Outras EspecialidadesNeurologia e Neurocirurgia

Punção lombar no adulto: o que vem antes da agulha e o que ela decide

Indicação, contraindicações e interpretação do líquor

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem, 45 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com quadro de febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca e rebaixamento do nível de consciência (Glasgow 12) há cerca de 6 horas. A suspeita é de meningite bacteriana e planeja-se punção lombar. Ao exame neurológico, nota-se paresia do III nervo craniano à direita e Glasgow em queda. Qual é a conduta mais apropriada em relação à sequência de exames e ao início do tratamento?

02

Como esse tema cai

A punção lombar é o ato que este capítulo ensina, e o vão que ele preenche é medido. Entre os temas de todos os textos já escritos nos três níveis, nenhum traz a punção lombar. Vinte e cinco textos do nível preparatório a gastam no corpo: o de crise febril a escreve vinte e três vezes, o de cefaleias secundárias dezesseis, o de meningites oito, o de sepse neonatal oito. Todos a usam por dentro da própria doença. Nenhum ensina a decisão que vem antes dela.

O recorte é o adulto, e a unidade é o ato: quando a punção muda a conduta e quando ela apenas atrasa, o que precisa estar resolvido antes de a agulha entrar, as quatro portas que se fecham de vez e as quatro que apenas se entreabrem, a técnica sem a qual a medida de pressão não significa nada, a leitura das quatro medidas do líquido, e a conta que separa o sangue que já estava lá do sangue que a agulha fez.

Não cobre a punção da criança febril, que está no capítulo de crise febril; nem a dissociação entre proteína e células da síndrome de Guillain-Barré, que está no capítulo de polineuropatias; nem a pressão de abertura da hipertensão intracraniana idiopática, nem o teste de retirada liquórica da hidrocefalia de pressão normal, que estão no capítulo de hipertensão intracraniana de curso lento; nem a xantocromia da hemorragia subaracnóidea, que está no capítulo de cefaleias secundárias; nem o antibiótico empírico da meningite bacteriana, que está no capítulo de meningites. As doenças que a punção investiga já têm dono.

O que não tinha dono é o ato. E é nele que dois documentos brasileiros escritos para a mesma decisão contam contraindicações em números diferentes — oito contra uma —, que o artigo dono da lista mais longa a reduz a um único item na própria caixa de resumo, e que esse item não é o mesmo que o manual federal nomeia. Onde as réguas divergem, o capítulo mostra a divergência em vez de escolher um número e calar o resto.

03

O que muda decisão

O ato que muita gente gasta e ninguém ensina

Há um grupo de decisões clínicas que não pertencem a nenhuma doença porque servem a todas. A punção lombar é uma delas. Quem a indica não está tratando meningite, esclerose múltipla ou hemorragia: está resolvendo uma pergunta que essas três compartilham, que é saber o que corre dentro do espaço subaracnóideo. Por isso a punção aparece dentro de quase toda doença do sistema nervoso e não é ensinada por nenhuma: cada texto a usa como ferramenta e segue adiante para o próprio assunto.

O preço dessa dispersão é que o aluno aprende a punção como gesto e não como escolha. Ele decora que na meningite se punciona, que no Guillain-Barré se punciona, que na hemorragia com imagem normal se punciona — e não aprende o que essas indicações têm em comum, que é o único critério que sobrevive quando o quadro à frente não se parece com nenhum dos casos treinados.

O critério comum é simples de enunciar e difícil de aplicar: a punção só se justifica quando o resultado muda o que vai ser feito. Um líquido normal que não retira nenhuma hipótese da mesa e um líquido alterado que não acrescenta nenhuma conduta são o mesmo desperdício, com a diferença de que o segundo dá a sensação de ter servido para alguma coisa. A punção que não muda a conduta é procedimento invasivo com finalidade documental.

Vale um contraste para fixar. Quando o mesmo aluno chega diante de uma suspeita de encefalite, de uma doença desmielinizante ou de uma carcinomatose meníngea, o que ele precisa decidir é idêntico nos três casos: se o líquido responde, se alguma porta está fechada, e como colhê-lo de modo que a resposta exista. As doenças mudam por completo; a decisão muda muito pouco. É esse invariante que compensa aprender uma vez e usar sempre.

Há uma segunda razão para tratar o ato como unidade. A punção tem uma lista de contraindicações própria, uma técnica cuja execução determina se um dos resultados existe ou não, e um conjunto de complicações que pertencem a ela e não à doença investigada. Nada disso cabe dentro do capítulo de uma doença sem virar nota de rodapé. Quem organiza a decisão em torno do ato consegue transportá-la para a doença seguinte; quem a organiza em torno da doença precisa reaprender tudo a cada quadro novo.

A pergunta que vem antes da agulha

A primeira coisa a decidir não é se há contraindicação, e sim se há indicação. As indicações diagnósticas do exame do líquido cefalorraquidiano cabem em quatro famílias: as doenças infecciosas e inflamatórias do sistema nervoso central, as doenças desmielinizantes, as neoplasias do sistema nervoso e a hemorragia no espaço subaracnóideo quando a imagem não a mostrou. Fora dessas quatro, a punção costuma ser um exame em busca de uma pergunta.

A quarta família merece atenção porque é a única em que a punção entra depois de um exame negativo, e não antes de qualquer exame. Nas outras três, o líquido confirma, tipifica ou quantifica algo que já se suspeita. Na hemorragia, o líquido é chamado justamente porque a tomografia não encontrou o que a história descreve — e o valor da punção ali é inteiramente negativo: ela serve para tirar da mesa uma hipótese cuja permanência obrigaria a investigar vasos.

Existem ainda as indicações terapêuticas, que são de outra natureza e muitas vezes esquecidas justamente por não produzirem laudo. A punção é o caminho para infundir medicamentos dentro do espaço liquórico, seja quimioterápico, antimicrobiano, corticoide ou fármaco de ação medular; é a via da anestesia raquidiana; e é, ela própria, tratamento no alívio da cefaleia intensa causada por hipertensão intracraniana idiopática, em que retirar líquido baixa a pressão e a dor cede.

Vale reparar no que essa última indicação implica. Em um único quadro, a pressão elevada deixa de ser motivo de cautela e vira a própria indicação. A diferença está em saber se a pressão sobe difusamente, por excesso de líquido, ou se sobe porque alguma coisa dentro do crânio ocupa espaço. No primeiro caso, retirar líquido alivia. No segundo, retirar líquido cria um gradiente entre compartimentos que antes estavam equilibrados. É a mesma agulha e o efeito é oposto — e o que separa os dois não está no líquido, está na imagem e no fundo de olho.

As quatro portas que se fecham de vez

As contraindicações absolutas da punção lombar são quatro, e vale a pena aprendê-las pela lógica antes de pela lista, porque a lógica sobrevive à redação de cada documento. A primeira é a recusa do paciente ou de seu responsável legal. Ela é absoluta por uma razão que não é técnica: um procedimento invasivo sem consentimento não é procedimento, e nenhuma urgência diagnóstica converte recusa em permissão.

A segunda e a terceira são a mesma física em dois estágios. A herniação já instalada e a lesão neurológica com efeito de massa proíbem a punção porque o crânio é uma caixa fechada em que os compartimentos só permanecem em equilíbrio enquanto a pressão for parecida entre eles. Retirar líquido pela via lombar baixa a pressão embaixo e mantém a pressão em cima, e o tecido nervoso se move na direção do gradiente. O risco não é sangrar nem infectar: é deslocar o encéfalo.

A quarta é a infecção de pele no local da punção ou em seu trajeto, seja uma piodermite, uma lesão de varicela ou um abscesso. A agulha atravessa a pele antes de qualquer outra coisa e leva consigo o que estiver ali; o espaço que ela alcança não tem defesa própria comparável à dos tecidos que atravessou. Transformar uma infecção cutânea localizada em uma infecção do sistema nervoso é um dano de outra ordem de grandeza que o problema original.

Repare que apenas uma das quatro depende de exame de imagem, e que duas delas se resolvem olhando o paciente: a recusa se colhe conversando e a infecção de pele se vê despindo as costas. Isso importa porque a cena típica é de pressa, e na pressa se pede tomografia e não se olha o dorso. Descobrir a piodermite depois da assepsia é descobrir tarde.

As quatro portas que apenas se entreabrem

As contraindicações relativas também são quatro, e a palavra relativa aqui tem sentido preciso: não significa menos grave, significa que existe uma conduta capaz de removê-las. São elas o sinal clínico de hipertensão intracraniana ainda não investigada ou não tratada, a suspeita de efeito de massa levantada por sinal neurológico focal, o distúrbio de coagulação e o comprometimento cardiorrespiratório.

A primeira e a segunda são versões incertas da segunda e da terceira portas absolutas, e essa simetria é a coisa mais útil da lista inteira. A lesão com efeito de massa comprovada fecha a porta; a suspeita de efeito de massa apenas a entreabre, e o que a abre de novo é o exame que converte suspeita em conhecimento. A mesma expressão aparece nas duas listas, e quem a lê sem reparar no verbo conclui que o documento se contradiz. Não se contradiz: distingue o que se sabe do que se teme.

Há uma consequência prática dessa simetria que costuma passar despercebida. Uma porta relativa acesa não adia o diagnóstico inteiro: adia apenas a punção. Enquanto a plaqueta sobe, enquanto a anticoagulação é revertida ou enquanto o paciente estabiliza, a hemocultura já foi colhida, a imagem já foi pedida e o tratamento empírico já corre. O que se ganha esperando é segurança no procedimento; o que não se pode perder esperando é tempo de tratamento.

O distúrbio de coagulação é a única das oito com números, e os números existem porque a hemorragia no espaço epidural comprime a medula ou a cauda equina sem que haja para onde ela se expandir. Abaixo de trinta mil plaquetas, ou com razão normatizada internacional acima de dois, o risco deixa de ser teórico. São limiares corrigíveis: transfundir plaquetas e reverter a anticoagulação devolvem a possibilidade do exame.

O comprometimento cardiorrespiratório é o mais esquecido e o mais concreto. A punção exige que o paciente permaneça imóvel, deitado de lado e com o dorso fletido — uma posição que reduz a expansão torácica e que um paciente com esforço respiratório não tolera. Aqui a contraindicação não é ao exame, é à posição. Quem estabiliza a respiração antes reconquista o acesso ao líquido.

O fundo de olho, a tomografia e o especialista

Chegamos ao ponto em que os documentos brasileiros deixam de dizer a mesma coisa, e a divergência é instrutiva porque não é sobre o risco, é sobre quem resolve a dúvida.

A revisão brasileira dedicada ao procedimento estabelece uma sequência: diante do risco de descompressão abrupta em quem já tem hipertensão intracraniana, é protocolo realizar a fundoscopia para verificar papiledema e, em caso de dúvida, solicitar tomografia para pesquisar massa intracraniana. O fundo de olho vem primeiro e a máquina vem depois, chamada apenas quando o olho não resolveu. É uma régua de quem está com o paciente e tem oftalmoscópio à mão.

O manual federal de vigilância, escrevendo sobre a doença meningocócica, resolve a mesma situação de outro modo: havendo hipertensão endocraniana grave, aconselha solicitar um especialista para a retirada mais cuidadosa do líquido, ou aguardar a melhora do quadro, priorizando enquanto isso a análise de outros espécimes clínicos. Não classifica a contraindicação nem manda olhar o fundo de olho: encaminha a decisão a outra pessoa e lembra que há sangue e lesão de pele para colher.

As duas orientações não se anulam, e é importante entender por quê. Uma foi escrita para ensinar o procedimento a quem vai executá-lo; a outra foi escrita para orientar a vigilância de uma doença de notificação, num documento que diz explicitamente que a punção deve ser feita por médico com treinamento específico e em serviço com condições mínimas. São compartimentos diferentes: uma régua ensina a fazer, a outra ensina a reconhecer quando não se deve fazer sozinho.

O que o aluno leva das duas juntas é a conduta completa: olhar o fundo de olho, pedir imagem se a dúvida persistir, chamar quem tem mais experiência quando a pressão for francamente alta, e não deixar o diagnóstico parado enquanto isso — porque existe material a colher fora do canal medular.

O antibiótico não espera nem a agulha nem a máquina

Dentro do mesmo manual federal há duas frases sobre a ordem dos atos que, lidas isoladamente, apontam para lados diferentes. A primeira diz que a antibioticoterapia deve ser instituída o mais precocemente possível, de preferência logo após a punção lombar e a coleta de sangue para hemocultura. A segunda diz que a adoção imediata do tratamento adequado não impede a coleta de material para o diagnóstico, recomendando apenas que ela ocorra o mais próximo possível do início do tratamento.

A primeira frase põe a agulha antes do antibiótico. A segunda diz que o antibiótico não precisa esperar a agulha. Quem lê só uma delas sai com meia conduta, e as duas metades erram em direções opostas: uma atrasa o tratamento para não perder a cultura, a outra perde a cultura por não organizar a coleta.

A leitura conjunta resolve, e resolve por uma assimetria simples. A esterilização do líquido pelo antibiótico custa um diagnóstico etiológico; o atraso do antibiótico custa o paciente. Só um dos dois prejuízos se recupera depois, e não é o atraso. A ordem preferencial existe porque, quando dá para puncionar em minutos, puncionar primeiro não custa nada e preserva a cultura. Ela deixa de valer no instante em que puncionar primeiro passa a custar tempo.

É também por isso que o manual insiste na coleta de sangue. A hemocultura não depende da posição do paciente, não depende de plaqueta, não depende de tomografia e leva segundos. Quando a punção está bloqueada — por coagulação, por instabilidade, por espera de especialista —, o sangue continua sendo colhido, e a bacterioscopia da lesão de pele, quando existe, continua sendo possível. O que não pode acontecer é o antibiótico esperar um exame que não vai sair.

A posição, o espaço e o que a agulha atravessa

A punção pode ser feita com o paciente deitado de lado ou sentado, e a escolha não é indiferente. Sentado, o espaço entre as vértebras abre com mais facilidade e a referência anatômica fica mais evidente, o que ajuda em quem tem sobrepeso ou anatomia difícil. Deitado de lado, o acesso é menos confortável, e é a única posição em que a pressão de abertura significa alguma coisa.

A regra anatômica é conhecida e vale para adulto e para criança: a medula termina acima do nível em que se punciona, e por isso a agulha entra abaixo dela, nos espaços da região lombar baixa. O manual federal aceita a faixa que vai da primeira vértebra lombar à primeira sacral e prefere os três espaços mais baixos dessa faixa; a revisão do procedimento prefere o espaço entre a terceira e a quarta vértebra lombar, tanto em adultos quanto em crianças. Quanto mais fletidos a cabeça e os membros inferiores, maior a abertura entre as vértebras — o que faz da posição uma variável técnica, e não um detalhe de conforto.

O que a agulha atravessa importa porque produz o sinal que informa o operador. Depois da pele e do tecido subcutâneo vêm os ligamentos, e o último deles oferece uma resistência característica; vencida essa resistência, o bisel está no espaço subaracnóideo. Não existe indicador melhor do que esse durante o procedimento, e é por isso que se retira o mandril a cada poucos milímetros de avanço, para verificar se o líquido sai.

Quando o líquido não sai, a manobra correta não é avançar com força. Gira-se a agulha em torno do próprio eixo, para desobstruir a abertura caso alguma raiz nervosa a esteja tampando, e só então se recua ou avança poucos milímetros à procura do espaço. Força não resolve nada nesse procedimento e produz quase todas as suas complicações.

Adulto em decúbito lateral com cabeça e joelhos fletidos, coluna lombar em transparência, linha entre as cristas ilíacas e agulha fina entrando num espaço abaixo dessa linha.
A flexão da cabeça e dos membros inferiores alarga o espaço entre as vértebras, e a agulha entra na região lombar baixa, abaixo do ponto em que a medula termina.

A pressão de abertura: o número que só existe deitado

Entre as medidas que a punção produz, a pressão de abertura é a única que deixa de existir se a técnica não for exata — e é também a única que se perde para sempre, porque não se mede em amostra guardada. Ela se obtém acoplando um manômetro à agulha por meio de uma torneira de três vias, e lendo a altura da coluna quando ela para de subir.

Duas condições tornam a leitura válida. A primeira é o decúbito lateral, obrigatório: com o paciente sentado, a coluna de líquido acima do ponto de punção acrescenta uma altura hidrostática que não tem nada a ver com a pressão dentro do crânio, e o número resultante é alto por geometria. A segunda é estender as pernas e a cabeça antes de medir, desfazendo a flexão que serviu para abrir o espaço — porque a flexão comprime o abdome e o abdome empurra o valor para cima.

Dito de outro modo: a posição que torna a punção fácil torna a medida errada, e por isso as duas etapas não podem ser simultâneas. Flete-se para entrar, estende-se para medir. Quem inverte a ordem consegue o líquido e perde o número, e costuma nem perceber, porque o manômetro dá um valor de qualquer jeito.

O que se faz com o número depende do resto do quadro. Uma pressão alta em quem tem cefaleia, obscurecimento visual transitório e papiledema aponta para excesso de líquido dentro de um crânio sem massa. Uma pressão alta em quem tem sinal focal aponta para o que a punção não deveria ter encontrado, porque nesse caso a punção não deveria ter sido feita. A manometria vale mais decidida antes do que lembrada depois, com a agulha já no lugar.

Os três tubos e as quatro medidas

A coleta se distribui em três tubos, e a distribuição não é arbitrária. No primeiro vão a cultura bacteriana e a coloração de Gram; no segundo, a proteína e a glicose; no terceiro, a contagem de células e o diferencial. A ordem protege os exames mais sensíveis à contaminação: o primeiro tubo é o que menos carrega sangue de trajeto, e é justamente nele que vai a microbiologia.

As medidas que decidem são quatro: a pressão de abertura, a celularidade com seu diferencial, a proteína e a glicose. Vale sempre lembrar que a glicose do líquido só se interpreta contra a glicemia colhida ao mesmo tempo — um valor liquórico isolado não diz se está baixo, porque baixo aqui é uma razão, não um número.

O arranjo dessas quatro medidas separa as grandes famílias. Muitas células com predomínio de neutrófilos, proteína alta e glicose baixa desenham a infecção bacteriana aguda. Células em menor número, com predomínio de linfócitos, proteína pouco alterada e glicose preservada desenham a infecção viral. Linfócitos com proteína muito alta e glicose baixa, num quadro arrastado, apontam para as causas crônicas — a tuberculose e as fúngicas —, e é nesse arranjo que entram as pesquisas específicas de agente.

Duas cautelas acompanham essa leitura. A primeira é que antimicrobiano iniciado antes da coleta altera o quadro: a celularidade e a proteína seguem alteradas, mas a cultura pode não crescer — e é por isso que colher sangue antes da primeira dose vale tanto. A segunda é que nenhum dos arranjos é exclusivo: eles orientam a hipótese e a terapia inicial, e as pesquisas específicas de agente confirmam ou corrigem depois.

Há um arranjo que não pertence à infecção e que costuma ser o mais cobrado de todos: proteína alta com celularidade normal, encontrada em quem tem fraqueza ascendente e reflexos abolidos. É um padrão que só aparece se as duas medidas forem lidas juntas; olhando só a proteína, confunde-se com infecção, e olhando só as células, conclui-se que o líquido é normal.

Uma advertência sobre o que a coleta permite. O volume retirado é pequeno e o líquido se refaz depressa — o organismo produz cerca de meio litro por dia e mantém um volume constante que se renova várias vezes ao longo de um dia. Isso significa que o custo fisiológico da coleta é desprezível e que o custo real do exame está inteiro nas suas contraindicações, não no volume.

O sangue que já estava lá e o sangue que a agulha fez

Um líquido com sangue tem duas explicações possíveis, e distingui-las é problema exclusivo da punção — não da doença. Ou o sangue estava no espaço subaracnóideo antes de a agulha chegar, ou a própria agulha feriu um vaso do trajeto ao entrar.

A primeira conta é feita com os tubos em sequência, e por isso os tubos são numerados na ordem em que foram colhidos. Se a agulha causou o sangramento, o sangue vai clareando à medida que o líquido corre: o último tubo é visivelmente menos hemorrágico que o primeiro. Se o sangue já estava lá, ele está distribuído por todo o compartimento e a cor não muda de um tubo para o outro. É o mesmo material, e o que informa não é a cor, é a diferença entre as cores.

A segunda conta é feita no tempo. Sangue que permaneceu horas dentro do líquido tem hemácias que se degradam e liberam pigmento, e esse pigmento tinge o sobrenadante depois de centrifugado. Sangue introduzido no instante da punção não teve tempo de fazer isso. A consequência prática é desconfortável: uma punção feita muito cedo na evolução pode não mostrar o pigmento mesmo havendo sangramento verdadeiro, e nesse caso o resultado negativo não tem o valor que aparenta.

As duas contas se apoiam uma na outra, e nenhuma delas sobrevive a uma coleta desorganizada. Tubos sem ordem, tubo único ou amostra que não foi centrifugada transformam um exame que responderia a pergunta em um exame que apenas registra que havia sangue. A qualidade da resposta aqui é decidida na sala de coleta, e não no laboratório.

O que a punção cobra depois

A complicação mais comum é a cefaleia que aparece nas horas ou dias seguintes, piora quando o paciente fica de pé e alivia quando ele se deita. A postura é o que a identifica, e é o que a separa da cefaleia da doença que motivou o exame. Ela decorre do vazamento persistente de líquido pelo orifício deixado na dura-máter, e por isso depende mais do calibre e do formato da agulha do que da habilidade de quem puncionou.

A complicação temida é outra, e já foi discutida por outro caminho: a descompressão abrupta do sistema liquórico em quem tinha hipertensão intracraniana prévia. É a razão de existir de metade da lista de contraindicações, e a única cuja prevenção acontece inteiramente antes do procedimento. Nenhuma manobra corrige a decisão de ter indicado — não durante a punção.

Há ainda a dor lombar local, comum e passageira, e as complicações infecciosas e hemorrágicas, raras e ligadas justamente às duas contraindicações que se checam olhando o dorso e o coagulograma. O conjunto compõe um procedimento que é seguro na média e perigoso em pacientes específicos — que é exatamente o perfil de risco que recompensa quem seleciona bem e pune quem executa no automático.

Fechando o ato: a punção lombar é decidida três vezes. Uma quando se pergunta se o resultado muda a conduta. Outra quando se verifica se alguma das oito portas está fechada, e se a que está fechada pode ser aberta. E a terceira na hora de posicionar o paciente, porque é ali que se ganha ou se perde a pressão de abertura. Quem acerta as três colhe um exame que decide; quem acerta duas colhe um líquido que apenas informa.

04

Da indicação à agulha: a sequência que não deixa buraco

A sequência abaixo vale para o adulto em que se cogita examinar o líquido cefalorraquidiano. Ela é curta de propósito: cada passo remove uma classe inteira de erro, e a ordem entre eles é o que impede que um exame correto chegue tarde demais.

  1. 1Pergunte o que muda. Se nenhum resultado possível alterar a conduta, pare aqui — a indicação é o primeiro filtro e o mais barato.
  2. 2Se houver suspeita de infecção do sistema nervoso central, colha hemocultura agora e defina o antibiótico agora. O tratamento não fica represado atrás do procedimento.
  3. 3Converse e obtenha o consentimento; desnude o dorso e procure lesão de pele no local e no trajeto. Duas das quatro contraindicações absolutas se resolvem aqui, sem exame nenhum.
  4. 4Faça a fundoscopia. Papiledema, sinal neurológico focal ou rebaixamento de consciência mandam pedir a tomografia antes; sem eles, a imagem não é obrigatória.
  5. 5Confira plaquetas e coagulação. Abaixo de 30.000 plaquetas ou com RNI acima de 2,0, corrija primeiro — é limiar removível, não veto.
  6. 6Avalie se o paciente tolera a posição. Esforço respiratório ou instabilidade adiam o procedimento, não o diagnóstico.
  7. 7Posicione em decúbito lateral com flexão para entrar; ao obter líquido, estenda pernas e cabeça e só então meça a pressão de abertura.
  8. 8Colha nos três tubos, em ordem, e mande a glicemia do mesmo momento. Sem a glicemia pareada, a glicose do líquido não se interpreta.

Entrar: flexão

Decúbito lateral com cabeça e joelhos fletidos abre os espaços intervertebrais. Preferem-se os espaços lombares baixos (L3-L4, L4-L5 ou L5-S1), abaixo do fim da medula. A resistência do ligamento amarelo é o aviso de que o bisel chegou; retire o mandril a cada 2 mm para conferir a saída de líquido.

Medir: extensão

O manômetro acopla-se por torneira de 3 vias. Antes de ler, estenda pernas e cabeça — a flexão que abriu o espaço comprime o abdome e eleva o valor. Leia quando a coluna parar de subir, e apenas em decúbito lateral: sentado, a altura hidrostática falsifica a medida.

Colher: em ordem

Tubo 1, cultura e Gram; tubo 2, proteína e glicose; tubo 3, células e diferencial. A ordem permite a comparação entre tubos que separa acidente de punção de sangramento prévio. Cerca de 3 mL bastam para o painel básico.

As oito portas: o que fecha de vez e o que se pode abrir

PortaClasseO que a remove
Recusa do paciente ou do responsável legalAbsolutaNada durante o episódio; só nova decisão do próprio paciente
Herniação do sistema nervoso centralAbsolutaNada; a punção sai definitivamente do plano
Lesão neurológica com efeito de massa comprovadaAbsolutaNada; o tratamento da lesão vem antes de qualquer líquor
Infecção de pele no local ou no trajetoAbsolutaNada no local; discutir outra via com quem tem experiência
Sinal de hipertensão intracraniana não investigadaRelativaFundoscopia e, na dúvida, tomografia
Suspeita de efeito de massa (sinal focal)RelativaTomografia: converte a suspeita em lesão ou a afasta
Plaquetas < 30.000 ou RNI > 2,0RelativaTransfusão de plaquetas; reversão da anticoagulação
Comprometimento cardiorrespiratórioRelativaEstabilizar; a contraindicação é à posição, não ao exame

As quatro medidas e os arranjos que elas desenham

ArranjoCélulasProteínaGlicose
Bacteriana agudaMuitas, neutrófilosAltaBaixa (razão com a glicemia pareada)
ViralPoucas a moderadas, linfócitosNormal ou pouco altaNormal
Tuberculosa ou fúngicaModeradas, linfócitosMuito altaBaixa
Guillain-BarréNormaisAltaNormal

A glicose liquórica isolada não se interpreta: o que decide é a razão com a glicemia colhida no mesmo momento. Sem o par, o número do laudo não distingue infecção de hiperglicemia.

A pressão de abertura é a única medida que a técnica pode destruir. Amostra guardada permite repetir célula, proteína e glicose; nenhuma amostra permite repetir a manometria.

Quando a punção está bloqueada, o diagnóstico etiológico não para: hemocultura e bacterioscopia de lesão de pele seguem disponíveis, e o manual federal registra que o tratamento imediato não impede a coleta.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quantas contraindicações tem a punção lombar: oito ou uma?

Vittalle (2021) — oito, em duas listas

O artigo separa quatro contraindicações absolutas (recusa do paciente ou responsável legal; herniação do SNC; lesão neurológica com efeito de massa; infecção de pele no local ou no trajeto) de quatro relativas (sinais clínicos de hipertensão intracraniana não pesquisada ou não tratada; suspeita de efeito de massa; alterações da coagulação, com plaquetas < 30.000 ou RNI > 2,0; comprometimento cardiorrespiratório).

PIAZZETTA, G. R.; PEREIRA, H. C. P. Punção lombar. Vittalle — Revista de Ciências da Saúde, FURG, v. 33, n. 1, 2021, p. 111-123, seções 3.3 e 3.4.

Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. rev. (2024) — uma

No capítulo de doença meningocócica, o manual federal nomeia uma só: "Uma das contraindicações para a punção lombar é a existência de infecção no local da punção (piodermite)". Para a hipertensão endocraniana grave não usa a palavra contraindicação — aconselha solicitar especialista ou aguardar a melhora do quadro.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada, Brasília, 2024, capítulo Doença Meningocócica.

Na prova

As duas réguas não competem: o manual de vigilância escreve para quem notifica e colhe espécime, e diz em outro trecho que a punção deve ser feita por médico com treinamento específico — por isso lista a contraindicação que qualquer um enxerga (piodermite) e encaminha o resto ao especialista. O artigo escreve para quem executa, e por isso lista as oito. Quando o enunciado descrever sinal focal, papiledema ou coagulopatia, a régua aplicável é a das oito portas, e o texto federal não a contradiz: ele apenas não a escreve.

Antes da agulha, o que resolve a dúvida: o fundo de olho, a tomografia ou outra pessoa?

Vittalle (2021) — fundoscopia primeiro, imagem na dúvida

"Para evitá-la, é protocolo realizar fundoscopia para verificar a presença de papiledema e, em caso de dúvida, solicitar TC para pesquisar a presença de massa intracraniana." A tomografia é o segundo recurso, acionado quando o exame de fundo de olho não resolveu.

PIAZZETTA, G. R.; PEREIRA, H. C. P. Punção lombar. Vittalle, FURG, v. 33, n. 1, 2021, p. 111-123, seção sobre complicações e prevenção.

Guia de Vigilância em Saúde (2024) — especialista ou espera

"No caso de haver hipertensão endocraniana grave, é aconselhável solicitar um especialista para a retirada mais cuidadosa do líquor, ou aguardar a melhora do quadro, priorizando-se a análise de outros espécimes clínicos." A decisão é encaminhada, e o diagnóstico segue por sangue e lesão de pele.

BRASIL. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde, volume 1, 6ª edição revisada, Brasília, 2024, capítulo Doença Meningocócica, seção de diagnóstico laboratorial.

Na prova

A diferença é de compartimento, não de mérito: um documento ensina a executar, o outro ensina a encaminhar. Quando o enunciado colocar o candidato como quem está com o paciente e com o oftalmoscópio, a resposta segue a primeira régua; quando o cenário for de unidade sem retaguarda, a segunda régua é a que descreve a conduta segura — e nenhuma das duas autoriza adiar o antibiótico.

O corpo do artigo contra a própria caixa de resumo

Corpo do artigo — quatro absolutas

Na seção 3.3, o texto enumera quatro contraindicações absolutas: recusa do paciente ou do responsável legal, herniação do SNC, lesão neurológica com efeito de massa e infecção de pele no local da punção ou no trajeto.

PIAZZETTA, G. R.; PEREIRA, H. C. P. Punção lombar. Vittalle, FURG, v. 33, n. 1, 2021, seção 3.3. Deslocamento medido com espaços e quebras colapsados: 8.857 no texto do PyMuPDF 1.28.0 e 8.885 no do pypdf 6.14.2 (cru: 9.086 e 9.128).

Caixa de recapitulação — uma só

Adiante, a caixa de pontos-chave do mesmo artigo reduz a lista a um item: "A principal contraindicação é lesão neurológica com efeito de massa". A recusa, a herniação e a infecção de pele não reaparecem.

PIAZZETTA, G. R.; PEREIRA, H. C. P. Punção lombar. Vittalle, FURG, v. 33, n. 1, 2021, caixa de recapitulação. Deslocamento 24.375 no PyMuPDF 1.28.0 e 24.430 no pypdf 6.14.2 (cru: 25.063 e 25.097); distância até a lista do corpo de 15.518 e 15.545 caracteres — a divergência é reproduzida pelos dois extratores.

Na prova

Quem estuda pela caixa de resumo memoriza uma contraindicação e perde as três que se checam sem exame nenhum — inclusive a recusa, que é a mais frequente na vida real. A caixa não está errada ao eleger a mais grave; está incompleta como lista. Vale como aviso geral de método: recapitulação de artigo é hierarquia, não inventário.

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Caso resolvido

Homem de 58 anos é trazido ao pronto-socorro com febre alta há um dia, cefaleia intensa e confusão mental progressiva. Ao exame: temperatura 39,1 °C, rigidez de nuca, Glasgow 13, sem déficit motor focal, pupilas isocóricas e fotorreagentes. A fundoscopia não mostra papiledema. Plaquetas 210.000, RNI 1,1. Não há lesão de pele no dorso. O serviço tem tomógrafo, mas a fila estimada é de 90 minutos.
indicação
Febre, cefaleia, rigidez de nuca e alteração de consciência compõem a suspeita de infecção do sistema nervoso central — a primeira das quatro famílias de indicação diagnóstica. O resultado do líquido muda o antimicrobiano, o isolamento e a notificação: a punção passa no filtro de utilidade.
tratamento não espera
Antes de qualquer deslocamento, colhe-se hemocultura e inicia-se o antibiótico empírico. O manual federal registra que a adoção imediata do tratamento não impede a coleta de material; a assimetria decide — cultura perdida é recuperável por outras vias, tempo de tratamento não é.
portas absolutas
Consentimento obtido; dorso desnudado e sem piodermite; sem sinal de herniação; sem lesão conhecida com efeito de massa. As quatro absolutas estão abertas, e duas delas foram verificadas sem nenhum exame complementar.
portas relativas
Sem papiledema à fundoscopia, sem sinal neurológico focal, plaquetas e RNI dentro da faixa, respiração estável. Não há achado que indique tomografia prévia: a fila de 90 minutos não precisa ser enfrentada antes da punção.
técnica
Decúbito lateral com flexão de cabeça e joelhos para abrir os espaços; punção em L3-L4; ao obter líquido, pernas e cabeça estendidas e só então o manômetro acoplado pela torneira de 3 vias, com leitura quando a coluna estabilizar.
coleta
Três tubos em ordem: cultura e Gram, proteína e glicose, células e diferencial — com glicemia colhida no mesmo momento para permitir a razão. Líquido turvo, com predomínio de neutrófilos, proteína alta e razão glicêmica reduzida confirmam a infecção bacteriana aguda já em tratamento.
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Agora feche você

Mulher de 41 anos chega com cefaleia holocraniana há três semanas, pior ao acordar, com vômitos e um episódio de visão turva transitória. Ao exame: Glasgow 15, força preservada, mas há discreta assimetria de reflexos à direita e resposta plantar em extensão desse lado. A fundoscopia mostra papiledema bilateral. Plaquetas e coagulograma normais. O plantonista solicita punção lombar imediata para medir a pressão de abertura e colher líquido.
achado que trava
Papiledema bilateral e assimetria de reflexos com resposta plantar em extensão de um lado configuram sinal neurológico focal somado a sinal de hipertensão intracraniana — duas das quatro portas relativas, acesas ao mesmo tempo.
o que a régua manda
Diante de papiledema e sinal focal, a fundoscopia já cumpriu seu papel e a dúvida permanece: é o caso de solicitar imagem antes da punção, para converter a suspeita de efeito de massa em lesão demonstrada ou afastá-la.
o risco concreto
Se houver lesão com efeito de massa, retirar líquido pela via lombar baixa a pressão abaixo e mantém a pressão acima, criando o gradiente que desloca o encéfalo. O dano não é do líquido colhido: é da diferença de pressão que a coleta fabrica.
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Onde a banca derruba

  1. 1Medir a pressão de abertura com o paciente sentado Sentado, a coluna de líquido acima do ponto de punção soma uma altura hidrostática que nada tem a ver com a pressão intracraniana, e o manômetro exibe um valor alto e convincente. O erro não avisa: o número existe, só não mede o que se pretendia. A manometria exige decúbito lateral, e exige que as pernas e a cabeça sejam estendidas antes da leitura.
  2. 2Segurar o antibiótico esperando a punção A ordem preferencial — puncionar e depois tratar — vale enquanto puncionar custar minutos. Quando a punção depende de tomografia, de transfusão de plaquetas ou da chegada de outro profissional, essa ordem deixa de valer. Perde-se cultura, que é recuperável por hemocultura e por bacterioscopia de lesão de pele; não se perde tempo de tratamento, que não é recuperável.
  3. 3Pedir tomografia para todo mundo antes de puncionar A imagem prévia é indicada por achado, não por rotina: papiledema, sinal neurológico focal ou rebaixamento de consciência. Tomografar sem esses achados adiciona uma etapa que atrasa a coleta e o tratamento sem retirar risco algum — e, pior, dá a impressão de que o fundo de olho pode ser pulado, quando ele é o exame que a régua manda fazer primeiro.
  4. 4Ler a glicose do líquido sem a glicemia do mesmo momento O valor liquórico isolado não distingue consumo bacteriano de hiperglicemia sistêmica. Um paciente com glicemia muito elevada pode ter glicose liquórica dentro da faixa de referência e ainda assim estar com a razão reduzida. O par precisa ser colhido junto: pedir a glicemia depois, quando o laudo chega, já não reconstitui o momento.
  5. 5Concluir sangramento prévio a partir de um tubo só Um líquido hemorrágico não diz sozinho de onde veio o sangue. A comparação entre o primeiro e o último tubo separa o acidente de punção, que clareia, do sangramento que já estava no compartimento, que não clareia. Coletar em tubo único, ou perder a ordem dos tubos, elimina a única informação que responderia a pergunta.
  6. 6Tratar a recusa como obstáculo administrativo A recusa do paciente ou do responsável legal está na lista das absolutas, no mesmo nível da herniação. Não é etapa burocrática que a urgência dispensa, e não se resolve com assinatura colhida às pressas depois do procedimento. Quando ela aparece, a conduta é esclarecer, registrar e seguir o diagnóstico por outras vias.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: Há sinais de risco para herniação/lesão expansiva (rebaixamento do nível de consciência com Glasgow em queda e déficit focal — paresia do III par), que são indicações formais de tomografia de crânio ANTES da punção lombar. Nessas situações, o antibiótico empírico (associado à dexametasona antes/junto da 1ª dose) NÃO deve ser adiado enquanto se aguarda o exame de imagem, pois o atraso aumenta a mortalidade. Colhem-se hemoculturas antes. Puncionar antes da imagem num paciente com déficit focal e rebaixamento arrisca herniação. Adiar o antibiótico aguardando a TC piora o prognóstico. Aciclovir cobre encefalite herpética, mas não substitui a investigação/tratamento da meningite bacteriana nem dispensa a punção. A punção lombar é essencial para o diagnóstico; hemocultura isolada não a substitui.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Reconstrua de memória as oito portas em duas colunas — quatro absolutas e quatro relativas — e, ao lado de cada relativa, escreva a conduta que a remove. Depois responda sem consultar: quais duas das oito se checam sem nenhum exame complementar? (Recusa e infecção de pele: uma se colhe conversando, a outra despindo o dorso.) Em seguida, escreva a sequência das duas posições — flexão para entrar, extensão para medir — e diga o que se perde ao inverter.

em 30 dias

Monte a tabela das quatro medidas (pressão, células, proteína, glicose) e preencha as quatro linhas de arranjo: bacteriana, viral, crônica (tuberculosa ou fúngica) e Guillain-Barré. Confira se você escreveu a glicose como razão com a glicemia pareada, e não como número isolado. Depois, em três frases, resolva o conflito da ordem dos atos: quando puncionar antes de tratar, quando tratar antes de puncionar, e o que se colhe quando a punção está bloqueada.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Plantão de quarta à noite: chega um paciente febril, confuso e com rigidez de nuca, e a enfermagem já separou a bandeja de punção. Antes de calçar a luva, resolva as três decisões — o que muda com o resultado, quais das oito portas estão fechadas, e o que já pode correr enquanto o procedimento se organiza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Punção lombar no adulto: o que vem antes da agulha e o que ela decide — Preparatório para provas | OsceLabs