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Asma
Três perguntas resolvem quase toda questão de asma: você provou obstrução variável e com que número, em que nível de controle o paciente está nas últimas quatro semanas, e qual é o medicamento de alívio que ele leva para casa. A terceira mudou — e é onde a prova pega.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 24 anos procura a UBS com tosse seca, chiado e aperto no peito que pioram à noite e após exercício, há vários meses. Refere rinite alérgica e episódios semelhantes na adolescência. Ao exame, fora das crises: PA 118x74 mmHg, FC 78 bpm, FR 16 ipm, SatO2 98%, ausculta com sibilos expiratórios esparsos. Qual exame é o mais indicado para confirmar o diagnóstico?
Como esse tema cai
Asma é o tema respiratório mais previsível da prova de residência, porque as decisões que ela cobra são sempre as mesmas três. Você provou obstrução variável, e com qual número? Em que nível de controle o paciente está nas últimas quatro semanas? Qual é o medicamento de alívio que ele leva para casa? Quem acerta essas três acerta a questão inteira, mesmo sem decorar o resto.
A terceira pergunta é a que mudou, e é por isso que asma voltou a render questão. A GINA retirou o beta2-agonista de curta duração isolado da mesa por motivo de segurança, e o Brasil acompanhou: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma publicado pelo Ministério da Saúde em março de 2026 já traz como regime preferencial o corticoide inalatório associado ao formoterol usado como alívio. Ou seja: salbutamol sob demanda e nada mais não é conduta correta em nenhum documento vigente, brasileiro ou internacional.
O que ainda separa o papel do balcão é disponibilidade. O que a unidade básica entrega pelo Farmácia Popular é beclometasona e salbutamol. Budesonida com formoterol existe no SUS, mas pela porta do componente especializado, com laudo assinado e renovado a cada seis meses. Por isso o próprio PCDT mantém um regime alternativo — corticoide inalatório diário mais SABA sob demanda — e por isso a prova brasileira aceita, e às vezes exige, esse segundo esquema. Reconhecer qual dos dois mundos o enunciado descreve vale mais do que decorar os dois.
Este capítulo é do adulto e do adolescente a partir de 12 anos. Asma na infância tem capítulo próprio, com cortes espirométricos e faixas de dose diferentes. DPOC também tem o seu; aqui a diferenciação com DPOC entra só onde ela muda a conduta.
O que muda decisão
Duas metades, e a segunda tem número
O diagnóstico de asma tem duas metades e as duas precisam existir. A primeira é história de sintomas respiratórios variáveis. A segunda é a documentação de limitação variável do fluxo aéreo expiratório. Nenhuma das duas sozinha fecha diagnóstico, e é a segunda que a prova pede em número.
Os sintomas típicos são sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse. O que aumenta a probabilidade de serem asma não é o sintoma em si, é o comportamento dele: varia em frequência e intensidade, piora à noite ou nas primeiras horas da manhã, é disparado por exercício, riso, alérgenos, ar frio ou infecção viral. Mais de um sintoma junto reforça o diagnóstico. Sintomas que pioram depois do esforço são, segundo a GINA de 2025, particularmente distintivos.
O que empurra para outro diagnóstico: tosse crônica isolada sem nenhum outro sintoma, produção crônica de secreção, dispneia acompanhada de tontura e formigamento, dor torácica ao esforço. Início dos sintomas na infância, rinite alérgica ou eczema atual ou pregresso e história familiar de asma ou alergia aumentam a probabilidade — a associação entre via aérea superior e inferior é forte e deve ser perguntada.
Um ponto que a prova adora e que quase ninguém decora: nem a GINA de 2025 nem o PCDT de 2026 fixam um valor numérico de VEF1/CVF para diagnosticar asma. A relação reduzida em relação ao limite inferior da normalidade caracteriza obstrução, mas o que define asma é a variabilidade dessa obstrução, e é ela que precisa estar documentada. A razão fixa de 0,70 pós-broncodilatador é critério de DPOC, não de asma — quem transporta o 0,70 para cá está respondendo a outra pergunta.
O corolário prático é incômodo e verdadeiro: um paciente pode ter asma com relação VEF1/CVF normal, desde que se documente variabilidade por outro caminho. E um paciente com relação reduzida e sem nenhuma variabilidade documentada não tem, ainda, diagnóstico de asma firmado.
Provar a variabilidade: cinco caminhos e seus cortes
O PCDT de 2026 lista cinco maneiras de documentar fluxo aéreo expiratório variável no adulto. Qualquer uma delas serve. Quanto maiores e mais frequentes as variações, mais confiável o diagnóstico.
Primeiro caminho, o mais cobrado: teste de responsividade ao broncodilatador. No adulto, aumento do VEF1 ou da CVF de pelo menos 12% e pelo menos 200 mL em relação ao valor pré-broncodilatador. Os dois critérios são simultâneos, não alternativos. A confiabilidade é maior se o aumento chegar a 15% e 400 mL — mas isso é confiança adicional, não requisito. Se não houver espirometria, aumento do pico de fluxo expiratório de pelo menos 20%. Repare que a CVF entra ao lado do VEF1: um paciente que responde com ganho de capacidade vital, e não de VEF1, tem teste positivo.
A técnica importa e cai em questão: medir 10 a 15 minutos após 200 a 400 mcg de salbutamol. O teste é mais confiável se o broncodilatador tiver sido suspenso antes — SABA por pelo menos 4 horas, formoterol e salmeterol por 24 horas, antimuscarínicos de longa duração como tiotrópio, umeclidínio e glicopirrônio por 36 a 48 horas. Paciente que fez a bombinha na sala de espera pode ter um teste falsamente negativo.
Segundo caminho: variabilidade excessiva do pico de fluxo medido duas vezes ao dia por duas semanas. No adulto, variabilidade média diária acima de 10%. Calcula-se a cada dia a diferença entre o maior e o menor valor dividida pela média dos dois, e no fim tira-se a média dos 14 dias. Use sempre o mesmo medidor: aparelhos diferentes variam entre si em até 20%.
Terceiro caminho: aumento da função pulmonar após quatro semanas de corticoide inalatório — VEF1 subindo pelo menos 12% e 200 mL, ou pico de fluxo pelo menos 20%, em relação ao registrado antes de começar o tratamento. É o caminho para o paciente que chega já sintomático e não pode esperar teste.
Quarto caminho: teste de provocação brônquica positivo. No adulto, queda do VEF1 de pelo menos 20% com dose padrão de metacolina; ou pelo menos 15% com hiperventilação padronizada, solução salina hipertônica ou manitol; ou queda de mais de 10% e mais de 200 mL com teste de exercício padronizado. Se o VEF1 cair durante a provocação, confira se a relação VEF1/CVF também caiu — esforço insuficiente ou obstrução laríngea induzível derrubam o VEF1 sem obstrução brônquica verdadeira.
Quinto caminho: variabilidade excessiva entre consultas — variação do VEF1 de pelo menos 12% e 200 mL, ou do pico de fluxo de pelo menos 20%, entre duas visitas. Tem boa especificidade e baixa sensibilidade: quando aparece, vale; quando não aparece, não exclui nada.
Eosinófilos no sangue acima do intervalo de referência apoiam o diagnóstico de asma tipo 2 em quem tem sintomas típicos e função pulmonar negativa, mas não substituem nenhum dos cinco caminhos e podem ter outras causas. Eosinófilo baixo não exclui asma.

Espirometria normal não exclui, e sibilo não confirma
O exame físico do asmático fora da crise costuma ser normal. Quando há achado, é sibilo expiratório, às vezes audível apenas na expiração forçada. Crepitações e sibilância inspiratória não são típicas de asma e devem levantar outra hipótese. Vale sempre olhar a via aérea superior: sinais de rinite alérgica e pólipos nasais mudam a probabilidade.
A inversão que a prova cobra: na exacerbação grave, a ausência de sibilância pode significar obstrução extrema, com fluxo insuficiente para gerar ruído. Tórax silencioso em paciente dispneico é sinal de risco de vida, não de melhora.
Espirometria normal em paciente com sintomas típicos é situação comum e não encerra a investigação. O que se faz é repetir o exame durante os sintomas ou nas primeiras horas da manhã, suspender o broncodilatador pelo tempo devido, checar variabilidade do VEF1 entre consultas, e só depois considerar provocação brônquica ou outro diagnóstico.
No paciente que já usa corticoide inalatório, o PCDT dá um roteiro específico. Se há sintomas variáveis mas nenhum fluxo variável documentado, e o VEF1 está acima de 70% do previsto, considera-se reduzir o corticoide inalatório e reavaliar em 2 a 4 semanas, para então repetir a prova broncodilatadora ou fazer provocação. Se o VEF1 está abaixo de 70% do previsto, faz-se o contrário: intensifica-se o tratamento com corticoide inalatório por 3 meses e reavalia-se; sem resposta, volta-se à dose anterior e encaminha-se para investigação.
Se há poucos sintomas, função pulmonar normal e nenhuma variabilidade, é legítimo tentar reduzir e até suspender a manutenção — se os sintomas retornarem e a função cair, a asma está confirmada; se nada mudar na menor etapa, considera-se interromper a manutenção ou migrar para corticoide inalatório com formoterol sob demanda, monitorando por pelo menos 12 meses. Interromper o corticoide inalatório fora dessa finalidade diagnóstica não é conduta aceita.
A fronteira com DPOC é decidida por padrão, não por um exame. Empurra para asma: sintomas que variam em intensidade ao longo do tempo, gatilhos como riso, exercício e alérgenos, início antes dos 40 anos, melhora espontânea ou com broncodilatador em minutos e com corticoide inalatório em dias a semanas, diagnóstico de asma na infância. Empurra para DPOC: sintomas persistentes, tabagismo ou exposição tóxica, limitação que não some. Na dúvida entre os dois, ou na sobreposição, trata-se como asma — porque broncodilatador de ação prolongada isolado é tratamento inicial aceitável na DPOC e proibido na asma, por risco de exacerbação grave e morte.
Controle é das últimas quatro semanas; gravidade é de meses
Controle e gravidade são coisas diferentes e a prova troca as duas de propósito. Controle é o quanto as manifestações da doença estão suprimidas pelo tratamento agora — avalia-se nas últimas quatro semanas e muda de consulta para consulta. Gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter a doença controlada; é característica intrínseca, só se define depois de meses de tratamento otimizado, e muda devagar.
O instrumento é uma pergunta de quatro itens, referida às últimas quatro semanas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana; qualquer despertar noturno por asma; uso de medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; qualquer limitação de atividade por asma. Nenhum item presente é asma controlada. Um ou dois itens, parcialmente controlada. Três ou quatro, não controlada.
Duas ressalvas que valem questão. A primeira: no paciente em terapia de manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol, o item do resgate perde parte do sentido, porque o alívio já é anti-inflamatório — o PCDT registra o item de frequência de uso especificamente para quem usa SABA. A segunda: as perguntas precisam ser dirigidas. Paciente sedentário não relata limitação de atividade porque não faz atividade, e isso simula bom controle.
As ferramentas estruturadas apoiam a avaliação e cada uma tem seu corte. O ACT, para 12 anos ou mais e janela de quatro semanas, considera controlada a pontuação de 20 ou mais. O ACQ-5, com janela de sete dias, usa escore abaixo de 0,75 para controlada, de 0,75 a 1,5 para parcialmente controlada e acima de 1,5 para não controlada.
E aqui está o erro conceitual mais caro do tema: controle de sintomas e risco futuro são eixos independentes, e precisam ser avaliados separadamente. Paciente com sintomas mínimos pode ter exacerbação grave ou fatal. Os fatores de risco para exacerbação que o PCDT nomeia são pelo menos uma exacerbação no último ano, tratamento exclusivo com SABA, uso excessivo de SABA, má adesão ou técnica inalatória incorreta, VEF1 reduzido, tabagismo, eosinofilia e vulnerabilidade social. Nenhum deles aparece nas quatro perguntas de controle.
O tamanho do risco ligado ao SABA tem número: dispensação de três frascos de 200 doses ou mais em um ano associa-se a maior risco de exacerbação grave em comparação com zero a dois frascos, e a dispensação de doze frascos ou mais em um ano associa-se a maior risco de morte por asma. Uso domiciliar de SABA nebulizado também se associa a maior mortalidade. Contar frascos por ano é anamnese, não curiosidade.
Depois do diagnóstico, a espirometria vira ferramenta de risco futuro, não de controle: recomenda-se no início do tratamento e entre 3 e 6 meses depois, e daí periodicamente. Ela é especialmente importante em quem percebe mal a própria obstrução.
As duas trilhas: quem define tudo é o medicamento de alívio
Todo asmático precisa de um medicamento de alívio com broncodilatador de início rápido. A pergunta que organiza o tratamento inteiro é qual: corticoide inalatório com formoterol, ou SABA. A resposta escolhe a trilha, e a trilha se mantém em todas as etapas.
A Trilha 1, preferencial na GINA de 2025 e regime 1 no PCDT de 2026, usa corticoide inalatório com formoterol em dose baixa como alívio em todas as etapas. Nas etapas 1 e 2, é só isso — alívio sob demanda, sem manutenção diária, a estratégia chamada de alívio anti-inflamatório. Nas etapas 3, 4 e 5, o mesmo inalador passa a ser usado também como manutenção diária: é a terapia de manutenção e resgate, o MART. A razão para preferir essa trilha é dura: comparada à trilha do SABA, ela reduz o risco de exacerbação grave com controle de sintomas semelhante, e é mais simples, porque é um medicamento e um dispositivo só.
A Trilha 2, alternativa na GINA e regime 2 no PCDT, usa SABA — ou corticoide inalatório com SABA — como alívio, com corticoide inalatório de manutenção diária a partir da etapa 2. É explicitamente indicada quando o corticoide inalatório com formoterol não está disponível, ou quando o paciente está estável, aderente e sem exacerbação no último ano. Não é um erro; é a segunda melhor opção, escolhida por motivo concreto.
O que não existe em nenhuma das duas trilhas é tratar asma só com SABA sob demanda. A justificativa não é de eficácia, é de segurança: a maioria dos asmáticos tem inflamação de via aérea mesmo com sintomas intermitentes ou infrequentes, o uso isolado associa-se a mais exacerbação, pior função pulmonar e maior mortalidade, e o uso regular de SABA aumenta a resposta alérgica e a inflamação e reduz a própria resposta broncodilatadora ao SABA. Também não existe LABA em monoterapia na asma — está formalmente contraindicado por aumentar hospitalização e morte, e isso é efeito de classe.
As doses da estratégia preferencial são fáceis de decorar porque o PCDT as escreve em inalações, com a apresentação de formoterol 6 mcg com budesonida 200 mcg. Etapas 1 e 2: uma inalação sob demanda. Etapa 3: uma inalação uma ou duas vezes ao dia como manutenção, mais uma inalação sob demanda. Etapas 4 e 5: duas inalações duas vezes ao dia como manutenção, mais uma inalação sob demanda. O teto diário é de 12 inalações, o que equivale a 72 mcg de formoterol, contando manutenção e alívio juntos.
Diferente do SABA, não é preciso esperar intervalo mínimo entre as doses de alívio de corticoide inalatório com formoterol — o paciente pode repetir ao surgimento dos sintomas, ou usar antes de exercício ou de exposição a alérgeno, respeitado o teto diário.
Escalonar e desescalonar tem regra. Antes de subir de etapa, confirme o diagnóstico, verifique técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo gastroesofágico, apneia obstrutiva do sono e obesidade são as que mais atrapalham. Depois de subir, reavalie. Para descer, exige-se controle mantido por 2 a 3 meses. E há uma proibição explícita: não interromper por completo o corticoide inalatório, exceto de forma temporária e com finalidade diagnóstica.
As doses de corticoide inalatório, e por que a beclometasona é a pegadinha
As faixas de dose baixa, média e alta são de dose diária total, somando todas as inalações do dia, e são específicas por fármaco e por dispositivo. Não existe equivalência mental entre corticoides diferentes: cada um tem a sua faixa.
Em maiores de 12 anos, budesonida em pó inalante ou pressurizado de partícula padrão: dose baixa de 200 a 400 mcg por dia, média acima de 400 até 800 mcg por dia, alta acima de 800 mcg por dia. Repare que 800 mcg por dia ainda é dose média nessa tabela — a faixa alta começa acima disso. Guarde a fronteira, porque o critério de asma grave usa um limiar de redação ligeiramente diferente: ele fala em budesonida ou equivalente igual ou superior a 800 mcg por dia. Ou seja, exatamente 800 mcg por dia é dose média pela tabela e já satisfaz o critério de asma grave pelo texto. Não é contradição, é a mesma fronteira lida por dois documentos com finalidades diferentes — e é o tipo de detalhe que decide questão.
A beclometasona é onde se erra, porque a faixa depende do tamanho da partícula. Dipropionato de beclometasona pressurizado de partícula padrão: baixa de 200 a 500 mcg por dia, média acima de 500 até 1.000, alta acima de 1.000. A formulação de partícula extrafina tem faixas bem menores — baixa de 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400 — mas o próprio PCDT registra em nota de rodapé que essa apresentação ainda não está disponível no Brasil. Na prática brasileira, portanto, beclometasona significa partícula padrão e dose baixa começando em 200 mcg por dia.
Vale a orientação que acompanha a tabela, porque ela é resposta de questão de conduta: para a maioria dos pacientes, o corticoide inalatório em dose baixa entrega a maior parte do benefício. A dose média fica para quem permanece descontrolado ou com exacerbações recorrentes apesar de boa adesão e técnica adequada. A dose alta serve a uma minoria, deve ser usada por tempo limitado — geralmente de 3 a 6 meses, com reavaliação — e aumenta risco de eventos adversos locais e sistêmicos, incluindo supressão adrenal.
O corticoide oral tem dose e prazo fixos e caem literalmente. Para adolescentes e adultos, prednisolona ou prednisona equivalente de 40 a 50 mg por dia, por 5 a 7 dias, em dose única matinal. Se o uso for menor que duas semanas, não é necessário desmame. Corticoide oral contínuo em dose baixa, até 7,5 mg de prednisona por dia, é último recurso na asma grave do adulto, nunca conduta de rotina.
Dois medicamentos merecem alerta por interferirem na resposta ao tratamento: anti-inflamatórios não esteroides e betabloqueadores. A decisão de usar é individualizada, pesando risco e benefício — não é contraindicação automática, mas é pergunta obrigatória em quem descontrolou sem explicação.
O que o SUS entrega, e por qual porta
O PCDT padroniza a lista completa, mas a lista não diz onde o paciente retira. Essa é a informação que muda a conduta na UBS e que a prova de banca com recorte SUS explora.
Pelo programa Aqui Tem Farmácia Popular, o PCDT registra a disponibilidade de dipropionato de beclometasona nas apresentações de 50, 200 e 250 mcg e de sulfato de salbutamol de 100 mcg e 5 mg. É o que o paciente busca no balcão da farmácia credenciada, sem laudo e sem processo.
Budesonida, formoterol e a combinação formoterol com budesonida — nas apresentações de 6 mcg com 200 mcg e de 12 mcg com 400 mcg — são fornecidos pelo componente especializado da assistência farmacêutica, o CEAF. Exigem laudo para solicitação de medicamentos do componente especializado preenchido, assinado e carimbado pelo médico, renovado semestralmente, e obedecem aos critérios de diagnóstico, inclusão e exclusão do próprio PCDT. Os imunobiológicos da etapa 5 — omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe e dupilumabe — seguem a mesma porta, com critérios adicionais. Prednisona e prednisolona também constam da lista padronizada.
A consequência clínica é direta: o regime preferencial existe no SUS, mas com um degrau administrativo entre a prescrição e a retirada. Enquanto o laudo tramita, ou quando o paciente não consegue mantê-lo renovado, o esquema que se sustenta é o alternativo — corticoide inalatório diário mais SABA sob demanda —, que é exatamente por isso que o PCDT o mantém escrito.
A atualização de 2026 ampliou a etapa 5: incorporou benralizumabe para adultos com asma grave eosinofílica, dupilumabe para asma grave T2 alta alérgica não controlada, e estendeu o mepolizumabe a crianças e adolescentes de 6 a 17 anos com asma grave refratária eosinofílica. Uma observação que o protocolo faz questão de registrar: embora a maior parte das apresentações seja de medicamento isolado, o protocolo não preconiza monoterapia de SABA nem de LABA — a padronização isolada é logística, não recomendação de uso isolado.
A crise: classificar antes de terminar o exame
Na exacerbação, a avaliação de gravidade acontece junto com o início do tratamento, não antes dele. Começa-se SABA e oxigênio, se necessário, enquanto se checa anafilaxia e se avalia dispneia, frequência respiratória, frequência de pulso, saturação e função pulmonar. A gravidade é definida pela pior característica presente — um único critério de gravidade classifica o paciente como grave, mesmo com os demais bons.
Exacerbação leve a moderada: fala em frases, prefere sentar a deitar, não está agitado, frequência respiratória aumentada, sem uso de musculatura acessória, pulso de 100 a 120 por minuto, saturação em ar ambiente de 90 a 95%, pico de fluxo acima de 50% do previsto ou do melhor pessoal.
Exacerbação grave: fala em palavras, senta curvado para a frente, está agitado, frequência respiratória acima de 30 por minuto, musculatura acessória em uso, pulso acima de 120 por minuto, saturação em ar ambiente abaixo de 90%, pico de fluxo igual ou abaixo de 50% do previsto ou do melhor pessoal.
Risco de vida: sonolência, confusão ou tórax silencioso. Aqui a decisão não é internar, é transferir para terapia intensiva.
O tratamento inicial é o mesmo em desenho e muda em intensidade. Salbutamol de 4 a 10 jatos por dispositivo pressurizado com espaçador, a cada 20 minutos, até três doses na primeira hora; depois, conforme resposta, de 4 a 10 jatos a cada 3 a 4 horas ou de 6 a 10 jatos a cada 1 a 2 horas. A via preferencial é o pressurizado com espaçador, não a nebulização. Oxigênio controlado com alvo de saturação de 93 a 95% no adulto. Corticoide oral em toda exacerbação exceto as leves — prednisolona 40 a 50 mg pela manhã, de 5 a 7 dias.
Diante de sinais de exacerbação grave, a conduta é transferir para serviço de urgência e, enquanto se aguarda, administrar SABA inalatório, brometo de ipratrópio inalatório, oxigênio e corticoide sistêmico. Sulfato de magnésio endovenoso entra no serviço de urgência, para quem teve resposta inadequada ao tratamento intensivo inicial — não é primeira medida. Não se pede radiografia de tórax nem gasometria de rotina, não se prescreve antibiótico de rotina, e sedativo é proibido.
Reavaliação em uma hora, ou antes. Os critérios que autorizam alta são quatro: sintomas melhoraram e o paciente não está precisando de SABA; o pico de fluxo está melhorando e acima de 60 a 80% do melhor pessoal ou do previsto; a saturação em ar ambiente está acima de 94%; e há condições em casa para manejar. Este capítulo adota 60% do melhor pessoal ou do previsto como piso — abaixo disso, com necessidade persistente de SABA ou saturação que não sustenta 94% em ar ambiente, o paciente fica. A decisão formal de internar considera ainda estado clínico, resposta ao tratamento e história de exacerbações prévias, e é aí que uma internação recente ou uma intubação prévia por asma pesam para ficar.
A alta tem prescrição obrigatória, e é onde mais se erra. Manutenção contendo corticoide inalatório — para adultos e adolescentes, preferencialmente corticoide inalatório com formoterol em MART; se indisponível, corticoide inalatório com LABA diário em dose média. Alívio apenas sob demanda, nunca de horário, para que a piora continue visível. Corticoide oral completando 5 a 7 dias. Revisão de técnica inalatória e adesão. Plano de ação por escrito. Retorno em 2 a 7 dias. O corticoide inalatório pode voltar à dose anterior depois de 2 a 4 semanas, salvo se a crise tiver sido precedida de controle cronicamente ruim. Mais de uma exacerbação no ano é indicação de encaminhamento para avaliação especializada.

Asma grave, asma de difícil controle e a etapa 5
Asma grave não é asma sintomática. É um diagnóstico que só pode ser feito depois de excluir os fatores modificáveis: baixa adesão, técnica inalatória incorreta e comorbidades não tratadas. Enquanto esses três não forem verificados, o rótulo correto é asma de difícil controle, e a conduta é corrigir o que é corrigível, não escalonar.
Excluídos os fatores modificáveis, o PCDT considera asma grave quem preenche um dos três critérios. Primeiro: tratamento contínuo com corticoide inalatório em dose alta — budesonida ou equivalente igual ou acima de 800 mcg por dia em maiores de 12 anos — associado a LABA, no ano anterior, independentemente de outro controlador. Segundo: uso de corticoide oral em dose equivalente a pelo menos 5 mg diários de prednisolona em pelo menos metade dos dias do ano anterior, para prevenir o descontrole. Terceiro: permanecer com asma não controlada apesar de corticoide inalatório em dose alta.
A etapa 5 começa com fenotipagem, não com medicamento novo. Eosinofilia no sangue a partir de 150 células por microlitro, ou eosinófilos no escarro induzido a partir de 2 a 3%, ou sensibilização IgE específica positiva sugerem inflamação tipo 2 alta. Como a contagem de eosinófilos varia com corticoide oral, tabagismo e horário da coleta — costuma ser mais alta pela manhã —, recomenda-se repetir a coleta até três vezes quando não houver eosinofilia, inclusive durante a piora e antes de administrar corticoide oral.
Antes do imunobiológico, otimiza-se a terapia em uso, tratam-se os fatores de risco modificáveis e as comorbidades. Aumentar o corticoide inalatório para dose alta, isolado ou com LABA, é opção quando o controle não se alcança com MART em dose média ou com corticoide inalatório em dose média mais LABA — mas com benefício clínico limitado para a maioria e por tempo limitado, tipicamente de 3 a 6 meses, com reavaliação cuidadosa.
Uma armadilha operacional que o PCDT registra e que rende questão de conduta: paciente em MART com dose média que vai iniciar imunobiológico não deve ser trocado para corticoide inalatório com LABA convencional mais SABA sob demanda, porque a troca aumenta o risco de exacerbação. A evidência sobre iniciar MART em quem já usa lama ou imunobiológico, por outro lado, é limitada.
A porta de saída da atenção primária é regrada: asma não controlada apesar da etapa 4 com técnica correta e boa adesão, indicadores de risco de vida como história de ventilação mecânica ou internação em terapia intensiva por asma, mais de uma exacerbação no ano, e suspeita de asma ocupacional são situações de encaminhamento para avaliação especializada. A APS segue coordenando o cuidado — o encaminhamento não transfere o paciente, compartilha o manejo.
Do controle à etapa: como escalonar sem chutar
O caminho é sempre o mesmo. Avalia-se o controle das últimas quatro semanas com quatro perguntas, avalia-se o risco futuro à parte, corrigem-se os fatores modificáveis, e só então se mexe na etapa. A trilha — se o alívio é corticoide inalatório com formoterol ou SABA — é escolhida uma vez e mantida em todas as etapas. Os números abaixo são os do PCDT da Asma de 2026, que adaptou a GINA de 2025, para adultos e adolescentes de 12 anos ou mais.
- 1Confirme que o diagnóstico está documentado. Sintomas variáveis mais fluxo aéreo expiratório variável por qualquer um dos cinco caminhos — sem isso, você está escalonando tratamento de uma doença que ainda não provou existir.
- 2Classifique o controle das últimas quatro semanas com as quatro perguntas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertar noturno por asma, resgate mais de duas vezes por semana, limitação de atividade por asma. Nenhum item é controlada; um ou dois, parcialmente; três ou quatro, não controlada.
- 3Avalie o risco futuro em separado, porque ele não aparece nas quatro perguntas: exacerbação no último ano, tratamento só com SABA, uso excessivo de SABA, má adesão ou técnica errada, VEF1 reduzido, tabagismo, eosinofilia, vulnerabilidade social.
- 4Antes de subir de etapa, verifique técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo, apneia do sono, obesidade. A maior parte da asma não controlada da UBS se resolve aqui, sem trocar receita.
- 5Escolha a trilha pelo medicamento de alívio disponível para aquele paciente: corticoide inalatório com formoterol, sempre que puder; SABA com corticoide inalatório de manutenção, quando o primeiro não estiver ao alcance.
- 6Posicione a etapa pela apresentação clínica: sintomas infrequentes, até 2 dias por semana, etapas 1 e 2; sintomas na maioria dos dias, 4 a 5 por semana ou mais, ou despertando ao menos uma vez por semana, ou função pulmonar baixa, etapa 3; sintomas diários com despertar semanal e função pulmonar baixa, etapa 4.
- 7Se a apresentação inicial for durante uma exacerbação, trate a crise primeiro e comece a manutenção já na etapa 4 — corticoide inalatório com formoterol em dose média em MART, ou corticoide inalatório com LABA em dose média diário.
- 8Reavalie. Para desescalonar, exija controle mantido por 2 a 3 meses e reduza um degrau por vez. Não suspenda por completo o corticoide inalatório, exceto temporariamente e com finalidade diagnóstica.
- 9Sintomas ou exacerbações persistentes apesar de técnica correta e boa adesão na etapa 4: é etapa 5. Fenotipe e encaminhe para avaliação especializada.
Asma controlada — nenhum dos quatro itens
Nas últimas quatro semanas: sem sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, sem despertar noturno por asma, sem resgate mais de duas vezes por semana, sem limitação de atividade. Corresponde a ACT de 20 ou mais, ou ACQ-5 abaixo de 0,75. Mantido por 2 a 3 meses, autoriza tentar desescalonar. Não dispensa avaliar o risco futuro: controle bom com exacerbação no último ano continua sendo paciente de risco.
Parcialmente controlada — um ou dois itens
Um ou dois dos quatro itens presentes nas últimas quatro semanas. Corresponde a ACQ-5 de 0,75 a 1,5. A conduta não é subir de etapa por reflexo: primeiro técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades. Se tudo isso estiver correto, então sim, escalonar um degrau dentro da mesma trilha e reavaliar.
Não controlada — três ou quatro itens
Três ou quatro dos quatro itens presentes, ou ACQ-5 acima de 1,5. Mesma sequência de verificação, com mais urgência, e escalonamento em seguida. Não controlada apesar de corticoide inalatório em dose alta é um dos três critérios de asma grave — mas só depois de excluídos adesão, técnica e comorbidades não tratadas.
| Etapa (adulto e adolescente ≥ 12 anos) | Trilha 1 — alívio é CI-formoterol (preferencial) | Trilha 2 — alívio é SABA (alternativa) | Onde se retira no SUS |
|---|---|---|---|
| Etapa 1 — sintomas infrequentes, 1 a 2 dias por semana ou menos | CI-formoterol em dose baixa sob demanda, sem manutenção diária (1 inalação de 6/200 mcg quando houver sintoma) | CI em dose baixa sempre que o SABA for usado, em inaladores combinados ou separados | Trilha 2 pelo Farmácia Popular (beclometasona + salbutamol); Trilha 1 pelo CEAF |
| Etapa 2 — sintomas menos de 3 a 5 dias por semana, função pulmonar normal ou pouco reduzida | CI-formoterol em dose baixa sob demanda (1 inalação quando houver sintoma) | CI em dose baixa diário de manutenção + SABA sob demanda | Idem etapa 1 |
| Etapa 3 — sintomas na maioria dos dias, ou despertando ≥ 1 vez por semana, ou função pulmonar baixa | CI-formoterol em dose baixa em MART: 1 inalação 1 a 2 vezes ao dia + 1 inalação sob demanda | CI-LABA em dose baixa diário + SABA ou CI-SABA sob demanda; ou CI em dose média diário + SABA sob demanda | Formoterol + budesonida e budesonida isolada pelo CEAF, com laudo semestral |
| Etapa 4 — sintomas diários, despertar noturno ≥ 1 vez por semana, função pulmonar baixa, ou tabagista ativo | CI-formoterol em dose média em MART: 2 inalações 2 vezes ao dia + 1 inalação sob demanda | CI-LABA em dose média diário + SABA ou CI-SABA sob demanda (CI em dose alta + SABA é opção, com pior adesão) | CEAF |
| Etapa 5 — persiste sintomático ou exacerbando com técnica correta e boa adesão na etapa 4 | Manutenção da etapa 4 + fenotipagem e terapia adicional; CI em dose alta por 3 a 6 meses se necessário; imunobiológico conforme fenótipo | Mesma conduta: fenotipar e encaminhar; não trocar MART por CI-LABA + SABA em quem vai iniciar imunobiológico | Imunobiológicos (omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe) pelo CEAF, com critérios adicionais |
Faixas de corticoide inalatório em maiores de 12 anos, dose diária total: budesonida 200-400 (baixa), acima de 400 até 800 (média), acima de 800 (alta). Beclometasona pressurizada de partícula padrão 200-500 (baixa), acima de 500 até 1.000 (média), acima de 1.000 (alta). A beclometasona de partícula extrafina tem faixas menores (100-200, acima de 200 até 400, acima de 400), mas o PCDT registra que ela ainda não está disponível no Brasil.
Teto do MART com formoterol 6 mcg + budesonida 200 mcg: 12 inalações por dia, equivalendo a 72 mcg de formoterol, somando manutenção e alívio. Diferente do SABA, não há intervalo mínimo obrigatório entre as doses de alívio.
Corticoide oral na exacerbação do adulto: prednisolona ou prednisona equivalente de 40 a 50 mg por dia, 5 a 7 dias, dose única matinal. Sem desmame se o curso for menor que duas semanas.
LABA em monoterapia é formalmente contraindicado na asma — aumenta hospitalização e morte, e é efeito de classe. SABA isolado, sem corticoide inalatório, também saiu de todos os documentos vigentes.
Controle e gravidade não são a mesma coisa. Controle é das últimas quatro semanas e muda a cada consulta; gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter o controle e só se define depois de meses de tratamento otimizado.
Apresentação inicial durante exacerbação: trate a crise e inicie a manutenção já na etapa 4, não na etapa 1.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Trilha 1 — o alívio é CI-formoterol em dose baixa (GINA 2025; regime preferencial do PCDT 2026)
Em todas as etapas, o alívio é corticoide inalatório com formoterol em dose baixa: sozinho e sob demanda nas etapas 1 e 2, e como manutenção e resgate no mesmo inalador a partir da etapa 3. A justificativa declarada é redução do risco de exacerbação grave em comparação com regimes cujo alívio é SABA, com controle de sintomas semelhante, e simplicidade — um medicamento, um dispositivo. O PCDT brasileiro adotou esse regime como preferencial na atualização de março de 2026, alinhado à GINA de 2025.
GINA, Summary Guide 2025, Figura 6 e Table 3; Ministério da Saúde / Conitec, PCDT da Asma, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43 de 24/03/2026, Quadro 7 (regime 1) e Quadro 11
Trilha 2 — o alívio é SABA, com corticoide inalatório de manutenção (GINA 2025 como alternativa; regime 2 do PCDT 2026)
O alívio é SABA — ou corticoide inalatório com SABA — e o controle vem de corticoide inalatório diário a partir da etapa 2. Os dois documentos mantêm esse regime escrito e o indicam explicitamente quando o corticoide inalatório com formoterol não está disponível, ou quando o paciente está clinicamente estável, aderente e sem exacerbação no último ano. No Brasil, a causa do afastamento é de disponibilidade e custo, não de evidência: pelo Farmácia Popular o paciente retira beclometasona e salbutamol sem processo, enquanto formoterol com budesonida sai pelo componente especializado, com laudo assinado e renovado a cada seis meses. Onde esse laudo não se sustenta, é a Trilha 2 que fica de pé.
GINA, Summary Guide 2025, Figura 7 e Table 3; PCDT da Asma 2026, Quadro 7 (regime 2) e nota do item 7.4 sobre o programa Aqui Tem Farmácia Popular; listas do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) das secretarias estaduais de saúde, que exigem LME semestral para formoterol + budesonida
Na prova
O recorte se identifica pelo cenário e pelo vocabulário. Enunciado que nomeia GINA, que fala em regime preferencial, em alívio anti-inflamatório ou em MART está no mundo da Trilha 1. Enunciado ambientado em UBS, que cita o que está disponível na unidade, o Farmácia Popular ou a lista da atenção básica, está no mundo da Trilha 2 — e uma alternativa que ofereça beclometasona com salbutamol denuncia esse recorte sozinha. Há um ponto em que os dois mundos coincidem e que não depende de recorte nenhum: tratar asma apenas com SABA sob demanda, sem corticoide inalatório, saiu dos dois documentos por motivo de segurança, e LABA em monoterapia é contraindicado nos dois. Alternativa com qualquer um desses dois é erro em qualquer banca. Vale ainda a régua geral: prova oficial do MEC tende à conduta praticável no SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Aumento de pelo menos 12% e 200 mL (GINA 2025; PCDT da Asma 2026)
No adulto, teste positivo é aumento do VEF1 ou da CVF de pelo menos 12% e pelo menos 200 mL em relação ao valor pré-broncodilatador, medido 10 a 15 minutos após 200 a 400 mcg de salbutamol. Aumento de pelo menos 15% e 400 mL confere maior confiabilidade, sem ser requisito. Se não houver espirometria, aumento do pico de fluxo de pelo menos 20%. É o critério em vigor nos dois documentos que orientam o tratamento da asma.
GINA, Summary Guide 2025, Table 1; PCDT da Asma 2026 (Conitec/MS), Quadro 2
Variação maior que 10% do valor previsto (padrão técnico ERS/ATS, 2022)
O padrão técnico de estratégias interpretativas de provas de função pulmonar da ERS/ATS de 2022 substituiu o critério anterior — de 2005, que era o mesmo 12% com 200 mL — por variação do VEF1 ou da CVF maior que 10% do valor previsto, em adultos e crianças. O argumento é metodológico: variações absolutas e relativas ao basal dependem da função pulmonar de partida e carregam viés de altura, idade e sexo, enquanto a referência ao previsto reduz esse viés. Estudos de impacto publicados desde então mostram que os dois critérios reclassificam parte dos pacientes.
Stanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J. 2022;60(1):2101499 — acessado por literatura secundária revisada por pares, não no original
Na prova
É divergência de data e de finalidade, e as duas coisas ajudam a identificar o recorte. Enunciado que nomeia GINA, PCDT, Ministério da Saúde, ou que se passa em ambulatório ou UBS decidindo tratamento de asma, está usando o critério de 12% com 200 mL, de 2025 e 2026. Enunciado que nomeia ERS/ATS, que fala em padrão técnico de interpretação de prova de função pulmonar, ou cujas alternativas expressam a variação em porcentagem do previsto, está no documento de 2022 dos laboratórios de função pulmonar. As próprias alternativas denunciam: se uma delas diz 10% do previsto e nenhuma menciona 200 mL, a questão não está no terreno das diretrizes de asma. Um detalhe que vale ponto nos dois mundos: desde a GINA de 2025 a CVF conta ao lado do VEF1, então resposta com ganho de capacidade vital e VEF1 quase parado é teste positivo.
Depende do tamanho da partícula: 200-500 mcg/dia na partícula padrão (PCDT da Asma 2026; GINA 2025)
Para maiores de 12 anos, dipropionato de beclometasona pressurizado de partícula padrão tem dose baixa de 200 a 500 mcg por dia, média acima de 500 até 1.000 e alta acima de 1.000. A formulação de partícula extrafina tem faixas menores — 100 a 200, acima de 200 até 400, acima de 400 —, mas o próprio PCDT registra em nota que essa apresentação ainda não está disponível no Brasil. Na budesonida não há essa bifurcação: 200 a 400 baixa, acima de 400 até 800 média, acima de 800 alta.
PCDT da Asma 2026 (Conitec/MS), Quadro 10, adaptado da GINA 2025
Faixa única de 100-200 mcg/dia (SBPT, Recomendações para o manejo da asma, 2020)
A Tabela 2 das recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia de 2020 traz o dipropionato de beclometasona em pó inalante ou pressurizado com uma faixa única — 100 a 200 mcg por dia como dose baixa, acima de 200 até 400 como média e acima de 400 como alta —, sem separar por tamanho de partícula. Para a budesonida, a mesma tabela traz 200 a 400, acima de 400 até 800 e acima de 800, coincidindo com o documento de 2026. A diferença é de data e de granularidade da tabela, não de posição clínica.
Pizzichini MMM, Carvalho-Pinto RM, Cançado JED, et al. Recomendações para o manejo da asma da SBPT — 2020. J Bras Pneumol. 2020;46(1):e20190307, Tabela 2
Na prova
Documento nomeado no enunciado decide: SBPT ou 2020 puxam a faixa única; PCDT, Ministério da Saúde, GINA ou 2025/2026 puxam a divisão por partícula. Se nenhum documento for citado, olhe as alternativas — a presença de um valor como 500 ou 1.000 mcg denuncia a tabela nova, e a ausência total desses números denuncia a antiga. E existe um caminho que dispensa a controvérsia inteira: nas duas fontes, a budesonida tem exatamente as mesmas faixas, 200 a 400, acima de 400 até 800 e acima de 800. Questão de dose formulada em budesonida não tem divergência alguma, o que faz dela o número mais seguro de se levar para a prova.
Caso resolvido
- achado
- O ganho de VEF1 é de 350 mL, o que corresponde a 16,7% do valor pré-broncodilatador. Passa nos dois critérios simultâneos exigidos no adulto — pelo menos 12% e pelo menos 200 mL. O percentual ainda ultrapassa os 15% da faixa de maior confiabilidade, embora o volume fique abaixo dos 400 mL dessa mesma faixa; isso não muda a conclusão, porque essa faixa é de confiança adicional e não requisito. A relação de 0,64 documenta obstrução; o que fecha o diagnóstico, porém, é a variabilidade, não a razão.
- diagnóstico
- Asma. As duas metades estão presentes: sintomas respiratórios variáveis, com predomínio noturno e limitação de atividade, e limitação variável do fluxo aéreo expiratório documentada por resposta ao broncodilatador. A rinite alérgica reforça a probabilidade. Não é preciso teste de provocação brônquica — ele entraria apenas se a espirometria tivesse sido negativa.
- controle
- Aplicando as quatro perguntas das últimas quatro semanas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, sim; despertar noturno por asma, sim; uso de resgate mais de duas vezes por semana, sim; limitação de atividade, sim. Quatro de quatro itens — asma não controlada. Ela nunca esteve tratada, então isso não diz nada sobre a gravidade da doença, que só poderá ser definida depois de meses de tratamento otimizado.
- risco futuro
- Avaliado à parte e alto: tratamento exclusivo com SABA e uso excessivo de SABA, três frascos em oito meses. A partir de três frascos de 200 doses em um ano já se associa maior risco de exacerbação grave, e ela caminha para isso. Nenhum desses dois fatores aparece nas quatro perguntas de controle — é por isso que os eixos se avaliam separados.
- etapa
- Sintomas na maioria dos dias, despertando ao menos uma vez por semana e função pulmonar baixa colocam a apresentação inicial na etapa 3. Não se começa na etapa 1 só porque ela nunca tratou: a etapa é definida pela apresentação, não pelo histórico de prescrições.
- conduta preferencial
- Trilha 1, etapa 3: corticoide inalatório com formoterol em dose baixa em manutenção e resgate. Com a apresentação de 6 mcg de formoterol com 200 mcg de budesonida, isso é uma inalação uma ou duas vezes ao dia como manutenção, mais uma inalação sob demanda ao surgir sintoma, respeitado o teto de 12 inalações por dia. O salbutamol comprado por fora sai do esquema — o alívio passa a ser o próprio inalador anti-inflamatório.
- conduta se o CEAF não estiver ao alcance
- Trilha 2, etapa 3: corticoide inalatório com LABA em dose baixa diário, mais SABA sob demanda; ou corticoide inalatório em dose média diário mais SABA sob demanda. Com o que sai pelo Farmácia Popular, isso significa beclometasona pressurizada em dose média — acima de 500 até 1.000 mcg por dia — com salbutamol sob demanda, enquanto se providencia o laudo do componente especializado. O que não é opção é mantê-la só com salbutamol.
- o que mais sai da consulta
- Ensino da técnica inalatória com demonstração e devolutiva, plano de ação por escrito, tratamento da rinite alérgica, e retorno agendado. Espirometria de controle entre 3 e 6 meses. Na revisão, reaplicar as quatro perguntas e recontar frascos de SABA — se ela ainda estiver comprando salbutamol, alguma coisa da prescrição não chegou até ela.
Agora feche você
- achado
- Fala em palavras isoladas, postura curvada para a frente, agitação, frequência respiratória acima de 30, pulso acima de 120, saturação abaixo de 90% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e pico de fluxo abaixo de 50% do previsto. São sete características de gravidade reunidas no mesmo paciente.
- gravidade
- Exacerbação grave. A classificação é feita pela pior característica presente — bastaria uma delas. Não é risco de vida ainda: risco de vida seria sonolência, confusão ou tórax silencioso, e ele está consciente, orientado e com sibilos audíveis, o que significa que ainda há fluxo. Os sibilos desaparecerem daqui em diante seria piora, não melhora.
- fatores de risco para desfecho grave
- Internação por asma nos últimos doze meses, uso irregular do corticoide inalatório, uso excessivo de SABA nas horas anteriores e infecção viral como gatilho. Esse conjunto pesa na decisão de destino ao fim da primeira hora, mesmo que ele responda bem ao tratamento inicial.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Usar a relação VEF1/CVF de 0,70 para diagnosticar asma Nem a GINA de 2025 nem o PCDT de 2026 fixam um valor numérico de relação para diagnosticar asma. A obstrução se julga contra o limite inferior da normalidade, e o que define asma é a variabilidade documentada. A razão fixa de 0,70 pós-broncodilatador pertence ao capítulo de DPOC. Questão que dá uma relação normal e espera que você descarte asma está testando exatamente isso — e a resposta é que espirometria normal não exclui asma.
- 2Tratar os dois critérios da prova broncodilatadora como alternativos São 12% e 200 mL, simultâneos, não um ou outro. Aumento de 15% que corresponda a 150 mL não é teste positivo; aumento de 300 mL que corresponda a 9% também não. E, desde a GINA de 2025, a CVF conta ao lado do VEF1 — resposta com ganho de capacidade vital e VEF1 quase parado é positiva. Os 15% com 400 mL são faixa de maior confiabilidade, não requisito.
- 3Confundir controle com gravidade Controle é das últimas quatro semanas e muda a cada consulta. Gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter o controle, é característica intrínseca e só se define depois de meses de tratamento otimizado. Paciente nunca tratado que chega com quatro de quatro itens tem asma não controlada, e ainda não se sabe nada sobre a gravidade dele. Chamar isso de asma grave na primeira consulta é erro conceitual, e é o distrator preferido do tema.
- 4Achar que controle bom significa risco baixo Os dois eixos são independentes e se avaliam separadamente. Paciente com sintomas mínimos pode ter exacerbação grave ou fatal. Exacerbação no último ano, tratamento só com SABA, uso excessivo de SABA, má adesão, técnica errada, VEF1 reduzido, tabagismo, eosinofilia e vulnerabilidade social não aparecem em nenhuma das quatro perguntas de controle — e são justamente o que prevê a próxima crise.
- 5Manter salbutamol isolado porque os sintomas são infrequentes A maioria dos asmáticos tem inflamação de via aérea mesmo com sintomas intermitentes. O uso isolado associa-se a mais exacerbação, pior função pulmonar e maior mortalidade, e a partir de três frascos de 200 doses por ano o risco de exacerbação grave sobe; a partir de doze frascos por ano, o risco de morte. Não existe etapa nenhuma, em nenhuma das duas trilhas, cujo tratamento seja SABA sozinho. E LABA em monoterapia é contraindicado por aumentar hospitalização e morte.
- 6Escalonar antes de checar técnica e adesão Antes de subir de etapa, confirme o diagnóstico e verifique técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo, apneia obstrutiva do sono, obesidade. Boa parte da asma dita não controlada da atenção primária se resolve aí, sem trocar a receita. O próprio critério de asma grave exige a exclusão desses fatores antes do rótulo.
- 7Somar as doses de corticoide inalatório pela metade As faixas baixa, média e alta são de dose diária total, somando todas as inalações do dia, e são específicas por fármaco e dispositivo. Budesonida 400 mcg duas vezes ao dia são 800 mcg por dia, que ainda é dose média — a faixa alta começa acima de 800. E não existe equivalência mental entre corticoides diferentes: beclometasona de partícula padrão tem dose baixa começando em 200 e indo até 500 mcg por dia, número que não tem nada a ver com o da budesonida.
- 8Dar alta da crise sem corticoide inalatório e sem retorno marcado Sair do pronto-socorro só com salbutamol e prednisona é o roteiro que devolve o paciente em uma semana. A alta exige manutenção contendo corticoide inalatório, alívio apenas sob demanda e nunca de horário, corticoide oral completando 5 a 7 dias, revisão da técnica inalatória, plano de ação por escrito e retorno em 2 a 7 dias. Alívio de horário é especialmente traiçoeiro porque esconde a piora.
- 9Interpretar ausência de sibilos como melhora Na exacerbação grave, a sibilância pode sumir por obstrução extrema, com fluxo insuficiente para gerar ruído. Tórax silencioso, ao lado de sonolência e confusão, é critério de risco de vida e indica terapia intensiva. Na direção contrária, sibilo isolado não confirma asma: aparece em obstrução laríngea funcional, DPOC, infecção respiratória, traqueomalácia e corpo estranho.
- 10Trocar o MART por corticoide inalatório com LABA e SABA ao iniciar imunobiológico O PCDT registra explicitamente que quem está em manutenção e resgate com dose média e vai iniciar imunobiológico não deve ser trocado para corticoide inalatório com LABA convencional mais SABA sob demanda, porque a troca aumenta o risco de exacerbação. É uma questão de conduta pronta para ser cobrada, e a intuição de simplificar o esquema puxa para o lado errado.
O quadro é clássico de asma; a confirmação funcional se faz pela espirometria demonstrando obstrução reversível (aumento do VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12% pós-broncodilatador). A radiografia de tórax costuma ser normal na asma e não confirma o diagnóstico. A TCAR investiga doença intersticial/bronquiectasias, não asma típica. IgE total apenas sugere atopia, sem confirmar asma. A gasometria avalia gravidade de crise, não estabelece o diagnóstico de base.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 28 anos com asma em uso irregular de corticoide inalatório apresenta crise há 6 horas. No pronto-socorro: PA 124x78 mmHg, FC 122 bpm, FR 30 ipm, SatO2 90% em ar ambiente, fala frases entrecortadas, uso de musculatura acessória, sibilos difusos. Recebeu beta-2 de curta duração inalatório e corticoide sistêmico. Após 1 hora, mantém SatO2 91%, FR 28 ipm e pico de fluxo expiratório em 45% do previsto. Qual medicação adicional está mais indicada nesse momento?
Na crise asmática grave com resposta insuficiente ao tratamento inicial (beta-2 + corticoide), o sulfato de magnésio endovenoso é a próxima medida recomendada, com bom perfil de segurança. A aminofilina tem eficácia limitada e alto risco de toxicidade, sendo desaconselhada. Antibiótico não é indicado sem evidência de infecção bacteriana. Adrenalina IM reserva-se à anafilaxia, não à crise asmática comum. Montelucaste é controlador de manutenção, sem papel no resgate da crise aguda.
Mulher de 24 anos com asma refere que, apesar de usar corticoide inalatório em dose baixa regularmente, apresenta sintomas diurnos duas vezes por semana e despertares noturnos ocasionais, sem crises graves no último ano. Considerando o controle atual, qual medicação de resgate é a mais apropriada para alívio dos sintomas?
O broncodilatador de resgate clássico é o beta-2-agonista de curta duração (salbutamol), que promove alívio rápido da broncoconstrição (alternativa aceita também é budesonida-formoterol conforme GINA, mas entre as opções o SABA é o resgate). Corticoide oral trata exacerbações, não é resgate pontual. Montelucaste é controlador de manutenção, sem efeito de alívio rápido. Ipratrópio isolado tem início mais lento e menor potência broncodilatadora na asma. Teofilina é controlador, com estreita janela terapêutica, não resgate.
Mulher de 30 anos, asmática, chega à UBS relatando piora da tosse e sibilância nas últimas semanas, com uso frequente de broncodilatador de resgate e despertares noturnos. Não faz uso de medicação de controle. Qual a conduta inicial mais adequada para o controle da asma?
Asma não controlada (sintomas frequentes, uso repetido de resgate, despertares noturnos) sem medicação de manutenção. Correta: a base do tratamento de controle da asma persistente é o corticoide inalatório, que reduz a inflamação das vias aéreas. Não há sinais de infecção bacteriana; antibiótico é inadequado. Manter só o broncodilatador de resgate perpetua o descontrole e não trata a inflamação subjacente. Corticoide oral contínuo tem efeitos adversos importantes e não é a estratégia de manutenção de escolha na asma persistente.
Mulher de 22 anos, asmática, chega à UPA com crise de dispneia intensa, fala entrecortada em frases curtas, uso de musculatura acessória, FR 30 irpm, FC 120 bpm e saturação 90% em ar ambiente. Qual a conduta inicial mais adequada na sala de emergência?
Crise de asma de moderada a grave (fala entrecortada, musculatura acessória, taquipneia, hipoxemia). Correta: o manejo inicial combina oxigênio para corrigir a hipoxemia, beta-2-agonista de curta duração inalatório (broncodilatação) e corticoide sistêmico precoce (reduz a inflamação e previne recaída). Corticoide inalatório de manutenção e alta não tratam a crise aguda. Não há indicação de antibiótico na crise asmática sem sinais de infecção. Sedação em insuficiência respiratória é perigosa por deprimir o drive ventilatório.
Mulher de 28 anos, em uso de corticoide inalatório de baixa dose para asma, retorna à UBS relatando sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, um despertar noturno por semana e uso frequente de broncodilatador de resgate. Está aderente e com técnica inalatória correta. Segundo o manejo escalonado da asma (GINA/SUS), qual é o ajuste terapêutico mais apropriado?
A paciente tem asma parcialmente controlada apesar de corticoide inalatório de baixa dose com boa adesão e técnica — indica-se step-up para corticoide inalatório associado a LABA (ou aumentar o CI). Manter a dose ignora o controle inadequado. LABA isolado é contraindicado na asma pelo risco de morte. Corticoide oral prolongado não é etapa de manutenção ambulatorial — reserva-se a exacerbações graves em curso curto.
Mulher de 26 anos, asmática, chega à UBS relatando despertares noturnos por tosse duas a três vezes por semana e uso de broncodilatador de alívio quase diária. Faz uso apenas de salbutamol conforme necessidade. Segundo o manejo atual da asma, qual é a conduta mais adequada?
Sintomas noturnos frequentes e uso quase diário de resgate indicam asma não controlada; a base do tratamento é o corticoide inalatório de manutenção (associado a broncodilatador conforme os esquemas atuais), nunca broncodilatador isolado. Manter só salbutamol perpetua o descontrole e o risco. Corticoide oral contínuo tem efeitos adversos inaceitáveis como manutenção de rotina. Antibiótico/antitussígeno não trata a inflamação de base da asma.
Um homem de 24 anos comparece à UBS com história de crises recorrentes de tosse seca, sibilância, aperto no peito e dispneia, que ocorrem principalmente à noite e após exercício físico, com melhora espontânea ou com uso ocasional de broncodilatador de um familiar. Refere rinite alérgica. No momento da consulta encontra-se assintomático, com ausculta pulmonar limpa e saturação de 98%. A espirometria mostra padrão obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) com resposta significativa ao broncodilatador (aumento do VEF1 de 15% e 250 mL). Considerando o diagnóstico mais provável, o medicamento de escolha para o controle de manutenção é:
Sintomas episódicos de tosse, sibilância, aperto torácico e dispneia com variabilidade (noturnos, pós-exercício), atopia associada e espirometria com obstrução reversível ao broncodilatador definem asma. O tratamento de manutenção baseia-se em corticoide inalatório (anti-inflamatório de base), isolado ou associado a LABA (formoterol). Beta-2 de curta ação é apenas resgate; uso contínuo isolado não controla a inflamação e aumenta risco. Corticoide oral crônico tem efeitos adversos importantes e não é primeira linha de manutenção. Macrolídeo profilático não é terapia de base da asma comum.
Mulher, 24 anos, refere tosse seca e chiado no peito há 6 meses, com piora noturna e aos exercícios, acordando cerca de 3 vezes por semana. Usa salbutamol de resgate em torno de 4 dias por semana. Ao exame, ausculta pulmonar normal no momento da consulta. Espirometria: VEF1 68% do previsto, relação VEF1/CVF 0,64; após broncodilatador, VEF1 aumenta 340 mL (16%). Nega tabagismo. Considerando o diagnóstico e a classificação de controle segundo a GINA, qual é a conduta inicial mais adequada para esta paciente ainda sem tratamento de manutenção?
A paciente tem asma confirmada (sintomas típicos + obstrução com VEF1/CVF reduzido e resposta broncodilatadora significativa: aumento >200 mL e >12%) e está NÃO controlada (sintomas diurnos >2x/semana, despertares noturnos e uso de resgate frequente). A GINA recomenda como via preferencial iniciar controlador com CI-formoterol (dose baixa) em esquema de manutenção e resgate (MART), abandonando o SABA isolado. Errada: SABA isolado não é mais recomendado como monoterapia — aumenta risco de exacerbações e a paciente não é intermitente. Errada: montelucaste é menos eficaz que o corticoide inalatório e não é primeira linha. Errada: não há exacerbação aguda grave que justifique corticoide oral de rotina. Errada: LABA nunca deve ser usado isolado na asma pelo risco de morte associado.
Homem, 30 anos, com asma em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa, comparece para revisão. Refere estar assintomático nas últimas 4 semanas: sem sintomas diurnos, sem despertares noturnos, sem limitação às atividades e sem necessidade de medicação de resgate. Segundo os critérios de avaliação de controle da GINA, como se classifica o controle da asma deste paciente nas últimas 4 semanas?
A GINA avalia o controle nas últimas 4 semanas por 4 itens: sintomas diurnos >2x/semana, qualquer despertar noturno, uso de resgate >2x/semana e qualquer limitação de atividade. Nenhum presente = asma CONTROLADA. Parcialmente controlada exige 1–2 itens presentes. Não controlada exige 3–4 itens. Asma grave refratária é conceito de gravidade/necessidade de tratamento em altas etapas, não de controle nas últimas 4 semanas. (E) 'intermitente' pertence à classificação antiga de gravidade, não aos critérios atuais de controle da GINA.
Mulher, 45 anos, com asma em uso de corticoide inalatório em dose média associado a beta-2 de longa duração (formoterol) em esquema de manutenção e resgate, com boa técnica inalatória e adesão confirmada. Mantém sintomas diários, dois despertares noturnos por semana e uso frequente do resgate. Espirometria confirma obstrução persistente. Nega comorbidades descompensadas. Considerando o tratamento escalonado da GINA, qual é o próximo passo mais adequado no manejo desta paciente?
A paciente já está na Etapa 4 (CI médio + LABA/formoterol MART) com boa adesão e técnica corretas, porém permanece não controlada — indicação de subir para Etapa 5. A GINA recomenda, antes do imunobiológico, otimizar a terapia inalatória adicionando LAMA (tríplice: CI + LABA + LAMA) e/ou aumentar para CI em dose alta. Errada: LABA nunca fica isolado. Errada: corticoide oral contínuo tem alto risco de efeitos adversos e é reservado a casos selecionados após esgotar outras opções. Errada: substituir CI por montelucaste e reduzir CI piora o controle. Errada: imunobiológico exige fenotipagem (IgE/eosinófilos) e é considerado após otimização/tríplice, não imediatamente e sem investigação.
Mulher, 28 anos, professora, com diagnóstico prévio de asma, refere que nas últimas 4 semanas apresenta sintomas diurnos (chiado e tosse) 4 vezes por semana, despertares noturnos 2 vezes por semana e uso de broncodilatador de resgate 3 vezes por semana. Nega limitação de atividades. Faz uso regular de corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol (budesonida/formoterol) como terapia de manutenção e resgate (esquema MART), com boa técnica inalatória e adesão confirmadas. Ao exame: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta com raros sibilos expiratórios difusos. Espirometria recente com VEF1 78% do previsto. Qual é a conduta mais adequada para o manejo desta paciente?
Correta: pelos critérios GINA de controle, sintomas diurnos >2x/semana, despertar noturno e necessidade de resgate >2x/semana caracterizam asma parcialmente controlada/não controlada. Como a paciente já está no Passo 3 (dose baixa de CI-formoterol em MART) com boa adesão e técnica, o passo seguinte é subir para o Passo 4 (dose média de CI-formoterol). Errada: dois ou mais critérios de descontrole afastam 'controlada'. Errada: corticoide oral é reservado para exacerbação aguda, não para ajuste de manutenção em paciente estável. Errada: tiotrópio é opção de add-on em passos mais avançados (Passo 4-5), após otimizar a dose de CI-formoterol, e exige antes o step-up da dose. Errada: montelucaste é menos eficaz que CI e não deve substituir a base de corticoide inalatório.
Homem, 22 anos, estudante, procura atendimento com quadro de tosse seca, chiado no peito e falta de ar recorrentes, que pioram à noite e durante exercício físico, com episódios que melhoram espontaneamente ou com broncodilatador. Refere antecedente de rinite alérgica e história familiar de asma. Ao exame físico está em bom estado geral, com ausculta pulmonar normal no momento. Para confirmar o diagnóstico, é realizada espirometria que evidencia VEF1/CVF reduzido, com VEF1 de 70% do previsto. Qual achado espirométrico confirma o diagnóstico de asma neste paciente?
Correta: o diagnóstico funcional de asma exige demonstrar limitação variável ao fluxo expiratório. A resposta broncodilatadora significativa (aumento do VEF1 >=200 mL E >=12% em relação ao basal após broncodilatador) confirma reversibilidade da obstrução, sendo o achado clássico. Errada: broncoprovocação positiva mostra QUEDA do VEF1 (>=20% com metacolina), não 'após teste normal' — o enunciado está internamente contraditório. Errada: VEF1/CVF acima de 0,70 indica ausência de obstrução, não a confirma. Errada: aumento isolado da CVF não caracteriza reversibilidade de obstrução. Errada: padrão restritivo (VEF1/CVF normal ou alto) não é o esperado na asma, que cursa com padrão obstrutivo.
Homem, 35 anos, com asma em uso de dose alta de corticoide inalatório associado a beta-2 de longa ação, mantém sintomas frequentes e duas exacerbações no último ano apesar de adesão e técnica inalatória adequadas comprovadas. Traz exames: eosinófilos no sangue periférico de 480 células/microL (VR < 500) e IgE sérica total de 320 UI/mL (VR < 100). Espirometria com VEF1 de 65% do previsto e reversibilidade presente. Foi encaminhado ao especialista para considerar terapia adicional na asma grave. Antes de indicar terapia biológica, qual é o próximo passo mais apropriado na avaliação deste paciente?
Correta: antes de rotular asma como grave/refratária e escalar para biológicos, é mandatório confirmar que se trata de asma grave verdadeira — reavaliar diagnóstico, adesão, técnica inalatória, exposições ambientais e comorbidades (rinossinusite, DRGE, obesidade, apneia). Só após otimização é que se define fenótipo e biológico. Errada: pular a etapa de confirmação/otimização e indicar biológico apenas pela IgE é precipitado e ignora o passo prévio obrigatório. Errada: corticoide oral contínuo tem efeitos adversos importantes e é última linha, não a próxima etapa. Errada: teofilina é opção de baixa prioridade e não substitui LABA como estratégia central. Errada: suspender o corticoide inalatório é contraindicado — o CI é a base do tratamento e nunca deve ser removido.
Mulher, 28 anos, professora, refere há 6 meses episódios recorrentes de tosse seca e chiado no peito, predominantemente noturnos e após atividade física, com melhora espontânea. Nega tabagismo e uso de medicações. Ao exame físico atual encontra-se assintomática, com ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. A espirometria realizada nesse momento mostra CVF, VEF1 e relação VEF1/CVF (0,82) dentro dos valores de referência, sem resposta significativa ao broncodilatador. Qual é a conduta mais apropriada para elucidar o diagnóstico?
Correta: Uma espirometria normal, sem obstrução nem reversibilidade, NÃO exclui asma em paciente com sintomas típicos (tosse/chiado noturnos e induzidos por exercício, intermitentes com melhora espontânea). O passo seguinte é demonstrar a limitação variável ao fluxo aéreo/hiper-responsividade brônquica por broncoprovocação com metacolina ou variabilidade excessiva do PFE, conforme a GINA. Tratar empiricamente antes de documentar a obstrução variável dificulta o diagnóstico e a interpretação de exames posteriores. TCAR não é exame de rastreio para asma e o quadro não sugere bronquiectasias. DPOC é improvável em jovem não tabagista e a espirometria não mostra obstrução fixa. Atopia apoia, mas não confirma asma nem substitui a demonstração da obstrução variável.
Homem, 24 anos, sem comorbidades, com diagnóstico recente de asma confirmado por espirometria com obstrução reversível. Apresenta sintomas de chiado e dispneia cerca de duas vezes por semana, sem despertares noturnos e sem episódios de crise grave. Ainda não faz uso de qualquer medicação de controle. Segundo as diretrizes atuais (GINA), qual é a abordagem farmacológica de escolha para o tratamento inicial?
Correta: a GINA recomenda que todo asmático, mesmo com sintomas leves e intermitentes, receba corticoide inalatório; para o adulto com sintomas ocasionais (Etapas 1–2), a via preferencial é CI em dose baixa + formoterol por demanda, que alivia sintomas e reduz o risco de exacerbações. SABA isolado está formalmente contraindicado como único tratamento — aumenta o risco de exacerbações graves e morte. LABA isolado, sem corticoide inalatório, é contraindicado na asma. Montelucaste é menos eficaz que o CI e não é a primeira escolha em monoterapia. Corticoide oral repetido expõe a efeitos adversos e não substitui o controle de base.
Mulher, 35 anos, asmática, em uso regular há 3 meses de corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol (mesmo dispositivo para manutenção e resgate). Mantém sintomas diurnos de chiado 3 a 4 vezes por semana e despertares noturnos cerca de 2 vezes por semana, com necessidade frequente de doses de resgate. Em consulta, a adesão foi confirmada como boa e a técnica inalatória verificada como adequada; comorbidades e fatores desencadeantes (rinite, exposições, tabagismo) foram avaliados e afastados. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: a paciente está com asma NÃO controlada (sintomas diurnos e despertares noturnos frequentes com uso repetido de resgate), e os fatores modificáveis — adesão, técnica inalatória, comorbidades — já foram checados. A conduta é subir de etapa: de CI-formoterol dose baixa para dose média (mantendo a estratégia MART). Retirar o corticoide inalatório piora o controle e deixar formoterol isolado é contraindicado. Adicionar SABA em horário fixo não trata a inflamação de base e não é recomendado. Corticoide oral contínuo só é considerado na asma grave refratária após esgotar as etapas inaladas, pelos efeitos adversos. Imunobiológicos são reservados à asma grave que permanece descontrolada apesar de dose alta de CI-LABA otimizada — prematuro nesta etapa.
Mulher, 24 anos, professora, com tosse seca e chiado no peito episódicos há 6 meses, predominando à noite e após atividade física, com resolução espontânea. Nega tabagismo. Ao exame: eupneica, FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios no momento da consulta. Espirometria realizada hoje (paciente assintomática): VEF1 3,2 L (98% do previsto), CVF 3,9 L, relação VEF1/CVF 0,82; sem variação significativa após broncodilatador. Diante da alta suspeita clínica com espirometria normal no intervalo assintomático, qual o próximo passo para confirmar o diagnóstico de asma?
Correta: Na asma, a espirometria pode ser normal fora das crises e um resultado sem obstrução/reversibilidade NÃO exclui o diagnóstico. Com forte suspeita clínica e função pulmonar normal no intervalo, o passo indicado é documentar hiper-responsividade brônquica por teste de broncoprovocação (metacolina), cuja queda ≥20% do VEF1 confirma asma. Repetir a mesma espirometria em curto prazo tende a permanecer normal e não acrescenta informação. Tratar empiricamente sem confirmação diagnóstica objetiva não é a conduta preferencial e pode mascarar/atrasar o diagnóstico correto. A TCAR investiga doenças estruturais/intersticiais, não confirma asma. A avaliação de atopia apoia o fenótipo alérgico, mas não estabelece o diagnóstico funcional de asma.
Homem, 20 anos, estudante, com diagnóstico prévio de asma confirmado por espirometria (padrão obstrutivo leve reversível). Refere dispneia e chiado cerca de 2 vezes por semana, sem despertares noturnos e sem limitação às atividades, aliviando os sintomas com salbutamol spray por demanda. Nunca usou medicação de controle e afirma preferir 'usar remédio só quando precisar'. Exame físico e sinais vitais normais no momento. Segundo as diretrizes atuais (GINA), qual a conduta farmacológica mais adequada?
Correta: As diretrizes atuais aboliram o tratamento de resgate com SABA isolado: todo asmático, mesmo com sintomas leves/infrequentes, deve receber terapia contendo corticoide inalatório. Para este perfil (sintomas ≤2x/semana), o esquema preferencial (Track 1, etapas 1-2) é ICS-formoterol em dose baixa por demanda, que reduz risco de exacerbação grave. SABA isolado como única terapia aumenta o risco de exacerbações e morte e não é mais recomendado. Montelucaste em monoterapia é inferior ao ICS no controle e na prevenção de crises. ICS em dose média de manutenção é sobretratamento para a frequência apresentada. LABA (formoterol) sem corticoide é contraindicado pelo risco de eventos graves relacionados ao uso de LABA sem ICS.
Mulher, 35 anos, asmática, em uso de budesonida-formoterol em dose baixa no esquema de manutenção e alívio (MART) há 4 meses, com boa adesão e técnica inalatória adequada. Nos últimos 3 meses: sintomas diurnos no máximo 1 vez por semana, sem despertares noturnos, sem limitação às atividades e sem necessidade de resgate além do habitual. Exame físico normal, espirometria dentro da normalidade. Considerando a avaliação de controle, qual a conduta mais apropriada?
Correta: a paciente preenche critérios de asma bem controlada (sintomas diurnos ≤2x/semana, sem despertares, sem limitação e sem resgate excessivo). Mantido o controle por ≥3 meses com boa adesão/técnica, a orientação é buscar a menor dose eficaz — considerar step down, sempre mantendo o corticoide inalatório e reavaliando em 2-3 meses. Suspender totalmente o ICS expõe a recidiva e exacerbações; não se retira toda a terapia de controle. Não há indicação de step up em paciente controlado. SABA isolado como controle não é recomendado e removeria o corticoide necessário. Corticoide oral crônico é reservado a asma grave refratária e traz efeitos adversos significativos, sendo inadequado aqui.
Mulher, 28 anos, professora, com diagnóstico de asma há 3 anos, em uso de budesonida-formoterol 200/6 mcg, 1 inalação a cada 12 horas (dose baixa de manutenção), utilizando o mesmo dispositivo como resgate. Nas últimas 4 semanas refere sintomas diurnos em 4 dias por semana, despertar noturno pela asma 1 vez por semana e uso do resgate quase diariamente, com limitação para subir escadas. A técnica inalatória e a adesão foram verificadas e estão adequadas. Ausculta pulmonar com sibilos expiratórios esparsos. Qual o próximo passo mais adequado no manejo?
A paciente está com asma NÃO controlada (sintomas diurnos >2x/semana, despertar noturno e uso de resgate quase diário, com limitação de atividade). Com técnica e adesão já confirmadas, a conduta pela GINA/diretrizes brasileiras é o step-up: passar da dose baixa para a dose média de budesonida-formoterol de manutenção, mantendo a estratégia MART (mesmo dispositivo como resgate). Retirar o CI e deixar só SABA é conduta ultrapassada e perigosa, associada a exacerbações e óbito. Corticoide oral contínuo é reservado à asma grave refratária (step 5), não a este cenário. LAMA é add-on de step 4-5, apenas após otimizar a dose de CI-formoterol; não é o passo imediato. Manter a mesma dose ignora o descontrole documentado com adesão/técnica já adequadas.
Homem, 24 anos, com história de tosse seca e sibilância recorrentes, piores à noite e após exercício. No período intercrítico realiza espirometria: relação VEF1/CVF de 0,65; VEF1 68% do previsto (2,10 L). Após 400 mcg de salbutamol inalado, o VEF1 sobe para 2,45 L, com aumento de 350 mL e 16% em relação ao valor basal. Qual o diagnóstico mais provável?
A espirometria mostra distúrbio ventilatório obstrutivo (VEF1/CVF reduzido) com resposta significativa ao broncodilatador — aumento do VEF1 ≥200 mL E ≥12% (aqui, 350 mL e 16%). Essa reversibilidade da obstrução em paciente jovem com sintomas episódicos característicos confirma asma. DPOC ocorre em fumantes mais velhos e cursa tipicamente com obstrução fixa/pouco reversível. A relação VEF1/CVF de 0,65 caracteriza obstrução, não normalidade. Restrição cursaria com VEF1/CVF normal ou elevado e CVF reduzida, não com essa relação baixa. Bronquiectasias não são definidas por espirometria com resposta ao broncodilatador; o quadro e a reversibilidade apontam para asma.
Homem, 30 anos, asmático, levado ao pronto-socorro com crise iniciada há 6 horas, sem melhora após múltiplas nebulizações com beta-2 e brometo de ipratrópio e corticoide sistêmico. Ao exame: muito dispneico, uso intenso de musculatura acessória, frases entrecortadas evoluindo para sonolência, FR 32 ipm, FC 130 bpm, SatO2 89% em ar ambiente, com ausculta pulmonar em que os sibilos praticamente desapareceram (tórax silencioso). Gasometria arterial: pH 7,36; PaCO2 42 mmHg; PaO2 58 mmHg. Qual a conduta mais adequada?
Trata-se de asma quase fatal: tórax silencioso, uso de musculatura acessória, rebaixamento do sensório e, principalmente, PaCO2 'normal' (42 mmHg) em paciente taquipneico — que deveria estar hiperventilando e com PaCO2 baixa. A normalização/elevação da PaCO2 nesse contexto sinaliza fadiga da musculatura respiratória e falência ventilatória iminente, indicando UTI e preparo para intubação e ventilação mecânica. A PaCO2 'normal' aqui é um sinal de alarme, não de segurança — alta seria fatal. Manter apenas nebulização subestima a gravidade em paciente já refratário e sonolento. Não há dados de infecção; antibiótico não trata a insuficiência respiratória em curso. Sulfato de magnésio pode ser adjuvante, mas liberar para casa um paciente com falência ventilatória iminente é conduta inaceitável.
Mulher, 28 anos, professora, com asma diagnosticada há 5 anos, retorna em consulta de acompanhamento. Há 3 meses usa budesonida-formoterol 200/6 mcg, 1 inalação de 12/12h como manutenção e doses adicionais conforme necessário para alívio (esquema de manutenção e resgate — MART). Refere sintomas diurnos na maioria dos dias, despertares noturnos cerca de 1 vez por semana e uso do resgate quase diariamente. Nega tabagismo, exposições ocupacionais novas ou infecções recentes. A técnica inalatória foi verificada e está correta, e a adesão é confirmada por contagem de doses. Exame físico: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, sibilos expiratórios esparsos difusos. Espirometria: VEF1 62% do previsto, VEF1/CVF 0,65, com resposta ao broncodilatador de +14% e +260 mL no VEF1. ACT (Asthma Control Test) = 14 pontos. Segundo o tratamento escalonado das diretrizes atuais (GINA), qual é a conduta mais apropriada?
A paciente está em asma NÃO controlada (sintomas na maioria dos dias, despertar noturno semanal, resgate quase diário, ACT 14 — controle ruim é ACT < 20) apesar de estar corretamente no Degrau 3 do GINA (dose baixa de ICS-formoterol em esquema MART), com adesão e técnica inalatória já confirmadas — os dois primeiros passos antes de escalonar. O passo correto é subir ao Degrau 4: dose MÉDIA de ICS-formoterol mantendo o mesmo esquema de manutenção e resgate. Adicionar LAMA (tiotrópio) é opção de add-on apenas quando persiste descontrole no Degrau 4/5 com dose já otimizada de ICS-LABA — é passo prematuro, pulando a otimização do corticoide inalatório. Corticoide oral prolongado é reservado à asma grave refratária (Degrau 5) e como resgate em exacerbação, não como escalonamento de rotina — expõe a paciente a efeitos adversos evitáveis. Trocar o formoterol por SABA e usar ICS isolado é retrocesso terapêutico: abandona o esquema MART que já é a base preferencial e reduz a proteção anti-inflamatória do resgate. Imunobiológico anti-IgE pertence ao Degrau 5 e exige asma grave já em dose alta de ICS-LABA, além de fenotipagem (IgE, eosinófilos, sensibilização a alérgeno perene) — encaminhamento imediato é injustificado nesta etapa.
Mulher, 28 anos, professora, com diagnóstico prévio de asma, comparece à consulta relatando tosse e chiado na maioria dos dias da semana e despertares noturnos cerca de duas vezes por mês. Faz uso apenas de salbutamol inalatório por demanda, aproximadamente quatro vezes por semana, sem qualquer medicação de controle. Ao exame: FR 18 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta pulmonar com sibilos expiratórios esparsos. Espirometria prévia com distúrbio obstrutivo leve reversível. Segundo as diretrizes atuais (GINA/SBPT), qual a conduta mais apropriada? Qual a conduta de tratamento mais adequada?
A paciente tem sintomas na maioria dos dias e uso frequente de SABA, caracterizando asma NÃO controlada e necessidade de terapia de controle (Step 3 da GINA / trilha preferencial 1). A conduta indicada é CI em dose baixa + formoterol como manutenção e alívio (MART). Errada: manter só SABA em paciente sintomático é justamente o esquema abandonado pela GINA, por risco de exacerbações. Errada: LABA isolado é contraindicado na asma (risco de morte), sempre exige CI associado. Errada: dose alta de CI + tiotrópio é escalonamento excessivo (Step 5), reservado a asma grave refratária. Errada: corticoide oral trata exacerbação aguda, não é controle de manutenção neste cenário sem crise.
Homem, 25 anos, atleta amador, refere há 4 meses episódios de tosse seca noturna e opressão torácica desencadeados por exercício e exposição ao frio, com resolução espontânea. Nega tabagismo. Exame físico e ausculta pulmonar sem alterações no momento. A espirometria realizada em vigília, fora de crise, mostra CVF 4,8 L (98% do previsto), VEF1 3,9 L (96% do previsto) e relação VEF1/CVF de 0,81, sem resposta significativa ao broncodilatador. Diante da forte suspeita clínica de asma com espirometria normal, qual o próximo passo mais adequado para confirmar o diagnóstico? Qual o próximo passo diagnóstico?
Com espirometria normal e sem reversibilidade, porém com quadro clínico sugestivo, o exame de escolha para confirmar asma é o teste de broncoprovocação (metacolina/histamina ou exercício), que demonstra hiper-responsividade das vias aéreas (queda do VEF1 ≥ 20% — PC20). Errada: resposta a corticoide empírico é inespecífica e não substitui a confirmação objetiva. Errada: TC de tórax não confirma asma e a clínica não sugere doença intersticial. Errada: testes alérgicos identificam atopia/desencadeantes, mas não diagnosticam asma nem medem obstrução variável. Errada: repetir a prova broncodilatadora com espirometria já normal não trará reversibilidade e não avança na investigação — o passo correto é buscar hiper-responsividade.
Um homem de 19 anos, com rinite alérgica persistente, é atendido na Unidade de Saúde da Família relatando, nos últimos seis meses, tosse seca noturna, chiado no peito e falta de ar aos esforços, com melhora espontânea entre as crises. Nega tabagismo. Ao exame em consulta, encontra-se em bom estado geral, afebril, com ausculta pulmonar sem sibilos no momento e saturação de 98% em ar ambiente. A espirometria mostra relação VEF1/CVF reduzida, com aumento do VEF1 de 15% (330 mL) após broncodilatador. Diante desses dados, qual é o diagnóstico e a próxima conduta mais adequada?
Sintomas variáveis (tosse noturna, sibilância, dispneia intermitente) em jovem atópico com espirometria mostrando obstrução reversível (aumento do VEF1 ≥12% e ≥200 mL pós-broncodilatador) confirmam asma; o pilar do tratamento é o corticoide inalatório de controle, mesmo em formas leves. DPOC é improvável em jovem não tabagista e cursa com obstrução pouco reversível. Bronquite bacteriana não explica o padrão crônico e variável nem justifica antibiótico. Tratar só com broncodilatador de resgate, sem corticoide inalatório, não é mais recomendado, pois não controla a inflamação nem reduz o risco de exacerbação.
Uma mulher de 26 anos, diagnosticada com asma na infância, comparece à Unidade Básica de Saúde para acompanhamento. Relata que nas últimas quatro semanas apresentou sintomas diurnos (chiado e tosse) em torno de quatro vezes por semana, despertar noturno por falta de ar em duas ocasiões e uso da medicação de alívio três vezes por semana. Nega limitação importante para atividades habituais. Em uso apenas de salbutamol inalatório por demanda. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, eupneica, com ausculta pulmonar sem sibilos no momento. Considerando o nível de controle da asma nas últimas semanas, qual a classificação e a conduta mais adequada?
A paciente apresenta sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertar noturno e uso frequente da medicação de alívio, caracterizando asma NÃO controlada (ou parcialmente controlada). O passo correto no generalista é introduzir corticoide inalatório de manutenção (controlador), pois usar só broncodilatador de alívio é inadequado para quem tem sintomas frequentes. Classificar o quadro como asma controlada — seja para suspender qualquer tratamento, seja para manter apenas o salbutamol por demanda com reavaliação em três meses — erra no nível de controle e deixa a paciente sem controlador. E iniciar corticoide oral em curso prolongado com encaminhamento urgente ao pneumologista exagera na conduta: não é o passo inicial de uma asma ambulatorial que nunca usou controlador.
Uma mulher de 34 anos com asma em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol de manutenção comparece à unidade de saúde referindo que, apesar de boa adesão e técnica inalatória verificada, mantém sintomas diurnos quase diários, desperta à noite pelo menos duas vezes por semana e teve necessidade de curso de corticoide oral há um mês. Nega tabagismo e infecções recentes. A espirometria mostra distúrbio ventilatório obstrutivo com resposta ao broncodilatador. Qual é o próximo passo mais adequado no manejo escalonado dessa paciente?
A paciente permanece com asma não controlada apesar de boa adesão e técnica correta em etapa com dose baixa de corticoide inalatório + LABA (formoterol). O tratamento escalonado prevê SUBIR de etapa, elevando para dose média/alta de corticoide inalatório mantendo o broncodilatador de longa ação, antes de recorrer a medidas mais agressivas. Manter a dose ignora o descontrole; suspender o corticoide inalatório é contraindicado e perigoso; corticoide oral contínuo só é considerado em asma grave refratária após otimização inalatória, não como próximo passo aqui.
Uma mulher de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando, há cerca de 4 meses, tosse seca e chiado no peito predominantemente à noite e ao praticar exercícios, com melhora após uso esporádico de salbutamol emprestado de familiar. Nega febre, perda de peso ou tabagismo. Tem rinite alérgica e história familiar de asma. Ao exame, está em bom estado geral, afebril, com discretos sibilos expiratórios difusos à ausculta pulmonar; SpO2 de 97% em ar ambiente. A espirometria mostra VEF1/CVF reduzido, com aumento do VEF1 de 350 mL (16%) após broncodilatador. Qual é, respectivamente, o diagnóstico mais provável e o tratamento inicial de manutenção recomendado?
O quadro de sintomas variáveis (noturnos e ao exercício), atopia, sibilos e espirometria com obstrução reversível (aumento do VEF1 > 200 mL e > 12% pós-broncodilatador) confirma asma. As diretrizes atuais (GINA) recomendam que TODO paciente asmático use corticoide inalatório desde o início — a monoterapia com broncodilatador de curta ação foi abandonada por aumentar risco de exacerbações e óbito. Errada: DPOC ocorre em tabagistas mais velhos e a obstrução é pouco reversível. Incorreta: não há sinais infecciosos e antibiótico não trata asma.
Uma mulher de 34 anos, com asma em acompanhamento na Atenção Primária, faz uso regular e com boa técnica de corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol de manutenção e alívio. Mesmo assim, mantém sintomas diurnos frequentes, despertares noturnos semanais e já teve duas exacerbações no último ano tratadas com corticoide oral. Nega tabagismo, exposições ocupacionais e refere adesão adequada; a rinite alérgica está controlada. Ao exame, está estável, com ausculta pulmonar sem alterações no momento. Considerando o tratamento escalonado da asma, qual é a conduta mais apropriada nesse momento?
A paciente já está em terapia de manutenção e alívio com dose baixa de corticoide inalatório + formoterol e permanece não controlada, apesar de boa adesão e técnica e fatores de risco (rinite) controlados. O passo seguinte no tratamento escalonado (step-up) é aumentar a dose do corticoide inalatório para média/alta, mantendo o formoterol. Remover o corticoide inalatório contraria a base do tratamento da asma e piora o controle. Corticoide oral contínuo só é considerado em asma grave refratária, após esgotar o escalonamento inalatório e avaliação especializada, pelos efeitos adversos sistêmicos — não é a conduta inicial nesta etapa.
Mulher de 32 anos, professora, comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina por asma diagnosticada há oito anos. Está em uso de budesonida/formoterol 200/6 mcg, uma inalação de manutenção duas vezes ao dia e as mesmas doses como alívio quando necessário. Relata sibilos e aperto no peito quatro vezes por semana, dois despertares noturnos no último mês e necessidade de alívio quase diária, com limitação para subir escadas. Nega tabagismo. A enfermeira revisou a técnica inalatória, que está correta, e a contagem de doses confirma boa adesão. Rinite alérgica em tratamento com corticoide nasal. Ao exame: eupneica, SpO2 96%, sibilos expiratórios esparsos. Espirometria: VEF1 72% do previsto, VEF1/CVF 0,68.
A paciente está na Etapa 3 do tratamento escalonado, em esquema de manutenção e alívio com corticoide inalatório/formoterol (MART) em dose baixa, e apresenta asma NÃO CONTROLADA (sintomas >2x/semana, despertares noturnos, alívio quase diário e limitação de atividade). Antes de escalonar, foram checados os pilares obrigatórios — técnica inalatória, adesão e comorbidade (rinite) —, todos adequados. Portanto, o passo correto é subir para a Etapa 4, ou seja, aumentar o CI/formoterol para DOSE MÉDIA mantendo o mesmo inalador para manutenção e alívio. Distratores: Corticoide oral está indicado em exacerbação aguda, não como estratégia de controle ambulatorial de asma persistente não controlada — trata o sintoma sem corrigir a dose de manutenção. Trocar o alívio para salbutamol contraria a recomendação atual, que abandonou o SABA isolado como resgate pelo risco de exacerbação grave; além disso, dose alta de CI é Etapa 5, um salto desnecessário. Tiotrópio (LAMA) é opção de Etapa 5, apenas após otimização da dose de CI/formoterol; rotular como asma grave sem ter testado a dose média é prematuro.
Homem de 24 anos, entregador, procura a UBS com tosse seca e chiado no peito há oito meses, piores à noite e ao pedalar em manhãs frias, com melhora espontânea em algumas semanas. Já usou xaropes e antibióticos por 'bronquites de repetição', sem resposta sustentada. Nega febre, emagrecimento ou tabagismo. Tem rinite alérgica e mãe asmática. Ao exame: bom estado geral, SpO2 97%, FR 16 irpm, murmúrio vesicular com raros sibilos expiratórios. Radiografia de tórax sem alterações. Espirometria: VEF1/CVF 0,66; VEF1 68% do previsto; após 400 mcg de salbutamol, VEF1 sobe 400 mL (15% em relação ao basal).
O raciocínio tem dois passos. Primeiro, a interpretação: há obstrução (VEF1/CVF abaixo do limite inferior) com resposta broncodilatadora significativa — aumento >200 mL E >12% do VEF1 —, o que documenta limitação VARIÁVEL ao fluxo aéreo e, somado ao quadro clínico (sintomas episódicos, gatilhos, atopia e história familiar), fecha o diagnóstico de asma. Segundo, a conduta: iniciar controlador. Paciente com sintomas na maioria dos dias e despertares noturnos não deve receber apenas resgate; a recomendação atual é CI/formoterol, nunca SABA isolado. Distratores: A broncoprovocação só é necessária quando a espirometria é normal e o diagnóstico permanece dúvida — aqui a prova broncodilatadora já foi positiva. DPOC é implausível em jovem não tabagista com obstrução reversível e sintomas variáveis. Monoterapia com SABA foi abandonada por associar-se a maior risco de exacerbação grave e morte, e o padrão de sintomas não é intermitente.
Um homem de 28 anos, pintor, procura a Unidade Básica de Saúde relatando, há cerca de um ano, episódios recorrentes de tosse seca, chiado no peito e dispneia, que ocorrem duas a três vezes por semana, com despertares noturnos quase toda semana e piora ao limpar a casa e no contato com o cão. Tem rinite alérgica desde a infância. Nunca fumou. Vem usando salbutamol spray por conta própria, várias vezes por semana, com alívio dos sintomas, sem qualquer outra medicação de uso contínuo. Ao exame: eupneico no momento, SpO2 97%, ausculta com poucos sibilos expiratórios difusos. Espirometria: VEF1/CVF = 0,62; VEF1 = 68% do previsto; após broncodilatador, VEF1 aumenta 16% e 320 mL. Quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequada?
Sintomas respiratórios variáveis (sibilos, tosse, dispneia) com gatilhos alergênicos, atopia associada e limitação ao fluxo aéreo (VEF1/CVF reduzido) com reversibilidade significativa pós-broncodilatador (aumento maior que 12% E maior que 200 mL) confirmam asma. O paciente tem asma não controlada (sintomas mais de 2 vezes por semana, despertares noturnos, uso frequente de resgate), e a conduta essencial é introduzir medicação de controle com corticosteroide inalatório — o uso isolado de beta-2 de curta duração é formalmente desaconselhado por não tratar a inflamação e associar-se a exacerbações e mortalidade. Manter só salbutamol perpetua o subtratamento. DPOC é improvável em paciente jovem, nunca tabagista, com sintomas variáveis e reversibilidade acentuada. Bronquite crônica exige tosse produtiva por 3 meses ao ano em 2 anos consecutivos e não há indicação de antibiótico ou corticoide oral prolongado neste quadro estável, sem infecção.
Uma mulher de 24 anos comparece à unidade básica de saúde queixando-se de crises recorrentes de falta de ar, chiado no peito e tosse seca há cerca de dois anos, com piora à madrugada e durante atividade física. Refere rinite alérgica desde a infância e mãe com quadro semelhante. Nega tabagismo. Entre as crises permanece assintomática. Ao exame: bom estado geral, eupneica, frequência respiratória de 16 irpm, saturação de 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. A espirometria mostra relação VEF1/CVF de 0,65 e VEF1 de 68% do previsto; após broncodilatador, o VEF1 aumenta 350 mL (16% em relação ao valor pré-broncodilatador). Considerando o quadro apresentado, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta inicial adequada?
A vinheta reúne sintomas respiratórios variáveis (dispneia, sibilos, tosse) com piora noturna e ao exercício, atopia e história familiar, exame normal entre crises — quadro típico de asma. A espirometria confirma distúrbio obstrutivo (VEF1/CVF < 0,70) com resposta significativa ao broncodilatador (aumento > 200 mL E > 12%), critério de reversibilidade que fecha o diagnóstico de asma segundo as diretrizes brasileiras/GINA. O tratamento inicial recomendado é corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol, pois o corticoide inalatório é a base do controle da inflamação. A alternativa da DPOC é incompatível: paciente jovem, não tabagista, com obstrução plenamente reversível e sintomas variáveis. Bronquiectasias cursariam com tosse produtiva crônica e infecções de repetição, e a tomografia não é o passo inicial diante de espirometria já diagnóstica. A quarta alternativa está errada em dois pontos: há obstrução documentada, e monoterapia com beta-2 de curta duração é contraindicada por não tratar a inflamação e associar-se a maior risco de exacerbação e morte.
Um homem de 30 anos, em acompanhamento na unidade de saúde da família por asma, usa budesonida inalatória em dose baixa duas vezes ao dia há seis meses e salbutamol conforme a necessidade. Na consulta de revisão, relata que nas últimas quatro semanas apresentou chiado e tosse durante o dia cerca de três vezes por semana, acordou à noite por falta de ar em uma ocasião e utilizou salbutamol três vezes por semana para alívio. Não houve limitação para o trabalho nem para a prática de futebol aos domingos. Nega exacerbações ou uso de corticoide oral no período. Ao exame, encontra-se assintomático, com ausculta pulmonar normal. Quais são, respectivamente, a classificação do controle e a conduta mais adequada?
O controle da asma nas últimas quatro semanas é avaliado por quatro critérios: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertar noturno por asma, necessidade de medicação de alívio mais de duas vezes por semana e limitação de atividades. O paciente preenche três deles (sintomas diurnos 3x/semana, um despertar noturno e resgate 3x/semana), o que caracteriza asma NÃO controlada (três ou quatro critérios). Antes de escalonar a dose, é obrigatório checar adesão, técnica inalatória, exposição a desencadeantes e comorbidades (rinite, refluxo, obesidade), causas frequentes de falso descontrole; persistindo o descontrole, o passo seguinte é associar beta-2-agonista de longa duração ao corticoide inalatório. Classificá-la como controlada ignora três critérios positivos. Parcialmente controlada corresponderia a apenas um ou dois critérios, e trocar o corticoide inalatório por montelucaste é inferior em eficácia — o antileucotrieno não substitui o corticoide inalatório. Corticoide oral está indicado em exacerbação aguda, que não ocorre aqui, e não corrige o descontrole crônico.
Uma mulher de 28 anos, asmática, chega à unidade de pronto atendimento com falta de ar e chiado progressivos há seis horas, iniciados após quadro gripal. Refere ter usado salbutamol em casa sem melhora sustentada. Ao exame: agitada, consegue falar apenas frases entrecortadas, prefere ficar sentada, frequência respiratória de 30 irpm, frequência cardíaca de 122 bpm, pressão arterial de 130x80 mmHg, saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e sibilos difusos à ausculta. O pico de fluxo expiratório é de 45% do previsto. Está afebril e o restante do exame é normal. Considerando a classificação da gravidade da crise, qual é a conduta imediata mais adequada?
Fala entrecortada, uso de musculatura acessória, frequência respiratória acima de 30 irpm, taquicardia acima de 120 bpm, saturação de 91% e pico de fluxo expiratório de 45% do previsto caracterizam exacerbação de asma moderada a grave. A conduta padronizada pelas diretrizes brasileiras/GINA é oxigenoterapia titulada para saturação de 93% a 95%, beta-2-agonista de curta duração inalatório em doses repetidas na primeira hora, associação de brometo de ipratrópio nas crises moderadas a graves, corticoide sistêmico na primeira hora e reavaliação clínica seriada com pico de fluxo. Classificar como leve e liberar a paciente é inseguro diante de hipoxemia e sinais de esforço respiratório. A intubação imediata não se justifica: não há sonolência, confusão, tórax silencioso ou exaustão — a indicação é reservada à falência respiratória iminente ou à ausência de resposta ao tratamento. Antibiótico não está indicado, pois a paciente está afebril e o desencadeante é viral, e a aminofilina foi abandonada no manejo de rotina por toxicidade e ausência de benefício adicional.
Uma mulher de 24 anos, asmática, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa iniciada há 4 horas, sem melhora após uso repetido de salbutamol em casa. Recebeu, na primeira hora, três séries de beta-2-agonista com brometo de ipratrópio inalatórios, corticoide sistêmico e sulfato de magnésio. Reavaliada, apresenta-se sonolenta, com fala monossilábica, sudoreica, uso intenso de musculatura acessória e respiração paradoxal. Frequência respiratória: 34 irpm; frequência cardíaca: 132 bpm; saturação periférica: 88% sob máscara com reservatório. À ausculta, murmúrio vesicular muito diminuído, praticamente sem sibilos. Gasometria arterial: pH 7,26; PaCO2 55 mmHg; PaO2 56 mmHg; HCO3- 23 mEq/L. Qual é a conduta imediata mais adequada?
Correta: o quadro é de asma quase fatal com insuficiência respiratória aguda hipercápnica. Na crise asmática a hiperventilação produz hipocapnia; PaCO2 normal ou elevada (aqui 55 mmHg) com acidose respiratória, somada a rebaixamento do nível de consciência, fala monossilábica, respiração paradoxal e tórax silencioso, traduz fadiga da musculatura respiratória e indica via aérea definitiva imediata — ventilando com estratégia protetora/hipoventilação controlada para evitar auto-PEEP e barotrauma. Repetir broncodilatador e reavaliar em uma hora ignora sinais de parada respiratória iminente. A alta é erro grave: a ausência de sibilos aqui é o "tórax silencioso" (fluxo aéreo insuficiente para gerar ruído), sinal de gravidade máxima, e não de melhora. A ventilação não invasiva na asma tem evidência frágil e é formalmente contraindicada com rebaixamento de consciência e risco de parada — retardar a intubação aumenta a mortalidade.
Uma mulher de 34 anos comparece à unidade básica de saúde queixando-se de tosse seca e chiado no peito há cerca de 8 meses, com piora à noite, ao acordar e após limpar a casa. Refere que os sintomas melhoram espontaneamente em alguns dias e pioram em períodos de frio. Nunca fumou e não tem exposição ocupacional. Tem antecedente de rinite alérgica desde a infância e mãe com asma. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, eupneica em repouso, frequência respiratória de 16 irpm, saturação de oxigênio de 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar sem ruídos adventícios no momento. A espirometria mostra: VEF1/CVF = 0,64; VEF1 = 66% do previsto; após 400 mcg de salbutamol inalatório, o VEF1 aumenta 340 mL (16% em relação ao basal). Considerando o quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada?
Correta: o quadro é típico de asma — sintomas variáveis (tosse, chiado) com gatilhos (poeira, frio), piora noturna, atopia pessoal (rinite) e familiar, exame normal entre crises. A espirometria confirma limitação ao fluxo aéreo (VEF1/CVF < 0,7) com resposta broncodilatadora significativa (aumento > 200 mL E > 12%), que documenta a variabilidade característica da asma. O tratamento de manutenção deve incluir corticoide inalatório desde o diagnóstico (etapa 1-2), sendo a associação corticoide inalatório em dose baixa + formoterol conforme necessário a estratégia preferencial pelas diretrizes atuais (GINA/SBPT), somada à educação em técnica inalatória e controle de gatilhos. DPOC é improvável: 34 anos, nunca fumou, sem exposição, e a obstrução é amplamente reversível — DPOC cursa com obstrução persistente após broncodilatador. A síndrome de tosse das vias aéreas superiores não explica a obstrução reversível na espirometria; a rinite é comorbidade, não o diagnóstico principal. Monoterapia com beta-2 agonista de curta duração está formalmente contraindicada como tratamento isolado da asma — aumenta risco de exacerbação grave e morte; todo asmático deve receber corticoide inalatório.
Um homem de 27 anos, com diagnóstico de asma há 5 anos, retorna à consulta de rotina na unidade de saúde da família. Está em uso regular de budesonida 200 mcg, duas inalações ao dia (dose baixa de corticoide inalatório), há 6 meses. Relata necessidade de salbutamol de alívio 3 a 4 vezes por semana, despertares noturnos por chiado cerca de 2 vezes ao mês e nega limitação para suas atividades habituais. Não teve exacerbações com necessidade de corticoide oral ou atendimento de urgência no último ano. Na consulta, a enfermeira revisa a técnica inalatória, que está adequada, e a checagem da dispensação na farmácia confirma boa adesão. Não há rinossinusite descompensada, refluxo sintomático, tabagismo ou exposição ambiental nova identificada. O exame físico é normal. Qual é, respectivamente, a classificação do controle e a conduta mais adequada?
Correta: o controle é avaliado nas últimas 4 semanas por quatro domínios — sintomas diurnos > 2x/semana, uso de medicação de alívio > 2x/semana, despertar noturno e limitação de atividades. O paciente apresenta dois domínios alterados (alívio 3-4x/semana e despertares noturnos), o que caracteriza asma PARCIALMENTE controlada (1 a 2 domínios). Como as causas de falso descontrole já foram afastadas (técnica inalatória correta, boa adesão, comorbidades e gatilhos excluídos), a conduta é o step-up: passar da etapa 2 (corticoide inalatório em dose baixa) para a etapa 3, associando um beta-2 agonista de longa duração ao corticoide inalatório em dose baixa, com reavaliação em 2 a 3 meses. Incorreta porque há dois domínios alterados — não é asma controlada. Asma não controlada exige 3 ou 4 domínios alterados; além disso, corticoide oral é reservado a exacerbações, não ao ajuste de manutenção ambulatorial. Suspender o corticoide inalatório é inadequado: ele é a base do tratamento da asma; o montelucaste, quando usado, é alternativa ou add-on, nunca monoterapia substituindo o corticoide inalatório.
Mulher de 32 anos, acompanhada na Unidade Básica de Saúde por asma, em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa há seis meses, com técnica inalatória adequada e boa adesão comprovada. Refere sintomas diurnos quatro vezes por semana, despertares noturnos duas vezes ao mês e uso de broncodilatador de alívio três a quatro vezes por semana. Nega exacerbações no período. Exame físico sem alterações; espirometria com VEF1 de 76% do previsto. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro caracteriza asma parcialmente controlada (sintomas diurnos >2x/semana, uso frequente de resgate, VEF1 <80%) em paciente já na etapa 2 com adesão e técnica adequadas — o passo seguinte, segundo GINA e as diretrizes brasileiras, é o step up para etapa 3, associando LABA (formoterol) ao corticoide inalatório, o que pode ser feito na APS. Manter o esquema é inadequado porque os critérios de controle não estão preenchidos. Montelucaste em monoterapia é inferior ao corticoide inalatório e nunca deve substituí-lo. Imunobiológico é reservado à asma grave refratária em etapa 5, após otimização terapêutica, não a esta paciente.
Homem de 26 anos procura a Unidade Básica de Saúde com tosse seca e chiado no peito há um ano, de predomínio noturno e após exercício, com períodos assintomáticos. Tem rinite alérgica e mãe asmática. Exame físico normal no momento. A espirometria mostra VEF1/CVF de 0,65 e VEF1 de 70% do previsto, com aumento de 15% e 320 mL no VEF1 após broncodilatador. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sintomas respiratórios variáveis (tosse, sibilância, gatilhos noturnos e ao exercício), atopia e história familiar, somados a distúrbio ventilatório obstrutivo com resposta broncodilatadora significativa (aumento >12% e >200 mL no VEF1), fecham o diagnóstico de asma. DPOC é improvável pela idade, ausência de tabagismo e pela reversibilidade marcada da obstrução. Bronquiectasia cursa tipicamente com tosse produtiva crônica e infecções de repetição. Tuberculose exige tosse ≥3 semanas com sintomas consumptivos e não produz obstrução reversível.
Mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para revisão de asma diagnosticada há 1 ano. Está em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa (budesonida) há 3 meses, com boa adesão e técnica inalatória adequada confirmada pelo médico. Relata sintomas diurnos em cerca de 3 dias por semana, despertar noturno por tosse em 2 noites na última semana e necessidade de salbutamol de resgate 3 vezes por semana, sem limitação importante das atividades. Ausculta pulmonar sem sibilos no momento. Qual é a conduta mais apropriada?
A paciente está com asma NÃO controlada (sintomas >2x/semana, despertar noturno e uso frequente de resgate) apesar de corticoide inalatório em dose baixa com boa adesão e técnica: indica-se subir de etapa (GINA etapa 2 para 3), associando LABA ao corticoide em dose baixa (CI-LABA). Aumentar o corticoide isolado para dose alta é passo posterior e menos eficaz que adicionar LABA nesse ponto. Suspender o corticoide expõe a paciente a risco de exacerbação — a monoterapia com SABA é contraindicada como controlador. Corticoide oral fica reservado a exacerbação aguda, não ao ajuste de manutenção de asma leve não controlada.
Mulher de 26 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de acompanhamento de asma. Está em uso regular de budesonida inalatória em dose baixa, com técnica inalatória e adesão comprovadamente adequadas. Relata sintomas diurnos de tosse e chiado cerca de 3 vezes por semana, despertares noturnos por falta de ar 2 vezes no último mês e necessidade frequente de salbutamol de resgate. Ao exame, discretos sibilos expiratórios difusos; espirometria com VEF1 de 78% do previsto. Qual é a conduta mais adequada?
A paciente está com asma PARCIALMENTE CONTROLADA/NÃO CONTROLADA (sintomas diurnos >2x/semana, despertares noturnos e resgate frequente) apesar de dose baixa de corticoide inalatório com boa adesão e técnica: a conduta é subir o degrau (step up), sendo preferida a associação de corticoide inalatório com formoterol. Manter e apenas reforçar ignora o descontrole. Suspender o corticoide e ficar só com SABA é conduta condenada, pois monoterapia com beta-2 de curta aumenta risco de exacerbação e morte. Corticoide oral contínuo é reservado à asma grave refratária, não a esta etapa de escalonamento.
Homem de 20 anos procura a Unidade Básica de Saúde com história de tosse seca e chiado no peito recorrentes há um ano, com piora noturna, durante exercício físico e na exposição a poeira, que aliviam espontaneamente ou com broncodilatador. Nega febre, perda de peso ou tabagismo. Exame físico sem alterações no momento da consulta. Qual exame complementar é o mais indicado para confirmar o diagnóstico?
O quadro é típico de asma (sintomas respiratórios variáveis e reversíveis), e o exame que confirma o diagnóstico é a espirometria com prova broncodilatadora, ao demonstrar limitação ao fluxo aéreo com resposta significativa ao broncodilatador. A radiografia de tórax serve para excluir diagnósticos diferenciais, mas não confirma asma. A eosinofilia no hemograma apenas sugere atopia, sem selar o diagnóstico. O PPD investiga infecção tuberculosa, não pertinente ao quadro descrito.
Homem de 32 anos, asmático, chega à Unidade de Pronto Atendimento com dispneia e chiado iniciados há 3 horas após quadro gripal. Encontra-se falando frases incompletas, com sibilos expiratórios difusos, frequência respiratória de 26 irpm, frequência cardíaca de 108 bpm e saturação de O2 de 93% em ar ambiente. Nega febre no momento. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Trata-se de exacerbação de asma de intensidade moderada (fala frases, FR e FC elevadas, SpO2 93%), cujo manejo inicial padronizado é beta-2 de curta duração inalatório repetido, corticosteroide sistêmico precoce e oxigênio para manter saturação adequada. Antibiótico não é rotina na crise asmática, pois a maioria dos desencadeantes é viral, e corticoide inalatório em dose habitual não substitui o sistêmico na crise. Aminofilina EV não é primeira linha por menor eficácia e maior toxicidade. Corticoide inalatório isolado, sem broncodilatador de resgate nem oxigênio, retarda a reversão da crise.
Mulher, 28 anos, com diagnóstico de asma há 5 anos, é acompanhada em Unidade Básica de Saúde. Está em uso de budesonida inalatória 200 µg/dia há 4 meses, com salbutamol de resgate. Refere sintomas diurnos cerca de 3 vezes por semana, um despertar noturno semanal e uso do salbutamol 3 vezes por semana, sem limitação de atividades habituais. Tem rinite alérgica em tratamento regular e nega tabagismo. Exame físico: sibilos expiratórios esparsos bilaterais, frequência respiratória de 16 irpm, SpO₂ de 97% em ar ambiente. Diante da avaliação do controle da asma, assinale a conduta inicial mais adequada.
A paciente preenche critérios de asma parcialmente controlada/não controlada (sintomas diurnos >2×/semana, despertar noturno e resgate >2×/semana). Pelo GINA e pelas Diretrizes Brasileiras, antes de qualquer incremento de etapa deve-se checar técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — causas mais comuns de 'falha' terapêutica. Escalar direto para dose alta pula etapas e ignora as causas corrigíveis; Corticoide oral é reservado a exacerbações ou etapa 5, não a esse cenário ambulatorial estável; Montelucaste é alternativa inferior ao corticoide inalatório, e trocá-lo seria descer de eficácia.
Homem, 22 anos, procura ambulatório com queixa de episódios recorrentes de dispneia com chiado no peito e tosse seca, predominantemente noturnos, desencadeados por exercício físico e ar frio, com melhora espontânea entre as crises. Nega tabagismo. Tem antecedente de rinite alérgica na adolescência. Exame físico fora das crises: normal. Espirometria: relação VEF1/CVF de 0,68 e VEF1 de 65% do previsto; após broncodilatador, o VEF1 aumenta 18% e 350 mL em relação ao valor basal. Assinale o diagnóstico mais provável.
Quadro clínico típico (sintomas episódicos e variáveis, gatilhos como exercício e ar frio, predomínio noturno, atopia) somado a distúrbio ventilatório obstrutivo (VEF1/CVF < 0,7) com prova broncodilatadora positiva (aumento do VEF1 ≥ 12% E ≥ 200 mL — aqui 18% e 350 mL) confirma asma, demonstrando a limitação variável ao fluxo aéreo exigida pelo GINA/Diretrizes Brasileiras. DPOC é improvável em jovem não tabagista e cursa com obstrução persistente, pouco reversível; Bronquiectasias cursam com tosse produtiva crônica e infecções de repetição; Disfunção de cordas vocais gera estridor/dispneia sem padrão obstrutivo reversível na espirometria.
Homem, 35 anos, com asma persistente, em acompanhamento em ambulatório de pneumologia. Usa budesonida-formoterol em dose baixa como manutenção e resgate (esquema MART) há 6 meses, correspondente à etapa 3 do tratamento escalonado. A técnica inalatória foi conferida e está correta, a adesão é boa, a rinite alérgica está tratada e ele não é tabagista nem está exposto a alérgenos ocupacionais. Ainda assim, mantém sintomas diurnos frequentes, dois despertares noturnos por semana e apresentou uma exacerbação com necessidade de corticoide oral nos últimos 12 meses. Assinale o próximo passo terapêutico mais adequado.
Asma não controlada na etapa 3, após afastadas as causas corrigíveis (técnica, adesão, comorbidades e exposições), indica subir para a etapa 4: dose média de corticoide inalatório + formoterol, preferencialmente mantendo a estratégia MART, que reduz exacerbações (GINA/Diretrizes Brasileiras). LABA sem corticoide inalatório é contraindicado na asma por aumentar mortalidade; Corticoide oral contínuo é recurso de exceção da etapa 5, pelos efeitos adversos; Imunobiológicos são reservados à asma grave não controlada nas etapas 4–5 otimizadas, após fenotipagem — não é o próximo passo aqui.
Mulher de 26 anos, asmática desde os 12 anos, faz acompanhamento em ambulatório de pneumologia. Está em uso de budesonida/formoterol 200/6 mcg, 1 inalação duas vezes ao dia como manutenção e também como medicação de resgate (esquema MART), com técnica inalatória conferida e boa adesão. Há duas semanas, após mudar-se para uma casa com infiltração e mofo, passou a apresentar tosse e sibilância noturnas 3 a 4 vezes por semana e necessidade de 3 a 4 inalações extras de resgate por dia. Nega febre ou expectoração purulenta. Ao exame: eupneica, FR 18 irpm, SpO2 97% em ar ambiente, sibilos expiratórios esparsos difusos. Pico de fluxo expiratório de 78% do previsto. Assinale a conduta mais adequada neste momento.
A paciente está em asma não controlada (sintomas noturnos frequentes e uso elevado de resgate) após exposição alergênica identificada, com adesão e técnica adequadas — a conduta é o step-up da manutenção dentro do próprio esquema MART, mantendo budesonida/formoterol como resgate e observando o teto de 12 inalações ao dia do dispositivo 200/6 (72 mcg de formoterol). Associar salbutamol como resgate é erro conceitual: no MART o resgate é o próprio corticoide inalatório com formoterol, e introduzir um SABA isolado devolve a paciente ao resgate sem corticoide, associado a maior risco de exacerbação. Suspender o formoterol e dar prednisona não se justifica: não há exacerbação aguda (eupneica, SpO2 97%, PFE 78%), e retirar o formoterol piora o controle. Corticoide inalatório em dose alta isolado é inferior à combinação com LABA na mesma etapa, e o montelucaste é terapia adicional de segunda linha.
Homem de 19 anos, estudante, com asma diagnosticada há 6 anos, em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol, retorna ao ambulatório referindo despertares noturnos com tosse e chiado 2 a 3 vezes por semana nos últimos 3 meses. A adesão foi confirmada pela contagem de doses e a técnica inalatória foi demonstrada corretamente na consulta. Relata, ainda, obstrução nasal diária, rinorreia aquosa, espirros em salva e prurido nasal e ocular há mais de um ano, que ele considera 'normal' e nunca tratou. Ao exame: mucosa nasal pálida e edemaciada, cornetos inferiores hipertrofiados, olheiras periorbitárias; ausculta pulmonar com sibilos expiratórios discretos. Qual o próximo passo mais adequado?
O conceito de via aérea única é central: rinite alérgica não tratada é causa reconhecida de asma não controlada, e antes de escalonar a terapia inalatória deve-se corrigir os fatores modificáveis — aqui, adesão e técnica já foram checadas e sobra a rinite persistente moderada/grave (sintomas diários, mais de 4 semanas, com incômodo), cujo tratamento de primeira linha é o corticoide intranasal contínuo. Escalonar o CI sem tratar a comorbidade que perpetua os sintomas é o erro clássico da questão. Tiotrópio é terapia adicional de etapas avançadas, após otimização e controle de comorbidades. Anti-histamínico oral por curso curto é menos eficaz que o corticoide intranasal na obstrução nasal e não controla a inflamação persistente; além disso, esperar 3 meses sem tratar adequadamente é inaceitável.
Mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de episódios recorrentes de tosse seca noturna, chiado no peito e falta de ar aos esforços há cerca de um ano, com piora no outono e ao contato com poeira. Tem rinite alérgica e história familiar de atopia. Ao exame, ausculta pulmonar com sibilos expiratórios esparsos. A espirometria mostra relação VEF1/CVF reduzida com padrão obstrutivo e aumento do VEF1 de 320 mL (15%) após inalação de broncodilatador. Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro reúne sintomas variáveis e recorrentes (tosse noturna, sibilância, dispneia), gatilhos alérgicos, atopia/rinite e, sobretudo, obstrução ao fluxo aéreo com reversibilidade significativa pós-broncodilatador (aumento do VEF1 >200 mL e >12%), critério diagnóstico de asma. DPOC ocorre em fumantes mais velhos e cursa com obstrução pouco reversível. Bronquiectasias cursam com tosse produtiva crônica e infecções de repetição. Disfunção de pregas vocais não gera obstrução reversível na espirometria.
Homem de 32 anos com diagnóstico de asma em uso regular de budesonida-formoterol em dose baixa (esquema de manutenção e alívio). Nas últimas 4 semanas relata: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, um despertar noturno por sintomas na semana passada, necessidade de medicação de alívio mais de duas vezes por semana e ter deixado de jogar futebol por dispneia. Técnica inalatória e adesão foram verificadas e estão adequadas. Assinale a classificação do controle e a conduta mais apropriada.
Pela avaliação de controle da GINA, a presença dos quatro itens (sintomas diurnos >2x/semana, despertar noturno, resgate >2x/semana e limitação de atividade) nas últimas 4 semanas caracteriza asma NÃO CONTROLADA. Com adesão e técnica já confirmadas, a conduta é subir de etapa (step up) — de dose baixa para dose média de CI-formoterol. Manter o tratamento atual ignora o descontrole. Corticoide oral contínuo é reservado a casos graves refratários após otimização/especialista. Suspender o corticoide inalatório e deixar só resgate é conduta proscrita (aumenta risco de exacerbação e morte).
Mulher de 45 anos com asma acompanhada há anos, em uso de budesonida-formoterol em dose média (manutenção e alívio) há 6 meses. Mantém-se sintomática: usa resgate quase diariamente, teve dois despertares noturnos na última semana e ACT de 15. A adesão foi confirmada por farmácia, a técnica inalatória foi reavaliada e está correta, a rinossinusite alérgica está tratada e ela não fuma. Espirometria com obstrução persistente. Assinale a conduta mais adequada segundo as diretrizes atuais.
Trata-se de asma não controlada apesar de CI-LABA em dose média com adesão, técnica e comorbidades já otimizadas — indicação de subir para a etapa 5 da GINA: otimizar para dose alta de CI-formoterol e/ou adicionar LAMA (tiotrópio), com encaminhamento ao especialista para fenotipagem antes de escolher um imunobiológico. Manter a dose perpetua o descontrole. Trocar o CI por corticoide oral contínuo é inadequado antes de esgotar a otimização inalatória e a avaliação especializada. Iniciar anti-IgE sem definir fenótipo/dosar IgE e eosinófilos é incorreto — a escolha do biológico depende do perfil (T2 alérgico vs. eosinofílico).
Homem de 19 anos, com rinite alérgica e eczema atópico desde a infância, relata há dois anos tosse seca e chiado no peito, predominantemente à noite e após exposição a gato na casa de amigos, com melhora espontânea ou após uso de broncodilatador emprestado. Está assintomático na consulta e o exame do tórax é normal. Realiza espirometria: VEF1/CVF = 0,64; VEF1 = 2,10 L (68% do previsto); após 400 mcg de salbutamol inalatório, VEF1 = 2,52 L (aumento de 420 mL e de 20% em relação ao basal). Assinale o diagnóstico mais provável.
O quadro reúne sintomas respiratórios variáveis (tosse, sibilos) com gatilho alérgico identificado, história pessoal de atopia e limitação obstrutiva ao fluxo aéreo (VEF1/CVF reduzido) com resposta broncodilatadora significativa — aumento maior que 200 mL e 12% do VEF1 —, critério que confirma asma segundo a GINA. DPOC é improvável em jovem sem tabagismo e cursa com obstrução pouco reversível. Bronquiolite obliterante gera obstrução fixa, sem resposta broncodilatadora, e costuma seguir infecção grave na infância. Disfunção de cordas vocais provoca estridor inspiratório e alteração da alça inspiratória, sem obstrução reversível expiratória.
Mulher de 32 anos, com asma alérgica desde a infância e sensibilização comprovada a ácaro e a epitélio de gato, é acompanhada em ambulatório de especialidade. Está em uso de corticosteroide inalatório em dose alta associado a formoterol há oito meses, com técnica inalatória verificada como correta, adesão superior a 90% e controle ambiental orientado. Persiste com sintomas diurnos quase diários, dois despertares noturnos por semana e teve três exacerbações com necessidade de corticoide oral no último ano. Exames: IgE sérica total 480 UI/mL; eosinófilos 320/mm³. Assinale o próximo passo terapêutico mais adequado.
Trata-se de asma grave não controlada — persistem sintomas e exacerbações apesar de dose alta de corticosteroide inalatório com LABA, já excluídos os fatores de descontrole modificáveis (técnica, adesão, exposição). Nesse cenário, com fenótipo alérgico documentado (sensibilização a aeroalérgeno perene e IgE total dentro da faixa de dosagem), a conduta indicada pela GINA é acrescentar terapia biológica anti-IgE (omalizumabe). O tiotrópio pode ser add-on, mas substituir o LABA por ele é inadequado e insuficiente aqui. Corticoide oral contínuo é a última alternativa, com alto custo de toxicidade, e vem depois do biológico. Azitromicina é add-on considerado sobretudo quando não há fenótipo elegível a biológico, nunca como medida isolada.
Mulher de 28 anos, asmática, retorna ao ambulatório em uso regular de budesonida-formoterol em dose baixa, uma inalação duas vezes ao dia, utilizando o mesmo dispositivo como resgate. Refere que, nas últimas quatro semanas, teve chiado e tosse em cerca de três dias por semana, um despertar noturno semanal por falta de ar e precisou reduzir a caminhada habitual. Usou o resgate quatro vezes na última semana. Técnica inalatória demonstrada corretamente e adesão confirmada pela dispensação na farmácia. Sem tabagismo, sem rinossinusite ou refluxo em atividade. Espirometria: VEF1 72% do previsto. A conduta mais apropriada é
Sintomas em mais de dois dias por semana, despertar noturno, limitação de atividade e uso frequente de resgate caracterizam asma NÃO controlada. Como adesão, técnica inalatória e comorbidades já foram checadas e estão adequadas, o passo correto é a progressão de etapa: subir a budesonida-formoterol de dose baixa para dose média em manutenção, mantendo a estratégia de manutenção e resgate com o mesmo dispositivo. Montelucaste em monoterapia é menos eficaz que o corticoide inalatório e retirá-lo é retrocesso terapêutico. O quadro não preenche critérios de asma controlada, de modo que manter o esquema perpetua o risco de exacerbação. Adicionar salmeterol isolado é redundante — a paciente já usa formoterol, um beta-2 de longa duração — e LABA não deve ser usado sem corticoide inalatório.
Homem de 22 anos procura a Unidade Básica de Saúde por tosse seca noturna e chiado recorrentes há dois anos, desencadeados por exercício e por exposição a poeira, com melhora espontânea entre as crises. Antecedente de rinite alérgica e dermatite atópica na infância; mãe asmática. Nega tabagismo. Ao exame, encontra-se assintomático, com ausculta pulmonar sem ruídos adventícios. Foi solicitada espirometria com prova broncodilatadora para confirmação diagnóstica. O achado espirométrico que confirma a limitação variável ao fluxo aéreo característica da asma é
O diagnóstico funcional de asma exige documentar limitação ao fluxo aéreo VARIÁVEL: resposta significativa ao broncodilatador, definida por aumento do VEF1 de pelo menos 12% e 200 mL em relação ao basal. Relação VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,70 sem reversibilidade é o critério de obstrução fixa, típico da DPOC. Redução isolada da CVF com relação preservada sugere padrão restritivo, que deve ser confirmado por pletismografia, e não asma. Queda do VEF1 após broncodilatador não é esperada nem faz parte de qualquer critério — a queda maior que 20% é o critério de positividade do teste de broncoprovocação com metacolina, não do teste com broncodilatador.
Homem de 22 anos, estudante, com diagnóstico de asma confirmado por espirometria. Refere sintomas em um a dois dias por semana, sem despertares noturnos e sem limitação de atividade. Nunca teve exacerbação e a função pulmonar está normal. Há dois anos usa apenas salbutamol comprado por conta própria, cerca de duas vezes por semana, e nunca usou corticoide inalatório. Segundo a GINA (2025) e o PCDT da Asma (2026), qual é a conduta preferencial?
Na etapa 1 e na etapa 2 do regime preferencial, o alívio é corticoide inalatório com formoterol em dose baixa sob demanda, sem manutenção diária — a chamada terapia de alívio anti-inflamatório. Manter apenas SABA está descartado por segurança, não por eficácia: a maioria dos asmáticos tem inflamação de via aérea mesmo com sintomas infrequentes, o uso isolado associa-se a mais exacerbação, pior função pulmonar e maior mortalidade, e a dispensação de três frascos de 200 doses ou mais por ano já se associa a maior risco de exacerbação grave, com risco de morte a partir de doze frascos por ano. LABA em monoterapia, como o salmeterol isolado, é formalmente contraindicado na asma por aumentar hospitalização e morte, e isso é efeito de classe. Montelucaste aparece apenas como outra opção em documentos anteriores e não é o preferencial. Corticoide inalatório em dose alta serve a uma minoria de pacientes, por tempo limitado, e não tem indicação nesta etapa.
Mulher de 45 anos em terapia de manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol em dose baixa (etapa 3) retorna à unidade básica de saúde referindo sintomas quase diários e dois despertares noturnos por semana no último mês. Não teve exacerbação com corticoide oral no último ano. Qual é a conduta antes de qualquer mudança de etapa?
Antes de subir de etapa, confirma-se que o diagnóstico está documentado e verificam-se os fatores modificáveis: técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo gastroesofágico, apneia obstrutiva do sono e obesidade são as mais frequentes e todas tratáveis. Boa parte da asma dita não controlada da atenção primária se resolve nessa etapa, sem trocar a prescrição, e o próprio protocolo exige a exclusão desses fatores antes até de considerar o rótulo de asma grave. Escalonar por reflexo perde a chance de corrigir a causa real e expõe a paciente a mais medicamento sem benefício. Imunobiológico pertence à etapa 5, após fenotipagem e depois de otimizada a terapia em uso e tratadas as comorbidades. Corticoide oral contínuo em dose baixa é último recurso na asma grave, não controlador de rotina. E trocar o esquema com corticoide inalatório e formoterol por salbutamol sob demanda seria retirar o anti-inflamatório de uma paciente sintomática, o que aumenta o risco de exacerbação.
Mulher de 27 anos, professora, refere tosse seca e chiado há oito meses, com piora à noite e durante a corrida. Tem rinite alérgica desde a adolescência e não fuma. Ao exame físico, sibilos expiratórios discretos, audíveis apenas à expiração forçada, sem sinais de esforço respiratório. A espirometria mostra VEF1 de 2,42 L (78% do previsto), CVF de 3,52 L e relação VEF1/CVF de 0,69. Quinze minutos após a inalação de 400 mcg de salbutamol, o VEF1 é de 2,73 L e a CVF é de 3,60 L. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma do Ministério da Saúde (2026), qual é a interpretação correta?
O ganho de VEF1 é de 2,73 menos 2,42, ou seja, 310 mL, o que corresponde a 310 dividido por 2.420, isto é, 12,8% do valor pré-broncodilatador. O critério do adulto exige aumento do VEF1 ou da CVF de pelo menos 12% E pelo menos 200 mL, simultaneamente — os dois estão preenchidos. Os valores de 15% e 400 mL conferem maior confiabilidade ao teste, mas não são requisito, o que elimina a primeira alternativa. A CVF entra como alternativa ao VEF1, e não como exigência adicional, o que elimina a segunda. Não existe corte numérico de VEF1/CVF para diagnosticar asma nem na GINA de 2025 nem no PCDT de 2026: a obstrução se julga contra o limite inferior da normalidade e o que fecha o diagnóstico é a variabilidade documentada — a razão fixa de 0,70 é critério de DPOC. Provocação brônquica e resposta a quatro semanas de corticoide inalatório são caminhos alternativos de documentar variabilidade, usados quando a prova broncodilatadora é negativa; com teste positivo, são desnecessários.
Homem de 40 anos, asmático, em uso de budesonida em pó inalante 400 mcg a cada 12 horas associada a formoterol, com técnica inalatória demonstrada como correta e adesão comprovada por retirada regular na farmácia, permanece com sintomas em quatro dias por semana. Sobre a dose de corticoide inalatório em uso, segundo o Quadro de doses do PCDT da Asma (2026) para maiores de 12 anos, é correto afirmar:
As faixas são de dose diária total, somando todas as inalações do dia: 400 mcg a cada 12 horas correspondem a 800 mcg por dia. Para budesonida em pó inalante ou pressurizado de partícula padrão em maiores de 12 anos, a faixa baixa é de 200 a 400 mcg por dia, a média é acima de 400 até 800 e a alta é acima de 800 — logo, 800 mcg por dia ainda é dose média, e essa fronteira exata reaparece no critério de asma grave, que exige budesonida ou equivalente igual ou acima de 800 mcg por dia associada a LABA. Para a budesonida não há diferença entre pó inalante e pressurizado de partícula padrão nas faixas. Quem depende do tipo de partícula é a beclometasona: pressurizada de partícula padrão tem faixa baixa de 200 a 500, média acima de 500 até 1.000 e alta acima de 1.000, enquanto a formulação extrafina tem faixas bem menores e o próprio protocolo registra que ainda não está disponível no Brasil. Eosinófilos e óxido nítrico exalado servem à fenotipagem na etapa 5, não à definição de faixa de dose.
Homem de 34 anos, asmático, em uso de corticoide inalatório em dose baixa com salbutamol sob demanda há um ano. Nas últimas quatro semanas relata: chiado e tosse em três dias por semana; acordou uma noite por falta de ar; usou salbutamol em três dias da semana; e deixou de jogar futebol em duas ocasiões por cansaço. Não teve exacerbação com necessidade de corticoide oral no último ano. Como se classifica o controle da asma neste paciente?
Os quatro itens avaliados nas últimas quatro semanas são: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana (presente — três dias), qualquer despertar noturno por asma (presente), uso de medicamento de resgate mais de duas vezes por semana (presente — três dias) e qualquer limitação de atividade por asma (presente — deixou de jogar). Nenhum item corresponde a asma controlada; um ou dois itens, a parcialmente controlada; três ou quatro, a não controlada. Aqui são quatro. A ausência de exacerbação no último ano é dado de risco futuro, avaliado em eixo separado, e não altera a classificação de controle. Chamar de asma grave é erro conceitual: gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter o controle, só se define depois de meses de tratamento otimizado e exige antes a exclusão de má adesão, técnica inalatória incorreta e comorbidades não tratadas — nada disso foi verificado. A classificação em intermitente e persistente é nomenclatura de gravidade antiga e não é a usada para controle.
Mulher de 52 anos, asmática há 20 anos, está em uso de budesonida com formoterol 400/12 mcg duas vezes ao dia há 14 meses, com técnica inalatória verificada e adesão comprovada. Rinossinusite crônica já tratada e refluxo em controle. Apresentou três exacerbações com necessidade de corticoide oral no último ano. Eosinófilos no sangue periférico de 480 células por microlitro e IgE específica positiva para ácaro. Qual é a conduta?
A paciente preenche o primeiro critério de asma grave do protocolo, que exige tratamento contínuo com budesonida ou equivalente igual ou superior a 800 mcg por dia associado a LABA no ano anterior: 400 mcg duas vezes ao dia somam exatamente 800 mcg por dia, e ela está nesse esquema há 14 meses. Vale notar a sutileza de redação — 800 mcg por dia é dose média pela tabela de faixas e já satisfaz esse critério pelo texto. Antes do rótulo, é obrigatório excluir os três fatores modificáveis: baixa adesão, técnica inalatória incorreta e comorbidades não tratadas — todos verificados aqui. Eosinofilia a partir de 150 células por microlitro ou sensibilização IgE específica positiva sugerem inflamação tipo 2 alta, e ambas estão presentes — é indicação de fenotipagem e avaliação por especialista para imunobiológico. Omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe e dupilumabe são fornecidos pelo componente especializado, com critérios próprios. Aumentar a dose por tempo indeterminado contraria a orientação de usar dose alta por período limitado, tipicamente 3 a 6 meses, com reavaliação. Corticoide oral contínuo é último recurso e em dose baixa, até 7,5 mg por dia. E trocar o esquema de manutenção e resgate por corticoide inalatório com SABA em quem vai iniciar imunobiológico é explicitamente desaconselhado, por aumentar o risco de exacerbação.
Homem de 45 anos foi atendido no pronto-socorro por exacerbação moderada de asma e tratado com salbutamol por dispositivo pressurizado com espaçador e corticoide sistêmico. Após uma hora, refere melhora importante, não necessitou de nova dose de resgate nas últimas duas horas, o pico de fluxo expiratório está em 72% do seu melhor pessoal e a saturação é de 96% em ar ambiente. Mora com a esposa e tem transporte disponível. Qual é a conduta na alta?
O paciente preenche os quatro critérios de alta: sintomas melhorados sem necessidade de resgate, pico de fluxo em melhora e acima da faixa de 60 a 80% do melhor pessoal, saturação acima de 94% em ar ambiente e condições adequadas em casa — não há indicação de internação. A prescrição de alta tem itens obrigatórios: corticoide oral completando 5 a 7 dias no adulto, com prednisolona ou equivalente de 40 a 50 mg em dose única matinal e sem necessidade de desmame quando o curso é menor que duas semanas; manutenção contendo corticoide inalatório, preferencialmente corticoide inalatório com formoterol em manutenção e resgate, ou corticoide inalatório com LABA em dose média se aquele não estiver disponível; alívio apenas sob demanda e nunca de horário, porque o uso regular mascara a piora; revisão de técnica inalatória e adesão; plano de ação por escrito; e retorno em 2 a 7 dias. Sair sem corticoide inalatório é o erro que devolve o paciente ao pronto-socorro, e curso de 21 dias com desmame não tem respaldo neste cenário.
Mulher de 31 anos, asmática, chega ao pronto-socorro com dispneia iniciada há seis horas. Está sentada curvada para a frente, agitada, responde em palavras isoladas. Frequência respiratória de 34 por minuto, pulso de 130 por minuto, saturação de 87% em ar ambiente, tiragem intercostal evidente e sibilos difusos. Está consciente e orientada. Qual é a conduta imediata?
A classificação é feita pela pior característica presente, e aqui há sete critérios de exacerbação grave reunidos: fala em palavras, postura curvada para a frente, agitação, frequência respiratória acima de 30, pulso acima de 120, saturação abaixo de 90% em ar ambiente e uso de musculatura acessória. Diante de sinais de exacerbação grave, administram-se SABA inalatório, brometo de ipratrópio, oxigênio controlado e corticoide sistêmico, e providencia-se atendimento em serviço com retaguarda — o tratamento começa junto com a avaliação, não depois dela. A via preferencial do SABA é o dispositivo pressurizado com espaçador, não a nebulização. Radiografia de tórax e gasometria arterial não são solicitadas de rotina, assim como antibiótico. Sedativos são proibidos na exacerbação de asma, e a agitação aqui é sinal de hipoxemia, não de ansiedade. O sulfato de magnésio endovenoso fica reservado para quem tem resposta inadequada ao tratamento intensivo inicial, dentro do serviço de urgência. Sonolência, confusão ou tórax silencioso mudariam a classificação para risco de vida e indicariam terapia intensiva.
Homem de 33 anos, não tabagista, relata há oito meses chiado e tosse que variam de intensidade, pioram de madrugada e aparecem após o riso. Espirometria pós-broncodilatador: relação VEF1/CVF de 0,84 e VEF1 de 96% do previsto, sem ganho significativo após o broncodilatador. Foi então orientado a medir o pico de fluxo expiratório duas vezes ao dia durante duas semanas, sempre com o mesmo medidor: a variabilidade média diária ficou em 16%. Qual é a conclusão correta?
A segunda metade do diagnóstico de asma é documentar limitação variável do fluxo expiratório, e a medida domiciliar do pico de fluxo duas vezes ao dia por duas semanas cumpre isso quando a variabilidade média diária passa de 10% no adulto — por isso aceitar os 16% como documentação é o que está correto. Exigir relação VEF1/CVF abaixo de 0,70 transporta para a asma um critério que é da doença pulmonar obstrutiva crônica: nenhum documento fixa razão numérica para diagnosticar asma, e o paciente pode ter relação normal com variabilidade provada por outro caminho. Tratar a prova broncodilatadora como obrigatória ignora que existem cinco caminhos e qualquer um deles serve. O limiar de 20% pertence ao ganho do pico de fluxo após broncodilatador e à variação entre consultas, não à variabilidade diária. E espirometria normal em paciente com sintomas típicos não encerra a investigação.
Mulher de 27 anos, não tabagista, investiga chiado e tosse noturnos. Chega ao laboratório sentindo aperto no peito e usa, na sala de espera, o inalador de budesonida com formoterol que a irmã carregava. Três horas depois faz a espirometria: relação VEF1/CVF de 0,66, VEF1 de 76% do previsto e ganho pós-broncodilatador de 5% e 90 mL. Qual é a conduta correta diante desse resultado?
O broncodilatador de ação prolongada precisa ser suspenso antes da prova: formoterol e salmeterol por 24 horas, beta-2 de curta ação por 4 horas e antimuscarínicos de longa duração por 36 a 48 horas. Quem usou a bombinha na sala de espera pode ter resposta falsamente negativa, e é por isso que repetir o exame com a suspensão correta é a conduta. Concluir que não há asma a partir de um exame tecnicamente comprometido inverte o raciocínio. Partir para provocação brônquica antes de repetir a espirometria bem feita pula um degrau e expõe a paciente a um teste desnecessário. Usar quatro semanas de corticoide inalatório é caminho válido de documentação, mas o que ele exige é ganho medido de VEF1 ou de pico de fluxo, e não melhora relatada de sintomas. E rotular como doença obstrutiva crônica uma mulher de 27 anos sem exposição contraria os marcadores que separam as duas doenças.
Mulher de 34 anos, asmática, está na etapa 3 em terapia de manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol em dose baixa. Há seis semanas não tem sintomas diurnos, despertares noturnos, limitação de atividade nem necessidade de doses extras de alívio. Técnica inalatória verificada e adesão comprovada por retirada regular. Ela pede para parar o tratamento porque se sente bem. Qual é a conduta correta?
Antes de descer de etapa exige-se controle mantido por dois a três meses, e seis semanas ainda não completam essa janela: a conduta é manter o esquema e reavaliar. Suspender por completo o corticoide inalatório só se admite de forma temporária e com finalidade diagnóstica — fora disso, a retirada expõe a exacerbação grave. Descer de etapa agora antecipa a decisão sem o tempo que a regra pede, ainda que os quatro itens de controle estejam mesmo ausentes. Trocar a manutenção por beta-2 de longa ação isolado é formalmente contraindicado na asma, por aumento de hospitalização e morte, e vale como efeito de classe. E subir a dose em paciente sem sintomas contraria a orientação de que a dose baixa entrega a maior parte do benefício.
Paciente em crise asmatica grave apresenta gasometria arterial com pH 7,36, pCO2 42 mmHg e pO2 62 mmHg. Como interpretar esse resultado?
Na crise asmatica o paciente hiperventila e a pCO2 esperada e baixa; encontrar valor normal ou elevado significa que o volume-minuto esta caindo por exaustao da musculatura respiratoria, e esse achado, somado a sonolencia, torax silencioso e bradicardia, anuncia parada respiratoria iminente e exige preparo imediato para via aerea avancada e unidade intensiva. Interpretar como normal e o erro mais perigoso da emergencia e ja causou mortes evitaveis. O quadro nao e leve nem compativel com alta. Nao ha alcalose, e o pH esta em faixa normal apenas transitoriamente. Nao ha razao para supor erro laboratorial diante de quadro clinico coerente.
Qual intervencao nao farmacologica tem impacto comprovado no controle da asma grave em paciente obeso?
A obesidade e comorbidade que piora o controle da asma por mecanismos mecanicos e inflamatorios, e a reducao ponderal melhora sintomas, funcao pulmonar, qualidade de vida e resposta ao tratamento, alem de reduzir apneia do sono e refluxo, que tambem impactam o controle. Restricao de liquidos nao tem papel. Reduzir atividade fisica e o oposto da recomendacao, ja que o condicionamento fisico melhora sintomas e capacidade funcional. Dieta hiperproteica sem controle calorico nao promove perda de peso. Suplementacao vitaminica em dose alta nao demonstrou beneficio no controle da doenca e pode gerar falsa sensacao de tratamento.
Homem de 35 anos com asma de dificil controle apresenta bronquiectasias centrais, IgE total de 2400 UI/mL, eosinofilia de 1500 celulas por mm3 e IgE especifica positiva para Aspergillus fumigatus. Qual o diagnostico e o tratamento?
A combinacao de asma, bronquiectasias centrais, IgE total muito elevada, eosinofilia e sensibilizacao ao Aspergillus define aspergilose broncopulmonar alergica, tratada com corticoide sistemico para controlar a resposta imune e itraconazol para reduzir a carga fungica, com acompanhamento pela IgE total. Tratar como asma comum permite progressao para bronquiectasias extensas e fibrose. A aspergilose invasiva ocorre em imunossuprimidos com neutropenia, com angioinvasao e sinal do halo. Fibrose cistica deve ser lembrada como diferencial de bronquiectasias, exigindo teste do suor. A granulomatose eosinofilica com poliangiite cursa com vasculite, mononeurite e anticorpo anticitoplasma de neutrofilo em parte dos casos.
Mulher de 28 anos asmatica chega ao pronto-socorro com dispneia intensa, frases entrecortadas, frequencia respiratoria de 32 por minuto, uso de musculatura acessoria, saturacao de 91 por cento em ar ambiente e pico de fluxo expiratorio de 40 por cento do previsto. Qual a conduta inicial?
A crise moderada a grave e tratada com broncodilatador de curta acao em doses repetidas na primeira hora, associado a brometo de ipratropio, corticoide sistemico administrado precocemente por levar horas para agir, e oxigenio titulado para alvo entre 93 e 95 por cento. Corticoide inalatorio isolado nao substitui o sistemico na crise. Antibiotico nao esta indicado sem sinais de infeccao bacteriana, e a maioria das exacerbacoes tem gatilho viral ou alergico. Aminofilina foi abandonada como primeira linha pela toxicidade e pelo beneficio marginal. Intubacao imediata sem tentativa de tratamento clinico nao se justifica nesse quadro, ainda responsivo.
Qual e a orientacao sobre reducao de tratamento em paciente com asma bem controlada?
A recomendacao e buscar a menor dose que mantenha o controle, reduzindo de forma gradual apos pelo menos tres meses de estabilidade, com reavaliacao periodica e plano de acao definido; a retirada completa do corticoide inalatorio nao e recomendada de rotina pelo risco de exacerbacoes. Suspender tudo apos um mes e prematuro. Manter a dose maxima indefinidamente expoe a efeitos adversos evitaveis. Retirar o corticoide e manter o beta-agonista de longa acao isolado e a combinacao mais perigosa possivel, associada a mortalidade. Reduzir em periodo de maior exposicao ambiental ou em epoca de infeccoes respiratorias e escolher o pior momento para o ajuste.
Qual efeito adverso local do corticoide inalatorio pode ser prevenido com orientacao simples ao paciente?
A deposicao orofaringea do corticoide inalatorio favorece candidiase e disfonia, e ambas sao reduzidas pelo enxague da boca com agua apos cada uso e pelo emprego de espacador em dispositivos pressurizados, que tambem melhora a deposicao pulmonar. Osteoporose, catarata e supressao adrenal sao efeitos sistemicos possiveis com doses altas por tempo prolongado, mas nao sao evitados por bochecho ou espacador, e sim pelo uso da menor dose eficaz. Hipertensao nao e efeito caracteristico do corticoide inalatorio. Revisar a tecnica inalatoria em toda consulta e uma das intervencoes de maior impacto e menor custo no controle da doenca.
Homem de 45 anos com crise asmatica grave apresenta dor toracica subita, enfisema subcutaneo cervical e piora abrupta da dispneia. Qual a hipotese?
O enfisema subcutaneo cervical associado a dor toracica subita em crise asmatica grave indica escape de ar por ruptura alveolar, com pneumomediastino ou pneumotorax, complicacao que exige radiografia imediata e drenagem se houver pneumotorax significativo ou hipertensivo. Embolia pulmonar entra no diferencial da piora subita, mas nao causa enfisema subcutaneo. Infarto e pericardite nao produzem esse achado. Ruptura de esofago pode causar pneumomediastino, porem exige historia de vomitos intensos ou instrumentacao e cursa com quadro septico grave. Reconhecer o achado importa porque o pneumotorax hipertensivo no asmatico ventilado e causa reversivel de colapso hemodinamico.
Qual achado espirometrico confirma o diagnostico de asma em paciente com sintomas compativeis?
O diagnostico exige demonstrar limitacao variavel ao fluxo expiratorio, tipicamente por obstrucao com resposta significativa ao broncodilatador; quando a espirometria e normal, o que e comum entre crises, pode-se recorrer a variabilidade do pico de fluxo, ao teste de broncoprovocacao ou a repeticao do exame em periodo sintomatico. Reducao isolada da capacidade vital forcada sugere restricao. Difusao reduzida aponta enfisema ou doenca intersticial, e na asma costuma ser normal ou aumentada, o que ajuda no diferencial com doenca pulmonar obstrutiva cronica. Aprisionamento aereo sem alteracao da relacao nao define obstrucao. Considerar que espirometria normal exclui asma e erro frequente e prejudicial.
Paciente asmatico em uso de corticoide inalatorio em dose media associado a formoterol mantem sintomas diarios e duas exacerbacoes no ultimo ano. Qual o primeiro passo antes de escalonar a terapia?
Antes de considerar a asma como nao controlada por gravidade intrinseca, e obrigatorio verificar os fatores que respondem pela maioria dos casos de mau controle: adesao irregular, tecnica inalatoria incorreta, exposicao continuada a alergenos e irritantes, tabagismo, uso de betabloqueador ou anti-inflamatorio, e comorbidades como rinossinusite, refluxo, obesidade e apneia do sono, alem de rever se o diagnostico esta correto. Escalonar sem essa revisao expoe o paciente a toxicidade sem resolver a causa. Indicacao de biologico vem depois de confirmada asma grave verdadeira. Beta-agonista isolado e proscrito. Aumentar o resgate apenas mascara o descontrole e sinaliza risco.
Mulher de 29 anos com diagnostico de asma refrataria apresenta episodios de dispneia com estridor inspiratorio, sensacao de aperto na garganta, inicio e resolucao abruptos, espirometria com achatamento da alca inspiratoria e ausencia de resposta a broncodilatador. Qual a hipotese?
Estridor inspiratorio, sintomas laringeos, inicio e termino subitos e alca inspiratoria achatada na curva fluxo-volume apontam disfuncao de cordas vocais, importante imitadora de asma que responde a fonoterapia e ao manejo de fatores associados, e nao a escalonamento de corticoide. Manter o rotulo de asma refrataria expoe a paciente a doses altas de corticoide sem beneficio, motivo pelo qual essa hipotese deve ser sempre considerada antes de indicar biologico. Tromboembolismo cronico cursa com dispneia progressiva e hipertensao pulmonar. Traqueomalacia produz colapso expiratorio com tosse metalica. Doenca pulmonar obstrutiva cronica exige historia de exposicao e obstrucao pouco reversivel.
Homem de 32 anos com diagnostico recente de asma usa apenas salbutamol quando tem sintomas, cerca de tres vezes por semana, e acorda a noite duas vezes por mes. Qual a conduta?
A recomendacao atual abandonou o tratamento apenas com broncodilatador de curta acao, mesmo em asma leve, porque essa estrategia nao trata a inflamacao e associa-se a exacerbacoes graves e a morte; todo asmatico deve receber corticoide inalatorio, seja em uso regular ou na combinacao com formoterol conforme necessario. Beta-agonista de longa acao isolado e formalmente contraindicado pelo risco de morte. Corticoide oral continuo e reservado a doenca grave refrataria, com toxicidade inaceitavel nesse cenario. Antileucotrieno isolado tem eficacia inferior ao corticoide inalatorio e nao e primeira escolha, servindo como alternativa ou adjuvante em situacoes especificas.
Qual medicamento pode ser considerado na crise asmatica grave refrataria as medidas iniciais?
O sulfato de magnesio endovenoso tem efeito broncodilatador por relaxamento da musculatura lisa e e recomendado em crises graves que nao respondem ao tratamento inicial, reduzindo internacoes em pacientes selecionados. Macrolideo nao tem papel na crise sem infeccao bacteriana. Corticoide inalatorio isolado nao substitui o sistemico e nao e a medida de resgate na refratariedade. Furosemida nao trata broncoespasmo e pode agravar a desidratacao. Beta-agonista de longa acao isolado nunca deve ser usado sem corticoide inalatorio pelo risco de morte por asma, e nao e droga de resgate na crise, papel que cabe ao formoterol somente quando combinado ao corticoide inalatorio.
Qual e o risco do uso cronico de corticoide oral em pacientes com asma grave?
A exposicao cumulativa ao corticoide sistemico produz um espectro amplo de complicacoes: perda de massa ossea com fraturas, diabetes, hipertensao, ganho de peso, catarata e glaucoma, atrofia muscular, alteracoes cutaneas, transtornos do humor, supressao do eixo adrenal e maior risco infeccioso, motivo pelo qual poupar corticoide oral e um dos principais objetivos do tratamento moderno da asma grave. Reduzir os riscos a ganho de peso subestima o problema. Nefrotoxicidade nao e caracteristica dessa classe. Corticoide nao causa fibrose pulmonar. O efeito metabolico e hiperglicemia, e nao hipoglicemia. Pacientes em uso cronico precisam de profilaxia ossea e orientacao sobre doses de estresse.
Mulher de 46 anos com asma em uso de corticoide inalatorio em dose alta associado a beta-agonista de longa acao, com adesao e tecnica verificadas, mantem sintomas diarios, tres exacerbacoes com corticoide oral no ultimo ano e eosinofilos sanguineos de 620 celulas por mm3. Qual a conduta?
Asma que permanece nao controlada apesar de terapia otimizada, com adesao e tecnica verificadas e comorbidades tratadas, caracteriza asma grave e abre indicacao de terapia biologica guiada pelo fenotipo; eosinofilia sanguinea elevada aponta inflamacao tipo 2 e favorece anti-interleucina 5 ou anti-receptor de interleucina 4. Escalonar indefinidamente o corticoide inalatorio traz ganho marginal com mais efeitos adversos. Corticoide oral continuo e a ultima opcao, pelo perfil de toxicidade cumulativa. Retirar o corticoide inalatorio e manter broncodilatador isolado e proscrito. Antibiotico continuo nao e conduta padrao, embora macrolideo em dose baixa tenha papel em casos selecionados.
Qual e o papel do corticoide sistemico na exacerbacao asmatica?
O corticoide sistemico e pilar do tratamento da exacerbacao, reduzindo recidivas e internacoes, e deve ser administrado na primeira hora, embora seu efeito clinico apareça apenas apos algumas horas, motivo pelo qual nao substitui o broncodilatador para alivio imediato. Reserva-lo para quem nao melhora em dois dias contraria a evidencia. Cursos curtos de cinco a sete dias nao exigem desmame gradual, sendo esse um mito que prolonga desnecessariamente a exposicao. A via oral tem eficacia equivalente a endovenosa em pacientes que toleram ingestao, reservando-se a via parenteral a quem vomita, esta muito dispneico ou tem alteracao de consciencia.
Paciente com asma grave em uso de multiplas medicacoes apresenta piora do controle apos inicio de tratamento para hipertensao. Qual classe deve ser revisada?
Betabloqueadores, especialmente os nao seletivos, podem precipitar broncoespasmo em asmaticos, e sua introducao deve ser evitada ou feita com cardiosseletivos em doses baixas apenas quando ha indicacao forte, como pos-infarto, com monitorizacao cuidadosa; colirios betabloqueadores para glaucoma tambem contam e sao frequentemente esquecidos na anamnese. Bloqueadores de canal de calcio, tiazidicos e bloqueadores do receptor de angiotensina sao seguros. Os inibidores da enzima conversora causam tosse seca em parcela dos pacientes, o que pode ser confundido com piora da asma, mas nao provocam broncoespasmo verdadeiro, sendo esse o distrator mais sutil da questao.
Qual marcador auxilia na identificacao do fenotipo inflamatorio tipo 2 na asma grave?
A inflamacao tipo 2 se caracteriza por eosinofilia periferica e no escarro, elevacao da fracao exalada de oxido nitrico e presenca de sensibilizacao alergica com IgE especifica, e esses marcadores orientam a escolha do biologico, seja anti-IgE, anti-interleucina 5, anti-receptor de interleucina 4 ou anti-linfopoietina estromal timica. Proteina C reativa e velocidade de hemossedimentacao sao marcadores inespecificos de inflamacao sistemica, sem papel na fenotipagem. Dimero D avalia trombose. Procalcitonina orienta antibioticoterapia em infeccao bacteriana. Uma armadilha pratica e que corticoide sistemico recente reduz esses marcadores, podendo mascarar o fenotipo e levar a conclusao equivocada.
Qual conduta e recomendada para avaliar adesao antes de rotular um paciente como portador de asma grave refrataria?
A ma adesao e a causa mais frequente de asma aparentemente refrataria, e sua avaliacao exige metodos objetivos, como registros de dispensacao na farmacia, contadores de dose nos dispositivos e demonstracao pratica da tecnica inalatoria em consulta, conduzida sem julgamento para nao inibir o relato honesto. Confiar apenas no relato verbal superestima a adesao de forma consistente. Nao existe dosagem serica util do corticoide inalatorio na pratica. Suspender toda a medicacao por um mes expoe o paciente a exacerbacao grave. Tomografia avalia estrutura pulmonar e diagnosticos alternativos, mas nao mede adesao, embora possa ajudar a identificar bronquiectasias e outras causas de sintomas persistentes.
Qual e o principal beneficio esperado das terapias biologicas na asma grave?
Os biologicos reduzem exacerbacoes, permitem poupar corticoide oral e melhoram sintomas, qualidade de vida e funcao pulmonar em pacientes com fenotipo adequado, mas nao curam a doenca nem dispensam a terapia inalatoria de manutencao, que deve ser mantida. Supor que substituem o corticoide inalatorio e um erro que leva a perda de controle. Eles nao tem papel no tratamento da crise aguda, cujo manejo permanece com broncodilatador, corticoide sistemico e oxigenio. Tambem nao previnem infeccoes virais, embora reduzam o impacto das exacerbacoes desencadeadas por elas. A resposta deve ser avaliada apos alguns meses, com troca de agente quando insuficiente.
Homem de 40 anos com asma de dificil controle apresenta polipose nasal e piora importante dos sintomas respiratorios apos uso de acido acetilsalicilico. Qual o diagnostico?
A triade de asma, polipose nasossinusal e exacerbacao apos anti-inflamatorios inibidores da ciclo-oxigenase 1 caracteriza a doenca respiratoria exacerbada por esses farmacos, cujo mecanismo e o desvio da via do acido araquidonico para producao de cisteinil-leucotrienos, sem participacao de IgE, o que torna a alternativa de alergia mediada por IgE conceitualmente incorreta. A aspergilose broncopulmonar alergica cursa com IgE muito elevada, bronquiectasias centrais e sensibilizacao ao fungo. A granulomatose eosinofilica com poliangiite associa asma, eosinofilia acentuada e vasculite com mononeurite. Rinite medicamentosa decorre do uso abusivo de descongestionante topico, sem broncoespasmo.
Quais fatores identificam o paciente asmatico com risco aumentado de morte por asma?
O historico de crise quase fatal, com intubacao ou internacao em terapia intensiva, e o preditor mais forte de morte por asma, somando-se ao consumo elevado de broncodilatador de resgate, ma adesao ao corticoide inalatorio, ausencia de plano de acao, exacerbacao recente, comorbidades psiquiatricas e baixa condicao socioeconomica. O uso regular de corticoide inalatorio e justamente o fator protetor mais importante. Rinite alergica e comorbidade que piora o controle, mas nao e o marcador principal de risco de morte. Atividade fisica regular e recomendada. A idade jovem nao protege, e mortes por asma em jovens costumam ocorrer justamente por subestimacao da gravidade.
Qual e a orientacao correta sobre o uso do broncodilatador de resgate como marcador de controle da asma?
A frequencia de uso do medicamento de alivio e um dos marcadores mais praticos de controle: necessidade de resgate mais de duas vezes por semana, excluindo o uso preventivo antes do exercicio, sinaliza inflamacao nao controlada e exige revisar adesao, tecnica e degrau terapeutico. Aceitar uso diario normaliza um sinal de risco, e o consumo elevado de broncodilatador de curta acao ao longo do ano associa-se a exacerbacoes graves e mortalidade. Aumentar apenas o resgate trata o sintoma e deixa a inflamacao. Uso programado em horarios fixos nao e recomendado para o medicamento de alivio, cuja funcao e responder ao sintoma.
Qual criterio indica alta segura apos tratamento de exacerbacao asmatica no pronto-socorro?
A alta segura exige melhora clinica sustentada, funcao pulmonar recuperada acima de 60 a 80 por cento do previsto ou do melhor valor pessoal, boa saturacao em ar ambiente, tecnica inalatoria revisada, prescricao de corticoide oral por cinco a sete dias, inicio ou ajuste de corticoide inalatorio, plano de acao escrito e retorno agendado. Ausencia de sibilos pode significar melhora ou, ao contrario, torax silencioso por obstrucao grave, sendo criterio isolado perigoso. Saturacao apos uma unica nebulizacao nao demonstra estabilidade. A vontade do paciente nao substitui criterios objetivos. Radiografia nem sequer e rotina na exacerbacao sem suspeita de complicacao.
Paciente asmatico apresenta sintomas exclusivamente durante corrida ao ar livre em dias frios, com espirometria normal em repouso. Qual a conduta?
A broncoconstricao induzida por exercicio costuma refletir asma subjacente, e o manejo combina tratamento de manutencao com corticoide inalatorio, uso preventivo de broncodilatador antes do esforco, aquecimento progressivo e protecao das vias aereas no frio, permitindo pratica esportiva plena, inclusive de alto rendimento. Contraindicar exercicio e conduta prejudicial e desatualizada. Usar broncodilatador apenas apos o sintoma nao previne o evento. Corticoide oral antes de cada treino e desproporcional e toxico. Antileucotrieno pode ajudar como adjuvante nesse fenotipo, mas isoladamente e inferior ao corticoide inalatorio no controle da inflamacao de base.
Mulher de 26 anos, asmática, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa, incapaz de completar frases, FR 34 irpm, FC 128 bpm, SpO2 89%, uso de musculatura acessória e sibilos difusos. Qual a conduta inicial?
O tratamento da crise grave se apoia em oxigênio titulado, beta-2-agonista de curta em doses repetidas ou nebulização contínua, associação de brometo de ipratrópio nas crises graves e corticoide sistêmico o mais cedo possível - ele leva horas para agir, e atrasá-lo prolonga a crise. Antibiótico não é rotina, já que a maioria das exacerbações não é bacteriana. Aminofilina foi abandonada como primeira linha por toxicidade sem ganho. A intubação é reservada à falência ventilatória, e não à gravidade da apresentação inicial isoladamente.
Quais fatores identificam o paciente com asma de alto risco para desfecho fatal?
O perfil de risco de asma fatal é bem definido: intubação ou terapia intensiva prévias por asma, exacerbações recentes com necessidade de corticoide sistêmico, consumo elevado de broncodilatador de resgate, má adesão ao corticoide inalatório, ausência de plano de ação escrito e problemas psicossociais - identificá-lo muda o seguimento e a intensidade do tratamento. O uso regular de corticoide inalatório é justamente o fator PROTETOR mais importante. Resposta broncodilatadora e rinite associada não predizem mortalidade.
Paciente com crise asmática grave refratária após 1 hora de broncodilatador e corticoide. Qual medida adjuvante pode ser considerada?
O sulfato de magnésio endovenoso tem efeito broncodilatador e é a medida adjuvante com melhor respaldo nas crises graves refratárias ao tratamento inicial, reduzindo hospitalizações em subgrupos selecionados. Aminofilina não é recomendada como primeira escolha pelo perfil de toxicidade. Corticoide inalatório não substitui o sistêmico na crise. Sedar um asmático em crise fora do contexto de intubação é potencialmente fatal, porque deprime o drive respiratório justamente em quem depende do esforço ventilatório para manter alguma troca gasosa.
Qual conduta é indispensável na alta hospitalar de paciente após exacerbação grave de asma?
A alta após exacerbação é o momento de maior risco de recaída e a melhor oportunidade de mudar o curso da doença: corticoide inalatório de manutenção é obrigatório, o corticoide oral segue por alguns dias, a técnica inalatória precisa ser conferida e o plano de ação escrito reduz nova exacerbação, com reavaliação em poucas semanas. Dar alta apenas com broncodilatador de resgate é a prática que perpetua o ciclo de crises - o uso isolado de beta-2-agonista de curta, sem corticoide inalatório, associa-se a maior risco de exacerbação grave e morte.
Paciente asmático em uso de corticoide inalatório em dose baixa com beta-2-agonista de longa duração mantém sintomas frequentes e duas exacerbações no último ano, com técnica inalatória correta e boa adesão. Qual o próximo passo?
Com técnica e adesão já verificadas - etapa que deve sempre preceder qualquer escalonamento -, o passo seguinte é aumentar a dose do corticoide inalatório e considerar antimuscarínico de longa duração, além de avaliar comorbidades como rinossinusite, refluxo, obesidade e apneia do sono, e investigar o fenótipo (eosinofílico, alérgico) para indicar terapia biológica. Corticoide oral contínuo é última linha, com toxicidade importante, e o uso regular de beta-2-agonista de curta sem corticoide inalatório é justamente o padrão associado a mortalidade.
Paciente jovem tratado de crise asmática apresenta, após 4 horas, melhora clínica com pico de fluxo expiratório de 78% do previsto, ausência de dispneia em repouso, SpO2 96% em ar ambiente e boa resposta sustentada. Qual a conduta?
Boa resposta sustentada, com pico de fluxo acima de 70% do previsto, ausência de dispneia em repouso e saturação adequada, permite alta segura - desde que acompanhada de corticoide oral por alguns dias, corticoide inalatório de manutenção, plano de ação escrito, revisão da técnica inalatória e reavaliação precoce. Internar todos os pacientes que responderam bem é uso inadequado de leito, e dar alta sem prescrição de manutenção é o erro oposto, que devolve o paciente ao mesmo pronto-socorro em semanas.
Mulher de 41 anos com asma em uso regular de corticoide inalatório em dose baixa relata tosse e sibilância ao acordar duas vezes por semana e nenhuma limitação nas atividades. Sem exacerbação no último ano. Sobre a avaliação do controle da asma, qual afirmativa está correta?
O controle da asma é um julgamento clínico das últimas quatro semanas, feito por quatro perguntas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, qualquer despertar noturno por asma, uso de resgate mais de duas vezes por semana e limitação de atividade. A função pulmonar é complementar, avalia risco futuro e não substitui esse questionário — paciente com VEF1 normal pode estar mal controlado. Usar apenas a ausência de exacerbações engana porque separa risco futuro de controle atual, que são domínios distintos. Óxido nítrico exalado e eosinofilia ajudam na fenotipagem da asma grave, mas não são obrigatórios na avaliação de rotina.
Mulher de 38 anos, não fumante, refere tosse seca há 10 semanas, pior à noite e após correr. Nega febre e perda ponderal. Radiografia de tórax normal. Espirometria basal normal, com prova broncodilatadora sem resposta. Qual a conduta que melhor esclarece a hipótese principal?
Tosse crônica em não fumante, com radiografia e espirometria normais, e piora noturna e ao exercício, aponta para asma variante de tosse. Como a espirometria basal pode ser normal fora da crise, o exame que fecha o raciocínio é o teste de broncoprovocação: hiper-responsividade brônquica confirma a doença, e um teste negativo praticamente afasta asma pelo alto valor preditivo negativo. A pesquisa de BAAR engana quem para no reflexo automático 'tosse por mais de três semanas', mas aqui não há febre, emagrecimento nem alteração radiológica que sustente tuberculose. A tomografia e a broncoscopia são exames de segunda linha, reservados para tosse refratária após investigação das causas comuns.
Mulher de 29 anos com tosse crônica e diagnóstico presumido de asma iniciou corticoide inalatório em dose média há 3 meses, com melhora parcial. Mantém tosse noturna 3 vezes por semana e usa broncodilatador de resgate 4 vezes por semana. A técnica inalatória foi verificada e está correta e a adesão é boa. Qual o próximo passo?
O quadro é de asma parcialmente controlada apesar de dose média de corticoide inalatório, com técnica e adesão já checadas — os dois primeiros passos antes de qualquer escalonamento. O acréscimo de um beta-2 de longa duração ao corticoide inalatório produz mais ganho de controle e menos exacerbações do que simplesmente dobrar o corticoide, e por isso é a etapa preferencial. Subir para dose alta em monoterapia engana quem raciocina só em 'mais do mesmo', com mais efeito adverso e menos benefício. Corticoide oral prolongado é reservado à asma grave refratária, e montelucaste isolado é menos eficaz que o corticoide inalatório como controlador.
Qual exame não invasivo pode auxiliar na identificação de inflamação eosinofílica das vias aéreas em paciente com tosse crônica?
A fração exalada de óxido nítrico e a eosinofilia no escarro identificam inflamação eosinofílica, presente na asma e também na bronquite eosinofílica não asmática, entidade que cursa com tosse crônica, espirometria e broncoprovocação normais e boa resposta ao corticoide inalatório. Reconhecê-la evita rotular como tosse idiopática um quadro com tratamento específico e eficaz.
Homem de 38 anos com tosse seca predominantemente noturna e após exercício, sem dispneia em repouso. Espirometria normal. Qual exame ajuda a confirmar a hipótese de asma?
A variante tosse da asma cursa com espirometria frequentemente normal fora das crises, e a hiperresponsividade brônquica é demonstrada pela broncoprovocação ou pela variabilidade do pico de fluxo. Um teste de provocação negativo tem alto valor preditivo negativo e praticamente afasta asma como causa da tosse, o que redireciona a investigação para as outras causas frequentes.
Paciente com asma em uso de corticoide inalatório em dose baixa mantém sintomas diurnos frequentes e despertares noturnos. Qual o próximo passo no tratamento?
Antes de escalonar, é obrigatório checar técnica inalatória, adesão, comorbidades e exposições, porque a maior parte da asma não controlada tem causa nesses pontos. Confirmada a necessidade, o passo seguinte é a associação de corticoide inalatório com beta-agonista de longa duração. Monoterapia com beta-agonista de longa duração é formalmente contraindicada na asma por aumentar o risco de eventos graves.
Paciente em crise asmática grave, após uma hora de tratamento otimizado, mantém dispneia intensa e pico de fluxo em 35% do previsto. Qual medida adicional tem melhor respaldo?
O sulfato de magnésio endovenoso em dose única é a terapia adjuvante com melhor evidência na crise grave refratária ao tratamento inicial, reduzindo internação em subgrupos selecionados. A adrenalina intramuscular fica reservada à anafilaxia ou a quem não consegue mobilizar nenhum fluxo inalatório, não como rotina. O antagonista de leucotrieno é droga de controle a longo prazo, sem papel na crise aguda. Mucolítico pode desencadear broncoespasmo. Sedação em paciente asmático que ainda respira espontaneamente é o distrator mais perigoso da lista, pois deprime o esforço ventilatório que sustenta a troca gasosa e pode precipitar parada.
Paciente teve crise asmática moderada tratada no pronto-socorro, com boa resposta e pico de fluxo de 75% do previsto após quatro horas. Qual conduta compõe a alta adequada?
A alta segura combina curso curto de corticoide oral, garantia de terapia de manutenção com corticoide inalatório, verificação da técnica de uso do dispositivo, plano de ação por escrito e agendamento de reavaliação, pois a exacerbação é marcador de risco para nova crise. Alta apenas com broncodilatador de resgate é a prática que perpetua o ciclo de crises e mortalidade, e por isso o uso isolado de beta-2 agonista deixou de ser recomendado como tratamento da asma. Antibiótico sem infecção não previne nada. Suspender o corticoide inalatório após uma exacerbação inverte exatamente a conduta necessária.
Mulher de 24 anos, asmática, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa iniciada há 2 horas. Fala palavras isoladas, senta-se inclinada para frente, FR 36 irpm, FC 130 bpm, SpO2 89% em ar ambiente, tórax silencioso à ausculta e pico de fluxo expiratório de 30% do previsto. Qual é a conduta imediata?
Na crise grave o tripé é oxigênio, broncodilatador inalatório de curta ação com anticolinérgico associado e corticoide sistêmico precoce, que reduz internação e recaída. Tórax silencioso não é melhora, e sim ausência de fluxo, sinal de gravidade máxima. A aminofilina é o distrator que sobrevive de esquemas antigos: acrescenta toxicidade sem benefício comprovado sobre a terapia inalatória otimizada. Antibiótico não tem papel na crise sem infecção bacteriana documentada. A intubação pode ser necessária, mas não antecede o tratamento farmacológico máximo, e na asma é procedimento de alto risco que se busca evitar.
Qual antecedente abaixo é um importante fator de risco para morte relacionada à asma em exacerbações futuras?
Antecedente de crise quase fatal com intubação e ventilação mecânica ou atendimento em terapia intensiva é um importante fator de risco para morte relacionada à asma. Ele informa risco futuro; isoladamente, não caracteriza a gravidade ventilatória da crise atual, que depende dos achados clínicos e funcionais presentes. Rinite e sensibilização alérgica são comorbidades comuns; uso regular de corticoide inalatório tende a reduzir risco, e ausência de exacerbação recente não define alto risco. Fonte: Global Initiative for Asthma (GINA), 2026.
Paciente com crise asmática grave apresenta gasometria arterial com pH 7,36, PaCO2 41 mmHg e PaO2 62 mmHg em oxigênio suplementar. Qual é a interpretação correta?
Na crise asmática o esperado é hipocapnia por hiperventilação, de modo que uma PaCO2 normal em paciente ainda muito dispneico significa que a ventilação alveolar já não acompanha a demanda, marcando exaustão e risco iminente de parada respiratória. Ler o gás como normal é justamente o erro que retarda a decisão de intubar. O pH próximo do normal acompanha essa transição e não afasta gravidade. Não há indício de erro laboratorial nem de acidose metabólica, e alta hospitalar diante desse gás com dispneia importante é conduta inaceitável.
Homem de 30 anos com asma apresenta sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos semanais e uso de resgate quase diário, apesar de usar corticoide inalatório em dose baixa com boa técnica e adesão. Qual é o próximo passo no tratamento?
Diante de asma não controlada com corticoide inalatório em dose baixa, com adesão e técnica verificadas, o passo seguinte é associar um beta-2 agonista de longa ação ao corticoide inalatório no mesmo dispositivo, estratégia superior a apenas dobrar a dose do corticoide. Aumentar o resgate mascara o descontrole e é fator de risco para exacerbação grave. Corticoide oral contínuo pertence à asma grave refratária, com toxicidade relevante. Antagonista de leucotrieno isolado é menos eficaz que o corticoide inalatório, e imunobiológicos exigem asma grave com fenótipo definido após otimização das etapas anteriores.
Gestante de 24 anos, com 26 semanas, procura a Unidade de Pronto Atendimento com crise de asma: dispneia, sibilos difusos, frequência respiratória de 28 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 93% em ar ambiente. Usa apenas broncodilatador de resgate e abandonou o corticoide inalatório ao descobrir a gravidez, por medo de prejudicar o bebê. A ausculta pulmonar mostra sibilos expiratórios difusos. Assinale a conduta correta.
O tratamento da crise asmática na gestação é o mesmo do não gestante — beta-agonista de curta ação, oxigênio para manter saturação adequada e corticoide sistêmico —, e o corticoide inalatório deve ser reintroduzido, pois asma mal controlada traz risco fetal muito maior do que a medicação. Manter a suspensão do corticoide inalatório perpetua o descontrole e reproduz o mito que motivou o abandono. Antibiótico não está indicado sem evidência de infecção bacteriana, e prescrever corticoide oral sem manutenção não previne novas crises. Internação em terapia intensiva é reservada a crises graves com falência respiratória.
Mulher de 27 anos, com asma diagnosticada, retorna à Unidade Básica de Saúde em uso de budesonida-formoterol em dose baixa de manutenção. Refere sintomas diurnos quatro vezes por semana, dois despertares noturnos no último mês e limitação para subir ladeira. Usa a medicação de resgate quase diariamente. Técnica inalatória verificada e adequada; adesão confirmada pela dispensação. Sem tabagismo, sem rinite não tratada e sem exposição ocupacional. Qual é a conduta?
Asma não controlada com técnica e adesão verificadas e fatores agravantes afastados indica progressão de etapa terapêutica, com aumento da dose de corticoide inalatório associado ao formoterol, conduta plenamente executável na atenção primária. Manter a dose diante de sintomas frequentes perpetua o descontrole e o risco de exacerbação. Corticoide oral contínuo tem toxicidade elevada e não é etapa de escalonamento nesse cenário. O encaminhamento se justificaria apenas se houvesse descontrole persistente após otimização.
Mulher de 26 anos, gestante de 22 semanas, com asma persistente moderada, procura a Unidade Básica de Saúde referindo que suspendeu o corticoide inalatório ao descobrir a gestação, por medo de prejudicar o bebê. Desde então tem despertares noturnos e usa broncodilatador de resgate quase diariamente. Qual é a orientação correta?
O controle da asma na gestação é prioritário, pois crises e hipoxemia materna aumentam risco de prematuridade, baixo peso e pré-eclâmpsia, e o corticoide inalatório tem perfil de segurança favorável, devendo ser mantido. Usar apenas resgate deixa a inflamação sem tratamento e perpetua o descontrole. Corticoide oral contínuo tem mais efeitos adversos e não substitui a terapia inalatória de manutenção. Adiar o tratamento expõe a gestante e o feto a crises evitáveis, e o risco do descontrole supera o do medicamento.
Mulher de 24 anos realiza espirometria por dispneia aos esforços. Os resultados mostram capacidade vital forçada de 92% do previsto, VEF1 de 68% do previsto e relação VEF1/CVF de 0,62. Após broncodilatador, o VEF1 aumenta 16% e 320 mL em relação ao valor basal. Qual é a interpretação correta?
Relação VEF1/CVF reduzida com capacidade vital forçada preservada define obstrução, e o aumento superior a 12% e 200 mL no VEF1 após broncodilatador caracteriza resposta significativa, achado compatível com asma em paciente jovem com dispneia. O padrão restritivo cursa com redução da capacidade vital e relação normal ou aumentada. Considerar o exame normal ignora a relação reduzida e a resposta broncodilatadora. O distúrbio misto exigiria queda concomitante da capacidade vital forçada, não observada.
Mulher de 47 anos, com asma persistente moderada em uso regular de corticoide inalatório associado a formoterol, mantém sintomas diurnos mais de duas vezes por semana e despertares noturnos semanais. A técnica inalatória foi verificada e está correta, a adesão é boa e não há tabagismo. Rinite alérgica não tratada, com obstrução nasal diária. Qual é a conduta mais adequada?
Antes de escalonar o tratamento, é obrigatório revisar adesão, técnica inalatória e comorbidades, e a rinite alérgica não tratada é causa frequente de asma não controlada, de forma que tratá-la pode melhorar o controle. Suspender o corticoide inalatório retira o pilar anti-inflamatório e aumenta o risco de exacerbação grave. Corticoide oral contínuo traz toxicidade elevada e não é etapa apropriada nesse momento. Imunobiológico é reservado à asma grave após otimização de adesão, técnica e comorbidades.
Homem de 44 anos, internado por crise asmática grave, apresenta melhora parcial após três séries de broncodilatador inalatório e corticoide sistêmico. Mantém dispneia intensa, uso de musculatura acessória, fala entrecortada e SpO2 91%. A gasometria mostra pH 7,38 e PaCO2 42 mmHg, com ausculta com sibilos difusos e murmúrio reduzido. Qual é a interpretação e a conduta?
Na crise asmática grave espera-se hipocapnia por hiperventilação, e uma PaCO2 normal ou elevada sinaliza fadiga da musculatura respiratória e risco iminente de insuficiência ventilatória, exigindo tratamento intensivo e ambiente com possibilidade de suporte ventilatório. Interpretar a gasometria como normal e dar alta é erro potencialmente fatal. Reduzir o tratamento diante de sinais de gravidade agrava a evolução. Não há dado sugerindo infecção, e antibiótico não corrige a obstrução nem a fadiga muscular.
Gestante de 24 anos, com 33 semanas, é atendida na Unidade Básica de Saúde referindo crises de falta de ar e chiado no peito duas a três vezes por semana, com despertares noturnos quinzenais. Tem asma desde a infância e suspendeu a budesonida inalatória ao descobrir a gestação, por medo de prejudicar o bebê, usando apenas salbutamol quando tem sintomas. Está eupneica no momento, com saturação de 97%, frequência respiratória de 18 ipm e sibilos esparsos à ausculta. A conduta correta é
A asma mal controlada associa-se a pré-eclâmpsia, restrição de crescimento, prematuridade e hipoxemia fetal, e os corticoides inalatórios têm perfil de segurança bem estabelecido na gestação, devendo ser mantidos ou reintroduzidos; a suspensão por medo do medicamento é causa comum de descontrole. Manter apenas o resgate deixa a inflamação sem tratamento. Corticoide oral contínuo expõe a efeitos sistêmicos desnecessários quando o inalatório é suficiente. O salbutamol é seguro e essencial como medicação de alívio, e sua suspensão retiraria a única terapia que ela ainda usa.
Mulher de 33 anos, asmática, chega à emergência com dispneia progressiva há 8 horas, sem melhora com salbutamol domiciliar. Ao exame encontra-se sentada, com fala entrecortada em palavras isoladas, uso de musculatura acessória, FR 34 ipm, FC 128 bpm, PA 128x78 mmHg, saturação de 88% em ar ambiente e murmúrio vesicular muito diminuído, com sibilos escassos. O pico de fluxo expiratório está em 35% do previsto e a paciente encontra-se agitada. A conduta inicial mais adequada é:
Na crise asmática grave, o tratamento inicial combina oxigenoterapia, broncodilatador beta-2 agonista de curta ação associado ao brometo de ipratrópio em doses seriadas e corticoide sistêmico o mais precocemente possível, pois seu efeito leva horas para se instalar. Corticoide inalatório não é droga de resgate na crise e não substitui a via sistêmica. Antibiótico não é rotina, já que a maioria das exacerbações tem gatilho viral ou ambiental. Sedação em paciente asmático agitado por hipoxemia mascara a deterioração e precipita parada respiratória, sendo permitida apenas no contexto de intubação.
Mulher de 27 anos, com asma, procura a Unidade Básica de Saúde por piora dos sintomas nas últimas semanas, com uso de broncodilatador de resgate cinco vezes por semana e despertares noturnos semanais. Está em uso de corticoide inalatório em dose baixa. Ao exame: eupneica, saturação 97%, ausculta com sibilos expiratórios discretos, sem tiragem. A equipe verifica a técnica inalatória e observa que ela dispara o dispositivo antes de iniciar a inspiração e não realiza pausa inspiratória, além de não usar espaçador. A conduta inicial mais adequada é:
Antes de escalonar tratamento na asma não controlada, é obrigatório revisar adesão, técnica inalatória, exposição a gatilhos e comorbidades; aqui há erro técnico evidente, e corrigi-lo com uso de espaçador pode restabelecer o controle sem aumentar dose ou custo. Escalonar direto e associar corticoide oral prolongado expõe a efeitos adversos sistêmicos sem corrigir a causa do descontrole. Antileucotrieno é menos eficaz que o corticoide inalatório como controlador principal. Antibiótico não tem indicação sem sinais de infecção bacteriana, e corticoide oral não substitui a correção do uso do dispositivo.
Homem de 40 anos, com asma persistente moderada em uso regular de corticoide inalatório associado a beta-agonista de longa ação, comparece ao ambulatório com controle inadequado. Ele apresenta sibilância frequente, três despertares noturnos por semana e uso diário de medicação de resgate. Ele tem rinite alérgica associada, testes cutâneos positivos para ácaros e imunoglobulina E total elevada. A técnica inalatória foi verificada e está correta, e a adesão é boa, sem tabagismo e sem refluxo. A conduta mais adequada é
Asma não controlada com adesão e técnica adequadas indica escalonamento do tratamento, incluindo otimização das doses, controle das comorbidades como a rinite e avaliação de imunoterapia alérgeno-específica ou terapia biológica em casos selecionados. Manter beta-agonista de longa ação sem corticoide inalatório é contraindicado por aumentar exacerbações graves e mortalidade. Corticoide oral contínuo acarreta efeitos adversos importantes e não é estratégia de manutenção. Reduzir o corticoide inalatório em paciente descontrolado agrava o quadro.
Homem de 52 anos, com asma diagnosticada na infância, comparece à Unidade Básica de Saúde após duas internações por exacerbação no último ano e três cursos de corticoide oral em doze meses. Está em uso de corticoide inalatório em dose alta associado a broncodilatador de longa duração, com técnica inalatória verificada como adequada, boa adesão e sem exposição a tabagismo ou alérgenos evidentes. Ao exame: sibilos difusos, saturação 95%, sem sinais de exacerbação aguda. A conduta mais adequada é:
Asma que permanece descontrolada apesar de tratamento otimizado, com adesão e técnica adequadas e ausência de gatilhos evidentes, com exacerbações graves de repetição, caracteriza asma grave e justifica encaminhamento para avaliação especializada, que pode reavaliar o diagnóstico e considerar terapias adicionais, mantendo o cuidado compartilhado. Aumentar doses indefinidamente sem reavaliação agrega efeitos adversos sem controle. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante e deve ser evitado. Retirar o broncodilatador de longa duração reduz o controle e aumenta o risco de exacerbação.
Gestante de 27 anos, com 25 semanas, é internada em maternidade com quadro de crise asmática grave. Ela tem asma persistente moderada e havia suspendido o corticoide inalatório ao engravidar. Ao exame, apresenta frequência respiratória de 34 ipm, saturação de 90% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, sibilos difusos e dificuldade para completar frases. A frequência cardíaca é de 128 bpm e a cardiotocografia mostra taquicardia fetal com variabilidade preservada. A conduta imediata correta é
A crise asmática na gestação é tratada com as mesmas medidas usadas fora da gestação, com oxigenoterapia para manter saturação adequada, broncodilatador de curta ação em série e corticoide sistêmico, pois a hipoxemia materna é o principal risco para o feto. Reduzir a dose do broncodilatador por temor de efeitos adversos subtrata a crise. Evitar corticoide sistêmico prolonga a inflamação e a hipoxemia. Antecipar o parto não resolve o broncoespasmo e acrescenta prematuridade.
Mulher de 34 anos, com asma desde a infância, é atendida no pronto-socorro com crise há oito horas, sem melhora com broncodilatador domiciliar. Ao exame: agitada, fala apenas palavras isoladas, PA 128x82 mmHg, FC 128 bpm, FR 34 ipm, saturação 90% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, sibilos difusos. Gasometria arterial: pH 7,38, pressão parcial de gás carbônico 42 mmHg, pressão parcial de oxigênio 58 mmHg. Ela usa corticoide inalatório irregularmente e teve internação em terapia intensiva por asma há dois anos. A interpretação da gasometria e a conduta corretas são:
Na crise asmática, espera-se hipocapnia por hiperventilação; a normalização da pressão parcial de gás carbônico em paciente ainda muito taquipneico e com fala entrecortada sinaliza fadiga da musculatura respiratória e falência iminente, exigindo tratamento intensivo e preparo para suporte ventilatório. Interpretar a normocapnia como boa compensação e dar alta é erro clássico e potencialmente fatal. Considerar a gasometria normal ignora a hipoxemia e o contexto clínico. Ajustar apenas o tratamento domiciliar abandona uma emergência em curso.
Mulher de 28 anos, com asma persistente moderada, é atendida em ambulatório com controle inadequado, apesar do uso de corticoide inalatório associado a broncodilatador de longa duração. Ela apresenta despertares noturnos semanais e uso de resgate quase diário. Ao exame: eupneica, saturação 97%, ausculta com sibilos discretos, sem sinais de exacerbação aguda, IMC 24 kg/m2. A técnica inalatória foi verificada e está adequada, e a adesão foi confirmada. Ela tem rinite alérgica não tratada e refere refluxo gastroesofágico frequente, além de exposição a mofo no domicílio. A conduta mais adequada é:
Antes ou junto ao escalonamento da terapia, é obrigatório tratar comorbidades e fatores ambientais que perpetuam o descontrole da asma, como rinite alérgica, refluxo gastroesofágico e exposição a mofo, já que adesão e técnica inalatória já foram confirmadas. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante e não é a próxima etapa. Retirar o broncodilatador de longa duração piora o controle. Considerar a asma incontrolável e encerrar o acompanhamento abandona a paciente sem explorar causas tratáveis.
Mulher de 25 anos, com asma, é atendida em ambulatório para revisão. Ela está no segundo trimestre de gestação e relata que suspendeu o corticoide inalatório ao descobrir a gravidez, por receio de prejudicar o bebê. Desde então, apresenta despertares noturnos e uso frequente de broncodilatador de resgate. Ao exame: FR 20 ipm, saturação 96%, ausculta com sibilos difusos discretos, altura uterina compatível, batimentos cardiofetais normais. Ela nega febre, tosse produtiva ou infecção recente, e mantém boa capacidade funcional apesar dos sintomas. A conduta correta é:
O controle da asma na gestação é prioritário, pois crises e hipoxemia materna trazem risco fetal maior do que os medicamentos habitualmente empregados; a conduta é reintroduzir o corticoide inalatório e esclarecer a paciente sobre a segurança do tratamento. Manter a suspensão perpetua o descontrole e o risco de exacerbação grave. Corticoide oral contínuo tem mais efeitos adversos e não substitui a via inalatória. Retirar também o resgate deixa a paciente sem alívio em crises, com risco materno e fetal.
Mulher de 44 anos, com asma persistente grave, é atendida em ambulatório especializado. Ela mantém sintomas diários e três exacerbações com corticoide oral no último ano, apesar de corticoide inalatório em dose alta, broncodilatador de longa duração e antagonista muscarínico de longa duração, com técnica e adesão confirmadas. Ao exame: saturação 94%, ausculta com sibilos difusos, sem sinais de exacerbação aguda. Exames: eosinófilos sanguíneos de 620/mm3, imunoglobulina E elevada com sensibilização a aeroalérgenos perenes, sem sinais de outras doenças pulmonares. A conduta mais adequada é:
Asma grave não controlada com fenótipo inflamatório tipo 2, evidenciado por eosinofilia e imunoglobulina E elevada com sensibilização, é candidata a terapia biológica dirigida, que reduz exacerbações e a necessidade de corticoide sistêmico, mantendo o tratamento inalatório otimizado e o controle de fatores agravantes. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade significativa e deve ser evitado como manutenção. Retirar o corticoide inalatório piora o controle. Restringir atividades sem tratar não é conduta terapêutica.
Mulher de 35 anos, com asma, é atendida no pronto-socorro com crise iniciada há quatro horas. Ao exame: fala frases completas, PA 122x76 mmHg, FC 104 bpm, FR 24 ipm, saturação 95% em ar ambiente, ausculta com sibilos difusos, sem uso importante de musculatura acessória, sem cianose. Ela recebeu duas séries de broncodilatador de curta ação inalatório com espaçador, com melhora parcial. Pico de fluxo expiratório de 58% do previsto após o tratamento inicial. Ela nega internações prévias em terapia intensiva e mantém uso irregular de corticoide inalatório. A conduta correta é:
Crise asmática moderada com resposta parcial ao broncodilatador exige corticoide sistêmico, que reduz recaídas, manutenção do broncodilatador conforme necessário, observação da resposta e, na alta, ajuste do tratamento de manutenção com plano de ação escrito. Liberar sem corticoide aumenta o risco de recidiva precoce. Ventilação invasiva é reservada à falência respiratória, ausente. Antibiótico não é indicado de rotina, pois a maioria das exacerbações tem gatilho viral ou alérgico, e não bacteriano.
Homem de 45 anos, com asma persistente moderada bem controlada, é atendido em ambulatório para revisão. Ele está assintomático há um ano, sem exacerbações, sem despertares noturnos e sem uso de resgate, em uso de corticoide inalatório em dose média associado a broncodilatador de longa duração. Ao exame: saturação 98%, FR 16 ipm, ausculta pulmonar limpa, sem sibilos. Espirometria com função pulmonar normal e sem obstrução. Ele pergunta se pode reduzir a medicação, pois se sente bem e gostaria de simplificar o tratamento diário. A conduta correta é:
Após pelo menos três meses de controle sustentado, é apropriado reduzir gradualmente a dose do corticoide inalatório, mantendo o controle e reavaliando periodicamente, sem suspender totalmente o controlador, cuja retirada completa aumenta o risco de exacerbações graves. Suspender tudo e manter apenas o resgate é conduta associada a piores desfechos. Manter a dose indefinidamente expõe a efeitos adversos evitáveis. Corticoide oral contínuo tem perfil de segurança muito pior que a via inalatória.
Mulher de 33 anos, com asma, é atendida em ambulatório para revisão. Ela relata que usa apenas o broncodilatador de curta ação, várias vezes ao dia, e nunca aderiu ao corticoide inalatório por acreditar que corticoide seria prejudicial. Ao exame: saturação 96%, FR 18 ipm, ausculta com sibilos difusos discretos, sem sinais de exacerbação aguda. Ela teve duas idas ao pronto-socorro no último ano por crises e apresenta despertares noturnos semanais. Espirometria com obstrução leve e resposta broncodilatadora significativa. Exames laboratoriais sem alterações relevantes. A conduta mais adequada é:
O uso isolado de broncodilatador de curta ação está associado a maior risco de exacerbações graves e óbito, e o tratamento controlador com corticoide inalatório é indispensável, sendo essencial esclarecer as diferenças de dose e de efeitos entre a via inalatória e a sistêmica para superar a resistência da paciente. Manter apenas o resgate perpetua o risco. Corticoide oral contínuo tem perfil de segurança muito pior. Encerrar o acompanhamento abandona a paciente sem tratamento adequado.
Mulher de 43 anos, com asma, é atendida em ambulatório com controle inadequado. Ela mora em casa com infiltração e mofo, tem dois gatos que dormem no quarto e o marido fuma dentro de casa. Ao exame: saturação 95%, FR 18 ipm, ausculta com sibilos difusos, rinorreia e mucosa nasal pálida. Ela usa corticoide inalatório em dose média com técnica adequada e boa adesão, e apresenta despertares noturnos frequentes e uso de resgate quase diário. Testes cutâneos são positivos para ácaros, fungos e epitélio de gato, com espirometria mostrando obstrução com resposta broncodilatadora significativa. A conduta mais adequada é:
Exposições ambientais relevantes e sensibilizações documentadas explicam o descontrole apesar de técnica e adesão adequadas, sendo a conduta implementar medidas estruturadas de controle ambiental, com destaque para a eliminação da exposição ao tabaco, antes ou junto ao escalonamento terapêutico. Escalonar ignorando o ambiente perpetua o gatilho. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante. Aumentar o uso do resgate trata sintoma, sinaliza descontrole e associa-se a maior risco de exacerbações graves.
Mulher de 34 anos é atendida no pronto-socorro com crise asmática grave. Ela recebeu broncodilatador de curta ação em série, corticoide sistêmico e oxigênio, sem melhora satisfatória. Ao exame: agitada, fala palavras isoladas, PA 132x84 mmHg, FC 136 bpm, FR 36 ipm, saturação 89% com oxigênio suplementar, uso intenso de musculatura acessória, ausculta com murmúrio muito reduzido e sibilos escassos. Gasometria: pH 7,28, pressão parcial de gás carbônico 52 mmHg, pressão parcial de oxigênio 56 mmHg. Ela apresenta piora progressiva do nível de consciência durante a reavaliação clínica. A conduta correta é:
Murmúrio muito reduzido com sibilos escassos, fala entrecortada, hipercapnia com acidose e rebaixamento progressivo do sensório indicam falência respiratória iminente na crise asmática, exigindo intubação orotraqueal e ventilação mecânica com estratégia que minimize o aprisionamento aéreo, mantendo o tratamento broncodilatador intensivo. Manter apenas séries inalatórias com reavaliação tardia arrisca parada respiratória. Ventilação não invasiva prolongada é inadequada com rebaixamento do sensório. Antibiótico não reverte broncoespasmo.
Mulher de 39 anos, gestante de 28 semanas, é atendida no pronto-socorro com crise asmática. Ao exame: fala frases curtas, PA 118x74 mmHg, FC 118 bpm, FR 28 ipm, saturação 92% em ar ambiente, ausculta com sibilos difusos, uso de musculatura acessória, altura uterina compatível, batimentos cardiofetais de 150 bpm. Ela usa corticoide inalatório de forma irregular. Gasometria com hipoxemia leve e hipocapnia. Não há sinais de trabalho de parto, sangramento ou perda de líquido, e o exame obstétrico não evidencia outras intercorrências no momento da avaliação. A conduta correta é:
Na crise asmática durante a gestação, o tratamento deve ser tão agressivo quanto fora dela, pois a hipoxemia materna é a principal ameaça ao feto, incluindo broncodilatador, corticoide sistêmico e oxigenoterapia para manter saturação materna adequada. Evitar corticoide sistêmico por receio infundado piora o desfecho materno e fetal. Interromper a gestação não é o tratamento da crise. Aguardar avaliação obstétrica antes de tratar retarda medidas que protegem justamente o bem-estar fetal.
Mulher de 51 anos, com asma, é atendida em ambulatório com piora do controle nas últimas semanas. Ela iniciou, há dois meses, betabloqueador não seletivo prescrito para enxaqueca. Ao exame: saturação 94%, FR 18 ipm, ausculta com sibilos difusos, sem sinais de exacerbação aguda, sem febre. Espirometria com obstrução mais acentuada que no exame anterior. Ela mantém boa adesão ao corticoide inalatório e técnica adequada, e não houve mudança de exposição ambiental, infecção recente ou início de outros medicamentos além do prescrito para a enxaqueca. A conduta mais adequada é:
Betabloqueadores não seletivos podem desencadear broncoespasmo e piorar o controle da asma, e a relação temporal clara com o início do fármaco, na ausência de outras mudanças, indica substituição por alternativa segura para a enxaqueca, em discussão com o prescritor, seguida de reavaliação do controle. Manter o fármaco e escalonar a asma trata a consequência sem remover a causa. Retirar o corticoide inalatório agrava o descontrole. Negar a relação medicamentosa ignora uma associação bem estabelecida.
Mulher de 49 anos é atendida em ambulatório com tosse crônica e dispneia há dois anos, atribuídas a asma sem confirmação funcional. Ela usa corticoide inalatório em dose alta sem melhora. Ao exame: obesa, FR 18 ipm, saturação 96%, ausculta pulmonar limpa, sem sibilos, sem estertores. Espirometria com prova broncodilatadora normal em duas ocasiões, teste de broncoprovocação negativo, radiografia de tórax normal, tomografia sem alterações e exame otorrinolaringológico com sinais de refluxo laringofaríngeo. Ela apresenta pirose frequente e rouquidão matinal, com piora dos sintomas ao deitar-se após as refeições. A conduta correta é:
Espirometria e broncoprovocação normais afastam asma, e a persistência do tratamento inalatório expõe a paciente a efeitos adversos sem benefício, sendo a conduta rever o diagnóstico, suspender gradualmente o corticoide inalatório e tratar o refluxo laringofaríngeo, causa provável dos sintomas. Manter ou aumentar o tratamento inalatório perpetua um diagnóstico incorreto. Corticoide oral contínuo agrega morbidade significativa sem tratar a causa real da tosse crônica identificada na avaliação.
Mulher de 43 anos, com asma, é atendida em ambulatório após episódio de crise grave que exigiu internação em terapia intensiva há um mês. Ela recebeu alta com corticoide inalatório em dose alta associado a broncodilatador de longa duração e retorna assintomática. Ao exame: saturação 97%, FR 16 ipm, ausculta pulmonar limpa, sem sibilos. Espirometria com função pulmonar em recuperação. Ela pergunta se pode voltar a usar apenas o broncodilatador de resgate, como fazia antes, uma vez que se sente bem e não tem apresentado sintomas desde a alta hospitalar. A orientação correta é:
Antecedente de crise asmática quase fatal com internação em terapia intensiva é o principal preditor de nova crise grave, exigindo manutenção da terapia controladora regular, plano de ação escrito e seguimento próximo, independentemente da ausência atual de sintomas. Voltar ao uso isolado do resgate reproduz o padrão associado a exacerbações graves e óbito. Suspender tudo é ainda mais arriscado. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante e não substitui a terapia inalatória controladora.
Mulher de 39 anos, com asma, é atendida em ambulatório com sintomas persistentes apesar do tratamento. Ela relata que os sintomas pioram na segunda metade do ciclo menstrual, com necessidade aumentada de resgate e episódios de crise nesse período, de forma cíclica e repetida há anos. Ao exame fora do período de piora: saturação 97%, FR 16 ipm, ausculta pulmonar limpa, IMC 25 kg/m2. Espirometria fora da crise com obstrução leve e resposta broncodilatadora significativa. Ela mantém adesão adequada e técnica inalatória correta, sem exposições ambientais novas identificadas na anamnese. A conduta mais adequada é:
Piora cíclica e repetida dos sintomas na segunda metade do ciclo menstrual, com adesão e técnica adequadas, caracteriza asma relacionada ao ciclo menstrual, cuja abordagem inclui ajuste do tratamento controlador nos períodos de maior risco e discussão de estratégias hormonais com a ginecologia. Considerar coincidência abandona um padrão reconhecível e manejável. Retirar o corticoide inalatório agrava o descontrole. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante e não é a estratégia indicada.
Gestante de 27 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que faz uso de corticoide inalatório e broncodilatador para asma, além de anti-histamínico para rinite. Ela pergunta quais medicamentos pode manter e quais deve suspender. Está assintomática do ponto de vista respiratório, com ausculta pulmonar normal, saturação de 98% e pressão arterial de 108x66 mmHg. O exame obstétrico é normal e a gestação transcorre sem intercorrências. A orientação correta é
Corticoides inalatórios e broncodilatadores têm perfil de segurança estabelecido na gestação e devem ser mantidos, pois a asma não controlada é mais deletéria que os fármacos, revisando-se o anti-histamínico para opção com melhor perfil. Suspender todos os medicamentos no primeiro trimestre é causa frequente de descontrole. Corticoide oral em dias alternados expõe a efeitos sistêmicos desnecessários. Manter apenas o resgate deixa a inflamação sem tratamento.
Gestante de 27 anos, na 20ª semana, com asma persistente leve, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando que suspendeu o corticoide inalatório ao descobrir a gravidez, por medo de prejudicar o bebê. Desde então, apresenta despertares noturnos e uso de broncodilatador de resgate quatro vezes por semana. Ao exame, está eupneica em repouso, com sibilos expiratórios esparsos, saturação de 97% e frequência respiratória de 18 irpm. Qual é a conduta adequada?
Na gestação, a asma mal controlada associa-se a pré-eclâmpsia, prematuridade, baixo peso e hipoxemia fetal, riscos superiores aos do corticoide inalatório, que é seguro e deve ser mantido ou reintroduzido para obter o controle. Manter apenas o resgate perpetua a inflamação e o descontrole. O corticoide oral contínuo tem mais efeitos adversos e é reservado a exacerbações ou asma grave. Suspender toda medicação expõe mãe e feto a crises e hipóxia, sendo a conduta mais perigosa.
Uma mulher de 32 anos com asma em uso de corticoide inalatório em dose baixa relata sintomas diurnos quatro vezes por semana, despertar noturno semanal e uso de broncodilatador de alívio quase diariamente, com limitação para atividade física. A técnica inalatória foi verificada e está correta, e ela não fuma nem tem rinite descontrolada. A espirometria mostra distúrbio obstrutivo leve com resposta ao broncodilatador. Ela é professora, relata piora dos sintomas em ambiente com poeira e faltou a três aulas no último mês por causa da falta de ar durante o trabalho. Qual é a conduta correta?
Sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertar noturno, uso frequente de medicação de alívio e limitação de atividade caracterizam asma não controlada, indicando progressão da etapa terapêutica após confirmar adesão, técnica inalatória e controle de comorbidades, com reavaliação em poucas semanas. Interpretar o uso frequente do alívio como bom controle inverte o critério. Corticoide oral contínuo não é terapia de manutenção da asma pelos efeitos adversos. Retirar o corticoide inalatório e manter apenas alívio aumenta o risco de exacerbação grave e óbito.
Mulher, 25 anos, G1P0, com 18 semanas, asmática desde a infância, relata que suspendeu o corticoide inalatório ao saber da gestação, temendo prejudicar o bebê. Desde então apresenta despertares noturnos três vezes por semana e uso diário de salbutamol. FR 22 ipm, SatO2 95%, ausculta com sibilos difusos expiratórios. PA 110/68 mmHg, FC 96 bpm. Nega febre, tosse produtiva ou dor torácica. Qual a conduta correta?
Reintroduzir o corticoide inalatório é a conduta correta, pois a asma mal controlada associa-se a hipoxemia materna, restrição de crescimento fetal, prematuridade e pré-eclâmpsia, riscos muito superiores aos da medicação inalatória, que tem absorção sistêmica mínima e é considerada segura na gestação. Manter a suspensão perpetua o descontrole evidenciado pelos despertares noturnos e pelo uso diário de resgate. Substituir por corticoide oral contínuo é escalonamento desproporcional, com efeitos adversos maternos relevantes. Prescrever antibiótico e anti-histamínico não trata a inflamação brônquica e não há sinais de infecção. A imunoterapia não deve ser iniciada durante a gestação pelo risco de reação anafilática, embora possa ser mantida quando já estabelecida.
Mulher, 39 anos, internada na UTI por asma grave, evolui com melhora após 48 horas de tratamento com corticoide sistêmico, broncodilatadores e sulfato de magnésio. Está extubada, em ar ambiente com saturação de 96%, sem sibilos, com pico de fluxo expiratório em recuperação. A equipe planeja a transição de cuidados e a prevenção de novas crises graves, considerando que a paciente teve três internações por asma no último ano. Qual conduta é a mais adequada na alta da UTI?
Após crise grave de asma, a prevenção de novos eventos depende de corticoide inalatório de manutenção, plano de ação escrito, revisão da técnica inalatória e da adesão, identificação de gatilhos e seguimento especializado, especialmente em quem teve múltiplas internações. Prescrever apenas broncodilatador de curta duração é justamente o padrão associado a maior mortalidade por asma. Corticoide sistêmico contínuo e indefinido acumula efeitos adversos graves. Suspender toda a medicação inalatória após a crise garante recidiva. Orientar apenas procurar o pronto-atendimento em nova crise abandona a prevenção e mantém o ciclo de internações.
Mulher, 24 anos, em crise de asma há 6 horas, sem melhora com salbutamol domiciliar. Exame: FR 34 ipm, FC 124 bpm, PA 124x78 mmHg, SatO2 91% em ar ambiente, sibilos difusos, tiragem intercostal e fala entrecortada em palavras. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,38, PaCO2 41 mmHg, PaO2 62 mmHg, HCO3 24 mEq/L e lactato 2,1 mmol/L (VR até 2,0). Como interpretar a gasometria nesse contexto?
Em crise de asma, o esperado é hiperventilação com hipocapnia e alcalose respiratória; PaCO2 de 41 mmHg em paciente com FR de 34 ipm, tiragem e fala entrecortada representa normocapnia relativa, sinal de fadiga da musculatura respiratória e marcador clássico de crise quase fatal, exigindo monitorização e preparo para via aérea avançada. Considerar a gasometria normal e liberar a paciente é o erro mais perigoso do cenário. Rotular como alcalose respiratória compensada de crise leve inverte o significado prognóstico do achado. A discreta elevação do lactato decorre do uso de beta-agonista e do trabalho muscular, sem indicação de bicarbonato, que agravaria a retenção de CO2. Falar em shunt fixo é impróprio, pois a hipoxemia da asma decorre de distúrbio de ventilação-perfusão e responde a oxigênio suplementar.
Homem, 31 anos, pintor de automóveis há 4 anos, refere tosse, chiado e dispneia que surgem algumas horas após o expediente e melhoram nos fins de semana e nas férias. Nega atopia prévia e tabagismo. Exame realizado em segunda-feira pela manhã: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta pulmonar normal. Espirometria em consulta ambulatorial: normal, com prova broncodilatadora negativa. Ele deseja saber se pode continuar no emprego. Qual a conduta mais adequada para confirmar o diagnóstico?
A relação temporal entre sintomas e jornada laboral, com melhora em períodos de afastamento, caracteriza suspeita de asma ocupacional, e o método prático de confirmação é a monitorização seriada do pico de fluxo expiratório por pelo menos duas semanas no trabalho e duas fora dele, buscando variabilidade que acompanhe a exposição — no caso, isocianatos das tintas. A dosagem de IgE e testes cutâneos avaliam atopia geral e não estabelecem nexo ocupacional, sobretudo com agentes de baixo peso molecular. A tomografia de alta resolução investiga doença intersticial ou bronquiolite, não asma. Afastar definitivamente sem documentar o nexo prejudica direitos previdenciários e a própria conduta clínica. Repetir a espirometria em seis meses mantendo a exposição perpetua o risco de remodelamento brônquico irreversível.
Mulher, 27 anos, asmática em uso de corticoide inalatório em dose baixa associado a formoterol de manutenção, relata sintomas diurnos quatro vezes por semana, dois despertares noturnos no último mês e uso de resgate três vezes por semana. Não houve limitação de atividades. Exame: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta com sibilos expiratórios discretos. Técnica inalatória verificada como adequada e adesão confirmada por contagem de doses; nega tabagismo e refluxo. Qual a conduta mais adequada?
Sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos e uso frequente de resgate caracterizam asma parcialmente controlada a não controlada; com adesão e técnica inalatória já verificadas e fatores agravantes afastados, a conduta é subir de etapa, aumentando o corticoide inalatório para dose média mantendo o formoterol. Manter o esquema atual perpetua o descontrole e o risco de exacerbação. Trocar por corticoide inalatório isolado retira o broncodilatador de longa duração, reduzindo a eficácia. O corticoide oral contínuo é reservado à asma grave refratária após esgotadas as etapas inaladas e as terapias biológicas, dada a toxicidade cumulativa. Suspender o corticoide inalatório e usar antileucotrieno isolado remove o pilar anti-inflamatório do tratamento e é conduta formalmente contraindicada.
Mulher, 32 anos, asmática, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa há 3 horas. Exame: FR 32 ipm, FC 126 bpm, PA 128x80 mmHg, SatO2 90% em ar ambiente, fala em palavras isoladas, uso de musculatura acessória e sibilos difusos. Recebeu três séries de salbutamol com ipratrópio inalatórios e corticoide sistêmico na primeira hora, mantendo pico de fluxo expiratório em 42% do previsto e sem melhora clínica significativa após esse período. Qual a próxima medida terapêutica indicada?
Em crise asmática grave sem resposta ao tratamento inicial otimizado com beta-agonista, anticolinérgico e corticoide sistêmico na primeira hora, o sulfato de magnésio endovenoso em dose única é a medida adjuvante recomendada, por reduzir internações nesse subgrupo, mantendo-se a inalação contínua e o oxigênio. A aminofilina foi abandonada por estreita janela terapêutica e ausência de benefício adicional quando o tratamento inalatório é otimizado. A adrenalina intramuscular é reservada à anafilaxia ou a paciente incapaz de receber terapia inalatória. Antibiótico não é indicado na crise asmática sem evidência de pneumonia, já que os desencadeantes habituais são virais. A intubação é decisão clínica reservada a rebaixamento, exaustão ou parada iminente, e não deve ser tomada apenas pela ausência de melhora em uma hora, quando ainda há opções terapêuticas.
Mulher, 41 anos, asmática, mantém três exacerbações com corticoide oral no último ano apesar de corticoide inalatório em dose alta com beta-agonista e antimuscarínico de longa duração, adesão comprovada e técnica adequada. Exame: FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, sibilos esparsos, polipose nasal. Eosinófilos séricos de 620 células/mm³ (VR 50–500); IgE total de 90 UI/mL; fração exalada de óxido nítrico de 58 ppb (VR até 25). Nega tabagismo e refluxo sintomático. Qual a conduta mais adequada?
Asma grave não controlada apesar da etapa máxima de terapia inalatória, com adesão e técnica confirmadas, eosinofilia acima de 300 células/mm³, óxido nítrico exalado elevado e polipose nasal, caracteriza fenótipo inflamatório do tipo 2 de perfil eosinofílico, no qual os anticorpos anti-interleucina-5 reduzem exacerbações e a dependência de corticoide oral. Manter corticoide oral contínuo acarreta osteoporose, diabetes e supressão adrenal, e é justamente o que a terapia biológica busca evitar. O macrolídeo em dose baixa é alternativa considerada em asma neutrofílica ou sem fenótipo do tipo 2, com risco de resistência e alteração do intervalo QT. A termoplastia brônquica tem indicação restrita e não é primeira opção após falha inalatória. O omalizumabe é anti-IgE e depende de sensibilização alérgica com IgE elevada, e o valor de 90 UI/mL não sustenta essa escolha.
Mulher, 28 anos, com tosse seca há 6 meses, pior à noite e após exposição a poeira, sem sibilância documentada. Exame: FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar limpa. Espirometria basal normal, com prova broncodilatadora negativa. Radiografia de tórax normal. Nega refluxo, gotejamento pós-nasal e uso de inibidor da enzima conversora de angiotensina. A investigação prossegue com teste de broncoprovocação com metacolina. Qual resultado confirma a hipótese de asma nessa paciente?
O teste de broncoprovocação com metacolina é positivo quando ocorre queda de pelo menos 20% do volume expiratório forçado no primeiro segundo em concentração baixa do agente, demonstrando hiper-responsividade brônquica e sustentando o diagnóstico de asma em paciente com espirometria basal normal. Aumento do volume expiratório forçado após metacolina não faz sentido fisiológico, pois o agente é broncoconstritor. Queda de 5% da capacidade vital forçada não é critério de positividade e situa-se dentro da variabilidade do método. A ausência de queda mesmo na maior concentração caracteriza teste negativo, que tem alto valor preditivo negativo e praticamente exclui asma. A fração exalada de óxido nítrico é medida em exame separado e reflete inflamação eosinofílica, não fazendo parte dos critérios de positividade da broncoprovocação.
Mulher, 27 anos, gestante de 22 semanas, asmática, procura atendimento por medo dos efeitos da medicação sobre o feto e por isso suspendeu o corticoide inalatório há 6 semanas. Relata sintomas diários e dois despertares noturnos por semana. Exame: FR 20 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, sibilos difusos, útero compatível com a idade gestacional e batimentos cardíacos fetais normais. Pico de fluxo expiratório em 68% do melhor valor pessoal. Qual a conduta correta?
Asma não controlada na gestação associa-se a pré-eclâmpsia, restrição de crescimento fetal, prematuridade e baixo peso ao nascer, de modo que o risco da doença descontrolada supera amplamente o dos medicamentos; a conduta é reintroduzir o corticoide inalatório, cujo perfil de segurança na gestação é bem estabelecido, sobretudo com budesonida. Manter a suspensão e usar apenas resgate perpetua a hipoxemia intermitente que prejudica o feto. Substituir por antileucotrieno isolado retira o pilar anti-inflamatório de melhor evidência e não controla asma persistente moderada. Iniciar corticoide oral contínuo até o parto é escalonamento desnecessário, com risco de diabetes gestacional e hipertensão. Adiar o tratamento de manutenção para o puerpério expõe mãe e feto a meses de descontrole e risco de exacerbação grave.
Adolescente do sexo masculino, 16 anos, atleta de futebol, refere tosse, aperto no peito e chiado que surgem cerca de 8 minutos após o início do treino e cedem em 30 minutos de repouso, há 6 meses. Fora do exercício é assintomático. Exame em repouso: FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar limpa. Espirometria basal normal. Após teste de exercício, houve queda de 18% do VEF1 em relação ao valor pré-esforço. Qual a conduta mais adequada?
Queda do volume expiratório forçado igual ou superior a 10% após exercício confirma broncoespasmo induzido pelo esforço, e o manejo consiste em beta-agonista de curta duração 10 a 15 minutos antes da atividade, associado a aquecimento progressivo, acrescentando corticoide inalatório de manutenção se os sintomas forem frequentes ou houver asma subjacente. Suspender a prática esportiva é conduta desnecessária e prejudicial, pois a condição é controlável. O corticoide oral antes de cada treino expõe a toxicidade sistêmica sem eficácia como profilaxia aguda. O anti-histamínico trata rinite alérgica associada, mas não previne o broncoespasmo do exercício. O macrolídeo prolongado não tem indicação e acrescenta risco de resistência e de alteração do intervalo QT.
Mulher, 34 anos, asmática com duas idas ao pronto-socorro no último ano, retorna para revisão. Exame: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta pulmonar limpa. Está em uso regular de corticoide inalatório com formoterol, com boa técnica. Relata não saber como agir quando os sintomas pioram e costuma esperar até ficar muito dispneica para procurar atendimento. Qual a intervenção mais efetiva para reduzir novas idas ao pronto-socorro?
O plano de ação escrito individualizado, que orienta reconhecer a piora, ajustar a medicação de manutenção e resgate e definir quando procurar atendimento, é intervenção educacional com redução comprovada de exacerbações graves e de idas ao pronto-socorro, sendo componente obrigatório do manejo. Trocar para nebulização domiciliar não é superior ao inalador com espaçador e pode retardar a busca por atendimento. O corticoide oral contínuo é reservado à asma grave refratária e traz toxicidade relevante. A espirometria mensal não altera desfechos e sobrecarrega o paciente sem benefício. A termoplastia brônquica tem indicação restrita em asma grave selecionada, jamais como medida educacional preventiva.
Mulher, 30 anos, atendida por crise asmática moderada, recebeu três séries de salbutamol com ipratrópio e prednisona oral. Após 3 horas, refere melhora importante. Exame: FR 18 ipm, FC 84 bpm, SatO2 96% em ar ambiente, fala frases completas, sem uso de musculatura acessória, ausculta com raros sibilos. Pico de fluxo expiratório em 78% do previsto, mantido estável na última hora. Qual a conduta correta?
Resposta sustentada com pico de fluxo acima de 70% do previsto, saturação normal em ar ambiente, ausência de sinais de esforço e estabilidade por pelo menos uma hora após o tratamento autorizam alta, que deve incluir corticoide oral por cinco a sete dias, revisão ou introdução da terapia inalatória de manutenção, checagem da técnica, plano de ação escrito e retorno em até uma semana. Internar por 48 horas é desproporcional em paciente que preencheu critérios de alta. Manter em observação por mais doze horas não acrescenta segurança diante de resposta já estabilizada. Dar alta apenas com resgate, sem corticoide sistêmico e sem manutenção, é erro clássico associado a recidiva precoce. A terapia intensiva destina-se a crise grave com risco de falência respiratória.
Homem, 25 anos, asmático, relata usar apenas salbutamol quando tem sintomas, cerca de cinco vezes por semana, e nunca usou medicação de manutenção. Refere duas idas ao pronto-socorro no último ano. Exame: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, sibilos expiratórios discretos. Espirometria com relação VEF1/CVF de 0,68 e resposta broncodilatadora positiva. Nega tabagismo. Sobre o tratamento da asma nesse paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que o beta-agonista isolado é aceitável enquanto houver boa resposta: essa estratégia foi abandonada porque alivia o sintoma sem tratar a inflamação, associa-se a exacerbações graves e a maior mortalidade, e a boa resposta imediata mascara o risco. O aumento de mortalidade com uso isolado e frequente de resgate está corretamente enunciado. A recomendação de que todo asmático receba corticoide inalatório, isolado ou combinado, é o pilar atual do tratamento. O uso de resgate mais de duas vezes por semana como marcador de descontrole também é correto. A possibilidade de usar a combinação de corticoide inalatório com formoterol como resgate, inclusive nas etapas iniciais, é recomendação vigente.
Mulher, 34 anos, asmática, chega ao pronto-socorro em crise moderada. Relata internação em terapia intensiva com intubação por asma há 2 anos, três idas ao pronto-socorro no último ano, uso de dois frascos de salbutamol por mês e ausência de medicação de manutenção. Exame: FR 26 ipm, FC 112 bpm, SatO2 93% em ar ambiente, sibilos difusos, fala frases curtas. Qual elemento indica maior risco de desfecho fatal nessa paciente?
O antecedente de intubação ou internação em terapia intensiva por asma é o marcador mais robusto de risco de asma quase fatal, ao lado de exacerbações frequentes, uso excessivo de beta-agonista de curta duração, ausência de corticoide inalatório e má adesão — vários deles presentes nesta paciente. A frequência cardíaca de 112 bpm reflete a crise atual e o efeito do beta-agonista, sem valor prognóstico de longo prazo. A saturação de 93% indica crise moderada, e não risco fatal por si só. A idade de 34 anos não caracteriza faixa de maior gravidade. Os sibilos difusos são achado esperado na crise e, paradoxalmente, o tórax silencioso é que denota gravidade extrema.
Mulher, 44 anos, asmática, mantém sintomas diários apesar de corticoide inalatório em dose média com formoterol, com técnica e adesão confirmadas. Exame: IMC 39 kg/m², FR 18 ipm, SatO2 95% em ar ambiente, sibilos esparsos. Refere pirose diária e ronco intenso. Espirometria com obstrução leve e resposta broncodilatadora positiva. Nega tabagismo e exposição ocupacional relevante. Qual a conduta mais adequada antes de considerar terapia biológica?
Antes de rotular a asma como grave e indicar terapia biológica, é obrigatório confirmar o diagnóstico, checar adesão e técnica e tratar comorbidades: obesidade, doença do refluxo gastroesofágico e apneia obstrutiva do sono são causas frequentes de descontrole aparente, e sua abordagem pode dispensar escalonamento farmacológico. O corticoide oral contínuo acarreta toxicidade cumulativa e é reservado a casos refratários após esgotadas essas etapas. Elevar o corticoide inalatório indefinidamente sem tratar as comorbidades reproduz o descontrole com mais efeitos adversos. Suspender o formoterol retira o broncodilatador de longa duração e piora o controle. A tomografia pode ser útil em casos selecionados, mas não é a prioridade diante de comorbidades tão evidentes.
Homem, 62 anos, asmático controlado com corticoide inalatório e formoterol, sofreu infarto agudo do miocárdio com fração de ejeção de 38%. Exame: FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, PA 118x72 mmHg, FC 88 bpm, ausculta pulmonar sem sibilos. O cardiologista questiona se o betabloqueador está contraindicado pela asma, considerando o benefício de mortalidade após o evento coronariano. Qual a conduta mais adequada?
O benefício de mortalidade do betabloqueador após infarto com disfunção ventricular é expressivo, e a asma controlada não é contraindicação absoluta: recomenda-se agente cardiosseletivo, como metoprolol ou bisoprolol, iniciado em dose baixa e titulado com monitorização de sintomas e função pulmonar. Contraindicar definitivamente priva o paciente de terapia que reduz mortalidade. O bloqueador de canal de cálcio não di-hidropiridínico não substitui o benefício prognóstico do betabloqueador e é evitado na disfunção sistólica pelo efeito inotrópico negativo. Suspender o corticoide inalatório é conduta perigosa, pois remove o tratamento de base da asma. O propranolol é não seletivo e bloqueia receptores beta-2 brônquicos, sendo justamente o agente a evitar.
Mulher, 29 anos, técnica de enfermagem, apresenta há 8 meses espirros, prurido nas mãos após uso de luvas, urticária de contato e episódios de sibilância que melhoram nas folgas prolongadas. Exame: FR 18 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, sibilos esparsos, lesões eczematosas nas mãos. IgE específica para látex positiva. Espirometria com obstrução leve e resposta broncodilatadora positiva; nega tabagismo. Qual a conduta mais adequada?
Asma ocupacional com sensibilização mediada por IgE ao látex exige eliminação da exposição, com substituição por luvas sem látex e adoção institucional de ambiente livre do alérgeno, além de tratamento da asma, notificação como doença relacionada ao trabalho e emissão da comunicação de acidente de trabalho. Manter a exposição perpetua a inflamação e leva a remodelamento irreversível, mesmo com corticoide inalatório. Trocar por luvas de látex com pó agrava a situação, pois o pó veicula as proteínas alergênicas em aerossol. O anti-histamínico contínuo controla sintomas cutâneos e nasais, mas não protege as vias aéreas inferiores nem interrompe a progressão. A imunoterapia para látex não é opção estabelecida de primeira linha e não substitui o afastamento.
Mulher, 31 anos, asmática de difícil controle, registra pico de fluxo expiratório domiciliar duas vezes ao dia por 3 semanas. Exame: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta discreta. O diário mostra melhor valor pessoal de 420 L/min, com medidas matinais em torno de 290 L/min e vespertinas próximas de 400 L/min, configurando variabilidade diária média de aproximadamente 26%. Qual a interpretação correta desse achado?
Variabilidade diária do pico de fluxo superior a 10% em adultos indica labilidade das vias aéreas, e valores em torno de 26%, com queda matinal marcante, o chamado mergulho matinal, confirmam asma não controlada, indicando ajuste do tratamento de manutenção e revisão de adesão, técnica e comorbidades. Considerar essa variabilidade normal ignora o limiar estabelecido. Atribuir a erro sistemático não se sustenta diante de padrão temporal consistente por três semanas. A doença restritiva não produz variabilidade diária acentuada, e o pico de fluxo não é o exame para caracterizá-la. A obstrução fixa de via aérea superior geraria valores persistentemente reduzidos e pouco variáveis, com achatamento das alças na curva fluxo-volume.
Mulher, 36 anos, com tosse crônica e dispneia intermitente, realiza avaliação complementar. Exame: FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta pulmonar limpa. Espirometria normal com prova broncodilatadora negativa. Fração exalada de óxido nítrico de 62 ppb (VR até 25). Nega tabagismo, uso de corticoide inalatório e infecção respiratória recente; radiografia de tórax normal. Qual a interpretação mais adequada desse resultado?
A fração exalada de óxido nítrico reflete inflamação eosinofílica das vias aéreas mediada por interleucinas do tipo 2, e valores elevados em paciente não tabagista, sem corticoide inalatório, sugerem fenótipo corticorresponsivo, ajudando a orientar o tratamento e a prever resposta ao corticoide inalatório. O exame não indica infecção bacteriana, que cursaria com neutrofilia e não eleva esse marcador. O resultado isolado não confirma o diagnóstico de asma, que depende da demonstração de limitação variável ao fluxo aéreo, ainda pendente nesta paciente. A doença intersticial não é avaliada por esse marcador, dependendo de imagem e função pulmonar. A obstrução fixa de via aérea superior é caracterizada pela curva fluxo-volume, e não pelo óxido nítrico exalado.
Mulher, 38 anos, asmática, será submetida a colecistectomia videolaparoscópica eletiva. Refere sintomas duas vezes por semana e uso de resgate semanal, em uso irregular de corticoide inalatório. Exame: FR 16 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, sibilos expiratórios discretos. Espirometria com VEF1 de 76% do previsto e resposta broncodilatadora positiva. Cirurgia programada para daqui a três semanas. Qual a conduta pré-operatória mais adequada?
Asma não controlada aumenta o risco de broncoespasmo perioperatório, laringoespasmo e complicações respiratórias, e o intervalo de três semanas permite otimizar o tratamento inalatório, revisar técnica e adesão e reavaliar o controle antes do procedimento, considerando-se ainda corticoide sistêmico curto no pré-operatório de pacientes sintomáticos. Manter a cirurgia sem ajustes desperdiça a janela de otimização. Cancelar definitivamente é desproporcional, pois a asma é controlável. O corticoide oral por seis meses acarreta toxicidade sistêmica desnecessária. Substituir a anestesia geral por bloqueio regional pode ser vantajoso em alguns procedimentos, mas não é aplicável universalmente e não substitui o controle prévio da doença.
Adolescente de 17 anos, com asma persistente moderada em uso de corticoide inalatório e broncodilatador de longa duração, descobre estar grávida de 10 semanas. FR 18 ipm, FC 88 bpm, SatO2 98%, com asma controlada há seis meses. Ela questiona se deve suspender as medicações inalatórias durante a gestação por receio de efeitos sobre o desenvolvimento fetal. Qual a orientação correta?
O tratamento de controle da asma deve ser mantido na gestação, pois a asma não controlada associa-se a hipoxemia materna, restrição de crescimento fetal, prematuridade e pré-eclâmpsia, riscos superiores aos das medicações inalatórias, consideradas seguras. Suspender a medicação no primeiro trimestre expõe mãe e feto a exacerbações. O corticoide oral contínuo tem mais efeitos adversos que o inalatório. Manter apenas medicação de alívio leva à perda de controle. Iniciar imunoterapia na gestação não é recomendado.
Mulher de 23 anos, não fumante, relata tosse noturna e episódios de sibilância após contato com gatos. Nos intervalos fica assintomática. A espirometria documenta limitação expiratória que melhora significativamente após broncodilatador. Qual é o diagnóstico mais provável?
Sintomas variáveis e obstrução reversível em paciente com gatilhos alérgicos favorecem asma. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Mulher de 23 anos, não fumante, relata tosse noturna e episódios de sibilância após contato com gatos. Nos intervalos fica assintomática. A espirometria documenta limitação expiratória que melhora significativamente após broncodilatador. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A variabilidade do calibre brônquico explica crises e intervalos de melhora. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Mulher de 23 anos, não fumante, relata tosse noturna e episódios de sibilância após contato com gatos. Nos intervalos fica assintomática. A espirometria documenta limitação expiratória que melhora significativamente após broncodilatador. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A documentação funcional de variabilidade sustenta asma e deve ser interpretada junto à clínica. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Mulher de 23 anos, não fumante, relata tosse noturna e episódios de sibilância após contato com gatos. Nos intervalos fica assintomática. A espirometria documenta limitação expiratória que melhora significativamente após broncodilatador. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
O controle anti-inflamatório reduz exacerbações; broncodilatador isolado não substitui o tratamento controlador. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Jovem apresenta tosse e chiado noturnos intermitentes, piora com poeira e espirometria com limitação expiratória que melhora significativamente após broncodilatador. Qual diagnóstico é mais provável?
Variabilidade clínica e funcional favorece asma. Sintomas respiratórios variáveis e limitação variável ao fluxo expiratório apoiam asma; confirmação objetiva deve ser buscada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Atleta tem episódios de aperto torácico e sibilância desencadeados por exercício; investigação demonstra variação documentada do fluxo expiratório. Qual diagnóstico é mais provável?
Sintomas episódicos associados a variabilidade objetiva apoiam asma. Sintomas respiratórios variáveis e limitação variável ao fluxo expiratório apoiam asma; confirmação objetiva deve ser buscada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Paciente apresenta sintomas respiratórios que desaparecem por semanas e retornam após exposição a alérgenos. Diário de pico de fluxo revela variabilidade excessiva. Qual diagnóstico é mais provável?
A oscilação do fluxo reforça o diagnóstico de asma. Sintomas respiratórios variáveis e limitação variável ao fluxo expiratório apoiam asma; confirmação objetiva deve ser buscada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Mulher com rinite tem episódios de chiado e espirometria normal entre crises. Teste de provocação demonstra hiperresponsividade em contexto clínico compatível. Qual diagnóstico é mais provável?
Espirometria normal fora da crise não exclui asma. Sintomas respiratórios variáveis e limitação variável ao fluxo expiratório apoiam asma; confirmação objetiva deve ser buscada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma
Asmático apresenta dispneia e chiado após exposição irritativa, com esforço moderado e estabilidade clínica, antes de qualquer medicação de resgate. Qual medida é mais adequada neste momento?
Broncodilatador e corticoide sistêmico são apropriados à exacerbação descrita. Exacerbação asmática requer broncodilatação e tratamento anti-inflamatório; resposta e sinais de gravidade orientam escalada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Adulto asmático tem chiado e redução do pico de fluxo, mantém consciência e ventilação e não tem sinais de falência iminente. Ainda não recebeu tratamento para a crise. Qual medida é mais adequada neste momento?
Broncodilatação e corticoide tratam a exacerbação apresentada. Exacerbação asmática requer broncodilatação e tratamento anti-inflamatório; resposta e sinais de gravidade orientam escalada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Mulher com asma apresenta exacerbação após virose, fala frases completas e tem sibilância difusa, sem silêncio auscultatório ou alteração de consciência. Qual medida é mais adequada neste momento?
O quadro permite tratamento inicial broncodilatador e anti-inflamatório com reavaliação. Exacerbação asmática requer broncodilatação e tratamento anti-inflamatório; resposta e sinais de gravidade orientam escalada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Homem sem sinais de choque apresenta crise asmática moderada com broncoespasmo documentado. Não recebeu broncodilatador e mantém ventilação efetiva. Qual medida é mais adequada neste momento?
O tratamento da obstrução e da inflamação é a prioridade inicial. Exacerbação asmática requer broncodilatação e tratamento anti-inflamatório; resposta e sinais de gravidade orientam escalada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Em paciente com tosse e dispneia variável, a curva mostrada foi reprodutível. Qual informação adicional é mais útil para caracterizar funcionalmente o padrão observado?

A forma sugere limitação expiratória. A relação VEF1/CVF ajuda a classificar a obstrução, enquanto a resposta ao broncodilatador avalia mudança funcional; nenhum desses elementos, sozinho, determina toda a etiologia.
Adulto com episódios recorrentes de sibilância apresenta a curva fluxo-volume da figura, obtida com técnica aceitável. Qual componente sustenta limitação ao fluxo expiratório?

O ramo acima do zero está escavado e apresenta fluxos menores que a referência. Esse padrão sugere obstrução, a ser integrado a VEF1/CVF, valores de referência e contexto clínico.
Um aluno afirma que a melhora representada na figura, por si só, confirma asma e exclui DPOC. Qual interpretação é correta?

A mudança funcional está demonstrada. Resposta ao broncodilatador não é sinônimo exclusivo de asma nem exclui automaticamente DPOC; sintomas, exposições, variabilidade e demais dados devem ser integrados.
Na espirometria da figura, as manobras foram aceitáveis e reprodutíveis. Usando o critério ERS/ATS de variação superior a 10% do VEF1 previsto, qual é a interpretação da resposta?

O VEF1 sobe de cerca de 1,83 para 2,83 L, ganho de 1,00 L. Dividindo por 3,00 L previstos, obtém-se aproximadamente 33%, acima de 10%.
Uma paciente com asma continua sintomática apesar de receita de manutenção. Na consulta, demonstra que aciona o aerossol antes de colocá-lo na boca e não coordena a inspiração. Antes de atribuir a situação à resistência farmacológica, qual intervenção é prioritária?
A prescrição não garante deposição pulmonar adequada. Técnica e adesão precisam ser avaliadas antes de concluir falha do esquema e aumentar desnecessariamente a exposição a medicamentos. Referência: NHLBI/NIH. Asthma: Treatment and Action Plan. https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Um paciente percebe alívio rápido do chiado com o broncodilatador de resgate e considera que esse efeito demonstra controle de todos os componentes da asma. Qual distinção farmacológica é relevante para orientar o seguimento?
O alívio da broncoconstrição não demonstra, por si, controle sustentado da inflamação ou do risco de exacerbação. O esquema deve ser avaliado como um todo, incluindo a terapia anti-inflamatória indicada. Referência: NHLBI/NIH. Asthma: Treatment and Action Plan. https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Um paciente com asma recebe tratamento de manutenção, mas procura diferentes serviços quando piora porque não sabe distinguir sinais de alerta nem como usar o esquema de alívio prescrito. Qual componente educativo atende mais diretamente a essa lacuna?
Um plano compreensível relaciona estado clínico, medicações e ações diante de agravamento. Deve ser compatível com o esquema prescrito e revisto com o paciente, incluindo demonstração da técnica. Referência: NHLBI/NIH. Asthma: Treatment and Action Plan. https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/treatment-action-plan
Um adulto tem episódios compatíveis com asma, mas a avaliação funcional inicial realizada fora dos sintomas é inconclusiva. Em ambiente apropriado, considera-se teste de provocação brônquica. Qual propriedade das vias aéreas esse teste investiga?
A provocação mede a resposta funcional das vias aéreas a agentes ou esforços definidos. O resultado é interpretado no contexto da suspeita clínica e das condições de segurança do procedimento. Referência: NHLBI/NIH. Asthma: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/diagnosis
Uma adulta relata episódios de chiado e aperto torácico desencadeados por poeira e exercício, com intervalos assintomáticos. A equipe solicita espirometria antes e após broncodilatador. Qual informação a comparação pretende obter?
A comparação avalia variabilidade da limitação ao fluxo, que pode apoiar o diagnóstico de asma no contexto clínico. Um resultado deve ser integrado à história e, quando necessário, a outras avaliações funcionais. Referência: NHLBI/NIH. Asthma: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/asthma/diagnosis
Qual classe de medicamento é usada no teste para avaliar reversibilidade da limitação ao fluxo?

O teste compara medidas antes e após broncodilatação.
Um asmático adota a postura da figura. Após tratamento inicial, torna-se sonolento e os sibilos diminuem, mas a entrada de ar também cai. Qual leitura evita confundir deterioração com melhora? Esquema didático do acervo OsceLabs.

Ruído menor não é sinônimo de obstrução menor. A evolução clínica indica necessidade de escalada imediata do suporte.
Qual descrição corresponde à postura do paciente com dispneia na figura? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A postura de apoio anterior pode auxiliar músculos acessórios em situações de esforço respiratório.
Pessoa com obstrução conhecida realiza nova avaliação da resposta ao broncodilatador. Qual interpretação integra corretamente os valores e as curvas? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

VEF₁ varia 5,6% do previsto e CVF varia 17,4% do previsto. O aumento de CVF de 2,65 para 3,45 L atende ao critério indicado.
Paciente com limitação expiratória faz o teste broncodilatador apresentado. Qual interpretação integra corretamente os valores e as curvas? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

VEF₁ sobe de 1,90 para 2,50 L. A variação de 0,60 L corresponde a 15,8% do previsto (3,80 L), superando 10%.
Pessoa com sibilância episódica realiza teste antes e depois de broncodilatador. Qual interpretação integra corretamente os valores e as curvas? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

VEF₁ sobe de 1,50 para 2,05 L. A variação de 0,55 L corresponde a 17,2% do previsto (3,20 L), superando 10%.
Paciente com dispneia e expiração prolongada realiza as duas etapas do exame. Qual interpretação integra corretamente os valores e as curvas? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

VEF₁ varia 6,0% do previsto e CVF varia 18,8% do previsto. O aumento de CVF de 2,00 para 2,75 L atende ao critério indicado.
Pessoa com episódios recorrentes de chiado realiza o exame em duas etapas mostrado. Qual interpretação integra corretamente os valores e as curvas? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

VEF₁/CVF pré-BD = 2,00/3,10 = 0,65; limite inferior 0,70. Após BD. VEF₁/CVF = 3,35/4,00 = 0,84, acima do limite inferior.
Adulto com sintomas respiratórios variáveis apresenta as curvas pré e pós-broncodilatador. Qual interpretação integra corretamente os valores e as curvas? Imagem sintética de exame complementar para treinamento.

VEF₁/CVF pré-BD = 1,60/2,60 = 0,62; limite inferior 0,70. Após BD. VEF₁/CVF = 2,85/3,50 = 0,81, acima do limite inferior.
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