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Clínica MédicaNefrologia

Injúria renal aguda

Separar pré-renal de necrose tubular aguda é o que decide entre repor volume e parar de agredir o rim. Todo o resto do capítulo é consequência dessa escolha.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 68 anos é internado por quadro infeccioso e, após 3 dias, apresenta oligúria. Creatinina subiu de 1,0 para 2,6 mg/dL. Exame: PA 100x60 mmHg, FC 92 bpm, mucosas secas, turgor diminuído. Urina: densidade 1.028, sódio urinário 12 mEq/L, fração de excreção de sódio 0,5%, sem cilindros. Qual é o mecanismo mais provável da lesão renal aguda?

02

Como esse tema cai

A prova cobra injúria renal aguda em três movimentos, sempre na mesma ordem: reconhecer que é aguda (critério KDIGO), classificar em pré-renal, renal ou pós-renal, e agir de acordo. A vinheta entrega creatinina, débito urinário e um punhado de índices urinários, e quer saber se você repõe volume, retira uma droga ou passa uma sonda.

O erro que mais custa ponto não é errar o estágio: é confundir creatinina alta com rim doente. Na pré-renal o rim está íntegro e faminto de perfusão; na necrose tubular aguda ele já perdeu a capacidade de concentrar a urina e de segurar sódio. Os dois chegam ao pronto-socorro com oligúria, ureia alta e creatinina subindo. O que separa é o contexto clínico e a urina.

Este capítulo fecha os números: os três critérios de definição com seus prazos, os três estágios do KDIGO com creatinina e diurese, a tabela pré-renal contra necrose tubular aguda com oito linhas de corte, as cinco situações em que o índice urinário mente, e as cinco indicações de diálise de urgência com valor.

03

O que muda decisão

Definir: três critérios, três estágios, um prazo para cada

Pelo KDIGO 2012, há injúria renal aguda quando qualquer um dos três critérios é preenchido: aumento da creatinina sérica maior ou igual a 0,3 mg/dL em 48 horas; aumento da creatinina para 1,5 vez ou mais o valor basal, conhecido ou presumido, nos últimos 7 dias; ou diurese menor que 0,5 mL/kg/h por 6 horas. Os prazos fazem parte do critério: 48 horas pertencem ao delta de 0,3; sete dias pertencem ao múltiplo de 1,5. Trocar os prazos é o jeito mais barato de errar uma questão fácil.

O estadiamento usa os mesmos dois eixos, e vale sempre o pior dos dois. Estágio 1: creatinina 1,5 a 1,9 vez o basal, ou aumento maior ou igual a 0,3 mg/dL; ou diurese menor que 0,5 mL/kg/h por 6 a 12 horas. Estágio 2: creatinina 2,0 a 2,9 vezes o basal; ou diurese menor que 0,5 mL/kg/h por 12 horas ou mais. Estágio 3: creatinina 3 vezes ou mais o basal, ou creatinina maior ou igual a 4,0 mg/dL, ou início de terapia renal substitutiva (e, em menores de 18 anos, queda da taxa de filtração glomerular estimada para menos de 35 mL/min/1,73 m²); ou diurese menor que 0,3 mL/kg/h por 24 horas ou mais, ou anúria por 12 horas ou mais.

Repare no que o estágio 3 tem de particular: começar diálise classifica o paciente como estágio 3 independentemente do valor da creatinina. É o único critério que não é laboratorial nem de diurese — é uma decisão médica.

A creatinina é um marcador atrasado e enviesado. Ela leva 24 a 48 horas para refletir a queda da filtração e depende de massa muscular: idoso sarcopênico, cirrótico, amputado e paciente desnutrido têm creatinina falsamente confortável, e uma creatinina de 1,3 mg/dL nesse perfil pode significar perda de metade da função. Por isso o débito urinário, quando disponível, costuma detectar a injúria mais cedo. Oligúria é diurese menor que 0,5 mL/kg/h ou menor que 500 mL em 24 horas. Anúria verdadeira, abaixo de 100 mL em 24 horas, é rara na necrose tubular aguda e deve puxar o raciocínio para obstrução completa, oclusão vascular bilateral, necrose cortical ou glomerulonefrite rapidamente progressiva.

Quando não há creatinina basal, use o menor valor documentado do paciente ou o menor valor da internação como referência, e nunca estime a basal por fórmula assumindo filtração normal em quem tem fatores de risco para doença renal crônica: isso superestima o basal e mascara a injúria.

Uma palavra sobre nomenclatura, porque as bancas usam as três: injúria renal aguda, lesão renal aguda e insuficiência renal aguda aparecem como sinônimos na literatura brasileira, e a própria Sociedade Brasileira de Nefrologia publicou consenso de terminologia para uniformizar o uso. O que muda de fato é o recorte temporal: se a disfunção de estágio KDIGO maior ou igual a 1 persiste entre 7 e 90 dias, chama-se doença renal aguda; acima de 90 dias, é doença renal crônica. Isso importa na alta: creatinina e albuminúria devem ser dosadas em até 3 meses, e o paciente que permanece alterado é encaminhado ao nefrologista.

Pré-renal: o rim está bem, a perfusão não

A pré-renal responde por cerca de um quinto das injúrias e por praticamente todas as que revertem em 48 horas. O parênquima está íntegro; o que caiu foi a pressão de filtração. O glomérulo se defende dilatando a arteríola aferente, um efeito dependente de prostaglandinas, e contraindo a arteríola eferente, um efeito dependente de angiotensina II. Essas duas alavancas explicam quase toda a farmacologia do tema: o anti-inflamatório não esteroidal bloqueia a dilatação da aferente, o inibidor da ECA e o bloqueador do receptor de angiotensina bloqueiam a constrição da eferente, e um diurético por cima reduz o volume que chega. A combinação dos três em um idoso é a receita clássica de injúria renal aguda ambulatorial. E em estenose bilateral de artéria renal, a filtração depende inteiramente da constrição eferente: introduzir um IECA derruba a creatinina do laboratório para cima em dias.

As causas se dividem em dois grupos que exigem condutas opostas, e essa é a bifurcação mais cobrada do capítulo. No primeiro grupo há hipovolemia verdadeira: vômito, diarreia, hemorragia, queimadura, drenagem, diurético em excesso, sequestro para terceiro espaço na pancreatite ou na obstrução intestinal. O tratamento é repor volume. No segundo grupo o volume corporal total está alto e o que caiu foi o volume arterial efetivo: insuficiência cardíaca descompensada, cirrose com ascite, síndrome nefrótica grave. O tratamento é descongestionar — repor cristaloide aqui piora o edema e a própria injúria renal.

À beira do leito, essa bifurcação se resolve sem laboratório. Mucosas secas, turgor reduzido, taquicardia, hipotensão postural e perda de peso apontam hipovolemia. Turgência jugular, estertores, edema periférico, hepatomegalia e ganho de peso apontam congestão. O reflexo automático de expandir todo paciente com creatinina alta é a armadilha número um da enfermaria.

A assinatura laboratorial da pré-renal é a de um túbulo funcionando bem demais: ávido por sódio e por água. Urina concentrada (osmolalidade acima de 500 mOsm/kg, densidade acima de 1,020), pobre em sódio (sódio urinário abaixo de 20 mEq/L, fração de excreção de sódio abaixo de 1%), relação creatinina urinária sobre plasmática acima de 40, e ureia reabsorvida junto com a água, o que eleva desproporcionalmente a ureia em relação à creatinina no sangue. O sedimento é limpo, ou traz apenas cilindros hialinos.

Se a perfusão for restaurada, a creatinina cai em 24 a 72 horas e o diagnóstico se confirma retrospectivamente. Se não cair, o insulto já converteu em necrose tubular aguda isquêmica. Pré-renal e necrose tubular isquêmica não são duas doenças diferentes: são dois pontos da mesma linha, e o tempo é o que separa.

Uma ressalva sobre a ureia: nem toda ureia alta é hipoperfusão. Hemorragia digestiva alta (proteína absorvida no intestino), corticoide, estados catabólicos, sepse e dieta hiperproteica elevam a ureia sem que haja qualquer problema de volume.

Corte esquemático de um glomérulo com a arteríola aferente larga e dilatada e a arteríola eferente estreitada.
A filtração se sustenta em duas alavancas: dilatar a aferente (prostaglandinas) e contrair a eferente (angiotensina II). O anti-inflamatório bloqueia a primeira; o IECA e o BRA, a segunda.

Renal: necrose tubular aguda e as outras quatro

A causa intrínseca mais frequente, respondendo por perto de 45% das injúrias hospitalares, é a necrose tubular aguda. Ela vem por duas rotas. A isquêmica é a pré-renal que não foi corrigida a tempo: choque, sepse, pós-operatório de grande porte, parada. A tóxica é medicamentosa ou por pigmento: aminoglicosídeo (tipicamente não oligúrica, aparecendo entre o quinto e o décimo dia de uso, acompanhada de hipomagnesemia e hipocalemia), anfotericina B, cisplatina, vancomicina — sobretudo combinada a piperacilina-tazobactam —, contraste iodado, mioglobina, hemoglobina e cadeias leves no mieloma.

A assinatura laboratorial é a imagem em espelho da pré-renal: o túbulo lesado não concentra nem reabsorve sódio. Isostenúria (densidade em torno de 1,010, osmolalidade abaixo de 350 mOsm/kg), sódio urinário acima de 40 mEq/L, fração de excreção de sódio acima de 2%, relação creatinina urinária sobre plasmática abaixo de 20, e sedimento com cilindros granulosos grosseiros de cor marrom-lodo e células epiteliais tubulares soltas. Esse cilindro marrom é o achado mais específico do capítulo.

A necrose tubular aguda tem curso previsível: instalação, manutenção (a fase oligúrica, que dura em média uma a duas semanas) e recuperação. A fase de recuperação é poliúrica e tem risco próprio: hipocalemia, hipomagnesemia e desidratação em quem se distrai achando que o problema acabou.

Nefropatia por contraste: a creatinina sobe em 24 a 48 horas, atinge o pico em 3 a 5 dias e volta ao basal em 7 a 10. É uma das causas intrínsecas que cursa com fração de excreção de sódio abaixo de 1%, porque há vasoconstrição intensa com túbulo ainda parcialmente competente. A única profilaxia com sustentação é hidratação com salina isotônica antes e depois, além de suspender nefrotóxicos e usar o menor volume possível de contraste. O ensaio preserve, com 5.177 pacientes, mostrou que bicarbonato de sódio não é superior à salina (4,4% contra 4,7% de desfecho primário) e que N-acetilcisteína não é superior ao placebo (4,6% contra 4,5%). Alternativa que oferece N-acetilcisteína está errada.

Rabdomiólise: creatinoquinase acima de 5.000 U/L em contexto de trauma, imobilização prolongada, convulsão, exercício extremo, estatina ou síndrome compartimental. O achado que fecha é a fita urinária positiva para sangue com sedimento sem hemácias — a fita detecta o grupo heme da mioglobina. Vêm juntas hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia e hiperuricemia, e a creatinina sobe desproporcionalmente porque o músculo libera creatina. A conduta é hidratação salina precoce e em volume alto; bicarbonato e manitol não são rotina. A fração de excreção de sódio também costuma ser menor que 1% aqui.

Nefrite intersticial aguda: reação a droga, tipicamente betalactâmico, anti-inflamatório, inibidor de bomba de prótons ou sulfa, com dias a semanas de latência. A tríade clássica de febre, exantema e eosinofilia aparece em menos de um terço dos casos, então não a exija. O que orienta é leucocitúria estéril, cilindros leucocitários e piora funcional temporalmente ligada à droga. Eosinofilúria tem sensibilidade baixa: sua ausência não exclui nada. O tratamento é suspender o agente; corticoide é discutível e nunca substitui a retirada.

Glomerular e vascular: hematúria com hemácias dismórficas, cilindro hemático, proteinúria significativa e hipertensão desenham glomerulonefrite, não necrose tubular — e, de novo, com fração de excreção de sódio baixa. Já o ateroembolismo por colesterol aparece dias a semanas após cateterismo ou cirurgia vascular, com livedo reticular, cianose de artelhos com pulsos periféricos preservados, eosinofilia e consumo de complemento.

Pós-renal: a única que se resolve com um cateter

Responde por cerca de 10% dos casos, mas é a causa que não se pode perder, porque a reversão é imediata e completa quando o diagnóstico é precoce — e a função perdida vira definitiva quando não é. Para elevar a creatinina, a obstrução precisa ser bilateral, ou unilateral em rim único funcionante. Cálculo em um ureter, com o rim contralateral normal, não causa injúria renal aguda: causa cólica.

Os cenários são poucos e repetitivos: homem idoso com hiperplasia prostática, neoplasia pélvica ou retroperitoneal, litíase bilateral, bexiga neurogênica, fibrose retroperitoneal, coágulo por hematúria maciça, e obstrução iatrogênica por ligadura ureteral pós-operatória. O padrão de diurese que sugere obstrução parcial é a alternância entre oligúria e períodos de poliúria.

A investigação tem dois passos e ambos são baratos. Primeiro, sondagem vesical de alívio, que é diagnóstica e terapêutica ao mesmo tempo — bexigoma palpável ou resíduo pós-miccional alto encerram a discussão. Segundo, ultrassonografia de rins e vias urinárias, que mostra hidronefrose sem contraste e sem radiação.

Duas armadilhas com o ultrassom, ambas cobradas. A hidronefrose pode estar ausente nas primeiras 24 a 48 horas, antes que o sistema coletor dilate, e pode faltar quando o ureter está aprisionado sem poder dilatar — fibrose retroperitoneal, encarceramento por tumor, infiltração. Ultrassom normal com suspeita clínica forte pede tomografia sem contraste. Depletado de volume, o paciente também dilata menos.

Depois da desobstrução vem a diurese pós-obstrutiva, que pode chegar a vários litros por dia. Reponha parte das perdas com cristaloide, guiado por peso, pressão e eletrólitos, monitorando sódio, potássio e magnésio. O erro simétrico existe nos dois sentidos: repor litro por litro perpetua a poliúria, e não repor nada leva o paciente à hipovolemia e a uma segunda injúria, agora isquêmica.

A questão central: pré-renal ou necrose tubular aguda?

É aqui que a maioria das questões é decidida, e as fórmulas precisam estar de cor. Fração de excreção de sódio, em porcentagem, é igual a sódio urinário vezes creatinina plasmática, dividido por sódio plasmático vezes creatinina urinária, multiplicado por 100. Fração de excreção de ureia, em porcentagem, tem a mesma arquitetura trocando sódio por ureia: ureia urinária vezes creatinina plasmática, dividido por ureia plasmática vezes creatinina urinária, vezes 100. Note que a creatinina entra invertida nas duas: plasmática em cima, urinária embaixo.

Os cortes que este capítulo adota: fração de excreção de sódio abaixo de 1% é pré-renal, acima de 2% é necrose tubular aguda, e o intervalo de 1 a 2% não decide. Fração de excreção de ureia abaixo de 35% é pré-renal, acima de 50% é necrose tubular, e o intervalo de 35 a 50% não decide.

A fração de excreção de sódio é o melhor dos índices tradicionais, mas ela mente em situações comuns — e essas exceções é que caem. Diurético de alça ou tiazídico nas últimas 24 horas força natriurese e joga a fração para cima de 1% mesmo com hipovolemia franca: nesse cenário, use a fração de excreção de ureia, porque a ureia é reabsorvida no túbulo proximal e não sofre com o diurético de alça, que age na alça de Henle. Doença renal crônica de base já cursa com fração basal elevada, porque os néfrons remanescentes excretam mais sódio por unidade. Bicarbonatúria da alcalose metabólica por vômito arrasta sódio junto com o bicarbonato: nesse caso o cloro urinário informa melhor. E há a insuficiência adrenal, em que falta aldosterona para reter sódio.

No sentido contrário, cinco causas de lesão intrínseca cursam com fração de excreção de sódio menor que 1%, e vale decorar a lista: nefropatia por contraste, rabdomiólise, sepse na fase precoce, síndrome hepatorrenal e glomerulonefrite aguda. O denominador comum é vasoconstrição renal intensa com túbulo ainda capaz de reabsorver. Quando a vinheta traz fração baixa com história que não combina com hipovolemia, é aqui que a resposta mora.

Cuidado especial com a relação ureia sobre creatinina, porque a literatura internacional e o laudo brasileiro usam grandezas diferentes. Lá fora se fala em BUN sobre creatinina acima de 20 para 1, e BUN é o nitrogênio da ureia, que equivale à ureia dividida por 2,14. No laudo brasileiro dosamos ureia, não BUN, então o corte equivalente é ureia sobre creatinina acima de 40. Aplicar o número 20 sobre a ureia brasileira classifica quase todo mundo como pré-renal.

Por fim, o índice é desempate, não diagnóstico. Três dias de vômitos, mucosas secas, taquicardia e hipotensão postural fecham pré-renal sem calculadora. Choque séptico ressuscitado há 48 horas, com sedimento cheio de cilindros marrons, fecha necrose tubular aguda mesmo que algum índice discorde. E, na dúvida honesta entre as duas, a prova de volume bem indicada e bem monitorada continua sendo o melhor teste diagnóstico disponível.

Dois campos de microscopia de sedimento urinário lado a lado: cilindros hialinos translúcidos à esquerda e cilindros granulosos marrom-lodo com células epiteliais à direita.
Sedimento limpo ou com cilindros hialinos aponta pré-renal. Cilindros granulosos grosseiros marrom-lodo com células epiteliais são o achado mais específico de necrose tubular aguda.

O que fazer depois de decidir

Pré-renal por hipovolemia: cristaloide isotônico, titulado por reavaliação clínica repetida — perfusão, pressão, frequência, diurese, peso —, não por um volume fixo prescrito de antemão. Coloide não tem vantagem e amido (hidroxietilamido) está fora em paciente crítico com risco renal. Em choque vasodilatado, vasopressor entra junto com o volume, com meta de pressão arterial média maior ou igual a 65 mmHg, e mais alta em hipertenso crônico, segundo a diretriz hospitalar da Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Pré-renal por congestão: diurético de alça endovenoso em dose maior que a domiciliar, descongestão monitorada por peso e diurese, e revisão de tudo que reduz filtração. É contraintuitivo e é a resposta certa.

Necrose tubular aguda: não existe droga que a trate. A conduta é remover a causa e não piorar. Suspenda anti-inflamatório, aminoglicosídeo, anfotericina e o que mais for prescindível; suspenda IECA ou BRA enquanto a creatinina sobe e a hemodinâmica está instável, com reintrodução programada depois; ajuste a dose de tudo que tem excreção renal, incluindo antimicrobianos, heparina de baixo peso, gabapentina e metformina; adie contraste eletivo. Controle glicêmico e nutrição contam: 20 a 30 kcal/kg/dia em todos os estágios, com 0,8 a 1,0 g/kg/dia de proteína sem diálise e 1,0 a 1,5 g/kg/dia em diálise.

Diurético não previne nem trata injúria renal aguda, e converter uma injúria oligúrica em não oligúrica com furosemida não melhora desfecho — melhora o balanço hídrico e a planilha, não o rim. A indicação legítima é hipervolemia e hipercalemia. Existe um uso prognóstico, o teste de estresse com furosemida: 1,0 a 1,5 mg/kg em bolus, e diurese menor que 200 mL em 2 horas identifica alto risco de progressão. E a regra que decorre disso, escrita na diretriz da Sociedade Brasileira de Nefrologia: não adie uma diálise indicada esperando resposta ao diurético.

Diálise de urgência tem cinco portas, o mnemônico AEIOU. Acidose metabólica refratária, na prática com pH abaixo de 7,1 ou bicarbonato abaixo de 10 mEq/L sem resposta à reposição. Eletrólitos: potássio acima de 6,5 mEq/L refratário às medidas clínicas, ou acima de 5,5 com alteração eletrocardiográfica que não responde. Intoxicação por substância dialisável, o que exige baixo peso molecular, baixa ligação proteica e baixo volume de distribuição — metanol, etilenoglicol, lítio, salicilato. Overload, isto é, hipervolemia com edema agudo de pulmão refratário a diurético. Uremia sintomática: pericardite, encefalopatia, sangramento por disfunção plaquetária.

Fora dessas cinco portas, espere. O ensaio STARRT-AKI randomizou 3.019 pacientes críticos entre iniciar diálise cedo ou por indicação clínica: mortalidade em 90 dias de 43,9% contra 43,7%, sem diferença, com mais eventos adversos na estratégia acelerada (23% contra 16,5%) e mais dependência de diálise ao fim do seguimento. O AKIKI chegou ao mesmo lugar. Estágio 3 do KDIGO, isoladamente, não indica diálise.

E a alta não encerra o caso. Quem teve injúria renal aguda tem risco aumentado de doença renal crônica: dose creatinina e albuminúria em até 3 meses da alta; se persistirem alteradas, é doença renal crônica e o paciente vai para o nefrologista. Mesmo com recuperação completa, mantenha reavaliação renal periódica por pelo menos um ano.

04

Os números que fecham a questão

Três blocos de corte que as bancas cobram literalmente: o estadiamento KDIGO, a tabela pré-renal contra necrose tubular aguda, e o gatilho de diálise. O fluxo abaixo é a ordem em que você deve percorrer a vinheta.

  1. 1Confirme que é aguda: creatinina maior ou igual a 0,3 mg/dL acima do basal em 48 h, OU maior ou igual a 1,5 vez o basal em 7 dias, OU diurese menor que 0,5 mL/kg/h por 6 h.
  2. 2Descarte o pós-renal primeiro: sondagem vesical de alívio e ultrassonografia de rins e vias urinárias. É o único diagnóstico com reversão imediata e completa.
  3. 3Reveja prescrição e exposições das últimas 72 h: anti-inflamatório, IECA ou BRA, aminoglicosídeo, vancomicina, anfotericina, contraste iodado, quimioterápico.
  4. 4Avalie a volemia à beira do leito ANTES do laboratório: mucosas, turgor, pressão postural, jugular, estertores, edema, peso e balanço hídrico.
  5. 5Peça urina tipo I com sedimento mais sódio, ureia e creatinina urinárias; calcule a fração de excreção de sódio, ou a de ureia se houve diurético nas últimas 24 h.
  6. 6Classifique e trate: volume na pré-renal hipovolêmica, descongestão na cardiorrenal, retirada do agressor na necrose tubular, desobstrução na pós-renal.
  7. 7Reavalie diálise por indicação clínica (AEIOU) a cada visita — nunca pelo estágio isolado nem por um valor de ureia.

Estágio 1

Creatinina 1,5 a 1,9 vez o basal, OU aumento maior ou igual a 0,3 mg/dL. Diurese menor que 0,5 mL/kg/h por 6 a 12 horas.

Estágio 2

Creatinina 2,0 a 2,9 vezes o basal. Diurese menor que 0,5 mL/kg/h por 12 horas ou mais.

Estágio 3

Creatinina 3 vezes ou mais o basal, OU creatinina maior ou igual a 4,0 mg/dL, OU início de terapia renal substitutiva. Diurese menor que 0,3 mL/kg/h por 24 horas ou mais, OU anúria por 12 horas ou mais.

ÍndicePré-renalNecrose tubular aguda
Sódio urinário< 20 mEq/L> 40 mEq/L
Fração de excreção de sódio (FENa)< 1%> 2%
Fração de excreção de ureia (usar se houve diurético)< 35%> 50%
Osmolalidade urinária> 500 mOsm/kg< 350 mOsm/kg
Densidade urinária> 1,020≈ 1,010 (isostenúria)
Ureia / creatinina séricas, em mg/dL> 40 (equivale a BUN/Cr > 20)20 a 30 (BUN/Cr 10 a 15)
Creatinina urinária / plasmática> 40< 20
Sedimento urinárioNormal ou cilindros hialinosCilindros granulosos marrom-lodo e células epiteliais

FENa entre 1 e 2% e FEUr entre 35 e 50% NÃO decidem: volte para a história, o exame de volemia e a resposta ao volume.

Cinco causas de lesão intrínseca que cursam com FENa menor que 1%: contraste, rabdomiólise, sepse precoce, síndrome hepatorrenal e glomerulonefrite aguda.

Cinco situações que elevam a FENa sem que seja necrose tubular: diurético nas últimas 24 h, doença renal crônica de base, bicarbonatúria por vômito, expansão salina prévia e insuficiência adrenal.

Diálise de urgência (AEIOU): Acidose refratária com pH < 7,1 ou bicarbonato < 10 mEq/L; Eletrólitos, com potássio > 6,5 mEq/L refratário ou > 5,5 com alteração de ECG; Intoxicação dialisável (metanol, etilenoglicol, lítio, salicilato); Overload com edema agudo de pulmão refratário a diurético; Uremia sintomática (pericardite, encefalopatia, sangramento).

Ureia isolada não indica diálise: acima de 150 a 200 mg/dL ela pesa a favor, mas quem indica é o sintoma urêmico, não o número.

O estágio é o PIOR entre o critério de creatinina e o de diurese — e iniciar diálise, por si só, classifica como estágio 3.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Corte da fração de excreção de ureia para separar pré-renal de necrose tubular

Corte único em 35%

FEUr menor ou igual a 35% é pré-renal; acima de 35% já é lesão renal intrínseca. Não existe zona cinzenta: o exame dicotomiza.

Diretriz de Insuficiência Renal Aguda da Sociedade Brasileira de Nefrologia (J Bras Nefrol 2007;29(1 supl. 1))

Dois cortes com faixa indeterminada

FEUr menor que 35% é pré-renal; acima de 50% é necrose tubular aguda; entre 35 e 50% o exame não decide e não deve ser forçado.

Manuais MSD / Merck Manual Professional, verbete Oligúria e tabela de diferenciação laboratorial

Na prova

A divergência é de granularidade e de data, não de mérito: a diretriz da Sociedade Brasileira de Nefrologia é de 2007 e dicotomiza em 35%, enquanto as tabelas internacionais de consulta continuada reservam a faixa de 35 a 50% como zona em que o índice não decide. As próprias alternativas denunciam o recorte: um valor entre 35 e 50% no enunciado só ganha sentido dentro do esquema de dois cortes, e o distrator que diz 'índice inconclusivo, volte à clínica' vem desse mesmo mundo; valores extremos como 20% ou 60% são lidos igual pelos dois corpos e não há conflito a resolver. Citação nominal à diretriz da SBN, ou reprodução literal da tabela nacional, aponta o corte único em 35%. Vale notar que o miolo da maioria das questões está um passo antes: houve diurético, então a FENa perde validade e é a FEUr que se calcula.

Corte do sódio urinário na azotemia pré-renal

Menor que 10 mEq/L

Pré-renal com sódio urinário abaixo de 10 mEq/L e necrose tubular acima de 20 mEq/L, um corte mais estrito que privilegia especificidade.

Diretriz de Insuficiência Renal Aguda da Sociedade Brasileira de Nefrologia (2007)

Menor que 20 mEq/L

Pré-renal com sódio urinário abaixo de 20 mEq/L e necrose tubular acima de 40 mEq/L, deixando a faixa de 20 a 40 como zona indeterminada.

Manuais MSD / Merck Manual Professional, tabela de diferenciação entre necrose tubular aguda e uremia pré-renal

Na prova

Os dois pares saem dos mesmos documentos do item anterior: o corte estrito de 10 e 20 mEq/L é o da diretriz nacional de 2007, que privilegia especificidade, e o par de 20 e 40 mEq/L é o das tabelas internacionais, que deixam explícita a faixa indeterminada. O valor do enunciado é o melhor sinal: 15 mEq/L é pré-renal no esquema internacional e indefinido no nacional; 30 mEq/L é necrose tubular no nacional e zona cinzenta no internacional — um número no meio da faixa só se resolve dentro de um dos dois corpos. Menção nominal à Sociedade Brasileira de Nefrologia ou à sua diretriz de insuficiência renal aguda ancora o par estrito. Na maioria das vinhetas o sódio urinário não decide sozinho: vem acompanhado da FENa, que é o índice que a questão pede calculado.

Quando iniciar terapia renal substitutiva na injúria renal aguda grave

Início precoce guiado pela gravidade

Iniciar diálise quando o paciente atinge estágio 3 do KDIGO, ou quando a ureia ultrapassa 200 mg/dL, antes que surja complicação metabólica — a lógica de não deixar o paciente 'chegar lá'.

Prática tradicional de enfermaria e recomendações que ainda circulam em material de revisão

Início por indicação clínica

Iniciar apenas diante de indicação clínica concreta (as cinco do AEIOU), sem antecipar pela gravidade laboratorial isolada.

STARRT-AKI (N Engl J Med 2020, 3.019 pacientes) e AKIKI; alinhado com a ênfase da diretriz hospitalar da SBN em individualizar

Na prova

Não é Brasil contra estrangeiro: é evidência de ensaio randomizado recente contra prática de enfermaria que ainda circula em material de revisão. O STARRT-AKI (2020, 3.019 pacientes) encontrou mortalidade em 90 dias praticamente idêntica (43,9% contra 43,7%), com mais eventos adversos (23% contra 16,5%) e mais dependência de diálise no braço acelerado; o AKIKI não achou diferença em 60 dias; e a diretriz hospitalar da SBN pede individualização. Uma alternativa ancorada em número isolado — 'estágio 3 do KDIGO indica diálise', 'dialisar porque a ureia passou de 200 mg/dL' — só existe dentro do corpo tradicional, e sua presença já diz de onde a questão foi escrita; menção nominal aos ensaios, ou a moldura 'início precoce contra início tardio', aponta o corpo dos randomizados. Nada dessa discussão se aplica quando a vinheta descreve hipercalemia refratária, acidose grave, hipervolemia refratária, intoxicação dialisável ou uremia sintomática: aí os dois corpos convergem e não se espera.

06

Caso resolvido

Homem de 68 anos, 70 kg, com hipertensão e insuficiência cardíaca de fração de ejeção 30%, internado por dispneia progressiva há 5 dias. Em uso domiciliar de enalapril, furosemida 40 mg/dia e espironolactona. Ao exame: PA 96/60 mmHg, FC 104 bpm, turgência jugular a 45 graus, estertores em ambas as bases, edema de membros inferiores 3+/4, peso 4 kg acima do habitual. Creatinina 2,4 mg/dL (basal 1,1 mg/dL há dois meses), ureia 98 mg/dL, potássio 5,1 mEq/L, sódio 132 mEq/L. Diurese de 320 mL nas últimas 12 horas.
achado
Creatinina 2,4 com basal 1,1 é 2,2 vezes o basal, o que dá estágio 2 pelo critério de creatinina. Diurese de 320 mL em 12 horas para 70 kg dá 0,38 mL/kg/h, também estágio 2 pelo débito urinário. Vale o pior dos dois: estágio 2.
achado
Jugular túrgida, estertores, edema 3+ e ganho de 4 kg dizem que o volume corporal total está ALTO. Não há hipovolemia aqui, apesar da pressão de 96/60.
raciocínio
É pré-renal, mas por baixo débito somado a congestão venosa que aumenta a pressão retrógrada no rim: síndrome cardiorrenal. O rim está hipoperfundido com o corpo cheio de água — o volume está no lugar errado, não em falta.
armadilha
Prescrever cristaloide porque 'é pré-renal' piora a congestão e a própria injúria renal. O reflexo 'creatinina subiu, expandir volume' é o erro mais caro da enfermaria e a distração favorita das bancas.
conduta
Descongestionar: furosemida endovenosa em dose maior que a domiciliar, com meta de balanço negativo monitorada por peso diário, diurese horária e eletrólitos. Suspender a espironolactona com potássio de 5,1 em curva ascendente e filtração caindo. Suspender o enalapril enquanto a creatinina sobe e a pressão está limítrofe, com reintrodução programada depois de compensado — suspensão temporária, não definitiva.
conduta
Não há indicação de diálise: potássio 5,1 sem alteração eletrocardiográfica, sem acidose grave, sem uremia sintomática e com congestão ainda responsiva ao diurético. Estágio 2 não indica nada por si só.
desfecho
Espera-se queda da creatinina em 48 a 72 horas acompanhando a descongestão. Se ela não cair mesmo com balanço negativo adequado, reavalie para necrose tubular já estabelecida — e, na alta, programe creatinina e albuminúria em até 3 meses.
07

Agora feche você

Mulher de 34 anos, previamente hígida, trazida ao pronto-socorro cerca de 36 horas depois de ter sido encontrada caída em casa, imobilizada por horas após ingestão alcoólica. Queixa dor intensa e fraqueza nas coxas. PA 100/64 mmHg, FC 110 bpm, mucosas secas, panturrilhas e coxas endurecidas e dolorosas. Urina escura, descrita como cor de refrigerante de cola. Creatinina 3,1 mg/dL, ureia 96 mg/dL, potássio 6,0 mEq/L, cálcio total 7,4 mg/dL, fósforo 6,8 mg/dL, creatinoquinase 48.000 U/L. Fita urinária com sangue 4+; sedimento sem hemácias. FENa calculada em 0,6%.
achado
Creatinoquinase de 48.000 U/L com dor muscular e imobilização prolongada fecha rabdomiólise — o corte de risco renal costuma ser citado acima de 5.000 U/L.
achado
Fita positiva para sangue com sedimento SEM hemácias significa mioglobinúria, não hematúria: a fita detecta o grupo heme, que existe tanto na hemoglobina quanto na mioglobina.
achado
Hipercalemia, hiperfosfatemia e hipocalcemia compõem o quadro metabólico da lise muscular, e a creatinina sobe desproporcionalmente porque o músculo libera creatina.
armadilha
FENa de 0,6% aqui NÃO significa pré-renal pura. A rabdomiólise é uma das cinco causas de lesão intrínseca que cursam com FENa abaixo de 1%, junto com contraste, sepse precoce, síndrome hepatorrenal e glomerulonefrite aguda.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Creatinina normal não exclui injúria renal aguda Ela sobe 24 a 48 horas depois do insulto e depende de massa muscular. Idoso sarcopênico, cirrótico, amputado e desnutrido têm creatinina falsamente confortável. Leia a TENDÊNCIA e o débito urinário, não o valor absoluto de um exame isolado.
  2. 2FENa baixa não é sinônimo de pré-renal Cinco causas intrínsecas cursam com FENa abaixo de 1%: nefropatia por contraste, rabdomiólise, sepse precoce, síndrome hepatorrenal e glomerulonefrite aguda. Todas têm vasoconstrição intensa com túbulo ainda reabsorvendo.
  3. 3FENa alta não é sinônimo de necrose tubular Diurético nas últimas 24 horas, doença renal crônica de base, bicarbonatúria por vômito, expansão salina prévia e insuficiência adrenal elevam a FENa. Em qualquer desses cenários, calcule a fração de excreção de UREIA.
  4. 4Ureia sobre creatinina na unidade errada O corte de 20 para 1 vale para BUN, que é a ureia dividida por 2,14. O laudo brasileiro traz ureia, então o corte equivalente é acima de 40. Aplicar o 20 sobre a ureia brasileira classifica quase todo paciente como pré-renal.
  5. 5Ultrassom sem hidronefrose não descarta obstrução A dilatação pode faltar nas primeiras 24 a 48 horas, na fibrose retroperitoneal, no encarceramento tumoral do ureter e no paciente muito depletado. Com suspeita clínica forte, passe a sonda e peça tomografia sem contraste.
  6. 6Expandir volume em todo mundo com creatinina alta Insuficiência cardíaca descompensada, cirrose com ascite e síndrome nefrótica são pré-renais com volume corporal total ALTO. O tratamento é descongestionar. Examine a jugular antes de prescrever soro.
  7. 7Estágio 3 do KDIGO como indicação de diálise STARRT-AKI e AKIKI derrubaram a estratégia de antecipar. Sem uma das cinco portas do AEIOU, iniciar cedo não reduz mortalidade e aumenta eventos adversos e dependência de diálise.
  8. 8Diurético para tratar a injúria renal Furosemida não previne, não trata e não muda desfecho renal. Converter oligúria em não oligúria melhora o balanço, não o rim. A indicação é hipervolemia e hipercalemia — e nunca serve de motivo para adiar uma diálise já indicada.
  9. 9N-acetilcisteína antes do contraste O PRESERVE, com 5.177 pacientes, mostrou N-acetilcisteína igual a placebo (4,6% contra 4,5%) e bicarbonato igual à salina (4,4% contra 4,7%). Sobrou hidratação com salina isotônica, suspensão de nefrotóxicos e menor volume de contraste.
  10. 10Anúria verdadeira tratada como necrose tubular Diurese abaixo de 100 mL em 24 horas é incomum na necrose tubular. Pense em obstrução completa, oclusão vascular bilateral, necrose cortical ou glomerulonefrite rapidamente progressiva — e investigue nessa ordem.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

FeNa <1%, sódio urinário <20 mEq/L, urina concentrada (densidade elevada) e sinais de hipovolemia indicam azotemia pré-renal, com túbulos íntegros reabsorvendo sódio avidamente. Na necrose tubular aguda, a FeNa é >2% e há cilindros granulosos, pois os túbulos perdem a capacidade de concentrar. Nefrite intersticial cursa com eosinofilúria/leucocitúria e frequente exposição a drogas. GNRP tem cilindros hemáticos e dismorfismo. Obstrução pós-renal cursaria com hidronefrose e alteração ao ultrassom.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de cabeça, sem consultar: os três critérios de definição do KDIGO COM os prazos (0,3 mg/dL em 48 h; 1,5 vez em 7 dias; menos de 0,5 mL/kg/h por 6 h), os três estágios com os dois eixos, e as oito linhas da tabela pré-renal contra necrose tubular. Depois pegue dois hemogramas com urina de qualquer plantão e calcule FENa e FEUr até sair sem pensar na fórmula.

em 30 dias

Pegue cinco vinhetas de injúria renal aguda e, antes de ler as alternativas, decida em uma frase qual dos cinco rótulos se aplica: pré-renal hipovolêmica, pré-renal congestiva, necrose tubular, nefrite intersticial ou obstrutiva. Em seguida, para cada uma, responda duas coisas: há indicação de diálise e, se houver, qual letra do AEIOU. Depois confira e anote apenas os erros de RACIOCÍNIO, não os de memória.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Plantão na enfermaria de clínica médica: homem de 72 anos, internado há 4 dias por pneumonia comunitária, em ceftriaxona, enalapril domiciliar mantido e duas doses de anti-inflamatório para dor pleurítica. A enfermagem avisa que ele urinou 250 mL nas últimas 12 horas e a creatinina foi de 1,0 para 2,3 mg/dL. Você tem dez minutos à beira do leito para decidir se expande volume, se retira droga ou se pede o ultrassom — e para justificar cada uma das três escolhas com o que encontrou no exame físico e na prescrição. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.