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Vigilância epidemiológica e investigação de surtos
Vigilância epidemiológica, doenças de notificação compulsória e investigação de surtos
Notificação, investigação de surtos e taxa de ataque
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Um serviço de vigilância epidemiológica analisa a curva de casos de uma doença transmitida por alimento contaminado consumido em um único evento (festa comunitária). Os casos surgiram concentrados em um curto período, com pico único e queda rápida, dentro do período de incubação da doença. Que tipo de surto/epidemia esse padrão epidemiológico caracteriza?
Como esse tema cai
A pergunta desta matéria quase nunca é diagnóstica. É administrativa e tem resposta única: diante de uma suspeita, o que sai da sala, para quem, em quanto tempo — e, quando os casos são mais de um, o que a equipe faz em campo antes de saber o agente. As três normas que sustentam quase toda alternativa são velhas e estáveis: a Lei nº 6.259, de 30 de outubro de 1975, que criou a notificação compulsória; o art. 6º da Lei nº 8.080/1990, que define vigilância epidemiológica; e o Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, de 28 de setembro de 2017, que fixa prazos, destinatários e conceitos. A lista de doenças muda quase todo ano; a régua, não.
A prova pede quatro coisas. Classificar a vigilância: separar vigilância em saúde, que é o guarda-chuva, de vigilância epidemiológica, que é uma das quatro. Nomear o obrigado e o prazo: quem notifica, em quantas horas, para qual esfera, e o que é notificação negativa. Reconhecer surto: quantos casos fazem um, e por que em algumas doenças um caso já faz. E conduzir a investigação: definição de caso, curva epidêmica, taxa de ataque e a hora de agir sem esperar o laboratório.
O que não está aqui: o quadro clínico e o manejo das doenças citadas ficam nos capítulos de infectologia, e a tabela de periodicidade arbovirose por arbovirose está no capítulo de vigilância das arboviroses da apostila de Infectologia. Os sistemas de informação — Sinan, sim, Sinasc, e-SUS — e os indicadores de mortalidade têm capítulo próprio; incidência, prevalência e desenhos de estudo estão na apostila de Epidemiologia e bioestatística; a notificação de violência contra criança, mulher e idoso está em Medicina legal e bioética. Aqui é o ato de vigilância e o trabalho de campo.
O que muda decisão
Vigilância em saúde é o guarda-chuva; epidemiológica é uma das quatro
A definição que a banca transcreve com mais frequência é a legal. O art. 6º, § 2º, da Lei nº 8.080/1990 diz que se entende por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos. Repare no fecho: a finalidade não é conhecer, é recomendar e adotar medida. Vigilância que produz relatório e não muda conduta não cumpre a definição.
O mesmo artigo define, em parágrafos vizinhos, as outras duas ações históricas: vigilância sanitária, no § 1º, como o conjunto de ações capaz de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde; e saúde do trabalhador, no § 3º, como conjunto de atividades que, por meio da vigilância epidemiológica e da sanitária, protege e promove a saúde do trabalhador.
A Política Nacional de Vigilância em Saúde, instituída pela Resolução CNS nº 588, de 12 de julho de 2018, é o documento que arruma esses pedaços em um só nome. Ela define vigilância em saúde como o processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise de dados e disseminação de informações sobre eventos relacionados à saúde, visando ao planejamento e à implementação de medidas de saúde pública, incluindo a regulação, a intervenção e a atuação em condicionantes e determinantes da saúde. E declara, no art. 3º, quais saberes ela articula: vigilância epidemiológica, vigilância em saúde ambiental, vigilância em saúde do trabalhador e vigilância sanitária. São quatro. A análise de situação de saúde e as ações laboratoriais, diz o parágrafo único, não são uma quinta vigilância: são atividades transversais e essenciais ao processo de trabalho de todas elas.
Duas frases do art. 2º costumam virar alternativa inteira. A PNVS é política pública de Estado e função essencial do SUS, de caráter universal, transversal e orientador do modelo de atenção nos territórios — e sua gestão é de responsabilidade exclusiva do poder público. É o dispositivo que derruba qualquer alternativa que proponha delegar a gestão da vigilância a ente privado. E ela incide sobre todos os níveis e formas de atenção, abrangendo serviços públicos e privados.
Guarde ainda a definição de emergência em saúde pública do art. 6º, V, porque ela aparece na mesma prova que cobra surto: situação que demanda o emprego urgente de medidas de prevenção, controle e contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública. O critério é a urgência da medida, não o número de doentes.
Notificar é ato de suspeita — e tem dono, prazo e sigilo
O art. 7º da Lei nº 6.259/1975 diz o que se notifica: os casos suspeitos ou confirmados de doenças que podem implicar medidas de isolamento ou quarentena, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional, e de doenças constantes de relação elaborada pelo Ministério da Saúde, a ser atualizada periodicamente. Suspeita basta, e é essa a chave de metade das questões: nenhuma alternativa que condicione a notificação ao resultado do exame está correta. O § 1º manda incluir na relação um item para agravo inusitado à saúde — o campo aberto que impede a lista de ficar desatualizada entre uma portaria e outra. O § 2º autoriza o Ministério a exigir a notificação negativa.
O art. 8º diz quem notifica, e distingue dois deveres de peso diferente. Comunicar a ocorrência de caso de doença transmissível é dever de todo cidadão. Notificar é obrigação de médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão e dos responsáveis por organizações e estabelecimentos públicos e particulares de saúde e de ensino. A escola está no texto da lei desde 1975, e o Decreto nº 78.231/1976, que a regulamenta, detalha a lista dos particularmente obrigados: o médico no exercício da função; o dirigente do estabelecimento assistencial, solidariamente responsável com o médico que atende; o dirigente do estabelecimento que executa exames complementares, solidariamente com os médicos que recebem os resultados; e o dirigente de estabelecimento de ensino, sobretudo quando a suspeita lhe tiver sido comunicada por docente, pais ou responsáveis.
O Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017 repete e amplia a regra em três parágrafos do art. 3º que caem juntos. O caput obriga médicos, outros profissionais de saúde e responsáveis pelos serviços públicos e privados de saúde que prestam assistência ao paciente. O § 1º confirma que a notificação se faz diante da suspeita ou da confirmação. O § 2º acrescenta que a comunicação também será feita pelos responsáveis por estabelecimentos públicos ou privados educacionais e de cuidado coletivo, além de serviços de hemoterapia, unidades laboratoriais e instituições de pesquisa. E o § 3º abre a porta: a comunicação pode ser feita à autoridade de saúde por qualquer cidadão que dela tenha conhecimento.
Notificar não quebra sigilo — e essa é a resposta de uma questão recorrente. O art. 10 da Lei nº 6.259/1975, na redação dada pela Lei nº 14.289, de 2022, diz que a notificação compulsória de casos de doenças e de agravos à saúde tem caráter sigiloso, e estende o dever de sigilo a quem notificou, à autoridade que recebeu e a todos os trabalhadores ou servidores que lidam com dados da notificação. O parágrafo único admite a identificação do paciente fora do âmbito médico-sanitário apenas em caráter excepcional, em caso de grande risco à comunidade, a juízo da autoridade sanitária e com conhecimento prévio do paciente ou de seu responsável.
Do outro lado do balcão há obrigação simétrica, e ela é a fonte de outro distrator. O art. 11 determina que, recebida a notificação, a autoridade sanitária é obrigada a proceder à investigação epidemiológica pertinente, para elucidação do diagnóstico e averiguação da disseminação da doença na população sob risco. O art. 12 manda adotar prontamente as medidas de controle indicadas pelos resultados, parciais ou finais, dessa investigação — parciais, não só finais. E a inobservância das obrigações da lei constitui infração sanitária, na redação dada pela Lei nº 13.730, de 2018, sem prejuízo das sanções penais cabíveis.

Dois relógios: 24 horas e sete dias
O art. 2º do Anexo V define os três termos que a questão embaralha. Notificação compulsória imediata é a realizada em até 24 horas a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível. Notificação compulsória semanal é a realizada em até sete dias a partir do conhecimento da ocorrência de doença ou agravo. E notificação compulsória negativa é a comunicação semanal, feita pelo responsável pelo estabelecimento de saúde à autoridade de saúde, informando que naquela semana epidemiológica não foi identificada nenhuma doença, agravo ou evento da lista.
A negativa é o conceito que mais engana, porque parece burocracia inútil. Ela existe para separar duas coisas que, sem ela, se confundem no banco de dados: unidade que não teve caso e unidade que não notificou. Sem a negativa, silêncio é ambíguo — e um sistema de vigilância que não distingue ausência de doença de ausência de informação não consegue detectar queda de sensibilidade da própria rede.
Os prazos ganham endereço nos artigos seguintes. O art. 4º diz que a notificação imediata deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente, em até 24 horas desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível. O parágrafo único acrescenta o segundo relógio, que quase ninguém decora: a autoridade de saúde que receber a notificação imediata deverá informá-la, em até 24 horas desse recebimento, às demais esferas de gestão do SUS. Somados, os dois prazos permitem que uma suspeita leve até 48 horas do consultório à esfera mais distante — e é por isso que a norma manda usar o meio mais rápido em cada etapa, não o prazo cheio.
O art. 5º cuida da semanal e dá o destinatário: ela é feita à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento do paciente — do atendimento, não da residência. O parágrafo único resolve o caso do Distrito Federal, onde a notificação é feita à Secretaria de Saúde do Distrito Federal. E o art. 6º fecha: qualquer que seja a forma, a notificação também será registrada em sistema de informação em saúde e seguirá o fluxo de compartilhamento entre as esferas de gestão. Telefonar não dispensa registrar; registrar sem telefonar não cumpre o prazo de 24 horas.
Duas obrigações do gestor completam a seção e aparecem como alternativa em prova de gestão. O art. 7º manda garantir o sigilo das informações pessoais integrantes da notificação; o art. 8º manda garantir a divulgação atualizada dos dados públicos da notificação para profissionais de saúde, órgãos de controle social e população em geral. Sigilo do dado pessoal e publicidade do dado agregado convivem, e a alternativa que trata os dois como incompatíveis está errada.
Fora do país, o relógio é outro e a via é única. O Regulamento Sanitário Internacional de 2005, promulgado no Brasil pelo Decreto nº 10.212, de 30 de janeiro de 2020, determina no Artigo 6 que cada Estado Parte avalie os eventos ocorridos em seu território com o instrumento de decisão do Anexo 2 e notifique a Organização Mundial da Saúde, pelos meios mais eficientes disponíveis, por meio do Ponto Focal Nacional para o RSI, dentro de 24 horas a contar da avaliação de informações de saúde pública. Quem fala com a OMS é o Ponto Focal Nacional, não o médico assistente nem a secretaria municipal.
A lista muda todo ano; a régua, não
A Lista Nacional de Notificação Compulsória é o Anexo 1 do Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, e vem sendo alterada por portarias sucessivas que republicam a tabela inteira. Só em 2026 foram duas: a Portaria GM/MS nº 10.175, de 23 de janeiro, que incluiu as anomalias congênitas no item 4 da lista; e a Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio, que é a redação vigente. Material publicado antes de maio de 2026 traz a redação anterior, e as duas convivem em apostila e em protocolo estadual.
O que a portaria de maio fez, em quatro movimentos: incluiu a parotidite (caxumba) e a febre do Oropouche; removeu a covid-19 como item próprio, que passa a ser contemplada no item síndrome gripal por covid-19 confirmada; trocou nomenclaturas; e mudou periodicidades. A febre do Oropouche entrou desdobrada em quatro linhas, e o desenho merece atenção porque se repete pela lista afora: os casos são de notificação semanal, enquanto óbitos e óbitos fetais, gestantes e anomalias congênitas são de notificação imediata às três esferas. A leitura que isso ensina vale para a tabela inteira — o que costuma disparar as 24 horas não é a doença em si, é o desfecho grave, a gestante ou o cenário fora do esperado, como na chikungunya, cujos casos são semanais mas cuja ocorrência em área sem transmissão é imediata às três esferas.
As trocas de nome importam porque a alternativa costuma citar o rótulo antigo. Poliomielite por poliovírus selvagem passou a ser apenas poliomielite; síndrome da paralisia flácida aguda passou a paralisia flácida aguda; varicela, que na lista antiga aparecia como caso grave internado ou óbito, passou a constar apenas como varicela; eventos adversos graves ou óbitos pós-vacinação passaram a evento supostamente atribuível à vacinação ou imunização, o ESAVI. Enunciado que ainda escreve o rótulo velho é anterior a maio de 2026.
Duas periodicidades mudaram: a difteria passou a ter notificação imediata também ao Ministério da Saúde, e o tétano teve inclusão de notificação imediata às Secretarias Estaduais de Saúde. E a lista da vigilância sentinela, que é outro anexo — o Anexo XLIII da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017 —, ganhou a doença invasiva por Haemophilus influenzae ao lado da doença pneumocócica invasiva e perdeu a síndrome respiratória aguda grave.
Sentinela, aliás, é conceito à parte e não se confunde com notificação compulsória. O art. 2º, X, do Anexo V define vigilância sentinela como modelo de vigilância realizado a partir de estabelecimento de saúde estratégico para a vigilância de morbidade, mortalidade ou agentes etiológicos de interesse para a saúde pública, com participação facultativa. Facultativa: o estabelecimento adere. A notificação compulsória, essa, é obrigatória para todos e não depende de o serviço ser sentinela.
Há um item da lista que interessa a este capítulo mais do que qualquer doença isolada: o evento de saúde pública que se constitua ameaça à saúde pública, de notificação imediata às três esferas de gestão. O art. 2º, V, define evento de saúde pública como a situação que pode constituir potencial ameaça à saúde pública, como a ocorrência de surto ou epidemia, doença ou agravo de causa desconhecida, alteração no padrão clínico-epidemiológico das doenças conhecidas — considerando o potencial de disseminação, a magnitude, a gravidade, a severidade, a transcendência e a vulnerabilidade —, bem como epizootias ou agravos decorrentes de desastres ou acidentes. É por essa porta que um surto de doença que não está na lista, ou de agente desconhecido, entra na notificação imediata.
Quantos casos fazem um surto
A definição geral está escrita no Guia de Vigilância em Saúde, e é aritmética antes de ser clínica: surto é o aumento no número absoluto de casos em determinada população durante um período de tempo definido, acima do que seria normalmente esperado para a comunidade, a área geográfica ou o período. Tudo depende, portanto, do esperado — que só existe se alguém tiver contado antes. O guia acrescenta que, mesmo sem aumento no número absoluto ou na taxa de incidência, mudanças nos padrões epidemiológicos, clínicos ou microbiológicos também justificam resposta de surto: faixa etária diferente da habitual, período de incubação atípico, subtipo novo do patógeno.
Sobre esse conceito geral, o Ministério da Saúde monta definições operacionais por agravo, e é delas que a prova tira o número. Para as doenças diarreicas agudas, surto é a ocorrência de dois casos ou mais relacionados entre si, com histórico de exposição à mesma fonte ou de alteração do padrão epidemiológico. Para as doenças de transmissão hídrica e alimentar, é o evento em que duas ou mais pessoas apresentam sinais e sintomas semelhantes após ingerirem alimentos e/ou água da mesma origem — com uma exceção nomeada: para botulismo e cólera, a identificação de apenas um caso já configura um surto. Para a doença de Chagas aguda, dois ou mais casos com a mesma provável fonte de infecção, no mesmo período e na mesma área geográfica, indicam a suspeita de um surto, justamente porque não se espera caso agudo nenhum.
O denominador do esperado desce a zero em mais duas situações que a prova adora, e as duas estão no Guia de Vigilância em Saúde com a mesma frase: em ambiente hospitalar, define-se surto pela ocorrência de um único caso confirmado de caxumba; e, também em ambiente hospitalar, pela ocorrência de um único caso confirmado de varicela. A lógica é a de sempre — onde a transmissão não deveria acontecer, um caso já é excesso.
Nem todo agrupamento é surto, e essa distinção separa quem entendeu o conceito de quem decorou o número. O manual de treinamento da vigilância das doenças de transmissão hídrica e alimentar é explícito: os clusters, isto é, agregados de casos sem vínculo epidemiológico, não devem ser notificados no Sinan, mas devem ser investigados para descarte da condição de surto. Investigar sim, notificar como surto não — enquanto o vínculo não aparecer.
A notificação do surto tem dois relógios, como a das doenças. O surto que atende aos critérios de evento de saúde pública — potencial de disseminação, magnitude, gravidade, severidade, transcendência e vulnerabilidade — é comunicado pelo nível local em até 24 horas à Secretaria Estadual de Saúde, que aciona o Ministério. E a notificação de qualquer surto de transmissão hídrica ou alimentar é feita na Ficha de Investigação de Surto do Sinan em até sete dias, com cada caso suspeito notificado, em paralelo, na ficha individual da doença quando ela tiver uma. Quando o surto é grande a ponto de extrapolar a capacidade local de notificar caso a caso, o manual admite notificar pelo menos 10% dos casos no módulo individual.
As etapas da investigação, e as que não esperam a anterior
O roteiro oficial da investigação de surto de transmissão hídrica e alimentar tem onze etapas, e o próprio manual avisa que elas estão dispostas didaticamente, podendo ocorrer simultaneamente ou mais de uma vez ao longo do processo: detecção e confirmação da existência do surto; definição de caso; busca ativa; caracterização por tempo, lugar e pessoa; análise dos dados; formulação de hipóteses; estudos analíticos; medidas de prevenção e controle; encerramento; relatório; e fluxo de informação e comunicação. A pergunta clássica da prova — qual etapa vem antes — tem resposta em duas partes: a ordem existe, e as medidas de controle não a respeitam.
A definição de caso é a etapa que mais rende questão, porque ela muda de propósito no meio da investigação. Na fase inicial, o objetivo é detectar o maior número possível de casos, o que exige uma definição sensível, com alta capacidade de captar os expostos. Na fase seguinte, o objetivo é se concentrar nos casos com maior probabilidade de estarem associados ao surto, o que exige uma definição mais específica, capaz de descartar quem não é doente ou não tem vínculo epidemiológico. Sensível primeiro, específica depois — e o manual registra o preço de cada erro: definição sensível demais gasta tempo e dinheiro para confirmar poucos; específica demais perde os casos subclínicos e os que não preenchem uma característica.
Toda definição de caso tem três componentes, e o esquecido é sempre o mesmo. Critérios clínicos e, preferencialmente, laboratoriais. Um período definido durante o qual os casos podem ser associados ao surto, construído a partir da data de início dos sintomas do primeiro caso e do período de incubação. E a especificação de lugar — os clientes de determinado restaurante, os funcionários de determinada fábrica, os residentes de determinado município. Definição de caso sem recorte de tempo e de lugar não delimita surto nenhum.
A busca ativa e as entrevistas têm uma regra que a intuição clínica atrapalha: é preciso entrevistar o maior número possível de doentes e de não doentes, expostos e não expostos. Sem o grupo que se expôs e não adoeceu não há comparação, e sem comparação não há taxa de ataque. Em surtos de grande magnitude, as entrevistas podem ser feitas por amostragem — e o manual alerta para os vieses que isso cria: questionário e entrevista aplicados de modo não uniforme produzem viés de informação; amostragem e perda de entrevistados durante a investigação comprometem a representatividade, com viés de seleção.
A coleta de amostras clínicas tem números fechados, e eles caem: em surtos de até cinco doentes, coletar preferencialmente amostras de todos; em surtos de 6 a 30 doentes, amostras de no mínimo cinco; em surtos com mais de 30 doentes, no mínimo seis doentes ou 15% a 20% dos doentes. Vale fazer a conta que o manual não faz: 15% de 40 é exatamente 6, de modo que os dois critérios se cruzam em 40 doentes — entre 31 e 40 é o piso de seis que representa a exigência maior; de 41 em diante, é o percentual. Duas regras práticas completam: coletar antes do antibiótico e, em geral, não são necessárias amostras adicionais quando o mesmo agente foi confirmado em pelo menos duas amostras biológicas de doentes diferentes.
As medidas de controle não esperam o fim. O manual manda implementá-las a partir da formulação das hipóteses preliminares — remoção do alimento suspeito do comércio, afastamento do manipulador infectado, aviso à população —, e ao mesmo tempo adverte contra o excesso de pressa: reconhecer que a hipótese ainda não foi comprovada evita implicar alimento errado e desacreditar a própria investigação. Quando a investigação sugere transmissão de pessoa a pessoa, as medidas se dirigem à fonte de infecção, que são os doentes, e à proteção dos suscetíveis, que são os contatos.
A curva epidêmica responde antes do laboratório
A curva epidêmica é o instrumento básico para caracterizar o surto no tempo, e o eixo horizontal é a data de início dos sintomas — não a data do atendimento, não a data da notificação. Ela responde duas perguntas: quanto durou o surto e qual é a sua natureza. A duração varia com a infectividade do agente, o modo de transmissão, a população exposta, o período de incubação e a efetividade das medidas de controle imediato. A natureza se lê pela forma.
Curva com aclive rápido e declive gradual, de pico único, indica exposição a uma fonte comum pontual: os casos começam de repente, depois do período de incubação mínimo, e continuam por um breve período relacionado à variabilidade do tempo de incubação. Curva irregular, com vários picos separados por intervalos que correspondem ao período de incubação da doença, indica fonte propagada, em que a transmissão em geral se dá pessoa a pessoa e o contato com o agente ocorre em períodos diversos e sucessivos. Entre as duas há a fonte comum contínua, em que a exposição persiste e a curva faz platô em vez de pico.
A curva sozinha, porém, não decide se houve surto — e este é o erro que o próprio manual do Ministério ilustra com um exemplo. Picos numa série de casos por semana epidemiológica podem parecer alteração de padrão e não ser: só a comparação com o mesmo período de uma série histórica, idealmente de dez anos, mostra quais picos estão acima do limite superior esperado e quais não estão. O instrumento dessa comparação é o diagrama de controle, recomendado a municípios, regiões e estados para analisar os níveis endêmicos e identificar precocemente a alteração de padrão.
Há ainda o caso em que o total não sobe e mesmo assim existe surto: um aumento acentuado restrito a um subgrupo da comunidade — uma população indígena, uma escola, um bairro — ou a ocorrência de um subtipo específico de patógeno pode ser significativo sem mover a curva geral. É a mesma advertência que o guia faz para a febre tifoide: mudança de padrão epidemiológico, clínico ou microbiológico justifica resposta, ainda que o número absoluto não tenha crescido.
E há a leitura que a curva permite depois: com a data de início dos sintomas de cada caso e a data provável da exposição, saem os períodos de incubação mínimo, máximo e mediano do surto — números que estreitam a lista de agentes possíveis antes de qualquer resultado de laboratório. Quando a curva volta à linha de base e nenhum caso novo aparece, a inferência é direta: a fonte comum não está mais em circulação. Quando os casos se mantêm acima do limite superior esperado, o veículo continua circulando e a população segue exposta.
Taxa de ataque, risco relativo e o alimento suspeito
O teste de hipótese, num surto de fonte alimentar, é aritmética de duas linhas. Para cada refeição ou alimento oferecido, identificam-se os que consumiram, os que não consumiram, e quantos adoeceram em cada grupo. A taxa de ataque nos expostos é o número de doentes que consumiram o alimento dividido pelo número de comensais que o consumiram, multiplicado por 100. A taxa de ataque nos não expostos usa o mesmo desenho com quem não consumiu. O risco relativo é a razão entre as duas — quantas vezes a ocorrência do desfecho entre os expostos supera a dos não expostos —, e o risco atribuível é a diferença entre elas.
A leitura é a mesma da epidemiologia geral: risco relativo maior que 1 sugere associação positiva. O exercício resolvido do manual do Ministério, sobre um surto em festa de casamento, dá a ordem de grandeza que a prova costuma reproduzir: salada de folhas frescas com risco relativo de 3,04, salpicão de frango 2,62, suco natural de goiaba 2,14, bolo 1,33 e água mineral 1,28. A salada, com risco relativo de 3,04, quer dizer que a taxa de ataque entre quem a comeu foi cerca de três vezes a de quem não comeu — e é ela, não o alimento com maior número absoluto de doentes, que vai primeiro para o laboratório.
É essa lista ordenada, e não o palpite do investigador, que dirige a coleta bromatológica: a vigilância epidemiológica compartilha com a vigilância sanitária a ficha com taxas de ataque, riscos relativos e riscos atribuíveis, que sugere quais alimentos devem ser enviados ao laboratório central de saúde pública. E quando nenhum alimento aparece associado, o manual manda reavaliar quadro clínico e período de incubação para formular hipótese nova — não insistir na coleta cega.
Um detalhe de desenho de estudo fecha a seção e é onde a prova de epidemiologia encosta na de vigilância. Quando a população exposta é conhecida e listável — os convidados de uma festa, os alunos de uma escola, os hóspedes de um hotel —, a investigação compara doentes e não doentes dentro dessa coorte, e a medida natural é o risco relativo. Quando os doentes aparecem dispersos e não há lista de expostos, essa comparação não se faz; o manual registra, no mesmo exercício, que para o grupo do surto disperso no município não havia informação suficiente para calcular taxa de ataque, risco relativo e risco atribuível, e que a análise da festa pouco contribuía porque parte de quem adoeceu não esteve nela.
Vale lembrar o que o próprio manual diz sobre a necessidade do estudo analítico: em geral o estudo descritivo já basta para determinar a fonte e o modo de transmissão e identificar quem está sob risco. O estudo analítico entra quando é preciso identificar fatores de infecção ou de gravidade associados aos casos, testando as hipóteses levantadas na descrição — não como etapa obrigatória de todo surto.
Encerrar o surto, e o que fica inconclusivo
Encerrar não é parar de receber casos: é preencher três campos da Ficha de Investigação de Surto e sustentá-los. O agente etiológico do surto só pode ser determinado se o mesmo agente patogênico ou substância química for identificado em amostras clínicas de, no mínimo, dois casos associados epidemiologicamente ao surto, ou se for identificado na fonte de transmissão suspeita — água, alimento — considerando a investigação e as evidências epidemiológicas.
A exceção está escrita e é a que a prova cobra: para surtos de botulismo, toxinas marinhas e outras intoxicações cujas manifestações clínicas sejam específicas, a etiologia pode ser confirmada com pelo menos um caso confirmado laboratorialmente e diagnóstico clínico dos demais. Quadro patognomônico dispensa a segunda amostra; quadro inespecífico, não.
O critério clínico-epidemiológico, aliás, tem uso restrito. Ele serve para classificar surtos com manifestações clínicas específicas ou sinais patognomônicos — botulismo, síndrome hemolítico-urêmica, rabdomiólise. Quando o quadro é inespecífico e a sintomatologia comporta vários agentes possíveis, como nas síndromes diarreicas agudas, o surto não é classificado como clínico-epidemiológico: é encerrado como inconclusivo. Inconclusivo é um encerramento legítimo, não uma falha de preenchimento.
O relatório final e o fluxo de comunicação fecham as onze etapas. E vale reter a moldura legal por trás de tudo isso, porque é ela que transforma o roteiro técnico em obrigação: a autoridade sanitária que recebeu a notificação é obrigada a investigar, por força do art. 11 da Lei nº 6.259/1975, e obrigada a adotar prontamente as medidas de controle indicadas pelos resultados parciais ou finais da investigação, pelo art. 12. As pessoas físicas e as entidades públicas ou privadas alcançadas por essas medidas ficam sujeitas ao controle determinado pela autoridade sanitária.
Que relógio esta notificação usa — e que forma tem esta curva
A vinheta descreve uma suspeita e pergunta o que a equipe faz. O caminho é sempre o mesmo e começa antes do diagnóstico: primeiro se decide se aquilo é notificável, depois em que prazo, depois para quem — e só então, se houver mais de um caso, se abre a investigação.
- 1Pergunte se há suspeita, não se há confirmação. A notificação compulsória alcança o caso suspeito ou confirmado; esperar sorologia, cultura ou laudo para notificar é a conduta errada em qualquer vinheta.
- 2Verifique se o quadro está na Lista Nacional de Notificação Compulsória. Se não estiver e for agravo inusitado, alteração do padrão conhecido, surto ou epidemia, ele entra assim mesmo — pela porta do evento de saúde pública que se constitua ameaça à saúde pública, de notificação imediata às três esferas.
- 3Decida o relógio pela linha da lista, não pela gravidade do doente à sua frente. Imediata significa até 24 horas a partir do conhecimento; semanal significa até sete dias. Óbito, gestante, anomalia congênita e cenário fora do esperado são os gatilhos que costumam puxar o item para as 24 horas.
- 4Identifique o destinatário. A notificação imediata é feita pelo profissional ou responsável pelo serviço que prestou o primeiro atendimento, em até 24 horas desse atendimento, pelo meio mais rápido; a autoridade que a recebe tem outras 24 horas para informar as demais esferas. A semanal é feita à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento — no Distrito Federal, à Secretaria de Saúde do DF.
- 5Registre no sistema de informação em saúde de qualquer modo. Telefonar cumpre o prazo mas não substitui o registro; registrar sem comunicar pelo meio mais rápido não cumpre as 24 horas.
- 6Havendo mais de um caso, teste o vínculo epidemiológico antes de chamar de surto. Agregado de casos sem vínculo é investigado para descartar surto, e não é notificado como surto no Sinan.
- 7Confirmado o surto, escreva a definição de caso — sensível agora, específica depois — com critério clínico, janela de tempo e recorte de lugar; monte a curva epidêmica pela data de início dos sintomas; e entreviste também quem se expôs e não adoeceu, porque sem esse grupo não há taxa de ataque.
- 8Aplique as medidas de controle a partir das hipóteses preliminares, sem esperar o laboratório — e sem tratar a hipótese como comprovada.
Imediata — até 24 horas
Notificação realizada em até 24 horas a partir do conhecimento da ocorrência, pelo meio de comunicação mais rápido disponível. Quem notifica é o profissional ou o responsável pelo serviço que prestou o primeiro atendimento; a autoridade que recebe tem outras 24 horas para informar as demais esferas de gestão.
Semanal — até sete dias
Notificação realizada em até sete dias a partir do conhecimento da ocorrência, feita à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento do paciente — e, no Distrito Federal, à Secretaria de Saúde do DF.
Negativa — a semana sem caso
Comunicação semanal do responsável pelo estabelecimento à autoridade de saúde, informando que naquela semana epidemiológica não foi identificada nenhuma doença, agravo ou evento da lista. Serve para distinguir unidade sem caso de unidade que não notificou.
Fonte comum pontual
Aclive rápido, pico único e declive gradual. Os casos começam depois do período de incubação mínimo e continuam por um breve período, relacionado à variabilidade do tempo de incubação. Exposição única — quando a curva volta à linha de base, a fonte não está mais circulando.
Fonte comum contínua
A exposição persiste, e a curva faz platô em vez de pico: casos novos continuam aparecendo enquanto o veículo estiver em circulação e a população, exposta.
Propagada
Curva irregular, com vários picos separados por intervalos que correspondem ao período de incubação da doença. O contato com o agente ocorre em períodos diversos e sucessivos — em geral, transmissão pessoa a pessoa.
Diagrama de controle
Compara os casos do período com a mesma semana de uma série histórica, idealmente de dez anos, e traça o limite superior esperado. É ele, e não o formato da curva do ano corrente, que diz se um pico é excesso ou é sazonalidade.
| Situação | Quantos casos configuram surto | O que mais é exigido | Onde a régua está escrita |
|---|---|---|---|
| Regra geral | Aumento no número absoluto acima do esperado para a comunidade, a área ou o período | Mudança de padrão epidemiológico, clínico ou microbiológico também justifica resposta, mesmo sem aumento | Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. rev., v. 1 |
| Doença diarreica aguda | Dois casos ou mais relacionados entre si | Exposição à mesma fonte ou alteração do padrão epidemiológico, considerando o monitoramento local | Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. rev., v. 1 |
| Doença de transmissão hídrica e alimentar | Duas ou mais pessoas com sinais e sintomas semelhantes | Ingestão de alimento e/ou água da mesma origem, ou contato entre si | Manual de treinamento VE-DTHA, MS, 2021 |
| Botulismo e cólera | Um caso | A suspeição de um único caso já configura surto — é a exceção nomeada pelo manual | Manual de treinamento VE-DTHA, MS, 2021 |
| Doença de Chagas aguda | Dois ou mais casos indicam suspeita de surto | Mesma provável fonte de infecção, mesmo período e mesma área geográfica; não se espera caso agudo nenhum | Manual de treinamento VE-DTHA, MS, 2021 |
| Caxumba em ambiente hospitalar | Um caso confirmado | O ambiente é o recorte: a transmissão ali não deveria acontecer | Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. rev., v. 1 |
| Varicela em ambiente hospitalar | Um caso confirmado | Mesma lógica do anterior, com a mesma redação no guia | Guia de Vigilância em Saúde, 6ª ed. rev., v. 1 |
| Agregado de casos sem vínculo | Nenhum — não é surto | Investigar para descartar a condição de surto; não notificar como surto no Sinan | Manual de treinamento VE-DTHA, MS, 2021 |
As onze etapas da investigação — e o que a prova cobra de cada uma
| Etapa | O que se faz | Detalhe que a alternativa explora |
|---|---|---|
| 1. Detecção e confirmação | Identificar casos que atendam à definição e evidenciar o vínculo entre eles | A detecção pode vir da vigilância, do serviço, do laboratório, da imprensa ou da população — não só da notificação formal |
| 2. Definição de caso | Fixar critério clínico e/ou laboratorial, janela de tempo e recorte de lugar | Sensível na fase inicial, específica na fase seguinte — e a definição inclui obrigatoriamente tempo e lugar |
| 3. Busca ativa | Procurar casos não notificados e entrevistar expostos e não expostos | Entrevistar quem não adoeceu é indispensável: sem esse grupo não há taxa de ataque comparável |
| 4. Tempo, lugar e pessoa | Montar a curva epidêmica, mapear a distribuição e descrever quem adoeceu | O eixo do tempo é a data de início dos sintomas, não a do atendimento nem a da notificação |
| 5. Análise dos dados | Calcular frequências, taxas de ataque, risco relativo e risco atribuível | Amostragem e perda de entrevistados geram viés de seleção; questionário aplicado de modo desigual gera viés de informação |
| 6. Hipóteses | Propor modo e veículo de transmissão, grupos de risco e fonte | A hipótese preliminar já autoriza medida de controle — e ainda assim não é conclusão |
| 7. Estudos analíticos | Testar as hipóteses quando a descrição não basta | Não é etapa obrigatória: em geral o estudo descritivo já determina fonte e modo de transmissão |
| 8. Medidas de prevenção e controle | Remover o alimento, afastar o manipulador, orientar a população, proteger suscetíveis | Não esperam o encerramento; em transmissão pessoa a pessoa, dirigem-se aos doentes e aos contatos |
| 9. Encerramento | Encerrar cada caso e preencher agente, alimento e critério de confirmação | Inconclusivo é encerramento legítimo quando o quadro é inespecífico |
| 10. Relatório | Consolidar dados finais e conclusões | Elaborado a partir dos dados finais, mas os dados preliminares já circulam antes |
| 11. Fluxo de informação | Comunicar às esferas de gestão e aos envolvidos | Percorre toda a investigação, não é o último ato |
Quem comunica, quem notifica, quem investiga
| Quem | O que a norma exige | Dispositivo |
|---|---|---|
| Qualquer cidadão | Comunicar à autoridade sanitária local a ocorrência, comprovada ou presumível, de caso de doença transmissível | Lei nº 6.259/1975, art. 8º; Anexo V da PRC GM/MS nº 4/2017, art. 3º, § 3º |
| Médico e demais profissionais de saúde | Notificar o caso suspeito ou confirmado, no exercício da profissão | Lei nº 6.259/1975, art. 8º; Anexo V, art. 3º, caput e § 1º |
| Responsável pelo serviço de saúde | Notificar, e responder solidariamente com o médico que atende o paciente | Anexo V, art. 3º; Decreto nº 78.231/1976, art. 22, II |
| Laboratório | Comunicar; o dirigente responde solidariamente com os médicos que recebem os resultados | Anexo V, art. 3º, § 2º; Decreto nº 78.231/1976, art. 22, III |
| Escola e estabelecimento de cuidado coletivo | Comunicar à autoridade de saúde competente | Lei nº 6.259/1975, art. 8º; Anexo V, art. 3º, § 2º; Decreto nº 78.231/1976, art. 22, IV |
| Serviço de hemoterapia e instituição de pesquisa | Comunicar à autoridade de saúde competente | Anexo V, art. 3º, § 2º |
| Autoridade sanitária que recebe | Investigar, informar as demais esferas em 24 horas e adotar prontamente as medidas de controle | Lei nº 6.259/1975, arts. 11 e 12; Anexo V, art. 4º, parágrafo único |
| Ponto Focal Nacional para o RSI | Notificar a OMS em até 24 horas da avaliação, pelo instrumento de decisão do Anexo 2 do RSI | RSI-2005, Artigo 6, promulgado pelo Decreto nº 10.212/2020 |
Vigilância em saúde articula quatro vigilâncias — epidemiológica, sanitária, ambiental e do trabalhador. Análise de situação de saúde e ações laboratoriais são transversais a todas, não uma quinta.
Vigilância sentinela tem participação facultativa do estabelecimento; notificação compulsória é obrigatória para todos. Uma coisa não substitui a outra, e a lista sentinela é outro anexo — o Anexo XLIII da Portaria de Consolidação GM/MS nº 5/2017.
Somados os dois prazos de 24 horas — o do serviço que atende e o da autoridade que recebe —, a norma admite até 48 horas entre o primeiro atendimento e a esfera mais distante. Por isso a exigência, repetida em cada etapa, do meio mais rápido disponível.
Em surtos com mais de 30 doentes, a regra de coleta dá dois critérios — seis doentes ou 15% a 20% dos doentes — que se cruzam em 40 casos, porque 15% de 40 são exatamente seis. Entre 31 e 40 o piso de seis é o mais exigente; de 41 em diante, o percentual.
Risco relativo maior que 1 indica associação positiva, e é a lista ordenada por risco relativo — não o alimento com mais doentes em número absoluto — que define o que vai primeiro ao laboratório.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Imediata às três esferas — corpo da portaria
O art. 2º, I, determina a inclusão da parotidite (caxumba) na Lista Nacional de Notificação Compulsória com periodicidade de notificação imediata para Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria Municipal de Saúde e Ministério da Saúde.
Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, art. 2º, I (DOU de 14/05/2026, edição 89, seção 1, p. 1120).
Semanal — anexo republicado pela mesma portaria
No Anexo I da mesma portaria, que republica a Lista Nacional de Notificação Compulsória, o item 48, Parotidite (Caxumba), traz a marcação na coluna Semanal, com as colunas de notificação imediata para Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde e Secretaria Municipal de Saúde em branco.
Portaria GM/MS nº 11.211, de 13 de maio de 2026, Anexo I, item 48 (DOU de 14/05/2026, edição 89, seção 1, p. 1120).
Na prova
A contradição está dentro do mesmo ato, publicado no mesmo dia, e não foi resolvida por norma posterior: o corpo da portaria diz imediata; o anexo que ela republica marca semanal. Enquanto isso não for corrigido, o enunciado é que denuncia o recorte. Questão que cite o art. 2º, I, ou que descreva a inclusão da caxumba na lista trabalha com o corpo do ato e espera imediata às três esferas; questão que mande consultar a Lista Nacional ou reproduza uma linha da tabela trabalha com o anexo e espera semanal. Na dúvida entre duas alternativas que só diferem nisso, vale o dispositivo que o próprio enunciado citar — e, na prática assistencial, comunicar pelo meio mais rápido nunca infringe prazo mais longo.
A partir do conhecimento da ocorrência — art. 2º, VII
Notificação compulsória imediata é a notificação realizada em até 24 horas a partir do conhecimento da ocorrência de doença, agravo ou evento de saúde pública, pelo meio de comunicação mais rápido disponível.
Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, Anexo V, art. 2º, VII (origem: Portaria GM/MS nº 204/2016, art. 2º, VII).
Em até 24 horas do atendimento — art. 4º
A notificação compulsória imediata deve ser realizada pelo profissional de saúde ou responsável pelo serviço assistencial que prestar o primeiro atendimento ao paciente, em até 24 horas desse atendimento, pelo meio mais rápido disponível.
Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, Anexo V, art. 4º (origem: Portaria GM/MS nº 204/2016, art. 4º).
Na prova
As duas redações estão no mesmo Anexo V e não se anulam: uma define o conceito, a outra atribui a tarefa a quem prestou o primeiro atendimento. O recorte aparece no verbo do enunciado. Questão que peça a definição de notificação compulsória imediata — o que é, quantas horas — trabalha com o art. 2º e espera a contagem a partir do conhecimento da ocorrência. Questão que descreva um plantão, um primeiro atendimento e pergunte de quem é o dever e a partir de quando trabalha com o art. 4º e espera a contagem a partir daquele atendimento. Quando a vinheta separa as duas datas — o paciente foi atendido num dia e o resultado que levantou a suspeita chegou noutro —, é o art. 2º que resolve.
Lei Orgânica da Saúde, 1990
Entende-se por vigilância epidemiológica um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos.
Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, art. 6º, § 2º.
Política Nacional de Vigilância em Saúde, 2018
Vigilância epidemiológica é o conjunto de ações que proporcionam o conhecimento e a detecção de mudanças nos fatores determinantes e condicionantes da saúde individual e coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças, transmissíveis e não transmissíveis, e agravos à saúde.
Resolução CNS nº 588, de 12 de julho de 2018, art. 6º, XII.
Na prova
A diferença é de data e de finalidade do documento: 1990 escreve a competência do SUS em texto de lei; 2018 escreve a política de vigilância e já incorpora as crônicas, que em 1990 não eram o problema principal. O vocabulário denuncia o recorte. Enunciado que peça a definição legal, cite a Lei Orgânica da Saúde ou fale em campo de atuação do SUS quer a redação do art. 6º, § 2º, com o par conhecimento, detecção ou prevenção. Enunciado que fale em Política Nacional de Vigilância em Saúde, em territórios ou em vigilância das doenças crônicas quer a redação da resolução, que nomeia as doenças transmissíveis e não transmissíveis. Alternativa que restrinja a vigilância epidemiológica às doenças transmissíveis está errada nas duas leituras.
Caso resolvido
- isto é surto?
- É. Duas ou mais pessoas com sinais e sintomas semelhantes após ingerirem alimento da mesma origem já configuram surto de doença de transmissão hídrica e alimentar — aqui são 48, com vínculo evidente de tempo, lugar e refeição. Não é preciso agente etiológico nem exame para afirmar isso.
- o que sai da unidade, e em quanto tempo
- Dois atos, com relógios diferentes. Se o surto atender aos critérios de evento de saúde pública — potencial de disseminação, magnitude, gravidade, severidade, transcendência, vulnerabilidade —, o nível local comunica em até 24 horas à Secretaria Estadual de Saúde, que aciona o Ministério; na Lista Nacional, evento de saúde pública que se constitua ameaça à saúde pública é de notificação imediata às três esferas. E, em qualquer caso, o surto é notificado na Ficha de Investigação de Surto do Sinan em até sete dias, com os casos suspeitos registrados em paralelo na ficha individual quando a doença tiver uma.
- a definição de caso
- Sensível agora: aluno da escola que almoçou na terça-feira e apresentou diarreia, náusea ou vômito nas 48 horas seguintes. Ela tem os três componentes obrigatórios — critério clínico, janela de tempo ancorada no início dos sintomas do primeiro caso, e recorte de lugar. Só na fase seguinte, com hipótese mais clara, a equipe passa a uma definição específica para separar confirmados de descartados.
- o que a curva diz antes do laboratório
- Aclive rápido, pico único por volta de 8 horas e ausência de casos novos depois de 24 horas desenham uma fonte comum pontual: exposição única, já encerrada. Da curva saem o período de incubação mínimo, 4 horas, e o máximo, 12 — com a maior parte dos casos em torno das 8 —, e esses números estreitam a lista de agentes possíveis antes de qualquer resultado. A ausência de casos novos depois de 24 horas sustenta a inferência de que a fonte não está mais em circulação, o que muda a urgência das medidas mas não as dispensa.
- a conta que aponta o alimento
- Taxa de ataque entre quem comeu a maionese: 44 em 150, ou 29,3%. Entre quem não comeu: 4 em 60, ou 6,7%. O risco relativo é a razão entre as duas, 4,4 — a ocorrência entre os expostos foi mais de quatro vezes a dos não expostos. O risco atribuível é a diferença, cerca de 22,7 pontos percentuais. A taxa de ataque global do almoço foi de 48 em 210, ou 22,9%. É essa lista, ordenada por risco relativo, que a vigilância epidemiológica entrega à vigilância sanitária para dirigir a coleta — e não o palpite sobre qual prato costuma estragar.
- quantas amostras coletar
- São 48 doentes, portanto mais de 30: a regra manda no mínimo seis doentes ou 15% a 20% dos doentes. Quinze por cento de 48 são 7,2 e vinte por cento são 9,6 — a faixa percentual pede de oito a dez amostras clínicas, acima do piso de seis. Coletar antes do antibiótico, preferencialmente entre os doentes já entrevistados, e recolher as sobras do alimento e as amostras de controle de qualidade guardadas na cozinha.
- o que fazer sem esperar o resultado
- Retirar de circulação o alimento suspeito e as sobras, avaliar e afastar manipuladores sintomáticos, orientar a escola e as famílias, reforçar a reidratação oral dos casos e manter a busca ativa de novos casos. Medida de controle sai da hipótese preliminar; esperar a confirmação etiológica para agir é o erro que a vinheta convida a cometer.
- como isso se encerra
- O agente etiológico do surto só poderá ser declarado se o mesmo agente for identificado em amostras clínicas de pelo menos dois casos associados epidemiologicamente, ou na fonte suspeita. Se o quadro permanecer inespecífico e nada for isolado, o surto é encerrado como inconclusivo — que é desfecho previsto, e não falha de preenchimento.
Agora feche você
- como a norma chama isto
- Surto. O Guia de Vigilância em Saúde define surto em ambiente hospitalar pela ocorrência de um único caso confirmado de varicela — o mesmo critério que usa para a caxumba. Onde a transmissão não deveria acontecer, um caso já é excesso sobre o esperado, e a definição geral de surto continua valendo: aumento acima do que se esperaria para aquele lugar.
- o que a equipe faz agora
- …
Onde a banca derruba
- 1Esperar o resultado do exame para notificar O art. 7º da Lei nº 6.259/1975 e o art. 3º, § 1º, do Anexo V dizem a mesma coisa em palavras diferentes: notifica-se o caso suspeito ou confirmado. A suspeita é o gatilho, e o prazo corre do conhecimento da ocorrência — não da confirmação laboratorial. Alternativa que condiciona a notificação ao laudo está errada por definição, mesmo quando a doença tem teste rápido disponível.
- 2Confundir gravidade do doente com prazo de notificação O relógio é dado pela linha da lista, não pelo estado do paciente. Um caso grave de doença de notificação semanal continua semanal; um caso leve de doença de notificação imediata continua imediato. O que costuma puxar um item para as 24 horas é o desfecho registrado na própria lista — óbito, gestante, anomalia congênita — ou o cenário fora do esperado, como transmissão em área que não tinha.
- 3Achar que só o médico notifica A obrigação alcança médicos e outros profissionais de saúde no exercício da profissão e os responsáveis por estabelecimentos de saúde e de ensino. E a comunicação também é exigida de estabelecimentos educacionais e de cuidado coletivo, serviços de hemoterapia, unidades laboratoriais e instituições de pesquisa — além de poder ser feita por qualquer cidadão que tenha conhecimento do caso.
- 4Tratar a notificação como quebra de sigilo É o inverso: a notificação é ato sigiloso por força do art. 10 da Lei nº 6.259/1975, na redação da Lei nº 14.289/2022, e o dever de sigilo se estende a quem notificou, à autoridade que recebeu e a todos que lidam com os dados. Identificar o paciente fora do âmbito médico-sanitário só é admitido em caráter excepcional, em caso de grande risco à comunidade, a juízo da autoridade sanitária e com conhecimento prévio do paciente ou responsável.
- 5Esquecer o segundo relógio, o da autoridade que recebe A questão costuma dar as 24 horas do serviço assistencial e perguntar o que acontece depois. O parágrafo único do art. 4º do Anexo V responde: a autoridade de saúde que recebeu a notificação imediata tem outras 24 horas, contadas do recebimento, para informá-la às demais esferas de gestão do SUS. Quem cumpre esse segundo prazo é o gestor, não o médico assistente.
- 6Chamar de surto todo agrupamento de casos Agregado de casos sem vínculo epidemiológico não é surto: o manual do Ministério manda investigá-lo para descartar a condição de surto e não notificá-lo como surto no Sinan. O vínculo — mesma fonte, mesmo período, mesma área, contato entre si — é o que transforma coincidência em evento.
- 7Montar a curva epidêmica pela data errada O eixo do tempo é a data de início dos sintomas. Data de atendimento e data de notificação embutem o atraso do serviço e da papelada, deformam a curva e impedem estimar o período de incubação — que é justamente o que a curva entrega antes do laboratório.
- 8Ler a curva do ano corrente como se ela dissesse o esperado Pico não é sinônimo de excesso. Só a comparação com a mesma semana de uma série histórica, idealmente de dez anos, separa alteração de padrão de variação sazonal — e o instrumento dessa comparação é o diagrama de controle, com seu limite superior. O manual do Ministério ilustra exatamente esse erro: picos aparentes que, no diagrama, ficam abaixo do limite.
- 9Entrevistar só quem adoeceu Sem o grupo dos expostos que não adoeceram não existe taxa de ataque nos não expostos, e sem ela não existe risco relativo. A comparação é o instrumento; a lista de doentes, sozinha, descreve mas não testa hipótese.
- 10Adiar a medida de controle até fechar o diagnóstico As medidas de prevenção e controle são implementadas a partir das hipóteses preliminares, e o art. 12 da Lei nº 6.259/1975 obriga a autoridade sanitária a adotá-las diante dos resultados parciais ou finais da investigação. O que a norma pede é prudência na atribuição de culpa a um alimento, não paralisia.
- 11Confundir vigilância sentinela com notificação compulsória Sentinela é um modelo de vigilância a partir de estabelecimento estratégico, com participação facultativa, definido em anexo próprio. Não dispensa nem substitui a notificação compulsória, que é obrigatória para todos os serviços, públicos e privados, sentinela ou não.
Casos concentrados em curto período, com pico único e dentro de um período de incubação, após exposição única a uma mesma fonte, caracterizam epidemia por fonte comum pontual (single point source). Fonte propagada mostra ondas sucessivas de casos por transmissão pessoa a pessoa. Endemia é a ocorrência habitual esperada de uma doença numa área. Pandemia é a disseminação em vários continentes. Fonte comum persistente teria curva com platô prolongado, pois a exposição continua ao longo do tempo.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Em uma UBS, o médico identifica aumento súbito de casos de diarreia aguda entre crianças de uma mesma creche na última semana. Suspeita-se de surto de origem alimentar ou hídrica. Além de tratar os casos, qual é a ação de saúde coletiva mais adequada?
Surto (agregação incomum de casos no tempo/espaço) deve ser notificado imediatamente à vigilância epidemiológica para investigação da fonte e medidas de controle, mesmo antes de confirmação laboratorial. Aguardar todos os exames retarda o controle e amplia a exposição. Orientação individual isolada não interrompe a fonte comum. Encaminhar todos ao hospital independentemente da gravidade é inadequado: a maioria das diarreias agudas é manejável com hidratação na APS.
Uma UBS de um município de 20 mil habitantes registra, em duas semanas, aumento súbito de atendimentos por diarreia aguda aquosa em moradores de um mesmo bairro que se abastece de poço comunitário. A equipe suspeita de surto de origem hídrica. Qual é o primeiro passo mais adequado da equipe de APS diante dessa situação?
Diante de agregação temporo-espacial de casos (suspeita de surto), a conduta imediata é a notificação à vigilância epidemiológica, que dispara a investigação (busca ativa, análise da água, medidas de controle da fonte). O manejo clínico dos casos é predominantemente hidratação; coprocultura universal e aguardar confirmação atrasam as medidas de controle coletivo. Antibiótico empírico universal Inadequado: a maioria das diarreias agudas é autolimitada e o tratamento é a reidratação, reservando-se antibiótico a situações específicas.
Um agente comunitário de saúde relata ao médico da UBS que, em uma microárea, três crianças menores de 5 anos apresentaram diarreia aquosa nas últimas 48 horas, e que a comunidade usa água de poço raso próximo a uma fossa. Uma das crianças evoluiu com desidratação. Considerando a vigilância em saúde na APS, qual é a ação mais apropriada da equipe frente a esse achado?
A ocorrência de casos agregados de diarreia em curto período, com fonte hídrica suspeita, caracteriza possível surto de doença de veiculação hídrica; a equipe deve notificar e acionar a investigação com a vigilância, além de orientar sobre água/saneamento — integrando clínica e saúde coletiva. Tratar só os casos e aguardar perde a oportunidade de interromper a fonte. Internação preventiva de todas é desproporcional. Antibiótico profilático em massa não tem indicação e favorece resistência.
A vigilância epidemiológica investiga um surto de doença diarreica aguda em um município. Ao construir a curva epidêmica com o número de casos segundo a data de início dos sintomas, observa-se elevação abrupta com um único pico bem definido, seguida de declínio gradual, com todos os casos concentrados em um intervalo compatível com um único período de incubação da doença e ausência de casos secundários após o pico. Esse padrão de curva epidêmica é MAIS compatível com:
Correta: Curva com ascensão abrupta, pico único e queda gradual, com todos os casos dentro de um mesmo período de incubação e sem casos secundários, indica que a população foi exposta a uma fonte comum em um único momento (ex.: um alimento ou lote de água contaminado consumido em uma ocasião). Na exposição contínua a curva mostra platô prolongado (casos que persistem enquanto durar a exposição), não um pico único estreito. No surto propagado há ondas sucessivas separadas por intervalos de um período de incubação (transmissão pessoa a pessoa), e não um pico isolado. Transmissão secundária sustentada geraria casos após o pico inicial, o que o enunciado exclui. O padrão descrito caracteriza claramente um surto (excesso agudo e agrupado), e não a simples variação do nível endêmico esperado.
Em um município de 60 mil habitantes, a equipe de uma unidade básica de saúde atende, no intervalo de 48 horas, sete pessoas com quadro de diarreia aquosa profusa, vômitos e desidratação. Todas são adultos, moradores de um mesmo bairro periférico com abastecimento de água irregular, e quatro delas participaram de um almoço comunitário no fim de semana anterior. Dois pacientes necessitaram de hidratação venosa; nenhum evoluiu a óbito. A enfermeira da unidade pergunta ao médico qual deve ser a conduta da equipe diante desse agrupamento de casos, antes mesmo de qualquer confirmação laboratorial. Considerando as normas brasileiras de vigilância epidemiológica, qual é a conduta correta?
Correta: pela Lista Nacional de Notificação Compulsória (Portaria de Consolidação nº 4/2017 e atualizações), "surto" é evento de notificação imediata (até 24h), e o surto de doença diarreica aguda deve ser notificado à vigilância epidemiológica assim que suspeitado — a notificação é baseada na SUSPEITA, nunca condicionada à confirmação laboratorial; a investigação (busca ativa, coleta de amostras clínicas e de água/alimentos) corre em paralelo. Errado: esperar o laboratório atrasa a interrupção da cadeia de transmissão; notifica-se o caso/surto suspeito. Errado: a MDDA é estratégia de monitorização complementar e não substitui a notificação de surto, que independe de óbito. Errado: não existe número mínimo fixo nem exigência de óbito: surto é a ocorrência de casos acima do esperado (ou dois ou mais casos com vínculo epidemiológico comum, no caso de origem alimentar/hídrica).
Um homem de 19 anos é atendido em uma UPA com febre alta, cefaleia intensa, rigidez de nuca e surgimento rápido de petéquias e sufusões hemorrágicas, evoluindo com choque e óbito em poucas horas. A hipótese diagnóstica é doença meningocócica (meningococcemia). A equipe, ainda no plantão, discute quais sistemas de informação devem obrigatoriamente registrar esse evento e em qual prazo. Assinale a conduta correta quanto à alimentação dos sistemas.
A doença meningocócica é de notificação compulsória imediata (até 24 horas ao serviço de vigilância), lançada no SINAN; independentemente disso, todo óbito deve ser registrado no SIM por meio da Declaração de Óbito. Os dois sistemas são complementares e ambos devem ser alimentados. Registrar apenas o óbito no SIM ignora a obrigatoriedade de notificação do agravo, que independe da evolução. Notificar apenas no SINAN erra ao afirmar que o óbito não entra no SIM — todo óbito gera DO. E o registro exclusivo no e-SUS APS é incorreto: trata-se de sistema da atenção primária, que não substitui os sistemas de vigilância (SINAN) nem de mortalidade (SIM).
Uma equipe de vigilância epidemiológica investiga um surto de doença diarreica aguda em um município. Ao construir a curva epidêmica a partir da data de início dos sintomas de cada caso, observa-se elevação abrupta do número de casos, com um pico único concentrado em um intervalo compatível com um único período de incubação da doença, seguido de queda progressiva e ausência de novos casos após esse período. Não há evidência de transmissão pessoa a pessoa subsequente. Com base nesse padrão, assinale a interpretação mais adequada.
Uma curva epidêmica com ascensão abrupta e pico único contido em um só período de incubação, seguida de declínio e sem casos secundários, caracteriza surto de FONTE COMUM PONTUAL (exposição simultânea a uma única fonte, ex.: um alimento numa refeição). A fonte propagada mostra picos sucessivos separados por um período de incubação, refletindo transmissão interpessoal. A fonte comum persistente gera platô prolongado, pois a exposição se mantém ao longo do tempo. O padrão descrito é claramente um surto, e não variação sazonal.
Sobre os obrigados à notificação e à comunicação de doenças, agravos e eventos de saúde pública, assinale a alternativa correta:
A alternativa correta reproduz o art. 3º, §§ 2º e 3º, do Anexo V. A segunda ignora o caput do mesmo artigo, que obriga médicos, outros profissionais de saúde e responsáveis pelos serviços. A terceira contraria tanto o § 2º quanto o art. 22, III, do Decreto nº 78.231/1976, que torna o dirigente do estabelecimento que executa exames complementares solidariamente responsável com os médicos que recebem os resultados. A quarta erra a data por quatro décadas: o art. 8º da Lei nº 6.259/1975 já obrigava os responsáveis por estabelecimentos públicos e particulares de saúde e de ensino, e o art. 22, IV, do decreto de 1976 detalha o dever do dirigente escolar. A quinta inverte o regime do sigilo: a notificação não quebra sigilo, ela é sigilosa — o art. 10 da Lei nº 6.259/1975, na redação da Lei nº 14.289/2022, estende o dever a quem notificou, a quem recebeu e a todos que lidam com os dados.
De acordo com o Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4, de 28 de setembro de 2017, a autoridade de saúde que recebe uma notificação compulsória imediata deve:
O parágrafo único do art. 4º do Anexo V é explícito: a autoridade de saúde que receber a notificação compulsória imediata deverá informá-la, em até 24 horas desse recebimento, às demais esferas de gestão do SUS. É o segundo relógio da cadeia — o primeiro é o do serviço que prestou o atendimento, com outras 24 horas. A primeira alternativa contraria o art. 12 da Lei nº 6.259/1975, que obriga a agir a partir de resultados parciais, e não só finais. A segunda troca o prazo da notificação semanal pelo da imediata. A terceira cria uma dispensa que a norma não prevê: o texto fala em demais esferas, no plural, e vários itens da Lista Nacional trazem marcação simultânea para Ministério, Secretaria Estadual e Secretaria Municipal. A quinta repete o erro de condicionar a vigilância ao laboratório: a notificação nasce da suspeita e o fluxo entre esferas não espera confirmação.
Numa investigação de surto, a curva epidêmica construída pela data de início dos sintomas mostra vários picos sucessivos, separados por intervalos aproximadamente iguais ao período de incubação da doença suspeita. A interpretação correta é:
O manual do Ministério descreve exatamente essa figura: curva irregular, com vários picos e intervalos correspondentes ao período de incubação da doença, indicando exposição a fonte propagada, em que a transmissão geralmente ocorre pessoa a pessoa. A primeira alternativa descreve a outra forma clássica — aclive rápido, pico único e declive gradual, com os casos concentrados dentro da variabilidade do período de incubação a partir de uma exposição única. A segunda descreve a fonte comum contínua, cuja marca é o platô, e não a sucessão de picos. A quarta seria plausível se a curva tivesse sido montada pela data de notificação, mas o enunciado informa que o eixo é a data de início dos sintomas, justamente para eliminar o atraso do serviço. A quinta troca o instrumento: sazonalidade se avalia comparando o período com a mesma semana de uma série histórica, no diagrama de controle, e não pela forma interna da curva de um único surto.
Na investigação de um surto, sobre a definição de caso, é correto afirmar que ela:
O manual do Ministério é explícito: na fase inicial o objetivo é detectar o maior número possível de casos, o que exige definição sensível; na fase seguinte, o objetivo é concentrar-se nos casos com maior probabilidade de associação ao surto, o que exige definição mais específica. A primeira alternativa inverte a ordem e perde os casos subclínicos e os que não preenchem uma das características. A segunda contraria os três componentes obrigatórios da definição de caso — critério clínico e preferencialmente laboratorial, período definido de associação ao surto e especificação de lugar. A terceira e a quarta condicionam a investigação ao laboratório: além de contrariar a lógica da vigilância, inviabilizariam a busca ativa, que precisa de um critério aplicável na porta da casa e antes de qualquer coleta.
Num surto após um almoço escolar, 210 alunos participaram da refeição e 48 adoeceram. Do prato suspeito, 150 alunos comeram e, destes, 44 adoeceram; dos 60 que não comeram, adoeceram 4. A taxa de ataque entre os expostos ao prato suspeito e o risco relativo são, respectivamente, de aproximadamente:
A taxa de ataque nos expostos é o número de doentes que consumiram o alimento dividido pelo número de comensais que o consumiram: 44 dividido por 150, ou 29,3%. A taxa de ataque nos não expostos é 4 dividido por 60, ou 6,7%. O risco relativo é a razão entre as duas, 29,3 dividido por 6,7, aproximadamente 4,4 — e valor maior que 1 sugere associação positiva. A segunda alternativa usa a taxa de ataque global da refeição (48 em 210, ou 22,9%), que descreve o surto mas não testa alimento nenhum. A terceira inverte a razão e calcula a taxa dos não expostos sobre a dos expostos, obtendo 0,23; inverter o risco relativo transforma associação positiva em aparente proteção. A quarta comete dois erros de uma vez: usa o total de participantes como denominador (44 em 210, ou 20,9%) e divide o número absoluto de doentes de um grupo pelo do outro (44 dividido por 4, igual a 11), o que só coincidiria com o risco relativo se os dois grupos tivessem o mesmo tamanho. A quinta apresenta a taxa dos não expostos no lugar da dos expostos.
Segundo os documentos técnicos do Ministério da Saúde, assinale a situação em que a ocorrência de um único caso já configura surto:
O manual de treinamento da vigilância epidemiológica das doenças de transmissão hídrica e alimentar diz que surto é o evento em que duas ou mais pessoas apresentam sinais e sintomas semelhantes após ingerirem alimentos e/ou água da mesma origem, exceto para botulismo e cólera, em que a suspeição de apenas um caso já configura surto. A mesma lógica de esperado igual a zero aparece no Guia de Vigilância em Saúde para caxumba e para varicela em ambiente hospitalar, onde um único caso confirmado define surto. A primeira e a quinta alternativas descrevem agregados sem vínculo epidemiológico, que o manual manda investigar para descartar a condição de surto, mas não notificar como surto no Sinan. A terceira descreve exatamente o oposto da regra geral: onde a doença é endêmica, o esperado é alto, e um caso não é excesso. A quarta descreve situação que exige busca ativa de contatos e vigilância intensificada em população privada de liberdade, onde a tuberculose é endêmica — e é justamente por ser endêmica que um caso não configura excesso sobre o esperado; a régua do caso único está escrita para botulismo e cólera e, em ambiente hospitalar, para caxumba e varicela.
Notificação compulsória negativa é definida, no Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, como:
A definição está no art. 2º, IX, do Anexo V, e a função da negativa é distinguir duas situações que, sem ela, se confundem no banco de dados: a unidade que não teve caso e a unidade que não notificou. A segunda alternativa descreve resultado de exame, que entra no encerramento do caso e não na notificação negativa. A terceira descreve o caso descartado, etapa de encerramento individual. A quarta é juridicamente impossível: a notificação compulsória é obrigação legal do profissional e do serviço, não depende de consentimento, e é ato sigiloso por força do art. 10 da Lei nº 6.259/1975. A quinta confunde dois institutos: vigilância sentinela é modelo de adesão facultativa, definido no art. 2º, X, e nada tem a ver com a comunicação semanal de ausência de casos.
Homem de 32 anos é atendido numa unidade básica de saúde com febre há três dias, exantema maculopapular de progressão craniocaudal, conjuntivite e tosse. O médico levanta a hipótese de sarampo, colhe sorologia e é informado pelo laboratório de que o resultado sairá em cinco dias. Quanto à notificação, a conduta correta é:
A notificação compulsória alcança o caso suspeito ou confirmado (Lei nº 6.259/1975, art. 7º; Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, art. 3º, § 1º), e as doenças exantemáticas sarampo e rubéola estão na Lista Nacional como notificação imediata às três esferas de gestão. A alternativa correta reúne as duas obrigações que a norma impõe juntas: comunicar pelo meio mais rápido em até 24 horas (art. 4º) e registrar em sistema de informação em saúde (art. 6º) — telefonar não dispensa registrar, e registrar não cumpre o prazo. A primeira erra o gatilho: condicionar a notificação ao exame contraria o texto expresso da lei. A terceira erra o relógio: aplica o prazo de sete dias, que vale para os itens de notificação semanal, a um item de notificação imediata. A quarta confunde deveres de peso diferente: o art. 8º da Lei nº 6.259/1975 torna a comunicação um dever de todo cidadão, mas isso não transfere nem substitui a obrigação do médico no exercício da profissão. A quinta inverte a lógica da vigilância: é a notificação do caso que permite detectar o surto, e não o surto que autoriza a notificação.
A Política Nacional de Vigilância em Saúde, instituída pela Resolução CNS nº 588/2018, declara quais saberes a vigilância em saúde articula e como se dá a sua gestão. Sobre esse desenho, é correto afirmar que:
O art. 3º da resolução declara que a vigilância em saúde articula quatro saberes: vigilância epidemiológica, vigilância em saúde ambiental, vigilância em saúde do trabalhador e vigilância sanitária. O parágrafo único acrescenta que a análise de situação de saúde e as ações laboratoriais não constituem uma quinta vigilância — são atividades transversais e essenciais ao processo de trabalho de todas as quatro. Contar cinco promove a análise de situação a categoria que a norma não lhe dá; contar três retira a vigilância ambiental, que está nomeada no dispositivo. O art. 2º fecha as outras duas afirmações: a política é função essencial do Sistema Único de Saúde, de caráter universal e transversal, e a sua gestão é de responsabilidade exclusiva do poder público, o que impede a delegação a ente privado; e ela incide sobre todos os níveis e formas de atenção, abrangendo serviços públicos e privados.
Avaliado com o instrumento de decisão do Anexo 2 do Regulamento Sanitário Internacional, um evento ocorrido em território brasileiro preenche os critérios de notificação à Organização Mundial da Saúde. Segundo o Regulamento de 2005, promulgado pelo Decreto nº 10.212/2020, essa notificação é feita:
O Artigo 6 do Regulamento determina que cada Estado Parte avalie os eventos ocorridos em seu território com o instrumento de decisão do Anexo 2 e notifique a Organização Mundial da Saúde, pelos meios mais eficientes disponíveis, por meio do Ponto Focal Nacional, dentro de 24 horas a contar da avaliação de informações de saúde pública. Quem fala com o organismo internacional é o Ponto Focal Nacional — nem o médico assistente, nem a secretaria municipal, nem a estadual —, e o relógio corre da avaliação, não da confirmação laboratorial. Atribuir a notificação internacional ao profissional que prestou o primeiro atendimento transporta para o Regulamento a regra interna do Anexo V, que é outra obrigação. O prazo de sete dias pertence à notificação semanal do fluxo nacional. Condicionar o envio à identificação do agente inverte a lógica da vigilância, que age sobre a suspeita. E o prazo de 30 dias não existe em nenhum dos dois fluxos.
Paciente residente no município A é atendido em unidade de saúde do município B, onde se levanta a suspeita de doença cuja periodicidade, na Lista Nacional de Notificação Compulsória, é semanal. Segundo o Anexo V da Portaria de Consolidação GM/MS nº 4/2017, a notificação deve ser feita:
O art. 5º do Anexo V é expresso quanto ao destinatário: a notificação compulsória semanal é feita à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento do paciente — do atendimento, não da residência —, e o parágrafo único resolve o caso do Distrito Federal, em que ela é feita à Secretaria de Saúde do próprio Distrito. O prazo é de até sete dias a partir do conhecimento da ocorrência, conforme a definição do art. 2º. Deslocar o destinatário para o município de residência confunde o fluxo da notificação com o recorte por residência que os indicadores usam. O prazo de 24 horas às três esferas pertence aos itens de notificação imediata, e a periodicidade se lê no item da lista, não na gravidade do doente. Enviar diretamente ao estado ignora o destinatário escrito na norma. E não existe fechamento mensal de 30 dias para essa obrigação — o art. 6º ainda acrescenta que, qualquer que seja a forma, a notificação também é registrada em sistema de informação em saúde.
Qual afirmação sobre a notificação das hepatites virais no Brasil está correta?
As hepatites virais integram a lista nacional de notificação compulsória em todas as suas formas, agudas e crônicas, e a notificação é responsabilidade de todo profissional de saúde que faz o diagnóstico, servindo tanto à vigilância epidemiológica quanto ao acesso a tratamento. Restringir a obrigação a surtos, a internações ou a um único vírus é a leitura fragmentada que a questão testa — e, na prática, é o que produz subnotificação e distorce a política pública de rastreio e tratamento.
Sobre a notificação da hantavirose, qual a conduta correta?
A hantavirose é de notificação compulsória imediata a partir da suspeita, e a comunicação rápida permite investigar a área provável de infecção, identificar outros expostos ao mesmo ambiente e orientar medidas de controle de roedores — ações que só fazem sentido se forem feitas em dias, não em semanas. Aguardar a sorologia inviabiliza a resposta oportuna, e restringir a notificação aos óbitos inverte a lógica da vigilância. A investigação frequentemente revela outros trabalhadores expostos à mesma limpeza de galpão ou paiol, que precisam ser orientados.
Ambas as doenças, hantavirose e febre maculosa, compartilham qual característica de vigilância epidemiológica?
As duas são doenças graves, de alta letalidade e com medidas de controle dependentes de resposta rápida, e por isso figuram entre as de notificação compulsória imediata a partir da suspeita — a comunicação em até 24 horas dispara a investigação da área provável de infecção, a busca ativa de outros expostos e as ações sobre reservatórios e vetores. Condicionar a notificação à confirmação laboratorial anula esse ganho de tempo, já que as sorologias demoram e frequentemente exigem amostras pareadas.
Qual das doenças abaixo NÃO exige notificação compulsória imediata em 24 horas no Brasil?
A hanseníase é doença de notificação compulsória, mas de periodicidade semanal, porque sua transmissão é lenta e não exige resposta em horas. Botulismo, raiva humana, cólera e difteria exigem comunicação em 24 horas, cada uma por uma razão de resposta rápida: fonte alimentar a bloquear, profilaxia pós-exposição a instituir, controle de água e saneamento, bloqueio vacinal e quimioprofilaxia de contatos. O erro típico é confundir gravidade da doença individual com urgência da resposta coletiva.
Município da região Sudeste registra, na semana epidemiológica 12, 340 casos notificados de dengue, contra uma média histórica de 60 casos para a mesma semana nos últimos 5 anos. Qual instrumento é usado para essa comparação e qual a conclusão?
O diagrama de controle constrói o canal endêmico com dados históricos e permite dizer se a incidência atual está acima do esperado; ultrapassar o limite superior caracteriza epidemia. A curva de Kaplan-Meier engana quem procura qualquer gráfico epidemiológico, mas ela analisa tempo até evento, não excesso de casos. O indicador de Swaroop-Uemura mede proporção de óbitos em maiores de 50 anos e serve para descrever nível de saúde, não para detectar epidemia.
Sobre a diferença entre vigilância passiva e ativa, assinale a alternativa correta.
Vigilância passiva depende da notificação espontânea e por isso subestima a ocorrência real; a ativa vai atrás do caso em prontuários, laboratórios, funerárias e comunidade, sendo mais sensível e mais cara, e é a que se aciona em surtos e em doenças em eliminação. Achar a passiva mais sensível engana quem confunde abrangência do sistema com esforço de busca — cobrir todos os serviços não adianta se ninguém preenche a ficha.
Qual das situações abaixo exige notificação IMEDIATA, em até 24 horas, às autoridades de saúde?
Sarampo integra a lista de notificação imediata em 24 horas, justamente pelo altíssimo poder de transmissão e pelo compromisso de eliminação nas Américas, que exige bloqueio vacinal em torno do caso quase no mesmo dia. Tuberculose e hanseníase são de notificação compulsória, mas semanal, o que engana quem lembra que são notificáveis mas não distingue o prazo. Hipertensão e diabetes não são doenças de notificação compulsória.
Numa investigação de surto, o serviço define os critérios de caso suspeito, provável e confirmado antes de sair a campo. Qual a principal justificativa dessa etapa?
A definição de caso é o alicerce metodológico da investigação: sem critérios explícitos e estáveis, a contagem varia conforme quem coleta, e a curva epidêmica e as medidas de associação perdem validade. Vê-la como forma de reduzir notificações engana quem confunde rigor com restrição — a definição inicial costuma ser deliberadamente sensível, para não perder casos, e vai sendo refinada com o avanço da investigação.
Sobre a notificação de eventos de saúde pública de importância internacional, previstos no Regulamento Sanitário Internacional, qual situação exige comunicação à Organização Mundial da Saúde?
Poliomielite por poliovírus selvagem está entre os eventos de comunicação obrigatória à OMS independentemente de qualquer avaliação de risco adicional, ao lado de varíola, influenza humana por novo subtipo e SARS. Tuberculose multirresistente engana quem associa gravidade e resistência a alarme internacional, mas ela segue as regras nacionais de notificação. Escabiose e hepatite A geram medidas locais importantes, sem alcance do regulamento internacional.
Numa investigação de surto de doença transmitida por alimentos, o serviço monta a curva epidêmica e observa um pico único e estreito, com todos os casos concentrados em um intervalo compatível com o período de incubação da doença. Qual a interpretação?
Pico único e estreito, com todos os casos dentro de um período de incubação, é a assinatura da fonte comum pontual: todos foram expostos praticamente ao mesmo tempo, como numa refeição compartilhada. O surto propagado engana quem não olha a largura da curva — ele mostra ondas sucessivas separadas por um período de incubação, com curva alargada e multimodal. Fonte comum persistente produz platô prolongado.
Sobre a responsabilidade pela notificação compulsória, assinale a alternativa correta segundo a legislação brasileira.
A obrigação alcança todo profissional de saúde no exercício e os responsáveis por estabelecimentos públicos e privados, e a omissão pode ser responsabilizada nas esferas administrativa, civil e penal. Restringir ao médico engana quem associa notificação a diagnóstico — enfermeiros, biólogos de laboratório e responsáveis técnicos também notificam. Exigir consentimento inverteria a lógica: a notificação é dever legal que se sobrepõe ao sigilo, com dados protegidos pelo próprio sistema.
Num surto de doença exantemática em escola, a equipe calcula a taxa de ataque. Foram 45 casos entre 300 alunos expostos. Qual o valor e o significado?
A taxa de ataque é a incidência acumulada num surto: casos divididos por expostos, aqui 45 em 300, ou 15%. Confundir com letalidade engana quem troca o denominador — letalidade tem os casos no denominador e os óbitos no numerador, medindo gravidade, não risco de adoecer. Comparar taxas de ataque entre expostos e não expostos a cada alimento ou atividade é justamente o que aponta a fonte.
Um serviço identifica, no mesmo bairro, 12 casos de diarreia aguda com vômitos em 48 horas, todos com história de consumo de água de uma mesma fonte. Qual a definição epidemiológica que se aplica e a primeira medida?
Surto é o aumento de casos acima do esperado em área geográfica restrita e em curto intervalo — dois casos ligados à mesma fonte já bastam em algumas doenças —, e a primeira medida é notificar imediatamente e investigar, incluindo coleta de amostras clínicas e ambientais. Chamar de endemia engana quem só olha a doença comum, mas endemia é a ocorrência habitual e esperada, não o excesso agrupado no tempo e no espaço.
Investigando surto em uma escola, a equipe calculou taxas de ataque por alimento. O mais provavel veiculo do surto e aquele que apresenta:
A identificacao do veiculo combina tres leituras: taxa de ataque alta entre quem comeu, taxa baixa entre quem nao comeu (a diferenca e o que sustenta a associacao) e capacidade de explicar o volume de casos observado. Escolher so a maior taxa de ataque engana quando o alimento foi consumido por pouquissimas pessoas e deixa a maioria dos doentes sem explicacao — sinal de confundimento ou de alimento consumido junto com o verdadeiro veiculo. Numero absoluto de consumidores, sozinho, so reflete popularidade do prato.
A curva epidemica de um surto de diarreia mostra elevacao abrupta dos casos, pico unico e queda rapida, com todos os casos dentro de um intervalo compativel com um unico periodo de incubacao. Essa curva indica:
Exposicao unica e simultanea produz curva com ascensao rapida, pico unico e declinio rapido, contida em um periodo de incubacao — e permite estimar o momento da exposicao subtraindo a incubacao media do pico. A transmissao pessoa a pessoa engana por tambem gerar elevacao, mas desenha ondas sucessivas separadas por um periodo de incubacao, com plato irregular e cauda longa. Fonte persistente (agua contaminada continuamente) mantem plato prolongado enquanto a fonte nao e removida.
Sobre a notificacao compulsoria no Brasil, e correto afirmar que:
A notificacao e feita por SUSPEITA — a investigacao epidemiologica e que confirma ou descarta —, e essa e a logica que permite ao sistema agir a tempo. Restringir a notificacao ao medico engana porque outros atos sao privativos, mas a norma atribui o dever a todo profissional de saude e tambem a responsaveis por estabelecimentos de saude e de ensino. A omissao de notificacao configura infracao sanitaria e etica, e estados e municipios podem incluir agravos de interesse local alem da lista nacional.
Diante de um caso suspeito de hantavirose, qual é a conduta em relação à vigilância epidemiológica?
A hantavirose é de notificação compulsória imediata, e a suspeita já dispara a investigação do provável local de infecção, com identificação de outras pessoas expostas ao mesmo ambiente e orientação de manejo dos roedores. Esperar a confirmação sorológica é o erro que perde a janela de proteger quem se expôs junto — em atividades coletivas de limpeza ou trabalho rural é comum haver mais de um exposto, e a busca ativa pode salvar vidas pelo diagnóstico precoce.
Durante a investigação de um surto de febre tifoide, qual definição de caso suspeito é a mais adequada para a busca ativa?
A definição de caso suspeito em surto precisa ser sensível para capturar o maior número possível de doentes na busca ativa, e por isso se apoia em critérios clínico-epidemiológicos amplos — a confirmação laboratorial vem depois, na definição de caso confirmado. Exigir hemocultura positiva já na triagem é o erro que subestima a magnitude do surto, porque muitos pacientes já usaram antibiótico e a cultura negativa. Roséolas aparecem em uma minoria e não servem como filtro.
Uma equipe investiga surto e constrói curva epidêmica com pico único e estreito, com todos os casos surgindo dentro de um período de incubação. Qual é o padrão de transmissão mais provável?
Curva epidêmica com ascensão rápida, pico único e declínio, contida em um período de incubação, é a assinatura da fonte comum pontual — todos se expuseram praticamente ao mesmo tempo, como em uma refeição coletiva. A transmissão pessoa a pessoa produziria ondas sucessivas separadas por intervalos de geração, e a fonte comum persistente alongaria o platô. Ler a curva corretamente direciona a investigação para o evento único e o alimento ou a água servida nele.
Um servico privado de saude alega que, por nao integrar a rede SUS, nao esta obrigado a notificar casos de agravos compulsorios. Essa alegacao e:
A notificacao compulsoria alcanca todos os profissionais de saude e os responsaveis por estabelecimentos publicos e PRIVADOS de saude e de ensino, sem excecao por natureza juridica — a vigilancia perderia sentido se metade da rede pudesse se omitir. Diferenciar por prazo (imediato ou semanal) engana porque a periodicidade varia por agravo, mas a obrigatoriedade nao. Transferir o dever ao paciente inverte a logica: a notificacao e ato tecnico do servico, nao da pessoa doente.
Medico de unidade basica atende homem de 30 anos com tosse ha 4 semanas, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento; a baciloscopia de escarro resulta positiva. Quanto a notificacao:
Tuberculose integra a lista nacional de notificacao compulsoria com periodicidade semanal, e a responsabilidade e de todo profissional de saude que suspeita ou confirma o caso, nao apenas do laboratorio. Esperar a cultura engana quem quer 'ter certeza', mas a notificacao se faz na suspeita — atrasar significa nao iniciar o exame de contatos nem o acompanhamento do tratamento. Notificacao imediata em 24 horas fica reservada a agravos como colera, febre amarela, sarampo, raiva humana e eventos de saude publica.
Servico de saude recebe caso suspeito de sindrome respiratoria aguda grave por agente desconhecido, com dois profissionais de saude adoecidos apos contato. Quanto a vigilancia:
Agravo inusitado, com agente desconhecido e transmissao a profissionais de saude, e evento de saude publica que exige notificacao imediata as tres esferas e investigacao urgente — a definicao de evento notificavel abrange justamente situacoes nao previstas na lista, mas com potencial de risco. Esperar confirmacao laboratorial engana quem quer precisao diagnostica, mas a resposta rapida e o que evita a disseminacao.
Sao agravos de notificacao IMEDIATA (em ate 24 horas) no Brasil:
A notificacao imediata se reserva a agravos com potencial epidemico ou que exigem resposta rapida — sarampo, febre amarela, colera, raiva, violencia sexual e obitos por agravos como a dengue estao entre eles. Tuberculose, hanseniase, hepatites e sifilis enganam por serem doencas notificaveis muito lembradas, mas de periodicidade SEMANAL. Doencas cronicas nao transmissiveis nao integram a lista de notificacao compulsoria.
Municipio detecta aumento de casos de meningite viral acima do esperado para o periodo. A resposta correta da vigilancia inclui:
Elevacao acima do esperado exige investigacao ativa, confirmacao diagnostica, busca de fonte comum e comunicacao as demais esferas, sem prejuizo das notificacoes individuais que sustentam a analise. Substituir a notificacao individual por contagem agregada engana quem quer agilidade, mas destroi a informacao sobre pessoa, tempo e lugar, exatamente a base para identificar a fonte. Encerrar casos sem investigacao invalida a analise.
Sobre a notificacao de intoxicacao exogena, e correto afirmar:
A notificacao de intoxicacao exogena abrange medicamentos, produtos quimicos, agrotoxicos, drogas e outras substancias, com fichas especificas, e acidentes por animais peconhentos tem notificacao propria — o conjunto sustenta a vigilancia toxicologica e a regulacao de produtos. Restringir a obitos ou a tentativas de suicidio engana e apagaria a maior parte dos casos, que sao acidentais, ocupacionais ou por erro de medicacao.
Sobre a definicao de caso em vigilancia epidemiologica, e correto afirmar:
Definicoes de caso sao criterios padronizados que permitem comparar dados entre servicos, regioes e periodos, e podem ser ajustadas conforme a fase da epidemia — mais sensiveis no inicio, mais especificas depois. Confundir com o diagnostico clinico individual engana porque um paciente pode ser 'caso' para a vigilancia sem diagnostico fechado, e vice-versa: sao finalidades distintas, uma populacional e outra assistencial.
Sobre o sigilo dos dados contidos nas fichas de notificacao, e correto afirmar:
As fichas contem dados pessoais sensiveis, protegidos por sigilo e pela legislacao de protecao de dados: circulam dentro do sistema de vigilancia e sao divulgados apenas de forma agregada e anonimizada. Divulgar identificacao em situacao de surto engana porque a pressao por informacao e grande, mas a exposicao produz estigma, discriminacao e afastamento dos servicos — efeito contrario ao objetivo da vigilancia.
Sobre a notificacao negativa em vigilancia epidemiologica, e correto afirmar:
A notificacao negativa informa que nao houve casos no periodo, mantendo a unidade ativa no sistema — sem ela, nao se distingue ausencia de casos de ausencia de vigilancia, o que compromete a sensibilidade do sistema. Confundir com caso descartado engana porque o descarte se refere a um caso ja notificado e investigado, ao passo que a notificacao negativa se refere ao periodo sem nenhuma suspeita registrada.
Sobre a busca ativa de casos como estrategia de vigilancia, e correto afirmar:
A busca ativa complementa a vigilancia passiva ao procurar casos que nao foram notificados, revisando prontuarios, registros de laboratorio e de farmacia e visitando servicos — e, ao encontra-los, ELEVA os indicadores registrados sem que a ocorrencia real tenha mudado. Achar que ela nao altera indicadores engana e leva a interpretar erroneamente aumentos que sao, na verdade, melhora da captacao.
Sobre a subnotificacao de agravos, sua principal consequencia para a saude publica e:
A subnotificacao esconde a real magnitude do problema, atrasa a deteccao de surtos e leva a distribuicao inadequada de recursos, alem de mascarar desigualdades regionais. Achar que dados de notificacao sao meramente administrativos engana e explica boa parte do descaso no preenchimento — sao esses dados que definem prioridades, campanhas e financiamento. A subnotificacao reduz o numero REGISTRADO, nunca o numero real de casos.
Sobre o fluxo da notificacao apos o registro pelo profissional, e correto afirmar:
Notificar e o inicio: a vigilancia investiga, classifica o caso segundo criterio clinico, laboratorial ou epidemiologico, encerra-o no sistema e consolida a informacao nas esferas estadual e federal. Deixar casos sem encerramento e problema real de qualidade do dado e distorce indicadores. A investigacao de campo e atribuicao da vigilancia, e nao do profissional assistente, cujo dever se cumpre com a notificacao oportuna e completa.
Sobre quem tem o dever de notificar agravos de notificacao compulsoria no Brasil, e correto afirmar:
O dever de notificar e amplo: profissionais de saude em geral e responsaveis por estabelecimentos de saude e de ensino, publicos e privados. Restringir aos medicos engana porque outros atos sao privativos, mas a notificacao foi desenhada como responsabilidade coletiva do sistema, justamente para ampliar a sensibilidade da vigilancia. Laboratorios tambem notificam resultados de interesse, sem substituir a notificacao clinica.
Após estabilização de criança intoxicada por organofosforado em zona rural, quais medidas de saúde pública são obrigatórias?
Intoxicação exógena é agravo de notificação compulsória independentemente da gravidade ou da intenção, e o atendimento se completa com a orientação sobre guarda do produto longe de moradia e alimentos, uso de equipamento de proteção e destino correto das embalagens. Restringir a notificação aos casos graves é a leitura errada mais comum e apaga justamente os casos leves que mapeiam o risco da comunidade. Comunicar apenas o comércio não cumpre a exigência epidemiológica, e limitar aos casos de tentativa de suicídio inverte a lógica da vigilância, que precisa medir também o acidente da criança que alcança o depósito.
Em relação à notificação compulsória das hepatites virais no Brasil, qual afirmação está correta?
As hepatites virais integram a lista nacional de notificação compulsória, e a comunicação alimenta a vigilância epidemiológica, permitindo identificar surtos, bloquear transmissão por vacinação de contatos e mapear áreas de risco. Restringir a notificação à hepatite B engana quem associa notificação apenas às infecções de transmissão sexual e parenteral, mas os surtos de transmissão fecal-oral são justamente os que exigem resposta rápida do serviço de saúde. Notificar apenas óbitos ou casos graves inviabiliza a vigilância.
Em uma Unidade Básica de Saúde, a equipe organiza o fluxo de notificação de agravos identificados no pré-natal. Foram diagnosticados no mês casos de sífilis em gestante, HIV em gestante, hepatite B e toxoplasmose gestacional. Um profissional afirma que apenas os casos confirmados por exame confirmatório em laboratório de referência devem ser notificados. A equipe consulta a lista nacional de notificação compulsória. Assinale a alternativa correta sobre a notificação desses agravos.
Sífilis em gestante, sífilis congênita, HIV em gestante e hepatites virais integram a lista nacional de notificação compulsória, e a notificação deve ser feita conforme os critérios da ficha específica, sem depender de confirmação em laboratório central. Condicionar a notificação a exame de referência atrasa a vigilância e subestima a magnitude dos agravos. A notificação é dever de todo profissional e serviço de saúde, público ou privado, incluindo a Atenção Primária. Restringir a obrigatoriedade ao HIV deixa de fora agravos com metas de eliminação da transmissão vertical.
Um serviço de vigilância epidemiológica identifica, em creche, curva epidêmica com casos concentrados em intervalo curto, todos surgindo em período compatível com uma única incubação, seguidos de queda rápida sem novos casos. Não há casos secundários entre contatos domiciliares. Qual é a interpretação mais provável dessa curva?
Casos agrupados em um único período de incubação, com ascensão e queda abruptas e sem casos secundários, caracterizam fonte comum pontual, como um alimento contaminado servido em uma única refeição. A transmissão pessoa a pessoa produziria ondas sucessivas e casos entre contatos domiciliares, que não ocorreram. Aumento endêmico sazonal seria gradual e recorrente ao longo de semanas ou meses. Pseudoepidemia por melhora de notificação não produziria concentração temporal tão estreita nem restrição a um único ambiente.
Uma equipe de Saúde da Família realiza busca ativa após confirmação de caso de poliomielite paralítica importado em município vizinho. Sobre a vigilância das paralisias flácidas agudas no Brasil, assinale a alternativa correta.
A vigilância das paralisias flácidas agudas define como caso a ser notificado e investigado qualquer déficit motor flácido de instalação súbita em menor de 15 anos, com investigação oportuna e coleta de fezes em prazo determinado, o que sustenta a certificação de eliminação da poliomielite. Restringir a notificação a casos confirmados inviabiliza a detecção precoce. Limitar a investigação aos não vacinados perde casos vacinais e de outras etiologias. Dispensar a coleta em vacinados desconhece a possibilidade de poliovírus derivado vacinal e de outros enterovírus.
Em uma semana, a Unidade Básica de Saúde registra 38 atendimentos por diarreia aguda entre moradores de uma mesma rua, contra média de 5 casos semanais no mesmo período dos anos anteriores. Predominam crianças, com fezes líquidas sem sangue e vômitos. Houve rompimento de adutora e interrupção do abastecimento de água há dez dias. Qual é a conduta prioritária da equipe?
Aumento súbito de casos acima do esperado em área delimitada configura surto e exige notificação imediata, investigação conjunta com a vigilância, coleta de amostras clínicas e ambientais e intervenção sobre a fonte provável, no caso a água de consumo. Antibiótico não é conduta de rotina em diarreia aquosa e não atua sobre a fonte. Encaminhar todos ao hospital sobrecarrega a rede sem responder à questão sanitária. Aguardar o fechamento do mês perde o momento de interromper a transmissão.
Uma Unidade Básica de Saúde recebe notificação de três casos de diarreia aguda com desidratação grave em crianças da mesma comunidade em 48 horas, com evacuações aquosas volumosas em água de arroz e vômitos. A comunidade utiliza água de poço sem tratamento. Qual é a conduta da equipe além da assistência aos casos?
O agrupamento de casos de diarreia aguda grave com características de fezes em água de arroz e fonte hídrica comum exige notificação imediata, investigação etiológica e intervenção sobre a água e a higiene, medidas que interrompem a transmissão. Aguardar novos casos retarda a resposta a um possível surto de cólera. A quimioprofilaxia comunitária indiscriminada não é recomendada e favorece resistência. A internação preventiva de assintomáticos é inviável e desnecessária.
Uma Unidade Básica de Saúde é designada como unidade sentinela para vigilância de síndrome gripal. A equipe pergunta qual é a finalidade desse arranjo e o que muda na rotina, já que não se trata de notificar todos os casos atendidos. O município mantém também a notificação de síndrome respiratória aguda grave em toda a rede. Qual é a finalidade correta da vigilância sentinela?
A vigilância sentinela coleta amostras de forma sistemática em unidades selecionadas para monitorar a circulação viral e a tendência temporal, orientando decisões de controle e composição vacinal, sem pretender captar todos os casos. Ela não substitui a notificação compulsória dos casos graves, que segue em toda a rede. Não tem por objetivo identificar cada caso para tratamento individual. Tampouco visa confirmar laboratorialmente todos os atendimentos, mas sim uma amostra representativa.
Criança de 3 anos, com quadro de tosse e coriza, tem indicação de coleta de swab nasofaríngeo para pesquisa de vírus respiratórios em unidade de urgência durante período de vigilância intensificada. A mãe questiona a finalidade do exame, já que o tratamento é sintomático. Qual é a explicação correta?
A vigilância sentinela de síndromes respiratórias fornece dados que orientam políticas públicas, a composição das vacinas e a detecção precoce de surtos e de novos agentes, mesmo quando o manejo individual permanece sintomático. Condicionar a alta ao exame é incorreto. O resultado não define indicação de antibiótico, que depende de avaliação clínica de infecção bacteriana. Reduzir a coleta a fins administrativos desconsidera sua função epidemiológica.
Criança de 11 anos, com quadro febril e exantema, é atendida em unidade de pronto atendimento e o médico decide notificar o caso. A mãe questiona se a notificação irá expor os dados da criança. Qual é a orientação ética e legal correta?
A notificação compulsória é obrigação legal do profissional e independe de autorização da família, sendo os dados protegidos por sigilo e utilizados apenas para vigilância em saúde. Condicionar a notificação ao consentimento inviabiliza o sistema de vigilância. Os dados identificados não são de divulgação pública. Dispensar a notificação por discordância familiar configura descumprimento de dever legal.
Uma equipe de Estratégia Saúde da Família atendeu, na mesma semana, três crianças com sintomas colinérgicos depois da aplicação de raticida clandestino, popularmente conhecido como chumbinho, em domicílios do território adscrito. Todas foram estabilizadas e encaminhadas, e a equipe entrou em contato com o centro de informação e assistência toxicológica. A enfermeira pergunta ao médico o que deve ser feito do ponto de vista da vigilância em saúde, além do atendimento clínico. Qual é a conduta correta em relação às intoxicações exógenas no Brasil?
A intoxicação exógena integra a lista nacional de notificação compulsória e deve ser notificada na suspeita, sem esperar confirmação, justamente para permitir a investigação do produto, a identificação da fonte de comercialização irregular e as ações de vigilância sanitária e ambiental no território. Restringir a notificação aos óbitos elimina a utilidade preventiva do sistema e subestima a magnitude do agravo. Condicionar a notificação ao exame toxicológico inviabiliza a resposta oportuna, pois muitos serviços não dispõem do exame. Tratar o evento como acidente doméstico isolado ignora o conglomerado de casos, que caracteriza um problema coletivo do território.
Equipe de Saúde da Família é comunicada de que uma criança de 3 anos do território apresentou, há dois dias, quadro de fraqueza súbita em membro inferior direito, com dificuldade para andar, sem febre alta no momento e sem trauma. A criança tem duas doses de vacina contra poliomielite registradas na caderneta, com esquema incompleto para a idade. Ao exame: paresia flácida assimétrica em membro inferior direito, reflexos abolidos nesse membro, sensibilidade preservada, sem sinais meníngeos. A conduta correta é:
Todo caso de paralisia flácida aguda em menor de 15 anos é de notificação imediata, independentemente da suspeita etiológica, com acionamento da vigilância e coleta de amostras de fezes dentro dos prazos preconizados, estratégia que sustenta a vigilância da poliomielite e a manutenção do status de eliminação. Aguardar trinta dias inviabiliza a coleta oportuna. Condicionar a notificação à confirmação laboratorial inverte o fluxo, pois a investigação decorre da notificação. Atribuir a trauma e encaminhar apenas à ortopedia perde um evento sentinela de vigilância de importância nacional.
Menino de 4 anos é levado à unidade de pronto atendimento por dificuldade súbita para caminhar, iniciada há 2 dias, com fraqueza assimétrica do membro inferior direito. Teve febre e diarreia na semana anterior. Ao exame apresenta temperatura axilar 37,2 °C, força grau 2 no membro inferior direito e grau 4 no esquerdo, arreflexia patelar e aquileu à direita, tônus diminuído, sensibilidade preservada e sem alteração esfincteriana. O cartão vacinal está incompleto para a idade. Além da investigação diagnóstica, a conduta obrigatória é:
Toda paralisia flácida aguda em menor de 15 anos é de notificação imediata e obriga a coleta oportuna de amostras de fezes, independentemente da hipótese diagnóstica, por integrar a vigilância da poliomielite e sustentar a certificação de eliminação no país. Esperar confirmação diagnóstica compromete a oportunidade da coleta, que tem janela definida em dias. Condicionar a notificação ao achado laboratorial de poliovírus selvagem inverte a lógica da vigilância, que parte da suspeita clínica. Encaminhar ao ortopedista ignora a arreflexia e a hipotonia, sinais de acometimento do neurônio motor inferior.
Uma mulher de 29 anos morre em hospital municipal por hemorragia pós-parto, após transferência tardia de outra unidade sem retaguarda obstétrica. A equipe da vigilância do município discute as providências necessárias. Não houve suspeita de violência ou causa externa, e o óbito ocorreu 12 horas após o parto. O município possui comitê de mortalidade materna constituído, mas com funcionamento irregular nos últimos anos, com poucas investigações concluídas. A conduta correta é:
Todo óbito materno é de notificação e investigação compulsórias, cabendo ao comitê de mortalidade materna analisar o caso, identificar fatores de evitabilidade e propor medidas de qualificação da rede, com finalidade educativa e não punitiva. Limitar-se ao registro da declaração desperdiça a oportunidade de prevenir novas mortes. Tratar o caso apenas como questão jurídica desloca o foco da melhoria assistencial. Considerar o óbito inevitável contraria a evidência de que a maioria das mortes maternas por hemorragia é evitável com organização adequada da rede.
Um médico recém-contratado assume atendimento em Unidade Básica de Saúde e atende, na mesma semana, um caso suspeito de sarampo, um caso confirmado de tuberculose pulmonar e uma pessoa com acidente por serpente peçonhenta. Ele pergunta à enfermeira quais desses casos precisam ser notificados e em que prazo, pois considera que apenas doenças confirmadas laboratorialmente entram no sistema de vigilância. A unidade dispõe de fichas de notificação e acesso ao sistema de informação. Qual é a orientação correta?
A notificação compulsória se baseia na suspeita clínica, e não na confirmação, com prazos distintos conforme o agravo, sendo imediata para eventos como sarampo e semanal para outros, incluindo agravos não transmissíveis como acidentes por animais peçonhentos e intoxicações. Condicionar à confirmação laboratorial atrasa a resposta e compromete o controle. Restringir a doenças transmissíveis contraria a lista nacional. A notificação é responsabilidade de todo profissional e serviço de saúde, público ou privado.
Uma equipe de saúde é acionada porque, em três dias, quinze crianças e adultos que frequentaram a mesma escola apresentaram vômitos e diarreia aguda, todos com início dos sintomas em intervalo curto. A merenda escolar é preparada no local e há relato de falha na refrigeração de alimentos no fim de semana. A equipe precisa organizar a resposta, considerando o risco de novos casos e a necessidade de identificar a fonte comum de exposição. Qual é a conduta inicial mais adequada?
A investigação de surto começa com notificação imediata, confirmação do diagnóstico, definição de caso, busca ativa, descrição por tempo, lugar e pessoa e investigação da fonte comum em conjunto com a vigilância sanitária, com medidas de controle instituídas em paralelo. Esperar resultados laboratoriais de todos os casos atrasa o controle. Fechar a escola sem investigação não identifica nem elimina a fonte. Antibiótico em massa não previne surto de origem alimentar e favorece resistência.
Uma unidade de saúde inicia atendimento de pessoa com suspeita de doença transmitida por via respiratória em período de emergência sanitária, com necessidade de definir medidas de isolamento e de acompanhamento de contatos. A equipe discute a diferença entre as medidas aplicadas a pessoas doentes e as aplicadas a pessoas saudáveis que foram expostas, pois há confusão entre os termos utilizados na comunicação com a população e com a gestão municipal. Qual é a definição correta?
O isolamento é a separação de pessoas doentes ou infectadas, com o objetivo de interromper a transmissão a partir do caso, enquanto a quarentena se aplica a pessoas expostas que ainda não desenvolveram a doença, restringindo sua circulação durante o período de incubação. Tratar os termos como sinônimos gera confusão na comunicação e na organização dos serviços. Restringir a quarentena a casos confirmados inverte o conceito. A distinção não se baseia no caráter voluntário ou judicial da medida.
Uma equipe de saúde é acionada após a identificação de caso suspeito de doença de notificação imediata com potencial de disseminação internacional em município de fronteira, com paciente sintomático que chegou de país com surto ativo. A equipe precisa decidir sobre isolamento, coleta de amostras, comunicação às autoridades e monitoramento dos contatos, considerando o marco de resposta a emergências em saúde pública e as competências de cada esfera de gestão. Qual é a conduta correta?
Diante de caso suspeito de evento com potencial de emergência em saúde pública, as medidas incluem notificação imediata às autoridades sanitárias nas três esferas, isolamento adequado do caso, coleta e envio de amostras conforme protocolo laboratorial, identificação e monitoramento de contatos e comunicação de risco organizada. Aguardar confirmação laboratorial retarda a resposta. Comunicar primeiro a imprensa, sem articulação com as autoridades, gera desinformação. Recusar atendimento e devolver o paciente viola direitos humanos e regulamentos sanitários internacionais.
Mulher de 47 anos é atendida no pronto-socorro com dispneia progressiva, tosse e febre há uma semana, após retornar de viagem a região com surto de doença respiratória de transmissão por aerossóis. Ao exame: temperatura 38,6 °C, PA 112x70 mmHg, FC 110 bpm, FR 28 ipm, saturação 91% em ar ambiente, ausculta com estertores difusos bilaterais. Radiografia com infiltrado intersticial bilateral. A unidade dispõe de quarto com precaução respiratória e de equipamentos de proteção individual adequados para a equipe assistencial. A conduta correta quanto às medidas de controle é:
Diante de suspeita de doença respiratória de transmissão por aerossóis com relevância epidemiológica, as medidas de precaução respiratória, a alocação em ambiente apropriado e a notificação imediata à vigilância devem ser instituídas com base na suspeita, sem aguardar confirmação laboratorial, protegendo pacientes e profissionais. Manter em enfermaria comum favorece a transmissão nosocomial. Notificar apenas após confirmação retarda a resposta em saúde pública. Dispensar proteção individual expõe a equipe a risco evitável.
Um serviço de vigilância epidemiológica estadual deseja monitorar a circulação de vírus respiratórios ao longo do ano, sem investigar individualmente todos os casos ocorridos no território estadual. Para isso, seleciona algumas unidades de saúde estrategicamente distribuídas entre municípios de portes diferentes, que coletam amostras de pacientes com síndrome gripal segundo protocolo padronizado e as enviam para laboratório de referência, permitindo acompanhar tendências semanais, identificar precocemente a introdução de novos vírus e orientar a campanha de vacinação e a organização dos serviços de urgência. Essa estratégia corresponde a:
A vigilância sentinela utiliza unidades selecionadas para monitorar tendências, identificar agentes circulantes e detectar precocemente eventos incomuns, com menor custo e maior viabilidade do que a investigação universal, sendo estratégia consagrada na vigilância de vírus respiratórios. A vigilância universal exige notificação e investigação de todos os casos. O inquérito transversal mede prevalência em um momento, sem monitoramento contínuo. A busca ativa domiciliar universal é inviável e não corresponde à estratégia descrita.
Uma equipe de vigilância municipal identifica agrupamento incomum de casos de doença respiratória grave de etiologia desconhecida, com transmissão aparentemente interpessoal e ocorrência em profissionais de saúde. A situação tem potencial de disseminação para outros municípios e países, e a equipe discute os procedimentos de comunicação e resposta previstos nas normas nacionais e internacionais que regem eventos com potencial de emergência em saúde pública de importância internacional. A conduta correta é:
Eventos inusitados com potencial de disseminação internacional devem ser notificados imediatamente às autoridades competentes, com investigação e medidas de controle iniciadas em paralelo, conforme o Regulamento Sanitário Internacional e as normas nacionais de vigilância. Aguardar a identificação do agente atrasa a resposta em um momento decisivo. Comunicar apenas a imprensa não substitui a notificação oficial e pode gerar desinformação. Restringir a investigação ao município impede a resposta coordenada entre as esferas de gestão.
Uma creche comunica à Unidade Básica de Saúde a ocorrência de dez casos de vômitos e diarreia entre crianças e duas cuidadoras em 48 horas, com início abrupto e predomínio de vômitos. A equipe é acionada para orientar as medidas de controle, considerando o alto potencial de transmissão em ambientes coletivos e a resistência do agente mais provável a alguns desinfetantes de uso comum. Nenhuma criança apresenta desidratação grave até o momento. Qual é a conduta correta?
Surtos de gastroenterite viral em creches exigem notificação e investigação, reforço da higiene das mãos com água e sabão, desinfecção adequada de superfícies e objetos, afastamento dos casos enquanto sintomáticos e cuidado com manipuladores de alimentos, dada a alta transmissibilidade e a resistência do agente a alguns antissépticos. Antibiótico não trata infecção viral. Fechar sem investigação não interrompe a transmissão domiciliar. Álcool em gel isolado tem eficácia limitada contra alguns vírus entéricos.
Menino de 4 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com fraqueza súbita em membro inferior direito, iniciada há dois dias, com dificuldade para andar. Teve quadro febril com sintomas gastrointestinais na semana anterior. Ao exame: febril no início do quadro e agora afebril, com paresia flácida assimétrica em membro inferior direito, hipotonia, arreflexia patelar à direita, sensibilidade preservada e sem alteração esfincteriana, com nível de consciência normal. Qual é a conduta obrigatória do ponto de vista da vigilância?
Todo caso de paralisia flácida aguda em menores de 15 anos é de notificação e investigação imediatas, independentemente da suspeita etiológica ou do estado vacinal, com coleta oportuna de amostras de fezes, pois essa vigilância sustenta a certificação de erradicação da poliomielite e permite detectar reintrodução do vírus. Condicionar a notificação à confirmação laboratorial inviabiliza a vigilância. O estado vacinal não dispensa a investigação. Aguardar trinta dias inviabiliza a coleta oportuna das amostras.
Uma equipe de vigilância epidemiológica investiga surto em uma escola e constrói a curva epidêmica dos casos ao longo do tempo, observando aumento abrupto do número de casos em um intervalo curto, com pico único e declínio rápido, sem novos casos após o encerramento do evento. Todos os casos ocorreram entre pessoas que participaram de um mesmo evento comemorativo realizado na instituição, e não há registro de casos entre quem não esteve presente naquele dia. O padrão descrito sugere:
A curva epidêmica com aumento abrupto, pico único e declínio rápido, restrita a pessoas expostas a um mesmo evento, caracteriza surto de fonte comum pontual, com exposição única em curto intervalo, padrão típico de doenças transmitidas por alimentos ou água em eventos. A transmissão pessoa a pessoa produz curva com múltiplas ondas separadas por períodos de incubação. A fonte comum contínua gera platô prolongado. A ausência de relação epidemiológica é afastada pela associação clara com o evento.
Diante do aumento de casos de uma arbovirose emergente, a vigilância municipal decide não esperar a chegada espontânea das notificações. A equipe passa a telefonar semanalmente para os laboratórios e para os serviços de urgência, consultar prontuários e visitar unidades de saúde para identificar casos suspeitos que não tenham sido notificados. O médico da vigilância explica ao gestor a natureza dessa estratégia e sua vantagem em situação de emergência. Qual é a estratégia adotada?
A busca sistemática de casos junto às fontes, com contato periódico e revisão de registros, caracteriza a vigilância ativa, que reduz a subnotificação e é indicada em surtos e em doenças em eliminação. A vigilância passiva depende de o profissional assistente notificar espontaneamente e é o padrão de rotina. A vigilância sentinela monitora um conjunto restrito de unidades selecionadas para estimar tendências, o que não corresponde à varredura ampla descrita. O monitoramento de eventos pós-vacinação é sistema específico voltado à segurança de imunobiológicos.
Após relatos de diarreia com sangue entre frequentadores de um clube, a vigilância inicia a investigação. Ainda não há resultado laboratorial disponível, e a equipe precisa começar imediatamente a busca de casos e o levantamento de exposições. O médico responsável orienta a elaboração do primeiro instrumento da investigação, que deve delimitar quem será contado como caso segundo critérios de pessoa, tempo e lugar. Qual é a conduta correta nesta etapa?
A investigação de surto começa com uma definição de caso operacional, ampla e explícita quanto a pessoa, tempo e lugar, que pode ser refinada em suspeitos, prováveis e confirmados à medida que os exames e as informações chegam. Esperar o laboratório atrasa a identificação da fonte e permite a continuidade da transmissão. Restringir aos internados com cultura positiva subestima gravemente o surto e enviesa a curva epidêmica. O cálculo da taxa de ataque é etapa posterior e depende justamente da definição de caso e da notificação imediata.
Durante a resposta a uma epidemia de doença respiratória de transmissão interpessoal, a secretaria municipal de saúde precisa orientar a população com clareza sobre restrições de circulação. Um homem de 40 anos teve contato domiciliar prolongado com caso confirmado há dois dias, permanece assintomático e ainda não realizou teste. Sua vizinha de 55 anos tem teste positivo e apresenta febre e tosse leves, em acompanhamento domiciliar. A médica da vigilância prepara material informativo diferenciando as duas medidas recomendadas. Qual é a orientação tecnicamente correta?
Quarentena é a restrição de pessoas expostas e ainda sadias durante o período de incubação, enquanto isolamento se aplica a pessoas doentes ou infectadas para impedir que transmitam; a distinção é exatamente essa e orienta prazos diferentes. Chamar as duas situações de isolamento apaga a diferença entre exposto e doente. Trocar os termos inverte os conceitos. Aguardar confirmação laboratorial em todos os casos retarda a interrupção da cadeia de transmissão, sendo que o caso confirmado já preenche critério para isolamento imediato.
Uma criança de 4 anos é atendida na unidade de pronto atendimento com quadro de fraqueza súbita e assimétrica do membro inferior direito, iniciada há dois dias, sem febre no momento e sem alteração de sensibilidade. A marcha está comprometida e o reflexo patelar está abolido do lado afetado. O médico reconhece a importância desse quadro para a vigilância de uma doença erradicada no país. Qual é a conduta correta?
Todo caso de paralisia flácida aguda em menores de 15 anos é notificação compulsória imediata, com investigação e coleta oportuna de amostra de fezes, estratégia que sustenta a certificação de erradicação da poliomielite e detecta a circulação de poliovírus. Aguardar exames complementares perde a janela de coleta viral e compromete a vigilância. Restringir a notificação a crianças com esquema incompleto elimina a sensibilidade do sistema, pois casos podem ocorrer em vacinados. Tratar como problema ortopédico ignora um evento sentinela de vigilância internacional.
Em uma instituição de longa permanência para idosos, 22 residentes e 5 funcionários apresentam, em 48 horas, vômitos de início súbito, diarreia aquosa e cólicas, com febre baixa ou ausente e resolução dos sintomas em cerca de dois dias. Não há sangue nas fezes, e as amostras coletadas foram negativas para bactérias entéricas habituais. O refeitório é compartilhado e há dificuldade de isolamento dos casos. Qual é a conduta mais adequada para o controle desse surto?
O quadro descrito, com início súbito, predomínio de vômitos, alta transmissibilidade e culturas negativas, é típico de norovírus, e o controle depende de higiene das mãos com água e sabão, isolamento dos sintomáticos, desinfecção com solução clorada e notificação. O antibiótico é inútil em infecção viral e favorece resistência e infecção por Clostridioides difficile. O álcool em gel tem eficácia reduzida contra esse vírus, sendo insuficiente como medida única. Suspender a alimentação em idosos agrava desidratação e desnutrição.
Durante o aumento de casos de uma doença respiratória, o laboratório central passa a sequenciar amostras selecionadas de pacientes de diferentes regiões e faixas etárias, identificando linhagens circulantes e mutações associadas a maior transmissibilidade. O secretário estadual pergunta qual é a utilidade prática dessa atividade para a resposta em saúde pública, já que o diagnóstico individual já era feito por teste molecular convencional. Já foram sequenciadas 180 amostras no último mês, com predomínio de uma linhagem antes ausente no estado e aumento simultâneo de reinfecções notificadas. Qual é a resposta correta?
A vigilância genômica identifica e monitora linhagens circulantes, detecta variantes com potencial impacto sobre transmissibilidade, gravidade, desempenho de testes e efetividade vacinal, informando decisões de controle em nível populacional. Ela não substitui o diagnóstico individual, cuja finalidade e logística são distintas. O sequenciamento não define prognóstico individual, que depende de fatores clínicos do paciente. Antibiótico não tem indicação determinada por linhagem viral, sendo o raciocínio clinicamente incorreto.
Em uma reunião de equipe, o médico apresenta dados do território: a esquistossomose ocorre de forma constante e esperada há anos, com cerca de 40 casos anuais; a dengue apresentou 300 casos em dois meses, muito acima do esperado para o período; e uma nova doença respiratória se espalhou por vários continentes em poucos meses. A equipe discute a terminologia epidemiológica adequada para cada situação. Qual é a classificação correta?
Endemia é a ocorrência habitual e esperada de uma doença em determinada área, epidemia é o aumento acentuado de casos acima do esperado em uma população e período, e pandemia é a epidemia que se dissemina por vários continentes, exatamente a correspondência descrita. Inverter endemia e epidemia contraria a definição de nível endêmico esperado. Chamar tudo de surto ignora que surto é o aumento restrito a área geográfica pequena ou instituição. Classificar a esquistossomose como pandemia, a dengue como surto e a doença respiratória como endemia inverte por completo os três conceitos.
Menino de 4 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde por fraqueza de instalação em três dias, com dificuldade para caminhar e para levantar do chão, após quadro febril com diarreia na semana anterior. Ao exame: força reduzida e assimétrica em membros inferiores, reflexos patelares abolidos, sensibilidade preservada e sem nível sensitivo, sem alteração esfincteriana. O esquema vacinal está incompleto, com doses de poliomielite em atraso. Não há sinais meníngeos e a criança está afebril no momento. Qual é a conduta obrigatória além da avaliação clínica?
Todo caso de paralisia flácida aguda em menor de 15 anos é de notificação imediata, independentemente da causa presumida, com coleta oportuna de amostras de fezes para pesquisa de poliovírus, estratégia que sustenta a certificação de erradicação da poliomielite. Aguardar a eletroneuromiografia atrasa a investigação de vigilância, cuja janela de coleta é curta. Exigir confirmação laboratorial para notificar inverte a lógica do sistema, que se baseia na suspeita. Encaminhar sem notificar deixa de acionar a resposta de saúde pública e a avaliação da cobertura vacinal no território.
Em um município, foram notificados 45 casos de diarreia aguda em 3 dias entre frequentadores de uma festa comunitária. A equipe de vigilância inicia a investigação, calcula taxas de ataque por alimento consumido e coleta amostras clínicas e ambientais. Nenhum caso semelhante havia sido registrado nas semanas anteriores, e o número esperado para o período era de 2 casos. Qual a definição epidemiológica adequada para essa situação?
O aumento de casos acima do número esperado, circunscrito a um grupo com vínculo comum em espaço e tempo definidos, caracteriza um surto, que é uma epidemia restrita. Endemia designa a ocorrência habitual e constante de uma doença em determinada área, o que é contrariado pelo excesso de casos observado. Pandemia é a disseminação em escala mundial, atingindo vários continentes. Caso esporádico refere-se a ocorrência isolada e sem vínculo epidemiológico, e a definição de surto não depende de confirmação laboratorial prévia. Chamar de epidemia mundial confunde a escala do evento, que é local e vinculado a uma exposição comum.
Um serviço de vigilância epidemiológica analisa a distribuição temporal de casos de hepatite A em uma escola. Os casos surgiram concentrados em um período de poucos dias, com curva epidêmica de pico único e abrupto, seguido de queda rápida, sem casos subsequentes espaçados por um período de incubação, e todos os acometidos consumiram água de um mesmo reservatório. Qual o tipo de curva epidêmica e a inferência correspondente?
Pico único e abrupto seguido de queda rápida, sem novas ondas separadas por períodos de incubação, é o padrão de surto por fonte comum pontual, com exposição única a uma fonte compartilhada, aqui compatível com o reservatório de água. A curva propagada apresenta picos sucessivos progressivamente maiores, separados por um período de incubação, típica da transmissão pessoa a pessoa. A fonte comum persistente gera platô prolongado enquanto a exposição continua. A curva mista mostra o pico inicial seguido de casos secundários, o que a vinheta explicitamente afasta. Variação sazonal descreve padrão anual recorrente, não um agrupamento agudo em poucos dias.
Uma equipe de saúde da família analisa a série histórica de casos de dengue de seu território nos últimos 10 anos e identifica que, todos os anos, os casos aumentam entre janeiro e maio e diminuem entre julho e outubro, com magnitude semelhante. Em 2024, entretanto, o número de casos em março foi cinco vezes maior que a média observada nos meses de março dos anos anteriores. Como devem ser classificados, respectivamente, o padrão anual e o observado em março de 2024?
A repetição regular do aumento de casos em determinados meses do ano configura variação sazonal, enquanto a ocorrência de número de casos claramente superior ao esperado para aquele período e local caracteriza epidemia. Endemia designa a ocorrência habitual e esperada da doença em determinada área, e pandemia exige disseminação em escala global, o que não corresponde a um único território municipal. Chamar o padrão anual de surto é equivocado, pois surto se refere a epidemia restrita a espaço muito limitado, como uma instituição, e não a um padrão anual esperado. Variação cíclica plurianual descreve oscilações que se repetem em intervalos de vários anos, e não a periodicidade anual descrita. Inverter os conceitos, chamando o padrão regular de pandemia, ignora tanto a escala geográfica quanto a definição de excesso de casos.
Um serviço de vigilância avalia a qualidade de um sistema de notificação. Verifica que, de 500 casos verdadeiros de determinada doença ocorridos no período, apenas 300 foram notificados, e que entre os notificados 30 não preenchiam a definição de caso. Os dados foram obtidos por busca ativa em prontuários hospitalares e laboratoriais, com auditoria independente e verificação cruzada entre as fontes disponíveis. Qual atributo do sistema está sendo avaliado ao comparar 300 notificados com 500 casos reais?
A proporção de casos verdadeiros efetivamente captados pelo sistema — 300 de 500 — define a sensibilidade da vigilância, atributo que mede a capacidade de detectar os eventos que realmente ocorrem. A oportunidade refere-se à rapidez entre a ocorrência e a notificação, aspecto temporal não avaliado nesse cálculo. A representatividade descreve o quanto os casos notificados refletem a população acometida. O valor preditivo positivo seria a proporção de notificados que realmente são casos, que aqui envolveria os 30 que não preenchiam a definição. A flexibilidade diz respeito à capacidade do sistema de se adaptar a novas doenças e definições.
Uma equipe de vigilância epidemiológica investiga aumento de casos de hepatite A em um bairro. Identifica 38 casos em 5 semanas, com curva epidêmica mostrando picos sucessivos separados por cerca de 30 dias, e vínculo entre casos em domicílios e creches, sem fonte alimentar ou hídrica comum identificada até o momento após investigação detalhada das exposições relatadas. Qual o padrão de transmissão sugerido?
Picos sucessivos separados por aproximadamente um período de incubação, com vínculo domiciliar e em creches e sem fonte comum identificada, caracterizam transmissão propagada de pessoa a pessoa, típica da via fecal-oral em ambientes de convívio próximo. A fonte comum pontual produziria pico único e abrupto após exposição única. A fonte comum persistente geraria platô prolongado enquanto durasse a contaminação. A transmissão vetorial não ocorre na hepatite A, cujo agente é transmitido por via fecal-oral. A transmissão por aerossóis também não corresponde ao mecanismo desse vírus, que exige ingestão de material contaminado.
Um município investiga aumento de casos de hepatite A e identifica que a rede de abastecimento sofreu contaminação por esgoto após rompimento de tubulação. A curva epidêmica mostra elevação sustentada dos casos por várias semanas, com platô prolongado enquanto o reparo não foi concluído, e sem separação clara entre ondas sucessivas de casos ao longo do período investigado pela vigilância. Qual o padrão epidemiológico descrito?
A elevação sustentada dos casos com platô prolongado enquanto a fonte permanece ativa caracteriza surto por fonte comum persistente, típico de contaminação continuada da rede de abastecimento de água. A fonte comum pontual produz pico único e abrupto seguido de queda rápida. A transmissão propagada mostra picos sucessivos separados por um período de incubação, com separação clara entre ondas, expressamente ausente. O padrão sazonal descreve variação anual recorrente e não um evento com fonte identificada. Casos esporádicos não teriam vínculo epidemiológico comum, o que contraria a identificação da contaminação da rede.
Serviço de obstetrícia de hospital municipal revisa seus fluxos de vigilância epidemiológica e treina a equipe sobre eventos de notificação compulsória relacionados à assistência materna e perinatal. O objetivo é reduzir a subnotificação identificada em auditoria interna e garantir que os agravos sejam informados dentro dos prazos previstos, com preenchimento correto das fichas específicas. Assinale o evento que NÃO é de notificação compulsória.
O diabetes mellitus gestacional não integra a lista de notificação compulsória, sendo condição clínica de acompanhamento assistencial, e por isso é o evento que destoa. O óbito materno é de notificação compulsória imediata e objeto de investigação por comitês específicos. A sífilis em gestante é agravo de notificação compulsória, estratégico para a eliminação da sífilis congênita. A violência sexual é de notificação compulsória imediata, com fluxo próprio de atendimento e proteção. O óbito infantil também é de notificação compulsória e investigado como evento sentinela da qualidade da assistência.
Mulher, 27 anos, atendida em unidade básica de saúde, apresenta teste rápido treponêmico reagente e VDRL 1:16, sem lesões atuais e sem gestação em curso. Foi orientada, tratada conforme protocolo e recebeu convocação da parceria sexual. A equipe discute quais providências de vigilância epidemiológica devem ser adotadas a partir desse diagnóstico e em que prazo elas precisam ser realizadas. Qual a conduta correta quanto à notificação?
A sífilis adquirida integra a lista nacional de notificação compulsória, e o registro deve ser feito a partir do diagnóstico, independentemente da presença de sintomas, pois alimenta a vigilância e orienta ações de controle da transmissão. Restringir a notificação à gestante ou à forma congênita ignora que a forma adquirida também é notificável desde 2010. Dispensar a notificação por ausência de sintomas confunde a apresentação clínica com o critério de vigilância. Exigir campo escuro é inviável no caso, que não apresenta lesão, e a confirmação já se deu por testes treponêmico e não treponêmico. Condicionar a notificação à falha terapêutica atrasa indefinidamente o registro epidemiológico.
Menino, 3 anos, é levado à unidade de saúde com quadro de fraqueza aguda no membro inferior esquerdo, instalada em 48 horas, sem trauma. FC 104 bpm, T 37,4 °C. Ao exame, força grau 2 no membro afetado, com reflexo patelar abolido à esquerda, sensibilidade preservada e ausência de sinais meníngeos. Não há histórico vacinal completo. A equipe discute os passos da vigilância epidemiológica desse caso. Sobre a investigação de paralisia flácida aguda, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que a notificação só é obrigatória com confirmação laboratorial é o erro pedido: a vigilância se baseia justamente na notificação de todo caso suspeito, antes de qualquer resultado, para permitir a resposta rápida. É verdadeiro que todo caso de paralisia flácida aguda em menor de 15 anos deve ser notificado de imediato. É correto coletar duas amostras de fezes no prazo recomendado para isolamento viral. É correto que a investigação inclui avaliação epidemiológica e reavaliação neurológica após semanas. Também é correto que a vacinação de bloqueio dos contatos integra as medidas de controle.
Uma unidade sentinela participa da vigilância da influenza, coletando amostras de secreção respiratória de pacientes com síndrome gripal e notificando casos de síndrome respiratória aguda grave. O gestor precisa compreender a lógica da vigilância sentinela e sua diferença em relação à vigilância universal antes de expandir a rede para outras unidades do município. Sobre a vigilância sentinela, é correto afirmar que:
É correto que a vigilância sentinela permite monitorar tendências e identificar os vírus circulantes sem necessidade de testar todos os casos, por meio de unidades selecionadas e amostragem sistemática. Exigir notificação e coleta de todos os casos de síndrome gripal descreve uma vigilância universal, inviável para essa condição. A vigilância sentinela não substitui a notificação dos casos graves, que segue obrigatória. Ela não fornece estimativa exata de incidência populacional, e sim indicadores de tendência. O envio de amostras a laboratórios de referência é justamente parte essencial do sistema.
Um médico plantonista atende, na mesma noite, um caso suspeito de sarampo, um paciente com meningite meningocócica confirmada, uma criança com suspeita de paralisia flácida aguda e um adulto com dengue clássica sem sinais de alarme. Ele precisa decidir quais casos exigem notificação imediata às autoridades sanitárias e quais podem ser notificados na rotina semanal. Sobre a notificação compulsória, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que a notificação depende de autorização do paciente é o erro pedido: trata-se de dever legal do profissional, e a comunicação às autoridades sanitárias configura justa causa para o compartilhamento da informação. É verdadeiro que o caso suspeito de sarampo exige notificação imediata. É correto que a doença meningocócica confirmada também é de notificação imediata, pelo risco de surto e pela necessidade de quimioprofilaxia de contatos. É correto que a paralisia flácida aguda em menor de 15 anos exige notificação imediata. Também é correto que a suspeita, e não apenas a confirmação, já obriga a notificar.
Menino, 5 anos, com febre há 4 dias, apresenta fraqueza súbita e assimétrica em membro inferior direito há 24 horas, sem alteração sensitiva. Vacinação incompleta. PA 96x60 mmHg, FC 112 bpm, T 38,2 °C. Força grau 2 em membro inferior direito e grau 5 nos demais, com arreflexia patelar à direita e sensibilidade preservada. Líquido cefalorraquidiano com pleocitose linfocitária e proteína discretamente elevada. Sobre a conduta, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que permite aguardar a confirmação laboratorial: toda paralisia flácida aguda em menor de quinze anos é de notificação compulsória e imediata, independentemente da etiologia presumida. É correto que se devem coletar duas amostras de fezes, com intervalo definido, para pesquisa viral. A obrigatoriedade da notificação imediata é o pilar da vigilância. Também é verdadeiro que o caso se investiga mesmo sem suspeita direta de poliomielite, pois a vigilância é sindrômica. E a reavaliação neurológica após sessenta dias faz parte do protocolo, para documentar sequela.
Médico de unidade básica de saúde recebe, ao longo da semana, pacientes com diagnósticos diversos e discute com a equipe quais situações exigem notificação às autoridades sanitárias, além dos prazos e dos fluxos previstos pelo sistema de vigilância epidemiológica. Sobre notificação compulsória, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de que a notificação depende de confirmação laboratorial é incorreta e responde à questão, pois a notificação se baseia na suspeita clínica e o retardo comprometeria as medidas de controle. A notificação imediata da violência sexual é correta e permite acionar a rede de proteção e as profilaxias cabíveis. O prazo de 24 horas para sarampo suspeito é adequado à alta transmissibilidade e ao contexto de eliminação da doença. A obrigatoriedade para todo profissional de saúde é prevista em norma. A notificação de surtos de doenças diarreicas é essencial para investigação de fonte comum e adoção de medidas sanitárias.
Serviço de vigilância revisa com equipes de saúde conceitos de cadeia de transmissão de doenças infecciosas, incluindo reservatório, porta de saída, modo de transmissão, porta de entrada e suscetibilidade do hospedeiro, com o objetivo de planejar medidas de controle em surtos comunitários e hospitalares. Sobre esse tema, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de que a vacinação atua sobre o modo de transmissão é incorreta e responde à questão, pois a vacinação atua sobre a suscetibilidade do hospedeiro, tornando-o imune, enquanto o modo de transmissão é alvo de medidas como isolamento e barreiras. A definição do período de incubação como intervalo entre exposição e início dos sintomas está correta. O isolamento interrompendo a transmissão a suscetíveis é conceito adequado. O portador assintomático como reservatório é reconhecido em várias doenças. A higiene das mãos interrompendo a transmissão por contato é medida clássica de controle.
Equipe de vigilância epidemiológica organiza a investigação de contatos diante de casos notificados de doenças transmissíveis no território, definindo prioridades, prazos e medidas de bloqueio, além dos critérios para quimioprofilaxia, vacinação de bloqueio e afastamento de atividades coletivas dos contatos identificados. Sobre esse tema, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação de que a investigação de contatos deve aguardar a confirmação laboratorial é incorreta e responde à questão, pois a investigação e o bloqueio são desencadeados pela suspeita, uma vez que aguardar a confirmação inviabiliza as janelas de profilaxia e vacinação. A busca ativa de contatos como elemento essencial do controle está correta. A indicação de quimioprofilaxia em doenças específicas, como doença meningocócica e coqueluche, é adequada. A necessidade de janela de tempo definida para a vacinação de bloqueio é correta. O afastamento de atividades coletivas em determinadas doenças também é medida prevista.
Um hospital identifica sete casos de infecção de sítio cirúrgico por micobactéria de crescimento rápido em pacientes submetidos a videocirurgias em um período de 6 semanas, contra média histórica de menos de um caso por ano. Os casos apresentaram abscessos de portais com evolução subaguda, sem febre alta. A comissão de controle de infecção inicia a investigação. Qual a conduta mais adequada?
Surto de micobactéria de crescimento rápido após videocirurgias aponta classicamente para falhas no processamento de instrumentais e uso de soluções de desinfecção de alto nível inadequadas, exigindo investigação do reprocessamento, coleta de amostras ambientais, notificação e busca ativa de casos. Encerrar o bloco definitivamente é medida desproporcional antes da identificação da fonte. Dobrar a cefazolina não previne micobactérias, que são intrinsecamente resistentes a esse antimicrobiano. Atribuir o surto à pele do paciente e reforçar tricotomia com lâmina é equivocado, pois a lâmina aumenta o risco de infecção e não explica o agente. Aguardar seis meses permitiria a ocorrência de novos casos evitáveis.
Uma unidade de saúde é designada como sentinela para síndrome gripal e passa a coletar amostras respiratórias semanais de pacientes que preenchem a definição de caso, enviando-as ao laboratório de referência. A equipe questiona a finalidade do sistema, já que nem todos os pacientes com sintomas são testados. Sobre a vigilância sentinela, assinale a alternativa correta.
A vigilância sentinela de síndrome gripal monitora a circulação viral, identifica os tipos e subtipos predominantes e detecta mudanças de padrão, informando alertas epidemiológicos e a composição das vacinas sazonais, sem pretender diagnosticar todos os casos. Diagnosticar individualmente toda a população sintomática não é o objetivo nem seria viável. A vigilância sentinela é complementar, e não substitutiva, da notificação compulsória de casos graves. A amostragem se dá em pacientes ambulatoriais com síndrome gripal, não apenas em internados em terapia intensiva. Os dados alimentam justamente as decisões sobre composição vacinal, sendo essa uma de suas principais utilidades.
Unidade de pronto atendimento recebe, no mesmo plantão, casos suspeitos de sarampo, de dengue com sinais de alarme, de violência interpessoal e de acidente com material biológico envolvendo profissional de saúde. A equipe questiona quais situações exigem notificação e em que prazo deve ser feita a comunicação ao sistema de vigilância. Sobre a notificação compulsória, é correto afirmar que:
A lista nacional de notificação compulsória prevê agravos de notificação imediata, em até vinte e quatro horas, entre eles o sarampo, pelo risco de surto e pelas ações de bloqueio vacinal, e a violência interpessoal e autoprovocada, que também integra a notificação imediata em situações específicas como violência sexual e tentativa de suicídio. A notificação é feita a partir da suspeita, e não após confirmação laboratorial, justamente para permitir intervenção precoce. A notificação é dever de todo profissional de saúde, e não apenas do médico. Não depende de autorização do paciente. A violência interpessoal integra expressamente a lista nacional.
Em uma investigação ainda em andamento, moradores perguntam se existe risco e o que devem fazer. A equipe receia comunicar antes de identificar a fonte com certeza. Qual estratégia favorece uma comunicação responsável?
Comunicação oportuna pode reconhecer incertezas sem ocultar orientações úteis. Transparência e atualização ajudam a confiança e permitem que a população adote medidas proporcionais ao risco conhecido. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Communicating During an Outbreak or Public Health Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/communicating-investigation.html
Na investigação de um surto, o mesmo paciente aparece no registro da unidade, do hospital e do laboratório. A soma direta das três bases superestima o total de doentes. Qual procedimento é mais adequado antes da análise?
Fontes complementares ampliam a detecção, mas precisam de identificação e vinculação para evitar contagem repetida da mesma pessoa ou episódio. Os critérios devem ser documentados e os dados protegidos. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Um feriado represou a digitação de notificações, que foram inseridas em grande número na segunda-feira. O gestor interpreta esse pico como exposição maciça ocorrida no domingo. Para descrever melhor a dinâmica de adoecimento, qual data deve ser priorizada na curva epidêmica?
A curva por início de sintomas aproxima a ocorrência clínica e reduz distorções do calendário de registro. A data de notificação também é útil, mas reflete atrasos operacionais e não deve ser confundida com início da doença. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Describing Epidemiologic Data. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/describing-epi-data.html
Uma doença transmissível apresenta grupos sucessivos de casos separados por intervalos compatíveis com seu período de incubação. A investigação identifica contato entre pessoas de grupos consecutivos. Qual mecanismo é mais compatível com esse conjunto, sem dispensar confirmação adicional?
Ondas sucessivas, separadas por intervalos compatíveis e acompanhadas de vínculos, apoiam transmissão propagada. A curva sugere mecanismo, mas deve ser integrada a dados de exposição e laboratório. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Describing Epidemiologic Data. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/describing-epi-data.html
Em uma investigação de gastroenterite associada a um evento, alguns participantes adoeceram antes da refeição suspeita. A equipe quer incluí-los como se a refeição tivesse causado todos os episódios. Qual interpretação é correta?
Temporalidade é necessária à inferência causal. Casos anteriores podem indicar circulação prévia, outra fonte ou definição a revisar, sem serem atribuídos automaticamente à refeição posterior. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Todos os 180 participantes de um almoço institucional podem ser identificados e entrevistados sobre alimentos consumidos e adoecimento posterior. A equipe pretende comparar o risco entre consumidores e não consumidores de cada alimento. Qual desenho é especialmente apropriado?
O grupo exposto ao contexto é definido e pode ser reconstruído, permitindo estimar riscos por exposição e compará-los. A coleta ocorre após o evento, mas a análise segue exposição e desfecho no grupo. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Designing and Conducting Analytic Studies in the Field. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Em um estudo caso-controle de surto ocorrido em um festival, os casos são frequentadores do evento. A equipe precisa escolher controles para comparar alimentos consumidos. Qual grupo representa melhor a população que originou os casos?
Controles devem representar a distribuição das exposições na população de origem dos casos. Pessoas que não participaram do evento podem ter oportunidades de exposição muito diferentes. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Designing and Conducting Analytic Studies in the Field. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Em um surto, quase todas as pessoas que comeram salada também tomaram um molho específico. As duas exposições apresentam associação com adoecimento na análise simples. Qual estratégia ajuda a esclarecer qual associação é independente da outra?
Exposições correlacionadas dificultam atribuir o efeito. Estratificação, ajuste e evidências ambientais ou laboratoriais ajudam, embora pouca variação independente possa limitar a separação dos efeitos. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Designing and Conducting Analytic Studies in the Field. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Entre os doentes de um evento, 40 comeram arroz e 20 comeram salada. Um investigador conclui que o arroz oferece maior risco porque há mais casos entre seus consumidores. Que informação é indispensável para comparar os riscos por alimento?
Número de casos não é igual a risco. Um alimento muito consumido pode aparecer em mais casos mesmo sem maior risco; denominadores e grupos de comparação são essenciais. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Designing and Conducting Analytic Studies in the Field. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Durante um surto, a equipe calcula a proporção de óbitos usando apenas casos internados em um hospital de referência. Há relatos de numerosos casos leves acompanhados em casa. Qual limitação impede interpretar essa proporção como letalidade de todos os casos da comunidade?
Selecionar somente internados pode excluir casos leves e superestimar a gravidade ao extrapolar o resultado para a comunidade. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Casos de doença entérica se concentram entre usuários de um reservatório com falha evidente de proteção e água imprópria em análise inicial. A identificação final do agente ainda está pendente. Qual relação entre investigação e intervenção é mais adequada?
Quando há evidência suficiente de risco e intervenção plausível, o controle não precisa aguardar todas as análises. A investigação prossegue para confirmar hipóteses, ajustar medidas e avaliar resultados. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Uma equipe chega ao local de um surto e pretende coletar amostras sem consultar o laboratório sobre recipientes, conservação ou tempo de transporte. Qual ação aumenta a utilidade dos resultados antes da coleta?
A qualidade da investigação depende da fase pré-analítica e dos testes disponíveis. Planejamento conjunto evita material inadequado e preserva a possibilidade de análises complementares. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
O primeiro paciente que levou a vigilância a reconhecer um surto foi internado na sexta-feira. Ao reconstruir a cronologia, a equipe encontra pessoas da mesma cadeia com sintomas desde a segunda-feira. O termo caso índice, aplicado ao paciente internado, indica o quê?
Caso índice refere-se à identificação que desencadeou o reconhecimento, sem assegurar que a pessoa tenha sido a primeira infectada. Referência: CDC. Principles of Epidemiology: Glossary, case index. https://archive.cdc.gov/www_cdc_gov/csels/dsepd/ss1978/glossary.html
Um mapa mostra mais casos de uma doença no bairro mais populoso. Sem comparar denominadores, o gestor declara que esse bairro tem maior risco individual. Qual análise deve complementar o mapa de contagens?
Mais casos podem refletir mais habitantes. Taxas e características populacionais ajudam a distinguir concentração de eventos de maior risco, sem dispensar análise da qualidade dos registros. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Describing Epidemiologic Data. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/describing-epi-data.html
Durante um surto, parte dos pacientes com quadro e vínculo epidemiológico compatíveis não teve amostras coletadas no momento adequado. A equipe propõe apagá-los da investigação por não terem confirmação laboratorial. Qual alternativa preserva melhor a análise?
Ausência de confirmação não equivale necessariamente à ausência de doença. Categorias como suspeito, provável ou confirmado, quando previstas na definição utilizada, permitem distinguir evidências sem apagar informação relevante. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Uma fonte suspeita foi retirada ontem, mas novos pacientes procuraram atendimento hoje com sintomas iniciados antes da retirada. A gestão interpreta todos como prova de exposição persistente. Qual análise é necessária antes dessa conclusão?
Atendimentos posteriores podem corresponder a infecções anteriores ou atrasos de procura. A avaliação de efetividade usa a cronologia e a continuidade da vigilância, sem ignorar a possibilidade de transmissão persistente. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Uma equipe inicia investigação de síndrome febril ainda sem agente identificado. Para não perder casos potenciais, adota definição clínica relativamente ampla, com limites de tempo e lugar, e planeja refiná-la à medida que obtiver dados. Qual interpretação é adequada?
Definições de caso podem evoluir. Uma definição ampla facilita busca inicial, enquanto critérios mais específicos e categorias laboratoriais podem organizar análises posteriores e manter transparência. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Em um surto após confraternização, suspeita-se de um creme servido na sobremesa. Para testar essa hipótese, um pesquisador propõe definir caso como participante com gastroenterite que comeu o creme. Qual problema metodológico essa escolha cria?
A definição deve permitir identificar doentes independentemente da exposição cuja associação será avaliada. Exigir consumo do creme exclui casos não expostos por construção e favorece artificialmente a hipótese. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Designing and Conducting Analytic Studies in the Field. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/design-conduct-analyze-field-studies.html
Após introdução de um teste mais sensível e busca ativa, um município registra o dobro de casos de determinada infecção. Não houve mudança identificada na gravidade ou nas internações. Antes de concluir que a transmissão duplicou, qual verificação é essencial?
A série observada depende tanto da ocorrência real quanto da capacidade de detectar casos. Mudanças de teste, definição e busca podem elevar registros sem aumento proporcional de transmissão. Referência: CDC. Field Epidemiology Manual: Conducting a Field Investigation. https://www.cdc.gov/field-epi-manual/php/chapters/field-investigation.html
Qual é o dia com maior número de inícios de sintomas na curva epidêmica?

Há 22 casos nesse dia.
A concentração de casos em um único pico pode ser compatível com qual hipótese inicial, sem confirmá-la sozinha?

Um pico concentrado pode sugerir exposição limitada no tempo.
Qual é o total de casos representados na curva?

A soma é 0+1+4+12+22+15+7+2+0+0=63.
Para estimar a provável janela de exposição a partir da curva, qual informação adicional é especialmente útil?

Permite relacionar início de sintomas e momento provável de exposição.
Por que a curva deve usar preferencialmente data de início de sintomas, como indicado, e não apenas data de notificação?

O início dos sintomas aproxima melhor a dinâmica de adoecimento.
Qual foi a taxa de ataque entre quem comeu salada?

36/60 = 60%.
Qual risco relativo bruto e limitação são corretos?

Risco nos não expostos é 8/40 = 20%; 60%/20% = 3. Associação orienta hipótese, mas não prova sozinha a fonte.
Qual grupo é o comparador para a exposição salada?

A comparação usa os participantes não expostos à salada.
Se quase todos os que comeram salada também tomaram o mesmo suco, qual análise ajuda a separar as hipóteses?

Exposições correlacionadas podem confundir associação; múltiplas fontes de evidência ajudam a identificar veículo.
Qual informação temporal é útil para construir uma curva epidêmica?

A distribuição do início dos casos no tempo ajuda a caracterizar padrão do surto.
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em 7 dias
Notifica-se a suspeita, não a confirmação. Notificação compulsória imediata é feita em até 24 horas a partir do conhecimento — e, pelo art. 4º do Anexo V, pelo serviço que prestou o primeiro atendimento, em até 24 horas desse atendimento; a autoridade que recebe tem outras 24 horas para informar as demais esferas. A semanal é feita em até sete dias à Secretaria de Saúde do Município do local de atendimento. Notificação negativa é a comunicação semanal de que nenhum caso da lista foi identificado. Obrigados: médicos, demais profissionais de saúde e responsáveis por estabelecimentos de saúde e de ensino; a comunicação alcança ainda estabelecimentos de cuidado coletivo, hemoterapia, laboratórios e instituições de pesquisa, e qualquer cidadão pode comunicar. A notificação é sigilosa, e a autoridade que a recebe é obrigada a investigar e a adotar prontamente as medidas de controle.
em 30 dias
Fechar pelo surto. Regra geral: casos acima do esperado para a comunidade, a área ou o período — e mudança de padrão epidemiológico, clínico ou microbiológico também conta. Operacionalmente: dois casos com vínculo nas doenças de transmissão hídrica e alimentar, um caso em botulismo e cólera, um caso confirmado de caxumba ou de varicela em ambiente hospitalar. Agregado sem vínculo é investigado, não notificado como surto. Na investigação: definição de caso sensível primeiro e específica depois, com critério clínico, tempo e lugar; curva epidêmica pela data de início dos sintomas — pico único com declive gradual é fonte comum pontual, picos sucessivos separados pelo período de incubação são fonte propagada, platô é fonte contínua; diagrama de controle contra série histórica para saber o esperado; taxa de ataque nos expostos e nos não expostos, com risco relativo maior que 1 apontando associação. Medidas de controle saem da hipótese preliminar. Encerramento exige o mesmo agente em amostras de pelo menos dois casos associados, exceto em quadros patognomônicos como o botulismo.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você atende, na unidade básica, o terceiro paciente da manhã com diarreia aquosa iniciada na véspera; os três moram na mesma rua e usam a mesma solução alternativa de abastecimento de água. Conduza: decida se há surto, diga o que comunica, para quem e em quanto tempo, escreva a definição de caso que vai usar na busca ativa e explique à família por que a medida sobre a água não espera o resultado do laboratório. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
