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Crupe viral e epiglotite
Laringotraqueíte aguda (crupe viral) e epiglotite
A prova quer saber se você localiza a obstrução pelo som e pela voz antes de tratar: tosse ladrante e rouquidão são subglote, voz abafada e sialorreia são supraglote — e o corticoide entra em todo crupe, inclusive no leve.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Criança de 18 meses com quadro de 3 dias de rinorreia, seguido de tosse ladrante (metálica), rouquidão e estridor inspiratório que piora à noite. Ao exame: FR 30 ipm, SatO2 96%, estridor audível apenas ao choro, sem tiragem em repouso, afebril. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial mais apropriada?
Como esse tema cai
Estridor é o som de uma via aérea de grosso calibre estreitada, e a primeira decisão diante de uma criança que estrida não é qual remédio dar: é em que andar está a obstrução. Acima das cordas vocais, a via aérea não tem cartilagem, colaba fácil e gera voz abafada e sialorreia, sem rouquidão e sem tosse ladrante. Na glote e na subglote, sustentadas pela cricoide e pelos anéis traqueais, a inflamação atinge as cordas vocais e produz exatamente o oposto: rouquidão e tosse ladrante. Esse par de achados separa a supraglotite do crupe antes de qualquer exame.
O crupe viral é a doença comum: responde por 90% dos casos de estridor na infância. O tratamento tem uma medida que muda desfecho — dexametasona em dose única, em todos os graus, inclusive no leve — e uma que só ganha tempo: a adrenalina nebulizada, que age quase instantaneamente e dura cerca de duas horas. Confundir as duas é o erro que devolve a criança à emergência.
A epiglotite entrou em outro patamar depois da vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b, mas não saiu da prova: continua sendo o cenário em que examinar a orofaringe pode fechar a via aérea, e continua puxando o resto do programa junto — calendário vacinal, notificação e quimioprofilaxia de contatos, que no Brasil têm régua escrita e recente. Este capítulo fecha três coisas que os documentos deixam ambíguas: o corte do escore de gravidade, a dose de dexametasona no crupe grave e a faixa etária que os textos brasileiros apresentam de duas maneiras.
O que muda decisão
O som diz o andar: a anatomia que resolve o diagnóstico
As vias aéreas superiores vão da faringe aos brônquios principais e a SBP as divide em três andares, cada um com um comportamento mecânico próprio. A via aérea supraglótica vai do nariz até logo acima das cordas vocais; não tem cartilagem, distende e colaba com facilidade e, por ter vários planos de tecido, permite que infecções se disseminem e formem abscesso rapidamente. São dela o abscesso retrofaríngeo, a supraglotite infecciosa e a difteria.
Como esse segmento colaba na pressão negativa da inspiração, o estridor supraglótico é ouvido principalmente na inspiração — na expiração a via aérea se insufla e a obstrução alivia. Quando a obstrução fica acima do esôfago e impede a deglutição, aparece sialorreia. E como as cordas vocais em geral são poupadas, a voz não fica rouca: fica abafada, a chamada voz de batata quente.
As vias aéreas glótica e subglótica vão das cordas vocais até a traqueia antes do tórax. Colabam menos, porque são sustentadas pela cartilagem cricoide e pelos anéis traqueais, mas quando obstruem geram estridor inspiratório, ou inspiratório e expiratório. A inflamação da glote compromete as cordas vocais e produz rouquidão, não abafamento — e é aqui que mora o crupe. Já a via aérea intratorácica, traqueia e brônquios principais, colaba na expiração, quando a pressão intratorácica aumenta: o estridor de obstrução intratorácica é mais audível expirando.
Um número explica por que a criança pequena descompensa depressa: a mucosa da região subglótica é pouco aderente e permite edema volumoso, e em lactentes 1 mm de edema subglótico reduz em 50% o calibre da traqueia. A subglote é a porção mais estreita da via aérea superior na criança — por isso o edema ali restringe o fluxo o bastante para gerar estridor inspiratório com uma inflamação que, em um adulto, passaria como rouquidão.

Crupe viral: quem pega, quando e com que nome
Síndrome do crupe é o conjunto rouquidão, tosse ladrante, estridor predominantemente inspiratório e graus variados de desconforto respiratório. Quando a causa é viral, chama-se crupe viral; as outras causas da mesma síndrome são a traqueíte bacteriana e a difteria.
A nomenclatura acompanha a extensão do acometimento e a prova gosta de cobrá-la. Se a doença se restringe à laringe, é laringite, com rouquidão e tosse ladrante. Se pega laringe e traqueia, é laringotraqueíte, o quadro típico de crupe. Se compromete também os bronquíolos, soma tempo expiratório prolongado e sibilos, e passa a ser laringotraqueobronquite.
A laringotraqueobronquite é a causa mais comum de obstrução de vias aéreas superiores na criança e responde por 90% dos casos de estridor, embora represente apenas 1,5% a 6% das doenças do trato respiratório na infância. Os agentes são os vírus parainfluenza tipos 1, 2 e 3 à frente, seguidos de influenza A e B e do vírus sincicial respiratório; acima dos 5 anos, o Mycoplasma pneumoniae ganha importância etiológica.
A doença tem pico de incidência aos 18 meses e predomina no sexo masculino, de 1,4 a 2 vezes mais que no feminino. A maioria dos casos ocorre no outono e no inverno, mas o crupe aparece o ano todo — sazonalidade não é critério diagnóstico nem argumento para afastar a hipótese fora da estação.
Crupe que se repete muda a pergunta. Diante de episódios recorrentes, a investigação passa a mirar refluxo gastroesofágico, papilomatose recorrente de laringe, estenose laringotraqueal e anormalidades congênitas — a criança pode estar apenas descompensando, a cada infecção viral, uma via aérea que já era estreita.
A doença em dias, e o que significa a criança ficar quieta
O quadro começa banal: rinorreia clara, faringite, tosse leve e febre baixa. De 12 a 48 horas depois instalam-se os sintomas de obstrução alta, com a tosse ladrante, a rouquidão e o estridor, junto de elevação da temperatura. Os sintomas costumam se resolver em 3 a 7 dias; nos casos mais graves, a doença chega a 14 dias.
A progressão da gravidade tem uma ordem, e ela é a espinha do exame físico: aumento das frequências cardíaca e respiratória, retrações claviculares, esternais e diafragmáticas, batimento de aletas nasais, cianose, agitação psicomotora e, por fim, sonolência. A sequência importa porque o último item engana. Criança agitada com crupe está lutando; criança que para de lutar e fica sonolenta não melhorou — está entrando em falência.
Quatro situações marcam risco de falência respiratória: idade abaixo de seis meses, estridor em repouso, alteração do nível de consciência e detecção de hipercapnia. Manipulação anterior das vias aéreas superiores, como cirurgia ou intubação prévia, e doenças prévias da via aérea exigem abordagem mais cuidadosa desde o início.
A oximetria de pulso deve ser feita em toda criança com estridor, mas lida do jeito certo: saturação normal gera falsa impressão de baixo risco, porque a luz da via aérea se estreita acentuadamente antes de a criança ficar hipoxêmica. Hipoxemia documentada no crupe já é doença avançada e falência iminente, com risco de parada respiratória — e é indicação de internação em terapia intensiva. Um detalhe fino do mesmo raciocínio: crupe apenas moderado que cursa com hipoxemia provavelmente tem acometimento simultâneo das vias aéreas inferiores.
Radiografia cervical: por que não pedir
O diagnóstico do crupe é clínico, e a radiografia de pescoço é uma armadilha cara em três frentes. Primeiro, os achados clássicos de estreitamento da traqueia subglótica — sinal da ponta de lápis, ou da torre de igreja — têm pouco valor, porque podem aparecer em criança saudável apenas pelo estreitamento anatômico normal daquela região. Segundo, metade das crianças com crupe viral clinicamente evidente tem radiografia cervical normal. Terceiro, e mais grave: fazer o exame significa tirar a criança do colo, deitá-la e mexer nela.
A régua da SBP é direta: radiografia cervical normal não exclui aspiração de corpo estranho nem supraglotite, radiografia alterada não faz diagnóstico de crupe, e o exame não deve ser realizado em crianças com obstrução das vias aéreas superiores. A imagem cervical fica reservada à investigação de outra etiologia para os sintomas — corpo estranho, por exemplo — ou aos casos de evolução atípica, e nessas situações o exame é feito com a via aérea vigiada.
O mesmo raciocínio vale para a orofaringe. Diante de suspeita de obstrução supraglótica, o abaixador de língua não é exame complementar: é manobra capaz de precipitar o colapso de um segmento que já colaba sozinho na inspiração.
Tratamento do crupe: um que muda desfecho, um que ganha tempo
Antes do remédio vem a medida que não custa nada: manter a criança o mais calma possível, no colo de quem a acompanha, evitando manipulação e exames desnecessários. O choro aumenta a pressão torácica negativa, colaba ainda mais a via aérea extratorácica e transforma o fluxo laminar em turbulento, o que aumenta a resistência à entrada de ar. Uma criança chorando por causa do jaleco está fisiologicamente pior do que estava antes de você entrar.
O corticoide é o que muda desfecho. Reduz comprovadamente a gravidade dos sintomas, a necessidade e a duração da hospitalização, a necessidade de admissão em terapia intensiva e a necessidade de associar adrenalina. A ação é bifásica: além do efeito anti-inflamatório, o início rápido sugere vasoconstrição e redução da permeabilidade vascular. A droga escolhida é a dexametasona, potente e de ação longa, acima de 48 horas, em dose única, por via oral ou parenteral — dose única resolve, não há esquema de dias. A budesonida inalatória, na dose de 2 mg, reduz a gravidade em relação ao placebo e equivale à dexametasona no crupe leve e moderado.
A adrenalina nebulizada é a que ganha tempo. Age por estímulo alfa-adrenérgico, com constrição dos capilares arteriolares, e o efeito sobre o estridor e sobre os sinais de falência é quase instantâneo. O problema está na duração: cerca de 2 horas. Passado esse tempo, a criança pode voltar ao desconforto inicial — motivo pelo qual a nebulização nunca é alta imediata. As indicações são crupe moderado ou grave e criança com procedimento ou manipulação prévia da via aérea superior. A dose escrita no texto da SBP é 0,5 mL/kg de L-adrenalina 1:1000, sem diluir, até o máximo de 5 mL por dose.
O resto é o que a prova adora oferecer como distrator. Nebulização com soro fisiológico e ar umidificado é usual e não tem eficácia comprovada; se a criança se agita com o procedimento, ele deve ser desencorajado, porque o dano do choro é real e o benefício não é. A nebulização se justifica como veículo de oxigênio quando há hipoxemia. Antibiótico não trata crupe viral, doença de parainfluenza.
Uma ressalva de segurança que está na própria bibliografia do guia brasileiro: embora estudos randomizados não mostrem efeitos colaterais com uma dose de adrenalina inalatória, existe relato de criança previamente hígida, com crupe grave, que desenvolveu taquicardia ventricular e infarto do miocárdio após o uso. Repetir a cada 2 horas é possível em falência respiratória, mas é decisão de paciente monitorizado, não de rotina de sala de espera.
Observar, internar, intubar
Depois da adrenalina, a conduta é observação de 3 a 4 horas, ao fim das quais a criança pode receber alta ou ser internada. O critério de alta é clínico e simples: ausência de estridor em repouso.
A internação deve ser considerada diante de toxemia, desidratação ou incapacidade de ingerir líquidos, estridor significativo ou retrações em repouso, ausência de resposta à adrenalina ou piora clínica depois de 2 horas da administração. Hipoxemia documentada, como já dito, empurra o destino para a terapia intensiva.
A maioria das crianças com laringotraqueíte não precisa de intubação depois de adrenalina e dexametasona. Quando é necessária, o procedimento é complicado por três motivos simultâneos: a anatomia da faixa etária, a agitação psicomotora e o risco de converter uma obstrução parcial em obstrução total. Por isso a intubação eletiva de quem está fechando deve ser feita em ambiente bem controlado, pelo profissional mais experiente disponível, e com cânula traqueal 0,5 mm menor no diâmetro interno do que a calculada para a idade — a via aérea está edemaciada e o tubo do tamanho teórico não passa.
Há uma complicação que aparece justamente quando o problema se resolve: o edema pulmonar associado ao alívio da obstrução. Durante a obstrução, a pressão intratraqueal subatmosférica na inspiração torna a pressão pleural muito negativa, o que se transmite ao interstício e acumula água em volta dos vasos. Quando a obstrução é removida, a pressão intersticial sobe de forma abrupta e empurra esse líquido para dentro dos alvéolos antes que ele seja reabsorvido. Criança que piora a oxigenação logo após a intubação bem-sucedida não necessariamente teve falha do procedimento.
Epiglotite (supraglotite): a doença que a vacina empurrou para o rodapé
Com a introdução da vacina contra o Haemophilus influenzae tipo b, os casos de supraglotite infecciosa diminuíram acentuadamente. Ela permanece como diagnóstico diferencial das obstruções infecciosas das vias aéreas superiores, mas com uma característica que a separa de todo o resto: não faz síndrome do crupe.
O achado que fecha a distinção é negativo. Na supraglotite há estridor e desconforto respiratório sem rouquidão e sem tosse ladrante, porque as cordas vocais e a traqueia — origem desses dois sintomas — são justamente as estruturas poupadas. No lugar delas aparecem a voz abafada, gerada pela obstrução acima das cordas, e a sialorreia, quando a obstrução acima do esôfago impede a deglutição. Somam-se a aparência tóxica e a alteração de perfusão circulatória, típicas de doença bacteriana e ausentes no crupe viral.
A consequência prática é uma regra de ordem, não de droga: a via aérea vem antes. A criança deve permanecer na posição que escolheu, no colo do acompanhante, sem exame de orofaringe, sem ser deitada e sem procedimentos que a façam chorar — porque o tecido supraglótico não tem cartilagem, colaba com facilidade e o guia brasileiro registra que doenças dessa região têm potencial de obstruir rapidamente as vias aéreas, tornando-as letais. Quando a obstrução é iminente, vale a mesma regra da intubação do crupe: ambiente controlado, profissional mais experiente, cânula menor.
Uma leitura epidemiológica que evita conclusão apressada: no Brasil, entre 2009 e 2021, a maioria dos casos identificados de doença invasiva por Haemophilus influenzae foi por cepas não tipáveis, seguidas do sorotipo a e do sorotipo b. Ou seja, doença invasiva por Haemophilus em criança vacinada não é automaticamente falha vacinal — o sorotipo b hoje divide espaço com cepas que a vacina não cobre. A Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 registra ainda que, como a tipagem demora, a quimioprofilaxia dos contatos é recomendada já com a confirmação inicial de doença invasiva por Haemophilus influenzae, sem esperar o sorotipo.
Traqueíte bacteriana: o crupe que não responde
A traqueíte bacteriana — também chamada crupe membranoso ou pseudomembranoso — é rara e emergiu como a principal causa de obstrução potencialmente fatal das vias aéreas superiores depois da vacinação contra o Hib. Em uma série citada pelo guia brasileiro, ela respondeu por 48% das internações em terapia intensiva por obstrução alta potencialmente fatal, seguida do crupe viral, com 46%.
Os números de proporção ajudam a calibrar a suspeita: entre os casos internados com diagnóstico de crupe, a etiologia bacteriana corresponde a 1 para cada 40 a 50 casos de crupe viral; considerando apenas as internações em terapia intensiva, a proporção sobe para 1 para cada 8.
Clinicamente, ela combina crupe e epiglotite. Depois de um pródromo viral breve, surgem tosse ladrante, rouquidão, estridor inspiratório e insuficiência respiratória — e a esses sinais de crupe grave somam-se febre alta, acima de 38,5 °C, e toxemia. O agente principal é o Staphylococcus aureus, com participação de estreptococos, Moraxella catarrhalis e Haemophilus sp., e é comum haver coinfecção viral.
A chave diagnóstica está na resposta ao tratamento, e é isso que a prova cobra: não há resposta terapêutica ao tratamento inicial com adrenalina inalatória e corticosteroide. O crupe que recebeu dexametasona e nebulização e não melhorou, com febre alta e criança toxemiada, mudou de doença. O diagnóstico definitivo é feito pela visualização da traqueia, que mostra exsudato purulento e malcheiroso bloqueando a luz, de fácil remoção e sem sangramento; as hemoculturas costumam ser negativas.
O manejo é outro: admissão em terapia intensiva, intubação em centro cirúrgico com endoscopia — que ao mesmo tempo diagnostica, trata e colhe material — e antibiótico endovenoso, com cefalosporina de segunda geração, cefuroxima, ou de terceira, ceftriaxona, como drogas únicas. A intubação costuma ser necessária por 3 a 7 dias e o cuidado com a cânula precisa ser meticuloso, porque as membranas a obstruem com frequência. Nesta doença não há lugar para corticosteroide nem para adrenalina inalatória. A taxa de internação em terapia intensiva é de 94% e a de intubação, 83%; o guia da SBP registra mortalidade entre 18% e 40%.
Prevenção: o calendário que fez a epiglotite recuar
A vacina contra o Hib chegou ao Calendário Nacional de Vacinação nos anos 1990 e desde então houve redução progressiva dos casos de doença invasiva por Hib, com destaque para as meningites. Hoje ela integra a vacina penta, combinada com difteria, tétano, pertussis de células inteiras e hepatite B.
O esquema do Calendário Nacional de Vacinação de 2026 é de três doses da penta, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com intervalo de 60 dias entre elas e mínimo de 30 dias em situações excepcionais; a terceira dose não deve ser administrada antes dos 6 meses. Os dois reforços — aos 15 meses e aos 4 anos — são feitos com a DTP, tríplice bacteriana, e portanto não contêm componente Hib. A idade mínima para iniciar o esquema com a penta é de 6 semanas e a vacina não é aplicada a partir dos 7 anos.
Quem já teve a doença invasiva pode precisar de dose extra. A Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 orienta que crianças que tiveram doença invasiva por Hib antes dos 2 anos e estão com esquema completo recebam, entre 6 meses e menos de 2 anos de idade, uma dose adicional de vacina com componente Hib, respeitado o intervalo mínimo de 60 dias após a última dose — porque a infecção natural nessa idade não gera anticorpos protetores de forma robusta. A vacinação começa 30 dias após o início da doença invasiva. Quem teve a doença a partir dos 2 anos com esquema completo em geral desenvolve resposta protetora e não precisa de dose adicional.
Quimioprofilaxia dos contatos: a régua brasileira de 2024
Casos secundários de meningite por Hib são raros, mas podem ocorrer mais de 30 dias depois do contato com o caso-índice — motivo pelo qual, na doença invasiva por Hib, a quimioprofilaxia pode ser feita até 30 dias após a exposição. A taxa de ataque secundária é maior entre contatos domiciliares menores de 4 anos não vacinados, e as taxas de colonização são altas justamente nesse grupo.
Recebem quimioprofilaxia: o próprio paciente, se o tratamento da doença não estiver sendo feito com cefalosporina de terceira geração, ceftriaxona ou cefotaxima; todos os contatos domiciliares, se o domicílio incluir pessoa imunocomprometida ou criança menor de 2 anos, independentemente da situação vacinal, ou criança menor de 4 anos não vacinada ou com esquema incompleto; e os demais contatos próximos que tenham, entre seus próprios contatos domiciliares, alguém nessas condições — situação em que só o contato direto do caso-índice recebe a profilaxia. Em creche e ensino infantil, entram os cuidadores diretos e as crianças menores de 4 anos da sala do caso, quando o contato ocorreu por pelo menos 5 dos 10 dias anteriores ao início dos sintomas, nas mesmas condições de idade e vacinação; se houver um segundo caso de doença invasiva por Haemophilus influenzae em até 60 dias, todos os contatos da sala recebem, independentemente da idade e da situação vacinal.
O esquema da doença invasiva por Hib é rifampicina uma vez ao dia por 4 dias: 10 mg/kg/dose para menores de 1 mês; 20 mg/kg/dose, no máximo 600 mg, de 1 mês a menos de 18 anos; 600 mg a partir dos 18 anos. Para quem tem contraindicação, intolerância ou reação adversa à rifampicina, a alternativa é ceftriaxona intramuscular ou intravenosa uma vez ao dia por 2 dias, 50 mg/kg abaixo de 12 anos e 1 grama a partir dos 12 anos.
É aqui que mora uma das confusões mais cobradas: o esquema da doença meningocócica é outro. Na doença meningocócica, a rifampicina é de 12 em 12 horas por 2 dias, 5 mg/kg/dose em menores de 1 mês e 10 mg/kg/dose, máximo 600 mg, a partir de 1 mês. Dobra a dose e some com metade das tomadas quando o agente é o Hib — e a duração passa de 2 para 4 dias. A recomendação de uso preferencial e restrito da rifampicina existe para evitar seleção de isolados resistentes; a quimioprofilaxia deve ser feita o mais precocemente possível e administrada simultaneamente a todos os contatos próximos.
Estridor na emergência: classificar, tratar e decidir o destino
A SBP publica um escore clínico de cinco sinais para graduar a obstrução, e a conduta muda por faixa. O escore não substitui o exame do andar da via aérea — ele entra depois que o par tosse ladrante e rouquidão já apontou a subglote.
- 1Localize o andar antes de tudo: tosse ladrante e rouquidão apontam glote e subglote; voz abafada, sialorreia e ausência desses dois sintomas apontam supraglote.
- 2Mantenha a criança no colo do acompanhante, sem exame de orofaringe e sem procedimento dispensável — choro aumenta a pressão negativa e fecha mais a via aérea.
- 3Faça oximetria em toda criança com estridor, lembrando que saturação normal não afasta risco e que hipoxemia já significa doença avançada.
- 4Some o escore e classifique em leve, moderado, grave ou ameaça à vida.
- 5Dexametasona em dose única em todos os graus, inclusive no leve, por via oral ou parenteral.
- 6L-adrenalina 1:1000 nebulizada no moderado e no grave, seguida de 3 a 4 horas de observação, porque o efeito dura cerca de 2 horas.
- 7Decida o destino: alta se não houver estridor em repouso; internação se houver toxemia, desidratação, estridor ou retração em repouso, ausência de resposta à adrenalina ou piora após 2 horas; terapia intensiva se houver hipoxemia ou falência iminente.
- 8Se não respondeu a corticoide e adrenalina, com febre alta e toxemia, saia do trilho do crupe e pense em traqueíte bacteriana.
Leve (6 pontos ou menos)
Estridor ausente ou só com agitação, sem retração e com entrada de ar normal. Dexametasona em dose única e alta para casa, com orientação de retorno.
Moderado (7 a 8 pontos)
Estridor leve em repouso, retração moderada, entrada de ar diminuída. L-adrenalina nebulizada mais dexametasona, com 3 a 4 horas de observação antes de decidir entre alta e internação.
Grave (9 pontos ou mais)
Estridor grave em repouso, retração grave, entrada de ar muito diminuída, cianose com agitação. L-adrenalina nebulizada, dexametasona na dose alta e vaga em terapia intensiva.
Ameaça à vida
Cianose em repouso, letargia e esforço respiratório que se esgota — hipoxemia documentada já é falência iminente. Via aérea em ambiente controlado, pelo profissional mais experiente, com cânula 0,5 mm menor que a calculada para a idade.
| Sinal | 0 | 1 | 2 | 3 |
|---|---|---|---|---|
| Estridor | Ausente | Com agitação | Leve em repouso | Grave em repouso |
| Retração | Ausente | Leve | Moderada | Grave |
| Entrada de ar | Normal | Normal | Diminuída | Muito diminuída |
| Cor | Normal | Normal | Cianótica com agitação | Cianótico em repouso |
| Nível de consciência | Normal | Agitação sob estímulo | Agitação | Letárgico |
Conduta por gravidade no crupe viral (SBP, 2017)
| Gravidade | Corticoide | Adrenalina nebulizada | Destino |
|---|---|---|---|
| Leve | Dexametasona 0,15 a 0,3 mg/kg, dose única | Não indicada | Alta para casa |
| Moderado | Dexametasona 0,3 a 0,6 mg/kg ou budesonida inalatória 2 mg | L-adrenalina 1:1000, 0,5 mL/kg até 5 mL | Observação por 3 a 4 horas e depois alta ou internação |
| Grave | Dexametasona 0,6 mg/kg por via intramuscular | L-adrenalina 1:1000, 0,5 mL/kg até 5 mL | Admissão em terapia intensiva |
O andar da via aérea e o achado que o denuncia
| Andar | Voz e tosse | Estridor | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Supraglótico (acima das cordas vocais) | Voz abafada, de batata quente; sem rouquidão e sem tosse ladrante; sialorreia se a obstrução impede a deglutição | Principalmente inspiratório, porque o segmento colaba na pressão negativa da inspiração | Supraglotite infecciosa, abscesso retrofaríngeo, difteria |
| Glótico e subglótico | Rouquidão e tosse ladrante, por comprometimento das cordas vocais | Inspiratório, ou inspiratório e expiratório | Síndrome do crupe: crupe viral e traqueíte bacteriana |
| Intratorácico | Sem rouquidão nem abafamento característicos | Mais audível na expiração, quando a pressão intratorácica colaba a via aérea | Obstrução de traqueia intratorácica e brônquios principais |
Crupe viral × traqueíte bacteriana (SBP, 2017)
| Item | Crupe viral | Traqueíte bacteriana |
|---|---|---|
| Idade na tabela de diferencial | 3 meses a 3 anos | Acima de 3 anos |
| Instalação | 12 a 48 horas após o pródromo | Progressiva, de 12 horas a 7 dias |
| Cavidade oral | Hiperemia de faringe, epiglote normal | Hiperemia de faringe e secreção purulenta |
| Sintomas circulatórios | Normalmente ausentes | Moderados a graves |
| Resposta a dexametasona e adrenalina | Responde | Não responde — é o que separa as duas |
| Intubação | Geralmente desnecessária | Geralmente necessária, com cânula menor |
| Destino e tratamento | Enfermaria ou alta; dexametasona e adrenalina inalatória | Terapia intensiva; assegurar via aérea e antibiótico parenteral |
Quimioprofilaxia: Hib × meningococo (Nota Técnica Conjunta nº 154/2024)
| Situação | Droga de primeira escolha | Dose | Intervalo e duração |
|---|---|---|---|
| Doença invasiva por Hib, menor de 1 mês | Rifampicina | 10 mg/kg/dose | 1 vez ao dia, 4 dias |
| Doença invasiva por Hib, de 1 mês a menos de 18 anos | Rifampicina | 20 mg/kg/dose, máximo 600 mg | 1 vez ao dia, 4 dias |
| Doença invasiva por Hib, alternativa à rifampicina | Ceftriaxona intramuscular ou intravenosa | 50 mg/kg abaixo de 12 anos; 1 g a partir de 12 anos | 1 vez ao dia, 2 dias |
| Doença meningocócica, menor de 1 mês | Rifampicina | 5 mg/kg/dose | 12 em 12 horas, 2 dias |
| Doença meningocócica, a partir de 1 mês | Rifampicina | 10 mg/kg/dose, máximo 600 mg | 12 em 12 horas, 2 dias |
O escore da SBP soma cinco sinais pontuados de 0 a 3, até 15 pontos, e o guia imprime os cortes como menor que 6 para leve, 7 a 8 para moderada e maior que 8 para grave — o que deixa o valor 6 sem categoria nenhuma. O corte que fecha a tabela sem buraco é 6 ou menos para leve, 7 e 8 para moderada e 9 ou mais para grave; nenhum caso deste capítulo pontua exatamente 6. Os cortes são desse escore específico, creditado a Rothrock na bibliografia do guia, e não valem para outras escalas de crupe, que têm faixas próprias.
A tabela de tratamento do mesmo guia imprime, no crupe grave, dexametasona 0,6 mg por via intramuscular, sem o por quilo; o texto corrido do documento é explícito ao dizer que a dose única varia de 0,15 mg/kg no crupe leve a 0,6 mg/kg no grave. A dose que fecha é 0,6 mg/kg. O documento brasileiro não fixa teto em miligramas; o guia australiano fixa 12 mg.
O guia brasileiro apresenta duas faixas etárias para o crupe viral: no texto, 1 a 6 anos com pico aos 18 meses; na tabela de diagnóstico diferencial, 3 meses a 3 anos. As duas têm funções distintas — a primeira descreve quem adoece, a segunda existe para separar o crupe viral, típico até os 3 anos, da traqueíte bacteriana, típica acima disso. As vinhetas deste capítulo ficam dentro da interseção das duas faixas.
A dose de adrenalina no texto do guia brasileiro é por quilo, 0,5 mL/kg de L-adrenalina 1:1000 sem diluir, até 5 mL; a tabela imprime apenas o teto de 5 mL. O relato de infarto do miocárdio citado na bibliografia do próprio guia ocorreu com epinefrina racêmica — a apresentação que a SBP e o guia australiano prescrevem é a L-adrenalina 1:1000.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
AIDPI Criança (Ministério da Saúde, 2017): estridor em repouso é critério de referência urgente
No quadro de tosse ou dificuldade para respirar, estridor em repouso — isolado, ou junto de tiragem subcostal ou de sinal geral de perigo — classifica a criança como PNEUMONIA GRAVE OU DOENÇA MUITO GRAVE. A conduta escrita é dar a primeira dose de um antibiótico recomendado, tratar a criança para evitar hipoglicemia, oferecer oxigênio se disponível e referir urgentemente ao hospital. O algoritmo não separa a causa do estridor porque é uma ferramenta de triagem para a unidade básica, sem laringoscopia e sem via aérea avançada, calibrada para não deixar passar doença bacteriana grave.
Ministério da Saúde / OPAS — AIDPI Criança: 2 meses a 5 anos, Manual de Quadros de Procedimentos, 2017.
SBP, Departamento de Emergências (2017): estridor em repouso é crupe moderado, tratado no pronto-socorro
No guia de conduta do crupe, estridor leve em repouso pontua 2 no escore e o crupe moderado é tratado com L-adrenalina nebulizada e dexametasona, com 3 a 4 horas de observação e alta se a criança ficar sem estridor em repouso. A internação é reservada a toxemia, desidratação ou incapacidade de ingerir líquidos, ausência de resposta à adrenalina ou piora depois de 2 horas. Antibiótico não faz parte do tratamento do crupe viral, que é doença de parainfluenza.
SBP, Departamento Científico de Emergências — Guia Prático de Conduta nº 1: Crupe Viral e Bacteriano, 2017.
Na prova
Os dois documentos são brasileiros e do mesmo ano, e a diferença não é de doutrina clínica: é do lugar onde a criança está e dos recursos que existem ali. Enunciado ambientado em unidade básica de saúde, que usa as palavras sinais gerais de perigo, classificar e referir, está pedindo a caixa do AIDPI, e as alternativas costumam reproduzir os nomes das classificações do algoritmo. Enunciado de pronto-socorro que descreve tosse ladrante, rouquidão, escore de gravidade e disponibilidade de nebulização está pedindo o manejo do crupe. Um distrator que oferece adrenalina nebulizada denuncia cenário hospitalar; um distrator que oferece amoxicilina e referência denuncia cenário de atenção primária. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS, e a atenção primária costuma vir na moldura do AIDPI.
SBP (2017): dose única graduada pela gravidade, sem teto em miligramas
A dexametasona é dada em dose única, oral ou parenteral, variando de 0,15 mg/kg no crupe leve a 0,6 mg/kg no grave, com a faixa intermediária de 0,3 a 0,6 mg/kg no moderado, onde a budesonida inalatória 2 mg é alternativa equivalente. O documento não estabelece dose máxima em miligramas.
SBP, Departamento Científico de Emergências — Guia Prático de Conduta nº 1: Crupe Viral e Bacteriano, 2017.
Royal Children's Hospital Melbourne: dois patamares e teto de 12 mg
A dexametasona é 0,15 mg/kg para crupe leve e moderado e 0,6 mg/kg, no máximo 12 mg, para crupe grave e ameaça à vida — sem faixa intermediária. A adrenalina 1:1000 nebulizada aparece no quadro de ameaça à vida e a observação mínima antes da alta é de 3 horas depois da nebulização.
The Royal Children's Hospital Melbourne — Clinical Practice Guideline: Croup (laryngotracheobronchitis).
Na prova
Os dois concordam nos extremos: 0,15 mg/kg basta no crupe leve e 0,6 mg/kg é a dose do grave. A diferença aparece no crupe moderado, onde o documento brasileiro autoriza subir a dose e o australiano mantém 0,15 mg/kg, e no teto, que só um dos dois escreve. Enunciado que cita a SBP, ou que oferece a faixa 0,3 a 0,6 mg/kg entre as alternativas, está no corpo brasileiro. Enunciado que dá o peso de um adolescente e pede a dose em miligramas está pedindo um documento com teto — sem teto declarado, a conta por quilo passaria de 12 mg. Questão que pergunta a dose do crupe leve não distingue os dois: a alternativa é a mesma nos dois mundos.
Calendário Nacional de Vacinação 2026 (PNI): três doses de penta, sem componente Hib nos reforços
O esquema é de três doses da vacina penta — difteria, tétano, pertussis de células inteiras, Hib e hepatite B — aos 2, 4 e 6 meses, com intervalo de 60 dias. Os dois reforços, aos 15 meses e aos 4 anos, são feitos com a DTP, que não contém o componente Haemophilus influenzae b. A criança que segue o calendário público não recebe quarta dose de Hib.
Ministério da Saúde, SVSA/DPNI — Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação, 2026.
Calendário da SBP 2026-2027: quarta dose aos 15 meses quando se usa pertussis acelular
A SBP mantém as três doses aos 2, 4 e 6 meses e acrescenta: quando for utilizada pelo menos uma dose de vacina combinada com componente pertussis acelular — como DTPa/Hib/VIP e DTPa/Hib/VIP/HB, disponíveis em clínicas privadas e nos CRIE —, uma quarta dose de Hib deve ser aplicada aos 15 meses de vida, para reduzir o risco de ressurgimento das doenças invasivas por Hib no longo prazo. A vacina Hib monovalente deixou de ser produzida para o mercado privado em 2024.
Sociedade Brasileira de Pediatria — Calendário de Vacinação, atualização 2026-2027.
Na prova
A linha que separa as duas posições é o produto usado, não a opinião sobre o Hib: o gatilho da quarta dose é ter recebido combinação com pertussis acelular. Enunciado que descreve criança acompanhada em unidade básica, com penta e reforços de DTP, está no calendário público e o esquema termina aos 6 meses para o Hib. Enunciado que fala em vacina hexavalente acelular, clínica privada ou CRIE traz o gatilho da quarta dose junto. Vale também o inverso como pista: alternativa que oferece reforço de Hib aos 15 meses num cenário declaradamente de PNI está descrevendo um calendário que não é o daquela criança.
Caso resolvido
- achado
- Tosse ladrante mais rouquidão localizam a obstrução na glote e na subglote — é síndrome do crupe, não obstrução supraglótica. A ausência de voz abafada e de sialorreia afasta o padrão da supraglotite, e o pródromo de coriza com febre baixa por dois dias é a apresentação clássica do crupe viral.
- escore
- Estridor apenas com agitação vale 1; retração ausente, 0; entrada de ar normal, 0; cor normal, 0; nível de consciência normal, 0. Total 1 ponto — crupe leve.
- o que não fazer
- Não pedir radiografia cervical: o diagnóstico é clínico, metade das crianças com crupe tem o exame normal e o achado de estreitamento subglótico aparece em criança saudável. Não prescrever antibiótico, porque a doença é viral. Não insistir em nebulização com soro fisiológico, que não tem eficácia comprovada e piora a criança se a agitar.
- conduta
- Dexametasona em dose única, 0,15 mg/kg, por via oral, e alta para casa. Crupe leve recebe corticoide — a dose única age por mais de 48 horas e reduz a chance de a criança voltar pior. Adrenalina nebulizada não está indicada, porque é reservada ao crupe moderado ou grave e a quem já teve manipulação prévia de via aérea.
- orientação de retorno
- Explicar que a tosse pode durar de 3 a 7 dias e piora à noite, e que os sinais de retorno imediato são estridor com a criança quieta, tiragem, recusa de líquidos, palidez ou cianose e sonolência fora do sono. Sonolência em criança que estava agitada não é melhora.
Agora feche você
- achado
- Estridor e desconforto respiratório sem rouquidão e sem tosse ladrante localizam a obstrução acima das cordas vocais: cordas e traqueia estão poupadas, e é justamente por isso que faltam os dois sintomas do crupe. A voz abafada vem da obstrução acima das cordas e a sialorreia, da obstrução acima do esôfago, que impede a deglutição.
- o que o resto do exame acrescenta
- Aparência tóxica e alteração de perfusão circulatória são típicas de doença bacteriana e estão ausentes no crupe viral. A criança adotou espontaneamente a posição em que consegue manter a via aérea aberta — e essa posição é informação clínica, não capricho.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Pedir radiografia cervical para confirmar o crupe Atrai porque o sinal da torre de igreja é famoso e parece objetivo. Só que metade das crianças com crupe clínico tem radiografia normal, o estreitamento subglótico aparece em criança saudável pela anatomia da região, e o exame exige deitar e manipular quem já está com a via aérea estreitada. Radiografia normal também não exclui corpo estranho nem supraglotite.
- 2Tranquilizar-se com a saturação normal A oximetria deve ser feita em toda criança com estridor, mas ela é boa quando está ruim e não é garantia quando está boa: a luz da via aérea se estreita acentuadamente antes de a criança dessaturar. Hipoxemia no crupe já é doença avançada com risco de parada respiratória, e não o começo do problema.
- 3Mandar o crupe leve para casa só com orientação e umidificação Parece proporcional à gravidade, e é o erro mais comum. A dexametasona reduz gravidade, necessidade e duração de internação, admissão em terapia intensiva e necessidade de adrenalina — e está indicada também no crupe leve, em dose única. A nebulização com soro fisiológico ou ar umidificado, que ocupa o lugar dela na prática, não tem eficácia comprovada.
- 4Dar adrenalina nebulizada e liberar a criança em seguida O efeito é quase instantâneo sobre o estridor, o que dá uma falsa sensação de doença resolvida. Só que ele dura cerca de 2 horas: passado esse tempo, a criança pode voltar ao desconforto inicial. Por isso a nebulização vem acompanhada de 3 a 4 horas de observação, e a piora depois de 2 horas é critério de internação.
- 5Examinar a orofaringe da criança com suspeita de obstrução supraglótica O reflexo de olhar a garganta é automático em pediatria e aqui é perigoso: o tecido supraglótico não tem cartilagem, colaba na inspiração e a manobra pode fechar de vez uma via aérea que ainda estava parcialmente aberta. A criança que está sentada, inclinada para a frente e babando já escolheu a posição que a mantém viva — deitá-la para examinar desfaz isso.
- 6Insistir em corticoide e adrenalina no crupe que não responde Repetir a nebulização parece a escalada lógica. Mas a ausência de resposta ao tratamento inicial com adrenalina inalatória e corticosteroide é justamente o que separa a traqueíte bacteriana do crupe viral. Com febre alta acima de 38,5 °C e toxemia, a próxima medida não é outra dose: é terapia intensiva, via aérea assegurada e antibiótico parenteral — nessa doença não há lugar para corticoide nem para adrenalina.
- 7Usar o esquema de rifampicina do meningococo para o contato de Hib Os dois esquemas moram no mesmo documento e são trocados o tempo todo. No meningococo, rifampicina 10 mg/kg/dose de 12 em 12 horas por 2 dias; na doença invasiva por Hib, 20 mg/kg/dose uma vez ao dia por 4 dias, no máximo 600 mg. A dose dobra, a frequência cai pela metade e a duração dobra.
- 8Achar que doença invasiva por Haemophilus em criança vacinada é falha vacinal No Brasil, entre 2009 e 2021, a maioria dos casos identificados de doença invasiva por Haemophilus influenzae foi por cepas não tipáveis, seguidas do sorotipo a e do sorotipo b. A vacina cobre o sorotipo b; os demais circulam livremente. E como a tipagem demora, a quimioprofilaxia dos contatos é indicada já com a confirmação inicial de doença invasiva por Haemophilus influenzae.
Tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório após pródromo viral definem laringotraqueíte (crupe); com estridor apenas ao choro é leve/moderada, e a dexametasona é a base do tratamento. Epiglotite cursa com toxemia, sialorreia, disfagia e ausência de tosse ladrante. Bronquiolite cursa com sibilância, não estridor. Corpo estranho tem início súbito sem pródromo. Asma não causa estridor inspiratório nem tosse ladrante.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Menino de 3 anos, com esquema vacinal completo para a idade conforme PNI, é atendido com quadro de febre, estridor e sialorreia, em posição de tripé, com aspecto toxêmico e rápida progressão. Suspeita-se de epiglotite. Considerando o principal agente historicamente associado e o cenário epidemiológico atual, qual afirmativa é correta?
Após a vacina Hib, a epiglotite por H. influenzae b caiu drasticamente, e proporcionalmente outros agentes (S. pyogenes, S. pneumoniae, S. aureus) passaram a ter peso relativo maior (correta). A doença não foi erradicada, apenas ficou rara. Não é correto dizer que Hib segue sendo o agente atual mais provável em criança bem vacinada. Examinar a orofaringe com abaixador pode desencadear obstrução total e está contraindicado. O manejo prioriza via aérea segura (ambiente controlado) e antibiótico, não corticoide inalatório isolado.
Menina de 2 anos apresenta há 1 dia quadro de febre baixa, tosse rouca ("de cachorro"), rouquidão e estridor inspiratório que piora quando chora. Exame: sem tiragem em repouso, SatO2 97%, boa perfusão, sem sialorreia. Qual é o diagnóstico mais provável?
Tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório com febre baixa em criança de 1-3 anos definem laringotraqueobronquite (crupe), geralmente por parainfluenza. Epiglotite cursa com toxemia, sialorreia, disfagia e posição em tripé, sem tosse ladrante. Bronquiolite dá sibilância expiratória em lactentes. Traqueíte bacteriana é mais tóxica e grave. Corpo estranho tem início súbito com síndrome de penetração, não pródromo viral.
Menino de 2 anos chega à emergência com quadro de 12 horas de febre alta (39,8°C), toxemia, sialorreia, disfagia e estridor. Recusa-se a deitar e permanece sentado inclinado para frente com o pescoço estendido. Sem tosse ladrante. Não tem carteira vacinal disponível. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Toxemia, sialorreia, disfagia, estridor e posição em tripé sem tosse ladrante em criança com vacinação incerta sugerem epiglotite (classicamente H. influenzae b). Qualquer manipulação (abaixador de língua, procedimentos ansiogênicos) pode precipitar obstrução total; a prioridade é manter a criança calma e garantir via aérea em ambiente controlado. Nebulização é tratamento de crupe, não de epiglotite. Aguardar swab atrasa o manejo emergencial. RX de tórax não é prioridade e mobilizar a criança é arriscado.
Criança de 3 anos chega à UPA com quadro de tosse ladrante ('de cachorro'), rouquidão e estridor inspiratório que piora quando ela chora, iniciado há 1 dia após coriza. Está afebril, sem tiragem em repouso e com bom estado geral. Qual é o diagnóstico mais provável?
Tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório após pródromo viral, sem toxemia, caracterizam laringotraqueíte viral (crupe), causa mais comum de estridor agudo na infância — correta. Epiglotite cursa com toxemia, febre alta, sialorreia e posição de tripé, tipicamente sem tosse ladrante. Bronquiolite gera sibilância expiratória difusa, não estridor. Corpo estranho brônquico costuma dar início súbito com sibilância/redução localizada do murmúrio, sem pródromo viral.
Menina de 18 meses chega à UPA de madrugada com tosse ladrante ('de cachorro'), rouquidão e estridor inspiratório leve apenas quando agitada, sem tiragem em repouso e saturação normal. Afebril nas últimas horas. Qual a conduta inicial mais adequada para o crupe leve?
O quadro é laringotraqueíte viral (crupe) leve: tosse ladrante, rouquidão e estridor só à agitação, sem tiragem em repouso. A dexametasona em dose única reduz sintomas e retornos, sendo indicada mesmo nos casos leves, com observação. Antibiótico não trata etiologia viral. Salbutamol atua em broncoespasmo, não na obstrução laríngea. Intubação é reservada à obstrução grave iminente, não ao crupe leve. Adrenalina nebulizada fica para casos moderados/graves com estridor em repouso.
Uma criança de 4 anos é atendida na emergência com quadro de febre alta de início súbito, disfagia intensa, sialorreia, voz abafada e recusa em deitar-se, mantendo-se sentada e inclinada para frente. Apresenta estridor discreto e desconforto respiratório crescente. A mãe informa esquema vacinal incompleto. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Febre alta súbita, disfagia, sialorreia, voz abafada, posição de tripé e estridor em criança com vacinação incompleta sugerem epiglotite aguda — emergência de via aérea. A prioridade é NÃO agitar a criança, evitar o exame da orofaringe (que pode precipitar obstrução completa), manter posição confortável e garantir via aérea em ambiente controlado, com antibioticoterapia após estabilização (opção correta). Examinar a orofaringe com abaixador é contraindicado por risco de laringoespasmo/obstrução (opção errada). O quadro não é de laringite viral nem asma; corticoide inalatório ou broncodilatador não tratam epiglotite e retardam a conduta salvadora (C e D erradas).
Criança de 3 anos é atendida na madrugada no pronto-socorro com quadro de tosse metálica ('de cachorro'), rouquidão e ruído inspiratório iniciados há algumas horas, precedidos de coriza. Nega febre alta. Ao exame: criança alerta, chorando, FR 32 irpm, SpO2 96%, estridor inspiratório audível apenas quando agitada, tiragem de fúrcula leve, ausculta pulmonar com murmúrio vesicular preservado e sem sibilos. Ausência de sialorreia ou disfagia. Considerando o diagnóstico mais provável e a conduta inicial mais apropriada, respectivamente, tem-se:
Tosse ladrante ('de cachorro'), rouquidão, estridor inspiratório e pródromo catarral, sem febre alta, em criança alerta, definem laringotraqueobronquite viral (crupe), obstrução de vias aéreas altas geralmente por vírus parainfluenza. No crupe leve/moderado (estridor só quando agitada), a conduta é corticoide sistêmico em dose única (dexametasona); adrenalina nebulizada fica reservada aos casos com estridor em repouso/moderado a grave. Epiglotite cursa com febre alta, toxemia, sialorreia, disfagia e posição em tripé, ausentes aqui, e não se manipula a via aérea sem necessidade. Bronquiolite é obstrução baixa com sibilos difusos, não estridor. Aspiração de corpo estranho tem início súbito com engasgo e ausculta assimétrica, não pródromo catarral com tosse ladrante.
Menino, 2 anos, previamente hígido, é levado ao pronto-socorro com quadro de tosse metálica ("de cachorro"), rouquidão e estridor inspiratório iniciados há 2 dias, precedidos por coriza e febre baixa. Ao exame: ativo, corado, sem sialorreia, aceitando líquidos; estridor audível apenas ao choro, sem tiragem em repouso. FR 32 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, T 37,8 °C. Orofaringe sem alterações. Considerando o diagnóstico mais provável e a gravidade do quadro, qual é a conduta inicial mais adequada?
O quadro (tosse metálica, rouquidão, estridor, pródromo viral, ausência de toxemia/sialorreia) é típico de laringotraqueíte aguda (crupe viral) LEVE — estridor só ao choro, sem tiragem em repouso (Westley baixo). A conduta baseada em diretriz é corticoide sistêmico (dexametasona 0,15–0,6 mg/kg dose única VO), que reduz gravidade e reconsultas, mantendo a criança calma. Correta: Errada: intubação/via aérea cirúrgica é conduta da epiglotite ou crupe grave com obstrução iminente, não de crupe leve. Errada: antibiótico e radiografia cervical não se aplicam ao crupe leve, de etiologia viral. Errada: adrenalina nebulizada e UTI são reservadas ao crupe moderado-grave (estridor em repouso/tiragem), overtratamento aqui. Errada: abaixador de língua e antibiótico são inadequados; a manipulação da orofaringe é contraindicada quando se suspeita de epiglotite, e não há indicação de ATB no crupe.
Menino, 4 anos, sem vacinação documentada, é levado ao pronto-socorro com febre alta (39,5 °C) de início há poucas horas, prostração intensa, dor de garganta e recusa completa de alimentos e saliva. Está sentado, inclinado para frente com o pescoço estendido e a boca aberta babando, com voz abafada e estridor inspiratório discreto. FR 34 ipm, FC 140 bpm, SatO2 94%. Não apresenta tosse metálica. Além de manter a criança calma e no colo do cuidador, sem manipular a orofaringe, qual é a sequência de conduta mais apropriada?
Quadro clássico de EPIGLOTITE aguda: início hiperagudo, toxemia, febre alta, disfagia com sialorreia, posição "do tripé", voz abafada, AUSÊNCIA de tosse metálica e criança não vacinada (H. influenzae b). A prioridade absoluta é a via aérea definitiva em ambiente controlado (centro cirúrgico, com anestesista/ORL preparados para traqueostomia), seguida de antibiótico de amplo espectro (ceftriaxona/cefotaxima). Correta: Errada: dexametasona isolada e alta são conduta de crupe leve, não de epiglotite (risco de obstrução fatal). Errada: manipular a orofaringe/laringoscopia à beira-leito pode desencadear laringoespasmo e parada respiratória — contraindicado até a via aérea estar assegurada. Errada: adrenalina não trata epiglotite e aguardar cultura retarda o tratamento de emergência. Errada: deitar a criança e transportá-la para radiografia agrava a obstrução; a estabilização da via aérea precede qualquer exame.
Menina, 18 meses, com quadro de tosse metálica e estridor inspiratório há 1 dia. À reavaliação no pronto-socorro, apresenta agora estridor audível em repouso, tiragem intercostal e de fúrcula, agitação e SatO2 93% em ar ambiente. Recebeu dexametasona oral há 30 minutos. Está corada, sem sialorreia, aceitando pouca água. Qual é a conduta imediata mais indicada para esse momento?
A criança evoluiu de crupe leve para MODERADO-GRAVE (estridor em repouso + tiragem + agitação + hipoxemia leve). Nesse cenário, além do corticoide já administrado, a diretriz indica adrenalina nebulizada (L-adrenalina ou adrenalina racêmica), com observação de 2–4 horas pelo risco de efeito rebote após a melhora inicial. Correta: Errada: com estridor em repouso e tiragem não se pode apenas aguardar — há indicação de tratamento ativo imediato. Errada: crupe é viral; antibiótico e radiografia de tórax não estão indicados. Errada: repetir dexametasona não substitui a adrenalina no quadro moderado-grave e a alta seria precoce/insegura. Errada: beta-2 agonista e corticoide inalatório tratam broncoespasmo/asma, não a obstrução de via aérea alta do crupe.
Menino, 2 anos, previamente hígido, com quadro de coriza e febre baixa há 2 dias. Na madrugada, evoluiu com tosse metálica ("tosse de cachorro"), rouquidão e estridor inspiratório leve, que melhora quando é acalmado no colo da mãe. Aceita líquidos, sem sialorreia e sem aspecto toxêmico. Ao exame: afebril no momento, FR 28 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, orofaringe sem exsudatos, ausculta pulmonar limpa. Qual o diagnóstico mais provável?
A tríade tosse ladrante (metálica), rouquidão e estridor inspiratório, precedida por pródromo de infecção de vias aéreas superiores, em criança de 1–3 anos, é o quadro clássico de laringotraqueíte aguda (crupe viral), quase sempre por parainfluenza. Epiglotite cursa com início súbito, febre alta, toxemia, sialorreia, disfagia e posição de tripé, SEM tosse ladrante — não é o caso. Traqueíte bacteriana dá febre alta, toxemia e piora progressiva com secreção traqueal purulenta, tipicamente após um quadro viral. Corpo estranho tem início súbito, sem pródromo infeccioso/febre e frequentemente com história de engasgo. Bronquiolite cursa com sibilância expiratória e crepitações difusas em lactente, não com estridor inspiratório e tosse ladrante.
Menina, 4 anos, com esquema vacinal incompleto (não recebeu vacina para Haemophilus influenzae tipo b). Há cerca de 6 horas iniciou febre alta (39,5 °C), odinofagia intensa e recusa alimentar. Chega à emergência ansiosa, sentada inclinada para frente com o pescoço estendido, apresentando sialorreia, voz abafada e estridor inspiratório, SEM tosse. Aspecto toxêmico; FC 150 bpm, FR 34 ipm, SatO2 94%. Qual a conduta mais apropriada neste momento?
O quadro é epiglotite aguda: início súbito, febre alta, toxemia, sialorreia, voz abafada, ausência de tosse e posição de tripé — favorecido pela falta da vacina anti-Hib. A prioridade é NÃO agitar a criança e garantir a via aérea em ambiente controlado (centro cirúrgico/UTI, com equipe apta a intubação/via aérea cirúrgica), pois a manipulação pode precipitar obstrução completa. Examinar a orofaringe com abaixador é contraindicado — pode desencadear laringoespasmo e obstrução total. Adrenalina nebulizada é conduta de crupe viral, não resolve epiglotite nem substitui a proteção da via aérea. Levar à radiologia agita e afasta a criança do suporte de via aérea; a imagem não deve preceder nem atrasar a estabilização. Corticoide/broncodilatador não trata a obstrução supraglótica e retarda a conduta definitiva.
Menino, 18 meses, com quadro de crupe viral há 1 dia, trazido por piora. À avaliação apresenta estridor inspiratório audível EM REPOUSO, tiragem intercostal e de fúrcula, agitação e SatO2 93% em ar ambiente, sem sialorreia ou toxemia. O quadro é compatível com crupe moderado a grave. Qual a conduta inicial mais adequada?
No crupe moderado a grave (estridor em repouso + tiragem), a conduta é adrenalina (epinefrina) nebulizada, para alívio rápido da obstrução, MAIS corticoide sistêmico — dexametasona 0,15–0,6 mg/kg em dose única —, com observação por pelo menos 3–4 horas, pois o efeito da adrenalina é transitório e pode haver rebote do estridor após seu término. Dexametasona isolada com alta imediata só seria adequada no crupe leve; aqui há estridor em repouso, que exige adrenalina e observação. Antibiótico e internação são para traqueíte bacteriana (febre alta/toxemia/secreção purulenta), ausentes no caso. Adrenalina isolada omite o corticoide e a observação para rebote — liberar precocemente é inseguro. Salbutamol não tem papel no crupe (a obstrução é laríngea, não broncoespasmo); oxigênio isolado não trata a causa da obstrução.
Menino, 2 anos, previamente hígido e com vacinação em dia, apresenta há 2 dias coriza e febre baixa. Nas últimas horas evoluiu com tosse metálica ("de cachorro") e rouquidão, com piora noturna. No pronto-socorro está afebril no momento, ativo e com nível de consciência normal, FR 40 ipm, SatO2 96% em ar ambiente. Ao exame: estridor inspiratório audível em repouso, retrações de fúrcula e intercostais moderadas, entrada de ar discretamente reduzida à ausculta e ausência de cianose. Qual é a conduta mais adequada?
Quadro típico de laringotraqueíte aguda (crupe viral). Pelo escore de Westley, o paciente soma estridor em repouso (2) + retração moderada (2) + entrada de ar diminuída (1) = 5 pontos, caracterizando crupe MODERADO (3–7). A conduta Correta:associa dexametasona em dose única (0,15–0,6 mg/kg) — que age em horas e reduz recidivas/reintubação — à adrenalina nebulizada, indicada por haver estridor em repouso e retração moderada; como o efeito da adrenalina dura ~2 h e há risco de rebote, a observação por pelo menos 2 h antes da alta é obrigatória. Erra porque, embora dexametasona seja indicada, alta imediata é inadequada num crupe moderado com estridor em repouso, que se beneficia de adrenalina e observação. Erra ao dar alta logo após a melhora com adrenalina, ignorando o efeito rebote — o paciente pode piorar em 1–2 h. Erra porque a etiologia é viral (parainfluenza), sem indicação de antibiótico, e soro fisiológico não trata o edema subglótico. Erra porque salbutamol não atua no edema subglótico (não é broncoespasmo) e o corticoide sistêmico é o pilar do tratamento — budesonida seria alternativa apenas quando a via oral não é possível.
Menina, 4 anos, com cartão vacinal incompleto (não recebeu a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b). Há cerca de 6 horas iniciou febre alta (39,5 °C), prostração intensa e recusa alimentar. Chega ao pronto-socorro sentada e inclinada para a frente, apoiada nas mãos, com sialorreia importante e voz abafada ("batata quente"), SEM tosse ladrante. FR 32 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, estridor inspiratório leve e aspecto toxêmico. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
O conjunto início abrupto, febre alta, aspecto toxêmico, sialorreia/disfagia, posição em tripé, voz abafada e AUSÊNCIA de tosse ladrante, em criança com vacinação anti-Hib incompleta, aponta para epiglotite aguda — e não crupe viral. A prioridade é a via aérea: manter a criança calma e sentada, evitar qualquer estímulo (choro/decúbito/manipulação da orofaringe) que possa precipitar laringoespasmo e obstrução total, e assegurar a via aérea em ambiente controlado (centro cirúrgico, com equipe de anestesia/ORL), iniciando antibiótico (ceftriaxona/cefuroxima) após a intubação — por isso Correta: É perigosa: manipular a orofaringe com abaixador pode desencadear obstrução completa e é contraindicada até a via aérea estar garantida. Trata crupe viral, diagnóstico incorreto aqui, e adrenalina/dexametasona não resolvem a epiglotite bacteriana. Retarda a proteção da via aérea e expõe a criança instável ao transporte/decúbito para radiografia — a decisão é clínica e a via aérea vem primeiro. É francamente inadequada e perigosa: liberar para casa uma criança toxêmica com risco de obstrução iminente pode ser fatal.
Menino de 18 meses é levado à Unidade Básica de Saúde pela mãe. Há dois dias apresenta coriza e febre baixa. Na madrugada de hoje, acordou com tosse ladrante ("de cachorro"), rouquidão e ruído inspiratório que aparece apenas quando chora. Vacinação em dia. Ao exame: ativo, corado, hidratado, sem sialorreia, aceitando líquidos, temperatura axilar de 37,8 °C, frequência respiratória de 30 irpm, SpO2 de 98% em ar ambiente, sem estridor em repouso e sem tiragem. Ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: laringotraqueíte aguda (crupe viral). A tríade tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório precedida de pródromo catarral em lactente/pré-escolar é o quadro clássico, e o diagnóstico é clínico — não requer exame de imagem na APS. Epiglotite: cursa com início súbito, febre alta, toxemia, sialorreia, disfagia e ausência de tosse ladrante, além de ser rara em vacinados contra Haemophilus influenzae b. Bronquiolite: acomete menores de 2 anos com sibilos/crepitações expiratórios e desconforto expiratório, não estridor inspiratório com tosse ladrante. Corpo estranho: início súbito com engasgo, sem pródromo catarral e sem febre.
Menina de 4 anos, com caderneta vacinal incompleta, é levada à UPA com quadro de 8 horas de febre de 39,5 °C, odinofagia intensa, recusa alimentar e voz abafada. Está prostrada, sentada e inclinada para a frente, com sialorreia e estridor inspiratório, sem tosse ladrante. SpO2 de 94% em ar ambiente. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: o quadro (febre alta, toxemia, sialorreia, voz abafada, posição de tripé, ausência de tosse ladrante, vacinação incompleta) sugere epiglotite aguda — emergência de via aérea. A prioridade é não agitar a criança, manter oxigênio, iniciar antibiótico parenteral (ceftriaxona) e garantir transferência para local com capacidade de intubação/via aérea cirúrgica. Examinar a orofaringe com abaixador pode precipitar obstrução completa por espasmo — está formalmente contraindicado fora do ambiente com via aérea garantida. Nebulizar adrenalina e liberar trata o quadro como crupe e ignora a gravidade e a necessidade de antibiótico e observação. Levar a criança à sala de raio-X, fora da vigilância e em decúbito, atrasa a conduta e pode desencadear obstrução — a imagem nunca precede a estabilização.
Menino de 3 anos chega à UPA com tosse ladrante, estridor inspiratório em repouso, tiragem de fúrcula e intercostal e leve agitação; SpO2 de 94%. Recebe nebulização com adrenalina e, após 30 minutos, apresenta melhora expressiva: sem estridor em repouso, sem tiragem, calmo e SpO2 de 97%. A mãe pergunta se já pode ir para casa. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: o efeito da adrenalina nebulizada é transitório (cerca de duas horas), com risco de retorno dos sintomas ("efeito rebote" aparente). Toda criança que recebe adrenalina deve permanecer em observação por pelo menos duas horas e receber corticoide sistêmico — dexametasona em dose única, 0,15 a 0,6 mg/kg — que reduz recidiva, reconsultas e internação. Alta imediata é a pegadinha clássica: a melhora reflete a farmacocinética curta da adrenalina, não a resolução da doença. Antibiótico não tem papel no crupe, de etiologia viral, e corticoide por cinco dias é desnecessário. Nebulizações fixas de adrenalina e radiografia cervical não se justificam em quadro com diagnóstico clínico definido e boa resposta ao tratamento.
Menino de 18 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, é levado à UPA de madrugada. Há dois dias apresenta coriza hialina, obstrução nasal e febre de até 37,9 °C. Nesta noite acordou subitamente com tosse rouca, de timbre metálico, e ruído inspiratório que piora quando chora. Ao exame: ativo, hidratado, aceita líquidos, sem sialorreia, orofaringe sem exsudatos ou abaulamentos, estridor inspiratório apenas à agitação, sem tiragem, FR 32 irpm, SpO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Assinale o diagnóstico mais provável.
O pródromo catarral de 2 dias, a febre baixa, a tosse ladrante de início noturno e o estridor inspiratório apenas à agitação, em criança de 18 meses com bom estado geral, configuram o quadro clássico de laringotraqueíte aguda viral (crupe), tipicamente por parainfluenza, com pico entre 6 meses e 3 anos. Epiglotite: cursa com início hiperagudo, febre alta, toxemia, sialorreia, voz abafada e AUSÊNCIA de tosse ladrante — nada disso está presente, e a criança é vacinada contra Hib. Traqueíte bacteriana: também tem tosse ladrante, mas evolui com febre alta, toxemia e secreção purulenta traqueal, com piora rápida e má resposta à adrenalina. Aspiração de corpo estranho: engasgo súbito em criança previamente hígida, sem pródromo infeccioso, frequentemente com sibilo/murmúrio assimétrico.
Menina de 4 anos, com cartão vacinal incompleto (não recebeu as doses de Haemophilus influenzae tipo b), é trazida ao pronto-socorro com febre de 39,6 °C iniciada há oito horas, odinofagia intensa e recusa alimentar. Encontra-se toxemiada e ansiosa, sentada, inclinada para frente, com o pescoço estendido e a boca aberta, babando saliva. A voz é abafada, não há tosse ladrante, e ausculta-se estridor inspiratório discreto. FR 36 irpm, SpO2 94% em ar ambiente. Assinale a conduta imediata mais adequada.
O quadro é de epiglotite aguda: início hiperagudo, febre alta, toxemia, sialorreia, voz abafada, posição de tripé e ausência de tosse ladrante, em criança sem esquema completo para Hib. A prioridade absoluta é NÃO agitar a criança (o choro pode precipitar obstrução completa) e obter via aérea definitiva em centro cirúrgico, com anestesista/ORL preparados para intubação ou traqueostomia; antibiótico (ceftriaxona) vem depois de assegurada a via aérea. Exame da orofaringe com abaixador de língua é formalmente contraindicado fora do ambiente com via aérea garantida — pode desencadear laringoespasmo e obstrução fatal. A radiografia cervical (sinal do polegar) é dispensável e perigosa: retira a criança do setor de emergência e o decúbito dorsal piora a obstrução. Punção venosa e coletas antes da via aérea agitam a criança e invertem a prioridade do ABC.
Menino de 2 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com tosse ladrante e rouquidão há um dia, com piora progressiva nas últimas horas. Ao exame: agitado, chorando, com estridor inspiratório audível em repouso, tiragem de fúrcula e intercostal, entrada de ar diminuída à ausculta, FR 44 irpm, SpO2 94% em ar ambiente, sem cianose. Não há sialorreia, disfagia nem toxemia; a orofaringe é normal. Pelo escore de Westley, o quadro classifica-se como moderado a grave. Assinale a conduta adequada.
Estridor em repouso com tiragem e redução da entrada de ar define crupe moderado a grave (Westley ≥ 3–6), cujo tratamento padrão é adrenalina nebulizada (L-adrenalina 1:1000, 0,5 mL/kg, máximo 5 mL, ou adrenalina racêmica) associada a dexametasona 0,6 mg/kg em dose única. O ponto-chave é a observação por 2 a 4 horas após a nebulização: o efeito da adrenalina dura 1 a 2 horas e pode haver retorno dos sintomas ao nível basal (fenômeno de rebote aparente), de modo que a alta precoce é insegura. Dexametasona isolada com alta imediata é o manejo do crupe LEVE (sem estridor em repouso) — insuficiente aqui. Adrenalina com alta em 30 minutos ignora justamente a janela de observação e é a pegadinha clássica. Budesonida inalatória isolada é alternativa apenas quando há vômitos/impossibilidade de corticoide sistêmico, e não substitui a adrenalina no quadro com estridor em repouso.
Menino de 2 anos é levado à UPA às 3h da manhã. A mãe relata coriza e febre baixa (37,9 °C) há dois dias e, nesta madrugada, início súbito de tosse rouca, "como latido de cachorro", com ruído à inspiração. Ao exame: ativo, corado, aceitando líquidos, sem sialorreia ou disfagia, voz rouca preservada. FR 34 irpm, SpO2 96% em ar ambiente, estridor inspiratório audível em repouso, tiragem intercostal leve, murmúrio vesicular universalmente audível sem ruídos adventícios. Assinale a conduta inicial mais adequada.
Quadro típico de laringotraqueíte aguda (crupe viral) com estridor em repouso e tiragem — escore de Westley em faixa moderada. A conduta padronizada é corticoide (dexametasona 0,15–0,6 mg/kg VO, dose única) associado à nebulização com adrenalina, com observação mínima de 2 horas pelo risco de efeito rebote. Salbutamol atua em broncoespasmo, não em edema subglótico. Radiografia cervical é dispensável e nunca deve retardar o tratamento de um paciente sintomático. Intubação está reservada à falência respiratória ou obstrução refratária, ausentes neste caso estável e bem oxigenado.
Lactente de 18 meses, previamente hígido e com vacinação em dia, apresenta há três dias coriza hialina e febre de 38 °C, evoluindo com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório que piora ao choro. O exame físico mostra criança em bom estado geral, sem toxemia, com tiragem de fúrcula leve e ausculta pulmonar limpa. Assinale o agente etiológico mais frequentemente associado a esse quadro.
O quadro é de laringotraqueíte aguda (crupe viral), cujo agente mais frequente é o vírus parainfluenza, sobretudo o tipo 1, responsável pela maioria dos casos e pelos surtos de outono. O vírus sincicial respiratório é o principal agente da bronquiolite, que cursa com sibilos e estertores, não com estridor. Haemophilus influenzae tipo b causa epiglotite, quadro toxêmico com sialorreia e sem tosse ladrante, hoje raro pela vacinação. Influenza A pode causar crupe, porém com frequência bem menor e habitualmente com quadro sistêmico mais intenso.
Menina de 5 anos, trazida ao pronto-socorro com história de 8 horas de febre alta (39,6 °C), dor de garganta intensa e recusa alimentar. Os pais relatam esquema vacinal incompleto por opção familiar. Ao exame: prostrada, ansiosa, sentada na maca inclinada para frente com o pescoço estendido e a boca aberta, salivando; voz abafada, sem tosse ladrante; estridor inspiratório discreto; FR 38 irpm; SpO2 93% em ar ambiente. Assinale a conduta imediata mais adequada.
Trata-se de epiglotite aguda (criança não vacinada contra Haemophilus influenzae tipo b, com febre alta, toxemia, sialorreia, voz abafada, posição de tripé e ausência de tosse ladrante). A prioridade absoluta é a via aérea definitiva em ambiente controlado, com equipe capaz de traqueostomia de resgate; até lá, evita-se qualquer manobra que provoque choro ou agitação. Oroscopia com abaixador de língua pode precipitar laringoespasmo e obstrução completa. Radiografia desloca a criança para fora do ambiente de suporte e não deve preceder a proteção da via aérea. Antibiótico é essencial, mas apenas após assegurar a via aérea.
Menino de 2 anos é levado ao pronto-socorro às 2 h da manhã. Há dois dias apresenta coriza clara e tosse leve; nesta madrugada acordou com tosse rouca e alta, descrita pela mãe como latido, e ruído inspiratório. No exame, está alerta, corado, no colo da mãe, com voz rouca, sem sialorreia. Não há estridor com a criança quieta, mas ele surge quando ela chora. Não há tiragem, a entrada de ar é normal, a temperatura axilar é de 37,8 °C e a saturação de oxigênio é de 97% em ar ambiente. Qual a conduta?
Tosse ladrante com rouquidão localiza a obstrução na glote e na subglote: é crupe viral. Estridor apenas com agitação, sem tiragem, com entrada de ar, cor e consciência normais, soma 1 ponto no escore da SBP — crupe leve, que recebe dexametasona em dose única e vai para casa. A radiografia cervical é dispensável e prejudicial: o diagnóstico é clínico, metade das crianças com crupe tem o exame normal e o estreitamento subglótico aparece em criança saudável. Antibiótico não trata doença de parainfluenza, e a nebulização com soro fisiológico não tem eficácia comprovada. A adrenalina é reservada ao crupe moderado ou grave e nunca é seguida de alta imediata, porque o efeito dura cerca de 2 horas. Internar sem tratar troca a única medida que muda desfecho por observação.
Duas crianças chegam à emergência com estridor inspiratório e desconforto respiratório. A primeira tem tosse alta e ladrante e voz rouca. A segunda não tem tosse, fala com voz abafada, baba sobre a roupa e permanece sentada, inclinada para a frente. Qual conjunto de achados indica que a obstrução da segunda criança está acima das cordas vocais?
Rouquidão e tosse ladrante nascem do comprometimento das cordas vocais e da traqueia; na obstrução supraglótica essas estruturas são poupadas, e por isso os dois sintomas faltam. Em compensação surgem a voz abafada, produzida pela obstrução acima das cordas, e a sialorreia, quando a obstrução acima do esôfago impede a deglutição. Febre e estridor inspiratório aparecem nos dois quadros e não discriminam: o estridor supraglótico é inspiratório porque o segmento colaba na pressão negativa da inspiração, mas o crupe também dá estridor inspiratório. A idade não define o andar da obstrução. Estridor mais audível na expiração aponta obstrução intratorácica, e sibilos com expiração prolongada indicam acometimento de bronquíolos, o que caracteriza laringotraqueobronquite e não obstrução alta supraglótica.
Menina de 18 meses, com quadro de tosse ladrante há um dia, chega à emergência com estridor inspiratório audível com a criança quieta no colo, tiragem intercostal moderada e entrada de ar diminuída na ausculta. Está corada, alerta e fica agitada quando manipulada, com saturação de 96% em ar ambiente. Recebe L-adrenalina 1:1000 nebulizada e dexametasona, com melhora importante do estridor em poucos minutos. A mãe pergunta se já pode ir embora. Qual a conduta correta?
A adrenalina nebulizada tem efeito quase instantâneo sobre o estridor, mas dura cerca de 2 horas: passado esse tempo, a criança pode voltar ao desconforto inicial. Por isso a conduta da SBP no crupe moderado é nebulização mais dexametasona seguida de 3 a 4 horas de observação, com alta se não houver estridor em repouso. Liberar logo após a melhora é a armadilha clássica, e piora clínica depois de 2 horas é justamente um dos critérios de internação. Internação obrigatória não procede: os critérios são toxemia, desidratação ou incapacidade de ingerir líquidos, estridor ou retração em repouso, falta de resposta à adrenalina ou piora após 2 horas. O corticoide é dose única, com ação acima de 48 horas, e não esquema de dias. Repetição sistemática de adrenalina a cada 20 minutos não é a regra do crupe e expõe a criança a risco cardiovascular sem indicação.
Criança de 3 anos é internada com doença invasiva por Haemophilus influenzae tipo b confirmada e está sendo tratada com ceftriaxona. Mora com os pais e com um irmão de 1 ano, com calendário vacinal em dia. Segundo a Nota Técnica Conjunta nº 154/2024 do Ministério da Saúde, qual a conduta quanto à quimioprofilaxia dos contatos?
A nota técnica manda dar quimioprofilaxia a todos os contatos domiciliares quando o domicílio inclui criança menor de 2 anos, independentemente da situação vacinal — o irmão de 1 ano aciona a regra para a casa inteira, e o calendário em dia não isenta ninguém nessa faixa. O esquema para doença invasiva por Hib é rifampicina uma vez ao dia por 4 dias, 20 mg/kg/dose com máximo de 600 mg dos 1 mês aos 18 anos. A própria paciente só recebe quimioprofilaxia se o tratamento não estiver sendo feito com cefalosporina de terceira geração, e ela está em uso de ceftriaxona. O esquema de 10 mg/kg de 12 em 12 horas por 2 dias é o da doença meningocócica, e o ciprofloxacino em dose única também pertence ao meningococo, para maiores de 18 anos.
Durante consulta de puericultura em unidade básica de saúde, a mãe de um lactente de 7 meses, que recebeu as três doses da vacina penta nas idades recomendadas, pergunta se o filho ainda precisará de mais alguma dose contra o Haemophilus influenzae tipo b. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, qual a resposta correta?
No Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a vacina penta é dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses, com intervalo de 60 dias, e os dois reforços — aos 15 meses e aos 4 anos — são feitos com a DTP, tríplice bacteriana, que não contém componente Haemophilus influenzae b. A criança que segue o calendário público, portanto, encerra o esquema de Hib aos 6 meses. A quarta dose aos 15 meses aparece no calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria, mas com um gatilho específico: quando se usa pelo menos uma dose de combinação com componente pertussis acelular, como as hexavalentes disponíveis em clínicas privadas e nos CRIE. Reforço anual não existe para o Hib, e não há campanha com vacina Hib monovalente no calendário público.
Em uma unidade básica de saúde, uma criança de 3 anos é atendida com queixa de tosse iniciada há dois dias. Na avaliação segundo a estratégia AIDPI, a criança consegue beber, não vomita tudo o que ingere, não teve convulsões e está alerta. A frequência respiratória é de 36 incursões por minuto, não há tiragem subcostal, mas há estridor audível com a criança tranquila no colo da mãe. Como classificar e conduzir?
No quadro de tosse ou dificuldade para respirar do AIDPI, a presença de qualquer sinal geral de perigo, tiragem subcostal ou estridor em repouso classifica a criança como pneumonia grave ou doença muito grave, e a conduta escrita é primeira dose de antibiótico recomendado, tratamento para evitar hipoglicemia, oxigênio se disponível e referência urgente ao hospital. O estridor em repouso basta sozinho, mesmo com frequência respiratória normal para a idade e sem tiragem. A classificação de pneumonia exige respiração rápida sem esses sinais, e a de não é pneumonia exige a ausência de todos eles. Sibilância não foi descrita. O algoritmo não separa a causa do estridor porque é ferramenta de triagem para unidade básica, sem laringoscopia nem via aérea avançada — no pronto-socorro, a mesma criança seria classificada e tratada como crupe.
Menina de 4 anos chega à emergência com febre alta há 10 horas, sentada e inclinada para a frente, babando, com voz abafada, sem tosse e com estridor inspiratório. Está pálida, com tempo de enchimento capilar de 3 segundos. O médico plantonista pede um abaixador de língua para examinar a orofaringe e solicita radiografia cervical. Qual a avaliação dessa conduta?
O quadro é de obstrução supraglótica: estridor e desconforto sem rouquidão e sem tosse ladrante, com voz abafada, sialorreia, aparência tóxica e alteração de perfusão. O tecido supraglótico não tem cartilagem e colaba com facilidade na inspiração, e doenças dessa região têm potencial de obstruir rapidamente as vias aéreas. Examinar a orofaringe com abaixador de língua ou deitar a criança pode converter obstrução parcial em obstrução total. A radiografia cervical também está contraindicada em criança com obstrução de via aérea superior: exige deitar e manipular, e o exame normal não exclui supraglotite nem corpo estranho. A conduta é manter a criança na posição que escolheu, minimizar manipulação e acionar quem vai assegurar a via aérea em ambiente bem controlado, com o profissional mais experiente disponível.
Menino de 5 anos está internado há 12 horas por quadro interpretado como crupe. Recebeu dexametasona e duas nebulizações de L-adrenalina 1:1000, sem melhora sustentada. Mantém tosse ladrante, rouquidão, estridor inspiratório intenso e agora apresenta febre de 39,2 °C, prostração e má perfusão periférica. Qual a hipótese e a conduta?
A ausência de resposta ao tratamento inicial com adrenalina inalatória e corticosteroide é o achado que separa a traqueíte bacteriana do crupe viral. Somando febre alta acima de 38,5 °C, toxemia e alteração de perfusão a um quadro que começou como síndrome do crupe, a hipótese muda de doença. O manejo é admissão em terapia intensiva, intubação em ambiente controlado com endoscopia, que também diagnostica e colhe material, e antibiótico endovenoso com cefalosporina de segunda ou terceira geração; nessa doença não há lugar para corticosteroide nem para adrenalina inalatória. Repetir adrenalina e subir corticoide insiste no trilho errado. Asma e laringite alérgica não explicam febre alta com toxemia. Corpo estranho não costuma cursar com pródromo viral, febre alta e toxemia, e a radiografia cervical não deve ser feita em criança com obstrução de via aérea superior.
Menino de 14 meses chega à emergência com tosse ladrante e rouquidão há um dia. Tem estridor audível com a criança quieta no colo da mãe, retração esternal intensa e entrada de ar muito diminuída. Estava agitado na chegada e, nos últimos minutos, ficou quieto e sonolento. A oximetria mostra 88% em ar ambiente. Ainda não recebeu medicação alguma. Qual é a leitura do quadro e a conduta?
A progressão de gravidade do crupe tem ordem escrita, e o último item engana: aumento das frequências cardíaca e respiratória, retrações, batimento de aletas nasais, cianose, agitação psicomotora e, por fim, sonolência. Criança agitada está lutando; criança que para de lutar e fica sonolenta não melhorou, está entrando em falência. A oximetria confirma pelo lado mais grave: saturação normal gera falsa impressão de baixo risco, porque a luz da via aérea se estreita acentuadamente antes de a criança ficar hipoxêmica, de modo que hipoxemia documentada no crupe já é doença avançada, com risco de parada respiratória, e indica internação em terapia intensiva. Alteração do nível de consciência e detecção de hipoxemia estão, as duas, entre as quatro situações que marcam risco de falência respiratória, junto da idade abaixo de seis meses e do estridor em repouso. Ler a quietude como melhora é o erro que a sequência foi escrita para impedir. A traqueíte bacteriana se define pela ausência de resposta ao tratamento inicial com adrenalina inalatória e corticosteroide, somada a febre alta acima de 38,5 °C e toxemia, e esta criança ainda não recebeu nada. Crupe leve é estridor ausente ou apenas com agitação, sem retração e com entrada de ar normal. E a radiografia cervical não deve ser realizada em criança com obstrução de vias aéreas superiores.
Menino de 3 anos chega ao pronto atendimento com o quarto episódio de tosse ladrante e estridor em doze meses. O episódio de hoje é leve: o estridor só aparece quando ele chora, não há retração e a entrada de ar está preservada. A mãe conta que, entre as crises, ele já respira com um ruído discreto quando corre. Qual é a conduta?
O episódio de hoje é crupe leve — estridor apenas com agitação, sem retração e com entrada de ar normal — e recebe dexametasona em dose única, que está indicada em todos os graus, inclusive no leve, e é a medida que comprovadamente reduz gravidade, necessidade e duração de hospitalização, admissão em terapia intensiva e necessidade de associar adrenalina. O que muda a consulta é a repetição: diante de episódios recorrentes, a investigação passa a mirar refluxo gastroesofágico, papilomatose recorrente de laringe, estenose laringotraqueal e anormalidades congênitas, porque a criança pode estar apenas descompensando, a cada infecção viral, uma via aérea que já era estreita. O ruído respiratório que persiste entre as crises reforça essa leitura. Tratar e liberar sem investigar deixa passar exatamente o que a recorrência sinaliza. Corticoide inalatório diário não é tratamento do crupe nem previne recorrência — a droga é a dexametasona em dose única, com ação acima de 48 horas. A radiografia cervical não deve ser feita em criança com obstrução de vias aéreas superiores e, além disso, metade das crianças com crupe clinicamente evidente tem o exame normal e o estreitamento subglótico aparece em criança saudável. E antibiótico não trata doença de parainfluenza.
Menino de 4 anos, 15 kg, está em crupe moderado no pronto-socorro, com estridor leve em repouso, retração moderada e entrada de ar diminuída. Vai receber L-adrenalina 1:1000 nebulizada junto da dexametasona. Segundo a dose escrita no guia prático de conduta da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é o volume de L-adrenalina a administrar?
A dose escrita é 0,5 mL/kg de L-adrenalina 1:1000, sem diluir, até o máximo de 5 mL por dose. Com 15 kg, a conta por quilo daria 7,5 mL, e é exatamente aí que o teto entra: administra-se 5 mL, e não o produto da multiplicação. Aplicar os 7,5 mL ignora o limite por dose numa droga cujo risco cardiovascular é real — há relato de criança previamente hígida, com crupe grave, que desenvolveu taquicardia ventricular e infarto do miocárdio após o uso. Reduzir o volume para 0,5 mL ou 1,5 mL diluídos em solução fisiológica entrega uma fração da dose e desperdiça a única medida que age depressa sobre o estridor, cujo efeito é quase instantâneo. A concentração também não é intercambiável: a formulação prevista é a 1:1000, e trocar por 1:10.000 no mesmo volume divide por dez a massa administrada. Vale lembrar o que a nebulização não resolve: o efeito dura cerca de 2 horas, motivo pelo qual ela vem acompanhada de 3 a 4 horas de observação e nunca de alta imediata. A medida que muda desfecho é a dexametasona em dose única, indicada em todos os graus, inclusive no leve.
Criança de 3 anos com epiglotite e estridor, sentada, babando e ansiosa, necessita de manejo da via aérea. Qual é a conduta mais adequada?
Na epiglotite, qualquer estímulo pode desencadear espasmo laríngeo e obstrução completa, e por isso se evita examinar a orofaringe, deitar a criança ou realizar procedimentos que gerem choro, mantendo-a na posição em que se sente mais confortável até a abordagem em ambiente com equipe de via aérea e recurso cirúrgico disponível. Examinar a orofaringe com abaixador é justamente o gesto classicamente proscrito. Deitar a criança pode precipitar obstrução, e procedimentos dolorosos precoces aumentam a agitação e o risco.
Criança de 4 anos, com vacinação incompleta, apresenta febre alta de início súbito há seis horas, sialorreia, disfagia intensa, voz abafada, sem tosse, e permanece sentada inclinada para frente. Qual a conduta inicial correta?
Febre alta de início súbito, sialorreia, disfagia e posição de tripé sem tosse compõem o quadro de epiglotite, hoje rara pela vacinação contra Haemophilus influenzae tipo b. A regra é não agitar e não examinar a orofaringe, pois a manipulação pode precipitar espasmo e obstrução completa: a criança vai para o centro cirúrgico com equipe pronta para via aérea difícil. Abaixar a língua para ver a epiglote é o erro clássico que a questão cobra. Adrenalina nebulizada trata crupe, doença de instalação gradual e com tosse ladrante.
Criança de 18 meses com crupe apresenta estridor em repouso, tiragem intercostal e de fúrcula, agitação e saturação de 92%. Qual a conduta imediata?
Crupe com estridor em repouso e tiragem é quadro moderado a grave e pede adrenalina nebulizada, que age em minutos por vasoconstrição da mucosa subglótica, somada ao corticoide, cujo efeito começa mais tarde e sustenta a melhora. A observação por pelo menos duas horas existe porque o efeito da adrenalina se esgota e a criança pode voltar a piorar, o chamado efeito rebote. Dar corticoide e liberar de imediato é o erro que a questão cobra. Intubação fica para a falha do tratamento clínico, e antibiótico não trata etiologia viral.
Qual associação entre achado radiológico e diagnóstico está correta?
O sinal do polegar é a epiglote edemaciada projetada no perfil cervical e traduz epiglotite, enquanto o estreitamento subglótico simétrico visto na incidência anteroposterior, conhecido como sinal da torre ou ponta de lápis, corresponde ao crupe. A inversão dos dois sinais é o erro mais cobrado e mais cometido. Vale lembrar que na suspeita de epiglotite a prioridade é a via aérea, e o exame radiológico não deve atrasar nem substituir a abordagem em centro cirúrgico.
Menino de 2 anos com quadro de coriza há dois dias evolui com tosse metálica, rouquidão e estridor inspiratório leve apenas quando chora, sem tiragem em repouso. Qual a conduta?
Tosse ladrante, rouquidão e estridor apenas ao choro, sem tiragem em repouso, definem laringotraqueíte viral leve, e a dexametasona em dose única reduz recorrências e retornos ao serviço, mesmo nos casos leves. Adrenalina nebulizada com internação é o distrator que atrai quem trata o rótulo em vez da gravidade, mas ela se reserva ao estridor em repouso com desconforto respiratório. Antibiótico não tem papel numa doença viral, e o beta-2 agonista age no brônquio, não na obstrução laríngea.
Menino de 5 anos apresenta inicio subito de febre alta, disfagia intensa, sialorreia, estridor e posicao de tripe, com aspecto toxemico e sem tosse. Qual a hipotese e a conduta imediata?
Inicio hiperagudo com toxemia, sialorreia, disfagia intensa, estridor e posicao de tripe, tipicamente sem tosse, caracteriza epiglotite, emergencia em que a prioridade e nao agitar a crianca nem examinar a orofaringe, encaminhando-a para garantia de via aerea em centro cirurgico com equipe preparada. O crupe engana porque tambem produz estridor, mas tem inicio gradual, tosse ladrante e a crianca costuma estar menos toxemiada.
Qual agente etiologico teve sua incidencia drasticamente reduzida como causa de epiglotite apos a introducao da vacinacao?
A vacina conjugada contra Haemophilus influenzae tipo b reduziu drasticamente a incidencia de epiglotite na infancia, deslocando a doenca para outros agentes, como estreptococos e estafilococos, e para faixas etarias maiores. Por isso a suspeita permanece obrigatoria diante do quadro clinico compativel, sobretudo em criancas com esquema vacinal incompleto, situacao que deve ser ativamente investigada.
Criança de 4 anos com laringotraqueobronquite leve, sem estridor em repouso, com tosse ladrante e boa aceitação oral. Qual a conduta?
Mesmo nas formas leves a dexametasona em dose única reduz retornos ao serviço de emergência, encurta os sintomas e é segura, o que a torna conduta padrão junto à alta orientada. Reservar o corticoide apenas para os casos com estridor em repouso é a prática antiga, superada pela evidência. A adrenalina nebulizada fica para o estridor em repouso e obriga observação por algumas horas, o que torna incoerente indicá-la e liberar imediatamente. Antibiótico não tem lugar numa doença viral.
Criança de 2 anos recebeu adrenalina nebulizada por laringotraqueobronquite moderada, com boa resposta. Após 2 horas está sem estridor em repouso, ativa e hidratada. Qual a conduta?
A conduta correta une resposta clínica e tempo: o efeito da adrenalina dura cerca de 2 horas, e a observação por 3 a 4 horas depois da dose permite flagrar o retorno do estridor antes da alta. Liberar assim que melhora é o erro que devolve a criança à emergência em piora. Internar toda criança que respondeu bem sobrecarrega o serviço sem benefício. Adrenalina domiciliar de horário não é conduta aceita e mascara a deterioração fora do ambiente de observação.
Menina de 4 anos, com vacinação incompleta, inicia há 8 horas febre de 39,5 °C, dor de garganta intensa, recusa total de deglutição com sialorreia e voz abafada. Está sentada, inclinada para a frente, com o pescoço estendido, ansiosa e com estridor inspiratório. Qual a conduta imediata?
A postura em tripé com sialorreia, voz abafada e estridor em criança toxemiada é epiglotite, e a prioridade absoluta é garantir via aérea em ambiente controlado, com equipe de anestesia e otorrinolaringologia. Examinar a orofaringe com abaixador é o erro que pode matar: a manipulação desencadeia laringoespasmo e obstrução completa. Colher material da faringe tem o mesmo risco. Radiografia cervical exige transporte e posicionamento, e nenhum exame vale o atraso quando a apresentação clínica já é típica.
Menino de 3 anos com quadro inicial de laringotraqueobronquite evolui no 4º dia com febre alta, toxemia, estridor progressivo e secreção purulenta espessa, sem resposta à adrenalina nebulizada. Qual a hipótese?
A traqueíte bacteriana é a complicação que se instala sobre uma laringotraqueobronquite viral, tipicamente por Staphylococcus aureus, e se caracteriza por febre alta, toxemia, secreção purulenta e ausência de resposta à adrenalina — exige antibiótico e frequentemente via aérea artificial com aspiração de membranas. A epiglotite é o distrator próximo, mas tem início abrupto, sem pródromo viral de dias, e cursa com sialorreia e disfagia marcantes. Asma não produz estridor inspiratório nem esse padrão de secreção.
Menino de 18 meses é levado à emergência com estridor inspiratório em repouso, tiragem de fúrcula e intercostal, tosse ladrante e agitação. Saturação de 93% em ar ambiente. Qual a classificação de gravidade e a conduta?
Estridor em repouso com tiragem e agitação classifica o quadro como pelo menos moderado, e a combinação de adrenalina nebulizada com corticoide sistêmico é o tratamento — a observação por cerca de 3 horas existe porque a adrenalina tem efeito curto e o estridor pode retornar após a dissipação. Dar alta imediata após adrenalina é o erro mais frequente e devolve a criança em piora. A intubação só se impõe diante de exaustão, cianose ou rebaixamento, o que não é o caso.
Sobre a etiologia da laringotraqueobronquite aguda, qual o agente mais frequentemente implicado?
O parainfluenza, sobretudo o tipo 1, responde pela maioria dos casos, com pico no outono. O vírus sincicial respiratório é o distrator forte porque domina a bronquiolite, doença de via aérea inferior no lactente, com sibilância e crepitações — e não com estridor e tosse ladrante. Influenza pode causar quadros mais graves de laringotraqueobronquite, mas é menos frequente. Saber o agente predominante não muda a conduta, que é sintomática, mas sustenta a decisão de não prescrever antibiótico.
Qual das medidas abaixo NÃO tem eficácia comprovada no tratamento da laringotraqueobronquite?
A umidificação, que por décadas foi a orientação central — do banho quente ao vaporizador —, não se sustentou nos ensaios clínicos e não altera a evolução, embora seja inofensiva. Dexametasona e adrenalina nebulizada são as duas intervenções com benefício demonstrado, e a oferta de oxigênio se justifica na hipoxemia. Manter a criança calma tem efeito real, porque o choro aumenta o fluxo turbulento e piora o estridor, além de elevar o consumo de oxigênio.
Menino de 5 anos, não vacinado contra Hib, teve epiglotite com Haemophilus influenzae tipo b confirmado em hemocultura e completou tratamento com ceftriaxona. Convive em casa com um irmão de 1 ano com vacinação incompleta. Segundo o CDC, qual é a conduta quanto à quimioprofilaxia?
A presença de uma criança menor de quatro anos com vacinação incompleta indica quimioprofilaxia para os contatos domiciliares. É preciso distinguir os contatos do caso índice: a ceftriaxona erradica a colonização por Hib, dispensando rifampicina adicional nesse paciente. A atualização vacinal é importante, mas não substitui a quimioprofilaxia indicada. Não se deve aguardar culturas de orofaringe para selecionar apenas contatos positivos.
Menino de 2 anos apresenta há 2 dias coriza e febre baixa e, nesta madrugada, iniciou tosse metálica, rouquidão e estridor inspiratório que aparece apenas quando chora. Está ativo, aceitando líquidos, sem tiragem em repouso e com saturação de 97%. Qual a conduta?
Tosse ladrante, rouquidão e estridor apenas ao choro, sem tiragem em repouso, definem crupe leve, e o corticoide em dose única reduz sintomas, retornos e internações, sendo indicado mesmo nos quadros leves. A adrenalina inalatória é o distrator mais forte porque de fato funciona, mas está reservada aos casos moderados e graves, com estridor em repouso e retração, e exige observação posterior pelo efeito transitório. Antibiótico não tem papel numa doença viral, o broncodilatador atua na via aérea inferior e não no edema subglótico, e a radiografia não é necessária diante de quadro clínico típico.
Qual conjunto de características distingue melhor o crupe viral da epiglotite aguda?
O tempo de instalação e a presença ou ausência de tosse ladrante e de sialorreia separam as duas entidades à beira do leito: o crupe evolui em dias após pródromo catarral, com tosse metálica e criança que engole normalmente, enquanto a epiglotite explode em horas, com babação, disfagia e aspecto toxêmico, sem tosse característica. Trocar esses achados é o erro que mais custa nas provas e na prática. O crupe predomina entre 6 meses e 3 anos e a epiglotite em crianças maiores não vacinadas, ambos cursam com estridor inspiratório, e o tratamento antibiótico pertence à epiglotite.
Lactente de 5 meses apresenta estridor inspiratório desde o primeiro mês de vida, que piora ao chorar e em decúbito dorsal e melhora em prona, com bom ganho de peso e sem febre. Qual o diagnóstico mais provável?
Estridor crônico desde as primeiras semanas, que piora ao chorar e em supino e melhora em prona, em lactente que ganha peso e não tem febre, é laringomalácia — a causa mais comum de estridor congênito, geralmente autolimitada até os 12 a 18 meses. Pensar em laringotraqueobronquite é o erro de quem trata todo estridor como agudo: aquela tem febre, pródromo catarral e dura dias, não meses. Anel vascular é possível, mas costuma cursar com estridor bifásico, disfagia e sintomas persistentes independentes da posição.
Após tratamento de crupe moderado com adrenalina inalatória e dexametasona, quais critérios permitem a alta da unidade de emergência?
A alta exige que a criança se mantenha sem estridor em repouso e sem retração depois que o efeito da adrenalina passa, com boa hidratação e oxigenação, o que se comprova apenas com um período de observação de algumas horas. Liberar 30 minutos após a nebulização é o erro que produz retornos com obstrução, porque a melhora inicial reflete o efeito transitório do medicamento e não a resolução do edema. A radiografia não faz parte dos critérios, febre e hemograma não guiam a decisão em doença viral, e antibiótico não está indicado no crupe.
Criança de 3 anos com crupe apresenta estridor em repouso, tiragem intercostal e de fúrcula, agitação e saturação de 92%. Qual a conduta imediata?
Estridor em repouso com retração e hipoxemia caracteriza crupe moderado a grave, e a combinação de adrenalina inalatória, que reduz o edema por vasoconstrição em minutos, com corticoide sistêmico, que sustenta o efeito, é o tratamento padrão; a observação prolongada existe porque a adrenalina tem duração curta e a criança pode voltar ao quadro inicial. Dar corticoide e liberar em 30 minutos é a armadilha, já que o corticoide leva horas para agir. Intubação se reserva à falência respiratória iminente. Oxigênio isolado não trata a obstrução, e traqueíte bacteriana cursa com toxemia e febre alta.
Sobre o corticoide no tratamento do crupe, é correto afirmar:
A dexametasona em dose única reduz gravidade, retornos ao serviço e necessidade de internação em todas as faixas de gravidade, inclusive nos quadros leves, e a via oral tem eficácia equivalente à parenteral, o que simplifica muito o atendimento. Restringi-la aos casos graves é o desvio mais comum na prática e deixa de tratar a maioria das crianças que se beneficiaria. Não há necessidade de curso prolongado, dado o efeito duradouro da dose única. A budesonida inalatória é alternativa útil quando há vômitos, mas não é superior, e febre em doença viral não contraindica o corticoide nesse contexto.
Sobre a abordagem da criança com suspeita de epiglotite antes da estabilização da via aérea, qual conduta é INADEQUADA?
Deitar a criança abole a posição que ela adotou espontaneamente para manter a via aérea pérvia e pode precipitar obstrução completa — punção venosa, exames e qualquer procedimento doloroso ficam para depois da intubação. Manter a criança no colo, calma, na posição de escolha, ofertando oxigênio suavemente, é exatamente o que se recomenda. Acionar precocemente a equipe capaz de estabelecer via aérea difícil é a medida que define o desfecho.
Menina de 2 anos apresenta há 2 dias coriza e febre baixa e, nesta madrugada, iniciou tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório em repouso, com tiragem de fúrcula. Está ativa, sem sialorreia e aceita líquidos. Qual a conduta?
O quadro é laringotraqueobronquite com estridor em repouso — a dexametasona reduz o edema subglótico e tem efeito prolongado, e a adrenalina nebulizada dá alívio rápido, exigindo observação por algumas horas pelo risco de efeito rebote. Prescrever antibiótico é o erro mais comum, já que a causa é viral. O salbutamol atua em broncoespasmo de via aérea inferior e não alcança o edema subglótico. A ausência de sialorreia, toxemia e disfagia é justamente o que afasta epiglotite e dispensa via aérea artificial.
Menina de 5 anos, com vacinação incompleta, chega com febre de 39,5 graus iniciada há 6 horas, salivação abundante, dificuldade para engolir, voz abafada e postura sentada inclinada para a frente. Não há tosse ladrante. Qual a conduta prioritária?
Início rápido, febre alta, sialorreia, disfagia, voz abafada e posição de tripé em criança com vacinação incompleta apontam epiglotite, e a regra é não agitar: qualquer manipulação pode precipitar obstrução completa, de modo que a prioridade é levar a criança a um ambiente com equipe de via aérea preparada, idealmente o centro cirúrgico. Examinar a orofaringe com abaixador é o erro clássico e potencialmente fatal. Deitar a criança para colher exames também precipita obstrução. A adrenalina inalatória trata o edema subglótico do crupe, não a epiglote, e a tomografia atrasa o essencial.
Menino de 4 anos, com quadro compatível com crupe há 3 dias, retorna com febre de 39,8 graus, piora rápida do estridor, toxemia e secreção purulenta com má resposta à adrenalina inalatória. Qual a hipótese e a conduta?
Piora súbita depois de alguns dias de crupe, com febre alta, aspecto toxêmico, secreção purulenta e falta de resposta à adrenalina, caracteriza traqueíte bacteriana, infecção geralmente estafilocócica que forma membranas na traqueia e pode obstruir a via aérea, exigindo antibiótico venoso e preparo para intubação. O crupe espasmódico é o distrator que engana pelo antecedente recente, mas ele é afebril, noturno e de resolução rápida. Corpo estranho tem início súbito sem pródromo infeccioso, abscesso retrofaríngeo cursa com dor cervical e limitação da extensão do pescoço, e laringomalácia é congênita e melhora em prono.
Sobre a diferenciação entre laringotraqueobronquite viral e epiglotite, qual conjunto de achados favorece a epiglotite?
A epiglotite se anuncia por instalação em horas, dor intensa com recusa de deglutir, salivação escorrendo, voz abafada e criança prostrada — e a ausência da tosse ladrante é um discriminador útil. Todos os outros conjuntos descrevem a laringotraqueobronquite: pródromo catarral, tosse metálica, piora noturna, melhora com ar frio e boa resposta à adrenalina. Confundir os dois quadros troca uma dose de dexametasona por uma via aérea perdida, ou submete a criança a intubação desnecessária.
Qual o agente classicamente associado à epiglotite aguda da infância, cuja incidência caiu drasticamente após a introdução da vacinação de rotina?
O Haemophilus influenzae tipo b era o agente dominante, e a vacina conjugada praticamente eliminou a doença nas populações vacinadas — hoje os casos residuais envolvem estreptococos, estafilococos e crianças não vacinadas. O vírus parainfluenza é o distrator que engana quem confunde as duas doenças da via aérea alta: ele causa a laringotraqueobronquite, de início gradual, com tosse ladrante e sem toxemia. A difteria produz membranas acinzentadas aderentes e adenomegalia cervical volumosa, quadro distinto.
Em criança com epiglotite, após a via aérea estar assegurada, qual o antibiótico empírico mais adequado?
A cefalosporina de terceira geração cobre Haemophilus influenzae, incluindo cepas produtoras de betalactamase, e também estreptococos, sendo a escolha empírica. Amoxicilina oral é inadequada tanto pela via — a criança não deglute e está intubada — quanto pela cobertura insuficiente contra cepas produtoras de betalactamase. Macrolídeo isolado não é confiável para Haemophilus. Penicilina benzatina serve à faringoamigdalite estreptocócica e não alcança concentração adequada nessa infecção invasiva.
Qual é o agente etiológico mais frequentemente associado ao crupe viral?
O parainfluenza responde pela maioria dos casos de laringotraqueíte aguda, com picos no outono, seguido por influenza, vírus sincicial respiratório e adenovírus. O vírus sincicial respiratório é o distrator mais escolhido porque é de fato um vírus respiratório comum na mesma faixa etária, mas sua doença característica é a bronquiolite, com sibilos e acometimento de via aérea inferior. O Haemophilus influenzae tipo b é o agente clássico da epiglotite, o Staphylococcus aureus se associa à traqueíte bacteriana, e o Streptococcus pyogenes causa faringoamigdalite, sem esse padrão obstrutivo alto.
Sobre a intubação da criança com obstrução de via aérea superior por edema subglótico, assinale a afirmativa correta.
O edema subglótico reduz o calibre efetivo da via aérea, e forçar um tubo do tamanho previsto para a idade agrava a lesão da mucosa e favorece estenose subglótica cicatricial — a escolha é por meio a um número abaixo. Optar por tubo maior para vedar melhor é exatamente o erro que produz sequela permanente. O procedimento deve ser feito com o máximo de preparo possível, por profissional experiente, e a via aérea cirúrgica é resgate, não primeiro passo.
Lactente de 10 meses, previamente hígido, apresenta o terceiro episódio de estridor com tosse ladrante em 4 meses, sempre noturnos, afebris e de resolução rápida. Entre as crises, apresenta estridor discreto ao esforço e ganho ponderal adequado. Qual a conduta mais apropriada?
Episódios recorrentes de obstrução alta, sobretudo em lactente jovem e com estridor persistente entre as crises, deixam de ser crupe viral simples e obrigam a avaliar a via aérea, porque uma estenose subglótica, um hemangioma ou uma anomalia estrutural transformam qualquer infecção banal em obstrução. Tratar cada episódio e seguir adiante é a conduta mais confortável e a que retarda o diagnóstico. Corticoide inalatório contínuo não previne recorrência estrutural, o teste do suor investiga doença de via aérea inferior com outro padrão clínico, e antibiótico profilático não tem indicação alguma.
Sobre a dexametasona no tratamento da laringotraqueobronquite, assinale a afirmativa correta.
A eficácia é comparável nas três vias, e a via oral é a preferida por ser menos traumática numa criança que não deve ser agitada — a dose é única, porque a meia-vida biológica longa cobre todo o período sintomático. Prescrever esquema de vários dias é o erro que acrescenta efeitos adversos sem benefício. Não há restrição por faixa etária, e limitar o corticoide aos casos com hipoxemia deixa sem tratamento justamente as formas leves e moderadas, que são a maioria e as que mais se beneficiam em redução de retorno.
Menina de 3 anos com laringotraqueobronquite grave apresenta piora: torna-se sonolenta, o estridor diminui e a tiragem se reduz, com saturação de 88%. Qual a interpretação?
A redução do estridor e do esforço acompanhada de sonolência e queda de saturação não é melhora: é falência da musculatura respiratória, e o fluxo turbulento diminui porque quase não há mais fluxo. Interpretar isso como resposta ao tratamento é o erro mais grave da avaliação do desconforto respiratório na criança, e antecede a parada. O reconhecimento obriga preparo imediato de via aérea definitiva, com tubo de calibre menor que o previsto para a idade, pelo edema subglótico.
Qual achado radiológico é descrito na laringotraqueíte aguda?
O edema da região subglótica afila a coluna aérea e produz a imagem em ponta de lápis, também chamada de torre ou campanário, na incidência anteroposterior; vale lembrar que o diagnóstico é clínico e a radiografia não é obrigatória. O sinal do polegar é o distrator mais próximo e corresponde à epiglote edemaciada no perfil, ou seja, à epiglotite. Alargamento pré-vertebral sugere abscesso retrofaríngeo, hiperinsuflação unilateral com desvio na expiração aponta corpo estranho brônquico, e infiltrado intersticial difuso é achado de pneumonia viral ou atípica.
Criança de 3 anos, previamente hígida, chega com estridor, febre alta, sialorreia, disfagia e trismo. Ao exame, há abaulamento unilateral da parede posterior da faringe e torcicolo. Qual a hipótese e o exame indicado?
Abaulamento da parede posterior da faringe, torcicolo, trismo e disfagia em criança pequena apontam para abscesso retrofaríngeo, e a tomografia cervical com contraste define a extensão e distingue celulite de coleção drenável. A epiglotite é o distrator mais próximo pela sialorreia e pelo estridor, mas não produz abaulamento posterior nem torcicolo antálgico. Reconhecer a diferença importa porque um caminho leva a drenagem cirúrgica com antibiótico, e o outro, a manejo de via aérea sem manipular a faringe.
Qual achado radiográfico cervical em perfil sugere epiglotite?
A epiglote edemaciada projeta-se no perfil cervical como uma sombra arredondada semelhante à ponta de um polegar. O sinal da torre é o distrator direto: pertence à laringotraqueobronquite, refletindo o estreitamento subglótico simétrico, e trocar um pelo outro inverte o diagnóstico e a conduta. O alargamento retrofaríngeo com nível aponta para abscesso retrofaríngeo. Vale lembrar que nenhuma dessas imagens deve atrasar o manejo da via aérea quando a criança está em risco.
Menino de 2 anos apresenta episódios recorrentes de tosse ladrante e estridor de início súbito, sempre à noite, sem febre e sem pródromo catarral, com resolução rápida. Já teve quatro episódios em 6 meses. Qual a hipótese?
Episódios súbitos e noturnos, sem febre nem pródromo, que se repetem, caracterizam a laringite estridulosa — a recorrência levanta a hipótese de refluxo gastroesofágico e de atopia como fatores contribuintes, e o tratamento agudo é o mesmo da laringotraqueobronquite. Epiglotite de repetição não existe como entidade: é doença invasiva, grave e não recorrente nesse padrão. Fibrose cística e imunodeficiência produzem infecções de via aérea inferior de repetição e má evolução ponderal, não estridor noturno isolado.
Qual é o tratamento de escolha para o crupe viral moderado em criança de 2 anos, com estridor em repouso e tiragem?
Corticoide, tipicamente dexametasona em dose única, reduz o edema subglótico e a necessidade de retorno, e a adrenalina inalatória alivia rapidamente o estridor em repouso; como o efeito da adrenalina dura cerca de duas horas, observa-se a criança para flagrar o rebote antes da alta. Antibiótico não tem papel numa doença viral, e broncodilatador atua em via aérea baixa, não no edema subglótico. Intubação fica reservada aos casos que falham no tratamento clínico.
Criança de 3 anos com febre alta, disfagia intensa, sialorreia, voz abafada e posição de tripé, com estridor e evolução em poucas horas. Qual a hipótese e a conduta?
Instalação em horas, febre alta, sialorreia, voz abafada e postura de tripé compõem a epiglotite, em que examinar a garganta ou deitar a criança pode precipitar obstrução completa; a prioridade é levá-la ao centro cirúrgico com equipe preparada para intubação ou via aérea cirúrgica. O crupe viral é o distrator mais próximo, mas evolui em dias, com tosse ladrante, rouquidão e pródromo catarral, e responde bem a corticoide e adrenalina inalatória. A difteria também obstrui, porém com pseudomembrana e curso mais arrastado.
Criança de 6 anos com febre alta, dor cervical, torcicolo, disfagia e abaulamento da parede posterior da faringe ao exame. Qual a hipótese e o exame indicado?
Febre alta com dor cervical, torcicolo, disfagia e abaulamento da parede posterior da faringe descreve infecção do espaço retrofaríngeo, mais comum em pré-escolares, cuja avaliação de escolha é a tomografia com contraste, com antibiótico endovenoso e drenagem cirúrgica quando há coleção organizada. O torcicolo com recusa de mobilizar o pescoço é o sinal que costuma passar despercebido e que diferencia de uma amigdalite comum, além do risco de extensão para o mediastino.
Qual achado radiológico é característico do crupe viral?
O estreitamento subglótico em ponta de lápis ou em torre de igreja corresponde ao edema da região subglótica no crupe viral. O sinal do polegar é o achado da epiglotite, com epiglote edemaciada visível no perfil, e o alargamento do espaço retrofaríngeo sugere abscesso retrofaríngeo. Vale lembrar que o diagnóstico do crupe é clínico e a radiografia não é necessária na apresentação típica: ela ajuda apenas quando o quadro é atípico ou o diagnóstico é incerto.
Qual é a explicação anatômica para que pequenos graus de edema causem obstrução importante da via aérea em crianças pequenas?
A resistência ao fluxo é inversamente proporcional à quarta potência do raio, de modo que 1 mm de edema circunferencial em uma via aérea infantil estreita reduz drasticamente a área e multiplica a resistência, algo que teria efeito modesto no adulto. Na criança pequena a região subglótica, circundada pela cartilagem cricoide, é o ponto mais estreito, o que explica por que o crupe se manifesta com estridor inspiratório e por que a evolução pode ser rápida.
Lactente de 18 meses, previamente hígido, apresenta início súbito de tosse e estridor durante brincadeira, sem febre e sem pródromo. Ausculta com redução localizada do murmúrio à direita. Qual a hipótese principal?
Início súbito, sem febre e sem pródromo infeccioso, em criança na faixa de maior risco e durante brincadeira ou alimentação, é aspiração de corpo estranho até prova em contrário; a assimetria de murmúrio confirma a suspeita e a radiografia em expiração pode mostrar aprisionamento aéreo localizado, embora um exame normal não exclua o diagnóstico. O tratamento é broncoscopia. As causas infecciosas se instalam ao longo de horas ou dias e vêm com febre ou pródromo catarral.
Qual a conduta em criança com suspeita de traqueíte bacteriana e desconforto respiratório importante?
A traqueíte bacteriana obstrui a via aérea por membranas purulentas e frequentemente exige intubação, o que faz do local de atendimento parte do tratamento: unidade com capacidade de via aérea avançada. O antibiótico precisa cobrir Staphylococcus aureus, incluindo cepas resistentes conforme o perfil local, além de estreptococos e Haemophilus. A broncoscopia tem papel diagnóstico e terapêutico. Tratar como crupe viral com nebulização isolada é o erro que evolui para obstrução completa.
Qual agente etiológico é mais frequentemente associado ao crupe viral?
O parainfluenza responde pela maioria dos casos de laringotraqueobronquite, seguido por vírus sincicial respiratório, influenza e adenovírus. A distinção etiológica organiza o raciocínio das três entidades cobradas juntas: crupe é viral e responde a corticoide e adrenalina; epiglotite é bacteriana, classicamente por Haemophilus influenzae tipo b em não vacinados; e traqueíte bacteriana tem o Staphylococcus aureus como principal agente e costuma se instalar após um quadro viral.
Criança de 3 anos com crupe moderado recebe adrenalina nebulizada com boa melhora clínica. Qual a conduta em relação à alta?
O efeito da adrenalina nebulizada dura cerca de 2 horas e os sintomas podem retornar depois, o que torna obrigatório um período de observação antes da alta e a garantia de que o corticoide foi administrado, já que é ele que sustenta a melhora. Liberar logo após a resposta imediata é o erro que traz a criança de volta em piora. Adrenalina não é medicação de uso domiciliar, e internação passa a ser indicada quando há necessidade de doses repetidas ou estridor persistente em repouso.
Menino de 4 anos apresenta há 3 dias quadro de coriza e tosse ladrante e, nas últimas 12 horas, evolui com febre de 39,5 °C, toxemia, estridor progressivo, desconforto respiratório importante e piora apesar de nebulização com adrenalina e corticoide. Não há sialorreia nem disfagia. Qual a hipótese?
A traqueíte bacteriana é tipicamente uma infecção bacteriana secundária que se instala sobre um crupe viral: a criança melhora ou se mantém e então piora com febre alta, toxemia e estridor que não responde à adrenalina nebulizada, resposta que o crupe viral costuma apresentar. A epiglotite é o diferencial obrigatório, mas nela o quadro é hiperagudo, com sialorreia, disfagia, posição em tripé e ausência de tosse ladrante. A falha de resposta à adrenalina é o dado mais discriminante.
Criança de 5 anos, não vacinada, apresenta há 6 horas febre alta, disfagia intensa, sialorreia, voz abafada, recusa a deitar e postura sentada inclinada para frente, sem tosse ladrante. Qual a conduta imediata?
Na epiglotite, qualquer manipulação que agite a criança pode precipitar obstrução completa: examinar a orofaringe com abaixador de língua e deitar o paciente são condutas proscritas, assim como levá-lo sozinho ao setor de imagem. A prioridade é manter a criança calma e no colo dos pais, acionar a equipe capaz de garantir a via aérea e proceder à intubação em ambiente controlado, com antibiótico depois. A doença ficou rara com a vacina contra Haemophilus influenzae tipo b, e reaparece em não vacinados.
Criança de 2 anos com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório apenas ao choro, sem desconforto respiratório em repouso, afebril. Qual a conduta?
O crupe leve, com estridor apenas ao choro e sem desconforto em repouso, se resolve com dose única de corticoide, que reduz reconsulta e necessidade de internação mesmo nas formas leves. A adrenalina nebulizada fica reservada aos casos moderados a graves, com estridor em repouso, e exige observação por algumas horas pelo risco de efeito rebote. Antibiótico não tem papel na doença viral, e a radiografia não é necessária no quadro clássico.
Lactente de 9 meses apresenta febre, coriza e tosse rouca há 2 dias, com piora noturna. Chega à Unidade de Pronto Atendimento com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório audível apenas quando chora. Não há estridor em repouso, a saturação é de 97 por cento e o estado geral é bom. Qual é a conduta mais adequada?
A laringotraqueíte aguda leve, com estridor apenas ao choro e sem desconforto em repouso, é tratada com corticoide sistêmico em dose única, que reduz edema subglótico e retorno ao serviço. A adrenalina inalatória se reserva ao estridor em repouso ou desconforto moderado a grave, com observação após o uso. O antibiótico não trata quadro viral. A intubação profilática é intervenção desproporcional em criança com boa oxigenação e sem sinais de obstrução iminente.
Criança de 3 anos apresenta há 24 horas febre de 39 graus Celsius e dor à deglutição, com recusa alimentar, sialorreia, voz abafada e posição de tripé. Chega à Unidade de Pronto Atendimento com estridor inspiratório e desconforto respiratório importante, ansiosa e com o pescoço em extensão. Não tem cartão vacinal disponível. Qual é a conduta imediata?
O quadro de início agudo com febre alta, sialorreia, voz abafada e posição de tripé sugere epiglotite, em que a manipulação da orofaringe pode desencadear obstrução completa, sendo prioritária a manutenção da calma e a preparação para via aérea avançada em ambiente controlado. Examinar a orofaringe com abaixador de língua é justamente a manobra proscrita. Corticoide com alta precoce ignora a gravidade e a possibilidade de obstrução súbita. O broncodilatador atua na via aérea inferior e não tem papel na obstrução supraglótica.
Menino de 2 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento de madrugada com tosse rouca semelhante a latido, rouquidão e estridor inspiratório que agora ocorre em repouso. Iniciou coriza há dois dias. Ao exame: agitado, com tiragem de fúrcula e intercostal, estridor audível sem estetoscópio em repouso, frequência respiratória 40 irpm, saturação de oxigênio 94% em ar ambiente, sem sialorreia, sem disfagia e com boa aceitação de líquidos. Qual é a conduta mais adequada?
Na laringotraqueobronquite aguda moderada a grave, com estridor em repouso e tiragem, o tratamento é corticoide sistêmico associado a adrenalina por nebulização, com observação por algumas horas pelo risco de recidiva dos sintomas após o efeito da adrenalina. Corticoide inalatório isolado com alta imediata é insuficiente e arriscado nesse grau. A epiglotite cursa com toxemia, sialorreia, disfagia e posição de tripé, ausentes aqui. Intubação imediata é reservada à falência respiratória, e não a um quadro que responde à terapia farmacológica.
Menina de 5 anos, com esquema vacinal incompleto, chega à Unidade de Pronto Atendimento com febre alta de início súbito há 12 horas, dor de garganta intensa e recusa total de líquidos. Ao exame: toxemiada, sentada e inclinada para a frente, com o pescoço estendido, sialorreia abundante, voz abafada, estridor inspiratório discreto e desconforto respiratório. Não tosse. O residente prepara abaixador de língua para examinar a orofaringe. Qual é a conduta correta neste momento?
Toxemia, sialorreia, voz abafada, posição de tripé e recusa de líquidos em criança com vacinação incompleta sugerem epiglotite, na qual a manipulação da orofaringe pode desencadear laringoespasmo e obstrução completa, de modo que a criança deve ser mantida confortável e a via aérea assegurada por equipe preparada, em ambiente controlado. Examinar com abaixador de língua é exatamente o que se proíbe. Nebulização com adrenalina e alta não tratam a infecção nem previnem a obstrução. Deslocar a criança para radiografia antes de garantir a via aérea aumenta o risco.
Menino de 3 anos é levado à Unidade Básica de Saúde com quadro de tosse seca, coriza e febre baixa há três dias, evoluindo nas últimas horas com tosse metálica, rouquidão e ruído inspiratório audível quando chora. Ao exame: criança em bom estado geral, ativa, temperatura 37,8 °C, FR 30 ipm, saturação 97%, estridor inspiratório apenas quando agitada, sem tiragem em repouso, sem cianose, orofaringe sem abaulamentos, ausculta pulmonar sem sibilos ou estertores. Hidratado e aceitando líquidos. A conduta mais adequada é:
Tosse metálica, rouquidão e estridor apenas com agitação, em criança com pródromo viral e sem sinais de gravidade, caracterizam laringotraqueíte viral leve, cujo tratamento é dose única de corticoide sistêmico, manutenção da criança calma, orientação de sinais de alarme e observação antes da alta. Epiglotite cursa com toxemia, sialorreia, disfagia e posição em tripé, ausentes. Broncodilatador atua na via aérea inferior e não alivia obstrução laríngea; a adrenalina nebulizada é que se reserva a casos moderados a graves. Intubação é medida excepcional para insuficiência respiratória, não indicada em estridor apenas à agitação.
Homem de 47 anos comparece ao pronto-socorro com odinofagia intensa de início há 12 horas, febre de 39 °C, sialorreia e voz abafada. Ele se recusa a deitar e permanece sentado, inclinado para frente. Ao exame, há discreto edema cervical anterior e dor à palpação da laringe, sem abaulamento amigdaliano e com orofaringe pouco alterada. A saturação é de 95% e há estridor inspiratório leve. Ele não é vacinado contra Haemophilus influenzae tipo b. A conduta correta é
Odinofagia desproporcional com orofaringe pouco alterada, sialorreia, voz abafada, posição de tripé e estridor sugerem epiglotite, condição em que a manipulação da orofaringe pode precipitar obstrução completa; a conduta é manter a posição de conforto, assegurar a via aérea em ambiente controlado e iniciar antibiótico endovenoso. Examinar vigorosamente a orofaringe é justamente o que se deve evitar. Alta com antibiótico oral é inaceitável em quadro com risco de obstrução. Aguardar radiografia antes de preparar a via aérea desperdiça tempo crítico.
Menino de 4 anos é levado ao pronto-socorro com febre alta, tosse produtiva e estridor progressivo há 2 dias, após quadro de infecção de vias aéreas superiores. Ao exame apresenta temperatura axilar 39,3 °C, FR 40 ipm, saturação de 92% em ar ambiente, estridor inspiratório e expiratório, tiragem, aspecto toxêmico, sem sialorreia importante e sem posição de tripé, com pouca resposta à nebulização com adrenalina realizada na sala de emergência. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Estridor progressivo com febre alta, aspecto toxêmico e má resposta à adrenalina inalatória, após quadro viral prévio, sugere traqueíte bacteriana, infecção grave que exige internação, antibiótico intravenoso e preparo para manejo da via aérea. O crupe viral típico responde à adrenalina e ao corticoide e cursa com criança menos toxêmica. A aspiração de corpo estranho tem início súbito, sem febre alta e sem pródromo infeccioso. A laringomalácia manifesta-se desde as primeiras semanas de vida e não cursa com toxemia e febre alta.
Menino de 2 anos chega ao pronto-socorro com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório em repouso, iniciados na madrugada após dois dias de coriza. Recebeu corticoide sistêmico e uma nebulização com adrenalina, evoluindo em 3 horas com desaparecimento do estridor em repouso, redução da tiragem, saturação de 97% em ar ambiente, boa aceitação de líquidos, ausência de cianose e bom estado geral, mantendo-se estável e sem recorrência dos sintomas nesse período de observação. A conduta mais adequada é:
Após uso de adrenalina inalatória na laringite, a criança deve permanecer em observação por período adequado, pois o efeito é transitório e o estridor pode recorrer; havendo boa evolução, ausência de estridor em repouso e boa aceitação de líquidos, a alta com orientação de sinais de alarme é segura. Liberar logo após a nebulização expõe ao efeito rebote. Internar todos que receberam adrenalina desconsidera a evolução favorável. Antibiótico não tem indicação na laringite viral.
Menino de 3 anos é levado repetidas vezes ao pronto-atendimento por episódios noturnos de tosse ladrante e rouquidão de início súbito, sem febre e sem pródromo de coriza, que melhoram rapidamente com umidificação e ar frio, e desaparecem completamente pela manhã. Já ocorreram cinco episódios nos últimos seis meses. Ao exame, hoje assintomático, apresenta bom estado geral, sem estridor, ausculta pulmonar limpa, saturação de 98% e crescimento adequado. A hipótese diagnóstica mais provável é:
Episódios noturnos súbitos e recorrentes de tosse ladrante e estridor, sem febre e sem pródromo infeccioso, com resolução rápida e criança assintomática no intervalo, caracterizam crupe espasmódico recorrente, condição benigna que pode se associar a atopia e refluxo, exigindo orientação e investigação quando muito frequente. A laringotraqueíte viral clássica é precedida por coriza e febre baixa e tem curso de dias. A epiglotite cursa com toxemia, febre alta, sialorreia e posição de tripé. A aspiração de corpo estranho tem início único e súbito, sem recorrência com resolução completa.
Mulher de 29 anos, previamente hígida, procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor de garganta intensa, febre alta, dificuldade para engolir a própria saliva e voz abafada há dois dias, com piora rápida. Nega tosse. Ao exame: toxemiada, sentada com o tronco inclinado para a frente, sialorreia, estridor inspiratório leve, dor intensa à palpação da região anterior do pescoço e orofaringe com pouca alteração visível em relação à intensidade dos sintomas. Qual é a hipótese diagnóstica e a prioridade?
Dor de garganta desproporcional aos achados de orofaringe, sialorreia, voz abafada, estridor e posição de tripé em adulto sugerem epiglotite, quadro que pode evoluir para obstrução completa da via aérea, exigindo avaliação em ambiente preparado, proteção da via aérea e antibioticoterapia, evitando manipulação da orofaringe. Faringite viral e amigdalite simples não produzem sialorreia com estridor e toxemia. O refluxo laringofaríngeo causa sintomas crônicos, sem febre alta e evolução aguda desse tipo.
Menina de 3 anos é levada à Unidade de Pronto Atendimento de madrugada com tosse rouca e ladrante, rouquidão e estridor inspiratório que ocorre apenas quando ela chora, tendo iniciado quadro de coriza há dois dias. Ao exame: alerta, sem tiragem em repouso, sem estridor em repouso, com saturação de oxigênio 97% em ar ambiente, boa aceitação de líquidos, sem sialorreia e sem toxemia. A mãe está preocupada com o ruído da respiração e com a tosse noturna. Qual é a conduta mais adequada?
Na laringotraqueobronquite aguda leve, com estridor apenas ao choro e sem tiragem em repouso, o corticoide em dose única reduz a gravidade e a necessidade de retorno, sendo suficiente associá-lo à orientação de sinais de alerta e observação breve. Adrenalina inalatória se reserva a casos moderados a graves com estridor em repouso, exigindo observação após o uso. Antibiótico não trata infecção viral. Antitussígenos não são recomendados e a alta sem orientação impede o reconhecimento precoce da piora.
Menino de 3 anos é levado ao pronto-socorro com febre alta há um dia, dor de garganta intensa e recusa total de líquidos, com piora rápida. Ao exame: toxemiado, sentado inclinado para a frente com o pescoço estendido, sialorreia intensa, voz abafada, estridor inspiratório e desconforto respiratório, sem tosse ladrante e sem coriza. A caderneta mostra ausência de várias vacinas, incluindo as que protegem contra bactérias encapsuladas. Qual é a conduta imediata?
O quadro descrito é altamente sugestivo de epiglotite, em que a manipulação da orofaringe pode desencadear laringoespasmo e obstrução completa, devendo-se manter a criança confortável, no colo do cuidador, com oxigênio se tolerado, e acionar equipe capacitada para assegurar a via aérea em ambiente controlado, com antibiótico após. Examinar com abaixador de língua é justamente a manobra proscrita. Corticoide com alta ignora o risco de obstrução. Deslocar a criança para exames antes de assegurar a via aérea é perigoso.
Menina de 4 anos é levada ao pronto-socorro com quadro de tosse rouca e estridor há dois dias, tratado como crupe, que evoluiu nas últimas horas com febre alta, piora do estridor, toxemia e secreção purulenta abundante. Ao exame: temperatura axilar 39,4 °C, prostrada, com estridor inspiratório e expiratório, tiragem intensa, sem sialorreia e sem posição de tripé, com resposta ausente à nebulização com adrenalina realizada na sala de emergência. Qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
A piora aguda com febre alta, toxemia, secreção purulenta e ausência de resposta à adrenalina em criança inicialmente com quadro de crupe caracteriza a traqueíte bacteriana, que exige internação, antibioticoterapia endovenosa e avaliação da via aérea, podendo demandar intubação. O crupe viral responde a corticoide e adrenalina, sem toxemia. A epiglotite cursa com sialorreia, disfagia e posição de tripé, sem pródromo de crupe. O corpo estranho tem início súbito, sem febre e sem secreção purulenta.
Menino, 3 anos, apresenta há 6 horas febre alta, estridor inspiratório progressivo, sialorreia, disfagia e posição de tripé, com recusa em deitar. T 39,4 °C, FC 160 bpm, FR 40 ipm, SatO2 93%. A criança está toxemiada e ansiosa, sem tosse ladrante. A caderneta vacinal está incompleta, sem doses da vacina pentavalente. Qual a hipótese diagnóstica e a conduta imediata?
Febre alta, estridor, sialorreia, disfagia, posição de tripé e toxemia em criança com esquema vacinal incompleto configuram epiglotite aguda, tipicamente por Haemophilus influenzae tipo b, e a prioridade absoluta é a garantia da via aérea em ambiente controlado, seguida de antibiótico venoso, evitando manipulação da orofaringe. A laringotraqueíte viral cursa com tosse ladrante, rouquidão e evolução mais arrastada, sem sialorreia e sem toxemia. O corpo estranho tem início súbito durante alimentação ou brincadeira, sem febre. O abscesso periamigdaliano provoca trismo, desvio de úvula e voz abafada, sem estridor inspiratório grave. A asma produz sibilância expiratória, e não estridor inspiratório com sialorreia.
Menino, 3 anos, apresenta há 2 dias tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório que surge apenas ao choro, sem estridor em repouso. T 37,8 °C, FR 32 ipm, SatO2 97%, sem tiragem e com bom estado geral. Iniciou com coriza há 3 dias. A criança aceita líquidos, brinca durante a consulta e não apresenta sialorreia nem posição preferencial de tripé. Qual a conduta indicada?
A laringotraqueíte viral leve, com estridor apenas ao choro e sem tiragem ou hipoxemia, é tratada com dose única de corticoide oral, como dexametasona, orientação de sinais de alarme e alta domiciliar. A nebulização com adrenalina é reservada aos casos moderados a graves, com estridor em repouso e desconforto respiratório, exigindo observação posterior pelo efeito rebote. O antibiótico não tem indicação em quadro viral típico. A intubação profilática é conduta desproporcional e reservada à obstrução iminente refratária. Broncodilatador atua na via aérea inferior e não alivia a obstrução subglótica que caracteriza o crupe.
Menino de 4 anos, com vacinação atrasada, chega ao pronto-socorro com febre de 39,4 °C, odinofagia intensa e sialorreia iniciadas há 8 horas. Está sentado, inclinado para frente e com o pescoço estendido, recusando deitar-se. Apresenta estridor inspiratório leve, voz abafada e ausência de tosse ladrante. FR 34 ipm, SatO2 94% em ar ambiente e FC 148 bpm. Qual a conduta inicial?
Manter a criança calma e conduzi-la ao centro cirúrgico para inspeção da via aérea sob anestesia, com equipe preparada para intubação ou traqueostomia, é a conduta na suspeita de epiglotite: instalação em horas, sialorreia, voz abafada, posição de tripé e ausência de tosse ladrante. O exame da orofaringe com abaixador de língua pode desencadear espasmo e obstrução completa, sendo formalmente proscrito fora do centro cirúrgico. A nebulização com adrenalina e alta trata laringotraqueíte viral, diagnóstico afastado pela ausência de tosse ladrante. A radiografia cervical na sala de espera deixa a criança sem vigilância no momento de maior risco. O corticoide isolado com reavaliação tardia não protege a via aérea.
Menino, 4 anos, apresentou quadro de tosse rouca e estridor há 3 dias, com melhora parcial após corticoide. Hoje evolui com febre de 39,5 °C, piora do estridor, toxemia e secreção purulenta abundante à tosse. FC 148 bpm, FR 40 ipm, SatO2 91%, tiragem intercostal. Não há sialorreia nem disfagia. A radiografia cervical mostra irregularidade da coluna aérea traqueal, sem sinal do polegar. Qual a hipótese diagnóstica?
A traqueíte bacteriana é a hipótese: piora após fase inicial de crupe viral, com febre alta, toxemia, secreção purulenta e irregularidade da coluna aérea traqueal, define a infecção bacteriana secundária da traqueia. A laringotraqueíte viral não complicada melhoraria com corticoide e não cursaria com toxemia e secreção purulenta. A epiglotite se apresenta com sialorreia, disfagia e sinal do polegar, ambos ausentes. O abscesso retrofaríngeo produziria abaulamento da parede posterior da faringe e alargamento do espaço pré-vertebral. A aspiração de corpo estranho tem início súbito, sem febre alta nem pródromo viral.
Menina, 18 meses, é levada ao pronto-socorro de madrugada com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório que surgiu há 6 horas, precedido por coriza há 2 dias. Exame: estridor audível em repouso, tiragem de fúrcula, FR 40 ipm, SatO2 96%, T 37,8 °C, sem sialorreia e sem toxemia. A criança está alerta, aceita líquidos e apresenta boa perfusão periférica. Qual a conduta inicial?
A laringotraqueobronquite viral com estridor em repouso e tiragem é tratada com corticoide sistêmico, preferencialmente dexametasona, associado à adrenalina inalatória, com observação por algumas horas pelo risco de efeito rebote. O antibiótico não tem papel na doença viral, que é a causa mais comum de estridor agudo febril nessa idade. A intubação imediata é reservada à obstrução grave refratária ou à falência respiratória. Os beta-agonistas atuam na via aérea inferior e não aliviam a obstrução subglótica. A umidificação isolada não demonstrou benefício em ensaios clínicos e não substitui o corticoide.
Menino, 4 anos, com vacinação incompleta, é levado ao pronto-socorro por febre alta de início súbito há 8 horas, odinofagia intensa, sialorreia e voz abafada. Recusa deitar-se e permanece sentado, inclinado para a frente. Exame: T 39,4 °C, FR 34 ipm, SatO2 94%, estridor inspiratório discreto, toxemia importante, sem tosse ladrante. A criança está ansiosa e resiste ao exame da orofaringe. Qual a conduta prioritária?
O quadro de febre alta, sialorreia, voz abafada e posição de tripé sugere epiglotite, em que a prioridade é assegurar a via aérea em ambiente controlado, idealmente centro cirúrgico com equipe preparada, seguida de antibiótico com cobertura para Haemophilus influenzae tipo b. Examinar a orofaringe com abaixador pode precipitar espasmo e obstrução completa. O corticoide inalatório é insuficiente e retarda a abordagem definitiva. A tomografia exige transporte e decúbito, ambos perigosos antes da via aérea garantida. Liberar após melhora do estridor com adrenalina inalatória ignora a natureza bacteriana e rapidamente progressiva da doença.
Menina, 5 anos, teve quadro de tosse ladrante há 3 dias, com melhora parcial após corticoide. Há 12 horas evoluiu com febre alta, piora do estridor e toxemia. Exame: T 39,5 °C, FR 44 ipm, SatO2 90%, estridor inspiratório e expiratório, tiragem intensa, sem sialorreia. Leucócitos 21.000/mm³ com desvio à esquerda; radiografia cervical com irregularidade da coluna aérea traqueal; ausência de resposta à adrenalina inalatória. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Piora súbita após crupe aparentemente típico, com febre alta, toxemia, leucocitose, ausência de resposta à adrenalina e irregularidade da coluna aérea traqueal caracteriza traqueíte bacteriana, que exige antibiótico e frequentemente via aérea artificial com aspiração de secreções purulentas. O crupe viral responde à adrenalina e não cursa com toxemia e leucocitose desse porte. A epiglotite tem instalação hiperaguda com sialorreia e posição de tripé, sem fase prévia de tosse ladrante. O abscesso retrofaríngeo cursa com dor cervical, torcicolo e abaulamento da parede posterior da faringe. A aspiração de corpo estranho não produz febre alta com leucocitose e desvio à esquerda.
Homem, 44 anos, com odinofagia intensa e desproporcional aos achados de orofaringe há 18 horas, evolui com sialorreia, voz abafada e dificuldade respiratória. Exame: T 38,6 °C, FR 26 ipm, FC 118 bpm, SatO2 94% em ar ambiente, prefere posição sentada inclinada para frente, estridor inspiratório leve, orofaringe sem exsudatos. Radiografia cervical em perfil mostra espessamento da epiglote. Qual a conduta prioritária?
Odinofagia desproporcional, sialorreia, voz abafada, postura em tripé e estridor caracterizam epiglotite, emergência de via aérea no adulto; a prioridade é garantir a via aérea em ambiente controlado, com equipe preparada para intubação difícil ou via aérea cirúrgica, associando antibiótico endovenoso e corticoide. Manipular a orofaringe repetidamente pode precipitar espasmo e obstrução completa, sendo formalmente desaconselhado. Prescrever corticoide oral e liberar o paciente é conduta perigosa diante de obstrução em progressão. Transportar para tomografia sem via aérea assegurada expõe o paciente a obstrução fora do ambiente controlado. Apenas analgesia e observação ignoram o risco de evolução rápida para obstrução completa.
Menina, 2 anos, com coriza há dois dias evoluindo com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório em repouso. FR 40 ipm, FC 140 bpm, SatO2 95%, com tiragem supraesternal e agitação leve. Está afebril no momento e aceita líquidos. A ausculta pulmonar mostra murmúrio vesicular presente bilateralmente, sem sibilos ou estertores, com estridor audível a distância. Qual a conduta indicada?
O crupe viral moderado, com estridor em repouso e tiragem, é tratado com corticoide sistêmico em dose única, geralmente dexametasona, associado à nebulização com adrenalina, que reduz rapidamente o edema subglótico. Antibiótico não trata infecção viral e a internação em terapia intensiva não é necessária nessa gravidade. A intubação profilática é reservada à falha do tratamento com obstrução grave. O broncodilatador não atua no edema subglótico. Observar sem medicação em criança com estridor em repouso é conduta insuficiente.
Menino, 4 anos, com quadro de crupe há três dias, evolui com febre alta de 39,5 °C, piora do estridor e toxemia. FR 44 ipm, FC 148 bpm, SatO2 90%, com secreção purulenta abundante em vias aéreas e resposta mínima à nebulização com adrenalina. Leucócitos de 19.800/mm3 com desvio à esquerda e a radiografia cervical mostra irregularidade da coluna aérea traqueal. Qual o diagnóstico mais provável?
Piora após quadro de crupe, com febre alta, toxemia, secreção purulenta abundante e resposta mínima à adrenalina, associada a irregularidade da coluna aérea traqueal, caracteriza traqueíte bacteriana, que exige antibiótico e frequentemente via aérea artificial. A epiglotite cursa com disfagia, sialorreia e posição em tripé, sem fase prévia de crupe. O crupe viral grave responderia à adrenalina e não produz secreção purulenta com toxemia. O abscesso retrofaríngeo mostraria alargamento pré-vertebral. O corpo estranho tem início súbito, sem pródromo viral de três dias.
Menino, 4 anos, com esquema vacinal incompleto, apresenta febre alta de início súbito há oito horas, dor de garganta intensa, sialorreia e recusa de deglutição. FR 32 ipm, FC 142 bpm, SatO2 93%, sentado inclinado para a frente com o pescoço estendido, com voz abafada e estridor inspiratório discreto. Está toxemiado e ansioso, resistindo ao decúbito dorsal. Qual a conduta imediata?
Na epiglotite, qualquer manipulação pode desencadear obstrução completa da via aérea, de modo que a conduta é manter a criança calma, na posição em que se sente confortável, e assegurar a via aérea em centro cirúrgico ou ambiente controlado, com equipe de via aérea difícil preparada, antes de antibiótico endovenoso. O exame da orofaringe com abaixador de língua pode precipitar laringoespasmo fatal. A radiografia atrasa a abordagem e exige mobilização. Liberar a criança após nebulização é inaceitável. A punção venosa provoca agitação e risco de obstrução.
Menino, 3 anos, apresenta o quarto episódio de estridor com tosse ladrante em oito meses, todos com boa resposta inicial ao corticoide. Entre os episódios permanece assintomático, FR 24 ipm, FC 100 bpm, SatO2 98%. Não há febre nos episódios recentes e a mãe relata que dois deles ocorreram durante o sono, sem pródromo viral evidente nos dias anteriores ao quadro. Qual a conduta indicada?
O crupe recorrente, especialmente sem pródromo viral e com episódios noturnos, exige investigação de causas estruturais como estenose subglótica, hemangioma e anel vascular, além de refluxo gastroesofágico, sendo a avaliação endoscópica da via aérea o exame indicado. Manter apenas tratamento sintomático perde uma causa potencialmente corrigível. Corticoide sistêmico contínuo em criança pequena é inaceitável. A antibioticoprofilaxia não previne episódios de origem viral ou estrutural. A traqueostomia eletiva é conduta desproporcional sem diagnóstico definido.
Menino, 2 anos, atendido por crupe moderado, recebeu corticoide sistêmico e nebulização com adrenalina. Após três horas de observação está sem estridor em repouso, com FR 28 ipm, FC 108 bpm, SatO2 97%, sem tiragem, ativo, aceitando líquidos e sem recorrência dos sintomas. A família reside próxima ao serviço, compreende as orientações e tem transporte disponível a qualquer hora. Qual a conduta indicada?
Após período adequado de observação, tipicamente de duas a quatro horas depois da adrenalina, a criança sem estridor em repouso, sem tiragem, com boa aceitação oral e com família orientada e com acesso ao serviço pode receber alta com sinais de alarme. Internar todos que receberam adrenalina é conduta excessiva. Manter observação por 24 horas com sintomas resolvidos ocupa leito sem benefício. O corticoide no crupe é habitualmente em dose única. O antibiótico não trata infecção viral e não integra o tratamento do crupe.
Menino, 3 anos, acorda subitamente à noite com tosse ladrante e estridor inspiratório, sem febre e sem pródromo de infecção viral. FR 30 ipm, FC 116 bpm, SatO2 97%, com tiragem supraesternal discreta. Os sintomas melhoram significativamente após exposição ao ar frio no trajeto até o serviço e há relato de dois episódios semelhantes nos últimos meses. Qual a hipótese diagnóstica mais provável?
Início súbito noturno, ausência de febre e de pródromo viral, melhora com ar frio e episódios recorrentes caracterizam o crupe espasmódico, de provável componente alérgico e hiper-responsividade laríngea. A epiglotite cursa com febre alta, toxemia e sialorreia. A traqueíte bacteriana apresenta febre alta com secreção purulenta e má resposta à adrenalina. A aspiração de corpo estranho tem início durante alimentação ou brincadeira com sibilância unilateral. O abscesso retrofaríngeo cursa com febre, limitação cervical e alargamento pré-vertebral.
Menino de 2 anos apresenta há 2 dias coriza e febre baixa, evoluindo à noite com tosse ladrante, rouquidão e estridor inspiratório em repouso. T 37,8 graus Celsius, FR 34 ipm, SatO2 96%, FC 132 bpm. Há tiragem supraesternal leve, sem sialorreia, sem disfagia e sem toxemia. A criança aceita líquidos, está alerta e prefere permanecer no colo da mãe, sem posição de tripé. Qual a conduta indicada?
O corticoide sistêmico em dose única, com adrenalina inalatória nos casos moderados a graves, é a conduta na laringotraqueíte viral, reconhecida por tosse ladrante, rouquidão e estridor após pródromo catarral. O antibiótico trataria epiglotite, que cursa com toxemia, sialorreia, disfagia e posição de tripé, ausentes aqui. A intubação profilática é desproporcional em criança alerta e bem saturada. O broncodilatador atua em via aérea inferior e não alivia obstrução laríngea. Deixar sem tratamento perde o benefício comprovado do corticoide na redução de sintomas e reconsultas.
Menino de 4 anos, sem vacinação completa, apresenta início súbito há 8 horas de febre alta, dor de garganta intensa e recusa alimentar. T 39,4 graus Celsius, FR 32 ipm, SatO2 93%, FC 148 bpm. Está toxemiado, sentado inclinado para frente com o pescoço estendido, com sialorreia intensa, voz abafada e estridor. Não há tosse ladrante e o quadro progrediu rapidamente desde o início. Qual a conduta prioritária?
Assegurar a via aérea em ambiente controlado, preferencialmente em centro cirúrgico com equipe preparada, seguida de antibiótico, é a conduta prioritária na epiglotite aguda, sugerida por instalação rápida, toxemia, sialorreia, voz abafada e posição de tripé. Examinar a orofaringe com abaixador pode precipitar espasmo e obstrução completa. A radiografia atrasa o manejo e exige mobilização da criança. O corticoide inalatório com alta domiciliar é conduta perigosa. Aguardar hemocultura para iniciar antibiótico retarda o tratamento de infecção potencialmente fatal.
Menino de 5 anos, com quadro viral de vias aéreas há 4 dias, evolui com piora rápida, febre alta e estridor que não responde à nebulização com adrenalina. T 39,2 graus Celsius, FR 40 ipm, SatO2 90%, FC 152 bpm, toxemiado. Há tosse produtiva com secreção purulenta e ausência de sialorreia. A radiografia cervical mostra irregularidade da coluna aérea traqueal, sem sinal de dedo de luva na epiglote. Qual a hipótese e a conduta?
A traqueíte bacteriana é a hipótese, sugerida por deterioração após quadro viral, febre alta, toxemia, secreção purulenta, estridor refratário à adrenalina e irregularidade da coluna aérea traqueal, exigindo via aérea assegurada e antibiótico endovenoso. A laringotraqueíte viral responde a corticoide e adrenalina, e a criança não é toxemiada. A epiglotite cursa com sialorreia e epiglote aumentada, expressamente ausentes. A aspiração de corpo estranho tem início súbito sem pródromo febril. A asma cursa com sibilos expiratórios, e não com estridor inspiratório e febre alta.
Menino, 5 anos, não vacinado, apresenta febre alta, odinofagia intensa e sialorreia há 8 horas, com piora rápida. FC 148 bpm, FR 34 ipm, T 39,4 °C, SatO2 94%; encontra-se sentado, inclinado para frente, com voz abafada e estridor inspiratório, recusando deitar-se. Leucócitos 21.000/mm³ com neutrofilia; a criança está ansiosa e a equipe considera examinar a orofaringe com abaixador de língua. Qual a conduta indicada?
Epiglotite aguda com posição de tripé, sialorreia, voz abafada e estridor é emergência de via aérea, e a conduta é evitar qualquer manipulação que precipite obstrução completa, levando a criança ao centro cirúrgico para intubação ou traqueostomia com equipe preparada, seguindo-se antibiótico intravenoso. Examinar a orofaringe com abaixador pode desencadear laringoespasmo fatal. O corticoide inalatório com observação é insuficiente. A radiografia atrasa a intervenção e exige deslocamento da criança. O antibiótico oral com alta é inaceitável diante de obstrução iminente de via aérea.
Criança de cinco anos apresenta febre alta, disfagia intensa, sialorreia e posição em tripé. Há estridor e pouca tosse. A equipe evita forçar o exame da orofaringe. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sialorreia, disfagia e toxicidade com estridor sugerem obstrução supraglótica infecciosa. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/epiglottitis/
Criança de dois anos tem tosse metálica, rouquidão e estridor em repouso após coriza. Está alerta, sem sialorreia ou aparência tóxica. Apresenta retrações moderadas. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Estridor em repouso com esforço justifica tratamento de maior intensidade e observação após adrenalina. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança de dois anos tem tosse metálica, rouquidão e estridor em repouso após coriza. Está alerta, sem sialorreia ou aparência tóxica. Apresenta retrações moderadas. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O padrão favorece crupe; toxicidade e disfagia intensa exigem outros diagnósticos. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança de dois anos tem tosse metálica, rouquidão e estridor em repouso após coriza. Está alerta, sem sialorreia ou aparência tóxica. Apresenta retrações moderadas. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A estreita via aérea infantil amplifica o efeito do edema sobre a resistência ao fluxo. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança de dois anos tem tosse metálica, rouquidão e estridor em repouso após coriza. Está alerta, sem sialorreia ou aparência tóxica. Apresenta retrações moderadas. Qual é o diagnóstico mais provável?
Tosse ladrante e rouquidão com estridor após pródromo são típicos de laringotraqueíte viral. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança de cinco anos apresenta febre alta, disfagia intensa, sialorreia e posição em tripé. Há estridor e pouca tosse. A equipe evita forçar o exame da orofaringe. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
O edema pode causar obstrução rápida e completa da via aérea. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/epiglottitis/
Criança de cinco anos apresenta febre alta, disfagia intensa, sialorreia e posição em tripé. Há estridor e pouca tosse. A equipe evita forçar o exame da orofaringe. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Agitação e manipulação desnecessária podem precipitar obstrução; a via aérea tem prioridade. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/epiglottitis/
Criança de cinco anos apresenta febre alta, disfagia intensa, sialorreia e posição em tripé. Há estridor e pouca tosse. A equipe evita forçar o exame da orofaringe. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
Esses sinais distinguem apresentação grave supraglótica do crupe típico. Referência: https://www.nhs.uk/conditions/epiglottitis/
Menino pequeno acorda com tosse metálica e estridor após sintomas de resfriado, mantendo capacidade de engolir e sem posição de tripé. Qual hipótese é mais provável?
A apresentação favorece crupe. Tosse ladrante, rouquidão e estridor após quadro viral em criança pequena são características de obstrução subglótica inflamatória. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança de 18 meses tem rouquidão, tosse ladrante e estridor que piora com agitação após virose. Qual hipótese é mais provável?
A obstrução subglótica viral é a hipótese mais provável. Tosse ladrante, rouquidão e estridor após quadro viral em criança pequena são características de obstrução subglótica inflamatória. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Pessoa de três anos apresenta tosse ladrante, voz rouca e estridor inspiratório após coriza, sem sinais de outra obstrução alta. Qual hipótese é mais provável?
A tríade clínica favorece crupe viral. Tosse ladrante, rouquidão e estridor após quadro viral em criança pequena são características de obstrução subglótica inflamatória. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança de dois anos tem coriza, rouquidão e tosse ladrante, com estridor inspiratório, sem sialorreia ou toxemia marcante. Qual hipótese é mais provável?
O quadro é típico de crupe viral. Tosse ladrante, rouquidão e estridor após quadro viral em criança pequena são características de obstrução subglótica inflamatória. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança apresenta febre alta, sialorreia, disfagia e posição de tripé, com voz abafada e pouca tosse. Qual diagnóstico é mais provável?
A síndrome sugere epiglotite e risco de obstrução. Febre, disfagia, sialorreia, voz abafada e postura de tripé sugerem obstrução supraglótica grave; manipulação desnecessária pode piorar a via aérea. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Acute_upper_airway_obstruction/
Paciente tem início agudo de disfagia, febre e dificuldade respiratória, permanece sentado inclinado para frente e não tolera deitar. Qual diagnóstico é mais provável?
O padrão supraglótico é sugestivo de epiglotite. Febre, disfagia, sialorreia, voz abafada e postura de tripé sugerem obstrução supraglótica grave; manipulação desnecessária pode piorar a via aérea. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Acute_upper_airway_obstruction/
Paciente de dois anos tem crupe com estridor em repouso e retrações, sem suspeita de epiglotite ou aspiração. Qual estratégia é mais apropriada?
O tratamento inclui corticoide e adrenalina nebulizada conforme intensidade. Crupe moderado ou grave pode exigir adrenalina nebulizada além de corticoide, com observação e reavaliação após resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança com tosse ladrante apresenta estridor significativo mesmo calma, com necessidade de tratamento e observação em serviço de saúde. Qual estratégia é mais apropriada?
Adrenalina nebulizada e corticoide são apropriados ao crupe descrito. Crupe moderado ou grave pode exigir adrenalina nebulizada além de corticoide, com observação e reavaliação após resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança tem tosse ladrante, estridor em repouso e retrações importantes, sem sinais que sugiram outra obstrução alta. Qual estratégia é mais apropriada?
O quadro de crupe significativo pode exigir adrenalina nebulizada e corticoide. Crupe moderado ou grave pode exigir adrenalina nebulizada além de corticoide, com observação e reavaliação após resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança com crupe apresenta estridor persistente em repouso e desconforto, com via aérea ainda mantida. Qual estratégia é mais apropriada?
Adrenalina nebulizada e corticoide podem reduzir obstrução, com observação. Crupe moderado ou grave pode exigir adrenalina nebulizada além de corticoide, com observação e reavaliação após resposta. Referência: https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Paciente pediátrico tem febre, dor intensa para engolir, baba e postura que busca manter a via aérea aberta. Qual diagnóstico é mais provável?
A suspeita de epiglotite exige cuidado urgente da via aérea. Febre, disfagia, sialorreia, voz abafada e postura de tripé sugerem obstrução supraglótica grave; manipulação desnecessária pode piorar a via aérea. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Acute_upper_airway_obstruction/
Criança tóxica apresenta sialorreia e estridor, com voz abafada, dificuldade para engolir e ausência de tosse ladrante típica. Qual diagnóstico é mais provável?
A combinação favorece epiglotite. Febre, disfagia, sialorreia, voz abafada e postura de tripé sugerem obstrução supraglótica grave; manipulação desnecessária pode piorar a via aérea. Referência: https://www.rch.org.au/clinicalguide/guideline_index/Acute_upper_airway_obstruction/
Criança com tosse ladrante e estridor apresenta o processo do painel direito. Qual tratamento anti-inflamatório é habitualmente indicado?

Reduz edema subglótico no crupe.
No padrão à direita, estridor em repouso e desconforto importante levam a considerar qual medida adicional?

Produz alívio temporário do edema em crupe moderado ou grave.
Criança com sialorreia, toxemia e preferência por posição sentada apresenta o processo do painel esquerdo. Qual cuidado é prioritário?

Obstrução supraglótica pode piorar abruptamente; proteção da via aérea deve ser planejada.
Qual diferença anatômica distingue os dois processos de obstrução de via aérea ilustrados?

A localização explica apresentações diferentes de epiglotite e crupe.
Criança tóxica, com sialorreia e posição em tripé, lembra o painel esquerdo. Qual conduta evita precipitar obstrução completa?

Manipulação e agitação podem agravar obstrução supraglótica; prioridade é via aérea com equipe preparada.
O som predominantemente inspiratório por obstrução alta é chamado de quê?

Estridor é um ruído de via aérea superior estreitada, frequentemente inspiratório.
Após adrenalina nebulizada, o estridor melhora. Por que é necessária observação clínica antes da alta?

A duração do efeito e a evolução respiratória precisam ser acompanhadas; melhora imediata não garante estabilidade sustentada.
Tosse em latido e rouquidão se associam mais tipicamente a qual síndrome?

Crupe produz tosse metálica ou em latido, rouquidão e possível estridor.
O estreitamento do painel direito situa-se principalmente em qual nível?

O edema à direita está abaixo das pregas vocais, padrão associado a crupe no contexto apropriado.
Uma criança apresenta tosse ladrante, rouquidão e estridor. A radiografia já obtida mostra o achado ilustrado. Qual interpretação é mais compatível? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

O afilamento da coluna aérea subglótica é o sinal representado e apoia a hipótese clínica.
A criança com tosse ladrante e o padrão subglótico mostrado está alerta, mas tem estridor em repouso e retrações. Qual tratamento inicial é mais adequado? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Estridor em repouso com esforço respiratório favorece crupe moderado ou grave, com indicação de adrenalina além do corticosteroide.
Criança de dois anos com crupe grave recebeu tratamento inicial, mas evolui com sonolência, menor entrada de ar e esforço respiratório progressivamente fraco. O estridor, antes intenso, torna-se pouco audível. Qual interpretação deve orientar a equipe?
A gravidade é avaliada pelo conjunto, não pela intensidade do estridor. Menor ruído acompanhado de exaustão pode representar deterioração. Referências: Canadian Paediatric Society. Acute management of croup in the emergency department, atualização 2026 — https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança internada com crupe recebeu dexametasona oral e apresenta melhora sustentada, sem estridor em repouso na reavaliação. Propõe-se acrescentar budesonida nebulizada de rotina para potencializar o corticoide. Segundo a Canadian Paediatric Society, qual avaliação é adequada?
A necessidade de medidas adicionais depende da evolução e da gravidade. Acrescentar uma via de corticoide automaticamente não melhora o tratamento já eficaz. Referências: Canadian Paediatric Society. Acute management of croup in the emergency department, atualização 2026 — https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Em atendimento a uma criança com crupe, um familiar propõe suspender as medidas prescritas e usar apenas vapor quente em ambiente fechado. Qual orientação é compatível com a evidência apresentada pela Canadian Paediatric Society?
Conforto e presença do cuidador ajudam o atendimento. Uma prática sem benefício demonstrado não deve atrasar as medidas necessárias. Referências: Canadian Paediatric Society. Acute management of croup in the emergency department, atualização 2026 — https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
Criança com crupe mantém vômitos e não consegue reter a dexametasona oral, apesar das tentativas apropriadas. A avaliação respiratória e o suporte estão em andamento. Qual alternativa de administração de corticoide pode ser considerada?
A via oral é preferida quando viável. A decisão deve assegurar administração efetiva sem perder o acompanhamento respiratório. Referências: Canadian Paediatric Society. Acute management of croup in the emergency department, atualização 2026 — https://cps.ca/en/documents/position/acute-management-of-croup
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Recite o par que localiza o andar: tosse ladrante mais rouquidão é subglote, crupe; voz abafada mais sialorreia sem tosse ladrante é supraglote, supraglotite. Depois, as três frases do tratamento do crupe: dexametasona em dose única em todos os graus, inclusive no leve; adrenalina nebulizada só no moderado e no grave, com 3 a 4 horas de observação porque o efeito dura cerca de 2 horas; radiografia cervical não entra.
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Reconstrua sem olhar: os cortes do escore da SBP (6 ou menos, 7 a 8, 9 ou mais) e o que muda em cada faixa; os critérios de internação e o que joga direto para a terapia intensiva; o achado que separa traqueíte bacteriana de crupe viral, que é a ausência de resposta a corticoide e adrenalina; o esquema da penta no calendário de 2026 e o fato de os reforços de 15 meses e 4 anos serem de DTP, sem Hib; e as duas linhas de rifampicina lado a lado — Hib 20 mg/kg uma vez ao dia por 4 dias, meningococo 10 mg/kg de 12 em 12 horas por 2 dias.
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