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Mão e punho eletivos: a mesa que indica a cirurgia e a noite que faz o diagnóstico

Dupuytren, túnel do carpo e dedo em gatilho

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 52 anos refere dor e parestesia na mão direita, predominando nos três primeiros dedos e na metade radial do quarto dedo, com piora noturna que a acorda e melhora ao sacudir a mão. Ao exame, a percussão sobre o punho reproduz o formigamento e a flexão sustentada do punho por 60 segundos desencadeia os sintomas. Há hipotrofia da eminência tenar. Qual estrutura está comprometida e qual teste corresponde à manobra de flexão sustentada?

02

Como esse tema cai

A mão eletiva não chega pela porta da emergência e não chega com radiografia. Chega com uma queixa funcional — não fecho a luva, acordo com a mão dormente, o dedo trava de manhã — e a decisão que se cobra não é o nome da doença, que costuma vir de graça na primeira olhada. A decisão é o limiar: a partir de que ponto aquele paciente sai da unidade básica com órtese e volta em três meses, e a partir de que ponto ele sai com encaminhamento para a cirurgia da mão.

As três condições reunidas aqui compartilham a palma e não compartilham mais nada. A doença de Dupuytren é uma fibromatose da fáscia palmar, tecido que não tem função de deslizamento; a síndrome do túnel do carpo é uma neuropatia compressiva do mediano sob o retináculo dos flexores; as tenossinovites estenosantes são um conflito entre um tendão espessado e uma polia estreita. Fáscia, nervo e bainha respondem a coisas diferentes, e é por isso que uma infiltração que resolve um dedo em gatilho não faz nada por uma corda madura.

Ao lado das três ficam duas réguas que decidem o caminho do paciente no serviço público: os protocolos de encaminhamento da atenção básica para a especializada, que dizem o que precisa estar escrito no papel, e a fila do exame elétrico, que na prática decide quando o paciente é operado. O ponto que mais separa candidato preparado de candidato decorador é o que fazer quando o exame elétrico volta normal e a história continua clássica.

03

O que muda decisão

Três tecidos, uma palma: o que retrai, o que comprime e o que aperta

Comece separando por tecido, porque o tecido determina o exame e o tratamento. A fáscia palmar é uma lâmina fibrosa que ancora a pele à estrutura profunda da mão e não desliza; quando adoece, ela encurta e puxa o dedo para a flexão. O nervo mediano atravessa um túnel osteofibroso de paredes rígidas; quando o conteúdo aumenta ou o continente diminui, a pressão sobe e o nervo sofre isquemia intermitente, primeiro à noite. A bainha sinovial dos flexores permite que o tendão corra sob polias; quando o tendão espessa ou a polia fibrosa, o conflito produz dor, estalido e travamento.

Essa separação por tecido devolve uma pergunta clínica que resolve a maior parte dos casos ainda na primeira consulta: o dedo que não estende consegue fletir sozinho? Na retração fascial, sim — o aparelho flexor está íntegro, e o paciente fecha a mão inteira sem dificuldade. O que não existe é a extensão, e ela não volta nem com esforço, nem com a ajuda da outra mão. É um déficit fixo, não uma perda de força.

Se o dedo não fecha, ou se fecha e trava com estalido, o problema é do tendão e da bainha, não da fáscia. Se o dedo estende e fecha normalmente mas formiga, o problema é do nervo. Três perguntas — estende, fecha, formiga — organizam a palma inteira antes de qualquer manobra com nome próprio.

As três condições convivem no mesmo paciente com frequência maior do que o acaso explicaria, e o diabetes é o denominador comum das associações. Encontrar uma não dispensa procurar as outras duas, e o exame que descarta a coexistência é o mesmo exame de cinco minutos: inspeção da palma, palpação da fáscia, teste de sensibilidade nos territórios do mediano e do ulnar, e mobilização ativa de cada dedo até o fim da flexão.

Dupuytren: a fáscia encurta e o tendão continua intacto

A doença começa como um nódulo firme e indolor na palma, mais frequentemente na projeção do quarto e do quinto raios, sem relação com trauma. O nódulo é proliferativo e contém miofibroblastos, células com aparato contrátil, e é essa contratilidade que explica por que o tecido não só espessa como encurta. Com o tempo o nódulo se organiza numa corda pré-tendínea, uma faixa longitudinal palpável que corre da palma para o dedo, e é a corda que traciona a articulação.

A ordem do acometimento articular tem consequência prática. A metacarpofalângica costuma retrair primeiro, e a interfalângica proximal depois. Quando a doença já alcançou a interfalângica proximal, o problema deixou de ser só a corda: a placa volar e os ligamentos da própria articulação encurtam por desuso na posição fletida, e passa a existir uma contratura articular que a retirada da fáscia não corrige sozinha.

O que a doença não faz é comprometer os tendões flexores. É por isso que o paciente fecha a mão completamente, sem dor, e é por isso que a flexão ativa completa vale como argumento diagnóstico à beira do leito: ela afasta de uma vez a tenossinovite estenosante grave, a contratura isquêmica e a lesão tendínea antiga. A dor, aliás, é exceção — o Dupuytren típico incomoda pela deformidade e pela função, não pela dor.

O perfil de risco é reconhecível e vale perguntar em bloco: sexo masculino, história familiar da mesma deformidade, ascendência do norte europeu, diabetes, etilismo, tabagismo e uso crônico de anticonvulsivante. A doença também tem localizações fora da mão que o exame físico encontra em dois minutos: a fibromatose plantar, nódulos indolores na planta do pé, e os nódulos dorsais sobre as interfalângicas proximais. Perguntar por nódulo no pé numa consulta de mão parece excêntrico até a primeira vez em que a resposta é sim.

A mesa de Hueston: o teste que virou indicação

O teste é banal de executar e é o que muda a conduta. Peça ao paciente que apoie a mão espalmada sobre uma superfície plana, com a palma inteira em contato. Se ele conseguir, o teste é negativo. Se sobrar espaço sob qualquer dedo, o teste é positivo, e a leitura clássica é que a doença passou do ponto em que a observação ainda é aceitável.

A elegância do teste está em medir a coisa certa. A doença de Dupuytren não dói e não perde força; o que ela custa é a capacidade de espalmar a mão, e é essa capacidade que a vida cobra — apoiar a mão na bancada, entrar com a mão no bolso, calçar uma luva, lavar o rosto sem se machucar com o dedo dobrado. Um teste que reproduz a queixa funcional envelhece melhor do que um ângulo medido com transferidor.

Ao lado dele circula um limiar numérico, e os dois convivem na literatura: déficit fixo de extensão de 30 graus ou mais na metacarpofalângica, ou qualquer contratura da interfalângica proximal, independentemente do valor. Note a assimetria: na metacarpofalângica existe um número a atingir, e na interfalângica proximal não existe — qualquer grau já conta, porque essa é a articulação que não perdoa espera.

Na prática dá para usar os dois e escrever os dois no encaminhamento, porque eles medem coisas diferentes. A mesa diz que a doença já custa função; a goniometria diz quanto e onde. O que não se faz é medir só a metacarpofalângica, achar 25 graus e concluir que ainda dá para esperar, sem olhar a interfalângica proximal do mesmo dedo.

Dois painéis com a mesma mão vista de perfil sobre uma superfície plana. À esquerda, a palma inteira encosta no plano, sem vão. À direita, os dois últimos dedos ficam fletidos e elevados, com um vão triangular entre eles e a superfície, e uma faixa longitudinal espessada corre da palma até esses dedos.
O teste da mesa, como Hueston o descreveu: a mão é apoiada espalmada sobre uma superfície plana. Contato completo é teste negativo. Vão sob qualquer dedo é teste positivo, e a leitura clássica é que a retração já custa função suficiente para indicar tratamento. À direita, a faixa que corre da palma ao dedo é a corda pré-tendínea, que traciona a articulação sem comprometer os tendões flexores — motivo pelo qual o mesmo paciente fecha a mão completamente.

Onde a retração mora decide mais do que o quanto ela mede

A graduação mais citada soma os déficits de todas as articulações do mesmo dedo e distribui o resultado em faixas: sem lesão, nódulo sem contratura, e depois faixas de deformidade total crescentes, tipicamente de zero a quarenta e cinco graus, de quarenta e cinco a noventa, de noventa a cento e trinta e cinco, e acima disso. A soma é útil para comparar séries e para registrar evolução, e é insuficiente para prever resultado.

O que prevê resultado é qual articulação está retraída. A metacarpofalângica corrige bem, inclusive quando a retração é grande, porque em extensão seus ligamentos colaterais ficam frouxos e o encurtamento secundário não se instala com a mesma facilidade. A interfalângica proximal corrige mal: a placa volar, os ligamentos de retenção e a cápsula encurtam na posição fletida, e a liberação da fáscia devolve parte do movimento, não o movimento inteiro.

Daí sai a única frase de urgência relativa em toda a doença: uma retração da interfalângica proximal que se arrasta anos custa mais função do que uma retração maior da metacarpofalângica que chegou ontem. O relógio não é o do diagnóstico, é o da articulação distal.

Isso muda o que se diz ao paciente antes da cirurgia. Prometer mão reta a quem tem contratura antiga da interfalângica proximal cria uma expectativa que o procedimento não entrega, e a insatisfação depois é maior do que a limitação antes. A conversa honesta enumera o que a cirurgia costuma devolver — extensão da metacarpofalângica e melhora funcional — e o que ela costuma não devolver, que é o último arco de extensão do dedo mais distal.

Diátese: quem volta a retrair depois de operado

A doença de Dupuytren recidiva, e isso não é falha técnica: é história natural. O conjunto de características que identifica o paciente com maior propensão recebeu o nome de diátese, e a versão moderna reúne seis itens: doença bilateral, nódulos dorsais sobre as interfalângicas proximais, fibromatose plantar, história familiar em parente de primeiro grau, sexo masculino e início antes dos cinquenta anos.

Reconhecer a diátese não contraindica operar. Ela muda três coisas: a escolha da técnica, porque procedimentos que retiram menos tecido recidivam mais cedo; a conversa pré-operatória, porque o paciente precisa saber que pode voltar; e o seguimento, porque a recidiva que se percebe cedo se trata em condições melhores.

Há um problema honesto de linguagem por trás dos números de recidiva que circulam. Não existe definição única do que conta como recidiva — reaparecimento de nódulo, retorno de qualquer grau de contratura, ou retorno acima de um limiar medido em graus a partir do resultado pós-operatório, e em que prazo. Séries que usam definições diferentes produzem taxas que variam por um fator de vários, e comparar duas delas como se medissem a mesma coisa é erro de leitura, não divergência clínica.

Para a consulta, a consequência é simples: registre o valor goniométrico de cada articulação no pós-operatório imediato e na alta. Sem esse valor de partida, ninguém consegue dizer depois se houve recidiva ou se aquele déficit nunca foi corrigido — e a diferença entre as duas coisas muda quem opera de novo e com qual técnica.

O corticoide serve ao nódulo doloroso, não à corda madura

A infiltração de corticosteroide na palma tem indicação estreita e real: o nódulo em fase proliferativa que dói ao apoio. Nessa fase o tecido é celular e vascularizado, e a infiltração pode reduzir volume e sintoma. Isso não é tratamento da deformidade.

A corda estabelecida é tecido fibroso pobre em células, e não responde. Infiltrar uma corda madura para tratar uma retração fixa consome tempo, expõe o paciente ao risco de atrofia do coxim palmar e de despigmentação, e adia o encaminhamento — que é o único tratamento com efeito sobre o déficit de extensão.

Do lado intervencionista existem caminhos com perfis diferentes de recuperação e de recidiva. A fasciotomia percutânea por agulha secciona a corda com agulha através da pele: recuperação rápida, poucos dias de afastamento, e recidiva mais precoce, porque o tecido doente permanece. A fasciectomia retira o tecido doente por via aberta: é o padrão da maioria dos serviços, com recuperação mais longa e recidiva mais tardia. Nas recidivas e nos pacientes com diátese marcada, técnicas que trocam também a pele acometida entram na conversa do cirurgião.

Nada disso substitui a reabilitação. A órtese de extensão noturna e a terapia da mão no pós-operatório fazem parte do tratamento, não são acessório, e a ausência delas é uma das razões pelas quais um resultado cirúrgico bom na mesa vira um resultado medíocre em três meses. Ao encaminhar, escreva que o paciente precisará de terapia da mão: em muitos serviços essa é uma fila separada, que só começa a andar quando alguém a pede.

Túnel do carpo: a queixa é noturna e o exame é somatório

A história típica é tão característica que carrega o diagnóstico: parestesia nos três primeiros dedos e na metade radial do anular, que acorda o paciente na madrugada e melhora quando ele sacode a mão ou a pendura para fora da cama. O gesto de sacudir tem nome próprio na literatura de mão e é um dos achados mais específicos da queixa. Durante o dia, a parestesia volta em atividades com o punho fletido ou em extensão mantida.

Um detalhe anatômico resolve muitas dúvidas e aparece pouco no ensino: o ramo cutâneo palmar do nervo mediano sai do tronco antes do túnel e passa por cima do retináculo dos flexores. A sensibilidade da região tenar, portanto, é poupada. Quando o paciente descreve dormência que inclui a palma proximal, a hipótese de compressão distal perde força e entram no páreo compressões mais proximais e a radiculopatia cervical.

As manobras provocativas têm nomes conhecidos e desempenho modesto isoladamente. A flexão mantida do punho, a percussão sobre o túnel e a compressão manual direta sobre o retináculo reproduzem os sintomas em boa parte dos doentes e também em parte dos sadios. Nenhuma delas, isolada, confirma nem afasta; o valor está na soma delas com a história noturna, com a distribuição da parestesia e com o exame motor.

O achado motor é o que muda a urgência. A atrofia da eminência tenar, com fraqueza de abdução palmar do polegar, indica perda axonal instalada, e ela não se recupera na mesma proporção da parestesia. Paciente com atrofia tenar não é candidato a mais um ciclo de órtese: é candidato a cirurgia, e a demora custa função definitiva.

Vale investigar causa secundária quando o quadro é bilateral, quando surge fora de contexto de sobrecarga, ou quando vem em paciente jovem. Hipotireoidismo, gestação, diabetes, artrite reumatoide, acromegalia e doenças de depósito entram nessa lista, e algumas delas mudam o tratamento inteiro — a compressão pode ser a primeira manifestação de uma doença sistêmica que ninguém procurou.

O exame elétrico mede gravidade; ele não decide presença

A eletroneuromiografia é um exame de condução: mede latência e amplitude do mediano no segmento do punho e compara com o ulnar do mesmo lado. Ela é boa para graduar a gravidade, para documentar a situação antes de uma cirurgia e para identificar outras neuropatias que estejam produzindo a mesma queixa.

O que ela não faz é afastar a doença. Em compressões leves, com sofrimento ainda intermitente e sem perda axonal, o exame pode vir dentro da normalidade, e a proporção de resultados normais em pacientes com quadro clínico típico é conhecida e não desprezível. Um exame normal diante de história clássica não reclassifica o paciente para sadio: reclassifica o exame para pouco informativo naquele caso.

O erro simétrico também existe e é mais frequente do que parece. Alteração eletrofisiológica do mediano no punho aparece em pessoas assintomáticas, e tratar um laudo alterado em quem não tem queixa é operar um número. O diagnóstico é do paciente, e o exame entra para responder uma pergunta específica: quão grave, e o que mais existe além disso.

Na prática do serviço público brasileiro, o exame vira gargalo. Se a fila do eletrodiagnóstico é longa e o paciente já tem atrofia tenar, encaminhar para a cirurgia da mão com o quadro clínico bem descrito é melhor do que esperar meses por um exame que não vai mudar a indicação. Se, ao contrário, o quadro é atípico — dor que sobe pelo braço, dormência que inclui o dedo mínimo, alteração do exame cervical —, o exame elétrico deixa de ser burocracia e passa a ser o que separa duas doenças diferentes.

Órtese, infiltração e liberação: três degraus com relógios diferentes

A órtese noturna que mantém o punho em posição neutra é o primeiro degrau nos casos leves e moderados sem atrofia. Ela funciona porque a pressão dentro do túnel sobe com o punho fletido e com o punho estendido, e a posição neutra é a de menor pressão. É barata, não tem risco relevante, e o prazo para dizer se serviu é de algumas semanas — não de um ano.

A infiltração de corticosteroide no túnel é o degrau seguinte e tem um perfil de efeito bem descrito: melhora clínica significativa no primeiro mês em comparação com placebo, sem demonstração consistente de que o benefício se sustente muito além disso. Isso não a torna inútil. Torna-a uma ponte com prazo, útil para a gestante que vai parir em oito semanas, para quem precisa atravessar uma fila cirúrgica, e para quem precisa de uma prova terapêutica quando o diagnóstico ainda tem dúvida.

A liberação do retináculo dos flexores é o degrau que muda o desfecho no seguimento longo. Ensaios que compararam infiltração e cirurgia ao longo de doze meses mostraram vantagem da cirurgia no final do período, mesmo quando a infiltração teve desempenho melhor nas primeiras semanas. As vias aberta e endoscópica chegam a resultados equivalentes no longo prazo, e a escolha é do serviço.

Existe uma situação em que essa escada não se aplica: a compressão aguda, com dor intensa, parestesia progressiva e déficit motor de instalação rápida, tipicamente em contexto de trauma recente, hematoma ou infecção. Aí não há degrau — há descompressão de urgência. Reconhecer o quadro agudo é o que impede que ele seja tratado como um caso eletivo em fila.

Tenossinovites: a polia que trava e o compartimento que arde

No dedo em gatilho o conflito é entre o tendão flexor espessado e a primeira polia anular, na altura da prega palmar distal. O paciente descreve travamento, mais intenso ao acordar, e um estalido ao vencer o obstáculo. À palpação existe um nódulo doloroso que se move com a flexão e a extensão do dedo — palpe na palma, sobre a cabeça do metacarpo, e não no dedo.

A graduação clínica é simples e orienta a conduta: dor e nódulo sem travamento; travamento que o próprio paciente vence ativamente; bloqueio que exige a outra mão para destravar; e, por fim, dedo fixo em flexão. Os dois primeiros estágios respondem bem a infiltração; o bloqueio que exige redução passiva responde menos; a contratura fixa é cirúrgica.

A infiltração na bainha é o tratamento de primeira linha na maioria dos casos, com taxa alta de sucesso em não diabéticos e desempenho consistentemente menor em diabéticos — vale avisar o paciente antes, para que a falha não seja lida como erro. Repetir indefinidamente não é conduta: depois de duas tentativas sem controle do sintoma, o caminho é a liberação da polia, procedimento curto e de recuperação rápida.

Na tenossinovite do primeiro compartimento extensor o conflito é no lado radial do punho, sobre o processo estiloide, entre o abdutor longo e o extensor curto do polegar e sua bainha comum. A dor piora ao pegar objetos com pinça e ao desviar o punho para o lado ulnar; é a dor clássica de quem passou a carregar um recém-nascido com o polegar em abdução, e por isso o quadro é frequente no pós-parto e na lactação.

Duas manobras circulam com o mesmo nome, e elas não são a mesma. Na descrição original, quem examina traciona o polegar em sentido distal e desvia o punho para o lado ulnar. Na manobra que virou popular, o paciente fecha a mão sobre o próprio polegar e o punho é desviado; essa versão comprime também estruturas vizinhas e produz mais respostas positivas em quem não tem a doença. Saber qual das duas foi feita muda a leitura de um resultado positivo.

O tratamento é imobilização em órtese que inclua o polegar somada a infiltração da bainha, com liberação cirúrgica reservada à falha. Uma variação anatômica explica boa parte das falhas: em parte considerável das pessoas o extensor curto corre num subcompartimento próprio, separado por um septo, e a infiltração que banha só o compartimento principal não alcança o tendão doente.

O encaminhamento que anda: o que precisa estar escrito

Os protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada não pedem só a hipótese: pedem um conteúdo descritivo mínimo, e encaminhamento sem esse conteúdo volta ou fica parado. Em mão eletiva, o que faz o papel andar é a medida objetiva, e ela leva dois minutos de consultório.

Na retração fascial, escreva o resultado do teste da mesa, o valor em graus do déficit fixo de extensão de cada articulação acometida, quais dedos, há quanto tempo, e a limitação funcional em tarefas concretas. Acrescente que a flexão ativa é completa: essa frase informa ao cirurgião que o aparelho flexor está íntegro e evita um pedido de imagem desnecessário.

Na compressão do mediano, escreva a distribuição da parestesia, se acorda à noite, se há atrofia tenar e fraqueza de abdução do polegar, o que já foi tentado e por quanto tempo, e o resultado do exame elétrico se existir — dizendo, quando for o caso, que a hipótese permanece apesar de laudo normal. A presença de atrofia tenar deve estar em destaque, porque ela muda a prioridade da fila.

Nas tenossinovites, escreva o estágio funcional, o número de infiltrações já realizadas e a resposta a cada uma. Duas infiltrações sem controle do sintoma é a informação que justifica o pedido cirúrgico, e é exatamente a informação que costuma faltar no papel.

Por fim, separe o que é eletivo do que não é. Compressão aguda do mediano com déficit motor em instalação, infecção de bainha com dedo em semiflexão, dor desproporcional e febre não pertencem a essa fila. O paciente eletivo espera; esses não esperam, e escrever isso com todas as letras é o que faz a diferença entre uma vaga na semana e uma vaga em seis meses.

04

As réguas, lado a lado

Três doenças, três limiares. Na fáscia, o limiar é funcional e se mede numa mesa. No nervo, o limiar é motor e se mede na eminência tenar. Na bainha, o limiar é a resposta a duas infiltrações. Nenhum dos três é radiográfico.

  1. 1Paciente com queixa de mão eletiva: pergunte se o dedo estende, se fecha e se formiga. Estas três respostas separam fáscia, bainha e nervo antes de qualquer manobra.
  2. 2Nódulo ou faixa palpável na palma com déficit fixo de extensão e flexão ativa completa: doença de Dupuytren. Faça o teste da mesa e meça o déficit de cada articulação com goniômetro.
  3. 3Teste da mesa positivo, ou déficit fixo de 30 graus ou mais na metacarpofalângica, ou qualquer contratura da interfalângica proximal: encaminhar à cirurgia da mão.
  4. 4Nódulo palmar doloroso sem retração: acompanhar; a infiltração serve à dor do nódulo em fase proliferativa, nunca à corda estabelecida.
  5. 5Parestesia nos três primeiros dedos e metade radial do anular, com despertar noturno e alívio ao sacudir a mão: síndrome do túnel do carpo. Verifique a sensibilidade da região tenar, que deve estar poupada.
  6. 6Procure atrofia da eminência tenar e teste a abdução palmar do polegar. Havendo atrofia, encaminhar para cirurgia, sem novo ciclo conservador.
  7. 7Sem atrofia: órtese noturna em posição neutra por algumas semanas; infiltração como ponte com prazo definido; liberação cirúrgica se persistir.
  8. 8Exame elétrico normal com quadro clínico típico não afasta o diagnóstico. Peça o exame para graduar gravidade, documentar o pré-operatório ou esclarecer quadro atípico.
  9. 9Quadro bilateral, em paciente jovem ou fora de contexto de sobrecarga: investigar hipotireoidismo, diabetes, gestação, artrite reumatoide e doenças de depósito.
  10. 10Dor intensa com parestesia progressiva e déficit motor de instalação rápida após trauma, hematoma ou infecção: compressão aguda, descompressão de urgência.
  11. 11Travamento do dedo com nódulo doloroso na palma, sobre a cabeça do metacarpo: dedo em gatilho. Infiltração da bainha nos estágios iniciais; liberação da polia após duas infiltrações sem controle ou diante de contratura fixa.
  12. 12Dor no lado radial do punho, sobre o processo estiloide, que piora à pinça e ao desvio ulnar: tenossinovite do primeiro compartimento extensor. Órtese que inclua o polegar mais infiltração da bainha; cirurgia na falha.
  13. 13Em todo encaminhamento eletivo de mão, escreva a medida objetiva, o tempo de evolução, o que já foi tentado e por quanto tempo, e a limitação funcional em tarefa concreta.

Três tecidos, três exames de cabeceira

Tecido doenteO que o paciente descreveO que o exame mostraO que decide a conduta
Fáscia palmarDedo que não estende, sem dor, há anosNódulo ou faixa palpável; déficit fixo de extensão; flexão ativa completaTeste da mesa e goniometria de cada articulação
Nervo medianoParestesia noturna nos três primeiros dedos, alívio ao sacudirSensibilidade tenar poupada; manobras provocativas; atrofia tenar quando avançadoPresença de atrofia tenar e falha do tratamento conservador
Bainha dos flexoresDedo que trava e estala, pior ao acordarNódulo doloroso móvel na palma, sobre a cabeça do metacarpoEstágio funcional e resposta a duas infiltrações

Doença de Dupuytren: os dois limiares que convivem

RéguaComo se medeO que ela declara
Teste da mesaMão apoiada espalmada sobre superfície planaVão sob qualquer dedo indica que a retração já custa função
Limiar numérico da metacarpofalângicaGoniometria do déficit fixo de extensãoTrinta graus ou mais indica tratamento
Limiar numérico da interfalângica proximalGoniometria do déficit fixo de extensãoQualquer contratura conta, sem valor mínimo
Graduação por soma dos déficits do dedoSoma dos ângulos de todas as articulações acometidasRegistra a magnitude e a evolução; não prevê o resultado

Os seis itens da diátese e o que mudam

ItemConsequência prática
Doença bilateralReforça a chance de recidiva e pede seguimento das duas mãos
Nódulos dorsais sobre as interfalângicas proximaisSinal visível de doença ectópica; procure na inspeção
Fibromatose plantarPalpe a planta do pé mesmo em consulta de mão
História familiar em parente de primeiro grauPergunta de trinta segundos que reclassifica o risco
Sexo masculinoCompõe o conjunto; não isola decisão
Início antes dos cinquenta anosDoença mais agressiva; pesa na escolha da técnica

Túnel do carpo: o que cada degrau entrega, e em quanto tempo

CondutaHorizonte do efeitoQuando escolher
Órtese noturna em posição neutraSemanas; reavaliar cedoQuadro leve a moderado, sem atrofia tenar
Infiltração de corticosteroide no túnelMelhora consistente no primeiro mês; benefício além disso não demonstrado de forma sustentadaPonte com prazo definido: gestação, fila cirúrgica, prova terapêutica
Liberação do retináculo dos flexoresVantagem no seguimento de doze mesesAtrofia tenar, déficit motor, falha do conservador
Descompressão de urgênciaHorasCompressão aguda com déficit motor em instalação

O ramo cutâneo palmar do mediano passa por cima do retináculo dos flexores: dormência que inclui a região tenar aponta para compressão mais proximal ou para radiculopatia cervical, não para o túnel.

As manobras provocativas do punho têm desempenho modesto isoladamente e servem em conjunto com a história e com o exame motor, nunca sozinhas.

Alteração eletrofisiológica do mediano existe em pessoas sem queixa; laudo alterado sem sintoma não é indicação cirúrgica.

A manobra que a maioria executa com o nome de Finkelstein é, na descrição original, a de Eichhoff, e produz mais respostas positivas em pessoas sem a doença.

O extensor curto do polegar corre num subcompartimento próprio em parte considerável das pessoas, e isso explica falhas de infiltração que parecem inexplicáveis.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

A eletroneuromiografia é obrigatória antes de encaminhar para a liberação do túnel do carpo

Sim, quando se cogita cirurgia

A diretriz da academia norte-americana de cirurgiões ortopédicos recomenda a realização de estudo eletrodiagnóstico quando os achados clínicos e as manobras provocativas são positivos e o tratamento cirúrgico está sendo considerado. O exame gradua a gravidade, documenta a situação pré-operatória e identifica outras neuropatias concomitantes.

American Academy of Orthopaedic Surgeons. Management of Carpal Tunnel Syndrome: Evidence-Based Clinical Practice Guideline. Rosemont, 2016 — recomendações sobre eletrodiagnóstico.

Não; o diagnóstico é clínico e o exame não afasta

O conjunto de seis critérios clínicos derivado e validado por Graham e colaboradores sustenta que o diagnóstico se faz pela história e pelo exame, sem exame elétrico. E a mesma literatura registra que uma proporção conhecida de pacientes com quadro típico tem eletroneuromiografia normal, de modo que um exame normal não reclassifica o paciente para sadio.

Graham B, Regehr G, Naglie G, Wright JG. Development and validation of diagnostic criteria for carpal tunnel syndrome. The Journal of Hand Surgery (American Volume). 2006;31(6):919-924.

Na prova

Repare em qual pergunta está sendo feita. Se o enunciado pergunta como se diagnostica, a resposta é clínica, e o exame elétrico não é requisito. Se o enunciado pergunta o que fazer antes de operar, ou traz explicitamente o planejamento cirúrgico, o exame entra como graduação e documentação. E se o enunciado descreve quadro clássico com exame normal, o que se cobra é que a hipótese permanece: o passo seguinte é conduta, não repetição de exame.

O limiar que indica tratamento na doença de Dupuytren: a mesa ou o ângulo

O teste funcional

A descrição original propõe que a incapacidade de apoiar a palma espalmada sobre uma superfície plana é o momento de indicar tratamento. O critério mede o que a doença efetivamente custa — a mão que não espalma — e dispensa instrumento de medida.

Hueston JT. The table top test. The Hand. 1976;8(1):45-46.

O valor angular por articulação

Boa parte da literatura cirúrgica de mão opera com limiar numérico: déficit fixo de extensão de trinta graus ou mais na metacarpofalângica, ou qualquer contratura da interfalângica proximal. O critério é reprodutível entre observadores e permite comparar séries e medir recidiva.

Prática cirúrgica de mão consolidada, ancorada na diferença de comportamento entre as duas articulações descrita nas séries de fasciectomia: a metacarpofalângica corrige bem mesmo em retrações grandes; a interfalângica proximal desenvolve contratura articular secundária e corrige mal.

Na prova

Os dois critérios raramente discordam, e quando o enunciado dá os dois ele quer ver se o candidato percebe a assimetria entre as articulações. Se a metacarpofalângica tem menos de trinta graus mas a interfalângica proximal tem qualquer contratura, a conduta é encaminhar. Enunciado que descreve o paciente apoiando a mão sem vão e sem contratura da interfalângica proximal está pedindo observação, não cirurgia.

A infiltração de corticosteroide no túnel do carpo é ponte ou tratamento

Ponte com prazo

A revisão sistemática de ensaios controlados registra melhora clínica significativa em um mês na comparação com placebo, sem demonstração consistente de benefício sustentado além desse prazo. Lida assim, a infiltração é um recurso para atravessar um período definido — a gestação que termina, a fila que anda — e não uma alternativa à cirurgia.

Marshall SC, Tardif G, Ashworth NL. Local corticosteroid injection for carpal tunnel syndrome. Cochrane Database of Systematic Reviews.

Tratamento legítimo de primeira linha

O ensaio randomizado que comparou infiltração e descompressão cirúrgica com seguimento de doze meses encontrou desempenho favorável à infiltração nas primeiras semanas, com a vantagem migrando para a cirurgia ao longo do ano. Parte dos pacientes obtém controle duradouro do sintoma sem operar, e a infiltração evita cirurgia em um subgrupo.

Ly-Pen D, Andréu JL, de Blas G, Sánchez-Olaso A, Millán I. Surgical decompression versus local steroid injection in carpal tunnel syndrome: a one-year, prospective, randomized, open, controlled clinical trial. Arthritis & Rheumatism. 2005;52(2):612-619.

Na prova

O ponto estável entre as duas leituras é o horizonte: nas primeiras semanas a infiltração compete de igual para igual; no ano, a cirurgia vence. Enunciado que descreve gestante com sintoma incapacitante e parto próximo cobra a infiltração. Enunciado que descreve atrofia tenar cobra cirurgia, e aí não há competição — a infiltração não recupera perda axonal instalada.

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Caso resolvido

Homem de 63 anos, destro, marceneiro, procura a unidade básica por deformidade progressiva e indolor da mão direita há cinco anos. Começou com um caroço firme na palma, na projeção do quarto dedo, sem trauma. Há dois anos o anelar passou a ficar dobrado, e depois o dedo mínimo. Diz que engancha a mão ao entrar no bolso, não consegue calçar a luva de trabalho e não apoia a mão espalmada na bancada para lixar madeira. Nega dor, nega formigamento e nega travamento com estalido. Refere caroço menor na palma esquerda e um nódulo indolor na planta do pé esquerdo. O pai teve a mesma deformidade e foi operado duas vezes. Tem diabetes há doze anos, usa anticonvulsivante e bebe diariamente há muitos anos.
Nomear o tecido antes da doença
Faixa longitudinal palpável na palma, déficit de extensão que não corrige nem com a ajuda da outra mão, e ausência de dor: o tecido doente é a fáscia palmar. A confirmação de cabeceira é pedir que ele feche a mão — a flexão ativa completa mostra que os tendões flexores estão íntegros e afasta de uma vez tenossinovite grave e contratura isquêmica.
Aplicar o teste que indica
Peça que apoie a mão espalmada na mesa. Sobrando espaço sob o anelar e o mínimo, o teste é positivo. Some a goniometria: meça o déficit fixo de extensão da metacarpofalângica e da interfalângica proximal de cada dedo acometido, separadamente, e anote os quatro números.
Decidir pelo limiar, não pela impressão
Déficit fixo de trinta graus ou mais na metacarpofalângica, ou qualquer contratura da interfalângica proximal, indicam tratamento — e o teste da mesa positivo já diz que a doença custa função. Este paciente preenche os dois critérios, e a limitação em tarefa concreta do trabalho fecha o argumento do encaminhamento.
Procurar a doença fora da mão
Nódulo na palma contralateral e nódulo indolor na planta do pé são doença ectópica, não achados incidentais. Palpe a planta dos dois pés e as faces dorsais das interfalângicas proximais na mesma consulta: o que você encontrar entra no cálculo do risco de recidiva.
Contar a diátese em voz alta
Doença bilateral, fibromatose plantar, história familiar em parente de primeiro grau e sexo masculino: quatro dos seis itens. Isso não contraindica operar; muda a técnica que o cirurgião vai preferir, a conversa sobre recidiva e o plano de seguimento. Escreva os quatro itens no encaminhamento.
Não oferecer o que não funciona
A infiltração de corticoide na corda estabelecida não corrige retração e adia o tratamento efetivo. O que este paciente precisa da unidade básica é preparo, não procedimento: controle glicêmico, redução do consumo de álcool e a informação de que ele vai precisar de terapia da mão depois da cirurgia.
Escrever o papel que anda
Encaminhamento à cirurgia da mão com: hipótese por extenso, cinco anos de evolução, teste da mesa positivo, os valores em graus de cada articulação, flexão ativa completa, quatro itens de diátese, comorbidades e as tarefas de trabalho impedidas. Peça, no mesmo papel, avaliação para terapia da mão no pós-operatório.
Ajustar a expectativa antes de encaminhar
Diga a ele, com estas palavras, que a operação costuma devolver a extensão do dedo na articulação da base e costuma não devolver o último arco de extensão da articulação do meio quando ela já está retraída há anos. Diga também que a doença pode voltar, sem prometer cura definitiva — a frase dita antes é informação, e dita depois soa a desculpa.
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Agora feche você

Mulher de 48 anos, costureira autônoma, procura a unidade básica por dormência na mão direita há oito meses. Acorda de madrugada com a mão formigando e precisa sacudi-la para melhorar; durante o dia o sintoma volta quando costura por períodos longos. Diz que a dormência pega o polegar, o indicador e o médio, e que a palma junto ao polegar não formiga. Há dois meses vem derrubando objetos pequenos. Ao exame, há redução visível do volume da eminência tenar à direita em comparação com a esquerda, com fraqueza para afastar o polegar da palma contra resistência. A percussão sobre o punho e a flexão mantida reproduzem a parestesia. Trouxe uma eletroneuromiografia feita há três semanas, com laudo descrevendo latências e amplitudes dentro dos limites da normalidade nos dois membros superiores. Nega diabetes, nega doença tireoidiana, nega gestação e nega trauma recente.
Primeiro
Diga qual é a hipótese principal e enumere os três elementos da história que a sustentam. Explique especificamente o que a preservação da sensibilidade na palma junto ao polegar acrescenta ao raciocínio, e por que a ausência desse detalhe abriria outro diagnóstico.
Segundo
Interprete a eletroneuromiografia normal. Diga o que esse resultado permite e o que não permite concluir, e qual é a leitura correta do exame diante de um quadro clínico típico.
Terceiro
Identifique o achado do exame físico que muda a prioridade do caso e explique por que ele muda. Diga o que se recupera bem e o que se recupera mal depois do tratamento, quando esse achado já está presente.
Quarto
Defina a conduta, dizendo o que você NÃO vai oferecer e por quê. Justifique a partir do horizonte de efeito de cada degrau do tratamento.
Quinto
Escreva o conteúdo do encaminhamento como ele deve chegar ao serviço de referência, incluindo o que precisa aparecer em destaque e a frase que impede que o laudo normal barre a fila.
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Onde a banca derruba

  1. 1Ler o déficit de extensão como fraqueza Na retração fascial o paciente não consegue estender o dedo e consegue fechar a mão completamente. Isso não é perda de força extensora: é um bloqueio mecânico fixo, imposto por tecido encurtado à frente da articulação. Testar a força de extensão e registrar 'força preservada' não afasta nada, porque a força nunca foi o problema. O que se mede é o ângulo que falta para a extensão completa, com goniômetro, articulação por articulação.
  2. 2Medir só a metacarpofalângica e concluir que dá para esperar Existe limiar numérico para a metacarpofalângica e não existe para a interfalângica proximal — nela, qualquer contratura já conta. A razão é o comportamento das duas: a proximal desenvolve encurtamento capsular e da placa volar na posição fletida, e a liberação da fáscia não desfaz isso. Vinte e cinco graus na metacarpofalângica com dez graus na interfalângica proximal do mesmo dedo é caso de encaminhar, não de reavaliar em seis meses.
  3. 3Infiltrar a corda para tratar a retração O corticoide tem indicação no nódulo em fase proliferativa que dói ao apoio. A corda estabelecida é tecido fibroso pobre em células e não responde. Infiltrá-la para corrigir deformidade adia o único tratamento que atua sobre o déficit de extensão e ainda expõe o paciente a atrofia do coxim palmar e a despigmentação da pele da palma.
  4. 4Dizer que a eletroneuromiografia normal afastou o túnel do carpo O exame mede condução, e em compressão leve a condução ainda pode estar dentro dos limites da normalidade. Diante de história noturna típica, distribuição compatível e manobras positivas, um exame normal significa que o exame não ajudou naquele caso. O erro simétrico também acontece: laudo alterado em pessoa sem queixa não indica cirurgia, porque a alteração eletrofisiológica existe em assintomáticos.
  5. 5Oferecer mais um ciclo de órtese a quem já tem atrofia tenar A atrofia da eminência tenar com fraqueza de abdução palmar do polegar indica perda axonal instalada. O que se recupera depois da liberação é sobretudo a parestesia; a massa muscular e a força voltam menos e mais devagar, e quanto maior o tempo de denervação, pior. Atrofia tenar é indicação cirúrgica, e adiar por mais um ciclo conservador custa função que não volta.
  6. 6Interpretar dormência da palma proximal como túnel do carpo O ramo cutâneo palmar do mediano se destaca antes do túnel e cruza por cima do retináculo dos flexores, de modo que a sensibilidade da região tenar é poupada na compressão distal. Queixa que inclui essa área desloca a hipótese para compressões mais proximais do mediano ou para radiculopatia cervical, e é justamente aí que o exame elétrico deixa de ser burocracia.
  7. 7Repetir infiltrações no dedo em gatilho até acabar a paciência A infiltração da bainha resolve boa parte dos casos iniciais e tem desempenho menor em diabéticos. Depois de duas tentativas sem controle do sintoma, insistir troca um procedimento curto e resolutivo por meses de sintoma. Bloqueio que só cede com a outra mão e contratura fixa em flexão são cenários em que a infiltração já parte com desvantagem.
  8. 8Tratar toda dor radial do punho como tenossinovite do primeiro compartimento A manobra popularizada com o punho fechado sobre o polegar comprime também estruturas vizinhas e produz respostas positivas em quem não tem a doença. Antes de fechar o diagnóstico, palpe separadamente o processo estiloide, a articulação entre o trapézio e o primeiro metacarpo, e o escafoide, e desconfie de história de queda recente sobre a mão espalmada — dor radial do punho depois de trauma é outra investigação.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Parestesia nos três primeiros dedos e metade radial do quarto, piora noturna, alívio ao sacudir a mão, sinal de Tinel (percussão) positivo e hipotrofia tenar indicam compressão do nervo mediano no túnel do carpo; a flexão sustentada do punho é o teste de Phalen. O nervo ulnar (canal de Guyon) acomete o 4º/5º dedos e o teste de Froment avalia o adutor do polegar. O nervo radial no túnel radial não causa esse padrão sensitivo; Finkelstein avalia a tenossinovite de De Quervain. Spurling avalia radiculopatia cervical. O sinal do OK avalia o nervo interósseo anterior (motor puro, sem parestesia).

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Sete dias depois, recupere de memória sete coisas sem abrir o texto. As três perguntas que separam fáscia, nervo e bainha na primeira olhada. O que a flexão ativa completa prova na palma retraída. Como se faz o teste da mesa e o que significa o vão sob um dedo. Os dois limiares numéricos do Dupuytren, e por que só um deles tem número. Os seis itens da diátese. Por que a sensibilidade tenar é poupada no túnel do carpo, e o que muda quando ela não é. E os três degraus do túnel do carpo com o horizonte de efeito de cada um.

em 30 dias

Trinta dias depois, resolva cinco cenários em voz alta antes de conferir. Marceneiro com nódulo palmar há cinco anos, déficit fixo de vinte e cinco graus na metacarpofalângica e dez graus na interfalângica proximal: encaminha ou observa, e com que argumento. Paciente com parestesia noturna clássica e eletroneuromiografia normal: qual o próximo passo e o que você escreve no encaminhamento. Gestante de trinta e quatro semanas com sintoma incapacitante: qual degrau e por quê. Diabético com dedo em gatilho que já recebeu duas infiltrações e continua travando: o que se pede. E mulher no terceiro mês pós-parto com dor radial do punho: qual manobra você faz, qual estrutura você suspeita e o que explica a falha de uma infiltração bem feita.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

No próximo paciente que chegar com um caroço na palma, faça três coisas antes de marcar retorno. Peça que ele feche a mão inteira: flexão ativa completa é a frase que separa fáscia doente de tendão doente, e ela cabe no prontuário. Peça que ele apoie a mão espalmada na mesa e olhe de perfil, procurando o vão. E, antes de ele sair, tire o sapato dele e palpe a planta do pé: nódulo plantar é um dos seis itens que dizem quem vai recidivar, custa trinta segundos e quase ninguém procura. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Mão e punho eletivos: a mesa que indica a cirurgia e a noite que faz o diagnóstico — Preparatório para provas | OsceLabs