Pediatria › Pneumologia Pediátrica
Faringoamigdalite e rinofaringite
A prova quer saber se você separa a faringoamigdalite estreptocócica das virais sem gastar antibiótico à toa — e se sabe dose, duração e o prazo que previne a febre reumática.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Menino de 4 anos apresenta há 2 dias febre (38,8 °C), odinofagia intensa e recusa alimentar. Ao exame: amígdalas hiperemiadas com exsudato, petéquias em palato, adenomegalia cervical anterior dolorosa, sem tosse e sem coriza. Considerando o agente bacteriano mais provável e a diretriz atual, qual é o antibiótico de primeira escolha?
Como esse tema cai
Dor de garganta e nariz escorrendo são o feijão com arroz do ambulatório de pediatria — e é exatamente por isso que caem tanto. A banca não quer saber se você decora vírus raros: quer saber se você reconhece que a imensa maioria desses quadros é viral e se resolve com soro fisiológico e antitérmico, e se você identifica, no meio deles, a única que muda de conduta — a faringoamigdalite estreptocócica, porta de entrada da febre reumática e da glomerulonefrite pós-estreptocócica.
O capítulo cobre os dois temas em espelho: a rinofaringite (o resfriado comum), em que a habilidade cobrada é não prescrever antibiótico e orientar a família; e a faringoamigdalite, em que a habilidade é decidir — por pistas clínicas, escore de McIsaac, teste rápido ou pela régua do AIDPI — quem recebe penicilina, em que dose, por quanto tempo e dentro de que prazo. No caminho, os diferenciais que a prova adora: herpangina, gengivoestomatite herpética, mononucleose (e o exantema pós-amoxicilina), abscesso periamigdaliano e difteria.
O que muda decisão
Rinofaringite aguda: a doença mais comum da infância
O resfriado comum é uma infecção viral autolimitada de nariz e faringe — rinovírus à frente, seguido de coronavírus sazonais, vírus sincicial respiratório, parainfluenza, adenovírus e influenza. Criança pequena adoece muito: seis a oito episódios por ano é o esperado nos primeiros anos de vida, e quem frequenta creche pode passar disso, emendando um quadro no outro durante o inverno. Esse número importa porque a queixa 'meu filho vive gripado' costuma ser desenvolvimento imunológico normal + exposição, não imunodeficiência — o alerta só liga quando as infecções são graves, profundas, por germes oportunistas ou não ganham intervalo livre.
A clínica é conhecida: coriza, obstrução nasal, espirros, tosse, febre nos primeiros 2 a 3 dias e hiperemia leve de faringe. O conjunto dura em torno de uma semana, podendo se arrastar por até duas — e a tosse é o último sintoma a sair. Secreção nasal que engrossa e amarela no meio do caminho faz parte da evolução normal do resfriado e não indica antibiótico.
Tratamento é suporte: lavagem nasal com soro fisiológico, antitérmico se febre ou dor (paracetamol, dipirona ou ibuprofeno nas doses pediátricas), líquidos e retorno se piorar. Mel alivia a tosse em maiores de 1 ano — abaixo disso é contraindicado pelo risco de botulismo. Antitussígenos, descongestionantes sistêmicos e mucolíticos não têm eficácia demonstrada em crianças pequenas e somam risco: não prescreva. E antibiótico não trata nem 'previne' complicação de resfriado — só seleciona flora.
As complicações bacterianas existem, mas são minoria: a otite média aguda é a mais frequente delas, e a rinossinusite bacteriana complica 5% a 13% dos resfriados na criança — no adulto a taxa é bem menor, de 0,5% a 2%. A pista de sinusite não é radiografia (que altera até em resfriado e rinite) — é o padrão temporal: sintomas que pioram depois do 5º dia ou que persistem além de 10 dias sem melhorar, ou quadro desproporcional desde o início (febre alta + secreção purulenta por 3 dias seguidos). Guarde a regra do tempo: ela decide questão.
Faringoamigdalite: o jogo é viral × estreptocócica
Na faringoamigdalite aguda, a maioria dos casos também é viral em todas as idades — no levantamento da SBP, 40% a 50% virais, 20% a 40% bacterianos e o restante sem agente identificado. O vilão que importa é um só: o Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A, SGA), responsável por cerca de 30% das amigdalites purulentas no meio brasileiro e por todas as consequências que justificam tratar — febre reumática, glomerulonefrite, complicações supurativas.
A idade é o primeiro filtro: o pico do SGA é a idade escolar, de 5 a 15 anos. Abaixo de 3 anos, faringite estreptocócica típica é incomum e febre reumática é rara — por isso a IDSA orienta nem testar rotineiramente lactentes, e você deve desconfiar de qualquer alternativa que mande 'colher teste rápido' em bebê de 1 ano resfriado.
Pistas que puxam para viral: coriza, tosse, rouquidão, espirros, conjuntivite, diarreia, úlceras ou vesículas na boca. Pistas que puxam para estreptocócica: início súbito com febre alta, exsudato amigdaliano purulento, petéquias no palato, adenomegalia cervical anterior dolorosa, dor abdominal e vômitos, exantema escarlatiniforme — tudo isso sem tosse e sem coriza. Nenhum achado isolado fecha diagnóstico: exsudato também aparece em adenovírus e mononucleose, e metade das crianças com quadro 'clássico' não tem SGA. É essa incerteza que os escores e o teste vieram organizar.
Quando a mesma bactéria vem com exantema micropapular áspero ('pele de lixa'), palidez perioral e língua em framboesa, o nome muda para escarlatina — mas a lógica diagnóstica e o tratamento são os da faringite estreptocócica. O exantema, aliás, é uma pista a favor do SGA no escore mental de qualquer prova.

Quadros virais com nome próprio
Herpangina (vírus Coxsackie A): pré-escolar, surtos de verão, febre alta e odinofagia com vesículas e úlceras pequenas na parte posterior da boca — pilares anteriores, palato mole, úvula. Poupa gengiva e lábios. Autolimitada; o desafio é analgesia e hidratação (a criança recusa até líquidos). Quando as lesões vêm também em mãos e pés, é a síndrome mão-pé-boca, do mesmo grupo de vírus.
Gengivoestomatite herpética (herpes-simples tipo 1, primoinfecção): lactente e pré-escolar, febre alta por vários dias e lesões na parte anterior — gengiva edemaciada e sangrante, úlceras em língua, lábios e mucosa jugal, hálito fétido, sialorreia. A localização anterior + gengivite é o que a separa da herpangina em prova. Risco real é desidratação por recusa alimentar.
Febre faringoconjuntival (adenovírus): faringite exsudativa + conjuntivite não purulenta + febre alta — o exsudato engana e leva a antibiótico desnecessário; a conjuntivite entrega o vírus.
Mononucleose infecciosa (Epstein-Barr): adolescente com odinofagia arrastada, exsudato amigdaliano, linfadenopatia generalizada (incluindo cadeias posteriores), fadiga importante, esplenomegalia e linfocitose com atipia. A pegadinha clássica: prescrever amoxicilina para essa 'amigdalite purulenta' e o paciente voltar com exantema maculopapular difuso — reação típica da associação EBV + aminopenicilina, que não é alergia verdadeira à penicilina e não contraindica uso futuro. Adolescente com 'amigdalite que não melhora com antibiótico' é mononucleose até prova em contrário.
Quem testar, quem tratar: escore, teste rápido e a régua do AIDPI
O problema prático: a clínica sozinha erra para os dois lados. A resposta internacional é estratificar com escore e confirmar com microbiologia. O escore de McIsaac (Centor modificado pela idade) soma cinco itens — febre relatada, ausência de tosse, adenomegalia cervical anterior dolorosa, edema ou exsudato amigdaliano e a faixa etária — e a atualização da IDSA de outubro de 2025 formalizou o papel dele: selecionar quem merece teste, poupando exame de quem tem probabilidade baixa. Na validação em mais de 200 mil pacientes, mesmo o escore máximo só acerta o SGA em ~55% — por isso escore alto, para a IDSA, indica testar, não fechar diagnóstico.
O teste rápido de antígeno é específico: positivo, está fechado — trate. Negativo em criança e adolescente, a IDSA manda colher cultura de orofaringe de resguardo, porque a sensibilidade do teste rápido não é perfeita e o custo de perder um SGA em quem pode fazer febre reumática é alto demais. Em adulto, a cultura de resguardo é dispensável (incidência de SGA e de febre reumática muito baixas). Dois exames que não servem para o episódio agudo: ASLO e anti-DNase B — anticorpos contam história passada, não o presente; o uso deles é dar evidência de estreptococcia prévia na investigação de febre reumática e GNPE.
E a realidade brasileira? Na maior parte das UBS não há teste rápido nem cultura em tempo útil. O documento oficial que resolve isso é o AIDPI (2 meses a 5 anos): classificação e tratamento pela clínica, sem microbiologia. Gânglios cervicais aumentados e dolorosos ou amígdalas hiperemiadas com pontos purulentos ou petéquias no palato = infecção moderada de garganta → antibiótico (penicilina benzatina em dose única), analgésico e retorno em 2 dias. Vesículas ou simples hiperemia com sinais de resfriado = infecção leve → só analgésico. Abaulamento de palato, membrana branco-acinzentada ou qualquer sinal geral de perigo = infecção grave → primeira dose de antibiótico e referência urgente. Acima dos 5 anos não há documento nacional equivalente — vale o raciocínio de escore + teste quando existir, e o tratamento empírico do quadro típico onde não existir.
Portador crônico de SGA existe e não se caça: parcela expressiva dos escolares assintomáticos carrega a bactéria na orofaringe sem risco relevante de febre reumática e com transmissão mínima. Não colha exame de quem não tem faringite aguda, não trate portador e não saia testando contactante assintomático — cada uma dessas condutas já foi alternativa errada de prova.
Tratamento da faringoamigdalite estreptocócica
Tratar serve para: (1) prevenir febre reumática — e a janela é generosa: o tratamento iniciado até o 9º dia do início do quadro mantém a proteção, então nunca há pressa que justifique antibiótico em quadro duvidoso sem avaliar; (2) prevenir complicações supurativas; (3) encurtar os sintomas em cerca de um dia; (4) cortar a transmissão — após 24 horas de antibiótico a criança pode voltar à escola. O que o tratamento não faz: prevenir glomerulonefrite pós-estreptocócica. Essa distinção decide questão todo ano.
Primeira escolha no Brasil: penicilina G benzatina intramuscular em dose única — 600.000 UI se menos de 20 kg; 1.200.000 UI se 20 kg ou mais (régua do AIDPI 2017 e da diretriz brasileira de febre reumática; a IDSA usa o corte de 27 kg — ver divergências). Resolve adesão num ato só, com custo baixo — por isso é a cara do SUS e da prova. A alternativa oral de rotina é a amoxicilina 50 mg/kg/dia (máximo 1 g/dia), por 10 dias completos — a criança melhora em 48-72 horas, mas a erradicação da orofaringe exige o curso inteiro; parar no 7º dia é resposta errada. Penicilina V oral é igualmente eficaz, mas as múltiplas tomadas diárias por 10 dias minam a adesão.
Alergia à penicilina: se a reação não foi anafilática, cefalosporina de 1ª geração (cefalexina 20 mg/kg/dose de 12/12 h, máx. 500 mg/dose, 10 dias). Se anafilaxia, macrolídeo — azitromicina 12 mg/kg 1×/dia (máx. 500 mg) por 5 dias — ou clindamicina 7 mg/kg/dose de 8/8 h (máx. 300 mg/dose) por 10 dias. Sulfametoxazol-trimetoprim não erradica o SGA da orofaringe e não é opção, por mais que seja o que há na prateleira do posto.
Completa o pacote: analgesia e antitérmico (paracetamol, dipirona ou ibuprofeno — nunca AAS em criança), corticoide não entra de rotina, e amigdalectomia não se indica apenas para reduzir frequência de amigdalites. Falha real ou recorrência precoce: reavalie o diagnóstico (mononucleose? portador + viral de repetição?) antes de escalar antibiótico; quando for mesmo recorrência bacteriana, amoxicilina-clavulanato ou cefalosporina são as opções.
Complicações e sinais de alarme
Supurativas: o abscesso periamigdaliano é o mais cobrado — adolescente com odinofagia unilateral intensa, trismo, voz abafada ('batata quente'), sialorreia e desvio contralateral da úvula com abaulamento do palato. Conduta: drenagem + antibiótico; no AIDPI, abaulamento de palato classifica como infecção grave e manda referir com urgência após a primeira dose. O abscesso retrofaríngeo prefere menores de 5 anos (o espaço retrofaríngeo involui depois): febre alta, disfagia, sialorreia, rigidez/hiperextensão cervical — pode obstruir via aérea. Otite média aguda e sinusite completam a lista.
Não supurativas: febre reumática (2 a 4 semanas após faringite não tratada — nunca após piodermite) e glomerulonefrite pós-estreptocócica (1 a 3 semanas após faringite ou piodermite, e o antibiótico não a previne). A profilaxia primária da febre reumática é exatamente o tratamento correto da faringite dentro da janela de 9 dias.
Difteria fecha os alarmes: membrana branco-acinzentada aderente em amígdalas e faringe, que sangra ao tentar descolar, halitose, toxemia e pescoço taurino em criança com vacinação incompleta. No AIDPI, membrana acinzentada = infecção grave = referir. Raríssima, mas é a razão de a caderneta vacinal entrar na anamnese de toda dor de garganta.
Escore de McIsaac e a régua do AIDPI
Duas ferramentas para a mesma decisão — antibiótico ou não. O McIsaac organiza a probabilidade e diz quem merece teste; o AIDPI resolve a vida real da UBS sem laboratório, dos 2 meses aos 5 anos.
- 1Dor de garganta: procure primeiro pistas virais francas (coriza, tosse, rouquidão, conjuntivite, vesículas/úlceras). Presentes → viral: sem teste, sem antibiótico, suporte.
- 2Menor de 3 anos: não teste nem trate SGA de rotina — apresentação atípica e febre reumática rara. Use a régua AIDPI se houver sinais de garganta.
- 3Sem pistas virais: some o McIsaac (febre relatada +1, sem tosse +1, adenomegalia cervical anterior dolorosa +1, edema/exsudato amigdaliano +1, 3-14 anos +1, 15-44 anos 0, 45+ −1).
- 40-1 ponto → probabilidade baixa: analgesia e orientação, sem teste.
- 52 ou mais pontos → teste rápido; positivo = tratar; negativo em criança/adolescente = cultura de resguardo antes de liberar.
- 6Sem teste disponível → régua AIDPI: gânglio cervical doloroso OU pontos purulentos/petéquias no palato = tratar com benzatina; vesículas/hiperemia com resfriado = só analgésico.
- 7Qualquer sinal de gravidade (abaulamento de palato, membrana acinzentada, trismo, sialorreia com rigidez cervical, estridor, sinal geral de perigo) → primeira dose de antibiótico e referência urgente.
0-1 ponto — baixa probabilidade (8-14%): nem teste, nem antibiótico
Analgesia, hidratação e orientação de retorno. Testar aqui só gera falso-positivo de portador e antibiótico desnecessário.
2-3 pontos — zona do teste (23-37%): confirmar antes de tratar
Teste rápido se disponível; negativo em criança pede cultura de resguardo. É a faixa em que a clínica sozinha mais erra — e onde a régua AIDPI decide quando não há laboratório.
4-5 pontos — alta probabilidade (~55%): teste ainda assim, se houver
Mesmo o escore cheio erra em quase metade dos casos — por isso a IDSA testa até aqui. Onde o teste não existe, o quadro típico com escore alto acaba tratado empiricamente — é o desenho do AIDPI abaixo dos 5 anos e a prática assistencial acima deles.
| Critério de McIsaac | Pontos |
|---|---|
| História de febre (> 38 °C) | +1 |
| Ausência de tosse | +1 |
| Adenomegalia cervical anterior dolorosa | +1 |
| Edema ou exsudato amigdaliano | +1 |
| Idade 3 a 14 anos | +1 |
| Idade 15 a 44 anos | 0 |
| Idade 45 anos ou mais | −1 |
Probabilidade de SGA por pontuação (validação em 206.870 pacientes, Fine 2012)
| Escore de McIsaac | Teste positivo para SGA |
|---|---|
| 0 | 8% |
| 1 | 14% |
| 2 | 23% |
| 3 | 37% |
| 4 ou mais | 55% |
AIDPI 2017 — problema de garganta (2 meses a 5 anos)
| Classificação | Critério | Conduta |
|---|---|---|
| Infecção GRAVE de garganta | Qualquer sinal geral de perigo; abaulamento de palato; membrana branco-acinzentada | Primeira dose de antibiótico + referir URGENTEMENTE |
| Infecção MODERADA de garganta | Gânglios cervicais aumentados e dolorosos OU amígdalas hiperemiadas com pontos purulentos ou petéquias no palato | Penicilina benzatina dose única (2ª linha: amoxicilina 10 dias) + analgésico + retorno em 2 dias |
| Infecção LEVE de garganta | Vesículas e/ou hiperemia de garganta com sinais de resfriado comum | Analgésico; seguimento em 2 dias se persistir a dor |
| Não há infecção de garganta | Nenhum dos sinais acima | Nenhum tratamento adicional |
Tratamento da faringoamigdalite estreptocócica
| Droga | Dose | Duração |
|---|---|---|
| Penicilina G benzatina IM (1ª escolha) | < 20 kg: 600.000 UI · ≥ 20 kg: 1.200.000 UI (IDSA: corte em 27 kg) | Dose única |
| Amoxicilina VO | 50 mg/kg/dia (máx. 1 g/dia), em 1 ou 2 tomadas | 10 dias |
| Penicilina V VO | Criança: 250 mg 2-3×/dia · adolescente: 500 mg 2×/dia | 10 dias |
| Cefalexina VO (alergia não anafilática) | 20 mg/kg/dose de 12/12 h (máx. 500 mg/dose) | 10 dias |
| Azitromicina VO (anafilaxia) | 12 mg/kg 1×/dia (máx. 500 mg) | 5 dias |
| Clindamicina VO (anafilaxia) | 7 mg/kg/dose de 8/8 h (máx. 300 mg/dose) | 10 dias |
ASLO e anti-DNase B não diagnosticam o episódio agudo — servem de evidência de estreptococcia prévia na investigação de febre reumática e GNPE.
Portador crônico: não testar contactante assintomático, não tratar portador — risco de febre reumática e transmissão são mínimos.
Corticoide não entra de rotina na faringite; AAS é proibido em criança.
Retorno à escola após 24 horas de antibiótico.
Sulfametoxazol-trimetoprim não erradica SGA — não é opção nem na falta de outra coisa.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Documentos brasileiros (AIDPI 2017; Diretriz de Febre Reumática SBC/SBP/SBR 2009): 600.000 UI abaixo de 20 kg, 1.200.000 UI a partir de 20 kg
É a régua unificada do SUS — a mesma do quadro de tratamento do AIDPI e da profilaxia primária e secundária da febre reumática, o que simplifica memorização e prescrição na rede.
Ministério da Saúde, AIDPI Criança 2017; Arq Bras Cardiol 2009;93(3 supl.4)
IDSA 2012: 600.000 UI abaixo de 27 kg, 1.200.000 UI a partir de 27 kg
O corte de 27 kg (60 libras) vem da tradição norte-americana de dosagem da benzatina e segue nas tabelas internacionais. As ampolas e as doses são as mesmas — muda só o peso em que se troca de uma para a outra.
Shulman ST et al., Clin Infect Dis 2012;55(10):e86-102
Na prova
Uma criança de 22 kg recebe 1.200.000 UI pela régua brasileira e 600.000 UI pela IDSA — é nessa faixa (20-27 kg) que a divergência aparece. Cenário de UBS, AIDPI ou diretriz nacional de febre reumática aponta o corte de 20 kg; enunciado que nomeie IDSA/AHA ou traga pesos convertidos de libras aponta 27 kg. Alternativas com os dois cortes lado a lado denunciam que a banca quer exatamente essa distinção.
IDSA (2012, reafirmado na parte 1 de 2025): confirmação microbiológica antes do antibiótico
Escore serve para escolher quem TESTAR, nunca para fechar diagnóstico — mesmo escore máximo erra em ~45%. Teste rápido positivo trata; negativo em criança exige cultura de resguardo. O objetivo é não tratar viral nem portador em país onde febre reumática é rara e teste é acessível.
Shulman ST et al., CID 2012; IDSA GAS Pharyngitis Update Part 1, 2025
AIDPI/Ministério da Saúde (2 meses a 5 anos): classificar e tratar pela clínica
Gânglio cervical doloroso ou exsudato/petéquias já classificam infecção moderada e recebem benzatina, sem exame. A causa é dupla: indisponibilidade de teste rápido e cultura na atenção primária do SUS e carga histórica de febre reumática no Brasil — o custo de deixar um SGA sem tratar supera o do antibiótico a mais.
Ministério da Saúde, AIDPI Criança — Quadros de Procedimentos, 2017
Na prova
O cenário decide: UBS sem laboratório, criança pequena, vocabulário do AIDPI ('classificar', 'infecção moderada de garganta') → conduta clínica com benzatina. Serviço com teste rápido citado no enunciado, adolescente/adulto, vocabulário de escore e cultura → fluxo IDSA. Alternativa que oferece 'colher cultura e aguardar' só faz sentido no mundo com laboratório — a presença dela revela o recorte.
IDSA 2012 e diretriz brasileira de febre reumática 2009: 10 dias para betalactâmico oral
A duração validada para erradicação do SGA da orofaringe — desfecho que sustenta a prevenção de febre reumática — é de 10 dias para penicilina V, amoxicilina e cefalexina; a exceção consagrada é a azitromicina, com 5 dias por perfil farmacocinético.
Shulman ST et al., CID 2012; Arq Bras Cardiol 2009
SBP (fascículo de otorrinolaringologia pediátrica, ~2002): cefalosporinas de 2ª geração por 5 dias como equivalentes
O documento registra eficácia clínica e microbiológica de 5 dias de cefaclor, axetil-cefuroxima ou cefprozil igual à de 10 dias de amoxicilina ou benzatina em dose única, apoiado em ensaios dos anos 1990. Espectro mais largo e custo maior mantiveram o esquema fora da primeira linha.
SBP, Antimicrobianos na Prática Clínica Pediátrica, Fascículo XIV (~2002)
Na prova
Quando a questão pergunta duração de amoxicilina ou penicilina V, o número em jogo é 10 dias — e alternativa com 7 dias é distrator, não posição de diretriz. Esquema curto só entra se o enunciado nomear cefalosporina de 2ª geração ou azitromicina; a idade dos documentos (ensaios dos anos 1990, fascículo de ~2002 × diretrizes de 2009/2012) explica por que ele aparece pouco nas bancas recentes.
Caso resolvido
- achado
- Febre alta súbita + exsudato amigdaliano + petéquias no palato + adenite cervical anterior dolorosa, SEM tosse nem coriza, em idade escolar — o retrato da faringoamigdalite estreptocócica.
- escore
- McIsaac: febre (+1), sem tosse (+1), adenomegalia dolorosa (+1), exsudato (+1), 9 anos (+1) = 5 pontos — probabilidade de SGA em torno de 55%. Pelo fluxo IDSA, mereceria teste; sem laboratório disponível e com quadro típico, trata-se empiricamente.
- conduta
- Penicilina G benzatina 1.200.000 UI IM em dose única (30 kg ≥ 20 kg), analgésico/antitérmico, orientação de hidratação e de retorno se piora. Alternativa oral: amoxicilina 50 mg/kg/dia por 10 dias completos.
- prevenção
- Tratada dentro da janela de 9 dias do início, a profilaxia primária da febre reumática está garantida. Retorno à escola após 24 horas de antibiótico. Não há necessidade de exame de controle nem de testar os irmãos assintomáticos.
Agora feche você
- achado
- Coriza + tosse + hiperemia leve sem exsudato em menor de 3 anos: quadro viral franco — rinofaringite aguda. Quatro episódios em 6 meses em criança de creche está dentro do esperado (6 a 8 por ano).
- interpretação
- Não há indicação de teste para estreptococo (pistas virais presentes E idade abaixo de 3 anos, em que SGA e febre reumática são raros) nem de radiografia. Secreção que engrossar e amarelar nos próximos dias continua sendo evolução normal.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Amoxicilina na mononucleose — e chamar o exantema de alergia Adolescente com amigdalite exsudativa + linfadenopatia generalizada + esplenomegalia que 'reagiu à amoxicilina' com rash difuso é EBV, não alergia à penicilina. A questão quer que você rotule de alergia e contraindique betalactâmico para sempre — não caia.
- 2Exsudato = bacteriano Adenovírus e mononucleose dão exsudato caprichado; metade dos escores máximos não tem SGA. O exsudato soma ponto, não fecha diagnóstico — a alternativa que trata todo exsudato com benzatina ignora o próprio motivo de existirem escore e teste.
- 3Encurtar a amoxicilina porque melhorou Melhora clínica vem em 48-72 h; erradicação exige 10 dias completos. '7 dias' parece razoável e está errado — o único esquema curto de rotina é a benzatina em dose única (e azitromicina 5 dias no anafilático).
- 4Prometer que o antibiótico previne glomerulonefrite Tratar previne febre reumática (janela de 9 dias) e reduz supuração e transmissão — mas NÃO previne GNPE. A questão cruza as duas complicações não supurativas esperando que você estenda a proteção de uma para a outra.
- 5Caçar estreptococo em quem não deve Testar lactente resfriado, contactante assintomático ou 'controle de cura' pós-tratamento só encontra portador — que não se trata. Cada um desses cenários vira alternativa plausível; todas erradas.
- 6Tratar o resfriado com arsenal Antitussígeno, descongestionante sistêmico, mucolítico e antibiótico 'profilático' não têm lugar na rinofaringite da criança pequena. A resposta certa costuma ser a mais simples da lista: soro nasal, antitérmico e orientação — e mel só acima de 1 ano.
O quadro (febre, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical dolorosa, ausência de tosse/coriza) preenche critérios de Centor/faringite estreptocócica por S. pyogenes. A primeira escolha é penicilina/amoxicilina, pela eficácia, custo e prevenção da febre reumática — não há resistência do S. pyogenes à penicilina. Azitromicina/macrolídeos ficam reservados a alérgicos à penicilina e há resistência crescente. Ciprofloxacino não cobre adequadamente S. pyogenes e é contraindicado como 1ª linha em crianças. Clindamicina é alternativa em falha/alergia grave, não 1ª escolha. Sulfametoxazol-trimetoprima não erradica o estreptococo do grupo A.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Uma criança de 5 anos é levada à UBS com dor de garganta, febre e dificuldade para engolir há 2 dias. Ao exame, apresenta orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse ou coriza. Considerando a principal etiologia bacteriana tratável desse quadro na atenção primária, qual é o antibiótico de primeira escolha?
O quadro sugere faringoamigdalite estreptocócica (Streptococcus pyogenes / estreptococo beta-hemolítico do grupo A), indicado pelos critérios de Centor (febre, exsudato amigdaliano, adenopatia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse). O tratamento de primeira escolha é a penicilina (benzatina IM em dose única ou amoxicilina/penicilina V oral), fundamental para prevenir a febre reumática. Azitromicina/macrolídeos são reservados a alérgicos à penicilina, com maior risco de resistência. Ciprofloxacino não cobre adequadamente o estreptococo e não é indicado em crianças de rotina. A vancomicina é medicação hospitalar para infecções graves por Gram-positivos resistentes, sem indicação nesse contexto ambulatorial.
Menino de 4 anos é atendido na UPA com febre, dor de garganta e recusa alimentar há 2 dias. Ao exame apresenta orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano bilateral, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse ou coriza. Considerando a APS e o SUS, qual é a conduta mais adequada?
O quadro (febre, exsudato amigdaliano, adenomegalia dolorosa e ausência de tosse/coriza — critérios de Centor) sugere faringotonsilite estreptocócica, cujo tratamento de escolha é a amoxicilina (ou penicilina benzatina) para prevenir febre reumática. Oseltamivir trata influenza, que cursa com sintomas sistêmicos e respiratórios altos difusos, não exsudato purulento localizado. Tratar como viral seria inadequado diante do perfil bacteriano. O encaminhamento ao especialista não se justifica em quadro manejável na APS.
Menina de 5 anos é atendida na UBS com odinofagia, febre de 38,8°C, adenopatia cervical anterior dolorosa e exsudato amigdaliano bilateral. Não há tosse nem coriza. Aplicando os critérios de Centor modificados (McIsaac), o médico opta por conduta baseada na maior probabilidade etiológica. Qual é o antibiótico de primeira escolha para o agente mais provável, considerando a prevenção de complicações não supurativas?
O quadro (febre, exsudato amigdaliano, adenopatia cervical anterior dolorosa, ausência de tosse, idade 3-14 anos) tem alta pontuação nos critérios de McIsaac, sugerindo faringite estreptocócica (Streptococcus pyogenes). O tratamento de primeira linha é a penicilina (benzatina IM em dose única ou amoxicilina/penicilina V oral por 10 dias), essencial para prevenir a febre reumática. A azitromicina é reservada a alérgicos à penicilina, com maior risco de resistência. Ciprofloxacino não cobre adequadamente o estreptococo e não é indicado em crianças de rotina. Ceftriaxona não é primeira escolha para faringite estreptocócica não complicada.
Uma criança de 4 anos é trazida à emergência com febre há 2 dias e dor de garganta intensa. A mãe relata que a criança recusa alimentos e apresenta hálito desagradável. Ao exame, observa-se orofaringe hiperemiada com amígdalas aumentadas, recobertas por exsudato purulento branco-amarelado, e linfonodos cervicais anteriores dolorosos e aumentados. Não há tosse, coriza ou conjuntivite. A criança está febril, com temperatura de 38,8°C, mas em bom estado geral e hidratada. Considerando o agente etiológico mais provável e o tratamento de primeira escolha, respectivamente, assinale:
Faringoamigdalite com exsudato purulento, adenopatia cervical anterior dolorosa, febre e ausência de tosse/coriza/conjuntivite (critérios de Centor) sugere etiologia bacteriana por Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), cujo tratamento de escolha é amoxicilina ou penicilina, importante para prevenir febre reumática. A presença de exsudato e adenopatia sem sintomas catarrais afasta etiologia viral (que seria só sintomático). Estafilococo e Haemophilus não são causas típicas de amigdalite bacteriana comunitária nessa idade.
Criança de 5 anos chega à emergência com febre de 39°C há 1 dia, dor de garganta intensa, dificuldade para engolir e recusa alimentar. Ao exame, apresenta amígdalas hipertrofiadas com exsudato branco-amarelado bilateral, petéquias em palato, linfonodos cervicais anteriores dolorosos e aumentados, e ausência de tosse e coriza. Abdome sem visceromegalias. Não há exantema. A criança está corada e hidratada. O médico calcula escore clínico compatível com alta probabilidade de etiologia bacteriana. Considerando a hipótese mais provável e o tratamento de escolha, assinale a alternativa correta, respectivamente.
Febre alta, exsudato amigdaliano bilateral, adenopatia cervical anterior dolorosa, petéquias em palato e ausência de tosse/coriza em criança >3 anos pontuam alto no escore de Centor, indicando faringoamigdalite por estreptococo do grupo A. O tratamento de escolha é penicilina benzatina IM ou amoxicilina VO, prevenindo febre reumática. Faringite viral (distrator) costuma vir com tosse/coriza e não pontua alto no escore. Mononucleose cursa com adenopatia generalizada, esplenomegalia e fadiga arrastada, e corticoide não é rotina. Difteria apresenta placas pseudomembranosas acinzentadas aderentes que sangram ao serem removidas, quadro distinto do exsudato descrito.
Criança de 3 anos é levada à UBS pela avó com queixa de tosse há dois dias, coriza e febre de 37,9°C. Está ativa, brincando na sala de espera, aceitando alimentação e líquidos. Ao exame: FR 32 irpm, saturação de O2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar com murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios, orofaringe hiperemiada, sem tiragem ou batimento de asa de nariz. Estado geral bom. Considerando a classificação de gravidade e o manejo da infecção respiratória aguda na APS, qual é a conduta mais adequada?
O quadro é de infecção de vias aéreas superiores (resfriado comum): febre baixa, tosse, coriza, bom estado geral, ausculta normal, saturação normal e FR dentro da faixa para a idade, sem sinais de gravidade (taquipneia significativa, tiragem, hipoxemia). A conduta é sintomática, com orientação de sinais de alarme, sem antibiótico. A A medicaliza erroneamente uma provável virose. A C submete a criança a exames desnecessários. A D é desproporcional, pois não há critérios de gravidade.
Menino, 5 anos, é levado ao pronto-socorro com dor de garganta intensa e febre de 39 °C há 2 dias. Nega tosse ou coriza. Ao exame: temperatura axilar 38,9 °C, orofaringe com amígdalas hiperemiadas, aumentadas e com exsudato esbranquiçado bilateral; linfonodos cervicais anteriores dolorosos e aumentados. Ausência de tosse. Restante do exame sem alterações. Considerando os critérios clínicos aplicáveis e a melhor conduta baseada em evidências para confirmar a etiologia, qual é o próximo passo mais adequado?
A criança soma 4 dos critérios de Centor/McIsaac (idade 3-14 anos = +1; febre >38 °C; exsudato amigdaliano; adenopatia cervical anterior dolorosa; ausência de tosse), o que confere alta probabilidade de faringite estreptocócica, mas o diagnóstico etiológico ainda deve ser confirmado antes do antibiótico — daí o teste rápido de antígeno e, se negativo em criança, a cultura de orofaringe, conforme recomendação pediátrica. Iniciar amoxicilina empiricamente contraria a diretriz pediátrica, que recomenda confirmação microbiológica e não tratamento empírico cego, justamente porque muitas faringites com exsudato são virais. A ASLO reflete infecção pregressa (sobe em 1-3 semanas) e não serve para diagnóstico agudo. Prescrever apenas sintomáticos ignora os achados (exsudato, adenopatia, ausência de tosse, febre alta), que apontam justamente para etiologia bacteriana. E a azitromicina não é primeira escolha: o tratamento indicado é penicilina/amoxicilina, ficando o macrolídeo reservado a alérgicos.
Menina, 7 anos, previamente hígida, apresenta dor de garganta e febre de 38,5 °C de início súbito há 2 dias. A mãe nega tosse e coriza. Ao exame: hiperemia intensa de orofaringe com exsudato purulento em ambas as amígdalas, petéquias no palato e linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos. Ausência de hepatoesplenomegalia. Peso: 23 kg. A conduta mais adequada é:
O conjunto febre de início súbito, exsudato amigdaliano, petéquias no palato, adenopatia cervical anterior dolorosa e AUSÊNCIA de tosse/coriza, em criança em idade escolar, configura escore de McIsaac elevado e faringoamigdalite estreptocócica (S. pyogenes) provável. O objetivo do tratamento é encurtar sintomas e, sobretudo, prevenir a febre reumática — o antibiótico de escolha é a penicilina, sendo a penicilina G benzatina em dose única (600.000 UI para < 27 kg; 1.200.000 UI para ≥ 27 kg) a opção correta, com adesão garantida. O quadro não é viral: ausência de tosse/coriza e presença de exsudato e petéquias apontam para bactéria. Azitromicina só é indicada na alergia a beta-lactâmicos, com crescente resistência do S. pyogenes aos macrolídeos. Amoxicilina-clavulanato tem espectro desnecessariamente amplo; amoxicilina simples bastaria — o clavulanato não agrega no estreptococo. Corticoide não substitui o antibiótico e não é rotina; deixar sem cobertura mantém o risco de febre reumática.
Lactente de 10 meses é levado à consulta com coriza hialina, espirros, obstrução nasal, febre baixa (37,9 °C) e tosse leve iniciados há 2 dias. Mama e aceita líquidos normalmente, está ativo e sem desconforto respiratório. Ao exame: ausculta pulmonar limpa, orofaringe discretamente hiperemiada sem exsudato e otoscopia bilateral normal. O agente etiológico mais frequentemente associado a esse quadro é:
O quadro descrito — coriza hialina, espirros, obstrução nasal, febre baixa e tosse leve, com bom estado geral e sem sinais de complicação — é a rinofaringite aguda (resfriado comum), de etiologia viral. O rinovírus é o agente mais frequentemente implicado, respondendo pela maior parte dos casos (opção correta); outros vírus como coronavírus, VSR e parainfluenza também participam. S. pyogenes causa faringoamigdalite bacteriana, com exsudato e febre alta, não este quadro catarral. S. pneumoniae e (D) H. influenzae são bactérias associadas a complicações (OMA, sinusite, pneumonia), não à causa primária do resfriado. M. pneumoniae causa pneumonia atípica/traqueobronquite em escolares e adolescentes, não sendo agente típico da rinofaringite do lactente. O tratamento é apenas sintomático, sem antibiótico.
Menina, 4 anos, com dor de garganta há 2 dias. Apresenta febre baixa (37,9 °C), coriza hialina abundante, tosse seca, rouquidão e hiperemia conjuntival bilateral. Ao exame: bom estado geral, orofaringe difusamente hiperemiada, SEM exsudato amigdaliano, sem petéquias em palato; linfonodos cervicais anteriores não dolorosos. Ausculta pulmonar limpa. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: o conjunto coriza + tosse + rouquidão + conjuntivite aponta fortemente para faringite VIRAL (escore de McIsaac baixo, com sintomas respiratórios altos difusos), na qual o tratamento é sintomático e não há indicação de antibiótico nem de testagem. Tratariam desnecessariamente um quadro viral, expondo a efeitos adversos e resistência — a penicilina benzatina IM sequer se justifica sem confirmação de estreptococo. Azitromicina não é primeira linha para faringite estreptocócica (reservada à alergia à penicilina) e aqui nem antibiótico está indicado. A presença de manifestações claramente virais (tosse, coriza, conjuntivite, rouquidão) contraindica a pesquisa de estreptococo, pois o pré-teste é baixo e um resultado positivo refletiria portador, gerando tratamento indevido.
Menina, 7 anos, 24 kg, com escarlatina confirmada por teste rápido positivo para estreptococo do grupo A. A mãe relata que, aos 3 anos, a criança apresentou anafilaxia (urticária generalizada, edema de glote e broncoespasmo) poucos minutos após uma dose de amoxicilina, com necessidade de atendimento de emergência. No momento, criança em bom estado geral, hidratada, afebril após sintomáticos. Qual é o antibiótico mais apropriado para a erradicação do estreptococo e prevenção de febre reumática?
A opção de primeira linha para o EGA é penicilina/amoxicilina, mas há história de reação anafilática (IgE-mediada, grave) a betalactâmico. Nesse cenário devem-se evitar TODOS os betalactâmicos, incluindo cefalosporinas, pelo risco de reação cruzada em alergia anafilática; a escolha recai sobre um macrolídeo (azitromicina) ou clindamicina. Cefalexina é aceitável em alergia não anafilática/tardia, mas está contraindicada aqui por ser betalactâmico em paciente com anafilaxia prévia. Também são betalactâmicos, igualmente contraindicados — além disso a dose de benzatina de 1.200.000 UI é para ≥27 kg (a paciente tem 24 kg, o correto seria 600.000 UI). O antibiótico é obrigatório: mesmo sendo autolimitada, o tratamento erradica o EGA e previne febre reumática.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe com queixa de dor de garganta intensa e febre aferida de 39 °C há 2 dias. A mãe nega tosse, coriza ou rouquidão. Ao exame, a criança encontra-se em bom estado geral, hidratada, com orofaringe difusamente hiperemiada, amígdalas aumentadas recobertas por exsudato esbranquiçado e linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos à palpação. Não há vesículas nem úlceras na cavidade oral, exantema ou hepatoesplenomegalia. O restante do exame físico não apresenta alterações. Considerando o quadro clínico, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica indicada?
A tríade febre alta, exsudato amigdaliano e adenopatia cervical anterior dolorosa na AUSÊNCIA de tosse/coriza (critérios de Centor) em criança em idade escolar aponta para faringoamigdalite estreptocócica (S. pyogenes), cujo tratamento com amoxicilina ou penicilina previne complicações supurativas e a febre reumática. A ausência de tosse/coriza e a presença de exsudato com adenopatia dolorosa tornam a etiologia viral improvável. A mononucleose costuma cursar com adenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia e comprometimento do estado geral, ausentes aqui. A herpangina cursa com vesículas/úlceras em pilares e palato, não descritas.
Menina de 3 anos é levada à Unidade de Saúde da Família com coriza hialina, obstrução nasal, espirros e febre baixa (37,9 °C) iniciados há 2 dias. Segundo a mãe, a criança permanece ativa, brincando, aceitando líquidos e alimentos normalmente. Ao exame, apresenta mucosa nasal hiperemiada com secreção clara, orofaringe discretamente hiperemiada sem exsudato, otoscopia bilateral normal e ausculta pulmonar limpa, sem esforço respiratório. Não há outros sintomas e a caderneta vacinal está em dia. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta mais adequada?
Coriza hialina, obstrução nasal, espirros e febre baixa de início recente, com bom estado geral e exame sem sinais de complicação, definem a rinofaringite viral (resfriado comum), de conduta sintomática e orientação aos pais sobre sinais de alarme — não há indicação de antibiótico. A sinusite bacteriana exigiria sintomas persistentes por mais de 10 dias, piora após melhora ou quadro grave, ausentes aqui. Não há exsudato, adenopatia dolorosa ou febre alta que sugiram etiologia estreptocócica. A rinite alérgica é recorrente/sazonal, sem febre, e o quadro agudo febril fala contra esse diagnóstico.
Homem de 25 anos procura a Unidade Básica de Saúde com quadro de coriza hialina, obstrução nasal, espirros, dor de garganta leve e tosse seca há três dias. Refere febre baixa (37,8 °C) apenas no primeiro dia, já ausente. Nega dispneia, dor torácica, otalgia intensa ou secreção purulenta persistente. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, afebril, com discreta hiperemia de orofaringe, sem exsudato amigdaliano, ausculta pulmonar limpa e ausência de linfadenomegalia dolorosa. Diante desse quadro de resfriado comum, qual é a conduta mais apropriada na atenção primária?
O resfriado comum é uma infecção viral autolimitada das vias aéreas superiores; a conduta correta é sintomática (analgésico/antitérmico, hidratação, lavagem nasal) com orientação sobre sinais de alerta e retorno, sem antibiótico. Antibioticoterapia não previne complicações e favorece resistência bacteriana. Radiografia de seios da face não é indicada em quadro viral inicial não complicado. Oseltamivir é reservado a casos de síndrome gripal com fatores de risco/gravidade, não ao resfriado comum de baixo risco.
Menino de 7 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor de garganta intensa e febre de 38,8 °C há dois dias. A mãe nega tosse e coriza. Ao exame, apresenta-se em bom estado geral, hidratado, com orofaringe hiperemiada, amígdalas aumentadas com exsudato esbranquiçado bilateral e linfonodos cervicais anteriores dolorosos à palpação. Não há hepatoesplenomegalia nem exantema. A ausculta cardiopulmonar é normal. Considerando o quadro clínico e a epidemiologia, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica de primeira escolha no SUS?
O conjunto febre alta, exsudato amigdaliano, adenopatia cervical anterior dolorosa e AUSENCIA de tosse/coriza aponta forte para etiologia estreptococica (criterios de Centor elevados), indicando antibioticoterapia para prevenir febre reumatica. A primeira escolha e a penicilina/amoxicilina por 10 dias (alternativa correta). Faringite viral cursa com tosse e coriza, o que a mae nega. Azitromicina (macrolideo) e reservada a alergicos a penicilina, nao primeira linha. Mononucleose costuma ter esplenomegalia/adenopatia generalizada e exige mais achados; o exsudato isolado nao a define.
Crianca de 4 anos e levada pela avo a Unidade Basica de Saude com coriza clara, espirros, tosse seca e febre baixa (37,9 °C) ha dois dias. Alimenta-se e brinca normalmente, sem prostracao. Ao exame, esta em bom estado geral, corada, hidratada, eupneica, com orofaringe discretamente hiperemiada sem exsudato, otoscopia bilateral normal e ausculta pulmonar limpa, sem tiragem ou estridor. A avo pergunta se a crianca precisa de antibiotico. Qual e o diagnostico mais provavel e a conduta adequada?
Coriza clara, espirros, tosse e febre baixa em crianca em bom estado geral, com otoscopia normal e sem exsudato amigdaliano, caracterizam rinofaringite viral (resfriado comum), autolimitada; a conduta e sintomatica (hidratacao, antitermico, lavagem nasal) com orientacao de sinais de alarme, SEM antibiotico. Sinusite bacteriana exigiria sintomas persistentes (>10 dias) ou piora/secrecao purulenta prolongada. Faringoamigdalite estreptococica traria exsudato e adenopatia dolorosa, ausentes. OMA exigiria alteracao timpanica, e a otoscopia esta normal.
Um menino de 8 anos é levado pela mãe à unidade de saúde da família com queixa de dor de garganta há 3 dias. A mãe relata tosse seca frequente, coriza hialina abundante, obstrução nasal, rouquidão e olhos avermelhados e lacrimejantes. Refere febre baixa (37,8 °C) no primeiro dia, já sem febre há 48 horas. A criança mantém boa aceitação de líquidos e está brincando na sala de espera. Antecedentes: vacinação em dia, sem comorbidades. Ao exame: bom estado geral, afebril, orofaringe difusamente hiperemiada, sem exsudato, amígdalas discretamente aumentadas; hiperemia conjuntival bilateral; ausência de linfonodomegalia cervical anterior dolorosa; ausculta pulmonar limpa. Qual é a conduta mais adequada nesse caso?
O quadro reúne tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite, com ausência de febre, ausência de exsudato e ausência de adenopatia cervical anterior dolorosa: escore de Centor (modificado por McIsaac) baixo, com padrão típico de faringite viral, que é a causa da grande maioria das faringoamigdalites na infância. A conduta correta é sintomática, com analgésico/antitérmico, hidratação e orientação de sinais de alerta — não há indicação de antibiótico. Incorreta porque antibiótico não altera o curso de infecção viral e expõe a criança a efeitos adversos e resistência bacteriana. Incorreta: pelo mesmo motivo, e a azitromicina é reservada apenas a alérgicos à penicilina com faringite estreptocócica comprovada/altamente provável. Incorreta: com escore baixo não se indica cultura nem tratamento empírico, e iniciar penicilina antes do resultado contraria a racionalidade do uso de antimicrobianos.
Um menino de 7 anos, 22 kg, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor de garganta intensa iniciada há 2 dias, acompanhada de febre aferida de 39 °C e recusa alimentar por dor à deglutição. A mãe nega tosse, coriza, obstrução nasal ou rouquidão. Não há história de contato com doentes nem viagem recente. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corado, hidratado, febril (38,7 °C axilar), com amígdalas hipertrofiadas, hiperemiadas e recobertas por exsudato esbranquiçado bilateral, petéquias no palato mole e linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos à palpação. Não há hepatoesplenomegalia, exantema ou membranas acinzentadas aderentes. A ausculta cardiopulmonar e o abdome não apresentam alterações. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta adequada?
Correta: o quadro reúne os critérios clássicos de Centor/McIsaac (febre alta, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa, ausência de tosse, idade 3–14 anos), muito sugestivos de faringoamigdalite por Streptococcus pyogenes; o Ministério da Saúde/Caderneta de Atenção Básica preconiza penicilina G benzatina IM em dose única (600.000 UI para peso < 27 kg), que erradica o estreptococo e previne febre reumática. Faringite viral cursa com coriza, tosse e rouquidão, ausentes aqui. Mononucleose costuma trazer adenomegalia generalizada, hepatoesplenomegalia e fadiga prolongada, não descritos. Difteria produz membrana acinzentada aderente e sangrante, com toxemia desproporcional, o que não corresponde ao exame.
Um menino de 3 anos, que frequenta creche, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde no segundo dia de sintomas. Ela refere coriza hialina abundante, espirros, obstrução nasal, tosse seca ocasional e temperatura máxima de 37,9 °C aferida em casa. A criança mantém boa aceitação de líquidos, está ativa e brincando na sala de espera, e não há vômitos ou prostração. O calendário vacinal está atualizado. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, hidratada, eupneica, com saturação de 98% em ar ambiente; mucosa nasal congesta com secreção clara, orofaringe discretamente hiperemiada sem exsudato, otoscopia bilateral normal e ausculta pulmonar limpa. Qual é a conduta mais adequada para este caso?
Correta: trata-se de rinofaringite aguda viral (resfriado comum), autolimitada, cujo tratamento é exclusivamente sintomático — lavagem nasal com soro fisiológico, antitérmico/analgésico conforme necessidade, hidratação — associado à orientação dos sinais de alarme (febre persistente por mais de 3 dias ou que retorna, dificuldade respiratória, recusa alimentar, prostração). Antibiótico não previne complicações bacterianas e favorece resistência e eventos adversos. Radiografia de seios da face não está indicada, sobretudo com apenas 2 dias de sintomas, pois o diagnóstico de rinossinusite bacteriana é clínico e exige sintomas persistentes por 10 dias ou piora após melhora. Descongestionantes sistêmicos e anti-histamínicos são ineficazes e contraindicados em menores de 6 anos pelo risco de eventos adversos.
Um menino de 9 anos é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor de garganta intensa e febre aferida em casa de 39 °C, iniciadas há dois dias. A mãe relata recusa alimentar por odinofagia e nega tosse, coriza ou obstrução nasal. Não há antecedentes patológicos relevantes, e o calendário vacinal está atualizado. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corado, hidratado, temperatura axilar de 38,8 °C, orofaringe com amígdalas hiperemiadas, aumentadas de volume e recobertas por exsudato esbranquiçado bilateral, além de linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos à palpação. Ausculta pulmonar e cardíaca sem alterações; abdome sem visceromegalias. Não há testes rápidos disponíveis na unidade no momento. Com base nos critérios de Centor modificados (McIsaac), qual é, respectivamente, a hipótese diagnóstica mais provável e a conduta adequada?
O escore de Centor modificado (McIsaac) pontua: ausência de tosse (+1), exsudato/hipertrofia amigdaliana (+1), adenomegalia cervical anterior dolorosa (+1), febre > 38 °C (+1) e idade 3–14 anos (+1). O paciente soma 5 pontos, o que confere alta probabilidade de infecção por Streptococcus pyogenes e justifica, na indisponibilidade de teste rápido, o tratamento antibiótico empírico. O Ministério da Saúde recomenda penicilina G benzatina IM em dose única (600.000 UI para < 27 kg; 1.200.000 UI para ≥ 27 kg) como primeira escolha, com amoxicilina VO por 10 dias como alternativa — o objetivo principal é prevenir a febre reumática. Tratar o caso como faringoamigdalite viral, apenas com sintomáticos, está incorreto porque a ausência de tosse e coriza e a presença de exsudato, febre alta e adenomegalia dolorosa afastam o padrão viral, no qual predominam sintomas catarrais. Diagnosticar mononucleose infecciosa está incorreto porque ela costuma cursar com adenomegalia generalizada (cervical posterior), esplenomegalia e fadiga prolongada, ausentes no caso. Indicar drenagem de abscesso periamigdaliano está incorreto porque essa complicação cursa com abaulamento unilateral com desvio da úvula, trismo, voz em batata quente e sialorreia — o exame mostra acometimento bilateral simétrico, sem sinais de complicação supurativa.
Menino de 7 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre de 39 °C há dois dias, dor de garganta intensa e recusa alimentar. A mãe nega tosse, coriza ou rouquidão. Ao exame: temperatura axilar de 38,8 °C, orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano bilateral, linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos à palpação. Restante do exame físico sem alterações. Não há disponibilidade de teste rápido para estreptococo nem de cultura de orofaringe na unidade. Considerando o quadro clínico, qual é a conduta mais apropriada?
O primeiro passo é reconhecer o padrão de faringoamigdalite estreptocócica: idade escolar, início agudo com febre alta, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e AUSÊNCIA de sintomas virais (tosse/coriza) — escore de Centor/McIsaac alto. O segundo passo é tratar empiricamente na APS quando não há teste rápido, prevenindo febre reumática: penicilina G benzatina IM em dose única é a primeira escolha do Ministério da Saúde (amoxicilina VO por 10 dias é alternativa equivalente). Sintomáticos isolados são indicados na faringite viral, que cursa com tosse/coriza e sem exsudato com adenomegalia dolorosa — não é o caso. Hemograma e PCR não diferenciam com acurácia etiologia viral de bacteriana na faringite e apenas atrasam o tratamento. Azitromicina é reservada a alérgicos à penicilina, tem maior resistência do S. pyogenes no Brasil e germes atípicos não causam este quadro.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre de 39 °C há 2 dias, odinofagia e exantema. Ao exame: orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano, língua em framboesa, linfonodos cervicais anteriores dolorosos e exantema micropapular áspero ('em lixa') difuso, com acentuação em pregas cutâneas (linhas de Pastia) e palidez perioral. Não há tosse nem coriza. Qual é a conduta mais apropriada?
O conjunto febre, faringoamigdalite exsudativa, língua em framboesa, exantema em lixa com linhas de Pastia e palidez perioral define escarlatina, causada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A. O tratamento de escolha é penicilina ou amoxicilina por 10 dias, que encurta o quadro, reduz a transmissão e, sobretudo, previne a febre reumática. Aciclovir trataria infecção herpética, ausente aqui. Sintomáticos isolados Inadequados: pois se trata de infecção bacteriana com risco de complicações. Corticoide/anti-histamínico supõe causa alérgica, incompatível com o quadro.
Menino de 5 anos, pesando 18 kg, é atendido em Unidade Básica de Saúde com quadro clínico clássico de escarlatina. A mãe relata histórico de baixa adesão a tratamentos orais prolongados na família, e a equipe decide por antibioticoterapia intramuscular em dose única. Optando-se por penicilina G benzatina, qual é a dose correta para esse paciente?
Para tratamento primário da infecção estreptocócica, a penicilina G benzatina é dose única ajustada ao peso: 600.000 UI em crianças com menos de 27 kg e 1.200.000 UI naquelas com 27 kg ou mais. Como o paciente pesa 18 kg, a dose correta é 600.000 UI por via intramuscular em dose única. A dose única de 1.200.000 UI é a de crianças maiores e adultos. O esquema de 1.200.000 UI a cada 21 dias por anos corresponde à profilaxia secundária da febre reumática, não ao tratamento agudo. E 300.000 UI é subdose, sem eficácia terapêutica comprovada.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre aferida de 38,8 °C, dor de garganta intensa e odinofagia há 2 dias. Nega tosse e coriza. Ao exame: hiperemia e exsudato em ambas as amígdalas, além de linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos. Considerando o quadro clínico e a aplicação do escore de Centor modificado (McIsaac), qual é a conduta mais adequada neste momento?
A paciente pontua alto no escore de McIsaac (ausência de tosse, febre >38 °C, exsudato/edema amigdaliano, adenopatia cervical anterior dolorosa e idade de 3–14 anos), o que torna elevada a probabilidade de faringoamigdalite estreptocócica e justifica antibioticoterapia empírica. A amoxicilina (ou penicilina) VO por 10 dias é o esquema de primeira linha no SUS, prevenindo febre reumática. Aguardar cultura atrasa o tratamento sem benefício quando o escore já indica alta probabilidade. Tratar só com sintomáticos ignora o risco de complicações supurativas e reumáticas. A azitromicina é reservada a alérgicos à penicilina, não sendo primeira escolha.
Menino de 3 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde com 3 dias de coriza hialina, tosse, febre baixa (37,9 °C), hiperemia conjuntival e leve rouquidão. Ao exame, orofaringe difusamente hiperemiada, sem exsudato, e ausência de adenopatia cervical dolorosa; restante do exame sem alterações. Qual é a conduta mais apropriada?
O conjunto coriza, tosse, conjuntivite, rouquidão e ausência de exsudato/adenopatia caracteriza rinofaringite viral (resfriado comum), de curso autolimitado. A conduta é sintomática — hidratação, antitérmico e orientação de sinais de alarme —, reservando reavaliação se piora ou persistência. Amoxicilina e penicilina benzatina só se justificariam em faringite estreptocócica, cujo quadro tipicamente cursa sem tosse/coriza e com exsudato. A azitromicina não tem indicação em infecção viral e favorece resistência bacteriana.
Pré-escolar de 4 anos é levado à UPA com febre de 39,2 °C há 3 dias, odinofagia, tosse seca e coriza hialina. Há 2 dias apresenta hiperemia ocular bilateral com lacrimejamento, sem secreção purulenta. Frequenta creche onde há outras crianças com quadro semelhante. Previamente hígido, vacinação em dia. Ao exame: bom estado geral, hidratado, orofaringe com hiperemia e exsudato amigdaliano bilateral, conjuntivite bilateral não purulenta, linfadenomegalias cervicais anteriores e pré-auriculares discretas e indolores. Otoscopia e ausculta pulmonar normais. Assinale a conduta mais adequada.
O quadro é típico de febre faringoconjuntival por adenovírus: faringite exsudativa + conjuntivite bilateral não purulenta + adenopatia pré-auricular + tosse e coriza + surto em creche — etiologia viral, tratamento apenas sintomático. Tosse, coriza e conjuntivite são fortes preditores negativos para estreptococo do grupo A (reduzem o escore de Centor/McIsaac), e exsudato amigdaliano NÃO é exclusivo de faringite bacteriana. Tratam desnecessariamente uma faringite viral com penicilina/amoxicilina. Azitromicina não teria indicação nem seria primeira linha se fosse estreptocócica. A conjuntivite adenoviral é não purulenta e autolimitada; colírio antibiótico e amoxicilina são ambos injustificados.
Menina de 8 anos chega à UPA com febre há 3 dias, dor de garganta e ausência de tosse ou coriza. Ao exame: temperatura 38,8 °C, exsudato amigdaliano e linfonodos cervicais anteriores dolorosos. O teste rápido para antígeno do estreptococo do grupo A é positivo. Em consulta ao prontuário, consta episódio prévio, aos 5 anos, de urticária generalizada, edema de glote e hipotensão minutos após dose de amoxicilina, com necessidade de adrenalina e internação. A criança não apresenta outras comorbidades e aceita medicação oral. Assinale a conduta antimicrobiana adequada.
A paciente tem faringite estreptocócica confirmada (Centor/McIsaac alto e teste rápido positivo) e história inequívoca de anafilaxia à penicilina. Nesse cenário, betalactâmicos estão contraindicados e a alternativa recomendada é um antimicrobiano não betalactâmico com atividade contra S. pyogenes — clindamicina (ou macrolídeo) por 10 dias, mantendo a prevenção da febre reumática. Cefalexina é a opção aceitável apenas em alergia NÃO anafilática (exantema tardio); diante de anafilaxia prévia, a pegadinha é justamente aceitar a cefalosporina. Penicilina benzatina com pré-medicação é conduta proscrita: corticoide e anti-histamínico não previnem anafilaxia mediada por IgE. Suspender o antibiótico não é opção, pois o tratamento iniciado em até 9 dias do início dos sintomas é o que previne a febre reumática.
Menina de 6 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com febre de 38,9 °C e dor de garganta intensa iniciadas há 2 dias, com recusa alimentar. A mãe nega tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite. Ao exame: bom estado geral, orofaringe intensamente hiperemiada com exsudato purulento em ambas as amígdalas e linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos à palpação. Ausculta pulmonar normal, sem hepatoesplenomegalia ou exantema. A unidade não dispõe de teste rápido para estreptococo. Pesa 22 kg. Assinale a conduta mais adequada.
A paciente pontua 5 no escore de McIsaac (idade 3–14 anos, febre, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse), o que torna a faringoamigdalite estreptocócica muito provável e autoriza o tratamento empírico quando o teste rápido não está disponível. A penicilina G benzatina em dose única (600.000 UI para peso abaixo de 27 kg) é o esquema de escolha, com a vantagem de garantir adesão e prevenir febre reumática. Apenas sintomáticos deixariam sem cobertura um quadro de alta probabilidade bacteriana. Amoxicilina-clavulanato é desnecessária, pois o Streptococcus pyogenes nunca desenvolveu resistência à penicilina. Azitromicina é reservada a alérgicos a betalactâmicos, dada a resistência crescente de macrolídeos.
Lactente de 10 meses é trazido à Unidade Básica de Saúde por quadro iniciado há 2 dias com coriza hialina abundante, espirros, tosse seca e febre de 37,9 °C. Frequenta creche e o irmão mais velho apresenta sintomas semelhantes. Ao exame: ativo, hidratado, corado, aceitando bem o seio materno; orofaringe discretamente hiperemiada sem exsudato; otoscopia com membranas timpânicas translúcidas e móveis bilateralmente; ausculta pulmonar limpa, sem tiragem, com frequência respiratória de 34 irpm e saturação de 98%. Assinale a conduta adequada.
Trata-se de rinofaringite aguda viral (resfriado comum), diagnóstico clínico apoiado por coriza hialina, febre baixa, bom estado geral, otoscopia e ausculta normais e contato domiciliar. O tratamento é exclusivamente sintomático — lavagem nasal com solução salina, antitérmico e hidratação —, com orientação de sinais de alarme e das complicações possíveis (otite média aguda, sinusite, pneumonia). Antibióticos não alteram a evolução nem previnem complicações bacterianas, além de selecionarem resistência. O oseltamivir só está indicado em síndrome gripal com fatores de risco ou síndrome respiratória aguda grave, o que não se aplica a este lactente eutrófico e sem sinais de gravidade. Corticoide nasal não tem papel no resfriado comum.
Menino de 6 anos, 22 kg, apresenta febre de 39 °C há 2 dias, odinofagia intensa, cefaleia e dor abdominal, sem tosse ou coriza. Ao exame: orofaringe hiperemiada com exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa, palidez perioral, língua em framboesa e exantema micropapular difuso de textura áspera, mais intenso em dobras axilares e inguinais, com linhas eritematosas transversais nessas regiões. O teste rápido para estreptococo do grupo A resultou positivo. Não há relato de alergia medicamentosa. Assinale a conduta terapêutica adequada.
O quadro é escarlatina (faringoamigdalite estreptocócica com exantema em lixa, sinal de Pastia, sinal de Filatov e língua em framboesa), com teste rápido positivo, e o tratamento de escolha é a penicilina benzatina intramuscular em dose única, cuja posologia é definida pelo peso: 600.000 UI para crianças com menos de 27 kg e 1.200.000 UI para 27 kg ou mais. Com 22 kg, a dose correta é 600.000 UI, o que torna incorreta a alternativa de 1.200.000 UI. Azitromicina é reservada a alérgicos à penicilina, situação não relatada. Amoxicilina com clavulanato amplia desnecessariamente o espectro, já que o Streptococcus pyogenes não produz betalactamase e permanece uniformemente sensível à penicilina.
Pré-escolar de 3 anos, em janeiro, com febre de 39 °C há 2 dias e recusa alimentar por dor à deglutição. Ao exame: vesículas e pequenas úlceras restritas aos pilares amigdalianos anteriores, ao palato mole e à úvula. Gengivas, língua e lábios normais. Qual o diagnóstico mais provável?
Vesículas e úlceras na porção POSTERIOR da boca (pilares, palato mole, úvula), poupando gengiva e lábios, em pré-escolar no verão, definem herpangina, causada por Coxsackie A — autolimitada, com manejo focado em analgesia e hidratação. A gengivoestomatite herpética acomete a porção ANTERIOR, com gengiva edemaciada e sangrante e lesões labiais. A estreptocócica cursa com exsudato e adenite, não com vesículas — aliás, vesículas são pista VIRAL no diagnóstico diferencial. Candidíase produz placas brancas destacáveis, sem febre alta. Aftas recorrentes não causam quadro febril agudo com múltiplas lesões posteriores.
Adolescente de 15 anos, com odinofagia há 8 dias, febre e prostração importante. Recebeu amoxicilina há 3 dias por 'amigdalite purulenta' e retorna com exantema maculopapular difuso. Ao exame: exsudato amigdaliano, linfadenopatia cervical anterior e posterior, linfonodos axilares palpáveis e baço percutível a 3 cm do rebordo costal. Qual o diagnóstico mais provável?
Odinofagia arrastada + linfadenopatia generalizada (incluindo cadeia posterior e axilar) + esplenomegalia + exantema APÓS aminopenicilina é o retrato da mononucleose: a erupção decorre da interação EBV-amoxicilina, não é alergia verdadeira e não contraindica betalactâmico no futuro. Escarlatina tem exantema micropapular áspero de início precoce com língua em framboesa, não linfadenopatia generalizada com esplenomegalia. Resistência do SGA à amoxicilina não é fenômeno descrito relevante — falha de betalactâmico em 'amigdalite' deve levantar EBV. A dose não explica exantema em quadro tão característico.
Adolescente de 17 anos, com odinofagia intensa há 4 dias, evolui com dor unilateral à esquerda, dificuldade de abrir a boca, voz abafada ('batata quente') e sialorreia. Ao exame: abaulamento do palato à esquerda com desvio da úvula para a direita. Qual o diagnóstico?
Odinofagia que lateraliza + trismo + voz abafada + sialorreia + abaulamento do palato com desvio CONTRALATERAL da úvula fecham abscesso periamigdaliano, complicação supurativa mais comum da faringoamigdalite, típica de adolescente. A conduta é drenagem com antibiótico — e note que no AIDPI o abaulamento de palato classifica como infecção grave de garganta, com primeira dose e referência urgente. Mononucleose dá hipertrofia bilateral sem trismo; difteria produz membrana acinzentada aderente que sangra ao descolar, em não vacinado; epiglotite é via aérea (estridor, posição em tripé) sem abaulamento palatino; herpangina causa vesículas posteriores em pré-escolar.
Adolescente de 16 anos procura atendimento por odinofagia há 2 dias e febre aferida de 38,6 °C. Nega tosse. Ao exame: amígdalas edemaciadas com exsudato; não há adenomegalia cervical dolorosa. O serviço dispõe de teste rápido para estreptococo do grupo A. Segundo o escore de McIsaac e o fluxo da IDSA, qual a pontuação e a conduta?
Some: febre (+1), ausência de tosse (+1), exsudato amigdaliano (+1), sem adenomegalia dolorosa (0), 16 anos — faixa de 15 a 44 anos (0) = 3 pontos, faixa em que ~37% têm SGA. Escore de 2 ou mais indica TESTAR, nunca fechar diagnóstico — mesmo 4-5 pontos erram em quase metade dos casos. Positivo, trata; negativo, em adolescente a IDSA ainda pede cultura de resguardo. As alternativas de tratamento empírico invertem a lógica do escore no cenário em que o teste existe; e 1 ponto subestima a soma correta dos critérios.
Na consulta de AIDPI, criança de 4 anos e 16 kg apresenta dor de garganta, gânglios cervicais aumentados e dolorosos e amígdalas hiperemiadas com pontos purulentos. Não há sinais gerais de perigo, abaulamento de palato nem membranas acinzentadas. Segundo o Manual de Quadros de Procedimentos (2017), a classificação é infecção moderada de garganta. Qual o tratamento de primeira linha?
Infecção moderada de garganta no AIDPI (gânglios dolorosos OU pontos purulentos/petéquias) trata-se com penicilina benzatina em dose única — e com 16 kg (< 20 kg) a dose é 600.000 UI; 1.200.000 UI é para 20 kg ou mais (a IDSA troca de dose apenas aos 27 kg — pegadinha de régua). Referência urgente é conduta da infecção GRAVE (sinal de perigo, abaulamento de palato ou membrana acinzentada), ausentes aqui. Só analgésico corresponde à infecção LEVE (vesículas/hiperemia com resfriado). Sulfametoxazol-trimetoprim não erradica o estreptococo e não é opção em nenhuma linha.
Menina de 9 anos, 30 kg, é levada à UBS por febre de 39,2 °C de início abrupto há 36 horas e odinofagia intensa. Nega tosse e coriza. Ao exame: amígdalas hiperemiadas com exsudato purulento bilateral, petéquias no palato e linfonodo cervical anterior doloroso de 2 cm. A unidade não dispõe de teste rápido para estreptococo nem de cultura. Qual a conduta mais adequada?
Quadro típico com McIsaac 5 (febre + sem tosse + adenite dolorosa + exsudato + idade escolar): sem teste disponível, trata-se empiricamente — e com 30 kg (≥ 20 kg) a dose é 1.200.000 UI em dose única, primeira escolha do AIDPI e da diretriz de febre reumática. ASLO reflete infecção passada e não serve para o episódio agudo. Amoxicilina seria alternativa correta, mas por 10 dias completos — 7 dias não garantem erradicação. Azitromicina fica reservada ao alérgico com anafilaxia, na dose de 12 mg/kg/dia por 5 dias. Aguardar 48 horas desperdiça a chance de encurtar sintomas e transmissão sem necessidade — embora a janela de prevenção da febre reumática fosse comportar (9 dias).
Lactente de 14 meses, matriculado em creche, apresenta coriza hialina, obstrução nasal, tosse e febre de 37,8 °C há 2 dias. É o quarto episódio semelhante em 6 meses, todos autolimitados. Orofaringe com hiperemia leve, sem exsudato; ausculta pulmonar normal. Qual a conduta?
Rinofaringite viral em criança de creche: 6 a 8 episódios por ano são esperados nessa idade — recorrência não é indicação de antibiótico nem de investigação. O tratamento é suporte: soro nasal, antitérmico, líquidos e orientação de retorno (piora após o 5º dia ou sintomas além de 10 dias sugerem sinusite). Testar SGA em menor de 3 anos com pistas virais francas contraria a recomendação da IDSA. Antitussígenos e descongestionantes não têm eficácia demonstrada em crianças pequenas e somam risco. Radiografia de seios da face altera até em resfriado e rinite — não diagnostica sinusite bacteriana, cujo critério é temporal e clínico.
Sobre o tratamento adequado e oportuno da faringoamigdalite estreptocócica na criança, é correto afirmar que ele reduz ou previne todas as situações abaixo, EXCETO:
O antibiótico previne febre reumática (é a profilaxia primária, válida se iniciado até o 9º dia), reduz supuração, encurta os sintomas em cerca de um dia e corta a transmissão — após 24 horas de tratamento a criança pode voltar à escola. A glomerulonefrite pós-estreptocócica é a exceção clássica: decorre de resposta imune a cepas nefritogênicas (de faringe OU pele) e NÃO é prevenida pelo tratamento do episódio. É a distinção entre as duas complicações não supurativas que as bancas mais exploram.
Menino de 6 anos é levado à unidade básica com dor de garganta e febre de 38,4 °C há dois dias. Tem tosse, coriza abundante, rouquidão e conjuntivite não purulenta. À inspeção da orofaringe há hiperemia difusa, sem exsudato e sem petéquias no palato, e não há linfonodo cervical anterior doloroso. A unidade não dispõe de teste rápido nem de cultura. A mãe insiste em antibiótico para o filho não ter febre reumática. Qual é a conduta e o argumento que a sustenta?
Coriza, tosse, rouquidão e conjuntivite são pistas virais francas, e diante delas a orientação é não testar e não antibioticar: o caminho é analgesia, hidratação e orientação de retorno. O argumento que fecha a conduta é o prazo — o tratamento da faringoamigdalite estreptocócica iniciado até o nono dia do início do quadro mantém a proteção contra a febre reumática, de modo que não existe pressa que justifique antibiótico em quadro duvidoso sem reavaliar. Prescrever penicilina G benzatina agora inverte esse raciocínio e ainda contraria o exame, já que exsudato, petéquias e adenomegalia cervical anterior dolorosa estão todos ausentes. Dez dias de amoxicilina é a alternativa oral correta para quem tem indicação de tratar, e este menino não tem — a duração é o número certo aplicado ao paciente errado. O ASLO reflete infecção passada e não decide o episódio agudo. A azitromicina fica reservada a quem teve reação anafilática à penicilina, na dose de 12 mg/kg por dia durante cinco dias, e não é atalho de comodidade. Vale registrar o limite do que o antibiótico faria mesmo se indicado: ele previne febre reumática, reduz supuração, encurta os sintomas e corta a transmissão, mas não previne a glomerulonefrite pós-estreptocócica.
Menino de 8 anos concluiu há três semanas o tratamento de uma faringoamigdalite estreptocócica com penicilina G benzatina e está assintomático. A mãe volta pedindo um exame de controle de cura para ele e um teste rápido para o irmão de 5 anos, que mora na mesma casa e não tem queixa alguma. O serviço dispõe de teste rápido e de cultura de orofaringe. Qual é a conduta?
Parcela expressiva dos escolares assintomáticos carrega o estreptococo do grupo A na orofaringe sem risco relevante de febre reumática e com transmissão mínima: é o portador crônico, que não se caça e não se trata. As condutas rejeitadas nominalmente são justamente as oferecidas aqui — não colher exame de quem não tem faringite aguda, não tratar portador e não sair testando contactante assintomático. O controle de cura cai na mesma categoria: encontrar a bactéria em quem está assintomático depois do tratamento identifica portador, não falha terapêutica. Testar os dois e tratar quem vier positivo transforma um achado esperado em prescrição, e testar só o irmão faz o mesmo com um passo a menos. Os anticorpos não resolvem nada disso: ASLO e anti-DNase B contam história passada e servem como evidência de estreptococcia prévia na investigação de febre reumática e de glomerulonefrite pós-estreptocócica, nunca para decidir tratamento no presente. E tratar o irmão sem exame soma o pior dos dois caminhos, expondo a antibiótico uma criança sem faringite, com base num achado que ninguém chegou a medir.
Menino de 6 anos está no sétimo dia de um quadro de coriza, obstrução nasal e tosse. Vinha melhorando desde o quinto dia e, há 24 horas, voltou a apresentar febre de 39 °C, secreção nasal purulenta abundante e piora da tosse. Está ativo, hidratado, sem desconforto respiratório e com ausculta pulmonar normal. Qual é a interpretação do quadro?
O resfriado comum dura em torno de uma semana e pode se arrastar por até duas, e a secreção que engrossa e amarela no meio do caminho faz parte dessa evolução — isolada, não indica antibiótico. O que muda a leitura aqui é a forma da curva: a criança já vinha melhorando e voltou a piorar. A pista de rinossinusite bacteriana não é a cor da secreção nem a imagem, e sim o padrão temporal — sintomas que pioram depois do quinto dia, ou que persistem além de dez dias sem melhorar, ou quadro desproporcional desde o início, com febre alta e secreção purulenta por três dias seguidos. Este menino cumpre o primeiro desses padrões, e a rinossinusite é a complicação plausível, já que ela complica de 5% a 13% dos resfriados na criança. Chamar de evolução normal ignora a inversão da curva. Condicionar o diagnóstico à radiografia de seios da face erra o método: o exame se altera até em resfriado e em rinite, motivo pelo qual o critério é clínico e temporal. Faringoamigdalite estreptocócica pediria início súbito com febre alta, exsudato, petéquias no palato e adenomegalia cervical anterior dolorosa, tudo sem tosse e sem coriza, o oposto do descrito. E pneumonia exigiria taquipneia ou achado focal na ausculta, ausentes num menino sem desconforto respiratório e com ausculta normal.
Menino de 3 anos, em creche, com coriza hialina, obstrução nasal, tosse e febre de 38,2 °C há 2 dias. Ao exame, orofaringe hiperemiada sem exsudato, otoscopia normal, ausculta pulmonar limpa. Qual a conduta?
Resfriado comum é infecção viral autolimitada e o tratamento é de suporte, com lavagem nasal, hidratação, antitérmico se desconforto e orientação de sinais de alarme. Antibiótico não previne otite nem sinusite e apenas seleciona resistência e causa diarreia. Oseltamivir é para influenza com síndrome gripal e fatores de risco, não para resfriado comum. Corticoide não tem papel na rinofaringite viral. A combinação de anti-histamínico com descongestionante é justamente a prescrição que as sociedades desaconselham abaixo de 6 anos, por eventos adversos graves sem benefício demonstrado.
Qual orientação sobre medicamentos sintomáticos no resfriado da criança menor de 6 anos está correta?
Descongestionantes sistêmicos e antitussígenos estão contraindicados abaixo de 6 anos por casos documentados de taquiarritmia, hipertensão, convulsão, depressão do sensório e óbito, sem benefício sintomático relevante. Codeína é ainda mais grave, com risco de depressão respiratória em metabolizadores rápidos, e tem restrição formal em pediatria. Anti-histamínicos de primeira geração sedam e não encurtam nada. O mel, ao contrário, tem evidência de alívio da tosse noturna e é recomendado — sua única contraindicação é abaixo de 1 ano, pelo risco de botulismo.
Qual é a duração média esperada dos sintomas do resfriado comum na criança pequena e a frequência anual habitual de episódios em quem frequenta creche?
Saber a história natural é o que evita antibiótico e exames desnecessários: os sintomas duram em média 7 a 10 dias e a tosse residual pode se estender por até 3 semanas, e a criança em creche apresenta 6 a 12 episódios por ano, especialmente no primeiro ano de convivência. Estimar 2 ou 3 episódios anuais faz o pediatra rotular como imunodeficiência uma criança normal. Considerar duração de 48 horas leva a interpretar como bacteriano todo quadro que passa do terceiro dia — o erro mais comum no consultório.
Qual das complicações abaixo é a mais frequente do resfriado comum na criança?
A otite média aguda é a complicação bacteriana mais comum do resfriado, favorecida pela tuba auditiva curta e horizontalizada da criança pequena — cerca de 5 a 15% dos resfriados evoluem assim. Abscesso periamigdaliano é complicação de faringoamigdalite, não de rinofaringite, e ocorre em geral no adolescente. Meningite, mastoidite e trombose de seio cavernoso são complicações supurativas raras e graves, que devem ser lembradas como sinais de alarme, mas confundir raridade com frequência leva a exames e antibióticos desnecessários em todo resfriado.
Menina de 6 anos com dor de garganta intensa, febre de 39 °C, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse e coriza. Qual a conduta?
O conjunto febre alta, exsudato, adenomegalia anterior dolorosa e ausência de tosse e coriza é o escore clínico que aponta faringite estreptocócica; confirmado por teste rápido, o tratamento com penicilina ou amoxicilina por 10 dias previne febre reumática. Azitromicina empírica pressupõe alergia à penicilina e tem resistência crescente. Assumir origem viral em todos os casos ignora que o estreptococo responde por parcela relevante das faringites entre 5 e 15 anos. Monoteste investiga mononucleose, hipótese secundária. Corticoide isolado alivia a dor e mascara sem tratar.
Qual é o objetivo principal do tratamento com penicilina na faringoamigdalite estreptocócica?
A razão histórica e principal para tratar é a prevenção da febre reumática, que pode ser evitada mesmo quando o antibiótico é iniciado até nove dias após o começo dos sintomas. A glomerulonefrite é o distrator mais escolhido, mas ela não é prevenida pelo tratamento da faringite. O estado de portador crônico costuma persistir e, salvo situações específicas, não indica tratamentos repetidos.
Menino de 5 anos com dor de garganta, febre de 38,9 °C, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse. Qual a conduta mais adequada em serviço com disponibilidade de teste rápido?
Com quatro critérios clínicos favoráveis, mas com teste disponível, a conduta que combina acurácia e racionalidade é testar e tratar os positivos, evitando antibiótico em quem tem faringite viral com apresentação semelhante. A antiestreptolisina O é o erro que aparece com frequência: ela sobe semanas depois e serve para documentar infecção pregressa em investigação de febre reumática ou glomerulonefrite, jamais para decidir tratamento agudo. Hemograma e proteína C reativa não discriminam bem etiologia na faringite.
Qual achado clínico ajuda a diferenciar faringoamigdalite estreptocócica de faringite viral em uma criança de 7 anos?
Os escores clínicos valorizam justamente essa combinação: febre, exsudato, gânglio cervical anterior doloroso e ausência de sintomas catarrais, com a idade entre 3 e 14 anos somando ponto. Tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite e enantema vesicular apontam com força para etiologia viral e reduzem a probabilidade de estreptococo. A confirmação por teste rápido ou cultura evita tanto o antibiótico desnecessário quanto a febre reumática por infecção não tratada.
Menina de 8 anos com escarlatina e alergia comprovada à penicilina, sem anafilaxia. Qual a alternativa terapêutica?
Em alergia não anafilática, a cefalexina é opção adequada pela baixa reação cruzada; em reação grave, opta-se por macrolídeo ou clindamicina, lembrando que há resistência crescente do estreptococo aos macrolídeos. Sulfametoxazol com trimetoprima é o distrator perigoso: ele não erradica o estreptococo da orofaringe de modo confiável e, portanto, não previne febre reumática. Quinolonas e metronidazol não têm indicação nessa infecção em criança.
Qual dos achados abaixo torna MENOS provável a etiologia estreptocócica de uma faringite em criança?
Sintomas catarrais — tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite — e presença de úlceras orais apontam fortemente para etiologia viral, e sua presença é um dos poucos discriminadores clínicos confiáveis. Exsudato, adenomegalia anterior dolorosa, petéquias em palato e ausência de tosse compõem os critérios que aumentam a probabilidade de estreptococo. O erro de tratar toda faringite com exsudato como bacteriana ignora que adenovírus e o vírus Epstein-Barr produzem exsudatos exuberantes.
Adolescente de 14 anos com faringite exsudativa recebe amoxicilina e, três dias depois, desenvolve exantema maculopapular difuso. Apresenta também adenomegalia cervical posterior, esplenomegalia e linfocitose com atipia. Qual o diagnóstico?
Adenomegalia cervical posterior, esplenomegalia, linfócitos atípicos e exantema após aminopenicilina compõem o quadro clássico da mononucleose por vírus Epstein-Barr — o exantema é uma reação relacionada à infecção viral e não caracteriza alergia permanente ao antibiótico. Rotular o adolescente como alérgico à penicilina é o erro de maior consequência a longo prazo, porque restringe injustificadamente escolhas terapêuticas pela vida toda. Orientar a restrição a esportes de contato pelo risco de ruptura esplênica faz parte da conduta.
Qual a principal razão para tratar com antibiótico a faringoamigdalite estreptocócica na criança?
A prevenção da febre reumática é a razão central, e o antibiótico mantém eficácia mesmo iniciado até cerca de 9 dias após o início dos sintomas. A prevenção da glomerulonefrite é o distrator mais tentador, mas o tratamento da faringite não previne de forma confiável a complicação renal, que também decorre de infecções cutâneas. O benefício sintomático existe, porém é modesto — encurta o quadro em cerca de um dia —, e a redução da transmissibilidade ocorre em 24 horas de tratamento, não de forma permanente.
Lactente de 18 meses com coriza, obstrução nasal, febre baixa e irritabilidade há 3 dias, com bom estado geral. Qual a conduta?
A rinofaringite aguda é viral, autolimitada e tratada com medidas de suporte — lavagem nasal, hidratação e antitérmico —, com orientação sobre sinais de alarme e sobre a duração esperada dos sintomas, que pode chegar a dez dias. Descongestionantes sistêmicos e anti-histamínicos não têm eficácia comprovada nessa faixa etária e apresentam efeitos adversos relevantes, incluindo relatos de eventos graves em lactentes.
Qual das complicações abaixo é NÃO supurativa da faringoamigdalite estreptocócica?
As complicações não supurativas são a febre reumática e a glomerulonefrite pós-estreptocócica, mediadas por resposta imune, enquanto as supurativas resultam da extensão local da infecção — abscessos periamigdaliano e retrofaríngeo, linfadenite e otite. A distinção tem consequência prática direta: o antibiótico previne a febre reumática e reduz complicações supurativas, mas não previne de forma confiável a glomerulonefrite.
Qual achado, em criança com rinofaringite, sugere complicação bacteriana e justifica reavaliação para rinossinusite bacteriana aguda?
São três os padrões que sugerem rinossinusite bacteriana: persistência além de 10 dias sem melhora, piora após melhora inicial (a chamada dupla piora) e início grave com febre alta e secreção purulenta por três dias consecutivos. A cor da secreção isoladamente é o critério mais usado na prática e o menos válido: o esverdeado reflete a presença de neutrófilos e ocorre na evolução natural de qualquer resfriado, não indicando por si infecção bacteriana.
Qual a duração adequada do tratamento com amoxicilina para faringoamigdalite estreptocócica em criança?
O esquema de 10 dias é o padrão porque é a duração validada para erradicação do estreptococo da orofaringe, que é o que previne a febre reumática — a alternativa é a penicilina benzatina em dose única intramuscular. Prescrever 7 dias é o erro sutil que atrai por analogia com outras infecções: a melhora clínica ocorre em 48 horas, mas interromper antes leva à persistência do agente e mantém o risco reumático, além de favorecer recidiva.
Sobre o teste rápido para estreptococo do grupo A na criança, assinale a afirmativa correta.
O teste rápido é bastante específico, de modo que um resultado positivo dispensa cultura e autoriza tratar; a sensibilidade é menor, e por isso um negativo em criança com quadro clinicamente sugestivo pode ser confirmado por cultura de orofaringe. Tratar o negativo como exclusão definitiva é o erro que deixa passar casos com risco reumático. Aplicar o teste em criança com tosse, coriza e rouquidão é o outro extremo: aumenta a chance de detectar portadores e tratar faringite viral.
Sobre o estado de portador crônico de estreptococo do grupo A na orofaringe, assinale a afirmativa correta.
O portador crônico é frequente entre escolares, tem baixo risco de complicações e de transmitir, e a tentativa de erradicação em massa gera uso desnecessário de antibiótico. Reconhecer esse estado tem uma consequência prática importante: uma criança portadora que apresenta faringite viral terá teste rápido positivo, sendo tratada como estreptocócica sem necessidade — o que explica boa parte das faringites 'recorrentes' que não respondem ao tratamento.
Menino de 4 anos apresenta dor de garganta, febre de 38,2 °C, tosse, coriza, rouquidão e úlceras na mucosa oral. Ao exame, hiperemia de orofaringe sem exsudato. Qual a conduta?
Tosse, coriza, rouquidão e úlceras orais são marcadores de etiologia viral, e nesse cenário nem se justifica testar para estreptococo — o tratamento é sintomático. Prescrever antibiótico é o excesso mais frequente na prática pediátrica, e ele não abrevia o quadro viral, expõe a efeitos adversos e seleciona resistência. Além disso, a idade abaixo de 3 anos torna a faringite estreptocócica e a febre reumática eventos raros, o que reforça a conduta conservadora nos menores.
Menina de 6 anos apresenta o terceiro episódio de faringoamigdalite estreptocócica documentada em 6 meses. Qual a conduta?
Os critérios de indicação de amigdalectomia por episódios recorrentes exigem frequência elevada e documentada ao longo de um a três anos — tipicamente sete episódios em um ano, cinco por ano em dois anos ou três por ano em três anos —, e três episódios em seis meses ainda não os preenche. Indicar cirurgia precocemente é o erro que submete a criança a um procedimento cujo benefício é modesto e limitado no tempo. Profilaxia contínua é reservada à prevenção secundária da febre reumática.
Menino de 8 anos apresenta dor de garganta intensa, febre de 39 °C, exsudato amigdaliano, petéquias em palato e adenomegalia cervical anterior dolorosa, sem tosse. O teste rápido para estreptococo é positivo. Qual o tratamento de escolha?
Penicilina benzatina em dose única ou amoxicilina por 10 dias são as opções de primeira linha, com a vantagem da dose única quando há dúvida sobre a adesão — o objetivo central é erradicar o estreptococo e prevenir a febre reumática. Sulfametoxazol com trimetoprima é o distrator perigoso: não erradica o estreptococo da orofaringe de modo confiável e, portanto, não protege contra a febre reumática, apesar de melhorar sintomas. Quinolonas não são indicadas nessa infecção em criança.
Criança de 6 anos, com quadro de febre e odinofagia há 2 dias, é atendida na Unidade Básica de Saúde. Ao exame, temperatura de 38,7 graus Celsius, hiperemia intensa de orofaringe com exsudato, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse e coriza. Não há hepatoesplenomegalia. Não há teste rápido disponível na unidade. Qual é a conduta mais adequada?
A presença de febre, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse configura alta probabilidade de faringite estreptocócica em escolar, justificando antibioticoterapia com penicilina ou amoxicilina, que previne febre reumática. O macrolídeo é alternativa apenas na alergia a betalactâmicos e tem maior resistência. Considerar toda faringite viral desconhece que o estreptococo do grupo A é causa relevante entre 5 e 15 anos. Aguardar cultura por 72 horas retarda a prevenção da complicação não supurativa, embora a cultura seja útil quando disponível.
Criança de 7 anos é levada à Unidade Básica de Saúde por dor de garganta há 2 dias, com febre baixa, tosse, coriza e rouquidão. Ao exame, temperatura de 37,9 graus Celsius, hiperemia leve de orofaringe sem exsudato e ausência de adenomegalia dolorosa. A mãe pede antibiótico porque o quadro se repete todo inverno. Qual é a conduta mais adequada?
Sintomas catarrais como tosse, coriza e rouquidão indicam faringite viral, situação em que o antibiótico não traz benefício e favorece resistência e efeitos adversos, cabendo sintomáticos e orientação. A amoxicilina não previne febre reumática em quadro viral, pois não há estreptococo a erradicar. A azitromicina não encurta infecção viral e amplia a pressão seletiva. Iniciar antibiótico enquanto aguarda cultura em quadro de baixa probabilidade contraria o uso racional de antimicrobianos.
Criança de 7 anos apresenta há 3 dias febre, dor de garganta e dor abdominal. Ao exame, há exsudato amigdaliano e petéquias em palato, sem tosse. Foi tratada com amoxicilina e retorna após 5 dias com persistência da febre, aumento importante das amígdalas com desvio de úvula, trismo e voz de batata quente. Qual é a conduta imediata?
Trismo, voz abafada, abaulamento amigdaliano com desvio de úvula e febre persistente configuram abscesso periamigdaliano, complicação supurativa que exige drenagem e antibiótico parenteral. Trocar para macrolídeo oral não resolve coleção purulenta formada. Corticoide isolado com alta desconsidera o risco de progressão para espaço parafaríngeo e obstrução de via aérea. Aguardar sorologia retarda o tratamento de uma emergência otorrinolaringológica.
Menina de 9 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor de garganta e febre de 38,8 °C há dois dias. Ao exame: exsudato amigdaliano bilateral, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse ou coriza. Sem hepatoesplenomegalia, sem exantema. Estado geral bom, hidratada. A unidade não dispõe de teste rápido para estreptococo. Qual é a conduta adequada?
Febre, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse somam pontuação alta nos critérios clínicos e, na indisponibilidade de teste rápido, autorizam o tratamento com penicilina ou amoxicilina, que previne febre reumática. Considerar todas as faringites virais desconsidera a idade e o quadro clínico de maior probabilidade bacteriana. Macrolídeo é alternativa apenas em alergia à penicilina. Antiestreptolisina reflete infecção pregressa e não orienta a decisão na fase aguda.
Criança de 3 anos, com quadro de resfriado comum, é levada à Unidade Básica de Saúde e a mãe solicita antibiótico porque a secreção nasal está amarelada há 4 dias. A criança está afebril há 2 dias, ativa, alimentando-se bem, com ausculta pulmonar normal e sem sinais de complicação. Qual é a conduta correta?
A alteração de cor da secreção nasal reflete a migração de neutrófilos e integra a evolução natural do resfriado comum, sem indicar infecção bacteriana nem justificar antibiótico, cabendo orientação e sinais de alerta. Prescrever antibiótico nesse contexto amplia resistência e efeitos adversos sem benefício. Descongestionantes sistêmicos são desaconselhados em crianças pequenas por eventos adversos. A radiografia de seios da face tem baixa acurácia em crianças e não deve orientar a decisão.
Criança de 3 anos apresenta febre alta, conjuntivite bilateral, faringite e adenomegalia pré-auricular, com vários casos semelhantes em colegas de creche e em uma piscina frequentada pelo grupo. Ao exame, há hiperemia conjuntival com secreção aquosa, sem dor ocular intensa nem redução da acuidade visual. Qual é o agente e a conduta?
A febre faringoconjuntival, com conjuntivite, faringite, febre e adenomegalia pré-auricular em surto associado a piscina, é típica de adenovírus, com manejo sintomático e medidas de higiene por sua alta transmissibilidade. A conjuntivite gonocócica é hiperaguda com secreção purulenta abundante, própria do período neonatal ou de contexto sexual. O estreptococo causa faringite exsudativa sem conjuntivite. A clamídia produz conjuntivite de inclusão com curso arrastado e não esse padrão epidêmico agudo.
Criança de 4 anos, com quadro de dor de garganta e febre há 2 dias, é diagnosticada com faringite estreptocócica e inicia amoxicilina. A mãe pergunta a partir de quando a criança pode retornar à creche. Qual é a orientação correta?
Após 24 horas de antibioticoterapia adequada e com melhora clínica, a transmissibilidade da faringite estreptocócica se reduz substancialmente, permitindo o retorno às atividades. Exigir o término dos dez dias afasta a criança sem necessidade. Afirmar ausência de transmissibilidade é incorreto, pois a doença é transmitida por gotículas. Basear o retorno apenas na ausência de febre sem considerar o antibiótico não corresponde à recomendação.
Criança de 10 anos, com febre há 3 dias e odinofagia, tem teste rápido para estreptococo positivo. A mãe relata que a irmã de 5 anos está assintomática, mas pergunta se deve ser testada e tratada preventivamente. Não há histórico familiar de febre reumática. Qual é a orientação correta?
A investigação e o tratamento de contatos assintomáticos não são recomendados na rotina, pois o portador assintomático tem baixo risco de complicação e de transmissão, reservando-se a abordagem a situações especiais como surtos ou antecedente de febre reumática na família. Testar e tratar todos amplia uso de antimicrobiano sem benefício. Tratar sem testar agrava esse problema. O encaminhamento cardiológico de contatos assintomáticos não tem qualquer indicação.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com dor de garganta e febre há 2 dias. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,7 °C, orofaringe com hiperemia intensa e exsudato amigdaliano bilateral, adenomegalia cervical anterior dolorosa, ausência de tosse, ausência de coriza, ausência de conjuntivite e ausência de rouquidão. O restante do exame é normal, com ausculta pulmonar limpa e bom estado geral, e a unidade dispõe de teste rápido para pesquisa de estreptococo do grupo A. A conduta mais adequada é:
A presença de exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical anterior dolorosa, febre e ausência de tosse e coriza aumenta a probabilidade de faringite estreptocócica, e o teste rápido permite confirmar antes de tratar, com penicilina ou amoxicilina, prevenindo febre reumática. Tratar toda dor de garganta com antibiótico gera resistência e efeitos adversos desnecessários. Considerar todas as faringites virais deixaria sem tratamento os casos estreptocócicos, com risco de complicações. Azitromicina é alternativa em alérgicos à penicilina, não a primeira escolha.
Menina de 3 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com coriza hialina, espirros, tosse e febre baixa há 3 dias. A mãe insiste na prescrição de antibiótico, pois a criança sempre melhora com ele. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,6 °C, FR 26 ipm, saturação de 98% em ar ambiente, mucosa nasal congesta com secreção hialina, orofaringe discretamente hiperemiada sem exsudato, ausculta pulmonar limpa, hidratada, ativa e com bom estado geral. A conduta mais adequada é:
O resfriado comum é de etiologia viral e autolimitado, e a conduta é orientar cuidados de suporte, hidratação, higiene nasal e sinais de alarme, explicando à família por que o antibiótico não ajuda, exemplo prático de prevenção quaternária na atenção primária. Prescrever antibiótico para atender à expectativa gera resistência, efeitos adversos e reforça a crença equivocada. Antitussígenos e descongestionantes sistêmicos não são recomendados em crianças pequenas, com risco de eventos adversos graves. Exames de rotina no resfriado não alteram conduta.
Menino de 6 anos é acompanhado na Unidade Básica de Saúde com história de sete episódios de amigdalite com febre, exsudato e adenomegalia no último ano, quatro deles com teste rápido positivo para estreptococo, todos tratados com antibiótico. Entre os episódios permanece assintomático, com crescimento adequado e sem apneia do sono relatada. Ao exame, hoje assintomático, apresenta amígdalas hipertróficas sem sinais inflamatórios agudos e ausculta pulmonar limpa. A conduta mais adequada é:
Amigdalites de repetição documentadas, com frequência elevada em um ano e episódios confirmados, configuram critério para avaliação especializada quanto à amigdalectomia, decisão compartilhada considerando frequência, gravidade e impacto na vida da criança. Antibiótico profilático contínuo não é recomendado nesse contexto e seleciona resistência. Corticoide sistêmico contínuo é inadequado e traz efeitos adversos importantes. Afirmar que a amigdalectomia nunca tem indicação na infância contraria as recomendações vigentes, que incluem também a obstrução de via aérea superior.
Menino de 3 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com resfriado comum e tosse noturna que atrapalha o sono, sem febre alta, sem taquipneia e com boa aceitação alimentar. A mãe pede um xarope para a tosse, pois já usou em outra criança da família. Ao exame apresenta FR 26 ipm, saturação de 98% em ar ambiente, mucosa nasal congesta com secreção hialina, orofaringe discretamente hiperemiada, ausculta pulmonar limpa e bom estado geral, sem sinais de complicação. A orientação correta é:
O manejo sintomático seguro do resfriado em crianças pequenas inclui hidratação, higiene nasal com solução salina e uso de mel em maiores de um ano, com evidência de alívio da tosse noturna, evitando-se antitussígenos, descongestionantes e anti-histamínicos de primeira geração pelo risco de eventos adversos graves nessa faixa etária. Antitussígeno de ação central não é recomendado em crianças pequenas. Descongestionantes sistêmicos associam-se a eventos cardiovasculares e neurológicos. Anti-histamínico de primeira geração causa sedação e agitação paradoxal sem benefício comprovado.
Menino de 5 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há dois dias, dor de garganta intensa e recusa alimentar, sem tosse e sem coriza. Ao exame: temperatura axilar 39 °C, amígdalas hipertrofiadas com exsudato purulento bilateral, petéquias em palato, linfonodos cervicais anteriores aumentados e dolorosos, sem hepatoesplenomegalia e sem exantema. A criança está hidratada e sem sinais de obstrução de via aérea. O serviço não dispõe de teste rápido para estreptococo. Qual é a conduta mais adequada?
Febre alta, exsudato amigdaliano, petéquias em palato, adenomegalia cervical anterior dolorosa e ausência de tosse e coriza compõem escore clínico alto para faringite estreptocócica em escolar, indicando tratamento antimicrobiano, que previne complicações supurativas e febre reumática, idealmente com confirmação quando disponível. Presumir etiologia viral em quadro tão sugestivo deixa sem tratamento uma infecção com complicações evitáveis. Corticoide não é tratamento principal. Amigdalectomia é procedimento eletivo com indicações específicas, jamais de urgência nesse contexto.
Menino de 10 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta, dor de garganta intensa há quatro dias e, hoje, dificuldade para abrir a boca e alteração da voz. Ao exame: toxemiado, febril, com trismo, voz abafada, desvio da úvula para a esquerda, abaulamento do pilar amigdaliano direito com deslocamento medial da amígdala e adenomegalia cervical dolorosa à direita, sem estridor e sem sialorreia intensa. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta?
Trismo, voz abafada, desvio da úvula e abaulamento unilateral do pilar amigdaliano caracterizam abscesso periamigdaliano, cujo tratamento combina drenagem por punção ou incisão com antibioticoterapia e analgesia, com atenção à via aérea. A faringite viral não produz abaulamento com desvio de úvula. A epiglotite cursa com sialorreia intensa, estridor e posição de tripé, sem abaulamento do pilar amigdaliano. A adenite cervical acomete o linfonodo, sem alterações intraorais desse tipo.
Menina de 8 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com dor de garganta, febre e mal-estar há dois dias, e a mãe insiste na prescrição de antibiótico, relatando que sempre funciona. Ao exame: temperatura axilar 38 °C, coriza abundante, tosse frequente, hiperemia de orofaringe sem exsudato, rouquidão, conjuntivite discreta e ausência de adenomegalia cervical anterior dolorosa, com bom estado geral e boa aceitação de líquidos. Qual é a conduta mais adequada?
A presença de tosse, coriza, rouquidão e conjuntivite, com ausência de exsudato e de adenomegalia cervical anterior dolorosa, indica etiologia viral da faringite, situação em que o antibiótico não traz benefício e favorece resistência e efeitos adversos, cabendo explicar o quadro, oferecer sintomáticos e definir sinais de alerta. Prescrever para atender à expectativa perpetua o uso inadequado. Corticoide não é tratamento principal. Iniciar antibiótico enquanto aguarda cultura em quadro claramente viral é inadequado.
Menina de 4 anos é levada à Unidade Básica de Saúde com quadro de coriza, tosse e febre baixa há três dias, e a mãe pede uma receita de xarope para tosse, relatando que o irmão mais velho usou um medicamento com codeína e melhorou. Ao exame: ativa, hidratada, corada, com temperatura axilar 37,8 °C, orofaringe hiperemiada, otoscopia normal, ausculta pulmonar sem alterações e sem sinais de gravidade. A criança dorme razoavelmente e aceita líquidos bem. Qual é a orientação correta?
Antitussígenos, sobretudo os que contêm opioides, e descongestionantes sistêmicos não são recomendados em crianças pequenas por falta de eficácia e risco de eventos adversos graves, incluindo depressão respiratória, sendo o manejo do resfriado comum baseado em hidratação, higiene nasal com solução salina, controle do desconforto e orientação de sinais de alerta. Codeína é formalmente contraindicada em crianças. Antibiótico não altera o curso de infecção viral e favorece resistência.
Menina de 8 anos é levada ao pronto-socorro com febre alta há dois dias e dor abdominal intensa, e a família relata que ela teve amigdalite tratada com antibiótico há três semanas, com interrupção precoce da medicação. Ao exame: febril, com dor à palpação abdominal difusa, sem irritação peritoneal, além de eritema em pele de tronco e adenomegalia cervical dolorosa, com bom estado geral entre os picos. Exames: leucocitose e provas inflamatórias elevadas, com urina sem alterações. Qual é a conduta prioritária?
Febre e sintomas sistêmicos após tratamento incompleto de faringite estreptocócica exigem reavaliação ampliada, investigando complicações supurativas e não supurativas, como abscessos, febre reumática e glomerulonefrite, além de outras causas de dor abdominal febril, com seguimento próximo e exames dirigidos. Prescrever antibiótico e liberar sem reavaliação não permite acompanhar a evolução. Sintomáticos com alta imediata ignoram os achados. Laparotomia sem investigação e sem sinais de peritonite é conduta desproporcional.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com quadro de faringite estreptocócica confirmada e a mãe pergunta quando ele poderá voltar à escola, pois teme transmitir a infecção aos colegas e perder muitos dias de aula. A criança iniciou o antibiótico ontem e apresenta melhora da dor e da febre. Ao exame: afebril, com amígdalas ainda hiperemiadas e exsudato em redução, aceitando líquidos bem e com bom estado geral, sem complicações. Qual é a orientação correta?
A transmissibilidade da faringite estreptocócica cai rapidamente após o início do antibiótico adequado, permitindo o retorno às atividades escolares após cerca de 24 horas de tratamento e com melhora clínica, desde que mantido o esquema completo, essencial para prevenir febre reumática. Afastar durante todo o tratamento gera prejuízo escolar desnecessário. Retornar antes do antibiótico mantém a transmissão. Afastamento por trinta dias após o tratamento não tem qualquer fundamento.
Uma escola comunica à Unidade Básica de Saúde vários casos de faringite estreptocócica confirmada entre alunos de uma mesma turma nas últimas semanas. A direção pergunta se todos os alunos devem receber antibiótico profilático e se é necessário realizar exames em todas as crianças assintomáticas para identificar portadores. Não há casos de complicações e as crianças sintomáticas foram tratadas conforme protocolo, com melhora clínica documentada. Qual é a orientação correta?
O manejo de surtos de faringite estreptocócica em escolas se baseia no diagnóstico e no tratamento dos casos sintomáticos, com reforço da higiene das mãos e etiqueta respiratória, sem indicação de profilaxia em massa nem de rastreamento de portadores assintomáticos, que raramente transmitem e não desenvolvem complicações. Tratar todos os alunos gera uso excessivo de antimicrobianos. Rastrear e tratar portadores não traz benefício. Fechar a escola não é medida recomendada nesse contexto.
Menino de 8 anos é levado repetidamente à Unidade Básica de Saúde com dor de garganta e a mãe relata que exames anteriores identificaram estreptococo em cultura em três ocasiões distintas ao longo do ano, mesmo em períodos assintomáticos. Nos episódios atuais predominam coriza, tosse e rouquidão, com febre baixa. Ao exame: orofaringe discretamente hiperemiada, sem exsudato, com tosse e coriza abundantes, sem adenomegalia cervical anterior dolorosa e com bom estado geral. Qual é a conduta correta?
O portador crônico de estreptococo apresenta cultura positiva sem doença ativa e tem baixo risco de complicações e de transmissão, não se beneficiando de tratamento repetido, sobretudo quando o quadro atual tem características virais como tosse, coriza e rouquidão. Tratar todos os episódios com cultura positiva gera uso desnecessário de antibiótico. A amigdalectomia não é indicada apenas para erradicar o estado de portador. Antibiótico contínuo prolongado seleciona resistência sem benefício clínico.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com febre alta há três dias, dor de garganta e olhos vermelhos, após frequentar clube com piscina onde outras crianças adoeceram. Ao exame: temperatura axilar 38,9 °C, hiperemia conjuntival bilateral com secreção aquosa e sensação de corpo estranho, orofaringe hiperemiada com exsudato escasso, adenomegalia pré-auricular bilateral dolorosa, sem exantema e sem sinais de gravidade, com bom estado geral e boa aceitação de líquidos. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A associação de febre alta, faringite e conjuntivite não purulenta com adenomegalia pré-auricular, em surto relacionado a piscina, caracteriza a febre faringoconjuntival por adenovírus, de manejo sintomático e sem indicação de antibiótico. A faringoamigdalite estreptocócica não cursa com conjuntivite, que é critério contra o diagnóstico. A conjuntivite bacteriana produz secreção purulenta sem esse padrão febril. O sarampo cursa com tosse, coriza intensa, manchas de Koplik e exantema que progride craniocaudalmente.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro com febre há dois dias e tosse leve, sem outros sintomas, durante período de circulação intensa de vírus respiratórios no município. A mãe solicita a realização de painel molecular respiratório, disponível na rede privada, para saber exatamente qual vírus a criança tem. Ao exame: ativo, hidratado, com temperatura axilar 38,2 °C, coriza, ausculta pulmonar sem alterações, saturação normal em ar ambiente e sem sinais de gravidade. Qual é a orientação correta?
A identificação viral específica raramente altera a conduta em quadro respiratório leve sem sinais de gravidade e sem indicação de antiviral, sendo o manejo sintomático com orientação de sinais de alerta a abordagem adequada, reservando-se testes a situações que mudam decisões, como grupos de risco, internação e controle de infecção. Solicitar o painel para todos gera custo sem benefício. Antiviral empírico sem indicação não se justifica. Antibiótico em quadro viral favorece a resistência.
Menina de 5 anos é levada ao pronto-socorro com febre alta, dor de garganta intensa e recusa alimentar há três dias, tendo recebido amoxicilina há 48 horas. Nas últimas horas apresenta dificuldade para abrir a boca e voz abafada. Ao exame: temperatura axilar 39 °C, trismo importante, sialorreia, abaulamento unilateral de pilar amigdaliano com desvio da úvula para o lado oposto, adenomegalia cervical dolorosa homolateral e ausência de estridor, mantendo saturação adequada em ar ambiente. Qual é a conduta correta?
O abaulamento de pilar amigdaliano com desvio da úvula, trismo e voz abafada caracteriza abscesso periamigdaliano, que exige internação, antibioticoterapia endovenosa e drenagem por punção ou incisão pela otorrinolaringologia, com vigilância da via aérea. Aumentar a dose do antibiótico oral não drena a coleção. Corticoide isolado alivia sintomas sem tratar o abscesso. Radiografia cervical não substitui a avaliação especializada nem a drenagem.
Menina, 7 anos, com dor de garganta há 2 dias, febre e adenomegalia cervical anterior dolorosa. Ao exame: T 38,6 °C, amígdalas hiperemiadas com exsudato, petéquias em palato, ausência de tosse e de coriza. Teste rápido para estreptococo do grupo A positivo. Não tem alergia a medicamentos e não apresenta desidratação nem sinais de complicação supurativa local. Qual a conduta terapêutica indicada?
A faringoamigdalite estreptocócica confirmada deve ser tratada com penicilina benzatina em dose única ou amoxicilina oral por dez dias, com o objetivo principal de prevenir febre reumática, além de reduzir sintomas e transmissão. A azitromicina é alternativa apenas para alérgicos à penicilina, com resistência crescente do estreptococo aos macrolídeos. Tratar apenas com sintomáticos deixa o paciente sob risco de complicação não supurativa, sobretudo a febre reumática. Corticoide pode reduzir a dor, mas não substitui o antibiótico nem previne sequelas. A ceftriaxona venosa hospitalar é desproporcional para um quadro sem complicação, sem toxemia e com boa aceitação oral.
Menina, 4 anos, apresenta há 3 dias febre, odinofagia e dificuldade para abrir a boca, com voz abafada e sialorreia. T 39,0 °C, FC 140 bpm. À oroscopia, observa-se abaulamento unilateral do palato mole à direita, com desvio da úvula para a esquerda e amígdala deslocada medialmente. Há trismo moderado e adenomegalia cervical dolorosa ipsilateral. Não há estridor nem desconforto respiratório. Qual o diagnóstico e a conduta?
Trismo, voz abafada, abaulamento do palato mole com desvio da úvula e deslocamento medial da amígdala definem abscesso periamigdaliano, tratado com drenagem por punção ou incisão e antibioticoterapia com cobertura para estreptococo e anaeróbios. A epiglotite cursa com estridor, posição de tripé e toxemia, sem abaulamento do palato. A faringoamigdalite viral não produz assimetria com desvio de úvula nem trismo. A difteria apresenta placas pseudomembranosas branco-acinzentadas aderentes que sangram ao descolamento, com edema cervical em pescoço taurino. O angioedema alérgico causa edema difuso e simétrico, sem febre alta e sem coleção purulenta.
Menino, 5 anos, apresenta há 4 dias febre alta, odinofagia intensa, recusa alimentar, rigidez cervical e voz abafada. Exame: T 39,3 °C, trismo discreto, abaulamento da parede posterior da orofaringe e linfadenomegalia cervical dolorosa; sem estridor em repouso. Leucócitos 21.000/mm³ (VR 5.000–15.000). Tomografia cervical com contraste: coleção com realce periférico no espaço retrofaríngeo, de 3 cm, sem compressão significativa da via aérea. Qual a conduta?
O abscesso retrofaríngeo em criança é manejado com internação, antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro e vigilância estreita da via aérea, indicando-se drenagem cirúrgica em coleções volumosas, com comprometimento respiratório ou sem resposta clínica em 24 a 48 horas. Alta com antibiótico oral é inaceitável em criança toxemiada com coleção documentada. A traqueostomia imediata não é necessária sem obstrução da via aérea. O corticoide isolado, sem antibiótico, não trata a infecção. A aspiração transcutânea às cegas arrisca lesar grandes vasos cervicais e não é a via adequada, sendo a drenagem transoral ou cervical guiada realizada em centro cirúrgico.
Menina, 5 anos, apresenta há 4 dias febre alta, dor de garganta e adenomegalia cervical dolorosa. Está com dificuldade para engolir, mas mantém ingestão de líquidos. T 38,8 °C, FC 124 bpm. À oroscopia, há amígdalas hiperemiadas com exsudato bilateral, sem abaulamento assimétrico, sem desvio de úvula e sem trismo. O teste rápido para estreptococo do grupo A é negativo, e a criança apresenta tosse e coriza associadas ao quadro clínico. Qual a conduta mais adequada?
Presença de tosse e coriza com teste rápido negativo para estreptococo aponta para etiologia viral, cuja conduta é sintomática, com analgesia, hidratação e orientação, sem necessidade de antibiótico. Aplicar penicilina benzatina ignorando o resultado do teste expõe a criança a efeitos adversos e contribui para resistência sem benefício. A amoxicilina com clavulanato por 14 dias é esquema inadequado tanto em espectro quanto em duração para faringite. A ceftriaxona intramuscular é reservada a situações específicas, como impossibilidade de via oral. A amigdalectomia de urgência não está indicada em faringite aguda sem obstrução de via aérea ou abscesso.
Menina, 2 anos, é levada por febre há 2 dias e coriza, com exame físico normal exceto por hiperemia de orofaringe. A mãe solicita antibiótico, relatando que sempre que a criança tem febre acaba precisando de antibiótico e que teme complicações. A criança está ativa, hidratada, alimentando-se bem, com SatO2 98%, sem taquipneia, sem otite e sem sinais de gravidade ao exame físico completo realizado na consulta. Qual a conduta mais adequada?
Quadro de infecção viral de vias aéreas superiores em criança em bom estado geral é tratado sinteticamente com medidas sintomáticas, hidratação e orientação clara sobre a etiologia viral e os sinais de alarme, sendo a comunicação com a família parte essencial do cuidado e do uso racional de antimicrobianos. Prescrever antibiótico para tranquilizar a família é prática inadequada, que gera efeitos adversos e resistência. A azitromicina profilática não tem qualquer indicação. Exames laboratoriais de rotina em quadro viral típico não alteram a conduta e geram intervenções desnecessárias. O encaminhamento para internação é desproporcional em criança sem sinais de gravidade.
Menino, 4 anos, é levado por febre e dor de garganta há 3 dias. Ao exame, apresenta amígdalas hiperemiadas sem exsudato, com vesículas e úlceras rasas em palato mole e pilares amigdalianos, além de coriza e tosse. T 38,2 °C, FC 116 bpm. Está hidratado, aceitando líquidos com desconforto, e não apresenta sialorreia, estridor, trismo, abaulamento assimétrico ou dificuldade respiratória ao exame realizado. Qual a conduta indicada?
Faringite com vesículas e úlceras em palato mole, associada a coriza e tosse, é característica de etiologia viral, sendo o tratamento sintomático com analgesia adequada e hidratação, sem indicação de antibiótico. A penicilina benzatina trata infecção estreptocócica, cuja apresentação típica não inclui vesículas nem sintomas catarrais. A amoxicilina com clavulanato é esquema de amplo espectro sem indicação em faringite viral. O corticoide sistêmico não é tratamento de rotina e não altera a evolução. A internação com antibiótico venoso é desproporcional em criança hidratada, sem sinais de gravidade e com quadro claramente viral.
Menina de 8 anos teve sete episódios de amigdalite aguda no último ano, todos com odinofagia, febre acima de 38,3 °C, exsudato amigdaliano e adenomegalia cervical, documentados em prontuário e tratados com antibiótico. Está assintomática hoje, com amígdalas grau II simétricas, sem ronco ou pausas respiratórias noturnas. O exame cervical não mostra massas e o desenvolvimento pôndero-estatural é adequado. Sobre a indicação de amigdalectomia, assinale a alternativa INCORRETA.
Dizer que a amigdalectomia é contraindicada antes dos 12 anos é a afirmação incorreta: a cirurgia é rotineiramente realizada em pré-escolares e escolares, e a indicação depende da frequência das infecções ou da obstrução, não da idade. As demais procedem. Sete episódios documentados em um ano preenchem o critério clássico de amigdalite de repetição, com registro de febre, exsudato, adenomegalia ou cultura positiva. O abscesso peritonsilar recorrente é indicação reconhecida. A apneia obstrutiva do sono constitui indicação independente do número de infecções e hoje é a causa mais comum da cirurgia na infância. A assimetria amigdaliana persistente exige investigação por risco de linfoma.
Menina, 7 anos, apresenta odinofagia intensa, febre de 39 °C e ausência de tosse há 2 dias. FC 112 bpm, T 39,0 °C. Ao exame, amígdalas hipertrofiadas com exsudato e adenomegalia cervical anterior dolorosa. O teste rápido para estreptococo do grupo A é positivo. A mãe relata que a criança apresentou anafilaxia após uso de amoxicilina aos 3 anos, com broncoespasmo e necessidade de adrenalina. Qual o antimicrobiano indicado?
A azitromicina é o antimicrobiano indicado: diante de anafilaxia documentada a betalactâmico, o macrolídeo é a alternativa recomendada para faringoamigdalite estreptocócica. A amoxicilina com clavulanato mantém o núcleo betalactâmico responsável pela reação. A cefalexina é cefalosporina e, embora a reação cruzada seja baixa, não é escolha segura após anafilaxia verdadeira. A penicilina benzatina é exatamente o fármaco proibido nesse contexto, mesmo sob observação. O sulfametoxazol com trimetoprima não erradica o estreptococo do grupo A e não previne febre reumática.
Menina de 8 anos apresenta há 2 dias dor de garganta intensa e febre, sem tosse e sem coriza. T 39,0 graus Celsius, FC 112 bpm, PA 96x60 mmHg. Ao exame há exsudato purulento em ambas as amígdalas, hipertrofia amigdaliana e linfonodos cervicais anteriores dolorosos e aumentados. Não há hepatoesplenomegalia nem exantema. O teste rápido para estreptococo do grupo A resulta positivo. Qual o tratamento de escolha e seu principal objetivo?
A penicilina benzatina em dose única é o tratamento de escolha, e o objetivo principal é a prevenção da febre reumática, possível quando o antibiótico é iniciado em até 9 dias do começo dos sintomas. A azitromicina é alternativa apenas em alérgicos e não tem como finalidade erradicar o portador crônico, situação que em geral não demanda tratamento. A amoxicilina com clavulanato por 14 dias amplia desnecessariamente o espectro, e a prevenção de abscesso não é o objetivo central da terapia. O corticoide pode aliviar sintomas, mas não substitui o antimicrobiano nem previne complicações não supurativas. Afirmar que o antibiótico não altera desfechos ignora justamente a prevenção da cardite reumática.
Menino, 3 anos, com febre alta há 4 dias, recusa alimentar, dor cervical e limitação da extensão do pescoço. FC 148 bpm, FR 34 ipm, T 39,2 °C, SatO2 95% em ar ambiente; sialorreia, voz abafada e torcicolo. Leucócitos 22.000/mm³ (VR 5.000–15.000). A radiografia cervical em perfil mostra alargamento do espaço pré-vertebral, e a tomografia confirma coleção retrofaríngea de 2,5 cm. Qual a conduta indicada?
Abscesso retrofaríngeo com coleção definida em criança febril, com sialorreia, torcicolo e voz abafada, exige internação, antibiótico intravenoso com cobertura para estreptococo, estafilococo e anaeróbios, e drenagem cirúrgica, com atenção contínua à via aérea. O antibiótico oral ambulatorial é inadequado diante de coleção e risco de obstrução respiratória. O corticoide isolado não drena o pus. A traqueostomia eletiva prévia não é rotina, sendo a via aérea garantida por intubação no ato cirúrgico. A punção lombar não se justifica sem sinais meníngeos e poderia agravar o quadro respiratório.
Menina, 7 anos, com dor de garganta há dois dias, febre de 39 °C, sem tosse e sem coriza. FR 20 ipm, FC 108 bpm, SatO2 98%. Ao exame há exsudato amigdaliano bilateral, petéquias em palato e adenomegalia cervical anterior dolorosa. O teste rápido para estreptococo do grupo A resultou positivo e não há história de alergia a betalactâmicos na família. Qual a conduta indicada?
A faringoamigdalite estreptocócica confirmada deve ser tratada com penicilina benzatina em dose única ou amoxicilina por dez dias, esquema que previne febre reumática quando iniciado até o nono dia de doença. O tratamento apenas sintomático não previne a complicação não supurativa mais temida. A azitromicina é alternativa para alérgicos a betalactâmicos, com maior resistência bacteriana. O corticoide pode aliviar sintomas, mas não substitui o antibiótico. A amigdalectomia é procedimento eletivo com indicações específicas, jamais de urgência nesse contexto.
Menino, 6 anos, apresenta roncos noturnos altos, pausas respiratórias presenciadas, sono agitado e sonolência diurna, além de três episódios de amigdalite bacteriana no último ano. FC 96 bpm, FR 22 ipm, T 36,7 °C; amígdalas grau IV com contato entre si e respiração oral habitual. A polissonografia mostra índice de apneia e hipopneia de 12 eventos por hora. Qual a indicação cirúrgica mais bem estabelecida nesse caso?
A indicação mais bem estabelecida é a apneia obstrutiva do sono com hipertrofia adenoamigdaliana, situação em que a adenoamigdalectomia é o tratamento de primeira linha na criança, com melhora do sono, do comportamento e do crescimento. Três episódios de amigdalite em um ano não atingem os critérios de recorrência, que exigem sete em um ano, cinco por ano em dois anos ou três por ano em três anos. O abscesso peritonsilar prévio é indicação relativa, não obrigatória. A adenoidectomia isolada deixa a obstrução amigdaliana. A traqueostomia é medida extrema e desnecessária.
Menino, 3 anos, com coriza hialina, obstrução nasal, tosse e febre baixa há 3 dias, mantendo bom estado geral e boa aceitação alimentar. Temperatura axilar 37,8 °C, frequência respiratória 28 ipm, SatO2 98% em ar ambiente. Orofaringe hiperemiada sem exsudato, otoscopia normal, ausculta pulmonar limpa. A mãe insiste em receber prescrição de antibiótico. Qual a conduta mais adequada?
O quadro descreve resfriado comum, de etiologia viral e curso autolimitado, cuja conduta é orientar sintomáticos, hidratação e sinais de alarme, comunicando à família por que o antibiótico não está indicado. Prescrever amoxicilina para prevenir complicações bacterianas não tem respaldo e aumenta resistência e efeitos adversos. Ceder à expectativa da família com azitromicina reforça a prática inadequada e seleciona resistentes. Hemograma e radiografia de rotina em resfriado não complicado são exames desnecessários que geram achados incidentais. O corticoide oral não é indicado no resfriado comum e traz efeitos adversos sem benefício.
Que achados do painel direito aumentam a suspeita de faringoamigdalite estreptocócica em escolar febril?

São compatíveis, mas não específicos a ponto de dispensar o contexto e testes indicados.
Qual afirmação sobre o exsudato do painel direito evita erro de prescrição?

Mononucleose e outras causas também podem produzir exsudato.
Em escolar sem sinais virais claros, qual exame pode confirmar estreptococo do grupo A conforme protocolo local?

A confirmação microbiológica orienta tratamento em cenário apropriado.
Qual passo evita excluir estreptococo apenas por teste antigênico negativo na criança sintomática?

Teste antigênico tem sensibilidade limitada; em crianças, resultado negativo costuma requerer cultura de confirmação.
Por que aspecto de exsudato sozinho não define antibiótico?

Achado isolado tem especificidade insuficiente para definir etiologia.
Qual agente é alvo do teste apresentado?

O teste procura antígenos de Streptococcus pyogenes.
Se houver tosse, coriza e úlceras orais marcantes em outro caso, como isso influencia a investigação?

Sinais virais ajudam a evitar investigação e tratamento antimicrobiano desnecessários.
Qual localização ganglionar foi descrita?

Adenopatia cervical anterior dolorosa pode acompanhar faringite estreptocócica.
Como a posição da úvula se relaciona ao maior abaulamento na fotografia? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

O efeito de massa peritonsilar pode deslocar a úvula contralateralmente.
Um adulto tem odinofagia intensa unilateral, voz abafada e trismo. Qual achado da fotografia favorece abscesso peritonsilar? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A assimetria do palato e o desvio contralateral da úvula, associados ao quadro, sugerem coleção peritonsilar.
Após estabilização, confirma-se coleção peritonsilar correspondente ao abaulamento da figura. Ao planejar drenagem, que relação anatômica deve ser verificada para reduzir risco de hemorragia grave? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A localização vascular deve ser respeitada; ultrassonografia com Doppler pode auxiliar o planejamento quando disponível.
O paciente com o abaulamento peritonsilar ilustrado apresenta estridor e incapacidade de manejar secreções. Qual prioridade precede eventual transporte para TC? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Os sinais clínicos indicam ameaça à via aérea e exigem estabilização sem atraso por exame.
Uma criança de oito anos com febre e a imagem apresentada, sem sinais virais claros, tem teste rápido de antígeno estreptocócico negativo. Qual estratégia é recomendada para esse tipo de teste? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Em crianças sintomáticas, a sensibilidade limitada do teste antigênico justifica cultura de confirmação.
Qual descrição corresponde à alteração orofaríngea predominante na imagem? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Há material esbranquiçado sobre amígdalas inflamadas; o aspecto isolado não define o agente.
Uma criança com a imagem apresentada tem odinofagia e febre, sem sintomas virais claros. Qual afirmação sobre a etiologia é correta? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

Exsudato não confirma estreptococo, pois também ocorre em outras etiologias.
Um adolescente com a orofaringe mostrada tem fadiga intensa, linfonodos cervicais posteriores e esplenomegalia. Qual hipótese e cuidado são mais adequados? Imagem clínica sintética do acervo OsceLabs.

A associação favorece EBV; esplenomegalia torna relevante orientar sobre risco de ruptura.
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em 7 dias
Refaça de cabeça: os cinco itens do McIsaac com a pontuação por idade, as quatro classificações de garganta do AIDPI com suas condutas e as doses da benzatina por peso (e o corte brasileiro × IDSA). Errou algum, releia a seção de critério.
em 30 dias
Monte sem olhar a tabela viral × estreptocócica (idade, pródromos, exsudato, adenite, tosse) e liste o que o tratamento previne — e o que não previne. Feche relendo as armadilhas e os três diferenciais com nome próprio (herpangina, gengivoestomatite, mononucleose).
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mãe traz menino de 8 anos com febre de 39 °C há dois dias e dor de garganta que piora ao engolir. Sem tosse. A UBS não tem teste rápido. Conduza a consulta: decida se ele sai com penicilina, com soro nasal — ou com encaminhamento urgente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
