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Outras EspecialidadesPsiquiatria

Transtornos por uso de álcool e síndrome de abstinência

Linha do tempo, tiamina, benzodiazepínico e local de cuidado

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 48 anos, etilista crônico, foi internado há 2 dias por pancreatite e permaneceu sem consumir álcool. Agora apresenta agitação, tremores intensos, sudorese, alucinações visuais (relata ver insetos na parede), desorientação temporoespacial e confusão. Ao exame: PA 168/100 mmHg, FC 122 bpm, T 38,2 °C, FR 24 ipm. Qual é o diagnóstico MAIS provável e a classe de medicamento de primeira linha?

02

Como esse tema cai

Duas coisas diferentes cabem no mesmo tema e a banca conta com a confusão. Uma é o transtorno por uso de álcool: crônico, diagnosticado por critérios, rastreado com questionário, cuidado ao longo de meses entre a unidade básica e o CAPS AD. A outra é a síndrome de abstinência alcoólica: aguda, cronometrada, decidida em horas, com destino que muda conforme a gravidade. Enunciado que dá a hora da última dose e descreve tremor, sudorese e taquicardia está no segundo bloco, e a resposta não é psicoterapia.

Não existe protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do Ministério da Saúde para transtorno por uso de álcool — existe para tabagismo, de 2020, e é essa ausência que explica por que a régua nacional é outra. O documento brasileiro vigente é a Linha de Cuidado Transtornos por uso de álcool no adulto, atualizada em novembro de 2021, e ela é organizada por ponto de atenção: o que a unidade básica faz, o que o SAMU faz, o que a emergência faz, o que o hospital faz. Antes dela, o texto que sustentava a conduta era o Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool da Revista Brasileira de Psiquiatria, de 2000. Os dois convivem em prova, e discordam em pelo menos um número importante.

O que decide questão neste tema é curto: o relógio (quando cada complicação aparece depois da última dose), o par tiamina e glicose (nessa ordem, nunca na inversa), o benzodiazepínico de ação longa exceto na hepatopatia grave, e o destino — qual estágio pode ficar na unidade básica e qual precisa de hospital.

03

O que muda decisão

Quanto é demais: os números que definem consumo de risco

A Linha de Cuidado fixa limites por sexo. Para homens, consumo moderado é até 14 doses por semana com no máximo 4 doses por ocasião; consumo de risco começa em 15 ou mais doses por semana, ou 5 ou mais doses numa mesma ocasião. Para mulheres, moderado é até 7 doses por semana com no máximo 3 por ocasião; risco começa em 8 ou mais por semana, ou 4 ou mais numa ocasião.

O corte menor para mulheres não é cortesia. Para o mesmo peso e a mesma dose ingerida, a mulher atinge alcoolemia maior — menor proporção de água corporal para distribuir o etanol e menor metabolização de primeira passagem no estômago. O dano hepático e a dependência também se instalam com consumo cumulativo menor. Alternativa que aplica o mesmo limite aos dois sexos está errada por construção.

Duas ressalvas que a prova gosta: não existe limite seguro na gestação, e a idade avançada baixa o limite de fato, porque a mesma dose produz alcoolemia maior e interage com a polifarmácia. Nenhum desses grupos deve receber a recomendação de beber moderadamente.

Rastreamento: AUDIT, CAGE e o que fazer com o número

O AUDIT é o instrumento que a Linha de Cuidado prefere: dez perguntas, pontuação de 0 a 40, aplicável por qualquer profissional da equipe. As faixas do documento são 0 a 7 (risco baixo), 8 a 15 (baixo a moderado), 16 a 19 (moderado) e 20 a 40 (alto). A pontuação não fecha diagnóstico — ela decide a intensidade da abordagem.

Na prática que a unidade básica consegue sustentar: faixa mais baixa recebe orientação e educação em saúde; faixas intermediárias recebem intervenção breve e entrevista motivacional dentro da própria consulta, com retorno marcado; a faixa alta indica avaliação diagnóstica formal e articulação com o CAPS AD, sem que a equipe da unidade largue o vínculo. Encaminhar não é transferir: a Linha de Cuidado coloca a Atenção Primária como coordenadora do cuidado em todas as faixas.

O CAGE — quatro perguntas sobre tentar cortar, irritar-se com críticas, sentir culpa e beber pela manhã — continua caindo. Duas ou mais respostas positivas é o corte clássico de rastreio positivo. A diferença que interessa: o CAGE rastreia dependência já instalada e responde sim ou não; o AUDIT gradua e enxerga o consumo de risco antes de haver dependência, que é justamente o paciente em que a intervenção breve funciona.

Intervenção breve é intervenção mesmo, não conselho solto: devolver ao paciente o resultado do rastreio, ligar o consumo aos problemas que ele já relatou, informar o limite de baixo risco, pactuar uma meta que ele aceite e marcar o retorno. Cabe em uma consulta e é o que a unidade básica tem para oferecer na faixa intermediária.

Diagnóstico: onze critérios, três gravidades e o CID que insiste em aparecer

O DSM-5 define transtorno por uso de álcool como padrão problemático de uso levando a comprometimento ou sofrimento clinicamente significativos, com pelo menos 2 dos 11 critérios em 12 meses. A gravidade sai da contagem: leve com 2 ou 3 critérios, moderado com 4 ou 5, grave com 6 ou mais. Questão que descreve o quadro e pede a gravidade está pedindo aritmética — conte os critérios do enunciado.

Os onze critérios se organizam em quatro grupos. Controle prejudicado: beber mais ou por mais tempo do que pretendia; desejo persistente ou tentativas fracassadas de reduzir; muito tempo gasto obtendo, usando ou se recuperando; fissura. Prejuízo social: falhar em obrigações no trabalho, escola ou casa; manter o uso apesar de problemas sociais ou interpessoais recorrentes; abandonar atividades importantes por causa do álcool. Uso arriscado: beber em situações fisicamente perigosas; manter o uso sabendo que há dano físico ou psicológico causado ou piorado por ele. Critérios farmacológicos: tolerância e abstinência.

O DSM-5 acabou com a divisão entre abuso e dependência que existia no DSM-IV — hoje é um transtorno único com gradação. O CID-10 não acompanhou: mantém uso nocivo (F10.1) e síndrome de dependência (F10.2), esta exigindo 3 ou mais de 6 critérios em 12 meses. Enunciado que fala em dependência e conta três critérios está falando CID; enunciado que classifica em leve, moderado ou grave está falando DSM. Reconhecer qual manual o avaliador usou resolve a questão antes de discutir clínica.

Os dois critérios farmacológicos merecem atenção: tolerância e abstinência sustentam o diagnóstico, mas nenhum dos dois basta sozinho, e a presença deles não define gravidade por si. Paciente com apenas tolerância e abstinência tem 2 critérios — transtorno leve.

A linha do tempo da abstinência: quatro estágios e o relógio

A Linha de Cuidado descreve a abstinência em quatro estágios, e cada um tem hora para começar. Estágio 1, entre 6 e 8 horas da última dose: ansiedade, tremor leve, náusea, taquicardia. Estágio 2, entre 10 e 30 horas e podendo se estender até 8 dias: tremor grosseiro, insônia, sudorese, pesadelos e ilusões que podem evoluir para alucinações visuais, táteis ou auditivas. Estágio 3, entre 12 e 48 horas: o quadro do estágio 2 acrescido de convulsões tônico-clônicas. Estágio 4, entre 3 e 5 dias e podendo durar até 14 dias: delirium tremens, com desorientação, agitação, hiperatividade autonômica, alucinações, sudorese profusa, hipertensão e taquicardia.

Dois números do documento explicam por que o tratamento precoce importa: 3 a 5% dos pacientes em estágio 2 progridem para o estágio 3, e um terço dos que chegam ao estágio 3 progride para o estágio 4 se não for tratado. Ou seja, a convulsão não é o fim da linha — é o aviso de que o delirium tremens está a caminho em quem ficar sem benzodiazepínico.

A convulsão da abstinência é tônico-clônica generalizada e em geral única, dentro da janela de 12 a 48 horas. Crise focal, crises repetidas, crise fora dessa janela ou déficit neurológico focal depois da crise mudam a pergunta: nesse paciente pense em traumatismo cranioencefálico com hematoma subdural, hipoglicemia, distúrbio hidroeletrolítico ou infecção do sistema nervoso central, e investigue com imagem. Etilista cai, bate a cabeça e não conta — o subdural crônico é o diferencial que a banca esconde atrás da palavra abstinência.

A distinção mais cobrada do tema é alucinose alcoólica contra delirium tremens. Na alucinose, dentro do estágio 2, o paciente alucina mas está orientado, com sensório preservado e crítica ao menos parcial do que vê. No delirium tremens há rebaixamento e flutuação do nível de consciência, desorientação temporoespacial, agitação e instabilidade autonômica franca. Ver formigas na parede às 20 horas de abstinência, orientado e conversando, não é delirium tremens — mas é o paciente que precisa de benzodiazepínico agora para não virar um em três dias.

Linha do tempo horizontal com quatro faixas de intensidade crescente representando os estágios da síndrome de abstinência alcoólica ao longo dos primeiros dias.
Os quatro estágios da abstinência alcoólica e sua distribuição no tempo desde a última dose: tremor leve nas primeiras horas, alucinações e tremor grosseiro no primeiro dia, convulsão entre 12 e 48 horas e delirium tremens a partir do terceiro dia.

Onde tratar: o mapa que a Linha de Cuidado desenha

Só o estágio 1 é manejado na Atenção Primária. Estágios 2, 3 e 4 exigem acionamento do serviço de emergência — o documento manda chamar o SAMU 192 — e o estágio 4 deve ser atendido em unidade hospitalar. Essa é a divisão que a maioria das questões de conduta está cobrando, mesmo quando o enunciado não usa a palavra estágio.

Além do estágio, quatro situações puxam o paciente para a emergência independentemente do resto: fatores de risco para abstinência grave (episódio grave anterior, convulsão ou delirium tremens em abstinências passadas, comorbidade clínica descompensada, desnutrição importante, uso concomitante de outras substâncias), risco de suicídio agudo, risco de agressividade aguda e sintomas psicóticos agudos. História de delirium tremens prévio é preditor forte de repetição — esse paciente não fica em casa.

A tiamina, quando disponível, é administrada antes da transferência, não depois de chegar ao hospital. É a intervenção mais barata do capítulo e a que tem consequência irreversível se for esquecida.

Depois da fase aguda, o cuidado volta para a rede. A Atenção Primária permanece coordenando; o CAPS AD é o serviço especializado do território, com o CAPS AD III funcionando 24 horas e dispondo de leitos para acolhimento noturno na travessia da crise. Essa é a estrutura da Rede de Atenção Psicossocial, instituída pela Portaria nº 3.088/2011 e hoje consolidada na Portaria de Consolidação nº 3/2017. Internação psiquiátrica não é o primeiro degrau da resposta brasileira, e alternativa que a coloca como conduta inicial em paciente estável está lendo o sistema errado.

Benzodiazepínico: qual, quanto e o que muda no hepatopata

Benzodiazepínico é a única classe que trata a abstinência e ao mesmo tempo reduz convulsão e delirium tremens, porque tem tolerância cruzada com o etanol no receptor GABA-A: ele ocupa o lugar que o álcool deixou vago enquanto o sistema nervoso se reajusta. Nenhum outro fármaco do capítulo faz isso.

Na Atenção Primária, a Linha de Cuidado é direta: diazepam 10 mg por via oral e, se em 1 hora não houver melhora significativa, mais 10 mg por via oral. No estágio 2, diazepam 10 a 20 mg por via oral a cada hora até que os sintomas fiquem leves. No estágio 3, enquanto o transporte não chega, 10 mg de diazepam por via endovenosa. Uma trava importante do documento: iniciar as medicações apenas se o paciente não bebeu nas últimas 8 horas — benzodiazepínico somado a álcool circulante é depressão respiratória.

Na convulsão, diazepam 10 mg endovenoso lento, na velocidade de 1 a 2 mg por minuto, repetindo após 10 minutos se a crise continuar; em bolus horário, o teto é 50 mg. O Consenso de 2000 põe o limite de outra forma para o uso endovenoso fora da crise: no máximo 10 mg de diazepam em 4 minutos, sem diluição.

O Consenso de 2000 organiza a dose por cenário. Ambulatorial: diazepam 20 mg por dia por via oral, com retirada gradual ao longo de uma semana, ou clordiazepóxido até 100 mg por dia. Desintoxicação domiciliar: diazepam 40 mg por dia, ou clordiazepóxido 200 mg por dia, também com retirada em uma semana. Hospitalar, em esquema sintomático: diazepam 10 a 20 mg por via oral a cada hora, ou clordiazepóxido 50 a 100 mg por hora. Para acionar o esquema sintomático, o corte do CIWA-Ar usado no Consenso é pontuação acima de 8 a 10.

Hepatopatia grave troca o fármaco, não a classe: lorazepam 4 mg por dia no ambulatorial, 8 mg por dia na desintoxicação domiciliar, 2 a 4 mg por via oral a cada hora no hospitalar. O motivo é farmacocinético — lorazepam e oxazepam são conjugados diretamente por glicuronidação, sem oxidação hepática e sem metabólitos ativos de meia-vida longa, enquanto o diazepam gera desmetildiazepam, que se acumula no cirrótico e no idoso e transforma sedação em coma. O mesmo raciocínio vale para o idoso frágil.

No delirium tremens instalado, o Consenso associa diazepam 60 mg por dia (ou lorazepam até 12 mg por dia na hepatopatia grave) a haloperidol 5 mg por dia. O antipsicótico é adjuvante para agitação e alucinação, jamais substituto: ele não trata a abstinência, não previne convulsão e ainda reduz o limiar convulsivo. Alternativa que oferece haloperidol isolado no delirium tremens está errada por isso.

O CIWA-Ar tem dez itens e serve para medir gravidade e disparar dose. Duas limitações que o avaliador cobra: ele exige paciente capaz de se comunicar, o que exclui o paciente em delirium franco, e ele mede sintomas inespecíficos, de modo que pontuação alta em paciente com infecção, dor ou distúrbio metabólico pode não ser abstinência nenhuma.

Tiamina, glicose e a ordem que não se inverte

A encefalopatia de Wernicke é a emergência por deficiência de tiamina. A tríade clássica é confusão mental, ataxia de marcha e alteração oculomotora (nistagmo, paralisia do reto lateral, oftalmoparesia). A tríade completa aparece na minoria dos casos, e é exatamente por isso que a ausência dela não afasta o diagnóstico: em etilista com qualquer um dos três componentes, trate como se fosse. A sequela é a síndrome de Korsakoff — amnésia anterógrada com confabulação — e ela é, na maioria das vezes, irreversível.

A tiamina é cofator de enzimas centrais do metabolismo da glicose, entre elas a piruvato desidrogenase e a transcetolase. Infundir glicose num paciente com estoque de tiamina no fim consome o que restou e pode precipitar Wernicke. Daí a regra do Consenso de 2000: glicose parenteral só depois da tiamina. A Linha de Cuidado de 2021 é ainda mais restritiva e resolve o problema pela origem — não administrar glicose se o paciente não estiver hipoglicêmico. Nas duas leituras, a alternativa que oferece glicose hipertônica isolada ao etilista confuso está errada.

As doses da Linha de Cuidado, no hospital, dependem de haver fatores de risco. Com fatores de risco: tiamina 500 mg endovenosa três vezes ao dia por 3 dias, depois 250 mg endovenosa uma vez ao dia por 3 dias, depois 300 mg por via oral uma vez ao dia. Sem fatores de risco: 250 mg endovenosa uma vez ao dia por 3 dias, depois 300 mg por via oral. Na unidade básica, a orientação é 100 mg por via intramuscular ou endovenosa, preferencialmente nos pacientes com sinais de desnutrição, má absorção ou complicação grave de abstinência anterior; sem apresentação parenteral, 300 mg por via oral, com a ressalva de que a via oral é menos eficaz.

Essa última ressalva é o ponto: na deficiência instalada, a absorção intestinal de tiamina está comprometida justamente pelo etilismo e pela desnutrição, e a via oral não alcança nível sérico terapêutico. Comprimido de tiamina não trata Wernicke.

Junto com a tiamina, corrija o que costuma vir no mesmo pacote — hipopotassemia, hipomagnesemia e hipofosfatemia são frequentes no etilista em abstinência, e a hipomagnesemia refratariza a reposição de potássio. Hidratação e correção eletrolítica sustentam o tratamento, mas não substituem o benzodiazepínico.

Depois da desintoxicação: o que sustenta a abstinência

Desintoxicar não é tratar. A retirada segura resolve as 72 horas seguintes; sem seguimento estruturado, a recaída é o desfecho esperado. A resposta brasileira a essa etapa é de serviço, não de comprimido: projeto terapêutico singular na unidade básica, matriciamento com a equipe de saúde mental, CAPS AD para os casos moderados e graves, entrevista motivacional como técnica de consulta e grupos de mútua ajuda, que a própria Linha de Cuidado lista entre os recursos do território.

A farmacoterapia antifissura existe e tem três nomes que a prova pede que você reconheça pelo mecanismo. Dissulfiram bloqueia a aldeído desidrogenase: quem bebe acumula acetaldeído e passa mal — é aversivo, depende de adesão e exige que o paciente já esteja abstinente, além de ser contraindicado em cardiopatia grave. Naltrexona é antagonista opioide e reduz o reforço prazeroso da bebida, diminuindo o consumo pesado; não pode ser usada com opioide em curso. Acamprosato modula a transmissão glutamatérgica e ajuda a manter a abstinência já conquistada.

O detalhe nacional que muda a resposta esperada: não há protocolo clínico e diretrizes terapêuticas brasileiro para transtorno por uso de álcool, e a Linha de Cuidado de 2021 não estabelece esquema de dose para essas medicações. A decisão farmacológica de manutenção fica com o serviço especializado, caso a caso, e a rede é a espinha da conduta. Em questão de cenário do SUS, a alternativa que resolve o caso crônico prescrevendo antifissura e mandando o paciente embora perde para a alternativa que articula unidade básica e CAPS AD.

Uma última peça pouco cobrada e fácil de pontuar: rastrear e tratar o que anda junto. Depressão, transtorno de ansiedade e risco de suicídio são mais frequentes nesse paciente, e a hepatopatia, a pancreatite crônica, a tuberculose e os traumas repetidos entram no mesmo pacote de cuidado.

04

Estágios da abstinência: relógio, quadro e destino

A classificação da Linha de Cuidado organiza a decisão em duas perguntas seguidas — há quanto tempo foi a última dose e o que o paciente apresenta agora. O estágio que sai dessas duas respostas define o remédio e, principalmente, o lugar.

  1. 1Pergunte a hora da última dose e cruze com os sintomas presentes para definir o estágio.
  2. 2Estágio 1: manejo na Atenção Primária, com benzodiazepínico oral e tiamina.
  3. 3Estágios 2, 3 ou 4: acione o serviço de emergência (SAMU 192) e administre tiamina antes de transferir.
  4. 4Estágio 4 (delirium tremens): atendimento em unidade hospitalar, sem exceção.
  5. 5Antes de medicar, confirme que o paciente não bebeu nas últimas 8 horas.
  6. 6Independentemente do estágio, encaminhe à emergência se houver risco suicida agudo, agressividade aguda, sintomas psicóticos agudos ou fatores de risco para abstinência grave.
  7. 7Passada a fase aguda, devolva o caso à Atenção Primária com articulação ao CAPS AD.

Estágio 1 — 6 a 8 horas

Ansiedade, tremor leve, náusea e taquicardia. É o único estágio manejado na Atenção Primária: diazepam 10 mg por via oral, repetindo 10 mg em 1 hora se não melhorar, mais tiamina.

Estágio 2 — 10 a 30 horas, até 8 dias

Tremor grosseiro, insônia, sudorese, pesadelos e ilusões que podem virar alucinações, com o paciente ainda orientado. De 3 a 5% progridem para o estágio 3. Diazepam 10 a 20 mg por via oral de hora em hora e encaminhamento à emergência.

Estágio 3 — 12 a 48 horas

O quadro do estágio 2 com convulsão tônico-clônica generalizada, em geral única. Um terço progride para o estágio 4 se não for tratado. Diazepam 10 mg endovenoso lento, a 1 a 2 mg por minuto, repetindo em 10 minutos se a crise persistir.

Estágio 4 — 3 a 5 dias, até 14 dias

Delirium tremens: desorientação, agitação, alucinações, sudorese profusa, hipertensão e taquicardia. Atendimento hospitalar obrigatório, com benzodiazepínico em dose alta e haloperidol apenas como adjuvante.

EstágioInício após a última doseQuadroOnde tratar
16 a 8 horasAnsiedade, tremor leve, náusea, taquicardiaAtenção Primária
210 a 30 horas (pode durar até 8 dias)Tremor grosseiro, insônia, sudorese, pesadelos, ilusões e alucinações com sensório preservado; 3 a 5% progridemEmergência (acionar SAMU 192)
312 a 48 horasQuadro do estágio 2 com convulsão tônico-clônica; um terço progride se não tratadoEmergência (acionar SAMU 192)
43 a 5 dias (pode durar até 14 dias)Delirium tremens: desorientação, agitação, alucinações, hiperatividade autonômicaUnidade hospitalar, obrigatoriamente

AUDIT: faixa de pontuação e intensidade da abordagem

PontuaçãoRiscoO que a equipe faz
0 a 7BaixoOrientação e educação em saúde; reforçar o limite de baixo risco
8 a 15Baixo a moderadoIntervenção breve na própria consulta, com meta pactuada e retorno
16 a 19ModeradoIntervenção breve e entrevista motivacional com acompanhamento estruturado na Atenção Primária e apoio matricial
20 a 40AltoAvaliação diagnóstica formal e articulação com o CAPS AD, mantendo o vínculo na Atenção Primária

Tiamina: os esquemas da Linha de Cuidado (Ministério da Saúde, 2021)

CenárioEsquema
Atenção Primária, com desnutrição, má absorção ou complicação grave prévia100 mg por via intramuscular ou endovenosa, antes de transferir
Atenção Primária, sem apresentação parenteral disponível300 mg por via oral, com a ressalva de que é menos eficaz
Hospital, com fatores de risco500 mg endovenosa 3 vezes ao dia por 3 dias, depois 250 mg endovenosa 1 vez ao dia por 3 dias, depois 300 mg por via oral 1 vez ao dia
Hospital, sem fatores de risco250 mg endovenosa 1 vez ao dia por 3 dias, depois 300 mg por via oral

Benzodiazepínico por cenário (Consenso brasileiro sobre SAA, 2000)

CenárioSem hepatopatia graveCom hepatopatia grave
AmbulatorialDiazepam 20 mg/dia por via oral, retirada gradual em 1 semana, ou clordiazepóxido até 100 mg/diaLorazepam 4 mg/dia por via oral, retirada em 1 semana
Desintoxicação domiciliarDiazepam 40 mg/dia por via oral, ou clordiazepóxido 200 mg/diaLorazepam 8 mg/dia por via oral
Hospitalar, esquema sintomáticoDiazepam 10 a 20 mg por via oral a cada hora, ou clordiazepóxido 50 a 100 mg por horaLorazepam 2 a 4 mg por via oral a cada hora
Delirium tremensDiazepam 60 mg/dia associado a haloperidol 5 mg/diaLorazepam até 12 mg/dia associado a haloperidol 5 mg/dia

O corte do CIWA-Ar para disparar dose no Consenso de 2000 é pontuação acima de 8 a 10; a escala tem dez itens e exige paciente capaz de se comunicar, o que a torna inútil no delirium já instalado.

A Linha de Cuidado condiciona o início das medicações a o paciente não ter bebido nas últimas 8 horas.

Na convulsão, o teto do diazepam em bolus endovenoso horário é 50 mg; fora da crise, o Consenso limita a 10 mg em 4 minutos, sem diluição.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Dose de tiamina na prevenção e no tratamento da encefalopatia de Wernicke

Tiamina 300 mg/dia por via intramuscular por 7 a 15 dias

O consenso brasileiro de 2000 padroniza 300 mg por dia por via intramuscular nos primeiros 7 a 15 dias, passando depois à via oral, com o objetivo declarado de evitar a síndrome de Wernicke.

Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool, Revista Brasileira de Psiquiatria, 2000

Tiamina 500 mg endovenosa três vezes ao dia por 3 dias, com desescalonamento

A Linha de Cuidado do Ministério da Saúde, no cenário hospitalar e havendo fatores de risco, indica 500 mg endovenosa três vezes ao dia por 3 dias, seguidos de 250 mg endovenosa ao dia por 3 dias e depois 300 mg por via oral. Sem fatores de risco, começa em 250 mg endovenosa ao dia por 3 dias.

Linha de Cuidado Transtornos por uso de álcool no adulto, Ministério da Saúde, atualizada em 2021

Na prova

A causa da diferença é a data e a via: o texto de 2000 é anterior ao acúmulo de evidência sobre absorção e nível sérico na deficiência instalada, e a alta dose endovenosa parcelada virou padrão nos documentos posteriores, brasileiros e de fora. Identifique o recorte pelo cenário e pelo vocabulário: enunciado hospitalar, com paciente desnutrido, oftalmoparesia ou fatores de risco explícitos, e alternativas em miligramas endovenosos fracionados, trabalha com o esquema de 2021; enunciado que cita nominalmente o consenso brasileiro sobre SAA, ou que oferece intramuscular em dose única diária, trabalha com o texto de 2000. Nos dois mundos a ordem tiamina antes de glicose se mantém.

Esquema fixo com retirada programada contra esquema sintomático guiado por escala

Dose fixa diária com retirada gradual em uma semana

No consenso brasileiro, o tratamento ambulatorial e a desintoxicação domiciliar são prescritos em dose diária fixa — 20 mg ou 40 mg de diazepam ao dia — com redução programada ao longo de uma semana, e o esquema por hora fica reservado ao ambiente hospitalar.

Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool, Revista Brasileira de Psiquiatria, 2000

Dose disparada pelo sintoma, medida por CIWA-Ar, com frontloading no alto risco

O guideline norte-americano prefere o esquema sintomático guiado pela escala, associado a menor tempo de internação e menor dose cumulativa de benzodiazepínico, e recomenda dose alta antecipada de benzodiazepínico de ação longa em quem tem risco de abstinência grave.

The ASAM Clinical Practice Guideline on Alcohol Withdrawal Management, 2020

Na prova

A diferença não é de mérito clínico, e sim de condição de aplicação: o esquema sintomático depende de reavaliação frequente por profissional treinado na escala, algo que existe em enfermaria e emergência estruturada e não existe na desintoxicação domiciliar que o texto brasileiro precisa cobrir. O recorte aparece nas alternativas: opção que fala em reavaliar a cada hora pelo CIWA-Ar denuncia cenário hospitalar; opção que descreve dose diária com desmame em sete dias denuncia cenário ambulatorial ou domiciliar.

Como classificar a gravidade da abstinência

Dois níveis, com critérios biológicos, psicológicos e sociais

O consenso brasileiro separa nível I, de contato preservado, orientação mantida e tremor fino, de nível II, com agitação intensa, desorientação, alucinações e história de quadro epileptiforme — e usa também moradia, convivência e atividade produtiva como critério de decisão sobre o local de tratamento.

Consenso sobre a Síndrome de Abstinência do Álcool, Revista Brasileira de Psiquiatria, 2000

Quatro estágios definidos pelo tempo desde a última dose

A Linha de Cuidado descreve quatro estágios ancorados no relógio (6 a 8 horas, 10 a 30 horas, 12 a 48 horas, 3 a 5 dias) e amarra cada um a um ponto de atenção, com percentuais explícitos de progressão entre eles.

Linha de Cuidado Transtornos por uso de álcool no adulto, Ministério da Saúde, atualizada em 2021

Na prova

As duas classificações convivem em prova brasileira porque uma não revogou a outra formalmente. O vocabulário entrega o documento: nível I e nível II só existem no consenso de 2000; estágio 1 a estágio 4 com faixa horária só existe na Linha de Cuidado. Enunciado que pede o destino do paciente (unidade básica, emergência ou hospital) costuma estar montado sobre os estágios; enunciado que descreve rede social, moradia e atividade produtiva como parte da decisão está montado sobre o consenso.

06

Caso resolvido

Homem de 52 anos chega à unidade básica levado pela filha. Bebe cerca de um litro de destilado por dia há mais de dez anos e parou por conta própria há cerca de 18 horas, depois de uma discussão em casa. Está trêmulo, com tremor grosseiro de mãos, suado, refere que não dormiu e que na madrugada viu insetos subindo pela parede do quarto, embora reconheça que provavelmente não estavam lá. Sabe onde está, que dia é e quem o trouxe. Frequência cardíaca 108 bpm, pressão arterial 152/94 mmHg, temperatura 36,8 °C, glicemia capilar 96 mg/dL. Nega convulsão prévia e nega ter bebido hoje.
achado
Tremor grosseiro, insônia, sudorese e alucinação visual com 18 horas de abstinência, em paciente orientado e com sensório preservado. Isso é estágio 2 da Linha de Cuidado — e é alucinose alcoólica, não delirium tremens, porque o nível de consciência está íntegro.
risco
De 3 a 5% dos pacientes em estágio 2 progridem para convulsão, e um terço dos que convulsionam evolui para delirium tremens se não forem tratados. Consumo diário alto e longo é fator de risco para abstinência grave, o que reforça a necessidade de tratamento imediato.
conduta
Confirmado que não bebeu nas últimas 8 horas, iniciar diazepam 10 a 20 mg por via oral, repetindo de hora em hora até que os sintomas fiquem leves, e administrar tiamina 100 mg por via intramuscular ou endovenosa antes da transferência. Nada de glicose, porque a glicemia é normal.
destino
Estágio 2 não é manejado na Atenção Primária: acionar o serviço de emergência (SAMU 192) para transporte e continuidade do tratamento, mantendo a família orientada sobre a gravidade.
erro a evitar
Tratar a alucinação com haloperidol isolado. O antipsicótico não trata a abstinência, não previne convulsão e reduz o limiar convulsivo — quem previne a evolução para estágios 3 e 4 é o benzodiazepínico.
seguimento
Passada a fase aguda, o caso volta à unidade básica com projeto terapêutico singular, aplicação do AUDIT para dimensionar o transtorno e articulação com o CAPS AD, que é o serviço especializado do território.
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Agora feche você

Mulher de 58 anos, com cirrose hepática por álcool e ascite controlada com diurético, é levada ao pronto-socorro pelo filho. Parou de beber há três dias, quando foi internada em outro serviço por celulite de perna e recebeu alta ontem. Está desorientada no tempo e no espaço, agitada, tentando sair do leito, suando muito e falando com pessoas que não estão no quarto. Frequência cardíaca 126 bpm, pressão arterial 168/98 mmHg, temperatura 37,4 °C, glicemia capilar 88 mg/dL. Ao exame há discreta ataxia quando sentada e nistagmo horizontal no olhar lateral.
achado
Terceiro dia de abstinência com desorientação, agitação, alucinação e hiperatividade autonômica — delirium tremens, estágio 4. Somam-se nistagmo e ataxia em paciente desnutrida e hepatopata, o que levanta encefalopatia de Wernicke concomitante.
destino
Estágio 4 deve ser atendido em unidade hospitalar, com monitorização; não é caso de observação em unidade básica nem de alta com prescrição.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Dar glicose antes da tiamina no etilista confuso Parece a conduta óbvia diante de rebaixamento — e a glicemia capilar nem sempre é checada antes. Só que a tiamina é cofator do metabolismo da glicose, e a carga de glicose consome o estoque residual e pode precipitar Wernicke. O consenso brasileiro manda tiamina antes; a Linha de Cuidado vai além e só admite glicose se houver hipoglicemia comprovada.
  2. 2Chamar de delirium tremens toda alucinação do etilista A alucinação é chamativa e puxa o diagnóstico para o quadro mais grave. O que separa é o sensório: na alucinose alcoólica, do estágio 2, o paciente alucina orientado e com nível de consciência preservado; no delirium tremens há desorientação, flutuação da consciência e instabilidade autonômica. Errar aqui muda o destino do paciente e a dose.
  3. 3Trocar o benzodiazepínico por haloperidol no delirium tremens O antipsicótico controla a agitação visível, então parece resolver. Ele não trata a abstinência, não previne convulsão e reduz o limiar convulsivo. No consenso brasileiro ele aparece somente associado ao benzodiazepínico em dose alta, e nessa ordem.
  4. 4Manter diazepam no cirrótico e no idoso frágil Como diazepam é o benzodiazepínico da lista da unidade, ele acaba prescrito para todos. Na hepatopatia grave o diazepam gera metabólito ativo de meia-vida longa que se acumula; lorazepam e oxazepam são conjugados por glicuronidação e não têm esse problema. É a única situação em que o consenso troca o fármaco de forma explícita.
  5. 5Tratar a convulsão da abstinência com fenitoína A crise convulsiva puxa o reflexo do anticonvulsivante clássico. A convulsão da abstinência não é epilepsia: o que a previne e a trata é benzodiazepínico, iniciado o quanto antes justamente para impedir novas crises e a evolução para delirium tremens. Crise focal, repetida ou fora da janela de 12 a 48 horas muda o raciocínio e pede imagem.
  6. 6Medicar quem acabou de beber O paciente chega tremendo e a tentação é sedar. A Linha de Cuidado condiciona o início das medicações a não ter havido consumo nas últimas 8 horas — benzodiazepínico somado a álcool circulante é depressão respiratória, não tratamento.
  7. 7Achar que desintoxicação é tratamento A retirada correu bem, o paciente melhorou, a questão parece encerrada. Sem projeto terapêutico, vínculo na unidade básica e articulação com o CAPS AD, a recaída é o desfecho esperado. Em questão de cenário do SUS, a alternativa que só prescreve e dá alta perde para a que organiza o seguimento.
  8. 8Aplicar o mesmo limite de consumo para homens e mulheres Parece equidade e é erro farmacológico. Menor proporção de água corporal e menor metabolização de primeira passagem fazem a mesma dose render alcoolemia maior na mulher; por isso o corte é 14 doses por semana para homens e 7 para mulheres, com máximos por ocasião de 4 e 3.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Correta: 48-72h de abstinência alcoólica com confusão, alucinações visuais, tremor, hiperatividade autonômica (taquicardia, hipertensão, febre, sudorese) definem delirium tremens, tratado em primeira linha com benzodiazepínicos. Encefalopatia hepática cursa com asterix e hiperamonemia, sem hiperatividade adrenérgica marcante. Psicose primária não explica os sinais autonômicos e a história de abstinência; antipsicóticos isolados baixam limiar convulsivo e não tratam a abstinência. Síndrome serotoninérgica requer exposição a serotoninérgicos e cursa com clônus/hiperreflexia. Infecção pode contribuir, mas o quadro é clássico de abstinência.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Reconstitua o relógio sem olhar: o que aparece em 6 a 8 horas, o que aparece em 10 a 30 horas, quando entra a convulsão e a partir de quando entra o delirium tremens. Depois diga qual estágio fica na unidade básica e o que se administra antes de transferir os demais.

em 30 dias

Monte de memória as três tabelas do capítulo: faixas do AUDIT com a conduta de cada uma; os quatro esquemas de tiamina da Linha de Cuidado; e o quadro de benzodiazepínico por cenário, com a coluna da hepatopatia grave. Feche explicando em uma frase por que a glicose nunca vem antes da tiamina e por que o haloperidol nunca vem sozinho.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 47 anos, pedreiro, é levado à unidade básica pela esposa por tremor e agitação. Bebe diariamente há quinze anos e ficou sem beber desde ontem à noite, quando começou a passar mal. Está suado, taquicárdico, ansioso, diz não ter dormido e relata que ouviu vozes na madrugada, embora esteja orientado e conversando normalmente. Conduza o atendimento: defina o estágio, decida o que prescrever agora e para onde encaminhar. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Transtornos por uso de álcool e síndrome de abstinência — Preparatório para provas | OsceLabs