Clínica Médica › Pneumologia
DPOC
O diagnóstico quase sempre vem pronto no enunciado — a espirometria está lá. O que a prova cobra é o que você faz com aquele número: em que grupo o paciente cai, qual inalador entra, quando o oxigênio domiciliar deixa de ser opcional e o que muda quando ele exacerba.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem, 68 anos, tabagista (40 maços-ano), com DPOC em uso regular de brometo de ipratrópio inalatório, procura a emergência com piora da dispneia há 3 dias, associada a aumento do volume e da purulência do escarro. Ao exame: consciente, taquipneico, PA 138/84 mmHg, FC 104 bpm, FR 26 ipm, SatO2 88% em ar ambiente, temperatura axilar 37,8 °C. Ausculta pulmonar com sibilos difusos e roncos esparsos; sem sinais de rebaixamento do nível de consciência. Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial mais apropriada.
Como esse tema cai
DPOC é dos temas mais previsíveis de acesso direto, ENAMED e Revalida, e a previsibilidade está no formato da questão. O enunciado entrega a espirometria pronta: a relação VEF1/CVF, o VEF1 em porcentagem do previsto, às vezes a escala de dispneia e o número de exacerbações do último ano. Nada disso está lá para enfeitar. Cada um desses dados alimenta uma decisão diferente, e a questão cobra exatamente a decisão que aquele dado destrava.
Este capítulo trata da DPOC estável e da exacerbação. Estável é onde se classifica e se escolhe o inalador; exacerbação é onde se decide corticoide, antibiótico e suporte ventilatório. A asma tem capítulo próprio nesta apostila — aqui ela aparece só onde decide alguma coisa: no paciente cuja obstrução reverte demais e no paciente que tem as duas doenças, situação em que a conduta muda de dono.
Há um segundo motivo para o tema render questão, e ele é de calendário. A classificação mudou duas vezes em três anos. Em 2023 o GOLD fundiu os grupos C e D num único grupo E. Em 2026 mexeu de novo, agora no corte que define quem entra no E. O Brasil acompanhou com atraso: o protocolo do Ministério da Saúde só trocou o ABCD pelo ABE em novembro de 2025. Isso significa que material de estudo, protocolo estadual e prova antiga convivem hoje com dois ou três mapas diferentes do mesmo paciente. Está mapeado no bloco de divergências.
O que muda decisão
A relação 0,7 é o portão — e ela é pós-broncodilatador
DPOC é limitação persistente ao fluxo aéreo, com sintomas respiratórios crônicos, em quem tem história de exposição a partícula nociva. Os três pedaços contam. Sintoma sem obstrução não é DPOC. Obstrução sem sintoma e sem exposição pede outra explicação. E exposição sozinha, por maior que seja a carga tabágica, não diagnostica nada.
Suspeite em quem tem mais de 40 anos, é tabagista ou ex-tabagista, ou teve exposição ocupacional ou domiciliar relevante — fumaça de fogão a lenha, sílica, carvão, querosene para cozinhar ou aquecer —, e apresenta tosse crônica, expectoração, sibilância ou dispneia aos esforços. O protocolo brasileiro também indica espirometria de rastreio em quem tem sintoma respiratório persistente e tabagismo de mais de 20 maços-ano, ou infecções respiratórias de repetição. No exame físico, cianose, tórax em barril e tiragem intercostal são achados de doença avançada: quando aparecem, o diagnóstico já está atrasado.
O que confirma é a espirometria pós-broncodilatador com relação VEF1/CVF inferior a 0,7. Guarde as duas palavras que a questão testa. Primeiro, é a relação, não o VEF1 isolado — o VEF1 gradua a obstrução depois, não a diagnostica. Segundo, é pós-broncodilatador: a medida antes do broncodilatador serve como triagem, mas o diagnóstico exige a repetição depois. E a ausência de resposta aguda ao broncodilatador não exclui nem a doença nem o benefício de longo prazo do tratamento.
Há uma zona cinzenta com número explícito: relação entre 0,6 e 0,8 pede repetição da espirometria em outra ocasião, porque a flutuação biológica pode tirar o paciente de um lado para o outro do corte. E há a ressalva do próprio protocolo brasileiro sobre o corte fixo: 0,7 sobrediagnostica idoso, porque o envelhecimento reduz a relação naturalmente, e subdiagnostica jovem sintomático que ainda está acima de 0,7 mas abaixo do previsto para a idade e a altura. Sempre que possível, use o limite inferior da normalidade como referência. A divergência entre as duas réguas está detalhada adiante.
Dois rótulos entraram no vocabulário e caem como pegadinha. Pré-DPOC descreve quem tem anormalidade estrutural ou funcional — enfisema, aprisionamento aéreo, queda acelerada do VEF1 — sem obstrução, ou seja, com relação VEF1/CVF igual ou maior que 0,7 depois do broncodilatador. PRISm descreve espirometria alterada com relação preservada. Nenhum dos dois é DPOC. Ambos exigem seguimento, porque parte dessas pessoas evolui para obstrução, e ambos merecem a mesma intervenção de sempre: parar de fumar.
A investigação inicial tem itens que a questão cobra pelo motivo errado se você não souber para que servem. Radiografia de tórax na primeira consulta serve para afastar outra coisa — sequela de tuberculose, nódulo, cardiomegalia —, não para diagnosticar DPOC: enfisema ou espessamento brônquico na imagem, sem obstrução funcional, não fecham nada. Hemograma avalia anemia e policitemia, e entrega a contagem de eosinófilos, que mais adiante decide corticoide inalatório. Oximetria de repouso vai na primeira consulta e, em quem tem VEF1 abaixo de 50%, em todas as consultas; SpO2 igual ou menor que 92% é o gatilho para gasometria arterial. Dosagem de alfa-1-antitripsina fica reservada ao enfisema panlobular de predomínio basal com início antes da quarta década, especialmente em não tabagista: a deficiência é definida por nível sérico abaixo de 11 micromol/L, ou seja, menos de 80 mg/dL, e o homozigoto para o alelo Z costuma ficar abaixo de 30 mg/dL.
Por que o ar entra e não sai
A inalação crônica de partícula nociva produz inflamação persistente das vias aéreas, e daí saem duas lesões que se somam. A primeira é a doença das pequenas vias aéreas: inflamação, fibrose peribrônquica e tampão de muco estreitam brônquios de pequeno calibre, que já são naturalmente a região de maior resistência. A segunda é a destruição do parênquima — o enfisema —, que faz duas coisas ao mesmo tempo: reduz o recolhimento elástico, que é a força que empurra o ar para fora na expiração, e destrói as amarras alveolares que mantinham a pequena via aérea aberta por tração radial.
O resultado é limitação ao fluxo expiratório. Na inspiração a pressão negativa ajuda a manter a via aérea aberta; na expiração, sem recolhimento elástico e sem amarra, ela colapsa antes de esvaziar. O ar entra e não sai. Fica aprisionado, e o pulmão hiperinsufla. A hiperinsuflação empurra o diafragma para baixo até retificá-lo: um músculo retificado e encurtado trabalha em desvantagem mecânica, e é aí que a dispneia nasce. No esforço, a frequência respiratória sobe, o tempo expiratório encurta e o aprisionamento piora dentro do próprio exercício — a hiperinsuflação dinâmica, que é o mecanismo da limitação ao esforço.
Duas consequências práticas caem em prova. A primeira: a relação VEF1/CVF cai porque o VEF1 despenca mais do que a CVF, já que o obstáculo é ao fluxo, e não à expansão. A segunda: o broncodilatador melhora muito a dispneia com ganho pequeno de VEF1. O manual da SBPT registra isso de forma direta — o que a droga faz é desinsuflar, reduzir o aprisionamento aéreo, e o VEF1 é um marcador ruim da obstrução de pequenas vias aéreas. Quem espera que melhora clínica venha acompanhada de salto espirométrico conclui, errado, que o tratamento falhou.
A DPOC também não fica dentro do pulmão. Perda de massa muscular e desnutrição são frequentes na doença grave, e um IMC abaixo de 21 kg/m² marca pior prognóstico. O risco cardiovascular é alto e concentra-se de um jeito que a prova gosta: infarto, AVC e morte cardiovascular são especialmente prováveis nos primeiros 90 dias depois de uma exacerbação. Osteoporose, diabetes, refluxo, ansiedade e depressão andam juntos e são subdiagnosticados.

Os quatro graus do VEF1 — e por que eles não escolhem a droga
Depois que a relação VEF1/CVF pós-broncodilatador já ficou abaixo de 0,7, o VEF1 em porcentagem do previsto gradua a obstrução em quatro faixas. GOLD 1, obstrução leve: VEF1 igual ou maior que 80% do previsto. GOLD 2, moderada: VEF1 de 50% a menos de 80%. GOLD 3, grave: de 30% a menos de 50%. GOLD 4, muito grave: abaixo de 30%. As faixas são contíguas e não deixam buraco.
Agora a parte que a prova adora: esse grau não escolhe o inalador. O próprio protocolo brasileiro diz que o VEF1 não é bom preditor nem de sintoma nem de exacerbação, e é justamente por isso que existe uma segunda classificação, por sintoma e risco. Um paciente com VEF1 de 40% pode estar pouco sintomático e sem exacerbações; outro, com VEF1 de 65%, pode viver internando. O grau descreve o cano; o grupo descreve o paciente.
Só que, no Brasil, o grau decide outra coisa, e essa a prova também cobra: acesso. O PCDT amarra duas apresentações ao grau. A associação tiotrópio com olodaterol é indicada para DPOC grave ou muito grave, isto é, GOLD 3 ou 4 com VEF1 abaixo de 50%, e com perfil exacerbador. As duas triplas de dose fixa em dispositivo único seguem a mesma regra: GOLD 3 ou 4 com perfil exacerbador. Já a associação umeclidínio com vilanterol foi incorporada sem amarra espirométrica — serve ao paciente sintomático do grupo B ou E, independentemente do VEF1. O manual da SBPT critica exatamente esse desenho, lembrando que protocolos que só liberam medicamento abaixo de 50% deixam de fora paciente muito dispneico ou exacerbador que se beneficiaria.
O grau ainda governa três decisões operacionais. Encaminhamento: a partir de GOLD 3, o acompanhamento deve incluir pneumologista, sem tirar o paciente da atenção primária. Monitoramento: com VEF1 abaixo de 50%, a SpO2 de repouso é medida em toda consulta. Dispositivo: inalador de pó seco depende de esforço inspiratório, e em obstrução muito grave — VEF1 abaixo de 30% a 40%, pico de fluxo inspiratório abaixo de 30 L/min — a deposição pulmonar cai; nesses casos, aerossol com aerocâmara ou dispositivo de névoa suave funcionam melhor. Por fim, cirurgia redutora de volume, bulectomia e transplante são discutidos em GOLD 3 ou 4 que permanecem muito sintomáticos após 4 a 6 meses de tratamento otimizado e reabilitação.
Grau e grupo costumam ser escritos juntos, e o enunciado pode usar essa notação: GOLD 3B é o paciente com VEF1 entre 30% e 50%, muito sintomático e sem perfil exacerbador.
mMRC e CAT: as duas réguas de sintoma
A escala mMRC gradua a dispneia em cinco degraus, e vale conhecer a redação, porque a vinheta costuma descrever o degrau em vez de nomear o número. Grau 0: falta de ar apenas em atividade física intensa. Grau 1: falta de ar ao caminhar apressado no plano ou ao subir uma ladeira. Grau 2: anda mais devagar do que pessoas da mesma idade por causa da falta de ar, ou precisa parar para respirar quando caminha no plano, no próprio passo. Grau 3: precisa parar para respirar depois de andar menos de 100 metros ou alguns minutos no plano. Grau 4: a falta de ar impede sair de casa, ou aparece ao trocar de roupa.
O corte é mMRC igual ou maior que 2. Abaixo disso, pouco sintomático; a partir dali, muito sintomático. Quando o enunciado diz que o paciente para para respirar depois de menos de 100 metros, ele já disse mMRC 3 — e já disse muito sintomático.
O CAT é o outro instrumento. São oito itens, cada um pontuado de 0 a 5, num total de 0 a 40: tosse, catarro no peito, pressão no peito, falta de ar ao subir uma ladeira ou um andar de escada, limitação nas atividades em casa, confiança para sair de casa, qualidade do sono e disposição. O corte é 10. Abaixo de 10, pouco sintomático; a partir de 10, muito sintomático.
As duas réguas não medem a mesma coisa, e é por isso que a classificação usa e/ou entre elas. O mMRC mede exclusivamente dispneia; o CAT captura tosse, catarro, sono e energia, que a dispneia isolada não vê. A correlação entre os dois é baixa, e o paciente pode cruzar o corte por um e não pelo outro. Basta cruzar um.
Um número que gera confusão e merece ser dito com precisão: para priorizar quem entra em programa de reabilitação pulmonar, o protocolo brasileiro escreve pontuação na escala mMRC maior que 2. Isso é uma regra de fila, não a definição de muito sintomático — para classificar o paciente em grupo A ou B, o corte continua sendo igual ou maior que 2. A reabilitação, aliás, beneficia em qualquer grau de obstrução.
Os grupos A, B e E — e o inalador que sai de cada um
O segundo eixo da classificação combina sintoma com risco de exacerbação, e produz três grupos. Antes deles, duas definições que a questão testa direto. Exacerbação moderada é a que exigiu corticoide sistêmico e/ou antibiótico, ou atendimento em emergência, sem internação. Exacerbação grave é a que levou à internação hospitalar.
Grupo A: pouco sintomático — mMRC de 0 a 1 e/ou CAT abaixo de 10 — e com nenhuma ou apenas uma exacerbação moderada, sem hospitalização, nos últimos 12 meses. Grupo B: muito sintomático — mMRC igual ou maior que 2 e/ou CAT igual ou maior que 10 — com a mesma história de exacerbação do grupo A. Grupo E: uma ou mais exacerbações graves, com internação, ou duas ou mais moderadas nos últimos 12 meses, independentemente do grau de sintoma. Essa última frase é o coração do ABE: a exacerbação classifica sozinha. O paciente com mMRC 1 e CAT 8 que internou uma vez no ano passado é grupo E, e nenhum escore de sintoma o tira de lá.
O tratamento inicial segue o grupo. No A, broncodilatador de curta ou longa ação conforme a necessidade — o protocolo sugere considerar um beta-2 agonista de curta ação ou um antimuscarínico de curta ação para alívio, e um de longa ação se os sintomas forem frequentes. No B, broncodilatação dupla contínua: a associação de um antimuscarínico de longa ação com um beta-2 agonista de longa ação, que no SUS é umeclidínio com vilanterol, 62,5 mcg mais 25 mcg uma vez ao dia, independentemente do VEF1. Monoterapia com um dos dois é aceitável quando a combinação não estiver disponível, não for tolerada ou não for apropriada. No E, a escolha preferencial inicial também é a dupla broncodilatação — umeclidínio com vilanterol, ou tiotrópio com olodaterol se o paciente for GOLD 3 ou 4, com a vantagem do dispositivo de névoa suave em quem não consegue usar pó seco.
O corticoide inalatório entra por um critério que é numérico e cai em prova: eosinófilos no sangue. Com contagem igual ou maior que 300 células por microlitro, a terapia tripla — antimuscarínico de longa ação, beta-2 agonista de longa ação e corticoide inalatório — está indicada. Entre 100 e menos de 300 células por microlitro, considera-se individualmente, e o que inclina a favor é o paciente exacerbar com frequência. Abaixo de 100 células por microlitro, ou com histórico de pneumonia, o corticoide inalatório deve ser evitado — a chance de resposta é baixa e o risco de pneumonia, real. E a tripla também entra quando as exacerbações persistem apesar da dupla broncodilatação bem feita.
Três regras que a prova transforma em distrator. Primeira: corticoide inalatório em monoterapia não tem lugar na DPOC — não altera o declínio do VEF1 nem reduz mortalidade. Segunda: a combinação de beta-2 agonista de longa ação com corticoide inalatório não é a escolha preferencial; se há indicação de corticoide inalatório, a tripla é superior na redução de exacerbações. Terceira: todo paciente, de qualquer grupo, precisa ter broncodilatador de curta ação disponível para alívio imediato. E, sempre que possível, prefira a combinação num único dispositivo — menos erro de técnica, mais adesão.
As doses do que existe no SUS: umeclidínio com vilanterol 62,5 mais 25 mcg, uma vez ao dia; tiotrópio com olodaterol 5 mais 5 mcg, dois acionamentos consecutivos uma vez ao dia; formoterol 12 a 24 mcg duas vezes ao dia, com teto de 48 mcg/dia; ipratrópio 40 mcg três a quatro vezes ao dia, teto de 240 mcg/dia; salbutamol 200 a 400 mcg a cada 4 a 6 horas para alívio. Corticoide inalatório: budesonida ou beclometasona, com dose preconizada de 800 mcg/dia — a budesonida em 400 mcg/dia pode bastar e é preferível em quem tem risco de pneumonia. As triplas de dose fixa são beclometasona com formoterol e glicopirrônio, 100 mais 6 mais 12,5 mcg, duas inalações duas vezes ao dia, e furoato de fluticasona com umeclidínio e vilanterol, 100 mais 62,5 mais 25 mcg, uma vez ao dia.
Fora do inalador, quatro decisões pontuais. Azitromicina em esquema intermitente reduz exacerbações ao longo de um ano em exacerbador que já está otimizado, particularmente em quem não fuma e não tem eosinofilia — pesando contra ela o risco cardiovascular, a indução de resistência e a perda de acuidade auditiva, que pede audiometria à menor suspeita; o uso além de um ano não foi avaliado. Teofilina tem efeito broncodilatador modesto e não deve entrar na rotina, pela toxicidade e pela necessidade de nível sérico. Antitussígeno não se prescreve na DPOC. Dupilumabe tem registro na Anvisa para a DPOC com inflamação tipo 2 e eosinófilos iguais ou maiores que 300 células por microlitro, mas não está incorporado ao SUS.
O que muda mortalidade
A pergunta qual das condutas abaixo reduz mortalidade tem, na DPOC, uma lista curta e uma resposta que quase sempre é a mesma. Cessação do tabagismo é a intervenção mais eficaz e a única que muda a velocidade de queda do VEF1. Ela deve ser reforçada em todas as consultas, com abordagem estruturada, e ganha tratamento medicamentoso quando a dependência é elevada — o grau se mede pelo teste de Fagerström, e o estágio de motivação orienta a estratégia. Fumar ativamente, além de piorar o prognóstico, reduz a efetividade do próprio tratamento inalatório, em especial da corticoterapia.
Oxigenoterapia domiciliar prolongada reduz mortalidade em quem tem hipoxemia grave crônica — nos critérios exatos da seção seguinte, e não em quem tem dessaturação moderada. Terapia tripla em dose fixa demonstrou redução de mortalidade por todas as causas em ensaios de paciente exacerbador, e é essa evidência que o protocolo brasileiro invoca ao incorporar as duas combinações disponíveis. Reabilitação pulmonar melhora capacidade de exercício e qualidade de vida e reduz exacerbação e hospitalização, com benefício sustentado quando começa cedo. Vacinação reduz complicação infecciosa. Cirurgia redutora de volume e transplante têm lugar em paciente selecionado.
O esquema vacinal do protocolo é específico e vale decorar: influenza anual para todos os pacientes com DPOC; pneumocócica conjugada 13-valente e polissacarídica 23-valente para os sintomáticos e exacerbadores, e para quem tem comorbidade de risco. A ordem importa — começa pela 13 conjugada e a 23 vem seis meses depois. Reforço da 23-valente em cinco anos; se a série começou depois dos 65 anos, dose única.
Do outro lado da conta, o que alivia sem prolongar vida: broncodilatador de curta ação isolado, teofilina, corticoide oral crônico — que o protocolo desaconselha explicitamente —, antitussígeno e corticoide inalatório em monoterapia. Quando a pergunta é sobre mortalidade, nenhum deles é a saída.
Oxigenoterapia domiciliar prolongada: dois critérios e um relógio
São duas portas de entrada, e basta uma. Primeira: PaO2 igual ou menor que 55 mmHg, ou saturação igual ou menor que 88%, em repouso, com ou sem hipercapnia — e confirmada em duas ocasiões ao longo de três semanas. Segunda: PaO2 entre 55 e 60 mmHg, ou saturação de exatamente 88%, quando houver evidência de hipertensão pulmonar, edema periférico sugestivo de insuficiência cardíaca congestiva ou policitemia com hematócrito acima de 55%. Repare no desenho: a faixa intermediária só qualifica se houver repercussão de órgão.
Sobre o sinal do corte, o texto brasileiro escreve PaO2 menor que 55 mmHg e saturação menor que 88%, enquanto o GOLD e o manual da SBPT escrevem igual ou menor. Use igual ou menor que 55 mmHg e igual ou menor que 88% — é o que duas das três fontes trazem, e é a versão que não deixa o valor exato de 55 mmHg órfão.
O relógio é a parte que mais se esquece: no mínimo 15 horas por dia, incluindo o período de sono e o exercício. Oxigênio usado só à noite, ou só quando o paciente sente falta de ar, não é oxigenoterapia domiciliar prolongada e não entrega o benefício de sobrevida. O fluxo se titula em teste de pelo menos 30 minutos com cateter ou óculos nasais, buscando saturação igual ou maior que 90%, com reavaliação mensal. O concentrador é o equipamento preferido pelo custo e é o fornecido pelo SUS. Tabagismo ativo é contraindicação relativa, por risco de explosão, e o paciente precisa ser avisado disso.
Duas armadilhas de indicação. A primeira é indicar pela dispneia: em dessaturação moderada, em repouso ou ao exercício, o oxigênio não prolonga a vida nem adia a primeira hospitalização. A segunda é indicar no calor da exacerbação, com uma gasometria só. A necessidade real se define depois da estabilização — por isso os critérios exigem confirmação em duas ocasiões ao longo de três semanas, e por isso a reavaliação gasométrica tardia após a alta é mais fiel do que a feita logo em seguida.
Uma ressalva de data que vale registrar: o GOLD de 2026 anota que a exigência de usar mais de 15 horas por dia não se sustenta em evidência recente — um ensaio que comparou 24 horas com 15 horas por dia não mostrou diferença em hospitalização ou morte em um ano. A régua das 15 horas permanece; o que caiu foi a ideia de que mais é sempre melhor.
A exacerbação: 14 dias, três drogas e uma decisão de ventilação
Exacerbação é um evento agudo com piora dos sintomas ao longo de poucos dias, até 14 dias, caracterizado por aumento da dispneia e/ou da tosse e da expectoração, podendo vir com taquipneia e taquicardia. O melhor preditor de uma nova exacerbação é ter tido exacerbação nos últimos 12 meses.
Antes de tratar como exacerbação, exclua o que a imita ou agrava: pneumonia, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca descompensada e pneumotórax. É por isso que a radiografia de tórax entra na avaliação de quem chega grave. A característica do escarro ajuda a orientar a causa: purulência persistente — amarelada, esverdeada ou amarronzada — sugere infecção bacteriana, e o GOLD quantifica esse sinal, com sensibilidade de 94,4% e especificidade de 52% para carga bacteriana alta. Sintoma de via aérea superior, contato com resfriado e gripe apontam para vírus, que também podem complicar com bactéria depois.
A gravidade se classifica pela proposta de Roma, que troca o critério antigo de uso de recurso de saúde por parâmetros de beira de leito. Leve: dispneia na escala visual abaixo de 5, frequência respiratória abaixo de 24, frequência cardíaca abaixo de 95, saturação de repouso igual ou maior que 92% em ar ambiente e PCR abaixo de 10 mg/L. Moderada: pelo menos três de cinco parâmetros do outro lado desses cortes. Grave: os mesmos parâmetros da moderada, acrescidos de gasometria com hipoxemia — PaO2 igual ou menor que 60 mmHg — e/ou hipercapnia com acidose, isto é, PaCO2 acima de 45 mmHg e pH abaixo de 7,35.
O tratamento medicamentoso tem três classes. Broncodilatador de curta ação é o primeiro: beta-2 agonista, com ou sem antimuscarínico de curta ação. Salbutamol 2 a 4 jatos, ou nebulização com 2,5 mg diluídos em 2 a 4 mL de soro fisiológico; na exacerbação aguda pode ser repetido a cada 20 minutos nas primeiras horas sob monitoramento, passando depois para cada 4 a 6 horas. Um detalhe de mecanismo que o GOLD faz questão de registrar: na exacerbação de DPOC, prefira nebulização movida a ar comprimido, e não a oxigênio, porque o oxigênio como gás propelente pode elevar a PaCO2. Metilxantina endovenosa não entra.
Corticoide sistêmico é a segunda classe: prednisona ou prednisolona 40 mg por dia, por 5 dias, preferencialmente por via oral — a via oral é tão eficaz quanto a endovenosa e menos tóxica. Quando o paciente não pode usar a via oral, hidrocortisona 200 mg a cada 6 horas por via intravenosa até a transição. Cinco dias é a duração de referência para exacerbação moderada e grave; se no quinto dia não houver melhora, sobretudo em exacerbação grave, o protocolo brasileiro autoriza estender para 10 a 14 dias. Curso maior que três semanas exige desmame lento, de 5 a 10 mg a cada 5 a 7 dias, pelo risco de insuficiência adrenal.
Antibiótico é a terceira, e é a que mais rende questão porque tem critério explícito. O GOLD indica antibiótico quando o paciente tem pelo menos dois destes achados — piora da dispneia, febre, aumento do volume do escarro e purulência do escarro —, desde que a purulência seja um deles; ou quando teve cultura de escarro positiva em exacerbação anterior; ou quando precisa de ventilação mecânica, invasiva ou não invasiva. A duração é de 5 dias: metanálise mostrou que tratamento de até 5 dias tem a mesma eficácia clínica e bacteriológica de esquemas convencionais mais longos no paciente ambulatorial, e o encurtamento reduz pressão de resistência. A escolha empírica se guia pelo perfil local de resistência e costuma ser uma aminopenicilina com clavulanato, um macrolídeo, uma tetraciclina ou, em casos selecionados, uma quinolona. Exacerbador frequente, obstrução grave ou necessidade de ventilação justificam colher cultura, porque gram-negativos como Pseudomonas e germes resistentes ficam mais prováveis.
Vem então a decisão de suporte ventilatório, que é onde a questão difícil mora. A ventilação não invasiva é o modo inicial de ventilação na insuficiência respiratória aguda do paciente internado por exacerbação: taxa de sucesso de 80% a 85%, melhora do pH e queda da PaCO2, menos pneumonia associada à ventilação, menor tempo de internação e — o que importa — redução de intubação e de mortalidade. Basta um destes três critérios para indicá-la: acidose respiratória, definida como PaCO2 igual ou maior que 45 mmHg com pH arterial igual ou menor que 7,35; dispneia grave com sinais clínicos de fadiga muscular respiratória ou de aumento do trabalho respiratório, como uso de musculatura acessória, movimento paradoxal do abdome ou tiragem intercostal; ou hipoxemia persistente apesar do oxigênio suplementar. Quando o paciente melhora e tolera pelo menos 4 horas de respiração espontânea, a ventilação não invasiva pode ser simplesmente suspensa, sem período de desmame.
A ventilação invasiva fica para a falha ou a intolerância à não invasiva, e para as situações em que a não invasiva não é sequer possível: hipoxemia persistente ameaçadora à vida, parada cardiorrespiratória ou pós-parada, rebaixamento do nível de consciência ou agitação psicomotora não controlada por sedação, aspiração maciça ou vômitos persistentes, incapacidade persistente de remover secreções, instabilidade hemodinâmica grave sem resposta a fluido e vasoativo, e arritmias ventriculares ou supraventriculares graves.
A internação se decide por uma lista que o protocolo brasileiro escreve item a item: resposta insatisfatória ao tratamento ambulatorial, piora significativa da dispneia, prejuízo do sono ou da alimentação pelos sintomas, agravamento da hipoxemia com PaO2 abaixo de 50 mmHg, acidose respiratória aguda com pH abaixo de 7,3, alteração do estado mental, incapacidade de autocuidado ou falta de suporte domiciliar, incerteza diagnóstica e comorbidade clinicamente significativa.
Depois da exacerbação, três coisas ficam pendentes e a prova pergunta. Iniciar ou retomar broncodilatador de longa ação o quanto antes, de preferência ainda antes da alta; considerar acrescentar corticoide inalatório à dupla broncodilatação na alta de quem teve exacerbação com eosinófilos elevados; e marcar o seguimento, que o protocolo põe em uma a quatro semanas para a primeira reavaliação e entre doze e dezesseis semanas para a reavaliação funcional completa. A recuperação leva de 4 a 6 semanas e nem todo paciente volta ao estado funcional anterior. Readmissão em 30 dias acontece em 30% a 50% dos casos, e o risco cardiovascular fica elevado sobretudo nos primeiros 90 dias.
Onde a asma entra — e só onde ela entra
A separação entre asma e DPOC é cobrada por poucos marcadores, e quase todos estão na espirometria e na história. Início na infância, atopia, rinite alérgica, história familiar de asma, sintomas que pioram à noite ou pela manhã e crises intercaladas com períodos assintomáticos apontam para asma. Tabagismo prolongado, início após os 40 anos e obstrução que persiste apontam para DPOC.
O número que decide: ganho de VEF1 de pelo menos 12% e 400 mL sobre o basal após o broncodilatador é reversibilidade acentuada, altamente sugestiva de asma e não usual na DPOC. E há um critério de exclusão que vale guardar: espirometria sem evidência de obstrução ao fluxo aéreo depois de um curso de tratamento afasta o diagnóstico de DPOC — a obstrução da DPOC é persistente por definição.
Quando as duas coexistem, muda quem manda. O protocolo da DPOC é explícito: em suspeita ou confirmação de asma associada, o tratamento medicamentoso segue prioritariamente o protocolo da asma. A consequência prática inverte uma regra deste capítulo — na DPOC pura, corticoide inalatório é decisão condicionada a eosinófilo e exacerbação; no paciente que também tem asma, o corticoide inalatório é essencial, e não opcional.
Da espirometria ao inalador
O caminho completo, do sopro até a receita. Os cards abaixo destrincham os quatro graus de obstrução pelo VEF1 — a régua que descreve o quanto o cano está estreito — e a tabela fecha com os três grupos, que são a régua que descreve o paciente e escolhe o tratamento.
- 1Suspeita: mais de 40 anos, tabagismo ou exposição ocupacional ou domiciliar relevante, com tosse crônica, expectoração, sibilância ou dispneia aos esforços. Espirometria também em quem tem sintoma persistente com mais de 20 maços-ano.
- 2Espirometria pós-broncodilatador. Relação VEF1/CVF inferior a 0,7 confirma obstrução persistente. Entre 0,6 e 0,8, repita em outra ocasião; sempre que possível, cheque também o limite inferior da normalidade para idade e altura.
- 3Confirmada a obstrução, gradue pelo VEF1 em porcentagem do previsto: GOLD 1 a 4. Complete a avaliação inicial com hemograma, incluindo eosinófilos, oximetria de repouso e radiografia de tórax para afastar outra causa.
- 4Meça o sintoma com mMRC ou CAT. Muito sintomático é mMRC igual ou maior que 2 e/ou CAT igual ou maior que 10.
- 5Conte as exacerbações dos últimos 12 meses. Moderada é a tratada com corticoide sistêmico e/ou antibiótico sem internação; grave é a que internou. Uma grave ou duas moderadas colocam o paciente no grupo E, independentemente do sintoma.
- 6Escolha o tratamento inicial pelo grupo: A com broncodilatador conforme necessidade; B e E com dupla broncodilatação contínua. Acrescente corticoide inalatório no grupo E com eosinófilos iguais ou maiores que 300 células/µL, ou quando as exacerbações persistirem com a dupla. Evite corticoide inalatório abaixo de 100 células/µL ou com pneumonia prévia.
- 7Some o que não é inalador: cessação do tabagismo em toda consulta, vacinação, atividade física ou reabilitação pulmonar, avaliação nutricional e plano escrito de ação para exacerbação. Revise a técnica inalatória em todas as consultas.
- 8Rastreie hipoxemia: com VEF1 abaixo de 50%, meça SpO2 em toda consulta; SpO2 igual ou menor que 92% pede gasometria. Confirmados os critérios em duas ocasiões ao longo de três semanas, prescreva oxigenoterapia domiciliar por no mínimo 15 horas por dia.
- 9A cada reavaliação: revise sintoma e exacerbações, cheque adesão e técnica, e só então escalone ou descalone. Escalonar é acrescentar corticoide inalatório ao exacerbador com eosinofilia; descalonar é retirá-lo de quem não se beneficia, sobretudo abaixo de 100 células/µL ou com pneumonia.
GOLD 1 — obstrução leve
VEF1 igual ou maior que 80% do previsto, com relação VEF1/CVF já abaixo de 0,7. Boa parte desses pacientes é assintomática ou minimiza os sintomas, e é justamente aqui que o subdiagnóstico mora. O grau não define o tratamento: o paciente pode ser grupo A, B ou E.
GOLD 2 — obstrução moderada
VEF1 de 50% a menos de 80% do previsto. É a faixa mais comum no ambulatório e a que costuma aparecer na vinheta do paciente que já reduziu atividades sem perceber. Ainda sem amarra de acesso: a dupla broncodilatação com umeclidínio e vilanterol independe do VEF1.
GOLD 3 — obstrução grave
VEF1 de 30% a menos de 50% do previsto. Aqui três coisas mudam de patamar: o acompanhamento passa a incluir pneumologista, a SpO2 de repouso é medida em toda consulta e o SUS libera tiotrópio com olodaterol e as triplas de dose fixa para quem também tem perfil exacerbador.
GOLD 4 — obstrução muito grave
VEF1 abaixo de 30% do previsto. Além do tratamento farmacológico máximo, é a faixa de avaliar cirurgia redutora de volume, bulectomia ou transplante após 4 a 6 meses de tratamento otimizado com reabilitação. O inalador de pó seco perde eficácia: prefira aerossol com aerocâmara ou névoa suave.
| Grupo | Quem cai aqui | Tratamento inicial no SUS | O detalhe que a questão testa |
|---|---|---|---|
| A — baixo risco, pouco sintomático | mMRC 0-1 e/ou CAT abaixo de 10; nenhuma ou uma exacerbação moderada, sem internação, em 12 meses | Broncodilatador de curta ação para alívio (salbutamol, fenoterol ou ipratrópio); considerar um de longa ação se os sintomas forem frequentes | Tratamento preferencialmente na atenção primária. Corticoide inalatório não entra aqui de jeito nenhum. |
| B — baixo risco, muito sintomático | mMRC igual ou maior que 2 e/ou CAT igual ou maior que 10; mesma história de exacerbação do grupo A | Dupla broncodilatação contínua: umeclidínio 62,5 mcg com vilanterol 25 mcg, uma vez ao dia, independentemente do VEF1, mais broncodilatador de curta ação de resgate | A dupla é a escolha inicial, não a monoterapia. E não depende do grau GOLD: o VEF1 não é critério de acesso para esta associação. |
| E — alto risco | Uma ou mais exacerbações graves, com internação, OU duas ou mais moderadas em 12 meses — independentemente do mMRC e do CAT | Dupla broncodilatação contínua (umeclidínio com vilanterol; ou tiotrópio 5 mcg com olodaterol 5 mcg se GOLD 3 ou 4, útil quando o pó seco não funciona) | A exacerbação classifica sozinha. Paciente pouco sintomático que internou uma vez é grupo E, e não grupo A. |
| E com indicação de corticoide inalatório | Grupo E com eosinófilos iguais ou maiores que 300 células/µL; ou exacerbações frequentes com 100 a 299 células/µL, individualizando; ou exacerbações que persistem com a dupla | Terapia tripla: beclometasona com formoterol e glicopirrônio 100/6/12,5 mcg, duas inalações duas vezes ao dia; ou furoato de fluticasona com umeclidínio e vilanterol 100/62,5/25 mcg, uma vez ao dia | Evitar corticoide inalatório abaixo de 100 células/µL ou com pneumonia prévia. A combinação de beta-2 de longa ação com corticoide inalatório não é a escolha preferencial: se há indicação de corticoide, a tripla é superior. |
As duas triplas de dose fixa e a associação tiotrópio com olodaterol foram incorporadas ao SUS com amarra espirométrica: só para DPOC grave ou muito grave, isto é, GOLD 3 ou 4, com perfil exacerbador. Já umeclidínio com vilanterol vale para os grupos B e E em qualquer grau de obstrução. Numa questão sobre dispensação, o grau volta a importar; numa questão sobre a melhor conduta clínica, quem manda é o grupo.
Na terapia tripla aberta, com dispositivos separados, as doses de corticoide inalatório são budesonida 400 a 800 mcg uma vez ao dia ou beclometasona 400 mcg duas vezes ao dia, somadas à dupla broncodilatação. O teto preconizado é 800 mcg/dia — acima disso o risco de pneumonia e de efeito sistêmico cresce sem ganho de eficácia.
Reabilitação pulmonar é priorizada para quem tem pontuação mMRC maior que 2, segundo o protocolo brasileiro. Isso é critério de fila, não definição de gravidade sintomática: para separar grupo A de grupo B, o corte continua sendo mMRC igual ou maior que 2.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Quatro grupos, A/B/C/D — GOLD até 2022, PCDT de 2021 e material de atenção primária anterior
A classificação cruza dois eixos e produz quatro casas: A é pouco sintomático e não exacerbador; B é muito sintomático e não exacerbador; C é pouco sintomático e exacerbador; D é muito sintomático e exacerbador. O paciente exacerbador se divide em dois grupos conforme o sintoma, e o tratamento inicial difere entre C e D. Esse foi o mapa vigente no protocolo brasileiro entre novembro de 2021 e novembro de 2025.
Ministério da Saúde, PCDT da DPOC, Portaria Conjunta nº 19, de 16 de novembro de 2021 (revogada pela Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025); SBPT, Manual de DPOC 2024, Quadro 7, que registra o ABCD como ainda usado na maioria dos protocolos estaduais e no PCDT de 2021
Três grupos, A/B/E, com E a partir de duas exacerbações moderadas ou uma internação — GOLD de 2023 a 2025 e PCDT brasileiro vigente
Os grupos C e D foram fundidos em um único grupo E, para destacar que a exacerbação tem relevância clínica própria, independentemente do nível de sintoma. Entra no E quem teve uma ou mais exacerbações graves, com hospitalização, ou duas ou mais moderadas nos últimos 12 meses. A e B seguem inalterados, separados por mMRC igual ou maior que 2 e/ou CAT igual ou maior que 10. É o mapa que o protocolo brasileiro adotou em novembro de 2025, declaradamente adaptado do GOLD 2025.
Ministério da Saúde, PCDT da DPOC, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29, de 27 de novembro de 2025, Quadro 3 (fonte declarada: adaptado de GOLD 2025); SBPT, Manual de DPOC 2024, Quadro 7 (GOLD a partir de 2023)
Três grupos, A/B/E, com E a partir de uma única exacerbação moderada — GOLD 2026
O limiar do grupo E foi reduzido. Estudos observacionais mostraram que mesmo uma única exacerbação moderada ou grave antes do início do tratamento de manutenção já aumenta o risco de eventos subsequentes, risco que cresce com eventos mais frequentes ou mais graves. O grupo E passa a incluir quem teve uma exacerbação moderada no ano anterior, e esse passa a ser o limiar para considerar escalonamento, com a meta declarada de atingir um estado de baixa atividade de doença, sem exacerbações.
GOLD, Global Strategy for the Diagnosis, Management, and Prevention of COPD — 2026 Report (v1.3, 8 de dezembro de 2025), capítulo 2, e GOLD Report 2026 Key Changes Summary, de 10 de novembro de 2025, item iv
Na prova
O recorte se identifica antes de tudo pelas próprias alternativas. Se alguma opção nomeia grupo C ou grupo D, a questão foi escrita no mapa anterior a 2023, e as quatro casas estão em jogo. Se as alternativas só falam de A, B e E, a questão já está no mapa novo. O segundo sinal é o cenário: enunciado que cita UBS, SUS, dispensação de medicamento ou o protocolo do Ministério da Saúde está lendo o texto brasileiro em vigor, cujo corte para o grupo E é duas exacerbações moderadas ou uma internação em 12 meses. O terceiro sinal é a menção nominal a uma edição do GOLD com o ano: um enunciado que trate uma única exacerbação moderada como suficiente para escalonar está lendo a edição de 2026, e um que exija duas está lendo 2023 a 2025. Registre os anos: o ABCD vigorou no GOLD até 2022 e no protocolo brasileiro até novembro de 2025; o ABE entrou no GOLD em 2023 e no Brasil pela Portaria Conjunta nº 29, de 27 de novembro de 2025; o corte de uma exacerbação chegou com o GOLD 2026 e ainda não está no texto brasileiro. Como o Brasil ficou quatro anos com o protocolo de 2021 sem atualização, a defasagem não é discordância técnica, é ciclo de revisão de documento nacional.
Corte fixo em 0,7 — critério diagnóstico do GOLD e do PCDT brasileiro
A obstrução persistente ao fluxo aéreo é definida por relação VEF1/CVF pós-broncodilatador inferior a 0,7. O valor é único, não depende de tabela de referência, e é o que consta como critério diagnóstico tanto no quadro de elementos clínicos e funcionais do protocolo brasileiro quanto no GOLD. A vantagem é operacional: qualquer serviço com espirômetro aplica o critério sem depender de equação de previsto.
Ministério da Saúde, PCDT da DPOC, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29/2025, item 3.1 e Quadro 1; GOLD 2026 Report, capítulo 2
Limite inferior da normalidade — recomendação do próprio PCDT e base dos valores de referência brasileiros
A relação VEF1/CVF cai com a idade, e varia com sexo e altura. Aplicar 0,7 de forma indiscriminada sobrediagnostica idoso, porque o envelhecimento pulmonar por si só derruba a relação, e subdiagnostica jovem sintomático que ainda está acima de 0,7 mas abaixo do previsto para sua idade e altura. Por isso o próprio protocolo brasileiro escreve que, sempre que possível, deve-se usar o limite inferior da normalidade como referência, por refletir com maior precisão os parâmetros esperados para a população brasileira — apoiado nos valores de referência para espirometria em adultos brasileiros.
Ministério da Saúde, PCDT da DPOC, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29/2025, item 3.1, parágrafo sobre variação por idade, sexo e altura; Pereira CAC, Sato T, Rodrigues SC. Novos valores de referência para espirometria forçada em brasileiros adultos de raça branca. J Bras Pneumol. 2007;33(4):397-406, citada como referência 22 do PCDT
Na prova
Os dois critérios convivem dentro do mesmo documento brasileiro, e o que muda é a função de cada um. Uma questão que pede o critério diagnóstico, que dá um valor de relação e pergunta se há obstrução, está operando com o corte fixo de 0,7 — é assim que o critério está escrito no protocolo e no GOLD. Já uma questão que descreve um paciente de 80 anos assintomático com relação de 0,68, ou um paciente de 35 anos sintomático com relação de 0,72, está construída em cima da limitação do corte fixo, e o vocabulário denuncia: quando o enunciado ou as alternativas trazem as expressões limite inferior da normalidade, LLN, sobrediagnóstico em idosos ou valores previstos para idade e altura, o recorte é o da precisão populacional, não o do critério operacional.
Critérios explícitos e 5 dias — GOLD 2026
O antibiótico está indicado em três situações: pelo menos dois entre piora da dispneia, febre, aumento do volume do escarro e purulência do escarro, desde que a purulência seja um deles; cultura de escarro positiva em exacerbação anterior; ou necessidade de ventilação mecânica, invasiva ou não invasiva. A duração recomendada é de 5 dias no tratamento ambulatorial, com evidência de que até 5 dias tem a mesma eficácia clínica e bacteriológica de esquemas convencionais mais longos.
GOLD, 2026 Report, capítulo 4, seção Antibiotics e Figura 4.6 (duração de 5 dias, nível de evidência B)
Prescrição criteriosa, sem lista de critérios — PCDT brasileiro de 2025
O protocolo brasileiro trata o antibiótico como decisão a ser tomada com base no perfil de risco do paciente e, sempre que possível, na avaliação microbiológica, considerando explicitamente o risco de indução de resistência bacteriana. Não reproduz a lista de critérios clínicos nem fixa duração. O que ele detalha com número é o corticoide sistêmico — 40 mg de prednisona ou prednisolona por 5 dias, com extensão para 10 a 14 dias em caso de ausência de melhora no quinto dia — e a hospitalização, para a qual traz nove critérios.
Ministério da Saúde, PCDT da DPOC, Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 29/2025, item 7.2 (Outras terapias) e Quadro 6 (corticoides sistêmicos não inalatórios)
Na prova
A ausência de lista no texto brasileiro não é discordância clínica: é escolha de política de antimicrobiano, e o próprio protocolo diz por quê ao invocar o risco de resistência. Para identificar o recorte, olhe o que o enunciado descreve. Vinheta que detalha o escarro — volume, cor, purulência — está construída sobre os critérios clínicos e espera que o aluno os aplique. Vinheta que fala em uso racional de antimicrobiano, protocolo de serviço ou perfil local de resistência está lendo o texto brasileiro. Nas alternativas, a duração denuncia a origem: opções de 7 a 10 dias vêm de material anterior à recomendação de 5 dias, e opções que oferecem antibiótico para toda exacerbação ignoram que boa parte delas é viral ou não infecciosa.
Caso resolvido
- achado
- Relação VEF1/CVF de 0,52 pós-broncodilatador, em ex-tabagista de 48 maços-ano com tosse produtiva e dispneia crônica: obstrução persistente confirmada, quadro clínico compatível, diagnóstico de DPOC fechado. Não há por que repetir a espirometria — a faixa que pede repetição é a de 0,6 a 0,8.
- achado
- VEF1 de 38% do previsto: obstrução grave, GOLD 3. Esse número não vai escolher o inalador, mas destrava três coisas — encaminhamento ao pneumologista, oximetria em toda consulta e o acesso, no SUS, às apresentações reservadas a GOLD 3 e 4.
- achado
- Parar para respirar após menos de 100 metros no plano é a definição do grau 3 da escala mMRC. O CAT de 22 confirma pelo outro instrumento. Muito sintomático pelas duas réguas, sem margem de dúvida.
- achado
- Dois episódios em 10 meses tratados com corticoide sistêmico e antibiótico, sem internação: duas exacerbações moderadas em menos de 12 meses. Isso o coloca no grupo E — e vale reparar que aqui os sintomas seriam irrelevantes, porque no ABE a exacerbação classifica sozinha.
- raciocínio
- GOLD 3, grupo E, eosinófilos 380 células/µL, sem histórico de pneumonia. O eosinófilo acima de 300 é o critério objetivo que autoriza acrescentar corticoide inalatório à dupla broncodilatação, e o perfil exacerbador com obstrução grave é exatamente o que o SUS exige para liberar as triplas de dose fixa.
- conduta
- Prescrever terapia tripla em dispositivo único: furoato de fluticasona com umeclidínio e vilanterol 100/62,5/25 mcg uma vez ao dia, ou beclometasona com formoterol e glicopirrônio 100/6/12,5 mcg, duas inalações duas vezes ao dia. Manter broncodilatador de curta ação disponível para alívio imediato. O dispositivo único é preferível a três inaladores separados, por adesão e por técnica.
- conduta
- Não indicar oxigenoterapia domiciliar. SpO2 de 93% não preenche critério — e nem sequer aciona a gasometria, cujo gatilho é SpO2 igual ou menor que 92%. O que fica prescrito é o monitoramento: com VEF1 abaixo de 50%, medir a saturação de repouso em todas as consultas, e medi-la também no esforço.
- conduta
- Encaminhar para reabilitação pulmonar — mMRC 3 é prioridade explícita — e, na indisponibilidade do serviço, orientar caminhada, subir e descer escadas, sentar e levantar da cadeira e fortalecimento de membros superiores com peso leve, ou telerreabilitação supervisionada.
- conduta
- Completar o pacote que não é inalador: vacina anual contra influenza e esquema pneumocócico, começando pela conjugada 13-valente e aplicando a polissacarídica 23-valente seis meses depois; reforçar a abstinência do tabaco em toda consulta; avaliar estado nutricional, porque IMC de 20 kg/m² já está abaixo do limiar de 21 associado a pior prognóstico; e entregar plano escrito de ação para exacerbação.
- conduta
- Encaminhar ao pneumologista mantendo o acompanhamento na atenção primária — a partir de GOLD 3 o protocolo recomenda o serviço especializado —, revisar a técnica inalatória em cada retorno e, se ele não gerar fluxo inspiratório suficiente para o pó seco, trocar por aerossol com aerocâmara ou dispositivo de névoa suave.
Agora feche você
- achado
- Piora dos sintomas em 3 dias, com aumento da dispneia e da expectoração: exacerbação de DPOC pela definição, que exige piora ao longo de poucos dias, até 14. A radiografia afasta pneumonia e pneumotórax; a ausência de crepitações, de terceira bulha e de edema torna descompensação cardíaca improvável; nada na história sustenta embolia pulmonar neste momento.
- achado
- Três dos quatro marcadores de infecção bacteriana estão presentes — aumento do volume do escarro, purulência franca e febre —, além da piora da dispneia. E a purulência, que é o marcador obrigatório, está entre eles.
- achado
- FR 30, FC 112, SpO2 de 84% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e tiragem: os parâmetros de beira de leito ultrapassam todos os cortes da classificação de gravidade, e a gasometria mostra hipercapnia com acidose. É exacerbação grave.
- achado
- pH 7,26 com PaCO2 de 65 mmHg uma hora depois do tratamento inicial: acidose respiratória aguda que não respondeu à broncodilatação, ao corticoide e ao oxigênio controlado.
- achado
- Consciente, orientada, cooperativa, sem vômitos, sem instabilidade hemodinâmica e sem incapacidade de eliminar secreções. Nenhuma das condições que impediriam a estratégia menos invasiva está presente.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Fechar o diagnóstico com espirometria pré-broncodilatador O critério é a relação VEF1/CVF abaixo de 0,7 depois do broncodilatador. A medida pré-broncodilatador serve como triagem, e usá-la para diagnosticar transforma em DPOC todo paciente com broncoespasmo reversível. Note também que é a relação, e não o VEF1 isolado: VEF1 abaixo de 80% com relação preservada é outra coisa — a chamada espirometria com relação preservada e alteração funcional, que exige seguimento, não rótulo de DPOC.
- 2Achar que resposta ao broncodilatador exclui DPOC Resposta broncodilatadora é comum na DPOC, e fica mais provável quanto mais baixo o VEF1. O que aponta fortemente para asma é a reversibilidade acentuada, com ganho de pelo menos 12% e 400 mL sobre o basal. E o que de fato exclui DPOC é diferente: espirometria sem evidência de obstrução após um curso de tratamento, porque a obstrução da DPOC é persistente por definição.
- 3Confundir o grau GOLD 1 a 4 com o grupo A, B ou E São duas classificações com funções distintas. O grau mede a obstrução pelo VEF1 e não escolhe o inalador, porque o VEF1 não prediz bem nem sintoma nem exacerbação. O grupo mede sintoma e risco e é ele que define o tratamento inicial. A confusão fica cara nas duas direções: GOLD 4 pouco sintomático e sem exacerbação não vira grupo E, e GOLD 1 que internou por exacerbação é grupo E.
- 4Tirar do grupo E o paciente pouco sintomático Esse é o ponto central da reclassificação. Antes de 2023, o exacerbador pouco sintomático era grupo C, uma casa separada. Depois da fusão, ele é grupo E como qualquer outro exacerbador — mMRC e CAT deixaram de dividi-lo. Uma internação por exacerbação, ou duas exacerbações moderadas em 12 meses, bastam, mesmo com mMRC 1 e CAT 8.
- 5Prescrever corticoide inalatório isolado, ou escolher a dupla com corticoide como terapia inicial Monoterapia com corticoide inalatório não tem lugar na DPOC: não altera o declínio do VEF1 nem reduz mortalidade. E a combinação de beta-2 agonista de longa ação com corticoide inalatório não é a escolha preferencial — quando há indicação de corticoide inalatório, a tripla demonstrou superioridade na redução de exacerbações. A base do tratamento é a dupla broncodilatação, não a dupla com corticoide.
- 6Acrescentar corticoide inalatório sem olhar o eosinófilo O número é objetivo e cai literalmente. Igual ou maior que 300 células por microlitro indica a tripla; entre 100 e 299 com exacerbações frequentes, considera-se individualmente; abaixo de 100 células por microlitro, ou com histórico de pneumonia, o corticoide inalatório deve ser evitado. E a decisão de retirar segue a mesma régua: descalonar em quem não teve benefício clínico, sobretudo abaixo de 100 células por microlitro ou com pneumonia.
- 7Dar antibiótico em toda exacerbação — ou dar por 10 a 14 dias Boa parte das exacerbações é viral ou não infecciosa. O antibiótico entra com pelo menos dois entre piora da dispneia, febre, aumento do volume do escarro e purulência, desde que a purulência seja um deles; ou com cultura positiva prévia; ou quando o paciente precisa de ventilação mecânica. E a duração atual é de 5 dias — esquemas de 7 a 10 dias vêm de material anterior e não trazem ganho de eficácia clínica ou bacteriológica no paciente ambulatorial.
- 8Estender o corticoide sistêmico da exacerbação por padrão São 5 dias, com 40 mg por dia de prednisona ou prednisolona, preferencialmente por via oral. Cursos mais longos foram associados a maior risco de pneumonia e de morte. A extensão para 10 a 14 dias é exceção, reservada a quem não melhora até o quinto dia, sobretudo em exacerbação grave. E quem usou mais de três semanas precisa de desmame, de 5 a 10 mg a cada 5 a 7 dias.
- 9Indicar oxigênio domiciliar pela dispneia, ou com uma gasometria só A indicação é por hipoxemia, não por sintoma, e exige confirmação em duas ocasiões ao longo de três semanas: PaO2 igual ou menor que 55 mmHg ou saturação igual ou menor que 88%, ou então PaO2 entre 55 e 60 mmHg com hipertensão pulmonar, edema sugestivo de insuficiência cardíaca ou hematócrito acima de 55%. Em dessaturação moderada o oxigênio não prolonga vida. E o uso mínimo é de 15 horas por dia, incluindo o sono — oxigênio só à noite, ou só quando falta o ar, não entrega o benefício de sobrevida.
- 10Intubar o hipercápnico que tinha indicação de ventilação não invasiva Acidose respiratória com PaCO2 igual ou maior que 45 mmHg e pH igual ou menor que 7,35 é indicação de ventilação não invasiva, não de tubo. Ela é o modo inicial na insuficiência respiratória aguda por exacerbação, com sucesso de 80% a 85%, e reduz intubação e mortalidade. O tubo entra na falha ou intolerância à não invasiva, no rebaixamento de consciência, na parada, na aspiração maciça, na incapacidade de remover secreções e na instabilidade hemodinâmica grave. Quem falha a não invasiva e vai para o tubo depois tem mais morbidade e mortalidade — mas isso não é argumento para pular a etapa, e sim para monitorar de perto.
- 11Tratar toda piora respiratória como exacerbação Pneumonia, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca descompensada e pneumotórax imitam ou agravam o quadro. Em muitos pacientes a causa exata da exacerbação nunca é identificada, o que não autoriza pular a exclusão dos diagnósticos que mudam a conduta inteira. O paciente com DPOC tem risco cardiovascular elevado, particularmente nos 90 dias seguintes a uma exacerbação.
- 12Deixar a cessação do tabagismo fora da resposta É a intervenção mais eficaz e a única que muda a velocidade de queda do VEF1. Deve ser reforçada em todas as consultas, com aconselhamento estruturado, e ganha medicação quando a dependência é elevada. Manter o tabagismo, além de piorar o prognóstico, reduz a efetividade do tratamento inalatório, em especial da corticoterapia — o que aparece no protocolo como item a checar antes de concluir que o corticoide inalatório falhou.
Exacerbação de DPOC com os três critérios de Anthonisen (piora da dispneia, aumento do volume e da purulência do escarro) — indica broncodilatador inalatório de curta ação, corticoide sistêmico e antibiótico, com oxigenoterapia TITULADA para SatO2 de 88 a 92%. Buscar SatO2 ≥ 96% em alto fluxo e apoiar-se no broncodilatador de longa ação erra: alvo alto de oxigênio no retentor de CO2 leva a hipercapnia e narcose, e o de longa ação não é droga de resgate na crise. Antibiótico isolado erra: omite broncodilatador e corticoide, pilares do manejo da exacerbação. Intubar e ventilar de imediato é exagero: o paciente está consciente e estável, sem indicação de via aérea definitiva. Corticoide inalatório em altas doses, isolado, não trata a exacerbação aguda.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 68 anos, tabagista de 50 maços-ano, refere dispneia progressiva aos esforços há 3 anos, tosse produtiva matinal na maioria dos dias e sibilância ocasional. Ao exame: PA 132x80 mmHg, FC 84 bpm, FR 18 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, tórax em tonel, murmúrio vesicular difusamente reduzido com tempo expiratório prolongado. A espirometria pós-broncodilatador mostra VEF1/CVF de 0,58. Qual é o diagnóstico mais provável?
A relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70 (0,58) confirma obstrução fixa ao fluxo aéreo em tabagista pesado com sintomas crônicos, definindo DPOC. Asma cursa tipicamente com obstrução reversível e história de atopia/variabilidade. Fibrose pulmonar idiopática dá padrão restritivo (VEF1/CVF preservada ou aumentada). Bronquiectasias cursam com tosse produtiva volumosa crônica e infecções de repetição, sem esse contexto. ICC daria estertores crepitantes basais e sinais de congestão, não obstrução espirométrica.
Homem de 60 anos, tabagista, com DPOC, chega ao pronto-socorro com piora da dispneia, aumento do volume e purulência da expectoração há 3 dias. Exame: PA 138x84 mmHg, FC 98 bpm, FR 24 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, sibilos difusos, sem febre. A gasometria arterial revela: pH 7,34, PaCO2 58 mmHg, PaO2 56 mmHg, HCO3 30 mEq/L. Além de broncodilatadores e corticoide, qual medida está indicada para o suporte ventilatório inicial?
Na exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH 7,34, PaCO2 58) e desconforto, a VNI (BiPAP) é a intervenção de escolha, reduzindo intubação e mortalidade. A intubação imediata é reservada para falha da VNI, rebaixamento importante ou instabilidade. O2 em alto fluxo mirando saturação muito alta piora a hipercapnia por efeito Haldane/desequilíbrio V/Q; a meta é SatO2 88–92%. Cateter isolado pode ser insuficiente e não corrige a hipercapnia. A hipercapnia é justamente a principal indicação de VNI, não contraindicação.
Homem de 66 anos com DPOC grave (VEF1 40% do previsto), em uso de broncodilatador de longa duração, mantém dispneia limitante e apresentou 2 exacerbações no último ano. Em consulta ambulatorial: PA 134x82 mmHg, FC 82 bpm, FR 18 ipm, SatO2 87% em ar ambiente em repouso, medida confirmada em nova avaliação após 3 semanas, também com PaO2 de 54 mmHg na gasometria arterial. Sem policitemia ou cor pulmonale. Qual intervenção comprovadamente reduz a mortalidade nesse paciente?
Com hipoxemia crônica grave confirmada (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SatO2 ≤ 88% em repouso, em duas medidas), a oxigenoterapia domiciliar prolongada por ≥ 15 h/dia é a única listada com redução comprovada de mortalidade na DPOC. Corticoide oral contínuo não reduz mortalidade e causa efeitos adversos significativos. A teofilina tem eficácia modesta e janela terapêutica estreita, sem benefício de sobrevida. A azitromicina reduz exacerbações em fenótipo selecionado, mas não é a medida de sobrevida aqui e tem riscos (QT, resistência). A reabilitação melhora sintomas e qualidade de vida, mas não demonstra ganho de sobrevida isolado.
Homem de 68 anos, tabagista de 45 maços-ano, com DPOC, procura pronto-socorro por piora da dispneia há 3 dias, com aumento do volume e purulência do escarro. Nega febre. Ao exame: consciente, orientado, uso de musculatura acessória, PA 138x84 mmHg, FC 104 bpm, FR 26 ipm, SatO2 88% em ar ambiente, T 36,9 °C. Ausculta com sibilos difusos e murmúrio vesicular reduzido. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,32, PaCO2 58 mmHg, PaO2 54 mmHg, HCO3 29 mEq/L. Radiografia de tórax sem consolidações. Além de broncodilatador, corticoide sistêmico e oxigenoterapia controlada, qual conduta adicional está MAIS indicada neste momento?
Trata-se de exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH 7,32, PaCO2 58) e sinais de esforço — a VNI é a intervenção com maior impacto em reduzir mortalidade e intubação neste cenário (pH 7,25–7,35 com hipercapnia), sendo prioritária. Antibiótico é indicado (cardinais de Anthonisen presentes: dispneia + volume + purulência), mas não é a conduta de maior impacto imediato sobre a insuficiência ventilatória e não corrige a acidose. IOT imediata seria excessiva sem falha/contraindicação da VNI. TEP é diferencial, mas o quadro é típico de exacerbação infecciosa, sem indicação prioritária de angiotomografia. Sulfato de magnésio não tem papel estabelecido na exacerbação de DPOC (é da crise asmática grave).
Homem de 68 anos, ex-tabagista (50 maços-ano), refere dispneia progressiva aos esforços há 3 anos e tosse produtiva na maioria dos dias. Ao exame: PA 130x80 mmHg, FC 88 bpm, FR 20 ipm, SatO2 92% em ar ambiente. Tórax em tonel, murmúrio vesicular reduzido difusamente com expiração prolongada. Qual exame é indispensável para confirmar o diagnóstico de DPOC?
O diagnóstico de DPOC exige demonstração de obstrução ao fluxo aéreo persistente pela espirometria (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador). A radiografia pode sugerir hiperinsuflação, mas não confirma nem quantifica a obstrução. A TCAR avalia enfisema/bronquiectasias, mas não é critério diagnóstico. A gasometria avalia trocas gasosas, não a obstrução. A alfa-1-antitripsina é rastreio etiológico em casos selecionados, não confirmatório do diagnóstico.
Homem de 70 anos com DPOC apresenta-se com piora da dispneia, aumento do volume do escarro e escarro purulento há 3 dias. Ao exame: FR 26 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, sibilos difusos, sem confusão. Gasometria: pH 7,34, PaCO2 52 mmHg, PaO2 55 mmHg, HCO3 27 mEq/L. Além de broncodilatadores e corticoide, qual intervenção respiratória é a mais indicada neste momento?
Exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH 7,34, PaCO2 52) e esforço respiratório é a indicação clássica de VNI (BiPAP), que reduz trabalho respiratório, corrige a hipercapnia e diminui necessidade de intubação e mortalidade. A intubação imediata não se justifica sem rebaixamento/falência da VNI. Alto fluxo com meta 100% pode agravar a hipercapnia por efeito Haldane/desregulação V/Q — a meta na DPOC é SatO2 88-92%. Cateter com meta 100% é inadequado. A VNI está indicada, não contraindicada.
Homem de 58 anos com DPOC grave (VEF1 40% do previsto), em uso de LABA + LAMA + corticoide inalatório. Refere 3 exacerbações no último ano apesar do tratamento otimizado, com eosinófilos sanguíneos de 90 células/µL e tosse produtiva crônica com escarro purulento recorrente. É ex-tabagista. Qual é a intervenção farmacológica adicional com melhor respaldo para reduzir exacerbações neste perfil específico?
No fenótipo de DPOC com exacerbações frequentes apesar de tríplice terapia, ex-tabagista e eosinófilos BAIXOS (90/µL), a azitromicina profilática (efeito imunomodulador/antimicrobiano) tem evidência de redução de exacerbações. O mepolizumabe/anti-IL5 beneficia sobretudo perfis com eosinofilia alta, não este. Aumentar CI em eosinófilos baixos traz pouco ganho e mais risco de pneumonia. Corticoide oral contínuo tem efeitos adversos que superam o benefício na DPOC estável. Substituir LAMA por teofilina reduz broncodilatação e traz toxicidade, sem melhor controle de exacerbações.
Homem de 58 anos, ex-tabagista (40 maços-ano), com DPOC GOLD 3, é internado por exacerbação. No 3º dia, mantém-se em ventilação não invasiva. Gasometria arterial em ar ambiente prévia à VNI: pH 7,28, PaCO2 68 mmHg, PaO2 54 mmHg, HCO3 31 mEq/L, SatO2 86%. Após início de oxigenoterapia por cateter nasal a 4 L/min, o paciente evolui com sonolência progressiva. Nova gasometria: pH 7,21, PaCO2 82 mmHg, PaO2 88 mmHg. Qual o mecanismo fisiopatológico PREDOMINANTE que melhor explica a piora da hipercapnia após a oferta de oxigênio neste paciente?
A hipercapnia induzida por O2 no DPOC decorre principalmente da liberação da vasoconstrição pulmonar hipóxica (piorando o desequilíbrio V/Q e aumentando o espaço morto) somada ao efeito Haldane (redução da afinidade da hemoglobina oxigenada pelo CO2) — correta. A supressão do drive hipóxico é fator MENOR e não isolado, hoje considerado secundário. A hiperóxia ABOLE (não induz) a vasoconstrição pulmonar hipóxica. Não há colapso alveolar difuso nem depressão direta do centro por PaO2 alta como mecanismo predominante.
Homem de 62 anos, ex-tabagista de longa data (40 maços-ano), procura a UBS por dispneia progressiva aos esforços e tosse com expectoração crônica. Ausculta com murmúrio vesicular reduzido e tempo expiratório prolongado. Qual o exame mais adequado para confirmar o diagnóstico suspeitado?
História de tabagismo pesado com dispneia progressiva, tosse crônica e sinais de obstrução ao fluxo aéreo sugerem DPOC. Correta: a espirometria é o exame que confirma o diagnóstico de DPOC, demonstrando obstrução ao fluxo aéreo não totalmente reversível (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador). A radiografia auxilia na exclusão de diferenciais, mas não confirma DPOC. A gasometria avalia gravidade/troca gasosa, não faz o diagnóstico. A alfa-1-antitripsina é investigada em casos selecionados (jovens, sem tabagismo, história familiar), não de rotina.
Homem de 70 anos com DPOC, em uso de broncodilatador de longa duração, chega à UPA com aumento da dispneia, da tosse e mudança do escarro para aspecto purulento e em maior volume nas últimas 48 horas. Sem febre, saturação 90% em ar ambiente. Além da otimização do broncodilatador, qual conduta complementa o manejo dessa exacerbação?
Exacerbação de DPOC caracterizada pelos três critérios cardinais de Anthonisen (aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro). Correta: a presença de escarro purulento indica antibioticoterapia, e a exacerbação moderada/grave se beneficia de corticoide sistêmico por curto período (cerca de 5 dias). Omitir o corticoide sistêmico perde benefício comprovado na exacerbação. Corticoide inalatório em dose única não trata a exacerbação aguda e a ausência de antibiótico ignora a purulência. Oxigenoterapia é suporte, mas isoladamente não trata a causa da exacerbação.
Homem de 58 anos, tabagista (40 maços-ano), procura a Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva crônica e dispneia progressiva aos esforços há 3 anos. A espirometria mostra VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,58 e VEF1 de 62% do previsto. Ele apresenta uma exacerbação por ano e escore CAT de 12 (mMRC 1). Qual é a conduta farmacológica de manutenção mais apropriada segundo as diretrizes atuais para DPOC?
O paciente é GOLD grupo B (sintomas moderados, ≤1 exacerbação sem internação) — a base do tratamento é um broncodilatador de longa ação, LAMA ou LABA, em monoterapia. Corticoide inalatório isolado não é recomendado na DPOC (aumenta risco de pneumonia sem benefício isolado). Corticoide oral contínuo não tem indicação na manutenção pelos efeitos adversos. Terapia tripla desde o início é reservada a exacerbadores frequentes ou grupo E com eosinofilia, não ao grupo B inicial.
Homem de 60 anos, tabagista de longa data (40 maços-ano), procura a UBS com dispneia aos esforços progressiva e tosse produtiva crônica. Qual exame é essencial para confirmar o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica?
O diagnóstico de DPOC exige comprovação de obstrução persistente ao fluxo aéreo pela espirometria com relação VEF1/CVF reduzida após broncodilatador. Radiografia auxilia a excluir diferenciais mas não confirma DPOC. Oximetria avalia oxigenação, não o distúrbio obstrutivo. Hemograma/eosinófilos pode orientar terapia, porém não estabelece o diagnóstico.
Homem de 65 anos, com DPOC, procura a UPA com aumento da dispneia, tosse com escarro mais purulento e maior volume de secreção há 2 dias, sem febre. Ausculta com sibilos difusos, saturação 91%. Radiografia sem consolidação. Além de broncodilatador e corticoide, sobre a indicação de antibiótico nesta exacerbação, a conduta correta é:
Os critérios cardinais de Anthonisen para exacerbação de DPOC são aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro; a presença dos três (ou de purulência com um dos outros) indica antibioticoterapia. A ausência de febre não exclui exacerbação bacteriana. A radiografia normal apenas afasta pneumonia, mas não contraindica o antibiótico na exacerbação com purulência. O ponto de corte de saturação orienta oxigenoterapia, não a decisão sobre antibiótico.
Homem de 58 anos, tabagista de 40 maços-ano, com DPOC em uso de broncodilatador de longa ação, chega à UPA com piora da dispneia, aumento do volume do escarro e escarro purulento há 3 dias. Ao exame: FR 24 irpm, SpO2 89% em ar ambiente, sibilos difusos, sem febre, sem sinais de instabilidade. Consciente e orientado. Qual é a conduta inicial mais adequada nesta exacerbação?
A exacerbação de DPOC com os três sinais cardinais de Anthonisen (dispneia, volume e purulência do escarro) indica broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico e antibiótico. O oxigênio deve ser titulado para alvo de 88–92%, pois hiperóxia em DPOC retentor pode causar hipercapnia e acidose. Oxigênio para SpO2 ≥96% é perigoso nesse perfil. Não há indicação de VMI imediata (paciente consciente, sem falência respiratória). Antibiótico isolado com alta ignora a hipoxemia (SpO2 89%) e a necessidade de corticoide.
Um homem de 66 anos, ex-tabagista de 45 maços-ano, procura a UBS com dispneia progressiva aos esforços há 2 anos, atualmente ao subir um lance de escada, associada a tosse com expectoração mucoide matinal. Nega febre. Ao exame apresenta-se com tórax em tonel, expiração prolongada, murmúrio vesicular diminuído difusamente e sibilos esparsos, saturação de O2 de 93% em ar ambiente. A espirometria pós-broncodilatador mostra relação VEF1/CVF de 0,58 (abaixo de 0,70), com pouca resposta ao broncodilatador. A radiografia de tórax revela hiperinsuflação e retificação das cúpulas diafragmáticas. O diagnóstico mais provável é:
Dispneia progressiva, tosse produtiva crônica, história de tabagismo pesado, hiperinsuflação radiológica e, sobretudo, obstrução ao fluxo aéreo persistente (VEF1/CVF < 0,70 pós-broncodilatador com pouca reversibilidade) definem DPOC. É o diagnóstico. Asma cursa com obstrução reversível e caráter variável, não persistente e fixa. Fibrose pulmonar dá padrão restritivo (VEF1/CVF normal ou aumentado) com estertores em velcro e faveolamento, não hiperinsuflação. ICC cursaria com congestão, cardiomegalia e padrão restritivo, sem obstrução fixa e hiperinsuflação.
Um homem de 52 anos, tabagista de longa data (40 maços-ano), procura a UBS com tosse produtiva crônica e dispneia progressiva aos esforços há 3 anos, com piora nos últimos 5 dias, quando o escarro tornou-se purulento e o volume aumentou. Ao exame: FR 24 irpm, saturação de 90% em ar ambiente, expiração prolongada e sibilos difusos à ausculta, sem febre. Espirometria prévia: VEF1/CVF de 0,58 pós-broncodilatador. Não apresenta cianose nem alteração do sensório. Considerando o diagnóstico e a exacerbação atual, assinale a conduta ambulatorial mais adequada.
Tabagismo pesado, limitação crônica ao fluxo aéreo com VEF1/CVF < 0,7 fixo pós-broncodilatador confirma DPOC. Na exacerbação com aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro (critérios de Anthonisen), indica-se broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico em curso curto (5 dias) e antibiótico, pois há aumento de purulência e volume. Não se trata de asma (paciente tabagista, obstrução fixa). Não há critérios de pneumonia (sem febre, sem consolidação) que justifiquem internação/ceftriaxona. Não há sinais de congestão que indiquem IC descompensada como causa primária.
Mulher, 72 anos, com DPOC grave conhecida, chega ao pronto-socorro com piora da dispneia, aumento do volume e purulência do escarro há 3 dias. Ao exame: consciente, orientada, taquipneica (FR 26 ipm), PA 138/84 mmHg, FC 104 bpm, SatO2 84% em ar ambiente, uso de musculatura acessória e sibilos difusos. Iniciados broncodilatadores de curta duração, corticoide sistêmico e antibiótico. Foi instalada oxigenoterapia. Após 30 minutos, nova gasometria arterial mostra: pH 7,30; PaCO2 58 mmHg; PaO2 62 mmHg; HCO3 27 mEq/L; SatO2 92%. A paciente permanece dispneica, mas alerta e cooperativa. Qual é a próxima conduta mais apropriada?
Correta: a paciente tem exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH 7,30) e hipercapnia (PaCO2 58), mantendo-se alerta e cooperativa — indicação clássica de VNI/BiPAP, que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação. A IOT imediata está indicada quando há falha/contraindicação à VNI (rebaixamento, instabilidade, incapacidade de proteger via aérea) — não é o caso, pois a paciente está alerta; a VNI deve ser tentada primeiro. Alvo de SatO2 na DPOC é 88–92%; hiperoxigenar (>96%) piora a retenção de CO2 e a acidose. Bicarbonato não trata acidose respiratória — a correção é ventilatória. Aguardar 6 horas na vigência de acidose respiratória é inadequado e arriscado.
Homem, 65 anos, tabagista ativo (40 maços-ano), procura ambulatório por dispneia progressiva aos esforços e tosse com expectoração há mais de 2 anos, sem episódios de melhora completa. Nega febre, dor torácica ou perda de peso. Ao exame: murmúrio vesicular diminuído difusamente, tempo expiratório prolongado. Você suspeita de DPOC. Qual exame é indispensável para confirmar o diagnóstico?
Correta: o diagnóstico de DPOC exige demonstração de limitação persistente e não totalmente reversível ao fluxo aéreo pela espirometria: VEF1/CVF < 0,70 APÓS broncodilatador é o critério obrigatório e definidor. A radiografia pode mostrar hiperinsuflação e ajuda a excluir diferenciais, mas não confirma DPOC nem quantifica a obstrução. A TC caracteriza enfisema/bronquiectasias, mas não é exame diagnóstico de DPOC. A gasometria avalia gravidade/insuficiência respiratória, não estabelece o diagnóstico. A dosagem de alfa-1-antitripsina é reservada a casos selecionados (jovens, história familiar, enfisema basal), não é exame diagnóstico de rotina.
Homem, 58 anos, tabagista (40 maços-ano), com DPOC, é levado à emergência por dispneia e sonolência progressivas há 2 dias, após quadro de infecção respiratória. Ao exame: torporoso, PA 140/85 mmHg, FC 105 bpm, FR 28 ipm, SatO2 84% em ar ambiente, com sibilos difusos e uso de musculatura acessória. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,22 (VR 7,35–7,45), PaCO2 78 mmHg (VR 35–45), PaO2 52 mmHg (VR 80–100), HCO3 30 mEq/L (VR 22–26), SatO2 84%. Iniciada oxigenoterapia e broncodilatadores. Qual a conduta MAIS apropriada para o suporte ventilatório neste momento?
Correta: Trata-se de exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica (tipo II) e acidose respiratória descompensada (pH 7,22, PaCO2 78). A indicação de 1ª linha, com maior nível de evidência (reduz mortalidade e intubação), é a VNI/BiPAP em paciente que protege via aérea e é responsivo. O torpor por narcose de CO2 tende a melhorar com a VNI e não contraindica por si só uma tentativa monitorada. A intubação imediata é reservada para falha/contraindicação à VNI (parada, incapacidade de proteger via aérea, agitação incontrolável) — aqui cabe tentar VNI primeiro. O CNAF não é superior à VNI na acidose hipercápnica da DPOC; a VNI segue como padrão nesse cenário. Alvos altos de SatO2 (≥96%) em DPOC agravam a hipercapnia por Haldane/V-Q e supressão do drive; o alvo é 88–92%. Não tratar a acidose grave apenas observando é inadequado; a meta correta é 88–92% com suporte pressórico, não a mera restrição de O2.
Homem, 68 anos, ex-tabagista (50 anos-maço), com DPOC confirmada por espirometria (VEF1 42% do previsto pós-broncodilatador). Refere duas exacerbações no último ano, sendo uma com internação. Apresenta dispneia aos pequenos esforços (mMRC 3) e pontuação no CAT de 22. Faz uso irregular de formoterol isolado. Exame: MV diminuído difusamente, sibilos esparsos, SatO2 93% em ar ambiente. Eosinófilos no sangue periférico de 210 células/µL. Considerando a estratificação GOLD e o perfil de risco, qual a conduta farmacológica de manutenção mais adequada?
O paciente é GOLD grupo E (≥2 exacerbações/ano ou ≥1 com internação), com sintomas importantes (mMRC 3, CAT 22). A conduta inicial de manutenção para o grupo E é a dupla broncodilatação LABA + LAMA (opção correta), reservando-se a associação de CI para eosinófilos ≥300 células/µL — aqui são 210, abaixo do corte, portanto CI não está indicado de entrada. Errada: monoterapia é insuficiente para grupo E e não controla exacerbações. Errada: LABA+CI não é a combinação preferencial no GOLD atual e retirar o LAMA piora a broncodilatação. Errada: tripla terapia é reservada para quem persiste exacerbando apesar de LABA+LAMA, ou com eosinofilia ≥300; não é passo inicial. Errada: CI isolado nunca é recomendado na DPOC (risco de pneumonia sem benefício broncodilatador).
Mulher, 72 anos, com DPOC, procura o pronto-socorro por piora da dispneia há 3 dias, aumento do volume do escarro que se tornou purulento e tosse mais intensa. Nega febre. PA 138/84 mmHg, FC 96 bpm, FR 24 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, afebril. Ausculta: sibilos difusos e roncos, sem crepitações. Radiografia de tórax sem consolidações ou sinais de congestão. Diante do quadro de exacerbação, qual conjunto de critérios indica, neste caso, o uso de antibioticoterapia?
O antibiótico na exacerbação de DPOC é indicado pelos critérios de Anthonisen quando há os 3 sinais cardinais (aumento da dispneia + aumento do volume do escarro + aumento da purulência) OU 2 dos 3 sendo um deles obrigatoriamente a purulência — ou ainda quando há necessidade de ventilação. A paciente tem aumento de volume + purulência do escarro (opção correta). Errada: dispneia isolada não indica antibiótico, pois nem toda exacerbação é bacteriana. Errada: sibilos refletem broncoespasmo, não infecção. Errada: hipoxemia orienta oxigenoterapia/gravidade, não é critério de antibiótico. Errada: nem toda exacerbação recebe antibiótico — a purulência do escarro é o marcador-chave de etiologia bacteriana.
Homem, 60 anos, tabagista, com dispneia progressiva aos esforços há 2 anos, tosse crônica e sibilância. Suspeita-se de DPOC. Qual exame é indispensável para confirmar o diagnóstico?
O diagnóstico de DPOC exige comprovação de limitação persistente ao fluxo aéreo pela espirometria, definida por relação VEF1/CVF < 0,70 após broncodilatador (opção correta). Errada: a radiografia auxilia a afastar diferenciais e complicações, mas não confirma DPOC. Errada: a TCAR avalia enfisema/bronquiectasias, não é critério diagnóstico. Errada: a gasometria avalia troca gasosa/gravidade e indicação de O2, não firma o diagnóstico. Errada: a dosagem de alfa-1-antitripsina é reservada a casos selecionados (jovens, não tabagistas, história familiar), não é o exame confirmatório.
Homem, 68 anos, ex-tabagista (carga de 50 maços-ano), com diagnóstico de DPOC, em uso regular e com boa adesão de LABA + LAMA (formoterol + tiotrópio). No último ano apresentou 2 exacerbações moderadas que exigiram corticoide oral. Refere dispneia mMRC 2. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1 48% do previsto. Hemograma com eosinófilos no sangue periférico de 360/mm³. Técnica inalatória e vacinação em dia. Qual a melhor conduta para reduzir novas exacerbações?
Correta: Pelo algoritmo de acompanhamento do GOLD, o paciente que continua exacerbando em uso de LABA+LAMA deve ser escalonado. A contagem de eosinófilos >= 300/mm3 (aqui 360) favorece fortemente a adição de corticoide inalatório (terapia tripla LABA+LAMA+CI), sendo essa a conduta indicada. Monoterapia com corticoide inalatório NUNCA é recomendada na DPOC (risco de pneumonia sem os benefícios da broncodilatação dupla). Roflumilaste tem indicação restrita a bronquite crônica com VEF1<50% e exacerbações, geralmente após otimização, e com eosinófilos altos o CI é preferível. Azitromicina é opção sobretudo em ex-tabagistas que exacerbam apesar da terapia tripla otimizada, não como primeiro passo aqui. Oxigenoterapia domiciliar exige hipoxemia crônica (PaO2 <= 55 mmHg ou SatO2 <= 88%), não descrita.
Homem, 70 anos, com DPOC, procura o pronto-socorro por piora da dispneia habitual há 3 dias, acompanhada de aumento do volume da expectoração, que passou a ter coloração amarelo-esverdeada. Nega febre. Ao exame: FR 24 ipm, SatO2 89% em ar ambiente, ausculta pulmonar com roncos e sibilos difusos. Radiografia de tórax sem consolidações. Foram iniciados broncodilatador de curta ação e corticoide sistêmico. Qual achado, neste caso, melhor justifica a associação de antibiótico ao tratamento?
Correta: Na exacerbação de DPOC, a indicação de antibiótico baseia-se nos critérios de Anthonisen, e a purulência do escarro (mudança de coloração) é o marcador isolado de maior peso, refletindo etiologia bacteriana provavel; associada ao aumento de volume e da dispneia, reforça a prescricao. Roncos e sibilos traduzem broncoespasmo/secreção, presentes na exacerbação, mas não indicam infecção bacteriana. SatO2 89% orienta oxigenoterapia controlada (alvo 88-92%), não antibiótico. Taquipneia indica gravidade/esforço, mas isoladamente não define infecção bacteriana. A duração dos sintomas caracteriza a exacerbação, porém não discrimina causa infecciosa.
Mulher, 62 anos, tabagista (30 maços-ano), com queixa de dispneia progressiva aos esforços e tosse crônica produtiva há anos. Realizada espirometria com prova broncodilatadora, cujo resultado pós-broncodilatador mostra relação VEF1/CVF de 0,58. Qual achado espirométrico confirma o diagnóstico de DPOC?
Correta: o diagnóstico de DPOC exige a demonstração de limitação persistente ao fluxo aéreo: relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70 (aqui 0,58) em paciente com sintomas e exposição de risco. VEF1 reduzido isoladamente serve para graduar a gravidade (GOLD 1-4), não para diagnosticar o distúrbio obstrutivo. Resposta broncodilatadora significativa é mais típica de asma e não define DPOC. Relação VEF1/CVF preservada com CVF baixa sugere padrão restritivo, não obstrutivo. Aumento da capacidade pulmonar total reflete hiperinsuflação, achado associado mas não diagnóstico da obstrução.
Homem, 62 anos, ex-tabagista com carga de 40 maços-ano, refere dispneia progressiva aos esforços há cerca de 2 anos e tosse produtiva matinal. Nega sibilância episódica ou sintomas noturnos. Ao exame: murmúrio vesicular difusamente diminuído, expiração prolongada, sem estertores. Espirometria com prova broncodilatadora: relação VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,62; VEF1 de 68% do previsto, com variação do VEF1 de 8% (120 mL) após o broncodilatador. Radiografia de tórax com hiperinsuflação pulmonar. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70 (aqui 0,62) confirma limitação persistente ao fluxo aéreo, definindo DPOC; VEF1 de 68% do previsto classifica como GOLD 2 (moderada, VEF1 50-79%). O quadro de tabagismo pesado, dispneia progressiva e hiperinsuflação corrobora. Asma cursaria com reversibilidade significativa (aumento do VEF1 >= 12% E >= 200 mL) e sintomas variáveis/noturnos, ausentes aqui — a variação foi de apenas 8%/120 mL. ICFEP não produz padrão obstrutivo fixo na espirometria nem hiperinsuflação. ACOS exigiria história de asma/atopia e resposta broncodilatadora marcante, não presente. Bronquiectasias cursariam com tosse produtiva crônica volumosa/infecções de repetição e achados tomográficos específicos, sem base clínica neste caso.
Homem, 70 anos, com DPOC grave conhecida, é levado ao pronto-socorro por piora da dispneia, aumento do volume e da purulência do escarro há 3 dias. Ao exame: taquipneico, uso de musculatura acessória, sibilos difusos, FR 28 ipm, FC 104 bpm, PA 140/85 mmHg, SatO2 86% em ar ambiente. Encontra-se sonolento, porém responsivo e orientado. Iniciados broncodilatadores inalatórios, corticoide sistêmico, antibiótico e oxigênio suplementar com alvo de SatO2 88-92%. Gasometria arterial após 1 hora, em O2 sob cateter: pH 7,29; PaCO2 62 mmHg; PaO2 60 mmHg; HCO3 28 mEq/L. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: há acidose respiratória (pH 7,29 < 7,35 com PaCO2 62 mmHg) em paciente ainda consciente e cooperativo — indicação clássica e prioritária de VNI na exacerbação de DPOC, que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação. A IOT é reservada para contraindicação ou falha da VNI, rebaixamento importante do nível de consciência, instabilidade ou parada — o paciente ainda está responsivo, então VNI vem primeiro. Alvo de SatO2 98-100% é deletério na DPOC: hiperóxia agrava a hipercapnia (piora do desequilíbrio V/Q e efeito Haldane); o alvo correto é 88-92%. Aminofilina/metilxantinas não são recomendadas de rotina na exacerbação pela baixa eficácia e alta toxicidade. Postergar diante de acidose respiratória progressiva atrasa o suporte ventilatório e aumenta o risco de falência respiratória.
Homem, 68 anos, com DPOC grave, encontra-se clinicamente estável, fora de exacerbação há 8 semanas, com tratamento inalatório otimizado (LABA + LAMA) e cessação tabágica há 6 meses. Mantém dispneia aos esforços moderados. Gasometria arterial em repouso, em ar ambiente: PaO2 52 mmHg; SatO2 87%; PaCO2 44 mmHg. Hematócrito normal, ecocardiograma sem sinais de cor pulmonale. Qual intervenção, além da já instituída, comprovadamente reduz a mortalidade neste paciente?
Correta: PaO2 <= 55 mmHg (ou SatO2 <= 88%) em repouso, no paciente estável e otimizado, indica oxigenoterapia domiciliar prolongada (>= 15h/dia) — a PaO2 de 52 mmHg preenche o critério isoladamente. Junto da cessação do tabagismo, é uma das poucas medidas que comprovadamente reduzem a mortalidade na DPOC com hipoxemia crônica grave. A reabilitação pulmonar melhora sintomas, capacidade de exercício e qualidade de vida, mas não reduz mortalidade por si só. O corticoide inalatório é considerado em exacerbadores frequentes com eosinofilia, reduzindo exacerbações — não mortalidade — e não há esse perfil descrito. Teofilina tem eficácia modesta e janela terapêutica estreita, sem impacto em mortalidade. Antagonistas de leucotrieno não têm papel no tratamento da DPOC e retirar o LAMA pioraria o controle.
Homem, 72 anos, com DPOC grave (VEF1 35% do previsto), dá entrada por exacerbação infecciosa. Está em oxigenoterapia por cateter nasal a 2 L/min. Consciente, orientado, muito dispneico, com uso de musculatura acessória e respiração paradoxal incipiente. FC 108 bpm, FR 30 ipm, PA 140/85 mmHg. Gasometria arterial em uso do O2: pH 7,25; PaCO2 72 mmHg (VR 35-45); PaO2 62 mmHg (VR 80-100); HCO3 30 mEq/L. Não há rebaixamento do nível de consciência, vômitos, instabilidade hemodinâmica ou secreção excessiva. Qual a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: Há acidose respiratória (pH 7,25) com hipercapnia (PaCO2 72) em exacerbação de DPOC, paciente alerta e sem contraindicações — indicação clássica e de primeira linha para VNI, que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação. A IOT imediata está reservada a falha ou contraindicação à VNI (rebaixamento importante, parada, instabilidade, incapacidade de proteger via aérea), que não estão presentes; VNI deve ser tentada antes. Aumentar o O2 não corrige a hipoventilação e pode agravar a hipercapnia; o problema é ventilatório, não de fluxo de O2. FiO2 alta em retentor de CO2 tende a piorar a hipercapnia (piora da relação V/Q e efeito Haldane) sem tratar a falência ventilatória. Manter conduta diante de acidose respiratória progressiva é postergar o tratamento eficaz e arriscar deterioração.
Homem, 70 anos, DPOC, chega ao PS em exacerbação, sonolento porém despertável, com SatO2 82% em ar ambiente. É instalada máscara não reinalante com O2 a 15 L/min. Trinta minutos depois, encontra-se mais sonolento e pouco responsivo. Gasometria comparativa: na chegada PaCO2 55 mmHg e pH 7,34; após o O2, PaCO2 82 mmHg, pH 7,20 e SatO2 99%. O paciente manteve frequência respiratória praticamente inalterada durante o período. Qual é o PRINCIPAL mecanismo da hipercapnia induzida pela oxigenoterapia neste paciente?
Correta: a explicação predominante para a hipercapnia hiperóxica no DPOC é o agravamento do desequilíbrio V/Q: o O2 abole a vasoconstrição pulmonar hipóxica, redirecionando fluxo para unidades mal ventiladas e aumentando o espaço morto fisiológico; soma-se o efeito Haldane (a oxi-hemoglobina libera menos CO2, elevando a PaCO2). Coerente com o caso, a FR quase não mudou, mostrando que a queda do drive não é o motor principal. A supressão do drive hipóxico contribui pouco e não explicaria a hipercapnia com ventilação-minuto preservada (FR estável) — é a resposta 'clássica' mas superada pela literatura atual. O O2 não causa broncoespasmo; esse não é o mecanismo. Não há depressão bulbar direta pela hiperóxia; a sonolência decorre da narcose por CO2. A atelectasia de absorção pode ocorrer com FiO2 muito alta, mas é fenômeno secundário e não o principal responsável pela hipercapnia aguda descrita. Conduta correta seria titular O2 para alvo de SatO2 88-92%.
Homem, 64 anos, ex-tabagista (carga tabágica de 40 maços-ano), procura ambulatório por dispneia aos esforços lentamente progressiva há cerca de 2 anos, acompanhada de tosse com expectoração mucoide predominantemente matinal. Nega febre ou perda de peso. Ao exame: murmúrio vesicular difusamente diminuído, tempo expiratório prolongado e sibilos esparsos. PA 130x80 mmHg, FC 78 bpm, FR 18 ipm, SatO2 95% em ar ambiente. Espirometria PRÉ-broncodilatador: relação VEF1/CVF 0,58 e VEF1 62% do previsto. Radiografia de tórax com hiperinsuflação, sem consolidações. Qual é o próximo passo para confirmar o diagnóstico de DPOC?
O padrão espirométrico é obstrutivo (VEF1/CVF < 0,70), mas o diagnóstico de DPOC pela GOLD exige demonstração de limitação ao fluxo aéreo PÓS-broncodilatador — a espirometria pré-BD isolada não confirma e não distingue de asma. Portanto, o próximo passo é repetir a espirometria após broncodilatador. A TCAR pode caracterizar enfisema/bronquiectasias, mas não é o exame que confirma DPOC. Iniciar tratamento empírico sem confirmar a obstrução fixa pós-BD é inadequado e não firma o diagnóstico. A alfa-1-antitripsina é reservada a casos selecionados (jovens, enfisema basal, história familiar), não é o passo confirmatório de rotina. A DLCO ajuda a avaliar enfisema e prognóstico, mas não confirma o diagnóstico funcional de DPOC.
Homem, 70 anos, com DPOC GOLD 3 conhecido, é levado à emergência por piora acentuada da dispneia nos últimos 3 dias, com aumento do volume e da purulência do escarro. Ao exame: uso de musculatura acessória, tiragem intercostal, sonolência leve porém desperta ao chamado. FC 112 bpm, FR 30 ipm, PA 138x84 mmHg, SatO2 86% em ar ambiente. Iniciados oxigênio suplementar (alvo 88–92%), broncodilatadores de curta ação inalados, corticoide sistêmico e antibiótico. Gasometria arterial após início do oxigênio: pH 7,28, PaCO2 62 mmHg (VR 35–45), PaO2 64 mmHg, HCO3 28 mEq/L. Além da terapia farmacológica já iniciada, qual é a conduta mais adequada neste momento?
Trata-se de exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica e acidose respiratória (pH 7,28 com PaCO2 62). O critério clássico para ventilação não invasiva na exacerbação é acidose respiratória (pH < 7,35) com PaCO2 elevado — a VNI reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação, sendo a conduta de escolha. A IOT imediata é reservada a contraindicação ou falha da VNI, rebaixamento importante do sensório/parada, instabilidade grave — o paciente está sonolento mas responsivo, indicando primeiro a tentativa de VNI. Alvo de SatO2 de 98–100% pode agravar a hipercapnia (efeito Haldane/piora V/Q); o alvo correto é 88–92%. Manter só oxigênio de baixo fluxo diante de acidose respiratória progressiva subtrata o paciente. O doxapram não é recomendado na prática atual, tendo sido superado pela VNI.
Mulher, 68 anos, com DPOC, cessou o tabagismo há 1 ano. Encontra-se clinicamente estável, fora de exacerbação, em uso regular e com boa técnica de broncodilatador de longa ação duplo (LABA + LAMA). Refere dispneia mMRC 2 e teve uma exacerbação leve no último ano. Ao exame não há sinais de cor pulmonale; hematócrito normal. Duas gasometrias arteriais em repouso, em ar ambiente e fora de exacerbação (com intervalo de 3 semanas), mostram de forma consistente: PaO2 52 mmHg e SatO2 87%. Qual conduta, comprovadamente, aumenta a sobrevida nesta paciente?
A paciente preenche critério de hipoxemia crônica grave em repouso (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SatO2 ≤ 88%, confirmada em duas medidas fora de exacerbação). A oxigenoterapia domiciliar prolongada (> 15 h/dia) é, ao lado da cessação do tabagismo, uma das poucas intervenções que comprovadamente reduzem a mortalidade na DPOC nesse cenário. O corticoide inalatório reduz exacerbações em fenótipos selecionados (p.ex. eosinofilia/exacerbador), mas não demonstra ganho de sobrevida e não se aplica ao critério aqui. A teofilina tem estreita janela terapêutica e não aumenta sobrevida. A reabilitação pulmonar melhora sintomas, capacidade de exercício e qualidade de vida, mas isoladamente não demonstra aumento consistente de sobrevida. A azitromicina profilática reduz exacerbações em pacientes selecionados, porém sem benefício estabelecido de mortalidade e com riscos (QT, resistência, ototoxicidade).
Homem, 70 anos, portador de DPOC, chega ao pronto-socorro com piora da dispneia e tosse produtiva há 3 dias, além de sonolência leve. Ao exame: FR 28 ipm, SatO2 84% em ar ambiente, FC 104 bpm, tiragem intercostal, roncos difusos; Glasgow 14, tossindo e deglutindo saliva sem dificuldade. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,28, PaCO2 70 mmHg, PaO2 52 mmHg, HCO3 32 mEq/L. Qual a conduta inicial mais adequada?
O quadro é de insuficiência respiratória tipo II (hipercápnica) agudizada da DPOC: acidose respiratória (pH 7,28) com PaCO2 70 e HCO3 elevado (retenção crônica). Com pH < 7,35, hipercapnia e sensório preservado o suficiente para proteger a via aérea (Glasgow 14), a VNI/BiPAP é a primeira linha, com alvo de SatO2 88–92%. Glasgow 14, protegendo via aérea, não indica IOT imediata — a VNI é a primeira escolha e pode evitar a intubação. O2 em alto fluxo sem controle piora a hipercapnia (relação V/Q e efeito Haldane) e pode induzir narcose. 1 L/min subtrata uma hipoxemia grave (PaO2 52). A CNAF não é primeira linha na acidose hipercápnica — a VNI é quem reduz a PaCO2 e a necessidade de intubação.
Homem, 68 anos, ex-tabagista (50 maços-ano), com DPOC em uso domiciliar de tiotrópio, procura a emergência por piora da dispneia e aumento do volume e purulência do escarro há 3 dias. Ao exame: taquidispneico, uso de musculatura acessória, PA 138/84 mmHg, FC 104 bpm, FR 28 ipm, SatO2 88% em ar ambiente, murmúrio vesicular reduzido difusamente com sibilos expiratórios e tempo expiratório prolongado. Iniciados broncodilatadores de curta ação inalatórios, corticoide sistêmico, antibiótico e oxigênio suplementar por cateter (alvo de SatO2 88–92%). Após 1 hora, mantém-se dispneico. Gasometria arterial em uso de O2: pH 7,28 (VR 7,35–7,45), PaCO2 64 mmHg (VR 35–45), PaO2 60 mmHg, HCO3 29 mEq/L (VR 22–26), SatO2 90%. Paciente vigil, orientado, colaborativo. Qual a conduta mais apropriada neste momento?
Correta: Trata-se de exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica e acidose respiratória (pH 7,28, PaCO2 64) que persiste apesar do tratamento clínico otimizado, em paciente vigil e colaborativo — indicação clássica de VNI, que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação (GOLD). A intubação imediata está reservada a contraindicações ou falha da VNI (rebaixamento, instabilidade grave, parada), o que não ocorre aqui, sendo prematura. Elevar a SatO2 acima do alvo 88–92% agrava a hipercapnia (perda do estímulo hipóxico e efeito Haldane), piorando a acidose. Metilxantinas não são recomendadas de rotina na exacerbação por baixo benefício e alta toxicidade. Adiar a conduta diante de acidose respiratória progressiva atrasa a intervenção que muda desfecho.
Homem, 62 anos, tabagista de 40 maços-ano, refere dispneia aos esforços de instalação lentamente progressiva há cerca de 2 anos, associada a tosse com expectoração mucoide na maioria dos dias. Nega crises de sibilância noturna ou variabilidade importante dos sintomas. Ao exame, estável, com discreta diminuição do murmúrio vesicular. Realizada espirometria com prova broncodilatadora, que evidencia relação VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,58 (menor que 0,70), com resposta pouco significativa ao broncodilatador. Radiografia de tórax com hiperinsuflação pulmonar. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: Homem, tabagista pesado, com dispneia progressiva e tosse produtiva crônica, cuja espirometria mostra obstrução ao fluxo aéreo NÃO totalmente reversível (VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70) — critério diagnóstico definidor de DPOC segundo a GOLD. A asma cursaria tipicamente com obstrução reversível (resposta significativa ao broncodilatador) e sintomas variáveis/episódicos, ausentes aqui. A ICC gera dispneia, mas o padrão espirométrico é restritivo/congestivo, não obstrutivo fixo, e faltam sinais de congestão. A fibrose pulmonar idiopática cursa com padrão restritivo (VEF1/CVF normal ou aumentado) e faveolamento, não obstrução. Bronquiectasias costumam cursar com tosse produtiva volumosa/purulenta crônica e infecções de repetição, com padrão radiológico próprio, não com este quadro obstrutivo por tabagismo.
Homem de 64 anos, ex-tabagista com carga tabágica de 40 maços-ano, comparece à Unidade Básica de Saúde queixando-se de dispneia progressiva aos esforços há cerca de dois anos, associada a tosse produtiva matinal. Nega febre, dor torácica ou edema de membros inferiores. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, eupneico em repouso, com murmúrio vesicular difusamente diminuído e tempo expiratório prolongado à ausculta pulmonar. A espirometria realizada após o uso de broncodilatador evidencia relação VEF1/CVF de 0,58 e VEF1 de 62% do previsto. Diante do quadro clínico e do resultado do exame, qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada?
A relação VEF1/CVF < 0,70 (0,58) mantida APÓS broncodilatador confirma obstrução ao fluxo aéreo persistente, definindo DPOC no contexto de tabagismo pesado e dispneia crônica. A base do tratamento da DPOC estável sintomática é o broncodilatador inalatório de longa duração (LABA ou LAMA). Incorretas: Na asma a obstrução costuma ser reversível após broncodilatador, e corticoide inalatório em monoterapia não é a conduta na DPOC; Corticoide oral contínuo não é indicado na DPOC estável, pelos efeitos adversos e ausência de benefício; O quadro clínico-espirométrico é típico de DPOC, sem elementos que sugiram bronquiectasia, e antibioticoprofilaxia não se aplica.
Mulher de 68 anos, com diagnóstico prévio de doença pulmonar obstrutiva crônica em uso regular de broncodilatador de longa duração, procura a Unidade de Pronto Atendimento com piora da dispneia habitual há três dias. Relata aumento do volume da expectoração, que passou a apresentar coloração amarelo-esverdeada. Nega febre. Ao exame, encontra-se em regular estado geral, afebril, com frequência respiratória de 24 irpm, saturação de 90% em ar ambiente e sibilos expiratórios difusos. A radiografia de tórax não evidencia consolidações. Além da otimização dos broncodilatadores e do corticoide sistêmico, qual é a conduta adicional mais apropriada para esta paciente?
A paciente apresenta os três sintomas cardinais de Anthonisen para exacerbação de DPOC: aumento da dispneia, aumento do volume da expectoração e mudança para expectoração purulenta. A presença de purulência associada a pelo menos mais um critério indica antibioticoterapia, independentemente de febre. Incorretas: a febre não é requisito para indicar antibiótico na exacerbação; a purulência é o marcador-chave de etiologia bacteriana; Não há dados sugestivos de TEP (o quadro é clássico de exacerbação infecciosa), e anticoagulação plena empírica é inadequada; A paciente está estável, sem sinais de insuficiência respiratória grave/rebaixamento, não havendo indicação de ventilação invasiva imediata.
Homem de 58 anos, tabagista ativo com carga tabágica de 30 maços-ano e diagnóstico recente de doença pulmonar obstrutiva crônica em fase estável, comparece à consulta de rotina na Estratégia Saúde da Família. Encontra-se assintomático em repouso e questiona o médico sobre o que pode fazer para evitar a progressão da doença. Considerando as medidas disponíveis na atenção primária, qual é a intervenção isolada mais eficaz para reduzir a velocidade de perda da função pulmonar e a mortalidade nesse paciente?
A cessação do tabagismo é a única intervenção comprovadamente capaz de reduzir a velocidade de declínio do VEF1 e a mortalidade na DPOC, sendo prioridade absoluta no manejo, principalmente na atenção primária do SUS. Incorretas: Antibiótico profilático contínuo não altera a progressão da doença e favorece resistência bacteriana; Corticoide oral contínuo não modifica a evolução da DPOC estável e associa-se a efeitos adversos importantes; A atividade física deve ser ESTIMULADA (reabilitação pulmonar), pois melhora capacidade funcional e qualidade de vida, sendo a restrição prejudicial.
Um homem de 68 anos, tabagista (50 anos-maço) com DPOC, é levado à UPA com dispneia progressiva há 3 dias, tosse com expectoração purulenta e sonolência. Ao exame: torporoso, FR 28 irpm, uso de musculatura acessória, murmúrio vesicular reduzido com sibilos difusos, SpO2 84% em ar ambiente. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,26; PaCO2 78 mmHg; PaO2 52 mmHg; HCO3 34 mEq/L. Iniciada oxigenoterapia. Considerando o quadro de insuficiência respiratória aguda hipercápnica descompensada, qual é a conduta mais apropriada quanto ao suporte ventilatório e à meta de oxigenação?
Trata-se de exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica (acidose respiratória: pH 7,26, PaCO2 78, HCO3 elevado indicando cronicidade). A VNI (BiPAP) é a intervenção de primeira linha na acidose respiratória por DPOC exacerbada (pH < 7,35 com hipercapnia), reduzindo mortalidade e necessidade de intubação; o alvo de SpO2 no retentor crônico de CO2 é 88-92% para evitar piora da hipercapnia. A IOT fica reservada para falha da VNI ou contraindicação, não é o primeiro passo neste paciente ainda responsivo; alvo >96% é inadequado. Oxigênio em alto fluxo/alto FiO2 sem suporte pressórico e com meta >94% pode agravar a hipercapnia (efeito Haldane/relação V/Q) e não corrige a acidose. Buscar SpO2 100% no retentor de CO2 é deletério.
Homem de 68 anos, tabagista, com DPOC em acompanhamento, chega à UPA com piora da dispneia e escarro purulento há 3 dias. Ao exame: FR 30 irpm, uso de musculatura acessória, sibilos difusos com murmúrio vesicular reduzido e SatO2 82% em ar ambiente. Recebe oxigênio por máscara não reinalante a 12 L/min; após 30 minutos, a SatO2 sobe para 96%, mas o paciente torna-se sonolento e confuso. Gasometria arterial: pH 7,28; PaCO2 68 mmHg; PaO2 78 mmHg; HCO3 30 mEq/L. Considerando o quadro, qual é a conduta mais adequada quanto à oxigenoterapia e ao suporte ventilatório?
Na exacerbação da DPOC o alvo de saturação deve ser controlado (88-92%): oferta excessiva de O2 piora a hipercapnia (efeito Haldane/relação V/Q) e reduz o drive respiratorio, como se vê aqui (sonolencia + PaCO2 68). Com acidose respiratoria (pH 7,28) e hipercapnia, a VNI e a intervencao indicada, reduzindo mortalidade e necessidade de intubacao. Correta: reduzir O2 para 88-92% + VNI. Manter alto fluxo perpetua a hipercapnia. Suspender O2 causaria hipoxemia grave/critica, alvo nao e zero e sim controlado. IOT so se houver falha ou contraindicacao a VNI, que deve ser tentada primeiro neste paciente.
Mulher de 62 anos, com DPOC conhecida, comparece à Unidade Básica de Saúde por piora da falta de ar há 4 dias. Refere que o escarro, antes claro e escasso, aumentou de volume e tornou-se amarelado e espesso. Nega febre. Ao exame: bom estado geral, afebril, FR 22 irpm, PA 130x80 mmHg, SatO2 93% em ar ambiente, com sibilos expiratórios difusos e sem sinais de insuficiência respiratória. Não há critérios de gravidade que indiquem internação. Diante desse quadro de exacerbação, qual conduta contempla corretamente o manejo ambulatorial?
A paciente apresenta os tres sintomas cardinais de exacerbacao (criterios de Anthonisen): aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e mudanca para escarro purulento. A presenca de purulencia (e/ou os 3 criterios) indica antibiotico. O manejo ambulatorial da exacerbacao combina broncodilatador de curta acao, corticoide sistemico em curso curto e antibiotico. Correta: Erra ao negar antibiotico havendo escarro purulento. Internacao/EV nao se justifica sem criterios de gravidade (paciente estavel, SatO2 93%). Corticoide inalatorio de manutencao nao trata a exacerbacao aguda.
Homem de 65 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de tosse crônica e dispneia aos esforços que piorou progressivamente nos últimos 2 anos. É tabagista de longa data, com carga tabágica de 40 anos-maço. Ao exame físico, apresenta tempo expiratório prolongado e diminuição difusa do murmúrio vesicular, sem outras alterações. O médico levanta a hipótese de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Qual exame confirma o diagnóstico e qual achado o define?
O diagnostico de DPOC e confirmado pela espirometria, que demonstra obstrucao ao fluxo aereo persistente: relacao VEF1/CVF menor que 0,70 apos broncodilatador. Correta: a radiografia pode sugerir alteracoes (hiperinsuflacao), mas nao confirma nem define DPOC. A oximetria avalia oxigenacao, nao obstrucao. A gasometria avalia trocas gasosas/gravidade, nao estabelece o diagnostico funcional. O padrao-ouro diagnostico e sempre a espirometria pos-broncodilatador.
Um homem de 68 anos, ex-tabagista (50 maços-ano), com diagnóstico prévio de doença pulmonar obstrutiva crônica em uso regular de broncodilatador de longa duração, procura a unidade de pronto atendimento com piora da dispneia habitual há três dias, acompanhada de aumento do volume da expectoração, que se tornou amarelo-esverdeada. Nega febre, dor torácica ou edema de membros inferiores. Ao exame: consciente, orientado, FR = 26 irpm, uso de musculatura acessória, FC = 104 bpm, PA = 138 x 82 mmHg, temperatura axilar = 37,2 °C, SpO2 = 86% em ar ambiente. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular difusamente reduzido e sibilos expiratórios bilaterais. A radiografia de tórax mostra hiperinsuflação, sem consolidações, derrame ou pneumotórax. Além de broncodilatador de curta duração e corticosteroide sistêmico, a conduta correta inclui
Trata-se de exacerbação de DPOC com os três critérios de Anthonisen (piora da dispneia + aumento do volume + purulência do escarro), o que indica antibioticoterapia mesmo sem febre ou infiltrado. A oxigenoterapia na exacerbação deve ser controlada, com alvo de SpO2 de 88% a 92%, para corrigir a hipoxemia sem precipitar retenção de CO2 e acidose respiratória. A alternativa com máscara não reinalante e alvo acima de 96% está errada: oxigênio em alto fluxo sem titulação aumenta o risco de narcose hipercápnica. A que reserva o antibiótico para febre/infiltrado erra o critério — a purulência do escarro é o marcador que melhor prediz benefício do antimicrobiano. A intubação imediata não se justifica: o paciente está consciente, orientado e sem falência ventilatória; havendo piora, o passo seguinte seria a ventilação não invasiva.
Uma mulher de 62 anos, ex-tabagista (40 maços-ano), acompanhada na unidade de saúde da família por doença pulmonar obstrutiva crônica, retorna para reavaliação. Está em uso regular e com técnica inalatória verificada de associação de broncodilatador beta-2-agonista de longa duração com antimuscarínico de longa duração, além de já ter cessado o tabagismo, recebido as vacinas indicadas e participado de reabilitação pulmonar. Nos últimos 12 meses, apresentou duas exacerbações tratadas ambulatorialmente e uma internação por exacerbação. Refere dispneia ao andar mais devagar que pessoas da mesma idade no plano; pontuação do CAT = 18. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1/CVF = 0,58 e VEF1 = 45% do previsto. Hemograma com eosinófilos = 380/mm3. A conduta farmacológica mais adequada nesse momento é
A paciente já está em terapia broncodilatadora dupla otimizada e permanece exacerbadora (duas exacerbações mais uma hospitalização no ano), com contagem de eosinófilos sanguíneos de 380/mm3. Nesse cenário (eosinófilos ≥ 300/mm3 com exacerbações apesar de LABA+LAMA), o passo recomendado é o escalonamento para terapia tripla, acrescentando corticosteroide inalatório — a intervenção com maior benefício demonstrado na redução de exacerbações nesse fenótipo. Trocar o antimuscarínico de longa duração por beta-2-agonista de curta duração é regressão terapêutica e piora o controle. Corticoide oral contínuo não é recomendado na DPOC estável: não reduz exacerbações e acarreta miopatia, osteoporose, hiperglicemia e imunossupressão. A azitromicina profilática é opção apenas para exacerbadores persistentes após a otimização inalatória (incluindo o corticoide inalatório quando indicado), preferencialmente em ex-tabagistas sem eosinofilia, e exige avaliação prévia de QT e audiometria — não é o próximo passo aqui.
Um homem de 70 anos, ex-tabagista há dois anos, é acompanhado na atenção primária por doença pulmonar obstrutiva crônica. Encontra-se clinicamente estável, sem exacerbações nos últimos oito meses, com esquema inalatório otimizado, vacinação em dia e reabilitação pulmonar concluída. Refere dispneia aos médios esforços, sem piora recente. Ao exame: eupneico em repouso, FR = 18 irpm, PA = 130 x 78 mmHg, sem edema, sem turgência jugular; ausculta com murmúrio vesicular difusamente reduzido. Espirometria pós-broncodilatador com VEF1/CVF = 0,55 e VEF1 = 42% do previsto. Gasometria arterial colhida em repouso, em ar ambiente, fora de exacerbação e repetida com três semanas de intervalo: pH = 7,39; PaCO2 = 48 mmHg; PaO2 = 52 mmHg; SaO2 = 87%; HCO3- = 28 mEq/L. A conduta indicada, com impacto comprovado na sobrevida, é
O paciente está estável, em tratamento otimizado, e apresenta hipoxemia crônica grave documentada em repouso, em ar ambiente, fora de exacerbação e confirmada em duas medidas (PaO2 = 52 mmHg, ou seja, ≤ 55 mmHg). Esse é o critério clássico para oxigenoterapia domiciliar prolongada, que deve ser usada por pelo menos 15 horas por dia — é a única medida, junto com a cessação do tabagismo, com aumento de sobrevida comprovado na DPOC hipoxêmica. O uso restrito a exacerbações ou esforços não reproduz esse benefício de mortalidade. A ventilação não invasiva noturna não está indicada: a hipercapnia é discreta e compensada (pH normal), e essa terapia se reserva a hipercapnia crônica acentuada e persistente. Adiar a conduta para otimizar broncodilatador é inadequado — o esquema já está otimizado e a hipoxemia da DPOC avançada é estrutural, não revertida por broncodilatação adicional.
Homem de 68 anos, ex-tabagista (50 anos-maço), com diagnóstico prévio de DPOC, é levado à unidade de pronto atendimento por piora da dispneia há dois dias, com aumento do volume e mudança do aspecto do escarro, que se tornou purulento. Refere ter usado salbutamol de resgate várias vezes sem melhora. Ao exame: consciente, porém sonolento e confuso, com tiragem intercostal, frequência respiratória de 32 irpm, frequência cardíaca de 112 bpm, pressão arterial de 140x85 mmHg, SpO2 de 86% em ar ambiente, murmúrio vesicular globalmente reduzido com sibilos difusos. Após oxigenoterapia sob cateter nasal, broncodilatador inalatório, corticoide sistêmico e antibiótico, a gasometria arterial mostra: pH 7,26; PaCO2 68 mmHg; PaO2 61 mmHg; HCO3- 29 mEq/L. A radiografia de tórax não evidencia consolidação ou pneumotórax.
Correta: trata-se de exacerbação de DPOC com acidose respiratória aguda (pH < 7,35 e PaCO2 > 45 mmHg) e trabalho respiratório aumentado, apesar do tratamento farmacológico inicial — indicação clássica de ventilação não invasiva (VNI/BiPAP), que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação (GOLD e protocolos do Ministério da Saúde). Intubação imediata está indicada apenas se houver falha ou contraindicação à VNI (parada respiratória, instabilidade hemodinâmica grave, rebaixamento profundo com incapacidade de proteger via aérea) — o paciente ainda é candidato à VNI. Elevar a SpO2 acima de 95% é deletério no DPOC retentor: o alvo é 88–92%, pois hiperóxia agrava a hipercapnia. Bicarbonato não corrige acidose respiratória — a causa é a hipoventilação, tratada com suporte ventilatório.
Um homem de 62 anos comparece à unidade básica de saúde referindo tosse com expectoração mucoide na maioria dos dias, há cerca de três anos, e falta de ar progressiva ao subir ladeiras. É tabagista de 40 anos-maço e trabalhou como pedreiro. Nega febre, perda de peso ou sudorese noturna; a pesquisa de BAAR no escarro foi negativa em duas amostras. Ao exame físico: eupneico em repouso, tórax em tonel, murmúrio vesicular difusamente reduzido, sem crepitações. A radiografia de tórax mostra hipertransparência pulmonar e retificação das cúpulas diafragmáticas. A espirometria com prova broncodilatadora revela, no pós-broncodilatador, relação VEF1/CVF de 0,58 e VEF1 de 62% do previsto, sem resposta significativa ao broncodilatador.
Correta: relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70 em tabagista pesado com dispneia progressiva e tosse crônica define DPOC (GOLD/Ministério da Saúde); o VEF1 de 62% do previsto corresponde a obstrução moderada. Asma cursa tipicamente com sintomas variáveis, episódicos, e resposta significativa ao broncodilatador (aumento do VEF1 ≥ 200 mL e ≥ 12%), ausente aqui. Bronquiectasias cursam com expectoração abundante e purulenta, infecções de repetição e imagem com dilatação brônquica, não descritas. Fibrose pulmonar idiopática é doença restritiva (VEF1/CVF normal ou aumentado, CVF reduzida), com crepitações em velcro e imagem reticular basal — o oposto do quadro apresentado.
Mulher de 70 anos, com DPOC diagnosticada há oito anos, é acompanhada na unidade de saúde da família. Parou de fumar há dois anos, está em uso regular e com técnica inalatória correta de broncodilatador de longa duração combinado, recebeu as vacinas influenza e pneumocócica e participa de programa de reabilitação pulmonar. Encontra-se clinicamente estável há quatro meses, sem exacerbações. Refere dispneia aos esforços moderados. Ao exame: frequência respiratória de 18 irpm, ausculta com murmúrio vesicular reduzido, sem sibilos; discreto edema maleolar bilateral. A gasometria arterial em ar ambiente, em repouso e fora de exacerbação, repetida em duas ocasiões com intervalo de três semanas, mostra: pH 7,40; PaO2 50 mmHg; PaCO2 46 mmHg; SaO2 85%. O hematócrito é de 57%.
Correta: com a paciente estável, em tratamento otimizado e com PaO2 ≤ 55 mmHg (aqui 50 mmHg) confirmada em duas gasometrias em repouso e fora de exacerbação, há indicação formal de oxigenoterapia domiciliar prolongada — única medida, junto com a cessação do tabagismo, que comprovadamente aumenta a sobrevida na DPOC, desde que usada ≥ 15 horas por dia (GOLD e protocolo do Ministério da Saúde). A policitemia (Ht 57%) e os sinais de cor pulmonale reforçam a indicação. Corticoide oral contínuo não é recomendado na DPOC estável: não altera sobrevida e acarreta efeitos adversos relevantes. Azitromicina profilática pode ser considerada apenas em exacerbadores frequentes apesar da terapia otimizada, o que não é o caso — a paciente está há quatro meses sem exacerbações. O edema decorre de cor pulmonale por hipoxemia crônica; diurético isolado não corrige a hipoxemia, que é a causa, e pode causar alcalose e depleção de volume.
Homem de 68 anos, ex-tabagista (50 maços-ano) com diagnóstico de DPOC, procura a UPA por piora da dispneia e tosse com expectoração purulenta há três dias. À admissão: confuso, taquipneico (FR 28 irpm), PA 130x80 mmHg, FC 104 bpm, SpO2 84% em ar ambiente, murmúrio vesicular reduzido difusamente com sibilos e tempo expiratório prolongado. Foi imediatamente instalada máscara não reinalante com O2 a 12 L/min. Após 40 minutos, apresenta-se sonolento, com flapping, SpO2 99%. Gasometria arterial: pH 7,21; PaCO2 82 mmHg; PaO2 118 mmHg; HCO3- 32 mEq/L. Além de broncodilatador, corticoide sistêmico e antibiótico, a conduta imediata mais adequada em relação ao suporte ventilatório é
Trata-se de exacerbação de DPOC com acidose respiratória aguda agravada por hiperóxia: a oferta excessiva de O2 piora a hipercapnia (perda do estímulo hipóxico, efeito Haldane e alteração da relação V/Q por reversão da vasoconstrição hipóxica). O Ministério da Saúde e as diretrizes (GOLD) recomendam titular o oxigênio para SpO2 88-92% no DPOC e indicar VNI com dois níveis de pressão sempre que houver acidose respiratória (pH < 7,35 com PaCO2 elevada) — é a intervenção que reduz mortalidade e necessidade de intubação. Manter O2 a 12 L/min perpetua a narcose por CO2, e bicarbonato não trata a causa (hipoventilação). Suspender totalmente o oxigênio expõe o paciente à hipoxemia grave, que mata mais rápido que a hipercapnia. A intubação imediata não está indicada: o rebaixamento é atribuível à hipercapnia por hiperóxia e o paciente ainda protege via aérea — a VNI é a primeira escolha, reservando-se a IOT para falha dela, parada respiratória ou incapacidade de proteger a via aérea.
Homem de 68 anos, ex-tabagista (50 anos-maço), com diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica em uso domiciliar de formoterol/budesonida, chega à unidade de pronto atendimento com piora da dispneia há três dias, aumento do volume da expectoração, que se tornou purulenta, e chiado no peito. Nega febre e dor torácica. Ao exame: consciente, orientado, com uso de musculatura acessória, frequência respiratória de 30 irpm, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 140x84 mmHg, saturação de oxigênio de 86% em ar ambiente, murmúrio vesicular difusamente reduzido com sibilos expiratórios bilaterais. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,28; PaCO2 62 mmHg; PaO2 54 mmHg; HCO3- 28 mEq/L. Radiografia de tórax sem consolidações ou pneumotórax. Foram iniciados broncodilatador de curta duração inalatório, corticoide sistêmico e antibiótico.
O caso é de exacerbação de DPOC (dispneia + aumento e purulência da expectoração) com insuficiência respiratória hipercápnica e ACIDOSE RESPIRATÓRIA AGUDA (pH 7,28; PaCO2 62 mmHg), em paciente alerta, colaborativo e capaz de proteger a via aérea. Correta (BiPAP): a ventilação não invasiva é a intervenção de primeira linha nessa situação — indicada justamente por acidose respiratória (pH < 7,35 com PaCO2 > 45 mmHg), dispneia intensa com sinais de fadiga muscular ou hipoxemia persistente; reduz o trabalho respiratório, corrige a hipercapnia e comprovadamente diminui a necessidade de intubação e a mortalidade (GOLD; protocolos do Ministério da Saúde). Intubação imediata: reservada a falha ou contraindicação à VNI — rebaixamento do nível de consciência, parada respiratória, instabilidade hemodinâmica grave, incapacidade de proteger a via aérea; nada disso está presente, e intubar de saída expõe o paciente a pneumonia associada à ventilação e desmame difícil. Máscara não reinalante a 15 L/min: oferta de O2 em alta fração é deletéria no DPOC retentor (piora a hipercapnia por efeito Haldane e alteração V/Q) e não trata o trabalho respiratório; o alvo é SatO2 de 88–92% com cateter nasal ou máscara de Venturi. Aminofilina EV: metilxantinas são de segunda/terceira linha, com estreita janela terapêutica e alto risco de arritmia e toxicidade, sem benefício demonstrado na exacerbação.
Homem de 68 anos, ex-tabagista (50 maços-ano), com DPOC em acompanhamento na Unidade Básica de Saúde, está clinicamente estável há quatro meses, sem exacerbações e em uso regular de terapia inalatória tripla otimizada, com boa técnica. Refere dispneia aos médios esforços. Exame físico: em repouso, ar ambiente, frequência respiratória de 18 irpm, sem sinais de cor pulmonale. Gasometria arterial em ar ambiente, em repouso: pH 7,40; PaO2 54 mmHg; PaCO2 44 mmHg; SaO2 87%. Hematócrito de 46%. Gasometria de três semanas antes, também em fase estável, mostrava PaO2 53 mmHg. Qual é a conduta indicada?
Correta: a oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) está indicada no paciente com DPOC em fase estável, sob tratamento otimizado, com PaO2 ≤ 55 mmHg (ou SaO2 ≤ 88%) em repouso e ar ambiente, confirmada em duas gasometrias com intervalo de pelo menos 2-3 semanas — exatamente o caso. O benefício de sobrevida só ocorre com uso ≥ 15 h/dia, incluindo o sono. Distratores: oxigênio apenas ao esforço não demonstrou ganho de sobrevida e não substitui a ODP no hipoxêmico de repouso; o limiar de PaO2 ≤ 50 mmHg está incorreto — PaO2 entre 56 e 59 mmHg só indica ODP se houver cor pulmonale, hipertensão pulmonar ou policitemia (Ht > 55%), e aqui a PaO2 já é ≤ 55 mmHg; azitromicina profilática é considerada em exacerbadores frequentes apesar de terapia otimizada, não corrige a hipoxemia e adiar a ODP nega ao paciente a única medida com impacto em mortalidade nessa situação.
Homem de 70 anos, portador de DPOC, procura a Unidade de Pronto Atendimento com piora da dispneia há dois dias, tosse com expectoração purulenta e aumento do volume de secreção. Exame físico: lúcido e orientado, frequência respiratória de 30 irpm, uso de musculatura acessória, sibilos difusos, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 140x84 mmHg. Recebeu broncodilatador inalatório, corticosteroide sistêmico e oxigênio sob cateter nasal. Após uma hora, mantém desconforto; gasometria arterial: pH 7,26; PaCO2 64 mmHg; PaO2 62 mmHg; HCO3- 28 mEq/L. Qual é o próximo passo no manejo?
Correta: exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH < 7,35) e hipercapnia (PaCO2 > 45 mmHg) persistentes apesar do tratamento clínico inicial, em paciente lúcido e colaborativo, é a indicação clássica de ventilação não invasiva (VNI/BiPAP) — reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação. Distratores: a intubação imediata está reservada a falência da VNI, rebaixamento do nível de consciência, instabilidade hemodinâmica ou parada respiratória, o que não ocorre aqui; aumentar a FiO2 buscando SpO2 > 96% é deletério na DPOC — o alvo é 88-92%, pois a hiperóxia agrava a retenção de CO2; bicarbonato não trata acidose respiratória, cuja correção depende de melhorar a ventilação alveolar.
Mulher de 62 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva na maioria dos dias e dispneia progressiva aos esforços há três anos. Tabagista ativa, 40 maços-ano, fuma um maço por dia. Exame físico: murmúrio vesicular difusamente reduzido, sem outras alterações. A espirometria com prova broncodilatadora mostra relação VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,58, confirmando o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica. Qual é a intervenção com maior impacto na redução da progressão da doença e da mortalidade?
Correta: a cessação do tabagismo é a única intervenção que comprovadamente reduz a velocidade de queda do VEF1 e a mortalidade na DPOC, devendo ser oferecida com abordagem cognitivo-comportamental e farmacoterapia (terapia de reposição de nicotina, bupropiona) disponíveis no Programa Nacional de Controle do Tabagismo, na APS. Distratores: corticosteroide inalatório isolado não é tratamento de primeira linha na DPOC e, em dose alta e contínua, aumenta o risco de pneumonia, sendo reservado a exacerbadores com eosinofilia, sempre associado a broncodilatador de longa duração; antibiótico profilático não se aplica a paciente sem exacerbações frequentes e favorece resistência; transplante pulmonar é indicado apenas em doença muito avançada e refratária, e exige abstinência tabágica prévia.
Homem de 58 anos, tabagista (40 anos-maço), procura a Unidade Básica de Saúde por tosse produtiva na maioria dos dias e dispneia progressiva aos esforços há cerca de 2 anos. Ao exame, apresenta murmúrio vesicular difusamente reduzido e sibilos esparsos. A espirometria pós-broncodilatador mostra relação VEF1/CVF de 0,58 e VEF1 de 62% do previsto, sem resposta significativa ao broncodilatador. Qual a conduta diagnóstica correta?
O diagnóstico de DPOC exige, além do quadro clínico e da exposição de risco (tabagismo), a demonstração de limitação persistente ao fluxo aéreo por espirometria com relação VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70 — critério presente (0,58), o que já confirma a doença (opção correta). A tomografia não é necessária para o diagnóstico, que é funcional/espirométrico. A asma caracteriza-se por obstrução tipicamente reversível e variável, ao contrário da obstrução fixa aqui demonstrada. A ausência de resposta ao broncodilatador é justamente o esperado na DPOC e não indica repetir o exame nem exclui obstrução.
Mulher de 67 anos, com DPOC conhecida, dá entrada na Unidade de Pronto Atendimento com piora da dispneia, aumento do volume e da purulência da expectoração há 3 dias. Ao exame: taquipneica, com uso de musculatura acessória e sonolência leve. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,29; PaCO2 70 mmHg; PaO2 54 mmHg; HCO3 32 mEq/L. Foram iniciados broncodilatadores inalatórios, corticoide sistêmico, antibiótico e oxigenoterapia controlada com alvo de SpO2 de 88–92%. Além dessas medidas, qual é a conduta prioritária?
A paciente apresenta exacerbação de DPOC com insuficiência respiratória hipercápnica e acidose respiratória (pH 7,29 com PaCO2 70) — indicação clássica de ventilação não invasiva com dois níveis de pressão, que reduz mortalidade e necessidade de intubação. A oxigenoterapia deve ser controlada (alvo 88–92%); elevar a fração inspirada de oxigênio para manter a SpO2 acima de 96% agrava a hipercapnia por perda do drive e efeito Haldane. A sonolência leve não é contraindicação à VNI nem exige intubação orotraqueal imediata — a IOT fica reservada à falha da VNI ou a rebaixamento grave/incapacidade de proteger a via aérea. E a aminofilina endovenosa tem eficácia limitada e alto risco de toxicidade, não sendo terapia prioritária.
Homem de 70 anos, ex-tabagista, com DPOC grave em uso otimizado de broncodilatadores inalatórios de longa ação, encontra-se clinicamente estável há 3 meses e sem exacerbações. Em duas avaliações espaçadas, em repouso e em ar ambiente, apresenta de forma persistente SpO2 de 87% e PaO2 de 53 mmHg. Qual intervenção comprovadamente reduz a mortalidade nesse cenário?
Em DPOC estável com hipoxemia crônica grave em repouso (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88%), a oxigenoterapia domiciliar prolongada (≥ 15 h/dia) é uma das poucas intervenções que aumentam a sobrevida — junto com a cessação do tabagismo (opção correta). O corticoide oral contínuo não reduz mortalidade e causa efeitos adversos relevantes, não sendo recomendado na doença estável. A azitromicina profilática pode reduzir exacerbações em casos selecionados, mas não é a intervenção de impacto em mortalidade indicada por este cenário de hipoxemia. A reabilitação pulmonar melhora sintomas, capacidade de exercício e qualidade de vida, porém não é a medida que altera a mortalidade nesta indicação específica de oxigenoterapia.
Homem de 66 anos, ex-tabagista (carga de 50 maços-ano, cessou há 4 anos), acompanha DPOC em ambulatório de pneumologia. Espirometria: VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,52 e VEF1 de 42% do previsto. Está em uso regular de formoterol e tiotrópio, com técnica inalatória verificada e adequada, vacinação em dia e adesão confirmada. Ainda assim, apresentou duas exacerbações no último ano, uma delas exigindo hospitalização. Nega tosse produtiva crônica significativa. Exame físico: murmúrio vesicular difusamente diminuído, SpO2 de 93% em ar ambiente, sem cianose ou edema. Hemograma recente: eosinófilos de 380/mm³. Considerando as recomendações atuais (GOLD), assinale o ajuste terapêutico mais adequado.
Paciente em LABA+LAMA otimizados que persiste exacerbando: pelo algoritmo de seguimento do GOLD, a contagem de eosinófilos sanguíneos ≥ 300/mm³ (aqui, 380) prediz resposta ao corticoide inalatório e indica o escalonamento para terapia tripla (LABA+LAMA+CI) — alternativa correta. Corticoide oral de manutenção não tem lugar na DPOC estável (efeitos adversos superam benefícios). Roflumilaste é opção para o fenótipo bronquite crônica com VEF1 < 50% e exacerbações, sobretudo quando eosinófilos < 100/mm³ ou após falha da tripla — não é o passo preferencial aqui, e o paciente nem tem tosse produtiva crônica. Azitromicina profilática é considerada após otimização da tripla (com melhor evidência em ex-tabagistas), não antes do CI em eosinofílico.
Mulher de 70 anos, tabagista ativa (45 maços-ano), com DPOC grave conhecida, chega à sala de emergência com piora da dispneia há 2 dias, aumento do volume e purulência do escarro. Ao exame: alerta, porém dispneica, com uso de musculatura acessória; FR de 30 irpm, FC de 112 bpm, PA de 138 × 84 mmHg, SpO2 de 84% em ar ambiente, sibilos difusos. Recebe broncodilatadores de curta ação inalatórios, corticoide sistêmico, antibiótico e oxigênio por cateter nasal titulado para SpO2 de 88–92%. Gasometria arterial em seguida: pH 7,28; PaCO2 68 mmHg; PaO2 55 mmHg; HCO3 30 mEq/L. Assinale o próximo passo mais adequado.
A gasometria mostra acidose respiratória aguda/agudizada (pH < 7,35 com PaCO2 > 45 mmHg) em exacerbação de DPOC apesar do tratamento farmacológico inicial — indicação clássica de ventilação não invasiva com dois níveis de pressão, que reduz intubação e mortalidade nesse cenário; a paciente está alerta e protege via aérea, sem contraindicação à VNI. Intubação imediata é reservada a contraindicação ou falha da VNI (rebaixamento, instabilidade, parada) — hipercapnia é justamente a principal indicação da VNI, não contraindicação. Elevar a SpO2 para 94–98% na DPOC hipercápnica agrava a retenção de CO2 (alvo correto: 88–92%). Observar por 12 horas ignora a acidemia aguda instalada (o pH 7,28 mostra que a compensação renal é insuficiente).
Homem de 62 anos, tabagista (40 maços-ano), procura a Unidade Básica de Saúde com queixa de dispneia aos esforços progressiva há cerca de 2 anos, associada a tosse com expectoração mucoide na maioria dos dias. Nega febre, dor torácica ou perda ponderal. Ao exame: bom estado geral, FR de 18 irpm, SpO2 de 95% em ar ambiente, tórax com aumento do diâmetro anteroposterior e murmúrio vesicular difusamente diminuído, sem ruídos adventícios localizados. A equipe levanta a hipótese de doença pulmonar obstrutiva crônica e solicita espirometria. Assinale o achado espirométrico que confirma o diagnóstico de DPOC.
O diagnóstico de DPOC exige a demonstração de obstrução fixa ao fluxo aéreo: relação VEF1/CVF < 0,70 persistente APÓS broncodilatador, em paciente com exposição de risco (tabagismo) e sintomas compatíveis — alternativa correta. VEF1 < 80% isolado gradua a gravidade da obstrução (GOLD 1–4), mas não define o diagnóstico sem a relação reduzida. Resposta broncodilatadora significativa (> 12% e 200 mL) sugere reversibilidade, achado mais típico de asma, e não confirma DPOC. DLCO reduzida é compatível com enfisema, mas é exame complementar que não estabelece o diagnóstico de DPOC.
Homem de 68 anos, tabagista (50 maços-ano), portador de DPOC, procura a emergência com piora da dispneia, aumento do volume e da purulência do escarro há 3 dias. Ao exame: taquipneico (FR 28 irpm), uso de musculatura acessória, sibilos difusos, SpO2 86% em ar ambiente e sonolento. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,29, PaCO2 62 mmHg, PaO2 54 mmHg, HCO3 28 mEq/L. Após broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico e oxigenoterapia controlada, mantém acidose respiratória e rebaixamento leve, sem contraindicação a suporte não invasivo. Assinale a conduta mais adequada neste momento.
Exacerbação de DPOC (critérios de Anthonisen completos) com acidose respiratória (pH 7,29 / PaCO2 62) apesar do tratamento otimizado é a indicação clássica de VNI, que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação. A intubação está reservada à falha da VNI, rebaixamento profundo ou instabilidade, não sendo o primeiro passo com o paciente ainda responsivo. Máscara não reinalante a 15 L/min entrega FiO2 alta e piora a hipercapnia — no DPOC usa-se O2 controlado (alvo SpO2 88–92%). Aminofilina tem estreita margem terapêutica e não corrige a acidose ventilatória.
Homem de 62 anos, ex-tabagista (30 maços-ano), refere tosse crônica produtiva e dispneia aos esforços progressiva há cerca de 2 anos. Ao exame apresenta murmúrio vesicular difusamente reduzido e tempo expiratório prolongado, sem febre ou sinais de descompensação aguda. A radiografia de tórax evidencia hiperinsuflação pulmonar. Diante da suspeita de doença pulmonar obstrutiva crônica, assinale o exame e o achado que confirmam o diagnóstico.
O diagnóstico de DPOC é confirmado pela espirometria com relação VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,70, que documenta a limitação persistente ao fluxo aéreo. A retificação diafragmática na radiografia sugere hiperinsuflação, mas é achado inespecífico e não confirma o diagnóstico. A broncoprovocação com metacolina avalia hiper-responsividade brônquica (asma), não DPOC. A deficiência de alfa-1-antitripsina é causa de enfisema em jovens/não tabagistas e serve para investigar etiologia, não para firmar o diagnóstico da doença.
Mulher de 70 anos com DPOC, ex-tabagista, em uso regular e com boa técnica inalatória de tiotrópio (LAMA) associado a formoterol (LABA). No último ano apresentou duas exacerbações moderadas, uma delas com necessidade de internação hospitalar. Mantém dispneia mMRC 2 e hemograma recente com contagem de eosinófilos de 340 células/µL. Confirmadas a adesão e a técnica inalatória adequadas, assinale a modificação terapêutica mais apropriada segundo as diretrizes atuais (GOLD).
Paciente já em dupla broncodilatação (LABA+LAMA) que persiste exacerbando e tem eosinófilos ≥ 300 células/µL tem indicação de escalonar para tripla terapia com adição de corticoide inalatório, medida que reduz exacerbações nesse perfil eosinofílico. Corticoide oral contínuo é contraindicado na DPOC estável pelos efeitos adversos e ausência de benefício. Teofilina tem baixa eficácia e estreita margem terapêutica, não sendo escolha preferencial. Azitromicina profilática pode ser considerada em casos selecionados, mas nunca substituindo os broncodilatadores de longa ação, que são a base do tratamento.
Homem de 71 anos, ex-tabagista (50 anos-maço), com DPOC em uso de LABA/LAMA, chega à emergência com piora da dispneia há dois dias, tosse com expectoração amarelada em maior volume e sonolência progressiva. Ao exame: agitado e sonolento, FR 30 irpm, FC 112 bpm, PA 148x86 mmHg, SpO2 87% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, murmúrio vesicular reduzido difusamente com sibilos. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,26 (VR 7,35-7,45), PaCO2 68 mmHg (VR 35-45), PaO2 54 mmHg, HCO3 29 mEq/L. Radiografia de tórax sem consolidações. Além de broncodilatadores, corticoide sistêmico e antibiótico, a medida prioritária é
Exacerbação de DPOC com acidose respiratória (pH 7,26 e PaCO2 68 mmHg) e sinais de fadiga muscular tem indicação formal de ventilação não invasiva com dois níveis de pressão, que reduz mortalidade, necessidade de intubação e tempo de internação; a oxigenoterapia deve ser titulada para alvo de 88% a 92%. Oxigênio em alto fluxo visando saturação acima de 96% agrava a hipercapnia por perda do estímulo hipóxico, efeito Haldane e piora da relação ventilação-perfusão. A acidose respiratória não contraindica a VNI — é justamente a sua indicação; a intubação fica reservada a rebaixamento com incapacidade de proteger via aérea, instabilidade hemodinâmica, parada respiratória ou falha da VNI. Conduta expectante com cateter nasal e sem reavaliação gasométrica em paciente acidótico e sonolento é insuficiente e retarda o suporte ventilatório.
Mulher de 68 anos, tabagista de 40 anos-maço, em acompanhamento por DPOC, usa formoterol isolado há um ano. No último ano teve duas exacerbações tratadas ambulatorialmente e uma internação por insuficiência respiratória. Refere parar para recuperar o fôlego ao andar no plano (mMRC 2) e pontua 18 no CAT. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1/CVF 0,58 e VEF1 46% do previsto. Hemograma com eosinófilos de 340 células/µL. Adesão e técnica inalatória adequadas; recebeu orientação e apoio farmacológico para cessação do tabagismo e está com vacinas em dia. A conduta farmacológica mais apropriada é
A paciente tem alta carga de sintomas (mMRC 2, CAT 18) e história de exacerbações frequentes com uma internação, o que a classifica no grupo de maior risco (GOLD E). Nesse grupo, a contagem de eosinófilos igual ou superior a 300 células/µL prediz resposta ao corticoide inalatório e indica a terapia tripla — LABA associado a LAMA e a corticoide inalatório —, que reduz exacerbações e internações. Manter monoterapia com LABA mais resgate é subtratamento em paciente com alto risco. Trocar LABA por LAMA em monoterapia mantém o paciente em terapia isolada, inferior à broncodilatação dupla e sem o benefício do corticoide inalatório nesse perfil eosinofílico. Azitromicina profilática é opção de resgate apenas para exacerbações persistentes APÓS otimização da terapia inalatória, especialmente em ex-tabagistas, e não como primeira medida com o tratamento ainda subotimizado.
Homem de 60 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica GOLD 3, grupo E, em uso de antimuscarínico de longa ação associado a beta-2 agonista de longa ação há oito meses, com adesão confirmada e técnica inalatória revisada e adequada. Mesmo assim, apresentou duas exacerbações moderadas nesse período. Não tem histórico de pneumonia. Hemograma: eosinófilos 420 células/µL. Qual a conduta?
A indicação de corticoide inalatório na doença pulmonar obstrutiva crônica é guiada pelo eosinófilo e pelo histórico de exacerbações. Com contagem igual ou maior que 300 células por microlitro, e ainda mais diante de exacerbações que persistem apesar da dupla broncodilatação bem conduzida, o escalonamento para terapia tripla está indicado — e é preciso ter antes checado adesão e técnica inalatória, o que o enunciado explicita. A substituição por beta-2 agonista de longa ação com corticoide inalatório não é adequada: quando há indicação de corticoide inalatório, a terapia tripla mostrou superioridade na redução de exacerbações, e o uso da dupla com corticoide não é encorajado. Retirar o antimuscarínico piora a broncodilatação sem qualquer ganho. Teofilina tem efeito modesto, exige monitorização de nível sérico e não entra na rotina. Corticoide oral contínuo é explicitamente desaconselhado. Guarde também o lado oposto do critério: abaixo de 100 células por microlitro, ou com histórico de pneumonia, o corticoide inalatório deve ser evitado.
Homem de 66 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica em tratamento regular procura a unidade básica com quatro dias de piora da dispneia habitual, aumento do volume do escarro e escarro francamente esverdeado. Está afebril. Exame: FR 22 irpm, FC 88 bpm, SpO2 93% em ar ambiente, sem uso de musculatura acessória, orientado. Radiografia de tórax sem consolidação. Qual a conduta medicamentosa mais adequada?
O paciente tem três dos quatro marcadores que orientam antibiótico na exacerbação — piora da dispneia, aumento do volume do escarro e purulência —, e a purulência, que é o marcador obrigatório, está entre eles. A ausência de febre não afasta infecção bacteriana: o sinal com melhor desempenho é a purulência do escarro, com sensibilidade de 94,4% para carga bacteriana alta. A duração recomendada é de 5 dias, porque esquemas de até 5 dias mostraram a mesma eficácia clínica e bacteriológica de cursos mais longos no paciente ambulatorial, com menor pressão de resistência. O corticoide sistêmico é prednisona ou prednisolona 40 mg por dia, também por 5 dias, preferencialmente por via oral; a extensão para 10 a 14 dias fica reservada a quem não melhora até o quinto dia. Broncodilatador de curta ação, beta-2 agonista com ou sem antimuscarínico, é o primeiro passo, mas isolado não cobre este quadro. Corticoide inalatório em monoterapia não trata exacerbação nem tem lugar na doença.
Mulher de 71 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica, VEF1 58% do previsto. Refere-se pouco limitada: fica sem ar apenas quando caminha apressada no plano, o que corresponde a mMRC 1, e seu CAT é 8. Nos últimos 12 meses, porém, teve duas exacerbações tratadas ambulatorialmente com prednisona e antibiótico, sem necessidade de internação. Como classificar quanto ao risco e qual o tratamento inicial de manutenção?
Exacerbação moderada é definida como aquela que exigiu corticoide sistêmico e/ou antibiótico sem internação, e duas delas em 12 meses colocam a paciente no grupo E — que também acolhe quem teve uma ou mais exacerbações graves, com hospitalização. O ponto central da classificação ABE é que a exacerbação vale sozinha, independentemente do grau de sintoma: mMRC 1 e CAT 8 não retiram a paciente do grupo de alto risco. Grupo C não existe mais desde 2023, quando os grupos C e D foram fundidos em E. O tratamento inicial preferencial no grupo E é a dupla broncodilatação contínua; o corticoide inalatório entraria como acréscimo à dupla, formando terapia tripla, quando os eosinófilos forem iguais ou maiores que 300 células por microlitro ou as exacerbações persistirem — e nunca em monoterapia.
Homem de 70 anos com diagnóstico confirmado de doença pulmonar obstrutiva crônica. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1/CVF 0,55; VEF1 36% do previsto. Como se classifica a gravidade da obstrução ao fluxo aéreo?
A graduação usa o VEF1 em porcentagem do previsto, medido após o broncodilatador, e só depois de a relação VEF1/CVF já estar abaixo de 0,7. As faixas são: GOLD 1 com VEF1 igual ou maior que 80%; GOLD 2 de 50% a menos de 80%; GOLD 3 de 30% a menos de 50%; GOLD 4 abaixo de 30%. Com 36%, o paciente é GOLD 3. As escalas de sintoma não participam dessa graduação — elas alimentam a outra classificação, a de grupos A, B e E, que é quem escolhe o tratamento. Vale lembrar o que o grau decide na prática brasileira: a partir de GOLD 3 recomenda-se acompanhamento com pneumologista, a saturação de repouso passa a ser medida em todas as consultas por causa do VEF1 abaixo de 50%, e ficam liberadas no SUS as apresentações reservadas a obstrução grave ou muito grave com perfil exacerbador.
Homem de 68 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica GOLD 3, clinicamente estável há três meses, em uso regular de dupla broncodilatação e sem tabagismo ativo. Na consulta, SpO2 de repouso em ar ambiente de 87%. Gasometria arterial em ar ambiente: PaO2 52 mmHg, PaCO2 48 mmHg, pH 7,39. Nova gasometria colhida duas semanas depois, também em ar ambiente e em fase estável: PaO2 54 mmHg. Qual a conduta?
O primeiro critério de oxigenoterapia domiciliar prolongada é PaO2 igual ou menor que 55 mmHg, ou saturação igual ou menor que 88%, em repouso, com ou sem hipercapnia, confirmada em duas ocasiões ao longo de um período de três semanas. O paciente preenche o critério nas duas gasometrias, e a expressão com ou sem hipercapnia é justamente o que derruba a alternativa que usa a PaCO2 de 48 mmHg como impedimento. Cor pulmonale, hipertensão pulmonar, edema periférico sugestivo de insuficiência cardíaca e hematócrito acima de 55% pertencem ao segundo critério, aquele que qualifica a faixa intermediária de PaO2 entre 55 e 60 mmHg — não são exigidos quando a PaO2 já está igual ou abaixo de 55 mmHg. O uso mínimo é de 15 horas por dia, incluindo o período de sono e o exercício: oxigênio restrito à noite ou ao esforço não entrega o benefício de sobrevida.
Homem de 63 anos, tabagista de 45 maços-ano, procura a unidade básica por dispneia que aparece quando caminha apressado no plano ou sobe uma ladeira, além de tosse com expectoração pela manhã há cerca de três anos. Nega internações e nega episódios de piora que tenham exigido corticoide ou antibiótico nos últimos 12 meses. Exame: SpO2 95% em ar ambiente, murmúrio vesicular difusamente reduzido, expiração prolongada. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1/CVF 0,61; VEF1 64% do previsto. mMRC 2. CAT 15. Eosinófilos 140 células/µL. Qual a classificação e o tratamento inicial de manutenção?
O VEF1 de 64% do previsto, com a relação já abaixo de 0,7, coloca o paciente na faixa de 50% a menos de 80%, ou seja, GOLD 2. O mMRC 2 e o CAT 15 cruzam os dois cortes de sintoma (mMRC igual ou maior que 2, CAT igual ou maior que 10), e não há exacerbação nos últimos 12 meses: grupo B. O tratamento inicial do grupo B é a dupla broncodilatação contínua, que no SUS é umeclidínio 62,5 mcg com vilanterol 25 mcg uma vez ao dia, indicada independentemente do grau de obstrução. Grupo E exigiria uma internação ou duas exacerbações moderadas em 12 meses, o que o enunciado nega. Corticoide inalatório em monoterapia não tem lugar na DPOC, e a combinação de beta-2 de longa ação com corticoide inalatório não é a escolha preferencial — além de os 140 eosinófilos não sustentarem a indicação de corticoide neste momento.
Paciente de 58 anos, tabagista, com tosse crônica e dispneia aos esforços há dois anos, realiza espirometria. Qual achado confirma a limitação persistente ao fluxo aéreo exigida para o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica?
O critério funcional é a relação VEF1/CVF inferior a 0,7 medida após o broncodilatador. Duas palavras carregam a questão. A primeira é relação: o VEF1 isolado gradua a gravidade da obstrução depois de o diagnóstico estar feito, e não a define. A segunda é pós-broncodilatador: a espirometria pré-broncodilatador serve como triagem, mas confirmar obstrução com ela transformaria em doença pulmonar obstrutiva crônica todo paciente com broncoespasmo reversível. Aumento do VEF1 após o broncodilatador indica resposta broncodilatadora, que é comum na doença e não a exclui nem a confirma. Redução de VEF1 e CVF com relação preservada aponta para padrão restritivo ou para espirometria com relação preservada e alteração funcional, que exige seguimento e não é doença pulmonar obstrutiva crônica.
Mulher de 72 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica GOLD 4 chega ao pronto-socorro em exacerbação. Após receber salbutamol com ipratrópio, corticoide sistêmico e oxigênio por máscara de Venturi a 28%, mantém FR 30 irpm, uso de musculatura acessória e tiragem intercostal. Está consciente, orientada e cooperativa, sem vômitos e hemodinamicamente estável. Gasometria arterial: pH 7,24; PaCO2 68 mmHg; PaO2 58 mmHg; bicarbonato 29 mEq/L. Qual a conduta ventilatória?
A indicação de ventilação não invasiva se preenche com pelo menos um destes critérios: acidose respiratória, definida como PaCO2 igual ou maior que 45 mmHg com pH arterial igual ou menor que 7,35; dispneia grave com sinais clínicos de fadiga muscular respiratória ou aumento do trabalho respiratório, como uso de musculatura acessória, movimento paradoxal do abdome ou tiragem intercostal; ou hipoxemia persistente apesar do oxigênio suplementar. A paciente preenche os dois primeiros. A ventilação não invasiva é o modo inicial de ventilação na insuficiência respiratória aguda por exacerbação, com taxa de sucesso de 80% a 85%, e reduz complicações, tempo de internação, necessidade de intubação e mortalidade. A ventilação invasiva é reservada à falha ou intolerância à não invasiva, à parada, ao rebaixamento de consciência ou agitação não controlada, à aspiração maciça ou vômitos persistentes, à incapacidade de remover secreções, à instabilidade hemodinâmica grave e a arritmias graves — nada disso está presente. Metilxantinas endovenosas não são recomendadas pelo perfil de efeitos adversos, e estimulantes respiratórios não têm lugar na insuficiência respiratória aguda.
Homem de 56 anos, tabagista de 30 maços-ano, tem tosse crônica e dispneia ao subir ladeira. Espirometria pós-broncodilatador: relação VEF1/CVF de 0,82 e VEF1 de 88% do previsto. Tomografia de tórax mostra enfisema centrolobular e aprisionamento aéreo. Qual é a leitura correta desse conjunto?
O diagnóstico exige relação VEF1/CVF abaixo de 0,7 na espirometria pós-broncodilatador; com 0,82 não existe limitação persistente ao fluxo aéreo, e o que há é anormalidade estrutural sem obstrução — a pré-doença, que pede seguimento porque parte dessas pessoas evolui, e que merece a intervenção de sempre, parar de fumar, única que muda a velocidade de queda do VEF1. Usar o enfisema da tomografia como prova diagnóstica inverte o papel da imagem, que serve para afastar outras causas e não para fechar esta. Chamar de obstrução leve e prescrever broncodilatador contínuo trata quem não preenche o critério funcional. A espirometria alterada com relação preservada descreve VEF1 reduzido, e aqui ele está em 88% do previsto. E a faixa que obriga a repetir o exame vai de 0,6 a 0,8, abaixo do valor encontrado.
Homem de 69 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica, ex-tabagista, foi classificado no grupo de maior risco por uma internação por exacerbação há 14 meses. Desde então usa antimuscarínico de longa ação com beta-2 agonista de longa ação em dispositivo único, com técnica verificada e adesão comprovada, e não teve nenhuma exacerbação nos últimos 12 meses. Eosinófilos no sangue: 60 células por microlitro. Tem antecedente de pneumonia comunitária que exigiu internação. Um colega sugere acrescentar corticoide inalatório. Qual é a conduta correta?
A contagem de eosinófilos é o critério numérico que decide o corticoide inalatório na doença pulmonar obstrutiva crônica: a partir de 300 células por microlitro ele está indicado; entre 100 e 300 a decisão é individual, inclinando a favor em quem exacerba com frequência; abaixo de 100 células, ou com histórico de pneumonia, ele deve ser evitado, porque a chance de resposta é baixa e o risco de nova pneumonia é real. Com 60 células, pneumonia prévia e nenhuma exacerbação no último ano sob dupla broncodilatação bem feita, o correto é manter e não acrescentar. Somar o corticoide apenas pelo antecedente de internação ignora esse corte. Trocar a dupla por corticoide com beta-2 de longa ação não é escolha preferencial, porque havendo indicação de corticoide a terapia tripla é superior. Corticoide inalatório em monoterapia não tem lugar nessa doença. E a azitromicina intermitente rende em quem exacerba apesar do tratamento otimizado, não em quem está estável há um ano.
Homem de 64 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica em tratamento regular procura a unidade básica com três dias de piora acentuada da dispneia habitual e aumento do volume do escarro, que permanece mucoide e claro. Está afebril; frequência respiratória de 26 por minuto, frequência cardíaca de 104 bpm, saturação de 92% em ar ambiente e proteína C reativa de 6 mg/L. Nunca teve cultura de escarro positiva, não há sinais de consolidação e não há indicação de suporte ventilatório. Qual é a conduta medicamentosa correta?
O antibiótico na exacerbação tem critério explícito: pelo menos dois entre piora da dispneia, febre, aumento do volume do escarro e purulência do escarro, desde que a purulência seja um deles; ou cultura de escarro positiva em exacerbação anterior; ou necessidade de ventilação, invasiva ou não. Aqui há piora da dispneia e aumento do volume, mas o escarro segue mucoide e claro, não houve cultura positiva prévia e não há indicação de ventilação — de modo que o antibiótico fica de fora. Já o corticoide sistêmico entra: com dispneia acentuada, frequência respiratória de 26 e frequência cardíaca de 104, três dos cinco parâmetros de beira de leito estão fora da faixa leve, e a prednisona 40 mg por dia por 5 dias é a referência. Prescrever antibiótico sem purulência amplia espectro sem critério. Retirar o corticoide subtrata a exacerbação moderada. Deixar só o broncodilatador adia o que já está indicado. E estender o corticoide para 14 dias só se justifica quando não há melhora no quinto dia, sobretudo na exacerbação grave.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica agudizada, sonolento, com pH 7,26, pressão parcial de gás carbônico de 68 mmHg e bicarbonato de 30 mEq/L, sem contraindicação. Qual é a intervenção com maior impacto?
A ventilação não invasiva com dois níveis de pressão é a intervenção que mais reduz intubação e mortalidade na exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica com acidose respiratória, porque descarrega a musculatura e aumenta o volume-minuto, corrigindo a hipercapnia. Ofertar oxigênio com meta de saturação de 100% é justamente o erro perigoso nesse paciente: piora a relação entre ventilação e perfusão, reduz o estímulo respiratório e agrava a retenção, e a meta deve ser mais baixa, tipicamente entre 88 e 92%. Corticoide e broncodilatador são parte do tratamento, mas não corrigem a acidose de imediato.
Homem de 66 anos, tabagista de 45 maços-ano, com dispneia aos esforços e tosse produtiva crônica. Qual achado espirométrico confirma o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica?
O diagnóstico exige limitação persistente ao fluxo aéreo, definida por relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada abaixo de 0,70 medida após broncodilatador — o detalhe do pós-broncodilatador é o que separa a doença obstrutiva crônica da asma. Resposta broncodilatadora significativa aponta para asma e é o distrator que mais confunde. Redução da capacidade vital com relação preservada e queda da capacidade pulmonar total caracterizam padrão restritivo.
Sobre a cirurgia redutora de volume pulmonar no enfisema, qual perfil de paciente apresenta maior benefício?
O benefício da cirurgia redutora de volume, incluindo ganho de sobrevida, concentra-se em pacientes com enfisema heterogêneo de predomínio nos lobos superiores e baixa capacidade de exercício após reabilitação pulmonar. Enfisema homogêneo com capacidade de difusão muito reduzida identifica exatamente o subgrupo com maior mortalidade operatória, e é o distrator que inverte o critério. Hipertensão pulmonar grave e tabagismo ativo são contraindicações.
Homem de 58 anos, enfisematoso, com dispneia progressiva. Tomografia mostra bolha ocupando mais de um terço do hemitórax direito, com compressão do parênquima adjacente ainda funcionante. Espirometria com obstrução moderada. A conduta indicada é:
Bolha gigante que ocupa mais de um terço do hemitórax e comprime parênquima ainda funcionante, em paciente sintomático, é indicação de bulectomia, procedimento que devolve volume ao pulmão comprimido e melhora a função. Drenar a bolha com dreno tubular é erro grave, pois ela não é uma cavidade pleural e a manobra cria fístula broncopleural persistente. O transplante é reservado a doença difusa e avançada, sem alvo cirúrgico localizado.
Qual critério indica oxigenoterapia domiciliar prolongada em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica estável?
A oxigenoterapia domiciliar prolongada, única medida ao lado da cessação do tabagismo que aumenta sobrevida nessa doença, exige hipoxemia documentada por gasometria, com o limiar de 55 mmHg ou de 56 a 59 mmHg na presença de policitemia ou de cor pulmonale. Indicar por dispneia é o erro que confunde sintoma com hipoxemia, pois muitos pacientes muito dispneicos não são hipoxêmicos. Grau espirométrico e número de exacerbações orientam a terapia inalatória, não a indicação de oxigênio.
Na classificação da gravidade da limitação ao fluxo aéreo na doença pulmonar obstrutiva crônica, o parâmetro utilizado é:
Confirmada a obstrução pela relação abaixo de 0,70, a gravidade é graduada pelo percentual do volume expiratório forçado no primeiro segundo em relação ao previsto, em quatro faixas. Usar a própria relação para graduar é o erro mais comum: ela define se há obstrução, mas não a intensidade dela. Sintomas e exacerbações compõem outra dimensão da avaliação, que orienta o tratamento, e não a graduação espirométrica.
Sobre o tratamento da exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica, qual afirmativa é correta?
Cursos curtos de corticoide sistêmico, em torno de cinco dias, mostraram eficácia equivalente a esquemas prolongados, com menos efeitos adversos. Indicar antibiótico para toda exacerbação engana porque a recomendação se apoia nos critérios de aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro, ou na necessidade de suporte ventilatório. Na crise o broncodilatador de escolha é o de curta ação, e as metilxantinas ficaram como recurso de exceção pela estreita margem terapêutica.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica em exacerbação, com aumento da dispneia e da purulência do escarro, tem cirurgia eletiva marcada para a semana seguinte. A conduta correta é:
Exacerbação em curso multiplica o risco de complicação respiratória pós-operatória, e a conduta é adiar o procedimento eletivo e tratar com broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico e antibiótico quando presentes os critérios de aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro. Operar sob anestesia regional não anula o risco, porque a disfunção respiratória de base permanece. Adiar por doze meses é desproporcional, bastando a resolução do episódio e a otimização do tratamento.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica avançada e retenção crônica de gás carbônico recebe oxigênio no pós-operatório. Qual o alvo de saturação periférica mais adequado?
No retentor crônico o alvo é uma faixa mais baixa, entre 88% e 92%, porque a hiperóxia agrava a hipercapnia por piora da relação ventilação-perfusão e pelo efeito Haldane, podendo levar à narcose. Perseguir saturação acima de 95% é justamente o erro que precipita acidose respiratória nesses pacientes. Fluxo fixo sem alvo desconsidera a variabilidade individual e impede a titulação necessária.
Homem de 70 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica apresenta exacerbação com dispneia, pH 7,26, pressão parcial de gás carbônico de 68 mmHg e pressão parcial de oxigênio de 55 mmHg em oxigênio suplementar, sem rebaixamento importante do nível de consciência. Qual a conduta?
Acidose respiratória com pH abaixo de 7,35 na exacerbação obstrutiva é a indicação clássica de ventilação não invasiva com dois níveis de pressão, que reduz intubação e mortalidade ao descarregar a musculatura e melhorar a ventilação alveolar. A pressão contínua em nível único engana quem lembra do dispositivo mais popular, mas ela não oferece a pressão de suporte inspiratória necessária para corrigir hipercapnia. Oxigênio em alto fluxo sem suporte ventilatório pode agravar a retenção de gás carbônico.
Sobre imunização em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica, qual orientação está correta?
A imunização é medida de manutenção com impacto direto sobre exacerbações e hospitalizações: influenza todo ano, esquema pneumocócico conforme a idade e o risco, reforço com componente contra coqueluche em quem não recebeu na vida adulta, e vacinação contra COVID-19. Restringir a vacinação aos casos graves é o erro que deixa desprotegido justamente o grupo maior, e exacerbação infecciosa piora o VEF1 de forma cumulativa em qualquer estágio. Vacinas inativadas não desencadeiam exacerbação, e reação local leve não contraindica doses futuras.
Paciente já em uso de beta-2-agonista e antimuscarínico de longa duração mantém 2 exacerbações ao ano. Eosinófilos periféricos 380/mm3. Qual o próximo passo?
Eosinofilia acima de 300/mm3 identifica o paciente que responde ao corticoide inalatório com redução de exacerbações: a conduta é escalonar para terapia tripla, mantendo os dois broncodilatadores. Retirar o antimuscarínico para colocar corticoide é perda líquida de broncodilatação e piora o controle. Azitromicina profilática e roflumilaste existem, mas são passos posteriores e com nichos definidos - o roflumilaste serve ao fenótipo bronquítico com VEF1 abaixo de 50%, e a azitromicina exige atenção a QT, audição e resistência bacteriana. Corticoide oral contínuo não reduz exacerbação e acrescenta osteoporose, diabetes e miopatia.
Paciente com enfisema grave mantém dispneia refratária em repouso apesar de terapia inalatória máxima, oxigenoterapia e reabilitação. Qual medida farmacológica pode aliviar o sintoma?
Opioide em dose baixa reduz a percepção central da dispneia e tem evidência de eficácia e segurança na dispneia refratária, sem provocar retenção significativa de gás carbônico quando titulado com cuidado - é subutilizado por medo infundado. Benzodiazepínico tem evidência fraca e maior risco de depressão respiratória e delirium, servindo apenas ao componente ansioso associado. Elevar o oxigênio acima do necessário não alivia dispneia em quem já está com saturação adequada e pode agravar a hipercapnia. Pulso de corticoide e broncodilatador de curta em horário fixo apenas somam efeitos adversos sem resolver o sintoma.
Homem de 62 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica de fenótipo bronquítico crônico, VEF1 42% do previsto, mantém 3 exacerbações por ano apesar de terapia tripla inalatória otimizada e cessação do tabagismo. Qual fármaco pode ser acrescentado com melhor perfil de indicação para esse fenótipo?
O roflumilaste, inibidor da fosfodiesterase-4, tem indicação justamente no perfil descrito: bronquite crônica, VEF1 abaixo de 50% e exacerbações apesar de terapia inalatória máxima, reduzindo exacerbações moderadas e graves. Seus efeitos adversos - diarreia, perda de peso, náusea e alterações do humor - exigem vigilância, e ele deve ser evitado em paciente com baixo peso ou depressão. Teofilina é o distrator histórico, com janela terapêutica estreita e benefício marginal. Montelucaste e omalizumabe pertencem ao arsenal da asma. Corticoide oral contínuo não reduz exacerbações e acrescenta miopatia e hiperglicemia.
Paciente com enfisema avançado relata que a dispneia piora desproporcionalmente durante a caminhada e melhora ao parar, sem dessaturação importante nem broncoespasmo audível. Qual mecanismo explica melhor esse padrão?
Com o aumento da frequência respiratória no exercício, o tempo expiratório encurta e o pulmão sem retração elástica não esvazia: o volume pulmonar expiratório final sobe, a capacidade inspiratória cai e o paciente respira perto da capacidade pulmonar total, onde o trabalho é máximo - é a hiperinsuflação dinâmica, e é por isso que broncodilatador de longa duração melhora a dispneia mesmo com ganho pequeno de VEF1, pois desinsufla. Atribuir tudo a broncoespasmo é o raciocínio da asma aplicado ao lugar errado. Fraqueza periférica contribui, mas não explica o alívio imediato ao interromper o esforço.
Qual desfecho é o principal benefício esperado de um programa de reabilitação pulmonar em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica sintomático?
A reabilitação atua sobre a musculatura periférica, o descondicionamento e o componente afetivo da dispneia - por isso melhora tolerância ao exercício, sintomas e qualidade de vida, além de reduzir reinternações quando iniciada após exacerbação, sem mexer no VEF1. Esperar ganho espirométrico é o mal-entendido mais frequente e faz o médico julgar o programa ineficaz por medir a variável errada. Enfisema é destrutivo e irreversível, e a gasometria em repouso reflete a doença estrutural. A reabilitação complementa, e não substitui, a farmacoterapia de manutenção.
Paciente de 68 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica e infarto prévio vinha em uso de metoprolol. Interna por exacerbação e o plantonista suspende o beta-bloqueador por receio de broncoespasmo. Qual a avaliação correta?
Beta-bloqueadores cardiosseletivos (metoprolol, bisoprolol, nebivolol) são seguros nesta doença, não pioram de forma clinicamente relevante o VEF1 nem a resposta ao broncodilatador, e sua manutenção reduz mortalidade em quem tem indicação cardiológica - suspender por reflexo é iatrogenia frequente, especialmente perigosa no pós-infarto. O agente NÃO seletivo é que deve ser evitado, o que faz dessa troca o distrator mais tentador para quem lembra pela metade. Doença cardiovascular é a principal comorbidade e uma das principais causas de morte nesses pacientes, e a dispneia é frequentemente atribuída só ao pulmão.
Homem de 70 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica estável, em terapia otimizada, apresenta PaO2 52 mmHg e SpO2 87% em ar ambiente e em repouso, em duas medidas separadas por 3 semanas. Qual conduta comprovadamente aumenta a sobrevida?
Com PaO2 igual ou abaixo de 55 mmHg (ou até 59 mmHg havendo cor pulmonale, edema ou hematócrito acima de 55%), a oxigenoterapia domiciliar por 15 h/dia ou mais aumenta sobrevida - junto com a cessação do tabagismo, é uma das pouquíssimas intervenções com esse efeito nesta doença. O detalhe que decide a questão é a carga horária: oxigênio só à noite não reproduziu o benefício dos ensaios clássicos e é a resposta que engana quem lembra da indicação mas não do tempo. Reabilitação e broncodilatadores melhoram sintomas e qualidade de vida sem impacto claro em mortalidade, e ventilação não invasiva crônica é reservada a hipercapnia persistente selecionada.
Em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica estável, qual conduta deve ser evitada por ausência de benefício e risco relevante?
Corticoide oral contínuo não previne exacerbações nesta doença e produz osteoporose, hiperglicemia, catarata e - o mais relevante em quem já é dispneico - miopatia esteroide da musculatura respiratória e periférica, agravando a própria limitação que se pretendia tratar. As outras condutas são o núcleo do bom acompanhamento: broncodilatação dupla, reabilitação, cuidado das comorbidades (cardiopatia isquêmica e depressão são frequentes e subdiagnosticadas) e checagem da técnica inalatória, já que uma proporção enorme de pacientes usa o dispositivo de forma incorreta e é rotulada como refratária sem nunca ter recebido o fármaco.
Após alta por exacerbação, qual intervenção tem o maior impacto na redução de reinternação nos meses seguintes?
Reabilitação iniciada nas primeiras semanas após a exacerbação reduz reinternação e mortalidade, e o ganho aumenta quando combinada à revisão do esquema de manutenção, à checagem da técnica inalatória e ao plano de ação escrito. Antibiótico profilático contínuo é restrito a fenótipo muito selecionado de exacerbador frequente, sob vigilância de QT e resistência - generalizar é dano populacional. Corticoide oral prolongado não previne exacerbação e traz miopatia. Repouso prolongado é o oposto do necessário: acelera o descondicionamento que perpetua a dispneia. Espirometria mensal não muda conduta.
Paciente com fenótipo bronquítico crônico e expectoração de difícil eliminação pergunta sobre medicamentos que fluidifiquem a secreção. Qual afirmativa é correta sobre mucolíticos e antioxidantes nesta doença?
Mucolíticos com ação antioxidante têm efeito modesto na redução de exacerbações no fenótipo bronquítico, mais evidente em quem não faz uso de corticoide inalatório - é uma terapia adjuvante de baixo custo e boa tolerância, nunca protagonista. Esperar ganho de VEF1 é atribuir a eles um efeito que não têm, e é o motivo pelo qual muitos médicos os consideram inúteis: medem a variável errada. Eles não substituem broncodilatador de manutenção em hipótese alguma, e o uso é crônico, não restrito à crise. Broncoespasmo com a forma inalatória pode ocorrer, mas não é regra nem contraindicação universal.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica grave (VEF1 32%), 4 exacerbações no último ano, uso frequente de antibiótico e corticoide, com cultura de escarro prévia mostrando Pseudomonas aeruginosa. Interna novamente com exacerbação purulenta. Qual a cobertura antimicrobiana empírica adequada?
Doença muito grave, exacerbações frequentes, uso repetido de antibiótico e isolamento prévio de Pseudomonas são os fatores de risco que obrigam a cobertura antipseudomonas empírica - manter o esquema padrão nesse perfil é falha terapêutica anunciada. Amoxicilina com clavulanato cobre bem o trio habitual (Haemophilus, Moraxella, pneumococo) e é a escolha certa no exacerbador SEM esses fatores, que é justamente por isso o distrator mais atraente. Macrolídeo isolado e cefalosporina de primeira geração não cobrem o espectro necessário. Vale colher escarro para cultura e descalonar depois, evitando manter espectro amplo desnecessário.
Qual conjunto de variáveis compõe o índice BODE, usado para estimar prognóstico na doença pulmonar obstrutiva crônica?
O índice BODE reúne índice de massa corporal, obstrução (VEF1 pós-broncodilatador), dispneia pela escala mMRC e capacidade de exercício pela distância no teste de caminhada de 6 minutos, e prediz mortalidade melhor do que o VEF1 isolado - o que é justamente a lição: a doença não se resume ao número da espirometria. Baixo peso e má tolerância ao exercício pesam de forma independente. As demais combinações misturam variáveis prognósticas reais (exacerbações, hipoxemia, comorbidades) com o rótulo errado, e é aí que o aluno tropeça ao decorar apenas a sigla.
Sobre o uso de metilxantinas (aminofilina/teofilina) endovenosas na exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica, qual afirmativa está correta?
As metilxantinas endovenosas foram deslocadas para o papel de terapia de exceção: acrescentam pouco à broncodilatação inalatória e trazem arritmia, náusea, tremor e convulsão, com nível terapêutico próximo do tóxico e múltiplas interações medicamentosas. A base da exacerbação continua sendo beta-2-agonista de curta associado a anticolinérgico inalatório, corticoide sistêmico, antibiótico quando indicado e suporte ventilatório. Achar que a gravidade autoriza a xantina é justamente o raciocínio que produz intoxicação em paciente idoso e cardiopata, população típica dessa doença.
Qual esquema de corticoterapia sistêmica é o recomendado na exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica em paciente que tolera via oral?
Cinco dias de prednisona 40 mg/dia por via oral equivalem a esquemas mais longos em taxa de falha e recidiva, com menos hiperglicemia e menos efeitos adversos, e não exigem desmame nessa duração. Prescrever duas ou três semanas com redução gradual é o hábito antigo, e é o distrator mais escolhido justamente por parecer mais cuidadoso. A via endovenosa não é superior em quem tolera via oral. Corticoide inalatório não substitui o sistêmico na crise. E o corticoide claramente altera desfecho: acelera a recuperação do VEF1, reduz falha terapêutica e encurta a internação.
Homem de 64 anos, 40 anos-maço, dispneia aos médios esforços e tosse produtiva matinal há 3 anos. Espirometria: VEF1/CVF pós-broncodilatador 0,62; VEF1 58% do previsto. Qual a interpretação?
O diagnóstico funcional exige relação VEF1/CVF PÓS-broncodilatador abaixo de 0,70 em paciente com exposição e sintomas compatíveis - a obstrução persistente após o broncodilatador é justamente o que separa a doença da asma. Exigir prova broncodilatadora positiva é o equívoco mais comum: resposta significativa pode ocorrer nesta doença sem descaracterizá-la, e sua ausência não é critério. O valor pré-broncodilatador não define nada. Pletismografia mede aprisionamento aéreo e hiperinsuflação, útil para caracterizar gravidade e avaliar cirurgia, mas não é necessária para diagnosticar. O VEF1 de 58% classifica a gravidade da obstrução, não o diagnóstico.
Mulher de 41 anos, nunca tabagista, com dispneia progressiva e tomografia mostrando enfisema panlobular de predomínio em bases. Irmão com hepatopatia crônica de causa não esclarecida. Qual investigação está indicada?
Enfisema em paciente jovem, não tabagista, com distribuição PANLOBULAR e de predomínio basal, somado a hepatopatia familiar, desenha a deficiência de alfa-1-antitripsina, e a dosagem sérica é o rastreio - a confirmação vem do fenótipo ou genótipo. A pista topográfica é o que decide: o enfisema do tabagista é centrolobular e de predomínio em ápices. Fibrose cística cursa com bronquiectasias, infecção crônica e má absorção, quadro diferente. Biópsia não é necessária quando a tomografia e o contexto já apontam a etiologia, e imunodeficiência humoral levaria a bronquiectasias, não a enfisema panlobular.
Qual definição caracteriza clinicamente a bronquite crônica?
A bronquite crônica é definição estritamente CLÍNICA e temporal: tosse produtiva na maioria dos dias, três meses por ano, em dois anos seguidos, após excluir outras causas. Ela pode ou não vir acompanhada de obstrução ao fluxo aéreo - definir por espirometria confunde a definição do fenótipo com o diagnóstico funcional da doença obstrutiva. Enfisema com difusão reduzida descreve o fenótipo oposto. Expectoração purulenta diária com dilatação brônquica é bronquiectasia, diagnóstico anatômico distinto. Resposta broncodilatadora acentuada aponta componente asmático, e não define bronquite crônica.
Qual critério favorece a alta hospitalar segura após exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica?
A alta se apoia em funcionalidade e estabilidade: deambulação, alimentação, sono sem interrupção por dispneia, uso de broncodilatador de resgate espaçado e ausência de deterioração gasométrica por 12-24 horas, com plano de manutenção, técnica inalatória revista, vacinação, apoio para cessação do tabagismo e reabilitação precoce. Exigir PaCO2 normal é ignorar que muitos são retentores crônicos - a meta é o valor BASAL do paciente. Alteração radiológica residual e VEF1 abaixo de 80% são a regra nesta doença, e o corticoide frequentemente segue por alguns dias no domicílio.
Mulher de 71 anos com exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica apresenta aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e mudança para aspecto purulento. Sem necessidade de suporte ventilatório. Qual a conduta em relação ao antibiótico?
Os critérios de Anthonisen - piora da dispneia, aumento do volume do escarro e purulência - orientam a decisão: com os três presentes (ou dois, desde que um seja a purulência), o antibiótico traz benefício, e ele é obrigatório em quem precisa de suporte ventilatório. Exigir infiltrado radiológico confunde exacerbação com pneumonia: a exacerbação é bronquite, e a radiografia serve para excluir diferenciais, não para autorizar antibiótico. Procalcitonina pode auxiliar em protocolos de descalonamento, mas não é pré-requisito com quadro clínico tão característico. Boa parte das exacerbações é viral, mas não todas - e a purulência é justamente o marcador clínico de carga bacteriana.
Homem de 68 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica chega ao pronto-socorro com piora da dispneia e escarro purulento há 3 dias. FR 30 irpm, uso de musculatura acessória, sonolento porém despertável. Gasometria em ar ambiente: pH 7,26; PaCO2 72 mmHg; PaO2 52 mmHg; bicarbonato 31 mEq/L. Qual a conduta prioritária?
Exacerbação com acidose respiratória (pH abaixo de 7,35 com PaCO2 elevada) e esforço ventilatório é a indicação clássica de ventilação não invasiva, a única medida que reduz mortalidade e necessidade de intubação nesse cenário - e o paciente ainda desperta, isto é, protege via aérea. Intubar de imediato é excesso enquanto houver nível de consciência e cooperação suficientes, e traz risco de pneumonia associada e desmame difícil. Oferecer oxigênio em alto fluxo sem suporte ventilatório agrava a hipercapnia. Bicarbonato não corrige acidose RESPIRATÓRIA, apenas gera mais gás carbônico - é o distrator que revela troca de mecanismo.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica de fenótipo bronquítico apresenta hemoglobina 18,8 g/dL e hematócrito 56%, com SpO2 basal de 86% em ar ambiente. Qual a conduta mais adequada?
A eritrocitose aqui é resposta fisiológica à hipoxemia crônica, mediada por eritropoetina: o tratamento é corrigir o estímulo com oxigenoterapia domiciliar prolongada, e o hematócrito tende a cair sozinho. Flebotomia é medida de exceção, reservada a hematócrito muito elevado com sintomas de hiperviscosidade, e feita de rotina remove o mecanismo compensatório de transporte de oxigênio. Hidroxiureia trata policitemia vera, doença clonal com eritropoetina baixa - pedir JAK2 diante de uma causa hipoxêmica evidente é investigar o diagnóstico errado. Antiagregante isolado não corrige nada da fisiopatologia descrita.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica, dispneia limitante ao vestir-se, 2 exacerbações moderadas e 1 hospitalização no último ano, eosinófilos 120/mm3. Virgem de tratamento de manutenção. Qual esquema inicial?
Paciente muito sintomático e exacerbador (grupo E) inicia com broncodilatação dupla de longa duração, que supera a monoterapia em função pulmonar, sintomas e redução de exacerbações. O corticoide inalatório entraria de saída apenas com eosinófilos acima de 300/mm3 ou história de asma associada - com 120/mm3 o benefício não compensa o risco de pneumonia, e essa é exatamente a decisão que a questão testa. Corticoide inalatório ISOLADO nunca é opção nesta doença. Broncodilatador de curta sozinho é subtratamento grosseiro para quem já hospitalizou. Corticoide oral crônico e teofilina de rotina foram abandonados por toxicidade desproporcional.
Homem de 79 anos, doença pulmonar obstrutiva crônica com VEF1 24%, dependente de oxigênio domiciliar, terceira internação por exacerbação em 6 meses, com perda funcional progressiva e dispneia em repouso apesar de terapia otimizada. Qual conduta é a mais apropriada neste momento?
Doença avançada com internações repetidas, dependência de oxigênio e dispneia em repouso é o momento certo de integrar cuidados paliativos ao tratamento modificador: discutir metas, diretivas antecipadas, manejo da dispneia refratária (opioide em dose baixa é eficaz e seguro nesse contexto) e evitar intervenções que o paciente não deseje. Adiar a conversa para a fase terminal é o erro cultural mais comum e transfere a decisão para a madrugada de uma sala de emergência. Paliação não é suspender broncodilatador nem contradiz avaliar transplante - as duas coisas convivem, e traqueostomia profilática não existe como indicação.
Homem de 58 anos com enfisema grave apresenta perda ponderal progressiva, índice de massa corporal 16,8 kg/m2, com massa muscular reduzida. Qual a interpretação e a conduta?
Baixo índice de massa corporal e depleção de massa magra predizem mortalidade de forma independente do VEF1 nesta doença, resultado do aumento do gasto energético respiratório somado a inflamação sistêmica e inatividade - e o suporte nutricional só produz ganho de massa magra quando combinado a treinamento de força, e não com calorias isoladas. Aceitar a caquexia como inevitável é abrir mão de uma variável modificável. Rastrear neoplasia é razoável em quadro atípico, mas não obrigatório aqui, já que a caquexia é explicada. Corticoide prolongado provoca justamente miopatia, agravando o problema.
Paciente com enfisema apresenta SpO2 de 93% em repouso, mas dessatura para 84% durante o teste de caminhada de 6 minutos, com limitação sintomática. Qual a conduta?
Dessaturação induzida pelo esforço com limitação sintomática justifica oxigênio DURANTE o exercício, o que permite treinar com maior intensidade dentro de um programa de reabilitação - o ganho principal é funcional, e a evidência de aumento de sobrevida pertence à oxigenoterapia contínua em quem tem hipoxemia de repouso, condição que este paciente não preenche. Prescrever oxigênio contínuo por 24 horas a quem tem 93% em repouso é indicação equivocada e onerosa. Proibir o exercício por causa da dessaturação é o pior desfecho possível: reforça o descondicionamento que alimenta a dispneia.
Paciente com enfisema e bolha gigante em lobo superior direito apresenta dispneia súbita e dor pleurítica. Radiografia de tórax sugere hipertransparência ampla à direita, com dúvida entre bolha gigante e pneumotórax. Paciente estável hemodinamicamente. Qual a conduta?
Com o paciente ESTÁVEL, a tomografia é o exame que separa bolha gigante de pneumotórax - drenar uma bolha por engano cria fístula broncopleural persistente, complicação grave e de difícil resolução. A conduta muda completamente se houver instabilidade com sinais de hipertensão intratorácica: aí se descomprime primeiro e a imagem espera. Puncionar às cegas é justamente o que se quer evitar num tórax cheio de bolhas. Observar sem esclarecer o diagnóstico deixa um pneumotórax evoluir, e toracotomia exploradora é desproporcional quando um exame não invasivo resolve a dúvida.
Homem de 54 anos com enfisema por deficiência de alfa-1-antitripsina, VEF1 22%, BODE elevado, hipercapnia e internações repetidas, sem comorbidade limitante e sem tabagismo há 5 anos. Qual a conduta apropriada?
VEF1 muito baixo, hipercapnia, BODE elevado e internações frequentes, em paciente sem tabagismo ativo e sem comorbidade proibitiva, são exatamente os gatilhos de encaminhamento para avaliação de transplante - encaminhar cedo importa, porque a avaliação é longa e a doença progride. Esperar VEF1 de 10% é chegar tarde. Doença genética não contraindica: a deficiência de alfa-1-antitripsina é indicação frequente. Paliação exclusiva ignora uma opção potencialmente curativa. A cirurgia redutora exige enfisema heterogêneo de lobos superiores, e no enfisema panlobular difuso desta deficiência ela costuma ser inadequada.
Homem de 61 anos, magro (índice de massa corporal 18,4 kg/m2), ex-tabagista, com dispneia intensa aos mínimos esforços. Tórax em tonel, murmúrio muito reduzido, radiografia com hipertransparência, diafragma retificado e coração em gota. Qual achado funcional é o mais esperado?
O enfisema destrói septos alveolares e o leito capilar: a difusão despenca, e a perda de retração elástica aprisiona ar, elevando volume residual e capacidade pulmonar total - hiperinsuflação, não restrição. Marcar capacidade pulmonar total reduzida é confundir com doença intersticial, o erro mais frequente na leitura da prova funcional. Difusão aumentada ocorre em hemorragia alveolar e policitemia, situações opostas. A espirometria não é normal nesse grau de doença: mostra obstrução com resposta broncodilatadora ausente ou parcial, e a difusão baixa é justamente o que separa o enfisema da bronquite crônica.
Homem de 58 anos, tabagista, com doença pulmonar obstrutiva crônica de fenótipo bronquítico, obeso, com roncos e sonolência diurna excessiva. Hematócrito 57%, SpO2 noturna com dessaturações repetidas. Qual investigação complementar é prioritária?
Obesidade, ronco, sonolência diurna e dessaturações noturnas em quem já tem doença obstrutiva desenham a síndrome de sobreposição, associada a mais hipercapnia, hipertensão pulmonar e mortalidade do que qualquer das duas doenças isoladas - e o tratamento com pressão positiva noturna muda o prognóstico. A policitemia aqui é secundária à hipoxemia crônica, com eritropoetina alta, e investigá-la como doença mieloproliferativa é o desvio que a questão testa: policitemia vera cursaria com eritropoetina baixa e mutação JAK2, sem essa história respiratória. As demais investigações não se relacionam ao quadro descrito.
Paciente exacerbador frequente, não tabagista atual, em terapia tripla otimizada, será considerado para azitromicina profilática. Qual avaliação é indispensável antes de iniciar?
A azitromicina profilática reduz exacerbações em exacerbador frequente, mas exige checagem prévia do intervalo QT (risco de arritmia, potencializado por outras drogas), avaliação auditiva (ototoxicidade) e exclusão de infecção por micobactéria não tuberculosa, porque monoterapia com macrolídeo nesse cenário seleciona resistência. O benefício é maior em ex-tabagistas, detalhe que a vinheta traz de propósito. Imunoglobulina E orienta terapia da asma alérgica. Pletismografia e teste ergométrico avaliam a doença, mas não a segurança do fármaco. Alfa-1-antitripsina interessa ao fenótipo enfisematoso precoce, não a essa decisão.
Homem de 66 anos com enfisema heterogêneo de predomínio em lobos superiores, VEF1 28% do previsto, hiperinsuflação acentuada, sem tabagismo há 3 anos, dispneia incapacitante apesar de terapia máxima e reabilitação. Qual opção pode ser considerada?
Enfisema heterogêneo de lobos superiores com baixa capacidade de exercício após reabilitação é o fenótipo que se beneficia da redução de volume pulmonar - cirúrgica ou por válvula endobrônquica -, porque retirar a área destruída e hiperinsuflada devolve retração elástica e melhora a mecânica diafragmática. Pulsos de corticoide não têm papel e apenas somam toxicidade. Pleurodese trata pneumotórax recorrente e derrame, não hiperinsuflação. Traqueostomia reduz espaço morto anatômico de forma irrelevante nesse contexto. Toracocentese pressupõe líquido pleural, que não existe aqui - é a alternativa que revela confusão entre hiperinsuflação e derrame.
Homem de 45 anos com enfisema panlobular basal e deficiência de alfa-1-antitripsina confirmada, fenótipo PiZZ, nível sérico muito baixo, ex-tabagista, VEF1 45% do previsto. Além do tratamento habitual da doença obstrutiva, qual terapia específica pode ser considerada?
A reposição endovenosa de alfa-1-antitripsina é a terapia específica para pacientes com deficiência grave documentada e obstrução estabelecida, com evidência de redução na velocidade de perda de densidade pulmonar - não recupera parênquima já destruído, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e da cessação absoluta do tabagismo. Plasma fresco não fornece níveis terapêuticos sustentados e traz riscos. Corticoide contínuo não interfere no desequilíbrio protease-antiprotease. Dornase alfa é usada em fibrose cística. O transplante hepático corrige a produção da proteína, mas é indicado pela hepatopatia, e não trata o pulmão já destruído.
Sobre o fenótipo bronquítico crônico comparado ao enfisematoso, qual característica é mais típica?
O padrão bronquítico se caracteriza por hipoventilação relativa com hipoxemia e retenção de gás carbônico mais precoces, evoluindo com hipertensão pulmonar e cor pulmonale, e costuma vir com peso preservado ou aumentado. O fenótipo enfisematoso é o oposto: magro, com hiperinsuflação, diafragma retificado, coração em gota, difusão muito reduzida e gasometria relativamente preservada até fases tardias, às custas de grande esforço ventilatório. Trocar as duas descrições é o erro mais comum, e os apelidos antigos ajudam a memorizar, mas na prática a maioria dos pacientes tem componentes dos dois fenótipos.
Qual o esquema de corticoterapia sistêmica recomendado na exacerbação de DPOC?
O padrão atual é curso curto: prednisona 40 mg ao dia por 5 dias, sem necessidade de desmame, esquema que acelera a recuperação da função pulmonar, reduz falha terapêutica e encurta a internação com menos efeitos adversos que os cursos prolongados. Estender por semanas com desmame é prática antiga que apenas acrescenta hiperglicemia, insônia, miopatia e imunossupressão. Pulso de metilprednisolona é dose de doença autoimune grave e não tem lugar aqui. Corticoide inalatório é terapia de manutenção em fenótipos selecionados, não tratamento da crise.
Homem de 67 anos, tabagista, com DPOC, chega com dispneia intensa, uso de musculatura acessória e sonolência. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,24, PaCO2 78 mmHg, PaO2 52 mmHg, bicarbonato 32 mEq/L. Qual a intervenção com maior impacto na mortalidade?
Exacerbação de DPOC com acidose respiratória — pH abaixo de 7,35 com PaCO2 acima de 45 mmHg — tem na ventilação não invasiva a intervenção que reduz necessidade de intubação, tempo de internação e mortalidade, e ela deve ser iniciada precocemente. Partir direto para a intubação é o erro que a questão cobra: só se justifica na falha da ventilação não invasiva, no rebaixamento profundo, na instabilidade hemodinâmica ou na incapacidade de proteger a via aérea. Oxigênio em alto fluxo sem controle agrava a hipercapnia. Bicarbonato não corrige acidose respiratória, cuja solução é ventilar. Metilxantina saiu das recomendações por toxicidade e ausência de benefício.
Homem de 71 anos com exacerbação de DPOC apresenta aumento da dispneia, do volume do escarro e da purulência. Qual a conduta quanto à antibioticoterapia?
Os critérios de Anthonisen — aumento da dispneia, do volume do escarro e da purulência — orientam a antibioticoterapia na exacerbação de DPOC: com os três presentes, ou com dois em que a purulência esteja incluída, o antibiótico está indicado, assim como em quem necessita de suporte ventilatório. Exigir febre ou consolidação radiológica é o erro que a questão cobra: exacerbação infecciosa de DPOC é bronquite, não pneumonia, e a radiografia serve para afastar diferenciais como pneumotórax e derrame. Provas inflamatórias podem apoiar a decisão, mas não são pré-requisito. Antifúngico não tem papel nesse contexto.
Qual intervenção comprovadamente reduz mortalidade no seguimento ambulatorial da DPOC?
A cessação do tabagismo é a única intervenção que altera a inclinação da curva de perda de função pulmonar e reduz mortalidade em qualquer estágio, e por isso é a primeira prescrição. A oxigenoterapia domiciliar prolongada também reduz mortalidade, porém apenas no subgrupo com hipoxemia grave. Mucolítico tem efeito modesto em exacerbações, não em sobrevida. Corticoide oral contínuo aumenta mortalidade por efeitos adversos e está proscrito na manutenção. Antibiótico profilático como azitromicina é considerado apenas em exacerbadores frequentes selecionados, jamais como regra. Broncodilatador de longa ação, não o de curta, é a base do tratamento de manutenção.
Homem de 68 anos, tabagista de 50 maços-ano, com doença pulmonar obstrutiva crônica, chega com piora da dispneia, aumento do volume e purulência do escarro há 3 dias. Gasometria com pH 7,28, pressão parcial de gás carbônico de 68 mmHg e bicarbonato de 32 mEq/L. Qual a conduta ventilatória inicial?
Exacerbação com acidose respiratória e pH abaixo de 7,35 é a indicação mais bem estabelecida de ventilação não invasiva, que reduz intubação, complicações infecciosas e mortalidade. Intubar de imediato quem responderia à máscara expõe a riscos evitáveis, e oferecer oxigênio em alta fração sem controle agrava a hipercapnia por piora da relação entre ventilação e perfusão e pelo efeito Haldane. O alvo de saturação nesse paciente fica entre 88 e 92%.
Qual exame é indispensável para o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica?
A confirmação diagnóstica exige demonstração de obstrução persistente ao fluxo aéreo pela espirometria após broncodilatador, e sem esse exame o diagnóstico permanece presuntivo — situação comum na prática, que leva tanto a tratar quem não tem a doença quanto a deixar sem tratamento quem tem. Imagem, gasometria e oximetria avaliam complicações, gravidade e diagnósticos diferenciais, mas não substituem a prova de função pulmonar.
Qual intervenção comprovadamente aumenta a sobrevida em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica?
Apenas duas intervenções demonstraram impacto claro em mortalidade: parar de fumar, que altera a inclinação da perda funcional, e a oxigenoterapia prolongada em quem tem hipoxemia grave documentada, com uso por pelo menos 15 horas diárias. Corticoide oral crônico traz efeitos adversos graves sem benefício de sobrevida. Broncodilatadores e reabilitação melhoram sintomas, exacerbações e qualidade de vida, o que já é bastante, mas não é o mesmo desfecho.
Qual conjunto terapêutico compõe o tratamento farmacológico da exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica?
A base é broncodilatador de curta duração, corticoide sistêmico por cinco dias, que acelera a recuperação e reduz recaída, e antibiótico quando há aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro, ou necessidade de suporte ventilatório. Corticoide inalatório não trata a crise. Metilxantinas têm janela terapêutica estreita e não são primeira linha, e antibiótico universal e prolongado seleciona resistência sem benefício adicional.
Qual é o alvo de saturação de oxigênio recomendado durante a oxigenoterapia na exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica com risco de hipercapnia?
Manter a saturação entre 88 e 92% oferece oxigenação suficiente sem induzir piora da hipercapnia, e estudos mostraram redução de mortalidade com oxigenoterapia titulada em comparação à administração livre. Buscar saturação próxima de 100% nesses pacientes agrava a retenção de gás carbônico e a acidose. Aceitar valores muito baixos, por outro lado, expõe a hipoxemia tecidual, de modo que a titulação exige monitorização contínua.
Qual medida não farmacológica melhora capacidade funcional, dispneia e qualidade de vida na doença pulmonar obstrutiva crônica?
Programas de reabilitação, que combinam treinamento físico, educação, suporte nutricional e psicossocial, produzem ganhos consistentes em dispneia, capacidade de exercício e qualidade de vida, além de reduzir internações quando aplicados após exacerbação. Repouso prolongado alimenta o ciclo de descondicionamento e piora a dispneia. Restrição hídrica não melhora a doença, e alimentação isolada, sem exercício, não recupera a função muscular periférica.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada em ventilação não invasiva apresenta, após 2 horas, piora do nível de consciência, pH de 7,18 e instabilidade hemodinâmica. Qual a conduta?
Rebaixamento de consciência, acidose progressiva e instabilidade caracterizam falha da ventilação não invasiva, e insistir na máscara nesse cenário atrasa uma intubação que já está indicada, piorando o prognóstico. A reavaliação em uma a duas horas é justamente o momento de decidir. Aumentar a fração inspirada agrava a hipercapnia, e traqueostomia não é a via de acesso inicial em situação de urgência.
Homem de 70 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica avançada tem pressão parcial de oxigênio de 52 mmHg em repouso, em ar ambiente, em condição estável. Qual a conduta?
Hipoxemia grave e persistente em condição estável, com pressão parcial de oxigênio igual ou inferior a 55 mmHg, ou até 59 mmHg na presença de cor pulmonale, policitemia ou hipertensão pulmonar, indica oxigenoterapia prolongada, uma das poucas medidas que aumentam sobrevida. Restringir o uso ao sono ou às crises não reproduz esse benefício, que depende de uso por pelo menos 15 horas ao dia, idealmente contínuo.
Homem de 63 anos, tabagista, com tosse crônica e dispneia progressiva. Espirometria mostra VEF1/CVF de 0,58 após broncodilatador, com VEF1 de 62% do previsto e variação pós-broncodilatador de 6%. Qual a interpretação correta?
A relação VEF1/CVF abaixo de 0,70 após broncodilatador define obstrução persistente, e o VEF1 em 62% gradua a gravidade. A resposta é considerada significativa quando há aumento do VEF1 de pelo menos 12% e 200 mL — variação de 6% não alcança o critério, o que afasta reversibilidade completa e, no tabagista com dispneia progressiva, aponta doença pulmonar obstrutiva crônica. Marcar asma engana quem vê tosse e obstrução e assume reversibilidade sem conferir os números. Restrição exigiria CVF e capacidade pulmonar total reduzidas com relação preservada ou aumentada, o oposto do encontrado.
Homem de 68 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, chega dispneico e sonolento. Gasometria arterial: pH 7,22, pCO2 78 mmHg, pO2 55 mmHg, bicarbonato 30 mEq/L, em oxigênio suplementar. Qual a conduta inicial?
A exacerbação de doença obstrutiva com acidose respiratória e pH abaixo de 7,35 é a indicação mais bem estabelecida de ventilação não invasiva com dois níveis de pressão, que reduz intubação e mortalidade. Elevar cegamente a oferta de oxigênio é o erro perigoso: a hiperóxia agrava a hipercapnia por piora da relação ventilação-perfusão e pelo efeito Haldane, e o alvo de saturação nesse paciente é de 88 a 92%. O bicarbonato não trata a causa, que é ventilatória.
Paciente em ventilação não invasiva por exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica, após 2 horas, mantém pH de 7,18, pCO2 de 92 mmHg e está mais sonolento. Qual a conduta?
A ausência de melhora do pH e do gás carbônico após um período adequado de teste, somada à piora do nível de consciência, define falha da ventilação não invasiva, e insistir nela apenas atrasa uma intubação que se tornará mais arriscada. Prolongar o teste por mais horas é o erro que a literatura descreve como principal causa de desfecho ruim nesse cenário. Sedar para melhorar a adaptação em paciente já sonolento agrava a hipoventilação.
Na exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica com insuficiência respiratória hipercápnica, qual conjunto farmacológico compõe o tratamento de base?
O tratamento farmacológico da exacerbação combina broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico por cerca de cinco dias e antibiótico quando há aumento da purulência do escarro com piora da dispneia ou do volume de secreção, ou necessidade de suporte ventilatório. A metilxantina venosa saiu das primeiras linhas por janela terapêutica estreita e toxicidade, e permanece como distrator vindo de condutas antigas.
Ao ventilar mecanicamente um paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica grave, qual ajuste é essencial para evitar hiperinsuflação dinâmica?
O paciente obstrutivo não termina de esvaziar os pulmões antes do próximo ciclo, e a pressão positiva expiratória final intrínseca acumulada reduz o retorno venoso e pode causar hipotensão e barotrauma — a estratégia é dar tempo para expirar, com frequência baixa e fluxo inspiratório alto. Subir a frequência para eliminar gás carbônico é a intuição que piora tudo: menos tempo expiratório significa mais aprisionamento aéreo e, paradoxalmente, pior ventilação alveolar.
Homem de 63 anos com DPOC GOLD 3, fumante ativo, ja em uso de broncodilatador de longa duracao. A medida que comprovadamente altera a historia natural da doenca, reduzindo a velocidade de queda do VEF1, e:
Parar de fumar e a unica intervencao que reduz de forma consistente a velocidade de declinio da funcao pulmonar na DPOC, alem de reduzir mortalidade — os demais tratamentos melhoram sintomas, qualidade de vida e exacerbacoes, mas nao mudam a inclinacao da curva do VEF1. O corticoide inalatorio engana porque e a medicacao mais lembrada como 'de fundo', mas seu papel e reduzir exacerbacoes em fenotipos selecionados. Reabilitacao pulmonar tem grande impacto em dispneia e capacidade funcional, tambem sem alterar a queda do VEF1.
Homem de 60 anos, ex-fumante de 40 maços-ano, com dispneia aos esforços progressiva e tosse crônica. Espirometria pós-broncodilatador: relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada de 0,58, com volume expiratório forçado de 55% do previsto. Qual o diagnóstico e a intervenção de maior impacto na sobrevida?
A relação pós-broncodilatador abaixo de 0,7 define obstrução não completamente reversível e firma o diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica. Entre todas as intervenções, a cessação do tabagismo é a que mais altera a curva de declínio da função pulmonar e a mortalidade — junto com a oxigenoterapia domiciliar prolongada em pacientes hipoxêmicos. Broncodilatadores melhoram sintomas e reduzem exacerbações, mas o impacto sobre a sobrevida não é o mesmo.
Paciente tabagista com doença pulmonar obstrutiva crônica e hipoxemia crônica apresenta pressão parcial de oxigênio de 52 mmHg em repouso e em ar ambiente, medida em duas ocasiões com o paciente estável. Qual conduta aumenta a sobrevida?
A oxigenoterapia domiciliar prolongada é uma das poucas intervenções com aumento de sobrevida demonstrado na doença pulmonar obstrutiva crônica, indicada quando a pressão parcial de oxigênio é igual ou inferior a 55 mmHg em repouso, ou até 59 mmHg com sinais de cor pulmonale ou policitemia, com uso mínimo de 15 horas por dia. Corticoide sistêmico contínuo é o distrator que reflete prática antiga e traz mais dano do que benefício.
Paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica apresenta exacerbação com aumento da dispneia, do volume e da purulência do escarro. Qual conduta compõe o tratamento?
A exacerbação com os três critérios cardinais — piora da dispneia, aumento do volume e da purulência do escarro — se beneficia de antibiótico, associado a broncodilatador de curta duração e a corticoide sistêmico por poucos dias. A oxigenoterapia deve ser titulada com alvo de saturação controlado, porque o oxigênio em excesso pode agravar a retenção de gás carbônico, e a ventilação não invasiva é a primeira escolha nos casos com acidose respiratória.
Homem de 64 anos, ex-tabagista de 45 anos-maço, refere dispneia progressiva aos médios esforços e tosse produtiva matinal há três anos, com duas exacerbações no último ano sem internação. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1/CVF 0,58 e VEF1 62% do previsto. Escore de dispneia mMRC 2. Ausculta com murmúrio vesicular reduzido difusamente. Qual é a conduta inicial adequada na atenção primária?
A relação VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,70 confirma limitação fixa ao fluxo aéreo, e o pilar do tratamento é o broncodilatador de longa duração associado a medidas que alteram desfecho, como cessação do tabagismo, imunização e reabilitação. Corticoide inalatório isolado não é indicado na doença pulmonar obstrutiva crônica sem broncodilatador de base. Antibiótico rotativo não é estratégia inicial e seleciona resistência. Oxigenoterapia domiciliar exige critério gasométrico de hipoxemia, não avaliado aqui.
Homem de 58 anos, tabagista de 40 anos-maço, com DPOC, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. Está em uso de broncodilatador de longa duração, com dispneia limitante. A gasometria arterial em ar ambiente, em fase estável e repetida em duas ocasiões, mostra PaO2 de 52 mmHg e SpO2 de 86%. Hematócrito 56%. Qual é a conduta que comprovadamente reduz mortalidade nesse paciente?
Na DPOC com hipoxemia grave em fase estável, a oxigenoterapia domiciliar prolongada é, ao lado da cessação do tabagismo, a intervenção com redução de mortalidade comprovada, desde que usada por pelo menos 15 horas ao dia. Corticoide oral contínuo aumenta efeitos adversos sem benefício de sobrevida. Antibiótico profilático indiscriminado não reduz mortalidade e induz resistência. Mucolíticos podem reduzir discretamente exacerbações em subgrupos, mas não alteram mortalidade.
Homem de 63 anos, com DPOC grave, é internado com exacerbação: dispneia intensa, taquipneia de 32 irpm, uso de musculatura acessória e sonolência leve. A gasometria arterial mostra pH 7,26, PaCO2 68 mmHg e HCO3 30 mEq/L. Já recebeu broncodilatador, corticoide e antibiótico. Está consciente, colaborativo e protege a via aérea. Qual é a conduta indicada?
Na exacerbação de DPOC com acidose respiratória e paciente colaborativo e capaz de proteger a via aérea, a ventilação não invasiva reduz intubação, tempo de internação e mortalidade, sendo a intervenção indicada. Elevar a oxigenação a saturações muito altas agrava a retenção de dióxido de carbono, e a meta deve ficar em torno de 88 a 92%. A ventilação não invasiva é justamente a indicação clássica nessa condição, e não uma contraindicação. Sedativo deprime o drive respiratório e pode precipitar parada.
Homem de 66 anos, com DPOC, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. Ele teve duas exacerbações moderadas no último ano e mantém dispneia limitante apesar do uso regular de broncodilatador de longa duração. Está em uso de técnica inalatória verificada como adequada e já cessou o tabagismo. Além do ajuste farmacológico, qual intervenção não farmacológica tem maior impacto na capacidade funcional e na qualidade de vida?
A reabilitação pulmonar com treinamento físico supervisionado é a intervenção não farmacológica com maior efeito sobre dispneia, capacidade de exercício e qualidade de vida na DPOC sintomática. Restringir atividade física agrava o descondicionamento e fecha o ciclo dispneia-inatividade. Nebulização com soro fisiológico não tem benefício demonstrado como terapia de manutenção. Suporte nutricional é relevante em desnutridos, mas isolado não substitui o treinamento físico estruturado.
Mulher de 61 anos, com DPOC, é avaliada em consulta de rotina. Ela tem VEF1 de 45% do previsto após broncodilatador, escore de dispneia elevado e teve uma exacerbação com internação no último ano. Está em uso apenas de broncodilatador de curta duração conforme necessidade. Qual é o ajuste terapêutico mais adequado?
Paciente com dispneia importante, obstrução moderada a grave e história de exacerbação com internação deve receber terapia de manutenção regular com broncodilatador de longa duração, com associação de segundo broncodilatador ou corticoide inalatório conforme o perfil de sintomas e exacerbações. Manter apenas resgate deixa a doença sem controle. Corticoide oral contínuo traz alta toxicidade sem benefício de manutenção. Antibiótico profilático é medida excepcional, reservada a casos selecionados após otimização do tratamento inalatório.
Mulher de 62 anos, nunca tabagista, cozinhou por três décadas em fogão a lenha em ambiente fechado. Procura a Unidade Básica de Saúde com dispneia progressiva aos esforços há dois anos e tosse produtiva na maioria dos dias, com três exacerbações no último ano. Ao exame: emagrecida, tempo expiratório prolongado, sibilos discretos, saturação 94% em ar ambiente, sem edema. Espirometria: relação VEF1/CVF pós-broncodilatador de 0,58 e VEF1 de 54% do previsto. A interpretação e a conduta corretas são:
Obstrução fixa ao fluxo aéreo, com relação VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,7 em mulher com exposição prolongada à fumaça de biomassa, define doença pulmonar obstrutiva crônica não tabágica, causa relevante no Brasil; o tratamento inclui broncodilatador de longa duração, imunização, reabilitação e, sobretudo, redução da exposição domiciliar. Asma cursa tipicamente com obstrução variável e resposta broncodilatadora significativa, ausentes aqui. Bronquiectasias exigiriam achados tomográficos e expectoração purulenta volumosa característica. Fibrose pulmonar idiopática produz padrão restritivo com estertores em velcro, não obstrução.
Homem de 66 anos, ex-tabagista, com doença pulmonar obstrutiva crônica, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo piora da dispneia, aumento do volume da expectoração e mudança da cor para amarelo-esverdeada há três dias. Nega febre e dor torácica. Ao exame: consciente e orientado, falando frases completas, FR 24 ipm, FC 96 bpm, saturação 92% em ar ambiente, ausculta com sibilos difusos e murmúrio reduzido, sem uso intenso de musculatura acessória, sem edema. Não há sinais de confusão mental nem cianose. A conduta mais adequada é:
Exacerbação com os três sintomas cardinais, dispneia, aumento do volume e mudança da purulência do escarro, em paciente sem sinais de gravidade pode ser tratada ambulatorialmente com broncodilatador de curta ação, curso breve de corticoide sistêmico e antibiótico, com reavaliação precoce e orientação de sinais de alarme. Internação em terapia intensiva se reserva a instabilidade, confusão, acidose respiratória ou falência ventilatória, ausentes. Omitir corticoide e antibiótico por não haver febre contraria a indicação, que se baseia na purulência e na gravidade. Oxigenoterapia domiciliar contínua é indicação crônica com critérios gasométricos específicos, não conduta de exacerbação.
Homem de 68 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica avançada, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. Está clinicamente estável há três meses, sem exacerbações recentes, em uso otimizado de broncodilatadores de longa duração e após reabilitação pulmonar. Refere dispneia aos pequenos esforços. Ao exame: saturação em repouso de 86% em ar ambiente, confirmada em duas medidas em dias distintos, FR 22 ipm, sem edema, sem sinais de exacerbação. Gasometria arterial confirma hipoxemia significativa em repouso. A conduta correta é:
Hipoxemia significativa em repouso, documentada em paciente estável e com tratamento otimizado, é indicação de oxigenoterapia domiciliar prolongada, usada por pelo menos 15 horas por dia, única intervenção junto com a cessação do tabagismo que reduz mortalidade nesse perfil, cabendo à equipe articular o fornecimento pela rede. Oxigênio apenas em crises não confere esse benefício. Broncodilatadores não corrigem a hipoxemia crônica. A ideia de dependência ao oxigênio é mito que priva o paciente de tratamento com impacto comprovado em sobrevida.
Homem de 68 anos com doença pulmonar obstrutiva crônica é atendido na Unidade de Pronto Atendimento com piora da dispneia habitual há três dias, aumento do volume do escarro e mudança de sua coloração para amarelo-esverdeada. Nega febre. Ao exame: taquipneico com 26 irpm, uso discreto de musculatura acessória, saturação de oxigênio 89% em ar ambiente, sibilos difusos e tempo expiratório prolongado, sem estertores localizados. A radiografia de tórax não mostra consolidação. Qual é a conduta correta quanto à antibioticoterapia?
A indicação de antibiótico na exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica baseia-se na presença dos sintomas cardinais, que são aumento da dispneia, aumento do volume do escarro e alteração de sua purulência, especialmente quando os três estão presentes ou quando há necessidade de suporte ventilatório, independentemente de febre ou de consolidação. Exigir febre ou consolidação é critério incorreto. Antibiótico endovenoso de amplo espectro para todas as exacerbações é excessivo. Corticoide é parte do tratamento, mas não substitui o antibiótico quando indicado.
Homem de 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes, é levado ao pronto-socorro com piora da dispneia, aumento e purulência do escarro há três dias. Ao exame: sonolento, responde a estímulo verbal, PA 138x84 mmHg, FC 112 bpm, FR 30 ipm, saturação 84% em ar ambiente, uso intenso de musculatura acessória, ausculta com sibilos difusos e murmúrio muito reduzido. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,22, pressão parcial de gás carbônico 78 mmHg, bicarbonato 30 mEq/L, pressão parcial de oxigênio 48 mmHg. A conduta imediata correta é:
Exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica com acidose respiratória aguda e hipercapnia é a principal indicação de ventilação não invasiva com pressão positiva em dois níveis, que reduz mortalidade e necessidade de intubação, associada a broncodilatador, corticoide e antibiótico, sob monitorização com critérios claros de intubação. Oxigênio isolado em alto fluxo pode agravar a hipercapnia. Intubação imediata é reservada à falha ou contraindicação da ventilação não invasiva. Alta após melhora subjetiva com esse grau de acidose é conduta inaceitável.
Homem de 71 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica grave, é atendido em ambulatório para revisão. Ele apresenta dispneia aos mínimos esforços, duas exacerbações com internação no último ano e uso otimizado de broncodilatadores de longa duração associados a corticoide inalatório. Ao exame: caquético, IMC 17 kg/m2, saturação 90% em ar ambiente, tempo expiratório prolongado, sem sinais de exacerbação aguda. Espirometria com volume expiratório forçado no primeiro segundo de 28% do previsto. Ele nunca participou de reabilitação pulmonar e mantém abstinência tabágica há cinco anos. A conduta mais adequada é:
Na doença pulmonar obstrutiva crônica avançada com dispneia importante e exacerbações frequentes, a reabilitação pulmonar é a intervenção com maior impacto em sintomas, capacidade funcional e qualidade de vida, associada a suporte nutricional na caquexia, revisão de imunizações e avaliação de oxigenoterapia domiciliar conforme critérios gasométricos. Aumentar broncodilatadores indefinidamente traz pouco ganho. Corticoide oral contínuo acarreta osteoporose, miopatia e infecções. Considerar o tratamento esgotado ignora intervenções com benefício demonstrado.
Mulher de 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório com dispneia e tosse. Ela usa broncodilatador de longa duração associado a corticoide inalatório desde o diagnóstico, há três anos, e apresentou duas pneumonias no último ano, sem exacerbações típicas de sua doença de base. Ao exame: saturação 94%, ausculta com murmúrio reduzido difusamente, sem sibilos, sem sinais de infecção aguda. Espirometria com obstrução moderada e eosinófilos sanguíneos de 90 células/mm3. Ela nunca teve asma nem apresenta variabilidade importante dos sintomas ao longo do dia. A conduta mais adequada é:
O corticoide inalatório na doença pulmonar obstrutiva crônica traz benefício sobretudo em pacientes com exacerbações frequentes e eosinofilia sanguínea, e aumenta o risco de pneumonia; diante de contagem eosinofílica baixa, ausência de exacerbações típicas e pneumonias de repetição, é apropriado reavaliar sua retirada mantendo os broncodilatadores de longa duração. Aumentar a dose amplia o risco de pneumonia. Retirar broncodilatadores piora sintomas e função. Antibiótico profilático sem revisar a terapia inalatória não corrige a causa do problema.
Homem de 68 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica em uso de oxigenoterapia domiciliar, é atendido em ambulatório acompanhado da esposa. Ela relata que ele usa o oxigênio apenas quando sente falta de ar, cerca de quatro horas por dia, por incômodo com a cânula. Ao exame: saturação 87% em ar ambiente e 93% com o oxigênio prescrito, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio reduzido, sem sinais de exacerbação, cianose de extremidades discreta. Gasometria prévia confirmou hipoxemia significativa em repouso, com indicação formal de oxigenoterapia prolongada. A conduta mais adequada é:
A oxigenoterapia domiciliar prolongada só reduz mortalidade quando usada por pelo menos 15 horas diárias, incluindo o período de sono, de modo que a conduta é reforçar essa informação, investigar e corrigir as barreiras ao uso e adequar interface e equipamento para melhorar o conforto e a adesão. Reduzir a prescrição ao padrão atual elimina o benefício. Suspender a terapia priva o paciente de intervenção que aumenta sobrevida. Broncodilatadores não corrigem hipoxemia crônica e não substituem o oxigênio.
Mulher de 61 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório e traz espirometria realizada em outro serviço. Ela apresenta dispneia aos médios esforços e tosse crônica, sem exacerbações no último ano. Ao exame: saturação 94%, FR 18 ipm, tempo expiratório prolongado, ausculta com sibilos discretos, sem sinais de exacerbação. A espirometria mostra relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada pós-broncodilatador de 0,62, com volume expiratório forçado no primeiro segundo de 62% do previsto e resposta broncodilatadora não significativa. A interpretação correta é:
Relação entre volume expiratório forçado no primeiro segundo e capacidade vital forçada abaixo de 0,7 após broncodilatador define obstrução persistente, e o valor do volume expiratório forçado em relação ao previsto gradua a gravidade, sendo compatível com doença pulmonar obstrutiva crônica moderada. Padrão restritivo cursa com redução proporcional dos volumes e relação preservada ou aumentada. A espirometria não é normal, pois a relação está reduzida. Asma caracteriza-se por obstrução variável com resposta broncodilatadora significativa, ausente aqui.
Homem de 54 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendido no pronto-socorro com piora da dispneia e sonolência. Ele recebeu oxigênio sob máscara com alto fluxo no transporte, mantendo saturação de 99%. Ao exame: sonolento, responde a estímulo doloroso, PA 132x80 mmHg, FC 96 bpm, FR 12 ipm, saturação 99% com oxigênio, ausculta com murmúrio muito reduzido e sibilos esparsos, sem febre. Gasometria arterial: pH 7,18, pressão parcial de gás carbônico 92 mmHg, bicarbonato 33 mEq/L, pressão parcial de oxigênio 140 mmHg. A conduta correta é:
A oferta excessiva de oxigênio em paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica agrava a hipercapnia por diversos mecanismos, e a conduta é titular o oxigênio para alvo de saturação entre 88% e 92%, associada à ventilação não invasiva diante da acidose respiratória e do rebaixamento do sensório, com monitorização estreita. Manter saturação muito elevada perpetua a narcose por gás carbônico. Suspender totalmente o oxigênio provoca hipoxemia perigosa. Apenas fisioterapia com reavaliação tardia é insuficiente nessa emergência.
Homem de 64 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica grave, é internado por exacerbação e apresenta melhora clínica após cinco dias de tratamento. A equipe planeja a alta hospitalar. Ao exame: saturação 92% em ar ambiente, FR 18 ipm, ausculta com murmúrio reduzido e sibilos discretos, deambulando sem dessaturação importante, sem sinais de exacerbação ativa. Ele mora sozinho, tem dificuldade de manuseio dos dispositivos inalatórios e teve três internações no último ano. Exames laboratoriais estáveis e gasometria sem acidose respiratória no momento da avaliação. A conduta mais adequada na alta é:
A alta após exacerbação é momento crítico, e o pacote com revisão e treinamento da técnica inalatória, plano de ação escrito, reavaliação precoce, encaminhamento à reabilitação pulmonar e articulação com a atenção primária e o apoio social reduz reinternações. Alta apenas com receita e retorno tardio ignora o alto risco do período pós-alta. Internação indefinida não é factível nem benéfica. Corticoide oral contínuo acarreta efeitos adversos importantes e não é estratégia de prevenção recomendada.
Homem de 52 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendido em ambulatório com dispneia e tosse. Ele relata que usa o dispositivo inalatório uma vez ao dia, quando lembra, e que sente pouco efeito. Ao exame: saturação 93%, FR 18 ipm, ausculta com sibilos discretos, sem sinais de exacerbação. Ao demonstrar a técnica, ele dispara o dispositivo pressurizado sem acoplar espaçador, inspira rapidamente pela boca e não realiza pausa inspiratória, exalando logo em seguida. A prescrição prevê uso regular duas vezes ao dia. Não há barreiras de acesso ao medicamento, disponível na unidade. A conduta mais adequada é:
Erros de técnica inalatória e uso irregular são causas frequentes de aparente falha terapêutica, e a conduta é corrigir a técnica com demonstração e treinamento, orientar o uso de espaçador com dispositivos pressurizados e reforçar a posologia regular, reavaliando o controle antes de escalonar. Escalonar sem corrigir a técnica aumenta custo e efeitos adversos sem benefício. Corticoide oral contínuo é inadequado como substituto. Rotular o paciente como refratário sem corrigir o uso é conclusão equivocada.
Homem de 68 anos é internado por exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica e evolui bem com ventilação não invasiva, broncodilatadores, corticoide e antibiótico. No quarto dia, apresenta melhora clínica e gasométrica, tolerando períodos crescentes fora do suporte ventilatório. Ao exame: consciente e colaborativo, PA 126x76 mmHg, FC 84 bpm, FR 20 ipm, saturação 92% com oxigênio em baixo fluxo, ausculta com murmúrio reduzido e sibilos discretos. Gasometria: pH 7,38, pressão parcial de gás carbônico 52 mmHg, bicarbonato 30 mEq/L. A conduta correta quanto ao suporte ventilatório é:
Com melhora clínica e gasométrica e boa tolerância a períodos fora do suporte, a conduta é o desmame progressivo da ventilação não invasiva conforme a tolerância, mantendo oxigenoterapia com alvo de saturação adequado para evitar hipercapnia induzida por oxigênio. Suspender abruptamente tudo arrisca recidiva da insuficiência respiratória. Manter suporte contínuo sem necessidade prolonga a internação e o desconforto. Intubação eletiva em paciente em melhora é conduta injustificada e expõe a complicações graves.
Mulher de 66 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida no pronto-socorro com piora da dispneia e aumento do escarro há dois dias, sem febre. Ao exame: consciente e orientada, PA 128x78 mmHg, FC 96 bpm, FR 22 ipm, saturação 92% em ar ambiente, ausculta com sibilos difusos, sem uso de musculatura acessória, tolerando a via oral. Gasometria: pH 7,40, pressão parcial de gás carbônico 44 mmHg, bicarbonato 26 mEq/L. Ela tem suporte familiar e mora próximo à unidade, com acesso garantido a retorno em 48 horas. A conduta correta é:
Exacerbação sem sinais de gravidade, com paciente alerta, sem acidose respiratória, tolerando a via oral e com suporte social e acesso garantido a retorno, pode ser tratada ambulatorialmente com broncodilatador de curta ação, curso breve de corticoide sistêmico e antibiótico conforme critérios de purulência e gravidade, com reavaliação precoce. Internar todos é desnecessário e expõe a riscos hospitalares. Omitir corticoide e reavaliação reduz a eficácia do tratamento. Ventilação não invasiva se indica na acidose respiratória, ausente aqui.
Homem de 63 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendido em ambulatório referindo dispneia progressiva e perda de peso não intencional de 7 kg no último ano. Ao exame: caquético, IMC 16,8 kg/m2, saturação 91% em ar ambiente, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio reduzido, massa muscular visivelmente reduzida, força de preensão manual diminuída, sem edema. Exames: albumina 3,2 g/dL, hemoglobina 12,4 g/dL, função renal normal, sem sinais de infecção ou neoplasia à investigação inicial. Ele mantém tratamento inalatório otimizado e não teve exacerbações recentes. A conduta mais adequada é:
Desnutrição e perda de massa muscular são preditores independentes de mortalidade na doença pulmonar obstrutiva crônica, e a abordagem correta combina suporte nutricional individualizado com treinamento físico e reabilitação pulmonar, que potencializam o ganho de massa e a capacidade funcional. Considerar a perda ponderal inevitável abandona uma intervenção com impacto prognóstico. Corticoide contínuo causa miopatia e agrava a perda muscular. Dieta hipocalórica é o oposto do necessário em paciente caquético.
Mulher de 59 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório com queixa de dispneia e cansaço. Ela vive em domicílio onde cozinha diariamente em fogão a lenha em ambiente fechado, além de ter sido tabagista por vinte anos, com cessação há dez anos. Ao exame: saturação 92%, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio reduzido e sibilos discretos, IMC 21 kg/m2. Espirometria confirma obstrução moderada sem resposta broncodilatadora significativa. Ela mantém tratamento inalatório regular, com boa técnica e adesão comprovadas, e teve duas exacerbações no último ano. A conduta com maior impacto adicional na evolução é:
A exposição contínua à fumaça de biomassa em ambiente fechado é fator de progressão e de exacerbação da doença pulmonar obstrutiva crônica, e intervir sobre ela, com ventilação adequada e substituição do fogão, tem impacto relevante na evolução, somando-se ao tratamento otimizado já em curso. Aumentar broncodilatadores indefinidamente traz pouco ganho adicional. Antibiótico profilático contínuo tem indicações restritas e seleciona resistência. Considerar a exposição irrelevante desconsidera um fator de risco ativo e modificável.
Mulher de 61 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório com queixa de dispneia. Ela relata que interrompeu o uso do broncodilatador de longa duração porque acredita que o medicamento causaria dependência e perda de efeito ao longo do tempo. Ao exame: saturação 91%, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio reduzido e sibilos difusos, sem sinais de exacerbação aguda. Espirometria com obstrução moderada a grave. Exames laboratoriais sem alterações relevantes. Ela teve duas exacerbações desde a interrupção do tratamento, ambas atendidas em pronto-atendimento. A conduta correta é:
Crenças equivocadas são causa frequente de não adesão, e a conduta é acolher, esclarecer com informação qualificada que broncodilatadores de longa duração não causam dependência nem perda relevante de efeito, reiniciar o tratamento e manter seguimento próximo. Concordar com a interrupção expõe a paciente a novas exacerbações. Corticoide oral contínuo tem perfil de segurança muito pior. Represcrever sem abordar as crenças reproduz o mesmo desfecho de abandono do tratamento.
Homem de 60 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendido em ambulatório para revisão. Ele apresenta dispneia limitante e teve três exacerbações no último ano, sendo duas com internação, apesar de terapia inalatória tripla otimizada, boa adesão e técnica adequada. Ao exame: saturação 91%, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio reduzido, IMC 22 kg/m2, sem sinais de exacerbação aguda. Exames: eosinófilos sanguíneos de 320/mm3, alfa-1-antitripsina normal, tomografia com enfisema difuso, sem bronquiectasias significativas. Ele mantém abstinência tabágica e participa de reabilitação pulmonar regularmente. A conduta mais adequada é:
Paciente com exacerbações frequentes apesar de terapia tripla otimizada, boa adesão, técnica adequada, abstinência tabágica e reabilitação em curso deve ser encaminhado para avaliação especializada, que pode considerar terapias adicionais para redução de exacerbações e intervenções específicas para o enfisema em casos selecionados. Aumentar doses já otimizadas traz pouco ganho. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante. Suspender a reabilitação retira intervenção com benefício comprovado em sintomas e capacidade funcional.
Homem de 71 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica avançada e insuficiência respiratória crônica hipercápnica, é atendido em ambulatório. Ele usa oxigenoterapia domiciliar e apresenta múltiplas internações por exacerbação com acidose respiratória no último ano. Ao exame: saturação 90% com oxigênio, FR 22 ipm, ausculta com murmúrio muito reduzido, sem sinais de exacerbação aguda no momento. Gasometria em vigília, fora de exacerbação: pH 7,36, pressão parcial de gás carbônico 62 mmHg, bicarbonato 34 mEq/L. Ele mantém terapia inalatória otimizada, reabilitação e abstinência tabágica. A conduta adicional mais adequada é:
Pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica e hipercapnia persistente estável, com internações repetidas por exacerbação com acidose, podem beneficiar-se de ventilação não invasiva domiciliar de longo prazo, que reduz internações e melhora desfechos em perfis selecionados. Elevar a fração de oxigênio até saturações altas agrava a hipercapnia. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade sem benefício preventivo estabelecido. Suspender a oxigenoterapia retira intervenção que reduz mortalidade na hipoxemia crônica.
Homem de 59 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendido em ambulatório e traz gasometria arterial colhida em repouso e em ar ambiente, fora de exacerbação, mostrando pressão parcial de oxigênio de 54 mmHg e saturação de 87%. Ele está clinicamente estável há três meses, sem exacerbações, em uso otimizado de terapia inalatória e sem tabagismo ativo. Ao exame: FR 18 ipm, ausculta com murmúrio reduzido, sem sinais de exacerbação, sem edema, sem estase jugular. Hematócrito de 56% e ecocardiograma com sinais discretos de hipertensão pulmonar. A conduta correta é:
Pressão parcial de oxigênio abaixo do limiar em repouso e ar ambiente, medida em paciente estável fora de exacerbação, preenche critério para oxigenoterapia domiciliar prolongada, reforçado pela policitemia secundária e pelos sinais de hipertensão pulmonar, com uso por pelo menos 15 horas diárias para obter benefício em sobrevida. Adiar por um ano mantém a hipoxemia e suas consequências. Oxigênio apenas nas exacerbações não confere esse benefício. Contraindicar por medo de dependência é equívoco frequente e prejudicial.
Mulher de 62 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório com dispneia e cansaço. Ela relata que evita sair de casa e reduziu progressivamente as atividades por medo de sentir falta de ar. Ao exame: saturação 93%, FR 18 ipm, ausculta com murmúrio reduzido, IMC 23 kg/m2, sem sinais de exacerbação aguda. Espirometria com obstrução moderada, estável em relação ao exame anterior. Teste de caminhada de seis minutos mostra distância bem abaixo do previsto, com dessaturação leve, e ela relata ansiedade intensa relacionada ao esforço. A conduta mais adequada é:
Espiral de descondicionamento por evitação do esforço, com ansiedade associada, é indicação clássica de reabilitação pulmonar estruturada, que melhora capacidade funcional, dispneia, ansiedade e qualidade de vida, mantendo a terapia inalatória otimizada. Orientar repouso perpetua o ciclo de descondicionamento. Aumentar broncodilatadores com função estável traz pouco ganho adicional. Tratar apenas como quadro psiquiátrico ignora a limitação funcional real e a intervenção respiratória com maior evidência de benefício.
Homem de 60 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendido em ambulatório para revisão. Ele apresenta dispneia limitante e usa apenas broncodilatador de curta ação conforme necessário, sem terapia de manutenção. Ao exame: saturação 92%, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio reduzido e sibilos, IMC 24 kg/m2, sem sinais de exacerbação aguda. Espirometria com obstrução moderada. Ele teve duas exacerbações no último ano, ambas tratadas em pronto-atendimento com corticoide oral, e nunca recebeu prescrição de terapia inalatória de manutenção regular. A conduta correta é:
Paciente sintomático com obstrução moderada e exacerbações recorrentes deve receber terapia de manutenção com broncodilatador de longa duração, com orientação de técnica inalatória, encaminhamento à reabilitação pulmonar e atualização das imunizações, medidas que reduzem sintomas e exacerbações. Manter apenas o resgate perpetua sintomas e risco. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante e não é terapia de manutenção. Antibiótico profilático tem indicações restritas e não é a primeira medida nesse cenário.
Mulher de 60 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório com queixa de rouquidão e candidíase oral recorrente. Ela usa corticoide inalatório em dose alta associado a broncodilatador de longa duração, com boa adesão e resposta clínica adequada. Ao exame: saturação 94%, FR 18 ipm, ausculta com murmúrio reduzido, placas esbranquiçadas removíveis em mucosa oral e orofaringe, sem febre, sem outras alterações. Ela demonstra a técnica inalatória e não utiliza espaçador nem realiza higiene bucal após as aplicações do dispositivo. A conduta mais adequada é:
Candidíase oral e rouquidão são efeitos adversos locais do corticoide inalatório, prevenidos com o uso de espaçador e higiene bucal após cada aplicação, além do tratamento do episódio e da reavaliação da dose conforme a necessidade clínica. Suspender definitivamente o corticoide inalatório pode ser considerado em perfis específicos, mas não como resposta automática a efeito adverso local corrigível. Antifúngico profilático contínuo não corrige a causa. Corticoide oral contínuo tem perfil de segurança muito pior.
Mulher de 71 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório acompanhada da filha, que relata que a paciente tem dificuldade para coordenar o disparo do dispositivo pressurizado com a inspiração, por tremor e limitação cognitiva leve. Ao exame: saturação 92%, FR 18 ipm, ausculta com murmúrio reduzido e sibilos discretos, tremor de extremidades, rastreio cognitivo com prejuízo leve. Espirometria com obstrução moderada. A paciente tem exacerbações frequentes e a equipe suspeita que a técnica inadequada seja o principal fator de descontrole do tratamento em curso. A conduta mais adequada é:
A escolha do dispositivo inalatório deve considerar coordenação, força inspiratória, destreza e cognição, e diante de dificuldade de coordenação a conduta é adequar o dispositivo, com espaçador ou dispositivo acionado pela inspiração, associando treinamento e supervisão do cuidador. Aumentar a dose sem corrigir a técnica não melhora a deposição pulmonar. Corticoide oral contínuo tem perfil de segurança muito pior. Suspender a terapia inalatória retira o tratamento que controla sintomas e reduz exacerbações.
Homem de 66 anos é atendido em ambulatório após tomografia de tórax solicitada por dispneia evidenciar enfisema grave heterogêneo com predomínio em lobos superiores. Ele mantém dispneia limitante apesar de terapia inalatória otimizada, reabilitação pulmonar completa e abstinência tabágica há três anos. Ao exame: caquético, saturação 90% em ar ambiente, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio muito reduzido, sem sinais de exacerbação. Espirometria com obstrução grave e hiperinsuflação importante, com capacidade de difusão reduzida, porém sem hipertensão pulmonar significativa ao ecocardiograma. A conduta mais adequada é:
Enfisema grave heterogêneo com predomínio em lobos superiores, hiperinsuflação importante e sintomas limitantes apesar de tratamento clínico otimizado e reabilitação completa configura perfil que pode se beneficiar de intervenções de redução de volume pulmonar, cirúrgicas ou broncoscópicas, avaliadas em centro especializado. Aumentar doses já otimizadas traz pouco ganho. Corticoide oral contínuo acarreta morbidade importante. Considerar o tratamento esgotado priva o paciente de intervenção com benefício funcional demonstrado.
Mulher de 64 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é internada por exacerbação e recebe ventilação não invasiva. Após duas horas, mantém desconforto respiratório importante e piora do nível de consciência. Ao exame: sonolenta, responde apenas a estímulo doloroso, PA 108x64 mmHg, FC 118 bpm, FR 34 ipm, saturação 85% com a interface bem ajustada, uso intenso de musculatura acessória, sem vômitos. Gasometria de controle: pH 7,14, pressão parcial de gás carbônico 96 mmHg, bicarbonato 32 mEq/L. A conduta correta é:
Piora do nível de consciência, acidose respiratória progressiva e desconforto respiratório mantido após duas horas de ventilação não invasiva adequadamente aplicada caracterizam falha do método, indicando intubação orotraqueal e ventilação mecânica invasiva sem retardo. Insistir por mais horas aumenta o risco de parada respiratória. Suspender o suporte ventilatório agrava a hipoventilação. Elevar a fração de oxigênio sem corrigir a ventilação piora a hipercapnia e não trata a causa da acidose.
Mulher de 61 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica em uso de oxigenoterapia domiciliar, é atendida em ambulatório acompanhada do filho. Ele relata que a paciente mantém tabagismo ativo dentro de casa, inclusive próximo ao concentrador de oxigênio. Ao exame: saturação 90% com oxigênio, FR 20 ipm, ausculta com murmúrio muito reduzido, dedos com manchas de nicotina, sem sinais de exacerbação aguda. Exames: gasometria com hipoxemia compatível com a indicação prévia de oxigenoterapia domiciliar prolongada, sem alterações agudas adicionais. A conduta mais adequada é:
Fumar durante o uso de oxigênio domiciliar acarreta risco grave de incêndio e queimaduras faciais e de vias aéreas, exigindo alerta claro sobre o risco, apoio estruturado à cessação do tabagismo e reforço das normas de segurança. Retirar a oxigenoterapia como punição priva a paciente de tratamento que aumenta sobrevida, embora a segurança precise ser avaliada caso a caso. Não abordar o tabagismo perpetua o risco. Broncodilatador não substitui a oxigenoterapia na hipoxemia crônica documentada.
Homem de 64 anos, tabagista de longa data com carga tabágica elevada, procura a Unidade Básica de Saúde com tosse produtiva crônica na maioria dos dias há três anos e dispneia aos esforços progressiva, com limitação para subir escadas. Ao exame apresenta tórax em tonel, murmúrio vesicular difusamente reduzido, tempo expiratório prolongado, saturação de 94% em ar ambiente e ausência de edema de membros inferiores, sem sinais de descompensação aguda no momento da consulta. A conduta diagnóstica mais adequada é:
O diagnóstico de doença pulmonar obstrutiva crônica exige confirmação por espirometria demonstrando limitação persistente ao fluxo aéreo após broncodilatador, em paciente com sintomas e exposição de risco compatíveis. Iniciar tratamento definitivo sem confirmação funcional leva a diagnósticos equivocados e tratamento inadequado. Radiografia de tórax auxilia na exclusão de outras causas, mas não confirma o diagnóstico. Tomografia não é exame diagnóstico inicial da doença obstrutiva.
Um homem de 68 anos, ex-tabagista, com doença pulmonar obstrutiva crônica confirmada por espirometria, apresenta dispneia aos médios esforços, duas exacerbações no último ano e limitação para atividades cotidianas. Usa broncodilatador de longa duração com boa técnica inalatória, não recebeu vacinas nos últimos cinco anos e é sedentário. A saturação em repouso é de 94% em ar ambiente, o índice de massa corporal é de 22 kg/m² e ele abandonou a caminhada diária após a última exacerbação. Qual conjunto de medidas tem maior impacto sobre sintomas e exacerbações neste momento?
Em paciente sintomático com exacerbações, as intervenções de maior impacto são a reabilitação pulmonar, que melhora dispneia, capacidade de exercício e qualidade de vida, a atualização vacinal contra influenza, pneumococo e demais imunobiológicos indicados, e a revisão do esquema inalatório. Antibiótico profilático contínuo é reservado a casos selecionados e traz risco de resistência e toxicidade. Corticoide oral diário de manutenção associa-se a efeitos adversos graves sem benefício. Oxigenoterapia domiciliar exige critério gasométrico específico.
Homem, 62 anos, tabagista de 40 maços-ano, com dispneia aos médios esforços há 3 anos e tosse produtiva matinal. Espirometria pós-broncodilatador: VEF1/CVF 0,58 e VEF1 62% do previsto. Nos últimos 12 meses teve uma exacerbação tratada ambulatorialmente. Escore mMRC 2. SatO2 95% em ar ambiente, sem cianose. Qual a classificação GOLD e o tratamento inicial indicados?
A relação VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,70 confirma limitação fixa ao fluxo aéreo, e VEF1 entre 50% e 79% do previsto define GOLD 2; com sintomas relevantes, indicados por mMRC de 2, e apenas uma exacerbação ambulatorial no ano, o paciente é grupo B, cujo tratamento inicial recomendado é broncodilatador de longa duração, preferencialmente a associação de LABA e LAMA. GOLD 3 exige VEF1 entre 30% e 49%, e o grupo E exige duas ou mais exacerbações moderadas ou uma com internação. GOLD 1 exige VEF1 igual ou acima de 80% e, além disso, o paciente é sintomático, não pertencendo ao grupo A. Corticoide inalatório isolado não é opção na DPOC, pois o corticoide só entra associado a broncodilatadores de longa duração. GOLD 4 exige VEF1 abaixo de 30%, e a oxigenoterapia domiciliar exige hipoxemia, incompatível com saturação de 95%.
Homem, 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, procura a UBS com piora da dispneia há 3 dias, aumento do volume de escarro e mudança da coloração para amarelo-esverdeada. Nega febre. Exame: FR 24 ipm, SatO2 90% em ar ambiente, sibilos difusos, uso de musculatura acessória leve, fala em frases completas, ausculta sem crepitações focais. PA 132/80 mmHg, FC 96 bpm, lúcido. Radiografia de tórax sem consolidação ou pneumotórax. Qual a conduta correta?
Exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica com os três critérios de Anthonisen — piora da dispneia, aumento do volume e alteração da purulência do escarro — indica broncodilatador de curta duração, corticoide sistêmico em curso curto e antibioticoterapia, mesmo sem febre. Restringir o antibiótico à presença de febre desconsidera os critérios validados, que se baseiam nas características do escarro e da dispneia. O corticoide inalatório isolado não tem papel no tratamento da exacerbação aguda, que exige via sistêmica. Dispensar o corticoide sistêmico priva o paciente de uma intervenção que reduz falha terapêutica e tempo de recuperação, sendo a hiperglicemia manejável. Elevar a saturação acima de 97% em retentor de dióxido de carbono é potencialmente perigoso, sendo o alvo entre 88% e 92%.
Homem, 70 anos, ex-tabagista, com dispneia progressiva há 6 meses e tosse. PA 132/80 mmHg, FC 88 bpm, FR 22 ipm, SatO2 92%. Ausculta com murmúrio vesicular reduzido difusamente e sibilos esparsos, sem estertores. Não há turgência jugular nem edema. NT-proBNP 120 pg/mL (VR < 125), espirometria com VEF1 de 52% do previsto e relação VEF1/CVF de 0,58 pós-broncodilatador. Ecocardiograma com fração de ejeção de 60% e relação E/e' de 8. Qual a conclusão mais provável?
Peptídeo natriurético normal, ausência de congestão, relação E/e' de 8 e obstrução ao fluxo aéreo não reversível com VEF1 reduzido apontam a doença pulmonar obstrutiva crônica como causa da dispneia. A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada exigiria evidência de pressões de enchimento elevadas, ausentes. A forma com fração de ejeção reduzida está afastada pela fração de 60%. O tromboembolismo pulmonar crônico cursaria com defeitos de perfusão e sobrecarga direita. A hipertensão arterial pulmonar do grupo 1 exigiria confirmação hemodinâmica e não se apoia em obstrução ao fluxo aéreo como este caso.
Homem, 67 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica grave, é atendido na UBS em consulta de rotina. SatO2 em repouso de 86% em ar ambiente, confirmada em duas medidas separadas por 3 semanas em fase estável. Gasometria arterial com pressão parcial de oxigênio de 52 mmHg. Hematócrito 56%; ecocardiograma com sinais de hipertensão pulmonar. Está em uso otimizado de broncodilatadores de longa duração e não fuma há 2 anos. Qual a conduta correta?
Hipoxemia crônica em fase estável, com pressão parcial de oxigênio igual ou inferior a 55 mmHg, ou entre 56 e 59 mmHg na presença de policitemia ou hipertensão pulmonar, indica oxigenoterapia domiciliar prolongada por pelo menos 15 horas diárias, única medida além da cessação do tabagismo que aumenta a sobrevida nesse cenário. Restringir o oxigênio a exacerbações e esforço não confere o benefício de sobrevida, que depende do uso prolongado. Aumentar broncodilatadores em paciente já otimizado não corrige a hipoxemia crônica. Corticoide oral contínuo em doença pulmonar obstrutiva crônica traz mais dano que benefício e não trata a hipoxemia. Flebotomia trata a consequência da hipoxemia sem corrigir a causa e pode reduzir a capacidade de transporte de oxigênio.
Homem, 70 anos, internado na UTI por doença pulmonar obstrutiva crônica exacerbada, apresenta piora do nível de consciência. Exame: sonolento, responde a estímulo verbal vigoroso, FR 28 ipm com uso de musculatura acessória, SatO2 88% em cateter a 2 L/min. Gasometria: pH 7,24; PaCO2 78 mmHg; bicarbonato 32 mEq/L; PaO2 58 mmHg. Está hemodinamicamente estável, sem vômitos, com via aérea pérvia e capacidade de proteger parcialmente as vias aéreas. Qual a conduta correta?
A exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica com acidose respiratória e pH abaixo de 7,35, em paciente ainda capaz de cooperar e proteger parcialmente as vias aéreas, tem na ventilação não invasiva com dois níveis de pressão a intervenção que reduz intubação e mortalidade, com reavaliação em curto intervalo. Elevar indiscriminadamente o oxigênio agrava a hipercapnia por perda do estímulo hipóxico e efeito Haldane. Intubar de imediato todos com esse padrão desconsidera a eficácia da ventilação não invasiva. Bicarbonato não corrige a causa ventilatória e pode aumentar a produção de dióxido de carbono. Sedar antes de instituir suporte ventilatório agrava a hipoventilação e a hipercapnia.
Homem, 66 anos, portador de DPOC, chega ao pronto-socorro com dispneia intensa há 1 dia e aumento do volume de escarro. PA 138x82 mmHg, FC 108 bpm, FR 30 ipm, SatO2 87% em ar ambiente, uso de musculatura acessória, sonolento porém responsivo, orientado e com tosse eficaz. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,26, PaCO2 68 mmHg, PaO2 52 mmHg e HCO3 29 mEq/L. Sobre a ventilação não invasiva nesse cenário, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que a ventilação não invasiva está contraindicada com pH abaixo de 7,30: exatamente a faixa de acidose respiratória entre 7,25 e 7,35 é a de maior benefício, e o paciente da vinheta, com pH 7,26 e PaCO2 68 mmHg, é candidato ideal. A indicação na exacerbação de DPOC com acidose respiratória é a evidência mais robusta do método. A redução comprovada de intubação, de tempo de internação e de mortalidade é o desfecho consagrado em metanálises. A contraindicação em rebaixamento profundo com apneia, incapacidade de proteger via aérea ou vômitos é correta, e no caso descrito o paciente ainda está responsivo e com tosse eficaz. A reavaliação gasométrica em 1 a 2 horas, com intubação se não houver melhora do pH e da PaCO2, é a regra de segurança do método.
Homem, 58 anos, tabagista de 40 anos-maço, com dispneia aos médios esforços há 2 anos e tosse produtiva matinal. Exame: FR 18 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, murmúrio vesicular reduzido difusamente, sem estertores. Espirometria: VEF1 de 1,52 L, correspondendo a 48% do previsto; CVF de 3,40 L, correspondendo a 82% do previsto; relação VEF1/CVF de 0,45. Após broncodilatador, VEF1 de 1,60 L, com variação de 5% e 80 mL. Qual a interpretação correta da prova de função pulmonar?
A relação VEF1/CVF de 0,45, abaixo de 0,70, define obstrução ao fluxo aéreo, e o VEF1 de 48% do previsto classifica a gravidade como grave na estratificação por percentual do previsto. A resposta ao broncodilatador é considerada significativa apenas quando há ganho simultâneo de pelo menos 12% e 200 mL no VEF1; ganho de 5% e 80 mL não atinge nenhum dos dois limiares. A leitura como distúrbio restritivo é incompatível, pois a CVF está preservada em 82% e a relação encontra-se reduzida, e não elevada. O distúrbio misto exigiria queda simultânea da capacidade vital forçada com confirmação de redução da capacidade pulmonar total. Considerar o exame normal ignora a obstrução documentada. Classificar como obstrução leve com resposta positiva erra tanto na gravidade quanto na interpretação da prova broncodilatadora.
Homem, 41 anos, tabagista leve com carga tabágica de 5 anos-maço, refere dispneia progressiva há 2 anos. Relata irmão com enfisema diagnosticado aos 45 anos e tia com cirrose criptogênica. Exame: FR 20 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, murmúrio vesicular reduzido difusamente e expiração prolongada. Espirometria: relação VEF1/CVF 0,52 e VEF1 54% do previsto, sem resposta ao broncodilatador. Tomografia de alta resolução mostra enfisema panlobular de predomínio nas bases pulmonares. Qual exame deve ser solicitado para esclarecer a etiologia?
Enfisema em paciente jovem, com carga tabágica desproporcionalmente baixa, distribuição panlobular de predomínio basal e história familiar de enfisema precoce somada a hepatopatia criptogênica constitui a apresentação clássica da deficiência de alfa-1-antitripsina; a investigação começa pela dosagem sérica da proteína, complementada por fenotipagem ou genotipagem quando reduzida. O teste do suor investiga fibrose cística, que cursa com bronquiectasias de ápices e insuficiência pancreática, e não com enfisema panlobular basal. A pesquisa de anticorpo anticitoplasma de neutrófilo rastreia vasculites, que produzem nódulos, cavitações ou hemorragia alveolar. A biópsia transbrônquica é inadequada para enfisema, cuja caracterização é tomográfica e funcional. Precipitinas séricas pertencem à investigação de pneumonite de hipersensibilidade, quadro restritivo e não obstrutivo.
Homem, 69 anos, com DPOC grave, ex-tabagista há 3 anos, encontra-se estável há 4 meses, em uso regular de broncodilatador de longa duração. Exame: FR 18 ipm, PA 130x78 mmHg, FC 84 bpm, sem edema, sem cianose. Gasometria arterial em ar ambiente, em repouso e em duas medidas separadas por três semanas: PaO2 52 mmHg e SatO2 87%. Hematócrito 49% e ecocardiograma sem sinais de cor pulmonale. Qual a conduta indicada?
A indicação de oxigenoterapia domiciliar prolongada em DPOC estável se firma com PaO2 igual ou inferior a 55 mmHg, ou entre 56 e 59 mmHg na presença de cor pulmonale, policitemia com hematócrito acima de 55% ou hipertensão pulmonar; com PaO2 de 52 mmHg em duas medidas na fase estável, o critério isolado já está preenchido. O benefício de mortalidade depende do uso por mais de 15 horas por dia, idealmente contínuo. Restringir o oxigênio ao período noturno não reproduz o ganho de sobrevida demonstrado nos ensaios clássicos. Limitar ao exercício atende apenas à dessaturação de esforço, situação diferente da hipoxemia de repouso. Negar o oxigênio por ausência de cor pulmonale confunde os critérios, pois essas condições só são exigidas na faixa de 56 a 59 mmHg. A ventilação não invasiva domiciliar destina-se a hipercapnia crônica persistente, não à hipoxemia isolada.
Homem, 67 anos, com DPOC e VEF1 de 42% do previsto, mantém dispneia limitante para atividades diárias apesar de terapia inalatória tripla otimizada e cessação do tabagismo há 2 anos. Exame: FR 18 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, IMC 21 kg/m², sem edema. Teste de caminhada de 6 minutos com distância de 280 metros e queda de saturação até 89%. Escore de dispneia mMRC igual a 3. Não houve exacerbação nos últimos 12 meses. Qual a intervenção com maior impacto sobre sintomas e qualidade de vida?
Em paciente com DPOC sintomático, mMRC de 3 e limitação de exercício apesar de terapia inalatória otimizada, a reabilitação pulmonar é a intervenção com maior efeito sobre dispneia, capacidade de exercício e qualidade de vida, superando qualquer fármaco isolado nesses desfechos. O corticoide oral contínuo não é recomendado na DPOC estável e acarreta osteoporose, miopatia e hiperglicemia. A azitromicina profilática destina-se a reduzir exacerbações frequentes, e o paciente não apresentou nenhuma nos últimos 12 meses, além do risco de resistência e de prolongamento do intervalo QT. A oxigenoterapia domiciliar exige hipoxemia de repouso com PaO2 igual ou inferior a 55 mmHg, e a saturação em repouso é de 93%. Antitussígenos e mucolíticos têm efeito marginal e não modificam capacidade funcional.
Homem, 44 anos, ex-tabagista leve, com dispneia progressiva há 3 anos e elevação de enzimas hepáticas em exames de rotina. PA 122x76 mmHg, FC 78 bpm, SatO2 94% em ar ambiente; murmúrio vesicular reduzido difusamente. ALT 96 U/L (VR até 40); sorologias virais negativas. Tomografia de tórax mostra enfisema panacinar de predomínio em bases. Biópsia hepática revela glóbulos PAS-positivos diastase-resistentes em hepatócitos periportais. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Enfisema panacinar de predomínio basal em paciente jovem com pouca exposição ao tabaco, somado a glóbulos PAS-positivos diastase-resistentes nos hepatócitos periportais, é a assinatura da deficiência de alfa-1-antitripsina, habitualmente com fenótipo PiZZ. A doença de Wilson cursa com ceruloplasmina baixa e sintomas neuropsiquiátricos, sem enfisema. A hemocromatose deposita ferro corado pelo Perls, com saturação de transferrina elevada, não glóbulos PAS-positivos. A fibrose cística determina bronquiectasias e insuficiência pancreática, com cloro no suor alterado. A sarcoidose forma granulomas não caseosos e adenomegalia hilar, padrão radiológico e histológico diferente.
Homem, 63 anos, ex-tabagista, com dispneia ao caminhar no plano, obrigando-o a parar para respirar. Teve duas exacerbações moderadas tratadas ambulatorialmente e uma internação por exacerbação no último ano. Exame: FR 18 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, tórax em tonel, murmúrio reduzido. Espirometria pós-broncodilatador: relação VEF1/CVF 0,54 e VEF1 46% do previsto. Escore mMRC igual a 2; eosinófilos séricos de 180 células/mm³. Qual a terapia inalatória inicial mais adequada?
O paciente tem sintomas relevantes com mMRC 2 e história de exacerbações frequentes, incluindo uma internação, o que o coloca no grupo de maior risco; com eosinófilos abaixo de 300 células/mm³, a terapia inicial recomendada é a broncodilatação dupla com beta-agonista e antimuscarínico de longa duração, reservando o corticoide inalatório para eosinofilia mais alta ou persistência de exacerbações. O corticoide inalatório isolado não é recomendado na DPOC, por não trazer benefício broncodilatador e aumentar o risco de pneumonia. O beta-agonista de curta duração conforme necessidade é insuficiente para paciente sintomático e exacerbador. A associação de corticoide inalatório com beta-agonista de longa duração deixa de oferecer o componente antimuscarínico, que é o de maior impacto na prevenção de exacerbações. O antimuscarínico de curta duração em esquema fixo foi superado pelas formulações de longa duração.
Homem, 68 anos, com DPOC, procura o pronto-socorro com piora da dispneia habitual, aumento do volume do escarro e mudança da coloração para amarelo-esverdeada, iniciados há 3 dias. Nega febre. Exame: T 36,8 °C, FR 24 ipm, FC 96 bpm, PA 134x82 mmHg, SatO2 90% em ar ambiente, sibilos difusos e expiração prolongada. Radiografia de tórax sem consolidações. Hemograma com leucócitos 10.900/mm³ (VR 4.000–11.000). Qual a conduta correta quanto à antibioticoterapia?
Os critérios de Anthonisen definem exacerbação tipo I quando estão presentes os três sintomas cardinais — piora da dispneia, aumento do volume do escarro e aumento da purulência —, situação em que o antibiótico traz benefício comprovado, independentemente de febre, leucocitose ou alteração radiológica. Negar o antibiótico por ausência de febre aplica critério que não faz parte da decisão nessa doença. Condicionar a prescrição à proteína C reativa pode ser útil em estratégias de redução de uso, mas não substitui os critérios clínicos consagrados diante de exacerbação tipo I. Exigir consolidação radiológica confunde exacerbação infecciosa de DPOC com pneumonia, entidades distintas. Antifúngico empírico não tem qualquer indicação, pois a cor da secreção decorre de peroxidase de neutrófilos e não de infecção fúngica.
Homem, 58 anos, ex-tabagista de 30 anos-maço, com asma diagnosticada na infância, refere dispneia e sibilância com variabilidade importante dos sintomas ao longo do dia. Exame: FR 20 ipm, SatO2 94% em ar ambiente, sibilos difusos. Espirometria pós-broncodilatador: relação VEF1/CVF de 0,58 e VEF1 de 58% do previsto, com ganho de 350 mL e 18% após broncodilatador. Eosinófilos séricos de 420 células/mm³; tomografia com enfisema centrolobular discreto. Qual a conduta inicial mais adequada?
Obstrução persistente pós-broncodilatador com resposta broncodilatadora expressiva, história de asma na infância, tabagismo e eosinofilia caracterizam sobreposição de asma e doença pulmonar obstrutiva crônica; nesse fenótipo o corticoide inalatório não deve ser omitido, sendo associado a broncodilatador de longa duração, pelo risco de exacerbação grave quando a inflamação eosinofílica não é tratada. Broncodilatador duplo isolado, sem corticoide inalatório, é adequado à DPOC pura sem traços asmáticos, mas expõe este paciente a exacerbações. O corticoide oral contínuo acarreta toxicidade cumulativa e não é terapia de manutenção nesse cenário. O beta-agonista de curta duração conforme necessidade é insuficiente diante de obstrução moderada e sintomas frequentes. O antimuscarínico de curta duração em esquema fixo foi superado pelas formulações de longa duração.
Homem, 64 anos, ex-tabagista, com enfisema e dispneia incapacitante apesar de terapia inalatória tripla otimizada e reabilitação pulmonar completa. Exame: IMC 21 kg/m², FR 22 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, tórax hiperinsuflado. Espirometria: VEF1 de 28% do previsto; volume residual de 240% do previsto; difusão de 34% do previsto. Tomografia mostra enfisema heterogêneo com predomínio nos lobos superiores. Teste de caminhada com 260 metros; PaCO2 de 44 mmHg. Qual a conduta mais adequada?
Enfisema heterogêneo de predomínio em lobos superiores, com hiperinsuflação acentuada demonstrada pelo volume residual muito elevado, capacidade de exercício reduzida e sintomas refratários apesar de terapia otimizada e reabilitação, é exatamente o perfil que se beneficia de redução de volume pulmonar, seja cirúrgica, seja por válvulas endobrônquicas em pacientes sem ventilação colateral. O corticoide oral contínuo não reduz hiperinsuflação e acrescenta miopatia e osteoporose. Ultrapassar a dose máxima do broncodilatador aumenta efeitos adversos sem ganho funcional. Antifibróticos destinam-se a doenças intersticiais fibrosantes, não ao enfisema. Restringir-se a cuidados paliativos ignora intervenções com benefício comprovado em sobrevida e capacidade de exercício nesse subgrupo específico.
Homem, 70 anos, com DPOC, é admitido por exacerbação com piora da dispneia e aumento da purulência do escarro há 2 dias. Exame: FR 26 ipm, FC 102 bpm, PA 138x84 mmHg, SatO2 89% em ar ambiente, sibilos difusos e expiração prolongada. Gasometria: pH 7,34, PaCO2 52 mmHg, PaO2 56 mmHg. Glicemia capilar de 168 mg/dL. Já recebeu broncodilatador inalatório, oxigênio controlado e antibiótico conforme protocolo institucional vigente. Qual a conduta correta em relação ao corticoide?
Na exacerbação de doença pulmonar obstrutiva crônica, o corticoide sistêmico reduz a falha terapêutica, acelera a recuperação do volume expiratório forçado e encurta a internação, sendo o esquema recomendado de prednisona por cerca de cinco dias, por via oral quando possível e sem necessidade de desmame. A metilprednisolona em dose alta por catorze dias aumenta hiperglicemia, miopatia e infecção sem benefício adicional. O corticoide inalatório não substitui o sistêmico na fase aguda. Deixar de usar corticoide por hiperglicemia é erro, pois o benefício supera o risco e a glicemia deve ser monitorada e tratada. O curso de trinta dias com desmame prolongado não traz vantagem sobre o esquema curto e amplia a toxicidade.
Homem, 44 anos, ex-tabagista há 2 anos, com enfisema panlobular basal e dosagem sérica de alfa-1-antitripsina de 28 mg/dL (VR 90–200), fenótipo PiZZ. Exame: FR 20 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, murmúrio reduzido. Espirometria: VEF1 de 45% do previsto, sem resposta ao broncodilatador, em uso de terapia inalatória dupla otimizada. Qual a conduta específica indicada?
Em paciente com deficiência grave comprovada de alfa-1-antitripsina, fenótipo de risco e enfisema com obstrução moderada a grave, a terapia de reposição endovenosa da proteína é o tratamento específico, capaz de retardar a perda de densidade pulmonar, somando-se à cessação do tabagismo e à terapia inalatória. O corticoide sistêmico contínuo não altera a história natural do enfisema e provoca miopatia e osteoporose. Antifibróticos destinam-se a doenças intersticiais fibrosantes, não ao enfisema. O macrolídeo profilático reduz exacerbações em pacientes exacerbadores frequentes, perfil não descrito, e não trata a deficiência. A cirurgia de redução de volume é indicada em enfisema heterogêneo de lobos superiores, ao passo que a deficiência produz doença de predomínio basal.
Homem, 69 anos, com DPOC, é avaliado quanto ao prognóstico em consulta ambulatorial. Exame: IMC 18,5 kg/m², FR 20 ipm, SatO2 92% em ar ambiente. Espirometria pós-broncodilatador com VEF1 de 33% do previsto. Escore de dispneia mMRC de 3 e distância no teste de caminhada de seis minutos de 190 metros. Encontra-se estável, sem exacerbação nos últimos seis meses. Quais variáveis compõem o índice utilizado para estimar seu prognóstico?
O índice BODE combina índice de massa corporal, grau de obstrução medido pelo volume expiratório forçado no primeiro segundo, dispneia avaliada pela escala mMRC e capacidade de exercício estimada pelo teste de caminhada de seis minutos, sendo superior ao VEF1 isolado na predição de mortalidade — o paciente descrito pontua alto em todos os componentes. A combinação de idade, tabagismo, PaO2 e exacerbações não corresponde ao índice, embora sejam variáveis prognósticas isoladas. Saturação, hematócrito, pressão pulmonar e fração de ejeção pertencem à avaliação de cor pulmonale, não ao escore. Comorbidades, sexo e internações compõem outros modelos de risco, mas não o BODE. Difusão, volume residual e PaCO2 são medidas funcionais relevantes, porém não integram esse índice.
Homem, 66 anos, com DPOC e bronquite crônica, mantém três exacerbações no último ano apesar de terapia inalatória tripla otimizada, com adesão e técnica confirmadas. Exame: IMC 22 kg/m², FR 20 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, tosse produtiva diária. VEF1 de 38% do previsto; eosinófilos séricos de 120 células/mm³. Nega depressão e não apresenta perda ponderal recente. Qual a conduta adicional mais adequada?
Em paciente com bronquite crônica, VEF1 abaixo de 50% do previsto e exacerbações frequentes apesar de terapia tripla otimizada, o roflumilaste é a opção recomendada por reduzir exacerbações moderadas e graves, devendo-se vigiar diarreia, perda ponderal e sintomas depressivos, ausentes neste caso. O corticoide oral contínuo não é terapia de manutenção na DPOC e acarreta toxicidade cumulativa. Trocar a terapia tripla por broncodilatador de curta duração é retrocesso terapêutico em paciente grave. Elevar o corticoide inalatório acima do máximo aumenta o risco de pneumonia sem ganho, sobretudo com eosinófilos baixos. Antifibróticos destinam-se a doenças intersticiais e não têm indicação na doença obstrutiva.
Homem, 72 anos, com DPOC e tremor essencial, mantém sintomas apesar de terapia inalatória adequada na prescrição. Exame: FR 18 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, sibilos esparsos. Ao demonstrar o uso do inalador pressurizado, dispara o jato e inspira rapidamente pelo nariz, sem coordenação, e não realiza pausa inspiratória. Relata sensação de que o remédio fica na boca. Qual a conduta mais adequada?
Falha de coordenação entre disparo e inspiração é a causa mais comum de má resposta a inalador pressurizado, sobretudo em idosos e em pacientes com tremor; o espaçador dispensa a coordenação fina, reduz a deposição orofaríngea e melhora a chegada do fármaco às vias aéreas inferiores, devendo vir acompanhado de reeducação da técnica e reavaliação periódica. Substituir por corticoide oral expõe a toxicidade sistêmica desnecessária. Dobrar a dose sem corrigir a técnica multiplica o depósito na orofaringe, e não a dose pulmonar efetiva. Migrar todas as doses para nebulização hospitalar é impraticável e não é superior ao inalador com espaçador. Suspender a terapia inalatória e manter apenas oxigênio retira o tratamento broncodilatador de base.
Homem, 58 anos, com DPOC, chega ao pronto-socorro com piora da dispneia e tosse há 2 dias, sem alteração da purulência do escarro. Exame: T 36,9 °C, FR 24 ipm, FC 96 bpm, PA 132x80 mmHg, SatO2 91% em ar ambiente, sibilos difusos. Radiografia de tórax sem consolidação. Leucócitos 9.400/mm³; procalcitonina de 0,08 ng/mL (VR menor que 0,25). Qual a conduta mais adequada quanto à antibioticoterapia?
Procalcitonina baixa, ausência de aumento da purulência do escarro, radiografia sem consolidação e leucograma normal apontam para exacerbação sem componente bacteriano relevante, e a estratégia guiada por esse biomarcador reduz a prescrição de antibióticos sem piorar desfechos; a conduta é otimizar broncodilatação, corticoide sistêmico e oxigênio controlado. Prescrever antibiótico de amplo espectro contraria os critérios clínicos e o marcador. O uso endovenoso por 48 horas mantém a exposição desnecessária, apenas mudando a via. O antifúngico não tem indicação em exacerbação de doença obstrutiva sem fatores de risco específicos. O antibiótico oral por dez dias amplia efeitos adversos e resistência sem benefício demonstrado neste perfil.
Homem, 71 anos, com DPOC grave, apresenta perda de 8 kg em 6 meses de forma não intencional. Exame: IMC 17,2 kg/m², FR 20 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, atrofia de musculatura temporal e de cinturas, força de preensão reduzida. VEF1 de 32% do previsto. Albumina sérica de 3,1 g/dL (VR 3,5–5,0). Nega disfagia, febre e sintomas de neoplasia; rastreamento oncológico recente sem alterações. Qual a conduta mais adequada?
A depleção nutricional na doença pulmonar obstrutiva crônica é fator prognóstico independente de mortalidade, e a abordagem eficaz combina suporte nutricional hipercalórico e hiperproteico fracionado com treinamento físico supervisionado dentro de programa de reabilitação, capaz de recuperar massa magra e função muscular. O corticoide sistêmico contínuo agrava a miopatia e a osteoporose, piorando o desfecho que se pretende corrigir. A restrição extrema de carboidratos baseia-se em raciocínio ultrapassado sobre quociente respiratório e prejudica a oferta calórica necessária. A sonda nasoenteral com suspensão da via oral é desproporcional em paciente sem disfagia. O suplemento vitamínico isolado não corrige o déficit calórico-proteico nem a perda de massa muscular.
Homem, 63 anos, com DPOC moderada, telefona relatando piora da dispneia e aumento da purulência do escarro há 2 dias. Chega à unidade básica com T 36,8 °C, FR 22 ipm, FC 94 bpm, PA 134x84 mmHg, SatO2 93% em ar ambiente, fala frases completas, sem confusão mental, sem cianose e sem edema. Radiografia de tórax sem consolidação; hemograma sem leucocitose expressiva. Qual a conduta correta?
Exacerbação com dois sintomas cardinais, incluindo aumento da purulência, em paciente que fala frases completas, sem hipoxemia grave, sem alteração do sensório, sem instabilidade e sem comorbidade descompensada, pode ser tratada ambulatorialmente com intensificação de broncodilatador de curta duração, corticoide oral por curto período e antibiótico, com reavaliação em 48 a 72 horas. A internação em terapia intensiva é reservada a acidose respiratória grave, rebaixamento ou instabilidade hemodinâmica. A internação em enfermaria com antibiótico endovenoso é desproporcional para quadro leve com boa via oral. A ventilação não invasiva domiciliar sem as demais medidas não trata a exacerbação e não tem indicação nesse contexto. Omitir corticoide e antibiótico deixa de aplicar duas intervenções com benefício comprovado.
Homem, 69 anos, com DPOC grave, chega ao pronto-socorro com dispneia e SatO2 de 82% em ar ambiente. Recebe oxigênio por máscara não reinalante a 15 L/min e, após 40 minutos, apresenta sonolência progressiva. Exame: FR 12 ipm, SatO2 99%, PA 130x78 mmHg, FC 92 bpm. Nova gasometria: pH 7,18, PaCO2 92 mmHg, PaO2 168 mmHg e HCO3 33 mEq/L, com piora em relação à admissão. Qual foi o principal erro de manejo?
Em pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica e risco de retenção, o oxigênio deve ser titulado para alvo de saturação entre 88% e 92%, pois a oferta descontrolada agrava a hipercapnia por piora da relação ventilação-perfusão, efeito Haldane e, em menor grau, redução do estímulo hipoxêmico — exatamente o que ocorreu, com narcose e acidose respiratória grave. O broncodilatador inalatório em dose elevada é conduta apropriada na exacerbação. O corticoide sistêmico precoce reduz falha terapêutica e é recomendado. Repetir a gasometria em curto intervalo foi justamente o que permitiu identificar a deterioração, sendo conduta correta. A posição sentada favorece a mecânica ventilatória e não contribui para a piora.
Homem, 70 anos, com DPOC, relata que precisa parar para respirar após caminhar cerca de 100 metros no plano, embora consiga sair de casa e realizar atividades leves sem ajuda. Exame: FR 18 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, murmúrio reduzido difusamente. Espirometria com VEF1 de 48% do previsto. O médico registra a graduação da dispneia para acompanhamento e planejamento terapêutico. Qual o grau de dispneia na escala mMRC correspondente?
A escala mMRC gradua a dispneia de 0 a 4, e a descrição de parar para respirar após caminhar cerca de 100 metros ou após alguns minutos no plano corresponde exatamente ao grau 3, patamar que caracteriza sintoma relevante e indica reabilitação pulmonar. O grau 0 corresponde a falta de ar apenas em exercício intenso. O grau 1 descreve dispneia ao andar apressadamente no plano ou ao subir ladeira leve. O grau 2 corresponde a andar mais devagar que pessoas da mesma idade ou precisar parar ao caminhar no próprio ritmo. O grau 4 aplica-se a quem não sai de casa por dispneia ou apresenta falta de ar ao se vestir, situação mais grave do que a relatada pelo paciente.
Homem, 62 anos, tabagista de 40 anos-maço, realiza tomografia que evidencia áreas de baixa atenuação sem paredes definidas, de predomínio nos campos superiores e centradas nos bronquíolos, além de pequenas bolhas subpleurais nos ápices. Exame: FR 20 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, tórax em tonel, murmúrio reduzido difusamente. Espirometria com obstrução e difusão reduzida. Sobre os tipos morfológicos de enfisema, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que o enfisema panlobular predomina nos campos superiores: essa forma, típica da deficiência de alfa-1-antitripsina, acomete uniformemente o ácino e predomina nas bases pulmonares, ao contrário do centrolobular. A relação do enfisema centrolobular com o tabagismo e o predomínio apical está correta e corresponde ao caso descrito. A associação do panlobular com a deficiência enzimática também é correta. O enfisema parasseptal, localizado na periferia junto aos septos e à pleura, de fato predispõe ao pneumotórax espontâneo por bolhas subpleurais. A redução da difusão de monóxido pela destruição do leito capilar alveolar é consequência funcional correta.
Homem, 69 anos, ex-tabagista com doença pulmonar obstrutiva crônica, apresenta há 4 dias aumento da dispneia habitual, com maior volume de expectoração, que se tornou purulenta. T 37,4 graus Celsius, FR 26 ipm, SatO2 88% em ar ambiente, PA 132x80 mmHg. Ausculta com sibilos difusos e tempo expiratório prolongado. A radiografia não mostra consolidação, derrame ou pneumotórax. Qual a conduta indicada?
A combinação de broncodilatador, corticoide sistêmico, oxigenoterapia controlada e antibiótico é a conduta na exacerbação com os três critérios de Anthonisen presentes: piora da dispneia, aumento do volume e purulência da expectoração. Oferecer apenas oxigênio em alto fluxo pode agravar a retenção de dióxido de carbono e não trata a broncoconstrição. O antibiótico isolado não alivia a obstrução ao fluxo aéreo. O corticoide inalatório isolado é terapia de manutenção, sem papel no episódio agudo. A ventilação invasiva imediata é reservada à falência respiratória ou à falha da ventilação não invasiva.
Homem, 68 anos, com DPOC, refere dispneia limitante ao caminhar. Exame: FR 18 ipm, SatO2 93% em repouso em ar ambiente, PA 132x78 mmHg, sem edema. Gasometria em repouso: PaO2 66 mmHg. No teste de caminhada de seis minutos percorreu 310 metros, com queda da saturação para 85% a partir do terceiro minuto, recuperando 92% após dois minutos de repouso. Qual a conduta mais adequada?
O paciente não preenche critérios de oxigenoterapia contínua, pois a PaO2 em repouso é de 66 mmHg, mas apresenta dessaturação significativa ao esforço, situação em que o oxigênio durante o exercício melhora a tolerância e permite treinamento em intensidade adequada dentro de um programa de reabilitação pulmonar. A oxigenoterapia contínua por mais de 15 horas exige PaO2 igual ou inferior a 55 mmHg, ou entre 56 e 59 mmHg com repercussões. Contraindicar atividade física é conduta prejudicial, pois o descondicionamento agrava a dispneia e a mortalidade. Manter apenas broncodilatador ignora a limitação funcional documentada. O corticoide sistêmico contínuo não melhora tolerância ao exercício e causa miopatia, piorando o desempenho.
Mulher, 64 anos, nunca tabagista, cozinhou por 35 anos em fogão a lenha dentro de casa sem chaminé, em ambiente pouco ventilado. Refere tosse produtiva e dispneia progressiva há 5 anos. Exame: FR 20 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, murmúrio reduzido, expiração prolongada. Espirometria pós-broncodilatador: relação VEF1/CVF de 0,58 e VEF1 de 52% do previsto. Tomografia com espessamento brônquico e enfisema discreto. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Obstrução persistente pós-broncodilatador em mulher nunca tabagista com exposição prolongada à fumaça de biomassa em ambiente fechado caracteriza doença pulmonar obstrutiva crônica de causa não tabágica, forma frequente em populações rurais e periurbanas, com predomínio de componente bronquítico sobre o enfisematoso. A asma de início tardio cursaria com variabilidade dos sintomas e resposta broncodilatadora significativa. As bronquiectasias produziriam expectoração purulenta abundante e achados tomográficos de dilatação brônquica, não descritos. A deficiência de alfa-1-antitripsina manifesta-se mais cedo, com enfisema panlobular basal e história familiar. A bronquiolite obliterante exigiria antecedente de infecção grave ou transplante, com mosaico expiratório e obstrução fixa sem enfisema.
Homem, 70 anos, com DPOC, recebe alta após terceira internação por exacerbação em 12 meses. Exame na alta: FR 18 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, sem edema, deambulando com auxílio. Mora sozinho, mantém tabagismo ativo, não sabe usar corretamente o dispositivo inalatório e não tem consulta de retorno agendada. Vacinação desatualizada e sem participação prévia em reabilitação pulmonar. Qual conjunto de medidas mais reduz o risco de nova internação?
A redução de reinternações na doença pulmonar obstrutiva crônica depende de um pacote de medidas: cessação do tabagismo, checagem e ensino da técnica inalatória, atualização vacinal, plano de ação escrito, retorno precoce após a alta e encaminhamento à reabilitação pulmonar, além de suporte social. O antibiótico profilático contínuo tem indicação restrita a exacerbadores selecionados e não substitui essas medidas. O corticoide oral contínuo não é recomendado na doença estável e acarreta toxicidade cumulativa. A orientação verbal isolada na alta é notoriamente insuficiente, sobretudo em paciente que mora sozinho e usa mal o dispositivo. Ultrapassar a dose máxima dos broncodilatadores aumenta efeitos adversos sem ganho clínico.
Homem, 72 anos, com DPOC em terapia tripla inalatória, apresenta terceira pneumonia em 18 meses. Exame: IMC 19 kg/m², FR 22 ipm, SatO2 92% em ar ambiente, estertores em base direita. VEF1 de 42% do previsto; eosinófilos séricos de 90 células/mm³. Não houve exacerbação não pneumônica no último ano; técnica inalatória e adesão adequadas. Qual a conduta mais adequada?
O corticoide inalatório aumenta o risco de pneumonia na doença pulmonar obstrutiva crônica, sobretudo em pacientes idosos, com baixo índice de massa corporal, obstrução grave e eosinófilos baixos — perfil exato deste paciente, que além disso não apresenta exacerbações não pneumônicas que justifiquem manter o fármaco; a conduta é retirá-lo e manter broncodilatação dupla de longa duração. Manter a terapia tripla e acrescentar antibiótico profilático não corrige o fator de risco identificado. Aumentar a dose do corticoide inalatório agrava justamente o risco de pneumonia. Reduzir tudo a beta-agonista de curta duração é retrocesso terapêutico em obstrução grave. O corticoide oral contínuo não é recomendado na doença estável e amplia a imunossupressão.
Homem, 68 anos, com DPOC, em uso de teofilina de liberação prolongada, inicia ciprofloxacino para infecção urinária. Cinco dias depois apresenta náuseas, vômitos, tremores e palpitações. Exame: FC 132 bpm irregular, PA 108x64 mmHg, FR 22 ipm, SatO2 93% em ar ambiente, tremor fino de extremidades. Eletrocardiograma mostra taquiarritmia atrial multifocal; potássio de 3,2 mEq/L. Qual a explicação mais provável para o quadro?
A teofilina tem janela terapêutica estreita e é metabolizada pelo citocromo P450, sendo o ciprofloxacino um inibidor enzimático clássico que eleva rapidamente seus níveis; náuseas, vômitos, tremores, hipocalemia e taquiarritmias, incluindo taquicardia atrial multifocal, compõem o quadro típico de intoxicação. A reação alérgica ao ciprofloxacino cursaria com exantema, urticária ou anafilaxia, não com tremor e arritmia. A exacerbação da DPOC com encefalopatia hipercápnica produziria sonolência e flapping, e não agitação adrenérgica com hipocalemia. O hipertireoidismo teria evolução mais arrastada, com bócio e alterações hormonais. A sepse urinária cursaria com febre, hipotensão e alteração de exames inflamatórios, sem tremor característico da toxicidade.
Homem de 67 anos, tabagista de 55 anos-maço, apresenta dispneia progressiva e tosse crônica. VEF1/CVF permanece 0,54 após broncodilatador. Não há febre nem exacerbação recente; não tem história de asma e continua fumando. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Bronquiolite e enfisema contribuem em proporções variáveis para aprisionamento aéreo. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Homem de 67 anos, tabagista de 55 anos-maço, apresenta dispneia progressiva e tosse crônica. VEF1/CVF permanece 0,54 após broncodilatador. Não há febre nem exacerbação recente; não tem história de asma e continua fumando. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A obstrução persistente confirma o distúrbio funcional no contexto de exposição compatível. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Homem de 67 anos, tabagista de 55 anos-maço, apresenta dispneia progressiva e tosse crônica. VEF1/CVF permanece 0,54 após broncodilatador. Não há febre nem exacerbação recente; não tem história de asma e continua fumando. Qual é o diagnóstico mais provável?
Exposição tabágica, sintomas persistentes e obstrução pós-broncodilatador favorecem DPOC. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Homem de 67 anos, tabagista de 55 anos-maço, apresenta dispneia progressiva e tosse crônica. VEF1/CVF permanece 0,54 após broncodilatador. Não há febre nem exacerbação recente; não tem história de asma e continua fumando. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Interromper exposição e aliviar a obstrução são medidas centrais; corticoide inalatório não é obrigatório para todo paciente com DPOC. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Homem com tabagismo intenso apresenta hiperinsuflação e enfisema na TC, acompanhados de obstrução persistente na espirometria. Qual diagnóstico é mais provável?
Enfisema e obstrução no contexto de exposição sustentam DPOC. Exposição de risco com sintomas persistentes e obstrução pós-broncodilatador favorece DPOC. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Paciente com exposição ocupacional e tabagismo tem expectoração crônica e relação VEF1/CVF pós-broncodilatador persistentemente reduzida em avaliação estável. Qual diagnóstico é mais provável?
A limitação fixa ao fluxo no contexto de risco favorece DPOC. Exposição de risco com sintomas persistentes e obstrução pós-broncodilatador favorece DPOC. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Fumante de longa data tem dispneia progressiva e tosse diária. Espirometria em estabilidade confirma obstrução persistente após broncodilatador. Qual diagnóstico é mais provável?
Exposição crônica e obstrução persistente sustentam DPOC. Exposição de risco com sintomas persistentes e obstrução pós-broncodilatador favorece DPOC. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
Cozinheira exposta durante décadas à fumaça de biomassa tem limitação funcional crônica e obstrução espirométrica persistente. Qual diagnóstico é mais provável?
Biomassa é exposição de risco para DPOC mesmo sem tabagismo. Exposição de risco com sintomas persistentes e obstrução pós-broncodilatador favorece DPOC. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd
A TC foi solicitada por tosse produtiva persistente. Qual resultado funcional, se encontrado, seria compatível com a alteração estrutural predominante, embora não obrigatório?

A doença das vias aéreas nas bronquiectasias pode causar obstrução. A imagem não determina sozinha a magnitude ou a presença de alteração funcional.
Paciente com expectoração purulenta crônica e infecções respiratórias recorrentes apresenta esta TC. Qual alteração estrutural predomina?

Há múltiplas luzes brônquicas dilatadas, algumas maiores que vasos acompanhantes, com paredes espessadas: bronquiectasias.
Paciente com DPOC e hipercapnia persistente, clinicamente estável há semanas, apresenta esta amostra. Qual leitura é mais adequada?

Pa CO₂ de 70 com HCO₃⁻ de 36 e acidemia discreta é compatível com retenção renal de bicarbonato após hipercapnia sustentada.
Se uma descompensação elevasse a Pa CO₂ de 70 para 100 mmHg em poucos minutos, com bicarbonato inicialmente próximo do mostrado, qual consequência seria esperada?

O aumento rápido de CO₂ supera a adaptação renal prévia; o pH cai até que haja correção ventilatória ou nova resposta renal.
Um idoso com DPOC tem dificuldade motora e não consegue executar corretamente as etapas do inalador prescrito. A equipe cogita manter o dispositivo porque a molécula é adequada. Qual aspecto deve orientar a revisão do plano?
A efetividade depende também da entrega da medicação. Habilidades, técnica, apoio e características do dispositivo precisam ser considerados, além da escolha farmacológica. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Treatment. https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd/treatment
Uma mulher com longa exposição a fumaça de fogão a lenha apresenta obstrução persistente ao fluxo aéreo e sintomas compatíveis com DPOC. Nunca fumou cigarros. Qual interpretação é adequada?
Tabagismo é importante fator de risco, mas fumaças, poeiras, poluentes e fatores individuais também podem contribuir. A avaliação deve integrar história de exposição, sintomas e função pulmonar. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd/diagnosis
Um homem com exposição tabágica acumulada apresenta tosse e dispneia crônicas. A radiografia mostra hiperinsuflação e ele recebe o rótulo de DPOC sem avaliação funcional. Qual exame é central para documentar a limitação ao fluxo aéreo nessa investigação?
Sintomas e exposição sustentam a suspeita, mas a espirometria é central para caracterizar obstrução persistente. Radiografia auxilia na avaliação, porém não substitui a demonstração funcional. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd/diagnosis
Uma paciente com DPOC permanece limitada para atividades diárias apesar de otimização clínica. Foi indicada reabilitação pulmonar e ela pergunta se consiste apenas em receber oxigênio. Qual descrição é mais adequada?
A reabilitação aborda capacidade de exercício, sintomas e autocuidado. Oxigênio pode ter indicação própria, mas não define nem substitui o programa de reabilitação. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Treatment. https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd/treatment
Adulto jovem com baixa exposição tabágica tem enfisema panacinar predominante nas bases. Relata parentes com doença pulmonar precoce e um irmão com hepatopatia crônica. Qual condição hereditária melhor integra os achados?
A deficiência pode causar enfisema precoce, frequentemente panacinar e basal, e doença hepática, justificando investigação específica. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Alpha-1 Antitrypsin Deficiency. https://www.nhlbi.nih.gov/health/alpha-1-antitrypsin-deficiency
Na investigação de doença pulmonar, um adulto apresenta concentração sérica reduzida de alfa-1 antitripsina. Qual etapa ajuda a caracterizar a origem hereditária da alteração e orientar a avaliação familiar?
A avaliação genética pode confirmar a alteração hereditária e esclarecer variantes envolvidas. A interpretação integrada também subsidia aconselhamento e investigação de familiares. Referência: NHLBI/NIH. Alpha-1 Antitrypsin Deficiency. https://www.nhlbi.nih.gov/health/alpha-1-antitrypsin-deficiency
Um paciente com enfisema apresenta grande bolha pulmonar que prejudica a mecânica respiratória. Após avaliação especializada, discute-se bulectomia. Qual característica distingue o alvo dessa intervenção de uma ressecção pulmonar indiscriminada?
A bulectomia remove bolhas selecionadas que podem comprometer a ventilação e a mecânica pulmonar. Sua indicação depende de avaliação anatômica e funcional individualizada. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Treatment. https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd/treatment
Na discussão de redução de volume pulmonar para enfisema selecionado, propõe-se implantação de válvula endobrônquica unidirecional. Qual mecanismo corresponde à finalidade do dispositivo?
A válvula unidirecional pode reduzir a hiperinsuflação da região-alvo ao permitir esvaziamento sem reinflação equivalente. A seleção exige avaliação especializada e não se aplica indistintamente a todo enfisema. Referência: NHLBI/NIH. COPD: Treatment. https://www.nhlbi.nih.gov/health/copd/treatment
Um paciente com deficiência grave de alfa-1 antitripsina e enfisema é avaliado para terapia de reposição em contexto especializado. Qual expectativa descreve corretamente a finalidade dessa abordagem?
A reposição procura elevar a quantidade de alfa-1 antitripsina disponível e pode retardar dano pulmonar em pacientes selecionados. Não corrige a variante genética nem reconstrói o parênquima já destruído. Referência: NHLBI/NIH. Alpha-1 Antitrypsin Deficiency. https://www.nhlbi.nih.gov/health/alpha-1-antitrypsin-deficiency
Uma análise usa apenas a CVF para atribuir igual mecanismo à dispneia de A e B. Qual dado melhor corrige o erro em A?

Ar retido aumenta o residual e reduz o volume mobilizável, sem perda obrigatória da capacidade total.
Após broncodilatador, a relação permanece reduzida. Qual dado adicional é necessário antes de atribuir automaticamente a curva à DPOC?

Obstrução persistente pode ocorrer em outras doenças, inclusive asma com remodelamento.
Qual fase do ciclo corresponde ao ramo acima da linha de fluxo zero?

A legenda identifica o ramo positivo como expiratório.
Tabagista com dispneia tem esta curva. Por que a capacidade pulmonar total impede chamar o quadro de distúrbio misto apenas se a CVF também estiver baixa?

Na obstrução, aumento do volume residual pode reduzir CVF sem diminuir CPT.
A relação VEF1/CVF abaixo do limite e a concavidade do ramo expiratório indicam qual distúrbio?

A relação reduzida confirma limitação ao fluxo expiratório.
Após uma hora de VNI bem ajustada, o pH continua caindo, surge incapacidade de proteger a via aérea e a consciência piora. Qual decisão é mais apropriada?

Deterioração e perda de proteção da via aérea não devem ser mascaradas por SpO₂ satisfatória.
Qual tendência da PaCO₂ aparece no gráfico?

A PaCO₂ aumenta de 52 para 78 mmHg.
O paciente fica sonolento durante a evolução. Qual abordagem melhor integra os três painéis?

A saturação alta não impede acidose respiratória progressiva; VNI depende de condições clínicas e capacidade de proteger a via aérea.
Qual alvo inicial de saturação é usual em exacerbação de DPOC com risco de insuficiência respiratória hipercápnica, enquanto se avalia a gasometria?

O alvo busca corrigir hipoxemia sem excesso de oxigênio, com ajuste guiado por gasometria.
Qual explicação é mais adequada para a piora da hipercapnia durante oxigênio excessivo em DPOC?

O mecanismo não se resume à supressão de um único estímulo respiratório.
Em qual doença citada na própria figura a limitação expiratória favorece esse padrão?

A obstrução pode prolongar o esvaziamento pulmonar.
Qual condição é necessária para interpretar adequadamente uma pausa expiratória como medida de PEEP total?

Esforço ativo pode distorcer a pressão medida; a diferença entre PEEP total e aplicada estima auto-PEEP.
Qual nome descreve pressão positiva ao fim da expiração causada por esvaziamento incompleto?

Também chamada PEEP intrínseca, relaciona-se ao aprisionamento.
Paciente com DPOC, hipotensão e essa curva após aumento da frequência programada. Qual ajuste tende a combater o mecanismo de deterioração?

Menor tempo para expirar favorece auto-PEEP, eleva pressão intratorácica e reduz retorno venoso.
O fluxo expiratório ainda abaixo de zero no início do ciclo seguinte sugere qual problema?

O ar continua saindo quando se inicia a próxima inspiração.
O volume residual muito aumentado em A representa principalmente qual fenômeno?

Permanece mais ar após expiração máxima.
Qual distinção anatômica é fundamental antes de indicar drenagem pleural? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Confundir os compartimentos pode levar a procedimento inadequado.
O paciente tem dispneia relevante e compressão de parênquima potencialmente funcional ao redor da bolha. Qual informação é necessária antes de considerar tratamento cirúrgico? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Benefício de intervenção depende da anatomia e da função, não apenas do tamanho visual da bolha.
Qual alteração predomina na tomografia do pulmão direito? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Há grande espaço aéreo intrapulmonar delimitado, com pulmão ao redor.
A radiografia inicial foi interpretada como pneumotórax, mas a TC em paciente estável mostra a anatomia apresentada. Qual conduta evita dano? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Puncionar a bolha pode provocar fístula aérea e outras complicações.
Compare os detalhes alveolares dos dois pulmões. Qual alteração predomina no painel direito? Esquema didático do acervo OsceLabs.

Os espaços coalescem e há menos divisões internas, representação do enfisema.
Qual mudança na mecânica pulmonar é esperada a partir da alteração alveolar à direita? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A destruição septal reduz a retração e o suporte às pequenas vias aéreas, dificultando a expiração.
Dois pacientes têm obstrução semelhante à espirometria. Em um deles predomina a alteração estrutural à direita da figura; no outro, bronquite sem destruição alveolar relevante. Qual resultado adicional é mais esperado no primeiro? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A perda de septos reduz a superfície alveolocapilar, favorecendo redução da DLCO no fenótipo enfisematoso.
Observe também a posição do diafragma no painel direito. Durante exercício, o paciente passa a inspirar antes de esvaziar completamente os pulmões. Qual consequência integra a geometria mostrada e essa mudança dinâmica? Esquema didático do acervo OsceLabs.

Hiperinsuflação estática e dinâmica elevam o volume ao fim da expiração; o diafragma achatado trabalha em condição menos favorável.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
As réguas numéricas, na ordem em que a questão as usa. Diagnóstico: relação VEF1/CVF pós-broncodilatador abaixo de 0,7, repetindo a espirometria na faixa de 0,6 a 0,8. Graus pelo VEF1 em porcentagem do previsto: GOLD 1 igual ou acima de 80, GOLD 2 de 50 a menos de 80, GOLD 3 de 30 a menos de 50, GOLD 4 abaixo de 30. Sintoma: mMRC igual ou maior que 2, CAT igual ou maior que 10. Grupo E: uma exacerbação com internação ou duas moderadas em 12 meses. Corticoide inalatório: eosinófilos iguais ou maiores que 300 indicam, abaixo de 100 contraindicam. Oxigênio domiciliar: PaO2 igual ou menor que 55 mmHg ou saturação igual ou menor que 88% confirmados duas vezes em três semanas, ou 55 a 60 mmHg com hipertensão pulmonar, edema ou hematócrito acima de 55% — no mínimo 15 horas por dia. Exacerbação: corticoide 40 mg por 5 dias, antibiótico por 5 dias, ventilação não invasiva com PaCO2 igual ou maior que 45 mmHg e pH igual ou menor que 7,35.
em 30 dias
As três divergências e o que fazer com cada uma. A da classificação, que é de data: ABCD no GOLD até 2022 e no protocolo brasileiro até novembro de 2025; ABE no GOLD desde 2023 e no Brasil desde a Portaria Conjunta nº 29, de 27 de novembro de 2025; e o corte de uma única exacerbação moderada para o grupo E, que chegou com o GOLD 2026 e ainda não está no texto brasileiro. A do critério espirométrico, entre o corte fixo de 0,7 e o limite inferior da normalidade, que o próprio protocolo recomenda quando possível. E a do antibiótico, entre os critérios explícitos do GOLD com duração de 5 dias e a orientação brasileira de prescrição criteriosa guiada por risco e resistência. Revise junto a farmacologia inteira: a dupla broncodilatação como base dos grupos B e E, as amarras de acesso no SUS (umeclidínio com vilanterol sem exigência de VEF1; tiotrópio com olodaterol e as triplas de dose fixa só em GOLD 3 ou 4 exacerbador), o teto de 800 mcg/dia de corticoide inalatório, e a lista curta do que reduz mortalidade: parar de fumar, oxigenoterapia domiciliar na hipoxemia grave, terapia tripla no exacerbador, vacinação e reabilitação pulmonar.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 67 anos, ex-tabagista pesado, com dispneia progressiva, tosse produtiva e duas exacerbações no último ano; espirometria pós-broncodilatador com VEF1/CVF de 0,52 e VEF1 de 38% do previsto — ambulatório de clínica médica — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
