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Bronquiolite viral aguda

É o capítulo em que quase nada funciona: broncodilatador, corticoide, antibiótico e fisioterapia têm evidência contrária ou neutra, e o tratamento é suporte. A prova cobra exatamente isso — e o erro clássico é tratar o primeiro chiado do lactente como se fosse crise de asma.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Lactente de 5 meses, previamente hígido, há 2 dias com coriza e tosse, evoluindo nas últimas horas com dificuldade respiratória e recusa alimentar parcial. Ao exame: FR 62 ipm, SatO2 91% em ar ambiente, tiragem subcostal, sibilos e estertores finos difusos à ausculta. Radiografia de tórax com hiperinsuflação pulmonar, sem consolidações. Qual é a principal hipótese diagnóstica?

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Como esse tema cai

Bronquiolite é o capítulo mais contraintuitivo da pediatria. Diante de um lactente que chia, com tiragem e taquipneia, todo reflexo aprendido manda fazer alguma coisa: nebulizar, corticoide, antibiótico, fisioterapia. E é justamente isso que a evidência derruba, uma intervenção por vez. O tratamento é suporte — oxigênio quando falta, líquido quando não desce pela boca, nariz desobstruído — e o resto é tempo. A prova sabe disso e monta a vinheta exatamente aí: descreve um bebê chiando no inverno e oferece cinco alternativas, quatro delas com um medicamento dentro.

O erro clássico tem nome: tratar bronquiolite como crise de asma. As duas cursam com sibilância, e é só isso que têm em comum. Na asma a obstrução é de musculatura lisa e responde a broncodilatador; na bronquiolite a obstrução é edema de parede, epitélio descamado e rolha de muco dentro de uma via aérea de calibre minúsculo — não há músculo a relaxar. Por isso o capítulo anterior desta apostila, o de asma, e este aqui se encontram numa única pergunta, que a prova adora: é o primeiro chiado ou é mais um?

Este capítulo cobre a bronquiolite viral aguda do lactente: definição, evolução, diferencial, o que investigar, quem interna, o que tratar, o que não tratar e como prevenir. A pneumonia da criança, com os cortes de taquipneia por idade, a classificação do AIDPI e a escolha do antibiótico, tem capítulo próprio nesta mesma apostila e não é reaberta aqui — ela entra só como diferencial. A asma, com o Índice Preditivo, as etapas de tratamento e as doses da crise, é o capítulo vizinho.

Vale saber quem manda em quê. No Brasil, a prevenção do VSR tem documento oficial recente e detalhado: há portaria de incorporação, protocolo de uso do nirsevimabe assinado em março de 2026, estratégia de vacinação da gestante publicada em 2025 e ofício conjunto regulando a transição do palivizumabe. O tratamento, ao contrário, não tem protocolo clínico do Ministério da Saúde — a régua brasileira é a diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2017, e o Departamento Científico de Pneumologia da SBP lista como seu guia de bronquiolite o próprio guideline da Academia Americana de Pediatria de 2014. É essa assimetria que explica o formato das questões: as de prevenção cobram critério literal de portaria; as de tratamento cobram raciocínio sobre evidência.

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O que muda decisão

A definição, o agente e a estação

Como usar este capítulo: comece pelas decisões que mudam o destino — idade e fatores de risco, gravidade, necessidade de oxigênio e capacidade de hidratação — e só depois revise as intervenções sem benefício. A banca explora sobretudo o excesso de tratamento.

Bronquiolite viral aguda é o primeiro episódio de sibilância em criança menor de 2 anos, precedido por sintomas de vias aéreas superiores, com taquipneia, esforço respiratório e ausculta de sibilos, crepitações finas ou ambos. As três palavras que sustentam o diagnóstico são primeiro, lactente e viral: a página oficial do Ministério da Saúde define a doença como respiratória e de crianças menores de 2 anos; o guideline americano de 2014 delimita a faixa de 1 mês a 23 meses; a diretriz britânica registra que o pico de incidência está entre 3 e 6 meses de vida, no primeiro ano; e a diretriz australasiana de 2025 restringe suas recomendações aos menores de 12 meses, que é onde a doença grave se concentra.

O agente dominante é o vírus sincicial respiratório. O Ministério da Saúde atribui a ele cerca de 80% das bronquiolites e até 60% das pneumonias em menores de 2 anos; a diretriz da SBP, escrita em 2017, falava em até 75% das bronquiolites e 40% das pneumonias durante a sazonalidade. Rinovírus, metapneumovírus humano, bocavírus, adenovírus, parainfluenza e influenza produzem quadro clinicamente indistinguível. Praticamente toda criança se infecta pelo VSR até o fim do segundo ano de vida, e as formas graves se concentram na primoinfecção, o que explica por que a doença é do lactente e não do pré-escolar.

A transmissão é por contato com secreções e por gotículas; o vírus sobrevive menos de uma hora nas mãos, mas até cerca de 24 horas em superfícies duras e não porosas — o estetoscópio é o exemplo citado na diretriz da SBP. O período de incubação é de 4 a 5 dias. A excreção viral dura de 2 a 8 dias, ou até a melhora clínica, e se prolonga por 3 a 4 semanas em recém-nascidos, lactentes jovens e imunocomprometidos.

A sazonalidade é o dado que a vinheta usa para ambientar o caso, e ela varia com a região. A diretriz da SBP registra: Norte de fevereiro a junho, com pico em abril, acompanhando o período de chuva; Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste de março a julho; Sul de abril a agosto, junto com a influenza. O protocolo do nirsevimabe, de 2026, trabalha com uma janela nacional única, extraída dos dados de vigilância de 2019 e de 2022 a 2024: atividade mais intensa entre as semanas epidemiológicas 8 e 32, aproximadamente de fevereiro a agosto. Quando o enunciado diz 'em julho, no Rio Grande do Sul', está dizendo VSR.

Corte transversal de dois bronquíolos lado a lado: à esquerda o normal, de luz ampla e parede fina; à direita o da bronquiolite, com parede espessada por edema, células epiteliais descamadas dentro da luz, rolha de muco quase obstruindo a passagem e alvéolos hiperdistendidos além dela.
A obstrução da bronquiolite é edema de parede, epitélio descamado e rolha de muco dentro de uma via aérea de calibre mínimo — não é broncoespasmo. É esta figura que explica por que o broncodilatador não resolve e por que a doença aprisiona ar em vez de simplesmente fechar o brônquio.

A evolução em dias: quando piora e quando melhora

Esta é a informação que muda a consulta e que a prova pergunta de forma direta. A doença começa como resfriado: coriza, espirros, obstrução nasal, tosse, com ou sem febre baixa. Em 1 a 3 dias a tosse se intensifica e aparecem a taquipneia, o esforço e o chiado. Os sintomas atingem o pico entre o terceiro e o quinto dia de doença — e é aí que o lactente vai parar no pronto-socorro. Depois disso o quadro cede aos poucos; a tosse é o sintoma que mais demora, resolvendo em 90% dos lactentes em até 3 semanas.

Febre existe, mas é discreta: a diretriz britânica registra temperatura abaixo de 39 °C em cerca de 30% dos casos. Febre alta não é a cara da bronquiolite e deve fazer o médico procurar outra coisa.

Duas consequências práticas. A primeira é o que se diz ao pai: uma criança avaliada no segundo dia de doença, mesmo bem, ainda vai piorar antes de melhorar — o pico não chegou. Sem essa frase, o retorno em 48 horas vira 'o médico errou'. A segunda é o alerta invertido: piora depois do quinto ou sexto dia, ou febre alta que aparece quando o quadro já cedia, não é evolução natural da bronquiolite e obriga a procurar complicação bacteriana.

A criança que interna costuma fazê-lo justamente no pico. Entre os grupos de maior risco — lactentes abaixo de 6 meses, prematuros, portadores de doença pulmonar crônica da prematuridade e cardiopatas —, a diretriz da SBP registra necessidade de internação em 10% a 15% dos casos.

Bronquiolite, asma ou pneumonia: o que separa as três

Este é o diferencial que a prova cobra e que dá nome ao capítulo. Comece pela pergunta que o próprio AIDPI manda fazer diante de uma criança que chia: este é o primeiro episódio de sibilância? Se a resposta é sim, o manual aponta duas hipóteses, bronquiolite ou corpo estranho; se é não, a criança tem sibilância recorrente, e aí o caminho é o da asma. Uma única pergunta, feita à mãe, separa dois capítulos inteiros.

A idade é o segundo separador. Bronquiolite é doença do lactente, com pico entre 3 e 6 meses; um primeiro chiado aos 4 anos praticamente não é bronquiolite. A asma da criança pequena, por definição, precisa de episódios repetidos — o capítulo de asma desta apostila trata dos critérios.

A febre é o terceiro. Na bronquiolite ela é baixa e presente em cerca de um terço dos casos. Temperatura acima de 39 °C, ou crepitações que se mantêm focais numa mesma região, apontam pneumonia — é assim que a diretriz britânica escreve a regra de desvio.

A ausculta separa por padrão, não por presença. A bronquiolite dá sibilos difusos somados a crepitações finas difusas, bilaterais, mudando de lugar entre uma ausculta e outra. A asma dá sibilância expiratória difusa sem crepitações. A pneumonia dá crepitações persistentes numa mesma área. Sibilância unilateral de início súbito, sem pródromo viral e sem resposta a nada, é aspiração de corpo estranho até prova em contrário — o AIDPI cita esse cenário na mesma lista.

Por fim, a resposta ao broncodilatador. Na asma ela existe e é rápida; na bronquiolite, o AIDPI registra em uma linha o que os ensaios mostram: os broncodilatadores têm pouca ação nesses casos. Uma criança que chia e melhora claramente em 20 minutos com beta-2 está dizendo que provavelmente não era bronquiolite.

O diagnóstico é clínico — e a radiografia é uma armadilha cara

O guideline americano abre com a declaração mais forte do documento: o clínico deve diagnosticar bronquiolite e avaliar a gravidade pela história e pelo exame físico (recomendação forte). E fecha o raciocínio na declaração seguinte: quando o diagnóstico é feito assim, exames de imagem ou laboratoriais não devem ser obtidos de rotina (recomendação moderada). Não há exame que confirme bronquiolite; há exame que atrapalha.

O problema da radiografia não é o custo nem a radiação — é o que ela mostra. A bronquiolite produz edema de via aérea, descamação epitelial e hiperinsuflação generalizada, e o pulmão do lactente tem ventilação colateral pobre. O resultado são atelectasias: cerca de 25% dos lactentes internados por bronquiolite têm atelectasia na radiografia, e distinguir atelectasia subsegmentar de infiltrado bacteriano ou consolidação é difícil até para quem sabe que a doença é viral.

A consequência foi medida. Estudos, incluindo um ensaio randomizado, mostraram que crianças com suspeita de infecção de vias aéreas inferiores nas quais se fez radiografia receberam mais antibiótico, sem diferença de desfecho. O exame não muda o tratamento da bronquiolite e muda o comportamento do médico — na direção errada. A radiografia inicial fica reservada para o caso em que o quadro não se encaixa, a evolução destoa ou há suspeita de complicação.

O mesmo raciocínio vale para o hemograma e a proteína C-reativa: a taxa de infecção bacteriana grave concomitante em lactentes com bronquiolite é baixa, e um exame inflamatório alterado num quadro viral típico tende a produzir antibiótico, não informação.

Painel viral: quando muda a conduta e quando não

Identificar o vírus não muda o tratamento de nenhum paciente com bronquiolite, porque não existe antiviral indicado — a ribavirina foi abandonada por dificuldade de uso, custo e risco ao cuidador. Por isso a pesquisa etiológica não entra na rotina.

Dois números explicam por que o painel molecular engana quando pedido sem indicação: cerca de 30% das crianças com bronquiolite por VSR estão simultaneamente infectadas por outro vírus, e em estudos populacionais cerca de 25% das crianças assintomáticas têm teste molecular positivo para algum vírus respiratório. Material genético de rinovírus, adenovírus e bocavírus persiste nas vias aéreas por semanas depois de cessada a excreção. Um painel positivo, portanto, não prova que aquele vírus está causando aquele quadro.

Há situações em que a detecção etiológica é útil, e a diretriz da SBP as lista: paciente imunocomprometido, forma grave da doença, necessidade de estabelecer isolamento ou coorte hospitalar, redução do uso inapropriado de antimicrobianos e vigilância epidemiológica. Note que a maioria dessas indicações é de controle de infecção e de vigilância, não de decisão terapêutica individual.

A amostra preferida pelo Ministério da Saúde é o aspirado de nasofaringe com frasco coletor; na impossibilidade, swab de nasofaringe exclusivamente de rayon — swab de algodão interfere nos métodos moleculares. As amostras seguem refrigeradas entre 4 e 8 °C no mesmo dia da coleta.

Fatores de risco: quem tem chance de evoluir mal

O guideline americano transforma isso em declaração formal: o clínico deve avaliar fatores de risco para doença grave — idade abaixo de 12 semanas, história de prematuridade, doença cardiopulmonar de base e imunodeficiência — ao decidir sobre avaliação e manejo. Não é enfeite epidemiológico: é o que autoriza internar um bebê que, pelos sinais do momento, ainda pareceria manejável em casa.

Os números brasileiros dimensionam o risco. Em prematuros nascidos com menos de 32 semanas, a taxa de internação por VSR é de 13,4%; na displasia broncopulmonar chega a 17%; na cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica fica em torno de 10,4%, com necessidade de terapia intensiva e ventilação mecânica em 37% contra 1,5% das crianças previamente hígidas, e mortalidade de 3,4% contra 0,5%.

A imaturidade explica a vulnerabilidade: sistema imune imaturo, transferência reduzida de anticorpos maternos, menor calibre das vias aéreas, baixa reserva energética, desmame precoce, anemia, infecções de repetição e uso prévio de corticoides. Os fatores modificáveis são três e valem consulta: tabagismo passivo, ausência de aleitamento materno e frequência precoce a creche durante a estação.

A apneia merece linha própria. Ela pode ser a primeira manifestação da bronquiolite no lactente muito jovem, especialmente no prematuro e no menor de 6 a 8 semanas, e pode ocorrer antes de qualquer desconforto respiratório evidente. Apneia observada ou relatada é critério de encaminhamento imediato ao hospital em todas as réguas.

Gravidade e internação: a lista e o corte de saturação

A diretriz da SBP escreve a lista brasileira de quando hospitalizar: episódios de apneia; piora do estado geral, com a criança hipoativa, prostrada ou despertando só a estímulo prolongado; desconforto respiratório, definido como gemência, retração torácica, frequência respiratória acima de 60, cianose central ou saturação persistentemente abaixo de 92%; sinais de desidratação; recusa alimentar, ingestão reduzida ou ausência de diurese por 12 horas; comorbidade (displasia, cardiopatia, imunodeficiência, doença neuromuscular); idade abaixo de 3 meses; prematuridade, especialmente abaixo de 32 semanas; condição social ruim; dificuldade de acesso ao serviço se houver piora; e incapacidade ou falta de confiança do cuidador para identificar os sinais de alerta. Os quatro últimos itens não são clínicos, e é exatamente por isso que costumam ser a resposta de uma questão de atenção primária.

A régua britânica separa dois níveis. Encaminhamento imediato: apneia observada ou relatada, aspecto gravemente doente, desconforto respiratório grave (gemência, retração acentuada, frequência respiratória acima de 70) e cianose central. Encaminhamento a considerar: frequência respiratória acima de 60, ingesta oral abaixo de 50% a 75% do habitual, desidratação clínica e saturação persistentemente abaixo de 92% em ar ambiente.

Sobre o número da saturação, decida assim e não fique sem número na mão. Para a decisão de internar no Brasil, o corte é 92% persistente em ar ambiente — é o que a diretriz brasileira escreve. Para a decisão de ofertar oxigênio à criança já em observação ou internada, vale a régua por idade da atualização de 2021 da diretriz britânica, também adotada pela diretriz australasiana de 2025: oxigênio se a saturação estiver persistentemente abaixo de 90% a partir de 6 semanas de vida, e abaixo de 92% no menor de 6 semanas ou em criança de qualquer idade com condição de base. Os dois números convivem porque respondem a perguntas diferentes: um decide o local do cuidado, o outro decide o gás.

Duas armadilhas de leitura fecham o tópico. A oximetria contínua não é necessária na criança estável — ela detecta dessaturações transitórias fisiológicas do sono e prolonga internações sem benefício. E a saturação isolada é péssimo marcador de desconforto respiratório: a criança que se cansa deixa de fazer esforço, a frequência respiratória cai e a tiragem diminui — isso é exaustão, não melhora.

O que funciona: oxigênio, líquido e nariz desobstruído

São três medidas, e nenhuma delas é um medicamento. Oxigênio suplementar nos cortes acima. Hidratação quando a criança não consegue manter a ingesta por via oral. E desobstrução das vias aéreas superiores, porque o lactente é respirador nasal e a coriza sozinha já aumenta o trabalho respiratório e atrapalha a mamada.

Sobre a hidratação, o guideline americano é formal: administrar líquidos por sonda nasogástrica ou por via endovenosa ao lactente que não consegue manter a hidratação por via oral (recomendação forte). Estudo multicêntrico com 759 lactentes abaixo de 12 meses internados por bronquiolite não encontrou diferença entre sonda nasogástrica e via endovenosa quanto a tempo de internação, necessidade de terapia intensiva, ventilação invasiva ou eventos adversos — e a sonda foi a via mais acessível. Quando se opta pela via endovenosa, usam-se soluções isotônicas, para não provocar hiponatremia; nos casos graves, lembrar da secreção inapropriada de hormônio antidiurético.

Sobre o nariz, a instrução é mais específica do que parece. A recomendação é lavagem nasal com solução salina e aspiração suave e superficial, quando necessário. Aspiração profunda ou intermitente foi associada a maior tempo de internação em estudos observacionais, e a aspiração irrita a mucosa e produz edema — o que piora justamente o que se queria resolver. Há evidência de melhora da saturação com lavagem nasal sem aspiração.

A quarta medida que funciona não é do lactente: é higiene das mãos. O guideline americano coloca em recomendação forte que todos desinfetem as mãos antes e depois do contato direto com o paciente, depois do contato com objetos próximos a ele e depois de retirar as luvas, preferencialmente com preparação alcoólica.

O que não funciona: a lista do não fazer

Broncodilatador beta-2. O guideline americano é categórico: não administrar albuterol ou salbutamol a lactentes e crianças com diagnóstico de bronquiolite (recomendação forte). A revisão sistemática que sustenta a posição analisou 1.192 lactentes em 30 estudos: em internados não houve ganho de saturação, de tempo até resolução dos sintomas ou de tempo de internação; em ambulatório houve melhora mínima do escore de sintomas, sem importância clínica e sem redução de admissão hospitalar — e o benefício apareceu justamente onde as crianças eram mais velhas e tinham sibilância recorrente, ou seja, onde provavelmente não era bronquiolite. A diretriz australasiana de 2025 repete a recomendação forte contra beta-2 em menores de 12 meses.

Adrenalina inalatória. Não administrar adrenalina a lactentes e crianças com bronquiolite (recomendação forte). Em internados não houve benefício; em pronto-socorro houve menor frequência de internação na avaliação imediata, que desapareceu ao longo de uma semana; e doses contínuas de epinefrina associaram-se a maior tempo de internação do que o uso intermitente ou placebo.

Corticoide sistêmico. Não administrar corticoide sistêmico a lactentes com bronquiolite em nenhum cenário — é a única recomendação do guideline americano com qualidade de evidência A e força forte. Oito estudos ambulatoriais com 1.824 pacientes não mostraram redução da taxa de internação no primeiro nem no sétimo dia; nove estudos com 772 internados não mostraram redução do tempo de internação. Corticoide funciona em asma e em crupe, e é essa memória que faz a mão do plantonista prescrever.

Antibiótico. Não administrar antibacteriano, a menos que haja infecção bacteriana concomitante ou forte suspeita dela (recomendação forte). O uso rotineiro não reduz dias de sintomas, tempo de internação, necessidade de oxigênio nem taxa de internação, e a azitromicina não se saiu diferente do placebo. Pneumonia bacteriana em lactente com bronquiolite e sem consolidação é incomum. A exceção clássica e legítima é a criança que evolui para insuficiência respiratória com necessidade de intubação e ventilação mecânica.

Fisioterapia respiratória. Não usar fisioterapia respiratória em lactentes e crianças com bronquiolite (recomendação moderada). A revisão Cochrane citada pela diretriz brasileira reuniu 12 estudos e 1.249 participantes sem evidência de benefício de qualquer técnica quanto a tempo de internação, saturação ou parâmetros respiratórios. A ressalva escrita na própria diretriz brasileira é a comorbidade que compromete a depuração de secreções — o exemplo dado é a amiotrofia espinhal. A tentação vem da atelectasia vista na radiografia, e é mais um motivo para não pedir a radiografia.

Solução salina hipertônica: a recomendação que voltou atrás

Esta é a intervenção cuja resposta mudou, e a prova gosta de temas com data. Em 2015, duas grandes sínteses foram favoráveis: uma revisão com 24 ensaios e 3.209 pacientes encontrou redução de cerca de 0,45 dia de internação com salina hipertônica a 3% a 7% comparada ao tratamento padrão ou à salina isotônica, e queda de 20% no risco de internação em sete estudos; uma metanálise com 15 ensaios e 1.922 pacientes encontrou pequena redução das taxas de admissão. Foi nesse cenário que o guideline americano de 2014 escreveu suas duas declarações opostas: não usar salina hipertônica nebulizada no pronto-socorro (recomendação moderada contra) e permitir seu uso em internados (recomendação fraca a favor, baseada em ensaios com achados inconsistentes).

Em 2016 as metanálises de 2015 foram reanalisadas com a exclusão de dois estudos heterogêneos. Nos 18 estudos restantes, com 2.063 lactentes, a redução do tempo de internação desapareceu. A própria diretriz brasileira, escrita em 2017, registra essa reanálise e conclui que o papel da salina hipertônica ainda precisava ser definido.

Hoje a definição chegou, e é negativa. A diretriz britânica lista a salina hipertônica entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite, ao lado de antibiótico, adrenalina nebulizada, salbutamol, montelucaste, brometo de ipratrópio e corticoide sistêmico ou inalatório. A diretriz australasiana de 2025 escreve que a salina hipertônica nebulizada não deve ser usada de rotina em lactentes atendidos ou internados por bronquiolite fora de ensaio clínico randomizado.

A conduta a levar para a prova, portanto, é não prescrever salina hipertônica de rotina — nem no pronto-socorro, nem na enfermaria. O que permanece indicado é a lavagem nasal com solução salina fisiológica, que é outra coisa: medida mecânica de desobstrução, não terapia inalatória.

Alto fluxo, pressão positiva e terapia intensiva: onde a escalada começa

A ordem importa e é cobrada. O suporte começa com oxigênio de baixo fluxo, guiado pelos cortes de saturação. A oxigenoterapia de alto fluxo por cânula nasal não é primeira linha: a diretriz australasiana de 2025 a coloca depois da falha do oxigênio de baixo fluxo no lactente hipoxêmico, ou antes da pressão positiva contínua na doença grave. A diretriz brasileira já registrava que o alto fluxo não se mostrou superior à pressão positiva contínua, tem custo elevado e pode mascarar deterioração rápida se o paciente não for monitorado.

A pressão positiva contínua tem indicação escrita: considerá-la em lactentes e crianças com bronquiolite que apresentem insuficiência respiratória iminente. É o degrau imediatamente anterior à intubação, e não um recurso de conforto.

Os gatilhos de terapia intensiva, reunidos das réguas lidas, são: apneia recorrente ou apneia no lactente jovem; insuficiência respiratória iminente ou instalada, com exaustão, respiração irregular, queda da frequência respiratória com piora do estado geral ou alteração do nível de consciência; necessidade de fração inspirada de oxigênio elevada para manter a saturação no alvo; e falha do suporte não invasivo. A diretriz britânica coloca a gasometria capilar exatamente nesse ponto: solicitá-la apenas quando há desconforto respiratório grave com necessidade de oxigênio acima de 50% ou suspeita de falência respiratória iminente — não como exame de rotina do internado.

Repare no que não está na lista: nenhum critério de escalada envolve prescrever um medicamento novo. A escalada da bronquiolite é sempre de suporte ventilatório.

Alta e retorno: o que a mãe leva para casa

Os critérios de alta hospitalar da diretriz britânica são três: criança clinicamente estável, ingesta oral adequada e saturação em ar ambiente mantida por 4 horas, incluindo um período de sono — acima de 90% para a criança a partir de 6 semanas, e acima de 92% para o menor de 6 semanas ou para qualquer idade com condição de base. Exigir o período de sono não é preciosismo: é durante o sono que a dessaturação aparece.

As orientações de sinais de alerta são um item formal da diretriz, não conversa solta. O cuidador precisa sair sabendo reconhecer: piora do trabalho respiratório, com gemência, batimento de asa do nariz e retrações; ingesta oral igual ou inferior a 50% a 75% do habitual, ou ausência de diurese por 12 horas; apneia ou cianose; e cansaço extremo, com a criança que não acorda ou não se mantém acordada. Diante de qualquer um deles, retorno imediato.

O tratamento domiciliar é curto e a diretriz brasileira o escreve item a item: higiene das mãos com água e sabão ou álcool a 70%; evitar tabagismo passivo; manter a alimentação normal para a idade, oferecendo com mais frequência e em menor volume; higiene nasal com solução salina; antitérmico se necessário; e reavaliação médica diante de dúvida ou de sinal de alerta.

A frase que fecha a consulta é a da evolução: a tosse ainda vai durar, e resolve em até 3 semanas em nove de cada dez crianças. Sem isso, a tosse do décimo dia vira uma segunda consulta e, com frequência, um antibiótico desnecessário.

Vale registrar o que a família costuma perguntar depois: internação por bronquiolite associa-se a mais sibilância recorrente nos anos seguintes, com relatos entre 17% e 60%. A associação existe, mas a gravidade do episódio parece pesar mais do que o episódio em si, e ela não autoriza rotular a criança como asmática na alta.

Prevenção: o que o SUS entrega na sazonalidade de 2026

A prevenção do VSR no Brasil mudou de patamar entre 2025 e 2026, e é a parte do capítulo com número mais cobrável, porque tudo está escrito em portaria. São três frentes: vacina na gestante, anticorpo monoclonal no bebê e medidas gerais.

A vacina da gestante é recombinante, contendo a proteína F do VSR estabilizada na conformação de pré-fusão. O esquema é dose única de 0,5 mL por via intramuscular, a partir da 28ª semana de gestação, sem limite superior de idade gestacional e sem restrição de idade materna, repetida a cada nova gestação. Os anticorpos atravessam a placenta e protegem o lactente nos primeiros meses: no estudo que sustentou a incorporação, com 7.358 gestantes vacinadas entre 24 e 36 semanas, a eficácia contra doença grave do trato respiratório inferior foi de 81,8% até os 3 meses e de 69,4% até os 6 meses de vida.

O nirsevimabe foi incorporado ao SUS pela Portaria sectics/MS nº 15, de 28 de fevereiro de 2025, e teve o protocolo de uso aprovado pela Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026, passando a ser ofertado a partir de fevereiro de 2026. Têm direito: toda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso corpóreo e independentemente de a mãe ter sido vacinada; e toda criança de até 24 meses, com qualquer peso, que apresente pelo menos uma destas comorbidades — cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave (inato ou adquirido), síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalia congênita das vias aéreas. A dose é única e definida por peso: 50 mg abaixo de 5 kg e 100 mg a partir de 5 kg, por via intramuscular, preferencialmente na face anterolateral da coxa. Na segunda temporada, apenas as crianças com as comorbidades listadas repetem, e a dose passa a ser 200 mg, aplicados como duas injeções de 100 mg em locais distintos — a prematuridade isolada não dá direito à segunda temporada.

O período de aplicação difere entre os dois grupos, e é detalhe de prova: o prematuro recebe durante todo o ano, ainda na maternidade ou durante a internação neonatal, assim que estiver clinicamente estável; a criança com comorbidade recebe dentro da janela sazonal de fevereiro a agosto, e a nascida fora dela recebe antes do início da próxima temporada. O único critério de exclusão é hipersensibilidade grave, incluindo anafilaxia, ao princípio ativo ou aos excipientes.

O palivizumabe não desapareceu. Os grupos com direito, definidos pela Portaria Conjunta nº 23, de 3 de outubro de 2018, são dois: criança prematura nascida com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias, com menos de 1 ano de idade; e criança com menos de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar) ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. A posologia é 15 mg/kg por via intramuscular, uma vez por mês durante a sazonalidade, até o máximo de cinco doses, começando um mês antes do início da estação na região.

A transição entre os dois anticorpos está escrita e cai como pergunta operacional. Quem recebeu palivizumabe na sazonalidade de 2025 conclui o esquema com palivizumabe em 2026. As crianças elegíveis ao palivizumabe nascidas depois do fim da sazonalidade de 2025 e até o fim de janeiro de 2026 também recebem palivizumabe em 2026, desde que permaneçam elegíveis. Só as nascidas a partir de fevereiro de 2026 iniciam a profilaxia com nirsevimabe. E os dois não são intercambiáveis: não se troca um pelo outro no meio do esquema.

As medidas gerais fecham a lista e não são decorativas: higiene frequente das mãos, evitar tabagismo passivo, incentivar o aleitamento materno — exclusivo até os 6 meses e mantido até os 2 anos ou mais —, evitar ambientes fechados e aglomerados durante a sazonalidade, adiar a entrada em creche quando possível no lactente jovem, afastar a criança sintomática de ambientes coletivos e vacinar contra influenza a partir dos 6 meses. No hospital, higiene das mãos, luvas, avental, máscara e proteção ocular no contato com secreções, e quarto privativo ou coorte.

04

Do primeiro chiado à alta: o que decide, e o que não decide

O fluxo abaixo é o caminho inteiro, da porta da unidade à orientação de alta. Os cards trazem a única classificação ordinal que as fontes lidas adotam para esta doença — os três níveis de encaminhamento da diretriz britânica, que decidem onde a criança será cuidada. As tabelas fecham o que a prova cobra por linha: o diferencial das três doenças que cursam com chiado, a lista do que fazer e do que não fazer intervenção por intervenção, os cortes de saturação lado a lado com o dono de cada número, e quem recebe o quê na prevenção do SUS em 2026.

  1. 1Diante de uma criança que chia, pergunte antes de tudo: é o primeiro episódio? Primeiro episódio em menor de 2 anos, precedido de coriza, aponta bronquiolite; episódios repetidos apontam sibilância recorrente e mudam de capítulo.
  2. 2Situe o dia de doença. O pico do desconforto está entre o terceiro e o quinto dia — quem chega no segundo dia ainda vai piorar.
  3. 3Meça a saturação em ar ambiente antes de qualquer oxigênio e conte a frequência respiratória com a criança o mais tranquila possível.
  4. 4Procure os quatro fatores de risco para doença grave: idade abaixo de 12 semanas, prematuridade, doença cardiopulmonar de base e imunodeficiência. Pergunte ativamente por apneia, que pode preceder o desconforto.
  5. 5Classifique o destino pelos três níveis dos cards, e some os critérios sociais — dificuldade de acesso, cuidador inseguro para reconhecer sinais de alerta — que internam mesmo com exame tranquilizador.
  6. 6Não peça radiografia, hemograma, proteína C-reativa nem painel viral para confirmar o diagnóstico. Reserve a imagem para o quadro que não se encaixa ou que destoa da evolução esperada.
  7. 7Na criança que fica: oxigênio pelos cortes por idade, líquido por sonda nasogástrica ou endovenoso com solução isotônica se a via oral falhou, e lavagem nasal com aspiração suave e superficial quando necessário.
  8. 8Não prescreva beta-2, adrenalina inalatória, corticoide, antibiótico, salina hipertônica nem fisioterapia respiratória. Antibiótico só com infecção bacteriana concomitante ou forte suspeita dela.
  9. 9Se o oxigênio de baixo fluxo não sustenta o alvo, escale para alto fluxo; diante de insuficiência respiratória iminente, considere pressão positiva contínua e acione a terapia intensiva.
  10. 10Reavalie procurando exaustão, não só saturação: queda da frequência respiratória com piora do estado geral, respiração irregular e sonolência são deterioração, não melhora.
  11. 11Dê alta com criança estável, ingesta adequada e saturação mantida por 4 horas incluindo um período de sono — e só com os sinais de alerta ditos, entendidos e a tosse de até 3 semanas explicada.
  12. 12Antes de encerrar, verifique a prevenção: a mãe foi vacinada na gestação? O bebê é prematuro ou tem comorbidade que dê direito a nirsevimabe ou palivizumabe? Alguém em casa fuma?

Manejo domiciliar — nenhum critério das outras duas faixas

Criança ativa, alimentando-se bem, sem apneia, sem desidratação, com saturação em ar ambiente estável e trabalho respiratório tolerável. Vai para casa com lavagem nasal, oferta fracionada de líquidos e alimentos, antitérmico se necessário, ambiente livre de fumo, os sinais de alerta ditos por extenso e a informação de que o pico dos sintomas está entre o terceiro e o quinto dia e a tosse dura até 3 semanas.

Encaminhamento a considerar — um destes

Frequência respiratória acima de 60 por minuto; ingesta oral entre 50% e 75% do habitual ou menos; desidratação clínica; saturação persistentemente abaixo de 92% em ar ambiente. Some aqui os critérios brasileiros que não são de exame físico: idade abaixo de 3 meses, prematuridade (especialmente abaixo de 32 semanas), comorbidade, condição social desfavorável, dificuldade de acesso ao serviço em caso de piora e cuidador sem confiança para reconhecer os sinais de alerta.

Encaminhamento imediato ao hospital — um destes

Apneia observada ou relatada; aspecto gravemente doente; desconforto respiratório grave, com gemência, retração acentuada ou frequência respiratória acima de 70 por minuto; cianose central. Acrescente, da régua brasileira, a piora do estado geral com a criança hipoativa, prostrada ou que só desperta a estímulo prolongado. Diante de insuficiência respiratória iminente, o degrau seguinte é pressão positiva contínua e terapia intensiva.

O que se perguntaBronquiolite viral agudaAsma / sibilância recorrentePneumonia
Idade típicaMenor de 2 anos, com pico entre 3 e 6 meses; o guideline americano delimita de 1 mês a 23 meses e a diretriz australasiana de 2025 concentra as recomendações abaixo de 12 mesesPré-escolar e escolar; abaixo de 5 anos o diagnóstico exige padrão repetido, não um episódioQualquer idade da infância; a etiologia é que muda com a faixa etária
Primeiro episódio ou repetiçãoPrimeiro episódio de sibilância — é a pergunta que o AIDPI manda fazer, e a resposta afirmativa aponta bronquiolite ou corpo estranhoEpisódios repetidos; resposta negativa à pergunta do primeiro episódio caracteriza sibilância recorrenteNão se define por número de episódios; pneumonia de repetição levanta outra investigação
PródromoCoriza, espirros e obstrução nasal por 1 a 3 dias antes de o chiado aparecerPode ou não ter gatilho viral; também aparece com exercício, riso, choro e alérgenoPode vir após quadro viral, mas o que domina é febre e comprometimento do estado geral
FebreBaixa, abaixo de 39 °C, em cerca de 30% dos casosHabitualmente ausente; febre alta na crise sugere outra coisaAlta; temperatura acima de 39 °C é um dos dois sinais que desviam o raciocínio para pneumonia
AuscultaSibilos difusos somados a crepitações finas difusas e bilaterais, que mudam de lugar entre uma ausculta e outraSibilância expiratória difusa, sem crepitaçõesCrepitações que se mantêm focais na mesma região — é o segundo sinal de desvio
Resposta a broncodilatadorAusente ou irrelevante; o próprio AIDPI escreve que os broncodilatadores têm pouca ação na bronquiolitePresente e rápida, em 20 a 60 minutosNão se aplica; a sibilância que acompanha a pneumonia some com a cura
Radiografia de tóraxNão indicada de rotina; costuma mostrar hiperinsuflação e atelectasias subsegmentares, presentes em cerca de 25% dos internados e facilmente confundidas com infiltrado bacterianoNão indicada para diagnóstico; reservada a dúvida diagnóstica ou suspeita de complicaçãoNão é obrigatória na criança tratada em casa; o diagnóstico da pneumonia ambulatorial é clínico
O que a régua manda fazerSuporte: oxigênio pelos cortes por idade, líquido se a via oral falhou, lavagem nasal com aspiração suave. Nenhum medicamentoBroncodilatador de curta duração e corticoide sistêmico na crise moderada ou grave, conforme o capítulo de asmaAntibiótico conforme idade e gravidade, no capítulo de pneumonia da criança

O que fazer e o que não fazer, intervenção por intervenção

IntervençãoRecomendaçãoQuem sustenta, e com que forçaA exceção que sobra
Oxigênio suplementarFazer, guiado por corte de saturaçãoGuideline americano de 2014: pode-se não ofertar oxigênio acima de 90% (fraca). Diretriz britânica atualizada em 2021 e australasiana de 2025: ofertar abaixo de 90% a partir de 6 semanas e abaixo de 92% no menor de 6 semanas ou com condição de baseNenhuma — é a intervenção mais bem estabelecida do capítulo
Hidratação por sonda nasogástrica ou endovenosaFazer quando a via oral não sustenta a hidrataçãoGuideline americano de 2014, recomendação forte; estudo com 759 lactentes sem diferença entre as duas viasSolução isotônica na via endovenosa, para não causar hiponatremia
Lavagem nasal e aspiração de vias aéreas superioresFazer, de forma suave e superficial, quando necessárioDiretriz da SBP de 2017 e página oficial do Ministério da SaúdeAspiração profunda ou intermitente foi associada a maior tempo de internação e deve ser evitada
Broncodilatador beta-2 (salbutamol)Não fazerGuideline americano de 2014, recomendação forte; diretriz britânica, na lista de não usar; diretriz australasiana de 2025, recomendação forte contra em menores de 12 mesesA diretriz brasileira de 2017 admite uso conforme resposta clínica, mantido apenas se houver melhora imediata — ver o bloco de divergências
Adrenalina inalatóriaNão fazerGuideline americano de 2014, recomendação forte; diretriz britânica, na lista de não usarCombinação com corticoide é considerada apenas em bronquiolite grave em terapia intensiva, segundo a diretriz australasiana de 2025
Corticoide sistêmico ou inalatórioNão fazer, em nenhum cenárioGuideline americano de 2014, recomendação forte e qualidade de evidência A; diretriz britânica, na lista de não usarCoinfecção por SARS-CoV-2 com hipoxemia, na diretriz australasiana de 2025
AntibióticoNão fazerGuideline americano de 2014, recomendação forte; diretriz da SBP de 2017; diretriz britânica, na lista de não usarInfecção bacteriana concomitante ou forte suspeita dela; e a criança que evolui para insuficiência respiratória com intubação
Fisioterapia respiratóriaNão fazer de rotinaGuideline americano de 2014, recomendação moderada; revisão com 12 estudos e 1.249 participantes sem benefício; diretriz australasiana de 2025Comorbidade que compromete a depuração de secreções — a diretriz brasileira cita a amiotrofia espinhal
Solução salina hipertônica nebulizadaNão fazer de rotinaDiretriz britânica, na lista de não usar; diretriz australasiana de 2025, fora de ensaio clínico randomizadoO guideline americano de 2014 ainda a permitia no internado (recomendação fraca) — ver o bloco de divergências
Oximetria contínuaNão é necessária na criança estávelGuideline americano de 2014, recomendação fracaInstabilidade, necessidade de oxigênio em subida ou risco de apneia
Antiviral (ribavirina)Não fazerDiretriz da SBP de 2017: dificuldade de uso, custo elevado e risco ao cuidadorNenhuma na bronquiolite do lactente previamente hígido

Os cortes de saturação lado a lado, e para que serve cada número

Documento (ano)CorteA quem se aplicaQue decisão o número toma
SBP, diretriz de VSR (2017)Abaixo de 92%, persistente, em ar ambienteLactente com bronquiolite, no BrasilDecide internar: entra na lista de desconforto respiratório junto com gemência, retração, frequência acima de 60 e cianose central
AAP, guideline de bronquiolite (2014)Acima de 90%Lactentes e crianças de 1 mês a 23 mesesAutoriza não ofertar oxigênio suplementar acima desse valor (recomendação fraca, evidência de baixo nível)
NICE NG9 (atualizada em 2021) e diretriz australasiana (2025)Abaixo de 90%Criança a partir de 6 semanas de vidaDispara a oferta de oxigênio suplementar
NICE NG9 (atualizada em 2021) e diretriz australasiana (2025)Abaixo de 92%Lactente abaixo de 6 semanas, ou de qualquer idade com condição de baseDispara a oferta de oxigênio suplementar no grupo de maior risco — o limiar antigo foi mantido só aqui
NICE NG9 (atualizada em 2021)Acima de 90% (ou acima de 92% no grupo de risco) por 4 horas, incluindo um período de sonoCriança internadaAutoriza a alta hospitalar, junto com estabilidade clínica e ingesta adequada
AIDPI Criança (2017)Igual ou abaixo de 90% / de 91% a menos de 95% / igual ou acima de 95%Criança de 2 meses a 5 anos com sibilância, na atenção primáriaClassifica a crise de sibilância em grave, moderada e leve — é a régua do algoritmo de triagem, não uma régua de bronquiolite

Prevenção do VSR no SUS na sazonalidade de 2026: quem recebe o quê

ProdutoQuem tem direitoEsquema e doseQuando se aplica
Vacina contra o VSR na gestante (proteína F recombinante de pré-fusão)Todas as gestantes, sem restrição de idade maternaDose única de 0,5 mL por via intramuscular, repetida a cada nova gestaçãoA partir da 28ª semana de gestação, sem limite superior de idade gestacional
Nirsevimabe — prematurosToda criança nascida com idade gestacional inferior a 37 semanas, com qualquer peso e independentemente de a mãe ter sido vacinadaDose única: 50 mg abaixo de 5 kg; 100 mg a partir de 5 kg. Via intramuscular, face anterolateral da coxaDurante todo o ano, ainda na maternidade ou na internação neonatal, assim que o recém-nascido estiver clinicamente estável
Nirsevimabe — comorbidadesCriança de até 24 meses com pelo menos uma destas: cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular ou anomalia congênita das vias aéreasPrimeira temporada: 50 mg abaixo de 5 kg, 100 mg a partir de 5 kg. Segunda temporada: 200 mg, em duas injeções de 100 mg em locais distintosJanela sazonal de fevereiro a agosto (semanas epidemiológicas 8 a 32); quem nasce fora dela recebe antes do início da próxima temporada
PalivizumabePrematuro com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias e menos de 1 ano; criança com menos de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada15 mg/kg por via intramuscular, uma vez por mês, até o máximo de cinco dosesDurante a sazonalidade da região, começando um mês antes do início da estação
Regra de transição em 2026Quem já usava palivizumabe, e quem nasceu antes de fevereiro de 2026Quem recebeu palivizumabe na sazonalidade de 2025 conclui com palivizumabe; elegíveis nascidos até o fim de janeiro de 2026 também recebem palivizumabe; nascidos a partir de fevereiro de 2026 iniciam com nirsevimabeOs dois anticorpos não são intercambiáveis — não se troca um pelo outro no meio do esquema

A pergunta que abre o caso não é sobre o exame físico: é 'este é o primeiro episódio de sibilância?'. O AIDPI escreve que a resposta afirmativa aponta bronquiolite ou corpo estranho, e a negativa, sibilância recorrente.

O pico dos sintomas está entre o terceiro e o quinto dia de doença, e a tosse resolve em 90% dos lactentes em até 3 semanas. Quem sai da consulta sem essas duas informações volta em 48 horas achando que piorou por erro médico.

Radiografia de tórax não confirma bronquiolite e muda o comportamento do médico: cerca de 25% dos internados têm atelectasia, difícil de distinguir de infiltrado bacteriano, e pedir o exame aumentou a prescrição de antibiótico sem diferença de desfecho.

Painel viral positivo não prova causalidade: cerca de 30% das crianças com bronquiolite por VSR têm coinfecção, e cerca de 25% das crianças assintomáticas têm teste molecular positivo para algum vírus respiratório.

Dois números de saturação convivem porque respondem a perguntas diferentes: 92% persistente decide internação no Brasil; 90% (ou 92% abaixo de 6 semanas e nas comorbidades) decide ofertar oxigênio.

Queda da frequência respiratória com piora do estado geral é exaustão, não melhora — o mesmo sinal que engana na crise de asma engana aqui.

Nenhum critério de escalada da bronquiolite envolve começar um medicamento: a escalada é sempre de suporte ventilatório, do oxigênio de baixo fluxo ao alto fluxo, à pressão positiva contínua e à intubação.

Aspiração nasal suave e superficial é tratamento; aspiração profunda foi associada a maior tempo de internação. Lavagem nasal com solução fisiológica não é o mesmo que nebulização com salina hipertônica.

A prematuridade isolada dá direito ao nirsevimabe na primeira temporada, mas não na segunda: a segunda dose de 200 mg é exclusiva das crianças com as comorbidades listadas no protocolo.

O prematuro recebe nirsevimabe o ano inteiro; a criança com comorbidade recebe dentro da janela de fevereiro a agosto. Confundir as duas janelas é a pegadinha mais fácil de montar sobre o protocolo de 2026.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

O teste terapêutico com broncodilatador ainda cabe na bronquiolite?

Não administrar em nenhuma hipótese, nem como tentativa — posição da Academia Americana de Pediatria desde 2014, repetida pelas diretrizes britânica e australasiana

A declaração de ação nº 2 do guideline americano diz que o clínico não deve administrar albuterol ou salbutamol a lactentes e crianças com diagnóstico de bronquiolite, com força forte. A edição anterior, de 2006, permitia uma tentativa cuidadosamente monitorada, e essa permissão foi retirada. O argumento é metodológico: a maioria dos ensaios randomizados falhou em demonstrar benefício consistente de agentes alfa ou beta-adrenérgicos, e os poucos sinais positivos vieram de estudos ambulatoriais heterogêneos, com crianças mais velhas e com sibilância recorrente — ou seja, de pacientes que provavelmente não tinham bronquiolite. Além disso, uma tentativa clínica exige um observador capaz de distinguir a melhora do medicamento da flutuação natural de uma doença que varia minuto a minuto, o que na prática não acontece. A diretriz britânica coloca o salbutamol na lista do que não usar, e a diretriz australasiana de 2025 traz recomendação forte contra beta-2 agonistas em menores de 12 meses.

American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declaração de ação nº 2); NICE NG9, recomendação 1.4.3, 2015 com atualização de 2021; Australasian Bronchiolitis Guideline, 2025

Admitir a tentativa individual, mantendo o medicamento apenas se houver melhora imediata — posição registrada na diretriz brasileira de 2017

A diretriz da Sociedade Brasileira de Pediatria escreve, na mesma página em que registra que os guidelines dos Estados Unidos, do Reino Unido e do Canadá não recomendam broncodilatador na bronquiolite, que o uso de acordo com a resposta clínica pode eventualmente ser considerado, mas só deve ser mantido se houver evidência de melhora imediata. O quadro-resumo do mesmo documento classifica broncodilatadores e adrenalina como não recomendados, de modo que a permissão é individual e condicionada, não uma indicação. Some-se a isso o desenho do algoritmo do AIDPI: ele classifica a criança de 2 meses a 5 anos pelo sinal sibilância, não pelo diagnóstico, e prescreve beta-2 inalatório para as três faixas de gravidade — embora o próprio manual registre, na tabela de quadros clínicos que cursam com sibilância, que na bronquiolite aguda os broncodilatadores têm pouca ação. Documento brasileiro de 2017 diante de guideline americano revisado em 2014: a diferença de posição acompanha a diferença de propósito, um algoritmo de triagem por sinal contra uma diretriz diagnóstica por doença.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (seção de adrenalina por nebulização e Quadro 2); Ministério da Saúde, Manual AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, 2017 (item 1.4 e quadro de sibilância)

Na prova

O recorte se identifica por três marcas. A primeira é a idade e o número de episódios escritos no enunciado: lactente jovem em primeiro episódio, com pródromo de coriza, empurra a questão para o corpo diagnóstico da bronquiolite; criança acima de 2 anos ou com episódios anteriores empurra para o algoritmo de sibilância. A segunda é o cenário: unidade básica de saúde, agente comunitário, classificação de risco e vocabulário de 'sinais gerais de perigo' são a linguagem do AIDPI, e nele existe beta-2 para sibilância; enfermaria, pronto-socorro terciário ou menção nominal à Academia Americana de Pediatria puxam a régua internacional. A terceira são as alternativas: quando uma delas oferece 'prova terapêutica com beta-2, mantendo apenas se houver resposta', a banca está trabalhando com o texto brasileiro; quando nenhuma alternativa contém broncodilatador em qualquer forma, o recorte é o do guideline de 2014. Vale ainda a régua geral de que prova oficial do MEC tende à conduta do SUS, e que em outras bancas o desenho das alternativas denuncia o documento usado.

Solução salina hipertônica nebulizada: quem ainda a permite e quem já a retirou

Permitida no paciente internado e vedada no pronto-socorro — posição do guideline americano de 2014, com recomendação fraca

O guideline americano separa dois cenários em duas declarações. A de número 4a diz que a salina hipertônica nebulizada não deve ser administrada a lactentes com bronquiolite no departamento de emergência, com força moderada. A de número 4b diz que o clínico pode administrar salina hipertônica nebulizada a lactentes e crianças hospitalizados por bronquiolite, com força fraca, explicitamente baseada em ensaios randomizados com achados inconsistentes. O racional fisiológico é que a solução hipertônica aumenta a depuração mucociliar, e a base empírica da época eram as sínteses de 2015: 24 ensaios com 3.209 pacientes mostrando redução de cerca de 0,45 dia de internação e queda de 20% no risco de internação em sete estudos, e uma metanálise com 15 ensaios e 1.922 pacientes com pequena redução das admissões.

American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declarações de ação 4a e 4b)

Retirada das duas pontas — posição da diretriz britânica e da diretriz australasiana de 2025

A diretriz britânica lista a salina hipertônica entre os medicamentos que não devem ser usados na bronquiolite, ao lado de antibiótico, adrenalina nebulizada, salbutamol, montelucaste, brometo de ipratrópio e corticoide. A diretriz australasiana de 2025 escreve que a salina hipertônica nebulizada não deve ser usada de rotina em lactentes atendidos ou internados por bronquiolite fora de um ensaio clínico randomizado. A virada tem data e causa identificáveis: em 2016 as duas metanálises de 2015 foram reanalisadas com a exclusão de dois estudos heterogêneos e, nos 18 estudos restantes, com 2.063 lactentes, a redução do tempo de internação desapareceu. A diretriz brasileira de 2017 registra essa reanálise e conclui que o papel da salina hipertônica ainda precisava ser definido, mantendo-a como 'considerar' em seu quadro-resumo.

NICE NG9, recomendação 1.4.3, 2015 com atualização de 2021; Australasian Bronchiolitis Guideline, 2025; Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (seção de solução salina hipertônica e Quadro 2)

Na prova

O ano do documento citado no enunciado é a marca mais forte deste item, porque a evidência virou entre 2015 e 2016. Enunciado que nomeia a Academia Americana de Pediatria ou reproduz a estrutura 'não no pronto-socorro, pode no internado' está trabalhando com o texto de 2014. Enunciado que trata a bronquiolite como doença sem terapia inalatória alguma, ou que oferece uma lista fechada de intervenções vedadas, está no corpo mais recente. O cenário também informa: questão de pronto-socorro tem menos margem para a salina hipertônica em qualquer das réguas, já que até o documento mais permissivo a veda nesse cenário. E cuidado com o distrator que troca os nomes: lavagem nasal com solução fisiológica é medida mecânica recomendada em todas as réguas, e sua presença numa alternativa não é sinônimo de nebulização com solução hipertônica.

Palivizumabe e nirsevimabe: quem é elegível no SUS e quem as sociedades gostariam de incluir

Critérios do Ministério da Saúde — o que a portaria escreve e o que o serviço pode dispensar

O palivizumabe foi incorporado em 2012 e teve seu protocolo de uso aprovado pela Portaria Conjunta nº 23, de 3 de outubro de 2018, com dois grupos: prematuro com idade gestacional igual ou inferior a 28 semanas e 6 dias e menos de 1 ano de idade; e criança com menos de 2 anos com doença pulmonar crônica da prematuridade ou cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada. Em 2025 o nirsevimabe foi incorporado pela Portaria SECTICS/MS nº 15, de 28 de fevereiro, e teve o protocolo de uso aprovado pela Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026, ampliando a cobertura a todo prematuro abaixo de 37 semanas e a toda criança de até 24 meses com uma das sete comorbidades listadas. O próprio protocolo explicita a razão da mudança: o nirsevimabe amplia a cobertura a todos os prematuros, acrescenta comorbidades e substitui cinco doses mensais calculadas por peso por uma dose única definida por faixa de peso na temporada.

Ministério da Saúde, Ofício Conjunto nº 85/2025/CGAFME/DAF/SECTICS/MS, de 7 de novembro de 2025; Ministério da Saúde, Protocolo de Uso do Nirsevimabe, Portaria SCTIE/MS nº 14, de 7 de março de 2026

Extensão preconizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria — um grupo a mais que a portaria do palivizumabe não contemplava

A diretriz da SBP de 2017 registra os critérios do Ministério da Saúde e acrescenta que a sociedade preconiza a profilaxia também para bebês prematuros nascidos entre 29 e 31 semanas e 6 dias de idade gestacional, com base em evidências de que esse grupo é igualmente vulnerável às formas graves, especialmente nos primeiros 6 meses de vida. O documento nomeia a causa da restrição no serviço público: a eleição dos grupos com recomendação de palivizumabe baseia-se em estudos de eficácia e de custo-efetividade, e o uso em grupos não selecionados aumenta custos com pouca redução de gastos com internação e nenhuma redução de mortalidade. O mesmo documento registra que a Academia Americana de Pediatria, em 2014, restringiu ainda mais: palivizumabe no primeiro ano de vida para cardiopatia congênita hemodinamicamente significativa ou doença pulmonar crônica da prematuridade definida como prematuro abaixo de 32 semanas e 0 dia que necessitou de mais de 21% de oxigênio por pelo menos os primeiros 28 dias de vida, com máximo de cinco doses mensais de 15 mg/kg.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (seção de profilaxia); American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declarações de ação 10b e 10c)

Na prova

Aqui a marca é quase sempre lexical e temporal. Enunciado que fala em 'critério de dispensação', 'Ministério da Saúde', 'unidade de saúde' ou 'tem direito no SUS' cobra a letra da portaria — e a letra mudou de dono entre 2025 e 2026, de modo que o ano citado no enunciado define qual dos dois anticorpos está em jogo. Enunciado que diz 'a Sociedade Brasileira de Pediatria preconiza' abre espaço para o grupo de 29 a 31 semanas e 6 dias, que não estava na portaria do palivizumabe. Um detalhe das alternativas costuma denunciar o documento usado: o número de doses. Cinco doses mensais de 15 mg/kg é palivizumabe; dose única por faixa de peso na temporada é nirsevimabe. E se uma alternativa oferecer troca de um anticorpo pelo outro no meio do esquema, ela está contrariando a regra explícita de não intercambialidade do ofício de transição.

Qual saturação usar: 90%, 92% ou 94%

Corte único de 90% para ofertar oxigênio — posição do guideline americano de 2014

A declaração de ação nº 6a diz que o clínico pode optar por não administrar oxigênio suplementar se a saturação de oxi-hemoglobina exceder 90% em lactentes e crianças com bronquiolite, com força fraca, baseada em evidência de baixo nível e em raciocínio a partir de primeiros princípios. O argumento explícito no documento é a curva de dissociação da hemoglobina: acima de 90% a curva é plana, e ganhos adicionais de saturação correspondem a variações muito pequenas de conteúdo arterial de oxigênio. A declaração seguinte, a 6b, completa o raciocínio ao dizer que a oximetria contínua pode ser dispensada, porque a saturação é mau preditor de desconforto respiratório e o monitoramento contínuo se associa a internações prolongadas.

American Academy of Pediatrics, Clinical Practice Guideline on Bronchiolitis, Pediatrics 2014 (declarações de ação 6a e 6b)

Corte por idade, 90% em geral e 92% no lactente muito jovem ou com comorbidade — posição britânica desde a atualização de 2021, seguida pela diretriz australasiana de 2025

A diretriz britânica publicada em 2015 usava 92% para todos. Na revisão de agosto de 2021, o limiar de saturação para admissão e para oxigenoterapia foi reduzido para 90%, com uma ressalva escrita: alguns lactentes e crianças têm risco maior de bronquiolite grave — os menores de 6 semanas e as crianças com condições de saúde de base —, e para esse grupo o comitê considerou mais seguro manter 92%. O mesmo desenho aparece nos critérios de alta, que exigem saturação mantida por 4 horas incluindo um período de sono, acima de 90% ou acima de 92% conforme o grupo. A diretriz australasiana de 2025 adota os mesmos dois limiares.

NICE NG9, Bronchiolitis in children, 2015 com atualização de agosto de 2021 (recomendações de encaminhamento, oxigenoterapia e alta); Australasian Bronchiolitis Guideline, 2025

Faixas de 90%, 91% a 95% e 95% ou mais para classificar a crise de sibilância — régua brasileira da atenção primária, e critério de internação de 92% na diretriz da SBP

O manual AIDPI Criança usa três faixas para a criança de 2 meses a 5 anos com sibilância: saturação igual ou abaixo de 90% em ar ambiente é sinal de sibilância grave ou doença muito grave e indica referência imediata; de 91% a menos de 95% classifica sibilância moderada e também indica oxigenoterapia; 95% ou mais é considerado normal, compatível com crise leve. A diretriz da SBP, por sua vez, usa saturação persistentemente abaixo de 92% dentro da lista de desconforto respiratório que indica hospitalização, ao lado de gemência, retração torácica, frequência respiratória acima de 60 e cianose central. São dois números com funções distintas: o do AIDPI classifica gravidade num algoritmo de triagem por sinal, e o da SBP decide internação numa diretriz de doença.

Ministério da Saúde, Manual AIDPI Criança 2 meses a 5 anos, 2017 (item 1.4.1 e quadro de classificação da sibilância); Sociedade Brasileira de Pediatria, Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017 (lista 'quando hospitalizar')

Na prova

Comece perguntando qual decisão o número está tomando na questão, porque as três posições não competem pelo mesmo posto. Se o enunciado pergunta se a criança deve ser internada, o número brasileiro é 92% persistente. Se pergunta se deve receber oxigênio suplementar, o corte depende da idade escrita: abaixo de 6 semanas ou com comorbidade, 92%; a partir de 6 semanas, 90%. Se o enunciado usa vocabulário de classificação — 'sibilância moderada', 'sinais gerais de perigo', 'referir imediatamente' — está dentro do AIDPI, e a faixa de 91% a 95% é a régua daquele quadro. Duas marcas ajudam: a menção ao ano de 2021 ou à expressão 'atualização' aponta o corte por idade; e a presença de 94% entre as alternativas costuma ser importada do capítulo de asma, cujas réguas de crise usam esse valor, e não das diretrizes de bronquiolite.

06

Caso resolvido

Lactente de 5 meses, sexo masculino, nascido a termo, sem comorbidades, levado pela mãe à unidade básica de saúde em uma terça-feira de junho, em Belo Horizonte. Ela conta que há três dias ele começou com coriza clara, espirros e tosse, e que desde ontem 'o peito está chiando' e ele 'respira depressa'. Teve temperatura de 38,1 °C aferida em casa uma vez, ontem à noite. Mama no peito, mas tem feito pausas e mamado menos que o habitual, embora tenha molhado seis fraldas nas últimas 24 horas. Não teve engasgo súbito, não teve episódio semelhante antes e não há episódios de parada respiratória percebidos pela mãe. A irmã de 3 anos está resfriada e vai à creche. O pai fuma na varanda. Ao exame: ativo, sorri, chora forte, corado e hidratado, mucosas úmidas. Temperatura axilar 37,4 °C. Frequência respiratória 52 por minuto, contada com a criança tranquila no colo. Saturação de 96% em ar ambiente, aferida antes de qualquer conduta. Tiragem subcostal discreta, sem tiragem universal, sem gemência, sem batimento de asa do nariz, sem cianose. Ausculta pulmonar com sibilos expiratórios difusos e crepitações finas bilaterais. Coriza abundante obstruindo as narinas. Restante do exame sem alterações. A unidade dispõe de oxímetro, nebulizador, salbutamol, prednisolona, amoxicilina e soro fisiológico.
diagnóstico
Bronquiolite viral aguda. O quadro reúne os três elementos que definem a doença: lactente menor de 2 anos, primeiro episódio de sibilância e pródromo de vias aéreas superiores por 1 a 3 dias antes do chiado. Junho, com a irmã em creche e resfriada, situa a estação — no Sudeste a circulação do VSR predomina de março a julho. A febre de 38,1 °C está dentro do esperado: a diretriz britânica registra temperatura abaixo de 39 °C em cerca de 30% dos casos.
o que a pergunta do primeiro episódio resolveu
Ela eliminou o caminho da asma. Pelo AIDPI, resposta afirmativa à pergunta sobre o primeiro episódio aponta bronquiolite ou corpo estranho; a ausência de engasgo súbito, a sibilância difusa e bilateral e o pródromo de coriza tiram o corpo estranho da mesa. Sem essa pergunta, o mesmo exame físico caberia numa crise de sibilância e levaria a beta-2 e corticoide.
em que dia da doença ele está
Terceiro dia de sintomas, ou seja, entrando no pico, que ocorre entre o terceiro e o quinto dia. Isso muda o que se diz à mãe: ele ainda pode piorar nas próximas 48 horas mesmo com tudo correndo bem, e essa frase precisa ser dita agora, não no retorno.
classificação do destino
Manejo domiciliar. Não há critério de encaminhamento imediato: sem apneia, sem aspecto gravemente doente, sem gemência, sem retração acentuada, frequência respiratória de 52 (abaixo de 70) e sem cianose central. Também não há critério de encaminhamento a considerar: frequência abaixo de 60, saturação de 96% (acima de 92%), sem desidratação clínica e ingesta preservada, com seis fraldas molhadas em 24 horas. Não é lactente abaixo de 3 meses, não é prematuro, não tem comorbidade, e a mãe tem acesso ao serviço.
o que não pedir
Nada. Sem radiografia de tórax, sem hemograma, sem proteína C-reativa e sem painel viral. O diagnóstico é clínico, e a radiografia neste caso mostraria hiperinsuflação e possivelmente atelectasia — achado presente em cerca de 25% dos internados e facilmente lido como infiltrado, o que produziria a amoxicilina que está disponível na unidade e que não tem indicação nenhuma aqui.
o que prescrever
Lavagem nasal com solução fisiológica, feita antes das mamadas para desobstruir o nariz — o lactente é respirador nasal, e a coriza sozinha aumenta o trabalho respiratório e atrapalha a alimentação. Oferta de leite materno em maior frequência e menor volume. Antitérmico se houver febre com desconforto. Nada mais.
o que não prescrever, e por quê
Sem salbutamol: a obstrução é edema, epitélio descamado e muco, não broncoespasmo, e a recomendação contra o beta-2 é forte. Sem corticoide: é a recomendação com maior nível de evidência do guideline americano, qualidade A. Sem antibiótico: não há infecção bacteriana concomitante nem forte suspeita dela, e febre baixa com coriza em lactente que chia é o quadro viral típico. Sem fisioterapia respiratória e sem nebulização com salina hipertônica.
orientações de alerta e retorno
A mãe sai sabendo procurar atendimento imediatamente diante de: piora do esforço respiratório, com gemido, batimento de asa do nariz ou afundamento das costelas; mamada igual ou inferior a metade do habitual, ou 12 horas sem urinar; pausas respiratórias ou lábios arroxeados; e criança muito prostrada, que não acorda ou não se mantém acordada. Aprender a contar a respiração ajuda. Ambiente livre de fumo — inclusive o cheiro na roupa de quem fumou na varanda. Retorno em 48 horas para reavaliação, ou antes se surgir qualquer sinal de alerta.
a frase que evita a segunda consulta desnecessária
A tosse vai durar mais que o chiado e resolve em até 3 semanas em nove de cada dez crianças. Sem esse aviso, a tosse do décimo dia costuma virar nova consulta e, com frequência, o antibiótico que foi evitado hoje.
o que fica pendente na prevenção
Nasceu a termo e sem comorbidade, portanto não é elegível a nirsevimabe nem a palivizumabe. Ficam as medidas gerais: aleitamento materno mantido, higiene das mãos de quem cuida, evitar aglomerações durante a sazonalidade e cessação do tabagismo do pai. Se houver nova gestação na família, a vacina contra o VSR é dose única a partir da 28ª semana.
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Agora feche você

Lactente de 2 meses e 10 dias, sexo feminino, nascida com 34 semanas de idade gestacional em março de 2026, com peso atual de 4,2 kg. Levada ao pronto-socorro pediátrico em uma madrugada de julho. A mãe relata quatro dias de coriza e tosse, com piora nas últimas 12 horas, e conta que hoje à tarde a bebê 'parou de respirar por uns segundos e ficou molinha', episódio que durou pouco e do qual ela se recuperou sozinha. Mamou menos da metade do habitual nas últimas 24 horas e trocou apenas duas fraldas molhadas nesse período. Sem febre aferida. Não teve episódios de chiado antes. A mãe não foi vacinada contra o vírus sincicial respiratório na gestação, e a bebê não recebeu nenhum anticorpo monoclonal na maternidade. Ao exame: hipoativa, chora fraco, mucosas secas, tempo de enchimento capilar de 3 segundos. Temperatura axilar 36,8 °C. Frequência respiratória 74 por minuto, com gemência, batimento de asa do nariz, tiragem subcostal e intercostal. Saturação de 88% em ar ambiente, mantida em três aferições. Ausculta com sibilos e crepitações difusas bilaterais, entrada de ar reduzida em bases. O serviço dispõe de oxigênio de baixo fluxo, cânula de alto fluxo, monitor, oxímetro, acesso venoso e leito de terapia intensiva pediátrica no mesmo hospital.
achado
Lactente de 2 meses, ex-prematura de 34 semanas, no quarto dia de doença respiratória, com apneia relatada pela mãe, sinais de desconforto respiratório grave (frequência respiratória de 74, gemência, batimento de asa do nariz e tiragem), hipoatividade, sinais de desidratação com enchimento capilar de 3 segundos e ingesta abaixo da metade do habitual, e saturação de 88% em ar ambiente.
diagnóstico e fatores de risco
Bronquiolite viral aguda em lactente com três dos quatro fatores de risco formais para doença grave: idade abaixo de 12 semanas e história de prematuridade, somadas à ausência de qualquer profilaxia — a mãe não recebeu a vacina na gestação e a criança não recebeu anticorpo monoclonal. A apneia, no lactente muito jovem, pode ser a primeira manifestação da doença e preceder o desconforto.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Prescrever nebulização com beta-2 porque a criança chia Atrai porque o som é o mesmo da asma e porque a mão do plantonista já foi treinada a responder ao sibilo com broncodilatador. Mas a obstrução da bronquiolite é edema de parede, epitélio descamado e rolha de muco dentro de uma via aérea minúscula — não há musculatura lisa relevante a relaxar. A recomendação contra é forte, e a revisão com 1.192 lactentes não mostrou ganho de saturação, de tempo de sintomas nem de internação.
  2. 2Dar corticoide 'porque é chiado e não custa nada' É a recomendação com maior nível de evidência do capítulo: qualidade A, força forte, contra o uso em qualquer cenário. Oito estudos ambulatoriais com 1.824 pacientes não reduziram internação no primeiro nem no sétimo dia; nove estudos com 772 internados não reduziram o tempo de internação. A tentação vem de duas doenças em que o corticoide funciona de verdade — asma e crupe — e que fazem parte do mesmo plantão.
  3. 3Pedir radiografia de tórax para 'descartar pneumonia' Parece prudência e é a porta de entrada do antibiótico desnecessário. Cerca de 25% dos lactentes internados por bronquiolite têm atelectasia na radiografia, indistinguível de infiltrado bacteriano para quem não sabe o que procurar, e estudos mostraram que pedir o exame aumentou a prescrição de antibiótico sem diferença nenhuma de desfecho. Quem separa pneumonia de bronquiolite é a febre acima de 39 °C e a crepitação que se mantém focal — não a imagem.
  4. 4Pedir painel viral para decidir o tratamento Identificar o vírus não muda a conduta de ninguém com bronquiolite, porque não há antiviral indicado. Pior: cerca de 30% das crianças com VSR têm coinfecção e cerca de 25% das crianças assintomáticas têm teste molecular positivo, de modo que um resultado positivo não prova causalidade. O painel se justifica por isolamento hospitalar, coorte, imunocomprometido, forma grave e vigilância — indicações de controle de infecção, não de terapêutica individual.
  5. 5Aplicar o quadro de sibilância do AIDPI a um lactente de 3 meses Duas falhas na mesma conduta. A primeira é de alcance: o quadro do AIDPI vale a partir dos 2 meses, e o lactente jovem com bronquiolite tem outra régua. A segunda é de propósito: aquele quadro classifica pelo sinal 'sibilância' e prescreve beta-2 e corticoide para as três faixas, enquanto o próprio manual registra, poucas páginas antes, que na bronquiolite os broncodilatadores têm pouca ação. O algoritmo é de triagem por sinal; a bronquiolite é um diagnóstico.
  6. 6Confundir lavagem nasal com solução fisiológica e nebulização com salina hipertônica São duas coisas diferentes com nomes parecidos. Lavagem nasal com solução salina fisiológica é medida mecânica de desobstrução, recomendada em todas as réguas e explicitamente citada pelo Ministério da Saúde. Nebulização com solução salina hipertônica a 3% ou mais é terapia inalatória, que a diretriz britânica lista entre as que não devem ser usadas e que a diretriz australasiana de 2025 restringe a ensaio clínico.
  7. 7Prescrever fisioterapia respiratória para 'ajudar a soltar a secreção' A revisão com 12 estudos e 1.249 participantes não encontrou benefício de nenhuma técnica quanto a tempo de internação, saturação ou parâmetros respiratórios, e a recomendação contra é moderada. A tentação nasce da atelectasia vista na radiografia — mais um motivo para não pedir a radiografia. A ressalva legítima, escrita na própria diretriz brasileira, é a comorbidade que compromete a depuração de secreções, como a amiotrofia espinhal.
  8. 8Ler a queda da frequência respiratória como melhora É o mesmo erro que engana na crise de asma e é mais perigoso aqui, porque o lactente tem menos reserva. A criança que se cansa deixa de fazer esforço: a frequência cai, a tiragem diminui e a ausculta 'melhora'. Se isso vem acompanhado de piora do estado geral, sonolência ou respiração irregular, é exaustão e insuficiência respiratória iminente — degrau de pressão positiva contínua e terapia intensiva, não de alta.
  9. 9Manter oximetria contínua na criança estável e prolongar a internação por causa dela A saturação é mau preditor de desconforto respiratório e o monitoramento contínuo captura dessaturações transitórias fisiológicas do sono, que geram condutas desnecessárias e prendem a criança no hospital. A recomendação de dispensar a oximetria contínua vale para o paciente estável; instabilidade, necessidade crescente de oxigênio e risco de apneia continuam justificando o monitor.
  10. 10Usar o corte de saturação errado por não olhar a idade e a comorbidade Três números circulam e cada um tem dono. No Brasil, 92% persistente decide internação. Para ofertar oxigênio, o limiar é 90% a partir de 6 semanas de vida e 92% abaixo de 6 semanas ou em criança com condição de base. E 94% é um número do capítulo de asma, importado por distratores. Errar aqui não é detalhe: muda quem fica internado.
  11. 11Achar que o nirsevimabe substituiu o palivizumabe para todo mundo em 2026 A transição é escrita e tem quatro regras. Quem recebeu palivizumabe na sazonalidade de 2025 conclui com palivizumabe; as crianças elegíveis nascidas até o fim de janeiro de 2026 também recebem palivizumabe nesta temporada; só as nascidas a partir de fevereiro de 2026 iniciam com nirsevimabe. E os dois anticorpos não são intercambiáveis — trocar um pelo outro no meio do esquema contraria o ofício de transição.
  12. 12Achar que todo prematuro repete o nirsevimabe na segunda temporada Não repete. O protocolo de 2026 é explícito: a administração na segunda temporada é exclusiva das crianças com as comorbidades listadas, e não se estende às nascidas prematuras sem comorbidade. Junto com isso, guarde a outra metade da pegadinha: prematuro recebe o ano inteiro; criança com comorbidade recebe na janela de fevereiro a agosto.
  13. 13Dar alta sem dizer a evolução esperada O pico dos sintomas está entre o terceiro e o quinto dia, e a tosse resolve em até 3 semanas em 90% dos lactentes. Sem essas duas frases, a criança avaliada no segundo dia volta piorada em 48 horas e a consulta vira erro médico aos olhos da família; e a tosse do décimo dia vira antibiótico. A orientação de sinais de alerta é item formal da diretriz, não conversa de despedida.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Lactente < 2 anos, no primeiro episódio de sibilância, com pródromo de via aérea superior e evolução para desconforto respiratório, sibilos/estertores difusos e hiperinsuflação na radiografia — quadro clássico de bronquiolite viral aguda (VSR na maioria). Cursaria com consolidação e não com hiperinsuflação difusa. Tem tosse paroxística com guincho, sem sibilância difusa característica. Asma é diagnóstico incomum no primeiro episódio e nessa faixa etária. Aspiração daria achado localizado e história de engasgo súbito.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória a definição de bronquiolite com as três palavras que a sustentam (primeiro episódio, menor de 2 anos, pródromo viral), o agente dominante com o percentual que o Ministério da Saúde atribui a ele e a janela de sazonalidade de cada região do Brasil. Depois escreva a evolução em dias: quando é o pico e em quanto tempo a tosse resolve, com a proporção. Reconstrua a tabela do diferencial das três doenças em cinco linhas — idade, primeiro episódio ou repetição, febre, ausculta e resposta ao broncodilatador. Liste, sem consultar, tudo o que NÃO se faz na bronquiolite, dizendo a força da recomendação de cada item e qual é a exceção que sobra. Por fim, escreva os três cortes de saturação com o dono de cada um: o que decide internação no Brasil, o que dispara oxigênio a partir de 6 semanas e o que dispara oxigênio abaixo de 6 semanas ou com comorbidade.

em 30 dias

Refaça tudo do d7 e acrescente as camadas de decisão. Escreva a lista brasileira completa de 'quando hospitalizar', incluindo os quatro critérios que não são de exame físico. Separe os critérios de encaminhamento imediato dos de encaminhamento a considerar, com os dois cortes de frequência respiratória (acima de 70 e acima de 60) e o de ingesta. Descreva a escalada de suporte na ordem correta, do oxigênio de baixo fluxo à intubação, dizendo onde entra o alto fluxo e quando se considera pressão positiva contínua, e quando se pede gasometria capilar. Escreva os três critérios de alta hospitalar, com as 4 horas e o período de sono, e os quatro sinais de alerta que o cuidador leva para casa. Reconstrua a tabela de prevenção do SUS por inteiro: quem tem direito à vacina da gestante e a partir de que semana; quem tem direito ao nirsevimabe nas duas portas (prematuridade abaixo de 37 semanas e as sete comorbidades até 24 meses), com as doses de 50 mg, 100 mg e 200 mg e as duas janelas de aplicação; quem tem direito ao palivizumabe, com as 28 semanas e 6 dias, os dois anos, os 15 mg/kg e as cinco doses; e as quatro regras de transição de 2026, com a proibição de intercambialidade. Finalmente, para cada uma das quatro divergências do capítulo, escreva as posições, quem sustenta cada uma, o ano de cada documento e a marca no enunciado que revela em qual deles a questão foi montada.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Lactente de 4 meses, nascido a termo e sem comorbidades, é levado ao pronto atendimento em uma noite de junho por tosse e chiado há dois dias, precedidos de coriza. A mãe está assustada porque 'a respiração está muito rápida' e ele mamou menos hoje. Conduza o atendimento: colha a história dirigida, incluindo a pergunta que separa bronquiolite de sibilância recorrente e a busca ativa por apneia; examine com atenção ao esforço respiratório, à ausculta e ao estado de hidratação; meça a saturação antes de qualquer conduta; defina o destino da criança; prescreva apenas o que tem evidência; explique à mãe a evolução esperada em dias e os sinais que obrigam retorno imediato. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Bronquiolite viral aguda — Preparatório para provas | OsceLabs