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Asma na infância
Antes dos 6 anos não há espirometria, e o diagnóstico se faz por três critérios clínicos mais um teste terapêutico. Depois disso, a prova cobra dois números que quase ninguém decora: a dose de corticoide inalatório em mcg/dia da faixa etária certa, e a dose por peso do beta-2 na crise.
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Menina de 6 anos com asma é trazida ao PS com dispneia e sibilância. Ao exame: FR 32 ipm, FC 120 bpm, SatO2 93% em ar ambiente, fala frases entrecortadas, tiragem intercostal e sibilos expiratórios difusos. Qual é a conduta inicial mais adequada para essa crise?
Como esse tema cai
A asma do adulto se prova com um número: espirometria com resposta ao broncodilatador, e o diagnóstico está fechado. Na criança pequena esse caminho não existe. A espirometria é solicitada a partir dos 6 anos de idade, e mesmo depois disso ela resolve pouco na infância, porque na maioria das vezes o resultado vem normal com a doença em atividade. Abaixo dos 6 anos o diagnóstico é clínico e probabilístico: reconhece-se um padrão, exclui-se o resto e confirma-se pela resposta ao tratamento.
Isso reorganiza o que a prova pode cobrar. Ela cobra os três critérios que fecham o diagnóstico antes dos 5 anos, e o que fazer quando só dois se cumprem. Cobra o diferencial do lactente sibilante, porque nessa idade chiado é sintoma e não doença. Cobra a dose de corticoide inalatório em mcg por dia, que muda com a faixa etária e é o número que quase ninguém decora. E cobra a crise: a classificação de gravidade, o beta-2 em jatos por faixa de peso, o corticoide sistêmico em mg/kg com o teto, e a hora de transferir.
As faixas etárias não são detalhe de redação: são compartimentos com esquemas diferentes. Menor de 5 anos e 6 a 11 anos têm figuras de tratamento separadas no protocolo brasileiro, número de etapas diferente e medicamento de alívio com regras próprias. O adolescente a partir dos 12 anos já entra no esquema do adulto, com o corticoide inalatório associado ao formoterol como alívio — e esse esquema, junto com o diagnóstico funcional e o manejo da crise do adulto, é assunto do capítulo de Asma da Clínica Médica, não daqui. A frequência respiratória por idade e a classificação AIDPI da tosse também têm dono: o capítulo de Pneumonia na criança. Aqui elas aparecem só como diferencial de uma linha.
Vale saber o alcance de cada documento. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma, na versão de março de 2026, cobre também as crianças: tem um item próprio de diagnóstico abaixo dos 5 anos, uma figura de etapas para essa faixa e outra para os 6 aos 11 anos, e a tabela de doses de corticoide inalatório separada por idade. O quadro de procedimentos do AIDPI Criança vale dos 2 meses aos 5 anos incompletos e é a régua da crise na unidade básica, com conduta escrita ao lado de cada classificação. E os documentos conjuntos da Sociedade Brasileira de Pediatria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia — o de sibilância no pré-escolar, de 2018, e o da exacerbação, de 2021 — são de onde saem os números de dose por peso que o protocolo não detalha.
O que muda decisão
Antes dos 6 anos: três critérios, e todos precisam ser cumpridos
Como usar este capítulo: na primeira passagem, fixe quatro decisões — reconhecer o padrão provável, avaliar o controle, escolher a etapa pela idade e classificar a crise. Deixe as doses de corticoide inalatório e as portas do SUS para a segunda passagem; elas só fazem sentido depois do algoritmo clínico.
O diagnóstico de asma pode ser feito em criança de 5 anos ou menos, e o protocolo brasileiro de 2026 escreve os critérios um a um. São três, e a formulação é explícita: todos devem ser preenchidos.
O primeiro é o padrão de sibilância. Contam-se pelo menos dois episódios agudos de sibilância nos últimos 12 meses, ou pelo menos um episódio agudo mais sinais e sintomas intermitentes em outro momento. O episódio agudo tem definição: sibilos na expiração, uso de musculatura acessória, falta de ar ou respiração difícil e pesada, cada um com duração superior a 24 horas — e, em pelo menos um deles, a sibilância precisa ter sido confirmada, de preferência por profissional treinado. Os sintomas intermitentes entre os episódios são tosse seca ou crises de tosse, respiração pesada ou falta de ar que piora durante o sono ou depois de rir, chorar e brincar.
O segundo critério é negativo: não haver outro diagnóstico provável que explique os sintomas respiratórios, ressalvada a infecção viral concomitante. Ele obriga a percorrer a lista de diferenciais antes de rotular a criança, e é o critério que a vinheta usa para armar a pegadinha.
O terceiro é a resposta clínica oportuna ao tratamento da asma, e ela tem relógio. Durante um episódio agudo, considera-se resposta a melhora dos sinais e sintomas dentro de 20 a 60 minutos após o beta-2 de curta duração; em exacerbação moderada ou grave que exigiu também corticoide oral, dentro de 3 a 4 horas do início do tratamento. Fora da crise, a resposta pode ser documentada num período de teste de 2 a 3 meses com corticoide inalatório diário mais beta-2 sob demanda, e aí o desfecho que conta é o relato dos pais de redução na gravidade ou na frequência dos episódios e dos sintomas entre eles.
Se um ou mais critérios ainda não foram cumpridos, não se força o rótulo: atribui-se o diagnóstico provisório de suspeita de asma, trata-se e reavalia-se periodicamente. Essa é a resposta correta para a vinheta que descreve dois episódios e nenhuma tentativa terapêutica ainda.
A dose do teste terapêutico tem uma sutileza que a prova gosta. Os estudos que sustentam a recomendação usaram 200 mcg/dia de propionato de fluticasona ou equivalente, dose mais alta do que a recomendada para tratar asma nessa faixa etária. Por isso o protocolo sugere começar com a dose usual inicial de dipropionato de beclometasona, 100 mcg a cada 12 horas, e reduzi-la para a dose diária baixa, 50 mcg a cada 12 horas, assim que houver resposta clínica que indique o diagnóstico. Terminado o período de teste, busca-se a menor dose eficaz.
Por que a espirometria não resolve, e o que resolve no lugar
A espirometria deve ser solicitada a partir dos 6 anos de idade. É possível realizá-la em crianças menores com adaptações de técnica, mas o exame é limitado para diagnosticar asma na infância porque, na maioria das vezes, o resultado é normal mesmo havendo doença em atividade. Espirometria normal não exclui asma em nenhuma idade, e na criança essa ressalva vale o dobro.
O teste de broncoprovocação pode ser usado acima dos 5 anos em quem tem sintomas compatíveis e espirometria normal. Abaixo disso a utilidade é restrita, pela incapacidade da maioria das crianças de executar manobras expiratórias reprodutíveis. Confirmado o diagnóstico e instalado o tratamento contínuo, a espirometria de acompanhamento fica a cada 6 meses na asma persistente.
O que ajuda no lugar são exames que respondem a outra pergunta. O teste cutâneo de puntura e a IgE específica sérica são úteis para caracterizar sensibilização e reforçar a probabilidade de asma, mas a ausência de sensibilização a aeroalérgenos comuns não descarta o diagnóstico. O hemograma serve para excluir anemia como causa de dispneia e para flagrar eosinofilia. A radiografia de tórax é raramente indicada, e quando entra é para excluir anormalidade estrutural, infecção crônica como tuberculose ou corpo estranho inalado — não para confirmar asma.
Uma frase do protocolo vale ser lembrada porque desarma a vinheta que atrasa o tratamento à espera do exame: na ausência de avaliação funcional pulmonar, a decisão de iniciar o tratamento deve considerar a probabilidade clínica e a urgência terapêutica, realizando-se a espirometria assim que possível. Criança com quadro compatível não fica sem corticoide inalatório esperando vaga de exame.
O Índice Preditivo de Asma: o que ele é e o que ele não é
O Índice Preditivo de Asma foi desenvolvido por Castro-Rodríguez e colaboradores para prever, no lactente com sibilância recorrente, quem seria asmático na idade escolar. A composição é a que a prova cobra literalmente. Critérios maiores, dois: asma nos pais e dermatite atópica na criança. Critérios menores, três: rinite alérgica, sibilância na ausência de resfriado e eosinofilia sanguínea igual ou maior que 4%. A regra de positividade: um critério maior ou dois critérios menores.
O desempenho é o que quase nunca aparece no enunciado, e é ele que define o uso correto. Na reprodução feita pelo Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a sensibilidade foi de 41,6% e o valor preditivo positivo de 59,1%. As diretrizes de sibilância no pré-escolar acrescentam a régua que interessa: para ser clinicamente útil, uma regra de predição precisaria de razão de verossimilhança igual ou superior a 10, e a do Índice Preditivo de Asma não passa de 5.
A conclusão dos dois documentos brasileiros é a mesma e é dura: os índices preditivos foram equivocadamente adotados como critérios diagnósticos de asma na idade pré-escolar. Eles estimam risco de persistência, não fecham diagnóstico. Quem fecha diagnóstico são os três critérios da seção anterior.
Há um segundo índice que aparece em prova por curiosidade e vale reconhecer: o escore PIAMA, construído para predizer asma na idade escolar antes dos 4 anos, pontua sexo masculino (2), asma em um ou ambos os pais (1), prematuridade (1), sibilância de 1 a 3 episódios por ano (4) ou 4 ou mais por ano (7) e eczema (6). Escore de 0 a 7 corresponde a risco menor que 5%; de 8 a 15, a risco de 6% a 22%; de 16 a 23, a risco de 25% a 60%.
O Índice Preditivo tem, ainda assim, um lugar operacional: ele identifica o pré-escolar com sibilância viral intermitente e atopia subjacente em quem o beta-2 isolado não basta, e nesse subgrupo se considera corticoide inalatório intermitente em dose alta. É uso de estratificação, não de rótulo.
O lactente sibilante: o que obriga pensar em outra coisa
Sibilância recorrente no lactente e no pré-escolar não é um diagnóstico, é uma síndrome que abriga muitas doenças. A definição operacional brasileira, que combina os critérios de Rozov e de Tabachnik e Levison, é a presença de três ou mais episódios de sibilância em criança maior de um mês e menor de cinco anos. A prevalência é alta: em estudo multicêntrico com mais de 30 mil crianças, os sete centros brasileiros mostraram sibilância recorrente em 21,9% a 36,3% dos lactentes.
A regra de ouro do diferencial é etária e vem escrita na diretriz internacional: asma é menos provável quando a criança tem menos de 12 meses e está no primeiro episódio de sibilância — isso costuma ser bronquiolite, não asma. E quanto menor a criança, maior a chance de o diagnóstico ser outro. Asma também é menos provável quando o único sintoma da história detalhada é tosse produtiva, quando já se documentou falta de resposta ao beta-2 e ao corticoide inalatório, e quando os sinais respiratórios são atípicos.
Cada alternativa tem um sinal que a denuncia, e é por esse sinal que a vinheta se resolve. Tosse que começa logo após o nascimento, com infecções torácicas de repetição, déficit de crescimento por má absorção e fezes soltas, gordurosas e volumosas aponta fibrose cística. Episódio de tosse abrupta e intensa, com ou sem estridor, durante alimentação ou brincadeira, com sinais pulmonares focais ou sibilância unilateral, aponta aspiração de corpo estranho. Sopro cardíaco, cianose ao comer, retardo de crescimento, taquicardia e hepatomegalia apontam cardiopatia congênita. Tosse ao alimentar-se, vômitos fáceis após grandes mamadas e resposta fraca aos medicamentos de asma apontam refluxo gastroesofágico.
Recém-nascido prematuro, de peso muito baixo, que precisou de ventilação mecânica prolongada ou oxigênio suplementar e tem desconforto desde o nascimento, aponta displasia broncopulmonar. Quadro obstrutivo que se instala depois de uma infecção respiratória grave, persiste e não responde ao tratamento da asma levanta bronquiolite obliterante — que os documentos brasileiros listam entre as causas de sibilância recorrente que exigem referência ao especialista. Respiração ruidosa e tosse persistentes com febre que não responde aos antibióticos habituais, linfonodos aumentados e contato com pessoa com tuberculose apontam tuberculose. Infecções torácicas recorrentes com desconforto respiratório neonatal, otite crônica e secreção nasal persistente desde o nascimento apontam discinesia ciliar primária, em que o situs inversus ocorre em cerca de metade dos casos.
Um fio comum atravessa quase toda a lista e é o achado mais barato do exame: resposta ruim aos medicamentos para asma. Criança que chia e não melhora com beta-2 nem com corticoide inalatório bem administrado não é asma mal controlada por definição — é convite a rever o diagnóstico, checar a técnica inalatória e investigar a alternativa.

Controle: quatro perguntas, quatro semanas — e o corte muda com a idade
O controle é sempre a mesma mecânica: quatro perguntas sobre as últimas quatro semanas, e a contagem de quantas vieram positivas. Nenhuma delas é asma controlada; uma ou duas, parcialmente controlada; três ou quatro, não controlada. O que muda entre as faixas etárias é o limiar de frequência dentro de cada pergunta, e é aí que a prova pega.
Na criança de 5 anos ou menos, pela tabela impressa no protocolo brasileiro de 2026, as perguntas são: sintomas diurnos por mais de alguns minutos e mais de uma vez por semana; limitação de atividades por asma; necessidade de beta-2 de resgate mais de uma vez por semana; despertar ou tosse noturna por asma. Repare no limiar: mais de uma vez por semana, não mais de duas. A pergunta sobre limitação de atividade tem tradução prática nessa idade — a criança corre e brinca menos que as outras, cansa mais depressa em caminhadas e brincadeiras.
Dos 6 anos em diante o limiar sobe: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana; despertares noturnos por asma; medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; limitação de atividades. É a mesma tabela do adolescente e do adulto. Registre a data dos documentos, porque a régua internacional se moveu: a edição de 2026 da diretriz global harmonizou também a faixa de 5 anos ou menos em mais de duas vezes por semana, enquanto o protocolo brasileiro de 2026, que adaptou a edição de 2025, mantém o limiar de mais de uma vez. Em cenário do SUS, a régua aplicável é a do protocolo nacional.
Avaliar controle na criança pequena tem uma limitação estrutural que o protocolo assume: depende quase inteiramente do relato de familiares, que nem sempre reconhecem os sintomas como asma. Existem poucos instrumentos validados abaixo dos 4 anos. Dos 4 aos 11 anos usa-se o c-ACT, com escore acima de 19 indicando controle, e ele tem seções separadas para a criança e para os pais. O TRACK é validado para pais de pré-escolares e incorpora o histórico de corticoide sistêmico no último ano. Uma pergunta simples fecha a avaliação quando não há instrumento à mão: o estado recente da criança corresponde ao que os pais consideram normal para ela?
Controle de sintomas não é o mesmo que risco futuro, e mesmo a criança sem sintomas entre as crises pode ter risco alto. Os fatores que pesam são: uma ou mais crises graves no último ano com ida a serviço de urgência, corticoide oral ou internação; sintomas não controlados; início da estação em que ela costuma piorar; exposição a fumaça de tabaco, poluição e alérgenos domiciliares, especialmente em combinação com infecção viral; problemas psicológicos ou socioeconômicos importantes na família; má adesão ao corticoide inalatório e técnica inalatória incorreta.
Há um viés de percepção que a vinheta usa contra o candidato: crianças com controle inadequado costumam evitar esforço físico, e a criança que se retira da brincadeira parece assintomática. Mudanças de comportamento — irritabilidade, cansaço, alteração de humor — são relato frequente no descontrole. E como as crianças tendem a lembrar apenas dos sintomas mais recentes, a informação da criança precisa ser combinada com a dos pais.
Menor de 5 anos: quatro etapas, e o alívio é sempre o mesmo
Abaixo dos 5 anos o tratamento se organiza em quatro etapas, e há uma frase que o protocolo escreve em negrito conceitual: em todas as etapas, o medicamento de alívio é o beta-2 de curta duração sob demanda. Não há corticoide inalatório com formoterol como resgate nessa faixa etária, e a diretriz global registra por quê — não há estudos publicados de terapia de manutenção e resgate com essa combinação abaixo dos 5 anos.
A etapa 1 é a da sibilância viral infrequente, sem sintomas ou com poucos sintomas nos intervalos entre os episódios. Não se indica medicamento de controle diário; considera-se curso intermitente de corticoide inalatório no início das infecções virais. Terapia broncodilatadora oral, inclusive em xarope, não é recomendada em nenhuma etapa: início de ação mais lento e mais efeitos adversos que o beta-2 inalado.
A etapa 2 é o corticoide inalatório diário em dose baixa, administrado por pelo menos 2 a 3 meses para estabelecer a resposta clínica. Quem entra nela: a criança com sintomas de asma mais de duas vezes por semana, ou que teve uma ou mais exacerbações graves com necessidade de atendimento médico não programado no último ano. Alternativas registradas na etapa 2 são o corticoide inalatório intermitente iniciado com os sintomas respiratórios e o antagonista do receptor de leucotrieno, este último com aviso obrigatório aos pais sobre efeitos neuropsiquiátricos. A criança cuja asma se caracteriza por sibilância frequente induzida por vírus com sintomas intermitentes também se enquadra na etapa 2, mas o teste com corticoide inalatório diário em dose baixa vem primeiro.
A etapa 3 é simplesmente dobrar a dose baixa diária de corticoide inalatório — é assim que se define 'dose média' nessa faixa etária. Entram nela as crianças com diagnóstico de asma e sintomas não bem controlados com a dose baixa. Antes de subir, checa-se o de sempre: se os sintomas são mesmo de asma, se a técnica inalatória está correta, se a adesão é boa e se há exposição a alérgenos ou fumaça de tabaco.
A etapa 4 é manter o tratamento e encaminhar ao especialista. O protocolo é honesto: o melhor tratamento para essa população não foi estabelecido. Com orientação especializada, pode-se considerar corticoide inalatório associado a beta-2 de longa duração, com a ressalva de que a evidência existe em crianças de 4 anos ou mais — e o documento da Sociedade Brasileira de Pediatria é direto ao dizer que beta-2 de longa duração não é recomendado abaixo dos 4 anos.
O dispositivo faz parte da prescrição, não é acessório. Dispositivos de pó inalante não são adequados para a maioria das crianças de 5 anos ou menos; usa-se spray dosimetrado com espaçador, com máscara acoplada abaixo dos 4 anos. A transição da máscara para o bocal se faz assim que a criança demonstrar técnica adequada. Se o corticoide é entregue por máscara ou nebulizador, limpa-se a pele do nariz e ao redor da boca logo após a inalação, para evitar dermatite por corticoide.
Como sintomas semelhantes à asma remitem em boa parte das crianças pequenas, a necessidade de manter o controlador é reavaliada a cada 3 a 6 meses. Havendo redução ou suspensão, marca-se retorno em 3 a 6 semanas para verificar se os sintomas voltaram. E a altura da criança é medida pelo menos uma vez por ano: a velocidade de crescimento pode cair nos primeiros 1 a 2 anos de corticoide inalatório, o efeito é dose-dependente, e por isso se busca sempre a menor dose eficaz — lembrando que a asma mal controlada também prejudica o crescimento.
Dos 6 aos 11 anos: outro esquema, e a etapa 1 tem uma pegadinha
Dos 6 aos 11 anos são cinco etapas, e o tratamento inicial é escolhido pela frequência dos sintomas — não se começa sempre na etapa 1.
Com sintomas infrequentes, de 1 a 2 dias por semana ou menos, a recomendação é corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 de curta duração for utilizado, em inaladores combinados ou separados. Essa é a etapa 1, e ela contém a pegadinha da faixa: não existe mais 'só broncodilatador de resgate' como conduta recomendada. Quem marca beta-2 isolado erra por desatualização.
Com sintomas de 2 a 5 dias por semana, etapa 2: corticoide inalatório em dose baixa de manutenção com beta-2 sob demanda, considerando-se também a opção de corticoide inalatório junto de cada uso do beta-2. A escolha leva em conta a adesão provável ao tratamento diário.
Com sintomas na maioria dos dias da semana, 4 a 5 dias por semana, ou despertar noturno por asma pelo menos uma vez por semana, etapa 3: corticoide inalatório associado a beta-2 de longa duração em dose baixa, com beta-2 de curta duração sob demanda; ou corticoide inalatório em dose média com beta-2 sob demanda. Com sintomas diários e despertares noturnos acompanhados de função pulmonar reduzida, etapa 4: corticoide inalatório com beta-2 de longa duração em dose média, mais beta-2 sob demanda.
A etapa 5 é do especialista em asma grave, com fenotipagem. No Sistema Único de Saúde, os imunobiológicos com idade pediátrica aprovada são o omalizumabe, acima de 6 anos, na asma alérgica grave não controlada, com peso entre 20 e 150 kg e IgE total entre 30 e 1.500 UI/mL; o mepolizumabe, a partir de 6 anos, na dose de 40 mg a cada 4 semanas dos 6 aos 11 anos, com eosinófilos iguais ou acima de 150 células/µL ou eosinófilos no escarro em proporção igual ou maior que 2% nessa faixa; e o dupilumabe dos 6 aos 11 anos, com dose por peso — 300 mg a cada 4 semanas de 15 a menos de 30 kg, e 200 mg a cada 2 semanas a partir de 30 kg. Todos exigem pelo menos uma exacerbação grave no ano anterior com necessidade de corticoide oral. Antes de recorrer a eles, o aumento para dose alta de corticoide inalatório na criança é feito por curto período, com reavaliação em 2 a 3 meses.
A combinação de formoterol com budesonida existe para essa faixa, mas com apresentação e papel próprios. Dos 6 aos 11 anos utiliza-se preferencialmente a apresentação de 100/6 mcg por dose medida, equivalente a 80/4,5 mcg de dose administrada, em dispositivo de pó inalável. O quadro do protocolo que descreve o corticoide inalatório com formoterol como alívio e como manutenção-e-resgate é explicitamente restrito a adolescentes de 12 anos ou mais e adultos.
Se a asma se apresenta pela primeira vez durante uma crise, a orientação é tratar como crise: começar o tratamento imediatamente enquanto se faz anamnese breve e exame dirigido. Na alta, inicia-se o tratamento pela etapa 3 ou 4, com manutenção contendo corticoide inalatório, alívio sob demanda e um curso curto de corticoide oral. Beta-2 isolado não é recomendado. O retorno se agenda entre 2 e 7 dias, e a manutenção pode voltar aos níveis anteriores depois de 2 a 4 semanas.
As doses de corticoide inalatório, em mcg por dia, por faixa etária
Esse é o número que a prova cobra e que quase ninguém decora, porque ele muda três vezes: abaixo de 5 anos, dos 6 aos 11 e a partir dos 12. A regra mnemônica que funciona é que a dose da criança de 6 a 11 anos é metade da do adolescente, e que abaixo dos 5 anos não existe faixa — existe um número só.
Na criança de 5 anos ou menos, o protocolo brasileiro imprime a dose baixa diária de dipropionato de beclometasona em spray de partícula padrão como 100 mcg/dia, e a de partícula extrafina como 50 mcg/dia, esta a partir dos 5 anos e ainda não disponível no Brasil. Não há coluna de dose média e alta nessa faixa etária porque a etapa 3 é definida como o dobro da dose baixa. As demais moléculas aparecem nos documentos da Sociedade Brasileira de Pediatria e na diretriz global: budesonida por spray com espaçador 200 mcg/dia, budesonida nebulizada 500 mcg/dia — esta com dados a partir de 1 ano —, propionato de fluticasona 50 mcg/dia a partir dos 4 anos e furoato de mometasona 100 mcg/dia a partir dos 5.
Dos 6 aos 11 anos a tabela ganha três colunas. Beclometasona em spray de partícula padrão: baixa 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400 mcg/dia. Beclometasona de partícula extrafina: baixa 50 a 100, média acima de 100 até 200, alta acima de 200. Budesonida em pó ou spray: baixa 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400.
A partir dos 12 anos os números dobram. Beclometasona de partícula padrão: baixa 200 a 500, média acima de 500 até 1.000, alta acima de 1.000. Beclometasona extrafina: baixa 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400. Budesonida: baixa 200 a 400, média acima de 400 até 800, alta acima de 800.
Duas advertências acompanham a tabela e cobram atenção. A primeira: essas tabelas não são de equivalência de potência. Trocar a dose baixa de um corticoide pela dose baixa de outro pode representar aumento ou redução de potência, e a criança precisa ser monitorada depois de qualquer troca. A segunda: a partícula extrafina da beclometasona tem número diferente — é sempre a metade da partícula padrão — e é justamente essa a pegadinha que a alternativa constrói. Dose alta aumenta a frequência e a intensidade dos efeitos colaterais sistêmicos, incluindo supressão adrenal, e por isso é usada por tempo limitado e com reavaliação.

O que o SUS entrega, e por qual porta
Saber o que existe na farmácia muda a resposta, e a lista do protocolo é curta e nomeável. Corticoide inalatório: dipropionato de beclometasona em cápsula ou pó inalante de 200 e 400 mcg e em aerossol ou spray de 50 e 250 mcg; budesonida em cápsula inalante de 200 e 400 mcg e em pó inalante ou aerossol bucal de 200 mcg. Broncodilatador de alívio: sulfato de salbutamol em aerossol de 100 mcg e solução inalante de 5 mg/mL, e bromidrato de fenoterol em aerossol de 100 mcg. Corticoide sistêmico: fosfato sódico de prednisolona em solução oral de 1 mg/mL e 3 mg/mL, e prednisona em comprimidos de 5 e 20 mg. Beta-2 de longa duração: fumarato de formoterol em cápsula ou pó inalante de 12 mcg, e a combinação de formoterol com budesonida em 12 mcg/400 mcg e 6 mcg/200 mcg.
Pelo programa Aqui Tem Farmácia Popular estão disponíveis o dipropionato de beclometasona nas apresentações de 50, 200 e 250 mcg e o sulfato de salbutamol de 100 mcg e 5 mg. Para a família da criança asmática, essa é frequentemente a porta que resolve o acesso — e é informação de conduta, não de burocracia.
O que não está na lista importa igualmente. O antagonista do receptor de leucotrieno, cujo único representante disponível no Brasil é o montelucaste, não está incorporado ao Sistema Único de Saúde para asma — o protocolo diz isso com todas as letras. O tiotrópio foi avaliado e não incorporado, por escassez de evidência de superioridade sobre a combinação já disponível. A apresentação pediátrica de formoterol com budesonida de 100/6 mcg por dose medida, indicada como preferencial dos 6 aos 11 anos, não figura entre as apresentações padronizadas — as que constam são as de 6/200 e 12/400 mcg.
A solução de prednisolona é o detalhe que a prescrição pediátrica exige: com 3 mg/mL, o quadro do AIDPI já traz o volume pronto por faixa de peso, de 2 mL para a criança de 4 a 5 kg até 7,5 mL para a de 16 a 20 kg, na dose de 1 a 2 mg/kg/dia em tomada única pela manhã.
A crise: classificar antes de terminar o exame
A avaliação da crise é feita enquanto o tratamento já começa, não antes dele. Anamnese e exame são sumários e dirigidos: nível de consciência, capacidade de falar ou de mamar, frequências respiratória e cardíaca, uso de musculatura acessória, entrada de ar, sibilância e saturação em ar ambiente antes de qualquer oxigênio.
Na unidade básica brasileira a régua é o quadro do AIDPI, que classifica a sibilância em três caixas com conduta escrita ao lado. Sibilância leve: sem sinais suficientes para as outras duas, saturação igual ou acima de 95%. Sibilância moderada: consciência normal com períodos de agitação, fala ou choro entrecortado, tiragem subcostal, respiração rápida, saturação de 91% a 95%. Sibilância grave ou doença muito grave: qualquer sinal geral de perigo, letargia ou agitação permanente, estridor em repouso, fala em palavras isoladas — no lactente, choro curto ou incapacidade de chorar —, tiragem universal, saturação igual ou abaixo de 90%.
No pronto atendimento a régua tem quatro faixas e usa números mais finos. Leve: saturação igual ou acima de 94%, fala sentenças, frequência respiratória até 40, sem musculatura acessória. Moderada: saturação igual ou acima de 92%, fala frases, frequência aumentada mas ainda até 40, alguma musculatura acessória. Grave: saturação abaixo de 92%, fala palavras, frequência acima de 40, retrações inclusive de escalenos, tórax silencioso ou apenas sibilo inspiratório. Risco de vida: sonolência, confusão ou cianose. Há recomendação forte de usar um escore clínico validado abaixo dos 18 anos, e o mais recomendado é o PRAM, que soma retração supraesternal, contração de escalenos, entrada de ar, sibilância e saturação, de 0 a 12: de 0 a 3 leve, de 4 a 7 moderada, de 8 a 12 grave.
Um detalhe fisiológico evita erro grosseiro de interpretação. Nos primeiros 30 minutos após o salbutamol, a saturação pode cair 5% ou mais: a vasodilatação supera a broncodilatação e piora transitoriamente a relação ventilação-perfusão. Queda de saturação logo após a primeira série de jatos não significa, sozinha, que o tratamento falhou. Do outro lado, a ausência de sibilos numa criança que estava chiando pode ser tórax silencioso, ou seja, obstrução grave — sibilo audível costuma ser sinal de crise moderada, não de crise ruim.
O beta-2 de curta duração inalado é a primeira linha, e a dose brasileira é por peso. O salbutamol em spray, com 100 mcg por jato, é dado na faixa de 2 a 10 jatos por dose a cada 20 minutos dentro da primeira hora, e a distribuição por peso é: 5 a 10 kg, 4 jatos; 10 a 20 kg, 6 jatos; acima de 20 kg, 8 jatos. Na unidade básica, o quadro do AIDPI prescreve o spray de 6 em 6 horas por cinco dias — 2 a 3 jatos por dose abaixo de 2 anos e 2 a 4 jatos a partir de 2 anos — e, quando só há solução para nebulização de 5 mg/mL, uma gota para cada 3 kg de peso, com máximo de dez gotas, diluídas em 3 mL de soro fisiológico.
A técnica vale tanto quanto a dose: um jato de cada vez, com 5 a 6 respirações após cada jato, agitando o inalador imediatamente antes de cada disparo, porque a formulação é suspensão. O espaçador é preferível à nebulização, e o motivo é medido: em metanálise de 39 estudos com 1.897 crianças e 729 adultos, o spray acoplado a espaçador foi a opção de preferência na crise leve e moderada, com melhor deposição pulmonar e menos efeitos sistêmicos. O nebulizador fica para quem não coopera com o spray, por gravidade do quadro ou por agitação.
O corticoide sistêmico entra cedo, de preferência na primeira hora, em toda exacerbação moderada a grave. A dose brasileira é 1 a 2 mg/kg/dia de prednisolona ou equivalente, em dose única pela manhã, com máximo de 40 mg/dia, por 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 dias no adolescente. A via oral é tão eficaz quanto a endovenosa e é preferida; a endovenosa fica para quem não deglute, está vomitando ou vai ser intubado. O efeito clínico leva cerca de 4 horas para aparecer — e é por isso que dar cedo importa. Não é necessário desmame se o uso for menor que 2 semanas.
O brometo de ipratrópio não serve como agente único, mas associado ao beta-2 nas crises mais graves reduz o risco de internação em até 25%. A dose em nebulização é de 125 a 250 mcg por dose abaixo de 4 anos, o que corresponde a 10 a 20 gotas, e de 250 a 500 mcg a partir dos 4 anos, ou seja, 20 a 40 gotas — cada gota tem 12,5 mcg. Administra-se junto do salbutamol, até três vezes a cada 20 minutos na primeira hora; depois a dose é espaçada para 4 a 6 horas ou descontinuada. Em spray, são 4 jatos de 20 mcg com espaçador a cada série de salbutamol.
O sulfato de magnésio endovenoso não é rotina. Ele entra na criança de 2 anos ou mais com crise grave que não respondeu ao tratamento inicial, ou que permanece grave após uma hora de tratamento convencional intensivo, e há evidência de que reduza o tempo e o risco de internação. A faixa registrada no documento brasileiro é de 25 a 75 mg/kg por dose, com máximo de 2 a 2,5 g, em dose única infundida em 20 minutos; a diretriz global de 2026 estreita para 40 a 50 mg/kg, com máximo de 2 g, em 10 a 20 minutos. As duas faixas se sobrepõem entre 40 e 50 mg/kg, e é essa a dose que fica correta em qualquer recorte de banca.
Oxigênio não é para todo mundo. A maioria das crises é leve e não precisa. Quando indicado, oferta-se 1 a 3 L/min por cateter nasal ou máscara e titula-se pela oximetria. O corte que define gravidade e dispara a oferta é a saturação abaixo de 92% em ar ambiente — número que aparece nas três réguas. O alvo depois de instalado o oxigênio é onde os documentos se afastam, e isso está registrado nas divergências. Se a criança tem sinais de anafilaxia junto com a asma, a adrenalina intramuscular vem primeiro, antes do broncodilatador.
Quem interna, quem vai para a UTI e quem se intuba
A regra operacional é de tempo. A criança que chega com crise leve ou moderada e piora, ou não responde aos broncodilatadores e ao corticoide após duas horas do atendimento inicial, precisa de internação. A criança que chega classificada como crise grave vai para unidade de terapia intensiva pediátrica.
Os critérios absolutos de internação são cinco e valem ser lidos como sinais, não como rótulos: deterioração clínica com piora da dispneia e do esforço respiratório; fadiga respiratória, que se manifesta como redução da frequência respiratória, redução da retração esternal e assincronia toracoabdominal; hipoventilação grave, com tórax silencioso à ausculta ou incapacidade de falar; necessidade de oxigênio suplementar por saturação baixa mantida por uma hora ou mais após a terapia inicial; e história prévia de asma quase fatal com internação em terapia intensiva, intubação e ventilação mecânica.
O segundo desses critérios é o mais traiçoeiro, e a vinheta o usa. Criança que estava taquipneica, com tiragem, e que passa a respirar mais devagar com menos retração não está melhorando — está exaurindo. Fadiga respiratória se parece com melhora até o momento em que não se parece mais.
Os critérios relativos de internação são sociais e de história: exacerbação prévia com agravamento rápido e internação; adesão inadequada ao tratamento ambulatorial, com uso frequente de broncodilatador de curta duração; e vulnerabilidade social com incapacidade do cuidador de prestar a assistência necessária. Uma criança sem critério clínico de internação, mas sem quem administre a medicação em casa, não é criança de alta.
Para a terapia intensiva pediátrica os critérios absolutos são três: incapacidade de falar, confusão ou sonolência; hipoxemia apesar de oxigênio suplementar; e hipercapnia moderada a grave. A intubação traqueal é indicada quando há esforço respiratório grave e persistente com alteração do estado mental, hipoxemia com pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg mesmo com oxigênio a 100% ou ventilação não invasiva, hipercapnia progressiva causando acidose respiratória significativa ou alteração do estado mental, e parada cardiorrespiratória.
Na criança de 5 anos ou menos atendida fora do hospital, a lista de transferência imediata é mais objetiva e útil para a prova: cianose; incapacidade de falar ou de beber; frequência respiratória acima de 40 por minuto; saturação abaixo de 92% em ar ambiente; tórax silencioso à ausculta em criança dispneica; falta de resposta a 4 a 6 jatos de salbutamol administrados a cada 20 minutos até três vezes ao longo de uma hora; taquipneia persistente apesar de três administrações, mesmo que a criança mostre outros sinais de melhora; e ambiente social que impede o tratamento. Acrescente-se atenção redobrada em duas situações — história de crise quase fatal e idade abaixo de 2 anos, em que o risco de desidratação e de fadiga respiratória é maior. Durante o transporte, mantêm-se o salbutamol, o oxigênio se necessário e o corticoide sistêmico já iniciado.
Alguns exames merecem posição definida. A gasometria arterial não é rotina: entra quando o pico de fluxo ou o volume expiratório forçado estão abaixo de 50% do previsto, quando a evolução com o tratamento inicial é ruim, ou quando a saturação está abaixo de 92%. Nela, a pressão parcial de dióxido de carbono normal ou aumentada numa criança taquipneica indica piora, não estabilidade. A radiografia de tórax não deve ser realizada de rotina, porque raramente muda o tratamento; ela entra quando não há boa resposta ou quando há sinais sugestivos de complicação, como pneumotórax ou consolidação.
O que não fazer na crise, e o que colocar na receita da alta
Antibiótico não entra por rotina. Revisão sistemática de ensaios randomizados não demonstrou benefício clínico algum com a adição de antibióticos durante exacerbações agudas de asma em crianças ou adultos, e não há dados que apoiem macrolídeo na crise. O antibiótico só se justifica se houver evidência forte de infecção pulmonar — febre com secreção purulenta ou consolidação radiológica.
Sedativo é proibido durante a exacerbação. A formulação da diretriz global é categórica: a sedação deve ser estritamente evitada pelo efeito depressor respiratório dos ansiolíticos e hipnóticos, e há associação relatada entre esses medicamentos e mortes evitáveis por asma. A cetamina é exceção de terapia intensiva, no paciente já intubado, e mesmo lá com evidência fraca.
Xarope não trata asma. Broncodilatador por via oral, incluindo líquidos e xaropes, não é recomendado: início de ação mais lento e mais efeitos adversos que o inalado. As metilxantinas — teofilina e aminofilina — foram desencorajadas nas duas últimas décadas por ausência de benefício clínico adicional e margem de segurança estreita; hoje só se justificam em terapia intensiva, onde os níveis séricos podem ser monitorados. E o quadro do AIDPI nomeia, nas orientações à mãe, os remédios nocivos a desencorajar: anti-inflamatórios, sedativos da tosse, expectorantes, descongestionantes nasais ou orais e antigripais.
Corticoide oral iniciado por conta própria pelos cuidadores no domicílio não é recomendado abaixo dos 5 anos — não há evidência que o sustente. O que os pais devem fazer em casa é começar o beta-2 pelo plano de ação e reavaliar em até uma hora, procurando atendimento se a criança estiver prostrada, não responder ao beta-2 ou piorar, sobretudo se for menor de 1 ano; e também se forem necessários quatro jatos ou mais em um período de 4 horas, ou se o beta-2 for preciso em mais de três ocasiões nas primeiras 12 horas.
A alta tem receita fixa, e ela tem quatro linhas. Primeira: beta-2 de curta duração sob demanda, nunca de horário — o uso regular pode mascarar a piora da asma e, mesmo por uma ou duas semanas, aumenta a hiper-responsividade e reduz o efeito broncodilatador. Segunda: completar o corticoide oral, 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 no adolescente. Terceira: corticoide inalatório iniciado antes da alta se a criança ainda não usava, mantido ou intensificado se já usava — na criança pequena, isso vale sempre que a apresentação foi moderada ou grave, ou quando havia sintomas intervalares de dois ou mais dias por semana. Quarta: suspender o brometo de ipratrópio, porque não há evidência de benefício depois das primeiras uma a duas horas.
O que não é medicamento pesa igual. Revê-se e corrige-se a técnica inalatória, com o dispositivo que a criança de fato consegue usar. Entrega-se ou revisa-se o plano de ação por escrito, com as doses e o modo de uso escritos — plano de ação com revisão regular reduz drasticamente a morbidade da asma. Pergunta-se como a crise se desenvolveu e o que a família fez, porque a resposta costuma revelar o gatilho e a falha. E identificam-se os fatores que contribuíram: infecção viral, fumaça de tabaco, poluição, alérgenos domiciliares, tratamento de manutenção inadequado, técnica incorreta e problemas socioeconômicos.
O retorno é parte da prescrição. Marca-se consulta em 1 a 2 dias para a criança e em 2 a 7 dias para o adolescente, com uma segunda revisão em 1 a 2 meses. Antes da alta hospitalar, a criança precisa estar fora do leito sem oxigênio suplementar, alimentando-se e ingerindo líquidos sem dificuldade. E uma única crise que exigiu atendimento urgente ou corticoide oral já é sinal vermelho: o tratamento de manutenção precisa ser revisto, e quem teve uma ou mais crises nos últimos 12 meses é encaminhado para avaliação especializada.
Da gravidade da crise à conduta, e das etapas à dose
A crise da criança tem escala ordinal de verdade, e ela decide o destino. Os cards abaixo são as quatro faixas de gravidade usadas no atendimento agudo da criança de 5 anos ou menos; a tabela principal traduz cada faixa em conduta. As tabelas seguintes trazem o que a prova cobra por número: as doses de corticoide inalatório por faixa etária, as etapas lado a lado, os medicamentos da crise com dose e teto, as perguntas do controle, o sinal que denuncia cada diferencial e os critérios de internação e de UTI.
- 1Comece o tratamento enquanto avalia: anamnese e exame dirigidos, sem esperar para agir.
- 2Meça a saturação em ar ambiente antes de qualquer oxigênio, e conte a frequência respiratória com a criança o mais tranquila possível.
- 3Classifique pela pior faixa em que a criança se encaixar — basta um achado daquela coluna.
- 4Se houver sinais de anafilaxia junto com a asma, dê adrenalina intramuscular primeiro.
- 5Dê salbutamol em spray com espaçador, um jato de cada vez com 5 a 6 respirações após cada jato, na dose da faixa de peso, repetindo a cada 20 minutos até três vezes na primeira hora.
- 6Na crise moderada ou grave, dê corticoide sistêmico oral ainda na primeira hora, e associe brometo de ipratrópio ao beta-2.
- 7Ofereça oxigênio se a saturação em ar ambiente estiver abaixo de 92%.
- 8Reavalie após a primeira série de jatos e de novo em 1 hora ou antes, com os mesmos parâmetros da avaliação inicial.
- 9Na crise grave que não responde ao tratamento inicial ou permanece grave após 1 hora, considere sulfato de magnésio endovenoso na criança de 2 anos ou mais.
- 10Transfira imediatamente se a criança piorar, não melhorar, ou preencher qualquer critério de transferência.
- 11Melhorando, só receba alta com todos os achados da faixa leve — e com a receita completa e o retorno marcado.
Leve — todos estes achados
Consciência normal, sem cianose central. Saturação em ar ambiente igual ou acima de 94%. Fala sentenças. Frequência respiratória até 40 por minuto. Sem uso de musculatura acessória. Entrada de ar normal ou com discreta redução basal. Sibilância ausente ou expiratória leve. PRAM de 0 a 3.
Moderada — considere o conjunto
Consciência normal, sem cianose. Saturação igual ou acima de 92%. Fala frases. Frequência respiratória aumentada, mas ainda até 40. Alguma musculatura acessória. Entrada de ar diminuída, basal ou difusa. Sibilância expiratória, podendo ser também inspiratória. PRAM de 4 a 7.
Grave — qualquer um destes
Saturação abaixo de 92% em ar ambiente. Fala apenas palavras. Frequência respiratória acima de 40 por minuto. Musculatura acessória presente, podendo haver retração de escalenos. Tórax silencioso ou apenas sibilo inspiratório. PRAM de 8 a 12.
Risco de vida — qualquer um destes
Sonolência, confusão, cianose central, ou a categoria mais grave do escore clínico. Tórax pode estar totalmente silencioso. Conduta: transferência imediata com tratamento iniciado, adrenalina intramuscular antes do broncodilatador se houver anafilaxia associada, e vaga de terapia intensiva.
| Gravidade | Como se reconhece | Conduta imediata |
|---|---|---|
| Leve | Saturação igual ou acima de 94% em ar ambiente; fala sentenças; frequência respiratória até 40; sem musculatura acessória; sibilância ausente ou expiratória leve. No quadro do AIDPI: sem sinais suficientes para as outras caixas, saturação igual ou acima de 95%. | Salbutamol 4 jatos em spray com espaçador, um jato de cada vez, reavaliando após a série e repetindo uma vez em 30 a 60 minutos se necessário. Alta com beta-2 sob demanda e reavaliação de corticoide inalatório. No AIDPI: beta-2 inalatório por cinco dias em casa, mais corticoide oral por três dias se a criança já vinha em uso correto de beta-2 há pelo menos 24 horas. |
| Moderada | Saturação igual ou acima de 92%; fala frases; frequência aumentada mas até 40; alguma musculatura acessória; entrada de ar diminuída. No quadro do AIDPI: consciência normal com períodos de agitação, fala ou choro entrecortado, tiragem subcostal, respiração rápida, saturação de 91% a 95%. | Salbutamol na dose da faixa de peso, até três vezes a cada 20 a 30 minutos. Associar brometo de ipratrópio a cada série. Iniciar corticoide oral ainda na primeira hora. Reavaliar em 1 hora. Melhorando, alta com receita completa e retorno em 1 a 2 dias; não melhorando em 2 horas, internar. |
| Grave | Saturação abaixo de 92%; fala palavras; frequência acima de 40; retrações inclusive de escalenos; tórax silencioso ou apenas sibilo inspiratório. No quadro do AIDPI, esta caixa se junta à de doença muito grave: sinal geral de perigo, letargia, estridor em repouso, tiragem universal, saturação igual ou abaixo de 90%. | Providenciar transferência e tratar ao mesmo tempo. Salbutamol 4 a 6 jatos com espaçador a cada 20 minutos, com ipratrópio junto. Corticoide sistêmico. Oxigênio para manter a saturação no alvo. Considerar sulfato de magnésio endovenoso na criança de 2 anos ou mais que não responde. No AIDPI, a caixa vermelha manda dar oxigênio, beta-2 inalatório, primeira dose do corticoide e do antibiótico e referir urgentemente. |
| Risco de vida | Sonolência, confusão ou cianose central; ou a categoria mais grave do escore clínico. Bradicardia, movimento toracoabdominal paradoxal e ausência de pulso paradoxal por fadiga muscular completam o quadro. | Transferência imediata para terapia intensiva pediátrica com tratamento em curso. Adrenalina intramuscular primeiro se houver anafilaxia associada. Intubação se houver esforço grave com alteração do estado mental, hipoxemia refratária a oxigênio a 100% ou ventilação não invasiva, hipercapnia progressiva com acidose, ou parada cardiorrespiratória. |
Corticoide inalatório: dose diária em mcg por faixa etária
| Faixa etária | Molécula e dispositivo | Dose baixa (mcg/dia) | Dose média (mcg/dia) | Dose alta (mcg/dia) |
|---|---|---|---|---|
| 5 anos ou menos | Beclometasona, spray de partícula padrão | 100 | Definida como o dobro da dose baixa (etapa 3) | Não se aplica nesta faixa |
| 5 anos ou menos | Beclometasona, spray de partícula extrafina (a partir dos 5 anos; ainda não disponível no Brasil) | 50 | Dobro da dose baixa | Não se aplica nesta faixa |
| 5 anos ou menos | Budesonida por spray com espaçador; budesonida nebulizada (dados a partir de 1 ano) | 200 (spray); 500 (nebulizada) | Dobro da dose baixa | Não se aplica nesta faixa |
| 5 anos ou menos | Fluticasona propionato spray (a partir de 4 anos); mometasona spray (a partir de 5 anos) | 50 (fluticasona); 100 (mometasona) | Dobro da dose baixa | Não se aplica nesta faixa |
| 6 a 11 anos | Beclometasona, spray de partícula padrão | 100 a 200 | Acima de 200 até 400 | Acima de 400 |
| 6 a 11 anos | Beclometasona, partícula extrafina | 50 a 100 | Acima de 100 até 200 | Acima de 200 |
| 6 a 11 anos | Budesonida, pó ou spray de partícula padrão | 100 a 200 | Acima de 200 até 400 | Acima de 400 |
| 12 anos ou mais | Beclometasona, spray de partícula padrão | 200 a 500 | Acima de 500 até 1.000 | Acima de 1.000 |
| 12 anos ou mais | Beclometasona, partícula extrafina | 100 a 200 | Acima de 200 até 400 | Acima de 400 |
| 12 anos ou mais | Budesonida, pó ou spray de partícula padrão | 200 a 400 | Acima de 400 até 800 | Acima de 800 |
Etapas de tratamento lado a lado: 5 anos ou menos e 6 a 11 anos
| Etapa | 5 anos ou menos | 6 a 11 anos |
|---|---|---|
| 1 | Sibilância viral infrequente, sem sintomas intervalares: sem controlador diário; beta-2 de curta duração sob demanda. Considerar curso intermitente de corticoide inalatório no início das infecções virais. | Sintomas de 1 a 2 dias por semana ou menos: corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 de curta duração for utilizado, em inaladores combinados ou separados. |
| 2 | Corticoide inalatório diário em dose baixa por pelo menos 2 a 3 meses, com beta-2 sob demanda. Alternativas: corticoide inalatório intermitente iniciado com os sintomas; antagonista de leucotrieno, com aviso sobre efeitos neuropsiquiátricos. | Sintomas de 2 a 5 dias por semana: corticoide inalatório em dose baixa de manutenção com beta-2 sob demanda; ou corticoide inalatório a cada uso do beta-2. |
| 3 | Dobrar a dose baixa diária de corticoide inalatório. Reavaliar em 2 a 3 meses e considerar encaminhamento. | Sintomas na maioria dos dias (4 a 5 por semana) ou despertar noturno pelo menos semanal: corticoide inalatório com beta-2 de longa duração em dose baixa, mais beta-2 sob demanda; ou corticoide inalatório em dose média com beta-2 sob demanda. |
| 4 | Manter o tratamento e encaminhar ao especialista. Com orientação especializada, considerar corticoide inalatório com beta-2 de longa duração (evidência a partir dos 4 anos). Não há etapa 5 nesta faixa. | Sintomas diários com despertares e função pulmonar reduzida: corticoide inalatório com beta-2 de longa duração em dose média, mais beta-2 sob demanda. |
| 5 | Não existe nesta faixa etária. | Avaliação por especialista em asma grave com fenotipagem. Dose alta pediátrica de corticoide inalatório com beta-2 de longa duração por 2 a 3 meses; imunobiológicos disponíveis no SUS a partir dos 6 anos. |
| Alívio | Beta-2 de curta duração sob demanda em todas as etapas. Não há corticoide inalatório com formoterol como resgate nesta faixa. | Beta-2 de curta duração sob demanda em todas as etapas do protocolo brasileiro; o esquema com corticoide inalatório e formoterol como alívio é restrito a 12 anos ou mais. |
Medicamentos da crise: dose, via, intervalo e teto
| Medicamento | Dose e via | Intervalo | Teto e observações |
|---|---|---|---|
| Salbutamol em spray (100 mcg/jato) com espaçador | 2 a 10 jatos por dose. Por peso: 5 a 10 kg, 4 jatos; 10 a 20 kg, 6 jatos; acima de 20 kg, 8 jatos | A cada 20 minutos na primeira hora, até três séries | Um jato de cada vez, com 5 a 6 respirações após cada; agitar o inalador antes de cada disparo; máscara acoplada abaixo de 4 anos |
| Salbutamol em nebulização (solução de 5 mg/mL) | 2,5 mg por nebulização; pelo quadro do AIDPI, 1 gota para cada 3 kg de peso em 3 mL de soro fisiológico | A cada 20 minutos na primeira hora | Máximo de 10 gotas por nebulização; reservado a quem não coopera com o spray |
| Brometo de ipratrópio em nebulização | 125 a 250 mcg por dose abaixo de 4 anos (10 a 20 gotas); 250 a 500 mcg a partir de 4 anos (20 a 40 gotas). Cada gota tem 12,5 mcg | Até três vezes a cada 20 minutos na primeira hora | Sempre associado ao beta-2, nunca isolado; reduzir para 4 a 6 horas ou suspender depois; suspender na alta |
| Brometo de ipratrópio em spray | 4 jatos de 20 mcg com espaçador a cada série de salbutamol | Até três vezes | Reduz o risco de internação em até 25% quando associado ao beta-2 nas crises mais graves |
| Prednisolona ou prednisona por via oral | 1 a 2 mg/kg/dia em dose única pela manhã | Dose diária, iniciada de preferência na primeira hora | Máximo de 40 mg/dia pela régua brasileira; 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 no adolescente; não precisa desmame se menos de 2 semanas |
| Dexametasona por via oral | 0,3 a 0,6 mg/kg | Dose diária | Máximo de 12 mg; por 1 a 2 dias apenas, pelos efeitos metabólicos; menor risco de vômito; se ainda sintomático, trocar por prednisolona |
| Sulfato de magnésio endovenoso | 25 a 75 mg/kg por dose pela régua brasileira; 40 a 50 mg/kg pela régua internacional de 2026 | Dose única infundida em 10 a 20 minutos (até 20 minutos na régua brasileira) | Máximo de 2 a 2,5 g. Somente a partir de 2 anos, na crise grave sem resposta ao tratamento inicial ou ainda grave após 1 hora |
| Oxigênio | 1 a 3 L/min por cateter nasal ou máscara, titulado pela oximetria | Contínuo enquanto necessário | Indicado quando a saturação em ar ambiente está abaixo de 92%; o alvo depois de instalado difere entre documentos (ver divergências) |
| Adrenalina | Intramuscular, se houver anafilaxia associada à crise, antes do broncodilatador. Subcutânea 1:1.000 na dose de 0,01 mL/kg/dose apenas quando não há broncodilatador inalatório disponível | Até 3 doses a cada 20 minutos na aplicação subcutânea do quadro do AIDPI | Máximo de 0,3 mL por dose na via subcutânea |
Controle da asma: as perguntas, o período e a contagem
| Faixa etária | Período | As quatro perguntas | Contagem |
|---|---|---|---|
| 5 anos ou menos (protocolo brasileiro de 2026) | Últimas 4 semanas | Sintomas diurnos por mais de alguns minutos e mais de uma vez por semana; limitação de atividades por asma (corre e brinca menos que as outras crianças, cansa fácil); beta-2 de resgate mais de uma vez por semana; despertar ou tosse noturna por asma | Nenhuma: controlada. Uma ou duas: parcialmente controlada. Três ou quatro: não controlada |
| 6 anos ou mais | Últimas 4 semanas | Sintomas diurnos mais de duas vezes por semana; despertares noturnos por asma; medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; limitação das atividades por asma | Nenhuma: controlada. Uma ou duas: parcialmente controlada. Três ou quatro: não controlada |
| Instrumentos validados | 4 semanas | c-ACT dos 4 aos 11 anos, com seções para a criança e para os pais; TRACK para pais de pré-escolares, incluindo histórico de corticoide sistêmico no último ano | c-ACT acima de 19 indica controle |
Lactente sibilante: o sinal que denuncia cada diferencial
| Condição | O sinal que a denuncia |
|---|---|
| Bronquiolite viral aguda | Primeiro episódio de sibilância abaixo dos 12 meses, geralmente com crepitações à ausculta |
| Infecção viral recorrente do trato respiratório | Tosse, coriza e congestão nasal por menos de 10 dias, sem sintomas entre as infecções |
| Fibrose cística | Tosse desde logo após o nascimento; infecções torácicas recorrentes; déficit de crescimento por má absorção; fezes soltas, gordurosas e volumosas |
| Aspiração de corpo estranho | Tosse abrupta e intensa, com ou sem estridor, durante alimentação ou brincadeira; sinais pulmonares focais; sibilância unilateral |
| Cardiopatia congênita | Sopro cardíaco; cianose ao comer; retardo de crescimento; taquicardia; hepatomegalia; resposta insatisfatória aos medicamentos de asma |
| Refluxo gastroesofágico | Tosse ao alimentar-se; vômitos fáceis, sobretudo após grandes mamadas; infecções torácicas recorrentes; resposta fraca ao tratamento de asma |
| Displasia broncopulmonar | Prematuro de peso muito baixo, com ventilação mecânica prolongada ou oxigênio suplementar e dificuldade respiratória desde o nascimento |
| Bronquiolite obliterante | Quadro obstrutivo que se instala após infecção respiratória grave, persiste e não responde ao tratamento da asma |
| Tuberculose | Respiração ruidosa e tosse persistentes; febre que não responde aos antibióticos habituais; linfonodos aumentados; contato com pessoa com tuberculose |
| Discinesia ciliar primária | Desconforto respiratório neonatal; infecções de ouvido crônicas e secreção nasal persistente desde o nascimento; situs inversus em cerca de metade dos casos |
| Coqueluche | Paroxismos prolongados de tosse, geralmente com estridor e vômitos |
| Bronquite bacteriana persistente | Tosse úmida persistente com resposta ruim aos medicamentos de asma |
| Traqueomalácia | Respiração ruidosa ao chorar ou comer; retração inspiratória ou expiratória; sintomas presentes desde o nascimento |
| Anel vascular | Respiração persistentemente ruidosa, com resposta ruim aos medicamentos de asma |
| Imunodeficiência | Febre e infecções recorrentes, inclusive não respiratórias, com atraso no desenvolvimento |
Internação, terapia intensiva e intubação
| Decisão | Critérios |
|---|---|
| Internar (absolutos) | Deterioração clínica com piora da dispneia e do esforço; fadiga respiratória, com queda da frequência respiratória, redução da retração esternal e assincronia toracoabdominal; hipoventilação grave, com tórax silencioso ou incapacidade de falar; necessidade de oxigênio suplementar por saturação baixa mantida por uma hora ou mais após a terapia inicial; história prévia de asma quase fatal com internação em terapia intensiva, intubação e ventilação mecânica. Também interna quem chegou leve ou moderado e não respondeu em 2 horas. |
| Internar (relativos) | Exacerbação prévia com agravamento rápido e internação; adesão inadequada ao tratamento ambulatorial, com uso frequente de broncodilatador de curta duração; vulnerabilidade social com incapacidade do cuidador de prestar a assistência necessária. |
| Terapia intensiva pediátrica | Incapacidade de falar, confusão ou sonolência; hipoxemia apesar de oxigênio suplementar; hipercapnia moderada a grave. Quem chega com crise classificada como grave já é candidato. |
| Intubação | Esforço respiratório grave e persistente com alteração do estado mental; pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg com oxigênio a 100% ou ventilação não invasiva; hipercapnia progressiva com acidose respiratória significativa ou alteração do estado mental; parada cardiorrespiratória. |
| Transferência imediata na criança de 5 anos ou menos | Cianose; incapacidade de falar ou beber; frequência respiratória acima de 40 por minuto; saturação abaixo de 92% em ar ambiente; tórax silencioso em criança dispneica; falta de resposta a 4 a 6 jatos de salbutamol a cada 20 minutos até três vezes em 1 hora; taquipneia persistente apesar de três administrações, mesmo com outros sinais de melhora; ambiente social que impede o tratamento. Atenção redobrada com história de crise quase fatal e com idade abaixo de 2 anos. |
A espirometria é solicitada a partir dos 6 anos, e mesmo depois disso costuma vir normal com a doença ativa. Abaixo dos 6 anos o diagnóstico é clínico: os três critérios, todos cumpridos.
A dose baixa de corticoide inalatório dos 6 aos 11 anos é metade da do adolescente, e a da beclometasona de partícula extrafina é metade da de partícula padrão. Duas divisões por dois na mesma tabela, e é aí que a alternativa erra de propósito.
Abaixo dos 5 anos, o alívio é beta-2 de curta duração em todas as etapas — não há corticoide inalatório com formoterol como resgate nessa faixa etária.
Dos 6 aos 11 anos, a etapa 1 do protocolo brasileiro não é 'beta-2 isolado': é corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 for usado.
Saturação abaixo de 92% em ar ambiente é o corte que define crise grave e dispara a oferta de oxigênio nas três réguas. A queda transitória de saturação nos primeiros 30 minutos após o salbutamol é fisiológica e não indica falha.
Fadiga respiratória se parece com melhora: a frequência cai, a retração diminui e aparece assincronia toracoabdominal. É critério de internação, não sinal de alta.
O corticoide sistêmico leva cerca de 4 horas para produzir efeito clínico — por isso ele entra na primeira hora, não no fim do atendimento.
Antibiótico não trata crise de asma; sedativo é proibido; xarope broncodilatador não é recomendado. E o quadro do AIDPI nomeia como nocivos anti-inflamatórios, sedativos da tosse, expectorantes, descongestionantes e antigripais.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não em nenhuma etapa abaixo de 12 anos no esquema brasileiro — o alívio é beta-2 de curta duração
O protocolo brasileiro de 2026 escreve que, em todas as etapas de tratamento da criança de 5 anos ou menos, o medicamento de alívio é o beta-2 de curta duração sob demanda. Dos 6 aos 11 anos, o esquema mantém o beta-2 de curta duração como alívio em todas as etapas, com o corticoide inalatório entrando como manutenção, ou junto de cada uso do beta-2 na etapa 1. O quadro que descreve dose e frequência de formoterol com budesonida para as estratégias de alívio anti-inflamatório e de manutenção-e-resgate é explicitamente restrito a adolescentes de 12 anos ou mais e adultos. Duas razões sustentam o recorte: a faixa etária de evidência e a padronização. A apresentação pediátrica de 100/6 mcg por dose medida, apontada como preferencial dos 6 aos 11 anos, não figura entre as apresentações do protocolo — as padronizadas são as de 6/200 e 12/400 mcg.
Ministério da Saúde / Conitec, PCDT da Asma, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, de março de 2026 (Figuras 2 e 3, Quadro 11 e item 7.4)
Abaixo de 5 anos também não, por falta de estudo; dos 6 aos 11 já é opção internacional
A diretriz global registra que não há estudos publicados de terapia de manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol em crianças menores de 5 anos, e mantém o beta-2 de curta duração como alívio nessa faixa. Dos 6 aos 11 anos a posição é outra: a edição de 2026 acrescentou o alívio anti-inflamatório com budesonida-formoterol nas etapas 1 e 2, com base num estudo em crianças de 5 a 15 anos que vinham usando beta-2 isolado, no qual a combinação sob demanda reduziu em quase metade o risco de exacerbações moderadas a graves, sem diferença de velocidade de crescimento; e a manutenção-e-resgate já era opção baseada em evidência nas etapas 3 e 4 dessa faixa.
Global Initiative for Asthma, Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026 (Seção 11, Box 4-12 e capítulo de novidades)
Na prova
O recorte se identifica pela idade escrita no enunciado e pelo cenário. Vinheta que descreve unidade básica, dispensação pelo SUS, Farmácia Popular ou nomeia o protocolo do Ministério da Saúde está no corpo nacional, em que o alívio pediátrico é beta-2 de curta duração até os 12 anos. Enunciado que fala em alívio anti-inflamatório, cita a sigla MART, descreve budesonida-formoterol sob demanda ou nomeia a diretriz global está no corpo internacional, e aí a idade de corte muda: abaixo de 5 anos os dois documentos concordam, e é entre 6 e 11 anos que eles se separam. As alternativas denunciam o mundo da questão — se uma delas oferece budesonida com formoterol como resgate para uma criança de 8 anos, a discussão é sobre a edição de 2026 da diretriz global; se todas as opções pediátricas trazem beta-2 de curta duração como alívio, o recorte é o do protocolo brasileiro. A distância aqui não é de mérito técnico: o Brasil recortou por faixa etária de evidência e pelo que a lista nacional padroniza, e a apresentação pediátrica da combinação simplesmente não está incorporada. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Prednisolona 1 a 2 mg/kg/dia com teto de 40 mg — a régua brasileira
O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Pediatria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia prescreve 1 a 2 mg/kg de prednisona ou equivalente em dose única pela manhã, com máximo de 40 mg/dia, durante 3 a 5 dias, para as exacerbações moderadas a graves. O documento da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre corticosteroides sistêmicos em pediatria, de julho de 2025, reafirma a mesma dose e a mesma duração. O quadro do AIDPI usa a mesma faixa, com máximo de 40 mg/dia, por três dias, e já traz o volume por peso da solução de prednisolona de 3 mg/mL. O protocolo brasileiro de 2026 repete 1 a 2 mg/kg/dia com máximo de 40 mg/dia por 3 a 5 dias para a criança de 6 a 11 anos.
ASBAI e SBP, Guia Prático de Atualização no tratamento da exacerbação de asma na criança e no adolescente, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45; SBP, Documento Científico nº 220 (2025); Ministério da Saúde, AIDPI Criança (2017); PCDT da Asma (2026)
Prednisolona com teto por idade — 20 mg abaixo de 2 anos e 30 mg dos 2 aos 5 — na régua internacional de 2026
A diretriz global de 2026 mantém 1 a 2 mg/kg de prednisona ou prednisolona para a criança de 5 anos ou menos, mas baixa o teto e o divide por idade: máximo de 20 mg para menores de 2 anos e de 30 mg dos 2 aos 5 anos, por 3 a 5 dias. O movimento acompanha a prioridade declarada de uso parcimonioso de corticoide oral, para reduzir efeitos adversos de curto e de longo prazo.
Global Initiative for Asthma, Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026 (Box 12-4 e Box 12-6)
Dexametasona em 1 a 2 dias — benefício semelhante com menos intolerância oral
A dexametasona oral apresenta benefícios semelhantes aos da prednisolona com menor risco de intolerância oral, e é menos propensa a causar vômito. A dose registrada no documento brasileiro é 0,6 mg/kg por 1 ou 2 dias; a diretriz global de 2026 usa 0,3 a 0,6 mg/kg com máximo de 12 mg, também por 1 a 2 dias. Os dois documentos convergem no limite: não deve ser usada por mais tempo, pelos efeitos metabólicos, e nos casos ainda sintomáticos considera-se a troca por prednisolona.
ASBAI e SBP, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45; Global Initiative for Asthma, 2026 (Box 12-4)
Na prova
O teto é o que separa os corpos, e ele aparece na alternativa. Quarenta miligramas por dia é a linguagem dos documentos brasileiros de 2017, 2021, 2025 e 2026; tetos de 20 e 30 mg divididos por faixa etária são vocabulário da edição de 2026 da diretriz global. A idade do paciente na vinheta ajuda: abaixo de 2 anos os dois tetos se afastam mais, e uma alternativa que trave em 20 mg num lactente está construída no corpo internacional. Enunciado que descreve a solução oral de prednisolona por faixa de peso, unidade básica ou quadro de procedimentos está no corpo nacional. Já a escolha entre prednisolona e dexametasona costuma vir por outro caminho: quando a vinheta descreve criança que vomitou a medicação, que recusa o xarope ou em que a adesão de cinco dias é improvável, o enunciado está preparando a discussão do curso de 1 a 2 dias. Registre também as datas — os documentos brasileiros vão de 2017 a 2026, e a mudança de teto é de 2026.
Manter acima de 94% — a régua brasileira de 2021
O posicionamento conjunto brasileiro define como objetivo do tratamento da exacerbação a manutenção da saturação acima de 94% em ar ambiente, com sintomas mínimos ou ausentes e função pulmonar próxima do normal. Quando o oxigênio é necessário, a oferta é titulada pela oximetria com o objetivo de manter esse alvo, e 1 a 3 L/min por cateter nasal ou máscara costumam bastar. O mesmo documento registra que saturação abaixo de 92% é preditor de internação e que abaixo de 90% sinaliza necessidade de tratamento mais agressivo.
ASBAI e SBP, Guia Prático de Atualização no tratamento da exacerbação de asma na criança e no adolescente, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45
Não ofertar oxigênio acima de 92%, e alvo de 92% na criança de 5 anos ou menos — a régua internacional de 2026
A edição de 2026 da diretriz global revisou os limiares e os alvos de saturação para baixo: oxigênio suplementar não é recomendado a menos que a saturação esteja abaixo de 92%, e na criança de 5 anos ou menos com sibilância aguda ou crise grave o alvo, se o oxigênio for administrado, é de 92% ou mais. Para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos, o limite superior do alvo passou a ser 95%. A oximetria pode superestimar a saturação em pessoas de pele escura, e os alvos devem ser ajustados para a altitude.
Global Initiative for Asthma, Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026 (capítulo de novidades e Box 12-1, 12-4 e 12-5)
A saturação como critério de classificação, não como alvo — o quadro do AIDPI
Na unidade básica brasileira, a saturação entra antes como classificador do que como meta. Igual ou acima de 95% em ar ambiente compõe a sibilância leve; de 91% a 95% compõe a sibilância moderada; igual ou abaixo de 90% compõe a sibilância grave ou doença muito grave, que manda dar oxigênio se disponível e referir urgentemente. O quadro foi desenhado para funcionar mesmo sem oxímetro, e a aferição vem com a ressalva de ser feita se a oximetria de pulso estiver disponível.
Ministério da Saúde, OPAS e UNICEF, Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos (2017)
Na prova
O número na alternativa denuncia o documento. Alvo de 94% é linguagem do posicionamento brasileiro de 2021; alvo de 92% na criança pequena e recusa de ofertar oxigênio acima disso é linguagem da edição de 2026 da diretriz global; faixas de 95%, de 91 a 95% e de 90% ou menos amarradas a rótulos de leve, moderada e grave são o quadro do AIDPI, e nesse caso a questão é de classificação, não de oxigenoterapia. O cenário reforça: unidade básica, agente comunitário e quadro de procedimentos apontam o corpo nacional de atenção primária; pronto-socorro com escore clínico, PRAM e gasometria apontam o corpo internacional. Registre a diferença de data — 2021 contra 2026 — e a direção do movimento, que foi de restringir a oferta de oxigênio. Nos três documentos, porém, 92% é o número que define gravidade, e por isso ele é o corte que aparece em mais enunciados.
Opção alternativa nas etapas 2 e 4, com aviso obrigatório sobre efeitos neuropsiquiátricos
A diretriz global mantém o antagonista do receptor de leucotrieno como opção alternativa na criança de 5 anos ou menos, com a ressalva escrita na própria figura de tratamento: ao prescrever, avisar os pais ou cuidadores sobre o risco de efeitos adversos neuropsiquiátricos. O texto acrescenta que, em crianças pequenas com asma persistente, o antagonista reduz modestamente sintomas e necessidade de corticoide oral em relação ao placebo, mas que, na sibilância recorrente induzida por vírus, nem o uso regular nem o intermitente reduzem a taxa de exacerbações que exigem corticoide sistêmico; e que o corticoide inalatório diário foi mais eficaz que o antagonista em monoterapia. O posicionamento brasileiro da exacerbação registra a mesma orientação de aconselhar os pais sobre risco de eventos no sono e no comportamento.
Global Initiative for Asthma, 2026 (Seção 11, Box 11-2 e texto das etapas 2 e 4); ASBAI e SBP, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45
Fármaco poupador de corticoide quando o beta-2 de longa duração não pode ser usado
O documento da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre sibilância recorrente do lactente e do pré-escolar coloca o antagonista de leucotrieno numa posição específica: como os beta-2 de longa duração não são recomendados abaixo dos 4 anos, havendo necessidade de um fármaco poupador de corticoide nessa faixa, recomenda-se o antagonista de leucotrieno — e registra que o único disponível no Brasil é o montelucaste. As diretrizes de sibilância no pré-escolar acrescentam que o antagonista pode ser considerado no pré-escolar sibilante persistente, junto ou no lugar do corticoide inalatório contínuo.
SBP, Departamento Científico de Pneumologia, Sibilância Recorrente do Lactente e Pré-escolar (Guia Prático de Atualização nº 1, abril de 2017); ASBAI e SBP, Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):163-208
Fora do que o SUS entrega para asma
O protocolo brasileiro de 2026 lista os antagonistas do receptor de leucotrieno entre os medicamentos considerados seguros na gestação e acrescenta, entre parênteses, que eles não estão incorporados ao Sistema Único de Saúde para asma. A lista de medicamentos padronizados do protocolo não inclui montelucaste, e ele tampouco aparece entre os itens do programa Aqui Tem Farmácia Popular para asma.
Ministério da Saúde / Conitec, PCDT da Asma (2026), itens 7.3.2 e 7.4
Na prova
O eixo aqui é o cenário de acesso, e ele muda a alternativa correta sem mudar a farmacologia. Vinheta de unidade básica, dispensação pelo SUS ou pergunta sobre 'qual medicamento está disponível' exclui o montelucaste do conjunto de respostas possíveis, porque ele não está incorporado para asma. Vinheta de consultório, de pré-escolar abaixo de 4 anos em que o beta-2 de longa duração está descartado por idade, ou que pergunta por fármaco poupador de corticoide, é onde ele reaparece nos documentos brasileiros de pediatria. E enunciado que descreve pesadelo, agitação, alteração de humor ou distúrbio do sono em criança em uso de medicação para asma está testando o alerta neuropsiquiátrico — nesse caso, o que se cobra é a conduta de informar e reavaliar o fármaco, não a dose. Registre as datas: os documentos da sociedade brasileira de pediatria são de 2017 e 2018, o posicionamento da exacerbação é de 2021, e o aviso escrito na figura de tratamento internacional é da edição de 2026.
Caso resolvido
- classificação da gravidade
- Crise moderada. Saturação de 93% (igual ou acima de 92%, mas abaixo de 94%), fala em frases, frequência respiratória aumentada mas ainda abaixo de 40, alguma musculatura acessória e entrada de ar diminuída. Pelo quadro do AIDPI ela também cai na sibilância moderada: consciência normal com períodos de agitação, fala entrecortada, tiragem subcostal, respiração rápida e saturação entre 91% e 95%.
- o que não classifica como grave
- Não há cianose, sonolência ou confusão; não há estridor em repouso nem tiragem universal; a saturação não está abaixo de 92%; a frequência respiratória não passa de 40; o tórax não está silencioso. É esse conjunto de negativas que mantém a criança fora da caixa vermelha e da transferência imediata.
- beta-2 de curta duração
- Salbutamol em spray com espaçador e máscara. Ela pesa 14 kg, portanto está na faixa de 10 a 20 kg: 6 jatos por dose, um jato de cada vez, com 5 a 6 respirações após cada jato, agitando o inalador antes de cada disparo. Repetir a cada 20 minutos, até três séries na primeira hora. Espaçador é preferível à nebulização na crise leve e moderada — melhor deposição pulmonar com menos efeitos sistêmicos.
- brometo de ipratrópio
- Associado ao salbutamol, porque a crise é moderada. Ela tem 3 anos, ou seja, menos de 4: 125 a 250 mcg por dose, o que corresponde a 10 a 20 gotas na nebulização, ou 4 jatos de 20 mcg em spray com espaçador junto de cada série de salbutamol, até três vezes. Nunca isolado.
- corticoide sistêmico
- Prednisolona por via oral, 1 a 2 mg/kg em dose única — com 14 kg, de 14 a 28 mg — respeitando o teto de 40 mg/dia, iniciada ainda na primeira hora. Por 3 a 5 dias. A via oral é tão eficaz quanto a endovenosa e a solução oral é a forma preferida na criança. O efeito clínico leva cerca de 4 horas, e é justamente por isso que ela não pode esperar o fim do atendimento.
- oxigênio
- Não indicado agora. A saturação é 93% em ar ambiente, e a oferta se justifica quando ela está abaixo de 92%. Se o número cair logo após a primeira série de jatos, lembrar que uma queda de até 5% nos primeiros 30 minutos após o salbutamol é fisiológica, por desequilíbrio transitório entre ventilação e perfusão — reavalia-se o conjunto, não o número isolado.
- reavaliação
- Mesmos parâmetros da avaliação inicial — saturação, entrada de ar, frequência respiratória, musculatura acessória e escore clínico — logo após a primeira série de jatos e de novo em 1 hora ou antes. Piorando ou não melhorando, transferência. Sem resposta após duas horas de broncodilatador e corticoide, internação.
- alta e receita
- Ela melhorou e preenche todos os achados da faixa leve. Sai com quatro linhas: salbutamol sob demanda, nunca de horário; prednisolona para completar 3 a 5 dias; corticoide inalatório iniciado antes da alta — beclometasona 100 mcg/dia, a dose baixa da faixa etária —, porque a apresentação foi moderada e ela já tem três episódios no ano; e suspensão do ipratrópio, que não tem benefício além das primeiras uma a duas horas. Mais o que não é medicamento: técnica inalatória demonstrada e corrigida com espaçador e máscara, plano de ação por escrito e retorno marcado em 1 a 2 dias.
- o que fica para o retorno
- Três episódios em um ano com resposta ao broncodilatador colocam essa criança dentro dos critérios diagnósticos de asma, e a resposta ao corticoide inalatório nos próximos 2 a 3 meses fecha o terceiro critério. O retorno também define a etapa: com uma exacerbação que exigiu atendimento não programado no último ano, ela já tem indicação de corticoide inalatório diário em dose baixa, que é a etapa 2.
Agora feche você
- primeiro critério diagnóstico
- Cumprido, e com folga. São quatro episódios agudos de sibilância nos últimos 12 meses, quando bastariam dois — e ainda há sintomas intermitentes entre eles: tosse noturna quase diária, despertares algumas vezes por semana e chiado desencadeado por riso. Cada episódio durou cerca de três dias, muito acima das 24 horas exigidas na definição.
- segundo critério diagnóstico
- Cumprido. Nada na história aponta alternativa: nasceu a termo com peso adequado, sem prematuridade nem ventilação mecânica que sugerisse displasia broncopulmonar; ganha peso e cresce, sem má absorção nem fezes gordurosas que levantassem fibrose cística; não houve engasgo súbito nem sibilância unilateral; não há sopro, cianose ao comer ou hepatomegalia; não há pneumonias de repetição nem infecções fora do trato respiratório. Os episódios começam com coriza, o que é compatível com asma desencadeada por vírus nessa idade.
- terceiro critério diagnóstico
- Parcialmente documentado. Houve tratamento com broncodilatador e corticoide sistêmico nos episódios atendidos no pronto-socorro, mas a resposta não está registrada como tal, e não houve ainda um período de teste com corticoide inalatório. É este o critério que falta fechar.
- índice preditivo
- Positivo. Ele tem os dois critérios maiores — asma no pai e dermatite atópica na criança — e bastaria um. Isso estima risco de persistência na idade escolar; não é o que fecha o diagnóstico, e a sensibilidade de 41,6% e o valor preditivo positivo de 59,1% explicam por quê.
- controle
- Não controlado. Pela tabela do protocolo brasileiro para a criança de 5 anos ou menos, ele pontua em três das quatro perguntas das últimas quatro semanas: tosse e despertares noturnos, limitação de atividade — cansa mais depressa que outras crianças ao correr — e sintomas diurnos mais de uma vez por semana. Três ou quatro itens significam asma não controlada.
- diagnóstico e conduta
- …
- prescrição e seguimento
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir espirometria para confirmar asma no pré-escolar Atrai porque no adulto o diagnóstico só fecha com prova funcional, e a memória transporta a regra. Mas a espirometria é solicitada a partir dos 6 anos, e mesmo depois disso vem normal na maioria das vezes com a doença em atividade — abaixo dessa idade, a maioria das crianças nem consegue manobras expiratórias reprodutíveis. O protocolo é explícito: na ausência de avaliação funcional, a decisão de iniciar tratamento considera a probabilidade clínica e a urgência terapêutica. Adiar o corticoide inalatório à espera do exame é o erro de conduta que a alternativa esconde.
- 2Usar o Índice Preditivo de Asma como critério diagnóstico Atrai porque o índice é muito difundido entre pediatras e tem cara de escore fechado. Os dois documentos brasileiros dizem o contrário com todas as letras: os índices preditivos foram equivocadamente adotados como critérios diagnósticos na idade pré-escolar. Sensibilidade de 41,6%, valor preditivo positivo de 59,1% e razão de verossimilhança que não passa de 5 — quando o mínimo para utilidade clínica seria 10. Ele estima risco de persistência; quem fecha diagnóstico são os três critérios clínicos.
- 3Dar o número de corticoide inalatório da faixa etária errada Atrai porque a tabela tem três blocos e o candidato decora um só. A dose baixa da beclometasona de partícula padrão é 100 mcg/dia abaixo de 5 anos, 100 a 200 dos 6 aos 11 e 200 a 500 a partir dos 12 — a criança de 6 a 11 anos usa metade do adolescente. E a partícula extrafina é sempre metade da padrão na mesma faixa. Duas divisões por dois na mesma tabela, e a alternativa erra de propósito em uma delas. Lembre também que essas tabelas não são de equivalência de potência: trocar dose baixa de uma molécula por dose baixa de outra pode aumentar ou reduzir a potência.
- 4Prescrever corticoide inalatório com formoterol como resgate no menor de 6 anos Atrai porque essa foi a grande mudança do tratamento do adulto, e ela contaminou a leitura da pediatria. Abaixo dos 5 anos, o protocolo brasileiro escreve que em todas as etapas o alívio é o beta-2 de curta duração, e a diretriz global registra que não há estudos publicados de manutenção e resgate com essa combinação nessa faixa. Dos 6 aos 11 anos, o esquema brasileiro também mantém o beta-2 de curta duração como alívio; o quadro de dose e frequência do formoterol com budesonida como alívio é restrito a 12 anos ou mais.
- 5Achar que a etapa 1 dos 6 aos 11 anos é broncodilatador isolado Atrai porque 'sintomas infrequentes' soa como 'só resgate', e era assim que se ensinava. No protocolo brasileiro de 2026, com sintomas de 1 a 2 dias por semana ou menos, a recomendação é corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 for utilizado — em inalador combinado ou separado. Beta-2 isolado deixou de ser conduta recomendada em qualquer etapa a partir dos 6 anos, e quem marca essa alternativa erra por desatualização, não por raciocínio.
- 6Calcular o beta-2 da crise por idade em vez de por peso Atrai porque a pediatria costuma tabelar por idade e porque o quadro do AIDPI, que é o mais familiar da unidade básica, faz exatamente isso — 2 a 3 jatos abaixo de 2 anos e 2 a 4 jatos a partir de 2. Só que na crise atendida em pronto-socorro a régua é o peso, e ela dá números maiores: 4 jatos de 5 a 10 kg, 6 jatos de 10 a 20 kg e 8 jatos acima de 20 kg, dentro da faixa de 2 a 10 jatos por dose a cada 20 minutos na primeira hora. Subdosar o beta-2 na crise moderada é o erro que empurra a criança para a internação.
- 7Ler a queda de saturação após o salbutamol como falha do tratamento Atrai porque o número piorou logo depois da conduta, e a reação natural é escalonar ou trocar. Mas no início do tratamento com broncodilatador a vasodilatação pode superar a broncodilatação, desequilibrando a relação entre ventilação e perfusão, e a saturação pode cair 5% ou mais nos primeiros 30 minutos. O que se avalia é o conjunto — entrada de ar, esforço, frequência respiratória, nível de alerta e escore clínico —, nunca a oximetria isolada, que aliás não deve ser usada sozinha como indicador de internação.
- 8Interpretar a bradipneia e a redução da tiragem como melhora Atrai porque os dois sinais que preocupavam sumiram. Numa criança que estava taquipneica e em esforço, a frequência que cai junto com a retração esternal que diminui, agora acompanhadas de assincronia toracoabdominal, é fadiga respiratória — critério absoluto de internação. Some-se a isso o tórax silencioso: ausência de sibilos numa criança dispneica é obstrução grave, não resolução do broncoespasmo. Sibilo audível costuma ser sinal de crise moderada.
- 9Prescrever antibiótico porque a crise veio com febre e coriza Atrai porque a maioria das crises da criança é desencadeada por infecção viral, e a presença de febre empurra para o antibiótico. Revisão sistemática de ensaios randomizados não demonstrou benefício clínico algum com antibiótico na exacerbação aguda de asma em crianças ou adultos, e não há dados que apoiem macrolídeo. Ele só entra se houver evidência forte de infecção pulmonar — secreção purulenta com febre ou consolidação radiológica. E a radiografia também não é de rotina: só na má resposta ou na suspeita de complicação.
- 10Dar sedativo para a criança agitada na crise Atrai porque a agitação atrapalha a inalação e parece ansiedade. A recomendação é categórica em sentido contrário: a sedação deve ser estritamente evitada na exacerbação, pelo efeito depressor respiratório de ansiolíticos e hipnóticos, e há associação relatada entre esses medicamentos e mortes evitáveis por asma. Agitação na crise de asma é sinal de gravidade, não de ansiedade — a resposta é tratar a obstrução e a hipoxemia, não sedar.
- 11Dar alta com beta-2 de horário e sem corticoide inalatório Atrai porque o beta-2 foi o que resolveu a crise e parece razoável mantê-lo fixo por alguns dias. O uso regular pode mascarar a piora da asma e, mesmo por uma ou duas semanas, aumenta a hiper-responsividade e reduz o efeito broncodilatador. A alta correta tem quatro linhas: beta-2 sob demanda, completar o corticoide oral, iniciar ou intensificar o corticoide inalatório antes da alta e suspender o ipratrópio. Mais plano de ação por escrito, técnica revista e retorno em 1 a 2 dias na criança.
- 12Chamar de asma o primeiro chiado do lactente de 8 meses Atrai porque há sibilos, há resposta parcial ao broncodilatador e o rótulo é cômodo. A diretriz é explícita: asma é menos provável quando a criança tem menos de 12 meses e está no primeiro episódio de sibilância, o que costuma ser bronquiolite; e quanto menor a criança, maior a chance de outro diagnóstico. O critério diagnóstico exige pelo menos dois episódios agudos em 12 meses, ou um episódio mais sintomas intermitentes — um episódio isolado não fecha nada.
Na crise asmática moderada o tratamento de primeira linha é broncodilatador beta-2 de curta ação inalatório (ex.: salbutamol) associado a corticoide sistêmico precoce. Antibiótico não trata crise asmática sem infecção bacteriana. Adrenalina IM é para anafilaxia, não crise de asma. Sulfato de magnésio é reservado para crises graves refratárias, não medida isolada inicial. Corticoide inalatório de manutenção não trata a crise aguda.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 3 anos chega ao PS com crise grave de asma: FR 44 ipm, FC 140 bpm, SatO2 88% em ar ambiente, fala apenas palavras isoladas, agitação, tiragem intensa e sibilância. Recebe oxigênio, três séries de beta-2 de curta ação inalado com brometo de ipratrópio e corticoide sistêmico, mas mantém desconforto importante e SatO2 90%. Qual é o próximo passo terapêutico mais adequado?
Na crise asmática grave refratária às medidas iniciais (beta-2 + ipratrópio + corticoide sistêmico + O2), o sulfato de magnésio endovenoso é o próximo passo indicado. Aminofilina isolada tem eficácia limitada e mais efeitos adversos. Antibiótico não trata broncoespasmo. Sedar paciente em insuficiência respiratória sem suporte ventilatório é perigoso (risco de parada). Corticoide inalatório é de manutenção, não age na crise aguda.
Menino de 6 anos, com diagnóstico de asma, retorna para avaliação. Nos últimos 3 meses apresenta sintomas diurnos 4 vezes por semana, desperta à noite 3 vezes por mês e usou broncodilatador de resgate 3 vezes por semana. Sem limitação de atividades. Está apenas em uso de resgate com salbutamol. Qual a melhor conduta para o controle?
Sintomas diurnos >2x/semana e uso de resgate frequente caracterizam asma não controlada/persistente, indicando início de controlador. O passo é corticoide inalatório em dose baixa. Manter só resgate perpetua o mau controle. Corticoide oral contínuo é reservado a asma grave refratária. LABA isolado é contraindicado em asma (risco de morte). Broncoprovocação não é necessária com diagnóstico já estabelecido e sintomas típicos.
Menino de 4 anos com asma chega em crise: fala frases entrecortadas, FR 40 ipm, uso de musculatura acessória, sibilos difusos, FC 140 bpm e SatO2 90% em ar ambiente. Após a primeira etapa do manejo com beta-2 de curta ação, qual medicação sistêmica deve ser iniciada precocemente?
Na crise asmática moderada a grave, além do beta-2 de curta ação e oxigênio, o corticoide sistêmico deve ser administrado precocemente para reduzir a inflamação e evitar recaídas. Antibiótico não faz parte do manejo da crise sem infecção bacteriana. Adrenalina IM é para anafilaxia. Aminofilina tem uso restrito e não é rotina. Sulfato de magnésio é reservado a crises graves refratárias, após broncodilatador e corticoide, não como primeira medida.
Menino de 5 anos com diagnóstico prévio de asma é atendido na UPA em crise. Apresenta dispneia, sibilância expiratória difusa, uso de musculatura acessória, fala em frases curtas e saturação de 93% em ar ambiente, sem cianose ou sonolência. Qual é a conduta inicial de referência para o manejo da crise asmática moderada?
O manejo da crise asmática moderada baseia-se em beta-2 de curta ação inalatório (salbutamol, repetido conforme resposta) + corticoide sistêmico precoce + oxigênio para manter saturação adequada (correta). Antibiótico não é indicado de rotina — a maioria dos desencadeantes é viral. Adrenalina IM é reservada à anafilaxia, não à crise asmática típica. Postergar o broncodilatador é erro grave: o beta-2 é a pedra angular do tratamento, independentemente de a saturação estar em 93%.
Criança de 6 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levada à UBS com relato de tosse noturna e sibilância em pelo menos 3 noites por semana nas últimas semanas, além de despertares noturnos e uso de broncodilatador de alívio quase diariamente. Está assintomática no momento da consulta. Considerando o controle da asma, qual a conduta mais adequada?
Sintomas frequentes (mais de 2 vezes por semana), despertares noturnos e uso quase diário de resgate caracterizam asma não controlada, indicando terapia de manutenção com corticoide inalatório em dose baixa, pilar do controle e prevenção de exacerbações. Manter apenas SABA por demanda perpetua o descontrole. Corticoide oral contínuo é inadequado pelos efeitos adversos e não é terapia de manutenção. A espirometria auxilia, mas não deve atrasar o início do controlador diante de quadro claramente não controlado; o tratamento não deve ser postergado.
Criança de 4 anos é levada à UBS com tosse seca persistente há mais de 3 semanas, principalmente noturna e após atividade física, sem febre. Nega dispneia contínua. Tem histórico familiar de asma e atopia (rinite). Ausculta pulmonar normal na consulta. Qual o próximo passo mais adequado na abordagem?
Tosse crônica noturna e desencadeada por exercício, com história familiar de asma e atopia pessoal, sugere asma como causa provável, mesmo com ausculta normal fora da crise. O próximo passo razoável na APS é considerar asma e avaliar resposta a tratamento (teste terapêutico) com monitorização clínica. Antibiótico não se justifica sem sinais de infecção bacteriana. Tomografia de urgência é desproporcional para tosse crônica sem sinais de alarme. Antitussígeno central é contraindicado/desaconselhado em crianças e não trata a causa.
Menino de 5 anos chega à UPA com crise de asma: dispneia, sibilância difusa, uso de musculatura acessória, fala em frases curtas, FR 40 irpm e SatO2 92%. Qual a conduta inicial de tratamento da exacerbação?
O tratamento da exacerbação asmática moderada/grave baseia-se em beta-2 agonista de curta ação inalatório (repetido conforme resposta), corticoide sistêmico precoce e oxigênio suplementar para corrigir a hipoxemia. Antibiótico não é indicado de rotina em crise de asma (etiologia geralmente viral/broncoespasmo). Corticoide isolado sem broncodilatador não alivia a obstrução aguda. Adrenalina IM e anti-histamínico são condutas de anafilaxia, não de crise asmática típica.
Menino de 7 anos, asmático em uso de corticoide inalatório em dose baixa, chega à UPA em crise grave: sonolência intercalada com agitação, sibilância que se tornou pouco audível ('tórax silencioso'), FR 8 irpm com esforço decrescente, SatO2 87% apesar de oxigênio e múltiplas doses de beta-2 agonista. Qual a conduta prioritária neste momento?
Tórax silencioso, alteração do sensório, esforço respiratório decrescente e hipoxemia refratária configuram asma quase fatal com iminência de parada respiratória. A prioridade é o suporte ventilatório/via aérea avançada e a transferência para terapia intensiva, mantendo broncodilatador e corticoide sistêmico. Ajustar corticoide inalatório domiciliar é totalmente inadequado numa emergência. Suspender oxigênio agrava a hipoxemia (não há retenção de CO2 crônica que justifique isso na criança asmática aguda). Beta-2 oral é ineficaz e lento diante do colapso iminente.
Menina de 8 anos é acompanhada na UBS por tosse crônica seca de predomínio noturno, sibilância recorrente ao esforço e história familiar de atopia. Está assintomática hoje, com ausculta normal e sem crise no momento. Qual a conduta mais apropriada nesta consulta de acompanhamento?
O quadro é asma com sintomas recorrentes (tosse noturna, sibilância ao esforço, atopia familiar) — mesmo assintomática hoje, a presença de sintomas frequentes indica terapia de controle com corticoide inalatório de manutenção, plano de ação escrito e broncodilatador de resgate. Antibiótico profilático não tem papel. Só resgate subtrata a asma persistente. Antitussígeno contínuo não trata a inflamação de base e pode mascarar o controle inadequado.
Menino de 6 anos chega à sala de emergência em crise de asma com dispneia intensa, fala entrecortada em palavras, uso de musculatura acessória, sibilos difusos e saturação de 90%. Qual a conduta inicial mais adequada?
Crise de asma moderada/grave (fala em palavras, esforço acessório, saturação 90%) é manejada com oxigênio para corrigir hipoxemia, beta-2-agonista de curta ação inalatório repetido (com brometo de ipratrópio nos casos graves) e corticoide sistêmico precoce, que reduz internação. Corticoide inalatório isolado não trata a crise aguda. Antibiótico/soro não abordam o broncoespasmo. Adrenalina IM é para anafilaxia, não é a base do tratamento da crise asmática.
Um menino de 6 anos com diagnóstico de asma é levado à UBS para consulta de rotina. A mãe relata que ele usa broncodilatador de alívio cerca de 4 vezes por semana, acorda à noite por tosse aproximadamente 2 vezes por mês e teve limitação para brincar em algumas ocasiões no último mês. Ele não faz uso de medicação de controle. Qual é a interpretação e a conduta mais adequada?
O uso de medicação de alívio mais de 2 vezes por semana, associado a despertares noturnos e limitação de atividades, caracteriza asma NÃO/parcialmente controlada. A conduta é iniciar terapia de controle com corticoide inalatório em dose baixa e reavaliar (opção correta). Não pode ser considerada controlada, pois há sintomas frequentes (B e C erradas). Não há descrição de crise aguda (dispneia importante, saturação baixa), e sim controle inadequado crônico, então corticoide oral e emergência não se aplicam (opção errada).
Uma menina de 4 anos é atendida na UBS com quadro de tosse seca noturna recorrente há 3 meses, que piora com atividade física e exposição a poeira, e melhora espontaneamente. Não há febre, e o exame físico entre os episódios é normal. Há histórico de rinite alérgica e a mãe é asmática. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial?
Tosse recorrente noturna, desencadeada por exercício e alérgenos, com melhora espontânea, exame normal entre episódios, história pessoal de rinite alérgica e mãe asmática, configura quadro compatível com asma (fenótipo tosse variante/sibilância recorrente). A conduta inclui controle ambiental e corticoide inalatório de manutenção (opção correta). Coqueluche tem tosse paroxística aguda com guincho e não recorre por meses da mesma forma (opção errada). Sem febre, perda ponderal ou contato, tuberculose é improvável como primeira hipótese (opção errada). RGE poderia causar tosse, mas o padrão alérgico/atópico e os gatilhos apontam fortemente para asma (opção errada).
Uma criança de 7 anos é atendida na emergência com crise de asma. Após uma hora de tratamento com broncodilatador de curta ação inalatório em doses repetidas e corticoide sistêmico, mantém frequência respiratória 40 irpm, tiragem, dificuldade para completar frases, saturação de O2 90% em oxigênio suplementar e murmúrio vesicular muito reduzido com poucos sibilos. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
A criança tem crise asmática grave com resposta inadequada à terapia inicial: dificuldade para falar, taquipneia, hipoxemia mesmo com O2 e ausculta com 'tórax silencioso' relativo (poucos sibilos com murmúrio muito reduzido, sinal de gravidade, não de melhora). A conduta é intensificar: manter O2, associar ipratrópio ao beta-agonista, considerar sulfato de magnésio EV e internar (UTI) (opção correta). A redução dos sibilos com esforço mantido indica pouca ventilação e piora, não melhora (opção errada). Não há indicação de antibiótico como base do tratamento da crise (opção errada). Alta é contraindicada em crise grave sem resposta (opção errada).
Menina de 6 anos, com histórico de sibilância recorrente desde os 2 anos e dermatite atópica, é levada à UBS por episódio de tosse seca e chiado iniciado há algumas horas após brincar em local empoeirado. Refere dificuldade para respirar. Ao exame: alerta, falando frases completas, frequência respiratória de 30 irpm, saturação de O2 de 96% em ar ambiente, tiragem intercostal leve, com sibilos expiratórios difusos à ausculta pulmonar. Afebril. Há relato de episódios semelhantes que melhoram com broncodilatador. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta imediata adequada, assinale a alternativa correta.
Escolar atópica com sibilância recorrente responsiva a broncodilatador, desencadeada por exposição a poeira, apresentando sibilos difusos sem sinais de gravidade, configura crise de asma leve a moderada; a conduta imediata é beta-2-agonista de curta ação inalatório. Bronquiolite ocorre em lactentes num primeiro episódio viral. Pneumonia cursaria com febre e achado focal. Corpo estranho geralmente tem início súbito com engasgo/sibilância unilateral, não o padrão recorrente atópico descrito.
Menina de 6 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levada ao pronto-socorro com dispneia e sibilância iniciadas há 6 horas, após quadro gripal. Nega febre. Ao exame: alerta, falando frases entrecortadas, FR 40 irpm, FC 130 bpm, SpO2 91% em ar ambiente, tiragem intercostal e uso de musculatura acessória, sibilos expiratórios difusos e tempo expiratório prolongado à ausculta. Sem cianose. A mãe informa uso irregular da medicação de manutenção. Considerando a classificação da gravidade da crise e a conduta inicial mais apropriada no serviço de emergência, respectivamente, tem-se:
A criança apresenta sinais de crise asmática moderada a grave: fala entrecortada (frases fragmentadas), taquipneia, uso de musculatura acessória, tiragem e SpO2 de 91%. A conduta inicial padrão é oxigênio suplementar para manter SpO2 adequada, beta-2-agonista de curta ação inalatório (salbutamol) em doses repetidas e corticoide sistêmico precoce. Classificar como crise leve é incorreto diante da hipoxemia, do esforço respiratório e da fala entrecortada; omitir corticoide e beta-2 seria manejo insuficiente. Intubação imediata só é indicada em crise muito grave com risco iminente de vida (sonolência/confusão, tórax silencioso, bradicardia, exaustão), sinais ausentes nesta paciente que ainda está alerta e responsiva ao tratamento inicial.
Adolescente de 12 anos, previamente hígido, é atendido no ambulatório com tosse crônica há 8 semanas, predominantemente noturna e após atividade física, associada a episódios recorrentes de aperto no peito e sibilância que melhoram espontaneamente. Refere história familiar de asma e rinite alérgica. Nega febre, perda de peso ou tosse produtiva purulenta. Ao exame no momento da consulta: bom estado geral, FR 18 irpm, SpO2 98%, ausculta pulmonar sem alterações no momento. A espirometria mostra padrão obstrutivo com resposta significativa ao broncodilatador. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta de manejo crônico mais apropriada, respectivamente, tem-se:
Tosse crônica com padrão variável (noturna e desencadeada por exercício), sibilância e opressão torácica recorrentes com melhora espontânea, atopia familiar e espirometria demonstrando obstrução reversível ao broncodilatador confirmam o diagnóstico de asma. O manejo crônico de base envolve corticoide inalatório de manutenção como controlador anti-inflamatório, com beta-2-agonista de curta ação para alívio. Tuberculose cursaria com febre vespertina, sudorese, perda de peso e tosse produtiva arrastada, sem reversibilidade espirométrica — não corresponde. Coqueluche tem tosse paroxística com guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, curso agudo/subagudo, não padrão obstrutivo reversível crônico. Bronquiectasia cursa com tosse produtiva crônica com expectoração abundante e infecções de repetição, sem o padrão de reversibilidade descrito.
Menino, 5 anos, é levado à Unidade Básica de Saúde com história de episódios recorrentes de tosse seca noturna, sibilância e dispneia que se repetem há cerca de 2 anos, sobretudo após contato com poeira domiciliar e durante quadros virais. A mãe refere que os sintomas melhoram parcialmente com broncodilatador inalatório usado esporadicamente. Há histórico de rinite alérgica na criança e asma na mãe. No momento da consulta, encontra-se assintomático, com exame físico pulmonar sem alterações. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Asma. O quadro de sintomas respiratórios recorrentes e variáveis (tosse, sibilância, dispneia) com padrão episódico, piora noturna, desencadeantes típicos (poeira, infecções virais), resposta a broncodilatador e forte contexto atópico pessoal (rinite) e familiar (mãe asmática) configura o diagnóstico clínico de asma em maior de 5 anos. Bronquiolite é evento agudo único, típico de lactente <2 anos, não recorrente por 2 anos. Fibrose cística cursaria com sintomas crônicos persistentes, infecções de repetição, má progressão ponderal e esteatorreia, ausentes aqui. Tuberculose traria febre vespertina, sudorese, emagrecimento e contato bacilífero, não relatados. Refluxo pode causar tosse, mas não explica sibilância episódica com desencadeantes alérgicos e história atópica familiar.
Menino, 6 anos, asmático, chega ao pronto-socorro com crise iniciada há 3 horas após quadro viral. Ao exame: agitado, falando frases curtas, FR 40 ipm, FC 140 bpm, tiragem subcostal e intercostal, sibilos difusos, SatO2 90% em ar ambiente. Pesa 20 kg. Após oferta de oxigênio suplementar, qual é a conduta farmacológica inicial mais adequada para o manejo desta crise?
Correta: a criança apresenta crise de asma moderada a grave (dispneia com frases curtas, taquipneia, taquicardia, tiragem, SatO2 90%). O manejo inicial padrão é oxigênio para manter SatO2 ≥94%, beta-2-agonista de curta ação inalatório (salbutamol) repetido, associação de brometo de ipratrópio nas crises moderadas/graves e corticoide sistêmico precoce (prednisolona/prednisona 1–2 mg/kg). Corticoide inalatório isolado não trata a crise aguda — falta o broncodilatador de resgate. Sulfato de magnésio EV é terapia de resgate para crises graves refratárias à terapia inicial, não a primeira medida. Aminofilina não é primeira linha por baixa eficácia adicional e toxicidade. Não há indicação de antibiótico de rotina na crise asmática (desencadeante viral), e adiar o broncodilatador é inadequado.
Menino, 5 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levado à emergência com dispneia e tosse há cerca de 6 horas, iniciadas após quadro de infecção de vias aéreas superiores. Ao exame: agitado, falando frases entrecortadas, FR 44 ipm, FC 138 bpm, SatO2 89% em ar ambiente, com tiragem subcostal e de fúrcula e sibilos expiratórios e inspiratórios difusos à ausculta. Qual a conduta inicial mais adequada?
Trata-se de crise asmática grave (SatO2 < 92%, tiragem, uso de musculatura acessória, fala entrecortada e agitação). O manejo inicial da crise moderada a grave combina oxigênio para corrigir a hipoxemia, beta-2 agonista de curta duração inalatório (salbutamol) como broncodilatador de primeira linha e corticosteroide sistêmico precoce (na primeira hora), reduzindo internação e recaída. Errа por subtratar uma crise grave, omitindo O2 e corticoide sistêmico. O gatilho é uma IVAS viral e não há sinais de pneumonia bacteriana; antibiótico não trata broncoespasmo. Corticoide inalatório não substitui o sistêmico na crise aguda, pois não tem ação rápida suficiente. Adrenalina IM e anti-histamínico são conduta de anafilaxia, não de crise asmática.
Menina, 7 anos, com diagnóstico de asma persistente leve, apresenta sintomas diurnos mais de duas vezes por semana e despertares noturnos ocasionais, apesar do uso regular de broncodilatador de curta duração de alívio. Qual a medicação de escolha para o controle (manutenção) da asma nessa paciente?
Na asma persistente, a medicação controladora de escolha, em qualquer faixa etária pediátrica, é o corticosteroide inalatório em dose baixa, que atua sobre a inflamação de base e é o pilar do tratamento de manutenção. Corticoide oral contínuo tem efeitos colaterais inaceitáveis e não é terapia de manutenção de rotina. Beta-2 de longa duração nunca deve ser usado isolado na asma (risco de eventos graves); só associado ao corticoide inalatório. O antileucotrieno é alternativa/adjuvante, mas menos eficaz que o corticoide inalatório como monoterapia inicial. O cromoglicato tem eficácia inferior e foi praticamente abandonado como controlador.
Menino, 9 anos, asmático, chega à emergência em crise grave. Ao longo da primeira hora recebeu três ciclos de salbutamol associado a brometo de ipratrópio inalatórios, corticosteroide sistêmico e oxigênio suplementar. Mantém-se com SatO2 88% sob oxigênio, sibilância difusa importante, tiragem e escassa melhora clínica. Qual o próximo passo no manejo?
Diante de crise asmática grave refratária à terapia inicial otimizada (beta-2 + ipratrópio + corticoide sistêmico + O2) na primeira hora, o próximo passo recomendado é o sulfato de magnésio endovenoso, broncodilatador de segunda linha que reduz a necessidade de internação nos casos graves. Suspender o broncodilatador em crise ativa piora o broncoespasmo. Não há dados sugerindo infecção bacteriana; antibiótico não reverte broncoespasmo. O corticoide já foi administrado e sua ação é lenta (horas); dobrar a dose não produz efeito de resgate imediato. Adrenalina nebulizada não é broncodilatador de escolha na asma e não substitui o salbutamol.
Menino, 5 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levado à emergência com tosse e chiado há 6 horas, iniciados após quadro de coriza. Ao exame: alerta, fala frases curtas, FR 40 ipm, FC 130 bpm, tiragem subcostal e intercostal, sibilos expiratórios difusos e SatO2 91% em ar ambiente. Pico de fluxo expiratório de 55% do previsto. Após classificar a gravidade da crise, a conduta inicial mais adequada é:
O quadro configura crise MODERADA: SatO2 entre 90-95%, fala em frases curtas, tiragem e PFE entre 50-75% do previsto, sem sinais de exaustão ou tórax silencioso. O manejo padronizado (GINA/SBP) associa oxigênio para manter SatO2 >=94%, beta-2 de curta ação inalatório em séries (salbutamol, idealmente com espaçador) e corticoide sistêmico precoce (prednisolona 1-2 mg/kg VO). Erra por omitir o corticoide sistêmico, indicado em toda crise moderada/grave e nas que não respondem à 1ª dose de beta-2. Antibiótico não tem papel na crise desencadeada por IVAS viral. Adrenalina IM reserva-se à anafilaxia, não à broncoconstrição asmática. Sulfato de magnésio e UTI são reservados à crise grave refratária, exagerados para um quadro moderado inicial.
Menina, 8 anos, asmática, em crise grave há 12 horas. Na primeira hora recebeu três séries de salbutamol + brometo de ipratrópio inalatórios e prednisolona VO, sem melhora. Reavaliação: agitada, com sonolência intermitente, FR 45 ipm, tiragem intensa, murmúrio vesicular globalmente diminuído com sibilos escassos, fala apenas palavras isoladas e SatO2 88% sob máscara com O2 a 10 L/min. O próximo passo terapêutico mais indicado é:
Há sinais de gravidade extrema/risco de falência respiratória: alteração do sensório, murmúrio reduzido com sibilos escassos (tórax silencioso incipiente), fala monossilábica e hipoxemia mantida apesar de O2. Diante de crise grave refratária ao beta-2 + ipratrópio + corticoide sistêmico na 1ª hora, a diretriz recomenda sulfato de magnésio EV (40-50 mg/kg, máx 2 g, em 20 min). Apenas repetir beta-2 e adiar reavaliação subestima o risco iminente de parada respiratória. Aminofilina não é primeira escolha (janela terapêutica estreita, mais efeitos adversos, benefício limitado). Antibiótico não está indicado sem foco bacteriano. Corticoide INALATÓRIO não tem papel no resgate da crise aguda — o corticoide precisa ser sistêmico.
Adolescente, 12 anos, com tosse seca de predomínio noturno e dispneia aos esforços há 8 meses, com piora na primavera e história familiar de rinite e atopia. Espirometria basal: VEF1 72% do previsto e relação VEF1/CVF reduzida. Após inalação de broncodilatador, o VEF1 aumenta 320 mL, correspondendo a 14%. A interpretação e o diagnóstico mais prováveis são:
A espirometria mostra distúrbio OBSTRUTIVO (VEF1/CVF reduzida) com resposta significativa ao broncodilatador — aumento do VEF1 >=12% do previsto (aqui 14%, com ganho absoluto de 320 mL). Em criança/adolescente com sintomas típicos (tosse noturna, dispneia aos esforços, sazonalidade, atopia familiar), isso confirma asma. DPOC praticamente não se aplica nessa idade e a deficiência de alfa-1 cursa com enfisema, não com obstrução reversível típica. Padrão restritivo teria VEF1/CVF normal ou aumentada com CVF baixa, o oposto do achado. A relação VEF1/CVF reduzida e a reversibilidade caracterizam obstrução — não é exame normal. Na disfunção de cordas vocais a espirometria costuma mostrar alteração inspiratória/platô, não obstrução expiratória reversível.
Menino, 5 anos, é levado à consulta por episódios recorrentes de tosse seca noturna, sibilância e dispneia nos últimos 18 meses. As crises são desencadeadas por infecções virais das vias aéreas superiores e por atividade física, com melhora após uso de broncodilatador inalatório. Tem antecedente de dermatite atópica no primeiro ano de vida, e a mãe é asmática. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com ausculta pulmonar sem alterações no momento. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Asma. O quadro reúne os pilares do diagnóstico clínico de asma na infância: sintomas respiratórios recorrentes e episódicos (tosse, sibilância, dispneia), gatilhos típicos (infecção viral, exercício), reversibilidade após broncodilatador, exame intercrise normal e forte terreno atópico (dermatite atópica e mãe asmática). Bronquiolite: é evento agudo único do lactente (<2 anos) por VSR, não explica episódios recorrentes por 18 meses. Fibrose cística: cursaria com tosse produtiva crônica, infecções bacterianas de repetição, esteatorreia e déficit ponderal, ausentes aqui. Tuberculose: esperaria febre vespertina, sudorese, perda de peso, contato bacilífero e alteração radiológica, não sintomas episódicos reversíveis. DRGE: pode causar tosse, mas não a sibilância episódica com gatilhos alérgicos/exercício e resposta a broncodilatador descritos.
Menina, 7 anos, asmática em uso irregular de corticoide inalatório, chega ao pronto-socorro com dispneia e tosse iniciadas há 6 horas após quadro de coriza. Ao exame: FR 34 ipm, FC 128 bpm, SatO2 91% em ar ambiente, tiragem intercostal, fala em frases curtas e sibilos expiratórios difusos à ausculta. Afebril. Além de oxigênio suplementar, qual é a conduta farmacológica inicial mais adequada?
Correta: Os dados (SatO2 91%, tiragem, fala em frases curtas, taquipneia/taquicardia) caracterizam exacerbação de asma moderada a grave; o manejo de primeira linha, além de oxigênio, combina beta-2-agonista de curta duração inalatório (salbutamol, preferencialmente com espaçador ou nebulização) com corticoide sistêmico precoce (oral ou EV), que reduz internação e recaída. Em crise moderada/grave o broncodilatador isolado é insuficiente; o corticoide sistêmico está formalmente indicado. O gatilho é viral e não há sinais de infecção bacteriana (afebril, sem foco), então antibiótico não está indicado. Corticoide inalatório não é medicação de resgate na crise aguda — seu efeito é de manutenção, não abortivo. Aminofilina não é primeira linha por baixa eficácia adicional e alto risco de toxicidade, reservada eventualmente a casos refratários.
Uma menina de 8 anos com asma alérgica é levada à UBS pela mãe para revisão. Faz uso de corticoide inalatório em dose baixa, mas persiste com tosse e chiado três a quatro vezes por semana, além de despertares noturnos quase toda semana e necessidade frequente de broncodilatador de resgate. A técnica inalatória com espaçador foi verificada e está correta, e a mãe confirma adesão diária. A criança mantém rinite alérgica não tratada, com obstrução nasal importante. Ao exame, ausculta com sibilos expiratórios esparsos e saturação de 96%. Além de reforçar a adesão, qual é a conduta mais adequada para o controle da asma nesse momento?
A asma está não controlada (sintomas frequentes, despertares e uso recorrente de resgate) apesar de adesão e técnica corretas, indicando necessidade de step-up (aumentar a dose do corticoide inalatório ou associar outra medicação de controle); tratar a rinite alérgica associada melhora o controle da asma, pois compõem a mesma via aérea. Suspender o corticoide agravaria o quadro. Não há sinais de infecção bacteriana que justifiquem antibiótico, e corticoide oral prolongado não é conduta de manutenção. A criança está estável (satO2 96%, sem sinais de insuficiência respiratória), sem indicação de intubação.
Um menino de 8 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com história de tosse seca e chiado no peito recorrentes, que pioram à noite, aos esforços e no contato com poeira, com melhora após uso de broncodilatador prescrito em atendimento anterior. A mãe refere quadros semelhantes desde os 4 anos, com períodos assintomáticos entre as crises, e história de rinite alérgica na criança e asma no pai. No momento a criança está assintomática, com ausculta pulmonar normal. Qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro clássico de sibilância e tosse recorrentes, com caráter episódico, gatilhos (esforço, alérgenos, noturno), resposta a broncodilatador e história pessoal/familiar de atopia é diagnóstico de asma. Fibrose cística cursaria com sintomas persistentes, infecções de repetição e comprometimento nutricional; tuberculose traria tosse crônica com sintomas constitucionais (febre, emagrecimento, sudorese) e epidemiologia; bronquiolite é quadro agudo do lactente, não recorrente ao longo de anos.
Menino de 6 anos e levado a UPA pela mae com tosse e chiado no peito iniciados ha cerca de 8 horas, apos um quadro de resfriado. Tem diagnostico previo de asma. Ao exame: agitado, consegue falar apenas frases curtas, frequencia respiratoria de 34 irpm, frequencia cardiaca de 120 bpm, tiragem subcostal e intercostal, saturacao de oxigenio de 93% em ar ambiente e ausculta com sibilos expiratorios difusos e reducao do murmurio vesicular bilateralmente. Encontra-se afebril. Considerando a classificacao de gravidade da crise e a conduta inicial mais adequada nesse servico, assinale a alternativa correta.
Frases curtas, tiragem, taquipneia e SatO2 de 93% caracterizam crise MODERADA. A conduta de primeira linha e o beta-2-agonista de curta acao inalatorio (salbutamol) com espacador em doses repetidas, associado a corticoide sistemico por via oral (prednisolona), conforme as diretrizes de manejo da crise asmatica. Classificar como crise leve subestima a gravidade e omite o broncodilatador, base do tratamento. Classificar como crise grave prioriza erroneamente antibiotico e radiografia, nao indicados de rotina numa crise sem sinais de complicacao. Errada porque corticoide inalatorio nao e medicacao de resgate da crise; o resgate e o beta-2 de curta acao.
Menina de 4 anos e levada a Unidade Basica de Saude para consulta de rotina. A mae relata que, desde os 2 anos, a crianca apresenta episodios recorrentes de tosse seca e chiado no peito, que pioram a noite, durante brincadeiras e ao esforco fisico e no contato com poeira. Os episodios melhoram com broncodilatador inalatorio prescrito em atendimentos anteriores. A crianca tem dermatite atopica e o pai e asmatico. Entre as crises, permanece assintomatica, com exame fisico e desenvolvimento neuropsicomotor normais. Considerando o quadro clinico descrito, qual e o diagnostico mais provavel?
Episodios recorrentes de tosse e sibilancia com padrao tipico (piora noturna, ao esforco e por gatilhos ambientais), reversibilidade com broncodilatador, terreno atopico (dermatite atopica) e historia familiar de asma configuram o diagnostico de ASMA na infancia. Bronquiolite e evento agudo, unico, tipico de lactentes menores de 2 anos, nao recorrente ao longo de anos. Fibrose cistica cursaria com infeccoes respiratorias de repeticao, ma absorcao e deficit de crescimento, ausentes aqui. Corpo estranho provoca quadro subito e localizado, incompativel com anos de sintomas recorrentes e reversiveis.
Menino de 8 anos comparece a consulta na Unidade Basica de Saude acompanhado da mae. Tem diagnostico de asma e, nas ultimas semanas, vem apresentando tosse e chiado durante o dia mais de duas vezes por semana, alem de despertares noturnos cerca de duas vezes por mes. Utiliza salbutamol inalatorio de alivio com frequencia crescente. Nao faz uso de nenhuma medicacao de manutencao. No momento da consulta esta assintomatico, com exame fisico normal e boa tecnica inalatoria demonstrada. De acordo com as diretrizes atuais para o manejo da asma, alem de manter o beta-2-agonista de alivio, a conduta mais adequada e:
Sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos e uso frequente de alivio indicam asma NAO controlada/persistente, com necessidade de medicacao de manutencao. A conduta correta e introduzir corticoide inalatorio em dose baixa (medicacao de controle), mantendo o beta-2 de alivio. Errada porque a frequencia de sintomas ja ultrapassa o limiar para iniciar controle. A antibioticoterapia com corticoide oral nao tem indicacao: nao ha infeccao bacteriana e corticoide oral prolongado nao e tratamento de manutencao. Incorreta porque anti-histaminico nao e medicacao de controle da asma; a base do controle e o corticoide inalatorio.
Um menino de 9 anos é levado pela mãe à Unidade de Saúde da Família com diagnóstico prévio de asma, em uso de corticoide inalatório de manutenção. A mãe relata que, no último mês, ele apresentou sintomas diurnos de chiado e tosse em cerca de 4 dias por semana, acordou à noite duas vezes por causa da asma e precisou usar o broncodilatador de alívio quatro vezes na semana. Nega ida a pronto-socorro. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, eupneico, com ausculta pulmonar limpa no momento. De acordo com a avaliação do controle da asma, esse paciente deve ser classificado como:
A avaliação do controle da asma (GINA) considera quatro itens nas últimas 4 semanas: sintomas diurnos mais de 2x/semana, despertares noturnos, necessidade de medicação de alívio mais de 2x/semana e limitação de atividades. Controlada = nenhum item; parcialmente controlada = 1 a 2 itens; não controlada = 3 a 4 itens. O paciente apresenta os três primeiros critérios alterados, portanto é asma NÃO controlada, o que indica necessidade de reavaliar técnica/adesão e considerar step-up. Classificar como parcialmente controlada ou como controlada subestima a gravidade; asma intermitente refere-se a uma classificação de gravidade antiga, não ao controle atual.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde pela mãe, que relata episódios recorrentes de tosse seca e chiado no peito há mais de um ano. Os sintomas ocorrem sobretudo à noite e durante brincadeiras que exigem esforço físico, além de piorarem em contato com poeira e mudanças de tempo, com melhora após uso eventual de broncodilatador. A criança tem rinite alérgica, e o pai é asmático. No momento da consulta está assintomática, com exame físico do aparelho respiratório sem alterações. Diante do quadro clínico, qual é o diagnóstico mais provável?
O quadro é típico de asma: sintomas respiratórios recorrentes (tosse e sibilância), com padrão episódico, gatilhos característicos (exercício, alérgenos, variação climática), predomínio noturno, reversibilidade com broncodilatador, associação com rinite alérgica e história familiar de atopia — o exame físico normal entre crises é esperado. A fibrose cística cursa com infecções pulmonares de repetição e má absorção/déficit ponderal. A coqueluche é aguda, com tosse paroxística e guincho. E a tuberculose pulmonar apresenta tosse crônica com febre, sudorese e emagrecimento, sem o padrão episódico e reversível descrito.
Menino de 8 anos, em acompanhamento na Estratégia de Saúde da Família por asma, comparece à consulta de revisão. A mãe relata que, nas últimas 4 semanas, ele apresenta chiado e tosse mais de duas vezes por semana, acorda à noite com sintomas cerca de duas vezes por semana e precisa usar salbutamol quase diariamente para alívio. Deixou de participar das aulas de educação física por cansaço. Ele faz uso apenas de broncodilatador de curta ação, conforme necessidade, sem medicação de manutenção. O exame físico atual é normal. Considerando o controle da doença, qual é a conduta mais adequada?
Os sintomas (diurnos e noturnos mais de 2 vezes/semana, uso quase diário de resgate e limitação da atividade física) indicam asma NÃO controlada em criança que usa apenas SABA. A conduta correta é iniciar terapia de manutenção com corticosteroide inalatório em dose baixa, o controlador de primeira linha, além de checar técnica inalatória, adesão e gatilhos ambientais. Manter só SABA perpetua o descontrole. Corticoide oral prolongado não é terapia de manutenção da asma pediátrica pelos efeitos adversos. Antibiótico profilático não tem papel no controle da asma.
Um menino de 6 anos é levado pela mãe à UPA com falta de ar e chiado no peito iniciados há 8 horas, após quadro de coriza. É portador de asma e já usou salbutamol spray em casa duas vezes, sem melhora sustentada. Ao exame: alerta, preferindo ficar sentado, fala frases entrecortadas, frequência respiratória de 40 irpm, frequência cardíaca de 130 bpm, tiragem subcostal e de fúrcula, tempo expiratório prolongado com sibilos difusos bilaterais e saturação de oxigênio em ar ambiente de 93%. Temperatura axilar de 36,8 °C. Ausculta sem crepitações localizadas. Considerando a gravidade da crise, qual é a conduta inicial adequada nesse serviço?
O quadro (fala em frases entrecortadas, tiragem, taquipneia, SpO2 93%, sem melhora com resgate domiciliar) caracteriza crise de asma MODERADA. Segundo as diretrizes brasileiras e do Ministério da Saúde, o tratamento inicial é oxigênio para manter SpO2 ≥ 94%, beta-2 agonista de curta ação (salbutamol) inalatório com espaçador em doses repetidas a cada 20 minutos na primeira hora e corticosteroide sistêmico precoce (prednisolona/prednisona 1-2 mg/kg VO), que reduz internação e recaída. Adrenalina IM não é tratamento da crise asmática (reserva-se à anafilaxia) e o sulfato de magnésio fica para crises graves refratárias à primeira hora. Não há febre, toxemia nem crepitações localizadas — antibiótico não está indicado, e dose única de broncodilatador é insuficiente. Corticoide inalatório não substitui o corticoide sistêmico na crise moderada.
Uma menina de 10 anos é atendida na unidade básica de saúde por tosse seca noturna e chiado no peito 3 a 4 vezes por semana há 6 meses, com piora ao correr na escola; usa salbutamol spray de resgate quase diariamente, com alívio. Nega febre, perda de peso ou contato com tuberculose. Tem rinite alérgica e a mãe é asmática. Exame físico: eupneica, sem tiragem, ausculta com raros sibilos expiratórios. Espirometria: VEF1/CVF de 0,72; VEF1 de 74% do previsto; após broncodilatador, VEF1 aumenta 15% e 260 mL em relação ao basal. Qual é, respectivamente, a interpretação do exame e a conduta?
São dois passos. (1) Interpretação: relação VEF1/CVF reduzida indica distúrbio obstrutivo, e o aumento do VEF1 de 15% e 260 mL após broncodilatador ultrapassa o critério de resposta significativa (≥ 12% E ≥ 200 mL), confirmando a limitação variável ao fluxo aéreo típica de asma. (2) Conduta: sintomas mais de 2 vezes por semana com uso quase diário de resgate caracterizam asma NÃO CONTROLADA/persistente — as diretrizes (GINA e Ministério da Saúde) indicam corticosteroide inalatório em dose baixa de manutenção. A prova é positiva, e não há dados que sugiram tuberculose. O padrão é obstrutivo, não restritivo. Manter só resgate perpetua o risco de exacerbação e é conduta inadequada na asma persistente.
Um menino de 7 anos é levado à unidade de saúde da família por episódios recorrentes de tosse e chiado no peito desde os 3 anos de idade, que ocorrem sobretudo à noite, na primavera e após brincar em quadra. Os episódios cedem em poucos minutos com salbutamol inalatório emprestado de um primo. Tem rinite alérgica e eczema; o pai teve quadro semelhante na infância. Está eutrófico, com desenvolvimento normal, sem febre, sem perda de peso e sem contato com tosse crônica. No momento, exame físico com sibilos expiratórios difusos, sem tiragem, e saturação de 97%. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sibilância RECORRENTE com variabilidade (piora noturna, sazonal e ao exercício), reversível com beta-2 agonista, em criança atópica (rinite e eczema) com história familiar, é o quadro clássico de asma — diagnóstico clínico segundo o Ministério da Saúde e as diretrizes brasileiras. Bronquiolite viral aguda é doença do lactente (< 2 anos), episódio único e agudo, não recorrente aos 7 anos. Tuberculose pulmonar cursa com tosse crônica arrastada, febre vespertina, sudorese, perda de peso e história de contato — ausentes, e a criança está eutrófica. Aspiração de corpo estranho produz sibilância de início súbito, geralmente unilateral/localizada e persistente, sem o padrão episódico e sazonal descrito.
Menino de 5 anos é levado pela mãe à UPA com tosse e falta de ar iniciadas há 8 horas, após quadro de coriza. Tem história de três episódios semelhantes no último ano, dermatite atópica e mãe asmática. Nega febre. Ao exame: ativo, mas fala frases curtas, FR 42 irpm, FC 130 bpm, SpO2 91% em ar ambiente, tiragem subcostal e de fúrcula, tempo expiratório prolongado e sibilos expiratórios difusos bilaterais. Ausculta sem estertores crepitantes, sem assimetria. Temperatura axilar 36,8 °C. Considerando a classificação de gravidade e o manejo inicial preconizado pelo Ministério da Saúde, a conduta imediata mais adequada é
Trata-se de crise asmática moderada a grave (fala entrecortada, tiragem, SpO2 91%). O protocolo do MS/GINA determina oxigênio para alvo de SpO2 ≥ 94%, beta-2 agonista de curta ação inalatório em doses repetidas na primeira hora (espaçador ou nebulização) e corticoide sistêmico precoce, preferencialmente oral. Antibiótico não está indicado: quadro sem febre, sem crepitações e com sibilância difusa desencadeada por virose — não há pneumonia. Adrenalina IM/anti-histamínico é conduta de anafilaxia, não de crise asmática. Aminofilina EV foi abandonada como primeira linha por baixa eficácia adicional e toxicidade; corticoide inalatório não substitui o sistêmico na crise.
Menina de 8 anos comparece à consulta na unidade de saúde da família acompanhada da mãe. Refere tosse e chiado ao correr na escola cerca de três vezes por semana e desperta à noite com tosse duas vezes por mês. Usa salbutamol spray de alívio quase todos os dias, com boa resposta, sem qualquer medicação de manutenção. Nunca precisou de internação. Exame físico atual: eupneica, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Espirometria: relação VEF1/CVF reduzida para a idade, com aumento do VEF1 de 14% após broncodilatador. A técnica inalatória foi verificada e está adequada. A conduta mais apropriada é
A espirometria confirma obstrução com resposta broncodilatadora significativa (≥ 12%), fechando o diagnóstico de asma; sintomas diurnos > 2x/semana, despertares noturnos e uso quase diário de alívio caracterizam asma NÃO controlada em paciente sem controlador. A conduta do generalista é iniciar corticoide inalatório em dose baixa (etapa 2), manter alívio, reforçar técnica/adesão e plano de ação, reavaliando em 4-8 semanas. Manter só SABA é justamente o erro que perpetua o descontrole e aumenta risco de exacerbação. Corticoide oral contínuo não tem papel na manutenção ambulatorial e traz toxicidade. Iniciar CI dose alta + LABA é escalonamento excessivo para quem nunca usou controlador.
Pré-escolar de 4 anos é trazido à unidade básica de saúde pela mãe, que relata episódios recorrentes de tosse seca noturna e chiado no peito desde os 2 anos, com quatro episódios só no último ano, geralmente após resfriados e ao brincar correndo. Os sintomas melhoram rapidamente após uso de broncodilatador inalatório emprestado de um familiar. Apresenta dermatite atópica desde lactente; a mãe tem asma. Está com o calendário vacinal em dia, tem bom ganho ponderal e desenvolvimento adequado, sem diarreia crônica. No momento da consulta, encontra-se assintomático, com ausculta pulmonar normal. O diagnóstico mais provável é
Sibilância e tosse recorrentes, com padrão episódico desencadeado por virose e exercício, melhora com broncodilatador, atopia pessoal (dermatite) e história familiar de asma, em criança com crescimento normal e exame intercrise normal — o quadro é clássico de asma na infância, cujo diagnóstico em menores de 5 anos é essencialmente clínico. Fibrose cística cursaria com déficit de crescimento, esteatorreia/diarreia crônica e infecções pulmonares de repetição. Tuberculose pulmonar traria tosse persistente por semanas, febre vespertina, sudorese e perda de peso, com contato bacilífero. Aspiração de corpo estranho tem início súbito, com sibilância localizada e assimétrica, e não cursa com episódios recorrentes autolimitados por dois anos.
Um adolescente de 14 anos, acompanhado na unidade de saúde da família por rinite alérgica, retorna referindo, nos últimos oito meses, episódios de tosse seca noturna, chiado e aperto no peito cerca de três vezes por semana, com despertares noturnos quinzenais e piora ao correr no colégio e após limpeza da casa. Faz uso apenas de salbutamol inalatório quando os sintomas aparecem, com alívio rápido, e nega tabagismo passivo. No momento está assintomático; a ausculta pulmonar é normal e não há baqueteamento digital nem déficit ponderal. A espirometria mostra VEF1/CVF abaixo do limite inferior da normalidade e, após broncodilatador, o VEF1 aumenta 15% e 280 mL em relação ao basal. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequada?
Primeiro passo: sintomas respiratórios variáveis (chiado, tosse noturna, aperto torácico) com gatilhos típicos (exercício, poeira), em paciente atópico, somados à limitação ao fluxo aéreo com resposta broncodilatadora significativa (aumento do VEF1 maior que 12% e maior que 200 mL) confirmam asma. Segundo passo: sintomas mais de duas vezes por semana e despertares noturnos indicam asma não controlada com uso isolado de resgate, o que impõe iniciar terapia de manutenção com corticosteroide inalatório — o controlador de escolha para o generalista segundo o GINA e as diretrizes brasileiras — e tratar a rinite alérgica, já que via aérea única e rinite não controlada pioram o controle da asma. Manter apenas salbutamol por demanda é a conduta que mais se associa a exacerbações e óbito por asma, mesmo com alívio sintomático imediato. Beta-2 de longa duração isolado, sem corticosteroide inalatório, é formalmente contraindicado por aumentar o risco de eventos graves. Bronquiectasias cursariam com tosse produtiva crônica, infecções repetidas e alterações à ausculta, incompatíveis com exame normal e obstrução reversível.
Menino de 4 anos comparece a consulta de rotina na unidade de saúde da família. Teve eczema pruriginoso recorrente em face e dobras desde os 4 meses de vida, controlado com emolientes; aos 3 anos passou a apresentar espirros em salva, prurido nasal e obstrução nasal quase diárias. No último ano, teve três episódios de tosse e chiado no peito, sem febre, com melhora após salbutamol inalatório, além de tosse noturna que o desperta cerca de duas vezes por semana e cansaço ao correr. Está eutrófico, vacinação em dia, sem internações. No momento, ausculta pulmonar sem sibilos e exame físico normal. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequados?
Correta: dermatite atópica no lactente, seguida de rinite alérgica e depois de sibilância recorrente responsiva a broncodilatador, é a sequência clássica da marcha atópica. Com sintomas mais de 2 vezes por semana, despertares noturnos e limitação ao esforço, trata-se de asma persistente, e as diretrizes brasileiras (SBPT/GINA) indicam corticosteroide inalatório em dose baixa como controlador, mantendo beta-2 de curta ação para alívio e reforçando controle ambiental e técnica inalatória. Sibilância pós-viral não explica sintomas intercrises noturnos e recorrentes com atopia associada. A espirometria é pouco reprodutível abaixo dos 5-6 anos e, sobretudo, o diagnóstico de asma na infância é clínico — não se deve postergar o tratamento aguardando exame. Não há febre, perda ponderal, contato ou sintomas prolongados que sugiram tuberculose.
Menino de 6 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dispneia intensa iniciada há 5 horas, após quadro gripal. Tem diagnóstico de asma e uso irregular de budesonida. Ao exame: agitado, fala palavras isoladas, frequência respiratória de 44 irpm, frequência cardíaca de 148 bpm, tiragem subcostal e de fúrcula, sibilos difusos, saturação de O2 em ar ambiente de 89%. Recebeu oxigênio suplementar, três séries de salbutamol com brometo de ipratrópio inalatórios na primeira hora e prednisolona por via oral, mas mantém desconforto respiratório importante e saturação de 90%. Qual a conduta medicamentosa adicional indicada neste momento?
Trata-se de crise grave de asma refratária ao tratamento inicial otimizado (O2, beta-2 de curta + ipratrópio em três séries na primeira hora e corticoide sistêmico). Nessa situação, o sulfato de magnésio intravenoso em dose única (40-50 mg/kg, máximo 2 g, infundido em 20 minutos) é a medida adicional recomendada pelas diretrizes (GINA/SBP) para crianças acima de 2 anos, com benefício em reduzir internação. Aminofilina não é recomendada na crise pediátrica por baixa relação benefício/risco e toxicidade (arritmias, vômitos). Antibiótico não está indicado: o desencadeante é viral na grande maioria das crises, e não há dados de pneumonia bacteriana. Trocar prednisolona oral por corticoide intravenoso não traz benefício adicional se a via oral foi tolerada — o corticoide já foi administrado e seu efeito leva horas, não sendo a intervenção que muda o quadro agora.
Menina de 7 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de acompanhamento de asma. Faz uso apenas de salbutamol inalatório de resgate. A mãe relata, nas últimas quatro semanas, tosse e sibilos em cerca de três dias por semana, um despertar noturno por semana e necessidade de resgate três vezes por semana; a menina deixou de participar das aulas de educação física por cansaço. Exame físico sem alterações no momento. Qual a conduta mais adequada?
Sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos, resgate mais de duas vezes por semana e limitação de atividade caracterizam asma NÃO CONTROLADA (quatro critérios GINA presentes). A conduta é o step up: introduzir controlador — corticoide inalatório em dose baixa diária — mantendo o resgate, com checagem de técnica inalatória e adesão e reavaliação em 4 a 8 semanas. Isso é plenamente resolúvel na APS. Manter só o resgate perpetua o descontrole e o risco de exacerbação: exame normal fora da crise é a regra na asma e não indica controle. Prednisolona oral é tratamento de exacerbação aguda, não de manutenção, e não corrige a ausência de controlador. Encaminhamento ao especialista sem sequer iniciar controlador é inadequado — só se justifica em asma grave/refratária ou dúvida diagnóstica, após otimização na APS.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe por tosse seca recorrente, predominantemente noturna e desencadeada por esforço físico, há cerca de 6 meses. Relata três episódios de chiado no peito no último ano, todos com melhora após uso de broncodilatador. A mãe tem rinite alérgica. Ao exame, afebril, sem desconforto respiratório no momento, com ausculta pulmonar revelando discretos sibilos expiratórios difusos. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A trama de sintomas episódicos e recorrentes (tosse noturna, sibilância, gatilho por exercício), a reversibilidade com broncodilatador e o histórico familiar de atopia definem a asma como diagnóstico mais provável na APS. Bronquiolite viral aguda acomete lactentes (< 2 anos) em episódio único e agudo, não quadro recorrente. Fibrose cística cursaria com infecções pulmonares de repetição, esteatorreia e déficit de crescimento. Tuberculose traria febre, sudorese, emagrecimento e contato bacilífero, ausentes aqui.
Menina de 8 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levada à Unidade de Pronto Atendimento com dispneia e chiado iniciados há 6 horas. Ao exame, encontra-se agitada, falando frases entrecortadas, com frequência respiratória de 34 irpm, tiragem intercostal, sibilos expiratórios difusos e saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente. Nega febre. Diante desse quadro de crise asmática, qual é a conduta inicial mais adequada?
A crise moderada (fala entrecortada, tiragem, SpO2 93%) tem manejo padronizado: oxigênio para corrigir a hipoxemia, beta-2 agonista de curta duração inalatório (salbutamol) como broncodilatador de escolha e corticosteroide sistêmico precoce para reduzir a inflamação e evitar recaída. Antibiótico não tem papel na crise sem sinais de infecção bacteriana. Adrenalina IM reserva-se à anafilaxia, não à crise asmática típica. Aminofilina não é primeira linha pelo perfil de toxicidade e eficácia inferior aos beta-2 agonistas.
Menino de 5 anos, asmático, é atendido na Unidade de Pronto Atendimento em crise. Após uma hora recebendo três séries de beta-2 agonista de curta duração inalatório e uma dose de corticosteroide sistêmico via oral, mantém-se com tiragem subcostal, sibilos difusos, dificuldade para completar frases e saturação de oxigênio de 90% já em oxigênio suplementar. Diante dessa resposta insatisfatória e do quadro de crise grave, qual é a conduta mais apropriada?
Na crise grave com resposta insatisfatória ao beta-2 agonista e ao corticoide, a conduta baseada em evidências é intensificar a broncodilatação associando o anticolinérgico brometo de ipratrópio às inalações e considerar o sulfato de magnésio endovenoso como terapia adjuvante. Antibiótico não está indicado sem foco infeccioso. Alta é contraindicada em criança hipoxêmica e sintomática — há risco de deterioração. Sedação é formalmente contraindicada na crise asmática, pois deprime o drive respiratório e pode precipitar parada respiratória.
Menino de 8 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levado ao pronto-socorro com dispneia intensa há 6 horas, iniciada após quadro viral de vias aéreas superiores. Ao exame: agitado, fala apenas palavras isoladas, tiragem subcostal e de fúrcula, FR de 44 irpm, FC de 148 bpm, SpO2 de 90% em ar ambiente e sibilos difusos. Recebeu oxigênio suplementar, três doses de salbutamol associado a brometo de ipratrópio por via inalatória, a cada 20 minutos, e prednisolona oral. Ao final da primeira hora, mantém-se alerta, porém com retrações acentuadas, murmúrio vesicular globalmente diminuído e SpO2 de 91% sob oxigênio. Assinale a conduta mais adequada neste momento.
Crise grave refratária ao tratamento otimizado da primeira hora (beta-2 de curta ação em doses repetidas, ipratrópio, corticoide sistêmico e oxigênio) tem como próximo passo, pelo GINA e pelas diretrizes brasileiras, o sulfato de magnésio IV 25–75 mg/kg (máximo 2 g) em infusão única de ~20 minutos, que reduz hospitalização nesse cenário — exatamente o quadro da vinheta (fala entrecortada, tiragem, SpO2 90–91%, má resposta na 1ª hora). A aminofilina não é recomendada de rotina na crise pediátrica: não acrescenta broncodilatação ao beta-2 e tem janela terapêutica estreita com toxicidade relevante. A adrenalina IM é reservada à anafilaxia/angioedema, não à exacerbação asmática isolada. A intubação não está indicada apenas pela SpO2 sob tratamento — reserva-se a rebaixamento de consciência, exaustão ou parada iminente, e a criança segue alerta, com espaço para terapia de resgate.
Menina de 9 anos, com asma em tratamento com beclometasona inalatória em dose baixa (etapa 2 do GINA) há 3 meses, retorna à consulta na Unidade Básica de Saúde acompanhada da mãe. Nas últimas 4 semanas, apresentou sintomas diurnos cerca de 3 vezes por semana, um despertar noturno semanal por tosse e chiado e usou salbutamol de alívio 3 vezes por semana; nega limitação para brincar ou praticar educação física. Nunca precisou de internação e não há relato de crise grave no período. Segundo o GINA, a classificação do controle da asma e a conduta inicial mais adequada são, respectivamente:
Pelos 4 critérios do GINA nas últimas 4 semanas, a paciente pontua em 3: sintomas diurnos mais de 2 vezes/semana, despertar noturno pela asma e uso de medicação de alívio mais de 2 vezes/semana (sem limitação de atividades) — 3 a 4 critérios definem asma NÃO controlada (1 a 2 seriam parcialmente controlada). Antes de qualquer step-up, o GINA determina checar adesão ao tratamento, técnica inalatória, exposições ambientais (tabagismo domiciliar, alérgenos) e comorbidades, pois a 'falha' mais comum da etapa 2 é técnica/adesão inadequada. Classificar o caso como parcialmente controlado erra a contagem de critérios — e, sobre essa premissa equivocada, apenas acrescentar montelucaste seria insuficiente. Corticosteroide oral é tratamento de exacerbação aguda, não de mau controle crônico ambulatorial. Subir a etapa imediatamente, sem revisar adesão e técnica, pula a verificação obrigatória e expõe a criança a dose desnecessária de corticosteroide.
Menino de 5 anos, com diagnóstico de asma, é levado pela mãe à UPA com tosse, chiado no peito e desconforto respiratório há 4 horas, iniciados após resfriado comum. Ao exame: bom estado geral, corado, fala frases completas, FR de 30 irpm, FC de 110 bpm, retração subcostal leve, sibilos expiratórios difusos e SpO2 de 95% em ar ambiente. Assinale o tratamento inicial adequado para essa crise.
Trata-se de crise asmática leve a moderada (fala frases completas, retração leve, SpO2 95%), cujo tratamento de primeira linha, pelo GINA e pelas diretrizes da SBP, é o beta-2-agonista de curta ação inalatório — preferencialmente spray dosimetrado com espaçador, tão eficaz quanto a nebulização e com menos efeitos adversos — em até 3 doses na primeira hora, associado a corticosteroide sistêmico oral precoce (prednisolona). A adrenalina nebulizada é conduta de laringite viral (crupe), não de asma. Antibiótico não está indicado: o desencadeante habitual da crise é viral e não há sinais de pneumonia. O ipratrópio é adjuvante das crises graves, sempre associado ao beta-2-agonista — nunca broncodilatador isolado de primeira linha.
Menino de 7 anos, asmático, em uso irregular de corticoide inalatório, é levado ao pronto-socorro com dispneia e chiado há 6 horas, iniciados após quadro gripal. Ao exame: agitado, fala frases entrecortadas, FR 42 irpm, FC 148 bpm, tiragem subcostal e de fúrcula, sibilos difusos com murmúrio vesicular reduzido, SpO2 89% em ar ambiente. Foram instituídos oxigênio suplementar, três séries de salbutamol associado a brometo de ipratrópio inalatórios e prednisolona por via oral na primeira hora. Reavaliado, mantém desconforto respiratório importante, tiragem e SpO2 de 91%. Assinale a conduta adicional mais adequada neste momento.
O quadro é de crise asmática grave (fala entrecortada, tiragem, SpO2 < 92%) refratária ao tratamento de primeira linha completo — beta-2 de curta duração associado a anticolinérgico e corticoide sistêmico na primeira hora. Nessa situação, as diretrizes (GINA e SBP) recomendam sulfato de magnésio intravenoso como terapia adjuvante, pelo efeito broncodilatador e pela redução de internações. Antibiótico não está indicado: a crise foi desencadeada por infecção viral, sem sinais de consolidação bacteriana. Adrenalina intramuscular é reservada à anafilaxia, não à crise asmática isolada. Intubação imediata seria precipitada — o paciente mantém drive respiratório, consciência preservada e SpO2 em ascensão; a via aérea invasiva na asma é último recurso, diante de exaustão, rebaixamento de consciência ou hipercapnia progressiva.
Menina de 5 anos, com diagnóstico prévio de asma, é levada à unidade básica de saúde por tosse e chiado no peito iniciados há um dia, após contato com familiar resfriado. Ao exame, encontra-se ativa e corada, fala frases completas, sem uso de musculatura acessória, FR de 28 irpm, FC de 110 bpm, SpO2 de 96% em ar ambiente e sibilos expiratórios difusos à ausculta. Assinale a opção que apresenta o tratamento inicial mais adequado para esse episódio.
Trata-se de crise asmática leve (fala frases completas, sem tiragem, SpO2 ≥ 95%), cujo tratamento de primeira linha é o beta-2 agonista de curta duração inalatório — salbutamol em spray dosimetrado com espaçador, tão ou mais eficaz que a nebulização em crianças, repetível a cada 20 minutos até três vezes na primeira hora. Adrenalina nebulizada é opção em bronquiolite/laringite, não em asma. Ajustar apenas o corticoide inalatório não alivia o broncoespasmo agudo. Sulfato de magnésio intravenoso é adjuvante de crises graves refratárias, inapropriado como medida inicial em crise leve.
Menino de 9 anos é avaliado em ambulatório por tosse seca noturna e chiado recorrentes há dois anos, com piora ao correr na escola e ao contato com poeira. Tem rinite alérgica em tratamento e mãe asmática. O exame físico está normal no dia da consulta. A espirometria mostra: CVF 92% do previsto, VEF1 76% do previsto e relação VEF1/CVF de 0,72, abaixo do limite inferior da normalidade para a idade; após 400 mcg de salbutamol inalatório, o VEF1 aumenta 14% em relação ao valor basal. Assinale a interpretação e a conduta corretas.
A relação VEF1/CVF abaixo do limite inferior da normalidade caracteriza distúrbio obstrutivo, e o aumento do VEF1 de 14% em relação ao basal após broncodilatador ultrapassa o ponto de corte de 12% adotado em crianças, documentando limitação variável ao fluxo aéreo. Somado à história típica (sintomas recorrentes, gatilhos de exercício e poeira, atopia pessoal e familiar), fecha o diagnóstico de asma, cujo tratamento de manutenção se inicia com corticoide inalatório em dose baixa. A espirometria não é normal — a relação está reduzida. O critério de resposta broncodilatadora é 12%, e não 25%; a broncoprovocação seria reservada a espirometria normal com dúvida diagnóstica. Não se trata de obstrução fixa, justamente porque houve reversibilidade, e corticoide oral prolongado não é tratamento de manutenção da asma.
Menino de 7 anos, asmático com uso irregular de corticoide inalatório, chega à emergência com dispneia iniciada há 6 horas após quadro de resfriado. Ao exame: FR 44 irpm, FC 148 bpm, SpO2 89% em ar ambiente, tiragem subcostal e de fúrcula, uso de musculatura acessória, fala em frases entrecortadas, sibilos difusos com expiração prolongada e murmúrio vesicular diminuído. Recebe oxigênio suplementar, três séries de salbutamol inalatório associado a brometo de ipratrópio a cada 20 minutos e prednisolona oral 2 mg/kg. Após uma hora, mantém SpO2 de 90% sob oxigênio, tiragem, sibilos difusos e sem melhora do pico de fluxo expiratório. Assinale a conduta a ser acrescentada.
Trata-se de crise asmática grave sem resposta à primeira hora de tratamento otimizado (beta-2 de curta ação com ipratrópio, oxigênio e corticoide sistêmico). Nesse cenário, a etapa seguinte, respaldada pelas diretrizes brasileiras e pelo GINA, é o sulfato de magnésio endovenoso 40-50 mg/kg (máximo 2 g) em 20 minutos, que reduz a necessidade de internação. A aminofilina foi abandonada como resgate de rotina pela estreita janela terapêutica e pela toxicidade (arritmias, convulsões), sem ganho sobre o esquema atual. A adrenalina intramuscular fica reservada à anafilaxia ou à parada respiratória iminente, não à crise que ainda responde à via inalatória. Antibiótico não é indicado na crise de asma sem evidência de infecção bacteriana — o gatilho aqui é viral.
Lactente de 20 meses é avaliado por sibilância recorrente. Teve dois episódios agudos de chiado nos últimos 12 meses, cada um com duração superior a 24 horas, um deles com sibilância confirmada pelo pediatra. Entre os episódios apresenta tosse seca noturna ocasional. A avaliação clínica não sugere outro diagnóstico. Ele ainda não fez nenhuma prova terapêutica. Segundo os critérios diagnósticos vigentes para crianças de 5 anos ou menos, qual é a conduta correta?
São três os critérios diagnósticos de asma na criança de 5 anos ou menos, e todos precisam ser preenchidos: episódios agudos recorrentes de sibilância (pelo menos dois em 12 meses, ou um mais sintomas intermitentes, cada episódio com duração superior a 24 horas e com a sibilância confirmada ao menos uma vez); ausência de causa alternativa provável; e resposta clínica oportuna ao tratamento da asma. Esta criança cumpre o primeiro e o segundo, mas o terceiro ainda não foi documentado porque nenhuma prova terapêutica foi feita. Quando um ou mais critérios ainda não foram atendidos, a orientação explícita é atribuir o diagnóstico provisório de suspeita de asma, considerar o tratamento e reavaliar periodicamente. A primeira alternativa fecha o diagnóstico com dois terços dos critérios. A segunda esbarra na idade: a espirometria é solicitada a partir dos 6 anos e, mesmo depois disso, vem normal na maioria das vezes com a doença em atividade; adiar o tratamento à espera dela é erro de conduta. A terceira usa o Índice Preditivo como critério diagnóstico, uso que os documentos brasileiros classificam como equivocado — ele estima risco de persistência, com sensibilidade de 41,6% e valor preditivo positivo de 59,1%. A quinta descarta asma pela idade, quando o próprio protocolo afirma que o diagnóstico pode ser feito nessa faixa etária.
Menino de 3 anos com diagnóstico de asma vai iniciar tratamento de controle diário com dipropionato de beclometasona em spray de partícula padrão. Qual é a dose diária baixa recomendada para essa faixa etária?
Na criança de 5 anos ou menos, a dose diária baixa de dipropionato de beclometasona em spray de partícula padrão é 100 mcg/dia — um número único, e não uma faixa, porque nessa idade não existem colunas de dose média e alta: a etapa 3 é definida como o dobro da dose baixa. A apresentação de partícula extrafina tem metade desse valor, 50 mcg/dia, e é indicada a partir dos 5 anos, ainda não estando disponível no Brasil. A segunda alternativa traz a faixa do adolescente e do adulto a partir dos 12 anos, que é justamente o dobro da faixa da criança de 6 a 11 anos (100 a 200 mcg/dia) — essa duplicação é a armadilha mais comum da tabela. A terceira e a quarta correspondem a doses altas de faixas etárias maiores e expõem a criança pequena a risco desnecessário de efeitos sistêmicos, incluindo supressão adrenal e redução da velocidade de crescimento, que é dose-dependente nos primeiros um a dois anos de tratamento.
Menina de 5 anos, 20 kg, em crise grave de asma no pronto-socorro, recebeu três séries de salbutamol com espaçador associadas a brometo de ipratrópio e prednisolona oral. Após uma hora de tratamento, mantém saturação de 90% em ar ambiente, fala apenas palavras, frequência respiratória de 46 por minuto e entrada de ar difusamente reduzida. Qual é a conduta adicional indicada?
O sulfato de magnésio endovenoso não é rotina, mas é exatamente a situação descrita: criança de 2 anos ou mais, em crise grave, que não respondeu ao tratamento inicial ou permanece grave após uma hora de tratamento convencional intensivo. A dose registrada no documento brasileiro é 25 a 75 mg/kg por dose, com máximo de 2 a 2,5 g, em dose única infundida em 20 minutos; a diretriz global de 2026 estreita para 40 a 50 mg/kg com máximo de 2 g em 10 a 20 minutos. Há evidência de que reduza o tempo e o risco de internação, com boa relação de custo-benefício e sem efeitos colaterais significativos. A criança preenche critérios de terapia intensiva pediátrica: hipoxemia persistente e incapacidade de falar. A primeira alternativa recorre à aminofilina, cujo uso foi desencorajado nas duas últimas décadas por ausência de benefício clínico adicional e margem de segurança estreita, justificando-se apenas em terapia intensiva com monitorização de níveis séricos. A segunda propõe sedação, que deve ser estritamente evitada na exacerbação pelo efeito depressor respiratório, com associação relatada a mortes evitáveis por asma. A terceira acrescenta antibiótico, sem benefício demonstrado na exacerbação aguda. A quinta suspende o beta-2 inalado: revisões sistemáticas não encontraram benefício significativo em adicionar beta-2 intravenoso ao inalado, e a via inalatória continua sendo a de escolha, com a intravenosa reservada à impossibilidade de usá-la.
Lactente de 11 meses é avaliado por episódios recorrentes de tosse e chiado desde o segundo mês de vida, com quatro infecções respiratórias baixas no período. A mãe relata que ele evacua fezes volumosas, gordurosas e de odor forte, e o peso está abaixo do percentil 3, com curva descendente desde os quatro meses. O tratamento com broncodilatador e corticoide inalatório em doses adequadas, com técnica conferida, não trouxe resposta. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
O conjunto é característico de fibrose cística: tosse iniciada muito cedo, infecções torácicas recorrentes, fezes soltas, gordurosas e volumosas por má absorção, déficit de crescimento e resposta ruim aos medicamentos para asma. Esse último elemento é o fio comum de quase toda a lista de diferenciais do lactente sibilante: criança que chia e não melhora com beta-2 e corticoide inalatório bem administrados não é asma mal controlada por definição, e sim convite a rever o diagnóstico. A segunda alternativa escalona o tratamento de uma doença que a criança provavelmente não tem, ignorando os sinais extrapulmonares e a ausência de resposta. A terceira descreve outro quadro: corpo estranho dá tosse abrupta e intensa, com ou sem estridor, durante alimentação ou brincadeira, com sinais pulmonares focais ou sibilância unilateral, e não explica má absorção nem déficit de crescimento. A quarta exigiria história de prematuridade, peso muito baixo ao nascer e ventilação mecânica prolongada ou oxigênio suplementar, com dificuldade respiratória desde o nascimento — nada disso consta. A quinta ignora que asma é menos provável abaixo de 12 meses no primeiro episódio, mas aqui há episódios repetidos com sinais sistêmicos que exigem investigação, e não observação.
Menina de 3 anos, 15 kg, é levada à unidade básica de saúde com tosse e chiado há oito horas, sem febre. Está alerta e um pouco agitada no colo da mãe, fala frases curtas interrompidas pela respiração. Frequência respiratória de 36 por minuto, frequência cardíaca de 140, saturação de 93% em ar ambiente aferida antes de qualquer medicação. Há tiragem subcostal, sem tiragem universal e sem estridor em repouso. Ausculta com sibilos expiratórios difusos e entrada de ar diminuída nas bases. A unidade dispõe de espaçador com máscara, salbutamol em spray, brometo de ipratrópio, prednisolona em solução oral e oxigênio. Qual é a classificação da crise e a conduta inicial?
A criança tem saturação de 93% em ar ambiente (igual ou acima de 92%, mas abaixo de 94%), fala frases, frequência respiratória aumentada mas ainda abaixo de 40 e alguma musculatura acessória: é crise moderada, tanto pela régua do atendimento agudo quanto pelo quadro do AIDPI, que exige para a sibilância moderada consciência normal com períodos de agitação, fala entrecortada, tiragem subcostal e saturação de 91% a 95%. Com 15 kg ela está na faixa de 10 a 20 kg, cuja dose é 6 jatos por vez, administrados um jato de cada vez com 5 a 6 respirações após cada, repetidos a cada 20 minutos até três séries na primeira hora; o brometo de ipratrópio associado reduz o risco de internação em até 25% nas crises mais graves, e o corticoide sistêmico entra na primeira hora porque leva cerca de quatro horas para produzir efeito clínico. A primeira alternativa subestima a gravidade e omite o corticoide, que é indicado em toda exacerbação moderada a grave. A segunda superestima: crise grave exigiria saturação abaixo de 92%, fala em palavras isoladas, frequência acima de 40 ou tórax silencioso, e mesmo nela o tratamento começa junto com a transferência, não depois dela. A quarta acrescenta antibiótico, que não tem benefício demonstrado na exacerbação aguda em crianças ou adultos. A quinta adia o corticoide, contrariando a recomendação de administração precoce, e prefere via injetável sem vantagem sobre a oral.
Sobre o Índice Preditivo de Asma aplicado ao lactente com sibilância recorrente, assinale a composição correta dos critérios e a regra de positividade.
O Índice Preditivo de Asma tem dois critérios maiores — asma nos pais e dermatite atópica na criança — e três menores — rinite alérgica, sibilância na ausência de resfriado e eosinofilia sanguínea igual ou maior que 4%. A regra de positividade é um critério maior ou dois menores, aplicada à criança com sibilância recorrente. Vale saber o desempenho junto com a composição, porque é ele que define o uso correto: sensibilidade de 41,6% e valor preditivo positivo de 59,1%, com razão de verossimilhança que não ultrapassa 5, quando o mínimo para utilidade clínica seria 10. Por isso os documentos brasileiros afirmam que os índices preditivos foram equivocadamente adotados como critérios diagnósticos na idade pré-escolar: eles estimam risco de persistência da asma na idade escolar, não fecham diagnóstico. A terceira alternativa mistura variáveis do escore PIAMA, que é outro instrumento, com pontuação própria para sexo masculino, prematuridade, número de episódios de sibilância por ano, asma nos pais e eczema. As demais embaralham maiores com menores ou inventam a regra de positividade.
Menino de 4 anos, 18 kg, está em atendimento por crise moderada de asma, já tendo recebido a primeira série de salbutamol com espaçador. Quanto ao corticoide sistêmico, segundo o posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Pediatria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, qual é a prescrição correta?
A dose brasileira é 1 a 2 mg/kg/dia de prednisona ou equivalente, em dose única pela manhã, com máximo de 40 mg/dia, por 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 dias no adolescente — dose reafirmada pelo documento da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre corticosteroides sistêmicos em pediatria de 2025 e pelo protocolo do Ministério da Saúde. A administração precoce, de preferência na primeira hora, é recomendação explícita, porque essas drogas levam cerca de quatro horas para impactar a melhora clínica. A primeira alternativa erra na via: as vias intravenosa e intramuscular não oferecem vantagem significativa sobre a oral, que é mais rápida de administrar, menos invasiva e menos onerosa, sendo a solução oral preferida na criança; a parenteral fica para quem não deglute, está vomitando ou vai ser intubado. A segunda adia o corticoide, contrariando a recomendação de administração precoce em toda exacerbação moderada a grave. A quarta multiplica a dose por mais de duas vezes, estende a duração e acrescenta desmame, que não é necessário quando o uso é menor que duas semanas. A quinta substitui o sistêmico pelo inalatório: durante uma exacerbação grave os sistêmicos são preferidos, e o corticoide inalatório entra como acréscimo, não como troca. Observe, para efeito de leitura de enunciado, que a edição de 2026 da diretriz global baixou o teto na criança pequena para 20 mg abaixo de 2 anos e 30 mg dos 2 aos 5 anos.
Menina de 8 anos, com asma confirmada, está em uso de corticoide inalatório em dose baixa com beta-2 de curta duração sob demanda. Retorna referindo sintomas em quatro a cinco dias por semana e despertar noturno por asma uma vez por semana. A técnica inalatória foi conferida e está correta, a adesão é boa e não há exposição a fumaça de tabaco. Segundo o protocolo brasileiro vigente, qual é o ajuste indicado?
Sintomas na maioria dos dias da semana, de quatro a cinco dias, ou despertar noturno por asma pelo menos uma vez por semana definem a etapa 3 na faixa de 6 a 11 anos. As duas opções previstas para essa etapa são corticoide inalatório associado a beta-2 de longa duração em dose baixa, com beta-2 de curta duração sob demanda, ou corticoide inalatório em dose média com beta-2 sob demanda. Antes de subir de etapa, checa-se exatamente o que a vinheta já resolveu: se os sintomas são mesmo de asma, técnica inalatória, adesão e exposições ambientais. A segunda alternativa descreve manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol, esquema cujo quadro de dose e frequência é explicitamente restrito a adolescentes de 12 anos ou mais e adultos no protocolo brasileiro — nessa faixa etária o alívio continua sendo o beta-2 de curta duração. A primeira erra no acesso: o antagonista de leucotrieno não está incorporado ao Sistema Único de Saúde para asma, e seu uso exige aviso aos pais sobre efeitos neuropsiquiátricos. A terceira é a conduta que deixou de ser recomendada em qualquer etapa a partir dos 6 anos: beta-2 isolado. A quarta inverte a lógica do tratamento, trocando o controlador inalatório pelo corticoide sistêmico contínuo, cujo uso prolongado é contraindicado na criança com asma e reservado a exacerbações e casos refratários.
Menino de 7 anos é atendido em crise de asma com frequência respiratória de 44 incursões por minuto, retração esternal evidente e fala entrecortada. Completa a primeira hora de tratamento com beta-2 de curta duração inalado, ipratrópio e corticoide sistêmico por via oral, e passa a receber oxigênio por cateter nasal. Reavaliado duas horas após a chegada, respira 22 vezes por minuto e a retração esternal está bem menos evidente, mas há assincronia entre tórax e abdome, a entrada de ar está difusamente reduzida e a saturação de 93% segue dependente do oxigênio. Está acordado e responde às perguntas. Qual é a conduta?
Dois critérios absolutos de internação estão preenchidos ao mesmo tempo. O primeiro é a fadiga respiratória, que se manifesta exatamente como descrito: redução da frequência respiratória, redução da retração esternal e assincronia toracoabdominal. É o critério mais traiçoeiro da lista, porque se parece com melhora — a criança que estava taquipneica e passa a respirar devagar com menos esforço não está melhorando, está exaurindo. O segundo é a necessidade de oxigênio suplementar por saturação baixa mantida por uma hora ou mais depois da terapia inicial. Dar alta lê a queda da frequência como resposta ao tratamento e devolve para casa uma criança em exaustão. Espaçar o broncodilatador e observar mais duas horas mantém em sala de emergência quem já cumpriu o prazo de decisão, que é de duas horas desde o atendimento inicial. Suspender o corticoide sistêmico retira a droga que ainda está agindo, já que o efeito clínico leva cerca de quatro horas e o curso é de 3 a 5 dias na criança. E a intubação traqueal tem indicações próprias — esforço grave e persistente com alteração do estado mental, pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg mesmo com oxigênio a 100%, hipercapnia progressiva com acidose respiratória significativa ou parada cardiorrespiratória —, e nenhum desses dados consta aqui, com a criança acordada e respondendo.
Menina de 4 anos, 16 kg, chega ao pronto atendimento em crise moderada de asma, com saturação de 98% em ar ambiente aferida antes de qualquer medicação. Recebe a primeira série de salbutamol com espaçador e prednisolona por via oral. Quinze minutos depois está menos agitada, com retração menos evidente e melhor entrada de ar, mas a oximetria mostra 93% em ar ambiente. Qual é a conduta?
Nos primeiros 30 minutos após o salbutamol a saturação pode cair 5% ou mais, porque a vasodilatação supera a broncodilatação e piora transitoriamente a relação entre ventilação e perfusão. Queda logo após a primeira série de jatos não significa, sozinha, que o tratamento falhou — e aqui ela vem acompanhada do oposto do que a falha produziria: menos agitação, menos retração e melhor entrada de ar. Com 93% a criança segue acima do corte de 92% em ar ambiente, que é o número que define gravidade e dispara a oferta de oxigênio nas três réguas. A conduta é seguir o plano: salbutamol a cada 20 minutos até três séries na primeira hora, com 6 jatos por vez na faixa de 10 a 20 kg, e o corticoide sistêmico já dado, que leva cerca de quatro horas para produzir efeito clínico. Nebulizar adrenalina troca a droga certa por outra sem indicação nessa situação. O beta-2 endovenoso fica reservado à impossibilidade de usar a via inalatória, que aqui está funcionando. Antibiótico não tem benefício demonstrado na exacerbação aguda, e a radiografia não é exame de rotina da crise, entrando apenas sem boa resposta ou diante de sinal de complicação. Transferir para terapia intensiva exigiria incapacidade de falar, confusão ou sonolência, hipoxemia apesar do oxigênio ou hipercapnia moderada a grave.
Menino de 4 anos, em uso de corticoide inalatório diário em dose baixa, retorna para avaliação de controle. Nas últimas quatro semanas teve sintomas diurnos em duas ocasiões por semana e precisou do beta-2 de resgate também em duas ocasiões por semana. Não houve despertar noturno por asma nem limitação de atividades. Segundo a tabela de controle do protocolo brasileiro vigente para a criança de 5 anos ou menos, qual é a classificação?
A mecânica é sempre a mesma: quatro perguntas sobre as últimas quatro semanas e a contagem de quantas vieram positivas — nenhuma é asma controlada, uma ou duas é parcialmente controlada, três ou quatro é não controlada. O que muda entre as faixas etárias é o limiar de frequência dentro de cada pergunta, e é aí que a pegadinha mora. Na criança de 5 anos ou menos, o protocolo brasileiro trabalha com sintomas diurnos por mais de alguns minutos e mais de uma vez por semana e com necessidade de resgate mais de uma vez por semana: duas ocasiões semanais ultrapassam esse limiar nas duas perguntas, e as outras duas vieram negativas — logo, parcialmente controlada. Aplicar o limiar de mais de duas vezes por semana, que é o da faixa a partir de 6 anos e o mesmo do adolescente e do adulto, zeraria a contagem e devolveria como controlada uma criança sintomática. Contar três perguntas positivas contraria o enunciado, que registra ausência de despertar noturno e de limitação de atividades. Considerar controlada só porque a noite está preservada ignora as duas perguntas diurnas que pontuaram. E o c-ACT é validado dos 4 aos 11 anos, com escore acima de 19 indicando controle, mas ele não é pré-requisito: as quatro perguntas funcionam sem instrumento, e o próprio protocolo assume que abaixo dos 4 anos há poucos instrumentos validados.
Sobre o efeito do corticoide inalatório sobre o crescimento em crianças asmáticas, é correto afirmar que:
O efeito existe, é dose-dependente, concentra-se no primeiro ano e tem repercussão pequena na estatura final — comunicá-lo com transparência melhora a adesão. O erro grave é usar essa preocupação para suspender o tratamento: asma persistente não controlada compromete crescimento, sono, atividade física e escola, além do risco de exacerbação grave. Substituir por corticoide oral inverte completamente o perfil de segurança, com efeito sistêmico muito maior.
Sobre a técnica inalatória com aerossol dosimetrado em crianças, é correto afirmar que:
O espaçador reduz a deposição orofaríngea e dispensa a coordenação entre disparo e inspiração, que crianças raramente conseguem — por isso é regra, e não acessório opcional. Jatos simultâneos aumentam a colisão e a perda de partículas nas paredes do dispositivo. O inalador de pó seco exige fluxo inspiratório suficiente, o que limita seu uso em crianças pequenas e durante exacerbações, quando justamente o fluxo cai.
Lactente de 18 meses apresenta quatro episódios de sibilância no último ano, eczema atópico, eosinofilia de 6% e mãe com asma. Sobre o índice preditivo de asma nessa criança, é correto afirmar que:
O índice combina sibilância recorrente com critérios maiores — eczema atópico, asma em pai ou mãe e sensibilização a aeroalérgenos — e menores, entre eles eosinofilia, sibilância fora de resfriado e alergia alimentar. Ele estima probabilidade, não confirma diagnóstico: crianças com índice positivo merecem seguimento e, muitas vezes, prova terapêutica. Confundir eosinofilia com critério maior é o deslize mais comum na aplicação.
Menina de 10 anos com asma em uso de corticoide inalatório em dose média associado a beta-2 de longa duração mantém sintomas quase diários, dois despertares noturnos por semana e duas exacerbações com corticoide oral no último ano. Antes de escalonar o tratamento, a prioridade é:
Asma de difícil controle e asma grave verdadeira não são a mesma coisa: a maioria dos casos aparentemente refratários se explica por técnica inalatória incorreta, má adesão, diagnóstico errado, rinossinusite, refluxo, obesidade, tabagismo passivo ou exposição a mofo e ácaros. Escalonar dose sem essa revisão trata um problema que não existe e expõe a efeitos adversos. Beta-2 de curta duração em uso regular, sem corticoide, é conduta abandonada e associada a mortalidade.
Sobre o prognóstico dos fenótipos de sibilância na infância, é correto afirmar que:
Os estudos de coorte descreveram trajetórias distintas: quem sibila cedo por vias aéreas de menor calibre, frequentemente com exposição ao tabaco, tende a melhorar com o crescimento; quem tem marcadores atópicos costuma manter sintomas. Esse conhecimento evita dois erros de comunicação com a família — prometer que toda criança vai parar de sibilar e rotular todo lactente sibilante como asmático de vida inteira. O fenótipo se define retrospectivamente, ao longo do seguimento.
Lactente de 9 meses apresenta o terceiro episódio de sibilância em 6 meses, sempre associado a infecção viral, com boa resposta a broncodilatador e intervalos assintomáticos. Sem eczema, sem história familiar de asma. A classificação e a conduta são:
Sibilância desencadeada apenas por infecções virais, em lactente sem marcadores atópicos e assintomático entre os episódios, corresponde ao fenótipo transitório, que tende a desaparecer nos primeiros anos de vida. Diagnosticar asma persistente e iniciar controlador nesse perfil expõe a criança a tratamento prolongado sem benefício claro. O que muda essa avaliação é a presença de eczema, sensibilização e história familiar, ausentes aqui.
Criança de 6 anos com crise asmática grave apresenta, após melhora do broncoespasmo, hipoxemia persistente e radiografia com atelectasia de lobo médio direito. A explicação mais provável é:
A asma produz muco espesso e hipersecreção, e a atelectasia por tampão mucoso é complicação bem descrita, com predileção pelo lobo médio, cujo brônquio é longo, estreito e mal ventilado colateralmente — a chamada síndrome do lobo médio. A imagem costuma assustar e levar a antibiótico automático, mas na ausência de febre, leucocitose e piora clínica, o tratamento é higiene brônquica e otimização do controle da asma.
Sobre fatores de risco modificáveis para sibilância recorrente em lactentes, o de maior impacto é:
O tabagismo passivo prejudica o desenvolvimento pulmonar intrauterino, reduz o calibre das vias aéreas e aumenta a frequência e a gravidade das infecções respiratórias — é o fator modificável com maior retorno em orientação familiar. Aleitamento materno e vacinação, longe de serem riscos, atuam como fatores protetores. Atribuir sibilância à introdução alimentar no tempo correto ou à vacinação alimenta condutas equivocadas e adia a intervenção que realmente importa.
Lactente de 20 meses com sibilância recorrente, índice preditivo positivo e sintomas entre as crises, com despertares noturnos. A conduta terapêutica mais adequada é:
Na ausência de teste diagnóstico definitivo nessa idade, a prova terapêutica com controlador por algumas semanas, seguida de reavaliação sistemática, é a estratégia recomendada: melhora clara apoia o diagnóstico, e ausência de resposta obriga a rever hipóteses. Manter apenas broncodilatador em criança com sintomas intercrise deixa a inflamação sem tratamento. Corticoide oral prolongado é inaceitável nessa faixa pelo perfil de efeitos adversos.
Menina de 11 anos chega ao pronto-socorro com exacerbação grave de asma: fala palavras isoladas, frequência respiratória 38, saturação 89%, uso de musculatura acessória e sibilos difusos. A conduta inicial inclui:
A crise grave exige tratamento imediato: oxigênio, broncodilatador de curta duração associado a anticolinérgico em séries repetidas e corticoide sistêmico na primeira hora, porque seu efeito leva horas para se instalar. Radiografia não deve preceder o tratamento e é reservada a suspeita de complicação, como pneumotórax. Sedação em paciente com insuficiência respiratória é perigosa e pode precipitar parada, salvo no contexto controlado de intubação.
Sobre o papel do antagonista de receptor de leucotrienos na sibilância recorrente do pré-escolar, é correto afirmar que:
O antileucotrieno tem eficácia modesta e é alternativa em fenótipos selecionados, especialmente sibilância desencadeada por vírus, mas em geral é inferior ao corticoide inalatório no controle da inflamação eosinofílica. O ponto de segurança que ganhou destaque é o alerta sobre eventos neuropsiquiátricos, incluindo alterações de sono, humor e comportamento, que exigem orientação aos pais e reavaliação — a droga não é isenta de riscos.
Sobre a avaliação do controle da asma em crianças, é correto afirmar que:
O controle tem duas dimensões: o domínio dos sintomas nas últimas semanas e o risco futuro, que inclui exacerbações, declínio de função pulmonar e efeitos adversos. A espirometria complementa, mas crianças com obstrução significativa podem ter valores normais em um dia bom, e a ausculta no consultório é ainda menos confiável. Confiar apenas no exame do dia é o que faz asma mal controlada receber alta com a mesma prescrição.
Sobre a administração de broncodilatador em lactentes com sibilância, é correto afirmar que:
Espaçador com máscara é a via preferencial mesmo em lactentes e mesmo no pronto-socorro: entrega equivalente ou superior, menos taquicardia e tremor e menor tempo de aplicação. A nebulização segue útil em paciente com oxigenoterapia ou muito grave. O beta-2 oral tem eficácia broncodilatadora ruim e efeitos sistêmicos importantes, sendo conduta abandonada. A resposta ao broncodilatador nessa idade é variável, e é justamente essa variabilidade que exige avaliação individual.
Sobre o sulfato de magnésio endovenoso na exacerbação grave de asma em crianças, é correto afirmar que:
O magnésio relaxa a musculatura lisa brônquica e tem papel de resgate na crise grave refratária às primeiras séries de broncodilatador, reduzindo internações — não é tratamento inicial nem substitui corticoide, que atua sobre a inflamação subjacente. A infusão exige atenção à hipotensão. A via inalatória foi estudada com resultados menos consistentes, e a endovenosa é a habitualmente recomendada nesse cenário.
Sobre o diagnóstico diferencial da sibilância recorrente em lactentes, o achado que mais sugere causa estrutural ou não asmática é:
Sibilância que começa no período neonatal, é fixa ou assimétrica, vem acompanhada de estridor, engasgos ou déficit de crescimento aponta para anel vascular, malácia, fístula traqueoesofágica, cardiopatia ou aspiração — e não para asma. Os demais achados são compatíveis com sibilância viral e asma do lactente. Reconhecer os sinais de alarme evita anos de broncodilatador em uma criança com problema anatômico corrigível.
Criança de 10 anos em crise asmática grave, em ventilação mecânica, apresenta hipotensão súbita e aumento da pressão de pico. Qual complicação deve ser suspeitada primeiro?
O aprisionamento aéreo progressivo eleva a pressão intratorácica, reduz o retorno venoso e derruba a pressão arterial — a manobra imediata é desconectar o paciente do ventilador e comprimir o tórax para permitir a expiração, além de afastar pneumotórax. Interpretar como choque séptico e infundir volume não corrige o mecanismo e retarda a solução.
Qual parâmetro é mais útil para avaliar objetivamente a gravidade e a resposta ao tratamento em criança maior com crise asmática?
A combinação de escore clínico com oximetria e, em crianças colaborativas, a medida do pico de fluxo expiratório oferece avaliação objetiva e reprodutível. A intensidade dos sibilos engana em ambas as direções, porque a obstrução extrema silencia o tórax, e a frequência cardíaca isolada se altera tanto pela crise quanto pelo broncodilatador administrado.
Qual medida deve ser evitada em criança com crise asmática grave?
Sedativos deprimem o centro respiratório de um paciente que depende da própria musculatura para vencer a obstrução, e por isso são proibidos fora do contexto de intubação com suporte ventilatório. A agitação da criança em crise não é ansiedade a ser tratada com calmante: é sinal de hipoxemia, e o que a resolve é oxigênio e broncodilatador.
Sobre a asma induzida por exercício em crianças, assinale a alternativa correta.
Broncoespasmo desencadeado por esforço é, na maioria das vezes, sinal de asma insuficientemente controlada, e a resposta correta é otimizar a manutenção além de orientar o broncodilatador antes da atividade e o aquecimento adequado. Dispensar a criança da educação física é medida que prejudica o desenvolvimento e não trata a causa.
Sobre os critérios de alta após atendimento de crise asmática leve a moderada, assinale a alternativa correta.
A alta se apoia em estabilidade clínica sustentada após reavaliação, oxigenação adequada sem suplementação e condições domiciliares de continuar o tratamento. Exigir desaparecimento completo dos sibilos prolonga a permanência sem necessidade, e a frequência cardíaca costuma permanecer elevada pelo próprio beta-2 agonista administrado.
Sobre a indicação de corticoide sistêmico na crise asmática leve a moderada, assinale a alternativa correta.
O corticoide sistêmico entra quando a resposta ao broncodilatador é incompleta ou quando o paciente tem histórico de crises graves, e sua administração precoce reduz recaídas e retornos ao serviço. A via oral é adequada, e o curso é curto — prescrevê-lo a toda sibilância indistintamente medicaliza episódios que se resolveriam apenas com broncodilatador.
Criança em crise asmática grave apresenta, após 1 hora de tratamento otimizado, sonolência, desaparecimento dos sibilos e pCO2 de 52 mmHg. Qual a interpretação?
Tórax silencioso com sonolência e normalização ou elevação da pressão de dióxido de carbono significa que o fluxo aéreo caiu tanto que já não gera ruído e que a musculatura está falindo — é o quadro que antecede a parada respiratória. Interpretar o desaparecimento dos sibilos como melhora é o erro mais perigoso da emergência pediátrica.
Sobre o uso de sulfato de magnésio endovenoso na crise asmática grave em crianças, assinale a alternativa correta.
O magnésio endovenoso entra como terapia adjuvante na crise grave que não responde ao esquema inicial, reduzindo a necessidade de internação, com efeitos adversos leves quando infundido lentamente. Ele complementa, mas não substitui, o corticoide sistêmico e os broncodilatadores — usá-lo como primeira medida em crise leve é medicalizar sem indicação.
Criança de 5 anos apresenta a terceira crise de sibilância em 6 meses, com boa resposta ao broncodilatador, dermatite atópica e mãe asmática. Qual a conduta de manutenção?
Crises recorrentes com marcadores de atopia e história familiar positiva indicam iniciar terapia de controle com corticoide inalatório em dose baixa, reavaliando a resposta em alguns meses. Manter somente o resgate perpetua a inflamação de base, e corticoide oral contínuo é inaceitável em manutenção pelos efeitos sobre crescimento e eixo adrenal.
Após a estabilização de uma crise asmática grave, qual intervenção tem maior impacto na prevenção de novas crises?
A crise grave denuncia asma não controlada, e o que muda a história é o tratamento de manutenção com corticoide inalatório, associado à checagem de adesão e de técnica de uso do dispositivo. Depender do broncodilatador de resgate é o padrão que se associa a crises repetidas e a maior mortalidade, e restringir exercício piora a qualidade de vida sem proteger.
Segundo o GINA 2026, qual orientação é adequada na alta de uma criança de 8 anos após melhora de uma exacerbação de asma tratada no pronto-socorro?
A alta deve incluir tratamento de manutenção contendo corticoide inalatório, revisão da técnica e adesão, plano escrito e retorno, em geral em dois a cinco dias para crianças. Corticoide sistêmico é indicado conforme a exacerbação; não é obrigatório em toda crise leve. Quando indicado, o curso deve ser orientado e concluído. Broncodilatador de resgate isolado não substitui o cuidado preventivo, e antibiótico profilático não faz parte da rotina.
Menina de 9 anos, asmática, chega com tosse e dispneia leve, falando frases completas, frequência respiratória de 26 irpm, SpO2 de 95% em ar ambiente, sibilos expiratórios difusos e sem tiragem. Qual a conduta inicial?
Crise leve a moderada, com fala preservada e saturação adequada, responde bem a broncodilatador inalatório com espaçador em séries, seguido de reavaliação para decidir a alta. Escalar direto para magnésio ou internação é desproporcional, e adrenalina intramuscular pertence ao tratamento da anafilaxia, não da crise asmática comum.
Qual é a técnica correta de uso do aerossol dosimetrado com espaçador em criança de 4 anos?
Em pré-escolares a máscara acoplada ao espaçador é indispensável, e a técnica correta é um jato por vez seguido de várias respirações tranquilas — disparar vários jatos juntos faz as partículas se agregarem e se depositarem nas paredes do dispositivo. O bocal sem máscara só é adequado quando a criança consegue selar os lábios e coordenar a respiração.
Sobre o controle da asma na infância, qual conjunto de perguntas avalia melhor o controle nas últimas quatro semanas?
O controle é medido por sintomas diurnos, despertares noturnos, frequência do resgate e limitação das atividades nas últimas quatro semanas — quatro perguntas que orientam a decisão de manter, subir ou reduzir a terapia. Marcadores laboratoriais e imagem não medem controle e não devem ser usados para ajustar o tratamento de manutenção.
Sobre os critérios de internação em unidade de terapia intensiva na crise asmática pediátrica, assinale a alternativa correta.
Os critérios reúnem sinais de falência iminente — sensório rebaixado, hipoxemia refratária, hipercapnia, exaustão muscular — e a necessidade de terapias que exigem monitorização contínua. A decisão é clínica e integrada, não definida por um único exame nem pela idade, e reconhecer esses sinais precocemente é o que evita a intubação de emergência.
Adolescente de 12 anos com asma leve persistente usa corticoide inalatório e refere piora dos sintomas na primavera, com espirros e obstrução nasal. Qual conduta pode melhorar o controle?
Vias aéreas superiores e inferiores compõem um mesmo continuum, e tratar a rinite alérgica melhora mensuravelmente o controle da asma — é uma das intervenções mais custo-efetivas e mais esquecidas. Suspender o corticoide inalatório justamente na estação de maior exposição alergênica é o oposto do necessário e precipita crises.
Sobre a intubação na crise asmática, assinale a alternativa correta.
Intubar o asmático é decisão de último recurso, e depois dela o cuidado central é permitir tempo expiratório suficiente com frequências baixas, aceitando hipercapnia permissiva para evitar aprisionamento aéreo e barotrauma. O tubo não trata a obstrução: broncodilatador e corticoide continuam sendo indispensáveis.
Menino de 8 anos, asmático, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa, fala em palavras isoladas, frequência respiratória de 40 irpm, tiragem intensa, SpO2 de 88% em ar ambiente e sibilos difusos. Qual a conduta inicial?
O tripé da crise grave é oxigênio, broncodilatador inalatório em doses repetidas com anticolinérgico associado e corticoide sistêmico administrado o mais cedo possível, já que seu efeito leva horas para aparecer. Corticoide inalatório não substitui o sistêmico na crise, e aminofilina é droga de resgate tardio com estreita margem terapêutica.
Qual é o papel da ventilação não invasiva na crise asmática grave em crianças?
A ventilação não invasiva pode reduzir o trabalho respiratório e evitar a intubação em pacientes selecionados que não responderam à terapia inicial, sempre com vigilância estreita e prontidão para escalonar. Ela é adjuvante e nunca substitui broncodilatador e corticoide, que continuam sendo o tratamento da obstrução propriamente dita.
Sobre o pulso paradoxal na crise asmática, assinale a alternativa correta.
A queda inspiratória exagerada da pressão sistólica traduz o esforço respiratório intenso e marca gravidade — mas quando a musculatura se esgota, o esforço diminui e o pulso paradoxal desaparece, o que pode ser lido erroneamente como melhora. É um sinal que precisa ser interpretado junto ao restante do quadro, nunca isoladamente.
Sobre a indicação de radiografia de tórax na crise asmática em crianças, assinale a alternativa correta.
A radiografia de rotina na crise típica não muda conduta e leva a diagnósticos incidentais e antibióticos desnecessários — ela entra quando há assimetria à ausculta, febre alta, dor torácica, enfisema subcutâneo ou falha de resposta ao tratamento. Exigi-la antes do corticoide é atrasar a medida que mais influencia o desfecho.
Qual dos seguintes é fator de risco para asma quase fatal e deve elevar o nível de vigilância na crise?
História de intubação ou de internação em unidade intensiva por asma é o marcador mais forte de risco de desfecho fatal, ao lado de uso excessivo de broncodilatador de resgate e de má adesão ao tratamento de controle. O uso regular de corticoide inalatório é fator protetor, e escolhê-lo como risco inverte o papel da terapia de manutenção.
Sobre a gasometria arterial na crise asmática grave, assinale a alternativa correta.
O paciente em crise hiperventila e derruba o dióxido de carbono; quando esse valor sobe para a faixa normal, isso significa que a ventilação alveolar já não acompanha a demanda — é sinal de exaustão, não de melhora. Ler uma pCO2 normal como tranquilizadora é o erro que atrasa o suporte ventilatório em quem está prestes a parar.
Sobre a espirometria na avaliação da asma em crianças, assinale a alternativa correta.
A espirometria depende de colaboração e passa a ser factível por volta dos cinco a seis anos, com a resposta ao broncodilatador reforçando o diagnóstico. Um exame normal em período intercrítico é comum e não afasta asma, porque a obstrução é variável — encerrar a investigação diante de espirometria normal é o erro mais frequente na interpretação.
Adolescente de 13 anos, asmático em uso irregular de corticoide inalatório, chega com crise iniciada há 6 horas, agitado, incapaz de completar frases, com uso de musculatura acessória, frequência cardíaca de 140 bpm e SpO2 de 90%. Após três séries de beta-2 agonista com ipratrópio e corticoide oral, mantém desconforto importante. Qual a próxima medida?
Crise grave que não responde ao esquema inicial otimizado tem no sulfato de magnésio o próximo degrau, reduzindo internações quando administrado nessa janela, sempre com broncodilatador mantido. Intubar um paciente que ainda responde à terapia inalatória é precipitado e traz risco elevado de hiperinsuflação e barotrauma no asmático.
Qual condição deve ser considerada em criança rotulada como asmática que não melhora com tratamento adequado e apresenta sibilância localizada e persistente?
Sibilância localizada e persistente que não responde ao tratamento indica obstrução fixa e exige investigação com imagem e, quando necessário, broncoscopia — corpo estranho, anel vascular e compressão por linfonodo entram no diferencial. Simplesmente aumentar a dose do corticoide é a resposta automática que retarda o diagnóstico correto por meses.
Criança de 6 anos com crise asmática grave apresenta hipocalemia e hiperglicemia após várias nebulizações. Qual a explicação?
Os agonistas beta-2 empurram potássio para o intracelular e elevam a glicemia, efeitos previsíveis quando se administram doses repetidas em crise grave, ao lado de tremor e taquicardia. Reconhecê-los evita interpretações equivocadas e a suspensão do broncodilatador — a conduta é monitorizar e repor potássio quando necessário, mantendo o tratamento.
Qual a via de administração e o dispositivo preferenciais para o beta-2 agonista na crise asmática em crianças?
O aerossol dosimetrado com espaçador entrega a droga de forma tão eficaz quanto a nebulização na maioria das crises, com menos efeitos adversos, menor tempo de permanência e menor risco de dispersão de aerossóis. A via oral tem início lento e efeitos sistêmicos maiores, e nebulização contínua é reservada às crises graves refratárias.
Sobre o corticoide sistêmico na crise asmática, assinale a alternativa correta.
A administração precoce reduz internações e recaídas, e a via oral iguala a endovenosa em criança que tolera medicação — reservar a veia para quem vomita ou está muito grave. Cursos curtos de até cerca de uma semana não exigem desmame, e prolongar o tratamento por semanas apenas soma efeitos adversos sem ganho terapêutico.
Criança em crise asmática grave apresenta enfisema subcutâneo cervical e dor torácica súbita, com redução do murmúrio vesicular à direita. Qual a hipótese e a conduta?
Enfisema subcutâneo com dor súbita e assimetria de ausculta em asmático grave aponta para escape aéreo por barotrauma, complicação temida da hiperinsuflação e da ventilação com pressões altas. Diante de instabilidade, a descompressão não deve esperar imagem — sinais de pneumotórax hipertensivo autorizam a punção imediata.
Menino de 12 anos é levado à UBS com histórico de crises de sibilância recorrentes, sendo três nos últimos 6 meses, com uso frequente de broncodilatador de resgate e despertares noturnos semanais. Está sem tratamento de manutenção. Ausculta atual com sibilos discretos. Qual é a conduta mais adequada na Atenção Primária?
Asma com sintomas frequentes e despertares noturnos indica necessidade de tratamento de manutenção com corticoide inalatório, associado a educação sobre técnica inalatória e plano de ação, cuidado plenamente realizável na Atenção Primária. Manter só o resgate perpetua o descontrole e aumenta risco de exacerbação grave. Antibiótico não previne crises de asma e não trata inflamação brônquica. Encaminhar sem iniciar tratamento atrasa o controle de condição prevalente e manejável na APS.
Criança de 7 anos com quadro de tosse crônica e sibilância recorrente desde episódio de bronquiolite aos 6 meses é avaliada na Unidade Básica de Saúde. Os episódios respondem a broncodilatador e pioram com infecções virais e exercício. Não há baqueteamento digital nem falha de crescimento. Qual é a hipótese mais provável?
Sibilância recorrente com resposta a broncodilatador, desencadeada por infecções virais e exercício, sem sinais de doença supurativa crônica, é compatível com asma, que deve ser avaliada quanto a controle e necessidade de terapia de manutenção. A bronquiectasia cursa com tosse produtiva diária e achados focais persistentes. A fibrose cística associa-se a má absorção e falha de crescimento. A tuberculose apresenta sintomas consumptivos e contexto epidemiológico específico.
Menino de 8 anos com asma persistente moderada, em uso de corticoide inalatório em dose baixa há dois anos com bom controle, comparece à consulta de acompanhamento. A mãe leu na internet que o remédio impede a criança de crescer e quer suspender o tratamento. Ao exame: eupneico, ausculta pulmonar limpa, sem sinais de Cushing. Revisando a caderneta, a estatura acompanha o mesmo canal de percentil desde os 6 anos e a velocidade de crescimento é de 5,5 cm por ano. Qual é a conduta mais adequada?
O corticoide inalatório em dose baixa pode ter efeito discreto e transitório sobre a velocidade de crescimento, sem impacto relevante na estatura final, e a criança descrita mantém canal de percentil e velocidade normais, de modo que a conduta é manter a menor dose eficaz com monitorização antropométrica em cada consulta. Trocar por corticoide oral intermitente aumenta muito a exposição sistêmica, com risco real sobre o crescimento e o eixo adrenal. Deixar apenas o broncodilatador de resgate abandona o tratamento de controle e leva a exacerbações e a mais ciclos de corticoide sistêmico. Hormônio do crescimento não tem indicação em criança que cresce adequadamente.
Menino de 6 anos, com asma diagnosticada há dois anos, é levado à Unidade Básica de Saúde por crises frequentes, com uso de broncodilatador de resgate quatro vezes por semana e dois despertares noturnos por mês. A mãe fuma dentro de casa e o pai fuma na varanda. A criança usa corticoide inalatório em dose baixa, com técnica inalatória verificada e adequada, e adesão referida como boa. Ao exame: eupneico, ausculta com sibilos expiratórios discretos difusos, sem tiragem, saturação 97%. A conduta mais adequada é:
A exposição à fumaça ambiental do tabaco é causa evitável de descontrole da asma infantil, e nenhuma otimização farmacológica substitui a remoção desse fator; a abordagem correta associa apoio à cessação do tabagismo dos pais, orientação de ambiente livre de fumo e reavaliação da etapa de tratamento. Apenas aumentar o resgate trata sintoma e sinaliza descontrole, não o corrige. Antibiótico profilático não previne crises de asma e favorece resistência bacteriana. Retirar o corticoide inalatório em criança sintomática é o oposto do indicado, pois é o medicamento que reduz inflamação e risco de exacerbações graves.
Menino de 6 anos, asmático, chega à Unidade de Pronto Atendimento com dispneia intensa iniciada há 4 horas, após quadro viral. Ao exame: agitado, com fala entrecortada em palavras isoladas, uso de musculatura acessória, tiragem intercostal e de fúrcula, frequência respiratória 44 irpm, frequência cardíaca 148 bpm, saturação de oxigênio 89% em ar ambiente e sibilos difusos com murmúrio reduzido. A mãe já havia administrado duas doses de salbutamol em casa sem melhora. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Na crise asmática grave o tratamento inicial combina oxigênio para manter saturação adequada, beta-agonista de curta ação em doses repetidas, associação com anticolinérgico inalatório nas primeiras horas e corticoide sistêmico precoce, que reduz internações e recaídas. Corticoide inalatório isolado não tem efeito suficiente na crise instalada. Antibiótico não trata broncoespasmo e as exacerbações são predominantemente virais. Adrenalina intramuscular é reservada à anafilaxia ou à falha extrema, não substituindo o broncodilatador inalatório na crise asmática.
Menina de 9 anos permanece com crise asmática grave após três séries de beta-agonista inalatório com anticolinérgico e corticoide sistêmico administrados há uma hora na sala de emergência. Ao exame: sonolenta em intervalos, com esforço respiratório importante, murmúrio vesicular muito reduzido e sibilos escassos, frequência respiratória 50 irpm, saturação de oxigênio 88% sob máscara com reservatório e frequência cardíaca 156 bpm. A gasometria mostra PaCO2 de 48 mmHg. Qual é a conduta adicional indicada neste momento?
Tórax silencioso, sonolência e normalização ou elevação da PaCO2 em crise asmática grave indicam exaustão e falência ventilatória iminente, cenário em que o sulfato de magnésio endovenoso é adjuvante indicado e em que se deve preparar suporte ventilatório e transferência para terapia intensiva. Suspender broncodilatador retira o tratamento principal em plena falência. Sedar criança com hipoventilação sem via aérea protegida precipita parada respiratória. Antibiótico não trata o broncoespasmo nem altera o curso imediato da crise.
Lactente de 14 meses é levado à Unidade Básica de Saúde porque apresentou quatro episódios de chiado no peito no último ano, sempre associados a quadros de coriza e tosse, com boa resposta a broncodilatador e sem necessidade de internação. Entre os episódios permanece assintomático, brinca normalmente e tem ganho ponderal adequado. A mãe tem rinite alérgica e o lactente teve dermatite atópica no primeiro ano. Ao exame, hoje assintomático, a ausculta pulmonar está limpa. A conduta mais adequada é:
Sibilância recorrente no lactente com episódios desencadeados por infecções virais, boa resposta ao broncodilatador e intervalos assintomáticos é conduzida com controle ambiental, tratamento das crises e reavaliação periódica quanto ao início de terapia de manutenção, considerando fatores de risco atópicos. Antibiótico profilático não tem indicação em quadro de gatilho viral. Tomografia e broncoscopia são reservadas a sinais de alarme, como sibilância persistente, início neonatal ou déficit de crescimento. Corticoide oral contínuo é inadequado e traz efeitos adversos importantes nessa faixa etária.
Menino de 6 anos, com asma persistente leve, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde e mantém sintomas noturnos frequentes apesar do uso do corticoide inalatório prescrito. A mãe demonstra como ele usa o dispositivo: aciona o spray dentro da boca, sem espaçador, enquanto a criança respira rapidamente e engole logo em seguida, sem pausa inspiratória. O exame físico está normal, com ausculta limpa, e a adesão relatada é diária, sem falhas nas últimas semanas. A conduta inicial mais adequada é:
Antes de escalonar a terapia da asma é obrigatório revisar técnica inalatória, adesão e controle ambiental, e o uso de espaçador com máscara ou bocal aumenta significativamente a deposição pulmonar do fármaco em crianças. Aumentar a dose sem corrigir a técnica expõe a efeitos adversos sem melhorar o controle. Corticoide oral contínuo é inadequado na asma persistente leve, com efeitos sistêmicos graves. Suspender o corticoide inalatório e manter apenas resgate contraria o tratamento de manutenção indicado e aumenta o risco de exacerbação grave.
Menina de 9 anos, com asma, teve três atendimentos em pronto-socorro por crise no último ano e faltou às últimas consultas de acompanhamento na Unidade Básica de Saúde. A mãe relata que só usa a bombinha quando a filha está mal e não sabe reconhecer sinais de piora. Hoje a criança está assintomática, com ausculta limpa, saturação de 98% e crescimento adequado. A equipe organiza o plano de cuidado longitudinal, considerando as ferramentas que reduzem exacerbações e internações. A conduta mais adequada é:
O plano de ação escrito, associado à revisão da medicação de manutenção, da técnica inalatória e ao seguimento regular na atenção primária, reduz exacerbações, atendimentos de urgência e internações por asma. Manter apenas o resgate e orientar buscar o pronto-socorro perpetua o ciclo de crises e reforça o uso inadequado. Encaminhar ao especialista e encerrar o acompanhamento rompe a longitudinalidade, atributo central da atenção primária. Radiografia anual não monitora o controle da asma e não integra as recomendações.
Adolescente de 13 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando tosse, chiado e falta de ar que surgem cerca de dez minutos após iniciar as aulas de educação física, principalmente em dias frios, com melhora espontânea após o repouso. Fora dessas situações permanece assintomático e não acorda à noite com sintomas. Ao exame apresenta ausculta pulmonar limpa, saturação de 98% em ar ambiente e crescimento adequado, com espirometria basal dentro dos limites da normalidade. A conduta mais adequada é:
O broncoespasmo induzido por exercício é manejado com aquecimento prévio, uso de broncodilatador de curta ação antes da atividade e avaliação da necessidade de corticoide inalatório de manutenção, permitindo a prática esportiva plena. Proibir a atividade física prejudica o desenvolvimento e a saúde do adolescente e não é conduta recomendada. Corticoide oral contínuo é inadequado e traz efeitos sistêmicos graves. Espirometria basal normal não exclui asma, cujo diagnóstico pode exigir prova broncodilatadora, teste de broncoprovocação ou monitorização de sintomas.
Menino de 5 anos, com asma persistente, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde e mantém sintomas frequentes apesar do uso regular e com técnica correta do corticoide inalatório. Na visita domiciliar, a agente comunitária relata que o pai fuma dentro de casa, há mofo nas paredes do quarto, tapetes e cortinas pesadas no ambiente e um gato que dorme na cama da criança. O exame físico está normal e o crescimento é adequado, com boa adesão medicamentosa confirmada pela família. A conduta mais adequada é:
O controle ambiental é parte essencial do manejo da asma, e o tabagismo passivo é o fator modificável de maior impacto, seguido de mofo, ácaros e alérgenos animais, devendo ser abordado com apoio à família e oferta de tratamento para cessação do tabagismo antes de escalonar a farmacoterapia. Apenas aumentar a dose ignora o gatilho persistente. Focar exclusivamente no animal deixa de fora fatores mais relevantes. Internação não se justifica em criança assintomática no momento e com exame normal.
Mãe de menino de 7 anos com asma persistente moderada procura a Unidade Básica de Saúde muito preocupada, pois leu na internet que o corticoide inalatório atrapalha o crescimento e decidiu suspender a medicação por conta própria há dois meses. Desde então, a criança voltou a apresentar sintomas noturnos três vezes por semana e precisou de broncodilatador quase diariamente. Ao exame apresenta estatura no percentil 50, sem sinais de descompensação atual, com ausculta discretamente sibilante. A orientação correta é:
O corticoide inalatório em doses habituais tem efeito pequeno e em geral transitório sobre a velocidade de crescimento, enquanto a asma não controlada compromete sono, atividade física, crescimento e qualidade de vida e aumenta o risco de exacerbações graves, de modo que a conduta é acolher a dúvida, informar e retomar o tratamento. Manter apenas resgate deixa a inflamação sem controle. Corticoide oral em dias alternados tem efeitos sistêmicos muito maiores. Aguardar internação para reavaliar significa esperar o desfecho que se quer evitar.
Menina de 8 anos, asmática em uso de corticoide inalatório, procura a Unidade Básica de Saúde com tosse e chiado há 2 dias, após quadro de coriza. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,2 °C, FR 26 ipm, saturação de 95% em ar ambiente, fala frases completas, sem uso de musculatura acessória, com sibilos expiratórios difusos de intensidade moderada. Após duas séries de broncodilatador inalatório com espaçador, melhora dos sibilos e da frequência respiratória, mantendo saturação de 97%. A conduta mais adequada é:
A exacerbação de asma que necessita de broncodilatador em séries se beneficia de corticoide sistêmico em curso curto, mantendo-se o corticoide inalatório de manutenção e programando-se reavaliação próxima, o que reduz recaídas e novos atendimentos de urgência. Liberar sem corticoide e sem reavaliação aumenta o risco de retorno com crise mais grave. Internar criança com boa resposta e saturação normalizada é conduta desproporcional. Suspender a manutenção durante a exacerbação retira justamente o controle da inflamação de base.
Menino de 7 anos é encaminhado ao ambulatório com história de tosse noturna recorrente e chiado ocasional há dois anos, sem diagnóstico definido. O exame físico é normal e a família questiona a necessidade de exames. É realizada espirometria, que mostra padrão obstrutivo com relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada reduzida para a idade, com aumento de 15% do volume expiratório forçado após a administração de broncodilatador. A interpretação correta desse resultado é:
Padrão obstrutivo com resposta significativa ao broncodilatador na espirometria apoia o diagnóstico de asma, ao demonstrar a variabilidade e a reversibilidade características da doença, sempre interpretadas junto ao quadro clínico. Padrão restritivo cursaria com redução da capacidade vital e relação preservada ou aumentada. Considerar o exame normal contraria a redução descrita da relação entre os volumes. Obstrução fixa e irreversível não corresponde ao caso, já que houve resposta expressiva ao broncodilatador.
Menino de 5 anos, com crise asmática moderada, chega ao pronto-socorro com FR 36 ipm, saturação de 90% em ar ambiente, tiragem e sibilos difusos. Recebeu broncodilatador em séries e corticoide sistêmico, com melhora parcial, mantendo saturação de 92% e desconforto respiratório moderado, porém consciente, colaborativo e sem rebaixamento do sensório. O serviço dispõe de ventilação não invasiva e de equipe treinada, e não há contraindicação como vômitos incoercíveis ou instabilidade hemodinâmica. A conduta adicional adequada é:
Na criança com crise asmática e resposta parcial ao tratamento, ainda consciente e colaborativa, a ventilação não invasiva pode reduzir o trabalho respiratório e evitar a intubação, desde que haja monitorização rigorosa e preparo para via aérea definitiva em caso de falha. Intubação imediata sem tentativa de suporte não invasivo expõe a criança a riscos evitáveis. Suspender o corticoide retira o tratamento anti-inflamatório essencial. Alta com desconforto persistente e hipoxemia é conduta insegura.
Lactente de 11 meses, nascido com 30 semanas de idade gestacional e que necessitou de ventilação mecânica no período neonatal, é levado à Unidade Básica de Saúde por três episódios de sibilância nos últimos quatro meses, sempre associados a quadros virais, com necessidade de atendimento em pronto-socorro. Entre os episódios permanece assintomático, com ganho ponderal adequado. Ao exame, hoje assintomático, apresenta ausculta pulmonar limpa, saturação de 97% em ar ambiente e crescimento no percentil 25. A conduta mais adequada é:
Prematuros, especialmente os que necessitaram de suporte ventilatório, têm risco aumentado de sibilância recorrente e de hospitalização por infecções respiratórias, o que justifica orientação sobre controle ambiental, prevenção de infecções, vacinação em dia e acompanhamento próximo, com avaliação da necessidade de terapia de manutenção. Antibiótico profilático não previne quadros virais. Encerrar o acompanhamento abandona um lactente de risco. Corticoide oral contínuo é inadequado e traz efeitos sistêmicos importantes nessa idade.
Menina de 10 anos com asma é acompanhada na Unidade Básica de Saúde e, apesar de técnica inalatória correta, boa adesão confirmada, controle ambiental adequado e uso de corticoide inalatório em dose média associado a broncodilatador de longa duração, mantém sintomas diários, duas idas ao pronto-socorro nos últimos três meses e limitação para atividades físicas. Ao exame apresenta ausculta com sibilos difusos, saturação de 95% e crescimento adequado, sem sinais de outra doença. A conduta mais adequada é:
Asma que permanece não controlada apesar de adesão, técnica e controle ambiental adequados, em uso de terapia combinada, exige encaminhamento ao serviço especializado para confirmar o diagnóstico, investigar diferenciais e comorbidades e avaliar terapias adicionais, mantendo-se o vínculo com a atenção primária. Aumentar a dose sem reavaliar o diagnóstico ignora causas alternativas de sintomas. Suspender a manutenção expõe a exacerbações graves. Corticoide oral contínuo por tempo indeterminado traz efeitos adversos importantes e não é a estratégia recomendada.
Adolescente de 13 anos, com asma e obesidade, é acompanhada na Unidade Básica de Saúde e mantém sintomas frequentes de falta de ar aos esforços e uso frequente do broncodilatador de resgate, apesar de corticoide inalatório regular. Ao exame apresenta índice de massa corporal muito acima do percentil 97, PA 122x78 mmHg, ausculta pulmonar com sibilos discretos e saturação de 97%. A espirometria mostra obstrução leve com resposta parcial ao broncodilatador, e ela relata sedentarismo e alimentação rica em ultraprocessados. A conduta mais adequada é:
A obesidade é comorbidade que piora o controle da asma e reduz a resposta ao corticoide inalatório, de modo que a abordagem deve ser simultânea, mantendo o tratamento da asma e estruturando plano de atividade física progressiva e alimentação saudável com envolvimento familiar. Suspender o corticoide deixa a inflamação sem controle. Contraindicar atividade física agrava a obesidade e o descondicionamento, sendo o correto orientar a prática com prevenção do broncoespasmo induzido por exercício. Apenas aumentar a dose ignora a comorbidade que sustenta o mau controle.
Uma equipe de saúde da família identifica que várias crianças com asma da área de abrangência têm crises durante o período escolar e que a escola não permite que os alunos levem o dispositivo inalatório, exigindo que a medicação fique na secretaria, sem profissional treinado para administrá-la. Duas crianças precisaram de atendimento de urgência no último bimestre por atraso no uso do broncodilatador. A equipe planeja uma intervenção articulada com a comunidade escolar. A conduta mais adequada é:
A articulação intersetorial com a escola, com capacitação de profissionais, garantia de acesso rápido ao broncodilatador e plano de ação escrito individual, reduz o tempo até o tratamento e evita atendimentos de urgência, sendo intervenção alinhada ao Programa Saúde na Escola. Retirar as crianças da escola prejudica o direito à educação e não trata a asma. Restringir a medicação ao domicílio ignora que as crises ocorrem no ambiente escolar. Encaminhar ao pronto-socorro a cada sintoma sobrecarrega a urgência e retarda o alívio imediato.
Adolescente de 14 anos com asma comparece à Unidade Básica de Saúde para renovação de receita e relata que usa o broncodilatador de resgate quase todos os dias, tendo consumido três frascos nos últimos três meses, enquanto o corticoide inalatório prescrito permanece praticamente cheio. Refere que só usa a bombinha que alivia rápido. Ao exame apresenta sibilos discretos, saturação de 97% em ar ambiente, crescimento adequado e ausculta sem outras alterações. A interpretação e a conduta corretas são:
O consumo elevado de broncodilatador de resgate é marcador reconhecido de asma não controlada e associa-se a maior risco de exacerbação grave e morte, exigindo revisão do tratamento de manutenção, da técnica inalatória, da adesão e educação estruturada do adolescente. Interpretar esse consumo como bom controle inverte o significado do indicador. Suspender o corticoide inalatório retira o tratamento da inflamação de base. Apenas renovar a receita perpetua o padrão de risco identificado na consulta.
Uma mãe procura a Unidade Básica de Saúde relatando que o filho de 6 anos, com asma persistente, ficou duas semanas sem o corticoide inalatório porque a medicação faltou na farmácia da unidade e ela não teve dinheiro para comprar. Nesse período a criança apresentou piora dos sintomas e uma ida ao pronto-socorro. Ao exame, hoje apresenta sibilos discretos, saturação de 96% em ar ambiente e bom estado geral. A equipe discute como garantir a continuidade do tratamento dessa criança no território. A conduta mais adequada é:
A continuidade do tratamento da asma depende do acesso regular à medicação, e cabe à equipe reinstituir a terapia, orientar sobre as vias de acesso gratuito previstas na rede pública e monitorar o fornecimento, comunicando a falta à gestão, pois a interrupção resulta em exacerbações e uso de serviços de urgência. Transferir à família a responsabilidade pela compra aprofunda a iniquidade. Substituir por corticoide oral contínuo expõe a efeitos adversos graves. Encerrar o acompanhamento na atenção primária rompe a coordenação do cuidado.
Uma mãe de menino de 5 anos com asma relata na consulta que não consegue usar o espaçador prescrito porque o dispositivo quebrou e a unidade está sem estoque. A criança vinha bem controlada com corticoide inalatório e espaçador, e nas últimas semanas voltou a apresentar sintomas ao usar o inalador diretamente na boca. Ao exame apresenta sibilos discretos, saturação de 97% em ar ambiente e bom estado geral, sem sinais de exacerbação aguda no momento da consulta. A conduta mais adequada é:
O espaçador aumenta a deposição pulmonar e reduz efeitos adversos locais, sendo essencial na criança, de modo que a conduta é providenciar o dispositivo pela rede, orientar alternativa de baixo custo com técnica adequada enquanto isso e comunicar a falta à gestão para reposição. Usar o inalador diretamente na boca de forma definitiva reduz a eficácia e perpetua o mau controle. Corticoide oral traz efeitos sistêmicos desproporcionais. Suspender a manutenção expõe a criança a exacerbações graves.
Menina de 3 anos é levada à consulta por sibilância recorrente e tosse noturna nos últimos meses. Ambos os pais fumam dentro de casa, inclusive no quarto onde a criança dorme, e afirmam que abrem a janela para dissipar a fumaça. A criança já teve duas internações por quadro respiratório. Ao exame: eupneica no momento, com sibilos esparsos, sem hipoxemia, com crescimento adequado. A mãe pergunta se o cigarro tem alguma relação com as crises, já que ela nunca fuma perto da filha diretamente. Qual é a orientação correta?
A exposição passiva ao tabaco aumenta a frequência e a gravidade de sibilância, infecções respiratórias, otites e internações na infância, e a orientação é a cessação do tabagismo, com oferta de apoio, e a proibição do fumo em ambientes fechados e no veículo, já que resíduos permanecem em superfícies. Abrir a janela não elimina a exposição. Negar a relação contraria evidências consolidadas. Purificador de ar não substitui a eliminação da fonte de exposição.
Menino de 8 anos com asma persistente leve é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. A mãe relata que ele usa broncodilatador de resgate quase todos os dias e que só procura a unidade quando piora. Ele já perdeu vários dias de aula por crises e teve uma ida ao pronto-socorro no último mês. Ao exame: eupneico, com ausculta pulmonar sem sibilos no momento, crescimento adequado. A mãe pergunta como evitar novas crises e o que fazer em casa quando os sintomas começam. Qual é a conduta mais adequada?
O uso frequente de broncodilatador de resgate, faltas escolares e visitas à urgência indicam controle inadequado, exigindo tratamento de controle com corticoide inalatório, verificação e treinamento da técnica inalatória com espaçador, identificação de fatores desencadeantes e plano de ação por escrito para reconhecimento e manejo precoce das crises. Manter apenas o resgate perpetua a inflamação e as exacerbações. Corticoide oral contínuo traz toxicidade importante e não é manutenção. Depender exclusivamente do pronto-socorro retarda o tratamento precoce da crise.
Lactente de 6 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com o terceiro episódio de sibilância no último semestre, sempre associado a quadros de coriza e tosse, com melhora entre os episódios. Nasceu a termo, está em aleitamento materno complementado e não tem antecedente de prematuridade. Ao exame: eupneico no momento, com ausculta pulmonar limpa, sem tiragem, com crescimento adequado nas curvas e sem sinais de doença crônica. Os pais fumam dentro de casa. Qual é a conduta mais adequada?
A sibilância recorrente do lactente é frequentemente desencadeada por infecções virais, com melhora entre os episódios, e a abordagem inicial envolve identificação e redução de fatores desencadeantes, sobretudo a exposição passiva ao tabaco, manutenção do calendário vacinal e acompanhamento, com tratamento de controle indicado em padrões específicos. Corticoide inalatório contínuo para todos não é recomendado. Antibiótico profilático não previne infecções virais. Investigação ampla se reserva a sinais de alerta, como déficit de crescimento e sintomas persistentes.
Menino, 8 anos, é levado à UBS por tosse seca noturna recorrente e sibilância desencadeada por exercício e por poeira domiciliar, há 2 anos. Nos últimos 3 meses teve sintomas diurnos três vezes por semana e despertares noturnos duas vezes por mês, usando salbutamol de resgate com a mesma frequência dos sintomas. Sem internações. Exame em consulta: eupneico, ausculta sem sibilos, SatO2 98%. Peso e estatura no percentil 50, sem baqueteamento digital. Qual a classificação do controle e a conduta?
Sintomas diurnos mais de duas vezes por semana somados a despertares noturnos e uso frequente de resgate caracterizam asma não totalmente controlada, e a conduta é introduzir corticoide inalatório em dose baixa como medicação de manutenção, pilar do tratamento da asma persistente na infância. Considerar a asma controlada contraria a frequência de sintomas relatada e perpetua o uso isolado de broncodilatador, associado a maior risco de exacerbações. Classificar como grave com corticoide oral por 14 dias é desproporcional na ausência de exacerbação atual, limitação de atividade ou internação. Bronquite bacteriana prolongada cursa com tosse úmida diária por mais de 4 semanas sem sibilância desencadeada por gatilhos, e antibiótico não trata asma. Exigir espirometria antes de tratar posterga o controle; o exame auxilia, mas o diagnóstico e a introdução do controlador são clínicos nessa idade.
Menino, 4 anos, é levado à UBS por tosse persistente há 6 semanas, de predomínio noturno, sem febre. A mãe informa que o pai fuma dentro de casa. A criança teve dois episódios de sibilância no último ano, tratados com broncodilatador. Exame: eupneico, ausculta com sibilos expiratórios discretos difusos, sem tiragem, SatO2 97%. Peso e estatura adequados. Radiografia de tórax com hiperinsuflação leve, sem consolidações ou atelectasias. Qual a conduta mais adequada?
Tosse crônica noturna com sibilância recorrente em pré-escolar exposto a tabagismo passivo caracteriza provável asma, e a conduta indicada é teste terapêutico com corticoide inalatório associado ao controle ambiental, sendo a cessação do tabagismo domiciliar intervenção de grande impacto. Antibiótico de amplo espectro não trata tosse de origem alérgica ou obstrutiva e seleciona resistência. Antitussígeno contínuo suprime o sintoma sem tratar a obstrução e não é recomendado em crianças. Tomografia e broncoscopia são reservadas a suspeita de corpo estranho, malformação ou doença supurativa, com achados que aqui não estão presentes. Corticoide oral por 30 dias em dose imunossupressora é desproporcional e expõe a criança a efeitos adversos significativos.
Menina, 7 anos, apresenta crises de tosse, sibilância e dispneia mais de duas vezes por semana, com despertares noturnos semanais e uso frequente de broncodilatador de alívio. Não usa medicação de manutenção. Espirometria com volume expiratório forçado no primeiro segundo de 76% do previsto, com resposta significativa ao broncodilatador. Tem rinite alérgica e dermatite atópica associadas. Qual a conduta indicada?
Sintomas mais de duas vezes por semana, despertares noturnos e uso frequente de medicação de alívio caracterizam asma não controlada, e o tratamento indicado é a introdução de corticoide inalatório de manutenção, associado a educação, técnica inalatória e plano de ação escrito. Manter apenas broncodilatador de alívio deixa a inflamação sem tratamento e aumenta risco de exacerbações graves. Corticoide oral contínuo tem toxicidade inaceitável nesse contexto e é reservado a asma grave refratária, em curtos períodos. Antibiótico profilático não previne exacerbações de asma. Apenas orientar controle ambiental é insuficiente diante de doença com sintomas frequentes e função pulmonar reduzida.
Menino, 7 anos, apresenta crise de asma com dispneia intensa, dificuldade para completar frases e uso de musculatura acessória. FR 40 ipm, FC 140 bpm, SatO2 89% em ar ambiente. Ausculta com sibilos difusos e murmúrio reduzido. Recebeu duas doses de broncodilatador em casa, sem melhora. Não há febre, e a radiografia não foi realizada até o momento da avaliação inicial no pronto-socorro. Qual a conduta inicial indicada?
A crise de asma moderada a grave é tratada com oxigênio suplementar, beta-2-agonista inalatório em doses repetidas associado a brometo de ipratrópio e corticoide sistêmico administrado precocemente, que reduz internações e recaídas. O corticoide inalatório isolado não substitui a via sistêmica na crise, e a alta precoce sem estabilização é insegura. O antibiótico não é medida principal em crise sem evidência de infecção bacteriana. A sedação com benzodiazepínico é perigosa por deprimir o drive respiratório em paciente com insuficiência ventilatória iminente. Aguardar radiografia atrasa o tratamento de uma emergência cujo diagnóstico é clínico.
Menina, 2 anos, apresenta sibilância recorrente desde os 6 meses, com quatro episódios que exigiram atendimento de emergência no último ano. Tem dermatite atópica, mãe com asma e eosinofilia de 600/mm³ (VR < 500). Está bem entre as crises, com crescimento adequado e sem sinais de outra doença crônica. Os episódios respondem bem a broncodilatador e são desencadeados por infecções virais. Qual a conduta indicada?
Sibilância recorrente em lactente com dermatite atópica, mãe asmática e eosinofilia configura índice preditivo de asma positivo, justificando ensaio terapêutico com corticoide inalatório de manutenção e reavaliação da resposta. Manter apenas broncodilatador nas crises deixa a inflamação sem tratamento e perpetua as idas à emergência. Antibiótico profilático não previne sibilância desencadeada por vírus. A broncoscopia é reservada a suspeita de malformação, corpo estranho ou sibilância atípica localizada, situações não sugeridas na vinheta. O corticoide sistêmico contínuo é inaceitável pela toxicidade em criança pequena com doença controlável por via inalatória.
Menina, 5 anos, com asma persistente, comparece à consulta de revisão. A mãe relata que utiliza o dispositivo inalatório sem espaçador, acionando o aerossol enquanto a criança respira normalmente, sem coordenação e sem pausa inspiratória. A criança mantém sintomas frequentes apesar da prescrição adequada de corticoide inalatório em dose apropriada para a idade e a gravidade da doença. Qual a conduta prioritária?
Antes de escalonar a terapia, é imprescindível verificar e corrigir a técnica inalatória e a adesão, e nesta criança o uso do aerossol sem espaçador reduz drasticamente a deposição pulmonar do fármaco, explicando a falta de controle. Aumentar a dose sem corrigir a técnica expõe a efeitos adversos sem ganho terapêutico. Substituir por corticoide oral contínuo é inaceitável pela toxicidade sistêmica em criança. A espirometria é útil no seguimento, mas não precede a correção de um erro evidente de administração. Suspender o tratamento por suposta falta de resposta deixaria a asma sem controle e aumentaria o risco de exacerbações graves.
Menino, 7 anos, com asma persistente moderada, mantém sintomas frequentes apesar de corticoide inalatório em dose média, com técnica inalatória verificada e boa adesão comprovada. Apresenta ainda rinite alérgica não tratada, exposição a tabagismo passivo em casa e presença de mofo no quarto. Está sem exacerbações graves recentes, mas usa medicação de resgate quatro vezes por semana e desperta à noite semanalmente. Qual a conduta mais adequada?
Antes e junto com o escalonamento farmacológico, o controle da asma exige o tratamento das comorbidades, especialmente a rinite alérgica, e a remoção de fatores ambientais como tabagismo passivo e exposição a mofo, medidas que frequentemente resolvem o descontrole. O corticoide oral contínuo tem toxicidade inaceitável e não é o próximo passo em asma moderada. Suspender o corticoide inalatório deixaria a inflamação sem tratamento e aumentaria as exacerbações. O imunossupressor sistêmico não faz parte do manejo escalonado habitual da asma pediátrica. Trocar apenas o dispositivo, com técnica já verificada como adequada, não corrige as causas identificadas do descontrole.
Menino, 12 anos, com rinite alérgica e asma leve, apresenta há 6 meses episódios de tosse e sibilância desencadeados por exercícios em ambientes frios, com resolução espontânea em 30 minutos após o término da atividade. Fora dessas situações, permanece assintomático, sem despertares noturnos e sem uso de medicação de resgate. A espirometria basal é normal, com resposta significativa após broncoprovocação por exercício. Qual a conduta indicada?
O broncoespasmo induzido por exercício em paciente sem sintomas fora do esforço é manejado com broncodilatador de curta ação antes da atividade, aquecimento prévio, uso de máscara em ambiente frio e controle das comorbidades, como a rinite, mantendo a prática esportiva. Suspender a atividade física é prejudicial e desnecessário. O corticoide oral contínuo tem toxicidade inaceitável nessa situação. Antibiótico profilático não previne broncoespasmo. A imunoterapia é intervenção valiosa na doença alérgica, mas não é a medida isolada e imediata para o broncoespasmo induzido por exercício.
Menino, 7 anos, asmático em uso irregular de corticoide inalatório, chega ao pronto-socorro com dispneia e tosse há 6 horas, após infecção viral. Exame: FR 36 ipm, FC 128 bpm, SatO2 92% em ar ambiente, tiragem intercostal, sibilos difusos, fala em frases curtas, alerta e agitado. Pico de fluxo expiratório em 55% do previsto para a idade e a estatura, sem cianose e sem sonolência. Qual a conduta inicial?
A crise asmática moderada é tratada com beta-agonista inalatório de curta duração em doses repetidas na primeira hora, oxigênio para manter a saturação adequada e corticoide sistêmico precoce, que reduz internações e recaídas. O antibiótico não trata broncoespasmo desencadeado por infecção viral. A adrenalina intramuscular é reservada à anafilaxia ou à falência da terapia inalatória. O sulfato de magnésio é adjuvante em crises graves refratárias, não a medida inicial. A intubação é indicada em falência respiratória com rebaixamento de consciência ou exaustão, sinais ausentes neste paciente alerta e com saturação de 92%.
Adolescente de 13 anos, asmático grave, chega ao pronto-socorro em crise há 3 horas, já tendo recebido três séries de beta-agonista inalatório em outro serviço. Exame: sonolência alternada com agitação, FR 12 ipm, SatO2 86% com máscara não reinalante, tórax silencioso à ausculta, cianose central, FC 148 bpm. Gasometria arterial: pH 7,18; pCO2 62 mmHg; pO2 55 mmHg; bicarbonato 22 mEq/L. Qual a conduta imediata?
Tórax silencioso, rebaixamento do nível de consciência, bradipneia relativa e hipercapnia com acidose configuram asma quase fatal com falência respiratória iminente, exigindo intubação e ventilação mecânica com estratégia que evite hiperinsuflação. Repetir beta-agonista e aguardar mais vinte minutos desperdiça tempo diante de exaustão instalada. A ventilação não invasiva pode ser tentada em casos selecionados, mas não em paciente com rebaixamento de consciência e risco de aspiração. A sedação isolada, sem via aérea protegida, precipita parada respiratória. O corticoide venoso é indispensável, porém tem início de ação lento e não resolve a emergência ventilatória.
Menino de 8 anos, com asma persistente moderada em uso de corticoide inalatório em dose média há 2 anos, é avaliado em consulta de rotina. Os pais estão preocupados com o efeito da medicação sobre a estatura. A criança mantém-se no percentil 40 de estatura, com velocidade de crescimento dentro do esperado, sem sinais de hipercortisolismo e com boa técnica inalatória documentada. Qual a orientação correta?
Manter a medicação na menor dose eficaz e acompanhar a velocidade de crescimento é a orientação correta, pois o corticoide inalatório pode causar discreta redução da velocidade de crescimento no primeiro ano de uso, com impacto pequeno sobre a estatura final, enquanto a asma não controlada prejudica mais o crescimento. Suspender o tratamento expõe a criança a exacerbações graves. Substituir por corticoide oral contínuo é muito mais deletério ao crescimento e ao eixo adrenal. Iniciar hormônio do crescimento não tem indicação nesse cenário. Aumentar a dose sem necessidade eleva o risco de efeitos sistêmicos.
Lactente de 11 meses apresenta terceiro episódio de sibilância em quatro meses, todos associados a quadros de infecção viral de vias aéreas. Está eutrófico, sem sintomas entre as crises, com bom ganho de peso. FR 38 ipm, FC 128 bpm, SatO2 96%, com sibilos difusos. Não há história familiar de asma ou atopia e o parto foi a termo, sem intercorrências neonatais. Qual a conduta mais adequada?
O lactente com sibilância recorrente associada a infecções virais, sem sintomas intercríticos, sem atopia e com bom desenvolvimento, corresponde ao fenótipo de sibilância transitória, cuja conduta é tratar as crises e acompanhar, já que a maioria evolui com resolução espontânea. O corticoide inalatório contínuo é reservado a padrões persistentes ou com marcadores de risco para asma. Tomografia e broncoscopia de rotina são invasivas e desnecessárias sem sinais de alarme. Antibiótico profilático não previne sibilância viral. Corticoide sistêmico contínuo é inaceitável em lactente.
Menino, 8 anos, com diagnóstico de asma, apresenta sintomas diurnos quatro vezes por semana, despertares noturnos duas vezes por mês e uso de broncodilatador de alívio três vezes por semana. FR 22 ipm, FC 88 bpm, SatO2 98%, ausculta sem sibilos no momento. Utiliza apenas broncodilatador de curta duração quando apresenta sintomas, sem terapia de manutenção prescrita. Qual a conduta indicada?
A frequência de sintomas diurnos, os despertares noturnos e o uso frequente de medicação de alívio caracterizam asma não controlada, indicando introdução de corticoide inalatório de manutenção, com revisão da técnica inalatória e da adesão. Manter apenas o broncodilatador de alívio associa-se a maior risco de exacerbações graves e morte. Corticoide oral contínuo traz efeitos adversos inaceitáveis como terapia de manutenção. Antibiótico profilático não previne exacerbações asmáticas. A imunoterapia é adjuvante, jamais primeira medida antes do controle farmacológico.
Menino, 10 anos, asmático, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa há três horas. FR 38 ipm, FC 138 bpm, SatO2 89% em ar ambiente, fala palavras isoladas, com uso de musculatura acessória e sibilos difusos. O pico de fluxo expiratório está em 45 por cento do previsto e ele já usou broncodilatador em casa sem melhora sustentada dos sintomas. Qual a conduta inicial mais adequada?
A crise asmática grave é tratada com oxigenoterapia, broncodilatador de curta duração associado ao brometo de ipratrópio em doses repetidas e corticoide sistêmico precoce, considerando sulfato de magnésio nos casos refratários. O corticoide inalatório isolado não substitui o sistêmico na crise. Antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana. A intubação é reservada à falência respiratória iminente, e não à saturação isolada de 89 por cento antes do tratamento. Nebulizar apenas soro fisiológico não trata o broncoespasmo.
Menino, 6 anos, com asma persistente leve em uso de corticoide inalatório por aerossol dosimetrado, mantém sintomas frequentes apesar da prescrição adequada. FR 22 ipm, FC 90 bpm, SatO2 98%. Durante a consulta, o médico observa que a criança utiliza o dispositivo diretamente na boca, sem espaçador, e sem coordenação entre o disparo e a inspiração do medicamento. Qual a conduta inicial mais adequada?
A técnica inalatória inadequada é a causa mais frequente de falha aparente do tratamento da asma, e o uso de espaçador melhora substancialmente a deposição pulmonar do fármaco, devendo a correção preceder qualquer aumento de dose. Aumentar a dose sem corrigir a técnica expõe a criança a efeitos adversos sem ganho terapêutico. Trocar por corticoide oral contínuo é inaceitável em asma persistente leve. Adicionar fármacos antes de revisar a técnica encarece e complica o tratamento. Suspender o corticoide inalatório piora o controle da doença.
Menino, 9 anos, com suspeita de asma, realiza espirometria em ambulatório especializado. Está assintomático no dia do exame, FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 99%. O exame mostra volume expiratório forçado no primeiro segundo de 74 por cento do previsto e relação entre esse volume e a capacidade vital forçada reduzida, com aumento de 14 por cento e 220 mL após broncodilatador. Qual a interpretação desse resultado?
A redução da relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada caracteriza obstrução, e o aumento superior a 12 por cento e 200 mL após broncodilatador define resposta significativa, achado compatível com asma. O distúrbio restritivo cursa com redução da capacidade vital e relação preservada ou aumentada. Considerar o exame normal contraria os valores apresentados. O padrão misto exigiria redução da capacidade pulmonar total. Não há elementos que indiquem má colaboração no relato do exame.
Menino, 10 anos, com asma persistente leve, retorna para consulta de acompanhamento com bom controle clínico. FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 99%. A mãe pergunta como reconhecer e agir diante de uma piora dos sintomas em casa, já que houve duas idas ao pronto-socorro no último ano por crises que iniciaram de forma gradual ao longo de dois dias. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a educação em asma.
Suspender a medicação de manutenção assim que os sintomas desaparecem é incorreto, pois a asma é doença inflamatória crônica e a interrupção precoce leva à perda de controle e a novas exacerbações, devendo qualquer redução ser gradual e orientada. O plano de ação escrito é ferramenta consagrada de educação. A revisão periódica da técnica inalatória é essencial, pois erros são frequentes. O controle ambiental e a cessação do tabagismo domiciliar reduzem exacerbações. Identificar desencadeantes permite medidas preventivas específicas.
Menina, 12 anos, com crise asmática grave, mantém dispneia intensa após uma hora de tratamento com broncodilatador e ipratrópio em doses repetidas e corticoide sistêmico. FR 40 ipm, FC 142 bpm, SatO2 88% com máscara, fala palavras isoladas e o pico de fluxo expiratório permanece abaixo de 40 por cento do previsto, sem sinais de pneumotórax na avaliação clínica. Qual a próxima medida indicada?
Na crise asmática grave refratária ao tratamento inicial, o sulfato de magnésio endovenoso é a medida adjuvante recomendada, com efeito broncodilatador e redução da necessidade de internação, mantendo-se o tratamento inalatório contínuo. O antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana. Suspender o corticoide sistêmico durante a crise é conduta prejudicial. Nebulizar apenas soro fisiológico não trata o broncoespasmo. A sedação com benzodiazepínico em paciente com insuficiência respiratória sem via aérea assegurada é perigosa.
Menina, 13 anos, com asma bem controlada em uso de corticoide inalatório, refere tosse e chiado após dez minutos de corrida nas aulas de educação física, com resolução espontânea em trinta minutos. Fora dos exercícios permanece assintomática. FR 18 ipm, FC 78 bpm, SatO2 99%, com ausculta pulmonar normal e espirometria basal dentro dos valores de referência. Qual a conduta indicada?
A broncoconstrição induzida pelo exercício é manejada com broncodilatador de curta duração cerca de 15 minutos antes da atividade, aquecimento prévio adequado e manutenção do tratamento de controle, sem restringir a prática esportiva. Suspender o exercício é conduta prejudicial ao desenvolvimento e à saúde cardiovascular. Substituir corticoide inalatório por oral contínuo é inaceitável. O antibiótico não tem qualquer papel preventivo nesse contexto. Manter a adolescente em repouso durante as aulas a exclui socialmente sem necessidade clínica.
Menino, 11 anos, com asma persistente moderada, mantém sintomas frequentes apesar de corticoide inalatório em dose média, com boa adesão e técnica correta. FR 20 ipm, FC 86 bpm, SatO2 98%. Não há rinite não tratada, refluxo sintomático ou exposição relevante a alérgenos e tabaco, e o diagnóstico de asma foi confirmado por espirometria com resposta ao broncodilatador. Qual a próxima etapa do tratamento?
Com asma não controlada apesar de corticoide inalatório em dose média, adesão e técnica adequadas e comorbidades afastadas, a etapa seguinte é associar broncodilatador de longa duração ao corticoide inalatório, combinação que melhora o controle com menor dose de corticoide. O broncodilatador de longa duração em monoterapia é contraindicado por aumentar o risco de eventos graves. O corticoide oral contínuo é inaceitável nessa etapa. O imunobiológico é reservado à asma grave refratária. Aumentar apenas o uso da medicação de alívio não trata a inflamação.
Adolescente de 15 anos, com asma grave, mantém exacerbações frequentes com necessidade de corticoide oral quatro vezes no último ano, apesar de corticoide inalatório em dose alta associado a broncodilatador de longa duração, com adesão e técnica verificadas. FR 22 ipm, FC 88 bpm, SatO2 96%. Imunoglobulina E total de 480 UI/mL e testes cutâneos positivos para ácaros. Qual a conduta indicada?
Asma grave com exacerbações frequentes apesar de terapia otimizada, em paciente com perfil alérgico e imunoglobulina E elevada, é indicação de imunobiológico anti-imunoglobulina E como terapia adicional. Manter corticoide oral contínuo expõe o adolescente a efeitos adversos graves e deve ser evitado. Suspender o corticoide inalatório mantendo apenas broncodilatador de longa duração é contraindicado por aumentar o risco de eventos graves. A antibioticoprofilaxia com macrolídeo tem papel limitado e não é a medida principal. A imunoterapia é adjuvante, não substitui o tratamento de controle.
Menina, 9 anos, asmática em uso de corticoide inalatório, retorna para reavaliação. Nas últimas quatro semanas apresentou sintomas diurnos uma vez por semana, nenhum despertar noturno, uso de medicação de alívio uma vez por semana e nenhuma limitação das atividades habituais. FR 18 ipm, FC 80 bpm, SatO2 99%, com ausculta pulmonar normal no momento do exame. Qual a classificação do controle e a conduta indicada?
Sintomas diurnos até duas vezes por semana, ausência de despertares noturnos, uso de medicação de alívio até duas vezes por semana e ausência de limitação das atividades caracterizam asma controlada, mantendo-se o tratamento com reavaliação periódica e consideração de redução gradual após período de estabilidade. A classificação como parcialmente controlada ou não controlada não corresponde aos parâmetros apresentados. Suspender abruptamente a medicação de manutenção leva à perda de controle. O corticoide oral contínuo é claramente inadequado nesse cenário.
Menina, 6 anos, com crise asmática grave, apresenta melhora parcial após tratamento inicial, mantendo desconforto respiratório moderado. FR 34 ipm, FC 128 bpm, SatO2 93% com oxigênio, consciente e colaborativa, sem vômitos e com reflexos de proteção da via aérea preservados. A gasometria mostra pH 7,33 com pressão parcial de gás carbônico de 48 mmHg, sem instabilidade hemodinâmica. Qual a conduta indicada?
A criança apresenta desconforto moderado com acidose respiratória leve, consciente, colaborativa e com reflexos preservados, perfil adequado para ventilação não invasiva, que reduz o trabalho respiratório e a necessidade de intubação quando aplicada com monitorização. A intubação imediata é precipitada nesse estágio. A sedação com benzodiazepínico sem via aérea assegurada é perigosa em insuficiência respiratória. Suspender o oxigênio agrava a hipoxemia. Nebulizar apenas soro fisiológico não trata o broncoespasmo nem o esforço respiratório.
Menino, 7 anos, asmático em uso regular de corticoide inalatório, apresenta piora dos sintomas respiratórios sempre que tem resfriado, com necessidade de corticoide oral em duas ocasiões no último ano. Entre os episódios permanece assintomático. FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 98%, com ausculta pulmonar normal e espirometria intercrise dentro dos valores previstos. Qual a conduta mais adequada?
As infecções virais são o principal desencadeante de exacerbações asmáticas em crianças, e a conduta é manter o tratamento de controle e reforçar o plano de ação escrito, orientando o aumento da terapia inalatória e o início precoce do corticoide oral quando indicado. Suspender o corticoide inalatório entre os episódios aumenta o risco de exacerbações graves. O antibiótico não trata infecção viral nem previne a piora. O corticoide oral contínuo por toda a sazonalidade é inaceitável. O imunobiológico é reservado à asma grave refratária.
Menina, 10 anos, com asma controlada há seis meses em uso de corticoide inalatório em dose média associado a broncodilatador de longa duração. FR 18 ipm, FC 78 bpm, SatO2 99%, sem exacerbações no período e com espirometria normal. Não houve internações nem uso de corticoide oral no último ano, e a família demonstra boa adesão e técnica inalatória adequada. Qual a conduta indicada?
Após pelo menos três meses de controle sustentado, recomenda-se reduzir gradualmente o tratamento, habitualmente diminuindo primeiro a dose do corticoide inalatório ou retirando o broncodilatador de longa duração, mantendo sempre o anti-inflamatório inalatório. Suspender ambos simultaneamente aumenta o risco de perda de controle. Manter o broncodilatador de longa duração em monoterapia é contraindicado por elevar o risco de eventos graves. Manter indefinidamente o mesmo esquema expõe a efeitos adversos evitáveis. Aumentar a dose em paciente controlada não tem justificativa.
Menino, 7 anos, em uso de corticoide inalatório em dose média há um ano, apresenta boa evolução respiratória. Os pais estão preocupados com efeitos adversos e questionam se devem suspender o tratamento. FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 99%, com velocidade de crescimento adequada e sem candidíase oral. A técnica inalatória com espaçador foi verificada e considerada correta na consulta. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o corticoide inalatório na infância.
Afirmar supressão adrenal grave na maioria das crianças é incorreto, pois esse efeito é raro nas doses habituais e ocorre sobretudo com doses altas e prolongadas ou uso concomitante de corticoide sistêmico. A prevenção da candidíase oral com espaçador e higiene bucal é orientação padrão. O impacto sobre a estatura final é pequeno, na ordem de poucos milímetros, e não justifica suspender o tratamento. O espaçador melhora a deposição pulmonar e reduz a orofaríngea. A asma não controlada compromete crescimento e qualidade de vida.
Menina, 12 anos, asmática, é avaliada em consulta de rotina para estratificação de risco de exacerbações graves. FR 18 ipm, FC 80 bpm, SatO2 99%, assintomática no momento. A equipe revisa o prontuário e a história clínica para identificar fatores associados a maior risco de crises com risco de vida e definir a intensidade do acompanhamento necessário para essa paciente. Assinale a alternativa que NÃO representa fator de risco para exacerbação grave.
O uso regular de corticoide inalatório com boa adesão e técnica adequada é fator de proteção, e não de risco, reduzindo a frequência e a gravidade das exacerbações. A internação prévia em terapia intensiva por asma é o marcador isolado mais forte de risco de crise fatal. O consumo elevado de medicação de alívio indica controle inadequado e maior risco. A má adesão e a técnica inalatória incorreta comprometem o controle da doença. A exposição ao tabagismo passivo aumenta comprovadamente o risco de exacerbações.
Adolescente de 14 anos, com índice de massa corporal no percentil 98, apresenta dispneia aos esforços, sibilância ocasional e sintomas de difícil controle apesar de corticoide inalatório em dose média. FR 20 ipm, FC 86 bpm, SatO2 97%. A espirometria mostra obstrução leve com resposta parcial ao broncodilatador e há relato de ronco noturno e sonolência diurna importante. Qual a conduta mais adequada?
A obesidade piora o controle da asma por mecanismos mecânicos e inflamatórios e frequentemente coexiste com apneia obstrutiva do sono, de modo que a abordagem deve incluir manejo do peso, investigação do distúrbio do sono e otimização do tratamento da asma. Aumentar a dose do corticoide sem tratar as comorbidades tende a falhar. Suspender o corticoide e atribuir tudo ao peso deixa a asma sem tratamento. O imunobiológico é reservado à asma grave após otimização e controle de comorbidades. O corticoide oral contínuo agravaria o ganho de peso.
Menino, 2 anos, com diagnóstico de asma, receberá corticoide inalatório por aerossol dosimetrado. Está eutrófico, FR 26 ipm, FC 104 bpm, SatO2 99%, sem sintomas no momento. A mãe pergunta como administrar corretamente a medicação, já que a criança não consegue coordenar o disparo com a inspiração nem realizar apneia inspiratória após o uso do dispositivo prescrito. Qual a orientação correta?
Em crianças menores de quatro a cinco anos, o aerossol dosimetrado deve ser usado com espaçador acoplado a máscara facial, com respiração corrente por cerca de cinco a dez ciclos após cada jato, técnica que dispensa coordenação e apneia inspiratória. Aplicar o jato durante o choro reduz a deposição pulmonar, pois a inspiração é curta e turbulenta. Substituir por corticoide sistêmico é inaceitável. Adiar o tratamento até os cinco anos deixa a asma sem controle. Aplicar o jato no ambiente não entrega a dose.
Menino, 5 anos, com asma persistente leve e rinite alérgica associada, cuja família apresenta grande dificuldade em administrar corretamente o dispositivo inalatório apesar de orientação repetida. FR 22 ipm, FC 96 bpm, SatO2 98%. Não há sinais de gravidade e a criança apresenta sintomas duas a três vezes por semana, sem despertares noturnos frequentes ou limitação das atividades. Qual alternativa terapêutica pode ser considerada?
O antileucotrieno por via oral é alternativa de controle na asma persistente leve, especialmente útil quando há rinite alérgica associada ou dificuldade importante com a técnica inalatória, ainda que o corticoide inalatório permaneça a primeira escolha. O corticoide oral contínuo é inaceitável pelos efeitos adversos. O broncodilatador de longa duração em monoterapia é contraindicado. A antibioticoprofilaxia não tem qualquer papel no controle da asma. Suspender o tratamento de manutenção mantém a inflamação e o risco de exacerbações.
Menina, 6 anos, asmática, chega à unidade básica com tosse e chiado iniciados há duas horas. FR 26 ipm, FC 104 bpm, SatO2 96% em ar ambiente, fala frases completas, sem uso de musculatura acessória, com sibilos expiratórios difusos. Está ativa, alerta e sem sinais de desconforto importante. A unidade dispõe de broncodilatador com espaçador e de corticoide oral. Qual a conduta indicada?
A crise asmática leve é tratada com broncodilatador de curta duração administrado com espaçador em doses repetidas, seguido de reavaliação, considerando corticoide oral conforme a resposta e o histórico. Encaminhar ao hospital sem tratar atrasa o alívio de um quadro manejável na atenção primária. O corticoide endovenoso é desproporcional e a via oral é igualmente eficaz. Antibiótico inalatório não tem qualquer papel no tratamento da crise. Observar sem medicação prolonga o broncoespasmo e o desconforto da criança.
Menino, 11 anos, com asma persistente moderada, recebe orientação sobre monitorização domiciliar. FR 18 ipm, FC 80 bpm, SatO2 99%, assintomático no momento. A família adquiriu um medidor de pico de fluxo expiratório e questiona como utilizá-lo e como interpretar os valores obtidos ao longo do dia, além de quando procurar atendimento diante de alterações observadas. Qual a orientação correta?
O uso do pico de fluxo expiratório domiciliar exige estabelecer o melhor valor pessoal em período de controle e definir zonas verde, amarela e vermelha que orientam as condutas do plano de ação escrito. Comparar apenas com a média populacional ignora a variabilidade individual. Medir só durante as crises impede conhecer o valor de referência do próprio paciente. O medidor complementa, mas não substitui a avaliação clínica. Nem toda queda exige atendimento hospitalar, pois quedas moderadas são manejadas em casa conforme o plano.
Menina, 9 anos, asmática, chega ao pronto-socorro com crise moderada. FR 30 ipm, FC 120 bpm, SatO2 93%, com sibilos difusos e uso discreto de musculatura acessória. A mãe informa que a criança já recebeu três cursos de corticoide oral nos últimos seis meses e teve uma internação por asma no ano anterior, além de usar medicação de alívio quase diariamente em casa. Qual a conduta após o tratamento da crise?
Múltiplos cursos de corticoide oral, internação prévia e uso quase diário de medicação de alívio indicam asma não controlada com alto risco de exacerbação grave, exigindo ajuste do tratamento de manutenção e seguimento especializado após a alta. Manter o mesmo esquema perpetua o descontrole. O corticoide oral contínuo por seis meses expõe a criança a efeitos adversos graves. Suspender a manutenção com cursos intermitentes de corticoide oral é a pior estratégia possível. A internação prolongada não substitui o ajuste terapêutico ambulatorial.
Menino, 6 anos, com asma persistente moderada em uso de corticoide inalatório em dose média, comparece à unidade básica durante a campanha de vacinação. FR 20 ipm, FC 86 bpm, SatO2 98%, assintomático e sem exacerbação recente. A mãe questiona se a asma ou o uso do corticoide inalatório contraindicam alguma vacina do calendário previsto para a idade da criança. Qual a orientação correta?
O corticoide inalatório não causa imunossupressão sistêmica relevante e não contraindica vacinas, devendo o calendário ser mantido completo, com indicação adicional da vacina anual contra influenza, que reduz exacerbações e hospitalizações em asmáticos. Contraindicar vacinas de vírus vivo por uso de corticoide inalatório é erro conceitual. Adiar as vacinas até suspender o tratamento deixa a criança desprotegida. Restringir apenas à influenza abandona as demais imunizações. Contraindicar a vacina contra influenza em asmáticos inverte a recomendação vigente.
Menino, 9 anos, com asma de difícil controle apesar de corticoide inalatório em dose alta, apresenta tosse noturna frequente, pirose após as refeições e regurgitações. FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 98%, com técnica inalatória correta e boa adesão verificadas. Não há rinite não tratada, tabagismo domiciliar ou exposição significativa a alérgenos no ambiente familiar. Qual a conduta mais adequada?
O refluxo gastroesofágico sintomático é comorbidade que pode comprometer o controle da asma, e seu tratamento está indicado quando há sintomas típicos, como pirose e regurgitações, em paciente com asma de difícil controle e demais fatores já excluídos. Aumentar novamente a dose do corticoide sem abordar a comorbidade tende a falhar. O imunobiológico é reservado à asma grave após otimização e controle de comorbidades. Suspender o corticoide inalatório descontrola a asma. O macrolídeo prolongado não é a estratégia indicada nesse cenário.
Menino, 8 anos, com exacerbação asmática moderada, responde parcialmente ao broncodilatador na emergência. FR 28 ipm, FC 112 bpm, SatO2 94%, com sibilos difusos e melhora após três séries de broncodilatador inalatório. A equipe decide prescrever corticoide sistêmico e a mãe pergunta sobre a duração do tratamento e a necessidade de redução gradual da dose após o término. Qual a orientação correta?
Na exacerbação asmática, o corticoide sistêmico é prescrito em curso curto de três a cinco dias em crianças, sem necessidade de redução gradual quando a duração é curta e o paciente não usa corticoide sistêmico de forma crônica. Um curso de trinta dias expõe a efeitos adversos sem benefício adicional. A dose única sem continuidade é insuficiente para prevenir recaída precoce. O uso contínuo por três meses é inaceitável. Apenas aumentar o corticoide inalatório não substitui o corticoide sistêmico na exacerbação moderada.
Menino, 3 anos, com quatro episódios de sibilância no último ano, apresenta dermatite atópica desde os 6 meses e a mãe tem asma. Está eutrófico, FR 24 ipm, FC 100 bpm, SatO2 98%, assintomático entre os episódios. O hemograma mostra eosinofilia de 6 por cento e não há sinais de alarme para outras causas de sibilância na avaliação clínica realizada. Qual a implicação desses achados?
Sibilância recorrente associada a critério maior, como dermatite atópica e asma em parente de primeiro grau, e critérios menores, como eosinofilia, configura índice preditivo de asma positivo, aumentando a probabilidade de asma persistente na idade escolar e apoiando a introdução de terapia de controle. Considerar o índice negativo contraria os critérios apresentados. Afirmar ausência de valor prognóstico ignora a utilidade clínica do instrumento. O corticoide oral contínuo é inaceitável nessa idade. Tomografia e broncoscopia não são obrigatórias sem sinais de alarme.
Ambulatório de pneumologia pediátrica revisa a prescrição de dispositivos inalatórios conforme a faixa etária e a capacidade de colaboração das crianças atendidas. A discussão envolve o uso de espaçadores com máscara ou bocal, inaladores de pó seco e nebulizadores, considerando eficácia, praticidade, custo e adesão ao tratamento no contexto ambulatorial e domiciliar. Assinale a alternativa INCORRETA sobre esses dispositivos.
Afirmar superioridade do nebulizador sobre o aerossol com espaçador é incorreto, pois estudos mostram eficácia equivalente ou superior do aerossol dosimetrado com espaçador na crise asmática, com menor tempo de administração e menos efeitos adversos. O uso de espaçador com máscara em menores de quatro anos é a recomendação padrão. O inalador de pó seco exige fluxo inspiratório suficiente, geralmente alcançado a partir dos seis anos. O espaçador reduz deposição orofaríngea e efeitos locais. A escolha considera colaboração e adesão.
Adolescente de 15 anos, com asma grave, mantém exacerbações apesar de terapia inalatória otimizada com boa adesão. FR 20 ipm, FC 82 bpm, SatO2 97%. Eosinófilos periféricos de 620 células por microlitro, fração exalada de óxido nítrico elevada, imunoglobulina E total de 120 UI/mL e testes cutâneos negativos para os aeroalérgenos habitualmente testados na rotina. Qual a abordagem terapêutica adicional mais adequada?
Eosinofilia periférica significativa com fração exalada de óxido nítrico elevada e ausência de sensibilização alérgica caracteriza asma eosinofílica não alérgica, cujo tratamento adicional adequado é o imunobiológico anti-interleucina 5. O anti-imunoglobulina E exige sensibilização alérgica documentada e imunoglobulina E em faixa apropriada. O corticoide oral contínuo traz efeitos adversos inaceitáveis. Suspender o corticoide inalatório mantendo apenas broncodilatador de longa duração é contraindicado. A imunoterapia sem sensibilização documentada não tem indicação.
Menino, 12 anos, chega ao pronto-socorro com crise asmática. FR 12 ipm, FC 62 bpm, SatO2 84% com máscara com reservatório, sonolento, com tórax silencioso à ausculta e sem uso evidente de musculatura acessória. A gasometria mostra pH 7,18 com pressão parcial de gás carbônico de 68 mmHg. Ele havia apresentado sibilância intensa e agitação na primeira hora do atendimento. Qual a interpretação e a conduta imediata?
Tórax silencioso, bradipneia, bradicardia, sonolência e acidose respiratória com hipercapnia caracterizam exaustão respiratória iminente na asma grave, exigindo via aérea definitiva e ventilação mecânica com estratégia protetora. Interpretar como melhora é o erro clássico que precede a parada respiratória. O tórax silencioso indica fluxo aéreo criticamente reduzido, não resolução do broncoespasmo. A bradipneia nesse contexto é sinal de falência, não compensação. A hiperventilação psicogênica cursaria com hipocapnia e saturação normal.
Lactente de 18 meses, com sibilância recorrente, chega ao pronto-socorro com desconforto respiratório e sibilos difusos. FR 52 ipm, FC 156 bpm, SatO2 92% em ar ambiente, com tiragem subcostal e aceitação alimentar reduzida. Já teve dois episódios semelhantes com boa resposta ao broncodilatador e não há febre nem sinais de infecção bacteriana no momento. Qual a conduta inicial mais adequada?
A crise de sibilância em lactente com resposta prévia documentada ao broncodilatador é tratada com broncodilatador de curta duração administrado com espaçador e máscara, oxigenoterapia conforme a saturação e reavaliação da resposta, considerando corticoide sistêmico se necessário. O antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana. O corticoide inalatório isolado não trata a crise. A intubação imediata pela saturação isolada é conduta precipitada. Observar sem medicação prolonga o desconforto de um quadro tratável.
Adolescente de 14 anos, com asma persistente desde a infância, passa a comparecer sozinho às consultas e revela baixa adesão ao tratamento, uso de cigarro eletrônico entre amigos e vergonha de usar o inalador na escola. FR 20 ipm, FC 82 bpm, SatO2 97%, com sintomas duas vezes por semana e uma exacerbação nos últimos seis meses de acompanhamento. Qual a abordagem mais adequada?
A adolescência exige abordagem centrada no próprio paciente, com construção de vínculo, discussão de barreiras à adesão, estratégias práticas para o uso do inalador e orientação sobre os riscos do cigarro eletrônico, que agrava a asma. Comunicar-se apenas com os pais afasta o adolescente do cuidado. Suspender o tratamento como condição para adesão é conduta punitiva e perigosa. O corticoide oral contínuo não compensa má adesão e traz efeitos adversos graves. A internação como medida educativa é inadequada e ineficaz.
Mãe de menino de 7 anos com asma persistente relata receio de usar a medicação inalatória de manutenção, afirmando ter ouvido que a bombinha vicia, enfraquece o coração e deve ser usada apenas em último caso. A criança apresenta sintomas frequentes e duas idas ao pronto-socorro no último ano. FR 20 ipm, FC 86 bpm, SatO2 98%, assintomático na consulta atual. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a orientação a ser dada.
Reservar a medicação inalatória apenas para crises graves é incorreto e representa justamente o mito que precisa ser desfeito, pois a asma é doença inflamatória crônica que exige tratamento de manutenção contínuo. O corticoide inalatório não causa dependência e atua sobre a inflamação brônquica. O uso regular reduz exacerbações e idas à emergência. O consumo excessivo de medicação de alívio é marcador de mau controle e de risco. A informação clara com plano de ação escrito melhora comprovadamente a adesão.
Menino, 4 anos, com episódios recorrentes de tosse noturna, sibilância e dispneia, desencadeados por exercício e infecções virais, com boa resposta ao broncodilatador em todos os episódios. Está eutrófico, FR 22 ipm, FC 96 bpm, SatO2 98%, assintomático entre as crises. A mãe tem asma e a criança apresenta dermatite atópica desde o primeiro ano de vida. Qual a conduta indicada?
Em pré-escolares, o diagnóstico de asma é essencialmente clínico, apoiado em episódios recorrentes de sintomas com desencadeantes típicos, resposta ao broncodilatador, períodos assintomáticos e marcadores de atopia pessoal e familiar, permitindo iniciar tratamento de controle. Aguardar a espirometria aos seis anos deixa a criança sem tratamento por anos. Tomografia e broncoscopia não são necessárias sem sinais de alarme. Manter apenas medicação de alívio não trata a inflamação. Corticoide oral contínuo nessa idade é inaceitável.
Menina, 10 anos, com asma persistente moderada e bom controle clínico, comparece a consulta de seguimento. FR 18 ipm, FC 80 bpm, SatO2 99%, assintomática. A mãe questiona a necessidade de repetir a espirometria periodicamente, já que a criança se sente bem e não apresenta sintomas há vários meses de acompanhamento regular no serviço especializado. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o papel da espirometria no seguimento.
Afirmar que a espirometria normal exclui definitivamente o diagnóstico de asma é incorreto, pois o exame pode ser normal entre as crises, sendo o diagnóstico apoiado em história clínica e, quando necessário, em testes de broncoprovocação. A espirometria pode revelar obstrução persistente em pacientes pouco sintomáticos. A repetição periódica monitoriza a evolução funcional. A percepção de sintomas varia e pode subestimar a obstrução. O exame auxilia nas decisões de redução ou intensificação do tratamento de manutenção.
Mãe de menino de 6 anos com asma recebe orientação sobre o plano de ação escrito. A criança está bem no momento, FR 20 ipm, FC 86 bpm, SatO2 98%. A mãe pergunta quais situações indicam procurar atendimento de emergência imediatamente, em vez de apenas aumentar a medicação de alívio em casa conforme as orientações previamente fornecidas pela equipe. Assinale a alternativa que NÃO indica procura imediata por atendimento de emergência.
A melhora completa dos sintomas após duas aplicações da medicação de alívio indica boa resposta domiciliar, sem necessidade de atendimento de emergência imediato, mantendo-se o seguimento conforme o plano de ação. A dificuldade para falar frases completas indica crise grave. A cianose de lábios e extremidades sinaliza hipoxemia significativa. A ausência de melhora após a medicação de alívio caracteriza falha do manejo domiciliar. Sonolência ou confusão com esforço respiratório importante indicam exaustão iminente e exigem atendimento imediato.
Menino, 10 anos, em crise asmática moderada, recebe múltiplas doses de broncodilatador de curta duração na emergência. FR 28 ipm, FC 142 bpm, SatO2 95%, com tremor fino de extremidades e agitação leve. A mãe se preocupa com os efeitos observados e questiona se a medicação está causando algum dano ao coração da criança durante o tratamento da crise. Qual a orientação correta?
Taquicardia, tremor fino e agitação leve são efeitos beta-adrenérgicos esperados e transitórios do broncodilatador de curta duração, sem indicar toxicidade grave, e não justificam suspender o tratamento durante a crise. Interpretá-los como intoxicação grave levaria à suspensão de terapia essencial. A taquicardia nesse contexto reflete o efeito do fármaco e a própria crise, não insuficiência cardíaca. O corticoide inalatório não substitui o broncodilatador na crise. Tremor não caracteriza reação alérgica e não contraindica a classe.
Menino, 8 anos, com asma persistente moderada em uso de corticoide inalatório há dois anos, apresenta velocidade de crescimento discretamente reduzida em relação à curva prévia. FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 98%, com asma bem controlada. A estatura está no percentil 25, com alvo genético compatível, e não há sinais de outras endocrinopatias na avaliação clínica realizada. Qual a conduta mais adequada?
O corticoide inalatório pode reduzir discretamente a velocidade de crescimento, com impacto pequeno sobre a estatura final, de modo que a conduta é manter a menor dose eficaz para o controle e monitorizar a curva de crescimento periodicamente. Suspender o tratamento expõe a criança a exacerbações, e a asma não controlada também compromete o crescimento. Aumentar a dose sem necessidade amplia o risco sem benefício. O corticoide oral contínuo tem impacto muito maior sobre o crescimento. Interromper o acompanhamento da estatura elimina a vigilância necessária.
Menino, 3 anos, com episódios de sibilância exclusivamente durante infecções virais, sem sintomas intercríticos e sem atopia. FR 24 ipm, FC 100 bpm, SatO2 98%, assintomático na consulta. A mãe pergunta se existe algum tratamento capaz de prevenir os episódios, já que a criança apresentou quatro crises no último ano, todas com boa resposta ao broncodilatador. Qual a orientação mais adequada?
Na sibilância induzida por vírus em pré-escolares sem atopia, as opções de controle, como antileucotrieno ou corticoide inalatório intermitente, apresentam benefício modesto e resposta individual variável, devendo ser discutidas com a família e reavaliadas periodicamente. Corticoide inalatório em dose alta por dois anos é desproporcional a esse fenótipo. Antibiótico não previne sibilância viral. Corticoide oral contínuo sazonal é inaceitável pelos efeitos adversos. Afirmar ausência de qualquer opção terapêutica é incorreto e desassiste a família.
Equipe de pediatria discute fatores de risco para asma e sibilância recorrente na infância, com foco em condições perinatais e ambientais que podem ser identificadas precocemente na atenção primária. A discussão inclui prematuridade, baixo peso ao nascer, aleitamento materno, exposição ao tabaco e histórico familiar de atopia entre os elementos considerados relevantes. Assinale a alternativa INCORRETA sobre esses fatores.
Afirmar que o nascimento a termo com peso adequado elimina completamente o risco de asma é incorreto, pois a doença é multifatorial e ocorre também em crianças sem qualquer intercorrência perinatal. A prematuridade associa-se a maior risco de sibilância recorrente por imaturidade pulmonar. O aleitamento materno exclusivo protege contra infecções respiratórias. A exposição ao tabagismo materno na gestação altera o desenvolvimento pulmonar e aumenta o risco de sibilância. A história familiar de atopia eleva a probabilidade de asma persistente.
Menino, 9 anos, com asma persistente moderada, será submetido a adenotonsilectomia eletiva. FR 20 ipm, FC 84 bpm, SatO2 98%, com asma controlada há quatro meses em uso de corticoide inalatório. Teve uma exacerbação com corticoide oral há seis meses e não apresenta sintomas atuais. A equipe de anestesia solicita orientação sobre o preparo respiratório pré-operatório do paciente. Qual a conduta mais adequada?
O preparo do paciente asmático para cirurgia eletiva consiste em manter e otimizar o tratamento de controle, garantindo asma bem controlada antes do procedimento, o que reduz complicações respiratórias perioperatórias, com uso de broncodilatador antes da indução quando indicado. Suspender o corticoide inalatório antes da cirurgia descontrola a doença. Cancelar definitivamente a cirurgia é desproporcional. O corticoide oral contínuo por trinta dias é inaceitável. Realizar o procedimento sem avaliação prévia ignora o risco perioperatório aumentado.
Lactente de 14 meses, que frequenta creche desde os 6 meses, apresentou quatro episódios de sibilância associados a quadros virais no último ano, com boa resposta a broncodilatador e sem necessidade de internação. Entre os episódios permanece assintomático, com crescimento adequado. Não há atopia familiar, dermatite atópica, eosinofilia ou sinais de doença de base ao exame físico e nos exames iniciais. Qual a conduta mais adequada?
Orientar o manejo adequado das crises e evitar a exposição ao tabaco, com acompanhamento clínico, é a conduta mais adequada no lactente sibilante associado a infecções virais, sem marcadores de atopia, cenário em que a maioria evolui com resolução espontânea. O corticoide inalatório contínuo para todos não é indicado, ficando reservado a padrões persistentes ou com marcadores de risco. Tomografia e broncoscopia investigam causas estruturais, sem sinais que as sugiram. O antibiótico profilático não previne sibilância viral. Retirar a criança da creche não é medida proporcional nem sempre viável.
Adolescente, 14 anos, com tosse e chiado recorrentes há 2 anos, sobretudo à noite. Sem sintomas no momento da consulta. Exame físico normal: FR 16 ipm, SatO2 98%, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Espirometria com VEF1 92% do previsto e relação VEF1/CVF 0,84, sem resposta ao broncodilatador. A mãe questiona se realmente é asma. Qual exame complementar melhor apoia o diagnóstico de inflamação eosinofílica das vias aéreas nesse contexto?
A fração exalada de óxido nítrico é o exame indicado: mede indiretamente a inflamação eosinofílica brônquica e, acima de 35 ppb em crianças e adolescentes, apoia asma tipo 2 quando a espirometria está normal fora da crise, como neste caso com VEF1 92% e prova broncodilatadora negativa. A radiografia de tórax é normal na asma e serve apenas para excluir diagnósticos alternativos, sem confirmar inflamação. O cloro no suor investiga fibrose cística, hipótese sem sustentação em adolescente sem esteatorreia, bronquiectasias ou déficit ponderal. A tomografia de alta resolução expõe a radiação e é reservada a suspeita de bronquiectasia ou doença intersticial. A polissonografia avalia distúrbio respiratório do sono, que não explica chiado recorrente com resposta a broncodilatador.
Menino de nove anos com asma apresenta sibilância difusa e dispneia após infecção viral. Usa musculatura acessória e tem redução do pico de fluxo. Não há engasgo ou estridor. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
A crise exige reavaliação frequente e escalonamento quando a resposta é insuficiente. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Menino de nove anos com asma apresenta sibilância difusa e dispneia após infecção viral. Usa musculatura acessória e tem redução do pico de fluxo. Não há engasgo ou estridor. Qual é o diagnóstico mais provável?
Doença prévia com piora de obstrução expiratória difusa favorece crise asmática. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Menino de nove anos com asma apresenta sibilância difusa e dispneia após infecção viral. Usa musculatura acessória e tem redução do pico de fluxo. Não há engasgo ou estridor. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O estreitamento brônquico aumenta esforço e aprisionamento aéreo. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Menino de nove anos com asma apresenta sibilância difusa e dispneia após infecção viral. Usa musculatura acessória e tem redução do pico de fluxo. Não há engasgo ou estridor. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A resposta é útil, mas gravidade também depende de esforço, fala, consciência e oxigenação. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Paciente de oito anos tem tosse e chiado em crises, melhora entre episódios e resposta documentada a broncodilatador em contexto compatível. Qual hipótese é mais provável?
O padrão recorrente variável favorece asma. Episódios recorrentes de sintomas respiratórios variáveis, com gatilhos e resposta terapêutica compatíveis, apoiam asma após avaliar alternativas. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Escolar tem episódios recorrentes de chiado e tosse noturna, desencadeados por exercício e alérgenos, com limitação variável do fluxo documentada. Qual hipótese é mais provável?
A variabilidade e a recorrência apoiam asma. Episódios recorrentes de sintomas respiratórios variáveis, com gatilhos e resposta terapêutica compatíveis, apoiam asma após avaliar alternativas. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Paciente em idade escolar apresenta crises de chiado intercaladas com períodos assintomáticos e obstrução reversível em contexto clínico compatível. Qual hipótese é mais provável?
A limitação variável ao fluxo apoia asma. Episódios recorrentes de sintomas respiratórios variáveis, com gatilhos e resposta terapêutica compatíveis, apoiam asma após avaliar alternativas. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Escolar com atopia tem sintomas respiratórios recorrentes e variáveis, incluindo sibilância ao esforço e crises noturnas. Qual hipótese é mais provável?
O conjunto é compatível com asma. Episódios recorrentes de sintomas respiratórios variáveis, com gatilhos e resposta terapêutica compatíveis, apoiam asma após avaliar alternativas. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Escolar apresenta broncoespasmo por exacerbação asmática e precisa de tratamento anti-inflamatório sistêmico conforme avaliação de gravidade. Qual estratégia é mais apropriada?
A estratégia combina resgate broncodilatador e corticoide quando indicado. Crise asmática requer broncodilatação, avaliação de gravidade e terapia anti-inflamatória quando indicada, com monitorização da resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Escolar asmático apresenta exacerbação moderada com sibilância difusa e resposta parcial ao resgate inicial, sem sinais de falência iminente. Qual estratégia é mais apropriada?
A crise exige broncodilatação e anti-inflamatório conforme gravidade. Crise asmática requer broncodilatação, avaliação de gravidade e terapia anti-inflamatória quando indicada, com monitorização da resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Paciente com asma conhecida apresenta crise com esforço respiratório moderado, ainda ventilando adequadamente e sem alteração de consciência. Qual estratégia é mais apropriada?
Tratamento broncodilatador e corticoide indicado pela gravidade são apropriados. Crise asmática requer broncodilatação, avaliação de gravidade e terapia anti-inflamatória quando indicada, com monitorização da resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Paciente asmático tem sibilos, redução do fluxo e esforço moderado, sem contraindicação a broncodilatador ou corticoide indicado. Qual estratégia é mais apropriada?
As medidas tratam obstrução e inflamação da exacerbação. Crise asmática requer broncodilatação, avaliação de gravidade e terapia anti-inflamatória quando indicada, com monitorização da resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/managing-an-acute-asthma-exacerbation
Com esse padrão sem consolidação focal e quadro típico de exacerbação asmática, qual decisão deve ser evitada?

Esse achado não demonstra pneumonia bacteriana.
Qual conclusão sobre o adolescente é inadequada a partir deste RX isolado?

Gravidade depende de esforço, fala, saturação, ausculta, consciência e resposta ao tratamento.
Em adolescente de 17 anos com sibilância, qual padrão predomina na radiografia?

Campos muito aerados, diafragmas baixos e silhueta alongada sugerem aprisionamento aéreo.
Se houver crise com exaustão, pouca entrada de ar e alteração de consciência, o que muda?

Tórax silencioso e exaustão podem indicar gravidade extrema, não resolução.
Qual achado sugere controle insatisfatório?

Sintomas noturnos e limitação funcional são dimensões do controle.
Qual dispositivo pode facilitar administração com aerossol dosimetrado?

Espaçador ajuda a coordenar administração e melhorar deposição, com técnica correta.
Antes de aumentar tratamento, qual intervenção é essencial neste contexto?

Tratamento não recebido adequadamente não pode ser julgado como falha farmacológica verdadeira.
Qual objetivo do controlador inalatório é central?

Controladores anti-inflamatórios reduzem sintomas e exacerbações quando usados adequadamente.
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em 7 dias
Escreva de memória os três critérios diagnósticos de asma na criança de 5 anos ou menos, com o número de episódios exigido, a duração mínima de cada episódio e as três janelas de resposta clínica (20 a 60 minutos, 3 a 4 horas, 2 a 3 meses). Diga que rótulo se dá quando só um ou dois critérios estão cumpridos. Em seguida escreva a partir de que idade se solicita espirometria e por que ela resolve pouco na infância. Depois liste os dois critérios maiores e os três menores do Índice Preditivo de Asma com a regra de positividade, e diga para que ele serve e para que não serve. Por fim, escreva a dose baixa de beclometasona de partícula padrão nas três faixas etárias — 5 anos ou menos, 6 a 11 anos e 12 anos ou mais — e a dose de prednisolona da crise com o teto.
em 30 dias
Refaça os três critérios diagnósticos e as doses de corticoide inalatório das três faixas etárias sem consultar, incluindo a partícula extrafina. Reconstrua as etapas 1 a 4 do menor de 5 anos e as etapas 1 a 5 dos 6 aos 11 anos, dizendo qual é o medicamento de alívio em cada faixa e a partir de que idade o corticoide inalatório com formoterol pode ser o resgate. Escreva as quatro perguntas do controle nas duas faixas etárias, com o limiar de frequência de cada uma e o período que elas cobrem. Depois monte a tabela da crise: as quatro faixas de gravidade com saturação, fala e frequência respiratória; o salbutamol em jatos pelas três faixas de peso; o ipratrópio em gotas nas duas faixas de idade; a prednisolona em mg/kg com teto e duração; a dexametasona; e o sulfato de magnésio com dose, tempo de infusão e idade mínima. Liste os cinco critérios absolutos de internação, os três de UTI e os quatro de intubação. Diga o que não se faz na crise e as quatro linhas da receita de alta. Finalmente, para cada uma das quatro divergências do capítulo, escreva as posições, quem sustenta cada uma, o ano de cada documento e a marca no enunciado que revela em qual deles a questão foi montada.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Menino de 4 anos chega ao pronto atendimento com tosse e chiado desde a manhã, piorando ao longo do dia. A mãe conta que ele já teve outras crises parecidas e que hoje usou a bombinha em casa três vezes sem melhora sustentada. Conduza o atendimento: colhe a história dirigida, examine com atenção ao esforço respiratório e à entrada de ar, meça a saturação antes de qualquer medicação, classifique a gravidade da crise, prescreva a conduta com dose por peso e defina o destino da criança e as orientações à mãe. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
