Ginecologia e Obstetrícia › Pré-natal, rastreios e intercorrências clínicas da gestação
Diagnóstico de gravidez, idade gestacional e data provável do parto
Diagnóstico de gravidez e cálculo de idade gestacional/DPP (regra de Naegele)
A prova entrega uma DUM, uma data de consulta e às vezes um ultrassom, e cobra três coisas: confirmar a gravidez, dizer a semana e dizer o dia. Errar a semana estraga toda a conduta que vem depois.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 32 anos, gestante, comparece à consulta e questiona sobre exames de rotina. Sabe-se que a determinação da idade gestacional por ultrassonografia é mais precisa quando realizada em qual período da gestação?
Como esse tema cai
Este é o tema em que a questão é aritmética e a aritmética tem dono. A banca raramente pergunta o que é a regra de Naegele: ela entrega uma data de última menstruação, uma data de consulta e, às vezes, um ultrassom, e cobra um número — a idade gestacional em semanas e dias, a data provável do parto, ou uma conduta que só existe naquela faixa de semanas. Quem erra a conta não erra só a conta: erra a janela do rastreio, erra a indicação de corticoide, erra o momento de encaminhar por pós-datismo.
O capítulo cobre duas perguntas encadeadas: como se confirma uma gravidez na porta da unidade básica e como se estabelece a data dessa gravidez. Sangramento de primeiro trimestre, gravidez ectópica e abortamento têm capítulos próprios e não são invadidos aqui; a rotina de exames do pré-natal também. O que fica é o que a prova cobra sempre e o serviço usa todo dia.
A régua operacional brasileira é o Caderno de Atenção Básica nº 32, do Ministério da Saúde, de 2012 — é ele que diz a partir de quantos dias de atraso se testa, o que se faz com teste negativo, como se calcula a semana e como se calcula o dia. Onde ele é silencioso, e ele é silencioso justamente no ponto mais cobrado das provas mais recentes — de quantos dias de diferença o ultrassom passa na frente da última menstruação —, quem fixa o número é o corpo internacional. Saber de qual dos dois mundos veio o enunciado é metade da resposta.
O que muda decisão
A porta de entrada: mais de 15 dias de atraso abre o protocolo
O documento brasileiro fixa um gatilho numérico e o coloca na mão da equipe: toda mulher da área de abrangência com história de atraso menstrual de mais de 15 dias deve ser orientada a realizar o teste imunológico de gravidez, solicitado pelo médico ou pelo enfermeiro. O teste rápido de gravidez está entre os testes rápidos que a unidade básica precisa garantir, ao lado dos de sífilis, HIV e proteinúria — a ideia é que a confirmação aconteça na própria consulta de acolhimento, sem etapa intermediária de laboratório, porque cada semana perdida aqui é uma semana a menos de pré-natal.
O fluxograma do caderno tem um desenho simples e cobrável. Mulher com suspeita de gravidez — atraso menstrual, náusea, suspensão ou irregularidade do uso do contraceptivo, ou desejo de engravidar — passa por consulta de acolhimento em que se avaliam três coisas: o ciclo menstrual e a data da última menstruação, a atividade sexual e o uso de método contraceptivo. Se o atraso for maior que 15 dias, faz-se o beta-hCG urinário, o teste rápido. Positivo, a gravidez está confirmada e a mulher é captada para o pré-natal: cadastro no sistema, cartão da gestante preenchido, exames solicitados, testes rápidos de sífilis e HIV feitos ali, avaliação de risco gestacional. Negativo, repete-se o beta-hCG em 15 dias; persistindo negativo, investigam-se outras causas de irregularidade menstrual.
Repare no que o número 15 é e no que ele não é: é o limiar para testar, não para diagnosticar. Ele existe para evitar que a unidade gaste teste em atraso de dois dias e, principalmente, para que a mulher não seja mandada embora com um “volte quando o atraso for maior”. As queixas que costumam acompanhar são atraso menstrual, fadiga, mastalgia, aumento da frequência urinária e enjoos ou vômitos matinais.
Presunção, probabilidade e certeza: a divisão que a banca ainda cobra
O caderno organiza os achados em três degraus, e a prova cobra o degrau, não a lista inteira. São sinais de presunção o atraso menstrual, as manifestações clínicas (náuseas, vômitos, tonturas, salivação excessiva, mudança de apetite, aumento da frequência urinária, sonolência) e as modificações anatômicas — aumento do volume das mamas, hipersensibilidade nos mamilos, tubérculos de Montgomery, saída de colostro pelo mamilo, coloração violácea vulvar, cianose vaginal e cervical, aumento do volume abdominal.
São sinais de probabilidade o amolecimento da cérvice uterina com posterior aumento do seu volume, as paredes vaginais aumentadas com aumento da vascularização — a ponto de se observar pulsação da artéria vaginal nos fundos de saco laterais — e a positividade da fração beta do hCG no soro materno a partir do oitavo ou nono dia após a fertilização.
São sinais de certeza apenas três: a presença de batimentos cardíacos fetais, detectados pelo sonar a partir de 12 semanas e pelo Pinard a partir de 20; a percepção dos movimentos fetais, de 18 a 20 semanas; e a ultrassonografia, em que o saco gestacional aparece por via transvaginal com 4 a 5 semanas e a atividade cardíaca — primeira manifestação do embrião — com 6 semanas.
Aqui mora a pegadinha mais rentável do tema: o beta-hCG positivo é sinal de probabilidade, não de certeza. É contraintuitivo, porque na prática ninguém duvida de um beta positivo, e é exatamente por isso que a alternativa é atrativa. A lógica da classificação é anatômica e não estatística — só é “certeza” o que demonstra o concepto, não o que demonstra o hormônio, que em tese pode vir de outra fonte trofoblástica.
Os epônimos clássicos continuam aparecendo em enunciado e se encaixam nessa mesma grade. Hegar é o amolecimento do istmo, que permite quase dobrar o corpo sobre o colo ao toque bimanual. Piskacek é a assimetria do útero pela implantação em um dos cornos. Osiander é a percepção da pulsação da artéria vaginal nos fundos de saco. Nobile-Budin é o preenchimento dos fundos de saco pelo útero globoso. Jacquemier ou Chadwick é a coloração violácea da vulva e da vagina. Puzos é o rechaço fetal intrauterino ao toque, por volta de 14 a 16 semanas. Todos são de presunção ou de probabilidade — nenhum é de certeza.
Beta-hCG: os números que decidem, e o que ele não faz
O beta-hCG pode ser detectado no sangue periférico entre 8 e 11 dias após a concepção, e seus níveis plasmáticos sobem rapidamente até um pico entre 60 e 90 dias de gravidez. A maioria dos testes tem sensibilidade para detecção entre 25 e 30 mUI/mL. Do ponto de vista prático, valores menores que 5 mUI/mL são considerados negativos e acima de 25 mUI/mL são considerados positivos; a faixa entre 2 e 25 mUI/mL é onde ocorrem resultados falso-positivos. Esses quatro números — 5, 25, 25 a 30 e 60 a 90 dias — são o que a questão de laboratório costuma cobrar.
O teste imunológico de gravidez é descrito pelo documento como o método mais sensível e confiável, ainda que caro. E há uma advertência que muda conduta: alguns testes urinários têm baixa taxa de resultados falso-positivos, mas taxa elevada de falso-negativos — ou seja, um teste de urina negativo em mulher com amenorreia persistente não encerra o assunto e atrasa o início do pré-natal se for tratado como ponto final. Daí a instrução do fluxograma de repetir em 15 dias, e não de simplesmente devolver a mulher para casa.
O que o beta-hCG não faz é datar. Não existe correspondência utilizável entre um valor absoluto e uma semana de gestação: as faixas de normalidade se sobrepõem de forma tão ampla entre semanas vizinhas que o número isolado não estima idade gestacional. O beta seriado tem outro papel — avaliar se a gestação está evoluindo, o que interessa ao diagnóstico diferencial de ectópica e de abortamento, temas de outros capítulos. Quem transforma “beta de 30.000” em “oito semanas” está inventando uma régua que não existe.
Há ainda um atalho legítimo: se o atraso menstrual for superior a 12 semanas, o diagnóstico de gravidez pode ser feito pelo exame clínico e o teste imunológico torna-se desnecessário. Em gestações mais avançadas, cerca de 90% dos diagnósticos se fazem por sinais, sintomas e exame físico. O útero já é palpável no abdome e o sonar já pega o coração fetal.
DUM é o primeiro dia do sangramento — e essa frase vale ponto
A data da última menstruação corresponde ao primeiro dia de sangramento do último ciclo menstrual referido pela mulher. Não é o dia em que o sangramento acabou, não é o dia em que ele ficou mais intenso. Trocar isso desloca a idade gestacional em três a sete dias — o suficiente para mudar a resposta de uma questão e, na vida real, o suficiente para colocar ou tirar uma gestante da janela de um exame.
O caderno é explícito sobre quando essa referência é boa: a última menstruação é o método de escolha para calcular a idade gestacional em mulheres com ciclos menstruais regulares e sem uso de métodos anticoncepcionais hormonais. Os dois qualificadores não são ornamento. A conta de 280 dias assume ovulação por volta do 14º dia do ciclo; num ciclo de 35 dias a ovulação acontece por volta do 21º, e a data provável do parto calculada pela regra clássica sai sistematicamente adiantada em cerca de uma semana. Depois de suspender anticoncepcional hormonal, de um parto recente ou durante a amamentação, o primeiro sangramento pode não corresponder a um ciclo ovulatório, e a data referida deixa de significar o que a fórmula supõe.
A correção para ciclos diferentes de 28 dias é aritmética simples: soma-se à data provável do parto a diferença entre a duração do ciclo e 28 dias. Ciclo de 35 dias, sete dias a mais; ciclo de 24, quatro dias a menos. O documento brasileiro não traz essa correção — ele resolve o problema por outro caminho, restringindo o uso da última menstruação a quem tem ciclo regular e mandando datar por ultrassom quando não for possível determinar a idade clinicamente. Na prova, a correção aparece com o comprimento do ciclo dito no enunciado; quando o enunciado diz “ciclos irregulares”, o que ele está sinalizando é que a data referida não serve e que a resposta está no ultrassom.
Idade gestacional: calendário, gestograma e a divisão por sete
Com a data da última menstruação conhecida e certa, há dois métodos, e os dois estão no caderno. O do calendário: some o número de dias do intervalo entre a última menstruação e a data da consulta e divida o total por sete — o quociente são as semanas completas e o resto são os dias. O do disco: o gestograma, que é equipamento obrigatório da unidade básica; coloca-se a seta sobre o dia e o mês do primeiro dia do último ciclo e lê-se o número de semanas indicado no dia e mês da consulta.
A idade gestacional se escreve sempre em semanas e dias, nunca em meses. Nove semanas e seis dias é uma informação; “dois meses e meio” não é, porque não permite comparar com nenhuma das janelas que governam o pré-natal. Essa notação também é a que aparece nos cortes internacionais, escritos como 13 6/7 ou 8 6/7 — leia-se treze semanas e seis dias, oito semanas e seis dias.
Os trimestres, na divisão que o restante do tema usa, vão até 13 semanas e 6 dias o primeiro, de 14 semanas a 27 semanas e 6 dias o segundo, e de 28 semanas em diante o terceiro. Não é uma divisão em três partes iguais de 13 semanas, e essa assimetria é proposital: os cortes acompanham o que muda de conduta, não o calendário.
Quando a DUM some: dias 5, 15 e 25, e depois o útero
Se a mulher não lembra a data mas lembra o período do mês, o caderno fixa uma convenção: início, meio ou fim do mês viram, respectivamente, os dias 5, 15 e 25. Feito isso, aplica-se qualquer um dos métodos anteriores. É uma aproximação assumida, e o texto a trata como tal — o objetivo é não deixar a gestante sem nenhuma estimativa enquanto não há ultrassom.
Quando nem a data nem o período são conhecidos, a idade gestacional e a data provável do parto são determinadas por aproximação, basicamente pela medida da altura do fundo uterino e pelo toque vaginal, somadas à informação sobre o início dos movimentos fetais, que habitualmente ocorre entre 18 e 20 semanas. Os parâmetros do documento formam uma escala que vale decorar: até a 6ª semana não há alteração do tamanho uterino; na 8ª o útero corresponde ao dobro do tamanho normal; na 10ª, a três vezes o habitual; na 12ª enche a pelve, de modo que é palpável na sínfise púbica; na 16ª o fundo uterino está entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical; na 20ª está na altura da cicatriz umbilical.
A partir da 20ª semana existe relação direta entre as semanas de gestação e a medida da altura uterina em centímetros — é daí que sai a regra de bolso de que os dois números andam juntos. Esse parâmetro, porém, torna-se menos fiel a partir da 30ª semana. E há uma instrução de fechamento: quando não for possível determinar clinicamente a idade gestacional, solicite o mais precocemente possível a ultrassonografia obstétrica. Precocemente, aqui, é literal — cada semana de espera piora a precisão do exame que se vai pedir.
Vale separar dois usos que a prova mistura de propósito. Altura uterina para datar só é aceitável quando não há última menstruação nem ultrassom. Altura uterina numa gestante já datada não data nada: ela avalia crescimento, e uma discordância entre a altura medida e a idade conhecida é suspeita de restrição de crescimento, de oligoâmnio, de polidrâmnio ou de erro de técnica — não é motivo para mudar a data.

Regra de Naegele: soma 7, subtrai 3 — e o mês que estoura
A data provável do parto se calcula pela duração média da gestação normal: 280 dias, ou 40 semanas, contados a partir da última menstruação. Com o gestograma, basta girar o disco. Sem ele, usa-se a regra de Näegele, que o caderno escreve assim: somar sete dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrair três meses ao mês em que ela ocorreu — ou adicionar nove meses, se o mês corresponder a janeiro, fevereiro ou março.
A cláusula que separa quem decorou de quem entendeu é a do dia que passa do fim do mês: nos casos em que o número de dias encontrado for maior do que o número de dias do mês, passe os dias excedentes para o mês seguinte, adicionando 1 ao final do cálculo do mês. Em outras palavras, o dia excedente “empurra” o mês.
Os três exemplos do próprio documento cobrem os três casos. Última menstruação em 13 de setembro: 13 + 7 = 20 e 9 − 3 = 6, data provável do parto em 20 de junho do ano seguinte. Última menstruação em 10 de fevereiro: 10 + 7 = 17 e, por ser fevereiro, 2 + 9 = 11, data provável em 17 de novembro do mesmo ano. Última menstruação em 27 de janeiro: 27 + 7 = 34, e como janeiro tem 31 dias, 34 − 31 = 3, restando o mês 1 + 9 + 1 = 11 — data provável em 3 de novembro.
Duas observações fecham a mecânica. Quando se subtrai três do mês e o resultado é zero ou negativo, o ano é o mesmo e o mês vira outubro, novembro ou dezembro do ano anterior — situação que não aparece na prática porque toda última menstruação de janeiro a março usa a soma de nove. E quando se subtrai três, o parto cai no ano seguinte: é o erro de distração mais comum das questões que pedem a data completa.
O ultrassom: a janela que fecha e a margem que cresce
O próprio caderno reconhece o limite da última menstruação com um número desconfortável: de 11% a 42% das idades gestacionais estimadas por ela são incorretas. Por isso ele oferece o ultrassom quando possível, com uma instrução técnica precisa — idealmente entre 10 e 13 semanas, usando o comprimento cabeça-nádega para determinar a idade gestacional; a partir da 15ª semana, a estimativa passa a ser feita pela medida do diâmetro biparietal. E, na lista de exames da primeira consulta, ele aparece com uma ressalva escrita: ultrassonografia obstétrica, não obrigatória, com a função de verificar a idade gestacional.
A frase seguinte é a mais citada do tema inteiro: os possíveis benefícios da ultrassonografia de rotina durante a gestação sobre outros resultados permanecem incertos, de modo que a não realização deste exame não constitui omissão nem diminui a qualidade do pré-natal. Ela é de 2012 e diz respeito a desfecho perinatal, não a datação — o caderno não afirma que o ultrassom data pior; afirma que fazer rotina de ultrassom não demonstrou melhorar desfecho. A distinção é fina e é justamente ela que a questão explora.
A sociedade brasileira da especialidade tem posição mais recente e mais afirmativa. Para a Febrasgo, o mínimo são duas ultrassonografias: uma transvaginal entre 11 e 13 semanas e 6 dias, e uma abdominal, com complemento transvaginal quando indicado, entre 20 e 23 semanas e 6 dias. A primeira é descrita como o que permite a datação mais precisa da gestação, sua localização e a determinação do número de fetos — e é na mesma janela que se mede a translucência nucal, com o comprimento cabeça-nádega entre 45 e 84 mm.
A margem de erro do ultrassom cresce com a idade gestacional, e é isso que sustenta toda a lógica de redatação. No primeiro trimestre o comprimento cabeça-nádega é a medida mais precisa que existe para datar; acima de 84 mm ele deixa de ser confiável e passa-se à biometria — diâmetro biparietal, circunferência cefálica, circunferência abdominal, comprimento do fêmur. Como a variação biológica de tamanho entre fetos aumenta com o tempo, um exame de terceiro trimestre praticamente não data: ele mede crescimento.
Há uma regra prática que decorre disso e que a prova adora: a datação se estabelece uma vez e não se mexe mais. Fixada a idade gestacional pelo primeiro exame confiável, os ultrassons seguintes avaliam crescimento, líquido e anatomia — nenhum deles redata. Gestante que muda de data a cada exame termina com uma idade gestacional que não corresponde a nada.
Termo, pré-termo, pós-termo: onde a semana vira conduta
Pré-termo é toda gestação que termina antes de 37 semanas completas. Termo vai de 37 semanas a 41 semanas e 6 dias, e essa faixa é subdividida em termo precoce (37 semanas a 38 semanas e 6 dias), termo pleno (39 semanas a 40 semanas e 6 dias) e termo tardio (41 semanas a 41 semanas e 6 dias). Pós-termo é a partir de 42 semanas. A subdivisão do termo existe porque os desfechos neonatais do termo precoce são mensuravelmente piores que os do termo pleno — é o argumento contra a cesariana eletiva marcada com 38 semanas.
No Brasil, porém, a semana que dispara conduta não é 42, é 41. O caderno determina que toda gestante com 41 semanas seja encaminhada para avaliação do bem-estar fetal, incluindo avaliação do índice de líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal, e lista “idade gestacional a partir de 41 semanas confirmadas” entre os fatores de risco que indicam encaminhamento à urgência ou emergência obstétrica. Gestante com 41 semanas ainda não é pós-termo, e mesmo assim já não fica em observação na unidade básica.
Repare no adjetivo: 41 semanas confirmadas. Encaminhar por pós-datismo uma gestante cuja idade veio de uma última menstruação duvidosa é o desfecho mais concreto de uma datação ruim — indução de parto, ocupação de leito e risco de prematuridade iatrogênica em cima de uma conta errada.
O calendário de consultas do pré-natal também é lido em semanas: mensalmente até a 28ª semana, quinzenalmente da 28ª à 36ª e semanalmente no termo.
O que quebra quando a data está errada
Praticamente todo o pré-natal é uma agenda indexada por semana, e uma datação deslocada em dez dias desalinha a agenda inteira. A translucência nucal só é mensurável entre 11 e 13 semanas e 6 dias — fora disso o exame simplesmente não é feito. O teste oral de tolerância à glicose com 75 g tem janela de 24 a 28 semanas. A pesquisa de estreptococo do grupo B é colhida no fim da gestação, e colhida cedo demais perde valor preditivo para o parto.
Do lado das intervenções, a corticoterapia antenatal para maturação pulmonar tem indicação por faixa de idade gestacional, e aplicá-la fora da faixa é ou perder o benefício ou expor sem indicação. A decisão de tocólise, a definição de viabilidade e o limite a partir do qual não se interrompe o trabalho de parto prematuro dependem, todos, de uma semana correta.
Há também o efeito silencioso sobre a leitura do crescimento. Peso fetal estimado e altura uterina são interpretados contra a idade gestacional; se a idade está superestimada, um feto normal vira suspeita de restrição, e se está subestimada, uma restrição verdadeira passa como feto adequado. É por isso que a datação bem-feita no primeiro trimestre é a intervenção de melhor custo-benefício do pré-natal inteiro: ela não trata nada e melhora a interpretação de tudo.
Da suspeita à data provável do parto, sem pular etapa
O fluxo abaixo é o caminho fechado, da consulta de acolhimento até a data escrita no cartão. Os cards abrem a única escala verdadeiramente ordinal do tema — a classificação da gestação pela idade em que ela termina, que é o que transforma semana em conduta. A primeira tabela compara os métodos de datação pelo que interessa: quando cada um vale e onde cada um erra. A segunda traz os cortes numéricos de redatação por faixa de idade gestacional, que é o ponto em que o corpo internacional preenche um silêncio do documento brasileiro. A terceira reúne os marcos do exame físico para a gestante que chega sem data e sem exame.
- 1Consulta de acolhimento: avalie o ciclo menstrual e a data da última menstruação, a atividade sexual e o uso de método contraceptivo.
- 2Atraso menstrual maior que 15 dias: faça o teste rápido de gravidez na própria unidade. Atraso maior que 12 semanas: o diagnóstico pode ser clínico, com ausculta dos batimentos cardiofetais, e o teste é dispensável.
- 3Teste negativo com amenorreia persistente: repita em 15 dias. Persistindo negativo, investigue outras causas de irregularidade menstrual.
- 4Teste positivo: gravidez confirmada. Cadastre a gestante, preencha o cartão, solicite os exames da primeira consulta, faça os testes rápidos de sífilis e HIV e classifique o risco gestacional.
- 5Date pela última menstruação se ela for conhecida, certa, com ciclos regulares e sem uso de anticoncepcional hormonal: divida por sete o intervalo em dias até a consulta, ou use o gestograma.
- 6Última menstruação desconhecida mas com período do mês lembrado: use os dias 5, 15 ou 25 conforme início, meio ou fim do mês, e siga o cálculo.
- 7Sem data e sem período: estime por altura uterina, toque vaginal e início dos movimentos fetais, e solicite ultrassonografia obstétrica o mais precocemente possível.
- 8Calcule a data provável do parto: 280 dias a partir da última menstruação, pelo gestograma ou pela regra de Näegele (soma 7 ao dia; subtrai 3 do mês, ou soma 9 se for de janeiro a março; dia excedente passa para o mês seguinte somando 1 ao mês).
- 9Havendo ultrassonografia de primeiro trimestre, compare as duas datas e aplique o corte da faixa correspondente: acima do limite, a idade gestacional passa a ser a do exame e a data provável do parto é recalculada.
- 10Registre a idade gestacional e a data provável do parto no cartão da gestante e não as altere nos exames seguintes — dali em diante, ultrassom avalia crescimento, não data.
Pré-termo — antes de 37 semanas
Parto antes de 37 semanas completas. É a faixa em que a idade gestacional decide corticoterapia antenatal, tocólise, local do parto e necessidade de leito neonatal — e em que uma datação errada custa mais caro.
Termo precoce — 37 semanas a 38 semanas e 6 dias
Já é termo, mas com desfecho neonatal mensuravelmente pior que o do termo pleno. É o degrau que sustenta a recusa de cesariana eletiva sem indicação nessa faixa.
Termo pleno — 39 semanas a 40 semanas e 6 dias
A faixa de melhor desfecho neonatal e a referência para programar qualquer interrupção eletiva. A data provável do parto, 40 semanas exatas, cai dentro dela.
Termo tardio — 41 semanas a 41 semanas e 6 dias
Ainda é termo pela nomenclatura, e já é encaminhamento pela régua brasileira: com 41 semanas confirmadas, a gestante vai para avaliação do bem-estar fetal, com índice de líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal.
Pós-termo — 42 semanas ou mais
A partir de 42 semanas completas. Na prática brasileira quase não se chega aqui com datação confiável, porque a conduta foi disparada uma semana antes; quando se chega, costuma ser gestação mal datada.
| Método | Quando vale | O que entrega | Onde erra |
|---|---|---|---|
| Data da última menstruação (primeiro dia do sangramento) | Ciclos regulares, sem uso de anticoncepcional hormonal, data lembrada com certeza | Idade gestacional em semanas e dias pelo calendário ou gestograma, e data provável do parto pela regra de Näegele | Ciclo diferente de 28 dias, sangramento de escape confundido com menstruação, memória imprecisa; de 11% a 42% das estimativas por este método são incorretas |
| Convenção dos dias 5, 15 e 25 | A mulher lembra apenas se foi início, meio ou fim do mês | Uma estimativa provisória, suficiente para iniciar o pré-natal | É aproximação assumida; deve ser substituída por ultrassom assim que possível |
| Ultrassonografia com comprimento cabeça-nádega | Primeiro trimestre; o caderno do Ministério da Saúde indica idealmente de 10 a 13 semanas, a Febrasgo de 11 a 13 semanas e 6 dias | A datação mais precisa que existe, além de localização da gestação e número de fetos | Acima de 84 mm de comprimento cabeça-nádega a medida perde confiabilidade e passa-se à biometria |
| Ultrassonografia com biometria (diâmetro biparietal, circunferências e fêmur) | A partir da 15ª semana, quando não houve exame de primeiro trimestre | Estimativa de idade gestacional com margem crescente | Quanto mais tarde, mais a variação biológica de tamanho contamina a estimativa; no terceiro trimestre o exame mede crescimento, não data |
| Altura uterina, toque vaginal e início dos movimentos fetais | Sem data, sem período do mês e sem ultrassom disponível | Faixa aproximada de semanas pelos marcos anatômicos | Torna-se menos fiel a partir da 30ª semana e é confundida com avaliação de crescimento em gestante já datada |
| Beta-hCG quantitativo | Confirmação diagnóstica e avaliação de evolutividade | Confirma a gravidez; valores acima de 25 mUI/mL são positivos e abaixo de 5 mUI/mL, negativos | Não estima idade gestacional: as faixas se sobrepõem demais entre semanas vizinhas |
Quando o ultrassom passa na frente da última menstruação — cortes por faixa de idade gestacional
| Idade gestacional pelo ultrassom | Medida usada | Redata a data provável do parto se a diferença passar de |
|---|---|---|
| Até 8 semanas e 6 dias | Comprimento cabeça-nádega | 5 dias |
| De 9 a 13 semanas e 6 dias | Comprimento cabeça-nádega | 7 dias |
| De 14 a 15 semanas e 6 dias | Biometria (biparietal, circunferências, fêmur) | 7 dias |
| De 16 a 21 semanas e 6 dias | Biometria | 10 dias |
| De 22 a 27 semanas e 6 dias | Biometria | 14 dias |
| 28 semanas ou mais | Biometria | 21 dias, e com cautela: nessa faixa a diferença costuma significar alteração de crescimento, não erro de data |
Datação sem última menstruação e sem ultrassom: o que o útero informa
| Semana | Achado ao exame |
|---|---|
| Até a 6ª | Sem alteração do tamanho uterino |
| 8ª | Útero com o dobro do tamanho normal |
| 10ª | Útero com três vezes o tamanho habitual |
| 12ª | Útero enche a pelve e é palpável na sínfise púbica; batimentos audíveis ao sonar |
| 16ª | Fundo uterino entre a sínfise púbica e a cicatriz umbilical |
| 18ª a 20ª | Início da percepção dos movimentos fetais pela gestante |
| 20ª | Fundo uterino na altura da cicatriz umbilical; batimentos audíveis ao Pinard |
| Da 20ª à 30ª | Relação direta entre a medida da altura uterina em centímetros e as semanas de gestação |
| Após a 30ª | A altura uterina perde fidelidade como estimativa de idade gestacional |
Semanas e dias, sempre — e escrever a data provável do parto por extenso no cartão da gestante, com dia, mês e ano. Data provável de parto sem ano é a origem mais banal de erro de conduta no terceiro trimestre.
A datação é decisão única. Estabelecida pelo primeiro exame confiável, ela não muda nos ultrassons seguintes; discordância tardia é informação sobre crescimento fetal.
Gestação obtida por reprodução assistida não usa nenhuma dessas contas: a idade gestacional sai da idade do embrião e da data da transferência, que são conhecidas com precisão de horas.
O corte de 41 semanas do documento brasileiro exige o adjetivo “confirmadas”. Sem datação confiável, o encaminhamento por pós-datismo pode estar disparando indução em gestação de 39 semanas.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
A última menstruação certa é o método de escolha, e o ultrassom é oferta condicionada — Ministério da Saúde, 2012
O caderno afirma que a data da última menstruação é o método de escolha para calcular a idade gestacional em mulheres com ciclos regulares e sem uso de anticoncepcional hormonal, e coloca a ultrassonografia como exame que pode ser oferecido quando possível, com a função de verificar a idade gestacional. Na lista de exames da primeira consulta ela aparece marcada como não obrigatória, e o texto registra que a não realização do exame não constitui omissão nem diminui a qualidade do pré-natal. Nenhum limite numérico de diferença entre as duas datas é fixado: o documento manda solicitar ultrassom quando não é possível determinar clinicamente a idade gestacional, e não descreve o que fazer quando os dois métodos existem e discordam.
Ministério da Saúde, Atenção ao pré-natal de baixo risco, Cadernos de Atenção Básica nº 32, 2012, itens 5.1, 5.4.4 e 5.5.
O ultrassom de primeiro trimestre é o método mais preciso e redata acima de cortes fixos — American College of Obstetricians and Gynecologists, American Institute of Ultrasound in Medicine e Society for Maternal-Fetal Medicine, 2017
O parecer trata a medida do embrião ou feto no primeiro trimestre como o método mais acurado para estabelecer ou confirmar a idade gestacional e publica cortes por faixa: a data provável do parto é alterada quando a diferença em relação à última menstruação passa de 5 dias até 8 semanas e 6 dias, de 7 dias de 9 a 13 semanas e 6 dias, de 7 dias de 14 a 15 semanas e 6 dias, de 10 dias de 16 a 21 semanas e 6 dias, de 14 dias de 22 a 27 semanas e 6 dias e de 21 dias a partir de 28 semanas. Uma gestação que chega a 22 semanas sem exame que confirme ou revise a data é classificada como subotimamente datada.
ACOG, AIUM e SMFM, Committee Opinion nº 700 — Methods for Estimating the Due Date, Obstetrics & Gynecology, 2017.
Na prova
A distância entre os dois textos é de causa econômica e de data, não de mérito: o documento brasileiro é de 2012, foi escrito para uma rede em que a ultrassonografia de primeiro trimestre não estava garantida em toda unidade básica, e a frase sobre omissão protege a equipe que não tem o exame disponível — ela não afirma que a última menstruação data melhor. Onde o exame existe, a sociedade brasileira da especialidade já se posiciona junto do corpo internacional. Para identificar o recorte: cenário de unidade básica, rotina do pré-natal de baixo risco, exame indisponível ou menção nominal ao Ministério da Saúde puxam a régua nacional, e enunciados assim costumam terminar em conduta de captação e datação clínica. Cenário com ultrassonografia já realizada e laudo transcrito, comprimento cabeça-nádega em milímetros, notação em semanas e dias no formato 8 6/7, ou menção a discrepância em dias, puxam a régua internacional — e nesse caso as próprias alternativas denunciam o mundo, porque uma delas trará um número de dias de tolerância que só existe naquela tabela. Prova oficial do MEC tende a conduta do SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Ao menos duas ultrassonografias transvaginais no primeiro quadrimestre e ecocardiograma fetal na rotina — Lei nº 14.598, de 14 de junho de 2023
A lei obriga a rede pública a incluir no protocolo de assistência às gestantes a realização de ecocardiograma fetal no pré-natal e de pelo menos dois exames de ultrassonografia transvaginal durante o primeiro quadrimestre de gestação, com encaminhamento para tratamento caso se constate alteração que coloque a gestação em risco. É norma legal, não diretriz clínica, e não descreve janelas em semanas nem indicação por risco.
Lei nº 14.598, de 14 de junho de 2023, publicada no Diário Oficial da União em 15 de junho de 2023.
Uma ultrassonografia de 11 a 13 semanas e 6 dias e outra de 20 a 23 semanas e 6 dias, com ecocardiografia fetal apenas por fator de risco — Febrasgo, 2023
A federação brasileira da especialidade sustenta que o exigido pela lei não está alinhado às recomendações científicas vigentes e defende como mínimo duas ultrassonografias: uma transvaginal entre 11 e 13 semanas e 6 dias, que é o que data a gestação com maior precisão, localiza-a, conta os fetos e mede a translucência nucal, e uma abdominal, com complemento transvaginal, entre 20 e 23 semanas e 6 dias, para morfologia, crescimento, placenta e comprimento do colo. Sobre a ecocardiografia fetal, sustenta indicação restrita às gestantes com fatores de risco.
Febrasgo, Posicionamento em relação à Lei 14.598, 19 de junho de 2023.
Ultrassonografia não obrigatória na rotina do pré-natal de baixo risco — Ministério da Saúde, 2012
Na lista de exames complementares da primeira consulta, a ultrassonografia obstétrica aparece marcada entre parênteses como não obrigatória, com a função de verificar a idade gestacional, acompanhada da afirmação de que os benefícios da ultrassonografia de rotina sobre outros desfechos permanecem incertos.
Ministério da Saúde, Atenção ao pré-natal de baixo risco, Cadernos de Atenção Básica nº 32, 2012, item 5.4.4.
Na prova
Este é um caso raro e valioso de documento brasileiro contra documento brasileiro, com três datas na mesa: 2012, junho de 2023 e junho de 2023. A lei foi construída no Congresso e a sociedade da especialidade publicou nota contrária poucos dias depois, apontando ausência de respaldo científico para duas transvaginais no primeiro quadrimestre e para ecocardiografia fetal universal — a divergência não é entre Brasil e exterior, é entre norma legal e diretriz clínica dentro do mesmo país. Para identificar o recorte: expressões como “primeiro quadrimestre”, “ecocardiograma fetal para todas as gestantes” ou citação de número de lei no enunciado sinalizam a norma; janelas escritas em semanas e dias, translucência nucal e comprimento do colo sinalizam a sociedade; e enunciado que fale em rotina mínima garantida na unidade básica, sem janela, costuma estar no texto de 2012. Um distrator que ofereça duas transvaginais no primeiro trimestre só faz sentido no mundo da lei, e é isso que entrega o recorte da questão.
Caso resolvido
- achado
- Atraso menstrual com mais de 15 dias, sintomas neurovegetativos e teste rápido positivo em mulher com data da última menstruação conhecida, certa, ciclos regulares e sem anticoncepcional hormonal — exatamente a situação em que o documento brasileiro define a última menstruação como método de escolha para datar.
- idade gestacional
- Conte os dias entre 13 de setembro e 21 de novembro: 17 dias restantes de setembro, mais 31 de outubro, mais 21 de novembro, total de 69 dias. Divida por sete: 9 semanas e 6 dias. Repare que o exame físico é coerente — com menos de 12 semanas o útero ainda não é palpável no abdome.
- data provável do parto
- Pela regra de Näegele: 13 + 7 = 20 no dia; setembro é o mês 9, e 9 − 3 = 6. Data provável do parto em 20 de junho de 2026 — mês subtraído, portanto ano seguinte. Anote no cartão da gestante com o ano por extenso.
- conduta
- Confirme a gravidez como diagnóstico e capte a gestante: cadastro, cartão preenchido, exames da primeira consulta, testes rápidos de sífilis e HIV na própria unidade, classificação de risco gestacional, sulfato ferroso e ácido fólico, e agendamento mensal até a 28ª semana.
- janela que fecha
- Solicite a ultrassonografia obstétrica com prioridade: com 9 semanas e 6 dias, restam cerca de três semanas até o fim da janela de maior precisão da datação e da medida da translucência nucal. Encaminhamento que demora dois meses transforma o exame de datação em exame de crescimento.
Agora feche você
- achado
- Duas datações disponíveis e discordantes: 7 semanas e 3 dias pela última menstruação contra 8 semanas e 2 dias pelo comprimento cabeça-nádega, no mesmo dia — diferença de 6 dias. E dois sinais de que a data referida não preenche os requisitos do método: ciclos irregulares e suspensão recente de anticoncepcional hormonal.
- data provável do parto pela última menstruação
- Pela regra de Näegele: 27 + 7 = 34, e como janeiro tem 31 dias, 34 − 31 = 3 e soma-se 1 ao mês; janeiro é mês 1, e 1 + 9 + 1 = 11. Data provável do parto em 3 de novembro de 2026.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Contar a última menstruação pelo dia em que o sangramento terminou Atrai porque é o que a paciente costuma lembrar melhor, e porque “última menstruação” soa como o fim dela. A definição é o primeiro dia de sangramento do último ciclo. O erro desloca a idade gestacional em três a sete dias — o bastante para tirar a gestante da janela da translucência nucal e para mudar a alternativa correta.
- 2Somar sete ao dia e esquecer o dia que estoura o mês Atrai porque a regra é ensinada como “soma 7, subtrai 3” e o terceiro passo fica de fora. Quando o dia passa do total de dias do mês, os excedentes vão para o mês seguinte e soma-se 1 ao mês. É exatamente o caso de última menstruação em 27 de janeiro: 34 vira 3, e o mês vira 11, não 10.
- 3Usar a soma de nove meses fora de janeiro, fevereiro e março Atrai porque somar nove parece mais fácil do que subtrair três e trocar o ano. Somar nove só vale quando a última menstruação foi de janeiro a março, casos em que o parto cai no mesmo ano civil. Fora disso, subtrai-se três e o parto cai no ano seguinte — e a questão que pede a data completa costuma ter um distrator com o ano errado.
- 4Tratar o beta-hCG positivo como sinal de certeza de gravidez Atrai porque na prática o beta positivo encerra a discussão. Na classificação que a banca cobra, ele é sinal de probabilidade: só entram como certeza os batimentos cardiofetais, a percepção dos movimentos fetais e a visualização ultrassonográfica. É a alternativa mais marcada nas questões de sinais de gravidez.
- 5Redatar a gestação pelo ultrassom de terceiro trimestre Atrai porque o exame é mais recente e traz um número. A partir de 28 semanas só se cogita mudar a data com diferença acima de 21 dias, e ainda assim com cautela: nessa faixa a discordância entre o tamanho medido e a idade conhecida costuma significar restrição de crescimento — que é diagnóstico a investigar, não data a corrigir. Redatar aqui apaga justamente o achado que importa.
- 6Chamar de pós-termo a gestação de 41 semanas Atrai porque 41 semanas é quando a conduta muda no Brasil, e conduta que muda parece definição que mudou. Termo vai até 41 semanas e 6 dias; pós-termo começa em 42. A gestante de 41 semanas é encaminhada para avaliação do bem-estar fetal justamente enquanto ainda é termo tardio.
- 7Devolver para casa a mulher com teste de urina negativo e amenorreia persistente Atrai porque um teste negativo parece resolver. Testes urinários têm taxa elevada de falso-negativos, e o fluxograma manda repetir em 15 dias; só depois de novo resultado negativo se investigam outras causas de irregularidade menstrual. Cada ciclo perdido aqui é pré-natal iniciado tarde.
A datação por ultrassonografia é mais precisa no primeiro trimestre, pela medida do comprimento cabeça-nádega (CCN), com margem de erro de poucos dias. No segundo trimestre a margem de erro aumenta (~1 a 2 semanas). No terceiro trimestre a variabilidade biológica fetal torna a datação imprecisa (erro de até 3 semanas). No termo é ainda menos precisa. A precisão NÃO é igual em qualquer momento — diminui com o avanço da gestação.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Gestante de 27 anos realiza a primeira ultrassonografia obstétrica. O médico deseja estabelecer a idade gestacional com maior precisão possível. Qual parâmetro ultrassonográfico é o mais fidedigno para datar a gestação no primeiro trimestre? Assinale a alternativa correta.
O comprimento cabeça-nádega (CCN), medido no primeiro trimestre (idealmente entre 7 e 13 semanas), é o parâmetro ultrassonográfico mais preciso para datação da gestação, com margem de erro de poucos dias. A circunferência abdominal e o comprimento do fêmur têm maior variabilidade e são usados mais para avaliação do crescimento fetal. O diâmetro biparietal no terceiro trimestre é impreciso para datação por causa da grande variação biológica. O índice de líquido amniótico avalia o volume de líquido, não a idade gestacional.
Uma mulher de 28 anos comparece à UBS relatando atraso menstrual de 6 semanas e teste de farmácia positivo. Deseja confirmar a gravidez e iniciar o pré-natal. Qual exame é o método de escolha, disponível na APS, para confirmar a gestação nesse contexto?
A confirmação laboratorial da gestação é feita pela dosagem de beta-hCG (qualitativo ou quantitativo), amplamente disponível na APS. A progesterona e o estradiol não são usados para confirmar gravidez de rotina. A ultrassonografia é útil para datar e avaliar viabilidade, mas não é o método de confirmação inicial de escolha nem se justifica em regime seriado semanal nesse cenário.
Uma gestante de 24 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à sua primeira consulta de pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde. Refere que a gestação não foi planejada e que já teve duas gestações anteriores, ambas resultando em partos vaginais a termo de recém-nascidos vivos, sem intercorrências. Nega abortos. Considerando a classificação obstétrica, qual é a fórmula que descreve corretamente os antecedentes obstétricos dessa paciente na consulta atual?
A paciente está na sua terceira gestação (as duas anteriores mais a atual), portanto Gesta 3. Teve dois partos anteriores, portanto Para 2. A gestação atual ainda não resultou em parto, então não conta como paridade. As contagens de Gesta 3, Para 3 e de Gesta 2, Para 2 erram ao ignorar ou duplicar a gestação atual, e a de Gesta 2, Para 3 ainda inventa uma cesárea não relatada.
Mulher, 31 anos, G2P1, comparece ao pré-natal referindo data da última menstruação (DUM) em 10/03/2026. Ciclos menstruais regulares de 28 dias. Nega uso de contraceptivos hormonais nos últimos 6 meses. Deseja saber a data provável do parto (DPP). Aplicando a regra de Naegele, qual é a data provável do parto desta gestante?
Correta: 17/12/2026. A regra de Naegele calcula a DPP somando 7 dias ao dia da DUM e subtraindo 3 meses (equivalente a somar 9 meses). DUM = 10/03/2026; 10 + 7 = 17 (dia); março + 9 meses = dezembro. Resultado: 17/12/2026. A data 17/11/2026 erra ao subtrair 4 meses, contando o mês errado. A data 03/12/2026 esqueceu de somar os 7 dias. A data 24/12/2026 somou 14 dias em vez de 7. A data 10/12/2026 apenas somou 9 meses, sem somar os 7 dias. A regra pressupõe ciclos regulares de 28 dias, critério presente na vinheta.
Mulher, 24 anos, G1P0, chega ao ambulatório de pré-natal na primeira consulta. Não sabe informar a data da última menstruação com precisão e tem ciclos menstruais irregulares (variando de 35 a 50 dias) por síndrome dos ovários policísticos. Traz uma ultrassonografia transvaginal realizada há 3 dias, que evidenciou embrião único, com comprimento cabeça-nádega (CCN) compatível com 9 semanas e 2 dias, e batimentos cardíacos presentes. Uma segunda USG, realizada no início do 3º trimestre, mostrou idade gestacional 6 dias maior que a estimada pela primeira USG. Qual é a conduta correta para a datação definitiva desta gestação?
Correta: a USG de primeiro trimestre pelo CCN e o metodo mais acurado para datacao (margem de erro de +/- 5 a 7 dias); uma vez estabelecida uma IG confiavel por esse metodo, ela nao deve ser modificada por exames posteriores. A discordancia de 6 dias entre a USG precoce e a do 3o trimestre esta dentro da variabilidade esperada da biometria tardia (que perde acuracia, com erro de ate +/- 3 semanas), portanto a datacao do 1o trimestre prevalece. Errada: a USG tardia e menos precisa e nao redefine a IG ja bem estabelecida. Errada porque a DUM e desconhecida e os ciclos sao irregulares (SOP), invalidando a regra de Naegele. Media nao tem respaldo cientifico. Repetir USG e desnecessario, pois ja existe datacao confiavel de primeiro trimestre.
Mulher, 26 anos, G1P0, comparece à primeira consulta de pré-natal referindo atraso menstrual. Relata ciclos menstruais regulares de 28 dias e recorda com segurança a data da última menstruação (DUM): 15/08/2024. Traz ultrassonografia obstétrica transvaginal realizada com 8 semanas, cuja idade gestacional estimada pelo comprimento cabeça-nádega (CCN) foi compatível com a DUM (diferença menor que 5 dias). Exame físico sem alterações. Com base na regra de Naegele, qual é a data provável do parto (DPP)?
Como a ultrassonografia de primeiro trimestre é concordante com a DUM (diferença menor que 5–7 dias), mantém-se a datação pela DUM. Aplicando a regra de Naegele (DPP = DUM − 3 meses + 7 dias + 1 ano): dia 15 + 7 = 22; mês 08 − 3 = 05 (maio); ano 2024 + 1 = 2025, resultando em 22/05/2025 (opção correta). 22/05/2024 esquece de somar 1 ano — a gestação terminaria antes de começar. 15/05/2025 acerta mês/ano mas esquece de somar os 7 dias. 22/11/2024 soma 3 meses em vez de subtrair. 08/05/2025 subtrai 7 dias em vez de somar.
Gestante de 24 anos comparece ao pré-natal. Refere ciclos menstruais irregulares e não tem certeza da data da última menstruação, embora estime estar com cerca de 9 semanas. É submetida a ultrassonografia transvaginal, que mede o comprimento cabeça-nádega (CCN) compatível com 7 semanas e 0 dias (diferença de aproximadamente 14 dias em relação à estimativa clínica). Batimentos cardíacos embrionários presentes. Qual a conduta correta quanto à datação da gestação?
A ultrassonografia de primeiro trimestre pelo CCN é o método mais acurado para datação. Quando a DUM é incerta/irregular, ou quando há discrepância maior que 5–7 dias entre a DUM e o exame de primeiro trimestre, a idade gestacional e a DPP devem ser redefinidas pela ultrassonografia (opção correta). Manter uma estimativa clínica imprecisa contraria a boa datação e propaga erro por toda a gestação. Fazer média não tem respaldo — adota-se o método mais fidedigno. Postergar 4 semanas atrasa desnecessariamente a datação, que já está disponível com boa acurácia. A altura uterina é grosseira e não serve para datação precoce, sobretudo nesta fase.
Mulher, 24 anos, nuligesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal após teste de gravidez positivo. Relata ciclos menstruais regulares, com intervalo de 35 dias, e refere com segurança a data da última menstruação (DUM) em 01/02/2026. Nega intercorrências e uso de medicações. Considerando a regra de Naegele com o ajuste para a duração do ciclo, qual é a data provável do parto (DPP)?
A regra de Naegele (DPP = DUM − 3 meses + 7 dias + 1 ano) pressupõe ciclo de 28 dias. Para DUM 01/02/2026: 01/11/2025 (−3 meses) → 08/11/2025 (+7 dias) → 08/11/2026 (+1 ano). Como o ciclo é de 35 dias, ou seja, 7 dias mais longo que o padrão, a ovulação/concepção ocorre proporcionalmente mais tarde, sendo necessário somar essa diferença (35 − 28 = 7 dias): 08/11/2026 + 7 = 15/11/2026, alternativa. 08/11/2026 é a DPP sem o ajuste para o ciclo longo. 01/11/2026 omite a soma dos 7 dias própria da regra. 24/10/2026 subtrai, em vez de somar, o ajuste do ciclo. 22/11/2026 soma 14 dias, dobrando indevidamente o ajuste do ciclo.
Mulher, 26 anos, com ciclos menstruais irregulares (variando de 25 a 45 dias) e suspensão irregular de anticoncepcional oral há alguns meses, procura a Unidade Básica de Saúde por atraso menstrual e teste de gravidez de farmácia positivo. Refere não conseguir precisar a data da última menstruação. Ao exame, útero discretamente aumentado; beta-hCG sérico positivo confirma a gestação. A paciente encontra-se no primeiro trimestre. Qual é o método mais acurado para estimar a idade gestacional nesta paciente?
Em gestante com ciclos irregulares e DUM incerta, a datação pela DUM/Naegele é pouco confiável. O método mais acurado é a ultrassonografia de primeiro trimestre com medida do comprimento cabeça-nádega (CCN), que estima a idade gestacional com erro de apenas ±5 a 7 dias, sendo o padrão-ouro para datação. A altura uterina tem baixa acurácia e só serve como triagem grosseira após cerca de 20 semanas. A regra de Naegele depende de DUM confiável, ausente neste caso. O beta-hCG confirma a gravidez, mas seus valores têm ampla variação individual e não datam a gestação. A percepção de movimentos fetais (por volta de 18–20 semanas) é subjetiva e tardia, imprestável para datação no primeiro trimestre.
Mulher, 30 anos, G2P1, com ciclos menstruais regulares de 28 dias, comparece ao pré-natal referindo atraso menstrual. Informa com segurança a data da última menstruação (DUM) em 20/06/2026. O beta-hCG confirma a gestação e a paciente encontra-se assintomática. Aplicando a regra de Naegele, qual é a data provável do parto (DPP)?
Regra de Naegele: DPP = DUM − 3 meses + 7 dias (+ 1 ano), válida para ciclo regular de 28 dias. Para DUM 20/06/2026: 20/03/2026 (−3 meses) → 27/03/2026 (+7 dias) → 27/03/2027 (+1 ano), alternativa. 13/03/2027 subtrai 7 dias em vez de somar. 27/09/2026 soma 3 meses em vez de subtrair e omite o acréscimo de 1 ano. 27/06/2027 omite a subtração dos 3 meses. 13/06/2027 não aplica corretamente os ajustes de dias e meses da regra.
Mulher, 24 anos, G1P0, com ciclos menstruais regulares de 28 dias, comparece à primeira consulta de pré-natal. Refere data da última menstruação (DUM) confiável em 20/09/2024. Ultrassonografia transvaginal realizada mostra embrião com comprimento cabeça-nádega (CCN) compatível com 8 semanas, concordante com a idade gestacional pela DUM (diferença menor que 5 dias). Considerando que a DUM é confiável e validada pela ultrassonografia precoce, qual é a data provável do parto (DPP) calculada pela regra de Naegele? DPP estimada:
A regra de Naegele soma 7 dias ao dia da DUM, subtrai 3 meses e soma 1 ano (assumindo ciclo de 28 dias). Como a ultrassonografia do 1º trimestre é concordante com a DUM (diferença < 5 dias, dentro do limite para manter a datação menstrual até 8s6d), a datação pela DUM é mantida. DUM 20/09/2024: 20 + 7 = 27; setembro - 3 meses = junho; ano + 1 = 2025 → 27/06/2025 (opção correta). 20/06/2025 erra: por omitir a soma dos 7 dias. 13/07/2025 resulta de somatório incorreto de dias/meses. 27/12/2025 soma 3 meses em vez de subtrair. 27/06/2024 mantém o ano da DUM, sem somar 1 ano.
Mulher, 30 anos, G2P1, comparece à primeira consulta de pré-natal. Relata data da última menstruação (DUM) incerta, pois não recorda a data exata e tem ciclos menstruais irregulares. Ao exame, útero pouco acima da sínfise púbica. Ultrassonografia obstétrica transvaginal evidencia embrião único, com comprimento cabeça-nádega (CCN) de 54 mm, compatível com 12 semanas e 1 dia, batimentos cardíacos presentes. Qual é o melhor parâmetro para estabelecer a idade gestacional e a data provável do parto nesta paciente?
Quando a DUM é desconhecida ou não confiável (ciclos irregulares), a datação padrão-ouro é a biometria da ultrassonografia do 1º trimestre pelo comprimento cabeça-nádega (CCN), cuja margem de erro é de apenas ± 5 a 7 dias — o mais acurado de todos os métodos (opção correta). Altura uterina é impreciso e influenciado por múltiplos fatores maternos/fetais. BCF ao sonar apenas confirma vitalidade, não data a gestação. Erra porque a acurácia da datação ecográfica DIMINUI com o avançar da gestação — o 1º trimestre é mais preciso que o 2º. Beta-hCG confirma e acompanha a gravidez inicial, mas não estabelece idade gestacional de forma confiável.
Uma mulher de 28 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando atraso menstrual. Refere ciclos menstruais irregulares há anos, com diagnóstico prévio de síndrome dos ovários policísticos, e não sabe precisar a data da última menstruação. Nega uso de contraceptivo. O teste imunológico de gravidez (beta-hCG urinário) resultou positivo. Ao exame, apresenta bom estado geral, útero levemente aumentado à palpação bimanual e altura uterina não mensurável. Diante da impossibilidade de estabelecer a data da última menstruação de forma confiável, qual é a conduta mais adequada para determinar a idade gestacional e a data provável do parto dessa gestante?
Em gestante com DUM desconhecida ou não confiável (ciclos irregulares/SOP), a datação mais acurada é a ultrassonografia de primeiro trimestre, medindo o comprimento cabeça-nádega (CCN), método padrão-ouro nessa fase (margem de erro de poucos dias). A regra de Naegele depende de uma DUM confiável, que aqui não existe. A altura uterina é imprecisa e sequer é mensurável no início da gestação. Esperar o segundo trimestre reduz a acurácia da datação, pois a variabilidade biológica fetal aumenta com a idade gestacional.
Uma gestante de 24 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Relata ciclos menstruais regulares de 28 dias e informa, com segurança, que sua última menstruação teve início em 15 de maio de 2024. Encontra-se assintomática, com exame físico sem alterações e beta-hCG positivo. A equipe deseja estimar a data provável do parto para orientar o acompanhamento pré-natal. Aplicando a regra de Naegele a partir da data da última menstruação informada, qual é a data provável do parto dessa gestante?
Pela regra de Naegele, soma-se 7 dias ao dia da DUM e subtraem-se 3 meses do mês (acrescentando 1 ano): 15 + 7 = 22; maio (mês 5) − 3 = fevereiro (mês 2); 2024 + 1 = 2025, resultando em 22/02/2025. A data de 22 de janeiro de 2025 subtrai 4 meses (erro no mês). A de 08 de fevereiro de 2025 erra na soma dos 7 dias. A de 22 de março de 2025 subtrai apenas 2 meses. A regra pressupõe ciclos regulares de 28 dias, condição satisfeita neste caso.
Uma mulher de 31 anos, gestante, é atendida no pré-natal da Estratégia Saúde da Família. Refere ciclos regulares e informa data da última menstruação que corresponde a uma idade gestacional de 9 semanas. Traz uma ultrassonografia obstétrica realizada no mesmo dia, com feto único e vivo, cujo comprimento cabeça-nádega estima idade gestacional de 7 semanas — uma diferença de cerca de 14 dias em relação à idade calculada pela última menstruação. A paciente pergunta qual data será usada para o acompanhamento. Considerando as recomendações de datação da gestação, qual é a conduta correta quanto à idade gestacional e à data provável do parto?
No primeiro trimestre, quando a idade gestacional pela ultrassonografia (CCN) difere da calculada pela DUM além do limite aceitável (mais de ~7 dias), adota-se a datação ultrassonográfica, que é o método mais acurado nessa fase — recalculando a DPP por ela. Aqui a diferença é de 14 dias, portanto prevalece o ultrassom. Manter a DUM ignora a maior acurácia do CCN precoce. Fazer média não é conduta recomendada. Repetir o exame em quatro semanas atrasa desnecessariamente a datação, que já pode ser definida pelo ultrassom precoce.
Uma mulher de 27 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde em 21/05/2025 para a primeira consulta de pré-natal. Relata ciclos menstruais regulares de 28 dias, sem uso de contracepção hormonal nos últimos dois anos, e refere com segurança que sua última menstruação (DUM) ocorreu em 05/02/2025. Nega sangramentos, dor abdominal ou perdas vaginais. Ao exame, apresenta bom estado geral, pressão arterial de 110 x 70 mmHg e útero pouco acima da sínfise púbica. Na mesma data, realiza ultrassonografia transvaginal, que evidencia gestação tópica, embrião único com batimentos cardíacos presentes e comprimento cabeça-nádega compatível com 11 semanas e 3 dias. Considerando os dados apresentados, qual é a conduta correta quanto à datação da gestação?
Pela regra de Naegele, a DUM de 05/02/2025 forneceria DPP em 12/11/2025 (soma-se 7 ao dia e subtraem-se 3 do mês), o que corresponderia a 15 semanas em 21/05/2025. A ultrassonografia do primeiro trimestre, medindo o comprimento cabeça-nádega, é o método mais acurado para datar a gestação (erro de cerca de 5 a 7 dias); quando a discrepância com a DUM ultrapassa esse limite — aqui são cerca de 25 dias —, a datação deve ser corrigida pela ultrassonografia, conforme o Ministério da Saúde e a FEBRASGO. Com 11 semanas e 3 dias em 21/05/2025, faltam 28 semanas e 4 dias para completar 40 semanas, resultando em DPP em 07/12/2025. Manter a DUM (alternativas 1 e 2) ignora a superioridade da biometria precoce e a hipótese de DUM equivocada ou ovulação tardia; restrição de crescimento não se diagnostica por discordância de datação no primeiro trimestre nem se aplica ao embrião nessa fase. Repetir o exame em quatro semanas apenas atrasa a definição, perdendo a janela de maior acurácia da datação.
Uma mulher de 24 anos procura a Unidade Básica de Saúde relatando atraso menstrual de duração incerta. Refere ciclos irregulares desde a menarca, não usava método contraceptivo e não sabe informar a data da última menstruação. Fez teste de gravidez de farmácia positivo há algumas semanas e não realizou nenhum exame desde então. Refere perceber movimentos fetais há cerca de duas semanas. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg; à palpação abdominal, o fundo uterino está na altura da cicatriz umbilical, medindo 20 cm, e os batimentos cardíacos fetais são auscultados com estetoscópio de Pinard, a 148 bpm. Qual a estimativa da idade gestacional e a conduta adequada?
Três marcos convergem para cerca de 20 semanas: o fundo uterino na cicatriz umbilical, a altura uterina de 20 cm (entre 20 e 34 semanas a medida em centímetros aproxima-se do número de semanas) e a ausculta dos batimentos com estetoscópio de Pinard, possível a partir de aproximadamente 20 semanas — a percepção de movimentos fetais pela primigesta em torno de 18 a 20 semanas reforça a estimativa. Sem DUM confiável, a ultrassonografia deve ser solicitada o quanto antes, pois sua acurácia cai progressivamente com a idade gestacional (erro de cerca de 2 semanas no segundo trimestre e de até 3 semanas no terceiro). A alternativa 2 confunde o Pinard com o sonar Doppler, que detecta os batimentos a partir de 10 a 12 semanas, e adiar a ultrassonografia para o terceiro trimestre piora a datação. A alternativa 3 subestima a idade gestacional e dispensa indevidamente o exame de imagem. A alternativa 4 superestima a idade gestacional (28 semanas corresponderiam a altura uterina próxima de 28 cm) e trata a altura uterina, método impreciso, como definitiva.
Uma mulher de 30 anos, gesta 2 para 1, comparece à Unidade Básica de Saúde em 05/11/2025 relatando atraso menstrual e náuseas matinais. Refere ciclos menstruais regulares de 28 dias e informa com segurança que sua última menstruação teve início em 20/09/2025. Traz teste imunológico de gravidez realizado na urina com resultado positivo. Nega sangramento vaginal, dor pélvica ou febre. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, corada, com pressão arterial de 118 x 74 mmHg e abdome flácido, indolor, sem massas palpáveis. A médica confirma a gestação, inicia o pré-natal e solicita os exames de rotina do primeiro trimestre. De acordo com a regra de Naegele, qual é a data provável do parto?
A regra de Naegele soma 7 dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrai 3 do mês (acrescentando 1 ao ano quando o mês da DUM é abril ou posterior): 20 + 7 = 27 e setembro (9) − 3 = junho (6), resultando em 27/06/2026. A alternativa 20/06/2026 omite a soma dos 7 dias; 13/06/2026 subtrai, em vez de somar, os 7 dias; 27/07/2026 subtrai apenas 2 meses, contrariando a regra. A regra é válida para ciclos regulares de 28 dias com DUM confiável, como neste caso; em ciclos irregulares ou DUM incerta, a datação deve ser feita por ultrassonografia precoce.
Uma mulher de 24 anos, do lar, comparece à Unidade Básica de Saúde do seu território em 15 de julho de 2025 relatando atraso menstrual e náuseas matinais há cerca de três semanas. Refere ciclos menstruais regulares de 28 dias e informa com segurança que sua última menstruação teve início em 10 de março de 2025. Nega uso de contraceptivo hormonal nos últimos dois anos. Não tem comorbidades e é primigesta. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, útero palpável em hipogástrio e batimentos cardíacos fetais audíveis ao sonar. O teste imunológico de gravidez realizado na unidade foi positivo. A enfermeira solicita ao médico o cálculo da data provável do parto e da idade gestacional para o preenchimento da caderneta da gestante.
Pela regra de Naegele, soma-se 7 dias ao dia da DUM e subtraem-se 3 meses (ou somam-se 9 meses quando o mês da DUM é janeiro, fevereiro ou março): 10/03/2025 → dia 10 + 7 = 17; mês 3 + 9 = 12 → DPP em 17/12/2025. A idade gestacional em 15/07/2025 corresponde ao intervalo desde a DUM: 21 dias de março + 30 de abril + 31 de maio + 30 de junho + 15 de julho = 127 dias = 18 semanas e 1 dia. A primeira alternativa acerta a DPP, mas erra a IG (subestima em uma semana). A segunda erra a DPP por não aplicar corretamente o acréscimo de 7 dias. A quarta erra tanto a DPP (subtrai 4 meses) quanto a IG. Como a DUM é confiável e os ciclos são regulares, a datação pela regra de Naegele é adequada, conforme o Caderno de Atenção Básica nº 32 (Pré-natal de baixo risco) do Ministério da Saúde.
Mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando atraso menstrual. Refere ciclos menstruais regulares de 28 dias e informa com segurança que o primeiro dia da última menstruação foi em 10 de março de 2026. Teste imunológico de gravidez realizado na unidade resultou positivo. Ao exame: bom estado geral, pressão arterial 110x70 mmHg, útero não palpável ao exame abdominal. A enfermeira solicita que o médico registre a data provável do parto no cartão da gestante para início do pré-natal. Pela regra de Naegele, a data provável do parto é:
Correta: 17/12/2026. A regra de Naegele soma 7 dias ao primeiro dia da DUM e subtrai 3 meses (10/03 + 7 dias = 17/03; 17/03 − 3 meses = 17/12/2026). A alternativa '3 de dezembro' subtrai 7 dias em vez de somar. '17 de novembro' subtrai 4 meses, erro de contagem. '10 de dezembro' apenas subtrai 3 meses e esquece de somar os 7 dias.
Mulher de 29 anos, G2P1, comparece à Unidade Básica de Saúde em 10 de junho de 2026 para primeira consulta de pré-natal. Refere ciclos menstruais regulares de 28 dias, sem uso de contraceptivo hormonal no último ano, e tem certeza de que o primeiro dia da última menstruação foi em 20 de fevereiro de 2026. Beta-hCG sérico positivo. Exame físico sem alterações; altura uterina compatível com a amenorreia. Não dispõe de ultrassonografia. A idade gestacional na data da consulta e a data provável do parto são, respectivamente:
Correta: de 20/02 a 10/06/2026 há 110 dias (8 + 31 + 30 + 31 + 10), ou seja, 15 semanas e 5 dias; pela regra de Naegele, 20/02 + 7 dias = 27/02, menos 3 meses = 27/11/2026. A segunda opção erra a DPP por não somar os 7 dias. A terceira superestima a idade gestacional (contagem de dias incorreta, incluindo o dia da DUM em duplicidade). A quarta subestima a idade gestacional em uma semana.
Mulher de 31 anos, primigesta, é atendida na Unidade Básica de Saúde em 30 de março de 2026. Refere DUM em 5 de janeiro de 2026, porém com ciclos irregulares (24 a 38 dias) e suspensão de anticoncepcional oral há dois meses. Beta-hCG positivo. Ultrassonografia transvaginal realizada no mesmo dia mostra embrião único, com batimentos cardíacos presentes e comprimento cabeça-nádega compatível com 10 semanas e 0 dias. A conduta correta quanto à datação da gestação é:
Correta: pela DUM, em 30/03 a gestação teria 12 semanas (84 dias); a ultrassonografia de primeiro trimestre mostra 10 semanas — discrepância de 14 dias, acima do limite de 7 dias aceito até 13s6d, além de a DUM ser pouco confiável (ciclos irregulares e suspensão recente de contraceptivo). Redata-se pela USG: DUM corrigida em 19/01/2026 e DPP em 26/10/2026. Manter a DUM ignora a regra de discrepância e a baixa confiabilidade do dado. Repetir a USG atrasa o pré-natal sem benefício, pois a USG de primeiro trimestre é o padrão-ouro de datação. Média entre métodos não é conduta preconizada — quando se redata, adota-se integralmente a USG.
Mulher de 27 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Refere data da última menstruação (DUM) em 12/01/2025, com ciclos regulares de 28 dias, e nega uso prévio de contraceptivos hormonais. É solicitada ultrassonografia obstétrica transvaginal, realizada em 20/03/2025, que estima a idade gestacional em 8 semanas pelo comprimento cabeça-nádega (CCN). Pela DUM, a idade gestacional nessa mesma data seria de aproximadamente 9 semanas e 5 dias. Qual a conduta correta em relação à datação da gestação?
No primeiro trimestre, a ultrassonografia pelo CCN é o método mais acurado para datação (margem de ±5 a 7 dias). Quando a discrepância entre a DUM e a USG do primeiro trimestre ultrapassa o limiar aceito (>5 dias até 8s6d; >7 dias entre 9s e 13s6d), redata-se a gestação pela USG. Aqui a diferença é de ~12 dias, acima do limiar, devendo-se adotar a USG e recalcular a DPP. Manter a DUM só se justificaria dentro do limiar. A USG do segundo trimestre é menos precisa que a do primeiro para datar. Média entre estimativas não é método validado.
Mulher de 30 anos procura a Unidade Básica de Saúde com atraso menstrual e teste imunológico de gravidez positivo. Refere data da última menstruação (DUM) em 15/03/2025, com ciclos regulares de 28 dias e DUM confiável. Aplicando a regra de Naegele, qual é a data provável do parto (DPP)?
A regra de Naegele soma 7 dias ao primeiro dia da DUM e subtrai 3 meses (avançando 1 ano). Partindo de 15/03/2025: +7 dias = 22/03/2025; -3 meses = 22/12/2024; +1 ano = 22/12/2025. A data de 08/12/2025 esquece a soma dos 7 dias. A data de 22/12/2026 erra o ano. A data de 22/06/2025 inverte o sentido do ajuste dos meses.
Mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando atraso menstrual de seis semanas e teste imunológico de gravidez na urina positivo. Deseja confirmar a gestação. Dentre os achados possíveis à avaliação, qual constitui um SINAL DE CERTEZA de gravidez?
Os sinais de certeza de gravidez decorrem da presença comprovada do feto: ausculta dos batimentos cardíacos fetais, percepção de movimentos fetais pelo examinador e visualização do embrião/feto à ultrassonografia. A amenorreia e as náuseas são sinais de presunção. O teste imunológico positivo, por detectar a fração beta do hCG, é sinal de probabilidade — pode positivar em situações como doença trofoblástica —, não de certeza.
Uma mulher de 27 anos, G2P1A0, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo atraso menstrual. Relata ciclos menstruais regulares, com intervalos de 28 dias, e informa com segurança que o primeiro dia da última menstruação (DUM) foi em 20/03/2025. Nega uso de contraceptivos hormonais nos últimos 12 meses e nega intercorrências. Um teste imunológico de gravidez na urina resultou positivo. A consulta ocorre em 15/07/2025, e o exame físico revela altura de fundo uterino e volume uterino compatíveis com a amenorreia referida. Considerando a DUM confiável, assinale a idade gestacional na data da consulta.
Com DUM confiável e ciclos regulares, a idade gestacional é o intervalo entre a DUM (20/03/2025) e a data atual (15/07/2025). A contagem exata é: 11 dias de março + 30 (abril) + 31 (maio) + 30 (junho) + 15 (julho) = 117 dias, ou seja, 117 ÷ 7 = 16 semanas e 5 dias (correta). '14s6d' e '15s5d' subestimam a contagem de dias; '17s0d' (119 dias) superestima, erros típicos de contagem de meses em blocos fixos de 30 dias em vez do calendário real.
Uma gestante de 31 anos, com ciclos menstruais irregulares e história de uso de anticoncepcional injetável trimestral suspenso há poucos meses, comparece à primeira consulta de pré-natal. Pela DUM referida (de forma imprecisa), a idade gestacional estimada seria de 12 semanas. No mesmo dia realiza ultrassonografia obstétrica transvaginal, que evidencia embrião único, vivo, com batimentos cardíacos presentes e comprimento cabeça-nádega (CCN) compatível com 9 semanas e 0 dias. Diante da discordância entre os dois métodos, assinale a conduta correta quanto à datação da gestação e ao cálculo da data provável do parto (DPP).
No primeiro trimestre, o CCN é o parâmetro mais acurado para datação (margem de ~5–7 dias). Quando a DUM é incerta (ciclos irregulares, injetável recente) e a diferença entre DUM e USG excede 7 dias — aqui, 3 semanas —, deve-se redatar a gestação pela ultrassonografia e recalcular a DPP pela biometria (correta). Manter a DUM ignora sua baixa confiabilidade neste caso; repetir a USG em 2 semanas atrasa o pré-natal sem necessidade; beta-hCG seriado avalia viabilidade/localização, não idade gestacional.
Uma gestante de 24 anos, primigesta, com ciclos menstruais regulares de 30 dias e DUM devidamente anotada no cartão, inicia o pré-natal de forma tardia. Pela DUM, a idade gestacional atual é de 20 semanas e 0 dias. Realiza-se então a ultrassonografia morfológica de segundo trimestre — a primeira da gestação —, cuja biometria fetal composta é compatível com 21 semanas e 1 dia, uma diferença de 8 dias em relação à datação menstrual. O exame não evidencia malformações e o crescimento é simétrico. Diante desses achados, assinale a conduta adequada quanto à datação da gestação.
A margem de tolerância para redatar por USG aumenta com a idade gestacional: ~5–7 dias no 1º trimestre, cerca de 10 dias na faixa de 16 a 21s6d e até 14 dias entre 22 e 27s6d. Com DUM confiável (ciclos regulares, registro em cartão) e diferença de apenas 8 dias aos ~20 semanas, o valor está DENTRO da margem tolerada, devendo-se MANTER a datação pela DUM (correta). Redatar por 'sempre mais precisa' ou por 'diferença > 5 dias' aplica erroneamente o critério rígido do 1º trimestre; pegar a maior das idades gestacionais não tem respaldo em diretriz.
Mulher de 27 anos, G2P1A0, comparece à Unidade Básica de Saúde em 05/02/2026 para primeira consulta de pré-natal. Refere ciclos menstruais regulares de 28 dias, sem uso de contracepção hormonal nos últimos dois anos, e informa com segurança que o primeiro dia da última menstruação foi 22/08/2025. Nega comorbidades; parto anterior vaginal a termo, sem intercorrências. Ao exame: bom estado geral, PA 110x70 mmHg, altura uterina de 23 cm, batimentos cardíacos fetais audíveis ao sonar Doppler a 142 bpm. Teste imunológico de gravidez positivo realizado em novembro de 2025. Considerando a data da última menstruação referida, assinale a alternativa que apresenta corretamente a idade gestacional na data da consulta e a data provável do parto pela regra de Naegele.
Pela regra de Naegele soma-se 7 ao dia e subtraem-se 3 do mês (com ajuste do ano) da DUM: 22/08/2025 → 22+7 = 29 e 8−3 = 5, resultando em DPP em 29/05/2026. A idade gestacional em 05/02/2026 corresponde a 167 dias desde 22/08/2025 (9 dias de agosto + 153 de setembro a janeiro + 5 de fevereiro), ou seja, 23 semanas e 6 dias — coerente com a altura uterina de 23 cm. A opção com DPP em 29/06/2026 erra ao somar 3 meses em vez de subtrair. A de 22 semanas e 6 dias despreza uma semana inteira e mantém o dia da DUM sem somar 7. A de 25 semanas e 1 dia extrapola a contagem em mais de uma semana e ancora a DPP na data da consulta, sem base na Naegele.
Mulher de 24 anos procura a UBS com atraso menstrual de cinco semanas. Relata náuseas matinais, mastalgia, polaciúria e sonolência há duas semanas. Ciclos previamente regulares; interrompeu anticoncepcional oral há três meses. Nega dor pélvica ou sangramento. Ao exame ginecológico, observa-se coloração violácea da vulva e da mucosa vaginal, amolecimento do istmo uterino à palpação bimanual e útero levemente aumentado. Traz teste de gravidez de farmácia positivo. Entre os achados abaixo, assinale aquele que constitui sinal de CERTEZA de gestação.
Sinais de certeza são aqueles que comprovam a presença do concepto: ausculta dos batimentos cardíacos fetais (sonar a partir de 10–12 semanas, Pinard a partir de 20), percepção de movimentos fetais pelo examinador e visualização do embrião/feto à ultrassonografia. Náuseas, mastalgia e polaciúria são sinais presuntivos, decorrentes de alterações sistêmicas maternas. O sinal de Hegar (amolecimento do istmo) é sinal de probabilidade, ligado às modificações uterinas. Jacquemier e Chadwick traduzem a congestão vascular pélvica e também são apenas prováveis.
Primigesta de 22 anos, sem comorbidades, inicia pré-natal em 04/04/2026. Refere ciclos menstruais irregulares, com intervalos de 30 a 45 dias, e informa que o primeiro dia da última menstruação foi 10/01/2026 — data da qual não tem plena certeza. Nega uso de contraceptivo hormonal nos últimos seis meses. No mesmo dia da consulta realiza ultrassonografia obstétrica transabdominal, com embrião único, vivo, e comprimento cabeça-nádega compatível com 10 semanas e 2 dias. Pela data da última menstruação, a idade gestacional seria de 12 semanas. Qual a conduta correta quanto à datação da gestação?
A ultrassonografia de primeiro trimestre pelo comprimento cabeça-nádega é o método mais acurado de datação (erro de ±5 a 7 dias). Entre 9 e 13 semanas e 6 dias, a regra é substituir a datação pela DUM quando a discrepância for maior que 7 dias — aqui há 12 dias de diferença, somados à irregularidade dos ciclos e à incerteza da DUM, o que impõe a redatação para 10 semanas e 2 dias, com nova DPP. Manter a DUM é incorreto: ela só prevalece quando confiável e concordante com a USG dentro da margem. Adiar a definição para o segundo trimestre desperdiça o exame mais preciso e reduz a acurácia, além de comprometer decisões futuras sobre indução e conduta no pós-termo. O diâmetro biparietal é menos acurado que o CCN antes de 14 semanas e não serve como critério de confirmação nessa fase.
Mulher de 24 anos, nuligesta, com ciclos menstruais regulares de 28 dias, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando atraso menstrual e náuseas matinais. Refere data da última menstruação em 10 de março de 2025, com certeza da data. Teste imunológico de gravidez na urina positivo. Exame físico sem alterações, pressão arterial 110x70 mmHg. Aplicando a regra de Naegele, a data provável do parto desta gestante é:
A regra de Naegele soma 7 dias ao dia da DUM e subtrai 3 meses do mês (acrescentando um ano quando o mês da DUM é janeiro, fevereiro ou março). Com DUM em 10/03/2025: 10 + 7 = 17; março (3) − 3 = dezembro do ano anterior, portanto acrescenta-se um ano, resultando em 17/12/2025. As demais alternativas decorrem de erros clássicos: Subtrair o mês sem somar os 7 dias; Somar 14 dias em vez de 7; Subtrair apenas 2 meses. A regra pressupõe ciclos regulares de 28 dias, como no caso; em ciclos irregulares ou DUM incerta, a datação deve ser feita pela ultrassonografia de primeiro trimestre.
Gestante de 33 anos comparece ao pré-natal com 32 semanas pela data da última menstruação, confirmada por ultrassonografia de 12 semanas que havia mostrado diferença de apenas 2 dias. A ultrassonografia realizada hoje estima 28 semanas e 4 dias pela biometria, com circunferência abdominal abaixo do percentil 3 e índice de líquido amniótico reduzido. Qual a conduta?
A datação foi estabelecida por ultrassonografia de primeiro trimestre concordante com a última menstruação e não se mexe mais. A partir de 28 semanas, a diferença teria de passar de 21 dias para sequer se cogitar mudar a data, e ainda assim com cautela — porque nessa faixa a discordância entre tamanho medido e idade conhecida significa, quase sempre, alteração de crescimento. Aqui os dois achados adicionais fecham o raciocínio: circunferência abdominal abaixo do percentil 3 e líquido reduzido são o quadro de restrição de crescimento fetal. As alternativas 0 e 1 apagam o diagnóstico ao transformá-lo em correção de data, o erro de maior consequência do tema. A 2 adia investigação urgente. A 4 troca um método preciso por um que perde fidelidade justamente após a 30ª semana.
Mulher de 23 anos procura a unidade básica de saúde referindo atraso menstrual de 22 dias, náuseas matinais e mastalgia. Refere ciclos previamente regulares, de 28 dias, e nega uso de método contraceptivo hormonal. Ao exame: bom estado geral, abdome plano e indolor, útero não palpável no abdome. Qual a conduta inicial mais adequada nesta consulta?
O documento brasileiro fixa o gatilho em atraso menstrual de mais de 15 dias e coloca o teste rápido de gravidez entre os testes garantidos na própria unidade básica, justamente para que a confirmação e a captação aconteçam na mesma consulta. A alternativa 1 faz isso. A 0 terceiriza para o laboratório uma resposta que a unidade tem em minutos e adia o pré-natal em duas semanas. A 2 inverte a ordem: o ultrassom é exame de datação e de localização, não a porta de entrada do diagnóstico, e o próprio caderno o lista como não obrigatório na primeira consulta. A 3 usa corretamente uma informação — acima de 12 semanas de atraso o diagnóstico pode ser clínico — para justificar o oposto do que ela serve, que é dispensar o teste em quem já está avançada, nunca mandar esperar. A 4 encaminha ao alto risco uma gestante sem nenhum fator de risco identificado.
Mulher de 24 anos comparece à unidade básica em 21 de novembro de 2025 com teste rápido de gravidez positivo. Refere data da última menstruação em 13 de setembro de 2025, com ciclos regulares de 28 dias e sem uso de método hormonal. Qual é a idade gestacional nesta consulta?
Some os dias do intervalo e divida por sete. De 13 de setembro ao fim do mês são 17 dias; outubro contribui com 31; até 21 de novembro, mais 21. Total de 69 dias. Dividindo por sete: 9 semanas completas e resto 6, ou seja, 9 semanas e 6 dias. Os erros das demais alternativas são os habituais: contar setembro como 31 dias, contar o próprio dia da última menstruação como dia 1, ou arredondar o resto para semana cheia. A idade gestacional se escreve sempre em semanas e dias, nunca em meses.
Gestante de 30 anos, pré-natal de baixo risco sem intercorrências, comparece à unidade básica com 41 semanas de idade gestacional confirmadas por ultrassonografia de primeiro trimestre. Refere movimentos fetais presentes, sem contrações regulares e sem perdas vaginais. Pressão arterial de 118 por 76 mmHg, altura uterina compatível, batimentos cardíacos fetais de 140 por minuto. Qual a conduta?
O documento brasileiro determina que toda gestante com 41 semanas seja encaminhada para avaliação do bem-estar fetal, com índice de líquido amniótico e monitoramento cardíaco fetal, e lista idade gestacional a partir de 41 semanas confirmadas entre os fatores que indicam encaminhamento à urgência ou emergência obstétrica. A alternativa 0 erra a nomenclatura: 41 semanas ainda é termo, na faixa de termo tardio, e pós-termo começa em 42. As alternativas 2 e 4 mantêm na atenção básica uma gestante que já tem critério de encaminhamento. A 3 desperdiça tempo redatando uma gestação cuja idade foi estabelecida no primeiro trimestre, quando o exame é mais preciso — e um ultrassom feito agora não datará melhor do que aquele.
Gestante de 31 anos, ciclos regulares, refere data da última menstruação em 27 de janeiro de 2026. Qual é a data provável do parto pela regra de Naegele?
É o caso em que o dia estoura o mês. Soma-se 7 ao dia: 27 + 7 = 34. Como janeiro tem 31 dias, os excedentes passam para o mês seguinte: 34 − 31 = 3, e adiciona-se 1 ao cálculo do mês. Sendo janeiro, soma-se 9: 1 + 9 + 1 = 11. Data provável do parto em 3 de novembro de 2026. A alternativa 1 fez a passagem de dia mas esqueceu de somar 1 ao mês. A 2 ignorou a soma dos 7 dias e ainda errou o mês. A 3 contou 31 dias de fevereiro. A 4 subtraiu 9 do mês em vez de somar.
Gestante de 27 anos, primeira consulta de pré-natal. Refere ciclos irregulares, de 28 a 40 dias, e suspensão de anticoncepcional oral combinado há três meses. Data da última menstruação referida: 27 de janeiro de 2026, com data provável do parto em 3 de novembro de 2026 pela regra de Naegele. Ultrassonografia transvaginal realizada em 20 de março de 2026 mostra gestação tópica única, embrião com batimentos cardíacos presentes e comprimento cabeça-nádega compatível com 8 semanas e 2 dias; pela data referida, a gestação teria 7 semanas e 3 dias nesse mesmo dia. Qual a conduta em relação à datação?
Dois caminhos independentes chegam à mesma conduta. Pelo critério brasileiro, a última menstruação só é método de escolha em mulheres com ciclos regulares e sem uso de anticoncepcional hormonal — esta gestante não preenche nenhuma das duas condições, e a data referida está fora do critério antes mesmo de qualquer comparação. Pelo corte numérico internacional, até 8 semanas e 6 dias uma diferença acima de 5 dias já indica adotar a data do exame, e a diferença aqui é de 6 dias. Com 8 semanas e 2 dias em 20 de março faltam 222 dias para completar os 280, o que dá 28 de outubro de 2026. A alternativa 0 aplica o corte de 7 dias, que só vale a partir de 9 semanas. A 1 e a 3 adiam uma decisão que fica pior com o tempo, porque a precisão do ultrassom cai a cada semana. A 2 inventa um método que não existe em nenhum documento.
Gestante de 28 anos, ciclos regulares de 28 dias, sem uso de método hormonal, refere com segurança data da última menstruação em 10 de fevereiro de 2026. Qual é a data provável do parto pela regra de Naegele?
Soma-se 7 ao dia: 10 + 7 = 17. Como fevereiro está entre janeiro e março, soma-se 9 ao mês em vez de subtrair 3: 2 + 9 = 11. Data provável do parto em 17 de novembro de 2026, no mesmo ano civil — que é o traço característico das últimas menstruações do primeiro trimestre do calendário. A alternativa 0 subtraiu 9 do mês em vez de somar. A 1 somou 10 ao mês. A 2 esqueceu de somar os 7 dias. A 4 misturou o exemplo com o de uma última menstruação em janeiro, em que o dia estoura o mês.
Na avaliação de uma mulher com suspeita de gravidez, qual dos achados abaixo é classificado como sinal de CERTEZA?
São apenas três os sinais de certeza: batimentos cardíacos fetais — pelo sonar a partir de 12 semanas e pelo Pinard a partir de 20 —, percepção dos movimentos fetais entre 18 e 20 semanas e visualização ultrassonográfica, com saco gestacional transvaginal de 4 a 5 semanas e atividade cardíaca com 6 semanas. A alternativa 1 é o distrator campeão do tema: o beta-hCG positivo é sinal de probabilidade, não de certeza, porque demonstra o hormônio e não o concepto. A 2 também é de probabilidade. As alternativas 3 e 4 descrevem modificações anatômicas, que entram como sinais de presunção.
Mulher de 30 anos, com teste rápido de gravidez positivo, procura a unidade básica. Não lembra a data exata da última menstruação, mas afirma com segurança que ela ocorreu no fim de março. A unidade não tem vaga de ultrassonografia disponível no mês. Ao exame, o fundo uterino é palpável logo acima da sínfise púbica. Qual é a conduta para estimar a idade gestacional?
Quando a mulher não lembra a data mas lembra o período do mês, a convenção brasileira transforma início, meio e fim de mês nos dias 5, 15 e 25, respectivamente — fim de março vira 25 de março —, e a partir daí aplica-se o cálculo por calendário ou por gestograma. É uma aproximação assumida, e por isso vem acompanhada da instrução de solicitar a ultrassonografia o mais precocemente possível, já que cada semana de espera piora a precisão do exame. Adotar o meio do mês desloca a estimativa em dez dias, o suficiente para tirar a gestante da janela de um rastreio; arredondar para o mês seguinte desloca ainda mais. Deixá-la sem nenhuma estimativa até haver vaga de imagem é justamente o que a convenção existe para evitar. O achado de fundo uterino palpável na sínfise é compatível com cerca de 12 semanas e ajuda a checar a estimativa, mas a altura uterina só data quando não há data referida nem ultrassonografia, e sempre por aproximação.
Gestante de 34 anos, sem comorbidades, com datação confiável por ultrassonografia de 11 semanas, solicita cesariana eletiva marcada para 38 semanas por conveniência de agenda familiar. A gestação transcorre sem intercorrências e o feto tem crescimento adequado. Qual é a classificação dessa idade gestacional e o argumento que orienta a resposta?
A faixa de termo é subdividida em termo precoce, de 37 semanas a 38 semanas e 6 dias, termo pleno, de 39 semanas a 40 semanas e 6 dias, e termo tardio, de 41 semanas a 41 semanas e 6 dias; pós-termo começa em 42 semanas. Trinta e oito semanas é, portanto, termo precoce, e a subdivisão existe justamente porque os desfechos neonatais dessa faixa são mensuravelmente piores que os do termo pleno — é esse o argumento contra a cesariana eletiva marcada nessa semana. Chamar a idade de pré-termo tardio erra a classificação, já que prematuridade é o que termina antes de 37 semanas completas. Tratar 38 semanas como termo pleno apaga exatamente a distinção que fundamenta a conversa com a gestante. Termo tardio começa em 41 semanas, e é aí que a régua brasileira manda avaliar bem-estar fetal; e não há nada de pós-termo iminente numa gestação que ainda não alcançou o termo pleno.
Mulher de 27 anos comparece à unidade básica com beta-hCG quantitativo sérico de 32.000 mUI/mL, colhido por conta própria. Refere ciclos irregulares e não sabe informar a data da última menstruação. Está assintomática e o útero não é palpável no abdome. Ela pede que a idade gestacional seja calculada pelo valor do exame. Qual é a orientação correta?
O beta-hCG confirma a gestação — valores acima de 25 mUI/mL são considerados positivos, e a faixa entre 2 e 25 é onde ocorrem os falso-positivos —, mas não data. Não existe correspondência utilizável entre um valor absoluto e uma semana de gravidez, porque as faixas de normalidade se sobrepõem amplamente entre semanas vizinhas; transformar um número em idade gestacional é inventar uma régua que não existe. A dosagem seriada tem outro papel, que é avaliar se a gestação está evoluindo, e serve ao diferencial de gestação ectópica e de abortamento, não ao cálculo da semana. Como a mulher tem ciclos irregulares e não sabe a data da última menstruação, a datação se faz por ultrassonografia solicitada o mais precocemente possível, porque a precisão do exame cai a cada semana. Exigir 100.000 mUI/mL para confirmar a gravidez inventa um corte, e pedir teste urinário depois de um sérico positivo repete, com método menos sensível, o que já está respondido.
Mulher de 30 anos comparece à primeira consulta de pré-natal com data da última menstruação incerta e ciclos irregulares. Traz ultrassonografia realizada com 9 semanas pelo cálculo aproximado, com comprimento cabeça-nádega de 25 mm. Como definir a idade gestacional?
A ultrassonografia de primeiro trimestre pelo comprimento cabeça-nádega tem erro de apenas 5 a 7 dias, porque nessa fase o crescimento embrionário é praticamente idêntico entre fetos; depois disso a variabilidade biológica cresce e o método perde acurácia (o segundo trimestre erra cerca de 10 a 14 dias, e o terceiro, 3 semanas ou mais). Manter uma última menstruação incerta como referência é o erro mais comum e contamina tudo o que vem depois — curva de crescimento, diagnóstico de restrição, decisão de indução — porque uma idade gestacional errada desloca todas as réguas. A altura uterina é ferramenta de rastreamento de crescimento, nunca de datação.
Gestante refere data da última menstruação que corresponde a 8 semanas e 4 dias, mas a ultrassonografia realizada no mesmo dia mostra comprimento cabeça-nádega compatível com 7 semanas e 1 dia. Ciclos irregulares. Como definir a idade gestacional?
O comprimento cabeça-nádega do primeiro trimestre é o método mais acurado de datação, e quando a divergência em relação à data menstrual ultrapassa cerca de uma semana nessa fase, a biometria substitui a data referida. Insistir na última menstruação em ciclos irregulares é a fonte clássica de erro, e leva a diagnósticos falsos de gestação prolongada ou de restrição de crescimento. Fazer média não é método reconhecido, e a biometria de segundo e terceiro trimestres tem margem de erro progressivamente maior.
Em qual momento da gestação a ultrassonografia é mais precisa para a datação, aspecto essencial para interpretar corretamente a altura uterina e a biometria fetal?
A datação por ultrassonografia é mais precisa no primeiro trimestre, entre 11 e 13 semanas e 6 dias, pelo comprimento cabeça-nádega, porque nessa fase a variação biológica entre fetos é mínima — a margem de erro é de poucos dias. Exames de segundo trimestre engana porque a morfológica é o exame que a maioria das gestantes faz e traz várias medidas, mas a variabilidade individual já cresceu e a margem de erro sobe para uma a duas semanas. No terceiro trimestre a datação é a menos confiável, justamente porque a restrição de crescimento falseia as medidas e pode fazer o exame subestimar a idade gestacional.
Mulher de 27 anos, com ciclos regulares de 28 dias, refere data da última menstruação em 10 de março. Qual a data provável do parto pela regra de Naegele?
A regra de Naegele soma sete dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrai três meses: 10 de março mais sete dias resulta em 17 de março, e recuando três meses chega-se a 17 de dezembro. Somar apenas os meses sem os sete dias produz 10 de dezembro, que é o deslize mais comum. A regra pressupõe ciclos regulares de 28 dias e perde precisão quando o ciclo é irregular ou a data menstrual é incerta.
Gestante com data da última menstruação incerta realiza ultrassonografia com 9 semanas pelo comprimento cabeça-nádega, que difere em 10 dias da idade gestacional calculada pela data menstrual referida. Qual a conduta?
O comprimento cabeça-nádega medido entre 7 e 13 semanas e 6 dias é o parâmetro mais acurado para datar a gestação, com margem de erro de poucos dias, e prevalece sobre a data menstrual quando a diferença excede o limite aceitável ou quando a data é incerta. Manter a data menstrual duvidosa é o que produz induções indevidas por suposto pós-datismo e diagnósticos falsos de restrição de crescimento. A biometria de terceiro trimestre tem margem de erro de até três semanas e não serve para redefinir a data.
Gestante refere ter percebido os primeiros movimentos fetais. Em uma primigesta, essa percepção habitualmente ocorre em torno de qual idade gestacional?
A percepção dos primeiros movimentos fetais ocorre em torno de 18 a 20 semanas na primigesta e um pouco mais cedo, cerca de 16 a 18 semanas, na multípara, que já reconhece a sensação. O dado tem valor apenas como estimativa grosseira quando não há outra referência, porque a variabilidade é grande. Marcar 12 semanas é impossível pela percepção materna, e 28 semanas seria tardio o suficiente para levantar preocupação.
Qual é a curva esperada da fração beta da gonadotrofina coriônica em gestação intrauterina viável de primeiro trimestre?
Na gestação inicial viável, a fração beta sobe de forma robusta, com incremento mínimo esperado da ordem de 35% a 50% em 48 horas, atinge pico entre 8 e 10 semanas e depois declina, mantendo-se em platô no restante da gestação. A duplicação a cada 24 horas é a versão exagerada dessa regra e leva a diagnosticar inviabilidade em gestações normais. Curva linear até o termo, queda precoce ou estabilidade completa não correspondem à fisiologia.
Mulher de 25 anos com atraso menstrual de duas semanas tem teste imunológico de gravidez urinário negativo, mas mantém queixa de mastalgia e náusea. Qual a conduta mais apropriada?
O teste urinário pode ser negativo em gestação muito inicial, e a conduta diante de suspeita persistente é repetir após alguns dias ou solicitar a dosagem quantitativa sérica, mais sensível e capaz de detectar valores baixos. Descartar gravidez com um único teste urinário negativo é o erro que precede prescrições contraindicadas e exames com radiação. A ultrassonografia muito precoce pode não visualizar o saco gestacional e não substitui o marcador, progesterona não é teste diagnóstico e induzir sangramento em possível gestação é conduta inadequada.
Qual dos achados abaixo é considerado sinal de certeza de gravidez?
Os sinais de certeza dependem da identificação do concepto: ausculta dos batimentos cardíacos fetais, percepção de movimentos fetais pelo examinador e visualização do feto por imagem. O sinal de Hegar, o amolecimento cervical e as demais alterações uterinas são sinais de probabilidade, porque refletem modificação do órgão e não a presença do feto — é a confusão entre essas duas categorias que gera erro na prova. Náuseas e alterações cutâneas são apenas sinais de presunção.
Qual estrutura visualizada à ultrassonografia transvaginal confirma gestação intrauterina antes da identificação do embrião?
A visualização de saco gestacional intrauterino contendo vesícula vitelina confirma gestação de localização uterina antes de o embrião ser identificável, e é o marco que afasta a gestação ectópica na maioria dos casos. O pseudossaco é justamente o achado que simula gestação em pacientes com ectópica e não deve ser tomado como confirmação — é a armadilha desse tema. Espessamento endometrial, corpo lúteo e líquido livre são achados inespecíficos.
Mulher de 24 anos comparece à primeira consulta de pré-natal em Unidade Básica de Saúde no dia 12 de julho. Relata ciclos menstruais regulares de 28 dias e informa que a data da última menstruação foi 10 de março do mesmo ano. O teste imunológico de gravidez é positivo. Ao exame obstétrico, altura uterina de 17 cm e batimentos cardíacos fetais audíveis ao sonar Doppler. Aplicando a regra de Naegele, assinale a data provável do parto e a idade gestacional no dia da consulta.
A regra de Naegele soma 7 dias ao primeiro dia da última menstruação e subtrai 3 meses: 10/03 + 7 dias = 17/03; 17/03 − 3 meses = 17 de dezembro. Da DUM (10/03) até 12/07 decorreram 124 dias, ou seja, 17 semanas e 5 dias, coerentes com altura uterina de 17 cm. A resposta que mantém a data correta mas propõe 15 semanas e 3 dias subestima o intervalo em cerca de duas semanas. A que traz 3 de dezembro somou os 7 dias na direção errada. A que projeta janeiro do ano seguinte subtraiu apenas 2 meses, erro clássico de aplicação da regra.
Gestante de 27 anos, com 30 semanas, é atendida na Unidade Básica de Saúde para revisão. Ela pergunta sobre a ultrassonografia morfológica que realizou no segundo trimestre e sobre qual é a melhor época para datar a gestação com precisão. Refere que perdeu a data da última menstruação e tem ciclos irregulares. Já fez uma ultrassonografia com 8 semanas e outra com 22 semanas. Assinale a alternativa correta sobre a datação ultrassonográfica.
A menor variabilidade biológica no início da gestação torna a medida do comprimento cabeça-nádega no primeiro trimestre o parâmetro mais preciso para datação, com erro de poucos dias. No terceiro trimestre a dispersão do crescimento fetal amplia o erro para até três semanas, o que desqualifica esse exame como referência de datação. A precisão não é uniforme ao longo da gestação, justamente porque a variabilidade aumenta com a idade gestacional. A altura uterina é medida de triagem sujeita a múltiplos vieses e não substitui a ultrassonografia precoce.
Mulher de 30 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com atraso menstrual de seis semanas. Refere náuseas matinais, aumento da sensibilidade mamária e polaciúria. Ao exame ginecológico, observa-se coloração violácea da vagina e do colo, amolecimento do istmo e aumento do volume uterino. O teste imunológico de gravidez é positivo e a ultrassonografia ainda não foi realizada. Assinale a alternativa que classifica corretamente esses achados.
Sinais de presunção são queixas maternas inespecíficas, como náuseas, polaciúria e alterações mamárias; sinais de probabilidade dependem de alterações do trato genital, como o sinal de Jacquemier, com coloração violácea da vulva e vagina, o sinal de Hegar, com amolecimento do istmo, e o aumento do volume uterino. Sinais de certeza exigem a identificação do concepto, como batimentos cardíacos fetais, movimentos fetais percebidos pelo examinador ou visualização ultrassonográfica. As alternativas que promovem achados maternos ou genitais à condição de certeza confundem categorias semiológicas clássicas.
Gestante de 28 anos comparece à Unidade Básica de Saúde referindo ciclos menstruais irregulares e incerteza quanto à data da última menstruação. Pela informação aproximada que fornece, estaria com cerca de 10 semanas. Ela está assintomática, sem sangramento ou dor. Ao exame, altura uterina difícil de avaliar, pressão arterial de 112 x 70 mmHg. Realiza ultrassonografia obstétrica que mostra embrião único vivo, com comprimento cabeça-nádega compatível com 8 semanas e 3 dias. A conduta correta quanto à datação é:
A ultrassonografia realizada no primeiro trimestre, com medida do comprimento cabeça-nádega, é o método mais acurado para datação da gestação, e deve ser adotada sempre que a data da última menstruação for desconhecida, incerta ou discrepante além da margem aceita, pois a datação correta orienta decisões sobre prematuridade, restrição de crescimento e conduta em gestação prolongada. Manter uma data incerta gera erros de manejo. A ultrassonografia do terceiro trimestre tem margem de erro ampla. Calcular médias entre métodos não é prática recomendada.
Gestante de 28 anos comparece à Unidade Básica de Saúde referindo atraso menstrual de seis semanas e teste de farmácia positivo. Ela tem ciclos irregulares e não sabe informar com precisão a data da última menstruação. Está assintomática, sem sangramento e sem dor, com pressão arterial de 108x66 mmHg e exame ginecológico mostrando útero discretamente aumentado. A equipe deseja estabelecer a idade gestacional de forma confiável para o seguimento e o planejamento do parto. A conduta correta é
A ultrassonografia de primeiro trimestre, com medida do comprimento cabeça-nádega, é o método mais acurado para datação quando a data da última menstruação é desconhecida ou os ciclos são irregulares, o que impacta decisões sobre prematuridade, restrição de crescimento e indução. Altura uterina tem baixa acurácia para datação. A biometria do terceiro trimestre apresenta grande variabilidade. A data do teste positivo não permite estimar a idade gestacional com precisão.
Mulher de 24 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com atraso menstrual de duas semanas, náuseas matinais e mastalgia. O teste rápido de gravidez realizado na unidade é positivo. Ela está assintomática do ponto de vista abdominal, sem sangramento vaginal, com pressão arterial de 110x70 mmHg e exame ginecológico compatível com útero discretamente aumentado. Deseja continuar a gestação e pergunta se precisa fazer exames de sangue para confirmar e ultrassonografia imediata. Qual é a conduta adequada?
Teste imunológico positivo com atraso menstrual e sintomas típicos confirma a gravidez, e a conduta é iniciar o pré-natal na atenção primária, com solicitação dos exames de rotina do primeiro trimestre e ultrassonografia no momento oportuno. Repetir o teste não acrescenta informação, já que o resultado é qualitativo. As dosagens seriadas de beta-hCG destinam-se à suspeita de gestação ectópica ou de abortamento, não à gestação com evolução normal. Encaminhar ao alto risco sem fator de risco identificado congestiona a referência.
Mulher, 26 anos, primigesta, com ciclos irregulares de 26 a 40 dias, refere DUM em 5 de janeiro. Em 20 de março realiza ultrassonografia transvaginal que mostra embrião único com comprimento cabeça-nádega compatível com 9 semanas e 2 dias e batimentos cardíacos presentes. Pela DUM, teria 10 semanas e 4 dias. Qual a conduta quanto à datação?
Adotar a idade gestacional do ultrassom e redefinir a data provável do parto é o correto: no 1º trimestre, o comprimento cabeça-nádega tem erro de apenas 5 a 7 dias, e a discordância aqui é de 9 dias, superior à tolerância de 5 a 7 dias aceita até 13 semanas — além disso, a irregularidade menstrual torna a DUM pouco confiável. Manter a datação pela DUM aplicaria uma tolerância de 10 dias, que só vale para exames realizados no 2º trimestre. Calcular média aritmética entre os métodos não é procedimento validado e mistura estimativas com precisões distintas. Repetir o exame em 4 semanas piora a acurácia, já que a variabilidade biológica cresce com a idade gestacional, e a circunferência abdominal é o pior parâmetro isolado para datar. Reservar o ultrassom apenas ao rastreio de aneuploidias desperdiça o exame mais preciso disponível para datação.
Mulher, 24 anos, com ciclos regulares de 28 dias, apresenta atraso menstrual de 10 dias, náuseas matinais e mastalgia. Nega sangramento ou dor. PA 112/70 mmHg, exame ginecológico com colo amolecido e útero discretamente aumentado. Teste imunológico de gravidez na urina positivo. Ultrassom transvaginal ainda não realizado, e ela pergunta a partir de quando é possível visualizar o embrião e os batimentos. Qual a orientação correta?
A orientação correta é que, por via transvaginal, o saco gestacional é identificado por volta de 4 a 5 semanas, a vesícula vitelínica em torno de 5 semanas e os batimentos cardíacos embrionários a partir de cerca de 6 semanas, quando o comprimento cabeça-nádega atinge aproximadamente 5 a 7 mm. Visualizar batimentos com 3 semanas é impossível, pois o coração ainda não se formou. O ultrassom abdominal identifica as estruturas mais tardiamente que o transvaginal, e não antes. O beta-hCG torna-se detectável no sangue cerca de 8 a 11 dias após a concepção, muito antes de 8 semanas. Diagnosticar gestação anembrionada exige critérios de diâmetro médio do saco gestacional sem embrião, e um único exame com 6 semanas frequentemente exige repetição.
Mulher, 25 anos, com ciclos menstruais regulares de 28 dias, refere data da última menstruação em 10 de março. Comparece à primeira consulta de pré-natal em 12 de junho, assintomática, com PA 110/70 mmHg e exame obstétrico compatível. O ultrassom de 1º trimestre, realizado em 20 de abril, mostrou comprimento cabeça-nádega compatível com 6 semanas, sem discordância significativa em relação à data da última menstruação. Qual a data provável do parto pela regra de Naegele?
Pela regra de Naegele, soma-se 7 dias ao dia da última menstruação e subtraem-se 3 meses, o que aplicado a 10 de março resulta em 17 de dezembro do mesmo ano, data confirmada pela concordância com o ultrassom precoce. A opção de 10 de dezembro ignora a soma dos 7 dias. A data de 17 de novembro subtrai 4 meses em vez de 3. A data de 3 de janeiro não corresponde a nenhuma etapa correta do cálculo. A data de 24 de dezembro somaria 14 dias em vez de 7, duplicando indevidamente o ajuste previsto na regra.
Mulher, 23 anos, com atraso menstrual de 8 semanas, comparece à unidade básica. Ao exame, apresenta amolecimento do istmo uterino ao toque bimanual, coloração violácea da mucosa vaginal e do colo, aumento do volume uterino com forma globosa e assimetria uterina à palpação. Refere náuseas e polaciúria. Não há disponibilidade imediata de teste laboratorial ou de ultrassonografia na unidade nesse momento. Qual desses achados corresponde a sinal de certeza de gravidez?
Nenhum dos achados descritos é sinal de certeza, pois todos correspondem a sinais de presunção ou de probabilidade: os sinais de certeza são a ausculta dos batimentos cardíacos fetais, a percepção de movimentos fetais pelo examinador e a visualização do concepto pela ultrassonografia. O sinal de Hegar, amolecimento do istmo, é sinal de probabilidade ligado às modificações uterinas. O sinal de Jacquemier ou Chadwick, com coloração violácea da mucosa, é sinal de probabilidade decorrente da congestão pélvica. O sinal de Piskacek, com assimetria uterina pela implantação, também é de probabilidade. Náuseas e polaciúria com atraso menstrual são sinais de presunção, inespecíficos e dependentes do relato da paciente.
Mulher, 25 anos, com atraso menstrual de 5 dias e teste de gravidez positivo, relata pequeno sangramento vaginal de coloração acastanhada, que durou 2 dias e cessou espontaneamente, sem dor ou febre. PA 116/74 mmHg, FC 76 bpm, abdome indolor, colo fechado ao exame especular sem sangramento ativo. Beta-hCG de 620 mUI/mL e ultrassom transvaginal com saco gestacional intrauterino de 4 mm, sem embrião visível. Qual a conduta correta?
A conduta correta é orientar que os achados são compatíveis com gestação intrauterina muito inicial, com sangramento discreto e autolimitado que pode corresponder ao sangramento de implantação, mantendo seguimento com nova avaliação clínica e ultrassonográfica em cerca de 1 a 2 semanas para documentar o embrião e os batimentos. Diagnosticar abortamento incompleto é incorreto, pois há saco gestacional íntegro e colo fechado. A progesterona em altas doses não tem indicação em gestação inicial normal sem antecedente de perdas recorrentes. Diagnosticar gestação anembrionada exige diâmetro médio do saco gestacional maior que os critérios estabelecidos sem embrião, o que não se aplica a um saco de 4 mm. O cariótipo do casal é indicado na investigação de perdas recorrentes.
Mulher de 27 anos, com atraso menstrual de sete semanas e beta-hCG de 28.000 mUI/mL, realiza ultrassonografia transvaginal por sangramento discreto. O exame mostra saco gestacional de 25 mm, embrião de 9 mm com batimentos cardíacos presentes a 128 bpm e saco vitelínico de 8 mm, com contorno irregular e ecogenicidade aumentada. Assinale a alternativa correta sobre o achado.
Saco vitelínico com diâmetro superior a 6 mm, calcificado ou de contorno irregular é marcador de mau prognóstico e justifica seguimento ultrassonográfico, sem que isso feche diagnóstico de inviabilidade. Afirmar que o achado confirma gestação inviável extrapola o valor do marcador e poderia levar a esvaziamento de gestação com embrião vivo. Dizer que a medida normal está entre 8 e 12 mm inverte a referência, já que o saco vitelínico normal não ultrapassa cerca de 6 mm. Indicar biópsia de vilo corial por esse achado isolado é conduta invasiva sem indicação, pois o marcador não é diagnóstico de aneuploidia. Sustentar que a atividade cardíaca afasta risco é falso: ela melhora o prognóstico, mas não anula o risco adicional conferido pelos marcadores descritos.
Gestante de 30 anos, secundigesta, com 17 semanas, relata que já percebe movimentos fetais há uma semana, enquanto uma amiga primigesta de mesma idade gestacional ainda não sente nada e está preocupada. Ambas realizam pré-natal na mesma unidade e as ultrassonografias mostram fetos com vitalidade preservada, biometria adequada e líquido amniótico normal. A gestante pergunta se essa diferença entre elas é esperada ou se indica algum problema. Qual a orientação correta?
A multípara costuma reconhecer os movimentos fetais mais cedo, entre 16 e 18 semanas, por já ter vivido a experiência, enquanto na primigesta a percepção ocorre habitualmente entre 18 e 20 semanas. Afirmar que a primigesta percebe antes inverte esse padrão clássico. Dizer que toda percepção antes de 20 semanas é falsa desconsidera a experiência das multíparas. Indicar investigação urgente na primigesta com 17 semanas é conduta desproporcional diante de ultrassonografia normal. Afirmar independência da paridade com percepção fixa em 22 semanas não corresponde à variação fisiológica descrita.
Gestante de 25 anos, com ciclos menstruais irregulares e data da última menstruação incerta, realiza ultrassonografia transvaginal por sangramento discreto. O exame mostra saco gestacional intrauterino único, embrião com comprimento cabeça-nádega de 32 mm e batimentos cardíacos presentes a 162 bpm. A paciente está assintomática no momento, com PA 108x66 mmHg, colo fechado ao exame especular e sangramento em pequena quantidade, sem coágulos. Qual a conduta correta quanto à datação da gestação?
O comprimento cabeça-nádega é o parâmetro mais preciso para datação até 13 semanas e 6 dias, com margem de erro de poucos dias, e deve prevalecer sobre a data da última menstruação quando os ciclos são irregulares ou a informação é incerta. Datar pela última menstruação referida perpetua o erro que o exame corrige. O diâmetro biparietal só se torna útil a partir do segundo trimestre e é menos preciso nessa fase. Aguardar o morfológico atrasa a datação e amplia a margem de erro. Datar pela altura uterina é impossível no primeiro trimestre, período em que o útero mal ultrapassa a sínfise púbica.
Pessoa com ciclos regulares de 28 dias registra início da última menstruação em 08/01/2026. A questão pede apenas a estimativa de 280 dias, antes de eventual ajuste por ultrassom. Qual é a data provável do parto ao acrescentar 280 dias à data informada?
Somando 280 dias à data informada, chega-se a 15/10/2026. A estimativa solicitada soma 280 dias à data da última menstruação em ciclo regular de 28 dias; datação clínica pode ser ajustada por ultrassonografia apropriada. Referência: https://www.nhs.uk/pregnancy/finding-out/due-date-calculator/
Paciente em início de pré-natal tem data menstrual confiável de 01/01/2026, ciclos habituais de 28 dias e ausência de fator que altere o cálculo solicitado pela história menstrual. Qual é a data provável do parto ao acrescentar 280 dias à data informada?
Somando 280 dias à data informada, chega-se a 08/10/2026. A estimativa solicitada soma 280 dias à data da última menstruação em ciclo regular de 28 dias; datação clínica pode ser ajustada por ultrassonografia apropriada. Referência: https://www.nhs.uk/pregnancy/finding-out/due-date-calculator/
Gestante com ciclos regulares de 28 dias informa com certeza que a última menstruação começou em 25/12/2025. Para este exercício, não há dado ultrassonográfico que modifique a estimativa. Qual é a data provável do parto ao acrescentar 280 dias à data informada?
Somando 280 dias à data informada, chega-se a 01/10/2026. A estimativa solicitada soma 280 dias à data da última menstruação em ciclo regular de 28 dias; datação clínica pode ser ajustada por ultrassonografia apropriada. Referência: https://www.nhs.uk/pregnancy/finding-out/due-date-calculator/
Gestante relata última menstruação iniciada em 15/01/2026, com ciclos de 28 dias e data bem documentada. Utilize a duração gestacional convencional explicitada no enunciado. Qual é a data provável do parto ao acrescentar 280 dias à data informada?
Somando 280 dias à data informada, chega-se a 22/10/2026. A estimativa solicitada soma 280 dias à data da última menstruação em ciclo regular de 28 dias; datação clínica pode ser ajustada por ultrassonografia apropriada. Referência: https://www.nhs.uk/pregnancy/finding-out/due-date-calculator/
Com menstruação incerta, qual informação deve receber maior peso para estabelecer datação inicial?

Ultrassonografia precoce tem maior precisão para datação que sinais tardios, sobretudo com ciclos irregulares.
A estimativa registrada corresponde a qual trimestre?

Nove semanas e dois dias estão no primeiro trimestre.
Por que não se deve redatar automaticamente pela biometria menor no exame tardio?

Datação confiável deve ser preservada; discrepância tardia pede avaliação de crescimento e outras causas.
Qual informação torna a última menstruação menos confiável neste caso?

Irregularidade e incerteza dificultam estimativa baseada apenas na menstruação.
Qual medida é usada no início da gestação para apoiar a datação?

Comprimento cabeça-nádega no primeiro trimestre é uma medida útil para estimar idade gestacional.
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Os números, na ordem em que a questão os usa. Atraso menstrual acima de 15 dias indica o teste rápido de gravidez na unidade; acima de 12 semanas de atraso, o diagnóstico pode ser clínico e o teste é dispensável. Beta-hCG detectável no sangue entre 8 e 11 dias após a concepção, positivo no soro a partir do oitavo ou nono dia após a fertilização, pico entre 60 e 90 dias, sensibilidade dos testes entre 25 e 30 mUI/mL, valores abaixo de 5 negativos e acima de 25 positivos, falso-positivo entre 2 e 25. Sinais de certeza: batimentos pelo sonar a partir de 12 semanas e pelo Pinard a partir de 20; movimentos fetais de 18 a 20 semanas; ultrassom com saco gestacional transvaginal de 4 a 5 semanas e atividade cardíaca com 6 semanas. Última menstruação é o primeiro dia de sangramento e é método de escolha em ciclos regulares sem anticoncepcional hormonal. Idade gestacional é o intervalo em dias dividido por sete. Sem data, mas com período do mês, use dia 5, 15 ou 25. Marcos uterinos: 12ª semana palpável na sínfise, 16ª entre sínfise e umbigo, 20ª no umbigo, relação direta com centímetros da 20ª à 30ª. Data provável do parto: 280 dias ou 40 semanas; Näegele soma 7 ao dia e subtrai 3 do mês, ou soma 9 se for de janeiro a março, passando o dia excedente para o mês seguinte com mais 1 no mês. Cortes de redatação pelo ultrassom: 5 dias até 8 semanas e 6 dias, 7 dias até 15 semanas e 6 dias, 10 dias até 21 semanas e 6 dias, 14 dias até 27 semanas e 6 dias, 21 dias a partir de 28 semanas. Comprimento cabeça-nádega vale até 84 mm. Pré-termo abaixo de 37 semanas, termo de 37 a 41 semanas e 6 dias, pós-termo a partir de 42; encaminhamento com 41 semanas confirmadas. Consultas mensais até a 28ª semana, quinzenais até a 36ª, semanais no termo.
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Refaça o encadeamento com uma data qualquer na mão. Primeiro, decida se a data referida serve: ciclos regulares e ausência de anticoncepcional hormonal são as duas perguntas que autorizam usá-la, e o enunciado que diz “ciclos irregulares” ou “suspendeu a pílula há dois meses” está avisando que a resposta vem do ultrassom. Segundo, calcule a idade gestacional dividindo por sete o intervalo em dias, e a data provável do parto pela regra de Näegele, prestando atenção no mês que estoura e no ano que vira. Terceiro, se houver ultrassom, compare as duas datas contra o corte da faixa: acima do limite, a idade passa a ser a do exame e a data é recalculada uma única vez, para sempre. Quarto, traduza a semana em conduta — janela de translucência nucal, teste oral de tolerância à glicose, corticoterapia antenatal, encaminhamento com 41 semanas confirmadas. E guarde a pergunta que resolve metade das questões difíceis: este ultrassom está datando ou está medindo crescimento? Antes de 14 semanas, datando. Depois de 28, medindo.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 24 anos na unidade básica de saúde, com atraso menstrual, náuseas matinais e teste rápido de gravidez positivo, trazendo a data da última menstruação anotada no celular — confirmar o diagnóstico, calcular idade gestacional e data provável do parto e iniciar o pré-natal — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
