Outras EspecialidadesSUS, políticas de saúde, APS e vigilância

Calendário vacinal do adolescente ao idoso e da gestante

Calendário vacinal do PNI (criança, adolescente, adulto e gestante)

Decisão vacinal por idade, condição e histórico

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Durante uma consulta de puericultura, a mãe traz um lactente de 2 meses para vacinação de rotina. A criança está afebril e em bom estado geral. Considerando o calendário nacional de vacinação da criança, qual é o conjunto de vacinas indicado nesta consulta dos 2 meses de idade?

02

Como esse tema cai

O Calendário Nacional de Vacinação é organizado por ciclo de vida, e as faixas não são arredondadas: criança vai até 9 anos, 11 meses e 29 dias; adolescente, de 10 a 19 anos, 11 meses e 29 dias; jovem, de 20 a 24 anos, 11 meses e 29 dias; adulto, de 25 a 59 anos, 11 meses e 29 dias; idoso, a partir dos 60. A gestante tem calendário próprio, que se sobrepõe ao da faixa etária dela. O calendário da criança tem capítulo próprio; aqui a régua começa aos 10 anos.

A banca quase nunca pergunta "quais são as vacinas do PNI". Ela dá um paciente com idade, um cartão com algumas doses e pergunta o que fazer hoje. Por isso o capítulo é montado em torno de três variáveis que decidem tudo: a faixa etária, o histórico registrado no cartão e o grupo a que a pessoa pertence — gestante, trabalhador de saúde, indígena, acamado, institucionalizado, pessoa com condição clínica especial.

Três números do calendário do adulto e do idoso concentram erro: aos 30 anos a tríplice viral cai de duas doses para uma; aos 60 a febre amarela deixa de ser rotina e passa a ser decisão individual; e a dose de dTpa, que na rede pública não é reforço de todo adulto, existe para duas situações apenas — cada gestação e o profissional que assiste recém-nascido.

Os documentos que governam são três, e a prova costuma citar o primeiro pelo nome: a Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026, os calendários técnicos por ciclo de vida atualizados em janeiro e fevereiro de 2026, e as notas técnicas que mudam pontos específicos ao longo do ano.

03

O que muda decisão

Rotina, campanha e condição clínica: três portas diferentes

Uma vacina pode chegar ao paciente por três caminhos, e confundi-los é a origem de boa parte das respostas erradas. A primeira porta é a rotina do calendário: está na tabela do ciclo de vida, é oferecida na sala de vacina o ano inteiro e não depende de prescrição. A segunda é a estratégia anual, ou campanha: influenza, covid-19, HPV e a multivacinação entram por aí, com grupos definidos a cada ano. A terceira é a Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais, a RIE, instituída pela Portaria GM/MS nº 6.623/2025, que substitui a antiga referência exclusiva aos CRIE: ali o acesso depende de condição clínica documentada e de prescrição médica, com registro do motivo de indicação pelo CID e da especialidade de quem prescreveu.

A consequência prática é que "disponível no SUS" e "faz parte do calendário" não são a mesma frase. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente entrou no SUS em 2026, mas entrou pela RIE — o idoso sem condição clínica especial não a recebe na rotina. A vacina dengue está na rotina só dos 10 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, e chega a trabalhadores da atenção primária por outra via. Quando o enunciado descreve uma unidade básica e um cartão a atualizar, a pergunta é sobre a primeira porta.

Quanto ao intervalo entre vacinas diferentes, a regra é curta. Vacinas inativadas entre si, e inativada com atenuada, não exigem intervalo nenhum: podem ser simultâneas ou em qualquer ordem. Entre vacinas atenuadas injetáveis, ou se aplicam no mesmo dia em sítios diferentes ou se respeitam 30 dias, com mínimo de 15 apenas em viagem programada ou exposição de risco. A vacina covid-19 pode ser administrada simultaneamente ou a qualquer momento antes ou depois de qualquer outra vacina, com uma única exceção nominal: a vacina mpox.

Hepatite B: a única sem teto de idade

Hepatite B aparece em todos os quatro calendários — adolescente e jovem, adulto, idoso e gestante — com o mesmo texto: iniciar ou completar três doses conforme a situação vacinal, para toda a população da faixa. Não há idade máxima e não há sorologia prévia exigida na rotina. O esquema recomendado é 0, 1 e 6 meses. Os intervalos mínimos, que a prova gosta de cobrar, são outros três números: 1 mês entre a primeira e a segunda dose, 2 meses entre a segunda e a terceira, e 4 meses entre a primeira e a terceira. Quem cumpre os dois primeiros e não o terceiro precisa adiar a terceira dose.

O volume muda com a idade e com o fabricante, o que explica enunciados que parecem contraditórios. Na apresentação do Butantan, a dose é de 0,5 mL até os 15 anos e de 1,0 mL a partir dos 16; em outra apresentação disponível, o corte de 1,0 mL é a partir dos 20 anos. O calendário registra a variação em vez de fixar um número único, e a orientação é conferir o produto disponível na sala.

Na gestante há uma regra que foi escrita para encerrar uma dúvida antiga: quem já recebeu as três doses ao longo da vida não é revacinada, mesmo que apresente anti-HBs abaixo de 10 mUI/mL. A justificativa está no próprio calendário de 2026 — a resposta induzida pela vacinação é duradoura e a memória imunológica permanece. Se o esquema estiver incompleto, atualiza-se durante a gestação; não sendo possível concluir, completa-se no puerpério, preferencialmente até 45 dias após o parto.

O desfecho que a hepatite B da gestante protege aparece do outro lado: recém-nascido de mãe com HBsAg reagente recebe, ao nascer, uma dose da vacina e uma dose de imunoglobulina humana anti-hepatite B, em sítios musculares distintos, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. A imunoglobulina admite atraso maior que a vacina — pode ser administrada em até, no máximo, 7 dias após o nascimento.

Difteria e tétano: dT é a rotina, dTpa tem dois endereços

A partir dos 7 anos de idade, a vacina usada contra difteria e tétano é a dupla adulto, a dT. Ela cumpre três funções: iniciar esquema em quem nunca se vacinou, completar esquema incompleto e dar o reforço. O esquema básico são três doses com intervalo recomendado de 60 dias, mínimo de 30. O reforço é uma dose a cada 10 anos após a última dose do esquema básico, antecipado para 5 anos em caso de exposição a risco de difteria ou tétano — o ferimento que traz o paciente ao pronto-socorro é o exemplo clássico dessa antecipação.

A tríplice bacteriana acelular do tipo adulto, a dTpa, não é o reforço decenal do adulto na rede pública. Ela tem dois endereços. O primeiro é a gestação: uma dose a cada gravidez, a partir da 20ª semana, independentemente de quantas doses a mulher já tenha tomado antes. O segundo são os profissionais de saúde de qualquer área, as parteiras tradicionais e os estagiários da saúde que atuam em maternidade e em unidade de internação neonatal atendendo recém-nascidos.

Para esse profissional, a regra tem uma inversão que costuma ser cobrada: com esquema básico completo, administra-se uma dose de dTpa mesmo que ele tenha recebido vacina com componente diftérico e tetânico há menos de dez anos. A partir daí, os reforços decenais passam a ser feitos com dTpa no lugar da dT, também antecipados para 5 anos em exposição a risco. Sem esquema básico completo, aplica-se uma dose de dTpa e completa-se com uma ou duas doses de dT até totalizar três doses com toxoide.

Existe um cruzamento entre os dois endereços que fecha o raciocínio: a profissional de saúde que esteve gestante nos últimos dez anos e tomou dTpa na gestação só voltará a tomar após dez anos, antecipando para cinco em exposição a risco — ou antes disso, se engravidar de novo, porque a dose da gestação se repete a cada gravidez.

Gestante: quatro vacinas de rotina, duas datas e uma janela de resgate

O calendário da gestante de 2026 tem quatro vacinas de rotina — hepatite B, dTpa, influenza e covid-19 — e uma quinta que passou a integrá-lo: a vacina contra o vírus sincicial respiratório, recombinante, bivalente para os subgrupos A e B. A lógica do conjunto é a mesma: o anticorpo materno atravessa a placenta e protege o bebê nos meses em que ele ainda não pode ser vacinado.

A dose de dTpa se dá a partir da 20ª semana, em cada gestação, respeitado o intervalo de 60 dias, mínimo de 30, desde a última dose com toxoide diftérico e tetânico. O que ela é depende do cartão: se a mulher já tem três ou mais doses, é reforço; se tem duas, é a terceira dose e fecha o esquema básico; se tem uma, entra uma dose de dT antes; se não tem nenhuma ou o histórico é desconhecido, são duas doses de dT mais a dTpa. Quando a gestante chega ao serviço já depois da 20ª semana com esquema incompleto, aplica-se a dTpa primeiro e completa-se com dT em seguida, preferencialmente ainda na gestação.

A dose contra o vírus sincicial respiratório é única, a cada gestação, a partir da 28ª semana. Não há limite superior de idade gestacional declarado, com uma única ressalva escrita no documento: mulher em trabalho de parto ativo. A orientação é vacinar o mais precocemente possível dentro da janela, porque a proteção que se busca é a do bebê nos primeiros meses, e ela pode ser aplicada junto com a dTpa, em sítios diferentes, justamente para não perder a oportunidade.

Influenza e covid-19 não dependem de idade gestacional: uma dose da vacina da temporada e uma dose de covid-19 a cada gestação, em qualquer fase, com intervalo mínimo de 6 meses da última dose de covid-19 recebida. Febre amarela é exceção, discutida adiante. Estão contraindicadas na gestação a tríplice viral, a varicela, o HPV e a dengue — todas atenuadas, com exceção do HPV, que é recombinante e ainda assim não é aplicada na gravidez.

A janela de resgate é o puerpério até 45 dias. Vale para o que não foi possível fazer durante o pré-natal: dTpa, hepatite B, influenza, covid-19. E vale também para o que era proibido na gestação e deixou de ser depois do parto — tríplice viral e HPV podem ser aplicadas no puerpério e durante a amamentação. Dengue continua fora: é contraindicada também na lactação.

Linha do tempo da gestação com marcos de vacinação: uma dose intramuscular no segundo trimestre, uma dose respiratória no terceiro trimestre e uma janela de resgate após o parto, com duas vacinas aplicáveis em qualquer momento.
As três datas da gestação: a partir da 20ª semana, dTpa; a partir da 28ª, vírus sincicial respiratório; até 45 dias de puerpério, o resgate do que faltou. Influenza e covid-19 não têm data — entram em qualquer fase.

Febre amarela: o histórico decide, e os 60 anos mudam a pergunta

A vacina febre amarela é recomendada para todo o país, dos 9 meses aos 59 anos, 11 meses e 29 dias. O esquema básico é uma dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Depois dos 5 anos de idade, quem nunca se vacinou recebe uma dose e está protegido — não há reforço decenal na regra brasileira.

O que a prova cobra é a leitura do cartão. Quem tem duas doses recebidas antes dos 5 anos está completo. Quem tem uma única dose recebida antes dos 5 anos precisa de um reforço, e essa é a linha que mais escapa. Quem tem uma dose recebida a partir dos 5 anos está completo, qualquer que seja a idade atual. E quem foi vacinado apenas com dose fracionada, na campanha de 2018, recebe uma dose com a vacina em dose padrão.

Aos 60 anos a pergunta muda de natureza. Nessa faixa a vacinação não é rotina: está recomendada apenas para quem não tem histórico vacinal e reside ou vai se deslocar para área com transmissão ativa da doença, com pelo menos 10 dias de antecedência, e sempre precedida de avaliação caso a caso pela equipe de saúde, considerando risco de exposição e condições clínicas. Passada essa porta, o histórico volta a decidir como em qualquer adulto: uma dose antes dos 5 anos pede uma dose; uma dose a partir dos 5 anos, nenhuma. A avaliação individual não é uma etapa a mais — é a condição para que a vacina seja sequer considerada.

Na gestante, a vacina é exceção pelo mesmo desenho: só se considera na impossibilidade de adiamento, para residente ou viajante para área de risco epidemiológico, mediante avaliação do serviço sobre risco e benefício. Nesse contexto, indica-se uma dose para quem não tem comprovação vacinal, para quem tomou apenas uma dose antes dos 5 anos e para quem recebeu apenas dose fracionada.

Duas informações de viagem completam o quadro e aparecem em questão de saúde do viajante: o prazo mínimo é de 10 dias entre a vacina e o deslocamento, tempo necessário para a soroconversão, e o Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia pode levar até 5 dias úteis para ser emitido — o que empurra o planejamento para bem antes da viagem.

Tríplice viral: os cortes em 29 e em 59

A tríplice viral tem dois cortes de idade e um grupo que ignora os dois. Entre 5 e 29 anos, quem não tem histórico recebe duas doses, com intervalo recomendado de 30 dias; quem tem uma dose registrada recebe mais uma; quem tem duas ou mais está completo. Entre 30 e 59 anos, quem não tem histórico recebe uma dose apenas, e quem já tem uma está completo. A partir dos 60 anos a vacina sai da rotina.

O grupo que ignora os cortes é o dos trabalhadores de saúde: duas doses, em qualquer faixa etária, inclusive acima dos 60 anos. É a mesma lógica que rege a varicela e a dTpa nesse grupo — quem cuida de paciente entra numa régua ocupacional, não etária.

O intervalo mínimo de 15 dias entre as doses existe, mas o calendário é explícito sobre quando usá-lo: apenas em viagem programada ou exposição a risco epidemiológico. Encurtar o intervalo não favorece a resposta imunológica, e a orientação é que a equipe analise risco e benefício antes de antecipar.

Duas precauções fecham a seção. A tríplice viral é contraindicada na gestação e em menores de 6 meses. E uma apresentação disponível na rede, a do Serum Institute of India, não é recomendada para pessoas com história de alergia grave à proteína do leite de vaca — a lactoalbumina. Intolerância à lactose é outra coisa e não contraindica nada: quem tem intolerância pode receber a vacina sem risco.

Adolescente e jovem: HPV, meningocócica ACWY e dengue

O HPV é hoje dose única. Meninas e meninos não vacinados recebem uma dose entre 9 anos e 14 anos, 11 meses e 29 dias. Para quem passou dessa faixa sem se vacinar, há a estratégia de resgate: dose única para adolescentes de 15 a 19 anos, 11 meses e 29 dias sem histórico, organizada por cada estado. A vacina é contraindicada na gestação — se a mulher engravidar depois de vacinada, ou for vacinada inadvertidamente, nenhuma intervenção adicional é necessária além do pré-natal. Quem amamenta pode ser vacinada.

Fora dessa faixa, o HPV existe no SUS como estratégia para grupos prioritários, sempre com prescrição médica e sempre em três doses no esquema 0, 2 e 6 meses: imunodeprimidos de 9 a 45 anos — imunodeficiência primária, uso de imunossupressor, HIV/aids, transplantados de órgão sólido ou de medula óssea e pacientes oncológicos —, pessoas com papilomatose respiratória recorrente a partir dos 2 anos e usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV de 15 a 45 anos. A lista ganhou mais um grupo em 2026: mulheres tratadas por lesão intraepitelial cervical de alto grau — NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ — submetidas a procedimento excisional do colo, LEEP ou conização, e aqui independentemente da idade. A vacina entra no mesmo ano do procedimento, do perioperatório até 12 meses após o tratamento, com registro pelo CID do diagnóstico; quem já tinha uma ou duas doses apenas completa as três.

Vítimas de violência sexual formam o grupo com regra própria, de 9 a 45 anos, e é a única situação em que o número de doses volta a depender da idade: de 9 a 14 anos, 11 meses e 29 dias, duas doses no esquema 0 e 6 meses; de 15 a 45 anos, três doses no esquema 0, 2 e 6 meses. Se o serviço do primeiro atendimento tem sala de vacina, atualiza-se a situação vacinal imediatamente; se não tem, encaminha-se à unidade mais próxima da residência sinalizando o CID T74.2, para que a atenção primária registre a dose na estratégia correta.

A meningocócica ACWY conjugada é uma dose, dos 11 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias. O detalhe está na nota do calendário: nessa faixa a dose é reforço da proteção para quem já recebeu dose anterior de meningocócica C ou ACWY — não é um esquema novo iniciando aos 11 anos.

A vacina dengue atenuada é rotina dos 10 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, em duas doses com intervalo de 3 meses, exclusivamente por via subcutânea — ela não pode ser administrada por via intramuscular nem intradérmica, e isso já bastou como distrator. Após infecção pelo vírus da dengue, aguardam-se 6 meses para iniciar o esquema; se a infecção ocorrer depois da primeira dose, o intervalo entre as doses não muda, desde que a segunda não seja aplicada em menos de 30 dias do início da doença. Doses de fabricantes diferentes não são intercambiáveis. Além da faixa de rotina, a vacina está disponível para trabalhadores da saúde que atuam na atenção primária do SUS até os 59 anos, com produto do Instituto Butantan.

Adulto de 25 a 59 anos: uma lista curta que surpreende

A rotina do adulto é mais enxuta do que o senso comum sugere, e é aí que a questão pega. São cinco linhas: hepatite B, dT, febre amarela, tríplice viral e — restritas a grupos — a pneumocócica 23-valente e a varicela. A pneumocócica 23-valente nessa faixa está recomendada somente para a população indígena, sem histórico de vacina pneumocócica conjugada, em duas doses com intervalo de 5 anos. A varicela, somente para população indígena e trabalhadores de saúde sem história pregressa da doença, em duas doses com intervalo de 8 semanas a partir dos 13 anos, mínimo de 4.

Influenza e covid-19 não estão na tabela de rotina do adulto de 25 a 59 anos. Elas chegam por estratégia anual, com grupos definidos. Os grupos prioritários da influenza incluem puérperas até 45 dias pós-parto, povos indígenas, quilombolas, pessoas em situação de rua, trabalhadores da saúde, professores, profissionais das forças de segurança e salvamento e das Forças Armadas, pessoas com deficiência permanente, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários e dos correios, população privada de liberdade e seus funcionários, adolescentes e jovens de 12 a 21 anos sob medida socioeducativa, e pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais, independentemente da idade.

Da covid-19, a rotina do calendário alcança três grupos: crianças de 6 meses a 4 anos, 11 meses e 29 dias, gestantes e pessoas a partir de 60 anos. Imunocomprometidos recebem duas doses com intervalo de 6 meses. A estratégia anual acrescenta institucionalizados, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, puérperas não vacinadas na gestação, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente, pessoas com comorbidades, população privada de liberdade e pessoas em situação de rua, entre outros.

Sobre a influenza, duas precauções decidem conduta em enunciado de alergia. História de urticária apenas após ingestão de ovo não muda nada: vacina-se sem cuidado especial. História de sinais mais graves — angioedema, desconforto respiratório, vômitos repetidos — indica vacinar em ambiente preparado para atender manifestação alérgica grave, preferencialmente sob supervisão médica. E quem desenvolveu síndrome de Guillain-Barré em até 42 dias após uma dose anterior de influenza só recebe nova dose após avaliação médica criteriosa de risco e benefício.

Aos 60 anos: o que entra, o que sai e o que fica restrito

O aniversário de 60 anos muda quatro linhas do cartão. Entram duas: influenza, uma dose anual com a vacina da temporada, e covid-19, uma dose a cada seis meses — o calendário técnico escreve "1 dose semestral" e a instrução normativa escreve "2 doses com intervalo de 6 meses", que é a mesma coisa dita de dois jeitos. Saem duas: a febre amarela deixa de ser rotina e vira decisão individual restrita, e a tríplice viral sai da rotina, permanecendo apenas para trabalhadores de saúde.

Permanecem sem mudança a hepatite B, com três doses para quem não completou o esquema, e a dT, com reforço a cada 10 anos, antecipado para 5 em exposição a risco de difteria ou tétano. A dTpa continua reservada ao profissional de saúde, também acima dos 60.

A proteção pneumocócica do idoso no PNI é restrita, e essa é a linha que mais destoa da prática de consultório. A vacina pneumocócica 23-valente é oferecida na rotina a idosos acamados e/ou institucionalizados e à população indígena, em duas doses com intervalo de 5 anos, na ausência de histórico com vacina conjugada. Idoso que mora em casa, anda pela cidade e não tem condição clínica especial não recebe pneumocócica na rotina do calendário.

Em 2026 abriu-se uma segunda via: a vacina pneumocócica conjugada 20-valente foi incorporada às estratégias especiais, na Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais. A partir dos 5 anos, inclusive em adultos e idosos, o esquema é dose única — exceto em transplante de células-tronco hematopoéticas e terapia com células CAR-T. O acesso depende de condição clínica listada na norma, entre elas nefropatia crônica e hemodiálise, pneumopatia crônica, asma persistente moderada ou grave, cardiopatia crônica, hepatopatia crônica, doença neurológica crônica incapacitante, diabetes, trissomias e imunodepressão terapêutica. Continua sendo prescrição e registro por CID, não rotina etária.

A varicela no idoso segue restrita a população indígena e trabalhadores de saúde sem história pregressa da doença e, acima dos 60 anos, com avaliação individual de risco e benefício antes de aplicar — é vacina atenuada numa faixa em que a imunossenescência e as comorbidades pesam. Já a vacina contra herpes zóster não integra o Calendário Nacional de Vacinação 2026 do idoso.

04

Como ler uma questão de calendário

Quase toda questão de calendário do adulto entrega três dados — idade, cartão e grupo — e testa se você sabe qual deles manda. A ordem abaixo resolve a maioria delas sem decorar tabela inteira.

  1. 1Veja se há gestação. Gestante tem calendário próprio e ele prevalece sobre a faixa etária: quatro vacinas de rotina, mais o vírus sincicial respiratório, e uma lista de contraindicadas.
  2. 2Enquadre a faixa: 10 a 24 anos, 25 a 59 anos ou 60 anos ou mais. As faixas fecham em 11 meses e 29 dias — 14 anos, 11 meses e 29 dias ainda é faixa de 14.
  3. 3Leia o histórico antes de decidir pela idade. Em febre amarela e tríplice viral o número de doses prévias e a idade em que foram recebidas mudam a conduta mais do que a idade atual.
  4. 4Procure o grupo: gestante, trabalhador de saúde, indígena, acamado ou institucionalizado, pessoa com condição clínica especial. Grupo abre linhas que a faixa etária sozinha não abre — e é a única porta de varicela, pneumocócica e dTpa no adulto.
  5. 5Separe a porta: rotina do calendário, estratégia anual ou Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais. Se a alternativa oferece na rotina algo que só existe por condição clínica com prescrição, ela está errada por via, não por indicação.
  6. 6Em gestação, cheque as três datas: 20ª semana para a dTpa, 28ª para o vírus sincicial respiratório, 45 dias de puerpério para o resgate do que faltou.
Vacina10 a 24 anos25 a 59 anos60 anos ou maisGestante
Hepatite B3 doses (0-1-6) se incompleto3 doses (0-1-6) se incompleto3 doses (0-1-6) se incompleto3 doses se incompleto; não revacinar quem já tem 3
dT (dupla adulto)3 doses; reforço a cada 10 anos3 doses; reforço a cada 10 anos3 doses; reforço a cada 10 anosCompleta o esquema junto com a dTpa
dTpaSó trabalhador de saúdeSó trabalhador de saúdeSó trabalhador de saúde1 dose a cada gestação, a partir da 20ª semana
Febre amarela1 dose conforme histórico1 dose conforme históricoSó não vacinado que reside ou vai a área com transmissão ativa, caso a casoExceção: só na impossibilidade de adiamento
Tríplice viral2 doses até 29 anos1 dose dos 30 aos 59 anosSó trabalhador de saúde (2 doses)Contraindicada
VaricelaSó indígena e trabalhador de saúde (2 doses)Só indígena e trabalhador de saúde (2 doses)Idem, com avaliação individualContraindicada
HPV4Dose única de 9 a 14 anos; resgate único de 15 a 19Só grupos prioritários, com prescrição (3 doses)Não indicadaContraindicada
Meningocócica ACWY1 dose dos 11 aos 14 anosNão indicada na rotinaNão indicada na rotinaNão indicada na rotina
Dengue (atenuada)2 doses (0 e 3 meses) dos 10 aos 14 anosTrabalhador de saúde da atenção primária até 59 anosNão indicadaContraindicada
Pneumocócica 23-valenteSó indígena (2 doses, intervalo de 5 anos)Só indígena (2 doses, intervalo de 5 anos)Acamado ou institucionalizado e indígena (2 doses, 5 anos)Não indicada na rotina
InfluenzaEstratégia anual, grupos prioritáriosEstratégia anual, grupos prioritários1 dose anual, na rotina1 dose a cada gestação, em qualquer fase
Covid-19Estratégia anual, grupos especiaisEstratégia anual, grupos especiais1 dose a cada 6 meses1 dose a cada gestação, em qualquer fase
Vírus sincicial respiratórioNão indicadaNão indicadaNão indicadaDose única a partir da 28ª semana

Febre amarela: o histórico decide

SituaçãoConduta
9 meses a 4 anos1 dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos, com intervalo mínimo de 30 dias
5 a 59 anos, sem histórico1 dose
1 dose recebida antes dos 5 anos1 dose de reforço
1 dose recebida a partir dos 5 anosEsquema completo, nenhuma dose adicional
2 doses recebidas antes dos 5 anosEsquema completo, nenhuma dose adicional
Apenas dose fracionada, na campanha de 20181 dose de reforço com a vacina em dose padrão
60 anos ou maisSó quem não tem histórico e reside ou vai se deslocar para área com transmissão ativa, com avaliação caso a caso e pelo menos 10 dias de antecedência
GestanteSó na impossibilidade de adiamento, residente ou viajante para área de risco, após avaliação de risco e benefício
Viajante internacionalVacinar pelo menos 10 dias antes; o certificado internacional pode levar até 5 dias úteis para ser emitido

dTpa na gestação, conforme as doses prévias com toxoide diftérico e tetânico

Doses prévias registradasConduta na gestação
3 ou mais (esquema básico completo)1 dose de dTpa a partir da 20ª semana — é reforço, e se repete a cada gestação
2 doses1 dose de dTpa a partir da 20ª semana — ela fecha as três
1 dose1 dose de dT mais 1 dose de dTpa, esta a partir da 20ª semana
Nenhuma dose ou histórico desconhecido2 doses de dT mais 1 dose de dTpa, esta a partir da 20ª semana
Chegou ao serviço depois da 20ª semana, com esquema incompletoAplicar a dTpa primeiro e completar com dT, preferencialmente ainda na gestação; não sendo possível, agendar para o puerpério até 45 dias
Intervalo entre as doses60 dias recomendado, mínimo de 30

O calendário escreve "a partir da 20ª semana" e "a partir da 28ª semana": a semana citada está incluída. Do mesmo modo, as faixas fecham em "11 meses e 29 dias" — quem tem 59 anos, 11 meses e 29 dias ainda é adulto, e no dia seguinte muda de calendário.

Intervalo entre vacinas de antígenos diferentes: inativada com inativada, ou inativada com atenuada, sem intervalo nenhum. Atenuadas injetáveis entre si, mesmo dia em sítios diferentes ou 30 dias, mínimo de 15 apenas em viagem programada ou risco epidemiológico. Covid-19 pode ser simultânea a qualquer outra, exceto mpox.

Puerpério até 45 dias é a janela de resgate de tudo que não coube na gestação, e também a porta de entrada da tríplice viral e do HPV, contraindicados durante a gravidez.

No arquivo do calendário técnico do adolescente e jovem de 2026, a nota de rodapé da febre amarela ficou sem número: da febre amarela em diante, as notas estão numeradas uma unidade abaixo dos marcadores da tabela — a dengue está marcada como 7 e sua nota é a de número 6, e o mesmo vale para meningocócica ACWY e varicela. Quem for conferir o rodapé pelo número do marcador lê a nota errada.

No arquivo do calendário técnico da gestante de 2026, as páginas internas trazem "ANO 2025" no cabeçalho enquanto a capa e o texto de fechamento dizem 2026; a data de atualização declarada pelo próprio documento é 4 de fevereiro de 2026.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Febre amarela: dose única ou duas doses ao longo da vida

Dose única a partir dos 5 anos — Programa Nacional de Imunizações

Uma dose aplicada a partir dos 5 anos de idade encerra o esquema, qualquer que seja a idade atual. Reforço só para quem recebeu a dose única antes dos 5 anos e para quem foi vacinado apenas com dose fracionada em 2018.

Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026, Quadro 2; Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Adulto.

Duas doses, com intervalo de 10 anos — Sociedade Brasileira de Imunizações

Duas doses ao longo da vida, a segunda 10 anos após a primeira, porque existe possibilidade de falha vacinal individual que a dose única não cobre.

Calendários de vacinação SBIm Adulto e Idoso, 2026/2027.

Na prova

Aqui a diferença não é de dinheiro: a vacina é a mesma e é gratuita nos dois mundos — o que muda é o peso dado à falha vacinal individual. O recorte aparece no cenário. Cartão da unidade básica, campanha, área com transmissão, atualização de rotina do SUS convocam o corpo do programa. Menção nominal à sociedade, consultório privado, preparo para viagem internacional e a palavra "revacinação" no enunciado convocam o corpo da sociedade. E as alternativas denunciam: se uma delas oferece "segunda dose dez anos após" ao lado de "dose única, esquema completo", a questão está pedindo que se identifique de qual documento ela fala. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS.

Proteção pneumocócica do idoso: restrita por grupo ou rotina para todos

Restrita por grupo e por condição clínica — Programa Nacional de Imunizações

Não há vacina pneumocócica de rotina para todo idoso. A 23-valente é oferecida a acamados e/ou institucionalizados e à população indígena, em duas doses com intervalo de 5 anos. A conjugada 20-valente foi incorporada em 2026 pela Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais, em dose única a partir dos 5 anos, mediante condição clínica listada e prescrição.

Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Idoso (atualizado em janeiro de 2026); Nota Técnica nº 52/2026-CGICI/DPNI/SVSA/MS.

Rotina para todo idoso — Sociedade Brasileira de Imunizações

Vacina pneumocócica conjugada 20-valente em dose única como rotina a partir dos 60 anos, independentemente de comorbidade, com regras de intervalo para quem já recebeu 23-valente ou esquema sequencial incompleto.

Calendário de vacinação SBIm Idoso, 2026/2027.

Na prova

A causa da diferença é de exequibilidade: a recomendação da sociedade descreve o estado da arte, e o programa dimensiona a oferta por onde o risco está documentado — por isso a 20-valente chegou ao SUS pela porta da condição clínica, não pela porta da idade. Vinheta de unidade básica com idoso hígido de 68 anos que "vem atualizar o cartão" está no mundo do programa, e ali a resposta sobre pneumocócica é que ela não é rotina nessa situação. Vinheta que descreve consultório, plano de saúde ou que cita a sociedade pelo nome está no outro mundo. Um detalhe do enunciado resolve sozinho: se o idoso é descrito como acamado, institucionalizado, indígena ou portador de doença crônica listada, as duas leituras convergem.

Reforço decenal do adulto: dT ou dTpa

dT a cada 10 anos, com dTpa reservada — Programa Nacional de Imunizações

O reforço de rotina do adulto e do idoso é a dupla adulto, a cada 10 anos, antecipada para 5 anos em exposição a risco de difteria ou tétano. A dTpa é reservada à gestante, em cada gestação, e ao profissional de saúde que assiste recém-nascido, para quem os reforços decenais passam a ser com dTpa.

Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Adulto e Idoso, nota 2; Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026.

dTpa a cada 10 anos para todo adulto — Sociedade Brasileira de Imunizações

Com esquema básico completo, reforço com dTpa a cada dez anos em adultos e idosos, atualizando a dTpa independentemente do intervalo prévio com dT, e antecipando para cinco anos quem convive com lactente.

Calendários de vacinação SBIm Adulto e Idoso, 2026/2027.

Na prova

A causa é dupla: custo por dose e a decisão de concentrar o componente pertussis onde ele protege o recém-nascido — a mãe e quem cuida do bebê. Enunciado que usa "dupla adulto", descreve unidade básica, ferimento no pronto-socorro do SUS ou cartão de vacina da rede pública está pedindo dT. Enunciado que cita a sociedade, fala em contactante de lactente ou oferece "dTpa a cada dez anos" entre alternativas plausíveis está pedindo o outro corpo. Repare que, no ferimento, as duas leituras concordam no gatilho de antecipação para 5 anos — o que muda é o nome da vacina.

HPV no adulto: dose única até certa idade ou três doses até os 45 anos

Dose única com resgate até os 19 anos — Programa Nacional de Imunizações

Dose única de HPV4 dos 9 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, com estratégia de resgate em dose única dos 15 aos 19 anos, 11 meses e 29 dias para quem não tem histórico. Fora daí o esquema é de três doses (0, 2 e 6 meses) nos grupos prioritários, sempre com prescrição médica: imunodeprimidos de 9 a 45 anos, usuários de profilaxia pré-exposição de 15 a 45 anos, papilomatose respiratória recorrente e mulheres com NIC 2, NIC 3 ou adenocarcinoma in situ tratadas por excisão do colo, estas independentemente da idade. Vítimas de violência sexual são a exceção que ainda depende da idade: duas doses (0 e 6 meses) dos 9 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, e três doses dos 15 aos 45.

Instrução Normativa do Calendário Nacional de Vacinação 2026; Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Adolescente e Jovem.

Três doses de HPV9 para adultos não vacinados — Sociedade Brasileira de Imunizações

Uso preferencial da vacina nonavalente em três doses; adultos de 20 anos ou mais não vacinados recebem três doses no esquema 0, 1 a 2 e 6 meses, e acima dos 45 anos a vacinação pode ser recomendada em decisão compartilhada, fora da faixa de licenciamento.

Calendário de vacinação SBIm Adulto, 2026/2027.

Na prova

A causa tem os dois componentes: a nonavalente não está disponível no SUS, e a estratégia de dose única foi adotada para ampliar cobertura com o insumo que existe. O vocabulário entrega o recorte — "HPV4", "estratégia de resgate" e "grupo prioritário" só existem no documento do programa; "HPV9" e "decisão compartilhada" só existem no da sociedade. Cenário de escola, campanha ou unidade básica pede o primeiro. E atenção ao distrator interno do próprio programa: mulher de 30 anos sem fator de risco não entra em nenhuma das listas de grupo prioritário.

Herpes zóster depois dos 50 anos

Rotina a partir dos 50 anos — Sociedade Brasileira de Imunizações

Vacina recombinante contra herpes zóster como rotina a partir dos 50 anos, em duas doses com intervalo de dois meses, recomendada inclusive para quem já teve a doença e para quem recebeu antes a vacina atenuada.

Calendários de vacinação SBIm Adulto e Idoso, 2026/2027.

Fora do calendário público — Programa Nacional de Imunizações

A vacina contra herpes zóster não consta entre as vacinas de rotina do Calendário Nacional de Vacinação 2026 do idoso, cujas linhas são hepatite B, dT, febre amarela, pneumocócica 23-valente, tríplice viral, varicela, influenza e covid-19. A própria tabela da sociedade registra a vacina como não disponível gratuitamente no programa.

Calendário Nacional de Vacinação 2026 — Idoso; coluna de disponibilização do Calendário de vacinação SBIm Idoso, 2026/2027.

Na prova

É uma divergência de exequibilidade pura: não há discussão sobre a eficácia, há uma recomendação sem contrapartida na oferta pública. O recorte aparece na cena — "orientar sobre prevenção de herpes zóster em consultório" abre o mundo da sociedade; "o que a unidade básica pode oferecer a esta paciente" fecha nele mesmo. Distrator frequente é oferecer a vacina varicela atenuada como se fosse a do zóster no idoso: no calendário público a varicela existe nessa faixa apenas para população indígena e trabalhador de saúde, com avaliação individual.

06

Caso resolvido

Mulher de 27 anos, gestante de 22 semanas, primeira consulta de pré-natal em unidade básica. Traz o cartão de vacina: duas doses de dT aos 15 e aos 17 anos, uma dose de tríplice viral aos 12 anos, uma dose de hepatite B há oito anos, uma dose de febre amarela aos 3 anos de idade. Não se vacinou contra influenza nesta temporada nem contra covid-19 nesta gestação.
achado
Duas doses de vacina com toxoide diftérico e tetânico registradas. Esquema básico incompleto, e a gestante já passou da 20ª semana.
conduta
Uma dose de dTpa hoje. Com duas doses prévias, a dTpa é a terceira e fecha o esquema básico ao mesmo tempo em que cumpre a dose da gestação. Observar o intervalo de 60 dias, mínimo de 30, desde a última dose com toxoide — aqui, dez anos, sem restrição.
achado
Uma única dose de hepatite B registrada. Esquema incompleto.
conduta
Completar as três doses ainda na gestação, no esquema 0, 1 e 6 meses a partir do que já existe. Não sendo possível concluir antes do parto, agendar para o puerpério, preferencialmente até 45 dias. Sorologia de controle não é exigida na rotina.
achado
Uma dose de tríplice viral aos 12 anos, e a paciente está grávida.
conduta
Nada agora: a tríplice viral é contraindicada na gestação. Aos 27 anos ela está na faixa que pede duas doses, então a segunda fica agendada para o puerpério, quando a vacina volta a ser permitida, inclusive durante a amamentação.
achado
Uma dose de febre amarela recebida aos 3 anos — antes dos 5.
conduta
Ela tem indicação de um reforço, mas não durante esta gestação. A febre amarela na gestante é exceção: só se considera na impossibilidade de adiamento, para residente ou viajante para área de risco, com avaliação de risco e benefício. Fora dessa situação, a dose fica para depois do parto.
achado
Sem influenza da temporada e sem covid-19 nesta gestação.
conduta
Uma dose de influenza da temporada e uma dose de covid-19, ambas em qualquer fase gestacional, respeitado o intervalo mínimo de 6 meses da última dose de covid-19 recebida. Podem ser aplicadas no mesmo dia da dTpa, em sítios diferentes.
conduta
Agendar, para a 28ª semana, a dose única da vacina contra o vírus sincicial respiratório — uma a cada gestação. Se a paciente só retornar mais tarde, ainda há indicação: não existe limite superior de idade gestacional declarado, exceto trabalho de parto ativo.
07

Agora feche você

Homem de 63 anos, hipertenso e diabético, mora sozinho e caminha diariamente. Vem à unidade básica com o cartão de vacina: esquema de três doses de dT completo, com última dose há 12 anos; três doses de hepatite B na juventude; uma dose de febre amarela aos 30 anos; nunca recebeu vacina pneumocócica. Reside em município sem transmissão ativa de febre amarela e não tem viagem programada. Pergunta o que precisa tomar hoje.
achado
Esquema básico de dT completo, com última dose há 12 anos, e paciente sem ferimento nem exposição de risco.
achado
Três doses de hepatite B documentadas.
achado
Uma dose de febre amarela recebida aos 30 anos, portanto depois dos 5 anos de idade, em município sem transmissão ativa e sem deslocamento previsto.
achado
Nunca recebeu vacina pneumocócica. Tem 63 anos, é diabético, mora na própria casa e é independente para as atividades diárias.
conduta
08

Onde a banca derruba

  1. 1Dar dTpa como reforço decenal de qualquer adulto no SUS É o que a sociedade recomenda e o que muitos serviços privados fazem, então soa correto. No calendário público a dTpa tem dois endereços apenas — cada gestação, a partir da 20ª semana, e o profissional que assiste recém-nascido. Todo o resto do reforço decenal é dT.
  2. 2Achar que 'uma dose de febre amarela' encerra sempre o assunto Encerra se foi recebida a partir dos 5 anos de idade. Se foi antes dos 5, falta um reforço — é a linha da tabela que mais escapa, porque o cartão registra a dose e não chama atenção para a idade em que ela foi aplicada.
  3. 3Dar duas doses de tríplice viral a quem tem 35 anos O corte é aos 30. De 5 a 29 anos sem histórico, duas doses; de 30 a 59 anos sem histórico, uma dose apenas. A exceção é o trabalhador de saúde, que recebe duas doses em qualquer idade, e essa exceção não se estende ao paciente comum.
  4. 4Oferecer pneumocócica de rotina a todo idoso na unidade básica A 23-valente do calendário do idoso é para acamados e/ou institucionalizados e para a população indígena. A conjugada 20-valente existe no SUS desde 2026, mas por condição clínica documentada e prescrição, na rede de imunobiológicos especiais — não por ter completado 60 anos.
  5. 5Repetir hepatite B em gestante com anti-HBs abaixo de 10 Parece a conduta zelosa, e o calendário de 2026 diz o contrário com todas as letras: quem já recebeu as três doses ao longo da vida não é revacinada mesmo com título baixo, porque a memória imunológica permanece. Revacinação só nas situações especiais previstas nos manuais.
  6. 6Aplicar a vacina dengue por via intramuscular Ela é exclusivamente subcutânea, e o documento diz explicitamente que não pode ser administrada por via intramuscular nem intradérmica. Como quase todas as outras vacinas da faixa são intramusculares, o automatismo custa a questão.
  7. 7Iniciar a vacina dengue logo após um quadro de dengue Depois da infecção, aguardam-se 6 meses para iniciar o esquema. Se a infecção acontece com o esquema já iniciado, o intervalo entre as doses não muda — desde que a segunda dose não seja aplicada em menos de 30 dias do início da doença. São duas regras diferentes para dois momentos diferentes.
  8. 8Confundir alergia à proteína do leite com intolerância à lactose na tríplice viral A restrição vale para história de alergia grave à proteína do leite de vaca e apenas para uma apresentação disponível na rede. Intolerância à lactose não contraindica nada, e o próprio calendário faz questão de dizer isso.
  9. 9Tratar 'disponível no SUS' e 'está no calendário' como sinônimos São três portas diferentes: rotina do calendário, estratégia anual e rede de imunobiológicos para situações especiais. Uma alternativa pode acertar a indicação clínica e errar a via de acesso — e continua sendo alternativa errada.
  10. 10Somar meningocócica ACWY ao calendário do adulto A dose é dos 11 aos 14 anos, 11 meses e 29 dias, e funciona como reforço de quem já recebeu meningocócica C ou ACWY antes. Fora dessa faixa, no adulto e no idoso, ela não é rotina do programa: entra por situação epidemiológica ou por viagem, em outro contexto.
  11. 11Esquecer o puerpério de 45 dias É a janela que resolve quase toda vinheta de gestante que 'perdeu' uma vacina — dTpa, hepatite B, influenza, covid-19 — e é também quando entram as que eram proibidas na gravidez, como tríplice viral e HPV. Alternativa que diz 'perdeu a oportunidade' costuma estar errada por causa dela.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Aos 2 meses aplicam-se pentavalente, VIP, pneumocócica 10-valente e rotavírus (correta). BCG e hepatite B são do nascimento. Tríplice viral, hepatite A e varicela concentram-se a partir dos 12-15 meses. Meningocócica C inicia aos 3 meses e febre amarela aos 9 meses. dTpa/HPV são de gestante/adolescente, não do esquema dos 2 meses do lactente.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

Quer treinar mais nesse tema? Estas questões vêm do nosso banco — lá tem milhares, com simulado, maratona e estatística de acerto por área.

Criar conta grátis e continuar →
10

Plano de revisão

em 7 dias

Recite as faixas do ciclo de vida com as terminações exatas (10 a 19 anos, 11 meses e 29 dias; 20 a 24; 25 a 59; 60 ou mais). Depois: os três intervalos mínimos da hepatite B (1 mês, 2 meses, 4 meses); os dois cortes da tríplice viral (29 e 59 anos); as quatro linhas da tabela de dTpa na gestação por número de doses prévias; as duas datas da gestação (20ª e 28ª semana) e os 45 dias de puerpério; e as seis situações de febre amarela por histórico. Confira na tabela do capítulo o que escapou.

em 30 dias

Monte de cabeça quatro pacientes e resolva cada um: gestante de 32 semanas sem nenhuma dose de toxoide registrada; homem de 58 anos que recebeu uma dose de febre amarela aos 4 anos e vai viajar para área de risco em duas semanas; técnica de enfermagem de 40 anos de UTI neonatal com dT há 3 anos; e idosa de 72 anos institucionalizada, sem cartão. Para cada um, diga o que aplicar hoje, o que agendar, o que não tem indicação, e por qual das três portas cada vacina chega — rotina, estratégia anual ou rede de imunobiológicos especiais.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Gestante de 29 anos, 21 semanas, chega à unidade básica para a segunda consulta de pré-natal trazendo um cartão de vacina incompleto e com registros ilegíveis de infância. Diz que tomou 'a do tétano' quando cortou o pé há uns quinze anos e que não tomou nada mais desde então. Trabalha como auxiliar de limpeza em uma maternidade. Conduzir a atualização vacinal desta consulta e definir o que fica agendado. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Calendário vacinal do PNI – Calendário vacinal do adolescente ao idoso e da gestante — Preparatório para provas | OsceLabs