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Corticoide na inflamação aguda: entrar junto, correr na frente ou recusar

Quando associar, antecipar ou evitar o corticoide

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Paciente de 38 anos vivendo com HIV, CD4 de 45 células por milímetro cúbico, apresenta cefaleia, hemiparesia direita e lesões com realce anelar e efeito de massa moderado na tomografia. Inicia-se tratamento para neurotoxoplasmose. Qual a orientação sobre o corticoide neste momento?

02

Como esse tema cai

O recorte é o corticoide sistêmico ou tópico na inflamação aguda que ameaça função: meningoencefalite tuberculosa, neurite da reação hansênica, arterite de células gigantes, compressão medular metastática, ceratite e uveíte, rinossinusite crônica com pólipos, otite externa difusa, neurocisticercose e neurotoxoplasmose com efeito de massa.

Ficam fora o corticoide inalatório de manutenção da asma e da doença pulmonar obstrutiva crônica, que tem régua própria; a reposição na insuficiência adrenal, que é hormonal e não anti-inflamatória; e a imunossupressão programada do transplante. Ficam fora também os esquemas de longo prazo das doenças reumatológicas sistêmicas, cuja titulação pertence ao especialista que acompanha.

O que o capítulo entrega é a régua de três decisões que se repetem no plantão e no ambulatório: quando o corticoide é parte do tratamento da causa, quando ele precede o exame que confirma, e quando ele é justamente o que não pode ser feito. Junto vêm os cuidados que a corticoterapia obriga a antecipar desde o primeiro comprimido.

03

O que muda decisão

A inflamação que sobrevive à morte do agente

Há infecções em que matar o agente não interrompe o dano. Na meningoencefalite tuberculosa, o bacilo desencadeia uma inflamação densa na base do crânio que estrangula nervos cranianos, obstrui a circulação liquórica e produz vasculite dos vasos perfurantes. Essa inflamação continua — e pode piorar — quando o tuberculostático começa a destruir bacilos e a liberar material antigênico. É o cenário clássico em que o corticoide não compete com o antimicrobiano: ele protege o tecido enquanto o antimicrobiano resolve a causa.

A régua nacional é explícita nesse ponto. O guia de vigilância manda associar corticosteroide à forma meningoencefálica, com prednisona por quatro semanas ou, nos casos graves, dexametasona injetável por quatro a oito semanas, com redução gradual nas semanas seguintes. O verbo é associar, e ele importa: não se troca droga por droga, não se adia o esquema, não se espera resposta para depois pensar em corticoide.

A mesma lógica governa a neurocisticercose parenquimatosa. O albendazol mata o cisticerco, e a morte do parasito dentro do parênquima produz edema e crise convulsiva. Por isso o antiparasitário anda acompanhado de corticoide e de antiepiléptico, e não sozinho. Quem prescreve só o albendazol não está sendo prudente com o corticoide — está deixando o paciente atravessar sem proteção o momento mais perigoso do tratamento.

Na neurotoxoplasmose a regra se inverte de forma instrutiva. Ali o corticoide fica reservado ao efeito de massa significativo, e não entra de rotina, porque interfere na avaliação da resposta ao tratamento específico e acrescenta imunossupressão a quem já tem contagem de linfócitos baixa. Duas doenças do sistema nervoso central, dois comportamentos opostos, e o que os separa é simples: o corticoide entra quando a inflamação é o mecanismo do dano.

A pergunta que resolve a família inteira, portanto, não é se o quadro é grave. É outra: matar o agente, sozinho, interrompe a destruição que está em curso? Quando a resposta é não — porque a inflamação estrangula um nervo, comprime dentro de uma caixa fechada ou vasculariza mal um território —, o corticoide entra no mesmo momento em que o antimicrobiano, e não depois dele.

A reconstituição imune é a versão extrema desse mecanismo. Em pessoa vivendo com HIV que começa antirretroviral, a recuperação da resposta inflamatória pode fazer uma infecção já tratada piorar clinicamente, e o guia de vigilância registra que corticoides sistêmicos podem ser usados nos casos sintomáticos da síndrome associada à meningite criptocócica, sem que a terapia antirretroviral precise ser descontinuada. É o mesmo princípio: o agente está sendo combatido, e quem destrói tecido naquele momento é a resposta do hospedeiro.

Neurite hansênica: a função do nervo é o relógio

A reação hansênica é o exemplo mais didático dessa primeira família, e também o mais cobrado. Um paciente em poliquimioterapia desenvolve dor e espessamento de um tronco nervoso, com perda de força ou de sensibilidade no território correspondente. Isso não é falha do tratamento nem recidiva: é resposta imune montada contra antígenos do bacilo, e ela destrói nervo em dias.

Duas condutas nascem daí, e a primeira é uma subtração que não se faz. A poliquimioterapia não se interrompe por causa da reação. Suspender o esquema é o erro que mais se vê, porque parece intuitivo tirar o que desencadeou a reação; na prática prolonga a doença e não impede a lesão neural, que já está sendo produzida pela resposta imune e não pelo medicamento.

A segunda é a corticoterapia, e ela tem números nacionais. O protocolo brasileiro recomenda prednisona por via oral na dose inicial de um miligrama por quilograma por dia, com redução gradual de cerca de dez miligramas a cada quinze dias, e corticoterapia mantida em média por um mínimo de seis meses, com monitoramento periódico da função neural e dos efeitos adversos. O mesmo documento admite que não há consenso sobre a dose ideal nem sobre o tempo, e cita ensaio em que a dose inicial dobrada não melhorou a recuperação neural quando o tratamento foi precoce.

Esse detalhe muda a prioridade na cabeça de quem atende. Se dobrar a dose não compra recuperação, e tratar cedo compra, o que decide o desfecho é o intervalo entre o início da perda de função e o início do corticoide — não a agressividade do esquema. Um paciente que chega com garra ulnar instalada há semanas tem prognóstico diferente do que chega com dor e hipoestesia de cinco dias, ainda que ambos recebam a mesma prescrição.

Falta a terceira conduta, que é a menos lembrada e a que mais mata. Corticoterapia prolongada em área endêmica exige, no próprio início, profilaxia da estrongiloidíase disseminada: albendazol por três dias ou ivermectina em dose única. A imunossupressão transforma uma infestação silenciosa em hiperinfecção, com sepse por bactérias entéricas carregadas pela larva. O protocolo estende a mesma exigência às crianças, observando que as helmintíases são ainda mais comuns nessa faixa etária.

Esquema de um tronco nervoso periférico em corte longitudinal atravessando um túnel estreito, com o segmento intratúnel visivelmente espessado e as fibras comprimidas; uma linha fina liga o nervo ao contorno de uma mão com região sombreada, e há um pequeno relógio de contorno ao lado.
Dor e espessamento de um tronco nervoso com perda de força ou de sensibilidade no território correspondente não são falha do tratamento nem recidiva: é resposta imune, e ela destrói nervo em dias — a função neural é o relógio da decisão.

Arterite de células gigantes: a visão não espera o laudo

A segunda família é a das cenas em que o corticoide corre na frente do exame que confirma, e a arterite de células gigantes é o seu caso-índice. A cena típica é uma pessoa idosa com cefaleia temporal recente e persistente, sensibilidade do couro cabeludo ao pentear, claudicação de mandíbula ao mastigar, artéria temporal endurecida ou com pulso reduzido, e provas inflamatórias elevadas. Sintomas de polimialgia reumática — dor e rigidez matinal de cinturas — acompanham com frequência.

O que transforma essa cena em urgência é o olho. A neuropatia óptica isquêmica anterior arterítica instala-se de forma abrupta, costuma ser profunda e é irreversível; episódios de amaurose fugaz são o aviso que antecede a perda definitiva, e o segundo olho pode seguir o primeiro em poucos dias. Não existe recuperação da visão perdida, e é isso, e não a intensidade da dor de cabeça, que define o ritmo da conduta.

Do outro lado da balança está o que se perde tratando antes de confirmar, e a resposta é: pouco. A inflamação granulomatosa da parede arterial não desaparece em horas sob corticoide; ela persiste tempo suficiente para que a biópsia de artéria temporal, feita nos dias seguintes, ainda mostre o infiltrado. Some-se que a biópsia tem sensibilidade limitada pelo acometimento segmentar, e o cálculo fica claro: o exame perde pouco por esperar; o olho perde tudo.

A conduta, portanto, é iniciar corticoterapia sistêmica em dose alta imediatamente, no primeiro contato, e programar a biópsia em seguida — sem que o tratamento fique pendurado na agenda do serviço de cirurgia vascular. Fila longa para a biópsia é argumento para acionar a equipe hoje, nunca para adiar o comprimido. A avaliação oftalmológica entra junto, e o registro da acuidade visual do dia serve de linha de base.

Vale reter também o que a boa resposta ao corticoide significa. A literatura reumatológica descreve essa resposta como característica da doença, com parte dos pacientes alcançando remissão sustentada apenas com ele. Isso é útil para confirmar a impressão clínica, mas não autoriza tratar sem investigar: melhora rápida acontece em várias doenças inflamatórias, e o diagnóstico continua exigindo a confirmação que foi apenas adiada, não dispensada.

A dose separa a arterite da polimialgia, e confundir as duas custa caro nos dois sentidos. A polimialgia reumática isolada responde a doses baixas de prednisona, na faixa de quinze miligramas por dia ou menos; a arterite de células gigantes exige dose alta desde o início, e mais alta ainda quando há perda visual instalada. Tratar uma arterite com dose de polimialgia deixa o olho desprotegido, e tratar uma polimialgia com dose de arterite expõe a pessoa idosa a meses de imunossupressão desnecessária.

Compressão medular metastática: o déficit é o relógio

A segunda cena da mesma família tem outro órgão e o mesmo raciocínio. Um paciente com neoplasia sólida conhecida — próstata, mama, pulmão são as mais frequentes — refere dor dorsal ou lombar progressiva, que piora deitado e à noite, durando semanas. Depois surgem os sinais que mudam tudo: fraqueza de membros inferiores, nível sensitivo, retenção urinária ou incontinência.

O prognóstico funcional desse paciente está preso ao estado neurológico no momento em que o tratamento começa. Quem chega deambulando tende a continuar deambulando; quem chega paraplégico raramente volta a andar. Cada hora de compressão consome função que não retorna, e é por isso que a sequência de atos não admite espera pela agenda da ressonância.

A conduta imediata reúne três coisas na mesma ordem: corticoide em dose alta, alívio da bexiga e imagem urgente de toda a coluna. O corticoide reduz o edema vasogênico peritumoral e alivia a dor enquanto o tratamento definitivo é organizado. A sondagem resolve a retenção, que é sofrimento imediato e risco de lesão vesical. E a imagem precisa cobrir a coluna inteira, porque lesões em múltiplos níveis são comuns e mudam o campo de irradiação.

O tratamento definitivo não é o corticoide, e isso precisa ficar claro para não gerar falsa segurança. Radioterapia, cirurgia descompressiva ou a combinação das duas resolvem a compressão; o corticoide apenas segura o dano enquanto a decisão é tomada. Acionar neurocirurgia e radioterapia faz parte do mesmo atendimento, e não de um encaminhamento para depois.

A analogia com a arterite fecha a família. Nos dois casos o exame que confirma continua indicado e continua rendendo depois de iniciado o corticoide; nos dois casos o dano é rápido e irreversível. Quando o dano corre mais rápido do que o exame, o corticoide vai na frente — e essa formulação atravessa cenas que este capítulo nem citou.

O olho vermelho e a camada da córnea

A terceira família é a das cenas em que a conduta certa é não usar o corticoide, e quase todas moram no olho. A razão é de anatomia: no olho o corticoide tópico é liberado ou proibido conforme a camada da córnea acometida, e essa distinção não se faz sem lâmpada de fenda. Quem não tem o aparelho não tem o dado que autoriza.

O texto brasileiro de oftalmologia marca a fronteira com precisão. Ele descreve o benefício do corticoide na inflamação estromal — o uso tópico reduziu de forma significativa a inflamação e o tempo de doença na ceratite estromal herpética — e adverte, no mesmo trabalho, que corticoide tópico não deve ser administrado na vigência de infecção epitelial ativa. A gota que trata o estroma alimenta a replicação viral no epitélio e trava a reepitelização.

O que torna essa decisão suportável no plantão é o preço medido de esperar. O mesmo trabalho registra que adiar o corticoide, mantendo o paciente sob observação cuidadosa, retarda em algumas semanas a resolução da inflamação estromal, mas não afeta a acuidade visual final. Guardado esse par — semanas de inflamação contra nenhuma letra de visão —, segurar o corticoide e encaminhar deixa de ser timidez e passa a ser a conduta exata.

A cena de usuário de lente de contato acrescenta atos próprios. Retira-se a lente, e ela e o estojo vão junto com o paciente para cultura, porque identificam agentes que mudam o tratamento, como pseudomonas e acanthamoeba. Não se pinga anestésico, que impede a reepitelização e mascara a dor que serve de termômetro; não se ocluí o olho, que favorece a proliferação. E encaminha-se como emergência, no mesmo turno.

A recusa, porém, não é absoluta, e confundir isso produz o erro oposto. Uma uveíte anterior já caracterizada por quem tem o aparelho é tratada com corticoide tópico e cicloplégico — ali a gota é a conduta, e negá-la prolonga a inflamação e favorece sinéquias. O que proíbe o corticoide não é o olho vermelho: é a dúvida sobre a camada.

Vale saber também o que a unidade sem lâmpada de fenda pode oferecer enquanto encaminha, porque recusar o corticoide não é recusar cuidado. Analgesia sistêmica, lubrificante ocular sem conservante e orientação para não esfregar o olho aliviam sem alterar o exame que virá. Ficam vedados, além do corticoide, o anestésico tópico de uso domiciliar e o curativo oclusivo. E há sinais que transformam o encaminhamento em transporte imediato: dor desproporcional, queda importante da visão, opacidade da córnea visível a olho nu e pupila irregular.

A via segue o tecido, não o medo

Há um hábito difundido de tratar a via como se ela medisse risco: tópico seria a escolha prudente, sistêmico a escolha arriscada. Nas cenas deste capítulo essa leitura não se sustenta, e o próprio olho é a demonstração — é justamente por via tópica que o corticoide produz o pior dano, perfurando uma córnea que uma dose oral não teria tocado.

A via responde a uma pergunta anatômica simples: onde a droga precisa chegar. Na otite externa difusa o alvo é a pele do conduto, e a gota otológica que associa antibiótico e corticoide entrega concentração local que nenhuma dose oral alcança. Na rinossinusite crônica com pólipos o alvo é a mucosa nasal, e o corticoide tópico nasal é o pilar do tratamento, com lavagem salina ao lado.

Quando o alvo é sistêmico — um nervo profundo, as meninges, a medula, a parede de uma artéria —, nenhuma aplicação local chega. Aí a escolha entre oral e endovenoso decide-se por absorção e urgência, não por gravidade percebida: paciente que come e absorve recebe comprimido; paciente que vomita, que está em jejum para procedimento ou que precisa de início em minutos recebe endovenoso.

O guia de vigilância registra isso com todas as letras ao tratar da síndrome inflamatória de reconstituição imune na meningite criptocócica: corticoides sistêmicos podem ser usados nos casos sintomáticos, e o tipo do corticoide, como prednisona ou dexametasona, e a via de administração, como oral ou endovenosa, dependerá da avaliação de cada caso. Quando o documento oficial delega tipo e via ao juízo clínico, tratá-los como régua fixa é inventar uma regra que ninguém escreveu.

O que de fato mede exposição, e portanto risco, é outra coisa: a duração. Uma dose alta por três dias e uma dose modesta por seis meses produzem problemas de naturezas diferentes, e é a segunda que traz hiperglicemia, perda óssea, catarata e supressão do eixo. Ao prescrever, a pergunta útil não é por onde entra — é por quanto tempo fica.

Potência não é indicação

Escolher entre os corticoides disponíveis é uma decisão de farmacologia aplicada, e ela quase nunca se resolve pela potência. A prednisona é o cavalo de batalha da corticoterapia anti-inflamatória por via oral no Brasil, e o protocolo da hanseníase explica por quê ao registrar que, depois de ingerida e absorvida, ela sofre metabolização hepática e se converte em prednisolona, sua forma farmacologicamente ativa.

Essa conversão tem consequência prática. Em hepatopatia grave a conversão fica prejudicada, e a prednisolona passa a ser preferida; fora disso, prescrever o metabólito no lugar da droga-mãe não acrescenta nada. O mesmo protocolo lembra que a prednisona não tem atividade mineralocorticoide relevante — é excelente anti-inflamatório e inadequada, sozinha, como reposição na insuficiência adrenal.

A dexametasona ocupa outro nicho por três razões: meia-vida longa, ausência de efeito mineralocorticoide e boa penetração no sistema nervoso central. É por isso que ela aparece na meningoencefalite tuberculosa grave e no edema peritumoral, e não por ser mais forte. Já a hidrocortisona tem meia-vida curta e efeito mineralocorticoide significativo, o que a torna a droga da crise adrenal e do choque, não da inflamação ambulatorial.

A pulsoterapia com metilprednisolona endovenosa é o caso em que a intuição mais erra. Ela existe para situações de ameaça imediata a órgão em doenças autoimunes graves — nefrite proliferativa, vasculite com hemorragia alveolar, algumas neurites ópticas —, e cobra o seu preço em hiperglicemia, hipertensão, arritmia e infecção. Potência maior não é cobertura extra: fora da indicação estreita, é dano sem benefício.

A regra de escolha, então, é curta e clínica. Defina o alvo anatômico, defina a duração provável, e escolha a molécula cujo perfil serve àquela combinação. Numa reação hansênica que vai durar meses, prednisona por via oral. Num edema de sistema nervoso central, dexametasona. Numa crise adrenal, hidrocortisona. Trocar essa lógica pela busca do fármaco mais forte disponível é como escolher antibiótico por espectro sem olhar o foco.

Uma noção grosseira de equivalência evita erro de transição. Cinco miligramas de prednisona correspondem, em efeito anti-inflamatório, a cerca de vinte miligramas de hidrocortisona e a menos de um miligrama de dexametasona — ou seja, a dexametasona é várias vezes mais potente por miligrama e dura muito mais. Trocar uma pela outra sem converter produz subdose ou excesso silencioso, e é por isso que os documentos oficiais escrevem dose equivalente de prednisona quando querem definir um limiar que valha para qualquer corticoide.

Dose elevada é uma pergunta antes de ser um número

Passada a decisão de prescrever, aparece a segunda família de perguntas: o que este corticoide impede? A expressão que governa essas situações é dose elevada, e ela não tem um valor único — nem mesmo dentro de um único volume oficial.

Para contraindicar vacina de agente vivo atenuado, o guia de vigilância define dose elevada como o equivalente a vinte miligramas de prednisona por dia em quem pesa mais de dez quilos, ou dois miligramas por quilograma por dia nas crianças de até dez quilos, e exige que esse uso dure mais de duas semanas. Abaixo disso, a vacinação segue normalmente.

Para indicar o tratamento da infecção latente pelo bacilo da tuberculose, o mesmo volume adota outro corte: uso de corticosteroide em dose equivalente a mais de quinze miligramas de prednisona por mais de um mês. Número menor, prazo maior, mesmo documento — e nenhuma contradição.

A explicação está no risco que cada corte protege. O corte da vacina evita que um vírus vivo atenuado se replique sem controle, e replicação é fenômeno de semanas; por isso o número é mais alto e a janela mais curta. O corte da tuberculose antecipa a reativação de um bacilo latente, que responde à imunossupressão sustentada; por isso basta menos dose, desde que por mais tempo.

Na prática de consultório isso vira um hábito de leitura: antes de comparar o miligrama do paciente com um corte decorado, pergunte de que risco se está falando. O paciente em prednisona de manutenção que precisa de febre amarela e o mesmo paciente investigado para tuberculose latente estão sob dois critérios diferentes, e usar o número errado erra nas duas direções — vacina negada sem motivo, ou infecção latente não tratada.

O corticoide que já está em uso muda o resto do plano

Um paciente em corticoterapia não é apenas alguém tomando um remédio: é alguém cujo terreno mudou. Reconhecer isso cedo evita erros que aparecem semanas depois, e faz parte da prescrição desde o primeiro comprimido, e não de uma revisão futura.

O terreno imunológico é o primeiro a mudar. Além da vacina viva e da tuberculose latente, o corticoide atenua febre e sinais inflamatórios, de modo que uma infecção grave pode se apresentar arrastada e pobre. Uma dor abdominal em quem usa corticoide merece limiar mais baixo para imagem, porque a peritonite pode não produzir a defesa que se espera encontrar.

O terreno metabólico e ósseo vem em seguida. Hiperglicemia aparece cedo e costuma exigir ajuste em quem já tem diabetes; pressão arterial sobe; e a perda de massa óssea começa nos primeiros meses, o que justifica avaliar cálcio, vitamina D e risco de fratura em quem vai passar de três meses de tratamento. Catarata e glaucoma pedem seguimento oftalmológico no uso prolongado.

A retirada é o terceiro cuidado, e o mais esquecido. Depois de algumas semanas de dose suprafisiológica o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal fica suprimido, e a suspensão abrupta pode precipitar insuficiência adrenal — daí o desmame escalonado que o protocolo da hanseníase descreve em detalhe, reduzindo a cada quinze dias até doses baixas em dias alternados.

Há ainda um cuidado que inverte a intuição: em algumas doenças de pele o corticoide sistêmico é ele próprio o desencadeante. Na psoríase, a retirada de corticoide sistêmico está entre os gatilhos da forma pustulosa generalizada — razão pela qual placas limitadas se tratam topicamente, com análogo da vitamina D ao lado, e não com o comprimido que o paciente às vezes traz de casa.

Falta o paciente em corticoterapia crônica que vai ser operado ou que adoece gravemente. Com o eixo suprimido, a adrenal não produz o aumento de cortisol que o estresse exigiria, e o risco é de hipotensão refratária no intraoperatório ou na sepse. A conduta é não suspender o corticoide de uso contínuo na véspera de uma cirurgia e discutir com a equipe a necessidade de dose adicional no perioperatório — o oposto do reflexo de suspender tudo o que o paciente toma antes de operar.

De quem é a autoridade sobre esta decisão

Quando um paciente ou um familiar pressiona por corticoide — ou quando pressiona para não usá-lo —, é útil saber de qual corpo de regras vem a resposta. E a divisão é mais nítida do que parece.

O Código de Ética Médica em vigor tem quase quinze mil palavras e cento e vinte e uma menções a artigos, e não escreve a palavra corticoide nenhuma vez — nem prednisona, nem dexametasona, nem miligrama por quilograma. A resolução que o instituiu, mais enxuta, cobre exatamente os mesmos cento e vinte e um dispositivos e guarda o mesmo silêncio farmacológico. Não é lacuna: é competência.

O inverso também vale. O guia de vigilância, com quase duzentas mil palavras, escreve miligrama por quilograma dezenas de vezes e não usa uma única vez a palavra vedado. Um corpo diz o que o médico deve ao paciente; o outro diz o que a doença exige do tratamento. Cada um domina metade, e a decisão de prescrever corticoide mora inteira na segunda.

A diferença aparece até na gramática. O código de ética escreve salvo dezessete vezes e independentemente uma só: governa por exceção nomeada, listando o que libera aquilo que em princípio está proibido. O guia faz o contrário, com dois salvo contra cinquenta e cinco independentemente: governa por indiferença declarada, dizendo que a conduta corre igual apesar desta ou daquela circunstância.

Isso não torna a ética irrelevante à beira do leito — delimita onde ela decide. Ela decide sobre informar, obter consentimento, respeitar recusa esclarecida, registrar e não abandonar o paciente sob seus cuidados. Quem exige corticoide que não está indicado recebe uma explicação, não uma receita; e quem recusa um corticoide indicado precisa de informação adequada sobre o que a recusa custa. A indicação vem da clínica; a conversa é que vem da ética.

04

Três perguntas antes de prescrever ou recusar o corticoide

A sequência abaixo resolve as cenas do capítulo porque separa, na ordem, as três coisas que decidem: o que a inflamação está destruindo, o que o tratamento da causa deixa de deter, e o que ainda não foi examinado. A via e a potência do fármaco entram depois, como consequência, e não como critério.

  1. 1Pergunte primeiro se a inflamação é o mecanismo do dano. Nervo estrangulado, meninge em caixa fechada, edema peritumoral e parede arterial inflamada respondem sim — e nesses casos o corticoide entra no mesmo momento que o tratamento da causa, nunca depois dele.
  2. 2Pergunte depois o que o exame que confirma vai mudar, e quanto ele demora. Se o dano é abrupto e irreversível, e o achado sobrevive dias ao corticoide, trate agora e confirme em seguida. Se o exame é o que distingue duas doenças com condutas opostas, ele vem antes.
  3. 3Pergunte o que ainda não foi examinado. No olho, a camada da córnea decide entre tratar e agravar, e sem lâmpada de fenda esse dado não existe — a conduta então é encaminhar sem pingar, guardando lente e estojo quando houver.
  4. 4Só então escolha via, molécula e duração. O alvo anatômico define a via; a duração provável define a molécula e os cuidados que começam junto — profilaxia de estrongiloidíase, glicemia, osso e plano de desmame.

Primeiro: a inflamação é o dano?

Nervo, meninge, medula e parede arterial continuam sendo destruídos depois que o agente morre. Nessas cenas o corticoide é parte do tratamento da causa.

Segundo: o exame ainda rende depois?

Perda visual e déficit medular não voltam; a biópsia e a ressonância continuam rendendo. Quando o dano corre mais rápido que o laudo, trate agora.

Terceiro: o que falta examinar?

Sem lâmpada de fenda não há como separar epitélio de estroma, e a mesma gota que trata um agrava o outro. Encaminhe sem pingar.

Quarto: por quanto tempo vai durar?

A duração, não a via, mede a exposição. Meses de corticoide obrigam anti-helmíntico no início, controle de glicemia e osso, e desmame escalonado.

Recusar corticoide não é sempre prudente. Na uveíte anterior já caracterizada por quem tem o aparelho, a gota é o tratamento, e negá-la prolonga a inflamação e favorece sinéquias. O que proíbe é a dúvida sobre a camada, não o olho vermelho.

Iniciar corticoide não dispensa tratar a causa. Na meningoencefalite tuberculosa e na neurocisticercose o corticoide acompanha o antimicrobiano; na neurotoxoplasmose ele fica reservado ao efeito de massa, porque atrapalha a leitura da resposta ao tratamento específico.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Se o corticoide entra antes ou depois do exame que confirma

Na arterite de células gigantes o corticoide começa antes da biópsia, e a biópsia é programada em seguida. A literatura de reumatologia registra a boa resposta ao corticoide como característica da doença e descreve remissão sustentada obtida apenas com ele em parte dos casos.

Rev Bras Reumatol, v. 48, n. 2, 2008 — "Arterite de Takayasu e arterite temporal (arterite de células gigantes)"

No olho com suspeita de ceratite herpética a ordem se inverte: o corticoide tópico não deve ser administrado na vigência de infecção epitelial ativa, e é o exame da córnea que libera ou proíbe.

Arq Bras Oftalmol 2001;64:81-6 — "Ceratite Herpética"

Na reação hansênica com neurite não há exame intermediário: o protocolo nacional manda iniciar a corticoterapia e, no mesmo momento, fazer a profilaxia da estrongiloidíase disseminada com albendazol ou ivermectina.

Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase, 2022, item 10.1.2.1

Na prova

O enunciado descreve uma cena em que tratar e investigar competem pelo mesmo horário. O que decide não é a gravidade declarada: é qual dano corre mais rápido do que o exame, e se o achado ainda vai existir depois de iniciado o tratamento. Procure no texto o sinal de perda iminente e o prazo real do exame no serviço descrito.

Que dose passa a contar como dose elevada

Para contraindicar vacina de agente vivo atenuado, dose elevada é o equivalente a prednisona 20 mg/dia (ou 2 mg/kg/dia até 10 kg), por período superior a duas semanas.

Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada, capítulo de imunizações

Para indicar tratamento da infecção latente pelo bacilo da tuberculose, o corte é uso de corticosteroide em dose equivalente a mais de 15 mg de prednisona por mais de um mês.

Ministério da Saúde — Guia de Vigilância em Saúde, volume 2, 6ª edição revisada, capítulo de tuberculose

Na prova

O enunciado dá miligrama e duração e pergunta o que aquilo impede. Não existe corte único: o número muda com o risco que se quer evitar. Identifique primeiro se a pergunta é sobre vacina de agente vivo ou sobre infecção latente, porque cada uma tem o seu par de dose e prazo.

Por quanto tempo se mantém a corticoterapia da reação hansênica

O protocolo brasileiro recomenda prednisona por via oral na dose inicial de 1 mg/kg/dia, com redução gradual, e corticoterapia mantida em média por um período mínimo de seis meses, com monitoramento periódico da função neural.

Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase, 2022

O próprio protocolo registra que não há consenso na literatura sobre as doses ideais nem sobre o tempo de administração, e cita ensaio em que doses iniciais de 1 e de 2 mg/kg/dia não diferiram na recuperação da função neural quando o tratamento foi precoce.

Ministério da Saúde — Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Hanseníase, 2022, item 10.1.2.1 e referência 108

Na prova

As condutas oferecidas trazem esquemas de duração diferente para a mesma reação, e a régua brasileira é a que costuma ser cobrada. Cena que cita ensaio clínico ou compara doses iniciais aponta para o outro corpo de literatura, e o dado que decide é o tempo entre a perda de função e o início do tratamento.

06

Caso resolvido

Mulher de setenta e um anos chega ao pronto atendimento com cefaleia temporal à direita há doze dias, contínua, pior ao pentear o cabelo, com dor na mandíbula ao mastigar que a obriga a interromper as refeições. Refere dois episódios de escurecimento visual à direita nas últimas quarenta e oito horas, cada um durando poucos minutos, com recuperação completa. Perdeu quatro quilos em dois meses e tem dor e rigidez em cinturas escapular e pélvica pela manhã. Ao exame, artéria temporal direita endurecida e dolorosa, pulso temporal reduzido, acuidade visual preservada em ambos os olhos, fundoscopia sem alterações. Provas inflamatórias elevadas. O serviço tem ambulatório de cirurgia vascular com fila de três semanas para biópsia.
Primeiro: reconhecer que o relógio é da visão
Amaurose fugaz em paciente idosa com cefaleia temporal, claudicação de mandíbula e provas inflamatórias altas descreve arterite de células gigantes com isquemia ocular iminente. A perda visual, quando se instala, é abrupta e definitiva, e o segundo olho pode seguir o primeiro em dias.
Segundo: iniciar o corticoide agora
A corticoterapia sistêmica em dose alta entra imediatamente, na própria emergência. O que se ganha é a visão que ainda existe; o que se perde tratando antes de confirmar é pouco, porque o infiltrado da parede arterial sobrevive dias ao corticoide.
Terceiro: programar a biópsia, não aguardá-la
A biópsia de artéria temporal continua indicada e é programada em seguida. A fila de três semanas é motivo para acionar a cirurgia vascular hoje e discutir prioridade, nunca para adiar a primeira dose.
Quarto: envolver o olho desde já
A avaliação oftalmológica entra no mesmo atendimento, e a acuidade visual do dia fica registrada como linha de base — é ela que permitirá reconhecer piora nas primeiras semanas, quando o risco ainda é alto.
Quinto: antecipar o que a corticoterapia longa exige
Tratamento de meses pede, desde o início, controle de glicemia e pressão, avaliação de cálcio, vitamina D e risco de fratura, seguimento oftalmológico e plano de desmame — além da lembrança de que dose elevada mantida contraindica vacina de agente vivo atenuado.
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Agora feche você

Homem de trinta e quatro anos, usuário de lente de contato gelatinosa de uso diário, procura a unidade com olho direito vermelho há três dias, dor em pontada, lacrimejamento e fotofobia intensa. Refere que dormiu com a lente em duas noites da última semana. Diz que já teve episódio parecido há um ano, quando um colega lhe emprestou um colírio que resolveu rápido, e traz o mesmo frasco na bolsa — um colírio com corticoide. À inspeção, hiperemia difusa com predomínio perilímbico, secreção escassa, pupila fotorreagente. A unidade não tem lâmpada de fenda; a referência oftalmológica funciona no mesmo turno.
O que decidir
Diga o que fazer com o colírio que ele trouxe e o que fazer com a lente, antes de qualquer prescrição. Justifique pela camada da córnea que você não consegue examinar aqui.
O que recusar
Nomeie as três coisas que não devem ser iniciadas nesta unidade e explique, para cada uma, qual dano ela pode produzir se a lesão for epitelial e não estromal.
O prazo
Defina em quanto tempo esse paciente precisa ser visto pela oftalmologia e diga o que muda se a referência só puder atendê-lo em uma semana.
O material
Liste o que deve ser guardado e enviado junto com o paciente, e explique por que isso altera a conduta do serviço que vai recebê-lo.
A conversa
Escreva em duas frases como explicar a ele por que o colírio que resolveu rápido da outra vez é justamente o que não pode ser usado agora.
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar a causa e deixar a inflamação correr Na meningoencefalite tuberculosa e na neurocisticercose o corticoide entra junto com o antimicrobiano. Adiar o corticoide para ver a resposta expõe o paciente justamente ao pior momento do tratamento.
  2. 2Suspender a poliquimioterapia por causa da reação A reação hansênica é resposta imune a antígenos do bacilo, não efeito adverso do esquema. Interrompê-lo prolonga a doença e não impede a lesão neural, que já está em curso.
  3. 3Esperar o exame para começar na arterite Perda visual é abrupta e definitiva; o achado histológico sobrevive dias ao início do corticoide. Pedir biópsia e adiar o tratamento troca o que não volta pelo que ainda vai render.
  4. 4Pingar corticoide em olho vermelho sem exame de córnea A mesma gota que trata inflamação estromal alimenta infecção epitelial ativa. Sem lâmpada de fenda, a conduta é retirar a lente, guardar material e encaminhar sem pingar.
  5. 5Escolher o corticoide pela potência Pulsoterapia existe para ameaça imediata a órgão em doença autoimune grave e cobra hiperglicemia, hipertensão e infecção. Fora da indicação, potência maior é dano sem benefício.
  6. 6Usar um corte único para dose elevada Vinte miligramas por mais de duas semanas contraindica vacina viva; mais de quinze miligramas por mais de um mês indica tratar infecção latente. Confira antes de que risco se está falando.
  7. 7Iniciar corticoterapia prolongada sem o anti-helmíntico O protocolo nacional manda fazer a profilaxia da estrongiloidíase disseminada no início da corticoterapia. Sem ela, a imunossupressão transforma infestação silenciosa em hiperinfecção.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Na neurotoxoplasmose o corticoide não é adjuvante de rotina: fica reservado ao efeito de massa significativo, porque atrapalha a leitura da resposta ao tratamento específico — que é justamente o que confirma o diagnóstico presuntivo — e acrescenta imunossupressão a quem já tem linfócitos muito baixos. A base terapêutica é sulfadiazina com pirimetamina e ácido folínico. O contraste com a meningoencefalite tuberculosa é instrutivo: lá a inflamação é o mecanismo do dano e o corticoide entra junto; aqui o dano vem da lesão expansiva, e só o efeito de massa o justifica.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória as três perguntas da sequência — a inflamação é o mecanismo do dano, o exame ainda rende depois, o que falta examinar — e aplique-as a um caso de arterite de células gigantes e a um de olho vermelho em usuário de lente de contato. Para cada um, diga em voz alta o que se perde tratando antes e o que se perde esperando.

em 30 dias

Reconstrua as três famílias com um caso próprio em cada: corticoide junto com o antimicrobiano, corticoide antes do exame que confirma, corticoide recusado até que se examine. Depois escreva os dois cortes de dose elevada com a finalidade de cada um, e a lista de cuidados que começam no mesmo dia da primeira dose de uma corticoterapia de meses.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Uma mulher de setenta e um anos chega ao pronto atendimento com dor de cabeça no lado direito há quase duas semanas, dor na mandíbula quando mastiga e dois episódios curtos de escurecimento da visão nesse olho. Ela chega dizendo que veio só buscar um encaminhamento para o exame que o médico anterior pediu, e quer esperar o resultado antes de tomar qualquer remédio. Atenda: colha o que falta, decida o que começa hoje e explique a ela por que o tratamento não espera o exame. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Corticoide na inflamação aguda: entrar junto, correr na frente ou recusar — Preparatório para provas | OsceLabs