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Clínica MédicaPneumologia

Asma

Três perguntas resolvem quase toda questão de asma: você provou obstrução variável e com que número, em que nível de controle o paciente está nas últimas quatro semanas, e qual é o medicamento de alívio que ele leva para casa. A terceira mudou — e é onde a prova pega.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 24 anos procura a UBS com tosse seca, chiado e aperto no peito que pioram à noite e após exercício, há vários meses. Refere rinite alérgica e episódios semelhantes na adolescência. Ao exame, fora das crises: PA 118x74 mmHg, FC 78 bpm, FR 16 ipm, SatO2 98%, ausculta com sibilos expiratórios esparsos. Qual exame é o mais indicado para confirmar o diagnóstico?

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Como esse tema cai

Asma é o tema respiratório mais previsível da prova de residência, porque as decisões que ela cobra são sempre as mesmas três. Você provou obstrução variável, e com qual número? Em que nível de controle o paciente está nas últimas quatro semanas? Qual é o medicamento de alívio que ele leva para casa? Quem acerta essas três acerta a questão inteira, mesmo sem decorar o resto.

A terceira pergunta é a que mudou, e é por isso que asma voltou a render questão. A GINA retirou o beta2-agonista de curta duração isolado da mesa por motivo de segurança, e o Brasil acompanhou: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Asma publicado pelo Ministério da Saúde em março de 2026 já traz como regime preferencial o corticoide inalatório associado ao formoterol usado como alívio. Ou seja: salbutamol sob demanda e nada mais não é conduta correta em nenhum documento vigente, brasileiro ou internacional.

O que ainda separa o papel do balcão é disponibilidade. O que a unidade básica entrega pelo Farmácia Popular é beclometasona e salbutamol. Budesonida com formoterol existe no SUS, mas pela porta do componente especializado, com laudo assinado e renovado a cada seis meses. Por isso o próprio PCDT mantém um regime alternativo — corticoide inalatório diário mais SABA sob demanda — e por isso a prova brasileira aceita, e às vezes exige, esse segundo esquema. Reconhecer qual dos dois mundos o enunciado descreve vale mais do que decorar os dois.

Este capítulo é do adulto e do adolescente a partir de 12 anos. Asma na infância tem capítulo próprio, com cortes espirométricos e faixas de dose diferentes. DPOC também tem o seu; aqui a diferenciação com DPOC entra só onde ela muda a conduta.

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O que muda decisão

Duas metades, e a segunda tem número

O diagnóstico de asma tem duas metades e as duas precisam existir. A primeira é história de sintomas respiratórios variáveis. A segunda é a documentação de limitação variável do fluxo aéreo expiratório. Nenhuma das duas sozinha fecha diagnóstico, e é a segunda que a prova pede em número.

Os sintomas típicos são sibilância, dispneia, opressão torácica e tosse. O que aumenta a probabilidade de serem asma não é o sintoma em si, é o comportamento dele: varia em frequência e intensidade, piora à noite ou nas primeiras horas da manhã, é disparado por exercício, riso, alérgenos, ar frio ou infecção viral. Mais de um sintoma junto reforça o diagnóstico. Sintomas que pioram depois do esforço são, segundo a GINA de 2025, particularmente distintivos.

O que empurra para outro diagnóstico: tosse crônica isolada sem nenhum outro sintoma, produção crônica de secreção, dispneia acompanhada de tontura e formigamento, dor torácica ao esforço. Início dos sintomas na infância, rinite alérgica ou eczema atual ou pregresso e história familiar de asma ou alergia aumentam a probabilidade — a associação entre via aérea superior e inferior é forte e deve ser perguntada.

Um ponto que a prova adora e que quase ninguém decora: nem a GINA de 2025 nem o PCDT de 2026 fixam um valor numérico de VEF1/CVF para diagnosticar asma. A relação reduzida em relação ao limite inferior da normalidade caracteriza obstrução, mas o que define asma é a variabilidade dessa obstrução, e é ela que precisa estar documentada. A razão fixa de 0,70 pós-broncodilatador é critério de DPOC, não de asma — quem transporta o 0,70 para cá está respondendo a outra pergunta.

O corolário prático é incômodo e verdadeiro: um paciente pode ter asma com relação VEF1/CVF normal, desde que se documente variabilidade por outro caminho. E um paciente com relação reduzida e sem nenhuma variabilidade documentada não tem, ainda, diagnóstico de asma firmado.

Provar a variabilidade: cinco caminhos e seus cortes

O PCDT de 2026 lista cinco maneiras de documentar fluxo aéreo expiratório variável no adulto. Qualquer uma delas serve. Quanto maiores e mais frequentes as variações, mais confiável o diagnóstico.

Primeiro caminho, o mais cobrado: teste de responsividade ao broncodilatador. No adulto, aumento do VEF1 ou da CVF de pelo menos 12% e pelo menos 200 mL em relação ao valor pré-broncodilatador. Os dois critérios são simultâneos, não alternativos. A confiabilidade é maior se o aumento chegar a 15% e 400 mL — mas isso é confiança adicional, não requisito. Se não houver espirometria, aumento do pico de fluxo expiratório de pelo menos 20%. Repare que a CVF entra ao lado do VEF1: um paciente que responde com ganho de capacidade vital, e não de VEF1, tem teste positivo.

A técnica importa e cai em questão: medir 10 a 15 minutos após 200 a 400 mcg de salbutamol. O teste é mais confiável se o broncodilatador tiver sido suspenso antes — SABA por pelo menos 4 horas, formoterol e salmeterol por 24 horas, antimuscarínicos de longa duração como tiotrópio, umeclidínio e glicopirrônio por 36 a 48 horas. Paciente que fez a bombinha na sala de espera pode ter um teste falsamente negativo.

Segundo caminho: variabilidade excessiva do pico de fluxo medido duas vezes ao dia por duas semanas. No adulto, variabilidade média diária acima de 10%. Calcula-se a cada dia a diferença entre o maior e o menor valor dividida pela média dos dois, e no fim tira-se a média dos 14 dias. Use sempre o mesmo medidor: aparelhos diferentes variam entre si em até 20%.

Terceiro caminho: aumento da função pulmonar após quatro semanas de corticoide inalatório — VEF1 subindo pelo menos 12% e 200 mL, ou pico de fluxo pelo menos 20%, em relação ao registrado antes de começar o tratamento. É o caminho para o paciente que chega já sintomático e não pode esperar teste.

Quarto caminho: teste de provocação brônquica positivo. No adulto, queda do VEF1 de pelo menos 20% com dose padrão de metacolina; ou pelo menos 15% com hiperventilação padronizada, solução salina hipertônica ou manitol; ou queda de mais de 10% e mais de 200 mL com teste de exercício padronizado. Se o VEF1 cair durante a provocação, confira se a relação VEF1/CVF também caiu — esforço insuficiente ou obstrução laríngea induzível derrubam o VEF1 sem obstrução brônquica verdadeira.

Quinto caminho: variabilidade excessiva entre consultas — variação do VEF1 de pelo menos 12% e 200 mL, ou do pico de fluxo de pelo menos 20%, entre duas visitas. Tem boa especificidade e baixa sensibilidade: quando aparece, vale; quando não aparece, não exclui nada.

Eosinófilos no sangue acima do intervalo de referência apoiam o diagnóstico de asma tipo 2 em quem tem sintomas típicos e função pulmonar negativa, mas não substituem nenhum dos cinco caminhos e podem ter outras causas. Eosinófilo baixo não exclui asma.

Duas curvas fluxo-volume sobrepostas do mesmo paciente: a menor com ramo expiratório escavado e a maior, obtida após o broncodilatador, com ramo expiratório mais cheio.
Resposta ao broncodilatador no adulto: aumento do VEF1 ou da CVF de pelo menos 12% e pelo menos 200 mL em relação ao valor pré-broncodilatador. Os dois critérios são simultâneos.

Espirometria normal não exclui, e sibilo não confirma

O exame físico do asmático fora da crise costuma ser normal. Quando há achado, é sibilo expiratório, às vezes audível apenas na expiração forçada. Crepitações e sibilância inspiratória não são típicas de asma e devem levantar outra hipótese. Vale sempre olhar a via aérea superior: sinais de rinite alérgica e pólipos nasais mudam a probabilidade.

A inversão que a prova cobra: na exacerbação grave, a ausência de sibilância pode significar obstrução extrema, com fluxo insuficiente para gerar ruído. Tórax silencioso em paciente dispneico é sinal de risco de vida, não de melhora.

Espirometria normal em paciente com sintomas típicos é situação comum e não encerra a investigação. O que se faz é repetir o exame durante os sintomas ou nas primeiras horas da manhã, suspender o broncodilatador pelo tempo devido, checar variabilidade do VEF1 entre consultas, e só depois considerar provocação brônquica ou outro diagnóstico.

No paciente que já usa corticoide inalatório, o PCDT dá um roteiro específico. Se há sintomas variáveis mas nenhum fluxo variável documentado, e o VEF1 está acima de 70% do previsto, considera-se reduzir o corticoide inalatório e reavaliar em 2 a 4 semanas, para então repetir a prova broncodilatadora ou fazer provocação. Se o VEF1 está abaixo de 70% do previsto, faz-se o contrário: intensifica-se o tratamento com corticoide inalatório por 3 meses e reavalia-se; sem resposta, volta-se à dose anterior e encaminha-se para investigação.

Se há poucos sintomas, função pulmonar normal e nenhuma variabilidade, é legítimo tentar reduzir e até suspender a manutenção — se os sintomas retornarem e a função cair, a asma está confirmada; se nada mudar na menor etapa, considera-se interromper a manutenção ou migrar para corticoide inalatório com formoterol sob demanda, monitorando por pelo menos 12 meses. Interromper o corticoide inalatório fora dessa finalidade diagnóstica não é conduta aceita.

A fronteira com DPOC é decidida por padrão, não por um exame. Empurra para asma: sintomas que variam em intensidade ao longo do tempo, gatilhos como riso, exercício e alérgenos, início antes dos 40 anos, melhora espontânea ou com broncodilatador em minutos e com corticoide inalatório em dias a semanas, diagnóstico de asma na infância. Empurra para DPOC: sintomas persistentes, tabagismo ou exposição tóxica, limitação que não some. Na dúvida entre os dois, ou na sobreposição, trata-se como asma — porque broncodilatador de ação prolongada isolado é tratamento inicial aceitável na DPOC e proibido na asma, por risco de exacerbação grave e morte.

Controle é das últimas quatro semanas; gravidade é de meses

Controle e gravidade são coisas diferentes e a prova troca as duas de propósito. Controle é o quanto as manifestações da doença estão suprimidas pelo tratamento agora — avalia-se nas últimas quatro semanas e muda de consulta para consulta. Gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter a doença controlada; é característica intrínseca, só se define depois de meses de tratamento otimizado, e muda devagar.

O instrumento é uma pergunta de quatro itens, referida às últimas quatro semanas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana; qualquer despertar noturno por asma; uso de medicamento de resgate mais de duas vezes por semana; qualquer limitação de atividade por asma. Nenhum item presente é asma controlada. Um ou dois itens, parcialmente controlada. Três ou quatro, não controlada.

Duas ressalvas que valem questão. A primeira: no paciente em terapia de manutenção e resgate com corticoide inalatório e formoterol, o item do resgate perde parte do sentido, porque o alívio já é anti-inflamatório — o PCDT registra o item de frequência de uso especificamente para quem usa SABA. A segunda: as perguntas precisam ser dirigidas. Paciente sedentário não relata limitação de atividade porque não faz atividade, e isso simula bom controle.

As ferramentas estruturadas apoiam a avaliação e cada uma tem seu corte. O ACT, para 12 anos ou mais e janela de quatro semanas, considera controlada a pontuação de 20 ou mais. O ACQ-5, com janela de sete dias, usa escore abaixo de 0,75 para controlada, de 0,75 a 1,5 para parcialmente controlada e acima de 1,5 para não controlada.

E aqui está o erro conceitual mais caro do tema: controle de sintomas e risco futuro são eixos independentes, e precisam ser avaliados separadamente. Paciente com sintomas mínimos pode ter exacerbação grave ou fatal. Os fatores de risco para exacerbação que o PCDT nomeia são pelo menos uma exacerbação no último ano, tratamento exclusivo com SABA, uso excessivo de SABA, má adesão ou técnica inalatória incorreta, VEF1 reduzido, tabagismo, eosinofilia e vulnerabilidade social. Nenhum deles aparece nas quatro perguntas de controle.

O tamanho do risco ligado ao SABA tem número: dispensação de três frascos de 200 doses ou mais em um ano associa-se a maior risco de exacerbação grave em comparação com zero a dois frascos, e a dispensação de doze frascos ou mais em um ano associa-se a maior risco de morte por asma. Uso domiciliar de SABA nebulizado também se associa a maior mortalidade. Contar frascos por ano é anamnese, não curiosidade.

Depois do diagnóstico, a espirometria vira ferramenta de risco futuro, não de controle: recomenda-se no início do tratamento e entre 3 e 6 meses depois, e daí periodicamente. Ela é especialmente importante em quem percebe mal a própria obstrução.

As duas trilhas: quem define tudo é o medicamento de alívio

Todo asmático precisa de um medicamento de alívio com broncodilatador de início rápido. A pergunta que organiza o tratamento inteiro é qual: corticoide inalatório com formoterol, ou SABA. A resposta escolhe a trilha, e a trilha se mantém em todas as etapas.

A Trilha 1, preferencial na GINA de 2025 e regime 1 no PCDT de 2026, usa corticoide inalatório com formoterol em dose baixa como alívio em todas as etapas. Nas etapas 1 e 2, é só isso — alívio sob demanda, sem manutenção diária, a estratégia chamada de alívio anti-inflamatório. Nas etapas 3, 4 e 5, o mesmo inalador passa a ser usado também como manutenção diária: é a terapia de manutenção e resgate, o MART. A razão para preferir essa trilha é dura: comparada à trilha do SABA, ela reduz o risco de exacerbação grave com controle de sintomas semelhante, e é mais simples, porque é um medicamento e um dispositivo só.

A Trilha 2, alternativa na GINA e regime 2 no PCDT, usa SABA — ou corticoide inalatório com SABA — como alívio, com corticoide inalatório de manutenção diária a partir da etapa 2. É explicitamente indicada quando o corticoide inalatório com formoterol não está disponível, ou quando o paciente está estável, aderente e sem exacerbação no último ano. Não é um erro; é a segunda melhor opção, escolhida por motivo concreto.

O que não existe em nenhuma das duas trilhas é tratar asma só com SABA sob demanda. A justificativa não é de eficácia, é de segurança: a maioria dos asmáticos tem inflamação de via aérea mesmo com sintomas intermitentes ou infrequentes, o uso isolado associa-se a mais exacerbação, pior função pulmonar e maior mortalidade, e o uso regular de SABA aumenta a resposta alérgica e a inflamação e reduz a própria resposta broncodilatadora ao SABA. Também não existe LABA em monoterapia na asma — está formalmente contraindicado por aumentar hospitalização e morte, e isso é efeito de classe.

As doses da estratégia preferencial são fáceis de decorar porque o PCDT as escreve em inalações, com a apresentação de formoterol 6 mcg com budesonida 200 mcg. Etapas 1 e 2: uma inalação sob demanda. Etapa 3: uma inalação uma ou duas vezes ao dia como manutenção, mais uma inalação sob demanda. Etapas 4 e 5: duas inalações duas vezes ao dia como manutenção, mais uma inalação sob demanda. O teto diário é de 12 inalações, o que equivale a 72 mcg de formoterol, contando manutenção e alívio juntos.

Diferente do SABA, não é preciso esperar intervalo mínimo entre as doses de alívio de corticoide inalatório com formoterol — o paciente pode repetir ao surgimento dos sintomas, ou usar antes de exercício ou de exposição a alérgeno, respeitado o teto diário.

Escalonar e desescalonar tem regra. Antes de subir de etapa, confirme o diagnóstico, verifique técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo gastroesofágico, apneia obstrutiva do sono e obesidade são as que mais atrapalham. Depois de subir, reavalie. Para descer, exige-se controle mantido por 2 a 3 meses. E há uma proibição explícita: não interromper por completo o corticoide inalatório, exceto de forma temporária e com finalidade diagnóstica.

As doses de corticoide inalatório, e por que a beclometasona é a pegadinha

As faixas de dose baixa, média e alta são de dose diária total, somando todas as inalações do dia, e são específicas por fármaco e por dispositivo. Não existe equivalência mental entre corticoides diferentes: cada um tem a sua faixa.

Em maiores de 12 anos, budesonida em pó inalante ou pressurizado de partícula padrão: dose baixa de 200 a 400 mcg por dia, média acima de 400 até 800 mcg por dia, alta acima de 800 mcg por dia. Repare que 800 mcg por dia ainda é dose média nessa tabela — a faixa alta começa acima disso. Guarde a fronteira, porque o critério de asma grave usa um limiar de redação ligeiramente diferente: ele fala em budesonida ou equivalente igual ou superior a 800 mcg por dia. Ou seja, exatamente 800 mcg por dia é dose média pela tabela e já satisfaz o critério de asma grave pelo texto. Não é contradição, é a mesma fronteira lida por dois documentos com finalidades diferentes — e é o tipo de detalhe que decide questão.

A beclometasona é onde se erra, porque a faixa depende do tamanho da partícula. Dipropionato de beclometasona pressurizado de partícula padrão: baixa de 200 a 500 mcg por dia, média acima de 500 até 1.000, alta acima de 1.000. A formulação de partícula extrafina tem faixas bem menores — baixa de 100 a 200, média acima de 200 até 400, alta acima de 400 — mas o próprio PCDT registra em nota de rodapé que essa apresentação ainda não está disponível no Brasil. Na prática brasileira, portanto, beclometasona significa partícula padrão e dose baixa começando em 200 mcg por dia.

Vale a orientação que acompanha a tabela, porque ela é resposta de questão de conduta: para a maioria dos pacientes, o corticoide inalatório em dose baixa entrega a maior parte do benefício. A dose média fica para quem permanece descontrolado ou com exacerbações recorrentes apesar de boa adesão e técnica adequada. A dose alta serve a uma minoria, deve ser usada por tempo limitado — geralmente de 3 a 6 meses, com reavaliação — e aumenta risco de eventos adversos locais e sistêmicos, incluindo supressão adrenal.

O corticoide oral tem dose e prazo fixos e caem literalmente. Para adolescentes e adultos, prednisolona ou prednisona equivalente de 40 a 50 mg por dia, por 5 a 7 dias, em dose única matinal. Se o uso for menor que duas semanas, não é necessário desmame. Corticoide oral contínuo em dose baixa, até 7,5 mg de prednisona por dia, é último recurso na asma grave do adulto, nunca conduta de rotina.

Dois medicamentos merecem alerta por interferirem na resposta ao tratamento: anti-inflamatórios não esteroides e betabloqueadores. A decisão de usar é individualizada, pesando risco e benefício — não é contraindicação automática, mas é pergunta obrigatória em quem descontrolou sem explicação.

O que o SUS entrega, e por qual porta

O PCDT padroniza a lista completa, mas a lista não diz onde o paciente retira. Essa é a informação que muda a conduta na UBS e que a prova de banca com recorte SUS explora.

Pelo programa Aqui Tem Farmácia Popular, o PCDT registra a disponibilidade de dipropionato de beclometasona nas apresentações de 50, 200 e 250 mcg e de sulfato de salbutamol de 100 mcg e 5 mg. É o que o paciente busca no balcão da farmácia credenciada, sem laudo e sem processo.

Budesonida, formoterol e a combinação formoterol com budesonida — nas apresentações de 6 mcg com 200 mcg e de 12 mcg com 400 mcg — são fornecidos pelo componente especializado da assistência farmacêutica, o CEAF. Exigem laudo para solicitação de medicamentos do componente especializado preenchido, assinado e carimbado pelo médico, renovado semestralmente, e obedecem aos critérios de diagnóstico, inclusão e exclusão do próprio PCDT. Os imunobiológicos da etapa 5 — omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe e dupilumabe — seguem a mesma porta, com critérios adicionais. Prednisona e prednisolona também constam da lista padronizada.

A consequência clínica é direta: o regime preferencial existe no SUS, mas com um degrau administrativo entre a prescrição e a retirada. Enquanto o laudo tramita, ou quando o paciente não consegue mantê-lo renovado, o esquema que se sustenta é o alternativo — corticoide inalatório diário mais SABA sob demanda —, que é exatamente por isso que o PCDT o mantém escrito.

A atualização de 2026 ampliou a etapa 5: incorporou benralizumabe para adultos com asma grave eosinofílica, dupilumabe para asma grave T2 alta alérgica não controlada, e estendeu o mepolizumabe a crianças e adolescentes de 6 a 17 anos com asma grave refratária eosinofílica. Uma observação que o protocolo faz questão de registrar: embora a maior parte das apresentações seja de medicamento isolado, o protocolo não preconiza monoterapia de SABA nem de LABA — a padronização isolada é logística, não recomendação de uso isolado.

A crise: classificar antes de terminar o exame

Na exacerbação, a avaliação de gravidade acontece junto com o início do tratamento, não antes dele. Começa-se SABA e oxigênio, se necessário, enquanto se checa anafilaxia e se avalia dispneia, frequência respiratória, frequência de pulso, saturação e função pulmonar. A gravidade é definida pela pior característica presente — um único critério de gravidade classifica o paciente como grave, mesmo com os demais bons.

Exacerbação leve a moderada: fala em frases, prefere sentar a deitar, não está agitado, frequência respiratória aumentada, sem uso de musculatura acessória, pulso de 100 a 120 por minuto, saturação em ar ambiente de 90 a 95%, pico de fluxo acima de 50% do previsto ou do melhor pessoal.

Exacerbação grave: fala em palavras, senta curvado para a frente, está agitado, frequência respiratória acima de 30 por minuto, musculatura acessória em uso, pulso acima de 120 por minuto, saturação em ar ambiente abaixo de 90%, pico de fluxo igual ou abaixo de 50% do previsto ou do melhor pessoal.

Risco de vida: sonolência, confusão ou tórax silencioso. Aqui a decisão não é internar, é transferir para terapia intensiva.

O tratamento inicial é o mesmo em desenho e muda em intensidade. Salbutamol de 4 a 10 jatos por dispositivo pressurizado com espaçador, a cada 20 minutos, até três doses na primeira hora; depois, conforme resposta, de 4 a 10 jatos a cada 3 a 4 horas ou de 6 a 10 jatos a cada 1 a 2 horas. A via preferencial é o pressurizado com espaçador, não a nebulização. Oxigênio controlado com alvo de saturação de 93 a 95% no adulto. Corticoide oral em toda exacerbação exceto as leves — prednisolona 40 a 50 mg pela manhã, de 5 a 7 dias.

Diante de sinais de exacerbação grave, a conduta é transferir para serviço de urgência e, enquanto se aguarda, administrar SABA inalatório, brometo de ipratrópio inalatório, oxigênio e corticoide sistêmico. Sulfato de magnésio endovenoso entra no serviço de urgência, para quem teve resposta inadequada ao tratamento intensivo inicial — não é primeira medida. Não se pede radiografia de tórax nem gasometria de rotina, não se prescreve antibiótico de rotina, e sedativo é proibido.

Reavaliação em uma hora, ou antes. Os critérios que autorizam alta são quatro: sintomas melhoraram e o paciente não está precisando de SABA; o pico de fluxo está melhorando e acima de 60 a 80% do melhor pessoal ou do previsto; a saturação em ar ambiente está acima de 94%; e há condições em casa para manejar. Este capítulo adota 60% do melhor pessoal ou do previsto como piso — abaixo disso, com necessidade persistente de SABA ou saturação que não sustenta 94% em ar ambiente, o paciente fica. A decisão formal de internar considera ainda estado clínico, resposta ao tratamento e história de exacerbações prévias, e é aí que uma internação recente ou uma intubação prévia por asma pesam para ficar.

A alta tem prescrição obrigatória, e é onde mais se erra. Manutenção contendo corticoide inalatório — para adultos e adolescentes, preferencialmente corticoide inalatório com formoterol em MART; se indisponível, corticoide inalatório com LABA diário em dose média. Alívio apenas sob demanda, nunca de horário, para que a piora continue visível. Corticoide oral completando 5 a 7 dias. Revisão de técnica inalatória e adesão. Plano de ação por escrito. Retorno em 2 a 7 dias. O corticoide inalatório pode voltar à dose anterior depois de 2 a 4 semanas, salvo se a crise tiver sido precedida de controle cronicamente ruim. Mais de uma exacerbação no ano é indicação de encaminhamento para avaliação especializada.

Adulto sentado à beira da maca, inclinado para a frente com as mãos apoiadas nos joelhos, ombros elevados e musculatura cervical tensa, respirando com esforço.
Postura e uso de musculatura acessória na exacerbação grave. A gravidade é definida pela pior característica presente: fala em palavras, senta curvado, frequência respiratória acima de 30, pulso acima de 120, saturação abaixo de 90% ou pico de fluxo igual ou abaixo de 50%.

Asma grave, asma de difícil controle e a etapa 5

Asma grave não é asma sintomática. É um diagnóstico que só pode ser feito depois de excluir os fatores modificáveis: baixa adesão, técnica inalatória incorreta e comorbidades não tratadas. Enquanto esses três não forem verificados, o rótulo correto é asma de difícil controle, e a conduta é corrigir o que é corrigível, não escalonar.

Excluídos os fatores modificáveis, o PCDT considera asma grave quem preenche um dos três critérios. Primeiro: tratamento contínuo com corticoide inalatório em dose alta — budesonida ou equivalente igual ou acima de 800 mcg por dia em maiores de 12 anos — associado a LABA, no ano anterior, independentemente de outro controlador. Segundo: uso de corticoide oral em dose equivalente a pelo menos 5 mg diários de prednisolona em pelo menos metade dos dias do ano anterior, para prevenir o descontrole. Terceiro: permanecer com asma não controlada apesar de corticoide inalatório em dose alta.

A etapa 5 começa com fenotipagem, não com medicamento novo. Eosinofilia no sangue a partir de 150 células por microlitro, ou eosinófilos no escarro induzido a partir de 2 a 3%, ou sensibilização IgE específica positiva sugerem inflamação tipo 2 alta. Como a contagem de eosinófilos varia com corticoide oral, tabagismo e horário da coleta — costuma ser mais alta pela manhã —, recomenda-se repetir a coleta até três vezes quando não houver eosinofilia, inclusive durante a piora e antes de administrar corticoide oral.

Antes do imunobiológico, otimiza-se a terapia em uso, tratam-se os fatores de risco modificáveis e as comorbidades. Aumentar o corticoide inalatório para dose alta, isolado ou com LABA, é opção quando o controle não se alcança com MART em dose média ou com corticoide inalatório em dose média mais LABA — mas com benefício clínico limitado para a maioria e por tempo limitado, tipicamente de 3 a 6 meses, com reavaliação cuidadosa.

Uma armadilha operacional que o PCDT registra e que rende questão de conduta: paciente em MART com dose média que vai iniciar imunobiológico não deve ser trocado para corticoide inalatório com LABA convencional mais SABA sob demanda, porque a troca aumenta o risco de exacerbação. A evidência sobre iniciar MART em quem já usa lama ou imunobiológico, por outro lado, é limitada.

A porta de saída da atenção primária é regrada: asma não controlada apesar da etapa 4 com técnica correta e boa adesão, indicadores de risco de vida como história de ventilação mecânica ou internação em terapia intensiva por asma, mais de uma exacerbação no ano, e suspeita de asma ocupacional são situações de encaminhamento para avaliação especializada. A APS segue coordenando o cuidado — o encaminhamento não transfere o paciente, compartilha o manejo.

04

Do controle à etapa: como escalonar sem chutar

O caminho é sempre o mesmo. Avalia-se o controle das últimas quatro semanas com quatro perguntas, avalia-se o risco futuro à parte, corrigem-se os fatores modificáveis, e só então se mexe na etapa. A trilha — se o alívio é corticoide inalatório com formoterol ou SABA — é escolhida uma vez e mantida em todas as etapas. Os números abaixo são os do PCDT da Asma de 2026, que adaptou a GINA de 2025, para adultos e adolescentes de 12 anos ou mais.

  1. 1Confirme que o diagnóstico está documentado. Sintomas variáveis mais fluxo aéreo expiratório variável por qualquer um dos cinco caminhos — sem isso, você está escalonando tratamento de uma doença que ainda não provou existir.
  2. 2Classifique o controle das últimas quatro semanas com as quatro perguntas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertar noturno por asma, resgate mais de duas vezes por semana, limitação de atividade por asma. Nenhum item é controlada; um ou dois, parcialmente; três ou quatro, não controlada.
  3. 3Avalie o risco futuro em separado, porque ele não aparece nas quatro perguntas: exacerbação no último ano, tratamento só com SABA, uso excessivo de SABA, má adesão ou técnica errada, VEF1 reduzido, tabagismo, eosinofilia, vulnerabilidade social.
  4. 4Antes de subir de etapa, verifique técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo, apneia do sono, obesidade. A maior parte da asma não controlada da UBS se resolve aqui, sem trocar receita.
  5. 5Escolha a trilha pelo medicamento de alívio disponível para aquele paciente: corticoide inalatório com formoterol, sempre que puder; SABA com corticoide inalatório de manutenção, quando o primeiro não estiver ao alcance.
  6. 6Posicione a etapa pela apresentação clínica: sintomas infrequentes, até 2 dias por semana, etapas 1 e 2; sintomas na maioria dos dias, 4 a 5 por semana ou mais, ou despertando ao menos uma vez por semana, ou função pulmonar baixa, etapa 3; sintomas diários com despertar semanal e função pulmonar baixa, etapa 4.
  7. 7Se a apresentação inicial for durante uma exacerbação, trate a crise primeiro e comece a manutenção já na etapa 4 — corticoide inalatório com formoterol em dose média em MART, ou corticoide inalatório com LABA em dose média diário.
  8. 8Reavalie. Para desescalonar, exija controle mantido por 2 a 3 meses e reduza um degrau por vez. Não suspenda por completo o corticoide inalatório, exceto temporariamente e com finalidade diagnóstica.
  9. 9Sintomas ou exacerbações persistentes apesar de técnica correta e boa adesão na etapa 4: é etapa 5. Fenotipe e encaminhe para avaliação especializada.

Asma controlada — nenhum dos quatro itens

Nas últimas quatro semanas: sem sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, sem despertar noturno por asma, sem resgate mais de duas vezes por semana, sem limitação de atividade. Corresponde a ACT de 20 ou mais, ou ACQ-5 abaixo de 0,75. Mantido por 2 a 3 meses, autoriza tentar desescalonar. Não dispensa avaliar o risco futuro: controle bom com exacerbação no último ano continua sendo paciente de risco.

Parcialmente controlada — um ou dois itens

Um ou dois dos quatro itens presentes nas últimas quatro semanas. Corresponde a ACQ-5 de 0,75 a 1,5. A conduta não é subir de etapa por reflexo: primeiro técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades. Se tudo isso estiver correto, então sim, escalonar um degrau dentro da mesma trilha e reavaliar.

Não controlada — três ou quatro itens

Três ou quatro dos quatro itens presentes, ou ACQ-5 acima de 1,5. Mesma sequência de verificação, com mais urgência, e escalonamento em seguida. Não controlada apesar de corticoide inalatório em dose alta é um dos três critérios de asma grave — mas só depois de excluídos adesão, técnica e comorbidades não tratadas.

Etapa (adulto e adolescente ≥ 12 anos)Trilha 1 — alívio é CI-formoterol (preferencial)Trilha 2 — alívio é SABA (alternativa)Onde se retira no SUS
Etapa 1 — sintomas infrequentes, 1 a 2 dias por semana ou menosCI-formoterol em dose baixa sob demanda, sem manutenção diária (1 inalação de 6/200 mcg quando houver sintoma)CI em dose baixa sempre que o SABA for usado, em inaladores combinados ou separadosTrilha 2 pelo Farmácia Popular (beclometasona + salbutamol); Trilha 1 pelo CEAF
Etapa 2 — sintomas menos de 3 a 5 dias por semana, função pulmonar normal ou pouco reduzidaCI-formoterol em dose baixa sob demanda (1 inalação quando houver sintoma)CI em dose baixa diário de manutenção + SABA sob demandaIdem etapa 1
Etapa 3 — sintomas na maioria dos dias, ou despertando ≥ 1 vez por semana, ou função pulmonar baixaCI-formoterol em dose baixa em MART: 1 inalação 1 a 2 vezes ao dia + 1 inalação sob demandaCI-LABA em dose baixa diário + SABA ou CI-SABA sob demanda; ou CI em dose média diário + SABA sob demandaFormoterol + budesonida e budesonida isolada pelo CEAF, com laudo semestral
Etapa 4 — sintomas diários, despertar noturno ≥ 1 vez por semana, função pulmonar baixa, ou tabagista ativoCI-formoterol em dose média em MART: 2 inalações 2 vezes ao dia + 1 inalação sob demandaCI-LABA em dose média diário + SABA ou CI-SABA sob demanda (CI em dose alta + SABA é opção, com pior adesão)CEAF
Etapa 5 — persiste sintomático ou exacerbando com técnica correta e boa adesão na etapa 4Manutenção da etapa 4 + fenotipagem e terapia adicional; CI em dose alta por 3 a 6 meses se necessário; imunobiológico conforme fenótipoMesma conduta: fenotipar e encaminhar; não trocar MART por CI-LABA + SABA em quem vai iniciar imunobiológicoImunobiológicos (omalizumabe, mepolizumabe, benralizumabe, dupilumabe) pelo CEAF, com critérios adicionais

Faixas de corticoide inalatório em maiores de 12 anos, dose diária total: budesonida 200-400 (baixa), acima de 400 até 800 (média), acima de 800 (alta). Beclometasona pressurizada de partícula padrão 200-500 (baixa), acima de 500 até 1.000 (média), acima de 1.000 (alta). A beclometasona de partícula extrafina tem faixas menores (100-200, acima de 200 até 400, acima de 400), mas o PCDT registra que ela ainda não está disponível no Brasil.

Teto do MART com formoterol 6 mcg + budesonida 200 mcg: 12 inalações por dia, equivalendo a 72 mcg de formoterol, somando manutenção e alívio. Diferente do SABA, não há intervalo mínimo obrigatório entre as doses de alívio.

Corticoide oral na exacerbação do adulto: prednisolona ou prednisona equivalente de 40 a 50 mg por dia, 5 a 7 dias, dose única matinal. Sem desmame se o curso for menor que duas semanas.

LABA em monoterapia é formalmente contraindicado na asma — aumenta hospitalização e morte, e é efeito de classe. SABA isolado, sem corticoide inalatório, também saiu de todos os documentos vigentes.

Controle e gravidade não são a mesma coisa. Controle é das últimas quatro semanas e muda a cada consulta; gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter o controle e só se define depois de meses de tratamento otimizado.

Apresentação inicial durante exacerbação: trate a crise e inicie a manutenção já na etapa 4, não na etapa 1.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Qual é o medicamento de alívio: corticoide inalatório com formoterol ou SABA?

Trilha 1 — o alívio é CI-formoterol em dose baixa (GINA 2025; regime preferencial do PCDT 2026)

Em todas as etapas, o alívio é corticoide inalatório com formoterol em dose baixa: sozinho e sob demanda nas etapas 1 e 2, e como manutenção e resgate no mesmo inalador a partir da etapa 3. A justificativa declarada é redução do risco de exacerbação grave em comparação com regimes cujo alívio é SABA, com controle de sintomas semelhante, e simplicidade — um medicamento, um dispositivo. O PCDT brasileiro adotou esse regime como preferencial na atualização de março de 2026, alinhado à GINA de 2025.

GINA, Summary Guide 2025, Figura 6 e Table 3; Ministério da Saúde / Conitec, PCDT da Asma, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 43 de 24/03/2026, Quadro 7 (regime 1) e Quadro 11

Trilha 2 — o alívio é SABA, com corticoide inalatório de manutenção (GINA 2025 como alternativa; regime 2 do PCDT 2026)

O alívio é SABA — ou corticoide inalatório com SABA — e o controle vem de corticoide inalatório diário a partir da etapa 2. Os dois documentos mantêm esse regime escrito e o indicam explicitamente quando o corticoide inalatório com formoterol não está disponível, ou quando o paciente está clinicamente estável, aderente e sem exacerbação no último ano. No Brasil, a causa do afastamento é de disponibilidade e custo, não de evidência: pelo Farmácia Popular o paciente retira beclometasona e salbutamol sem processo, enquanto formoterol com budesonida sai pelo componente especializado, com laudo assinado e renovado a cada seis meses. Onde esse laudo não se sustenta, é a Trilha 2 que fica de pé.

GINA, Summary Guide 2025, Figura 7 e Table 3; PCDT da Asma 2026, Quadro 7 (regime 2) e nota do item 7.4 sobre o programa Aqui Tem Farmácia Popular; listas do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) das secretarias estaduais de saúde, que exigem LME semestral para formoterol + budesonida

Na prova

O recorte se identifica pelo cenário e pelo vocabulário. Enunciado que nomeia GINA, que fala em regime preferencial, em alívio anti-inflamatório ou em MART está no mundo da Trilha 1. Enunciado ambientado em UBS, que cita o que está disponível na unidade, o Farmácia Popular ou a lista da atenção básica, está no mundo da Trilha 2 — e uma alternativa que ofereça beclometasona com salbutamol denuncia esse recorte sozinha. Há um ponto em que os dois mundos coincidem e que não depende de recorte nenhum: tratar asma apenas com SABA sob demanda, sem corticoide inalatório, saiu dos dois documentos por motivo de segurança, e LABA em monoterapia é contraindicado nos dois. Alternativa com qualquer um desses dois é erro em qualquer banca. Vale ainda a régua geral: prova oficial do MEC tende à conduta praticável no SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.

Como se define resposta ao broncodilatador na espirometria

Aumento de pelo menos 12% e 200 mL (GINA 2025; PCDT da Asma 2026)

No adulto, teste positivo é aumento do VEF1 ou da CVF de pelo menos 12% e pelo menos 200 mL em relação ao valor pré-broncodilatador, medido 10 a 15 minutos após 200 a 400 mcg de salbutamol. Aumento de pelo menos 15% e 400 mL confere maior confiabilidade, sem ser requisito. Se não houver espirometria, aumento do pico de fluxo de pelo menos 20%. É o critério em vigor nos dois documentos que orientam o tratamento da asma.

GINA, Summary Guide 2025, Table 1; PCDT da Asma 2026 (Conitec/MS), Quadro 2

Variação maior que 10% do valor previsto (padrão técnico ERS/ATS, 2022)

O padrão técnico de estratégias interpretativas de provas de função pulmonar da ERS/ATS de 2022 substituiu o critério anterior — de 2005, que era o mesmo 12% com 200 mL — por variação do VEF1 ou da CVF maior que 10% do valor previsto, em adultos e crianças. O argumento é metodológico: variações absolutas e relativas ao basal dependem da função pulmonar de partida e carregam viés de altura, idade e sexo, enquanto a referência ao previsto reduz esse viés. Estudos de impacto publicados desde então mostram que os dois critérios reclassificam parte dos pacientes.

Stanojevic S, Kaminsky DA, Miller MR, et al. ERS/ATS technical standard on interpretive strategies for routine lung function tests. Eur Respir J. 2022;60(1):2101499 — acessado por literatura secundária revisada por pares, não no original

Na prova

É divergência de data e de finalidade, e as duas coisas ajudam a identificar o recorte. Enunciado que nomeia GINA, PCDT, Ministério da Saúde, ou que se passa em ambulatório ou UBS decidindo tratamento de asma, está usando o critério de 12% com 200 mL, de 2025 e 2026. Enunciado que nomeia ERS/ATS, que fala em padrão técnico de interpretação de prova de função pulmonar, ou cujas alternativas expressam a variação em porcentagem do previsto, está no documento de 2022 dos laboratórios de função pulmonar. As próprias alternativas denunciam: se uma delas diz 10% do previsto e nenhuma menciona 200 mL, a questão não está no terreno das diretrizes de asma. Um detalhe que vale ponto nos dois mundos: desde a GINA de 2025 a CVF conta ao lado do VEF1, então resposta com ganho de capacidade vital e VEF1 quase parado é teste positivo.

Qual é a dose baixa de beclometasona no adulto

Depende do tamanho da partícula: 200-500 mcg/dia na partícula padrão (PCDT da Asma 2026; GINA 2025)

Para maiores de 12 anos, dipropionato de beclometasona pressurizado de partícula padrão tem dose baixa de 200 a 500 mcg por dia, média acima de 500 até 1.000 e alta acima de 1.000. A formulação de partícula extrafina tem faixas menores — 100 a 200, acima de 200 até 400, acima de 400 —, mas o próprio PCDT registra em nota que essa apresentação ainda não está disponível no Brasil. Na budesonida não há essa bifurcação: 200 a 400 baixa, acima de 400 até 800 média, acima de 800 alta.

PCDT da Asma 2026 (Conitec/MS), Quadro 10, adaptado da GINA 2025

Faixa única de 100-200 mcg/dia (SBPT, Recomendações para o manejo da asma, 2020)

A Tabela 2 das recomendações da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia de 2020 traz o dipropionato de beclometasona em pó inalante ou pressurizado com uma faixa única — 100 a 200 mcg por dia como dose baixa, acima de 200 até 400 como média e acima de 400 como alta —, sem separar por tamanho de partícula. Para a budesonida, a mesma tabela traz 200 a 400, acima de 400 até 800 e acima de 800, coincidindo com o documento de 2026. A diferença é de data e de granularidade da tabela, não de posição clínica.

Pizzichini MMM, Carvalho-Pinto RM, Cançado JED, et al. Recomendações para o manejo da asma da SBPT — 2020. J Bras Pneumol. 2020;46(1):e20190307, Tabela 2

Na prova

Documento nomeado no enunciado decide: SBPT ou 2020 puxam a faixa única; PCDT, Ministério da Saúde, GINA ou 2025/2026 puxam a divisão por partícula. Se nenhum documento for citado, olhe as alternativas — a presença de um valor como 500 ou 1.000 mcg denuncia a tabela nova, e a ausência total desses números denuncia a antiga. E existe um caminho que dispensa a controvérsia inteira: nas duas fontes, a budesonida tem exatamente as mesmas faixas, 200 a 400, acima de 400 até 800 e acima de 800. Questão de dose formulada em budesonida não tem divergência alguma, o que faz dela o número mais seguro de se levar para a prova.

06

Caso resolvido

Mulher de 29 anos, auxiliar administrativa, procura a UBS por chiado e tosse seca há oito meses. Acorda com falta de ar cerca de duas vezes por semana, deixou de acompanhar as amigas na caminhada porque cansa, e usa salbutamol de uma farmácia próxima quase todo dia — comprou três frascos nos últimos oito meses. Tem rinite alérgica desde a adolescência. Não fuma. Ao exame, sibilos expiratórios discretos, audíveis à expiração forçada, sem esforço respiratório. Espirometria: VEF1 2,10 L (72% do previsto), CVF 3,30 L, relação VEF1/CVF 0,64. Quinze minutos após 400 mcg de salbutamol: VEF1 2,45 L, CVF 3,38 L. Nunca usou corticoide inalatório.
achado
O ganho de VEF1 é de 350 mL, o que corresponde a 16,7% do valor pré-broncodilatador. Passa nos dois critérios simultâneos exigidos no adulto — pelo menos 12% e pelo menos 200 mL. O percentual ainda ultrapassa os 15% da faixa de maior confiabilidade, embora o volume fique abaixo dos 400 mL dessa mesma faixa; isso não muda a conclusão, porque essa faixa é de confiança adicional e não requisito. A relação de 0,64 documenta obstrução; o que fecha o diagnóstico, porém, é a variabilidade, não a razão.
diagnóstico
Asma. As duas metades estão presentes: sintomas respiratórios variáveis, com predomínio noturno e limitação de atividade, e limitação variável do fluxo aéreo expiratório documentada por resposta ao broncodilatador. A rinite alérgica reforça a probabilidade. Não é preciso teste de provocação brônquica — ele entraria apenas se a espirometria tivesse sido negativa.
controle
Aplicando as quatro perguntas das últimas quatro semanas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, sim; despertar noturno por asma, sim; uso de resgate mais de duas vezes por semana, sim; limitação de atividade, sim. Quatro de quatro itens — asma não controlada. Ela nunca esteve tratada, então isso não diz nada sobre a gravidade da doença, que só poderá ser definida depois de meses de tratamento otimizado.
risco futuro
Avaliado à parte e alto: tratamento exclusivo com SABA e uso excessivo de SABA, três frascos em oito meses. A partir de três frascos de 200 doses em um ano já se associa maior risco de exacerbação grave, e ela caminha para isso. Nenhum desses dois fatores aparece nas quatro perguntas de controle — é por isso que os eixos se avaliam separados.
etapa
Sintomas na maioria dos dias, despertando ao menos uma vez por semana e função pulmonar baixa colocam a apresentação inicial na etapa 3. Não se começa na etapa 1 só porque ela nunca tratou: a etapa é definida pela apresentação, não pelo histórico de prescrições.
conduta preferencial
Trilha 1, etapa 3: corticoide inalatório com formoterol em dose baixa em manutenção e resgate. Com a apresentação de 6 mcg de formoterol com 200 mcg de budesonida, isso é uma inalação uma ou duas vezes ao dia como manutenção, mais uma inalação sob demanda ao surgir sintoma, respeitado o teto de 12 inalações por dia. O salbutamol comprado por fora sai do esquema — o alívio passa a ser o próprio inalador anti-inflamatório.
conduta se o CEAF não estiver ao alcance
Trilha 2, etapa 3: corticoide inalatório com LABA em dose baixa diário, mais SABA sob demanda; ou corticoide inalatório em dose média diário mais SABA sob demanda. Com o que sai pelo Farmácia Popular, isso significa beclometasona pressurizada em dose média — acima de 500 até 1.000 mcg por dia — com salbutamol sob demanda, enquanto se providencia o laudo do componente especializado. O que não é opção é mantê-la só com salbutamol.
o que mais sai da consulta
Ensino da técnica inalatória com demonstração e devolutiva, plano de ação por escrito, tratamento da rinite alérgica, e retorno agendado. Espirometria de controle entre 3 e 6 meses. Na revisão, reaplicar as quatro perguntas e recontar frascos de SABA — se ela ainda estiver comprando salbutamol, alguma coisa da prescrição não chegou até ela.
07

Agora feche você

Homem de 34 anos chega ao pronto-socorro às 3h da manhã com falta de ar iniciada há cerca de cinco horas, após quadro gripal. Asmático desde a infância, em uso irregular de beclometasona; usou salbutamol seis vezes em casa nas últimas quatro horas, sem melhora sustentada. Esteve internado por asma há sete meses. À entrada: senta-se curvado para a frente na maca, agitado, responde em palavras isoladas. Frequência respiratória 34 por minuto, pulso 128 por minuto, saturação de 87% em ar ambiente, tiragem intercostal e supraclavicular evidentes, sibilos difusos em ambos os hemitórax. Pico de fluxo expiratório de 42% do previsto. Consciente e orientado.
achado
Fala em palavras isoladas, postura curvada para a frente, agitação, frequência respiratória acima de 30, pulso acima de 120, saturação abaixo de 90% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e pico de fluxo abaixo de 50% do previsto. São sete características de gravidade reunidas no mesmo paciente.
gravidade
Exacerbação grave. A classificação é feita pela pior característica presente — bastaria uma delas. Não é risco de vida ainda: risco de vida seria sonolência, confusão ou tórax silencioso, e ele está consciente, orientado e com sibilos audíveis, o que significa que ainda há fluxo. Os sibilos desaparecerem daqui em diante seria piora, não melhora.
fatores de risco para desfecho grave
Internação por asma nos últimos doze meses, uso irregular do corticoide inalatório, uso excessivo de SABA nas horas anteriores e infecção viral como gatilho. Esse conjunto pesa na decisão de destino ao fim da primeira hora, mesmo que ele responda bem ao tratamento inicial.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Usar a relação VEF1/CVF de 0,70 para diagnosticar asma Nem a GINA de 2025 nem o PCDT de 2026 fixam um valor numérico de relação para diagnosticar asma. A obstrução se julga contra o limite inferior da normalidade, e o que define asma é a variabilidade documentada. A razão fixa de 0,70 pós-broncodilatador pertence ao capítulo de DPOC. Questão que dá uma relação normal e espera que você descarte asma está testando exatamente isso — e a resposta é que espirometria normal não exclui asma.
  2. 2Tratar os dois critérios da prova broncodilatadora como alternativos São 12% e 200 mL, simultâneos, não um ou outro. Aumento de 15% que corresponda a 150 mL não é teste positivo; aumento de 300 mL que corresponda a 9% também não. E, desde a GINA de 2025, a CVF conta ao lado do VEF1 — resposta com ganho de capacidade vital e VEF1 quase parado é positiva. Os 15% com 400 mL são faixa de maior confiabilidade, não requisito.
  3. 3Confundir controle com gravidade Controle é das últimas quatro semanas e muda a cada consulta. Gravidade é a quantidade de medicamento necessária para manter o controle, é característica intrínseca e só se define depois de meses de tratamento otimizado. Paciente nunca tratado que chega com quatro de quatro itens tem asma não controlada, e ainda não se sabe nada sobre a gravidade dele. Chamar isso de asma grave na primeira consulta é erro conceitual, e é o distrator preferido do tema.
  4. 4Achar que controle bom significa risco baixo Os dois eixos são independentes e se avaliam separadamente. Paciente com sintomas mínimos pode ter exacerbação grave ou fatal. Exacerbação no último ano, tratamento só com SABA, uso excessivo de SABA, má adesão, técnica errada, VEF1 reduzido, tabagismo, eosinofilia e vulnerabilidade social não aparecem em nenhuma das quatro perguntas de controle — e são justamente o que prevê a próxima crise.
  5. 5Manter salbutamol isolado porque os sintomas são infrequentes A maioria dos asmáticos tem inflamação de via aérea mesmo com sintomas intermitentes. O uso isolado associa-se a mais exacerbação, pior função pulmonar e maior mortalidade, e a partir de três frascos de 200 doses por ano o risco de exacerbação grave sobe; a partir de doze frascos por ano, o risco de morte. Não existe etapa nenhuma, em nenhuma das duas trilhas, cujo tratamento seja SABA sozinho. E LABA em monoterapia é contraindicado por aumentar hospitalização e morte.
  6. 6Escalonar antes de checar técnica e adesão Antes de subir de etapa, confirme o diagnóstico e verifique técnica inalatória, adesão, exposições e comorbidades — rinite, refluxo, apneia obstrutiva do sono, obesidade. Boa parte da asma dita não controlada da atenção primária se resolve aí, sem trocar a receita. O próprio critério de asma grave exige a exclusão desses fatores antes do rótulo.
  7. 7Somar as doses de corticoide inalatório pela metade As faixas baixa, média e alta são de dose diária total, somando todas as inalações do dia, e são específicas por fármaco e dispositivo. Budesonida 400 mcg duas vezes ao dia são 800 mcg por dia, que ainda é dose média — a faixa alta começa acima de 800. E não existe equivalência mental entre corticoides diferentes: beclometasona de partícula padrão tem dose baixa começando em 200 e indo até 500 mcg por dia, número que não tem nada a ver com o da budesonida.
  8. 8Dar alta da crise sem corticoide inalatório e sem retorno marcado Sair do pronto-socorro só com salbutamol e prednisona é o roteiro que devolve o paciente em uma semana. A alta exige manutenção contendo corticoide inalatório, alívio apenas sob demanda e nunca de horário, corticoide oral completando 5 a 7 dias, revisão da técnica inalatória, plano de ação por escrito e retorno em 2 a 7 dias. Alívio de horário é especialmente traiçoeiro porque esconde a piora.
  9. 9Interpretar ausência de sibilos como melhora Na exacerbação grave, a sibilância pode sumir por obstrução extrema, com fluxo insuficiente para gerar ruído. Tórax silencioso, ao lado de sonolência e confusão, é critério de risco de vida e indica terapia intensiva. Na direção contrária, sibilo isolado não confirma asma: aparece em obstrução laríngea funcional, DPOC, infecção respiratória, traqueomalácia e corpo estranho.
  10. 10Trocar o MART por corticoide inalatório com LABA e SABA ao iniciar imunobiológico O PCDT registra explicitamente que quem está em manutenção e resgate com dose média e vai iniciar imunobiológico não deve ser trocado para corticoide inalatório com LABA convencional mais SABA sob demanda, porque a troca aumenta o risco de exacerbação. É uma questão de conduta pronta para ser cobrada, e a intuição de simplificar o esquema puxa para o lado errado.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é clássico de asma; a confirmação funcional se faz pela espirometria demonstrando obstrução reversível (aumento do VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12% pós-broncodilatador). A radiografia de tórax costuma ser normal na asma e não confirma o diagnóstico. A TCAR investiga doença intersticial/bronquiectasias, não asma típica. IgE total apenas sugere atopia, sem confirmar asma. A gasometria avalia gravidade de crise, não estabelece o diagnóstico de base.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite sem consultar: os dois componentes do diagnóstico e os cinco caminhos de documentar variabilidade, com os cortes de cada um — 12% e 200 mL na prova broncodilatadora, mais de 10% de variabilidade média diária do pico de fluxo em duas semanas, 12% e 200 mL após quatro semanas de corticoide inalatório, 20% de queda com metacolina, 12% e 200 mL entre consultas. Depois, as quatro perguntas do controle e a regra 0 / 1-2 / 3-4. Depois, as faixas da budesonida: 200-400, acima de 400 até 800, acima de 800. Por fim, diga em voz alta o que muda entre Trilha 1 e Trilha 2 em cada uma das cinco etapas.

em 30 dias

Refaça as três divergências como se estivesse explicando a um colega: por que GINA e PCDT preferem o alívio com corticoide inalatório e formoterol e por que o regime com SABA continua escrito nos dois documentos — dizendo qual é a causa brasileira do afastamento, que é disponibilidade e custo, e não desacordo de evidência; por que o critério de resposta ao broncodilatador difere entre as diretrizes de asma e o padrão técnico de função pulmonar, e como identificar cada recorte pelas alternativas; e por que a dose baixa de beclometasona muda entre o documento de 2020 e o de 2026, enquanto a budesonida não muda em nenhum. Feche classificando três exacerbações fictícias em leve/moderada, grave e risco de vida, e escrevendo a prescrição de alta completa de uma delas, com os seis itens obrigatórios.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Unidade básica de saúde, consulta agendada. Mulher de 31 anos, atendente de telemarketing, vem por chiado e tosse seca que a acordam algumas noites por semana há vários meses. Diz que já usa uma bombinha azul que compra na farmácia e que resolve na hora, e não entende por que precisaria de outra coisa. Traz uma espirometria feita há duas semanas. Cabe a você reconstruir a história dos sintomas e dos gatilhos, contar quantos frascos de bombinha ela usou no último ano, interpretar a espirometria que ela traz, classificar o controle das últimas quatro semanas, definir a etapa de tratamento e explicar — em linguagem de quem não estudou medicina — por que um remédio que ela não sente fazer efeito na hora é justamente o que precisa ser usado todo dia. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.