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Cirurgia GeralUrologia

Prepúcio: a fimose que se opera, a parafimose que não espera e a inflamação que esconde

Afecções penianas e prepuciais: fimose, parafimose e balanopostite

Três quadros do mesmo anel de pele. Um se resolve pelo adjetivo — primária ou cicatricial —, outro tem relógio de horas, e o terceiro obriga a olhar o que está embaixo antes de decidir qualquer coisa.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

O principal risco de não tratar prontamente uma parafimose é:

02

Como esse tema cai

Este capítulo trata do anel prepucial e do que acontece com ele: o que não retrai, o que retraiu e não voltou, e o que inflama de repetição. São três quadros com fisiopatologia distinta, três relógios distintos e uma armadilha comum — a de operar antes de olhar o que está embaixo.

A ordem das perguntas é sempre a mesma. Primeiro, é doença? O prepúcio não retrátil do lactente é etapa do desenvolvimento, e chamá-lo de fimose transforma normalidade em indicação cirúrgica. Segundo, é primária ou secundária? Anel que apareceu depois de o prepúcio já ter retraído é cicatriz, e cicatriz não responde a pomada. Terceiro, o que há embaixo? Lesão que não cicatriza, endurecimento ou sangramento mudam o procedimento e mudam o encaminhamento.

O que fica de fora tem endereço. Hérnia inguinal, hidrocele e criptorquidia da infância pertencem à Cirurgia Pediátrica, e este capítulo só encosta ali no ponto em que a fronteira precisa ser dita: o prepúcio do lactente e a criança com hipospádia, que não se circuncida. Úlcera genital, corrimento uretral, condiloma e as demais infecções sexualmente transmissíveis são de outro capítulo — a queixa que abre este aqui é anel, edema ou inflamação, e não úlcera nem secreção uretral. Curvatura peniana, disfunção erétil e priapismo estão no capítulo de andrologia. E o carcinoma de pênis aparece somente como aquilo que a fimose esconde e que obriga o exame histopatológico.

03

O que muda decisão

O prepúcio do lactente não é doença, e forçar a retração fabrica a que é

O prepúcio nasce aderido à glande. Ao nascimento, a retração completa é possível numa pequena minoria dos meninos — as séries clássicas trabalham com algo em torno de 4% —, porque a separação entre o epitélio prepucial e o da glande é um processo que leva anos e acontece sozinho, com o crescimento e com as ereções fisiológicas. Na idade escolar a maioria já retrai; ao fim da adolescência, praticamente todos.

Daí sai a primeira regra, e ela é de conduta negativa: não forçar a retração. A manobra rompe as aderências balanoprepuciais com microfissuras, e microfissura que cicatriza repetidamente produz anel fibroso. É como se transforma um prepúcio normal, que retrairia sozinho aos seis anos, numa fimose cicatricial que precisará de tratamento. A orientação que sai da consulta é higiene externa suave, sem retração forçada, e retração progressiva apenas até onde não doer, na idade em que a criança já colabora.

Vale separar dois achados que a mesma consulta encontra juntos e que não são a mesma coisa. Aderência balanoprepucial é a união epitelial entre a face interna do prepúcio e a glande, resíduo do desenvolvimento, que se desfaz sozinha e não constitui estreitamento do anel. Fimose é o anel distal que não distende o suficiente para passar sobre a glande. Uma criança pode ter anel amplo com aderências extensas, e nesse caso a retração é limitada pela aderência, não pelo anel. As pérolas esbranquiçadas e lisas que aparecem sob o prepúcio ao longo desse processo são esmegma retido entre as duas superfícies que se separam: não são abscesso, não pedem antibiótico e saem sozinhas quando a separação se completa. Confundi-las com pus é motivo frequente de prescrição desnecessária e, pior, de retração forçada.

Balonamento do prepúcio à micção, isoladamente, é achado frequente e não indica cirurgia. Ele passa a importar quando vem acompanhado de esforço miccional, jato fino, infecção urinária de repetição ou episódios inflamatórios — aí o que indica a conduta é a repercussão, não o balonamento.

A fronteira com a Cirurgia Pediátrica tem um ponto que a prova cobra e que erra caro: a criança com hipospádia não se circuncida. O prepúcio dorsal em capuz é o tecido usado na reconstrução uretral, e removê-lo antes retira do cirurgião o material da correção. Diante de meato ectópico ventral, prepúcio incompleto ou curvatura ventral, a conduta é encaminhar antes de qualquer procedimento no prepúcio.

Duas situações rompem a espera. A fimose secundária, com anel esbranquiçado e endurecido, é patológica em qualquer idade. E a parafimose, que é o prepúcio retraído que não volta, é urgência independentemente de idade — e é justamente a complicação que a retração forçada produz.

Primária ou secundária: o adjetivo que decide o tratamento inteiro

A fimose primária é a que nunca retraiu: não há cicatriz, o anel é apenas estreito, e a pele mantém aspecto normal. A fimose secundária, também chamada de cicatricial ou patológica, tem uma história em duas partes — o prepúcio retraía, e depois deixou de retrair, com surgimento de um anel fibroso, esbranquiçado, que não distende. Uma pergunta de anamnese separa as duas, e ela é a mais importante do tema: antes retraía?

A distinção não é acadêmica: ela prevê a resposta ao tratamento clínico. Anel estreito sem cicatriz distende com corticoide tópico e retração progressiva; anel cicatricial não distende, porque a fibrose já substituiu o tecido elástico. Prescrever pomada por três meses num anel nacarado é adiar o tratamento e submeter o paciente a episódios inflamatórios que se repetem enquanto isso.

As causas de fimose secundária no adulto formam uma lista curta e cada uma pede um desdobramento: líquen escleroso, balanopostite de repetição, diabetes mal controlado, retração forçada prévia e trauma por instrumentação ou cateter. O diabético mal controlado merece nota própria — a glicosúria alimenta a colonização por leveduras, a inflamação repetida fibrosa o anel, e o anel dificulta a higiene, o que realimenta a inflamação. É circular, e o tratamento que não incluir o controle metabólico volta.

No adulto, o quadro típico não é só o anel. Vem acompanhado de secreção esbranquiçada e grumosa retida, odor, dispareunia com evitação da atividade sexual, redução do calibre do jato e balonamento à micção. Cada um desses achados é conteúdo de anamnese que a prova costuma esconder no meio da história — e o conjunto deles, com o anel nacarado, já é indicação cirúrgica.

Um cuidado de leitura fecha a seção. Nem todo prepúcio que deixou de retrair no adulto tem anel estreito: edema agudo por balanopostite, por picada de inseto, por reação alérgica ou por anasarca também impede a retração, e ali o que existe é volume, não fibrose. A diferença se faz com o dedo e com o tempo — a fimose é crônica e tem anel firme, delimitado, que se palpa como uma faixa; o edema é recente, difuso e depressível, e o prepúcio inteiro está espessado. Indicar cirurgia diante de edema é operar em cima de um quadro que se resolve tratando a causa, e o resultado estético paga o preço da estimativa feita em campo distorcido.

Líquen escleroso: o anel nacarado que muda três decisões de uma vez

O líquen escleroso genital masculino, conhecido na literatura urológica antiga como balanite xerótica obliterante, é a causa patológica mais importante de fimose secundária. Ele se apresenta como um anel distal esbranquiçado, nacarado e endurecido, que pode se estender para a glande e para o meato, com fissuras superficiais que sangram à tentativa de retração.

Ele muda três decisões ao mesmo tempo, e é por isso que reconhecê-lo vale a questão inteira. A primeira: o corticoide tópico não resolve o anel esclerótico. Ele alivia sintoma e pode controlar a atividade inflamatória, mas a fibrose instalada não distende, e o tratamento definitivo do anel é cirúrgico. A segunda: o processo acomete meato e uretra, o que traz estenose de meato e estenose uretral para dentro do seguimento — o paciente não recebe alta depois da cirurgia do prepúcio, e precisa ser reavaliado quanto ao jato.

A terceira é a que mais pesa. O líquen escleroso tem associação estabelecida com o carcinoma epidermoide do pênis. Por isso o prepúcio ressecado vai obrigatoriamente ao exame histopatológico, e qualquer lesão que não cicatriza, endurecimento localizado, área vegetante ou sangramento espontâneo pede biópsia antes de qualquer decisão terapêutica. Circuncidar sem olhar o que estava embaixo é como se perde o estadiamento de um tumor que estava escondido pelo próprio anel.

O achado histológico que o laudo descreve tem nome e vale reconhecer no enunciado: hiperceratose com atrofia da camada espinhosa, homogeneização do colágeno na derme papilar e infiltrado linfocitário em faixa logo abaixo. Quando o laudo traz isso e afirma ausência de atipias, ele fez duas coisas — confirmou o líquen escleroso e afastou a neoplasia naquele fragmento.

Balanopostite: o que ela é, o que denuncia e o que esconde

Balanite é a inflamação da glande; postite, a do prepúcio; balanopostite, a das duas, que é a apresentação usual em quem não é circuncidado. A causa mais frequente no adulto é infecciosa por leveduras, e o exame direto da secreção mostra pseudo-hifas e blastoconídios, com cultura confirmando. Bactérias anaeróbias produzem quadro mais fétido e erosivo; dermatite irritativa ou de contato, por higiene excessiva ou por produto tópico, produz eritema difuso sem secreção.

As causas não infecciosas são as que a prova usa como diferencial. A balanite plasmocitária de Zoon aparece em não circuncidados como placa brilhante, alaranjada e persistente, com pontilhado hemorrágico. Psoríase genital costuma vir com placas em outras áreas. Líquen plano traz pápulas violáceas e estrias esbranquiçadas. Balanite circinada acompanha a artrite reativa. Nenhuma delas responde a antifúngico, e é a persistência apesar do tratamento inicial que precisa disparar a biópsia.

Balanopostite de repetição no adulto denuncia o metabolismo. A investigação obrigatória é o rastreio de diabetes, e o achado laboratorial típico do caso mal controlado une hemoglobina glicada elevada, glicemia alta e glicosúria. Vale também investigar a parceria: candidíase vulvovaginal recorrente na parceira e balanopostite recorrente no paciente costumam ser a mesma história metabólica e de reinfecção, e tratar um lado só faz o quadro voltar.

E balanopostite esconde. O anel fechado impede a inspeção da glande e do sulco, e é exatamente ali que o carcinoma epidermoide começa. Fimose é fator de risco reconhecido para câncer de pênis e, ao mesmo tempo, o que atrasa o diagnóstico. Diante de lesão que não cicatriza sob o prepúcio, endurecimento, sangramento ou adenopatia inguinal, a ordem correta é: biopsiar, e só depois programar a cirurgia definitiva.

Há um grupo de lesões que merece nome próprio porque a prova o usa como gatilho de biópsia. A neoplasia intraepitelial peniana, cuja forma clássica sobre a glande do não circuncidado recebeu o nome de eritroplasia de Queyrat, aparece como placa avermelhada, aveludada e persistente, indistinguível a olho nu de uma balanite crônica. Ela não responde a antifúngico nem a corticoide, e é justamente a persistência apesar do tratamento inicial que a denuncia. Daí sai a regra que vale para o capítulo inteiro: lesão da glande ou do prepúcio que não responde em algumas semanas é biopsiada, e não retratada com outro creme.

A sequência terapêutica no quadro inflamatório agudo é curta e a prova gosta dela. Trata-se a infecção local, corrige-se o controle metabólico e só então se opera de forma eletiva. Operar em campo inflamado aumenta deiscência, infecção de sítio e estenose de meato — a pressa custa o resultado.

Corticoide tópico: onde ele resolve e onde ele só atrasa

O corticoide tópico de média a alta potência, aplicado duas vezes ao dia por quatro a oito semanas e associado a retração suave e progressiva, é tratamento de primeira linha na fimose primária, sem cicatriz. As séries publicadas trazem taxas de sucesso altas, com a vantagem óbvia de evitar anestesia e cirurgia numa criança. Quando funciona, o efeito é o afinamento e o aumento da elasticidade do anel, e a retração passa a ser possível sem dor.

Três condições fazem o tratamento valer. A primeira é o diagnóstico correto: anel sem cicatriz. A segunda é a aplicação no lugar certo — sobre o anel estreito, e não espalhada pela haste. A terceira é a retração associada, suave, sem dor, feita diariamente durante o tratamento; pomada sem manobra tem resultado bem menor.

Onde ele não tem chance é no anel cicatricial, e sobretudo no líquen escleroso já esclerótico. Ali o corticoide potente controla atividade inflamatória e sintoma, mas não devolve elasticidade a um tecido que virou fibrose. Insistir por meses é o erro que a prova cobra, porque o preço não é só tempo: são novos episódios de inflamação, mais fibrose e, no diabético, mais recidiva.

Há uma consequência de leitura útil. Quando o enunciado descreve um homem adulto, diabético, com anel nacarado e vários episódios de balanopostite no ano, ele já respondeu à pergunta sobre corticoide antes de fazê-la — a resposta esperada é tratar a infecção, ajustar o metabolismo e indicar a cirurgia.

Postectomia, prepucioplastia e o frasco que vai ao patologista

As indicações médicas da postectomia formam um conjunto reconhecível: fimose cicatricial, líquen escleroso com anel esclerótico, balanopostite de repetição, parafimose recorrente, e fimose com repercussão obstrutiva ou infecção urinária de repetição. A cirurgia resolve o anel, permite a inspeção da glande e do sulco e interrompe o círculo de retenção, inflamação e fibrose.

Nem todo anel estreito precisa perder o prepúcio. A prepucioplastia — incisão longitudinal do anel com fechamento transversal, e suas variantes com múltiplas incisões — alarga o anel preservando o prepúcio, e é alternativa razoável no anel estreito sem líquen escleroso, em quem deseja preservação. A restrição é justamente essa: diante de doença esclerótica difusa, preservar o tecido doente é preservar o problema, e a indicação passa a ser a ressecção.

O gesto que a prova mais cobra na sala não é técnico, é administrativo: enviar a peça ao exame histopatológico. Sempre que houver líquen escleroso, lesão suspeita, endurecimento ou dúvida, o prepúcio ressecado vai ao patologista, e a lesão isolada é biopsiada antes. É o passo que transforma uma cirurgia de higiene num procedimento diagnóstico.

As complicações compõem a conversa de consentimento e caem em prova como lista: sangramento no pós-operatório imediato, infecção de sítio cirúrgico, estenose de meato — mais frequente quando há líquen escleroso —, remoção excessiva ou insuficiente de pele, e lesão inadvertida da glande ou do frênulo. No diabético, o controle glicêmico pré-operatório é parte do procedimento, não recomendação de rotina.

Dois detalhes técnicos aparecem em enunciado e vale nomeá-los. O primeiro é o frênulo: frênulo curto produz dor e laceração na retração e na atividade sexual, com sangramento por lesão da artéria frenular, e tem tratamento próprio — frenulotomia ou frenuloplastia —, que não se confunde com a fimose nem a substitui. Um paciente pode ter anel amplo e frênulo curto, e nele a postectomia é a operação errada. O segundo é a quantidade de pele: a operação não é só retirar prepúcio, é calibrar quanto retirar. Remoção insuficiente deixa o anel recidivar; remoção excessiva produz haste com pele tensa, desconforto à ereção e resultado ruim. É outra razão para não operar em campo edemaciado, onde a estimativa se perde.

Fecha o assunto a orientação de alta, que também é conteúdo: higiene local, retorno programado, sinais de alarme — sangramento persistente, febre, secreção purulenta, dificuldade miccional — e, quando o líquen escleroso foi confirmado, reavaliação do meato e do jato ao longo do seguimento.

Parafimose: o círculo vicioso que fecha em horas

Parafimose é o prepúcio retraído para trás da coroa da glande que não consegue voltar. O anel estreito, agora proximal à coroa, funciona como garrote, e a partir daí a sequência é mecânica e previsível — e a ordem dela é o que a prova pergunta.

Primeiro obstrui a drenagem linfática, que é o sistema de menor pressão: instala-se linfedema da glande e do prepúcio distal. O volume aumenta e aperta mais o anel. Em seguida obstrui a drenagem venosa, e a congestão soma edema e cianose, apertando ainda mais. Só quando a pressão tecidual supera a pressão de perfusão é que o fluxo arterial se compromete, e aí se instalam isquemia e, na sequência, necrose. Repare que o quadro se agrava sozinho: quanto mais tempo, mais edema; quanto mais edema, mais apertado o anel.

O achado de exame que fecha o diagnóstico é o anel constritor palpável imediatamente proximal à coroa, com a haste normal atrás dele e a glande tensa e aumentada à frente. Esse detalhe separa parafimose de tudo o que apenas incha: na balanopostite com edema, o prepúcio ainda cobre a glande e não há faixa estrangulante; no edema por anasarca, o aumento é difuso e indolor, sem anel; no angioedema, o quadro é agudo, alérgico e sem constrição focal; no garrote por corpo estranho — fio de cabelo, anel, argola —, há um objeto a ser procurado e retirado.

O cenário mais frequente no hospital é iatrogênico, e essa é a informação mais examinável do tema. Sondagem vesical, cistoscopia, exame genital e higiene de cateter de demora são as circunstâncias clássicas: alguém retraiu o prepúcio para limpar o meato e não o reposicionou. Daí sai a única medida preventiva que funciona — reposicionar o prepúcio depois de qualquer manipulação, e ensinar isso a quem cuida do paciente em casa. Em criança, a causa é a retração forçada.

Três populações concentram o risco, e reconhecê-las no enunciado adianta o diagnóstico. O idoso com cateter de demora, cuja higiene é feita por terceiros e cuja queixa chega tarde porque a comunicação e a sensibilidade estão reduzidas. A criança, em quem a causa é a retração forçada, muitas vezes ensinada na consulta anterior. E o adulto jovem, em que o episódio se liga à atividade sexual ou à colocação de objeto constritor — e este último traz um diferencial que precisa ser afastado antes de qualquer manobra: o garrote por corpo estranho, seja fio de cabelo, elástico, anel ou argola, em que há um objeto a ser procurado e retirado, e nenhum grau de compressão da glande resolve enquanto ele estiver no lugar.

A avaliação inicial mede o tempo de constrição e procura sinais de sofrimento tecidual: áreas escurecidas, bolhas, perda de brilho, ausência de enchimento capilar na glande. Ausência desses sinais define a glande ainda viável e autoriza a redução manual. Presença deles muda a urgência e a via.

Esquema: um tubo cilíndrico apertado no meio por uma faixa circunferencial escura, com a extremidade distal à faixa muito dilatada e tensa; abaixo, uma seta circular fechada com três espessamentos ao longo do percurso.
A faixa é o anel prepucial que passou para trás da coroa e virou garrote. O bulbo tenso à frente dela é a consequência, e a seta circular é o motivo de o quadro piorar sozinho: a constrição bloqueia primeiro a drenagem linfática, depois a venosa, o edema resultante aperta mais o anel, e só no fim do ciclo a perfusão arterial se compromete. É por isso que a primeira manobra é retirar edema, e não puxar pele.

A redução: primeiro tirar o edema, depois mover a pele

O erro mais comum na redução é começar pelo fim. Puxar o prepúcio sobre uma glande tensa e edemaciada não funciona, machuca e piora o edema. A sequência correta tem três tempos, e os dois primeiros preparam o terceiro.

O primeiro tempo é a analgesia, e ela é condição do resto: bloqueio peniano dorsal ou bloqueio em anel com anestésico local sem vasoconstritor. Sem analgesia adequada o paciente não tolera a compressão sustentada, e sem compressão sustentada a redução falha. Em paciente anticoagulado, o coagulograma entra antes do bloqueio — e é um dado que a prova costuma plantar no enunciado como antecedente aparentemente acessório.

O segundo tempo é a compressão manual sustentada da glande, com a mão envolvendo a glande e mantendo pressão firme e contínua por vários minutos, tipicamente de cinco a quinze. O objetivo é espremer o edema de volta para o interstício proximal e reduzir o volume que o anel precisa transpor. É um gesto entediante e é o que resolve a maioria dos casos.

O terceiro tempo é a redução bidigital: os polegares empurram a glande para dentro enquanto os dedos indicador e médio tracionam o prepúcio para a frente, em movimento simultâneo e sem violência. A sensação de sucesso é o anel deslizando sobre a coroa e o prepúcio voltando a cobrir a glande.

Quando a compressão não basta, existem recursos auxiliares que atacam o mesmo alvo, que é o edema: envoltório compressivo e frio local; agentes osmóticos, como gaze embebida em solução glicosada hipertônica ou açúcar granulado aplicado sobre a glande por alguns minutos; injeção de hialuronidase no tecido edemaciado do prepúcio, que dispersa o líquido intersticial; e a técnica de múltiplas punções superficiais com agulha fina, que drena o edema por pequenos orifícios. Nenhum deles substitui a analgesia e a compressão — todos são adjuvantes delas.

Um detalhe de execução que muda o resultado: enquanto se comprime, o operador não deve alternar entre tentar puxar e voltar a comprimir. A compressão precisa ser contínua para deslocar líquido; interrompê-la a cada minuto para testar a redução reinicia o processo e prolonga o sofrimento do paciente.

Quando a redução falha, e o que fica programado depois

Falhada a redução manual com analgesia, compressão e adjuvantes, o passo seguinte é cirúrgico e é imediato: incisão dorsal do anel constritor sob anestesia local. O gesto é simples e resolve o problema mecânico — secciona-se longitudinalmente a faixa que estrangula, e o prepúcio volta a deslizar. O mesmo se aplica, sem tentativa prolongada, quando já há sinais de sofrimento tecidual: áreas escurecidas, bolhas ou enchimento capilar ausente na glande.

O que não se faz na urgência, em regra, é a postectomia definitiva no campo agudamente edemaciado. O edema distorce os planos, dificulta a estimativa de quanta pele remover e aumenta as taxas de complicação e de resultado estético ruim. A postectomia entra depois, de forma eletiva, quando a inflamação cedeu — e ela é a medida que impede a recorrência, especialmente em quem tem anel estreito de base.

Reduzida a parafimose, o encerramento do atendimento tem duas partes, e a segunda é a que evita o retorno. A primeira é local: analgesia, observação da glande, orientação de sinais de alarme. A segunda é a orientação de reposicionamento — o paciente, o acompanhante e a equipe que cuida do cateter precisam ouvir, em palavras simples, que o prepúcio volta ao lugar depois de cada higiene, de cada troca e de cada exame. Em serviço, essa instrução vale mais que qualquer técnica de redução, porque previne o evento inteiro.

Fica ainda a diferenciação que a prova insiste em cobrar e que a pressa atrapalha. Glande e prepúcio muito edemaciados, sem anel constritor palpável e com o prepúcio ainda cobrindo a glande, não são parafimose: são balanopostite com edema, celulite ou edema sistêmico, e nenhuma dessas condições melhora com manobra de redução. Antes de comprimir, o dedo procura a faixa — e é a faixa que autoriza tudo o que vem depois.

04

As três perguntas, na ordem em que se fazem

Os cartões abaixo põem em ordem as decisões do tema. Cada um resume uma pergunta, o achado que a responde e o que ela autoriza. A ordem importa: pular a primeira transforma normalidade em cirurgia, e pular a terceira opera em cima de um tumor não visto.

Primeira pergunta — é doença?

No lactente e na criança pequena, prepúcio não retrátil sem cicatriz, sem infecção e sem repercussão miccional é etapa do desenvolvimento. A conduta é orientação de higiene externa e proibição da retração forçada, que é o que fabrica a fimose cicatricial. Balonamento isolado à micção não indica cirurgia; balonamento com esforço, jato fino, infecção urinária ou inflamação de repetição, sim.

Segunda pergunta — primária ou secundária?

Uma pergunta de anamnese resolve: antes retraía? Se nunca retraiu e o anel é apenas estreito, sem cicatriz, o tratamento de primeira linha é corticoide tópico com retração suave por quatro a oito semanas. Se retraía e depois deixou de retrair, com anel esbranquiçado e endurecido, há cicatriz — e cicatriz não distende com pomada.

Terceira pergunta — o que há embaixo?

Lesão que não cicatriza, endurecimento localizado, área vegetante, sangramento espontâneo ou adenopatia inguinal exigem biópsia antes de decidir o tratamento. Havendo líquen escleroso ou qualquer suspeita, o prepúcio ressecado vai ao exame histopatológico. Fimose é fator de risco para carcinoma de pênis e, ao mesmo tempo, o que atrasa o diagnóstico.

Fora da fila — a parafimose

Prepúcio retraído atrás da coroa, com anel constritor palpável e glande tensa, não entra na fila das três perguntas: é urgência. Analgesia por bloqueio, compressão manual sustentada da glande por vários minutos e redução bidigital. Falhando, incisão dorsal do anel agora; postectomia depois, eletiva, com a inflamação resolvida.

Meato ectópico ventral, prepúcio em capuz dorsal ou curvatura ventral mudam tudo: a criança com hipospádia não se circuncida, porque o prepúcio é o tecido da reconstrução uretral.

Balanopostite de repetição no adulto pede rastreio de diabetes, tratamento da infecção local e correção metabólica antes da cirurgia eletiva. Operar em campo inflamado aumenta deiscência, infecção e estenose de meato.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Como se gradua o quanto o prepúcio retrai

Escalas de cinco graus, por extensão da retração

As escalas mais difundidas graduam do prepúcio totalmente aderido e não retrátil até o totalmente retrátil, passando por graus intermediários definidos pelo quanto da glande se expõe — apenas o meato, parte da glande, glande inteira com anel apertado. Elas descrevem função, e não anatomia.

EAU Guidelines on Paediatric Urology (European Association of Urology), capítulo do prepúcio, seção de definição e avaliação da retratilidade, que reproduz as escalas em uso pediátrico.

Descrição narrativa, sem grau numerado

Boa parte da literatura de adulto dispensa a numeração e descreve diretamente o achado — até onde retrai, se há anel esbranquiçado, se há fissura, se há dor à manobra. O argumento é que o grau isolado não muda conduta: quem decide é a presença ou ausência de cicatriz.

2022 European guideline for the management of balanoposthitis (Edwards SK, Bunker CB, van der Meijden WI, Reynolds M), seção de avaliação clínica do prepúcio no adulto.

Na prova

Não vale decorar numeração de grau, porque as escalas em circulação não coincidem entre si e um enunciado que dependa do número está mal construído. O que a prova de fato cobra é o adjetivo: anel esbranquiçado, endurecido e nacarado indica cicatriz e desqualifica a pomada; anel estreito de pele normal, sem cicatriz, autoriza o tratamento tópico. Quando o enunciado descrever a retração em palavras — expõe só o meato, não alcança o sulco, provoca fissura e sangramento —, ele está entregando o adjetivo, e é ele que decide.

Postectomia de urgência ou incisão dorsal na parafimose que não reduz

Incisão dorsal agora, postectomia eletiva depois

A posição majoritária resolve a urgência com o gesto mínimo: secciona-se longitudinalmente o anel constritor sob anestesia local, o que desfaz o garrote sem exigir estimativa de quanta pele remover num campo distorcido pelo edema. A postectomia fica para depois, com a inflamação resolvida, e é ela que previne a recorrência.

EAU Guidelines on Paediatric Urology (European Association of Urology), capítulo do prepúcio, seção de manejo da parafimose; e a posição americana sobre circuncisão quanto a operar em campo agudamente inflamado.

Postectomia no mesmo tempo, em casos selecionados

Há posição que defende resolver tudo numa cirurgia só em pacientes selecionados — anel de base muito estreito, recorrência prévia, dificuldade de retorno ao serviço —, com o argumento de que a segunda anestesia e a segunda internação também têm custo e risco.

Circumcision: American Urological Association white paper / position statement (American Urological Association), discussão sobre indicações e momento cirúrgico.

Na prova

As duas posições concordam no essencial: o anel precisa ser aberto agora, e a prevenção da recorrência é a remoção do prepúcio em algum momento. A discordância é de tempo cirúrgico, e ela some quando o enunciado descreve edema importante — aí a resposta esperada é a incisão dorsal, com a postectomia programada. Um enunciado que ofereça postectomia de urgência num pênis muito edemaciado está oferecendo a alternativa que a maioria dos textos desaconselha.

Qual adjuvante usar quando a compressão manual não vence o edema

Agentes osmóticos e frio, medidas de menor custo

Gaze embebida em solução glicosada hipertônica, açúcar granulado sobre a glande e envoltório compressivo com frio local atuam retirando líquido do interstício, com material disponível em qualquer serviço e sem risco de punção. Levam mais tempo e exigem paciência do operador.

EAU Guidelines on Paediatric Urology (European Association of Urology), capítulo do prepúcio, seção de manobras auxiliares na redução da parafimose.

Hialuronidase ou múltiplas punções, medidas mais rápidas

A injeção de hialuronidase no tecido edemaciado dispersa o líquido intersticial em minutos, e a técnica de múltiplas punções superficiais drena o edema por pequenos orifícios. São mais rápidas e exigem material específico ou punção em tecido inflamado, o que pede cuidado adicional em quem usa anticoagulante.

Séries e relatos de serviço de urgência reproduzidos nos capítulos de manejo da parafimose dos documentos citados acima, apresentados ali como alternativas de eficácia comparável e nível de evidência baixo.

Na prova

Nenhum adjuvante tem superioridade demonstrada sobre os outros, e por isso a questão bem construída não pergunta qual deles usar. O que ela cobra é a ordem: analgesia, depois compressão manual sustentada, e só então o adjuvante — todos eles atacam o mesmo alvo, que é o edema, e nenhum substitui os dois primeiros passos. Se o enunciado oferecer um adjuvante como primeira medida, antes da analgesia, a alternativa está errada pela ordem, e não pela escolha do material.

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Caso resolvido

Homem de 46 anos procura o ambulatório de urologia com impossibilidade de retrair o prepúcio há cerca de um ano, precedida por estreitamento progressivo do anel nos três anos anteriores — antes disso, retraía normalmente. Conta seis episódios de inflamação local no último ano, com eritema, edema, prurido e ardência, tratados com pomadas compradas sem prescrição, com melhora parcial e recidiva em poucas semanas. Refere secreção esbranquiçada e grumosa sob o prepúcio, de odor desagradável, dispareunia com evitação da atividade sexual nos últimos seis meses, redução do calibre do jato urinário e balonamento do prepúcio à micção. Tem diabetes tipo 2 há oito anos e interrompeu o tratamento por conta própria há seis meses. A esposa apresentou corrimento vaginal recorrente, tratado em duas ocasiões. Ao exame, o prepúcio tem anel distal esbranquiçado, endurecido e nacarado, de cerca de 5 mm de largura, com duas fissuras lineares recentes, edema e eritema da pele distal e secreção grumosa exteriorizando pelo orifício; a tentativa de retração expõe apenas o meato prepucial, não alcança o sulco, e provoca dor e sangramento puntiforme. Exames: glicemia de jejum 208 mg/dL, hemoglobina glicada 9,8%, glicosúria de três cruzes; exame micológico direto com pseudo-hifas e blastoconídios em grande quantidade, cultura com crescimento de Candida albicans; sorologias para HIV, sífilis e hepatites não reagentes.
primeiro, use a anamnese para classificar o anel
Antes retraía e depois deixou de retrair: isso define fimose secundária, ou cicatricial. O aspecto fecha o diagnóstico — anel esbranquiçado, endurecido e nacarado, com fissuras, é líquen escleroso até prova em contrário. Essa classificação, feita com duas informações e um olhar, já retira o corticoide tópico da lista de opções definitivas.
segundo, procure o que o anel pode estar escondendo
O prepúcio fechado impede a inspeção da glande e do sulco, e é ali que o carcinoma epidermoide começa. Fissura que sangra, endurecimento, lesão que não cicatriza ou adenopatia inguinal pedem biópsia antes de qualquer decisão. Aqui, a biópsia da lesão prepucial é o passo que confirma o líquen escleroso e afasta atipia no fragmento — e ela vem antes de programar a cirurgia.
terceiro, leia a balanopostite de repetição como sinal metabólico
Seis episódios num ano, secreção grumosa, exame direto com pseudo-hifas e cultura com Candida albicans, num homem com hemoglobina glicada de 9,8% e glicosúria de três cruzes. A glicosúria alimenta a colonização, a inflamação fibrosa o anel e o anel dificulta a higiene: o ciclo se fecha. Vale ainda registrar o corrimento recorrente da parceira, porque tratar um lado só faz o quadro voltar.
quarto, trate a infecção e o metabolismo antes de operar
Antifúngico tópico para o episódio atual e retomada imediata do tratamento do diabetes, com encaminhamento para ajuste. Operar em campo agudamente inflamado e com hemoglobina glicada de 9,8% aumenta deiscência, infecção de sítio cirúrgico e estenose de meato. A ordem não é burocracia: é o que separa uma cirurgia limpa de uma complicação previsível.
quinto, indique a postectomia como tratamento definitivo
Fimose cicatricial com líquen escleroso, seis episódios inflamatórios no ano, repercussão miccional e impacto sexual formam uma indicação cirúrgica sem contestação. A prepucioplastia, que preserva o prepúcio, fica fora justamente por causa do líquen escleroso: preservar o tecido doente é preservar o problema.
sexto, programe o frasco do patologista
O prepúcio ressecado vai obrigatoriamente ao exame histopatológico. O laudo esperado descreve hiperceratose com atrofia da camada espinhosa, homogeneização do colágeno na derme papilar e infiltrado linfocitário em faixa — e, tão importante quanto, informa se há ou não atipia epitelial. É esse envio que transforma a cirurgia num procedimento também diagnóstico.
sétimo, combine o seguimento que o líquen escleroso exige
A doença acomete meato e uretra, e por isso o paciente não recebe alta depois da cirurgia do prepúcio: o jato e o meato precisam ser reavaliados ao longo do seguimento, procurando estenose. Somam-se as orientações de higiene local, uso de preservativo, controle glicêmico continuado e sinais de alarme para retorno — lesão que não cicatriza, sangramento, endurecimento novo.
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Agora feche você

Homem de 72 anos, com cateter vesical de demora há oito meses por retenção urinária atribuída à próstata, é levado ao pronto-socorro pela filha, que é sua cuidadora. Ela conta que retraiu o prepúcio durante a higiene do cateter, há dez horas, e não conseguiu reposicioná-lo; tentou duas vezes em casa, sem sucesso e com piora da dor. Ele descreve dor progressiva na glande desde então, hoje de intensidade sete em dez, com aumento de volume e endurecimento da região. Nega febre, calafrios, secreção purulenta e hematúria, e a urina no coletor está clara. Tem diabetes tipo 2 há vinte anos em uso de insulina e fibrilação atrial em uso de anticoagulante oral; nega alergia a anestésicos. Ao exame, a glande está muito aumentada de volume, tensa, de coloração rósea-arroxeada; o prepúcio está retraído e edemaciado formando dois rolos distais ao sulco; há faixa circular estrangulando o sulco balanoprepucial, com anel fibroso de cerca de 4 mm palpável imediatamente proximal à coroa, muito doloroso ao toque; a haste proximal ao anel tem espessura normal. Não há áreas escurecidas, bolhas nem solução de continuidade. Exames: razão normalizada internacional de 2,6; hemoglobina glicada 8,6%; urocultura com Escherichia coli em contagem baixa, em paciente sem febre e sem sintomas sistêmicos.
o diagnóstico e o achado que o autoriza
o dado que muda o preparo
o primeiro tempo
o segundo tempo
o terceiro tempo
o plano B
o que impede o próximo episódio
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Onde a banca derruba

  1. 1Chamar de fimose o prepúcio normal do lactente O prepúcio nasce aderido à glande e se separa ao longo de anos, sozinho. Retração completa é possível numa pequena minoria dos recém-nascidos, na maioria já na idade escolar e em quase todos ao fim da adolescência. Sem cicatriz, sem infecção e sem repercussão miccional, o que existe é desenvolvimento em curso — e transformar isso em indicação cirúrgica é o erro mais frequente do tema.
  2. 2Ensinar a família a forçar a retração para higienizar A manobra rompe as aderências com microfissuras, e microfissura que cicatriza repetidamente produz anel fibroso. É assim que se fabrica a fimose cicatricial que depois precisará de cirurgia — e é também a causa clássica de parafimose na criança. A orientação correta é higiene externa suave e retração progressiva apenas até onde não doer.
  3. 3Prescrever corticoide tópico para anel nacarado A pomada distende o anel estreito de pele normal, e não devolve elasticidade ao tecido que já virou fibrose. Diante de anel esbranquiçado, endurecido e nacarado, insistir por meses adia o tratamento definitivo e expõe o paciente a novos episódios inflamatórios, que fibrosam ainda mais. O corticoide potente ainda controla a atividade inflamatória do líquen escleroso, mas o anel esclerótico é cirúrgico.
  4. 4Circuncidar sem mandar a peça ao patologista O líquen escleroso tem associação estabelecida com o carcinoma epidermoide do pênis, e o próprio anel é o que esconde a lesão da inspeção. Diante de líquen escleroso, endurecimento, lesão que não cicatriza ou sangramento, a lesão é biopsiada antes e o prepúcio ressecado vai obrigatoriamente ao exame histopatológico. É o passo que transforma uma cirurgia de higiene num procedimento diagnóstico.
  5. 5Tratar a balanopostite de repetição sem investigar o metabolismo Balanopostite candidiásica recorrente no adulto é sinal, não só doença: a glicosúria alimenta a colonização, a inflamação repetida fibrosa o anel e o anel dificulta a higiene, realimentando o ciclo. Sem hemoglobina glicada e sem correção do controle glicêmico, o tratamento tópico resolve o episódio e não muda a história. Vale ainda perguntar pela parceria, porque a reinfecção mantém o quadro.
  6. 6Operar de forma eletiva com o campo agudamente inflamado A sequência é tratar a infecção local, corrigir o controle metabólico e só então operar. Campo inflamado aumenta deiscência, infecção de sítio cirúrgico e estenose de meato, e o resultado estético piora. A pressa não antecipa a cura: troca uma cirurgia limpa por uma cirurgia com complicação previsível.
  7. 7Circuncidar a criança com hipospádia O prepúcio dorsal em capuz é o tecido usado na reconstrução uretral, e removê-lo antes retira do cirurgião o material da correção. Meato ectópico ventral, prepúcio incompleto ou curvatura ventral interrompem qualquer plano de postectomia e mudam a conduta para encaminhamento. É erro irreversível e cai em prova com frequência.
  8. 8Puxar o prepúcio antes de tirar o edema na parafimose A tração sobre glande tensa e edemaciada não vence o anel, machuca e piora o edema. A ordem é analgesia por bloqueio, compressão manual sustentada da glande por vários minutos e só então a redução bidigital, com os polegares empurrando a glande e os demais dedos tracionando o prepúcio. Interromper a compressão a cada minuto para testar a redução reinicia o processo.
  9. 9Confundir edema inflamatório com parafimose O achado que autoriza a manobra é o anel constritor palpável imediatamente proximal à coroa, com haste normal atrás dele. Glande e prepúcio muito edemaciados, sem faixa estrangulante e com o prepúcio ainda cobrindo a glande, são balanopostite com edema, celulite ou edema sistêmico — e nenhuma dessas melhora com redução. Antes de comprimir, o dedo procura a faixa.
  10. 10Reduzir a parafimose e dar alta sem a orientação que previne a próxima O cenário mais frequente no hospital é iatrogênico: alguém retraiu o prepúcio para sondar, examinar ou higienizar o cateter e não o reposicionou. A medida preventiva que funciona cabe numa frase dita ao paciente, ao acompanhante e à equipe: o prepúcio volta ao lugar depois de cada higiene, cada troca e cada exame. Sem ela, o evento se repete no mesmo mês.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A constrição progressiva compromete primeiro o retorno venoso e depois o aporte arterial, e a glande é o território que sofre — daí a urgência de desfazer o anel em horas. Pensar em estenose uretral engana porque a uretra não é o alvo primário da constrição prepucial. Não há mecanismo que relacione o quadro a lesão testicular ou obstrução ureteral.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Sem consultar nada, escreva: (1) a pergunta de anamnese que separa fimose primária de secundária, e o que cada resposta autoriza como tratamento; (2) as três decisões que o reconhecimento do líquen escleroso muda de uma vez; (3) a ordem de comprometimento vascular na parafimose, do primeiro sistema obstruído ao último, e por que o quadro piora sozinho; (4) os três tempos da redução manual, na ordem, e o que acontece quando se começa pelo terceiro; (5) a única situação em que a presença de prepúcio em capuz proíbe a postectomia, e o motivo.

em 30 dias

Pegue o paciente do caso resolvido — 46 anos, diabético com tratamento interrompido, anel prepucial nacarado com fissuras, seis episódios de balanopostite no ano, jato reduzido e balonamento — e mude um dado por vez, dizendo o que quebra em cada mudança. E se o anel fosse de pele normal, sem área esbranquiçada, e ele nunca tivesse conseguido retrair? E se, sob o prepúcio, houvesse uma lesão endurecida de 1 cm que não cicatriza há três meses? E se ele tivesse 3 anos, prepúcio não retrátil, sem infecção e sem esforço miccional? E se, na consulta seguinte, chegasse com o prepúcio retraído há dez horas, glande tensa e anel palpável atrás da coroa, em uso de anticoagulante oral? E se, nesse mesmo cenário, a glande já tivesse áreas escurecidas e bolhas? Em seguida, escreva a orientação de alta que impede a recorrência da parafimose iatrogênica, em duas frases, na linguagem que a cuidadora entende.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você está no ambulatório de urologia de um hospital geral. Chega um homem de 46 anos, encaminhado pela unidade básica com a anotação de fimose e pedido de cirurgia. Ele conta que o prepúcio não retrai mais e que já usou várias pomadas compradas na farmácia. Está visivelmente constrangido e diz que evita procurar médico por causa do assunto. Conduza o atendimento: acolha a queixa, estabeleça se o prepúcio já retraiu antes, quantifique os episódios de inflamação e o que foi usado, investigue o jato urinário e o balonamento, pergunte pelo diabetes e pela adesão ao tratamento, procure lesão que não cicatriza e adenopatia inguinal, explique o exame genital antes de fazê-lo, diga quais exames pede e por que a biópsia vem antes da cirurgia, e feche com o plano na ordem correta — infecção, metabolismo e só então a operação. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Afecções penianas e prepuciais – Prepúcio: a fimose que se opera, a parafimose que não espera e a inflamação que esconde — Preparatório para provas | OsceLabs