Pediatria › Nefrologia Pediátrica
Infecção do trato urinário na criança
A prova cobra quatro decisões encadeadas: desconfiar de ITU na febre sem foco, colher a urina pelo método certo e aplicar o corte certo de UFC/mL, escolher antibiótico que trate pielonefrite — e definir quem precisa de ultrassom, uretrocistografia e cintilografia depois do episódio.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente do sexo feminino, 10 meses, apresenta há 2 dias febre de 39 °C sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar. Exame: PA 90/55 mmHg, FC 150 bpm, T 39,2 °C, sem sinais localizatórios respiratórios ou cutâneos. Urina coletada por saco coletor mostra leucocitúria. Qual a conduta mais apropriada para confirmar o diagnóstico de infecção urinária antes de iniciar tratamento?
Como esse tema cai
Durante décadas valeu o dogma: ITU febril em lactente era malformação até prova em contrário, e a prova em contrário exigia uretrocistografia para todos. Duas coisas derrubaram isso. A ultrassonografia pré-natal passou a detectar as grandes uropatias antes do primeiro episódio de febre, e os registros de doença renal crônica mostraram que muitas 'cicatrizes de pielonefrite' eram, na verdade, displasia do desenvolvimento renal — com ou sem refluxo associado. As diretrizes atuais são deliberadamente menos invasivas e mais individualizadas, e as bancas cobram exatamente o desenho desse novo funil.
Quatro pontos concentram as questões: o diagnóstico (que método de coleta vale em quem não controla esfíncter, e que contagem de colônias confirma ITU em cada método), o tratamento (via oral desde cedo, o antibiótico que não serve para pielonefrite, quem interna), a investigação por imagem (ultrassom para quem, uretrocistografia para quem, cintilografia quando) e o refluxo vesicoureteral com sua profilaxia.
A régua documental importa: a ITU da criança não tem protocolo federal único do Ministério da Saúde — a referência nacional é o documento científico de Nefrologia da SBP (2021), e quem operacionaliza a conduta na ponta do SUS são protocolos de rede como o do SUS-BH (2020), construído com a nefrologia pediátrica do HC-UFMG. Prova oficial do MEC tende à conduta praticada no SUS; nas demais bancas, as alternativas denunciam qual documento o examinador leu.
O que muda decisão
A cara da ITU muda com a idade — e a prova mora no lactente febril
Como usar este capítulo: confirme primeiro a qualidade da coleta e interprete a urocultura conforme o método. Depois escolha antibiótico e via pela idade e gravidade e, somente após controlar a infecção, decida quem precisa de ultrassonografia, uretrocistografia ou seguimento por cicatriz.
A ITU é a segunda infecção bacteriana mais prevalente da pediatria: atinge 8,4% das meninas e 1,7% dos meninos antes dos 7 anos, com alto risco de recorrência no primeiro ano após o episódio inicial. No primeiro ano de vida acomete igualmente os dois sexos — depois disso, o predomínio feminino se instala. A Escherichia coli responde por cerca de 80% dos casos; Proteus, Klebsiella, Enterobacter e enterococo dividem o resto. Germe que não é E. coli importa dobrado: associa-se a mais cicatriz renal e levanta suspeita de anomalia do trato urinário. Lactobacillus, estafilococo coagulase-negativo e Corynebacterium em cultura são contaminação, não uropatógeno.
O quadro clínico é a idade. No recém-nascido e no lactente a ITU não tem cara de ITU: febre sem foco, vômitos, recusa alimentar, irritabilidade, baixo ganho de peso, icterícia persistente — até quadro francamente séptico. No pré-escolar aparecem urina fétida, dor abdominal, disúria e polaciúria. No escolar, os sintomas miccionais vêm com um marcador que a prova adora: enurese secundária de início recente. No adolescente o quadro é o do adulto — e pede investigação de atividade sexual. Febre com calafrio e dor lombar, em quem já verbaliza, é pielonefrite até segunda ordem.
O gatilho formal de suspeita, pela SBP, é todo lactente com febre sem foco aparente há mais de 24 horas; o protocolo do SUS-BH manda considerar o diagnóstico mesmo antes disso, porque a duração da febre sem antibiótico se correlaciona com o risco de cicatriz renal. Temperatura de 39 °C ou mais aumenta a probabilidade, e achar outro foco possível — uma otite, uma IVAS — não exclui ITU no lactente. Para quantificar a probabilidade antes e depois do exame de urina existe a calculadora uticalc, citada pela SBP como ferramenta de emergência.
A anamnese e o exame físico já começam a investigação de malformação. Perguntas obrigatórias: alteração no ultrassom pré-natal (dilatação de pelve), jato urinário fraco ou em gotejamento (válvula de uretra posterior no menino, bexiga neurogênica, fimose puntiforme), constipação intestinal e perdas urinárias — a disfunção vesical e intestinal acompanha 30% a 50% dos primeiros episódios —, retirada de fralda precoce (antes dos 18 meses) ou tardia (depois dos 3 anos), episódios prévios e história familiar de refluxo ou doença renal. No exame: Giordano e palpação das lojas renais, bexigoma e massas, pressão arterial (hipertensão sugere rim já comprometido), genitais (balanopostite e vulvovaginite fabricam falso-positivo) e a coluna lombossacra atrás de estigmas neurocutâneos — tufo de pelos, fosseta sacral, hemangioma — que denunciam disrafismo oculto.
Coleta de urina: o diagnóstico começa no método
Na criança sem controle esfincteriano, o documento da SBP manda colher por cateterismo vesical ou punção suprapúbica. A alternativa não invasiva aceita é o clean catch: oferta de líquido (25 mL/kg), espera de cerca de 25 minutos e estímulo sacral e suprapúbico com a criança suspensa pelas axilas, aparando o jato intermediário. Na criança que já controla esfíncter, jato médio com higiene prévia resolve.
O saco coletor é o personagem mais traiçoeiro da prova. Ele só serve para afastar o diagnóstico: uma amostra de saco com fita e sedimento normais praticamente exclui ITU em qualquer idade. Cultura positiva de saco coletor não confirma nada — a taxa de falso-positivo é alta, e o resultado precisa ser repetido por método confiável antes de rotular a criança. A nuance brasileira: o protocolo do SUS-BH preconiza saco coletor ou jato médio como método preferencial da rede, por serem não invasivos — com troca do saco a cada 30 minutos, higiene rigorosa e coleta supervisionada — reservando cateterismo e punção para situações especiais. A divergência com a SBP é real e está destrinchada mais adiante.
No sedimento, o que sugere ITU: piúria acima de 5 a 10 leucócitos por campo, nitrito positivo, esterase leucocitária positiva, bacterioscopia com germe visível (o Gram de gota de urina não centrifugada orienta inclusive a escolha empírica do antibiótico). O nitrito é muito específico e pouco sensível no lactente — o esvaziamento vesical frequente não dá tempo de converter nitrato em nitrito. E a recíproca que reprova: urina rotina sem alterações não exclui ITU.
Falso-positivo nasce de coleta ruim, demora no processamento e contaminação; falso-negativo, de pH abaixo de 5, densidade abaixo de 1.003, antibiótico em uso, urina que ficou pouco tempo na bexiga e — armadilha fisiopatológica — obstrução completa do rim infectado, que impede a urina doente de chegar à bexiga.
Urocultura: o corte muda com o método — e com o documento
A urocultura é o padrão-ouro, mas não existe um número mágico: a contagem que confirma ITU depende de como a urina saiu da bexiga. A escadinha da SBP: punção suprapúbica, qualquer crescimento confirma; cateterismo vesical, acima de 1.000 UFC/mL; jato intermediário, acima de 50 a 100 mil UFC/mL. A lógica é limpa — quanto mais estéril o trajeto do método, menor a contagem exigida.
O corte do cateterismo é o único degrau em que os documentos brigam, e cada valor tem dono: a SBP (2021) usa acima de 1.000; o protocolo do SUS-BH (2020) usa 10.000 ou mais; a diretriz americana clássica exigia 50.000 ou mais acompanhado de piúria no exame simples, no recorte de 2 a 24 meses com febre. Para o jato médio, o SUS-BH lembra um dado que desarma decoreba: 20% das crianças com ITU comprovada têm cultura abaixo de 100.000 UFC/mL — o corte é operacional, não biológico.
Três categorias organizam a decisão: cistite (infecção baixa, sem febre nem dor lombar), pielonefrite (febre, comprometimento sistêmico, dor lombar) e bacteriúria assintomática — mais de 100.000 UFC/mL em criança sem nenhum sintoma, com anamnese e exame minuciosos. Bacteriúria assintomática não se trata: sem inflamação do uroepitélio não há doença, e antibiótico só seleciona resistência. Corolário que a prova cobra: urocultura não se pede em criança assintomática.
Quando a cultura desmente a suspeita, pense nos vizinhos: febre com dor abdominal e piúria estéril lembram apendicite e doença de Kawasaki; sintomas miccionais com cultura negativa lembram vulvovaginite, uretrite, corpo estranho vaginal, litíase, hipercalciúria e disfunção vesical e intestinal.
Tratamento: a via oral venceu — e a nitrofurantoína febril é pegadinha
Antibiótico começa logo após a coleta da cultura — não se espera resultado, porque o atraso do tratamento aumenta o risco de cicatriz renal; mas colher antes de tratar é sagrado, senão a cultura nasce morta. A via oral é a preferencial a partir dos 3 meses de idade, mesmo na pielonefrite: a eficácia é equivalente à venosa. Escolhe-se empiricamente o menor espectro que cubra E. coli conforme a sensibilidade local — o padrão só serve se a resistência local for inferior a 20% —, com o Gram da urina ajudando quando disponível.
Na ITU febril, o antibiótico precisa atingir concentração no parênquima renal. Por isso nitrofurantoína e ácido nalidíxico estão contraindicados — concentram na urina, não no tecido. As opções orais do documento da SBP são cefuroxima 30 mg/kg/dia de 12 em 12 horas ou cefaclor 40 mg/kg/dia; a lista da rede SUS-BH começa pela cefalexina 50 a 100 mg/kg/dia, seguida de sulfametoxazol-trimetoprima e amoxicilina-clavulanato. Parenteral, quando preciso: ceftriaxona 50 a 100 mg/kg/dia em dose única diária, gentamicina 5 a 7,5 mg/kg/dia em dose única (menos nefrotóxica em dose única), cefuroxima 150 mg/kg/dia, amicacina ou cefotaxima. Na ITU afebril (cistite), aí sim a nitrofurantoína 5 a 7 mg/kg/dia brilha, ao lado de cefalexina e sulfametoxazol-trimetoprima.
Duração: ITU febril trata-se por 10 dias — número em que a SBP se alinha às diretrizes britânica, italiana e australiana e que o protocolo do SUS-BH repete para febril e recorrente; a diretriz americana e a canadense aceitam 7 a 14 dias. Cistite afebril no maior de 2 anos: 7 dias pelo protocolo do SUS-BH (a britânica usa cursos de 3 dias, o que ocasionalmente aparece em enunciado com sotaque internacional).
Interna-se: menor de 2 meses (SBP e SUS-BH), toxemia ou urossepse, imunodeprimido, vômitos ou incapacidade de usar a via oral, falha do tratamento ambulatorial e contexto que inviabilize seguimento. O esquema venoso segue até 24 a 48 horas afebril e sequencia por via oral até completar os 10 dias. Detalhe de rede que vira alternativa de prova: a primeira dose oral deve ser administrada na unidade, testando aceitação, e a família orientada a retornar se a febre passar de 72 horas.
Reavaliação em 48 a 72 horas com o antibiograma na mão, descalonando quando possível. Sem melhora em 48 horas: ampliar espectro E procurar anormalidade — é indicação de ultrassom precoce, atrás de abscesso e obstrução. Se a criança melhorou e o germe era sensível, urocultura de controle não se pede. E ao escolher o empírico, lembre dos fatores de resistência: antibiótico nos últimos 90 dias (pior se há menos de 30), anomalia do trato urinário, hospitalização prévia e disfunção vesical e intestinal.
Investigação de malformações: o que cada exame enxerga
O objetivo da investigação não é 'documentar a ITU' — é descartar malformação que piore o futuro renal. Três exames fazem tudo, e cada um responde uma pergunta diferente.
O ultrassom de rins e vias urinárias é a porta de entrada: mostra tamanho e forma renal, dilatação de pelve e ureteres, espessura de parede vesical, resíduo pós-miccional, cistos e cálculos. É inócuo e barato, mas míope para duas coisas que a prova pergunta: não diagnostica refluxo vesicoureteral nem cicatriz renal com confiança — ultrassom alterado apenas prediz risco e dispara o próximo exame. Faz-se preferencialmente após a fase aguda, porque a inflamação do episódio fabrica falso-positivo; a exceção é a criança que não melhora em 48 horas, em que o ultrassom precoce procura abscesso e obstrução.
A uretrocistografia miccional é o único exame que diagnostica e gradua o refluxo vesicoureteral — e o único que enxerga a uretra, flagrando a válvula de uretra posterior do menino com jato fraco. O preço: sondagem vesical, contraste e radiação. Por isso ela saiu da rotina e virou exame de segunda linha, disparado por critérios que a seção seguinte detalha.
A cintilografia com DMSA tem dois empregos que a prova mistura de propósito: na fase aguda, confirma que a infecção acometeu o parênquima (é assim que a estratégia top-down começa); tardiamente — 4 a 6 meses depois do episódio, no cronograma britânico —, é o padrão-ouro para cicatriz renal definitiva. Custa caro, irradia e, no fluxo do SUS-BH, fica reservada a casos complexos com aval do especialista.

O funil de imagem: quem investiga o quê depois da primeira ITU febril
Primeiro degrau — ultrassom para praticamente todos os pequenos: todo menor de 2 anos com primeiro episódio de ITU febril faz ultrassom eletivo. Nisso convergem SBP, a diretriz americana, a italiana e o protocolo do SUS-BH — que estende a indicação a qualquer idade quando a ITU é recorrente, quando há história familiar de doença renal ou urológica, baixo crescimento, hipertensão, má resposta ao antibiótico ou ultrassom fetal alterado. A exceção famosa é a britânica: ultrassom de rotina só no menor de 6 meses; acima disso, só ITU atípica ou recorrente — é a estratégia de menor custo, e a comparação formal entre protocolos mostrou que a americana é a de menor radiação e a top-down a mais cara e mais irradiante.
Segundo degrau — uretrocistografia nunca de rotina após o primeiro episódio. O funil do SUS-BH, que espelha o critério americano clássico: fazem UCM as crianças com duas ou mais ITUs febris; ou com a primeira ITU febril acompanhada de qualquer anormalidade no ultrassom, ou de febre de 39 °C ou mais com germe que não seja E. coli, ou de baixo crescimento ou hipertensão. Fora do funil, a UCM entra direto quando a clínica grita uropatia: menino com jato fraco desde sempre é válvula de uretra posterior até prova em contrário.
Terceiro degrau — cintilografia tardia para cicatriz nos fluxos que a usam (a britânica pede na ITU atípica e na recorrente; a italiana quando o ultrassom se altera ou há refluxo), e fase aguda apenas na lógica top-down: DMSA na infecção; se acometeu parênquima, aí sim UCM. No Brasil assistencial, a cintilografia é decisão de especialista.
Um parêntese que explica enunciados conflitantes: a diretriz americana de 2011, reafirmada em 2016, foi aposentada pela AAP em maio de 2021 — a revisão citava raça como fator na régua de risco, critério abandonado — e ainda não ganhou sucessora. O arcabouço dela, porém, segue operando nos protocolos brasileiros (o funil de UCM acima é a prova) e segue caindo em prova com a data antiga.
Depois do funil, sabem o caminho do nefrologista pediátrico: ITU recorrente confirmada, jato fraco ou rim palpável, germe não-E. coli, ultrassom pré-natal ou atual alterado, cintilografia alterada, refluxo confirmado, disfunção miccional refratária e bexiga neurogênica.
Refluxo vesicoureteral, profilaxia e o seguimento de quem tem cicatriz
O refluxo vesicoureteral — passagem retrógrada de urina da bexiga para o trato superior — é a malformação mais encontrada pela investigação. A graduação clássica vai de I a V: grau I, refluxo só no ureter, sem dilatação; grau II, alcança pelve e cálices, ainda sem dilatar; grau III, dilatação leve a moderada de ureter e pelve com fórnices apenas embotados; grau IV, dilatação e tortuosidade moderadas com perda do ângulo agudo dos fórnices; grau V, dilatação grosseira, ureter tortuoso e cálices balonizados sem impressão papilar. Quanto maior o grau, maior o risco de pielonefrite e cicatriz — mas a premissa de que corrigir refluxo evita doença renal vem sendo relativizada: parte das 'cicatrizes' é displasia congênita, e os dados sobre o impacto do tratamento no desfecho renal de longo prazo são inconclusivos.
ITU recorrente tem definição formal na SBP: duas ou mais pielonefrites; ou uma pielonefrite mais uma cistite; ou três ou mais cistites. Novo episódio em menos de 2 semanas é REinfecção — e reinfecção não é indicação de profilaxia.
Profilaxia antimicrobiana é o tema sem consenso — cada documento tem sua lista, e a divergência está mapeada no bloco adiante. A régua prática da SBP: iniciar profilaxia, até O término da investigação, na criança com ultrassom alterado (antenatal ou atual), refluxo grau IV ou V, uropatia obstrutiva ou ITU recorrente. O SUS-BH mantém profilaxia no refluxo grau IV-V e, sem refluxo, em quem tem recorrência frequente (três ITUs febris em 6 meses ou quatro no ano) ou hidronefrose congênita, por 6 meses. A dose é fração da terapêutica — um terço à metade, uma vez ao dia, à noite —, e as drogas de escolha no nosso meio são nitrofurantoína (1 a 2 mg/kg/dia) e sulfametoxazol-trimetoprima (2 mg de TMP/kg/dia), com cefalexina 15 mg/kg/dia reservada ao menor de 2 meses. Germe resistente ao profilático em cultura nova manda trocar ou suspender.
Tão cobrável quanto o comprimido é a profilaxia não medicamentosa: tratar constipação (laxante comprovadamente reduz recorrência de ITU), pés apoiados no chão ou banquinho durante a micção, micção programada a cada 3 horas e micção em dois tempos quando há resíduo significativo.
Quem sai da investigação com refluxo de alto grau, cicatriz renal ou outra malformação não recebe alta: seguimento com pressão arterial, função renal e albuminúria — é esse o grupo que caminha para doença renal crônica, sobretudo quando a anomalia é congênita ou já há função alterada de saída.
Cortes de cultura, funil de imagem e graus do refluxo
Três réguas resolvem a maioria das questões: a contagem que confirma ITU depende do método de coleta; a imagem depois da primeira ITU febril segue um funil (ultrassom para todos os pequenos, uretrocistografia só com critério, cintilografia para cicatriz); e o refluxo se gradua de I a V — o grau alto é o que muda conduta.
- 1Febre sem foco em menor de 2 anos → urina: menor de 3 meses ou comprometimento do estado geral, cultura por coleta confiável direto; criança bem, fita e sedimento por jato médio ou saco coletor
- 2Fita e sedimento normais afastam ITU; esterase ou nitrito positivos → urocultura por método confiável antes de rotular
- 3ITU febril confirmada → antibiótico por 10 dias: oral desde o início se 3 meses ou mais e tolerando; parenteral se menor de 2 meses, toxemia ou vômitos, sequenciando para oral após 24-48 h afebril
- 4Reavaliar em 48-72 h com antibiograma; sem melhora em 48 h → ampliar espectro e ultrassom precoce (abscesso? obstrução?)
- 5Curou → ultrassom eletivo após a fase aguda em todo menor de 2 anos no primeiro episódio febril
- 6Uretrocistografia se: segunda ITU febril; ou primeira ITU febril com ultrassom anormal, ou febre ≥ 39 °C com germe não-E. coli, ou baixo crescimento ou hipertensão; ou jato urinário fraco em menino, em qualquer momento
- 7Refluxo grau IV-V, uropatia obstrutiva ou recorrência → profilaxia; cicatriz se pesquisa com DMSA tardia; cicatriz ou refluxo de alto grau → seguir pressão arterial, função renal e albuminúria
Refluxo grau I — só o ureter, sem dilatação
A coluna de contraste sobe pelo ureter e para antes da pelve; calibre normal, fórnices intactos.
Refluxo grau II — alcança a pelve, ainda sem dilatar
O contraste chega a pelve e cálices, mas ureter e pelve mantêm o calibre e os fórnices o ângulo agudo.
Refluxo grau III — dilatação leve, fórnices embotados
Ureter e pelve levemente dilatados; os fórnices perdem a nitidez mas os cálices ainda têm forma.
Refluxo grau IV — dilatação e tortuosidade moderadas
Ureter alargado e sinuoso, pelve dilatada, ângulo agudo dos fórnices abolido; impressão papilar ainda presente.
Refluxo grau V — dilatação grosseira, cálices balonizados
Ureter muito dilatado e tortuoso, pelve balonizada, cálices arredondados sem impressão papilar — o rim que a profilaxia tenta proteger.
| Método de coleta | SBP 2021 (régua do capítulo) | SUS-BH 2020 | AAP 2011 (2-24 m, febril) |
|---|---|---|---|
| Punção suprapúbica | Qualquer crescimento | Qualquer crescimento | ≥ 50.000 UFC/mL + piúria |
| Cateterismo vesical | > 1.000 UFC/mL | ≥ 10.000 UFC/mL | ≥ 50.000 UFC/mL + piúria |
| Jato médio (coleta limpa) | > 50-100 mil UFC/mL | ≥ 100.000 UFC/mL (20% das ITUs reais ficam abaixo) | Método não contemplado nessa faixa etária |
| Saco coletor | Só afasta (negativa); positiva exige repetição por método confiável | Preferencial na rede por ser não invasivo; positiva tem alto falso-positivo | Não aceito para diagnóstico |
Imagem após ITU confirmada — o que mostra e quando pedir
| Exame | O que mostra | Quando pedir |
|---|---|---|
| Ultrassom de rins e vias | Dilatação, hidronefrose, parede vesical, resíduo, cistos, cálculos; NÃO vê refluxo nem cicatriz | Todo menor de 2 anos após a 1ª ITU febril, após a fase aguda; qualquer idade se recorrente, história familiar, baixo crescimento, hipertensão ou US fetal alterado; precoce só na má resposta em 48 h |
| Uretrocistografia miccional | Diagnostica e GRADUA refluxo (I-V); única que vê uretra (válvula de uretra posterior) | ≥ 2 ITUs febris; ou 1ª ITU febril com US anormal, ou febre ≥ 39 °C + germe não-E. coli, ou baixo crescimento/hipertensão; menino com jato fraco |
| Cintilografia DMSA | Fase aguda: acometimento do parênquima (via top-down); tardia (4-6 meses): padrão-ouro de cicatriz | Casos complexos, com o especialista; tardia nos fluxos britânico (atípica/recorrente) e italiano (US alterado ou refluxo) |
Tratamento — drogas e duração (SBP 2021 + SUS-BH 2020)
| Situação | Opções e dose | Duração |
|---|---|---|
| ITU febril, ambulatorial (≥ 3 meses, tolerando VO) | Cefuroxima 30 mg/kg/dia 12/12 h ou cefaclor 40 mg/kg/dia (SBP); cefalexina 50-100 mg/kg/dia encabeça a lista do SUS-BH | 10 dias |
| ITU febril, internado (< 2 meses, toxemia, vômitos, falha) | Ceftriaxona 50-100 mg/kg/dia 1x/dia; gentamicina 5-7,5 mg/kg/dia 1x/dia; cefuroxima 150 mg/kg/dia; sequenciar VO após 24-48 h afebril | 10 dias no total |
| Cistite (afebril, > 2 anos) | Nitrofurantoína 5-7 mg/kg/dia, cefalexina 50 mg/kg/dia ou SMX-TMP 8-12 mg TMP/kg/dia | 7 dias (cursos de 3 dias são régua britânica) |
Quimioprofilaxia — quem, com o quê, por quanto tempo
| Indicação | Droga e dose | Tempo |
|---|---|---|
| US alterado (antenatal ou atual), refluxo IV-V, uropatia obstrutiva, ITU recorrente (SBP) | Nitrofurantoína 1-2 mg/kg OU SMX-TMP 2 mg TMP/kg, dose única noturna (1/3 a 1/2 da dose terapêutica) | Até o término da investigação; mantém no refluxo IV-V |
| Sem refluxo: 3 ITUs febris em 6 meses ou 4 no ano; hidronefrose congênita (SUS-BH) | As mesmas; cefalexina 15 mg/kg/dia se menor de 2 meses (SMX-TMP é vetado nessa idade) | 6 meses |
| Reinfecção (novo episódio < 2 semanas) | Profilaxia NÃO indicada | — |
Nitrofurantoína e ácido nalidíxico NUNCA na ITU febril: concentram na urina e não atingem o parênquima renal.
Urocultura de controle não se pede quando há melhora clínica e germe sensível — e urocultura não se colhe em criança assintomática.
Bacteriúria assintomática (> 100.000 UFC/mL sem sintoma algum) não se trata em criança.
Suspender ou trocar o profilático se surgir germe resistente a ele em cultura nova.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
SBP 2021: coleta confiável de saída, corte baixo
Cateterismo vesical ou punção suprapúbica em toda criança sem controle esfincteriano (clean catch como alternativa); no cateterismo, acima de 1.000 UFC/mL já confirma. Saco coletor só para afastar.
DC de Nefrologia da SBP, 2021
SUS-BH 2020: não invasivo primeiro, corte intermediário
Saco coletor ou jato médio como método preferencial da rede pública, com técnica rigorosa e troca a cada 30 minutos; cateterismo e punção ficam para situações especiais. No cateter, 10.000 UFC/mL ou mais.
Protocolo Colaborativo SUS-BH, 2020
AAP 2011: corte alto e casado com piúria
No febril de 2 a 24 meses, diagnóstico exige 50.000 UFC/mL ou mais em amostra de cateter ou punção E evidência de piúria no exame simples — os dois juntos.
AAP, Pediatrics 2011 (reafirmada 2016; aposentada 2021), citada pelo quadro comparativo do DC-SBP 2021
Na prova
O número nas alternativas denuncia o documento: 1.000 aponta para a SBP, 10.000 para protocolo assistencial do SUS, 50.000 com piúria para a diretriz americana. Cenário de UBS ou rede municipal com saco coletor bem colhido e NEGATIVO é consenso (afasta); saco POSITIVO tratado como confirmação é erro em qualquer régua. Menção nominal no enunciado encerra a discussão.
SBP, AAP, italiana e SUS-BH: ultrassom universal nos pequenos
Todo menor de 2 anos com primeira ITU febril faz ultrassom eletivo; a uretrocistografia fica condicionada a ultrassom anormal, segunda ITU febril ou critérios de gravidade. É a estratégia de menor radiação.
DC-SBP 2021 (Quadro 2), AAP 2011-2016, ISPN 2011-2020, Protocolo SUS-BH 2020
NICE: imagem seletiva, menor custo
Ultrassom de rotina apenas no menor de 6 meses; nas demais idades, só quando a ITU é atípica (germe não-E. coli, má resposta em 48 h, sepse, massa, creatinina elevada) ou recorrente, com DMSA tardia nesses grupos.
NICE CG54 2007, sucedido pelo NG224 2022, conforme o comparativo do DC-SBP 2021
Top-down: a cintilografia decide quem faz o resto
DMSA na fase aguda; só quem tem acometimento parenquimatoso segue para uretrocistografia. Maior sensibilidade para quem importa, ao preço da maior radiação e do maior custo entre os protocolos.
Preda et al., J Pediatr 2007, e comparação de La Scola et al., Pediatrics 2013, citados pelo DC-SBP 2021
Na prova
Cenário de atenção primária brasileira, criança pequena e pergunta 'qual o próximo exame' costuma cobrar o ultrassom universal — é a régua dos documentos brasileiros e da prova federal. Vocabulário de 'ITU atípica' e ultrassom condicionado à idade de 6 meses são assinatura britânica; DMSA como PRIMEIRO exame denuncia enunciado top-down. Alternativa com uretrocistografia de rotina após episódio único sem critério está errada em todas as réguas atuais.
SBP 2021: profilaxia ponte, atrelada à investigação
Inicia em ultrassom alterado, refluxo IV-V, uropatia obstrutiva ou ITU recorrente, e mantém ATÉ O TÉRMINO DA INVESTIGAÇÃO, em fração da dose terapêutica (1/3 a 1/2, à noite). Reinfecção em menos de 2 semanas fica de fora.
DC de Nefrologia da SBP, 2021
SUS-BH 2020: listas fechadas e prazo definido
Com refluxo: graus IV-V ou anomalia urológica significativa. Sem refluxo: 3 ITUs febris em 6 meses ou 4 totais no ano, ou hidronefrose congênita — por 6 meses, com doses fixas (SMX-TMP 2 mg TMP/kg; nitrofurantoína 1-2 mg/kg).
Protocolo Colaborativo SUS-BH, 2020
Britânica, italiana e australiana: sem profilaxia de rotina
Não recomendam quimioprofilaxia rotineira após ITU, nem mesmo em todo refluxo — reservam-na a exceções individualizadas, pesando a seleção de resistência contra a redução modesta de recorrência.
NICE 2007/2022, ISPN 2011-2020 e KHA-CARI 2014, conforme o Quadro 2 do DC-SBP 2021
Na prova
Refluxo grau IV-V com profilaxia é o ponto em que quase todos os documentos se encontram — inclusive a diretriz americana, que a restringia aos graus altos. Enunciado brasileiro com hidronefrose congênita ou recorrência de repetição tende às listas SBP/SUS; enunciado que nega profilaxia citando diretriz europeia está usando a régua de lá. A dose fracionada noturna e o veto de SMX-TMP no menor de 2 meses aparecem como detalhe de alternativa.
Caso resolvido
- achado
- Febre sem foco há mais de 24 horas em lactente + fita fortemente sugestiva (esterase e nitrito) em amostra de saco coletor.
- interpretação
- ITU febril PROVÁVEL — mas saco coletor não confirma diagnóstico: a amostra para cultura precisa vir de método confiável. Como não há controle esfincteriano e a criança está bem, colhe-se por cateterismo vesical (ou clean catch) antes do antibiótico.
- conduta
- Urocultura por cateterismo colhida e antibiótico iniciado NA SEQUÊNCIA, sem esperar resultado: cefuroxima oral 30 mg/kg/dia de 12/12 h, primeira dose na unidade, por 10 dias. Nitrofurantoína está vetada — é ITU febril. Orientação de retorno se febre além de 72 h.
- evolução
- Afebril em 36 horas. Cultura: E. coli 80.000 UFC/mL pelo cateter — acima de qualquer corte proposto para o método (1.000 da SBP; 10.000 do SUS-BH; 50.000 da régua americana, aqui com piúria associada). ITU febril confirmada; antibiograma sensível, sem cultura de controle.
- investigação
- Primeira ITU febril em menor de 2 anos: ultrassom de rins e vias após a fase aguda — resultado normal. Sem indicação de uretrocistografia (episódio único, US normal, E. coli, boa resposta), sem cintilografia, sem profilaxia. Orientar sinais de recorrência e concluir os 10 dias.
Agora feche você
- achado
- Segunda ITU febril + germe não-E. coli + jato urinário fraco desde sempre + hidronefrose bilateral com bexiga espessada no ultrassom.
- interpretação
- Tudo converge para uropatia estrutural: a recorrência já obriga imagem de segunda linha, e jato fraco com repercussão bilateral em menino aponta obstrução infravesical — válvula de uretra posterior — ou refluxo de alto grau.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar (ou investigar) em cima de saco coletor positivo A banca entrega '100.000 UFC/mL no saco coletor' esperando que o candidato confirme ITU. Saco só AFASTA quando negativo; positivo exige repetição por cateterismo, punção ou clean catch. É a armadilha mais repetida do tema.
- 2Nitrofurantoína na ITU febril Ela é familiar (cistite da adolescente, profilaxia) e aparece como alternativa sedutora para pielonefrite. Não atinge concentração no parênquima renal — a SBP a contraindica, junto com o ácido nalidíxico, em QUALQUER ITU febril.
- 3Uretrocistografia de rotina após o primeiro episódio Era a conduta clássica, e enunciados desatualizados ainda a oferecem. Hoje a UCM exige critério: segunda ITU febril, ultrassom anormal, germe não-E. coli com febre alta, baixo crescimento ou hipertensão — ou clínica de uropatia, como jato fraco.
- 4Tratar bacteriúria assintomática Escolar assintomática com urocultura positiva colhida 'de rotina' não recebe antibiótico — sem inflamação não há doença, e tratar só seleciona resistência. O erro anterior foi colher cultura sem sintoma; o segundo erro seria tratá-la.
- 5Esperar a urocultura para começar — ou repeti-la para 'documentar a cura' Os dois extremos erram: atraso de antibiótico aumenta cicatriz renal (trata-se logo APÓS colher), e cultura de controle em criança que melhorou com germe sensível é exame inútil que a prova pontua como conduta desnecessária.
Em lactente sem controle esfincteriano, a amostra por saco coletor tem alta taxa de contaminação e não confirma ITU — o padrão é urocultura por cateterismo vesical ou punção suprapúbica. A cultura do saco coletor não deve confirmar diagnóstico por falsos-positivos. Jato médio não é confiável em quem não controla a micção. Iniciar antibiótico sem cultura compromete o diagnóstico e a investigação subsequente. Hemocultura não é o exame confirmatório de ITU.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menina de 2 anos é levada à emergência com febre de 39 °C há 2 dias, irritabilidade e recusa alimentar, sem sintomas respiratórios, sem exantema e sem foco aparente ao exame físico. A mãe nota urina com odor mais forte. O exame de urina revela leucocitúria, nitrito positivo e leucócito-esterase positiva. Qual a conduta mais apropriada?
Lactente/pré-escolar com febre sem foco e urina I sugestiva (nitrito, leucócito-esterase e leucocitúria) tem infecção do trato urinário — deve-se coletar urocultura ANTES do antibiótico e iniciar terapia empírica sem aguardar o resultado, pois o tratamento precoce reduz o risco de cicatriz renal. Aguardar a cultura atrasa a terapia. Só sintomáticos deixa a ITU sem tratamento. Antibiótico IV de amplo espectro isolado, sem urocultura, é excessivo em quadro sem sinais de sepse e sem coleta adequada. Fenazopiridina não trata a infecção e não é recomendada nessa faixa etária.
Lactente do sexo masculino, de 8 meses, teve o segundo episódio de infecção do trato urinário febril, ambos por Escherichia coli. A ultrassonografia mostra dilatação pielocalicinal bilateral. Qual o exame mais apropriado para investigar refluxo vesicoureteral neste contexto?
Após ITU febril recorrente com alteração na ultrassonografia (hidronefrose), o exame de escolha para diagnosticar e graduar o refluxo vesicoureteral é a uretrocistografia miccional, que avalia o refluxo durante o enchimento e a micção e detecta anomalias uretrais (como válvula de uretra posterior em meninos). A cintilografia com DMSA avalia cicatrizes/pielonefrite (função e parênquima), não o refluxo em si. A urografia excretora está em desuso e não avalia refluxo dinâmico. TC e RM não são os métodos de primeira linha para diagnóstico de RVU e a TC ainda expõe a radiação desnecessária.
Lactente do sexo masculino, 8 meses, é internado por vômitos e recusa alimentar. A mãe relata episódios recorrentes de febre desde os 3 meses, sempre atribuídos a virose. Ao exame: hipoativo, desidratado, PA 84/50 mmHg, FC 150 bpm, T 38,9 °C. Exames: leucócitos 22.000/mm³, PCR 90 mg/L; urina I com nitrito positivo, leucócito-esterase +++, > 50 leucócitos/campo; urocultura em andamento. A ultrassonografia mostra hidronefrose bilateral grau III e dilatação ureteral. Após tratar a infecção aguda, qual o exame de imagem mais indicado para confirmar a etiologia mais provável?
Lactente masculino com ITUs febris de repetição, hidroureteronefrose bilateral e dilatação ureteral sugere refluxo vesicoureteral (e/ou obstrução do trato inferior). A uretrocistografia miccional é o exame padrão para diagnosticar e graduar o RVU e avaliar a uretra (afastando válvula de uretra posterior em menino). O DMSA detecta cicatrizes/pielonefrite, mas não estabelece a etiologia do refluxo. O DTPA avalia função e drenagem (obstrução), não refluxo. TC e RM não são primeira linha para RVU e expõem a mais contraste/sedação sem vantagem diagnóstica aqui.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, é atendido na UBS com febre alta (39°C) há 3 dias sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar. O exame físico não evidencia foco infeccioso. A urina coletada por saco coletor mostra leucocitúria. Qual a conduta mais adequada antes de firmar o diagnóstico de ITU e iniciar antibiótico?
A urina de saco coletor tem alta taxa de contaminação e serve apenas para triagem/afastar ITU quando normal; um resultado alterado exige confirmação por método confiável (cateterismo vesical ou punção suprapúbica) antes de rotular ITU e tratar, sobretudo em lactente com febre sem foco. Tratar apenas com base no saco coletor leva a sobrediagnóstico. O DMSA na fase aguda não é rotina inicial na APS. Repetir por saco coletor mantém o problema de contaminação.
Menino de 4 anos teve o primeiro episódio de ITU febril confirmada por urocultura, tratado com sucesso na APS. A ultrassonografia de rins e vias urinárias, solicitada após o episódio, mostrou dilatação de pelve renal (hidronefrose) bilateral. Qual a conduta mais apropriada?
ITU febril na infância com ultrassonografia alterada (hidronefrose bilateral) sugere anomalia estrutural/funcional (como refluxo vesicoureteral ou uropatia obstrutiva) e indica encaminhamento ao nível de referência para investigação (uretrocistografia miccional e/ou DMSA conforme protocolo), pois há risco de cicatriz renal e recorrência. Apenas seguimento clínico ou aguardar novo episódio retarda o diagnóstico. Profilaxia indefinida sem definir a causa não é conduta racional isolada.
Lactente feminina de 10 meses é levada ao PS com febre alta (39,5°C) há 2 dias, irritabilidade e recusa alimentar, sem foco aparente ao exame. Nega tosse ou coriza. Ao exame: hidratada, sem sinais meníngeos, otoscopia e orofaringe normais, pulmões limpos. O exame de urina (coletado por saco coletor) mostra leucocitúria e nitrito positivo. Diante da principal hipótese e das particularidades desta faixa etária, qual é a conduta mais adequada?
Lactente com febre sem foco tem infecção do trato urinário como causa importante a investigar. O exame de saco coletor tem alta taxa de falso-positivo e não confirma ITU; deve-se coletar urocultura por método confiável (cateterismo vesical ou jato médio) antes de iniciar antibiótico empírico, pois o tratamento não deve ser adiado em lactente com sepse/febre e urina suspeita. Tratar apenas pelo saco coletor sem cultura é inadequado. Adiar antibiótico no lactente febril com urina alterada arrisca pielonefrite/sepse. Nem toda febre sem foco é viral - ITU deve ser excluída.
Menina de 4 anos comparece à UBS após segundo episódio de infecção urinária febril (pielonefrite) em 6 meses. A mãe relata jato urinário normal e ausência de constipação. A ultrassonografia de vias urinárias mostra dilatação do sistema pielocalicial à esquerda e cicatriz renal. Diante da suspeita de anomalia predisponente e da recorrência de ITU febril, qual é o exame indicado para investigar a causa mais provável?
ITU febril de repetição (pielonefrite) em criança pequena, com dilatação pielocalicial e cicatriz renal na USG, levanta forte suspeita de refluxo vesicoureteral. O exame que diagnostica e gradua o refluxo é a uretrocistografia miccional. A tomografia não é o exame para refluxo e expõe a radiação/contraste desnecessários. O DMSA avalia cicatrizes/função e pielonefrite aguda, mas não diagnostica refluxo. Investigar a anomalia estrutural é essencial - só profilaxia sem diagnóstico é inadequado.
Lactente do sexo feminino, 8 meses, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro com febre de 39 °C há 48 horas, irritabilidade e recusa alimentar, sem outros sintomas localizatórios. Ao exame: PA 90×55 mmHg, FC 150 bpm, T 39,2 °C, hidratada, sem sinais meníngeos, oroscopia e otoscopia normais, ausculta pulmonar limpa, abdome sem visceromegalias. Coletada urina por saco coletor, com urina I mostrando leucocitúria (50 leucócitos/campo) e nitrito positivo. A urocultura ainda está em andamento. Qual é a conduta mais adequada quanto ao diagnóstico de infecção do trato urinário nesta paciente?
Correta: Em lactentes sem controle esfincteriano, a urina coletada por saco coletor tem alta taxa de contaminação e NÃO é válida para urocultura/diagnóstico definitivo de ITU — serve apenas como triagem; um exame negativo ajuda a afastar, mas um positivo exige confirmação por método estéril (cateterismo vesical ou punção suprapúbica) antes de firmar o diagnóstico e iniciar tratamento dirigido. Errada: saco coletor positivo não confirma ITU pela contaminação. Errada: febre sem foco no lactente é justamente a apresentação típica de ITU, que deve ser investigada. Errada: a hemocultura não é pré-requisito para o diagnóstico de ITU nem para iniciar antibiótico após coleta adequada. Errada: repetir por saco coletor perpetua o problema de contaminação, independentemente da higiene.
Menino de 3 meses, nascido a termo, é internado com febre de 39,5 °C e diagnóstico de primeira ITU febril, confirmada por urocultura de amostra por cateterismo vesical (E. coli >100.000 UFC/mL), com boa resposta clínica ao antibiótico. Realizada ultrassonografia de vias urinárias na internação, que evidenciou hidronefrose bilateral moderada com dilatação de ureteres. Não há relato de ITU prévia. Qual é o exame de imagem mais adequado a ser indicado a seguir neste paciente?
Correta: a abordagem escalonada preconiza US para todo lactente com primeira ITU febril; quando a US é ALTERADA (aqui, hidronefrose bilateral com dilatação ureteral, sugestiva de refluxo de alto grau ou uropatia obstrutiva), está indicada a uretrocistografia miccional (UCM), que é o padrão para diagnosticar e graduar refluxo vesicoureteral e avaliar a uretra/obstrução. Errada: o DMSA avalia cicatriz/pielonefrite, não define refluxo nem a causa da dilatação, e não é o próximo passo diante de US alterada apontando obstrução/refluxo. Errada: a US justamente NÃO foi normal — havia hidronefrose bilateral, o que obriga a prosseguir a investigação. Errada: a urografia excretora foi substituída por US, UCM e cintilografia e não é o exame de escolha atual. Errada: postergar a investigação diante de dilatação bilateral pode retardar o diagnóstico de uma uropatia obstrutiva tratável.
Menina de 5 anos é atendida no ambulatório com o terceiro episódio de ITU febril em 18 meses. Entre os episódios permanece assintomática e com desenvolvimento normal. Traz uretrocistografia miccional realizada após o segundo episódio, que demonstrou refluxo vesicoureteral grau III à direita, sem dilatação importante de cálices. O ultrassom renal atual mostra rins de dimensões normais, sem cicatrizes evidentes, e a função renal (creatinina) é normal. Qual é o exame mais indicado para avaliar a presença de dano parenquimatoso (cicatriz renal) nesta paciente?
Correta: a cintilografia renal ESTÁTICA com DMSA é o exame padrão-ouro para detectar e quantificar cicatrizes/nefropatia do refluxo, pois o radiofármaco se fixa no parênquima tubular funcionante e evidencia áreas de captação reduzida (cicatriz). É especialmente indicada em ITU febril de repetição com refluxo conhecido. Errada: a UCM avalia refluxo e uretra, não cicatriz parenquimatosa. Errada: a cintilografia dinâmica (DTPA/MAG-3) avalia fluxo/drenagem e obstrução, não sendo o método de escolha para cicatriz. Errada: a TC com contraste tem radiação e nefrotoxicidade desnecessárias e não é o exame de escolha para rastreio de cicatriz na criança. Errada: o Doppler avalia fluxo vascular, não a integridade cortical/cicatriz.
Menina de 3 meses, previamente hígida, vacinação em dia, é avaliada por febre de 39 °C há 30 horas sem foco identificável. Ao exame encontra-se em bom estado geral, ativa, corada, sem sinais localizatórios. Triagem laboratorial: leucócitos 22.000/mm³ (VR 6.000-17.500), PCR 45 mg/L (VR < 10), procalcitonina 1,2 ng/mL (VR < 0,5). Urina I: esterase leucocitária positiva, nitrito positivo, 30 leucócitos/campo. Qual é o próximo passo mais apropriado?
Correta: lactente de 3 meses com febre sem foco, biomarcadores elevados (leucocitose, PCR e procalcitonina altas) e urina I fortemente sugestiva de ITU (esterase +, nitrito +, leucocitúria) tem provável infecção urinária/pielonefrite. O passo correto é colher urocultura (padrão-ouro, antes do antibiótico) e hemocultura e iniciar antibioticoterapia; nesta faixa com biomarcadores elevados justifica-se internação/parenteral. Repetir a urina I atrasa o tratamento de um foco já identificado. Erra por tratar sem urocultura e via/tempo inadequados para pielonefrite provável. A punção lombar não é obrigatória fora do período neonatal quando há foco urinário identificado e bom estado geral. Manter apenas antitérmico ignora foco laboratorial claro; bom estado geral não afasta ITU.
Lactente, sexo feminino, 8 meses, previamente hígida, apresenta o segundo episódio de infecção do trato urinário (ITU) febril em 3 meses, ambos com urocultura positiva para Escherichia coli, com boa resposta à antibioticoterapia. A ultrassonografia de rins e vias urinárias realizada após a resolução do quadro evidencia dilatação pielocalicinal bilateral (hidronefrose) e ureteres visíveis. A criança encontra-se assintomática no momento. Qual o próximo passo mais adequado na investigação desta paciente?
Correta: Diante de ITU febril de repetição em lactente com ultrassonografia alterada (hidronefrose bilateral e ureteres dilatados), a investigação de refluxo vesicoureteral (RVU) está formalmente indicada, e a uretrocistografia miccional (UCM) é o exame para diagnosticar e graduar o refluxo (I a V) e ainda avalia a uretra (importante em meninos). A cintilografia com DMSA identifica cicatrizes/pielonefrite, mas não diagnostica nem gradua o RVU; não é o passo indicado aqui, e na fase aguda não está sendo proposta. A urografia excretora foi abandonada nessa investigação por alta dose de radiação e baixa acurácia para RVU. Manter só profilaxia sem esclarecer a anatomia diante de US alterada e ITU recorrente é conduta insuficiente. Cistoscopia não é método diagnóstico de RVU e é invasiva/desnecessária nesta etapa.
O refluxo vesicoureteral (RVU) primário é uma das causas mais frequentes de infecção urinária febril de repetição na infância e pode levar a cicatrizes renais. Qual exame é considerado o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e estabelecer a graduação (graus I a V) do RVU?
Correta: a uretrocistografia miccional (UCM) é o padrão-ouro para confirmar e graduar o RVU (graus I a V, conforme classificação internacional), pois demonstra a coluna de contraste refluindo da bexiga para o ureter/pelve durante o enchimento e a micção. A ultrassonografia rastreia dilatação e alterações estruturais, mas não confirma nem gradua o refluxo (pode ser normal mesmo com RVU). O DMSA avalia parênquima renal (cicatrizes e função diferencial), não o refluxo. O DTPA é estudo dinâmico de fluxo/obstrução, sem papel na graduação do RVU. A TC não é o método de escolha e expõe a criança a radiação elevada desnecessária.
Menina, 15 meses, levada ao pronto-socorro por febre de 39 °C há 2 dias, sem foco aparente, irritada e com recusa alimentar. Ao exame: T 39,2 °C, FC 140 bpm, FR 28 ipm, hidratada, sem sinais meníngeos, otoscopia e orofaringe normais, ausculta pulmonar limpa. Foi coletada urina por saco coletor: EAS com leucocitúria (50 leucócitos/campo) e nitrito positivo; urocultura com crescimento de 10^5 UFC/mL de flora mista (dois microrganismos distintos). Qual a conduta mais adequada para firmar o diagnóstico de infecção do trato urinário?
Correta: Em lactente sem controle esfincteriano, a urina de saco coletor tem altíssima taxa de falso-positivo por contaminação perineal — crescimento de flora mista (≥2 germes) é o marcador clássico de contaminação, não de ITU. Antes de firmar o diagnóstico e submeter a criança à investigação de malformações, é obrigatório repetir a coleta por método estéril: cateterismo vesical (≥50.000 UFC/mL) ou punção suprapúbica (qualquer crescimento de Gram-negativo). O saco coletor só tem valor quando NEGATIVO; positivo não confirma. Hemocultura não define ITU e não deve decidir/atrasar a coleta urinária adequada. Baixar o ponto de corte não corrige o viés do método contaminado. O EAS sugere, mas não substitui a urocultura por método confiável, exigida para o diagnóstico e a decisão de investigar o trato urinário.
Lactente do sexo masculino, 2 meses, previamente hígido, admitido com febre de 38,8 °C, irritabilidade e jato urinário fraco/gotejante percebido pela mãe. Sinais vitais: T 38,9 °C, FC 160 bpm, FR 45 ipm, SatO2 97%. Urocultura por cateterismo confirma ITU por Escherichia coli (>50.000 UFC/mL). A ultrassonografia de rins e vias urinárias evidencia hidronefrose bilateral, ureteres dilatados e parede vesical espessada com bexiga distendida de grande volume. Após iniciar antibioticoterapia parenteral, qual o exame de imagem mais indicado para elucidar a malformação suspeita?
Correta: Menino lactente com ITU febril + hidronefrose bilateral, ureteres dilatados e bexiga espessada/distendida configura o quadro clássico de válvula de uretra posterior (principal malformação obstrutiva baixa no sexo masculino). A uretrocistografia miccional é o exame de escolha: durante a micção demonstra a uretra posterior dilatada acima da válvula e detecta o refluxo vesicoureteral frequentemente associado. O DMSA avalia cicatrizes/pielonefrite (parênquima), não a anatomia uretral nem o refluxo. DTPA/MAG-3 avaliam função e obstrução altas, não a uretra. A urografia excretora está em desuso e não caracteriza a válvula. A TC agrega radiação sem definir a obstrução uretral dinâmica, não sendo primeira linha nessa suspeita.
Menino, 2 anos, com febre de 38,5 °C há 1 dia e relato materno de choro à micção. Encontra-se em bom estado geral, ativo, hidratado e aceitando líquidos e alimentos por via oral. Sinais vitais: T 38,4 °C, FC 120 bpm, FR 24 ipm, PA 95/60 mmHg. EAS com leucocitúria e nitrito positivo; urocultura por coleta assistida já colhida e em processamento. Não há vômitos e a família é confiável para retorno. Qual a conduta terapêutica inicial mais adequada?
Correta: criança acima de 2 a 3 meses, com bom estado geral, sem toxemia, tolerando via oral e com seguimento garantido pode ser tratada com antibiótico ORAL ambulatorial — a evidência mostra eficácia equivalente à via endovenosa na ITU febril nesse perfil, reservando-se internação e via venosa para lactentes muito jovens, aspecto toxêmico, vômitos com intolerância oral ou desidratação. Internar por no mínimo 14 dias superestima a gravidade e impõe duração desnecessária. Aguardar a urocultura erra: com a cultura já colhida, o antibiótico empírico deve ser iniciado, e postergar aumenta o risco de cicatriz renal. A antibioticoprofilaxia contínua não trata o episódio agudo. A fosfomicina em dose única é esquema de cistite não complicada do adulto, inadequado para ITU febril e pielonefrite na criança.
Lactente do sexo feminino, 10 meses, é levada ao pronto-socorro com febre de até 39 °C há 2 dias, sem outros sintomas localizatórios e sem foco identificável. Ao exame: irritada, corada, hidratada, FC 150 bpm, FR 32 ipm, T 39,1 °C, sem sinais meníngeos, otoscopia e orofaringe normais, ausculta pulmonar limpa e abdome sem alterações. Urina I coletada por cateterismo vesical: leucocitúria acentuada, nitrito positivo e esterase leucocitária positiva. Colhida urocultura e iniciada antibioticoterapia empírica. O agente etiológico MAIS provável é:
Correta: a Escherichia coli é o uropatógeno responsável por cerca de 80–90% das infecções do trato urinário na infância, tanto em cistites quanto em pielonefrites, refletindo sua origem na flora entérica que coloniza a região perineal — coerente com a lactente febril com urina I fortemente sugestiva (nitrito e esterase positivos). Proteus mirabilis: segundo agente mais comum, associado a cálculos de estruvita e mais frequente em meninos, mas bem menos prevalente que E. coli. Klebsiella pneumoniae: enterobactéria possível, porém minoritária como causa de ITU comunitária pediátrica. Enterococcus faecalis: mais associado a ITU nosocomial, uso prévio de antibióticos ou anomalias do trato urinário, não sendo o agente típico do quadro comunitário. Staphylococcus saprophyticus: causa cistite em mulheres jovens sexualmente ativas, contexto que não se aplica a uma lactente.
Lactente do sexo masculino, 14 meses, apresenta o segundo episódio de infecção do trato urinário febril em 4 meses, ambos com urocultura positiva para Escherichia coli (> 100.000 UFC/mL) e boa resposta ao tratamento. Encontra-se assintomático, com bom ganho ponderal, PA 92/58 mmHg e exame físico sem alterações. A ultrassonografia de rins e vias urinárias, realizada após o controle da infecção, evidencia dilatação pielocalicial bilateral (hidronefrose) e espessamento da parede vesical. A conduta mais adequada para prosseguir a investigação de malformação é:
Correta: Diante de ITU febril de repetição associada a ultrassonografia alterada (hidronefrose bilateral e parede vesical espessada) em um lactente do sexo masculino, está indicada a uretrocistografia miccional (UCM). É o exame de escolha para diagnosticar e graduar o refluxo vesicoureteral e, no menino, também avalia a uretra posterior (valva de uretra posterior), causas obstrutivas compatíveis com esses achados. Repetir apenas USG: insuficiente frente a episódios recorrentes e USG já alterada, retardando o diagnóstico da malformação. DMSA na fase aguda: a cintilografia com DMSA avalia pielonefrite aguda ou cicatriz renal (esta realizada tardiamente), mas não diagnostica refluxo nem obstrução, que é o alvo da investigação. Urografia excretora: método em desuso na pediatria, com radiação e contraste, superado pela USG e pela UCM. Tomografia com contraste: não é o exame inicial para investigar refluxo/obstrução baixa e expõe a criança a radiação desnecessária.
Menina, 3 anos, previamente hígida, é levada ao pronto-socorro com o terceiro episódio de infecção do trato urinário febril em 8 meses. Nos episódios anteriores, urocultura isolou Escherichia coli, com boa resposta ao tratamento antibiótico. Exame físico atual sem alterações; PA 92x58 mmHg, T 38,4 °C. Ultrassonografia de rins e vias urinárias mostra discreta dilatação pielocalicial à esquerda. Diante da suspeita de refluxo vesicoureteral, a investigação prossegue. Qual é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e a graduação do refluxo vesicoureteral?
Correta: Uretrocistografia miccional. É o exame padrão-ouro para diagnosticar e graduar (I a V, classificação internacional) o refluxo vesicoureteral, pois demonstra diretamente o retorno do contraste da bexiga para o ureter/sistema coletor durante o enchimento e a micção, indicado na investigação de ITU febril de repetição na criança. USG com Doppler: rastreia dilatação/hidronefrose e altera a probabilidade, mas não confirma nem gradua o refluxo. DMSA: avalia cicatrizes/pielonefrite e função cortical, não diagnostica o refluxo em si. Urografia excretora: avalia anatomia e função excretora, não demonstra o refluxo retrógrado e está em desuso. TC de abdome: não é indicada de rotina, expõe a radiação elevada e não avalia dinamicamente o refluxo.
Um lactente de 9 meses, do sexo feminino, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde por febre de até 39 °C há dois dias, irritabilidade e recusa alimentar parcial, sem outros sintomas localizatórios. Ao exame, apresenta-se em regular estado geral, hidratada, corada, com abdome flácido e sem sinais de infecção respiratória, otológica ou de pele. A mãe nega tosse, coriza e diarreia. Diante da febre sem foco aparente, a médica de família coleta urina por saco coletor para triagem e, frente à alteração, confirma com nova amostra por cateterismo vesical, cujo exame revela leucocitúria intensa, nitrito positivo e urocultura com crescimento de 100.000 UFC/mL de Escherichia coli. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: lactente com febre sem foco associada a leucocitúria e nitrito positivos, confirmados por urocultura significativa (≥50.000 UFC/mL em amostra por cateterismo) de E. coli, fecham infecção do trato urinário — causa clássica de febre sem foco no lactente e principal indicação de rastreio urinário. Kawasaki exige critérios clínicos (conjuntivite, alterações de lábios/mucosa, exantema, adenomegalia) por ≥5 dias, ausentes. Vulvovaginite causa corrimento/prurido, não febre alta com urocultura positiva. Glomerulonefrite pós-estreptocócica cursa com hematúria, edema, hipertensão e infecção estreptocócica prévia, não com nitrito/leucocitúria e urocultura positiva.
Um menino de 10 meses, previamente hígido, foi atendido na UPA com febre alta e diagnóstico de primeira infecção do trato urinário febril, confirmada por urocultura (E. coli, 120.000 UFC/mL) coletada por cateterismo. Recebeu antibioticoterapia adequada, com boa evolução clínica e desaparecimento da febre em 48 horas. Retorna à Unidade de Saúde da Família para seguimento, assintomático. A mãe pergunta se é preciso investigar alguma malformação, pois um sobrinho teve problema no rim. Considerando as recomendações brasileiras para investigação de malformações do trato urinário após a primeira ITU febril em lactente, qual é o exame de imagem inicial mais adequado a ser solicitado?
Correta: a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame inicial recomendado após a primeira ITU febril em lactentes, por ser não invasivo, sem radiação e amplamente disponível no SUS — rastreia dilatações, alterações do parênquima e malformações grosseiras, orientando a necessidade de exames adicionais. A cintilografia com DMSA avalia cicatriz renal e é feita tardiamente, não na fase aguda de rotina. A uretrocistografia miccional não é indicada para todos: reserva-se a casos com US alterada, ITU atípica ou recorrente, pela invasividade e radiação. A urografia excretora está em desuso e não é o exame de escolha.
Uma menina de 2 anos e 6 meses é levada ao ambulatório de pediatria do SUS com o segundo episódio de infecção do trato urinário febril em seis meses, ambos com urocultura positiva para E. coli e boa resposta ao tratamento. Encontra-se assintomática no momento. A ultrassonografia de rins e vias urinárias, realizada após o episódio atual, evidencia dilatação pielocalicinal bilateral e duplicidade do sistema coletor à direita. A curva de crescimento é adequada e a pressão arterial é normal. Diante do quadro de ITU febril de repetição associada a ultrassonografia alterada, qual é o exame mais indicado para prosseguir a investigação de malformação do trato urinário?
Correta: em ITU febril de repetição com ultrassonografia alterada (dilatação pielocalicinal), a uretrocistografia miccional é o exame indicado para investigar refluxo vesicoureteral e avaliar a uretra, definindo conduta e necessidade de profilaxia/seguimento. Repetir a US não acrescenta a informação funcional sobre refluxo. A tomografia com contraste expõe a criança a radiação e contraste sem ser o método de escolha para refluxo. A dosagem de ureia/creatinina avalia função renal global, mas não diagnostica a malformação de base nem o refluxo, que é a suspeita central neste cenário.
Uma lactente de 2 meses é levada ao pronto-socorro com febre de 38,5 °C há 6 horas, sem sintomas localizatórios. Diante da idade, a equipe coleta exames, incluindo urina por cateterismo vesical. O exame de urina (EAS) revela leucocitúria com esterase leucocitária e nitrito positivos, e o Gram do sedimento mostra bacilos gram-negativos. A criança mantém-se em bom estado geral, hidratada e sem outros focos ao exame. Nesse contexto, qual é o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada?
Correta: em lactente pequeno (2 meses) febril sem foco, o urinálise alterado (esterase/nitrito positivos + bacilos gram-negativos ao Gram) indica ITU — o foco oculto mais frequente; coleta-se urocultura e inicia-se antibiótico, com tratamento parenteral/internação recomendado nessa faixa etária jovem pelo risco de infecção bacteriana grave. Erra: amostra por cateterismo com nitrito e esterase positivos não é contaminação. A bacteremia oculta não se sustenta: o achado urinário aponta para trato urinário, e penicilina benzatina não é a conduta. Operar por refluxo vesicoureteral inverte a ordem: o RVU pode ser investigado após tratar a infecção, e nunca se opera de urgência antes do manejo clínico da ITU.
Uma lactente de 10 meses é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde por febre de até 39 °C há dois dias, associada a irritabilidade, recusa alimentar e um episódio de vômito. Nega tosse, coriza, diarreia ou exantema. Nasceu a termo, sem intercorrências, e está com o calendário vacinal em dia. Ao exame: regular estado geral, corada, hidratada, temperatura axilar de 38,9 °C, oroscopia e otoscopia sem alterações, ausculta cardíaca e pulmonar normais, abdome flácido e indolor, sem visceromegalias. Colhida urina por cateterismo vesical: sedimento com 60 leucócitos por campo, nitrito positivo e bacteriúria; urocultura com crescimento de Escherichia coli, 100.000 UFC/mL. Hemograma com leucocitose e proteína C reativa elevada. A criança aceita líquidos por via oral. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada para esse caso?
Correta: em lactente com febre, sintomas sistêmicos, elevação de provas inflamatórias e urocultura obtida por método confiável (cateterismo) com ≥100.000 UFC/mL de E. coli, o diagnóstico é de ITU febril/pielonefrite aguda. Como a criança tem mais de 3 meses, está em regular estado geral e aceita via oral, o tratamento oral ambulatorial (7 a 10 dias) com reavaliação é recomendado pelas diretrizes brasileiras (SBP/Ministério da Saúde); a via endovenosa fica reservada a lactentes <3 meses, toxemiados ou com intolerância oral. Bacteriúria assintomática está excluída pela presença de febre e resposta inflamatória — e, por definição, não se trata. Cistite é afastada pela febre alta com repercussão sistêmica e PCR elevada, e curso de 3 dias é insuficiente para ITU febril. Atribuir a febre a causa viral ignora um exame de urina claramente alterado com urocultura positiva, retardando o tratamento e o risco de cicatriz renal.
Um menino de 15 meses é atendido na Unidade Básica de Saúde com febre de até 38,8 °C há três dias, sem outros sintomas. Está em bom estado geral, ativo, hidratado, aceitando bem líquidos e alimentos; oroscopia, otoscopia, ausculta pulmonar e exame abdominal sem alterações; não há exantema nem sinais meníngeos. Como não se identificou foco, a enfermagem colheu urina com saco coletor após higiene perineal, com a amostra permanecendo cerca de 40 minutos no dispositivo. O resultado do exame de urina mostra 40 leucócitos por campo, nitrito positivo e flora bacteriana aumentada. A mãe pergunta se o filho já deve iniciar antibiótico. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: a urina colhida por saco coletor tem alta taxa de falso-positivo (contaminação pela flora perineal), de modo que um resultado alterado apenas levanta a suspeita e nunca confirma ITU nem autoriza urocultura diagnóstica. Em criança que ainda não controla esfíncteres, a confirmação exige amostra por cateterismo vesical (ou punção suprapúbica), colhida ANTES do antibiótico; feita a coleta, a terapia empírica pode ser iniciada sem aguardar a cultura. Tratar com base no saco coletor rotula a criança com um diagnóstico não confirmado e desencadeia investigação de malformação desnecessária. Descartar a hipótese é inaceitável: o saco coletor tem alto valor preditivo negativo, mas resultado positivo em criança com febre sem foco obriga a confirmação, não o descarte. Solicitar ultrassonografia primeiro inverte a ordem: a imagem não faz o diagnóstico de ITU e a demora atrasa a coleta adequada e o tratamento.
Uma menina de 2 anos é atendida no pronto-socorro com febre de 39 °C há dois dias, vômitos e dor lombar. É o segundo episódio de infecção urinária febril em seis meses, ambos com urocultura obtida por cateterismo vesical positiva para Escherichia coli e boa resposta ao antibiótico. Não há história de constipação nem de disfunção miccional. Iniciada antibioticoterapia, evolui afebril em 48 horas. Realizada ultrassonografia de rins e vias urinárias durante a internação, que evidencia dilatação pielocalicinal bilateral, com o rim esquerdo apresentando redução de tamanho e afilamento cortical em relação ao contralateral. Qual é a conduta mais adequada para a continuidade da investigação desta criança?
Correta: as diretrizes brasileiras indicam uretrocistografia miccional (UCM) diante de ITU febril recorrente e/ou de ultrassonografia alterada — aqui há ambos (segundo episódio em seis meses, dilatação pielocalicinal bilateral e assimetria renal com afilamento cortical). A UCM é o exame padrão para diagnosticar e graduar o refluxo vesicoureteral e para avaliar o trato urinário inferior (p. ex., válvula de uretra posterior), condições que mudam a conduta (profilaxia, seguimento, indicação cirúrgica). Repetir a ultrassonografia em seis meses posterga a definição de uma malformação já sugerida pela imagem e mantém o risco de novas pielonefrites e de cicatriz renal. Encerrar a investigação contraria a indicação formal de UCM nesse cenário — a ultrassonografia mostra a anatomia grosseira, mas não detecta refluxo. A urografia excretora está em desuso na pediatria, expõe a criança a contraste iodado e radiação sem responder à questão central (presença de refluxo).
Uma menina de 20 meses é levada à unidade de saúde da família por febre de até 39,3 °C há dois dias, associada a irritabilidade, recusa alimentar parcial e um episódio de vômito. A mãe nega tosse, coriza, diarreia ou exantema. A criança tem calendário vacinal em dia, sem internações prévias e sem infecções urinárias anteriores. Ao exame: regular estado geral, ativa ao colo, hidratada, temperatura axilar 38,9 °C, oroscopia e otoscopia sem alterações, ausculta pulmonar limpa, abdome flácido, sem sinais meníngeos, genitália externa sem sinéquias ou hiperemia. Colhido sumário de urina por saco coletor, que evidencia leucocitúria (50 leucócitos/campo) e nitrito positivo. Qual é a conduta adequada neste momento?
Em lactente com febre sem foco aparente, a infecção do trato urinário é causa frequente e deve ser investigada. O saco coletor tem alto valor preditivo NEGATIVO (um exame normal praticamente afasta ITU), mas apresenta taxa elevadíssima de contaminação — por isso serve como triagem, e nunca para firmar o diagnóstico nem para urocultura. O passo correto é obter amostra por método confiável (cateterismo vesical ou punção suprapúbica), colher urocultura e, só então, iniciar o antibiótico empírico, que não deve ser postergado em criança febril. Considerar a cultura do saco coletor como definitiva expõe a criança a tratamento e investigação desnecessários por falso-positivo. Apenas observar e repetir o exame retarda o tratamento de uma provável ITU febril (pielonefrite), com risco de cicatriz renal. A ultrassonografia de rins e vias urinárias está indicada na ITU febril do lactente, mas é conduta complementar e jamais deve atrasar o início da antibioticoterapia.
Uma lactente de 9 meses é levada à Unidade Básica de Saúde por febre de até 39,2 °C há 48 horas, sem tosse, coriza, vômitos, diarreia ou exantema. Nasceu a termo, é hígida, está em uso de dieta complementar e tem calendário vacinal completo para a idade, incluindo pneumocócica conjugada e Haemophilus influenzae tipo b. Ao exame: em bom estado geral, ativa, corada, hidratada, temperatura axilar de 38,9 °C, frequência cardíaca de 138 bpm, frequência respiratória de 34 irpm, fontanela normotensa, oroscopia e otoscopia sem alterações, ausculta cardiopulmonar normal, abdome flácido e indolor, sem sinais meníngeos e sem lesões cutâneas. Nenhum foco infeccioso é identificado. Qual é o exame que deve ser priorizado na investigação dessa criança?
Correta: Em lactentes maiores de 3 meses com febre sem sinais localizatórios e bom estado geral, a infecção do trato urinário é a causa bacteriana oculta mais frequente (especialmente em meninas e em meninos não circuncidados até 1 ano), e é a única que pode ser identificada por exame simples e disponível na atenção primária — por isso a coleta de urina por técnica estéril (cateterismo vesical ou jato médio) para urina tipo I e urocultura é a prioridade. Saco coletor serve apenas para triagem negativa, pois tem alta taxa de contaminação. Errada porque a radiografia de tórax só se justifica na presença de sinais respiratórios (taquipneia, tiragem, hipoxemia, tosse), ausentes aqui. Errada porque a punção lombar é indicada em lactentes com aspecto toxêmico ou sinais meníngeos, ou de rotina nos menores de 1 a 3 meses — não em lactente de 9 meses hígida, com bom estado geral e sem sinais neurológicos. Errada porque não há dados clínicos ou epidemiológicos sugestivos de dengue nem sintomas associados.
Um lactente de 5 meses, sexo masculino, é atendido na unidade de saúde da família em consulta de retorno. Há duas semanas foi internado no hospital regional por febre de 39 °C sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar, tendo recebido diagnóstico de infecção do trato urinário febril, com urocultura colhida por cateterismo vesical evidenciando Escherichia coli acima de 100.000 UFC/mL. Completou dez dias de antibioticoterapia, com boa resposta clínica e está afebril. Traz ultrassonografia de rins e vias urinárias realizada após a alta, que demonstra hidronefrose bilateral moderada, ureteres dilatados em todo o trajeto e bexiga de paredes espessadas. O exame físico atual é normal, com peso e estatura adequados. Qual é a conduta apropriada neste momento?
Correta: lactente do sexo masculino com ITU febril e ultrassonografia alterada (hidronefrose bilateral, ureteres dilatados e bexiga de parede espessada) tem indicação formal de uretrocistografia miccional, exame que avalia refluxo vesicoureteral e, sobretudo, obstrução infravesical — a válvula de uretra posterior é a principal hipótese nesse quadro e seu diagnóstico precoce evita perda irreversível de função renal. As diretrizes brasileiras e do Ministério da Saúde indicam a uretrocistografia quando a ultrassonografia é anormal ou há ITU febril recorrente. Distratores: seguimento clínico isolado retarda o diagnóstico de uma uropatia obstrutiva potencialmente grave; antibioticoprofilaxia sem esclarecer a anatomia não trata a causa e não substitui a investigação diante de ultrassonografia claramente anormal; a cintilografia com DMSA avalia cicatriz/função parenquimatosa, mas não identifica refluxo nem obstrução uretral, não sendo o próximo passo.
Uma menina de 11 meses é levada pela mãe à unidade básica de saúde com febre de 39,2 °C há dois dias, sem tosse, coriza ou diarreia, associada a irritabilidade, vômitos ocasionais e menor aceitação alimentar. Nasceu a termo, está com o calendário vacinal em dia e não apresenta antecedentes mórbidos. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, hidratada, corada, com temperatura axilar de 38,9 °C; a oroscopia, a otoscopia e a ausculta pulmonar são normais, o abdome está flácido e indolor e não há sinais meníngeos nem exantema. O exame de urina de rotina mostra nitrito positivo, esterase leucocitária positiva, 60 leucócitos por campo e bacteriúria. Qual é o diagnóstico e a conduta, respectivamente?
Correta: lactente com febre sem foco e urina com nitrito e esterase leucocitária positivos, leucocitúria e bacteriúria configura infecção do trato urinário febril (provável pielonefrite). A conduta padronizada é colher urocultura por método confiável antes do antibiótico — em criança sem controle esfincteriano, cateterismo vesical (ou punção suprapúbica), pois o saco coletor tem alta taxa de falso-positivo — e iniciar a antibioticoterapia empírica em seguida, sem aguardar o resultado. Distratores: tratar sem urocultura impede confirmar o diagnóstico, identificar o agente e ajustar o esquema pelo antibiograma, além de comprometer a decisão sobre investigação de malformações; manter apenas sintomáticos ignora um foco já identificado e expõe a criança a cicatriz renal; bacteriúria assintomática, por definição, ocorre em paciente sem febre ou sintomas, o que não é o caso.
Lactente de 8 meses, sexo feminino, é levada à Unidade Básica de Saúde com febre de 39 °C há 2 dias, irritabilidade e recusa alimentar. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, hidratada, sem sinais meníngeos, com oroscopia, otoscopia e ausculta pulmonar normais. Não há foco infeccioso identificável. A mãe traz exame de urina colhido em casa por saco coletor, com leucocitúria e nitrito positivo. A médica considera a hipótese de infecção do trato urinário. Qual é a conduta adequada neste momento?
Correta: em lactentes sem controle esfincteriano, o saco coletor tem alta taxa de falso-positivo por contaminação perineal e não serve para diagnóstico de ITU; diante de febre sem foco com triagem urinária alterada, a conduta padronizada é obter amostra por método estéril (cateterismo vesical ou punção suprapúbica) para urocultura ANTES do antibiótico, iniciando o tratamento empírico logo após a coleta. Alternativa 1 erra ao tratar com base em amostra não confiável, expondo a criança a antibiótico desnecessário e a uma investigação de malformação injustificada. Alternativa 2 erra porque repetir saco coletor perpetua o mesmo risco de contaminação. Alternativa 4 erra porque postergar o tratamento de pielonefrite em lactente aumenta o risco de cicatriz renal e de bacteremia.
Lactente de 5 meses, sexo masculino, previamente hígido, foi internado em enfermaria pediátrica com primeiro episódio de infecção do trato urinário febril, com urocultura obtida por cateterismo vesical evidenciando Escherichia coli > 100.000 UFC/mL. Evoluiu afebril em 48 horas com antibioticoterapia, completando o tratamento sem intercorrências. O exame físico é normal, não há história familiar de nefropatia e o pré-natal não registrou alterações. A mãe pergunta se é preciso investigar alguma malformação. Qual é a conduta de investigação por imagem indicada?
Correta: após o primeiro episódio de ITU febril em lactente, a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame inicial — não invasivo, sem radiação e disponível na rede — para rastrear hidronefrose, dilatação, duplicidade e alterações do parênquima. Alternativa 2 erra porque a uretrocistografia miccional é invasiva e irradiante, reservada a ultrassonografia alterada, ITU febril recorrente, sepse/quadro atípico ou germe não-E. coli, e não é rotina após o primeiro episódio típico com boa resposta. Alternativa 3 erra porque o DMSA agudo não muda a conduta e, quando usado, é para rastrear cicatriz renal tardiamente (4-6 meses). Alternativa 4 erra porque não existe critério de "esperar três episódios": a investigação começa já no primeiro episódio febril em lactente.
Menino de 18 meses é atendido em Unidade de Pronto Atendimento com febre de 39,2 °C há 2 dias, vômitos e dor lombar à percussão. Urocultura por cateterismo confirma Escherichia coli. É o segundo episódio de infecção urinária febril: o primeiro ocorreu aos 9 meses, tratado com boa resposta, com ultrassonografia de rins e vias urinárias realizada na época sem alterações. Não há disfunção miccional nem constipação. Após completar o tratamento do episódio atual, qual é a conduta de investigação mais adequada?
Correta: a recorrência de ITU febril é indicação formal de uretrocistografia miccional independentemente de ultrassonografia normal — a pegadinha está aí. A ultrassonografia tem baixa sensibilidade para refluxo vesicoureteral, que pode existir com rins e vias urinárias de aspecto normal; diante de segundo episódio febril com quadro de pielonefrite, a UCM é o exame capaz de identificar e graduar o refluxo, orientando profilaxia, seguimento e eventual encaminhamento ao nefrologista/urologista pediátrico. Alternativa 1 erra ao supor valor preditivo negativo que a ultrassonografia não tem para refluxo. Alternativa 2 erra porque repetir o mesmo exame de baixa sensibilidade não responde à pergunta clínica. Alternativa 3 erra porque profilaxia sem definir a anatomia e o grau de refluxo é conduta cega, com risco de resistência bacteriana e sem critério de suspensão.
Lactente de 7 meses, sexo feminino, previamente hígida, é levada à unidade básica de saúde com febre de 39 °C há dois dias, irritabilidade e recusa alimentar. Sem tosse, coriza, diarreia ou exantema. Ao exame: bom estado geral, corada, hidratada, oroscopia e otoscopia sem alterações, ausculta cardiopulmonar normal, abdome flácido e indolor, sem sinais meníngeos. A hipótese de infecção do trato urinário é levantada e o médico decide coletar urina para exame de urina tipo I e urocultura. A criança ainda usa fraldas e não tem controle esfincteriano. Assinale a opção que indica a conduta mais adequada para a coleta da urocultura nessa paciente.
Em lactente sem controle esfincteriano, a urina de saco coletor tem taxa de contaminação de 60-85% e só tem valor quando NEGATIVA (bom valor preditivo negativo); nunca deve ser usada para confirmar ITU nem para embasar antibiótico. Os métodos válidos para urocultura nessa faixa etária são o cateterismo vesical (positivo a partir de ~50.000 UFC/mL de um único uropatógeno) e a punção suprapúbica (qualquer crescimento de bacilo Gram-negativo). Correta: cateterismo vesical asséptico, factível na UBS e com acurácia adequada. Errada: o ponto de corte de 100.000 UFC/mL vale para jato médio em criança continente, e o saco coletor não valida ITU. Errada: jato médio é inviável em criança que não controla esfíncter. Errada: a urocultura deve SEMPRE ser colhida antes da primeira dose de antibiótico, sob pena de perder o diagnóstico etiológico e a indicação de investigação de malformação.
Lactente de 10 meses, sexo masculino, nascido a termo, sem intercorrências perinatais e com pré-natal completo (ultrassonografias gestacionais normais), foi internado com febre de 39,2 °C há três dias sem foco aparente. Urina tipo I por cateterismo: leucocitúria (>100/campo), nitrito positivo, sem cilindros. Urocultura: Escherichia coli, 100.000 UFC/mL, sensível a cefalosporinas. Iniciada ceftriaxona, com queda da febre em 36 horas e boa aceitação alimentar. Trata-se do primeiro episódio de infecção urinária. Exame físico atual sem massas abdominais; a mãe refere jato urinário normal. Creatinina 0,3 mg/dL (VR: 0,2-0,4 mg/dL). Assinale a opção que indica a investigação de imagem indicada nesse momento.
Correta: a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame de primeira linha após o primeiro episódio de ITU febril em lactente, por ser não invasiva, sem radiação, e capaz de detectar hidronefrose, duplicidade, dilatação ureteral e alterações do parênquima; a uretrocistografia miccional (UCM) e o DMSA ficam reservados para ultrassonografia alterada, ITU atípica (germe não-E. coli, sepse, massa abdominal/vesical, jato fraco, falha de resposta em 48-72 h, disfunção renal) ou ITU febril recorrente. Errada: a UCM de rotina em todo primeiro episódio foi abandonada — é invasiva, irradia a gônada, requer cateterismo e não altera desfecho neste perfil de baixo risco (E. coli, boa resposta, pré-natal normal). Errada: o DMSA na fase aguda não muda a conduta imediata; quando indicado, é feito 4-6 meses após o episódio para pesquisar cicatriz. Errada: mesmo com boa evolução, todo lactente com primeira ITU febril merece pelo menos a ultrassonografia, pois a resposta clínica não exclui uropatia obstrutiva ou refluxo.
Lactente de 4 meses, sexo masculino, internado por febre de 39,5 °C, vômitos e desidratação. Urocultura por cateterismo: Klebsiella pneumoniae, 100.000 UFC/mL, sensível ao esquema instituído. Iniciada ceftriaxona endovenosa, mantém picos febris e irritabilidade após 72 horas. A mãe relata que, desde o nascimento, o jato urinário é fraco e "em gotas", com esforço miccional. Exame: palpa-se globo vesical; sem massas em flancos. Creatinina 0,9 mg/dL (VR: 0,2-0,4 mg/dL). Ultrassonografia: hidronefrose bilateral, ureteres dilatados e bexiga de paredes espessadas e trabeculadas. Assinale a opção que indica a conduta mais adequada neste momento.
O quadro reúne vários critérios de ITU atípica (germe não-E. coli, ausência de resposta após 48-72 h de antibiótico adequado, globo vesical palpável, jato urinário fraco e creatinina elevada) em lactente masculino com hidronefrose bilateral, ureterectasia e bexiga trabeculada — o padrão clássico de válvula de uretra posterior. Correta: a uretrocistografia miccional é o exame diagnóstico da válvula (visualiza a uretra posterior dilatada, o colo vesical hipertrofiado e eventual refluxo) e deve ser feita precocemente, com drenagem vesical por sonda para descomprimir o trato urinário e antibiótico parenteral mantido. Errada: o DMSA avalia cicatriz/função diferencial, não a causa da obstrução, e não é o passo inicial na vigência de infecção ativa. Errada: a cintilografia diurética é útil na suspeita de obstrução em junção ureteropélvica/ureterovesical isolada, mas aqui a bexiga trabeculada e o jato fraco apontam para obstrução infravesical, que a UCM demonstra. Errada: a bexiga neurogênica é diagnóstico diferencial, porém não há sinais neurológicos ou de disrafismo, e a urodinâmica não seria o primeiro exame — a válvula deve ser excluída antes.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, é atendido na emergência com febre de 39,2 °C há 2 dias, irritabilidade e recusa alimentar. Exame físico completo, incluindo otoscopia e ausculta, não identifica foco infeccioso; a criança está corada, hidratada e sem sinais meníngeos. Foi colhida urina por saco coletor, após higiene local, com o dispositivo mantido por cerca de 50 minutos: leucocitúria de 60 leucócitos/campo, nitrito negativo. A urocultura dessa amostra revelou crescimento de 100.000 UFC/mL de Escherichia coli. Assinale a conduta adequada neste momento.
Em lactente que não controla a micção, a urina colhida por saco coletor tem taxa de falso-positivo muito elevada (contaminação perineal), prestando-se apenas a triagem: um resultado negativo afasta infecção urinária, mas um positivo nunca a confirma. Diante de febre sem foco com triagem alterada, o correto é repetir a coleta por método confiável — cateterismo vesical ou punção suprapúbica — antes de iniciar o antibiótico, que negativaria a cultura e comprometeria o diagnóstico definitivo, com repercussão sobre toda a investigação de malformações. Tratar com base no saco coletor expõe a criança a antibiótico e propedêutica desnecessários. Três dias de tratamento é insuficiente para infecção febril (7 a 14 dias). Rotular como contaminação e apenas observar é inaceitável em lactente febril sem foco.
Lactente de 8 meses, do sexo feminino, teve o primeiro episódio de infecção do trato urinário febril, com urocultura colhida por cateterismo vesical evidenciando 80.000 UFC/mL de Escherichia coli sensível a cefalosporinas. Recebeu antibioticoterapia adequada por 10 dias, com boa resposta clínica, e retorna assintomática, com bom ganho ponderal e função renal normal. A mãe pergunta se é necessário investigar o trato urinário. Assinale o exame de imagem indicado como primeira etapa da investigação.
Após a primeira infecção urinária febril em lactente, a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame inicial: não invasivo, sem radiação, disponível na rede pública, avalia tamanho e parênquima renais, dilatação pielocalicial, duplicidades e alterações vesicais, e orienta a necessidade dos exames seguintes. A uretrocistografia miccional é reservada a situações selecionadas — ultrassonografia alterada, infecções febris recorrentes, agente atípico ou evolução desfavorável —, pois é invasiva, irradia e requer cateterização. A cintilografia com DMSA na fase aguda documenta pielonefrite, mas não é necessária quando o diagnóstico clínico já está estabelecido; sua utilidade maior é tardia, para cicatrizes. A tomografia com contraste expõe a radiação elevada sem ganho diagnóstico nesse cenário.
Menina de 18 meses apresenta o segundo episódio de infecção urinária febril em 5 meses, ambos com urocultura colhida por cateterismo e crescimento de Escherichia coli, tratados adequadamente. Está assintomática, com curva de crescimento adequada, pressão arterial normal e creatinina de 0,4 mg/dL. A ultrassonografia realizada agora, fora do quadro agudo, mostra dilatação pielocalicial bilateral moderada, ureteres dilatados até a junção vesicoureteral e espessamento da parede vesical. Assinale o próximo passo da investigação.
Há duas indicações formais e independentes de uretrocistografia miccional: infecções urinárias febris recorrentes e ultrassonografia alterada. O achado de hidroureteronefrose bilateral com espessamento vesical sugere refluxo vesicoureteral de alto grau ou obstrução infravesical (como válvula de uretra posterior, mais rara em meninas), e a uretrocistografia é o único exame que gradua o refluxo e estuda a uretra durante a micção, definindo profilaxia e eventual correção cirúrgica. Repetir a ultrassonografia em 6 meses posterga a definição diagnóstica diante de trato urinário já claramente anômalo. Iniciar profilaxia sem investigar não esclarece a malformação subjacente. O DMSA identifica cicatrizes, mas não substitui a uretrocistografia na definição da anomalia anatômica que motiva as recorrências.
Menina de 7 anos, assintomática, realizou exame de urina e urocultura solicitados em consulta de rotina. Resultado: 150.000 UFC/mL de Escherichia coli, sedimento sem piúria. Nega disúria, polaciúria, febre ou dor lombar; exame físico normal. A conduta adequada é:
Bacteriúria assintomática — mais de 100.000 UFC/mL em criança rigorosamente sem sintomas — NÃO se trata: sem inflamação do uroepitélio não há doença, e antibiótico apenas seleciona resistência (SBP 2021; SUS-BH 2020, que manda solicitar cultura SOMENTE na presença de sinais e sintomas). O erro de origem foi colher o exame em assintomática. (a) trata um número, não uma doença. (b) confirmar o quê? Sem sintoma, não há o que confirmar — a criança já controla esfíncter e o achado não muda conduta. (d) profilaxia tem indicações precisas (refluxo IV-V, recorrência frequente, hidronefrose congênita) — não esta. (e) investigação por imagem é para ITU confirmada, e aqui não há ITU.
Lactente de 6 semanas de vida, em aleitamento materno, apresenta febre de 38,9 °C e recusa alimentar. Urina colhida por cateterismo: sedimento com piúria; cultura em andamento. Está com perfusão adequada, sem sinais de choque. A conduta correta é:
Menor de 2 meses com ITU febril interna e recebe antibiótico parenteral — critério comum à SBP e ao protocolo SUS-BH (que encaminha à urgência todo menor de 2 meses com suspeita), pela imaturidade, pelo risco de bacteremia e pela farmacocinética incerta da via oral nessa idade. (a) e (e) valem para lactentes MAIORES bem e tolerando via oral (o regime parenteral ambulatorial é descrito para 2 meses ou mais, selecionados). (c) atrasa tratamento — inicia-se logo após a coleta, e atraso aumenta cicatriz. (d) soma dois erros: nitrofurantoína não trata ITU febril e é inadequada no menor de 2 meses.
Lactente de 14 meses, sexo feminino, tratou a primeira ITU febril da vida (E. coli sensível, cultura por cateterismo) com cefuroxima oral, ficando afebril em 48 horas e completando 10 dias. Está assintomática. Quanto à investigação por imagem, a conduta adequada é:
Primeira ITU febril em menor de 2 anos = ultrassom eletivo para TODOS, após a fase aguda (SBP, diretriz americana, italiana e protocolo SUS-BH); a uretrocistografia ficou condicionada a ultrassom anormal, segunda ITU febril ou critérios de gravidade (germe não-E. coli com febre alta, baixo crescimento, hipertensão). (a) é a régua britânica para maiores de 6 meses com boa evolução — não a brasileira. (b) era a conduta antiga; UCM de rotina expõe a sondagem e radiação sem benefício. (d) descreve a estratégia top-down, a de maior custo e radiação, não adotada como rotina aqui. (e) atrasa a detecção de malformação que o ultrassom já rastrearia agora.
Menino de 20 meses interna com a segunda ITU febril em 5 meses, agora por Proteus mirabilis. A mãe refere que o filho urina em jato fraco, gotejante, 'desde bebê', com esforço miccional visível. Ultrassom com hidronefrose bilateral e bexiga de paredes espessadas e trabeculadas. Qual exame estabelece o diagnóstico da causa provável do quadro?
Jato fraco contínuo desde o nascimento + hidronefrose bilateral + bexiga de luta em MENINO é válvula de uretra posterior até prova em contrário — e a uretrocistografia miccional é o único exame do arsenal que visualiza a uretra durante a micção, confirmando a válvula, além de graduar refluxo associado. O caso cruza o funil de UCM por múltiplas portas: segunda ITU febril, ultrassom anormal e germe não-E. coli. (a) mostraria acometimento parenquimatoso, não a causa obstrutiva. (b) investiga disfunção funcional, não obstrução anatômica infravesical, e não é o primeiro passo. (c) detalha anatomia alta mas não substitui o estudo miccional da uretra. (e) repetiria o que já se sabe.
Lactente de 11 meses, sexo feminino, é levada à UBS com febre de 39 °C há 36 horas, sem tosse, coriza, diarreia ou alteração ao exame físico. Colhida urina por saco coletor após higiene rigorosa e troca do dispositivo aos 30 minutos: fita com esterase leucocitária e nitrito negativos, sedimento com 2 leucócitos por campo; urocultura da mesma amostra em andamento. A criança está em bom estado geral, hidratada. Qual a conduta mais adequada?
A combinação de esterase e nitrito negativos e ausência de piúria reduz a probabilidade de ITU nesta lactente estável. Não há indicação automática de antibiótico ou internação, mas o resultado não exclui infecção de forma absoluta. Persistência da febre, piora ou discordância clínica justificam reavaliação e nova amostra apropriada. Cultura positiva de saco coletor tem alto risco de contaminação e não deve, isoladamente, estabelecer o diagnóstico. Ultrassonografia não substitui a investigação microbiológica. Referência: Royal Children’s Hospital, Urinary tract infection.
Recém-nascido de 25 dias, febril e hipoativo, é internado para investigação de sepse. Colhida urina por punção suprapúbica: urocultura com 800 UFC/mL de Escherichia coli; sedimento com 15 leucócitos por campo. Sobre o resultado, é correto afirmar que:
Na punção suprapúbica o trajeto é estéril: QUALQUER crescimento confirma ITU (SBP 2021 e SUS-BH 2020) — 800 UFC/mL de E. coli com piúria fecha o diagnóstico neste RN. (a) aplica à punção o corte do cateterismo da SBP (> 1.000). (b) transplanta o corte americano de 50.000, que vale para cateter/punção no recorte de 2-24 meses da diretriz de 2011 — e mesmo ela não mudaria a conduta neste RN séptico. (c) não faz sentido confirmar um método mais estéril com um menos estéril. (e) os 100.000 são o corte do jato médio, o método MENOS estéril — a escadinha existe porque cada método tem seu número.
Menina de 8 meses, 8,2 kg, com ITU febril confirmada por cateterismo vesical, em bom estado geral, aceitando líquidos e medicações por via oral, será tratada ambulatorialmente. Assinale a opção que reúne droga e duração INADEQUADAS para o caso:
Na ITU FEBRIL presume-se acometimento do parênquima renal, e a nitrofurantoína não atinge concentração tecidual suficiente — a SBP a contraindica (junto com o ácido nalidíxico) em qualquer ITU febril, reservando-a para cistite afebril e profilaxia. As demais são aceitáveis por 10 dias: cefuroxima e cefaclor são as opções orais do quadro da SBP; cefalexina encabeça a lista de preferência do protocolo SUS-BH; amoxicilina-clavulanato aparece na sequência da mesma rede. A via oral desde o início é legítima a partir dos 3 meses com boa tolerância — eficácia equivalente à venosa.
Sobre a quimioprofilaxia da infecção urinária na infância, considere as crianças abaixo. Em qual delas a profilaxia está claramente indicada pela régua dos documentos brasileiros (SBP 2021 e protocolo SUS-BH 2020)?
Refluxo grau IV-V é a indicação em que os documentos convergem — SBP e SUS-BH mantêm profilaxia (dose única noturna, 1/3 a 1/2 da terapêutica: nitrofurantoína 1-2 mg/kg ou SMX-TMP 2 mg TMP/kg), e mesmo a diretriz americana a restringia aos graus altos. (a) e (b) não têm indicação: episódio único com investigação limpa não recebe profilaxia. (c) bacteriúria assintomática não se trata nem se profilatiza — sequer deveria ter sido colhida cultura. (d) é REinfecção (< 2 semanas), explicitamente excluída da indicação pela SBP. A recorrência que indica profilaxia sem refluxo, no SUS-BH, é a frequente: 3 ITUs febris em 6 meses ou 4 no ano — ou hidronefrose congênita.
Sobre o tratamento do refluxo vesicoureteral no adulto, é correto afirmar que:
Não há conduta única: refluxos de baixo grau sem infecções repetidas podem ser acompanhados, enquanto pielonefrites de repetição com perda funcional progressiva justificam correção. Indicar cirurgia para todos engana e expõe pacientes a um procedimento evitável, assim como negar a cirurgia a quem tem lesão renal progressiva.
Sobre a nefropatia de refluxo, é correto afirmar que:
As cicatrizes renais são permanentes e reduzem a massa funcional, o que ativa mecanismos de hiperfiltração e explica hipertensão e proteinúria em adultos jovens com história de infecções urinárias na infância. Considerar o quadro reversível com antibiótico engana: o tratamento previne novas cicatrizes, mas não desfaz as existentes. O seguimento inclui controle pressórico e avaliação da função renal.
Mulher de 34 anos apresenta o quarto episódio de pielonefrite em 2 anos, sempre à direita. Ultrassonografia mostra hidronefrose direita leve com afilamento cortical. A investigação indicada para confirmar refluxo vesicoureteral é:
O exame que demonstra o refluxo é aquele que enche a bexiga com contraste e observa se ele sobe pelo ureter durante a micção, permitindo inclusive graduar o achado. A ultrassonografia engana por mostrar a consequência do refluxo, a dilatação, mas não flagra o mecanismo. A cintilografia com ácido dimercaptossuccínico complementa a avaliação ao demonstrar cicatrizes renais.
Sobre o refluxo vesicoureteral no adulto, é correto afirmar que:
Essa divisão é decisiva porque, no refluxo secundário, tratar a causa da alta pressão vesical costuma resolver ou reduzir o problema, e reimplantar o ureter sem corrigir a obstrução condena a cirurgia ao fracasso. Considerá-lo sempre primário engana e leva a operar o ureter quando o problema está na bexiga ou na uretra.
Menina de 6 anos, com controle esfincteriano, procura a unidade básica com disúria e polaciúria há dois dias, sem febre em nenhum momento, sem dor lombar e sem vômitos. Está em bom estado geral, hidratada, com Giordano negativo. Jato médio colhido após higiene: esterase leucocitária positiva e 20 leucócitos por campo; urocultura em andamento. É o primeiro episódio, o crescimento é adequado, a pressão arterial é normal e não há história familiar de doença renal. Qual é a conduta?
Infecção urinária sem febre, em criança que já controla esfíncter, é cistite: a infecção fica na bexiga, e o antimicrobiano de concentração urinária resolve. A nitrofurantoína 5 a 7 mg/kg/dia por 7 dias é a escolha do protocolo da rede para o maior de 2 anos, ao lado da cefalexina e do sulfametoxazol-trimetoprima — exatamente o avesso da infecção FEBRIL, em que essa mesma droga está vetada por não alcançar concentração no parênquima renal. A cefuroxima por 10 dias transporta a droga e a duração do quadro febril, e a ultrassonografia que a acompanha investiga malformação depois de infecção FEBRIL: aqui não há recorrência, história familiar, baixo crescimento nem hipertensão que a justifiquem. A ceftriaxona intramuscular é via parenteral, reservada a quem interna ou não tolera a via oral. Pedir imagem antes do antimicrobiano inverte a ordem e atrasa o tratamento. E deixar sem antimicrobiano confunde cistite sintomática com bacteriúria assintomática, que é a que não se trata.
Lactente de 15 meses completou 10 dias de cefuroxima por via oral para a primeira infecção urinária febril da vida, ficou afebril em 40 horas e está assintomática. A urocultura colhida por cateterismo isolou Escherichia coli sensível ao esquema usado, e a ultrassonografia de rins e vias urinárias, feita depois da fase aguda, veio normal. A mãe pergunta o que ainda falta fazer. Qual é a conduta?
Criança que melhorou e cujo germe era sensível ao esquema empírico não precisa de urocultura de controle — o exame não muda conduta e é pontuado como solicitação desnecessária. Colher a cultura para 'documentar a cura' é justamente esse gasto. A quimioprofilaxia tem indicações precisas: ultrassonografia alterada, refluxo de grau IV ou V, uropatia obstrutiva ou recorrência, e nenhuma delas está presente. A uretrocistografia miccional nunca é de rotina depois do primeiro episódio: ela é disparada por duas ou mais infecções febris, por ultrassonografia anormal, por febre de 39 °C ou mais com germe que não seja Escherichia coli, por baixo crescimento ou por hipertensão — e aqui a imagem já foi feita e veio normal. Prolongar para 14 dias mistura a régua brasileira, que trata a forma febril por 10 dias, com a faixa mais larga de outras diretrizes, sem qualquer razão clínica no caso.
Lactente de 13 meses interna com infecção urinária febril confirmada por cateterismo vesical e recebe cefuroxima por via oral desde a coleta da urocultura. Cinquenta e duas horas depois mantém febre de 39 °C, aceita mal a dieta e segue prostrada. A urocultura ainda não foi liberada. O abdome não tem massa palpável nem bexigoma, e a diurese está preservada. Qual é a conduta?
Ausência de melhora em 48 horas obriga duas coisas ao mesmo tempo: ampliar o espectro e procurar anormalidade. É a única situação em que a ultrassonografia sai da programação eletiva e vira exame da fase aguda, porque o que se procura é abscesso e obstrução — e a obstrução completa do rim infectado explica inclusive por que a urina da bexiga pode enganar. Manter o esquema e esperar mais 48 horas gasta a janela em que a cicatriz renal se forma. A nitrofurantoína está contraindicada em qualquer infecção urinária com febre, porque concentra na urina e não no tecido renal. A uretrocistografia miccional pertence ao funil de investigação de malformação, feito depois da fase aguda, e não responde à pergunta de agora. Repetir a coleta por punção antes de agir atrasa a mudança sem acrescentar informação: a amostra por cateterismo já foi colhida por método confiável, e é o antibiograma dela que orientará o descalonamento.
Gestante de 32 semanas com oligodrâmnio e feto com hidronefrose bilateral, bexiga aumentada e persistentemente distendida, com sinal do buraco de fechadura na uretra proximal. Qual a hipótese e a conduta?
Bexiga muito distendida com hidronefrose bilateral e dilatação da uretra proximal em feto masculino é o quadro da válvula de uretra posterior, causa obstrutiva de oligoâmnio que exige avaliação em centro de medicina fetal, discussão de derivação vesicoamniótica em casos selecionados e planejamento do cuidado neonatal urológico. A agenesia renal cursa com bexiga não visível e ausência de rins, sendo a hipótese que se afasta justamente pelo achado vesical. Chamar de idiopático um oligoâmnio com achado urológico definido é abandonar a investigação já concluída.
Criança de 3 anos com febre alta, dor lombar, vômitos e urocultura positiva para Escherichia coli, aceitando líquidos e sem sinais de toxemia. Qual conduta terapêutica é adequada?
Em criança acima dos primeiros meses de vida, sem toxemia e capaz de aceitar líquidos e a medicação, o tratamento oral tem eficácia equivalente ao venoso, inclusive na pielonefrite, com menor custo e sem os riscos da internação. A internação e a via venosa ficam reservadas aos lactentes muito pequenos, aos pacientes com vômitos incoercíveis, desidratação, toxemia ou imunodeficiência. Cursos de três dias são de cistite, não de pielonefrite.
Lactente de 6 meses após primeiro episódio de infecção urinária febril, com boa resposta ao tratamento. Qual exame de imagem está indicado?
A ultrassonografia é o exame inicial por ser inócua e capaz de detectar dilatação, duplicidade, alteração do parênquima e outras malformações que mudariam a conduta. A uretrocistografia, que é invasiva e irradia, ficou reservada às situações de ultrassonografia alterada, evolução atípica ou infecções recorrentes, e indicá-la para todo primeiro episódio é a prática antiga que foi abandonada. A cintilografia com DMSA avalia cicatriz e é feita meses depois.
Sobre o tratamento da infecção urinária febril no lactente, assinale a afirmativa correta.
O tratamento oral tem eficácia comparável ao endovenoso em lactentes selecionados que aceitam medicação e estão bem, com duração habitual de 7 a 14 dias — a via endovenosa fica para os muito jovens, toxemiados, com vômitos ou incapazes de receber a medicação. Aguardar a urocultura para iniciar é o erro que atrasa o tratamento em 48 horas, período em que o risco de cicatriz renal e de disseminação aumenta.
Lactente de 3 meses com infecção urinária febril confirmada. Qual investigação de imagem é indicada inicialmente?
A ultrassonografia é o exame inicial, por ser não invasivo e capaz de detectar alterações estruturais, hidronefrose e abscesso. A uretrocistografia miccional deixou de ser indicada para todos e se reserva a casos com ultrassonografia alterada, infecções recorrentes ou apresentação atípica — indicá-la de rotina é o excesso que expõe o lactente a radiação, cateterismo e desconforto sem alterar desfecho na maioria dos casos.
Lactente de 5 meses com febre de 39 graus há 3 dias, irritabilidade, vômitos e recusa alimentar, sem sinais localizatórios ao exame. Qual diagnóstico deve ser obrigatoriamente investigado?
No lactente febril sem foco identificável, a infecção urinária é a causa bacteriana mais frequente e a que mais passa despercebida, porque não produz disúria e polaciúria reconhecíveis nessa idade, manifestando-se apenas como febre, irritabilidade, vômitos e recusa alimentar. Deixar de colher urina nesse contexto é o erro clássico, e a consequência não é apenas o atraso: pielonefrites de repetição não diagnosticadas produzem cicatriz renal.
Sobre a principal complicação tardia da pielonefrite aguda na infância, é correto afirmar que:
A inflamação do parênquima pode deixar áreas de fibrose que reduzem a massa renal funcionante, e quando extensas ou bilaterais essas cicatrizes se traduzem, anos depois, em hipertensão arterial, proteinúria e perda progressiva de função. É esse desfecho, e não o episódio agudo em si, que justifica a insistência no diagnóstico precoce da infecção urinária do lactente febril e na investigação de anormalidades do trato urinário.
Sobre o exame de urina tipo I na suspeita de infecção urinária na criança, qual afirmação é correta?
O nitrito depende de bactérias que reduzem nitrato e de tempo suficiente de permanência da urina na bexiga, condições pouco frequentes no lactente, que esvazia a bexiga com frequência; por isso ele é muito específico quando positivo, mas falha em muitos casos verdadeiros. Já a leucocitúria pode aparecer em febre de outras causas e em outras inflamações, de modo que nenhum dos dois substitui a urocultura, que segue sendo a confirmação.
Sobre o agente etiológico das infecções urinárias na infância, qual é o mais frequente?
A Escherichia coli responde pela grande maioria das infecções urinárias comunitárias em todas as faixas etárias pediátricas, graças a fatores de virulência como as fímbrias que aderem ao urotélio, e é por isso que a escolha empírica se orienta pelo perfil de sensibilidade local desse agente. Proteus tem associação particular com meninos e com cálculos de estruvita, e Pseudomonas e Candida aparecem sobretudo em uropatias, sondagem prolongada ou imunossupressão.
Criança de 4 anos com refluxo vesicoureteral e infecções recorrentes apresenta pressão arterial acima do percentil 95 em três aferições. Qual é a conduta?
Hipertensão em criança pequena com cicatrizes renais aponta para nefropatia de refluxo, e a estratégia combina confirmação diagnóstica, avaliação do dano renal e uso de inibidor da enzima conversora ou bloqueador do receptor de angiotensina, que controla a pressão e reduz a proteinúria. Considerar a hipertensão transitória engana quem generaliza a variabilidade das medidas na infância, mas nesse contexto ela é justamente o marcador do dano renal instalado.
Qual é o agente etiológico mais frequente da infecção do trato urinário na infância?
A Escherichia coli responde pela grande maioria das infecções urinárias em crianças, o que orienta a escolha empírica de antibióticos conforme o perfil local de resistência. O Proteus mirabilis engana por ter importância clínica específica — é mais frequente em meninos e associa-se a cálculos de estruvita por produzir urease —, mas continua sendo minoria. O Staphylococcus saprophyticus é típico de adolescentes do sexo feminino sexualmente ativas, cenário diferente do lactente febril.
Qual é o mecanismo fisiopatológico do refluxo vesicoureteral primário?
O ureter normalmente atravessa a parede da bexiga em um túnel submucoso longo o suficiente para que a pressão vesical o comprima durante a micção; quando esse trajeto é curto, o mecanismo antirrefluxo falha e a urina sobe. Com o crescimento da bexiga, o túnel se alonga, o que explica a resolução espontânea de muitos casos. A obstrução da junção ureteropélvica engana por também causar dilatação à ultrassonografia, mas o problema ali é de saída, e não de refluxo.
Menina de 2 anos teve dois episódios de pielonefrite em 6 meses. A ultrassonografia mostra dilatação pielocalicial bilateral. Qual exame é indicado para investigar refluxo vesicoureteral?
A uretrocistografia miccional é o exame que demonstra e gradua o refluxo, além de avaliar a uretra — informação essencial em meninos, pela possibilidade de válvula de uretra posterior. A cintilografia com DMSA engana porque é o exame que melhor identifica CICATRIZ renal e pielonefrite aguda, informação complementar e prognóstica, mas não detecta o refluxo em si. A urografia excretora foi substituída e a ressonância não é o método de escolha para essa pergunta.
Lactente do sexo masculino de 2 meses apresenta jato urinário fraco e gotejante, bexiga palpável, ultrassonografia com bexiga de paredes espessadas, hidronefrose bilateral e ureteres dilatados. Qual é a hipótese?
Jato urinário fraco em menino lactente, com bexiga de esforço e dilatação de todo o trato urinário acima dela, é válvula de uretra posterior até prova em contrário — obstrução que exige alívio urgente e cuja demora custa função renal. O refluxo primário engana por também causar dilatação e ser diagnosticado pela mesma uretrocistografia, mas não explica a bexiga espessada de luta nem o jato fraco, que denunciam obstrução infravesical.
Qual é o principal problema do uso indiscriminado de antibióticos em episódios suspeitos de infecção urinária na infância?
Iniciar antibiótico sem colher urocultura elimina a chance de confirmar o diagnóstico e de conhecer o agente, além de selecionar cepas resistentes que comprometerão tratamentos futuros — e uma criança rotulada indevidamente com infecção urinária pode ser submetida a exames de imagem e profilaxias desnecessárias por anos. As demais consequências listadas não guardam relação causal com o uso de antibiótico.
Menina de 7 anos apresenta disúria, polaciúria e urgência miccional, afebril, sem dor lombar, com bom estado geral. Urina com esterase leucocitária positiva. Qual é o tratamento adequado?
A cistite em criança maior, sem febre nem sinais sistêmicos, é infecção baixa e responde a cursos curtos por via oral, com ajuste conforme a urocultura. Prescrever esquema prolongado engana quem aplica o tempo de tratamento da PIELONEFRITE, mais longo justamente porque o parênquima renal está envolvido e há risco de cicatriz — distinguir infecção alta de baixa é o que define a duração da terapia.
Que orientação de higiene e hábito deve ser dada para reduzir recorrência de infecção urinária em meninas em idade escolar?
As medidas eficazes são simples: limpeza no sentido correto para evitar a contaminação da uretra por flora intestinal, esvaziamento vesical regular, boa hidratação e intestino funcionante. A restrição hídrica engana quem imagina que menos urina significaria menos oportunidade de infecção, mas o efeito é o inverso: o fluxo urinário é justamente um mecanismo natural de lavagem da bexiga. Duchas vaginais e roupas sintéticas justas favorecem alterações da flora e irritação local.
Recém-nascido de 20 dias apresenta febre, icterícia prolongada, recusa alimentar e ganho de peso insuficiente. Qual investigação é obrigatória?
A infecção urinária no neonato pode manifestar-se por icterícia prolongada, dificuldade alimentar e ganho ponderal insuficiente, com poucos sinais localizatórios, o que torna a urocultura por método estéril parte obrigatória da investigação. Restringir a avaliação ao metabolismo da bilirrubina engana quem persegue apenas a icterícia, e é justamente o raciocínio que faz o diagnóstico escapar até que a criança apresente sepse ou dano renal.
Que sinal em criança com nefropatia de refluxo indica progressão para doença renal crônica?
A proteinúria reflete hiperfiltração dos néfrons remanescentes e, associada à hipertensão e à queda da filtração glomerular, sinaliza progressão — cenário que indica bloqueio do sistema renina-angiotensina e acompanhamento nefrológico. A bacteriúria assintomática engana por preocupar famílias e profissionais, mas não indica dano em curso nem justifica tratamento em criança sem malformação, e reagir a ela apenas seleciona resistência bacteriana.
Que fator NÃO contribui para a recorrência de infecções urinárias em crianças?
Boa hidratação com esvaziamento vesical regular é fator PROTETOR, pois o fluxo urinário arrasta bactérias e reduz o tempo de contato com a mucosa vesical. Constipação, retenção voluntária, refluxo de alto grau e higiene inadequada enganam quem procura o fator isolado mais relevante, mas todos favorecem estase ou aumentam a colonização — reconhecê-los é o que permite intervir sobre as causas modificáveis, que respondem pela maioria das recorrências em crianças com trato urinário normal.
Qual é o momento adequado para realizar a cintilografia com DMSA em busca de cicatriz renal após um episódio de pielonefrite?
Na fase aguda, a inflamação do parênquima produz falhas de captação que podem desaparecer com a resolução do processo; esperar alguns meses distingue lesão transitória de cicatriz definitiva, evitando rotular a criança com dano renal permanente. Realizar o exame na fase aguda engana quem quer informação imediata — o DMSA agudo confirma o acometimento do parênquima, mas não serve para avaliar sequela, que é a pergunta prognóstica relevante.
Menina de 3 anos com refluxo vesicoureteral grau II bilateral, sem cicatrizes renais e sem infecções recorrentes. Qual é a conduta atual mais aceita?
Refluxo de baixo grau em criança sem cicatriz tem alta taxa de resolução espontânea com o crescimento, o que sustenta a abordagem conservadora, com ênfase no tratamento da constipação e da disfunção miccional, que são fatores de perpetuação. Indicar cirurgia de imediato engana quem trata o refluxo como defeito anatômico que precisa ser corrigido sempre, quando na verdade a intervenção se reserva a graus altos, falha do tratamento clínico e infecções de repetição com dano renal.
Menino de 3 anos teve três episódios de pielonefrite. O DMSA mostra cicatrizes em polo superior do rim esquerdo com função relativa de 34%. Qual é o cuidado de seguimento a longo prazo?
A cicatriz renal reduz a massa funcionante e pode evoluir silenciosamente para hipertensão, proteinúria e perda de função ao longo de anos, de modo que o seguimento se baseia em medidas simples e repetidas — pressão arterial, urina e creatinina — mesmo sem novos episódios infecciosos. Dar alta após um ano sem infecção engana quem toma a ausência de sintomas como cura, mas o dano renal já instalado evolui independentemente de novas infecções.
Qual é a principal orientação a ser dada aos pais de criança com refluxo vesicoureteral e história de pielonefrites de repetição?
O tempo entre o início da febre e o início do antibiótico é um dos principais determinantes de cicatriz renal, de modo que a orientação central é procurar avaliação rapidamente, com coleta de urocultura antes do tratamento. Iniciar antibiótico por conta própria engana quem quer ganhar tempo, mas inviabiliza a cultura e mascara o diagnóstico, deixando a criança sem a informação que orientaria o tratamento dirigido e a investigação subsequente.
Quais achados sugerem que a infecção urinária de um lactente febril é ALTA (pielonefrite), e não cistite?
O acometimento do parênquima renal se traduz por febre alta, repercussão sistêmica e elevação de marcadores inflamatórios — distinção que importa porque a pielonefrite pode deixar cicatriz renal e exige tratamento mais longo e investigação de imagem. Disúria e polaciúria enganam por serem os sintomas urinários mais reconhecíveis, mas caracterizam infecção BAIXA e, além disso, nem sequer podem ser relatados por um lactente, cuja apresentação é inespecífica.
Qual é o exame de imagem indicado APÓS o primeiro episódio de infecção urinária febril em lactente?
A ultrassonografia é o primeiro exame por ser inócua e capaz de detectar dilatação, duplicidade, alterações do parênquima e cálculos, orientando quais crianças precisarão de investigação adicional. A uretrocistografia miccional engana por ser o exame que efetivamente diagnostica refluxo vesicoureteral, mas é invasiva, irradia e expõe a criança a sondagem, sendo hoje indicada de forma seletiva — ultrassonografia alterada, infecções recorrentes ou agentes atípicos.
Qual afirmação sobre o uso de exames laboratoriais na diferenciação entre pielonefrite e cistite está correta?
Marcadores inflamatórios ajudam a estratificar risco e a orientar a necessidade de imagem, mas a distinção parte do quadro clínico — febre alta e toxemia apontam para o rim. Usar o número de colônias para localizar a infecção engana quem procura no laboratório uma resposta que ele não fornece: a contagem indica se há infecção, não onde ela está. Hemograma normal não exclui acometimento renal, sobretudo em lactentes.
Qual exame é o padrão para identificar cicatrizes renais decorrentes de pielonefrites de repetição?
O DMSA se fixa no túbulo proximal funcionante, de modo que áreas cicatriciais aparecem como falhas de captação, permitindo quantificar a função relativa de cada rim — é o exame que responde à pergunta prognóstica. A ultrassonografia engana por ser o primeiro exame de imagem e por eventualmente sugerir redução de parênquima, mas tem baixa sensibilidade para cicatrizes pequenas. A cintilografia dinâmica avalia drenagem e obstrução, outra questão clínica.
Qual conjunto de fatores mais aumenta o risco de cicatriz renal em criança com infecção urinária?
O rim jovem é mais suscetível, e cada hora de infecção não tratada, cada novo episódio febril e o refluxo de alto grau somam-se para produzir fibrose — motivo pelo qual a orientação central às famílias é procurar atendimento rapidamente diante de febre. O nitrito positivo engana por ser marcador diagnóstico de infecção, mas não tem qualquer valor prognóstico quanto a dano renal, e confundir diagnóstico com prognóstico é o erro conceitual da questão.
Menina de 6 anos com refluxo vesicoureteral grau IV bilateral, cicatrizes renais no DMSA e infecções febris de repetição apesar de profilaxia adequada e tratamento da disfunção vesical. Qual é a conduta?
Refluxo de alto grau com cicatrizes e infecções recorrentes apesar do tratamento clínico otimizado é justamente a indicação de intervenção, seja por reimplante ureteral, seja por tratamento endoscópico com material injetável, sem dispensar o seguimento da função renal e da pressão. Confiar na resolução espontânea engana quem memoriza que o refluxo tende a melhorar com o crescimento — verdade para graus baixos, mas improvável nos graus IV e V com dano já instalado.
Qual achado no exame de urina tipo 1 tem maior valor preditivo para infecção urinária, embora não substitua a urocultura?
A combinação de esterase leucocitária, que indica piúria, com nitrito, produzido pela redução bacteriana do nitrato, tem alta especificidade e sustenta o início do tratamento empírico enquanto a cultura é processada. O nitrito isolado engana por ser muito específico mas pouco sensível em lactentes, porque a urina precisa permanecer horas na bexiga para que a conversão ocorra, e o esvaziamento frequente do bebê produz falso-negativo. Proteinúria e cristais não têm valor diagnóstico aqui.
Menina de 5 anos com infecções urinárias febris de repetição apresenta ultrassonografia com duplicidade pielocalicial à direita e ureterocele. Qual é a implicação?
Duplicidade com ureterocele altera a drenagem urinária e favorece estase e refluxo, sendo causa estrutural de infecções recorrentes que demanda avaliação urológica para decidir entre conduta conservadora, tratamento endoscópico ou cirurgia. Considerar o achado incidental engana quem sabe que a duplicidade simples costuma ser assintomática — mas a presença de ureterocele e de infecções de repetição transforma a variação anatômica em problema clínico.
Lactente de 3 meses com pielonefrite confirmada, aceitando mal a via oral, com vômitos e prostração. Qual é a conduta terapêutica?
Lactentes pequenos, toxemiados ou que não toleram a via oral têm indicação de internação e antibioticoterapia parenteral inicial, com descalonamento para a via oral quando afebris e aceitando dieta, completando 7 a 14 dias no total. Aguardar a urocultura engana quem quer terapia dirigida, mas o resultado leva dias e a demora aumenta o risco de cicatriz renal e de sepse — colhe-se a cultura e inicia-se o tratamento empírico imediatamente.
Qual afirmação sobre a profilaxia antibiótica contínua em crianças com refluxo vesicoureteral está correta segundo a evidência atual?
Os grandes ensaios mostraram redução modesta de recorrências, sobretudo em graus mais altos e em crianças com disfunção vesical e intestinal, sem impacto claro na prevenção de novas cicatrizes e com aumento de resistência bacteriana — daí a decisão passar a ser individualizada. Indicar profilaxia universal engana quem segue recomendações antigas, que a prescreviam a todos, prática abandonada justamente pela reavaliação das evidências.
Lactente de 6 meses tratado para pielonefrite mantém febre após 72 horas de antibiótico adequado, com melhora clínica ausente. Qual é a conduta?
A persistência da febre além de 48 a 72 horas sugere complicação anatômica ou agente resistente, e a reavaliação por imagem somada à revisão do antibiograma é o que redireciona a conduta — abscesso e obstrução podem exigir drenagem ou desobstrução. Simplesmente aguardar engana quem confia na evolução natural do tratamento, mas nesse cenário o tempo perdido se converte em dano renal e em risco de sepse.
Menina de 8 anos, assintomática, realiza exames de rotina por solicitação da escola e apresenta urocultura com 120.000 unidades formadoras de colônia de Escherichia coli, sem piúria e sem sintomas. Qual é a conduta?
A bacteriúria assintomática representa colonização e, em crianças sem anormalidades do trato urinário, não causa dano nem justifica tratamento — antibióticos apenas selecionam cepas mais resistentes e podem substituir uma bactéria pouco virulenta por outra agressiva. Tratar engana quem reage ao resultado laboratorial isolado, e é o erro que mais gera uso desnecessário de antibiótico nessa população. As exceções são a gestante e o paciente que fará procedimento urológico invasivo.
Menina de 8 meses com febre há 4 dias sem sinais localizatórios. Exame de urina com nitrito positivo e leucocitúria, urocultura colhida por cateterismo com crescimento de Escherichia coli. Qual a conduta?
Lactente febril com exame de urina alterado e urocultura positiva colhida por método confiável tem infecção urinária febril e deve receber antibiótico guiado pela sensibilidade, com ultrassonografia de rins e vias urinárias para avaliar anomalias estruturais. Chamar de bacteriúria assintomática ignora a febre. Dispensar imagem perde malformações tratáveis. Uretrocistografia não precede o tratamento e é indicada conforme achados. Cintilografia na fase aguda não altera a conduta terapêutica imediata.
Qual agente é o mais frequente na infecção urinária do lactente e qual conduta de imagem é recomendada após o primeiro episódio febril?
A Escherichia coli responde pela grande maioria das infecções urinárias na infância, e a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame de imagem recomendado após o primeiro episódio febril, avaliando anomalias obstrutivas e dilatações. A uretrocistografia miccional é reservada a ultrassonografia alterada, infecções recorrentes ou agentes atípicos, e não é universal. Cintilografia com DMSA avalia cicatriz renal e é feita de forma diferida. Tomografia e urografia excretora não fazem parte da propedêutica inicial.
Qual é o papel do tratamento da disfunção vesical e intestinal em crianças com refluxo vesicoureteral?
O reto cheio e a micção com contração do assoalho pélvico elevam a pressão intravesical e o resíduo pós-miccional, criando o ambiente perfeito para infecção e para a persistência do refluxo — tratar constipação e reeducar a micção melhora as taxas de resolução espontânea e reduz recidivas. Considerar o refluxo um problema puramente anatômico engana quem só olha a imagem, e é a razão pela qual muitos casos permanecem sintomáticos apesar de graus baixos.
Qual complicação a longo prazo justifica o diagnóstico e o tratamento precoces da pielonefrite na infância?
A inflamação do parênquima pode deixar áreas de fibrose, e a soma de cicatrizes, especialmente com episódios repetidos e refluxo associado, reduz a massa renal funcionante, resultando em hipertensão e perda progressiva de função — desfecho que se manifesta anos depois, muitas vezes na vida adulta. As demais complicações listadas não decorrem da pielonefrite e desviam o foco do desfecho que realmente justifica a agressividade diagnóstica na infância.
Qual antibiótico é habitualmente utilizado na profilaxia contínua da infecção urinária em crianças, quando indicada?
A profilaxia usa doses baixas, em tomada única, com drogas de boa concentração urinária e baixo impacto sobre a flora intestinal, sendo a nitrofurantoína evitada em lactentes muito jovens e o sulfametoxazol-trimetoprima contraindicado abaixo de dois meses. Escolher amoxicilina em dose plena engana quem pensa apenas na cobertura do agente, mas dose terapêutica contínua seleciona resistência rapidamente e não é o conceito de profilaxia.
Menina de 10 anos com infecções urinárias de repetição realiza exames e apresenta ultrassonografia normal, uretrocistografia sem refluxo, função renal normal e cinco episódios de cistite em um ano, sem febre. Qual é a conduta mais adequada?
Com anatomia normal, função preservada e episódios afebris, o problema é funcional, e a abordagem é comportamental, com atenção à constipação e ao esvaziamento vesical, considerando profilaxia conforme a frequência e o impacto. Repetir exames invasivos que já vieram normais engana quem sente necessidade de encontrar uma causa estrutural, mas apenas expõe a criança a radiação e sondagem sem alterar a conduta.
Como se classifica um refluxo vesicoureteral que atinge a pelve renal com dilatação moderada de ureter e pelve, com abaulamento discreto dos fórnices, mas com papilas ainda preservadas?
Na graduação internacional, o grau I atinge apenas o ureter, o II alcança pelve e cálices sem dilatação, o III apresenta dilatação leve a moderada com fórnices discretamente abaulados, o IV tem dilatação moderada com perda dos ângulos agudos dos fórnices e o V mostra dilatação e tortuosidade acentuadas com perda da impressão papilar. Confundir o grau III com o IV é o erro mais frequente, e a distinção importa porque a chance de resolução espontânea cai bruscamente nos graus altos.
Menino de 4 meses, não circuncidado, teve pielonefrite. Qual afirmação sobre a relação entre sexo, circuncisão e infecção urinária está correta?
A colonização do prepúcio explica a maior incidência em meninos lactentes, sobretudo não circuncidados, invertendo-se o padrão após o primeiro ano, quando a uretra curta e o hábito intestinal passam a favorecer o sexo feminino. Afirmar predomínio feminino em todas as idades engana quem generaliza a epidemiologia da criança maior e do adulto. A circuncisão reduz o risco, mas não é indicada de rotina, e sim considerada em situações selecionadas.
Menina de 2 anos apresenta febre de 39 graus Celsius há 3 dias, irritabilidade e urina com odor forte. Não há sintomas respiratórios ou gastrointestinais. Ao exame, encontra-se hidratada, com dor à palpação de flanco esquerdo. Exame de urina com nitrito positivo, esterase leucocitária positiva e leucocitúria importante. Qual é a conduta?
A infecção urinária febril em lactente e pré-escolar deve ser tratada precocemente com antibiótico após a coleta de urocultura, com investigação por imagem posterior para identificar anomalias do trato urinário e reduzir o risco de cicatriz renal. Postergar o tratamento aumenta a lesão parenquimatosa. O antibiótico tópico vaginal não trata infecção do trato urinário. A cistouretrografia é exame de segunda etapa, indicado conforme achados de ultrassonografia ou recorrência, e não precede o tratamento.
Menina de 12 anos com quadro de febre há 6 dias e dor lombar à direita é atendida na Unidade de Pronto Atendimento. Ao exame, temperatura de 39 graus Celsius, sinal de Giordano positivo à direita, sem sinais de sepse. Exame de urina com leucocitúria e nitrito positivo. A adolescente aceita líquidos e está hidratada, sem vômitos. Qual é a conduta mais adequada?
A pielonefrite não complicada em paciente que tolera a via oral, hidratada e sem sinais de sepse pode ser tratada ambulatorialmente com antibiótico oral por período prolongado, após coleta de urocultura, com reavaliação programada. A internação obrigatória é desnecessária nesse perfil clínico. Adiar o antibiótico até o resultado da cultura aumenta o risco de complicação e cicatriz renal. O esquema curto de três dias é próprio da cistite, insuficiente para infecção do parênquima renal.
Lactente de 9 meses tem diagnóstico de infecção urinária febril confirmada por urocultura. Foi tratado adequadamente e está assintomático. A mãe pergunta se são necessários exames adicionais. Este é o primeiro episódio, e a criança tem desenvolvimento adequado, sem histórico familiar relevante. Qual é a conduta de seguimento?
Após o primeiro episódio de infecção urinária febril em lactente, a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame inicial recomendado por ser não invasivo e capaz de detectar anomalias estruturais relevantes. A cintilografia se reserva a situações específicas, como avaliação de cicatriz renal em momento apropriado. A urocultura mensal de rotina em criança assintomática não tem respaldo. Deixar de investigar o primeiro episódio febril nessa idade perde a oportunidade de identificar uropatia obstrutiva.
Criança de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por episódios repetidos de infecção urinária febril, sendo o terceiro em 8 meses. A ultrassonografia mostra dilatação pielocalicial bilateral. A criança está assintomática hoje, com bom estado geral. Qual é a conduta mais adequada?
Infecção urinária febril de repetição com dilatação do trato urinário exige investigação de refluxo vesicoureteral e avaliação especializada, além da discussão sobre profilaxia antimicrobiana para prevenir cicatriz renal. Limitar-se a orientações gerais desconsidera a alteração estrutural identificada. Antibiótico contínuo sem investigação não corrige a causa e amplia resistência. Urocultura mensal em criança assintomática não substitui a investigação anatômica e funcional.
Criança de 9 anos apresenta há 4 dias febre, dor abdominal e disúria, com urocultura positiva para Escherichia coli sensível a diversos antimicrobianos. A família tem dificuldade de retorno à unidade por morar em zona rural distante. A criança está estável, com boa aceitação oral. Qual é a decisão terapêutica mais alinhada ao contexto?
A equidade no cuidado exige adaptar a prescrição ao contexto, escolhendo esquema oral eficaz com pactuação de reavaliação e sinais de alerta, garantindo tratamento adequado apesar da distância. Internar apenas por dificuldade de acesso, sem critério clínico, ocupa leito e desorganiza a vida familiar. Exigir comparecimento diário para injeções é inviável no contexto descrito. Adiar o tratamento aumenta o risco de complicação renal.
Criança de 10 anos, com quadro de febre e dor lombar, tem diagnóstico de pielonefrite e recebe alta com antibiótico oral. Retorna após 72 horas mantendo febre alta e dor. A urocultura mostra Escherichia coli resistente ao antimicrobiano prescrito. Qual é a conduta?
Falha terapêutica com identificação de resistência exige ajuste do antimicrobiano conforme o antibiograma e avaliação por imagem para excluir abscesso ou obstrução. Manter o esquema ineficaz perpetua a infecção e o risco de cicatriz renal. Suspender o antibiótico em infecção ativa é conduta inadequada. O antifúngico não tem indicação diante de agente bacteriano identificado.
Criança de 2 anos apresenta febre e irritabilidade há 3 dias, com diagnóstico de infecção urinária. A mãe pergunta se a criança precisará usar antibiótico por muito tempo e se poderá ter problemas renais no futuro. O tratamento foi iniciado adequadamente e a criança está melhorando. Qual é a orientação correta?
A comunicação adequada esclarece a duração definida do tratamento e a finalidade do seguimento com imagem, que busca identificar anomalias associadas a maior risco de cicatriz renal. Afirmar antibiótico contínuo por toda a infância é incorreto e gera ansiedade desnecessária. Negar qualquer risco renal desestimula o seguimento indicado. Mencionar diálise preventiva é informação falsa e alarmista.
Lactente de 2 meses do sexo masculino é levado ao pronto-atendimento por febre, vômitos e ganho ponderal insuficiente. A mãe relata que, desde o nascimento, o jato urinário é fino e gotejante, com esforço miccional. Ao exame apresenta desidratação moderada, FC 168 bpm, massa palpável em hipogástrio compatível com bexiga distendida e rins palpáveis bilateralmente. A creatinina está em 1,8 mg/dL e a ultrassonografia mostra hidronefrose bilateral com bexiga de paredes espessadas e dilatação da uretra posterior. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Lactente do sexo masculino com jato urinário fino desde o nascimento, bexiga distendida, hidronefrose bilateral, parede vesical espessada e dilatação da uretra posterior tem válvula de uretra posterior, causa obstrutiva que exige drenagem vesical imediata, estabilização metabólica e ablação endoscópica. O refluxo vesicoureteral primário não causa obstrução infravesical nem dilatação da uretra posterior. A estenose de junção ureteropélvica é habitualmente unilateral e não altera a bexiga. A bexiga neurogênica pressupõe disrafismo espinhal ou lesão medular, sem os achados uretrais descritos.
Lactente de 5 meses do sexo feminino é internada em enfermaria pediátrica com febre de 39 °C há 2 dias, irritabilidade e recusa alimentar, sem sinais localizatórios ao exame. A urina colhida por sondagem vesical mostra leucocitúria, nitrito positivo e cultura com crescimento de Escherichia coli acima de cem mil unidades formadoras de colônias. Evolui com boa resposta ao antibiótico intravenoso, afebril em 48 horas. É o primeiro episódio documentado e a ultrassonografia de rins e vias urinárias evidencia dilatação pielocalicinal à esquerda. A conduta de investigação mais adequada é:
Infecção urinária febril em lactente com ultrassonografia alterada indica prosseguir a investigação com uretrocistografia miccional, exame que documenta o refluxo vesicoureteral e orienta profilaxia e seguimento, prevenindo cicatriz renal. Encerrar a investigação porque houve resposta clínica ignora que a lesão renal decorre das recorrências e da uropatia subjacente. Uroculturas seriadas sem imagem não identificam a anomalia anatômica. Indicar cirurgia sem definir a existência e o grau do refluxo é conduta sem base diagnóstica, já que muitos casos regridem espontaneamente.
Recém-nascido do sexo masculino apresenta, ao exame do berçário, jato urinário fraco e gotejante, com bexiga palpável. A ultrassonografia pré-natal do terceiro trimestre havia mostrado hidronefrose bilateral com bexiga de paredes espessadas e oligoâmnio. Ao exame: abdome com massa palpável em hipogástrio, sem outras malformações externas evidentes. Exames: creatinina elevada para a idade e ureia aumentada. A equipe discute a hipótese diagnóstica e a conduta inicial antes da transferência. Qual é o diagnóstico mais provável?
Hidronefrose bilateral com bexiga espessada e oligoâmnio na vida fetal, associada a jato urinário fraco, bexiga palpável e insuficiência renal em recém-nascido do sexo masculino, é o quadro típico da válvula de uretra posterior, que exige derivação urinária imediata e avaliação urológica urgente. O refluxo primário isolado não costuma causar bexiga espessada com obstrução do jato. A estenose de junção ureteropiélica provoca hidronefrose sem dilatação vesical nem alteração do jato. A bexiga neurogênica pressupõe alteração neurológica, como disrafismo, não descrita.
Menina de 10 meses é internada com pielonefrite aguda febril, primeira infecção urinária documentada, com urocultura positiva para Escherichia coli e boa resposta ao antibiótico. Nasceu a termo, sem antecedentes relevantes, com crescimento e desenvolvimento adequados. A ultrassonografia realizada durante a internação mostra discreta dilatação pielocalicinal à direita e rins de tamanho normal. A mãe pergunta se serão necessários outros exames. Qual é a conduta mais adequada quanto à investigação após esse episódio?
Após a primeira infecção urinária febril no lactente a ultrassonografia é o exame inicial, e a uretrocistografia miccional é considerada conforme alterações ecográficas, gravidade, recorrência ou evolução atípica, permitindo identificar refluxo vesicoureteral e uropatias obstrutivas. Dispensar qualquer investigação em lactente com pielonefrite pode deixar passar malformação com risco de cicatriz renal. Cintilografia na fase aguda para todos não é conduta padrão e não altera o manejo imediato. Profilaxia prolongada indiscriminada não é recomendada sem indicação definida.
Menina de 3 anos teve dois episódios de infecção urinária febril com uroculturas positivas em oito meses, tratados adequadamente. A ultrassonografia mostra dilatação pielocalicinal bilateral e a uretrocistografia miccional evidencia refluxo vesicoureteral bilateral de alto grau, com dilatação e tortuosidade ureteral. A criança apresenta desenvolvimento normal, sem disfunção miccional e sem constipação. A cintilografia renal mostra pequenas áreas de cicatriz no rim direito. Qual é a conduta mais adequada?
Refluxo vesicoureteral de alto grau com infecções febris recorrentes e cicatrizes renais tem indicação de profilaxia antibiótica contínua e seguimento em serviço especializado, com discussão de correção cirúrgica ou endoscópica diante de nova pielonefrite, progressão de cicatrizes ou ausência de resolução espontânea. Afirmar resolução espontânea universal é incorreto, sobretudo nos graus mais altos. Deixar sem profilaxia e sem seguimento expõe a criança a novas cicatrizes e a doença renal crônica. Nefrectomia é reservada a rim não funcionante, e não a cicatrizes localizadas com função preservada.
Lactente de 8 meses, do sexo feminino, teve o segundo episódio de infecção do trato urinário febril confirmada por urocultura, tratado com antibiótico adequado. Ela está bem no momento, sem febre, com bom ganho de peso e desenvolvimento normal. O primeiro episódio ocorreu aos 4 meses e a ultrassonografia realizada na ocasião mostrou discreta dilatação pielocalicial à esquerda. A pressão arterial é normal para a idade e o exame abdominal não mostra massas. A conduta de investigação correta é
Infecção urinária febril recorrente em lactente, sobretudo com alteração na ultrassonografia, indica investigação com uretrocistografia miccional para identificar refluxo vesicoureteral, cuja detecção orienta profilaxia e seguimento para prevenir cicatriz renal. Não investigar deixa de identificar uma condição com potencial de dano renal permanente. Urocultura de vigilância em criança assintomática não é recomendada e leva a tratamento de bacteriúria assintomática. Cirurgia sem diagnóstico é conduta inaceitável.
Recém-nascido do sexo masculino apresenta, na ultrassonografia pré-natal do terceiro trimestre, hidronefrose bilateral com bexiga distendida e paredes espessadas e oligoâmnio. Após o nascimento, evolui com jato urinário fraco e gotejante, além de massa palpável em hipogástrio. Ao exame, está eupneico, com bexiga palpável e distendida, e a creatinina sérica permanece elevada no terceiro dia de vida. Não há malformações externas evidentes e ele mantém diurese reduzida. A hipótese diagnóstica mais provável é
Hidronefrose bilateral com bexiga espessada e distendida, oligoâmnio, jato urinário fraco e disfunção renal em recém-nascido do sexo masculino é característica da válvula de uretra posterior, que exige descompressão urgente e avaliação urológica. O refluxo vesicoureteral isolado não causa obstrução com bexiga espessada e jato fraco. A estenose da junção ureteropélvica produz dilatação pielocalicial sem espessamento vesical e sem alteração do jato. A síndrome nefrótica congênita cursa com proteinúria maciça e edema, sem obstrução urinária.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-atendimento com febre de 39,2 °C há 24 horas, vômitos e irritabilidade. A urocultura colhida por cateterismo confirma crescimento de Escherichia coli acima de 100.000 unidades formadoras de colônia por mililitro. Ao exame, está hidratado, aceitando líquidos, com dor discreta em flanco esquerdo e sem sinais de sepse. A pressão arterial é normal, o enchimento capilar é de dois segundos e ele tem bom estado geral após antitérmico. A conduta terapêutica correta é
A pielonefrite em criança com bom estado geral, hidratada e capaz de aceitar líquidos pode ser tratada por via oral com antibiótico adequado, por período de 7 a 14 dias, com reavaliação precoce, reservando-se a via endovenosa a lactentes muito jovens, toxemiados ou intolerantes à via oral. Internar todos os casos gera custos e riscos sem benefício. Esquema de três dias é insuficiente para pielonefrite. Aguardar o antibiograma retarda o tratamento e aumenta o risco de cicatriz renal.
Menina de 4 anos, com refluxo vesicoureteral grau IV bilateral diagnosticado após pielonefrite, é acompanhada no ambulatório. Ela já teve três episódios de infecção urinária febril e a cintilografia renal mostra cicatrizes em ambos os rins. Ela está assintomática no momento, com pressão arterial normal para a idade e crescimento adequado. A família pergunta o que pode ser feito para evitar novas infecções e proteger os rins. A conduta correta inclui
No refluxo de alto grau com infecções febris recorrentes e cicatrizes renais, a estratégia combina antibioticoprofilaxia contínua, correção de disfunção vesical e intestinal e discussão de intervenção cirúrgica ou endoscópica, com o objetivo de preservar a função renal. Tratar apenas os episódios agudos em criança com cicatrizes progressivas expõe a dano renal permanente. Nefrectomia bilateral é conduta absurda em rins funcionantes. Apenas vigilância por imagem, sem medidas preventivas, não protege contra novas cicatrizes.
Menina de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com disúria, polaciúria e urgência miccional há dois dias, sem febre, sem dor lombar e sem vômitos. É o segundo episódio no ano. Ao exame, está em bom estado geral, afebril, com abdome indolor, sem dor à punho-percussão lombar e genitália externa sem sinéquias ou sinais inflamatórios. O exame de urina mostra leucocitúria, nitrito positivo e hematúria microscópica, e a urocultura foi colhida. A conduta correta é
A cistite em criança maior, sem febre e sem sinais de acometimento do trato urinário superior, é tratada com antibiótico oral por curso curto, associado à orientação sobre micções regulares, ingesta hídrica e controle da constipação, que previnem recorrências. Tratamento endovenoso prolongado é desproporcional em cistite afebril. Aguardar a cultura prolonga o desconforto sem benefício. A uretrocistografia é indicada em infecções febris recorrentes ou alterações na ultrassonografia, não em cistite afebril.
Menina de 4 anos é levada ao pronto-atendimento com febre alta, vômitos e dor lombar à direita há dois dias. Ela está prostrada, aceitando pouco líquido, com temperatura de 39,4 °C, frequência cardíaca de 156 bpm, enchimento capilar de três segundos e mucosas secas. Há dor intensa à punho-percussão lombar direita e o exame de urina mostra leucocitúria intensa, nitrito positivo e cilindros leucocitários. A criança apresentou um episódio de vômito imediatamente após tentativa de administração de antibiótico oral na sala de espera. A conduta correta é
Pielonefrite em criança com toxemia, desidratação e intolerância à via oral tem indicação de internação e antibioticoterapia endovenosa, com transição para via oral após melhora clínica, estratégia que reduz o risco de sepse e de cicatriz renal. Insistir na via oral e liberar para casa em criança que vomita e está desidratada leva a falha terapêutica. Aguardar a urocultura retarda o tratamento em quadro grave. Hidratação isolada, sem antibiótico, não trata a infecção do parênquima renal.
Menina de 3 anos é acompanhada na Unidade Básica de Saúde após ter apresentado dois episódios de infecção urinária febril, com uroculturas positivas para Escherichia coli, em intervalo de oito meses, ambos tratados adequadamente com antibiótico e com boa resposta clínica. A ultrassonografia mostra dilatação pielocalicinal bilateral e a uretrocistografia miccional evidencia refluxo vesicoureteral bilateral de alto grau, com dilatação e tortuosidade ureteral. A criança apresenta desenvolvimento normal, sem disfunção miccional e sem constipação. A cintilografia renal mostra pequenas áreas de cicatriz no rim direito. Qual é a conduta mais adequada?
Refluxo vesicoureteral de alto grau com infecções febris recorrentes e cicatrizes renais tem indicação de profilaxia antibiótica contínua e seguimento em serviço especializado, com discussão de correção cirúrgica ou endoscópica diante de nova pielonefrite, progressão de cicatrizes ou ausência de resolução espontânea. Afirmar resolução espontânea universal é incorreto, sobretudo nos graus mais altos. Deixar sem profilaxia e sem seguimento expõe a criança a novas cicatrizes e a doença renal crônica. Nefrectomia é reservada a rim não funcionante, e não a cicatrizes localizadas com função preservada.
Menina de 4 anos, com refluxo vesicoureteral grau IV bilateral diagnosticado após pielonefrite, é acompanhada no ambulatório. Ela já teve três episódios de infecção urinária febril e a cintilografia renal mostra cicatrizes em ambos os rins. Ela está assintomática no momento, com pressão arterial normal para a idade e crescimento adequado. A família pergunta o que pode ser feito para evitar novas infecções e proteger os rins. A família nega febre nas últimas 24 horas, vômitos persistentes, perda de peso recente e alterações do hábito intestinal. O restante do exame físico é normal e os exames de rotina anteriores não mostravam alterações. A conduta correta inclui
No refluxo de alto grau com infecções febris recorrentes e cicatrizes renais, a estratégia combina antibioticoprofilaxia contínua, correção de disfunção vesical e intestinal e discussão de intervenção cirúrgica ou endoscópica, com o objetivo de preservar a função renal. Tratar apenas os episódios agudos em criança com cicatrizes progressivas expõe a dano renal permanente. Nefrectomia bilateral é conduta absurda em rins funcionantes. Apenas vigilância por imagem, sem medidas preventivas, não protege contra novas cicatrizes.
Menina de 4 anos, com refluxo vesicoureteral grau IV bilateral diagnosticado após pielonefrite, é acompanhada no ambulatório. Ela já teve três episódios de infecção urinária febril e a cintilografia renal mostra cicatrizes em ambos os rins. Ela está assintomática no momento, com pressão arterial normal para a idade e crescimento adequado. A família pergunta o que pode ser feito para evitar novas infecções e proteger os rins. A criança evacua diariamente, sem esforço, e não apresenta perdas urinárias diurnas ou noturnas no momento. O exame físico não mostra massas abdominais, alterações genitais ou sinais de disrafismo lombossacro. A conduta correta inclui
No refluxo de alto grau com infecções febris recorrentes e cicatrizes renais, a estratégia combina antibioticoprofilaxia contínua, correção de disfunção vesical e intestinal e discussão de intervenção cirúrgica ou endoscópica, com o objetivo de preservar a função renal. Tratar apenas os episódios agudos em criança com cicatrizes progressivas expõe a dano renal permanente. Nefrectomia bilateral é conduta absurda em rins funcionantes. Apenas vigilância por imagem, sem medidas preventivas, não protege contra novas cicatrizes.
Menina de 2 anos é internada com febre alta, vômitos e dor lombar, com urocultura positiva para Escherichia coli e diagnóstico de pielonefrite aguda. Recebeu antibiótico endovenoso, com melhora clínica e afebril há 48 horas, aceitando líquidos e alimentos por via oral, sem vômitos e sem sinais de sepse. A família tem acesso ao serviço e boa compreensão das orientações. A ultrassonografia não mostra abscesso nem obstrução. Qual é a conduta mais adequada quanto à continuidade do tratamento?
Após melhora clínica e capacidade de aceitação oral, o tratamento da pielonefrite na criança pode ser continuado por via oral conforme o antibiograma, completando o tempo total recomendado, o que reduz tempo de internação e riscos associados sem prejuízo do desfecho. Manter via endovenosa por tempo fixo em todos os casos é desnecessário. Suspender o antibiótico pela ausência de febre resulta em tratamento incompleto e recidiva. Ampliar o espectro em criança que melhora contraria o uso racional de antimicrobianos.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com disúria, polaciúria e urgência miccional há dois dias, sem febre, sem dor lombar e sem vômitos. Ao exame: afebril, com bom estado geral, abdome flácido com discreto desconforto suprapúbico, sem dor à punho-percussão lombar e sem massas palpáveis. A urina de rotina mostra piúria e nitrito positivo, e a urocultura foi coletada por jato médio, com técnica adequada e após higiene. Qual é a conduta correta?
A infecção urinária baixa em criança com controle esfincteriano, sem febre e sem sinais de acometimento alto, é tratada ambulatorialmente com antibiótico apropriado por tempo mais curto, com ajuste conforme a urocultura coletada antes do início. Internação e via endovenosa se reservam a pielonefrite, lactentes jovens, toxemia ou intolerância oral. Hidratação e analgesia isoladas não erradicam a infecção. Aguardar dias pelo resultado prolonga sintomas e aumenta o risco de progressão.
Menino de 10 anos é levado ao pronto-socorro com febre alta, calafrios e dor lombar direita há dois dias, com vômitos. Tem antecedente de duas infecções urinárias febris na primeira infância, sem investigação completa. Ao exame: toxemiado, febril, com dor intensa à punho-percussão lombar direita, taquicárdico, com desidratação e sem sinais de choque, tolerando pouco líquido por via oral. Exames: leucocitose com desvio, urina com piúria e nitrito positivo, com urocultura coletada. Qual é a conduta correta?
Pielonefrite com toxemia, vômitos e baixa aceitação oral em criança com antecedente de infecções urinárias febris exige internação, antibioticoterapia endovenosa e hidratação, com investigação por imagem no seguimento para identificar refluxo vesicoureteral ou uropatia obstrutiva e prevenir cicatrizes renais. Tratamento oral ambulatorial é inadequado diante de intolerância à via oral. Sintomáticos isolados deixam a infecção evoluir. Cirurgia urológica de urgência não se indica sem avaliação e sem obstrução documentada.
Lactente de 8 meses teve primeira infecção urinária febril tratada adequadamente, com boa resposta clínica. A ultrassonografia realizada durante a internação mostrou dilatação pielocalicinal bilateral moderada e a criança apresentou nova infecção urinária febril dois meses depois. Ao exame atual: bom estado geral, afebril, com crescimento adequado, sem massas abdominais palpáveis e sem alterações genitais. A mãe pergunta se é necessário algum outro exame além da ultrassonografia já realizada. Qual é a conduta correta?
Alterações na ultrassonografia e recorrência de infecção urinária febril em lactente são critérios para realizar uretrocistografia miccional, exame que identifica refluxo vesicoureteral e uropatias obstrutivas, orientando profilaxia, seguimento e eventual correção, com objetivo de prevenir cicatrizes renais e doença renal crônica. Considerar a ultrassonografia suficiente deixa passar refluxo de alto grau. Postergar por um ano expõe a novas infecções. Indicar cirurgia sem diagnóstico é conduta injustificável.
Menino de 3 anos, com refluxo vesicoureteral de alto grau bilateral em uso de profilaxia antimicrobiana, é levado à Unidade Básica de Saúde com febre alta, vômitos e irritabilidade há um dia, sem outros sintomas localizatórios. Ao exame: febril, prostrado, com dor à punho-percussão lombar bilateral, sem sinais meníngeos e com desidratação leve, aceitando pouco líquido. A urina de rotina mostra piúria e a urocultura foi coletada antes do início do antimicrobiano. Qual é a conduta correta?
Crianças em profilaxia antimicrobiana que apresentam infecção urinária febril têm maior probabilidade de germes resistentes ao agente utilizado, devendo receber tratamento empírico com esquema diferente e adequado à gravidade, com ajuste posterior conforme o antibiograma e reavaliação da estratégia de profilaxia e da indicação cirúrgica. Manter apenas a profilaxia não trata o episódio agudo. Suspender a profilaxia sem tratar o episódio deixa a infecção evoluir. Aguardar culturas retarda o tratamento de pielonefrite com risco de cicatriz renal.
Mulher de 41 anos é atendida em ambulatório com hipertensão de difícil controle e cefaleia. Ela tem antecedente de infecções urinárias de repetição na infância, com internações. Ao exame: PA 168x102 mmHg, FC 78 bpm, IMC 24 kg/m2, sem edema, sem sopros abdominais, exame físico sem outras alterações. Exames: creatinina 1,8 mg/dL, proteinúria de 1,0 g em 24 horas, urina tipo I sem hematúria dismórfica, ultrassonografia com rins assimétricos, sendo o esquerdo pequeno com contornos irregulares e cicatrizes corticais. A hipótese mais provável é:
Rins assimétricos com cicatrizes corticais e contornos irregulares em paciente com infecções urinárias de repetição na infância caracteriza nefropatia de refluxo, causa importante de hipertensão e doença renal crônica em adultos jovens, exigindo controle pressórico rigoroso e nefroproteção com bloqueio do sistema renina-angiotensina. Doença policística cursa com rins aumentados e múltiplos cistos. Glomerulonefrite rapidamente progressiva apresenta sedimento ativo. Estenose aterosclerótica é incomum nessa idade e não produz cicatrizes corticais.
Menino de 9 anos é levado ao pronto-socorro com febre alta, calafrios e dor lombar à direita há dois dias, associados a vômitos e prostração. Ele tem antecedente de infecção urinária na primeira infância, sem investigação. Ao exame: toxemiado, febril, com dor intensa à punho-percussão lombar direita, taquicárdico, desidratado, com dificuldade de aceitar líquidos por via oral e sem sinais de choque. A urina de rotina mostra piúria com nitrito positivo e a urocultura foi coletada antes do antimicrobiano. Qual é a conduta correta?
Pielonefrite com toxemia, vômitos e intolerância à via oral em criança com antecedente de infecção urinária exige internação, antibioticoterapia endovenosa e hidratação, com investigação por imagem no seguimento para identificar uropatia subjacente e prevenir cicatrizes renais. Tratamento oral ambulatorial é inadequado diante de vômitos e toxemia. Sintomáticos isolados deixam a infecção evoluir. Aguardar a urocultura retarda o tratamento de infecção com risco de dano renal permanente.
Menino de 15 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com febre há três dias, sem foco identificado, e a mãe relata irritabilidade e redução do apetite, mas mantém a criança ativa nos intervalos. Ao exame: febril, ativo, corado, hidratado, com fontanela já fechada, sem rigidez de nuca, otoscopia normal, orofaringe sem alterações, ausculta pulmonar normal, abdome flácido e sem lesões cutâneas, com boa perfusão periférica. A urina coletada por método adequado mostra piúria e nitrito positivo. Qual é a conduta correta?
A infecção urinária febril na criança pequena deve ser tratada precocemente após coleta de urocultura, pois o retardo aumenta o risco de cicatriz renal, com investigação por imagem no seguimento conforme protocolos e reavaliação clínica programada. Aguardar a cultura por dias retarda o tratamento. Antitérmico isolado deixa a infecção evoluir. Internação com antibiótico endovenoso se reserva a lactentes muito jovens, toxemia, vômitos ou intolerância à via oral, não sendo regra para todos os casos.
Menina de 3 anos, com infecção urinária febril tratada há dois meses, retorna à Unidade Básica de Saúde para seguimento. A mãe está preocupada com a possibilidade de novos episódios e pergunta o que pode ser feito no dia a dia para reduzir o risco. A criança está em processo de desfralde, adia as idas ao banheiro quando está brincando, tem episódios de constipação e ingere pouca água ao longo do dia. Ao exame: abdome com fezes palpáveis em cólon esquerdo, sem outras alterações. Qual é a orientação correta?
A prevenção de novos episódios de infecção urinária em crianças envolve micções regulares sem adiamento, ingestão hídrica adequada, tratamento da constipação, higiene correta no sentido anteroposterior e atenção ao processo de desfralde, medidas que atuam sobre fatores modificáveis. Profilaxia antimicrobiana contínua não é indicada após episódio único sem alterações estruturais. Restringir líquidos favorece a estase urinária. Duchas vaginais são desaconselhadas e podem irritar a mucosa.
Menina de 8 anos, com bexiga neurogênica e cateterismo vesical intermitente, realiza urocultura de rotina solicitada pela família, que resulta positiva com crescimento bacteriano significativo. Ela está assintomática, sem febre, sem dor lombar, sem alteração do padrão urinário habitual e sem alteração do estado geral. Ao exame: afebril, em bom estado geral, sem dor à punho-percussão lombar e sem dor abdominal, com técnica de cateterismo adequada conforme demonstração feita pela cuidadora. Qual é a conduta correta?
A bacteriúria assintomática é frequente em pacientes com cateterismo intermitente e não deve ser tratada fora de situações específicas, pois o tratamento não previne infecções sintomáticas e seleciona bactérias resistentes, sendo o reforço da técnica e da frequência do cateterismo a medida adequada. Tratar para negativar a cultura é conduta equivocada. Profilaxia contínua indiscriminada amplia a resistência. Sonda de demora aumenta o risco de infecção e de complicações.
Lactente de 2 meses é levado à Unidade Básica de Saúde por icterícia persistente, irritabilidade e ganho de peso insuficiente nas últimas semanas, sem febre documentada pela mãe. Ele nasceu a termo, em aleitamento materno exclusivo. Ao exame: ictérico até tronco, irritado, hidratado, sem visceromegalias, ausculta normal e sem lesões cutâneas. Exames: bilirrubina com predomínio de fração direta discretamente elevada, leucocitose e urina com piúria e nitrito positivo, com urocultura coletada por método adequado. Qual é a hipótese diagnóstica?
A infecção urinária no lactente jovem pode manifestar-se de forma inespecífica, com icterícia colestática, irritabilidade e ganho ponderal insuficiente, exigindo tratamento antimicrobiano e investigação por imagem no seguimento. A atresia de vias biliares cursa com acolia fecal e colúria persistentes desde as primeiras semanas, com hepatomegalia. A icterícia do aleitamento tem predomínio de bilirrubina indireta e criança com bom ganho de peso. A hepatite A é rara nessa idade e cursa com elevação acentuada das transaminases.
Menina, 2 anos, apresenta febre há 5 dias sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar. T 39,3 °C, FC 150 bpm. Exame físico sem alterações localizatórias, oroscopia e otoscopia normais, sem exantema. Urina tipo I: leucocitúria com 60 leucócitos por campo, nitrito positivo e bacteriúria. Urocultura em andamento. Não há vômitos e a criança aceita líquidos por via oral, sem desidratação. Qual a conduta indicada?
Criança de 2 anos com infecção do trato urinário febril, sem vômitos, sem desidratação e com boa aceitação oral pode ser tratada com antibiótico por via oral em regime ambulatorial, com reavaliação clínica e investigação de imagem conforme o protocolo após o episódio. A internação com antibiótico venoso é reservada a lactentes jovens, toxemia, vômitos incoercíveis ou impossibilidade de tratamento oral, não sendo obrigatória para todos. Aguardar a urocultura mantendo apenas sintomáticos retarda o tratamento e aumenta o risco de cicatriz renal. Antibiótico tópico vesical não trata infecção do parênquima renal e a sondagem acrescenta risco. A cistografia miccional é exame de investigação posterior, jamais pré-requisito para iniciar o tratamento.
Menina, 6 anos, é levada à UBS por febre há 3 dias e dor ao urinar, com urgência e dor lombar à direita. É o segundo episódio de infecção urinária em 8 meses. T 38,8 °C, punho-percussão lombar direita positiva, abdome sem massas. Urina I com leucocitúria, nitrito positivo e piúria; urocultura em andamento. Hemograma com leucócitos 16.000/mm³, PCR 68 mg/L (VR < 5). Creatinina 0,4 mg/dL. Crescimento e desenvolvimento adequados. Qual a conduta correta?
Febre alta, dor lombar com punho-percussão positiva e elevação de provas inflamatórias em criança caracterizam pielonefrite, que exige antibioticoterapia imediata e, por se tratar do segundo episódio, investigação de imagem do trato urinário para pesquisa de malformações e refluxo vesicoureteral, condição associada a cicatriz renal. Aguardar a urocultura retarda o tratamento de infecção do parênquima renal e aumenta o risco de dano permanente. Dose única de fosfomicina destina-se a cistite não complicada em adultas, sendo insuficiente para pielonefrite pediátrica. Adiar o antibiótico até o resultado da imagem inverte a prioridade, pois a imagem não muda a necessidade do tratamento agudo. Profilaxia contínua sem tratar o episódio atual deixa a infecção ativa sem cobertura terapêutica adequada.
Lactente do sexo masculino, 2 meses, apresenta jato urinário fraco e gotejante desde o nascimento, com infecções urinárias de repetição e ganho ponderal insuficiente. Exame: bexiga palpável acima da sínfise púbica e rins palpáveis bilateralmente. Creatinina 1,6 mg/dL (VR até 0,5 nessa idade). Ultrassonografia: hidronefrose bilateral, ureteres dilatados e bexiga de paredes espessadas com trabeculações. Ultrassonografia pré-natal havia mostrado oligoidrâmnio. Qual o exame que confirma o diagnóstico mais provável?
O quadro sugere válvula de uretra posterior, principal causa de obstrução urinária baixa congênita em meninos, e a uretrocistografia miccional é o exame que confirma o diagnóstico, evidenciando uretra posterior dilatada, bexiga trabeculada e frequentemente refluxo vesicoureteral. A cintilografia com DMSA avalia cicatrizes e função relativa, mas não demonstra a obstrução uretral. A tomografia com contraste não é o exame de escolha e acrescenta radiação e nefrotoxicidade. A urodinâmica é útil no seguimento da disfunção vesical, e não no diagnóstico inicial da obstrução anatômica. A ressonância de pelve não é indicada para essa investigação.
Menina, 2 anos, apresenta a terceira infecção urinária febril em 8 meses, sempre com Escherichia coli. Nega constipação e disfunção miccional. Exame: sem massas abdominais, genitália normal. Ultrassonografia: dilatação pielocalicinal bilateral moderada com ureteres dilatados. Uretrocistografia miccional: refluxo vesicoureteral bilateral grau IV, com cálices deformados. Cintilografia com DMSA: cicatrizes renais bilaterais e função relativa de 40% à esquerda. Qual a conduta mais adequada?
Refluxo vesicoureteral de alto grau bilateral, com infecções febris de repetição e cicatrizes renais já documentadas, exige antibioticoprofilaxia contínua e discussão de correção cirúrgica ou tratamento endoscópico, pelo risco de progressão do dano renal e de nefropatia de refluxo. A resolução espontânea é comum nos graus baixos, mas improvável nos graus IV e V com cicatrizes. A nefrectomia é inadequada em rim com 40% de função relativa, ainda relevante. Tratar apenas as infecções agudas sem profilaxia mantém o ciclo de pielonefrites e cicatrização. O transplante preventivo não tem qualquer indicação com função renal ainda preservada.
Menino, 2 anos, com febre de 39,2 °C há 3 dias, vômitos e dor lombar à percussão. FC 140 bpm, PA 92/58 mmHg, aceita líquidos por via oral e não apresenta desidratação significativa. Urocultura colhida por cateterismo em andamento; urina tipo 1 com leucocitúria, nitrito positivo e bacteriúria. Sem malformações conhecidas e sem episódios prévios de infecção urinária. Qual a conduta terapêutica mais adequada?
A pielonefrite em criança que aceita a via oral e não apresenta toxemia ou desidratação importante pode ser tratada com antibiótico oral com cobertura para gram-negativos entéricos, iniciado empiricamente e ajustado conforme a urocultura. Aguardar o resultado da cultura retarda o tratamento e aumenta o risco de cicatriz renal. Sintomáticos e hidratação isolados não tratam a infecção. O antibiótico tópico não tem papel em infecção urinária. A internação obrigatória para todos é desnecessária, ficando reservada a lactentes jovens, toxemiados ou com intolerância à via oral.
Menino, 14 meses, teve primeiro episódio de infecção urinária febril com boa resposta ao antibiótico em 48 horas, sem complicações. FC 120 bpm, PA 90/56 mmHg, afebril há 3 dias. Urocultura com Escherichia coli sensível ao esquema utilizado. Sem antecedente familiar de malformação urinária e com ultrassonografia pré-natal descrita como normal pela família. Qual exame de imagem deve ser realizado inicialmente?
Após o primeiro episódio de infecção urinária febril em lactente, a ultrassonografia de rins e vias urinárias é o exame inicial, por ser não invasivo e capaz de identificar dilatações, alterações do parênquima e malformações maiores. A uretrocistografia miccional não é indicada em todos os casos, ficando reservada a alterações ultrassonográficas, infecções recorrentes ou quadros atípicos. A cintilografia com DMSA na fase aguda avalia acometimento parenquimatoso, mas não é rotina inicial. A tomografia expõe a radiação sem necessidade. A urografia excretora está em desuso nessa investigação.
Menina, 3 anos, com dois episódios de infecção urinária febril, realizou uretrocistografia miccional que mostrou refluxo vesicoureteral bilateral, com dilatação moderada de ureteres e pelves, sem tortuosidade importante e com preservação das impressões papilares. PA 94/58 mmHg, FC 110 bpm. Ultrassonografia sem cicatrizes evidentes; função renal normal e sem disfunção miccional identificada. Qual a conduta inicial mais adequada?
O refluxo vesicoureteral de graus intermediários em criança pequena costuma resolver-se espontaneamente com o crescimento, e a conduta inicial é acompanhamento clínico com medidas de higiene, tratamento de constipação e disfunção miccional, considerando profilaxia antibiótica conforme grau, idade e recorrência. A correção cirúrgica imediata se reserva a graus altos com infecções de repetição ou falha do tratamento conservador. A nefrectomia não tem indicação com função renal normal. Suspender o seguimento arrisca cicatrizes renais não detectadas. O transplante renal é conduta de doença renal terminal, situação distinta.
Menino, 6 meses, apresenta há 3 dias febre alta e irritabilidade, sem foco identificado. Mantém-se ativo entre os picos febris, hidratado e mamando bem. T 39,2 °C no pico, FC 150 bpm, FR 40 ipm, SatO2 98%. O exame físico completo, incluindo otoscopia e oroscopia, não revela alterações. As vacinas estão em dia. O exame de urina coletado por cateterismo vesical mostra leucocitúria com nitrito positivo, e a urocultura está em andamento. Qual a conduta indicada?
Lactente febril com urina coletada por método confiável mostrando leucocitúria e nitrito positivo deve iniciar antibioticoterapia empírica para infecção urinária, com ajuste posterior conforme urocultura e antibiograma, e programação de investigação por imagem segundo protocolo. Aguardar a urocultura retarda o tratamento e aumenta o risco de cicatriz renal. Prescrever apenas antitérmico deixa a infecção sem tratamento. Adiar o antibiótico até haver piora expõe o lactente a bacteremia e pielonefrite grave. A cistografia miccional é exame de investigação posterior e nunca deve preceder o início do tratamento.
Menino, 5 anos, apresenta há 2 dias febre e dor abdominal, com vômitos. Foi diagnosticada infecção urinária alta e iniciada antibioticoterapia venosa. Após 72 horas, mantém febre alta e dor em flanco direito. T 39,0 °C, FC 132 bpm. Leucócitos 19.000/mm³ (VR 5.000–15.000); PCR 180 mg/L (VR < 5). A urocultura mostrou Escherichia coli sensível ao antibiótico em uso, e a criança mantém boa hidratação e diurese preservada. Qual a conduta indicada?
Febre persistente após 72 horas de antibiótico adequado, com agente sensível ao esquema em uso, indica investigação por imagem para identificar complicações como abscesso renal, pionefrose ou obstrução do trato urinário. Trocar o antibiótico empiricamente sem investigar ignora que o agente é sensível e não resolve uma complicação estrutural. Suspender o antibiótico deixaria a infecção sem tratamento. Aguardar mais sete dias com febre alta e provas inflamatórias elevadas expõe a criança a sepse e a dano renal permanente. O corticoide não trata infecção e pode agravar o quadro infeccioso em curso.
Menino, 9 anos, apresenta há 5 dias febre e dor em região lombar direita, com disúria e vômitos. T 39,2 °C, FC 130 bpm, PA 96/58 mmHg. Apresenta sinal de Giordano positivo à direita e está com aceitação oral prejudicada pelos vômitos frequentes. Leucócitos 21.000/mm³ (VR 5.000–15.000); PCR 200 mg/L (VR < 5); creatinina normal para a idade. O exame de urina mostra leucocitúria intensa, nitrito positivo e bacteriúria. Qual a conduta indicada?
Pielonefrite com toxemia, febre alta e vômitos que impedem a ingestão oral tem indicação de internação com antibioticoterapia venosa, com transição para via oral após melhora clínica e conforme o antibiograma. O tratamento oral ambulatorial exige tolerância à via oral e ausência de sinais de gravidade. Hidratação isolada sem antibiótico retarda o tratamento e aumenta o risco de cicatriz renal e de bacteremia. O antibiótico tópico vesical não atinge o parênquima renal e a cateterização acrescenta risco. A cistoscopia não é exame de investigação inicial e não deve preceder o tratamento de uma infecção aguda.
Menina, 4 anos, apresenta há 3 dias febre e disúria, com urgência miccional e dor suprapúbica. Está hidratada, sem vômitos e aceitando bem líquidos. T 38,3 °C, FC 118 bpm, sem sinal de Giordano. O exame de urina coletado por jato médio com técnica adequada mostra leucocitúria, nitrito positivo e bacteriúria. A urocultura foi coletada antes do início do tratamento e a família tem condições de retorno e boa adesão. Qual a conduta indicada?
Infecção urinária febril em criança de 4 anos, sem toxemia, sem vômitos e com boa aceitação oral e condições de seguimento, é tratada com antibiótico por via oral em regime ambulatorial, com reavaliação clínica e ajuste conforme o resultado da urocultura. A internação com antibiótico venoso é reservada a lactentes jovens, toxemia ou impossibilidade de via oral. Aguardar a urocultura retarda o tratamento e aumenta o risco de cicatriz renal. Hidratação e analgésico isolados não tratam a infecção. A cistografia miccional é exame de investigação posterior, jamais pré-requisito para iniciar o tratamento.
Menino, 2 meses, é levado ao pronto-socorro por distensão abdominal, jato urinário fraco e infecções urinárias de repetição. Exame: bexiga palpável, massa em flancos bilateralmente, desidratação leve. Ultrassonografia com hidronefrose bilateral, ureteres dilatados, bexiga de paredes espessadas e trabeculadas, com dilatação da uretra posterior. Creatinina 1,8 mg/dL para a idade; potássio 5,8 mEq/L; sódio 130 mEq/L; acidose metabólica presente. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta inicial?
Lactente do sexo masculino com jato urinário fraco, bexiga espessada e trabeculada, dilatação da uretra posterior e hidronefrose bilateral com disfunção renal apresenta válvula de uretra posterior, cuja conduta inicial é a drenagem vesical imediata, correção dos distúrbios hidroeletrolíticos e encaminhamento para ablação endoscópica das válvulas. O refluxo primário pode coexistir, mas não explica a dilatação da uretra posterior e não se trata apenas com profilaxia nesse contexto obstrutivo. A estenose de junção ureteropiélica não causa espessamento vesical nem dilatação uretral. A bexiga neurogênica cursaria com disrafismo ou déficit neurológico associado. O rim policístico recessivo cursa com rins aumentados e hiperecogênicos, sem dilatação uretral.
Menina, 4 anos, com dois episódios de pielonefrite aos 2 e 3 anos, realiza cintilografia renal com DMSA seis meses após o último episódio. PA 102/66 mmHg, FC 92 bpm, sem sintomas atuais. O exame mostra área de captação reduzida em polo superior do rim direito, com função relativa de 38% desse rim e ausência de novas infecções desde então. Qual a implicação desse achado para o seguimento?
A cicatriz renal pós-pielonefrite implica risco futuro de hipertensão arterial, proteinúria e, em casos extensos, doença renal crônica, exigindo vigilância a longo prazo com aferição de pressão e pesquisa de proteinúria. A nefrectomia não se justifica com função relativa de 38%. A antibioticoprofilaxia vitalícia não é indicada e favorece resistência bacteriana. Encerrar o seguimento ignora as consequências tardias das cicatrizes. O transplante renal é conduta de doença renal terminal, muito distante da situação atual.
Menino, 18 meses, com refluxo vesicoureteral bilateral de alto grau e dois episódios de pielonefrite no último semestre, apresenta cicatriz renal à cintilografia. PA 94/58 mmHg, FC 118 bpm, sem sintomas atuais. Função renal normal, com ultrassonografia mostrando dilatação bilateral. A família tem boa adesão às orientações e comparece regularmente às consultas de seguimento. Qual a conduta mais adequada?
Refluxo de alto grau com pielonefrites recorrentes e cicatriz renal em lactente é situação em que a antibioticoprofilaxia contínua reduz recorrências, mantendo-se reavaliação periódica quanto à indicação cirúrgica ou endoscópica. Suspender a profilaxia expõe a novos episódios e a mais cicatrizes. A nefrectomia não se justifica com função preservada. Apenas orientar higiene é insuficiente nesse grau de refluxo com cicatriz. A imunossupressão não tem qualquer papel na prevenção de infecção urinária.
Menino, 3 anos, com hidronefrose por estenose de junção ureteropélvica conhecida, apresenta febre alta, dor lombar e vômitos há 2 dias. T 39,4 °C, PA 96/58 mmHg, FC 140 bpm, com toxemia e aceitação oral ruim. Urina com leucocitúria e nitrito positivo; leucócitos de 22.000/mm³ e PCR elevada. Ultrassonografia mostra aumento da dilatação em relação a exames prévios, com conteúdo espesso. Qual a conduta mais adequada?
Pielonefrite em sistema obstruído é situação grave, exigindo internação, antibiótico endovenoso e avaliação de drenagem por nefrostomia ou cateter, pois a obstrução impede a resolução da infecção. O antibiótico oral ambulatorial é insuficiente em criança toxemiada com sistema obstruído. Hidratação e antitérmico isolados não tratam a infecção. A pieloplastia definitiva não deve ser realizada na vigência de infecção aguda. Aguardar a urocultura sem antibiótico expõe a sepse e a perda funcional renal.
Menina, 4 anos, com pielonefrite, iniciou cefalexina empiricamente há 48 horas, mantendo febre de 39 °C e dor lombar. FC 130 bpm, PA 96/58 mmHg, com aceitação oral preservada. Urocultura colhida antes do antibiótico mostra Escherichia coli produtora de betalactamase de espectro estendido, resistente a cefalosporinas de primeira e terceira geração e sensível a aminoglicosídeo e carbapenêmico. Qual a conduta mais adequada?
Diante de falha clínica com agente resistente identificado, a conduta é ajustar o antibiótico conforme o antibiograma, geralmente com opção parenteral eficaz, como aminoglicosídeo ou carbapenêmico, conforme a gravidade. Manter a cefalexina perpetua o tratamento ineficaz. Associar outro antibiótico sem cobertura para o agente não corrige a falha. Suspender o antibiótico expõe a sepse e a cicatriz renal. Repetir a urocultura antes de mudar retarda o tratamento, já que o resultado disponível é conclusivo.
Menino, 2 anos, com pieloneftite confirmada por urocultura, apresentou boa resposta clínica com antibiótico adequado, ficando afebril em 48 horas. FC 110 bpm, PA 92/56 mmHg, aceitando bem a via oral. Sem malformações conhecidas, com ultrassonografia sem alterações e função renal normal. A família pergunta por quanto tempo o antibiótico deverá ser mantido em casa. Qual a duração recomendada do tratamento?
A infecção urinária febril na criança, ou pielonefrite, é tratada por 7 a 14 dias no total, somando-se o período parenteral quando utilizado, com transição para via oral após melhora clínica. O esquema de 3 dias é adequado à cistite não complicada em crianças maiores, e não à pielonefrite. Vinte e oito dias em todos os casos é excessivo. Interromper na defervescência favorece recidiva e cicatriz renal. Seis meses de tratamento contínuo corresponderia a profilaxia prolongada, e não a tratamento de episódio agudo.
Menina, 8 anos, sem sintomas urinários, realiza exames pré-operatórios para adenoidectomia. PA 98/60 mmHg, FC 84 bpm, afebril, sem disúria, urgência, dor lombar ou incontinência. Urocultura de rotina mostra crescimento de Escherichia coli com 100.000 unidades formadoras de colônias por mililitro, e a urina tipo 1 apresenta discreta bacteriúria sem leucocitúria significativa. Qual a conduta mais adequada?
A bacteriúria assintomática em criança sem sintomas, sem malformações e fora de situações especiais não deve ser tratada, pois o antibiótico não traz benefício e favorece resistência e substituição por cepas mais virulentas. Tratar por 10 dias expõe a esses riscos sem ganho. A profilaxia contínua é ainda mais inadequada. Cancelar definitivamente a cirurgia por bacteriúria assintomática é desproporcional. A uretrocistografia é exame invasivo, sem indicação diante de bacteriúria assintomática isolada.
Menino, 5 anos, com refluxo vesicoureteral bilateral em profilaxia antibiótica, apresenta duas novas pielonefrites no último ano e nova cintilografia mostrando aumento das áreas de cicatriz em relação ao exame anterior. PA 112/74 mmHg, FC 92 bpm, com função renal ainda normal. Adesão à profilaxia confirmada e constipação já tratada adequadamente, sem disfunção miccional residual. Qual a conduta mais adequada?
Pielonefrites de repetição com progressão de cicatrizes apesar de profilaxia adequada e manejo otimizado da disfunção intestinal e miccional caracteriza falha do tratamento conservador, indicando correção do refluxo por via endoscópica ou cirúrgica. Manter a mesma profilaxia repete a estratégia que falhou. Suspender a profilaxia sem corrigir o refluxo expõe a novos episódios. A nefrectomia bilateral é conduta absurda com função renal preservada. A imunossupressão não tem qualquer papel na prevenção de infecção urinária.
Lactente de 2 meses, com febre sem sinais localizatórios, é avaliado no pronto-socorro. T 38,7 °C, FC 160 bpm, PA 80/48 mmHg, com bom estado geral e sem toxemia. Urina colhida por cateterismo mostra leucocitúria e nitrito positivo. Hemograma com leucócitos de 16.000/mm³, PCR elevada e procalcitonina aumentada, sem alterações liquóricas na análise realizada. Qual a conduta mais adequada?
Lactente menor de 3 meses com infecção urinária e marcadores inflamatórios elevados tem risco significativo de bacteremia, indicando internação com antibiótico parenteral e vigilância clínica. A alta com antibiótico oral é insegura nessa faixa etária. Observar sem antibiótico expõe a sepse. Aguardar a urocultura retarda o tratamento em paciente já com exame de urina sugestivo. Repetir a coleta por saco coletor é inadequado, pois esse método tem alta taxa de contaminação e não substitui a amostra já obtida por cateterismo.
Menina, 5 anos, apresenta terceiro episódio de infecção urinária febril em 12 meses. Ultrassonografia mostra dilatação pielocalicial bilateral e assimetria de tamanho renal. Uretrocistografia miccional evidencia refluxo vesicoureteral bilateral, grau IV à esquerda e grau III à direita, com dilatação ureteral e tortuosidade. Cintilografia renal com áreas de cicatriz cortical à esquerda e função renal relativa de 38% desse lado, com creatinina normal para a idade. Qual a conduta mais adequada?
Refluxo vesicoureteral de alto grau com infecções febris de repetição e cicatrizes renais tem como conduta a antibioticoprofilaxia contínua com seguimento clínico e por imagem, considerando correção cirúrgica ou endoscópica diante de infecções recorrentes apesar da profilaxia ou de progressão do dano renal. Apenas observar sem profilaxia expõe a novas pielonefrites e a perda adicional de parênquima. Nefrectomia por cicatriz cortical com função relativa de 38% é desproporcional. Tratar apenas os episódios agudos ignora a fisiopatologia e permite progressão para nefropatia de refluxo. Cateterismo intermitente é conduta de bexiga neurogênica, não de refluxo primário.
Gestante de 24 anos, com 20 semanas, apresenta feto masculino com megabexiga, sinal do buraco de fechadura na uretra proximal, hidronefrose bilateral e oligoâmnio acentuado. O cariótipo é normal e não há outras malformações. A urina fetal obtida por punção mostra sódio de 88 mEq/L e cloro elevado, indicando função renal fetal comprometida em avaliação seriada. Assinale a alternativa correta sobre esse caso.
O oligoâmnio instalado precocemente compromete o desenvolvimento pulmonar, e a hipoplasia pulmonar é a principal causa de morte neonatal nessa condição, superando a própria disfunção renal no período imediato. Afirmar excelente prognóstico pelo cariótipo normal ignora a gravidade da obstrução e do oligoâmnio. Dizer que a derivação vesicoamniótica corrige a lesão renal estabelecida é falso, pois o procedimento apenas descomprime o trato urinário e pode preservar líquido amniótico, sem reverter dano já instalado. Aguardar o nascimento a termo sem seguimento desconsidera a possibilidade de terapia fetal e o planejamento neonatal. Sódio urinário elevado indica lesão tubular com má função, e não bom prognóstico.
Menina, 2 anos, teve dois episódios de pielonefrite documentados nos últimos 8 meses. Encontra-se assintomática hoje. FC 104 bpm, T 36,5 °C, PA 92x58 mmHg. A ultrassonografia mostra dilatação pielocalicial bilateral e a uretrocistografia miccional revela refluxo vesicoureteral grau IV bilateral. A cintilografia com ácido dimercaptossuccínico mostra duas áreas de cicatriz renal à esquerda. Creatinina 0,4 mg/dL (VR 0,2–0,5). Qual a conduta indicada?
Antibioticoprofilaxia contínua com acompanhamento e reavaliação por imagem é a conduta indicada: refluxo de alto grau, bilateral, com infecções febris de repetição e cicatrizes renais já documentadas, é a situação em que a profilaxia reduz novos episódios e protege o parênquima remanescente. Orientação isolada de hidratação é insuficiente nesse grau de refluxo. A nefrectomia não se justifica com função renal preservada. Manter dose terapêutica plena por um ano expõe a toxicidade e a resistência sem benefício adicional. Afirmar que o refluxo sempre se resolve na puberdade é falso, sobretudo em graus elevados.
Mulher, 26 anos, com história de infecções urinárias febris de repetição na infância, apresenta hipertensão detectada recentemente. PA 154/96 mmHg, FC 74 bpm, sem edema. Creatinina de 1,4 mg/dL (VR 0,5–0,9), proteinúria de 1,2 g em 24 horas. A ultrassonografia mostra rim esquerdo de 7,5 cm com contornos irregulares e cicatrizes corticais, e rim direito compensatoriamente aumentado. Qual o diagnóstico mais provável?
Infecções urinárias febris de repetição na infância, rim pequeno com cicatrizes corticais e contornos irregulares, hipertensão e proteinúria configuram nefropatia de refluxo, sequela do refluxo vesicoureteral e das pielonefrites recorrentes. A glomeruloesclerose segmentar e focal primária não produz cicatrizes corticais focais com assimetria renal. A displasia fibromuscular mostraria estenose arterial sem cicatrizes parenquimatosas. A doença policística apresentaria cistos bilaterais com rins aumentados. A nefropatia por analgésicos exigiria história de uso crônico e cursa com necrose de papila.
Recém-nascido de 20 dias apresenta febre de 38,5 °C há 12 horas, irritabilidade e recusa alimentar, sem outros focos identificados ao exame. FC 174 bpm, FR 52 ipm; perfusão adequada e fontanela normotensa. Urina obtida por punção suprapúbica mostra 60 leucócitos por campo com nitrito positivo; hemograma com leucócitos de 19.000/mm³ e PCR de 78 mg/L (VR até 10). Urocultura em andamento. Qual a conduta indicada?
Infecção do trato urinário em recém-nascido febril é considerada infecção bacteriana grave, exigindo internação, antibiótico intravenoso após coleta de culturas, incluindo liquor conforme avaliação, e investigação do trato urinário com ultrassonografia. O tratamento oral ambulatorial não é adequado nessa faixa etária pelo risco de bacteriemia e sepse. Apenas hidratar e observar retarda o tratamento de infecção comprovada. Alta após 24 horas de antibiótico intravenoso é precoce e insegura no período neonatal. A cistografia miccional é feita após a resolução do quadro agudo, conforme os achados da ultrassonografia.
Recém-nascido do sexo masculino, com 2 dias de vida, apresenta jato urinário fraco e gotejante, bexiga palpável acima da cicatriz umbilical e massas nos flancos. Antecedente de oligoidrâmnio no pré-natal. FC 150 bpm, FR 58 ipm, T 36,5 °C. Creatinina 2,2 mg/dL; K 6,2 mEq/L (VR 3,5 a 5,5). Ultrassonografia mostra hidronefrose bilateral, ureteres dilatados e bexiga de paredes espessadas com resíduo pós-miccional elevado. Qual o exame que confirmará o diagnóstico?
A uretrocistografia miccional é o exame que confirma a válvula de uretra posterior, ao demonstrar dilatação da uretra posterior, colo vesical hipertrofiado, bexiga trabeculada e eventual refluxo vesicoureteral, hipótese sustentada por jato fraco, globo vesical, hidronefrose bilateral e insuficiência renal em recém-nascido masculino com antecedente de oligoidrâmnio. A cintilografia dinâmica avalia função e drenagem, mas não visualiza a uretra. A urografia excretora está em desuso e depende de função renal preservada, comprometida com creatinina de 2,2 mg/dL. A tomografia com contraste acrescenta radiação e risco sem definir a obstrução uretral. O Doppler de artérias renais investiga trombose vascular, e não obstrução do trato de saída.
Lactente de sete meses tem febre sem foco e recusa alimentar. Urina coletada por cateterismo mostra piúria e cultura significativa de E. coli, compatível com o quadro. Não há choque. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Cultura de saco coletor isolada tem risco de contaminação e não equivale à amostra descrita. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Urinary_tract_infection/
Lactente de sete meses tem febre sem foco e recusa alimentar. Urina coletada por cateterismo mostra piúria e cultura significativa de E. coli, compatível com o quadro. Não há choque. Qual é o diagnóstico mais provável?
Piúria e cultura de coleta adequada, associadas à febre, sustentam infecção urinária. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Urinary_tract_infection/
Lactente de sete meses tem febre sem foco e recusa alimentar. Urina coletada por cateterismo mostra piúria e cultura significativa de E. coli, compatível com o quadro. Não há choque. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A via depende de tolerância e estado clínico; investigação de anomalias é individualizada. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Urinary_tract_infection/
Lactente de sete meses tem febre sem foco e recusa alimentar. Urina coletada por cateterismo mostra piúria e cultura significativa de E. coli, compatível com o quadro. Não há choque. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A infecção pode manifestar-se apenas por sinais inespecíficos no lactente. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Urinary_tract_infection/
Lactente febril tem piúria e cultura de urina coletada por cateter com crescimento significativo de um uropatógeno. Qual hipótese melhor integra os achados?
A amostra adequada e os achados apoiam ITU. Sintomas e inflamação urinária com cultura de amostra adequada apoiam ITU; método de coleta influencia interpretação. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/bladder-infection-uti-in-children
Criança tem febre e sintomas urinários, com exame inflamatório e crescimento monomicrobiano significativo em amostra apropriada. Qual hipótese melhor integra os achados?
Os dados são compatíveis com infecção urinária. Sintomas e inflamação urinária com cultura de amostra adequada apoiam ITU; método de coleta influencia interpretação. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/bladder-infection-uti-in-children
Lactente sem foco evidente tem febre e investigação urinária com leucócitos e cultura positiva de coleta confiável. Qual hipótese melhor integra os achados?
ITU pode ser a fonte de febre sem localização. Sintomas e inflamação urinária com cultura de amostra adequada apoiam ITU; método de coleta influencia interpretação. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/bladder-infection-uti-in-children
Criança com disúria e polaciúria tem piúria e urocultura adequada positiva para bactéria compatível. Qual hipótese melhor integra os achados?
Os sintomas e a cultura sustentam infecção urinária. Sintomas e inflamação urinária com cultura de amostra adequada apoiam ITU; método de coleta influencia interpretação. Referência: https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/bladder-infection-uti-in-children
Qual alteração do fluxo urinário está representada pelas setas?

A urina retorna da bexiga para o ureter e sistema coletor.
Qual consequência pode ocorrer quando infecções febris recorrentes se associam ao fluxo ilustrado?

A pielonefrite recorrente em contexto de refluxo pode lesar o parênquima.
Em criança com infecções urinárias febris recorrentes, qual exame pode demonstrar diretamente o trajeto anormal mostrado, quando indicado?

O contraste pode ser observado retornando da bexiga para o trato superior.
Na terminologia das infecções urinárias, o termo cistite identifica o comprometimento de qual estrutura anatômica?
Cistite é inflamação da bexiga, frequentemente infecciosa nesse contexto. ITU é um termo mais amplo, que também pode incluir infecções de outras partes do trato. Referência: NIDDK/NIH. Definition & Facts of Bladder Infection in Children (2025). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/urinary-tract-infections-in-children/definition-facts
Ao comparar exames de imagem com a urocultura na criança com ITU, qual afirmação descreve melhor suas funções?
Ultrassonografia e outros métodos avaliam estruturas e alterações do trato urinário. Eles não substituem a identificação microbiológica obtida de uma amostra de urina adequadamente coletada. Referência: NIDDK/NIH. Diagnosis of Bladder Infection in Children (2025). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/urinary-tract-infections-in-children/diagnosis
Qual alteração funcional caracteriza o refluxo vesicoureteral primário e permite que a urina retorne da bexiga em direção ao trato urinário superior?
A junção ureterovesical normalmente limita o retorno de urina. No RVU primário, esse mecanismo é inadequado por alteração do desenvolvimento, sem exigir obstrução de saída vesical. Referência: NIDDK/NIH. Vesicoureteral Reflux (2018). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/hydronephrosis-newborns/vesicoureteral-reflux
Na descrição do refluxo vesicoureteral, o que distingue um refluxo unilateral de um bilateral, independentemente do grau de dilatação?
Unilateral e bilateral descrevem a lateralidade. O grau do refluxo é outra dimensão, relacionada à extensão e às alterações observadas, não apenas ao número de lados envolvidos. Referência: NIDDK/NIH. Vesicoureteral Reflux (2018). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/hydronephrosis-newborns/vesicoureteral-reflux
Qual fenômeno ajuda a explicar a resolução espontânea de parte dos casos de refluxo vesicoureteral primário durante a infância?
O crescimento pode melhorar a competência da implantação ureteral. A chance de resolução varia e não dispensa acompanhamento individualizado conforme grau e evolução. Referência: NIDDK/NIH. Vesicoureteral Reflux (2018). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/hydronephrosis-newborns/vesicoureteral-reflux
Fora das particularidades do primeiro ano de vida, meninas apresentam maior frequência de ITU que meninos. Qual característica anatômica contribui para essa diferença?
Essas características facilitam o acesso de bactérias da região perineal ao trato urinário. Elas contribuem para o risco, mas não significam que toda menina desenvolverá ITU. Referência: NIDDK/NIH. Definition & Facts of Bladder Infection in Children (2025). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/urinary-tract-infections-in-children/definition-facts
Na avaliação de uma ITU pediátrica, por que o resultado da urocultura costuma estar disponível depois de informações iniciais da urinálise?
O crescimento dos microrganismos e sua análise demandam tempo. Isso explica a diferença em relação a avaliações iniciais rápidas, sem significar que a cultura só possa ser colhida após o início do antibiótico. Referência: NIDDK/NIH. Diagnosis of Bladder Infection in Children (2025). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/urinary-tract-infections-in-children/diagnosis
Qual distinção entre urinálise e urocultura é correta na investigação de uma possível infecção urinária na criança?
Os exames fornecem informações complementares. Sinais inflamatórios na urinálise não são a mesma informação que o crescimento microbiológico, que exige interpretação conforme coleta e quadro clínico. Referência: NIDDK/NIH. Diagnosis of Bladder Infection in Children (2025). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/urinary-tract-infections-in-children/diagnosis
Qual situação exemplifica um mecanismo de refluxo vesicoureteral secundário, distinto de uma alteração primária da junção ureterovesical?
Dificuldade de saída da urina e alterações funcionais da bexiga podem favorecer refluxo secundário. A identificação da causa é importante para orientar o cuidado além de tratar infecções. Referência: NIDDK/NIH. Vesicoureteral Reflux (2018). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/hydronephrosis-newborns/vesicoureteral-reflux
Quando a bexiga não esvazia adequadamente em uma criança com RVU secundário, qual é a finalidade do cateterismo vesical intermitente quando indicado?
O cateterismo auxilia o esvaziamento quando a função vesical é insuficiente. Ele não corrige automaticamente toda alteração ureteral e integra um plano conforme a causa da disfunção. Referência: NIDDK/NIH. Vesicoureteral Reflux (2018). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/hydronephrosis-newborns/vesicoureteral-reflux
Em situações selecionadas de RVU, pode-se utilizar injeção de material de preenchimento junto ao óstio ureteral. Qual é o objetivo mecânico dessa intervenção?
O material produz uma elevação próxima à implantação ureteral, favorecendo o fechamento contra o fluxo retrógrado. Não se pretende obstruir completamente a drenagem do rim. Referência: NIDDK/NIH. Vesicoureteral Reflux (2018). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/hydronephrosis-newborns/vesicoureteral-reflux
Ao explicar a via ascendente de uma infecção urinária, qual sequência anatômica representa a progressão possível de microrganismos?
Na via ascendente, microrganismos chegam à bexiga pela uretra e podem alcançar o trato superior. A progressão não ocorre em toda cistite e não exige disseminação hematogênica prévia. Referência: NIDDK/NIH. Definition & Facts of Bladder Infection in Children (2025). https://www.niddk.nih.gov/health-information/urologic-diseases/urinary-tract-infections-in-children/definition-facts
Na avaliação desse mecanismo, qual informação exige estudo dinâmico do refluxo e não pode ser concluída apenas por ultrassonografia renal normal? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Ultrassom normal não exclui refluxo vesicoureteral.
Uma criança com o mecanismo ilustrado tem urgência miccional, escapes diurnos e constipação. Qual medida deve integrar a prevenção de recorrências urinárias? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Retenção, hábitos miccionais e constipação podem contribuir para recorrências.
Qual estrutura de implantação ureteral deve normalmente impedir o trajeto indicado pelas setas? Imagem didática do acervo OsceLabs.

O mecanismo valvular dessa junção limita o retorno da urina da bexiga.
O desenho permite associar o processo a qual via de propagação de uma infecção urinária? Imagem didática do acervo OsceLabs.

O fluxo retrógrado pode facilitar chegada de urina infectada ao trato superior.
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Refaça de memória a escadinha de cortes da urocultura (punção → cateter → jato médio, e o papel do saco coletor) e o funil de imagem: quem faz só ultrassom, o que empurra para a uretrocistografia, quando entra a DMSA. Confira depois na tabela e nos cards de refluxo.
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Monte em 10 linhas a conduta de uma primeira ITU febril aos 10 meses: coleta, corte, droga e duração, critérios de internação, imagem e quem recebe profilaxia. Cheque os três pontos de divergência (corte do cateter, ultrassom universal × seletivo, profilaxia) e a qual documento pertence cada número.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 10 meses chega à UPA com febre de 39,2 °C há dois dias, sem tosse, sem coriza, sem diarreia. Conduza: decida como colher a urina, interprete fita, sedimento e cultura, trate — e defina se e como investigar malformação. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
