Ginecologia e Obstetrícia › Pré-natal, rastreios e intercorrências clínicas da gestação
Toxoplasmose na gestação
A prova quase nunca pergunta o que é toxoplasmose. Pergunta o que fazer com um par IgG/IgM numa idade gestacional específica — e é a idade gestacional, não a sorologia, que decide qual remédio entra.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Gestante de 31 anos, 12 semanas, assintomática, realiza exames de rotina. Sorologia para toxoplasmose: IgG reagente e IgM reagente. Teste de avidez de IgG resulta ALTA avidez. Nega quadro febril ou linfadenopatia recente. Qual é a interpretação e conduta mais adequada?
Como esse tema cai
Toxoplasmose na gestação é um tema de decisão, não de descrição. A gestante é quase sempre assintomática, o diagnóstico é inteiramente laboratorial e a prova entrega o caso já resolvido do ponto de vista clínico: uma idade gestacional, um IgG, um IgM e, às vezes, uma avidez. O que se pede é o passo seguinte.
Existe uma diretriz nacional específica: a Nota Técnica nº 100/2022 do Ministério da Saúde, que é a régua do SUS para conduta, diagnóstico e tratamento da toxoplasmose adquirida na gestação e da toxoplasmose congênita. Ela organiza tudo em três situações — primeira sorologia até 16 semanas, primeira sorologia depois de 16 semanas e sorologias subsequentes numa gestante que começou suscetível. Reconhecer em qual das três o enunciado colocou a paciente já resolve metade das questões.
Três números carregam quase todo o peso: 16 semanas é o limite de utilidade do teste de avidez de IgG e é o marco a partir do qual o esquema tríplice pode ser usado; 18 semanas é o piso da amniocentese, que ainda precisa respeitar um intervalo mínimo de 4 semanas desde a provável infecção materna. Quem decora esses três números acerta a maioria das vinhetas sem raciocinar mais nada.
O outro eixo do tema é a relação inversa entre transmissão e gravidade. Quanto mais precoce a infecção materna, menor a chance de o feto ser infectado e maior o estrago quando é. Quanto mais tardia, mais fácil transmitir e mais leve o quadro. Essa inversão explica por que o tratamento no primeiro trimestre é profilático e o do terceiro trimestre é terapêutico, e é o gancho preferido dos enunciados que querem separar quem entendeu de quem decorou.
O que muda decisão
O que a sorologia realmente informa
O diagnóstico da toxoplasmose materna é sorológico porque a doença aguda é, na esmagadora maioria das vezes, silenciosa. Quando dá sintoma, é febre baixa e curta, mialgia, cefaleia, faringite, exantema maculopapular não pruriginoso. A manifestação mais característica é a linfonodomegalia cervical bilateral e simétrica, com linfonodos pequenos, em geral menores que 3 cm, sem flutuação, que pode durar semanas. Linfonodomegalia generalizada aparece em 20 a 30% dos casos sintomáticos. Nada disso é específico o bastante para dispensar exame.
A cinética dos anticorpos é o que torna o par IgG/IgM interpretável. A IgM começa a ser produzida 1 a 2 semanas após a infecção aguda e atinge o pico em 1 a 2 meses. O problema é a descida: em muitas mulheres a IgM permanece reagente em títulos baixos — a chamada IgM residual — por 18 meses ou mais. A IgM tem sensibilidade alta e especificidade que varia muito conforme o kit, o que produz falso-positivos com frequência incômoda. A consequência prática é a regra que a prova adora cobrar: IgM reagente não é sinônimo de infecção aguda.
A IgG aparece cerca de 2 semanas depois da positivação da IgM, com pico em 2 a 3 meses, e cai devagar, podendo persistir em títulos baixos por toda a vida. Um aumento de duas vezes ou mais no título de IgG em duas amostras colhidas com 3 semanas de intervalo, no mesmo laboratório e pela mesma técnica — a ressalva do mesmo laboratório e da mesma técnica é obrigatória — sugere infecção recente. A IgA se comporta como a IgM, é detectável em cerca de 80% dos casos agudos e permanece reagente por 3 a 6 meses.
O teste de avidez de IgG é o desempate temporal, e tem prazo de validade dentro da gestação. Avidez alta significa que os anticorpos foram produzidos há mais de 4 meses. Se essa amostra foi colhida até 16 semanas de gestação, a conta fecha: a infecção é anterior à concepção, e o caso é descartado. Colhido a partir de 16 semanas, o mesmo resultado alto não distingue mais infecção pré-gestacional de infecção adquirida no começo da gravidez — 4 meses antes de 20 semanas ainda cai dentro da gestação. Por isso a avidez só é solicitada, e só é útil, até 16 semanas.
Avidez baixa não é o espelho da alta. Ela é fortemente sugestiva de infecção adquirida na gestação quando vem acompanhada de títulos elevados de IgG e IgM, mas pode persistir baixa por muito tempo: até 15% das pacientes com infecção antiga mantêm avidez baixa, às vezes por cerca de um ano. Avidez indeterminada segue a mesma conduta da baixa. Os pontos de corte percentuais dependem do kit comercial e não há valor padrão nacional — quando a prova cobra avidez, ela cobra a leitura alta/baixa e a janela de 16 semanas, não o percentual.
Rastreio: universal, repetido e sem alta até o pós-parto
No Brasil o rastreio é universal. IgG e IgM anti-Toxoplasma gondii são solicitados na primeira consulta de pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre, para todas as gestantes. Há uma exceção que economiza exame: se existe sorologia anterior à gestação com IgG reagente, independentemente do IgM, não se pede nova sorologia — aquela mulher já é imune e o risco fetal é considerado insignificante. Se a sorologia prévia mostrava IgG e IgM não reagentes, ou se não existe sorologia prévia, o rastreio segue normalmente.
A gestante suscetível — IgG e IgM não reagentes — é a que dá mais trabalho, porque ela precisa ser retestada durante toda a gravidez. A diretriz nacional de 2022 pede repetição pelo menos a cada 3 meses, idealmente a cada mês, e mais uma coleta no momento do parto. Se ela chegar soronegativa ao fim, ainda se colhe uma última sorologia de 2 a 4 semanas após o parto: a infecção no fim da gestação pode não ter tido tempo de virar anticorpo antes do nascimento, e essa amostra tardia é o que resgata o caso.
A sorologia do parto tem uma função específica que costuma ser mal entendida. Ela não serve para tratar a mãe — serve para identificar quais recém-nascidos precisam ser investigados. A triagem neonatal em papel-filtro, disponível apenas em alguns estados, pesquisa IgM por captura, é muito sensível e por isso dá falso-positivo, e dá falso-negativo justamente nas infecções fetais do primeiro trimestre e nos casos em que a mãe foi tratada por muito tempo. Não é exame diagnóstico e não substitui a investigação do berçário.
Gestantes imunodeprimidas ou vivendo com HIV têm regra própria: a triagem é oferecida de rotina, independentemente do perfil sorológico prévio. A imunidade prévia, que na imunocompetente encerra o assunto, aqui não encerra — a transmissão transplacentária por reativação é raríssima, mas teoricamente possível na imunossupressão, e nesse cenário a gestante deve ser tratada até o parto.
Vale registrar por que o Brasil rastreia todo mundo. Aqui a soroprevalência é alta, circulam cepas atípicas mais virulentas, a incidência de toxoplasmose congênita está estimada entre 5 e 23 casos por 10 mil nascidos vivos e o tratamento é fornecido pelo SUS. Em países de baixa prevalência, o mesmo rastreio universal produziria mais dano por falso-positivo, ansiedade e amniocentese desnecessária do que benefício.
Transmissão vertical e prevenção primária
A infecção humana ocorre em cerca de metade das vezes por ingestão de cistos teciduais em carne crua ou malcozida. O resto vem de oocistos eliminados nas fezes de gatos e presentes em solo, água e vegetais mal higienizados, além de transplante de órgão de doador infectado e da própria via transplacentária. O gato é o hospedeiro definitivo, mas não é o vilão prático: conviver com um gato doméstico não aumenta o risco de forma relevante desde que ele não seja alimentado com carne crua, não cace e a caixa de areia seja trocada diariamente, de preferência por outra pessoa, com luvas e pá.
A prevenção primária é orientada a toda gestante, independentemente do resultado da sorologia — inclusive à que já tem IgG reagente. A justificativa brasileira é a diversidade genética do parasito e a possibilidade teórica de reinfecção por outra cepa. Não cozinhar bem a carne é o item de maior peso: nenhum tipo de carne crua ou malpassada, incluindo aves, porco, peixe e frutos do mar, e nada de provar a carne durante o preparo. Também entram evitar embutidos curados em salmoura e defumados, não consumir leite e derivados não pasteurizados, higienizar frutas e verduras em água corrente e desinfetá-las em solução clorada, usar luvas ao manipular terra e evitar contaminação cruzada entre alimentos crus e cozidos.
O congelamento é citado com ressalva honesta pelo Ministério da Saúde. A recomendação é congelar a carne por vários dias a pelo menos 12 graus Celsius negativos, mas o próprio documento reconhece que esse não é o método mais confiável de inativar cistos teciduais, porque na prática o congelador da geladeira não atinge essa temperatura — só o freezer. Cozinhar até a carne perder completamente a cor avermelhada continua sendo a medida que funciona.
A taxa de transmissão ao feto, sem tratamento, é de 15 a 20% no primeiro trimestre, 25 a 30% no segundo e de 50 a 90% no terceiro. A gravidade caminha na direção oposta: a infecção precoce é a que produz as lesões devastadoras — hidrocefalia, calcificações intracranianas, microftalmia, morte fetal — enquanto a tardia costuma gerar recém-nascido aparentemente normal, com retinocoroidite que se manifesta meses ou anos depois. Só 10 a 30% das crianças infectadas têm alguma manifestação clínica ao nascimento ou no início da infância.
Uma pergunta que aparece em concurso e não tem resposta redonda na literatura: quanto tempo esperar para engravidar depois de uma toxoplasmose aguda. Como a parasitemia é curta e o encistamento é rápido na mulher imunocompetente, é improvável que haja transmissão fetal depois de 3 meses da infecção. A recomendação prática, ainda assim, é adiar a gestação por pelo menos 6 meses.

As duas perguntas que organizam a conduta
Toda vinheta de toxoplasmose gestacional responde a duas perguntas em sequência. A primeira: a mãe se infectou durante esta gestação? A segunda: o feto já foi infectado? São perguntas independentes, com exames diferentes e, sobretudo, com tratamentos diferentes — e confundi-las é o erro que mais custa questão.
A primeira pergunta se responde com sorologia materna. A segunda, com PCR do líquido amniótico e ultrassonografia fetal. Enquanto a segunda pergunta está em aberto, o objetivo do tratamento é impedir que o parasito chegue ao feto. Depois que ela é respondida com sim, o objetivo passa a ser tratar um feto já infectado. São dois objetivos farmacológicos distintos, e é por isso que existem dois esquemas.
A espiramicina não atravessa a barreira placentária. Ela se concentra na placenta e reduz o risco de transmissão vertical, mas não trata infecção fetal já estabelecida. É o remédio da primeira pergunta ainda em aberto, e o único disponível antes de 16 semanas. O esquema tríplice — sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico — atravessa a placenta e trata o feto, mas a pirimetamina é um antagonista do ácido fólico com risco de teratogenicidade e por isso não pode ser administrada antes de 16 semanas de gestação.
Daí sai a regra que resolve a maioria das questões: infecção materna aguda com menos de 16 semanas começa com espiramicina; a partir de 16 semanas, começa direto com esquema tríplice. E há uma consequência importante do lado do tempo: quanto mais cedo o tratamento materno começar depois da infecção, idealmente em até 3 semanas, menor a taxa de infecção fetal. Por isso a diretriz manda iniciar espiramicina imediatamente diante de um IgM reagente, antes de ter avidez, antes de ter a segunda sorologia, antes de ter vaga no alto risco — e suspender depois, se o caso for descartado.
O encaminhamento ao pré-natal de alto risco também não espera confirmação. Toda gestante com suspeita ou diagnóstico de infecção adquirida na gestação é encaminhada, e o tratamento começa na atenção primária enquanto a vaga não sai. Se os exames subsequentes descartarem a suspeita, ela volta para o pré-natal de risco habitual. Situações que exigem avaliação em emergência, e não ambulatorial: gestante imunossuprimida com toxoplasmose aguda ou reativada, e qualquer gestante com lesão de órgão-alvo, como coriorretinite, miocardite, meningoencefalite, pneumonite ou miosite.
Amniocentese e PCR do líquido amniótico
A pesquisa do DNA do Toxoplasma gondii por PCR no líquido amniótico é o exame que responde à segunda pergunta. Ela tem dois pisos que precisam ser satisfeitos ao mesmo tempo: a partir da 18ª semana de gestação e depois de pelo menos 4 semanas da data estimada da soroconversão materna. Um enunciado que oferece amniocentese a uma gestante de 19 semanas cuja soroconversão foi documentada há 10 dias está testando o segundo piso, não o primeiro.
A sensibilidade da PCR em líquido amniótico é de aproximadamente 70%. Isso significa que PCR negativa não descarta infecção fetal — e essa é a razão pela qual o resultado negativo não interrompe o tratamento, apenas permite discutir a troca do esquema. Quando o feto foi infectado na primeira metade da gestação, PCR negativa com ultrassonografia normal autoriza voltar à espiramicina, mantida até o parto. Quando a infecção foi na segunda metade, e principalmente no último trimestre, mantém-se o esquema tríplice até o parto mesmo com PCR negativa e ultrassom normal.
No terceiro trimestre a amniocentese pode simplesmente ser dispensada. O raciocínio é econômico e está explícito na diretriz: a taxa de transmissão nos últimos meses é tão alta que, qualquer que seja o resultado da PCR, o feto vai ser tratado com esquema tríplice até o parto. Fazer o exame não muda a conduta, e um procedimento invasivo que não muda conduta não se justifica.
Quando a amniocentese não é possível — indisponibilidade, recusa, condição obstétrica — a saída é a mesma: substituir a espiramicina por esquema tríplice a partir de 16 semanas e manter até o parto. A ultrassonografia obstétrica mensal ou bimensal passa a ser o único monitor de infecção fetal e ganha peso proporcional.
Os achados ultrassonográficos que sugerem toxoplasmose congênita são calcificações intracranianas geralmente bilaterais e simétricas, dilatação ventricular e hidrocefalia, microcefalia, ascite e hidropisia, oligodrâmnio ou polidrâmnio, alteração da ecotextura hepática e esplênica, placentomegalia e restrição de crescimento. Achado ultrassonográfico compatível equivale, para efeito de conduta, a PCR positiva: mantém-se o esquema tríplice até o parto. Existe ainda uma janela rara e específica — infecção fetal confirmada por alteração ultrassonográfica no primeiro trimestre: antes de 14 semanas usa-se sulfadiazina isolada; a partir de 14 semanas inicia-se o esquema tríplice completo, ou acrescenta-se pirimetamina e ácido folínico à sulfadiazina já em curso.
Tratamento: doses, trocas e o que monitorar
A espiramicina é prescrita como 500 mg, 2 comprimidos, de 8 em 8 horas — 3 g por dia. O nome comercial que aparece em prescrição e às vezes em prova é Rovamicina, apresentada como comprimido revestido de 1,5 milhão de UI, equivalente a 500 mg. É bem tolerada; os efeitos adversos são náusea, vômito, diarreia e reações cutâneas, e não exige monitorização laboratorial.
O esquema tríplice é sulfadiazina 500 mg, 2 comprimidos de 8 em 8 horas ou 3 comprimidos de 12 em 12 horas, mais pirimetamina 25 mg, 2 comprimidos uma vez ao dia, mais ácido folínico 15 mg, 1 comprimido uma vez ao dia. Em gramas: 3 g de sulfadiazina e 50 mg de pirimetamina por dia. Uma vez indicado, é usado ininterruptamente até o parto.
Ácido folínico não é ácido fólico, e essa troca é a armadilha farmacológica clássica do tema. A pirimetamina bloqueia a di-hidrofolato redutase; o ácido fólico precisa dessa enzima para ser convertido em folato ativo e, portanto, não resgata a medula sob pirimetamina — além de poder competir com a droga. O ácido folínico já é a forma reduzida e cumpre o papel. Ele deve ser mantido por mais uma semana depois de suspensa a pirimetamina, porque a supressão medular não termina junto com a última dose.
A monitorização sob esquema tríplice é hemograma com plaquetas a cada quinze dias, porque a pirimetamina pode causar anemia, leucopenia e trombocitopenia. Náuseas, vômitos, dor abdominal, anorexia e gosto amargo na boca são comuns e não motivam suspensão. Reações cutâneas papulares, vesiculares ou bolhosas ocorrem em 2 a 3% dos casos; síndrome de Stevens-Johnson é muito rara. A sulfadiazina provoca hemólise em portadoras de deficiência de G6PD.
Existe esquema alternativo previsto para desabastecimento ou intolerância, e ele já foi objeto de nota técnica do Ministério da Saúde quando faltou sulfadiazina 500 mg na rede em 2020. As opções descritas são sulfadoxina com pirimetamina semanal e ácido folínico; sulfametoxazol-trimetoprima de 12 em 12 horas associado a espiramicina; e azitromicina com pirimetamina e ácido folínico. Para o primeiro trimestre não há alternativa à espiramicina — nenhuma outra droga foi estudada nesse período, e a azitromicina, embora segura no primeiro trimestre, não foi avaliada para toxoplasmose.
No recém-nascido, o tratamento está indicado em toda criança com infecção diagnosticada no primeiro ano de vida, inclusive assintomática, e dura um ano: sulfadiazina 100 mg/kg/dia de 12 em 12 horas por 12 meses; pirimetamina 1 mg/kg/dia por 2 a 6 meses e depois 1 mg/kg três vezes por semana até completar um ano de uso; ácido folínico 10 mg três vezes por semana, aumentado para 20 mg/dia se os neutrófilos caírem abaixo de 1.000/mm³ e com suspensão da pirimetamina se caírem abaixo de 500/mm³. Prednisolona 1 mg/kg/dia dividida em duas tomadas entra quando há retinocoroidite em atividade ou proteinorraquia igual ou superior a 1.000 mg/dL, sempre associada às outras duas drogas.
O recém-nascido: quando investigar e como confirmar
Todo recém-nascido de mãe com toxoplasmose aguda provável ou confirmada na gestação é investigado ainda na maternidade, sem esperar o resultado da triagem neonatal. Também entram na investigação a criança com sinais ou sintomas sugestivos de infecção congênita, a que tem alteração em exame fetal ou pós-parto, e a que teve teste do pezinho reagente para IgM. Recém-nascido de mulher coinfectada por HIV e Toxoplasma gondii que não fez profilaxia na gestação é avaliado da mesma forma.
A confirmação se apoia num detalhe imunológico simples: IgM e IgA não atravessam a barreira placentária. Se estiverem presentes no sangue do recém-nascido, a produção é dele — logo, infecção congênita. A IgG, ao contrário, atravessa e pode ser apenas materna, persistindo reagente no bebê por até 12 meses. Por isso o seguimento sorológico do primeiro ano é o que fecha ou exclui o diagnóstico: queda progressiva da IgG até negativar em duas amostras com intervalo mínimo de um mês exclui a toxoplasmose congênita; IgG estável, ascendente ou ainda reagente depois dos 12 meses confirma.
A avaliação inicial pede sorologia pareada de mãe e filho, exame de fundo de olho, avaliação auditiva com potenciais evocados de tronco encefálico, ultrassonografia transfontanelar ou tomografia de crânio sem contraste, hemograma e função hepática. Líquor entra quando há alteração neurológica clínica ou de imagem. Na criança sintomática, investiga-se em paralelo sífilis, citomegalovirose e rubéola — as infecções congênitas que se imitam.
As lesões oculares são as mais frequentes, respondendo por cerca de 70% das manifestações, com a retinocoroidite à frente. As neurológicas são as mais graves, e as mais encontradas são calcificações intracranianas e hidrocefalia. A associação clássica de retinocoroidite, hidrocefalia e calcificações intracranianas difusas é a que os enunciados usam para sinalizar toxoplasmose congênita e separá-la das outras infecções do grupo TORCH. Ainda assim, a apresentação mais comum é nenhuma: apenas 10 a 30% das crianças infectadas têm manifestação clínica ao nascimento ou no início da infância.
O tratamento está indicado em toda criança com infecção diagnosticada no primeiro ano de vida, inclusive na assintomática, e o objetivo é reduzir sequela visual e neurológica. Um ponto que costuma ser esquecido: a presença de retinocoroidite em atividade, ou proteinorraquia igual ou superior a 1.000 mg/dL, acrescenta prednisolona ao esquema, sempre associada à sulfadiazina e à pirimetamina, com retirada gradual depois de estabilizado o processo inflamatório.
Notificação e definição de caso
Toxoplasmose gestacional e toxoplasmose congênita são de notificação compulsória. Todo caso suspeito, provável ou confirmado de infecção adquirida na gestação vai para o Sinan sob CID O98.6; o caso suspeito de toxoplasmose congênita, sob CID P37.1. A notificação é do caso suspeito — se depois a infecção aguda for excluída, o caso é descartado no próprio sistema. Esperar confirmação para notificar é erro de vigilância, não zelo.
Caso suspeito é a gestante com IgM reagente ou indeterminado; ou com história clínica compatível com infecção adquirida após a concepção; ou com ultrassonografia obstétrica sugestiva de toxoplasmose congênita; ou identificada em situação de surto.
Caso provável é o caso suspeito com IgM e IgG reagentes e avidez de IgG baixa ou intermediária em qualquer idade gestacional; ou com títulos ascendentes de IgG em amostras seriadas com intervalo mínimo de 2 semanas e IgM reagente; ou com primeira sorologia após 16 semanas mostrando IgG em nível elevado, acima de 300 UI/dL ou conforme a metodologia usada, com IgM reagente.
Caso confirmado é aquele com soroconversão de IgG e IgM durante a gestação; ou com detecção de DNA do parasito em líquido amniótico, tecido placentário, fetal ou de órgãos; ou a mãe de criança com toxoplasmose congênita confirmada.
Caso descartado é o que tem IgG reagente mais de 3 meses antes da concepção, situação em que a IgM é residual e a infecção é crônica; ou avidez alta de IgG em amostra colhida até 16 semanas; ou duas amostras de IgG negativas com intervalo de 2 a 3 semanas apesar de IgM reagente, o que caracteriza falso-positivo de IgM e devolve a paciente à condição de suscetível.
Da sorologia à conduta em cinco perguntas
O que segue reproduz a lógica da Nota Técnica nº 100/2022 do Ministério da Saúde. Cada pergunta elimina um ramo inteiro do fluxograma; respondidas em ordem, elas levam a uma conduta única.
- 1Existe sorologia anterior a esta gestação com IgG reagente? Se sim, não peça nada: infecção prévia, risco fetal insignificante, apenas prevenção primária.
- 2Qual a idade gestacional da PRIMEIRA sorologia — até 16 semanas ou depois? Isso define se o teste de avidez ainda serve e se o esquema tríplice já pode entrar.
- 3IgM reagente em qualquer combinação? Inicie espiramicina imediatamente e notifique no Sinan, antes da avidez e antes da segunda amostra.
- 4A infecção materna foi confirmada ou permanece provável? Até 16 semanas mantenha espiramicina; a partir de 16 semanas troque para o esquema tríplice e encaminhe ao pré-natal de alto risco.
- 5Dá para investigar o feto? Amniocentese com PCR a partir de 18 semanas e ao menos 4 semanas após a provável infecção, mais ultrassonografia mensal ou bimensal; sem amniocentese, esquema tríplice até o parto.
1º trimestre — transmite pouco, machuca muito
Transmissão vertical de 15 a 20% sem tratamento, a menor das três. Quando ocorre, é a forma mais grave: hidrocefalia, calcificações intracranianas, microftalmia, perda fetal. Antes de 16 semanas o único tratamento possível é espiramicina.
2º trimestre — a faixa intermediária
Transmissão de 25 a 30% sem tratamento, gravidade intermediária. É aqui que a maioria das decisões se concentra: a partir de 16 semanas cabe esquema tríplice, e a partir de 18 semanas cabe amniocentese com PCR.
3º trimestre — transmite muito, machuca pouco
Transmissão de 50 a 90% sem tratamento. O recém-nascido costuma nascer sem sinais, com retinocoroidite que aparece depois. Como o feto será tratado de qualquer forma, a amniocentese pode ser dispensada e o esquema tríplice vai até o parto.
| IgG | IgM | Interpretação | Conduta imediata |
|---|---|---|---|
| Reagente | Não reagente | Infecção há mais de 6 meses, anterior à gravidez | Nenhuma nova sorologia. Só prevenção primária. Pré-natal de risco habitual |
| Não reagente | Não reagente | Gestante suscetível | Repetir sorologia a cada 1 a 3 meses e no parto; se persistir negativa, última coleta 2 a 4 semanas após o parto |
| Reagente | Reagente, primeira sorologia até 16 semanas | Possibilidade de infecção na gestação | Iniciar espiramicina já, notificar no Sinan e pedir avidez de IgG na mesma amostra |
| Reagente | Reagente, primeira sorologia após 16 semanas | Provável infecção aguda; avidez não resolve mais | Iniciar esquema tríplice, notificar e encaminhar ao pré-natal de alto risco |
| Não reagente | Reagente | Infecção muito recente sem IgG ainda, ou IgM falso-positivo | Iniciar espiramicina, notificar e repetir IgG e IgM em 2 a 3 semanas |
| Reagente novo em gestante antes negativa | Reagente | Soroconversão: infecção aguda confirmada | Espiramicina se até 16 semanas, esquema tríplice se a partir de 16 semanas; alto risco e ultrassom mensal |
Esquemas de tratamento da gestante
| Situação | Esquema | Por quê | Monitorização |
|---|---|---|---|
| Menos de 16 semanas, ou infecção fetal já excluída | Espiramicina 500 mg, 2 comprimidos, 8/8 h | Não atravessa a placenta: reduz o risco de transmissão, não trata o feto. É a única opção antes de 16 semanas | Nenhuma |
| 16 semanas ou mais, infecção materna suspeita ou confirmada | Sulfadiazina 500 mg, 2 comprimidos 8/8 h (ou 3 comprimidos 12/12 h) + pirimetamina 25 mg, 2 comprimidos 1x/dia + ácido folínico 15 mg 1x/dia | Atravessa a placenta e trata infecção fetal. Pirimetamina é teratogênica antes de 16 semanas | Hemograma com plaquetas a cada 15 dias |
| Infecção fetal confirmada por ultrassom antes de 14 semanas | Sulfadiazina isolada, 500 mg, 2 comprimidos 8/8 h | Situação rara. Permite atacar o feto sem expô-lo à pirimetamina no período de maior risco teratogênico | Hemograma periódico |
| A partir de 14 semanas com infecção fetal confirmada | Esquema tríplice completo, ou acrescentar pirimetamina + ácido folínico à sulfadiazina em curso | A janela teratogênica da pirimetamina se fecha e o benefício de tratar o feto infectado passa a superar o risco | Hemograma com plaquetas a cada 15 dias |
| Desabastecimento ou intolerância ao esquema padrão | Sulfadoxina + pirimetamina semanal + ácido folínico; ou sulfametoxazol-trimetoprima 12/12 h + espiramicina; ou azitromicina + pirimetamina + ácido folínico | Alternativas previstas em nota técnica do Ministério da Saúde de 2020. No primeiro trimestre não há alternativa à espiramicina | Conforme a droga usada |
Os marcos de idade gestacional e o que cada um libera
| Marco | O que muda nele | Consequência prática |
|---|---|---|
| 14 semanas | Fecha-se a fase de maior risco teratogênico da pirimetamina | Só importa no caso raro de infecção fetal confirmada no primeiro trimestre: antes, sulfadiazina isolada; a partir daí, esquema tríplice |
| 16 semanas | Acaba a utilidade do teste de avidez de IgG e libera-se o esquema tríplice | Antes: avidez desempata o momento da infecção e o tratamento é espiramicina. Depois: avidez não discrimina mais e o tríplice é a droga da infecção aguda |
| 18 semanas | Abre-se a janela da amniocentese com PCR em líquido amniótico | Ainda exige intervalo mínimo de 4 semanas desde a provável infecção materna; sem esse intervalo, o exame perde poder e o falso-negativo aumenta |
| Terceiro trimestre | A transmissão vertical chega a 50 a 90% | A amniocentese pode ser dispensada: o resultado não muda a conduta, porque o feto será tratado com esquema tríplice até o parto de qualquer modo |
Ácido folínico e ácido fólico não são intercambiáveis. A pirimetamina bloqueia a di-hidrofolato redutase, enzima de que o ácido fólico depende para virar folato ativo; só o ácido folínico, já reduzido, protege a medula. Mantê-lo por mais uma semana após suspender a pirimetamina.
A conduta na atenção primária não espera vaga no alto risco: a espiramicina começa na primeira consulta em que o IgM aparece reagente, e a paciente é encaminhada em paralelo. O ganho de tratar em até 3 semanas da infecção é o que reduz a transmissão fetal.
PCR negativa em líquido amniótico não descarta infecção fetal — a sensibilidade é de cerca de 70%. Ela permite discutir a troca para espiramicina quando a infecção foi na primeira metade da gestação, mas nas infecções do último trimestre o esquema tríplice é mantido até o parto de qualquer forma.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Rastreio universal, repetido a cada 1 a 3 meses até o parto
IgG e IgM para toda gestante na primeira consulta e repetição periódica na suscetível, mais coleta no parto e, se soronegativa, 2 a 4 semanas depois. Sustenta-se na soroprevalência alta, na circulação de cepas atípicas mais virulentas, numa incidência estimada de 5 a 23 casos de toxoplasmose congênita por 10 mil nascidos vivos e na oferta gratuita de espiramicina e do esquema tríplice pelo SUS.
Nota Técnica nº 100/2022-CGPAM/DSMI/SAPS/MS, Ministério da Saúde (2022), e TeleCondutas nº 22, TelessaúdeRS-UFRGS, 4ª ed. (2025).
Sem rastreio sorológico populacional; sorologia só para gestante de risco
A diretriz canadense afirma que a baixa prevalência na população e as limitações do diagnóstico e da terapia reduzem a eficácia de qualquer estratégia de rastreio, e por isso não recomenda triagem universal de rotina na gestante de baixo risco. A sorologia é oferecida apenas às consideradas em risco de infecção primária — em particular imunocomprometidas e mulheres vivendo com HIV, pelo risco de reativação — e diante de achado ultrassonográfico compatível com infecção congênita. O esforço se concentra na prevenção primária alimentar.
Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada, diretriz nº 285 — Toxoplasmosis in pregnancy: prevention, screening, and treatment (2018).
Na prova
A causa da diferença é epidemiológica e não de qualidade de evidência: o mesmo teste rende em população de alta prevalência com tratamento gratuito e não rende em população de baixa prevalência. Cenário de UBS, caderneta da gestante, pré-natal do SUS, sorologia por trimestre ou notificação no Sinan sinaliza o corpo brasileiro. Enunciado que cita nominalmente sociedade norte-americana ou canadense, ou que apresenta alternativas discutindo custo-efetividade e valor preditivo do IgM em baixa prevalência, sinaliza o corpo internacional. Prova oficial do MEC tende à conduta SUS.
16 semanas
A diretriz nacional de 2022 já usa 16 semanas em todas as situações: soroconversão a partir de 16 semanas começa direto com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, e a impossibilidade de amniocentese autoriza trocar a espiramicina pelo tríplice a partir de 16 semanas. O TeleCondutas alinhou-se a esse corte na 4ª edição, de 2025, registrando a mudança de forma explícita.
Nota Técnica nº 100/2022-CGPAM/DSMI/SAPS/MS (2022); TeleCondutas nº 22, 4ª ed. (2025), no quadro de mudanças da versão.
18 semanas
O corte anterior amarrava o início do tríplice ao momento da amniocentese, que só é possível a partir de 18 semanas. Era o número da 3ª edição do TeleCondutas, de 2022, e continua circulando em material didático e em protocolos municipais derivados dela.
TeleCondutas nº 22, 3ª ed., TelessaúdeRS-UFRGS (2022), superada pela 4ª edição de 2025.
Na prova
Documento brasileiro contra documento brasileiro, com três anos de distância. O 18 vem de uma amarração ao calendário da amniocentese; o 16 vem da janela de teratogenicidade da pirimetamina, que é o critério farmacológico. Quando o enunciado cita a diretriz nacional do Ministério da Saúde, ou descreve uma gestante de 16 ou 17 semanas em que a amniocentese não será feita, o recorte é o do corpo de 2022 em diante. Alternativas que oferecem 18 semanas junto com a amniocentese no mesmo item denunciam material anterior a 2025.
Manter o esquema tríplice ininterrupto até o parto
A 4ª edição do TeleCondutas, de 2025, afirma que não há necessidade de suspender a sulfadiazina um mês antes do parto e descreve o esquema tríplice como de uso ininterrupto até o nascimento. A diretriz nacional de 2022 também manda manter o esquema até o parto em todas as situações em que ele está indicado, sem prever interrupção programada.
TeleCondutas nº 22, 4ª ed. (2025), quadro 5 e quadro de mudanças da versão; Nota Técnica nº 100/2022-CGPAM/DSMI/SAPS/MS (2022).
Suspender a sulfadiazina cerca de um mês antes do parto
A orientação anterior interrompia a sulfa no fim da gestação pelo receio de deslocamento da bilirrubina da albumina no recém-nascido, com risco de kernicterus, mecanismo descrito para sulfonamidas em geral. Era a conduta da 3ª edição do TeleCondutas, de 2022, e continua reproduzida em muito material de revisão.
TeleCondutas nº 22, 3ª ed., TelessaúdeRS-UFRGS (2022), revisada na 4ª edição de 2025.
Na prova
A mudança é recente e ainda não chegou a todo material didático, então o tema aparece nas duas versões conforme a idade da questão. O vocabulário entrega o recorte: quando o enunciado ou as alternativas trazem kernicterus, deslocamento de bilirrubina ou interrupção programada no oitavo mês, o item foi escrito sobre o corpo anterior a 2025; quando falam em uso ininterrupto até o parto e em hemograma quinzenal, foi escrito sobre o corpo atual.
Caso resolvido
- achado
- IgG e IgM reagentes na primeira sorologia, colhida com 11 semanas — portanto dentro da janela de utilidade do teste de avidez, que vai até 16 semanas.
- conduta imediata
- Iniciar espiramicina 500 mg, 2 comprimidos de 8 em 8 horas, na mesma consulta. Não se espera avidez, segunda amostra ou vaga no alto risco: o ganho está em tratar nas primeiras semanas após a infecção. Notificar o caso suspeito no Sinan sob CID O98.6.
- exame que desempata
- Teste de avidez de IgG, de preferência na mesma amostra já colhida. Se não for possível, nova coleta o mais rápido possível, sempre antes de 16 semanas.
- se avidez alta
- Provável infecção anterior à gestação, caso descartado. Suspender a espiramicina, não repetir sorologia, manter pré-natal de risco habitual na UBS e reforçar prevenção primária — que continua indicada mesmo em quem já tem IgG.
- se avidez baixa ou intermediária
- Possibilidade de infecção adquirida na gestação. Manter espiramicina, encaminhar ao pré-natal de alto risco, programar ultrassonografia mensal ou bimensal e amniocentese com PCR a partir de 18 semanas, respeitado o intervalo mínimo de 4 semanas desde a provável infecção.
- armadilha do caso
- O gato não é o dado relevante. Metade das infecções vem de carne malcozida, e conviver com gato doméstico não muda a conduta. O que decide aqui é o par sorológico e as 11 semanas.
Agora feche você
- achado
- Soroconversão documentada entre 9 e 26 semanas: IgG e IgM que eram negativos tornaram-se reagentes. Isso é infecção aguda confirmada, sem necessidade de teste de avidez — que, aliás, com 26 semanas já não teria utilidade.
- por que a avidez não entra
- O teste de avidez só distingue infecção pré-gestacional de gestacional quando colhido até 16 semanas. Além disso, aqui existe uma sorologia negativa prévia na própria gestação, que é prova temporal melhor do que qualquer avidez.
- conduta
- …
- investigação fetal
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar como infecção aguda toda gestante com IgM reagente A IgM pode permanecer reagente em títulos baixos por 18 meses ou mais depois de uma infecção antiga, e a especificidade dos kits varia bastante, gerando falso-positivos. IgM reagente inicia espiramicina e notificação, mas não fecha diagnóstico: quem fecha é a avidez colhida até 16 semanas, a soroconversão documentada ou a elevação de títulos de IgG em amostras seriadas no mesmo laboratório.
- 2Pedir teste de avidez de IgG depois de 16 semanas Avidez alta significa anticorpos produzidos há mais de 4 meses. Colhida com 26 semanas, uma avidez alta ainda é compatível com infecção adquirida com 10 semanas — ou seja, dentro da gestação. O exame não distingue mais nada e atrasa a decisão. Depois de 16 semanas, a pergunta deixa de ser quando a infecção ocorreu e passa a ser se o feto foi infectado.
- 3Trocar ácido folínico por ácido fólico A pirimetamina bloqueia a di-hidrofolato redutase, exatamente a enzima de que o ácido fólico precisa para virar folato ativo. Prescrever ácido fólico não protege a medula e ainda compete com a droga. O ácido folínico já é a forma reduzida, é o correto, e precisa continuar por mais uma semana depois que a pirimetamina for suspensa.
- 4Achar que espiramicina trata o feto A espiramicina se concentra na placenta e não atravessa a barreira placentária. Ela reduz o risco de o parasito passar, não trata infecção fetal estabelecida. Diante de PCR positiva em líquido amniótico ou de ultrassom com calcificações e ventriculomegalia, manter espiramicina é subtratar: o esquema tríplice é que é terapêutico para o feto.
- 5Descartar infecção fetal com PCR negativa em líquido amniótico A sensibilidade da PCR no líquido amniótico é de cerca de 70%. Resultado negativo com ultrassom normal permite discutir a troca do esquema tríplice pela espiramicina quando a infecção foi na primeira metade da gestação, mas não encerra o seguimento nem dispensa a investigação do recém-nascido. Em infecção do último trimestre, o tríplice é mantido até o parto mesmo com PCR negativa.
- 6Prescrever pirimetamina antes de 16 semanas A pirimetamina é antagonista do ácido fólico e tem risco de teratogenicidade no período de organogênese; por isso o esquema tríplice não entra antes de 16 semanas. A única exceção prevista é a infecção fetal confirmada no primeiro trimestre por alteração ultrassonográfica, situação rara em que se usa sulfadiazina isolada antes de 14 semanas e se completa o tríplice a partir de 14 semanas.
- 7Culpar o gato e liberar a carne malpassada Cerca de metade das infecções humanas vem de cistos teciduais em carne crua ou malcozida. Conviver com gato doméstico não acrescenta risco relevante desde que ele coma ração, não cace e a caixa de areia seja trocada diariamente por outra pessoa, com luvas. Orientar a gestante a doar o gato é conduta errada; orientar a não provar carne durante o preparo é a que muda desfecho.
- 8Esperar a confirmação para notificar Toxoplasmose gestacional é de notificação compulsória do caso suspeito, no Sinan, sob CID O98.6 — e a toxoplasmose congênita suspeita, sob CID P37.1. Se a infecção aguda for depois excluída, o caso é descartado no próprio sistema. Notificar só o confirmado subestima o problema e é o oposto do que a diretriz pede.
- 9Dar alta sorológica à gestante suscetível IgG e IgM negativos no primeiro trimestre não encerram o rastreio, abrem-no. A suscetível repete sorologia a cada 1 a 3 meses e no parto, e, se persistir soronegativa, ainda colhe uma última amostra de 2 a 4 semanas após o parto — porque a infecção do fim da gestação pode não ter tido tempo de gerar anticorpo detectável antes do nascimento.
IgG e IgM reagentes com teste de avidez de IgG ALTA no primeiro trimestre indicam infecção adquirida há mais de 3-4 meses, portanto provavelmente anterior à concepção, com baixo risco de transmissão vertical — conduta expectante, sem tratamento. Alta avidez afasta infecção aguda recente, tornando desnecessárias espiramicina/amniocentese. Não há dados de reinfecção. Não se trata de falso-positivo. Suscetibilidade (IgG negativo) exigiria repetir sorologias, mas aqui a IgG é reagente.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 28 anos, gestante de 22 semanas, assintomática, realiza sorologia de rotina. IgG e IgM para toxoplasmose reagentes. Teste de avidez de IgG resulta BAIXA avidez. Não há registro de sorologia prévia. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
IgM reagente com avidez de IgG baixa no 2º trimestre sugere infecção recente/possivelmente na gestação; inicia-se espiramicina (reduz transmissão vertical) e investiga-se acometimento fetal com PCR do líquido amniótico. Avidez baixa indica infecção RECENTE (não antiga). Sulfadiazina+pirimetamina+folínico é reservado à infecção fetal confirmada. Só repetir sorologia atrasa a profilaxia da transmissão, que deve começar já. Interrupção da gestação não é conduta — a maioria dos fetos pode ser protegida/tratada.
Gestante, 30 anos, secundigesta, na 12ª semana de gestação, realiza a sorologia de rotina para toxoplasmose na primeira consulta de pré-natal. O resultado mostra: IgG reagente e IgM reagente. A paciente está assintomática e não sabe informar sorologias prévias. Qual é a conduta mais adequada diante desse resultado?
Correta: IgG reagente + IgM reagente no 1º trimestre é padrão ambíguo (pode ser infecção aguda recente ou IgM residual). O passo seguinte é o teste de avidez de IgG: avidez ALTA antes de 16 semanas praticamente exclui infecção na gestação (indica infecção há mais de 3-4 meses); avidez BAIXA sugere infecção recente e obriga a instituir espiramicina e prosseguir investigação fetal. Iniciar espiramicina sem definir o momento da infecção (via avidez) trata desnecessariamente muitas imunes de longa data; e não se 'encerra' a investigação. Com IgM reagente não se pode presumir imunidade antiga — justamente o ponto que a avidez resolve. A amniocentese/PCR de líquido amniótico é indicada quando há infecção materna confirmada/provável (avidez baixa ou soroconversão) e, em geral, após 18 semanas — não de imediato antes de estratificar o risco. Adiar para o 3º trimestre atrasa perigosamente a proteção fetal se a infecção for aguda.
Gestante de 28 anos, 16 semanas, assintomática, realiza rastreio sorológico de rotina no pré-natal. Resultado: IgG anti-Toxoplasma reagente e IgM anti-Toxoplasma reagente. Não há sorologia prévia disponível. A paciente refere ingestão eventual de carne malpassada. Ao ser solicitado teste de avidez de IgG, o laboratório informa AVIDEZ ALTA. Qual a interpretação e conduta mais adequada? Qual a conduta correta?
Correta: Avidez ALTA de IgG antes de 16 semanas de gestação praticamente exclui infecção adquirida nos últimos 3–4 meses, indicando que a infecção ocorreu antes da concepção — a gestante é imune e o risco de transmissão vertical é desprezível; mantém-se pré-natal de rotina. Errada: avidez alta afasta infecção aguda recente; não há indicação de espiramicina nem amniocentese. Errada: reinfecção sintomática relevante ocorre em imunodeprimidas, não é o cenário, e o esquema tríplice é para infecção fetal confirmada após 18 semanas. Errada: com avidez alta em idade gestacional precoce a interpretação já é conclusiva. Errada: a presença de IgM com avidez alta é típica de IgM residual/persistente de infecção antiga, não exige nova coleta isolada de IgG para conduta.
Gestante de 24 anos, previamente com sorologia IgG e IgM não reagentes no 1º trimestre, apresenta na 22ª semana soroconversão: IgG e IgM anti-Toxoplasma reagentes. Foi iniciada espiramicina. Realizada amniocentese na 24ª semana, com PCR para Toxoplasma gondii POSITIVO no líquido amniótico. Feto sem alterações ao ultrassom morfológico. Qual a conduta terapêutica mais adequada a partir deste momento? Qual a conduta?
Correta: PCR positiva no líquido amniótico confirma infecção fetal; nesse cenário troca-se a espiramicina (que reduz transmissão placentária, mas atravessa mal a placenta) pelo esquema tríplice sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico, que trata o feto já infectado e reduz a gravidade das sequelas. Errada: uma vez confirmada infecção fetal, a espiramicina isolada é insuficiente, independentemente do ultrassom normal (sequelas podem surgir depois). Errada: PCR positiva no LA é o padrão de confirmação de infecção fetal. Errada: azitromicina não é o esquema de escolha para infecção fetal confirmada. Errada: a toxoplasmose congênita não é indicação de interrupção da gestação; o tratamento visa mitigar sequelas.
Gestante de 30 anos, 12 semanas, com sorologia inicial IgG anti-Toxoplasma NÃO reagente e IgM anti-Toxoplasma NÃO reagente (suscetível). Está assintomática. No pré-natal de baixo risco, além das orientações de prevenção primária (evitar carne crua/malpassada, higiene de alimentos e cuidado com fezes de gato), qual a conduta de rastreio recomendada para esta gestante ao longo da gestação? Qual a conduta?
Correta: a gestante suscetível (IgG e IgM não reagentes) tem risco de infecção aguda ao longo da gravidez; a conduta padrão no Brasil é repetir a sorologia periodicamente (trimestral) para detectar soroconversão precocemente e instituir tratamento. Errada: sorologia não reagente indica suscetibilidade, não imunidade — justamente por isso o rastreio deve ser repetido. Errada: espiramicina só é indicada após suspeita/confirmação de infecção aguda, não como profilaxia universal. Errada: avidez de IgG só faz sentido quando há IgM reagente para datar a infecção; sem IgM não há o que estratificar. Errada: amniocentese/PCR é investigação diagnóstica de infecção fetal após infecção materna confirmada, não método de rastreio populacional.
Primigesta de 26 anos, 10 semanas de idade gestacional pela ecografia, assintomática, comparece à primeira consulta de pré-natal. Traz sorologia para toxoplasmose colhida há 3 dias: IgG reagente e IgM reagente. Refere que não realizou sorologia pré-gestacional. Ao exame, sem linfadenomegalias ou febre. Considerando a necessidade de datar a infecção e estimar o risco de transmissão vertical, qual é o próximo passo mais adequado na investigação?
Correta: Diante de IgG e IgM reagentes no 1º trimestre (<16 semanas), o teste de avidez de IgG é o próximo passo: avidez ALTA indica infecção antiga (>3–4 meses, provavelmente pré-gestacional, baixo risco fetal), enquanto avidez BAIXA sugere infecção recente e exige seguimento/tratamento. Erra IgG reagente NÃO afasta infecção aguda quando a IgM também está reagente. Erra: o esquema tríplice (sulfadiazina+pirimetamina+ácido folínico) só é indicado após confirmação de infecção fetal (geralmente ≥18 sem); a droga de escolha para reduzir transmissão enquanto se investiga é a espiramicina, não o esquema tríplice. Erra: repetir a mesma sorologia sem a avidez não permite datar a infecção e apenas atrasa a conduta. Erra: a amniocentese com PCR é etapa posterior, indicada após ~18 semanas quando há suspeita confirmada de infecção materna aguda.
Mulher, 27 anos, primigesta, comparece à primeira consulta de pré-natal com 10 semanas de idade gestacional, assintomática. A sorologia de rotina para toxoplasmose retorna: IgG anti-Toxoplasma reagente e IgM anti-Toxoplasma reagente. Diante do resultado, solicita-se teste de avidez de IgG, cujo resultado é de ALTA avidez. Qual a conduta correta?
Correta: Diante de IgG+/IgM+ no início da gestação, o teste de avidez de IgG diferencia infecção recente de antiga. ALTA avidez antes de 16 semanas indica que a infecção ocorreu há mais de 3–4 meses, portanto ANTES da concepção — não há risco de toxoplasmose congênita e mantém-se o pré-natal habitual. Espiramicina só está indicada quando há infecção aguda gestacional (materna), o que foi afastado pela alta avidez. O esquema tríplice é reservado à infecção fetal confirmada/alta suspeição, além de a pirimetamina ser teratogênica no 1º trimestre. A amniocentese investiga infecção fetal e não se justifica sem infecção materna aguda. Repetir a sorologia serve para documentar soroconversão em suscetíveis (IgG-), não neste caso já esclarecido pela avidez.
Mulher, 31 anos, na 14ª semana de gestação. No primeiro trimestre, a sorologia para toxoplasmose era IgG não reagente e IgM não reagente (gestante suscetível), tendo recebido orientações de prevenção. Ela retorna assintomática com nova sorologia de controle: IgG anti-Toxoplasma reagente e IgM anti-Toxoplasma reagente. Não há suspeita de infecção fetal ao ultrassom. Qual a conduta imediata mais adequada?
Correta: a soroconversão documentada (de IgG-/IgM- para IgG+/IgM+) confirma infecção aguda materna adquirida na gestação. A conduta é iniciar espiramicina o mais precocemente possível para reduzir a passagem transplacentária do parasita, enquanto a infecção fetal ainda não está confirmada. O esquema tríplice destina-se à infecção FETAL confirmada; ademais a pirimetamina é teratogênica e evitada no 1º trimestre. A avidez seria útil para datar a infecção quando não se conhece o status prévio — aqui a soroconversão já prova infecção aguda gestacional, tornando o teste desnecessário. A amniocentese/PCR só tem acurácia adequada a partir de ~18 semanas e respeitando intervalo ≥4 semanas da infecção materna, não devendo atrasar o início da espiramicina. Conduta expectante é inadequada frente a infecção aguda confirmada.
Mulher, 29 anos, com 22 semanas de gestação, teve infecção aguda por Toxoplasma gondii confirmada na 15ª semana (soroconversão) e vem em uso regular de espiramicina desde então. Realizada amniocentese, o PCR para Toxoplasma gondii no líquido amniótico resultou POSITIVO. A ultrassonografia obstétrica não evidencia calcificações intracranianas ou ventriculomegalia. Qual a conduta terapêutica correta a partir deste resultado?
Correta: o PCR positivo no líquido amniótico confirma INFECÇÃO FETAL. A partir de então, e por estar após o 1º trimestre (22 semanas), troca-se a espiramicina pelo esquema tríplice — sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico — que atravessa a placenta e trata o feto, reduzindo a gravidade das sequelas. Manter só espiramicina é insuficiente diante de infecção fetal comprovada; a espiramicina reduz transmissão, mas trata mal o feto já infectado, e o ultrassom normal não exclui acometimento. Suspender o tratamento é inadequado frente à infecção fetal confirmada. A confirmação de infecção fetal não é indicação de interrupção da gestação, que segue com tratamento e seguimento. O esquema recomendado é a combinação tríplice (com ácido folínico para prevenir a mielotoxicidade da pirimetamina), não sulfadiazina isolada.
Mulher, 26 anos, gesta 2 para 1, assintomática, comparece à primeira consulta de pré-natal com 10 semanas de idade gestacional. Traz sorologias solicitadas na rotina: toxoplasmose com IgG reagente e IgM reagente. Nega febre, adenomegalia ou contato com gatos. Restante das sorologias sem alterações. Qual é a conduta mais adequada diante desse resultado?
Correta: Com IgG e IgM reagentes no 1º trimestre, o passo-chave é datar a infecção pelo teste de avidez de IgG: avidez ALTA antes da 16ª semana indica infecção adquirida há mais de 3-4 meses, ou seja, provavelmente pré-gestacional, com baixo risco de transmissão vertical. O esquema tríplice (sulfadiazina+pirimetamina+ácido folínico) é reservado à infecção FETAL confirmada e é contraindicado no 1º trimestre (pirimetamina é teratogênica) — aqui não há confirmação de acometimento fetal. IgG reagente isolada indicaria imunidade, mas a IgM reagente concomitante obriga a investigar infecção aguda — não se pode presumir proteção. A IgM pode permanecer reagente por meses a anos (IgM residual), de modo que sua persistência não confirma nem sua queda descarta infecção recente. Toxoplasmose não é indicação de interrupção da gestação, e sequer há confirmação de infecção aguda/fetal.
Mulher, 26 anos, G2P1, comparece à primeira consulta de pré-natal com 9 semanas de gestação. Está assintomática e tem gestação anterior sem intercorrências. A triagem sorológica inicial para toxoplasmose revela: IgG anti-Toxoplasma gondii REAGENTE e IgM anti-Toxoplasma gondii REAGENTE. A paciente nega sintomas gripais ou linfadenomegalia e não sabe informar sorologias prévias. Considerando que a IgM pode permanecer reagente por muitos meses após a infecção, qual é o exame fundamental para estimar o momento da infecção e orientar a conduta?
O padrão IgG+/IgM+ no 1º trimestre é ambíguo: a IgM pode persistir reagente por meses a mais de um ano após a infecção, de modo que sua positividade NÃO comprova infecção recente. O teste de avidez de IgG data a infecção: alta avidez antes de 16 semanas indica infecção adquirida há mais de 3-4 meses (provavelmente pré-concepcional, baixo risco fetal); baixa avidez sugere infecção recente, que exige seguimento. Por isso a avidez é o passo que orienta toda a conduta. Repetir a sorologia detecta soroconversão de IgG negativa para positiva, mas aqui a IgG já é reagente — não ajuda a datar. A amniocentese/PCR investiga infecção FETAL, não o momento da infecção materna, e só é indicada depois de confirmada/suspeitada infecção materna aguda (idealmente após 18 semanas e ≥4 semanas da infecção). A IgA tem baixa acurácia e não é o exame padrão para datar a infecção na rotina. O teste de toxoplasmina não tem papel no diagnóstico de infecção aguda gestacional.
Gestante de 12 semanas apresenta soroconversão confirmada para toxoplasmose (IgG previamente não reagente, agora reagente, com IgM reagente e avidez baixa), caracterizando infecção aguda adquirida na gestação. Ainda não há investigação ou evidência de infecção fetal. Qual é a medicação de escolha para reduzir o risco de transmissão vertical nesta fase?
Diante de infecção materna aguda SEM confirmação de acometimento fetal, o objetivo é reduzir a passagem transplacentária do parasita, e a droga de escolha é a espiramicina — macrolídeo que se concentra na placenta, sendo seguro inclusive no 1º trimestre. O esquema tríplice sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico é reservado à infecção FETAL confirmada e, além disso, a pirimetamina é teratogênica e deve ser evitada no 1º trimestre. Clindamicina e azitromicina não são o padrão para profilaxia da transmissão vertical na gestação. O aciclovir é antiviral (herpes), sem ação sobre Toxoplasma gondii.
Gestante de 25 semanas teve soroconversão para toxoplasmose documentada às 20 semanas e vinha em uso de espiramicina. Foi submetida a amniocentese, cujo PCR para Toxoplasma gondii no líquido amniótico resultou POSITIVO, confirmando infecção fetal. A ultrassonografia morfológica não evidencia calcificações intracranianas nem ventriculomegalia até o momento. Qual é a conduta terapêutica mais adequada a partir deste resultado?
A confirmação de infecção fetal (PCR+ no líquido amniótico) muda o objetivo do tratamento: já não se trata de prevenir a transmissão, mas de tratar o feto infectado e reduzir a gravidade da doença. Passa-se então ao esquema tríplice sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico, que atravessa a placenta e é efetivo contra o parasita nos tecidos fetais; o ácido folínico previne a mielotoxicidade da pirimetamina, e como a gestante está no 2º trimestre (25 semanas) a pirimetamina já pode ser usada. Manter só espiramicina é insuficiente porque ela não trata adequadamente o feto já infectado. A azitromicina não substitui o esquema tríplice na infecção fetal confirmada. O sulfametoxazol-trimetoprima não é o esquema de escolha padronizado para infecção fetal confirmada na gestação. A interrupção não está indicada: não há malformação grave estabelecida e existe tratamento efetivo — a decisão jamais se baseia apenas no PCR positivo.
Uma mulher de 24 anos, gestante de primeira viagem, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com 10 semanas de idade gestacional. Está assintomática, sem intercorrências, e não possui exames prévios. O médico da equipe de Saúde da Família solicita a rotina laboratorial do primeiro trimestre. Entre os resultados, a sorologia para toxoplasmose revela: IgG não reagente e IgM não reagente. Os demais exames (hemograma, tipagem sanguínea, glicemia de jejum, VDRL, anti-HIV e sorologias para hepatites) encontram-se dentro da normalidade. Diante desse perfil sorológico para toxoplasmose, qual é a interpretação correta e a conduta recomendada para o seguimento pré-natal?
IgG e IgM não reagentes indicam ausência de contato prévio com o Toxoplasma gondii: a gestante é SUSCETÍVEL. A conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é orientar a prevenção primária (evitar carne malcozida, lavar frutas/verduras, cuidados com fezes de gato, higiene) e repetir a sorologia a cada trimestre para detecção precoce de soroconversão. A ausência de IgM afasta infecção aguda, tornando a espiramicina desnecessária. A imunidade exigiria IgG reagente. O teste de avidez só se aplica quando há IgG reagente com IgM reagente/duvidoso para datar a infecção.
Uma gestante de 26 anos, G2P1, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com 9 semanas de idade gestacional. Encontra-se assintomática, sem intercorrências, e relata hábito de ingerir carne malpassada e conviver com gatos domésticos. A sorologia de rotina para toxoplasmose solicitada pela equipe evidencia IgG reagente e IgM reagente. A paciente está apreensiva por ter ouvido falar dos riscos da doença para o bebê e questiona a equipe. Diante desse resultado sorológico obtido no primeiro trimestre, qual é a conduta mais adequada da equipe de saúde da família para estimar o momento provável da infecção materna e orientar o seguimento?
A coexistência de IgG e IgM reagentes no primeiro trimestre não permite datar a infecção, pois a IgM pode persistir por meses a anos após a primoinfecção. O passo correto é o teste de avidez de IgG: avidez alta antes de 16 semanas indica infecção antiga, pré-concepcional, de baixo risco fetal. Iniciar sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico está errado porque o tratamento tríplice é reservado à infecção fetal confirmada, e a IgM isolada não confirma infecção aguda. Repetir apenas a sorologia em três semanas ignora o exame que efetivamente data a infecção. E considerar a paciente imune é falso: a IgM reagente afasta a certeza de infecção pregressa, e a simples presença de IgG não garante que ela ocorreu antes da gestação.
Uma gestante de 22 anos, primigesta, iniciou o pré-natal na UBS com 8 semanas, quando a sorologia para toxoplasmose mostrou IgG e IgM não reagentes (suscetível). Foi orientada quanto às medidas de prevenção e mantida em seguimento sorológico trimestral. Com 16 semanas de idade gestacional, retorna assintomática, mas a nova sorologia evidencia IgG reagente e IgM reagente, com teste de avidez de IgG baixa, caracterizando soroconversão e infecção materna aguda recente. A ultrassonografia obstétrica é normal e não há, no momento, evidência de acometimento fetal. Qual é o medicamento indicado para iniciar imediatamente, com o objetivo de reduzir a transmissão vertical?
Confirmada a infecção materna aguda (soroconversão com avidez baixa) sem evidência de infecção fetal, a conduta preconizada pelo Ministério da Saúde é iniciar a espiramicina o mais precocemente possível, pois ela se concentra na placenta e reduz a transmissão vertical (opção correta). O esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico) só está indicado quando há infecção fetal confirmada. A azitromicina não é o fármaco de escolha nesse contexto. A conduta expectante é inadequada diante de infecção aguda documentada, pois retarda a profilaxia da transmissão fetal.
Uma gestante de 30 anos está em uso de espiramicina desde as 16 semanas, iniciada após diagnóstico de toxoplasmose aguda na gestação. Com 21 semanas, foi submetida à amniocentese, cujo PCR do líquido amniótico resultou positivo para Toxoplasma gondii; a ultrassonografia morfológica evidenciou calcificações intracranianas e ventriculomegalia leve no feto. A paciente está assintomática e sem alterações laboratoriais maternas relevantes. Considerando a confirmação de infecção fetal, qual é a conduta terapêutica mais apropriada a ser adotada a partir deste momento?
A confirmação de infecção fetal (PCR positivo no líquido amniótico e sinais ultrassonográficos), após 18 semanas, indica a troca da espiramicina pelo esquema tríplice sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico, que atravessa a placenta e trata o feto, reduzindo a gravidade das sequelas (opção correta). A espiramicina não trata o feto já infectado, servindo apenas para reduzir a transmissão. Infecção fetal não é indicação de interrupção da gestação, que não é permitida legalmente nesse cenário no Brasil. Clindamicina com corticoide não constitui o esquema padrão para toxoplasmose congênita.
Uma gestante de 26 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 9 semanas, calculada pela data da última menstruação e confirmada por ultrassonografia. Nega comorbidades, uso de medicações ou intercorrências. Refere hábito de consumir vegetais crus e conviver com gatos domésticos. Entre os exames solicitados na rotina do primeiro trimestre, a sorologia para toxoplasmose revela IgG reagente e IgM não reagente. O restante dos exames encontra-se dentro da normalidade. Diante desse resultado sorológico, qual é a interpretação correta e a conduta mais adequada, segundo o protocolo de pré-natal do Ministério da Saúde?
IgG reagente com IgM não reagente indica infecção antiga e imunidade estabelecida, sem risco de transmissão vertical na gestação atual; não se repete a sorologia nem se faz profilaxia. Espiramicina só se justifica em infecção aguda/soroconversão. Gestante suscetível é aquela com IgG e IgM não reagentes, que demanda repetição trimestral e prevenção primária. O teste de avidez é indicado quando IgM é reagente para datar a infecção, não neste padrão.
Uma mulher de 27 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 11 semanas, confirmada por ultrassonografia. Refere-se assintomática, sem intercorrências, e nega febre, adenomegalia ou exantema nos últimos meses. Trabalha como auxiliar administrativa, tem um gato domiciliado há cinco anos e relata hábito de consumir carne bem passada. Exame físico sem alterações; pressão arterial de 110 x 70 mmHg. Entre os exames solicitados na rotina, a sorologia para toxoplasmose evidencia IgG reagente e IgM reagente. Diante desse resultado, a médica de família solicita um teste adicional, cujo laudo retorna com avidez alta de IgG. Considerando o protocolo do Ministério da Saúde, a conduta adequada é
A IgM pode permanecer reagente por meses a anos após a infecção aguda ("IgM residual"). Por isso, na presença de IgG e IgM reagentes antes de 16 semanas, o teste de avidez é decisivo: avidez ALTA indica infecção adquirida há mais de 3 a 4 meses, ou seja, antes da concepção — não há risco de transmissão vertical e a gestante é considerada imune, mantendo-se o pré-natal de risco habitual sem tratamento e sem necessidade de novas sorologias. A espiramicina está indicada apenas na suspeita de infecção aguda materna na gestação (soroconversão, avidez baixa ou IgM com IgG não reagente), o que foi afastado aqui. O esquema tríplice com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico reserva-se à infecção fetal confirmada/altamente suspeita, além de ser evitado no primeiro trimestre pelo risco teratogênico da pirimetamina. A amniocentese com pesquisa de Toxoplasma gondii por PCR é procedimento invasivo, só se justifica quando há infecção materna gestacional e a partir de 18 semanas — realizá-la aqui expõe a gestante a risco sem qualquer benefício.
Uma gestante de 31 anos, secundigesta, faz pré-natal na Unidade de Saúde da Família. Na primeira consulta, com 9 semanas, a sorologia para toxoplasmose mostrou IgG não reagente e IgM não reagente, tendo recebido orientações de prevenção. Retorna agora com 26 semanas, assintomática, trazendo a sorologia de repetição do trimestre: IgG reagente e IgM reagente. Refere que passou a preparar refeições com carnes malpassadas e que fez uma horta no quintal, onde manipula terra sem luvas. Exame obstétrico sem alterações; altura uterina e batimentos cardíacos fetais compatíveis com a idade gestacional. Conforme as recomendações do Ministério da Saúde, a conduta imediata mais adequada é
Correta: a gestante era comprovadamente suscetível no primeiro trimestre (IgG e IgM não reagentes) e agora apresenta IgG e IgM reagentes — isso caracteriza SOROCONVERSÃO, ou seja, infecção aguda adquirida durante a gestação, com risco de transmissão vertical que se eleva com a idade gestacional. A conduta é iniciar espiramicina o mais precocemente possível (reduz a passagem transplacentária) e investigar a infecção fetal por PCR de líquido amniótico, possível a partir de 18 semanas e com pelo menos 4 semanas da infecção materna; se confirmada a infecção fetal, troca-se para o esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico). Adiar para nova sorologia apenas perde tempo terapêutico — o diagnóstico de infecção gestacional já está estabelecido pela soroconversão documentada. O teste de avidez só tem valor quando não se conhece o status sorológico prévio e antes de 16 semanas; com soroconversão documentada, ele é dispensável e não altera a conduta. Sulfametoxazol-trimetoprima não faz parte do tratamento da toxoplasmose gestacional, e aguardar alterações ultrassonográficas para tratar contraria a lógica da profilaxia da transmissão vertical.
Uma mulher de 23 anos, gestante de 10 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal em Unidade Básica de Saúde. Está assintomática e sem antecedentes mórbidos. Os exames de rotina retornam com sorologia para toxoplasmose: IgG não reagente e IgM não reagente. Demais exames sem alterações. Considerando o protocolo de pré-natal do Ministério da Saúde, a conduta correta é
IgG e IgM não reagentes definem gestante SUSCETÍVEL — nunca teve contato com o Toxoplasma gondii e, portanto, é a que corre risco de infecção aguda e transmissão vertical durante a gestação. A conduta é orientar prevenção primária (evitar carne crua/malpassada, lavar bem frutas e verduras, usar luvas ao manipular terra, evitar contato com fezes de gato, beber água tratada) e repetir a sorologia a cada trimestre (e no momento do parto, quando disponível) para detectar soroconversão precocemente. Considerar a gestante imune e não repetir a sorologia inverte a interpretação: quem é imune tem IgG reagente com IgM não reagente. A espiramicina não é profilaxia primária — só está indicada quando há infecção aguda materna documentada na gestação. E o teste de avidez de IgG só se aplica quando o IgG é reagente junto com IgM reagente, antes de 16 semanas; sem IgG, não há o que datar.
Uma mulher de 26 anos, gestante de 10 semanas, na segunda gestação, comparece à Unidade de Saúde da Família para avaliar os exames solicitados na abertura do pré-natal. Está assintomática, nega febre, adenomegalias ou quadro gripal nas últimas semanas. Refere consumo eventual de carne malpassada e contato com gatos domiciliados. O exame físico é inteiramente normal, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg e útero compatível com a idade gestacional. Os exames mostram: hemograma normal, VDRL não reagente, teste rápido para HIV não reagente, HBsAg não reagente, urocultura negativa, glicemia de jejum de 84 mg/dL e sorologia para toxoplasmose com IgG reagente e IgM reagente.
Correta: diante de IgG e IgM reagentes antes de 16 semanas, o protocolo do Ministério da Saúde determina iniciar espiramicina imediatamente (reduz a transmissão vertical) e solicitar o teste de avidez de IgG na mesma amostra. Avidez alta antes de 16 semanas indica infecção adquirida há mais de 3 a 4 meses, ou seja, anterior à gestação, permitindo suspender a droga; avidez baixa ou indeterminada mantém a suspeita de infecção recente e o tratamento, com investigação fetal. 'Repetir em três semanas': errada — a IgG já é reagente, de modo que não se pode documentar soroconversão, e aguardar apenas atrasa a profilaxia. 'Esquema tríplice': errada — sulfadiazina/pirimetamina/ácido folínico só se justificam com infecção fetal confirmada ou fortemente suspeita, e a pirimetamina é evitada antes de 18 semanas pela teratogenicidade. 'Infecção antiga': errada — a IgM pode de fato persistir por meses a anos, mas isso é uma conclusão que depende do teste de avidez; assumi-la sem o exame arrisca deixar sem tratamento uma infecção aguda.
Uma mulher de 27 anos, gesta 2 para 1, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 10 semanas, calculada por data da última menstruação confiável e confirmada por ultrassonografia. Refere-se assintomática, sem queixas, e nega febre, adenomegalia ou exantema nos últimos meses. Relata que cria dois gatos domésticos em casa e cuida da horta do quintal. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, sem linfonodomegalias palpáveis. Os exames solicitados na triagem do pré-natal revelam sorologia para toxoplasmose com IgG reagente e IgM reagente. Diante desse resultado, o médico solicita teste de avidez de IgG, cujo laudo evidencia AVIDEZ ALTA.
A presença de IgM reagente isoladamente não define infecção aguda, pois a IgM pode permanecer detectável por meses a anos (IgM residual/persistente). O teste de avidez de IgG é o exame que resolve a dúvida: avidez ALTA indica infecção adquirida há mais de 12 a 16 semanas. Como a gestante está com 10 semanas (portanto abaixo do limite de 16 semanas preconizado pelo Ministério da Saúde para valorizar o teste), a alta avidez permite afirmar com segurança que a infecção ocorreu ANTES da concepção — gestante imune, risco de transmissão vertical desprezível. Conduta: pré-natal de rotina, sem tratamento e sem repetir sorologia. Incorreta: não há infecção aguda; espiramicina e amniocentese expõem a gestante a risco e custo sem indicação. Incorreta: suscetível é a gestante com IgG e IgM não reagentes — esta tem IgG reagente, ou seja, já teve contato com o parasita; a repetição trimestral se aplica somente às suscetíveis. Incorreta: o esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico) só é indicado após 16-18 semanas quando há infecção fetal confirmada ou fortemente suspeita, situação inexistente aqui; além disso, a pirimetamina é teratogênica no primeiro trimestre.
Gestante de 32 anos, 32 semanas, acompanhada na Unidade Básica de Saúde, assintomática. Na primeira consulta, com 10 semanas, a sorologia para toxoplasmose mostrava IgG e IgM não reagentes. A triagem sorológica repetida nesta consulta revelou IgG reagente e IgM reagente. A ultrassonografia obstétrica não evidencia alterações fetais. Considerando o protocolo do Ministério da Saúde para toxoplasmose na gestação, qual é a conduta terapêutica materna adequada neste momento?
A soroconversão está comprovada: paciente suscetível (IgG/IgM não reagentes) no 1º trimestre e IgG+IgM reagentes no 3º trimestre. Infecção materna aguda adquirida após 30 semanas implica risco de transmissão vertical superior a 60-70%, e a espiramicina (que não atravessa a placenta em concentração terapêutica) é insuficiente — indica-se o esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico), que trata o feto presumidamente infectado. Espiramicina isolada só se aplica à infecção materna antes de 30 semanas sem infecção fetal comprovada. O teste de avidez é dispensável quando há soroconversão documentada, e após 16 semanas perde valor discriminatório — além de atrasar o tratamento. Repetir a sorologia por suspeita de falso-positivo ignora a soroconversão já documentada e retarda intervenção com janela terapêutica crítica.
Uma mulher de 24 anos, gestante de 10 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. É assintomática, sem intercorrências. Refere ter dois gatos em casa e hábito de manusear terra na horta do quintal. Os exames solicitados na rotina do pré-natal mostram sorologia para toxoplasmose com IgG não reagente e IgM não reagente. Demais exames sem alterações. Qual é a conduta adequada nesse momento?
Correta: IgG e IgM não reagentes definem gestante suscetível (nunca infectada). O protocolo do Ministério da Saúde determina orientação sobre prevenção primária (evitar carne crua/malpassada, lavar frutas e verduras, usar luvas na jardinagem, não manusear fezes de gato) e repetição da sorologia a cada trimestre — idealmente mensal onde houver disponibilidade — para detectar soroconversão. Imune seria IgG reagente com IgM não reagente; sorologia totalmente negativa é o oposto disso. Espiramicina só está indicada diante de infecção aguda materna suspeita ou confirmada, nunca por exposição de risco isolada. O teste de avidez só faz sentido quando o IgM é reagente, para datar a infecção — com IgM não reagente não há o que datar.
Uma mulher de 28 anos, primigesta de 12 semanas, é atendida na UBS para avaliação dos exames do pré-natal. Está assintomática e nega febre, linfadenomegalia ou lesões cutâneas nos últimos meses. A sorologia para toxoplasmose mostra IgG reagente e IgM reagente. Foi realizado teste de avidez de IgG na mesma amostra, com resultado de avidez ALTA. A gestante está angustiada e pergunta se o bebê corre risco. Qual é a conduta correta?
Correta: IgM pode permanecer reagente por meses a mais de um ano após a infecção (IgM residual), por isso não define infecção aguda isoladamente. A avidez ALTA de IgG indica infecção adquirida há mais de 12 a 16 semanas; realizada antes da 16ª semana de gestação, exclui infecção durante a gravidez — a gestante é imune, sem risco de transmissão vertical, e o pré-natal segue de rotina. Espiramicina e amniocentese só se justificam quando há infecção materna aguda na gestação, o que a avidez alta afastou. Repetir sorologia é desnecessário, pois a avidez alta antes de 16 semanas já é conclusiva. O esquema tríplice é reservado à infecção fetal confirmada ou fortemente suspeita, jamais indicado com base em IgM reagente isolado.
Uma mulher de 31 anos, gestante de 22 semanas, teve soroconversão documentada para toxoplasmose (IgG e IgM previamente não reagentes com 16 semanas, ambos reagentes com 20 semanas). Iniciou espiramicina assim que a soroconversão foi identificada e foi encaminhada ao serviço de referência. Realizada amniocentese, a PCR do líquido amniótico para Toxoplasma gondii resultou POSITIVA. A ultrassonografia morfológica não mostra alterações fetais. Qual é a conduta terapêutica adequada?
Correta: PCR positiva no líquido amniótico confirma infecção fetal. A espiramicina não atravessa bem a barreira placentária e serve apenas para reduzir a transmissão vertical — uma vez o feto infectado, ela perde a função e deve ser substituída pelo esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico), que trata o feto e é mantido até o parto, com hemogramas seriados pelo risco de mielotoxicidade. Com 22 semanas já se ultrapassou o limite de 18 semanas abaixo do qual a pirimetamina é evitada por teratogenicidade. Manter só espiramicina não trata o feto infectado, e ultrassonografia normal não afasta infecção. Omitir o ácido folínico é erro grave: ele protege a medula óssea materna e fetal sem antagonizar a pirimetamina (que atua sobre a di-hidrofolato redutase do parasita). Azitromicina não compõe o esquema de escolha, e repetir a PCR não altera a conduta já definida.
Mulher de 27 anos, gestante de 9 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal em Unidade Básica de Saúde. Está assintomática e refere gestação desejada, sem febre ou linfadenomegalia recentes. Entre os exames de rotina do primeiro trimestre, a sorologia para toxoplasmose retorna com IgG reagente e IgM reagente. Diante desse resultado, qual é a conduta mais adequada para definir o momento da infecção e orientar o seguimento?
Com IgG e IgM reagentes no primeiro trimestre (<16 semanas), o teste de avidez de IgG distingue infecção antiga de recente: avidez alta indica infecção há mais de 3-4 meses (provavelmente pré-gestacional), o que muda toda a conduta. Presumir infecção aguda e já dar espiramicina sem confirmar é precipitado — a IgM pode persistir positiva por meses. Considerar imunidade prévia sem investigar ignora o risco de infecção recente. O esquema tríplice (sulfadiazina+pirimetamina+ácido folínico) é reservado à infecção fetal confirmada no 2º/3º trimestre, não ao rastreio inicial.
Gestante de 26 anos, G2P1, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS com 10 semanas de idade gestacional. Relata o hábito de consumir carne malpassada e possui um gato doméstico, porém encontra-se assintomática. A sorologia de rotina para toxoplasmose, solicitada nesta consulta, revela IgG reagente e IgM reagente. A paciente nega sorologias prévias e não há exame anterior disponível para comparação. Diante desse resultado no primeiro trimestre, assinale a conduta mais adequada para esclarecer o momento provável da infecção materna.
Diante de IgG e IgM reagentes no 1º trimestre, sem sorologia prévia, o passo para datar a infecção é o teste de avidez de IgG: alta avidez antes de 16 semanas indica infecção há mais de 3-4 meses (pré-concepcional, tranquilizador), enquanto baixa avidez sugere infecção recente/gestacional. A amniocentese só se justifica após confirmar infecção materna aguda e, em geral, após 18 semanas e ≥4 semanas do contágio. Documentar soroconversão exige um exame inicial NÃO reagente, que não existe aqui — repetir não data a infecção. IgM pode persistir por meses a mais de um ano; sozinha não define infecção antiga, por isso a avidez é necessária.
Gestante de 22 anos apresentou, na sorologia da primeira consulta com 14 semanas, IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose. Na sorologia de seguimento realizada com 20 semanas, o resultado passou a mostrar IgG reagente e IgM reagente, caracterizando soroconversão. A paciente permanece assintomática e a ultrassonografia obstétrica não evidencia alterações fetais. Considerando o objetivo de reduzir a transmissão vertical enquanto ainda se investiga o acometimento do concepto, assinale a conduta imediata mais apropriada.
Há soroconversão documentada (exame inicial negativo → positivo) = infecção materna aguda na gestação. Enquanto a infecção fetal ainda não foi confirmada, a conduta é iniciar espiramicina, que se concentra na placenta e reduz a transmissão vertical, sem atravessá-la de forma significativa. O esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico) é reservado à infecção FETAL confirmada (PCR positivo no líquido amniótico ou achados ultrassonográficos), pois a pirimetamina é antifolato/teratogênica. Só aguardar retarda a profilaxia diante de infecção aguda já confirmada. Não há indicação de interrupção — a maioria dos fetos não é acometida, e cabe investigar antes.
Gestante de 29 anos, com 24 semanas de idade gestacional, teve infecção aguda por Toxoplasma gondii confirmada por soroconversão e vinha em uso de espiramicina desde o diagnóstico. Amniocentese realizada com 22 semanas evidenciou PCR positivo para T. gondii no líquido amniótico, e a ultrassonografia morfológica passou a mostrar ventriculomegalia e calcificações intracranianas fetais. Diante da confirmação de infecção fetal, assinale a conduta terapêutica correta a ser instituída a partir deste momento.
Com infecção FETAL confirmada (PCR positivo + achados ultrassonográficos) e após 18 semanas, troca-se a espiramicina — que não atravessa bem a placenta — pelo esquema tríplice sulfadiazina + pirimetamina + ácido FOLÍNICO (leucovorina/folinato de cálcio), que trata o feto. A espiramicina é profilaxia da transmissão, não trata a doença fetal já estabelecida. Pegadinha central: deve-se usar ácido FOLÍNICO, não ácido FÓLICO — o ácido fólico é reduzido pelo parasita e antagoniza o efeito antifolato da pirimetamina, enquanto o folínico (folato já reduzido) protege a medula óssea materno-fetal sem ser aproveitado pelo T. gondii. Omitir o folínico expõe a paciente à mielotoxicidade grave da pirimetamina (leucopenia/plaquetopenia) — a suplementação com folínico é obrigatória e não anula a ação parasiticida.
Primigesta de 24 anos, 10 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Assintomática, sem intercorrências, refere hábito de consumir carne malpassada e ter dois gatos em casa. Exame físico sem alterações. Os exames do primeiro trimestre mostram: hemograma normal, VDRL não reagente, anti-HIV não reagente, HBsAg não reagente e sorologia para toxoplasmose com IgG reagente e IgM reagente. Considerando o protocolo brasileiro vigente, assinale a conduta adequada neste momento.
Correta: gestante com IgG e IgM reagentes antes da 16ª semana é considerada infecção aguda até prova em contrário — inicia-se espiramicina imediatamente (reduz transmissão vertical) e solicita-se teste de avidez de IgG, que só tem valor discriminatório se realizado até a 16ª semana; avidez alta afasta infecção recente e permite suspender a droga. Aguardar a avidez sem tratar perde a janela de proteção placentária, já que a espiramicina só previne a passagem transplacentária enquanto o feto ainda não foi infectado. O esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico) é reservado para infecção fetal confirmada ou fortemente suspeitada e, pelo risco teratogênico da pirimetamina, não se usa antes da 18ª semana. Repetir sorologia em três semanas retarda a conduta e IgM pode persistir por mais de um ano, não permitindo essa inferência isolada.
Gestante de 24 anos, G1P0, com 12 semanas, retorna à UBS trazendo os exames solicitados na primeira consulta de pré-natal: hemograma normal; tipagem sanguínea A positivo; testes rápidos para HIV, sífilis e hepatite B não reagentes; anti-HCV não reagente; glicemia de jejum 84 mg/dL; urocultura negativa; sorologia para toxoplasmose com IgG não reagente e IgM não reagente. Relata que possui dois gatos em casa e que cultiva uma horta no quintal. Assinale a conduta correta em relação ao resultado da sorologia para toxoplasmose.
IgG e IgM não reagentes definem gestante SUSCETÍVEL: nunca teve contato com o parasita e pode soroconverter durante a gestação. A conduta do Ministério da Saúde é orientação de prevenção primária (carne bem cozida, higiene de frutas e verduras, luvas na jardinagem, evitar manipular fezes de gato) e repetição da sorologia a cada trimestre — idealmente mensal onde houver disponibilidade (correta). Espiramicina só é indicada diante de infecção aguda materna, para reduzir transmissão vertical, não como profilaxia de exposição. O teste de avidez só se aplica a IgM reagente com IgG reagente, para datar a infecção, situação inexistente aqui. Imunidade remota exigiria IgG reagente com IgM não reagente; classificar assim deixaria a paciente sem vigilância.
Primigesta de 24 anos, com 11 semanas de gestação confirmadas por ultrassonografia, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Nega febre, adenomegalia ou qualquer sintoma; refere que possui dois gatos em casa e cuida da horta sem luvas. Exame físico sem alterações. A triagem sorológica do pré-natal retorna com: toxoplasmose IgG reagente e IgM reagente; sífilis, HIV e hepatites não reagentes. A paciente está assintomática e muito preocupada com o resultado. Assinale a conduta adequada neste momento.
IgG e IgM reagentes em gestante assintomática no 1º trimestre não permitem datar a infecção: IgM pode persistir por meses a anos (IgM residual). A conduta correta é iniciar espiramicina de imediato (reduz a transmissão vertical enquanto se investiga) e solicitar o teste de avidez de IgG na MESMA amostra — antes de 16 semanas, avidez alta afasta infecção adquirida na gestação e permite suspender o tratamento. O esquema tríplice (sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico) só é indicado quando há infecção fetal comprovada ou fortemente suspeita, e a pirimetamina é evitada antes de 16–18 semanas por potencial teratogênico. A amniocentese com PCR é indicada apenas após confirmação de infecção materna aguda e a partir de 18 semanas (com intervalo mínimo de 4 semanas da soroconversão), não como primeiro exame. Aguardar três semanas sem tratar retarda a profilaxia da transmissão vertical em uma gestante potencialmente infectada.
Gestante de 31 anos, G2P1, em acompanhamento pré-natal, apresentava sorologia para toxoplasmose IgG e IgM não reagentes com 12 semanas. Na repetição com 22 semanas, o resultado foi IgG reagente e IgM reagente, caracterizando soroconversão; iniciou-se espiramicina 1 g VO de 8/8 horas. Com 26 semanas foi realizada amniocentese, cuja PCR para Toxoplasma gondii no líquido amniótico resultou POSITIVA. A ultrassonografia obstétrica mostra ventriculomegalia leve bilateral. Hemograma materno normal. Assinale a conduta terapêutica correta a partir deste resultado.
Com infecção fetal comprovada (PCR positiva no líquido amniótico) e idade gestacional superior a 18 semanas, a espiramicina — que atua na placenta, mas não atravessa bem a barreira placentária e não trata o feto — deve ser SUBSTITUÍDA pelo esquema tríplice: sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico, mantido até o parto, com hemograma seriado (a cada 1–2 semanas) pelo risco de mielotoxicidade. Manter espiramicina isolada deixa o feto já infectado sem tratamento efetivo. A azitromicina não faz parte do esquema padrão brasileiro nesse cenário, e postergar o tratamento para o período neonatal desperdiça a janela de redução da gravidade das sequelas. O ácido folínico é obrigatório: a pirimetamina é antagonista do folato e causa depressão medular, e o ácido folínico (não o ácido fólico) protege a medula sem antagonizar a ação antiparasitária.
Secundigesta de 27 anos, com 10 semanas de gestação, inicia o pré-natal em Estratégia de Saúde da Família. Assintomática, sem intercorrências na gestação anterior. A sorologia de triagem mostra toxoplasmose IgG NÃO reagente e IgM NÃO reagente. Ela relata que trabalha em um restaurante, prova a carne durante o preparo e consome carnes malpassadas com frequência. Pergunta se precisa tomar algum remédio para proteger o bebê. Assinale a conduta correta diante desse resultado sorológico.
IgG e IgM não reagentes definem gestante SUSCETÍVEL (nunca infectada), que é justamente a que precisa de vigilância sorológica seriada — trimestral pelo Ministério da Saúde, ou mensal em programas de rastreio ampliado — e de orientação de prevenção primária: evitar carne crua/malpassada, lavar bem frutas e verduras, usar luvas ao manusear terra ou areia e ao trocar a caixa de areia de gatos, consumir água tratada. A espiramicina não tem papel profilático em gestante não infectada; só é indicada após infecção materna aguda. Considerá-la imune é o erro oposto — imunidade é definida por IgG reagente com IgM não reagente. O teste de avidez só se aplica quando a IgM é reagente, para datar a infecção; sem IgM reagente não há o que datar.
Gestante imunocompetente de nove semanas, com IgG e IgM reagentes para toxoplasmose e baixa avidez de IgG, sem evidência de infecção fetal estabelecida, inicia espiramicina enquanto prossegue a investigação conforme a Nota Técnica nº 100/2022 do Ministério da Saúde. Por que não se inicia rotineiramente o esquema tríplice nesse momento?
A espiramicina é a conduta inicial nesse cenário do protocolo brasileiro. Sua passagem ao compartimento fetal é limitada e variável, não inexistente, e ela não substitui o esquema para infecção fetal estabelecida. A conduta posterior considera idade gestacional, ultrassom e PCR no líquido amniótico, quando disponível. O protocolo prevê situações excepcionais de infecção fetal precoce; portanto, “única opção antes de 16 semanas” é absoluto indevido. Baixa avidez pode persistir e deve ser interpretada com a história e as demais sorologias, não como prova isolada da data da infecção.
Gestante encaminhada ao pré-natal de alto risco por infecção aguda por Toxoplasma gondii. A soroconversão foi documentada em sorologia colhida quando ela tinha 15 semanas e 3 dias. Hoje ela está com 18 semanas e 2 dias. Sobre a amniocentese com pesquisa de DNA do parasito por PCR, qual a conduta?
A amniocentese para PCR tem dois pisos que precisam ser satisfeitos simultaneamente: idade gestacional a partir de 18 semanas e intervalo mínimo de 4 semanas desde a data estimada da infecção materna. Aqui o primeiro piso já foi atingido, mas o segundo não — passaram-se menos de 3 semanas desde a soroconversão, e colher agora aumentaria a chance de falso-negativo, num exame cuja sensibilidade já é de apenas cerca de 70%. Não há contraindicação até 24 semanas, e a cordocentese não é o exame indicado para investigação de infecção fetal por toxoplasmose neste contexto. Enquanto se aguarda, o tratamento materno é mantido e a ultrassonografia segue mensal ou bimensal.
Sobre a notificação e a definição de caso de toxoplasmose adquirida na gestação no Brasil, assinale a alternativa correta.
A notificação é do caso suspeito, e caso suspeito é toda gestante com IgM reagente ou indeterminado, ou com clínica compatível com infecção após a concepção, ou com ultrassonografia sugestiva de toxoplasmose congênita, ou identificada em surto. Se a investigação afastar a infecção aguda, o caso é descartado no próprio sistema — esperar confirmação para notificar subestima o agravo. A gestante com IgG reagente documentado mais de 3 meses antes da concepção é justamente um exemplo de caso descartado, com IgM residual e infecção crônica anterior à gravidez, e não de caso provável. A notificação da toxoplasmose gestacional ocorre durante a gestação, sem depender do desfecho neonatal.
Gestante de 22 anos, 10 semanas, realiza a triagem do pré-natal com resultado IgG anti-Toxoplasma gondii não reagente e IgM anti-Toxoplasma gondii não reagente. Qual a conduta correta segundo a diretriz nacional?
IgG e IgM não reagentes definem gestante suscetível, e suscetibilidade abre o rastreio em vez de encerrá-lo: repete-se sorologia a cada 1 a 3 meses e no momento do parto, e se ela persistir soronegativa colhe-se ainda uma última amostra de 2 a 4 semanas após o parto, porque a infecção do fim da gestação pode não ter gerado anticorpo detectável a tempo. Imune é a gestante com IgG reagente. Espiramicina só entra diante de suspeita de infecção aguda, nunca como profilaxia de mulher não infectada. Teste de avidez só faz sentido quando existe IgG reagente para avaliar.
Gestante de 20 semanas em uso de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico por toxoplasmose aguda. Em consulta de retorno, a paciente informa que a farmácia da unidade estava sem ácido folínico e o farmacêutico ofereceu ácido fólico 5 mg, que ela já vinha tomando no pré-natal. Sobre essa substituição e sobre o seguimento, qual a orientação correta?
A pirimetamina inibe a di-hidrofolato redutase, exatamente a enzima de que o ácido fólico depende para ser convertido em folato ativo — por isso o ácido fólico não resgata a medula sob pirimetamina, em nenhuma dose, e ainda pode competir com a droga. O ácido folínico já é a forma reduzida e é o único adequado, devendo ser mantido por mais uma semana depois de suspensa a pirimetamina, porque a supressão medular não cessa com a última dose. O monitoramento previsto é hemograma com plaquetas quinzenal, pela possibilidade de anemia, leucopenia e trombocitopenia. Trocar por espiramicina numa gestante de 20 semanas com infecção aguda seria subtratar o feto.
Gestante de 34 semanas apresenta soroconversão para toxoplasmose confirmada em sorologia de rotina. O serviço não dispõe de amniocentese e a ultrassonografia obstétrica é normal. Qual a conduta?
A taxa de transmissão vertical no terceiro trimestre chega a 50 a 90% sem tratamento, e é exatamente por isso que a amniocentese pode ser dispensada nessa fase: qualquer que fosse o resultado da PCR, o feto seria tratado. A conduta é esquema tríplice — sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico — mantido ininterruptamente até o parto, com hemograma quinzenal. Espiramicina não trata o feto e é a droga de antes das 16 semanas. Ultrassom normal não exclui infecção fetal, e o teste do pezinho não é diagnóstico, podendo ser falso-negativo justamente quando a mãe foi tratada. Antecipar o parto não tem indicação e apenas soma prematuridade ao problema.
Gestante de 33 anos com sorologia de 10 semanas mostrando IgG e IgM não reagentes. Na repetição trimestral, com 22 semanas, apresenta IgG reagente e IgM reagente, ambos em títulos elevados. Está assintomática. Qual o tratamento a ser instituído?
Trata-se de soroconversão documentada, ou seja, infecção aguda confirmada, e a gestante está com 22 semanas — muito além do corte de 16 semanas a partir do qual a pirimetamina deixa de ter restrição teratogênica. A conduta é iniciar de imediato o esquema tríplice, que atravessa a placenta e trata o feto, com encaminhamento ao alto risco e hemograma com plaquetas quinzenal. Espiramicina não trata infecção fetal e é a droga de quem ainda não chegou às 16 semanas. Sulfadiazina isolada só é usada na situação rara de infecção fetal confirmada antes de 14 semanas. Adiar o tratamento até a PCR contraria o princípio de que o benefício depende de tratar precocemente.
Gestante de 27 anos, primigesta, comparece à primeira consulta de pré-natal com 12 semanas de gestação, assintomática. Não possui sorologias anteriores. O resultado da triagem mostra IgG anti-Toxoplasma gondii reagente e IgM anti-Toxoplasma gondii reagente. O laboratório realizou teste de avidez de IgG na mesma amostra, com resultado de avidez alta. Qual a conduta?
Avidez alta significa anticorpos produzidos há mais de 4 meses. Como a amostra foi colhida com 12 semanas, dentro da janela de utilidade do teste, a infecção necessariamente antecede a concepção: o caso é descartado, a espiramicina iniciada empiricamente é suspensa e a gestante segue no pré-natal de risco habitual. A prevenção primária continua sendo orientada mesmo em quem já tem IgG, pela possibilidade teórica de reinfecção por outra cepa. Esquema tríplice e amniocentese pressupõem infecção adquirida na gestação, que aqui foi afastada. Repetir sorologia ou pedir nova avidez com 20 semanas não acrescenta informação, e depois de 16 semanas a avidez deixa de discriminar o momento da infecção.
Gestante com soroconversão para toxoplasmose documentada na 14ª semana iniciou espiramicina de imediato e passou a esquema tríplice depois de 16 semanas. A amniocentese realizada com 20 semanas mostra pesquisa de DNA do parasita negativa, e as ultrassonografias seriadas são normais. Qual é a conduta quanto ao tratamento?
A sensibilidade da pesquisa de DNA no líquido amniótico é de aproximadamente 70%, e por isso o resultado negativo não interrompe o tratamento — ele apenas permite discutir a troca do esquema. Quando a infecção materna ocorreu na primeira metade da gestação, como aqui, pesquisa negativa com ultrassonografia normal autoriza voltar à espiramicina, mantida até o parto, porque o objetivo passa a ser novamente impedir que o parasita alcance o feto. Manter o esquema tríplice até o parto é a conduta de quem se infectou na segunda metade, principalmente no último trimestre, em que a taxa de transmissão é alta o bastante para tratar de qualquer forma. Suspender toda a medicação trata o exame como se excluísse infecção fetal, o que a sensibilidade não permite. Repetir a amniocentese acrescenta risco sem mudar conduta. E sulfadiazina isolada só é usada na situação rara de infecção fetal confirmada antes de 14 semanas.
Recém-nascido de mãe com toxoplasmose aguda tratada na gestação está assintomático, com fundo de olho, avaliação auditiva e imagem de crânio normais. A sorologia pareada mostra IgG reagente na mãe e no bebê, com IgM e IgA não reagentes no recém-nascido. Qual é a interpretação e o seguimento correto?
A IgG atravessa a placenta e pode ser apenas materna, persistindo reagente no bebê por até 12 meses; por isso ela não confirma infecção congênita, e o que fecha ou exclui o diagnóstico é o seguimento sorológico do primeiro ano. Queda progressiva da IgG até negativar em duas amostras com intervalo mínimo de um mês exclui a toxoplasmose congênita; título estável, ascendente ou ainda reagente depois dos 12 meses confirma. IgM e IgA, ao contrário, não atravessam a barreira placentária, de modo que a presença delas indicaria produção do próprio bebê — mas a ausência não exclui nada, porque entre 60% e 90% das crianças infectadas são assintomáticas ao nascimento e o exame físico normal não tranquiliza. Repetir só a sorologia materna abandona justamente a criança que precisa ser acompanhada. E o teste de avidez é ferramenta de datação da infecção materna dentro de uma janela gestacional, sem papel na investigação do recém-nascido.
Gestante de 29 anos, com 10 semanas, traz resultado de sorologia para toxoplasmose realizada dois anos antes da gestação, com IgG reagente e IgM não reagente. Está assintomática, é imunocompetente e não vive com HIV. Qual é a conduta quanto ao rastreio de toxoplasmose nesta gestação?
Existe uma exceção que economiza exame: havendo sorologia anterior à gestação com IgG reagente, independentemente do IgM, não se pede nova sorologia, porque aquela mulher já é imune e o risco fetal é considerado insignificante. Repetir o par trimestralmente é a conduta da gestante suscetível, que tem IgG e IgM não reagentes. O teste de avidez só serve para desempatar o tempo de uma infecção suspeita dentro da gestação e nada acrescenta a uma imunidade documentada dois anos antes. Espiramicina é reservada à suspeita de infecção aguda e nunca funciona como profilaxia em quem não se infectou. E a prevenção primária continua sendo orientada a toda gestante, inclusive à que já tem IgG reagente, pela diversidade genética do parasita e pela possibilidade teórica de reinfecção por outra cepa — dispensá-la é o erro de tratar imunidade como alta. Vale registrar que gestantes imunodeprimidas ou vivendo com HIV têm regra própria, com triagem oferecida de rotina independentemente do perfil sorológico prévio.
Gestante de 18 semanas tem soroconversão confirmada para toxoplasmose. Foi iniciada espiramicina. A amniocentese com PCR no líquido amniótico resulta positiva. Qual a conduta?
A espiramicina não atravessa bem a placenta e serve para reduzir a transmissão vertical enquanto a infecção fetal não está confirmada; comprovada a infecção do concepto, o objetivo passa a ser tratar o feto, e o esquema tríplice com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é o indicado após 16 a 18 semanas. Manter a espiramicina é o erro que deixa o feto infectado sem tratamento eficaz. O ácido folínico acompanha o esquema para prevenir a mielotoxicidade da pirimetamina.
Gestante de 10 semanas apresenta IgG e IgM positivos para toxoplasmose, com teste de avidez de IgG de alta avidez. Qual a interpretação?
A avidez da IgG amadurece com o tempo: alta avidez no primeiro trimestre indica infecção adquirida há mais de três a quatro meses, portanto antes da concepção, e o risco fetal é desprezível. A armadilha é a IgM positiva, que pode persistir por meses ou anos e leva a tratar gestante já imune — é exatamente para desfazer essa dúvida que o teste de avidez existe, e ele só é útil no primeiro trimestre. Paciente suscetível teria IgG negativa.
Gestante em uso de esquema com sulfadiazina e pirimetamina para toxoplasmose fetal confirmada. Qual medicamento deve ser obrigatoriamente associado e por quê?
A pirimetamina inibe a di-hidrofolato redutase e causa mielotoxicidade, prevenida com ácido folínico, que já é a forma reduzida e não depende da enzima bloqueada. O ácido fólico engana por ser quase homônimo e habitual no pré-natal, mas ele precisa ser reduzido pela mesma enzima inibida, o que o torna ineficaz para proteger a medula nesse contexto.
Qual das orientações abaixo NÃO deve ser dada a uma gestante suscetível à toxoplasmose durante o pré-natal?
Não existe vacina contra toxoplasmose para uso humano, e a prevenção é integralmente comportamental somada ao rastreamento sorológico seriado. Evitar carne malpassada engana quem lembra apenas do gato como fonte, mas a ingestão de cistos em carne mal cozida é uma via de transmissão pelo menos tão importante quanto o contato com oocistos do ambiente.
Gestante de 12 semanas com sorologia para toxoplasmose IgG reagente e IgM não reagente. Assintomática. Qual a interpretação e a conduta?
IgG reagente com IgM não reagente em gestante assintomática indica contato antigo e imunidade, situação em que não há risco de transmissão congênita, salvo imunossupressão grave, e a repetição sorológica é desnecessária. Pedir avidez engana porque esse teste existe para datar a infecção quando há IgM reagente; com IgM negativa, não há dúvida de temporalidade a resolver.
Gestante de 16 semanas com soroconversão documentada para toxoplasmose. Iniciou espiramicina. Amniocentese com PCR positiva para Toxoplasma gondii no líquido amniótico. Qual a conduta?
A espiramicina reduz a transmissão placentária, mas não atravessa bem a placenta nem trata o feto já infectado; comprovada a infecção fetal, o esquema passa a ser sulfadiazina com pirimetamina e ácido folínico. Manter espiramicina isolada engana porque ela já estava em curso e parece suficiente, mas nesse momento o objetivo mudou de prevenir para tratar, e o fármaco correto é outro.
Gestante de 25 anos, com 20 semanas, realiza sua primeira sorologia para toxoplasmose na gestação: IgG e IgM claramente reagentes, sem índices próximos ao limite do ensaio, e avidez de IgG baixa. Não há exames anteriores disponíveis. Está assintomática. Segundo a Nota Técnica nº 100/2022 do Ministério da Saúde, qual é a conduta medicamentosa imediata, associada ao encaminhamento ao pré-natal de alto risco?
Para a primeira sorologia IgG/IgM positiva após 16 semanas, no cenário especificado, a nota nacional orienta sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico imediatamente, com investigação e seguimento especializado. Baixa avidez após esse período não comprova a data da infecção. A avaliação fetal inclui ultrassonografia e PCR do líquido amniótico, respeitando idade gestacional superior a 18 semanas e intervalo mínimo de quatro semanas da provável infecção. O resultado e a época provável da infecção orientam os ajustes posteriores. O protocolo não reserva o esquema tríplice exclusivamente à PCR positiva ou ao terceiro trimestre.
Sobre a transmissao vertical da toxoplasmose ao longo da gestacao, qual afirmacao esta correta?
As duas curvas correm em sentidos opostos: quanto mais avancada a gestacao, maior a chance de o parasita atravessar a placenta, e quanto mais precoce a infeccao, mais devastadora a lesao (hidrocefalia, calcificacoes, coriorretinite). Achar que gravidade e transmissao sobem juntas e o erro mais frequente e leva a subestimar a infeccao de primeiro trimestre. Infeccao antes da concepcao, em imunocompetente, praticamente nao transmite.
Gestante de 28 anos com infeccao aguda por toxoplasmose confirmada em 28 semanas. PCR do liquido amniotico POSITIVO. Qual o esquema terapeutico indicado a partir desse momento?
Com infeccao fetal confirmada, o objetivo passa a ser tratar o feto, e a espiramicina nao atravessa bem a placenta: troca-se para o esquema triplice, com acido folinico obrigatorio para reduzir a mielotoxicidade da pirimetamina. Manter espiramicina isolada engana quem lembra que ela e a droga da gestacao, mas seu papel e prevenir a passagem transplacentaria - uma vez que o feto ja esta infectado, ela nao resolve. O corticoide entra apenas como adjuvante em coriorretinite ativa ou proteinorraquia elevada.
Gestante suscetivel a toxoplasmose. Qual orientacao de prevencao primaria esta correta?
As duas rotas relevantes sao cistos em carne malcozida e oocistos do solo, da agua e das fezes de gato - dai carne bem cozida, higiene rigorosa de vegetais, luvas para jardinagem e nao manusear a caixa de areia. Afastar o gato da casa e o excesso mais repetido: o gato domiciliado alimentado com racao industrializada raramente elimina oocistos, e a orientacao e sobre o manejo das fezes, nao sobre despejar o animal. Profilaxia medicamentosa nao se faz em gestante suscetivel sem infeccao.
Gestante de 30 anos, 12 semanas, com IgG reagente e IgM nao reagente para toxoplasmose. Qual a conduta?
IgG reagente com IgM nao reagente no primeiro trimestre significa infeccao antiga e imunidade: essa gestante nao precisa de novas sorologias nem de profilaxia. Repetir a cada trimestre e o erro mais comum e desperdica exame - o seguimento seriado e para a SUSCETIVEL (IgG e IgM nao reagentes), que pode soroconverter. O teste de avidez so faz sentido quando a IgM e reagente, para datar a infeccao.
Gestante com IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose na primeira consulta. Qual a conduta?
A ausência de anticorpos identifica a gestante suscetível, que é justamente a que pode adquirir a infecção durante a gravidez e transmiti-la ao feto. Por isso a conduta reúne orientação sobre prevenção primária — evitar carne crua ou malpassada, lavar bem vegetais, usar luvas em jardinagem e cuidados com fezes de gato — e repetição sorológica a cada trimestre para detectar soroconversão em tempo de tratar. Considerá-la imune engana quem lê a negatividade como proteção e é o inverso exato da interpretação correta. A avidez só se aplica quando o IgG é reagente.
Gestante de 22 semanas com toxoplasmose aguda em tratamento apresenta ultrassonografia com ventriculomegalia cerebral e calcificações intracranianas fetais. Qual a implicação desses achados?
Ventriculomegalia e calcificações intracranianas em feto de mãe com toxoplasmose aguda documentam acometimento do sistema nervoso central e configuram infecção fetal com repercussão, situação em que o esquema tríplice está indicado e o casal precisa de aconselhamento sobre prognóstico, com seguimento em serviço de medicina fetal. Suspender o tratamento engana quem interpreta a lesão já instalada como falha terapêutica: o tratamento segue para limitar a progressão. A interrupção da gestação por essa indicação não está entre as hipóteses legalmente previstas no país.
Quais orientações compõem a prevenção primária da toxoplasmose para a gestante suscetível?
A transmissão se dá pela ingestão de cistos em carne crua ou malpassada e de oocistos eliminados nas fezes de felídeos, presentes em água, solo, frutas e verduras contaminadas. As medidas eficazes são cozinhar bem as carnes, higienizar vegetais, proteger as mãos no contato com terra e evitar manipular a caixa de areia do gato. Recomendar o descarte do animal engana quem centra o risco no bichano: o gato só elimina oocistos por poucas semanas na vida, e o convívio com um gato domiciliado que não caça e recebe ração é de baixo risco.
Gestante de 16 semanas com IgG não reagente e IgM reagente para toxoplasmose na primeira coleta. Nova amostra em 3 semanas mostra IgG reagente. Qual a interpretação e a conduta imediata?
A mudança de IgG não reagente para reagente confirma soroconversão. A idade gestacional da segunda coleta é 19 semanas. No fluxo federal, a confirmação após 16 semanas orienta substituir a espiramicina pelo esquema sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, sob acompanhamento especializado. A primeira amostra, com IgM isolado, já exigia conduta e repetição precoce, não espera de três meses. A investigação inclui ultrassonografia fetal seriada e avaliação de PCR no líquido amniótico, respeitando idade gestacional superior a 18 semanas e pelo menos quatro semanas desde a provável infecção. O esquema e seu monitoramento são ajustados aos resultados e à tolerância.
Gestante com toxoplasmose aguda confirmada realiza amniocentese com 20 semanas, cuja reação em cadeia da polimerase para Toxoplasma gondii no líquido amniótico é positiva. Qual a conduta terapêutica?
A espiramicina serve para reduzir a transmissão da mãe para o feto, mas atravessa mal a placenta e não trata o feto já infectado. Confirmada a infecção fetal, troca-se para o esquema tríplice, que atravessa a barreira placentária e reduz a gravidade das sequelas; o ácido folínico é obrigatório para prevenir a mielotoxicidade da pirimetamina. Manter a espiramicina engana quem raciocina que o tratamento já está em curso e não percebe que o alvo mudou de prevenção para tratamento fetal. A pirimetamina é evitada antes de 14 a 18 semanas por teratogenicidade.
Sobre a relação entre idade gestacional da infecção materna e o acometimento fetal na toxoplasmose, qual afirmativa está correta?
A placenta se torna progressivamente mais permeável, de modo que a transmissão sobe de cerca de 15% no primeiro trimestre para mais de 60% no terceiro. A relação com a gravidade é inversa: infecção precoce atinge órgãos em formação e produz as formas graves, com hidrocefalia, calcificações intracranianas e coriorretinite extensa, enquanto a infecção tardia costuma gerar recém-nascidos assintomáticos ao nascimento, que podem desenvolver coriorretinite tardia. Inverter essa relação engana e é o erro clássico dessa matéria.
Sobre a espiramicina no tratamento da toxoplasmose gestacional, qual afirmativa está correta?
A espiramicina alcança altas concentrações no tecido placentário e atua como barreira à passagem do parasito, reduzindo a transmissão vertical, mas sua penetração no compartimento fetal é baixa — daí ser droga de prevenção, e não de tratamento do feto infectado. Ela é segura desde o primeiro trimestre, diferentemente da pirimetamina, que é evitada precocemente por antagonismo do folato. A necessidade de ácido folínico pertence ao esquema com pirimetamina, e transferir essa exigência para a espiramicina engana quem memoriza as drogas sem separar os papéis de cada uma.
Gestante de 12 semanas apresenta na triagem sorológica IgG e IgM reagentes para toxoplasmose. Teste de avidez de IgG realizado na mesma amostra revela alta avidez. Qual a interpretação e a conduta?
A avidez do IgG mede a força de ligação do anticorpo ao antígeno e amadurece com o tempo: alta avidez indica que a infecção ocorreu há mais de 12 a 16 semanas. Como o exame foi colhido no primeiro trimestre, a infecção precede a concepção e o risco de transmissão vertical é desprezível, dispensando tratamento. O IgM reagente engana porque pode persistir por meses ou anos após a infecção aguda — é justamente para resolver essa ambiguidade que a avidez existe, e ela só tem valor interpretativo quando colhida no primeiro trimestre.
Paciente com suspeita de toxoplasmose ganglionar apresenta IgG reagente e IgM reagente. Qual exame ajuda a datar a infecção?
O IgM anti-Toxoplasma pode permanecer reagente por muitos meses, às vezes mais de um ano, o que o torna um marcador ruim de infecção recente isoladamente — o teste de avidez de IgG resolve o impasse, pois alta avidez afasta infecção adquirida nos últimos três a quatro meses. Essa informação é decisiva sobretudo em gestantes, em quem a datação define o risco de transmissão vertical e a conduta terapêutica.
Qual orientação de prevenção primária da toxoplasmose deve ser dada a uma gestante suscetível?
A prevenção se apoia em higiene alimentar — carne bem cozida, vegetais bem lavados — e em evitar o contato com oocistos presentes em terra e em fezes de gato, o que envolve luvas na jardinagem e delegar a limpeza da caixa de areia. Afastar o animal da casa é medida desnecessária e frequentemente sugerida por engano: o risco está nas fezes com oocistos esporulados, e não no contato com o pelo do animal.
Gestante de 10 semanas apresenta IgG e IgM reagentes para toxoplasmose, com teste de avidez de IgG baixa. Qual a conduta?
Baixa avidez no primeiro trimestre sugere infecção recente e obriga a iniciar espiramicina de imediato, com o objetivo de reduzir a transmissão placentária, enquanto se investiga o comprometimento fetal por técnica molecular no líquido amniótico. A associação de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico entra quando há infecção fetal confirmada, e a pirimetamina é evitada no primeiro trimestre pelo potencial teratogênico.
Sobre a transmissão e a prevenção da toxoplasmose, é correto afirmar:
As vias que importam são alimentares e ambientais: cistos em carne crua ou malpassada e oocistos eliminados por felídeos que contaminam água, solo, verduras e frutas — realidade que explica a alta soroprevalência no Brasil e surtos ligados a água. A prevenção passa por cozinhar bem, congelar carne, lavar bem vegetais, usar luvas na jardinagem e evitar manusear a caixa de areia do gato durante a gestação, sem necessidade de abandonar o animal, que é a orientação errada e cruel frequentemente dada. Não há transmissão respiratória nem sexual relevante, e o congelamento reduz sim a viabilidade dos cistos.
Gestante de 22 semanas apresenta soroconversão para toxoplasmose. Sobre a conduta, é correto afirmar:
A soroconversão gestacional exige ação: espiramicina reduz a transmissão placentária, e quando a infecção fetal é confirmada o esquema passa a sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, respeitando as restrições do primeiro trimestre. A regra epidemiológica que a prova adora é inversa nas duas pontas: a transmissão vertical AUMENTA com o avanço da idade gestacional, mas a gravidade do acometimento fetal DIMINUI — infecções precoces transmitem pouco e devastam, infecções tardias transmitem muito e costumam ser subclínicas ao nascer, o que justifica o seguimento oftalmológico prolongado dessas crianças.
Gestante apresenta sorologia para toxoplasmose com IgM positivo e IgG positivo na 12ª semana, com teste de avidez de IgG ALTA. Qual é a interpretação?
A avidez alta no primeiro trimestre indica que a resposta imune amadureceu, o que situa a infecção em período anterior à gestação e tranquiliza quanto ao risco fetal — o anticorpo da classe IgM pode persistir por meses ou anos, o que torna sua positividade isolada pouco útil. Assumir infecção aguda apenas pela IgM positiva é o erro mais frequente do tema e gera tratamentos e ansiedade desnecessários, além de investigações fetais invasivas.
Qual orientação de prevenção primária deve ser dada a gestante suscetível à toxoplasmose (IgG e IgM negativos)?
A prevenção se apoia em higiene alimentar e cuidado com solo e fezes de felinos, com repetição da sorologia durante a gestação para detectar soroconversão. O ponto que a banca gosta de testar é o gato: não é preciso se desfazer do animal, porque a transmissão exige a ingestão de oocistos esporulados presentes em fezes com mais de 24 horas, e o risco maior costuma vir de carne malcozida e de vegetais mal lavados. Antibiótico profilático não tem qualquer indicação nesse cenário.
Gestante com toxoplasmose aguda confirmada na 16ª semana, sem confirmação de infecção fetal. Qual é a conduta terapêutica?
A espiramicina concentra-se na placenta e reduz a passagem do parasito para o feto, sem atravessar bem a barreira placentária — por isso é a droga da fase em que ainda não há infecção fetal comprovada; confirmada a infecção, muda-se para o esquema tríplice, que trata o feto. Iniciar pirimetamina de imediato engana quem quer o esquema mais potente, mas ele é teratogênico no primeiro trimestre e desnecessário enquanto o feto não estiver infectado.
Gestante com 12 semanas apresenta IgM e IgG positivos para toxoplasmose, com teste de avidez de IgG baixa. Qual a interpretação e a conduta imediata?
Avidez baixa de IgG no primeiro trimestre sugere infecção recente, adquirida há menos de aproximadamente 12 a 16 semanas, e a conduta é iniciar espiramicina, que reduz a transmissão vertical, enquanto se investiga a infecção fetal com PCR em líquido amniótico e ultrassonografia seriada. Avidez alta no primeiro trimestre indicaria justamente o contrário, infecção anterior à gestação. O esquema tríplice com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico entra quando a infecção fetal é confirmada ou fortemente suspeitada, a partir do segundo trimestre.
Qual é a relação entre a idade gestacional na infecção materna por toxoplasmose e as consequências fetais?
A placenta imatura do primeiro trimestre é barreira mais eficaz, o que reduz a transmissão, mas quando ela ocorre o comprometimento é grave, com hidrocefalia, calcificações e coriorretinite; no terceiro trimestre a transmissão é frequente, porém a maioria dos recém-nascidos nasce assintomática, com risco de lesões oculares tardias. Supor que precocidade some transmissão e gravidade engana quem intui uma relação linear, quando o comportamento das duas variáveis é oposto.
Sobre o risco de transmissão vertical e a gravidade da toxoplasmose congênita conforme a idade gestacional em que ocorre a infecção materna, qual afirmação é correta?
A relação é inversa e é o ponto mais cobrado deste tema: a placenta imatura do primeiro trimestre transmite pouco, mas quando transmite compromete um feto em plena organogênese, gerando as formas graves com hidrocefalia e lesão neurológica; no terceiro trimestre a placenta transmite muito mais, porém o acometimento tende a ser subclínico ao nascer. Isso explica por que a maioria dos recém-nascidos infectados parece normal e, sem tratamento, desenvolve coriorretinite anos depois.
Gestante realiza sorologia e apresenta IgM e IgG positivos para toxoplasmose no primeiro trimestre, com teste de avidez de IgG alta. Como interpretar e qual a conduta?
A avidez alta de IgG no primeiro trimestre indica que a infecção ocorreu há mais de três a quatro meses, ou seja, antes da gestação, o que praticamente afasta o risco de transmissão vertical nessa gravidez, apesar da IgM positiva. Interpretar toda IgM positiva como infecção aguda é justamente o erro que gera tratamentos e ansiedade desnecessários, pois esse anticorpo pode persistir por meses ou anos. Positividade de IgG indica contato prévio, e não ausência dele, o que torna essa alternativa uma inversão do conceito básico.
Gestante de 33 anos, com 18 semanas, apresenta no pré-natal da Unidade Básica de Saúde sorologia para toxoplasmose com IgM reagente e IgG reagente. O teste de avidez de IgG, realizado na mesma amostra, resultou alto. A gestante é assintomática, tem hábito de consumir carne bem passada e não possui gatos. A ultrassonografia obstétrica não mostra alterações fetais. Assinale a interpretação e a conduta corretas para esse resultado.
Avidez alta de IgG obtida antes de 16 a 18 semanas indica que a infecção ocorreu há mais de três a quatro meses, ou seja, muito provavelmente antes da concepção, o que afasta risco de transmissão vertical e dispensa espiramicina. Interpretar como infecção aguda ignora justamente a informação trazida pelo teste de avidez, já que a IgM pode persistir reagente por meses ou anos. Chamar o resultado de indeterminado desconsidera que a avidez alta é conclusiva quando colhida precocemente. Classificar como suscetível é incompatível com IgG reagente, que traduz contato prévio com o parasito.
Gestante de 21 anos, com 20 semanas, tem sorologia para toxoplasmose com IgM reagente, IgG não reagente na primeira amostra e, em nova coleta com três semanas de intervalo, IgM e IgG reagentes. Está assintomática e o pré-natal é acompanhado na Unidade Básica de Saúde de seu território. A ultrassonografia obstétrica é normal. Considerando a soroconversão documentada, assinale a conduta imediata correta.
A soroconversão documentada caracteriza infecção aguda na gestação, e a conduta inicial é a espiramicina, que reduz a transmissão vertical, associada ao encaminhamento para investigação de infecção fetal por reação em cadeia da polimerase no líquido amniótico. O esquema tríplice com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico é reservado à infecção fetal confirmada ou fortemente suspeita, e não é a primeira medida antes da investigação. Manter apenas orientação higiênica desperdiça a janela em que a profilaxia é eficaz. A interrupção não é conduta prevista, uma vez que boa parte dos fetos não é infectada e o tratamento reduz a gravidade das lesões.
Gestante de 24 anos, com 16 semanas, apresenta sorologia para toxoplasmose com IgG reagente e IgM reagente, colhida na primeira consulta. O teste de avidez de IgG, realizado na mesma amostra, resulta em avidez alta. Ela é assintomática e não tem antecedente de doença febril. A primeira sorologia da gestação foi colhida com 15 semanas. A paciente questiona se o bebê corre risco e se precisa tomar remédio. A interpretação e a conduta corretas são
Avidez alta de IgG em amostra colhida antes de 16 semanas indica infecção adquirida há mais de três a quatro meses, portanto anterior à concepção, o que afasta risco de transmissão vertical e dispensa tratamento ou amniocentese. Iniciar espiramicina e investigar o líquido amniótico expõe a paciente a intervenção sem benefício. Considerar inconclusivo desconsidera exatamente a informação que o teste de avidez agrega nessa janela gestacional. Suscetibilidade corresponderia a IgG e IgM não reagentes, e o IgG reagente exclui essa possibilidade.
Gestante de 30 anos, com 17 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando que trabalha com criação de gatos e adora jardinagem. As sorologias do pré-natal mostram IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose. Ela está assintomática, com pressão arterial de 112x70 mmHg, e pergunta o que deve fazer para evitar a doença durante a gestação. Considerando o protocolo de rastreamento e prevenção da toxoplasmose no pré-natal, a conduta correta é
Sorologia com IgG e IgM não reagentes indica gestante suscetível, que deve receber orientação sobre prevenção primária, incluindo cuidados com carne crua, higiene de alimentos e manejo de fezes de gato, além de repetição periódica da sorologia para detectar soroconversão durante a gestação. A espiramicina é tratamento da infecção aguda materna, não profilaxia de suscetível. Dispensar novas sorologias é o erro central, pois é justamente a suscetível que precisa de vigilância. Amniocentese só se justifica após soroconversão confirmada, com risco fetal estabelecido.
Gestante de 33 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que trabalha em um restaurante e que come com frequência carne malpassada. Ela pergunta se pode continuar assim e o que precisa evitar na alimentação. Está assintomática, com pressão arterial de 108x66 mmHg, índice de massa corporal de 24 kg/m² e exames de rotina do primeiro trimestre ainda pendentes. A equipe aproveita a consulta para orientações alimentares. A orientação correta quanto à prevenção de infecções alimentares na gestação inclui
A prevenção alimentar na gestação envolve evitar carnes cruas ou malpassadas, que transmitem toxoplasmose, além de leite não pasteurizado e queijos frescos artesanais, associados à listeriose, e higienizar adequadamente frutas e verduras. Liberar carne malpassada mantém o principal risco de toxoplasmose alimentar. Restringir apenas peixes crus deixa descobertos os riscos mais relevantes no Brasil. Proibir toda proteína animal é orientação nutricionalmente inadequada e desnecessária, podendo induzir deficiências de ferro e vitamina B12.
Mulher de 26 anos, gestante de 10 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Relata que tem gato em casa há dois anos e limpa a caixa de areia diariamente, além de consumir carne malpassada com frequência. Está assintomática. Traz sorologias iniciais: IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose. Exame físico sem alterações, PA 108x66 mmHg. Ela pergunta se precisa doar o animal e o que deve fazer daqui em diante. A conduta correta é:
IgG e IgM não reagentes indicam gestante suscetível, que deve receber orientação de prevenção primária, como evitar carne crua ou malpassada, lavar bem vegetais, usar luvas na jardinagem e delegar ou proteger-se na limpeza da caixa de areia, com repetição periódica da sorologia para detectar soroconversão. Espiramicina se destina a infecção aguda documentada, não a paciente sem qualquer marcador. Considerar imune inverte a interpretação, pois a imunidade é sinalizada por IgG reagente. Doar o animal não é necessário, já que as medidas de higiene reduzem eficazmente o risco, e a carne malpassada é fonte tão ou mais relevante.
Gestante de 32 anos, com 26 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal. Traz sorologias de rotina com IgM e IgG reagentes para toxoplasmose, sendo que a sorologia do primeiro trimestre havia mostrado IgG e IgM não reagentes. Está assintomática, sem linfadenomegalia ou febre. Ao exame: PA 112x70 mmHg, altura uterina compatível, batimentos cardiofetais audíveis. Ela relata consumo frequente de carne malpassada e contato com jardinagem sem luvas. A conduta correta é:
A passagem de sorologia não reagente para IgM e IgG reagentes configura soroconversão durante a gestação, ou seja, infecção aguda, e o tratamento com espiramicina deve ser iniciado imediatamente para reduzir a transmissão vertical, com encaminhamento para investigação de infecção fetal e acompanhamento especializado. Repetir sorologias e adiar o tratamento desperdiça o período de maior benefício. Considerar imunidade antiga contraria a documentação de sorologia prévia negativa. O esquema com sulfadiazina e pirimetamina é indicado quando há infecção fetal confirmada ou fortemente suspeita, após avaliação especializada.
Mulher de 24 anos, gestante de 12 semanas, realiza exames de rotina do pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática, sem febre, adenomegalias ou alterações visuais. Tem um gato em casa e come carne malpassada com frequência. Os resultados mostram IgG não reagente e IgM não reagente para toxoplasmose, com demais sorologias sem alterações. Ao exame: gestação de evolução normal, altura uterina compatível, sem intercorrências. Qual é a conduta correta diante desse resultado?
Sorologia com IgG e IgM não reagentes indica gestante suscetível, que deve receber orientação de prevenção primária, como evitar carne malpassada, lavar bem vegetais e cuidados com a caixa de areia do gato, e repetir a sorologia periodicamente para detectar soroconversão. Iniciar espiramicina sem infecção documentada é conduta equivocada. Considerar a gestante imune inverte a interpretação e a deixa desprotegida. Interromper a gestação por risco teórico de infecção não tem qualquer respaldo clínico ou legal.
Gestante de 26 anos, com 10 semanas, realiza sorologias de rotina no pré-natal. O resultado mostra imunoglobulina M reagente e imunoglobulina G reagente para toxoplasmose, com teste de avidez de imunoglobulina G baixa. Ela está assintomática, sem linfonodomegalias, sem febre e com exame físico normal. Relata contato frequente com gatos e consumo de carne malpassada. A altura uterina é compatível e os batimentos cardiofetais estão presentes. A conduta correta é:
Imunoglobulina M reagente com avidez de imunoglobulina G baixa no primeiro trimestre indica infecção provavelmente recente, com risco de transmissão vertical; a conduta é iniciar espiramicina de imediato para reduzir a passagem transplacentária e investigar a infecção fetal, ajustando o esquema conforme o resultado. Considerar infecção antiga contraria o resultado da avidez. O esquema tríplice é indicado quando há infecção fetal confirmada ou forte suspeita, e não como conduta inicial universal. Adiar a investigação para o terceiro trimestre perde a janela de prevenção.
Gestante de 24 anos, no terceiro trimestre, é diagnosticada com infecção aguda por toxoplasmose, com sorologia mostrando IgM reagente e IgG em soroconversão documentada, e avidez baixa. Ela está assintomática, com pré-natal sem outras intercorrências. Ao exame: altura uterina compatível, batimentos cardiofetais normais, sem adenomegalias e sem lesões oculares. A equipe discute a conduta para reduzir a transmissão vertical e as repercussões fetais. Qual é a conduta correta?
Na toxoplasmose aguda gestacional o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível para reduzir a transmissão vertical, com investigação de infecção fetal por métodos apropriados e ajuste do esquema quando a infecção fetal é confirmada, seguindo com acompanhamento do recém-nascido. Aguardar o parto perde a janela de prevenção da transmissão. Tratar somente o recém-nascido não evita a infecção fetal. Interrupção da gestação não é conduta indicada nem prevista em lei nessa situação.
Gestante de 25 anos, com 16 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e traz sorologia para toxoplasmose com IgG não reagente e IgM não reagente colhida no primeiro trimestre. Ela tem um gato em casa e trabalha com jardinagem. Está assintomática, com pressão arterial de 108x66 mmHg, exame obstétrico normal e sem febre ou adenomegalia. Ela pergunta se precisa se desfazer do gato e o que deve evitar. A orientação correta é
A gestante suscetível pode manter o animal de estimação com medidas de higiene, evitando manipular a caixa de areia, consumir carne crua ou malpassada e ingerir alimentos mal higienizados, com repetição periódica da sorologia para detectar soroconversão. Desfazer-se do animal não é necessário e gera sofrimento sem benefício proporcional. A espiramicina trata infecção aguda materna, não sendo profilaxia de suscetível. Dispensar novas sorologias elimina justamente a vigilância indicada para suscetíveis.
Gestante de 29 anos, com 22 semanas, apresenta soroconversão para toxoplasmose documentada entre a sorologia do primeiro trimestre e a atual, com IgM reagente e avidez de IgG baixa. Ela está assintomática, com pressão arterial de 110x68 mmHg, exame obstétrico normal e ultrassonografia sem alterações fetais no momento. A gestação transcorre sem intercorrências e ela não tem comorbidades. Ela relata que consumiu carne malpassada em um churrasco no início da gestação e que tem contato com hortas na comunidade. O hemograma e o exame de urina são normais e ela não faz uso de medicamentos contínuos. A conduta correta é
Confirmada a infecção materna aguda, inicia-se espiramicina para reduzir a transmissão vertical e encaminha-se para investigação de infecção fetal com pesquisa do parasita no líquido amniótico no momento apropriado, ajustando o esquema para tratamento tríplice se a infecção fetal for confirmada. Aguardar alterações ultrassonográficas significa tratar apenas quando o dano já ocorreu. Iniciar o esquema tríplice sem confirmação fetal expõe a toxicidade desnecessária. Dispensar tratamento com ultrassonografia normal ignora o risco de transmissão.
Gestante de 34 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e traz sorologia com IgG reagente e IgM reagente para toxoplasmose, sem teste de avidez realizado. Ela está assintomática, sem febre, sem adenomegalia e sem exantema, com pressão arterial de 110x68 mmHg e exame obstétrico normal. A ultrassonografia mostra gestação tópica única com biometria compatível. A equipe precisa definir a conduta diante do resultado. A conduta inicial correta é
IgM reagente no primeiro trimestre exige teste de avidez de IgG para diferenciar infecção recente de IgM residual, e a espiramicina pode ser iniciada enquanto se aguarda o resultado, pois o benefício da precocidade sobre a transmissão vertical supera o risco do fármaco. Aguardar sem tratar pode perder tempo crítico. O esquema tríplice é reservado à infecção fetal confirmada. Repetir a sorologia em três meses adia a decisão em uma janela em que a intervenção é mais eficaz.
Gestante de 24 anos, no terceiro trimestre, é diagnosticada com infecção aguda por toxoplasmose, com sorologia mostrando IgM reagente e IgG em soroconversão documentada, e avidez baixa. Ela está assintomática, sem febre e sem adenomegalias, com pré-natal sem outras intercorrências e sorologia não reagente documentada no primeiro trimestre. Ao exame: altura uterina compatível com a idade gestacional, batimentos cardiofetais normais, sem adenomegalias cervicais e sem lesões oculares à avaliação inicial. A equipe discute a conduta para reduzir a transmissão vertical e as repercussões fetais. Qual é a conduta correta?
Na toxoplasmose aguda gestacional o tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível para reduzir a transmissão vertical, com investigação de infecção fetal por métodos apropriados e ajuste do esquema quando a infecção fetal é confirmada, seguindo com acompanhamento do recém-nascido. Aguardar o parto perde a janela de prevenção da transmissão. Tratar somente o recém-nascido não evita a infecção fetal. Interrupção da gestação não é conduta indicada nem prevista em lei nessa situação.
Uma gestante de 22 anos, na 10ª semana, tem sorologia para toxoplasmose com IgG e IgM não reagentes, caracterizando suscetibilidade. Ela cria dois gatos, cuida da horta e consome carne malpassada com frequência. A médica da equipe de Saúde da Família precisa orientar as medidas de prevenção primária e o seguimento sorológico ao longo do pré-natal, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A gestação transcorre sem intercorrências, a ultrassonografia obstétrica é compatível com a idade gestacional e as demais sorologias do primeiro trimestre são não reagentes. Qual é a orientação correta?
Gestante suscetível deve receber orientação de prevenção primária, com cozimento adequado de carnes, higienização de mãos, vegetais e utensílios e cuidado com solo e fezes de gato, além de repetição sorológica trimestral para detectar soroconversão. Espiramicina é indicada quando há infecção aguda materna documentada, não como profilaxia em suscetíveis. Restringir a repetição ao terceiro trimestre perde soroconversões precoces, que têm menor transmissão mas maior gravidade fetal. Amniocentese é procedimento invasivo reservado a casos com infecção materna confirmada.
Gestante de 24 anos, na 14ª semana, apresenta soroconversão para toxoplasmose no pré-natal, com imunoglobulina M reagente e imunoglobulina G que era negativa no primeiro trimestre e agora é reagente, com baixa avidez. Está assintomática, com exame obstétrico normal e ultrassonografia fetal sem alterações. Não há resultado de pesquisa do parasita no líquido amniótico até o momento, e o serviço de referência está agendando a coleta. Qual é a conduta imediata?
Diante de infecção materna aguda confirmada, a espiramicina deve ser iniciada imediatamente para reduzir a transmissão vertical, mantendo-se a investigação do acometimento fetal por pesquisa no líquido amniótico e ultrassonografia. Aguardar o resultado do exame invasivo atrasa uma intervenção que atua justamente sobre a passagem transplacentária. O esquema tríplice é indicado quando há infecção fetal confirmada ou forte suspeita, com cuidados adicionais. Deixar de tratar ignora que a infecção materna assintomática é a via de transmissão para o feto.
Mulher, 25 anos, G1P0, com 18 semanas, apresenta soroconversão para toxoplasmose: IgM e IgG reagentes, com teste de avidez de IgG baixo. Iniciou espiramicina há 3 semanas. Traz agora ultrassom com ventriculomegalia bilateral e calcificações intracranianas, além de PCR positiva para Toxoplasma gondii no líquido amniótico colhido por amniocentese. PA 112/68 mmHg, T 36,6 °C, assintomática. Qual a conduta correta?
Substituir a espiramicina pelo esquema tríplice de sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, com hemograma seriado pelo risco de mielotoxicidade, é a conduta correta, pois a infecção fetal está confirmada por PCR no líquido amniótico e por achados de imagem, e a espiramicina não atravessa a placenta em concentração suficiente para tratar o feto. Manter espiramicina isolada perde a oportunidade de tratar a infecção fetal já estabelecida, e a restrição do esquema tríplice refere-se ao 1º trimestre pelo risco teratogênico da pirimetamina, não a 18 semanas em diante quando há infecção documentada. Suspender o tratamento é incorreto, pois a terapia reduz a gravidade das sequelas. A azitromicina não integra o esquema padrão. A interrupção da gestação não é conduta legalmente prevista nem clinicamente indicada nessa situação no Brasil.
Gestante de 24 anos, primigesta, com 12 semanas de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Traz sorologia: IgG para toxoplasmose reagente e IgM para toxoplasmose reagente. Teste de avidez de IgG realizado na mesma amostra resulta alto. Nega febre, linfadenomegalia ou exantema. Pressão arterial 110/70 mmHg. Ultrassonografia obstétrica com feto de morfologia normal para a idade gestacional. Qual a interpretação e a conduta corretas?
IgM reagente pode persistir por meses ou anos, e a avidez alta de IgG antes da 16ª semana indica infecção adquirida há mais de 12 a 16 semanas, portanto anterior à concepção nesta gestante de 12 semanas, o que dispensa tratamento e permite pré-natal habitual. Iniciar espiramicina com amniocentese pressupõe infecção aguda gestacional, justamente o que a avidez alta afasta, e submete a paciente a procedimento invasivo desnecessário. Falar em reativação com esquema tríplice aplica-se à toxoplasmose em imunossuprimidos ou à infecção fetal comprovada, não a este cenário. Considerar inconclusivo e repetir sorologia ignora que o teste de avidez foi realizado precocemente, justamente quando seu valor discriminatório é máximo. Suscetibilidade materna exigiria IgG não reagente, o que não é o caso, pois há IgG positiva.
Mulher, 26 anos, primigesta, com 10 semanas, realiza sorologia de rotina: IgG reagente e IgM reagente para toxoplasmose. O teste de avidez de IgG, realizado na mesma amostra, mostra alta avidez. Está assintomática, sem linfadenomegalia, PA 112/70 mmHg. Nega contato com gatos, ingestão de carne crua ou viagens recentes. Não realizou sorologias antes da gestação atual e chega preocupada com o resultado. Qual a interpretação e a conduta?
A interpretação correta é de infecção adquirida há mais de 3 a 4 meses, portanto anterior à concepção nesta gestação de 10 semanas, pois a alta avidez de IgG no 1º trimestre praticamente exclui infecção recente, e a IgM pode permanecer reagente por muitos meses ou anos, sendo desnecessário tratar. Diagnosticar infecção aguda e iniciar espiramicina com amniocentese expõe a paciente a intervenção sem indicação. Classificá-la como suscetível é incorreto, pois a IgG reagente indica contato prévio e imunidade. Considerar o resultado incompatível é infundado, já que a combinação descrita é comum e bem explicada pela persistência da IgM. A reativação com risco fetal é evento restrito a imunossuprimidos graves, o que não se aplica.
Mulher, 24 anos, G1P0, com 12 semanas, apresenta IgG e IgM não reagentes para toxoplasmose, sendo classificada como suscetível. Tem um gato em casa e trabalha em horta comunitária. PA 110/70 mmHg, sem queixas. Pergunta o que deve fazer para não se infectar durante a gestação e com que frequência deverá repetir os exames ao longo do pré-natal até o momento do parto. Qual orientação é a correta?
A orientação correta reúne evitar carne crua ou malpassada, lavar cuidadosamente frutas e vegetais, usar luvas em jardinagem e no manuseio de terra, não manipular a caixa de dejetos do gato e repetir a sorologia periodicamente, a cada trimestre ou mensalmente conforme o protocolo local, para detectar soroconversão. Doar o gato é desnecessário, pois a infecção decorre sobretudo da ingestão de oocistos do ambiente e de cistos em carne malcozida, e não do contato com o pelo do animal. A espiramicina profilática não é indicada para quem não se infectou. Repetir a sorologia apenas no 3º trimestre perde soroconversões precoces, cujo tratamento reduz a transmissão. Ferver a água é medida útil em áreas de risco, mas não é a única nem a principal via de prevenção.
Mulher, 27 anos, G1P0, suscetível para toxoplasmose no início do pré-natal, com sorologias mensais previamente não reagentes, apresenta agora, com 30 semanas, IgM e IgG reagentes, caracterizando soroconversão recente. Está assintomática, PA 114/72 mmHg. O ultrassom fetal não mostra alterações, com biometria adequada e líquido amniótico normal, sem calcificações ou ventriculomegalia identificadas. Qual a conduta correta?
A conduta correta é iniciar imediatamente o esquema tríplice com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico, pois a taxa de transmissão vertical no 3º trimestre é elevada, ultrapassando 60%, e o tratamento reduz a gravidade das lesões, considerando-se também a amniocentese com PCR para confirmar a infecção fetal. Manter apenas espiramicina até o parto é inadequado nessa fase, pois ela reduz a transmissão placentária, mas não trata o feto já infectado. Não tratar por ultrassom normal é erro grave, pois a maioria dos fetos infectados é assintomática ao nascimento e desenvolve coriorretinite e sequelas neurológicas tardias. Aguardar o parto perde a janela de tratamento intraútero. Repetir a sorologia em 8 semanas retarda a conduta em soroconversão já documentada.
Gestante previamente soronegativa apresenta soroconversão para Toxoplasma gondii em amostras pareadas. A infecção ocorreu no início da gestação; ainda não há confirmação de infecção fetal. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A documentação temporal é mais informativa que interpretar uma única IgM positiva. Referência: https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/hcp/clinical-care/index.html
Gestante previamente soronegativa apresenta soroconversão para Toxoplasma gondii em amostras pareadas. A infecção ocorreu no início da gestação; ainda não há confirmação de infecção fetal. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
Risco de transmissão e gravidade fetal variam com a fase gestacional. Referência: https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/hcp/clinical-care/index.html
Gestante previamente soronegativa apresenta soroconversão para Toxoplasma gondii em amostras pareadas. A infecção ocorreu no início da gestação; ainda não há confirmação de infecção fetal. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
O esquema muda conforme o cenário materno-fetal; avaliação especializada evita tratar todos os resultados sorológicos de modo igual. Referência: https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/hcp/clinical-care/index.html
Gestante previamente soronegativa apresenta soroconversão para Toxoplasma gondii em amostras pareadas. A infecção ocorreu no início da gestação; ainda não há confirmação de infecção fetal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Soroconversão documentada sustenta infecção recente, diferentemente de IgM isolada persistente. Referência: https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/hcp/clinical-care/index.html
Após investigação de provável infecção materna recente por toxoplasma, uma equipe discute exame destinado a pesquisar infecção fetal. Qual exame tem essa finalidade específica quando realizado na situação e no momento apropriados?
A pesquisa molecular no líquido amniótico pode contribuir para identificar infecção fetal; exige indicação e momento apropriados. Referência: CDC. Clinical Overview of Toxoplasmosis (2024). https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante apresenta exames que levantam suspeita de infecção recente por Toxoplasma gondii, mas afirma não ter tido febre, linfonodomegalia ou mialgia. Qual é a interpretação adequada dessa ausência de sintomas?
A avaliação da suspeita deve integrar exames e contexto; ausência de sintomas maternos não afasta a possibilidade de infecção. Referência: CDC. About Toxoplasmosis (2025). https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/about/index.html
Mãe com infecção por toxoplasma durante a gestação pergunta se o exame físico normal do recém-nascido permite encerrar a investigação. Qual informação justifica manter a avaliação indicada?
A aparência normal inicial não exclui infecção; o acompanhamento deve considerar a exposição e os exames apropriados. Referência: CDC. About Toxoplasmosis (2025). https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/about/index.html
Gestante suscetível à toxoplasmose não possui gatos, mas costuma provar carne crua durante o preparo e consumir hortaliças sem lavagem. Qual orientação aborda adequadamente suas exposições?
Carne contaminada malcozida e vegetais contaminados são vias possíveis; não ter gatos não elimina o risco. Referência: CDC. About Toxoplasmosis (2025). https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/about/index.html
Um laudo sorológico para toxoplasmose é interpretado como infecção aguda na gestação sem considerar resultados anteriores ou a possibilidade de testes confirmatórios. Qual é a principal limitação dessa abordagem?
Sorologia isolada nem sempre define adequadamente o momento da infecção; esclarecimento laboratorial pode ser necessário. Referência: CDC. Clinical Overview of Toxoplasmosis (2024). https://www.cdc.gov/toxoplasmosis/hcp/clinical-overview/index.html
Qual comparação integra avidez e momento da coleta?

Valor da avidez depende do momento; história sorológica pode ser decisiva.
Qual dado de B demonstra soroconversão?

Mudança documentada de IgG indica aquisição entre as coletas no contexto adequado.
Qual medida alimentar reduz risco de aquisição?

Prevenção inclui reduzir exposição a cistos em carne e oocistos em alimentos, água ou solo.
Por que não interpretar baixa avidez isolada como data exata da infecção?

Avidez ajuda a estimar temporalidade, sem precisão absoluta em todo resultado.
Qual agente causa toxoplasmose?

T. gondii é um protozoário.
Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.
Criar conta grátis e continuar →Plano de revisão
em 7 dias
Três números: 16 semanas é o limite da avidez de IgG e o piso do esquema tríplice; 18 semanas é o piso da amniocentese, que ainda exige 4 semanas desde a provável infecção. Menos de 16 semanas: espiramicina 500 mg, 2 comprimidos 8/8 h, que não cruza a placenta. A partir de 16 semanas: sulfadiazina 500 mg 2 comprimidos 8/8 h + pirimetamina 25 mg 2 comprimidos 1x/dia + ácido folínico 15 mg 1x/dia, que cruza a placenta e trata o feto.
em 30 dias
Transmissão sobe e gravidade desce ao longo da gestação: 15 a 20% no primeiro trimestre, 25 a 30% no segundo, 50 a 90% no terceiro. IgM reagente não é diagnóstico — pode ser residual por mais de 18 meses ou falso-positivo — mas já inicia espiramicina e notificação no Sinan. Gestante suscetível repete sorologia a cada 1 a 3 meses, no parto e 2 a 4 semanas depois. PCR em líquido amniótico tem sensibilidade de cerca de 70%: negativa não descarta. Ácido fólico nunca substitui ácido folínico.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Gestante de 28 anos, 13 semanas, chega à UBS com o resultado da primeira sorologia do pré-natal: IgG reagente e IgM reagente. Está assintomática e ansiosa porque leu na internet que precisaria interromper a gestação. Conduza a consulta: explique o que os exames significam, decida o que prescrever hoje e o que pedir a seguir. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
