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Calendário vacinal do adolescente ao idoso e da gestante
Calendário vacinal do PNI (criança, adolescente, adulto e gestante)
Decisão vacinal por idade, condição e histórico
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Durante uma consulta de puericultura, a mãe traz um lactente de 2 meses para vacinação de rotina. A criança está afebril e em bom estado geral. Considerando o calendário nacional de vacinação da criança, qual é o conjunto de vacinas indicado nesta consulta dos 2 meses de idade?
Como esse tema cai
O Calendário Nacional de Vacinação é organizado por ciclo de vida, e as faixas não são arredondadas: criança vai até 9 anos, 11 meses e 29 dias; adolescente, de 10 a 19 anos, 11 meses e 29 dias; jovem, de 20 a 24 anos, 11 meses e 29 dias; adulto, de 25 a 59 anos, 11 meses e 29 dias; idoso, a partir dos 60. A gestante tem calendário próprio, que se sobrepõe ao da faixa etária dela. O calendário da criança tem capítulo próprio; aqui a régua começa aos 10 anos.
A banca quase nunca pergunta "quais são as vacinas do PNI". Ela dá um paciente com idade, um cartão com algumas doses e pergunta o que fazer hoje. Por isso o capítulo é montado em torno de três variáveis que decidem tudo: a faixa etária, o histórico registrado no cartão e o grupo a que a pessoa pertence — gestante, trabalhador de saúde, indígena, acamado, institucionalizado, pessoa com condição clínica especial.
Três números do calendário do adulto e do idoso concentram erro: aos 30 anos a tríplice viral cai de duas doses para uma; aos 60 a febre amarela deixa de ser rotina e passa a ser decisão individual; e a dose de dTpa, que na rede pública não é reforço de todo adulto, existe para duas situações apenas — cada gestação e o profissional que assiste recém-nascido.
Os documentos que governam são três, e a prova costuma citar o primeiro pelo nome: a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026, os calendários técnicos por ciclo de vida atualizados em janeiro e fevereiro de 2026, e as notas técnicas que mudam pontos específicos ao longo do ano.
O que muda decisão
Rotina, campanha e condição clínica: três portas diferentes
Uma vacina pode chegar ao paciente por três caminhos, e confundi-los é a origem de boa parte das respostas erradas. A primeira porta é a rotina do calendário: está na tabela do ciclo de vida, é oferecida na sala de vacina o ano inteiro e não depende de prescrição. A segunda é a estratégia anual, ou campanha: influenza, covid-19, HPV e a multivacinação entram por aí, com grupos definidos a cada ano. A terceira é a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais, a RIE, instituída pela Portaria GM/MS nº 6.623/2025, que substitui a antiga referência exclusiva aos CRIE: ali o acesso depende de condição clínica documentada e de prescrição médica, com registro do motivo de indicação pelo CID e da especialidade de quem prescreveu.
A consequência prática é que "disponível no SUS" e "faz parte do calendário" não são a mesma frase. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente entrou no SUS em 2026, mas entrou pela RIE — o idoso sem condição clínica especial não a recebe na rotina. A vacina dengue está na rotina só dos 10 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, e chega a trabalhadores da atenção primária por outra via. Quando o enunciado descreve uma unidade básica e um cartão a atualizar, a pergunta é sobre a primeira porta.
Quanto ao intervalo entre vacinas diferentes, a regra é curta. Vacinas inativadas entre si, e inativada com atenuada, não exigem intervalo nenhum: podem ser simultâneas ou em qualquer ordem. Entre vacinas atenuadas injetáveis, ou se aplicam no mesmo dia em sítios diferentes ou se respeitam 30 dias, com mínimo de 15 apenas em viagem programada ou exposição de risco. A vacina covid-19 pode ser administrada simultaneamente ou a qualquer momento antes ou depois de qualquer outra vacina, com uma única exceção nominal: a vacina mpox.
Hepatite B: a única sem teto de idade
Hepatite B aparece em todos os quatro calendários — adolescente e jovem, adulto, idoso e gestante — com o mesmo texto: iniciar ou completar três doses conforme a situação vacinal, para toda a população da faixa. Não há idade máxima e não há sorologia prévia exigida na rotina. O esquema recomendado é 0, 1 e 6 meses. Os intervalos mínimos, que a prova gosta de cobrar, são outros três números: 1 mês entre a primeira e a segunda dose, 2 meses entre a segunda e a terceira, e 4 meses entre a primeira e a terceira. Quem cumpre os dois primeiros e não o terceiro precisa adiar a terceira dose.
O volume muda com a idade e com o fabricante, o que explica enunciados que parecem contraditórios. Na apresentação do Butantan, a dose é de 0,5 mL até os 15 anos e de 1,0 mL a partir dos 16; em outra apresentação disponível, o corte de 1,0 mL é a partir dos 20 anos. O calendário registra a variação em vez de fixar um número único, e a orientação é conferir o produto disponível na sala.
Na gestante há uma regra que foi escrita para encerrar uma dúvida antiga: quem já recebeu as três doses ao longo da vida não é revacinada, mesmo que apresente anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL. A justificativa está no próprio calendário de 2026 — a resposta induzida pela vacinação é duradoura e a memória imunológica permanece. Se o esquema estiver incompleto, atualiza-se durante a gestação; não sendo possível concluir, completa-se no puerpério, preferencialmente até 45 dias após o parto.
O desfecho que a hepatite B da gestante protege aparece do outro lado: recém-nascido de mãe com HBsAg reagente recebe, ao nascer, uma dose da vacina e uma dose de imunoglobulina humana anti-hepatite B, em sítios musculares distintos, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. A imunoglobulina admite atraso maior que a vacina — pode ser administrada em até, no máximo, 7 dias após o nascimento.
Difteria e tétano: dT é a rotina, dTpa tem dois endereços
A partir dos 7 anos de idade, a vacina usada contra difteria e tétano é a dupla adulto, a dT. Ela cumpre três funções: iniciar esquema em quem nunca se vacinou, completar esquema incompleto e dar o reforço. O esquema básico são três doses com intervalo recomendado de 60 dias, mínimo de 30. O reforço é uma dose a cada 10 anos após a última dose do esquema básico, antecipado para 5 anos em caso de exposição a risco de difteria ou tétano — o ferimento que traz o paciente ao pronto-socorro é o exemplo clássico dessa antecipação.
A tríplice bacteriana acelular do tipo adulto, a dTpa, não é o reforço decenal do adulto na rede pública. Ela tem dois endereços. O primeiro é a gestação: uma dose a cada gravidez, a partir da 20ª semana, independentemente de quantas doses a mulher já tenha tomado antes. O segundo são os profissionais de saúde de qualquer área, as parteiras tradicionais e os estagiários da saúde que atuam em maternidade e em unidade de internação neonatal atendendo recém-nascidos.
Para esse profissional, a regra tem uma inversão que costuma ser cobrada: com esquema básico completo, administra-se uma dose de dTpa mesmo que ele tenha recebido vacina com componente diftérico e tetânico há menos de dez anos. A partir daí, os reforços decenais passam a ser feitos com dTpa no lugar da dT, também antecipados para 5 anos em exposição a risco. Sem esquema básico completo, aplica-se uma dose de dTpa e completa-se com uma ou duas doses de dT até totalizar três doses com toxoide.
Existe um cruzamento entre os dois endereços que fecha o raciocínio: a profissional de saúde que esteve gestante nos últimos dez anos e tomou dTpa na gestação só voltará a tomar após dez anos, antecipando para cinco em exposição a risco — ou antes disso, se engravidar de novo, porque a dose da gestação se repete a cada gravidez.
Gestante: quatro vacinas de rotina, duas datas e uma janela de resgate
O calendário da gestante de 2026 tem quatro vacinas de rotina — hepatite B, dTpa, influenza e covid-19 — e uma quinta que passou a integrá-lo: a vacina contra o vírus sincicial respiratório, recombinante, bivalente para os subgrupos A e B. A lógica do conjunto é a mesma: o anticorpo materno atravessa a placenta e protege o bebê nos meses em que ele ainda não pode ser vacinado.
A dose de dTpa se dá a partir da 20ª semana, em cada gestação, respeitado o intervalo de 60 dias, mínimo de 30, desde a última dose com toxoide diftérico e tetânico. O que ela é depende do cartão: se a mulher já tem três ou mais doses, é reforço; se tem duas, é a terceira dose e fecha o esquema básico; se tem uma, entra uma dose de dT antes; se não tem nenhuma ou o histórico é desconhecido, são duas doses de dT mais a dTpa. Quando a gestante chega ao serviço já depois da 20ª semana com esquema incompleto, aplica-se a dTpa primeiro e completa-se com dT em seguida, preferencialmente ainda na gestação.
A dose contra o vírus sincicial respiratório é única, a cada gestação, a partir da 28ª semana. Não há limite superior de idade gestacional declarado, com uma única ressalva escrita no documento: mulher em trabalho de parto ativo. A orientação é vacinar o mais precocemente possível dentro da janela, porque a proteção que se busca é a do bebê nos primeiros meses, e ela pode ser aplicada junto com a dTpa, em sítios diferentes, justamente para não perder a oportunidade.
Influenza e covid-19 não dependem de idade gestacional: uma dose da vacina da temporada e uma dose de covid-19 a cada gestação, em qualquer fase, com intervalo mínimo de 6 meses da última dose de covid-19 recebida. Febre amarela é exceção, discutida adiante. Estão contraindicadas na gestação a tríplice viral, a varicela, o HPV e a dengue — todas atenuadas, com exceção do HPV, que é recombinante e ainda assim não é aplicada na gravidez.
A janela de resgate é o puerpério até 45 dias. Vale para o que não foi possível fazer durante o pré-natal: dTpa, hepatite B, influenza, covid-19. E vale também para o que era proibido na gestação e deixou de ser depois do parto — tríplice viral e HPV podem ser aplicadas no puerpério e durante a amamentação. Dengue continua fora: é contraindicada também na lactação.

Febre amarela: o histórico decide, e os 60 anos mudam a pergunta
A vacina febre amarela é recomendada para todo o país, dos 9 meses aos 59 anos, 11 meses e 29 dias. O esquema básico é uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Depois dos 5 anos de idade, quem nunca se vacinou recebe uma dose e está protegido — não há reforço decenal na regra brasileira.
O que a prova cobra é a leitura do cartão. Quem tem duas doses recebidas antes dos 5 anos está completo. Quem tem uma única dose recebida antes dos 5 anos precisa de um reforço, e essa é a linha que mais escapa. Quem tem uma dose recebida a partir dos 5 anos está completo, qualquer que seja a idade atual. E quem foi vacinado apenas com dose fracionada, na campanha de 2018, recebe uma dose com a vacina em dose padrão.
Aos 60 anos a pergunta muda de natureza. Nessa faixa a vacinação não é rotina: está recomendada apenas para quem não tem histórico vacinal e reside ou vai se deslocar para área com transmissão ativa da doença, com pelo menos 10 dias de antecedência, e sempre precedida de avaliação caso a caso pela equipe de saúde, considerando risco de exposição e condições clínicas. Passada essa porta, o histórico volta a decidir como em qualquer adulto: uma dose antes dos 5 anos pede uma dose; uma dose a partir dos 5 anos, nenhuma. A avaliação individual não é uma etapa a mais — é a condição para que a vacina seja sequer considerada.
Na gestante, a vacina é exceção pelo mesmo desenho: só se considera na impossibilidade de adiamento, para residente ou viajante para área de risco epidemiológico, mediante avaliação do serviço sobre risco e benefício. Nesse contexto, indica-se uma dose para quem não tem comprovação vacinal, para quem tomou apenas uma dose antes dos 5 anos e para quem recebeu apenas dose fracionada.
Duas informações de viagem completam o quadro e aparecem em questão de saúde do viajante: o prazo mínimo é de 10 dias entre a vacina e o deslocamento, tempo necessário para a soroconversão, e o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia pode levar até 5 dias úteis para ser emitido — o que empurra o planejamento para bem antes da viagem.
Tríplice viral: os cortes em 29 e em 59
A tríplice viral tem dois cortes de idade e um grupo que ignora os dois. Entre 5 e 29 anos, quem não tem histórico recebe duas doses, com intervalo recomendado de 30 dias; quem tem uma dose registrada recebe mais uma; quem tem duas ou mais está completo. Entre 30 e 59 anos, quem não tem histórico recebe uma dose apenas, e quem já tem uma está completo. A partir dos 60 anos a vacina sai da rotina.
O grupo que ignora os cortes é o dos trabalhadores de saúde: duas doses, em qualquer faixa etária, inclusive acima dos 60 anos. É a mesma lógica que rege a varicela e a dTpa nesse grupo — quem cuida de paciente entra numa régua ocupacional, não etária.
O intervalo mínimo de 15 dias entre as doses existe, mas o calendário é explícito sobre quando usá-lo: apenas em viagem programada ou exposição a risco epidemiológico. Encurtar o intervalo não favorece a resposta imunológica, e a orientação é que a equipe analise risco e benefício antes de antecipar.
Duas precauções fecham a seção. A tríplice viral é contraindicada na gestação e em menores de 6 meses. E uma apresentação disponível na rede, a do Serum Institute of India, não é recomendada para pessoas com história de alergia grave à proteína do leite de vaca — a lactoalbumina. Intolerância à lactose é outra coisa e não contraindica nada: quem tem intolerância pode receber a vacina sem risco.
Adolescente e jovem: HPV, meningocócica ACWY e dengue
O HPV é hoje dose única. Meninas e meninos não vacinados recebem uma dose entre 9 anos e 14 anos, 11 meses e 29 dias. Para quem passou dessa faixa sem se vacinar, há a estratégia de resgate: dose única para adolescentes de 15 a 19 anos, 11 meses e 29 dias sem histórico, organizada por cada estado. A vacina é contraindicada na gestação — se a mulher engravidar depois de vacinada, ou for vacinada inadvertidamente, nenhuma intervenção adicional é necessária além do pré-natal. Quem amamenta pode ser vacinada.
Fora dessa faixa, o HPV existe no SUS como estratégia para grupos prioritários, sempre com prescrição médica e sempre em três doses no esquema 0, 2 e 6 meses: imunodeprimidos de 9 a 45 anos — imunodeficiência primária, uso de imunossupressor, HIV/aids, transplantados de órgão sólido ou de medula óssea e pacientes oncológicos —, pessoas com papilomatose respiratória recorrente a partir dos 2 anos e usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV de 15 a 45 anos. A lista ganhou mais um grupo em 2026: mulheres tratadas por lesão intraepitelial cervical de alto grau — NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ — submetidas a procedimento excisional do colo, LEEP ou conização, e aqui independentemente da idade. A vacina entra no mesmo ano do procedimento, do perioperatório até 12 meses após o tratamento, com registro pelo CID do diagnóstico; quem já tinha uma ou duas doses apenas completa as três.
Vítimas de violência sexual formam o grupo com regra própria, de 9 a 45 anos, e é a única situação em que o número de doses volta a depender da idade: de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias, duas doses no esquema 0 e 6 meses; de 15 a 45 anos, três doses no esquema 0, 2 e 6 meses. Se o serviço do primeiro atendimento tem sala de vacina, atualiza-se a situação vacinal imediatamente; se não tem, encaminha-se à unidade mais próxima da residência sinalizando o CID T74.2, para que a atenção primária registre a dose na estratégia correta.
A meningocócica ACWY conjugada é uma dose, dos 11 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias. O detalhe está na nota do calendário: nessa faixa a dose é reforço da proteção para quem já recebeu dose anterior de meningocócica C ou ACWY — não é um esquema novo iniciando aos 11 anos.
A vacina dengue atenuada é rotina dos 10 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, em duas doses com intervalo de 3 meses, exclusivamente por via subcutânea — ela não pode ser administrada por via intramuscular nem intradérmica, e isso já bastou como distrator. Após infecção pelo vírus da dengue, aguardam-se 6 meses para iniciar o esquema; se a infecção ocorrer depois da primeira dose, o intervalo entre as doses não muda, desde que a segunda não seja aplicada em menos de 30 dias do início da doença. Doses de fabricantes diferentes não são intercambiáveis. Além da faixa de rotina, a vacina está disponível para trabalhadores da saúde que atuam na atenção primária do SUS até os 59 anos, com produto do Instituto Butantan.
Adulto de 25 a 59 anos: uma lista curta que surpreende
A rotina do adulto é mais enxuta do que o senso comum sugere, e é aí que a questão pega. São cinco linhas: hepatite B, dT, febre amarela, tríplice viral e — restritas a grupos — a pneumocócica 23-valente e a varicela. A pneumocócica 23-valente nessa faixa está recomendada somente para a população indígena, sem histórico de vacina pneumocócica conjugada, em duas doses com intervalo de 5 anos. A varicela, somente para população indígena e trabalhadores de saúde sem história pregressa da doença, em duas doses com intervalo de 8 semanas a partir dos 13 anos, mínimo de 4.
Influenza e covid-19 não estão na tabela de rotina do adulto de 25 a 59 anos. Elas chegam por estratégia anual, com grupos definidos. Os grupos prioritários da influenza incluem puérperas até 45 dias pós-parto, povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, trabalhadores da saúde, professores, profissionais das forças de segurança e salvamento e das Forças Armadas, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e dos correios, população privada de liberdade e seus funcionários, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medida socioeducativa, e pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, independentemente da idade.
Da covid-19, a rotina do calendário alcança três grupos: crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias, gestantes e pessoas a partir de 60 anos. Imunocomprometidos recebem duas doses com intervalo de 6 meses. A estratégia anual acrescenta institucionalizados, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, puérperas não vacinadas na gestação, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, população privada de liberdade e pessoas em situação de rua, entre outros.
Sobre a influenza, duas precauções decidem conduta em enunciado de alergia. História de urticária apenas após ingestão de ovo não muda nada: vacina-se sem cuidado especial. História de sinais mais graves — angioedema, desconforto respiratório, vômitos repetidos — indica vacinar em ambiente preparado para atender manifestação alérgica grave, preferencialmente sob supervisão médica. E quem desenvolveu síndrome de Guillain-Barré em até 42 dias após uma dose anterior de influenza só recebe nova dose após avaliação médica criteriosa de risco e benefício.
Aos 60 anos: o que entra, o que sai e o que fica restrito
O aniversário de 60 anos muda quatro linhas do cartão. Entram duas: influenza, uma dose anual com a vacina da temporada, e covid-19, uma dose a cada seis meses — o calendário técnico escreve "1 dose semestral" e a instrução normativa escreve "2 doses com intervalo de 6 meses", que é a mesma coisa dita de dois jeitos. Saem duas: a febre amarela deixa de ser rotina e vira decisão individual restrita, e a tríplice viral sai da rotina, permanecendo apenas para trabalhadores de saúde.
Permanecem sem mudança a hepatite B, com três doses para quem não completou o esquema, e a dT, com reforço a cada 10 anos, antecipado para 5 em exposição a risco de difteria ou tétano. A dTpa continua reservada ao profissional de saúde, também acima dos 60.
A proteção pneumocócica do idoso no PNI é restrita, e essa é a linha que mais destoa da prática de consultório. A vacina pneumocócica 23-valente é oferecida na rotina a idosos acamados e/ou institucionalizados e à população indígena, em duas doses com intervalo de 5 anos, na ausência de histórico com vacina conjugada. Idoso que mora em casa, anda pela cidade e não tem condição clínica especial não recebe pneumocócica na rotina do calendário.
Em 2026 abriu-se uma segunda via: a vacina pneumocócica conjugada 20-valente foi incorporada às estratégias especiais, na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais. A partir dos 5 anos, inclusive em adultos e idosos, o esquema é dose única — exceto em transplante de células-tronco hematopoéticas e terapia com células CAR-T. O acesso depende de condição clínica listada na norma, entre elas nefropatia crônica e hemodiálise, pneumopatia crônica, asma persistente moderada ou grave, cardiopatia crônica, hepatopatia crônica, doença neurológica crônica incapacitante, diabetes, trissomias e imunodepressão terapêutica. Continua sendo prescrição e registro por CID, não rotina etária.
A varicela no idoso segue restrita a população indígena e trabalhadores de saúde sem história pregressa da doença e, acima dos 60 anos, com avaliação individual de risco e benefício antes de aplicar — é vacina atenuada numa faixa em que a imunossenescência e as comorbidades pesam. Já a vacina contra herpes zóster não integra o Calendário Nacional de Vacinação 2026 do idoso.
Como ler uma questão de calendário
Quase toda questão de calendário do adulto entrega três dados — idade, cartão e grupo — e testa se você sabe qual deles manda. A ordem abaixo resolve a maioria delas sem decorar tabela inteira.
- 1Veja se há gestação. Gestante tem calendário próprio e ele prevalece sobre a faixa etária: quatro vacinas de rotina, mais o vírus sincicial respiratório, e uma lista de contraindicadas.
- 2Enquadre a faixa: 10 a 24 anos, 25 a 59 anos ou 60 anos ou mais. As faixas fecham em 11 meses e 29 dias — 14 anos, 11 meses e 29 dias ainda é faixa de 14.
- 3Leia o histórico antes de decidir pela idade. Em febre amarela e tríplice viral o número de doses prévias e a idade em que foram recebidas mudam a conduta mais do que a idade atual.
- 4Procure o grupo: gestante, trabalhador de saúde, indígena, acamado ou institucionalizado, pessoa com condição clínica especial. Grupo abre linhas que a faixa etária sozinha não abre — e é a única porta de varicela, pneumocócica e dTpa no adulto.
- 5Separe a porta: rotina do calendário, estratégia anual ou Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais. Se a alternativa oferece na rotina algo que só existe por condição clínica com prescrição, ela está errada por via, não por indicação.
- 6Em gestação, cheque as três datas: 20ª semana para a dTpa, 28ª para o vírus sincicial respiratório, 45 dias de puerpério para o resgate do que faltou.
| Vacina | 10 a 24 anos | 25 a 59 anos | 60 anos ou mais | Gestante |
|---|---|---|---|---|
| Hepatite B | 3 doses (0-1-6) se incompleto | 3 doses (0-1-6) se incompleto | 3 doses (0-1-6) se incompleto | 3 doses se incompleto; não revacinar quem já tem 3 |
| dT (dupla adulto) | 3 doses; reforço a cada 10 anos | 3 doses; reforço a cada 10 anos | 3 doses; reforço a cada 10 anos | Completa o esquema junto com a dTpa |
| dTpa | Só trabalhador de saúde | Só trabalhador de saúde | Só trabalhador de saúde | 1 dose a cada gestação, a partir da 20ª semana |
| Febre amarela | 1 dose conforme histórico | 1 dose conforme histórico | Só não vacinado que reside ou vai a área com transmissão ativa, caso a caso | Exceção: só na impossibilidade de adiamento |
| Tríplice viral | 2 doses até 29 anos | 1 dose dos 30 aos 59 anos | Só trabalhador de saúde (2 doses) | Contraindicada |
| Varicela | Só indígena e trabalhador de saúde (2 doses) | Só indígena e trabalhador de saúde (2 doses) | Idem, com avaliação individual | Contraindicada |
| HPV4 | Dose única de 9 a 14 anos; resgate único de 15 a 19 | Só grupos prioritários, com prescrição (3 doses) | Não indicada | Contraindicada |
| Meningocócica ACWY | 1 dose dos 11 aos 14 anos | Não indicada na rotina | Não indicada na rotina | Não indicada na rotina |
| Dengue (atenuada) | 2 doses (0 e 3 meses) dos 10 aos 14 anos | Trabalhador de saúde da atenção primária até 59 anos | Não indicada | Contraindicada |
| Pneumocócica 23-valente | Só indígena (2 doses, intervalo de 5 anos) | Só indígena (2 doses, intervalo de 5 anos) | Acamado ou institucionalizado e indígena (2 doses, 5 anos) | Não indicada na rotina |
| Influenza | Estratégia anual, grupos prioritários | Estratégia anual, grupos prioritários | 1 dose anual, na rotina | 1 dose a cada gestação, em qualquer fase |
| Covid-19 | Estratégia anual, grupos especiais | Estratégia anual, grupos especiais | 1 dose a cada 6 meses | 1 dose a cada gestação, em qualquer fase |
| Vírus sincicial respiratório | Não indicada | Não indicada | Não indicada | Dose única a partir da 28ª semana |
Febre amarela: o histórico decide
| Situação | Conduta |
|---|---|
| 9 meses a 4 anos | 1 dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias |
| 5 a 59 anos, sem histórico | 1 dose |
| 1 dose recebida antes dos 5 anos | 1 dose de reforço |
| 1 dose recebida a partir dos 5 anos | Esquema completo, nenhuma dose adicional |
| 2 doses recebidas antes dos 5 anos | Esquema completo, nenhuma dose adicional |
| Apenas dose fracionada, na campanha de 2018 | 1 dose de reforço com a vacina em dose padrão |
| 60 anos ou mais | Só quem não tem histórico e reside ou vai se deslocar para área com transmissão ativa, com avaliação caso a caso e pelo menos 10 dias de antecedência |
| Gestante | Só na impossibilidade de adiamento, residente ou viajante para área de risco, após avaliação de risco e benefício |
| Viajante internacional | Vacinar pelo menos 10 dias antes; o certificado internacional pode levar até 5 dias úteis para ser emitido |
dTpa na gestação, conforme as doses prévias com toxoide diftérico e tetânico
| Doses prévias registradas | Conduta na gestação |
|---|---|
| 3 ou mais (esquema básico completo) | 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana — é reforço, e se repete a cada gestação |
| 2 doses | 1 dose de dTpa a partir da 20ª semana — ela fecha as três |
| 1 dose | 1 dose de dT mais 1 dose de dTpa, esta a partir da 20ª semana |
| Nenhuma dose ou histórico desconhecido | 2 doses de dT mais 1 dose de dTpa, esta a partir da 20ª semana |
| Chegou ao serviço depois da 20ª semana, com esquema incompleto | Aplicar a dTpa primeiro e completar com dT, preferencialmente ainda na gestação; não sendo possível, agendar para o puerpério até 45 dias |
| Intervalo entre as doses | 60 dias recomendado, mínimo de 30 |
O calendário escreve "a partir da 20ª semana" e "a partir da 28ª semana": a semana citada está incluída. Do mesmo modo, as faixas fecham em "11 meses e 29 dias" — quem tem 59 anos, 11 meses e 29 dias ainda é adulto, e no dia seguinte muda de calendário.
Intervalo entre vacinas de antígenos diferentes: inativada com inativada, ou inativada com atenuada, sem intervalo nenhum. Atenuadas injetáveis entre si, mesmo dia em sítios diferentes ou 30 dias, mínimo de 15 apenas em viagem programada ou risco epidemiológico. Covid-19 pode ser simultânea a qualquer outra, exceto mpox.
Puerpério até 45 dias é a janela de resgate de tudo que não coube na gestação, e também a porta de entrada da tríplice viral e do HPV, contraindicados durante a gravidez.
No arquivo do calendário técnico do adolescente e jovem de 2026, a nota de rodapé da febre amarela ficou sem número: da febre amarela em diante, as notas estão numeradas uma unidade abaixo dos marcadores da tabela — a dengue está marcada como 7 e sua nota é a de número 6, e o mesmo vale para meningocócica ACWY e varicela. Quem for conferir o rodapé pelo número do marcador lê a nota errada.
No arquivo do calendário técnico da gestante de 2026, as páginas internas trazem "ANO 2025" no cabeçalho enquanto a capa e o texto de fechamento dizem 2026; a data de atualização declarada pelo próprio documento é 4 de fevereiro de 2026.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Dose única a partir dos 5 anos — Programa Nacional de Imunizações
Uma dose aplicada a partir dos 5 anos de idade encerra o esquema, qualquer que seja a idade atual. Reforço só para quem recebeu a dose única antes dos 5 anos e para quem foi vacinado apenas com dose fracionada em 2018.
Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026, Quadro 2; Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Adulto.
Duas doses, com intervalo de 10 anos — Sociedade Brasileira de Imunizações
Duas doses ao longo da vida, a segunda 10 anos após a primeira, porque existe possibilidade de falha vacinal individual que a dose única não cobre.
Calendários de vacinação SBIm Adulto e Idoso, 2026/2027.
Na prova
Aqui a diferença não é de dinheiro: a vacina é a mesma e é gratuita nos dois mundos — o que muda é o peso dado à falha vacinal individual. O recorte aparece no cenário. Cartão da unidade básica, campanha, área com transmissão, atualização de rotina do SUS convocam o corpo do programa. Menção nominal à sociedade, consultório privado, preparo para viagem internacional e a palavra "revacinação" no enunciado convocam o corpo da sociedade. E as alternativas denunciam: se uma delas oferece "segunda dose dez anos após" ao lado de "dose única, esquema completo", a questão está pedindo que se identifique de qual documento ela fala. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS.
Restrita por grupo e por condição clínica — Programa Nacional de Imunizações
Não há vacina pneumocócica de rotina para todo idoso. A 23-valente é oferecida a acamados e/ou institucionalizados e à população indígena, em duas doses com intervalo de 5 anos. A conjugada 20-valente foi incorporada em 2026 pela Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais, em dose única a partir dos 5 anos, mediante condição clínica listada e prescrição.
Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Idoso (atualizado em janeiro de 2026); Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS.
Rotina para todo idoso — Sociedade Brasileira de Imunizações
Vacina pneumocócica conjugada 20-valente em dose única como rotina a partir dos 60 anos, independentemente de comorbidade, com regras de intervalo para quem já recebeu 23-valente ou esquema sequencial incompleto.
Calendário de vacinação SBIm Idoso, 2026/2027.
Na prova
A causa da diferença é de exequibilidade: a recomendação da sociedade descreve o estado da arte, e o programa dimensiona a oferta por onde o risco está documentado — por isso a 20-valente chegou ao SUS pela porta da condição clínica, não pela porta da idade. Vinheta de unidade básica com idoso hígido de 68 anos que "vem atualizar o cartão" está no mundo do programa, e ali a resposta sobre pneumocócica é que ela não é rotina nessa situação. Vinheta que descreve consultório, plano de saúde ou que cita a sociedade pelo nome está no outro mundo. Um detalhe do enunciado resolve sozinho: se o idoso é descrito como acamado, institucionalizado, indígena ou portador de doença crônica listada, as duas leituras convergem.
dT a cada 10 anos, com dTpa reservada — Programa Nacional de Imunizações
O reforço de rotina do adulto e do idoso é a dupla adulto, a cada 10 anos, antecipada para 5 anos em exposição a risco de difteria ou tétano. A dTpa é reservada à gestante, em cada gestação, e ao profissional de saúde que assiste recém-nascido, para quem os reforços decenais passam a ser com dTpa.
Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Adulto e Idoso, nota 2; Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026.
dTpa a cada 10 anos para todo adulto — Sociedade Brasileira de Imunizações
Com esquema básico completo, reforço com dTpa a cada dez anos em adultos e idosos, atualizando a dTpa independentemente do intervalo prévio com dT, e antecipando para cinco anos quem convive com lactente.
Calendários de vacinação SBIm Adulto e Idoso, 2026/2027.
Na prova
A causa é dupla: custo por dose e a decisão de concentrar o componente pertussis onde ele protege o recém-nascido — a mãe e quem cuida do bebê. Enunciado que usa "dupla adulto", descreve unidade básica, ferimento no pronto-socorro do SUS ou cartão de vacina da rede pública está pedindo dT. Enunciado que cita a sociedade, fala em contactante de lactente ou oferece "dTpa a cada dez anos" entre alternativas plausíveis está pedindo o outro corpo. Repare que, no ferimento, as duas leituras concordam no gatilho de antecipação para 5 anos — o que muda é o nome da vacina.
Dose única com resgate até os 19 anos — Programa Nacional de Imunizações
Dose única de HPV4 dos 9 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, com estratégia de resgate em dose única dos 15 aos 19 anos, 11 meses e 29 dias para quem não tem histórico. Fora daí o esquema é de três doses (0, 2 e 6 meses) nos grupos prioritários, sempre com prescrição médica: imunodeprimidos de 9 a 45 anos, usuários de profilaxia pré-exposição de 15 a 45 anos, papilomatose respiratória recorrente e mulheres com NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ tratadas por excisão do colo, estas independentemente da idade. Vítimas de violência sexual são a exceção que ainda depende da idade: duas doses (0 e 6 meses) dos 9 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, e três doses dos 15 aos 45.
Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026; Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Adolescente e Jovem.
Três doses de HPV9 para adultos não vacinados — Sociedade Brasileira de Imunizações
Uso preferencial da vacina nonavalente em três doses; adultos de 20 anos ou mais não vacinados recebem três doses no esquema 0, 1 a 2 e 6 meses, e acima dos 45 anos a vacinação pode ser recomendada em decisão compartilhada, fora da faixa de licenciamento.
Calendário de vacinação SBIm Adulto, 2026/2027.
Na prova
A causa tem os dois componentes: a nonavalente não está disponível no SUS, e a estratégia de dose única foi adotada para ampliar cobertura com o insumo que existe. O vocabulário entrega o recorte — "HPV4", "estratégia de resgate" e "grupo prioritário" só existem no documento do programa; "HPV9" e "decisão compartilhada" só existem no da sociedade. Cenário de escola, campanha ou unidade básica pede o primeiro. E atenção ao distrator interno do próprio programa: mulher de 30 anos sem fator de risco não entra em nenhuma das listas de grupo prioritário.
Rotina a partir dos 50 anos — Sociedade Brasileira de Imunizações
Vacina recombinante contra herpes zóster como rotina a partir dos 50 anos, em duas doses com intervalo de dois meses, recomendada inclusive para quem já teve a doença e para quem recebeu antes a vacina atenuada.
Calendários de vacinação SBIm Adulto e Idoso, 2026/2027.
Fora do calendário público — Programa Nacional de Imunizações
A vacina contra herpes zóster não consta entre as vacinas de rotina do Calendário Nacional de Vacinação 2026 do idoso, cujas linhas são hepatite B, dT, febre amarela, pneumocócica 23-valente, tríplice viral, varicela, influenza e covid-19. A própria tabela da sociedade registra a vacina como não disponível gratuitamente no programa.
Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Idoso; coluna de disponibilização do Calendário de vacinação SBIm Idoso, 2026/2027.
Na prova
É uma divergência de exequibilidade pura: não há discussão sobre a eficácia, há uma recomendação sem contrapartida na oferta pública. O recorte aparece na cena — "orientar sobre prevenção de herpes zóster em consultório" abre o mundo da sociedade; "o que a unidade básica pode oferecer a esta paciente" fecha nele mesmo. Distrator frequente é oferecer a vacina varicela atenuada como se fosse a do zóster no idoso: no calendário público a varicela existe nessa faixa apenas para população indígena e trabalhador de saúde, com avaliação individual.
Caso resolvido
- achado
- Duas doses de vacina com toxoide diftérico e tetânico registradas. Esquema básico incompleto, e a gestante já passou da 20ª semana.
- conduta
- Uma dose de dTpa hoje. Com duas doses prévias, a dTpa é a terceira e fecha o esquema básico ao mesmo tempo em que cumpre a dose da gestação. Observar o intervalo de 60 dias, mínimo de 30, desde a última dose com toxoide — aqui, dez anos, sem restrição.
- achado
- Uma única dose de hepatite B registrada. Esquema incompleto.
- conduta
- Completar as três doses ainda na gestação, no esquema 0, 1 e 6 meses a partir do que já existe. Não sendo possível concluir antes do parto, agendar para o puerpério, preferencialmente até 45 dias. Sorologia de controle não é exigida na rotina.
- achado
- Uma dose de tríplice viral aos 12 anos, e a paciente está grávida.
- conduta
- Nada agora: a tríplice viral é contraindicada na gestação. Aos 27 anos ela está na faixa que pede duas doses, então a segunda fica agendada para o puerpério, quando a vacina volta a ser permitida, inclusive durante a amamentação.
- achado
- Uma dose de febre amarela recebida aos 3 anos — antes dos 5.
- conduta
- Ela tem indicação de um reforço, mas não durante esta gestação. A febre amarela na gestante é exceção: só se considera na impossibilidade de adiamento, para residente ou viajante para área de risco, com avaliação de risco e benefício. Fora dessa situação, a dose fica para depois do parto.
- achado
- Sem influenza da temporada e sem covid-19 nesta gestação.
- conduta
- Uma dose de influenza da temporada e uma dose de covid-19, ambas em qualquer fase gestacional, respeitado o intervalo mínimo de 6 meses da última dose de covid-19 recebida. Podem ser aplicadas no mesmo dia da dTpa, em sítios diferentes.
- conduta
- Agendar, para a 28ª semana, a dose única da vacina contra o vírus sincicial respiratório — uma a cada gestação. Se a paciente só retornar mais tarde, ainda há indicação: não existe limite superior de idade gestacional declarado, exceto trabalho de parto ativo.
Agora feche você
- achado
- Esquema básico de dT completo, com última dose há 12 anos, e paciente sem ferimento nem exposição de risco.
- achado
- Três doses de hepatite B documentadas.
- achado
- Uma dose de febre amarela recebida aos 30 anos, portanto depois dos 5 anos de idade, em município sem transmissão ativa e sem deslocamento previsto.
- achado
- Nunca recebeu vacina pneumocócica. Tem 63 anos, é diabético, mora na própria casa e é independente para as atividades diárias.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Dar dTpa como reforço decenal de qualquer adulto no SUS É o que a sociedade recomenda e o que muitos serviços privados fazem, então soa correto. No calendário público a dTpa tem dois endereços apenas — cada gestação, a partir da 20ª semana, e o profissional que assiste recém-nascido. Todo o resto do reforço decenal é dT.
- 2Achar que 'uma dose de febre amarela' encerra sempre o assunto Encerra se foi recebida a partir dos 5 anos de idade. Se foi antes dos 5, falta um reforço — é a linha da tabela que mais escapa, porque o cartão registra a dose e não chama atenção para a idade em que ela foi aplicada.
- 3Dar duas doses de tríplice viral a quem tem 35 anos O corte é aos 30. De 5 a 29 anos sem histórico, duas doses; de 30 a 59 anos sem histórico, uma dose apenas. A exceção é o trabalhador de saúde, que recebe duas doses em qualquer idade, e essa exceção não se estende ao paciente comum.
- 4Oferecer pneumocócica de rotina a todo idoso na unidade básica A 23-valente do calendário do idoso é para acamados e/ou institucionalizados e para a população indígena. A conjugada 20-valente existe no SUS desde 2026, mas por condição clínica documentada e prescrição, na rede de imunobiológicos especiais — não por ter completado 60 anos.
- 5Repetir hepatite B em gestante com anti-HBs abaixo de 10 Parece a conduta zelosa, e o calendário de 2026 diz o contrário com todas as letras: quem já recebeu as três doses ao longo da vida não é revacinada mesmo com título baixo, porque a memória imunológica permanece. Revacinação só nas situações especiais previstas nos manuais.
- 6Aplicar a vacina dengue por via intramuscular Ela é exclusivamente subcutânea, e o documento diz explicitamente que não pode ser administrada por via intramuscular nem intradérmica. Como quase todas as outras vacinas da faixa são intramusculares, o automatismo custa a questão.
- 7Iniciar a vacina dengue logo após um quadro de dengue Depois da infecção, aguardam-se 6 meses para iniciar o esquema. Se a infecção acontece com o esquema já iniciado, o intervalo entre as doses não muda — desde que a segunda dose não seja aplicada em menos de 30 dias do início da doença. São duas regras diferentes para dois momentos diferentes.
- 8Confundir alergia à proteína do leite com intolerância à lactose na tríplice viral A restrição vale para história de alergia grave à proteína do leite de vaca e apenas para uma apresentação disponível na rede. Intolerância à lactose não contraindica nada, e o próprio calendário faz questão de dizer isso.
- 9Tratar 'disponível no SUS' e 'está no calendário' como sinônimos São três portas diferentes: rotina do calendário, estratégia anual e rede de imunobiológicos para situações especiais. Uma alternativa pode acertar a indicação clínica e errar a via de acesso — e continua sendo alternativa errada.
- 10Somar meningocócica ACWY ao calendário do adulto A dose é dos 11 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, e funciona como reforço de quem já recebeu meningocócica C ou ACWY antes. Fora dessa faixa, no adulto e no idoso, ela não é rotina do programa: entra por situação epidemiológica ou por viagem, em outro contexto.
- 11Esquecer o puerpério de 45 dias É a janela que resolve quase toda vinheta de gestante que 'perdeu' uma vacina — dTpa, hepatite B, influenza, covid-19 — e é também quando entram as que eram proibidas na gravidez, como tríplice viral e HPV. Alternativa que diz 'perdeu a oportunidade' costuma estar errada por causa dela.
Aos 2 meses aplicam-se pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus (correta). BCG e hepatite B são do nascimento. Tríplice viral, hepatite A e varicela concentram-se a partir dos 12-15 meses. Meningocócica C inicia aos 3 meses e febre amarela aos 9 meses. dTpa/HPV são de gestante/adolescente, não do esquema dos 2 meses do lactente.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Criança de 2 meses é levada à UBS para vacinação de rotina. O cartão está em dia até o nascimento (BCG e hepatite B). A mãe pergunta quais vacinas devem ser aplicadas nesta consulta. Segundo o calendário vacinal do Programa Nacional de Imunizações, quais vacinas estão indicadas aos 2 meses de idade?
Aos 2 meses aplicam-se pentavalente (DTP+Hib+hepatite B), VIP (pólio inativada), pneumocócica 10-valente e rotavírus humano. Tríplice viral e varicela iniciam aos 12 meses; hepatite A aos 15 meses. Febre amarela é aos 9 meses e meningocócica C aos 3 meses; não há segunda dose de BCG de rotina. DTP de reforço, dTpa e HPV são de idades bem posteriores. Pneumocócica 23-valente e herpes-zóster são vacinas de outros públicos (idosos/grupos de risco).
Lactente de 2 meses comparece à UBS para puericultura e vacinação de rotina. Nascido a termo, sem intercorrências, em aleitamento materno exclusivo, com bom ganho ponderal. Conforme o calendário nacional de vacinação da criança, qual conjunto de vacinas está indicado nesta idade?
Aos 2 meses o calendário nacional prevê pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus humano (correta). BCG e hepatite B são ao nascer. Tríplice viral, hepatite A e varicela iniciam aos 12-15 meses. Meningocócica C é aos 3 meses e febre amarela aos 9 meses. VOP e DTP são reforços posteriores (a partir de 15 meses), não aos 2 meses.
Gestante de 26 anos, na 12ª semana de gestação, comparece à primeira consulta de pré-natal. Traz cartão vacinal incompleto e nega ter recebido qualquer dose contra o tétano. Considerando as recomendações do Ministério da Saúde, qual vacina deve ser obrigatoriamente administrada durante esta gestação, idealmente a partir da 20ª semana, para proteção do recém-nascido contra a coqueluche?
A dTpa é recomendada em toda gestação, preferencialmente a partir da 20ª semana, transferindo anticorpos maternos contra a coqueluche ao recém-nascido. A tríplice viral é vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada na gestação. A febre amarela também é de vírus vivo, evitada salvo alto risco. A BCG é aplicada no recém-nascido, não na gestante. A HPV não é recomendada durante a gestação.
Gestante de 28 anos, 12 semanas, comparece para pré-natal. Refere que teve varicela (catapora) na infância. Traz sorologia: IgG para rubéola não reagente, IgG para varicela reagente. É Rh negativo, com coombs indireto negativo; o parceiro é Rh positivo. Qual das seguintes condutas é a mais adequada neste momento da gestação?
A vacina de rubéola é de vírus vivo atenuado e contraindicada na gestação; como a paciente é suscetível (IgG não reagente), a vacinação fica para o puerpério. Sendo Rh negativa com coombs indireto negativo e parceiro Rh positivo, mantém-se vigilância e a imunoglobulina anti-D de rotina é indicada por volta de 28 semanas (não no primeiro trimestre sem evento sensibilizante) — por isso Incorreta: agora. Vacinar contra varicela na gestação é contraindicado (vírus vivo) e ela já é imune (IgG reagente). Aciclovir profilático contínuo não tem indicação — a IgG reagente indica imunidade prévia.
O Programa Nacional de Imunizações preconiza a vacinação de rotina na infância. Considerando o calendário vacional da criança no SUS, aos 2 meses de idade são aplicadas simultaneamente a pentavalente, a VIP (poliomielite inativada) e mais duas vacinas. Quais são essas duas vacinas administradas também aos 2 meses?
Aos 2 meses o calendário inclui, além de pentavalente e VIP, a pneumocócica 10-valente e a vacina oral contra rotavírus humano. BCG e hepatite B são ao nascer. Tríplice viral e febre amarela iniciam aos 12/9 meses. Meningocócica C é aos 3 meses. Influenza é campanha anual a partir de 6 meses. Portanto, a dupla correta é pneumocócica 10-valente + rotavírus.
Menino de 5 anos é levado à UBS pela mãe, que traz a caderneta de vacinação. Ao revisar o calendário nacional de imunização, o médico verifica que a criança está na idade do reforço. Qual dos seguintes esquemas corresponde a uma dose de reforço tipicamente aplicada aos 4-5 anos no calendário infantil do SUS?
Correta (reforço DTP e poliomielite): aos 4-5 anos aplica-se o reforço da tríplice bacteriana (DTP) e da vacina poliomielite (VOP/VIP conforme calendário). A BCG é dose única ao nascer, sem segunda dose de rotina. A hepatite B é iniciada ao nascer, não aos 5 anos. A pentavalente compõe o esquema básico do primeiro ano de vida. A meningocócica ACWY é destinada a adolescentes, faixa etária diferente.
Adolescente de 12 anos comparece à UBS com a mãe para atualização vacinal. A caderneta mostra esquema básico infantil completo, sem doses de reforço na adolescência. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação, além do HPV, qual vacina deve ser priorizada nesta consulta para proteção contra difteria, tétano e coqueluche?
Na adolescência indica-se o reforço da dupla adulto (dT — difteria e tétano) a cada 10 anos após o esquema básico, sendo a opção prevista para essa faixa contra difteria e tétano no calendário (a dTpa é priorizada em gestantes e profissionais de saúde). A BCG não tem reforço de rotina. A pneumocócica 10-valente é do lactente. A tríplice viral está indicada para atualização de sarampo/rubéola/caxumba, mas não cobre difteria/tétano/coqueluche.
Gestante de 24 anos, na 8ª semana, comparece à primeira consulta de pré-natal na UBS. Ela não sabe informar quais vacinas já recebeu e não tem o cartão de vacinação. Considerando o calendário de imunização da gestante preconizado pelo Ministério da Saúde, qual vacina deve ser administrada em toda gestante, independentemente do histórico vacinal, para proteção do recém-nascido contra o tétano neonatal e a coqueluche?
A dTpa é recomendada a TODA gestante, a partir da 20ª semana, em cada gestação, para proteção do recém-nascido contra coqueluche (via anticorpos transplacentários) e reforço antitetânico, prevenindo o tétano neonatal. A tríplice viral e a febre amarela são vacinas de vírus vivo atenuado, CONTRAINDICADAS na gestação. BCG é aplicada ao recém-nascido, não à gestante. O caso reforça o esquema vacinal do pré-natal como ação de saúde coletiva no SUS.
Gestante de 19 anos, com 8 semanas, inicia o pré-natal na UBS. Nunca fez rastreamento de câncer de colo do útero e teve sarampo na infância. Não sabe informar seu esquema vacinal. Ao revisar a caderneta, você identifica que ela nunca recebeu a vacina dTpa. Considerando as recomendações do Programa Nacional de Imunizações para gestantes, qual é a orientação correta quanto à vacina dTpa?
A dTpa é recomendada em toda gestação, preferencialmente a partir da 20ª semana, para proteger o recém-nascido contra coqueluche por transferência de anticorpos maternos. Não é contraindicada na gestação, não depende de surto e é indicada independentemente do histórico de dupla adulto (dT), pois o componente pertussis é o objetivo.
Mãe traz seu filho de 2 meses à UBS para vacinação de rotina, sem intercorrências. A criança está com o calendário em dia até o momento. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do PNI, quais vacinas devem ser aplicadas aos 2 meses de idade?
Aos 2 meses, o PNI preconiza pentavalente (DTP+Hib+hepatite B), VIP, pneumococica 10-valente e rotavirus humano. Triplice viral e febre amarela sao aos 9-12 meses. BCG e hepatite B sao ao nascer. Meningococica C tem esquema aos 3 e 5 meses e a triplice viral nao tem 2a dose aos 2 meses.
Uma mãe leva à UBS seu filho de 2 meses de idade para a rotina de imunização. A criança está saudável e não recebeu nenhuma vacina após a alta da maternidade. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, quais vacinas estão indicadas aos 2 meses de vida?
Aos 2 meses o calendário preconiza a primeira dose de Penta (DTP + Hib + Hepatite B), VIP, Pneumocócica 10-valente e Rotavírus humano. A tríplice viral é aplicada a partir dos 12 meses e a febre amarela aos 9 meses. BCG e a Hepatite B monovalente são vacinas ao nascer/maternidade. Meningocócica C é feita aos 3 meses, e não há 'segunda dose' de rotavírus aos 2 meses (a primeira dose ocorre justamente aos 2 meses).
Um lactente de 2 meses comparece à UBS para puericultura e vacinação de rotina. A mãe está com o esquema vacinal do filho em dia até o momento. De acordo com o calendário nacional de imunização, quais vacinas são preconizadas aos 2 meses de idade?
Aos 2 meses o calendário nacional preconiza pentavalente (DTP+Hib+HepB), VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus. Tríplice viral, hepatite A e varicela são a partir dos 12-15 meses. BCG e hepatite B são doses ao nascer, não repetidas aos 2 meses nesse formato. Meningocócica C inicia aos 3 meses e febre amarela/tríplice viral são posteriores.
Uma criança de 5 anos é levada à UBS para atualização vacinal. A mãe relata que a criança teve varicela há 6 meses e apresenta quadro de coriza leve, sem febre, no dia da consulta. O cartão mostra atraso na segunda dose da tríplice viral e na dose de reforço da DTP. Qual a conduta correta?
Infecções leves das vias aéreas superiores sem febre alta não contraindicam vacinação; a oportunidade deve ser aproveitada para aplicar as doses em atraso (opção correta). Adiar por coriza leve é uma falsa contraindicação e gera oportunidade perdida (opção errada). Ter tido varicela não contraindica a tríplice viral (opção errada). Não há motivo para adiar a tríplice viral — ela pode ser aplicada junto com a DTP (opção errada).
Criança de 2 anos é levada à UBS pela mãe para atualização vacinal. A caderneta mostra atraso de várias doses por dificuldade de acesso. A mãe pergunta se é necessário reiniciar todos os esquemas. Com base nas normas do Programa Nacional de Imunizações, qual é a conduta correta diante de esquema vacinal atrasado?
Esquema vacinal atrasado não se reinicia: aproveita-se as doses já aplicadas e retoma-se a partir da dose pendente, respeitando os intervalos mínimos — princípio da 'oportunidade perdida' do PNI. Reiniciar é desnecessário e desperdiça doses. Adiar prolonga a vulnerabilidade da criança. Aplicar múltiplas vacinas é possível na mesma visita, mas em locais/membros diferentes e respeitando intervalos entre doses da mesma vacina — não todas 'no mesmo local'.
Lactente de 2 meses é levado à UBS para puericultura. A mãe não trouxe a caderneta e não sabe informar as vacinas. Ao verificar o sistema, constata-se que ele recebeu apenas as vacinas do nascimento (BCG e hepatite B). Qual conduta de imunização é a mais adequada nesta visita, conforme o calendário do PNI?
Aos 2 meses, o calendário do PNI prevê pentavalente (DTP+Hib+HepB), VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus humano. A tríplice viral é aplicada aos 12 meses, não aos 2. Não se deve adiar a vacinação por falta de caderneta quando há registro/possibilidade de aprazamento seguro. Febre amarela no calendário atual inicia aos 9 meses, não neste momento.
Criança de 5 anos é levada à UBS para atualização vacinal. A mãe apresenta a caderneta e o médico verifica que faltou a dose de reforço de DTP e a da tríplice viral prevista para os 15 meses, além de estar atrasada. A criança está saudável e sem contraindicações. Qual a conduta correta?
Oportunidade perdida de vacinação deve ser evitada: atualiza-se o esquema aplicando as doses atrasadas na mesma consulta, respeitando o calendário do PNI, pois vacinas do calendário podem ser administradas simultaneamente. Reiniciar o esquema Errado: doses válidas são contabilizadas. Adiar ou espaçar artificialmente geram oportunidades perdidas e mantêm a criança suscetível.
Mulher de 28 anos comparece à UBS para consulta de pré-natal com 30 semanas. É a primeira gestação, sem intercorrências. No cartão consta apenas a vacina dupla adulto (dT) aplicada há 8 anos. Ela pergunta sobre vacinas na gestação. Considerando o calendário de imunização do SUS para gestantes, qual orientação está correta?
A dTpa é recomendada a TODA gestante a cada gestação, a partir da 20ª semana, para proteção do recém-nascido contra coqueluche por transferência de anticorpos, independentemente do histórico de dT/dTpa (correta). Dizer que está protegida ignora a indicação específica da dTpa por gestação. A dTpa NÃO é contraindicada — é justamente a recomendada; a dT não substitui a proteção contra coqueluche. A influenza (inativada, não vírus vivo) é recomendada na gestação em qualquer trimestre e não deve ser adiada.
Gestante de 27 anos, na 12ª semana, comparece à UBS e informa que não sabe se tomou todas as vacinas. O cartão mostra esquema de dupla adulto (dT) incompleto e ausência de registro de dTpa. Considerando a rotina de imunização da gestante no SUS, qual vacina é especificamente recomendada em toda gestação para proteção do recém-nascido contra coqueluche?
A dTpa é recomendada em TODA gestação (idealmente a partir da 20ª semana), independentemente do intervalo de doses anteriores, para gerar anticorpos maternos que protegem o recém-nascido contra coqueluche nos primeiros meses de vida. A tríplice viral é de vírus vivo atenuado e CONTRAINDICADA na gestação. A febre amarela também é vírus vivo e não é de rotina na gestação (uso apenas mediante avaliação de risco em área endêmica). A BCG não é aplicada em gestantes. A gestante deve completar o esquema de dT se pendente, mas a vacina específica para proteção neonatal contra coqueluche é a dTpa.
Gestante de 27 anos, na 10ª semana, comparece à UBS para pré-natal. Ao revisar a caderneta de vacinação, o médico verifica que a paciente não recebeu doses recentes de dTpa. Qual vacina deve ser recomendada a partir da 20ª semana de gestação para proteger o recém-nascido contra a coqueluche?
A dTpa (difteria, tétano e coqueluche acelular) é recomendada a cada gestação, a partir da 20ª semana, para gerar anticorpos maternos que protegem o recém-nascido contra a coqueluche. A tríplice viral e a febre amarela são vacinas de vírus vivo atenuado, contraindicadas na gestação. A BCG não é indicada na gestante.
Uma mulher de 26 anos comparece à UBS na 11ª semana de gestação (primeira consulta de pré-natal, confirmada por USG). Refere que não tomou nenhuma vacina desde a adolescência e não possui a caderneta. Está assintomática, PA 110x70 mmHg. Considerando o calendário vacinal do SUS na gestação, qual é a conduta correta quanto à imunização neste momento?
A conduta correta é atualizar o esquema com dT (dupla adulto) conforme situação vacinal e aplicar a dTpa a partir da 20ª semana, para proteção do recém-nascido contra coqueluche via anticorpos maternos. A tríplice viral é vacina de vírus vivo atenuado, CONTRAINDICADA na gestação. A febre amarela (vírus vivo) só é considerada em situação de risco epidemiológico real, avaliando risco-benefício, não indiscriminadamente. Afirmar que toda vacina é contraindicada é incorreto: vacinas inativadas (dT, dTpa, influenza, hepatite B) são recomendadas na gestação.
Durante a consulta na UBS, uma mãe traz o cartão de vacinação do filho de 2 meses. O médico verifica a caderneta para atualizar o esquema vacinal. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do SUS, qual vacina é administrada aos 2 meses de idade?
Aos 2 meses, o Calendário Nacional prevê a pentavalente (DTP + Haemophilus influenzae b + Hepatite B), além de VIP (poliomielite inativada), pneumocócica 10-valente e rotavírus. A tríplice viral é aos 12 meses. A febre amarela é aos 9 meses. A HPV é indicada em adolescentes (a partir dos 9 anos). Conhecer o calendário vacinal é competência essencial do generalista na APS.
Menina de 5 anos é levada à UBS para atualização vacinal. A mãe informa que a criança tem imunodeficiência congênita grave confirmada. Ao revisar a caderneta, o médico identifica que faltam doses do calendário. Qual das seguintes vacinas está CONTRAINDICADA nessa criança?
Vacinas de vírus vivos atenuados, como a tríplice viral, são contraindicadas em imunodeficiência grave pelo risco de doença vacinal (opção correta). As demais são vacinas inativadas ou de subunidades (pneumocócica conjugada, hepatite B recombinante e VIP), seguras e recomendadas em imunocomprometidos.
Menino de 5 anos é levado à UBS pela mãe, que traz a caderneta de vacinação com atraso: faltam doses do calendário. A criança está assintomática. Ao verificar, constata-se que ele não recebeu a segunda dose da vacina tríplice viral (aos 15 meses) nem os reforços de DTP e poliomielite previstos aos 4 anos. Qual a conduta correta quanto à vacinação?
Atraso não invalida doses: deve-se completar o esquema aproveitando a oportunidade, princípio da vacinação em dia do PNI. Não se reinicia esquema. Adiar deixa a criança suscetível. Os reforços de DTP e VOP/VIP aos 4 anos são recomendados e devem ser aplicados no atraso (opção errado).
Um lactente de 8 meses comparece à UBS para consulta de puericultura. A mãe informa que ele recebeu todas as vacinas até os 6 meses. Ao revisar a caderneta, a equipe verifica que a dose da vacina febre amarela ainda não foi aplicada. A criança está afebril, sem imunossupressão. Considerando o calendário nacional, qual é a conduta correta?
No calendário nacional, a vacina febre amarela (vírus vivo atenuado) tem idade recomendada a partir dos 9 meses — portanto, aos 8 meses ela NÃO está atrasada. A conduta correta é a que reconhece essa idade mínima e agenda o retorno para o momento adequado de aplicação. Aplicá-la imediatamente sob o argumento de atraso desde os 6 meses coloca a dose fora da idade recomendada. A vacina não é contraindicada definitivamente na infância por ser vírus vivo atenuado — é rotina do calendário. E ela não é intercambiável com a tríplice viral, que protege contra outras doenças e tem esquema próprio.
Uma equipe de Saúde da Família analisa os dados de seu território e observa que a cobertura vacinal de tríplice viral em crianças de 12 a 24 meses caiu de 95% para 78% nos últimos dois anos. Há registro de um caso de sarampo confirmado em município vizinho. Qual medida de saúde coletiva é prioritária para reduzir o risco de surto na área adscrita?
Diante de queda de cobertura e risco iminente (caso próximo), a ação prioritária da APS é a busca ativa de faltosos e vacinação seletiva/de bloqueio para restabelecer a imunidade coletiva e prevenir o surto. Aguardar notificação é reativo e tardio. Vacinar só sintomáticos é conceitualmente errado — a vacina é prevenção, e sintomático de sarampo não deve ser vacinado para tratar. O CRIE destina-se a imunobiológicos especiais em situações específicas, não à vacinação de rotina de crianças sadias, que é feita na própria UBS.
Lactente de 3 meses é levado à UBS para consulta de puericultura. A mãe relata aleitamento materno exclusivo e boa evolução. O médico revisa a caderneta e nota que a criança está com o esquema vacinal em dia para a idade, exceto por uma dose que deveria ter sido feita e não foi registrada. A mãe teme que 'começar tudo de novo' seja necessário. Considerando os princípios de vacinação e as oportunidades perdidas na APS, qual é a conduta correta?
Atraso vacinal não invalida doses prévias; a conduta é resgatar a oportunidade e aplicar apenas as doses em atraso, sem reiniciar o esquema — evitando oportunidades perdidas de vacinação. Reiniciar tudo é mito e expõe a criança a doses desnecessárias. Adiar para agrupar aos 6 meses mantém a criança suscetível e perde a oportunidade da consulta atual. O aleitamento materno exclusivo não contraindica vacinas do calendário.
Um lactente de 8 meses é levado à UBS pela mãe para puericultura. Nasceu a termo, peso adequado, aleitamento materno exclusivo até os 6 meses, com introdução alimentar em curso. A mãe traz a caderneta de vacinação, que está atualizada até os 6 meses, mas não comparece há dois meses por dificuldade de transporte. Ao exame: eutrófico, ativo, desenvolvimento neuropsicomotor adequado, sem alterações. A enfermeira pergunta ao médico quais vacinas do calendário do Programa Nacional de Imunizações devem ser aplicadas nesta idade. Considerando o calendário vigente do PNI, qual das opções contém vacina(s) recomendada(s) rotineiramente aos 9 meses e a conduta correta nesta consulta de 8 meses?
No calendário do PNI, a vacina febre amarela é indicada aos 9 meses de idade. Como a criança tem 8 meses, a conduta correta é orientar e agendar o retorno aos 9 meses para essa dose (aproveitar a oportunidade para atualizar o que estiver em atraso). A tríplice viral tem primeira dose aos 12 meses e a tetra viral aos 15 meses — não há segunda dose aos 8 meses. HPV é para adolescentes (9-14 anos), não lactentes. O reforço da meningocócica C ocorre aos 12 meses, não aos 8.
Lactente de 8 meses é levado à UBS pela mãe para consulta de puericultura. Nasceu a termo, com bom peso, em aleitamento materno complementado com alimentação da família. Ao consultar a caderneta, o médico observa que a criança recebeu ao nascimento BCG e hepatite B, e completou o esquema de pentavalente, VIP/VOP, pneumocócica 10-valente e rotavírus conforme o calendário. A mãe traz dúvidas sobre as próximas vacinas. De acordo com o calendário do Programa Nacional de Imunizações, qual vacina está prevista para ser aplicada aos 9 meses de idade?
No calendário do PNI, a vacina febre amarela é aplicada aos 9 meses (com reforço aos 4 anos) em todo o território, dada a ampliação da recomendação. A tríplice viral é indicada aos 12 meses. O reforço da meningocócica C ocorre aos 12 meses. A hepatite A é aplicada aos 15 meses. Portanto, aos 9 meses a vacina prevista é a febre amarela.
Menina de 12 meses, hígida, comparece à UBS para atualização vacinal. O cartão está em dia até os 9 meses. A mãe pergunta quais vacinas o filho deve receber ao completar 1 ano de idade. Segundo o calendário do PNI, uma das vacinas de dose ou reforço previstas aos 12 meses é a:
Correta: Aos 12 meses o PNI prevê a 1ª dose da tríplice viral, além do reforço da pneumocócica 10-valente e da meningocócica C. A pentavalente tem 3 doses (2, 4 e 6 meses); não há 4ª dose — os reforços subsequentes contra difteria/tétano/coqueluche são feitos com DTP aos 15 meses e 4 anos. O rotavírus é esquema de 2 doses (2 e 4 meses), com idade-limite para a última dose; não há dose aos 12 meses. Febre amarela é aos 9 meses (com reforço aos 4 anos), não aos 12. A vacina HPV é indicada na adolescência (a partir dos 9 anos no PNI atual), não aos 12 meses.
Gestante de 28 anos, primigesta, na 22ª semana de gestação, comparece ao pré-natal na UBS. Traz o cartão de vacinação, no qual consta esquema primário completo de vacina contra difteria e tétano na infância e uma dose de dupla adulto (dT) há 3 anos, quando sofreu um ferimento. Nunca recebeu vacina acelular contra coqueluche. Não há registro de vacina contra COVID-19 ou influenza nesta gestação. Além das vacinas contra influenza e COVID-19 (indicadas em qualquer período gestacional), qual conduta em relação à vacina que protege o recém-nascido contra a coqueluche está correta segundo o PNI?
Correta: o PNI recomenda uma dose de dTpa a cada gestação, a partir da 20ª semana, com o objetivo de proteção passiva do recém-nascido contra a coqueluche — independentemente do histórico de dT ou do intervalo desde a última dose. Como a gestante está na 22ª semana e nunca recebeu componente acelular contra coqueluche, deve receber a dTpa agora. A dT anterior protege contra difteria/tétano, mas NÃO contém o componente pertussis acelular — não substitui a dTpa. A indicação da dTpa na gestação não depende de o esquema primário estar completo ou não; o objetivo é a proteção do RN. A dTpa (inativada/toxoide) não é contraindicada na gestação — ao contrário, é recomendada. A recomendação do PNI é a partir da 20ª semana, não restrita ao terceiro trimestre; adiar até após a 36ª semana pode deixar tempo insuficiente para produção e transferência de anticorpos.
Mulher, 26 anos, gestante, na 22ª semana de gestação, comparece à consulta de pré-natal. O cartão vacinal mostra esquema de tétano completo (três doses + um reforço) realizado há 6 anos. Nunca recebeu a vacina tríplice bacteriana acelular do adulto (dTpa) em gestações anteriores nem nesta. Sente-se bem, sem queixas. Considerando o calendário vacinal do PNI para a gestante, qual a conduta correta em relação à dTpa? Qual a conduta vacinal adequada?
Correta: o PNI recomenda a dTpa em TODA gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do estado vacinal prévio para tétano. O objetivo principal não é o tétano materno, mas a proteção do recém-nascido contra a coqueluche por transferência transplacentária de anticorpos; aos 22 semanas a aplicação é oportuna. Erra porque ignora o alvo coqueluche: mesmo com tétano completo, a dTpa é indicada a cada gestação. Erra porque a vacinação precisa ocorrer DURANTE a gestação (idealmente a partir de 20 semanas) para permitir a passagem transplacentária de anticorpos — no puerpério não há esse benefício ao concepto. Erra porque a indicação não é condicionada a nunca ter se vacinado contra o tétano. Erra porque a dTpa deve ser feita a cada gestação, não adiada.
Menina, 13 anos, hígida, sem comorbidades, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização do cartão vacinal. Nunca recebeu qualquer dose da vacina contra o HPV. Não há história de imunossupressão. Segundo o calendário vacinal atual do PNI, qual a conduta correta em relação à vacinação contra o HPV? Qual a conduta correta?
Correta: Desde 2024 o PNI adotou o esquema de DOSE ÚNICA da vacina HPV quadrivalente para a faixa de 9 a 14 anos; aos 13 anos e sem imunossupressão, aplica-se uma única dose. O esquema de duas doses (0 e 6 meses) é o anterior, hoje substituído. O esquema de três doses é reservado a imunocomprometidos (ex.: HIV, transplantados, oncológicos), até 45 anos — não se aplica a uma adolescente hígida. Erra: a faixa etária de rotina, que vai de 9 a 14 anos (não 9 a 11). Erra porque não há motivo para adiar: a indicação é imediata dentro da faixa recomendada.
Menina, 13 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada da mãe para atualização da caderneta de vacinação. Está assintomática, sem comorbidades, com esquema completo na infância. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação do adolescente (PNI/Ministério da Saúde), qual é a vacina indicada rotineiramente na faixa dos 11 aos 14 anos para proteção contra a doença meningocócica? Qual a vacina indicada?
Gabarito: o Calendário Nacional de Vacinação do adolescente prevê a meningocócica ACWY (conjugada) em dose única para a faixa de 11 a 14 anos, ampliando a proteção que na infância era dada apenas contra o sorogrupo C. A meningocócica C conjugada faz parte do esquema do lactente (aos 3 e 5 meses, com reforço aos 12 meses), não sendo a vacina de rotina do adolescente. A meningocócica B não integra o calendário de rotina do PNI para adolescentes saudáveis. A pneumocócica 10-valente compõe o esquema do lactente, não do adolescente. A pneumocócica 23-valente é destinada a grupos de risco/idosos em campanhas específicas, não à vacinação de rotina do adolescente hígido.
Uma gestante de 26 anos, na 28ª semana de gestação (primeira gestação), realiza consulta de pré-natal na Estratégia Saúde da Família. Está assintomática, com pressão arterial e exames de rotina normais. Ao revisar a caderneta de vacinação, observa-se esquema de vacina dupla adulto (dT) completo e atualizado, com a última dose há 3 anos; recebeu vacina influenza nesta gestação; não há registro de vacina contra coqueluche na gestação atual. A paciente questiona se precisa de alguma outra vacina. Considerando o calendário vacinal da gestante do Ministério da Saúde e a proteção do recém-nascido contra a coqueluche, qual é a conduta correta neste momento?
Correta: a dTpa deve ser administrada em toda gestação, independentemente do estado vacinal prévio para tétano/difteria, preferencialmente entre a 20ª e a 36ª semana (idealmente 27–36), pois protege o recém-nascido contra a coqueluche via anticorpos transplacentários — a paciente está na janela ideal e ainda não recebeu. A vacina dT não contém o componente pertussis (coqueluche), portanto não substitui a dTpa. A dTpa é segura e recomendada na gestação, não devendo ser adiada. A tríplice viral é vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada na gravidez.
Uma mulher de 26 anos, primigesta, com idade gestacional de 22 semanas, comparece à consulta de pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde. Refere-se assintomática, nega intercorrências na gestação e nega comorbidades. Traz a caderneta de vacinação, que registra esquema completo de três doses de vacina dupla adulto (dT), sendo a última dose administrada há seis anos. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, altura uterina compatível com a idade gestacional e batimentos cardiofetais de 148 bpm. A enfermeira solicita orientação médica quanto à conduta vacinal, considerando a prevenção de coqueluche no lactente nos primeiros meses de vida.
Pelo calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI/Ministério da Saúde), a dTpa está indicada em TODA gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do intervalo ou da situação prévia de dT, com o objetivo de transferir anticorpos antipertussis por via transplacentária e proteger o lactente antes do início do esquema com a pentavalente aos 2 meses. Como a gestante está com 22 semanas, a dose é aplicada nesta consulta. Distratores: Esquema de dT completo não substitui a dTpa, que é dose obrigatória a cada gestação; A dTpa no puerpério é estratégia de resgate apenas para quem não a recebeu na gestação — perde a passagem transplacentária de anticorpos; A recomendação é a partir da 20ª semana e o quanto antes dentro dessa janela, não a partir da 36ª semana (adiar reduz o tempo para produção e transferência de anticorpos e aumenta o risco de perda da oportunidade vacinal).
Um lactente de 2 meses de idade, do sexo masculino, nascido a termo, com peso de nascimento de 3.250 g, é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para consulta de puericultura. Está em aleitamento materno exclusivo, com boa aceitação e ganho ponderal adequado. Nega-se qualquer intercorrência desde a alta da maternidade. A caderneta registra apenas as vacinas BCG e hepatite B, aplicadas ao nascimento. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, ativo, corado, hidratado, afebril, sem alterações cardiopulmonares, abdominais ou neurológicas. A mãe pergunta quais vacinas o filho deve receber hoje, conforme o calendário básico do Programa Nacional de Imunizações.
Aos 2 meses, o calendário básico do PNI prevê: pentavalente (DTP + Hib + hepatite B), VIP (poliomielite inativada), pneumocócica 10-valente conjugada e rotavírus humano (VORH, via oral). Distratores: Tríplice viral é aos 12 meses e meningocócica C aos 3 meses; além disso, a poliomielite no esquema básico atual do Brasil é feita com VIP (esquema exclusivamente inativado desde 2024); VOP não é usada aos 2 meses e febre amarela é aos 9 meses; Meningocócica C é aos 3 meses, e a hepatite B, após a dose ao nascer, é contemplada dentro da própria pentavalente, não como dose isolada.
Uma adolescente de 12 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada da mãe para avaliação de rotina antes do início do ano letivo. É assintomática, hígida, sem comorbidades, não usa medicações, nega imunossupressão e ainda não iniciou atividade sexual. Ao exame físico, apresenta bom estado geral, eutrófica, estadiamento puberal de Tanner M3P3, sem outras alterações. A caderneta de vacinação está completa para o calendário da criança, incluindo hepatite B e tríplice viral, mas não há qualquer registro de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV). A mãe questiona se a filha ainda pode ser vacinada e quantas doses seriam necessárias na rede pública.
Desde 2024 o Ministério da Saúde adotou o esquema de DOSE ÚNICA da vacina HPV quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com base em evidências de imunogenicidade e efetividade equivalentes ao esquema de duas doses; a adolescente de 12 anos, hígida e não imunossuprimida, recebe uma única dose. Distratores: O esquema de duas doses (0–6 meses) foi o vigente até 2023, tendo sido substituído pela dose única; O esquema de três doses permanece apenas para grupos especiais (pessoas vivendo com HIV/aids, transplantados, pacientes oncológicos e vítimas de violência sexual em algumas situações), o que não é o caso; A vacina é mais eficaz justamente antes do início da atividade sexual — a exposição prévia nunca foi critério de indicação no PNI.
Uma mulher de 27 anos, G2P1, comparece à unidade de saúde da família para consulta de pré-natal com idade gestacional de 24 semanas, calculada por ultrassonografia do primeiro trimestre. Está assintomática e a gestação transcorre sem intercorrências. Ao exame, apresenta pressão arterial de 110x70 mmHg, altura uterina de 23 cm e batimentos cardiofetais de 148 bpm. A caderneta de vacinação registra três doses de vacina contra hepatite B na adolescência e três doses de dupla adulto (dT), sendo a última há quatro anos. Não há registro de dTpa na gestação anterior nem de vacina influenza nesta temporada, que está em curso na região. A paciente pergunta se pode receber vacinas hoje, pois tem receio de prejudicar o bebê. Nesse caso, qual é a conduta de imunização recomendada pelo Ministério da Saúde?
Correta: a dTpa é indicada a cada gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do intervalo em relação a doses prévias de dT/dTpa, para proteger o recém-nascido contra coqueluche por anticorpos maternos transferidos; a influenza é indicada a todas as gestantes em qualquer idade gestacional durante a temporada de campanha; com três doses documentadas de hepatite B na adolescência, o esquema está completo e não se repete. Primeiro distrator: não existe intervalo mínimo que contraindique a dTpa na gestação — a recomendação é vacinar a cada gravidez. Segundo distrator: substituir dTpa por dT desprotege o RN contra coqueluche, e adiar para 36 semanas reduz a janela de transferência transplacentária de anticorpos. Terceiro distrator: sorologia anti-HBs não é exigida para considerar o esquema completo em gestante imunocompetente com três doses registradas, e não se reinicia esquema documentado.
Uma mulher de 27 anos, gestante de 22 semanas, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde durante o mês de maio. É a segunda gestação; a primeira ocorreu há 5 anos, sem intercorrências. Refere-se assintomática, sem queixas. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, pressão arterial de 110 x 70 mmHg, altura uterina compatível com a idade gestacional e batimentos cardiofetais de 148 bpm. Traz a caderneta de vacinação, na qual constam três doses documentadas de vacina dupla adulto (difteria e tétano — dT), sendo a última administrada há 4 anos, além de duas doses de vacina contra hepatite B na adolescência e uma dose de tríplice viral. Não há registro de vacina contra coqueluche na gestação anterior nem de vacina influenza nesta temporada. Qual é a conduta correta quanto à imunização desta gestante?
Correta: o Programa Nacional de Imunizações recomenda uma dose de dTpa em TODA gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do histórico vacinal prévio de dT — o objetivo é a transferência de anticorpos antipertussis ao recém-nascido, que só estará protegido após as próprias doses de pentavalente. A gestante também tem indicação de vacina influenza (grupo prioritário), e vacinas inativadas podem ser aplicadas simultaneamente. Errada a primeira: mesmo com dT recente e esquema completo, a dTpa está indicada nesta gestação — a proteção materna contra tétano não substitui a proteção do lactente contra coqueluche. Errada a terceira: dT de reforço não contém componente pertussis e não cumpre o objetivo; a dTpa não é vacina condicionada a ferimento. Errada a quarta: com esquema documentado de três doses, não se reinicia série vacinal — dose de vacina válida aplicada não se repete, e adiar dTpa para o puerpério perde a janela de transferência transplacentária de anticorpos.
Uma primigesta de 24 anos comparece à consulta de pré-natal na Unidade de Saúde da Família com 22 semanas de idade gestacional. Está assintomática e a gestação transcorre sem intercorrências. Ao exame físico: bom estado geral, pressão arterial de 108 x 68 mmHg, altura uterina compatível com a idade gestacional e batimentos cardíacos fetais de 150 bpm. A caderneta de vacinação está atualizada, com registro de três doses de dupla adulto (dT), sendo a última há quatro anos, além de esquema completo de hepatite B e da vacina influenza aplicada nesta gestação. A paciente pergunta se ainda precisa de alguma vacina. De acordo com o calendário vacinal da gestante do Ministério da Saúde, qual é a conduta correta?
Correta: o Ministério da Saúde recomenda uma dose de dTpa em toda gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do intervalo ou do esquema prévio de dT, com o objetivo de transferir anticorpos maternos e proteger o lactente contra coqueluche nos primeiros meses de vida. Incorreta: o esquema completo de dT protege contra tétano e difteria, mas não contém o componente pertussis acelular — a dTpa é indicada mesmo com dT em dia. Incorreta: a dTpa deve ser feita durante a gestação para permitir a passagem transplacentária de anticorpos; a aplicação no puerpério é estratégia de resgate apenas para quem não a recebeu na gestação. Incorreta: a indicação da dTpa na gestação é universal e rotineira, não condicionada à ocorrência de surto.
Uma mulher de 24 anos, gestante, comparece à Unidade Básica de Saúde para a primeira consulta de pré-natal, com idade gestacional de 25 semanas confirmada por ultrassonografia precoce. Refere-se assintomática, nega comorbidades e apresenta o cartão de vacinação com os seguintes registros: três doses de vacina dupla adulto (dT), sendo a última há seis anos; três doses de vacina hepatite B aplicadas na adolescência; e duas doses de tríplice viral. Nunca recebeu a vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis (dTpa acelular do tipo adulto). Não foi vacinada contra influenza nesta temporada, e a campanha anual está em andamento no município. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, afebril, com altura uterina e batimentos cardiofetais compatíveis com a idade gestacional.
Pelo calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI/Ministério da Saúde), a dTpa está indicada em TODA gestação, a partir da 20ª semana de idade gestacional, independentemente do intervalo desde a última dose de dT — seu objetivo é a transferência de anticorpos maternos contra a coqueluche ao recém-nascido. Com 25 semanas, a gestante já tem indicação imediata. Como ela tem esquema básico completo de dT (três doses) e há mais de cinco anos da última, a própria dTpa cumpre o papel do reforço, dispensando dose adicional de dT. A vacina influenza é recomendada a todas as gestantes em qualquer trimestre durante a campanha (grupo prioritário), e pode ser administrada na mesma consulta — não há necessidade de intervalo entre vacinas inativadas. O esquema de hepatite B com três doses documentado é definitivo e não se repete. Incorreta: o reforço isolado de dT é desnecessário quando a dTpa está indicada, e adiar a influenza para o puerpério contraria a priorização da gestante. Incorreta: a dTpa na gestação é superior à estratégia de cocoon isolada, pois garante anticorpos transplacentários antes do nascimento; adiá-la para o puerpério perde essa janela. Incorreta: esquema de hepatite B completo previamente documentado não deve ser reiniciado, e a gestação não invalida doses anteriores.
Mulher de 25 anos, gestante de 33 semanas, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde no mês de maio, durante a campanha de vacinação contra influenza. Traz caderneta com esquema completo de hepatite B e registro de dTpa aplicada na gestação anterior, há dois anos. Nega febre ou sintomas respiratórios. Exame obstétrico sem alterações. Qual é a conduta vacinal indicada nesta consulta?
A dTpa deve ser aplicada em TODA gestação, a partir da 20ª semana, porque a passagem transplacentária de anticorpos antipertussis é gestação-específica e não persiste da gravidez anterior; até 33 semanas há tempo hábil para a transferência. A influenza é recomendada em qualquer idade gestacional durante a campanha, sendo a gestante grupo prioritário, e não deve ser adiada para o puerpério. Aplicar só uma delas deixa a puérpera ou o recém-nascido desprotegidos. A estratégia de vacinar os contatos ("cocoon") é complementar e nunca substitui a vacinação da gestante.
Um homem de 22 anos procura a Unidade Básica de Saúde para atualizar a caderneta antes de iniciar estágio. Traz registro de esquema infantil completo, incluindo tríplice viral com duas doses e hepatite B em três doses, e a última dose de vacina contra difteria e tétano foi aos 15 anos. Está assintomático e sem comorbidades. De acordo com o calendário do adulto do PNI, qual a conduta correta quanto à vacina contra difteria e tétano?
O PNI recomenda, para quem já tem esquema primário completo contra difteria e tétano, um reforço com dupla adulto (dT) a cada 10 anos — como a última dose foi aos 15 anos e ele tem 22, o próximo reforço se dará aos 25 anos, mantendo-se o intervalo decenal (conduta de rotina correta). Repetir três doses só é indicado para adultos com esquema incompleto ou desconhecido, o que não é o caso. Afirmar proteção permanente é incorreto: a imunidade antitetânica decai com o tempo, exigindo reforços. A dTpa no adulto está indicada de rotina para gestantes a cada gestação e para profissionais de saúde/puericultura, não para todos os adultos a cada 10 anos.
Gestante de 21 anos, primigesta, com 22 semanas de idade gestacional, comparece ao pré-natal na UBS. Traz caderneta com esquema infantil completo, incluindo tríplice viral, e último reforço de dT aos 14 anos. Nunca recebeu dTpa. Está no mês de abril, período de campanha de influenza, e nega comorbidades. Qual a conduta de imunização mais adequada nesta consulta?
A gestante deve receber influenza em qualquer idade gestacional durante a campanha e dTpa a cada gestação a partir da 20ª semana, para proteção do recém-nascido contra coqueluche por transferência de anticorpos — a 22ª semana já contempla a indicação. A tríplice viral é vacina de vírus vivo atenuado e é contraindicada na gestação, devendo ser avaliada no puerpério (ela já tem esquema completo, mas a regra vale). Dizer que a dTpa está contraindicada antes de 27 semanas é incorreto: a janela recomendada pelo PNI inicia em 20 semanas, idealmente até 36 semanas. Substituir dTpa por dT perde o componente pertussis, que é justamente o objetivo da vacinação na gestação.
Gestante de 32 anos, na 30ª semana, assintomática, comparece à UBS para consulta de pré-natal. O cartão vacinal mostra esquema de dupla adulto (dT) completo, com reforço há 3 anos, e uma dose de dTpa aplicada na gestação anterior, há 2 anos. Nega ferimentos ou intercorrências. Qual é a conduta vacinal correta neste momento?
A dTpa deve ser administrada em TODA gestação, independentemente de doses prévias, a partir da 20ª semana, para transferência de anticorpos contra a coqueluche e proteção do recém-nascido nos primeiros meses (correta). O fato de tê-la recebido na gravidez anterior ou de o dT estar em dia não dispensa a nova dose. Restringir-se ao dT ignora o componente pertussis (acelular), que é o alvo pediátrico. Adiar para após a 36ª semana reduz a janela útil — a partir das 20 semanas já está indicada, e postergar arrisca não vaciná-la a tempo.
Gestante de 24 anos, na 30ª semana, comparece à consulta de pré-natal na ESF. Está assintomática, com pressão arterial normal e altura uterina compatível. Relata que recebeu, na infância e adolescência, o esquema completo de vacinas do calendário. Nesta gestação já tomou uma dose de vacina influenza durante a campanha sazonal. Não recebeu nenhuma outra vacina desde o início da gravidez. Considerando o calendário de imunização da gestante do Programa Nacional de Imunizações, assinale a conduta vacinal correta neste momento.
A dTpa é indicada em TODA gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do histórico vacinal prévio (esquema completo ou não), com objetivo principal de transferência passiva de anticorpos contra coqueluche ao recém-nascido; portanto está indicada nesta gestante de 30 semanas (correta). O relato de esquema completo na adolescência não dispensa a dose gestacional, cujo foco é a proteção do neonato. Adiar para o puerpério perde a oportunidade de transferência transplacentária de anticorpos. A indicação é de rotina em toda gestação, não condicionada a surto.
Primigesta de 19 anos inicia pré-natal na UBS com 8 semanas de gestação. Ao revisar a caderneta, verifica-se que ela recebeu apenas uma dose de vacina hepatite B aos 12 anos, sem completar o esquema, e desconhece exposição prévia ao vírus. O anti-HBs e o HBsAg estão pendentes. A gestante está assintomática e sem sinais de hepatopatia. Diante da necessidade de atualizar a imunização e considerando as recomendações do PNI para hepatite B na gestação, qual é a conduta mais adequada?
A vacina hepatite B é de antígeno recombinante (não é vírus vivo) e está indicada e é segura na gestação; em gestante com esquema incompleto, deve-se COMPLETAR as doses faltantes, sem reiniciar (correta). Uma única dose não confere proteção adequada, logo não se pode considerá-la protegida. A vacina não é contraindicada e não é de vírus vivo. Doses válidas prévias são aproveitadas — esquema incompleto se completa, não se reinicia do zero.
Mulher de 30 anos, com HIV em uso regular de TARV há dois anos (CD4 = 240 células/mm³, carga viral indetectável), é atendida no ambulatório por condilomas acuminados perianais recidivantes, já submetidos a duas sessões de eletrocauterização. Nunca recebeu vacina contra HPV. Colpocitologia atual: lesão intraepitelial escamosa de baixo grau, encaminhada para colposcopia. Considerando as recomendações vigentes do Programa Nacional de Imunizações, assinale a conduta correta quanto à imunização contra o HPV nessa paciente.
Quem vive com HIV/aids compõe grupo especial do PNI e recebe a vacina HPV quadrivalente em esquema de três doses (0, 2 e 6 meses), na faixa de 9 a 45 anos, independentemente de contagem de CD4, carga viral ou uso de TARV — a mesma regra vale para transplantados e pacientes oncológicos. A dose única passou a valer para a população geral de 9 a 14 anos, mas justamente não se aplica aos imunossuprimidos, que mantêm três doses — é a pegadinha da questão. Não há critério de CD4 mínimo para vacinar; adiar apenas expõe a paciente. Infecção ou lesão prévia não contraindica: a vacina protege contra os demais tipos vacinais ainda não adquiridos e há dados de redução de recidiva pós-tratamento, embora não seja terapêutica.
Um adolescente de 11 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, com a caderneta de vacinação em dia para a idade. Ao revisar o calendário vacinal do adolescente do Programa Nacional de Imunizações, o médico deve indicar, nesta faixa etária (11 a 14 anos) e em dose única, a vacina que confere proteção contra a doença meningocócica causada pelos sorogrupos A, C, W e Y. Assinale a alternativa que corresponde a essa vacina.
O calendário do adolescente do PNI prevê a meningocócica ACWY conjugada em dose única (reforço) entre 11 e 14 anos, ampliando a cobertura para os sorogrupos A, C, W e Y (correta). A meningocócica C conjugada pertence ao calendário do lactente/criança. A pneumocócica 10-valente conjugada é aplicada no início da vida. A febre amarela protege contra arbovirose, não contra a doença meningocócica.
Uma gestante de 26 anos, na 22ª semana de gestação, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Ela apresenta o cartão de vacinação e refere ter recebido, há 6 anos, esquema primário completo de vacina dupla adulto (dT) por ocasião de um ferimento. Não recebeu nenhuma dose durante a gestação atual. Segundo o calendário do Programa Nacional de Imunizações, a conduta correta em relação à imunização contra o tétano/coqueluche para esta gestante é:
Correta: a dTpa é indicada em TODA gestação a partir da 20ª semana, independentemente do histórico vacinal, para transferência de anticorpos contra a coqueluche ao recém-nascido (coqueluche neonatal é o alvo). Aplicar dT e reservar a dTpa ignora que a indicação da dTpa na gestação não depende do intervalo do último reforço, mas da proteção do RN contra pertussis. Não vacinar confunde: mesmo com esquema primário completo, a dose da gestação deve ser preferencialmente a dTpa (não a dT). Erra: o momento: a dTpa deve ser aplicada durante a gestação (idealmente 20ª-36ª semana) para dar tempo à transferência transplacentária de anticorpos.
Um menino de 4 anos e 2 meses é levado pela mãe à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal antes do ingresso escolar. Ao revisar a caderneta, o médico constata que a criança recebeu todas as vacinas do primeiro ano de vida corretamente e o reforço dos 12-15 meses, mas não retornou para as doses previstas aos 4 anos. A criança está assintomática e sem contraindicações. Considerando o calendário vacinal da criança do PNI, o conjunto de vacinas indicado nesta idade (aos 4 anos) que a criança deixou de receber é:
Correta: aos 4 anos o PNI prevê o segundo reforço da DTP, o reforço da poliomielite (VOP) e a segunda dose da varicela — exatamente as pendências da criança que fez tudo até os 15 meses. Erra: meningocócica C tem reforço único aos 12 meses e a pneumocócica 10 completa esquema no 1º ano/12 meses, sem doses aos 4 anos. Erra: hepatite B não tem reforço aos 4 anos e o HPV só começa aos 9 anos. Erra: febre amarela é aos 9 meses (com reforço aos 4 anos como dose única adicional) e a penta se completa no 1º ano — mas o enunciado diz que o 1º ano foi correto.
Um homem de 22 anos, universitário, comparece à UBS solicitando atualização vacinal. Traz caderneta incompleta: recebeu apenas as vacinas do primeiro ano de vida, sem qualquer dose posterior. Nega comorbidades, não é profissional de saúde e não apresenta imunossupressão. O médico deve orientar a atualização conforme o calendário do adulto/adolescente do PNI. Em relação à tríplice viral (sarampo, caxumba, rubéola) e à febre amarela, a conduta correta para este paciente é:
Correta: para o adulto até 29 anos sem comprovação, o PNI indica DUAS doses de tríplice viral (intervalo mínimo de 30 dias); dos 30 aos 59 anos, dose única. A febre amarela passou a ser dose única para a vida toda, sem reforço de 10 em 10 anos. Erra: até 29 anos são 2 doses de tríplice viral e a FA é recomendada de forma ampliada no Brasil. Erra: o número de doses de ambas (tríplice = 2 doses nessa idade; FA = dose única). Contraindicar a febre amarela em adulto jovem hígido é indevido.
Uma mulher de 26 anos, G2P1A0, com 22 semanas de idade gestacional confirmada por ultrassonografia precoce, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Está assintomática, com pressão arterial de 110 x 70 mmHg, altura uterina compatível e batimentos cardíacos fetais presentes. Na caderneta de vacinação constam três doses de dupla adulto (dT) na adolescência e um reforço de dT há 4 anos; na gestação anterior, há 3 anos, recebeu uma dose de dTpa com 30 semanas. Já recebeu, nesta gestação, as doses de influenza e hepatite B indicadas. Assinale a conduta correta quanto à imunização contra coqueluche/tétano neste momento.
Correta: a dTpa é recomendada pelo Programa Nacional de Imunizações em TODA gestação, independentemente do histórico vacinal prévio e de doses de dTpa em gestações anteriores, a partir da 20ª semana — o objetivo é a transferência transplacentária de anticorpos antipertussis para o recém-nascido, que decai a cada gravidez. A alternativa sobre dispensar o reforço confunde proteção antitetânica materna (de fato garantida) com proteção do RN contra coqueluche, que exige dTpa. A dT não contém componente pertussis e não substitui a dTpa na gestante; ela só entra para completar esquema básico quando faltam doses. A 27ª semana corresponde à janela do ACOG (27–36 semanas), não à norma brasileira, que autoriza a partir de 20 semanas — adiar sem necessidade arrisca perder a oportunidade vacinal.
Gestante de 26 anos, G2P1, com 24 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal de risco habitual em uma UBS durante o mês de abril, período da campanha nacional de vacinação contra a influenza. Na caderneta constam três doses de vacina contra hepatite B na adolescência e esquema completo de dupla adulto (dT), com a última dose há 6 anos. Recebeu dTpa na gestação anterior, há 3 anos, mas ainda não foi vacinada com dTpa nesta gestação. Nega alergias e intercorrências. Assinale a conduta vacinal adequada.
A dTpa deve ser aplicada a CADA gestação, a partir da 20ª semana, independentemente do intervalo em relação a doses anteriores de dT ou de dTpa em gestações prévias — o objetivo é a transferência de anticorpos maternos contra coqueluche para o recém-nascido. A vacina influenza é recomendada em qualquer idade gestacional durante a campanha, e o esquema de hepatite B já completo não precisa ser repetido. Substituir a dTpa por reforço de dT e adiá-la para o puerpério não protege o neonato pela via transplacentária. A vacinação prévia em outra gestação não contraindica a dose atual — ao contrário, ela é obrigatória. Repetir hepatite B em quem tem esquema completo é desnecessário, e aguardar 36 semanas reduz o tempo de transferência de anticorpos.
Gestante de 27 anos, G2P1A0, com 26 semanas de idade gestacional, comparece à consulta de pré-natal na Unidade Básica de Saúde. Refere-se assintomática, com pré-natal sem intercorrências. Traz a caderneta de vacinação, que documenta esquema completo de vacina dupla adulto (dT) na infância e adolescência, com o último reforço registrado há três anos, além de duas doses de tríplice viral e vacina contra influenza aplicada nesta sazonalidade. Não há registro de vacina acelular do tipo adulto (dTpa) em nenhuma gestação prévia. Exame físico: PA 112 x 70 mmHg, altura uterina compatível, BCF 145 bpm. Assinale a conduta vacinal correta.
O PNI recomenda uma dose de dTpa a CADA gestação, a partir da 20ª semana, com o objetivo de transferir anticorpos antipertussis à criança e protegê-la contra coqueluche nos primeiros meses de vida — por isso o histórico de dT prévia não dispensa nem contraindica a dose. Não vacinar deixa o recém-nascido desprotegido. Esperar a 34ª semana é desnecessário e arriscado (pode não haver tempo hábil para transferência transplacentária adequada); a janela preferencial é entre 20 e 36 semanas, mas pode ser feita até o parto. Deixar para o puerpério é a estratégia de resgate apenas para quem não recebeu na gestação.
Adolescente de 13 anos, sexo feminino, é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para avaliação de rotina antes do início do ano letivo. Nega comorbidades, uso de medicações e imunossupressão; não iniciou atividade sexual. A caderneta registra calendário infantil completo, incluindo os reforços dos 4 anos, e uma dose de dT aplicada aos 11 anos após ferimento. Não há registro de vacina contra HPV nem de vacina meningocócica após a infância. Exame físico sem alterações, estadiamento puberal Tanner M3P3. A mãe questiona quais vacinas a filha deve receber hoje. Assinale a conduta correta segundo o PNI.
O PNI adota esquema de DOSE ÚNICA da vacina HPV quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, com base em evidência de imunogenicidade equivalente ao esquema de duas doses. Para adolescentes de 11 a 14 anos está indicada uma dose da meningocócica ACWY, que substituiu a meningocócica C nessa faixa etária — por isso a alternativa que oferece reforço de meningo C está desatualizada. Os esquemas de duas ou três doses de HPV ficam restritos a situações especiais, como imunossuprimidos, pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos, ou início após os 15 anos nesses grupos.
Menino de 12 anos, sem comorbidades, teve dengue confirmada laboratorialmente há 2 meses, com boa recuperação. A mãe pergunta sobre a vacina contra dengue disponível na unidade básica. Qual é a orientação correta, segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026?
Após infecção pelo vírus da dengue, o calendário recomenda aguardar 6 meses para iniciar o esquema vacinal. A regra dos 30 dias existe, mas é outra: aplica-se quando a infecção ocorre com o esquema já iniciado — nesse caso o intervalo entre a primeira e a segunda dose não muda, desde que a segunda não seja aplicada em menos de 30 dias do início da doença. Confundir as duas situações é o erro que a questão testa. A infecção natural não contraindica a vacina nem substitui dose, e o esquema é sempre de duas doses com intervalo de 3 meses, exclusivamente por via subcutânea, na faixa de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias.
Gestante de 24 anos, com 22 semanas de idade gestacional, comparece à primeira consulta de pré-natal em uma unidade básica de saúde. O cartão de vacina registra duas doses de vacina dupla adulto (dT), aplicadas aos 15 e aos 17 anos, e nenhuma outra dose com componente tetânico desde então. Não há registro de dTpa em gestação anterior — esta é a primeira gravidez. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, qual é a conduta quanto à proteção contra difteria, tétano e coqueluche?
Com duas doses prévias de vacina contendo toxoide diftérico e tetânico, a dTpa aplicada a partir da 20ª semana é simultaneamente a terceira dose do esquema básico e a dose própria da gestação — o calendário de 2026 prevê exatamente essa conduta. A alternativa que adia tudo para o puerpério erra porque a dose da gestação existe para transferir anticorpo ao feto antes do parto; o puerpério até 45 dias é resgate, não plano A. Duas doses de dT sem dTpa deixariam a gestação sem o componente pertussis, que é o objetivo central da dose. Não há exigência de esperar a 34ª semana: a janela começa na 20ª. E não se repete dTpa no puerpério de quem já a recebeu na gestação — a próxima dose é em 10 anos, ou na gravidez seguinte.
Adolescente de 16 anos comparece à unidade básica com a mãe. O cartão não registra nenhuma dose de vacina contra HPV. Ela não é imunodeprimida, não usa profilaxia pré-exposição ao HIV e não há relato de violência sexual. Qual é a conduta prevista no Calendário Nacional de Vacinação de 2026?
O esquema básico é dose única dos 9 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, mas o calendário prevê estratégia de resgate, também em dose única, para adolescentes de 15 a 19 anos, 11 meses e 29 dias sem histórico vacinal, organizada conforme cada estado — é exatamente o caso. As três doses no esquema 0, 2 e 6 meses existem, mas para grupos prioritários definidos, como imunodeprimidos de 9 a 45 anos e usuários de profilaxia pré-exposição de 15 a 45 anos, e ela não pertence a nenhum. O esquema de duas doses com intervalo de 6 meses está previsto para vítimas de violência sexual de 9 a 14 anos, situação diferente da descrita. E a rede de imunobiológicos especiais não é a única porta: a estratégia de resgate acontece na sala de vacina da rotina.
Gestante de 31 anos, com 30 semanas de idade gestacional, já recebeu nesta gravidez a dose de dTpa na 21ª semana, a vacina influenza da temporada e uma dose de covid-19. Nunca recebeu vacina contra o vírus sincicial respiratório. Qual é a conduta correta nesta consulta, segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026?
A vacina contra o vírus sincicial respiratório entrou no calendário da gestante em dose única, a cada gestação, a partir da 28ª semana — a 28ª semana é o início da janela, não o fim dela, e o documento não estabelece limite superior de idade gestacional, ressalvando apenas o trabalho de parto ativo. Não há esquema de duas doses. A indicação independe de sazonalidade: o próprio calendário orienta vacinar o mais precocemente possível dentro da janela, para proteger o bebê nos primeiros meses. E a dTpa não é obstáculo — ao contrário, a orientação é coadministrar quando possível, em sítios diferentes, para não perder a oportunidade de vacinação.
Homem de 26 anos apresenta cartão de vacina com uma única dose de vacina febre amarela, aplicada aos 3 anos de idade, sem nenhum outro registro dessa vacina. Ele reside em município com recomendação de vacinação e não tem viagem programada. Qual é a conduta?
A regra brasileira olha para a idade em que a dose foi aplicada, não para a idade atual. Uma dose recebida antes dos 5 anos pede um reforço; uma dose recebida a partir dos 5 anos encerra o esquema. Como a dose dele foi aos 3 anos, falta o reforço. A alternativa que diz 'uma dose protege para sempre' só valeria se a dose tivesse sido aplicada a partir dos 5 anos. O esquema de reforço decenal não existe no calendário brasileiro para febre amarela — é recomendação de sociedade, não do programa. E a restrição a área com transmissão ativa é a regra dos 60 anos ou mais, não a de um adulto de 26 anos, para quem a vacina é recomendada em todo o país.
Técnica de enfermagem de 29 anos, que atua em unidade de terapia intensiva neonatal, apresenta esquema básico completo contra difteria e tétano, com a última dose de dT aplicada há 3 anos. Não está grávida e nunca recebeu dTpa. Qual é a conduta correta?
O calendário é explícito: profissionais de saúde, parteiras tradicionais e estagiários que atendem recém-nascidos, com esquema básico completo, recebem uma dose de dTpa mesmo que tenham recebido vacina com componentes diftérico e tetânico há menos de dez anos — e a partir daí os reforços decenais passam a ser feitos com dTpa no lugar da dT, antecipados para 5 anos em exposição a risco. Esperar completar os 10 anos contraria essa nota. A dTpa não é exclusiva de gestantes: esse é justamente o segundo endereço dela no programa. E não existe esquema de duas doses de dTpa para esse grupo — é uma dose, seguida dos reforços.
Mulher de 34 anos, hígida, sem comorbidades, não indígena e sem ocupação em serviços de saúde, procura a unidade básica dizendo que perdeu o cartão de vacina e não se lembra de nenhuma dose desde a adolescência. Considerando apenas a rotina do Calendário Nacional de Vacinação de 2026 para a faixa de 25 a 59 anos, qual conjunto deve ser oferecido a ela?
A rotina do adulto de 25 a 59 anos tem quatro linhas para quem não pertence a grupo especial: hepatite B (três doses, 0-1-6), dT (três doses e reforço a cada 10 anos), febre amarela (uma dose para quem não tem histórico, até os 59 anos) e tríplice viral. Aos 34 anos a tríplice viral é uma dose só — duas doses valem de 5 a 29 anos, e é esse o corte que as alternativas testam. A dTpa não é dose de rotina dessa paciente: no calendário público ela é da gestante e do profissional de saúde. A pneumocócica 23-valente nessa faixa é exclusiva da população indígena. O HPV fora da faixa de 9 a 19 anos só existe para grupos prioritários com prescrição, e ela não se enquadra em nenhum.
Idosa de 67 anos, residente em instituição de longa permanência, sem cartão de vacina e sem histórico conhecido de vacina pneumocócica conjugada. Não há transmissão ativa de febre amarela no município e ela não se desloca. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, qual conduta está correta quanto à proteção pneumocócica?
No calendário do idoso, a 23-valente é oferecida na rotina a idosos acamados e/ou institucionalizados e à população indígena, em duas doses com intervalo de 5 anos, na ausência de histórico com vacina conjugada — e a paciente é institucionalizada, o que abre exatamente essa linha. Dizer que não há pneumocócica nenhuma para idoso é errado justamente nesse recorte. A 20-valente em dose única como rotina para todo idoso é a recomendação da sociedade de imunizações; no SUS ela entrou em 2026 pela rede de imunobiológicos para situações especiais, por condição clínica e prescrição. O esquema sequencial com 13-valente e a dose única de 23-valente não são o que o calendário prevê para este grupo.
Técnica de enfermagem de 63 anos, que atua em unidade de internação de adultos, apresenta cartão sem registro de nenhuma dose de vacina tríplice viral e não se lembra de ter tido sarampo, caxumba ou rubéola. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a conduta é:
A tríplice viral tem dois cortes de idade na rotina — duas doses de 5 a 29 anos e dose única de 30 a 59 anos para quem não tem histórico, saindo da rotina a partir dos 60 anos — e um grupo que ignora os dois: os trabalhadores de saúde, que recebem duas doses em qualquer faixa etária, inclusive acima dos 60. É a mesma lógica ocupacional que rege a varicela e a dose de dTpa nesse grupo: quem cuida de paciente entra numa régua de exposição, não numa régua etária. Aplicar dose única transporta para a trabalhadora o corte dos 30 anos, que vale para o paciente comum. Negar qualquer dose usa o corte dos 60 anos, que também é da rotina etária. Condicionar a vacinação a surto no município cria um requisito que o calendário não prevê para esse grupo. E não há sorologia de controle prevista na rotina para decidir a segunda dose — o que decide é o registro no cartão.
Homem de 28 anos recebeu vacina febre amarela há 10 dias e retorna à sala de vacina para atualizar a vacina tríplice viral. Não tem viagem programada nem exposição a risco epidemiológico. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a conduta é:
A regra de intervalo entre antígenos diferentes é curta. Vacinas inativadas entre si, e inativada com atenuada, não exigem intervalo algum: podem ser simultâneas ou em qualquer ordem. Entre vacinas atenuadas injetáveis — caso da febre amarela e da tríplice viral —, ou se aplicam no mesmo dia em sítios diferentes, ou se respeitam 30 dias. O intervalo mínimo de 15 dias existe, mas o calendário é explícito quanto ao seu uso: apenas em viagem programada ou exposição a risco epidemiológico, situações que o enunciado afasta. Aplicar hoje trata o par como se não houvesse intervalo, o que só vale quando uma das vacinas é inativada. O prazo de 90 dias não consta da norma. E repetir a dose um mês depois cria um esquema que o calendário não prevê, além de não corrigir a interferência que o intervalo existe para evitar.
Recém-nascido a termo, filho de mãe com HBsAg reagente, nasce em maternidade que dispõe de sala de vacina. Segundo o Calendário Nacional de Vacinação de 2026, a conduta correta quanto à profilaxia da hepatite B nesse recém-nascido é:
O recém-nascido de mãe com HBsAg reagente recebe, ao nascer, uma dose da vacina hepatite B e uma dose de imunoglobulina humana anti-hepatite B, aplicadas em sítios musculares distintos e preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Os dois produtos têm janelas diferentes: a vacina é tão mais eficaz quanto mais precoce, e a imunoglobulina admite atraso maior, podendo ser administrada em até, no máximo, 7 dias após o nascimento. Condicionar a imunoglobulina à sorologia do recém-nascido perde a janela útil da profilaxia. Adiar a vacina para depois do primeiro mês desfaz a proteção que se busca no período de maior risco de transmissão vertical. Não existe corte de peso que dispense a imunoglobulina nesse cenário. E aplicar os dois no mesmo sítio contraria a orientação de sítios distintos, além de o prazo de 2 horas não constar do calendário.
Mulher de 33 anos com doença de Crohn ileal em uso de azatioprina há 2 anos, em remissão. Vem para consulta de rotina e questiona sobre vacinação. Qual orientação está correta?
Sob imunossupressão significativa as vacinas de agentes vivos atenuados — febre amarela, tríplice viral, varicela — ficam contraindicadas pelo risco de doença vacinal, e idealmente são aplicadas antes de iniciar a terapia. As inativadas, ao contrário, são não apenas seguras como recomendadas com reforço: influenza anual, pneumocócica, hepatite B, HPV. Contraindicar a influenza engana quem generaliza a restrição a todas as vacinas, deixando o paciente desprotegido justamente contra o que mais o hospitaliza.
Paciente de 74 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, apresenta pneumonia comunitária e é internado. Qual vacina, além da influenza, tem indicação formal nesse paciente para prevenção de novos episódios?
Portadores de doença pulmonar crônica e idosos têm indicação de imunização antipneumocócica, que reduz doença invasiva e complicações, aplicada em esquema com as formulações disponíveis conforme o calendário do grupo de risco. As vacinas de vírus vivo enganam quem se limita a lembrar do calendário infantil e, além de não terem relação com prevenção de pneumonia bacteriana, exigem cuidado adicional em idosos e imunossuprimidos.
Paciente com lúpus será submetida a esquema de vacinação. Qual orientação é correta durante o uso de imunossupressor em dose plena?
Em imunossupressão significativa, agentes vivos atenuados podem causar doença pela própria vacina e ficam contraindicados, enquanto as vacinas inativadas são seguras e especialmente importantes, já que a infecção é uma das principais causas de morte no lúpus. Evitar toda vacinação por medo de desencadear surto é o erro que deixa a paciente desprotegida contra pneumococo, influenza, hepatite B e herpes-zóster inativado. O ideal é atualizar o calendário antes de iniciar a imunossupressão, quando a resposta imune é melhor.
Mulher de 26 anos, em consulta pré-concepcional, relata que nunca teve rubéola e não encontra comprovante de vacinação. Sorologia solicitada mostra IgG não reagente para rubéola. Teste de gravidez negativo. Qual a conduta?
A tríplice viral é de vírus vivo atenuado e está contraindicada na gestação; a janela pré-concepcional é exatamente a oportunidade para imunizar a suscetível. Recomenda-se evitar a concepção por 30 dias após a dose — precaução teórica, já que não há caso descrito de síndrome da rubéola congênita por vacina. Liberar a tentativa no mesmo dia erra ao classificar a vacina como inativada. Adiar para o segundo trimestre é inaceitável: vacina viva não é aplicada em gestante, e a proteção precisa existir antes da exposição. A imunoglobulina não confere imunidade duradoura e não substitui a vacina.
Sobre a vacinação contra o papilomavírus humano no Brasil, é correto afirmar que:
A estratégia se concentra em adolescentes, antes do início da vida sexual, quando a resposta imune é maior e a exposição ainda não ocorreu, e se estende a grupos com maior risco de persistência viral e progressão. A vacinação de meninos reduz a circulação do vírus e previne lesões que também os acometem. A vacina é profilática, não terapêutica, e não dispensa o rastreio, já que não cobre todos os tipos oncogênicos.
Qual é o intervalo mínimo recomendado entre a aplicação de duas vacinas diferentes de vírus vivo atenuado por via injetável, quando não administradas no mesmo dia?
Vacinas de vírus vivo injetáveis podem ser aplicadas no mesmo dia, em locais diferentes, mas se não forem simultâneas exige-se intervalo de quatro semanas, porque a resposta interferon induzida pela primeira pode reduzir a replicação e a imunogenicidade da segunda. Intervalos curtos, como uma semana, comprometem a resposta e obrigam a revacinação — é o erro que mais gera necessidade de repetir doses. Vacinas inativadas não exigem esse cuidado.
Menino de 13 anos vem a consulta para atualizacao vacinal, com esquema infantil completo e nunca vacinado contra HPV. A conduta correta quanto ao HPV e:
A vacina contra HPV integra o calendario para meninas e meninos na adolescencia, e a maior eficacia ocorre ANTES do inicio da vida sexual, justamente porque previne a infeccao e nao trata a ja adquirida. Reservar so para meninas engana quem lembra do cancer de colo, mas os meninos se beneficiam pela prevencao de verrugas e canceres de penis, anus e orofaringe, alem de reduzirem a circulacao do virus. Aguardar o inicio da atividade sexual desperdica a janela ideal.
Paciente de 40 anos com lúpus em uso de prednisona 40 mg/dia e micofenolato. Qual vacina está contraindicada?
Vacinas de vírus vivo atenuado, como febre amarela, tríplice viral, varicela e a vacina oral contra poliomielite, são contraindicadas em imunossupressão significativa — e prednisona em dose alta associada a imunossupressor caracteriza esse cenário. As vacinas inativadas, de subunidade, conjugadas e recombinantes são seguras, embora a resposta possa ser menor, e devem ser oferecidas. Deixar de vacinar com imunobiológicos inativados por medo genérico é o erro oposto e igualmente prejudicial.
Sobre o calendario vacinal do adolescente no Brasil, e correto afirmar que:
O reforco decenal com dupla adulto e regra, e a meningococica ACWY foi incorporada ao calendario do adolescente, com resgate de doses de hepatite B e triplice viral em quem nao completou o esquema. Dispensar o reforco decenal engana quem considera o esquema infantil definitivo, mas a protecao contra tetano e difteria decai com o tempo — e a antecipacao do reforco em ferimentos de risco depende dessa contagem. Febre amarela e triplice viral tem indicacoes definidas nessa faixa, e nao contraindicacao por idade.
Paciente de 55 anos, transplantado renal há cinco anos, estável. Qual afirmação sobre a vacinação contra influenza está correta?
O transplantado é justamente quem mais se beneficia da vacinação anual contra influenza, com formulação inativada, ainda que a resposta imune seja menor do que na população geral — a proteção reduz hospitalização e complicações. A formulação de vírus vivo atenuado por via nasal é contraindicada nesse grupo e representa o distrator que confunde as apresentações do mesmo imunizante. Não se espera suspender a imunossupressão, que é permanente.
Homem de 68 anos, diabético, sem histórico vacinal de pneumococo. Qual estratégia é adequada segundo as recomendações para adultos com comorbidade?
Idade avançada e diabetes elevam o risco de doença pneumocócica invasiva, e a vacinação contra pneumococo é recomendada nesse perfil, ao lado da influenza anual — a estratégia de conjugada e polissacarídica segue o esquema definido para a condição. Esperar um episódio de pneumonia para vacinar inverte a lógica da prevenção primária e é o distrator que mais aparece na prática de consultório.
Qual é a recomendação de vacinação contra hepatite B para adulto não vacinado?
O esquema padrão contra hepatite B no adulto é de três doses, aplicadas aos zero, um e seis meses, e a vacina está disponível para todas as faixas etárias, sem restrição a grupos específicos, ainda que grupos de maior risco tenham indicação reforçada e possam necessitar de avaliação sorológica pós-vacinal e de esquemas especiais, como em imunossuprimidos e renais crônicos. Restringir a vacina a profissionais de saúde ou contraindicá-la por idade são erros que perpetuam suscetibilidade evitável.
Paciente com imunossupressão por uso de corticoide em dose alta comparece para atualização vacinal. Qual é a conduta?
Imunossupressão significativa contraindica vacinas de agentes vivos atenuados, como tríplice viral, varicela e febre amarela, pelo risco de doença vacinal, enquanto as inativadas são seguras e devem ser priorizadas, ainda que a resposta imune possa ser reduzida, o que às vezes exige esquemas especiais e revacinação. Contraindicar toda vacinação deixa o paciente sem proteção justamente quando é mais vulnerável a infecções, e aguardar anos após o tratamento é excesso sem respaldo, já que intervalos definidos e mais curtos orientam a retomada.
Qual é a recomendação de vacinação contra febre amarela para adulto residente em área com recomendação, sem histórico vacinal?
A recomendação vigente no calendário nacional é de dose única para a maioria da população em áreas com recomendação, com atenção às contraindicações da vacina de vírus vivo atenuado, que incluem imunossupressão significativa, gestação, salvo em situações de risco elevado, história de doença do timo e reação anafilática a componentes. Reforços quinquenais universais foram revistos, e restringir a vacinação a viajantes ou por idade deixaria desprotegida justamente a população residente em área de risco.
Qual estratégia é mais efetiva para aumentar a cobertura vacinal de adultos na atenção primária?
A oportunidade perdida de vacinação é um dos principais determinantes de baixa cobertura, e verificar a caderneta em qualquer contato com o serviço, incluindo consultas por outros motivos, atendimentos de urgência e visitas domiciliares, somada a busca ativa e horários ampliados, aumenta de forma consistente a cobertura. Depender da procura espontânea, restringir a campanhas, exigir prescrição para cada dose e limitar a vacinação a portadores de comorbidades criam barreiras evitáveis ao acesso.
Homem de 30 anos comparece à unidade básica com esquema vacinal desconhecido e sem caderneta. Qual é a conduta?
Sem comprovação documental, o adulto é considerado não vacinado e recebe o esquema completo recomendado para a idade, prática segura porque doses adicionais não trazem risco relevante e a proteção é prioritária. Solicitar sorologias de rotina atrasa a imunização, encarece e não altera a conduta na maioria das situações, embora tenham indicações específicas, como para hepatite B em profissionais de saúde e em pacientes selecionados. Deixar de vacinar por receio de excesso é o erro que mantém a população suscetível.
Idoso de 68 anos, hipertenso e diabético, comparece à unidade. Além da vacina contra influenza anual, qual outra imunização é especialmente recomendada nessa faixa etária?
O idoso com comorbidades se beneficia da vacinação contra influenza anualmente, da proteção contra pneumococo conforme indicação e disponibilidade nos serviços públicos e privados, e da manutenção do reforço decenal contra difteria e tétano, além das vacinas contra covid-19 conforme recomendação vigente. Vacinas contra febre tifoide e raiva têm indicações específicas de exposição, e a tríplice viral não é recomendada de rotina nessa faixa etária, sendo direcionada a faixas etárias mais jovens conforme o calendário.
Qual é a conduta em relação à vacina contra o papilomavírus humano no adolescente?
A vacinação contra o papilomavírus é recomendada para meninas e meninos na faixa etária preconizada, com melhor resposta imune e maior efetividade quando aplicada antes da exposição ao vírus, prevenindo câncer de colo do útero e também neoplasias de orofaringe, ânus e pênis, além de verrugas anogenitais. Restringi-la ao sexo feminino reproduz uma recomendação superada, e o rastreamento citológico é complementar e continua indicado, pois detecta lesões, mas não previne a infecção.
Sobre a vacina contra dengue disponibilizada pelo Programa Nacional de Imunizações do Brasil, é correto afirmar:
A vacina incorporada ao calendário público é de vírus vivo atenuado tetravalente, em duas doses com intervalo de três meses, iniciada na faixa de 10 a 14 anos pela limitação de doses e maior carga de internação nesse grupo. Exigir sorologia prévia descreve a regra da vacina anterior e é a confusão mais frequente. Por ser atenuada, é contraindicada em imunossuprimidos e gestantes.
Mulher de 25 anos, não gestante, com sorologia IgG negativa para rubéola em consulta pré-concepcional. Qual a conduta?
A consulta pré-concepcional é a janela ideal para corrigir a suscetibilidade: vacina-se com tríplice viral e orienta-se evitar gestação por 30 dias, precaução teórica pelo vírus vivo atenuado. Liberar a gestação imediatamente ignora essa recomendação. Não vacinar deixa a mulher exposta a uma infecção cujo dano é fetal e irreversível. Imunoglobulina não faz profilaxia pré-exposição de rubéola. Repetir sorologia em 6 meses apenas atrasa uma decisão que já está tomada com o resultado negativo em mãos.
Adolescente de 16 anos com apenas uma dose documentada de tríplice viral na infância procura a unidade antes de viagem internacional. Qual a conduta?
Para pessoas de 12 meses a 29 anos, o esquema completo é de duas doses de tríplice viral, e o viajante internacional com apenas uma dose deve receber a segunda — a segunda dose recupera os cerca de 5% que não soroconverteram com a primeira. Considerar uma dose suficiente é o erro que sustenta surtos em adolescentes e adultos jovens. Imunoglobulina é profilaxia pós-exposição, não pré-viagem. Exigir sorologia prévia encarece e atrasa sem benefício, já que revacinar quem já é imune é seguro.
Qual é a recomendação sobre a vacina contra o papilomavírus humano no calendário brasileiro?
A vacinação alcança ambos os sexos, tanto para prevenir câncer de colo, vulva, vagina, pênis, ânus e orofaringe quanto para reduzir a circulação viral, e é mais eficaz antes da exposição ao vírus. Considerá-la exclusiva de meninas engana quem se lembra apenas do desfecho mais divulgado. Imunossuprimidos, longe de contraindicados, têm indicação ampliada, e a vacina não dispensa o rastreamento citológico futuro, pois não cobre todos os tipos oncogênicos.
Adolescente de 15 anos vem à Unidade Básica de Saúde acompanhada da mãe para consulta de rotina. Nunca iniciou atividade sexual e não recebeu nenhuma dose de vacina contra HPV. A caderneta está atualizada para as demais vacinas. De acordo com o calendário do Programa Nacional de Imunizações vigente, qual é a conduta?
O Programa Nacional de Imunizações adota esquema de dose única da vacina HPV quadrivalente para meninas e meninos de 9 a 14 anos, e a adolescente de 15 anos ainda não vacinada é elegível ao esquema de resgate com dose única. O esquema de duas doses foi o vigente antes da mudança e não corresponde à recomendação atual para essa faixa. O esquema de três doses permanece apenas para grupos especiais, como pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos. Negar a vacina desperdiça a oportunidade de imunizar antes do início da vida sexual, momento de maior eficácia.
Menina de 10 anos comparece à sala de vacina acompanhada da mãe, com calendário atualizado até os 5 anos. A mãe pergunta sobre a vacina contra o papilomavírus humano. A criança é hígida, sem imunossupressão. De acordo com o Calendário Nacional de Vacinação vigente, qual é a orientação correta?
A vacina contra o papilomavírus humano integra o calendário público e é indicada a meninas e meninos na faixa de 9 a 14 anos, com melhor resposta imune antes do início da vida sexual. Afirmar que só se aplica após a sexarca inverte a lógica da prevenção primária. Restringir ao sexo feminino contraria a ampliação da estratégia para os meninos. Dizer que só existe na rede privada é incorreto, pois é ofertada gratuitamente no SUS.
Um município enfrenta epidemia de influenza e deseja priorizar a vacinação em grupos com maior risco de complicações. A cobertura disponível inicialmente é limitada. Considerando as recomendações do Programa Nacional de Imunizações, qual grupo deve ser priorizado?
A priorização da vacina influenza abrange grupos com maior risco de complicações e óbito, como gestantes, puérperas, crianças pequenas, idosos, indígenas, profissionais de saúde e portadores de doenças crônicas. Adultos jovens saudáveis não são prioritários, ainda que participem da transmissão. Grupos ocupacionais sem exposição específica de saúde não integram a lista prioritária. Restringir apenas aos maiores de 80 anos deixaria fora grupos com risco elevado comprovado.
Adolescente de 14 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. Traz caderneta com esquema completo da infância, incluindo tríplice viral com duas doses e hepatite B com três doses. Nunca recebeu vacina contra papilomavírus humano nem contra meningococo. Não tem comorbidades e nega alergias. A mãe pergunta o que deve ser aplicado hoje conforme o calendário do Programa Nacional de Imunizações. Assinale a conduta correta.
O Programa Nacional de Imunizações oferta a vacina contra papilomavírus humano em dose única para a faixa de 9 a 14 anos e a meningocócica ACWY para adolescentes de 11 a 14 anos, além do reforço de dupla adulto a cada dez anos. Restringir a meningocócica aos 12 anos desconhece a faixa vigente. Encaminhar ao CRIE é desnecessário porque as duas vacinas são de rotina na sala de vacina. O esquema de três doses contra papilomavírus permanece apenas para pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos.
Em uma Unidade Básica de Saúde, o agente comunitário informa que uma família recusa vacinar a filha de 1 ano por convicção pessoal, sem qualquer contraindicação médica. A criança está saudável e frequenta creche. A equipe deseja definir a conduta mais adequada diante dessa situação. Qual é a alternativa correta?
A abordagem correta combina comunicação centrada na pessoa, esclarecimento das dúvidas, registro formal da recusa e manutenção do vínculo, acionando o Conselho Tutelar quando a omissão configurar negligência, já que a vacinação infantil é obrigatória segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente. Vacinar sem consentimento viola a autonomia dos responsáveis e a relação terapêutica. Excluir a família do acompanhamento contraria os princípios da atenção primária e agrava a vulnerabilidade. Afirmar que a vacinação é facultativa está incorreto no caso de crianças, cujo direito à proteção prevalece.
Uma equipe de Saúde da Família identifica cobertura vacinal de 68 por cento para tríplice viral em crianças de 12 a 23 meses do território, abaixo da meta preconizada. A equipe deseja planejar intervenção baseada em dados. Qual é a estratégia mais adequada nesse contexto de atenção primária?
A busca ativa de faltosos apoiada no sistema de informação, com vacinação extramuros e ampliação de horários, é a estratégia recomendada para elevar cobertura vacinal no território, atuando sobre barreiras de acesso. Aguardar campanha nacional posterga a proteção e não corrige causas locais. Encaminhar todas as crianças ao serviço de referência sobrecarrega a rede e não é necessário para vacinas de rotina. Condicionar atendimento à situação vacinal viola princípios de universalidade e acolhimento do Sistema Único de Saúde.
Durante a campanha anual de vacinação contra influenza, a equipe da Unidade Básica de Saúde organiza a busca ativa dos grupos prioritários definidos pelo Programa Nacional de Imunizações. Uma agente comunitária pergunta quais moradores do território devem ser convocados prioritariamente. Considerando as diretrizes vigentes, qual grupo está corretamente incluído entre os prioritários?
Gestantes e puérperas até 45 dias após o parto integram os grupos prioritários da campanha, ao lado de idosos, crianças pequenas, profissionais de saúde, pessoas com comorbidades e outros grupos definidos anualmente. Adultos jovens saudáveis não compõem o grupo prioritário. Adolescentes sem condição de risco também não são convocados prioritariamente. Infecção prévia não confere prioridade nem imunidade duradoura contra as cepas circulantes da temporada seguinte.
Um município apresenta cobertura vacinal municipal de 96% para a vacina tríplice viral em menores de um ano, mas a análise por bairro mostra que três das oito áreas de abrangência têm cobertura inferior a 70%, enquanto as demais superam 100%. A equipe de vigilância avalia o risco de surto. Qual conceito melhor descreve o problema identificado e sua implicação?
Cobertura global elevada com grande variação entre áreas caracteriza baixa homogeneidade, situação que preserva bolsões de suscetíveis e permite surtos apesar da média favorável; a resposta é intensificar ações nas áreas descobertas. Considerar a cobertura global insuficiente contraria o valor alcançado. Problemas de denominador podem existir, mas não anulam a leitura da desigualdade territorial. Coberturas acima de cem por cento em algumas áreas sugerem deslocamento de população ou denominador subestimado, não desperdício.
Menina de 11 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina com a mãe, que pergunta sobre a vacina contra o papilomavírus humano. A adolescente nunca recebeu essa vacina, não tem imunossupressão e o calendário está atualizado quanto às demais vacinas. Ela ainda não iniciou a vida sexual. A família tem dúvidas sobre a indicação e a segurança do imunizante. Assinale a orientação correta.
A vacina contra o papilomavírus humano é oferecida pelo SUS a adolescentes na faixa etária preconizada, e sua eficácia é maior quando aplicada antes da exposição ao vírus, ou seja, antes do início da vida sexual. Adiar a vacinação até o início da atividade sexual reduz o benefício populacional. Afirmar ausência de segurança nessa idade contraria amplos estudos e a experiência de vigilância pós-comercialização. A citologia oncótica é método de rastreamento em mulheres adultas com vida sexual iniciada e não substitui a prevenção primária pela vacina.
Mulher de 44 anos, portadora de HIV com carga viral indetectável e CD4 de 620 células/mm³, procura a Unidade Básica de Saúde com múltiplas verrugas anogenitais extensas e recidivantes, já tratadas duas vezes com ácido tricloroacético. Ela pergunta se pode fazer a vacina contra HPV. Qual é a orientação correta?
Pessoas vivendo com HIV têm indicação de vacina HPV em esquema de três doses, dentro da faixa etária ampliada prevista para grupos especiais, e a vacina previne novas infecções por outros tipos, mas não trata lesões já instaladas. A vacina é inativada e não é contraindicada na imunossupressão. O esquema de dose única aplica-se à população geral de 9 a 14 anos, não a grupos especiais. Substituir o tratamento tópico pela vacina deixaria as verrugas sem tratamento, pois a vacina não tem efeito terapêutico sobre lesões existentes.
Adolescente de 16 anos, com atraso vacinal, comparece à Unidade Básica de Saúde e relata nunca ter recebido vacina contra hepatite B. Está assintomático, sem comorbidades, e a sorologia mostra antígeno de superfície negativo e anticorpo anti-HBs negativo. Qual é a conduta?
O adolescente suscetível, com marcadores negativos, deve receber o esquema completo de três doses da vacina contra hepatite B, disponível de forma universal no Sistema Único de Saúde para todas as faixas etárias. Aplicar dose única sem histórico documentado não confere proteção adequada. Restringir a vacinação a grupos de risco corresponde a uma política antiga, superada pela oferta universal. Solicitar carga viral não é necessário diante de antígeno de superfície negativo em pessoa assintomática.
Durante ação de imunização de adultos na Unidade Básica de Saúde, uma auxiliar pergunta ao médico quem deve receber a vacina contra hepatite B, uma vez que muitos usuários adultos afirmam nunca ter recebido o imunobiológico. Não há restrição de doses no momento. Qual é a orientação correta segundo o Programa Nacional de Imunizações?
A vacina contra hepatite B é indicada de forma universal para pessoas não vacinadas, em qualquer faixa etária, com esquema de três doses, sem restrição a grupos específicos. Limitar a oferta a determinados grupos reflete recomendação antiga e já superada. O corte etário mencionado não vigora atualmente. Sorologia prévia não é exigida para vacinar, sendo reservada a situações específicas de avaliação de resposta.
Homem de 68 anos, com DPOC e diabetes, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal. Recebeu a vacina influenza no ano passado e nunca recebeu vacina pneumocócica. Está clinicamente estável. Qual é a conduta correta quanto à imunização?
Portadores de DPOC e diabetes são grupos prioritários para vacinação anual contra influenza e para vacina pneumocócica conforme as indicações do Programa Nacional de Imunizações, além da atualização do calendário do adulto, medidas que reduzem exacerbações e hospitalizações. A DPOC não contraindica vacinas, ao contrário, reforça sua indicação. A vacina pneumocócica está disponível para grupos de risco nos serviços do SUS conforme normas vigentes. Esperar um episódio de pneumonia contraria a lógica da prevenção primária.
Um serviço de atenção primária identifica que várias crianças do território iniciaram o esquema vacinal, mas não retornaram para as doses subsequentes. A equipe deseja intervir sobre esse abandono. Qual indicador melhor caracteriza esse problema e orienta o monitoramento?
A taxa de abandono compara as doses iniciais com as doses finais do mesmo imunobiológico e é o indicador específico para identificar interrupção de esquemas, orientando a busca ativa. A cobertura da primeira dose isoladamente não revela a continuidade do esquema. A incidência de doenças é desfecho tardio e não monitora o processo. O número absoluto de doses não permite comparação nem revela abandono.
Equipe de Saúde da Família recebe da vigilância epidemiológica municipal a informação de que a cobertura vacinal da tríplice viral em crianças de um ano no território caiu de 95% para 71% em dois anos, com bolsões de não vacinados concentrados em duas microáreas. Não há desabastecimento de imunobiológicos, e a unidade funciona em horário comercial. A equipe identifica desinformação sobre vacinas e dificuldade de comparecimento de famílias que trabalham. A intervenção mais efetiva para recuperar a cobertura é:
Recuperar cobertura vacinal exige atuar sobre as barreiras identificadas: busca ativa a partir dos registros e do cadastro territorial, ampliação de horários e vacinação extramuros para alcançar quem trabalha, e comunicação com lideranças para enfrentar a desinformação. Esperar a campanha nacional deixa crianças suscetíveis por meses e não resolve barreiras locais de acesso. Acionar o conselho tutelar como primeira medida rompe o vínculo e ignora que a principal causa aqui é organizacional e informacional. Reduzir a oferta a um turno semanal agrava a barreira de acesso justamente onde a cobertura já está baixa.
Mãe leva à sala de vacina da Unidade Básica de Saúde duas filhas: uma de 10 anos e outra de 16 anos, ambas sem registro de vacinação contra o papilomavírus humano na caderneta. Ambas são hígidas, não têm imunossupressão e negam vida sexual. A mãe questiona se as meninas ainda podem receber a vacina, quantas doses são necessárias e se o esquema muda conforme a idade. A equipe verifica a disponibilidade do imunobiológico e as normas vigentes do Programa Nacional de Imunizações. A orientação correta é:
A vacinação contra o papilomavírus humano é oferecida gratuitamente a adolescentes na faixa etária definida pelo Programa Nacional de Imunizações, e ambas as meninas estão contempladas, devendo receber o esquema vigente para imunocompetentes. Restringir a vacinação à menina mais nova é incorreto, pois a faixa preconizada abrange as duas. Não ter iniciado a vida sexual não contraindica, ao contrário: a maior eficácia ocorre antes da exposição ao vírus. Condicionar a vacina a citologia oncótica prévia é equivocado, pois o exame não é pré-requisito e nem sequer está indicado nessa faixa etária.
Homem de 68 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes tipo 2, comparece à sala de vacina da Unidade Básica de Saúde em março. Traz caderneta com registro de vacina contra influenza no ano anterior e esquema de dupla adulto completo, com reforço há três anos. Não tem registro de vacinas pneumocócicas nem de vacina contra herpes-zóster. Está assintomático, sem febre e sem uso de imunossupressores. Ao exame: bom estado geral, ausculta com murmúrio reduzido difusamente, sem sinais de exacerbação. A conduta vacinal correta é:
Idoso com comorbidades respiratória e metabólica é grupo prioritário para influenza, que exige dose anual em razão da variação dos vírus circulantes, e tem indicação de vacinação pneumocócica conforme o preconizado para condições de risco, cabendo ainda orientar sobre as demais vacinas ofertadas na rede. Considerar a dose do ano anterior suficiente desconhece a necessidade de revacinação anual. Reforço de dupla adulto há três anos ainda está no prazo e não é a prioridade. Doença pulmonar crônica e diabetes são justamente indicações reforçadas para vacinar, e não contraindicações.
Homem de 55 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, comparece à Unidade Básica de Saúde no outono para vacinação contra influenza. Ele relata que é alérgico a ovo, com urticária após ingestão na infância, mas nunca teve anafilaxia. Está assintomático, com pressão arterial de 134x82 mmHg, saturação de 95% e ausculta pulmonar com murmúrio reduzido difusamente. Ele pergunta se pode tomar a vacina. Considerando a segurança da vacina influenza em alérgicos a ovo, a orientação correta é
A alergia a ovo, inclusive com manifestações leves, não contraindica a vacina influenza, que pode ser aplicada em unidade de saúde com estrutura básica e período de observação, conforme as recomendações vigentes. Contraindicar definitivamente priva o paciente com doença pulmonar crônica de uma vacina que reduz hospitalizações e mortalidade. Exigir ambiente de terapia intensiva cria barreira de acesso sem respaldo. Antiviral profilático de temporada não substitui a vacinação e não é estratégia recomendada de forma rotineira.
Homem de 70 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e questiona quais vacinas deveria tomar. Ele é hipertenso controlado, não é imunossuprimido, tomou as vacinas da infância e recebeu a última dose de dupla adulto há doze anos. Não recebeu vacina contra influenza neste ano. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, com sinais vitais normais, sem sinais de infecção aguda e sem contraindicações a imunização. A orientação correta quanto à imunização é:
A pessoa idosa integra grupo prioritário do programa nacional de imunizações, com indicação de influenza anual, reforço de dupla adulto a cada dez anos e outras vacinas previstas no calendário para a faixa etária, conforme disponibilidade e condições clínicas. Afirmar que idosos não devem se vacinar por risco de eventos adversos é incorreto e perigoso, já que essa população tem maior morbimortalidade por doenças imunopreveníveis. Restringir a imunização apenas à influenza deixa de proteger contra outros agravos. Vacinar somente após episódio infeccioso inverte a lógica da prevenção.
Adolescente de 15 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal antes de viagem escolar. A caderneta registra esquema completo da infância, com última dose de dupla adulto aos 5 anos e nenhuma dose contra papilomavírus humano ou meningocócica. Ela é hígida, sem imunossupressão, não está gestante e nega alergias a componentes vacinais. Ao exame: bom estado geral, afebril, sem lesões cutâneas ou sinais de infecção aguda. A equipe revisa o calendário do adolescente vigente no Programa Nacional de Imunizações. A conduta correta é:
O calendário do adolescente prevê reforço periódico de dupla adulto, além de vacinas contra papilomavírus e meningocócica na faixa etária correspondente, e a consulta é oportunidade para atualizar o esquema conforme o preconizado. Afirmar proteção permanente pelo esquema infantil é incorreto, pois os títulos declinam e há imunobiológicos específicos dessa fase. Restringir à influenza deixa de oferecer vacinas de alto impacto. Adiar até os 18 anos é infundado, pois o adolescente pode ser vacinado com o consentimento previsto para a idade e o adiamento amplia a janela de suscetibilidade.
Mãe de menino de 1 ano comparece à Unidade Básica de Saúde e informa que decidiu não vacinar o filho, com base em informações lidas em redes sociais sobre supostos riscos das vacinas. A criança está com o esquema atrasado desde os 6 meses. Ela demonstra preocupação genuína com a saúde do filho e disposição para conversar. Ao exame: criança em bom estado geral, crescimento adequado, sem sinais de doença aguda, desenvolvimento neuropsicomotor adequado para a idade. A abordagem mais adequada da equipe é:
Diante de hesitação vacinal, a abordagem mais efetiva é acolher as dúvidas sem confronto, oferecer informação qualificada e personalizada sobre benefícios e riscos, preservar o vínculo e reofertar a vacinação a cada contato, estratégia que apresenta melhores resultados do que a confrontação. Acionar o conselho tutelar de imediato, sem diálogo, rompe o vínculo e costuma reforçar a resistência, ficando reservado a situações de negligência persistente. Encerrar o acompanhamento é abandono de cuidado. Apagar o registro de pendência falseia a informação e impede a busca ativa.
Homem de 45 anos procura a Unidade Básica de Saúde para atualizar a vacinação, pois vai iniciar trabalho em obra e teve ferimentos frequentes no último ano. Ele não tem caderneta e não se lembra de ter tomado vacinas na vida adulta, mas afirma ter recebido vacinas na infância. Ao exame: bom estado geral, sem lesões ativas, sem imunossupressão. A equipe consulta o calendário nacional de vacinação do adulto para orientar as vacinas indicadas para essa faixa etária e situação. Qual é a conduta correta?
O calendário nacional prevê vacinação de adultos, com esquema de dupla adulto contra difteria e tétano com reforços a cada dez anos, hepatite B, tríplice viral conforme a idade e outras vacinas segundo situação epidemiológica e condições clínicas, devendo-se iniciar ou completar esquemas quando a situação vacinal é desconhecida. Afirmar que vacinas são apenas para crianças e idosos é incorreto. Restringir a conduta à febre amarela ignora as demais indicações. Adiar a vacinação por ausência de caderneta gera oportunidade perdida, pois o esquema deve ser considerado não realizado.
Uma equipe de Saúde da Família revisa a cobertura vacinal contra o papilomavírus humano no território e identifica cobertura muito menor entre meninos que entre meninas. Alguns pais afirmam que a vacina é desnecessária para o sexo masculino, pois o câncer de colo do útero não os afeta. A equipe planeja uma ação educativa e precisa de argumentos técnicos corretos para a abordagem, considerando as recomendações vigentes do programa nacional de imunizações. A informação correta é:
A vacinação contra o papilomavírus humano em meninos previne cânceres associados ao vírus no sexo masculino, como os de pênis, ânus e orofaringe, além das verrugas anogenitais, e contribui para a imunidade coletiva, reduzindo a circulação viral e protegendo indiretamente as mulheres. Afirmar ausência de benefício é incorreto. A recomendação do programa nacional é para adolescentes, com melhor resposta imune antes do início da vida sexual. A vacina não protege contra outras infecções sexualmente transmissíveis, mantendo-se a orientação de prevenção combinada.
Mulher de 27 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta pré-concepcional, informando que pretende engravidar dentro de alguns meses e que já iniciou ácido fólico por orientação de uma amiga. Ela não tem registro de vacinação contra rubéola na caderneta, não sabe informar se teve a doença na infância, e a sorologia solicitada na consulta anterior mostra imunoglobulina G não reagente para rubéola. Está assintomática, com exame físico e exame ginecológico normais, sem uso de imunossupressores e sem gestação em curso, o que foi confirmado por teste realizado hoje na unidade. A conduta correta é:
A rubéola na gestação, sobretudo no primeiro trimestre, causa síndrome da rubéola congênita, com surdez, catarata, cardiopatia e alterações neurológicas; por isso, mulheres suscetíveis devem ser vacinadas no período pré-concepcional, com orientação para evitar gestação pelo intervalo recomendado, já que a vacina é de vírus vivo atenuado. Vacinar após a confirmação da gravidez é contraindicado justamente por esse motivo. Afirmar ausência de risco fetal é incorreto e perigoso.
Uma unidade de saúde recebe nova equipe de profissionais recém-contratados e o médico responsável organiza a avaliação da situação vacinal de todos, considerando o risco ocupacional de exposição a agentes infecciosos e a proteção dos pacientes atendidos, sobretudo lactentes e imunossuprimidos. Vários profissionais não apresentam comprovação vacinal e alegam ter recebido vacinas na infância, sem lembrar quais, e dois deles relatam nunca ter feito sorologia após o esquema contra hepatite B. Qual é a conduta correta quanto à imunização dos trabalhadores da saúde?
Profissionais de saúde devem ter esquema vacinal completo conforme recomendação específica, incluindo hepatite B com verificação de resposta, tríplice viral, dupla adulto com reforços, influenza anual e outras vacinas conforme situação epidemiológica, protegendo o trabalhador e evitando que ele seja fonte de infecção para pacientes vulneráveis. Equipamentos de proteção reduzem risco, mas não substituem a imunização. Restringir a vacinação a setores específicos deixa desprotegidas áreas de grande circulação de pacientes. Esperar um surto contraria a lógica da prevenção.
Homem de 49 anos, com hepatite C crônica e fibrose avançada, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. Ele não sabe informar seu histórico vacinal e não tem caderneta. Está assintomático, sem descompensação, com bom estado geral. Ao exame, sem icterícia, sem ascite e sem encefalopatia, com sinais vitais normais. Ele pergunta se precisa de alguma vacina específica em razão do problema no fígado, informando que nunca recebeu orientação sobre isso em consultas anteriores. A orientação correta é:
Pacientes com hepatopatia crônica têm maior risco de descompensação e de formas graves diante de infecções, e por isso devem receber imunização contra hepatite A e B, quando suscetíveis, além das vacinas recomendadas para a faixa etária, como influenza e pneumocócica. Afirmar contraindicação de vacinas em hepatopatas é incorreto e priva o paciente de proteção. Restringir à influenza deixa lacunas relevantes. Adiar a vacinação até o fim do tratamento antiviral mantém o paciente vulnerável no período de maior necessidade.
Homem de 57 anos, com diabetes tipo 2 há oito anos, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Está com hemoglobina glicada de 7,4%, sem complicações crônicas identificadas. Ele não recebeu vacina contra influenza neste ano e não sabe informar sobre outras vacinas do adulto, pois perdeu a caderneta. Ao exame, sem sinais de infecção, com pressão arterial de 132 x 82 mmHg e exame de pés normal. Ele pergunta se pessoas com diabetes podem se vacinar. A orientação correta é:
Pessoas com diabetes têm maior risco de complicações por doenças imunopreveníveis e integram grupos prioritários para vacinação, devendo receber influenza anualmente, além das demais vacinas do calendário do adulto e das indicadas a grupos de risco, como pneumocócica e hepatite B, conforme protocolo. Afirmar contraindicação é incorreto e priva o paciente de proteção. Condicionar a vacinação ao controle glicêmico cria barreira desnecessária. Restringir à vacina antitetânica deixa lacunas relevantes de proteção.
Homem de 71 anos, com insuficiência cardíaca e diabetes, comparece à Unidade Básica de Saúde durante campanha de vacinação e pergunta quais vacinas são recomendadas para ele, pois já ouviu falar de vacinas contra gripe e pneumonia. Ele nunca recebeu vacina pneumocócica e não se vacina contra influenza há três anos. Ao exame: bom estado geral, sem sinais de descompensação cardíaca, sem infecção aguda e sem imunossupressão farmacológica. Qual é a orientação correta?
Idosos e pessoas com comorbidades como insuficiência cardíaca e diabetes têm indicação de vacinação anual contra influenza, que reduz internações e mortalidade, e devem ter avaliada a indicação da vacina pneumocócica conforme os critérios definidos para grupos de risco nos serviços de referência e nas campanhas. Contraindicar vacinas em cardiopatas é erro grave. Restringir à influenza ignora a proteção contra doença pneumocócica invasiva. Adiar até a cura de uma doença crônica é conduta sem sentido clínico.
Mulher de 55 anos, em uso de imunossupressor por doença autoimune, comparece à Unidade Básica de Saúde para atualizar vacinas antes de intensificar o tratamento. Ela nunca teve varicela e não tem registro de vacinação contra sarampo. Ao exame: bom estado geral, sem infecção ativa, sem lesões cutâneas e sem febre. A equipe consulta as recomendações de imunização para pessoas em uso de imunossupressores e planeja o momento ideal de aplicação das vacinas. Qual é a orientação correta?
O planejamento vacinal em pessoas que iniciarão imunossupressão prevê aplicar vacinas de vírus vivo antes do início ou da intensificação do tratamento, respeitando intervalo mínimo antes da imunossupressão, e priorizar vacinas inativadas durante o tratamento, que são seguras embora com resposta possivelmente reduzida. Aplicar vacinas vivas durante imunossupressão intensa expõe a doença vacinal. Contraindicar todas as vacinas deixa a paciente desprotegida. Aguardar a suspensão definitiva do imunossupressor pode significar nunca vacinar.
Mulher de 57 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica, é atendida em ambulatório para revisão anual. Ela está estável, sem exacerbações no último ano, em uso de broncodilatador de longa duração. Ao exame: saturação 94%, FR 18 ipm, ausculta com murmúrio reduzido difusamente, sem sibilos, IMC 22 kg/m2. Ela pergunta quais vacinas deve tomar. A caderneta registra apenas vacina contra influenza do ano anterior, sem registro de vacinas pneumocócicas, dupla adulto atualizada ou outras vacinas recomendadas para adultos com doenças crônicas respiratórias. A orientação vacinal correta é:
Pessoas com doença respiratória crônica têm indicação de vacinação anual contra influenza, esquema pneumocócico conforme o preconizado para condições de risco e atualização das demais vacinas do calendário do adulto, medidas que reduzem exacerbações, internações e mortalidade. Estabilidade clínica não dispensa a imunização. A vacina contra influenza é anual, e não quinquenal, pela variação dos vírus circulantes. Doença pulmonar crônica é indicação reforçada, e não contraindicação, à vacinação.
Uma unidade de saúde registra queda importante da cobertura vacinal infantil e o gestor propõe concentrar as vacinas em campanhas anuais, encerrando a vacinação de rotina diária, sob o argumento de otimizar recursos. A equipe alerta para o risco de reintrodução de doenças já controladas no país e para a importância da manutenção de níveis elevados e homogêneos de cobertura em todos os territórios, inclusive em áreas com bolsões de não vacinados. Qual é o argumento tecnicamente correto?
A proteção coletiva exige coberturas vacinais elevadas e homogêneas entre territórios, pois médias municipais satisfatórias podem esconder bolsões de suscetíveis onde ocorrem surtos, como se observou na reintrodução do sarampo, sendo a vacinação de rotina o eixo do programa, complementada por campanhas. Confiar apenas na média municipal ignora a heterogeneidade. Campanhas isoladas não substituem a rotina, que atinge as crianças na idade adequada. A existência de tratamento não substitui a prevenção, sobretudo em doenças com complicações graves.
Homem de 58 anos, em uso de corticoide em dose imunossupressora por doença pulmonar, será submetido a esplenectomia eletiva por outra condição e comparece à Unidade Básica de Saúde para orientações pré-operatórias. Ele pergunta se precisa de algum cuidado especial depois da cirurgia, pois um conhecido teve infecção grave após retirar o baço. Ao exame: bom estado geral, sem infecção ativa, com esquema vacinal desatualizado e sem registro de vacinas na vida adulta. Qual é a conduta correta antes da cirurgia?
A vacinação contra bactérias encapsuladas deve ser realizada preferencialmente antes da esplenectomia eletiva, respeitando intervalos recomendados, para melhor resposta imune, associada a orientação sobre busca imediata de atendimento diante de febre e, em situações selecionadas, profilaxia antimicrobiana. Adiar toda a vacinação para depois da cirurgia reduz a resposta e deixa o paciente desprotegido no período de maior risco. A vacina influenza é importante, mas insuficiente isoladamente. Antibiótico contínuo não substitui a imunização.
Uma equipe de saúde da família identifica que muitas pessoas do território com diagnóstico de hipertensão e diabetes não têm o calendário vacinal do adulto atualizado, e que a unidade só oferece vacinas em campanhas. Discute-se como integrar a imunização ao cuidado das condições crônicas, aproveitando os contatos frequentes desses usuários com o serviço para renovação de receitas e consultas de acompanhamento programadas ao longo do ano. Qual é a estratégia mais adequada?
A verificação sistemática da situação vacinal em todos os contatos do usuário com o serviço, incluindo consultas de condições crônicas, renovação de receitas e visitas domiciliares, é estratégia eficaz para reduzir oportunidades perdidas e ampliar coberturas, sobretudo em grupos de risco para complicações de doenças imunopreveníveis. Limitar a oferta às campanhas concentra a vacinação em poucos momentos do ano. Encaminhar para serviços especializados cria barreiras. Depender da solicitação espontânea deixa de alcançar quem mais precisa.
Uma equipe de saúde da família identifica queda expressiva da cobertura vacinal infantil no território nos últimos anos, com aumento de crianças com esquema atrasado e relatos de famílias que receberam informações falsas sobre vacinas por aplicativos de mensagem. A equipe planeja ações para recuperar as coberturas, considerando que a hesitação vacinal é fenômeno multifatorial e que a desinformação circula com rapidez entre os moradores da área adscrita à unidade de saúde. A estratégia mais adequada é:
A recuperação das coberturas vacinais exige estratégias combinadas, com busca ativa de faltosos a partir dos registros, ampliação de horários e locais de vacinação, comunicação qualificada baseada em evidências e escuta ativa das dúvidas e receios das famílias, com vínculo e respeito. Campanhas de mídia isoladas não alcançam as barreiras locais. Condicionar o atendimento à vacinação cria barreira de acesso e é vedado. Ignorar as dúvidas reforça a desconfiança e amplia a hesitação vacinal.
Uma equipe de saúde da família organiza ações de prevenção do câncer do colo do útero no território e discute a vacinação contra o papilomavírus humano com pais de adolescentes, que manifestam dúvidas sobre a indicação, a segurança e a idade adequada para a aplicação. Alguns pais relatam receio de que a vacinação estimule o início precoce da atividade sexual e outros afirmam que só pretendem vacinar as filhas mulheres, deixando os filhos homens sem a vacina do calendário. A orientação correta é:
A vacina contra o papilomavírus humano é indicada no calendário nacional para meninas e meninos na faixa etária definida, com melhor resposta imune e maior efetividade quando aplicada antes do início da vida sexual, prevenindo câncer de colo do útero e outros cânceres e verrugas anogenitais em ambos os sexos. Restringir a vacinação às meninas deixa os meninos desprotegidos e reduz o efeito populacional. Adiar até o início da vida sexual reduz a proteção. Não há evidência de que a vacinação antecipe o início da atividade sexual.
Menina de 13 anos é levada pela mãe à Unidade Básica de Saúde para vacinação, e a mãe questiona a indicação da vacina contra o papilomavírus humano, afirmando que a filha ainda não iniciou a vida sexual e que a vacina poderia estimular o início precoce das relações. A adolescente está saudável, sem comorbidades e com o restante do calendário em dia. Ao exame: sem alterações, com desenvolvimento puberal compatível com a idade e crescimento adequado. Qual é a orientação correta?
A vacina contra o papilomavírus humano tem maior eficácia quando aplicada antes da exposição ao vírus, ou seja, antes do início da vida sexual, e estudos não demonstram antecipação da iniciação sexual entre adolescentes vacinados, sendo a imunização recomendada para meninas e meninos nas faixas etárias definidas. Adiar até o início da vida sexual reduz a proteção. Restringir a um dos sexos contraria a recomendação vigente. Afirmar ausência de eficácia contraria a evidência de redução de lesões precursoras.
Adolescente de 14 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e a equipe revisa a caderneta, identificando ausência de doses de vacinas previstas para essa faixa etária. Ele está saudável, sem comorbidades e sem uso de medicamentos, e a mãe pergunta quais vacinas ainda são necessárias nessa idade, achando que o calendário se encerra na infância. Ao exame: sem alterações, com desenvolvimento puberal compatível e crescimento adequado para a idade. Qual é a orientação correta?
O calendário nacional prevê vacinas específicas para a adolescência, incluindo papilomavírus humano, meningocócica, hepatite B, dupla adulto com reforços e atualização de tríplice viral e febre amarela conforme a situação vacinal e a região, sendo essa fase uma oportunidade importante de resgate de esquemas atrasados. Afirmar encerramento do calendário na infância é incorreto. Restringir à influenza ignora as demais indicações. Adiar para a vida adulta mantém o adolescente suscetível em fase de maior exposição.
Uma equipe de saúde da família revisa a cobertura vacinal contra poliomielite no território e identifica queda importante nos últimos anos, com bolsões de crianças não vacinadas em comunidades específicas, apesar de a média municipal parecer aceitável. Um profissional argumenta que, como não há casos de poliomielite no Brasil há décadas, a preocupação seria desnecessária e os esforços deveriam ser direcionados a outras ações do serviço. Qual é o argumento tecnicamente correto?
A ausência de casos de poliomielite no país é resultado da manutenção de coberturas vacinais elevadas e homogêneas, e a queda dessas coberturas, com formação de bolsões de suscetíveis, cria condições para reintrodução e circulação do vírus, inclusive de vírus derivados vacinais, além de haver circulação do poliovírus selvagem em outras regiões do mundo. Considerar a vacinação desnecessária ignora esse risco. A média municipal esconde heterogeneidades. Afirmar risco nulo de reintrodução é incorreto.
Uma equipe de saúde da família identifica queda importante nas coberturas vacinais infantis do território nos últimos anos, com muitas crianças com esquema incompleto. Em reunião, discutem estratégias para reverter o quadro, considerando que parte das famílias tem dificuldade de comparecer no horário da unidade, outras desconhecem quais vacinas faltam e algumas expressam dúvidas alimentadas por informações falsas nas redes sociais. Qual é a estratégia mais adequada?
A recuperação de coberturas vacinais depende de busca ativa de faltosos com uso de sistemas de informação, ampliação de horários e estratégias extramuros, verificação da caderneta em todos os contatos do serviço, e comunicação qualificada que acolha dúvidas e enfrente desinformação com vínculo. Esperar a procura espontânea perpetua a queda. Concentrar tudo em campanhas reduz oportunidades ao longo do ano. Excluir famílias que hesitam rompe o vínculo e afasta justamente quem precisa de informação.
Menino de 6 anos é levado à Unidade Básica de Saúde e a mãe recusa a aplicação das vacinas previstas, afirmando que prefere que a criança desenvolva imunidade natural e que já leu sobre riscos das vacinas na internet. A criança está saudável, com desenvolvimento adequado. Ao exame: sem alterações, com bom estado geral. A equipe deseja abordar a situação de forma a preservar o vínculo e ampliar a proteção da criança e da comunidade. Qual é a conduta mais adequada?
Diante de hesitação vacinal, a abordagem mais eficaz é o acolhimento das dúvidas com escuta ativa, informação qualificada sobre riscos e benefícios, respeito ao vínculo e reabordagem em consultas subsequentes, com registro da recusa, articulando a rede de proteção apenas quando houver risco relevante e persistente à criança. Acionar de imediato o conselho tutelar como única medida rompe o vínculo e raramente resolve a hesitação. Excluir a família do acompanhamento amplia a vulnerabilidade. Vacinar contra a vontade da responsável é conduta inadequada.
Uma equipe de saúde da família identifica queda importante nas coberturas vacinais infantis do território nos últimos anos, com muitas crianças com esquema incompleto. Em reunião, discutem estratégias para reverter o quadro, considerando que parte das famílias tem dificuldade de comparecer no horário da unidade, outras desconhecem quais vacinas faltam por terem perdido a caderneta e algumas expressam dúvidas alimentadas por informações falsas que circulam em redes sociais e grupos de mensagens. Qual é a estratégia mais adequada?
A recuperação de coberturas vacinais depende de busca ativa de faltosos com uso de sistemas de informação, ampliação de horários e estratégias extramuros, verificação da caderneta em todos os contatos do serviço, e comunicação qualificada que acolha dúvidas e enfrente desinformação com vínculo. Esperar a procura espontânea perpetua a queda. Concentrar tudo em campanhas reduz oportunidades ao longo do ano. Excluir famílias que hesitam rompe o vínculo e afasta justamente quem precisa de informação.
Uma equipe de saúde da família revisa os registros de vacinação do território e identifica cobertura abaixo da meta para a vacina tríplice viral, com grande heterogeneidade entre microáreas, sendo que duas concentram a maior parte das crianças não vacinadas. Há registros de faltas às consultas de rotina, mudanças de endereço não atualizadas e horários de funcionamento incompatíveis com a jornada de trabalho das famílias. Qual é a estratégia mais adequada para melhorar a cobertura?
A recuperação de coberturas exige análise por microárea, busca ativa dos faltosos, atualização de cadastros, ampliação de horários de funcionamento, vacinação extramuros e aproveitamento de todas as oportunidades de contato com o serviço, pois a homogeneidade entre áreas é tão importante quanto a média territorial. Aguardar campanha futura mantém bolsões de suscetíveis. Restringir dias de vacinação cria barreira de acesso. Ignorar a heterogeneidade permite a manutenção de áreas com risco de surto.
Adolescente de 15 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para atualização vacinal e a mãe pergunta sobre a proteção contra meningite, pois soube de um caso em outra escola do município. Ele recebeu as vacinas da infância conforme o calendário, incluindo a vacina meningocócica na primeira infância, sem doses posteriores registradas na caderneta. Ao exame: adolescente hígido, sem sinais de doença aguda, com desenvolvimento puberal adequado e sem contraindicações à vacinação no momento. Qual é a conduta correta?
O calendário vacinal do adolescente prevê dose da vacina meningocócica nessa faixa etária, pois a proteção conferida pelas doses da infância declina e os adolescentes têm papel relevante na transmissão por serem portadores nasofaríngeos, o que justifica a vacinação independentemente da ocorrência de casos. Afirmar proteção permanente é incorreto. Restringir a vacinação à influenza deixa lacuna. Adiar até que haja casos contraria a lógica da prevenção.
Adolescente de 14 anos comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhada da mãe para atualização vacinal. A caderneta mostra uma dose da vacina contra o papilomavírus humano aplicada aos 11 anos, sem as doses seguintes. A adolescente está saudável, nega imunossupressão e nunca iniciou atividade sexual. A mãe pergunta se será necessário reiniciar todo o esquema, já que se passaram três anos desde a primeira dose. Qual é a orientação correta a ser dada pela equipe?
Esquemas vacinais atrasados são completados, e não reiniciados, pois as doses previamente aplicadas permanecem válidas independentemente do intervalo transcorrido. Reiniciar desperdiça doses e adia a proteção sem qualquer benefício imunológico. Considerar a proteção completa com dose única fora da recomendação vigente para aquele esquema deixa a adolescente parcialmente protegida. Adiar a vacinação para depois do início da atividade sexual reduz a eficácia, já que o maior benefício ocorre antes da exposição ao vírus.
Uma equipe de atenção primária é responsável por instituição de longa permanência com 60 residentes idosos, muitos com múltiplas comorbidades e dependência funcional. Durante o outono, a equipe planeja ações preventivas para reduzir surtos respiratórios, que no ano anterior resultaram em várias internações e dois óbitos entre os residentes. A cobertura vacinal atual é incompleta e não há rotina definida de vacinação dos trabalhadores da instituição. Qual conjunto de medidas é o mais adequado?
A prevenção de surtos respiratórios em instituições de longa permanência exige vacinação de residentes e também dos trabalhadores, que são importantes introdutores do vírus, somada a higiene das mãos, etiqueta respiratória e isolamento precoce de casos. Excluir os trabalhadores da estratégia deixa aberta a principal via de entrada. Antibiótico profilático não previne infecções virais e favorece resistência. A restrição permanente de visitas agrava o isolamento social e não substitui as medidas eficazes de prevenção.
A coordenação de imunização de um município recebeu doses da vacina contra dengue disponibilizada no Calendário Nacional de Vacinação e precisa organizar a estratégia local. Uma mãe pergunta na unidade básica de saúde se sua filha de 12 anos, hígida e sem história conhecida de dengue prévia, pode receber a vacina, e se o filho de 3 anos também deve ser vacinado. Qual é a orientação correta conforme a estratégia adotada no SUS?
A introdução da vacina contra dengue no calendário público foi feita de forma escalonada, com priorização de faixa etária que inclui adolescentes, de modo que a jovem de 12 anos é elegível e a criança de 3 anos está fora da indicação vigente. Estender a vacinação a todas as idades a partir de 12 meses não corresponde à estratégia adotada nem à disponibilidade de doses. A exigência de dengue prévia confirmada é característica de outra vacina, não da atualmente ofertada. Priorizar o pré-escolar inverte o critério etário definido.
Uma técnica de enfermagem de 26 anos será admitida em unidade de terapia intensiva neonatal e apresenta caderneta com esquema completo de vacinação da infância, sem doses na vida adulta. Ela nunca teve varicela nem sarampo confirmados e não tem sorologias disponíveis. O médico do serviço de saúde do trabalhador precisa definir as vacinas a serem oferecidas antes do início das atividades. Trata-se do primeiro emprego dela na área da saúde; não está gestante, não tem imunossupressão e não recebeu nenhuma dose de reforço desde a adolescência. Qual é a conduta correta?
Trabalhadores da saúde devem ter esquema específico que inclui hepatite B com verificação de anti-HBs, tríplice viral, varicela em suscetíveis, dTpa e influenza anual, especialmente em unidades neonatais, onde a transmissão a recém-nascidos é grave. Restringir à influenza deixa lacunas relevantes de proteção coletiva. Exigir sorologia prévia de todas as doenças atrasa a imunização e não é recomendação de rotina, salvo situações específicas como hepatite B. Vacinas de vírus vivo são indicadas a profissionais imunocompetentes, sendo contraindicadas apenas em imunossupressão ou gestação.
Mulher de 38 anos comparece à Unidade Básica de Saúde solicitando a vacina contra o papilomavírus humano, após ver uma reportagem sobre prevenção do câncer de colo do útero. Não pertence a nenhum dos grupos especiais contemplados pelo programa nacional, é sexualmente ativa desde os 18 anos e tem citologia oncótica em dia, com resultado normal. Ela pergunta se pode receber a vacina na unidade e se ainda teria benefício nessa idade. Qual é a orientação correta?
A vacinação no programa nacional segue faixas etárias e grupos especiais definidos, e a orientação correta é informar esse critério, esclarecer que existe possibilidade de vacinação fora do serviço público e reforçar que o rastreamento permanece indispensável. Afirmar indicação livre em qualquer idade na rede pública desinforma a usuária. A vacina não é contraindicada após o início da atividade sexual, embora o benefício seja menor. Suspender o rastreamento após a vacinação é erro grave, pois a proteção não cobre todos os tipos oncogênicos.
Um homem de 68 anos, com doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes, comparece à unidade básica de saúde para atualização vacinal. Ele recebeu vacina contra influenza no último ano e nunca recebeu vacina contra pneumococo. A caderneta mostra dupla adulto atualizada há três anos e ele não tem imunossupressão nem alergias conhecidas. A médica avalia as vacinas indicadas para o caso conforme a disponibilidade na rede pública. Qual é a conduta correta?
Adultos e idosos com doenças crônicas pulmonares e metabólicas integram grupo de risco para doença pneumocócica e devem receber a vacina pneumocócica conforme a norma vigente, além da influenza anual e das demais vacinas do calendário do adulto. Restringir a vacina pneumocócica a crianças ignora as indicações para grupos de risco disponíveis nos centros de referência para imunobiológicos especiais. Limitar-se ao reforço de dupla adulto deixa lacuna importante. Doença pulmonar crônica é indicação, e não contraindicação, para vacinar.
Mulher, 26 anos, sexualmente ativa, comparece à unidade básica para consulta de rotina e pergunta sobre a vacina contra o papilomavírus humano. Nunca recebeu nenhuma dose e nega imunossupressão, gestação atual ou tratamento prévio de lesão cervical. Citologia oncótica realizada há 4 meses foi negativa para neoplasia. Traz caderneta sem registro de vacinação para HPV. Qual orientação está correta, segundo o calendário do Programa Nacional de Imunizações?
No calendário do Programa Nacional de Imunizações, a vacinação de rotina contra o HPV é oferecida a meninas e meninos de 9 a 14 anos, em esquema de dose única, e ampliada a grupos especiais como pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos até faixas etárias maiores — a paciente, aos 26 anos e sem condição especial, não é contemplada pela rotina do SUS, restando a vacinação na rede privada. Indicar três doses da quadrivalente por atividade sexual prévia inverte a lógica: o início da vida sexual reduz o benefício, mas não determina o número de doses do calendário. Citologia negativa não contraindica vacina, apenas não a torna prioridade. A vacina não depende de pesquisa de DNA de HPV, que não é critério de indicação. Afirmar ausência de eficácia acima de 20 anos é incorreto, pois há benefício residual documentado em não expostas aos tipos vacinais.
Mulher, 37 anos, com lúpus eritematoso sistêmico em uso de prednisona 20 mg/dia e azatioprina, comparece à UBS para atualização vacinal antes de viagem. Está clinicamente estável há 8 meses, sem atividade da doença. O calendário mostra ausência de vacina contra febre amarela, influenza e pneumocócica. Ela viajará para área com recomendação de vacinação contra febre amarela em 20 dias. Hemograma sem citopenias, creatinina 0,9 mg/dL. Qual a conduta correta quanto à vacinação?
Prednisona em dose igual ou superior a 20 mg/dia associada a imunossupressor caracteriza imunossupressão significativa, o que contraindica vacinas de vírus vivo atenuado como a de febre amarela, pelo risco de doença vacinal; as vacinas inativadas, influenza e pneumocócica, são seguras e recomendadas, cabendo orientar reavaliação do destino ou emissão de certificado de contraindicação. Aplicar tudo na mesma consulta expõe a paciente ao risco da vacina viva. Contraindicar também as inativadas priva de proteção justamente quem tem maior risco de complicações infecciosas. Aplicar somente a de febre amarela inverte a análise de risco e omite as vacinas seguras e indicadas. Suspender a azatioprina por apenas 7 dias não restaura a competência imune nem anula o efeito da corticoterapia, além de arriscar reativação da doença de base.
Homem, 68 anos, com insuficiência cardíaca crônica e fração de ejeção de 32%, em terapia otimizada e estável. PA 118/72 mmHg, FC 66 bpm, sem congestão. Comparece à consulta de rotina em março e pergunta sobre medidas preventivas para reduzir internações, já que teve pneumonia no ano anterior. Não recebeu vacina influenza na última campanha nem vacina pneumocócica. Qual orientação preventiva é a mais indicada?
A vacinação anual contra influenza e a vacinação pneumocócica conforme calendário reduzem hospitalizações e mortalidade em portadores de insuficiência cardíaca, sendo recomendação formal para esse grupo. O antibiótico profilático contínuo no inverno não é indicado e favorece resistência bacteriana e efeitos adversos. A restrição total de saída de casa não tem base científica e agrava o descondicionamento. O corticoide inalatório profilático se destina a doenças das vias aéreas, não à cardiopatia. O antiviral profilático diário é reservado a situações específicas de surto em instituições, não à prevenção habitual.
Menina, 12 anos, é levada à UBS pela mãe, que solicita a vacina contra HPV. A adolescente nunca recebeu nenhuma dose e não iniciou atividade sexual. Não tem imunossupressão, doença crônica ou alergia a componentes vacinais. O cartão mostra as demais vacinas em dia, incluindo tríplice viral e hepatite B completas. A mãe pergunta sobre o número de doses e sobre a utilidade da vacina se a filha já tivesse iniciado a vida sexual. Qual a orientação correta?
A vacinação contra HPV deve seguir o esquema definido pelo Programa Nacional de Imunizações para a faixa etária da adolescente, e o benefício não desaparece após o início da atividade sexual, pois a vacina protege contra os tipos ainda não adquiridos, embora a eficácia máxima ocorra antes da exposição. Adiar até os 15 anos é o oposto do recomendado, já que a resposta imune é mais robusta na pré-adolescência. Exigir teste de DNA-HPV antes de vacinar não é recomendado e criaria barreira desnecessária. Afirmar perda total de indicação após a sexarca é incorreto e desestimula a vacinação de quem ainda pode se beneficiar. Definir uma dose única sem considerar a faixa etária e as condições clínicas ignora que o esquema varia conforme idade e imunossupressão.
Homem, 70 anos, com insuficiência cardíaca e diabetes, nunca recebeu vacina pneumocócica. PA 124/76 mmHg, FC 70 bpm, sem congestão e clinicamente estável. Recebeu vacina influenza na última campanha. Não é imunossuprimido, não usa corticoide sistêmico e não tem alergia a componentes vacinais. A equipe deseja completar o esquema de imunização recomendado para esse perfil de risco. Qual a conduta mais adequada?
Portadores de insuficiência cardíaca e diabetes integram grupos de risco com indicação de vacinação pneumocócica conforme calendário específico, medida que reduz hospitalizações e complicações. Contraindicar a vacina pela cardiopatia inverte a lógica, pois a doença é justamente a indicação. Adiar até a normalização da fração de ejeção condiciona a imunização a um desfecho que pode nunca ocorrer. Restringir-se à influenza deixa desprotegido contra o pneumococo, agente relevante nesse grupo. Exigir internação prévia por pneumonia é critério inexistente e tardio.
Mulher, 25 anos, no 2º dia após parto vaginal, tem sorologia de rubéola não reagente do pré-natal, cartão sem registro de tríplice viral e sem dose de dTpa nesta gestação, pois iniciou o pré-natal com 34 semanas. Está estável, afebril, PA 116/72 mmHg, amamentando, sem imunossupressão. A equipe revisa quais imunizantes devem ser aplicados antes da alta hospitalar e quais podem ser adiados para a atenção primária. Qual conduta é a correta?
A conduta correta é aplicar a tríplice viral, indicada na puérpera suscetível à rubéola e compatível com a amamentação, e a dTpa, que pode ser administrada no puerpério quando não foi aplicada durante a gestação, protegendo indiretamente o lactente pela estratégia de cocoon. Adiar toda a vacinação por seis meses em razão da amamentação não tem respaldo, pois as vacinas indicadas são seguras na lactação. Afirmar contraindicação da tríplice viral na lactação é incorreto, sendo ela contraindicada apenas durante a gestação. Deixar de vacinar e apenas encaminhar à unidade básica desperdiça uma oportunidade de imunização com alta perda de seguimento. A vacina contra febre amarela não é prioridade universal no puerpério e depende do risco epidemiológico.
Mulher, 36 anos, com lúpus eritematoso sistêmico em uso de prednisona 25 mg/dia e micofenolato, comparece para atualização vacinal. PA 118/74 mmHg, FC 80 bpm, sem atividade grave da doença no momento. Nunca recebeu vacina contra herpes-zóster nem febre amarela, e reside em área com recomendação de vacinação contra febre amarela pelo calendário vigente. Qual a conduta mais adequada?
Em imunossupressão significativa, como corticoide em dose alta associado a micofenolato, as vacinas de agentes vivos são contraindicadas, devendo-se aplicar as inativadas indicadas, como influenza, pneumocócica e hepatite B, e avaliar as demais conforme a redução da imunossupressão. Aplicar todas, incluindo as de agentes vivos, arrisca doença vacinal. Suspender toda vacinação deixa a paciente vulnerável a infecções evitáveis. Priorizar a febre amarela, que é vacina de vírus vivo, é justamente o que se deve evitar nesse cenário. Suspender a imunossupressão por 6 meses arrisca reativação grave da doença de base.
Homem, 78 anos, com hipertensão e diabetes, comparece à unidade básica para atualização vacinal. PA 132/78 mmHg, FC 76 bpm, sem imunossupressão farmacológica e sem infecções recentes. Recebeu vacina influenza na última campanha, mas nunca recebeu vacina pneumocócica nem reforço de difteria e tétano nos últimos 15 anos, segundo a caderneta apresentada na consulta. Qual a conduta mais adequada?
O idoso apresenta imunossenescência com maior risco de doença pneumocócica e de complicações infecciosas, e a conduta é completar o calendário do grupo, com vacina pneumocócica conforme esquema e reforço de difteria e tétano a cada 10 anos. Não vacinar por suposta resposta insuficiente contraria a redução comprovada de hospitalizações. Restringir-se à influenza deixa lacunas relevantes. Vacinas de agentes vivos não são indicadas indiscriminadamente e exigem avaliação individual. Adiar até surto na comunidade perde a janela de proteção.
Mulher, 29 anos, vivendo com HIV, em uso regular de terapia antirretroviral, com carga viral indetectável e contagem de linfócitos T CD4 de 620 células/mm³. Nunca recebeu a vacina contra o papilomavírus humano e sua citologia mais recente foi normal. Refere vida sexual ativa com parceria única e pergunta se ainda pode ser vacinada, considerando que já ultrapassou a idade do calendário habitual. Qual a orientação correta sobre a vacinação nesse caso?
Pessoas vivendo com HIV têm indicação ampliada de vacinação contra o papilomavírus, com faixa etária estendida e esquema de três doses, pela menor resposta imune e pelo maior risco de persistência viral e de lesões cervicais. A alegação de contraindicação por imunossupressão é incorreta, pois a vacina não contém vírus vivo. O esquema de dose única aplica-se a adolescentes imunocompetentes, e não a essa população. Condicionar a vacinação a contagem de linfócitos abaixo de 200 células inverte a lógica, pois a resposta vacinal é melhor com boa reconstituição imune, como a apresentada. Adiar até alteração citológica desperdiça o efeito preventivo da vacina.
Menina, 11 anos, hígida, comparece à unidade básica com a mãe para atualização vacinal. Nunca recebeu vacina contra papilomavírus humano e não iniciou atividade sexual. FC 88 bpm, T 36,4 °C, exame físico normal. A mãe questiona a necessidade da vacina, alegando que a filha não tem vida sexual e que a proteção poderia ser adiada para a idade adulta. Qual a orientação correta?
A vacinação está indicada agora, com melhor resposta imune antes da exposição ao vírus, sendo essa exatamente a razão de o calendário priorizar a faixa pré-adolescente. Condicionar a vacina ao início da atividade sexual desperdiça a janela de maior eficácia. Afirmar que a vacina é exclusiva do sexo masculino inverte a realidade do calendário, que contempla ambos os sexos. Dizer que a vacinação dispensa o rastreamento é perigoso, pois a proteção não cobre todos os tipos oncogênicos. Alegar contraindicação antes dos 15 anos contraria a recomendação, já que essa faixa é a preferencial.
Recém-nascido a termo recebe alta hospitalar e será cuidado em casa pela mãe, pelo pai, pela avó e por uma irmã de 6 anos. A gestante recebeu dTpa com 28 semanas e a família pergunta se os demais moradores precisam de alguma vacina para proteger o bebê, que só iniciará algumas vacinas aos dois meses e permanecerá vulnerável a doenças respiratórias transmitidas por contatos domiciliares nas primeiras semanas de vida. Qual a orientação correta?
A estratégia de proteção indireta consiste em atualizar as vacinas dos contatos domiciliares, especialmente dTpa e influenza, criando uma barreira em torno do lactente ainda não completamente imunizado. Deixar de vacinar os contatos sob a premissa de proteção integral pela vacinação materna é incorreto, pois essa proteção é parcial e decrescente. Vacinar apenas o pai desconsidera que qualquer contato próximo pode transmitir coqueluche e influenza. Adiantar o calendário do lactente não é possível para as vacinas indicadas aos dois meses. Vacinar os contatos apenas após sintomas no lactente transforma prevenção em medida tardia e ineficaz.
Homem, 64 anos, com DPOC moderada e diabetes tipo 2, comparece à unidade básica em abril para atualizar imunizações. Nega alergias e imunossupressão. Exame: PA 136x82 mmHg, FC 80 bpm, FR 16 ipm, SatO2 95% em ar ambiente. Cartão vacinal com esquema completo de dupla adulto e nenhuma dose de vacina pneumocócica ou influenza registrada nos últimos cinco anos. Sobre a imunização recomendada para esse paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
É falsa — e por isso é a resposta — a afirmação de que o diabetes contraindica a vacina influenza: o diabetes é justamente uma das condições que reforçam a indicação, pois aumenta o risco de complicações graves da gripe. A aplicação anual da vacina influenza, preferencialmente antes do período de maior circulação viral, é recomendação consolidada para pneumopatas crônicos. A indicação da vacina pneumocócica em portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica é padrão nos calendários de imunização do adulto com comorbidade. A redução de internações e de exacerbações em pneumopatas vacinados é desfecho demonstrado em ensaios e metanálises. A manutenção do esquema contra covid-19 conforme calendário vigente também é apropriada em pessoa com múltiplas comorbidades.
Homem, 67 anos, diabético e hipertenso, comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina e traz caderneta com esquema de vacinação incompleto. Está assintomático, PA 132x80 mmHg, FC 74 bpm, T 36,4 graus Celsius, sem sinais de infecção aguda em curso. Sobre a vacinação nessa faixa etária, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de que a vacina febre amarela é obrigatória e sem restrições acima de 60 anos é incorreta e responde à questão, pois nessa faixa etária a primovacinação exige avaliação individual do risco de exposição pelo aumento de eventos adversos graves. A recomendação anual da vacina influenza para pessoas com 60 anos ou mais é correta e integra as campanhas nacionais. O reforço decenal com dupla adulto após o esquema completo também está correto. A indicação da vacina pneumocócica a idosos institucionalizados é prevista nos centros de referência para imunobiológicos especiais. A vacinação contra hepatite B sem limite de idade para quem não tem esquema prévio é a orientação vigente.
Homem, 68 anos, com DPOC e insuficiência cardíaca, comparece à unidade básica de saúde para atualizar o calendário vacinal. Exame: PA 132x80 mmHg, FC 76 bpm, FR 18 ipm, SatO2 94% em ar ambiente. Nunca recebeu vacina pneumocócica e recebeu influenza no ano passado. Nega imunossupressão, esplenectomia ou alergia a componentes vacinais. Sobre a vacinação pneumocócica nesse paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
É incorreta — e por isso é a resposta — a afirmação de que a vacina pneumocócica dispensa a vacinação anual contra influenza: são imunizantes complementares, com alvos distintos, e a influenza precede boa parte das pneumonias bacterianas secundárias, de modo que ambas devem ser mantidas. A indicação formal da vacina pneumocócica em pneumopatas crônicos está correta e inclui este paciente. A possibilidade de esquema sequencial combinando vacina conjugada e polissacarídica, conforme o calendário vigente e a condição clínica, também é correta. A recomendação de vacinação anual contra influenza em idoso com comorbidades é consenso. O respeito ao intervalo mínimo entre as doses pneumocócicas é necessário para a resposta imunológica adequada.
Homem, 32 anos, planeja viagem de 3 semanas para região de mata na África subsaariana, com atividades ao ar livre. Está assintomático, sem comorbidades, sem uso de medicações e com esquema vacinal básico de adulto completo. Ele procura orientação médica 4 semanas antes do embarque e questiona quais medidas preventivas devem ser adotadas antes e durante a viagem. Sobre a medicina do viajante, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de aplicar a vacina de febre amarela no dia do embarque é incorreta e responde à questão, pois a imunidade demora cerca de 10 dias a se estabelecer e o certificado internacional só é válido após esse intervalo. Iniciar a quimioprofilaxia da malária antes da chegada à área endêmica é correto e garante níveis séricos adequados. O uso de repelente e mosquiteiro é medida de barreira eficaz e complementar. A indicação da vacina contra febre tifoide conforme o destino e as condições sanitárias é apropriada. Manter a investigação de febre após o retorno é essencial, já que nenhuma profilaxia é totalmente eficaz.
Mãe de menina de 10 anos comparece à unidade básica questionando a indicação da vacina contra papilomavírus humano. A filha é saudável, sem comorbidades, com desenvolvimento adequado e calendário vacinal em dia até o momento. A mãe relata receio por considerar a filha muito jovem e por acreditar que a vacina só deveria ser aplicada após o início da vida sexual. Qual orientação é correta?
A vacina é indicada nessa faixa etária e apresenta melhor resposta imune quando aplicada antes da exposição ao vírus, o que justifica a estratégia de vacinar pré-adolescentes. Condicionar a aplicação ao início da vida sexual reduz a eficácia da prevenção. Não há contraindicação por idade nem associação estabelecida com eventos neurológicos graves. A vacina não substitui o rastreio do câncer de colo do útero, que permanece indicado na idade apropriada. A vacinação também é indicada para meninos, incluída no calendário nacional.
Homem, 59 anos, com doença renal crônica estágio 4 e diabetes, comparece à unidade básica para atualização vacinal antes do encaminhamento ao serviço de nefrologia. PA 138/84 mmHg, FC 78 bpm, sem intercorrências. Já recebeu esquema completo contra hepatite B com sorologia protetora e vacina anual contra influenza. Nunca recebeu vacina contra pneumococo ao longo da vida. Qual a conduta indicada?
A doença renal crônica é condição de risco que indica vacinação antipneumocócica independentemente da idade, seguindo o esquema previsto nos calendários especiais. Restringir a vacina a maiores de 60 anos ignora a indicação por comorbidade. Aguardar o início da diálise adia desnecessariamente a proteção, além de a resposta imune tender a ser pior em estágios mais avançados. Antibioticoprofilaxia contínua não substitui imunização e seleciona resistência. Limitar-se ao reforço de hepatite B deixa o paciente desprotegido contra pneumococo.
Serviço de imunização avalia indicações e contraindicações da vacina febre amarela em campanha de bloqueio, considerando situações especiais como gestantes, lactantes, imunossuprimidos, idosos e pessoas com antecedente de reação a componentes da fórmula, além do risco individual de exposição ao vírus. Sobre essa vacina, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de que a vacina pode ser aplicada livremente em imunossupressão grave é incorreta e responde à questão, pois trata-se de vacina de vírus vivo atenuado, contraindicada nessa situação pelo risco de doença vacinal. A contraindicação em alérgicos graves à proteína do ovo é correta, dada a produção em ovos embrionados. A doença viscerotrópica é evento adverso raro e grave corretamente descrito. A necessidade de avaliação de lactantes de crianças pequenas decorre do risco de transmissão do vírus vacinal pelo leite. O maior risco de eventos graves na primovacinação de idosos também é reconhecido.
Mulher, 68 anos, em hemodiálise, comparece ao serviço durante a campanha anual de vacinação. PA 134/82 mmHg, FC 76 bpm, afebril, sem intercorrências clínicas recentes. Já recebeu esquema completo contra hepatite B com sorologia protetora e vacina antipneumocócica conforme calendário especial. Questiona se deve receber a vacina contra influenza mesmo estando em programa dialítico regular. Qual a orientação correta?
A vacinação anual contra influenza é recomendada a todos os pacientes com doença renal crônica, especialmente os dialíticos, por reduzir hospitalizações e mortalidade, ainda que a resposta imune seja parcialmente reduzida. Contraindicar a vacina por resposta subótima priva o paciente de proteção real. Adiar para fora da campanha reduz a efetividade sazonal. O antiviral profilático contínuo não substitui a imunização e seleciona resistência. Restringir a indicação à presença de doença pulmonar ignora que a própria doença renal já é condição de risco.
Homem, 46 anos, com doença renal crônica estágio 4, aguarda avaliação para transplante renal. PA 132/80 mmHg, FC 74 bpm, sem intercorrências. A equipe revisa a caderneta vacinal e verifica que ele nunca recebeu vacina contra varicela e não tem histórico de doença prévia, com sorologia negativa para o vírus varicela-zóster nos exames solicitados. Qual a conduta indicada quanto a essa vacina?
A vacina contra varicela é de vírus vivo atenuado e fica contraindicada após o transplante, sob imunossupressão, devendo por isso ser aplicada antes do procedimento, respeitando o intervalo mínimo recomendado até a cirurgia. Vacinar após o transplante expõe o paciente à doença vacinal. Afirmar contraindicação absoluta na doença renal crônica é incorreto, pois o paciente ainda não está imunossuprimido. O aciclovir profilático não substitui a imunização prévia. Aguardar a diálise apenas adia a proteção e pode inviabilizar a vacinação antes do transplante.
Homem, 59 anos, em hemodiálise, comparece à unidade para atualização vacinal. PA 132/80 mmHg, FC 74 bpm, sem intercorrências recentes. A equipe revisa o calendário de imunizações do paciente dialítico e discute a necessidade de esquemas diferenciados, doses adicionais e monitorização sorológica para determinadas vacinas nesse grupo com resposta imune reconhecidamente reduzida. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a imunização nesse grupo.
Afirmar que vacinas de vírus vivo atenuado são seguras após o transplante é incorreto, pois estão contraindicadas sob imunossupressão pelo risco de doença vacinal, devendo ser aplicadas antes do procedimento. A resposta imune reduzida no paciente dialítico é bem documentada. O esquema contra hepatite B com doses dobradas e maior número de aplicações é justamente a adaptação a essa menor resposta. O controle sorológico orienta a necessidade de doses de reforço. A vacinação de contatos domiciliares oferece proteção indireta relevante.
Mãe de adolescente de 12 anos comparece à unidade para atualizar o calendário vacinal do filho, que recebeu as doses previstas na infância e está saudável, sem comorbidades ou imunossupressão. Ela pergunta sobre a necessidade de reforço contra meningococo nessa idade e sobre a diferença entre as vacinas disponíveis na rede pública e nos serviços privados de imunização. Qual orientação é correta?
Há reforço previsto na adolescência contra meningococo, estratégia que amplia a proteção individual e reduz o estado de portador nasofaríngeo, contribuindo para a proteção coletiva. Afirmar que nenhum calendário prevê reforço nessa fase é incorreto. As vacinas conjugadas reduzem justamente a colonização nasofaríngea, diferentemente das polissacarídicas. Não há contraindicação por idade após os 10 anos. Uma dose isolada na infância não garante proteção vitalícia, pois os títulos de anticorpos declinam com o tempo.
Mulher, 38 anos, com lúpus eritematoso sistêmico em uso de prednisona 25 mg/dia e micofenolato de mofetila 2 g/dia há 5 meses, comparece para atualização vacinal. PA 122x76 mmHg, FC 74 bpm, T 36,4 °C. Exames: linfócitos 780/mm³ (VR 1.000–4.000); creatinina 0,9 mg/dL (VR 0,6–1,2); hemoglobina 11,6 g/dL (VR 12–16). Sobre a vacinação nessa paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação sobre a tríplice viral é a incorreta: sarampo, caxumba e rubéola compõem vacina de vírus vivo atenuado, e não inativada, estando contraindicada em paciente sob prednisona em dose alta e micofenolato, com linfopenia associada. As vacinas influenza inativada e pneumocócica são recomendadas e devem ser aplicadas mesmo durante a imunossupressão, idealmente antes do início quando possível. A febre amarela, também de vírus vivo, é contraindicada nesse contexto. Vacinar contactantes domiciliares é estratégia de proteção indireta reconhecida. A resposta imune pode de fato ser atenuada pela imunossupressão, o que reduz a eficácia, mas não é motivo para deixar de vacinar com imunizantes inativados.
Uma unidade básica de saúde organiza a campanha anual de vacinação contra influenza e recebe dúvidas da equipe sobre público-alvo, contraindicações e intervalos. A vacina disponível é a trivalente inativada, produzida em ovos embrionados. Acerca da vacinação contra influenza no Brasil, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmativa incorreta é a que contraindica a vacina a qualquer pessoa com alergia a ovo: apenas a anafilaxia grave prévia relacionada a componentes da vacina justifica contraindicação, e mesmo alérgicos a ovo podem ser vacinados com observação em ambiente adequado. Gestantes e puérperas até 45 dias após o parto compõem corretamente os grupos prioritários. Crianças de 6 meses a menores de 6 anos também integram o público-alvo da campanha. Anafilaxia a dose anterior é contraindicação verdadeira e corretamente enunciada. A vacina inativada é segura e recomendada a pessoas vivendo com o vírus da imunodeficiência humana, por não conter agente vivo.
Mulher, 61 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 9 anos, em uso de metformina e dapagliflozina, comparece à unidade básica de saúde para atualização do cartão vacinal. Está assintomática, com hemoglobina glicada de 7,2% (VR < 5,7) e sem complicações crônicas documentadas. Nunca recebeu vacina contra hepatite B nem contra pneumococo. Recebeu a vacina influenza há dois anos, sem reforço posterior. Acerca da imunização nessa paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que proíbe vacinas de vírus vivo atenuado por causa do diabetes: a doença por si só não é imunossupressão e não contraindica essas vacinas, restrição que se aplica a imunodeprimidos, gestantes e situações específicas. Indicar influenza anual está correto, pois o diabético tem maior risco de complicações respiratórias. Indicar hepatite B em adultos diabéticos não vacinados também está correto, dada a maior exposição a punções capilares e a maior gravidade da infecção. Indicar vacinação contra pneumococo é igualmente correto pelo risco aumentado de doença invasiva. Afirmar que o controle glicêmico atual não impede a vacinação está certo, já que não se adia vacina por hemoglobina glicada.
Mulher, 49 anos, com cirrose compensada por doença hepática gordurosa, comparece a consulta de rotina. Nega internações recentes. PA 126x78 mmHg, FC 72 bpm. Anti-HAV total negativo; anti-HBs negativo; HBsAg negativo; anti-HBc total negativo. Não recebeu vacinas desde a adolescência. Acerca da imunização nessa paciente, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que as vacinas inativadas estão contraindicadas pela cirrose é incorreto, e essa é a assertiva pedida: o hepatopata crônico é justamente população prioritária para imunização, e apenas as vacinas de vírus vivo atenuado exigem cautela em imunossuprimidos. A vacina contra hepatite A está corretamente indicada em duas doses, pois a paciente é suscetível e a infecção aguda pode descompensar a cirrose. A vacina contra hepatite B também está indicada, uma vez que todos os marcadores são negativos. A vacinação anual contra influenza reduz descompensações por infecção respiratória. A vacina pneumocócica compõe o calendário do portador de doença hepática crônica.
Homem, 32 anos, planeja viagem a país que exige comprovação de vacinação contra febre amarela para entrada, com partida em 20 dias. Nunca foi vacinado. É hígido, sem imunossupressão, não usa medicamentos. PA 122x78 mmHg, FC 74 bpm, T 36,6 °C. Procura a unidade de saúde para orientação sobre vacinas e documentação exigida. Qual a orientação correta?
A vacina contra febre amarela deve ser aplicada com pelo menos 10 dias de antecedência da viagem, prazo necessário para a resposta imune e para a validade do certificado internacional de vacinação e profilaxia, o que é plenamente viável com 20 dias até a partida. Vacinar-se na véspera não confere proteção adequada nem validade documental. A exigência de certificado por alguns países tem respaldo no Regulamento Sanitário Internacional e não é mera recomendação. Não se exige sorologia de controle para emissão do certificado. Não existe quimioprofilaxia oral contra febre amarela, sendo a vacinação a única medida específica disponível.
Adolescente de 13 anos comparece à unidade de saúde com a caderneta incompleta: recebeu as vacinas da infância até os 5 anos, mas não recebeu nenhuma dose após essa idade. Está assintomático, PA 108x66 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. A equipe planeja a atualização vacinal conforme o calendário nacional para essa faixa etária. Sobre a vacinação do adolescente, assinale a alternativa correta.
Na atualização vacinal do adolescente devem ser avaliadas a vacina contra papilomavírus humano, a meningocócica ACWY, a dupla adulto com reforços a cada dez anos e o esquema de hepatite B, além de tríplice viral e febre amarela conforme a situação vacinal. A vacina contra papilomavírus humano é indicada a meninos e meninas no calendário nacional. A vacina meningocócica ACWY tem indicação justamente na adolescência, sem contraindicação por idade nessa faixa. A dupla adulto é aplicada a partir dos 7 anos, não sendo restrita a maiores de 18 anos. A vacina contra hepatite B pode ser feita em qualquer idade, com esquema de três doses para não vacinados.
Uma unidade de saúde em município com transmissão intensa de dengue recebe orientação para vacinação de faixa etária prioritária com a vacina de vírus atenuado disponível no calendário. A equipe avalia adolescentes que procuram a unidade, alguns com histórico de dengue prévia, outros sem, e um paciente em uso de imunossupressor por doença autoimune. Sobre a vacinação contra dengue, assinale a alternativa correta.
A vacina contra dengue disponível é de vírus vivo atenuado, o que a contraindica formalmente a imunossuprimidos e a gestantes, situação a ser observada no paciente em uso de imunossupressor. Sua aplicação a gestantes e lactantes não é liberada sem restrições, justamente por conter vírus vivo. A vacinação não substitui o controle vetorial e a eliminação de criadouros, que permanecem essenciais. A vacina atualmente incorporada não exige comprovação de infecção prévia para a faixa etária priorizada. A formulação é tetravalente, com resposta contra os quatro sorotipos, ainda que com eficácia variável entre eles.
Homem, 72 anos, com diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica, comparece à unidade básica para atualização vacinal. Não recebeu nenhuma vacina nos últimos cinco anos e desconhece seu histórico vacinal completo. PA 132x78 mmHg, FC 74 bpm, T 36,4 °C. Encontra-se clinicamente estável, sem uso de imunossupressores e sem história de reação alérgica grave a vacinas. Quais imunizações são recomendadas para esse paciente?
O calendário do idoso inclui influenza anual, vacinas pneumocócicas conforme esquema recomendado, dupla adulto contra difteria e tétano com reforço a cada dez anos, hepatite B conforme situação vacinal, além da vacina contra herpes-zóster, preferencialmente a recombinante, e das vacinas contra covid-19 conforme orientação vigente. Restringir à influenza deixa o paciente desprotegido contra doença pneumocócica, especialmente relevante em portador de doença pulmonar obstrutiva crônica e diabetes. A antitetânica exige reforços periódicos ao longo da vida. A imunossenescência reduz, mas não anula, a resposta vacinal, e o benefício é claro. Vacinas de vírus vivo atenuado, ao contrário, exigem cautela em imunossuprimidos.
Adolescente de 13 anos comparece à unidade de saúde com a caderneta incompleta: recebeu as vacinas da infância até os 5 anos, mas não recebeu nenhuma dose após essa idade. Está assintomático, PA 108x66 mmHg, FC 78 bpm, T 36,6 °C. A equipe planeja a atualização vacinal conforme o calendário nacional para essa faixa etária. Sobre a vacinação do adolescente, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmativa incorreta é a que impede a tríplice viral após os 12 anos: a vacina é indicada a adolescentes e adultos suscetíveis, sem perda de eficácia por idade, e integra a atualização vacinal deste adolescente com caderneta incompleta. A indicação da vacina contra papilomavírus humano a meninos e meninas está correta. A vacina meningocócica ACWY tem de fato indicação na adolescência. A dupla adulto a partir dos 7 anos, com reforços a cada dez anos, é a recomendação vigente. O esquema de hepatite B com três doses em qualquer idade para não vacinados também está correto.
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Recite as faixas do ciclo de vida com as terminações exatas (10 a 19 anos, 11 meses e 29 dias; 20 a 24; 25 a 59; 60 ou mais). Depois: os três intervalos mínimos da hepatite B (1 mês, 2 meses, 4 meses); os dois cortes da tríplice viral (29 e 59 anos); as quatro linhas da tabela de dTpa na gestação por número de doses prévias; as duas datas da gestação (20ª e 28ª semana) e os 45 dias de puerpério; e as seis situações de febre amarela por histórico. Confira na tabela do capítulo o que escapou.
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Monte de cabeça quatro pacientes e resolva cada um: gestante de 32 semanas sem nenhuma dose de toxoide registrada; homem de 58 anos que recebeu uma dose de febre amarela aos 4 anos e vai viajar para área de risco em duas semanas; técnica de enfermagem de 40 anos de UTI neonatal com dT há 3 anos; e idosa de 72 anos institucionalizada, sem cartão. Para cada um, diga o que aplicar hoje, o que agendar, o que não tem indicação, e por qual das três portas cada vacina chega — rotina, estratégia anual ou rede de imunobiológicos especiais.
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Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Gestante de 29 anos, 21 semanas, chega à unidade básica para a segunda consulta de pré-natal trazendo um cartão de vacina incompleto e com registros ilegíveis de infância. Diz que tomou 'a do tétano' quando cortou o pé há uns quinze anos e que não tomou nada mais desde então. Trabalha como auxiliar de limpeza em uma maternidade. Conduzir a atualização vacinal desta consulta e definir o que fica agendado. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
