Outras EspecialidadesOtorrinolaringologia

Epistaxe: o sinal que catorze capítulos citam e nenhum estanca

Epistaxe e corpo estranho em vias aéreas superiores

Compressão correta, controle do sangramento e corpos estranhos

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Criança de 4 anos é levada ao pronto-socorro pela mãe com queixa de rinorreia unilateral fétida e purulenta à direita há 2 semanas, sem febre. Ao exame, cavidade nasal esquerda normal e secreção espessa e mal-cheirosa apenas à direita. PA e demais sinais vitais normais. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?

02

Como esse tema cai

Este capítulo trata do sangramento nasal como problema a resolver, e não como pista de outra doença. A distinção importa porque o acervo inteiro já usa a epistaxe do segundo modo: ela aparece como sinal de plaquetopenia na púrpura trombocitopênica imune, como sinal de infiltração medular na leucemia linfoblástica aguda, como ponto do escore de gravidade da leishmaniose visceral, como manifestação do período toxêmico da febre amarela, como consequência mecânica do esforço na coqueluche, como gatilho de suspeição de doença de von Willebrand no sangramento uterino anormal da adolescente, como sintoma que acompanha a elevação pressórica sem convertê-la em emergência, como efeito adverso de técnica errada do corticoide nasal, como sinal de alarme de neoplasia de cabeça e pescoço e como diagnóstico diferencial de hematêmese. Em todos esses lugares, ela aponta para fora de si mesma. Aqui, ela é o problema.

Entram: a anatomia que decide o que a compressão alcança; a escada do estancamento, degrau por degrau, com o documento dono de cada um; a conduta no paciente anticoagulado; o que a lateralidade do sangramento obriga a investigar; e o corpo estranho de nariz e orelha, com o prazo da pilha de botão. A faixa etária segue a da única diretriz dedicada ao tema, que declara como alvo qualquer pessoa a partir dos três anos.

Ficam de fora, com capítulo próprio e sem invasão: a obstrução de via aérea por corpo estranho, isto é, o engasgo, que é ensinada no capítulo de parada cardiorrespiratória pediátrica com a divergência entre a régua brasileira de 2019 e a atualização americana de 2025 sobre golpes nas costas e compressões abdominais; a rinossinusite aguda e crônica e a rinite alérgica, no primeiro capítulo desta apostila e na apostila de imunologia; a vertigem periférica, no segundo capítulo; e a crise hipertensiva, na apostila de cardiologia, que já ensina por que cefaleia, epistaxe, tontura e palpitação não convertem urgência em emergência. O corpo estranho retal também tem capítulo próprio, em coloproctologia, e nada do que se diz aqui vale lá.

Fica de fora também o tratamento definitivo do sangramento refratário: ligadura endoscópica da artéria esfenopalatina e embolização endovascular aparecem apenas como o degrau para onde o generalista encaminha, com o critério de encaminhamento, e não como técnica.

03

O que muda decisão

Um sinal em catorze capítulos e nenhuma norma nacional que mande estancar

A epistaxe aparece no corpo de texto de catorze capítulos desta plataforma, espalhada por quatro grandes áreas, e em nenhum deles existe uma seção que ensine a parar o sangue — em nenhum nível de ensino. O padrão não é falha do acervo: ele reproduz o que os documentos brasileiros fazem.

Os protocolos de encaminhamento tratam a epistaxe como motivo de fila, não como doença a manejar. Nos protocolos de encaminhamento para otorrinolaringologia adulto do TelessaúdeRS-UFRGS, revisados em maio de 2023, a palavra aparece três vezes e nenhuma delas abre um protocolo próprio: uma no conteúdo descritivo mínimo do encaminhamento por obstrução nasal, junto com rinorreia, roncos, anosmia e deformidade facial; outra na lista de condições que têm preferência no encaminhamento, na forma de obstrução nasal unilateral persistente associada a epistaxe ou drenagem purulenta, isto é, como suspeita de tumor; e nenhuma como conduta. O protocolo estadual capixaba lista epistaxes entre as condições que devem ir para urgência e emergência, ao lado de trauma, corpo estranho e complicações infecciosas, e para por aí. Santa Catarina registra epistaxes e lesões nasais e paranasais como patologia da especialidade e sangramento nasal como sinal, também sem manejo. O fluxo do Distrito Federal registra o código R04.0 na tabela de diagnósticos da otorrinolaringologia.

O documento brasileiro que mais se aproxima de ensinar é municipal. O protocolo de manejo e acesso à otorrinolaringologia de Jundiaí, de 2023, dedica um capítulo inteiro à epistaxe, com definição, causas, diagnóstico, tratamento e classificação de risco em três níveis, e outro ao corpo estranho nasal e otológico. É a régua brasileira mais completa disponível, e é de uma prefeitura.

A única diretriz do mundo dedicada exclusivamente ao tema é de sociedade e estrangeira: a diretriz de prática clínica sobre epistaxe da fundação da academia americana de otorrinolaringologia e cirurgia de cabeça e pescoço, publicada em janeiro de 2020, com catorze recomendações-chave e uma opção. É de lá que sai quase todo número de conduta que a prova brasileira cobra, mesmo quando o enunciado não a cita.

Saber de qual documento cada número sai é o que separa a questão respondida da questão adivinhada. Quando o enunciado pede a conduta inicial, a régua é a da diretriz. Quando pede para onde encaminhar e com que prioridade, a régua é a do protocolo de acesso do serviço, e ela muda de município para município. Quando pede o significado do sinal dentro de outra doença, a régua é a do capítulo daquela doença.

A moldura, e os seis por cento que trocam de denominador

A diretriz de 2020 abre com quatro números que valem decorar juntos, porque eles se encaixam. Pelo menos 60% das pessoas têm epistaxe em algum momento da vida. Cerca de 6% das pessoas que têm epistaxe procuram atendimento médico. A epistaxe responde por 0,5% de todas as visitas a serviços de emergência e por até um terço de todos os atendimentos de emergência relacionados à otorrinolaringologia. E a internação para tratamento agressivo do sangramento grave foi relatada em 0,2% dos pacientes com epistaxe.

Faça a aritmética antes de continuar, porque a prova gosta de misturar os denominadores. Se 60% da população sangra e 6% desses procuram atendimento, então cerca de 3,6% da população procura um serviço de saúde por epistaxe em algum momento. E se 0,2% de todos os que sangram internam, mas só 6% chegam ao serviço, a internação corresponde a aproximadamente um em trinta dos que chegam, ou 3,3% deles. O mesmo 0,2% descreve um evento raríssimo na população e um evento incomum, mas nada excepcional, na porta do pronto-socorro. É o denominador que decide qual das duas leituras é a certa.

Agora repare no que acontece com esse número quando ele atravessa para o documento brasileiro. O protocolo municipal escreve que apenas 6% dos pacientes com epistaxe necessitam de avaliação ou intervenção especializada. É o mesmo algarismo da diretriz, com outro sujeito: lá ele mede quem procura atendimento de qualquer tipo, aqui ele passa a medir quem precisa de especialista. São construtos diferentes, e a distância entre eles é justamente o generalista que resolve na própria consulta.

A troca de denominador cria uma incoerência interna que fica a dois parágrafos de distância dela mesma. O mesmo texto diz que os quadros de sangramento anterior correspondem a cerca de 90% das epistaxes e são de fácil controle com a compressão local, e que os quadros de sangramento posterior são de difícil manejo, apresentam sangramento mais volumoso e necessitam de intervenções mais específicas, como o tamponamento e até procedimentos cirúrgicos. Se os posteriores são 10% e todos eles precisam de intervenção especializada, o total de quem precisa de especialista não pode ser 6%. O piso já é 10%.

E há um terceiro número que não fecha, agora entre países. O estudo de base populacional feito em Porto Alegre, com amostra de 1.174 adultos representativa dos habitantes da cidade, encontrou prevalência de epistaxe de 14,7%, com intervalo de confiança de 12,7% a 16,7%. Contra os pelo menos 60% da diretriz. A diferença de mais de quatro vezes não é epidemiologia: é definição. O estudo brasileiro contou qualquer episódio não traumático depois dos 18 anos, colhido por lembrança; a diretriz conta a vida inteira, e a vida inteira inclui a infância, que é o pico da doença. Enunciado que oferece as duas prevalências como se fossem a mesma medida está pedindo que o candidato leia o denominador antes do algarismo.

Cascata de retângulos encaixados: população geral; pelo menos 60 por cento com epistaxe alguma vez na vida; 6 por cento desses procurando atendimento, o que equivale a cerca de 3,6 por cento da população; e 0,2 por cento de todos os que sangram internando, o que equivale a cerca de 3,3 por cento dos que chegam ao serviço. Ao lado, duas barras de prevalência comparadas: pelo menos 60 por cento pela contagem de vida inteira e 14,7 por cento, com intervalo de confiança de 12,7 a 16,7, no estudo de 1.174 adultos de Porto Alegre. Na base, a nota de que os sangramentos posteriores são cerca de 10 por cento e todos precisam de intervenção.
O mesmo 0,2 por cento descreve evento raríssimo na população e incomum na porta do pronto-socorro; e o 6 por cento troca de sujeito no documento brasileiro, onde o piso já seria 10 por cento.

Anterior e posterior: o que a compressão alcança, e o ponto brasileiro que quebrou o binômio

Cerca de 90% dos sangramentos nasais anteriores nascem no plexo de Kiesselbach, também chamado de área de Little, no septo anterior. O que faz dessa região a mais sangrante do nariz é que ela é o encontro dos dois sistemas carotídeos: ali convergem os ramos terminais de cinco vasos nomeados, a artéria etmoidal anterior e a etmoidal posterior, que vêm da carótida interna pela oftálmica, e a esfenopalatina, a palatina maior e a labial superior, que vêm da carótida externa. Mucosa fina, muito vascularizada, superficial, ao alcance do dedo e do ar seco.

O sangramento posterior vem da parte de trás, de ramos terminais finos da esfenopalatina e da etmoidal posterior, e costuma ser atribuído ao plexo de Woodruff. É menos frequente e mais grave. A diretriz descreve que ele é mais comum em quem usa anticoagulante e em quem tem hipertensão.

O que separa um do outro na beira do leito não é a rinoscopia, e sim o comportamento do sangue. Sangue que continua descendo pela parede posterior da faringe depois de compressão bem feita e sustentada é posterior por definição operacional, porque a fonte está atrás do alcance dos dedos. Quem cospe sangue vivo e refere gosto de sangue na garganta com o nariz comprimido corretamente não precisa de mais tempo de compressão: precisa de outro degrau. Esse é o achado que a vinheta usa para virar o caso.

O binômio anterior e posterior, porém, ganhou uma terceira peça, e ela é brasileira. Em 2018 o Brazilian Journal of Otorhinolaryngology publicou a descrição do ponto de Stamm, um pedículo vascular arterial na porção superior do septo nasal, em torno da projeção da axila do corneto médio, atrás do corpo septal. O trabalho relatou nove pacientes com epistaxe grave espontânea em que esse foi o sítio do sangramento; a cauterização do ponto resolveu todos, sem recidiva. O que o achado quebra é o atalho de que epistaxe grave é sinônimo de sangramento posterior: o ponto de Stamm é alto e septal, não posterior lateral, e a apresentação inicial predominante na série foi anteroposterior.

A prevalência veio depois. Uma série de 268 prontuários de dois hospitais universitários, publicada em 2021 na mesma revista, excluiu os 129 pacientes com sangramento anterior e mediu o resto: o ponto de Stamm respondeu por 28,8% dos sangramentos não anteriores. Dois fatores se associaram a ele de forma significativa: anemia, com razão de chances de 3,635 e intervalo de confiança de 1,669 a 7,914, e baixo peso, definido por índice de massa corporal abaixo de 18,5, com razão de chances de 8,559 e intervalo de 1,648 a 44,445. Repare no segundo intervalo, que vai de pouco acima de 1 até quase 45: o ponto estimado impressiona e a precisão é quase nenhuma. É um achado que sustenta procurar o sítio, não que sustenta prever quem sangra por ele.

A primeira medida, e o minuto que nenhuma fonte escreve igual

A segunda recomendação da diretriz é a mais cobrada e a mais curta: no paciente que precisa de manejo imediato, tratar o sangramento ativo com compressão firme e sustentada no terço inferior do nariz, com ou sem a ajuda do paciente ou do acompanhante, por cinco minutos ou mais.

Três coisas estão dentro dessa frase. A primeira é o lugar: terço inferior, que é a parte cartilaginosa, onde fica a área de Little. Comprimir a raiz óssea do nariz é gesto comum e inútil, porque ali não existe vaso a ser ocluído contra o septo. A segunda é o adjetivo sustentada, que na prática significa não soltar para conferir se parou: cada conferência desfaz o coágulo que estava se formando. A terceira é o piso de tempo, e é nele que as fontes divergem.

A diretriz escreve cinco minutos ou mais. A referência de bolso escreve pelo menos dez minutos, pinçando a ponta cartilaginosa em vez da área óssea. E as questões brasileiras que circulam no acervo desta plataforma dão como correta a compressão por dez a quinze minutos ininterruptos, com o paciente sentado e o tronco inclinado para a frente. As três réguas concordam no lugar, no gesto e na posição; discordam no algarismo. Nenhuma delas admite compressão intermitente.

A posição do paciente não é detalhe de conforto. Sentado, com tronco e cabeça inclinados para a frente, o sangue sai pela narina e o volume perdido fica visível. Inclinar a cabeça para trás faz o paciente deglutir sangue, provoca náusea e vômito, esconde quanto se perdeu e não comprime nada; é o erro mais repetido na cultura popular e o distrator mais frequente das vinhetas. A compressa de gelo na nuca é da mesma família: não tem eficácia demonstrada e ocupa o lugar da medida que funciona.

Antes de qualquer coisa, e a diretriz coloca isso como primeira recomendação, vem a triagem: no primeiro contato, distinguir o paciente com epistaxe que precisa de manejo imediato daquele que não precisa. A permeabilidade da via aérea e a estabilidade hemodinâmica decidem se o paciente fica na unidade básica ou vai para a emergência, e o protocolo municipal brasileiro classifica como prioridade máxima o sangramento ativo volumoso sem controle com compressão em idoso, hipertenso descompensado, portador de coagulopatia ou com sinal de descompensação hemodinâmica.

Do coágulo à cauterização: o que se olha, o que se pinga, o que se queima

Passada a compressão, a diretriz manda olhar. A sexta recomendação é fazer rinoscopia anterior para identificar a fonte do sangramento depois de remover qualquer coágulo presente. A ordem importa: sem retirar o coágulo não se vê o ponto, e sem ver o ponto não há como escolher o tratamento dirigido. O espéculo entra fechado, abre no sentido vertical afastando a asa nasal, e não se apoia no septo, porque apoiar no septo é criar um novo sangramento no exame que investiga o antigo.

Com o ponto identificado, a oitava recomendação abre um leque de três: vasoconstritor tópico, cauterização nasal e agentes hidratantes ou lubrificantes, isolados ou combinados. A cauterização vem com trava própria, na nona recomendação: quando ela for escolhida, o clínico deve anestesiar o sítio sangrante e restringir a aplicação apenas ao ponto ativo ou suspeito. Queimar mucosa saudável em volta não estanca nada e destrói o epitélio que fará a cicatrização.

Há uma segunda trava, que não está na diretriz e sim na referência de bolso, e é anatômica: se for usado nitrato de prata para cauterizar um vaso do septo, aplicá-lo em um lado só, para evitar perfuração septal. O septo é uma lâmina fina de cartilagem entre duas mucosas; cauterizar as duas faces no mesmo ponto priva a cartilagem de suprimento pelos dois lados. É o tipo de detalhe que aparece como alternativa aparentemente zelosa, do tipo cauterizar os dois lados para garantir.

O sangramento que impede sequer identificar a fonte tem caminho próprio. A recomendação 3a diz que, nos pacientes em que o sangramento impede a identificação do sítio apesar da compressão nasal, o clínico deve tratar o sangramento ativo em curso com tamponamento nasal. Não é o primeiro degrau: é o degrau de quem já comprimiu e ainda não enxerga.

O tampão: qual material, por quanto tempo, e o que as catorze recomendações não dizem

A escolha do material tem regra explícita e ela depende do paciente, não do sangramento. A recomendação 3b determina usar tampão reabsorvível em pacientes com suspeita de distúrbio de coagulação ou que estejam em uso de anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários. A lógica é o momento da retirada: no paciente com hemostasia comprometida, remover um tampão não reabsorvível é reabrir a ferida, e o reabsorvível dispensa esse segundo trauma.

A quarta recomendação transforma a alta em ato clínico: educar o paciente que recebeu tampão sobre o tipo de material colocado, o momento e o plano de retirada quando não for reabsorvível, os cuidados após o procedimento e quais sinais ou sintomas justificam reavaliação imediata. Paciente que vai para casa sem saber quando volta para tirar o tampão é reinternação marcada.

O prazo e o antibiótico ficam fora das catorze recomendações e vêm da referência de bolso: o tampão deve permanecer intocado por três a cinco dias, e o paciente deve iniciar antibiótico antiestafilocócico para prevenir síndrome do choque tóxico. As catorze recomendações-chave da diretriz não trazem nenhuma afirmação sobre antibiótico com tampão nasal. Silêncio de diretriz não é proibição, mas também não é respaldo: quem responde antibiótico para todo tampão está seguindo a referência de bolso, e quem responde que a diretriz recomenda antibiótico está atribuindo à diretriz uma frase que ela não tem.

O tampão posterior é outro nível de decisão. O protocolo municipal brasileiro é direto: os sangramentos posteriores, por serem mais graves, necessitam de passagem de tampão posterior e internação hospitalar por no mínimo 24 horas, e acrescenta uma pista de leitura retrospectiva útil na vinheta, a de que casos com alta no mesmo dia provavelmente foram tratados com tampão anterior e portanto eram de menor gravidade. A referência de bolso justifica a internação pela monitorização, particularmente de arritmias cardíacas, e admite alta do sangramento anterior quando há estabilidade hemodinâmica observada por pelo menos uma hora no serviço de emergência.

O degrau seguinte não é do generalista, mas o critério para acioná-lo é. A décima recomendação manda avaliar, ou encaminhar a quem possa avaliar, a candidatura à ligadura arterial cirúrgica ou à embolização endovascular nos pacientes com sangramento persistente ou recorrente não controlado por tamponamento ou cauterização. A palavra que decide é não controlado por: ligadura e embolização não são primeira medida hemostática, e alternativa que as oferece a um paciente que ainda não recebeu tampão está pulando dois degraus.

O anticoagulado: a alternativa que quase sempre está errada

Existe uma recomendação da diretriz que quase sempre corresponde ao distrator mais atraente da questão. A décima primeira diz que, na ausência de sangramento que ameace a vida, o clínico deve iniciar os tratamentos de primeira linha antes de transfundir, reverter a anticoagulação ou suspender medicações anticoagulantes e antiagregantes plaquetárias nos pacientes que as usam.

A ordem é essa e ela é contraintuitiva. Diante de um paciente que sangra pelo nariz em uso de varfarina ou de anticoagulante oral direto, o reflexo é mexer no anticoagulante primeiro. A diretriz inverte: comprimir, olhar, cauterizar ou tamponar, e só depois discutir o fármaco, salvo quando o sangramento por si só ameaça a vida. O motivo é aritmético e clínico ao mesmo tempo. A epistaxe é quase sempre controlada por medida local; suspender ou reverter a anticoagulação expõe o paciente ao evento tromboembólico que a medicação previne, e esse evento não se desfaz com compressão.

A quinta recomendação completa o quadro pelo lado da anamnese: documentar os fatores que aumentam a frequência ou a gravidade do sangramento em qualquer paciente com epistaxe, incluindo história pessoal ou familiar de distúrbios de sangramento, uso de anticoagulante ou antiagregante e uso intranasal de drogas. É a mesma pergunta que o capítulo de sangramento uterino anormal faz na adolescente com menstruação volumosa desde a menarca: sangramento em mais de um sítio, com história familiar, muda o diagnóstico de trabalho para coagulopatia, e a doença de von Willebrand é a mais comum.

A régua brasileira chega ao mesmo lugar por outro caminho, que é o do encaminhamento. O protocolo municipal manda compensar clinicamente o paciente na atenção primária quando a epistaxe se associa a alterações metabólicas e pressóricas, e encaminhar à hematologia diante de suspeita de coagulopatia, reservando o otorrinolaringologista para a persistência do quadro mesmo depois da compensação e das orientações locais. Antecedente familiar de epistaxes ou de sangramentos recorrentes é o gatilho explícito para essa avaliação.

A lateralidade decide o caminho: um lado vira endoscopia, dois lados viram telangiectasia

Duas recomendações da diretriz olham para o mesmo dado clínico, a lateralidade do sangramento recorrente, e mandam para lados opostos. É provavelmente o par mais elegante do tema e o mais rentável em prova.

A recomendação 7a manda fazer, ou encaminhar a quem possa fazer, endoscopia nasal para identificar o sítio de sangramento e guiar o manejo nos pacientes com sangramento nasal recorrente apesar de tratamento prévio com tampão ou cautério, ou com sangramento nasal unilateral recorrente. Unilateral e recorrente é a assinatura de lesão estrutural de um lado só, e a preocupação de fundo é neoplasia. A régua brasileira de encaminhamento diz o mesmo com outras palavras e com prioridade explícita: obstrução nasal unilateral persistente associada a epistaxe ou drenagem purulenta é suspeita de tumor nasal e tem preferência no encaminhamento à otorrinolaringologia. O protocolo municipal nomeia o nasoangiofibroma entre as causas tumorais de epistaxe, e ele é o diagnóstico que a vinheta constrói quando descreve adolescente do sexo masculino com obstrução nasal unilateral e sangramentos de repetição.

A recomendação 12 vai para o outro lado: avaliar, ou encaminhar a quem possa avaliar, a presença de telangiectasias nasais ou de mucosa oral em pacientes com história de sangramentos nasais bilaterais recorrentes ou história familiar de sangramentos nasais recorrentes, para diagnosticar a telangiectasia hemorrágica hereditária. Bilateral e familiar não é tumor: é doença vascular sistêmica, e a busca das telangiectasias sai do nariz e vai para a boca.

Existe ainda uma opção, e ela tem esse nome porque a força da recomendação é menor. A 7b diz que o clínico pode fazer, ou encaminhar para quem possa fazer, endoscopia nasal para examinar a cavidade nasal e a nasofaringe em pacientes com epistaxe difícil de controlar ou quando há preocupação com patologia não reconhecida que contribua para o sangramento. Recomendação e opção não valem o mesmo, e enunciado que troca uma pela outra está testando a leitura do documento, não a clínica.

A décima quarta recomendação fecha o ciclo pelo registro: documentar o desfecho da intervenção em até 30 dias, ou documentar a transição de cuidado, nos pacientes com epistaxe tratada com tampão não reabsorvível, cirurgia ou ligadura e embolização arterial. E a décima terceira manda educar o paciente e os cuidadores sobre medidas preventivas, tratamento domiciliar e as indicações para procurar atendimento adicional, que é onde entram a umidificação da mucosa, a lavagem nasal com solução salina e a proibição de assoar com força ou manipular o nariz nas horas seguintes, enquanto o coágulo sobre a área de Little ainda é o único curativo que existe ali.

Corpo estranho de nariz e de orelha: o que espera a consulta e o que não espera meia hora

O corpo estranho nasal é doença de pré-escolar. O pico está entre 2 e 5 anos, é incomum antes dos 9 meses porque depende da pinça digital já desenvolvida, é discretamente mais frequente em meninos, e os objetos unilaterais são encontrados à direita cerca de duas vezes mais que à esquerda, provavelmente por causa do predomínio de destros. Em adultos, o quadro aparece em pessoas com transtorno psiquiátrico ou déficit cognitivo, e por entrada acidental de insetos, sementes e algodão de haste flexível.

A apresentação é uma frase inteira: rinorreia purulenta de odor desagradável, habitualmente unilateral, às vezes com raias de sangue ou epistaxe franca, com obstrução do mesmo lado. Unilateralidade mais odor pútrido em criança pequena é corpo estranho nasal até prova em contrário, e o objeto pode estar ali há semanas, meses ou anos antes de alguém olhar. As complicações ocorrem em cerca de 9% dos pacientes e incluem perfuração septal, sinusite, meningite e as decorrentes de aspiração.

Dois materiais não esperam. A pilha de botão produz necrose de liquefação, e a referência de bolso registra perfuração septal em tão pouco quanto quatro horas; ímãs criam corrente elétrica com o mesmo potencial destrutivo. Uma série retrospectiva de dez anos com 230 crianças, publicada em 2026, mediu a realidade clínica: 97,8% tinham entre 1 e 5 anos, 87,4% chegaram em até 24 horas do episódio, e a incidência de perfuração do septo nasal foi de 16,5%. No modelo in vitro do mesmo trabalho, com cartilagem septal exposta a uma pilha de 3 volts, a janela crítica de progressão rápida da lesão foi de 30 minutos, com profundidade média de lesão de 2.160 micrômetros. As duas fontes dizem coisas diferentes sobre o relógio, e a diferença muda a frase que se diz à família.

As técnicas de remoção têm contraindicações que valem mais que as indicações. A irrigação foi abandonada: carrega alto risco de engasgo e aspiração. O vasoconstritor tópico, que ajuda em outros objetos, é contraindicado quando o corpo estranho é pilha, porque pode aumentar o vazamento do conteúdo. A pressão positiva, na forma do beijo da mãe, em que o cuidador sela a boca da criança, oclui a narina livre e sopra com firmeza, é técnica de primeira tentativa e dispensa instrumento. Pinça jacaré, curetas, sondas, ganchos, aspiração e cateter-balão são as opções instrumentais. Pilha, ímã e objeto deslocado posteriormente vão para o otorrinolaringologista, com endoscopia ou centro cirúrgico.

Na orelha as regras se invertem em um ponto que a vinheta adora. Semente no conduto auditivo externo não recebe água: o grão incha, aumenta de volume e passa a doer mais e a sair menos. Inseto no conduto recebe material oleoso, óleo ou azeite, para interromper a movimentação do animal antes da remoção, e o protocolo municipal é explícito em evitar tentativa com pinça e instrumentos inadequados nesse cenário. Na fossa nasal, esse mesmo protocolo autoriza pedir que a criança assoe com força a narina acometida, com a ressalva de que nem sempre resolve.

A prioridade brasileira é declarada. O protocolo municipal classifica como prioridade máxima o corpo estranho de conduto auditivo externo, exceto cerume, quando for bateria, pilha, semente ou inseto, e classifica o corpo estranho nasal como prioridade máxima independentemente do material, pelo risco de infecção local e de aspiração; algodão, papel e miçanga no conduto caem no nível seguinte. A régua de encaminhamento do TelessaúdeRS-UFRGS chega ao mesmo destino por uma linha só: obstrução nasal aguda por corpo estranho é condição que indica encaminhamento para urgência e emergência.

Onde a régua deixa buraco: a criança de dois anos e o adulto que ninguém protocola

A diretriz de 2020 declara como paciente-alvo qualquer indivíduo com 3 anos ou mais com epistaxe ou história de epistaxe que necessite de tratamento ou procure orientação médica. Abaixo dos 3 anos, portanto, o único documento dedicado ao tema não se aplica por escrita própria. Do outro lado, os protocolos de encaminhamento brasileiros que descrevem epistaxe com algum detalhe são de otorrinolaringologia adulto. A criança de 2 anos com sangramento nasal cai fora dos dois, e a régua que sobra é a da doença de base, no capítulo dela: plaquetopenia, coagulopatia, corpo estranho, trauma.

Vale notar o que essa faixa contém. O corpo estranho nasal tem pico entre 2 e 5 anos, e a série de pilhas de botão registrou 97,8% dos casos entre 1 e 5 anos. Ou seja: a idade em que o objeto entra no nariz com mais frequência é parcialmente a mesma idade que a diretriz de epistaxe declara fora do próprio escopo. Não é contradição entre documentos, porque tratam de coisas diferentes; é um vão que a prova pode explorar oferecendo, para um lactente, uma conduta que só existe no texto para maiores de 3 anos.

O segundo buraco é de rede. Todas as réguas brasileiras que abrem a palavra epistaxe são de acesso e regulação: dizem quem entra na fila, com que prioridade e com qual conteúdo descritivo mínimo no encaminhamento. Nenhuma delas descreve como se coloca um tampão anterior, com que material, por quantos dias, com ou sem antibiótico. O generalista brasileiro que precisa dessa informação vai buscá-la em documento de sociedade estrangeira ou em referência de bolso, e é por isso que a mesma conduta aparece com números diferentes em serviços diferentes do mesmo estado.

O terceiro vão é o do encaminhamento em três níveis. O protocolo municipal separa a prioridade máxima, com sangramento ativo volumoso sem controle em idoso, hipertenso descompensado ou coagulopata, da prioridade intermediária, com sangramento frequente associado a massa intranasal visível, deformidade nasal ou facial ou tamponamento posterior prévio que exigiu internação por mais de 24 horas, e da prioridade menor, com epistaxe frequente ou esporádica ligada a rinite alérgica, trauma digital, medicação tópica nasal, mudança climática, uso de drogas ou anticoagulantes. Repare que o anticoagulado sem sangramento ativo cai no nível de menor prioridade, o que é coerente com a recomendação de não mexer no fármaco antes das medidas locais, e incoerente com a intuição de que anticoagulante é sempre agravante.

04

Da vinheta ao degrau: o que cada dado obriga, e quem é dono de cada número

Quase toda questão do tema se resolve identificando primeiro em que ponto da escada o enunciado parou o relógio, e depois qual documento é dono daquele degrau. Sangramento ativo sem manejo prévio pede a régua da diretriz; encaminhamento e prioridade pedem a régua do protocolo de acesso; lateralidade e recorrência pedem o par endoscopia e telangiectasia; e corpo estranho pede o material antes de qualquer técnica.

Os quatro números da moldura

Pelo menos 60% das pessoas têm epistaxe alguma vez; cerca de 6% das que têm procuram atendimento; a epistaxe responde por 0,5% das visitas ao serviço de emergência e por até um terço dos atendimentos de emergência de otorrinolaringologia; a internação foi relatada em 0,2% dos pacientes com epistaxe.

A primeira medida, em três dados

Lugar: terço inferior, parte cartilaginosa. Gesto: firme, sustentada, sem soltar para conferir. Tempo: cinco minutos ou mais pela diretriz; pelo menos dez pela referência de bolso; dez a quinze na prática brasileira. Paciente sentado, tronco e cabeça para a frente.

A trava do anticoagulado

Sem sangramento que ameace a vida, as medidas de primeira linha vêm antes de transfundir, reverter a anticoagulação ou suspender o antiagregante. Quando houver indicação de tampão nesse paciente, o material é o reabsorvível.

A lateralidade que decide o destino

Unilateral e recorrente vai para endoscopia nasal, com neoplasia no horizonte e prioridade de encaminhamento quando somada a obstrução unilateral persistente. Bilateral e recorrente, ou com história familiar, vai para a busca de telangiectasias nasais e orais.

A trava do cautério

Anestesiar o sítio e restringir a aplicação apenas ao ponto ativo ou suspeito. Com nitrato de prata, cauterizar um lado só do septo: as duas faces no mesmo ponto perfuram a cartilagem.

O material antes da técnica

Pilha e ímã não esperam consulta. Irrigação está abandonada pelo risco de aspiração. Vasoconstritor tópico é contraindicado quando o objeto é pilha. Semente no conduto não recebe água; inseto no conduto recebe óleo antes da remoção.

Anterior, posterior e o ponto de Stamm: o que separa e o que muda

ItemAnteriorPosteriorPonto de Stamm
SítioPlexo de Kiesselbach, área de Little, septo anteriorRamos terminais finos da esfenopalatina e etmoidal posterior; atribuído ao plexo de WoodruffPedículo arterial no septo superior, na projeção da axila do corneto médio, atrás do corpo septal
FrequênciaCerca de 90% dos sangramentos nasaisMenos frequente e mais grave28,8% dos sangramentos não anteriores numa série de 268 prontuários
Sinal que identificaPonto visível à rinoscopia anterior depois de retirado o coáguloSangue que segue descendo pela orofaringe apesar de compressão bem feitaSó a endoscopia encontra; apresentação inicial predominantemente anteroposterior
Resposta à compressãoCede na grande maioria dos casosNão cede: a fonte está fora do alcance dos dedosNão cede; a série descreve resolução com cauterização do ponto
DestinoAlta com orientação após estabilidade observadaTampão posterior e internação, com monitorização inclusive de arritmiaEndoscopia especializada; procurar ativamente na epistaxe grave

A escada do estancamento e o dono de cada degrau

DegrauO que disparaFonte da régua
Triagem no primeiro contatoDistinguir quem precisa de manejo imediato de quem não precisa; via aérea e estabilidade hemodinâmicaRecomendação 1 da diretriz de 2020
Compressão do terço inferiorSangramento ativo em paciente que precisa de manejo imediatoRecomendação 2 da diretriz; tempo diverge entre as fontes
Rinoscopia anteriorDepois de conter e de remover o coágulo, para identificar o sítioRecomendação 6 da diretriz
Vasoconstritor, cautério ou hidratanteSítio de sangramento identificadoRecomendações 8 e 9 da diretriz
Tampão anteriorSangramento impede identificar o sítio apesar da compressãoRecomendação 3a; material reabsorvível pela 3b se coagulopatia ou antitrombótico
Tampão posterior e internaçãoSangue drenando pela orofaringe apesar do tampão anteriorProtocolo municipal brasileiro: mínimo de 24 horas de internação
Ligadura ou embolizaçãoSangramento persistente ou recorrente não controlado por tampão nem cautérioRecomendação 10 da diretriz
Mexer no anticoagulanteSó quando o sangramento por si ameaça a vida; caso contrário, depois das medidas locaisRecomendação 11 da diretriz

Corpo estranho de nariz e orelha: material, risco e prazo

MaterialRisco próprioConduta e prazo
Pilha ou bateria de botãoNecrose de liquefação; perfuração septal ou timpânica; perfuração septal em 16,5% de uma série de 230 criançasPrioridade máxima. Perfuração relatada em tão pouco quanto 4 horas pela referência de bolso; janela crítica de 30 minutos no modelo in vitro. Vasoconstritor tópico contraindicado
ÍmãCorrente elétrica com potencial destrutivo semelhante ao da pilhaRemoção urgente por especialista, com endoscopia ou centro cirúrgico
Semente ou grãoHigroscópico: incha com água e passa a doer mais e sair menosNo conduto auditivo, não instilar água. Na fossa nasal, pode-se pedir que assoe com força a narina acometida
Inseto vivo no condutoDor intensa pela movimentação do animalInstilar material oleoso para interromper o movimento antes da remoção; evitar pinça e instrumento inadequado
Algodão, papel, miçanga no condutoTrauma do conduto e da membrana timpânica; hipoacusiaPrioridade intermediária no protocolo municipal
Qualquer material na fossa nasalInfecção local e aspiração pulmonarPrioridade máxima independentemente do material; obstrução nasal aguda por corpo estranho é critério de urgência e emergência na régua de encaminhamento

As recomendações citadas pelo número são as da diretriz de prática clínica sobre epistaxe de 2020. Recomendação e opção não têm o mesmo peso: a endoscopia da 7b é opção, a da 7a é recomendação.

Os três níveis de prioridade descritos vêm de um protocolo municipal e não são régua nacional. Serviços diferentes classificam de modo diferente; o que se transfere para a prova é a lógica, não a sigla do nível.

Nenhum protocolo clínico e diretriz terapêutica nacional cobre epistaxe. Os números de conduta deste capítulo saem de documento de sociedade estrangeira, de referência de bolso e de protocolo municipal, e o capítulo diz de qual deles cada número vem.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Por quanto tempo comprimir antes de considerar que a compressão falhou

Cinco minutos ou mais, no terço inferior

A segunda recomendação-chave manda tratar o sangramento ativo, no paciente que precisa de manejo imediato, com compressão firme e sustentada do terço inferior do nariz, com ou sem ajuda do paciente ou do acompanhante, por cinco minutos ou mais. Não há teto declarado nem exigência de cronômetro além do piso.

Clinical Practice Guideline: Nosebleed (Epistaxis) Executive Summary. Otolaryngol Head Neck Surg. 2020;162(1):8-25, recomendação 2

Pelo menos dez minutos, pinçando a ponta cartilaginosa

A orientação é pedir ao paciente pressão direta constante, pinçando o nariz sobre a ponta cartilaginosa em vez das áreas ósseas, e a duração recomendada é de pelo menos dez minutos. É essa a régua que as vinhetas brasileiras reproduzem, em geral esticada para dez a quinze minutos ininterruptos.

Epistaxis. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK435997

Na prova

Procure de quem o enunciado tomou o número antes de escolher. Comando que cita a diretriz da academia americana trabalha com cinco minutos ou mais; comando escrito sobre material de emergência ou sobre prática brasileira costuma trazer dez a quinze minutos. As duas réguas concordam no que realmente separa a alternativa certa da errada: o lugar é o terço inferior cartilaginoso, a cabeça vai para a frente e não para trás, e não se solta para conferir. Alternativa que manda comprimir a raiz óssea, inclinar a cabeça para trás ou aplicar gelo na nuca é errada em qualquer das duas leituras.

Ácido tranexâmico tópico serve para evitar o tampão

Não reduz a necessidade de tampão

Ensaio duplo-cego, controlado por placebo, multicêntrico, em 26 serviços de emergência do Reino Unido, com 496 participantes com epistaxe espontânea persistente depois de primeiros socorros simples e de vasoconstritor tópico. Receberam tampão anterior 43,7% dos alocados ao ácido tranexâmico e 41,3% dos alocados ao placebo, com razão de chances de 1,107 e intervalo de confiança de 0,769 a 1,594, com valor de p igual a 0,59. Nenhum desfecho secundário diferiu.

Reuben A, Appelboam A, Stevens KN, et al. The Use of Tranexamic Acid to Reduce the Need for Nasal Packing in Epistaxis (NoPAC): Randomized Controlled Trial. Ann Emerg Med. 2021

Acelera a hemostasia e reduz o ressangramento, se a via for a certa

Metanálise de 18 estudos, sendo 16 ensaios randomizados e 2 coortes prospectivas, com 2.760 pacientes com epistaxe anterior espontânea. O ácido tranexâmico tópico aumentou a chance de cessação do sangramento em dez minutos, com razão de chances de 2,54 e intervalo de 1,22 a 5,29, reduziu ressangramento precoce e tardio, com razões de chances de 0,42 e 0,45, e multiplicou por cinco a chance de alta em duas horas. A análise de subgrupo mostra que a via importa: gaze embebida teve razão de chances de 2,98 e a nebulização, de 0,29.

A meta-analysis on the efficacy of topical tranexamic acid for epistaxis: does the method of administration affect the success rate? Australas Emerg Care. 2026

Na prova

As duas fontes não descrevem a mesma população nem a mesma via, e é aí que a questão arma. O ensaio negativo só incluiu quem já havia falhado aos primeiros socorros e ao vasoconstritor, isto é, o subgrupo mais refratário; a metanálise agrega estudos de epistaxe anterior em geral e mostra que o efeito depende da técnica de aplicação. Enunciado que pergunta se o ácido tranexâmico tópico deve substituir a compressão está errado nas duas leituras, porque nenhuma das duas o testou nesse lugar. Enunciado que descreve paciente ainda sem medida local nenhuma e oferece o fármaco como primeira conduta também está errado nas duas.

Hipertensão arterial causa epistaxe

Aumenta o risco e agrava o quadro

Coorte retrospectiva pareada da base nacional de seguro de saúde da Coreia, com 35.749 hipertensos e 35.749 controles pareados, excluídos tumores nasossinusais, trauma de face, discrasias e uso de anticoagulante. A incidência de epistaxe foi de 32,97 por 10.000 pessoas nos hipertensos contra 22,76 nos controles, com razão de incidências de 1,45 e intervalo de 1,29 a 1,63 e risco proporcional ajustado de 1,47. Hipertensos com epistaxe usaram mais o serviço de emergência, com razão de chances de 2,69, e receberam mais tampão posterior, com razão de chances de 4,58 e intervalo de 1,03 a 20,38.

Min HJ, Kang H, Choi GJ, Kim KS. Association of Hypertension With the Risk and Severity of Epistaxis. JAMA Otolaryngol Head Neck Surg. 2020

Não há associação na população livre

Estudo transversal de base populacional com 1.174 adultos representativos dos habitantes de Porto Alegre. Prevalência de epistaxe de 14,7% e de hipertensão de 24,1%. Depois de ajustar para sexo, idade, cor, história de rinite alérgica ou anormalidade nasal, abuso de álcool, tabagismo e anos de estudo, a história de epistaxe na vida adulta teve risco relativo de 1,24 com intervalo de 0,83 a 1,85, e a dos últimos seis meses, risco relativo de 0,79 com intervalo de 0,40 a 1,56. A epistaxe associou-se positivamente à rinite alérgica e inversamente aos anos de escola.

Fuchs FD, Moreira LB, Pires CP, et al. Absence of association between hypertension and epistaxis: a population-based study. Blood Press. 2003;12(3):145-8

Na prova

Repare no desenho antes do resultado. O estudo positivo mede quem chega ao serviço de saúde; o estudo negativo mede quem vive na cidade, tenha procurado atendimento ou não. Um resultado compatível com os dois é que a hipertensão não crie o sangramento, mas torne mais provável que ele fique grave o bastante para chegar ao hospital, o que a razão de chances de tampão posterior sugere sem provar. Repare também no intervalo dessa razão de chances, que vai de 1,03 a 20,38: mal exclui o valor nulo. Um detalhe do estudo brasileiro merece nota própria: ele definiu hipertensão como média de duas medidas iguais ou maiores que 160 por 95 milímetros de mercúrio, limiar da época, mais alto que os 140 por 90 de hoje, o que classifica como normotenso todo mundo na faixa intermediária. Na vinheta, a pressão alta na chegada não converte epistaxe em emergência hipertensiva, mas justifica investigar hipertensão em quem ainda não tem diagnóstico.

Quanto tempo uma pilha de botão no nariz pode ficar antes de lesar

Perfuração em tão pouco quanto quatro horas

A referência descreve que pilhas e baterias em disco causam necrose de liquefação e podem produzir perfuração septal em tão pouco quanto quatro horas, motivo pelo qual entram na lista de objetos que exigem remoção urgente, ao lado dos ímãs. O vasoconstritor tópico é contraindicado nesse cenário porque pode aumentar o vazamento do conteúdo.

Nasal Foreign Body. StatPearls, NCBI Bookshelf NBK459279

A janela crítica é de trinta minutos

Estudo com dois braços: revisão retrospectiva de dez anos com 230 crianças, em que 97,8% tinham entre 1 e 5 anos, 87,4% chegaram em até 24 horas e a perfuração de septo ocorreu em 16,5%; e modelo in vitro com cartilagem septal ovina exposta a pilha de 3 volts por 15, 30, 45 e 60 minutos, que identificou os 30 minutos como janela crítica de progressão rápida da lesão, com profundidade média de 2.160 micrômetros.

Pediatric nasal button battery injuries: a 10-year retrospective study and in vitro evaluation of prehospital mitigation strategies. Eur J Med Res. 2026

Na prova

As duas posições levam à mesma conduta e a discussões diferentes. Qualquer que seja o algarismo, pilha no nariz é remoção urgente e não agenda de ambulatório, e alternativa que manda observar ou marcar retorno está errada nas duas leituras. O que muda é o que se diz à família e o que se responde quando o enunciado pergunta pelo tempo: o número clássico de quatro horas vem da referência de bolso e o número novo, de trinta minutos, vem de modelo experimental, não de série clínica. Quando o comando pede um prazo, procure se ele cita fonte.

06

Caso resolvido

Homem de 71 anos chega à unidade de pronto atendimento com sangramento pela narina esquerda iniciado há cerca de 40 minutos, sem trauma. Tem fibrilação atrial e usa rivaroxabana, com a última dose tomada na noite anterior. Refere dois episódios semelhantes nos últimos meses, sempre em tempo seco, ambos cedendo em casa. Nega hepatopatia, sangramento em outros sítios e história familiar de sangramento. Ao exame está consciente, ansioso, corado, pressão arterial de 172 por 98 milímetros de mercúrio, frequência cardíaca de 88 batimentos por minuto, saturação de 97% em ar ambiente. Há sangramento ativo em fluxo contínuo pela narina esquerda, sem escoamento visível pela orofaringe. Nenhuma medida foi tomada até agora além de um chumaço de algodão que a filha colocou no carro e que já está encharcado.
triagem do primeiro contato
A primeira recomendação da diretriz manda distinguir quem precisa de manejo imediato de quem não precisa, e o critério é via aérea e estabilidade hemodinâmica. Este paciente tem sangramento ativo mas está lúcido, corado, com pressão elevada e frequência normal, saturando bem: precisa de manejo imediato e não de sala de emergência. A pressão de 172 por 98 acompanha o quadro; ela não é lesão de órgão-alvo e não converte a epistaxe em emergência hipertensiva.
a medida que vem antes de tudo
Retirar o algodão encharcado, sentar o paciente com tronco e cabeça inclinados para a frente e comprimir firmemente o terço inferior do nariz, a parte cartilaginosa, contra o septo, sem soltar para conferir. O piso é de cinco minutos ou mais pela diretriz e de pelo menos dez pela referência de bolso; a prática brasileira trabalha com dez a quinze ininterruptos. Nada de inclinar a cabeça para trás e nada de gelo na nuca.
o que não se faz agora, e por quê
Não se suspende a rivaroxabana, não se pede reversão e não se transfunde. A décima primeira recomendação é explícita: na ausência de sangramento que ameace a vida, as medidas de primeira linha vêm antes de transfusão, reversão ou retirada de anticoagulante e antiagregante. O sangramento aqui é anterior, ativo, mas com paciente estável; retirar o anticoagulante trocaria um problema que a compressão resolve por um risco tromboembólico que ela não resolve.
o que se documenta enquanto se comprime
A quinta recomendação manda registrar os fatores que aumentam frequência ou gravidade: história pessoal e familiar de distúrbio de sangramento, uso de anticoagulante ou antiagregante e uso intranasal de drogas. Aqui há anticoagulante em uso, ausência de história familiar e ausência de sangramento em outros sítios, o que afasta o gatilho de investigação de coagulopatia primária e mantém o raciocínio na causa local somada ao antitrombótico.
o que se olha depois
Contido o sangramento, fazer rinoscopia anterior depois de remover o coágulo, conforme a sexta recomendação, com o espéculo entrando fechado, abrindo no sentido vertical e sem apoiar no septo. Identificado o ponto na área de Little, as opções da oitava recomendação são vasoconstritor tópico, cauterização e agentes hidratantes ou lubrificantes. Se a cauterização for escolhida, anestesiar o sítio, restringir a aplicação ao ponto sangrante e, com nitrato de prata, aplicar em um lado só do septo.
se a compressão não bastar
Se o sangramento impedir identificar o sítio apesar da compressão, entra o tampão anterior, e neste paciente o material é o reabsorvível, pela recomendação 3b, porque ele usa anticoagulante. Vem junto a quarta recomendação: dizer a ele qual material foi colocado, quando e como sai se não for reabsorvível, o que fazer em casa e que sinais mandam voltar antes do prazo.
alta e prevenção
Alta após período de observação com estabilidade hemodinâmica. Orientar, pela décima terceira recomendação, a não assoar com força e a não manipular o nariz nas horas seguintes, porque o coágulo sobre a área de Little é o único curativo que existe ali, e a umidificar a mucosa com solução salina, tratando a causa mais comum, que é o ressecamento. A pressão elevada entra como investigação ambulatorial de hipertensão, não como alvo de redução aguda no pronto atendimento.
07

Agora feche você

Duas crianças chegam à mesma unidade básica na mesma manhã. A primeira, menina de 4 anos, é trazida por rinorreia espessa, amarelo-esverdeada e de odor muito desagradável, apenas pela narina direita, há doze dias, com obstrução do mesmo lado, sem febre, sem tosse, sem prurido e sem espirros; à rinoscopia anterior há secreção purulenta fétida ocupando a fossa nasal direita, com mucosa edemaciada, e a fossa esquerda é normal. A segunda, menino de 3 anos, é trazido pela mãe cerca de 50 minutos depois de ela ter visto o filho brincando com o controle remoto aberto e ter notado, em seguida, que faltava a bateria redonda; a criança está chorosa, com discreta secreção sanguinolenta pela narina esquerda, sem dificuldade respiratória, e a mãe pergunta se pode marcar o otorrino para a semana que vem. A unidade tem espéculo nasal, boa iluminação, pinça jacaré, aspirador e um serviço de referência a vinte minutos de carro.
diagnóstico da primeira criança
Rinorreia purulenta, fétida e estritamente unilateral, com obstrução do mesmo lado, em pré-escolar sem toxemia, é corpo estranho nasal até prova em contrário: a estase da secreção em torno do objeto é o que produz o odor. Rinossinusite bacteriana é tipicamente bilateral e vem depois de quadro de vias aéreas; rinite alérgica dá secreção clara e bilateral com prurido e espirros; atresia de coana unilateral se manifesta como obstrução crônica desde o nascimento, não como instalação recente.
conduta da primeira criança
o que muda na segunda criança
o que não fazer em nenhuma das duas
08

Onde a banca derruba

  1. 1Suspender ou reverter o anticoagulante antes de comprimir É o distrator mais atraente do tema e ele é recusado por texto expresso. Na ausência de sangramento que ameace a vida, os tratamentos de primeira linha vêm antes de transfundir, reverter a anticoagulação ou suspender anticoagulante e antiagregante. O paciente que sangra pelo nariz quase sempre para com medida local; o que não se desfaz com compressão é o evento tromboembólico causado por retirar o fármaco. Quando houver indicação de tampão nesse paciente, o material muda: o reabsorvível é o indicado justamente para não reabrir a ferida na retirada.
  2. 2Inclinar a cabeça para trás, ou comprimir a raiz óssea do nariz As duas medidas parecem cuidado e são o oposto. Inclinar para trás não comprime nada, faz deglutir sangue, provoca náusea e vômito e esconde o volume perdido, o que atrapalha justamente a decisão de gravidade. Comprimir a raiz óssea também não oclui vaso nenhum, porque a área sangrante fica no septo cartilaginoso, no terço inferior. A compressa de gelo na nuca pertence à mesma família de gestos sem eficácia demonstrada que ocupam o lugar da medida que funciona.
  3. 3Insistir na compressão quando o sangue continua indo para a garganta A regra de ouro é comprimir sem soltar, e é por isso que a alternativa que manda comprimir mais tempo engana. Quando a técnica está correta e mesmo assim o paciente segue cuspindo sangue vivo e referindo gosto de sangue, o problema é o lugar da fonte, não a duração do gesto: a fonte está atrás do alcance dos dedos. Esse paciente sobe de degrau, não de cronômetro.
  4. 4Oferecer ligadura arterial ou embolização como primeira medida hemostática A recomendação que trata disso condiciona a avaliação de candidatura a sangramento persistente ou recorrente não controlado por tamponamento ou cauterização. Alternativa que leva à ligadura endoscópica da esfenopalatina ou à embolização um paciente que ainda não recebeu tampão está pulando dois degraus da escada, e o enunciado costuma deixar a pista escrita, dizendo que o tampão anterior foi colocado e o sangramento persiste, ou que nem isso foi feito.
  5. 5Tratar epistaxe unilateral recorrente como se fosse a mesma coisa que bilateral recorrente A lateralidade manda para caminhos opostos. Sangramento nasal unilateral recorrente é indicação de endoscopia nasal para achar o sítio e guiar o manejo, com lesão estrutural e neoplasia no horizonte; obstrução unilateral persistente somada a epistaxe é, na régua brasileira de encaminhamento, suspeita de tumor nasal com preferência na fila. Sangramentos bilaterais recorrentes, ou história familiar de sangramentos recorrentes, mandam procurar telangiectasias nasais e de mucosa oral. Trocar um pelo outro troca o exame, o especialista e o diagnóstico.
  6. 6Cauterizar os dois lados do septo no mesmo ponto para garantir A alternativa se disfarça de zelo e produz perfuração septal. A regra da referência de bolso é aplicar o nitrato de prata em um lado só do septo, e a regra da diretriz é anestesiar o sítio e restringir a aplicação apenas ao ponto ativo ou suspeito de sangramento. Cauterizar as duas faces da mesma lâmina de cartilagem retira o suprimento pelos dois lados, e a mucosa saudável queimada em volta não estanca nada.
  7. 7Irrigar a fossa nasal ou instilar água na orelha para expulsar o objeto A irrigação nasal para remoção de corpo estranho foi abandonada por alto risco de engasgo e aspiração. Na orelha, a água tem contraindicação diferente e igualmente concreta: semente e grão são higroscópicos, incham, doem mais e passam a sair menos, o que transforma um procedimento simples em procedimento de centro cirúrgico. Inseto no conduto recebe material oleoso para interromper o movimento antes da remoção, e não água.
  8. 8Chamar de rinossinusite a rinorreia unilateral fétida da criança pequena Rinorreia purulenta, de odor desagradável, estritamente unilateral, com obstrução do mesmo lado, em criança sem toxemia, é corpo estranho nasal até prova em contrário, e a estase da secreção em volta do objeto é o que produz o odor. A rinossinusite bacteriana é tipicamente bilateral e vem depois de quadro de vias aéreas; a rinite alérgica dá secreção clara, bilateral, com prurido e espirros. Prescrever antibiótico ali trata o cheiro e deixa o objeto no lugar, com risco de aspiração e de infecção local.
  9. 9Usar vasoconstritor tópico quando o objeto é uma pilha Fora desse cenário o vasoconstritor ajuda, reduzindo o edema e facilitando a saída. Com pilha de botão, ele é contraindicado, porque pode aumentar o vazamento do conteúdo do dispositivo, que é justamente o mecanismo da necrose de liquefação. A alternativa que oferece a mesma preparação para todos os materiais ignora que aqui o material decide a técnica antes de o tamanho decidir o instrumento.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Rinorreia UNILATERAL, fétida e purulenta em criança pequena é corpo estranho nasal até prova em contrário — a estase da secreção ao redor do objeto causa o odor característico. Rinite alérgica cursa com sintomas bilaterais, prurido e rinorreia clara. Sinusite frontal é rara nessa idade (seio ainda não pneumatizado) e é bilateral. Pólipo antrocoanal dá obstrução mais crônica, geralmente sem o odor fétido agudo. Atresia coanal bilateral manifesta-se no recém-nascido com cianose que melhora ao chorar, não aos 4 anos.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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10

Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória os quatro números da moldura e refaça as duas contas: quanto da população procura atendimento por epistaxe alguma vez, e que fração dos que chegam ao serviço interna. Depois escreva por que os seis por cento da diretriz e os seis por cento do protocolo municipal não medem a mesma coisa, e mostre a incoerência interna entre os dez por cento de sangramentos posteriores e os seis por cento que precisariam de especialista. Feche recitando os três dados da primeira medida, lugar, gesto e tempo, com os três algarismos de tempo e a fonte de cada um.

em 30 dias

Reconstrua a escada inteira do estancamento, degrau por degrau, dizendo qual recomendação da diretriz de 2020 é dona de cada um e o que dispara a passagem para o degrau seguinte. Escreva o par de lateralidade completo: o que unilateral recorrente obriga, o que bilateral recorrente obriga, e como a régua brasileira de encaminhamento diz a mesma coisa com prioridade de fila. Recite a regra do material do tampão no anticoagulado e a frase inteira da recomendação que ordena as medidas locais antes de mexer no fármaco. Depois monte a tabela de corpo estranho de cabeça, com os seis materiais, o risco próprio de cada um e o que se faz e o que não se faz, e diga os dois prazos da pilha de botão com a fonte de cada um e por que ambos levam à mesma conduta. Termine dizendo em que faixa etária a diretriz declara que não se aplica e por que essa faixa é justamente o pico do corpo estranho nasal.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Plantão de unidade de pronto atendimento. Chega um homem de 66 anos com sangramento pela narina direita há cerca de meia hora, acompanhado da esposa, que já tentou fazê-lo deitar e inclinar a cabeça para trás no caminho. Ele usa clopidogrel desde um infarto há dois anos, tem hipertensão em tratamento irregular e conta que já teve outros episódios menores no inverno. Conduza o atendimento: triagem, primeira medida com a técnica correta e o tempo, o que você decide sobre o antiagregante e por quê, o que examina depois de conter, que degrau escolhe se não contiver, e o que diz ao casal na alta sobre as próximas horas e sobre quando voltar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Epistaxe e corpo estranho em vias aéreas superiores – Epistaxe: o sinal que catorze capítulos citam e nenhum estanca — Preparatório para provas | OsceLabs