérios de malária grave por P. falciparum (alteração do nível de consciência, icterícia com disfunção orgânica, anemia grave, injúria renal aguda, hipotensão e parasitemia > 2%). O Ministério da Saúde recomenda, nesses casos, artesunato endovenoso associado a clindamicina, com internação e suporte em unidade de maior complexidade — é o esquema que reduz mortalidade e deve ser iniciado sem demora. Artemeter-lumefantrina oral é indicado apenas na malária não complicada por falciparum; a via oral é inadequada em paciente com rebaixamento de consciência e vômitos. Cloroquina não trata P. falciparum no Brasil (resistência consolidada), e a primaquina em dose única aqui teria apenas efeito gametocitocida, não terapêutico. Adiar o antimalárico é erro grave: o diagnóstico já está confirmado pela gota espessa e o tratamento da malária grave é emergência, ainda que a hidratação e a investigação de coinfecção sejam concomitantes.
Um homem de 41 anos procura a unidade de saúde da família em Manaus (AM) queixando-se de febre há 3 dias, acompanhada de calafrios, cefaleia e dor no corpo. Relata que retornou há 12 dias de uma pescaria de uma semana em área ribeirinha do interior do estado. Nega tosse, disúria, diarreia ou exantema. Ao exame físico: bom estado geral, corado, hidratado, temperatura de 38,6 °C, PA 124 x 80 mmHg, FC 96 bpm, FR 18 irpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, abdome sem visceromegalias, sem sinais de irritação meníngea. Diante da suspeita clínico-epidemiológica de malária, o exame indicado para confirmação diagnóstica nesse serviço é
Em paciente febril com história de exposição em área endêmica da Amazônia Legal, a suspeita de malária obriga a pesquisa imediata do parasito. A gota espessa com microscopia é o exame padrão-ouro adotado pelo Ministério da Saúde: é de baixo custo, disponível na rede do SUS, permite identificar a espécie e quantificar a parasitemia, e o resultado sai no mesmo atendimento (o teste rápido é alternativa apenas onde não há microscopia). A sorologia detecta anticorpos e indica contato prévio, não distinguindo infecção atual — não serve para diagnóstico agudo nem para decisão terapêutica. A hemocultura investiga bacteriemia, não protozoários intraeritrocitários. A biópsia de medula óssea é invasiva e não tem qualquer indicação nessa investigação. A malária é doença de notificação compulsória e o tratamento deve ser iniciado após a confirmação, que precisa ocorrer no menor tempo possível.
Um homem de 32 anos procura a unidade de pronto atendimento de Santarém (PA) com febre alta há seis dias, precedida de calafrios intensos e seguida de sudorese profusa, em episódios que se repetem a cada 48 horas. Refere cefaleia e mialgia, e retorno há 15 dias de área de garimpo no rio Tapajós. Ao exame físico: consciente e orientado, corado, hidratado, temperatura axilar de 39,2 °C, FC 104 bpm, FR 18 irpm, PA 118x74 mmHg, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo, sem icterícia e sem sinais de gravidade. A gota espessa evidencia trofozoítos ameboides em hemácias aumentadas de volume com granulações de Schüffner, com parasitemia baixa. Qual é o tratamento indicado?
Correta: febre terçã benigna após exposição em garimpo na Amazônia, com gota espessa mostrando hemácias parasitadas aumentadas de volume, granulações de Schüffner e trofozoítos ameboides, define malária por Plasmodium vivax. O esquema de primeira linha do Ministério da Saúde para vivax em adulto sem gravidade é cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) + primaquina por 7 dias (cura radical, elimina os hipnozoítos hepáticos e previne recaídas), após afastar contraindicações e considerar deficiência de G6PD. Errada: artemeter+lumefantrina com primaquina em dose única é o esquema para P. falciparum, no qual a primaquina é apenas gametocitocida. Errada: sem primaquina não há cura radical, e o paciente recairá pelos hipnozoítos. Errada: quinina + doxiciclina é esquema alternativo/de segunda linha para falciparum, não para vivax não complicado. Lembrar ainda que malária é doença de notificação compulsória e o tratamento é gratuito e supervisionado pelo SUS.
Um homem de 32 anos, garimpeiro, procura a unidade de pronto atendimento de Porto Velho (RO) queixando-se de febre alta há 5 dias, precedida de calafrios intensos e seguida de sudorese profusa, em episódios que se repetem a cada 48 horas, associados a cefaleia e mialgia difusa. Retornou há 12 dias de área de garimpo no vale do rio Madeira. Nega uso de quimioprofilaxia. Ao exame físico: regular estado geral, hipocorado +/4+, ictérico +/4+, temperatura axilar de 39,1 °C, PA 118/76 mmHg, FC 104 bpm, FR 18 irpm, sem sinais de gravidade; baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. A gota espessa e o esfregaço mostram hemácias parasitadas aumentadas de volume, com granulações de Schüffner, trofozoítos ameboides e gametócitos arredondados; parasitemia baixa. Dosagem de G6PD normal. Considerando o diagnóstico mais provável, o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde é
A vinheta reúne febre terçã benigna (ciclos a cada 48 h), procedência de área endêmica da Amazônia Legal e, sobretudo, achados microscópicos típicos de Plasmodium vivax: hemácia parasitada aumentada de volume, granulações de Schüffner, trofozoíto ameboide e gametócito arredondado (o P. falciparum não aumenta a hemácia e tem gametócito em banana/falciforme). Reconhecido o P. vivax sem sinais de gravidade e com G6PD normal, o Guia de Tratamento da Malária no Brasil (Ministério da Saúde) preconiza cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo, cura clínica) associada a primaquina por 7 dias (esquema de escolha atual, hipnozoiticida, para cura radical e prevenção de recaídas) — alternativa correta. A alternativa com artemeter-lumefantrina descreve o esquema de primeira linha do P. falciparum não complicado, não do vivax. Cloroquina isolada trata o ciclo eritrocitário, mas deixa os hipnozoítos hepáticos e o paciente recai — é tratamento incompleto. Quinina com doxiciclina é esquema de segunda linha/alternativo para falciparum (e a doxiciclina é usada por 5 dias nesse contexto), não tendo indicação na malária vivax não complicada.
Homem de 34 anos, garimpeiro, procura a UPA de município da Amazônia Legal com febre alta há 4 dias, prostração e confusão mental. Ao exame: escala de coma de Glasgow 13, ictérico, PA 100/60 mmHg, FC 118 bpm. A gota espessa evidencia Plasmodium falciparum com parasitemia de 6%. Exames: bilirrubina total 4,2 mg/dL e creatinina 2,3 mg/dL. Qual é a conduta terapêutica adequada?
O quadro reúne critérios de malária grave por P. falciparum (rebaixamento de consciência, icterícia, injúria renal aguda e hiperparasitemia >2%), e o Ministério da Saúde preconiza artesunato endovenoso como primeira escolha. Artemeter-lumefantrina oral trata apenas a forma não complicada. Cloroquina + primaquina é o esquema do P. vivax. Quinina oral + doxiciclina Inadequada: para a forma grave, que exige terapia parenteral.
Mulher de 28 anos procura a UBS em Manaus com febre intermitente, calafrios e cefaleia há 5 dias, sem sinais de gravidade e sem outras comorbidades. Não está gestante. A gota espessa confirma Plasmodium vivax. Qual é o esquema terapêutico preconizado pelo Ministério da Saúde para este caso?
Na malária por P. vivax, o tratamento associa cloroquina (esquizonticida sanguíneo, 3 dias) à primaquina (ativa contra os hipnozoítos hepáticos, cura radical, 7 dias), com pesquisa de deficiência de G6PD. Artemeter-lumefantrina + primaquina em dose única é o esquema do P. falciparum. Cloroquina isolada não elimina os hipnozoítos e permite recaídas. Artesunato EV é reservado à malária grave.
Homem de 40 anos retorna de viagem à região amazônica há 10 dias e procura a UBS com febre, calafrios e sudorese em episódios cíclicos. Há suspeita clínica de malária. Qual é o exame considerado padrão-ouro no SUS para confirmar o diagnóstico, identificar a espécie e quantificar a parasitemia?
A gota espessa (microscopia) é o padrão-ouro no Brasil: confirma o diagnóstico, identifica a espécie de Plasmodium e permite quantificar a parasitemia, orientando gravidade e tratamento; os testes rápidos são auxiliares. A sorologia detecta anticorpos e não distingue infecção aguda. A hemocultura investiga bacteremia. O hemograma mostra apenas alterações inespecíficas, como anemia e plaquetopenia.
Homem de 34 anos procura Unidade Básica de Saúde em Porto Velho (RO) com febre alta acompanhada de calafrios e sudorese, além de cefaleia e mialgia iniciados há 4 dias, com episódios que se repetem a cada 48 horas. Retornou há 12 dias de atividade em garimpo na região amazônica. Ao exame: Tax 39°C, leve icterícia de escleras e baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. A gota espessa revela formas de Plasmodium vivax, com parasitemia baixa, sem sinais de gravidade. Qual é a conduta terapêutica adequada?
Malária por P. vivax não complicada exige esquizonticida sanguíneo (cloroquina) para a fase aguda MAIS primaquina, que promove a cura radical eliminando os hipnozoítos hepáticos e prevenindo recaídas — sendo prudente a avaliação de deficiência de G6PD. Artemeter-lumefantrina é esquema para P. falciparum, não para vivax. Cloroquina isolada trata a parasitemia mas deixa os hipnozoítos, permitindo recaída. Artesunato IV é reservado à malária grave/complicada, não a este caso de baixa parasitemia sem gravidade.
Uma mulher de 24 anos, gestante de 9 semanas (idade gestacional confirmada por ultrassonografia), procura a UBS de Porto Velho (RO) com febre alta intermitente, calafrios e cefaleia há 4 dias. Retornou há duas semanas de área de garimpo. Ao exame: corada, hidratada, afebril no momento, PA 110x70 mmHg, FC 92 bpm, sem icterícia, sem alteração do nível de consciência, sem hepatoesplenomegalia dolorosa. A gota espessa evidencia trofozoítos anelares de Plasmodium falciparum, com parasitemia de 1.200 parasitos/mm³. Hemoglobina 11,2 g/dL, plaquetas 148.000/mm³, creatinina 0,7 mg/dL, bilirrubina total 0,9 mg/dL, glicemia 88 mg/dL. Assinale o tratamento adequado, segundo o Ministério da Saúde.
Trata-se de malária por P. falciparum NÃO complicada (ausência de critérios de gravidade: sem icterícia, sem disfunção renal, sem hipoglicemia, sem alteração de consciência, parasitemia baixa) em gestante de PRIMEIRO trimestre. O esquema preconizado pelo Ministério da Saúde nessa situação específica é quinina + clindamicina por 7 dias, justamente por evitar derivados de artemisinina no primeiro trimestre. Artemeter-lumefantrina é o esquema de primeira linha para falciparum não complicada, mas na gestante é recomendada a partir do segundo trimestre — além disso, primaquina é contraindicada em qualquer trimestre da gestação (risco de hemólise fetal). Artesunato endovenoso é reservado à malária GRAVE, que a paciente não apresenta. Mefloquina + primaquina esbarra na contraindicação da primaquina na gestação e não é o esquema de escolha no primeiro trimestre.
Um homem de 32 anos, morador de Manaus (AM), procura a unidade de pronto atendimento com febre alta precedida de calafrios e seguida de sudorese profusa, com episódios que se repetem a cada 48 horas há uma semana. Refere cefaleia, mialgia e dor em hipocôndrio esquerdo. Nega viagens recentes e nega episódio prévio semelhante. Ao exame: lúcido e orientado, hipocorado +/4+, anictérico, temperatura axilar de 38,9 °C, PA 118x76 mmHg, FC 96 bpm, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. A gota espessa revela hemácias parasitadas de tamanho aumentado, com granulações de Schüffner e presença de trofozoítos ameboides e esquizontes. Dosagem de G6PD sem deficiência. Assinale a conduta terapêutica adequada.
Os achados morfológicos são clássicos de Plasmodium vivax: hemácia parasitada aumentada de volume, granulações de Schüffner e trofozoítos ameboides, com febre terçã benigna (ciclo de 48 h) e esplenomegalia. O tratamento preconizado é cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) associada a primaquina por 7 dias (esquema curto) para a cura radical, eliminando os hipnozoítos hepáticos — possível aqui porque a dosagem de G6PD afastou deficiência. Artesunato endovenoso é para malária grave, que o paciente não apresenta. Cloroquina isolada trata o episódio agudo, mas não elimina os hipnozoítos, resultando em recaídas — é justamente a pegadinha. Artemeter-lumefantrina com primaquina em dose única é o esquema de P. falciparum não complicada (a dose única de primaquina tem efeito gametocitocida, não cura radical de hipnozoítos).
Homem de 34 anos, garimpeiro, retorna a Belém (PA) após três meses em área de garimpo em Itaituba. Há 12 dias apresenta episódios de calafrio intenso seguidos de febre alta e sudorese profusa, que se repetem a cada 48 horas, com cefaleia e mialgia entre as crises. Exame físico: corado, anictérico, febril (38,9 °C), FC 96 bpm, PA 118x74 mmHg, baço palpável a 2 cm do rebordo costal, sem alteração do nível de consciência, diurese preservada. Gota espessa: baixa parasitemia, hemácias parasitadas aumentadas de volume, com granulações de Schüffner, trofozoítos ameboides e gametócitos arredondados. Hemoglobina 12,4 g/dL, plaquetas 132.000/mm³, creatinina 0,9 mg/dL. Assinale o tratamento adequado.
A morfologia descrita — hemácias parasitadas aumentadas, granulações de Schüffner, trofozoítos ameboides e gametócitos arredondados — é típica de Plasmodium vivax, e o paciente não apresenta critérios de gravidade (sem alteração de consciência, icterícia, insuficiência renal, anemia grave ou hiperparasitemia). O esquema preconizado pelo Ministério da Saúde para vivax não complicado é cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) associada à primaquina por 7 dias (0,5 mg/kg/dia) ou 14 dias (0,25 mg/kg/dia), para cura radical dos hipnozoítos hepáticos. Artesunato EV é reservado à malária grave, que este caso não configura. Artemeter-lumefantrina com primaquina em dose única gametocitocida é o esquema de P. falciparum não complicado, e a morfologia (Schüffner, gametócito arredondado, hemácia aumentada) afasta falciparum, cujos gametócitos são em banana e as hemácias têm tamanho normal. Cloroquina isolada não elimina os hipnozoítos e condena o paciente à recaída — a primaquina faz parte do esquema inicial, não do resgate.
Homem de 28 anos, previamente hígido, retornou há 10 dias de atividade de garimpo em Itaituba (PA). Procura a unidade de saúde com febre alta acompanhada de calafrios intensos seguidos de sudorese profusa, com episódios que se repetem a cada 48 horas, além de cefaleia e mialgia. Ao exame: bom estado geral, corado, anictérico, lúcido e orientado, FC 96 bpm, PA 120x75 mmHg, SpO2 98%, baço palpável a 2 cm do rebordo costal. A gota espessa evidencia Plasmodium vivax, com baixa parasitemia. Dosagem de G6PD normal. Assinale o tratamento indicado.
Trata-se de malária por P. vivax não complicada, em paciente sem sinais de gravidade e com G6PD normal: o esquema preconizado no Brasil é cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) associada à primaquina por 7 dias (ou 14 dias no esquema longo), indispensável para a cura radical pela eliminação dos hipnozoítos hepáticos. Cloroquina isolada trata o episódio agudo, mas deixa o paciente sujeito a recaídas. Artemeter-lumefantrina com primaquina em dose única é o esquema do P. falciparum não complicado, em que a primaquina tem função apenas gametocitocida. Artesunato intravenoso está reservado à malária grave, ausente aqui.
Mulher de 41 anos, caminhoneira, atendida em unidade de pronto atendimento em Manaus com febre irregular há 4 dias, cefaleia, náuseas e prostração. Nega vômitos e refere boa aceitação de líquidos. Ao exame: bom estado geral, lúcida e orientada, anictérica, FC 92 bpm, FR 18 irpm, PA 118x76 mmHg, SpO2 97% em ar ambiente, abdome sem visceromegalias. Exames: hemoglobina 11,8 g/dL, plaquetas 118.000/mm³, creatinina 0,8 mg/dL, bilirrubina total 1,0 mg/dL, glicemia 96 mg/dL. A gota espessa identifica Plasmodium falciparum com parasitemia de 0,4%. Não está gestante. Assinale o esquema terapêutico indicado.
Malária por P. falciparum não complicada — paciente lúcida, sem icterícia, sem disfunção renal, sem hipoglicemia e com parasitemia baixa — tem como tratamento de primeira linha no Brasil a combinação com derivado de artemisinina (artemeter-lumefantrina por 3 dias), acrescida de primaquina em dose única com finalidade gametocitocida, para bloquear a transmissão. Cloroquina, com primaquina por 7 dias, é o esquema do P. vivax e é ineficaz contra o falciparum na Amazônia, onde a resistência é a regra. Plaquetopenia isolada não é critério de gravidade em malária e, portanto, não indica artesunato intravenoso, reservado a disfunção orgânica, alteração de consciência, icterícia com creatinina elevada, hipoglicemia, choque ou hiperparasitemia. Mefloquina com doxiciclina é alternativa de exceção, não a escolha inicial.
Mulher de 34 anos é trazida ao pronto-socorro pelo marido após retorno de viagem à região do Alto Rio Negro (AM) há 12 dias. Há 5 dias apresenta febre alta diária, e nas últimas 24 horas evoluiu com sonolência, urina escura e redução do volume urinário. Ao exame: Glasgow 13, ictérica, desidratada, FC 118 bpm, FR 26 irpm, PA 96x58 mmHg, temperatura axilar 39,2 °C. Exames: hemoglobina 7,9 g/dL, plaquetas 62.000/mm³, bilirrubina total 4,5 mg/dL (direta 2,1), creatinina 2,4 mg/dL, glicemia capilar 52 mg/dL, lactato 3,8 mmol/L. Gota espessa: Plasmodium falciparum com parasitemia de 6%. Assinale a conduta terapêutica antimalárica adequada.
A paciente preenche vários critérios de malária grave por P. falciparum — alteração do nível de consciência, icterícia com disfunção renal, anemia grave, hipoglicemia, hiperlactatemia e hiperparasitemia acima de 2% —, situação em que o tratamento de escolha é o artesunato intravenoso, superior ao quinino em mortalidade (estudos SEAQUAMAT/AQUAMAT); mantém-se por no mínimo 24 horas e, com tolerância oral recuperada, completa-se o curso com um esquema oral com derivado de artemisinina. Artemeter-lumefantrina oral, mesmo em dose ajustada, é inadequado em paciente sonolenta e com vômitos/risco de má absorção. Quinina intramuscular é alternativa apenas na indisponibilidade absoluta de artesunato, e a via intramuscular tem absorção errática no paciente hipotenso. Retardar o antimalárico para repetir exame em paciente com malária grave já confirmada aumenta diretamente a mortalidade — o tratamento é emergencial.
Homem de 41 anos procura UPA com febre alta precedida de calafrios e seguida de sudorese profusa, em episódios que se repetem a cada 48 horas há uma semana, associados a cefaleia e mialgia. Retornou há 10 dias de trabalho em garimpo no sudoeste do Pará. Exame físico: consciente, orientado, corado, temperatura 38,9 °C, PA 118 x 74 mmHg, FC 98 bpm, baço palpável a 2 cm do rebordo costal esquerdo. Gota espessa: presença de Plasmodium vivax, parasitemia baixa; sem sinais de gravidade. Hb 12,4 g/dL, plaquetas 132.000/mm³, creatinina 0,9 mg/dL, dosagem de G6PD normal. Assinale o esquema terapêutico adequado.
Malária por P. vivax não complicada, sem sinais de gravidade e com G6PD normal, é tratada segundo o Ministério da Saúde com cloroquina por 3 dias (esquizonticida sanguíneo) associada a primaquina por 7 dias (esquema alternativo de 14 dias), esta última necessária para eliminar os hipnozoítos hepáticos e fazer a cura radical. Cloroquina isolada trata o episódio, mas deixa o paciente sujeito a recaídas. Artemeter-lumefantrina com primaquina em dose única é o esquema de P. falciparum não complicado, no qual a primaquina atua como gametocitocida. Quinina com doxiciclina é alternativa para falciparum, não para vivax.
Turista pede orientação em consulta antes de uma viagem de duas semanas a uma reserva no Amazonas, onde dormirá em pousada de selva. Qual é a orientação correta quanto à prevenção da malária?
A quimioprofilaxia para viajantes NÃO é indicada em território nacional. O motivo é epidemiológico e farmacológico: predomina o Plasmodium vivax em toda a área endêmica brasileira, e a eficácia da quimioprofilaxia contra essa espécie é baixa; contra o falciparum, ela pode não assegurar proteção ou cura e ainda favorece o surgimento de resistência. Isso derruba as duas primeiras alternativas, independentemente da droga escolhida. A quarta repete o erro mais cobrado do capítulo: sorologia reflete exposição prévia, não separa infecção atual de pregressa e não tem lugar no rastreio nem na suspeita. A profilaxia brasileira se apoia em três pilares — proteção contra picadas do pôr do sol ao amanhecer, com roupa de manga longa, mosquiteiro impregnado e repelente com DEET; diagnóstico oportuno; e tratamento adequado. E a orientação de saída é a que salva: febre até um mês depois de deixar a área exige procurar serviço médico e informar que esteve em área endêmica.
Paciente tratado de malária por Plasmodium vivax com cloroquina e primaquina apresenta nova positividade da gota espessa para vivax no dia 40 após o início do tratamento, com sintomas. Como se classifica esse evento e qual é o esquema indicado?
As janelas têm nome próprio: recrudescência é a recorrência a partir de formas SANGUÍNEAS, geralmente do dia 5 ao dia 28; recaída é a recorrência a partir de formas HEPÁTICAS — hipnozoítos de vivax ou ovale — do dia 29 ao dia 60; reinfecção é a que ocorre após o dia 60, por nova picada. O dia 40 cai na recaída, o que elimina as alternativas que dizem recrudescência ou reinfecção. O tratamento da recorrência em até 60 dias abandona a cloroquina e usa um ACT por três dias, ASMQ ou arteméter com lumefantrina, somado a primaquina 0,5 mg/kg/dia por CATORZE dias — 7 mg/kg de dose total, o dobro do curso inicial, por ser o regime de maior eficácia contra o hipnozoíto. A alternativa da tafenoquina é a armadilha central: ela está expressamente proibida no tratamento de recorrências, por mais atraente que seja a dose única. Antes de prescrever, investigam-se adesão, dose ajustada ao peso, vômitos e deslocamentos dos últimos dois meses.
Sobre o controle de cura da malária no Brasil, assinale a alternativa correta.
O controle de cura é preconizado para TODOS os casos diagnosticados por gota espessa ou teste rápido, o que derruba a alternativa que o restringe ao falciparum, e é feito por LÂMINA. O teste rápido não serve para verificação de cura porque pode permanecer positivo mesmo sem parasitas viáveis, gerando falso diagnóstico de resistência — recomenda-se inclusive cautela com seu uso até um mês após um diagnóstico prévio confirmado. Em áreas de moderada transmissão (100 a 364 casos autóctones por ano) e de alta transmissão o esquema é otimizado para dois pontos, dia 5 e dia 28; em áreas de baixa transmissão, com menos de 100 casos autóctones por ano, a série é mais longa: dias 5, 8, 15, 22, 28 e 43 no falciparum, acrescentando o dia 64 no vivax e na infecção mista. A última alternativa exagera: gota espessa positiva no dia 5 com formas ASSEXUADAS e adesão garantida levanta a POSSIBILIDADE de resistência à artemisinina, ainda não detectada no País, e a conduta prevista é comunicar imediatamente os gestores municipal e estadual e a Coordenação-Geral de Eliminação da Malária — não trocar o esquema por conta própria.
Criança de 3 anos, 14 kg, procedente de área endêmica, chega ao pronto-socorro sonolenta, com respiração acidótica e glicemia capilar de 44 mg/dL. A gota espessa mostra Plasmodium falciparum com parasitemia de 320.000/mm³. Qual é a conduta antimalárica inicial?
O caso preenche vários critérios de malária grave — alteração de consciência, acidose, hipoglicemia e hiperparasitemia acima de 250.000/mm³ no falciparum —, e o antimalárico da forma grave é o ARTESUNATO injetável, intravenoso ou intramuscular, por no mínimo 24 horas. A dose inverte a intuição: crianças com MENOS de 20 kg recebem 3,0 mg/kg/dose, enquanto crianças acima de 20 kg e adultos recebem 2,4 mg/kg/dose, e a razão é garantir exposição equivalente ao medicamento. Por isso a primeira alternativa erra ao generalizar os 2,4 mg/kg. A terceira só se justificaria se o artesunato injetável não estivesse disponível para uso imediato, situação em que se usa algum ACT acessível até a chegada do injetável — mas ela não é a conduta de escolha diante de artesunato disponível, e a criança está sonolenta, o que compromete a via oral. A quarta não existe como recomendação brasileira para malária grave. Em paralelo, o caso se conduz como sepse, com correção da hipoglicemia e reavaliação da necessidade de antibiótico de amplo espectro.
Paciente com febre há dois dias procura a unidade após permanecer 20 dias em área endêmica de malária. Qual exame NÃO deve ser solicitado para investigar a hipótese de malária aguda?
A sorologia mede EXPOSIÇÃO PRÉVIA e não distingue infecção atual de pregressa; solicitada no contexto clínico, atrasa o diagnóstico e aumenta o risco de complicação, ficando restrita a estudos científicos. A gota espessa é o padrão-ouro, detectando de 5 a 10 parasitos por microlitro nas mãos de profissional experiente. O teste rápido é válido e complementar, com resultado em 15 minutos e sensibilidade de 95% ou mais acima de 100 parasitos por microlitro — sua limitação é não medir parasitemia e não servir para controle de cura. O esfregaço tem menor sensibilidade que a gota espessa, mas é legítimo exatamente na situação descrita na alternativa: dúvida de morfologia ou de espécie. A única pesquisa sorológica com indicação é o IgM anti-Plasmodium na suspeita de esplenomegalia hiper-reativa da malária, quadro raro com baço volumoso, anemia, ausência de febre e gota espessa negativa.
Homem de 34 anos, 62 kg, retorna de um garimpo em Roraima há oito dias e procura a unidade com febre, calafrios e mialgia há quatro dias. Está lúcido, corado, anictérico, sem dispneia e com diurese preservada; a frequência cardíaca de 104 bpm foi aferida durante um pico febril. A gota espessa identifica Plasmodium vivax. A atividade de G6PD é de 5,2 UI/gHb e a hemoglobina, de 11,4 g/dL. Segundo o Guia de tratamento da malária no Brasil, 3ª edição, qual é a conduta?
A atividade de 5,2 UI/gHb cai na faixa INTERMEDIÁRIA (4.1 a 6.0), cujo esquema é cloroquina por três dias — 10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3 — mais primaquina 0,5 mg/kg/dia por sete dias, com dose total de 3,5 mg/kg. A alternativa da tafenoquina erra porque a dose única exige atividade ALTA, de 6.1 UI/gHb ou mais: 5,2 está abaixo do corte. A da primaquina semanal erra por ser o esquema da faixa BAIXA, de 4.0 ou menos — e note que ela não é uma dose reduzida, são 6 mg/kg no total, mais que os 3,5 mg/kg do curso de sete dias. A do ASMQ com primaquina por catorze dias descreve o tratamento de RECORRÊNCIA em até 60 dias, e este é um primeiro episódio. A última erra duas vezes: a G6PD já foi medida e adiar a cura radical deixa o hipnozoíto intacto, com recaída em cerca de 70% de quem não recebe 8-aminoquinolina. Quanto à taquicardia, o quadro de gravidade manda avaliar frequência cardíaca fora do acesso febril — 104 bpm no pico não classifica malária grave.
Gestante de 26 semanas, 58 kg, moradora do interior do Amazonas, tem diagnóstico de malária não complicada por Plasmodium vivax. Está estável, sem sangramento vaginal e sem contrações. Qual é a conduta correta?
Gestante não recebe primaquina nem tafenoquina, e a razão não é teratogênica — nenhuma das duas causa malformação ou aborto. O risco é HEMÓLISE GRAVE NO FETO, cuja atividade de G6PD é desconhecida; por isso a G6PD materna normal, citada na primeira alternativa, não libera nada. A segunda erra porque a amamentação e a gestação vetam a tafenoquina de modo absoluto, independentemente do tempo. A quarta descreve o esquema do falciparum, não do vivax, e ainda inclui primaquina, vetada na gestação. A quinta é a mais perigosa: gestantes estão entre os grupos de maior gravidade, e adiar o antimalárico aumenta morbimortalidade materna e fetal. O correto é cloroquina por três dias seguida de cloroquina profilática semanal, 5 mg/kg por dose até o máximo de dois comprimidos — para 58 kg, 290 mg, abaixo do teto de 300 mg que só passa a valer acima de 60 kg —, mantida até completar um mês de amamentação. Depois disso, repete-se o exame e completa-se com primaquina por sete dias.
Segundo o Guia de Tratamento da Malária no Brasil, 3ª edição de 2026, qual é a conduta para um homem de 41 anos e 70 kg com malária não complicada por Plasmodium falciparum e atividade de G6PD de 3,8 UI/gHb?
No falciparum a primaquina entra em DOSE ÚNICA de 0,5 mg/kg no primeiro dia INDEPENDENTEMENTE da atividade de G6PD, precisamente por ser dose baixa — e é isso que torna errada a primeira alternativa. Seu alvo ali não é a cura radical, que nem faz sentido no falciparum, espécie sem hipnozoíto: ela elimina os gametócitos maduros circulantes e bloqueia a transmissão ao vetor, devendo ser administrada de forma sistemática mesmo que nenhum gametócito apareça na gota espessa. A terceira alternativa importa para o falciparum o esquema semanal, que é da faixa de G6PD baixa NO VIVAX e existe para permitir cura radical com segurança — não há hipnozoíto a alcançar aqui. A quarta troca a espécie: cloroquina não é o esquizonticida do falciparum, cujo tratamento é uma terapia combinada baseada em artemisinina, tendo o ASMQ como primeira opção pela administração diária única. As únicas exceções à primaquina no falciparum são menores de 6 meses e gestantes.
Homem de 44 anos, 75 kg, chega ao pronto-socorro no sexto dia de febre após viagem a área endêmica. Está prostrado e desorientado, com icterícia e diurese de 300 mL nas últimas 24 horas. A gota espessa mostra Plasmodium falciparum com parasitemia de 290.000 por milímetro cúbico. Qual é a conduta antimalárica inicial?
Desorientação, icterícia, diurese abaixo de 400 mL em 24 horas e parasitemia acima de 250.000 por milímetro cúbico no falciparum caracterizam malária grave, que é emergência. O antimalárico é o artesunato injetável, por via intravenosa ou intramuscular, por no mínimo 24 horas e até que a via oral seja possível. A dose inverte a intuição: crianças com menos de 20 kg recebem 3,0 mg/kg, enquanto crianças acima de 20 kg e adultos recebem 2,4 mg/kg, para garantir exposição equivalente ao medicamento. Terapia combinada por via oral não serve a quem está grave e desorientado, e só entra depois, quando a via oral voltar. A clindamicina é alternativa de ação esquizonticida lenta, para quando o artesunato não está disponível de imediato, e não a primeira escolha.
Homem de 28 anos, 70 kg, tem malária não complicada por Plasmodium vivax confirmada por gota espessa. A atividade da G6PD, colhida na triagem, voltou em 3,2 UI/gHb, e a hemoglobina é de 13,1 g/dL. Trata-se do primeiro episódio, sem comorbidades e sem uso de outras medicações. Qual é o esquema correto?
A atividade da G6PD define a segunda parte do tratamento do vivax, aquela que alcança o hipnozoíto. Valor igual ou abaixo de 4,0 UI/gHb é atividade baixa, e o esquema é cloroquina por três dias mais primaquina 0,75 mg/kg por semana durante oito semanas, com a primeira dose já no dia 1 e de preferência sob supervisão. O ponto contraintuitivo é que essa faixa não reduz a dose total: sete dias a 0,5 mg/kg somam 3,5 mg/kg, e oito semanas a 0,75 mg/kg somam 6 mg/kg — o espaçamento é que dá à medula tempo de repor as hemácias. O curso diário de sete dias pertence à faixa intermediária, e a dose única de tafenoquina só vale na faixa alta, sendo vedada com atividade baixa ou intermediária. Deixar o paciente sem droga hepática garante a recaída. E o esquema com terapia combinada e catorze dias de primaquina é o do tratamento de recorrência.
Mulher de 35 anos iniciou há três dias cloroquina e primaquina para malária por Plasmodium vivax. Retorna referindo urina escura, cor de refrigerante de cola, além de fadiga e leve icterícia surgidas ontem. Está afebril e a gota espessa de hoje é negativa. Qual é a interpretação e a conduta?
A hemólise por primaquina ou tafenoquina em quem tem atividade baixa da G6PD costuma aparecer depois de dois dias de uso, e o primeiro sinal é o escurecimento da urina, seguido de mal-estar, fadiga, icterícia e queda da diurese. O quadro é frequentemente lido como anemia da própria malária ou como hepatite após o tratamento, e é essa confusão que atrasa a suspensão da droga — a conduta é interromper e avaliar a intensidade da anemia, notificando o evento. Falha terapêutica não se sustenta com gota espessa negativa. A anemia tardia após derivados de artemisinina surge de 10 a 21 dias do tratamento, sem parasitemia, e este esquema nem contém artemisinina. E o prurido é o efeito da cloroquina que se contorna fracionando a dose, o que nada tem a ver com urina escura.
Qual dos achados abaixo caracteriza malária grave e determina internação em unidade de terapia intensiva?
Alteração de consciência, convulsões, acidose metabólica, hipoglicemia, injúria renal, edema pulmonar, sangramento, icterícia com disfunção e hiperparasitemia definem malária grave e indicam cuidado intensivo. Febre alta, cefaleia e vômitos isolados são sintomas comuns da forma não complicada e não configuram gravidade — confundir intensidade de sintoma com disfunção orgânica é o erro que a questão testa. A hipoglicemia merece destaque porque pode ser causada tanto pela doença quanto pelo tratamento com quinina, e passa despercebida em quem já está sonolento.
Paciente com malária grave apresenta hemoglobina de 4,8 g/dL, taquicardia, dispneia e sinais de baixo débito. Qual a conduta?
Anemia grave com repercussão hemodinâmica é critério de gravidade e indicação de transfusão, medida que corrige a oferta de oxigênio enquanto o antimalárico atua sobre a causa. Esperar a resposta do antimalárico com o paciente em baixo débito é o erro que confunde tratar a causa com estabilizar o paciente — as duas coisas caminham juntas. Ferro e eritropoetina têm efeito em semanas e não servem à emergência. A exsanguineotransfusão perdeu espaço e não é recomendação de rotina desde a incorporação do artesunato.
Além dos derivados de artemisinina, qual é a finalidade da dose única de primaquina no tratamento da malária por Plasmodium falciparum?
No falciparum a primaquina em dose única tem papel de bloqueio de transmissão, eliminando gametócitos que infectariam o mosquito, medida de saúde pública e não de cura individual. Justificar seu uso pela erradicação de hipnozoítos é o erro conceitual mais comum, porque essa espécie não forma formas hepáticas latentes — a lógica da primaquina prolongada pertence ao vivax. Compreender a diferença explica por que a duração do uso muda tanto entre as duas espécies.
Paciente com malária grave apresenta dispneia, hipoxemia e infiltrado pulmonar bilateral, com pressão venosa central normal e sem sinais de sobrecarga volêmica. Qual a conduta em relação à reposição de fluidos?
A lesão pulmonar da malária grave decorre de aumento de permeabilidade capilar, e a reposição volêmica excessiva precipita edema pulmonar com alta mortalidade, motivo pelo qual a hidratação deve ser criteriosa e guiada por avaliação hemodinâmica. Repor grandes volumes por reflexo, como se todo paciente febril e taquicárdico estivesse hipovolêmico, é o erro que mata nesse cenário. Restrição absoluta com diurético agressivo também é perigosa, porque a hipoperfusão renal agrava a injúria renal frequentemente presente.
Paciente com malária grave tratado com artesunato apresenta, 2 semanas após a alta, queda de hemoglobina com reticulocitopenia, LDH elevada e haptoglobina baixa, sem nova parasitemia. Qual a hipótese?
A hemólise tardia após artesunato é fenômeno descrito, ligado à eliminação retardada de hemácias que tiveram o parasito removido pelo baço, e ocorre semanas após o tratamento em pacientes que tiveram alta parasitemia, exigindo acompanhamento hematológico e eventual transfusão. Interpretar a queda de hemoglobina como recrudescência é o erro que leva a repetir tratamento antimalárico sem necessidade, e a ausência de parasitemia é o dado que afasta essa hipótese. Reconhecer a complicação evita investigação desnecessária e permite orientar o paciente na alta.
Homem de 35 anos com malária por Plasmodium vivax completa o tratamento e retorna 4 meses depois com novo quadro febril e nova parasitemia pela mesma espécie, sem ter voltado à área endêmica. Qual a explicação mais provável?
Sem nova exposição em área endêmica, a recorrência tardia de vivax aponta para reativação de hipnozoítos, geralmente por dose insuficiente, má adesão ou interrupção precoce da primaquina. Atribuir a recorrência à resistência do esquizonticida sanguíneo é o erro conceitual, porque a droga que atua no sangue não alcança as formas hepáticas latentes — o problema está na etapa que erradica o fígado. Reinfecção exigiria exposição vetorial, e a malária transfusional é rara e exigiria antecedente de transfusão.
Antes de prescrever primaquina para erradicação de hipnozoítos em paciente com malária por Plasmodium vivax, qual avaliação deve ser considerada?
A primaquina é oxidante e provoca hemólise aguda em portadores de deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, o que torna a triagem recomendada antes do uso, com esquemas alternativos ou supervisão estrita nos casos identificados. Preocupar-se com o intervalo QT é o distrator que confunde drogas: essa vigilância pertence a antimaláricos como a cloroquina em doses altas e às aminoquinolinas relacionadas. A primaquina também é contraindicada na gestação, situação em que se opta por profilaxia de recaída com cloroquina semanal até o fim da gravidez.
Homem de 40 anos com diagnóstico confirmado de malária por Plasmodium vivax, sem sinais de gravidade e sem deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase. Qual o esquema terapêutico recomendado no Brasil?
No vivax não grave o esquema associa um esquizonticida sanguíneo, a cloroquina, a um agente com ação nas formas hepáticas, a primaquina, sem a qual as recaídas se repetem. Prescrever cloroquina isolada é o erro mais comum na prática e explica boa parte das recorrências atribuídas erroneamente a resistência. Artesunato endovenoso é reservado às formas graves de qualquer espécie. Doxiciclina isolada não tem ação suficiente como monoterapia, e a sulfadoxina-pirimetamina foi abandonada por resistência disseminada.
Homem de 29 anos retorna de garimpo em Rondônia e apresenta há 4 dias episódios de febre alta precedidos de calafrios intensos, seguidos de sudorese profusa, com intervalos de melhora. Exame: palidez, icterícia leve e baço palpável. Qual o primeiro exame a ser solicitado?
Febre com paroxismos, calafrio e sudorese em pessoa vinda de área endêmica amazônica exige pesquisa imediata de plasmódio, e a gota espessa continua sendo o exame de referência no Brasil, disponível, barata e capaz de quantificar a parasitemia. A sorologia para dengue é o distrator epidemiológico, pois arbovirose também dá febre alta, mas o dado de exposição em garimpo na Amazônia coloca a malária em primeiro lugar e o atraso diagnóstico é o principal determinante de evolução grave. Um resultado negativo não exclui: repete-se a coleta em intervalos.
Homem de 33 anos com malária por Plasmodium falciparum apresenta rebaixamento do nível de consciência com escala de coma de Glasgow 9, parasitemia de 12%, creatinina de 3,4 mg/dL e hemoglobina de 6,2 g/dL. Qual o tratamento antimalárico indicado?
Malária grave, definida por disfunção orgânica ou parasitemia elevada, exige artesunato endovenoso, que reduz mortalidade em comparação com a quinina e age mais rapidamente sobre a parasitemia. Prescrever esquema oral é o erro central nesse cenário: o paciente com rebaixamento de consciência não tem via segura e a absorção é imprevisível na malária grave. A cloroquina não tem papel no falciparum resistente. Após a estabilização e o retorno da via oral, completa-se o tratamento com uma combinação oral eficaz.
Qual a conduta obrigatória do médico diante de um caso confirmado de malária no Brasil?
A malária é doença de notificação compulsória, e o registro alimenta a vigilância que orienta o controle vetorial e o mapeamento de áreas de transmissão. Isolamento respiratório é o distrator que revela confusão de mecanismo de transmissão: a doença é transmitida por vetor, não de pessoa a pessoa. Nem todo caso exige internação, que se reserva às formas graves e a grupos de risco. O tratamento deve ser iniciado assim que a espécie é identificada na microscopia, sem aguardar métodos moleculares.
Paciente com quadro febril agudo apresenta teste rápido positivo para malária e gota espessa mostrando formas em anel múltiplas dentro da mesma hemácia, com parasitemia de 4%. Qual espécie deve ser considerada e por quê isso importa?
Múltiplos anéis dentro da mesma hemácia e parasitemia elevada são características do Plasmodium falciparum, espécie capaz de parasitar hemácias de qualquer idade e de causar sequestro na microcirculação, com risco de malária grave. O vivax é o distrator por ser a espécie mais comum no país, mas ele prefere reticulócitos, produz parasitemias baixas e não apresenta esse padrão. Identificar a espécie muda a urgência, o esquema terapêutico e o limiar de internação, sendo essa a decisão mais importante do primeiro atendimento.
Paciente com malária grave por falciparum apresenta, ao terceiro dia de artesunato, novo pico febril com hemoculturas positivas para bactéria Gram-negativa. Qual a interpretação?
Bacteriemia coexistente é frequente na malária grave, sobretudo em crianças e em pacientes com disfunção orgânica, e a conduta é somar antibiótico ao antimalárico, sem trocar o esquema antiparasitário que está funcionando. Interpretar a febre persistente como falha do artesunato é o erro que leva a mudanças desnecessárias e atrasa o antibiótico que o paciente precisa. Diante de disfunção orgânica ou febre que não melhora como esperado, a cobertura empírica para bactérias deve ser considerada precocemente.
Após alta de internação por malária grave por Plasmodium falciparum, qual orientação de seguimento deve ser dada ao paciente?
O seguimento com controles de parasitemia detecta recrudescência e falha terapêutica, e o paciente precisa completar o esquema oral iniciado após a fase endovenosa. Acreditar em imunidade protetora após um episódio é equívoco: a imunidade na malária é parcial, dependente de exposição contínua e não impede reinfecção, sobretudo em quem sai da área endêmica. Quimioprofilaxia prolongada não é recomendada nesse contexto, e o Anopheles tem atividade principalmente do entardecer ao amanhecer, o que orienta a proteção individual.
Qual a conduta em relação à parasitemia durante o tratamento da malária grave?
O acompanhamento da parasitemia em intervalos regulares documenta a resposta ao tratamento e detecta precocemente falha terapêutica, sendo parte do manejo da forma grave. Esperar que a parasitemia zere em poucas horas e ajustar dose por isso é expectativa irreal, já que a queda é progressiva ao longo de dias. Suspender o tratamento com a defervescência é erro perigoso, pois a febre cede antes da eliminação do parasito e a interrupção precoce favorece recrudescência e seleção de resistência.
Qual mecanismo fisiopatológico explica o coma na malária cerebral por Plasmodium falciparum?
As hemácias parasitadas pelo falciparum expressam proteínas de adesão que as fixam ao endotélio dos capilares cerebrais, causando sequestro, obstrução microvascular, hipóxia e resposta inflamatória local — mecanismo que explica também por que a parasitemia periférica pode subestimar a carga real. Imaginar invasão neuronal direta ou neurotoxina é o modelo intuitivo e equivocado. Entender o sequestro esclarece por que o falciparum é a única espécie que produz esse quadro e por que a resposta ao artesunato é rápida quando iniciado a tempo.
Paciente com malária grave em uso de artesunato apresenta glicemia capilar de 38 mg/dL e sudorese. Qual a conduta e a explicação?
A hipoglicemia é complicação reconhecida da malária grave, decorrente do consumo de glicose pelo parasito, do comprometimento da gliconeogênese hepática e, quando se usa quinina, do hiperinsulinismo induzido pela droga; a correção é imediata e a monitorização, seriada. Suspender o antimalárico é o erro que deixa a causa da gravidade sem tratamento, e o artesunato não é o principal responsável por esse efeito. Insulina agravaria de forma catastrófica. A hipoglicemia pode se manifestar apenas como rebaixamento de consciência, confundindo-se com a própria malária cerebral.
Homem de 38 anos tratado para malária por Plasmodium falciparum apresenta persistência da parasitemia no sétimo dia de tratamento, com uso comprovadamente correto da medicação. Como se denomina esse fenômeno?
Persistência ou reaparecimento precoce de parasitemia da mesma espécie após tratamento correto caracteriza recrudescência, ou seja, o esquizonticida sanguíneo não eliminou completamente as formas circulantes, o que levanta suspeita de falha terapêutica ou resistência. Chamar isso de recaída é o erro conceitual mais frequente: recaída pressupõe hipnozoítos hepáticos, que o falciparum não possui. A distinção orienta a conduta, pois recrudescência exige revisão do esquema e notificação para vigilância da resistência.
Criança de 6 anos com malária por Plasmodium falciparum não complicada tem 18 kg. Qual princípio orienta a prescrição dos antimaláricos nessa faixa etária?
Em pediatria a dose é calculada por peso, e alguns esquemas com lumefantrina têm absorção dependente de gordura, o que torna a orientação alimentar parte do tratamento. Dividir a dose de adulto ao meio é a improvisação que gera subdose e favorece falha terapêutica. Derivados de artemisinina são seguros e recomendados em crianças acima do peso mínimo estabelecido, não sendo contraindicados por idade. A via endovenosa fica reservada às formas graves ou à impossibilidade de uso oral, como vômitos incoercíveis.
Qual o esquema de primeira linha para malária não complicada por Plasmodium falciparum adquirida no Brasil?
As combinações baseadas em artemisinina são o padrão para falciparum não complicado, pela rapidez de ação e pela redução do risco de seleção de resistência, e no Brasil se acrescenta primaquina em dose única com finalidade de bloqueio da transmissão pelos gametócitos. A cloroquina isolada é o distrator que ignora décadas de resistência do falciparum a esse fármaco na América do Sul. Monoterapias com quinina ou mefloquina foram abandonadas como primeira linha justamente pelo risco de resistência e pela pior tolerabilidade.
Qual medida é a mais eficaz para prevenção da malária em viajantes que se dirigem a área endêmica da Amazônia brasileira?
No Brasil, a prevenção se apoia principalmente na proteção contra a picada do vetor, já que a quimioprofilaxia não é recomendada de rotina para viajantes nacionais, pela boa disponibilidade de diagnóstico e tratamento e pelo padrão de transmissão. Assumir quimioprofilaxia obrigatória é o erro que transfere para o cenário brasileiro a recomendação usada em viagens a algumas regiões da África. Não existe vacina de uso rotineiro disponível para viajantes na rede nacional, e o mosquito Anopheles tem hábito de picar ao entardecer e à noite.
Qual característica da gota espessa a torna superior ao esfregaço delgado no diagnóstico inicial da malária?
A gota espessa concentra um volume maior de sangue por campo e por isso detecta parasitemias baixas com muito mais sensibilidade, sendo o método de triagem. O esfregaço delgado preserva a morfologia da hemácia e do parasito e por isso é melhor para identificar a espécie e calcular a parasitemia percentual — atribuir essa vantagem à gota espessa é a troca que a prova cobra. Ambos exigem microscopista treinado, e os testes rápidos de detecção de antígeno complementam onde a microscopia não está disponível.
Qual espécie de plasmódio é responsável pela maioria dos casos de malária no Brasil e apresenta formas hepáticas latentes capazes de causar recaídas tardias?
O Plasmodium vivax responde pela maior parte dos casos brasileiros e possui hipnozoítos hepáticos, formas latentes que reativam semanas a meses depois e produzem recaídas — é por isso que seu tratamento exige uma droga capaz de agir no fígado. O falciparum é o distrator mais lembrado por causar as formas graves, mas não forma hipnozoítos, e sua recorrência traduz falha do tratamento sanguíneo, não recaída hepática. O malariae persiste em baixa parasitemia por anos sem hipnozoítos. O ovale forma hipnozoítos, mas é raro no Brasil.
Gestante de 22 semanas com malária por Plasmodium vivax não complicada. Qual a conduta em relação à primaquina?
A primaquina é contraindicada na gestação pelo risco de hemólise no feto, cuja condição enzimática eritrocitária não pode ser avaliada, e a estratégia é tratar a fase sanguínea e prevenir recaídas com cloroquina semanal até o parto, quando a erradicação hepática pode ser feita. Suspender todo tratamento é o erro grave, porque a malária na gestação aumenta risco de aborto, prematuridade, baixo peso e morte materna. Doxiciclina também é contraindicada na gravidez, o que a exclui como substituta.
Homem de 52 anos, esplenectomizado, com malária por Plasmodium falciparum e parasitemia de 3%, sem disfunção orgânica no momento. Qual a conduta mais prudente?
Asplenia, idade avançada, gestação, imunossupressão e comorbidades compõem o grupo em que a malária por falciparum pode deteriorar rapidamente, justificando tratamento supervisionado com monitorização hospitalar mesmo sem disfunção orgânica no primeiro contato. Mandar para casa com retorno em uma semana é o erro que a vinheta testa, pois a janela de piora costuma ser de horas a poucos dias. Corticoide não previne malária cerebral e já mostrou piorar desfechos. Transfusão profilática não tem indicação sem anemia grave.
Homem de 41 anos, com febre há 6 dias, icterícia e dor muscular, retornou há 2 semanas de viagem à região amazônica, onde também houve contato com água de igarapé. Hemograma mostra plaquetas de 60.000/mm3 e leucocitose. Qual exame é indispensável antes de assumir leptospirose?
Febre, icterícia e plaquetopenia em quem esteve em área endêmica obrigam a excluir malária antes de qualquer coisa, porque a malária grave por Plasmodium falciparum mata em horas e tem tratamento específico e imediato. Sorologia para citomegalovírus engana por também causar febre prolongada, mas raramente produz icterícia com esse perfil e não é urgência terapêutica. Alfa-1-antitripsina investiga hepatopatia crônica. Ultrassonografia biliar pode compor a avaliação da icterícia, mas não é o exame que muda a conduta imediata nesse contexto epidemiológico. Eletroforese de proteínas não tem papel no quadro febril agudo.
Mulher de 35 anos com malária por Plasmodium falciparum não complicada, adquirida na região amazônica. Qual o esquema de primeira linha preconizado no Brasil?
O falciparum é amplamente resistente à cloroquina no Brasil, e o esquema padrão é uma combinação com derivado de artemisinina por três dias, acrescida de uma dose única de primaquina com finalidade de bloqueio da transmissão, por ação sobre os gametócitos. O esquema com cloroquina e primaquina prolongada é o do vivax e engana justamente quem memoriza fármacos sem associá-los à espécie, além de expor o paciente a falha terapêutica. Aqui a primaquina não busca cura radical, porque o falciparum não forma hipnozoítos.
Homem de 30 anos em tratamento de malária por vivax, no 3º dia de uso de primaquina, apresenta astenia intensa, urina cor de coca-cola e queda de hemoglobina de 13,5 para 8,9 g/dL, com reticulócitos elevados e bilirrubina indireta aumentada. Qual a conduta?
Hemoglobinúria com anemia de instalação rápida e bilirrubina indireta alta, poucos dias após o início da primaquina, é hemólise por deficiência de G6PD até prova em contrário, e a única conduta que interrompe o dano é suspender o fármaco. A troca de culpado entre os dois antimaláricos é o distrator que pega o candidato apressado: a cloroquina não é o agente oxidante do esquema e sua retirada não protege ninguém. A transfusão pode ser necessária conforme a repercussão clínica, mas manter a droga que está causando a hemólise transforma um episódio autolimitado em quadro grave.
Homem de 44 anos com malária confirmada apresenta-se sonolento, com icterícia, creatinina de 2,8 mg/dL, glicemia de 48 mg/dL e lactato de 5,2 mmol/L. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
Rebaixamento de consciência, icterícia com disfunção renal, hipoglicemia e hiperlactatemia definem malária grave, e o tratamento é artesunato por via endovenosa, que reduz mortalidade em comparação à quinina e deve ser iniciado sem esperar transferência. A hipoglicemia é parte da doença e do próprio efeito da quinina, e precisa ser corrigida em paralelo. Manter terapia oral, ainda que com derivado de artemisinina, é o erro que a questão persegue: paciente grave tem absorção intestinal imprevisível e não pode depender dela. A exsanguineotransfusão não é conduta de rotina.
Em uma unidade de saúde de área endêmica, discute-se o seguimento pós-tratamento dos pacientes com malária. Qual é a finalidade da lâmina de verificação de cura e como ela orienta a conduta?
O seguimento com lâminas seriadas após o tratamento é a forma prática de saber se o parasito realmente desapareceu e se voltou, permitindo diferenciar falha terapêutica de recaída tardia e alimentar a vigilância de resistência. A ideia de que a lâmina de controle comprova a eliminação dos hipnozoítos é o distrator mais atraente e está errada: as formas hepáticas dormentes não circulam no sangue e nenhum exame de sangue periférico as detecta, motivo pelo qual a cura radical depende do uso completo da primaquina, não de uma lâmina negativa.
Paciente tratado adequadamente para malária por Plasmodium vivax há 4 meses retorna com novo episódio febril e gota espessa positiva para a mesma espécie. Não houve nova viagem a área endêmica desde o tratamento. Como se classifica esse episódio e qual seu mecanismo?
O Plasmodium vivax deixa formas dormentes no fígado, os hipnozoítos, que podem reativar meses depois e produzir um novo acesso sem qualquer nova picada: isso é recaída, e é o motivo pelo qual a primaquina existe. Recrudescência é conceito diferente, significa que as formas sanguíneas nunca foram completamente eliminadas e voltam a se multiplicar em poucas semanas, o que é o distrator mais tentador quando se pensa em falha terapêutica. Reinfecção exigiria nova exposição, expressamente negada no enunciado. Gametócitos não causam sintomas, apenas transmitem a doença ao mosquito.
Paciente com malária por Plasmodium vivax confirmada apresenta plaquetas de 42.000/mm³ no hemograma de admissão, sem qualquer sangramento, com estado geral preservado. Qual a conduta em relação a esse achado?
A plaquetopenia é achado quase constante na malária, inclusive no vivax, decorre de sequestro esplênico e consumo periférico e se corrige espontaneamente à medida que a parasitemia cai com o tratamento. Transfundir plaquetas em paciente sem sangramento é intervenção sem benefício e com risco. Classificar o quadro como grave apenas pelo número de plaquetas é o erro conceitual mais frequente: os critérios de gravidade envolvem disfunção orgânica, alteração de consciência, hipoglicemia, acidose, anemia intensa e parasitemia elevada, não a contagem plaquetária isolada.
Antes de iniciar a primaquina em um paciente com malária por Plasmodium vivax, qual avaliação deve idealmente ser realizada e qual o risco que ela busca prevenir?
A primaquina provoca estresse oxidativo nas hemácias e desencadeia hemólise aguda em quem tem deficiência da glicose-6-fosfato desidrogenase, motivo pelo qual a triagem enzimática deve preceder o uso sempre que disponível. O eletrocardiograma é o distrator sofisticado, porque o prolongamento de QT é preocupação real com outros antimaláricos, como a cloroquina em altas doses e a mefloquina, mas não é o risco característico da primaquina. A droga não é nefrotóxica nem causa anemia por mecanismo imune.
Homem de 31 anos retorna de viagem de 20 dias a garimpo no Pará e apresenta há 4 dias episódios febris com calafrios intensos, seguidos de sudorese profusa, que se repetem a cada 48 horas. Ao exame, discreta esplenomegalia e subicterícia. Qual a conduta diagnóstica imediata?
Febre em quem esteve em área endêmica é malária até prova em contrário, e a pesquisa parasitológica é urgência: a gota espessa deve ser colhida na hora, sem esperar o pico febril, porque a parasitemia é detectável ao longo do ciclo. Agendar a coleta para o próximo acesso febril é o distrator que mais engana, porque nasce de uma meia-verdade sobre o melhor rendimento no pico, mas atrasa horas ou dias um diagnóstico que pode virar malária grave. A sorologia não distingue infecção atual de contato pregresso e não serve para decisão terapêutica.
Gestante de 22 semanas, residente em Manaus, tem diagnóstico de malária por Plasmodium vivax não complicada. Qual a conduta terapêutica correta?
Na malária não complicada por Plasmodium vivax durante a gestação, trata-se a fase sanguínea com cloroquina. Primaquina é contraindicada na gravidez pelo risco de hemólise fetal, pois o estado de G6PD do feto é desconhecido. Para reduzir recaídas enquanto a cura radical não pode ser feita, usa-se cloroquina semanal. Após o parto, a primaquina não precisa ser adiada até o fim de toda amamentação: o Guia de Tratamento da Malária no Brasil orienta o esquema completo a partir do segundo mês de lactação, observadas as condições de segurança e o protocolo vigente. Fonte: Ministério da Saúde, Guia de tratamento da malária no Brasil.
Homem de 26 anos, sem comorbidades, tem confirmação de malária por Plasmodium vivax em gota espessa, com parasitemia baixa e sem sinais de gravidade. Qual é o esquema terapêutico preconizado pelo Ministério da Saúde?
No vivax é preciso atacar duas populações do parasito: a cloroquina elimina as formas sanguíneas e resolve a crise febril, enquanto a primaquina destrói os hipnozoítos hepáticos e evita a recaída meses depois. Prescrever apenas cloroquina é o erro clássico da prática, o paciente melhora e retorna semanas depois com novo acesso, e é por isso que a cura radical exige o esquema completo. A combinação com derivado de artemisinina e primaquina em dose única é o esquema do falciparum não complicado, e o artesunato endovenoso está reservado às formas graves.
Homem de 41 anos, terceiro episódio de febre em seis meses, sempre após retorno de viagens curtas a Rondônia. Cada episódio foi tratado com esquema completo para Plasmodium vivax. Ele nega nova viagem nos últimos quatro meses. Qual é a explicação mais provável para o episódio atual?
O Plasmodium vivax deixa formas dormentes no fígado, e a febre que retorna meses depois sem nova exposição é recaída por hipnozoítos — quase sempre ligada à primaquina tomada de forma irregular ou em dose total insuficiente. Reinfecção é o distrator natural, mas exigiria nova exposição em área de transmissão, o que o paciente nega. Resistência à cloroquina existe no vivax em focos específicos, porém se manifestaria como falha precoce, com parasitemia persistente, e não como recorrência tardia.
Mulher de 24 anos, com malária por Plasmodium vivax não complicada, será tratada com cloroquina por três dias e primaquina. Qual exame deve ser considerado antes da primaquina?
A primaquina age nos hipnozoítos hepáticos e é indispensável para a cura radical do vivax, mas provoca hemólise intravascular grave em pessoas com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase — por isso a dosagem enzimática, quando disponível, precede a prescrição, e a gestação também contraindica o fármaco. Preocupar-se com o intervalo QT é o distrator que mistura a primaquina com outros antimaláricos, como a cloroquina e a mefloquina, nos quais essa vigilância realmente cabe.
Criança de 6 anos, moradora de Manaus, com febre há dois dias, prostração e vômitos. Gota espessa: Plasmodium vivax, parasitemia baixa. Aceita líquidos por via oral, sem sinais de gravidade. Qual o tratamento?
Para o Plasmodium vivax não complicado, o esquema brasileiro combina cloroquina, que elimina as formas sanguíneas, com primaquina, que ataca os hipnozoítos hepáticos e previne recaída — omitir a primaquina é a causa mais comum de retorno do quadro semanas depois. Prescrever artemeter-lumefantrina sem primaquina engana porque o derivado de artemisinina de fato tem ação esquizonticida, mas não cura a infecção latente. A dose pediátrica é calculada por peso, e a deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase precisa ser considerada.
Viajante de 48 anos retorna de safári na Tanzânia. Apresenta febre alta há dois dias. Gota espessa negativa em duas amostras. Persiste febril e a suspeita clínica de malária permanece alta. Qual a conduta?
A parasitemia é cíclica e uma única pesquisa negativa não exclui malária: o protocolo pede amostras seriadas ao longo de 24 a 48 horas, e o teste rápido de antígeno ajuda quando a microscopia está indisponível ou inconclusiva. Descartar após duas amostras é o erro que já custou vidas em viajantes procedentes da África subsaariana, onde predomina o falciparum. Sorologia não serve para diagnóstico agudo, pois indica exposição prévia e não infecção atual.
Homem de 60 anos com malária por Plasmodium falciparum não complicada, sem critérios de gravidade, tolerando via oral. Qual esquema é o de primeira linha no Brasil?
O tratamento de primeira linha do falciparum não complicado no Brasil é uma combinação com derivado de artemisinina — artemeter-lumefantrina — por três dias, à qual se acrescenta primaquina em dose única com finalidade de bloqueio da transmissão, agindo sobre os gametócitos. Aplicar o esquema de cloroquina com primaquina prolongada é o erro que confunde as espécies: aquele regime pertence ao vivax, cuja preocupação é o hipnozoíto, ausente no falciparum. Monoterapias favorecem resistência e não são aceitas.
Paciente de 27 anos com malária confirmada por gota espessa: Plasmodium falciparum com parasitemia de 6%, rebaixamento de consciência (Glasgow 11), creatinina 2,8 mg/dL, bilirrubina total 4,2 mg/dL e hemoglobina 6,8 g/dL. Qual o tratamento indicado?
Os critérios de gravidade estão todos presentes — parasitemia alta, alteração de consciência, lesão renal, icterícia e anemia grave — e a malária grave por Plasmodium falciparum se trata com artesunato endovenoso, que reduziu mortalidade frente à quinina em grandes ensaios. Prescrever o esquema oral com artemeter-lumefantrina é o distrator mais tentador porque é o tratamento correto da forma não complicada, mas em doença grave a absorção é imprevisível. Cloroquina não tem papel no falciparum brasileiro pela resistência, e primaquina isolada nunca trata a forma sanguínea aguda.
Um viajante retorna do Sudão com febre há quatro dias. A equipe pretende afastar as causas mais graves primeiro. Qual princípio orienta a investigação do viajante febril?
A regra de ouro do viajante febril é excluir malária de imediato, porque é a doença capaz de matar em poucos dias e que dispõe de tratamento eficaz — período de incubação, itinerário e exposições orientam o restante. Presumir arbovirose engana porque as arboviroses são realmente frequentes, mas a frequência não pode se sobrepor à letalidade na ordem de investigação. Observar por 72 horas antes de examinar é conduta inaceitável nesse contexto.
Sobre a quimioprofilaxia da malária para viajante que irá permanecer duas semanas em área endêmica da Amazônia brasileira, qual orientação é a mais adequada?
No Brasil a política prioriza o diagnóstico e o tratamento oportunos, com rede de gota espessa capilarizada, e reserva a quimioprofilaxia a situações muito específicas — o pilar para o viajante comum é evitar a picada com repelente, roupas e mosquiteiro, além de procurar atendimento ao primeiro episódio febril. Prescrever mefloquina a todos engana porque é a rotina de agências de outros países para regiões sem acesso a diagnóstico. Cloroquina não protegeria contra o falciparum resistente da região.
Homem de 33 anos retorna de viagem de duas semanas a garimpo no Pará. Há três dias apresenta febre alta com calafrios e sudorese, cefaleia e vômitos. Exame: descorado ++/4, baço palpável a 2 cm do rebordo. Qual exame deve ser solicitado com prioridade absoluta?
Febre com calafrios em quem esteve em área endêmica da Amazônia é malária até prova em contrário, e a gota espessa é o exame de referência no Brasil: barata, rápida, permite identificar a espécie e quantificar a parasitemia, dado que define gravidade. Pedir sorologia de dengue primeiro engana porque a arbovirose também é frequente na região, mas retarda o diagnóstico da doença que pode matar em horas. A pesquisa deve ser repetida em intervalos se a primeira for negativa e a suspeita persistir.
Qual é a diferença entre recaída e recrudescência na malária?
A distinção é conceitual e tem consequência prática direta: recaída é a reativação de formas hepáticas dormentes, que só existem em vivax e ovale e exigem primaquina, enquanto recrudescência é a persistência de parasitas sanguíneos por tratamento incompleto ou resistência. Atribuir a recorrência a nova picada é a explicação intuitiva e frequentemente errada, sobretudo em quem já saiu da área endêmica. A definição não se organiza por prazos fixos nem inverte as espécies, e tratar os termos como sinônimos apaga a indicação da terapia antirrecidiva.
Criança de 4 anos com malária por Plasmodium falciparum apresenta rebaixamento do nível de consciência, convulsão, hemoglobina de 4,8 g/dL, glicemia de 38 mg/dL e acidose metabólica. Qual o tratamento indicado?
Coma, convulsão, anemia grave, hipoglicemia e acidose definem malária grave, e o tratamento é artesunato por via venosa, que reduz mortalidade em comparação ao quinino, associado a suporte intensivo e à correção agressiva da hipoglicemia, achado frequente e facilmente esquecido em crianças. Insistir em terapia oral é o erro central da questão, porque paciente com rebaixamento não absorve nem deglute com segurança. Cloroquina não trata falciparum resistente e não cobre a forma grave, e os demais esquemas listados não são opções adequadas nesse cenário.
Por que a hipoglicemia é uma preocupação particular em crianças com malária grave?
A hipoglicemia na malária grave tem múltiplas origens e a criança é especialmente vulnerável pela pequena reserva de glicogênio, com o agravante de o quinino estimular a secreção de insulina. Seu reconhecimento é difícil, porque os sintomas se confundem com os da própria doença cerebral, o que faz da medida rotineira da glicemia capilar uma conduta obrigatória, e não opcional. Atribuir o achado apenas ao artesunato ou ao jejum simplifica um mecanismo múltiplo, e considerá-lo raro ou sem impacto contraria sua associação bem documentada com mortalidade.
Qual achado caracteriza malária grave em criança e indica tratamento parenteral e internação?
Os critérios de gravidade são objetivos e envolvem disfunção orgânica: neurológica, hematológica, metabólica, renal, respiratória, além de parasitemia alta, e sua presença determina tratamento parenteral com artesunato e internação. Febre alta com calafrios, cefaleia, mialgia e esplenomegalia integram o quadro comum e não indicam gravidade por si, sendo esse o erro mais frequente na triagem. O vômito isolado merece atenção porque compromete a absorção do fármaco, mas isoladamente não configura malária grave, e a conduta é repetir a dose.
Antes de prescrever primaquina a uma criança com malária por Plasmodium vivax, qual cuidado é necessário?
A primaquina é oxidante e pode desencadear hemólise intensa em portadores da deficiência enzimática, condição relativamente frequente em algumas populações, o que impõe avaliação de risco antes da prescrição e vigilância durante o uso, além das contraindicações em gestantes e em lactentes muito pequenos. As demais precauções listadas pertencem a outros fármacos e situações, e a que mais engana é a do eletrocardiograma, porque preocupações com condução cardíaca de fato existem na malária, mas se aplicam ao quinino e às aminoquinolinas, e envolvem o intervalo QT.
Qual orientação de prevenção deve ser dada a uma família que viajará com crianças para área endêmica de malária na Amazônia?
A prevenção se apoia em medidas de barreira contra a picada do anofelino, que tem atividade principalmente do crepúsculo ao amanhecer, e sobretudo na orientação de procurar atendimento e informar a viagem diante de qualquer febre, porque o diagnóstico precoce é o que evita a forma grave. Restringir o cuidado ao período diurno inverte o hábito do vetor e é o erro mais perigoso da lista. A quimioprofilaxia não é recomendada de forma indiscriminada no Brasil, não existe vacina disponível na rotina nacional, e antibiótico em casa não previne nem trata malária.
Menino de 6 anos, retornando de viagem à região amazônica há 12 dias, apresenta febre alta com calafrios e sudorese em episódios que se repetem a cada 48 horas, cefaleia, mialgia e palidez. Qual o exame que deve ser solicitado imediatamente?
Toda febre em pessoa que esteve em área endêmica é malária até prova em contrário, e a gota espessa é o exame de referência no Brasil: identifica a espécie, quantifica a parasitemia, é gratuito na rede e tem resultado no mesmo atendimento. A sorologia para arboviroses é o distrator mais escolhido, porque o quadro febril com mialgia é semelhante, mas ela demora, não trata ninguém e adia o diagnóstico de uma doença que pode matar em horas. Hemocultura e mielograma investigam outras causas, e a tomografia não precede a pesquisa do parasita.
Qual o esquema terapêutico recomendado no Brasil para malária não complicada por Plasmodium vivax em criança de 8 anos, sem deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase?
O tratamento do vivax tem duas frentes: a cloroquina elimina as formas sanguíneas e resolve o quadro agudo, e a primaquina elimina os hipnozoítos hepáticos, sem os quais a criança recai semanas ou meses depois. Prescrever apenas cloroquina é justamente o erro que produz as recaídas atribuídas equivocadamente a nova picada. Antes da primaquina é necessário considerar a deficiência da enzima pelo risco de hemólise, além das contraindicações em gestantes e em lactentes pequenos. Os esquemas com derivados de artemisinina e com quinino pertencem ao manejo do falciparum.
Recém-nascido de mãe com malária apresenta, com 3 semanas de vida, febre, icterícia, hepatoesplenomegalia e anemia. A mãe não viajou desde o parto. Qual a hipótese e a conduta?
A transmissão vertical do plasmódio é possível, e o recém-nascido pode manifestar febre, icterícia, anemia e hepatoesplenomegalia nas primeiras semanas, mesmo sem exposição própria ao vetor, o que torna obrigatória a pesquisa parasitária diante de mãe com malária. A sepse neonatal é o diagnóstico que todos consideram nesse quadro e deve ser tratada em paralelo, mas conduzir o caso sem procurar o parasita é o erro que mantém a criança sem o tratamento que resolve. Doença hemolítica por incompatibilidade se manifesta nas primeiras horas ou dias, não na terceira semana.
Sobre a vigilância epidemiológica da malária no Brasil, é correto afirmar:
Todos os casos de malária são de notificação compulsória, independentemente da espécie ou da região, e o tratamento é fornecido gratuitamente na rede pública, o que garante padronização do esquema, controle de resistência e monitoramento da transmissão. A ideia de que casos em área endêmica dispensam notificação é o erro mais nocivo do ponto de vista de vigilância, porque justamente onde há transmissão é que a informação orienta as ações de controle. Restringir a exigência ao falciparum ou aos casos importados também contraria a norma vigente.
Gestante de 24 anos, com 25 semanas, residente na Amazônia legal, procura a Unidade Básica de Saúde com febre intermitente, calafrios, sudorese e cefaleia há cinco dias. A gota espessa evidencia Plasmodium vivax. Está hemodinamicamente estável, sem sinais de gravidade, com hemoglobina de 10,2 g/dL. Não há icterícia, alteração de consciência ou insuficiência respiratória. Assinale a conduta terapêutica correta nessa gestante.
Na malária por Plasmodium vivax durante a gestação, a cloroquina é segura e eficaz para as formas sanguíneas, enquanto a primaquina é contraindicada pelo risco de hemólise fetal e deve ser postergada para depois do parto, período em que se completa a cura radical. Administrar primaquina na gestação é justamente o erro que se busca evitar. Não tratar expõe a gestante a anemia grave, aborto, prematuridade e baixo peso, além de malária congênita. O artesunato venoso reserva-se à malária grave, que não corresponde ao quadro descrito.
Mulher de 36 anos, moradora de área ribeirinha, apresenta febre alta com calafrios, cefaleia e sudorese em episódios que se repetem, além de esplenomegalia leve. Retornou de viagem à Amazônia há 12 dias. Qual é a conduta diagnóstica imediata na unidade de saúde?
Febre com paroxismos em pessoa vinda de área endêmica exige investigação imediata de malária por gota espessa ou teste rápido, com notificação e tratamento oportuno conforme espécie. Antibiótico empírico para febre tifoide não cobre a hipótese prioritária e retarda o diagnóstico. Investigar apenas dengue ignora a exposição geográfica típica e o padrão febril. Tomografia abdominal não é o exame inicial e adia o diagnóstico de doença cujo atraso aumenta mortalidade.
Menino de 10 anos, morador de área ribeirinha, apresenta febre alta com calafrios e sudorese em episódios que se repetem a cada 48 horas, associados a cefaleia, mialgia e palidez. Retornou há 12 dias de viagem à região amazônica. Ao exame, temperatura de 39,5 graus Celsius, palidez cutânea e esplenomegalia discreta. Qual é o exame de escolha para o diagnóstico?
Diante de febre com paroxismos em pessoa vinda de área endêmica, o diagnóstico de malária deve ser confirmado por gota espessa, padrão no Brasil, ou por teste rápido quando a microscopia não está disponível, permitindo tratamento imediato e gratuito na rede pública. A hemocultura investiga bacteremia e não detecta plasmódio. A sorologia pareada tem resultado tardio e não orienta a conduta aguda. A pesquisa molecular no líquor não se aplica ao diagnóstico inicial de malária.
Uma criança de 8 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde e a mãe informa que a família tem viagem marcada para região endêmica de malária na Amazônia. Ela pergunta sobre medidas preventivas. A criança é hígida, sem alergias, e a viagem durará 20 dias. Qual é a orientação com maior impacto na prevenção?
A prevenção da malária no Brasil se apoia em medidas de barreira contra o vetor e no diagnóstico e tratamento precoces diante de febre, uma vez que a quimioprofilaxia não é rotina na política nacional e há acesso gratuito ao diagnóstico e ao tratamento. Não existe vacina contra malária disponível na rede básica brasileira para esse fim. O antibiótico não previne infecção por plasmódio. O isolamento após a viagem não é indicado, pois a transmissão depende do vetor e não ocorre de pessoa a pessoa.
Uma criança de 6 anos é atendida com quadro de febre e cefaleia. A mãe informa que a família retornou de viagem à África há 10 dias e que não fizeram quimioprofilaxia nem vacinação prévia. A criança está prostrada, com temperatura de 39,5 graus Celsius, sem sinais localizatórios. Qual é a conduta prioritária?
Febre em viajante procedente de área endêmica exige investigação urgente de malária, pois a infecção por Plasmodium falciparum pode evoluir rapidamente para forma grave e fatal. O antibiótico empírico sem investigação não trata a causa provável e retarda o diagnóstico. Aguardar sorologias de arboviroses posterga a decisão terapêutica crítica. Tratar como virose e liberar é conduta de risco elevado nesse cenário epidemiológico.
Gestante de 27 anos, com 12 semanas, mora em município da Amazônia Legal e chega à Unidade Básica de Saúde com febre alta intermitente, calafrios e sudorese há quatro dias, associada a cefaleia e mialgia. A pressão arterial é de 104x64 mmHg, a frequência cardíaca é de 100 bpm, há palidez discreta e o baço é palpável a 2 cm do rebordo costal. A gota espessa mostra Plasmodium vivax. Considerando o tratamento da malária na gestação, a conduta correta é
Na gestação, a cloroquina é segura e trata as formas sanguíneas do Plasmodium vivax, mas a primaquina é contraindicada pelo risco de hemólise no feto com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase; posterga-se a cura radical para depois do parto, com quimioprofilaxia semanal para evitar recaídas. Usar o esquema padrão com primaquina expõe o feto a esse risco. A primaquina isolada não elimina as formas sanguíneas, atuando sobre os hipnozoítos hepáticos. Adiar o tratamento é inaceitável, pois a malária na gestação causa anemia grave, aborto, prematuridade e baixo peso ao nascer.
Homem de 43 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com quadro de febre, calafrios e cefaleia intensa há três dias, com episódios que se repetem em intervalos aproximadamente regulares, acompanhados de sudorese profusa e prostração. Retornou há duas semanas de viagem de trabalho à região amazônica. Ao exame: temperatura 39,2 °C, mucosas descoradas, baço palpável a 2 cm do rebordo costal, PA 116x72 mmHg, FC 104 bpm, sem sinais meníngeos, sem icterícia intensa. Hemoglobina 10,4 g/dL, plaquetas 88.000/mm3. A conduta correta é:
Febre com padrão periódico, calafrios, sudorese, anemia e plaquetopenia em pessoa recém-chegada de área endêmica impõe investigação imediata de malária, com gota espessa ou teste rápido, seguida de tratamento específico conforme a espécie e notificação, pois a malária por Plasmodium falciparum pode evoluir rapidamente para forma grave. Tratar empiricamente febre tifoide ignora a hipótese mais provável e mais urgente. Assumir dengue sem investigar malária em viajante de área endêmica é erro clássico com risco de óbito. Aguardar sete dias é inaceitável em doença potencialmente letal com tratamento disponível.
Homem de 33 anos, morador de comunidade ribeirinha da Amazônia, chega à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta, calafrios e sudorese em episódios, cefaleia e vômitos há cinco dias. Ao exame: prostrado, ictérico, com temperatura axilar 39,5 °C, frequência cardíaca 128 bpm, pressão arterial 88x54 mmHg, hepatoesplenomegalia, e apresenta confusão mental e oligúria. Exames: hemoglobina 7,2 g/dL, plaquetas 42.000/mm³, creatinina 3,4 mg/dL, bilirrubinas elevadas e gota espessa positiva para Plasmodium falciparum com parasitemia elevada. Qual é a conduta terapêutica indicada?
Malária por Plasmodium falciparum com icterícia, alteração do sensório, insuficiência renal, anemia grave e parasitemia elevada configura malária grave, cujo tratamento de escolha é o artesunato endovenoso, iniciado sem demora, associado a suporte intensivo. A cloroquina não é indicada para falciparum no Brasil por resistência e não é medicação de malária grave. Esperar confirmação molecular com gota espessa já positiva atrasa um tratamento tempo-dependente. A primaquina atua sobre hipnozoítos de espécies como vivax e gametócitos, não tratando a fase aguda grave por falciparum.
Homem de 27 anos é diagnosticado com malária por Plasmodium vivax em unidade de saúde da região amazônica, confirmada por gota espessa, com quadro clínico leve e sem sinais de gravidade. Ele será tratado com esquema que inclui cloroquina e primaquina, esta última destinada a evitar recaídas. O médico lembra que um exame deve ser considerado antes da prescrição da primaquina, pela possibilidade de complicação hematológica grave em determinados pacientes. Qual é essa preocupação?
A primaquina, usada para eliminar hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas na malária por Plasmodium vivax, pode provocar hemólise aguda grave em pessoas com deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase, o que motiva atenção clínica e investigação conforme protocolo antes ou durante o uso. A deficiência de vitamina B12 não guarda relação com a droga. A hemocromatose não é contraindicação ao antimalárico. Distúrbios de coagulação como a hemofilia não se relacionam ao mecanismo de toxicidade da primaquina.
Gestante de 23 anos, com 26 semanas, residente em área endêmica da região amazônica, procura a unidade de saúde com febre alta intermitente, calafrios, cefaleia intensa e sudorese há quatro dias. Ao exame, temperatura axilar de 39,2 °C, palidez cutâneo-mucosa, esplenomegalia discreta, frequência cardíaca de 118 bpm e batimentos cardiofetais de 160 bpm. A gota espessa é positiva para Plasmodium falciparum, com parasitemia elevada. Hemoglobina de 8,2 g/dL e plaquetas de 92.000/mm³. A conduta correta é:
A malária por Plasmodium falciparum na gestação associa-se a anemia grave, malária cerebral, hipoglicemia, aborto, prematuridade, baixo peso e óbito fetal, exigindo tratamento antimalárico imediato conforme o protocolo específico para gestantes, notificação compulsória e monitorização materna e fetal. Adiar o tratamento é conduta com alta letalidade. Antitérmico isolado não trata a parasitemia. Interromper a gestação não faz parte do tratamento da malária, cuja prioridade é eliminar o parasita e tratar as complicações.
Mulher de 29 anos, moradora de área rural do Norte do país, é atendida com febre em picos, calafrios e sudorese em dias alternados, cefaleia e mialgia há uma semana. Nega comorbidades e não está gestante. Ao exame: corada, hidratada, febril no momento, com discreta esplenomegalia, sem icterícia, sem alteração do sensório, sem oligúria e sem sangramentos. A gota espessa identifica Plasmodium vivax, com baixa parasitemia. A função renal e as transaminases são normais. Qual é a conduta terapêutica correta?
O tratamento da malária por Plasmodium vivax sem sinais de gravidade combina esquizonticida sanguíneo, habitualmente a cloroquina, com primaquina para eliminar os hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas, com atenção à deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase. O artesunato endovenoso é reservado à malária grave. Omitir a primaquina mantém as formas hepáticas e leva a recaídas. Adiar o tratamento com diagnóstico já confirmado é conduta inadequada em doença de notificação e tratamento imediatos.
Mulher de 24 anos retorna de viagem de um mês pela África Subsaariana e procura a Unidade de Pronto Atendimento com febre alta iniciada há três dias, calafrios, cefaleia e mialgia, sem sintomas respiratórios ou urinários. Fez profilaxia antimalárica de forma irregular. Ao exame: febril, com temperatura axilar 39,2 °C, prostrada, com esplenomegalia discreta, sem exantema, sem icterícia e sem alteração do sensório. A equipe discute a prioridade diagnóstica diante de febre em pessoa que retorna de área endêmica. Qual é a conduta correta?
Febre em pessoa que retorna de área endêmica exige investigação imediata de malária, pois a forma por Plasmodium falciparum pode evoluir para doença grave e morte em poucos dias, sendo a pesquisa do parasito prioritária mesmo com profilaxia prévia, que não afasta o diagnóstico. Aguardar dias para investigar aumenta a letalidade. Antibiótico empírico sem pesquisar malária mascara o quadro e retarda o tratamento específico. Considerar viral e liberar sem exames é conduta potencialmente fatal nesse contexto.
Mulher de 25 anos, gestante de 20 semanas, moradora de área endêmica no Norte do país, é atendida com febre alta, calafrios, cefaleia e vômitos há três dias. Ao exame: febril, prostrada, com palidez de mucosas, sem icterícia, sem alteração do sensório, com útero compatível e batimentos cardiofetais presentes. A gota espessa é positiva para Plasmodium falciparum, com parasitemia elevada, e a glicemia capilar está em 58 mg/dL. Ela apresenta anemia e discreta oligúria. Qual é a conduta correta?
A malária por Plasmodium falciparum na gestação é considerada de maior gravidade, com risco de hipoglicemia, anemia grave, prematuridade, baixo peso e morte materna e fetal, exigindo tratamento parenteral adequado sem demora, correção da hipoglicemia e monitorização materno-fetal. Adiar o tratamento é conduta potencialmente fatal. Cloroquina oral domiciliar não trata malária grave por falciparum e há resistência no país. Interromper a gestação não é medida terapêutica indicada.
Uma equipe de saúde da família identifica, em território ribeirinho, várias pessoas com queixas de febre recorrente e casos confirmados de malária, com transmissão persistente ao longo do ano. A equipe discute como organizar o diagnóstico e o tratamento na área, considerando a distância até a sede do município, a rotatividade dos moradores e a necessidade de tratamento imediato para reduzir a transmissão e a gravidade dos casos. Qual é a estratégia mais adequada?
O controle da malária depende de diagnóstico oportuno e tratamento imediato, o que exige descentralização da testagem para o território, com microscopia ou testes rápidos, e dispensação supervisionada do tratamento logo após a confirmação, reduzindo gravidade e transmissão. Encaminhar todos os casos e aguardar retorno atrasa o tratamento em doença que pode evoluir rapidamente. Tratar empiricamente toda febre gera uso inadequado de antimaláricos e mascara outros diagnósticos. Restringir o tratamento aos casos graves permite a progressão e mantém a transmissão.
Uma equipe de vigilância de município da região Norte identifica aumento de casos de febre, calafrios e sudorese com padrão periódico entre moradores de área de garimpo, com confirmação laboratorial de infecção por plasmódio em vários pacientes. Alguns casos apresentaram demora superior a uma semana entre o início dos sintomas e o diagnóstico, e há relato de automedicação com antitérmicos e de dificuldade de acesso ao serviço de saúde nas áreas de garimpo do município. A medida com maior impacto na redução da letalidade é:
Na malária, a redução da letalidade depende sobretudo do diagnóstico e do tratamento oportunos, com ampliação do acesso a testes rápidos e a medicamentos nas áreas de risco, associados às medidas de controle vetorial e de proteção individual. Borrifação isolada não reduz a letalidade dos casos já ocorridos. Repelente é medida complementar de proteção individual. Aguardar a confirmação formal de surto atrasa ações que devem ser contínuas em área endêmica.
Gestante de 29 anos, com 20 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde de município da Amazônia com febre alta intermitente, calafrios, sudorese e cefaleia há três dias. Ela retornou de viagem a área rural há duas semanas. Ao exame, apresenta palidez, temperatura de 39 °C, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 100x62 mmHg e baço palpável. A gota espessa identifica Plasmodium falciparum com parasitemia elevada e ela apresenta vômitos e sonolência. A conduta correta é
Malária por Plasmodium falciparum com parasitemia elevada, vômitos e alteração do sensório em gestante caracteriza malária grave, condição de alta letalidade que exige internação, tratamento antimalárico endovenoso conforme protocolo e suporte clínico com monitorização materno-fetal. Tratamento ambulatorial oral é inadequado diante de sinais de gravidade. Aguardar confirmação molecular retarda o tratamento. Considerar a malária autolimitada é erro grave, pois a gestação aumenta a gravidade e a mortalidade.
Menina de 8 anos, moradora de área endêmica da região amazônica, é levada à Unidade Básica de Saúde com febre em picos, calafrios, cefaleia e vômitos há quatro dias. Ao exame: febril, com palidez de mucosas, discreta esplenomegalia, sem icterícia, sem alteração do sensório, sem oligúria e sem sangramentos, hidratada e consciente. A gota espessa é positiva para Plasmodium vivax, com baixa parasitemia. A função renal e as transaminases são normais e não há sinais de gravidade. Qual é a conduta correta?
A malária por Plasmodium vivax sem sinais de gravidade é tratada com esquizonticida sanguíneo associado a primaquina para eliminar os hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas, com doses ajustadas por peso e idade e atenção à deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase pelo risco de hemólise. O artesunato endovenoso é reservado à malária grave. Omitir a primaquina mantém as formas hepáticas e leva a recaídas. Adiar o tratamento com diagnóstico confirmado é conduta inadequada.
Menino de 6 anos, procedente de área endêmica, é levado ao pronto-socorro com febre alta há três dias, prostração e vômitos, evoluindo com sonolência e uma crise convulsiva. Ao exame: sonolento, com palidez importante, icterícia leve, taquipneia, hepatoesplenomegalia e oligúria. Exames: hemoglobina 5,8 g/dL, plaquetopenia, hipoglicemia de 44 mg/dL, acidose metabólica, creatinina elevada para a idade e gota espessa positiva para Plasmodium falciparum com parasitemia elevada. Qual é a conduta correta?
Malária por Plasmodium falciparum com alteração do sensório, convulsão, anemia grave, hipoglicemia, acidose e parasitemia elevada configura malária grave, cujo tratamento é o artesunato endovenoso iniciado sem demora, associado a correção da hipoglicemia, suporte intensivo e vigilância de complicações. A cloroquina não é indicada para falciparum no país por resistência e não trata a forma grave. Aguardar exames adicionais com gota espessa positiva atrasa tratamento tempo-dependente. A transfusão é medida de suporte, mas não substitui o antimalárico.
Um homem de 45 anos retorna à unidade básica de saúde após três semanas em área rural da Amazônia, onde trabalhou em garimpo. Refere febre alta com calafrios e sudorese em episódios que se repetem a cada 48 horas, cefaleia e mialgia, iniciados há quatro dias. Está lúcido, com temperatura de 38,9 °C, pressão de 110x70 mmHg e discreta icterícia conjuntival, sem sinais de gravidade. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Febre com paroxismos em paciente vindo de área endêmica exige diagnóstico parasitológico imediato por gota espessa ou teste rápido, com tratamento específico conforme a espécie e notificação, pois o atraso na malária por Plasmodium falciparum é o principal determinante de evolução grave. Antibiótico empírico não trata protozoário e retarda o diagnóstico correto. Sorologia não é o exame de escolha para diagnóstico de caso agudo e reavaliar em uma semana é inaceitável. Febre amarela não cursa com paroxismos periódicos e não tem tratamento específico nem transmissão interpessoal que justifique isolamento respiratório.
Homem, 33 anos, retorna à UBS após 3 semanas de febre intermitente, cefaleia e mal-estar, tendo viajado a garimpo no Pará. Exame: T 38,9 °C, palidez discreta, baço palpável a 2 cm do rebordo costal, sem icterícia franca. Hemoglobina 10,8 g/dL (VR 13–17); plaquetas 96.000/mm³; bilirrubina total 1,8 mg/dL. Gota espessa positiva para Plasmodium vivax, com parasitemia de 4.500 formas/mm³. Glicose-6-fosfato desidrogenase com atividade normal. Sem sinais de gravidade. Qual o tratamento correto?
A malária por Plasmodium vivax sem sinais de gravidade é tratada com cloroquina por 3 dias, que elimina as formas sanguíneas, associada à primaquina, indispensável para destruir os hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas; a atividade normal de glicose-6-fosfato desidrogenase autoriza com segurança o uso da primaquina. O artemeter-lumefantrina é o esquema do falciparum, e dispensar a primaquina no vivax garantiria recaída em semanas ou meses. Afirmar que o vivax não forma hipnozoítos é erro conceitual: é justamente essa espécie, com o ovale, que os produz. A associação de quinina com doxiciclina é reservada a formas graves ou a falciparum resistente, e a doxiciclina exige cautela adicional. A primaquina isolada não tem ação suficiente sobre as formas sanguíneas assexuadas e não controlaria a parasitemia atual.
Mulher, 23 anos, G1P0, com 20 semanas, retorna de área endêmica da Amazônia e apresenta febre com calafrios em picos, cefaleia e mal-estar há 5 dias. T 39,2 °C, PA 100/62 mmHg, FC 118 bpm, palidez cutâneo-mucosa e baço palpável a 2 cm do rebordo costal. Hb 8,6 g/dL (VR 12–16); plaquetas 96.000/mm³ (VR 150.000–450.000). Gota espessa positiva para Plasmodium falciparum, com parasitemia de 2%. Qual a conduta correta?
Iniciar imediatamente o tratamento antimalárico específico é a conduta correta, pois a infecção por Plasmodium falciparum na gestação associa-se a malária grave materna, anemia, abortamento, prematuridade, baixo peso e óbito fetal, e a placenta funciona como sítio de sequestro parasitário. Adiar o tratamento para o 3º trimestre expõe mãe e feto a risco de morte. A primaquina age sobre hipnozoítos de Plasmodium vivax e ovale, é contraindicada na gestação pelo risco de hemólise fetal e não trata a fase eritrocitária do falciparum. Considerar a doença autolimitada é grave erro conceitual. A interrupção da gestação não é indicada, pois existem esquemas terapêuticos compatíveis com a gravidez.
Menino, 11 anos, apresenta há 10 dias febre, cefaleia e dor abdominal, evoluindo com prostração intensa. Reside em área endêmica de malária na Amazônia e retornou de viagem há 2 semanas. T 39,8 °C, FC 132 bpm, PA 88/54 mmHg, Glasgow 13. Hb 6,4 g/dL (VR 11,5–15,5); plaquetas 42.000/mm³ (VR 150.000–400.000); creatinina 2,2 mg/dL (VR 0,4–0,8); glicemia 48 mg/dL. Gota espessa: Plasmodium falciparum com parasitemia de 8%. Qual a conduta indicada?
Malária grave por Plasmodium falciparum, definida por alteração de consciência, anemia grave, insuficiência renal, hipoglicemia e parasitemia elevada, é tratada com artesunato endovenoso associado a suporte intensivo e correção imediata da hipoglicemia. A cloroquina não é usada no falciparum pela resistência disseminada e não permite alta em quadro grave. A primaquina atua sobre hipnozoítos de Plasmodium vivax e ovale, ausentes no falciparum. Hidratação e transfusão são suporte necessário, mas sem antimalárico a parasitemia progride e o paciente morre. A doxiciclina é adjuvante em esquemas combinados, sem eficácia isolada na forma grave.
Menina, 6 anos, retorna de viagem à região amazônica e apresenta há 4 dias febre alta com calafrios intensos e sudorese profusa, em episódios que se repetem a cada 48 horas, associados a cefaleia e mialgia. T 39,4 °C durante o pico, FC 128 bpm. Ao exame, há palidez e esplenomegalia discreta. Hb 9,2 g/dL (VR 11,5–15,5); plaquetas 96.000/mm³. A gota espessa revela Plasmodium vivax, sem sinais de gravidade clínica ou laboratorial. Qual o tratamento indicado?
A malária por Plasmodium vivax não grave é tratada com cloroquina para as formas sanguíneas associada a primaquina para eliminar os hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas, após avaliação de deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase. O artesunato endovenoso é reservado à malária grave, geralmente por Plasmodium falciparum, e não se aplica a este caso sem sinais de gravidade. Usar apenas cloroquina deixa os hipnozoítos e resulta em recaídas. A doxiciclina isolada não é esquema adequado nessa situação. Considerar a malária por vivax autolimitada e tratar apenas com sintomáticos é erro grave, com risco de recaídas e de complicações.
Menina, 7 anos, retorna há 5 dias de viagem à região amazônica e apresenta febre alta com calafrios, cefaleia e prostração há 3 dias, com dois episódios de vômito. Exame: palidez, icterícia leve, baço a 3 cm do rebordo costal, T 39,4 °C, FC 138 bpm, PA 92/56 mmHg. Hemoglobina 7,0 g/dL; plaquetas 60.000/mm³; bilirrubina indireta elevada; gota espessa com formas em anel e parasitemia de 4%. Qual a conduta imediata?
Febre com calafrios após permanência em área endêmica, anemia hemolítica, plaquetopenia e gota espessa positiva impõem tratamento antimalárico imediato conforme a espécie e a gravidade, pois a demora aumenta o risco de malária grave. O corticoide não trata a hemólise da malária, que decorre da destruição de hemácias parasitadas. A transfusão de plaquetas não está indicada apenas pelo número, na ausência de sangramento significativo, e a plaquetopenia se resolve com o tratamento. O antibiótico de amplo espectro isolado não cobre o parasito, embora possa ser associado se houver suspeita de infecção bacteriana concomitante. O mielograma é desnecessário diante de diagnóstico parasitológico já estabelecido.
Homem, 34 anos, retornou há 8 dias de viagem de 3 semanas à região amazônica, onde realizou pescaria e não usou quimioprofilaxia. Apresenta há 4 dias febre com calafrios e sudorese, em episódios que se repetem a cada 48 horas, além de cefaleia e mialgia. T 39,5 graus Celsius, PA 110x68 mmHg, FC 108 bpm. Há icterícia leve e esplenomegalia. Hemoglobina 9,8 g/dL (VR 13-17); plaquetas 88.000/mm3 (VR 150.000-400.000); bilirrubina indireta elevada. Qual a conduta diagnóstica prioritária?
A pesquisa de plasmódio em gota espessa é prioritária, pois febre com paroxismos regulares, anemia, plaquetopenia, icterícia e esplenomegalia em quem retorna da Amazônia sem quimioprofilaxia caracterizam malária, doença de diagnóstico rápido e tratamento urgente, com repetição do exame quando a primeira amostra é negativa. A sorologia pareada para dengue fornece resultado tardio e não muda a conduta imediata. Iniciar ceftriaxona empírica sem investigar malária deixa sem tratamento a hipótese mais provável e potencialmente fatal. A tomografia de abdome não esclarece a causa infecciosa da esplenomegalia nesse contexto. O mielograma para calazar é invasivo e reservado a quadros arrastados com pancitopenia e febre prolongada.
Mulher, 38 anos, sem comorbidades e sem uso de medicações, planeja viagem de 2 semanas para área com transmissão intensa de malária por Plasmodium falciparum resistente à cloroquina, com atividades noturnas ao ar livre. Ela procura orientação com 3 semanas de antecedência e questiona sobre quimioprofilaxia, medidas de barreira e conduta caso apresente febre durante ou após a viagem. Sobre a prevenção, assinale a alternativa correta.
A quimioprofilaxia não dispensa as medidas de barreira, como repelente, roupas protetoras e mosquiteiro impregnado, pois nenhuma estratégia isolada é totalmente eficaz. A cloroquina é inadequada em áreas com resistência documentada. Iniciar a profilaxia apenas na chegada não garante níveis séricos adequados desde a exposição. Ignorar febre após o retorno é erro grave, pois a profilaxia reduz, mas não elimina o risco, e a malária por Plasmodium falciparum pode ser fatal. O repelente é medida complementar e jamais substitui a quimioprofilaxia indicada.
Homem, 45 anos, retornou de garimpo em Roraima há 9 dias, com febre alta, calafrios e prostração intensa. PA 88x52 mmHg, FC 128 bpm, FR 30 ipm, T 39,6 °C, escala de coma de Glasgow 12. Icterícia presente. Hb 6,4 g/dL (VR 13-17); plaquetas 42.000/mm³; creatinina 3,4 mg/dL; bilirrubina total 5,2 mg/dL; glicemia 48 mg/dL. Gota espessa com parasitemia de 8% por Plasmodium falciparum. Qual a conduta?
Parasitemia de 8%, rebaixamento do sensório, icterícia, insuficiência renal, anemia grave e hipoglicemia definem malária grave por Plasmodium falciparum, cujo tratamento é artesunato endovenoso, superior à quinina em mortalidade, seguido de esquema oral completo após melhora, com suporte intensivo. A cloroquina com primaquina trata malária por vivax e não tem eficácia adequada contra falciparum resistente. O esquema oral com artemeter-lumefantrina não se aplica a paciente com rebaixamento do sensório e vômitos, pela absorção não confiável. A doxiciclina é apenas adjuvante, nunca monoterapia. A quinina intramuscular em dose única é esquema inadequado, e a monitorização glicêmica é essencial pelo risco de hipoglicemia.
Homem, 26 anos, com malária por Plasmodium vivax confirmada, inicia cloroquina e primaquina. No 3º dia de primaquina apresenta icterícia, colúria e fraqueza intensa. PA 112x68 mmHg, FC 108 bpm, T 37,2 °C. Hb 7,2 g/dL (prévia 12,8); reticulócitos 8%; bilirrubina indireta 4,2 mg/dL; haptoglobina reduzida; desidrogenase láctica elevada. Esfregaço com corpúsculos de Heinz e hemácias mordidas. Qual a conduta?
Hemólise aguda com corpúsculos de Heinz e hemácias mordidas após início da primaquina indica deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase; a conduta é suspender o fármaco, dar suporte com hidratação e transfusão se necessário e confirmar a enzimopatia após a fase aguda. Manter a dose perpetua a hemólise, que pode ser grave e não é efeito esperado a ser tolerado. Aumentar a dose agrava a destruição eritrocitária. Trocar a cloroquina não resolve, pois o agente causador da hemólise é a primaquina. O corticoide não tem papel na hemólise por deficiência enzimática desencadeada por oxidante, cujo tratamento é a retirada do agente.
Homem, 37 anos, retornou há 12 dias de viagem à região amazônica e apresenta há 5 dias febre alta com calafrios, cefaleia e mialgia. Exame: icterícia, baço a 3 cm do rebordo costal, T 39,4 °C, PA 106/64 mmHg, FC 112 bpm. Hemoglobina 9,4 g/dL (VR 13,5–17,5); plaquetas 62.000/mm³ (VR 150.000–450.000); leucócitos 5.200/mm³ (VR 4.000–11.000); bilirrubina indireta 3,2 mg/dL (VR < 0,8); LDH 640 U/L (VR até 250); creatinina 1,3 mg/dL (VR 0,7–1,3). Qual a conduta imediata?
Febre com calafrios em viajante recém-chegado de área endêmica, com anemia hemolítica, plaquetopenia e esplenomegalia, exige pesquisa imediata de malária por gota espessa ou teste rápido e início do tratamento específico, pois o retardo aumenta a mortalidade nas formas graves. Iniciar apenas antibiótico para sepse bacteriana deixa de tratar a causa mais provável nesse contexto epidemiológico. Transfundir plaquetas não é indicado com 62.000/mm³ na ausência de sangramento, e a plaquetopenia da malária se corrige com o tratamento. Corticoide em dose alta não trata malária e pode ser deletério. O mielograma é desnecessário quando um exame simples de sangue periférico esclarece o diagnóstico.
Um viajante retornado da região amazônica apresenta febre, confusão, icterícia e anemia. A gota espessa identifica Plasmodium falciparum e há disfunção renal. A equipe inicia suporte intensivo. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
No falciparum, a adesão microvascular contribui para disfunção de órgãos além da destruição eritrocitária. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/malaria
Um viajante retornado da região amazônica apresenta febre, confusão, icterícia e anemia. A gota espessa identifica Plasmodium falciparum e há disfunção renal. A equipe inicia suporte intensivo. Qual é o diagnóstico mais provável?
Parasitemia comprovada com alteração neurológica e lesão de órgão caracteriza gravidade. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/malaria
Um viajante retornado da região amazônica apresenta febre, confusão, icterícia e anemia. A gota espessa identifica Plasmodium falciparum e há disfunção renal. A equipe inicia suporte intensivo. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A confirmação parasitológica orienta o tratamento, e a gravidade depende também do estado clínico. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/malaria
Um viajante retornado da região amazônica apresenta febre, confusão, icterícia e anemia. A gota espessa identifica Plasmodium falciparum e há disfunção renal. A equipe inicia suporte intensivo. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Malária grave é uma emergência; o tratamento parenteral deve começar rapidamente com suporte de complicações. Referência: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/malaria
Adulto com febre após viagem à África apresenta alteração de consciência e parasitemia por P. falciparum. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
A espécie e a disfunção neurológica indicam malária grave. Febre após exposição em área de transmissão exige investigação parasitológica urgente; manifestações variam conforme espécie e gravidade. Referência: https://www.cdc.gov/malaria/hcp/clinical-features/index.html
Viajante retorna da Amazônia com febre e calafrios. Gota espessa identifica formas de Plasmodium no sangue. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
A parasitemia confirma malária no contexto epidemiológico. Febre após exposição em área de transmissão exige investigação parasitológica urgente; manifestações variam conforme espécie e gravidade. Referência: https://www.cdc.gov/malaria/hcp/clinical-features/index.html
Gestante com exposição em área de transmissão apresenta febre e anemia. Esfregaço sanguíneo identifica Plasmodium e orienta tratamento especializado imediato. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
Malária na gestação exige reconhecimento e tratamento oportunos. Febre após exposição em área de transmissão exige investigação parasitológica urgente; manifestações variam conforme espécie e gravidade. Referência: https://www.cdc.gov/malaria/hcp/clinical-features/index.html
Paciente com febre recorrente meses após episódio prévio tem exame positivo para P. vivax. A equipe considera recaída por formas hepáticas persistentes. Qual diagnóstico melhor explica o quadro?
Hipnozoítos podem explicar recaídas por P. vivax. Febre após exposição em área de transmissão exige investigação parasitológica urgente; manifestações variam conforme espécie e gravidade. Referência: https://www.cdc.gov/malaria/hcp/clinical-features/index.html
Após um teste rápido positivo para malária, qual informação adicional a microscopia sanguínea pode fornecer para orientar avaliação e tratamento?
A microscopia pode ajudar a identificar a espécie e quantificar parasitemia, informações que um teste rápido isolado não fornece de modo suficiente. Referência: CDC. Clinical Testing and Diagnosis for Malaria (2024). https://www.cdc.gov/malaria/hcp/diagnosis-testing/index.html
Após a picada de um mosquito Anopheles infectado, qual forma parasitária é inoculada e inicia a infecção das células hepáticas humanas?
O mosquito inocula esporozoítos, que alcançam hepatócitos antes da fase eritrocitária da infecção. Referência: CDC. DPDx: Malaria, parasite biology and laboratory diagnosis. https://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
No ciclo da malária, qual forma do parasita presente no sangue humano é ingerida pelo mosquito e permite dar continuidade ao desenvolvimento sexuado no vetor?
Formas sexuais sanguíneas, os gametócitos, são ingeridas durante o repasto; no mosquito ocorre continuidade do ciclo sexuado. Referência: CDC. DPDx: Malaria, parasite biology and laboratory diagnosis. https://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
Na relação entre o ciclo do Plasmodium e a doença clínica, qual fase está diretamente associada às manifestações típicas como febre e anemia?
Os parasitas da fase sanguínea são responsáveis pelas manifestações clínicas, incluindo efeitos da infecção e destruição de hemácias. Referência: CDC. DPDx: Malaria, parasite biology and laboratory diagnosis. https://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
Entre as complicações renais historicamente associadas às espécies de Plasmodium, qual é particularmente descrita na infecção por P. malariae?
P. malariae tem associação reconhecida com síndrome nefrótica, embora a avaliação renal deva considerar outras causas e mecanismos. Referência: CDC. DPDx: Malaria, parasite biology and laboratory diagnosis. https://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
Embora métodos moleculares possam ser sensíveis para malária, por que não se deve aguardar rotineiramente uma PCR de referência demorada para decidir o atendimento inicial de pessoa agudamente doente?
A confirmação e o tratamento não devem sofrer atraso evitável; PCR pode complementar identificação de espécie, mas sua logística pode limitar a utilidade imediata. Referência: CDC. Clinical Testing and Diagnosis for Malaria (2024). https://www.cdc.gov/malaria/hcp/diagnosis-testing/index.html
Uma primeira pesquisa microscópica para malária é negativa, mas o quadro clínico e a exposição mantêm forte suspeita. Qual princípio justifica repetir o exame?
Um exame inicial negativo pode não excluir malária; quando a suspeita persiste, repetições em intervalos apropriados aumentam a chance de detectar parasitemia. Referência: CDC. Clinical Testing and Diagnosis for Malaria (2024). https://www.cdc.gov/malaria/hcp/diagnosis-testing/index.html
Em paciente com malária por P. vivax, dor intensa súbita no hipocôndrio esquerdo acompanhada de sinais de sangramento interno exige considerar qual complicação, embora rara?
A esplenomegalia relacionada à malária pode, raramente, complicar com ruptura do baço, devendo ser lembrada diante de deterioração compatível. Referência: CDC. DPDx: Malaria, parasite biology and laboratory diagnosis. https://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
Na descrição textual de um esfregaço de malária, são observadas hemácias de tamanho preservado com múltiplas formas anelares delicadas e algumas formas periféricas aplicadas à membrana. Qual espécie é favorecida por esse conjunto?
Múltiplos anéis delicados em hemácias não aumentadas e formas aplicadas são achados que favorecem P. falciparum, exigindo avaliação completa do esfregaço. Referência: CDC. DPDx: Malaria, parasite biology and laboratory diagnosis. https://www.cdc.gov/dpdx/malaria/index.html
Os testes rápidos imunocromatográficos para malária podem auxiliar o diagnóstico quando a microscopia não está prontamente disponível. Qual componente esses testes procuram detectar?
Testes rápidos de malária detectam componentes antigênicos do Plasmodium; não equivalem a sorologia de exposição prévia. Referência: CDC. Clinical Testing and Diagnosis for Malaria (2024). https://www.cdc.gov/malaria/hcp/diagnosis-testing/index.html
Se a confusão melhorar após glicose, por que a internação ainda se justifica?

Reversão de um componente não elimina gravidade renal, metabólica e parasitária.
Qual alteração laboratorial exige correção imediata?

Glicemia de 42 mg/dL pode causar lesão neurológica e agravar o quadro.
Qual abordagem considera a gravidade, além de identificar o parasita?

Disfunção orgânica e hipoglicemia indicam quadro grave; tratamento e suporte não devem ser atrasados.
Uma gota espessa inicial negativa em quadro epidemiologicamente forte deve levar a quê?

Parasitemia e qualidade da amostra afetam sensibilidade; suspeita persistente exige investigação seriada.
Qual vetor participa da transmissão habitual da malária?

Fêmeas infectadas de Anopheles transmitem plasmódios.
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Os números na ordem em que a questão os usa. Exposição: 8 a 30 dias antes dos primeiros sintomas. Incubação: falciparum 8 a 12 dias, vivax 13 a 17, malariae 18 a 30. Ciclo eritrocitário: 48 horas em vivax e falciparum, 72 em malariae. Gota espessa: 5 a 10 parasitos/µL com microscopista experiente, 100/µL em campo; teste rápido em 15 minutos, sensibilidade de 95% ou mais acima de 100 parasitos/µL. Faixas de G6PD: alta ≥ 6.1 UI/gHb, intermediária 4.1 a 6.0, baixa ≤ 4.0. Cloroquina: 10 mg/kg no dia 1 e 7,5 mg/kg nos dias 2 e 3, total 25 mg/kg. Primaquina: 0,5 mg/kg/dia por 7 dias (3,5 mg/kg) no curso inicial; 0,75 mg/kg/semana por 8 semanas (6 mg/kg) na G6PD baixa; 0,5 mg/kg/dia por 14 dias (7 mg/kg) na recorrência; dose única de 0,5 mg/kg no falciparum. Tafenoquina: 300 mg em dose única no adulto, 200 mg de 21 a 34 kg, 100 mg de 10 a 20 kg. Artesunato na forma grave: 3,0 mg/kg/dose abaixo de 20 kg, 2,4 mg/kg/dose de 20 kg para cima. Clindamicina alternativa: 20 mg/kg/dia em três doses por 7 dias. Gravidade laboratorial: hemoglobina ≤ 7 g/dL, parasitemia > 250.000/mm³ no falciparum, diurese < 400 mL/24 h. Recorrência: recrudescência do dia 5 ao 28, recaída do 29 ao 60, reinfecção após o 60. LVC: dias 5 e 28 em área de moderada e alta transmissão. G6PD baixa em cerca de 5% da população amazônica; recaída em cerca de 70% sem 8-aminoquinolina.
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Reconstrua o capítulo por seis perguntas, sem consultar. Primeira: 'como eu confirmo, e qual exame eu não peço?' — nomeie o padrão-ouro, o limite de detecção em campo, o papel do teste rápido e diga por que a sorologia está fora e qual é a única indicação de IgM. Segunda: 'por que a espécie vem antes da dose?' — explique o hipnozoíto e diga quais espécies o têm. Terceira: 'qual número escolhe a segunda parte?' — recite as três faixas de G6PD em UI/gHb com o esquema de cada uma, e explique por que a faixa baixa recebe MAIS primaquina no total, não menos. Quarta: 'quem fica fora das três faixas?' — liste gestante, lactante do primeiro mês, criança abaixo de 5 kg ou 6 meses, criança abaixo de 10 kg ou 1 ano, e diga que droga cada corte veta. Quinta: 'o que muda no falciparum?' — explique por que a primaquina entra em dose única independentemente da G6PD e o que ela está tratando ali. Sexta: 'e se for grave?' — diga o antimalárico, as duas doses por peso, o que fazer se ele faltar, e como se verifica a cura depois. Feche recitando a conta que amarra tudo: 0,5 × 7 = 0,25 × 14 = 3,5 mg/kg.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 34 anos volta de um garimpo em Roraima com febre há quatro dias, calafrios e mialgia. A gota espessa fecha Plasmodium vivax e a atividade de G6PD volta em 5,2 UI/gHb. Conduza a consulta: reconheça que não há sinal de gravidade, escolha a faixa certa, calcule as duas partes do tratamento e diga na saída as duas frases que evitam a recaída e a hemólise despercebida. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
