Ginecologia e Obstetrícia › Puerpério, aleitamento e vitalidade fetal
Aleitamento materno: pega, apojadura, manejo, contraindicações e medicamentos
Amamentar é fisiológico; reconhecer uma mamada eficaz e corrigir o que dói é uma habilidade clínica aprendida à beira do leito.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Durante a observação de uma mamada completa, qual conjunto de achados indica pega adequada ao seio?
Como esse tema cai
Diante de dor, choro ou ganho ponderal insuficiente, a primeira pergunta não é “qual fórmula usar?”, mas o bebê está retirando leite de forma eficaz? A resposta nasce da observação de uma mamada completa: posição, pega, sucção, deglutição, conforto materno e estado clínico do binômio.
O capítulo separa três problemas que costumam ser confundidos: produção de leite, transferência de leite e expectativa familiar. A maior parte das queixas precoces decorre de manejo e transferência, não de incapacidade biológica de produzir.
O que muda decisão
O começo: contato, livre demanda e expectativa realista
Quando mãe e recém-nascido estão estáveis, contato pele a pele imediato e mamada na primeira hora favorecem vínculo e início do aleitamento. A recomendação populacional é aleitamento exclusivo até seis meses e continuado, com alimentação complementar, por dois anos ou mais.
Livre demanda significa oferecer diante de sinais precoces — despertar, levar as mãos à boca, procurar — e não esperar o choro, um sinal tardio. No início, oito a doze mamadas em 24 horas são comuns; relógio rígido e limitação arbitrária do tempo ao seio podem reduzir o estímulo.
Posição e pega: olhar antes de prescrever
Na boa posição, cabeça e tronco ficam alinhados, o corpo do bebê está próximo e sustentado e o nariz se encontra diante do mamilo. Na pega profunda, a boca abre amplamente, o queixo toca a mama, o lábio inferior fica evertido e aparece mais aréola acima que abaixo da boca.
Sucções lentas e profundas, pausas e deglutição audível sugerem transferência. Bochechas encovadas, estalos, mamilo achatado ou em “batom” ao final e dor persistente sugerem pega superficial. A correção é interromper o vácuo com um dedo, reposicionar e tentar novamente — não suportar dor como se fosse inevitável.

Colostro, apojadura e a falsa impressão de pouco leite
O colostro vem em pequeno volume, adequado ao estômago do recém-nascido, e é rico em componentes imunológicos. A apojadura — aumento mais perceptível do volume e da plenitude mamária — costuma ocorrer entre o segundo e o quinto dia, podendo atrasar após cesariana, hemorragia, separação do binômio ou estímulo insuficiente.
Percepção de mama “mole”, mamadas frequentes ou choro isolado não diagnosticam hipogalactia. Avaliam-se diurese e evacuações, trajetória ponderal, estado de hidratação, icterícia, alerta, deglutição e número/eficácia das mamadas. Perda excessiva, letargia, poucas micções ou hipernatremia exigem avaliação imediata.
Ingurgitamento e ducto estreitado: retirar o suficiente, não perseguir o vazio
Ingurgitamento é plenitude difusa, bilateral, dolorosa, por leite e edema. O manejo combina mamadas frequentes, correção da pega, breve ordenha manual antes da mamada se a aréola estiver tensa, compressas frias depois e analgesia compatível. Massagear agressivamente ou “esvaziar até a última gota” aumenta trauma e pode estimular hiperprodução.
Área focal dolorosa sem repercussão sistêmica pede continuidade da amamentação, conforto, anti-inflamatório quando apropriado e revisão da pressão local. A terminologia atual evita imaginar um tampão sólido que precise ser esmagado.
Fissura, candidíase presumida e mastite
Trauma mamilar costuma ser consequência de pega superficial, posição inadequada, retirada brusca ou uso impróprio de bomba. O tratamento central é corrigir a causa e manter o mamilo limpo e seco; pomadas múltiplas sem diagnóstico podem irritar e atrasar a melhora.
Dor em queimação atribuída automaticamente a “candidíase” tem diagnóstico diferencial amplo: trauma, dermatite, vasoespasmo e mastite. Candidíase deve ser sustentada pelo quadro e pela avaliação do binômio, não apenas pela cor do mamilo.
Mastite inflamatória produz área eritematosa e dolorosa e pode cursar com febre. Mantêm-se amamentação ou retirada fisiológica, hidratação, analgesia e anti-inflamatório. Antibiótico entra quando há mastite bacteriana provável ou ausência de melhora; massa flutuante ou persistente sugere abscesso e requer ultrassonografia e drenagem, sem obrigar desmame.
Quando suplementar e como proteger a lactação
Suplementação é tratamento, não julgamento. Indicações clínicas incluem hipoglicemia que não responde ao manejo, desidratação, perda ponderal excessiva com avaliação clínica, hiperbilirrubinemia por ingestão insuficiente e algumas doenças maternas ou neonatais. Sempre se registra indicação, volume, método e plano de reavaliação.
Leite ordenhado da própria mãe é a primeira opção; leite humano pasteurizado de banco vem a seguir quando disponível. Se fórmula for necessária, deve acompanhar estímulo da mama por mamada ou ordenha para preservar a produção. O plano termina com critério explícito de redução do complemento.
Contraindicações: poucas, específicas e às vezes temporárias
Galactosemia clássica do lactente contraindica leite humano. Infecção materna por HIV e HTLV-1/2 segue a política brasileira de não amamentar, com acesso a fórmula e acompanhamento. Uso materno de quimioterápicos antineoplásicos, radioisótopos ou drogas ilícitas pode exigir suspensão temporária ou permanente conforme substância e tempo de eliminação.
Hepatites B e C, mastite, febre materna e a maioria das infecções comuns não contraindicam amamentação; na hepatite B, o recém-nascido recebe imunoprofilaxia indicada. Lesão herpética ativa na mama impede mamar naquela mama até cicatrizar, mas permite a outra se não houver lesão e se o contato for protegido.
Medicamentos: decidir por risco, dose e idade do bebê
A regra é consultar fonte específica antes de suspender aleitamento. Consideram-se dose materna, meia-vida, biodisponibilidade oral, passagem para o leite, idade e prematuridade do lactente e alternativas equivalentes. Interromper sem necessidade expõe mãe e bebê ao risco do desmame.
Paracetamol, ibuprofeno, penicilinas, cefalosporinas e a maioria dos anti-hipertensivos usuais têm opções compatíveis. Codeína e tramadol devem ser evitados por risco de sedação e depressão respiratória; amiodarona, lítio, retinoides sistêmicos, antineoplásicos e radiofármacos exigem avaliação especializada. “Natural” não significa seguro.
Leitura de uma mamada em seis passos
A observação transforma uma queixa vaga em decisão clínica.
- 1Confirmar estabilidade, idade, peso, diurese, evacuações e sinais de hidratação.
- 2Observar o bebê chegar à mama, sem corrigir antes de ver o padrão espontâneo.
- 3Checar alinhamento, proximidade, abertura da boca, queixo e distribuição da aréola.
- 4Ouvir deglutição e avaliar ritmo, pausas, relaxamento das mãos e satisfação após a mamada.
- 5Perguntar sobre dor e examinar o mamilo imediatamente depois.
- 6Corrigir um elemento por vez, reobservar e pactuar retorno com critério de alarme.
| Achado | Interpretação | Próximo passo |
|---|---|---|
| Dor persistente + mamilo deformado | Pega superficial/trauma | Reposicionar e reavaliar anatomia oral e mamária |
| Mama tensa + aréola plana | Ingurgitamento | Ordenha breve para amolecer aréola e mamada frequente |
| Febre + área focal dolorosa | Mastite | Suporte; antibiótico se bacteriana provável ou curso desfavorável |
| Pouca diurese + letargia/perda excessiva | Baixa ingestão | Avaliação imediata, plano de oferta e proteção da produção |
A aparência do leite não mede seu valor nutricional.
Dor que não melhora após corrigir a pega merece exame dirigido e diagnóstico diferencial.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Contraindica aleitamento e garante substituto lácteo.
Política brasileira
A recomendação pode variar segundo acesso seguro à fórmula e tratamento antirretroviral.
Alguns contextos internacionais
Na prova
No Brasil, a recomendação é não amamentar.
Massagem vigorosa e esvaziamento completo.
Modelo antigo
Reduzir edema e inflamação, corrigir pega e retirar apenas o necessário.
Manejo contemporâneo
Na prova
Manter remoção fisiológica e evitar hiperestimulação.
Caso resolvido
- Nomear o problema
- Plenitude bilateral na apojadura, com aréola tensa e sem sinais sistêmicos, caracteriza ingurgitamento, não mastite bacteriana.
- Intervir no mecanismo
- Ordenha manual breve para amolecer a aréola, pega profunda, mamadas frequentes, frio após as mamadas e analgesia compatível.
- Fechar com segurança
- Reavaliar transferência e orientar retorno se febre persistente, piora focal, letargia do bebê ou redução de diurese.
Agora feche você
- Primeira decisão
- Manter amamentação/retirada fisiológica e instituir analgesia, hidratação, repouso e correção de manejo.
- O que não fazer
- Não suspender a mama afetada nem realizar massagem profunda e dolorosa.
- Complete
- Quando indicar antibiótico e em que prazo reavaliar? Que achados exigem investigar abscesso?
Onde a banca derruba
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
- 6
Pega adequada mostra boca bem aberta, lábios virados para fora, queixo encostado na mama, mais aréola visível acima do que abaixo e deglutição audível em ritmo lento e regular, com o mamilo saindo arredondado. Bochechas encovadas com estalo e mamilo em ponta de batom denunciam pega superficial; sucção rápida sem pausas e sono precoce indicam sucção não nutritiva; lábios invertidos com queixo afastado são o oposto da técnica correta; e mamilo branco e comprimido com dor contínua aponta compressão inadequada.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Sobre a amamentação após tratamento oncológico, assinale a alternativa correta:
Durante a quimioterapia ativa a amamentação é contraindicada, porque muitos agentes citotóxicos são excretados no leite, o mesmo valendo para diversas terapias sistêmicas e para a fase de uso de radiofármacos. Encerrado o tratamento, e respeitados os intervalos de eliminação das drogas, a amamentação costuma ser possível, com a ressalva de que a mama submetida à radioterapia produz menos leite e com maior dificuldade de ejeção. Não há evidência de que amamentar aumente recidiva — pelo contrário, a lactação é fator protetor para o desenvolvimento de câncer de mama.
Puérpera de 23 anos, sexto dia após parto vaginal, refere dor intensa ao amamentar. Ao exame, fissura linear na base do mamilo direito, aréola pouco abocanhada pelo recém-nascido, lábio inferior do bebê invertido e ruído de estalido durante a sucção. Qual a conduta inicial?
Fissura mamilar é, na esmagadora maioria dos casos, consequência mecânica de pega inadequada, e o tratamento que resolve a causa é corrigir técnica e posicionamento mantendo a mamada, com o próprio leite ordenhado como cobertura. Suspender a amamentação é a resposta que parece proteger a lesão, mas produz estase, ingurgitamento e queda da produção, além de introduzir fórmula sem indicação. Bico intermediário piora a pega e a transferência de leite, antisséptico alcoólico resseca e aprofunda a fissura, e antimicrobiano só entra se houver infecção estabelecida.
Puérpera com fissura mamilar profunda e sangramento discreto pergunta se pode continuar amamentando, já que às vezes o bebê regurgita conteúdo acastanhado. Qual a orientação correta?
Sangue materno deglutido em pequena quantidade não faz mal ao lactente, e a orientação é manter a mamada, começando pela mama menos dolorosa para que a descida do leite já esteja estabelecida quando o bebê passar para a lesionada. Suspender por medo do sangramento é o erro mais comum e leva a estase, queda de produção e desmame precoce. Ferver leite materno destrói fatores imunológicos e não tem qualquer indicação, e substituir por fórmula resolve a dor às custas do aleitamento.
Entre as medidas frequentemente prescritas para fissura mamilar, qual deve ser evitada?
Sabão antisséptico e adstringentes removem a proteção natural da pele e podem agravar o trauma mamilar. O cuidado deve identificar e corrigir a causa, sobretudo pega e posicionamento inadequados, além de evitar tração ao retirar o bebê da mama. Iniciar pela mama menos dolorosa pode ajudar no manejo da dor. Banhos de sol, luz ou secador não devem ser apresentados como tratamento cicatrizante da fissura. Dor persistente, lesão importante ou suspeita de infecção exigem reavaliação individual.
Puérpera de 25 anos, 48 horas após o parto, apresenta mamas tensas, difusamente endurecidas, quentes e dolorosas, com temperatura axilar de 37,7 °C e dificuldade do bebê em abocanhar a aréola. Sem área eritematosa localizada. Qual a conduta?
O quadro é ingurgitamento mamário da apojadura, tratado por esvaziamento — mamadas frequentes com ordenha prévia da aréola para permitir a pega — e compressas frias entre as mamadas para reduzir edema e dor. Enfaixar as mamas e restringir líquidos é a receita antiga que ainda aparece e agrava a estase, favorecendo mastite. Não há febre alta nem eritema localizado que sustentem antimicrobiano, e supressão farmacológica em quem deseja amamentar interrompe a lactação sem indicação.
Lactante de 25 anos, 10 dias pos-parto, com fissura mamilar bilateral dolorosa. Qual e a causa mais frequente e a conduta inicial?
Fissura e, na esmagadora maioria, consequencia de pega incorreta - o bebe precisa abocanhar a areola, nao so o mamilo -, e a conduta e corrigir a tecnica, ordenhar um pouco antes para amaciar a areola e passar o proprio leite no mamilo. Candidiase e o distrator classico, mas cursa com dor em queimacao que persiste ENTRE as mamadas, frequentemente com placas na boca do lactente. Frenulo curto e causa possivel, avaliada depois de corrigir a pega, nao antes.
Puerpera de 30 anos, 2o dia pos-parto vaginal, com temperatura de 37,9 C, mamas ingurgitadas, tensas e doloridas bilateralmente, sem eritema localizado, utero involuindo bem e lochia sem odor. Qual a conduta?
Ingurgitamento bilateral com febre baixa, tipicamente do 2o ao 4o dia, e a chamada apojadura sintomatica, resolvida com esvaziamento frequente, ordenha do excesso, compressas e analgesia. Prescrever antibiotico e o excesso mais comum: mastite infecciosa e unilateral, com area endurecida, eritema quente e sintomas sistemicos importantes. Suspender a mamada piora a estase, e cabergolina destroi a lactacao de uma mae que quer amamentar.
Qual situação constitui contraindicação verdadeira ao uso de leite humano pelo lactente?
Na galactosemia clássica, o lactente não pode receber lactose, inclusive do leite humano. Hepatite B, infecção respiratória e mastite geralmente não contraindicam; fissura exige correção de causa, não desmame automático.
Sobre apojadura e percepção de pouco leite, assinale a correta.
Apojadura costuma ser percebida entre o segundo e o quinto dia e pode atrasar em alguns contextos. Percepções isoladas não diagnosticam baixa produção; o estado do bebê e a transferência orientam a decisão.
Puérpera no quarto dia apresenta mamas bilateralmente tensas e dolorosas, sem febre nem área focal. A aréola está endurecida e o bebê não consegue abocanhar. A conduta mais adequada é:
Trata-se de ingurgitamento. Amolecer a aréola permite pega profunda; mamadas frequentes, frio e analgesia aliviam. Esvaziamento excessivo estimula hiperprodução; antibiótico e drenagem não se justificam sem mastite bacteriana ou abscesso.
Puérpera com dor mamilar em queimação recebe diagnóstico presumido de candidíase apenas pela dor. Qual é a melhor abordagem?
Dor em queimação é inespecífica. O diagnóstico diferencial e a observação da mamada evitam tratamento incorreto. Dor persistente merece avaliação; múltiplos produtos podem causar dermatite.
Qual achado em bebê no quinto dia exige avaliação imediata por possível baixa ingestão?
Letargia, baixa diurese e perda excessiva sugerem desidratação/ingestão insuficiente e não devem ser normalizadas. Os demais achados são comuns ou favoráveis quando isolados.
Recém-nascido com baixa ingestão precisa de complemento temporário. Qual estratégia melhor protege a lactação?
Leite da própria mãe é primeira opção, e o estímulo concomitante protege a produção. A suplementação deve ter indicação, volume, método e critério de retirada. Água é inadequada e interrupção ampla do estímulo favorece queda da produção.
Uma mulher em aleitamento exclusivo necessita analgesia. Qual princípio deve orientar a prescrição?
A decisão é farmacológica e clínica. Paracetamol e ibuprofeno costumam ser compatíveis; codeína e tramadol são evitados pelo risco de sedação e depressão respiratória. Suspender aleitamento sem necessidade traz dano.
No terceiro dia de vida, um recém-nascido a termo mama 10 vezes ao dia. A mãe refere dor e o mamilo sai achatado após as mamadas; ouvem-se estalos e as bochechas encovam. Qual é a melhor conduta inicial?
O conjunto indica pega superficial e transferência potencialmente ineficaz. A primeira intervenção é observar e corrigir o mecanismo. Fórmula pode ser necessária se houver indicação clínica, mas não substitui a avaliação; limitar tempo e suspender a mama reduzem estímulo; prolactina não é exame inicial.
Lactante com mastite inflamatória pergunta se deve parar de amamentar na mama afetada. A orientação correta é:
A manutenção da remoção fisiológica é segura na maioria dos casos e evita estase. O manejo inclui analgesia, anti-inflamatório, repouso e reavaliação; antibiótico é reservado a mastite bacteriana provável ou evolução desfavorável. Massagem vigorosa aumenta trauma.
Qual achado é mais confiável para sugerir transferência adequada de leite durante a mamada?
Transferência é observada pelo padrão de sucção-deglutição e complementada por diurese, estado clínico e peso. Tempo ao seio, aparência da mama ou do leite e sono prolongado isolados não comprovam ingestão.
Na lesão herpética ativa localizada na mama direita, sem lesões na esquerda, a conduta é:
Herpes ativo na mama contraindica contato do bebê com a lesão e o manejo do leite da mama afetada deve seguir avaliação especializada. A mama contralateral pode ser usada se não houver lesões e se as lesões estiverem cobertas.
Puérpera de 26 anos, em aleitamento materno, precisa iniciar medicação em Unidade Básica de Saúde. A equipe discute quais fármacos são compatíveis com a amamentação e em que situações o aleitamento estaria contraindicado. A puérpera é saudável, não usa drogas ilícitas e suas sorologias do pré-natal foram todas não reagentes. O lactente tem 45 dias e ganho ponderal adequado. Assinale a situação que constitui contraindicação absoluta à amamentação no Brasil.
No Brasil, a infecção materna pelo vírus da imunodeficiência humana é contraindicação absoluta ao aleitamento, pelo risco de transmissão vertical pelo leite, sendo fornecida fórmula pelo SUS. A mastite não contraindica a amamentação; ao contrário, o esvaziamento da mama faz parte do tratamento. A hepatite B materna permite o aleitamento quando o recém-nascido recebe vacina e imunoglobulina ao nascer. A amoxicilina é antibiótico compatível com a lactação e não justifica interrupção.
Puérpera de 24 anos, com sete dias de parto vaginal, procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa ao amamentar e fissuras nos mamilos. Ao observar a mamada, nota-se que o recém-nascido abocanha apenas o mamilo, com lábios invertidos, bochechas encovadas e ruídos de estalo. A mama está cheia, sem sinais flogísticos, e o bebê tem ganho ponderal abaixo do esperado. Assinale a conduta prioritária.
Fissura mamilar com dor, ganho ponderal insuficiente e sinais objetivos de pega inadequada — lábios invertidos, bochechas encovadas e estalos — indica correção da técnica como intervenção prioritária, o que resolve a maioria dos casos e preserva o aleitamento. Suspender a amamentação e introduzir fórmula compromete a produção láctea e antecipa o desmame. Antibiótico não está indicado sem infecção, e o uso permanente de intermediário de silicone perpetua a pega inadequada. Ordenha exclusiva prolongada afasta o bebê da mama sem tratar a causa.
Puérpera de 27 anos, no quarto dia após o parto, refere mamas muito cheias, endurecidas, dolorosas e quentes, com dificuldade de o recém-nascido abocanhar a aréola. A temperatura axilar é de 37,6 °C, sem eritema localizado ou área de flutuação. O bebê mama bem quando consegue pegar. Não há sinais sistêmicos de infecção e a puérpera está em bom estado geral. Assinale a conduta adequada.
O ingurgitamento mamário fisiológico da apojadura é tratado com ordenha manual para amolecer a região areolar e permitir a pega, mamadas frequentes e compressas frias nos intervalos, medidas que aliviam a dor e previnem complicações. Suspender as mamadas e enfaixar as mamas agrava a estase e favorece a mastite. Antibiótico e inibidor de lactação não têm indicação na ausência de infecção e interromperiam indevidamente o aleitamento. Drenagem cirúrgica destina-se ao abscesso, e não há flutuação nem evolução obrigatória para essa complicação.
Lactente de 2 meses é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que precisou voltar a trabalhar e não conseguirá manter o aleitamento exclusivo. Ela pergunta como proceder para manter o leite materno e como oferecer, quando estiver ausente. A criança tem ganho ponderal adequado e a mãe tem boa produção láctea. Não há contraindicação ao aleitamento e ela tem direito a intervalos para amamentação. Assinale a orientação correta.
A manutenção do aleitamento após o retorno ao trabalho é viável com ordenha, armazenamento correto e oferta em copo ou colher, evitando a confusão de bicos, além do exercício do direito legal aos intervalos diários para amamentar. Afirmar que o leite ordenhado perde suas propriedades é incorreto, pois ele preserva os componentes nutricionais e imunológicos quando armazenado adequadamente. O uso de mamadeira pode interferir na pega e reduzir a duração do aleitamento. Recomendar desmame imediato retira da criança um benefício protegido por lei e por evidências.
Em uma Unidade Básica de Saúde, o médico avalia lactente de 2 meses cuja mãe apresenta lesões de tuberculose cutânea sem doença pulmonar e está em tratamento. A criança é assintomática, com exame físico normal. A mãe pergunta se pode continuar amamentando e se a criança corre risco. Qual é a orientação correta?
A transmissão da tuberculose ocorre pela via respiratória a partir de formas pulmonares e laríngeas bacilíferas, de modo que a forma cutânea sem acometimento pulmonar não impede o aleitamento, bastando evitar o contato direto com as lesões. Suspender o aleitamento traz prejuízo nutricional e afetivo sem benefício. Tratar o lactente com esquema completo pressupõe doença ativa não demonstrada. O isolamento hospitalar de ambos é medida desproporcional e sem indicação epidemiológica.
Uma gestante com sorologia positiva para HTLV é acompanhada na Unidade Básica de Saúde. Ela pergunta sobre o aleitamento materno após o parto. Está assintomática, sem outras comorbidades, e o pré-natal transcorre sem intercorrências. Qual é a orientação correta?
O aleitamento materno é a principal via de transmissão vertical do HTLV e está contraindicado, devendo ser garantida a alimentação com fórmula pelo Sistema Único de Saúde. Manter o aleitamento exclusivo expõe a criança ao risco de infecção com potencial de doença neurológica e hematológica na vida adulta. Permitir aleitamento por período curto ainda implica risco relevante. Não há terapia antirretroviral padronizada que torne o aleitamento seguro nesse contexto.
Puérpera de 25 anos, amamentando exclusivamente lactente de dois meses, procura a Unidade Básica de Saúde com quadro de infecção urinária baixa não complicada, com disúria e polaciúria, sem febre. Está preocupada em precisar interromper a amamentação para tomar antibiótico. Sem alergias medicamentosas conhecidas. Urina tipo 1 com piúria e nitrito positivo. Qual é a conduta correta?
Há antimicrobianos seguros durante a lactação para infecção urinária não complicada, e a orientação correta é tratar e manter o aleitamento, evitando desmame desnecessário. Suspender a amamentação compromete a nutrição do lactente e a produção de leite sem qualquer benefício. Tratar apenas o sintoma deixa a infecção sem resolução. Internação não é necessária em cistite não complicada em paciente estável.
Mulher de 32 anos, no terceiro dia de puerpério após parto vaginal, é atendida na enfermaria com queixa de dor e endurecimento nas duas mamas, que estão tensas, quentes, brilhantes e muito dolorosas, dificultando a pega do recém-nascido. A temperatura axilar é de 37,7 °C, não há eritema em cunha, não há flutuação e não há mal-estar sistêmico. O bebê mama pouco e chora ao ser aproximado. A conduta correta é
O quadro é de ingurgitamento mamário fisiológico da apojadura, e o tratamento consiste em ordenha manual prévia para amolecer a aréola e permitir a pega, esvaziamento frequente pelo próprio bebê e compressas frias entre as mamadas para reduzir o edema e a dor. Suspender a amamentação e enfaixar as mamas agrava a estase e favorece mastite e desmame. Antibiótico não está indicado sem sinais de infecção localizada, e o quadro é bilateral, simétrico e sem eritema em cunha. Compressas quentes entre as mamadas aumentam a vasodilatação e o ingurgitamento, sendo úteis apenas imediatamente antes da ordenha.
Gestante de 32 anos, com 37 semanas, com diagnóstico de infecção pelo vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1 detectado no pré-natal, comparece à consulta para discutir o parto e a alimentação do recém-nascido. Ela é assintomática, com exame neurológico normal e hemograma sem alterações. A gestação transcorreu sem intercorrências e a pressão arterial é de 114x70 mmHg. O diagnóstico foi feito por sorologia confirmada no primeiro trimestre, e ela não tem antecedente de transfusão, uso de drogas injetáveis ou parceria sabidamente infectada. O feto tem crescimento adequado e o Doppler é normal. Considerando a prevenção da transmissão vertical, a orientação correta é
A principal via de transmissão vertical do vírus linfotrópico de células T humanas é o aleitamento materno, especialmente o prolongado, de modo que a amamentação é contraindicada e a fórmula láctea deve ser garantida. Liberar o aleitamento é justamente o erro que perpetua a transmissão. A cesariana não demonstrou benefício consistente na prevenção da transmissão desse vírus, ao contrário do que ocorre em cenários específicos do HIV. Não há terapia antirretroviral estabelecida para reduzir transmissão vertical nessa infecção.
Gestante de 23 anos, com 30 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e conta que sua sogra afirma que ela deve tomar chá para apressar o parto quando chegar o momento e que o bebê não deve mamar no primeiro dia porque o colostro seria fraco. A gestante está insegura e pergunta se isso é verdade. Ela é primigesta, com pré-natal completo, normotensa e sem intercorrências. A equipe planeja a orientação em grupo de gestantes. A orientação correta quanto ao colostro é
O colostro tem alta concentração de imunoglobulina A, fatores de proteção e nutrientes adequados ao volume gástrico do recém-nascido, devendo ser oferecido na primeira hora de vida, prática que reduz mortalidade neonatal e favorece o estabelecimento da lactação. Complementar com fórmula sem indicação clínica reduz a sucção e compromete a produção. Água com açúcar não tem valor nutricional e aumenta o risco de infecção e de desmame. Descartar o colostro é mito que priva o recém-nascido justamente da fração mais protetora do leite.
Puérpera de 31 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no quarto dia após parto vaginal, referindo mamas muito endurecidas, doloridas e quentes, com dificuldade do bebê para pegar o mamilo. Nega febre alta, calafrios ou área localizada de vermelhidão. Ao exame: temperatura 37,4 °C, mamas globalmente ingurgitadas, tensas e brilhantes bilateralmente, aréolas endurecidas dificultando a pega, sem área flogística localizada, sem flutuação. Recém-nascido com boa vitalidade e diurese adequada. A conduta correta é:
Ingurgitamento mamário bilateral, sem febre alta e sem área flogística localizada, é manejado com esvaziamento eficaz: ordenha manual para amolecer a aréola e permitir a pega, aumento da frequência das mamadas, correção da pega e compressas frias entre as mamadas para reduzir o edema. Suspender a amamentação agrava a estase e favorece mastite e abscesso. Antibiótico não está indicado sem sinais de mastite, que envolve área flogística localizada e febre alta. Inibir a lactação é medida drástica e desnecessária diante de condição transitória e manejável.
Puérpera de 23 anos, primípara, procura a Unidade Básica de Saúde no sexto dia pós-parto com dor intensa ao amamentar e fissuras nos mamilos. Refere que o bebê fica muito tempo no peito e parece insatisfeito. Ao exame, o recém-nascido está com ganho ponderal abaixo do esperado e, durante a mamada observada, apresenta boca pouco aberta, lábios voltados para dentro, apreensão apenas do mamilo, bochechas encovadas e ruído de estalo, com queixo afastado da mama. As mamas estão sem sinais flogísticos. A conduta mais adequada é:
Fissura mamilar com dor e ganho ponderal insuficiente decorre quase sempre de pega inadequada, e a conduta é corrigir pega e posicionamento na própria consulta, com observação da mamada e retorno próximo. Suspender o aleitamento por dificuldade técnica retira o benefício sem resolver o problema. Anestésico tópico mascara a dor e mantém o trauma, pois a técnica incorreta persiste. O bico de silicone de uso permanente reduz a transferência de leite e perpetua a baixa produção, sendo recurso excepcional e temporário.
Puérpera de 28 anos procura a Unidade Básica de Saúde no quarto dia pós-parto com mamas muito doloridas, endurecidas e quentes bilateralmente, com dificuldade para o bebê pegar o peito. Refere que a apojadura ocorreu no dia anterior. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,4 °C, mamas globalmente tensas, brilhantes, com edema difuso e aréola endurecida, sem área localizada de eritema, sem flutuação e sem drenagem purulenta, com o recém-nascido ativo e mamando com dificuldade. A conduta mais adequada é:
O ingurgitamento mamário fisiológico da apojadura é tratado com ordenha manual da aréola para facilitar a pega, mamadas frequentes em livre demanda e compressas frias nos intervalos, medidas que reduzem o edema e mantêm a lactação. Suspender as mamadas agrava o ingurgitamento e pode evoluir para mastite. Antibiótico se justifica na mastite, que cursa com área localizada de eritema, dor intensa e febre alta, não descritas. Suprimir a lactação retira do binômio o benefício do aleitamento por condição transitória e manejável.
Uma equipe de saúde da família acompanha quatro puérperas que desejam amamentar e discute, em reunião de matriciamento, quais situações contraindicam o aleitamento materno segundo as normas do Ministério da Saúde: uma mulher com resultado reagente para HTLV; outra com hepatite B em uso de antiviral, cujo filho recebeu vacina e imunoglobulina ao nascer; uma terceira com mastite puerperal em tratamento; e uma quarta em uso de amoxicilina para infecção urinária. A situação que contraindica o aleitamento materno é:
A infecção materna pelo HTLV contraindica o aleitamento materno no Brasil, pelo risco documentado de transmissão vertical do vírus pelo leite. A hepatite B não contraindica a amamentação quando o recém-nascido recebe vacina e imunoglobulina específica ao nascer, conforme o protocolo do Ministério da Saúde. A mastite puerperal não contraindica o aleitamento; ao contrário, o esvaziamento da mama pela mamada é parte do tratamento. A amoxicilina é antibiótico compatível com a lactação e não justifica interrupção nem descarte do leite.
Puérpera de 26 anos, amamentando exclusivamente seu filho de 2 meses, procura a Unidade Básica de Saúde com dor de garganta, febre e diagnóstico de amigdalite bacteriana. Refere ter ouvido de familiares que precisará interromper a amamentação enquanto tomar antibiótico e está muito angustiada com essa possibilidade. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,4 °C, orofaringe hiperemiada com exsudato e adenomegalia cervical dolorosa, com mamas sem sinais flogísticos e o lactente em bom estado geral, com ganho ponderal adequado. A conduta correta é:
A maioria dos antibióticos usados na atenção primária, incluindo penicilinas e cefalosporinas, é compatível com a lactação, e a conduta é prescrever a droga adequada mantendo o aleitamento, apoiando a mãe contra a desinformação. Suspender a amamentação por tratamento compatível compromete a lactação e o vínculo sem qualquer benefício. Ordenhar e descartar o leite tem o mesmo efeito prejudicial e não se justifica. Deixar a amigdalite bacteriana sem tratamento expõe a mãe a complicações supurativas e à febre reumática.
Puérpera de 23 anos, no quarto dia após parto vaginal, procura a Unidade Básica de Saúde com mamas endurecidas, doloridas, quentes e com dificuldade de o bebê pegar o mamilo. Ao exame, mamas tensas e brilhantes bilateralmente, sem áreas de flutuação ou hiperemia localizada, mamilos planificados pelo edema, temperatura axilar de 37,4 °C e sem calafrios. O bebê apresenta boa vitalidade, com diurese e evacuações adequadas. A conduta correta é:
O ingurgitamento mamário fisiológico ocorre nos primeiros dias da lactação e o manejo é a retirada de leite: ordenha suave antes das mamadas para amolecer a aréola e permitir a pega, mamadas frequentes em livre demanda, correção da pega e medidas de conforto. Suspender a amamentação agrava o ingurgitamento e favorece mastite. Antibiótico não é indicado sem sinais de infecção, como hiperemia localizada, febre alta e mal-estar importante. Inibir a lactação por dificuldade transitória de pega é conduta desproporcional.
Puérpera de 30 anos, amamentando exclusivamente um bebê de dois meses, procura a Unidade Básica de Saúde com dor de garganta, febre e diagnóstico clínico de faringoamigdalite bacteriana. Ela recebeu de uma vizinha a informação de que qualquer antibiótico obriga a interromper a amamentação por dez dias e por isso está considerando desmamar. Ao exame, temperatura axilar de 38,3 °C, exsudato amigdaliano, adenomegalia cervical dolorosa e sem sinais de complicação. A orientação correta é:
A maioria dos medicamentos de uso comum, incluindo antibióticos habitualmente empregados em infecções de vias aéreas, é compatível com a amamentação, e a orientação é escolher o fármaco adequado e manter o aleitamento, consultando fontes específicas de segurança na lactação quando houver dúvida. Suspender a amamentação sem necessidade compromete o vínculo, a produção de leite e a nutrição do lactente. Deixar de tratar uma infecção bacteriana expõe a mãe a complicações. Substituir por chás não trata a infecção e pode retardar a melhora.
Mãe de lactente de 2 meses, em aleitamento materno exclusivo, procura a Unidade Básica de Saúde porque foi diagnosticada com infecção urinária e o médico do pronto-atendimento disse que ela precisaria suspender a amamentação durante o uso do antibiótico. Ela está muito preocupada com a possibilidade de perder o leite e pergunta se existe alternativa. Ao exame do lactente: ativo, corado, com ganho de peso adequado e sem intercorrências. A mãe está afebril e clinicamente estável. Qual é a orientação correta?
A maioria dos antimicrobianos usados para infecção urinária é compatível com a amamentação, e a conduta correta é consultar fontes confiáveis sobre compatibilidade e escolher uma alternativa segura, mantendo o aleitamento, pois interrupções desnecessárias levam a desmame precoce. Suspender o aleitamento sem necessidade compromete a produção e o vínculo. Substituir definitivamente por fórmula é conduta ainda mais prejudicial. Ordenhar e descartar o leite por todo o tratamento é medida desnecessária quando o fármaco é compatível.
Mãe de lactente de 2 meses procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa durante as mamadas e fissuras nos mamilos, com sangramento ocasional, desde a maternidade. Está pensando em desmamar por não suportar a dor. Ao exame da mamada: o bebê é posicionado longe do corpo da mãe, com a cabeça fletida, abocanha apenas o mamilo, com lábios invertidos e bochechas encovadas, produzindo estalidos durante a sucção. As mamas apresentam fissuras nas pontas dos mamilos, sem sinais de infecção. Qual é a conduta mais adequada?
A causa mais frequente de fissura mamilar é a pega inadequada, evidenciada aqui por abocanhamento apenas do mamilo, lábios invertidos, bochechas encovadas e estalidos, de modo que a conduta é corrigir posicionamento e pega com apoio prático, o que alivia a dor e permite a cicatrização, mantendo o aleitamento. Suspender a amamentação reduz a produção e leva ao desmame. Pomadas não corrigem a causa mecânica do trauma. O bico de silicone pode ser recurso temporário em situações específicas, mas não substitui a correção da técnica.
Puérpera de 22 anos, no quarto dia após o parto, procura a Unidade Básica de Saúde com mamas muito endurecidas, doloridas e quentes, com dificuldade do bebê para abocanhar. Nega febre alta e não há área localizada de eritema. Ao exame: mamas globalmente ingurgitadas, tensas e brilhantes, com aréolas endurecidas, temperatura axilar de 37,6 °C, sem ponto de flutuação, sem eritema localizado e sem fissuras. O bebê está com ganho de peso adequado e diurese normal. Qual é a conduta correta?
No ingurgitamento mamário a conduta é o esvaziamento efetivo, com ordenha manual da aréola para amolecê-la e permitir a pega, mamadas frequentes em livre demanda e compressas frias nos intervalos para reduzir o edema e a dor. Suspender as mamadas agrava a estase e favorece a evolução para mastite. Antibiótico não é indicado no ingurgitamento sem infecção. Compressas quentes prolongadas nos intervalos aumentam o edema, sendo o calor útil apenas brevemente antes da mamada para estimular a ejeção.
Recém-nascido a termo, com 3 dias de vida, é levado à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta e a mãe relata dificuldade para amamentar, com dor e fissuras nos mamilos. Ela conta que já ofereceu fórmula em mamadeira duas vezes porque achou que o leite era pouco. Ao exame, o bebê perdeu 9% do peso de nascimento, está discretamente ictérico até o tórax, com mucosas úmidas e diurese de três vezes ao dia. A observação da mamada mostra pega inadequada, com o bebê abocanhando apenas o mamilo. A conduta correta é
Perda ponderal próxima do limite, icterícia e diurese reduzida em recém-nascido com pega inadequada indicam ingestão insuficiente, e a conduta é corrigir pega e posicionamento, aumentar a frequência das mamadas e reavaliar em curto prazo, com complemento apenas se indicado e ofertado preferencialmente em copo para não prejudicar a sucção ao seio. Manter mamadeira e reduzir as mamadas diminui a produção láctea. Suspender o aleitamento agrava o quadro. Tranquilizar sem avaliar a mamada perde a causa corrigível.
Mulher de 27 anos, puérpera de 20 dias, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que precisará iniciar tratamento medicamentoso para uma condição clínica e teme ter de interromper a amamentação. Ela amamenta exclusivamente e o bebê está com ganho ponderal adequado. Ela relata que uma vizinha disse que qualquer remédio contamina o leite. Ao exame, a puérpera está bem, com mamas sem sinais inflamatórios, e o recém-nascido está eutrófico e ativo. A orientação correta quanto ao uso de medicamentos na lactação é
A maioria dos medicamentos é compatível com a amamentação, e a conduta correta é consultar fontes específicas de compatibilidade e priorizar fármacos seguros, evitando desmame desnecessário, que traz prejuízos comprovados à mãe e ao bebê. Interromper diante de qualquer prescrição é conduta equivocada e frequente. Suspender por 30 dias inviabiliza a manutenção da lactação sem justificativa. Fitoterápicos não são automaticamente seguros e muitos não têm dados de segurança na lactação.
Puérpera de 24 anos, internada em alojamento conjunto, tem dificuldade para amamentar e a mãe de outra puérpera do mesmo quarto se oferece para amamentar o bebê dela, alegando que tem leite em excesso. A equipe é chamada para orientar a situação. O recém-nascido está com 36 horas de vida, com perda ponderal de 6%, mamando com pega inadequada e sem sinais de desidratação. A puérpera está motivada a amamentar e não tem contraindicações clínicas ao aleitamento. A orientação correta da equipe é
O aleitamento cruzado é formalmente proscrito no Brasil pelo risco de transmissão de agentes infecciosos, sendo o leite de doadoras utilizado apenas após triagem e pasteurização em banco de leite humano; a conduta é apoiar tecnicamente a mãe na correção da pega e do posicionamento. Permitir o aleitamento cruzado ignora esse risco. Introduzir fórmula e encerrar o apoio compromete o estabelecimento da lactação. Repassar leite cru de outra mulher reproduz exatamente a prática proibida.
Menina de 6 meses é levada à Unidade Básica de Saúde e a mãe informa que precisará interromper o aleitamento porque será submetida a um exame de imagem com contraste e ouviu que precisará descartar o leite por vários dias. A criança está em aleitamento materno exclusivo, eutrófica, com desenvolvimento adequado e sem intercorrências. Ao exame, não há alterações e o ganho ponderal está adequado. A mãe está bem, sem doenças, e o exame foi solicitado para investigação de queixa musculoesquelética. A orientação correta é
A maioria dos contrastes utilizados em exames de imagem é compatível com a amamentação, com excreção mínima no leite e baixa absorção pelo lactente, de modo que a conduta é consultar fontes específicas de compatibilidade e evitar interrupções desnecessárias. Interromper por sete dias após qualquer exame é conduta sem respaldo e causa desmame evitável. Suspender definitivamente é ainda mais inadequado. Substituir o exame indicado apenas por essa razão pode comprometer a investigação clínica materna.
Menina de 7 meses é levada à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que precisará se ausentar por alguns dias e quer deixar leite materno ordenhado armazenado. Ela pergunta como coletar, armazenar e oferecer o leite com segurança. A criança está em aleitamento materno com alimentação complementar, eutrófica e sem intercorrências. Ao exame, não há alterações e o desenvolvimento é adequado. A família tem geladeira e freezer em casa e a cuidadora que ficará com a criança já foi orientada sobre as refeições. A orientação correta é
O leite materno ordenhado deve ser coletado com higiene rigorosa, armazenado em frasco de vidro com tampa plástica sob refrigeração ou congelamento, com identificação de data, e aquecido em banho-maria sem ferver, preservando fatores imunológicos. Armazenar em temperatura ambiente por 24 horas favorece contaminação. O micro-ondas aquece de forma desigual, com risco de queimadura e perda de propriedades. A fervura destrói componentes bioativos e não é recomendada.
Recém-nascido a termo, com 20 dias de vida, é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe relata que produz pouco leite e que já introduziu fórmula em mamadeira, oferecendo o seio apenas ocasionalmente. Ela deseja voltar a amamentar exclusivamente. O bebê está eutrófico, com ganho ponderal adequado, e a mãe não tem doenças nem usa medicamentos. Ao exame, as mamas não apresentam sinais inflamatórios e a produção láctea está reduzida. A criança suga bem quando colocada ao seio, com pega adequada após orientação. A conduta correta é
A relactação é possível e se baseia no aumento da frequência das mamadas, na ordenha para estímulo da produção, na oferta do complemento por métodos que não prejudiquem a sucção ao seio e na sua redução gradual, com acompanhamento próximo. Afirmar impossibilidade de retomar o aleitamento é incorreto e desestimula a mãe. Reduzir as mamadas ao seio diminui ainda mais a produção. Galactagogos não são primeira linha e não substituem a correção do manejo da amamentação.
Menino de 6 meses é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe informa que retornará ao trabalho e pretende manter o aleitamento com ordenha, mas está preocupada porque ouviu que o leite ordenhado perde as propriedades. A criança está em aleitamento materno exclusivo, eutrófica, com desenvolvimento adequado. Ao exame, não há alterações e a mãe está bem, sem sinais de mastite ou fissuras. Ela tem acesso a local adequado para ordenha no trabalho e geladeira disponível. A orientação correta é
O leite materno ordenhado mantém suas propriedades nutricionais e imunológicas quando coletado com higiene e armazenado corretamente sob refrigeração ou congelamento, permitindo a continuidade do aleitamento após o retorno ao trabalho. Afirmar perda dos fatores de proteção é incorreto e induz ao desmame. Interromper o aleitamento por retorno ao trabalho não é necessário. A fervura destrói componentes bioativos e não é recomendada, sendo o aquecimento feito em banho-maria.
Puérpera de 22 anos, com bebê de 7 dias, procura a Unidade Básica de Saúde com dor intensa durante as mamadas e fissuras nos mamilos. Relata que já pensou em desmamar. Ao exame, mamilos com fissuras superficiais, sem sinais flogísticos, mamas sem áreas endurecidas ou hiperemiadas, temperatura axilar normal. Observando a mamada, nota-se que o bebê abocanha apenas o mamilo, com lábios voltados para dentro, queixo afastado da mama e bochechas encovadas. A conduta correta é:
A principal causa de fissura mamilar é a pega inadequada, evidenciada aqui pela abocanhadura apenas do mamilo, lábios invertidos, queixo afastado e bochechas encovadas; a conduta é observar a mamada, corrigir pega e posicionamento, orientar cuidados locais e manter o aleitamento com acompanhamento, com melhora rápida da dor. Suspender a amamentação compromete a produção de leite e o vínculo. Antibiótico não é indicado sem sinais de infecção. Substituir por fórmula desnecessariamente priva o lactente dos benefícios do leite materno.
Puérpera de 30 anos, com boa produção de leite e bebê ganhando peso adequadamente, comenta na Unidade Básica de Saúde que costuma descartar o excedente ordenhado. Ela é saudável, não fuma, não usa medicações contraindicadas, não tem doenças infecciosas conhecidas e realizou todos os exames do pré-natal, com sorologias não reagentes. A equipe considera orientá-la sobre a possibilidade de doação de leite humano ao banco de leite da região. A orientação correta é:
Os bancos de leite humano coletam, processam e distribuem leite pasteurizado a recém-nascidos internados, sobretudo prematuros e de muito baixo peso, com impacto documentado na redução de enterocolite necrosante e de infecções; doadoras saudáveis, com excedente e sem contraindicações, devem ser informadas sobre critérios e cuidados de ordenha, armazenamento e transporte. Desestimular a doação contraria evidências consolidadas. Não há restrição da doação a mães de bebês internados. A comercialização de leite humano é vedada.
Mulher de 32 anos, no terceiro dia de puerpério após parto vaginal, é atendida na enfermaria com queixa de dor e endurecimento nas duas mamas, que estão tensas, quentes, brilhantes e muito dolorosas, dificultando a pega do recém-nascido. A temperatura axilar é de 37,7 °C, não há eritema em cunha, não há flutuação e não há mal-estar sistêmico. O bebê mama pouco e chora ao ser aproximado. Ela nega febre, dispneia, dor torácica e sangramento anormal, e o restante do exame físico não mostra alterações. Os exames laboratoriais recentes estão dentro da normalidade e o puerpério vinha transcorrendo sem intercorrências. A conduta correta é
O quadro é de ingurgitamento mamário fisiológico da apojadura, e o tratamento consiste em ordenha manual prévia para amolecer a aréola e permitir a pega, esvaziamento frequente pelo próprio bebê e compressas frias entre as mamadas para reduzir o edema e a dor. Suspender a amamentação e enfaixar as mamas agrava a estase e favorece mastite e desmame. Antibiótico não está indicado sem sinais de infecção localizada, e o quadro é bilateral, simétrico e sem eritema em cunha. Compressas quentes entre as mamadas aumentam a vasodilatação e o ingurgitamento, sendo úteis apenas imediatamente antes da ordenha.
Mulher de 26 anos, em tratamento de tuberculose pulmonar bacilífera há três semanas, com boa adesão e melhora clínica, dá à luz recém-nascido a termo e saudável. Ela deseja amamentar, mas a equipe da maternidade diverge sobre a conduta, temendo transmissão ao bebê. Ao exame: mãe afebril, com melhora da tosse, em uso regular da medicação, e recém-nascido vigoroso, sem sinais de infecção, com peso adequado. Não há tuberculose mamária. Qual é a orientação correta?
A tuberculose materna não contraindica o aleitamento, que deve ser mantido com orientação de uso de máscara pela mãe enquanto houver transmissibilidade, além de avaliação do recém-nascido e instituição de quimioprofilaxia ou tratamento conforme o protocolo, salvo em situações específicas como tuberculose mamária. Contraindicar o aleitamento prejudica o binômio sem necessidade. Separar mãe e filho por meses é medida desproporcional e danosa. Suspender o tratamento materno mantém a transmissibilidade e agrava a doença.
Mulher de 32 anos, no terceiro dia de puerpério após parto vaginal, é atendida na enfermaria com queixa de dor e endurecimento nas duas mamas, que estão tensas, quentes, brilhantes e muito dolorosas, dificultando a pega do recém-nascido. A temperatura axilar é de 37,7 °C, não há eritema em cunha, não há flutuação e não há mal-estar sistêmico. O bebê mama pouco e chora ao ser aproximado. Ela é primigesta, recebeu orientação sobre pega ainda na maternidade e não tem antecedente de cirurgia mamária. O recém-nascido está com perda ponderal de 6% e diurese adequada para a idade. A conduta correta é
O quadro é de ingurgitamento mamário fisiológico da apojadura, e o tratamento consiste em ordenha manual prévia para amolecer a aréola e permitir a pega, esvaziamento frequente pelo próprio bebê e compressas frias entre as mamadas para reduzir o edema e a dor. Suspender a amamentação e enfaixar as mamas agrava a estase e favorece mastite e desmame. Antibiótico não está indicado sem sinais de infecção localizada, e o quadro é bilateral, simétrico e sem eritema em cunha. Compressas quentes entre as mamadas aumentam a vasodilatação e o ingurgitamento, sendo úteis apenas imediatamente antes da ordenha.
Gestante de 24 anos, com 12 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que faz tratamento para tuberculose pulmonar há dois meses com o esquema básico, com boa adesão e melhora clínica. Ela pergunta se poderá amamentar e se o bebê precisará de algum cuidado ao nascer. Está com ganho ponderal adequado, sem tosse produtiva atual, com baciloscopias de controle negativas e sem outras queixas. A pressão arterial é de 108x66 mmHg e o exame obstétrico é normal. A orientação correta é
O aleitamento é permitido durante o tratamento da tuberculose, com medidas de proteção respiratória enquanto houver bacilífera, e o recém-nascido é avaliado quanto à necessidade de tratamento de infecção latente e ao momento da BCG conforme protocolo. Contraindicar o aleitamento de forma absoluta é incorreto e prejudica o binômio. Suspender o tratamento favorece recidiva e resistência. Separar mãe e recém-nascido por 30 dias não é conduta recomendada em paciente em tratamento com boa resposta.
Puérpera de 28 anos, no décimo dia após parto vaginal, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo que o bebê chora muito e que ela acha que o leite secou, pois as mamas ficaram macias. Ela amamenta em livre demanda e o recém-nascido faz cerca de dez mamadas em 24 horas. Ao exame, o bebê está corado, hidratado, com ganho de 200 g na última semana, seis a oito micções e três a quatro evacuações amareladas por dia. As mamas estão macias, sem sinais inflamatórios, com saída de leite à expressão. A orientação correta é
Após a adaptação da produção láctea, as mamas tornam-se macias sem que isso signifique redução da oferta, e os indicadores de adequação são o ganho ponderal, o número de micções e evacuações e o comportamento do bebê, todos satisfatórios no caso. Introduzir fórmula reduz a sucção e a produção, iniciando o desmame. Galactagogos não são indicados sem avaliação e sem evidência de baixa produção. Reduzir a frequência das mamadas diminui o estímulo e a produção de leite.
Puérpera de 25 anos, no sexto dia após parto vaginal, comparece à Unidade Básica de Saúde com fissuras mamilares dolorosas e sangramento discreto ao amamentar. Ela relata dor intensa durante toda a mamada e refere que o bebê solta o peito com frequência. Ao exame, há fissuras lineares em ambos os mamilos, sem sinais de infecção, e a observação da mamada mostra que o bebê abocanha apenas o mamilo, com lábios invertidos e queixo afastado da mama. O recém-nascido tem ganho ponderal adequado. A conduta correta é
As fissuras mamilares decorrem quase sempre de pega inadequada, e a conduta é corrigir a pega e o posicionamento, orientar ordenha de alívio quando necessário e uso do próprio leite nas lesões, mantendo o aleitamento, o que promove cicatrização e alívio da dor. Suspender a amamentação favorece ingurgitamento e desmame. Antibiótico não é indicado sem sinais de infecção. Introduzir mamadeira gera confusão de bicos e perpetua a pega inadequada.
Gestante de 27 anos, com 32 semanas, gemelar, é internada com trabalho de parto prematuro e recebe corticoterapia e tocólise. Ela pergunta se será possível amamentar os dois bebês e demonstra insegurança, pois ouviu dizer que não há leite suficiente para gêmeos. Ela está estável, com pressão arterial de 114x72 mmHg, e ambos os fetos têm crescimento adequado e Doppler normal. A cardiotocografia de ambos é tranquilizadora e não há sinais de infecção. A orientação correta é
A produção láctea responde à demanda, e a amamentação de gêmeos é possível com apoio técnico para pega, posicionamento simultâneo ou alternado e ordenha quando necessário, especialmente em prematuros que ainda não coordenam a sucção. Afirmar impossibilidade induz ao desmame precoce. Amamentar apenas um dos bebês cria desigualdade sem justificativa fisiológica. Adiar a orientação perde a oportunidade de preparar a mãe antes do nascimento, momento em que o apoio é mais eficaz.
Puérpera de 24 anos, no décimo dia após parto vaginal, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta e relata que a produção de leite diminuiu desde que voltou a morar sozinha, e que uma vizinha ofereceu amamentar o bebê por algumas mamadas para ajudar. O recém-nascido está com peso 4% abaixo do peso de nascimento, ativo, com diurese e evacuações adequadas. Ao exame, as mamas estão sem sinais inflamatórios, com pega inadequada observada durante a mamada e mamilos com fissura superficial. A orientação correta é
O aleitamento cruzado, isto é, amamentação por outra mulher que não a mãe, é formalmente desaconselhado pelo risco de transmissão de infecções, como o HIV, sendo a conduta correta corrigir a pega, aumentar a frequência das mamadas e oferecer apoio da equipe, com leite humano pasteurizado de banco de leite quando necessário. Autorizar com base em ausência de queixas ignora o período de janela imunológica. Fórmula em todas as mamadas reduz o estímulo e não corrige a causa. Descartar o leite por fissura superficial é desnecessário e agrava a queda da produção.
Mãe de recém-nascido prematuro de 30 semanas, internado em unidade neonatal, procura a equipe porque tem produção abundante de leite e deseja doar o excedente. Ela realiza ordenha várias vezes ao dia, tem sorologias do pré-natal não reagentes e não usa medicamentos contraindicados. O serviço conta com banco de leite humano na região e ela pergunta como proceder e se a doação prejudicará a alimentação do próprio filho. A puérpera está bem, sem febre, com mamas sem sinais inflamatórios e ferida operatória em boa evolução. A orientação correta é
A doação de leite humano excedente ao banco de leite é segura e incentivada, com triagem de doadoras por critérios clínicos e sorológicos, e não prejudica a oferta ao próprio filho, pois a produção é regulada pela demanda e pela ordenha frequente. Desaconselhar a doação desperdiça um recurso essencial para prematuros. Não há necessidade de suspender o aleitamento do próprio filho. A doação pode ocorrer durante a internação, sendo esse justamente um período em que muitas mães ordenham regularmente.
Puérpera de 33 anos, no décimo quinto dia após o parto, comparece à Unidade Básica de Saúde relatando dificuldade em manter a amamentação porque o recém-nascido recebeu complemento em mamadeira na maternidade e agora recusa o peito. Ela deseja retomar o aleitamento exclusivo e a produção de leite está reduzida. O recém-nascido tem ganho ponderal adequado com o complemento e exame físico normal. A mãe está motivada e conta com apoio familiar em casa, sem sinais de depressão pós-parto. A conduta correta é
A relactação exige estímulo frequente das mamas, oferta do complemento por técnica que não gere confusão de bicos, como copo ou sonda junto ao peito, e redução gradual do volume complementado com vigilância do ganho ponderal e apoio à mãe. Manter mamadeira e desistir da amamentação contraria o desejo materno e a recomendação. Suspender abruptamente todo o complemento arrisca desidratação e perda ponderal. Galactagogo isolado, sem manejo da técnica e do estímulo, não é a primeira medida.
Puérpera de 27 anos, no sétimo dia após o parto, comparece à Unidade Básica de Saúde com quadro gripal, apresentando febre de 38,2 °C, tosse e coriza há dois dias, com teste rápido positivo para influenza. Ela amamenta exclusivamente e está preocupada em transmitir a doença ao recém-nascido, perguntando se deve interromper a amamentação e afastar-se do bebê. Ela está eupneica, com saturação de 97%, sem sinais de gravidade e sem comorbidades. O recém-nascido está assintomático, com bom ganho ponderal. A orientação correta é
Na influenza, o aleitamento materno deve ser mantido, pois o leite fornece anticorpos protetores e a transmissão ocorre por via respiratória, sendo suficientes a higiene das mãos e o uso de máscara durante os cuidados, além do antiviral indicado à puérpera, que integra grupo prioritário. Suspender o aleitamento retira proteção justamente quando ela é mais necessária. Ferver o leite destrói componentes imunológicos. Separar mãe e recém-nascido prejudica o vínculo e a amamentação sem reduzir efetivamente o risco.
Puérpera de 30 anos, no décimo dia após o parto, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que precisará realizar cintilografia com radiofármaco para investigação de nódulo tireoidiano. Ela amamenta exclusivamente e pergunta se poderá continuar amamentando após o exame. O recém-nascido está com bom ganho ponderal e o aleitamento está bem estabelecido, com boa pega e mamadas frequentes. Ela não apresenta sinais de disfunção tireoidiana e está clinicamente bem, com exame físico normal. A orientação correta é
Radiofármacos passam ao leite materno e exigem interrupção temporária da amamentação por período que varia conforme o agente e sua meia-vida, sendo a conduta orientar ordenha e armazenamento prévios, manter a ordenha com descarte no intervalo para preservar a produção e retomar a amamentação depois. Interrupção definitiva é desnecessária na maioria dos casos. Afirmar ausência de passagem ao leite é incorreto. Adiar exame indicado até o desmame pode retardar diagnóstico relevante.
Gestante de 26 anos, com 39 semanas, é admitida em trabalho de parto em maternidade credenciada como Hospital Amigo da Criança e a equipe organiza a assistência conforme os passos preconizados para o sucesso do aleitamento. Ela deseja amamentar, teve pré-natal completo e não apresenta contraindicações ao aleitamento. O parto evolui sem intercorrências, com recém-nascido a termo vigoroso, chorando ao nascer e com bom tônus muscular. A mãe está estável e sem sangramento anormal no pós-parto imediato. A prática preconizada é
A iniciativa que qualifica hospitais para o aleitamento preconiza contato pele a pele imediato, apoio ao início da amamentação na primeira hora de vida, alojamento conjunto e não uso de bicos artificiais, práticas associadas a maior duração do aleitamento. Encaminhar o recém-nascido vigoroso ao berçário separa desnecessariamente a dupla. Complemento de rotina não previne hipoglicemia em recém-nascido a termo sem fatores de risco. A chupeta interfere na pega e é desaconselhada nas primeiras semanas.
Recém-nascido a termo, filho de mãe com sorologia reagente para HTLV identificada no pré-natal, nasce em boas condições e está no alojamento conjunto. A mãe deseja amamentar e pergunta se pode fazê-lo, pois ouviu informações contraditórias na maternidade. Ao exame: recém-nascido ativo, corado, com boa sucção, sem visceromegalias e sem alterações. A equipe consulta as recomendações vigentes sobre aleitamento nessa situação específica. Qual é a orientação correta?
A transmissão do HTLV ocorre de forma significativa pelo aleitamento materno, sobretudo quando prolongado, motivo pelo qual o aleitamento é contraindicado em mães com sorologia reagente no Brasil, com oferta de fórmula infantil, inibição da lactação e acompanhamento do binômio e da criança. Manter o aleitamento expõe o lactente ao risco de infecção com repercussões tardias. Pasteurização domiciliar não é procedimento seguro nem recomendado. Aleitamento cruzado é formalmente proscrito pelo risco de transmissão de infecções.
Puérpera de 28 anos, no terceiro dia após parto vaginal, apresenta teste positivo para covid-19, com sintomas leves de coriza e dor de garganta, sem febre e sem dispneia. Ela está em alojamento conjunto com o recém-nascido, em aleitamento materno exclusivo, e pergunta se deve se separar do bebê. Está com saturação de 98%, pressão arterial de 116x74 mmHg e exame físico sem alterações. O recém-nascido está assintomático, com bom ganho ponderal e exame físico normal, mamando bem ao peito. A orientação correta é
Na covid-19 materna com sintomas leves, mantêm-se o alojamento conjunto e o aleitamento materno, com higiene das mãos, uso de máscara e cuidados de etiqueta respiratória, pois a separação prejudica o vínculo e a amamentação sem benefício demonstrado. Separar até a negativação do teste é conduta desnecessária. Substituir por fórmula retira a proteção do leite materno. Pasteurização domiciliar não é recomendada e não substitui as medidas de precaução.
Puérpera de 29 anos, no primeiro dia após parto vaginal com laceração de segundo grau suturada, refere dor perineal moderada e cólicas uterinas durante as mamadas, que dificultam o repouso e a amamentação. Ela está afebril, com pressão arterial de 114x72 mmHg, útero contraído e loquiação fisiológica, sem sinais de infecção ou de hematoma. Ela amamenta exclusivamente e pergunta quais analgésicos pode tomar sem prejudicar o bebê. Não tem alergias nem contraindicações a anti-inflamatórios. A conduta correta é
A dor perineal e as cólicas uterinas do puerpério são tratadas com analgesia multimodal usando paracetamol ou dipirona associados a anti-inflamatório não esteroidal, todos compatíveis com a lactação, além de medidas locais, pois a dor não tratada prejudica a amamentação e a mobilização. Deixar a puérpera sem analgesia é conduta inadequada. Opioide potente não é a primeira escolha para dor moderada. Suspender o aleitamento é desnecessário com fármacos compatíveis.
Puérpera de 27 anos, no segundo dia após parto de natimorto de 34 semanas, apresenta ingurgitamento mamário doloroso, com mamas endurecidas e desconforto importante, e refere sofrimento adicional por causa da produção de leite. Ela não deseja doar leite e solicita orientação para interromper a lactação. Está afebril, com pressão arterial de 116x74 mmHg, útero contraído e loquiação fisiológica, sem sinais de infecção mamária. Ela está acompanhada e recebendo apoio psicológico da equipe. A conduta correta é
Após perda perinatal, o manejo da lactação deve seguir o desejo da mulher, oferecendo medidas de conforto, ordenha apenas de alívio e discussão sobre inibição farmacológica quando desejada e sem contraindicações, associadas ao suporte emocional. O enfaixamento compressivo e a restrição hídrica são práticas superadas e aumentam o desconforto. Ordenha completa e frequente mantém a produção, contrariando o objetivo. Afirmar ausência de medidas desassiste a paciente.
Puérpera de 24 anos, no segundo mês após o parto, comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que pretende fazer uma tatuagem e colocar um piercing, e pergunta se precisa interromper a amamentação para isso. Ela amamenta exclusivamente, o recém-nascido tem bom ganho ponderal e ela está sem intercorrências clínicas. Está com pressão arterial de 110x68 mmHg, sem sinais de infecção e com sorologias do pré-natal não reagentes. Ela relata que o estúdio escolhido foi indicado por uma amiga. A orientação correta é
A realização de tatuagem ou piercing não exige interrupção da amamentação, sendo a orientação relevante a escolha de estabelecimento com boas práticas de biossegurança e material descartável, pelo risco de transmissão de hepatites e HIV, com atenção a sinais de infecção local. Suspender a amamentação por 30 dias é desnecessário. Contraindicação formal universal não tem respaldo. Não há evidência de passagem significativa da tinta ao leite com intoxicação do lactente.
Puérpera de 29 anos, no vigésimo dia após o parto, comparece à Unidade Básica de Saúde e relata que havia parado de fumar durante a gestação, mas voltou a fumar cerca de cinco cigarros por dia após o nascimento do bebê, por ansiedade e privação de sono. Ela amamenta exclusivamente e o lactente tem bom ganho ponderal. Está com pressão arterial de 114x72 mmHg e sem intercorrências clínicas. Ela pergunta se deve interromper a amamentação por estar fumando novamente. A conduta correta é
O aleitamento materno deve ser mantido mesmo na puérpera tabagista, pois seus benefícios superam os riscos da exposição, orientando-se não fumar em ambientes fechados nem próximo ao lactente, distanciar o fumo das mamadas e apoiar nova tentativa de cessação, período de alta recaída. Suspender o aleitamento retira proteção do lactente. Negar riscos da exposição ao tabaco é incorreto. Substituir por fórmula não reduz a exposição à fumaça.
Puérpera de 28 anos, no primeiro dia após parto vaginal, é portadora crônica do vírus da hepatite B, com carga viral baixa e sem sinais de hepatopatia. O recém-nascido recebeu, nas primeiras horas de vida, a vacina contra hepatite B e a imunoglobulina específica, conforme o protocolo. Ela está bem, com pressão arterial de 114x72 mmHg, mamas sem sinais inflamatórios e boa pega ao peito. Ela pergunta se pode amamentar ou se deve oferecer fórmula ao bebê. A orientação correta é
O aleitamento materno não é contraindicado na portadora do vírus da hepatite B quando o recém-nascido recebe vacina e imunoglobulina específica nas primeiras horas de vida, orientando-se cuidados adicionais diante de fissuras mamilares com sangramento. Contraindicar o aleitamento retira benefícios sem reduzir risco. Aguardar a segunda dose da vacina não tem fundamento. Pasteurização domiciliar não é recomendada nem necessária nesse contexto.
Recém-nascido a termo, filho de mãe com sorologia reagente para HTLV identificada no pré-natal, nasce em boas condições e está no alojamento conjunto. A mãe deseja amamentar e pergunta se pode fazê-lo, pois ouviu informações contraditórias na maternidade. Ao exame: recém-nascido ativo, corado, com boa sucção, sem visceromegalias e sem alterações. A equipe consulta as recomendações vigentes sobre aleitamento nessa situação específica e sobre o acompanhamento posterior da criança exposta. Qual é a orientação correta?
A transmissão do HTLV ocorre de forma significativa pelo aleitamento materno, sobretudo quando prolongado, motivo pelo qual o aleitamento é contraindicado em mães com sorologia reagente no Brasil, com oferta de fórmula infantil, inibição da lactação e acompanhamento do binômio e da criança. Manter o aleitamento expõe o lactente ao risco de infecção com repercussões tardias. Pasteurização domiciliar não é procedimento seguro nem recomendado. Aleitamento cruzado é formalmente proscrito pelo risco de transmissão de infecções.
Puérpera de 22 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no décimo dia após parto vaginal, queixando-se de dor intensa ao amamentar e de fissuras nos mamilos. Relata que o recém-nascido mama a cada duas horas, com mamadas longas, e que ela sente dor durante toda a mamada. Ao exame, há fissuras superficiais em ambos os mamilos, sem sinais de infecção, e a observação da mamada mostra o bebê abocanhando apenas o mamilo, com lábios invertidos e bochechas encovadas. Qual é a conduta prioritária?
As fissuras mamilares decorrem, na maioria das vezes, de pega inadequada, e a conduta prioritária é corrigir a pega e o posicionamento, medida que alivia a dor e permite a manutenção do aleitamento. Suspender a amamentação compromete a produção láctea e o vínculo, além de ser desnecessária. O antibiótico não está indicado sem sinais de infecção estabelecida. O bico de silicone pode ser recurso transitório em situações específicas, mas não corrige a causa e pode perpetuar a pega inadequada.
Puérpera de 30 anos, com bebê de dois meses, comparece à Unidade Básica de Saúde para orientação antes de retornar ao trabalho. Deseja manter o aleitamento materno exclusivo e pretende ordenhar o leite para que a avó ofereça ao bebê durante sua ausência. Ela pergunta como coletar, guardar e oferecer o leite com segurança. Não há intercorrências no puerpério, o bebê está com ganho ponderal adequado e a mãe não usa medicamentos contraindicados na amamentação. Qual orientação é correta?
O leite ordenhado deve ser coletado em frasco de vidro com tampa plástica previamente fervido, mantido refrigerado ou congelado conforme o prazo de uso, e aquecido em banho-maria fora do fogo, preservando seus componentes imunológicos. A fervura destrói fatores de proteção do leite. O micro-ondas aquece de forma irregular, com risco de queimadura na criança e perda de propriedades. Manter o leite por 12 horas em temperatura ambiente permite proliferação bacteriana e não é orientação segura.
Puérpera de 28 anos com hepatite C crônica, sem tratamento antiviral prévio, é atendida no alojamento conjunto após parto vaginal a termo. O recém-nascido está bem, com boa vitalidade, e ela deseja amamentar. As mamas estão íntegras, sem fissuras ou sangramento nos mamilos, e ela não tem coinfecção pelo HIV. A carga viral do vírus da hepatite C é detectável e a função hepática está preservada, sem sinais de cirrose. Qual é a orientação correta sobre a amamentação?
A infecção pelo vírus da hepatite C não contraindica o aleitamento materno, mas fissuras com sangramento aumentam o risco teórico de transmissão e justificam suspensão temporária da mama afetada com ordenha e cuidados locais. Contraindicar de forma absoluta priva o binômio dos benefícios do aleitamento sem respaldo. Condicionar a amamentação ao tratamento prévio inviabiliza a lactação sem necessidade. Manter a mamada em mamilo sangrante ignora justamente a única ressalva relevante da recomendação.
Puérpera de 23 anos comparece à Unidade Básica de Saúde no 20º dia pós-parto dizendo que seu leite é fraco e insuficiente, pois o bebê mama a cada duas horas e chora à noite. Já comprou fórmula infantil por orientação de familiares. Ao exame, o recém-nascido está ativo, com ganho ponderal adequado desde a alta, molhando seis a oito fraldas por dia, e a observação da mamada mostra pega adequada e deglutição audível. As mamas não apresentam sinais inflamatórios. Qual é a conduta adequada?
Ganho ponderal adequado, diurese frequente, pega correta e deglutição audível são os sinais objetivos de produção suficiente, e a conduta é acolher a insegurança materna e manter o aleitamento em livre demanda, o que preserva a produção. Complementar com fórmula reduz o estímulo de sucção e diminui a produção, criando o problema que se quer evitar. Galactagogos não são indicados quando a produção está adequada. Impor intervalos fixos contraria a fisiologia da lactação e reduz a oferta de leite.
Mulher, 24 anos, primípara, no 4º dia após parto vaginal, procura a unidade básica com mamas endurecidas, dolorosas, quentes e brilhantes, com aréolas tensas, dificultando a pega do recém-nascido. T axilar 37,6 °C, PA 112/70 mmHg, FC 84 bpm. Não há hiperemia localizada, flutuação ou saída de secreção purulenta. O bebê mama com dificuldade e chora ao ser colocado ao peito, com boa diurese registrada. Qual a conduta correta?
Ordenhar a aréola antes da mamada para amolecê-la e permitir a pega adequada, aumentar a frequência das mamadas, aplicar compressas frias nos intervalos e oferecer analgesia é o tratamento do ingurgitamento mamário, quadro bilateral com febre baixa que decorre da apojadura e da drenagem insuficiente. Suspender o aleitamento e enfaixar as mamas agrava a estase e favorece a evolução para mastite. O antibiótico é reservado à mastite infecciosa, caracterizada por área de hiperemia localizada, dor intensa unilateral e febre alta, achados ausentes. A cabergolina inibe a lactação em paciente que deseja amamentar e não trata a causa. A drenagem cirúrgica destina-se ao abscesso mamário, que exigiria flutuação e coleção confirmada por ultrassom.
Mulher, 21 anos, primípara, no 6º dia de puerpério, refere dor intensa no início de cada mamada e fissuras sangrantes em ambos os mamilos. Ao observar a mamada, nota-se que o bebê abocanha apenas a ponta do mamilo, com lábios invertidos, bochechas encovadas, queixo afastado da mama e ruído de estalo. T 36,6 °C, mamas sem hiperemia ou nódulos. Ganho ponderal do recém-nascido abaixo do esperado. Qual a conduta inicial?
Corrigir a pega e o posicionamento é a conduta inicial, pois os sinais descritos — abocanhamento apenas do mamilo, lábios invertidos, bochechas encovadas, queixo afastado e ruído de estalo — caracterizam pega inadequada, que é a causa da fissura e do ganho ponderal insuficiente; a pega correta tem boca bem aberta, aréola mais visível acima da boca e queixo tocando a mama. Introduzir fórmula em mamadeira acrescenta confusão de bicos e reduz o estímulo à produção sem tratar a causa. Pomadas com corticoide e antibiótico tópico não são recomendadas de rotina e não corrigem o trauma mecânico. O bico de silicone de uso permanente reduz a transferência de leite e perpetua o baixo ganho. Suspender as mamadas por 72 horas prejudica a lactogênese e não resolve o erro de técnica.
Puérpera de 30 anos, no 2º dia após parto vaginal, apresenta os seguintes dados: sorologia reagente para HTLV-1, hepatite C com carga viral detectável, uso de metformina para diabetes tipo 2, tratamento de tuberculose pulmonar iniciado há 3 semanas com boa evolução e citomegalovírus IgG reagente. Recém-nascido a termo, com 3.150 g, em alojamento conjunto. T materna 36,6 °C, PA 116/72 mmHg, mamas sem alterações. Qual dessas condições contraindica de forma absoluta o aleitamento materno?
A infecção pelo HTLV-1 é contraindicação absoluta ao aleitamento materno, pois o vírus é transmitido pelos linfócitos do leite e a amamentação prolongada é a principal via de transmissão vertical, ao lado da infecção pelo HIV. A hepatite C não contraindica a amamentação, exceto se houver fissuras sangrantes, situação em que se suspende temporariamente. A metformina é compatível com a lactação, com passagem mínima para o leite. A tuberculose pulmonar após duas semanas de tratamento efetivo deixa de ser bacilífera, e mesmo antes disso a orientação é manter o aleitamento com uso de máscara pela mãe. O citomegalovírus IgG reagente indica infecção passada e não contraindica a amamentação em recém-nascido a termo.
Mulher, 30 anos, no 20º dia de puerpério, em aleitamento materno exclusivo, precisa iniciar tratamentos simultâneos: analgesia para dor lombar, antibiótico para infecção urinária baixa e um antidepressivo por episódio depressivo leve. Está estável, PA 118/74 mmHg, T 36,6 °C, sem sinais de infecção sistêmica. O recém-nascido é a termo, hígido, com bom ganho ponderal e sem comorbidades conhecidas. Qual conjunto de fármacos é compatível com a amamentação?
Paracetamol ou ibuprofeno como analgésicos, nitrofurantoína ou cefalexina como antibióticos e sertralina como antidepressivo compõem o conjunto compatível com a amamentação, todos com baixa passagem para o leite e ampla experiência de uso em lactantes. A codeína em dose alta pode causar depressão respiratória no lactente, sobretudo em metabolizadores ultrarrápidos, e o ciprofloxacino é evitável havendo alternativas melhores. O ácido acetilsalicílico em dose analgésica associa-se a risco de síndrome de Reye, a tetraciclina afeta dentes e ossos e o lítio atinge concentrações significativas no lactente. O cloranfenicol pode causar supressão medular e a amitriptilina em altas doses provoca sedação no lactente. A sulfametoxazol-trimetoprima deve ser evitada no primeiro mês pelo risco de icterícia por deslocamento da bilirrubina.
Mulher, 25 anos, primípara, no 3º dia de puerpério, refere que só agora as mamas ficaram cheias e que antes saía apenas um líquido amarelado em pequena quantidade, o que a fez pensar que não tinha leite. Está bem, T 36,6 °C, PA 114/72 mmHg, mamas sem sinais inflamatórios e recém-nascido com boa pega, diurese adequada e perda de 6% do peso de nascimento. Qual a explicação fisiológica correta?
A explicação correta é que a queda abrupta da progesterona após a saída da placenta remove o bloqueio à ação da prolactina e desencadeia a lactogênese II, ou apojadura, geralmente entre o 2º e o 4º dia, sendo o colostro, rico em imunoglobulinas e produzido em pequeno volume, a secreção normal dos primeiros dias. Inverter os papéis hormonais é incorreto, pois a prolactina promove a síntese e a ocitocina, a ejeção do leite. O colostro tem alto valor imunológico e nutricional e não deve ser substituído por fórmula. A apojadura independe de galactagogos, que não são necessários nesse contexto. Uma perda de até 7% a 10% do peso de nascimento é fisiológica nos primeiros dias e, com boa pega e diurese adequada, não indica complementação.
Mulher, 28 anos, primípara, no 12º dia de puerpério, relata que o recém-nascido chora muito e mama a cada 3 horas por 5 minutos em apenas uma mama, por orientação de familiares. O bebê recuperou o peso de nascimento apenas hoje e apresenta 4 micções por dia. Mamas pouco túrgidas, sem lesões. T materna 36,5 °C, PA 116/74 mmHg, sem uso de medicações e sem antecedente de cirurgia mamária. Qual a conduta inicial correta?
Corrigir a técnica, estimular mamadas em livre demanda com maior frequência e duração, garantir o esvaziamento adequado de cada mama antes de oferecer a outra e reavaliar o ganho ponderal e a diurese em poucos dias é a conduta inicial correta, pois a produção de leite é regulada pela demanda e a restrição imposta pelos horários e pela mama única explica a baixa produção. Introduzir fórmula em mamadeira em todas as mamadas reduz ainda mais o estímulo e agrava o problema. A domperidona é galactagogo de exceção, considerada apenas após a otimização do manejo. Intervalos fixos de 4 horas reduzem o estímulo à prolactina, agravando a hipogalactia. Indicar desmame é precipitado, pois a maioria dos casos responde a ajustes de manejo.
Mulher, 28 anos, no 4º dia pós-parto, refere mamas muito cheias, tensas e dolorosas, com dificuldade do recém-nascido em pegar o mamilo. Nega febre. Exame: mamas simetricamente ingurgitadas, endurecidas, com edema e brilho cutâneo difusos, aréolas tensas, sem áreas eritematosas localizadas nem flutuação. T 37,3 °C. Recém-nascido com peso adequado e diurese preservada, mamando com dificuldade de apreensão. Qual a conduta mais adequada?
O ingurgitamento mamário fisiológico do início da lactação é tratado com ordenha suave da aréola para permitir a pega, mamadas frequentes e em livre demanda e compressas frias entre as mamadas para reduzir o edema. Suspender as mamadas agrava a estase e favorece mastite, e o calor contínuo aumenta o edema. Antibiótico não está indicado sem sinais de mastite, como área eritematosa localizada e febre significativa. A cabergolina suprime a lactação, contrariando o desejo de amamentar e o benefício ao recém-nascido. A punção guiada é procedimento para abscesso, ausente em mamas difusamente ingurgitadas sem coleção.
Mulher, 29 anos, no 2º mês de puerpério, com produção de leite superior à demanda do próprio filho, deseja tornar-se doadora de banco de leite humano. É saudável, não fuma, não usa medicações contínuas e tem sorologias do pré-natal não reagentes para HIV, sífilis, hepatites B e C e HTLV. Pergunta como funciona o processo de doação e o que acontece com o leite doado antes de ser oferecido a outros bebês. Qual a orientação correta?
A orientação correta é que a doadora deve ser saudável, sem uso de medicações incompatíveis e com sorologias não reagentes, e que o leite passa por seleção, classificação, pasteurização a 62,5 °C por 30 minutos e controle microbiológico antes de ser distribuído, prioritariamente a prematuros e recém-nascidos internados. Oferecer leite cru de doadora é proibido pelo risco de transmissão de agentes infecciosos. Nem toda mulher pode doar, e o uso de medicações incompatíveis é critério de exclusão. Não há necessidade de internação da doadora, que pode ordenhar em domicílio com orientação e coleta domiciliar. A pasteurização reduz, mas não elimina, os componentes imunológicos, e o leite humano permanece muito superior à fórmula para o prematuro.
Mulher, 25 anos, cujo filho está com 2 meses, interrompeu o aleitamento há 3 semanas por orientação equivocada durante internação do bebê e agora deseja voltar a amamentar. A criança está em uso exclusivo de fórmula, com bom ganho ponderal. As mamas estão flácidas, sem secreção à expressão. T 36,5 °C, PA 114/72 mmHg, sem uso de medicações contraindicadas e sem cirurgia mamária prévia. Qual a orientação correta?
A orientação correta é que a relactação é possível, baseando-se no estímulo frequente da mama por sucção do bebê e por ordenha, no uso de dispositivo de translactação que oferece a fórmula por sonda junto ao mamilo mantendo a sucção, no contato pele a pele e no apoio profissional continuado, com redução gradual do volume de fórmula conforme a produção aumenta. Afirmar impossibilidade após 3 semanas é incorreto, pois há relatos de relactação até em mulheres que nunca gestaram. Galactagogo isolado sem sucção é ineficaz, já que a produção depende do esvaziamento e do estímulo. Manter a criança exclusivamente em fórmula desconsidera o desejo materno e os benefícios do leite humano. A internação obrigatória não é necessária, sendo o processo conduzido em nível ambulatorial.
Mulher, 29 anos, retornará ao trabalho quando o filho completar 4 meses e deseja manter o aleitamento materno. Trabalha 8 horas por dia, com deslocamento de 1 hora em cada sentido. O bebê está em aleitamento exclusivo, com bom ganho ponderal. Ela pergunta como armazenar o leite, quanto tempo pode guardá-lo e quais direitos tem para amamentar ou ordenhar durante a jornada de trabalho. Qual orientação está correta?
A orientação correta é ordenhar e armazenar o leite em recipiente de vidro com tampa plástica previamente fervido, mantendo-o por até 12 horas sob refrigeração ou até 15 dias no congelador, descongelando em banho-maria sem ferver, além de utilizar o direito legal a dois intervalos de 30 minutos por dia para amamentar até que a criança complete 6 meses. Afirmar que o leite só serve no mesmo dia desconsidera a possibilidade de congelamento. Ferver o leite destrói componentes imunológicos e proteínas termolábeis. O retorno ao trabalho não obriga a introdução de fórmula, pois o leite ordenhado pode ser oferecido em copo. Negar o direito a pausas contraria a legislação trabalhista vigente.
Mulher, 24 anos, primigesta, com 30 semanas, procura orientação porque tem mamilos planos e invertidos bilateralmente e teme não conseguir amamentar. Nega cirurgia mamária prévia. Mamas simétricas, sem nódulos ou secreção anormal, com aréolas de coloração habitual. PA 112/70 mmHg, gestação de risco habitual, sem intercorrências. Ela pergunta o que deve fazer durante a gestação para se preparar para a amamentação. Qual a orientação correta?
A orientação correta é esclarecer que o mamilo plano ou invertido não impede a amamentação, pois o bebê abocanha a aréola e não apenas o mamilo, evitar manobras traumáticas durante a gestação e garantir apoio qualificado no pós-parto imediato, com técnicas de pega, ordenha prévia para amolecer a aréola e uso pontual de recursos como a seringa invertida quando necessário. A fricção com bucha e a exposição solar prolongada são práticas antigas e abandonadas, pois causam trauma e fissura. O uso rotineiro de bomba de sucção durante a gestação não demonstrou benefício e pode desencadear contrações. A cirurgia corretiva antes do parto é desproporcional e pode comprometer ductos. Indicar aleitamento artificial por suposta impossibilidade anatômica é incorreto e prejudicial.
Mulher, 33 anos, G1P0, com 37 semanas, tem diabetes mellitus gestacional em uso de insulina e feto com peso estimado no percentil 85. A equipe discute a possibilidade de orientar a expressão manual de colostro nas últimas semanas de gestação, com armazenamento em seringas, visando reduzir a necessidade de fórmula por hipoglicemia neonatal. PA 118/74 mmHg, colo sem modificações e cervicometria normal. Qual afirmação está correta?
A afirmação correta é que a expressão antenatal de colostro pode ser considerada a partir de cerca de 36 a 37 semanas em gestantes sem fatores de risco para parto prematuro, com técnica adequadamente orientada e armazenamento correto, tendo sido estudada especialmente em gestantes diabéticas, nas quais pode reduzir o uso de fórmula por hipoglicemia neonatal sem aumentar desfechos adversos. Contraindicá-la em qualquer gestante por suposta indução universal de parto prematuro não corresponde à evidência disponível. O colostro expresso tem alto valor imunológico e nutricional e deve ser armazenado adequadamente. A prática não substitui a monitorização da glicemia neonatal, que permanece indispensável. Iniciar no 2º trimestre é inadequado pelo risco de estimulação uterina em idade gestacional vulnerável.
Maternidade busca credenciamento como Hospital Amigo da Criança e revisa suas práticas: uso rotineiro de fórmula sem indicação clínica, oferta de bicos e chupetas na unidade neonatal, separação de mãe e recém-nascido por 4 horas após o parto e ausência de apoio estruturado à amamentação na alta. A taxa de aleitamento exclusivo na alta é de 45%, e a equipe quer elevar esse indicador. Qual conjunto de medidas é o correto?
O conjunto correto inclui contato pele a pele imediato e ininterrupto após o nascimento, alojamento conjunto, apoio à amamentação na primeira hora de vida, restrição do uso de fórmula às indicações clínicas justificadas e registradas, não oferta de bicos e chupetas e apoio estruturado na alta com referência para continuidade do cuidado na atenção primária, medidas que compõem os passos para o sucesso do aleitamento materno. Manter fórmula rotineira sem indicação reduz o estímulo à lactação. Aumentar a separação prejudica a apojadura e o vínculo. Substituir o aleitamento por fórmula em prematuros tardios contraria a recomendação de priorizar leite humano. Restringir acompanhantes não reduz infecções e viola direitos assegurados.
Mulher, 24 anos, com bebê de 6 semanas, relata que o filho passou a mamar com mais frequência e a chorar mais nos últimos 3 dias, e acredita que seu leite ficou fraco. O bebê está com ganho ponderal adequado, seis a oito micções por dia, evacuações normais e exame físico sem alterações. As mamas estão menos túrgidas do que nas primeiras semanas. T materna 36,5 °C, sem lesões mamilares. Qual orientação é a correta?
A orientação correta é explicar que se trata de crise de lactação, período transitório em que o lactente aumenta a frequência das mamadas para elevar a produção, coincidindo com a fase em que as mamas deixam de ficar túrgidas por ajuste fisiológico da produção à demanda, orientando livre demanda, esvaziamento adequado, apoio e reavaliação do ganho ponderal, que já está adequado. Introduzir fórmula reduz o estímulo e precipita o desmame. Prescrever galactagogo de imediato é desnecessário quando os indicadores de adequação estão normais. Intervalos fixos de 3 horas reduzem o estímulo justamente quando ele precisa aumentar. Indicar desmame por redução da turgência é erro conceitual, pois esse achado é sinal de lactação estabelecida.
Equipe de alojamento conjunto recebe cinco puérperas com dúvidas sobre amamentar: uma com mastite em tratamento; uma com hepatite B e recém-nascido que recebeu vacina e imunoglobulina; uma em uso de quimioterapia antineoplásica; uma com diabetes mellitus tipo 1 em uso de insulina; e uma com tuberculose pulmonar em tratamento há 3 semanas. Todas desejam manter o aleitamento materno. Assinale a alternativa em que a amamentação está contraindicada.
A amamentação está contraindicada durante o uso de quimioterapia antineoplásica, pois vários agentes citotóxicos passam ao leite e podem causar mielossupressão e outros danos ao lactente. A mastite não contraindica o aleitamento, que deve inclusive ser mantido para favorecer o esvaziamento e a resolução. A hepatite B não contraindica a amamentação quando o recém-nascido recebe vacina e imunoglobulina nas primeiras horas. O diabetes tipo 1 em uso de insulina é plenamente compatível com a lactação, exigindo apenas atenção à hipoglicemia materna. A tuberculose pulmonar após duas semanas de tratamento efetivo não contraindica a amamentação, e mesmo antes disso o aleitamento é mantido com uso de máscara pela mãe.
Puérpera de 26 anos, no segundo dia após o parto, deseja amamentar. Realizou pré-natal com sorologias e o resultado mostra teste reagente para HTLV-1 confirmado. Nega sintomas neurológicos e hematológicos. O recém-nascido está a termo, com peso adequado e sem intercorrências. A equipe discute a orientação a ser dada quanto ao aleitamento e ao suporte à mãe e ao recém-nascido. Qual a orientação correta?
A infecção materna pelo HTLV-1 é contraindicação formal ao aleitamento materno, pois a transmissão ocorre principalmente pelo leite e é proporcional à duração da amamentação; orienta-se fórmula infantil, apoio à mãe e inibição da lactação. Afirmar transmissão desprezível é incorreto e expõe a criança. O aleitamento cruzado por nutriz não testada é vedado por risco de transmissão de HIV, HTLV e outros agentes. Amamentar apenas nos primeiros 6 meses mantém o risco justamente no período de maior transmissão. Leite ordenhado não pasteurizado da própria mãe mantém a carga viral celular e não elimina o risco.
Lactante de 28 anos, no terceiro mês de aleitamento exclusivo, é diagnosticada com pneumonia comunitária e precisa iniciar antibiótico. Está estável, sem sinais de gravidade, e deseja manter a amamentação. Exame: T 38,4 °C, FR 22 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, com crepitações em base direita. O recém-nascido está saudável, a termo, com bom ganho ponderal e sem alergias conhecidas. Qual a orientação correta quanto ao aleitamento?
A maioria dos antibióticos usados em infecções comunitárias é compatível com a amamentação, e a orientação é manter o aleitamento escolhendo fármaco seguro, já que a interrupção traz riscos ao lactente e compromete a lactação. Interromper definitivamente é desproporcional e desnecessário. Suspender e descartar o leite por 30 dias não tem qualquer respaldo para antibióticos de uso corrente. Restringir a amamentação a antibióticos tópicos é irreal para pneumonia. Substituir por fórmula por precaução, mesmo com fármaco seguro, retira os benefícios do leite materno sem qualquer ganho de segurança.
Puérpera de 22 anos, primípara, apresenta no segundo dia de puerpério fissuras mamilares dolorosas e refere que o recém-nascido mama por longos períodos com pouca satisfação. Exame da mamada: criança com boca pouco aberta, lábios invertidos, abocanhando apenas a ponta do mamilo, com bochechas encovadas e estalidos audíveis; queixo distante da mama e nariz encostado. Mamas cheias, sem sinais flogísticos, e recém-nascido com perda de 8% do peso. Qual a conduta prioritária?
Boca pouco aberta, lábios invertidos, abocanhamento apenas do mamilo, bochechas encovadas e estalidos indicam pega inadequada, principal causa de fissuras e de transferência ineficiente de leite: a conduta prioritária é corrigir a pega e o posicionamento, o que alivia a dor e melhora o ganho ponderal. Interromper a amamentação e introduzir mamadeira favorece confusão de bicos e desmame precoce. Antibiótico tópico só se justifica em infecção estabelecida da fissura. O corticoide nos mamilos não corrige a causa mecânica. Complementar com fórmula e reduzir a frequência das mamadas reduz o estímulo e a produção láctea, agravando o problema.
Mulher, 33 anos, em aleitamento materno exclusivo de lactente de 3 meses, precisa realizar exames por suspeita de nódulo tireoidiano e por dor abdominal. São considerados tomografia com contraste iodado, ressonância com gadolínio, cintilografia com iodo radioativo e ultrassonografia. Ela pergunta quais exames exigem interrupção da amamentação e por quanto tempo, pois deseja manter o aleitamento. Qual orientação é a correta?
A orientação correta é que o contraste iodado e o gadolínio são compatíveis com a amamentação, que pode ser mantida sem interrupção pela mínima excreção no leite e pela baixíssima absorção oral pelo lactente, enquanto radiofármacos como o iodo radioativo exigem interrupção por período definido conforme o isótopo, a dose e a meia-vida, podendo implicar suspensão definitiva do aleitamento naquela lactação em doses terapêuticas. Exigir 30 dias de interrupção para todos os contrastes não tem respaldo. A ultrassonografia não utiliza radiação nem contraste com implicação para o aleitamento. O gadolínio não contraindica definitivamente a amamentação. Afirmar compatibilidade do iodo radioativo com o aleitamento é erro grave, pelo acúmulo do isótopo na tireoide do lactente.
Maternidade revisa as prescrições de fórmula infantil na unidade de alojamento conjunto e verifica que 40% dos recém-nascidos a termo saudáveis receberam complemento sem indicação registrada, frequentemente por queixa materna de leite insuficiente nas primeiras 24 horas. A equipe discute quais são as indicações clínicas aceitáveis e como proteger o aleitamento sem negar cuidado quando ele é realmente necessário. Qual afirmação é a correta?
A afirmação correta é que o complemento com fórmula deve ser reservado a indicações clínicas definidas, como hipoglicemia refratária às medidas iniciais, perda ponderal excessiva com sinais de desidratação, contraindicação ao leite materno ou impossibilidade materna, sempre com registro da justificativa e apoio simultâneo à lactação com ordenha e correção da técnica. A percepção materna de leite insuficiente nas primeiras 24 horas reflete a fisiologia do colostro e não é indicação. A perda de peso fisiológica de até 7% a 10% nos primeiros dias não indica complementação isoladamente. A oferta rotineira de fórmula reduz, e não melhora, as taxas de aleitamento exclusivo. O uso de mamadeira interfere na pega e no estabelecimento da amamentação.
Puérpera de 29 anos, em aleitamento materno exclusivo de recém-nascido a termo saudável, precisa iniciar tratamentos para dor, infecção e sintomas depressivos. A equipe revisa a compatibilidade de cada fármaco com a lactação, considerando a passagem para o leite, a biodisponibilidade oral no lactente e a experiência clínica acumulada com cada classe terapêutica. Assinale o fármaco que deve ser EVITADO durante a amamentação.
A amiodarona deve ser evitada durante a amamentação, pois tem meia-vida muito longa, acumula-se no leite e no lactente e contém alto teor de iodo, com risco de disfunção tireoidiana no recém-nascido. O paracetamol é o analgésico e antitérmico de escolha na lactação. A cefalexina é antibiótico seguro, com passagem mínima para o leite. A sertralina é um dos antidepressivos com melhor perfil de segurança durante a amamentação. O ibuprofeno tem baixa transferência para o leite e é considerado seguro, sendo preferido entre os anti-inflamatórios não esteroidais nesse período.
Gestante de 30 anos, com 36 semanas, tem sorologia reagente para HTLV-1 confirmada por western blot, solicitada por antecedente de doação de sangue recusada. Está assintomática, sem alterações neurológicas ou hematológicas. Hemograma normal, PA 114x70 mmHg. Ela pergunta sobre a via de parto e a amamentação. Qual a orientação correta?
A principal via de transmissão vertical do HTLV é o aleitamento materno, especialmente prolongado, razão pela qual a amamentação é contraindicada e se orienta fórmula infantil, enquanto a via de parto segue indicação obstétrica. Manter o aleitamento exclusivo é justamente a conduta que se busca evitar. Indicar cesariana como medida que elimina a transmissão é falso, pois seu benefício não está estabelecido para esse vírus. Recomendar aleitamento cruzado informal é prática proscrita, por risco de transmissão de diversos agentes e ausência de controle sanitário. Iniciar antirretroviral tríplice transfere para o HTLV uma estratégia validada para o HIV, sem eficácia comprovada nesse contexto.
Recém-nascido de 31 semanas, com 1.400 g, encontra-se estável em unidade neonatal, em ventilação não invasiva, sem sinais de intolerância alimentar. A mãe, de 25 anos, deseja amamentar, mas o bebê ainda não coordena sucção, deglutição e respiração. Ela pergunta o que pode fazer nesse período para garantir a amamentação futura e a nutrição adequada do filho. Qual a orientação correta?
A ordenha precoce e frequente mantém a lactação e permite oferecer o leite da própria mãe por sonda, prática associada a menor incidência de enterocolite necrosante e sepse tardia no prematuro. Suspender o estímulo mamário até a sucção direta compromete de forma decisiva a produção láctea. Iniciar fórmula como primeira escolha inverte a hierarquia nutricional, pois o leite materno, cru e da própria mãe, é o alimento preferencial. Adiar a ordenha para 34 semanas de idade corrigida provoca queda irreversível da produção. Oferecer exclusivamente por mamadeira favorece confusão de bicos e reduz a chance de aleitamento ao peito, sendo preferíveis copo, colher ou sonda.
Puérpera de 22 anos, primípara, no terceiro dia de puerpério, refere dor intensa nos mamilos durante as mamadas, com fissura no mamilo direito. O recém-nascido tem perda de 8% do peso de nascimento. Durante a observação da mamada, nota-se o bebê com o corpo afastado do da mãe, lábios voltados para dentro, bochechas encovadas e ruído de estalo durante a sucção. Qual a orientação técnica correta?
Os sinais descritos indicam pega inadequada, e a correção técnica, com boca amplamente aberta, lábios evertidos, queixo tocando a mama e maior abocanhamento da aréola inferior, é a intervenção que resolve dor, fissura e transferência insuficiente de leite. Suspender a amamentação até cicatrizar interrompe o estímulo e agrava a perda ponderal do recém-nascido. Introduzir mamadeira com fórmula à noite reduz o estímulo noturno, período de maior liberação de prolactina, e favorece desmame. Prescrever bico de silicone de forma permanente não corrige a causa e pode reduzir a transferência de leite. Limitar a mamada a dois minutos impede a obtenção do leite posterior e agrava o ganho ponderal insuficiente.
Puérpera de 28 anos, no quinto dia de puerpério, relata que o recém-nascido mama cerca de dez vezes ao dia, incluindo duas mamadas noturnas, com intervalos variáveis. O bebê apresenta seis fraldas com urina clara por dia, evacuações amareladas e recuperou o peso de nascimento. A avó materna insiste em estabelecer intervalos fixos de três horas entre as mamadas. Qual a orientação correta?
A livre demanda é a recomendação vigente, e a frequência de oito a doze mamadas ao dia, com diurese e evacuações adequadas e recuperação do peso, confirma boa evolução. Impor intervalos fixos reduz o estímulo e compromete a produção láctea. Suspender mamadas noturnas é especialmente prejudicial, pois a prolactina tem pico noturno e essas mamadas sustentam a produção. Cronometrar rigidamente o tempo em cada mama impede que o lactente alcance o leite posterior, mais calórico. Complementar com fórmula por presumir insuficiência é erro frequente que inicia o círculo vicioso de queda da produção, sobretudo diante de sinais clínicos francamente favoráveis.
Lactente de 6 semanas, em aleitamento materno exclusivo, apresenta ganho de peso de 15 g por dia, cólicas frequentes e fezes esverdeadas e explosivas. A mãe relata que troca de mama a cada cinco minutos, para que o bebê receba leite dos dois lados em toda mamada. Exame do lactente sem alterações, abdome flácido, sem visceromegalias e com hidratação preservada. Qual a orientação correta?
A troca precoce de mama faz o lactente receber sobretudo leite anterior, rico em lactose e pobre em gordura, o que explica cólicas e fezes esverdeadas e explosivas, sendo a orientação correta esvaziar uma mama antes de oferecer a outra. Manter a troca a cada cinco minutos perpetua exatamente o desequilíbrio descrito. Introduzir fórmula é desnecessário, pois o ganho de 15 g por dia é adequado para a idade. Suspender o aleitamento por suspeita de alergia é conduta precipitada, já que não há sangue nas fezes, dermatite ou comprometimento do crescimento. Prescrever simeticona e reduzir mamadas trata sintoma sem corrigir a causa e ainda ameaça a produção láctea.
Puérpera de 26 anos, no segundo dia após parto vaginal, preocupa-se porque sai pouco leite, de cor amarelada e aspecto espesso, e teme que o filho esteja passando fome. O recém-nascido está ativo, com perda de 5% do peso de nascimento, cinco micções nas últimas 24 horas e mecônio já eliminado. Exame das mamas sem sinais inflamatórios, com aréolas íntegras. Assinale a alternativa correta sobre a composição do leite nessa fase.
O colostro caracteriza-se por maior concentração de proteínas, imunoglobulina A secretora, lactoferrina e leucócitos, com menor teor de lactose e gordura, composição adequada ao volume gástrico reduzido do recém-nascido. Afirmar maior teor de gordura e lactose inverte essa descrição, que corresponde ao leite maduro. Dizer que é pobre em imunoglobulinas contraria sua principal função imunológica nos primeiros dias. Interpretar o volume reduzido como falha de lactogênese é erro clínico frequente, pois o volume pequeno é fisiológico e o recém-nascido descrito tem sinais de boa evolução. Sustentar composição idêntica ao leite maduro ignora as transições bem descritas entre colostro, leite de transição e leite maduro.
Puérpera de 33 anos, no primeiro dia após parto de natimorto com 34 semanas, solicita medida para suprimir a lactação, referindo grande sofrimento com a apojadura. PA 118x74 mmHg, FC 82 bpm, sem hipertensão prévia, sem antecedente psiquiátrico e sem uso de outros medicamentos. As mamas apresentam ingurgitamento inicial, sem sinais inflamatórios ou febre. Qual a conduta farmacológica mais adequada?
A cabergolina em dose única é o fármaco de escolha para supressão da lactação, com boa eficácia e melhor perfil de tolerabilidade, associada a medidas de conforto como enfaixamento e analgesia. A bromocriptina caiu em desuso justamente por eventos adversos cardiovasculares e neurológicos, além de exigir esquema prolongado. Estrogênios em altas doses foram abandonados pelo risco tromboembólico, elevado no puerpério. Compressas mornas e estímulo mamário aumentam a produção e agravam o ingurgitamento, sendo o oposto do pretendido. Ocitocina intranasal favorece a ejeção do leite e não suprime a lactação.
Puérpera de 27 anos retornará ao trabalho quando o filho completar quatro meses e deseja manter o aleitamento materno exclusivo. Ela pergunta como ordenhar, armazenar e oferecer o leite durante suas ausências. Não há alterações mamárias, o lactente ganha peso adequadamente e a família dispõe de geladeira e freezer domésticos em bom funcionamento. Qual a orientação correta sobre a conservação do leite ordenhado?
O armazenamento em frasco de vidro com tampa plástica esterilizado, por até 12 horas na geladeira ou até 15 dias no congelador, é a orientação padronizada para uso domiciliar. Manter o leite em temperatura ambiente por 24 horas é inseguro e favorece proliferação bacteriana. Ferver o leite destrói fatores imunológicos e enzimas, sendo o aquecimento indireto em banho-maria a técnica correta. Descongelar em micro-ondas é contraindicado por aquecimento desigual, risco de queimadura e perda de componentes bioativos. Misturar leite quente ao leite congelado provoca descongelamento parcial e recongelamento, prática proscrita.
Hospital de ensino busca a certificação como Amigo da Criança e revisa suas rotinas assistenciais à luz dos passos preconizados para o sucesso do aleitamento materno. A comissão elenca práticas atualmente adotadas na maternidade e precisa identificar qual delas contraria as recomendações da iniciativa e deve ser modificada antes da visita de avaliação externa. Assinale a prática que NÃO está de acordo com a iniciativa.
Distribuir amostras gratuitas de fórmulas infantis é prática expressamente vedada, por contrariar a iniciativa e a norma de comercialização de alimentos para lactentes, e é a que precisa ser eliminada. O contato pele a pele imediato é um dos passos centrais e deve ser mantido. O alojamento conjunto 24 horas por dia integra as recomendações e favorece a livre demanda. A capacitação de toda a equipe é passo estruturante da política institucional de aleitamento. Orientar sobre técnica e manutenção da lactação em situações de separação também é passo previsto e deve permanecer na rotina.
Puérpera de 26 anos, no segundo dia após parto vaginal, preocupa-se porque sai pouco leite, de cor amarelada e aspecto espesso, e teme que o filho esteja passando fome. O recém-nascido está ativo, com perda de 5% do peso de nascimento, cinco micções nas últimas 24 horas e mecônio já eliminado. Exame das mamas sem sinais inflamatórios, com aréolas íntegras. Assinale a afirmativa INCORRETA sobre o colostro.
Interpretar o volume reduzido do colostro como falha de lactogênese é incorreto e constitui erro clínico frequente, pois esse volume é fisiológico e adequado à capacidade gástrica do recém-nascido, como demonstram os sinais favoráveis descritos no caso. A maior concentração de proteínas em relação ao leite maduro está correta. A riqueza em imunoglobulina A secretora, lactoferrina e leucócitos descreve corretamente sua função imunológica. O menor teor de lactose e de gordura também corresponde à composição do colostro. A coloração amarelada decorre mesmo da maior concentração de betacaroteno.
Puérpera de 31 anos, com transtorno afetivo bipolar, retomou o lítio logo após o parto por alto risco de recaída no puerpério. Está eutímica, com litemia dentro da faixa terapêutica e função renal e tireoidiana normais. O recém-nascido é a termo, tem peso adequado e está em aleitamento materno exclusivo, com boa sucção. Ela pergunta se pode continuar amamentando e quais cuidados devem ser tomados com o bebê. Qual a orientação correta?
O lítio passa para o leite materno em concentrações variáveis, e a amamentação pode ser mantida em casos selecionados, com monitorização clínica do lactente, atenção à hidratação e dosagens laboratoriais quando indicado, sempre com decisão compartilhada. Considerar a amamentação absolutamente contraindicada é posição mais rígida do que a prática atual admite. Afirmar que o lítio não passa para o leite é falso e levaria à ausência de vigilância. Suspender o lítio com alto risco de recaída expõe a puérpera a episódio grave, inclusive psicose puerperal. Administrar lítio ao lactente é conduta absurda, sem qualquer respaldo clínico.
Puérpera de 26 anos, no terceiro dia após parto vaginal, apresenta febre de 38,3 °C, tosse e coriza, com teste positivo para influenza. Está clinicamente estável, sem dispneia, com SatO2 de 97% em ar ambiente, e amamenta o recém-nascido em livre demanda. O recém-nascido está assintomático, mamando bem, com peso adequado. A família pergunta se ela deve interromper a amamentação para não transmitir a doença ao bebê. Qual a orientação correta?
Em infecções respiratórias como influenza e covid-19, o aleitamento deve ser mantido, com higiene das mãos e uso de máscara pela mãe, pois o leite materno não é via relevante de transmissão e fornece anticorpos protetores. Suspender o aleitamento e oferecer fórmula priva o recém-nascido dessa proteção sem reduzir de forma significativa o risco. Suspender apenas as mamadas noturnas é medida sem lógica epidemiológica. Separar mãe e recém-nascido por dez dias prejudica o vínculo e a lactação, sendo indicada apenas quando a mãe está gravemente doente. Pasteurizar o leite em domicílio não é recomendado e degrada componentes bioativos.
Puérpera de 28 anos, tabagista de dez cigarros por dia, amamenta o filho de 1 mês e refere que não conseguiu parar de fumar durante a gestação nem no puerpério. O lactente tem ganho ponderal adequado e exame físico normal. Ela pergunta se deve parar de amamentar por causa do cigarro, pois ouviu que o leite ficaria contaminado e que seria melhor oferecer fórmula infantil ao bebê nesse contexto. Qual a orientação correta?
O aleitamento deve ser mantido mesmo em mães tabagistas, pois os benefícios superam os riscos da exposição à nicotina pelo leite, associando-se estímulo à cessação, orientação para não fumar em ambientes fechados e para espaçar o cigarro das mamadas. Suspender o aleitamento retira do lactente uma proteção especialmente importante em ambiente com fumo passivo. Não fornecer qualquer orientação ignora a exposição ao fumo passivo, que é fator de risco para infecções respiratórias e morte súbita. Reduzir as mamadas e complementar com fórmula compromete a lactação sem benefício. Orientar fumar durante a mamada é recomendação absurda e prejudicial.
Puérpera de 30 anos, no segundo mês de puerpério, em aleitamento materno exclusivo, pergunta se pode tomar uma taça de vinho no casamento de uma amiga e o que fazer em relação às mamadas. O lactente tem ganho ponderal adequado, mama em livre demanda e não apresenta intercorrências. Ela não faz uso regular de álcool e não utiliza outras substâncias, medicamentos de uso contínuo ou fitoterápicos. Qual a orientação correta?
A orientação adequada é desestimular o uso habitual de álcool e, no consumo eventual, aguardar cerca de duas horas por dose antes de amamentar, pois a concentração no leite acompanha a sanguínea e cai com o tempo. Interromper definitivamente o aleitamento após qualquer consumo é medida desproporcional. Ordenhar e descartar não acelera a eliminação, pois o álcool retorna ao leite enquanto estiver na circulação materna. Afirmar que o álcool não passa para o leite é falso. Substituir permanentemente por fórmula em mães que consomem álcool eventualmente retira benefícios do aleitamento sem justificativa clínica.
Puérpera de 25 anos recebe diagnóstico de tuberculose pulmonar bacilífera confirmada por baciloscopia, com início do tratamento há dois dias. Encontra-se no quinto dia de puerpério, amamentando o recém-nascido a termo, que está assintomático e com peso adequado. A mãe está clinicamente estável, com tosse produtiva e febre baixa. A família pergunta se ela deve parar de amamentar e o que deve ser feito com o recém-nascido. Qual a conduta correta?
A tuberculose não se transmite pelo leite materno, e a conduta é manter o aleitamento com uso de máscara pela mãe durante o contato, avaliando o recém-nascido para quimioprofilaxia com isoniazida e adiando a BCG conforme o protocolo. Suspender o aleitamento e separar o binômio prejudica o vínculo e a nutrição sem reduzir de forma proporcional o risco. Manter o aleitamento sem medidas adicionais deixa o recém-nascido exposto sem quimioprofilaxia. Aplicar BCG imediatamente contraria o protocolo, que prevê o adiamento até o término da quimioprofilaxia. Substituir por fórmula até a negativação da baciloscopia não tem fundamento, pois a via de transmissão é respiratória.
Puérpera de 27 anos, no décimo dia de puerpério, apresenta vesículas agrupadas dolorosas sobre base eritematosa na aréola da mama direita, com diagnóstico clínico de herpes simples. A mama esquerda está íntegra, sem lesões. O recém-nascido está assintomático, mamando bem, com peso adequado. Ela pergunta se pode continuar amamentando e o que fazer para evitar transmitir a infecção ao bebê durante o período das lesões. Qual a orientação correta?
O herpes neonatal é transmitido por contato direto com as lesões e pode ser grave, de modo que a conduta é suspender temporariamente a amamentação na mama acometida, mantendo-a na mama sadia, com ordenha para manter a produção e higiene rigorosa. Suspender o aleitamento em ambas as mamas priva o lactente sem necessidade, já que a mama esquerda está íntegra. Manter a amamentação na mama com lesões expõe o recém-nascido ao contato direto com o vírus. Oferecer o leite ordenhado da mama acometida é arriscado, pela possibilidade de contaminação durante a ordenha. Aplicar corticoide tópico sobre lesão herpética agrava a infecção.
Puérpera de 24 anos teve parto prematuro com 30 semanas, e o recém-nascido, com 1.300 g, permanece internado em unidade neonatal. Ela recebeu alta hospitalar no terceiro dia e mora a 40 quilômetros da maternidade, com dificuldade de transporte diário. Refere desejo de amamentar, mas relata que a produção de leite está diminuindo e que se sente culpada por não conseguir permanecer o dia inteiro ao lado do filho na unidade. Qual conjunto de medidas é o mais adequado?
A manutenção da lactação com recém-nascido internado depende de ordenha frequente, idealmente oito ou mais vezes ao dia, apoio do banco de leite e viabilização do acesso e da permanência da mãe na unidade, com alojamento quando disponível. Aguardar a alta do recém-nascido leva à queda irreversível da produção. Indicar fórmula e suspender a lactação priva o prematuro do leite materno, que reduz enterocolite necrosante e sepse tardia. Prescrever galactagogo isoladamente não substitui o estímulo mecânico frequente. Restringir a permanência a uma hora diária contraria as diretrizes de acesso livre dos pais às unidades neonatais.
Mulher, 30 anos, no segundo dia após óbito fetal intraparto com 38 semanas, apresenta ingurgitamento mamário doloroso e solicita medida para interromper a produção de leite. Está estável, afebril, PA 118/76 mmHg, sem hipertensão gestacional prévia, sem cefaleia e sem alterações visuais. Nega antecedente de trombose, cardiopatia ou transtorno psiquiátrico. Mamas ingurgitadas, sem sinais flogísticos. Qual a conduta mais adequada?
A cabergolina em dose única é a opção farmacológica de escolha para supressão da lactação, com boa eficácia e melhor perfil de segurança que as alternativas, devendo ser associada a medidas locais como compressas frias, analgesia e sustentação mamária. O estrogênio em dose alta foi abandonado pelo risco tromboembólico no puerpério. O enfaixamento isolado é medida de conforto insuficiente diante da solicitação e do ingurgitamento doloroso. A ordenha completa e frequente estimula a produção e é contrária ao objetivo de suprimir a lactação. A bromocriptina em esquema prolongado tem perfil de efeitos adversos menos favorável e deixou de ser primeira escolha.
Equipe de alojamento conjunto avalia diferentes binômios mãe-bebê e discute a manutenção do aleitamento materno em cada situação. Todos os recém-nascidos são a termo, com boa vitalidade, FC entre 130 e 150 bpm, FR entre 40 e 55 ipm e temperatura axilar entre 36,5 e 37,2 °C, e todas as mães estão clinicamente estáveis no puerpério imediato. Assinale a alternativa em que o aleitamento materno está CONTRAINDICADO de forma definitiva.
No Brasil, a infecção materna pelo vírus da imunodeficiência humana contraindica de forma definitiva o aleitamento e também a doação de leite, mesmo com carga viral indetectável, pelo risco de transmissão vertical pós-natal. A hepatite B não impede a amamentação quando o recém-nascido recebe vacina e imunoglobulina nas primeiras horas. A tuberculose materna em tratamento com escarro negativo permite manter o aleitamento, indicando-se quimioprofilaxia ao lactente. A mastite não é contraindicação, e o esvaziamento da mama faz parte do tratamento. A infecção por citomegalovírus não contraindica o aleitamento em recém-nascido a termo imunocompetente.
Puérpera de 24 anos comparece à consulta com recém-nascido de 12 dias, queixando-se de dor intensa durante as mamadas e fissuras mamilares bilaterais surgidas na primeira semana. O bebê nasceu a termo, com peso adequado, e hoje pesa 60 g abaixo do peso de nascimento. Ao observar a mamada, nota-se que o lactente abocanha somente o mamilo, com lábios invertidos e bochechas encovadas, produzindo estalidos. Qual a conduta inicial mais adequada?
Corrigir a pega é a conduta inicial, pois a descrição de abocanhamento apenas do mamilo, lábios invertidos, bochechas encovadas e estalidos caracteriza pega inadequada, causa principal de fissura e de transferência insuficiente de leite. Introduzir fórmula após cada mamada reduz o estímulo à produção e acelera o desmame sem tratar a causa. Suspender a mama por 72 horas favorece ingurgitamento e mastite. Pomada com corticoide e antifúngico serve a dermatite ou candidíase mamilar, que cursam com prurido e descamação, não descritas. O bico de silicone de uso permanente prejudica a extração eficaz e mascara o problema de técnica.
Equipe de puericultura discute a manutenção do aleitamento materno em diferentes situações clínicas maternas e do lactente, avaliando quando a amamentação deve ser suspensa de forma definitiva, quando pode ser mantida com precauções e quando a suspensão é apenas temporária. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
A infecção materna pelo vírus da imunodeficiência humana é contraindicação formal ao aleitamento no Brasil, pela possibilidade de transmissão vertical pelo leite, sendo fornecida fórmula infantil. A mastite puerperal não contraindica a amamentação, que deve ser mantida para esvaziar a mama e favorecer a resolução. A tuberculose bacilífera exige uso de máscara e tratamento materno, mas não suspensão do aleitamento. A hepatite B não contraindica a amamentação quando o recém-nascido recebe vacina e imunoglobulina. A candidíase mamilar é tratada em mãe e bebê simultaneamente, sem interromper as mamadas.
Banco de leite humano de um hospital revisa os critérios de doação e de processamento do leite ordenhado destinado a recém-nascidos internados na unidade neonatal. As doadoras são mulheres saudáveis, com produção excedente, e o leite é submetido a seleção, classificação, pasteurização e controle microbiológico antes de ser distribuído aos receptores da unidade. Assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma prática correta.
Mulheres vivendo com o vírus da imunodeficiência humana não podem ser doadoras de leite humano, pois a pasteurização não é aceita como garantia suficiente e a transmissão pelo leite é documentada. A pasteurização a 62,5 graus por 30 minutos é o método padronizado, com resfriamento rápido posterior. O controle microbiológico após o processamento assegura a ausência de contaminantes. A triagem clínica e sorológica da doadora é etapa obrigatória do cadastro. O armazenamento sob congelamento com controle de temperatura e prazo de validade preserva as propriedades nutricionais e imunológicas do leite.
Recém-nascido a termo nasce de mãe com quadro respiratório leve e teste positivo para infecção viral respiratória atual, sem necessidade de suporte ventilatório materno. FC 142 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C, SatO2 98%; exame físico normal e boa vitalidade. A mãe encontra-se estável, deseja amamentar e tem condições clínicas de permanecer com o recém-nascido em alojamento conjunto. Qual a conduta indicada?
Mãe com infecção respiratória viral e condições clínicas estáveis deve permanecer em alojamento conjunto com o recém-nascido, mantendo o aleitamento com higiene das mãos e uso de máscara, pois os benefícios do contato e da amamentação superam o risco de transmissão pós-natal, que ocorre por via respiratória e não pelo leite. Separar definitivamente e contraindicar o aleitamento não tem respaldo. O antiviral profilático não é indicado ao recém-nascido assintomático. A via de parto não é definida por essa infecção. Internar em terapia intensiva um recém-nascido saudável apenas para isolamento é inadequado.
Mãe de prematuro internado na unidade neonatal realiza ordenha do leite para oferta ao filho por sonda. Ela está clinicamente bem, com PA 116x74 mmHg, FC 78 bpm e T 36,7 °C, sem mastite ou fissuras. A equipe orienta sobre higiene, técnica de ordenha, recipientes adequados e prazos de armazenamento do leite humano ordenhado cru destinado ao próprio filho. Qual orientação está correta quanto ao armazenamento?
O leite humano ordenhado cru destinado ao próprio filho pode ser mantido sob refrigeração por até 12 horas e congelado por até 15 dias, respeitando-se recipientes esterilizados e identificação com data e horário. Manter em temperatura ambiente por 24 horas favorece a proliferação bacteriana. Descartar o leite congelado após 24 horas desperdiça um recurso que se mantém adequado por quinze dias. A fervura destrói fatores imunológicos e nutrientes, sendo o aquecimento feito em banho-maria a temperatura controlada. Recongelar leite já descongelado é proibido pelo risco microbiológico.
Puérpera de 27 anos teve, no pré-natal, sorologia reagente para o vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1, confirmada por teste molecular. O recém-nascido é a termo, com peso 3.100 g, Apgar 9 e 10, assintomático, FC 140 bpm, FR 46 ipm, T 36,8 °C. A mãe pergunta se pode amamentar e como alimentar o filho. Qual a orientação correta?
Contraindicar o aleitamento e orientar fórmula infantil é a conduta correta, pois o vírus linfotrópico de células T humanas tem no leite materno a principal via de transmissão vertical, e a proibição da amamentação é a medida de maior impacto na prevenção. Permitir aleitamento exclusivo por 6 meses expõe o lactente justamente no período de maior risco. Oferecer leite materno ordenhado no copinho não elimina o vírus, presente nos linfócitos do leite. A carga viral indetectável não autoriza a amamentação nesse contexto. O aleitamento cruzado é proscrito no país por risco de transmissão de outras infecções.
Puérpera de 22 anos, primípara, no segundo dia pós-parto, refere dor intensa durante as mamadas e observa-se que o recém-nascido faz mamadas curtas e frequentes. Ao exame da mamada: a criança está com o corpo afastado do da mãe, com o queixo sem tocar a mama, os lábios voltados para dentro, abocanhando apenas a papila, e ouve-se estalido durante a sucção. Mamilos com fissuras superficiais e hiperemia. Qual a orientação mais adequada?
Corrigir a pega, com o lactente abocanhando também parte da aréola, queixo tocando a mama, lábios evertidos e corpo alinhado e próximo ao da mãe, é a orientação correta, pois os sinais descritos, incluindo estalido e dor, indicam pega inadequada, causa primária das fissuras. Suspender o aleitamento por 48 horas compromete a lactação e não corrige a técnica. Introduzir complemento em mamadeira favorece confusão de bicos e desmame precoce. A pomada antibiótica de rotina não trata a causa mecânica das fissuras. O bico de silicone de uso permanente reduz o estímulo à mama e perpetua o problema.
Puérpera de 25 anos, com 4 dias pós-parto, refere mamas muito cheias, endurecidas e dolorosas desde ontem, com dificuldade do recém-nascido em abocanhar a aréola, que está tensa e brilhante. T 37,6 °C, FC 92 bpm, PA 116x74 mmHg. Não há hiperemia localizada, ponto doloroso definido ou área endurecida assimétrica. O recém-nascido está com perda ponderal de 7% e mamando com dificuldade. Qual a conduta mais adequada?
A ordenha manual da aréola antes da mamada, que amolece a região e permite a pega, associada ao aumento da frequência das mamadas em livre demanda, é a conduta correta no ingurgitamento mamário fisiológico da apojadura, com mamas difusamente tensas e sem sinais de infecção focal. A antibioticoterapia trata mastite, que cursa com área endurecida assimétrica, hiperemia e febre mais alta. Restringir as mamadas a intervalos fixos agrava a estase. O enfaixamento compressivo é medida de inibição da lactação, contrária ao objetivo. Iniciar fórmula e suspender o aleitamento compromete a lactação justamente no momento de sua consolidação.
Lactente de 3 semanas, nascido a termo com 3.200 g, está com 3.050 g. A mãe iniciou complemento com fórmula em mamadeira na primeira semana por insegurança quanto à produção, e agora refere que as mamas estão pouco cheias. O lactente urina 4 vezes ao dia, com fezes escassas. Exame físico sem desidratação, FC 138 bpm, T 36,8 °C. A mãe deseja retomar o aleitamento exclusivo. Qual a conduta mais adequada?
Aumentar a frequência e a efetividade das mamadas, associando técnica de translactação com sonda junto à mama e apoio profissional continuado, é a conduta correta para relactação, pois a produção depende do estímulo de sucção e do esvaziamento frequente. Manter a mamadeira e orientar apenas dieta materna não corrige o mecanismo do problema e perpetua a redução do estímulo. A domperidona pode ser adjuvante, mas sem manejo adequado da sucção não sustenta a produção. Suspender abruptamente o complemento em lactente com ganho ponderal insuficiente arrisca desidratação e desnutrição. O leite de vaca integral é inadequado para menores de 1 ano e agrava riscos nutricionais.
Gestante de 31 anos fumou 15 cigarros por dia durante toda a gestação, sem outras comorbidades e com pré-natal realizado. O recém-nascido nasce a termo, com 39 semanas, pesando 2.480 g, com comprimento 47 cm. Apgar 8 e 9. Exame físico sem malformações, FC 144 bpm, FR 48 ipm, T 36,8 °C. A equipe discute com a família as repercussões da exposição ao tabaco. Acerca do tabagismo materno, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que o tabagismo materno contraindica de forma absoluta o aleitamento é incorreto e corresponde à assertiva pedida: o leite materno permanece a melhor opção mesmo para a mãe fumante, orientando-se cessação, redução do número de cigarros e evitar fumar imediatamente antes da mamada e em ambientes fechados. A associação com restrição de crescimento e menor peso ao nascer é bem estabelecida, como sugere o peso de 2.480 g a termo. O aumento do risco de morte súbita do lactente é reconhecido e reforça a orientação de ambiente livre de fumaça. O descolamento prematuro de placenta é complicação obstétrica mais frequente em tabagistas. As infecções respiratórias no lactente também são mais comuns com exposição passiva.
Lactente de 5 meses, em aleitamento materno exclusivo, apresenta ganho ponderal insuficiente, com queda de dois canais na curva de peso. Estatura e perímetro cefálico preservados. Mãe relata mamadas curtas e frequentes, com dor durante a sucção e fissuras mamilares. Frequência cardíaca 132 bpm, temperatura axilar 36,7 °C. Exame físico do lactente sem sinais de doença sistêmica; diurese e evacuações reduzidas. Qual a conduta inicial?
Diante de baixo ganho ponderal com fissuras mamilares e dor à sucção, a causa mais provável é ineficiência da amamentação por pega inadequada, e a conduta inicial é avaliar pega e posicionamento, corrigir a técnica, orientar a mãe e reavaliar o ganho em curto intervalo. Suspender o aleitamento sem tentar corrigir a técnica desperdiça a intervenção mais eficaz e de menor custo. Investigação metabólica ampla e cariótipo são desproporcionais antes de afastar causa alimentar, com estatura e perímetro cefálico preservados. Antecipar a alimentação complementar não é a primeira medida quando a amamentação pode ser otimizada. Polivitamínico com retorno tardio não corrige o déficit energético.
Puérpera de 30 anos, no 20º dia pós-parto, em aleitamento materno exclusivo, apresenta quadro depressivo e será medicada. Refere receio de precisar interromper a amamentação. PA 116x74 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. O lactente está com bom ganho ponderal e sem intercorrências. A equipe revisa a compatibilidade de medicamentos com a lactação. Sobre esse tema, assinale a alternativa correta.
A maioria dos fármacos é compatível com a amamentação, e a conduta correta é consultar fontes específicas de compatibilidade e escolher a opção mais segura, evitando desmames desnecessários que prejudicam mãe e bebê. Afirmar que qualquer psicofármaco contraindica a amamentação é incorreto, pois há antidepressivos considerados compatíveis. Paracetamol e ibuprofeno estão entre os analgésicos mais seguros na lactação. A maioria dos antimicrobianos usados na prática é compatível com a amamentação. Não existe regra de desmame obrigatório por 48 horas após qualquer medicamento sistêmico.
Uma maternidade revisa suas orientações sobre aleitamento materno diante de diferentes condições infecciosas maternas, incluindo infecção pelo vírus da imunodeficiência humana, infecção pelo vírus linfotrópico de células T humanas, hepatite B, hepatite C e tuberculose pulmonar bacilífera em início de tratamento. A equipe busca padronizar as orientações às puérperas. Assinale a alternativa correta.
No Brasil, a amamentação é contraindicada na infecção materna pelo vírus da imunodeficiência humana e pelo vírus linfotrópico de células T humanas, pelo risco de transmissão pelo leite. A hepatite C não contraindica a amamentação, recomendando-se apenas suspensão temporária se houver fissuras sangrantes. A hepatite B também não contraindica, desde que o recém-nascido receba vacina e imunoglobulina. Na tuberculose bacilífera, a mãe pode amamentar em uso de máscara enquanto bacilífera, não havendo contraindicação definitiva. A mastite não contraindica a amamentação, sendo o esvaziamento da mama parte essencial do tratamento.
Mãe de lactente de 2 meses interrompeu a amamentação há 3 semanas por orientação inadequada e agora deseja retomar. O lactente está em fórmula infantil, com bom ganho ponderal, e aceita o peito por curtos períodos. PA materna 112x70 mmHg, FC 76 bpm, T 36,6 °C. Mamas sem sinais inflamatórios, com produção láctea reduzida, porém presente. Qual a conduta mais adequada para apoiar essa mãe?
A relactação é possível e se baseia em estímulo frequente da mama pela sucção do lactente, apoio contínuo à mãe, uso de sonda ao peito para ofertar o complemento durante a mamada e redução gradual do volume complementar conforme o ganho ponderal permanece adequado. Afirmar que a produção não pode ser retomada é incorreto e desestimula a família. Suspender abruptamente o complemento arrisca desidratação e baixo ganho ponderal. Galactagogos são adjuvantes e não substituem o estímulo da sucção. Manter o lactente longe do peito por 30 dias contraria o mecanismo central da relactação, que é a sucção frequente.
Mulher, 31 anos, com diabetes mellitus tipo 2 diagnosticado antes da gestação, está no segundo mês de puerpério, em amamentação exclusiva. Durante a gestação usou insulina e agora apresenta glicemias de jejum entre 140 e 160 mg/dL, com hemoglobina glicada de 7,8% (VR < 5,7). Índice de massa corporal 32 kg/m²; creatinina 0,7 mg/dL; PA 122/78 mmHg. Deseja um tratamento compatível com a amamentação. Qual a orientação correta?
Insulina e metformina são compatíveis com a amamentação, pois a insulina não é absorvida pelo trato gastrointestinal do lactente e a metformina passa ao leite em quantidades desprezíveis, de modo que a escolha se faz pelo grau de descontrole e pela preferência da paciente. Suspender todo tratamento com glicada de 7,8% deixa a paciente sem controle metabólico. A glibenclamida não é a única opção oral e não é a preferida nesse contexto, além de acrescentar risco de hipoglicemia. Interromper a amamentação é desnecessário, pois existem alternativas seguras. Não há dados de segurança que autorizem afirmar excreção nula da empagliflozina no leite, e essa classe não é recomendada na lactação.
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em 7 dias
Desenhe de memória os sinais de boa pega. Explique a diferença entre ingurgitamento, mastite e abscesso. Liste quatro contraindicações reais ou temporárias.
em 30 dias
Diante de uma queixa de pouco leite, reconstrua o algoritmo baseado em transferência e estado do bebê. Revise compatibilidade de cinco medicamentos comuns. Resolva novamente a questão de abertura sem consultar o texto.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Treine a observação de uma mamada: descreva primeiro, interprete depois e corrija apenas o que realmente está alterado. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
