Outras EspecialidadesOtorrinolaringologia

Faringoamigdalite aguda: duas réguas concordam embaixo e brigam no topo

Faringoamigdalites e critérios de Centor

Escore clínico, teste microbiológico e tratamento oportuno

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 34 anos, diabético, comparece com dor de garganta há 5 dias, agora com odinofagia intensa, trismo, voz 'em batata quente' e sialorreia. Ao exame: T 38,9 °C, FC 104 bpm, PA 124x76 mmHg. Orofaringe com abaulamento do palato mole à direita, desvio da úvula para a esquerda e amígdala direita medializada. Qual é a conduta inicial mais adequada?

02

Como esse tema cai

O que cai é a decisão, não o diagnóstico. A etiologia estreptocócica não se prova ao lado do leito, e todas as fontes brasileiras dizem isso com todas as letras: nenhum achado isolado da história ou do exame é sensível ou específico o bastante para confirmar ou excluir. O escore existe para organizar a incerteza, não para desfazê-la.

O recorte do Preparatório tem quatro portas de entrada. A primeira é a soma — e aí a armadilha é a escala, porque o enunciado às vezes pede o escore clássico e às vezes o modificado, que não têm o mesmo número de linhas. A segunda é a conduta por faixa: quem não testa, quem testa, quem trata. A terceira é o antibiótico e o prazo, onde mora a diferença entre curar o sintoma e erradicar a bactéria. A quarta é a complicação supurativa, que é o momento em que o escore deixa de valer.

Fica de fora, aqui, tudo que pertence a outros capítulos e que a vinheta usa como cenário: o diagnóstico e o manejo da febre reumática instalada, a glomerulonefrite pós-estreptocócica, o crupe e a epiglotite da criança pequena, e a rinossinusite bacteriana aguda. Este capítulo para na garganta e no que se decide nos primeiros dez dias dela.

E fica de fora um atalho que a prova adora oferecer: tratar tudo que dói na garganta para não perder febre reumática. A aritmética desse atalho está na quinta seção, e ela é a razão de existir do escore.

03

O que muda decisão

A mesma fração escrita de quatro maneiras, e o rótulo da coluna que explica

Comece pela pergunta mais simples possível: que fatia das dores de garganta é bacteriana? Quatro documentos brasileiros respondem, e nenhum responde igual. O protocolo de pronto-socorro de uma fundação hospitalar paulista, de 2020, escreve 5 a 15% e qualifica: adultos. A diretriz conjunta de três sociedades, de 2009, escreve 15% a 20% das faringoamigdalites, sem recorte de idade. Uma carta do Departamento de Infectologia da pediatria brasileira, de 2006, atribui aos vírus 70% a 85% dos casos, o que devolve 15% a 30% para a bactéria. E o consenso da associação brasileira de otorrinolaringologia, de 2017, escreve 20% a 40%.

Repare no que aconteceu: o teto do primeiro caminho, 15%, fica abaixo do piso do último, 20%. São duas medidas do mesmo objeto que não se tocam. E os dois caminhos do meio não separam nada, porque suas faixas atravessam as duas: 15% a 20% encosta no teto de um e no piso do outro; 15% a 30% cobre os quatro números de uma vez.

O que não reconcilia não é o dado — é o rótulo da coluna. O protocolo hospitalar conta adultos que chegam ao pronto-socorro com dor de garganta. O consenso de otorrinolaringologia conta faringotonsilites, e o pico etário do estreptococo é dos 5 aos 18 anos, faixa que está dentro dessa contagem e fora da outra. A diretriz das três sociedades conta faringoamigdalite sem qualificar nada. E o pediatra que escreveu a resposta de 2006 conta faringite aguda excluindo o resfriado comum — ele defende essa exclusão por escrito e diz, na mesma página, que ela aumenta a prevalência antes do teste.

Essa última frase é a chave do capítulo inteiro. A prevalência antes do teste não é uma propriedade da bactéria: é uma propriedade de quem você deixou entrar na sala. Tirar da conta todo mundo que tem coriza e espirro não muda um único paciente — muda o denominador. E como o escore é, no fundo, um jeito de estimar essa prevalência sem laboratório, quem muda o denominador muda o escore sem tocar no doente.

Três painéis com a mesma garganta inflamada em idades diferentes e uma coluna de degraus que acende até altura diferente em cada um, cortada por uma faixa horizontal.
A mesma garganta, três idades: o único achado que muda de painel para painel é a data de nascimento, e é ele que decide de que lado da faixa o paciente cai.

Um nome, duas escalas: por que “escore 3” não quer dizer a mesma coisa

O escore original nasceu em adultos de pronto-socorro e tem quatro linhas, todas somando um ponto: exsudato ou hipertrofia amigdaliana, adenopatia cervical anterior dolorosa, história de febre, e ausência de tosse. Vai de zero a quatro. A versão modificada acrescentou uma quinta linha, a idade, e essa linha é a única que pode subtrair: de 3 a 14 anos soma um ponto, de 15 a 44 anos soma zero, de 45 anos em diante tira um ponto. A escala passa a ir de menos um a cinco.

Duas consequências caem direto na prova. A primeira é que o mesmo paciente tem dois escores. Um adulto de 30 anos com os quatro achados clássicos pontua quatro nas duas escalas, porque a idade dele vale zero — é o único ponto de encontro. Um menino de 10 anos com os mesmos quatro achados pontua quatro na clássica e cinco na modificada. Uma senhora de 50 anos com os mesmos quatro achados pontua quatro na clássica e três na modificada. A garganta é a mesma nos três; o que se moveu foi a certidão de nascimento.

A segunda consequência é o denominador. “Três pontos” na escala clássica são três de quatro linhas possíveis — três quartos do exame. “Três pontos” na escala modificada podem ser quatro linhas somando e uma subtraindo, ou três linhas somando e a idade valendo zero. A mesma expressão, dois denominadores. É por isso que enunciado bem escrito avisa qual escala quer, e enunciado mal escrito não avisa — e nesse caso a pista é a idade: se a vinheta faz questão de dizer que o paciente tem 52 anos e o número da idade não serve para mais nada, a escala pedida é a modificada.

As probabilidades associadas também não são as mesmas em cada documento brasileiro. O consenso de 2017 imprime, por faixa: cerca de 2,5% com zero ponto, 6% a 7% com um, 15% com dois, 30% a 35% com três, e 50% a 60% com quatro ou mais. O protocolo hospitalar de 2020 imprime, para as mesmas faixas: 1% a 2,5%, 5% a 10%, 11% a 17%, 28% a 35%, e 51% a 53%. As duas concordam no formato da curva e discordam da largura de cada degrau; no degrau mais alto, o teto de um é 53% e o do outro é 60%.

E aqui está o primeiro contraponto do capítulo: o maior número é o que menos decide sozinho. Um escore máximo estima cerca de metade — uma cara ou coroa. Nenhum outro escore clínico que a prova cobra entrega o topo da escala e ainda deixa o resultado em 50%. O escore é ótimo para dizer quem não tem: com zero ou um ponto, a probabilidade cai para a casa de um dígito, e é essa ponta, a de baixo, que muda conduta com segurança.

Duas réguas brasileiras: acordo total embaixo, ruptura no topo

Com a soma feita, vem a pergunta que a questão realmente faz. E é aqui que as duas réguas nacionais se separam.

O consenso da associação de otorrinolaringologia, de 2017, sustenta que a identificação microbiológica por cultura ou por teste rápido não é factível na rotina, e recomenda que a predição seja clínica. Ele reserva o teste rápido para a faixa intermediária, de dois a três pontos, e dispensa o teste nas duas pontas: com um ponto ou menos porque a chance é baixa demais, e com quatro ou mais porque o quadro já é provável o bastante. A indicação do exame, nessa régua, tem forma de letra u — o teste só existe no meio.

O protocolo hospitalar de 2020 escreve o contrário na ponta de cima: para adultos com três ou mais critérios, sugere obter o teste rápido, e admite a cultura quando o teste rápido vem negativo e a suspeita clínica continua alta. Nessa régua, o número alto não autoriza a receita — autoriza o exame.

O acordo entre as duas é integral na faixa de baixo: com um ponto ou menos, nem exame nem antibiótico. Nos dois pontos elas quase coincidem — o protocolo hospitalar dispensa o exame e o consenso apenas admite considerá-lo —, e a divergência só fica frontal a partir dos três. É por isso que a ponta de baixo é a única em que o candidato responde sem precisar saber qual régua a banca adotou.

Vale registrar uma incoerência dentro do próprio protocolo hospitalar, porque ela é instrutiva e não retórica: o texto corrido manda testar a partir de três pontos, e o fluxograma impresso no mesmo documento manda testar apenas os de três pontos, enviando os de quatro ou mais direto ao antibiótico. O paciente com escore quatro recebe um exame pela página do texto e uma receita pela página do desenho. Quando duas partes do mesmo documento discordam, quem decide é o desenho — porque é o desenho que fica na parede do pronto-socorro.

Há ainda uma terceira régua no país, e ela não tem graduação nenhuma. O fluxograma de dor de garganta de uma secretaria estadual de saúde, de 2019, separa faringite viral de estreptocócica por duas listas de achados clínicos, sem escore, sem teste rápido e sem cultura, e autoriza a prescrição pelo enfermeiro. Ela não é uma régua pior por ser mais simples: é uma régua desenhada para outro lugar, uma unidade básica sem laboratório de apoio. Mas o candidato precisa reconhecer que, nessa terceira régua, a decisão inteira mora na anamnese.

O nono dia: por que esperar o resultado não custa coração

Existe uma pergunta que quase ninguém faz e que desmonta metade das dúvidas do tema: se a cultura demora de 24 a 72 horas, esperar por ela não aumenta o risco de febre reumática?

Não. A diretriz das três sociedades escreve a janela sem ambiguidade: o tratamento da faringoamigdalite estreptocócica com penicilina até o nono dia da instalação erradica a infecção e evita o primeiro surto em quem é suscetível. Nove dias. Uma cultura que sai em três já deixa seis de folga; um teste rápido que sai em quinze minutos deixa nove.

Isso reorganiza tudo, porque revela que as duas coisas que o candidato costuma empilhar numa régua só moram em réguas diferentes e não competem. O escore decide a investigação: testar, não testar, tratar direto. O calendário decide o relógio: o antibiótico continua prevenindo a febre reumática mesmo começando dias depois. A pressa que existe na faringoamigdalite é a pressa do sintoma e do contágio, não a pressa da prevenção.

É exatamente por isso que a régua que manda testar não é uma régua mais lenta nem mais tímida. Ela custa um exame e não custa um coração. E é por isso, também, que a discussão brasileira sobre testar ou predizer é uma discussão de viabilidade e de custo, e não uma discussão sobre risco de sequela — os dois lados sabem que a janela absorve a demora.

Uma consequência prática, e cobrável: começar antibiótico e depois receber o resultado negativo não é erro de conduta, é conduta que se corrige. Suspender é o certo. O que a janela do nono dia não perdoa é a garganta que nunca foi avaliada.

Duas réguas empilhadas, uma graduada em pontos terminando num frasco de remédio e outra graduada em dias terminando num relógio, com linhas pontilhadas que se cruzam entre elas e terminam no vazio.
Duas réguas que se cruzam e não se encontram: a de cima decide se você pede o exame, a de baixo diz quanto tempo você tem para agir.

A aritmética que justifica não tratar todo mundo

A diretriz das três sociedades traz a estimativa nacional que sustenta o tema inteiro: cerca de 10 milhões de faringoamigdalites estreptocócicas por ano no Brasil, produzindo 30 mil casos novos de febre reumática, dos quais aproximadamente 15 mil poderiam evoluir com acometimento cardíaco. Divida o segundo pelo primeiro: 30 mil em 10 milhões são 0,3%, ou três em mil.

Vale dizer em voz alta o que essa divisão exata revela. O documento afirma, algumas linhas antes, que é muito difícil determinar a incidência de faringoamigdalite no país, e que a base nacional disponível informa sobretudo internações, não a totalidade dos casos. A estimativa de 10 milhões vem de um modelo populacional; o número de 30 mil é o que se obtém aplicando a taxa de ataque clássica a esse modelo. Não são duas medições que por acaso coincidem — é uma medição e uma multiplicação.

Agora leve a fração até o consultório. Em mil adultos com dor de garganta, entre 50 e 150 têm o estreptococo, pela faixa do protocolo hospitalar. Se nenhum deles fosse tratado, entre 0,15 e 0,45 desenvolveriam febre reumática. Menos de meio caso. Tratar os mil para prevenir menos de meio caso significa expor entre 850 e 950 pessoas a um antibiótico que não vai mudar absolutamente nada no desfecho delas.

O escore não existe para achar a bactéria. Ele existe para não tratar essas 850 a 950 — e a medida do fracasso está publicada: o consenso de 2017 registra que a etiologia estreptocócica é de 20% a 40% e que os antibióticos são prescritos para 55% a 75% das faringotonsilites. A taxa de prescrição é, no melhor cenário, uma vez e meia a prevalência; no pior, três vezes e meia.

Há uma segunda aritmética, brasileira e mais fina, na resposta publicada em 2006. Ao analisar o algoritmo que manda colher cultura quando a suspeita é alta e o teste rápido é negativo, o autor calcula que seria preciso realizar cultura em cerca de um quarto de todas as faringites atendidas para acrescentar 2% de casos de estreptococcia. Traduzindo para números redondos: 250 culturas por 100 atendimentos, para encontrar dois doentes a mais — cerca de 12 culturas por caso adicional. Aplique a esses dois casos a taxa de 0,3% e o rendimento em febre reumática evitada é da ordem de seis em cem mil.

O ponto pedagógico não é que a cultura não vale a pena. É que todo número de rendimento neste tema é assim: um fator aparentemente grande incidindo sobre uma base pequena produz uma fração que só aparece quando se faz a conta. Quem não faz a conta acha que está prevenindo febre reumática a cada receita.

O que o antibiótico previne e o que ele não previne

A diretriz das três sociedades separa duas infecções pelo mesmo germe com uma frase curta: faringoamigdalite e impetigo são as infecções mais frequentes causadas pelo estreptococo do grupo A, mas somente a faringoamigdalite está associada ao surgimento da febre reumática. A pele, que dói mais, incomoda mais e assusta mais os pais, não produz cardite reumática. A garganta, que se resolve sozinha em três ou quatro dias na maioria dos casos, produz 15 mil corações por ano na estimativa nacional.

Esse é o segundo contraponto: o quadro mais brando é o que carrega a consequência mais pesada. E ele tem um par simétrico do lado renal — a glomerulonefrite pós-estreptocócica ocorre depois das duas portas de entrada, garganta e pele, e é justamente a complicação que o tratamento antibiótico não previne de modo confiável. Quem memoriza “antibiótico previne complicações” erra as duas: previne a que vem só da garganta e não previne a que vem das duas.

As complicações supurativas fazem parte do que o tratamento reduz, mas por um mecanismo diferente e com rendimento diferente: abscesso periamigdaliano, adenite supurada, extensão para os espaços profundos do pescoço. Elas são o assunto da seção seguinte porque, quando aparecem, mudam a régua inteira.

Fica ainda um detalhe que a prova gosta e que o protocolo hospitalar registra: estreptococos dos grupos C e G também causam faringite e também respondem ao antibiótico, mas não causam febre reumática — e por isso o tratamento deles não precisa dos dez dias. O prazo de dez dias não é o prazo de curar a dor de garganta; é o prazo de erradicar o germe que produz sequela.

Corrente com quatro elos ligando garganta, célula de defesa, válvula e coração, com um bloco tracejado de ferida de pele fora da fila e duas chaves cobrindo trechos diferentes.
A corrente que leva da garganta ao coração, a ferida de pele que fica de fora dela, e as duas chaves que marcam onde cada profilaxia age.

Quando o escore para de valer: a assimetria manda parar de somar

Todas as linhas do escore descrevem uma doença simétrica: as duas amígdalas, os gânglios dos dois lados, a febre do corpo inteiro. No instante em que a vinheta introduz um achado de um lado só, a soma perde o sentido, porque a pergunta deixou de ser qual é a etiologia e passou a ser onde está a coleção.

Os sinais que fazem essa virada estão listados nos dois documentos brasileiros de urgência, e o candidato precisa saber recitá-los: trismo, isto é, dificuldade de abrir a boca; voz abafada, descrita em português como voz de batata quente; desvio da úvula e abaulamento de um lado do palato mole; sialorreia; e edema do pescoço. O fluxograma estadual acrescenta que o abscesso periamigdaliano deve ser encaminhado ao pronto atendimento, porque pode romper e obstruir a via aérea, além de evoluir para mediastinite e sepse. O protocolo hospitalar acrescenta a disfonia e as secreções às portas de alarme.

A conduta muda de natureza: não é mais escolher entre testar e tratar, é drenar e cobrir com antibiótico. E a diferença entre a celulite periamigdaliana, que ainda não tem coleção, e o abscesso, que tem, é o que a imagem ou a punção resolve — não o escore.

Existe um terceiro contraponto escondido aqui, e ele é o mais elegante do tema: o alívio apaga o sinal. O paciente que tomou dipirona ou paracetamol antes de vir chega afebril. A febre é uma das quatro linhas que somam; sem ela, o escore cai um ponto e o paciente atravessa a fronteira da faixa de conduta sem que nada tenha melhorado de verdade. O mesmo vale, com mais gravidade, para o corticoide: o protocolo hospitalar de pronto-socorro sugere não prescrever glicocorticoide de rotina para dor de garganta e reserva a exceção para dor intensa com incapacidade de engolir — que é, ironicamente, a apresentação em que o abscesso precisa ser procurado antes.

Termine a seção com a regra prática que resume as três anteriores: se o achado é dos dois lados, some; se é de um lado só, olhe.

O fármaco, os dois pontos de corte e o rótulo que envelhece

A penicilina resolve a maior parte do que este capítulo discute, e por um motivo que a prova cobra literalmente: não existe cepa do estreptococo do grupo A resistente à penicilina. As três sociedades escrevem isso na diretriz de 2009 e a carta da pediatria de 2006 escreve o mesmo. Nenhum outro antibiótico de uso comum tem essa propriedade — os macrolídeos têm resistência documentada em várias regiões, e sulfas e tetraciclinas estão contraindicadas porque, mesmo aliviando o quadro, falham em erradicar o germe da orofaringe.

É aqui que aparece a contradição mais concreta do tema, e ela é numérica. A diretriz das três sociedades manda 600 mil unidades de penicilina benzatina para quem pesa menos de 20 quilos e 1 milhão e 200 mil para quem pesa 20 quilos ou mais. A carta do departamento de infectologia da pediatria, publicada três anos antes, usa o corte em 27 quilos. E o fluxograma estadual de 2019 repete o corte de 27 quilos. Uma criança de 23 quilos recebe metade da dose por uma régua e o dobro pela outra — e a mesma sociedade de pediatria assina os dois documentos.

O prazo é o outro ponto de atrito. A pediatria e as três sociedades insistem em dez dias de antibiótico oral, independentemente de o quadro clínico já ter resolvido, porque a erradicação bacteriológica só é atingida nesse tempo. O protocolo hospitalar de 2020 lista, na mesma tabela, esquemas orais de cinco dias para várias alternativas. Não é descuido: esquemas curtos existem e têm literatura própria. É diferença de objetivo — quem mira o sintoma encurta, quem mira a sequela não encurta.

A via injetável tem uma vantagem que a prova adora e um preço que ela cobra na mesma questão. A dose única intramuscular resolve o problema da adesão de dez dias, e a carta de 2006 diz explicitamente que ela é a melhor opção quando a adesão é duvidosa. O preço é a anafilaxia: o fluxograma estadual manda observar o paciente por 30 minutos na unidade depois da aplicação. Guarde os dois lados juntos, porque a questão que oferece benzatina costuma esconder uma alergia no antecedente.

E guarde o rótulo que envelhece. O adolescente com faringite exsudativa, adenopatia e fadiga que recebe amoxicilina e amanhece com exantema maculopapular quase sempre tem mononucleose, não alergia — mas sai do atendimento com “alérgico a penicilina” escrito no prontuário para o resto da vida, o que o empurra para macrolídeos e cefalosporinas em toda infecção futura. O escore não distingue mononucleose de estreptococcia, porque os quatro achados clássicos servem às duas; o que distingue é a adenopatia posterior, a esplenomegalia e a fadiga de semanas.

Por fim, o portador crônico. A erradicação é bem menos eficaz em quem apenas carrega o germe, e a carta de 2006 restringe o tratamento do portador a duas situações: comunidade fechada e convívio domiciliar com paciente que já teve febre reumática. Fora disso, um teste positivo num quadro claramente viral apenas identificou um portador — e o antibiótico ali trata o resultado, não o doente.

04

Somar, decidir e saber quando parar de somar

A sequência abaixo vale para o adulto imunocompetente com dor de garganta aguda. Ela é escrita para sobreviver às duas réguas brasileiras: onde elas concordam, o passo é único; onde discordam, o passo diz qual documento manda o quê, porque a banca pode adotar qualquer um dos dois. Toda a decisão de baixo — quem não recebe exame nem antibiótico — é consensual, e é onde está a maior parte dos pacientes.

  1. 1Antes de somar, procure assimetria. Trismo, voz abafada, desvio da úvula, abaulamento de um lado do palato, sialorreia ou edema cervical tiram o caso do escore e o colocam na rota da coleção supurativa.
  2. 2Some as quatro linhas clássicas: exsudato ou hipertrofia amigdaliana, adenopatia cervical anterior dolorosa, história de febre, ausência de tosse. Cada uma vale um ponto.
  3. 3Acrescente a idade se o enunciado pedir a escala modificada: mais um ponto de 3 a 14 anos, zero de 15 a 44, menos um de 45 em diante.
  4. 4Com dois pontos ou menos: sintomático e sem antibiótico. Com um ponto ou menos as duas réguas brasileiras também dispensam o exame; com dois pontos, o consenso de otorrinolaringologia admite considerar o teste rápido.
  5. 5Com três pontos: o protocolo hospitalar manda fazer o teste rápido e tratar apenas se positivo; o consenso da associação de otorrinolaringologia coloca essa faixa na janela em que o teste é útil.
  6. 6Com quatro pontos ou mais: o consenso de otorrinolaringologia dispensa o teste e trata; o texto do protocolo hospitalar mantém o teste, embora o fluxograma do mesmo documento trate direto.
  7. 7Escolhida a via do antibiótico, prefira penicilina ou amoxicilina. Reserve macrolídeo e clindamicina para alergia, e nunca use sulfa ou tetraciclina.
  8. 8Se optar pela dose intramuscular, observe o paciente por 30 minutos na unidade. Se optar pela via oral com objetivo de erradicação, complete os dez dias mesmo com o quadro resolvido.
  9. 9Lembre que a janela de prevenção da febre reumática vai até o nono dia: aguardar um resultado não custa proteção, e um antibiótico iniciado por engano pode ser suspenso quando o exame volta negativo.

As duas escalas, linha por linha

LinhaEscala clássicaEscala modificadaObservação para a prova
Exsudato ou hipertrofia amigdaliana+1+1Sensibilidade medida em estudo citado na literatura brasileira foi de 31%; metade dos doentes confirmados não tinha exsudato
Adenopatia cervical anterior dolorosa+1+1O consenso brasileiro qualifica o gânglio como maior que 1 cm
História de febre+1+1É a linha que o analgésico tomado em casa apaga
Ausência de tosse+1+1Tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite empurram para vírus
Idade de 3 a 14 anosnão entra+1Só existe na escala modificada
Idade de 15 a 44 anosnão entra0É a faixa em que as duas escalas dão o mesmo número
Idade de 45 anos ou maisnão entra-1Única linha do tema que subtrai ponto
Faixa total possível0 a 4-1 a 5Enunciado que pede o escore clássico está pedindo a soma sem a idade

Duas réguas brasileiras sobre a mesma pontuação

PontuaçãoProbabilidade estimadaConsenso de otorrinolaringologia, 2017Protocolo hospitalar de pronto-socorro, 2020
Zero ou um pontocerca de 1% a 7%Sem teste e sem antibióticoSem teste e sem antibiótico
Dois pontoscerca de 11% a 17%Faixa em que o teste rápido pode ser consideradoSem teste e sem antibiótico
Três pontoscerca de 28% a 35%Faixa em que o teste rápido pode ser consideradoTeste rápido, e antibiótico apenas se positivo
Quatro pontos ou maiscerca de 50% a 60%Teste dispensado, predição clínica e tratamentoO texto mantém o teste; o fluxograma trata direto

Penicilina benzatina: dois pontos de corte de peso no mesmo país

DocumentoAnoCorte de pesoDose menorDose maior
Diretriz de três sociedades sobre febre reumática200920 quilos600 mil unidades1 milhão e 200 mil unidades
Carta do departamento de infectologia da pediatria200627 quilos600 mil unidades1 milhão e 200 mil unidades
Fluxograma estadual de dor de garganta201927 quilos600 mil unidades1 milhão e 200 mil unidades
Efeito práticofaixa entre 20 e 27 quilosrecebe a dose menor por uma réguarecebe a dose maior pela outra

A tabela de probabilidades não é um dado da natureza: ela depende de quem entrou na contagem. Serviço que exclui os pacientes com coriza antes de aplicar o escore trabalha com prevalência mais alta e vê o mesmo escore render mais.

A faixa de dois pontos é o único lugar em que as duas réguas brasileiras não coincidem sem discordar frontalmente: uma admite o teste, a outra não o indica. Questão que cobra essa faixa costuma aceitar o sintomático como resposta.

Nenhuma das réguas indica sorologia para o quadro agudo. Anticorpo antiestreptolisina sobe a partir da primeira semana e serve para confirmar infecção passada, o que é útil na investigação da febre reumática e inútil na garganta de hoje.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Confirmar com exame ou predizer clinicamente no escore alto

A identificação microbiológica por cultura ou teste rápido não é factível na prática diária e não deve ser feita de modo sistemático; a predição de infecção estreptocócica é clínica, e com quatro pontos ou mais o teste é dispensável.

Consenso da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial sobre uso de antibióticos em infecções de vias aéreas superiores, 2017

A investigação laboratorial deve ser feita nos pacientes cuja história clínica e epidemiológica é compatível: teste rápido positivo indica antibiótico, teste rápido negativo indica cultura, e cultura negativa indica tratamento sintomático.

Recomendação do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Jornal de Pediatria, 2006, reforçada pela diretriz de febre reumática de três sociedades brasileiras, 2009

Na prova

O recorte se identifica pelo verbo do enunciado. Quando a pergunta é qual a conduta na unidade básica sem laboratório, a banca está na régua clínica e a resposta trata. Quando a pergunta oferece teste rápido entre as opções e descreve pronto-socorro ou serviço com apoio diagnóstico, a banca está na régua do exame. Enunciado que descreve escore dois ou menos dispensa a escolha, porque as duas réguas dizem o mesmo.

O ponto de corte de peso para a dose de penicilina benzatina

Penicilina G benzatina em dose única: 600 mil unidades para peso abaixo de 20 quilos e 1 milhão e 200 mil unidades para peso de 20 quilos ou mais.

Diretrizes brasileiras para o diagnóstico, tratamento e prevenção da febre reumática, Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2009

Penicilina benzatina em dose única intramuscular: 600 mil unidades para pacientes com peso igual ou inferior a 27 quilos e 1 milhão e 200 mil unidades para os que pesam acima de 27 quilos.

Recomendação do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Jornal de Pediatria, 2006, corte repetido no fluxograma de dor de garganta de secretaria estadual de saúde, 2019

Na prova

A faixa de conflito é estreita e a banca raramente entra nela de propósito: entre 20 e 27 quilos as duas réguas divergem, e fora dessa faixa concordam. O sinal de que a questão está usando o corte de 20 quilos é citar a diretriz de febre reumática; o sinal do corte de 27 quilos é o contexto de atenção primária ou de manejo da faringoamigdalite em si. Quando o peso da criança fica fora da faixa, o corte deixa de importar e a pergunta é outra.

Dez dias para erradicar ou esquema curto para resolver o quadro

O antibiótico oral deve ser usado por dez dias, independentemente da resolução do quadro clínico, porque a erradicação do estreptococo só é atingida com essa duração.

Recomendação do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Jornal de Pediatria, 2006, e tabela de profilaxia primária da diretriz de febre reumática de 2009

A tabela de tratamento do adulto lista esquemas orais de cinco dias para várias alternativas ao lado do esquema de dez dias da amoxicilina, e registra que o tratamento das faringites por estreptococos dos grupos C e G não precisa dos dez dias porque não há risco de febre reumática.

Protocolo assistencial de pronto-socorro sobre inflamações e infecções de orofaringe, fundação hospitalar de São Paulo, 2020

Na prova

O recorte é o objetivo declarado no enunciado. Se a palavra erradicação aparece, ou se o antecedente menciona febre reumática, a resposta é dez dias. Se a pergunta fala em alívio de sintomas, alta do pronto-socorro ou grupos não reumatogênicos, o esquema curto entra em jogo. Bancas de residência em pediatria cobram quase sempre os dez dias.

06

Caso resolvido

Mulher de 34 anos procura o pronto atendimento com dor de garganta há três dias e febre de 38,6 graus aferida em casa. Nega tosse, coriza e rouquidão. Ao exame, temperatura axilar de 38,4 graus, exsudato purulento em ambas as amígdalas e linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos, sem trismo e sem desvio da úvula. Refere que, há cinco anos, após uma dose de amoxicilina, apresentou edema de glote e broncoespasmo com necessidade de atendimento de emergência. O serviço dispõe de teste rápido para antígeno estreptocócico.
primeiro, procure a assimetria
O enunciado nega trismo e desvio da úvula, e não descreve voz abafada, sialorreia nem edema cervical. Não há coleção a procurar, e por isso o caso continua dentro do escore. Essa checagem vem antes da soma porque, se houvesse assimetria, todo o resto seria irrelevante.
some as quatro linhas e depois a idade
Exsudato, adenopatia cervical anterior dolorosa, história de febre e ausência de tosse: quatro pontos na escala clássica. A idade de 34 anos está na faixa de 15 a 44 e vale zero, então a escala modificada dá o mesmo número. Este é justamente o intervalo de idade em que as duas escalas coincidem.
escolha a régua e note que ela decide o exame, não a receita
Com quatro pontos, a probabilidade estimada fica em torno de metade. Como o serviço tem teste rápido disponível e o protocolo de pronto-socorro manda testar a partir de três pontos, o passo correto é testar — e a janela do nono dia garante que nada se perde enquanto o resultado sai.
trate o antecedente como o dado mais importante da vinheta
Edema de glote e broncoespasmo minutos após amoxicilina descrevem hipersensibilidade imediata. Isso não é o exantema tardio da mononucleose: é anafilaxia. Toda a família das penicilinas está fora, e a benzatina intramuscular, que seria a opção mais cômoda, é a mais perigosa aqui.
escolha a classe permitida
Na hipersensibilidade imediata as cefalosporinas também estão contraindicadas pelas fontes brasileiras. Restam macrolídeo ou clindamicina, que a diretriz e a carta da pediatria listam como alternativas para alergia — e não como primeira escolha para quem pode receber penicilina.
feche com o prazo certo
Se o teste vier positivo, o objetivo é erradicação, e o prazo das fontes brasileiras é de dez dias mesmo com o quadro já resolvido. Se vier negativo, sintomático e reavaliação — e nenhum antibiótico, porque o que sobra é vírus.
07

Agora feche você

Homem de 52 anos procura a unidade básica de saúde com dor de garganta há dois dias. Nega tosse. Refere febre em casa, sem termometria. Ao exame, temperatura axilar de 38,2 graus, orofaringe hiperemiada com exsudato em ambas as amígdalas e linfonodos cervicais anteriores dolorosos. A unidade não dispõe de teste rápido nem de cultura. Ele conta que tomou dipirona há duas horas por causa da dor.
Passo 1
Diga por que a idade deste paciente é uma informação clínica e não um detalhe de cenário, e escreva os dois escores dele.
Passo 2
Explique o que a dipirona tomada há duas horas faz com a aferição da temperatura e com uma das linhas da soma.
Passo 3
Diga qual das duas réguas brasileiras é aplicável numa unidade sem teste rápido e sem cultura, e o que ela manda fazer com esse escore.
Passo 4
Escolha o antibiótico, a via e a duração, e justifique a duração pelo objetivo — sintoma ou erradicação.
Passo 5
Liste os sinais que fariam você abandonar o escore e mudar de rota, e diga em quanto tempo pediria retorno.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Somar a idade quando a questão pediu a escala clássica O enunciado que diz critérios clássicos ou não modificados está pedindo apenas quatro linhas, e a faixa vai de zero a quatro. Acrescentar o ponto da idade transforma um escore quatro em cinco e derruba a resposta. O inverso também cai: enunciado que descreve com insistência a idade de um paciente de 50 anos quer a subtração.
  2. 2Tratar o escore máximo como se fosse diagnóstico Quatro pontos ou mais estimam por volta de metade de chance, não certeza. O escore é muito melhor para excluir do que para confirmar, e as duas fontes brasileiras que imprimem probabilidades param o degrau mais alto entre 50% e 60%.
  3. 3Confundir prescrever antibiótico com prevenir todas as complicações O tratamento previne a febre reumática, que vem apenas da garganta. A glomerulonefrite pós-estreptocócica vem também da pele e não é prevenida de modo confiável pelo antibiótico. Alternativa que promete prevenir as duas está errada.
  4. 4Achar que esperar o resultado do exame custa proteção A janela de prevenção do primeiro surto de febre reumática vai até o nono dia do início do quadro. Uma cultura de 48 a 72 horas cabe inteira dentro dela. O argumento de que não se pode aguardar porque o coração corre risco não se sustenta nas fontes brasileiras.
  5. 5Continuar somando diante de achado de um lado só Trismo, voz abafada, desvio da úvula, abaulamento do palato ou edema cervical tiram o caso do escore. Ali a pergunta é onde está a coleção, e a conduta é drenagem com antibiótico, não escolha entre testar e tratar.
  6. 6Ler o exantema da ampicilina como alergia O adolescente com faringite exsudativa, adenopatia posterior e fadiga que desenvolve exantema após aminopenicilina quase sempre tem mononucleose. Registrar alergia à penicilina no prontuário ali cria um rótulo vitalício que empurra o paciente para antibióticos de segunda linha em toda infecção futura.
  7. 7Escolher macrolídeo como primeira opção Não há relato de resistência do estreptococo do grupo A à penicilina, e há resistência documentada aos macrolídeos em várias regiões. Macrolídeo e clindamicina são alternativas para alergia, não escolhas de conveniência. Sulfas e tetraciclinas estão contraindicadas porque falham em erradicar.
  8. 8Tratar todo teste positivo como doença ativa Uma parte da população carrega o estreptococo sem estar doente, e a erradicação nesses casos é pouco eficaz. Diante de quadro claramente viral com teste positivo, o tratamento está indicado apenas em comunidade fechada ou convívio domiciliar com quem já teve febre reumática.
  9. 9Prescrever corticoide de rotina para dor de garganta O protocolo hospitalar de pronto-socorro sugere não prescrever glicocorticoide rotineiramente e reserva a exceção à dor intensa com incapacidade de engolir. Além do efeito adverso, o corticoide reduz a febre e apaga uma das linhas do escore na reavaliação.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Abaulamento do palato com desvio contralateral da úvula, trismo e voz abafada caracterizam abscesso peritonsilar, cujo tratamento é a drenagem (punção aspirativa ou incisão) associada a antibiótico e analgesia/hidratação. Amigdalectomia eletiva não resolve o quadro agudo (pode-se considerar amigdalectomia 'a quente' em casos selecionados, mas não eletiva em 4 semanas). Antibiótico oral isolado sem drenagem é insuficiente para coleção formada. A TC é útil quando há dúvida diagnóstica ou suspeita de extensão para espaço parafaríngeo, mas não deve retardar a drenagem de abscesso clinicamente evidente. Corticoide isolado não drena a coleção.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.

Criar conta grátis e continuar →
10

Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória as quatro linhas clássicas e a linha da idade, com os sinais corretos, e diga a faixa total de cada escala. Depois monte três pacientes com exatamente os mesmos quatro achados — um de 10 anos, um de 30 e um de 50 — e escreva os dois escores de cada. Termine anotando a conduta consensual para dois pontos ou menos e a janela do nono dia. Se conseguir fazer isso sem consultar, você já responde a maioria das questões do tema.

em 30 dias

Refaça o exercício das três idades e acrescente a decisão pelas duas réguas brasileiras na faixa alta: quem dispensa o teste e quem o mantém. Em seguida faça a conta de mil adultos com dor de garganta, usando a faixa de 5% a 15% e a taxa de 0,3%, e escreva quantos casos de febre reumática seriam evitados tratando todos. Por fim, liste os cinco sinais de assimetria que tiram o caso do escore e diga qual dose de penicilina benzatina uma criança de 23 quilos receberia por cada uma das duas réguas de peso.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Um homem de 25 anos chega à unidade dizendo que a garganta dói tanto que ele não consegue engolir a própria saliva desde ontem. Está falando com voz estranha e mal abre a boca para você olhar. Ele já tomou dois dias de antibiótico que sobrou em casa. Você tem quatro linhas para somar, um pescoço para examinar e uma decisão a tomar antes de somar qualquer coisa. Conduza o atendimento e descubra, primeiro, se este caso ainda pertence ao escore. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Faringoamigdalites e critérios de Centor – Faringoamigdalite aguda: duas réguas concordam embaixo e brigam no topo — Preparatório para provas | OsceLabs