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Asma na infância

Antes dos 6 anos não há espirometria, e o diagnóstico se faz por três critérios clínicos mais um teste terapêutico. Depois disso, a prova cobra dois números que quase ninguém decora: a dose de corticoide inalatório em mcg/dia da faixa etária certa, e a dose por peso do beta-2 na crise.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Menina de 6 anos com asma é trazida ao PS com dispneia e sibilância. Ao exame: FR 32 ipm, FC 120 bpm, SatO2 93% em ar ambiente, fala frases entrecortadas, tiragem intercostal e sibilos expiratórios difusos. Qual é a conduta inicial mais adequada para essa crise?

02

Como esse tema cai

A asma do adulto se prova com um número: espirometria com resposta ao broncodilatador, e o diagnóstico está fechado. Na criança pequena esse caminho não existe. A espirometria é solicitada a partir dos 6 anos de idade, e mesmo depois disso ela resolve pouco na infância, porque na maioria das vezes o resultado vem normal com a doença em atividade. Abaixo dos 6 anos o diagnóstico é clínico e probabilístico: reconhece-se um padrão, exclui-se o resto e confirma-se pela resposta ao tratamento.

Isso reorganiza o que a prova pode cobrar. Ela cobra os três critérios que fecham o diagnóstico antes dos 5 anos, e o que fazer quando só dois se cumprem. Cobra o diferencial do lactente sibilante, porque nessa idade chiado é sintoma e não doença. Cobra a dose de corticoide inalatório em mcg por dia, que muda com a faixa etária e é o número que quase ninguém decora. E cobra a crise: a classificação de gravidade, o beta-2 em jatos por faixa de peso, o corticoide sistêmico em mg/kg com o teto, e a hora de transferir.

As faixas etárias não são detalhe de redação: são compartimentos com esquemas diferentes. Menor de 5 anos e 6 a 11 anos têm figuras de tratamento separadas no protocolo brasileiro, número de etapas diferente e medicamento de alívio com regras próprias. O adolescente a partir dos 12 anos já entra no esquema do adulto, com o corticoide inalatório associado ao formoterol como alívio — e esse esquema, junto com o diagnóstico funcional e o manejo da crise do adulto, é assunto do capítulo de Asma da Clínica Médica, não daqui. A frequência respiratória por idade e a classificação AIDPI da tosse também têm dono: o capítulo de Pneumonia na criança. Aqui elas aparecem só como diferencial de uma linha.

Vale saber o alcance de cada documento. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma, na versão de março de 2026, cobre também as crianças: tem um item próprio de diagnóstico abaixo dos 5 anos, uma figura de etapas para essa faixa e outra para os 6 aos 11 anos, e a tabela de doses de corticoide inalatório separada por idade. O quadro de procedimentos do AIDPI Criança vale dos 2 meses aos 5 anos incompletos e é a régua da crise na unidade básica, com conduta escrita ao lado de cada classificação. E os documentos conjuntos da Sociedade Brasileira de Pediatria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia — o de sibilância no pré-escolar, de 2018, e o da exacerbação, de 2021 — são de onde saem os números de dose por peso que o protocolo não detalha.

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O que muda decisão

Antes dos 6 anos: três critérios, e todos precisam ser cumpridos

Como usar este capítulo: na primeira passagem, fixe quatro decisões — reconhecer o padrão provável, avaliar o controle, escolher a etapa pela idade e classificar a crise. Deixe as doses de corticoide inalatório e as portas do SUS para a segunda passagem; elas só fazem sentido depois do algoritmo clínico.

O diagnóstico de asma pode ser feito em criança de 5 anos ou menos, e o protocolo brasileiro de 2026 escreve os critérios um a um. São três, e a formulação é explícita: todos devem ser preenchidos.

O primeiro é o padrão de sibilância. Contam-se pelo menos dois episódios agudos de sibilância nos últimos 12 meses, ou pelo menos um episódio agudo mais sinais e sintomas intermitentes em outro momento. O episódio agudo tem definição: sibilos na expiração, uso de musculatura acessória, falta de ar ou respiração difícil e pesada, cada um com duração superior a 24 horas — e, em pelo menos um deles, a sibilância precisa ter sido confirmada, de preferência por profissional treinado. Os sintomas intermitentes entre os episódios são tosse seca ou crises de tosse, respiração pesada ou falta de ar que piora durante o sono ou depois de rir, chorar e brincar.

O segundo critério é negativo: não haver outro diagnóstico provável que explique os sintomas respiratórios, ressalvada a infecção viral concomitante. Ele obriga a percorrer a lista de diferenciais antes de rotular a criança, e é o critério que a vinheta usa para armar a pegadinha.

O terceiro é a resposta clínica oportuna ao tratamento da asma, e ela tem relógio. Durante um episódio agudo, considera-se resposta a melhora dos sinais e sintomas dentro de 20 a 60 minutos após o beta-2 de curta duração; em exacerbação moderada ou grave que exigiu também corticoide oral, dentro de 3 a 4 horas do início do tratamento. Fora da crise, a resposta pode ser documentada num período de teste de 2 a 3 meses com corticoide inalatório diário mais beta-2 sob demanda, e aí o desfecho que conta é o relato dos pais de redução na gravidade ou na frequência dos episódios e dos sintomas entre eles.

Se um ou mais critérios ainda não foram cumpridos, não se força o rótulo: atribui-se o diagnóstico provisório de suspeita de asma, trata-se e reavalia-se periodicamente. Essa é a resposta correta para a vinheta que descreve dois episódios e nenhuma tentativa terapêutica ainda.

A dose do teste terapêutico tem uma sutileza que a prova gosta. Os estudos que sustentam a recomendação usaram 200 mcg/dia de propionato de fluticasona ou equivalente, dose mais alta do que a recomendada para tratar asma nessa faixa etária. Por isso o protocolo sugere começar com a dose usual inicial de dipropionato de beclometasona, 100 mcg a cada 12 horas, e reduzi-la para a dose diária baixa, 50 mcg a cada 12 horas, assim que houver resposta clínica que indique o diagnóstico. Terminado o período de teste, busca-se a menor dose eficaz.

Por que a espirometria não resolve, e o que resolve no lugar

A espirometria deve ser solicitada a partir dos 6 anos de idade. É possível realizá-la em crianças menores com adaptações de técnica, mas o exame é limitado para diagnosticar asma na infância porque, na maioria das vezes, o resultado é normal mesmo havendo doença em atividade. Espirometria normal não exclui asma em nenhuma idade, e na criança essa ressalva vale o dobro.

O teste de broncoprovocação pode ser usado acima dos 5 anos em quem tem sintomas compatíveis e espirometria normal. Abaixo disso a utilidade é restrita, pela incapacidade da maioria das crianças de executar manobras expiratórias reprodutíveis. Confirmado o diagnóstico e instalado o tratamento contínuo, a espirometria de acompanhamento fica a cada 6 meses na asma persistente.

O que ajuda no lugar são exames que respondem a outra pergunta. O teste cutâneo de puntura e a IgE específica sérica são úteis para caracterizar sensibilização e reforçar a probabilidade de asma, mas a ausência de sensibilização a aeroalérgenos comuns não descarta o diagnóstico. O hemograma serve para excluir anemia como causa de dispneia e para flagrar eosinofilia. A radiografia de tórax é raramente indicada, e quando entra é para excluir anormalidade estrutural, infecção crônica como tuberculose ou corpo estranho inalado — não para confirmar asma.

Uma frase do protocolo vale ser lembrada porque desarma a vinheta que atrasa o tratamento à espera do exame: na ausência de avaliação funcional pulmonar, a decisão de iniciar o tratamento deve considerar a probabilidade clínica e a urgência terapêutica, realizando-se a espirometria assim que possível. Criança com quadro compatível não fica sem corticoide inalatório esperando vaga de exame.

O Índice Preditivo de Asma: o que ele é e o que ele não é

O Índice Preditivo de Asma foi desenvolvido por Castro-Rodríguez e colaboradores para prever, no lactente com sibilância recorrente, quem seria asmático na idade escolar. A composição é a que a prova cobra literalmente. Critérios maiores, dois: asma nos pais e dermatite atópica na criança. Critérios menores, três: rinite alérgica, sibilância na ausência de resfriado e eosinofilia sanguínea igual ou maior que 4%. A regra de positividade: um critério maior ou dois critérios menores.

O desempenho é o que quase nunca aparece no enunciado, e é ele que define o uso correto. Na reprodução feita pelo Departamento Científico de Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, a sensibilidade foi de 41,6% e o valor preditivo positivo de 59,1%. As diretrizes de sibilância no pré-escolar acrescentam a régua que interessa: para ser clinicamente útil, uma regra de predição precisaria de razão de verossimilhança igual ou superior a 10, e a do Índice Preditivo de Asma não passa de 5.

A conclusão dos dois documentos brasileiros é a mesma e é dura: os índices preditivos foram equivocadamente adotados como critérios diagnósticos de asma na idade pré-escolar. Eles estimam risco de persistência, não fecham diagnóstico. Quem fecha diagnóstico são os três critérios da seção anterior.

Há um segundo índice que aparece em prova por curiosidade e vale reconhecer: o escore PIAMA, construído para predizer asma na idade escolar antes dos 4 anos, pontua sexo masculino (2), asma em um ou ambos os pais (1), prematuridade (1), sibilância de 1 a 3 episódios por ano (4) ou 4 ou mais por ano (7) e eczema (6). Escore de 0 a 7 corresponde a risco menor que 5%; de 8 a 15, a risco de 6% a 22%; de 16 a 23, a risco de 25% a 60%.

O Índice Preditivo tem, ainda assim, um lugar operacional: ele identifica o pré-escolar com sibilância viral intermitente e atopia subjacente em quem o beta-2 isolado não basta, e nesse subgrupo se considera corticoide inalatório intermitente em dose alta. É uso de estratificação, não de rótulo.

O lactente sibilante: o que obriga pensar em outra coisa

Sibilância recorrente no lactente e no pré-escolar não é um diagnóstico, é uma síndrome que abriga muitas doenças. A definição operacional brasileira, que combina os critérios de Rozov e de Tabachnik e Levison, é a presença de três ou mais episódios de sibilância em criança maior de um mês e menor de cinco anos. A prevalência é alta: em estudo multicêntrico com mais de 30 mil crianças, os sete centros brasileiros mostraram sibilância recorrente em 21,9% a 36,3% dos lactentes.

A regra de ouro do diferencial é etária e vem escrita na diretriz internacional: asma é menos provável quando a criança tem menos de 12 meses e está no primeiro episódio de sibilância — isso costuma ser bronquiolite, não asma. E quanto menor a criança, maior a chance de o diagnóstico ser outro. Asma também é menos provável quando o único sintoma da história detalhada é tosse produtiva, quando já se documentou falta de resposta ao beta-2 e ao corticoide inalatório, e quando os sinais respiratórios são atípicos.

Cada alternativa tem um sinal que a denuncia, e é por esse sinal que a vinheta se resolve. Tosse que começa logo após o nascimento, com infecções torácicas de repetição, déficit de crescimento por má absorção e fezes soltas, gordurosas e volumosas aponta fibrose cística. Episódio de tosse abrupta e intensa, com ou sem estridor, durante alimentação ou brincadeira, com sinais pulmonares focais ou sibilância unilateral, aponta aspiração de corpo estranho. Sopro cardíaco, cianose ao comer, retardo de crescimento, taquicardia e hepatomegalia apontam cardiopatia congênita. Tosse ao alimentar-se, vômitos fáceis após grandes mamadas e resposta fraca aos medicamentos de asma apontam refluxo gastroesofágico.

Recém-nascido prematuro, de peso muito baixo, que precisou de ventilação mecânica prolongada ou oxigênio suplementar e tem desconforto desde o nascimento, aponta displasia broncopulmonar. Quadro obstrutivo que se instala depois de uma infecção respiratória grave, persiste e não responde ao tratamento da asma levanta bronquiolite obliterante — que os documentos brasileiros listam entre as causas de sibilância recorrente que exigem referência ao especialista. Respiração ruidosa e tosse persistentes com febre que não responde aos antibióticos habituais, linfonodos aumentados e contato com pessoa com tuberculose apontam tuberculose. Infecções torácicas recorrentes com desconforto respiratório neonatal, otite crônica e secreção nasal persistente desde o nascimento apontam discinesia ciliar primária, em que o situs inversus ocorre em cerca de metade dos casos.

Um fio comum atravessa quase toda a lista e é o achado mais barato do exame: resposta ruim aos medicamentos para asma. Criança que chia e não melhora com beta-2 nem com corticoide inalatório bem administrado não é asma mal controlada por definição — é convite a rever o diagnóstico, checar a técnica inalatória e investigar a alternativa.

Criança pequena no colo do cuidador recebendo medicação por spray dosimetrado acoplado a espaçador valvulado com máscara facial cobrindo nariz e boca.
Spray dosimetrado com espaçador valvulado e máscara facial: a via de escolha abaixo dos 4 anos, tanto na manutenção quanto na crise. Dispositivo de pó inalante não serve nessa faixa etária, e a máscara é trocada pelo bocal assim que a criança demonstra técnica adequada.

Controle: quatro perguntas, quatro semanas — e o corte muda com a idade

O controle é sempre a mesma mecânica: quatro perguntas sobre as últimas quatro semanas, e a contagem de quantas vieram positivas. Nenhuma delas é asma controlada; uma ou duas, parcialmente controlada; três ou quatro, não controlada. O que muda entre as faixas etárias é o limiar de frequência dentro de cada pergunta, e é aí que a prova pega.

Na criança de 5 anos ou menos, pela tabela impressa no protocolo brasileiro de 2026, as perguntas são: sintomas diurnos por mais de alguns minutos e mais de uma vez por semana; limitação de atividades por asma; necessidade de beta-2 de resgate mais de uma vez por semana; despertar ou tosse noturna por asma. Repare no limiar: mais de uma vez por semana, não mais de duas. A pergunta sobre limitação de atividade tem tradução prática nessa idade — a criança corre e brinca menos que as outras, cansa mais depressa em caminhadas e brincadeiras.

Dos 6 anos em diante o limiar sobe: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana; despertares noturnos por asma; medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; limitação de atividades. É a mesma tabela do adolescente e do adulto. Registre a data dos documentos, porque a régua internacional se moveu: a edição de 2026 da diretriz global harmonizou também a faixa de 5 anos ou menos em mais de duas vezes por semana, enquanto o protocolo brasileiro de 2026, que adaptou a edição de 2025, mantém o limiar de mais de uma vez. Em cenário do SUS, a régua aplicável é a do protocolo nacional.

Avaliar controle na criança pequena tem uma limitação estrutural que o protocolo assume: depende quase inteiramente do relato de familiares, que nem sempre reconhecem os sintomas como asma. Existem poucos instrumentos validados abaixo dos 4 anos. Dos 4 aos 11 anos usa-se o c-ACT, com escore acima de 19 indicando controle, e ele tem seções separadas para a criança e para os pais. O TRACK é validado para pais de pré-escolares e incorpora o histórico de corticoide sistêmico no último ano. Uma pergunta simples fecha a avaliação quando não há instrumento à mão: o estado recente da criança corresponde ao que os pais consideram normal para ela?

Controle de sintomas não é o mesmo que risco futuro, e mesmo a criança sem sintomas entre as crises pode ter risco alto. Os fatores que pesam são: uma ou mais crises graves no último ano com ida a serviço de urgência, corticoide oral ou internação; sintomas não controlados; início da estação em que ela costuma piorar; exposição a fumaça de tabaco, poluição e alérgenos domiciliares, especialmente em combinação com infecção viral; problemas psicológicos ou socioeconômicos importantes na família; má adesão ao corticoide inalatório e técnica inalatória incorreta.

Há um viés de percepção que a vinheta usa contra o candidato: crianças com controle inadequado costumam evitar esforço físico, e a criança que se retira da brincadeira parece assintomática. Mudanças de comportamento — irritabilidade, cansaço, alteração de humor — são relato frequente no descontrole. E como as crianças tendem a lembrar apenas dos sintomas mais recentes, a informação da criança precisa ser combinada com a dos pais.

Menor de 5 anos: quatro etapas, e o alívio é sempre o mesmo

Abaixo dos 5 anos o tratamento se organiza em quatro etapas, e há uma frase que o protocolo escreve em negrito conceitual: em todas as etapas, o medicamento de alívio é o beta-2 de curta duração sob demanda. Não há corticoide inalatório com formoterol como resgate nessa faixa etária, e a diretriz global registra por quê — não há estudos publicados de terapia de manutenção e resgate com essa combinação abaixo dos 5 anos.

A etapa 1 é a da sibilância viral infrequente, sem sintomas ou com poucos sintomas nos intervalos entre os episódios. Não se indica medicamento de controle diário; considera-se curso intermitente de corticoide inalatório no início das infecções virais. Terapia broncodilatadora oral, inclusive em xarope, não é recomendada em nenhuma etapa: início de ação mais lento e mais efeitos adversos que o beta-2 inalado.

A etapa 2 é o corticoide inalatório diário em dose baixa, administrado por pelo menos 2 a 3 meses para estabelecer a resposta clínica. Quem entra nela: a criança com sintomas de asma mais de duas vezes por semana, ou que teve uma ou mais exacerbações graves com necessidade de atendimento médico não programado no último ano. Alternativas registradas na etapa 2 são o corticoide inalatório intermitente iniciado com os sintomas respiratórios e o antagonista do receptor de leucotrieno, este último com aviso obrigatório aos pais sobre efeitos neuropsiquiátricos. A criança cuja asma se caracteriza por sibilância frequente induzida por vírus com sintomas intermitentes também se enquadra na etapa 2, mas o teste com corticoide inalatório diário em dose baixa vem primeiro.

A etapa 3 é simplesmente dobrar a dose baixa diária de corticoide inalatório — é assim que se define 'dose média' nessa faixa etária. Entram nela as crianças com diagnóstico de asma e sintomas não bem controlados com a dose baixa. Antes de subir, checa-se o de sempre: se os sintomas são mesmo de asma, se a técnica inalatória está correta, se a adesão é boa e se há exposição a alérgenos ou fumaça de tabaco.

A etapa 4 é manter o tratamento e encaminhar ao especialista. O protocolo é honesto: o melhor tratamento para essa população não foi estabelecido. Com orientação especializada, pode-se considerar corticoide inalatório associado a beta-2 de longa duração, com a ressalva de que a evidência existe em crianças de 4 anos ou mais — e o documento da Sociedade Brasileira de Pediatria é direto ao dizer que beta-2 de longa duração não é recomendado abaixo dos 4 anos.

O dispositivo faz parte da prescrição, não é acessório. Dispositivos de pó inalante não são adequados para a maioria das crianças de 5 anos ou menos; usa-se spray dosimetrado com espaçador, com máscara acoplada abaixo dos 4 anos. A transição da máscara para o bocal se faz assim que a criança demonstrar técnica adequada. Se o corticoide é entregue por máscara ou nebulizador, limpa-se a pele do nariz e ao redor da boca logo após a inalação, para evitar dermatite por corticoide.

Como sintomas semelhantes à asma remitem em boa parte das crianças pequenas, a necessidade de manter o controlador é reavaliada a cada 3 a 6 meses. Havendo redução ou suspensão, marca-se retorno em 3 a 6 semanas para verificar se os sintomas voltaram. E a altura da criança é medida pelo menos uma vez por ano: a velocidade de crescimento pode cair nos primeiros 1 a 2 anos de corticoide inalatório, o efeito é dose-dependente, e por isso se busca sempre a menor dose eficaz — lembrando que a asma mal controlada também prejudica o crescimento.

Dos 6 aos 11 anos: outro esquema, e a etapa 1 tem uma pegadinha

Dos 6 aos 11 anos são cinco etapas, e o tratamento inicial é escolhido pela frequência dos sintomas — não se começa sempre na etapa 1.

Com sintomas infrequentes, de 1 a 2 dias por semana ou menos, a recomendação é corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 de curta duração for utilizado, em inaladores combinados ou separados. Essa é a etapa 1, e ela contém a pegadinha da faixa: não existe mais 'só broncodilatador de resgate' como conduta recomendada. Quem marca beta-2 isolado erra por desatualização.

Com sintomas de 2 a 5 dias por semana, etapa 2: corticoide inalatório em dose baixa de manutenção com beta-2 sob demanda, considerando-se também a opção de corticoide inalatório junto de cada uso do beta-2. A escolha leva em conta a adesão provável ao tratamento diário.

Com sintomas na maioria dos dias da semana, 4 a 5 dias por semana, ou despertar noturno por asma pelo menos uma vez por semana, etapa 3: corticoide inalatório associado a beta-2 de longa duração em dose baixa, com beta-2 de curta duração sob demanda; ou corticoide inalatório em dose média com beta-2 sob demanda. Com sintomas diários e despertares noturnos acompanhados de função pulmonar reduzida, etapa 4: corticoide inalatório com beta-2 de longa duração em dose média, mais beta-2 sob demanda.

A etapa 5 é do especialista em asma grave, com fenotipagem. No Sistema Único de Saúde, os imunobiológicos com idade pediátrica aprovada são o omalizumabe, acima de 6 anos, na asma alérgica grave não controlada, com peso entre 20 e 150 kg e IgE total entre 30 e 1.500 UI/mL; o mepolizumabe, a partir de 6 anos, na dose de 40 mg a cada 4 semanas dos 6 aos 11 anos, com eosinófilos iguais ou acima de 150 células/µL ou eosinófilos no escarro em proporção igual ou maior que 2% nessa faixa; e o dupilumabe dos 6 aos 11 anos, com dose por peso — 300 mg a cada 4 semanas de 15 a menos de 30 kg, e 200 mg a cada 2 semanas a partir de 30 kg. Todos exigem pelo menos uma exacerbação grave no ano anterior com necessidade de corticoide oral. Antes de recorrer a eles, o aumento para dose alta de corticoide inalatório na criança é feito por curto período, com reavaliação em 2 a 3 meses.

A combinação de formoterol com budesonida existe para essa faixa, mas com apresentação e papel próprios. Dos 6 aos 11 anos utiliza-se preferencialmente a apresentação de 100/6 mcg por dose medida, equivalente a 80/4,5 mcg de dose administrada, em dispositivo de pó inalável. O quadro do protocolo que descreve o corticoide inalatório com formoterol como alívio e como manutenção-e-resgate é explicitamente restrito a adolescentes de 12 anos ou mais e adultos.

Se a asma se apresenta pela primeira vez durante uma crise, a orientação é tratar como crise: começar o tratamento imediatamente enquanto se faz anamnese breve e exame dirigido. Na alta, inicia-se o tratamento pela etapa 3 ou 4, com manutenção contendo corticoide inalatório, alívio sob demanda e um curso curto de corticoide oral. Beta-2 isolado não é recomendado. O retorno se agenda entre 2 e 7 dias, e a manutenção pode voltar aos níveis anteriores depois de 2 a 4 semanas.

As doses de corticoide inalatório, em mcg por dia, por faixa etária

Esse é o número que a prova cobra e que quase ninguém decora, porque ele muda três vezes: abaixo de 5 anos, dos 6 aos 11 e a partir dos 12. A regra mnemônica que funciona é que a dose da criança de 6 a 11 anos é metade da do adolescente, e que abaixo dos 5 anos não existe faixa — existe um número só.

Na criança de 5 anos ou menos, o protocolo brasileiro imprime a dose baixa diária de dipropionato de beclometasona em spray de partícula padrão como 100 mcg/dia, e a de partícula extrafina como 50 mcg/dia, esta a partir dos 5 anos e ainda não disponível no Brasil. Não há coluna de dose média e alta nessa faixa etária porque a etapa 3 é definida como o dobro da dose baixa. As demais moléculas aparecem nos documentos da Sociedade Brasileira de Pediatria e na diretriz global: budesonida por spray com espaçador 200 mcg/dia, budesonida nebulizada 500 mcg/dia — esta com dados a partir de 1 ano —, propionato de fluticasona 50 mcg/dia a partir dos 4 anos e furoato de mometasona 100 mcg/dia a partir dos 5.

Dos 6 aos 11 anos a tabela ganha três colunas. Beclometasona em spray de partícula padrão: baixa 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400 mcg/dia. Beclometasona de partícula extrafina: baixa 50 a 100, média acima de 100 até 200, alta acima de 200. Budesonida em pó ou spray: baixa 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400.

A partir dos 12 anos os números dobram. Beclometasona de partícula padrão: baixa 200 a 500, média acima de 500 até 1.000, alta acima de 1.000. Beclometasona extrafina: baixa 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400. Budesonida: baixa 200 a 400, média acima de 400 até 800, alta acima de 800.

Duas advertências acompanham a tabela e cobram atenção. A primeira: essas tabelas não são de equivalência de potência. Trocar a dose baixa de um corticoide pela dose baixa de outro pode representar aumento ou redução de potência, e a criança precisa ser monitorada depois de qualquer troca. A segunda: a partícula extrafina da beclometasona tem número diferente — é sempre a metade da partícula padrão — e é justamente essa a pegadinha que a alternativa constrói. Dose alta aumenta a frequência e a intensidade dos efeitos colaterais sistêmicos, incluindo supressão adrenal, e por isso é usada por tempo limitado e com reavaliação.

Sequência ilustrada da técnica correta de inalador dosimetrado com espaçador e máscara em criança pequena e com bocal em criança maior.
Técnica inalatória por faixa etária. Mostrar vedação, acionamento único, número de respirações e os erros mais frequentes que reduzem a deposição pulmonar.

O que o SUS entrega, e por qual porta

Saber o que existe na farmácia muda a resposta, e a lista do protocolo é curta e nomeável. Corticoide inalatório: dipropionato de beclometasona em cápsula ou pó inalante de 200 e 400 mcg e em aerossol ou spray de 50 e 250 mcg; budesonida em cápsula inalante de 200 e 400 mcg e em pó inalante ou aerossol bucal de 200 mcg. Broncodilatador de alívio: sulfato de salbutamol em aerossol de 100 mcg e solução inalante de 5 mg/mL, e bromidrato de fenoterol em aerossol de 100 mcg. Corticoide sistêmico: fosfato sódico de prednisolona em solução oral de 1 mg/mL e 3 mg/mL, e prednisona em comprimidos de 5 e 20 mg. Beta-2 de longa duração: fumarato de formoterol em cápsula ou pó inalante de 12 mcg, e a combinação de formoterol com budesonida em 12 mcg/400 mcg e 6 mcg/200 mcg.

Pelo programa Aqui Tem Farmácia Popular estão disponíveis o dipropionato de beclometasona nas apresentações de 50, 200 e 250 mcg e o sulfato de salbutamol de 100 mcg e 5 mg. Para a família da criança asmática, essa é frequentemente a porta que resolve o acesso — e é informação de conduta, não de burocracia.

O que não está na lista importa igualmente. O antagonista do receptor de leucotrieno, cujo único representante disponível no Brasil é o montelucaste, não está incorporado ao Sistema Único de Saúde para asma — o protocolo diz isso com todas as letras. O tiotrópio foi avaliado e não incorporado, por escassez de evidência de superioridade sobre a combinação já disponível. A apresentação pediátrica de formoterol com budesonida de 100/6 mcg por dose medida, indicada como preferencial dos 6 aos 11 anos, não figura entre as apresentações padronizadas — as que constam são as de 6/200 e 12/400 mcg.

A solução de prednisolona é o detalhe que a prescrição pediátrica exige: com 3 mg/mL, o quadro do AIDPI já traz o volume pronto por faixa de peso, de 2 mL para a criança de 4 a 5 kg até 7,5 mL para a de 16 a 20 kg, na dose de 1 a 2 mg/kg/dia em tomada única pela manhã.

A crise: classificar antes de terminar o exame

A avaliação da crise é feita enquanto o tratamento já começa, não antes dele. Anamnese e exame são sumários e dirigidos: nível de consciência, capacidade de falar ou de mamar, frequências respiratória e cardíaca, uso de musculatura acessória, entrada de ar, sibilância e saturação em ar ambiente antes de qualquer oxigênio.

Na unidade básica brasileira a régua é o quadro do AIDPI, que classifica a sibilância em três caixas com conduta escrita ao lado. Sibilância leve: sem sinais suficientes para as outras duas, saturação igual ou acima de 95%. Sibilância moderada: consciência normal com períodos de agitação, fala ou choro entrecortado, tiragem subcostal, respiração rápida, saturação de 91% a 95%. Sibilância grave ou doença muito grave: qualquer sinal geral de perigo, letargia ou agitação permanente, estridor em repouso, fala em palavras isoladas — no lactente, choro curto ou incapacidade de chorar —, tiragem universal, saturação igual ou abaixo de 90%.

No pronto atendimento a régua tem quatro faixas e usa números mais finos. Leve: saturação igual ou acima de 94%, fala sentenças, frequência respiratória até 40, sem musculatura acessória. Moderada: saturação igual ou acima de 92%, fala frases, frequência aumentada mas ainda até 40, alguma musculatura acessória. Grave: saturação abaixo de 92%, fala palavras, frequência acima de 40, retrações inclusive de escalenos, tórax silencioso ou apenas sibilo inspiratório. Risco de vida: sonolência, confusão ou cianose. Há recomendação forte de usar um escore clínico validado abaixo dos 18 anos, e o mais recomendado é o PRAM, que soma retração supraesternal, contração de escalenos, entrada de ar, sibilância e saturação, de 0 a 12: de 0 a 3 leve, de 4 a 7 moderada, de 8 a 12 grave.

Um detalhe fisiológico evita erro grosseiro de interpretação. Nos primeiros 30 minutos após o salbutamol, a saturação pode cair 5% ou mais: a vasodilatação supera a broncodilatação e piora transitoriamente a relação ventilação-perfusão. Queda de saturação logo após a primeira série de jatos não significa, sozinha, que o tratamento falhou. Do outro lado, a ausência de sibilos numa criança que estava chiando pode ser tórax silencioso, ou seja, obstrução grave — sibilo audível costuma ser sinal de crise moderada, não de crise ruim.

O beta-2 de curta duração inalado é a primeira linha, e a dose brasileira é por peso. O salbutamol em spray, com 100 mcg por jato, é dado na faixa de 2 a 10 jatos por dose a cada 20 minutos dentro da primeira hora, e a distribuição por peso é: 5 a 10 kg, 4 jatos; 10 a 20 kg, 6 jatos; acima de 20 kg, 8 jatos. Na unidade básica, o quadro do AIDPI prescreve o spray de 6 em 6 horas por cinco dias — 2 a 3 jatos por dose abaixo de 2 anos e 2 a 4 jatos a partir de 2 anos — e, quando só há solução para nebulização de 5 mg/mL, uma gota para cada 3 kg de peso, com máximo de dez gotas, diluídas em 3 mL de soro fisiológico.

A técnica vale tanto quanto a dose: um jato de cada vez, com 5 a 6 respirações após cada jato, agitando o inalador imediatamente antes de cada disparo, porque a formulação é suspensão. O espaçador é preferível à nebulização, e o motivo é medido: em metanálise de 39 estudos com 1.897 crianças e 729 adultos, o spray acoplado a espaçador foi a opção de preferência na crise leve e moderada, com melhor deposição pulmonar e menos efeitos sistêmicos. O nebulizador fica para quem não coopera com o spray, por gravidade do quadro ou por agitação.

O corticoide sistêmico entra cedo, de preferência na primeira hora, em toda exacerbação moderada a grave. A dose brasileira é 1 a 2 mg/kg/dia de prednisolona ou equivalente, em dose única pela manhã, com máximo de 40 mg/dia, por 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 dias no adolescente. A via oral é tão eficaz quanto a endovenosa e é preferida; a endovenosa fica para quem não deglute, está vomitando ou vai ser intubado. O efeito clínico leva cerca de 4 horas para aparecer — e é por isso que dar cedo importa. Não é necessário desmame se o uso for menor que 2 semanas.

O brometo de ipratrópio não serve como agente único, mas associado ao beta-2 nas crises mais graves reduz o risco de internação em até 25%. A dose em nebulização é de 125 a 250 mcg por dose abaixo de 4 anos, o que corresponde a 10 a 20 gotas, e de 250 a 500 mcg a partir dos 4 anos, ou seja, 20 a 40 gotas — cada gota tem 12,5 mcg. Administra-se junto do salbutamol, até três vezes a cada 20 minutos na primeira hora; depois a dose é espaçada para 4 a 6 horas ou descontinuada. Em spray, são 4 jatos de 20 mcg com espaçador a cada série de salbutamol.

O sulfato de magnésio endovenoso não é rotina. Ele entra na criança de 2 anos ou mais com crise grave que não respondeu ao tratamento inicial, ou que permanece grave após uma hora de tratamento convencional intensivo, e há evidência de que reduza o tempo e o risco de internação. A faixa registrada no documento brasileiro é de 25 a 75 mg/kg por dose, com máximo de 2 a 2,5 g, em dose única infundida em 20 minutos; a diretriz global de 2026 estreita para 40 a 50 mg/kg, com máximo de 2 g, em 10 a 20 minutos. As duas faixas se sobrepõem entre 40 e 50 mg/kg, e é essa a dose que fica correta em qualquer recorte de banca.

Oxigênio não é para todo mundo. A maioria das crises é leve e não precisa. Quando indicado, oferta-se 1 a 3 L/min por cateter nasal ou máscara e titula-se pela oximetria. O corte que define gravidade e dispara a oferta é a saturação abaixo de 92% em ar ambiente — número que aparece nas três réguas. O alvo depois de instalado o oxigênio é onde os documentos se afastam, e isso está registrado nas divergências. Se a criança tem sinais de anafilaxia junto com a asma, a adrenalina intramuscular vem primeiro, antes do broncodilatador.

Quem interna, quem vai para a UTI e quem se intuba

A regra operacional é de tempo. A criança que chega com crise leve ou moderada e piora, ou não responde aos broncodilatadores e ao corticoide após duas horas do atendimento inicial, precisa de internação. A criança que chega classificada como crise grave vai para unidade de terapia intensiva pediátrica.

Os critérios absolutos de internação são cinco e valem ser lidos como sinais, não como rótulos: deterioração clínica com piora da dispneia e do esforço respiratório; fadiga respiratória, que se manifesta como redução da frequência respiratória, redução da retração esternal e assincronia toracoabdominal; hipoventilação grave, com tórax silencioso à ausculta ou incapacidade de falar; necessidade de oxigênio suplementar por saturação baixa mantida por uma hora ou mais após a terapia inicial; e história prévia de asma quase fatal com internação em terapia intensiva, intubação e ventilação mecânica.

O segundo desses critérios é o mais traiçoeiro, e a vinheta o usa. Criança que estava taquipneica, com tiragem, e que passa a respirar mais devagar com menos retração não está melhorando — está exaurindo. Fadiga respiratória se parece com melhora até o momento em que não se parece mais.

Os critérios relativos de internação são sociais e de história: exacerbação prévia com agravamento rápido e internação; adesão inadequada ao tratamento ambulatorial, com uso frequente de broncodilatador de curta duração; e vulnerabilidade social com incapacidade do cuidador de prestar a assistência necessária. Uma criança sem critério clínico de internação, mas sem quem administre a medicação em casa, não é criança de alta.

Para a terapia intensiva pediátrica os critérios absolutos são três: incapacidade de falar, confusão ou sonolência; hipoxemia apesar de oxigênio suplementar; e hipercapnia moderada a grave. A intubação traqueal é indicada quando há esforço respiratório grave e persistente com alteração do estado mental, hipoxemia com pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg mesmo com oxigênio a 100% ou ventilação não invasiva, hipercapnia progressiva causando acidose respiratória significativa ou alteração do estado mental, e parada cardiorrespiratória.

Na criança de 5 anos ou menos atendida fora do hospital, a lista de transferência imediata é mais objetiva e útil para a prova: cianose; incapacidade de falar ou de beber; frequência respiratória acima de 40 por minuto; saturação abaixo de 92% em ar ambiente; tórax silencioso à ausculta em criança dispneica; falta de resposta a 4 a 6 jatos de salbutamol administrados a cada 20 minutos até três vezes ao longo de uma hora; taquipneia persistente apesar de três administrações, mesmo que a criança mostre outros sinais de melhora; e ambiente social que impede o tratamento. Acrescente-se atenção redobrada em duas situações — história de crise quase fatal e idade abaixo de 2 anos, em que o risco de desidratação e de fadiga respiratória é maior. Durante o transporte, mantêm-se o salbutamol, o oxigênio se necessário e o corticoide sistêmico já iniciado.

Alguns exames merecem posição definida. A gasometria arterial não é rotina: entra quando o pico de fluxo ou o volume expiratório forçado estão abaixo de 50% do previsto, quando a evolução com o tratamento inicial é ruim, ou quando a saturação está abaixo de 92%. Nela, a pressão parcial de dióxido de carbono normal ou aumentada numa criança taquipneica indica piora, não estabilidade. A radiografia de tórax não deve ser realizada de rotina, porque raramente muda o tratamento; ela entra quando não há boa resposta ou quando há sinais sugestivos de complicação, como pneumotórax ou consolidação.

O que não fazer na crise, e o que colocar na receita da alta

Antibiótico não entra por rotina. Revisão sistemática de ensaios randomizados não demonstrou benefício clínico algum com a adição de antibióticos durante exacerbações agudas de asma em crianças ou adultos, e não há dados que apoiem macrolídeo na crise. O antibiótico só se justifica se houver evidência forte de infecção pulmonar — febre com secreção purulenta ou consolidação radiológica.

Sedativo é proibido durante a exacerbação. A formulação da diretriz global é categórica: a sedação deve ser estritamente evitada pelo efeito depressor respiratório dos ansiolíticos e hipnóticos, e há associação relatada entre esses medicamentos e mortes evitáveis por asma. A cetamina é exceção de terapia intensiva, no paciente já intubado, e mesmo lá com evidência fraca.

Xarope não trata asma. Broncodilatador por via oral, incluindo líquidos e xaropes, não é recomendado: início de ação mais lento e mais efeitos adversos que o inalado. As metilxantinas — teofilina e aminofilina — foram desencorajadas nas duas últimas décadas por ausência de benefício clínico adicional e margem de segurança estreita; hoje só se justificam em terapia intensiva, onde os níveis séricos podem ser monitorados. E o quadro do AIDPI nomeia, nas orientações à mãe, os remédios nocivos a desencorajar: anti-inflamatórios, sedativos da tosse, expectorantes, descongestionantes nasais ou orais e antigripais.

Corticoide oral iniciado por conta própria pelos cuidadores no domicílio não é recomendado abaixo dos 5 anos — não há evidência que o sustente. O que os pais devem fazer em casa é começar o beta-2 pelo plano de ação e reavaliar em até uma hora, procurando atendimento se a criança estiver prostrada, não responder ao beta-2 ou piorar, sobretudo se for menor de 1 ano; e também se forem necessários quatro jatos ou mais em um período de 4 horas, ou se o beta-2 for preciso em mais de três ocasiões nas primeiras 12 horas.

A alta tem receita fixa, e ela tem quatro linhas. Primeira: beta-2 de curta duração sob demanda, nunca de horário — o uso regular pode mascarar a piora da asma e, mesmo por uma ou duas semanas, aumenta a hiper-responsividade e reduz o efeito broncodilatador. Segunda: completar o corticoide oral, 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 no adolescente. Terceira: corticoide inalatório iniciado antes da alta se a criança ainda não usava, mantido ou intensificado se já usava — na criança pequena, isso vale sempre que a apresentação foi moderada ou grave, ou quando havia sintomas intervalares de dois ou mais dias por semana. Quarta: suspender o brometo de ipratrópio, porque não há evidência de benefício depois das primeiras uma a duas horas.

O que não é medicamento pesa igual. Revê-se e corrige-se a técnica inalatória, com o dispositivo que a criança de fato consegue usar. Entrega-se ou revisa-se o plano de ação por escrito, com as doses e o modo de uso escritos — plano de ação com revisão regular reduz drasticamente a morbidade da asma. Pergunta-se como a crise se desenvolveu e o que a família fez, porque a resposta costuma revelar o gatilho e a falha. E identificam-se os fatores que contribuíram: infecção viral, fumaça de tabaco, poluição, alérgenos domiciliares, tratamento de manutenção inadequado, técnica incorreta e problemas socioeconômicos.

O retorno é parte da prescrição. Marca-se consulta em 1 a 2 dias para a criança e em 2 a 7 dias para o adolescente, com uma segunda revisão em 1 a 2 meses. Antes da alta hospitalar, a criança precisa estar fora do leito sem oxigênio suplementar, alimentando-se e ingerindo líquidos sem dificuldade. E uma única crise que exigiu atendimento urgente ou corticoide oral já é sinal vermelho: o tratamento de manutenção precisa ser revisto, e quem teve uma ou mais crises nos últimos 12 meses é encaminhado para avaliação especializada.

04

Da gravidade da crise à conduta, e das etapas à dose

A crise da criança tem escala ordinal de verdade, e ela decide o destino. Os cards abaixo são as quatro faixas de gravidade usadas no atendimento agudo da criança de 5 anos ou menos; a tabela principal traduz cada faixa em conduta. As tabelas seguintes trazem o que a prova cobra por número: as doses de corticoide inalatório por faixa etária, as etapas lado a lado, os medicamentos da crise com dose e teto, as perguntas do controle, o sinal que denuncia cada diferencial e os critérios de internação e de UTI.

  1. 1Comece o tratamento enquanto avalia: anamnese e exame dirigidos, sem esperar para agir.
  2. 2Meça a saturação em ar ambiente antes de qualquer oxigênio, e conte a frequência respiratória com a criança o mais tranquila possível.
  3. 3Classifique pela pior faixa em que a criança se encaixar — basta um achado daquela coluna.
  4. 4Se houver sinais de anafilaxia junto com a asma, dê adrenalina intramuscular primeiro.
  5. 5Dê salbutamol em spray com espaçador, um jato de cada vez com 5 a 6 respirações após cada jato, na dose da faixa de peso, repetindo a cada 20 minutos até três vezes na primeira hora.
  6. 6Na crise moderada ou grave, dê corticoide sistêmico oral ainda na primeira hora, e associe brometo de ipratrópio ao beta-2.
  7. 7Ofereça oxigênio se a saturação em ar ambiente estiver abaixo de 92%.
  8. 8Reavalie após a primeira série de jatos e de novo em 1 hora ou antes, com os mesmos parâmetros da avaliação inicial.
  9. 9Na crise grave que não responde ao tratamento inicial ou permanece grave após 1 hora, considere sulfato de magnésio endovenoso na criança de 2 anos ou mais.
  10. 10Transfira imediatamente se a criança piorar, não melhorar, ou preencher qualquer critério de transferência.
  11. 11Melhorando, só receba alta com todos os achados da faixa leve — e com a receita completa e o retorno marcado.

Leve — todos estes achados

Consciência normal, sem cianose central. Saturação em ar ambiente igual ou acima de 94%. Fala sentenças. Frequência respiratória até 40 por minuto. Sem uso de musculatura acessória. Entrada de ar normal ou com discreta redução basal. Sibilância ausente ou expiratória leve. PRAM de 0 a 3.

Moderada — considere o conjunto

Consciência normal, sem cianose. Saturação igual ou acima de 92%. Fala frases. Frequência respiratória aumentada, mas ainda até 40. Alguma musculatura acessória. Entrada de ar diminuída, basal ou difusa. Sibilância expiratória, podendo ser também inspiratória. PRAM de 4 a 7.

Grave — qualquer um destes

Saturação abaixo de 92% em ar ambiente. Fala apenas palavras. Frequência respiratória acima de 40 por minuto. Musculatura acessória presente, podendo haver retração de escalenos. Tórax silencioso ou apenas sibilo inspiratório. PRAM de 8 a 12.

Risco de vida — qualquer um destes

Sonolência, confusão, cianose central, ou a categoria mais grave do escore clínico. Tórax pode estar totalmente silencioso. Conduta: transferência imediata com tratamento iniciado, adrenalina intramuscular antes do broncodilatador se houver anafilaxia associada, e vaga de terapia intensiva.

GravidadeComo se reconheceConduta imediata
LeveSaturação igual ou acima de 94% em ar ambiente; fala sentenças; frequência respiratória até 40; sem musculatura acessória; sibilância ausente ou expiratória leve. No quadro do AIDPI: sem sinais suficientes para as outras caixas, saturação igual ou acima de 95%.Salbutamol 4 jatos em spray com espaçador, um jato de cada vez, reavaliando após a série e repetindo uma vez em 30 a 60 minutos se necessário. Alta com beta-2 sob demanda e reavaliação de corticoide inalatório. No AIDPI: beta-2 inalatório por cinco dias em casa, mais corticoide oral por três dias se a criança já vinha em uso correto de beta-2 há pelo menos 24 horas.
ModeradaSaturação igual ou acima de 92%; fala frases; frequência aumentada mas até 40; alguma musculatura acessória; entrada de ar diminuída. No quadro do AIDPI: consciência normal com períodos de agitação, fala ou choro entrecortado, tiragem subcostal, respiração rápida, saturação de 91% a 95%.Salbutamol na dose da faixa de peso, até três vezes a cada 20 a 30 minutos. Associar brometo de ipratrópio a cada série. Iniciar corticoide oral ainda na primeira hora. Reavaliar em 1 hora. Melhorando, alta com receita completa e retorno em 1 a 2 dias; não melhorando em 2 horas, internar.
GraveSaturação abaixo de 92%; fala palavras; frequência acima de 40; retrações inclusive de escalenos; tórax silencioso ou apenas sibilo inspiratório. No quadro do AIDPI, esta caixa se junta à de doença muito grave: sinal geral de perigo, letargia, estridor em repouso, tiragem universal, saturação igual ou abaixo de 90%.Providenciar transferência e tratar ao mesmo tempo. Salbutamol 4 a 6 jatos com espaçador a cada 20 minutos, com ipratrópio junto. Corticoide sistêmico. Oxigênio para manter a saturação no alvo. Considerar sulfato de magnésio endovenoso na criança de 2 anos ou mais que não responde. No AIDPI, a caixa vermelha manda dar oxigênio, beta-2 inalatório, primeira dose do corticoide e do antibiótico e referir urgentemente.
Risco de vidaSonolência, confusão ou cianose central; ou a categoria mais grave do escore clínico. Bradicardia, movimento toracoabdominal paradoxal e ausência de pulso paradoxal por fadiga muscular completam o quadro.Transferência imediata para terapia intensiva pediátrica com tratamento em curso. Adrenalina intramuscular primeiro se houver anafilaxia associada. Intubação se houver esforço grave com alteração do estado mental, hipoxemia refratária a oxigênio a 100% ou ventilação não invasiva, hipercapnia progressiva com acidose, ou parada cardiorrespiratória.

Corticoide inalatório: dose diária em mcg por faixa etária

Faixa etáriaMolécula e dispositivoDose baixa (mcg/dia)Dose média (mcg/dia)Dose alta (mcg/dia)
5 anos ou menosBeclometasona, spray de partícula padrão100Definida como o dobro da dose baixa (etapa 3)Não se aplica nesta faixa
5 anos ou menosBeclometasona, spray de partícula extrafina (a partir dos 5 anos; ainda não disponível no Brasil)50Dobro da dose baixaNão se aplica nesta faixa
5 anos ou menosBudesonida por spray com espaçador; budesonida nebulizada (dados a partir de 1 ano)200 (spray); 500 (nebulizada)Dobro da dose baixaNão se aplica nesta faixa
5 anos ou menosFluticasona propionato spray (a partir de 4 anos); mometasona spray (a partir de 5 anos)50 (fluticasona); 100 (mometasona)Dobro da dose baixaNão se aplica nesta faixa
6 a 11 anosBeclometasona, spray de partícula padrão100 a 200Acima de 200 até 400Acima de 400
6 a 11 anosBeclometasona, partícula extrafina50 a 100Acima de 100 até 200Acima de 200
6 a 11 anosBudesonida, pó ou spray de partícula padrão100 a 200Acima de 200 até 400Acima de 400
12 anos ou maisBeclometasona, spray de partícula padrão200 a 500Acima de 500 até 1.000Acima de 1.000
12 anos ou maisBeclometasona, partícula extrafina100 a 200Acima de 200 até 400Acima de 400
12 anos ou maisBudesonida, pó ou spray de partícula padrão200 a 400Acima de 400 até 800Acima de 800

Etapas de tratamento lado a lado: 5 anos ou menos e 6 a 11 anos

Etapa5 anos ou menos6 a 11 anos
1Sibilância viral infrequente, sem sintomas intervalares: sem controlador diário; beta-2 de curta duração sob demanda. Considerar curso intermitente de corticoide inalatório no início das infecções virais.Sintomas de 1 a 2 dias por semana ou menos: corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 de curta duração for utilizado, em inaladores combinados ou separados.
2Corticoide inalatório diário em dose baixa por pelo menos 2 a 3 meses, com beta-2 sob demanda. Alternativas: corticoide inalatório intermitente iniciado com os sintomas; antagonista de leucotrieno, com aviso sobre efeitos neuropsiquiátricos.Sintomas de 2 a 5 dias por semana: corticoide inalatório em dose baixa de manutenção com beta-2 sob demanda; ou corticoide inalatório a cada uso do beta-2.
3Dobrar a dose baixa diária de corticoide inalatório. Reavaliar em 2 a 3 meses e considerar encaminhamento.Sintomas na maioria dos dias (4 a 5 por semana) ou despertar noturno pelo menos semanal: corticoide inalatório com beta-2 de longa duração em dose baixa, mais beta-2 sob demanda; ou corticoide inalatório em dose média com beta-2 sob demanda.
4Manter o tratamento e encaminhar ao especialista. Com orientação especializada, considerar corticoide inalatório com beta-2 de longa duração (evidência a partir dos 4 anos). Não há etapa 5 nesta faixa.Sintomas diários com despertares e função pulmonar reduzida: corticoide inalatório com beta-2 de longa duração em dose média, mais beta-2 sob demanda.
5Não existe nesta faixa etária.Avaliação por especialista em asma grave com fenotipagem. Dose alta pediátrica de corticoide inalatório com beta-2 de longa duração por 2 a 3 meses; imunobiológicos disponíveis no SUS a partir dos 6 anos.
AlívioBeta-2 de curta duração sob demanda em todas as etapas. Não há corticoide inalatório com formoterol como resgate nesta faixa.Beta-2 de curta duração sob demanda em todas as etapas do protocolo brasileiro; o esquema com corticoide inalatório e formoterol como alívio é restrito a 12 anos ou mais.

Medicamentos da crise: dose, via, intervalo e teto

MedicamentoDose e viaIntervaloTeto e observações
Salbutamol em spray (100 mcg/jato) com espaçador2 a 10 jatos por dose. Por peso: 5 a 10 kg, 4 jatos; 10 a 20 kg, 6 jatos; acima de 20 kg, 8 jatosA cada 20 minutos na primeira hora, até três sériesUm jato de cada vez, com 5 a 6 respirações após cada; agitar o inalador antes de cada disparo; máscara acoplada abaixo de 4 anos
Salbutamol em nebulização (solução de 5 mg/mL)2,5 mg por nebulização; pelo quadro do AIDPI, 1 gota para cada 3 kg de peso em 3 mL de soro fisiológicoA cada 20 minutos na primeira horaMáximo de 10 gotas por nebulização; reservado a quem não coopera com o spray
Brometo de ipratrópio em nebulização125 a 250 mcg por dose abaixo de 4 anos (10 a 20 gotas); 250 a 500 mcg a partir de 4 anos (20 a 40 gotas). Cada gota tem 12,5 mcgAté três vezes a cada 20 minutos na primeira horaSempre associado ao beta-2, nunca isolado; reduzir para 4 a 6 horas ou suspender depois; suspender na alta
Brometo de ipratrópio em spray4 jatos de 20 mcg com espaçador a cada série de salbutamolAté três vezesReduz o risco de internação em até 25% quando associado ao beta-2 nas crises mais graves
Prednisolona ou prednisona por via oral1 a 2 mg/kg/dia em dose única pela manhãDose diária, iniciada de preferência na primeira horaMáximo de 40 mg/dia pela régua brasileira; 3 a 5 dias na criança e 5 a 7 no adolescente; não precisa desmame se menos de 2 semanas
Dexametasona por via oral0,3 a 0,6 mg/kgDose diáriaMáximo de 12 mg; por 1 a 2 dias apenas, pelos efeitos metabólicos; menor risco de vômito; se ainda sintomático, trocar por prednisolona
Sulfato de magnésio endovenoso25 a 75 mg/kg por dose pela régua brasileira; 40 a 50 mg/kg pela régua internacional de 2026Dose única infundida em 10 a 20 minutos (até 20 minutos na régua brasileira)Máximo de 2 a 2,5 g. Somente a partir de 2 anos, na crise grave sem resposta ao tratamento inicial ou ainda grave após 1 hora
Oxigênio1 a 3 L/min por cateter nasal ou máscara, titulado pela oximetriaContínuo enquanto necessárioIndicado quando a saturação em ar ambiente está abaixo de 92%; o alvo depois de instalado difere entre documentos (ver divergências)
AdrenalinaIntramuscular, se houver anafilaxia associada à crise, antes do broncodilatador. Subcutânea 1:1.000 na dose de 0,01 mL/kg/dose apenas quando não há broncodilatador inalatório disponívelAté 3 doses a cada 20 minutos na aplicação subcutânea do quadro do AIDPIMáximo de 0,3 mL por dose na via subcutânea

Controle da asma: as perguntas, o período e a contagem

Faixa etáriaPeríodoAs quatro perguntasContagem
5 anos ou menos (protocolo brasileiro de 2026)Últimas 4 semanasSintomas diurnos por mais de alguns minutos e mais de uma vez por semana; limitação de atividades por asma (corre e brinca menos que as outras crianças, cansa fácil); beta-2 de resgate mais de uma vez por semana; despertar ou tosse noturna por asmaNenhuma: controlada. Uma ou duas: parcialmente controlada. Três ou quatro: não controlada
6 anos ou maisÚltimas 4 semanasSintomas diurnos mais de duas vezes por semana; despertares noturnos por asma; medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; limitação das atividades por asmaNenhuma: controlada. Uma ou duas: parcialmente controlada. Três ou quatro: não controlada
Instrumentos validados4 semanasc-ACT dos 4 aos 11 anos, com seções para a criança e para os pais; TRACK para pais de pré-escolares, incluindo histórico de corticoide sistêmico no último anoc-ACT acima de 19 indica controle

Lactente sibilante: o sinal que denuncia cada diferencial

CondiçãoO sinal que a denuncia
Bronquiolite viral agudaPrimeiro episódio de sibilância abaixo dos 12 meses, geralmente com crepitações à ausculta
Infecção viral recorrente do trato respiratórioTosse, coriza e congestão nasal por menos de 10 dias, sem sintomas entre as infecções
Fibrose císticaTosse desde logo após o nascimento; infecções torácicas recorrentes; déficit de crescimento por má absorção; fezes soltas, gordurosas e volumosas
Aspiração de corpo estranhoTosse abrupta e intensa, com ou sem estridor, durante alimentação ou brincadeira; sinais pulmonares focais; sibilância unilateral
Cardiopatia congênitaSopro cardíaco; cianose ao comer; retardo de crescimento; taquicardia; hepatomegalia; resposta insatisfatória aos medicamentos de asma
Refluxo gastroesofágicoTosse ao alimentar-se; vômitos fáceis, sobretudo após grandes mamadas; infecções torácicas recorrentes; resposta fraca ao tratamento de asma
Displasia broncopulmonarPrematuro de peso muito baixo, com ventilação mecânica prolongada ou oxigênio suplementar e dificuldade respiratória desde o nascimento
Bronquiolite obliteranteQuadro obstrutivo que se instala após infecção respiratória grave, persiste e não responde ao tratamento da asma
TuberculoseRespiração ruidosa e tosse persistentes; febre que não responde aos antibióticos habituais; linfonodos aumentados; contato com pessoa com tuberculose
Discinesia ciliar primáriaDesconforto respiratório neonatal; infecções de ouvido crônicas e secreção nasal persistente desde o nascimento; situs inversus em cerca de metade dos casos
CoquelucheParoxismos prolongados de tosse, geralmente com estridor e vômitos
Bronquite bacteriana persistenteTosse úmida persistente com resposta ruim aos medicamentos de asma
TraqueomaláciaRespiração ruidosa ao chorar ou comer; retração inspiratória ou expiratória; sintomas presentes desde o nascimento
Anel vascularRespiração persistentemente ruidosa, com resposta ruim aos medicamentos de asma
ImunodeficiênciaFebre e infecções recorrentes, inclusive não respiratórias, com atraso no desenvolvimento

Internação, terapia intensiva e intubação

DecisãoCritérios
Internar (absolutos)Deterioração clínica com piora da dispneia e do esforço; fadiga respiratória, com queda da frequência respiratória, redução da retração esternal e assincronia toracoabdominal; hipoventilação grave, com tórax silencioso ou incapacidade de falar; necessidade de oxigênio suplementar por saturação baixa mantida por uma hora ou mais após a terapia inicial; história prévia de asma quase fatal com internação em terapia intensiva, intubação e ventilação mecânica. Também interna quem chegou leve ou moderado e não respondeu em 2 horas.
Internar (relativos)Exacerbação prévia com agravamento rápido e internação; adesão inadequada ao tratamento ambulatorial, com uso frequente de broncodilatador de curta duração; vulnerabilidade social com incapacidade do cuidador de prestar a assistência necessária.
Terapia intensiva pediátricaIncapacidade de falar, confusão ou sonolência; hipoxemia apesar de oxigênio suplementar; hipercapnia moderada a grave. Quem chega com crise classificada como grave já é candidato.
IntubaçãoEsforço respiratório grave e persistente com alteração do estado mental; pressão parcial de oxigênio abaixo de 60 mmHg com oxigênio a 100% ou ventilação não invasiva; hipercapnia progressiva com acidose respiratória significativa ou alteração do estado mental; parada cardiorrespiratória.
Transferência imediata na criança de 5 anos ou menosCianose; incapacidade de falar ou beber; frequência respiratória acima de 40 por minuto; saturação abaixo de 92% em ar ambiente; tórax silencioso em criança dispneica; falta de resposta a 4 a 6 jatos de salbutamol a cada 20 minutos até três vezes em 1 hora; taquipneia persistente apesar de três administrações, mesmo com outros sinais de melhora; ambiente social que impede o tratamento. Atenção redobrada com história de crise quase fatal e com idade abaixo de 2 anos.

A espirometria é solicitada a partir dos 6 anos, e mesmo depois disso costuma vir normal com a doença ativa. Abaixo dos 6 anos o diagnóstico é clínico: os três critérios, todos cumpridos.

A dose baixa de corticoide inalatório dos 6 aos 11 anos é metade da do adolescente, e a da beclometasona de partícula extrafina é metade da de partícula padrão. Duas divisões por dois na mesma tabela, e é aí que a alternativa erra de propósito.

Abaixo dos 5 anos, o alívio é beta-2 de curta duração em todas as etapas — não há corticoide inalatório com formoterol como resgate nessa faixa etária.

Dos 6 aos 11 anos, a etapa 1 do protocolo brasileiro não é 'beta-2 isolado': é corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 for usado.

Saturação abaixo de 92% em ar ambiente é o corte que define crise grave e dispara a oferta de oxigênio nas três réguas. A queda transitória de saturação nos primeiros 30 minutos após o salbutamol é fisiológica e não indica falha.

Fadiga respiratória se parece com melhora: a frequência cai, a retração diminui e aparece assincronia toracoabdominal. É critério de internação, não sinal de alta.

O corticoide sistêmico leva cerca de 4 horas para produzir efeito clínico — por isso ele entra na primeira hora, não no fim do atendimento.

Antibiótico não trata crise de asma; sedativo é proibido; xarope broncodilatador não é recomendado. E o quadro do AIDPI nomeia como nocivos anti-inflamatórios, sedativos da tosse, expectorantes, descongestionantes e antigripais.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Abaixo de 6 anos, o alívio pode ser corticoide inalatório com formoterol?

Não em nenhuma etapa abaixo de 12 anos no esquema brasileiro — o alívio é beta-2 de curta duração

O protocolo brasileiro de 2026 escreve que, em todas as etapas de tratamento da criança de 5 anos ou menos, o medicamento de alívio é o beta-2 de curta duração sob demanda. Dos 6 aos 11 anos, o esquema mantém o beta-2 de curta duração como alívio em todas as etapas, com o corticoide inalatório entrando como manutenção, ou junto de cada uso do beta-2 na etapa 1. O quadro que descreve dose e frequência de formoterol com budesonida para as estratégias de alívio anti-inflamatório e de manutenção-e-resgate é explicitamente restrito a adolescentes de 12 anos ou mais e adultos. Duas razões sustentam o recorte: a faixa etária de evidência e a padronização. A apresentação pediátrica de 100/6 mcg por dose medida, apontada como preferencial dos 6 aos 11 anos, não figura entre as apresentações do protocolo — as padronizadas são as de 6/200 e 12/400 mcg.

Ministério da Saúde / Conitec, PCDT da Asma, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43, de março de 2026 (Figuras 2 e 3, Quadro 11 e item 7.4)

Abaixo de 5 anos também não, por falta de estudo; dos 6 aos 11 já é opção internacional

A diretriz global registra que não há estudos publicados de terapia de manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol em crianças menores de 5 anos, e mantém o beta-2 de curta duração como alívio nessa faixa. Dos 6 aos 11 anos a posição é outra: a edição de 2026 acrescentou o alívio anti-inflamatório com budesonida-formoterol nas etapas 1 e 2, com base num estudo em crianças de 5 a 15 anos que vinham usando beta-2 isolado, no qual a combinação sob demanda reduziu em quase metade o risco de exacerbações moderadas a graves, sem diferença de velocidade de crescimento; e a manutenção-e-resgate já era opção baseada em evidência nas etapas 3 e 4 dessa faixa.

Global Initiative for Asthma, Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026 (Seção 11, Box 4-12 e capítulo de novidades)

Na prova

O recorte se identifica pela idade escrita no enunciado e pelo cenário. Vinheta que descreve unidade básica, dispensação pelo SUS, Farmácia Popular ou nomeia o protocolo do Ministério da Saúde está no corpo nacional, em que o alívio pediátrico é beta-2 de curta duração até os 12 anos. Enunciado que fala em alívio anti-inflamatório, cita a sigla MART, descreve budesonida-formoterol sob demanda ou nomeia a diretriz global está no corpo internacional, e aí a idade de corte muda: abaixo de 5 anos os dois documentos concordam, e é entre 6 e 11 anos que eles se separam. As alternativas denunciam o mundo da questão — se uma delas oferece budesonida com formoterol como resgate para uma criança de 8 anos, a discussão é sobre a edição de 2026 da diretriz global; se todas as opções pediátricas trazem beta-2 de curta duração como alívio, o recorte é o do protocolo brasileiro. A distância aqui não é de mérito técnico: o Brasil recortou por faixa etária de evidência e pelo que a lista nacional padroniza, e a apresentação pediátrica da combinação simplesmente não está incorporada. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.

Corticoide sistêmico na crise: prednisolona ou dexametasona, e qual é o teto

Prednisolona 1 a 2 mg/kg/dia com teto de 40 mg — a régua brasileira

O posicionamento conjunto da Sociedade Brasileira de Pediatria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia prescreve 1 a 2 mg/kg de prednisona ou equivalente em dose única pela manhã, com máximo de 40 mg/dia, durante 3 a 5 dias, para as exacerbações moderadas a graves. O documento da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre corticosteroides sistêmicos em pediatria, de julho de 2025, reafirma a mesma dose e a mesma duração. O quadro do AIDPI usa a mesma faixa, com máximo de 40 mg/dia, por três dias, e já traz o volume por peso da solução de prednisolona de 3 mg/mL. O protocolo brasileiro de 2026 repete 1 a 2 mg/kg/dia com máximo de 40 mg/dia por 3 a 5 dias para a criança de 6 a 11 anos.

ASBAI e SBP, Guia Prático de Atualização no tratamento da exacerbação de asma na criança e no adolescente, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45; SBP, Documento Científico nº 220 (2025); Ministério da Saúde, AIDPI Criança (2017); PCDT da Asma (2026)

Prednisolona com teto por idade — 20 mg abaixo de 2 anos e 30 mg dos 2 aos 5 — na régua internacional de 2026

A diretriz global de 2026 mantém 1 a 2 mg/kg de prednisona ou prednisolona para a criança de 5 anos ou menos, mas baixa o teto e o divide por idade: máximo de 20 mg para menores de 2 anos e de 30 mg dos 2 aos 5 anos, por 3 a 5 dias. O movimento acompanha a prioridade declarada de uso parcimonioso de corticoide oral, para reduzir efeitos adversos de curto e de longo prazo.

Global Initiative for Asthma, Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026 (Box 12-4 e Box 12-6)

Dexametasona em 1 a 2 dias — benefício semelhante com menos intolerância oral

A dexametasona oral apresenta benefícios semelhantes aos da prednisolona com menor risco de intolerância oral, e é menos propensa a causar vômito. A dose registrada no documento brasileiro é 0,6 mg/kg por 1 ou 2 dias; a diretriz global de 2026 usa 0,3 a 0,6 mg/kg com máximo de 12 mg, também por 1 a 2 dias. Os dois documentos convergem no limite: não deve ser usada por mais tempo, pelos efeitos metabólicos, e nos casos ainda sintomáticos considera-se a troca por prednisolona.

ASBAI e SBP, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45; Global Initiative for Asthma, 2026 (Box 12-4)

Na prova

O teto é o que separa os corpos, e ele aparece na alternativa. Quarenta miligramas por dia é a linguagem dos documentos brasileiros de 2017, 2021, 2025 e 2026; tetos de 20 e 30 mg divididos por faixa etária são vocabulário da edição de 2026 da diretriz global. A idade do paciente na vinheta ajuda: abaixo de 2 anos os dois tetos se afastam mais, e uma alternativa que trave em 20 mg num lactente está construída no corpo internacional. Enunciado que descreve a solução oral de prednisolona por faixa de peso, unidade básica ou quadro de procedimentos está no corpo nacional. Já a escolha entre prednisolona e dexametasona costuma vir por outro caminho: quando a vinheta descreve criança que vomitou a medicação, que recusa o xarope ou em que a adesão de cinco dias é improvável, o enunciado está preparando a discussão do curso de 1 a 2 dias. Registre também as datas — os documentos brasileiros vão de 2017 a 2026, e a mudança de teto é de 2026.

Qual é o alvo de saturação na crise da criança pequena

Manter acima de 94% — a régua brasileira de 2021

O posicionamento conjunto brasileiro define como objetivo do tratamento da exacerbação a manutenção da saturação acima de 94% em ar ambiente, com sintomas mínimos ou ausentes e função pulmonar próxima do normal. Quando o oxigênio é necessário, a oferta é titulada pela oximetria com o objetivo de manter esse alvo, e 1 a 3 L/min por cateter nasal ou máscara costumam bastar. O mesmo documento registra que saturação abaixo de 92% é preditor de internação e que abaixo de 90% sinaliza necessidade de tratamento mais agressivo.

ASBAI e SBP, Guia Prático de Atualização no tratamento da exacerbação de asma na criança e no adolescente, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45

Não ofertar oxigênio acima de 92%, e alvo de 92% na criança de 5 anos ou menos — a régua internacional de 2026

A edição de 2026 da diretriz global revisou os limiares e os alvos de saturação para baixo: oxigênio suplementar não é recomendado a menos que a saturação esteja abaixo de 92%, e na criança de 5 anos ou menos com sibilância aguda ou crise grave o alvo, se o oxigênio for administrado, é de 92% ou mais. Para adultos, adolescentes e crianças de 6 a 11 anos, o limite superior do alvo passou a ser 95%. A oximetria pode superestimar a saturação em pessoas de pele escura, e os alvos devem ser ajustados para a altitude.

Global Initiative for Asthma, Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2026 (capítulo de novidades e Box 12-1, 12-4 e 12-5)

A saturação como critério de classificação, não como alvo — o quadro do AIDPI

Na unidade básica brasileira, a saturação entra antes como classificador do que como meta. Igual ou acima de 95% em ar ambiente compõe a sibilância leve; de 91% a 95% compõe a sibilância moderada; igual ou abaixo de 90% compõe a sibilância grave ou doença muito grave, que manda dar oxigênio se disponível e referir urgentemente. O quadro foi desenhado para funcionar mesmo sem oxímetro, e a aferição vem com a ressalva de ser feita se a oximetria de pulso estiver disponível.

Ministério da Saúde, OPAS e UNICEF, Manual de Quadros de Procedimentos AIDPI Criança 2 meses a 5 anos (2017)

Na prova

O número na alternativa denuncia o documento. Alvo de 94% é linguagem do posicionamento brasileiro de 2021; alvo de 92% na criança pequena e recusa de ofertar oxigênio acima disso é linguagem da edição de 2026 da diretriz global; faixas de 95%, de 91 a 95% e de 90% ou menos amarradas a rótulos de leve, moderada e grave são o quadro do AIDPI, e nesse caso a questão é de classificação, não de oxigenoterapia. O cenário reforça: unidade básica, agente comunitário e quadro de procedimentos apontam o corpo nacional de atenção primária; pronto-socorro com escore clínico, PRAM e gasometria apontam o corpo internacional. Registre a diferença de data — 2021 contra 2026 — e a direção do movimento, que foi de restringir a oferta de oxigênio. Nos três documentos, porém, 92% é o número que define gravidade, e por isso ele é o corte que aparece em mais enunciados.

Montelucaste na criança: onde ele entra e o que precisa ser dito aos pais

Opção alternativa nas etapas 2 e 4, com aviso obrigatório sobre efeitos neuropsiquiátricos

A diretriz global mantém o antagonista do receptor de leucotrieno como opção alternativa na criança de 5 anos ou menos, com a ressalva escrita na própria figura de tratamento: ao prescrever, avisar os pais ou cuidadores sobre o risco de efeitos adversos neuropsiquiátricos. O texto acrescenta que, em crianças pequenas com asma persistente, o antagonista reduz modestamente sintomas e necessidade de corticoide oral em relação ao placebo, mas que, na sibilância recorrente induzida por vírus, nem o uso regular nem o intermitente reduzem a taxa de exacerbações que exigem corticoide sistêmico; e que o corticoide inalatório diário foi mais eficaz que o antagonista em monoterapia. O posicionamento brasileiro da exacerbação registra a mesma orientação de aconselhar os pais sobre risco de eventos no sono e no comportamento.

Global Initiative for Asthma, 2026 (Seção 11, Box 11-2 e texto das etapas 2 e 4); ASBAI e SBP, Arq Asma Alerg Imunol 2021;5(4):322-45

Fármaco poupador de corticoide quando o beta-2 de longa duração não pode ser usado

O documento da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre sibilância recorrente do lactente e do pré-escolar coloca o antagonista de leucotrieno numa posição específica: como os beta-2 de longa duração não são recomendados abaixo dos 4 anos, havendo necessidade de um fármaco poupador de corticoide nessa faixa, recomenda-se o antagonista de leucotrieno — e registra que o único disponível no Brasil é o montelucaste. As diretrizes de sibilância no pré-escolar acrescentam que o antagonista pode ser considerado no pré-escolar sibilante persistente, junto ou no lugar do corticoide inalatório contínuo.

SBP, Departamento Científico de Pneumologia, Sibilância Recorrente do Lactente e Pré-escolar (Guia Prático de Atualização nº 1, abril de 2017); ASBAI e SBP, Arq Asma Alerg Imunol 2018;2(2):163-208

Fora do que o SUS entrega para asma

O protocolo brasileiro de 2026 lista os antagonistas do receptor de leucotrieno entre os medicamentos considerados seguros na gestação e acrescenta, entre parênteses, que eles não estão incorporados ao Sistema Único de Saúde para asma. A lista de medicamentos padronizados do protocolo não inclui montelucaste, e ele tampouco aparece entre os itens do programa Aqui Tem Farmácia Popular para asma.

Ministério da Saúde / Conitec, PCDT da Asma (2026), itens 7.3.2 e 7.4

Na prova

O eixo aqui é o cenário de acesso, e ele muda a alternativa correta sem mudar a farmacologia. Vinheta de unidade básica, dispensação pelo SUS ou pergunta sobre 'qual medicamento está disponível' exclui o montelucaste do conjunto de respostas possíveis, porque ele não está incorporado para asma. Vinheta de consultório, de pré-escolar abaixo de 4 anos em que o beta-2 de longa duração está descartado por idade, ou que pergunta por fármaco poupador de corticoide, é onde ele reaparece nos documentos brasileiros de pediatria. E enunciado que descreve pesadelo, agitação, alteração de humor ou distúrbio do sono em criança em uso de medicação para asma está testando o alerta neuropsiquiátrico — nesse caso, o que se cobra é a conduta de informar e reavaliar o fármaco, não a dose. Registre as datas: os documentos da sociedade brasileira de pediatria são de 2017 e 2018, o posicionamento da exacerbação é de 2021, e o aviso escrito na figura de tratamento internacional é da edição de 2026.

06

Caso resolvido

Menina de 3 anos e 2 meses, 14 kg, levada ao pronto atendimento da unidade básica por tosse e chiado há um dia, com piora nas últimas quatro horas. Está no terceiro episódio semelhante no ano; nos dois anteriores usou 'bombinha' emprestada de uma prima e melhorou. Sem febre. Ao exame: alerta, no colo da mãe, um pouco agitada, fala frases curtas e para para respirar. Frequência respiratória 38 por minuto, frequência cardíaca 138, saturação em ar ambiente 93% aferida antes de qualquer medicação. Tiragem subcostal presente, sem tiragem universal, sem estridor em repouso. Ausculta com sibilos expiratórios difusos e entrada de ar diminuída nas bases. Enchimento capilar de 2 segundos. A unidade tem espaçador, salbutamol em spray, prednisolona em solução oral e oxímetro.
classificação da gravidade
Crise moderada. Saturação de 93% (igual ou acima de 92%, mas abaixo de 94%), fala em frases, frequência respiratória aumentada mas ainda abaixo de 40, alguma musculatura acessória e entrada de ar diminuída. Pelo quadro do AIDPI ela também cai na sibilância moderada: consciência normal com períodos de agitação, fala entrecortada, tiragem subcostal, respiração rápida e saturação entre 91% e 95%.
o que não classifica como grave
Não há cianose, sonolência ou confusão; não há estridor em repouso nem tiragem universal; a saturação não está abaixo de 92%; a frequência respiratória não passa de 40; o tórax não está silencioso. É esse conjunto de negativas que mantém a criança fora da caixa vermelha e da transferência imediata.
beta-2 de curta duração
Salbutamol em spray com espaçador e máscara. Ela pesa 14 kg, portanto está na faixa de 10 a 20 kg: 6 jatos por dose, um jato de cada vez, com 5 a 6 respirações após cada jato, agitando o inalador antes de cada disparo. Repetir a cada 20 minutos, até três séries na primeira hora. Espaçador é preferível à nebulização na crise leve e moderada — melhor deposição pulmonar com menos efeitos sistêmicos.
brometo de ipratrópio
Associado ao salbutamol, porque a crise é moderada. Ela tem 3 anos, ou seja, menos de 4: 125 a 250 mcg por dose, o que corresponde a 10 a 20 gotas na nebulização, ou 4 jatos de 20 mcg em spray com espaçador junto de cada série de salbutamol, até três vezes. Nunca isolado.
corticoide sistêmico
Prednisolona por via oral, 1 a 2 mg/kg em dose única — com 14 kg, de 14 a 28 mg — respeitando o teto de 40 mg/dia, iniciada ainda na primeira hora. Por 3 a 5 dias. A via oral é tão eficaz quanto a endovenosa e a solução oral é a forma preferida na criança. O efeito clínico leva cerca de 4 horas, e é justamente por isso que ela não pode esperar o fim do atendimento.
oxigênio
Não indicado agora. A saturação é 93% em ar ambiente, e a oferta se justifica quando ela está abaixo de 92%. Se o número cair logo após a primeira série de jatos, lembrar que uma queda de até 5% nos primeiros 30 minutos após o salbutamol é fisiológica, por desequilíbrio transitório entre ventilação e perfusão — reavalia-se o conjunto, não o número isolado.
reavaliação
Mesmos parâmetros da avaliação inicial — saturação, entrada de ar, frequência respiratória, musculatura acessória e escore clínico — logo após a primeira série de jatos e de novo em 1 hora ou antes. Piorando ou não melhorando, transferência. Sem resposta após duas horas de broncodilatador e corticoide, internação.
alta e receita
Ela melhorou e preenche todos os achados da faixa leve. Sai com quatro linhas: salbutamol sob demanda, nunca de horário; prednisolona para completar 3 a 5 dias; corticoide inalatório iniciado antes da alta — beclometasona 100 mcg/dia, a dose baixa da faixa etária —, porque a apresentação foi moderada e ela já tem três episódios no ano; e suspensão do ipratrópio, que não tem benefício além das primeiras uma a duas horas. Mais o que não é medicamento: técnica inalatória demonstrada e corrigida com espaçador e máscara, plano de ação por escrito e retorno marcado em 1 a 2 dias.
o que fica para o retorno
Três episódios em um ano com resposta ao broncodilatador colocam essa criança dentro dos critérios diagnósticos de asma, e a resposta ao corticoide inalatório nos próximos 2 a 3 meses fecha o terceiro critério. O retorno também define a etapa: com uma exacerbação que exigiu atendimento não programado no último ano, ela já tem indicação de corticoide inalatório diário em dose baixa, que é a etapa 2.
07

Agora feche você

Menino de 2 anos e 4 meses, 12 kg, levado ao ambulatório da unidade básica para consulta de rotina. A mãe conta que ele teve, nos últimos 12 meses, quatro episódios de tosse com chiado e cansaço, cada um durando cerca de três dias e sempre começando com coriza; em dois deles precisou de atendimento no pronto-socorro e recebeu 'remédio de bombinha e xarope de corticoide'. Entre os episódios, ela relata que ele tosse quase toda noite e acorda algumas vezes por semana, que se cansa mais depressa que os primos da mesma idade quando corre e que às vezes chia depois de rir muito. O pai tem asma. O menino teve eczema no primeiro ano de vida. Nasceu a termo, com peso adequado, mama e come bem, ganha peso e cresce nos percentis habituais, evacua normalmente e não teve pneumonias. Ao exame de hoje, está bem, corado, eupneico, saturação de 97%, ausculta com sibilos expiratórios discretos difusos. A unidade dispõe de beclometasona em spray de 50 e de 250 mcg, salbutamol em spray, espaçador com máscara e prednisolona em solução oral.
primeiro critério diagnóstico
Cumprido, e com folga. São quatro episódios agudos de sibilância nos últimos 12 meses, quando bastariam dois — e ainda há sintomas intermitentes entre eles: tosse noturna quase diária, despertares algumas vezes por semana e chiado desencadeado por riso. Cada episódio durou cerca de três dias, muito acima das 24 horas exigidas na definição.
segundo critério diagnóstico
Cumprido. Nada na história aponta alternativa: nasceu a termo com peso adequado, sem prematuridade nem ventilação mecânica que sugerisse displasia broncopulmonar; ganha peso e cresce, sem má absorção nem fezes gordurosas que levantassem fibrose cística; não houve engasgo súbito nem sibilância unilateral; não há sopro, cianose ao comer ou hepatomegalia; não há pneumonias de repetição nem infecções fora do trato respiratório. Os episódios começam com coriza, o que é compatível com asma desencadeada por vírus nessa idade.
terceiro critério diagnóstico
Parcialmente documentado. Houve tratamento com broncodilatador e corticoide sistêmico nos episódios atendidos no pronto-socorro, mas a resposta não está registrada como tal, e não houve ainda um período de teste com corticoide inalatório. É este o critério que falta fechar.
índice preditivo
Positivo. Ele tem os dois critérios maiores — asma no pai e dermatite atópica na criança — e bastaria um. Isso estima risco de persistência na idade escolar; não é o que fecha o diagnóstico, e a sensibilidade de 41,6% e o valor preditivo positivo de 59,1% explicam por quê.
controle
Não controlado. Pela tabela do protocolo brasileiro para a criança de 5 anos ou menos, ele pontua em três das quatro perguntas das últimas quatro semanas: tosse e despertares noturnos, limitação de atividade — cansa mais depressa que outras crianças ao correr — e sintomas diurnos mais de uma vez por semana. Três ou quatro itens significam asma não controlada.
diagnóstico e conduta
prescrição e seguimento
08

Onde a banca derruba

  1. 1Pedir espirometria para confirmar asma no pré-escolar Atrai porque no adulto o diagnóstico só fecha com prova funcional, e a memória transporta a regra. Mas a espirometria é solicitada a partir dos 6 anos, e mesmo depois disso vem normal na maioria das vezes com a doença em atividade — abaixo dessa idade, a maioria das crianças nem consegue manobras expiratórias reprodutíveis. O protocolo é explícito: na ausência de avaliação funcional, a decisão de iniciar tratamento considera a probabilidade clínica e a urgência terapêutica. Adiar o corticoide inalatório à espera do exame é o erro de conduta que a alternativa esconde.
  2. 2Usar o Índice Preditivo de Asma como critério diagnóstico Atrai porque o índice é muito difundido entre pediatras e tem cara de escore fechado. Os dois documentos brasileiros dizem o contrário com todas as letras: os índices preditivos foram equivocadamente adotados como critérios diagnósticos na idade pré-escolar. Sensibilidade de 41,6%, valor preditivo positivo de 59,1% e razão de verossimilhança que não passa de 5 — quando o mínimo para utilidade clínica seria 10. Ele estima risco de persistência; quem fecha diagnóstico são os três critérios clínicos.
  3. 3Dar o número de corticoide inalatório da faixa etária errada Atrai porque a tabela tem três blocos e o candidato decora um só. A dose baixa da beclometasona de partícula padrão é 100 mcg/dia abaixo de 5 anos, 100 a 200 dos 6 aos 11 e 200 a 500 a partir dos 12 — a criança de 6 a 11 anos usa metade do adolescente. E a partícula extrafina é sempre metade da padrão na mesma faixa. Duas divisões por dois na mesma tabela, e a alternativa erra de propósito em uma delas. Lembre também que essas tabelas não são de equivalência de potência: trocar dose baixa de uma molécula por dose baixa de outra pode aumentar ou reduzir a potência.
  4. 4Prescrever corticoide inalatório com formoterol como resgate no menor de 6 anos Atrai porque essa foi a grande mudança do tratamento do adulto, e ela contaminou a leitura da pediatria. Abaixo dos 5 anos, o protocolo brasileiro escreve que em todas as etapas o alívio é o beta-2 de curta duração, e a diretriz global registra que não há estudos publicados de manutenção e resgate com essa combinação nessa faixa. Dos 6 aos 11 anos, o esquema brasileiro também mantém o beta-2 de curta duração como alívio; o quadro de dose e frequência do formoterol com budesonida como alívio é restrito a 12 anos ou mais.
  5. 5Achar que a etapa 1 dos 6 aos 11 anos é broncodilatador isolado Atrai porque 'sintomas infrequentes' soa como 'só resgate', e era assim que se ensinava. No protocolo brasileiro de 2026, com sintomas de 1 a 2 dias por semana ou menos, a recomendação é corticoide inalatório em dose baixa sempre que o beta-2 for utilizado — em inalador combinado ou separado. Beta-2 isolado deixou de ser conduta recomendada em qualquer etapa a partir dos 6 anos, e quem marca essa alternativa erra por desatualização, não por raciocínio.
  6. 6Calcular o beta-2 da crise por idade em vez de por peso Atrai porque a pediatria costuma tabelar por idade e porque o quadro do AIDPI, que é o mais familiar da unidade básica, faz exatamente isso — 2 a 3 jatos abaixo de 2 anos e 2 a 4 jatos a partir de 2. Só que na crise atendida em pronto-socorro a régua é o peso, e ela dá números maiores: 4 jatos de 5 a 10 kg, 6 jatos de 10 a 20 kg e 8 jatos acima de 20 kg, dentro da faixa de 2 a 10 jatos por dose a cada 20 minutos na primeira hora. Subdosar o beta-2 na crise moderada é o erro que empurra a criança para a internação.
  7. 7Ler a queda de saturação após o salbutamol como falha do tratamento Atrai porque o número piorou logo depois da conduta, e a reação natural é escalonar ou trocar. Mas no início do tratamento com broncodilatador a vasodilatação pode superar a broncodilatação, desequilibrando a relação entre ventilação e perfusão, e a saturação pode cair 5% ou mais nos primeiros 30 minutos. O que se avalia é o conjunto — entrada de ar, esforço, frequência respiratória, nível de alerta e escore clínico —, nunca a oximetria isolada, que aliás não deve ser usada sozinha como indicador de internação.
  8. 8Interpretar a bradipneia e a redução da tiragem como melhora Atrai porque os dois sinais que preocupavam sumiram. Numa criança que estava taquipneica e em esforço, a frequência que cai junto com a retração esternal que diminui, agora acompanhadas de assincronia toracoabdominal, é fadiga respiratória — critério absoluto de internação. Some-se a isso o tórax silencioso: ausência de sibilos numa criança dispneica é obstrução grave, não resolução do broncoespasmo. Sibilo audível costuma ser sinal de crise moderada.
  9. 9Prescrever antibiótico porque a crise veio com febre e coriza Atrai porque a maioria das crises da criança é desencadeada por infecção viral, e a presença de febre empurra para o antibiótico. Revisão sistemática de ensaios randomizados não demonstrou benefício clínico algum com antibiótico na exacerbação aguda de asma em crianças ou adultos, e não há dados que apoiem macrolídeo. Ele só entra se houver evidência forte de infecção pulmonar — secreção purulenta com febre ou consolidação radiológica. E a radiografia também não é de rotina: só na má resposta ou na suspeita de complicação.
  10. 10Dar sedativo para a criança agitada na crise Atrai porque a agitação atrapalha a inalação e parece ansiedade. A recomendação é categórica em sentido contrário: a sedação deve ser estritamente evitada na exacerbação, pelo efeito depressor respiratório de ansiolíticos e hipnóticos, e há associação relatada entre esses medicamentos e mortes evitáveis por asma. Agitação na crise de asma é sinal de gravidade, não de ansiedade — a resposta é tratar a obstrução e a hipoxemia, não sedar.
  11. 11Dar alta com beta-2 de horário e sem corticoide inalatório Atrai porque o beta-2 foi o que resolveu a crise e parece razoável mantê-lo fixo por alguns dias. O uso regular pode mascarar a piora da asma e, mesmo por uma ou duas semanas, aumenta a hiper-responsividade e reduz o efeito broncodilatador. A alta correta tem quatro linhas: beta-2 sob demanda, completar o corticoide oral, iniciar ou intensificar o corticoide inalatório antes da alta e suspender o ipratrópio. Mais plano de ação por escrito, técnica revista e retorno em 1 a 2 dias na criança.
  12. 12Chamar de asma o primeiro chiado do lactente de 8 meses Atrai porque há sibilos, há resposta parcial ao broncodilatador e o rótulo é cômodo. A diretriz é explícita: asma é menos provável quando a criança tem menos de 12 meses e está no primeiro episódio de sibilância, o que costuma ser bronquiolite; e quanto menor a criança, maior a chance de outro diagnóstico. O critério diagnóstico exige pelo menos dois episódios agudos em 12 meses, ou um episódio mais sintomas intermitentes — um episódio isolado não fecha nada.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Na crise asmática moderada o tratamento de primeira linha é broncodilatador beta-2 de curta ação inalatório (ex.: salbutamol) associado a corticoide sistêmico precoce. Antibiótico não trata crise asmática sem infecção bacteriana. Adrenalina IM é para anafilaxia, não crise de asma. Sulfato de magnésio é reservado para crises graves refratárias, não medida isolada inicial. Corticoide inalatório de manutenção não trata a crise aguda.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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10

Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória os três critérios diagnósticos de asma na criança de 5 anos ou menos, com o número de episódios exigido, a duração mínima de cada episódio e as três janelas de resposta clínica (20 a 60 minutos, 3 a 4 horas, 2 a 3 meses). Diga que rótulo se dá quando só um ou dois critérios estão cumpridos. Em seguida escreva a partir de que idade se solicita espirometria e por que ela resolve pouco na infância. Depois liste os dois critérios maiores e os três menores do Índice Preditivo de Asma com a regra de positividade, e diga para que ele serve e para que não serve. Por fim, escreva a dose baixa de beclometasona de partícula padrão nas três faixas etárias — 5 anos ou menos, 6 a 11 anos e 12 anos ou mais — e a dose de prednisolona da crise com o teto.

em 30 dias

Refaça os três critérios diagnósticos e as doses de corticoide inalatório das três faixas etárias sem consultar, incluindo a partícula extrafina. Reconstrua as etapas 1 a 4 do menor de 5 anos e as etapas 1 a 5 dos 6 aos 11 anos, dizendo qual é o medicamento de alívio em cada faixa e a partir de que idade o corticoide inalatório com formoterol pode ser o resgate. Escreva as quatro perguntas do controle nas duas faixas etárias, com o limiar de frequência de cada uma e o período que elas cobrem. Depois monte a tabela da crise: as quatro faixas de gravidade com saturação, fala e frequência respiratória; o salbutamol em jatos pelas três faixas de peso; o ipratrópio em gotas nas duas faixas de idade; a prednisolona em mg/kg com teto e duração; a dexametasona; e o sulfato de magnésio com dose, tempo de infusão e idade mínima. Liste os cinco critérios absolutos de internação, os três de UTI e os quatro de intubação. Diga o que não se faz na crise e as quatro linhas da receita de alta. Finalmente, para cada uma das quatro divergências do capítulo, escreva as posições, quem sustenta cada uma, o ano de cada documento e a marca no enunciado que revela em qual deles a questão foi montada.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Menino de 4 anos chega ao pronto atendimento com tosse e chiado desde a manhã, piorando ao longo do dia. A mãe conta que ele já teve outras crises parecidas e que hoje usou a bombinha em casa três vezes sem melhora sustentada. Conduza o atendimento: colhe a história dirigida, examine com atenção ao esforço respiratório e à entrada de ar, meça a saturação antes de qualquer medicação, classifique a gravidade da crise, prescreva a conduta com dose por peso e defina o destino da criança e as orientações à mãe. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Asma na infância — Preparatório para provas | OsceLabs