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Bronquiolite viral aguda
É o capítulo em que quase nada funciona: broncodilatador, corticoide, antibiótico e fisioterapia têm evidência contrária ou neutra, e o tratamento é suporte. A prova cobra exatamente isso — e o erro clássico é tratar o primeiro chiado do lactente como se fosse crise de asma.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Lactente de 5 meses, previamente hígido, há 2 dias com coriza e tosse, evoluindo nas últimas horas com dificuldade respiratória e recusa alimentar parcial. Ao exame: FR 62 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, tiragem subcostal, sibilos e estertores finos difusos à ausculta. Radiografia de tórax com hiperinsuflação pulmonar, sem consolidações. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Como esse tema cai
Bronquiolite é o capítulo mais contraintuitivo da pediatria. Diante de um lactente que chia, com tiragem e taquipneia, todo reflexo aprendido manda fazer alguma coisa: nebulizar, corticoide, antibiótico, fisioterapia. E é justamente isso que a evidência derruba, uma intervenção por vez. O tratamento é suporte — oxigênio quando falta, líquido quando não desce pela boca, nariz desobstruído — e o resto é tempo. A prova sabe disso e monta a vinheta exatamente aí: descreve um bebê chiando no inverno e oferece cinco alternativas, quatro delas com um medicamento dentro.
O erro clássico tem nome: tratar bronquiolite como crise de asma. As duas cursam com sibilância, e é só isso que têm em comum. Na asma a obstrução é de musculatura lisa e responde a broncodilatador; na bronquiolite a obstrução é edema de parede, epitélio descamado e rolha de muco dentro de uma via aérea de calibre minúsculo — não há músculo a relaxar. Por isso o capítulo anterior desta apostila, o de asma, e este aqui se encontram numa única pergunta, que a prova adora: é o primeiro chiado ou é mais um?
Este capítulo cobre a bronquiolite viral aguda do lactente: definição, evolução, diferencial, o que investigar, quem interna, o que tratar, o que não tratar e como prevenir. A pneumonia da criança, com os cortes de taquipneia por idade, a classificação do AIDPI e a escolha do antibiótico, tem capítulo próprio nesta mesma apostila e não é reaberta aqui — ela entra só como diferencial. A asma, com o Índice Preditivo, as etapas de tratamento e as doses da crise, é o capítulo vizinho.
Vale saber quem manda em quê. No Brasil, a prevenção do VSR tem documento oficial recente e detalhado: há portaria de incorporação, protocolo de uso do nirsevimabe assinado em março de 2026, estratégia de vacinação da gestante publicada em 2025 e ofício conjunto regulando a transição do palivizumabe. O tratamento, ao contrário, não tem protocolo clínico do Ministério da Saúde — a régua brasileira é a diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2017, e o Departamento Científico de Pneumologia da SBP lista como seu guia de bronquiolite o próprio guideline da Academia Americana de Pediatria de 2014. É essa assimetria que explica o formato das questões: as de prevenção cobram critério literal de portaria; as de tratamento cobram raciocínio sobre evidência.
O que muda decisão
A definição, o agente e a estação
Como usar este capítulo: comece pelas decisões que mudam o destino — idade e fatores de risco, gravidade, necessidade de oxigênio e capacidade de hidratação — e só depois revise as intervenções sem benefício. A banca explora sobretudo o excesso de tratamento.
Bronquiolite viral aguda é o primeiro episódio de sibilância em criança menor de 2 anos, precedido por sintomas de vias aéreas superiores, com taquipneia, esforço respiratório e ausculta de sibilos, crepitações finas ou ambos. As três palavras que sustentam o diagnóstico são primeiro, lactente e viral: a página oficial do Ministério da Saúde define a doença como respiratória e de crianças menores de 2 anos; o guideline americano de 2014 delimita a faixa de 1 mês a 23 meses; a diretriz britânica registra que o pico de incidência está entre 3 e 6 meses de vida, no primeiro ano; e a diretriz australasiana de 2025 restringe suas recomendações aos menores de 12 meses, que é onde a doença grave se concentra.
O agente dominante é o vírus sincicial respiratório. O Ministério da Saúde atribui a ele cerca de 80% das bronquiolites e até 60% das pneumonias em menores de 2 anos; a diretriz da SBP, escrita em 2017, falava em até 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias durante a sazonalidade. Rinovírus, metapneumovírus humano, bocavírus, adenovírus, parainfluenza e influenza produzem quadro clinicamente indistinguível. Praticamente toda criança se infecta pelo VSR até o fim do segundo ano de vida, e as formas graves se concentram na primoinfecção, o que explica por que a doença é do lactente e não do pré-escolar.
A transmissão é por contato com secreções e por gotículas; o vírus sobrevive menos de uma hora nas mãos, mas até cerca de 24 horas em superfícies duras e não porosas — o estetoscópio é o exemplo citado na diretriz da SBP. O período de incubação é de 4 a 5 dias. A excreção viral dura de 2 a 8 dias, ou até a melhora clínica, e se prolonga por 3 a 4 semanas em recém-nascidos, lactentes jovens e imunocomprometidos.
A sazonalidade é o dado que a vinheta usa para ambientar o caso, e ela varia com a região. A diretriz da SBP registra: Norte de fevereiro a junho, com pico em abril, acompanhando o período de chuva; Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste de março a julho; Sul de abril a agosto, junto com a influenza. O protocolo do nirsevimabe, de 2026, trabalha com uma janela nacional única, extraída dos dados de vigilância de 2019 e de 2022 a 2024: atividade mais intensa entre as semanas epidemiológicas 8 e 32, aproximadamente de fevereiro a agosto. Quando o enunciado diz 'em julho, no Rio Grande do Sul', está dizendo VSR.

A evolução em dias: quando piora e quando melhora
Esta é a informação que muda a consulta e que a prova pergunta de forma direta. A doença começa como resfriado: coriza, espirros, obstrução nasal, tosse, com ou sem febre baixa. Em 1 a 3 dias a tosse se intensifica e aparecem a taquipneia, o esforço e o chiado. Os sintomas atingem o pico entre o terceiro e o quinto dia de doença — e é aí que o lactente vai parar no pronto-socorro. Depois disso o quadro cede aos poucos; a tosse é o sintoma que mais demora, resolvendo em 90% dos lactentes em até 3 semanas.
Febre existe, mas é discreta: a diretriz britânica registra temperatura abaixo de 39 °C em cerca de 30% dos casos. Febre alta não é a cara da bronquiolite e deve fazer o médico procurar outra coisa.
Duas consequências práticas. A primeira é o que se diz ao pai: uma criança avaliada no segundo dia de doença, mesmo bem, ainda vai piorar antes de melhorar — o pico não chegou. Sem essa frase, o retorno em 48 horas vira 'o médico errou'. A segunda é o alerta invertido: piora depois do quinto ou sexto dia, ou febre alta que aparece quando o quadro já cedia, não é evolução natural da bronquiolite e obriga a procurar complicação bacteriana.
A criança que interna costuma fazê-lo justamente no pico. Entre os grupos de maior risco — lactentes abaixo de 6 meses, prematuros, portadores de doença pulmonar crônica da prematuridade e cardiopatas —, a diretriz da SBP registra necessidade de internação em 10% a 15% dos casos.
Bronquiolite, asma ou pneumonia: o que separa as três
Este é o diferencial que a prova cobra e que dá nome ao capítulo. Comece pela pergunta que o próprio AIDPI manda fazer diante de uma criança que chia: este é o primeiro episódio de sibilância? Se a resposta é sim, o manual aponta duas hipóteses, bronquiolite ou corpo estranho; se é não, a criança tem sibilância recorrente, e aí o caminho é o da asma. Uma única pergunta, feita à mãe, separa dois capítulos inteiros.
A idade é o segundo separador. Bronquiolite é doença do lactente, com pico entre 3 e 6 meses; um primeiro chiado aos 4 anos praticamente não é bronquiolite. A asma da criança pequena, por definição, precisa de episódios repetidos — o capítulo de asma desta apostila trata dos critérios.
A febre é o terceiro. Na bronquiolite ela é baixa e presente em cerca de um terço dos casos. Temperatura acima de 39 °C, ou crepitações que se mantêm focais numa mesma região, apontam pneumonia — é assim que a diretriz britânica escreve a regra de desvio.
A ausculta separa por padrão, não por presença. A bronquiolite dá sibilos difusos somados a crepitações finas difusas, bilaterais, mudando de lugar entre uma ausculta e outra. A asma dá sibilância expiratória difusa sem crepitações. A pneumonia dá crepitações persistentes numa mesma área. Sibilância unilateral de início súbito, sem pródromo viral e sem resposta a nada, é aspiração de corpo estranho até prova em contrário — o AIDPI cita esse cenário na mesma lista.
Por fim, a resposta ao broncodilatador. Na asma ela existe e é rápida; na bronquiolite, o AIDPI registra em uma linha o que os ensaios mostram: os broncodilatadores têm pouca ação nesses casos. Uma criança que chia e melhora claramente em 20 minutos com beta-2 está dizendo que provavelmente não era bronquiolite.
O diagnóstico é clínico — e a radiografia é uma armadilha cara
O guideline americano abre com a declaração mais forte do documento: o clínico deve diagnosticar bronquiolite e avaliar a gravidade pela história e pelo exame físico (recomendação forte). E fecha o raciocínio na declaração seguinte: quando o diagnóstico é feito assim, exames de imagem ou laboratoriais não devem ser obtidos de rotina (recomendação moderada). Não há exame que confirme bronquiolite; há exame que atrapalha.
O problema da radiografia não é o custo nem a radiação — é o que ela mostra. A bronquiolite produz edema de via aérea, descamação epitelial e hiperinsuflação generalizada, e o pulmão do lactente tem ventilação colateral pobre. O resultado são atelectasias: cerca de 25% dos lactentes internados por bronquiolite têm atelectasia na radiografia, e distinguir atelectasia subsegmentar de infiltrado bacteriano ou consolidação é difícil até para quem sabe que a doença é viral.
A consequência foi medida. Estudos, incluindo um ensaio randomizado, mostraram que crianças com suspeita de infecção de vias aéreas inferiores nas quais se fez radiografia receberam mais antibiótico, sem diferença de desfecho. O exame não muda o tratamento da bronquiolite e muda o comportamento do médico — na direção errada. A radiografia inicial fica reservada para o caso em que o quadro não se encaixa, a evolução destoa ou há suspeita de complicação.
O mesmo raciocínio vale para o hemograma e a proteína C-reativa: a taxa de infecção bacteriana grave concomitante em lactentes com bronquiolite é baixa, e um exame inflamatório alterado num quadro viral típico tende a produzir antibiótico, não informação.
Painel viral: quando muda a conduta e quando não
Identificar o vírus não muda o tratamento de nenhum paciente com bronquiolite, porque não existe antiviral indicado — a ribavirina foi abandonada por dificuldade de uso, custo e risco ao cuidador. Por isso a pesquisa etiológica não entra na rotina.
Dois números explicam por que o painel molecular engana quando pedido sem indicação: cerca de 30% das crianças com bronquiolite por VSR estão simultaneamente infectadas por outro vírus, e em estudos populacionais cerca de 25% das crianças assintomáticas têm teste molecular positivo para algum vírus respiratório. Material genético de rinovírus, adenovírus e bocavírus persiste nas vias aéreas por semanas depois de cessada a excreção. Um painel positivo, portanto, não prova que aquele vírus está causando aquele quadro.
Há situações em que a detecção etiológica é útil, e a diretriz da SBP as lista: paciente imunocomprometido, forma grave da doença, necessidade de estabelecer isolamento ou coorte hospitalar, redução do uso inapropriado de antimicrobianos e vigilância epidemiológica. Note que a maioria dessas indicações é de controle de infecção e de vigilância, não de decisão terapêutica individual.
A amostra preferida pelo Ministério da Saúde é o aspirado de nasofaringe com frasco coletor; na impossibilidade, swab de nasofaringe exclusivamente de rayon — swab de algodão interfere nos métodos moleculares. As amostras seguem refrigeradas entre 4 e 8 °C no mesmo dia da coleta.
Fatores de risco: quem tem chance de evoluir mal
O guideline americano transforma isso em declaração formal: o clínico deve avaliar fatores de risco para doença grave — idade abaixo de 12 semanas, história de prematuridade, doença cardiopulmonar de base e imunodeficiência — ao decidir sobre avaliação e manejo. Não é enfeite epidemiológico: é o que autoriza internar um bebê que, pelos sinais do momento, ainda pareceria manejável em casa.
Os números brasileiros dimensionam o risco. Em prematuros nascidos com menos de 32 semanas, a taxa de internação por VSR é de 13,4%; na displasia broncopulmonar chega a 17%; na cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica fica em torno de 10,4%, com necessidade de terapia intensiva e ventilação mecânica em 37% contra 1,5% das crianças previamente hígidas, e mortalidade de 3,4% contra 0,5%.
A imaturidade explica a vulnerabilidade: sistema imune imaturo, transferência reduzida de anticorpos maternos, menor calibre das vias aéreas, baixa reserva energética, desmame precoce, anemia, infecções de repetição e uso prévio de corticoides. Os fatores modificáveis são três e valem consulta: tabagismo passivo, ausência de aleitamento materno e frequência precoce a creche durante a estação.
A apneia merece linha própria. Ela pode ser a primeira manifestação da bronquiolite no lactente muito jovem, especialmente no prematuro e no menor de 6 a 8 semanas, e pode ocorrer antes de qualquer desconforto respiratório evidente. Apneia observada ou relatada é critério de encaminhamento imediato ao hospital em todas as réguas.
Gravidade e internação: a lista e o corte de saturação
A diretriz da SBP escreve a lista brasileira de quando hospitalizar: episódios de apneia; piora do estado geral, com a criança hipoativa, prostrada ou despertando só a estímulo prolongado; desconforto respiratório, definido como gemência, retração torácica, frequência respiratória acima de 60, cianose central ou saturação persistentemente abaixo de 92%; sinais de desidratação; recusa alimentar, ingestão reduzida ou ausência de diurese por 12 horas; comorbidade (displasia, cardiopatia, imunodeficiência, doença neuromuscular); idade abaixo de 3 meses; prematuridade, especialmente abaixo de 32 semanas; condição social ruim; dificuldade de acesso ao serviço se houver piora; e incapacidade ou falta de confiança do cuidador para identificar os sinais de alerta. Os quatro últimos itens não são clínicos, e é exatamente por isso que costumam ser a resposta de uma questão de atenção primária.
A régua britânica separa dois níveis. Encaminhamento imediato: apneia observada ou relatada, aspecto gravemente doente, desconforto respiratório grave (gemência, retração acentuada, frequência respiratória acima de 70) e cianose central. Encaminhamento a considerar: frequência respiratória acima de 60, ingesta oral abaixo de 50% a 75% do habitual, desidratação clínica e saturação persistentemente abaixo de 92% em ar ambiente.
Sobre o número da saturação, decida assim e não fique sem número na mão. Para a decisão de internar no Brasil, o corte é 92% persistente em ar ambiente — é o que a diretriz brasileira escreve. Para a decisão de ofertar oxigênio à criança já em observação ou internada, vale a régua por idade da atualização de 2021 da diretriz britânica, também adotada pela diretriz australasiana de 2025: oxigênio se a saturação estiver persistentemente abaixo de 90% a partir de 6 semanas de vida, e abaixo de 92% no menor de 6 semanas ou em criança de qualquer idade com condição de base. Os dois números convivem porque respondem a perguntas diferentes: um decide o local do cuidado, o outro decide o gás.
Duas armadilhas de leitura fecham o tópico. A oximetria contínua não é necessária na criança estável — ela detecta dessaturações transitórias fisiológicas do sono e prolonga internações sem benefício. E a saturação isolada é péssimo marcador de desconforto respiratório: a criança que se cansa deixa de fazer esforço, a frequência respiratória cai e a tiragem diminui — isso é exaustão, não melhora.
O que funciona: oxigênio, líquido e nariz desobstruído
São três medidas, e nenhuma delas é um medicamento. Oxigênio suplementar nos cortes acima. Hidratação quando a criança não consegue manter a ingesta por via oral. E desobstrução das vias aéreas superiores, porque o lactente é respirador nasal e a coriza sozinha já aumenta o trabalho respiratório e atrapalha a mamada.
Sobre a hidratação, o guideline americano é formal: administrar líquidos por sonda nasogástrica ou por via endovenosa ao lactente que não consegue manter a hidratação por via oral (recomendação forte). Estudo multicêntrico com 759 lactentes abaixo de 12 meses internados por bronquiolite não encontrou diferença entre sonda nasogástrica e via endovenosa quanto a tempo de internação, necessidade de terapia intensiva, ventilação invasiva ou eventos adversos — e a sonda foi a via mais acessível. Quando se opta pela via endovenosa, usam-se soluções isotônicas, para não provocar hiponatremia; nos casos graves, lembrar da secreção inapropriada de hormônio antidiurético.
Sobre o nariz, a instrução é mais específica do que parece. A recomendação é lavagem nasal com solução salina e aspiração suave e superficial, quando necessário. Aspiração profunda ou intermitente foi associada a maior tempo de internação em estudos observacionais, e a aspiração irrita a mucosa e produz edema — o que piora justamente o que se queria resolver. Há evidência de melhora da saturação com lavagem nasal sem aspiração.
A quarta medida que funciona não é do lactente: é higiene das mãos. O guideline americano coloca em recomendação forte que todos desinfetem as mãos antes e depois do contato direto com o paciente, depois do contato com objetos próximos a ele e depois de retirar as luvas, preferencialmente com preparação alcoólica.
O que não funciona: a lista do não fazer
Broncodilatador beta-2. O guideline americano é categórico: não administrar albuterol ou salbutamol a lactentes e crianças com diagnóstico de bronquiolite (recomendação forte). A revisão sistemática que sustenta a posição analisou 1.192 lactentes em 30 estudos: em internados não houve ganho de saturação, de tempo até resolução dos sintomas ou de tempo de internação; em ambulatório houve melhora mínima do escore de sintomas, sem importância clínica e sem redução de admissão hospitalar — e o benefício apareceu justamente onde as crianças eram mais velhas e tinham sibilância recorrente, ou seja, onde provavelmente não era bronquiolite. A diretriz australasiana de 2025 repete a recomendação forte contra beta-2 em menores de 12 meses.
Adrenalina inalatória. Não administrar adrenalina a lactentes e crianças com bronquiolite (recomendação forte). Em internados não houve benefício; em pronto-socorro houve menor frequência de internação na avaliação imediata, que desapareceu ao longo de uma semana; e doses contínuas de epinefrina associaram-se a maior tempo de internação do que o uso intermitente ou placebo.
Corticoide sistêmico. Não administrar corticoide sistêmico a lactentes com bronquiolite em nenhum cenário — é a única recomendação do guideline americano com qualidade de evidência A e força forte. Oito estudos ambulatoriais com 1.824 pacientes não mostraram redução da taxa de internação no primeiro nem no sétimo dia; nove estudos com 772 internados não mostraram redução do tempo de internação. Corticoide funciona em asma e em crupe, e é essa memória que faz a mão do plantonista prescrever.
Antibiótico. Não administrar antibacteriano, a menos que haja infecção bacteriana concomitante ou forte suspeita dela (recomendação forte). O uso rotineiro não reduz dias de sintomas, tempo de internação, necessidade de oxigênio nem taxa de internação, e a azitromicina não se saiu diferente do placebo. Pneumonia bacteriana em lactente com bronquiolite e sem consolidação é incomum. A exceção clássica e legítima é a criança que evolui para insuficiência respiratória com necessidade de intubação e ventilação mecânica.
Fisioterapia respiratória. Não usar fisioterapia respiratória em lactentes e crianças com bronquiolite (recomendação moderada). A revisão Cochrane citada pela diretriz brasileira reuniu 12 estudos e 1.249 participantes sem evidência de benefício de qualquer técnica quanto a tempo de internação, saturação ou parâmetros respiratórios. A ressalva escrita na própria diretriz brasileira é a comorbidade que compromete a depuração de secreções — o exemplo dado é a amiotrofia espinhal. A tentação vem da atelectasia vista na radiografia, e é mais um motivo para não pedir a radiografia.
Solução salina hipertônica: a recomendação que voltou atrás
Esta é a intervenção cuja resposta mudou, e a prova gosta de temas com data. Em 2015, duas grandes sínteses foram favoráveis: uma revisão com 24 ensaios e 3.209 pacientes encontrou redução de cerca de 0,45 dia de internação com salina hipertônica a 3% a 7% comparada ao tratamento padrão ou à salina isotônica, e queda de 20% no risco de internação em sete estudos; uma metanálise com 15 ensaios e 1.922 pacientes encontrou pequena redução das taxas de admissão. Foi nesse cenário que o guideline americano de 2014 escreveu suas duas declarações opostas: não usar salina hipertônica nebulizada no pronto-socorro (recomendação moderada contra) e permitir seu uso em internados (recomendação fraca a favor, baseada em ensaios com achados inconsistentes).
Em 2016 as metanálises de 2015 foram reanalisadas com a exclusão de dois estudos heterogêneos. Nos 18 estudos restantes, com 2.063 lactentes, a redução do tempo de internação desapareceu. A própria diretriz brasileira, escrita em 2017, registra essa reanálise e conclui que o papel da salina hipertônica ainda precisava ser definido.
Hoje a definição chegou, e é negativa. A diretriz britânica lista a salina hipertônica entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite, ao lado de antibiótico, adrenalina nebulizada, salbutamol, montelucaste, brometo de ipratrópio e corticoide sistêmico ou inalatório. A diretriz australasiana de 2025 escreve que a salina hipertônica nebulizada não deve ser usada de rotina em lactentes atendidos ou internados por bronquiolite fora de ensaio clínico randomizado.
A conduta a levar para a prova, portanto, é não prescrever salina hipertônica de rotina — nem no pronto-socorro, nem na enfermaria. O que permanece indicado é a lavagem nasal com solução salina fisiológica, que é outra coisa: medida mecânica de desobstrução, não terapia inalatória.
Alto fluxo, pressão positiva e terapia intensiva: onde a escalada começa
A ordem importa e é cobrada. O suporte começa com oxigênio de baixo fluxo, guiado pelos cortes de saturação. A oxigenoterapia de alto fluxo por cânula nasal não é primeira linha: a diretriz australasiana de 2025 a coloca depois da falha do oxigênio de baixo fluxo no lactente hipoxêmico, ou antes da pressão positiva contínua na doença grave. A diretriz brasileira já registrava que o alto fluxo não se mostrou superior à pressão positiva contínua, tem custo elevado e pode mascarar deterioração rápida se o paciente não for monitorado.
A pressão positiva contínua tem indicação escrita: considerá-la em lactentes e crianças com bronquiolite que apresentem insuficiência respiratória iminente. É o degrau imediatamente anterior à intubação, e não um recurso de conforto.
Os gatilhos de terapia intensiva, reunidos das réguas lidas, são: apneia recorrente ou apneia no lactente jovem; insuficiência respiratória iminente ou instalada, com exaustão, respiração irregular, queda da frequência respiratória com piora do estado geral ou alteração do nível de consciência; necessidade de fração inspirada de oxigênio elevada para manter a saturação no alvo; e falha do suporte não invasivo. A diretriz britânica coloca a gasometria capilar exatamente nesse ponto: solicitá-la apenas quando há desconforto respiratório grave com necessidade de oxigênio acima de 50% ou suspeita de falência respiratória iminente — não como exame de rotina do internado.
Repare no que não está na lista: nenhum critério de escalada envolve prescrever um medicamento novo. A escalada da bronquiolite é sempre de suporte ventilatório.
Alta e retorno: o que a mãe leva para casa
Os critérios de alta hospitalar da diretriz britânica são três: criança clinicamente estável, ingesta oral adequada e saturação em ar ambiente mantida por 4 horas, incluindo um período de sono — acima de 90% para a criança a partir de 6 semanas, e acima de 92% para o menor de 6 semanas ou para qualquer idade com condição de base. Exigir o período de sono não é preciosismo: é durante o sono que a dessaturação aparece.
As orientações de sinais de alerta são um item formal da diretriz, não conversa solta. O cuidador precisa sair sabendo reconhecer: piora do trabalho respiratório, com gemência, batimento de asa do nariz e retrações; ingesta oral igual ou inferior a 50% a 75% do habitual, ou ausência de diurese por 12 horas; apneia ou cianose; e cansaço extremo, com a criança que não acorda ou não se mantém acordada. Diante de qualquer um deles, retorno imediato.
O tratamento domiciliar é curto e a diretriz brasileira o escreve item a item: higiene das mãos com água e sabão ou álcool a 70%; evitar tabagismo passivo; manter a alimentação normal para a idade, oferecendo com mais frequência e em menor volume; higiene nasal com solução salina; antitérmico se necessário; e reavaliação médica diante de dúvida ou de sinal de alerta.
A frase que fecha a consulta é a da evolução: a tosse ainda vai durar, e resolve em até 3 semanas em nove de cada dez crianças. Sem isso, a tosse do décimo dia vira uma segunda consulta e, com frequência, um antibiótico desnecessário.
Vale registrar o que a família costuma perguntar depois: internação por bronquiolite associa-se a mais sibilância recorrente nos anos seguintes, com relatos entre 17% e 60%. A associação existe, mas a gravidade do episódio parece pesar mais do que o episódio em si, e ela não autoriza rotular a criança como asmática na alta.
Prevenção: o que o SUS entrega na sazonalidade de 2026
A prevenção do VSR no Brasil mudou de patamar entre 2025 e 2026, e é a parte do capítulo com número mais cobrável, porque tudo está escrito em portaria. São três frentes: vacina na gestante, anticorpo monoclonal no bebê e medidas gerais.
A vacina da gestante é recombinante, contendo a proteína F do VSR estabilizada na conformação de pré-fusão. O esquema é dose única de 0,5 mL por via intramuscular, a partir da 28ª semana de gestação, sem limite superior de idade gestacional e sem restrição de idade materna, repetida a cada nova gestação. Os anticorpos atravessam a placenta e protegem o lactente nos primeiros meses: no estudo que sustentou a incorporação, com 7.358 gestantes vacinadas entre 24 e 36 semanas, a eficácia contra doença grave do trato respiratório inferior foi de 81,8% até os 3 meses e de 69,4% até os 6 meses de vida.
O nirsevimabe foi incorporado ao SUS pela Portaria sectics/MS nº 15, de 28 de fevereiro de 2025, e teve o protocolo de uso aprovado pela Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026, passando a ser ofertado a partir de fevereiro de 2026. Têm direito: toda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso corpóreo e independentemente de a mãe ter sido vacinada; e toda criança de até 24 meses, com qualquer peso, que apresente pelo menos uma destas comorbidades — cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave (inato ou adquirido), síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalia congênita das vias aéreas. A dose é única e definida por peso: 50 mg abaixo de 5 kg e 100 mg a partir de 5 kg, por via intramuscular, preferencialmente na face anterolateral da coxa. Na segunda temporada, apenas as crianças com as comorbidades listadas repetem, e a dose passa a ser 200 mg, aplicados como duas injeções de 100 mg em locais distintos — a prematuridade isolada não dá direito à segunda temporada.
O período de aplicação difere entre os dois grupos, e é detalhe de prova: o prematuro recebe durante todo o ano, ainda na maternidade ou durante a internação neonatal, assim que estiver clinicamente estável; a criança com comorbidade recebe dentro da janela sazonal de fevereiro a agosto, e a nascida fora dela recebe antes do início da próxima temporada. O único critério de exclusão é hipersensibilidade grave, incluindo anafilaxia, ao princípio ativo ou aos excipientes.
O palivizumabe não desapareceu. Os grupos com direito, definidos pela Portaria Conjunta nº 23, de 3 de outubro de 2018, são dois: criança prematura nascida com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias, com menos de 1 ano de idade; e criança com menos de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar) ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. A posologia é 15 mg/kg por via intramuscular, uma vez por mês durante a sazonalidade, até o máximo de cinco doses, começando um mês antes do início da estação na região.
A transição entre os dois anticorpos está escrita e cai como pergunta operacional. Quem recebeu palivizumabe na sazonalidade de 2025 conclui o esquema com palivizumabe em 2026. As crianças elegíveis ao palivizumabe nascidas depois do fim da sazonalidade de 2025 e até o fim de janeiro de 2026 também recebem palivizumabe em 2026, desde que permaneçam elegíveis. Só as nascidas a partir de fevereiro de 2026 iniciam a profilaxia com nirsevimabe. E os dois não são intercambiáveis: não se troca um pelo outro no meio do esquema.
As medidas gerais fecham a lista e não são decorativas: higiene frequente das mãos, evitar tabagismo passivo, incentivar o aleitamento materno — exclusivo até os 6 meses e mantido até os 2 anos ou mais —, evitar ambientes fechados e aglomerados durante a sazonalidade, adiar a entrada em creche quando possível no lactente jovem, afastar a criança sintomática de ambientes coletivos e vacinar contra influenza a partir dos 6 meses. No hospital, higiene das mãos, luvas, avental, máscara e proteção ocular no contato com secreções, e quarto privativo ou coorte.
Do primeiro chiado à alta: o que decide, e o que não decide
O fluxo abaixo é o caminho inteiro, da porta da unidade à orientação de alta. Os cards trazem a única classificação ordinal que as fontes lidas adotam para esta doença — os três níveis de encaminhamento da diretriz britânica, que decidem onde a criança será cuidada. As tabelas fecham o que a prova cobra por linha: o diferencial das três doenças que cursam com chiado, a lista do que fazer e do que não fazer intervenção por intervenção, os cortes de saturação lado a lado com o dono de cada número, e quem recebe o quê na prevenção do SUS em 2026.
- 1Diante de uma criança que chia, pergunte antes de tudo: é o primeiro episódio? Primeiro episódio em menor de 2 anos, precedido de coriza, aponta bronquiolite; episódios repetidos apontam sibilância recorrente e mudam de capítulo.
- 2Situe o dia de doença. O pico do desconforto está entre o terceiro e o quinto dia — quem chega no segundo dia ainda vai piorar.
- 3Meça a saturação em ar ambiente antes de qualquer oxigênio e conte a frequência respiratória com a criança o mais tranquila possível.
- 4Procure os quatro fatores de risco para doença grave: idade abaixo de 12 semanas, prematuridade, doença cardiopulmonar de base e imunodeficiência. Pergunte ativamente por apneia, que pode preceder o desconforto.
- 5Classifique o destino pelos três níveis dos cards, e some os critérios sociais — dificuldade de acesso, cuidador inseguro para reconhecer sinais de alerta — que internam mesmo com exame tranquilizador.
- 6Não peça radiografia, hemograma, proteína C-reativa nem painel viral para confirmar o diagnóstico. Reserve a imagem para o quadro que não se encaixa ou que destoa da evolução esperada.
- 7Na criança que fica: oxigênio pelos cortes por idade, líquido por sonda nasogástrica ou endovenoso com solução isotônica se a via oral falhou, e lavagem nasal com aspiração suave e superficial quando necessário.
- 8Não prescreva beta-2, adrenalina inalatória, corticoide, antibiótico, salina hipertônica nem fisioterapia respiratória. Antibiótico só com infecção bacteriana concomitante ou forte suspeita dela.
- 9Se o oxigênio de baixo fluxo não sustenta o alvo, escale para alto fluxo; diante de insuficiência respiratória iminente, considere pressão positiva contínua e acione a terapia intensiva.
- 10Reavalie procurando exaustão, não só saturação: queda da frequência respiratória com piora do estado geral, respiração irregular e sonolência são deterioração, não melhora.
- 11Dê alta com criança estável, ingesta adequada e saturação mantida por 4 horas incluindo um período de sono — e só com os sinais de alerta ditos, entendidos e a tosse de até 3 semanas explicada.
- 12Antes de encerrar, verifique a prevenção: a mãe foi vacinada na gestação? O bebê é prematuro ou tem comorbidade que dê direito a nirsevimabe ou palivizumabe? Alguém em casa fuma?
Manejo domiciliar — nenhum critério das outras duas faixas
Criança ativa, alimentando-se bem, sem apneia, sem desidratação, com saturação em ar ambiente estável e trabalho respiratório tolerável. Vai para casa com lavagem nasal, oferta fracionada de líquidos e alimentos, antitérmico se necessário, ambiente livre de fumo, os sinais de alerta ditos por extenso e a informação de que o pico dos sintomas está entre o terceiro e o quinto dia e a tosse dura até 3 semanas.
Encaminhamento a considerar — um destes
Frequência respiratória acima de 60 por minuto; ingesta oral entre 50% e 75% do habitual ou menos; desidratação clínica; saturação persistentemente abaixo de 92% em ar ambiente. Some aqui os critérios brasileiros que não são de exame físico: idade abaixo de 3 meses, prematuridade (especialmente abaixo de 32 semanas), comorbidade, condição social desfavorável, dificuldade de acesso ao serviço em caso de piora e cuidador sem confiança para reconhecer os sinais de alerta.
Encaminhamento imediato ao hospital — um destes
Apneia observada ou relatada; aspecto gravemente doente; desconforto respiratório grave, com gemência, retração acentuada ou frequência respiratória acima de 70 por minuto; cianose central. Acrescente, da régua brasileira, a piora do estado geral com a criança hipoativa, prostrada ou que só desperta a estímulo prolongado. Diante de insuficiência respiratória iminente, o degrau seguinte é pressão positiva contínua e terapia intensiva.
| O que se pergunta | Bronquiolite viral aguda | Asma / sibilância recorrente | Pneumonia |
|---|---|---|---|
| Idade típica | Menor de 2 anos, com pico entre 3 e 6 meses; o guideline americano delimita de 1 mês a 23 meses e a diretriz australasiana de 2025 concentra as recomendações abaixo de 12 meses | Pré-escolar e escolar; abaixo de 5 anos o diagnóstico exige padrão repetido, não um episódio | Qualquer idade da infância; a etiologia é que muda com a faixa etária |
| Primeiro episódio ou repetição | Primeiro episódio de sibilância — é a pergunta que o AIDPI manda fazer, e a resposta afirmativa aponta bronquiolite ou corpo estranho | Episódios repetidos; resposta negativa à pergunta do primeiro episódio caracteriza sibilância recorrente | Não se define por número de episódios; pneumonia de repetição levanta outra investigação |
| Pródromo | Coriza, espirros e obstrução nasal por 1 a 3 dias antes de o chiado aparecer | Pode ou não ter gatilho viral; também aparece com exercício, riso, choro e alérgeno | Pode vir após quadro viral, mas o que domina é febre e comprometimento do estado geral |
| Febre | Baixa, abaixo de 39 °C, em cerca de 30% dos casos | Habitualmente ausente; febre alta na crise sugere outra coisa | Alta; temperatura acima de 39 °C é um dos dois sinais que desviam o raciocínio para pneumonia |
| Ausculta | Sibilos difusos somados a crepitações finas difusas e bilaterais, que mudam de lugar entre uma ausculta e outra | Sibilância expiratória difusa, sem crepitações | Crepitações que se mantêm focais na mesma região — é o segundo sinal de desvio |
| Resposta a broncodilatador | Ausente ou irrelevante; o próprio AIDPI escreve que os broncodilatadores têm pouca ação na bronquiolite | Presente e rápida, em 20 a 60 minutos | Não se aplica; a sibilância que acompanha a pneumonia some com a cura |
| Radiografia de tórax | Não indicada de rotina; costuma mostrar hiperinsuflação e atelectasias subsegmentares, presentes em cerca de 25% dos internados e facilmente confundidas com infiltrado bacteriano | Não indicada para diagnóstico; reservada a dúvida diagnóstica ou suspeita de complicação | Não é obrigatória na criança tratada em casa; o diagnóstico da pneumonia ambulatorial é clínico |
| O que a régua manda fazer | Suporte: oxigênio pelos cortes por idade, líquido se a via oral falhou, lavagem nasal com aspiração suave. Nenhum medicamento | Broncodilatador de curta duração e corticoide sistêmico na crise moderada ou grave, conforme o capítulo de asma | Antibiótico conforme idade e gravidade, no capítulo de pneumonia da criança |
O que fazer e o que não fazer, intervenção por intervenção
| Intervenção | Recomendação | Quem sustenta, e com que força | A exceção que sobra |
|---|---|---|---|
| Oxigênio suplementar | Fazer, guiado por corte de saturação | Guideline americano de 2014: pode-se não ofertar oxigênio acima de 90% (fraca). Diretriz britânica atualizada em 2021 e australasiana de 2025: ofertar abaixo de 90% a partir de 6 semanas e abaixo de 92% no menor de 6 semanas ou com condição de base | Nenhuma — é a intervenção mais bem estabelecida do capítulo |
| Hidratação por sonda nasogástrica ou endovenosa | Fazer quando a via oral não sustenta a hidratação | Guideline americano de 2014, recomendação forte; estudo com 759 lactentes sem diferença entre as duas vias | Solução isotônica na via endovenosa, para não causar hiponatremia |
| Lavagem nasal e aspiração de vias aéreas superiores | Fazer, de forma suave e superficial, quando necessário | Diretriz da SBP de 2017 e página oficial do Ministério da Saúde | Aspiração profunda ou intermitente foi associada a maior tempo de internação e deve ser evitada |
| Broncodilatador beta-2 (salbutamol) | Não fazer | Guideline americano de 2014, recomendação forte; diretriz britânica, na lista de não usar; diretriz australasiana de 2025, recomendação forte contra em menores de 12 meses | A diretriz brasileira de 2017 admite uso conforme resposta clínica, mantido apenas se houver melhora imediata — ver o bloco de divergências |
| Adrenalina inalatória | Não fazer | Guideline americano de 2014, recomendação forte; diretriz britânica, na lista de não usar | Combinação com corticoide é considerada apenas em bronquiolite grave em terapia intensiva, segundo a diretriz australasiana de 2025 |
| Corticoide sistêmico ou inalatório | Não fazer, em nenhum cenário | Guideline americano de 2014, recomendação forte e qualidade de evidência A; diretriz britânica, na lista de não usar | Coinfecção por SARS-CoV-2 com hipoxemia, na diretriz australasiana de 2025 |
| Antibiótico | Não fazer | Guideline americano de 2014, recomendação forte; diretriz da SBP de 2017; diretriz britânica, na lista de não usar | Infecção bacteriana concomitante ou forte suspeita dela; e a criança que evolui para insuficiência respiratória com intubação |
| Fisioterapia respiratória | Não fazer de rotina | Guideline americano de 2014, recomendação moderada; revisão com 12 estudos e 1.249 participantes sem benefício; diretriz australasiana de 2025 | Comorbidade que compromete a depuração de secreções — a diretriz brasileira cita a amiotrofia espinhal |
| Solução salina hipertônica nebulizada | Não fazer de rotina | Diretriz britânica, na lista de não usar; diretriz australasiana de 2025, fora de ensaio clínico randomizado | O guideline americano de 2014 ainda a permitia no internado (recomendação fraca) — ver o bloco de divergências |
| Oximetria contínua | Não é necessária na criança estável | Guideline americano de 2014, recomendação fraca | Instabilidade, necessidade de oxigênio em subida ou risco de apneia |
| Antiviral (ribavirina) | Não fazer | Diretriz da SBP de 2017: dificuldade de uso, custo elevado e risco ao cuidador | Nenhuma na bronquiolite do lactente previamente hígido |
Os cortes de saturação lado a lado, e para que serve cada número
| Documento (ano) | Corte | A quem se aplica | Que decisão o número toma |
|---|---|---|---|
| SBP, diretriz de VSR (2017) | Abaixo de 92%, persistente, em ar ambiente | Lactente com bronquiolite, no Brasil | Decide internar: entra na lista de desconforto respiratório junto com gemência, retração, frequência acima de 60 e cianose central |
| AAP, guideline de bronquiolite (2014) | Acima de 90% | Lactentes e crianças de 1 mês a 23 meses | Autoriza não ofertar oxigênio suplementar acima desse valor (recomendação fraca, evidência de baixo nível) |
| NICE NG9 (atualizada em 2021) e diretriz australasiana (2025) | Abaixo de 90% | Criança a partir de 6 semanas de vida | Dispara a oferta de oxigênio suplementar |
| NICE NG9 (atualizada em 2021) e diretriz australasiana (2025) | Abaixo de 92% | Lactente abaixo de 6 semanas, ou de qualquer idade com condição de base | Dispara a oferta de oxigênio suplementar no grupo de maior risco — o limiar antigo foi mantido só aqui |
| NICE NG9 (atualizada em 2021) | Acima de 90% (ou acima de 92% no grupo de risco) por 4 horas, incluindo um período de sono | Criança internada | Autoriza a alta hospitalar, junto com estabilidade clínica e ingesta adequada |
| AIDPI Criança (2017) | Igual ou abaixo de 90% / de 91% a menos de 95% / igual ou acima de 95% | Criança de 2 meses a 5 anos com sibilância, na atenção primária | Classifica a crise de sibilância em grave, moderada e leve — é a régua do algoritmo de triagem, não uma régua de bronquiolite |
Prevenção do VSR no SUS na sazonalidade de 2026: quem recebe o quê
| Produto | Quem tem direito | Esquema e dose | Quando se aplica |
|---|---|---|---|
| Vacina contra o VSR na gestante (proteína F recombinante de pré-fusão) | Todas as gestantes, sem restrição de idade materna | Dose única de 0,5 mL por via intramuscular, repetida a cada nova gestação | A partir da 28ª semana de gestação, sem limite superior de idade gestacional |
| Nirsevimabe — prematuros | Toda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso e independentemente de a mãe ter sido vacinada | Dose única: 50 mg abaixo de 5 kg; 100 mg a partir de 5 kg. Via intramuscular, face anterolateral da coxa | Durante todo o ano, ainda na maternidade ou na internação neonatal, assim que o recém-nascido estiver clinicamente estável |
| Nirsevimabe — comorbidades | Criança de até 24 meses com pelo menos uma destas: cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalia congênita das vias aéreas | Primeira temporada: 50 mg abaixo de 5 kg, 100 mg a partir de 5 kg. Segunda temporada: 200 mg, em duas injeções de 100 mg em locais distintos | Janela sazonal de fevereiro a agosto (semanas epidemiológicas 8 a 32); quem nasce fora dela recebe antes do início da próxima temporada |
| Palivizumabe | Prematuro com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias e menos de 1 ano; criança com menos de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada | 15 mg/kg por via intramuscular, uma vez por mês, até o máximo de cinco doses | Durante a sazonalidade da região, começando um mês antes do início da estação |
| Regra de transição em 2026 | Quem já usava palivizumabe, e quem nasceu antes de fevereiro de 2026 | Quem recebeu palivizumabe na sazonalidade de 2025 conclui com palivizumabe; elegíveis nascidos até o fim de janeiro de 2026 também recebem palivizumabe; nascidos a partir de fevereiro de 2026 iniciam com nirsevimabe | Os dois anticorpos não são intercambiáveis — não se troca um pelo outro no meio do esquema |
A pergunta que abre o caso não é sobre o exame físico: é 'este é o primeiro episódio de sibilância?'. O AIDPI escreve que a resposta afirmativa aponta bronquiolite ou corpo estranho, e a negativa, sibilância recorrente.
O pico dos sintomas está entre o terceiro e o quinto dia de doença, e a tosse resolve em 90% dos lactentes em até 3 semanas. Quem sai da consulta sem essas duas informações volta em 48 horas achando que piorou por erro médico.
Radiografia de tórax não confirma bronquiolite e muda o comportamento do médico: cerca de 25% dos internados têm atelectasia, difícil de distinguir de infiltrado bacteriano, e pedir o exame aumentou a prescrição de antibiótico sem diferença de desfecho.
Painel viral positivo não prova causalidade: cerca de 30% das crianças com bronquiolite por VSR têm coinfecção, e cerca de 25% das crianças assintomáticas têm teste molecular positivo para algum vírus respiratório.
Dois números de saturação convivem porque respondem a perguntas diferentes: 92% persistente decide internação no Brasil; 90% (ou 92% abaixo de 6 semanas e nas comorbidades) decide ofertar oxigênio.
Queda da frequência respiratória com piora do estado geral é exaustão, não melhora — o mesmo sinal que engana na crise de asma engana aqui.
Nenhum critério de escalada da bronquiolite envolve começar um medicamento: a escalada é sempre de suporte ventilatório, do oxigênio de baixo fluxo ao alto fluxo, à pressão positiva contínua e à intubação.
Aspiração nasal suave e superficial é tratamento; aspiração profunda foi associada a maior tempo de internação. Lavagem nasal com solução fisiológica não é o mesmo que nebulização com salina hipertônica.
A prematuridade isolada dá direito ao nirsevimabe na primeira temporada, mas não na segunda: a segunda dose de 200 mg é exclusiva das crianças com as comorbidades listadas no protocolo.
O prematuro recebe nirsevimabe o ano inteiro; a criança com comorbidade recebe dentro da janela de fevereiro a agosto. Confundir as duas janelas é a pegadinha mais fácil de montar sobre o protocolo de 2026.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não administrar em nenhuma hipótese, nem como tentativa — posição da Academia Americana de Pediatria desde 2014, repetida pelas diretrizes britânica e australasiana
A declaração de ação nº 2 do guideline americano diz que o clínico não deve administrar albuterol ou salbutamol a lactentes e crianças com diagnóstico de bronquiolite, com força forte. A edição anterior, de 2006, permitia uma tentativa cuidadosamente monitorada, e essa permissão foi retirada. O argumento é metodológico: a maioria dos ensaios randomizados falhou em demonstrar benefício consistente de agentes alfa ou beta-adrenérgicos, e os poucos sinais positivos vieram de estudos ambulatoriais heterogêneos, com crianças mais velhas e com sibilância recorrente — ou seja, de pacientes que provavelmente não tinham bronquiolite. Além disso, uma tentativa clínica exige um observador capaz de distinguir a melhora do medicamento da flutuação natural de uma doença que varia minuto a minuto, o que na prática não acontece. A diretriz britânica coloca o salbutamol na lista do que não usar, e a diretriz australasiana de 2025 traz recomendação forte contra beta-2 agonistas em menores de 12 meses.
American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declaração de ação nº 2); NICE NG9, recomendação 1.4.3, 2015 com atualização de 2021; Australasian Bronchiolitis Guideline, 2025
Admitir a tentativa individual, mantendo o medicamento apenas se houver melhora imediata — posição registrada na diretriz brasileira de 2017
A diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria escreve, na mesma página em que registra que os guidelines dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Canadá não recomendam broncodilatador na bronquiolite, que o uso de acordo com a resposta clínica pode eventualmente ser considerado, mas só deve ser mantido se houver evidência de melhora imediata. O quadro-resumo do mesmo documento classifica broncodilatadores e adrenalina como não recomendados, de modo que a permissão é individual e condicionada, não uma indicação. Some-se a isso o desenho do algoritmo do AIDPI: ele classifica a criança de 2 meses a 5 anos pelo sinal sibilância, não pelo diagnóstico, e prescreve beta-2 inalatório para as três faixas de gravidade — embora o próprio manual registre, na tabela de quadros clínicos que cursam com sibilância, que na bronquiolite aguda os broncodilatadores têm pouca ação. Documento brasileiro de 2017 diante de guideline americano revisado em 2014: a diferença de posição acompanha a diferença de propósito, um algoritmo de triagem por sinal contra uma diretriz diagnóstica por doença.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (seção de adrenalina por nebulização e Quadro 2); Ministério da Saúde, Manual AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, 2017 (item 1.4 e quadro de sibilância)
Na prova
O recorte se identifica por três marcas. A primeira é a idade e o número de episódios escritos no enunciado: lactente jovem em primeiro episódio, com pródromo de coriza, empurra a questão para o corpo diagnóstico da bronquiolite; criança acima de 2 anos ou com episódios anteriores empurra para o algoritmo de sibilância. A segunda é o cenário: unidade básica de saúde, agente comunitário, classificação de risco e vocabulário de 'sinais gerais de perigo' são a linguagem do AIDPI, e nele existe beta-2 para sibilância; enfermaria, pronto-socorro terciário ou menção nominal à Academia Americana de Pediatria puxam a régua internacional. A terceira são as alternativas: quando uma delas oferece 'prova terapêutica com beta-2, mantendo apenas se houver resposta', a banca está trabalhando com o texto brasileiro; quando nenhuma alternativa contém broncodilatador em qualquer forma, o recorte é o do guideline de 2014. Vale ainda a régua geral de que prova oficial do MEC tende à conduta do SUS, e que em outras bancas o desenho das alternativas denuncia o documento usado.
Permitida no paciente internado e vedada no pronto-socorro — posição do guideline americano de 2014, com recomendação fraca
O guideline americano separa dois cenários em duas declarações. A de número 4a diz que a salina hipertônica nebulizada não deve ser administrada a lactentes com bronquiolite no departamento de emergência, com força moderada. A de número 4b diz que o clínico pode administrar salina hipertônica nebulizada a lactentes e crianças hospitalizados por bronquiolite, com força fraca, explicitamente baseada em ensaios randomizados com achados inconsistentes. O racional fisiológico é que a solução hipertônica aumenta a depuração mucociliar, e a base empírica da época eram as sínteses de 2015: 24 ensaios com 3.209 pacientes mostrando redução de cerca de 0,45 dia de internação e queda de 20% no risco de internação em sete estudos, e uma metanálise com 15 ensaios e 1.922 pacientes com pequena redução das admissões.
American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declarações de ação 4a e 4b)
Retirada das duas pontas — posição da diretriz britânica e da diretriz australasiana de 2025
A diretriz britânica lista a salina hipertônica entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite, ao lado de antibiótico, adrenalina nebulizada, salbutamol, montelucaste, brometo de ipratrópio e corticoide. A diretriz australasiana de 2025 escreve que a salina hipertônica nebulizada não deve ser usada de rotina em lactentes atendidos ou internados por bronquiolite fora de um ensaio clínico randomizado. A virada tem data e causa identificáveis: em 2016 as duas metanálises de 2015 foram reanalisadas com a exclusão de dois estudos heterogêneos e, nos 18 estudos restantes, com 2.063 lactentes, a redução do tempo de internação desapareceu. A diretriz brasileira de 2017 registra essa reanálise e conclui que o papel da salina hipertônica ainda precisava ser definido, mantendo-a como 'considerar' em seu quadro-resumo.
NICE NG9, recomendação 1.4.3, 2015 com atualização de 2021; Australasian Bronchiolitis Guideline, 2025; Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (seção de solução salina hipertônica e Quadro 2)
Na prova
O ano do documento citado no enunciado é a marca mais forte deste item, porque a evidência virou entre 2015 e 2016. Enunciado que nomeia a Academia Americana de Pediatria ou reproduz a estrutura 'não no pronto-socorro, pode no internado' está trabalhando com o texto de 2014. Enunciado que trata a bronquiolite como doença sem terapia inalatória alguma, ou que oferece uma lista fechada de intervenções vedadas, está no corpo mais recente. O cenário também informa: questão de pronto-socorro tem menos margem para a salina hipertônica em qualquer das réguas, já que até o documento mais permissivo a veda nesse cenário. E cuidado com o distrator que troca os nomes: lavagem nasal com solução fisiológica é medida mecânica recomendada em todas as réguas, e sua presença numa alternativa não é sinônimo de nebulização com solução hipertônica.
Critérios do Ministério da Saúde — o que a portaria escreve e o que o serviço pode dispensar
O palivizumabe foi incorporado em 2012 e teve seu protocolo de uso aprovado pela Portaria Conjunta nº 23, de 3 de outubro de 2018, com dois grupos: prematuro com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias e menos de 1 ano de idade; e criança com menos de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. Em 2025 o nirsevimabe foi incorporado pela Portaria SECTICS/MS nº 15, de 28 de fevereiro, e teve o protocolo de uso aprovado pela Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026, ampliando a cobertura a todo prematuro abaixo de 37 semanas e a toda criança de até 24 meses com uma das sete comorbidades listadas. O próprio protocolo explicita a razão da mudança: o nirsevimabe amplia a cobertura a todos os prematuros, acrescenta comorbidades e substitui cinco doses mensais calculadas por peso por uma dose única definida por faixa de peso na temporada.
Ministério da Saúde, Ofício Conjunto nº 85/2025/CGAFME/DAF/SECTICS/MS, de 7 de novembro de 2025; Ministério da Saúde, Protocolo de Uso do Nirsevimabe, Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026
Extensão preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria — um grupo a mais que a portaria do palivizumabe não contemplava
A diretriz da SBP de 2017 registra os critérios do Ministério da Saúde e acrescenta que a sociedade preconiza a profilaxia também para bebês prematuros nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de idade gestacional, com base em evidências de que esse grupo é igualmente vulnerável às formas graves, especialmente nos primeiros 6 meses de vida. O documento nomeia a causa da restrição no serviço público: a eleição dos grupos com recomendação de palivizumabe baseia-se em estudos de eficácia e de custo-efetividade, e o uso em grupos não selecionados aumenta custos com pouca redução de gastos com internação e nenhuma redução de mortalidade. O mesmo documento registra que a Academia Americana de Pediatria, em 2014, restringiu ainda mais: palivizumabe no primeiro ano de vida para cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa ou doença pulmonar crônica da prematuridade definida como prematuro abaixo de 32 semanas e 0 dia que necessitou de mais de 21% de oxigênio por pelo menos os primeiros 28 dias de vida, com máximo de cinco doses mensais de 15 mg/kg.
Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (seção de profilaxia); American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declarações de ação 10b e 10c)
Na prova
Aqui a marca é quase sempre lexical e temporal. Enunciado que fala em 'critério de dispensação', 'Ministério da Saúde', 'unidade de saúde' ou 'tem direito no SUS' cobra a letra da portaria — e a letra mudou de dono entre 2025 e 2026, de modo que o ano citado no enunciado define qual dos dois anticorpos está em jogo. Enunciado que diz 'a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza' abre espaço para o grupo de 29 a 31 semanas e 6 dias, que não estava na portaria do palivizumabe. Um detalhe das alternativas costuma denunciar o documento usado: o número de doses. Cinco doses mensais de 15 mg/kg é palivizumabe; dose única por faixa de peso na temporada é nirsevimabe. E se uma alternativa oferecer troca de um anticorpo pelo outro no meio do esquema, ela está contrariando a regra explícita de não intercambialidade do ofício de transição.
Corte único de 90% para ofertar oxigênio — posição do guideline americano de 2014
A declaração de ação nº 6a diz que o clínico pode optar por não administrar oxigênio suplementar se a saturação de oxi-hemoglobina exceder 90% em lactentes e crianças com bronquiolite, com força fraca, baseada em evidência de baixo nível e em raciocínio a partir de primeiros princípios. O argumento explícito no documento é a curva de dissociação da hemoglobina: acima de 90% a curva é plana, e ganhos adicionais de saturação correspondem a variações muito pequenas de conteúdo arterial de oxigênio. A declaração seguinte, a 6b, completa o raciocínio ao dizer que a oximetria contínua pode ser dispensada, porque a saturação é mau preditor de desconforto respiratório e o monitoramento contínuo se associa a internações prolongadas.
American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declarações de ação 6a e 6b)
Corte por idade, 90% em geral e 92% no lactente muito jovem ou com comorbidade — posição britânica desde a atualização de 2021, seguida pela diretriz australasiana de 2025
A diretriz britânica publicada em 2015 usava 92% para todos. Na revisão de agosto de 2021, o limiar de saturação para admissão e para oxigenoterapia foi reduzido para 90%, com uma ressalva escrita: alguns lactentes e crianças têm risco maior de bronquiolite grave — os menores de 6 semanas e as crianças com condições de saúde de base —, e para esse grupo o comitê considerou mais seguro manter 92%. O mesmo desenho aparece nos critérios de alta, que exigem saturação mantida por 4 horas incluindo um período de sono, acima de 90% ou acima de 92% conforme o grupo. A diretriz australasiana de 2025 adota os mesmos dois limiares.
NICE NG9, Bronchiolitis in children, 2015 com atualização de agosto de 2021 (recomendações de encaminhamento, oxigenoterapia e alta); Australasian Bronchiolitis Guideline, 2025
Faixas de 90%, 91% a 95% e 95% ou mais para classificar a crise de sibilância — régua brasileira da atenção primária, e critério de internação de 92% na diretriz da SBP
O manual AIDPI Criança usa três faixas para a criança de 2 meses a 5 anos com sibilância: saturação igual ou abaixo de 90% em ar ambiente é sinal de sibilância grave ou doença muito grave e indica referência imediata; de 91% a menos de 95% classifica sibilância moderada e também indica oxigenoterapia; 95% ou mais é considerado normal, compatível com crise leve. A diretriz da SBP, por sua vez, usa saturação persistentemente abaixo de 92% dentro da lista de desconforto respiratório que indica hospitalização, ao lado de gemência, retração torácica, frequência respiratória acima de 60 e cianose central. São dois números com funções distintas: o do AIDPI classifica gravidade num algoritmo de triagem por sinal, e o da SBP decide internação numa diretriz de doença.
Ministério da Saúde, Manual AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, 2017 (item 1.4.1 e quadro de classificação da sibilância); Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (lista 'quando hospitalizar')
Na prova
Comece perguntando qual decisão o número está tomando na questão, porque as três posições não competem pelo mesmo posto. Se o enunciado pergunta se a criança deve ser internada, o número brasileiro é 92% persistente. Se pergunta se deve receber oxigênio suplementar, o corte depende da idade escrita: abaixo de 6 semanas ou com comorbidade, 92%; a partir de 6 semanas, 90%. Se o enunciado usa vocabulário de classificação — 'sibilância moderada', 'sinais gerais de perigo', 'referir imediatamente' — está dentro do AIDPI, e a faixa de 91% a 95% é a régua daquele quadro. Duas marcas ajudam: a menção ao ano de 2021 ou à expressão 'atualização' aponta o corte por idade; e a presença de 94% entre as alternativas costuma ser importada do capítulo de asma, cujas réguas de crise usam esse valor, e não das diretrizes de bronquiolite.
Caso resolvido
- diagnóstico
- Bronquiolite viral aguda. O quadro reúne os três elementos que definem a doença: lactente menor de 2 anos, primeiro episódio de sibilância e pródromo de vias aéreas superiores por 1 a 3 dias antes do chiado. Junho, com a irmã em creche e resfriada, situa a estação — no Sudeste a circulação do VSR predomina de março a julho. A febre de 38,1 °C está dentro do esperado: a diretriz britânica registra temperatura abaixo de 39 °C em cerca de 30% dos casos.
- o que a pergunta do primeiro episódio resolveu
- Ela eliminou o caminho da asma. Pelo AIDPI, resposta afirmativa à pergunta sobre o primeiro episódio aponta bronquiolite ou corpo estranho; a ausência de engasgo súbito, a sibilância difusa e bilateral e o pródromo de coriza tiram o corpo estranho da mesa. Sem essa pergunta, o mesmo exame físico caberia numa crise de sibilância e levaria a beta-2 e corticoide.
- em que dia da doença ele está
- Terceiro dia de sintomas, ou seja, entrando no pico, que ocorre entre o terceiro e o quinto dia. Isso muda o que se diz à mãe: ele ainda pode piorar nas próximas 48 horas mesmo com tudo correndo bem, e essa frase precisa ser dita agora, não no retorno.
- classificação do destino
- Manejo domiciliar. Não há critério de encaminhamento imediato: sem apneia, sem aspecto gravemente doente, sem gemência, sem retração acentuada, frequência respiratória de 52 (abaixo de 70) e sem cianose central. Também não há critério de encaminhamento a considerar: frequência abaixo de 60, saturação de 96% (acima de 92%), sem desidratação clínica e ingesta preservada, com seis fraldas molhadas em 24 horas. Não é lactente abaixo de 3 meses, não é prematuro, não tem comorbidade, e a mãe tem acesso ao serviço.
- o que não pedir
- Nada. Sem radiografia de tórax, sem hemograma, sem proteína C-reativa e sem painel viral. O diagnóstico é clínico, e a radiografia neste caso mostraria hiperinsuflação e possivelmente atelectasia — achado presente em cerca de 25% dos internados e facilmente lido como infiltrado, o que produziria a amoxicilina que está disponível na unidade e que não tem indicação nenhuma aqui.
- o que prescrever
- Lavagem nasal com solução fisiológica, feita antes das mamadas para desobstruir o nariz — o lactente é respirador nasal, e a coriza sozinha aumenta o trabalho respiratório e atrapalha a alimentação. Oferta de leite materno em maior frequência e menor volume. Antitérmico se houver febre com desconforto. Nada mais.
- o que não prescrever, e por quê
- Sem salbutamol: a obstrução é edema, epitélio descamado e muco, não broncoespasmo, e a recomendação contra o beta-2 é forte. Sem corticoide: é a recomendação com maior nível de evidência do guideline americano, qualidade A. Sem antibiótico: não há infecção bacteriana concomitante nem forte suspeita dela, e febre baixa com coriza em lactente que chia é o quadro viral típico. Sem fisioterapia respiratória e sem nebulização com salina hipertônica.
- orientações de alerta e retorno
- A mãe sai sabendo procurar atendimento imediatamente diante de: piora do esforço respiratório, com gemido, batimento de asa do nariz ou afundamento das costelas; mamada igual ou inferior a metade do habitual, ou 12 horas sem urinar; pausas respiratórias ou lábios arroxeados; e criança muito prostrada, que não acorda ou não se mantém acordada. Aprender a contar a respiração ajuda. Ambiente livre de fumo — inclusive o cheiro na roupa de quem fumou na varanda. Retorno em 48 horas para reavaliação, ou antes se surgir qualquer sinal de alerta.
- a frase que evita a segunda consulta desnecessária
- A tosse vai durar mais que o chiado e resolve em até 3 semanas em nove de cada dez crianças. Sem esse aviso, a tosse do décimo dia costuma virar nova consulta e, com frequência, o antibiótico que foi evitado hoje.
- o que fica pendente na prevenção
- Nasceu a termo e sem comorbidade, portanto não é elegível a nirsevimabe nem a palivizumabe. Ficam as medidas gerais: aleitamento materno mantido, higiene das mãos de quem cuida, evitar aglomerações durante a sazonalidade e cessação do tabagismo do pai. Se houver nova gestação na família, a vacina contra o VSR é dose única a partir da 28ª semana.
Agora feche você
- achado
- Lactente de 2 meses, ex-prematura de 34 semanas, no quarto dia de doença respiratória, com apneia relatada pela mãe, sinais de desconforto respiratório grave (frequência respiratória de 74, gemência, batimento de asa do nariz e tiragem), hipoatividade, sinais de desidratação com enchimento capilar de 3 segundos e ingesta abaixo da metade do habitual, e saturação de 88% em ar ambiente.
- diagnóstico e fatores de risco
- Bronquiolite viral aguda em lactente com três dos quatro fatores de risco formais para doença grave: idade abaixo de 12 semanas e história de prematuridade, somadas à ausência de qualquer profilaxia — a mãe não recebeu a vacina na gestação e a criança não recebeu anticorpo monoclonal. A apneia, no lactente muito jovem, pode ser a primeira manifestação da doença e preceder o desconforto.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Prescrever nebulização com beta-2 porque a criança chia Atrai porque o som é o mesmo da asma e porque a mão do plantonista já foi treinada a responder ao sibilo com broncodilatador. Mas a obstrução da bronquiolite é edema de parede, epitélio descamado e rolha de muco dentro de uma via aérea minúscula — não há musculatura lisa relevante a relaxar. A recomendação contra é forte, e a revisão com 1.192 lactentes não mostrou ganho de saturação, de tempo de sintomas nem de internação.
- 2Dar corticoide 'porque é chiado e não custa nada' É a recomendação com maior nível de evidência do capítulo: qualidade A, força forte, contra o uso em qualquer cenário. Oito estudos ambulatoriais com 1.824 pacientes não reduziram internação no primeiro nem no sétimo dia; nove estudos com 772 internados não reduziram o tempo de internação. A tentação vem de duas doenças em que o corticoide funciona de verdade — asma e crupe — e que fazem parte do mesmo plantão.
- 3Pedir radiografia de tórax para 'descartar pneumonia' Parece prudência e é a porta de entrada do antibiótico desnecessário. Cerca de 25% dos lactentes internados por bronquiolite têm atelectasia na radiografia, indistinguível de infiltrado bacteriano para quem não sabe o que procurar, e estudos mostraram que pedir o exame aumentou a prescrição de antibiótico sem diferença nenhuma de desfecho. Quem separa pneumonia de bronquiolite é a febre acima de 39 °C e a crepitação que se mantém focal — não a imagem.
- 4Pedir painel viral para decidir o tratamento Identificar o vírus não muda a conduta de ninguém com bronquiolite, porque não há antiviral indicado. Pior: cerca de 30% das crianças com VSR têm coinfecção e cerca de 25% das crianças assintomáticas têm teste molecular positivo, de modo que um resultado positivo não prova causalidade. O painel se justifica por isolamento hospitalar, coorte, imunocomprometido, forma grave e vigilância — indicações de controle de infecção, não de terapêutica individual.
- 5Aplicar o quadro de sibilância do AIDPI a um lactente de 3 meses Duas falhas na mesma conduta. A primeira é de alcance: o quadro do AIDPI vale a partir dos 2 meses, e o lactente jovem com bronquiolite tem outra régua. A segunda é de propósito: aquele quadro classifica pelo sinal 'sibilância' e prescreve beta-2 e corticoide para as três faixas, enquanto o próprio manual registra, poucas páginas antes, que na bronquiolite os broncodilatadores têm pouca ação. O algoritmo é de triagem por sinal; a bronquiolite é um diagnóstico.
- 6Confundir lavagem nasal com solução fisiológica e nebulização com salina hipertônica São duas coisas diferentes com nomes parecidos. Lavagem nasal com solução salina fisiológica é medida mecânica de desobstrução, recomendada em todas as réguas e explicitamente citada pelo Ministério da Saúde. Nebulização com solução salina hipertônica a 3% ou mais é terapia inalatória, que a diretriz britânica lista entre as que não devem ser usadas e que a diretriz australasiana de 2025 restringe a ensaio clínico.
- 7Prescrever fisioterapia respiratória para 'ajudar a soltar a secreção' A revisão com 12 estudos e 1.249 participantes não encontrou benefício de nenhuma técnica quanto a tempo de internação, saturação ou parâmetros respiratórios, e a recomendação contra é moderada. A tentação nasce da atelectasia vista na radiografia — mais um motivo para não pedir a radiografia. A ressalva legítima, escrita na própria diretriz brasileira, é a comorbidade que compromete a depuração de secreções, como a amiotrofia espinhal.
- 8Ler a queda da frequência respiratória como melhora É o mesmo erro que engana na crise de asma e é mais perigoso aqui, porque o lactente tem menos reserva. A criança que se cansa deixa de fazer esforço: a frequência cai, a tiragem diminui e a ausculta 'melhora'. Se isso vem acompanhado de piora do estado geral, sonolência ou respiração irregular, é exaustão e insuficiência respiratória iminente — degrau de pressão positiva contínua e terapia intensiva, não de alta.
- 9Manter oximetria contínua na criança estável e prolongar a internação por causa dela A saturação é mau preditor de desconforto respiratório e o monitoramento contínuo captura dessaturações transitórias fisiológicas do sono, que geram condutas desnecessárias e prendem a criança no hospital. A recomendação de dispensar a oximetria contínua vale para o paciente estável; instabilidade, necessidade crescente de oxigênio e risco de apneia continuam justificando o monitor.
- 10Usar o corte de saturação errado por não olhar a idade e a comorbidade Três números circulam e cada um tem dono. No Brasil, 92% persistente decide internação. Para ofertar oxigênio, o limiar é 90% a partir de 6 semanas de vida e 92% abaixo de 6 semanas ou em criança com condição de base. E 94% é um número do capítulo de asma, importado por distratores. Errar aqui não é detalhe: muda quem fica internado.
- 11Achar que o nirsevimabe substituiu o palivizumabe para todo mundo em 2026 A transição é escrita e tem quatro regras. Quem recebeu palivizumabe na sazonalidade de 2025 conclui com palivizumabe; as crianças elegíveis nascidas até o fim de janeiro de 2026 também recebem palivizumabe nesta temporada; só as nascidas a partir de fevereiro de 2026 iniciam com nirsevimabe. E os dois anticorpos não são intercambiáveis — trocar um pelo outro no meio do esquema contraria o ofício de transição.
- 12Achar que todo prematuro repete o nirsevimabe na segunda temporada Não repete. O protocolo de 2026 é explícito: a administração na segunda temporada é exclusiva das crianças com as comorbidades listadas, e não se estende às nascidas prematuras sem comorbidade. Junto com isso, guarde a outra metade da pegadinha: prematuro recebe o ano inteiro; criança com comorbidade recebe na janela de fevereiro a agosto.
- 13Dar alta sem dizer a evolução esperada O pico dos sintomas está entre o terceiro e o quinto dia, e a tosse resolve em até 3 semanas em 90% dos lactentes. Sem essas duas frases, a criança avaliada no segundo dia volta piorada em 48 horas e a consulta vira erro médico aos olhos da família; e a tosse do décimo dia vira antibiótico. A orientação de sinais de alerta é item formal da diretriz, não conversa de despedida.
Lactente < 2 anos, no primeiro episódio de sibilância, com pródromo de via aérea superior e evolução para desconforto respiratório, sibilos/estertores difusos e hiperinsuflação na radiografia — quadro clássico de bronquiolite viral aguda (VSR na maioria). Cursaria com consolidação e não com hiperinsuflação difusa. Tem tosse paroxística com guincho, sem sibilância difusa característica. Asma é diagnóstico incomum no primeiro episódio e nessa faixa etária. Aspiração daria achado localizado e história de engasgo súbito.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Lactente de 3 meses, ex-prematuro de 30 semanas, com displasia broncopulmonar, é levado à emergência com quadro de coriza, tosse, taquipneia (FR 68 ipm), tiragem subcostal, sibilos difusos e SatO2 89% em ar ambiente. É o primeiro episódio, em plena sazonalidade de inverno. Qual é o agente etiológico mais provável?
Primeiro episódio de sibilância em lactente < 2 anos, com pródromo de vias aéreas superiores, taquipneia, tiragem e hipoxemia no inverno é bronquiolite viral aguda, cujo principal agente é o VSR — especialmente grave em prematuros com displasia broncopulmonar. Bordetella pertussis causa tosse paroxística/guincho, sem o padrão de sibilância difusa e sazonalidade típica da bronquiolite. Pneumococo causa pneumonia bacteriana (febre alta, consolidação focal), não sibilância difusa. Mycoplasma é mais frequente em escolares/adolescentes. Influenza pode causar quadro respiratório, mas não é o agente mais associado à bronquiolite típica do lactente.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro no inverno com quadro de 2 dias de coriza e tosse, evoluindo hoje com dificuldade para respirar e chiado. Ao exame: FR 60 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, tiragem subcostal leve, sibilos e estertores finos difusos à ausculta. Sem febre alta. Qual é o diagnóstico mais provável?
Lactente < 12 meses no primeiro episódio de sibilância, com pródromo de infecção de vias aéreas superiores no inverno, taquipneia e sibilos/estertores difusos define bronquiolite viral aguda (VSR o agente mais comum). Pneumonia lobar costuma cursar com febre alta e achados focais, não sibilância difusa. Asma raramente é diagnosticada como primeiro episódio nessa idade. Coqueluche cursa com paroxismos de tosse e guincho, sem sibilância difusa. Corpo estranho tem início súbito, sem pródromo viral e geralmente com achado unilateral.
Lactente de 5 meses com bronquiolite viral aguda há 3 dias chega ao PS. Ao exame: FR 68 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, tiragem subcostal e intercostal, batimento de asa nasal, aceitando parcialmente a dieta. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
O tratamento da bronquiolite é de suporte: oxigênio quando SatO2 < 90-92%, hidratação/nutrição e monitorização. Antibiótico não é indicado por etiologia viral. Corticoide sistêmico não altera o curso da bronquiolite. Broncodilatador não tem eficácia consistente e não justifica alta com esse grau de desconforto e hipoxemia. Adrenalina nebulizada domiciliar não é recomendada como rotina.
Lactente de 3 meses, com quadro de coriza há 2 dias, é levado ao PS por apneia testemunhada e episódios de palidez. Ao exame: FR 55 ipm com pausas respiratórias, SatO2 flutuando entre 85-93%, tiragem subcostal e sibilos difusos, aceitando pouco a dieta. Nascido a termo, sem comorbidades. Além do suporte, qual conduta é a mais apropriada neste caso de bronquiolite?
Apneia, hipoxemia persistente, idade < 3 meses e baixa aceitação alimentar são critérios de gravidade que indicam internação com monitorização — a apneia pode ser manifestação de bronquiolite em lactentes jovens. Alta é inadequada diante de apneia e hipoxemia. Broncodilatador e corticoide não têm eficácia comprovada na bronquiolite e não devem ser prescritos como domiciliar. Salina hipertônica domiciliar não substitui a internação necessária.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, é levado à emergência no inverno com coriza há 3 dias que evoluiu com tosse, sibilância e dificuldade para mamar. Exame: FR 62 ipm, tiragem subcostal, sibilos difusos e estertores finos à ausculta, SatO2 94% em ar ambiente. Não tem febre alta nem toxemia. Qual é o agente etiológico mais frequentemente associado a esse quadro?
O quadro é bronquiolite viral aguda em lactente, cujo agente mais comum é o vírus sincicial respiratório (VSR). S. pneumoniae causa pneumonia bacteriana, geralmente com febre alta/toxemia e consolidação, não sibilância difusa. B. pertussis cursa com tosse paroxística/guincho, sem sibilância típica. Mycoplasma é raro em lactentes e mais comum em escolares. Influenza pode causar quadro respiratório, mas não é o agente predominante de bronquiolite.
Lactente de 8 meses com bronquiolite viral aguda está internado. Evolui com FR 70 ipm, tiragem intercostal e subcostal, batimento de asa nasal, gemência e SatO2 87% em ar ambiente, com dificuldade para se alimentar. Além de oxigenoterapia, qual é a medida de suporte mais apropriada nesse momento?
Lactente com desconforto respiratório grave (FR 70, gemência) e dificuldade alimentar tem risco de aspiração; a conduta é suspender a via oral e assegurar hidratação por sonda enteral ou IV, além do oxigênio. Corticoide não altera o curso da bronquiolite. Antibiótico só se coinfecção bacteriana comprovada. Fisioterapia de rotina não é recomendada. Broncodilatador não tem benefício comprovado e não é indicado de rotina.
Um lactente de 6 meses, previamente hígido, é atendido na UPA no outono com quadro de coriza e tosse há 2 dias, evoluindo com dificuldade respiratória. Ao exame: frequência respiratória de 60 irpm, tiragem intercostal, sibilos difusos e crepitações finas à ausculta, saturação de O2 de 94% em ar ambiente, mantendo aceitação alimentar. É o primeiro episódio de sibilância. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
O primeiro episódio de sibilância em lactente < 12 meses, no período sazonal, com pródromo de vias aéreas superiores, sibilos e crepitações difusas, é típico de bronquiolite viral aguda (principal agente: vírus sincicial respiratório). O tratamento é essencialmente de suporte: monitorização, oxigenoterapia se saturação baixa, hidratação e desobstrução nasal. Não há indicação rotineira de antibiótico (etiologia viral), e antibioticoterapia EV de amplo espectro seria inadequada sem evidência de infecção bacteriana. Corticoide sistêmico e broncodilatadores não demonstram benefício consistente na bronquiolite típica e não são tratamento de escolha; broncodilatador de manutenção prolongada não tem indicação.
Lactente de 5 meses é atendido na UPA no outono com quadro de coriza, tosse e febre baixa evoluindo em 2 dias para desconforto respiratório. Ao exame: FR 60 irpm, sibilos difusos, tiragem intercostal leve, saturação 94%, hidratado e aceitando dieta. Qual é a conduta inicial mais adequada?
O quadro é típico de bronquiolite viral aguda (vírus sincicial respiratório), em lactente menor de 1 ano com pródromo de vias aéreas superiores e sibilância. O tratamento é de suporte: desobstrução nasal, hidratação, oxigênio se saturação baixa e observação. Antibiótico não está indicado em quadro viral sem complicação bacteriana. Corticoide sistêmico não altera o curso da bronquiolite. Broncodilatadores não são recomendados de rotina e não têm eficácia comprovada na bronquiolite.
Lactente de 4 meses é levado à UBS no outono com quadro de coriza, tosse, febre baixa e, nas últimas 24 horas, sibilância difusa, tiragem subcostal leve e taquipneia. É o primeiro episódio. A ausculta revela sibilos e estertores finos bilaterais. A saturação em ar ambiente é 96%. Qual é o diagnóstico mais provável?
Primeiro episódio de sibilância em lactente <2 anos, sazonal, precedido de pródromo de vias aéreas superiores, com sibilos/estertores difusos e desconforto respiratório, é o quadro clássico de bronquiolite viral aguda (VSR mais comum) — correta. Pneumonia lobar cursa com achado focal e sem sibilância difusa típica. Asma persistente é improvável no primeiro episódio nessa idade. Crupe dá estridor inspiratório e tosse ladrante, não sibilos difusos.
Lactente de 8 meses com bronquiolite viral aguda é avaliado na UBS. Apresenta boa aceitação de líquidos, tiragem subcostal leve, saturação de 95% em ar ambiente e bom estado geral. Qual é a base do manejo recomendado neste caso?
O tratamento da bronquiolite viral leve é essencialmente de suporte: hidratação, desobstrução das vias aéreas superiores, oxigênio se necessário e vigilância de sinais de alarme — correta. Antibiótico não tem papel em quadro viral não complicado. Corticoide sistêmico não é recomendado de rotina na bronquiolite. Adrenalina nebulizada domiciliar de rotina não é indicada; broncodilatadores/adrenalina não têm benefício consistente e não são conduta domiciliar padrão.
Lactente de 5 meses é levado à UPA com bronquiolite viral aguda. Apresenta tiragem subcostal e intercostal acentuada, batimento de asa de nariz, gemência, recusa alimentar, letargia e saturação de O2 de 88% em ar ambiente. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Hipoxemia (SatO2 <90–92%), desconforto respiratório grave, letargia e recusa alimentar são critérios de gravidade/internação na bronquiolite: a conduta é oxigênio suplementar + internação com monitorização (correta). Antibiótico ambulatorial Inadequado: (quadro viral e grave). Nebulização com salbutamol seguida de alta não é apropriada num lactente hipoxêmico e letárgico. Corticoide oral com reavaliação tardia não corrige a hipoxemia nem é terapia indicada; retardaria o suporte necessário.
Lactente de 5 meses é levado pela mãe a uma UBS com quadro iniciado há 3 dias de coriza e tosse, evoluindo nas últimas 24 horas com dificuldade para mamar e chiado no peito. Ao exame: FR 58 irpm, tiragem subcostal leve, SatO2 96% em ar ambiente, boa aceitação da dieta durante a avaliação, ausculta com sibilos difusos e estertores finos. Está afebril, hidratado, ativo. Considerando o quadro de bronquiolite viral aguda, qual é a conduta mais adequada na APS?
A bronquiolite viral aguda é autolimitada e o manejo é de suporte. Com SatO2 96%, boa aceitação da dieta, desconforto leve e afebril, o lactente pode ser acompanhado ambulatorialmente com medidas de suporte (desobstrução nasal, hidratação, aleitamento fracionado) e orientação de sinais de alarme. Antibiótico não tem papel (etiologia viral, sem sinais de infecção bacteriana). Broncodilatador e corticoide não são recomendados de rotina na bronquiolite pois não alteram o curso. Não há critério de gravidade que justifique UTI (sem hipoxemia significativa, apneia ou desconforto grave).
Lactente de 8 meses chega ao pronto-atendimento com quadro de bronquiolite. Ao exame apresenta FR 70 irpm, tiragem intercostal e subcostal intensa, batimento de asa nasal, SatO2 88% em ar ambiente, gemência e dificuldade importante para mamar. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Os sinais de gravidade presentes (SatO2 88%, taquipneia acentuada, tiragem intensa, gemência e incapacidade de se alimentar) indicam bronquiolite grave, exigindo oxigenoterapia suplementar, monitorização e internação hospitalar. Liberar para casa é contraindicado diante de hipoxemia e desconforto grave. Antibiótico não tem papel na bronquiolite viral. Salbutamol não é recomendado de rotina e não resolve a hipoxemia; a prioridade é a estabilização com oxigênio e observação em ambiente hospitalar.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, é atendido em UBS com tosse e coriza há 4 dias. A mãe relata episódios de pausa respiratória durante o sono e dificuldade para mamar. Ao exame: FR 62 irpm, tiragem, SatO2 93%, sibilos difusos. Além do quadro de bronquiolite, qual característica torna este caso de maior risco, justificando internação?
Idade muito baixa (menor de 3 meses, especialmente prematuros) e relato de apneia são fatores de risco maiores de gravidade na bronquiolite, justificando internação e observação. A coriza é sintoma inicial comum e não confere risco. Sibilos difusos são achados esperados na doença, sem valor prognóstico isolado. Febre baixa isolada não caracteriza gravidade; o que preocupa é a combinação de idade precoce com apneia, que indica risco de deterioração respiratória.
Lactente de 6 meses, previamente hígido, é levado à UPA no outono com quadro de coriza há 2 dias evoluindo com tosse, taquipneia (FR 62 irpm), tiragem subcostal, sibilos e estertores finos difusos à ausculta. Saturação de 93% em ar ambiente, afebril, aceitando parcialmente a dieta. Qual é a conduta mais apropriada para o diagnóstico mais provável?
O quadro é típico de bronquiolite viral aguda (mais comum pelo vírus sincicial respiratório) em lactente <2 anos: pródromo de coriza, tosse, taquipneia, sibilos/estertores e desconforto respiratório. O manejo é essencialmente de suporte — oxigenoterapia se saturação baixa, hidratação e observação —, pois antibióticos (doença viral), broncodilatadores e corticoides não têm eficácia comprovada de rotina. A criança está estável (Sat 93%, aceitando dieta parcialmente), sem indicação de UTI/ventilação mecânica neste momento. Amoxicilina seria inadequada por não haver evidência de infecção bacteriana.
Lactente de 5 meses é levado à UBS no inverno com coriza há 2 dias, evoluindo com tosse, sibilância difusa e leve tiragem subcostal. Está afebril, mama bem e mantém saturação de 96% em ar ambiente. À ausculta, sibilos e estertores finos difusos. Qual o diagnóstico mais provável?
Primeiro episódio de sibilância em lactente < 2 anos, precedido de pródromo de vias aéreas superiores no inverno, com sibilos/estertores difusos, é o quadro clássico de bronquiolite viral aguda (principalmente VSR). Pneumonia lobar cursa com febre e achados focais. Asma persistente grave é improvável como diagnóstico nessa idade e primeiro episódio. Coqueluche dá paroxismos com guincho e ausculta habitualmente limpa, sem sibilância difusa.
Lactente de 7 meses é atendido na UPA com bronquiolite: taquipneia, tiragem subcostal e intercostal acentuada, batimento de asa de nariz, dificuldade para mamar e saturação de 89% em ar ambiente. Além de oxigenoterapia, qual a conduta mais apropriada nesse momento?
São sinais de gravidade na bronquiolite: saturação < 90–92%, esforço respiratório importante e dificuldade alimentar — indicam internação para oxigênio, hidratação e monitorização. Manejo domiciliar é para casos leves. Antibiótico e corticoide de rotina não têm benefício na bronquiolite viral. Salbutamol/azitromicina ambulatoriais não são recomendados de rotina e não resolvem a hipoxemia/esforço graves. O tratamento é essencialmente de suporte.
Um lactente de 5 meses é levado pela mãe a uma UBS com quadro de coriza e tosse há 3 dias, evoluindo com dificuldade para mamar e chiado no peito. Ao exame: temperatura axilar 37,6 °C, frequência respiratória 58 irpm, saturação de O2 96% em ar ambiente, tiragem subcostal leve, sibilos difusos e crepitações finas à ausculta. O estado geral é bom e ele aceita cerca de metade da mamada. Qual é a conduta mais adequada nesta UBS?
O quadro é de bronquiolite viral aguda em lactente, com bom estado geral, saturação normal, aceitação de dieta razoável e desconforto respiratório leve — critérios de manejo ambulatorial. O tratamento é de suporte: higiene nasal, hidratação e orientação de sinais de alerta. Antibiótico não está indicado, pois a etiologia é viral e não há sinais de pneumonia bacteriana. Broncodilatador e corticoide não têm eficácia comprovada na bronquiolite e não são recomendados de rotina (opção errada). Tiragem subcostal leve isolada, com saturação normal e boa aceitação alimentar, não justifica UTI (opção errada).
Um lactente de 8 meses é atendido em uma UPA com bronquiolite. Ao exame apresenta frequência respiratória de 70 irpm, tiragem intercostal e subcostal, batimento de asa nasal, saturação de O2 de 88% em ar ambiente e recusa alimentar com sinais de desidratação. Qual é a conduta mais adequada?
A presença de saturação abaixo de 90-92%, esforço respiratório importante, taquipneia acentuada e recusa alimentar com desidratação são critérios de gravidade na bronquiolite que indicam internação. A conduta imediata é oxigenoterapia, hidratação e admissão hospitalar (opção correta). Manejo domiciliar é inadequado dada a gravidade (opção errada). Antibiótico não trata bronquiolite viral e não resolve a hipoxemia (opção errada). Broncodilatador não é tratamento de rotina da bronquiolite e não deve ser a base da decisão de alta em criança grave e hipoxêmica (opção errada).
Um lactente de 3 meses, nascido prematuro (34 semanas), é levado à UBS no outono com quadro inicial de bronquiolite: coriza, tosse e taquipneia leve, saturação 95%, boa aceitação da mamada. A mãe pergunta sobre prevenção de novos episódios graves. Além do manejo de suporte atual, qual orientação preventiva de saúde coletiva é mais apropriada neste contexto?
A prevenção da bronquiolite e de suas formas graves baseia-se em medidas de suporte e saúde coletiva: aleitamento materno (protetor), higiene das mãos, evitar tabagismo passivo e aglomerações e manter o calendário vacinal atualizado (opção correta). Antibiótico profilático não previne infecção viral e favorece resistência (opção errada). Corticoide inalatório não previne bronquiolite viral (opção errada). Suspender o aleitamento é contraindicado, pois o leite materno é protetor, e isolamento absoluto não é medida recomendada (opção errada).
Um lactente de 6 meses é trazido ao pronto-socorro com quadro de tosse, coriza e febre baixa há 2 dias, evoluindo com dificuldade para respirar e chiado no peito. A mãe relata que a criança está mamando menos. Ao exame, apresenta frequência respiratória de 60 irpm, tiragem subcostal, sibilos difusos e estertores finos à ausculta, com saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente. Está febril (37,8°C), hidratada e responsiva. É o primeiro episódio de sibilância e o quadro ocorre no período de outono. Considerando a principal causa desse quadro, o agente etiológico mais provável é:
Primeiro episódio de sibilância em lactente menor de 2 anos, precedido de pródromo catarral (tosse, coriza), com taquipneia, tiragem, sibilos e estertores finos, em período sazonal, é bronquiolite viral aguda, cujo agente mais frequente é o vírus sincicial respiratório (VSR). O pneumococo causaria pneumonia bacteriana (febre alta, consolidação, sem sibilância como quadro principal). Mycoplasma acomete mais escolares/adolescentes. A coqueluche (Bordetella) cursa com tosse paroxística/guincho, não com sibilância difusa e pródromo de bronquiolite.
Lactente de 8 meses, previamente hígido, é levado à UBS com quadro iniciado há 3 dias de coriza e tosse, com piora progressiva. Há 1 dia apresenta cansaço para mamar e chiado no peito. Nega febre alta. Ao exame: ativo, hidratado, temperatura axilar 37,4°C, frequência respiratória de 58 irpm, saturação de O2 de 95% em ar ambiente, tiragem subcostal leve. À ausculta pulmonar, sibilos difusos e estertores crepitantes finos bilaterais. Está em uma época de circulação viral (outono/inverno). O restante do exame é normal. Considerando o quadro clínico mais provável e a conduta inicial adequada nesse serviço, assinale a alternativa correta.
O quadro de lactente com pródromo de vias aéreas superiores evoluindo com sibilância, taquipneia, tiragem e estertores em época de circulação viral é típico de bronquiolite viral aguda (VSR). O tratamento é de suporte (hidratação, oxigênio se necessário, desobstrução nasal); antibiótico e corticoide não estão indicados de rotina. Pneumonia bacteriana cursaria com febre alta e achado focal, não sibilância difusa. Asma é diagnóstico incomum no primeiro episódio em lactente jovem. Coqueluche cursa com tosse paroxística/guincho, sem sibilância difusa como achado dominante.
Lactente de 3 meses é trazido ao pronto-socorro com quadro de coriza e tosse há 2 dias, evoluindo com recusa alimentar e episódios de pausa respiratória observados pela mãe. Ao exame: hipoativo, frequência respiratória de 70 irpm, saturação de O2 de 88% em ar ambiente, tiragem subcostal e intercostal acentuadas, batimento de asa de nariz, com sibilos e estertores difusos. Afebril. É um recém-nascido a termo, sem comorbidades. Diante do quadro compatível com bronquiolite, qual a conduta prioritária neste momento?
O lactente apresenta sinais de gravidade na bronquiolite: idade < 3 meses, apneia, hipoxemia (SatO2 88%), taquipneia intensa e esforço respiratório importante — indicações de internação e oxigenoterapia. Antibiótico não trata bronquiolite viral e liberar para casa é inseguro diante da hipoxemia e apneia. Corticoide e broncodilatador não têm benefício comprovado na bronquiolite. Radiografia isolada com reavaliação em 24h retardaria o suporte necessário imediato.
Lactente de 5 meses, previamente hígido, chega à emergência no inverno com quadro de coriza e tosse há 3 dias que evoluiu com dificuldade respiratória. Ao exame, apresenta frequência respiratória de 62 irpm, tiragem subcostal e intercostal, batimento de asa de nariz e SatO2 de 90% em ar ambiente. À ausculta, sibilos difusos e estertores crepitantes bilaterais, com tempo expiratório prolongado. Está afebril, hidratado e aceitando o seio materno com pausas. Radiografia mostra hiperinsuflação sem consolidações. Não há histórico de sibilância prévia. Considerando a principal hipótese, assinale o agente etiológico mais frequente e a conduta inicial, respectivamente.
Primeiro episódio de sibilância em lactente <2 anos no inverno, com pródromo de vias aéreas superiores, taquipneia, tiragem, sibilos difusos e hiperinsuflação define bronquiolite viral aguda, cujo agente mais frequente é o vírus sincicial respiratório. O manejo é de suporte: oxigênio se SatO2 baixa, hidratação e observação (não há benefício comprovado de broncodilatador/corticoide de rotina). Pneumonia pneumocócica (distrator) cursaria com febre, toxemia e consolidação, não hiperinsuflação difusa. Influenza pode dar quadro respiratório, mas o padrão de bronquiolite aponta VSR e corticoide não é indicado. Coqueluche tem tosse paroxística com guincho, não sibilância difusa com crepitantes.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro com quadro iniciado há 5 dias de coriza e tosse, evoluindo nas últimas 24 horas com tosse intensa, respiração ruidosa e dificuldade para mamar. A mãe nega febre elevada (máxima 37,9°C). Ao exame: FR 58 irpm, SpO2 90% em ar ambiente, tiragem subcostal e intercostal, sibilos difusos e finas crepitações inspiratórias bilaterais à ausculta, tempo expiratório prolongado. Criança nascida a termo, sem comorbidades, primeiro episódio de sibilância. Ausência de sinais de gravidade neurológica. Estamos no período de outono. Considerando a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta inicial mais adequada, respectivamente, tem-se:
Lactente/pré-escolar (< 2 anos) no primeiro episódio de sibilância, precedido de pródromo de vias aéreas superiores, com taquipneia, sibilos difusos, crepitações e hipoxemia, em período sazonal, é o quadro típico de bronquiolite viral aguda (VSR o principal agente). A conduta é de suporte: oxigênio se SpO2 baixa, hidratação e observação; antibiótico não é rotina. Pneumonia bacteriana costuma cursar com febre alta, toxemia e achados focais, não sibilância difusa. Crise asmática é diagnóstico incomum como primeiro episódio nessa idade e o manejo descrito (beta-2 de manutenção contínua) é inadequado para o cenário agudo. Laringotraqueobronquite/crupe cursa com estridor inspiratório, tosse ladrante e rouquidão — obstrução alta, não sibilância expiratória difusa.
Lactente de 10 meses chega ao pronto-socorro com tosse, dificuldade respiratória e recusa alimentar há 2 dias, após pródromo catarral. Ao exame: FR 62 irpm, SpO2 87% em ar ambiente, tiragem subcostal e batimento de asa de nariz, gemência, sibilos e crepitações difusas bilaterais, dificuldade importante para mamar. Criança prostrada, porém sem alterações de consciência graves. Nascida a termo, sem comorbidades. Considerando o diagnóstico de bronquiolite viral aguda, qual achado clínico apresentado por este lactente constitui critério para internação hospitalar?
Na bronquiolite viral aguda, os critérios de internação incluem hipoxemia (SpO2 < 90-92%), sinais de esforço respiratório importante (tiragem, batimento de asa de nariz, gemência), incapacidade de alimentação/hidratação adequada e toxemia/prostração. Este lactente reúne SpO2 de 87%, esforço respiratório marcante e recusa alimentar — indicação clara de internação. Sibilos difusos isolados são achado esperado da própria doença e não definem gravidade. Idade e pródromo catarral são apenas contexto epidemiológico. Taquipneia isolada, sem hipoxemia, esforço ou dificuldade alimentar, não é por si só critério de internação — o conjunto de sinais de gravidade é que determina a hospitalização.
Lactente de 3 meses, previamente hígido, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro no inverno com quadro de 4 dias de coriza e tosse, seguido de piora respiratória nas últimas 24 horas e recusa alimentar parcial. Ao exame: FR 62 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, tiragem subcostal, batimento de asas nasais, expiração prolongada com sibilos difusos e estertores crepitantes bilaterais à ausculta. Afebril no momento. Painel viral respiratório detecta vírus sincicial respiratório. Radiografia de tórax mostra hiperinsuflação e infiltrado peri-hilar, sem consolidação focal. Assinale a conduta mais apropriada neste momento.
Correta: a bronquiolite viral aguda por VSR tem manejo essencialmente de suporte — oxigênio para manter saturação adequada (alvo ≥ 90-92%), hidratação e observação; diretrizes (AAP, SBP) desaconselham broncodilatador, corticoide e antibiótico de rotina, e a vinheta traz achados típicos (coriza→piora, sibilos+crepitações, hiperinsuflação) sem sinais de gravidade que justifiquem UTI. Erra: infiltrado peri-hilar e hiperinsuflação são padrão viral esperado, sem consolidação focal — antibiótico não está indicado. Erra: corticoide sistêmico não altera o curso da bronquiolite e broncodilatador de horário não é recomendado. Erra: adrenalina/corticoide inalatório de horário não têm benefício sustentado comprovado e não são conduta padrão. Erra: oseltamivir trata influenza (não VSR) e o paciente não preenche critério de UTI/VNI (SatO2 93%, sem exaustão ou apneia).
Lactente de 6 semanas, ex-prematuro de 34 semanas, chega ao pronto-socorro com bronquiolite por VSR confirmada. A mãe relata que, há cerca de uma hora em casa, o bebê teve um episódio de "parada da respiração" com cianose peribucal que cedeu após estímulo tátil. Na chegada: ativo, FR 50 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, tiragem intercostal leve, ausculta com sibilos esparsos, aceitando a mamada. Durante a observação na sala, o pai também menciona um segundo episódio semelhante de pausa respiratória. Considerando os fatores de risco e a apresentação, qual é a conduta mais adequada?
Correta: Apneia é uma complicação reconhecida e potencialmente grave da bronquiolite por VSR, especialmente em lactentes jovens (< 2 meses), prematuros e de baixo peso — este paciente reúne prematuridade (34 sem), idade < 2 meses e JÁ apresentou episódios documentados de apneia, indicação clássica de internação com monitorização cardiorrespiratória contínua, independentemente de a saturação atual estar boa. Erra: gravemente: saturação e aceitação alimentar normais NÃO afastam risco de nova apneia — os episódios já ocorridos são o dado crítico e contraindicam alta. Erra: cafeína não é terapia padrão para apneia da bronquiolite e liberar em 4 horas ignora o risco persistente. Erra: o contexto (VSR + faixa de risco + apneia relacionada) explica o quadro; TC de crânio de rotina não está indicada. Erra: broncodilatador não previne apneia nem muda a indicação de internação; centrar a decisão na saturação é a pegadinha.
Lactente de 5 meses é atendido com bronquiolite viral aguda por VSR, em bom estado geral, hidratado, SatO2 96% em ar ambiente, com tiragem leve e sibilância difusa. A avó, enfermeira aposentada, pergunta o que pode ser feito para "evitar que isso aconteça de novo no próximo inverno" e também questiona se algum familiar está sob risco. O irmão de 2 anos frequenta creche, e a mãe está grávida de 30 semanas. Sobre prevenção da infecção por VSR, assinale a alternativa correta.
Correta: As bases da prevenção do VSR incluem medidas gerais (higiene das mãos, etiqueta respiratória, evitar exposição a fumaça e aglomerações, estímulo ao aleitamento) e, atualmente, estratégias de imunização passiva — o anticorpo monoclonal nirsevimabe para lactentes e a vacina materna aplicada na gestação — que reduzem hospitalização e doença grave; o contexto (gestante de 30 sem, irmão em creche) é oportuno para essa orientação. Erra: palivizumabe é reservado a grupos de alto risco (prematuros muito jovens, cardiopatia/pneumopatia significativas), não a todos os lactentes hígidos. Erra: azitromicina profilática em contactantes não previne bronquiolite viral e não tem respaldo. Erra: o aleitamento materno é fator protetor associado a menor gravidade, sendo parte da orientação. Erra: a infecção por VSR NÃO confere imunidade duradoura — reinfecções são a regra ao longo da vida.
Lactente de 3 meses, sexo masculino, nascido a termo e previamente hígido. Há 3 dias com coriza e tosse, evoluindo há 1 dia com desconforto respiratório e recusa parcial das mamadas, sem febre alta. É o primeiro episódio de sibilância. Ao exame: ativo e hidratado, FR 58 ipm, tiragem subcostal leve, SatO2 94% em ar ambiente, ausculta com sibilos difusos e estertores crepitantes bilaterais. Diurese e aceitação de líquidos preservadas. Qual é a conduta mais apropriada?
Quadro clássico de bronquiolite viral aguda (VSR): lactente <12 meses, pródromo de IVAS, primeiro episódio de sibilância, sibilos e crepitantes difusos, sem sinais de gravidade (SatO2 94%, hidratado, aceitando líquidos). O diagnóstico é CLÍNICO e o tratamento é de SUPORTE (higiene nasal, hidratação, oxigênio se necessário). Erra: broncodilatadores não são recomendados de rotina, pois não alteram desfecho na bronquiolite. Erra: corticoide sistêmico não tem benefício comprovado na bronquiolite viral. Erra: estertores crepitantes fazem parte da própria bronquiolite; sem febre alta/toxemia/consolidação não há indicação de antibiótico. Erra: a radiografia não é rotina — não confirma o diagnóstico e pode levar a antibioticoterapia desnecessária ao evidenciar atelectasias interpretadas como consolidação.
No início do outono, durante consulta de puericultura, uma mãe pergunta sobre a 'imunização contra o vírus da bronquiolite'. Considerando os critérios do Ministério da Saúde para fornecimento do palivizumabe (anticorpo monoclonal anti-VSR) no SUS, qual das crianças abaixo TEM indicação de recebê-lo?
Pelos critérios do Ministério da Saúde, o palivizumabe é fornecido para: (1) prematuros nascidos com ≤ 28 semanas e 6 dias, no primeiro ano de vida; (2) crianças menores de 2 anos com displasia broncopulmonar/doença pulmonar crônica da prematuridade que necessitaram de tratamento nos últimos 6 meses; e (3) crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita de repercussão hemodinâmica. O lactente de 8 meses nascido com 28 semanas preenche o primeiro critério: prematuridade extrema e ainda no primeiro ano de vida. Nascer com 32 semanas erra: está acima do limite de 28 semanas e 6 dias, e não há comorbidade que o inclua. A cardiopatia aos 3 anos cai na pegadinha da idade: ultrapassa o limite de 2 anos e perde a elegibilidade apesar da cardiopatia. O recém-nascido a termo com sibilância recorrente não preenche critério nenhum. A displasia broncopulmonar sem tratamento nos últimos 12 meses também não indica: o critério exige tratamento nos últimos 6 meses.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, com bronquiolite viral aguda há 2 dias, trazido ao pronto-socorro por piora. Ao exame: FR 70 ipm, tiragem subcostal e batimento de asas nasais, SatO2 88% em ar ambiente, aceitação de menos de 50% do volume habitual das mamadas. A mãe relata dois episódios de pausa respiratória em casa. Restante do exame sem outras alterações. Qual é a conduta indicada?
A criança reúne múltiplos critérios de gravidade/internação: idade <3 meses, SatO2 persistentemente <90-92% (88%), sinais de esforço respiratório importante (FR 70, tiragem e batimento de asas nasais), aceitação alimentar <50-75% do habitual e história de apneia — sinal de alarme típico no lactente jovem com VSR. A conduta é internar, ofertar oxigênio suplementar e garantir hidratação/monitorização. Erra: hipoxemia, apneia e recusa alimentar contraindicam a alta. Erra: além de broncodilatador não ser recomendado de rotina, a criança não tem critério de alta. Erra: mesmo que se tentasse adrenalina inalatória, a hipoxemia e a apneia impõem internação, não observação breve seguida de alta. Erra: não há indicação de antibiótico, e o manejo ambulatorial é inseguro diante da hipoxemia e das pausas respiratórias.
Lactente de 3 meses, previamente hígido, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro em julho com coriza e tosse há 3 dias, evoluindo no último dia com dificuldade para mamar e cansaço. É o primeiro episódio de sibilância. Ao exame: FR 62 ipm, tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, SatO2 88% em ar ambiente, FC 150 bpm, T 37,6 °C. Ausculta pulmonar com sibilos difusos e estertores finos bilaterais. Assinale a conduta mais apropriada. Qual a conduta mais apropriada?
O quadro é de bronquiolite viral aguda moderada/grave (1º episódio de sibilância, pródromo de cori4za, lactente <12 meses, sazonalidade de inverno). Correta: o tratamento é de suporte; com SatO2 88% (< 90-92%) há indicação de oxigenoterapia, além de hidratação e aspiração de vias aéreas superiores — internação está indicada pela hipoxemia e pelo esforço respiratório. Erra: broncodilatador e corticoide sistêmico NÃO são recomendados de rotina na bronquiolite, pois não alteram desfecho. Erra: o diagnóstico é clínico; antibiótico e RX de rotina não são indicados e expõem a iatrogenia/radiação sem benefício. Erra: adrenalina não é terapia domiciliar e um lactente com SatO2 88% não pode receber alta. Erra: corticoide inalatório não previne nem trata bronquiolite, e a alta é inadequada diante da hipoxemia.
Lactente de 7 meses, sem comorbidades, apresenta há 2 dias coriza, tosse e febre baixa, com surgimento no dia de hoje de sibilância e leve desconforto respiratório. É o primeiro episódio desse tipo e ocorre no pico do inverno. Ao exame: sibilos e estertores finos difusos à ausculta, SatO2 95% em ar ambiente, boa aceitação alimentar, hidratado. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: lactente menor de 2 anos, no PRIMEIRO episódio de sibilância, precedido por pródromo de infecção de vias aéreas superiores (coriza/tosse/febre baixa), com sibilos e estertores finos difusos em plena sazonalidade de inverno — quadro clássico de bronquiolite viral aguda (VSR é o agente mais frequente). Erra: asma do lactente pressupõe episódios recorrentes de sibilância, não o primeiro; o pródromo viral e o contexto sazonal favorecem bronquiolite. Erra: pneumonia lobar cursa com febre alta, toxemia e achados focais/crepitações localizadas, não sibilância difusa. Erra: o crupe cursa com estridor inspiratório, tosse ladrante e rouquidão, não sibilos expiratórios difusos. Erra: a coqueluche cursa com paroxismos de tosse seguidos de guincho inspiratório e ausência de sibilância difusa, geralmente sem pródromo com sibilos.
Lactente de 6 meses, nascido prematuro com 27 semanas de idade gestacional, atualmente sem doença pulmonar crônica da prematuridade e sem cardiopatia congênita, comparece à consulta no início do outono. A mãe pergunta como proteger a criança contra o vírus sincicial respiratório (VSR), causa frequente de bronquiolite grave nessa faixa etária. De acordo com as recomendações brasileiras, qual medida de prevenção está indicada?
Correta: pelo PCDT/Ministério da Saúde, o palivizumabe (anticorpo monoclonal anti-VSR) é indicado para prematuros com idade gestacional ≤ 28 semanas e menos de 1 ano de idade no início da sazonalidade — este lactente (27 semanas, 6 meses) preenche o critério; a aplicação é intramuscular, mensal, durante o período de circulação do vírus. Erra: ribavirina não é usada como profilaxia e tem papel muito restrito/controverso mesmo no tratamento. Erra: corticoide inalatório não previne bronquiolite nem infecção pelo VSR. Erra: a imunoprofilaxia específica é o anticorpo monoclonal (palivizumabe), não imunoglobulina polivalente endovenosa. Erra: bronquiolite é viral; antibiótico não previne a infecção e seu uso profilático é inapropriado.
Lactente do sexo masculino, 3 meses, previamente hígido, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro no meio do outono. Há 3 dias apresenta coriza hialina e tosse, com piora progressiva nas últimas 24 horas: recusa parcial das mamadas, taquipneia e cansaço. Ao exame: ativo, corado, hidratado; FR 62 ipm, FC 148 bpm, T 37,4 °C, SatO2 91% em ar ambiente. Apresenta tiragem subcostal, sibilos expiratórios difusos e estertores finos bilaterais à ausculta. Primeiro episódio de sibilância. Radiografia de tórax com hiperinsuflação e discreto espessamento peribrônquico, sem consolidações. Painel viral positivo para vírus sincicial respiratório. Qual é a conduta mais adequada?
Trata-se de bronquiolite viral aguda por VSR (lactente < 12 meses, primeiro episódio de sibilância precedido de pródromo de vias aéreas superiores, em período sazonal, com hiperinsuflação na radiografia). O manejo é de SUPORTE: oxigenoterapia titulada para manter SatO2 ≥ 90-92%, hidratação/oferta fracionada e monitorização — a hipoxemia e a dificuldade alimentar são os principais critérios de internação; por isso está correta. Erra: broncodilatador de horário NÃO é recomendado de rotina, pois não altera desfecho na bronquiolite. Erra: corticoide sistêmico não tem benefício comprovado nessa doença e não deve ser prescrito. Erra: antibiótico só se houver evidência de infecção bacteriana concomitante (ex.: otite média aguda, foco radiológico), ausente aqui. Erra: adrenalina nebulizada não é terapia de manutenção nem domiciliar — no máximo é teste terapêutico eventual em ambiente hospitalar monitorado, sem indicação para alta.
Um lactente de 4 meses, previamente hígido, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde no outono. Há 3 dias apresenta coriza hialina, tosse e febre baixa; nas últimas 24 horas evoluiu com respiração ruidosa e dificuldade para mamar. Ao exame: temperatura axilar de 37,8 °C, frequência respiratória de 58 irpm, saturação de O2 de 95% em ar ambiente, tiragem subcostal leve. À ausculta pulmonar, presença de sibilos difusos e estertores crepitantes finos bilaterais. É o primeiro episódio de sibilância. Considerando o quadro clínico e a sazonalidade, qual é o diagnóstico mais provável?
Lactente com menos de 2 anos, primeiro episódio de sibilância precedido por pródromo de infecção de vias aéreas superiores, sazonalidade (outono/inverno) e sibilos/crepitações difusas definem bronquiolite viral aguda, cujo principal agente é o vírus sincicial respiratório. Pneumonia bacteriana lobar cursa com achados focais e toxemia, não sibilância difusa. Asma é diagnóstico improvável no primeiro episódio nessa idade, exigindo episódios recorrentes. Coqueluche caracteriza-se por paroxismos de tosse com guincho inspiratório e ausência de sibilância difusa, além de tosse tipicamente sem febre alta.
Um lactente de 6 meses é atendido em Unidade de Pronto Atendimento com quadro de bronquiolite viral aguda por vírus sincicial respiratório, confirmado clinicamente, no segundo dia de sintomas respiratórios. Ao exame: ativo, frequência respiratória de 52 irpm, saturação de O2 de 94% em ar ambiente, tiragem intercostal leve, aceitando parcialmente a amamentação. Ausculta com sibilos e roncos difusos, sem sinais de esforço respiratório grave. A mãe pergunta quais medicamentos irão acelerar a cura. Com base nas evidências e diretrizes atuais, qual é a conduta mais apropriada?
O tratamento da bronquiolite viral aguda é essencialmente de suporte: hidratação, desobstrução de vias aéreas superiores, oxigenoterapia quando há hipoxemia e monitorização. Diretrizes atuais NÃO recomendam uso rotineiro de broncodilatadores (benefício não comprovado), corticoides (ineficazes na bronquiolite) nem antibióticos (etiologia viral, sem infecção bacteriana associada no caso). Amoxicilina profilática é inadequada por não haver indicação de infecção bacteriana. Corticoide sistêmico não altera o curso da doença. Beta-2 agonista de horário não é recomendado, pois não há resposta consistente e pode causar efeitos adversos.
Um lactente de 2 meses, nascido a termo, é trazido à emergência de um hospital do SUS com bronquiolite viral aguda no quarto dia de evolução. Ao exame apresenta-se hipoativo, com frequência respiratória de 72 irpm, tiragem subcostal e intercostal acentuada, batimento de asa de nariz, gemência e saturação de O2 de 87% em ar ambiente. A mãe relata que o bebê recusa as mamadas desde a véspera e apresentou dois episódios de pausa respiratória em casa. Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada?
O lactente apresenta múltiplos critérios de gravidade que indicam internação: idade inferior a 3 meses, hipoxemia (SpO2 < 90-92%), esforço respiratório importante, recusa alimentar/risco de desidratação e, sobretudo, episódios de apneia — sinal de alarme que exige monitorização hospitalar. Dar alta é inseguro diante da hipoxemia e das apneias. Bromoprida e adrenalina domiciliar não têm respaldo e a observação em casa é perigosa. A conduta não deve depender apenas da radiografia (não indicada de rotina na bronquiolite); a decisão de internar é clínica, baseada nos sinais de gravidade.
Um lactente de 4 meses, previamente hígido, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde no mês de maio com quadro de coriza e tosse há 3 dias, seguido de cansaço para respirar nas últimas 24 horas. A mãe relata que há dois irmãos mais velhos com resfriado. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, afebril, com frequência respiratória de 58 irpm, saturação de O2 de 95% em ar ambiente, discreta retração subcostal, e à ausculta pulmonar há presença de sibilos difusos e estertores finos bilaterais. O restante do exame é normal. Considerando o cenário epidemiológico e a apresentação clínica, qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: bronquiolite viral aguda — primeiro episódio de sibilância em lactente menor de 2 anos, precedido por pródromo de vias aéreas superiores, sazonalidade de outono/inverno e ausculta com sibilos e estertores finos difusos; o vírus sincicial respiratório é o agente mais comum. Pneumonia bacteriana cursa tipicamente com febre alta, toxemia e ausculta focal (não difusa). Crise asmática é diagnóstico improvável como primeiro episódio nessa faixa etária e sem histórico prévio de sibilância recorrente/atopia. Coqueluche cursa com paroxismos de tosse, guincho inspiratório e frequentemente cianose/apneia, sem o padrão de sibilos difusos descrito.
Um lactente de 3 meses é atendido na UPA em junho com quadro de bronquiolite viral aguda no terceiro dia de evolução. Ao exame apresenta frequência respiratória de 64 irpm, tiragem subcostal e intercostal, batimento de asa de nariz, saturação de O2 de 88% em ar ambiente e dificuldade em manter a mamada, aceitando menos da metade do volume habitual. Encontra-se hidratado, com tempo de enchimento capilar de 2 segundos. Diante desse quadro, qual é a conduta mais apropriada?
Correta: a presença de sinais de gravidade — saturação de O2 abaixo de 90-92%, esforço respiratório importante e dificuldade de aceitação alimentar — indica internação para oxigenoterapia e manutenção da hidratação/nutrição, que é o pilar do tratamento (suporte), já que a bronquiolite é doença viral autolimitada. Antibiótico não está indicado, pois se trata de infecção viral sem sinais de infecção bacteriana. Broncodilatador e corticoide não são recomendados de rotina na bronquiolite, por ausência de benefício comprovado. A alta é contraindicada diante da hipoxemia e da incapacidade de manter a ingesta.
Uma lactente de 2 meses, nascida a termo, é levada pela mãe à Unidade de Saúde da Família em julho com coriza, tosse e recusa alimentar há 2 dias. A mãe, muito preocupada, relata episódios em que a bebê 'para de respirar por alguns segundos' e fica arroxeada, retornando espontaneamente. Ao exame, está afebril, com frequência respiratória de 50 irpm, saturação de O2 de 94% e discretos estertores finos à ausculta, sem esforço respiratório significativo no momento. A mãe pede para levar a criança para casa. Além do reconhecimento da provável bronquiolite, qual é a conduta mais adequada?
Correta: lactentes muito jovens (menores de 2-3 meses), sobretudo com relato de apneia/cianose, constituem grupo de alto risco na bronquiolite por vírus sincicial respiratório, pois a apneia pode ser manifestação precoce e grave — indicando internação e observação, independentemente de a saturação estar aceitável no momento. Liberar para casa é inseguro diante do histórico de apneia e da idade. Oseltamivir é indicado para influenza, não para bronquiolite por VSR. Radiografia de tórax de rotina e antibiótico não estão indicados na bronquiolite viral não complicada, evitando exposição desnecessária e uso inadequado de antimicrobianos.
Um lactente de 4 meses, nascido a termo, sem comorbidades e em aleitamento materno exclusivo, é levado pela mãe à unidade de pronto atendimento em um mês de outono. Ela relata que há 3 dias ele apresenta coriza hialina abundante, espirros, tosse e febre de até 37,9 °C, e que desde ontem a tosse piorou e a criança ficou "cansada" e mamando menos. O irmão de 4 anos está resfriado. Ao exame: ativo, hidratado, FR 58 irpm, tiragem subcostal leve, SpO2 95% em ar ambiente, ausculta pulmonar com sibilos difusos, estertores finos bilaterais e tempo expiratório prolongado. É o primeiro episódio de sibilância. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: bronquiolite viral aguda — primeiro episódio de sibilância em lactente menor de 2 anos, precedido por pródromo de via aérea superior, com taquipneia, sibilos e estertores finos difusos, em período sazonal e com contato domiciliar resfriado; é o quadro clássico do vírus sincicial respiratório (VSR). Pneumonia bacteriana cursaria tipicamente com febre alta, toxemia e ausculta localizada (estertores/redução do murmúrio em um foco), não com sibilância difusa. Asma do lactente exige episódios recorrentes de sibilância — aqui é o primeiro episódio, após quadro viral típico. Crupe cursa com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório, ausentes no caso.
Um lactente de 7 meses, nascido a termo, com vacinas em dia e sem comorbidades, é atendido na unidade básica de saúde no terceiro dia de um quadro de coriza, tosse e febre baixa, que evoluiu com sibilância — primeiro episódio. Ao exame: ativo, reativo, corado, hidratado, FR 48 irpm, tiragem subcostal leve, SpO2 96% em ar ambiente, sibilos difusos, sem outras alterações. A mãe informa que ele mantém cerca de 80% da ingesta habitual, tem diurese normal, mora a poucos minutos da unidade e tem transporte disponível. Foi feito o diagnóstico de bronquiolite viral aguda de intensidade leve. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: o tratamento da bronquiolite viral aguda é essencialmente de suporte — higiene nasal com solução salina, hidratação/oferta fracionada da dieta, oxigênio apenas se hipoxemia — associado à orientação dos sinais de alarme (recusa alimentar, esforço respiratório progressivo, apneia, cianose, sonolência) e reavaliação, o que é seguro neste lactente leve, com bom estado geral e acesso fácil ao serviço. Antibiótico não está indicado (etiologia viral) e a radiografia de rotina não muda a conduta, podendo induzir uso indevido de antimicrobianos. Broncodilatador e corticoide sistêmico não têm benefício comprovado na bronquiolite e não são recomendados de rotina. Adrenalina inalatória, corticoide inalatório e fisioterapia respiratória de rotina também não são recomendados.
Uma mãe leva seu filho de 5 meses de idade cronológica à consulta de puericultura na unidade de saúde da família, em março, quando se inicia a sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR) na região. A criança nasceu com 27 semanas e 2 dias de idade gestacional, permaneceu internada em UTI neonatal e recebeu alta sem necessidade de oxigenoterapia domiciliar; não tem cardiopatia congênita nem displasia broncopulmonar. Está em aleitamento materno, com crescimento e desenvolvimento adequados e calendário vacinal em dia. A mãe, que perdeu uma sobrinha por "pneumonia de bebê", pergunta o que pode ser feito para proteger o filho. Qual é a conduta preventiva específica indicada pelo Ministério da Saúde?
Correta: pelo protocolo do Ministério da Saúde, o palivizumabe (anticorpo monoclonal anti-VSR, 15 mg/kg por via intramuscular, mensal, até 5 doses na sazonalidade) é indicado a prematuros nascidos com menos de 29 semanas (até 28 semanas e 6 dias) no primeiro ano de vida — o lactente tem 27 semanas e 2 dias e 5 meses, preenchendo o critério. A segunda opção erra ao restringir a indicação: cardiopatia com repercussão hemodinâmica e doença pulmonar da prematuridade são critérios adicionais (até 2 anos), não exclusivos. O oseltamivir age sobre influenza, não sobre o VSR. Não há vacina contra o VSR para lactentes disponível no calendário do Programa Nacional de Imunizações — as medidas gerais são complementares, mas não substituem a imunoprofilaxia indicada.
Um lactente de 4 meses, previamente hígido, nascido a termo e em aleitamento materno exclusivo, é levado pela mãe à UPA no mês de maio. Há 3 dias apresenta coriza hialina e espirros, evoluindo nas últimas 24 horas com tosse frequente e chiado no peito. A mãe relata que o irmão de 3 anos está resfriado. Ao exame: bom estado geral, ativo, hidratado, temperatura axilar de 37,8 °C, frequência respiratória de 56 irpm, tiragem subcostal leve, batimento de asa nasal ausente, saturação de oxigênio de 95% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com sibilos difusos e estertores finos bilaterais. Está aceitando cerca de dois terços do volume habitual de mamadas e mantém diurese preservada. É o primeiro episódio de sibilância.
O quadro é de bronquiolite viral aguda — primeiro episódio de sibilância em lactente menor de 12 meses, precedido por pródromo de vias aéreas superiores, em período sazonal e com contato domiciliar, sendo o vírus sincicial respiratório o agente mais comum. O tratamento é essencialmente de SUPORTE: higiene/desobstrução nasal com solução salina, manutenção da hidratação e da alimentação (fracionada, se necessário) e oxigenoterapia apenas se SpO2 abaixo do limiar (habitualmente < 90–92%). Este lactente está eupneico o suficiente, sem sinais de gravidade (sem gemência, cianose, apneia ou aceitação alimentar < 50–75%) e com SpO2 de 95%, permitindo observação e manejo conservador. Corticoide sistêmico e broncodilatador não modificam desfechos na bronquiolite e não são recomendados de rotina pelas diretrizes brasileiras. Antibiótico não está indicado: taquipneia isolada com sibilância difusa em contexto viral não caracteriza pneumonia bacteriana, e a radiografia de rotina pode induzir prescrição desnecessária. Oseltamivir só se justifica em suspeita de influenza, e não há critérios para terapia intensiva.
Um lactente de 2 meses, nascido com 34 semanas de idade gestacional, é levado pela mãe à unidade de pronto atendimento com história de coriza e tosse há 3 dias, seguidas de piora da tosse e cansaço para mamar nas últimas 24 horas. A mãe refere que o irmão de 4 anos está resfriado. Ao exame: temperatura axilar 37,8 °C, frequência respiratória 68 irpm, frequência cardíaca 158 bpm, saturação de oxigênio 88% em ar ambiente, batimento de asa nasal e tiragem subcostal e intercostal. À ausculta pulmonar, sibilos difusos e estertores finos bilaterais. Está hidratado, ativo, mas interrompe as mamadas por cansaço, tendo aceitado menos da metade do volume habitual. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é a conduta adequada?
O quadro é de bronquiolite viral aguda (pródromo de via aérea superior, contato com irmão resfriado, primeiro episódio de sibilância em lactente jovem, sibilos e estertores finos difusos). O raciocínio de 2 passos exige, além do diagnóstico, reconhecer critérios de internação: idade < 3 meses, prematuridade, SpO2 < 90-92% em ar ambiente, FR > 60 irpm, esforço respiratório importante e dificuldade de alimentação. A conduta é internação com oxigenoterapia (alvo SpO2 ≥ 92-94%), monitorização e suporte hidroeletrolítico/nutricional — o tratamento é de suporte, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde/Sociedade Brasileira de Pediatria. Salbutamol e corticoide não têm benefício comprovado na bronquiolite e não permitem alta de um lactente hipoxêmico. Azitromicina é inadequada: a etiologia é viral (VSR na maioria) e não há critérios de pneumonia atípica. Adrenalina inalatória pode produzir melhora transitória, mas não modifica o curso da doença nem autoriza alta de paciente com hipoxemia e prematuridade.
Uma criança de 6 meses, previamente hígida, com esquema vacinal em dia e frequentadora de creche, é levada pela mãe à unidade básica de saúde. Há 4 dias apresenta coriza hialina, espirros e febre baixa (até 37,9 °C); nas últimas 48 horas surgiu tosse progressiva e chiado no peito, sem episódios semelhantes anteriores. Nega uso de medicamentos e engasgo. Ao exame: em bom estado geral, hidratada, ativa, aceitando bem as mamadas; frequência respiratória 52 irpm, saturação de oxigênio 96% em ar ambiente, tiragem subcostal leve, e à ausculta pulmonar sibilos expiratórios difusos e estertores crepitantes finos bilaterais. Qual é o diagnóstico mais provável?
Trata-se do quadro clássico de bronquiolite viral aguda, principal causa de sibilância em lactentes menores de 2 anos e cujo agente mais frequente é o vírus sincicial respiratório: pródromo de infecção de via aérea superior (coriza, espirros, febre baixe) evoluindo em 3-5 dias para tosse, taquipneia, sibilos difusos e estertores finos, no PRIMEIRO episódio de sibilância, com fator de risco epidemiológico (creche). Coqueluche cursa com tosse paroxística em acessos, guincho inspiratório e vômitos pós-tosse, sem sibilância difusa e sem estertores finos. Asma do lactente exige episódios recorrentes de sibilância (habitualmente três ou mais) — o enunciado explicita ser o primeiro. Aspiração de corpo estranho tem início súbito, com história de engasgo (negada) e achados tipicamente unilaterais, sem pródromo catarral.
Lactente de 2 meses é levado à Unidade Básica de Saúde no quarto dia de doença. A mãe relata que o quadro começou com coriza e febre baixa e evoluiu com tosse e cansaço progressivos, e que a criança mamou pouco nas últimas 12 horas. Ao exame: frequência respiratória de 72 irpm, tiragem subcostal e intercostal, batimento de asa nasal, sibilos e estertores crepitantes difusos, saturação de oxigênio de 87% em ar ambiente. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Correta: bronquiolite viral aguda com sinais de gravidade — SpO2 < 90-92%, tiragem, batimento de asa nasal e recusa alimentar em lactente de 2 meses — impõe oxigenoterapia e referência imediata da APS para internação; o suporte (oxigênio e hidratação) é o pilar do tratamento. Salbutamol não é recomendado de rotina na bronquiolite e não corrige hipoxemia — manter a criança na UBS retarda a referência. Corticoide não altera desfecho na bronquiolite e o retorno em 24 horas é inaceitável diante de hipoxemia. Antibiótico não tem papel na infecção viral e a radiografia ambulatorial não muda a conduta urgente.
Durante consulta de puericultura em Unidade Básica de Saúde, a mãe de um lactente de 6 meses, nascido com 30 semanas de idade gestacional e sem comorbidades cardíacas ou pulmonares, pergunta se o filho pode receber "a injeção que previne a bronquiolite", pois um sobrinho foi internado por vírus sincicial respiratório. A criança está com o calendário vacinal em dia e em aleitamento materno. Segundo os critérios do Programa Nacional de Imunizações, qual é a conduta correta?
Correta: o palivizumabe no SUS é restrito a prematuros nascidos com menos de 28 semanas até 1 ano de idade e a menores de 2 anos com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica ou doença pulmonar crônica da prematuridade — um lactente de 30 semanas sem comorbidades não é elegível, cabendo orientar higiene das mãos, manutenção do aleitamento materno, evitar tabagismo passivo e aglomerações. Nem todo prematuro é elegível: a idade gestacional de corte é abaixo de 28 semanas. Internação prévia por vírus sincicial respiratório não é critério de inclusão no programa. Não há vacina contra vírus sincicial respiratório para lactentes disponível na rotina da sala de vacina.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, é levado à Unidade Básica de Saúde no inverno. Há 3 dias apresenta coriza e tosse, com surgimento de chieira no peito hoje. Ao exame: FR 58 irpm, tiragem subcostal leve, sibilos e estertores finos difusos à ausculta, saturação de O2 de 96% em ar ambiente, temperatura axilar de 37,6 °C, bem hidratado e aceitando a dieta. Diante do quadro compatível com bronquiolite viral aguda, qual é a conduta mais adequada?
A bronquiolite viral aguda tem diagnóstico clínico e tratamento essencialmente de suporte (desobstrução nasal com soro fisiológico, hidratação, monitorização e orientação de sinais de alarme), sendo esta a conduta correta em criança eupneica e bem hidratada. Antibiótico (amoxicilina) não se justifica em quadro viral sem sinais de infecção bacteriana. Corticoide e beta-2 agonista não alteram o curso da doença e não são recomendados de rotina. Radiografia e exames laboratoriais não são indicados rotineiramente, pois o diagnóstico é clínico e não modificam a conduta.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, é atendido em Unidade de Pronto Atendimento no 4º dia de um quadro de coriza e tosse. Ao exame: FR 70 irpm, tiragem intercostal e subcostal, batimento de asa nasal, saturação de O2 de 88% em ar ambiente e recusa alimentar (aceita menos de metade da dieta habitual). A mãe relata um episódio de pausa respiratória em casa. Qual é a conduta mais adequada?
A presença de saturação abaixo de 90-92%, idade inferior a 3 meses, esforço respiratório importante, recusa alimentar e história de apneia são critérios de gravidade que indicam oxigenoterapia e internação hospitalar — a conduta correta. Liberar o paciente (com salbutamol ou após observação com adrenalina) é inseguro diante de hipoxemia e risco de apneia. Beta-2 agonista, adrenalina e corticoide não têm benefício comprovado que sustente alta nesse contexto, e o corticoide oral não está indicado na bronquiolite.
Lactente de 7 meses está em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde por bronquiolite viral aguda há 5 dias, com boa evolução inicial. Retorna hoje com piora: temperatura axilar de 39,2 °C, queda do estado geral, FR 60 irpm e, à ausculta, crepitações localizadas em base pulmonar direita com redução do murmúrio vesicular nesse ponto. Qual é a conduta mais adequada?
A piora após melhora inicial, com febre alta nova, comprometimento do estado geral e achados FOCAIS (crepitações e redução do murmúrio em base direita) sugere complicação bacteriana secundária (pneumonia), justificando radiografia de tórax e antibioticoterapia — a conduta correta. Manter apenas suporte ignora sinais de alarme e a mudança do padrão auscultatório para focal. Beta-2 e corticoide não tratam a complicação bacteriana. Oseltamivir não está indicado empiricamente diante de achado focal sugestivo de infecção bacteriana.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, nascido a termo, é levado à UPA em julho com coriza e tosse há 3 dias, evoluindo há 1 dia com desconforto respiratório leve. A mãe nega febre alta e refere que a criança segue mamando bem. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, frequência respiratória de 52 irpm, tiragem subcostal leve, sibilos expiratórios difusos e estertores finos bilaterais, SpO2 de 96% em ar ambiente. Trata-se do primeiro episódio de sibilância. Diante do diagnóstico de bronquiolite viral aguda, assinale a conduta adequada.
Lactente com bronquiolite viral aguda LEVE (bom estado geral, mamando bem, SpO2 96%, desconforto leve): as diretrizes brasileiras (SBP) e internacionais (AAP) indicam apenas tratamento de suporte domiciliar — hidratação, desobstrução nasal e orientação de sinais de alarme —, sem exames ou fármacos de rotina. O teste terapêutico com salbutamol não é mais recomendado, pois broncodilatadores não alteram o curso da doença nem a taxa de internação. Corticoide sistêmico não traz benefício na bronquiolite e não deve ser prescrito. A radiografia de tórax não é indicada em quadro típico leve e frequentemente induz uso desnecessário de antibiótico — os estertores finos fazem parte do quadro viral, não indicam pneumonia bacteriana.
Lactente de 3 meses é trazido à unidade de pronto atendimento no inverno com história de coriza hialina e tosse há 4 dias, evoluindo com chiado no peito e febre baixa (37,9 °C). O irmão de 4 anos, que frequenta creche, apresentou resfriado na semana anterior. Ao exame: taquipneia leve, sibilos expiratórios e estertores finos difusos, sendo este o primeiro episódio de sibilância da criança. Considerando o diagnóstico de bronquiolite viral aguda, assinale o agente etiológico mais provável.
O vírus sincicial respiratório (VSR) é o agente da grande maioria dos casos de bronquiolite viral aguda (cerca de 50–80%), sobretudo em lactentes menores de 6 meses durante a sazonalidade (outono-inverno no Brasil), com transmissão domiciliar típica a partir de contato escolar/creche — exatamente o cenário da vinheta. O rinovírus é o segundo agente mais frequente, mas predomina em resfriado comum e em sibilância de crianças maiores. O adenovírus é causa menos comum e está associado à bronquiolite obliterante como complicação. O metapneumovírus humano tem quadro semelhante ao VSR, porém é bem menos frequente e tende a acometer lactentes um pouco mais velhos.
Lactente de 5 meses de idade cronológica, nascido com 27 semanas de gestação, sem displasia broncopulmonar e sem cardiopatia, encontra-se em seguimento em ambulatório de prematuros. No início do outono, período que antecede a sazonalidade do vírus sincicial respiratório (VSR) na região, a mãe pergunta ao pediatra se existe alguma medida específica para proteger o filho contra a bronquiolite grave, pois uma vizinha teve o bebê internado em UTI por essa doença. A criança está com o calendário vacinal em dia. Assinale a conduta adequada.
Pelos critérios do Ministério da Saúde e da SBP, prematuros nascidos com idade gestacional inferior a 29 semanas têm indicação de imunoprofilaxia passiva contra o VSR (palivizumabe, anticorpo monoclonal IM, em até 5 doses mensais na sazonalidade) durante o primeiro ano de vida, independentemente de comorbidades — logo, este lactente de 5 meses nascido com 27 semanas tem indicação plena. A alternativa que restringe a profilaxia a displasia broncopulmonar/cardiopatia está errada: essas condições ampliam a indicação até os 2 anos, mas a prematuridade extrema por si só já indica no 1º ano. Corticoide inalatório não previne bronquiolite nem sua gravidade. Dizer que não há profilaxia específica é incorreto, pois a imunoprofilaxia está disponível no SUS para esse grupo de risco.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, nascido a termo, em aleitamento materno exclusivo, é levado à UPA no mês de junho. A mãe relata que há 3 dias apresenta coriza hialina abundante, espirros e febre baixa (37,9 °C), e que há cerca de 24 horas iniciou tosse seca frequente e "chiado no peito", com piora da aceitação das mamadas. Refere que o irmão de 3 anos, que frequenta creche, está resfriado. Ao exame: ativo, corado, hidratado, FR 58 irpm, FC 148 bpm, SpO2 95% em ar ambiente, tiragem subcostal leve, tempo expiratório prolongado, sibilos difusos e estertores finos bilaterais à ausculta. Trata-se do primeiro episódio de sibilância. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro é típico de bronquiolite viral aguda (BVA), mais frequentemente causada pelo vírus sincicial respiratório: primeiro episódio de sibilância em lactente menor de 12 meses (pico entre 2 e 6 meses), precedido por pródromo de vias aéreas superiores por 2 a 3 dias, em plena sazonalidade (outono/inverno no Brasil), com contato domiciliar sintomático, taquipneia, esforço respiratório leve e ausculta de sibilos difusos com estertores finos. Pneumonia lobar pneumocócica cursa com febre alta, toxemia e achados localizados (hipoventilação/estertores focais, macicez), e não com sibilância difusa e pródromo catarral. Asma exige episódios recorrentes de sibilância e é diagnóstico improvável em primeiro episódio aos 4 meses. Coqueluche produz tosse paroxística em acessos, com guincho, cianose ou vômito pós-tussígeno e ausculta habitualmente limpa, sem sibilância difusa.
Lactente de 7 meses, nascido a termo, sem comorbidades, com calendário vacinal em dia, é atendido na Unidade Básica de Saúde no quarto dia de um quadro que começou com coriza e evoluiu com tosse e sibilância — primeiro episódio da vida. Ao exame: em bom estado geral, sorridente, hidratado, temperatura axilar 37,4 °C, FR 46 irpm, FC 132 bpm, SpO2 96% em ar ambiente, tiragem intercostal discreta, sibilos expiratórios difusos, sem batimento de asa nasal ou gemência. A mãe informa que ele mantém as mamadas (cerca de 80% do habitual) e a diurese está preservada. Não há prematuridade, cardiopatia ou pneumopatia crônica. Assinale a conduta adequada neste momento.
Trata-se de bronquiolite viral aguda leve: lactente eutrófico, sem fatores de risco, alimentando-se bem, sem hipoxemia (SpO2 96%) e com esforço respiratório mínimo. As diretrizes brasileiras e internacionais recomendam manejo de suporte — hidratação, higiene nasal com solução salina, orientação de sinais de alarme (recusa alimentar, piora do esforço, apneia, cianose, letargia) e reavaliação —, pois nenhuma intervenção farmacológica altera a história natural da doença. Corticoide sistêmico e broncodilatador inalatório não são recomendados de rotina na BVA, por ausência de benefício consistente em desfechos. Radiografia de tórax e hemograma não são indicados de rotina: aumentam o risco de diagnóstico equivocado de pneumonia e de antibioticoterapia desnecessária, já que o diagnóstico da BVA é clínico. Solução salina hipertônica e adrenalina, quando consideradas, ficam restritas ao ambiente hospitalar em casos moderados a graves, não em quadro leve manejado ambulatorialmente.
Menino de 6 meses de idade cronológica, nascido com 28 semanas de idade gestacional e 980 g, recebeu alta da UTI neonatal aos 2 meses de vida sem necessidade de oxigênio domiciliar. Não tem displasia broncopulmonar, cardiopatia congênita ou imunodeficiência. Está em acompanhamento no ambulatório de seguimento do prematuro no mês de março, assintomático, com peso de 6 kg, exame físico normal e calendário vacinal atualizado. A mãe, cujo filho mais velho internou por bronquiolite no ano anterior, pergunta se existe alguma medida para proteger o bebê contra o vírus sincicial respiratório. Considerando as normas do Programa Nacional de Imunizações, assinale a conduta correta.
No PNI, o palivizumabe está indicado para prematuros nascidos com menos de 29 semanas (até 28 semanas e 6 dias) no primeiro ano de vida — critério que a criança preenche (28 semanas, 6 meses de idade cronológica) — e para crianças de até 2 anos com displasia broncopulmonar ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica. A dose é de 15 mg/kg por via intramuscular, mensal, durante a sazonalidade do VSR, limitada a 5 doses. A alternativa que nega a profilaxia inverte o ponto de corte: o critério é idade gestacional menor que 29 semanas, e não menor que 28. A dose única está incorreta porque a meia-vida do anticorpo monoclonal exige reaplicação mensal ao longo de toda a sazonalidade. Estender a profilaxia até os 2 anos é indevido neste caso: essa extensão vale apenas para displasia broncopulmonar e cardiopatia com repercussão hemodinâmica, ausentes aqui.
Lactente de 3 meses, previamente hígido, nascido a termo, é atendido na UPA no quarto dia de coriza e tosse, com piora do desconforto respiratório e recusa parcial das mamadas nas últimas 12 horas. É o primeiro episódio de sibilância. Ao exame: temperatura axilar 37,6 °C, FR 62 irpm, tiragem subcostal, SpO2 87% em ar ambiente, ausculta com sibilos difusos e estertores finos bilaterais, hidratado, aceita cerca de metade do volume habitual. Painel viral em aspirado nasofaríngeo positivo para vírus sincicial respiratório. Assinale a conduta inicial mais adequada.
Trata-se de bronquiolite viral aguda por VSR com critérios de internação (idade abaixo de 3 meses, SpO2 abaixo de 90-92%, desconforto respiratório e dificuldade alimentar); o tratamento é de suporte, com oxigênio, hidratação e monitorização, pois broncodilatador e corticoide não alteram desfecho e não são recomendados de rotina pelas diretrizes brasileiras e internacionais. Corticoide sistêmico com beta-2 seria conduta de crise asmática, diagnóstico que não se aplica a primeiro episódio em lactente de 3 meses. A alta é inadequada diante de hipoxemia e recusa alimentar. Antibiótico não está indicado sem evidência de infecção bacteriana, e o VSV foi documentado.
Mãe de lactente de 6 meses com bronquiolite viral aguda, avaliado no segundo dia de sintomas e liberado para casa em bom estado, pergunta o que esperar da evolução. Qual orientação está correta?
A diretriz britânica descreve a história natural com dois marcos que a consulta precisa entregar: os sintomas atingem o pico entre o terceiro e o quinto dia de doença, e a tosse se resolve em 90% dos lactentes em até 3 semanas. A criança avaliada no segundo dia, portanto, ainda vai piorar antes de melhorar, mesmo com evolução favorável — dizer isso na primeira consulta evita que o retorno em 48 horas seja lido pela família como erro médico, e evita que a tosse do décimo dia vire uma segunda consulta com antibiótico. A primeira alternativa erra o momento da curva e transforma toda piora em infecção bacteriana, quando a piora até o quinto dia é a evolução esperada; o que deve levantar suspeita é a piora tardia ou a febre alta que surge depois de o quadro já ter cedido. A terceira estabelece um prazo que não existe e liga persistência de tosse a antibiótico, exatamente o comportamento que as recomendações tentam evitar. A quarta inverte a duração dos dois sintomas: é a tosse, e não o chiado, o sintoma que mais demora.
Lactente de 4 semanas de vida, nascida a termo, está internada por bronquiolite viral aguda em enfermaria pediátrica. Encontra-se clinicamente estável, alimentando-se bem, com trabalho respiratório discreto, mas a oximetria mostra saturação de 91% em ar ambiente, mantida em aferições repetidas. De acordo com a régua de oxigenoterapia adotada pela diretriz britânica em sua atualização de 2021 e pela diretriz australasiana de 2025, qual é a conduta?
A atualização de agosto de 2021 da diretriz britânica reduziu o limiar de saturação para 90%, mas manteve explicitamente 92% para dois grupos de maior risco de bronquiolite grave: os lactentes com menos de 6 semanas de vida e as crianças de qualquer idade com condição de saúde de base. A diretriz australasiana de 2025 adota os mesmos dois limiares. Com 4 semanas de vida e saturação persistente de 91%, essa lactente está abaixo do seu limiar e recebe oxigênio. A primeira alternativa aplica o corte de 90% fora do grupo a que ele se destina — é exatamente o erro que a atualização de 2021 quis evitar. A segunda soma dois erros: além do corte, prescreve salina hipertônica nebulizada, que a diretriz britânica lista entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite e que a diretriz australasiana de 2025 restringe a ensaio clínico randomizado. A terceira generaliza indevidamente a recomendação de dispensar oximetria contínua, que vale para o paciente estável, mas não afasta o monitoramento em lactente jovem, com necessidade crescente de oxigênio ou risco de apneia. A quarta inventa um valor de 88% que não consta de nenhuma das réguas.
Um residente sugere solicitar radiografia de tórax de rotina para todo lactente atendido com bronquiolite viral aguda, alegando que o exame ajudaria a descartar pneumonia bacteriana. Qual é o principal argumento contra essa conduta?
O guideline da Academia Americana de Pediatria recomenda que exames de imagem ou laboratoriais não sejam obtidos de rotina quando o diagnóstico de bronquiolite é feito por história e exame físico (recomendação moderada). O motivo não é a raridade de alterações, e sim o contrário: a bronquiolite produz edema de via aérea, descamação epitelial e hiperinsuflação, e o pulmão do lactente tem ventilação colateral pobre, de modo que cerca de 25% dos lactentes internados apresentam atelectasia radiográfica — achado que pode ser confundido com infiltrado bacteriano ou consolidação. Estudos, incluindo um ensaio randomizado, mostraram que crianças com suspeita de infecção de vias aéreas inferiores submetidas a radiografia receberam mais antibiótico sem qualquer diferença de desfecho. A primeira alternativa inverte o achado, já que muitos lactentes têm alterações na imagem. A terceira exagera: não há contraindicação formal, e a radiografia permanece indicada quando o quadro não se encaixa, a evolução destoa ou há suspeita de complicação. A quarta inventa um critério técnico que não existe nas recomendações.
Sobre a solução salina hipertônica nebulizada no tratamento da bronquiolite viral aguda, qual afirmação corresponde à posição dos documentos mais recentes?
A resposta a esta pergunta mudou com o tempo, e é a mudança que a torna cobrável. Em 2014, o guideline da Academia Americana de Pediatria vedava a salina hipertônica no departamento de emergência (recomendação moderada) e a permitia no paciente hospitalizado (recomendação fraca, explicitamente baseada em ensaios com achados inconsistentes), apoiado nas sínteses de 2015, que sugeriam redução de cerca de 0,45 dia de internação e queda de 20% no risco de internação. Em 2016, a reanálise dessas metanálises com exclusão de dois estudos heterogêneos deixou 18 estudos e 2.063 lactentes, e a redução do tempo de internação desapareceu — a própria diretriz brasileira de 2017 registra essa reanálise e conclui que o papel da intervenção ainda precisava ser definido. Hoje a diretriz britânica lista a salina hipertônica entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite, ao lado de antibiótico, adrenalina nebulizada, salbutamol, montelucaste, ipratrópio e corticoide, e a diretriz australasiana de 2025 escreve que ela não deve ser usada de rotina fora de ensaio clínico randomizado. A segunda alternativa reproduz o dado de 2015 já corrigido; a terceira inverte a posição de 2014, que vedava exatamente o pronto-socorro; e a quarta confunde duas coisas diferentes: lavagem nasal com solução fisiológica é medida mecânica de desobstrução, recomendada em todas as réguas, e não é terapia inalatória.
Lactente de 5 meses, nascido a termo, sem comorbidades, é levado à unidade básica de saúde em junho com história de coriza e tosse há três dias e chiado no peito desde ontem. Teve um pico febril de 38,1 °C. É o primeiro episódio de chiado. Mama menos que o habitual, mas molhou seis fraldas nas últimas 24 horas. Ao exame: ativo, corado, hidratado, frequência respiratória de 52 por minuto, saturação de 96% em ar ambiente aferida antes de qualquer conduta, tiragem subcostal discreta, sem gemência e sem cianose, ausculta com sibilos difusos e crepitações finas bilaterais, coriza abundante. A unidade dispõe de nebulizador, salbutamol, prednisolona, amoxicilina, oxímetro e soro fisiológico. Qual é a conduta mais adequada?
O caso é bronquiolite viral aguda típica: lactente menor de 2 anos, primeiro episódio de sibilância, pródromo de vias aéreas superiores por três dias, febre baixa (a diretriz britânica registra temperatura abaixo de 39 °C em cerca de 30% dos casos) e estação de circulação do vírus sincicial respiratório. Não há critério de encaminhamento — sem apneia, sem aspecto gravemente doente, frequência respiratória de 52 (abaixo de 60 e de 70), saturação de 96% (acima de 92%), sem desidratação e com ingesta preservada. O tratamento é suporte: lavagem nasal, hidratação por via oral fracionada e orientação. A primeira alternativa erra porque o diagnóstico é clínico e exames de imagem não devem ser obtidos de rotina (recomendação moderada da Academia Americana de Pediatria): cerca de 25% dos lactentes internados têm atelectasia na radiografia, indistinguível de infiltrado bacteriano, e pedir o exame aumentou a prescrição de antibiótico sem diferença de desfecho. A segunda contraria a recomendação forte contra albuterol, e a manutenção de horário 'caso haja qualquer melhora' é justamente o que a diretriz brasileira veda, já que ela admite no máximo uso condicionado a melhora imediata e imediatamente suspenso. A quarta esbarra na recomendação de maior nível de evidência do tema, qualidade A e força forte, contra corticoide sistêmico em qualquer cenário. A quinta é inútil na decisão terapêutica: não há antiviral indicado, cerca de 30% das crianças com vírus sincicial respiratório têm coinfecção e cerca de 25% das assintomáticas têm painel positivo, de modo que o resultado não decide antibiótico.
Qual criança tem direito ao palivizumabe pelo Sistema Único de Saúde, conforme os critérios do protocolo de uso do Ministério da Saúde vigente?
O protocolo de uso do palivizumabe, aprovado pela Portaria Conjunta nº 23, de 3 de outubro de 2018, define dois grupos: criança prematura nascida com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias, com idade inferior a 1 ano (até 11 meses e 29 dias); e criança com idade inferior a 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar) ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. O lactente de 8 meses nascido com 27 semanas preenche o primeiro grupo: idade gestacional dentro do limite e idade cronológica abaixo de 1 ano. A primeira alternativa cai fora porque 34 semanas está acima do corte de 28 semanas e 6 dias — esse prematuro passou a ser contemplado apenas com o nirsevimabe, que cobre todo nascimento abaixo de 37 semanas. A segunda erra em dois pontos: fibrose cística não está entre os critérios do palivizumabe (é um dos critérios do nirsevimabe) e a idade ultrapassa qualquer dos limites. A quarta tem a comorbidade certa, mas a idade errada: o critério exige menos de 2 anos, e a criança tem 2 anos e 6 meses.
Uma criança é atendida na atenção primária com quadro de sibilância. Qual dado da anamnese é o que mais eficientemente separa bronquiolite viral aguda de sibilância recorrente, segundo o algoritmo do AIDPI?
O manual AIDPI Criança manda perguntar explicitamente se este é o primeiro episódio de sibilância e escreve o que cada resposta significa: se a mãe responder que sim, pode tratar-se de bronquiolite ou de corpo estranho; se responder que não, a criança tem sibilância recorrente, e o raciocínio passa a ser o da asma. É uma única pergunta que separa dois capítulos inteiros de conduta, porque na bronquiolite o tratamento é suporte e na sibilância recorrente entram broncodilatador e corticoide. Febre não separa: ela existe na bronquiolite, em geral abaixo de 39 °C e em cerca de 30% dos casos, e pode faltar na crise de asma. O tempo de crise e o uso prévio de broncodilatador são perguntas do mesmo quadro do AIDPI, mas servem para situar a fase da reação brônquica e para decidir sobre corticoide oral, não para o diferencial. A intensidade dos sibilos não distingue as duas doenças e engana em ambas: na crise grave a entrada de ar diminui e a sibilância pode desaparecer.
Recém-nascido do sexo feminino, com 33 semanas de idade gestacional e 2,8 kg, nasce em abril de 2026 e encontra-se clinicamente estável na maternidade. A mãe não recebeu a vacina contra o vírus sincicial respiratório durante a gestação. Conforme o protocolo de uso do nirsevimabe aprovado pelo Ministério da Saúde em 2026, qual é a conduta?
O protocolo de uso do nirsevimabe, aprovado pela Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026, inclui toda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso corpóreo e independentemente do histórico de vacinação materna contra o vírus sincicial respiratório — o documento traz nota específica sobre isso, justificada pela menor transferência transplacentária de anticorpos ao feto prematuro. A dose é única e definida por faixa de peso: 50 mg para peso abaixo de 5 kg e 100 mg a partir de 5 kg, por via intramuscular, preferencialmente na face anterolateral da coxa, e a aplicação deve ocorrer ainda na maternidade ou durante a internação neonatal, assim que o recém-nascido esteja clinicamente estável. A primeira alternativa usa o corte de 32 semanas, que não é o do protocolo. A segunda desrespeita a regra de transição: crianças nascidas a partir de fevereiro de 2026 iniciam a profilaxia com nirsevimabe, e os dois anticorpos não são intercambiáveis. A terceira confunde as duas janelas do protocolo: o período sazonal de fevereiro a agosto vale para as crianças de até 2 anos com comorbidades, ao passo que o prematuro abaixo de 37 semanas recebe o nirsevimabe durante todo o ano.
Lactente de 3 meses internado por bronquiolite viral aguda está muito congesto e mama com dificuldade. A equipe de enfermagem pergunta se deve aumentar a frequência da aspiração nasofaríngea profunda para desobstruir a via aérea entre as mamadas. Segundo as recomendações vigentes, qual é a orientação correta?
A desobstrução das vias aéreas superiores é uma das três medidas que funcionam na bronquiolite, ao lado do oxigênio e da hidratação, e importa porque o lactente é respirador nasal — a coriza sozinha já aumenta o trabalho respiratório e atrapalha a mamada. A instrução é mais específica do que parece: lavagem nasal com solução salina e aspiração suave e superficial, quando necessário. Aspiração profunda ou intermitente foi associada a maior tempo de internação em estudos observacionais, porque irrita a mucosa e produz edema, piorando exatamente o que se queria resolver; há inclusive evidência de melhora da saturação com lavagem nasal sem aspiração. Aumentar a frequência da aspiração profunda escolhe a intervenção que os dados desaconselham. A solução salina hipertônica nebulizada é outra coisa e não deve ser confundida com a lavagem: a diretriz britânica a lista entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite e a australasiana de 2025 restringe seu uso a ensaio clínico randomizado. A fisioterapia respiratória tem recomendação contra, de força moderada, apoiada em revisão com 12 estudos e 1.249 participantes sem benefício em tempo de internação, saturação ou parâmetros respiratórios, com ressalva apenas para a comorbidade que compromete a depuração de secreções. E abandonar toda a higiene nasal descarta uma medida recomendada em todas as réguas.
Lactente de 8 meses está no oitavo dia de bronquiolite viral aguda e vinha melhorando desde o sexto dia. Nas últimas doze horas voltou a piorar, com febre de 39,4 °C e aumento do esforço respiratório. Em duas auscultas seguidas há crepitações que se mantêm na mesma região da base esquerda. Qual é a leitura do quadro e a conduta?
A curva da bronquiolite é conhecida: os sintomas atingem o pico entre o terceiro e o quinto dia de doença e cedem aos poucos depois disso. Por isso existe o alerta invertido — piora depois do quinto ou sexto dia, ou febre alta que aparece quando o quadro já cedia, não é evolução natural e obriga a procurar complicação bacteriana. Os dois achados que a diretriz britânica usa como regra de desvio estão presentes: temperatura acima de 39 °C e crepitações que se mantêm focais numa mesma região, ao contrário das crepitações finas difusas e mutáveis da bronquiolite. É exatamente aqui que a radiografia, dispensada na rotina, ganha lugar, porque o quadro não se encaixa e a evolução destoa. Chamar de evolução natural aplica a regra do pico a um dia em que ela já não vale. Atribuir à tosse residual descreve outro fenômeno: a tosse resolve em até três semanas em 90% dos lactentes, mas ela não vem com febre de 39,4 °C nem com piora do esforço. Prescrever salbutamol e corticoide reproduz as duas recomendações fortes contra o tratamento da bronquiolite, sendo a do corticoide sistêmico a de maior nível de evidência do tema. E a salina hipertônica com fisioterapia soma duas intervenções desaconselhadas, mirando uma atelectasia que só apareceria se a imagem fosse pedida pelo motivo errado.
Lactente de 7 meses, nascido a termo, sem comorbidades, é atendido em junho no primeiro episódio de sibilância, precedido de coriza há três dias. Está ativo e hidratado, com frequência respiratória de 48 incursões por minuto, saturação de 95% em ar ambiente, tiragem subcostal discreta e ingesta de leite em torno de 80% do habitual. A família mora em área rural, a quatro horas do serviço, sem transporte disponível à noite, e a mãe, orientada duas vezes, não consegue repetir nenhum dos sinais de alerta. Qual é a conduta?
A lista brasileira de quando hospitalizar não é só de exame físico. Ao lado de apneia, piora do estado geral, desconforto respiratório, desidratação, recusa alimentar, comorbidade, idade abaixo de 3 meses e prematuridade, ela escreve quatro itens que não são clínicos: condição social ruim, dificuldade de acesso ao serviço se houver piora e incapacidade ou falta de confiança do cuidador para identificar os sinais de alerta. É justamente onde este caso se encaixa. Os achados de exame ficam abaixo de todos os cortes — 48 incursões por minuto está abaixo de 60 e de 70, a saturação de 95% está acima de 92%, não há desidratação, apneia nem aspecto gravemente doente — e é por isso que a resposta mora nos itens não clínicos. Dar alta com orientação e retorno em 48 horas presume um retorno que a família disse não conseguir fazer, e uma vigilância domiciliar que a mãe não consegue exercer. O salbutamol tem recomendação forte contra em lactente com bronquiolite, sem ganho de saturação, de tempo de sintomas nem de internação. A radiografia não deve ser obtida de rotina: cerca de 25% dos lactentes internados têm atelectasia indistinguível de infiltrado bacteriano, e pedir o exame aumentou a prescrição de antibiótico sem diferença de desfecho. E o painel viral não decide conduta individual, já que não há antiviral indicado e um resultado positivo não prova causalidade.
Sobre a fisioterapia respiratória convencional (percussão e vibração) na bronquiolite viral aguda em lactentes previamente hígidos, assinale a alternativa correta.
As revisões sistemáticas são consistentes em não mostrar benefício da fisioterapia convencional na bronquiolite não complicada, e ela pode ainda causar desconforto e vômito. A prescrição de rotina persiste por hábito de serviço, o que a torna o distrator mais escolhido. O que de fato ajuda o lactente obstruído é a desobstrução nasal com aspiração superficial das vias aéreas superiores, medida simples e barata.
Sobre a indicação de radiografia de tórax na bronquiolite viral aguda típica, assinale a alternativa correta.
A radiografia de rotina na bronquiolite típica aumenta prescrição indevida de antibiótico, porque atelectasia e espessamento peribrônquico são lidos como pneumonia. Ela entra quando o curso foge do esperado — piora abrupta, assimetria à ausculta, febre alta tardia. Pedir para todo primeiro episódio de sibilância é o hábito mais comum e justamente o que as diretrizes tentam desfazer. Nenhuma imagem identifica o agente viral.
Sobre o uso de corticoide sistêmico na bronquiolite viral aguda do lactente previamente hígido, assinale a alternativa correta.
Os ensaios são consistentes: corticoide sistêmico ou inalatório não altera desfechos na bronquiolite do primeiro episódio, seja internação, seja duração dos sintomas, seja sibilância futura. O item sobre história familiar de asma é o mais sedutor porque parece selecionar quem responderia — mas antecedente familiar não converte bronquiolite em asma e não justifica o corticoide na fase aguda.
Mãe de lactente de 3 meses internado por bronquiolite pergunta como evitar que o irmão de 3 anos, que frequenta creche, transmita o vírus. Qual orientação tem maior impacto?
A transmissão do vírus sincicial respiratório é por contato com secreções e superfícies, e a lavagem de mãos é a medida isolada com maior efeito comprovado na redução da transmissão intradomiciliar e hospitalar. Afastar o irmão da creche parece razoável, mas é medida pouco factível e de baixo rendimento perto da higiene das mãos. Não existe antiviral profilático oral para vírus sincicial respiratório em uso clínico.
Lactente de 5 meses internado com bronquiolite apresenta, no quarto dia, febre de 39 graus, piora do esforço e nova consolidação lobar à radiografia. Leucócitos 21.000/mm3 com desvio à esquerda. Qual a conduta?
Bronquiolite pode cursar com febre baixa, mas febre alta tardia com piora clínica, leucocitose com desvio e consolidação nova configura coinfecção bacteriana — aqui o antibiótico é indicado e a espera custa caro. Atribuir tudo à evolução viral é o viés de ancoragem mais perigoso da enfermaria pediátrica. Tomografia não acrescenta nada a uma radiografia já diagnóstica e apenas atrasa o tratamento.
Sobre a cânula nasal de alto fluxo na bronquiolite, assinale a alternativa correta.
O papel bem estabelecido do alto fluxo é como terapia de resgate para quem não responde ao oxigênio convencional, diminuindo a taxa de escalonamento — e não como suporte de entrada para todos, estratégia que só aumenta custo sem benefício. A idade não é contraindicação, ao contrário: o dispositivo foi desenvolvido justamente para lactentes. Em falência ventilatória estabelecida a pressão positiva com dois níveis é mais adequada.
Lactente de 8 meses, terceira sibilância no ano, com bronquiolite atual, história de dermatite atópica e mãe asmática. O pediatra questiona o diagnóstico. Qual é a interpretação mais adequada?
Bronquiolite é, por definição operacional, o primeiro episódio de sibilância associada a infecção viral no lactente; a partir do terceiro episódio com marcadores atópicos o raciocínio muda para sibilância recorrente e o índice preditivo de asma passa a orientar. Rotular direto como asma é o excesso oposto, porque nessa idade o diagnóstico ainda é probabilístico. O vírus continua sendo o gatilho do episódio, e antecedente atópico não o exclui.
Segundo a diretriz NICE NG9, em relação ao uso de salina hipertônica a 3% nebulizada na bronquiolite viral aguda, assinale a alternativa correta.
O NICE NG9 recomenda não utilizar salina hipertônica no tratamento da bronquiolite. Também não recomenda broncodilatadores ou corticosteroides de rotina. O cuidado centra-se em avaliação da gravidade, hidratação e oxigênio quando indicado. Essa recomendação não significa contraindicação absoluta por broncoespasmo em todos os lactentes. A formulação histórica de que poderia ser considerada em internados pertence a outro referencial e não deve ser atribuída ao NICE.
Menino de 11 meses, com síndrome de Down e comunicação interventricular ampla não corrigida, chega ao pronto-socorro no segundo dia de sintomas respiratórios, com sibilos, FR 70 irpm, tiragem e SpO2 89%. Qual a conduta?
Cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica é fator de risco maior para bronquiolite grave, e aqui já existe hipoxemia com esforço importante — a internação não é discutível. Dar alta após melhora transitória com adrenalina é a armadilha mais frequente do plantão, porque o efeito dura pouco e o paciente de risco volta pior. Furosemida trata congestão cardíaca, não a obstrução de pequenas vias aéreas por inflamação viral.
Lactente de 7 meses, internado por bronquiolite há 3 dias, está em ar ambiente com SpO2 95%, FR 44 irpm, sem tiragem, aceitando dieta plena. Qual o critério mais importante para autorizar a alta?
O que autoriza a alta é função, não achado isolado: manter saturação sem oxigênio, comer o suficiente e ter em casa quem reconheça piora. Esperar o desaparecimento dos sibilos prende leito à toa, porque a ausculta pode permanecer alterada por semanas. Repetir imagem ou teste viral para dar alta é conduta sem respaldo e prolonga internação de forma desnecessária.
Qual achado, se presente em lactente com quadro rotulado como bronquiolite, mais fortemente sugere diagnóstico alternativo?
Pulsos femorais reduzidos com sopro e hepatomegalia apontam para cardiopatia estrutural descompensada — coarctação de aorta e lesões com hiperfluxo pulmonar se apresentam com taquipneia e sibilância e são confundidas com bronquiolite todo inverno. Os demais itens são exatamente o retrato esperado de bronquiolite. O erro mais comum é atribuir crepitações a pneumonia bacteriana, quando elas fazem parte do quadro viral.
Qual dos seguintes NÃO é considerado fator de risco para bronquiolite grave em lactentes?
O aleitamento materno exclusivo é fator de proteção, associado a menor gravidade e menor risco de internação — todos os demais aumentam risco. A pegadinha está em ler a questão no automático e marcar tabagismo, que é o único item modificável do ambiente e por isso chama atenção, mas ele agrava e não protege. Prematuridade, cardiopatia com repercussão e idade muito baixa são os pilares clássicos de gravidade.
Lactente de 7 meses, sem comorbidades, no terceiro dia de coriza e tosse, evolui com sibilos difusos, tiragem subcostal leve, frequência respiratória de 58 irpm e SpO2 de 95% em ar ambiente. Aceita bem a mamada. Qual a conduta mais adequada?
Bronquiolite leve, com boa aceitação alimentar e saturação adequada, se maneja em casa: o tratamento é de suporte e a peça mais importante da consulta é orientar os sinais que trazem de volta. O broncodilatador de horário é o distrator mais tentador porque a criança está sibilando, mas os ensaios não mostram mudança em desfechos e o corticoide sistêmico é francamente inútil na bronquiolite do lactente previamente hígido.
Lactente de 4 meses, nascido a termo, no quarto dia de coriza, evolui com tosse, sibilos e tiragem intercostal. Frequência respiratória 62 irpm, SpO2 91% em ar ambiente, aceitando cerca de metade do volume habitual das mamadas. Qual a conduta inicial mais apropriada?
Dois critérios de internação estão presentes: saturação abaixo de 92% em ar ambiente e ingesta reduzida a menos de dois terços do habitual, num lactente pequeno com desconforto. O manejo é suporte — oxigênio e hidratação. A alta com broncodilatador engana quem trata o sibilo em vez de tratar o paciente; a adrenalina nebulizada pode dar melhora transitória, e mandar embora sobre essa melhora é justamente a armadilha, pois o efeito desaparece em cerca de uma hora.
Lactente de 6 meses com bronquiolite recebeu teste rápido positivo para vírus sincicial respiratório. A residente sugere suspender a coorte de isolamento e alocá-lo em enfermaria comum, já que o agente está identificado. Qual a resposta correta?
Identificar o vírus permite coortar pacientes com o mesmo agente, nunca dispensar precaução — o vírus sincicial respiratório é altamente transmissível por contato e gotículas e a excreção viral em lactentes dura muitos dias. A ideia de liberar o isolamento porque já se sabe o agente é o raciocínio invertido mais comum na enfermaria. Precaução por aerossóis isolada não é o padrão indicado para esse vírus.
Lactente de 5 meses internado por bronquiolite, em cateter nasal de oxigênio a 2 L/min, evolui com piora do esforço, FR 76 irpm e gasometria com pH 7,28 e pCO2 58 mmHg. Qual a próxima medida?
O paciente já mostra falência ventilatória incipiente com acidose respiratória: o passo lógico é oferecer suporte que reduza trabalho respiratório, e alto fluxo ou pressão positiva não invasiva ocupam exatamente esse degrau. Subir o fluxo no cateter simples engana quem raciocina só em oxigenação, mas o problema aqui é ventilação e trabalho respiratório. A intubação imediata seria precipitada num paciente que ainda responde a suporte não invasivo.
Lactente de 9 meses com bronquiolite recebe, no pronto-socorro, teste terapêutico com salbutamol inalatório. Após 20 minutos não houve mudança no escore de desconforto respiratório. Qual a conduta?
Quando se faz teste terapêutico, a resposta objetiva é o que autoriza a continuidade — sem melhora, mantê-lo só expõe a taquicardia e tremor sem benefício. Repetir três doses seguidas é o reflexo importado do manejo da asma e é justamente o que confunde o raciocínio: bronquiolite não é broncoespasmo de músculo liso, é obstrução por edema e debris. O corticoide não recupera resposta a broncodilatador nesse cenário.
Sobre o vírus sincicial respiratório e a sazonalidade da bronquiolite no Brasil, assinale a alternativa correta.
O Brasil tem sazonalidades regionais distintas, e é por isso que os calendários estaduais de profilaxia começam em meses diferentes — no Norte e Nordeste a circulação costuma antecipar. Assumir julho como pico nacional é o erro de quem generaliza a experiência do Sudeste. A pandemia deslocou temporariamente a curva, mas ela voltou a apresentar padrão sazonal, e é exatamente esse padrão que define quando a profilaxia começa.
Sobre o palivizumabe no Brasil, assinale a alternativa correta quanto à sua indicação.
Trata-se de anticorpo monoclonal de proteção passiva, aplicado mensalmente durante a sazonalidade e restrito a grupos de risco definidos pelo programa — prematuridade extrema no primeiro ano, cardiopatia com repercussão e doença pulmonar da prematuridade até 2 anos. Usá-lo como tratamento do quadro instalado é o erro conceitual clássico: ele previne, não trata. Como a proteção é passiva, não há memória imunológica e a indicação se repete a cada temporada.
Lactente de 3 meses internado por bronquiolite, com FR 68 irpm e desconforto moderado, mantém SpO2 94% em ar ambiente mas recusa a mamada. Qual a via de hidratação e nutrição mais apropriada?
Com taquipneia importante o risco de aspiração cresce e a via oral fica insegura, mas o trato gastrointestinal está íntegro — a sonda entra como caminho preferencial, mantendo nutrição enteral. Deixar o bebê em jejum com soro por dias engana quem pensa apenas em segurança de via aérea e esquece o custo nutricional. Soluções hipotônicas em volume pleno são perigosas nesse contexto pelo risco de hiponatremia por secreção inapropriada de hormônio antidiurético.
Lactente de 2 meses, prematuro de 33 semanas, com bronquiolite, apresenta episódios de pausa respiratória de 20 segundos com dessaturação presenciados pela enfermagem. Qual a conduta?
Apneia pode ser a primeira e às vezes única manifestação de bronquiolite em menores de 2 meses e em prematuros, e às vezes precede o pico respiratório — esse paciente precisa de vigilância contínua, não de alta. Pensar em sepse é compreensível diante da apneia, porém o quadro viral já está definido e a antibioticoterapia isolada não protege do evento apneico. Polissonografia não tem papel na fase aguda.
Lactente de 2 meses, ex-prematuro de 31 semanas, com bronquiolite, apresenta episódios de apneia com dessaturação, além do desconforto respiratório. A conduta é:
Apneia é apresentação reconhecida da bronquiolite em lactentes jovens e prematuros e pode ocorrer antes de o quadro respiratório se tornar exuberante — por isso monitorização contínua e internação, mesmo com desconforto ainda moderado. Tratar como fenômeno benigno e dar alta expõe a evento grave em casa. A cafeína pode ser usada em contextos específicos hospitalares, mas não é conduta domiciliar e não substitui a vigilância.
Sobre o uso de oxigenoterapia de alto fluxo por cânula nasal em bronquiolite, é correto afirmar que:
O ensaio de Franklin e colaboradores encontrou menos escalonamento por falha terapêutica com alto fluxo do que com oxigênio padrão em lactentes que necessitavam de oxigênio fora da UTI. Escalonamento é um desfecho mais amplo que intubação e não deve ser apresentado como sinônimo de ventilação invasiva. O alto fluxo exige monitorização e não substitui suporte ventilatório mais avançado quando há falência respiratória. O resultado não justifica seu uso rotineiro em toda bronquiolite leve.
Lactente de 6 meses internado por bronquiolite evolui, no quinto dia, com febre nova, piora do desconforto respiratório, hipoxemia e infiltrado alveolar lobar à radiografia. A conduta é:
A regra de não usar antibiótico vale para a bronquiolite não complicada, mas piora tardia com febre nova, deterioração clínica e consolidação lobar sugere infecção bacteriana secundária, que deve ser tratada. Transformar a recomendação em dogma absoluto é o erro que deixa uma pneumonia sem cobertura. Corticoide não corrige o quadro, e suspender oxigênio em paciente hipoxêmico é conduta perigosa sem qualquer fundamento fisiológico.
Sobre a imunoprofilaxia contra o vírus sincicial respiratório com palivizumabe no Brasil, é correto afirmar que:
Palivizumabe é anticorpo monoclonal, não vacina: confere proteção passiva e transitória, por isso as aplicações são mensais e concentradas no período de circulação do vírus. Sua indicação é restrita a grupos de risco definidos por idade gestacional, idade cronológica e comorbidade. Tratá-lo como vacina de dose única leva a falha de proteção, e nenhuma imunoprofilaxia dispensa higiene das mãos e afastamento de contatos sintomáticos.
Segundo a diretriz NICE NG9, qual é a recomendação sobre solução salina hipertônica nebulizada no tratamento da bronquiolite em bebês e crianças?
O NICE NG9 recomenda não utilizar solução salina hipertônica no tratamento da bronquiolite em bebês e crianças. O cuidado é predominantemente de suporte, com avaliação de hidratação, alimentação e necessidade de oxigênio. Estudos e recomendações históricas diferem sobre possíveis efeitos no tempo de internação; isso não permite atribuir a todas as diretrizes uma indicação hospitalar rotineira. Tampouco há fundamento para dizer que substitui hidratação, exige corticoide ou causa broncoespasmo grave em todos os lactentes.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, apresenta há 3 dias coriza e tosse, evoluindo com taquipneia, tiragem subcostal, sibilos e crepitações difusas, saturação de 93%, aceitando parcialmente a alimentação. É inverno. A conduta é:
A bronquiolite viral aguda é doença de suporte: nenhuma das terapias inalatórias ou sistêmicas mudou desfecho de forma consistente, e as diretrizes desestimulam broncodilatador, corticoide e antibiótico de rotina. Prescrever beta-2 por causa dos sibilos é a conduta mais difundida e mais desnecessária, já que a obstrução decorre de edema, muco e debris, não primariamente de broncoespasmo. Fisioterapia com vibrocompressão não reduz tempo de internação.
Lactente de 7 meses internado com bronquiolite grave apresenta piora com apneia, exaustão, hipercapnia progressiva e rebaixamento do nível de consciência, apesar de oxigenoterapia de alto fluxo. A conduta é:
Apneia, exaustão, hipercapnia e rebaixamento definem falência respiratória e indicam ventilação invasiva — insistir no suporte não invasivo nesse ponto é o atraso que precede a parada. Na ventilação, o cuidado central é evitar aprisionamento aéreo, com tempo expiratório suficiente e frequências mais baixas. Broncodilatador e corticoide não alteram o curso da bronquiolite e não substituem a decisão de escalar o suporte.
Sobre os critérios de internação em bronquiolite viral aguda, o conjunto que melhor indica hospitalização é:
A decisão de internar é clínica e se apoia em capacidade de oxigenar, respirar e se alimentar, além dos grupos de risco: lactentes muito jovens, prematuros, cardiopatas e portadores de doença pulmonar crônica. Sibilos são universais na doença e não graduam gravidade. A radiografia costuma mostrar hiperinsuflação e infiltrado peri-hilar mesmo em casos leves, e usá-la como critério de internação leva a hospitalizações e antibióticos desnecessários.
Sobre a relação entre bronquiolite por vírus sincicial respiratório na lactância e o desenvolvimento posterior de asma, é correto afirmar que:
Crianças que tiveram bronquiolite grave sibilam mais nos anos seguintes, mas a discussão permanece entre o vírus causar dano estrutural e imunológico duradouro ou apenas desmascarar uma via aérea já predisposta — a associação com rinovírus, inclusive, é ainda mais forte para asma posterior. Afirmar causalidade única ou negar qualquer associação são os dois extremos incorretos, e a profilaxia não foi demonstrada como capaz de abolir o risco.
Sobre a etiologia e a transmissão da bronquiolite viral aguda, é correto afirmar que:
O vírus sincicial respiratório domina, seguido por rinovírus, metapneumovírus e outros; a transmissão por gotículas e contato com superfícies torna a higiene das mãos e as precauções de contato as medidas mais efetivas no ambiente hospitalar, onde a infecção cruzada é frequente. Adenovírus tem papel menor e associa-se a formas graves com bronquiolite obliterante, o que é uma questão de prognóstico, não de frequência.
Sobre o prognóstico após bronquiolite grave com necessidade de ventilação mecânica, é correto afirmar que:
A recuperação costuma ser boa, mas o seguimento importa: sibilância recorrente é frequente nos anos seguintes, sem que isso signifique necessariamente asma atópica, e o adenovírus se destaca pelo risco de bronquiolite obliterante, com hipoxemia persistente e padrão obstrutivo fixo. Reconhecer essa possibilidade evita meses de tratamento antiasmático ineficaz em criança que na verdade tem sequela estrutural das pequenas vias aéreas.
Sobre a indicação de antibiótico em lactente com bronquiolite grave em ventilação mecânica, é correto afirmar que:
A regra de evitar antibiótico vale para a bronquiolite típica, mas a coinfecção bacteriana é significativamente mais frequente entre os pacientes graves em ventilação mecânica, o que muda o cálculo de risco — a decisão se apoia em culturas, evolução e marcadores, não em automatismo em nenhuma das direções. Infiltrado radiológico isolado, sem contexto clínico, é o achado que mais gera prescrição desnecessária nessa doença.
Sobre fatores de risco para bronquiolite grave em lactentes, é correto afirmar que:
Os fatores de risco definem quem precisa de limiar mais baixo para internação e de vigilância mais próxima, e alguns deles também definem a elegibilidade para imunoprofilaxia. O tabagismo passivo aumenta a gravidade e é o fator modificável mais acessível na orientação familiar. O aleitamento materno atua no sentido oposto, com efeito protetor, e apresentá-lo como risco inverte uma das poucas medidas preventivas disponíveis.
Sobre a hidratação de lactentes com bronquiolite grave, é correto afirmar que:
A bronquiolite grave cursa com liberação inapropriada de hormônio antidiurético, e o uso de soluções hipotônicas em volume generoso é a combinação que produz hiponatremia com risco de convulsão. Por isso a escolha recai em soluções isotônicas, com volume próximo da manutenção e monitorização do sódio. A nutrição por sonda enteral é alternativa válida e frequentemente preferível à via venosa em lactente que não consegue mamar.
Sobre o alvo de saturação de oxigênio em lactentes internados por bronquiolite, é correto afirmar que:
Metas mais altas prolongam oxigenoterapia e internação sem benefício clínico, e a monitorização contínua em pacientes estáveis gera intervenções motivadas por dessaturações transitórias fisiológicas, sobretudo no sono. A decisão de alta considera o conjunto: esforço respiratório, capacidade de se alimentar, hidratação e rede de apoio familiar — número de oximetria isolado é critério insuficiente em qualquer direção.
Sobre a indicação de exames complementares em lactente internado com bronquiolite grave, é correto afirmar que:
Exames desnecessários geram achados inespecíficos que levam a antibióticos e a intervenções sem benefício — a radiografia frequentemente mostra atelectasias e infiltrados peri-hilares interpretados como pneumonia. Gasometria é útil quando há dúvida sobre ventilação e exaustão, não como rotina diária. A identificação viral tem valor epidemiológico e de coorte para controle de infecção, mas raramente muda o tratamento, que é de suporte.
Sobre a estratégia ventilatória em lactente com bronquiolite grave em ventilação invasiva, é correto afirmar que:
A bronquiolite gera obstrução das vias aéreas de pequeno calibre, e o problema ventilatório é esvaziar o pulmão — frequências altas encurtam a expiração, empilham volume e produzem auto-PEEP, com hipotensão e barotrauma. Tempo expiratório generoso e tolerância à hipercapnia permissiva, dentro de limites, são a estratégia adequada. Volume corrente elevado agrava a hiperinsuflação e o risco de escape aéreo.
Lactente de 5 semanas é internado com bronquiolite e apresenta episódios de apneia recorrente com necessidade de estimulação. Ainda mantém esforço respiratório adequado entre os episódios, com saturação preservada em oxigênio de baixo fluxo. A conduta é:
Apneia em lactente muito jovem com bronquiolite é sinal de gravidade e pode preceder a deterioração respiratória, exigindo ambiente com monitorização e capacidade de intervenção imediata — a saturação preservada entre os eventos não protege o paciente do próximo episódio. Corticoide e broncodilatador não têm efeito sobre esse mecanismo, e a decisão relevante é sobre o nível de suporte e de vigilância.
Lactente de 3 meses com bronquiolite apresenta frequência respiratória de 80, tiragem intercostal e subdiafragmática, batimento de asa de nariz, gemência e saturação de 88% em ar ambiente, com dificuldade para mamar. A conduta imediata é:
O conjunto taquipneia intensa, tiragem, gemência, hipoxemia e incapacidade de alimentar-se define bronquiolite grave e exige suporte imediato — a gemência, em particular, indica esforço para gerar pressão positiva própria e é sinal de exaustão iminente. Alimentar por via oral nesse esforço respiratório aumenta o risco de aspiração. Radiografia não muda a decisão de internar e não deve retardar o suporte.
Lactente de 8 meses com resfriado evolui no 4º dia com taquipneia, sibilância difusa, tiragem intercostal e saturação de 92% em ar ambiente, mantendo aceitação alimentar de 70%. Qual a conduta?
O quadro é bronquiolite viral aguda, cujo tratamento é de suporte: oxigênio quando a saturação cai abaixo do alvo, desobstrução nasal, hidratação e vigilância. Broncodilatador e corticoide não mudam o curso da bronquiolite e não são recomendados de rotina — é a prescrição errada mais repetida na emergência. Antibiótico não se justifica sem evidência de infecção bacteriana. Fisioterapia vigorosa não traz benefício e pode piorar o desconforto. Alta imediata subestima que a bronquiolite piora até o 4º ao 5º dia, e essa criança está exatamente no ponto de virada.
Qual profilaxia específica é indicada para lactentes com displasia broncopulmonar em uso de tratamento nos últimos meses, visando reduzir hospitalizações?
A infecção pelo vírus sincicial respiratório é a principal causa de reinternação nesse grupo, e a imunização passiva com anticorpo monoclonal, disponível para populações de risco definidas em protocolo, reduz hospitalizações; complementam a proteção as vacinas de rotina, a vacina contra influenza a partir dos 6 meses e a vacinação dos conviventes. Antibiótico e corticoide contínuos não previnem infecção viral e acrescentam efeitos adversos importantes.
Lactente de 5 meses com bronquiolite apresenta saturação de 89% em ar ambiente, tiragem subcostal e aceitação alimentar inferior a 50%. Qual a conduta?
Hipoxemia, esforço respiratório e aceitação alimentar reduzida são os critérios de internação na bronquiolite; o tratamento continua sendo de suporte, com oxigênio, desobstrução nasal e garantia de hidratação, por sonda ou via endovenosa quando necessário. Alta em criança hipoxêmica é conduta insegura. Corticoide e broncodilatador não alteram o curso da doença. Antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana, e adrenalina inalatória, quando usada, produz efeito transitório e não autoriza alta imediata.
Sobre a profilaxia com palivizumabe, qual grupo tem indicação estabelecida?
O anticorpo monoclonal é aplicado mensalmente durante o período de circulação do vírus e sua indicação é restrita a grupos de alto risco, nos quais a infecção se traduz em internação e necessidade de terapia intensiva. Estender a profilaxia a todos os lactentes é inviável e não tem respaldo, e é importante lembrar que ela previne doença grave, mas não substitui as medidas de higiene e o afastamento de contatos sintomáticos.
Lactente de 3 meses com bronquiolite apresenta esforço respiratório crescente, saturação de 88% em oxigênio por cateter nasal e frequência respiratória de 80. Qual a conduta de escalonamento mais adequada?
Diante de esforço crescente e hipoxemia apesar do oxigênio suplementar simples, o passo seguinte é oferecer suporte que reduza o trabalho respiratório e mantenha a via aérea aberta, com reavaliação em curto intervalo para identificar quem não responde. Apenas aumentar o fluxo em cateter nasal não modifica a mecânica respiratória, e postergar indefinidamente a decisão transforma uma intubação programada em uma intubação de resgate.
Lactente de 4 meses, previamente hígido, apresenta há 3 dias coriza e tosse, evoluindo com taquipneia, tiragem subcostal e sibilos difusos, sendo este o primeiro episódio de sibilância. Qual o diagnóstico mais provável?
Primeiro episódio de sibilância em lactente abaixo de dois anos, precedido de pródromo catarral e acompanhado de taquipneia e esforço respiratório, define bronquiolite, cujo agente predominante é o vírus sincicial respiratório. A asma é o diferencial mais frequente e ganha força quando há episódios repetidos, história familiar de atopia e resposta consistente ao broncodilatador, elementos ausentes em um primeiro quadro nessa idade.
Sobre o prognóstico após bronquiolite viral aguda no lactente, qual afirmação é correta?
A associação entre bronquiolite e sibilância recorrente é bem documentada, mas o desfecho é heterogêneo: parte das crianças apenas sibila com infecções virais nos primeiros anos e depois melhora, enquanto outra parcela, sobretudo com atopia e história familiar, evolui para asma. Prometer à família qualquer dos extremos é impreciso, e o corticoide na fase aguda não previne esse desfecho, apesar de amplamente prescrito com essa expectativa.
Sobre a solicitação de radiografia de tórax na bronquiolite viral aguda, qual afirmação é correta?
Atelectasias e infiltrados peri-hilares são achados comuns na bronquiolite e são frequentemente interpretados como pneumonia, o que leva a prescrições de antibiótico sem benefício, motivo pelo qual a radiografia não faz parte da avaliação de rotina. Ela se justifica quando há dúvida diagnóstica, gravidade desproporcional ou piora inesperada, situações em que se procura complicação ou diagnóstico alternativo.
Sobre o tratamento da bronquiolite viral aguda, qual conduta tem respaldo nas evidências atuais?
A bronquiolite é doença de suporte: manter a oxigenação, garantir hidratação e desobstruir as vias aéreas superiores compõem praticamente todo o tratamento com benefício demonstrado. Corticoide e broncodilatador não alteram o curso na maioria dos lactentes e são as prescrições desnecessárias mais frequentes, e antibiótico sem indicação apenas expõe a criança a efeitos adversos, já que a coinfecção bacteriana é incomum fora de contextos específicos.
Sobre a prevenção da transmissão do vírus sincicial respiratório em ambiente hospitalar, qual medida é a mais eficaz?
A transmissão ocorre sobretudo por contato com secreções e superfícies contaminadas, e não por via aérea a distância, de modo que as precauções de contato e a higiene das mãos são as medidas com maior impacto, complementadas pela separação dos pacientes infectados. Reservar quartos de pressão negativa para esse vírus consome recursos destinados a doenças de transmissão aérea verdadeira, como tuberculose e sarampo.
Lactente de 5 semanas com bronquiolite é levado ao pronto-socorro após episódio de pausa respiratória presenciada pela mãe, com cianose. Qual a conduta?
A apneia pode ser a manifestação inicial da bronquiolite em lactentes muito jovens, sobretudo abaixo de dois meses e em ex-prematuros, e pode preceder qualquer sinal de esforço respiratório importante. Por isso o antecedente de pausa presenciada é critério de internação e de monitoração, e não um dado a ser relativizado porque a criança chegou bem ao serviço, que é justamente a armadilha desse cenário.
Sobre a hidratação do lactente internado por bronquiolite com dificuldade de aceitação por via oral, qual conduta é a mais adequada?
A criança com taquipneia importante não consegue coordenar sucção e respiração, e o aporte precisa ser garantido por outra via, mas com atenção ao volume e à tonicidade, porque doenças respiratórias agudas estimulam a liberação de hormônio antidiurético e favorecem retenção de água livre. Infundir grandes volumes de solução hipotônica nesse contexto é a receita para hiponatremia sintomática, complicação evitável e ainda frequente.
Lactente de 10 meses com bronquiolite grave apresenta esforço respiratório importante e hipoxemia, sem indicação imediata de intubação. Qual suporte inicial pode reduzir a necessidade de ventilação invasiva?
Cânula nasal de alto fluxo e ventilação não invasiva reduzem o trabalho respiratório e podem evitar a intubação em parcela dos lactentes com bronquiolite grave, desde que haja monitorização estreita e critérios claros de falha, para não retardar a intubação de quem realmente precisa. Máscara sem monitorização não oferece suporte pressórico nem segurança. Intubar todos é excesso com riscos próprios. Oxigenoterapia hiperbárica não tem indicação, e traqueostomia precoce é conduta de via aérea crônica.
Lactente de 8 meses é levado ao pronto-atendimento com febre de 38,8 graus Celsius, tosse e coriza há 3 dias, com piora do desconforto respiratório nas últimas horas. Ao exame, frequência respiratória de 62 incursões por minuto, tiragem intercostal, sibilos difusos e crepitações finas bilaterais, saturação de oxigênio de 93 por cento em ar ambiente, aceitando mamadas parcialmente. É o primeiro episódio de sibilância. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
A bronquiolite viral aguda tem tratamento de suporte, com oxigênio conforme a saturação, hidratação e higiene nasal; corticoide e broncodilatador não alteram desfecho e não são recomendados de rotina. O corticoide oral com broncodilatador de manutenção pertence ao manejo da asma, e não do primeiro episódio de sibilância em lactente com quadro viral. O antibiótico não se justifica sem evidência de infecção bacteriana. O oseltamivir se reserva a síndrome respiratória aguda grave ou grupos de risco com suspeita de influenza, e a radiografia não é rotina na bronquiolite típica.
Lactente de 6 meses, com quadro de febre e coriza há 3 dias, é levado ao pronto-atendimento com recusa alimentar. Ao exame, apresenta gemência, batimento de asa nasal, tiragem subcostal e intercostal, frequência respiratória de 74 incursões por minuto e saturação de 88 por cento em ar ambiente. Está sonolento, com dificuldade para mamar. Qual é a conduta imediata?
Hipoxemia, esforço respiratório importante, sonolência e incapacidade de manter a alimentação são critérios de gravidade que indicam oxigenoterapia, monitorização e internação em lactente com bronquiolite. A alta com nebulização domiciliar ignora critérios objetivos de gravidade. O corticoide não tem eficácia comprovada na bronquiolite e a alta precoce é inadequada com essa saturação. O antibiótico não trata infecção viral e não corrige a insuficiência respiratória.
Lactente de 8 meses, com diagnóstico de cardiopatia congênita cianótica em acompanhamento, é avaliado antes do início da sazonalidade do vírus sincicial respiratório. A família pergunta sobre medidas preventivas. A criança está clinicamente estável, com vacinação em dia. Qual é a orientação correta segundo o Ministério da Saúde?
O palivizumabe é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde durante a sazonalidade para prematuros conforme critérios e para menores de 2 anos com cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica ou doença pulmonar da prematuridade. O antibiótico não previne infecção viral. A imunização ativa do lactente contra o vírus sincicial respiratório não integra o calendário de rotina da rede básica nesse cenário. Reduzir a prevenção à higiene das mãos ignora a imunização passiva indicada para o grupo de risco descrito.
Lactente de 4 meses, nascido a termo, é levado ao pronto-atendimento com coriza há 3 dias evoluindo com tosse, taquipneia e sibilância difusa. Está afebril, mamando cerca de metade do volume habitual, com FR 58 irpm, tiragem subcostal leve, SpO2 94% em ar ambiente. Ausculta com sibilos e estertores finos difusos. É período de sazonalidade de vírus sincicial respiratório. Qual é a conduta mais adequada?
A bronquiolite viral aguda é doença autolimitada cujo tratamento é de suporte, com higiene nasal, hidratação e vigilância de sinais de gravidade, sem indicação de antibiótico, corticoide ou broncodilatador de rotina. O antibiótico não previne infecção bacteriana e favorece resistência. O corticoide não altera o curso da bronquiolite no lactente previamente hígido. A radiografia de rotina não é recomendada, pois raramente muda a conduta e aumenta o uso indevido de antibióticos.
Lactente de 3 meses, com quadro de tosse e coriza, é levado ao pronto-atendimento e evolui com pausas respiratórias presenciadas pela mãe, sem tosse intensa. Ao exame, apresenta-se afebril, com boa perfusão, saturação de 96 por cento entre os episódios, mas com dois episódios de apneia presenciados na sala de espera. Qual é a conduta?
A apneia pode ser a manifestação inicial de infecção respiratória viral em lactentes jovens, especialmente por vírus sincicial respiratório e por coqueluche, e configura critério de internação para monitorização, independentemente da saturação entre episódios. Liberar apenas com base na oximetria momentânea ignora o risco de novo evento sem assistência. Broncodilatador e corticoide não previnem apneia central em quadro viral. O antibiótico não altera o curso da maioria desses quadros e não substitui a vigilância.
Um lactente de 5 meses é levado à unidade com quadro de sibilância e desconforto respiratório leve. A mãe fuma no domicílio e a criança não frequenta creche. Ao exame, a criança está eupneica em repouso, com sibilos discretos e saturação de 97 por cento, alimentando-se bem. Qual é a conduta mais adequada?
Lactente com quadro respiratório leve, boa aceitação alimentar e oxigenação adequada é manejado ambulatorialmente, com suporte, orientação sobre exposição à fumaça de tabaco e reavaliação programada. A internação não se justifica sem critérios de gravidade. O corticoide oral não altera a evolução da bronquiolite. O antibiótico não trata infecção viral e não previne complicação.
Menino de 7 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com tosse, coriza e febre baixa há três dias, evoluindo com respiração ruidosa e dificuldade para mamar. Nasceu a termo, sem comorbidades, e está com vacinas em dia. Ao exame: alerta e ativo, temperatura 37,8 °C, FR 52 ipm, tiragem subcostal leve, saturação de oxigênio 95% em ar ambiente, ausculta com sibilos e estertores finos difusos, aceita seio materno com pausas. Hidratado, diurese preservada. Não há histórico de sibilância prévia. A conduta mais adequada é:
O quadro é de bronquiolite viral aguda em lactente com desconforto leve e boa saturação, cujo manejo é de suporte, com desobstrução nasal, hidratação, fracionamento das mamadas, orientação de sinais de alarme e reavaliação. Antibiótico não tem papel em doença viral, e estertores finos difusos integram a própria bronquiolite, não indicando pneumonia bacteriana. Corticoide sistêmico não reduz internação nem tempo de doença na bronquiolite e não é recomendado. Radiografia e hemograma de rotina não são necessários no quadro típico, expõem a radiação e frequentemente levam a antibioticoterapia indevida.
Lactente de 5 meses, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro com tosse, coriza e dificuldade respiratória há três dias, com piora hoje. Ao exame: taquipneico com 68 irpm, tiragem subcostal e intercostal importante, batimento de asa nasal, saturação de oxigênio 88% em ar ambiente, sibilos e estertores finos difusos, aceitando menos da metade das mamadas. Frequência cardíaca 168 bpm, sem febre alta. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Bronquiolite com hipoxemia, esforço respiratório importante e dificuldade alimentar em lactente jovem tem indicação de internação com suporte, incluindo oxigenoterapia, hidratação e consideração de cânula nasal de alto fluxo quando há falha do oxigênio convencional, já que o tratamento é essencialmente de suporte. Broncodilatador e corticoide não alteram o curso da bronquiolite e alta domiciliar seria insegura com essa saturação. Antibiótico não trata infecção viral e não é medida principal. Radiografia de rotina não é recomendada e leva a antibióticos desnecessários.
Lactente de 4 meses é levado à Unidade Básica de Saúde no inverno com coriza há 3 dias, evoluindo com tosse e chiado. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,6 °C, FR 52 ipm, saturação de 95% em ar ambiente, tiragem subcostal leve, ausculta com sibilos e estertores finos difusos bilateralmente, mamando bem e hidratado, sem apneias e sem prostração. Não há antecedente de prematuridade, cardiopatia ou imunodeficiência, e o ganho ponderal é adequado. A conduta mais adequada é:
O tratamento da bronquiolite viral aguda é de suporte, com hidratação, higiene nasal, oxigênio quando indicado e orientação sobre sinais de alarme, sem benefício comprovado de broncodilatador, corticoide ou antibiótico de rotina. Corticoide oral não altera o curso da bronquiolite típica. Broncodilatador contínuo não é recomendado e expõe a efeitos adversos sem ganho clínico. Antibiótico não previne infecção bacteriana secundária e favorece resistência, ficando reservado a complicações documentadas.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, é levado ao pronto-atendimento com coriza há 4 dias e piora do desconforto respiratório nas últimas horas. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,4 °C, FR 68 ipm, saturação de 88% em ar ambiente, tiragem subcostal e intercostal acentuada, batimento de asas do nariz, gemido, recusa alimentar com aceitação de menos da metade do volume habitual e dois episódios de pausa respiratória presenciados pela mãe. A ausculta mostra sibilos e estertores difusos. A conduta mais adequada é:
Idade inferior a três meses, saturação abaixo de 90%, desconforto respiratório importante, recusa alimentar significativa e apneias são critérios de internação na bronquiolite, com oxigenoterapia, suporte hidroeletrolítico e monitorização. Liberar para casa com esses sinais expõe o lactente a deterioração rápida e apneia. Broncodilatador domiciliar não corrige a hipoxemia nem substitui a observação hospitalar. Corticoide sistêmico não tem eficácia comprovada na bronquiolite e não resolve os critérios de gravidade presentes.
Lactente de 3 meses, nascido com 28 semanas de idade gestacional e com displasia broncopulmonar em uso de oxigênio domiciliar, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde no início do período de maior circulação do vírus sincicial respiratório. A mãe pergunta se há alguma forma de proteger o filho, pois um irmão de 4 anos frequenta creche e teve várias infecções respiratórias no último ano. O lactente está clinicamente estável, com ganho ponderal adequado e calendário vacinal em dia. A conduta preventiva correta inclui:
Prematuros com displasia broncopulmonar e cardiopatas com repercussão hemodinâmica integram os grupos elegíveis à imunização passiva específica contra o vírus sincicial respiratório, disponibilizada no período sazonal, associada às medidas de higiene das mãos, controle de contatos e evitação de aglomerações e de tabagismo passivo. Antibiótico profilático não previne infecção viral. A afirmação de que existe vacina de rotina no calendário básico para o lactente não corresponde à estratégia adotada nesse grupo. Dizer que não há medida específica ignora o programa existente.
Lactente de 5 meses está internado com bronquiolite viral aguda, mantendo desconforto respiratório moderado e saturação de 90% apesar de oxigênio por cateter nasal de baixo fluxo. Ao exame apresenta FR 62 ipm, tiragem intercostal e subcostal, batimento de asas do nariz, mantém-se ativo e responsivo, aceita parte da dieta e não apresenta apneias. A unidade dispõe de sistema de cânula nasal de alto fluxo e a equipe está treinada em seu uso e monitorização contínua do paciente. A conduta mais adequada é:
Na bronquiolite com hipoxemia e esforço respiratório persistentes apesar do oxigênio de baixo fluxo, a cânula nasal de alto fluxo reduz o trabalho respiratório e pode evitar a necessidade de ventilação invasiva, desde que haja monitorização e vigilância de sinais de falha. Manter baixo fluxo com hipoxemia persistente deixa a criança sem suporte adequado. Intubação imediata sem etapas intermediárias expõe a riscos evitáveis em lactente ainda responsivo. Suspender o oxigênio em criança hipoxêmica é conduta inaceitável.
Lactente de 7 meses é levado à Unidade Básica de Saúde no inverno com tosse, coriza e desconforto respiratório há 2 dias. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,5 °C, FR 54 ipm, saturação de 94% em ar ambiente, tiragem subcostal, ausculta com sibilos expiratórios difusos e estertores finos disseminados em ambos os hemitórax, sem estertores localizados e sem macicez à percussão. Está hidratado, mamando bem e ativo entre os episódios de tosse. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Lactente no primeiro ano de vida, em período sazonal, com pródromo de coriza seguido de sibilância difusa e estertores finos disseminados, sem febre alta e sem achados focais, tem bronquiolite viral aguda, cujo tratamento é de suporte. A pneumonia bacteriana lobar cursa com febre alta, estertores localizados e, em geral, macicez à percussão. A crise asmática é diagnóstico incomum nessa idade e exige episódios recorrentes com resposta a broncodilatador. A insuficiência cardíaca cursaria com sopro, hepatomegalia, cansaço às mamadas e déficit de crescimento.
Lactente de 3 meses é levado à Unidade de Pronto Atendimento com coriza, tosse e desconforto respiratório há três dias, em período de sazonalidade de vírus respiratórios. Nasceu a termo, sem comorbidades, em aleitamento materno. Ao exame: taquipneico com 62 irpm, tiragem subcostal, batimento de asa nasal, saturação de oxigênio 91% em ar ambiente, sibilos e estertores finos difusos, aceitando cerca de metade do volume habitual das mamadas, sem febre alta. Qual é a conduta mais adequada?
A bronquiolite viral aguda em lactente jovem com hipoxemia, esforço respiratório importante e redução da aceitação alimentar tem indicação de internação com suporte, incluindo oxigenoterapia, hidratação e monitorização, uma vez que o tratamento é essencialmente de suporte. Broncodilatador e corticoide não alteram o curso da doença e a alta seria insegura com essa saturação. Antibiótico não trata infecção viral. Antitussígenos não são recomendados em lactentes e podem causar depressão respiratória.
Lactente de 2 meses, nascido com 29 semanas de idade gestacional e com displasia broncopulmonar em uso de oxigênio domiciliar, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde no início do período de maior circulação de vírus respiratório sincicial. A mãe pergunta se existe alguma medida específica para reduzir o risco de internação por bronquiolite, além dos cuidados gerais de higiene e do aleitamento materno. Ao exame: estável, em uso de oxigênio por cateter, com ganho de peso adequado. Qual é a conduta correta?
Prematuros extremos e crianças com displasia broncopulmonar ou cardiopatia com repercussão hemodinâmica estão entre os grupos elegíveis à imunização passiva específica contra o vírus sincicial respiratório durante a sazonalidade, conforme os critérios definidos, associada a medidas gerais como higiene das mãos, evitar aglomerações e manter o aleitamento. Antibiótico profilático não previne infecção viral. O aleitamento materno é protetor e deve ser mantido e estimulado.
Lactente de 3 meses é levado à Unidade Básica de Saúde com tosse e coriza há dois dias, sem febre, com boa aceitação das mamadas. A mãe está preocupada porque a irmã mais velha tem bronquiolite e foi internada. Ao exame: ativo, corado, hidratado, com frequência respiratória adequada para a idade, saturação de oxigênio 98% em ar ambiente, sem tiragem, sem batimento de asa nasal, com sibilos escassos e boa aceitação alimentar. Qual é a conduta correta?
A bronquiolite leve, sem hipoxemia, sem esforço respiratório e com boa aceitação alimentar, é manejada em domicílio com hidratação, higiene nasal, orientação de sinais de alerta e reavaliação programada, já que o tratamento é de suporte. Internar todos os lactentes com sibilância é conduta desproporcional. Broncodilatador e corticoide não alteram o curso da bronquiolite. Antibiótico não previne infecção bacteriana secundária e favorece resistência.
Lactente de 6 semanas, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro com coriza e tosse há dois dias, e a mãe relata que ele parou de respirar por alguns segundos durante uma mamada, ficando arroxeado, com recuperação após estímulo. Ao exame: eupneico no momento, com sibilos e estertores finos difusos, saturação de oxigênio 94% em ar ambiente, sem tiragem importante e com boa perfusão, mas com relato de dois episódios semelhantes em casa. Qual é a conduta correta?
A apneia é manifestação de gravidade na bronquiolite de lactentes jovens, sobretudo abaixo de dois meses e em prematuros, podendo preceder deterioração respiratória, o que indica internação com monitorização contínua, independentemente da saturação pontual normal. Liberar com base na saturação do momento ignora a recorrência dos episódios. Broncodilatador não previne apneia. Antibiótico não trata infecção viral nem reduz o risco de apneia.
Lactente de 5 meses é atendido em unidade de pronto atendimento com coriza, tosse e sibilância há três dias, com pico febril de 38 °C no primeiro dia. A mãe pergunta por que não foi prescrito antibiótico, como aconteceu com um sobrinho em quadro parecido. Ao exame: eupneico em repouso, com frequência respiratória de 48 incursões por minuto, saturação de 96% em ar ambiente, sibilos difusos e estertores finos, tiragem subcostal leve, hidratado e aceitando bem o seio materno. Qual é a conduta correta?
A bronquiolite viral aguda tem etiologia viral e manejo baseado em suporte, hidratação, oxigênio quando indicado e orientação de sinais de alerta, sem indicação de antibiótico na ausência de evidência de infecção bacteriana. Antibiótico profilático não previne complicações e seleciona resistência. Corticoide sistêmico e broncodilatador de manutenção não estão indicados de rotina. Exames complementares de rotina não alteram a conduta em quadro típico sem sinais de gravidade.
Lactente, 5 meses, previamente hígido, apresenta há 4 dias coriza, tosse e febre baixa, evoluindo com dificuldade respiratória. FR 62 ipm, FC 150 bpm, SatO2 92% em ar ambiente, T 37,8 °C. Ausculta com sibilos difusos e estertores crepitantes bilaterais, com tiragem intercostal. Aceita bem a dieta e não apresenta apneia. Radiografia de tórax com hiperinsuflação e infiltrado peri-hilar bilateral. Qual a conduta terapêutica indicada?
A bronquiolite viral aguda tem tratamento essencialmente de suporte: oxigenoterapia quando a saturação está baixa, hidratação adequada, desobstrução nasal e monitorização, sem uso rotineiro de outras medicações. A antibioticoterapia não está indicada em quadro viral típico sem sinais de infecção bacteriana. O corticoide sistêmico não altera a evolução da bronquiolite e não deve ser usado rotineiramente. O broncodilatador não demonstrou benefício consistente e não deve ser mantido de forma contínua. A fisioterapia respiratória com tapotagem na fase aguda não melhora desfechos e pode aumentar o desconforto do lactente.
Menino, 6 meses, prematuro nascido com 30 semanas, portador de displasia broncopulmonar em uso de oxigênio domiciliar, é avaliado no início do período de sazonalidade do vírus sincicial respiratório. Está clinicamente estável, com vacinas em dia para a idade corrigida, sem infecções recentes. A família pergunta sobre medidas de prevenção específicas para infecções respiratórias graves. Qual a medida preventiva específica indicada?
Prematuro com displasia broncopulmonar em uso de oxigênio é população de altíssimo risco para infecção grave pelo vírus sincicial respiratório, e a medida específica é a imunização passiva com anticorpo monoclonal durante o período de sazonalidade, conforme critérios do programa de imunização. Antibiótico profilático não previne infecção viral e seleciona resistência. Corticoide inalatório trata a doença pulmonar crônica em situações específicas, mas não previne a infecção viral. Imunoglobulina endovenosa inespecífica não é a estratégia recomendada para esse fim. Não há vacina de vírus vivo atenuado contra o vírus sincicial respiratório disponível para uso rotineiro nessa população.
Mulher, 27 anos, G1P0, com 30 semanas, comparece ao pré-natal em período sazonal de circulação de vírus respiratórios. Está assintomática, com cartão vacinal atualizado quanto a influenza, dTpa, hepatite B e COVID-19. PA 114/70 mmHg, gestação de risco habitual. Pergunta se existe alguma vacina que possa proteger o bebê contra bronquiolite nos primeiros meses de vida, conforme ouviu no noticiário. Qual orientação é a correta?
A orientação correta é que existem estratégias de imunização materna contra o vírus sincicial respiratório, aplicadas em janela gestacional definida no final da gestação para maximizar a transferência transplacentária de anticorpos, conferindo proteção passiva ao lactente nos primeiros meses, além da alternativa de anticorpo monoclonal de ação prolongada administrado ao recém-nascido, sempre conforme a disponibilidade e a recomendação vigente. Afirmar inexistência de estratégias está desatualizado. A proteção não depende de vacinação do próprio lactente ao nascer, pois a resposta imune nessa idade é limitada. A aplicação no 1º trimestre não corresponde à janela recomendada. A amamentação reduz a gravidade das infecções respiratórias, mas não confere proteção completa.
Menino, 6 meses, com quadro de bronquiolite, é internado por hipoxemia. Recebe oxigênio suplementar e hidratação, com melhora progressiva. A mãe pergunta se a criança precisará de antibiótico e se poderá receber corticoide para acelerar a recuperação, relatando que outra criança da família recebeu esses medicamentos em situação semelhante e teve alta rapidamente do serviço de emergência procurado. Qual a orientação correta?
A bronquiolite viral aguda tem tratamento essencialmente de suporte, com oxigenoterapia quando necessário, hidratação e desobstrução nasal, sem indicação rotineira de antibiótico, corticoide, broncodilatador ou fisioterapia com tapotagem, medidas que não alteram desfechos e podem causar danos. Afirmar que o corticoide reduz o tempo de internação contraria a evidência disponível. O antibiótico não previne infecção bacteriana secundária e seleciona resistência. O broncodilatador não demonstrou benefício consistente. A fisioterapia com tapotagem na fase aguda não melhora desfechos e aumenta o desconforto do lactente.
Lactente de 4 meses, nascido a termo, é levado ao pronto-socorro por coriza há 3 dias, evoluindo com tosse e dificuldade para mamar. Exame: FR 62 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, tiragem subcostal, sibilos e estertores finos difusos, T 37,6 °C, hidratado, aceitando cerca de 70% do volume habitual. Radiografia de tórax com hiperinsuflação e atelectasias laminares, sem consolidação lobar definida. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o manejo deste caso.
Prescrever corticoide sistêmico de rotina é incorreto: ensaios clínicos não demonstraram benefício na bronquiolite viral aguda do lactente previamente hígido, e o tratamento é essencialmente de suporte. A hidratação adequada e a oxigenoterapia guiada pela saturação constituem os pilares do manejo. A aspiração de vias aéreas superiores melhora o conforto e a alimentação, sobretudo antes das mamadas. A antibioticoterapia de rotina não se justifica em doença viral sem sinais de infecção bacteriana. A aceitação alimentar, junto ao esforço respiratório e à saturação, é critério central na decisão de internação.
Lactente de 10 meses é admitido com desconforto respiratório por infecção viral. Exame: FR 68 ipm, SatO2 90% em oxigênio por cateter nasal, batimento de asa de nariz, tiragem subcostal e de fúrcula, gemência intermitente, FC 168 bpm, T 37,8 °C, alerta e reativo. Gasometria: pH 7,32; pCO2 50 mmHg; pO2 62 mmHg. A equipe discute a escalada do suporte respiratório e os sinais que indicam falência iminente. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a avaliação respiratória deste lactente.
Afirmar que a saturação normal exclui a necessidade de suporte é incorreto: a oximetria pode permanecer aceitável às custas de esforço respiratório intenso, e a exaustão precede a queda da saturação, de modo que o trabalho respiratório e o nível de consciência guiam a decisão. A gemência é mecanismo de manutenção da capacidade residual funcional. A frequência respiratória isolada não define gravidade, devendo ser interpretada com o esforço e a perfusão. Bradipneia e apneia em criança previamente taquipneica indicam exaustão iminente. A cânula nasal de alto fluxo é opção legítima de escalonamento antes da ventilação invasiva.
Lactente, 4 meses, com cardiopatia congênita acianótica e repercussão hemodinâmica significativa, em uso de diurético e inibidor da enzima conversora, comparece a consulta no início do período de maior circulação viral. FC 132 bpm, FR 44 ipm, SatO2 96% em ar ambiente. Ganho ponderal limítrofe. Calendário vacinal em dia. A família pergunta sobre medidas de prevenção de infecções respiratórias. Qual a conduta?
Lactentes com cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa integram o grupo elegível para imunoprofilaxia contra o vírus sincicial respiratório durante a sazonalidade, ao lado de medidas de higiene e afastamento de contatos doentes. A antibioticoprofilaxia contínua não previne infecção viral e seleciona resistência. O corticoide inalatório profilático não previne bronquiolite. O calendário vacinal em dia não contempla essa proteção específica. O oseltamivir tem ação sobre influenza, não sobre o vírus sincicial respiratório, e não é usado como profilaxia mensal de rotina.
Lactente de 3 meses, previamente hígido, com coriza há três dias evoluindo com tosse e desconforto respiratório. FR 62 ipm, FC 156 bpm, SatO2 92% em ar ambiente, com tiragem subcostal, sibilos e estertores difusos. Está hidratado e aceita a mamada com pausas. A radiografia mostra hiperinsuflação com áreas de atelectasia laminar, sem consolidação evidente. Assinale a alternativa INCORRETA sobre o manejo dessa condição.
Prescrever corticoide sistêmico de rotina é incorreto, pois ensaios clínicos não demonstraram benefício na bronquiolite viral aguda, sendo o tratamento essencialmente de suporte. A oxigenoterapia está indicada diante de hipoxemia significativa. A hidratação e o suporte nutricional são pilares do manejo, com atenção ao risco de aspiração. A aspiração de vias aéreas superiores melhora o desconforto ao desobstruir as narinas. O antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana associada.
Lactente de 2 meses, nascido com 29 semanas de idade gestacional e portador de displasia broncopulmonar em uso de oxigênio domiciliar, será acompanhado durante o período de sazonalidade viral. Está eutrófico, FR 44 ipm, FC 140 bpm, SatO2 95% com oxigênio. A família reside com três irmãos em idade escolar e não há tabagismo domiciliar relatado pelos cuidadores. Qual a medida preventiva específica está indicada?
Prematuros com displasia broncopulmonar em tratamento têm indicação de imunização passiva específica contra o vírus sincicial respiratório durante a sazonalidade, além das medidas gerais de higiene e afastamento de contatos sintomáticos. A antibioticoprofilaxia não previne infecção viral. O corticoide inalatório não protege contra a infecção. A vacina contra influenza só é aplicada a partir dos seis meses de idade e não protege contra o vírus sincicial. O isolamento domiciliar completo por seis meses é inviável e desnecessário diante das medidas disponíveis.
Lactente de 4 meses, internado por bronquiolite viral aguda, mantém desconforto respiratório após aspiração de vias aéreas e oxigênio por cateter nasal. FR 68 ipm, FC 168 bpm, SatO2 89% com cateter a 2 L/min, com tiragem subcostal e intercostal acentuada. Está hidratado, sem apneias, e a gasometria mostra pH 7,32 com pressão parcial de gás carbônico de 52 mmHg. Qual a conduta indicada?
O lactente apresenta falha da oxigenoterapia convencional com desconforto acentuado e hipercapnia leve, situação em que a cânula nasal de alto fluxo oferece suporte intermediário, reduzindo o trabalho respiratório e a necessidade de intubação. A intubação imediata é precipitada diante de acidose leve e paciente sem apneias ou exaustão. O corticoide inalatório não altera o curso da bronquiolite. O antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana. A fisioterapia com tapotagem não demonstrou benefício e pode agravar o desconforto.
Lactente de 2 meses, nascido a termo, com quadro de bronquiolite viral aguda no terceiro dia de evolução. FR 70 ipm, FC 170 bpm, SatO2 90% em ar ambiente, com tiragem intercostal e subcostal. Aceita menos da metade do volume habitual das mamadas e a mãe relata dois episódios de pausa respiratória em casa nas últimas doze horas de evolução. Assinale a alternativa INCORRETA sobre os critérios de internação.
Afirmar que a idade inferior a três meses não influencia a decisão é incorreto, pois lactentes muito jovens têm maior risco de apneia e de deterioração rápida, sendo a idade um dos critérios reconhecidos de internação. A ocorrência de apneia é indicação formal de hospitalização. A hipoxemia persistente também determina internação para oxigenoterapia. A recusa alimentar compromete a hidratação e é critério relevante. As condições socioeconômicas e o acesso ao serviço influenciam a decisão pela possibilidade de retorno rápido em caso de piora.
Lactente de 5 meses, com bronquiolite viral aguda, apresenta sibilância difusa e desconforto respiratório leve. FR 54 ipm, FC 150 bpm, SatO2 94% em ar ambiente, hidratado e aceitando bem as mamadas. A equipe de plantão discute a prescrição de broncodilatador inalatório, considerando as evidências atuais e as recomendações das diretrizes vigentes para o manejo dessa condição. Qual a orientação correta?
As diretrizes atuais não recomendam o uso rotineiro de broncodilatador na bronquiolite viral aguda, pois os ensaios não demonstraram redução do tempo de internação, da necessidade de oxigênio ou da evolução da doença, sendo o tratamento essencialmente de suporte. Prescrever a todos os lactentes contraria essa recomendação. Afirmar redução comprovada de desfechos inverte a evidência disponível. A adrenalina nebulizada tem eventual efeito transitório na emergência, jamais como manutenção domiciliar. Corticoide sistêmico também não é recomendado de rotina.
Lactente de 4 meses, internado por bronquiolite viral aguda, evolui estável no segundo dia, em oxigenoterapia por cateter nasal. FR 52 ipm, FC 148 bpm, SatO2 94% com oxigênio, aceitando dieta fracionada. A equipe de plantão revisa a prescrição e discute quais intervenções têm respaldo nas diretrizes atuais e quais devem ser retiradas por ausência de benefício demonstrado. Assinale a alternativa que corresponde a uma medida COM benefício comprovado.
O tratamento da bronquiolite é de suporte, e a aspiração de vias aéreas superiores associada à manutenção da hidratação e da nutrição é a intervenção com benefício reconhecido. O broncodilatador de rotina não altera desfechos relevantes. O corticoide sistêmico não reduz tempo de internação nem gravidade. O antibiótico empírico não previne infecção bacteriana secundária e seleciona resistência. A fisioterapia respiratória com vibrocompressão e tapotagem não demonstrou benefício e pode aumentar o desconforto do lactente.
Lactente de 3 meses, internado por bronquiolite, apresenta FR 66 ipm, FC 158 bpm, SatO2 93% com oxigênio, e recusa parcial das mamadas por cansaço. Está com mucosas úmidas, diurese preservada e sem vômitos. A equipe discute a via de administração de líquidos e nutrientes, considerando o risco de aspiração e o desconforto respiratório apresentado pelo lactente nesse momento. Qual a conduta mais adequada?
Com frequência respiratória muito elevada e recusa alimentar por cansaço, a via oral aumenta o risco de aspiração, sendo indicada a oferta por sonda enteral ou a hidratação venosa até a melhora do esforço respiratório. Manter apenas a via oral nessas condições expõe o lactente à broncoaspiração. Suspender toda oferta por três dias provoca desidratação e desnutrição. Hidratação venosa com o dobro da necessidade basal favorece sobrecarga hídrica e hiponatremia. A nutrição parenteral é desnecessária com trato gastrointestinal funcionante.
Lactente de 6 meses com bronquiolite viral aguda leve recebe alta do pronto atendimento. FR 46 ipm, FC 138 bpm, SatO2 96% em ar ambiente, hidratado e aceitando bem as mamadas. A mãe recebe orientações sobre cuidados domiciliares e sinais que indicam necessidade de retorno imediato ao serviço, além de medidas de higiene para reduzir a transmissão aos demais familiares. Assinale a alternativa que NÃO constitui sinal de alarme para retorno imediato.
Coriza hialina com espirros em lactente ativo e sorridente é achado esperado na evolução da bronquiolite e não constitui sinal de alarme. O aumento importante do esforço respiratório com retrações e batimento de asa nasal indica deterioração e exige retorno. A recusa alimentar com aceitação inferior à metade do habitual sinaliza risco de desidratação e exaustão. As pausas respiratórias são particularmente preocupantes em lactentes jovens. A cianose de lábios e extremidades indica hipoxemia significativa e necessidade de avaliação imediata.
Unidade de internação pediátrica registra surto de infecção pelo vírus sincicial respiratório com transmissão entre pacientes internados durante o período de sazonalidade. A comissão de controle de infecção reúne a equipe para revisar as medidas de prevenção, o fluxo de admissão dos lactentes com sintomas respiratórios e a organização das enfermarias durante os meses de maior circulação viral. Assinale a alternativa INCORRETA sobre as medidas de prevenção.
A antibioticoprofilaxia dos contatos não previne transmissão viral e apenas seleciona bactérias resistentes, sendo a afirmação incorreta. A higienização das mãos é reconhecidamente a medida isolada mais eficaz no controle da transmissão hospitalar. As precauções de contato e gotículas são recomendadas para casos suspeitos e confirmados. A coorte de pacientes com o mesmo agente reduz a transmissão cruzada entre leitos. A restrição de visitantes sintomáticos limita a introdução de novos casos na unidade durante o surto.
Lactente de 5 meses, internado por bronquiolite viral aguda, mantém desconforto respiratório leve a moderado no segundo dia de internação. FR 54 ipm, FC 148 bpm, SatO2 94% com oxigênio, hidratado e aceitando dieta fracionada. A equipe discute o papel das nebulizações com solução salina hipertônica no manejo dessa condição e a força das evidências que sustentam essa intervenção. Qual a orientação mais adequada?
A evidência sobre a solução salina hipertônica na bronquiolite é heterogênea, com possível redução modesta do tempo de internação em pacientes hospitalizados e sem benefício claro em emergência, de modo que não é recomendação universal. Considerá-la tratamento de escolha que substitui o suporte contraria a natureza da doença. A contraindicação formal também é incorreta, pois o uso é considerado seguro. Não há redução de mortalidade demonstrada. Prescrevê-la como manutenção domiciliar após a alta não tem qualquer respaldo.
Lactente de 4 meses, internado por bronquiolite, encontra-se no quarto dia de internação com melhora progressiva. FR 42 ipm, FC 132 bpm, SatO2 95% em ar ambiente há 18 horas, aceitando mais de dois terços do volume habitual das mamadas, sem apneias há 48 horas e com desconforto respiratório mínimo. A família mora a vinte minutos do serviço e compreende as orientações. Qual a conduta indicada?
Estabilidade da saturação em ar ambiente, aceitação alimentar adequada, ausência de apneias e desconforto respiratório mínimo, com família orientada e acesso ao serviço, permitem a alta com orientação sobre sinais de alarme. Aguardar a normalização completa da frequência respiratória prolonga desnecessariamente a internação, pois a taquipneia leve pode persistir por dias. Prolongar por mais sete dias expõe a infecção hospitalar. Corticoide e broncodilatador domiciliares não têm indicação. A radiografia de controle não é rotina antes da alta.
Equipe de pronto atendimento avalia lactentes com bronquiolite viral aguda durante o pico de sazonalidade e discute quais características identificam maior risco de evolução grave, orientando decisões sobre observação prolongada, internação e critérios de transferência para unidades com maior capacidade de suporte ventilatório durante o período de alta demanda assistencial. Assinale a alternativa que NÃO representa fator de risco para bronquiolite grave.
O aleitamento materno exclusivo é fator de proteção contra formas graves de bronquiolite, e não fator de risco, reduzindo a incidência e a gravidade das infecções respiratórias. A idade inferior a três meses associa-se a maior risco de apneia e deterioração. A prematuridade abaixo de trinta e cinco semanas é fator de risco reconhecido. A cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica aumenta a gravidade. A doença pulmonar crônica da prematuridade com uso prévio de oxigênio também eleva o risco de evolução desfavorável.
Lactente de 5 meses, com quadro clínico típico de bronquiolite viral aguda, é internado para oxigenoterapia. FR 56 ipm, FC 150 bpm, SatO2 91% em ar ambiente, hidratado e com aceitação alimentar reduzida. A equipe discute a indicação de pesquisa viral em aspirado de nasofaringe e o impacto desse resultado sobre as decisões terapêuticas e de organização da enfermaria pediátrica. Qual a orientação correta?
O diagnóstico de bronquiolite é clínico, e a pesquisa viral tem utilidade principalmente para agrupamento de pacientes com o mesmo agente e para o controle de infecção hospitalar, sem alterar o tratamento de suporte. O resultado não define escolha de antibiótico, que não está indicado sem infecção bacteriana. O teste não é obrigatório para o diagnóstico. Não há terapia antiviral específica de rotina para o vírus sincicial respiratório. Um teste negativo não exclui bronquiolite, que pode ser causada por diversos vírus.
Lactente de 6 meses, internado por bronquiolite, apresenta melhora progressiva no terceiro dia. FR 46 ipm, FC 136 bpm, SatO2 oscilando entre 90 e 93 por cento em ar ambiente, aceitando bem as mamadas, ativo e sem apneias. A equipe discute o alvo de saturação para manutenção ou retirada da oxigenoterapia e o momento adequado para suspender a monitorização contínua. Qual a orientação mais adequada?
As diretrizes atuais aceitam alvos de saturação em torno de 90 a 92 por cento em lactentes estáveis com bronquiolite, evitando oxigenoterapia e internações prolongadas desnecessárias. Exigir saturação acima de 98 por cento prolonga o uso de oxigênio sem benefício. A monitorização contínua durante toda a internação aumenta o tempo de permanência sem melhorar desfechos, sendo preferível a monitorização intermitente em pacientes estáveis. A radiografia de controle não é necessária. Saturações entre 90 e 95 por cento não indicam terapia intensiva em lactente estável.
Lactente de 3 meses, internado por bronquiolite, evolui no quarto dia com nova elevação térmica de 39 °C, piora do desconforto respiratório e queda da saturação. FR 68 ipm, FC 172 bpm, SatO2 88% com oxigênio. A radiografia, antes com hiperinsuflação, agora mostra consolidação lobar em base direita e o hemograma evidencia leucocitose com desvio à esquerda importante. Qual a conduta indicada?
Nova elevação térmica com piora clínica, consolidação lobar na radiografia e leucocitose com desvio à esquerda em lactente com bronquiolite indicam coinfecção bacteriana, justificando antibioticoterapia endovenosa. Considerar a febre no quarto dia como evolução esperada ignora os achados radiológicos e laboratoriais. O corticoide não trata infecção bacteriana. Apenas aumentar o oxigênio sem investigar a piora é conduta insegura. Não há antiviral específico de rotina indicado para o vírus sincicial respiratório nessa situação.
Lactente de 7 meses recebe alta após internação por bronquiolite viral aguda por vírus sincicial respiratório, com boa evolução. FR 40 ipm, FC 128 bpm, SatO2 97% em ar ambiente. Os pais perguntam sobre o risco de a criança desenvolver asma no futuro e sobre a possibilidade de novos episódios de sibilância nos próximos meses e anos de vida. Qual a orientação correta?
Após bronquiolite, episódios recorrentes de sibilância nos meses e anos seguintes são frequentes, e a maioria das crianças deixa de sibilar até a idade escolar, sem que isso configure asma estabelecida. Afirmar evolução obrigatória para asma persistente é incorreto. Novos episódios de sibilância são justamente comuns, e não impossíveis. O corticoide inalatório profilático após a bronquiolite não previne o desenvolvimento de asma. O diagnóstico de asma não pode ser estabelecido durante um episódio agudo isolado de bronquiolite.
Lactente de 5 semanas, nascido com 34 semanas, é levado ao pronto-socorro após dois episódios de pausa respiratória com cianose durante o sono. Apresenta coriza há dois dias, FR 46 ipm entre os episódios, FC 148 bpm, SatO2 95% em ar ambiente no momento do exame, com ausculta pulmonar sem alterações significativas e sem tiragem evidente. Qual a conduta indicada?
Em lactentes jovens, sobretudo prematuros e com menos de dois meses, a apneia pode ser a manifestação inicial da bronquiolite, mesmo antes do surgimento do desconforto respiratório, exigindo internação para monitorização cardiorrespiratória. Liberar para casa expõe o lactente a novos episódios sem vigilância. A cafeína domiciliar não é conduta para apneia associada a infecção viral aguda. Atribuir ao refluxo sem investigação é inseguro. Antibiótico empírico com alta não contempla o risco de apneia recorrente.
Lactente de 2 meses, com quadro clínico típico de bronquiolite e teste positivo para vírus sincicial respiratório, apresenta temperatura de 38,4 °C. FR 58 ipm, FC 152 bpm, SatO2 93% com oxigênio, com bom estado geral entre os episódios de tosse. O exame de urina é normal, o hemograma não mostra alterações significativas e não há sinais de toxemia ao exame clínico. Qual a orientação correta sobre a investigação de infecção bacteriana?
Em lactentes com bronquiolite confirmada por vírus sincicial respiratório, o risco de bacteriemia e meningite é baixo, mas a infecção do trato urinário permanece a infecção bacteriana concomitante mais frequente, justificando a avaliação urinária conforme a idade e o quadro. Tratar todos com antibiótico empírico é excessivo. A confirmação viral reduz, mas não exclui completamente, infecção bacteriana. A punção lombar de rotina não é recomendada nesse contexto. A febre é achado comum na bronquiolite e não indica por si falha terapêutica.
Lactente de 5 meses apresenta há 3 dias coriza e tosse, evoluindo com dificuldade respiratória. FR 62 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, T 37,6 graus Celsius, FC 152 bpm. Há tiragem subcostal, sibilos difusos e estertores finos bilaterais. Aceita parcialmente a dieta, com mamadas mais curtas. A radiografia mostra hiperinsuflação, sem consolidação, e o teste rápido é positivo para vírus sincicial respiratório. Qual a conduta indicada?
O suporte com oxigenoterapia quando necessário, hidratação e monitorização é a conduta na bronquiolite viral aguda, doença autolimitada em que nenhum tratamento específico altera a evolução. O antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana associada. O corticoide sistêmico não demonstrou benefício consistente nessa doença. O broncodilatador não tem eficácia comprovada em lactentes com bronquiolite, sendo seu uso rotineiro desencorajado. A fisioterapia respiratória vigorosa não reduz tempo de internação e pode aumentar o desconforto.
Lactente nascido com 28 semanas, atualmente com 4 meses de idade cronológica, teve displasia broncopulmonar com necessidade de oxigênio domiciliar até há 2 semanas. Está em acompanhamento ambulatorial no mês de março, com o início da sazonalidade do vírus sincicial respiratório na região. FC 130 bpm, FR 40 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, com bom ganho ponderal. Qual a conduta preventiva mais adequada?
Aplicar palivizumabe mensalmente durante a sazonalidade é a conduta correta, pois o anticorpo monoclonal está indicado a prematuros com displasia broncopulmonar que necessitaram tratamento nos últimos 6 meses, reduzindo hospitalização por vírus sincicial respiratório. Não existe vacina atenuada contra esse vírus disponível para lactentes no calendário. O corticosteroide inalatório contínuo não previne a infecção viral. A azitromicina profilática não tem indicação e favorece resistência bacteriana. Restringir-se à higiene das mãos, embora útil, deixa de oferecer a imunoprofilaxia específica a um paciente de alto risco elegível.
Lactente de 3 meses, nascido com 30 semanas de idade gestacional e displasia broncopulmonar em uso de oxigênio domiciliar, é avaliado no início do período de sazonalidade do vírus sincicial respiratório. Está assintomático, frequência respiratória 44 ipm, SatO2 95% com cateter nasal de baixo fluxo, temperatura axilar 36,8 °C. A mãe pergunta sobre medidas de prevenção. Qual a conduta indicada?
Prematuro com displasia broncopulmonar dependente de oxigênio é população de altíssimo risco para bronquiolite grave, indicando imunização passiva com anticorpo monoclonal durante a sazonalidade, associada a higiene das mãos, aleitamento e evitar aglomerações e tabagismo passivo. Não existe vacina de rotina aplicada ao lactente nesse esquema descrito, sendo a proteção obtida por anticorpo monoclonal ou por vacinação materna. O oseltamivir atua sobre influenza, sem efeito sobre o vírus sincicial respiratório. Antibiótico não previne infecção viral e seleciona resistência. Afirmar que a displasia broncopulmonar não aumenta o risco contraria a principal indicação da profilaxia.
Lactente de quatro meses apresenta primeiro episódio de sibilância após coriza. Há estertores difusos e esforço leve, mas mantém hidratação e oxigenação adequadas. Não há foco bacteriano ou doença prévia. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O diagnóstico típico é clínico, sem necessidade rotineira de radiografia ou identificação viral. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente de quatro meses apresenta primeiro episódio de sibilância após coriza. Há estertores difusos e esforço leve, mas mantém hidratação e oxigenação adequadas. Não há foco bacteriano ou doença prévia. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O mecanismo bronquiolar explica sibilância, estertores e dificuldade alimentar. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente de quatro meses apresenta primeiro episódio de sibilância após coriza. Há estertores difusos e esforço leve, mas mantém hidratação e oxigenação adequadas. Não há foco bacteriano ou doença prévia. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Na bronquiolite típica, terapias específicas rotineiras não apresentam benefício consistente. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente de quatro meses apresenta primeiro episódio de sibilância após coriza. Há estertores difusos e esforço leve, mas mantém hidratação e oxigenação adequadas. Não há foco bacteriano ou doença prévia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Primeiro episódio de sibilância em lactente com pródromo viral favorece bronquiolite. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente de quatro meses tem coriza seguida de primeiro episódio de sibilância, crepitações difusas e dificuldade para mamar, sem engasgo súbito. Qual hipótese é mais provável?
O padrão viral no primeiro episódio favorece bronquiolite. Primeiro episódio de sibilância e esforço respiratório em lactente após pródromo viral sugere bronquiolite; gravidade e alimentação orientam suporte. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Bebê apresenta primeiro episódio de desconforto respiratório com sibilos difusos após infecção viral, sem indícios de aspiração ou cardiopatia. Qual hipótese é mais provável?
O quadro é compatível com bronquiolite. Primeiro episódio de sibilância e esforço respiratório em lactente após pródromo viral sugere bronquiolite; gravidade e alimentação orientam suporte. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente jovem apresenta sibilância e crepitações bilaterais após coriza, com redução da alimentação e primeiro quadro desse tipo. Qual hipótese é mais provável?
A idade e o pródromo viral apoiam bronquiolite. Primeiro episódio de sibilância e esforço respiratório em lactente após pródromo viral sugere bronquiolite; gravidade e alimentação orientam suporte. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Bebê de seis meses apresenta infecção de vias aéreas superiores seguida de taquipneia e sibilos difusos no primeiro episódio, sem doença prévia. Qual hipótese é mais provável?
A sequência clínica favorece bronquiolite. Primeiro episódio de sibilância e esforço respiratório em lactente após pródromo viral sugere bronquiolite; gravidade e alimentação orientam suporte. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Bebê com bronquiolite típica apresenta curso leve e não necessita oxigênio ou hidratação intravenosa no momento. Qual estratégia é mais apropriada?
A conduta é suporte e vigilância de sinais de piora. Bronquiolite típica é tratada predominantemente com suporte de hidratação e oxigenação conforme necessidade; medicamentos não devem ser usados rotineiramente sem indicação. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente tem bronquiolite típica leve, boa oxigenação e alimentação preservada. Não há doença associada que indique medicação específica. Qual estratégia é mais apropriada?
Suporte e acompanhamento são adequados, sem terapia farmacológica rotineira desnecessária. Bronquiolite típica é tratada predominantemente com suporte de hidratação e oxigenação conforme necessidade; medicamentos não devem ser usados rotineiramente sem indicação. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Bebê tem primeiro episódio típico de bronquiolite e está estável. A família pede corticoide para todos os casos, sem outra indicação clínica. Qual estratégia é mais apropriada?
Não há indicação de corticoide rotineiro na bronquiolite típica. Bronquiolite típica é tratada predominantemente com suporte de hidratação e oxigenação conforme necessidade; medicamentos não devem ser usados rotineiramente sem indicação. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Lactente com bronquiolite mantém hidratação e saturação adequadas, sem sinais de gravidade. Pergunta-se sobre abordagem inicial. Qual estratégia é mais apropriada?
Suporte e orientação de reavaliação atendem ao quadro leve. Bronquiolite típica é tratada predominantemente com suporte de hidratação e oxigenação conforme necessidade; medicamentos não devem ser usados rotineiramente sem indicação. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/bronchiolitis
Por que sibilância nesse primeiro episódio viral não implica uso rotineiro de salbutamol para todo lactente?

Bronquiolite típica é tratada principalmente com suporte; broncodilatador rotineiro não traz benefício consistente a todos.
Qual painel oferece menor resistência à passagem de ar, considerando apenas o calibre mostrado?

O lúmen mais amplo à esquerda oferece menor resistência no modelo anatômico.
Qual alteração reduz o espaço para passagem de ar à direita?

Espessamento e conteúdo luminal estreitam a pequena via aérea.
Lactente de dois meses com quadro compatível tem apneias e dificuldade de mamar. Qual conduta reflete melhor a gravidade?

Apneia, pouca idade e ingestão inadequada são sinais de risco que exigem avaliação e suporte.
O segmento representado é mais compatível com qual estrutura?

A figura representa pequena via aérea próxima aos alvéolos.
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em 7 dias
Escreva de memória a definição de bronquiolite com as três palavras que a sustentam (primeiro episódio, menor de 2 anos, pródromo viral), o agente dominante com o percentual que o Ministério da Saúde atribui a ele e a janela de sazonalidade de cada região do Brasil. Depois escreva a evolução em dias: quando é o pico e em quanto tempo a tosse resolve, com a proporção. Reconstrua a tabela do diferencial das três doenças em cinco linhas — idade, primeiro episódio ou repetição, febre, ausculta e resposta ao broncodilatador. Liste, sem consultar, tudo o que NÃO se faz na bronquiolite, dizendo a força da recomendação de cada item e qual é a exceção que sobra. Por fim, escreva os três cortes de saturação com o dono de cada um: o que decide internação no Brasil, o que dispara oxigênio a partir de 6 semanas e o que dispara oxigênio abaixo de 6 semanas ou com comorbidade.
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Refaça tudo do d7 e acrescente as camadas de decisão. Escreva a lista brasileira completa de 'quando hospitalizar', incluindo os quatro critérios que não são de exame físico. Separe os critérios de encaminhamento imediato dos de encaminhamento a considerar, com os dois cortes de frequência respiratória (acima de 70 e acima de 60) e o de ingesta. Descreva a escalada de suporte na ordem correta, do oxigênio de baixo fluxo à intubação, dizendo onde entra o alto fluxo e quando se considera pressão positiva contínua, e quando se pede gasometria capilar. Escreva os três critérios de alta hospitalar, com as 4 horas e o período de sono, e os quatro sinais de alerta que o cuidador leva para casa. Reconstrua a tabela de prevenção do SUS por inteiro: quem tem direito à vacina da gestante e a partir de que semana; quem tem direito ao nirsevimabe nas duas portas (prematuridade abaixo de 37 semanas e as sete comorbidades até 24 meses), com as doses de 50 mg, 100 mg e 200 mg e as duas janelas de aplicação; quem tem direito ao palivizumabe, com as 28 semanas e 6 dias, os dois anos, os 15 mg/kg e as cinco doses; e as quatro regras de transição de 2026, com a proibição de intercambialidade. Finalmente, para cada uma das quatro divergências do capítulo, escreva as posições, quem sustenta cada uma, o ano de cada documento e a marca no enunciado que revela em qual deles a questão foi montada.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Lactente de 4 meses, nascido a termo e sem comorbidades, é levado ao pronto atendimento em uma noite de junho por tosse e chiado há dois dias, precedidos de coriza. A mãe está assustada porque 'a respiração está muito rápida' e ele mamou menos hoje. Conduza o atendimento: colha a história dirigida, incluindo a pergunta que separa bronquiolite de sibilância recorrente e a busca ativa por apneia; examine com atenção ao esforço respiratório, à ausculta e ao estado de hidratação; meça a saturação antes de qualquer conduta; defina o destino da criança; prescreva apenas o que tem evidência; explique à mãe a evolução esperada em dias e os sinais que obrigam retorno imediato. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
