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PAIR e pneumoconioses
PAIR (perda auditiva induzida por ruído) e pneumoconioses
Ruído, poeira, leitura dos exames e controle da exposição
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Homem de 48 anos, trabalhador de pedreira de granito há 20 anos, com dispneia progressiva e tosse. A radiografia mostra pequenos nódulos difusos predominando em campos superiores e linfonodos hilares com calcificação periférica ('casca de ovo'). Qual é o diagnóstico ocupacional mais provável?
Como esse tema cai
Este capítulo trata das duas doenças que a medicina do trabalho descobre por rastreamento, e não por queixa: a perda auditiva por ruído e as pneumoconioses. As duas têm a mesma estrutura — dose acumulada, latência longa, exame que acha a lesão antes do sintoma e norma federal que diz de quanto em quanto tempo esse exame tem de ser repetido. O que muda é o órgão e o instrumento: no ruído, a cóclea e o audiograma; na poeira mineral, o interstício pulmonar, a pleura e a radiografia de tórax lida pela classificação da Organização Internacional do Trabalho.
A prova cobra o tema por três portas. A primeira é o número da norma trabalhista: quantos decibéis por quantas horas, o que acontece quando a jornada mistura níveis diferentes, de quanto em quanto tempo se repete a audiometria e a radiografia. A segunda é a leitura do exame: o que caracteriza o entalhe da perda por ruído, o que separa nódulo de opacidade irregular, o que quer dizer uma leitura 1/1 q/q. A terceira é o que o médico faz depois — afastar da exposição, notificar semanalmente no Sinan, acionar a vigilância —, e é a porta em que a alternativa errada costuma oferecer um antibiótico, um corticoide ou um encaminhamento que não muda nada.
Duas regras de comportamento sustentam o capítulo inteiro e valem antes de qualquer número. A perda auditiva por ruído é irreversível e não tem tratamento que devolva limiar: o que existe é interromper a exposição e reabilitar. As pneumoconioses fibrogênicas também não regridem, e a única conduta que muda o prognóstico é o afastamento do agente — o tratamento medicamentoso fica reservado às formas cuja patogenia é de hipersensibilidade, como as pneumopatias pelo berílio e pelo cobalto e as pneumonites por hipersensibilidade.
Ficam fora, com endereço próprio: a Comunicação de Acidente de Trabalho, a diferença entre notificar e comunicar e o funcionamento da vigilância em saúde do trabalhador, que estão em Acidente de trabalho, ler/DORT e vigilância em saúde do trabalhador, o capítulo anterior desta apostila; o nexo técnico previdenciário em detalhe e as espécies de benefício, que pertencem ao tema de nexo causal, CAT e doenças ocupacionais relacionadas ao trabalho; o corte da prova tuberculínica e o esquema da infecção latente, que estão em Tuberculose pulmonar; o manejo do câncer de pulmão e do mesotelioma, que pede capítulo próprio; e as causas otológicas não ocupacionais de tontura e hipoacusia — vertigem posicional, neurite vestibular, doença de Ménière —, que pertencem ao tema de vertigem periférica.
O que muda decisão
Duas exposições, a mesma engrenagem
Mapa decisório. Comece pela exposição dominante. Ruído contínuo ou intermitente pede história ocupacional e audiometria seriada: o entalhe compatível sustenta PAIR, mas não substitui a análise do nexo nem o controle da fonte. Poeira mineral pede agente, latência e radiografia classificada pela OIT; tomografia de alta resolução entra quando a radiografia é limítrofe, discordante ou precisa de diagnóstico diferencial, não como exame automático. Confirmado ou fortemente suspeito o agravo, a sequência é afastar/controlar a exposição, medir repercussão funcional, notificar ao Sinan, avaliar CAT conforme o vínculo previdenciário e acionar vigilância/Cerest para intervir no ambiente e buscar outros expostos.
Ruído e poeira mineral produzem doença pela mesma aritmética: intensidade multiplicada por tempo, somada ao longo de anos. Nenhuma das duas dói no começo. Nenhuma das duas tem sinal de exame físico confiável na fase em que ainda daria para agir. Por isso o desenho institucional é idêntico nos dois casos — a lei não espera o trabalhador procurar o médico, ela obriga o empregador a examinar quem está exposto, em intervalos fixos, e a comparar o exame de hoje com o exame de ontem.
As réguas vêm de três documentos que respondem a perguntas diferentes e que a prova gosta de trocar entre si. A NR-15 diz quanto de agente é permitido no ambiente: é a norma dos limites de tolerância, tanto do ruído (Anexo n.º 1) quanto das poeiras minerais (Anexo n.º 12). A NR-7 diz que exame o trabalhador exposto tem de fazer e com que periodicidade: audiometria no Anexo II, radiografia de tórax e espirometria no Anexo III. E o Ministério da Saúde, pelo Guia de Vigilância em Saúde, diz o que é caso, quem notifica e para onde vai a informação. Limite de tolerância é higiene ocupacional; periodicidade de exame é controle médico; definição de caso é vigilância. São três livros, não um.
Há um quarto documento, mais recente e menos lembrado, que reorganizou o encanamento da prevenção: a NR-9 deixou de ser o antigo programa de riscos ambientais e virou a norma de avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos, subordinada ao Programa de Gerenciamento de Riscos previsto na NR-1. O inventário de riscos do PGR é hoje o documento que diz quem está exposto e, portanto, quem entra na fila da audiometria e da radiografia. A NR-7 remete a ele por escrito; enunciado que ainda fala em PPRA descreve um mundo que a norma não tem mais.
Ruído: o que a NR-15 permite, e como se conta a dose
O Anexo n.º 1 da NR-15 fixa a máxima exposição diária permissível para ruído contínuo ou intermitente — definido, por exclusão, como o ruído que não é ruído de impacto. A medição é feita em decibéis com medidor de nível de pressão sonora no circuito de compensação A e circuito de resposta lenta, com leituras próximas ao ouvido do trabalhador. A tabela começa em 85 dB(A) para oito horas e termina em 115 dB(A) para sete minutos.
A lógica interna da tabela é uma só: a cada 5 dB(A) a mais, metade do tempo. Oitenta e cinco valem oito horas; noventa, quatro; noventa e cinco, duas; cem, uma; cento e cinco, trinta minutos; cento e dez, quinze. Os demais valores seguem a mesma progressão com arredondamento, quase sempre encurtando o tempo em relação ao cálculo — a maior diferença está em 88 dB(A), em que a regra dos 5 dB daria 5 h 17 min e a norma escreveu cinco horas; em 115 dB(A) o cálculo dá 7 min 30 s e a norma escreveu sete minutos. Em alguns pontos o arredondamento vai para o outro lado, sempre por um ou dois minutos: 86 dB(A) valem sete horas contra 6 h 58 min calculados. Quem decora a escada dos 5 dB acerta a ordem de grandeza da tabela inteira e ainda lê qualquer valor que a banca invente; para o número exato, vale o quadro da norma.
Três regras de aplicação decidem quase todas as questões. A primeira: para um valor de nível de ruído intermediário, que não está na tabela, considera-se a máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado — 97 dB(A) lê-se pela linha de 98 dB(A), ou seja, 1 h 15 min, e não pela de 96. A segunda: não é permitida exposição a níveis acima de 115 dB(A) para quem não esteja adequadamente protegido, e a atividade que expõe a mais do que isso sem proteção oferece risco grave e iminente. A terceira é a soma das frações: quando a jornada tem dois ou mais períodos de exposição a níveis diferentes, somam-se as razões entre o tempo total em cada nível (Cn) e a máxima exposição diária permissível naquele nível (Tn); se a soma exceder a unidade, a exposição está acima do limite de tolerância.
Um exemplo mostra por que a soma existe. Um operador passa 1 h 30 min a 95 dB(A) e 4 h a 85 dB(A). Nenhum dos dois trechos, isolado, excede o próprio limite: 1 h 30 min é menos que as duas horas permitidas a 95 dB(A), e quatro horas é metade das oito permitidas a 85 dB(A). Mas 1,5 dividido por 2 dá 0,75; quatro dividido por oito dá 0,50; a soma é 1,25. A jornada está acima do limite de tolerância, e nenhum dos dois números que a compõem denunciava isso sozinho.
O ruído de impacto tem anexo próprio, o n.º 2: pico de energia acústica com duração inferior a um segundo, em intervalos superiores a um segundo. O limite é de 130 dB medidos no circuito linear com resposta para impacto ou, na falta desse recurso, 120 dB(C) no circuito de resposta rápida. Acima de 140 dB lineares — ou de 130 dB(C) — há risco grave e iminente. Nos intervalos entre os picos, o ruído existente é avaliado como contínuo.
Falta o nível de ação, que é o gatilho do exame médico e não do adicional de insalubridade. A NR-9 ainda não tem anexo próprio para ruído; enquanto ele não for estabelecido, valem as disposições transitórias, que mandam adotar os limites da NR-15 e definem, como nível de ação para o agente físico ruído, a metade da dose. Nível de ação, na definição da própria norma, é o valor acima do qual devem ser implementadas ações de controle sistemático para que a exposição não ultrapasse os limites. A norma não converte essa meia-dose em decibéis, e a tabela da NR-15 começa em 85 dB(A); aplicando a mesma regra dos 5 dB, oito horas a 80 dB(A) valem exatamente meia dose — é dessa conta que sai o número que a higiene ocupacional usa como nível de ação para jornada de oito horas.
O audiograma do ruído: o entalhe que volta a subir
A perda auditiva induzida por ruído é neurossensorial, quase sempre bilateral, irreversível e, uma vez cessada a exposição, não progride. Essa última cláusula é a mais cobrada e a mais mutilada: o Ministério da Saúde descreve a doença como progressiva conforme o tempo de exposição e, no mesmo capítulo, afirma que, cessada a exposição, não há progressão da perda. As duas frases só convivem lidas como uma só — progride enquanto o ruído continua, estaciona quando ele acaba. Perda que segue piorando anos depois do afastamento não é atribuível ao ruído, e é aí que a vinheta esconde outro diagnóstico.
O padrão audiométrico tem assinatura. O primeiro sinal é o rebaixamento do limiar em 3, 4 ou 6 kHz. No início da perda, a média dos limiares de 500 Hz, 1 kHz e 2 kHz é melhor do que a média de 3, 4 e 6 kHz — ou seja, as frequências da fala ainda estão preservadas quando as agudas já caíram. E o limiar de 8 kHz tem de ser melhor que o pior limiar: é a recuperação que fecha o entalhe pela direita, e o critério mais útil da lista, porque é justamente o que a presbiacusia não faz. São os critérios diagnósticos que o Ministério da Saúde adota, tomados do American College of Occupational and Environmental Medicine.
Há teto, e o teto é argumento diagnóstico. Apenas a exposição ao ruído não produz perdas maiores que 75 dB nas frequências altas nem maiores que 40 dB nas baixas. Um audiograma com limiar de 90 dB em 4 kHz num caldeireiro não é só ruído: ou há outra causa somada, ou o diagnóstico está errado. Do mesmo modo, a progressão é maior nos primeiros dez a quinze anos de exposição e tende a diminuir com a piora dos limiares — perda que acelera depois de vinte anos da mesma exposição pede investigação, não carimbo.
O quadro clínico que acompanha raramente é só auditivo. Zumbido, intolerância a sons intensos e dificuldade de comunicação com colegas e familiares vêm junto, e o trabalhador costuma relatar cefaleia, tontura, irritabilidade, alteração do sono, dificuldade de atenção e isolamento. A queixa que abre a consulta muitas vezes não é surdez: é o zumbido, ou a reclamação da família de que ele aumentou o volume da televisão.

O que o entalhe não é
A presbiacusia é o diferencial que mais aparece porque coabita com a exposição: o trabalhador de 58 anos exposto a ruído tem as duas coisas. O que separa é a forma da curva. A perda por ruído faz entalhe e recupera em 8 kHz; a curva da idade desce em rampa e tem o pior limiar na frequência mais alta testada. O critério do Ministério da Saúde é operacional e resolve a vinheta: se o limiar de 8 kHz não for melhor que o pior limiar, o padrão não é o da perda por ruído.
O trauma acústico é evento, não processo — uma explosão, um tiro, um estouro. Pode ser unilateral, é súbito e pode vir com perfuração timpânica, ou seja, com componente condutivo, coisa que a perda crônica por ruído não tem. A mudança temporária de limiar é a fadiga auditiva do fim do turno: o limiar cai e volta com repouso, e é exatamente por causa dela que a norma exige repouso auditivo de no mínimo 14 horas antes da audiometria. Exame feito na saída do turno mede fadiga e vira perda permanente na mão de quem não leu a regra.
Substâncias ototóxicas e vibração merecem atenção especial por texto expresso da norma, de forma isolada ou simultânea à exposição ao ruído: solventes, alguns metais, aminoglicosídeos e quimioterápicos platinados agridem a mesma cóclea e mudam a forma da curva. E assimetria importa: perda francamente unilateral, ou muito assimétrica, em exposição ambiental simétrica não se explica pelo ruído e obriga a pensar em schwannoma vestibular, doença de Ménière ou surdez súbita. Nesses casos a própria NR-7 manda orientar e encaminhar o empregado para avaliação especializada.
NR-7, Anexo II: o exame que a norma manda e o nome que ela usa
Duas coisas mudaram na NR-7 reescrita, e quase nenhum material de estudo acompanhou. A primeira é o nome: o anexo da audição não fala em PAIR, fala em Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados — painpse. A sigla da Norma Regulamentadora e a do Ministério da Saúde são diferentes, e o item da lista de notificação compulsória não usa nenhuma das duas, como se verá adiante. A segunda mudança é a periodicidade: o exame audiométrico deve ser realizado, no mínimo, na admissão, anualmente tendo como referência o exame admissional, e na demissão. O célebre esquema admissional, seis meses depois e a seguir anual sobrevive na norma vigente apenas no Anexo IV, que trata de condições hiperbáricas — trabalho sob ar comprimido e mergulho. Repetir esse esquema para exposto a ruído é citar o anexo errado.
Quem entra na fila: todo empregado que exerça ou venha a exercer atividade em ambiente cujos níveis de pressão sonora estejam acima dos níveis de ação, conforme informado no PGR da organização — e a norma acrescenta, por escrito, independentemente do uso de protetor auditivo. O protetor não dispensa audiometria, e alegar que a empresa fornece abafador não retira ninguém do programa. Os exames de referência e sequenciais compõem-se de anamnese clínico-ocupacional, exame otológico, exame audiométrico e outros exames audiológicos complementares a critério médico: a otoscopia entra por norma, não por zelo.
O exame tem requisitos técnicos que a prova cobra em bloco. Repouso auditivo mínimo de 14 horas. Cabina audiométrica conforme a ISO 8253-1, dispensável apenas onde exista ambiente acusticamente tratado que atenda à mesma norma. Via aérea sempre em 500, 1.000, 2.000, 3.000, 4.000, 6.000 e 8.000 Hz; havendo alteração na via aérea, também via óssea em 500, 1.000, 2.000, 3.000 e 4.000 Hz. Aferição acústica anual do audiômetro, calibração a cada cinco anos quando o fabricante não indicar prazo, e aferição biológica antes dos exames. Execução por médico ou fonoaudiólogo. Na demissão, aceita-se exame realizado até 120 dias antes da finalização do contrato.
A arquitetura da comparação é o coração do anexo. Exame de referência é aquele com o qual os sequenciais serão comparados; é feito quando não existe referência prévia e refeito quando algum sequencial apresentar alteração significativa. Exame sequencial é o que se compara à referência, e se aplica a todo empregado que já tenha uma. A referência permanece como tal até que um sequencial demonstre desencadeamento ou agravamento — e, quando isso acontece, esse sequencial passa a ser a nova referência. Sem essa regra, a comparação ficaria presa ao audiograma da admissão para sempre, e a segunda piora nunca apareceria.
Os números que definem piora, e o quadrante que a norma não numera
Dentro dos limites aceitáveis: limiares menores ou iguais a 25 dB(na) em todas as frequências examinadas. Sugestivo de perda por níveis de pressão sonora elevados: audiograma que, em 3.000 e/ou 4.000 e/ou 6.000 Hz, mostre limiares acima de 25 dB(na) e mais elevados do que nas outras frequências testadas, estando estas comprometidas ou não, em via aérea ou óssea, de um lado ou dos dois. O que não se enquadra nesse desenho, diz a norma expressamente, não é considerado sugestivo — e essa frase é o que impede transformar qualquer perda de trabalhador exposto em doença ocupacional por presunção.
Desencadeamento é comparação, não valor absoluto. Quando todos os limiares, na referência e no sequencial, permanecem menores ou iguais a 25 dB(na), há desencadeamento se a diferença entre as médias aritméticas dos limiares no grupo de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz igualar ou ultrapassar 10 dB(na), ou se a piora em pelo menos uma dessas três frequências igualar ou ultrapassar 15 dB(na). A mesma dupla de critérios vale quando apenas a referência tinha todos os limiares dentro de 25 dB.
Agravamento é o caso já confirmado na referência. Aí a norma amplia o alvo em duas direções: a média que conta pode ser a de 500, 1.000 e 2.000 Hz — as frequências da fala — ou a de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz, e basta uma delas piorar 10 dB(na) ou mais; e a piora de 15 dB(na) ou mais passa a valer em uma frequência isolada qualquer, não só nas três agudas. Faz sentido clínico: quem já tem entalhe consolidado piora pelo meio da curva, e é a queda nas frequências da fala que tira a capacidade de conversar.
A matriz, porém, tem um quadrante sem número. Os critérios cobrem três estados da referência: todos os limiares dentro de 25 dB na referência e no sequencial; referência dentro de 25 dB com sequencial fora; e caso já confirmado como perda por níveis de pressão sonora elevados. Falta o quarto — referência já alterada, mas com alteração que não obedece ao desenho descrito acima, como uma perda condutiva em 500 Hz ou uma curva plana de origem não ocupacional. Para esse quadrante o anexo não oferece corte em decibéis: oferece conduta. O item 10 manda o médico do trabalho verificar a possibilidade de mais de um tipo de agressão ao sistema auditivo, orientar e encaminhar o empregado para avaliação especializada, definir a aptidão e disponibilizar cópias dos exames. A leitura que fecha a matriz é essa — quando a referência sai do molde, a régua deixa de ser aritmética e passa a ser o encaminhamento.
Achar piora não é declarar inapto
A norma diz, com todas as letras, que a perda auditiva por níveis de pressão sonora elevados, por si só, não é indicativa de inaptidão para o trabalho. A decisão pesa onze fatores nomeados no anexo: história clínica e ocupacional, otoscopia e outros testes audiológicos complementares, idade, tempos de exposição pregressa e atual, níveis a que o empregado esteve, está ou estará exposto, demanda auditiva da função, exposição não ocupacional a níveis elevados, exposição ocupacional e não ocupacional a outros agentes de risco auditivo, capacitação profissional e os programas de conservação auditiva a que ele tem ou terá acesso. Alternativa que manda demitir, ou que declara inaptidão só pelo traçado, está errada por texto expresso.
Reconhecido o desencadeamento ou o agravamento, quatro obrigações caem sobre o médico do trabalho responsável pelo PCMSO: definir a aptidão do empregado para a função, incluir o caso no Relatório Analítico do PCMSO, participar da implantação e do aprimoramento de programas de conservação auditiva — considerando também vibração e agentes ototóxicos ocupacionais — e disponibilizar cópias dos exames audiométricos aos empregados. A última é a que mais some das respostas e a que mais importa na vida real: sem cópia, o trabalhador não tem como provar nada depois.
Do lado da saúde, a conduta é curta porque a doença é irreversível. Não há tratamento que recupere limiar. O que existe é interromper a exposição, reabilitar com aparelho de amplificação sonora quando indicado — o que costuma reduzir também o zumbido — e trabalhar estratégias de comunicação com fonoaudiologia. A prevenção é a única estratégia que evita a doença, e a hierarquia que o Ministério da Saúde descreve começa por substituir tecnologia e enclausurar máquina, passa por monitoramento ambiental e vigilância do ambiente e do processo de trabalho, e só termina no equipamento de proteção individual.
Poeira mineral: o que entra em pneumoconiose e o que fica de fora
Pneumoconioses, na definição que o Ministério da Saúde usa, são doenças pulmonares parenquimatosas relacionadas à inalação de poeiras minerais em ambientes de trabalho, qualquer que seja o processo fisiopatogênico envolvido. A definição tem uma cláusula de exclusão que resolve questão: ficam de fora as alterações neoplásicas e as outras reações de vias aéreas, como asma, bronquite e enfisema. Câncer de pulmão em trabalhador exposto a asbesto é doença relacionada ao trabalho, mas não é pneumoconiose — e, na lista de notificação, entra por outra linha, a de câncer relacionado ao trabalho.
A divisão que organiza o resto é entre não fibrogênicas e fibrogênicas. As não fibrogênicas produzem lesão macular, com deposição intersticial peribronquiolar de partículas, pouco ou nenhum desarranjo estrutural e proliferação de fibrose ausente ou discreta — é o grupo em que o afastamento pode até reduzir a intensidade das opacidades radiográficas. As fibrogênicas levam à fibrose intersticial, e o padrão anatomopatológico depende do agente: fibrose nodular na silicose, fibrose difusa na asbestose, deposição macular com graus variados de fibrose na pneumoconiose dos trabalhadores do carvão. No mesmo grupo fibrogênico entram a pneumoconiose por poeira mista, as doenças relacionadas ao asbesto, a pneumoconiose por abrasivos, a pneumopatia por metais duros, a pneumopatia pelo berílio e as pneumonites por hipersensibilidade.
A doença acontece quando o material particulado inalado chega às vias respiratórias inferiores em quantidade superior à capacidade de depuração — transporte mucociliar, transporte linfático e fagocitose pelos macrófagos alveolares. A reação depende das características físico-químicas da partícula: partículas menores e recém-fraturadas de sílica, e fibras mais finas e longas de asbesto, são mais lesivas. Daí a regra prática de higiene: corte a seco e jateamento fraturam a partícula na hora, e é por isso que a mesma rocha é inofensiva no bloco e perigosa no disco de corte.
As ocupações de risco desenham a vinheta: mineração e transformação de minerais, indústria de fibrocimento, metalurgia, cerâmica, vidro, construção civil, marmorarias e beneficiamento de rochas ornamentais, carvoarias, agricultura e indústria da madeira para as poeiras orgânicas. Somam-se como fatores de risco doenças pulmonares prévias, deficiência imunológica, poluição atmosférica e tabagismo. E a latência é longa e variável — nas asbestoses, da ordem de trinta a quarenta anos.
Silicose: três formas e uma imagem
A forma aguda, ou proteinose alveolar silicótica, aparece depois de meses ou poucos anos de exposição intensa a partículas finamente divididas e recém-quebradas — o caso típico é o jateamento de areia e a perfuração de rochas. O quadro é de dispneia intensa, astenia, perda de peso e hipoxemia; a radiografia mostra infiltrado alveolar bilateral difuso, e a tomografia de alta resolução, vidro fosco com espessamento septal liso e condensações de distribuição geográfica. A evolução para o óbito costuma ser rápida. O padrão funcional predominante é restritivo.
A forma acelerada ocupa o meio do caminho e costuma aparecer entre cinco e dez anos de exposição, com apresentação clínica e radiológica semelhante à crônica e nódulos silicóticos à patologia. A forma crônica é a mais comum e vem depois de mais de dez a quinze anos de exposição ou de latência: começa assintomática e evolui com dispneia progressiva. O padrão funcional que predomina nas formas crônicas é obstrutivo, em geral pouco ou nada responsivo a broncodilatador — o oposto do que a intuição sugere para uma doença chamada fibrosante.
A imagem da silicose crônica tem quatro marcas que valem decorar. Infiltrado micronodular bilateral com predomínio nas zonas superiores, poupando os seios costofrênicos. Coalescência dos nódulos formando grandes opacidades, em geral bilaterais — a fibrose maciça progressiva. Aumento de linfonodos hilares e mediastinais, às vezes com a calcificação periférica conhecida como casca de ovo. E, na tomografia, micronódulos centrolobulares e subpleurais de predomínio nos lobos superiores, massas conglomeradas de formato irregular e áreas de enfisema.
A tomografia de alta resolução detecta alterações mais precoces que a radiografia, mas o seu lugar é definido: método complementar nos casos duvidosos — leitura 0/1 ou 1/0 na classificação da OIT — ou para diferenciar de sarcoidose e linfangite carcinomatosa. A espirometria não faz diagnóstico de silicose; serve para avaliar e monitorar a repercussão funcional, e não há boa correlação entre a extensão da imagem e o grau de alteração funcional. A biópsia pulmonar só entra quando a alteração radiológica existe sem história ocupacional que a explique, quando a apresentação é atípica, ou para separar da doença crônica pelo berílio, cujo diagnóstico etiológico muda o tratamento.
A sílica não adoece só o pulmão. A inalação de poeira com sílica se associa a silicose, doença pulmonar obstrutiva crônica, câncer de pulmão, insuficiência renal — atribuída principalmente a glomerulonefrite ou nefrite intersticial — e aumento do risco de tuberculose pulmonar e de doenças do colágeno, entre elas esclerodermia e artrite reumatoide. O risco de tuberculose é maior em quem tem história presente ou passada de exposição à sílica, com ou sem silicose; entre silicóticos com teste tuberculínico positivo, estudos descrevem risco relativo elevado e incidência de tuberculose da ordem de 68 casos por mil pessoas-ano. A silicose figura entre as condições em que o Ministério da Saúde indica investigar e tratar infecção latente — o corte da prova tuberculínica e o esquema estão em Tuberculose pulmonar.
Asbesto: a pleura adoece antes do pulmão
As manifestações mais frequentes da exposição ao asbesto não são pulmonares: são as placas pleurais, espessamentos circunscritos de material hialino na camada submesotelial da pleura parietal, ao nível das margens costais, do diafragma e das áreas paravertebrais. Podem ocorrer com qualquer tipo de fibra, costumam ser bilaterais, são melhor vistas nas metades inferiores das paredes laterais do tórax na radiografia póstero-anterior e têm latência média de trinta anos. Placa pleural não é asbestose: é marcador de exposição, e sozinha não indica fibrose do parênquima. Placa unilateral pede diferencial com sequela de fratura de costela e com doença inflamatória ou infecciosa, tuberculose inclusive.
Três outras alterações pleurais completam o grupo benigno. O espessamento pleural difuso é doença da pleura visceral, não é específico do asbesto e costuma seguir um derrame; apaga o seio costofrênico e pode causar dispneia de esforço e restrição funcional significativa. O derrame pleural pelo asbesto tem curso benigno, é exsudato frequentemente hemorrágico, recorrente e muitas vezes bilateral, e seu diagnóstico é retrospectivo, por exposição e exclusão — derrame hemorrágico em exposto ao asbesto não significa mesotelioma. A atelectasia redonda é massa arredondada de 2 a 7 cm com base na pleura e um feixe broncovascular em cauda de cometa apontando para o hilo; é benigna, quase sempre assintomática e o seu maior risco é ser confundida com neoplasia.
A asbestose é a fibrose intersticial pulmonar consequente à inalação de poeira de asbesto, e nada nela é específico: o diagnóstico exige história de exposição significativa no passado e, quando há tecido, a identificação de fibrose intersticial difusa somada a dois ou mais corpos de asbesto por centímetro quadrado de secção. A fibrose predomina nas regiões póstero-basais dos lobos inferiores, junto à superfície pleural. Clinicamente, dispneia e estertores crepitantes de bases; baqueteamento digital e dor torácica são inespecíficos e raros no meio brasileiro. A radiografia mostra pequenas opacidades irregulares — s, t ou u — com profusão de grau 1 ou maior nos dois terços inferiores dos pulmões. A latência aceita hoje é de quinze anos ou mais, e com o controle ocupacional atual espera-se latência de trinta a quarenta anos e doença mais discreta.
Do lado maligno, dois desfechos. O câncer de pulmão em exposto ao asbesto não tem tipo histológico nem localização preferencial; o risco é ao menos dez vezes o do não exposto e cerca de cinquenta vezes se ele também fumar. Para atribuir o tumor à fibra exigem-se exposição cumulativa alta e intervalo de pelo menos dez anos desde a primeira exposição, e a presença de asbestose funciona como marcador de exposição alta. O mesotelioma maligno de pleura é raro, quase sempre ligado ao asbesto, mais aos anfibólios — crocidolita, amosita, tremolita — do que à crisotila, e tem latência de trinta a quarenta anos. Manifesta-se com dor, derrame recidivante, perda de peso e dispneia; a tomografia mostra espessamento pleural de borda interna irregular, por vezes circunferencial, encarcerando o pulmão. O diagnóstico de certeza exige fragmento amplo por toracoscopia ou biópsia a céu aberto, com imuno-histoquímica; agulha costuma ser insuficiente. O tratamento é, na maioria dos casos, paliativo.

A leitura da OIT: profusão, forma, tamanho e as grandes opacidades
A classificação internacional da OIT existe para codificar a radiografia de forma simples e reprodutível — e a primeira frase das diretrizes é a que mais se esquece: a classificação não define entidades patológicas, não leva em conta capacidade de trabalho, não define pneumoconiose para fins de compensação e não estabelece nível de compensação nenhum. Nenhum aspecto radiográfico é patognomônico de exposição a poeira. Quem lê 1/1 e escreve laudo de silicose está fazendo o que a própria classificação proíbe.
A profusão das pequenas opacidades é a concentração delas nas zonas afetadas, comparada às radiografias-padrão. São quatro categorias — 0, 1, 2, 3 — e doze subcategorias, porque cada leitura registra a categoria escolhida e a alternativa considerada: 0/-, 0/0, 0/1; 1/0, 1/1, 1/2; 2/1, 2/2, 2/3; 3/2, 3/3, 3/+. Quatro vezes três dá exatamente as doze subcategorias, sem sobra e sem buraco. A leitura 0/0 é a radiografia sem pequenas opacidades, ou com quantidade insuficiente para considerar a categoria 1 como alternativa. Cada pulmão é dividido em três zonas — superior, média e inferior — por linhas a um terço e a dois terços da distância do ápice à hemicúpula diafragmática.
Forma e tamanho são registrados por duas letras. Regulares, ou seja, opacidades arredondadas bem circunscritas de até 10 mm: p até 1,5 mm, q entre 1,5 e 3,0 mm, r entre 3,0 e 10,0 mm. Irregulares, isto é, lineares, reticulares ou retículo-nodulares de até 10 mm: s até 1,5 mm, t entre 1,5 e 3,0 mm, u entre 3,0 e 10,0 mm. Se todas as opacidades forem do mesmo tipo, registra-se a letra dobrada, como q/q; se houver número significativo de um segundo tipo, a segunda letra o registra, como q/t. A regra mnemônica funciona: p, q, r são as arredondadas da sílica e do carvão; s, t, u são as irregulares da asbestose.
Grandes opacidades são as maiores que 10 mm, e vêm em três categorias. A é uma opacidade de 10 a 50 mm no maior diâmetro, ou várias cuja soma dos maiores diâmetros não ultrapasse 50 mm. B são opacidades maiores ou mais numerosas que as da categoria A, com área combinada que não exceda o equivalente à zona superior direita. C é a área combinada que excede a zona superior direita. Há uma sobreposição aparente na letra: a definição geral diz maiores que 10 mm e a categoria A diz de 10 a 50 mm, o que colocaria a opacidade de exatamente 10 mm em dois lugares. A definição geral prevalece — 10 mm ainda é pequena opacidade r, e a categoria A começa acima disso.
As anormalidades pleurais são registradas à parte, separadamente à direita e à esquerda: placas — com região, calcificação e extensão —, obliteração do seio costofrênico e espessamento pleural difuso, este último registrado apenas quando há seio obliterado ou continuidade com ele. Para registrar placa em perfil exige-se espessura mínima de 3 mm. E o uso dos símbolos é obrigatório, porque é neles que entram os achados que sugerem outra etiologia.
O rastreamento que a NR-7 manda fazer
O Anexo III da NR-7 governa a radiografia de tórax e a espirometria de quem trabalha com poeira mineral. A radiografia tem de ser interpretada obrigatoriamente pelos critérios da OIT na revisão mais recente e com a coleção de radiografias-padrão. O laudo é assinado por médico radiologista com título de especialista, ou por médico com título ou registro em Pneumologia, Medicina do Trabalho ou Clínica Médica, em qualquer caso com qualificação ou certificação em leitura radiológica das pneumoconioses. A certificação vem da aprovação nos exames do National Institute for Occupational Safety and Health ou no exame AIR Pneumo — no caso do NIOSH, o profissional também pode ser chamado Leitor B. Tomografia de alta resolução pode ser feita em casos selecionados, a critério clínico.
A periodicidade da radiografia não é fixa: depende de quanto o ambiente mede. Para sílica, asbesto ou carvão mineral, o anexo escalona pelo limite superior do intervalo de confiança da média estimada em relação ao limite de exposição ocupacional. Até 10% do limite, radiografia na admissão e na demissão se a última tiver mais de dois anos. Entre 10% e 50%, a cada cinco anos até quinze anos de exposição e a cada três depois. Entre 50% e 100%, a cada três anos até quinze anos e a cada dois depois. Acima de 100%, a cada ano. E a empresa que não faz avaliação quantitativa cai na régua de quem não mede: a cada dois anos até quinze anos de exposição e anual depois — mais rigorosa que a de quem mede e comprova ambiente limpo, que é exatamente o incentivo pretendido.
Duas notas do mesmo quadro decidem conduta. Trabalhador com leitura radiológica 0/1 ou mais deve ser avaliado por médico especializado — ou seja, o gatilho do encaminhamento é a menor leitura que já não é 0/0, e não a categoria 1. E quem teve a exposição reduzida, mas esteve exposto a concentrações maiores por um ano ou mais, mantém o intervalo de exames do período de maior exposição.
A espirometria segue regra própria: exposto a poeira mineral indicada no inventário de riscos do PGR faz espirometria no exame admissional e a cada dois anos. Exposto a outros agentes agressores pulmonares faz apenas se desenvolver sinais ou sintomas respiratórios. Quem usa proteção respiratória e tem doença respiratória crônica ou sintomas faz no admissional ou no exame de mudança de risco. Execução e interpretação seguem as Diretrizes do Consenso Brasileiro sobre Espirometria na versão mais recente, e o laudo é de médico.
O asbesto tem regime de exceção que sobrevive ao fim do contrato. Terminado o vínculo, o empregador deve disponibilizar exames médicos de controle por no mínimo trinta anos, sem custo para o trabalhador, com periodicidade escalonada pelo tempo de exposição: a cada três anos até doze anos de exposição, a cada dois anos de doze a vinte, e anual acima de vinte. O trabalhador recebe, na demissão e nos retornos, a comunicação da data e do local da próxima avaliação. A espirometria pós-demissional acompanha a periodicidade da radiografia.
O limite que a NR-15 fixa para a poeira
Para a sílica livre cristalizada, o Anexo n.º 12 não dá um número: dá fórmulas, e o denominador é o percentual de quartzo da poeira. Poeira respirável: limite de tolerância igual a 8 dividido por (percentual de quartzo mais 2), em miligramas por metro cúbico. Poeira total: 24 dividido por (percentual de quartzo mais 3). E, para amostras colhidas com impactador e contadas por campo claro, 8,5 dividido por (percentual de quartzo mais 10), em milhões de partículas por decímetro cúbico. Numa poeira de 100% de quartzo, a conta da poeira respirável dá 8 dividido por 102, cerca de 0,078 mg/m³; numa poeira com 10% de quartzo, 8 dividido por 12, cerca de 0,67 mg/m³. É a mesma norma dizendo que o que importa não é a quantidade de pó, e sim quanto dele é sílica.
O anexo tem uma remissão interna quebrada que vale reconhecer para não perder tempo procurando o que não está lá: o item que fixa a validade dos limites para jornadas de até 48 horas semanais remete aos limites fixados no item 5, e o item 5 é a definição de que quartzo significa sílica livre cristalizada. Os limites estão nos itens 1, 2 e 4. A leitura que faz sentido é a única possível — a validade de 48 horas alcança os três limites de tolerância do anexo.
Duas proibições do mesmo anexo aparecem em prova mais do que as fórmulas. É proibido o processo de trabalho de jateamento que utilize areia seca ou úmida como abrasivo. E as máquinas e ferramentas usadas no corte e no acabamento de rochas ornamentais devem ter sistema de umidificação capaz de minimizar ou eliminar a geração de poeira. Uma vinheta de marmoraria com corte a seco descreve, em uma linha, uma irregularidade normativa e o mecanismo da doença.
Para o asbesto, o mesmo Anexo n.º 12 proíbe qualquer tipo de fibra do grupo anfibólio e a pulverização de todas as formas de asbesto, proíbe trabalho de menores de dezoito anos nos setores com exposição, exige avaliação ambiental em intervalos não superiores a seis meses com registros guardados por trinta anos, vestiário duplo, banho ao fim da jornada e vestimenta de trabalho fornecida e lavada pelo empregador. O limite de tolerância que o texto fixa para fibras respiráveis de crisotila é de 2,0 fibra por centímetro cúbico, contando-se como respirável a fibra com diâmetro inferior a 3 micrômetros, comprimento maior que 5 micrômetros e relação comprimento-diâmetro superior a 3 para 1. Esse limite convive com um problema que o capítulo trata adiante: o dispositivo legal que autorizava o uso da crisotila no país foi declarado inconstitucional.
O mesmo anexo tem uma regra de rastreamento que não coincide com a da NR-7 e que vale ler com atenção: todos os trabalhadores com função ligada à exposição ocupacional ao asbesto devem realizar, obrigatoriamente, na admissão, na demissão e anualmente, além da avaliação clínica, telerradiografia de tórax e espirometria. Anualmente, sem escalonamento por concentração medida — o oposto do Quadro 1 da NR-7, que permite espaçar a radiografia quando a empresa mede a poeira e o resultado fica baixo. É a segunda divergência tratada adiante, e o anexo ainda remete, para os demais exames, a um subitem 7.1.3 da NR-7 que a norma reescrita não contém mais.
Notificar: semanal, no Sinan, e o que mudou em 2024
Perda auditiva relacionada ao trabalho e pneumoconioses relacionadas ao trabalho são, hoje, itens próprios da Lista Nacional de Notificação Compulsória, ambos com periodicidade semanal. Isso é mais recente do que parece: até 2024 os agravos de saúde do trabalhador eram monitorados pela estratégia de vigilância sentinela, e foi a Portaria GM/MS n.º 5.201, de 15 de agosto de 2024, que os transferiu para a lista geral — junto com câncer relacionado ao trabalho, dermatoses ocupacionais, distúrbio de voz relacionado ao trabalho, ler/DORT e transtornos mentais relacionados ao trabalho. A lista sentinela hoje vigente não contém nenhum agravo de saúde do trabalhador. Material que ainda descreve esses agravos como de vigilância sentinela descreve a régua anterior.
O nome do item na lista também merece atenção: é perda auditiva relacionada ao trabalho, e não perda auditiva induzida por ruído. O item é mais largo do que a doença deste capítulo — cabe nele a perda por ototóxicos ocupacionais e a perda por trauma acústico do trabalho. Já a ficha de investigação do Sinan e a definição de caso do Guia de Vigilância em Saúde são específicas da perda por ruído, com CID-10 H83.3. Para pneumoconioses, os CID orientados são J60 a J65, e devem ser notificados também os casos de placas pleurais, J92.
A definição de caso segue o padrão da vigilância em saúde do trabalhador. Suspeito, na perda auditiva, é todo trabalhador submetido a exposição continuada ou súbita ao ruído, associada ou não a substâncias químicas ou vibrações; nas pneumoconioses, todo caso de doença pulmonar em trabalhador que possa ter sido causada pela inalação e pelo acúmulo de poeira, com reação tissular. Confirmado é o caso em que a doença está caracterizada e a exposição no ambiente ou processo de trabalho está estabelecida. Descartado é aquele em que a investigação epidemiológica não identificou fator ou situação de risco no trabalho. Só o caso confirmado é inserido no Sinan — nas pneumoconioses, a ficha começa a ser preenchida desde a suspeição, mas a digitação espera a confirmação.
Duas frases do próprio Ministério fecham o tema e derrubam alternativa. A confirmação da relação com o trabalho e a notificação podem ser feitas por qualquer profissional de saúde ou por qualquer responsável por serviço público ou privado que preste assistência ao paciente — não é exclusividade de categoria profissional nem privativa do médico do trabalho. E a identificação da relação de causalidade com o trabalho não se confunde com a confirmação do diagnóstico: são dois juízos, e a notificação exige os dois.
Notificar não substitui comunicar. Havendo trabalhador segurado pelo INSS, a Comunicação de Acidente de Trabalho corre em paralelo, com destino e prazo próprios — o assunto está em Acidente de trabalho, ler/DORT e vigilância em saúde do trabalhador. A ficha de investigação das pneumoconioses tem, aliás, campo perguntando se a CAT foi emitida, o que é a prova documental de que os dois atos são distintos.
O que muda para o paciente
Em todas as pneumoconioses é imprescindível afastar o trabalhador da exposição que a causou. Essa é a conduta que aparece primeiro no texto do Ministério da Saúde e a que mais falta nas alternativas. O tratamento medicamentoso está indicado somente nos casos cuja patogenia envolve resposta de hipersensibilidade — pneumopatia pelo cobalto, pneumopatia pelo berílio e pneumonites por hipersensibilidade —, e aí, além do afastamento obrigatório e definitivo, entra corticoterapia prolongada. Nas pneumoconioses não fibrogênicas, o afastamento pode até reduzir a intensidade das opacidades radiográficas.
Para a silicose especificamente, quanto mais precoce o diagnóstico e a interrupção da exposição, melhor o prognóstico. Corticoide, tetrandrina e inalação de pó de alumínio foram testados sem sucesso reconhecido; a lavagem broncoalveolar é proposta para remoção de partículas na silicose crônica e na silicoproteinose, com eficácia não estabelecida — parte das partículas está no interstício e o lavado não as alcança. O transplante pulmonar é a alternativa lembrada para casos selecionados.
O caso confirmado não termina no consultório. A investigação epidemiológica é obrigatória a partir do caso suspeito e alcança os outros trabalhadores expostos aos mesmos fatores de risco: aciona-se a vigilância em saúde do trabalhador ou o Cerest, faz-se inspeção sanitária para mapear os fatores de risco, elabora-se relatório de inspeção comunicado à empresa, ao sindicato e aos trabalhadores, e monitoram-se as intervenções recomendadas. Um caso de silicose numa marmoraria é, na prática, a notícia de que há colegas expostos na mesma bancada — e é essa a razão pela qual a notificação tem caráter estritamente epidemiológico e precisa ser oportuna.
As três réguas do tema, lado a lado
Cada tabela responde a uma pergunta diferente, e o enunciado escolhe qual delas está cobrando. Quanto de agente o ambiente pode ter é NR-15. Que exame se faz, quando, e o que conta como piora é NR-7. O que é caso, quem notifica e em quanto tempo é Ministério da Saúde. Trocar uma pela outra é o erro mais comum do tema.
- 1Identifique o agente e a exposição pelo inventário de riscos do PGR — é ele que define quem entra no rastreamento, e não a queixa do trabalhador.
- 2Ruído acima do nível de ação: audiometria na admissão, anual e na demissão, independentemente do uso de protetor auditivo; poeira mineral: radiografia pela periodicidade do Quadro 1 e espirometria admissional e a cada dois anos.
- 3Compare com o exame de referência, e não com o valor absoluto: no audiograma, médias de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz; na radiografia, a leitura OIT — 0/1 ou mais já manda para avaliação especializada.
- 4Confirmado o caso e a relação com o trabalho, afaste da exposição: é a única conduta que muda o prognóstico nas duas doenças.
- 5Notifique no Sinan, com periodicidade semanal, e emita ou provoque a CAT se houver segurado do INSS — são dois atos distintos, com destinos distintos.
- 6Acione a vigilância em saúde do trabalhador ou o Cerest para inspecionar o ambiente: um caso confirmado é a notícia de que há colegas expostos.
A escada dos 5 dB
A cada 5 dB(A) a mais, metade do tempo permitido. De 85 a 110 dB(A) a divisão é exata: 8 h, 4 h, 2 h, 1 h, 30 min e 15 min. Em 115 dB(A) a conta daria 7 min 30 s e a norma escreveu sete minutos; os demais valores da tabela seguem a mesma curva com arredondamento de poucos minutos, quase sempre encurtando o tempo permitido.
O entalhe
Queda em 3, 4 ou 6 kHz com recuperação em 8 kHz, sobre uma linha de referência de 25 dB. É o desenho que separa a perda por ruído da presbiacusia, que desce em rampa e tem o pior limiar na frequência mais alta.
As doze subcategorias de profusão da OIT
Quatro categorias (0, 1, 2, 3) e doze subcategorias, porque cada leitura registra a categoria escolhida e a alternativa considerada. A leitura 0/1 já é gatilho de avaliação por médico especializado pela NR-7.
Ruído contínuo ou intermitente — máxima exposição diária permissível (NR-15, Anexo n.º 1)
| Nível de ruído dB(A) | Máxima exposição diária permissível |
|---|---|
| 85 | 8 horas |
| 86 | 7 horas |
| 87 | 6 horas |
| 88 | 5 horas |
| 89 | 4 horas e 30 minutos |
| 90 | 4 horas |
| 91 | 3 horas e 30 minutos |
| 92 | 3 horas |
| 93 | 2 horas e 40 minutos |
| 94 | 2 horas e 15 minutos |
| 95 | 2 horas |
| 96 | 1 hora e 45 minutos |
| 98 | 1 hora e 15 minutos |
| 100 | 1 hora |
| 102 | 45 minutos |
| 104 | 35 minutos |
| 105 | 30 minutos |
| 106 | 25 minutos |
| 108 | 20 minutos |
| 110 | 15 minutos |
| 112 | 10 minutos |
| 114 | 8 minutos |
| 115 | 7 minutos |
Audiometria ocupacional: o que cada achado significa (NR-7, Anexo II)
| Situação | Critério | O que decorre dela |
|---|---|---|
| Dentro dos limites aceitáveis | Limiares ≤ 25 dB(NA) em todas as frequências examinadas | Mantém a periodicidade; a referência continua sendo a mesma |
| Sugestivo de perda por níveis de pressão sonora elevados | Limiares > 25 dB(NA) em 3.000 e/ou 4.000 e/ou 6.000 Hz e mais elevados que nas outras frequências, via aérea ou óssea, uni ou bilateral | Diagnóstico conclusivo, diferencial e aptidão são atribuição do médico do trabalho do PCMSO |
| Desencadeamento | Referência (e sequencial, no caso do item 5.3) com todos os limiares ≤ 25 dB(NA), e: diferença das médias de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz ≥ 10 dB(NA) OU piora ≥ 15 dB(NA) em pelo menos uma dessas três frequências | O sequencial vira a nova referência; definir aptidão, incluir no Relatório Analítico, atuar no programa de conservação auditiva e entregar cópias |
| Agravamento | Caso já confirmado na referência, e: diferença das médias de 500, 1.000 e 2.000 Hz OU de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz ≥ 10 dB(NA) OU piora ≥ 15 dB(NA) em uma frequência isolada qualquer | As mesmas quatro obrigações do desencadeamento; o sequencial vira a nova referência |
| Referência alterada fora do molde | Sem corte numérico no anexo | Item 10: verificar mais de um tipo de agressão auditiva, orientar e encaminhar para avaliação especializada, definir aptidão e entregar cópias |
Radiografia de tórax em exposto a sílica, asbesto ou carvão mineral (NR-7, Anexo III, Quadro 1)
| Exposição medida (LSC em relação ao limite de exposição ocupacional) | Periodicidade da radiografia |
|---|---|
| ≤ 10% | Admissão; demissão se a última tiver mais de 2 anos |
| > 10% e ≤ 50% | Admissão; a cada 5 anos até 15 anos de exposição e a cada 3 anos depois; demissão se a última tiver mais de 2 anos |
| > 50% e ≤ 100% | Admissão; a cada 3 anos até 15 anos de exposição e a cada 2 anos depois; demissão se a última tiver mais de 1 ano |
| > 100% | Admissão; a cada ano de exposição; demissão se a última tiver mais de 1 ano |
| Empresa sem avaliação quantitativa | Admissão; a cada 2 anos até 15 anos de exposição e a cada ano depois; demissão se a última tiver mais de 1 ano |
Nível de ação e limite de tolerância não são a mesma coisa. O limite de tolerância da NR-15 é o teto do ambiente e sustenta insalubridade; o nível de ação da NR-9 é metade da dose e é o gatilho do exame médico e das medidas de controle sistemático.
Para nível de ruído intermediário, vale o tempo do nível imediatamente MAIS ELEVADO. Arredondar para baixo dá mais tempo de exposição e é sempre a alternativa errada.
A leitura radiológica pela classificação da OIT descreve, mas não diagnostica: a própria classificação declara que não define entidades patológicas, não avalia capacidade de trabalho e não estabelece compensação.
Placa pleural é marcador de exposição ao asbesto, não é asbestose. Entra na notificação de pneumoconioses pelo CID J92, e não muda por si só a aptidão nem exige tratamento.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A norma trabalhista dos limites
O Anexo n.º 12 da NR-15 manda que a telerradiografia de tórax do exposto ao asbesto obedeça ao padrão da Organização Internacional do Trabalho especificado na Classificação Internacional de Radiografias de Pneumoconioses de 1980.
NR-15, Anexo n.º 12 (Asbesto), item 18.1.
A norma trabalhista do controle médico
O Anexo III da NR-7 manda usar, obrigatoriamente, os critérios da OIT na sua revisão mais recente e a coleção de radiografias-padrão correspondente, sem fixar ano.
NR-7, Anexo III, itens 2.6 e 2.10, com a redação da Portaria MTP n.º 567, de 10 de março de 2022.
A vigilância em saúde
O Guia de Vigilância em Saúde aponta como método de referência para a análise de radiografias convencionais a Classificação Radiológica da OIT na edição de 2011.
Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, 6.ª edição revisada, 2024, capítulo Pneumoconioses.
Na prova
As três posições convivem porque respondem a perguntas diferentes, e o enunciado sinaliza qual está cobrando pelo documento que cita. Questão que abre com NR-15 e asbesto costuma reproduzir o ano de 1980 e espera que o candidato reconheça o texto da norma. Questão que fala em PCMSO, laudo, Leitor B ou periodicidade de radiografia está no terreno da NR-7 e a resposta certa diz revisão mais recente. Questão de vigilância epidemiológica ou de notificação puxa a régua do Ministério da Saúde. O que nunca é a resposta certa é afirmar que a classificação define a doença ou o grau de compensação — a própria classificação nega as duas coisas.
A norma dos limites de tolerância
Todos os trabalhadores com função ligada à exposição ocupacional ao asbesto devem realizar, obrigatoriamente, na admissão, na demissão e anualmente, além da avaliação clínica, telerradiografia de tórax e prova de função pulmonar. O texto remete, para os demais exames, ao subitem 7.1.3 da NR-7 — item que a NR-7 reescrita não contém mais, já que a norma vigente vai de 7.1 Objetivo a 7.7 e passa o conteúdo para os anexos.
NR-15, Anexo n.º 12 (Asbesto), item 18.
A norma do controle médico
A periodicidade da radiografia de quem trabalha com poeira contendo sílica, asbesto ou carvão mineral é escalonada pela exposição efetivamente medida: onde o limite superior do intervalo de confiança da média fica em até 10% do limite de exposição ocupacional, prevê-se radiografia apenas na admissão e na demissão, esta se a última tiver mais de dois anos. A radiografia anual só é exigida acima de 100% do limite de exposição ocupacional.
NR-7, Anexo III, Quadro 1, com a redação da Portaria MTP n.º 567, de 10 de março de 2022.
Na prova
As duas normas são do mesmo ministério, tratam do mesmo trabalhador e chegam a respostas diferentes: uma manda radiografar todo exposto ao asbesto anualmente, a outra permite espaçar quando o ambiente é medido e o resultado é baixo. O enunciado escolhe o lado pelo documento que cita, e a pista está no vocabulário: quando aparecem limite de tolerância, insalubridade, cadastro de utilizadores ou fibras por centímetro cúbico, a régua é a NR-15 e a resposta é anual. Quando aparecem PCMSO, inventário de riscos do PGR, limite de exposição ocupacional, Leitor B ou classificação da OIT, a régua é a NR-7 e a resposta é a periodicidade escalonada do Quadro 1. A leitura protetiva, e a que evita erro na vida real, é a mais frequente das duas aplicáveis ao caso concreto — nenhuma das normas autoriza a outra a reduzir o rastreamento.
O que a norma trabalhista escreve
O Anexo n.º 12 da NR-15 proíbe os anfibólios e a pulverização de todas as formas de asbesto, mas mantém, para as fibras respiráveis de asbesto crisotila, limite de tolerância de 2,0 fibra por centímetro cúbico, com cadastro de utilizadores, rotulagem e avaliação ambiental semestral.
NR-15, Anexo n.º 12 (Asbesto), itens 4, 5, 11 e 12.
O que a jurisdição constitucional decidiu
O Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o art. 2.º da Lei n.º 9.055/1995, dispositivo que autorizava a extração, a industrialização, a comercialização e a distribuição do amianto crisotila, atribuindo eficácia erga omnes e efeito vinculante ao entendimento antes firmado de modo incidental.
Supremo Tribunal Federal, ADI 3.406 e ADI 3.470, julgadas em 29 de novembro de 2017.
Na prova
O enunciado escolhe o lado pelo verbo. Se pergunta qual é o limite de tolerância previsto na NR-15 para fibras respiráveis de crisotila, a resposta é o número que o texto da norma ainda contém. Se pergunta se a extração e a comercialização do amianto crisotila são permitidas no Brasil, a resposta acompanha a decisão do Supremo. A armadilha é a alternativa que usa a existência do limite na NR-15 como prova de que o uso continua autorizado — a norma regulamentadora não sobrevive à declaração de inconstitucionalidade da lei que a sustentava, e o médico que atende hoje um trabalhador exposto está diante de exposição residual e de passivo de trinta a quarenta anos de latência, não de atividade regular.
Caso resolvido
- 1. O exame de hoje é normal?
- Pelo critério absoluto, sim. Todos os limiares, nos dois exames, estão iguais ou abaixo de 25 dB(NA) — a definição de dentro dos limites aceitáveis do Anexo II. E o audiograma também não é sugestivo de perda por níveis de pressão sonora elevados, porque nenhum limiar de 3, 4 ou 6 kHz passou de 25 dB. Quem parar aqui libera o trabalhador.
- 2. A régua da norma, porém, é comparativa
- Média das três agudas na referência: (5 + 10 + 10) dividido por 3 = 25/3 = 8,33 dB. Média das mesmas três no sequencial: (15 + 20 + 20) dividido por 3 = 55/3 = 18,33 dB. A diferença é de exatamente 10,00 dB — iguala o corte de 10 dB(NA) do critério de desencadeamento, e critério que diz iguala ou ultrapassa dispara no empate.
- 3. O segundo critério não dispara — e não precisa
- A piora individual foi de 10 dB em 3 kHz, 10 dB em 4 kHz e 10 dB em 6 kHz: nenhuma alcança os 15 dB(NA) do critério alternativo. Os dois critérios são independentes e ligados por ou; basta um. O caso é de desencadeamento de perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados.
- 4. O protetor auditivo não muda nada disso
- A norma manda submeter a exames de referência e sequenciais todo empregado exposto acima do nível de ação informado no PGR, independentemente do uso de protetor auditivo. Aliás, o resultado é a evidência de que a proteção não está atenuando o suficiente — atenuação real, adequação do modelo e uso efetivo entram na análise do caso.
- 5. O que muda a partir de agora
- Este exame sequencial passa a ser a nova audiometria de referência. O médico do trabalho responsável pelo PCMSO define a aptidão para a função, inclui o caso no Relatório Analítico do PCMSO, participa da implantação e do aprimoramento dos programas de conservação auditiva — considerando também vibração e agentes ototóxicos — e disponibiliza cópias dos exames ao empregado. Desencadeamento, por si só, não é indicativo de inaptidão.
- 6. E o Sinan?
- As duas réguas medem coisas diferentes: a norma trabalhista mede variação entre exames, e a definição de caso da vigilância mede perda auditiva caracterizada e relacionada ao trabalho. Nenhum dos dois documentos converte um no outro. Enquanto o quadro se resume a um deslocamento de médias dentro dos limites aceitáveis, o que a situação exige é ação sobre a exposição e acompanhamento audiológico; a notificação semanal entra quando o caso preenche a definição de caso confirmado de perda auditiva relacionada ao trabalho.
Agora feche você
- 1. Nomeie a doença e a forma clínica
- Junte tempo de exposição, distribuição das opacidades e o achado ganglionar.
- 2. Leia o laudo da OIT em português
- O que 2/2 diz sobre a profusão, o que q/q diz sobre forma e tamanho, e por que essas letras combinam com este agente e não com asbesto.
- 3. Diga se a tomografia acrescenta algo aqui
- Lembre em que faixa de leitura a tomografia de alta resolução tem indicação definida como método complementar.
- 4. Defina a conduta com o paciente
- O que muda o prognóstico, o que a espirometria resolve e não resolve, e qual comorbidade infecciosa precisa ser rastreada.
- 5. Defina a conduta com o ambiente e com o sistema
- Qual periodicidade de radiografia a empresa deveria estar cumprindo, que exigência normativa a serra descumpre e quais comunicações saem do consultório.
Onde a banca derruba
- 1Repetir a audiometria de seis meses para exposto a ruído Admissional, seis meses depois e a seguir anual é o esquema do Anexo IV da NR-7, que trata de condições hiperbáricas — trabalho sob ar comprimido e mergulho. Para exposto a níveis de pressão sonora elevados, a norma vigente manda admissão, anual e demissão, aceitando na demissão exame feito até 120 dias antes. Material desatualizado ainda ensina o esquema antigo como se fosse do anexo da audição.
- 2Arredondar o nível de ruído intermediário para baixo Um ambiente medido em 97 dB(A) não está na tabela. A regra manda considerar a máxima exposição diária permissível do nível imediatamente MAIS elevado — 98 dB(A), ou seja, 1 h 15 min. Ler pela linha de 96 dB(A) dá 1 h 45 min e libera meia hora a mais de exposição do que a norma permite.
- 3Achar que dois trechos abaixo do limite somam uma jornada regular O limite é da soma das frações, não de cada trecho. Uma hora e meia a 95 dB(A) dá 0,75 de dose e quatro horas a 85 dB(A) dão 0,50; cada um está dentro do seu próprio limite e a soma, 1,25, está acima do limite de tolerância. A questão gosta exatamente desse desenho.
- 4Dispensar audiometria porque o trabalhador usa protetor O Anexo II da NR-7 manda examinar todo empregado exposto acima do nível de ação informado no PGR, independentemente do uso de protetor auditivo. O protetor entra na análise do caso — atenuação real, adequação, uso efetivo —, e não na porta de entrada do programa.
- 5Declarar inaptidão pelo traçado A norma afirma que a perda auditiva por níveis de pressão sonora elevados, por si só, não é indicativa de inaptidão, e lista onze fatores que a decisão precisa pesar. Alternativa que manda afastar da empresa, demitir ou aposentar apenas pelo audiograma está errada por texto expresso.
- 6Chamar de PAIR toda perda auditiva do trabalhador Três nomes convivem e não são sinônimos. A NR-7 fala em PAINPSE, perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados. O Ministério da Saúde fala em PAIR, com CID H83.3. E o item da Lista Nacional de Notificação Compulsória é mais largo que os dois: perda auditiva relacionada ao trabalho, que abriga também a perda por ototóxicos ocupacionais e por trauma acústico do trabalho.
- 7Notificar pneumoconiose ou perda auditiva em 24 horas As duas são de notificação semanal na Lista Nacional de Notificação Compulsória. A notificação imediata em 24 horas é de outro grupo de agravos — o acidente de trabalho, por exemplo, corre em 24 horas à Secretaria Municipal, e o acidente de trabalho com exposição a material biológico é que é semanal. Confundir o eixo do tempo é o erro mais barato de evitar.
- 8Dizer que esses agravos são de vigilância sentinela Eram, até 2024. A Portaria GM/MS n.º 5.201, de 15 de agosto de 2024, incluiu perda auditiva relacionada ao trabalho e pneumoconioses relacionadas ao trabalho na lista geral de notificação compulsória e reescreveu a lista sentinela, que hoje reúne apenas agravos de transmissão respiratória, hídrica e alimentar, uma síndrome de transmissão sexual e a síndrome neurológica pós-infecção febril exantemática.
- 9Confundir placa pleural com asbestose Placa pleural é espessamento circunscrito da pleura parietal, ocorre com qualquer tipo de fibra, tem latência média de trinta anos e é marcador de exposição. Asbestose é fibrose intersticial do parênquima, com opacidades irregulares s, t ou u de profusão 1 ou maior nos dois terços inferiores, crepitantes de base e latência de quinze anos ou mais. Placa não vira asbestose e não pede tratamento.
- 10Pedir espirometria para diagnosticar pneumoconiose A espirometria mede repercussão funcional e monitora evolução; não faz diagnóstico. O diagnóstico se apoia na história ocupacional e na imagem lida pela classificação da OIT. E o padrão funcional surpreende quem espera fibrose: na silicose crônica predomina obstrução pouco ou nada responsiva a broncodilatador, enquanto a restrição predomina na forma aguda.
- 11Deixar o trabalhador exposto e tratar a pneumoconiose com corticoide O afastamento da exposição é imprescindível em todas as pneumoconioses e é a conduta que muda o prognóstico. A corticoterapia prolongada fica reservada às formas cuja patogenia é de hipersensibilidade — pneumopatia pelo berílio, pneumopatia pelo cobalto e pneumonites por hipersensibilidade —, e mesmo nelas depende de afastamento obrigatório e definitivo.
- 12Esquecer o trabalhador demitido do asbesto Terminado o contrato, o empregador ainda deve disponibilizar exames médicos de controle por no mínimo trinta anos, sem custo, com periodicidade escalonada: a cada três anos até doze anos de exposição, a cada dois anos de doze a vinte, e anual acima de vinte. A latência do mesotelioma é de trinta a quarenta anos, o que explica por que a obrigação é tão longa.
Exposição a sílica (granito/pedreira), nódulos em campos superiores e calcificação linfonodal 'em casca de ovo' são clássicos de silicose. A asbestose cursa com placas pleurais e fibrose em bases, ligada ao asbesto. A pneumoconiose do carvão ocorre em mineiros de carvão, com máculas e nódulos, sem casca de ovo típica. A beriliose lembra sarcoidose (exposição a berílio, granulomas). A bissinose relaciona-se a poeira de algodão, com sintomas tipo 'febre de segunda-feira', sem esse padrão radiográfico.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 45 anos, trabalhador de marmoraria (corte de pedras/quartzo) há 20 anos, procura o centro de referência em saúde do trabalhador com dispneia progressiva há 1 ano. Radiografia mostra opacidades nodulares em lobos superiores e linfonodos hilares com calcificação periférica ('casca de ovo'). Nega tabagismo. Além da conduta terapêutica de suporte, qual medida de saúde coletiva é OBRIGATÓRIA neste caso?
O quadro é silicose (nódulos em lobos superiores, adenopatia hilar em 'casca de ovo', exposição a sílica). Como doença relacionada ao trabalho, é de notificação compulsória (SINAN) e exige investigação do ambiente laboral pela vigilância em saúde do trabalhador (VISAT). Afastar sem notificar omite a vigilância epidemiológica obrigatória. A biópsia a céu aberto não é pré-requisito — o diagnóstico é clínico-ocupacional-radiológico. Silicose aumenta risco de TB, mas iniciar tratamento sem confirmação (o paciente não tem critérios de TB ativa) não se justifica.
Homem de 48 anos, operador de prensa em uma metalúrgica há 20 anos, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dificuldade progressiva para compreender conversas em ambientes ruidosos e de zumbido bilateral. Relata que, no setor de produção, o ruído é intenso e que nem sempre utilizava o protetor auricular. Nega otorreia, otalgia, vertigem, trauma craniano ou uso de medicamentos ototóxicos. A otoscopia é normal em ambas as orelhas. A audiometria tonal revela perda auditiva neurossensorial bilateral e simétrica, com rebaixamento (entalhe) mais acentuado nas frequências de 4.000 a 6.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz. Com base no quadro, assinale o diagnóstico e o nexo mais prováveis.
A perda auditiva induzida por ruído (PAIR) é neurossensorial, bilateral e simétrica, com entalhe característico nas frequências de 3.000 a 6.000 Hz (tipicamente 4.000-6.000 Hz), otoscopia normal e história de exposição ocupacional a ruído — sendo classificada como doença relacionada ao trabalho. A presbiacusia acomete principalmente as frequências agudas de forma progressiva e correlaciona-se à idade avançada, sem o entalhe típico. A otosclerose cursa com perda condutiva/mista, não neurossensorial isolada. A surdez súbita é habitualmente unilateral e de instalação abrupta, não produzindo o padrão bilateral com entalhe descrito.
Um homem de 48 anos, operador de prensa em metalúrgica há 22 anos, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos e zumbido bilateral. Nega otorreia, otalgia, vertigem ou uso de medicamentos ototóxicos. Ao exame otoscópico, as membranas timpânicas estão íntegras e sem alterações. A audiometria tonal mostra queda bilateral e simétrica dos limiares auditivos, com entalhe (gap) na frequência de 4.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz. Considerando a história ocupacional e os achados, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial adequada?
O entalhe audiométrico em 4.000 Hz, bilateral e simétrico, com timpanograma/otoscopia normais e história de exposição crônica a ruído, é o padrão clássico da PAIR (perda neurossensorial ocupacional) — agravo de notificação compulsória. A conduta inclui afastar da exposição, notificar e reforçar controle do ruído (coletivo) e EPI. A presbiacusia é etária e predomina em frequências agudas de forma progressiva, sem o entalhe em 4 kHz típico e sem nexo ocupacional. A otosclerose e a rolha de cerume causam perda condutiva, incompatível com otoscopia normal e perda neurossensorial na audiometria.
Um homem de 55 anos, ex-trabalhador de jateamento de areia em estaleiro por 18 anos, procura a UBS com tosse seca e dispneia progressiva aos esforços há um ano. Nega tabagismo. Ao exame, apresenta estertores crepitantes em bases. A radiografia de tórax mostra pequenas opacidades arredondadas e simétricas predominando em campos pulmonares superiores, com alguns linfonodos hilares calcificados perifericamente ("em casca de ovo"). A espirometria evidencia distúrbio ventilatório restritivo. Diante desse quadro, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta prioritária de saúde pública?
A exposição intensa à sílica (jateamento de areia), o padrão radiológico de opacidades arredondadas em lobos superiores e a calcificação hilar "em casca de ovo" caracterizam a silicose. É pneumoconiose de notificação compulsória (doença relacionada ao trabalho), e a associação com tuberculose (silicotuberculose) é obrigatória de rastrear, dado o risco aumentado. A sarcoidose entra como diferencial radiológico, mas a história ocupacional dirige o diagnóstico e não justifica corticoterapia empírica. A asbestose cursa com fibrose em bases e placas pleurais, não com esse padrão. O quadro é crônico, tornando pneumonia bacteriana improvável.
Um homem de 60 anos, aposentado após 25 anos de trabalho em mina de carvão, é avaliado na Unidade Básica de Saúde. Relata dispneia aos esforços e tosse crônica. Ao ser questionado sobre a exposição, informa contato diário com poeira de carvão mineral sem proteção respiratória adequada durante décadas. A radiografia de tórax apresenta pequenas opacidades difusas. Considerando o agente etiológico e o quadro descrito, qual pneumoconiose está mais associada a essa exposição ocupacional?
A exposição prolongada à poeira de carvão mineral em minas causa a pneumoconiose dos trabalhadores do carvão (pneumoconiose do minerador de carvão), classicamente associada ao acúmulo de partículas de carbono no pulmão. A beriliose decorre da exposição ao berílio; a bissinose, a poeiras de algodão/fibras têxteis; a siderose, à inalação de poeira ou fumos de ferro. O agente (carvão mineral) define diretamente o diagnóstico.
Homem de 38 anos, operador de prensa em metalúrgica há 12 anos, comparece à unidade básica de saúde queixando-se de dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos e zumbido bilateral contínuo há cerca de um ano. Nega otorreia, otalgia, vertigem, trauma craniano, uso de ototóxicos ou história familiar de surdez. Refere que o protetor auricular é fornecido pela empresa, mas nem sempre utilizado. Ao exame, otoscopia normal bilateralmente; teste de Weber sem lateralização e Rinne positivo bilateral. A audiometria tonal mostra perda neurossensorial bilateral e simétrica, com entalhe nas frequências de 4.000 e 6.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz, com limiares preservados nas frequências graves. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada?
Correta: o quadro é típico de perda auditiva induzida por ruído (PAIR) — perda neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 4.000–6.000 Hz e preservação das frequências graves, em trabalhador com exposição crônica a ruído e uso irregular de EPI. A PAIR é doença relacionada ao trabalho de notificação compulsória (Portaria de Consolidação nº 4/MS, Anexo do rol de agravos) e exige emissão de CAT mesmo sem afastamento (Lei 8.213/91), além de afastamento da exposição e revisão das medidas de controle previstas na NR-7/NR-15 (PCA). Presbiacusia é incorreta: ocorre em idosos, com perda progressiva em frequências agudas (8.000 Hz), sem entalhe e sem recuperação em 8.000 Hz. A alternativa que condiciona a CAT a afastamento > 15 dias erra duplamente: a CAT independe de afastamento e a PAIR raramente gera invalidez. Otosclerose cursa com perda condutiva (Rinne negativo e Weber lateralizado para o pior ouvido), o que não ocorre aqui.
Homem de 42 anos, operador de prensa em uma metalúrgica há 15 anos, procura a unidade básica de saúde queixando-se de dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos e de zumbido bilateral contínuo há cerca de dois anos. Nega otorreia, otalgia, vertigem, traumatismo craniano, uso de ototóxicos ou antecedente familiar de surdez. Relata que o nível de ruído no setor é de 92 dB(A) e que o uso do protetor auricular é irregular. Ao exame, otoscopia bilateral normal. A audiometria tonal mostra limiares normais até 2.000 Hz, queda para 45 dB em 4.000 e 6.000 Hz com recuperação parcial em 8.000 Hz, de forma bilateral e simétrica, com via óssea acompanhando a via aérea e sem gap aéreo-ósseo. Qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
Correta: o quadro é típico de PAIR — perda neurossensorial (sem gap aéreo-ósseo), bilateral, simétrica, com entalhe ("notch") em 4.000-6.000 Hz e recuperação em 8.000 Hz, em trabalhador exposto a ruído acima do limite de tolerância. A PAIR é doença de notificação compulsória (SINAN/vigilância em saúde do trabalhador) e caso de nexo ocupacional, exigindo emissão de CAT, inclusão no PCA (audiometrias periódicas) e, sobretudo, medidas de controle da exposição na hierarquia coletiva antes do EPI. Incorreta (afastamento/invalidez): a PAIR isoladamente não incapacita para o trabalho nem indica aposentadoria por invalidez; o que se impõe é a interrupção da exposição ao ruído e o acompanhamento — a perda estabiliza quando cessa a exposição e não evolui para surdez profunda. Incorreta (presbiacusia): não se espera perda relacionada à idade aos 42 anos, e a presbiacusia é descendente e progressiva em agudos, sem o entalhe em 4.000 Hz com recuperação em 8.000 Hz; além disso, dispensar a notificação perde a oportunidade de vigilância. Incorreta (otosclerose): cursa com perda condutiva ou mista e gap aéreo-ósseo, ausente neste audiograma, e manter o trabalhador exposto perpetuaria o agravo.
Homem de 51 anos comparece à unidade de saúde da família referindo dispneia aos médios esforços e tosse seca há cerca de três anos, com piora progressiva. Trabalhou 20 anos como jateador de areia em uma serralheria, sem uso regular de proteção respiratória, e está afastado dessa atividade há dois anos. Há dois meses evoluiu com tosse produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e perda de 6 kg. Ao exame: emagrecido, afebril, saturação de 93% em ar ambiente, estertores em ápices. A radiografia de tórax mostra opacidades nodulares difusas predominando nos campos superiores e linfonodos hilares com calcificação periférica ("em casca de ovo"). Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: a história ocupacional (jateamento de areia = exposição intensa a sílica), as opacidades nodulares em campos superiores e a calcificação hilar "em casca de ovo" configuram silicose; sobre ela, os sintomas de tosse produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento caracterizam sintomático respiratório com forte suspeita de tuberculose. O silicótico é considerado população especial de altíssimo risco pelo Ministério da Saúde (risco de TB muitas vezes maior que o da população geral), e a conduta é investigar TB ativa com TRM-TB e cultura no escarro — a silicose é, ela própria, doença de notificação compulsória e caso de nexo ocupacional (CAT). Incorreta (corticoide): não há tratamento com corticoide para silicose, e imunossuprimir um paciente com suspeita de tuberculose ativa é potencialmente danoso. Incorreta (biópsia a céu aberto): o diagnóstico de silicose é clínico-ocupacional-radiológico (história de exposição + padrão radiológico), dispensando biópsia; além disso, o problema urgente aqui é a suspeita de TB. Incorreta (antibiótico para PAC): a evolução de dois meses com febre vespertina, sudorese noturna e perda ponderal em silicótico não é pneumonia bacteriana típica, e tratar como PAC atrasa o diagnóstico de tuberculose e mantém a transmissão na comunidade.
Homem de 42 anos, operador de prensa há 15 anos em metalúrgica, comparece à Unidade Básica de Saúde para avaliação. Refere zumbido e dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos; nega otalgia, otorreia, vertigem, trauma craniano ou uso de ototóxicos. Otoscopia normal. Audiometria tonal mostra perda auditiva neurossensorial bilateral e simétrica, com entalhe em 4.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz; limiares em 500-2.000 Hz preservados. O trabalhador permanece em atividade, sem afastamento. Qual é a conduta correta?
O padrão audiométrico (perda neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 3.000-6.000 Hz — clássico em 4.000 Hz — e preservação das frequências graves e da fala) em trabalhador com exposição ocupacional prolongada a ruído define PAIR. Correta: a CAT deve ser emitida sempre que há doença relacionada ao trabalho, independentemente de afastamento (CAT de comunicação de doença ocupacional), e a PAIR integra a lista de agravos de notificação compulsória em saúde do trabalhador (rede sentinela/Sinan). Distratores: (1) esperar a perda atingir as frequências da fala é conduta errada — a PAIR é irreversível e a comunicação/afastamento da exposição visa justamente impedir a progressão; (2) presbiacusia é incomum aos 42 anos e cursa com perda predominante em frequências agudas progressivas (queda em rampa a partir de 8.000 Hz), não com entalhe em 4.000 Hz e recuperação em 8.000 Hz; (3) a CAT independe de afastamento e não é condicionada aos 15 dias — este prazo define apenas quem paga o benefício (empresa ou INSS).
Mulher de 45 anos, operadora de tear em indústria têxtil por 20 anos, faz seguimento na Unidade Básica de Saúde por PAIR previamente documentada. Está afastada do setor ruidoso há 3 anos. Audiometria atual: perda neurossensorial à direita com limiares de 70 dB e piora progressiva em relação ao exame de 1 ano antes; à esquerda, limiares estáveis com entalhe de 35 dB em 4.000 Hz. Refere zumbido unilateral à direita e episódios de desequilíbrio. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: encaminhar para investigação. A PAIR é bilateral, tende à simetria e, sobretudo, NÃO progride após a cessação da exposição; perda unilateral/assimétrica, progressiva mesmo com a trabalhadora afastada há 3 anos, com zumbido unilateral e desequilíbrio, levanta suspeita de lesão retrococlear (ex.: schwannoma vestibular), exigindo avaliação especializada com ressonância magnética — exemplo de referência oportuna da APS para o nível especializado. Manter só o seguimento: erra ao aceitar como "esperada" uma evolução incompatível com PAIR. Nova CAT/protetor: não há exposição atual que justifique a piora e atribuir ao ruído retarda o diagnóstico da causa real. Repetir audiometria em 12 meses com AASI: adia a investigação de uma perda potencialmente tumoral e trata o sintoma sem esclarecer a etiologia.
Homem de 62 anos, assintomático, ex-trabalhador de indústria de fibrocimento por 18 anos, afastado da função há 20 anos. Radiografia de tórax de rotina mostra espessamentos pleurais circunscritos e calcificados nas paredes laterais inferiores do tórax e no diafragma, bilateralmente, sem opacidades no parênquima. Espirometria normal. Qual é a interpretação correta?
Placas pleurais são espessamentos circunscritos da pleura parietal, tipicamente bilaterais, nas metades inferiores das paredes laterais do tórax e no diafragma, frequentemente calcificadas, com latência média em torno de trinta anos: são a manifestação mais frequente da exposição ao asbesto e funcionam como marcador dessa exposição. Asbestose é outra coisa — fibrose intersticial do parênquima, com opacidades pequenas irregulares s, t ou u de profusão 1 ou maior nos dois terços inferiores, crepitantes de base e, em geral, alteração funcional; sem acometimento do parênquima o diagnóstico não se sustenta, e não há indicação de corticoide. Mesotelioma cursa com dor, derrame recidivante e espessamento de borda interna irregular ou circunferencial, não com placas calcificadas assintomáticas. A relação das placas com o asbesto está bem estabelecida, e espirometria normal não afasta doença relacionada à fibra — inclusive porque o risco maior nesse trabalhador é o de neoplasia, que justifica manter o acompanhamento pós-demissional previsto em norma.
A avaliação ambiental de um setor encontrou nível de ruído contínuo de 97 dB(A), valor que não consta do quadro do Anexo n.º 1 da NR-15. Qual é a máxima exposição diária permissível a ser considerada?
O anexo determina expressamente que, para valores encontrados de nível de ruído intermediário, seja considerada a máxima exposição diária permissível relativa ao nível imediatamente mais elevado. Entre 96 e 98 dB, o imediatamente mais elevado é 98 dB, cujo tempo é 1 hora e 15 minutos. Ler pelo nível inferior, interpolar entre os dois tempos ou arredondar para o múltiplo de 5 dB(A) mais próximo produzem, todos, um tempo maior de exposição permitida — ou seja, deslocam a régua contra o trabalhador, e é justamente o que a regra proíbe. Afirmar que o quadro não se aplica ignora que o próprio anexo prevê a hipótese do valor intermediário.
Segundo o Anexo II da NR-7 vigente, com que periodicidade mínima o exame audiométrico deve ser realizado no empregado exposto a níveis de pressão sonora acima do nível de ação informado no PGR?
O anexo da audição da NR-7 fixa, como mínimo, admissão, exame anual tendo como referência o admissional, e demissão — aceitando na demissão exame realizado até 120 dias antes da finalização do contrato. O esquema com repetição aos seis meses do início da atividade sobrevive na norma vigente apenas no anexo de condições hiperbáricas, aplicável a trabalho sob ar comprimido e mergulho, e é o distrator mais frequente porque era a redação anterior. Dispensar o exame anual, dispensar o demissional ou condicionar o exame a sintomas contraria o texto, que manda examinar todo exposto acima do nível de ação independentemente de queixa e independentemente do uso de protetor auditivo.
Operador de máquina cumpre jornada com dois períodos de exposição: 1 hora e 30 minutos a 95 dB(A) e 4 horas a 85 dB(A). Considerando o Anexo n.º 1 da NR-15, a exposição desse trabalhador:
A norma manda somar as frações Cn/Tn, em que Cn é o tempo total de exposição a determinado nível e Tn é a máxima exposição diária permissível naquele nível. A 95 dB(A) o máximo é 2 horas, e 1,5/2 = 0,75; a 85 dB(A) o máximo é 8 horas, e 4/8 = 0,50. A soma é 1,25 e, excedendo a unidade, a exposição está acima do limite de tolerância. Dizer que está dentro porque cada trecho respeita o próprio limite é exatamente o erro que a regra da soma existe para impedir. Média aritmética de decibéis não tem sentido físico e a norma não a prevê. A norma não condiciona o cálculo a qualquer diferença mínima entre níveis. E a 95 dB(A) o permitido são 2 horas, e não 1 hora, de modo que 1 hora e 30 minutos, isoladamente, ainda estaria dentro do limite daquele nível.
Um laudo de radiografia de tórax ocupacional traz: qualidade técnica 1; pequenas opacidades com profusão 1/1, forma e tamanho s/t, nos dois terços inferiores de ambos os pulmões; placas pleurais calcificadas em parede torácica bilateral; sem grandes opacidades. Sobre esse laudo, é correto afirmar que:
Na classificação da OIT a profusão registra a categoria escolhida e a alternativa considerada: 1/1 é categoria 1 sem alternativa, enquanto 1/2 significaria categoria 1 com 2 como alternativa. Forma e tamanho vêm em duas letras; p, q e r descrevem opacidades regulares, ou seja, arredondadas (até 1,5 mm, de 1,5 a 3,0 mm e de 3,0 a 10,0 mm), e s, t e u descrevem irregulares nos mesmos intervalos de tamanho. Opacidades irregulares nos dois terços inferiores com profusão 1 ou maior compõem o padrão descrito para a asbestose, o que se reforça com as placas. Grandes opacidades são as maiores que 10 mm e a sua ausência não zera a leitura das pequenas. E o próprio texto da classificação adverte que ela não define entidades patológicas, não leva em conta a capacidade de trabalho e não estabelece definição de pneumoconiose para fins de compensação — laudo classifica imagem, não diagnostica doença nem gradua incapacidade.
Prensista de 34 anos, seis anos na função, exposto a 92 dB(A) durante toda a jornada de oito horas, usa protetor auditivo tipo concha. Assintomático. Audiometria de referência (admissional): 500 Hz 5 dB, 1 kHz 5 dB, 2 kHz 5 dB, 3 kHz 5 dB, 4 kHz 10 dB, 6 kHz 10 dB e 8 kHz 10 dB. Audiometria sequencial de agora, com repouso auditivo cumprido: 500 Hz 10 dB, 1 kHz 10 dB, 2 kHz 10 dB, 3 kHz 15 dB, 4 kHz 20 dB, 6 kHz 20 dB e 8 kHz 15 dB. Otoscopia normal. À luz do Anexo II da NR-7, qual é a conclusão correta?
A média dos limiares de 3, 4 e 6 kHz na referência é (5 + 10 + 10)/3 = 8,33 dB e no sequencial é (15 + 20 + 20)/3 = 18,33 dB: diferença de exatamente 10,00 dB. O critério de desencadeamento diz iguala ou ultrapassa 10 dB(NA), e portanto dispara no empate; o segundo critério, de piora de 15 dB(NA) em uma das três agudas, não dispara (todas pioraram 10 dB), mas os critérios são alternativos. Reconhecido o desencadeamento, o sequencial passa a ser a nova audiometria de referência. Chamar os exames de normais confunde a régua absoluta (todos os limiares iguais ou abaixo de 25 dB(NA), o que de fato é o caso) com a régua comparativa, que é a que a norma usa para detectar piora. Falar em sugestivo exige limiar acima de 25 dB(NA) em 3, 4 ou 6 kHz, que não existe aqui. Falar em agravamento exige caso já confirmado na referência, o que não é a situação. E a repetição em seis meses é o esquema do anexo de condições hiperbáricas, não o do anexo da audição.
Marmorista de 41 anos, 14 anos cortando granito a seco, com dispneia aos médios esforços. Radiografia de tórax com opacidades pequenas e arredondadas bilaterais de predomínio nas zonas superiores, seios costofrênicos livres e calcificação periférica de linfonodos hilares; leitura pela classificação da OIT: 2/2, q/q. Espirometria com distúrbio obstrutivo leve sem resposta a broncodilatador. Qual é a conduta que efetivamente muda o prognóstico?
Em todas as pneumoconioses o afastamento da exposição que causou a doença é imprescindível, e é a única medida com impacto prognóstico estabelecido. A corticoterapia prolongada fica reservada às pneumoconioses cuja patogenia envolve hipersensibilidade — pneumopatia pelo berílio, pneumopatia pelo cobalto e pneumonites por hipersensibilidade —, o que não é o caso da silicose. A tomografia de alta resolução tem indicação definida nos casos duvidosos, com leituras 0/1 ou 1/0, ou para diferenciar de sarcoidose e linfangite carcinomatosa; com profusão 2/2 e história ocupacional característica ela não muda a conduta nem justifica adiar o afastamento. O broncodilatador pode ter papel sintomático, mas a obstrução da silicose crônica é tipicamente pouco ou nada responsiva e nada disso altera o curso da doença. A lavagem broncoalveolar já foi proposta para remoção de partículas, com eficácia não estabelecida — parte do material está no interstício e não é alcançada pelo procedimento.
Médico de unidade básica confirma o caso de um trabalhador de fibrocimento com pneumoconiose relacionada ao trabalho e, na mesma semana, atende um caldeireiro com perda auditiva relacionada ao trabalho já caracterizada. Quanto à notificação desses dois agravos, é correto afirmar que:
Perda auditiva relacionada ao trabalho e pneumoconioses relacionadas ao trabalho constam da Lista Nacional de Notificação Compulsória com periodicidade semanal, e o Ministério da Saúde afirma expressamente que a confirmação da relação com o trabalho e a notificação podem ser feitas por qualquer profissional de saúde ou por qualquer responsável por serviço público ou privado que preste assistência ao paciente, sem exclusividade de categoria. Notificação imediata em 24 horas pertence a outro grupo de agravos. A vigilância sentinela deixou de abrigar os agravos de saúde do trabalhador em 2024, quando eles passaram para a lista geral — material anterior a essa mudança ainda os descreve como sentinela. E a notificação não se confunde com a CAT: são atos distintos, com destinos distintos, e a existência de um não dispensa o outro.
Qual conduta é fundamental no manejo de qualquer pneumoconiose diagnosticada?
Não há tratamento que reverta a fibrose, de modo que interromper a exposição, notificar o caso e acompanhar a função pulmonar são as medidas centrais, junto com vacinação, reabilitação e rastreamento de complicações como a tuberculose na silicose. Manter a atividade com máscara comum engana quem busca preservar o emprego do trabalhador, mas a proteção inadequada permite a progressão da doença.
Trabalhador de mineração de carvão por 25 anos apresenta dispneia progressiva e tomografia com micronódulos de predomínio nos lobos superiores, alguns confluentes formando massas. Qual o diagnóstico?
Micronódulos de predomínio em campos superiores que coalescem em massas caracterizam a fibrose maciça progressiva, complicação das pneumoconioses por poeiras minerais em trabalhadores de mineração de carvão. A asbestose engana por ser também pneumoconiose ocupacional, mas produz fibrose de predomínio basal e subpleural, acompanhada de placas pleurais, distribuição oposta à descrita.
Paciente com silicose apresenta piora clínica com febre, sudorese noturna, perda ponderal e escarro hemoptoico. Qual complicação deve ser prioritariamente investigada?
A silicose compromete a função dos macrófagos alveolares e aumenta substancialmente o risco de tuberculose, o que torna a investigação obrigatória diante de sintomas constitucionais e hemoptise nesses pacientes. A embolia pulmonar engana por ser causa frequente de piora respiratória aguda, mas não explica febre prolongada com sudorese noturna e emagrecimento.
Qual é o método diagnóstico de escolha para confirmar o mesotelioma pleural?
O diagnóstico exige tecido em quantidade adequada e painel imuno-histoquímico, porque a distinção entre mesotelioma e adenocarcinoma metastático não se faz apenas pela morfologia — a videotoracoscopia oferece visão direta e amostragem dirigida. A citologia do líquido engana por ser o exame mais acessível e frequentemente o primeiro realizado, mas tem baixa sensibilidade e não permite a classificação necessária.
Qual achado radiológico é característico da exposição ao amianto, mesmo sem neoplasia?
As placas pleurais, muitas vezes calcificadas e bilaterais, são o marcador mais comum da exposição prévia e servem como indicador ocupacional, sem indicar por si a presença de tumor. As cavidades apicais com bronquiectasias enganam quem lembra de doença pulmonar crônica em geral, mas remetem à sequela de tuberculose, com outra distribuição e outro contexto clínico.
Homem de 68 anos, ex-trabalhador de indústria de telhas de amianto por 20 anos, apresenta dispneia progressiva e dor torácica em hemitórax direito há 4 meses. A tomografia mostra espessamento pleural nodular circunferencial com derrame pleural e retração do hemitórax. Qual a hipótese diagnóstica?
Espessamento pleural nodular circunferencial com derrame e retração do hemitórax em paciente com exposição prolongada ao amianto é a apresentação característica do mesotelioma, cuja latência costuma ultrapassar duas décadas. A tuberculose pleural engana porque também produz derrame com espessamento em paciente com sintomas arrastados, mas ela raramente causa espessamento nodular circunferencial com retração do hemitórax.
Além do mesotelioma, qual outra neoplasia está associada à exposição ao amianto?
A exposição ao amianto aumenta o risco de câncer de pulmão, e a associação com o tabagismo é multiplicativa, o que torna a cessação uma medida essencial nesses trabalhadores. As demais neoplasias enganam por serem tumores frequentes na população, mas não têm relação estabelecida com essa exposição ocupacional.
Paciente com asbestose apresenta derrame pleural volumoso, dor toracica persistente e perda de peso. Qual conduta e prioritaria?
Derrame pleural com dor persistente e emagrecimento em paciente com exposicao a amianto exige investigacao ativa de mesotelioma, cuja confirmacao costuma requerer biopsia pleural por toracoscopia, ja que a citologia do liquido tem baixo rendimento e a biopsia por agulha as vezes e insuficiente. Atribuir o derrame a doenca benigna e o erro que atrasa um diagnostico com janela terapeutica estreita. Antibiotico empirico sem sinais infecciosos nao se justifica. Pleurodese antes de definir a etiologia elimina a possibilidade de acesso diagnostico adequado. Radiografia de controle em seis meses diante de sinais de alarme e conduta inaceitavel, e o caso ainda tem implicacoes previdenciarias relevantes.
Trabalhador de marmoraria ha 15 anos, com corte de rochas artificiais sem protecao respiratoria, apresenta dispneia e tomografia com nodulos centrolobulares em lobos superiores e linfonodos hilares com calcificacao em casca de ovo. Qual o diagnostico e o risco associado?
Nodulos em lobos superiores com adenopatia hilar calcificada em casca de ovo em trabalhador exposto a poeira de silica define silicose, hoje em ressurgimento entre marmorarias que trabalham com rochas artificiais de alto teor de silica; a doenca aumenta muito o risco de tuberculose, o que obriga rastreamento periodico e tratamento da infeccao latente. Asbestose produz fibrose basal com placas pleurais. Beriliose forma granulomas semelhantes a sarcoidose e exige teste de proliferacao linfocitaria. Bissinose relaciona-se a poeira de algodao com sintomas que pioram no primeiro dia de trabalho. Pneumonite de hipersensibilidade decorre de antigenos organicos, como fungos e proteinas de aves.
Homem de 64 anos, trabalhou 25 anos em construcao civil com remocao de telhas e isolamentos antigos, apresenta dispneia progressiva ha tres anos e tosse seca. A tomografia mostra fibrose intersticial basal e placas pleurais calcificadas bilaterais. Qual o diagnostico?
Fibrose intersticial de predominio basal associada a placas pleurais calcificadas em trabalhador com historia de exposicao a amianto define asbestose; as placas pleurais sao o marcador mais caracteristico da exposicao, embora isoladamente indiquem apenas contato e nao doenca parenquimatosa. A silicose cursa com nodulos de predominio em lobos superiores e adenopatias com calcificacao em casca de ovo. A fibrose idiopatica exige exclusao de causas conhecidas, e a historia ocupacional aqui e determinante. Tuberculose pleural sequelar produz espessamento pleural unilateral com calcificacao, sem fibrose intersticial difusa. Sarcoidose predomina em campos superiores com padrao peribroncovascular e adenopatia hilar.
Trabalhador de industria metalurgica com exposicao a ruido intenso ha 20 anos apresenta audiometria com queda bilateral na frequencia de 4000 Hz, com recuperacao parcial nas frequencias mais altas. Qual o diagnostico?
O entalhe caracteristico em 4000 Hz, bilateral e simetrico, com recuperacao relativa nas frequencias superiores, e a assinatura audiometrica da perda auditiva induzida por ruido, que e neurossensorial, irreversivel e nao progride apos cessada a exposicao. A presbiacusia acomete idosos com queda progressiva nas frequencias mais altas, sem esse entalhe. A otosclerose produz perda condutiva com curva caracteristica e historia familiar. A doenca de Meniere cursa com vertigem episodica, zumbido e perda flutuante em frequencias graves. O neurinoma do acustico causa perda assimetrica unilateral progressiva com comprometimento da discriminacao vocal, exigindo investigacao por imagem.
Qual neoplasia esta especificamente associada a exposicao ao amianto e nao guarda relacao com o tabagismo?
O mesotelioma pleural maligno tem relacao praticamente exclusiva com a exposicao ao amianto, ocorre apos longo periodo de latencia, de 20 a 40 anos, e nao depende do tabagismo, manifestando-se com derrame pleural recorrente, dor toracica e espessamento pleural nodular. Ja o cancer de pulmao tambem e causado pelo amianto, mas com efeito multiplicativo em quem fuma, o que reforca a orientacao de cessacao do tabagismo nesses trabalhadores. Carcinoma de laringe relaciona-se sobretudo a tabaco e alcool. Adenocarcinoma gastrico associa-se a Helicobacter pylori e a fatores dieteticos. O carcinoma renal nao tem relacao estabelecida com essa exposicao.
Reconhecido o agravamento da perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados em trabalhador exposto a ruído, o gerente da fábrica pede ao médico responsável pelo Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional que emita atestado de inaptidão e encaminhe o caso para desligamento. Segundo o Anexo II da NR-7, qual é a conduta correta?
O anexo afirma, por texto expresso, que a perda auditiva por níveis de pressão sonora elevados, por si só, não é indicativa de inaptidão para o trabalho. A decisão pesa onze fatores nomeados, entre eles história clínica e ocupacional, otoscopia, idade, tempos e níveis de exposição pregressa e atual, demanda auditiva da função, exposição não ocupacional a ruído e a outros agentes de risco auditivo, capacitação profissional e os programas de conservação auditiva disponíveis. Declarar inaptidão só pelo traçado contraria essa frase, e acrescentar um corte na média das frequências da fala cria um critério que a norma não escreveu. Suspender a audiometria anual retira o instrumento que documenta a evolução justamente quando ele passa a ser mais necessário. E definir aptidão para a função é atribuição do médico do trabalho responsável pelo programa, que ainda deve incluir o caso no relatório analítico, atuar no programa de conservação auditiva e entregar cópias dos exames ao trabalhador; a perícia federal decide benefício, não aptidão.
Caldeireiro de 46 anos, exposto a ruído acima do nível de ação, já tem perda auditiva induzida por níveis de pressão sonora elevados caracterizada no exame de referência, cujos limiares em dB(NA) na orelha direita eram: 500 Hz 15, 1.000 Hz 15, 2.000 Hz 20, 3.000 Hz 30, 4.000 Hz 45, 6.000 Hz 40 e 8.000 Hz 25. O exame sequencial de agora, com repouso auditivo cumprido e otoscopia normal, traz: 500 Hz 25, 1.000 Hz 30, 2.000 Hz 30, 3.000 Hz 35, 4.000 Hz 45, 6.000 Hz 45 e 8.000 Hz 30. Pelo Anexo II da NR-7, qual é a conclusão?
Em trabalhador já confirmado na referência, a norma amplia o alvo em duas direções. A média que conta pode ser a de 500, 1.000 e 2.000 Hz, e não apenas a das agudas: aqui ela subiu de 16,67 para 28,33 dB(NA), diferença de 11,67, que ultrapassa os 10 dB(NA) exigidos. E a piora de 15 dB(NA) passa a valer em qualquer frequência isolada, não só nas três agudas: o limiar de 1.000 Hz saiu de 15 para 30 dB(NA). Qualquer um dos dois critérios já bastaria. Restringir a comparação às frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz — cuja média subiu apenas 3,33 dB(NA) — ou exigir piora de 15 dB(NA) dentro delas aplica ao caso confirmado a régua do desencadeamento, que é a etapa anterior. Falar em desencadeamento também erra a etapa: ele exige que todos os limiares estivessem dentro de 25 dB(NA) na referência, o que não ocorre com 45 dB(NA) em 4.000 Hz. E a comparação por médias continua valendo — é ela que a norma usa para o caso já caracterizado.
Uma cerâmica com trabalhadores expostos a poeira de sílica nunca realizou avaliação quantitativa do ambiente e, por isso, não sabe em que percentual do limite de exposição ocupacional o setor se encontra. O empregador pergunta com que periodicidade a radiografia de tórax desses trabalhadores deve ser feita, segundo o Anexo III da NR-7.
O anexo escalona a radiografia pelo limite superior do intervalo de confiança da média estimada em relação ao limite de exposição ocupacional, e reserva uma linha para a empresa que não mede: a cada dois anos até quinze anos de exposição e anual depois. Essa linha é deliberadamente mais rigorosa do que a de quem mede e comprova ambiente limpo, e o incentivo é justamente esse — medir sai mais barato do que não medir. O intervalo de cinco anos seguido de três pertence à faixa de 10% a 50% do limite, e a rotina restrita à admissão e à demissão pertence à faixa de até 10%, ambas disponíveis apenas para quem apresenta medição. A periodicidade anual desde a admissão é a da faixa acima de 100%, e equiparar ausência de medida a ultrapassagem do limite não é o que o anexo escreve. Por fim, deixar a periodicidade ao critério médico ignora que o próprio quadro previu a hipótese da empresa sem avaliação quantitativa.
Homem de 52 anos, jateador de areia há 20 anos, apresenta dispneia progressiva e tosse seca. Radiografia mostra opacidades nodulares em campos superiores e adenomegalias hilares com calcificação periférica em casca de ovo. Qual o diagnóstico?
Exposição a sílica em jateamento, nódulos em campos superiores e calcificação ganglionar em casca de ovo formam o quadro característico da silicose. A sarcoidose também cursa com adenopatia hilar bilateral e é o distrator mais forte, mas não tem a história ocupacional nem o padrão de calcificação periférica dos linfonodos. A asbestose predomina em bases e associa-se a placas pleurais.
Qual é o tratamento específico da silicose?
Não existe terapia que remova a sílica depositada ou reverta a fibrose: o eixo do cuidado é interromper a exposição, vacinar, reabilitar, tratar comorbidades, rastrear tuberculose e avaliar transplante nos casos avançados. Prescrever corticoide de rotina é o distrator que confunde a silicose com doenças intersticiais inflamatórias responsivas à imunossupressão.
Homem de 58 anos, ex-trabalhador de estaleiro, apresenta dispneia e radiografia com placas pleurais calcificadas em diafragma e parede lateral. Qual a exposição mais provável e qual neoplasia deve ser vigiada?
Placas pleurais calcificadas são o marcador de exposição ao asbesto, e o trabalhador deve ser vigiado para mesotelioma e câncer de pulmão, com risco multiplicado pelo tabagismo concomitante. A exposição ao benzeno é ocupacionalmente relevante, porém associa-se a leucemias e mielodisplasia — trocar o agente pelo desfecho neoplásico correspondente é o erro que a questão explora.
Trabalhador com perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 4.000 Hz na audiometria, exposto a ruído acima de 85 dB por 15 anos. Qual o diagnóstico?
O entalhe característico em 4.000 a 6.000 Hz, bilateral e simétrico, com recuperação parcial em frequências mais altas, define a perda induzida por ruído, que é irreversível e não progride após cessada a exposição. A presbiacusia é o distrator natural e acomete preferencialmente as frequências mais agudas de forma descendente, sem o entalhe, e progride com a idade.
Qual conduta é obrigatória em todo paciente com diagnóstico de silicose?
A silicose compromete a função dos macrófagos alveolares e multiplica em várias vezes o risco de tuberculose ativa, o que torna obrigatórios o rastreamento periódico da doença ativa e a investigação e o tratamento da infecção latente. Essa associação é tão marcante que a piora clínica ou radiológica de um silicótico deve sempre levantar a suspeita de tuberculose sobreposta.
Sobre a silicose, assinale a alternativa correta.
A silicose produz nódulos de predomínio nos campos superiores e a calcificação ganglionar em casca de ovo, com risco aumentado de tuberculose que justifica rastreio periódico de infecção latente nesses trabalhadores. Achar que o afastamento reverte a doença engana quem transporta o raciocínio da pneumonite de hipersensibilidade: na silicose a fibrose já instalada progride mesmo sem nova exposição.
Sobre a asbestose e as doenças relacionadas ao asbesto, assinale a alternativa correta.
O asbesto produz placas pleurais, que são marcadores de exposição e não de malignidade, além de asbestose com fibrose basal, câncer de pulmão e mesotelioma, todos com latência de décadas. Confundir placa pleural com mesotelioma engana quem vê alteração pleural e presume tumor. O tabagismo interage de forma multiplicativa com o asbesto no risco de câncer de pulmão, o que torna a cessação prioritária nesses trabalhadores.
Sobre a perda auditiva induzida por ruído ocupacional, assinale a alternativa correta.
A perda por ruído é neurossensorial, bilateral e simétrica, começa nas frequências agudas com o entalhe característico próximo de 4.000 Hz e é irreversível, o que faz da prevenção com protetor auditivo e controle ambiental a única estratégia eficaz. Descrevê-la como condutiva e reversível engana quem confunde com obstrução de conduto ou otite, situações de mecanismo e prognóstico opostos.
Trabalhador com exposição prolongada a ruído acima dos limites de tolerância apresenta perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 4000 Hz na audiometria e sem recrutamento. Qual o diagnóstico?
O entalhe em 4000 Hz, bilateral e simétrico, com perda neurossensorial que poupa inicialmente as frequências da fala, é a assinatura audiométrica da perda induzida por ruído ocupacional — doença irreversível e por isso prevenível apenas por controle do ambiente e proteção. Presbiacusia é o distrator mais forte, mas atinge preferencialmente as frequências mais agudas de forma progressiva com a idade, sem o entalhe característico. Otosclerose gera perda condutiva, e a doença de Ménière e o neurinoma cursam tipicamente com acometimento assimétrico.
Trabalhador de 45 anos, ha 20 anos em marmoraria, com corte de rochas a seco, apresenta dispneia progressiva e radiografia com opacidades nodulares em campos superiores e linfonodos hilares com calcificacao em 'casca de ovo'. O diagnostico mais provavel e:
Exposicao a poeira de silica com nodulos em campos SUPERIORES e calcificacao ganglionar em casca de ovo compoem o quadro classico da silicose, que ainda aumenta muito o risco de tuberculose — motivo pelo qual esses pacientes devem ser rastreados para infeccao latente. A asbestose engana como outra pneumoconiose, mas acomete preferencialmente campos INFERIORES, com padrao reticular e placas pleurais. A sarcoidose pode ter adenopatia hilar, mas sem a historia ocupacional caracteristica.
Operador de maquinas ha 15 anos, exposto a ruido de 95 dB, apresenta audiometria com entalhe em 4.000 Hz bilateral, simetrico, sem recuperacao apos periodo de repouso auditivo. Sobre a perda auditiva induzida por ruido:
A perda auditiva induzida por ruido e neurossensorial, irreversivel, bilateral e simetrica, com entalhe caracteristico em 4.000 Hz, e estabiliza quando cessa a exposicao — nunca progride para surdez total apenas por ruido ocupacional. Esperar reversao com afastamento engana porque existe sim um deslocamento TEMPORARIO do limiar apos exposicao aguda, mas o dano cronico ja instalado nao se recupera. Ela e doenca ocupacional notificavel mesmo sem incapacidade para o trabalho.
Trabalhador de 45 anos, exposto a ruído em metalúrgica há 20 anos sem proteção adequada, realiza audiometria que mostra perda neurossensorial bilateral com entalhe em 4.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz. Qual afirmativa está correta?
A perda auditiva induzida por ruído é neurossensorial, bilateral, insidiosa, com entalhe característico em 4.000 Hz e recuperação relativa nas frequências mais altas. Duas propriedades a definem em prova: é irreversível, porque decorre de morte de células ciliadas, e não progride depois que a exposição cessa. Afirmar que a perda continua avançando após o afastamento é o distrator mais atraente, pois soa protetor ao trabalhador, mas é falso e desloca o raciocínio para outras causas quando a piora realmente ocorre.
Homem de 45 anos, operador de máquinas em metalúrgica há 15 anos, procura a Unidade Básica de Saúde referindo dificuldade progressiva para entender conversas em ambiente ruidoso. Audiometria mostra perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 4.000 Hz e preservação das frequências graves. Não usa protetor auricular regularmente. Além do afastamento da exposição, qual é a conduta administrativa obrigatória do médico?
A perda auditiva induzida por ruído é agravo relacionado ao trabalho de notificação compulsória no SINAN e exige a emissão da CAT, que pode ser feita pelo médico assistente independentemente da empresa. Repassar somente ao setor de recursos humanos transfere à empresa uma obrigação que também é do serviço de saúde e deixa o agravo invisível à vigilância. Solicitar perícia sem CAT é incorreto, pois a legislação equipara doença ocupacional a acidente de trabalho para fins de notificação e benefício. Apenas registrar e reavaliar mantém o trabalhador exposto e descumpre a notificação obrigatória.
Homem de 45 anos, operador de máquinas em serralheria há 20 anos, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos e zumbido bilateral. Nunca usou protetor auricular de forma regular. Otoscopia normal bilateralmente. Audiometria mostra perda neurossensorial bilateral com entalhe em 4 kHz e recuperação em 8 kHz. Qual é a conduta correta?
Perda neurossensorial bilateral com entalhe em quatro quilohertz em trabalhador exposto a ruído sem proteção caracteriza perda auditiva induzida por ruído ocupacional, agravo de notificação que exige nexo, comunicação e intervenção no ambiente de trabalho. Atribuir à idade em paciente de meia-idade com exposição documentada e padrão audiométrico típico desconsidera o nexo ocupacional. Corticoide se aplica à perda súbita, não à perda crônica induzida por ruído. Implante coclear é indicado em perdas profundas refratárias, cenário distinto.
Homem de 38 anos, há seis anos cortando bancadas de pedra artificial em marmoraria, sem uso regular de proteção respiratória, é atendido no ambulatório de saúde do trabalhador com dispnea aos esforços progressiva há oito meses e tosse seca. Nega tabagismo, febre e perda ponderal. Ao exame, saturação de 94% em ar ambiente, frequência respiratória de 20 irpm, ausculta com estertores finos em bases. Radiografia de tórax mostra opacidades nodulares difusas em campos superiores e adenomegalias hilares com calcificação periférica. A conduta correta inclui:
Opacidades nodulares em campos superiores com linfonodos hilares calcificados em casca de ovo, em trabalhador exposto a sílica cristalina de pedra artificial, definem silicose acelerada. A primeira medida é interromper a exposição, pois a doença progride mesmo após cessada; a notificação como agravo relacionado ao trabalho alimenta a vigilância, e o rastreamento de tuberculose é obrigatório pelo risco muito aumentado nesses pacientes. Manter na função com máscara não impede a progressão e ignora o dever de vigilância. Corticoide não reverte fibrose estabelecida. Sarcoidose não se sustenta diante de exposição ocupacional definida e é diagnóstico de exclusão nesse contexto.
Homem de 40 anos, operador de máquinas em serralheria há doze anos, com exposição a ruído contínuo de 92 dB e uso irregular de protetor auricular, realiza audiometria periódica. O exame mostra queda bilateral, simétrica, com entalhe em 4000 Hz e recuperação parcial em 8000 Hz, sem gap aéreo-ósseo. Compara-se à audiometria admissional, que era normal. Ele nega otalgia, otorreia, vertigem, uso de ototóxicos e antecedentes familiares de surdez. Otoscopia normal bilateral. A interpretação e a conduta corretas são:
Entalhe em 4000 Hz, bilateral e simétrico, sem gap aéreo-ósseo, em trabalhador exposto a ruído acima do limite de tolerância e com audiometria admissional normal, é o padrão da perda auditiva induzida por ruído. A conduta prioriza medidas coletivas de controle na fonte e no meio, proteção individual efetiva, acompanhamento audiométrico e notificação como agravo relacionado ao trabalho; a perda é irreversível, mas evitável em sua progressão. Presbiacusia ocorre em idades mais avançadas e afeta primeiro as frequências mais altas, sem entalhe característico. Otosclerose causa perda condutiva com gap aéreo-ósseo, ausente aqui. Cerume impactado daria alteração à otoscopia, que é normal.
Homem de 63 anos, aposentado, trabalhou dos 20 aos 38 anos em fábrica de telhas de fibrocimento. Procura o serviço de referência com dispneia progressiva há três meses e dor torácica em hemitórax direito, contínua e mal localizada. Perdeu 6 kg no período. Nunca fumou. Ao exame, murmúrio vesicular abolido em base direita, macicez à percussão e saturação de 92% em ar ambiente. Radiografia mostra derrame pleural volumoso à direita e espessamento pleural com placas calcificadas bilaterais. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta são:
Latência longa após exposição ao amianto, placas pleurais calcificadas bilaterais como marcador dessa exposição, dor torácica persistente, emagrecimento e derrame pleural unilateral em não fumante compõem quadro altamente sugestivo de mesotelioma pleural maligno, doença de nexo ocupacional bem estabelecido e que exige confirmação histológica por biópsia pleural, além de notificação. Tuberculose pleural não explica as placas calcificadas nem a latência ocupacional e não deve ser tratada às cegas. Insuficiência cardíaca costuma causar derrame bilateral e não provoca espessamento pleural com placas. Derrame parapneumônico cursaria com febre e quadro infeccioso agudo, ausentes.
Homem de 67 anos, aposentado, trabalhou 25 anos em fábrica de telhas e caixas d'água de fibrocimento. Procura ambulatório de referência com dor torácica em peso à esquerda e dispneia progressiva há cinco meses, com perda de 7 kg. Nega tabagismo. Ao exame: emagrecido, murmúrio vesicular abolido em dois terços inferiores do hemitórax esquerdo, com macicez e redução da expansibilidade. A tomografia mostra espessamento pleural nodular e circunferencial, com derrame e retração do hemitórax. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Exposição ocupacional prolongada ao amianto, longo período de latência, dor torácica persistente e espessamento pleural nodular circunferencial com derrame e retração do hemitórax compõem o quadro do mesotelioma pleural maligno, doença relacionada ao trabalho e de notificação obrigatória. A tuberculose pleural crônica pode espessar a pleura, mas costuma acometer adultos jovens com sintomas consumptivos e exsudato linfocitário, sem esse padrão nodular. O fibrotórax pós-empiema exige antecedente de infecção pleural tratada, não relatado. A sarcoidose acomete predominantemente linfonodos hilares e o parênquima, sendo o envolvimento pleural raro e sem esse aspecto.
Homem de 44 anos, trabalhador de marmoraria com corte de pedras artificiais sem proteção respiratória adequada há oito anos, é atendido em ambulatório com dispneia progressiva e tosse seca há um ano. Ao exame: FR 20 ipm, saturação 93%, ausculta pulmonar com discretos estertores, sem baqueteamento, sem edema. Tomografia de tórax mostra nódulos centrolobulares e subpleurais difusos com predomínio em campos superiores, alguns confluentes formando massas, e linfonodos hilares com calcificação periférica. Provas de função pulmonar com padrão restritivo. Baciloscopias de escarro negativas e teste molecular negativo. A conduta correta é:
Nódulos difusos com predomínio superior, massas conglomeradas e linfonodos com calcificação periférica em trabalhador exposto a sílica caracterizam silicose, exigindo nexo ocupacional, afastamento da exposição, notificação em saúde do trabalhador e rastreamento sistemático de tuberculose, cujo risco é muito aumentado nesses pacientes. Manter a exposição com proteção inadequada perpetua a progressão. Tratamento antituberculose empírico sem evidência é inadequado. Corticoide não reverte a fibrose já estabelecida pela silicose.
Homem de 60 anos é atendido em ambulatório com dispneia aos esforços e tosse seca há um ano. Ele trabalhou por vinte anos em estaleiro, com exposição a fibras de amianto, sem proteção adequada. Ao exame: FR 20 ipm, saturação 94%, ausculta com estertores em bases, baqueteamento digital discreto, sem edema. Tomografia de tórax mostra placas pleurais calcificadas bilaterais e reticulado subpleural basal discreto. Provas de função pulmonar com restrição leve. Ele nega dor torácica intensa, perda ponderal ou derrame pleural, e é ex-tabagista de 20 anos-maço, com cessação há dez anos. A conduta correta é:
Placas pleurais calcificadas com reticulado subpleural em trabalhador com exposição prolongada ao amianto caracterizam doença relacionada ao asbesto, exigindo nexo ocupacional, notificação, acompanhamento com vigilância para mesotelioma e câncer de pulmão, cujo risco é sinérgico com o tabagismo, e reforço da abstinência. Negar a relação ocupacional priva o trabalhador de direitos e vigilância. Corticoide não reverte as alterações. Pleurectomia de placas benignas assintomáticas é procedimento sem indicação.
Homem de 55 anos é atendido em ambulatório com dispneia progressiva há dois anos e tosse seca. Ele trabalhou por quinze anos em mineração de carvão sem proteção respiratória adequada. Ao exame: FR 20 ipm, saturação 93%, ausculta com estertores discretos, sem baqueteamento importante, sem edema. Tomografia mostra nódulos pequenos difusos com predomínio em campos superiores e áreas de massa conglomerada com distorção arquitetural. Provas de função pulmonar com padrão misto. Baciloscopias de escarro negativas, teste molecular negativo e ausência de sinais de infecção ativa no momento da avaliação. A conduta correta é:
Nódulos difusos de predomínio superior com massas conglomeradas em trabalhador com exposição prolongada à poeira de carvão caracterizam pneumoconiose, exigindo nexo ocupacional, afastamento da exposição, notificação em saúde do trabalhador e vigilância para tuberculose e progressão funcional. Manter a exposição com proteção inadequada perpetua o dano. Tratamento antituberculose empírico sem evidência é inadequado. Corticoide não reverte a fibrose já estabelecida por deposição de poeira mineral no parênquima pulmonar.
Homem de 58 anos é atendido em ambulatório com tosse e dispneia aos esforços há seis meses, além de dor torácica persistente à direita. Ele trabalhou por vinte e cinco anos em fábrica de telhas de amianto. Ao exame: emagrecido, FR 22 ipm, saturação 92%, macicez em base direita com abolição do murmúrio vesicular, sem febre, sem baqueteamento importante. Tomografia mostra espessamento pleural nodular circunferencial à direita com derrame pleural associado e retração do hemitórax. Toracocentese com exsudato de predomínio linfocítico e citologia inconclusiva em duas amostras. A conduta correta é:
Espessamento pleural nodular circunferencial com derrame e retração do hemitórax em trabalhador com exposição prolongada ao amianto é altamente suspeito de mesotelioma, cuja citologia do líquido tem baixo rendimento, indicando biópsia pleural, preferencialmente por videotoracoscopia, além do nexo ocupacional e da notificação. Toracocenteses repetidas atrasam o diagnóstico. Tratamento antituberculose empírico é inadequado nesse contexto. Encerrar a investigação priva o paciente de diagnóstico e de direitos previdenciários.
Mulher de 52 anos é atendida em ambulatório com dispneia e tosse seca há seis meses. Ela trabalha há doze anos em fábrica de cerâmica com exposição a poeira de sílica, sem proteção adequada. Ao exame: FR 20 ipm, saturação 93%, ausculta com estertores discretos, sem baqueteamento importante. Tomografia mostra nódulos difusos de predomínio superior com linfonodos hilares com calcificação periférica. Provas de função pulmonar com restrição. Ela apresenta agora tosse produtiva, febre vespertina e perda de 5 kg há dois meses, com piora do padrão respiratório em relação à avaliação anterior. A conduta prioritária é:
A silicose aumenta de forma expressiva o risco de tuberculose, e o surgimento de tosse produtiva, febre vespertina e perda ponderal em paciente com silicose exige investigação prioritária com baciloscopia e teste molecular rápido, mantendo-se o afastamento da exposição. Atribuir tudo à progressão da pneumoconiose retarda o diagnóstico de uma infecção tratável e transmissível. Corticoide sem investigação pode agravar infecção subjacente. Manter a exposição e adiar a avaliação é conduta inaceitável nesse contexto.
Homem de 38 anos é atendido em ambulatório com dispneia progressiva e tosse seca há seis meses. Ele trabalha com jateamento de areia em ambiente fechado há oito anos, sem proteção respiratória. Ao exame: emagrecido, FR 24 ipm, saturação 90%, ausculta com estertores difusos, sem baqueteamento importante, sem edema. Tomografia mostra vidro fosco difuso com espessamento septal e consolidações, com progressão rápida em relação a exame de seis meses antes. Provas de função pulmonar com restrição acentuada. Baciloscopias negativas e teste molecular negativo, sem sinais de infecção ativa. A hipótese mais provável é:
Exposição maciça e intensa a sílica, como no jateamento de areia em ambiente fechado, pode causar silicose aguda, forma de evolução rápida com vidro fosco difuso, espessamento septal e consolidações, com deterioração funcional acelerada, exigindo afastamento imediato, notificação e acompanhamento especializado. Silicose crônica simples evolui lentamente com nódulos superiores. Tuberculose miliar produz padrão micronodular difuso e teria investigação positiva. Pneumonia bacteriana não explica a evolução de meses com restrição acentuada.
Homem de 52 anos, trabalhador em marmoraria há vinte anos, sem uso regular de proteção respiratória, procura a Unidade Básica de Saúde com dispneia aos esforços progressiva e tosse seca há dois anos. Ao exame apresenta FR 22 ipm, saturação de 94% em ar ambiente, estertores em bases e baqueteamento digital discreto. A radiografia mostra opacidades nodulares difusas em campos superiores, com linfonodos hilares com calcificação periférica, e a espirometria evidencia padrão restritivo, sem antecedente de tuberculose tratada. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Dispneia progressiva com opacidades nodulares em campos superiores e linfonodos hilares com calcificação periférica em trabalhador exposto a poeira de sílica, com padrão restritivo à espirometria, caracteriza silicose, doença ocupacional de notificação que exige afastamento da exposição, rastreamento de tuberculose e medidas coletivas no ambiente de trabalho. A doença obstrutiva crônica cursa com padrão obstrutivo. A asma ocupacional apresenta obstrução reversível e variabilidade. A pneumonia bacteriana tem curso agudo com consolidação, sem esse padrão nodular difuso crônico.
Homem, 47 anos, soldador em metalúrgica há 18 anos, refere zumbido bilateral e dificuldade para entender conversas em ambientes ruidosos, há 2 anos. Nega otorreia, otalgia, vertigem ou uso de ototóxicos. Otoscopia normal bilateralmente. Audiometria mostra perda neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 4.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz. Qual a conduta correta do médico de família?
O entalhe audiométrico em 4.000 Hz com perda neurossensorial bilateral e simétrica em trabalhador exposto a ruído caracteriza perda auditiva induzida por ruído, doença relacionada ao trabalho de notificação compulsória no SINAN e que exige emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho, atribuição de qualquer médico assistente. Aguardar o laudo do especialista posterga obrigação legal já configurada pelo nexo ocupacional evidente. Afastamento definitivo por incapacidade permanente não se sustenta, pois a perda é típica, não progride após cessada a exposição e não implica, por si, incapacidade laborativa total. Orientar protetor sem notificar cumpre a prevenção individual e omite a vigilância do ambiente de trabalho, que é o objetivo da notificação. Atribuir a notificação exclusivamente à perícia é equívoco: a competência é do serviço de saúde que identifica o agravo.
Homem, 52 anos, é atendido na UBS com quadro de tosse produtiva, dispneia progressiva e febre há 6 dias. Trabalha há 20 anos em marmoraria cortando bancadas de quartzo artificial, sem uso de proteção respiratória. Radiografia de tórax mostra opacidades nodulares difusas em campos superiores, com aspecto de vidro fosco em regiões peri-hilares. Espirometria com padrão restritivo. SatO2 92% em ar ambiente, FR 24 ipm, estertores bibasais. Baciloscopia negativa e teste molecular para tuberculose negativo. Qual o diagnóstico mais provável e a conduta?
Exposição intensa a poeira de sílica no corte de quartzo artificial, com padrão radiológico nodular de predomínio em campos superiores e restrição espirométrica, caracteriza silicose, e a apresentação em cerca de duas décadas com progressão sintomática impõe afastamento imediato da exposição, notificação como doença relacionada ao trabalho e emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho. A asbestose relaciona-se ao amianto, acomete predominantemente campos inferiores e cursa com placas pleurais, perfil distinto. Pneumonia adquirida na comunidade não explica opacidades nodulares difusas crônicas nem o padrão restritivo estabelecido. Tratar como tuberculose por prova terapêutica com teste molecular negativo e padrão nodular difuso é inadequado, embora a silicose aumente o risco de tuberculose e exija vigilância. A pneumonite de hipersensibilidade tem nexo com antígenos orgânicos e não com poeira mineral do trabalho descrito.
Um trabalhador de 45 anos, operador de máquinas em indústria metalúrgica há 20 anos, é diagnosticado com perda auditiva neurossensorial bilateral, simétrica, com entalhe em 4.000 Hz na audiometria. A empresa não fornecia protetor auricular adequado e não realizava monitoramento audiométrico periódico. O trabalhador permanece na mesma função e o ambiente apresenta ruído contínuo acima de 90 decibéis. Qual a conduta indicada pelo médico assistente?
A perda auditiva induzida por ruído é agravo relacionado ao trabalho, de notificação compulsória, e a Comunicação de Acidente de Trabalho deve ser emitida, garantindo direitos previdenciários e desencadeando ações de vigilância no ambiente laboral. Prescrever apenas o aparelho auditivo trata a consequência e omite o nexo ocupacional e a proteção dos demais trabalhadores expostos. Solicitar demissão não é atribuição médica e retira do trabalhador a proteção legal. Atribuir a perda à idade contraria o padrão audiométrico com entalhe em 4.000 Hz e a exposição documentada a ruído elevado. Encaminhar ao sindicato pode ser complementar, mas não substitui a notificação e a comunicação formais.
Homem, 57 anos, é atendido na UBS com queixa de dispneia progressiva aos esforços há 6 meses e edema de membros inferiores. Trabalhou 25 anos em estaleiro cortando isolamento térmico de tubulações. Exame: FR 22 ipm, SatO2 93%, estertores crepitantes em bases, baqueteamento digital. Radiografia de tórax com opacidades reticulares em bases e placas pleurais calcificadas bilaterais. Espirometria com padrão restritivo, com CVF 62% do previsto. Nunca fumou. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta?
Exposição prolongada a amianto no isolamento térmico, com opacidades reticulares de predomínio basal, placas pleurais calcificadas, baqueteamento digital e restrição espirométrica, caracteriza asbestose, doença relacionada ao trabalho que exige notificação, emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho e seguimento especializado, com atenção ao risco de mesotelioma e câncer de pulmão. A fibrose pulmonar idiopática é diagnóstico de exclusão e não explica as placas pleurais, marcadoras de exposição ao amianto; além disso, corticoide em dose imunossupressora é prejudicial nessa doença. Insuficiência cardíaca não produz placas pleurais calcificadas nem baqueteamento digital. A silicose predomina em campos superiores com padrão nodular, e a exposição descrita não é a poeira de sílica. Bronquiectasias cursam com tosse produtiva crônica e padrão obstrutivo, não restritivo.
Homem de 44 anos, operador de prensa em metalúrgica há 16 anos, procura o serviço de saúde ocupacional por zumbido bilateral ao fim do turno e dificuldade para entender conversas em ambiente ruidoso, há cerca de 2 anos. Relata uso irregular de protetor auricular. Nega otalgia, otorreia, vertigem ou trauma craniano. À otoscopia, as membranas timpânicas são normais. A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral e simétrica, com entalhe em 4.000 Hz e recuperação parcial em 8.000 Hz. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A perda auditiva induzida por ruído é o diagnóstico: exposição ocupacional prolongada com proteção irregular, perda neurossensorial bilateral e simétrica e, sobretudo, o entalhe em 4.000 Hz com recuperação em 8.000 Hz, assinatura audiométrica da lesão das células ciliadas da espira basal. A presbiacusia produz queda progressiva e contínua nas frequências agudas, sem recuperação em 8.000 Hz, e é incomum aos 44 anos. A otosclerose em fase coclear cursaria com componente condutivo prévio e reflexos estapedianos alterados, não descritos. A doença de Ménière exige crises de vertigem com perda flutuante em baixas frequências. A neuropatia por solventes é possível em metalurgia, mas caracteriza-se por discriminação vocal muito ruim e ausência do entalhe típico.
Homem, 70 anos, aposentado, trabalhou 25 anos em fábrica de telhas de amianto. Refere dispneia progressiva e dor torácica em hemitórax esquerdo há 5 meses, com perda de 8 kg. Exame: FR 24 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, abolição do murmúrio em dois terços inferiores à esquerda. Tomografia mostra derrame pleural volumoso à esquerda, espessamento pleural nodular circunferencial e retração do hemitórax. Sobre as doenças relacionadas ao asbesto, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de que o risco de mesotelioma cessa após o término da exposição é falsa e por isso é a resposta: o risco permanece elevado por décadas e continua a crescer com o tempo decorrido desde a primeira exposição, o que explica casos diagnosticados 30 a 40 anos após o afastamento. A descrição das placas pleurais como marcadores de exposição, em geral assintomáticas e benignas, está correta e é o achado mais frequente do exposto. O período de latência prolongado, acima de 20 anos, é característica consagrada do mesotelioma. A potencialização do risco de carcinoma broncogênico pela associação de tabagismo e asbesto é interação multiplicativa bem documentada. A asbestose, pneumoconiose fibrosante, de fato cursa com distúrbio restritivo e fibrose de predomínio nos campos inferiores.
Homem, 45 anos, jateador de areia há 18 anos, com dispneia aos esforços há 2 anos e tosse seca. Exame: FR 20 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, ausculta com discretos estertores em ápices. Radiografia de tórax mostra micronódulos em campos superiores e linfonodos hilares com calcificação periférica em casca de ovo. Espirometria com padrão restritivo leve. Prova tuberculínica com 12 mm de enduração; HIV não reagente. Sobre a silicose, assinale a alternativa INCORRETA.
É falsa — e portanto é a resposta — a afirmação de que afastar o trabalhador da exposição interrompe a progressão radiológica: a silicose pode progredir por anos após o afastamento, inclusive evoluindo para fibrose maciça progressiva, característica que a distingue de outras doenças ocupacionais reversíveis. A notificação compulsória e a ausência de tratamento curativo, restando apenas medidas de suporte e afastamento, estão corretas. O aumento do risco de tuberculose é bem estabelecido, justificando rastreamento periódico e, no caso descrito, tratamento de infecção latente com enduração de 12 mm. A fibrose maciça progressiva, com conglomerados acima de 1 cm nos campos superiores, é de fato a forma evolutiva grave. A silicose acelerada, descrita em jateadores, surge entre 5 e 10 anos de exposição intensa.
Homem, 49 anos, trabalhador de indústria aeroespacial que manuseia ligas metálicas há 12 anos, apresenta tosse seca e dispneia aos esforços há 18 meses. Exame: FR 20 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, estertores discretos em bases. Tomografia mostra micronódulos peribroncovasculares, espessamento septal e linfonodomegalia hilar bilateral. Biópsia transbrônquica revela granulomas não caseosos. Culturas e pesquisa de fungos negativas. Teste de proliferação linfocitária ao berílio positivo no sangue e no lavado. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Granulomas não caseosos com linfonodomegalia hilar em trabalhador exposto a ligas metálicas podem imitar perfeitamente a sarcoidose, e o que decide o diagnóstico é o teste de proliferação linfocitária ao berílio positivo, que documenta sensibilização específica e define beriliose crônica, doença ocupacional com implicações previdenciárias e necessidade de afastamento. A sarcoidose é o principal diferencial, mas seria diagnóstico de exclusão e não explica um teste de sensibilização ao metal positivo. A tuberculose ganglionar produz granuloma caseoso com necrose, padrão distinto do descrito. A pneumonite de hipersensibilidade cursa com nódulos centrolobulares, vidro fosco e aprisionamento aéreo, sem linfonodomegalia hilar proeminente. A silicose apresenta micronódulos com calcificação ganglionar em casca de ovo e não forma granulomas não caseosos com teste ao berílio positivo.
Homem, 43 anos, operador de fiação em indústria têxtil de algodão há 9 anos, refere aperto no peito e dispneia que surgem no primeiro dia útil da semana e melhoram nos dias seguintes, com recorrência após cada período de folga. Exame realizado numa segunda-feira à tarde: FR 20 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, sibilos esparsos. Espirometria mostra queda de 14% do VEF1 ao longo do turno de segunda-feira, com valores basais quase normais. Qual a principal hipótese diagnóstica?
O padrão de sintomas que aparecem no primeiro dia de trabalho da semana e melhoram nos dias seguintes, a chamada febre da segunda-feira, com queda documentada do VEF1 ao longo do turno inicial, é a assinatura da bissinose em trabalhador exposto a poeira de algodão. A asma ocupacional por isocianatos ocorre em pintura e poliuretano, e seus sintomas tendem a piorar progressivamente ao longo da semana, e não a melhorar. A pneumonite de hipersensibilidade produz quadro restritivo com febre, estertores e alterações tomográficas, não obstrução com padrão de primeiro dia. A bronquite crônica industrial cursa com tosse produtiva por três meses ao ano em dois anos consecutivos, sem esse ritmo semanal. A síndrome tóxica por poeira orgânica é episódio febril autolimitado após exposição maciça, sem repetição semanal característica.
Homem, 58 anos, mineiro de carvão por 28 anos, com tosse crônica e dispneia aos médios esforços há 3 anos. Exame: FR 20 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, expectoração enegrecida ocasional. Radiografia mostra pequenas opacidades arredondadas difusas de predomínio em campos superiores, com duas massas conglomeradas maiores que 1 cm no ápice direito. Espirometria com padrão misto. Prova tuberculínica não reatora e baciloscopias de escarro negativas. Sobre a pneumoconiose dos trabalhadores do carvão, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que o afastamento impede totalmente a progressão: assim como na silicose, a doença pode progredir para fibrose maciça progressiva mesmo após o fim da exposição, o que exige seguimento radiológico prolongado. A descrição da forma simples com pequenas opacidades e pacientes frequentemente assintomáticos está correta. A caracterização das massas conglomeradas maiores que 1 cm como fibrose maciça progressiva também está correta e corresponde ao achado radiológico do caso. A síndrome de Caplan, que associa nódulos reumatoides à pneumoconiose em trabalhadores com artrite reumatoide, é entidade real e corretamente descrita. A ausência de tratamento específico, com manejo de suporte, reabilitação, vacinação e afastamento, é igualmente correta.
Homem, 27 anos, trabalhou 14 meses em jateamento de jeans em ambiente fechado sem proteção respiratória. Apresenta dispneia rapidamente progressiva e perda de 10 kg há 4 meses. Exame: FR 30 ipm, SatO2 85% em ar ambiente, estertores difusos, baqueteamento incipiente. Tomografia mostra vidro fosco difuso com espessamento septal em padrão de pavimentação em mosaico. Lavado broncoalveolar com material PAS positivo. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Exposição maciça e curta a sílica, como no jateamento de tecidos em ambiente fechado, produz silicose aguda, cuja tradução histológica e tomográfica é a silicoproteinose, com acúmulo de material lipoproteináceo PAS positivo e padrão de pavimentação em mosaico, evolução rápida e prognóstico reservado. A pneumocistose exigiria imunossupressão, com CD4 baixo ou uso de imunossupressor, dados ausentes. A proteinose alveolar autoimune apresenta quadro histológico semelhante, mas depende de anticorpo anti-GM-CSF e não de exposição ocupacional maciça, sendo esta a história decisiva. O edema cardiogênico cursaria com congestão, cardiomegalia e resposta a diurético. A pneumonite de hipersensibilidade aguda relaciona-se a antígenos orgânicos, com nódulos centrolobulares e mosaico de aprisionamento, e não com material PAS positivo no lavado.
Homem, 67 anos, ex-trabalhador de estaleiro, com dispneia progressiva há 1 ano, sem dor torácica. Exame: FR 22 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, expansibilidade reduzida à direita, murmúrio reduzido em base direita. Tomografia mostra espessamento pleural difuso à direita com calcificações em placas bilaterais, sem derrame significativo e sem massa. Espirometria com padrão restritivo moderado; difusão discretamente reduzida. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Espessamento pleural difuso com placas calcificadas bilaterais em ex-trabalhador de estaleiro, sem massa nem derrame volumoso, caracteriza doença pleural benigna relacionada ao asbesto, que pode cursar com restrição funcional e exige vigilância pelo risco aumentado de mesotelioma e carcinoma broncogênico. O mesotelioma maligno cursa com espessamento nodular circunferencial, derrame volumoso, dor e retração do hemitórax. O empiema crônico exigiria antecedente infeccioso, com espessamento predominantemente unilateral e sinais inflamatórios. As metástases pleurais produziriam nódulos pleurais e derrame com citologia positiva. A tuberculose pleural ativa cursaria com febre, emagrecimento e derrame exsudativo linfocítico com adenosina deaminase elevada, e não com placas calcificadas bilaterais de longa data.
Homem, 46 anos, trabalhador em fábrica de ferramentas de corte com liga de tungstênio e cobalto há 11 anos, apresenta tosse seca e dispneia progressiva há 14 meses. Exame: FR 22 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, estertores em bases, baqueteamento incipiente. Tomografia mostra vidro fosco, reticulado e discreta faveolamento. Lavado broncoalveolar revela células gigantes multinucleadas bizarras e macrófagos, com pesquisa de agentes infecciosos negativa. Qual a principal hipótese diagnóstica?
A presença de células gigantes multinucleadas bizarras no lavado broncoalveolar, em trabalhador exposto a ligas de tungstênio e cobalto, caracteriza a doença por metais duros, cuja lesão típica é a pneumonia de células gigantes, tratada com afastamento da exposição e corticoide. A pneumonite de hipersensibilidade cursa com linfocitose acentuada e nódulos centrolobulares com aprisionamento aéreo, sem células gigantes bizarras. A fibrose pulmonar idiopática é diagnóstico de exclusão e não se sustenta diante de exposição ocupacional característica e achado citológico específico. A sarcoidose forma granulomas não caseosos com linfonodomegalia hilar bilateral. A silicose apresenta micronódulos de predomínio superior com calcificação ganglionar em casca de ovo, padrão distinto do descrito.
Empresa de manutenção industrial identifica 40 trabalhadores com exposição pregressa a materiais contendo asbesto entre 1985 e 2005. Todos estão assintomáticos, com idade média de 58 anos, e vários são tabagistas. O serviço de saúde ocupacional planeja o programa de vigilância, considerando o longo período de latência das doenças relacionadas e as obrigações legais de acompanhamento dos expostos. Sobre a vigilância desses trabalhadores, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que o risco cessa com o afastamento: as doenças relacionadas ao asbesto têm latência de décadas, e o risco de mesotelioma inclusive cresce com o tempo decorrido desde a primeira exposição, o que justifica vigilância prolongada. A necessidade de acompanhamento mesmo após o fim da exposição está correta e decorre exatamente dessa latência. A redução expressiva do risco de câncer de pulmão com a cessação do tabagismo é correta e especialmente relevante pela interação multiplicativa entre os dois fatores. A descrição das placas pleurais como marcadores de exposição, frequentemente assintomáticas, é correta. A composição do protocolo com exame clínico, imagem torácica e prova de função pulmonar também está correta.
Serviço de saúde ocupacional realiza leitura padronizada de radiografias de tórax de trabalhadores expostos a poeiras minerais, seguindo classificação internacional específica. As imagens são avaliadas quanto à qualidade técnica, ao tipo e à profusão das pequenas opacidades, à presença de grandes opacidades e às alterações pleurais, com comparação sistemática a radiografias-padrão de referência do próprio método. Sobre essa classificação, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que a classificação substitui a história ocupacional: a leitura radiológica padronizada descreve achados, mas o diagnóstico de pneumoconiose e o nexo causal dependem obrigatoriamente da história de exposição, sua intensidade e duração, além do período de latência compatível. A classificação das pequenas opacidades por forma, tamanho e profusão está corretamente enunciada. A definição de categorias de grandes opacidades conforme a dimensão também é correta e identifica a fibrose maciça progressiva. A comparação com radiografias-padrão de referência é o núcleo do método, garantindo reprodutibilidade entre leitores. O registro da qualidade técnica antes da leitura é etapa obrigatória, pois exames inadequados comprometem a classificação.
Trabalhador de 46 anos cortou bancadas de pedra artificial a seco por anos, sem controle adequado de poeira. Tem dispneia progressiva e nódulos pulmonares com predomínio superior, além de linfonodos com calcificação periférica. Qual risco ou evolução está especialmente associado ao quadro descrito?
O acompanhamento deve considerar tuberculose e outras complicações respiratórias; controlar a exposição é fundamental. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Trabalhador de 46 anos cortou bancadas de pedra artificial a seco por anos, sem controle adequado de poeira. Tem dispneia progressiva e nódulos pulmonares com predomínio superior, além de linfonodos com calcificação periférica. Qual achado sustenta essa hipótese no contexto ocupacional?
O padrão radiológico reforça a hipótese no contexto ocupacional apropriado. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Homem de 68 anos trabalhou por décadas removendo isolamento térmico contendo amianto. Apresenta dispneia, estertores basais, restrição ventilatória e fibrose intersticial subpleural basal; há placas pleurais. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A longa latência é característica; pleura e parênquima podem ser afetados de modos distintos. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Homem de 68 anos trabalhou por décadas removendo isolamento térmico contendo amianto. Apresenta dispneia, estertores basais, restrição ventilatória e fibrose intersticial subpleural basal; há placas pleurais. Qual achado sustenta essa hipótese no contexto ocupacional?
A combinação clínica, ocupacional e radiológica sustenta a hipótese e exige excluir outras causas de fibrose. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Homem de 68 anos trabalhou por décadas removendo isolamento térmico contendo amianto. Apresenta dispneia, estertores basais, restrição ventilatória e fibrose intersticial subpleural basal; há placas pleurais. Qual é o diagnóstico mais provável?
Exposição relevante ao amianto associada a fibrose intersticial é compatível com asbestose; placas pleurais indicam exposição, mas isoladamente não definem fibrose. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Operador de máquinas de 50 anos, exposto a ruído intenso por 24 anos, relata dificuldade gradual para compreender conversas. A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral com entalhe entre 3 e 6 kHz; a otoscopia é normal. Qual risco ou evolução está especialmente associado ao quadro descrito?
A prevenção depende de reduzir ruído na fonte e proteger a audição; retirar a exposição não recupera automaticamente a perda instalada. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Homem de 68 anos trabalhou por décadas removendo isolamento térmico contendo amianto. Apresenta dispneia, estertores basais, restrição ventilatória e fibrose intersticial subpleural basal; há placas pleurais. Qual risco ou evolução está especialmente associado ao quadro descrito?
A exposição é carcinogênica; tabagismo potencializa especialmente o risco de câncer de pulmão. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Operador de máquinas de 50 anos, exposto a ruído intenso por 24 anos, relata dificuldade gradual para compreender conversas. A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral com entalhe entre 3 e 6 kHz; a otoscopia é normal. Qual é o diagnóstico mais provável?
História de exposição e padrão audiométrico bilateral compatível sustentam PAIR, após avaliar outras causas. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Trabalhador de 46 anos cortou bancadas de pedra artificial a seco por anos, sem controle adequado de poeira. Tem dispneia progressiva e nódulos pulmonares com predomínio superior, além de linfonodos com calcificação periférica. Qual é o diagnóstico mais provável?
Exposição à sílica respirável e padrão nodular compatível sustentam pneumoconiose por sílica. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Operador de máquinas de 50 anos, exposto a ruído intenso por 24 anos, relata dificuldade gradual para compreender conversas. A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral com entalhe entre 3 e 6 kHz; a otoscopia é normal. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Células sensoriais e outras estruturas cocleares podem sofrer lesão irreversível. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Trabalhador de 46 anos cortou bancadas de pedra artificial a seco por anos, sem controle adequado de poeira. Tem dispneia progressiva e nódulos pulmonares com predomínio superior, além de linfonodos com calcificação periférica. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A poeira depositada nos pulmões provoca lesão persistente, que pode progredir após cessar a exposição. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Operador de máquinas de 50 anos, exposto a ruído intenso por 24 anos, relata dificuldade gradual para compreender conversas. A audiometria mostra perda neurossensorial bilateral com entalhe entre 3 e 6 kHz; a otoscopia é normal. Qual achado sustenta essa hipótese no contexto ocupacional?
O achado é compatível, mas deve ser interpretado junto à história de exposição e ao diagnóstico diferencial. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Paciente com décadas de trabalho naval tem restrição ventilatória, redução da difusão e fibrose basal, após exclusão de outras causas relevantes. A exposição a amianto foi bem documentada. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A latência e o padrão fibrosante em exposto favorecem asbestose. Exposição significativa ao asbesto pode causar fibrose pulmonar intersticial, com predomínio basal; placas pleurais indicam exposição, mas isoladamente não provam asbestose. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Metalúrgico exposto a ruído há quinze anos apresenta perda auditiva bilateral neurossensorial com entalhe em 4 kHz, sem obstrução do conduto. A avaliação ocupacional confirma exposição relevante. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
O padrão audiométrico e a dose de exposição são compatíveis com dano auditivo por ruído. Exposição repetida a ruído pode causar perda neurossensorial, geralmente bilateral, com comprometimento inicial frequente em 3 a 6 kHz; o nexo depende da história e avaliação. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Trabalhador de corte de pedras sem controle adequado de poeira tem dispneia e múltiplos nódulos pulmonares de predomínio superior, com história de exposição a sílica. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A exposição mineral e o padrão nodular favorecem silicose. Inalação de sílica cristalina respirável pode causar pneumoconiose fibrosante, sobretudo nodular, e aumenta risco de tuberculose. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Ex-trabalhador de isolamento térmico com exposição antiga ao asbesto apresenta dispneia progressiva, estertores basais e fibrose intersticial basal; placas pleurais também estão presentes. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
Fibrose parenquimatosa no contexto de exposição sustenta asbestose, além das placas pleurais. Exposição significativa ao asbesto pode causar fibrose pulmonar intersticial, com predomínio basal; placas pleurais indicam exposição, mas isoladamente não provam asbestose. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Operador de máquinas relata zumbido e dificuldade de compreender fala após anos de trabalho em ambiente ruidoso. Audiometrias seriadas mostram piora neurossensorial em altas frequências. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A evolução audiométrica com exposição crônica sustenta perda induzida por ruído. Exposição repetida a ruído pode causar perda neurossensorial, geralmente bilateral, com comprometimento inicial frequente em 3 a 6 kHz; o nexo depende da história e avaliação. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Jateador de areia tem pneumoconiose nodular e infecção tuberculosa ativa. A equipe identifica longa exposição a sílica respirável. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A sílica predispõe a silicose e aumenta o risco de tuberculose associada. Inalação de sílica cristalina respirável pode causar pneumoconiose fibrosante, sobretudo nodular, e aumenta risco de tuberculose. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Uma fábrica acompanha audiometria dos funcionários. Em trabalhador exposto, surge entalhe bilateral entre 3 e 6 kHz, sem história que explique perda condutiva. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A topografia neurossensorial de altas frequências é típica, embora não exclusiva, do dano por ruído. Exposição repetida a ruído pode causar perda neurossensorial, geralmente bilateral, com comprometimento inicial frequente em 3 a 6 kHz; o nexo depende da história e avaliação. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Lapidador de pedra artificial com alta carga de poeira apresenta doença fibrosante acelerada e nódulos confluentes; a análise do processo revela sílica cristalina. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
Exposição intensa a sílica pode produzir silicose acelerada com progressão importante. Inalação de sílica cristalina respirável pode causar pneumoconiose fibrosante, sobretudo nodular, e aumenta risco de tuberculose. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Trabalhador antigo da construção apresenta fibrose intersticial difusa basal e exposição substancial a asbesto. Placas pleurais coexistem, mas o diagnóstico parenquimatoso não é baseado somente nelas. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A presença de fibrose com nexo de exposição sustenta asbestose. Exposição significativa ao asbesto pode causar fibrose pulmonar intersticial, com predomínio basal; placas pleurais indicam exposição, mas isoladamente não provam asbestose. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Após exclusão de causas relevantes adicionais, trabalhador exposto a som intenso apresenta perda auditiva neurossensorial bilateral permanente, predominante em altas frequências. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
A exposição cumulativa e a lesão permanente sustentam perda auditiva relacionada ao ruído. Exposição repetida a ruído pode causar perda neurossensorial, geralmente bilateral, com comprometimento inicial frequente em 3 a 6 kHz; o nexo depende da história e avaliação. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/index.html
Minerador apresenta nódulos de lobos superiores e grandes opacidades por fibrose, com contato prolongado com poeira rica em sílica. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
O padrão radiológico descrito e a exposição indicam silicose complicada. Inalação de sílica cristalina respirável pode causar pneumoconiose fibrosante, sobretudo nodular, e aumenta risco de tuberculose. Referência: https://www.cdc.gov/niosh/silica/about/index.html
Homem exposto a amianto décadas antes apresenta dispneia e redução da capacidade de difusão. A tomografia demonstra fibrose pulmonar basal, e não apenas espessamento pleural isolado. Qual agravo melhor corresponde à exposição e aos achados?
O comprometimento intersticial parenquimatoso diferencia asbestose de simples marcador pleural de exposição. Exposição significativa ao asbesto pode causar fibrose pulmonar intersticial, com predomínio basal; placas pleurais indicam exposição, mas isoladamente não provam asbestose. Referência: https://www.cancer.gov/about-cancer/causes-prevention/risk/substances/asbestos/asbestos-fact-sheet
Qual distinção entre os painéis evita confundir marcador de exposição com doença intersticial?

A fibrose do parênquima, no painel direito, representa comprometimento distinto.
O conjunto de placas pleurais, espessamento pleural e fibrose basal da figura deve motivar investigação de qual exposição ocupacional?

Essas manifestações são associadas à exposição a asbestos.
Qual exame funcional ajuda a avaliar repercussão respiratória das alterações desenhadas? Imagem didática do acervo OsceLabs.

A imagem anatômica deve ser integrada à função respiratória.
Um trabalhador tem placas pleurais, mas dispneia desproporcional. Qual conclusão evita atribuição indevida de todos os sintomas ao painel pleural? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Placas isoladas não explicam automaticamente toda limitação respiratória.
Em pessoa com exposição compatível, qual conjunto reforça a hipótese de asbestose correspondente ao painel parenquimatoso? Imagem didática do acervo OsceLabs.

O diagnóstico integra anatomia, exposição e contexto clínico.
Em qual componente do conjunto a lesão se localiza no revestimento externo do pulmão? Imagem didática do acervo OsceLabs.

São alterações da pleura, distintas da fibrose do parênquima.
Um trabalhador de longa data em ambiente ruidoso apresenta perda neurossensorial progressiva muito mais intensa à esquerda, com diferença de 30 dB em frequências adjacentes e zumbido unilateral. Qual conduta evita atribuição causal prematura?
História ocupacional é relevante, mas não substitui o diagnóstico diferencial. Referências: NICE NG98. Hearing loss in adults: assessment and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng98/chapter/recommendations
Uma fábrica identifica ruído excessivo proveniente de uma máquina que pode receber enclausuramento acústico sem comprometer a operação. A gerência pretende manter apenas a entrega de protetores auriculares. Considerando a hierarquia de controles, qual medida deve ser priorizada?
Protetores podem integrar o programa, mas não esgotam a prevenção. Referências: NIOSH. Hierarchy of Controls — https://www.cdc.gov/niosh/hierarchy-of-controls/about/index.html
Após jornada ruidosa, um trabalhador apresenta piora audiométrica que desaparece em teste confirmado após repouso acústico apropriado. Qual é a interpretação preventiva?
O acompanhamento deve integrar medidas para reduzir o risco no trabalho. Referências: NIOSH. Understand Noise Exposure — https://www.cdc.gov/niosh/noise/prevent/understand.html
Dois funcionários usam o mesmo modelo de protetor auricular, mas a vedação obtida é diferente. Qual recurso permite verificar a atenuação efetivamente alcançada por cada um, conforme a recomendação NIOSH de 2025?
A seleção e o treinamento devem considerar o resultado individual. Referências: NIOSH. Individual Fit-testing Recommendation for Hearing Protection Devices, 2025 — https://www.cdc.gov/niosh/publications/numbered/2025-104.html
Trabalhadores de uma indústria estão expostos a ruído e a solventes reconhecidamente ototóxicos. O plano atual controla somente o ruído. Qual revisão é necessária?
O inventário de riscos precisa contemplar as exposições concomitantes. Referências: NIOSH. Chemical-Induced Hearing Loss — https://www.cdc.gov/niosh/noise/about/chemicals.html
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em 7 dias
Escreva de memória a escada dos 5 dB — 85, 90, 95, 100, 105 e 110 dB(A) com os tempos correspondentes — e responda, sem consultar, quanto tempo a norma permite a 97 dB(A) e por quê. Depois recite os dois critérios de desencadeamento do Anexo II da NR-7 e diga qual grupo de frequências entra em cada um. Por fim, diga em quanto tempo se notifica perda auditiva relacionada ao trabalho e pneumoconiose, e em que sistema.
em 30 dias
Refaça o caminho completo de dois pacientes. O prensista: audiograma dentro dos limites aceitáveis nos dois exames, média das três agudas piorando 10 dB, quem vira nova referência, quais são as quatro obrigações do médico do trabalho e por que o protetor auditivo não muda a régua. O marmorista: forma clínica da silicose pelo tempo de exposição, tradução do laudo 2/2 q/q, quando a tomografia de alta resolução entra, qual comorbidade infecciosa rastrear, qual periodicidade de radiografia a empresa sem medição deve cumprir e qual exigência a serra a seco descumpre. Depois releia as três divergências e diga, em uma frase cada, qual documento o enunciado teria de citar para que cada posição fosse a resposta certa.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Numa estação de saúde do trabalhador, o avaliador pontua a anamnese ocupacional dita por extenso — função, tempo na função, agente, jornada, uso e tipo de proteção, se há colegas com a mesma queixa, empregos anteriores com o mesmo agente — e pontua o exame que o candidato pede pelo nome certo: audiometria tonal por via aérea nas sete frequências, com repouso auditivo, ou radiografia de tórax lida pela classificação da OIT. Pontua também as duas frases administrativas ditas em voz alta, com nome e destino: notificar o agravo no Sinan e comunicar o empregador para a emissão da CAT. E pontua o afastamento da exposição dito como conduta médica, não como sugestão administrativa. O que costuma custar ponto é o candidato terminar a estação sem dizer o que fazer com os outros trabalhadores expostos ao mesmo agente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
