PediatriaPuericultura e Desenvolvimento

Acompanhamento do crescimento

A prova cobra três decisões encadeadas: qual índice se usa naquela idade, em que faixa de escore Z o valor caiu e o que a inclinação da linha diz. O corte muda de nome aos 5 anos — o mesmo escore Z +1,6 é risco de sobrepeso aos 4 anos e 11 meses e sobrepeso aos 5 anos e 1 mês.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Criança de 4 anos é trazida à UBS para consulta de puericultura. A mãe está preocupada porque o filho é o mais baixo da turma. Ao plotar as medidas, a estatura está no percentil 3, mas a criança vem crescendo de forma paralela à curva desde os 2 anos, com velocidade de crescimento normal. O pai mede 1,62 m e a mãe 1,50 m. Exame físico e desenvolvimento normais. Qual a interpretação e conduta mais adequadas?

02

Como esse tema cai

Este capítulo resolve uma pergunta prática: a criança foi pesada e medida, os números estão na sua frente — o que eles significam, o que você faz agora e o que precisa ser investigado. São três decisões encadeadas, e a prova mistura as três de propósito. Primeiro: qual índice se usa naquela idade, porque nem todos valem em todas as idades. Segundo: em que faixa de escore Z o valor caiu e qual é o nome do diagnóstico daquela faixa. Terceiro, e é o que separa candidatos: o que a inclinação da linha diz, porque quase toda questão difícil dá um valor dentro da faixa adequada e uma trajetória que não está.

Os cortes vêm da Norma Técnica do SISVAN, que é o documento do Ministério da Saúde onde estão os pontos de corte oficiais brasileiros. Quais gráficos existem, em que faixas etárias e com que legenda vieram da Caderneta da Criança, na seção de crescimento. As velocidades — quanto se ganha de peso por mês, quanto se cresce por ano, quanto o perímetro cefálico aumenta — vieram do manual de orientação da Sociedade Brasileira de Pediatria de 2023, que é quem publica esses números em tabela. A construção das duas curvas da OMS veio do Caderno de Atenção Básica nº 33, que descreve a amostra e o método de cada uma.

O que fica de fora: o desenvolvimento neuropsicomotor, que é a outra vigilância e tem capítulo próprio nesta apostila — o perímetro cefálico aparece lá só como critério de alarme do instrumento da Caderneta, e aqui aparece inteiro, como medida de crescimento que tem curva, velocidade esperada e cortes próprios. Também fica de fora a estatística do escore Z, que tem capítulo próprio: aqui o escore Z é usado como ferramenta de leitura, e o que você precisa dele é saber que cada unidade vale um desvio-padrão, que o escore Z zero é a mediana e que a equivalência com percentil já está resolvida na tabela. Triagem neonatal também tem capítulo próprio.

03

O que muda decisão

Padrão, referência e curva de prematuro: três coisas que a prova mistura

Como usar este capítulo: confirme a qualidade da medida, corrija a idade quando necessário, escolha a curva e o índice adequados e interprete a trajetória, não apenas o ponto. A investigação começa quando velocidade, canal ou proporções deixam de contar a mesma história.

O Brasil usa dois documentos diferentes da OMS, e a diferença entre eles não é a idade que cobrem — é o que cada um é. As curvas de 2006, para menores de 5 anos, são um padrão: descrevem como uma criança saudável deve crescer. Foram construídas com um estudo longitudinal de 8.500 crianças do nascimento aos 24 meses, somado a um estudo transversal de crianças entre 18 e 71 meses, em seis cidades de continentes diferentes — Acra em Gana, Mascate em Omã, Davis nos Estados Unidos, Pelotas no Brasil, Nova Délhi na Índia e Oslo na Noruega. As crianças foram selecionadas por viverem em condições socioeconômicas adequadas, com cuidados de saúde e alimentação compatíveis com crescimento saudável, e por serem amamentadas. O comprimento variou pouquíssimo entre os seis países: apenas 3% da variabilidade se devia a diferenças locais, contra 70% de variação dentro de cada país. É esse achado que autoriza usar a mesma curva em qualquer criança do mundo, independentemente de etnia.

As curvas de 2007, dos 5 aos 19 anos, são outra coisa: uma referência. Foram construídas por reconstrução estatística da amostra original do National Center for Health Statistics de 1977, usando os participantes de 1 a 24 anos, à qual se acrescentaram os dados de crianças de 18 a 71 meses vindos do padrão de 2006 — este acréscimo serviu para alisar a transição aos 5 anos, onde os dois documentos se encontram. Ou seja: dos 5 anos em diante o mundo ainda está de pé sobre a amostra do NCHS de 1977, apenas reanalisada com métodos estatísticos melhores. É por isso que o documento não se chama padrão. A Norma Técnica do SISVAN resume a relação entre os dois conceitos numa frase que vale decorar: 'todo padrão é uma referência, mas nem toda referência é um padrão'.

A distinção não é acadêmica e cai em prova de duas maneiras. Uma delas é direta, pedindo o conceito. A outra é indireta: uma alternativa que diga que as curvas de 5 a 19 anos descrevem o crescimento ideal está errada, porque elas descrevem o crescimento observado numa população que não foi selecionada por estar em condições ótimas. Um padrão é prescritivo, diz como deveria ser; uma referência é descritiva, diz como foi encontrado. Só o primeiro autoriza a leitura de que quem se afasta dele tem um problema.

Há um terceiro conjunto de curvas na jogada, e ele existe porque nenhum dos dois primeiros serve para o prematuro: as curvas do Intergrowth-21. O estudo foi internacional, multiétnico e multicêntrico, conduzido entre 2009 e 2016, com Pelotas de novo entre os centros, e acompanhou crescimento entre a 14ª semana de gestação e o segundo ano de vida — o que permitiu construir gráficos a partir da idade gestacional de 27 semanas. A limitação declarada é o pequeno número de prematuros abaixo de 33 semanas incluídos: as curvas são robustas para prematuros a partir de 33 semanas. A Caderneta da Criança imprime justamente o trecho de 27 a 64 semanas dessas curvas.

Vale registrar por que o Brasil adotou a curva da OMS: aqui não há afastamento do estado da arte por restrição econômica, que é a causa mais comum quando um documento brasileiro diverge de um internacional. A curva da OMS é o estado da arte, é usada em mais de 130 países e tem uma cidade brasileira na amostra. O que o Brasil abandonou foi a referência anterior, do NCHS, e o motivo é conceitual: uma amostra de crianças americanas majoritariamente alimentadas com fórmula não descreve como deve crescer uma criança amamentada.

Qual índice, em que idade — a decisão que vem antes de qualquer corte

Antes de olhar corte nenhum é preciso saber qual índice se usa. São cinco, e cada um tem uma janela etária. Peso-para-idade vale do nascimento aos 10 anos: é o índice mais usado, reflete a situação global e é bom para acompanhar ganho de peso, mas a própria Norma Técnica registra em nota que ele não é o índice recomendado para avaliar excesso de peso. Estatura-para-idade (comprimento até os 2 anos, estatura depois) vale do nascimento aos 10 anos na Caderneta e segue até os 19 na referência da OMS de 2007: é o indicador mais fiel do crescimento, embora menos sensível e menos prático que o peso. IMC-para-idade vale do nascimento aos 19 anos, sem interrupção — e é o único que atravessa toda a vida, porque continua sendo o índice do adulto.

Peso-para-estatura tem a janela mais curta e a mais cobrada: só abaixo dos 5 anos. O motivo está escrito na nota do próprio quadro — a OMS só publica referência de peso-para-estatura para menores de 5 anos, no padrão de 2006. A partir dessa idade, a proporção entre peso e altura se avalia pelo IMC-para-idade. Perímetro cefálico-para-idade tem gráfico na Caderneta de 0 a 2 anos, e é a única medida de crescimento que a Caderneta não acompanha depois disso.

Um detalhe que a prova adora: a Caderneta da Criança não traz gráfico de peso-para-estatura. Os gráficos que ela imprime são perímetro cefálico de 0 a 2 anos; peso-para-idade em 0-2, 2-5 e 5-10 anos; comprimento ou estatura-para-idade nas mesmas três faixas; e IMC-para-idade nas mesmas três faixas. O IMC entra desde o nascimento por decisão explícita do Ministério da Saúde, e a justificativa está no Caderno de Atenção Básica nº 33: o IMC identifica melhor a criança que tem excesso de peso e baixa estatura ao mesmo tempo — situação que o peso-para-idade esconde, porque ele mostra se o peso está abaixo do esperado mas não mostra se a estatura já foi comprometida.

Duas regras de medida que decidem questão. A primeira: até os 2 anos mede-se deitado (comprimento) e a partir dos 2 anos, em pé (estatura). A diferença entre as duas posições é de 0,7 cm. Se uma criança de 2 anos ou mais for medida deitada, subtraia 0,7 cm antes de lançar no gráfico; se uma criança menor de 2 anos for medida em pé, some 0,7 cm. A SBP acrescenta uma orientação prática de consultório: na consulta em que se faz a transição, meça das duas formas, para não inventar uma velocidade de crescimento falsa — como a velocidade é uma extrapolação de três ou quatro meses para um ano, o erro de medida é multiplicado por três ou quatro.

A segunda regra é o arredondamento da idade, e ela é o primeiro dos dez passos do diagnóstico nutricional do SISVAN. Fração de idade até 15 dias arredonda para baixo, para o último mês completado; fração de 16 dias em diante arredonda para cima, para o próximo mês. Uma criança com 2 meses e 16 dias é lançada no gráfico como 3 meses. Parece detalhe burocrático, mas nos primeiros meses, quando as curvas sobem depressa, um mês de diferença muda a faixa de escore Z.

Os cortes do SISVAN e o único lugar onde eles mudam

Os pontos de corte são os mesmos escores Z para todos os índices — -3, -2, -1, +1, +2 e +3 — mas o nome que cada faixa recebe muda conforme o índice e, num ponto só, conforme a idade. Esse ponto é o aniversário de 5 anos, e é ali que a prova arma a maior parte das armadilhas.

Abaixo dos 5 anos, o IMC-para-idade (e o peso-para-estatura, que tem exatamente a mesma escala) tem seis faixas: abaixo de -3, magreza acentuada; de -3 a -2, magreza; de -2 a +1, eutrofia; de +1 a +2, risco de sobrepeso; de +2 a +3, sobrepeso; acima de +3, obesidade. A partir dos 5 anos a faixa de risco de sobrepeso deixa de existir e cada nome desce um degrau: de +1 a +2 passa a ser sobrepeso; de +2 a +3, obesidade; acima de +3, obesidade grave. Magreza acentuada, magreza e eutrofia ficam onde estavam. Essa é a única mudança de nomenclatura por idade em toda a tabela — e ela vale igual dos 5 aos 19 anos, porque o quadro do adolescente do SISVAN é idêntico ao da criança de 5 a 10 anos.

A consequência prática é que a mesma criança com o mesmo escore Z pode ter dois diagnósticos separados por dois meses de calendário. Um IMC-para-idade de +1,6 é risco de sobrepeso aos 4 anos e 11 meses e sobrepeso aos 5 anos e 1 mês. Não é erro de tabela nem inconsistência: é a passagem do padrão de 2006 para a referência de 2007, que classificam o excesso de peso com régua diferente. Guardar a idade em que a régua troca vale mais do que guardar as faixas soltas.

Peso-para-idade tem outra escala, com quatro faixas e uma banda de adequação mais larga: abaixo de -3, muito baixo peso para a idade; de -3 a -2, baixo peso para a idade; de -2 a +2, peso adequado para a idade; acima de +2, peso elevado para a idade. Note que a faixa de adequação vai até +2, enquanto no IMC ela termina em +1. Uma criança pode ser, no mesmo dia e legitimamente, peso adequado para a idade pelo peso-para-idade e risco de sobrepeso pelo IMC-para-idade. Os dois diagnósticos são verdadeiros porque são índices diferentes — e é por isso que a Norma Técnica anota que peso elevado para a idade não é o diagnóstico de excesso de peso, e manda confirmar pelo IMC ou pelo peso-para-estatura.

Estatura-para-idade é a escala mais simples e tem só três faixas, em qualquer idade: abaixo de -3, muito baixa estatura para a idade; de -3 a -2, baixa estatura para a idade; a partir de -2, estatura adequada para a idade. Não existe diagnóstico de alta estatura no SISVAN. A Norma Técnica registra em nota que a criança acima do escore Z +3 é muito alta, mas que isso raramente corresponde a um problema — e que se houver suspeita de desordem endócrina ou tumor, ela deve ser encaminhada para atendimento especializado.

Falta uma faixa que não é diagnóstico e é cobrada como se fosse: entre os escores Z -2 e -1, ou seja, entre os percentis 3 e 15, está a faixa de vigilância nutricional. O diagnóstico ali é adequado, ou eutrofia, e continua sendo. O que a Norma Técnica manda é atenção redobrada, porque a criança está a um passo do baixo peso ou da baixa estatura — e ela é explícita ao dizer que a antiga classificação de risco nutricional foi abandonada. O que sobrou no lugar dela não é um rótulo: é a instrução de olhar a inclinação da linha.

Velocidade: quanto se ganha, em quanto tempo

O recém-nascido a termo pesa entre 2,5 e 4,6 kg, com média de 3,27 kg em meninos e 3,23 kg em meninas, e mede entre 45 e 55 cm, com média de 50,5 cm em meninos e 49,8 cm em meninas. Nos primeiros dias perde até 10% do peso de nascimento — eliminação de mecônio e urina, ingestão ainda pequena — e a maioria recupera esse peso por volta do décimo dia de vida. Perda maior que 10%, ou peso não recuperado no décimo dia, sai do esperado.

O ganho de peso do primeiro ano se decora por trimestre, e é a tabela mais cobrada do tema. Primeiro trimestre: 30 g por dia, ou 700 g por mês. Segundo: 20 g por dia, ou 500 g por mês. Terceiro: 15 g por dia, ou 400 g por mês. Quarto: 10 g por dia, ou 350 g por mês. Os dois marcos que a prova pede pelo nome: o peso de nascimento duplica entre 4 e 6 meses e triplica aos 12 meses. Depois do primeiro ano o ganho desacelera e fica quase constante: 2,5 kg por ano no segundo ano, 2,0 kg por ano no pré-escolar, 2,5 kg por ano no escolar e 4,0 kg por ano no adolescente.

A estatura tem tabela própria. Do nascimento aos 12 meses, 25 cm por ano — e o Jornal de Pediatria decompõe esse total em 15 cm no primeiro semestre e 10 cm no segundo, o que explica por que a curva de comprimento é tão íngreme nos primeiros meses. De 1 a 2 anos, 10 a 13 cm por ano. De 2 a 4 anos, 7 cm por ano. De 4 a 6 anos, 6 cm por ano. Dos 6 anos até o início da puberdade, 5 cm por ano — é o platô mais longo e o mais útil, porque é nele que a desaceleração patológica aparece com clareza. Só existe um estirão, o da puberdade: 8 a 10 cm por ano nas meninas, entre os estágios 2 e 3 de Tanner, e 10 a 12 cm por ano nos meninos, entre os estágios 3 e 4, com duração aproximada de dois anos.

Duas correções de crença que a prova cobra. A primeira: o estirão não resolve baixa estatura. Ele é apenas uma aceleração; a criança que entra na puberdade abaixo da altura-alvo dificilmente atinge a altura prevista, e mesmo no atraso constitucional de crescimento e puberdade, onde teoricamente a estatura final seria alcançada, há perda da ordem de 4,2 cm quando não se trata. A segunda: a menarca não encerra o crescimento — depois dela a menina ainda cresce, em média, 5 a 6 cm.

Para estimar peso na ausência de balança existe a fórmula de Weech, que a prova às vezes pede pelo nome. Dos 3 aos 12 meses, peso estimado igual à idade em meses somada a 9 e dividida por 2. De 1 a 8 anos, idade em anos multiplicada por 2 e somada a 8. De 9 a 10 anos, idade vezes 2 mais 10. De 11 a 13 anos, idade vezes 2 mais 13.

Quanto mais nova a criança, mais curto o intervalo entre as medidas — e esse intervalo é o que torna a velocidade calculável. Abaixo de 6 a 12 meses, mensal. Entre 1 e 3 anos, a cada 3 meses. Entre 3 anos e o início da puberdade, a cada 4 a 6 meses. Um intervalo curto demais mede mais ruído que crescimento; longo demais deixa passar a desaceleração.

Perímetro cefálico: a medida que se esquece de pedir e a prova cobra

O perímetro cefálico retrata o crescimento cerebral e é um dos índices de menor variação entre grupos etários — por isso ele é sensível. Mede-se com fita métrica inelástica passando pelo ponto mais saliente do occipital e imediatamente acima dos sulcos supraorbitários. No recém-nascido, bossa serossanguinolenta e cefalo-hematoma atrapalham a medida e devem ser considerados antes de valorizar um valor isolado.

Os números: no recém-nascido a termo o perímetro cefálico varia de 32 a 37 cm, com média de 34 a 35 cm, discretamente maior em meninos. Cresce 10 a 12 cm no primeiro ano de vida e mais 5 cm entre 1 e 5 anos. Os valores intermediários que valem guardar: 38 cm aos 2 meses, 40 cm aos 3, 41 cm aos 4, 42 a 43 cm aos 6 meses, 45 a 46 cm ao ano, 47 a 48 cm aos 2 anos, 50 a 51 cm aos 5 anos, 52 cm aos 12 anos e 56 a 58 cm no adulto. Aos 6 anos o perímetro cefálico praticamente completou o crescimento, atingindo diâmetro próximo ao do adulto — o que explica por que ninguém mede rotineiramente depois disso.

A classificação impressa no gráfico da Caderneta tem três faixas: perímetro cefálico abaixo do esperado para a idade, escore Z menor que -2; adequado para a idade, entre -2 e +2; acima do esperado, maior que +2. É a mesma régua que o instrumento de desenvolvimento da Caderneta usa como critério de provável atraso, e é a única medida de crescimento que decide desenvolvimento.

No recém-nascido, a definição de microcefalia é numérica e o Brasil adotou o parâmetro da OMS em março de 2016: perímetro cefálico ao nascimento abaixo de 2 desvios-padrão da média para idade gestacional e sexo. Para o recém-nascido a termo, com 37 semanas ou mais, isso corresponde a 31,9 cm ou menos em meninos e 31,5 cm ou menos em meninas. Microcefalia grave é o perímetro abaixo de 3 desvios-padrão. Para o prematuro, com menos de 37 semanas, usa-se a tabela do Intergrowth, que tem a idade gestacional como referência. Macrocefalia é o outro extremo da mesma régua: acima de +2 escores Z.

Dois complementos que a Caderneta e a SBP pedem junto da fita métrica. As fontanelas: a posterior fecha nos dois primeiros meses de vida, a anterior entre o 9º e o 18º mês. E o formato do crânio, porque uma desaceleração assimétrica do perímetro pode ser craniossinostose — escafocefalia quando fecha precocemente a sutura sagital, dando ao crânio aspecto de quilha; braquicefalia quando fecha a coronária, alargando o crânio; trigonocefalia quando fecha a frontal, com uma crista palpável no lugar dela; oxicefalia quando todas fecham e a cabeça cresce para cima. Do outro lado, aceleração patológica do perímetro cefálico é a hidrocefalia.

Uma advertência que a Caderneta imprime na página de interpretação dos gráficos e que muda conduta: as alterações do desenvolvimento infantil são mais sensíveis e mais precoces que o crescimento da cabeça. Perímetro cefálico normal não afasta problema de desenvolvimento, e esperar a cabeça mudar de faixa para investigar é esperar tarde demais.

O canal de crescimento: por que o ponto isolado quase não vale

O crescimento normal é harmonioso e tende a seguir um canal, ditado pelas condições genéticas. No gráfico, isso aparece como um traçado paralelo à linha da mediana, acima ou abaixo dela. A Caderneta descreve exatamente o que se procura: traçado paralelo é crescimento adequado; qualquer mudança rápida que desvie a curva para cima ou para baixo deve ser investigada; traçado horizontal deve ser investigado; e traçados que se desviam muito e cruzam outra linha podem indicar risco para a saúde da criança.

Cruzar linhas para baixo é o achado mais importante do capítulo, porque ele acontece com o valor ainda dentro da faixa adequada. Uma criança que aos 3 anos estava no percentil 50 e algum tempo depois está no percentil 10 tem os dois pontos dentro da normalidade e um problema entre eles. O Jornal de Pediatria separa dois graus dessa leitura: traçado que fica horizontal, com o peso parado, coloca a criança em risco; traçado descendente é processo já instalado. A SBP diz a mesma coisa de outro jeito, e é a frase que muda conduta: não é preciso esperar a criança sair da curva, abaixo do escore Z -2, para iniciar investigação.

Cruzar linhas para cima também é achado, e é o que a intuição erra. Uma criança de 7 anos que vinha no percentil 50 e começa a acelerar, indo para o 75 ou o 90, não está crescendo bem — está mudando de canal, e a primeira hipótese a afastar é puberdade precoce. Aceleração de peso sem aceleração de estatura é a outra leitura possível do desvio para cima. Em ambos os casos a resposta não é comemorar.

Existe uma única janela em que a criança saudável pode legitimamente mudar de percentil de altura, e ela é curta: entre 6 e 18 meses de idade. É o período de acomodação, em que a criança encontra o canal de crescimento adequado ao seu potencial genético — o tamanho ao nascer depende muito do ambiente intrauterino, e o canal definitivo é o da genética. Mudança de canal fora dessa janela, na ausência de doença orgânica ou psíquica, não é acomodação.

É por isso que o sétimo dos dez passos do SISVAN é verificar a inclinação das curvas para complementar o diagnóstico nutricional — ele vem depois de fazer o diagnóstico de cada índice, e existe justamente para corrigir o que o diagnóstico isolado não vê. E é por isso que a SBP insiste que se peça à família os dados antigos de peso e altura: esse dado é, muitas vezes, mais informativo que a coleção de exames laboratoriais que os pais trazem à consulta.

Gráfico de crescimento com duas trajetórias plotadas: uma paralela à curva central de referência e outra descendente, cruzando três linhas.
O que se lê no gráfico não é o ponto, é a inclinação. Trajetória paralela à mediana é canal preservado; traçado que cruza linhas para baixo é o achado que obriga investigação, mesmo quando o último ponto ainda está dentro da faixa considerada adequada.

Estatura-alvo parental: a fórmula, e o que ela não resolve

A altura-alvo, também chamada de alvo genético ou alvo familiar, estima a altura final da criança a partir da estatura dos pais. Soma-se a altura do pai e a da mãe em centímetros, acrescentam-se 13 cm se for menino ou subtraem-se 13 cm se for menina, e divide-se por dois. O resultado é expresso com um intervalo de mais ou menos 5 cm.

Para meninos: altura do pai mais altura da mãe mais 13, dividido por 2. Para meninas: altura do pai mais altura da mãe menos 13, dividido por 2. Exemplo da própria SBP: menino de pai com 175 cm e mãe com 165 cm tem altura-alvo de 176,5 cm, com intervalo de 171,5 a 181,5 cm. Os 13 cm são a diferença média de estatura entre homens e mulheres adultos, e é por isso que eles entram somando para o menino e subtraindo para a menina.

O que a fórmula não resolve, e a SBP escreve isso com todas as letras: ela pressupõe que os pais cresceram normalmente. Um pai de 160 cm e uma mãe de 150 cm produzem previsão de 161,5 cm para o filho homem — e essa previsão pode estar longe da realidade, porque muitas causas de baixa estatura são transmitidas geneticamente. A criança acaba aceita como normal por seguir o padrão de pai e mãe quando, na verdade, os três têm o mesmo problema de crescimento. A fórmula é orientação sobre potencial, não sentença.

O uso clínico da altura-alvo não é prever a altura final: é checar se o canal em que a criança está crescendo é o canal esperado para ela. Uma criança no percentil 50 aos 7 anos, com alvo familiar no percentil 90 e que estava no percentil 90 aos 5 anos, está em desacordo com o padrão familiar e desacelerando — e está inteiramente dentro da faixa de normalidade da curva. A SBP transforma isso em critério de encaminhamento: estatura muito discordante do alvo, ou seja, mais de 1,6 desvio-padrão abaixo dele, é motivo para encaminhar.

Quando o achado obriga investigação, e como separar baixa estatura de desnutrição

Três gatilhos objetivos, e nenhum deles depende de exame. O primeiro é o valor: qualquer índice abaixo do escore Z -2 ou acima de +2 acende sinal de alerta e pede reavaliação em prazo curto. O segundo é a inclinação: traçado horizontal ou descendente, ou cruzamento de linhas, investiga-se mesmo com o valor dentro da faixa adequada. O terceiro é a discordância com o alvo familiar. Nos casos de magreza acentuada ou peso muito baixo para a idade, o Caderno de Atenção Básica nº 33 é explícito na conduta: investigar causas com atenção especial ao desmame, à alimentação, às intercorrências infecciosas, aos cuidados, ao afeto e à higiene; tratar as intercorrências clínicas; acionar o Nasf e o serviço social; e nova consulta com intervalo máximo de 15 dias.

A separação entre baixa estatura e desnutrição se faz cruzando dois índices, e é o raciocínio que a questão de prova esconde. Desnutrição aguda atinge o peso primeiro: IMC-para-idade ou peso-para-estatura baixo, com estatura-para-idade ainda preservada. É a criança emagrecida. Desnutrição crônica atinge a estatura: estatura-para-idade baixa com IMC-para-idade normal. É a criança baixa e proporcional, que já perdeu crescimento linear e recuperou o peso — e que o peso-para-idade sozinho pode classificar como adequada.

A combinação que aponta para fora da nutrição é a terceira: estatura-para-idade baixa com IMC-para-idade normal ou alto. A criança baixa e cheinha não está desnutrida, e essa é a apresentação que faz pensar em causa endócrina — a desnutrição que compromete estatura compromete peso antes. É exatamente o caso que a SBP manda encaminhar ao endocrinologista pediátrico.

Os critérios de encaminhamento da SBP, para decorar em bloco: estatura abaixo de 2 desvios-padrão; estatura muito discordante do alvo familiar, mais de 1,6 desvio-padrão abaixo dele; presença de anomalias congênitas ou dismorfismos; baixa estatura desproporcionada; microcefalia; deficiência intelectual; e criança que nasceu pequena para a idade gestacional e não fez catch-up até os 4 anos. E o pressuposto que vem antes de todos eles: encaminha-se quando não se encontra doença crônica ou distúrbio nutricional que justifique o problema.

Vale saber onde o Brasil está, porque o cenário da questão às vezes é epidemiológico. Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde de 2006, a prevalência de baixa estatura em menores de 5 anos era de 7% — tendo caído de 13% em 1996, com redução de 67% no Nordeste. Déficit de peso para altura, que marca desnutrição aguda, foi encontrado em apenas 1,5% das crianças, sem ultrapassar 2% em nenhuma região. Excesso de peso para altura foi encontrado em 7%. A leitura que o próprio Caderno de Atenção Básica faz: o déficit estatural é hoje a característica antropométrica mais representativa da desnutrição no Brasil, e as formas agudas estão virtualmente controladas.

Prematuro: qual curva, e até quando corrigir

Há duas rotas legítimas, e a Caderneta da Criança imprime as duas na mesma página. A primeira: usar a curva do prematuro. A Caderneta traz o trecho de 27 a 64 semanas das curvas internacionais do Intergrowth-21, com peso, comprimento e perímetro cefálico, e a instrução é usá-las até 64 semanas pós-concepcionais, quando o acompanhamento é transferido para as curvas da OMS — e aí, diz o documento, sem necessidade de corrigir a idade. A classificação impressa nessa página tem duas faixas apenas: adequado para a idade entre -2 e +2 escores Z, com traçado paralelo às curvas; e risco para a idade fora desse intervalo, ou com traçado horizontal ou vertical que ultrapasse o intervalo da classificação adequada. A SBP recomenda a mesma rota, com o mesmo limite de 64 semanas.

A segunda rota: usar as curvas da OMS com idade corrigida. A Caderneta explicita a condição — se não for utilizar o gráfico do Intergrowth-21, deve-se calcular a idade corrigida para acompanhar a criança nascida pré-termo nas curvas da OMS. Ou seja, as duas rotas não são contraditórias: são alternativas, e a correção de idade é o que se faz quando não se tem a curva específica em mãos.

A conta da idade corrigida tem dois passos. Primeiro, subtraia de 40 semanas a idade gestacional ao nascimento — o resultado é o tempo que faltou para o termo. Depois, desconte esse tempo da idade cronológica. Exemplo do próprio documento: recém-nascido de 28 semanas ficou 12 semanas aquém das 40, o que corresponde a 3 meses; aos 6 meses de idade cronológica, sua idade corrigida é 3 meses.

Até quando corrigir: a Caderneta dá dois prazos, até 2 anos de idade cronológica e até 3 anos se a idade gestacional foi menor que 28 semanas. O Caderno de Atenção Básica nº 33, oito anos mais antigo, escreve no mínimo até os 2 anos, sem o prolongamento para o prematuro extremo — a diferença é de ano de publicação, e o número mais recente é o da Caderneta. O motivo de corrigir está no mesmo documento: sem correção, subestima-se o prematuro na comparação com a população de referência.

O catch-up tem ordem, e a ordem cai em prova: recupera-se primeiro o perímetro cefálico, depois o comprimento, depois o peso. Faz sentido — é a mesma hierarquia de prioridade que o organismo aplica sob restrição. E há um detalhe da SBP que só aparece em questão difícil: para o prematuro com idade gestacional abaixo de 32 semanas, o canal de crescimento se define pelo peso atingido quando o ganho de peso recomeça, não pelo peso ao nascer.

Duas curvas de prematuro circulam, e a diferença entre elas é de faixa e de origem. Intergrowth-21 cobre de 27 semanas de gestação aos 2 anos, é prescritivo e multiétnico, mas tem poucos prematuros abaixo de 33 semanas — é robusto a partir dessa idade gestacional. Fenton cobre de 22 a 50 semanas, foi construída a partir de dados de mais de 4 milhões de recém-nascidos de países desenvolvidos e, depois da idade corrigida de 40 semanas, deve ser usada junto com as curvas de crianças nascidas a termo. Quem tem prematuro extremo, abaixo de 33 semanas, está fora da faixa robusta do Intergrowth e dentro da faixa do Fenton.

04

Pontos de corte antropométricos do SISVAN, por índice e por faixa etária

Esta é a tabela oficial brasileira, transcrita da Norma Técnica do SISVAN e conferida contra as legendas impressas nos gráficos da Caderneta da Criança. Os escores Z são os mesmos em todos os índices; o que muda é o nome do diagnóstico. Leia por coluna, não por linha: cada índice tem sua própria escala, e a criança recebe um diagnóstico por índice avaliado, não um diagnóstico único.

  1. 1Calcule a idade em anos e meses completos. Fração de até 15 dias arredonda para baixo; de 16 dias em diante, para cima.
  2. 2Meça peso, comprimento (deitado, até 2 anos) ou estatura (em pé, dos 2 anos em diante) e, até os 2 anos, perímetro cefálico. Se a posição de medida não corresponder à idade, aplique os 0,7 cm antes de lançar no gráfico.
  3. 3Escolha os índices da faixa etária: peso/idade e estatura/idade até os 10 anos; IMC/idade do nascimento aos 19; peso/estatura só abaixo dos 5 anos; perímetro cefálico/idade até os 2 anos.
  4. 4Calcule o IMC (peso em quilogramas dividido pela estatura em metros ao quadrado) e marque cada ponto no gráfico correspondente da Caderneta.
  5. 5Leia o escore Z de cada índice e nomeie o diagnóstico de cada um separadamente, usando a coluna certa da tabela.
  6. 6Una os pontos das consultas anteriores e classifique a inclinação: paralela à mediana, ascendente, descendente ou horizontal.
  7. 7Só então feche a conduta, compartilhando o diagnóstico com o cuidador — o sétimo passo do SISVAN é verificar a inclinação, e ele vem depois do diagnóstico de cada índice, não antes.

Abaixo de -3 escores Z

Magreza acentuada pelo IMC/idade ou pelo peso/estatura, em qualquer idade — o nome não muda aos 5 anos. Corresponde a percentil abaixo de 0,1: espera-se uma criança nessa situação a cada mil numa população saudável. Se o índice for peso/idade, o nome é muito baixo peso para a idade; se for estatura/idade, muito baixa estatura para a idade.

De -3 a -2 escores Z

Magreza pelo IMC/idade ou pelo peso/estatura, em qualquer idade. Pelo peso/idade, baixo peso para a idade; pela estatura/idade, baixa estatura para a idade. Corresponde ao intervalo entre os percentis 0,1 e 3.

De -2 a +1 escore Z

Eutrofia pelo IMC/idade em qualquer idade. Dentro desta faixa há um trecho de atenção redobrada: entre -2 e -1, ou percentis 3 a 15, é a faixa de vigilância nutricional — diagnóstico adequado, com olho na inclinação, porque a criança está a um passo do baixo peso ou da baixa estatura.

De +1 a +2 escores Z

Aqui a régua troca de nome com a idade. Abaixo dos 5 anos: risco de sobrepeso. Dos 5 aos 19 anos: sobrepeso — a faixa de risco de sobrepeso deixa de existir. É o degrau mais cobrado do tema. Pelo peso/idade, esta faixa ainda é peso adequado para a idade, porque a adequação do peso/idade vai até +2.

De +2 a +3 escores Z

Abaixo dos 5 anos: sobrepeso. Dos 5 aos 19 anos: obesidade. Pelo peso/idade, esta faixa já é peso elevado para a idade — que não é diagnóstico de obesidade, e a própria Norma Técnica manda confirmar pelo IMC/idade ou pelo peso/estatura. Pelo perímetro cefálico, é acima do esperado para a idade.

Acima de +3 escores Z

Abaixo dos 5 anos: obesidade. Dos 5 aos 19 anos: obesidade grave. Corresponde a percentil acima de 99,9. Pela estatura/idade, esta faixa não recebe diagnóstico de doença: a Norma Técnica registra que a criança é muito alta e que isso raramente é problema, encaminhando apenas se houver suspeita de desordem endócrina ou tumor.

Escore ZPeso/idade (0 a 10 anos)Peso/estatura ou IMC/idade (menores de 5 anos)IMC/idade (5 a 19 anos)Estatura/idade (0 a 19 anos)
Abaixo de -3Muito baixo peso para a idadeMagreza acentuadaMagreza acentuadaMuito baixa estatura para a idade
De -3 a -2Baixo peso para a idadeMagrezaMagrezaBaixa estatura para a idade
De -2 a -1Peso adequado para a idadeEutrofia (faixa de vigilância)Eutrofia (faixa de vigilância)Estatura adequada para a idade
De -1 a +1Peso adequado para a idadeEutrofiaEutrofiaEstatura adequada para a idade
De +1 a +2Peso adequado para a idadeRisco de sobrepesoSobrepesoEstatura adequada para a idade
De +2 a +3Peso elevado para a idadeSobrepesoObesidadeEstatura adequada para a idade
Acima de +3Peso elevado para a idadeObesidadeObesidade graveEstatura adequada para a idade

Onde as duas colunas do meio diferem, e é o único lugar: da faixa de +1 em diante. Antes dos 5 anos existe a faixa de risco de sobrepeso entre +1 e +2, e por causa dela cada nome fica um degrau acima. A partir dos 5 anos essa faixa some e cada nome desce um degrau. Magreza acentuada, magreza e eutrofia são idênticas nas duas colunas.

Peso/estatura só existe abaixo dos 5 anos, porque a OMS só publica essa referência no padrão de 2006. Acima dessa idade a proporção entre peso e altura se avalia exclusivamente pelo IMC/idade. E a Caderneta da Criança não imprime gráfico de peso/estatura: ela usa IMC/idade desde o nascimento.

Peso/idade não entra na avaliação do adolescente. Dos 10 aos 19 anos o SISVAN usa dois índices: IMC/idade e estatura/idade.

Perímetro cefálico/idade tem três faixas, na legenda impressa no gráfico da Caderneta: abaixo do esperado para a idade, escore Z menor que -2; adequado, de -2 a +2; acima do esperado, maior que +2. Gráfico só de 0 a 2 anos.

Peso ao nascer é o primeiro diagnóstico nutricional e tem escala própria, em gramas: adequado a partir de 2.500 g; baixo peso ao nascer abaixo de 2.500 g; muito baixo peso ao nascer abaixo de 1.500 g.

Equivalências que o SISVAN convenciona e a prova usa: escore Z -3 é o percentil 0,1; -2 é o percentil 3; -1 é o percentil 15; zero é o percentil 50; +1 é o percentil 85; +2 é o percentil 97; +3 é o percentil 99,9.

SISVAN e SBP não divergem no corte de sobrepeso e obesidade do adolescente: os dois publicam exatamente a mesma tabela, porque ambos repousam sobre a referência da OMS de 2007. A única inconsistência é tipográfica e interna à Norma Técnica, que num quadro escreve o limite inferior do sobrepeso do adolescente como igual ou maior que +1 e no quadro-resumo como maior que +1; a leitura correta é a do quadro-resumo, que é a que fecha com todas as outras faixas.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Curvas da OMS de 2006 e 2007 contra as referências anteriores do NCHS e do CDC

Padrão da OMS de 2006 para menores de 5 anos, adotado pelo Ministério da Saúde e por mais de 130 países

É um padrão prescritivo: descreve como uma criança saudável deve crescer. Construído com estudo longitudinal de 8.500 crianças do nascimento aos 24 meses somado a estudo transversal de 18 a 71 meses, em seis cidades de continentes diferentes, incluindo Pelotas. As crianças foram selecionadas por viverem em condições socioeconômicas adequadas e por serem amamentadas. Apenas 3% da variabilidade do comprimento se devia a diferenças entre países, contra 70% dentro de cada país — o que sustenta usar a mesma curva em qualquer etnia.

Brasil. Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento. Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012, capítulo 7; e SBP, Manual de Orientação nº 64, 2023.

Referências descritivas anteriores — NCHS de 1977 e CDC de 2000

São referências, não padrões: descrevem o crescimento observado numa população que não foi selecionada por estar em condições ótimas, majoritariamente de crianças americanas alimentadas com fórmula. Servem para comparar dados entre populações. A Norma Técnica do SISVAN separa os dois conceitos numa frase: todo padrão é uma referência, mas nem toda referência é um padrão. A referência da OMS de 2007, dos 5 aos 19 anos, é ela própria uma reconstrução estatística da amostra do NCHS de 1977, acrescida dos dados de 18 a 71 meses do padrão de 2006 para alisar a transição aos 5 anos — por isso ela também se chama referência, e não padrão.

Brasil. Ministério da Saúde. Norma Técnica do SISVAN, 2011, Parte I; e Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012, capítulo 7.

Na prova

Aqui o Brasil não se afasta do estado da arte — ele o adota, e por motivo conceitual, não econômico: a curva da OMS é multiétnica, tem uma cidade brasileira na amostra e é prescritiva. O recorte se identifica pelo vocabulário do enunciado. Enunciado que fala em padrão de crescimento, em criança amamentada como norma, ou em como a criança deve crescer, está no mundo de 2006. Enunciado que fala em referência, em comparação entre populações, ou que cita percentil 5 e percentil 95 como limites, está no mundo NCHS/CDC — que usa percentis diferentes dos convencionados pelo SISVAN. Um distrator que descreva as curvas de 5 a 19 anos como padrão prescritivo denuncia que a questão testa exatamente a distinção. Régua que ajuda: cenário de UBS, Caderneta da Criança, SISVAN ou vigilância alimentar e nutricional é o corpo brasileiro, e o corpo brasileiro usa OMS 2006 abaixo dos 5 anos e OMS 2007 dos 5 aos 19.

Até que idade o perímetro cefálico é medido de rotina

Até os 2 anos — Caderneta da Criança e Ministério da Saúde

A Caderneta instrui que as medidas de perímetro cefálico sejam registradas até os 2 anos, e o único gráfico de perímetro cefálico que ela imprime cobre de 0 a 2 anos. O Caderno de Atenção Básica nº 33 lista os parâmetros de avaliação do crescimento da Caderneta e registra perímetro cefálico de zero a 2 anos, ao lado de peso, comprimento/estatura e IMC, que vão até os 10.

Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança, 3ª edição, 2021, seção Acompanhando o Crescimento; e Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012.

Até os 3 anos — Sociedade Brasileira de Pediatria

O documento da SBP lista o perímetro cefálico entre os quatro índices que o pediatra deve aferir regularmente e diz que ele é mensurado rotineiramente nos três primeiros anos de vida, acrescentando que as medidas devem ser obrigatoriamente aferidas pelo menos até os 3 anos. O mesmo documento registra que aos 6 anos o perímetro cefálico praticamente completou seu crescimento, atingindo diâmetro próximo ao do adulto.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Endocrinologia. Manual de Orientação nº 64, 8 de maio de 2023.

Na prova

A causa da diferença não é clínica: é o instrumento. A Caderneta é um impresso distribuído em massa e o Ministério imprimiu a janela de maior rendimento, que é a dos dois primeiros anos, quando o crescimento cerebral é mais rápido e a curva é mais informativa. A SBP escreve para a consulta pediátrica, sem a restrição do papel. Datas: Caderneta em edição de 2021, com a edição vigente de 2024; documento da SBP de 2023. Como identificar o recorte: enunciado ambientado em UBS, com a Caderneta da Criança em cena, ou que peça o que a Caderneta contém, está no corpo do Ministério — e ali o gráfico vai até 2 anos. Enunciado que cite a SBP nominalmente, ou que descreva rotina de consultório pediátrico, está no outro corpo. Alternativa que ofereça até 6 anos costuma ser distrator construído sobre o dado de que aos 6 anos o perímetro já está próximo do adulto — que é verdadeiro e não é a idade de parar de medir.

Prematuro: curva específica do prematuro ou curva da OMS com idade corrigida, e até quando corrigir

Curva do prematuro até 64 semanas pós-concepcionais, depois OMS sem correção — Caderneta da Criança e SBP

A Caderneta imprime o trecho de 27 a 64 semanas das curvas internacionais do Intergrowth-21, com peso, comprimento e perímetro cefálico, e instrui a usá-las até 64 semanas pós-concepcionais, transferindo depois para as curvas da OMS sem necessidade de corrigir a idade. A SBP recomenda o mesmo, com o mesmo limite de 64 semanas, e acrescenta que para o prematuro abaixo de 32 semanas o canal de crescimento se define pelo peso atingido quando o ganho de peso recomeça, não pelo peso ao nascer.

Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança, 3ª edição, 2021, páginas de acompanhamento do crescimento; e SBP, Manual de Orientação nº 64, 2023.

Curvas da OMS com idade corrigida — até 2 anos, ou até 3 anos se a idade gestacional foi menor que 28 semanas

A mesma página da Caderneta traz o quadro de idade corrigida, com a condição explícita: se não for utilizar o gráfico do Intergrowth-21, deve-se calcular a idade corrigida para acompanhar a criança nascida pré-termo nas curvas da OMS. O prazo é até 2 anos de idade cronológica, e até 3 anos se a idade gestacional foi menor que 28 semanas. O Caderno de Atenção Básica nº 33, de 2012, registra a mesma conduta com o prazo de no mínimo 2 anos, sem o prolongamento para o prematuro extremo — a justificativa é não subestimar a criança na comparação com a população de referência.

Brasil. Ministério da Saúde. Caderneta da Criança, 3ª edição, 2021; e Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012, item 7.4.

Curva de Fenton, de 22 a 50 semanas, usada junto com a curva de termo após 40 semanas corrigidas

Construída a partir de dados de mais de 4 milhões de recém-nascidos com idade gestacional confirmada, em países desenvolvidos. Avalia comprimento, peso e perímetro cefálico entre as idades gestacionais de 22 e 50 semanas, e depois da idade corrigida de 40 semanas deve ser usada junto com as curvas de crianças nascidas a termo. Cobre a faixa em que o Intergrowth-21 é mais frágil: a SBP registra que o Intergrowth incluiu poucos prematuros abaixo de 33 semanas e é robusto a partir dessa idade gestacional.

Sociedade Brasileira de Pediatria, Manual de Orientação nº 64, 2023, seções sobre Intergrowth e Fenton.

Na prova

As duas primeiras posições não se contradizem: a própria Caderneta as apresenta como alternativas, e diz qual condiciona qual — corrige-se a idade quando não se usa a curva do prematuro. O que separa um mundo do outro é qual curva o enunciado coloca na sua mão. Enunciado que descreva a Caderneta, mencione o gráfico de 27 a 64 semanas ou nomeie o Intergrowth: não se corrige idade depois da transferência. Enunciado que ponha a criança direto no gráfico da OMS, ou que pergunte até quando corrigir: 2 anos de idade cronológica, e 3 anos se a idade gestacional foi menor que 28 semanas. Sobre o prazo, registre o ano: 2 anos é o número do Caderno de 2012, e o prolongamento para 3 anos no prematuro extremo aparece na Caderneta, documento mais novo. Prematuro abaixo de 33 semanas num enunciado que discuta a escolha da curva é a pista de que o recorte é a limitação amostral do Intergrowth.

Qual índice fecha o diagnóstico de excesso de peso antes dos 5 anos: peso-para-estatura ou IMC-para-idade

Peso-para-estatura — Norma Técnica do SISVAN e padrão da OMS de 2006

A Norma Técnica publica o peso-para-estatura como índice próprio, com a escala completa de seis faixas para crianças de 0 a 5 anos, e registra que a OMS apresenta referência de peso-para-estatura apenas para menores de 5 anos, no padrão de 2006. É o índice que dispensa a idade: relaciona diretamente a massa corporal ao tamanho da criança, o que o torna útil quando a idade é incerta ou quando a estatura já está comprometida.

Brasil. Ministério da Saúde. Norma Técnica do SISVAN, 2011, Quadros 6 e 10.

IMC-para-idade desde o nascimento — Caderneta da Criança e Ministério da Saúde

A Caderneta não imprime gráfico de peso-para-estatura: traz IMC-para-idade em 0-2, 2-5 e 5-10 anos. O Caderno de Atenção Básica nº 33 dá a justificativa: o IMC avalia melhor a relação peso e comprimento, ajuda a classificar a criança que esteve desnutrida e teve a estatura comprometida, possibilita identificar melhor a criança com excesso de peso e baixa estatura ao mesmo tempo, já foi validado como marcador de adiposidade em crianças e é preditivo do IMC do adulto — por isso recomenda-se o seu uso desde o nascimento.

Brasil. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012, capítulo 7; e Caderneta da Criança, 3ª edição, 2021.

Na prova

Não é discordância clínica: os dois índices usam exatamente a mesma escala de escore Z e produzem os mesmos seis nomes abaixo dos 5 anos. A diferença é de escolha de instrumento — o Ministério optou por carregar um único índice pelo curso da vida inteiro, porque o IMC continua sendo o índice do adolescente e do adulto, enquanto a norma técnica mantém o peso-para-estatura como opção abaixo dos 5 anos. Como identificar o recorte: enunciado que dê peso e estatura sem informar a idade só permite peso-para-estatura. Enunciado ambientado em UBS, com a Caderneta em cena, ou que peça qual gráfico marcar, está no IMC-para-idade. E há a pista pelas alternativas: se uma opção oferecer peso-para-estatura numa criança de 7 anos, ela é distrator por construção, porque esse índice não existe acima dos 5.

06

Caso resolvido

Menina de 9 meses, nascida a termo com 3.150 g, em consulta de puericultura na UBS. Está em aleitamento materno e recebeu introdução alimentar aos 6 meses, mas a mãe conta que ela come pouco desde um episódio de diarreia há dois meses. Hoje: peso 6,9 kg, comprimento 69 cm, perímetro cefálico 43,5 cm. Lançando na Caderneta: peso no escore Z -1,9; comprimento no escore Z -0,5; perímetro cefálico no escore Z -0,3. A Caderneta traz os registros anteriores: peso no escore Z -0,2 aos 2 meses, -0,8 aos 4 meses e -1,3 aos 6 meses. O IMC de hoje é 14,5 kg/m2, que cai no escore Z -1,8.
índices da faixa
Aos 9 meses valem quatro: peso-para-idade, comprimento-para-idade, IMC-para-idade e perímetro cefálico-para-idade. Peso-para-estatura também seria válido, mas a Caderneta não o imprime — quem usa a Caderneta lê o IMC.
diagnóstico de cada índice
Peso-para-idade no escore Z -1,9: peso adequado para a idade, porque a faixa de adequação vai de -2 a +2. Comprimento-para-idade em -0,5: estatura adequada para a idade. IMC-para-idade em -1,8: eutrofia, porque a eutrofia vai de -2 a +1. Perímetro cefálico em -0,3: adequado para a idade. Quatro índices, quatro diagnósticos, todos dentro da faixa adequada.
faixa de vigilância
Dois desses valores, o peso e o IMC, estão entre os escores Z -2 e -1, que é a faixa de vigilância nutricional do SISVAN — percentis 3 a 15. Isso não muda o diagnóstico, que continua adequado, mas é a instrução do documento para redobrar a atenção, porque a criança está a um passo do baixo peso.
a inclinação
Aqui está o achado. Em quatro consultas o peso caiu de -0,2 para -0,8, depois -1,3 e agora -1,9: traçado descendente que cruzou linhas de referência de forma consistente. A Caderneta manda investigar traçado que se desvia e cruza outra linha; a SBP escreve que não é preciso esperar a criança sair da curva, abaixo do escore Z -2, para investigar. O sétimo passo do SISVAN é exatamente este: verificar a inclinação para complementar o diagnóstico.
leitura do padrão
Peso e IMC caindo com comprimento e perímetro cefálico preservados é o desenho do déficit agudo, o que sofre primeiro é a massa corporal. Ainda não há comprometimento estatural, o que significa que o processo é recente e reversível — e é essa combinação que separa a desnutrição aguda da crônica, em que a estatura já cedeu e o IMC pode estar normal.
conduta
Investigar as causas com atenção especial à alimentação, ao desmame, às intercorrências infecciosas e aos cuidados com a criança — o episódio de diarreia e a aceitação alimentar depois dele são a pista. Tratar o que houver de intercorrência clínica, orientar a alimentação complementar e reavaliar em prazo curto, com nova pesagem, para ver se a linha volta a subir. Não se pede exame antes de investigar a história alimentar e social.
07

Agora feche você

Menino de 5 anos e 1 mês em consulta de rotina na UBS. Pesa 24 kg e mede 114 cm, o que dá IMC de 18,5 kg/m2. Lançando na Caderneta: IMC-para-idade no escore Z +1,6; peso-para-idade no escore Z +1,7; estatura-para-idade no escore Z +0,4. Traçado paralelo à mediana nas três curvas, sem cruzamento de linhas nas últimas consultas. O pai mede 178 cm e a mãe, 165 cm. A mãe pergunta se o filho está acima do peso e se vai ser alto.
índices da faixa
Aos 5 anos e 1 mês valem peso-para-idade, estatura-para-idade e IMC-para-idade. Peso-para-estatura não vale mais, e perímetro cefálico não tem gráfico nessa idade.
achado
IMC-para-idade no escore Z +1,6, ou seja, na faixa entre +1 e +2. Peso-para-idade em +1,7 e estatura-para-idade em +0,4. Trajetória paralela à mediana nas três curvas.
diagnóstico nutricional
estatura-alvo parental
08

Onde a banca derruba

  1. 1Usar o peso-para-idade para diagnosticar obesidade Atrai porque o peso é o dado mais fácil e a faixa acima de +2 escores Z parece dizer o que se quer ouvir. Mas o nome dessa faixa é peso elevado para a idade, e a Norma Técnica anota expressamente que este não é o índice recomendado para avaliar excesso de peso — a situação deve ser avaliada pelo peso-para-estatura ou pelo IMC-para-idade. O erro fica invisível porque o diagnóstico soa parecido, e a alternativa que traz obesidade a partir do peso-para-idade é distrator clássico.
  2. 2Achar que a faixa de risco de sobrepeso existe em qualquer idade Ela só existe abaixo dos 5 anos. Dos 5 aos 19, a faixa de +1 a +2 escores Z já é sobrepeso, e o que era sobrepeso vira obesidade. Como a criança de 4 anos e 11 meses e a de 5 anos e 1 mês parecem a mesma criança, o enunciado quase sempre coloca a idade exata em meses justamente para que ela seja lida — e quem não olha a idade responde a coluna errada.
  3. 3Ler o ponto e não a trajetória É o erro mais caro do capítulo porque parece rigor. A criança está em -1,5 e o candidato responde eutrofia, correto e insuficiente: ela vinha de +1,0 e caiu três faixas em quatro consultas. A SBP escreve que não é preciso esperar a criança sair da curva, abaixo de -2, para investigar, e o sétimo passo do SISVAN é verificar a inclinação. Ponto isolado dentro da normalidade diagnostica a medida, não a criança.
  4. 4Corrigir a idade do prematuro quando ele está na curva do prematuro Correção de idade e curva específica são rotas alternativas, não somadas. Quem usa o gráfico do Intergrowth-21 até 64 semanas pós-concepcionais e depois transfere para as curvas da OMS não corrige a idade na transferência — a Caderneta é explícita nisso. A correção existe para quem vai direto para a curva da OMS, e aí vale até 2 anos de idade cronológica, ou até 3 anos se a idade gestacional foi menor que 28 semanas.
  5. 5Medir na posição errada e lançar o valor cru no gráfico Uma criança de 2 anos e meio medida deitada, com o valor lançado direto, ganha 0,7 cm que não tem. Parece desprezível, e não é: como a velocidade de crescimento é extrapolada de três ou quatro meses para um ano, um erro de medida é multiplicado por três ou quatro na conta da velocidade. A regra é simples: acima de 2 anos medido deitado, subtraia 0,7 cm; abaixo de 2 anos medido em pé, some 0,7 cm.
  6. 6Confundir baixa estatura com desnutrição Atrai porque as duas são desvios para baixo e porque o peso é o índice que se olha primeiro. A separação é por cruzamento de índices: IMC ou peso-para-estatura baixo com estatura preservada é déficit agudo; estatura baixa com IMC normal é déficit crônico já instalado; e estatura baixa com IMC normal ou alto — a criança baixa e cheinha — aponta para fora da nutrição, e é justamente o caso que a SBP manda encaminhar ao endocrinologista pediátrico.
  7. 7Tratar a mudança de canal para cima como boa notícia Criança que sai do percentil 50 e vai para o 90 não está crescendo melhor: está mudando de canal, e a primeira hipótese a afastar aos 7 anos é puberdade precoce. A única janela em que a criança saudável muda legitimamente de percentil de altura é entre 6 e 18 meses de idade, quando ela encontra o canal do próprio potencial genético. Fora dela, desvio para cima se investiga igual a desvio para baixo.
  8. 8Achar que o estirão ou a menarca encerram a conversa Duas crenças que a prova cobra pelo avesso. O estirão não corrige baixa estatura: quem entra na puberdade abaixo da altura-alvo dificilmente atinge a altura prevista, e mesmo no atraso constitucional não tratado há perda da ordem de 4,2 cm. E a menarca não encerra o crescimento: depois dela a menina ainda cresce, em média, 5 a 6 cm.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Criança que cresce de forma paralela ao seu canal (percentil baixo, porém estável), com velocidade de crescimento normal, desenvolvimento e exame normais, e pais de baixa estatura, sugere baixa estatura familiar (variante do normal). A conduta é acompanhar e monitorar a velocidade de crescimento. Deficiência de GH cursa com desaceleração/queda de canal, não crescimento paralelo. Hipotireoidismo exigiria alteração de curva e sinais clínicos, sem justificar reposição empírica. Não há dados de desnutrição grave, que apresentaria perda de peso e comprometimento sistêmico.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite a tabela por coluna, não por linha. Coluna do IMC abaixo de 5 anos: magreza acentuada, magreza, eutrofia, risco de sobrepeso, sobrepeso, obesidade. Coluna do IMC de 5 a 19 anos: as três primeiras iguais, depois sobrepeso, obesidade, obesidade grave. Coluna do peso-para-idade: muito baixo peso, baixo peso, peso adequado (de -2 a +2), peso elevado. Coluna da estatura: muito baixa, baixa, adequada a partir de -2. Depois recite as janelas etárias de cada índice (peso/idade e estatura/idade até 10 anos; IMC do nascimento aos 19; peso/estatura só abaixo de 5; perímetro cefálico até 2) e a tabela de ganho ponderal por trimestre (700, 500, 400, 350 g por mês), com duplicar entre 4 e 6 meses e triplicar aos 12.

em 30 dias

Reconstrua o capítulo inteiro sem consultar. A tabela de cortes completa, com o degrau dos 5 anos e a faixa de vigilância entre -2 e -1. As velocidades estaturais: 25 cm no primeiro ano, 10 a 13 no segundo, 7 dos 2 aos 4, 6 dos 4 aos 6, 5 daí até a puberdade, 8 a 10 no estirão da menina e 10 a 12 no do menino. O perímetro cefálico: 34 a 35 cm ao nascer, mais 10 a 12 cm no primeiro ano, 45 a 46 cm ao ano, 47 a 48 aos 2 anos, e os cortes de microcefalia ao nascimento (31,9 cm em meninos, 31,5 em meninas, abaixo de 2 desvios-padrão; grave abaixo de 3). A fórmula da altura-alvo nas duas versões, com o intervalo de 5 cm. A diferença entre padrão e referência, e por que a curva de 5 a 19 anos não é padrão. E as duas rotas do prematuro, com os prazos de cada uma. Feche resolvendo um caso de trajetória descendente dentro da faixa adequada e um caso de criança que completou 5 anos entre duas consultas.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Consulta de puericultura na UBS: menino de 5 anos e 2 meses trazido pela mãe, que diz que ele engordou desde que entrou na escola e quer saber se precisa de dieta. A Caderneta tem registros de peso e estatura desde o nascimento. Classifique o estado nutricional pelo índice certo da faixa etária, leia a trajetória, calcule a estatura-alvo parental e conduza. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Acompanhamento do crescimento — Preparatório para provas | OsceLabs