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Ortopedia pediátrica: o quadril do lactente e a coluna do adolescente

Displasia do quadril, escoliose e limites por idade

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente do sexo feminino, nascida de parto pélvico, é avaliada na consulta de puericultura. Ao exame do quadril, a manobra em que se flexionam e abduzem os quadris, empurrando o trocânter para frente, produz um ressalto de redução (sinal positivo). Qual manobra semiológica está descrita e qual é a hipótese diagnóstica?

02

Como esse tema cai

No acervo de questões desta plataforma, este tema aparece em dez questões vivas de trilha de prova, e nenhuma delas está presa a capítulo nenhum. A distribuição é reveladora: seis são de quadril de lactente e quatro são de coluna de adolescente, e o que quase todas cobram é a mesma coisa — que exame pedir, e a partir de qual idade ou de qual grau.

Nas seis de quadril, o gabarito nunca foi o diagnóstico difícil. Três cobram a escolha do método de imagem pela idade — ultrassonografia numa lactente de 6 semanas e numa de 4 meses, radiografia num lactente de 7 meses. Duas cobram o reconhecimento do quadro a partir de Ortolani positivo, numa recém-nascida de 20 dias e numa lactente sem idade declarada. A última pede encaminhamento com suspensório de Pavlik num recém-nascido de 2 dias. Repare no que isso significa: o eixo de quase todas é a idade, e a idade é exatamente onde as fontes não escrevem o mesmo número.

Nas quatro de coluna, duas pedem colete (Cobb de 30 graus e de 32 graus, ambas com Risser 1 e pré-menarca), uma pede radiografia panorâmica depois de um teste de Adams positivo e uma pede ressonância do neuroeixo diante de curva torácica esquerda com dor noturna e reflexo cutâneo-abdominal assimétrico. Nenhuma cobra o valor de corte do escoliômetro, nenhuma cobra a razão entre os sexos por faixa de curva e nenhuma cobra o que o colete de fato entrega em número.

O recorte útil deste capítulo é, portanto, o das fronteiras. Ortolani contra Barlow o aluno decora sozinho; o que ele não decora é o que fazer com um quadril de exatamente quatro meses, com um ângulo alfa de exatamente 60 graus e com uma curva de exatamente 30 graus que ainda não foi vista progredir. Os três números caem em vãos deixados pelas próprias redações que a prova usa — e um deles já é o enunciado de uma questão viva do acervo.

Vale ainda um alerta de leitura. As duas afecções deste capítulo compartilham uma característica que muda a natureza da pergunta: nenhuma das duas dói. Elas são achadas por quem procura sem que ninguém tenha se queixado. Toda a discussão de números que vem a seguir é, no fundo, uma discussão sobre rastreamento — sobre quantos exames se aceita pedir em pessoas saudáveis para encontrar uma que precise de tratamento.

03

O que muda decisão

As duas manobras do quadril fazem coisas opostas — e as duas somem

Comece pelo quadril do lactente, e pelo erro mais barato do tema: a confusão entre as manobras de Ortolani e de Barlow, que some com uma frase — Ortolani abduz e reduz; Barlow aduz e luxa. Ortolani parte do quadril fletido a 90 graus com as coxas aduzidas e faz a abdução máxima com pressão sobre o trocânter maior; o sinal positivo é a sensação de impacto da cabeça femoral entrando no acetábulo, descrita na fonte brasileira como estalo perceptível ou ressalto. Ela só é positiva num quadril já luxado — é manobra de redução.

A manobra de Barlow tem duas fases e caminha no sentido inverso. Com o quadril fletido e o polegar na face interna da coxa, aplica-se pressão no sentido posterior com o quadril em abdução neutra ou em ligeira adução; se houver sensação de deslocamento da cabeça femoral seguida de redução espontânea ao aliviar a pressão, o quadril é instável. Barlow, portanto, não diagnostica luxação: diagnostica luxabilidade.

O que a prova cobra mais do que a diferença entre elas é o que acontece depois. As duas dependem de o quadril transitar para dentro e para fora do acetábulo, e essa mobilidade se perde com a retração dos tecidos moles. Passadas algumas semanas, o quadril luxado deixa de reduzir: as duas manobras ficam negativas e o quadril continua luxado. Uma das questões vivas do acervo é construída sobre isso, numa lactente de quatro meses com ambas negativas.

O sinal que assume o lugar delas é a limitação da abdução com os quadris fletidos, que o artigo brasileiro chama de sinal de Hart e atribui à retração dos adutores. Ele é descrito como o principal sinal clínico a partir do terceiro mês de vida, e o corte é numérico: abduções menores que 60 graus, ou assimétricas entre os lados, pedem exame de imagem. Some-se a isso a assimetria de pregas — que existe em crianças normais e por isso não fecha diagnóstico, mas justifica seguir investigando — e o sinal de Galeazzi, que compara a altura dos joelhos com os quadris e joelhos fletidos e é, por natureza, tardio e unilateral.

Uma armadilha de vocabulário fecha o assunto: o estalo seco e palpável da redução ou da luxação não é o mesmo fenômeno que o pequeno clique audível de origem extra-articular, que pode vir do trocânter maior, do iliopsoas, da patela ou dos tendões fibulares. O clique isolado não fecha diagnóstico, mas justifica continuar a investigação e encaminhar, porque a origem do ruído não é clara à beira do leito.

A janela de imagem que se fecha entre o quarto e o sexto mês

A escolha do exame de imagem no quadril do lactente não depende de gravidade nem de dúvida diagnóstica: depende de calcificação. Enquanto a cabeça femoral é inteiramente cartilaginosa, a radiografia mostra pouco além da posição indireta dos ossos. Quando o núcleo de ossificação aparece, ele projeta sombra acústica sobre a porção medial do acetábulo e inviabiliza a medida ultrassonográfica; daí em diante quem esclarece é a radiografia.

O problema é que a data desse cruzamento não é uma data. O artigo de atualização de 2010 escreve que o núcleo de ossificação da cabeça femoral se torna radiograficamente visível a partir do quarto ou sexto mês de vida, e que a radiografia começa a ser útil após os quatro meses. O artigo de 2023 escreve que a ultrassonografia é o exame de escolha até 4 ou 6 meses de vida e que a radiografia se torna mais esclarecedora a partir do sexto mês. A tradução brasileira dos critérios do Colégio Americano de Radiologia usa a mesma fórmula: por volta dos 4 ou 6 meses as radiografias se tornam mais confiáveis.

Três fontes, a mesma expressão, e nenhuma delas define o que fazer no meio. Um lactente de cinco meses cai num intervalo em que a ultrassonografia já pode estar prejudicada e a radiografia ainda pode não estar boa. A síntese do relatório da academia americana resolve o vão de outro jeito, e vale conhecer a saída: para crianças de quatro a seis meses de idade, radiografia ou ultrassonografia podem ser usadas, considerando a maior disponibilidade, a menor taxa de falso-positivos e o menor custo da radiografia contra a sua baixa dose de radiação. Ou seja: onde as fontes brasileiras deixam um vão, essa deixa uma sobreposição declarada.

Para a prova, o efeito prático é assimétrico e previsível. Enunciado com criança claramente abaixo do intervalo (recém-nascido, seis semanas, três meses) pede ultrassonografia sem discussão. Enunciado com criança claramente acima (sete meses, um ano) pede radiografia sem discussão. O enunciado que coloca a criança dentro do intervalo está, quase sempre, testando outra coisa — e a pista está nas alternativas. Numa questão viva do acervo, com lactente de exatamente quatro meses, a alternativa da radiografia é derrubada não pela idade, mas pela justificativa falsa que ela carrega: afirma que aos quatro meses a ossificação da cabeça femoral está completa, o que nenhuma das fontes sustenta.

Rastrear todo mundo, ou só quem tem fator de risco

O exame físico do quadril é para todo recém-nascido, e nisso não há controvérsia. A discussão é sobre a ultrassonografia: rastrear com imagem toda criança nascida encontraria mais displasias, e esse é justamente o problema — encontraria também muitos quadris imaturos que amadureceriam sozinhos, e trataria parte deles. O tamanho desse risco está medido: a frouxidão e a instabilidade do recém-nascido se resolvem sozinhas no primeiro mês em 80% dos casos.

A posição da academia americana, na síntese editorial disponível, é contra o rastreamento ultrassonográfico universal, com imagem seletiva reservada ao lactente de seis semanas a seis meses que tem exame físico normal mas é considerado de risco — apresentação pélvica no terceiro trimestre, história familiar de displasia ou história pessoal de instabilidade, enfaixamento apertado incorreto dos membros inferiores, ou cuidadores ansiosos. A mesma síntese acrescenta um detalhe que a prova adora transformar em distrator: nem ultrassonografia nem radiografia precisam ser feitas para que a criança seja encaminhada ao ortopedista.

O artigo brasileiro de 2023 chega a um lugar parecido por outro caminho, e acrescenta um refinamento de cronograma que é dele. Diante de fator de risco sem alteração no exame físico, a saída proposta é postergar a ultrassonografia para 4 ou 6 semanas de vida, justamente para separar imaturidade de doença; em prematuros, a idade deve ser corrigida para 44 semanas de idade gestacional. E há uma recomendação específica que fecha o ciclo: apresentação pélvica com ultrassonografia normal merece radiografia da bacia entre o quarto e o sexto meses, pelo risco de escape diagnóstico e de displasia tardia.

As listas brasileiras de fatores de risco são convergentes: sexo feminino, apresentação pélvica, primiparidade, oligoidrâmnio, antecedente familiar, e associação com deformidades congênitas dos pés (metatarso aduto, pé calcaneovalgo, pé torto) e com torcicolo muscular congênito. O artigo de 2023 acrescenta que a prematuridade aparentemente não é fator de risco nem de proteção, que em gestação múltipla o risco sobe quando um dos fetos está em apresentação pélvica, e — o essencial — que muitas crianças com displasia não têm fator de risco algum, razão pela qual o exame físico rotineiro é obrigatório mesmo onde a imagem é seletiva.

Há ainda um fator pós-natal, o único da lista que o médico pode modificar. Culturas que mantêm os membros inferiores do bebê em extensão e adução têm mais displasia: um estudo mongol citado no artigo de 2023 documentou retardo de maturação do quadril em recém-nascidos enfaixados nessa posição por um mês, vinte horas por dia. A orientação que sai daí aparece nas duas margens — não enfaixar apertado com os quadris estendidos e aduzidos.

Graf, e a régua cujo erro é maior que a faixa que ela separa

A ultrassonografia do quadril pelo método de Graf mede dois ângulos no plano coronal: o alfa, que descreve o teto ósseo a partir da linha de base do ílio, e o beta, que descreve o teto cartilaginoso até o centro do lábio acetabular. O alfa é o que decide.

Os cortes publicados são os seguintes, na redação da tradução brasileira dos critérios do Colégio Americano de Radiologia: o quadril tipo I é normal e tem ângulo alfa maior do que 60 graus; o subtipo IIa, visto em lactentes com menos de três meses, tem o quadril localizado mas o acetábulo imaturo, com ângulo alfa entre 50 e 59 graus. Duas páginas adiante, o mesmo documento escreve que o alfa separa o tipo IIa intermediário, de 50 a 59 graus, dos quadris normais, com alfa maior ou igual a 60 graus.

As duas frases não dizem a mesma coisa, e a diferença é exatamente um valor: 60 graus. Pela primeira redação, o alfa de 60 graus não é tipo I nem tipo IIa — não pertence a nada; pela segunda, é tipo I. Não é preciso escolher entre elas para responder prova: basta saber que a fronteira é frouxa e que enunciado bem escrito não põe o paciente em cima dela.

O artigo brasileiro de 2023 corta a mesma faixa em outro lugar: o tipo IIA positivo é o quadril imaturo, e o que gera controvérsia de tratamento é o IIA negativo, definido como ângulo alfa menor que 55 graus na sexta semana de vida — com a ressalva de que a maioria evolui para resolução espontânea e de que as meninas merecem atenção pela possibilidade de displasia persistente. Os tipos IIB, IIC, D, III e IV são tratados independentemente da idade. Ou seja: dentro da faixa de 50 a 59 graus, que a fonte anterior tratava como bloco único, esta introduz um corte funcional em 55.

E então vem o dado que reorganiza tudo o que veio acima. A mesma tradução registra a reprodutibilidade das medidas: kappa médio abaixo de 0,3 entre observadores experientes, concordância insatisfatória para os próprios ângulos alfa e beta, e variabilidade intraobservador com kappa abaixo de 0,67. No índice acetabular radiográfico a variabilidade intraobservador é de 8,35 graus, e a diferença entre duas medidas do mesmo exame foi de 2,3 graus com desvio-padrão de 10 graus — o que produz, nas palavras do próprio documento, um intervalo de aproximadamente 40 graus em que duas leituras do mesmo paciente podem cair.

Faça a comparação que a fonte não faz explicitamente. A faixa que separa o quadril normal do que precisa de acompanhamento tem dez graus de largura; o intervalo em que duas medidas do mesmo quadril podem cair tem cerca de quarenta. O ruído é quatro vezes maior que o sinal que a medida deveria distinguir. Isso não invalida o método — invalida a leitura isolada, e é a razão técnica de todas as fontes insistirem em seguimento seriado e em exame laudado por examinador treinado.

Pavlik: a idade que três fontes escrevem diferente e o prazo que todas escrevem igual

O suspensório de Pavlik é a órtese de flexão e abdução usada no tratamento inicial da displasia. O princípio é mecânico e vale entender antes dos números: as tiras anteriores mantêm a flexão do quadril e as posteriores limitam a adução, enquanto a abdução vem da gravidade e do modo de carregar a criança, e não deve ser forçada pelas tiras. A posição de segurança é flexão entre 90 e 110 graus com abdução entre 30 e 65 graus.

Os dois erros de posicionamento têm nome e consequência distinta. Hiperflexão — tira da perna posicionada perto do tornozelo em vez de logo abaixo da fossa poplítea — pode levar à neuropraxia do nervo femoral, associada a maior índice de falha e complicação, sobretudo se a recuperação demorar mais de três dias. Abdução excessiva, forçada pelas tiras, associa-se à osteonecrose da cabeça femoral. As duas complicações puxam em sentidos contrários, e é por isso que existe uma zona de segurança em vez de um alvo.

Agora a divergência. Sobre até que idade usar o suspensório, o artigo brasileiro de 2023 escreve que ele pode ser usualmente utilizado até o sexto mês de vida. O artigo de 2010 escreve, num parágrafo, que os autores da série citada recomendam o uso do recém-nascido até os nove meses de idade; dois parágrafos adiante, o mesmo artigo escreve que o suspensório poderá ser usado até os quatro ou seis meses de idade da criança, agora com outra referência. É o mesmo texto sustentando duas idades-teto.

Há uma pista de leitura, e ela é instrutiva: o trabalho citado para a idade de nove meses descreve, no próprio título publicado, o uso do suspensório durante os primeiros seis meses de vida. Recomendação atribuída a um artigo que se apresenta como estudo dos primeiros seis meses merece cautela antes de virar número de prova. Qual é a idade-teto correta é julgamento ortopédico, e este capítulo não decide.

O que dá para afirmar é o discriminador consensual, e ele não é uma idade — é um prazo de tentativa. As fontes convergem em que não se insiste com o suspensório quando a redução concêntrica não é obtida: o limite é de duas a três semanas, pelo risco de sofrimento vascular da cabeça femoral e de deformidade provocada pela pressão da cabeça contra o acetábulo. Falhou nesse prazo, o caminho é redução fechada com gesso. Esse é o número que responde à pergunta clínica de verdade, porque não depende da data de nascimento e sim do que o quadril fez.

Os demais parâmetros são convergentes e valem decorar em bloco: regime de 23 e 24 horas por dia, mantido até a normalização acetabular, o que costuma acontecer entre 6 e 12 semanas; reavaliação em geral semanal, porque a falha mais comum não é do aparelho e sim do acompanhamento; e, na falha da órtese ou no diagnóstico tardio, redução fechada com gesso mantido por 3 a 4 meses, com osteotomia pélvica associada a partir dos 18 meses.

Uma medida caseira precisa ser condenada em voz alta, porque segue aparecendo como distrator plausível. O uso de duas ou mais fraldas não controla a extensão do quadril e chega a funcionar como fulcro entre os membros inferiores, favorecendo a lateralização das cabeças femorais; a fonte brasileira escreve que o duplo fralda não deve ser recomendado e que ele cria falsa sensação de segurança nos pais. Numa questão viva do acervo, a alternativa que oferece duplo fralda com reavaliação aos seis meses para um recém-nascido com Ortolani positivo erra duas vezes: pelo método e pelo atraso.

A coluna do adolescente: dez graus definem, e quase nada trata

O critério diagnóstico da escoliose é curto e a prova o cobra de forma literal. Na formulação da Scoliosis Research Society reproduzida na diretriz internacional, o diagnóstico se confirma quando o ângulo de Cobb é de 10 graus ou mais e a rotação axial pode ser reconhecida. A rotação faz parte da definição; escoliose não é apenas um desvio no plano frontal, e a mesma diretriz registra que existe escoliose estrutural com Cobb abaixo de 10 graus, com potencial de progressão.

Antes disso vem a distinção entre escoliose estrutural e funcional. A funcional é secundária a causa extra-espinhal conhecida — encurtamento de um membro inferior, assimetria de tônus paravertebral — e reduz parcial ou completamente quando a causa é eliminada, por exemplo em decúbito. Daí a razão anatômica de o teste de inclinação anterior ser decisivo: a curva funcional desaparece na flexão, a estrutural produz a giba.

Os números de frequência precisam ser lidos com atenção à faixa etária e ao corte. A recomendação norte-americana define a escoliose idiopática do adolescente como curva com Cobb de pelo menos 10 graus dos 10 aos 18 anos, e estima prevalência de 1% a 3% entre 10 e 16 anos. A diretriz internacional registra faixa mais ampla, de 0,93% a 12%, com 2% a 3% como o valor mais frequente. Nas duas, cerca de 20% das escolioses são secundárias a outro processo e 80% são idiopáticas. E a fração tratável é pequena: cerca de 10% dos casos diagnosticados precisam de tratamento conservador e de 0,1% a 0,3% de cirurgia, com incidência cumulativa de 1,0% acima de 20 graus e 0,4% acima de 40 graus.

A gravidade é que separa os sexos, e aqui está um dos dados mais elegantes do tema. A prevalência com Cobb de 10 graus é semelhante entre meninas e meninos; a diferença aparece na progressão. A diretriz internacional dá as razões por faixa: 1,3 para 1 entre 10 e 20 graus, 5,4 para 1 entre 20 e 30 graus e 7 para 1 acima de 30 graus. Em proporção de casos, isso significa que meninas são 56,5% da faixa mais leve, 84,4% da faixa intermediária e 87,5% da faixa mais grave.

Repare no vão dessa tabela antes de decorá-la. A primeira faixa é escrita como de 10 a 20 graus e a segunda como entre 20 e 30: os 20 graus estão nas duas. E a terceira é escrita como acima de 30, enquanto a segunda vai até 30 — de modo que 30 graus exatos ora pertence à segunda, ora a nenhuma, conforme se leia o intervalo como aberto ou fechado. É a mesma frouxidão de fronteira que vai reaparecer, com consequência muito maior, na escada do colete.

A fonte norte-americana quantifica a mesma assimetria com outra métrica, e por isso os números não batem com os de cima: meninas têm 10 vezes mais chance de progredir para 30 graus ou mais e 5 vezes mais chance de ter 20 graus ou mais. Não são medidas equivalentes — uma é razão de casos dentro de uma faixa de gravidade, a outra é razão de risco de atingir um limiar — e tratá-las como se fossem é o erro que produz confusão entre 7 vezes e 10 vezes. O discriminador é gramatical: se a frase fala de quem já está numa faixa, é proporção; se fala de progredir até um limiar, é risco.

Adams, escoliômetro, e o preço de cada grau de corte

O teste de inclinação anterior do tronco, ou teste de Adams, é descrito na diretriz internacional como o principal teste do exame clínico, e um resultado positivo é apontado como patognomônico de escoliose. O que ele mostra é a giba: a vértebra gira em torno do eixo longitudinal, o corpo vertebral vai para a convexidade e arrasta as costelas, que se projetam posteriormente daquele lado. Por isso a giba aparece na flexão e não em pé — é a rotação, não o desvio lateral, que a produz.

O teste isolado, porém, é insuficiente como programa de rastreio: a taxa de encaminhamento é alta e o valor preditivo positivo é baixo para curvas de 10 graus ou mais, e menor ainda acima de 20 graus. É essa insuficiência que justifica o escoliômetro, que quantifica a giba medindo o ângulo de rotação do tronco.

E é aqui que aparece a aritmética mais útil do capítulo. A diretriz internacional dá o desempenho do escoliômetro em dois cortes: com ângulo de rotação de 5 graus, sensibilidade de cerca de 100% e especificidade de cerca de 47%; com 7 graus, a sensibilidade cai para 83% e a especificidade sobe para 86%. A recomendação norte-americana registra que a faixa de 5 a 7 graus é o limiar usualmente adotado para encaminhar à radiografia — ou seja, a prática vive inteira dentro desse intervalo de dois graus.

Rode os dois cortes numa população concreta. Em mil adolescentes rastreados, com prevalência de 2%, há 20 com escoliose e 980 sem. No corte de 5 graus, encontram-se todos os 20, mas 519 dos 980 sadios também são positivos: o total de encaminhados é 539, e o valor preditivo positivo fica em 3,7%. No corte de 7 graus, encontram-se 16,6 dos 20, com 137 falso-positivos: o total de encaminhados cai para 154, e o valor preditivo positivo sobe para 10,8%.

A conta que importa é a diferença. Subir o corte de 5 para 7 graus custa cerca de 3,4 casos entre 20 e economiza cerca de 382 radiografias desnecessárias — o que significa que, para encontrar cada caso a mais, o corte de 5 graus gasta cerca de 112 radiografias adicionais. Não há resposta certa nessa troca; há uma escolha de política de saúde, e é exatamente sobre essa escolha que a recomendação norte-americana se recusa a decidir.

Os números de acurácia do rastreio combinado ajudam a fechar o quadro. A combinação de teste de inclinação anterior, escoliômetro e topografia de moiré alcança sensibilidade de 93,8% e especificidade de 99,2%; o teste de inclinação isolado tem 84,4% e 95,2%; o escoliômetro isolado, 90,6% e 80,7%; e, curiosamente, a combinação de inclinação com escoliômetro registra sensibilidade menor, de 71,1%, com especificidade de 97,1%. As taxas de falso-positivo dos programas variaram de 0,8% a 21,5%.

Sobre o rastreamento escolar, a posição a memorizar é a de recomendação grau I — evidência insuficiente para avaliar o balanço entre benefícios e danos do rastreio em crianças e adolescentes de 10 a 18 anos, sem aplicação a quem procura atendimento por dor nas costas ou deformidade óbvia. Grau I não é recomendação contrária: é ausência de conclusão. E a mesma fonte registra que mais da metade dos estados norte-americanos exige ou recomenda o rastreio escolar — a prática segue mesmo onde a evidência não conclui.

A escada do colete: dois vãos e um grau que não pertence a ninguém

A escada de conduta por magnitude é a régua mais cobrada do tema, e vale reproduzi-la com o cuidado com que foi escrita: pacientes com Cobb menor que 20 graus são observados sem tratamento, ainda que exercício possa ser recomendado; pacientes com Cobb maior que 30 graus, ou com Cobb de 20 a 30 graus que progride 5 graus ou mais em 3 a 6 meses, são tratados com colete; pacientes com Cobb de 40 a 50 graus podem ser tratados com colete ou cirurgia; e os com Cobb maior que 50 graus tipicamente precisam de cirurgia.

Procure agora onde cai uma curva de exatamente 20 graus, estável, medida pela primeira vez. Ela não é menor que 20, então a cláusula da observação não a cobre; está na faixa de 20 a 30, mas essa exige progressão documentada, que não existe numa primeira radiografia. Vinte graus estáveis, na primeira medida, não têm regra nessa redação.

O mesmo acontece, com consequência bem maior, em 30 graus exatos: não é maior que 30, e o topo da faixa de 20 a 30 exige progressão documentada. A curva de exatamente 30 graus, estável na primeira medida, também fica órfã — e essa é a curva de uma questão viva do acervo, numa adolescente de 13 anos, pré-menarca, com Risser 1, cujo gabarito é prescrever colete.

O gabarito dessa questão sobrevive — mas não pela régua acima, e sim por outra. Os critérios metodológicos da Scoliosis Research Society, reproduzidos na diretriz internacional, definem como candidato ideal a colete o paciente com idade de 10 anos ou mais, Risser de 0 a 2, curva primária de 25 a 40 graus, sem tratamento prévio e, se do sexo feminino, pré-menarca ou com menos de um ano de pós-menarca. Trinta graus com Risser 1 e pré-menarca está no meio dessa faixa, sem ambiguidade nenhuma.

E há uma terceira régua, que amplia ainda mais a base. O ensaio clínico que sustenta o colete recrutou adolescentes de 10 a 15 anos, com Risser 0 a 2 e Cobb de 20 a 40 graus — ou seja, tratou como elegíveis curvas de 20 a 25 graus que os critérios da sociedade deixam de fora e que a escada norte-americana manda apenas observar. Três documentos, três portas de entrada diferentes para o mesmo colete.

A saída diverge do mesmo jeito. A escada coloca a cirurgia acima de 50 graus; o ensaio define fracasso como progressão para 50 graus ou mais, de modo que 50 exatos já é fracasso ali e ainda não é indicação cirúrgica lá; e os critérios da sociedade medem desempenho de colete pela proporção de curvas que ultrapassam 45 graus na maturidade. Entre 45 e 50 graus há uma faixa que uma fonte já chama de fracasso, outra ainda trata como decisão compartilhada e a terceira usa como desfecho de estudo.

Eixo horizontal de ângulo de Cobb de 10 a 55 graus com três réguas empilhadas. A escada de conduta observa abaixo de 20 graus, exige progressão de 5 graus entre 20 e 30, indica colete acima de 30, colete ou cirurgia de 40 a 50 e cirurgia acima de 50. Os critérios da sociedade marcam de 25 a 40 graus; o ensaio clínico, de 20 a 40, com fracasso em 50. Linhas verticais em 20 e em 30 assinalam os graus sem regra, e uma faixa hachurada cobre de 45 a 50.
Três documentos abrem a porta do colete em pontos diferentes do mesmo eixo, e 20 e 30 graus estáveis na primeira medida não são cobertos por nenhuma cláusula da escada de conduta.

Qual desses limiares é o correto é julgamento ortopédico, e este capítulo não escolhe. O que ele afirma é o discriminador de leitura: a alternativa correta é a que combina magnitude com maturidade esquelética, nunca a que decide só pelo grau. Risser 0 a 2 com pré-menarca significa crescimento remanescente e risco de progressão; Risser 4 ou 5 significa que a curva chegou onde ia chegar. Não por acaso, os comentários das duas questões de colete do acervo mencionam Risser 1 e pré-menarca antes do número da curva.

Um último cruzamento fecha o bloco: nenhuma dessas réguas se aplica a curva atípica. Convexidade torácica à esquerda, dor noturna, idade abaixo dos 10 anos, sexo masculino, reflexo cutâneo-abdominal assimétrico ou pé cavo tiram o caso do trilho idiopático e mandam investigar o neuroeixo com ressonância antes de qualquer decisão terapêutica. Numa questão viva do acervo, uma curva de 28 graus, que estaria em faixa de observação pela magnitude, tem a ressonância como gabarito. Magnitude só governa depois que a curva foi classificada como idiopática.

O ensaio do colete: o número que todos citam e o número que não vem dele

O ensaio que mudou a discussão sobre colete tem um desenho que a prova raramente descreve com precisão, e essa imprecisão gera aritmética errada muito difundida. Ele recrutou adolescentes de 10 a 15 anos, com Risser 0 a 2 e Cobb de 20 a 40 graus, definiu sucesso como chegar à maturidade esquelética sem que a curva atingisse 50 graus, e foi interrompido precocemente por eficácia.

Como muitos participantes recusaram a randomização, o estudo carrega duas coortes: a randomizada, com 51 pacientes em colete e 65 em observação, e a combinada com a coorte de preferência, com 146 e 96. Os resultados mais citados são os da coorte combinada: 72% de sucesso com colete contra 48% com observação, o que corresponde a 105 sucessos em 146 e 46 em 96.

Agora a conta. A redução absoluta de risco na coorte combinada é de 71,9% menos 47,9%, ou 24,0 pontos percentuais, o que dá um número necessário a tratar de 4,17. Só que o número necessário a tratar publicado no estudo é 3,0, com intervalo de confiança de 2,0 a 6,2 — e ele não vem daí. Ele vem da coorte randomizada por intenção de tratar, em que o sucesso foi de 75% contra 42%: 38 em 51 contra 27 em 65, ou 74,5% contra 41,5%, uma diferença de 33,0 pontos e um número necessário a tratar de 3,03.

A armadilha é limpa: quem memoriza o par de percentuais mais famoso e tenta derivar dele o número necessário a tratar mais famoso chega a 4,2 e conclui que errou a conta. Não errou — são coortes diferentes, separadas por mais de um ponto inteiro. A redução relativa publicada, de 56%, também é da coorte randomizada, e a aritmética confere.

A parte mais útil para a prática está na dose. O uso foi medido de forma objetiva, com um registrador de temperatura embutido no colete que gravava data, hora e temperatura a cada 15 minutos, considerando o colete em uso a partir de 28 graus centígrados. A prescrição era de pelo menos 18 horas por dia. O quartil de menor uso, com média de 0 a 6 horas por dia, teve sucesso de 41% — praticamente o resultado da observação. Uso médio de pelo menos 12,9 horas por dia associou-se a sucesso de 90% a 93%.

Note o que essa curva significa: o platô chega em torno de 12,9 horas, cerca de 72% da prescrição de 18 horas e pouco mais da metade do dia. Prescrever 18 horas não é dizer que 18 são necessárias — é construir margem para que a adesão real caia sem sair da faixa útil. E o quartil de baixo uso mostra o outro lado: colete usado seis horas por dia entrega quase o mesmo que colete nenhum.

Sobre danos, o registro é modesto e conhecido: no ensaio, participantes do grupo de colete tiveram mais problemas de pele sob a órtese (12 em 146 contra nenhum em 96) e relataram mais dor corporal fora das costas (12 em 146 contra 2 em 96), com taxas baixas de ansiedade e depressão nos dois grupos. A recomendação norte-americana considera essa base de danos inadequada para conclusão, o que é parte do motivo de a nota final ser grau I e não recomendação favorável.

04

Do enunciado ao exame, e do grau à órtese

São duas perguntas com dois eixos diferentes. No quadril do lactente o eixo é a idade, e ela decide o exame antes de qualquer outra coisa. Na coluna do adolescente o eixo é duplo — magnitude e maturidade esquelética — e decidir por um só é o erro mais comum.

  1. 1Criança sem queixa, achado no exame de rotina: o primeiro passo é decidir se o achado é do quadril ou da coluna, e a idade já separa quase tudo.
  2. 2No quadril, pergunte a idade antes de pedir exame: abaixo do intervalo de 4 a 6 meses, ultrassonografia; acima, radiografia; dentro, as duas são defensáveis e o enunciado está testando outra coisa.
  3. 3Achado positivo no exame físico do quadril não espera imagem para encaminhar; e não se trata quadril luxado com fralda dupla em nenhuma idade.
  4. 4Na coluna, o teste de inclinação anterior positivo pede radiografia panorâmica em ortostase para medir Cobb — nunca ressonância como primeiro exame na curva típica.
  5. 5Antes de aplicar régua de magnitude, procure sinal atípico: se houver, a conduta é ressonância do neuroeixo, e o número da curva deixa de governar.
  6. 6Curva típica: combine magnitude com Risser e estado menstrual. Imaturidade esquelética é o que transforma um número intermediário em indicação de colete.
tres reguas de entrada para o colete1020304050Cobbensaio: 20 a 40 graussociedade: 25 a 40escada: acima de 3020 exatos30 exatos: orfao na escadaRisser 0 a 2 e pre-menarca entram em todas as tres

O vão dos 30 graus estáveis

A escada norte-americana observa abaixo de 20 graus, indica colete acima de 30 e indica colete de 20 a 30 apenas quando há progressão documentada de 5 graus em 3 a 6 meses. Exatamente 20 e exatamente 30, estáveis na primeira medida, não são cobertos por cláusula nenhuma. Os critérios da sociedade resolvem o segundo caso, porque a faixa deles é de 25 a 40 graus com Risser 0 a 2.

1.000 rastreados, prevalencia 2%corte 5 graus539 encaminhados20 casos . VPP 3,7%corte 7 graus15416,6 casos . VPP 10,8%preco da sensibilidade extra:112 radiografias por caso a maisa fonte da pratica usa a faixa inteira: 5 a 7 graus

O corte do escoliometro custa radiografia

Em mil adolescentes com prevalência de 2%, o corte de 5 graus encontra os 20 casos e encaminha 539; o corte de 7 graus encontra 16,6 e encaminha 154. A troca é de 3,4 casos por 382 radiografias, ou cerca de 112 radiografias adicionais por caso a mais encontrado. O valor preditivo positivo sobe de 3,7% para 10,8%.

angulo alfa: faixa de decisao x erro da medidafaixa 50 a 59: 10 grausintervalo entre duas leituras: cerca de 40 grauskappa entre observadores abaixo de 0,3indice acetabular: 8,35 graus intraobservador

O ruido do ultrassom e maior que a faixa

O ângulo alfa separa o quadril normal (acima de 60 graus) do imaturo (50 a 59), uma faixa de dez graus. A concordância entre observadores tem kappa abaixo de 0,3, e duas leituras do mesmo exame podem cair num intervalo de cerca de quarenta graus. Por isso nenhuma decisão se toma sobre medida isolada.

Quadril do lactente: o exame muda com a idade, e a fronteira é frouxa

IdadeExame que decideO que a fonte escreve
Recém-nascido a 6 semanasExame físico; imagem se houver achadoOrtolani e Barlow em todo recém-nascido; achado positivo encaminha sem depender de imagem
Risco com exame normalUltrassonografia adiadaPostergar para 4 ou 6 semanas; prematuro corrige para 44 semanas de idade gestacional
6 semanas a 4 mesesUltrassonografia (método de Graf)Cabeça femoral cartilaginosa; alterações menores nessa janela costumam se resolver
4 a 6 mesesZona de sobreposiçãoRadiografia ou ultrassonografia podem ser usadas; a radiografia ganha em custo e falso-positivo
Acima de 6 mesesRadiografia da baciaNúcleo ossificado faz sombra acústica e inviabiliza a medida ultrassonográfica
Pélvico com ultrassom normalRadiografia entre 4 e 6 mesesReavaliação obrigatória pelo risco de escape e de displasia tardia

Coluna do adolescente: quem decide o quê

PerguntaO que respondeNúmero
Tem escoliose?Cobb com rotação axial reconhecível10 graus ou mais
Encaminho para radiografia?Ângulo de rotação do tronco no escoliômetro5 a 7 graus, conforme o programa
É idiopática?Ausência de sinal atípicoCurva esquerda, dor noturna, déficit neurológico ou idade abaixo de 10 anos afastam
Vai progredir?Maturidade esqueléticaRisser 0 a 2, pré-menarca ou menos de 1 ano de pós-menarca
Indico colete?Magnitude somada à maturidade25 a 40 graus pelos critérios da sociedade; acima de 30 pela escada
Indico cirurgia?Magnitude ao fim do crescimentoAcima de 50 pela escada; 45 é o marco de desfecho dos estudos

As três fontes de escoliose usam portas de entrada diferentes para o colete (acima de 30; de 25 a 40; de 20 a 40) e marcos de saída diferentes (acima de 50; 50 ou mais; acima de 45). Enunciado que quer testar a régua costuma dar um valor no meio de todas — 30, 32, 35 — e esperar que o aluno olhe também para o Risser.

O sinal de Hart, com corte de 60 graus de abdução, é o achado que substitui Ortolani e Barlow depois do terceiro mês. Enunciado com lactente de 4 a 12 meses e manobras negativas não está afastando displasia: está testando se o aluno sabe que elas deixam de servir.

Grau I de recomendação significa evidência insuficiente, não recomendação contrária. Confundir os dois muda o gabarito de questões de rastreamento e de saúde coletiva.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Até que idade o suspensório de Pavlik é opção

Até o sexto mês de vida

A órtese mais frequentemente utilizada no tratamento da displasia é o suspensório de Pavlik, que pode ser usualmente utilizado até o sexto mês de vida, com a órtese de Tubingen ganhando espaço a partir do terceiro mês pelo melhor controle da abdução por barra fixa.

Braga e colaboradores, Rev Bras Ortop 2023;58(6):839-846

Do recém-nascido até os nove meses

Os autores da série citada recomendam o uso do suspensório no período de recém-nascido até os nove meses de idade, sem relato de necrose avascular da epífise femoral, em concordância com outros autores. Vale registrar que o trabalho citado se apresenta, no próprio título, como estudo do uso do suspensório durante os primeiros seis meses de vida.

Guarniero, Rev Bras Ortop 2010;45(2):116-121, atribuindo a Ramsey, Lasser e MacEwen (J Bone Joint Surg Am 1976)

Até os quatro ou seis meses

O suspensório de Pavlik poderá ser usado até os quatro ou seis meses de idade da criança, com permanência de seis a oito semanas ou, como regra prática, cerca de duas vezes o valor da idade em que se iniciou o uso.

Guarniero, Rev Bras Ortop 2010;45(2):116-121, dois parágrafos adiante, com outra referência

Na prova

As três idades-teto convivem, e duas delas estão no mesmo artigo. Isso significa que enunciado bem escrito não coloca o paciente em cima da fronteira: se a criança tem dias ou poucas semanas, o suspensório é a resposta em qualquer régua; se já anda, não é em nenhuma. O sinal de que a questão quer outra coisa é o enunciado que dá a idade sem dar o resultado da tentativa de redução — nesse caso o que está sendo cobrado é o prazo de insistência, que é consensual, e não a idade-teto, que não é. Quando a alternativa citar duas a três semanas sem redução concêntrica como limite para abandonar o suspensório, ela está na régua em que todas as fontes concordam.

A partir de qual ângulo de Cobb se indica colete

Acima de 30 graus, ou 20 a 30 com progressão documentada

Pacientes com Cobb menor que 20 graus são observados sem tratamento; pacientes com Cobb maior que 30 graus, ou de 20 a 30 graus que progride 5 graus ou mais em 3 a 6 meses, são tratados com colete; de 40 a 50 graus, colete ou cirurgia; acima de 50 graus, tipicamente cirurgia.

US Preventive Services Task Force, JAMA 2018;319(2):165-172

De 25 a 40 graus, com Risser 0 a 2

Os critérios de inclusão ideais para estudo de colete consistem em idade de 10 anos ou mais na prescrição, Risser de 0 a 2, curvas primárias de 25 a 40 graus, sem tratamento prévio e, no sexo feminino, pré-menarca ou com menos de um ano de pós-menarca. O desempenho é avaliado, entre outros desfechos, pela proporção de curvas que ultrapassam 45 graus na maturidade.

Critérios metodológicos da Scoliosis Research Society reproduzidos em Negrini e colaboradores, Scoliosis Spinal Disord 2018;13:3

De 20 a 40 graus, com Risser 0 a 2, dos 10 aos 15 anos

O ensaio recrutou adolescentes de 10 a 15 anos com Risser 0, 1 ou 2 e ângulo de Cobb da maior curva de 20 a 40 graus, definindo fracasso como progressão para 50 graus ou mais. A eficácia demonstrada nessa faixa é a base de evidência que as outras duas réguas citam.

Weinstein e colaboradores, N Engl J Med 2013;369(16):1512-1521

Na prova

O avaliador brasileiro escreve na faixa de 25 a 40 ou 45 graus, e é essa a redação que aparece nos comentários das questões de colete do acervo. O sinal está no que o enunciado oferece junto com o número: quando ele dá Risser e estado menstrual, está pedindo a régua que combina magnitude com maturidade, e a resposta é o colete em qualquer valor entre 25 e 40. Quando ele dá um número isolado e nenhum dado de maturidade, a questão provavelmente está testando outra coisa — reconhecimento de atipia, escolha de exame, ou o próprio limite da observação. O que não se deve fazer é observar uma curva de 30 graus em paciente imatura só porque a redação de uma das fontes não a cobre literalmente.

Rastreamento escolar da escoliose idiopática do adolescente

Evidência insuficiente para concluir

A evidência atual é insuficiente para avaliar o balanço entre benefícios e danos do rastreamento da escoliose idiopática do adolescente em crianças e adolescentes de 10 a 18 anos. A detecção tem acurácia adequada, mas falta evidência sobre desfechos na vida adulta e sobre danos do tratamento. A recomendação não se aplica a quem procura atendimento por dor ou deformidade óbvia.

US Preventive Services Task Force, JAMA 2018;319(2):165-172, grau I

Rastrear com teste de inclinação somado a escoliômetro

O teste de inclinação anterior isolado é insuficiente pela alta taxa de encaminhamento e baixo valor preditivo positivo, e por isso a medida objetiva com escoliômetro é importante. As organizações que defendem o rastreio recomendam o teste de inclinação combinado à medida com escoliômetro, com corte de rotação do tronco entre 5 e 7 graus para encaminhar à radiografia.

Negrini e colaboradores, Scoliosis Spinal Disord 2018;13:3, e as organizações norte-americanas que defendem o rastreio, citadas pela própria recomendação

Na prova

Questão de rastreamento pergunta uma de duas coisas, e o vocabulário separa. Quando o enunciado fala em programa, população, política ou custo, a régua é a da recomendação com grau, e a resposta correta costuma ser a que reconhece a insuficiência de evidência sem transformá-la em contraindicação. Quando o enunciado traz um adolescente concreto com teste de inclinação positivo, a régua é clínica e a resposta é a radiografia panorâmica — o grau I não desautoriza investigar quem já apareceu com achado. Marcar que o rastreio é contraindicado é o erro que mais custa nessas questões.

06

Caso resolvido

Lactente do sexo feminino, 5 meses de vida, nascida a termo de parto cesáreo indicado por apresentação pélvica, é levada à consulta de puericultura na unidade básica de saúde. Está em aleitamento materno exclusivo, com ganho ponderal adequado e desenvolvimento neuropsicomotor apropriado para a idade. A mãe conta que a criança dorme enrolada em cueiro apertado, com as pernas esticadas, porque assim chora menos. Ao exame, a criança está afebril, ativa e sem sinais flogísticos; há assimetria de pregas glúteas e coxofemorais à direita, a abdução do quadril direito alcança cerca de 40 graus contra 70 graus à esquerda, e o sinal de Galeazzi é positivo à direita. As manobras de Ortolani e de Barlow são negativas bilateralmente. Não há registro de ultrassonografia de quadril prévia.
As manobras negativas não afastam nada
Aos 5 meses, o quadril luxado já perdeu a mobilidade que Ortolani e Barlow testam: os tecidos moles se retraíram e a cabeça femoral não transita mais para dentro e para fora do acetábulo. Negatividade das duas manobras nessa idade é o esperado numa luxação estabelecida, e não evidência contra ela. Quem lê a negatividade como tranquilizadora inverte o sentido do dado.
O que sustenta a suspeita é a tríade tardia
Limitação da abdução com quadris fletidos — o sinal de Hart —, assimetria de pregas e sinal de Galeazzi positivo compõem o quadro do quadril luxado no lactente maior. O corte numérico está preenchido com folga: a abdução de 40 graus está bem abaixo dos 60 graus que a fonte brasileira usa como limite, e ainda é assimétrica, o que basta sozinho para investigar.
Some-se o fator de risco pré-natal e o pós-natal
A apresentação pélvica está em todas as listas de risco, e o sexo feminino também. Mas há um segundo fator, e ele é o único modificável: o enfaixamento apertado com os membros inferiores em extensão e adução, documentado como associado a retardo de maturação do quadril e a maior risco de displasia. Ele entra na conversa com a mãe, não no raciocínio diagnóstico.
A idade de 5 meses cai exatamente no vão
As fontes brasileiras escrevem que a ultrassonografia serve até 4 ou 6 meses e que a radiografia se torna esclarecedora a partir dos 4 ou 6 meses. Cinco meses está no meio dessa expressão em todas elas. A saída não está nas fontes brasileiras: está na síntese do relatório norte-americano, que declara a faixa de 4 a 6 meses como zona em que radiografia ou ultrassonografia podem ser usadas, com vantagem da radiografia em disponibilidade, custo e taxa de falso-positivos.
Nessa criança, porém, a decisão nem depende do vão
O argumento decisivo é outro e antecede a idade: com Ortolani e Barlow negativos, o que se quer avaliar é a relação anatômica do quadril já luxado e a conformação acetabular, e não a estabilidade dinâmica. A radiografia da bacia em ântero-posicionamento neutro responde a essa pergunta e permite traçar as linhas de Hilgenreiner, de Ombrédanne-Perkins e de Shenton e medir o índice acetabular. Nenhuma das duas escolhas seria erro grosseiro aqui; a radiografia é a que responde ao que se está perguntando.
E o encaminhamento não espera o exame
A síntese norte-americana registra que nem ultrassonografia nem radiografia precisam ser feitas para encaminhar ao ortopedista. Com quadro clínico desse porte aos 5 meses, o encaminhamento é prioritário e paralelo ao exame. O suspensório de Pavlik, aliás, já está no limite ou fora dele conforme a régua adotada, e a via provável passa a ser redução fechada com imobilização em gesso — decisão do ortopedista, não da unidade básica.
O que sobra de aprendizado
O enunciado ofereceu quatro dados e três deles apontavam para o mesmo lado: fatores de risco, sinais tardios e idade. O único dado que parecia tranquilizar — as manobras negativas — era, na verdade, o achado que confirmava o estágio da doença. Em rastreamento, o valor de um teste negativo depende inteiramente de o teste ainda ser capaz de dar positivo naquela idade.
07

Agora feche você

Adolescente de 12 anos, sexo feminino, é levada à unidade básica de saúde pela mãe, que notou assimetria de ombros ao comprar o uniforme escolar. A menina é assintomática: nega dor nas costas, nega dor noturna, nega parestesia, fraqueza ou alteração urinária, e ainda não teve a menarca. Ao exame, há assimetria de cintura escapular e do triângulo do talhe à direita, pele sem manchas café-com-leite e sem tufos pilosos, força, sensibilidade e reflexos preservados nos quatro membros, incluindo reflexos cutâneo-abdominais simétricos. Ao teste de inclinação anterior do tronco observa-se giba torácica direita, e a medida com escoliômetro registra rotação de tronco de 6 graus. Descreva a conduta imediata, o que você espera obter dela, e como a decisão terapêutica se organizaria a partir de dois cenários de resultado.
Primeiro, decida se este caso é idiopático
Antes de qualquer número de curva, percorra a lista de atipia: lado da convexidade, dor noturna, idade, sexo, exame neurológico, estigmas cutâneos. Diga quais itens dessa lista o enunciado preencheu e quais ele deliberadamente negou, e conclua se a régua de magnitude pode ou não governar este caso.
Depois, olhe para os 6 graus do escoliômetro
O valor está dentro da faixa que as fontes descrevem como limiar usual de encaminhamento. Diga qual é essa faixa, o que muda no desempenho do instrumento entre a borda inferior e a borda superior dela, e por que o mesmo paciente pode ser encaminhado ou não conforme o programa que o examina. Repare que essa escolha não é clínica, é de política de rastreio.
Nomeie o exame e diga o que ele mede
Especifique a incidência, a posição do paciente e a extensão do estudo, e diga qual é a única medida que a partir dela decide gravidade. Diga também o que este exame não é, citando o exame que costuma aparecer como distrator e a circunstância exata em que ele seria o correto.
Por fim, organize a decisão em dois cenários
Construa a conduta para um resultado de 18 graus e para um resultado de 32 graus, ambos com sinal de Risser 1. Em cada um, diga o que governa a decisão além do número, qual é o intervalo de reavaliação e o que se explica à família. Aponte, no primeiro cenário, qual dado tornaria a conduta diferente três meses depois com a mesma curva.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Trocar o sentido das manobras do quadril Ortolani abduz e reduz — o ressalto é a cabeça femoral entrando, e o sinal só é positivo em quadril já luxado. Barlow aduz, empurra para trás e luxa — o ressalto é a cabeça saindo, e o sinal indica quadril luxável, não luxado. O enunciado costuma descrever a manobra sem nomeá-la; a palavra que decide é abdução ou adução, e o verbo que decide é entrar ou sair.
  2. 2Achar que manobra negativa afasta displasia no lactente As duas manobras dependem de o quadril poder transitar para dentro e para fora do acetábulo, e essa mobilidade se perde com a retração das partes moles. Passados alguns meses, o quadril luxado deixa de reduzir e as duas ficam negativas. O que sustenta o diagnóstico a partir daí é a limitação da abdução com quadris fletidos, a assimetria de pregas e o sinal de Galeazzi.
  3. 3Pedir ultrassonografia no primeiro dia de vida para a criança de risco com exame normal A recomendação brasileira é justamente o contrário: postergar a ultrassonografia dessa criança para 4 ou 6 semanas de vida, para separar imaturidade fisiológica de doença, com correção para 44 semanas de idade gestacional no prematuro. A síntese norte-americana coloca a janela de imagem seletiva entre seis semanas e seis meses. Antecipar o exame é o caminho mais curto para tratar quadril que ia amadurecer sozinho.
  4. 4Oferecer fralda dupla ou tripla como conduta O uso de duas ou mais fraldas não controla a extensão do quadril e chega a funcionar como fulcro entre os membros inferiores, favorecendo a lateralização das cabeças femorais. A fonte brasileira desaconselha explicitamente e observa que a medida cria falsa sensação de segurança nos pais. Como distrator, ela costuma vir acompanhada de um segundo erro: reavaliar só aos seis meses, o que inviabiliza o suspensório.
  5. 5Decidir a escoliose só pelo grau, sem olhar o Risser A mesma curva de 30 graus tem indicações opostas conforme a maturidade esquelética: em Risser 0 a 2 com pré-menarca há crescimento remanescente e risco de progressão, e o colete entra; em Risser 4 ou 5 a curva já chegou onde ia chegar, e observar é adequado. Alternativa que cita apenas a magnitude está incompleta por construção, e nas duas questões de colete do acervo o comentário menciona o Risser antes do número.
  6. 6Aplicar a régua de magnitude numa curva atípica Convexidade torácica à esquerda, dor noturna, idade abaixo de 10 anos, sexo masculino, reflexo cutâneo-abdominal assimétrico, pé cavo ou déficit neurológico tiram o caso do trilho idiopático. A conduta passa a ser ressonância do neuroeixo antes de qualquer decisão terapêutica, mesmo que a magnitude caísse em faixa de observação. Numa questão viva do acervo, a curva é de 28 graus e o gabarito é a ressonância.
  7. 7Pedir ressonância de urgência na escoliose típica O inverso da armadilha anterior também é distrator. Adolescente com teste de inclinação anterior positivo, sem dor, sem estigma cutâneo e com exame neurológico normal tem como próximo passo a radiografia panorâmica de coluna total em ortostase para medir o Cobb. A ressonância entra pela atipia, não pela suspeita de escoliose.
  8. 8Derivar o número necessário a tratar da dupla de percentuais mais citada O par 72% contra 48% é da coorte combinada do ensaio e produz número necessário a tratar de 4,17. O valor publicado, de 3,0, vem da coorte randomizada por intenção de tratar, com 75% contra 42%, e dá 3,03. Os dois estão certos nas suas coortes, e mais de um ponto inteiro separa as duas leituras — só que só uma delas é a que o estudo publicou.
  9. 9Ler grau I de recomendação como recomendação contra o rastreio Grau I significa que a evidência é insuficiente para avaliar o balanço entre benefícios e danos, e não que o rastreio esteja desaconselhado. A fonte que emite esse grau para o rastreio escolar de escoliose registra, no mesmo documento, que mais da metade dos estados norte-americanos exige ou recomenda o rastreio, e que a acurácia dos testes combinados é adequada. O que falta é evidência de desfecho, não de detecção.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A manobra descrita — abdução e flexão do quadril com pressão anterior no trocânter produzindo ressalto de redução do quadril luxado — é a de Ortolani, indicativa de displasia do desenvolvimento do quadril (fatores de risco: sexo feminino, apresentação pélvica). A manobra de Barlow provoca (não reduz) a luxação de um quadril luxável, e não diagnostica artrite séptica. O teste de Trendelenburg avalia a insuficiência do glúteo médio na marcha, em crianças maiores. O sinal de Galeazzi compara a altura dos joelhos flexionados (encurtamento), não é o ressalto descrito. O teste de Thomas avalia contratura em flexão do quadril.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite as duas manobras do quadril pelo verbo: Ortolani abduz e reduz, Barlow aduz e luxa — e diga em que idade as duas deixam de servir e qual sinal assume o lugar delas, com o corte numérico de abdução. Depois recite a cronologia da imagem: qual exame abaixo do intervalo de 4 a 6 meses, qual acima, e o que a síntese norte-americana faz com a faixa que fica dentro. Feche dizendo em voz alta os quatro parâmetros consensuais do suspensório de Pavlik: a zona de segurança em graus, o regime em horas por dia, o tempo até a normalização acetabular e o prazo máximo de insistência sem redução concêntrica.

em 30 dias

Reconstrua as três réguas de entrada do colete sem consultar, dizendo de cada uma a faixa de Cobb, a exigência de Risser e o marco de saída para cirurgia — e aponte onde cai uma curva de exatamente 30 graus, estável, na primeira medida em cada uma delas. Depois refaça as duas contas do capítulo: o número necessário a tratar das duas coortes do ensaio do colete, dizendo por que 4,17 e 3,03 estão os dois corretos e só um foi publicado; e o rastreio de mil adolescentes com prevalência de 2% nos cortes de 5 e 7 graus do escoliômetro, chegando aos dois valores preditivos positivos e ao preço em radiografias por caso a mais encontrado. Termine comparando a largura da faixa de decisão do ângulo alfa com o intervalo em que duas leituras do mesmo exame podem cair.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 4 meses, do sexo feminino, é trazida à unidade básica de saúde para consulta de puericultura de rotina. A mãe não tem queixas. Conduza o atendimento: colha os antecedentes gestacionais e de parto que importam para o quadril, examine os quadris nomeando cada manobra e o que espera de cada uma na idade da criança, decida se há indicação de exame de imagem e qual, justifique a escolha pela idade, e oriente a família sobre a forma de enrolar e carregar o bebê. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Ortopedia pediátrica: o quadril do lactente e a coluna do adolescente — Preparatório para provas | OsceLabs