Ginecologia e Obstetrícia › Pré-natal, rastreios e intercorrências clínicas da gestação
Exames do pré-natal
Exames laboratoriais e sorologias do pré-natal por trimestre
O painel completo, trimestre a trimestre: o que se pede, em que semana, e o que cada alteração dispara. A prova cobra o exame que falta no quadro e a conduta diante do resultado — as duas coisas saem do mesmo mapa.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Gestante de 33 anos, com 10 semanas de gestação, comparece à unidade de saúde. O médico solicita os exames de rotina do primeiro trimestre, incluindo a sorologia para prevenção da transmissão vertical de uma infecção tratável com penicilina benzatina. Qual dos exames a seguir faz parte da rotina de pré-natal com essa finalidade? Assinale a alternativa correta.
Como esse tema cai
Este é o capítulo do mapa. Pré-natal, na prova, quase nunca aparece como uma pergunta sobre uma doença: aparece como um quadro com um buraco (qual exame falta neste trimestre?) ou como um resultado solto pedindo conduta (o que se faz com isso?). As duas versões dependem da mesma coisa — saber o que se pede, em que semana, por quê, e o que a alteração dispara.
O painel vem da Caderneta Brasileira da Gestante (Ministério da Saúde, 2026), que é a lista oficial vigente do que o SUS oferece no pré-natal de risco habitual. O que fazer com o resultado alterado vem do Manual de Gestação de Alto Risco (Ministério da Saúde, 2022), que é quem detalha corte, titulação e esquema. Onde os dois documentos discordam entre si — e discordam em três pontos — o bloco de divergências mostra os dois lados.
Sífilis na gestação e diabetes mellitus gestacional têm capítulo próprio nesta apostila. Aqui eles são apenas linha da tabela: o momento da coleta e para onde o resultado reagente ou alterado encaminha. Tudo o que não tem capítulo próprio — hemograma, tipagem e Coombs, urina e urocultura, HIV, hepatites, toxoplasmose, citologia, estreptococo do grupo B e as ultrassonografias — está desenvolvido aqui.
O que muda decisão
O calendário: captação até a 12ª semana, sete consultas, e nenhuma alta
O pré-natal deve começar o quanto antes, preferencialmente até a 12ª semana. O número que se decora é o piso: no mínimo sete consultas, intercaladas entre médico e enfermeiro, mais no mínimo uma consulta odontológica. É esse o direito assegurado pela Portaria GM/MS nº 5.350/2024, que instituiu a Rede Alyne, e é ele que a caderneta imprime.
A distribuição não é decorativa, e ela é mais cobrada que o total. Até 28 semanas, consultas mensais. Da 28ª à 36ª semana, quinzenais. A partir da 36ª semana, semanais. O calendário adensa exatamente onde o risco se concentra: pré-eclâmpsia, restrição de crescimento e trabalho de parto prematuro não se distribuem uniformemente pela gestação, e a vigilância acompanha a curva.
Repare no que essa distribuição faz com o número. Uma gestante captada na 10ª semana e seguida até o termo passa de sete consultas com folga — chega a nove ou dez. O piso de sete é o que se cobra do serviço quando a captação foi tardia, não a meta do acompanhamento. E não existe alta do pré-natal: o acompanhamento segue até o parto e entra no puerpério, com no mínimo duas consultas puerperais, uma na primeira semana após a saída da maternidade e outra em torno de 30 dias depois do parto.
Sangue: o corte de hemoglobina que muda na gestação
O hemograma é pedido duas vezes: no primeiro e no terceiro trimestre. O que interessa dele é a hemoglobina, e o corte não é o mesmo da mulher fora da gestação. O protocolo brasileiro de anemia por deficiência de ferro (Ministério da Saúde, 2024) é explícito: hemoglobina abaixo de 13 g/dL em homens, abaixo de 12 g/dL em mulheres e abaixo de 11 g/dL em gestantes e crianças.
O corte cai porque a diluição é esperada. Na gestação, o volume plasmático expande mais do que a massa eritrocitária; a hemoglobina desce por hemodiluição fisiológica, e usar o corte de 12 g/dL rotularia como anêmica uma gestante normal. Usar 11 g/dL numa não gestante faz o erro inverso — deixa passar anemia real. É a mesma pegadinha em dois sentidos.
Achada a anemia, a gravidade decide o nível de atenção. O Manual de Gestação de Alto Risco estratifica: hemoglobina entre 9 e 11 g/dL é anemia leve a moderada e coloca a gestante em risco intermediário — trata-se e acompanha-se na própria atenção primária. Hemoglobina abaixo de 9 g/dL, ou anemia refratária ao tratamento, é alto risco e encaminha para o pré-natal especializado.
No mesmo primeiro trimestre entra a eletroforese de hemoglobina, e a caderneta reserva campo específico para registrar o resultado: padrão AA, heterozigose (as, AC) ou homozigose (SS, SC). O que muda com cada um é diferente. A heterozigose — o traço falciforme — não adoece a gestante, mas muda o aconselhamento, porque coloca em pauta a investigação do parceiro e o risco para a criança. A homozigose é doença falciforme e tira a gestação do risco habitual.
A OMS chega ao mesmo lugar por outro caminho: a recomendação B.1.1 de 2016 diz que o hemograma completo é o método para diagnosticar anemia na gestação e que, onde não houver hemograma, o hemoglobinômetro à beira do leito é preferível à escala de cor de hemoglobina. É uma recomendação escrita para serviços sem laboratório — no Brasil, ela vale como argumento de que a triagem não pode ser adiada por falta de estrutura.

Tipagem, Rh e Coombs indireto: um rastreio que existe para disparar a anti-D
Tipagem sanguínea ABO e fator Rh são pedidas na primeira consulta, em todas as gestantes. Mas só um resultado muda alguma coisa no seguimento: o Rh negativo. É ele que aciona o segundo exame, o teste de Coombs indireto, que a caderneta lista explicitamente como sendo para gestantes com fator Rh negativo.
A periodicidade do Coombs indireto é o primeiro ponto em que os dois documentos do Ministério não dizem a mesma coisa. O painel da caderneta pede o Coombs indireto no primeiro trimestre e, se negativo, repete no segundo e no terceiro. O Manual de Gestação de Alto Risco pede na primeira visita e manda repetir mensalmente. Na prática, o que a prova cobra é a lógica: enquanto o Coombs indireto for negativo, a gestante não está sensibilizada e o objetivo é impedir que ela sensibilize.
Impedir é a imunoglobulina anti-D. Na gestante Rh negativa não sensibilizada, a dose é de 300 microgramas, e os momentos são três: na 28ª semana de gestação; até 72 horas após o parto de recém-nascido Rh positivo ou de fator Rh desconhecido; e até 72 horas após qualquer evento com risco de sensibilização. A lista de eventos é curta e vale decorar — sangramento vaginal materno, abortamento, gestação ectópica ou molar, procedimento invasivo intrauterino, cirurgia fetal, óbito fetal, versão cefálica externa e trauma abdominal. No Brasil existem apresentações de 250 e de 300 microgramas, e a falha da profilaxia é de 1,5%.
Uma armadilha mora logo depois da injeção: não se repete o Coombs indireto depois de aplicada a anti-D. O teste pode positivar por causa da própria imunoglobulina — os títulos pós-profilaxia raramente passam de 1:4, excepcionalmente de 1:8, e podem se manter detectáveis por 8 a 12 semanas. Ler isso como sensibilização é um erro que já mudou conduta em plantão.
Coombs indireto positivo encerra o rastreio e abre a investigação. Faz-se a pesquisa e a titulação dos anticorpos irregulares para saber qual antígeno está envolvido e em que título. O número que separa os mundos é 1:16: títulos de anti-D iguais ou maiores que 16 se associam a risco de anemia fetal moderada a grave, e a avaliação passa para o Doppler da artéria cerebral média — pico de velocidade sistólica acima de 1,5 múltiplo da mediana indica anemia fetal moderada ou grave, com sensibilidade de 86% e especificidade de 71%. Daí em diante o assunto é do capítulo de isoimunização; aqui o que importa é que o rastreio existe para disparar a profilaxia, e que ele para de servir no instante em que a gestante já está sensibilizada.
Urina e urocultura: por que a bacteriúria assintomática se trata na gestante
Urina tipo I e urocultura com antibiograma são pedidas no primeiro e no terceiro trimestre. É o par de exames que produz a inversão de conduta mais cobrada do pré-natal: bacteriúria assintomática, fora da gestação, não se trata; na gestante, trata-se sempre.
A razão é mecânica antes de ser microbiológica. A progesterona relaxa a musculatura lisa do trato urinário e o útero em crescimento comprime os ureteres; o resultado é estase, e a bactéria que estava apenas colonizando a bexiga ganha caminho para subir. A pielonefrite acomete 1% a 2% das gestações, é mais frequente no segundo e no terceiro trimestres e obriga hospitalização. Mas o desfecho que sustenta a recomendação da OMS não é nem esse: o esquema antibiótico é recomendado para todas as gestantes com bacteriúria assintomática para prevenir bacteriúria persistente, parto prematuro e baixo peso ao nascer.
O método importa. A OMS é específica: urocultura de jato médio é o método recomendado para diagnosticar bacteriúria assintomática na gestação, e, onde não houver cultura disponível, o Gram do jato médio feito no local é preferível à fita reagente. A fita perde casos, e o caso perdido aqui não é um incômodo urinário — é um parto prematuro.
O tratamento é guiado pelo antibiograma, respeitando o risco teratogênico. O manual brasileiro traz três esquemas: fosfomicina 3 g em dose única; nitrofurantoína 100 mg de 6 em 6 horas por 5 dias; cefalexina 500 mg de 6 em 6 horas por 7 dias. A OMS formula sua recomendação como um regime de sete dias — a diferença é real e vale conhecer, mas os dois documentos concordam no essencial, que é tratar.
O passo que quase ninguém executa é o controle de cura: nova urocultura duas semanas depois do tratamento. E, se aparecer um segundo episódio, a conduta muda de patamar — indica-se antibioticoprofilaxia até o parto, com nitrofurantoína 100 mg por dia ou cefalexina 250 a 500 mg por dia. Depois de 37 semanas, troca-se a nitrofurantoína pela cefalexina, por causa do risco de icterícia neonatal.
Um achado da urocultura vale por dois exames. Estreptococo do grupo B isolado na urina, em qualquer contagem, durante a gestação em curso, é fator de risco anteparto e já indica antibioticoprofilaxia intraparto — independentemente do que a cultura vaginal e endoanal de 36 semanas venha a mostrar, e mesmo que essa cultura nem seja colhida. É a única situação em que a urocultura decide uma conduta de sala de parto.
Para fechar, a contagem de episódios estratifica: até dois episódios de infecção urinária ou um episódio de pielonefrite mantêm a gestante em risco intermediário; três ou mais infecções baixas, ou duas ou mais pielonefrites, levam ao alto risco.
Os quatro testes rápidos: HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C
Na primeira consulta saem os quatro, e a caderneta permite explicitamente resolver cada um por teste rápido ou por sorologia convencional: teste rápido para sífilis ou VDRL/RPR; teste rápido para HIV ou anti-HIV I e II; teste rápido para hepatite B ou HBsAg; teste rápido para hepatite C ou anti-HCV.
No terceiro trimestre, dois voltam: HIV e sífilis. Hepatite B e hepatite C não se repetem na rotina. E existe uma terceira janela, que é o parto ou o pós-parto imediato: teste rápido de HIV e teste rápido de sífilis ou VDRL/RPR em todas as parturientes, mais hepatite B e hepatite C naquelas que não foram testadas no pré-natal. A gestante sem pré-natal não é uma exceção do sistema — ela tem um ponto de coleta previsto no protocolo.
O teste rápido não é apenas uma comodidade, e é isso que a prova cobra quando pergunta o que ele muda no fluxo da atenção primária. Ele fecha o ciclo dentro da mesma consulta: coleta, resultado e conduta acontecem na UBS, sem depender de transporte de amostra, de fila de laboratório e de um retorno que pode não acontecer. Na sífilis, essa diferença é a distância entre iniciar penicilina benzatina hoje e iniciar em três semanas — e três semanas, na transmissão vertical, é muito tempo.
Hepatite C merece um parágrafo próprio porque é onde o material de estudo envelhece. A testagem universal de hepatite C na gestante foi incorporada ao SUS pela Portaria SCTIE/MS nº 32, de 19 de agosto de 2020, com o exame previsto principalmente para a primeira consulta de pré-natal, junto com os que já eram feitos para HIV, sífilis e hepatite B. Ela está no painel do primeiro trimestre e no painel do parto da caderneta vigente. Qualquer texto que diga que hepatite C só se testa na gestante com fator de risco é anterior a 2020.
Duas entradas mais recentes completam o quadro. O teste para HTLV está no painel do primeiro trimestre — resultado reagente encaminha ao protocolo de transmissão vertical, que é o que define a conduta materna e a orientação sobre aleitamento. E há dois exames condicionais, que dependem de onde a gestante vive e do que ela conta: teste para doença de Chagas (teste rápido e sorologia IgG) em casos suspeitos, e teste para malária (gota espessa ou teste rápido) nas regiões endêmicas — este último previsto nos três trimestres, não uma vez só.
O que cada resultado reagente dispara, em uma linha: sífilis vai para o capítulo próprio, com estadiamento e penicilina benzatina; HIV vai para a profilaxia da transmissão vertical em serviço especializado; hepatites B e C vão para confirmação e para o protocolo de transmissão vertical, com o tratamento materno da hepatite C feito depois do parto.
Toxoplasmose: a única sorologia do painel cuja leitura é graduada
A sorologia de toxoplasmose — IgG e IgM — é pedida no primeiro trimestre. Diferente do resto do painel, ela não se lê como reagente ou não reagente: são quatro cenários, e cada um tem conduta própria.
Cenário 1 — IgG e IgM não reagentes. A gestante é suscetível. Não há o que tratar; há o que orientar e o que repetir. A orientação é higienodietética: não comer carne crua ou malpassada, dar preferência a carnes congeladas, não comer ovos crus, beber somente água filtrada ou fervida, usar luvas para manipular carne crua e terra, não usar a mesma faca para carne e vegetais, lavar bem frutas e verduras, evitar contato com gatos e com o que possa ter fezes de gato. A repetição existe para pegar a soroconversão — e é aqui que os dois documentos do Ministério divergem, no bloco abaixo.
Cenário 2 — IgG reagente e IgM não reagente. Infecção pregressa, adquirida há pelo menos seis meses. Não se repete a sorologia, mantêm-se as orientações. Uma ressalva importa: se essa sorologia foi colhida tarde na gestação, ela não exclui uma infecção aguda ocorrida no início, porque a IgM já teria caído.
Cenário 3 — IgM reagente e IgG não reagente. Inicia-se espiramicina imediatamente e repete-se a sorologia em duas a três semanas. Se a IgG continuar não reagente, era IgM falso-positiva: suspende-se a espiramicina e a gestante volta a ser conduzida como suscetível. Se a IgG positivar, é soroconversão, e a infecção aguda está confirmada. A espiramicina é macrolídeo, concentra-se na placenta e reduz a transmissão vertical em 60% a 70%; o comprimido é de 500 mg e a dose diária é de 3 gramas, dois comprimidos de 8 em 8 horas.
Cenário 4 — IgM e IgG reagentes. Interpreta-se como infecção aguda e inicia-se medicação. É o único cenário em que o teste de avidez entra — e ele só entra porque a IgM, sozinha, não fecha nada: a sensibilidade dela vai de 93,3% a 100%, mas a especificidade varia de 77,5% a 99,1%, e a IgM pode permanecer positiva em títulos baixos por vários anos depois da infecção. Falso-positivo e IgM residual são o mesmo problema visto de dois ângulos.
O teste de avidez mede o percentual de ligação da IgG ao antígeno do parasita. Anticorpo de alta avidez é anticorpo maduro, produzido há mais de 12 a 16 semanas. Daí sai a regra de tempo, que é o número mais cobrado deste tema: a avidez só resolve com idade gestacional de até 16 semanas. Abaixo de 16 semanas, alta avidez exclui com segurança infecção adquirida na gestação em curso — suspende-se a espiramicina e a gestante é mantida no pré-natal de risco habitual. Avidez baixa ou intermediária, nessa mesma faixa, é infecção aguda: mantém-se a espiramicina e encaminha-se ao serviço de referência.
Acima de 16 semanas, a avidez não tem autonomia para definir o tempo da infecção. Alta, baixa ou indeterminada, a conduta é a mesma — conduz-se como infecção aguda. Pedir avidez no segundo ou no terceiro trimestre é gastar exame para não mudar nada. Não existe valor percentual universal para separar alta de baixa: os pontos de corte dependem do kit comercial, e o laudo tem de trazer a classificação.
Confirmada a infecção materna, a investigação fetal é por amniocentese com PCR do líquido amniótico, que é o padrão-ouro, com sensibilidade de 92% e especificidade de 100%. Ela se faz a partir de 18 semanas e, preferencialmente, quatro semanas depois da data estimada da infecção materna, para não colher antes de o parasita atravessar a placenta. Antes de qualquer procedimento invasivo, é obrigatório conhecer as sorologias de sífilis, hepatites B e C e HIV e a tipagem sanguínea materna — e, na Rh negativa, programar a imunoglobulina anti-D antes do procedimento. E vale o alerta inverso: ultrassonografia não rastreia toxoplasmose congênita. Os achados aparecem tarde, e esperar por eles atrasa o tratamento.
Glicemia e TOTG: aqui, só o momento
Na primeira consulta, glicemia em jejum — ou, se a gestante já chega com mais de 24 semanas, o teste oral de tolerância à glicose com 75 g direto. No segundo trimestre, o TOTG 75 g, preferencialmente entre 24 e 28 semanas. No terceiro trimestre, glicemia em jejum novamente.
Só isso é assunto deste capítulo. Os valores de corte, a diferença entre diabetes gestacional e diabetes diagnosticado na gestação, os esquemas alternativos por viabilidade financeira, as metas glicêmicas e o manejo estão no capítulo de diabetes mellitus gestacional desta mesma apostila.
Fica aqui apenas a armadilha de calendário, que é de painel e não de doença: a gestante que aparece pela primeira vez com 26 semanas não faz glicemia de jejum para depois ver. Ela já entra pelo TOTG, porque a janela do rastreamento é essa, e uma glicemia de jejum normal nesse momento não substitui o teste.
Citologia oncótica: a gestação é oportunidade, não contraindicação
Na caderneta vigente, o rastreamento do câncer do colo do útero — exame citopatológico ou teste molecular para HPV — não está no quadro de exames por trimestre. Ele está na lista dos exames realizados por indicação clínica. A leitura correta disso não é que a gestante não colhe: é que ela não colhe por estar grávida, e sim por estar com o rastreio devido.
As diretrizes do INCA são explícitas nos dois pontos que a prova cobra. Primeiro: gestantes têm o mesmo risco que não gestantes de apresentar câncer do colo do útero ou suas lesões precursoras, e o rastreamento deve seguir a mesma faixa etária e a mesma periodicidade das demais mulheres. Segundo, com recomendação de grau A: a procura ao serviço de saúde para o pré-natal deve sempre ser considerada uma oportunidade de rastreamento. Para muitas mulheres, o pré-natal é o único contato regular com o serviço de saúde em anos.
A técnica muda pouco, e não no sentido que se costuma imaginar. No ciclo grávido-puerperal, a junção escamocolunar está exteriorizada na ectocérvice na maioria das vezes, o que na prática dispensaria a coleta endocervical. Ainda assim, o INCA registra que a coleta de espécime endocervical não parece aumentar o risco sobre a gestação quando se usa técnica adequada. O que se evita na gestante é a curetagem endocervical; ao escovado endocervical não há objeção.
O que muda mesmo é a conduta depois da alteração, não a coleta. A colposcopia pode ser realizada em qualquer época da gestação. A biópsia é segura, sem risco de eventos adversos sobre a gestação, com apenas maior probabilidade de sangramento — e se faz apenas quando há suspeita de lesão invasiva. As lesões de alto grau detectadas na gestação têm risco mínimo de progressão para invasão e algum potencial de regressão após o parto, de modo que o procedimento excisional, quando indicado, é adiado para 90 dias depois do parto. E não há contraindicação ao parto vaginal por causa do achado citológico.
A frase 'não se colhe citologia em gestante' é falsa, e é justamente por soar prudente que ela sobrevive nas alternativas.
Estreptococo do grupo B: o exame que não está no painel do SUS
A colonização materna vaginal e anorretal pelo estreptococo do grupo B é o principal fator de risco para doença neonatal precoce. O rastreio, quando adotado pelo serviço, é feito por cultura vaginal e retal entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas; a coleta nos dois sítios aumenta a sensibilidade e uma cultura recente representa melhor a colonização no parto.
A profilaxia intraparto é indicada em quatro situações centrais: cultura positiva nesta gestação; bacteriúria por estreptococo do grupo B em qualquer contagem nesta gestação; filho anterior com doença invasiva precoce por estreptococo do grupo B; ou estado desconhecido no parto associado a trabalho de parto antes de 37 semanas, rotura de membranas por 18 horas ou mais, ou temperatura intraparto de 38 °C ou mais.
Raça ou cor da pele não é indicação de profilaxia. Esse marcador apareceu em estratégias históricas de risco, mas não deve ser usado para decidir antibiótico. A decisão atual se apoia em cultura, história obstétrica, bacteriúria e fatores intraparto objetivos.
Cultura negativa obtida dentro da janela de validade em geral dispensa profilaxia motivada apenas por prematuridade ou rotura prolongada. Ela não apaga as indicações independentes: bacteriúria por estreptococo do grupo B na gestação atual ou filho anterior com doença invasiva continuam indicando profilaxia. Febre intraparto exige avaliação e tratamento de possível infecção intra-amniótica, não apenas a leitura mecânica do protocolo de EGB.
Cesárea programada antes do trabalho de parto, com membranas íntegras, não exige profilaxia específica contra estreptococo do grupo B, mesmo com cultura positiva. A antibioticoprofilaxia cirúrgica habitual da cesariana é outra intervenção e não deve ser confundida com esta.
Colonização vaginal ou retal não é tratada durante a gestação, porque pode reaparecer. A bacteriúria muda duas decisões: qualquer contagem garante profilaxia no parto; quando sintomática ou em contagem que preenche critério de bacteriúria assintomática, também recebe tratamento durante a gestação e controle conforme o capítulo de infecção urinária.
A primeira escolha intraparto é penicilina G intravenosa; ampicilina é alternativa. Em alergia com baixo risco de anafilaxia, usa-se cefazolina. Se o risco de anafilaxia for alto, clindamicina só é opção quando o isolado é sensível e o laboratório realizou o teste apropriado; se a sensibilidade é desconhecida ou há resistência, usa-se vancomicina ajustada ao peso e à função renal conforme o protocolo local.
Quatro horas de antibiótico antes do nascimento oferecem a maior proteção e definem profilaxia adequada em muitos algoritmos neonatais, mas duas horas já reduzem a carga bacteriana. Não se atrasa parto indicado ou intervenção obstétrica necessária apenas para completar quatro horas.

Ultrassonografia: uma, e o que ela responde
O painel de rotina do Ministério da Saúde traz uma ultrassonografia obstétrica, idealmente entre 7 e 12 semanas de gestação. Uma. Não há morfológica de segundo trimestre nem ultrassonografia de crescimento na lista do risco habitual; Doppler obstétrico e cardiotocografia anteparto aparecem apenas entre os exames complementares do pré-natal de alto risco, e ainda assim por critério clínico.
Vale entender por que isso não é uma lista incompleta, e sim uma escolha. Ultrassonografia obstétrica responde a três perguntas diferentes, e cada uma tem a sua janela.
Datação é o que a janela de 7 a 12 semanas compra, e é a mais barata das três em consequência. Quanto mais precoce a medida, menor o erro da estimativa — e a idade gestacional bem fixada é o alicerce de tudo o que vem depois: o limite de prematuridade, o diagnóstico de restrição de crescimento, a definição de pós-datismo, o momento de indicar o parto. Quando a datação pela ultrassonografia precoce discorda da data da última menstruação, é ela que passa a valer como referência, e a idade gestacional é refeita — é exatamente para isso que o exame foi posto nessa janela. A caderneta traz campo para registrar as duas lado a lado — idade gestacional pela DUM e pela USG — exatamente porque é preciso saber depois qual foi adotada.
Morfologia é a segunda pergunta: rastreio de anomalias estruturais, que exige um feto maior e mais formado. Um exame feito entre 7 e 12 semanas não responde por isso. Crescimento é a terceira: peso fetal estimado e percentil no terceiro trimestre — e está fora do painel de risco habitual, entrando quando há suspeita clínica, como altura uterina discordante.
A OMS chega no mesmo número e escolhe outra janela: uma única ultrassonografia antes de 24 semanas, justificada não só por estimar a idade gestacional, mas também por melhorar a detecção de anomalias fetais e de gestação múltipla e reduzir indução de parto por pós-datismo. E a mesma diretriz é explícita no que não fazer de rotina: Doppler de rotina não é recomendado, e cardiotocografia anteparto de rotina não é recomendada em gestação sem indicação. Quando a alternativa da questão oferece Doppler ou cardiotocografia para uma gestante de risco habitual assintomática, ela está oferecendo algo que os dois corpos de recomendação rejeitam.
O painel, trimestre a trimestre
A tabela abaixo é o instrumento central deste capítulo: cada exame, em que trimestre entra, e o que a alteração dispara. O painel é quase todo binário — reagente ou não reagente, alterado ou normal. A exceção é a toxoplasmose, cuja leitura é graduada pelo teste de avidez de IgG: os três cartões, logo depois do fluxo, mostram essa gradação, que é a única escala real dentro do painel.
- 1Captação até a 12ª semana: na primeira consulta sai o painel inteiro do 1º trimestre, com os quatro testes rápidos resolvidos ali mesmo, e a ultrassonografia é pedida para a janela de 7 a 12 semanas.
- 2Entre 24 e 28 semanas: TOTG 75 g; e o Coombs indireto, se a gestante for Rh negativa com resultado negativo antes.
- 3Na 28ª semana: imunoglobulina anti-D 300 µg na Rh negativa não sensibilizada — e, a partir daqui, um Coombs indireto positivo não pode ser lido como sensibilização, porque a própria imunoglobulina positiva o teste.
- 43º trimestre: repetem-se hemograma, glicemia em jejum, urina tipo I com urocultura, HIV e sífilis; e a toxoplasmose, se a gestante for suscetível.
- 5Entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas: cultura vaginal e endoanal para estreptococo do grupo B, nos serviços que adotam o rastreio universal.
- 6No parto: teste rápido de HIV e de sífilis em todas as parturientes; hepatite B e hepatite C nas que não foram testadas no pré-natal.
Avidez baixa (até 16 semanas)
Pouca IgG ligada ao antígeno: anticorpo jovem, produzido há pouco tempo. Com IgM e IgG reagentes abaixo de 16 semanas, considera-se infecção aguda — mantém-se a espiramicina e encaminha-se ao serviço de referência em gestação de alto risco.
Avidez intermediária (até 16 semanas)
Ligação parcial: o teste não consegue afastar que a infecção seja da gestação em curso. Conduz-se como avidez baixa — infecção aguda, espiramicina mantida e encaminhamento. Intermediária não é meio-termo de conduta: é o mesmo desfecho da baixa.
Avidez alta (até 16 semanas)
Toda a IgG firmemente ligada: anticorpo maduro, produzido há mais de 12 a 16 semanas — ou seja, antes desta gestação. Abaixo de 16 semanas, exclui com segurança infecção na gestação em curso: suspende-se a espiramicina e a gestante segue no pré-natal de risco habitual. Acima de 16 semanas, este mesmo resultado não muda nada.
| Exame | 1º trimestre / 1ª consulta | 2º trimestre | 3º trimestre | O que a alteração dispara |
|---|---|---|---|---|
| Hemograma (hemoglobina e hematócrito) | Sim | — | Sim | Hb < 11 g/dL é anemia na gestação. Entre 9 e 11 g/dL: risco intermediário, tratada na APS. Abaixo de 9 g/dL ou refratária: alto risco. |
| Eletroforese de hemoglobina | Sim | — | — | Heterozigose (AS, AC): aconselhamento e investigação do parceiro. Homozigose (SS, SC): doença falciforme, sai do risco habitual. |
| Tipagem sanguínea ABO e fator Rh | Sim | — | — | Rh negativo aciona o Coombs indireto e programa a imunoglobulina anti-D. |
| Coombs indireto (só se Rh negativo) | Sim | Se negativo no 1º | Se negativo no 1º | Negativo: anti-D 300 µg na 28ª semana, até 72 h pós-parto de RN Rh positivo e até 72 h após evento sensibilizante. Positivo: titulação — ≥ 1:16 leva ao Doppler de artéria cerebral média. |
| Glicemia em jejum | Sim (ou TOTG 75 g direto, se já > 24 semanas) | — | Sim | Alterada: capítulo de diabetes mellitus gestacional. |
| TOTG 75 g | — | Sim, preferencialmente 24 a 28 semanas | — | Alterado: capítulo de diabetes mellitus gestacional. |
| Teste rápido para sífilis ou VDRL/RPR | Sim | — | Sim (e no parto, em todas) | Reagente: capítulo de sífilis na gestação — estadiamento, penicilina benzatina e notificação. |
| Teste rápido para HIV ou anti-HIV I e II | Sim | — | Sim (e no parto, em todas) | Reagente: profilaxia da transmissão vertical e seguimento em serviço especializado. |
| Teste rápido para hepatite B ou HBsAg | Sim | — | No parto, se não feito antes | Reagente: protocolo de transmissão vertical, que define a conduta materna e a do recém-nascido. |
| Teste rápido para hepatite C ou anti-HCV | Sim (universal desde 2020) | — | No parto, se não feito antes | Reagente: confirmação e protocolo de transmissão vertical; tratamento materno após o parto. |
| Sorologia para toxoplasmose (IgG e IgM) | Sim | Repete se suscetível | Repete se suscetível | IgM reagente: espiramicina. Avidez só decide com IG ≤ 16 semanas — ver os cartões acima. |
| Teste para HTLV | Sim | — | — | Reagente: protocolo de transmissão vertical, incluindo a orientação sobre aleitamento. |
| Urina tipo I e urocultura com antibiograma | Sim | — | Sim | Bacteriúria assintomática: tratar sempre, com controle de cura em 2 semanas. Estreptococo do grupo B na urina, em qualquer contagem: profilaxia intraparto garantida. |
| Ultrassonografia obstétrica | Sim, idealmente 7 a 12 semanas | — | — | Datação: se discordar da DUM, a idade gestacional é refeita pela USG precoce. Doppler e cardiotocografia só no alto risco. |
| Teste para malária (gota espessa ou rápido) | Região endêmica | Região endêmica | Região endêmica | Positivo: tratamento imediato conforme a espécie. |
| Teste para doença de Chagas (rápido e IgG) | Caso suspeito | — | — | Reagente: seguimento materno e investigação do recém-nascido. |
| Citopatológico ou teste molecular para HPV | Se o rastreio estiver devido | Se o rastreio estiver devido | Se o rastreio estiver devido | Alterado: colposcopia em qualquer época; biópsia só na suspeita de invasão; procedimento excisional 90 dias após o parto. |
| Cultura vaginal e endoanal para estreptococo do grupo B | — | — | 36 0/7 a 37 6/7 semanas, onde o serviço rastreia | Positiva: profilaxia intraparto. Estado desconhecido: profilaxia se parto < 37 semanas, membranas rotas ≥ 18 h ou febre ≥ 38 °C. Filho anterior com doença invasiva ou bacteriúria por EGB nesta gestação indicam profilaxia independentemente da cultura. |
Consultas: mínimo de sete, intercaladas entre médico e enfermeiro, mais no mínimo uma odontológica. Mensais até 28 semanas, quinzenais da 28ª à 36ª, semanais a partir da 36ª. No puerpério, no mínimo duas — uma na primeira semana após a alta da maternidade e outra em torno de 30 dias.
Há uma quarta coluna implícita, que é o parto e o pós-parto imediato: teste rápido de HIV e de sífilis ou VDRL/RPR em todas as parturientes, mais hepatite B e hepatite C nas que não testaram no pré-natal. É a rede que pega a gestante sem pré-natal.
Exames complementares do pré-natal de alto risco, por critério clínico: contagem de plaquetas, proteinúria de 24 horas, ureia, creatinina e ácido úrico, eletrocardiograma, ultrassom obstétrico com Doppler e cardiotocografia anteparto. Nenhum deles é rotina no risco habitual.
Outros exames por indicação clínica, além da citologia: teste para tuberculose, TSH, proteinúria em fita, teste para clamídia e gonorreia, parasitológico de fezes e exame de secreção vaginal.
Vacinas do pré-natal, para não confundir com exames: são cinco de rotina — hepatite B (completar as três doses), dTpa a partir da 20ª semana em toda gestação, vírus sincicial respiratório a partir da 28ª, influenza da temporada e covid-19 —, mais dT quando o esquema exigir. As janelas, o que muda conforme o cartão e o que fica para o puerpério estão no capítulo de calendário vacinal.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Rastreio universal por cultura entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas — Ministério da Saúde (Manual de Gestação de Alto Risco, 2022) e ACOG (2019)
Todas as gestantes fazem cultura de material vaginal e endoanal na janela de 36 0/7 a 37 6/7 semanas. A janela é calculada pela validade do exame: a cultura vale cinco semanas, o que cobre nascimentos até pelo menos 41 0/7 semanas, com valor preditivo de 95% a 98%. O argumento contra a alternativa é de sensibilidade — a triagem por fatores de risco identifica apenas 60% a 67% das gestantes colonizadas.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, capítulo 39, itens 39.3 e Quadro 2; ACOG Committee Opinion nº 782, 2019.
Triagem por fatores de risco — mesmo manual do Ministério (item 39.2) e painel de rotina da Caderneta Brasileira da Gestante (2026), que não lista a cultura
A cultura para estreptococo do grupo B não consta do quadro de exames de rotina do pré-natal de risco habitual na caderneta vigente. O próprio manual reserva a triagem por fatores de risco para a gestante que entra em trabalho de parto sem cultura prévia e para os locais em que o rastreio não faz parte do protocolo assistencial, e registra que a melhor estratégia ainda não está completamente definida, porque nenhuma delas previne todos os casos de sepse neonatal precoce. A causa da diferença é de oferta e de organização da rede, não de discordância científica sobre a doença.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta Brasileira da Gestante, 2026, item 4.2.1; Manual de gestação de alto risco, 2022, item 39.2 e Quadro 1.
Janela de 35 a 37 semanas — CDC (2010), ainda impressa em protocolos locais e material de estudo antigo
A janela clássica de coleta era 35 a 37 semanas. Ela foi deslocada para 36 0/7 a 37 6/7 semanas em 2019, quando o ACOG substituiu a parte obstétrica da diretriz do CDC de 2010, justamente para que os cinco semanas de validade da cultura alcançassem os nascimentos de até 41 0/7 semanas. Muitos protocolos municipais brasileiros ainda reproduzem a janela antiga.
CDC. Prevention of Perinatal Group B Streptococcal Disease, 2010, cuja parte obstétrica foi substituída pelo ACOG Committee Opinion nº 782, 2019.
Na prova
O cenário denuncia o recorte. Enunciado de UBS, de painel da caderneta, ou gestante que chega em trabalho de parto sem cultura, trabalha no terreno da triagem por fatores de risco — e aí um único fator basta para indicar a profilaxia. Enunciado que já entrega o resultado de uma cultura de 36 semanas, ou que nomeia o manual do Ministério ou o ACOG, trabalha no terreno do rastreio universal. A janela citada no enunciado datou o documento: 35 a 37 semanas vem do texto de 2010; 36 0/7 a 37 6/7 vem de 2019 em diante. E há um distrator que não pertence a nenhum dos dois mundos: qualquer alternativa que ofereça tratar com antibiótico a gestante colonizada durante o pré-natal está fora — a profilaxia é sempre intraparto.
Mínimo de sete consultas — Ministério da Saúde (Caderneta Brasileira da Gestante, 2026, ancorada na Portaria GM/MS nº 5.350/2024)
No mínimo sete consultas de pré-natal, intercaladas entre médico e enfermeiro, mais no mínimo uma consulta odontológica, com captação preferencialmente até a 12ª semana. A distribuição é por fase e não por semana cravada: mensal até 28 semanas, quinzenal da 28ª à 36ª e semanal a partir da 36ª — o que faz o número real superar sete sempre que a captação é precoce.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta Brasileira da Gestante, 2026, itens 1.2 e 4.1.4; Portaria GM/MS nº 5.350, de 12 de setembro de 2024.
Mínimo de oito contatos — Organização Mundial da Saúde (2016)
Oito contatos programados, nas semanas 12, 20, 26, 30, 34, 36, 38 e 40 — um no primeiro trimestre, dois no segundo e cinco no terceiro. A OMS subiu de quatro visitas, do modelo focado dos anos 1990, para oito contatos, depois de evidência de que o modelo de quatro se associa a mais mortes perinatais. A troca da palavra visita por contato é deliberada: marca que se espera vínculo ativo, e não apenas o número de vezes em que a gestante foi vista.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience, 2016 — modelo de oito contatos.
Na prova
Cenário de UBS, de indicador do SUS, de caderneta ou de pré-natal no SUS puxa o piso brasileiro de sete. Enunciado que nomeia a OMS, que usa a palavra contatos em vez de consultas, ou que lista as semanas 12-20-26-30-34-36-38-40, está no corpo internacional. A forma de escrever a periodicidade também entrega: mensal, quinzenal e semanal é a formulação brasileira; semanas cravadas são a formulação da OMS. Se o enunciado citar quatro visitas, ele está descrevendo o modelo focado que a própria OMS abandonou em 2016.
Entre 7 e 12 semanas — Ministério da Saúde (Caderneta Brasileira da Gestante, 2026)
Uma ultrassonografia obstétrica no primeiro trimestre, idealmente entre 7 e 12 semanas. A janela privilegia a datação, que é o que o exame precoce faz com o menor erro, e que sustenta depois toda decisão de prematuridade, restrição de crescimento e pós-datismo. O preço da escolha está explícito: nessa idade gestacional o exame não responde pela morfologia fetal, e o painel de risco habitual não prevê um segundo exame que responda.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta Brasileira da Gestante, 2026, item 4.2.1.
Uma ultrassonografia antes de 24 semanas — Organização Mundial da Saúde (2016, recomendação B.2.4)
Também uma única ultrassonografia, mas com janela mais larga, e justificada por quatro objetivos ao mesmo tempo: estimar a idade gestacional, melhorar a detecção de anomalias fetais, detectar gestação múltipla e reduzir indução de parto por pós-datismo. A janela até 24 semanas permite que o mesmo exame único seja realizado perto das 20 semanas e cubra também a morfologia. A mesma diretriz não recomenda Doppler de rotina nem cardiotocografia anteparto de rotina.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience, 2016 — recomendações B.2.3, B.2.4 e B.2.5.
Na prova
Os dois documentos falam em um exame só — o que muda é a semana e, com ela, a pergunta que o exame consegue responder. Enunciado que cobra datação, discordância com a data da última menstruação ou correção da idade gestacional está na janela precoce brasileira. Enunciado que cobra detecção de anomalia estrutural com um exame único está na janela da OMS. E uma alternativa que ofereça três ultrassonografias de rotina — morfológica de primeiro trimestre, morfológica de segundo trimestre e crescimento no terceiro — está descrevendo a prática do setor suplementar, não o painel de risco habitual do SUS.
Mensal, no máximo a cada dois meses — Ministério da Saúde (Manual de Gestação de Alto Risco, 2022)
A gestante com IgG e IgM não reagentes deve repetir a sorologia idealmente todos os meses ou, no máximo, com intervalo de dois meses, para detectar precocemente uma soroconversão. O intervalo curto se justifica pelo que se ganha ao detectar cedo: a espiramicina reduz a transmissão vertical em 60% a 70%, e quanto mais tarde ela entra, menor o benefício.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, capítulo 21, Cenário 1.
Uma repetição por trimestre — Ministério da Saúde (Caderneta Brasileira da Gestante, 2026)
O quadro de exames de rotina lista o teste para toxoplasmose no segundo e no terceiro trimestre para a gestante cuja IgG não foi reagente — ou seja, uma repetição por trimestre, e não mensal. É o intervalo que a oferta de exame na atenção primária sustenta de forma universal, e é o que está impresso na caderneta que a gestante carrega.
BRASIL. Ministério da Saúde. Caderneta Brasileira da Gestante, 2026, item 4.2.1, quadros do 2º e do 3º trimestre.
Na prova
Os dois documentos são do mesmo Ministério e discordam em nível diferente: o painel da caderneta organiza a oferta mínima garantida; o manual descreve o intervalo clinicamente desejável. Enunciado que descreve a rotina da UBS e o que está impresso na caderneta trabalha com a repetição trimestral. Enunciado que fala em detectar soroconversão precocemente, ou que já traz uma soroconversão detectada entre duas coletas próximas, trabalha com o intervalo mensal. Existe ainda um distrator comum aos dois mundos: qualquer alternativa que mande repetir a sorologia de uma gestante com IgG reagente e IgM não reagente está errada nos dois — essa é infecção pregressa e não se repete.
Anti-D 300 µg na 28ª semana — Ministério da Saúde (Manual de Gestação de Alto Risco, 2022)
Para a gestante Rh negativa não sensibilizada, com Coombs indireto negativo, a profilaxia é imperativa e tem três momentos: 300 µg na 28ª semana; até 72 horas após o parto de recém-nascido Rh positivo ou de fator Rh desconhecido; e até 72 horas após evento com risco de sensibilização. A falha da profilaxia é de apenas 1,5%.
BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de gestação de alto risco, 2022, item 14.5.
Profilaxia anteparto apenas em contexto de pesquisa — Organização Mundial da Saúde (2016, recomendação C.3)
A diretriz de pré-natal da OMS classifica a profilaxia anteparto com imunoglobulina anti-D em 28 e 34 semanas, na gestante Rh negativa não sensibilizada, como recomendação restrita a contexto de pesquisa rigorosa. O alcance da ressalva é estreito e precisa ser lido com cuidado: ela atinge apenas a dose anteparto de rotina, e não a dose pós-parto nem a dose após evento sensibilizante, que permanecem consenso.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience, 2016 — recomendação C.3.
Na prova
A divergência é só sobre a dose anteparto de rotina. Enunciado brasileiro, de UBS ou de maternidade do SUS, com gestante Rh negativa e Coombs indireto negativo chegando à 28ª semana, está no terreno da profilaxia anteparto. Uma alternativa que negue a dose até 72 horas após o parto de recém-nascido Rh positivo, ou a dose após sangramento, abortamento ou procedimento invasivo, está fora dos dois documentos ao mesmo tempo. E cuidado com o distrator técnico que costuma acompanhar essa questão: repetir o Coombs indireto depois de aplicada a anti-D, porque o teste pode positivar pela própria imunoglobulina, com títulos que raramente passam de 1:8 e podem durar de 8 a 12 semanas.
Caso resolvido
- o painel da primeira consulta
- Saem, na mesma consulta: hemograma, eletroforese de hemoglobina, tipagem ABO e fator Rh, glicemia em jejum, urina tipo I com urocultura, sorologia para toxoplasmose (IgG e IgM), teste para HTLV, e os quatro testes rápidos — HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C, resolvidos ali mesmo. A ultrassonografia obstétrica é solicitada para a janela de 7 a 12 semanas, ou seja, para agora.
- tipagem
- A Rh negativo, Coombs indireto negativo. Ela não está sensibilizada, e isso programa duas coisas: repetir o Coombs indireto enquanto for negativo e aplicar imunoglobulina anti-D 300 µg na 28ª semana, além da dose até 72 horas após o parto se o recém-nascido for Rh positivo. O fato de não saber sobre a gestação anterior não muda a conduta atual — o Coombs negativo já diz que não houve sensibilização.
- hemograma
- Hemoglobina 10,4 g/dL. Abaixo de 11 g/dL é anemia na gestação — o corte é mais baixo que o da mulher não gestante por causa da hemodiluição fisiológica. Entre 9 e 11 g/dL é anemia leve a moderada: trata-se e acompanha-se na própria atenção primária, sem mudar o nível de atenção. A eletroforese volta com padrão AA.
- urocultura
- Escherichia coli, 100.000 UFC/mL, sem qualquer sintoma urinário. É bacteriúria assintomática, e na gestante ela se trata — a mesma cultura numa não gestante não seria tratada. Antibiótico conforme o antibiograma, e nova urocultura duas semanas depois do fim do tratamento, como controle de cura.
- toxoplasmose
- IgG e IgM não reagentes: suscetível. Não há o que tratar, há o que orientar — carne bem passada, água filtrada ou fervida, luvas para manipular terra e alimentos crus, cuidado com fezes de gato — e há o que repetir: a sorologia volta ao longo da gestação, para pegar uma eventual soroconversão.
- ultrassonografia
- Comprimento cabeça-nádega compatível com 11 semanas e 2 dias, contra 10 semanas pela última menstruação. Nessa janela, a datação pela ultrassonografia é a mais confiável, e a idade gestacional é corrigida. É dela que sairão depois o limite de prematuridade, o percentil de crescimento e a definição de pós-datismo — e é por isso que a caderneta pede o registro das duas idades gestacionais lado a lado.
- o que já está agendado
- Entre 24 e 28 semanas, o TOTG 75 g. Na 28ª semana, a imunoglobulina anti-D. No terceiro trimestre, repetem-se hemograma, glicemia em jejum, urina com urocultura, HIV e sífilis — e a toxoplasmose, porque ela é suscetível. No parto, teste rápido de HIV e de sífilis. Ao todo, com captação na 10ª semana e o calendário mensal-quinzenal-semanal, ela chega ao termo com bem mais que as sete consultas do piso.
Agora feche você
- achado
- IgG e IgM reagentes, com 22 semanas de idade gestacional. IgM reagente, isoladamente, não prova infecção recente: a especificidade do teste varia de 77,5% a 99,1%, e a IgM pode permanecer positiva em títulos baixos por vários anos depois de uma infecção antiga.
- a oferta do laboratório
- O laboratório avisa que ainda tem soro da mesma amostra e oferece acrescentar o teste de avidez de IgG. Vale pedir?
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Usar o corte de hemoglobina da mulher não gestante Atrai porque 12 g/dL é o número que se decorou primeiro, e ele está certo — fora da gestação. Na gestante o corte é 11 g/dL, mais baixo porque a hemodiluição fisiológica é esperada. O erro custa caro nos dois sentidos: com 12 g/dL rotula-se como anêmica uma gestante normal; com 11 g/dL numa não gestante, deixa-se passar anemia real.
- 2Repetir o Coombs indireto depois de aplicada a imunoglobulina anti-D Parece zelo e é o contrário. O teste pode positivar por causa da própria imunoglobulina, com títulos que raramente passam de 1:4 ou 1:8 e que podem persistir de 8 a 12 semanas. Lido como sensibilização, esse resultado transforma uma gestante protegida em investigação de doença hemolítica perinatal que não existe.
- 3Pedir teste de avidez de IgG no segundo ou no terceiro trimestre Atrai porque a avidez é o exame que resolve a dúvida da IgM — só que ela resolve numa janela. Acima de 16 semanas, alta, baixa ou indeterminada, a conduta é a mesma: infecção aguda. Pedir depois disso é gastar exame e, pior, arriscar que um resultado de alta avidez seja lido como tranquilizador quando não é.
- 4Não tratar bacteriúria assintomática porque a gestante está assintomática A regra da não gestante é forte e generaliza mal. Na gestação, a estase por relaxamento ureteral e compressão uterina transforma colonização em pielonefrite, e o desfecho que se previne tratando não é só a infecção alta — é bacteriúria persistente, parto prematuro e baixo peso ao nascer.
- 5Adiar a citologia oncótica porque a paciente está grávida Soa prudente, e é justamente por isso que sobrevive. As diretrizes do INCA são de grau A no sentido oposto: gestantes têm o mesmo risco, seguem a mesma faixa etária e periodicidade, e a procura ao serviço para o pré-natal deve ser considerada uma oportunidade de rastreamento. O que se adia é o procedimento excisional, para 90 dias após o parto — não a coleta.
- 6Tratar com antibiótico a gestante com cultura positiva para estreptococo do grupo B Parece coerente com o resto da medicina: achou bactéria, trata. Aqui não. Não se usa antibiótico para estreptococo do grupo B na grávida colonizada fora do trabalho de parto — a colonização é transitória e volta. A profilaxia é intraparto, com penicilina G endovenosa iniciada ao diagnóstico do trabalho de parto ou após a rotura das membranas.
- 7Dizer que hepatite C só se testa na gestante com fator de risco Era verdade e deixou de ser em 2020, quando a Portaria SCTIE/MS nº 32 incorporou a testagem universal ao SUS. Hoje o anti-HCV ou teste rápido está no painel do primeiro trimestre e no do parto. É a informação que mais envelhece em apostila antiga de pré-natal.
- 8Confundir o piso de sete consultas com o total esperado Sete é o mínimo assegurado, não a meta. Uma gestante captada na 12ª semana e seguida pelo calendário — mensal até 28 semanas, quinzenal até 36, semanal depois — passa de sete com folga. O número sete responde à pergunta sobre o direito e o indicador; a distribuição responde à pergunta sobre a conduta.
O VDRL é o teste sorológico de rotina no pré-natal para rastreamento da sífilis, cujo tratamento na gestante com penicilina benzatina previne a sífilis congênita (transmissão vertical). A colonoscopia não faz parte da rotina de pré-natal. A dosagem de TSH avalia a função tireoidiana, sem relação com penicilina. A cintilografia tireoidiana é contraindicada na gestação e não é rastreamento infeccioso. A eletroneuromiografia não tem indicação no pré-natal de rotina.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Gestante de 22 anos, 10 semanas, sem comorbidades, comparece para primeira consulta de pré-natal. Nega alergias. Qual conjunto de exames abaixo compõe corretamente a rotina laboratorial de primeiro trimestre recomendada pelo Ministério da Saúde?
Correta: a rotina de primeiro trimestre inclui hemograma, tipagem ABO/Rh, glicemia de jejum, sorologias (sífilis/VDRL, HIV, HBsAg, toxoplasmose), urina tipo 1 e urocultura. A opção com só três exames é incompleta (omite sorologias e tipagem). TOTG 75 g é de rotina no 2º trimestre (24–28 sem), não de rotina no 1º; mamografia e colposcopia não são rotina pré-natal. Cariótipo e amniocentese são invasivos e indicados por risco específico, não rotina universal. TSH universal não é rotina obrigatória para todas as gestantes no MS.
Gestante de 24 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática e sem intercorrências. Considerando a rotina mínima de exames do pré-natal de risco habitual no primeiro trimestre, qual conjunto de exames deve ser solicitado nesta consulta inicial?
A rotina inicial do pré-natal inclui hemograma, tipagem/Rh, glicemia, sorologias (HIV, sífilis, hepatite B, toxoplasmose) e urina/urocultura (correta). Ultrassom morfológico é de segundo trimestre, não substitui a rotina laboratorial inicial. Cariótipo e amniocentese não são exames de rotina universal. Só teste de gravidez e PA é insuficiente para o pré-natal. Ecocardiograma fetal e doppler não são rotina do primeiro trimestre em risco habitual.
Gestante de 26 anos, na 10ª semana de gestação, comparece à UBS para a primeira consulta de pré-natal. Assintomática, PA 110x70 mmHg. O médico de família organiza a solicitação dos exames do primeiro trimestre conforme o protocolo de pré-natal de baixo risco. Qual conjunto de exames é adequado para essa etapa?
No primeiro trimestre do pré-natal de baixo risco solicitam-se hemograma, tipagem sanguínea/Rh, glicemia de jejum, sorologias (VDRL/sífilis, HIV, HBsAg/hepatite B, toxoplasmose), EAS e urocultura, entre outros. Adiar sorologias é errado — o rastreio precoce de sífilis/HIV é crítico. O TOTG 75g é feito entre 24-28 semanas (não obrigatório no 1º tri em todas). Tomografia é contraindicada e a datação é por USG/DUM. Restringir a teste de gravidez e morfológico ignora o rastreamento essencial do 1º trimestre.
Gestante de 26 anos, 12 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Assintomática, PA 110/70 mmHg. Segundo o rastreamento preconizado no pré-natal de baixo risco no primeiro trimestre, qual conjunto de exames deve ser solicitado?
No 1º trimestre do pré-natal de baixo risco solicitam-se hemograma, tipagem/Rh, glicemia de jejum, sorologias (sífilis/VDRL, HIV, hepatite B, toxoplasmose), urina tipo I e urocultura (correta). USG morfológica é do 2º trimestre. TOTG 75 g é entre 24-28 semanas. Cultura de GBS é entre 35-37 semanas. Amniocentese é procedimento invasivo restrito a indicações específicas, não rastreio de rotina.
Uma mulher de 28 anos, gestante de 12 semanas por DUM confiável, comparece à primeira consulta de pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde. Ela relata boa saúde prévia, não faz uso de medicamentos e a gestação foi planejada. Segundo a rotina preconizada pelo Ministério da Saúde, qual conjunto de exames deve ser solicitado nesta primeira consulta?
O pré-natal de risco habitual na APS preconiza, na primeira consulta, hemograma, tipagem ABO/Rh, glicemia de jejum, sorologias (sífilis, HIV, hepatite B, toxoplasmose), urina tipo I e urocultura (rastreio de bacteriúria assintomática). A alternativa que reserva sorologias para o 2º trimestre é incorreta pois o rastreio precoce de sífilis/HIV é essencial. Cariótipo/amniocentese são invasivos e não fazem parte da rotina básica. RM de pelve e dosagens seriadas de beta-hCG/progesterona não têm indicação em gestação tópica de evolução normal.
Uma gestante de 26 anos, com idade gestacional de 12 semanas confirmada por ultrassonografia, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Ela relata gestação desejada, nega comorbidades e traz cartão vacinal desatualizado. A equipe deve solicitar a rotina laboratorial do primeiro trimestre preconizada pelo Ministério da Saúde. Qual conjunto de exames faz parte dessa rotina inicial?
A rotina do primeiro trimestre no pré-natal de risco habitual do SUS inclui hemograma, tipagem ABO/Rh, glicemia de jejum, VDRL, testes para HIV, hepatite B (HBsAg), toxoplasmose (IgG/IgM) e sumário de urina/urocultura — correta. O TOTG de 75 g é feito entre 24–28 semanas, não como rastreio isolado inicial. Cariótipo/amniocentese são procedimentos invasivos reservados a indicações específicas, não rotina. A morfológica e o Doppler pertencem ao segundo trimestre e não são a primeira solicitação.
Uma gestante de 25 anos, na 12ª semana, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Nega comorbidades. Além da anamnese e exame físico, qual conjunto de exames o Ministério da Saúde preconiza solicitar na rotina inicial do pré-natal de risco habitual?
A rotina laboratorial inicial do pré-natal de risco habitual na APS inclui hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia, sorologias (sífilis/VDRL, HIV, hepatite B, toxoplasmose) e sumário de urina com urocultura, entre outros. Restringir a USG e glicemia ou só a HIV/sífilis omite exames essenciais do primeiro trimestre. Cariótipo, doppler e amniocentese são procedimentos invasivos/especializados, não rotina universal do pré-natal habitual.
Gestante de 25 anos, na 12ª semana, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Nega comorbidades. Qual conjunto de exames deve ser solicitado nesta primeira consulta conforme o protocolo de pré-natal de risco habitual do SUS?
O pré-natal de risco habitual prevê na primeira consulta hemograma, tipagem ABO/Rh, glicemia de jejum, sorologias (HIV, sífilis/VDRL, hepatite B), urina tipo I e urocultura (rastreio de bacteriúria), entre outros. Limitar-se à USG morfológica (feita mais tarde, ~20-24 sem) ignora o rastreamento laboratorial. Não fazer exames no 1º trimestre contraria o protocolo. Cariótipo/amniocentese não são de rotina, apenas com indicação específica.
Gestante de 26 anos comparece à UBS para primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 9 semanas. Sente-se bem e nega intercorrências. Segundo o protocolo de pré-natal de risco habitual do Ministério da Saúde, qual conjunto de exames deve ser solicitado nesta primeira consulta?
A rotina básica do pré-natal de risco habitual no SUS na primeira consulta inclui hemograma, tipagem ABO/Rh (e Coombs indireto se Rh negativo), glicemia de jejum, sorologias para HIV, sífilis (VDRL/teste rápido), hepatite B (HBsAg) e toxoplasmose, além de EAS e urocultura (rastreio de bacteriúria assintomática). A ultrassonografia é complementar, não substitui os laboratoriais. Cariótipo/amniocentese são procedimentos invasivos reservados a indicações específicas, não rotina universal. Beta-hCG seriado é usado em contextos específicos (dúvida de viabilidade/gravidez ectópica), não na rotina de pré-natal de baixo risco.
Uma mulher de 24 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para primeira consulta de pré-natal. Refere atraso menstrual de 8 semanas, náuseas matinais e mastalgia. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicamentos. Ao exame: pressão arterial de 110x70 mmHg, útero não palpável ao abdome, ausculta com sonar Doppler não realizada. Traz teste imunológico de gravidez positivo. Sente-se ansiosa e pergunta quais exames deverá realizar. Sobre a solicitação de exames de rotina na primeira consulta de pré-natal de baixo risco no SUS, qual conjunto está correto?
O protocolo de pré-natal de baixo risco do Ministério da Saúde recomenda na primeira consulta: hemograma, tipagem ABO/Rh, glicemia de jejum, sorologias para sífilis (VDRL/teste rápido), HIV, hepatite B (HBsAg) e toxoplasmose (IgG/IgM), além de urina tipo I e urocultura — tornando a alternativa correta. Beta-hCG seriado e USG transvaginal isolados não compõem a rotina básica. Cariótipo, amniocentese e alfafetoproteína são exames invasivos/de rastreio não indicados de rotina no baixo risco. Restringir a HIV e sífilis omite exames essenciais como hemograma, tipagem e glicemia.
Uma gestante de 24 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. É a primeira gestação, planejada, e ela se encontra assintomática. Nega comorbidades, cirurgias ou alergias. Ao exame, PA 110x70 mmHg, altura uterina compatível, batimentos cardíacos fetais presentes. A equipe orienta a solicitação dos exames de rotina do primeiro trimestre. A paciente pergunta quais exames sorológicos são recomendados. De acordo com o protocolo de pré-natal de baixo risco do Ministério da Saúde, qual conjunto de sorologias deve ser solicitado nesta primeira consulta?
No pré-natal de baixo risco, a rotina sorológica do primeiro trimestre inclui sífilis (teste rápido/VDRL), HIV, hepatite B (HBsAg) e toxoplasmose (IgG/IgM), além de hemograma, tipagem sanguínea/Rh, glicemia e urina (correta). Restringir a HIV e sífilis omite hepatite B e toxoplasmose, que devem ser solicitadas já no início. Sorologias para dengue/zika/chikungunya não são rastreamento de rotina em toda gestante assintomática. Hemograma e tipagem isoladamente são insuficientes — as sorologias fazem parte da rotina inicial obrigatória.
Gestante de 26 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. É a segunda gestação; a primeira foi um parto normal a termo sem intercorrências. Refere-se bem, sem queixas. Exame físico sem alterações, PA 110/70 mmHg. O médico solicita a rotina de exames do primeiro trimestre. Considerando o pré-natal de risco habitual no SUS, qual conjunto de exames faz parte da rotina laboratorial recomendada nesse período?
A rotina do primeiro trimestre no pré-natal de risco habitual inclui hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia de jejum, sorologias (VDRL/sífilis, HIV, HBsAg, toxoplasmose), urina tipo I e urocultura, além da ultrassonografia obstétrica. A A é incompleta. A C descreve procedimentos invasivos reservados a indicações específicas, não à rotina. A D é incorreta, pois vários exames são solicitados já no primeiro trimestre.
Uma gestante de 30 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Nega intercorrências. Como parte da rotina de solicitação de exames laboratoriais do primeiro trimestre preconizada pelo Ministério da Saúde, o médico solicita uma bateria de exames para rastreamento de infecções e condições que podem afetar a gestação. Entre os exames sorológicos de rotina do pré-natal para triagem de infecções verticalmente transmissíveis, qual das opções abaixo deve ser obrigatoriamente incluída?
A triagem sorológica para sífilis (VDRL/teste rápido) é rotina obrigatória do pré-natal, pois a sífilis congênita é prevenível com tratamento oportuno da gestante. Sorologias para dengue, febre amarela e leptospirose não fazem parte do rastreamento de rotina do pré-natal de baixo risco. O painel de rotina inclui, além da sífilis, HIV, hepatite B, toxoplasmose, tipagem sanguínea, hemograma e glicemia, entre outros.
Mulher, 26 anos, primigesta, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com idade gestacional de 9 semanas. Nega comorbidades e uso de medicações. Refere que não realizou nenhum exame ainda nesta gestação. A enfermeira solicita a rotina laboratorial do primeiro trimestre. Dentre os exames abaixo, qual deve ser solicitado de rotina JÁ nesta primeira consulta do primeiro trimestre?
Correta: Na primeira consulta do pré-natal (1º trimestre) integram a rotina do Ministério da Saúde: tipagem sanguínea e fator Rh, hemograma, glicemia de jejum, sorologia para sífilis (VDRL/teste rápido), anti-HIV, HBsAg, toxoplasmose (IgG/IgM), sumário de urina e urocultura. Tipagem ABO/Rh e triagem de sífilis são clássicos de 1º trimestre. O TOTG 75 g é exame de rastreamento de diabetes gestacional feito entre 24-28 semanas (2º/3º trimestre), não no 1º trimestre. A cultura para Streptococcus do grupo B (GBS) é colhida entre 35-37 semanas, no 3º trimestre. A USG morfológica de 2º trimestre é feita entre 20-24 semanas, não agora. Perfil biofísico e Doppler são propedêutica de vitalidade fetal de 3º trimestre ou de gestações de alto risco, não rotina de 1ª consulta.
Gestante, 31 anos, na 36ª semana, questiona seu obstetra sobre o exame de rastreio para a bactéria que pode ser transmitida ao bebê no parto. O médico explica o método de coleta recomendado para o rastreio universal de Streptococcus do grupo B (GBS) no pré-natal. Qual é a técnica de coleta correta para o rastreio universal de GBS?
Correta: o rastreio universal recomenda swab combinado do terço inferior da vagina/introito e do reto (introduzindo o swab através do esfíncter anal), sem espéculo, na janela de 36 a 37 semanas e 6 dias, aumentando a sensibilidade de detecção da colonização. Erra: bacteriúria por GBS em qualquer momento indica profilaxia, mas a urocultura não substitui o swab vaginorretal para o rastreio universal de colonização. Erra: a coleta endocervical isolada não é recomendada e subestima a colonização; a amostra é vaginorretal. Erra: hemocultura não avalia colonização de trato genital. Erra: a coleta é vaginal MAIS retal, e a janela atual é 36–37+6, não 24–28 semanas.
Uma gestante de 24 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal. Ela nega comorbidades e não realizou exames prévios nesta gestação. Como parte da rotina preconizada pelo Ministério da Saúde, é solicitado teste rápido para HIV, cujo resultado é reagente. A paciente refere estar assintomática e questiona sobre a conduta. O médico da equipe de Saúde da Família orienta quanto ao próximo passo do fluxograma diagnóstico e à necessidade de intervenção. Considerando as diretrizes brasileiras para prevenção da transmissão vertical do HIV, qual é a conduta mais adequada neste momento?
A conduta correta é confirmar o diagnóstico com um segundo teste rápido de fabricante/plataforma diferente (fluxograma de dois testes rápidos do MS) e, uma vez confirmado, iniciar TARV combinada o mais precocemente possível em TODA gestante vivendo com HIV, independentemente de CD4 ou carga viral, pois isso é o principal fator de redução da transmissão vertical. A alternativa que condiciona a TARV a CD4/carga viral está incorreta: em gestantes a indicação é universal e imediata. Monoterapia com AZT isolada foi abandonada e não protege adequadamente. A infecção pelo HIV não é indicação de interrupção da gestação, e sim de intensificação do cuidado.
Uma gestante de 27 anos, na 26ª semana de gestação, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal de rotina. Refere-se assintomática, sem queixas. Nega comorbidades e faz uso regular de sulfato ferroso e ácido fólico desde o início do pré-natal. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, mucosas normocoradas, sem edemas. Traz exames laboratoriais solicitados na consulta anterior: hemoglobina 10,8 g/dL, hematócrito 33%, VCM 88 fL, HCM 29 pg. Os demais parâmetros do hemograma estão normais. Com base nesses achados, qual é a conduta mais adequada?
Correta: a hemodiluição fisiológica da gestação reduz a hemoglobina; o Ministério da Saúde considera anemia na gestação quando Hb < 11 g/dL, mas valores entre 10 e 11 g/dL com índices hematimétricos normais (VCM/HCM normais) e paciente assintomática em uso de profilaxia refletem a expansão volêmica esperada no 2º trimestre — mantém-se a suplementação profilática. Suspender ferro e investigar sobrecarga não faz sentido sem sinais de hemocromatose. Ferro parenteral se reserva à intolerância/falha da via oral ou anemia grave, o que não é o caso. Eletroforese não está indicada de imediato com índices normocíticos/normocrômicos e sem outros sinais.
Uma mulher de 29 anos, com atraso menstrual de 7 semanas e teste de gravidez positivo, comparece à Unidade Básica de Saúde para iniciar o acompanhamento pré-natal. Trata-se da segunda gestação, com um parto vaginal prévio sem complicações. Nega doenças crônicas, alergias ou uso de medicamentos. O exame físico é normal e a pressão arterial é 118/76 mmHg. A gestante é classificada como de risco habitual. A médica de família explica que solicitará a rotina laboratorial da primeira consulta de pré-natal. De acordo com o Ministério da Saúde, qual conjunto de exames deve ser solicitado nesse primeiro momento?
A rotina laboratorial da primeira consulta de pré-natal preconizada pelo Ministério da Saúde inclui hemograma, tipagem sanguínea e fator Rh, glicemia de jejum, sorologias para sífilis, HIV, hepatite B e toxoplasmose, além de exame de urina tipo I e urocultura. Pedir apenas ultrassonografia obstétrica e beta-hCG seriado restringe-se a métodos de confirmação/viabilidade, não substituindo a triagem de rotina. O conjunto com TOTG 75 g, cultura para estreptococo do grupo B e cariótipo fetal mistura exames de outras fases: o TOTG 75 g é realizado entre 24 e 28 semanas e a cultura para estreptococo do grupo B entre 35 e 37 semanas; cariótipo fetal não faz parte da rotina de baixo risco. E solicitar somente sorologias para sífilis e HIV omite exames essenciais e posterga indevidamente a triagem inicial.
Uma mulher de 28 anos, com 10 semanas de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática, sem queixas urinárias, e o exame físico não apresenta alterações. O médico da equipe de Saúde da Família solicita os exames de rotina do primeiro trimestre. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde para o rastreamento de infecção urinária na gestação, qual exame deve ser solicitado rotineiramente para essa paciente, mesmo na ausência de sintomas?
O Ministério da Saúde recomenda a solicitação ROTINEIRA de urocultura com antibiograma no pré-natal (primeiro trimestre e repetida no terceiro trimestre), independentemente de sintomas, pois a bacteriúria assintomática ocorre em cerca de 2% a 10% das gestantes e, se não tratada, evolui para pielonefrite em até 30% a 40% dos casos, associando-se a prematuridade e baixo peso ao nascer. A ultrassonografia de rins e vias urinárias não faz parte do rastreamento de rotina no pré-natal. O EAS isolado não é suficiente, pois tem baixa sensibilidade para bacteriúria assintomática — a urocultura é o padrão-ouro. Condicionar a urocultura a um EAS alterado deixaria de diagnosticar gestantes com bacteriúria assintomática e sedimento urinário normal, exatamente o grupo que o rastreamento pretende capturar.
Gestante de 24 anos, 30 semanas, pré-natal de risco habitual na Unidade Básica de Saúde, com sorologias do primeiro trimestre não reagentes para sífilis e HIV e sem intercorrências. Comparece à consulta de rotina assintomática. Segundo o Ministério da Saúde, qual exame de triagem deve ser obrigatoriamente repetido no terceiro trimestre para toda gestante?
O Ministério da Saúde recomenda repetir a testagem para sífilis e HIV no terceiro trimestre (a partir de 28 semanas) e no momento do parto para todas as gestantes, independentemente do resultado prévio, pela possibilidade de infecção durante a gestação e pelo impacto da transmissão vertical. O TOTG 75 g é realizado entre 24 e 28 semanas e não se repete em quem já foi rastreada com resultado normal. A pesquisa de estreptococo do grupo B, quando adotada, é feita entre 36 e 37 semanas, não com 30. A tipagem sanguínea e o Rh são solicitados na primeira consulta e não mudam; o Coombs indireto seriado é indicado apenas para gestantes Rh negativo com parceiro Rh positivo ou desconhecido, não como rotina universal.
Uma mulher de 22 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal, com 9 semanas de idade gestacional confirmadas. Trata-se de gestação de baixo risco, sem comorbidades. A médica de família irá solicitar o conjunto de exames de rotina do primeiro trimestre. Qual das opções abaixo reúne exames que fazem parte dessa rotina inicial preconizada pelo Ministério da Saúde?
A rotina do primeiro trimestre inclui tipagem sanguínea e fator Rh, hemograma, glicemia de jejum, sorologias (HIV, sífilis/VDRL, hepatite B/HBsAg e toxoplasmose IgG/IgM) e urina tipo 1 com urocultura, permitindo identificar precocemente anemia, incompatibilidade Rh, infecções e bacteriúria (alternativa correta). O TOTG 75 g é o rastreamento de diabetes gestacional realizado entre 24 e 28 semanas, não na consulta inicial. A cultura para estreptococo do grupo B é colhida entre 35 e 37 semanas. A ultrassonografia morfológica é feita no segundo trimestre e não substitui o painel laboratorial inicial.
Gestante de 30 anos, G2P1, tipagem sanguínea O negativo, com Coombs indireto negativo no primeiro trimestre e novamente negativo agora, na 28ª semana. Assintomática, sem sangramentos ou procedimentos durante a gestação. Qual a conduta correta neste momento?
Na gestante Rh negativa não sensibilizada, ou seja, com Coombs indireto negativo, a profilaxia tem três momentos: 300 µg na 28ª semana, até 72 horas após o parto de recém-nascido Rh positivo ou de fator Rh desconhecido, e até 72 horas após evento com risco de sensibilização. A primeira alternativa suprime a dose anteparto, que é justamente o que se faz na 28ª semana. A terceira comete o erro clássico de repetir o Coombs indireto após a profilaxia: o teste pode positivar pela própria imunoglobulina, com títulos que raramente passam de 1:8 e podem durar de 8 a 12 semanas, sendo lido erroneamente como sensibilização. A quarta e a quinta pertencem ao cenário de Coombs indireto positivo, em que se faz titulação e, com títulos iguais ou maiores que 1:16, avaliação por Doppler de artéria cerebral média.
Gestante de 33 anos, primigesta, inicia o pré-natal com 24 semanas de idade gestacional. A sorologia para toxoplasmose colhida na primeira consulta mostra IgG reagente e IgM reagente. Encontra-se assintomática e a ultrassonografia obstétrica não mostra alterações fetais. Sobre a solicitação do teste de avidez de IgG neste caso, é correto afirmar que:
O teste de avidez de IgG só tem utilidade quando a idade gestacional é de até 16 semanas: nessa faixa, alta avidez indica anticorpo produzido há mais de 12 a 16 semanas, ou seja, antes da gestação, e permite excluir com segurança infecção em curso. Acima de 16 semanas, o resultado — alto, baixo ou indeterminado — não tem autonomia para definir o tempo da infecção, e a gestante é conduzida como infecção aguda de qualquer forma. Com 24 semanas, a primeira alternativa aplica a regra fora da janela. A segunda erra ao condicionar a espiramicina: com IgM reagente inicia-se o medicamento imediatamente, sem esperar avidez. A quarta descreve uma comparação de amostras pareadas, que não é o papel da avidez. A quinta confunde investigação materna com fetal: a infecção fetal é investigada por amniocentese com PCR do líquido amniótico, a partir de 18 semanas.
Gestante de 26 anos, G2P1, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal com 9 semanas de idade gestacional. Encontra-se assintomática, sem comorbidades. A enfermeira da equipe solicita o painel de exames do primeiro trimestre conforme a Caderneta Brasileira da Gestante do Ministério da Saúde. Qual dos exames abaixo NÃO faz parte do painel de rotina do primeiro trimestre do pré-natal de risco habitual?
A cultura vaginal e endoanal para estreptococo do grupo B não pertence ao primeiro trimestre em nenhuma estratégia: quando realizada, a janela é de 36 0/7 a 37 6/7 semanas, porque a cultura tem validade de cinco semanas e precisa cobrir o parto. Além disso, ela sequer consta do quadro de exames de rotina da Caderneta Brasileira da Gestante (2026). A eletroforese de hemoglobina está no painel do primeiro trimestre e rastreia hemoglobinopatias, com registro de padrão AA, heterozigose AS/AC ou homozigose SS/SC. A sorologia de toxoplasmose IgG e IgM é do primeiro trimestre e define se a gestante é suscetível. O teste rápido para hepatite C ou anti-HCV entrou na rotina universal pela Portaria SCTIE/MS nº 32, de 2020, e está no painel do primeiro trimestre. Urina tipo I com urocultura é pedida no primeiro e no terceiro trimestre.
Em uma discussão de caso sobre a organização do pré-natal, um preceptor pede que se compare o modelo brasileiro com as recomendações da Organização Mundial da Saúde publicadas em 2016. Sobre o número de encontros e de ultrassonografias preconizados por cada um, é correto afirmar que:
O Ministério da Saúde preconiza no mínimo sete consultas de pré-natal, intercaladas entre médico e enfermeiro, e uma ultrassonografia obstétrica idealmente entre 7 e 12 semanas, cuja função principal é a datação. A OMS, em 2016, passou de quatro visitas do modelo focado para oito contatos programados, nas semanas 12, 20, 26, 30, 34, 36, 38 e 40, depois de evidência de que o modelo de quatro se associa a mais mortes perinatais, e recomenda uma única ultrassonografia antes de 24 semanas. A primeira alternativa inverte os números e atribui à OMS o modelo que ela abandonou. A terceira erra o número de consultas brasileiro e atribui três ultrassonografias à OMS, que recomenda uma. A quarta descreve a prática do setor suplementar, não o painel de risco habitual do SUS. A quinta contraria a própria OMS, que não recomenda Doppler de rotina.
Mulher de 34 anos, com 18 semanas de gestação, comparece à UBS para consulta de pré-natal. Relata que seu último exame preventivo do colo do útero foi há quatro anos e que ela não voltou ao serviço desde então. Está assintomática, sem sangramento e sem queixas ginecológicas. Segundo as diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, qual a conduta?
As diretrizes do INCA são explícitas: gestantes têm o mesmo risco que não gestantes de apresentar câncer do colo do útero ou lesões precursoras, o rastreamento deve seguir a mesma faixa etária e periodicidade, e a procura ao serviço para o pré-natal deve sempre ser considerada uma oportunidade de rastreamento, com recomendação de grau A. A primeira alternativa é a armadilha clássica, que soa prudente e é falsa. A segunda adia o que não precisa ser adiado — o que se adia para 90 dias após o parto é o procedimento excisional, quando indicado. A terceira erra ao proibir a coleta endocervical: no ciclo grávido-puerperal a junção escamocolunar costuma estar exteriorizada, o que na maioria das vezes dispensaria essa coleta, mas ela não aumenta o risco com técnica adequada; o que se evita é a curetagem endocervical. A quinta troca o exame de rastreamento pelo exame de investigação.
Gestante de 22 anos, com 13 semanas de idade gestacional, assintomática, traz hemograma da primeira consulta com hemoglobina de 8,4 g/dL e hematócrito de 26%. Não há sangramento, e o exame físico é normal. Segundo a estratificação de risco do Manual de Gestação de Alto Risco do Ministério da Saúde, qual a classificação e a conduta quanto ao nível de atenção?
O corte que define anemia na gestação é hemoglobina abaixo de 11 g/dL, mais baixo que o da mulher não gestante (12 g/dL) por causa da hemodiluição fisiológica. Achada a anemia, a gravidade decide o nível de atenção: entre 9 e 11 g/dL é anemia leve a moderada e coloca a gestante em risco intermediário, tratada na própria atenção primária; abaixo de 9 g/dL é anemia grave e leva ao pré-natal de alto risco. Com 8,4 g/dL, a gestante está abaixo de 9 e vai para o alto risco. A primeira alternativa inventa um corte de 8 g/dL que não existe no documento vigente. A segunda e a terceira aplicam a faixa errada, porque 8,4 g/dL está fora do intervalo de 9 a 11. A quinta adia uma conduta que já está definida pelo próprio resultado.
Gestante de 24 anos, com 12 semanas, completamente assintomática do ponto de vista urinário, traz urocultura de rotina do pré-natal com Escherichia coli, 100.000 UFC/mL, sensível a nitrofurantoína, fosfomicina e cefalexina. Qual a conduta?
Bacteriúria assintomática na gestante se trata sempre, ao contrário do que se faz na não gestante, para prevenir bacteriúria persistente, pielonefrite, parto prematuro e baixo peso ao nascer. O tratamento é guiado pelo antibiograma — fosfomicina 3 g em dose única, nitrofurantoína 100 mg de 6 em 6 horas por 5 dias ou cefalexina 500 mg de 6 em 6 horas por 7 dias — e é seguido de nova urocultura duas semanas após o tratamento, como controle de cura. A primeira alternativa aplica à gestante a regra da não gestante. A segunda inverte a ordem: a profilaxia até o parto é indicada quando surge um segundo episódio, não no primeiro. A terceira condiciona o tratamento à urina tipo I, que não é o exame que define bacteriúria assintomática. A quarta trata corretamente, mas dispensa o controle de cura, que faz parte da conduta.
Gestante de 29 anos, com 36 semanas e 3 dias, em pré-natal de risco habitual, realiza cultura de material vaginal e endoanal que resulta positiva para Streptococcus agalactiae. Encontra-se assintomática, sem contrações e com membranas íntegras. Qual a conduta correta?
A gestante colonizada por estreptococo do grupo B não é tratada durante a gestação, porque a colonização é transitória, crônica ou intermitente e retorna após o antibiótico. A conduta é informar o resultado e programar a antibioticoprofilaxia intraparto, iniciada no diagnóstico do trabalho de parto ou após a rotura das membranas, com penicilina G endovenosa 5 milhões de UI de ataque e 2,5 milhões de UI a cada 4 horas até o nascimento, considerando-se adequada com pelo menos quatro horas antes do parto. A segunda e a terceira alternativas tratam durante a gestação, o que não se faz. A quarta indica cesariana, que não é a estratégia de prevenção da doença neonatal precoce por esse agente. A quinta inverte a lógica da janela: a coleta entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas é a recomendada exatamente porque a cultura vale cinco semanas.
Gestante de 32 anos, risco habitual, com 28 semanas e sem intercorrências, traz a ultrassonografia obstétrica realizada com 9 semanas e pergunta se precisa de novos exames de imagem. Está assintomática, com altura uterina na curva e movimentos fetais presentes. Qual conduta corresponde ao painel de rotina do pré-natal de risco habitual?
O painel do risco habitual traz uma única ultrassonografia obstétrica, idealmente entre 7 e 12 semanas, cuja função principal é a datação — e essa gestante já a realizou. Morfológica de segundo trimestre e ultrassonografia de crescimento não integram a rotina desse estrato no sistema público: a de crescimento entra por suspeita clínica, como altura uterina discordante, ausente aqui. Dopplervelocimetria e cardiotocografia anteparto figuram apenas entre os exames complementares do pré-natal de alto risco, e ainda assim por critério clínico; oferecê-las a uma gestante de risco habitual assintomática contraria também a recomendação da Organização Mundial da Saúde, que rejeita as duas como rotina. O que se faz nesta consulta é a medida clínica de sempre — pressão, peso, altura uterina, batimentos e movimentos fetais.
Gestante de 25 anos, risco habitual, com 30 semanas, retorna à unidade básica com o painel do primeiro trimestre inteiramente não reagente. A equipe vai solicitar os exames do terceiro trimestre conforme a Caderneta Brasileira da Gestante. Quais testes de rastreio infeccioso se repetem nesta fase?
No painel da Caderneta, o terceiro trimestre repete sífilis e HIV; hepatite B e hepatite C são pedidas na primeira consulta e não voltam na rotina, ficando reservadas ao momento do parto para quem não foi testada no pré-natal. Repetir os quatro a cada trimestre gasta exame sem previsão normativa. Testar só as hepatites inverte exatamente o par que se repete, e é a sífilis que tem a janela mais custosa de perder, porque cada semana sem penicilina benzatina é tempo de transmissão vertical. A sorologia de toxoplasmose se repete apenas na gestante suscetível, e o teste para HTLV é pedido uma vez, no primeiro trimestre. Dizer que nada se repete antes do parto suprime a coleta da 28ª semana, que é onde a soroconversão do meio da gestação é encontrada.
Gestante de 27 anos, risco habitual, comparece à unidade básica de saúde na 30ª semana para consulta de rotina. Está assintomática, com pressão arterial de 112 por 70 mmHg, altura uterina e ganho de peso dentro das curvas, batimentos cardiofetais de 138 bpm. Segundo o calendário do pré-natal de risco habitual do Ministério da Saúde, qual é a programação correta do seguimento a partir de hoje?
O calendário brasileiro é mensal até a 28ª semana, quinzenal da 28ª à 36ª e semanal da 36ª até o parto; com 30 semanas a gestante já está na faixa quinzenal. O acompanhamento também não termina no parto: são no mínimo duas consultas puerperais, uma na primeira semana após a saída da maternidade e outra em torno de 30 dias. Manter intervalo mensal até a 36ª semana deixaria sem avaliação de pressão, altura uterina e batimentos justamente o período em que pré-eclâmpsia e restrição de crescimento mais aparecem. Antecipar o retorno semanal para a 30ª semana não corresponde a nenhum documento e ocupa agenda sem ganho. Prever alta no termo ou condicionar a consulta puerperal a queixa contraria a regra de que não existe alta do pré-natal — o acompanhamento segue no puerpério, período em que se concentra grande parte da morbidade materna.
Gestante de 25 semanas, com dor abdominal em investigação, apresenta leucócitos de 14.800/mm³ sem desvio, hemoglobina de 10,4 g/dL, fosfatase alcalina de 240 U/L (referência não gestacional até 120) e fibrinogênio de 480 mg/dL. Considerando o ponto de corte de anemia da OMS de 2024, qual interpretação é correta?
A OMS de 2024 define anemia no segundo trimestre por hemoglobina abaixo de 10,5 g/dL. Portanto, 10,4 g/dL exige avaliação da causa e não deve ser automaticamente normalizado como hemodiluição. O valor isolado não estabelece deficiência de ferro ou outra etiologia. Os demais achados também precisam de interpretação no contexto gestacional e clínico; não demonstram, por si sós, as doenças afirmadas nos distratores. A investigação da dor abdominal deve prosseguir conforme história, exame e evolução.
Gestante de 33 anos, 16 semanas, assintomática, traz urocultura de rotina com Escherichia coli 100.000 UFC/mL, sensível a nitrofurantoína e cefalexina. Qual a conduta?
Bacteriúria assintomática é uma das poucas situações em que se trata cultura sem sintoma, e a razão é obstétrica: sem tratamento, algo em torno de 20 a 30% dessas gestantes evolui para pielonefrite, com risco de parto prematuro e baixo peso. O tratamento é por via oral, de 3 a 7 dias, seguido SEMPRE de urocultura de controle, porque a recorrência é frequente e muda a conduta (profilaxia contínua após dois episódios). A conduta expectante engana quem transporta a regra do paciente não gestante, em que bacteriúria assintomática de fato não se trata. Internação e antibiótico venoso ficam para pielonefrite, que exige febre, dor lombar ou toxemia.
Gestante de 31 anos, 26 semanas, IMC pré-gestacional 27 kg/m². Glicemia de jejum no primeiro trimestre foi 88 mg/dL. Traz TOTG 75 g: jejum 89 mg/dL, 1 hora 190 mg/dL, 2 horas 145 mg/dL. Qual a interpretação?
No TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas, os pontos de corte são jejum ≥ 92, 1 hora ≥ 180 e 2 horas ≥ 153 mg/dL, e UM único valor alterado já fecha diabetes gestacional — não é preciso ter dois. O valor de 190 mg/dL na primeira hora, portanto, é diagnóstico. Chamar de normal porque jejum e 2 horas estão bons é o erro clássico de quem só olha as pontas da curva. Também não é diabetes prévio revelado na gestação: para isso seriam necessários jejum ≥ 126 mg/dL ou 2 horas ≥ 200 mg/dL, patamares muito acima dos encontrados aqui.
Gestante de 25 anos, 36 semanas e 2 dias, risco habitual. No primeiro trimestre teve urocultura com Streptococcus agalactiae 60.000 UFC/mL, tratada. Qual a conduta quanto à prevenção da doença estreptocócica neonatal?
Bacteriúria por estreptococo do grupo B em qualquer momento da gestação é marcador de colonização materna maciça e, por si só, indica antibioticoprofilaxia intraparto — o swab de 36 a 37 semanas se torna desnecessário porque um resultado negativo não mudaria a conduta. O tratamento da bacteriúria trata a infecção urinária, mas não erradica a colonização do trato genital, que é o que importa para o recém-nascido; por isso a urocultura negativada não cancela a profilaxia, e essa é a pegadinha que mais derruba candidato. Os critérios de rotura prolongada e febre intraparto valem para a gestante de status desconhecido, não para quem já tem indicação firmada.
Primigesta de 24 anos, 28 semanas, tipagem sanguínea O negativo, parceiro A positivo. Coombs indireto colhido nesta consulta veio negativo. Qual a conduta?
A profilaxia anteparto com imunoglobulina anti-D às 28 semanas existe justamente porque cerca de 1% das gestantes Rh negativas se sensibiliza por hemorragia fetomaterna silenciosa no terceiro trimestre — o Coombs indireto negativo é o pré-requisito da profilaxia, não a dispensa dela. Esperar o Coombs positivar é o distrator mais tentador e o mais perigoso: quando ele positiva a aloimunização já ocorreu e a imunoglobulina não tem mais serventia. Ser primigesta também não protege, porque a sensibilização pode acontecer dentro desta própria gestação. O Doppler de cerebral média serve para vigiar anemia em feto de gestante JÁ aloimunizada.
Gestante de 28 anos, 14 semanas, primeiro pré-natal. Traz teste rápido treponêmico reagente e VDRL 1:8. Nega tratamento prévio, nega lesões genitais atuais ou pregressas e não sabe informar sobre a parceria. Qual a conduta?
Com teste treponêmico reagente, VDRL reagente e nenhum tratamento prévio documentado, sem como datar a infecção, a classificação obrigatória é sífilis latente de duração ignorada — tratada como latente tardia, com três doses semanais de penicilina benzatina. A dose única engana porque é o esquema da sífilis recente (primária, secundária ou latente recente), e usá-la aqui deixa a gestante subtratada e o concepto sob risco. Na gestante, tratamento inadequado ou incompleto também significa criança tratada como sífilis congênita. Doxiciclina é proscrita na gestação, e a penicilina é a única droga que trata o feto: alergia se resolve com dessensibilização, não com troca de classe.
Gestante de 25 anos, na 12ª semana, com sorologia para toxoplasmose mostrando IgM reagente e IgG reagente. Qual o próximo passo para definir o momento da infecção?
A IgM pode permanecer reagente por muitos meses, às vezes anos, o que a torna incapaz de datar a infecção isoladamente. O teste de avidez de IgG resolve essa dúvida quando realizado no primeiro trimestre: avidez alta indica infecção há mais de 12 a 16 semanas, portanto anterior à gestação, com risco desprezível de transmissão vertical, enquanto avidez baixa mantém a suspeita de infecção recente e exige seguimento e conduta. Iniciar tratamento tríplice sem definir o momento da infecção expõe a gestante a esquema com sulfadiazina, pirimetamina e ácido folínico sem necessidade, embora em suspeita de infecção aguda a espiramicina possa ser iniciada enquanto se investiga. Repetir a sorologia esperando a IgM negativar não é estratégia útil. Ultrassonografia normal não exclui infecção fetal. E considerar imunidade prévia sem avaliar a avidez é justamente o atalho que pode deixar passar uma infecção aguda.
Gestante de 30 anos, com tipagem sanguínea O negativo e pesquisa de anticorpos irregulares negativa, está na 28ª semana. O pai da criança é A positivo. Qual a conduta?
Gestante Rh negativo não sensibilizada, ou seja, com pesquisa de anticorpos irregulares negativa, é exatamente a candidata à profilaxia: imunoglobulina anti-D por volta da 28ª semana e nova dose após o parto se o recém-nascido for Rh positivo, além de doses em eventos sensibilizantes como abortamento, gestação ectópica, sangramento, trauma abdominal, amniocentese e versão externa. Interpretar a pesquisa negativa como ausência de risco inverte a lógica da profilaxia, que só faz sentido antes da sensibilização: quando os anticorpos já apareceram, a imunoglobulina não tem mais utilidade, e o seguimento passa a ser de doença hemolítica, com titulação, Doppler de artéria cerebral média fetal e eventual transfusão intrauterina. Restringir a profilaxia ao pós-parto deixa desprotegida a hemorragia feto-materna silenciosa do terceiro trimestre. E plasmaférese não tem papel profilático nesse cenário.
Sobre o rastreio de hiperglicemia na gestação, qual estratégia está correta?
A estratégia recomendada no Brasil é a de dois tempos: glicemia de jejum na primeira consulta, que identifica diabetes prévio quando igual ou acima de 126 mg/dL e diabetes gestacional quando entre 92 e 125 mg/dL, e teste oral de tolerância à glicose com 75 g entre 24 e 28 semanas quando o exame inicial é normal, aproveitando o período de maior resistência insulínica. A hemoglobina glicada não é validada para o diagnóstico de diabetes gestacional, porque na gestação sofre influência da hemodiluição, da anemia e do turnover eritrocitário, e usá-la como rastreio é o erro mais frequente entre quem transporta a rotina do adulto não gestante. Glicemia capilar sem protocolo não substitui o teste. Rastrear apenas quem tem fator de risco deixaria de diagnosticar parcela relevante dos casos, motivo pelo qual o rastreio é universal. E o teste de tolerância no primeiro trimestre não substitui o de 24 a 28 semanas.
Gestante de 30 anos, 39 semanas, em trabalho de parto, com urocultura de 20 semanas mostrando Streptococcus agalactiae 100.000 UFC/mL, tratada na epoca. Cultura de 36 semanas nao foi colhida. Qual a conduta?
Bacteriuria por estreptococo do grupo B em qualquer momento da gestacao significa colonizacao macica e indica profilaxia intraparto, sem necessidade de rastreamento em 36 semanas. Achar que o tratamento da bacteriuria dispensa a profilaxia e o erro mais comum: tratar a infeccao urinaria nao erradica o reservatorio intestinal. A profilaxia e ENDOVENOSA e iniciada no trabalho de parto, idealmente com pelo menos 4 horas antes do nascimento.
Na ausencia de rastreamento para estreptococo do grupo B no momento do parto, qual situacao NAO indica profilaxia intraparto?
Sem cultura, a decisao passa a ser por fatores de risco: prematuridade, bolsa rota por 18 horas ou mais, febre intraparto e antecedente de filho com doenca invasiva. Uma gestante a termo, afebril, com 6 horas de bolsa rota e sem antecedente nao preenche nenhum criterio e nao recebe profilaxia. Confundir 'bolsa rota' com 'bolsa rota prolongada' e o deslize mais comum - o corte e 18 horas. O antecedente de filho acometido, alias, indica profilaxia mesmo com cultura negativa nesta gestacao.
Gestante de 26 anos com 36 semanas e 2 dias em consulta de pre-natal de risco habitual. Qual exame relacionado ao estreptococo do grupo B deve ser solicitado e como e colhido?
O rastreamento e cultura de swab combinado VAGINAL e ANORRETAL, colhido entre 36 e 37 semanas e 6 dias, porque o reservatorio e intestinal e o resultado precisa refletir o status proximo ao parto (a validade pratica e de cerca de 5 semanas). Colher so o swab vaginal e o erro mais frequente e perde parte importante das colonizadas. Nao se usa sorologia, e o swab cervical com especulo nao e o metodo - a coleta e do introito vaginal e do reto.
Gestante de 27 anos com 41 semanas, cultura para estreptococo do grupo B negativa colhida com 36 semanas e 3 dias, internada para cesariana eletiva por apresentacao pelvica, com bolsa integra e sem trabalho de parto. Qual a conduta quanto a profilaxia?
Cesariana eletiva com bolsa integra e sem trabalho de parto dispensa a profilaxia especifica, mesmo em colonizada - a transmissao vertical depende da passagem pelo canal e do contato com o liquido; a cefazolina pre-incisao ja cobre a profilaxia cirurgica. Aqui, alem disso, a cultura e negativa e valida. Achar que cesariana pede ampicilina confunde profilaxia cirurgica com profilaxia da doenca neonatal precoce.
Gestante colonizada por estreptococo do grupo B, com relato de anafilaxia previa a penicilina. Antibiograma mostra sensibilidade a clindamicina. Qual a conduta intraparto?
Em alergia de alto risco (anafilaxia, angioedema, desconforto respiratorio), a cefazolina esta contraindicada pelo risco de reacao cruzada, e a escolha depende do antibiograma: sensivel a clindamicina, usa-se clindamicina; resistente, vancomicina. Optar por cefazolina e o erro classico - ela e a alternativa da alergia de BAIXO risco (exantema tardio), nao da anafilaxia. Nao fazer profilaxia deixa o recem-nascido exposto quando ha alternativa disponivel.
Qual e a droga de escolha e a via para a profilaxia intraparto do estreptococo do grupo B em gestante sem alergia?
A profilaxia e penicilina G cristalina endovenosa, com dose de ataque e manutencao a cada 4 horas ate o nascimento - a via endovenosa e essencial porque o objetivo e concentracao adequada no liquido amniotico e no sangue fetal durante o trabalho de parto. Penicilina benzatina intramuscular e o distrator classico, herdado da sifilis: sua farmacocinetica lenta nao atinge nivel adequado a tempo. Ampicilina endovenosa e a alternativa aceita.
Na primeira consulta de pré-natal de uma gestante de 10 semanas, são solicitados os exames de rotina. Qual dos exames abaixo NÃO integra a rotina preconizada para o primeiro trimestre?
A sorologia para citomegalovírus não faz parte da rotina do pré-natal porque não há intervenção que altere o desfecho da infecção congênita e o rastreio universal gera mais dano do que benefício. Tipagem com fator Rh, urocultura, marcador de superfície da hepatite B e sorologias para toxoplasmose são todos de rotina e cada um tem conduta que muda com o resultado: imunoglobulina anti-D, tratamento de bacteriúria assintomática, profilaxia neonatal e espiramicina, respectivamente. A pesquisa de toxoplasmose é a que mais engana, porque muitos a confundem com um rastreio sem consequência prática.
Em relação ao rastreio da hepatite B no pré-natal, qual a recomendação correta?
O rastreio é universal porque uma parcela relevante das portadoras não relata qualquer fator de risco, e a repetição tardia captura soroconversão ocorrida durante a gestação em quem se mantém exposta. Restringir a quem declara risco reproduz o erro histórico que fez perder diagnósticos. O anticorpo de superfície mede imunidade, não infecção. E testar só na internação impede o uso do antiviral no terceiro trimestre, que depende de diagnóstico antecipado.
Qual é a orientação vigente sobre o rastreamento de hepatites virais no pré-natal?
O pré-natal inclui a triagem de HBsAg e anti-HCV ao lado de HIV e sífilis, porque cada uma dessas infecções tem intervenção capaz de reduzir a transmissão vertical ou proteger o recém-nascido. Restringir o anti-HCV a quem declara fator de risco é o erro que perde casos, já que a maioria das pessoas infectadas desconhece a exposição — a testagem universal é justamente o que aumenta a detecção.
Gestante de 8 semanas comparece à primeira consulta de pré-natal. Quais exames compõem a rotina inicial?
A rotina inicial reúne hemograma, tipagem sanguínea com fator Rh e pesquisa de anticorpos irregulares nas Rh negativas, glicemia de jejum, sorologias para sífilis, HIV, hepatites B e C e toxoplasmose, urina tipo I com urocultura pela importância da bacteriúria assintomática, além de colpocitologia se indicada e ultrassonografia para datação. Reduzir a rotina a imagem e hemograma deixaria passar infecções tratáveis com repercussão vertical grave. Exames invasivos de diagnóstico genético são oferecidos conforme risco e escolha, jamais como rastreamento universal, e tomografia não tem papel na datação.
Em que idade gestacional se realiza a coleta do swab retovaginal para pesquisa de estreptococo do grupo B na gestação de risco habitual?
A coleta é feita entre 36 e 37 semanas e 6 dias porque o estado de colonização é dinâmico e o resultado tem validade preditiva de cerca de 5 semanas para o momento do parto — coletar cedo demais produz resultados que já não valem quando importam. A janela entre 24 e 28 semanas pertence ao rastreamento de diabetes gestacional, e essa troca de janelas é o erro mais comum. Independentemente do swab, há indicações de profilaxia intraparto que dispensam o resultado: bacteriúria pela bactéria na gestação atual, filho anterior com doença invasiva, trabalho de parto prematuro, bolsa rota prolongada e febre intraparto.
Uma gestante de 26 anos, na 12ª semana, inicia pré-natal de risco habitual na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática, com pressão arterial normal e sem comorbidades. A equipe organiza a solicitação dos exames de rotina do primeiro trimestre. Qual conjunto corresponde ao preconizado pelo Ministério da Saúde nessa etapa?
O elenco do primeiro trimestre no pré-natal de risco habitual inclui hemograma, tipagem sanguínea com fator Rh, glicemia, sorologias para sífilis, HIV, hepatite B e toxoplasmose, além de exame de urina e urocultura para rastrear bacteriúria assintomática. Ecocardiograma fetal, cariótipo materno e progesterona não são exames de rotina universal. Adiar a rotina laboratorial para o terceiro trimestre perde a janela de tratamento de sífilis e de bacteriúria. O teste oral de tolerância à glicose é feito entre 24 e 28 semanas, e o perfil biofísico é método de avaliação de vitalidade em situações específicas do terceiro trimestre.
Sobre a estratégia de vigilância e prevenção da transmissão vertical no Brasil, a certificação de eliminação de determinados agravos depende de indicadores específicos monitorados na atenção primária. Considerando as ações do pré-natal na Unidade Básica de Saúde, assinale a alternativa que descreve corretamente uma medida preconizada.
A eliminação da sífilis congênita e da transmissão vertical do HIV depende de testagem em momentos definidos da gestação e no parto, com tratamento imediato da gestante e abordagem da parceria sexual. Testar apenas na primeira consulta perde infecções adquiridas ao longo da gestação. Condicionar o tratamento à confirmação laboratorial completa retarda a terapia, sendo o teste rápido reagente suficiente para iniciar penicilina na gestante. Tratar a parceria somente se sintomática mantém a reinfecção, principal causa de falha terapêutica.
Gestante de 34 anos, com 20 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta e traz o cartão do pré-natal com registro de todas as consultas e exames. A equipe revisa a rotina laboratorial do segundo trimestre e discute quais exames devem ser repetidos nesta fase. Ela é normotensa, com ganho ponderal adequado, sem queixas e com altura uterina compatível. Os exames do primeiro trimestre foram todos normais e ela não tem comorbidades nem antecedentes obstétricos desfavoráveis. Os exames a serem repetidos incluem
A rotina do pré-natal prevê repetição das sorologias para sífilis e HIV, do hemograma e do exame de urina ao longo da gestação, além do rastreamento de diabetes gestacional entre 24 e 28 semanas, pois novas infecções e alterações metabólicas podem surgir após o primeiro trimestre. Considerar as sorologias definitivas impede a detecção de infecção adquirida na gestação, o que é central na prevenção da sífilis congênita e da transmissão vertical do HIV. Restringir a repetição à glicemia ou dispensar exames contraria o protocolo.
Mulher de 25 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com atraso menstrual e teste de gravidez positivo, calculando-se 8 semanas pela data da última menstruação. É a primeira gestação, ela não tem comorbidades e não usa medicações. Ao exame, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, índice de massa corporal de 23 kg/m², altura uterina não mensurável e exame ginecológico sem alterações. A equipe organiza a primeira consulta e a solicitação de exames de rotina do pré-natal. A conduta correta é:
A primeira consulta de pré-natal inclui anamnese completa, exame físico, cálculo da idade gestacional, orientação e solicitação do conjunto de exames de rotina do primeiro trimestre, com tipagem sanguínea e fator Rh, hemograma, glicemia, sorologias para sífilis, HIV, hepatites e toxoplasmose, exame de urina e urocultura, além de suplementação de ácido fólico e ferro conforme protocolo. Solicitar apenas ultrassonografia deixa de rastrear condições tratáveis. Adiar exames reduz a chance de intervenções oportunas. Encaminhar ao alto risco sem indicação sobrecarrega a rede.
Uma equipe de Saúde da Família revisa os prontuários das gestantes acompanhadas no território e observa que muitas realizaram testagem para sífilis e HIV apenas na primeira consulta, sem repetição posterior, e que várias não realizaram testagem para hepatites. A maioria delas tem parcerias sexuais sem uso consistente de preservativo, e o serviço dispõe de testes rápidos em quantidade suficiente e de acesso regular ao laboratório de referência do município. A equipe deseja reorganizar o pré-natal conforme os protocolos de prevenção da transmissão vertical. A conduta correta é:
A prevenção da transmissão vertical exige testagem para sífilis, HIV e hepatites em momentos definidos do pré-natal, incluindo o terceiro trimestre e o momento do parto, com tratamento oportuno da gestante e das parcerias, já que infecções adquiridas ao longo da gestação escapam de uma testagem única inicial. Testar apenas na primeira consulta deixa passar soroconversões. Restringir a testagem a sintomáticas ignora que muitas infecções são assintomáticas. Questionários não substituem exames laboratoriais nesse contexto.
Gestante de 28 anos, na décima semana de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática, com gestação desejada e sem intercorrências até o momento. Ao exame apresenta PA 110x70 mmHg, índice de massa corporal de 24 kg/m², altura uterina compatível e exame físico sem alterações. A equipe organiza a solicitação dos exames e as ações previstas para essa consulta, considerando as recomendações do Ministério da Saúde para o pré-natal de risco habitual no país. A conduta correta inclui:
O pré-natal de risco habitual inclui testagem universal para sífilis, HIV e hepatites B e C, além dos demais exames de rotina, com repetição no terceiro trimestre, e verificação e atualização da situação vacinal, incluindo dTpa e influenza conforme calendário. Adiar exames laboratoriais para o terceiro trimestre impede o tratamento oportuno de infecções com transmissão vertical. Testar apenas quem relata comportamento de risco perde a maioria dos casos. Postergar a vacinação para após o parto retira a proteção materna e fetal.
Gestante de 25 anos, com 8 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal e a equipe realiza o acolhimento e o preenchimento da caderneta. Ela é primigesta, sem comorbidades, com ciclos regulares e data da última menstruação confiável. Ao exame, apresenta pressão arterial de 110x68 mmHg, índice de massa corporal de 24 kg/m² e exame ginecológico sem alterações. A equipe solicita a rotina laboratorial do primeiro trimestre. Entre os exames que compõem essa rotina, inclui-se
A rotina do primeiro trimestre inclui tipagem sanguínea com fator Rh, hemograma, glicemia de jejum, sorologias para sífilis, HIV, hepatites e toxoplasmose, além de exame de urina e urocultura, permitindo detectar precocemente condições com impacto materno e fetal. Adiar as sorologias impede o tratamento oportuno da sífilis e do HIV. Cariótipo e pesquisa de trombofilias não são exames de rotina. Dosagens seriadas de beta-hCG são indicadas na investigação de gestação de localização indeterminada, não na rotina.
Gestante de 27 anos, com 18 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de pré-natal e a equipe revisa os exames de rotina solicitados na primeira consulta. Ela não tem fatores de risco conhecidos, não usa drogas injetáveis e não recebeu transfusões. Está bem, com pressão arterial de 110x70 mmHg, exame obstétrico compatível e sem queixas. A equipe discute se deve solicitar sorologia para hepatite C, que não constava do conjunto inicial de exames solicitados na unidade. A conduta correta é
A testagem para hepatite C é recomendada a todas as gestantes, independentemente de fatores de risco, pois permite o diagnóstico materno, o tratamento no momento oportuno após a gestação e o seguimento da criança exposta para detecção de transmissão vertical. Restringir a fatores de risco deixa de identificar grande parte dos casos. Afirmar ausência de intervenção é incorreto, pois existe tratamento altamente eficaz. Testar apenas no parto retarda o cuidado.
Gestante de 23 anos, com 11 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal e a equipe organiza a solicitação de exames. A unidade dispõe de testes rápidos para sífilis e HIV, com profissionais capacitados para realizá-los e para o aconselhamento pré e pós-teste. Ela está bem, com pressão arterial de 110x68 mmHg, sem queixas e com exame físico normal. A gestante refere que precisará faltar ao trabalho para buscar resultados em outro serviço e pergunta se isso é necessário. A conduta correta é
Os testes rápidos para sífilis e HIV devem ser realizados na própria unidade básica, com aconselhamento pré e pós-teste, permitindo diagnóstico e início imediato do tratamento no mesmo atendimento, medida central na prevenção da transmissão vertical. Encaminhar para outro serviço cria barreira de acesso e perda de seguimento. Adiar a testagem retarda o tratamento. Restringir a testagem a sintomáticos deixa de identificar a maioria das infecções.
Gestante de 25 anos é admitida em maternidade em trabalho de parto ativo, com 39 semanas estimadas pela altura uterina, informando que não realizou nenhuma consulta de pré-natal e que não possui exames. Ela está estável, com pressão arterial de 116x74 mmHg, dilatação de 6 cm, bolsa íntegra e cardiotocografia tranquilizadora. Não há sinais de infecção nem antecedentes conhecidos, e ela nega uso de medicamentos. A equipe organiza a assistência e a investigação necessária no momento da admissão. A conduta correta é
A admissão para o parto de gestante sem pré-natal é oportunidade essencial para testes rápidos de HIV, sífilis e hepatites com aconselhamento, permitindo instituir profilaxias que reduzem a transmissão vertical ainda no periparto. Adiar para o puerpério perde a janela de intervenção. Afirmar impossibilidade de prevenção é incorreto. Sorologias convencionais com resultado após a alta não permitem a conduta oportuna.
Mulher, 24 anos, primigesta, comparece à primeira consulta de pré-natal com 9 semanas, assintomática, sem comorbidades e com ciclos regulares. PA 110/70 mmHg, IMC 22 kg/m², altura uterina não mensurável. Nega uso de medicações e tem cartão vacinal atualizado. A unidade dispõe de laboratório para os exames de rotina do pré-natal de baixo risco preconizados pelo Ministério da Saúde. Qual conjunto de exames deve ser solicitado nesta consulta?
O conjunto correto inclui hemograma, tipagem sanguínea com fator Rh e Coombs indireto quando indicado, glicemia de jejum, sorologias para sífilis, HIV, hepatite B e toxoplasmose, além de urina tipo 1 com urocultura, que constituem a rotina laboratorial do 1º trimestre no pré-natal de baixo risco. Restringir a tipagem e ao ultrassom adia o rastreio de infecções cujo tratamento precoce muda o desfecho fetal. Cariótipo do casal, painel de trombofilias e progesterona sérica não integram a rotina e destinam-se à investigação de perdas recorrentes. Os testes rápidos de HIV e sífilis são fundamentais, mas isolados deixam de rastrear anemia, diabetes, hepatite B, toxoplasmose e bacteriúria. Perfil lipídico, TSH e cortisol não são exames universais, e o Doppler de artérias uterinas destina-se ao rastreio de pré-eclâmpsia em serviços específicos, não à rotina básica desta consulta.
Mulher, 26 anos, G1P0, com 35 semanas, comparece à consulta de pré-natal de baixo risco. Está assintomática, PA 112/70 mmHg, altura uterina compatível, batimentos fetais presentes e movimentos normais. Os exames do 1º e do 2º trimestres foram normais, incluindo teste oral de tolerância à glicose. A equipe revisa quais exames devem ser solicitados nesta fase, antes do parto. Qual conjunto de exames é o mais apropriado?
O conjunto correto inclui hemograma, repetição das sorologias para sífilis, HIV e hepatite B, urina tipo 1 com urocultura e a cultura de swab vaginal e retal para estreptococo do grupo B entre 35 e 37 semanas, exames que orientam profilaxias e condutas no parto. Restringir a avaliação ao ultrassom com Doppler deixa de rastrear infecções e anemia. Cariótipo fetal e painel de trombofilias não integram a rotina e não definem via de parto. Solicitar apenas glicemia é insuficiente, e o rastreio de diabetes já foi feito no momento adequado. Perfil lipídico e ferritina isolada não compõem a rotina do 3º trimestre no pré-natal de baixo risco.
Equipe de atenção primária revisa a rotina laboratorial e de imagem do pré-natal de risco habitual, separando os exames que devem ser solicitados a todas as gestantes daqueles indicados apenas em situações específicas, com o objetivo de padronizar as solicitações, reduzir exames desnecessários e evitar a omissão de rastreios com impacto sobre desfechos maternos e perinatais. Assinale o exame que NÃO integra a rotina do pré-natal de baixo risco.
O painel completo de trombofilias hereditárias não integra a rotina do pré-natal de baixo risco, sendo reservado a situações específicas e, mesmo nelas, com indicação restrita, pois seus resultados raramente alteram a conduta obstétrica. A sorologia para sífilis no 1º e no 3º trimestre é essencial para prevenir a sífilis congênita. A urocultura com antibiograma rastreia bacteriúria assintomática, cujo tratamento previne pielonefrite e prematuridade. O teste oral de tolerância à glicose com 75 g é o rastreio padrão do diabetes gestacional. O hemograma com tipagem sanguínea orienta a suplementação de ferro e a profilaxia anti-D.
Gestante de 26 anos, negra, com 14 semanas, traz eletroforese de hemoglobina solicitada na primeira consulta com o resultado HbAS. Hemograma com Hb 11,8 g/dL (VR 12 a 16) e VCM 86 fL (VR 80 a 100). Está assintomática, sem antecedentes de crises dolorosas ou internações prévias. Qual a conduta correta?
O padrão HbAS caracteriza traço falciforme, condição habitualmente assintomática, cuja conduta principal é o aconselhamento genético com oferta de eletroforese ao parceiro para estimar o risco de doença falciforme no concepto. Encaminhar ao alto risco por doença falciforme confunde traço com doença, pois a paciente não tem HbSS nem HbSC. Iniciar hidroxiureia é conduta duplamente equivocada, por não haver indicação e por o fármaco ser teratogênico. Programar transfusões seriadas expõe a paciente a risco de aloimunização sem qualquer benefício demonstrado no traço falciforme. Suspender ferro e ácido fólico contraria as recomendações do pré-natal e não tem relação com o achado da eletroforese.
Gestante de 25 anos, com 33 semanas, chega a uma maternidade de referência em trabalho de parto, procedente de outro município, portando apenas o cartão da gestante. A equipe precisa tomar decisões imediatas sobre profilaxias e via de parto. PA 122x76 mmHg, FC 88 bpm, dinâmica de 3 contrações em 10 minutos e colo com 4 cm. Qual informação registrada no cartão é indispensável para decidir a profilaxia intraparto antimicrobiana?
A cultura para estreptococo do grupo B, colhida entre 35 e 37 semanas, é a informação que define a necessidade de profilaxia antimicrobiana intraparto, decisão que precisa ser tomada na admissão. A glicemia de jejum orienta o manejo metabólico, mas não determina antibiótico no parto. Peso e altura maternos ajudam a avaliar ganho ponderal e risco nutricional, sem qualquer relação com a profilaxia infecciosa. A citologia cervical faz parte do rastreio oncológico e não influencia condutas intraparto. A vacinação contra influenza é relevante para proteção respiratória materna e do lactente, mas não determina antibioticoprofilaxia.
Adolescente de 17 anos, gestante de 12 semanas, comparece à primeira consulta de pré-natal. É assintomática, sem antecedentes relevantes, e relata que um irmão tem anemia falciforme. Exame: corada, PA 108/64 mmHg, FC 88 bpm, altura uterina compatível, sem edema. Hemograma: hemoglobina 11,8 g/dL; VCM 84 fL; plaquetas e leucócitos normais. O parceiro não realizou exames e não conhece o próprio perfil de hemoglobinas. Qual a conduta adequada?
História familiar de doença falciforme indica eletroforese de hemoglobina para a gestante e, sendo ela portadora, também para o parceiro, permitindo estimar o risco de doença falciforme no concepto e oferecer aconselhamento genético. O hemograma seriado isolado não identifica traço falciforme, que cursa com hemograma normal. A hidroxiureia é contraindicada na gestação e não previne hemoglobinopatia fetal. A amniocentese imediata é invasiva e só faria sentido após identificação de risco em ambos os genitores. Considerar o risco desprezível ignora que o traço falciforme é assintomático e só se revela por eletroforese.
Gestante apresenta infecção primária por CMV documentada por soroconversão. A avaliação fetal especializada identifica alterações sugestivas e a PCR do líquido amniótico, colhida no momento apropriado, é positiva. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Diagnóstico precoce neonatal e seguimento são importantes; decisões terapêuticas maternas e neonatais dependem do cenário e protocolo. Referência: https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante de nove semanas apresenta exantema e linfonodos retroauriculares após contato confirmado. A investigação de referência confirma rubéola aguda. Ela não tem imunização prévia documentada. Qual é o diagnóstico mais provável?
Exposição, quadro clínico e confirmação laboratorial estabelecem infecção de relevância fetal. Referência: https://www.cdc.gov/rubella/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante de nove semanas apresenta exantema e linfonodos retroauriculares após contato confirmado. A investigação de referência confirma rubéola aguda. Ela não tem imunização prévia documentada. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A infecção fetal pode comprometer audição, olhos e coração, entre outros órgãos. Referência: https://www.cdc.gov/rubella/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante de nove semanas apresenta exantema e linfonodos retroauriculares após contato confirmado. A investigação de referência confirma rubéola aguda. Ela não tem imunização prévia documentada. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A interpretação exige contexto e pode incluir testes adicionais; IgM isolada pode produzir erros. Referência: https://www.cdc.gov/rubella/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante de nove semanas apresenta exantema e linfonodos retroauriculares após contato confirmado. A investigação de referência confirma rubéola aguda. Ela não tem imunização prévia documentada. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Não há antiviral que elimine o risco fetal; imunização preventiva deve ser planejada fora da gravidez. Referência: https://www.cdc.gov/rubella/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante apresenta infecção primária por CMV documentada por soroconversão. A avaliação fetal especializada identifica alterações sugestivas e a PCR do líquido amniótico, colhida no momento apropriado, é positiva. Qual é o diagnóstico mais provável?
PCR amniótica positiva em contexto apropriado demonstra transmissão fetal, sem definir sozinha toda a gravidade. Referência: https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante apresenta infecção primária por CMV documentada por soroconversão. A avaliação fetal especializada identifica alterações sugestivas e a PCR do líquido amniótico, colhida no momento apropriado, é positiva. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A infecção pode causar sequelas, inclusive auditivas, mesmo quando a apresentação inicial é discreta. Referência: https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante apresenta infecção primária por CMV documentada por soroconversão. A avaliação fetal especializada identifica alterações sugestivas e a PCR do líquido amniótico, colhida no momento apropriado, é positiva. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
O diagnóstico virológico deve ser integrado à avaliação fetal e ao aconselhamento prognóstico. Referência: https://www.cdc.gov/cytomegalovirus/hcp/clinical-overview/index.html
Gestante apresenta anemia com estoques de ferro reduzidos e condições de iniciar reposição, com plano de acompanhamento. Qual providência é indicada pelo achado apresentado?
A deficiência documentada deve ser tratada. Anemia com ferritina baixa exige reposição apropriada e investigação do contexto; esquema depende de gravidade, tolerância e idade gestacional. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/anemia/iron-deficiency-anemia
Pessoa no pré-natal tem hemoglobina de 9,6 g/dL, microcitose e ferritina de 8 ng/mL, sem outra causa predominante identificada. Qual providência é indicada pelo achado apresentado?
A ferritina baixa documenta deficiência de ferro. Anemia com ferritina baixa exige reposição apropriada e investigação do contexto; esquema depende de gravidade, tolerância e idade gestacional. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/anemia/iron-deficiency-anemia
Pessoa com anemia microcítica tem ferritina muito baixa, sem contraindicação à reposição e sem instabilidade clínica. Qual providência é indicada pelo achado apresentado?
A prioridade é corrigir deficiência de ferro e acompanhar resposta. Anemia com ferritina baixa exige reposição apropriada e investigação do contexto; esquema depende de gravidade, tolerância e idade gestacional. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/anemia/iron-deficiency-anemia
Gestante apresenta fadiga, hemoglobina baixa e ferritina reduzida, com diagnóstico laboratorial de anemia ferropriva. Qual providência é indicada pelo achado apresentado?
Reposição de ferro trata a deficiência demonstrada. Anemia com ferritina baixa exige reposição apropriada e investigação do contexto; esquema depende de gravidade, tolerância e idade gestacional. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/anemia/iron-deficiency-anemia
Qual exame não mostrou sensibilização detectável?

Pesquisa negativa não demonstra anticorpos irregulares na amostra, mas seguimento permanece necessário.
Como integrar suscetibilidade à rubéola e gravidez atual?

IgG negativa sugere suscetibilidade; vacina viva não é indicada rotineiramente durante gestação.
Qual documento deve registrar resultados e condutas do pré-natal?

Registro acessível melhora continuidade e decisões no parto.
Qual fator sanguíneo está ausente segundo a tipagem?

RhD negativo indica ausência do antígeno D na tipagem habitual.
Se ocorrer sangramento com potencial exposição fetomaterna, qual avaliação é necessária?

Profilaxia busca evitar sensibilização; eventos e contexto orientam indicação e dose.
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Painel do 1º trimestre, de memória: hemograma, eletroforese de hemoglobina, tipagem ABO e Rh (mais Coombs indireto se Rh negativo), glicemia em jejum, urina tipo I com urocultura, toxoplasmose IgG e IgM, HTLV, e os quatro testes rápidos — HIV, sífilis, hepatite B e hepatite C — mais a ultrassonografia de 7 a 12 semanas. No 3º trimestre repetem-se hemograma, glicemia, urina com urocultura, HIV e sífilis. Cinco números: Hb < 11 g/dL define anemia; anti-D 300 µg na 28ª semana e até 72 horas após o parto; avidez de IgG só decide até 16 semanas; TOTG 75 g entre 24 e 28 semanas; cultura para estreptococo do grupo B entre 36 0/7 e 37 6/7 semanas.
em 30 dias
Agora o que a alteração dispara. Hb entre 9 e 11 g/dL: risco intermediário, tratado na APS; abaixo de 9 g/dL: alto risco. Coombs indireto positivo: titulação, e ≥ 1:16 leva ao Doppler de artéria cerebral média. Bacteriúria assintomática: tratar sempre, com urocultura de controle em duas semanas; segundo episódio indica profilaxia até o parto, trocando nitrofurantoína por cefalexina depois de 37 semanas. Toxoplasmose: IgG reagente com IgM não reagente não se repete; IgM reagente é infecção aguda até prova em contrário, e a prova em contrário só existe abaixo de 16 semanas, na forma de alta avidez. Estreptococo do grupo B na urina, em qualquer contagem, já garante profilaxia intraparto. E as três divergências que valem ouro: sete consultas do Ministério contra oito contatos da OMS; ultrassonografia de 7 a 12 semanas do Ministério contra uma única antes de 24 semanas da OMS; rastreio universal de estreptococo do grupo B no manual do Ministério contra a ausência da cultura no painel da caderneta.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Gestante de 28 anos, G1P0, comparece à UBS para a primeira consulta de pré-natal com 9 semanas de idade gestacional pela data da última menstruação. Assintomática, sem comorbidades, sem uso de medicações. Traz exames de um laboratório particular feitos há uma semana: tipagem A negativo, Coombs indireto negativo, hemoglobina 10,2 g/dL, urocultura com Streptococcus agalactiae 50.000 UFC/mL e sorologia para toxoplasmose com IgG reagente e IgM reagente. Conduza a consulta: complete o painel do primeiro trimestre, interprete cada resultado trazido e programe o que ainda falta até o parto. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
