Outras EspecialidadesSUS, políticas de saúde, APS e vigilância

Método centrado na pessoa e abordagem familiar

Método clínico centrado na pessoa e abordagem familiar (genograma, ecomapa)

Método centrado na pessoa, família e registro no e-SUS

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Um dos pilares do método clínico centrado na pessoa, amplamente aplicado na Medicina de Família e Comunidade, é considerar o adoecimento além da doença biológica. Nesse contexto, o componente que valoriza a experiência do paciente — suas ideias, sentimentos, expectativas e o impacto do problema em sua vida — é conhecido por qual conceito?

02

Como esse tema cai

Este é o capítulo do método — de como a consulta é conduzida e registrada, e de como a família entra na conta quando o problema não cabe dentro de uma pessoa só. A prova cobra isso de três jeitos. Pede o nome e o conteúdo dos componentes do método clínico centrado na pessoa. Pede qual ferramenta de abordagem familiar responde qual pergunta, com genograma e ecomapa disputando o mesmo espaço. E pede o registro: o SOAP e a CIAP-2, que no Brasil deixaram de ser preferência de escola e viraram campo obrigatório no prontuário eletrônico do SUS.

A diferença entre o método e a política é onde os alunos escorregam. A Política Nacional de Atenção Básica lista o cuidado centrado na pessoa entre as diretrizes da Atenção Básica — isso é vocabulário de norma, e está no capítulo de PNAB e Estratégia Saúde da Família. Aqui, cuidado centrado na pessoa é um método clínico com componentes nomeados, desenvolvido no Departamento de Medicina de Família da Universidade de Western Ontário a partir do trabalho de Ian McWhinney e de Moira Stewart. São dois usos da mesma expressão, e a questão costuma testar justamente qual dos dois o enunciado está pedindo.

Ficam fora deste capítulo, porque têm endereço próprio: os níveis de prevenção e a prevenção quaternária; a coordenação do cuidado e a referência e contrarreferência nas Redes de Atenção à Saúde; e o modelo de camadas dos determinantes sociais. Todos os três aparecem aqui só como remissão, quando o método esbarra neles.

03

O que muda decisão

Doença, experiência da doença e saúde: três círculos, uma síntese

O ponto de partida do método é a separação entre duas coisas que a consulta tradicional trata como uma: a doença, que o médico investiga por anamnese, exame físico e exames complementares, e a experiência da doença, que é o que aquele adoecimento significa para aquela pessoa. Na terceira edição da obra de referência, um terceiro círculo entrou ao lado dos dois: a saúde, entendida como os significados e as aspirações que a pessoa tem para a própria vida — não como ausência de doença.

A experiência da doença tem quatro dimensões nomeadas, e essa lista é decorável porque é ela que cai: sentimentos em relação a estar doente, ideias sobre o que está acontecendo, efeitos no funcionamento e expectativas em relação ao médico. Perguntar as quatro é o que operacionaliza o primeiro componente. O que a pessoa teme, o que ela acha que tem, o que ela deixou de conseguir fazer e o que ela veio buscar hoje.

O produto dessa exploração não é uma lista paralela de queixas subjetivas para agradar o paciente. É uma síntese única para cada pessoa, integrando doença, experiência e saúde num entendimento só. A obra insiste nesse ponto porque o erro clássico é tratar o método como um bloco de perguntas gentis coladas no fim da anamnese — quando o que ele propõe é ir e voltar entre os três círculos ao longo de toda a consulta.

Os quatro componentes — e o que aconteceu com os outros dois

A terceira edição descreve quatro componentes interativos. O primeiro é explorar a saúde, a doença e a experiência da doença. O segundo é entender a pessoa como um todo, o que inclui a própria pessoa (história de vida, questões pessoais e de desenvolvimento), o contexto próximo (família, trabalho, apoio social) e o contexto amplo (cultura, comunidade, ecossistema). O terceiro é elaborar um plano conjunto de manejo dos problemas, com três eixos: definir o problema, estabelecer as metas do tratamento e identificar os papéis que a pessoa e o médico vão assumir. O quarto é intensificar a relação entre a pessoa e o médico — compaixão e empatia, poder, cura e esperança, autoconhecimento, transferência e contratransferência.

Os três primeiros descrevem o processo entre a pessoa e o médico; o quarto descreve a relação sobre a qual esse processo acontece. Não é uma sequência cronológica de fases da consulta: os componentes interagem e se combinam de forma diferente em cada encontro.

Edições anteriores traziam seis componentes. Os dois que sumiram foram Incorporando prevenção e promoção da saúde e Sendo realista. Nenhum dos dois foi abandonado como ideia — a promoção da saúde foi absorvida pelo primeiro componente, junto com a exploração das percepções de saúde da pessoa; a educação em saúde e a prevenção de doenças, por serem ações e não explorações, foram para o terceiro componente; e as questões de tempo e trabalho em equipe do Sendo realista passaram a ser tratadas em capítulos próprios. Guarde os dois nomes: eles são o distrator mais usado nas questões sobre o tema.

O registro orientado por problemas: onde o método vira formulário

O modelo de registro adotado pelo Sistema e-SUS APS para o Prontuário Eletrônico do Cidadão é o Registro Clínico Orientado por Problemas, idealizado por Lawrence Weed na década de 1960. Isso não é detalhe de informática: é a régua nacional de como a consulta da Atenção Primária deve ser estruturada, e o manual do sistema é um documento do Ministério da Saúde.

A definição de problema é mais larga do que a de diagnóstico, e é aí que o método reaparece. Para Weed, problema é tudo aquilo que requer um diagnóstico, que envolve algum tipo de manejo ou cuidado, ou que interfira na qualidade de vida do cidadão de acordo com a percepção dele. O manual brasileiro amplia para a equipe: problema é tudo aquilo que requer ou pode requerer uma ação da equipe de saúde e, em consequência, motivará um plano de intervenção. Desemprego, luto e sobrecarga de cuidador são problemas nessa definição; nenhum deles é diagnóstico.

Um detalhe do bloco de identificação é norma e cai em prova: o e-SUS APS incluiu os campos nome social e identidade de gênero tanto na ficha de cadastro individual quanto no cadastro simplificado do prontuário, em atendimento à Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. E a consequência é operacional, não apenas simbólica: o sistema não restringe as classificações da SIGTAP, da CID e da CIAP a um determinado sexo, de modo que, preenchida a identidade de gênero, ficam desabilitadas as críticas ligadas a sexo feminino ou masculino e todas as funcionalidades continuam disponíveis.

O modelo tem quatro componentes: base de dados (identificação, antecedentes pessoais e familiares, exames clínicos e fatores de risco), lista de problemas — a folha de rosto —, evolução pelo método SOAP e folha de acompanhamento. A lista de problemas original separava ativos de inativos ou resolvidos. O e-SUS APS acrescentou um subtipo brasileiro, proposto por Roman em 2009: o problema latente, que está resolvido mas ainda pode influenciar negativamente a saúde e por isso não exige manejo, e sim vigilância — ex-tabagista, revascularização cardíaca prévia, familiares com câncer de mama. A lista principal reúne ativos e latentes; a segunda lista guarda os resolvidos.

SOAP: o que cabe em cada letra

O manual do e-SUS APS define as quatro letras com precisão suficiente para virar questão. S, subjetivo, é o relato do paciente, se possível da forma como foi referido. O, objetivo, são os achados da observação do profissional, do exame físico e dos exames laboratoriais. A, avaliação, é o juízo que o profissional estabelece à luz das queixas, dos achados e do raciocínio clínico — o manual chama de espaço das especulações, inferências e conclusões. P, plano, é a conduta: solicitação de exames, recomendação de medicamento, aconselhamento.

A armadilha mora na fronteira S–A. Hipótese diagnóstica não é subjetivo. O bloco Subjetivo registra o motivo da consulta na perspectiva da pessoa, e o manual é explícito ao instruir que o profissional codifique o motivo exatamente como o paciente o expressa, sem juízo de valor quanto à veracidade ou à exatidão. Se a pessoa diz que veio por causa de pressão alta que sobe quando fica nervosa, isso é o S; a hipótese de crise hipertensiva ou de transtorno de ansiedade é A.

Cada item do SOAP desenvolve um problema já indexado na lista de problemas, e é esse vínculo que permite recuperar o histórico de uma condição ao longo de anos de acompanhamento. O sistema brasileiro estrutura o registro do atendimento usando apenas o SOAP, sem as notas separadas do modelo original.

CIAP-2: classificar o motivo, não só a doença

A Classificação Internacional de Atenção Primária, segunda edição, foi elaborada pelo comitê de classificação da WONCA e é a classificação adotada pelo Brasil na Atenção Primária. A diferença em relação à CID-10 é de objeto: a CIAP-2 classifica questões relacionadas às pessoas, e não doenças. Ela permite registrar o motivo pelo qual a pessoa procurou o serviço mesmo quando nenhuma doença é objetivamente evidenciada por exame clínico, de sangue ou de imagem — o que, na Atenção Primária, é a maior parte dos casos.

A estrutura tem dois eixos. Um é alfabético, com 17 capítulos identificados por uma letra, organizados por sistema ou aparelho e incluindo um capítulo geral e outro de problemas sociais. O outro é numérico, com 7 componentes idênticos em todos os capítulos, com rubricas de dois dígitos.

No registro, a CIAP-2 entra em três pontos do SOAP. O motivo da consulta vai no Subjetivo e reflete a perspectiva da pessoa — se houver mais de uma razão, todas podem ser codificadas. O problema de saúde detectado ou avaliado vai na Avaliação. A intervenção ou procedimento de cuidado vai no Plano. Esses três elementos juntos formam um episódio de cuidado, que é o conjunto de toda a atenção prestada a um indivíduo em torno de um problema, ao longo de uma ou mais consultas.

A obrigatoriedade é assimétrica e cai em prova. Na escuta inicial da demanda espontânea, três campos são obrigatórios: Motivo da consulta (CIAP2), classificação de risco/vulnerabilidade e desfecho da escuta inicial — ali só a CIAP-2 serve. Já no bloco Avaliação do atendimento, o manual exige pelo menos um código, aceitando CIAP2 ou CID10. Ou seja: a CIAP-2 é obrigatória para o motivo referido pela pessoa e opcional, em concorrência com a CID-10, para o problema avaliado pelo profissional.

Quando a unidade de cuidado passa a ser a família

O segundo componente do método pede o contexto próximo, e é por essa porta que a família entra. Mas abordagem familiar não é fazer genograma de todo mundo: o Caderno de Atenção Domiciliar registra que, na maioria das vezes, o profissional aborda a família de forma parcial e genérica, por representantes, sem sistematização — e as ferramentas existem exatamente para sistematizar quando o caso pede.

A justificativa para olhar a família não é ideológica, e o documento a enuncia nos dois sentidos: conflitos, interações e desagregações do universo familiar intervêm diretamente na saúde de seus membros; e, quando um deles adoece, há efeito direto sobre os estágios do ciclo de vida familiar, porque a família precisa se reorganizar para cuidar. Situações prolongadas ou definitivas de doença fazem com que os familiares busquem recursos fora de casa para suportar a situação — e é essa busca externa que o ecomapa consegue mostrar.

O documento do Ministério da Saúde organiza o instrumental em duas camadas. A primeira é de leitura: o olhar sistêmico, os tipos de família, a estrutura familiar, a dinâmica familiar e a conferência familiar. A segunda é de instrumentos formais, reunidos num quadro: o Apgar familiar, o P.R.A.C.T.I.C.E. e o F.I.R.O.

O P.R.A.C.T.I.C.E. é focado no problema e funciona como roteiro de avaliação do funcionamento familiar: problema apresentado, papéis e estrutura, afeto, comunicação, fase do ciclo de vida, doença na família, enfrentamento do estresse e meio ambiente ou rede de apoio. O F.I.R.O. — orientações fundamentais nas relações interpessoais — é categorizado como teoria de necessidades e lê a família por três eixos, cada um com o que se demanda e o que se oferece: inclusão (demanda ser aceito e convidado, oferece interesse), controle (demanda ser guiado, oferece liderança) e intimidade (demanda ser querido, oferece ligação e aproximação).

Sobre a composição das famílias, o documento adverte que as preconcepções do profissional não devem influenciar o tratamento e, citando Kaslow (2001), lista nove arranjos além dos convencionais: nuclear de duas gerações, extensa de três ou quatro gerações, adotiva temporária, adotiva birracial ou multicultural, casais que moram separadamente, monoparental, casais homossexuais com ou sem crianças, famílias recompostas após divórcio e pessoas vivendo juntas sem laço legal mas com forte compromisso mútuo.

Ciclo de vida familiar: a fase explica a crise

O ciclo de vida familiar descreve as etapas pelas quais a família passa e as tarefas de cada uma, da constituição até a morte de quem a iniciou. Ele serve para uma coisa prática: distinguir crise previsível de crise imprevisível. Uma família que não dorme desde o nascimento do primeiro filho está numa crise previsível da fase; a mesma insônia numa família em estágio tardio pede outra hipótese.

A classificação mais usada é a de McGoldrick, reproduzida pelo Ministério da Saúde em oito fases: adulto jovem independente, casamento, nascimento do primeiro filho, famílias com filhos pequenos, famílias com filhos adolescentes, lançando os filhos e seguindo em frente, aposentadoria e famílias no estágio tardio. O quadro do documento lista as fases uma a uma sem totalizá-las — a contagem é da leitura direta da tabela.

O detalhe brasileiro é o que separa a leitura de manual da leitura de território, e é ele que costuma virar questão de prova nacional. O mesmo documento registra que, em famílias de classe social vulnerável, o ciclo se abrevia para até três fases: família composta por jovem adulto, que começa por volta dos dez anos quando o adolescente é levado a buscar subsistência fora de casa; família com filhos pequenos, que ocupa a maior parte do ciclo e reúne três ou quatro gerações sob o mesmo teto; e família no estágio tardio, em que o ninho vazio raramente acontece porque os idosos seguem sustentando e educando as gerações mais novas. A gravidez precoce e a aglomeração de gerações são os dois fenômenos que o documento aponta como responsáveis pelo encurtamento.

Genograma: o olhar para dentro, em três gerações

O genograma baseia-se no modelo do heredograma e mostra graficamente a estrutura e o padrão de repetição das relações familiares, as repetições de padrões de doença e os conflitos que resultam do adoecer. Na configuração proposta pelo Ministério da Saúde, ele reúne a doença da pessoa identificada, as doenças e transtornos familiares, a rede de apoio psicossocial, os antecedentes genéticos, as causas de morte na família e os aspectos psicossociais — os símbolos são os de McGoldrick (1995).

O recorte de leitura é a transgeracionalidade: observa-se a família nuclear e a trigeracional — avós, pais e filhos —, procurando padrões de repetição, segredos e rituais enraizados entre as gerações. Não é um heredograma de genética médica com foco em segregação de alelos; é um mapa de repetições, que inclui doença, mas também papel, conflito e ruptura.

É no genograma que a estrutura familiar fica visível. O documento a organiza em três sistemas: o conjugal, formado pela união de duas pessoas que abrem mão de parte da individualidade em troca de pertencimento; o parental, que envolve a educação dos filhos e pode se ampliar para avós e tios ou excluir um dos pais; e o fraterno ou filial, formado por similares — irmãos, primos, amigos — onde se desenvolvem negociação, cooperação e competição. Sobre esses sistemas leem-se três atributos: limites, que se esperam claros e flexíveis e disfuncionam quando muito rígidos ou emaranhados; papéis, que o profissional identifica para poder resgatá-los; e comunicação, verbal e não verbal.

Ecomapa: o olhar para fora, e as linhas que carregam o diagnóstico

O ecomapa é complementar ao genograma e responde a outra pergunta: como essa família se conecta com o mundo. É a representação gráfica dos contatos dos membros da família com os outros sistemas sociais — escola, trabalho, igreja, unidade de saúde, vizinhança, benefícios sociais. Ele avalia os apoios disponíveis e o quanto a família os utiliza, e é o retrato de um momento, portanto dinâmico e refazível.

A construção segue quatro regras: os membros da família e suas idades vão no centro do círculo; a simbologia é a mesma do genograma; os contatos com a comunidade vão em círculos externos; e as linhas indicam o tipo de conexão. Uma família com poucas conexões, tanto com a comunidade quanto entre seus membros, exige mais investimento da equipe.

As linhas são o conteúdo do instrumento, e é delas que sai a questão. Linha contínua é ligação forte, relação sólida. Linha tracejada é ligação frágil, relação tênue. Linha com barras ou talhada marca aspectos estressantes e relações conflituosas. Setas indicam o fluxo de energia ou de recursos, e mostram para que lado o apoio corre. E a ausência de linha não é lapso do desenho: significa ausência de conexão — informação tão relevante quanto qualquer traço.

À esquerda, diagrama familiar de três gerações com quadrados e círculos ligados por linhas de parentesco; à direita, o mesmo núcleo familiar cercado por seis elementos da comunidade ligados por linhas contínua, tracejada, talhada, com seta para dentro, com seta para fora e um elemento sem nenhuma ligação.
Duas perguntas, dois desenhos: o genograma olha para dentro da família em três gerações; o ecomapa olha para fora, e o tipo de linha — contínua, tracejada, talhada, com seta ou ausente — é o que carrega a informação.

APGAR de Família: cinco perguntas, dez pontos e um limite

O Apgar de Família foi proposto por Smilkstein em 1978 e é o instrumento que o Ministério da Saúde preconiza para avaliar a funcionalidade de famílias com idosos, ao lado do genograma e do ecomapa. A sigla é um acrônimo em inglês dos cinco domínios, e a tradução oficial do Caderno de Atenção Domiciliar é esta: Adaptation, adaptação; Partnership, participação; Growth, crescimento; Affection, afeição; Resolve, resolução. A literatura de enfermagem usa variantes de tradução — companheirismo, desenvolvimento, afetividade, capacidade resolutiva —, mas os domínios são os mesmos cinco.

A aplicação é uma pergunta por domínio, com três opções de resposta: sempre vale 2, algumas vezes vale 1 e nunca vale 0. O total varia de 0 a 10. A classificação usada no Brasil, atribuída ao documento do Ministério da Saúde, tem três faixas: 0 a 4 é elevada disfunção familiar, 5 a 6 é moderada disfunção familiar e 7 a 10 é boa funcionalidade familiar.

Os números de desempenho vêm da validação brasileira mais robusta: 430 idosos de Fortaleza, alfa de Cronbach de 0,80, adequação amostral pelo teste de Kaiser-Meyer-Olkin de 0,83 e correlação de 0,76 contra um critério externo. Nessa amostra, 81,6% tiveram boa funcionalidade, 8,8% disfunção moderada e 9,5% disfunção elevada, com média de 6,8 pontos.

O limite do instrumento precisa entrar junto com a régua. A ficha técnica internacional registra que o Apgar de Família não tem normas populacionais publicadas e que os cinco domínios, na prática, se comportam como um construto único — satisfação com a família. Ou seja: um escore baixo diz que aquela pessoa está insatisfeita com o apoio que recebe, e não que a família é disfuncional. Os próprios autores da validação brasileira concluem que ele é confiável e válido como rastreamento, mas que a decisão de intervir exige completar os demais aspectos da avaliação da funcionalidade familiar. Escore baixo abre a conversa; não a encerra.

04

Qual ferramenta responde qual pergunta

Escolher a ferramenta certa é o que separa abordagem familiar de coleta de dados. Cada instrumento responde a uma pergunta diferente, e nenhum deles responde à pergunta do outro: o genograma não mostra a rede social, o ecomapa não mostra a repetição transgeracional, e o APGAR não mostra nem uma coisa nem outra — mostra o quanto a pessoa se sente apoiada. O fluxo abaixo é o da consulta; as tabelas são as réguas de cada peça.

  1. 1Abra pelo motivo referido pela pessoa, na linguagem dela, e registre-o assim no Subjetivo — é ele que vai receber o código CIAP-2 do motivo da consulta.
  2. 2Explore as quatro dimensões da experiência da doença: sentimentos, ideias, efeitos no funcionamento e expectativas — e as percepções de saúde, o que a pessoa quer poder fazer da vida.
  3. 3Faça a anamnese e o exame físico da doença e registre no Objetivo; volte e vá entre os dois círculos em vez de tratá-los como blocos sequenciais.
  4. 4Amplie para a pessoa como um todo: história de vida, contexto próximo (família, trabalho, apoio social) e contexto amplo (cultura, comunidade). Se o contexto próximo aparecer como problema, escolha a ferramenta de família pela tabela.
  5. 5Feche o problema na Avaliação, com pelo menos um código CIAP-2 ou CID-10, e decida se ele entra na lista de problemas como ativo, latente ou resolvido.
  6. 6Elabore o plano em conjunto: defina o problema com a pessoa, pactue metas e nomeie o papel de cada um — e registre no Plano, que é onde a intervenção recebe seu código.

APGAR 7 a 10 — boa funcionalidade familiar

A pessoa responde sempre ou algumas vezes na maioria dos cinco domínios. A família é percebida como fonte de apoio disponível. Não dispensa genograma quando há repetição de doença ou de conflito entre gerações, mas tira a família da lista de problemas do plano.

APGAR 5 a 6 — moderada disfunção familiar

Parte dos domínios recebe nunca ou algumas vezes. O apoio existe, mas é irregular ou conflituoso. Faixa em que o ecomapa costuma render mais que o genograma: mostra se a família compensa a fragilidade interna com rede externa ou se está isolada nas duas frentes.

APGAR 0 a 4 — elevada disfunção familiar

A maioria dos domínios recebe nunca. É rastreamento positivo, não diagnóstico: indica insatisfação com o apoio recebido e pede a avaliação completa — genograma, ecomapa e, quando o problema tem foco definido, o roteiro P.R.A.C.T.I.C.E.

FerramentaPergunta que respondeO que registraO que ela não faz
GenogramaQue padrões se repetem nesta família ao longo das gerações?Estrutura em três gerações, doenças e transtornos familiares, antecedentes genéticos, causas de morte, conflitos e rede de apoio psicossocialNão mostra a relação da família com a comunidade nem quantifica satisfação
EcomapaCom quem, fora de casa, esta família se conecta — e como?Contatos com escola, trabalho, serviços, igreja e vizinhança, com o tipo de vínculo dado pelo traço da linhaNão mostra repetição transgeracional nem a estrutura de parentesco
APGAR de FamíliaO quanto esta pessoa se sente apoiada pela própria família?Escore de 0 a 10 em cinco domínios: adaptação, participação, crescimento, afeição e resoluçãoNão diagnostica disfunção familiar — mede satisfação, e não tem normas populacionais publicadas
P.R.A.C.T.I.C.E.Como esta família funciona diante deste problema concreto?Problema apresentado, papéis e estrutura, afeto, comunicação, fase do ciclo de vida, doença na família, enfrentamento do estresse e rede de apoioNão serve como rastreamento rápido: exige um problema já definido para organizar o roteiro
F.I.R.O.Que necessidade interpessoal está em jogo neste conflito?Os três eixos — inclusão, controle e intimidade — com o que cada membro demanda e o que ofereceNão gera desenho nem escore; é chave de leitura da dinâmica, não instrumento de registro
Ciclo de vida familiarA crise desta família é esperada para a fase em que ela está?A fase atual entre as oito descritas e as tarefas correspondentesNão descreve o arranjo concreto da casa nem substitui o genograma

Onde cada informação entra no SOAP e o que o e-SUS APS exige de codificação

BlocoO que entraCodificação no e-SUS APS
S — SubjetivoO relato do paciente, se possível como foi referido; o motivo da consulta na perspectiva dele, sem juízo de valor sobre veracidade ou exatidão; mais de um motivo pode ser registradoMotivo da consulta em CIAP-2; na escuta inicial da demanda espontânea o campo é obrigatório, junto com classificação de risco/vulnerabilidade e desfecho
O — ObjetivoAchados da observação do profissional, do exame físico e dos exames laboratoriaisSem exigência de código; campos estruturados de medidas e resultados
A — AvaliaçãoO juízo do profissional à luz das queixas, dos achados e do raciocínio clínico — especulações, inferências e conclusõesPelo menos um código é obrigatório, e aceita-se CIAP-2 ou CID-10; aqui se decide se o problema entra na lista como ativo, latente ou resolvido
P — PlanoA conduta: solicitação de exames, recomendação de medicamento, aconselhamentoA intervenção ou procedimento de cuidado recebe seu código; junto com S e A fecha o episódio de cuidado

As linhas do ecomapa

TraçoLeitura
Linha contínuaLigação forte, relação sólida
Linha tracejadaLigação frágil, relação tênue
Linha com barras (talhada)Aspectos estressantes, relação conflituosa
SetaFluxo de energia e/ou de recursos, e para que lado ele corre
Ausência de linhaAusência de conexão — é informação, não esquecimento do desenho

Ciclo de vida familiar: as oito fases e o ciclo abreviado das famílias populares

FaseTarefa centralEquivalente no ciclo abreviado
Adulto jovem independenteDiferenciação do eu em relação à família e independência financeiraFamília composta por jovem adulto — começa por volta dos 10 anos, quando o adolescente busca subsistência fora de casa
CasamentoFormação do sistema conjugal e realinhamento das outras relaçõesFundido na fase seguinte
Nascimento do primeiro filhoAbertura da família ao novo membro e divisão dos papéis parentaisFamília com filhos pequenos — ocupa a maior parte do ciclo e reúne três ou quatro gerações sob o mesmo teto
Famílias com filhos pequenosRedivisão das tarefas de educação, financeiras e domésticasFamília com filhos pequenos
Famílias com filhos adolescentesFlexibilizar regras e permitir autonomia sem romper o vínculoSem fase própria: o adolescente já assumiu papel de adulto
Lançando os filhos e seguindo em frenteAceitar entradas e saídas do sistema e renegociar o casal sem o papel de paisRaro: o ninho vazio de fato quase não ocorre
AposentadoriaAjuste ao fim do salário regular e ao aumento do gasto com saúdeFamília no estágio tardio
Famílias no estágio tardio: a velhiceAbrir espaço para a experiência dos idosos sem superfuncionar por elesFamília no estágio tardio — os idosos seguem sustentando e educando as gerações mais novas

As oito fases saem da leitura direta do quadro do Ministério da Saúde, que as lista sem apresentar um total; a contagem é nossa.

O ciclo abreviado não é uma versão simplificada para uso rápido: é a descrição de como o ciclo de fato se organiza em famílias de classe social vulnerável, com gravidez precoce e aglomeração de gerações como fenômenos apontados pelo próprio documento.

A conferência familiar aparece no Caderno de Atenção Domiciliar como ferramenta de abordagem ao lado do olhar sistêmico e da leitura de estrutura e dinâmica — não é instrumento de registro e por isso não tem linha própria na tabela de ferramentas.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quantos componentes tem o método clínico centrado na pessoa

Quatro componentes, na terceira edição da obra de referência

Explorando a saúde, a doença e a experiência da doença; entendendo a pessoa como um todo; elaborando um plano conjunto de manejo dos problemas; intensificando a relação entre a pessoa e o médico. Os autores explicam que Incorporando prevenção e promoção da saúde foi absorvido — a promoção da saúde entrou no primeiro componente e a educação e a prevenção, por serem ações e não explorações, entraram no terceiro — e que as questões de tempo e trabalho em equipe do Sendo realista passaram a ser tratadas em capítulos próprios.

Stewart et al. Medicina Centrada na Pessoa, 3. ed., Artmed, 2017, cap. 1 e Quadro 1.1

Seis componentes, nas edições anteriores e em boa parte do material de graduação brasileiro

Aos quatro somam-se Incorporando prevenção e promoção da saúde e Sendo realista, e o primeiro componente chama-se apenas explorando a doença e a experiência da doença, sem a palavra saúde no título e sem o terceiro círculo. A segunda edição é de 2003, a terceira é de 2014 no original e de 2017 em português — a defasagem de mais de uma década explica por que as duas listas circulam ao mesmo tempo em provas e apostilas.

Registro da própria 3. ed. sobre o que havia nas edições anteriores; e a edição brasileira de 2017, que data a segunda edição como dez anos anterior

Na prova

O enunciado costuma denunciar a edição pelo vocabulário. Alternativa que traz Sendo realista ou Incorporando prevenção e promoção da saúde como componente autônomo está falando das edições até 2003. Alternativa em que o primeiro componente inclui a palavra saúde — explorando a saúde, a doença e a experiência da doença — só existe da terceira edição em diante. Quando o enunciado nomeia a obra ou a edição, o recorte está dado; quando não nomeia, as próprias alternativas resolvem, porque as duas listas não se misturam: ou aparecem os dois nomes extras, ou aparece o primeiro componente com três círculos.

O que o APGAR de Família mede, e o que se pode concluir de um escore baixo

Instrumento de funcionalidade familiar, com três faixas — leitura do Ministério da Saúde e da prática brasileira

O documento nacional preconiza o APGAR de Família para avaliar a funcionalidade de famílias com idosos, e a régua brasileira classifica 0 a 4 como elevada disfunção familiar, 5 a 6 como moderada disfunção familiar e 7 a 10 como boa funcionalidade familiar. Na validação com 430 idosos de Fortaleza, o instrumento mostrou alfa de Cronbach de 0,80 e correlação de 0,76 com um critério externo de funcionamento familiar.

Cadernos de Atenção Básica n. 19 (MS, 2007), conforme reproduzido em Silva MJ et al., Esc Anna Nery, 2014;18(3):527-532

Instrumento unidimensional de satisfação, com valor de rastreamento — leitura da ficha técnica internacional

Os cinco domínios, que foram desenhados para capturar dimensões distintas, comportam-se na prática como um construto único: satisfação com a família. O instrumento não tem normas populacionais publicadas, e a limitação registrada é explícita — baixa satisfação pode não ser disfunção. Os próprios autores da validação brasileira concluem que ele é confiável e válido como rastreamento, mas que a intervenção exige completar os demais aspectos da avaliação da funcionalidade.

Sawin KJ, Family APGAR (FAPGAR) fact sheet, International Family Nursing Association, 2023; e a conclusão de Silva MJ et al., Esc Anna Nery, 2014

Na prova

A causa da diferença é de construto: o documento brasileiro trata como medida de funcionalidade um instrumento cujas propriedades psicométricas descrevem satisfação percebida. Cenário de unidade básica, equipe de Saúde da Família, visita domiciliar ou avaliação da pessoa idosa costuma pedir as três faixas nominais e a sigla dos cinco domínios. Enunciado que fala em validade, construto, normas ou consistência interna, ou que oferece entre as alternativas a ideia de escore baixo como indicação de avaliação complementar em vez de diagnóstico, está pedindo a leitura psicométrica. Um distrator que trate o escore como diagnóstico de família disfuncional denuncia o recorte da questão.

06

Caso resolvido

Nauria, 63 anos, comparece pela quinta vez em quatro meses à unidade básica com tontura. Vem sempre acompanhada de uma neta de 19 anos. Já fez hemograma, glicemia, TSH, eletrocardiograma e tomografia de crânio, todos sem alteração, e recebeu betaistina, flunarizina e, na última consulta, sertralina, que não tomou. Hipertensa em uso de losartana, sem outras comorbidades. Ao ser perguntada sobre o que a traz hoje, responde: a tontura, doutor, e é que eu não aguento mais.
motivo referido
O Subjetivo registra o que ela disse, na forma como disse — tontura e não aguento mais —, e não a hipótese do profissional. É esse motivo, e não um diagnóstico, que recebe o código CIAP-2 do motivo da consulta.
experiência da doença
As quatro dimensões abrem o caso. Sentimentos: medo de estar com o mesmo problema da mãe, que morreu acamada. Ideias: acha que é da cabeça, porque já lhe deram remédio de depressão. Funcionamento: parou de sair de casa e de ir à igreja há três meses. Expectativas: veio para conseguir um exame que mostre o que ela tem.
pessoa como um todo
O contexto próximo aparece sem ser perguntado diretamente: há seis meses ela assumiu sozinha o cuidado do marido, que teve um acidente vascular cerebral e ficou dependente. A neta que a acompanha largou o curso técnico para ajudar. A tontura começou nesse período.
escolha da ferramenta
A pergunta que interessa agora é o quanto essa família apoia e com quem ela ainda se conecta — não a repetição transgeracional. O APGAR de Família aplicado a Nauria dá 3: adaptação 1, participação 0, crescimento 0, afeição 1, resolução 1. Faixa de 0 a 4, elevada disfunção familiar como rastreamento positivo.
ecomapa
O desenho mostra a casa ligada por linha contínua apenas à unidade básica; linha tracejada com dois filhos que moram em outra cidade; linha talhada com um irmão do marido, que discorda dos cuidados; ausência de linha com a igreja, com quem havia vínculo até três meses atrás; e seta saindo de Nauria para o marido e para a neta, sem seta chegando.
avaliação
A Avaliação recebe dois problemas codificados: a tontura, ainda sem diagnóstico fechado, e a sobrecarga do cuidador com isolamento social — que na definição adotada pelo prontuário é problema, porque requer ação da equipe e motiva plano de intervenção. Ambos entram na lista como ativos; a hipertensão permanece ativa e o acidente vascular do marido não é problema dela.
plano conjunto
O plano é pactuado, não prescrito: nenhum exame novo por ora, revisão do que já foi feito com ela na tela, retomada da ida à igreja como meta escolhida por ela, acionamento da equipe multiprofissional para avaliar o marido e o retorno da neta ao curso técnico como segunda meta. Retorno em duas semanas, com o marido incluído na agenda. A sertralina não é represcrita antes de a conversa sobre o que ela acha que tem acontecer.
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Agora feche você

Odalvo, 8 anos, é levado à unidade básica pela terceira vez no bimestre por dor abdominal recorrente, sempre em manhã de dia letivo, sem despertar noturno, sem perda de peso, sem sangue nas fezes e com exame físico normal. Cresce e ganha peso na curva. A mãe pede um encaminhamento para gastropediatria. Na consulta, aparece que o pai saiu de casa há cinco meses, que a criança passou a dividir o quarto com a avó materna, que adoeceu, e que a mãe voltou a trabalhar em dois turnos. A professora relatou que ele tem chorado na entrada. A mãe responde ao APGAR de Família com 4 pontos.
achado
Dor abdominal recorrente com padrão temporal ligado ao dia letivo, sem sinais de alarme, crescimento preservado e exame físico normal, num contexto de mudança recente de estrutura e de fase do ciclo familiar.
leitura do ciclo
A família atravessou duas transições em poucos meses: saída de um membro do sistema conjugal e entrada da avó no domicílio, com redistribuição de papéis e de espaço. É crise de fase, previsível na leitura do ciclo de vida — não imprevisível.
ferramenta escolhida
registro
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar o APGAR de Família como se fosse o índice de Apgar do recém-nascido Os dois vão de 0 a 10 e os dois têm cinco itens, o que faz a confusão parecer natural. Mas o do recém-nascido avalia o próprio bebê no primeiro e no quinto minutos de vida e tem repetição por tempo; o de família avalia a satisfação de um membro com o apoio que recebe, não tem momento de aplicação prescrito e não se repete por minuto. A régua de leitura também é outra: no familiar, 7 a 10 é boa funcionalidade e 0 a 4 é elevada disfunção.
  2. 2Colocar a hipótese diagnóstica no Subjetivo Atrai porque o S vem primeiro e parece o lugar da história clínica inteira. O manual do prontuário eletrônico é explícito ao instruir que o motivo da consulta seja codificado exatamente como o paciente o expressa, sem juízo de valor sobre veracidade ou exatidão. Suspeita, impressão e conclusão são Avaliação. Quem antecipa a hipótese para o S perde justamente o dado que o método quer preservar: o que a pessoa acha que tem.
  3. 3Achar que a CIAP-2 substituiu a CID-10 em toda a Atenção Primária A exigência é assimétrica e o enunciado costuma explorar isso. Na escuta inicial da demanda espontânea, o campo obrigatório é Motivo da consulta em CIAP-2, e ali só ela serve. Na Avaliação do atendimento, o sistema exige pelo menos um código e aceita CIAP-2 ou CID-10. Dizer que a CID-10 não é usada na APS brasileira erra pelo mesmo motivo que dizer que a CIAP-2 é opcional em todo lugar.
  4. 4Trocar genograma por ecomapa na hora de escolher a ferramenta São desenhos parecidos com perguntas opostas. O genograma olha para dentro, em três gerações, atrás de repetição de doença, de papel e de conflito. O ecomapa olha para fora, atrás dos vínculos com escola, trabalho, serviços e vizinhança. Caso de repetição transgeracional pede genograma; caso de isolamento social ou de rede de apoio pede ecomapa. Nenhum dos dois responde pela pergunta do outro.
  5. 5Ler ausência de linha no ecomapa como desenho incompleto Ausência de linha significa ausência de conexão, e é dado clínico. O ecomapa tem cinco leituras de traço, não três: contínua para vínculo forte, tracejada para vínculo frágil, talhada para relação conflituosa, seta para o sentido em que corre o apoio, e o espaço vazio para o vínculo que não existe. Quem só decora as três primeiras perde a que costuma virar alternativa.
  6. 6Supor que problema resolvido some da lista de problemas O modelo original separava ativos de inativos ou resolvidos, mas a implementação brasileira acrescentou o subtipo latente: o problema que está resolvido e ainda pode influenciar negativamente a saúde, que não exige manejo e sim vigilância — ex-tabagismo, revascularização prévia, história familiar de câncer de mama. A lista principal reúne ativos e latentes; só os efetivamente resolvidos saem dela.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O método clínico centrado na pessoa valoriza tanto a doença (disease, dimensão biológica) quanto a experiência do adoecer (illness), incluindo ideias, sentimentos, expectativas e impacto funcional. Adesão farmacológica supervisionada é uma estratégia de tratamento, não o conceito. Anamnese só pela queixa e consulta focada no diagnóstico sindrômico são abordagens centradas na doença, não na pessoa. Medicina baseada em evidências é ferramenta de decisão, complementar, não o eixo da abordagem centrada na pessoa.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite em voz alta os quatro componentes na ordem — explorando a saúde, a doença e a experiência da doença; entendendo a pessoa como um todo; elaborando um plano conjunto de manejo dos problemas; intensificando a relação entre a pessoa e o médico — e, logo em seguida, os dois nomes que deixaram de ser componentes: Incorporando prevenção e promoção da saúde e Sendo realista. Depois as quatro dimensões da experiência da doença: sentimentos, ideias, funcionamento, expectativas. Feche com o SOAP letra a letra e com o que é obrigatório em cada bloco: CIAP-2 no motivo da consulta da escuta inicial, pelo menos um código CIAP-2 ou CID-10 na Avaliação.

em 30 dias

Desenhe de memória um ecomapa com as cinco leituras de traço (contínua, tracejada, talhada, seta e ausência de linha) e diga em voz alta a pergunta que o distingue do genograma. Depois recite os cinco domínios do APGAR de Família — adaptação, participação, crescimento, afeição, resolução — com a escala de 0, 1 e 2 e as três faixas: 0 a 4, 5 a 6, 7 a 10. Termine com dois números que separam mundos parecidos: as oito fases do ciclo de vida familiar e as três fases do ciclo abreviado das famílias populares.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 71 anos vem à unidade básica trazido pela filha, por queixa de insônia e falta de disposição há quatro meses. Aposentou-se há seis meses e passou a morar na casa da filha depois de vender a própria. Nega tristeza, mas parou de jogar dominó na praça. Exame físico e exames recentes sem alteração. Conduza a consulta pelo método centrado na pessoa, identifique a fase do ciclo de vida familiar em que essa família está, escolha e justifique a ferramenta de abordagem familiar adequada e registre o caso em SOAP, definindo o que entra na lista de problemas como ativo e como latente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Método clínico centrado na pessoa e abordagem familiar – Método centrado na pessoa e abordagem familiar — Preparatório para provas | OsceLabs