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Cirurgia GeralUrologia

Andrologia: três queixas da mesma haste, três relógios diferentes

A disfunção erétil é achado vascular antes de ser queixa sexual; na doença de Peyronie quem manda é a fase, não o ângulo; e o priapismo isquêmico é síndrome compartimental com relógio de horas.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 47 anos com doença estável, curvatura ventral de 80 graus com deformidade em ampulheta e ereções rígidas sem uso de medicação. Qual a melhor opção cirúrgica?

02

Como esse tema cai

Este capítulo trata de três queixas da haste peniana no adulto — a ereção que não sustenta, a haste que entortou e a ereção que não desliga. Elas moram juntas porque a prova as trata juntas: a mesma consulta que investiga rigidez também mede curvatura, e o tratamento de segunda linha de uma delas é a causa iatrogênica clássica da terceira.

O que amarra as três é um relógio, e ele tem escalas diferentes. Na disfunção erétil o relógio é de anos: a queixa sexual costuma abrir a fila de sintomas de uma doença arterial que ainda não deu sinal no peito. Na doença de Peyronie o relógio é de meses, e a única pergunta que decide conduta é se a deformidade parou de mudar. No priapismo isquêmico o relógio é de horas, e a partir de certo ponto a discussão deixa de ser como salvar a ereção e passa a ser como salvar tecido.

O que fica de fora tem endereço. Câncer de pênis, fimose, parafimose e balanopostite têm capítulo próprio nesta apostila. Hipogonadismo como doença endocrinológica, com toda a investigação do eixo, pertence à Endocrinologia — aqui a testosterona aparece só na medida em que muda a resposta ao tratamento da ereção. Infertilidade masculina, varicocele e as infecções sexualmente transmissíveis também ficam fora: a queixa que abre este capítulo é rigidez, deformidade ou dor, nunca corrimento, úlcera ou desejo de engravidar.

03

O que muda decisão

A ereção é um exame vascular, e o pênis é a artéria mais fina do corpo que dá sintoma

A ereção depende de um evento hemodinâmico bem definido: relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos, aumento do fluxo pelas artérias cavernosas e, em seguida, compressão das vênulas emissárias contra a túnica albugínea, que é o que segura o sangue dentro. São dois mecanismos em série — encher e reter — e a falha de qualquer um dos dois produz a mesma queixa. A consequência prática é que perguntar apenas se o paciente tem ereção nunca separa arteriogênico de venogênico.

A hipótese do calibre arterial explica por que a queixa sexual chega antes da queixa cardíaca. As artérias cavernosas têm calibre de ordem de 1 a 2 mm; a descendente anterior fica na casa de 3 a 4 mm, e a carótida interna, de 5 a 6 mm. Uma placa que reduza a luz numa proporção parecida em todos os leitos produz obstrução funcional primeiro onde o diâmetro é menor. Por isso a disfunção erétil de causa vascular costuma anteceder em anos o primeiro evento coronariano, e é comum ler que esse intervalo se conta em torno de dois a cinco anos.

Daí sai a frase que a prova quer ouvir: disfunção erétil de instalação gradual, sem fator situacional, em homem com fatores de risco, é marcador de risco cardiovascular e obriga a avaliar o coração, não só a ereção. O erro simétrico também existe e é caro — tratar o coração e mandar o paciente para casa com receita de inibidor oral sem perguntar se ele pode fazer esforço. A régua funcional consagrada nos consensos de Princeton é simples: quem sobe dois lances de escada, ou caminha em ritmo firme, sem dor torácica, dispneia desproporcional ou arritmia, está no grupo de baixo risco e pode retomar a atividade sexual.

O grupo de risco alto é definido por instabilidade, e nele a atividade sexual e o inibidor esperam: angina instável ou refratária, infarto muito recente, insuficiência cardíaca descompensada, arritmia de alto risco, estenose aórtica grave sintomática, hipertensão não controlada, miocardiopatia hipertrófica sintomática. O grupo intermediário é o que exige teste de esforço antes da liberação — e é justamente o paciente que a prova descreve com três fatores de risco e nenhum sintoma. Repare que a estratificação decide a atividade sexual, e não o medicamento: liberar o esforço vem primeiro.

A primeira consulta: cinco perguntas e três exames que já classificam

A anamnese resolve mais que qualquer exame, e cinco perguntas fazem quase todo o trabalho. Primeira: o quadro é gradual ou começou de uma vez? Instalação abrupta, ligada a um evento identificável, aponta causa psicogênica ou medicamentosa. Segunda: há ereções matinais e noturnas? Ereções espontâneas preservadas sugerem que o aparelho vascular e neurológico funciona, e que o problema é situacional. Terceira: há diferença entre a masturbação e a relação com a parceria? Variação entre contextos é o achado mais característico do quadro psicogênico.

Quarta: a libido está preservada? Perda de desejo junto com perda de rigidez desloca a suspeita para o eixo hormonal, e é a porta de entrada da dosagem de testosterona e de prolactina. Quinta: o que ele toma? Diuréticos tiazídicos, betabloqueadores não vasodilatadores, antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina, antipsicóticos, finasterida e antiandrogênios estão entre os medicamentos que produzem a queixa — e a conduta pode ser tão simples quanto trocar a classe.

O exame físico não é figurativo: palpar a haste procura placa, medir o comprimento em estiramento documenta o basal, examinar os testículos com orquidômetro procura atrofia, o reflexo bulbocavernoso e a sensibilidade perineal rastreiam causa neurogênica, e o toque retal entra pela idade. O índice tornozelo-braquial custa dez minutos e pode ser o achado que muda o encaminhamento — porque claudicação e disfunção erétil no mesmo homem contam a mesma história arterial.

O laboratório mínimo é curto: glicemia e hemoglobina glicada, perfil lipídico e testosterona total matinal, repetida numa segunda amostra quando vier baixa. Prolactina entra quando a testosterona é baixa ou a libido caiu. O exame que classifica a causa vascular é a ultrassonografia com Doppler peniano após indução farmacológica da ereção, e ele tem uma leitura de três números. Velocidade de pico sistólico igual ou acima de 30 cm/s indica aporte arterial adequado; abaixo disso, insuficiência arterial. Velocidade diastólica final acima de 5 cm/s, com índice de resistividade abaixo de 0,8, indica que o sangue está escapando — disfunção do mecanismo veno-oclusivo.

Um paciente com pico sistólico de 18 cm/s, diastólica final de 8 cm/s e índice de resistividade de 0,55 tem as duas coisas ao mesmo tempo: entra pouco sangue e o pouco que entra não fica. Esse é o padrão misto, o mais frequente no diabético de longa data, e é ele que explica por que o comprimido não funciona — o inibidor amplifica um sinal de relaxamento que depende de fluxo de entrada e de continência venosa, e aqui faltam os dois.

Refratário ao oral quase nunca é refratário: o que é uma tentativa adequada

O rótulo de não respondedor é dado cedo demais, e a prova gosta exatamente desse ponto. Antes de declarar falha do inibidor da fosfodiesterase tipo 5, três condições precisam estar preenchidas, e todas são de conferência, não de exame. A primeira é a dose máxima tolerada: muito paciente foi tratado com dose inicial e nunca escalonou. A segunda é o número de tentativas — a falha só se caracteriza depois de várias tentativas em condições adequadas, e a literatura de referência trabalha com pelo menos quatro a oito, não com uma ou duas.

A terceira é a mais esquecida: o medicamento não produz ereção sozinho. Ele impede a degradação do monofosfato cíclico de guanosina, que só é gerado quando há estímulo sexual e liberação de óxido nítrico. Sem estímulo não há substrato para preservar, e o comprimido não faz nada. Some a isso a interferência da refeição gordurosa na absorção do sildenafila e da vardenafila — a tadalafila não sofre esse efeito — e o intervalo entre a tomada e a tentativa, que precisa respeitar o tempo até o pico.

Há ainda um modificador silencioso. Testosterona baixa reduz a resposta ao inibidor oral, e corrigi-la converte parte dos supostos refratários em respondedores. Por isso a dosagem hormonal não é rastreio genérico: é parte do próprio tratamento da ereção. O mesmo raciocínio vale para o controle glicêmico, para o tabagismo e para a revisão do anti-hipertensivo.

Do outro lado está a única contraindicação que nunca se negocia. O uso concomitante de nitrato, em qualquer forma ou via, é contraindicação absoluta: os dois agem na mesma via, e a soma produz hipotensão grave e refratária. As janelas que a prova cobra são o intervalo mínimo antes de administrar nitrato a quem tomou o inibidor — 24 horas para sildenafila e vardenafila, 48 horas para tadalafila, pela meia-vida mais longa. O estimulador da guanilato ciclase solúvel usado na hipertensão pulmonar entra na mesma proibição, pela mesma razão farmacológica.

O que costuma ser lido como contraindicação e não é: o alfabloqueador usado nos sintomas do trato urinário inferior. Ali a orientação é de cautela — começar com dose baixa, estabilizar um dos dois antes de introduzir o outro, espaçar os horários —, e não de proibição. Confundir cautela com contraindicação retira do paciente a primeira linha inteira.

Segunda e terceira linha: a injeção que ensina o priapismo e a prótese que não tem volta

Falhada a primeira linha em condições adequadas, a segunda é a terapia intracavernosa, com alprostadil isolado ou em associação. A droga produz relaxamento da musculatura lisa sem depender de estímulo sexual, o que a torna eficaz justamente onde o comprimido falha. A primeira dose é aplicada em consultório, sob supervisão, com titulação — e isso não é formalidade: a complicação temida é a ereção prolongada, que a literatura situa na casa de cerca de 1% dos usuários.

A orientação que sai com o paciente é uma frase, e ela costuma ser o item que a prova cobra: se a ereção passar de quatro horas, procurar serviço de urgência. Quem prescreve a injeção está criando, de propósito, a condição que produz o priapismo isquêmico — e é obrigação de quem prescreve ensinar o limite. Existem ainda o alprostadil intrauretral e o dispositivo de vácuo com anel constritor, opções de menor eficácia e menor custo, úteis em quem recusa injeção.

A terceira linha é o implante de prótese peniana, e a característica dela que decide a conversa não é a taxa de satisfação, alta nas séries: é a irreversibilidade. O implante ocupa e destrói o tecido erétil dos corpos cavernosos, e depois dele não há retorno para inibidor oral, injeção ou vácuo. Por isso a indicação exige falha ou recusa das linhas anteriores, e uma conversa explícita sobre o que se ganha e o que se perde.

A prótese tem duas indicações que a prova gosta de cruzar com o resto do capítulo. A primeira é a fibrose cavernosa estabelecida, que impede qualquer resposta farmacológica — situação clássica depois de priapismo isquêmico prolongado. A segunda é a coexistência de deformidade peniana com disfunção erétil refratária, em que o mesmo procedimento corrige as duas coisas. A infecção do implante é a complicação mais temida e é mais frequente no diabético mal controlado, o que devolve o controle glicêmico ao centro da preparação pré-operatória.

Doença de Peyronie: duas fases, e só uma delas opera

A doença de Peyronie é uma fibrose localizada da túnica albugínea, a camada que envolve os corpos cavernosos. Onde há placa, a túnica perde elasticidade; na ereção, o lado são se alonga e o lado da placa não, e a haste dobra para o lado da placa. Isso explica dois achados de uma vez: a curvatura aponta para onde está a placa, e o comprimento em ereção diminui, porque uma das paredes deixou de acompanhar.

A doença tem duas fases, e reconhecer a fase é a decisão clínica inteira. A fase ativa cursa com dor à ereção e deformidade que muda de mês para mês; dura em geral de seis a dezoito meses. A fase estável é definida pelo silêncio: a dor cessou e a deformidade parou de progredir. Operar em fase ativa é operar um alvo em movimento — a deformidade continua evoluindo depois da correção, e o resultado se perde.

A documentação da deformidade não pode ser a estimativa do paciente. A medida se faz em ereção, induzida farmacologicamente no consultório ou registrada por fotografia padronizada feita em casa, com goniômetro, e o que se registra é o ângulo, o sentido, a presença de estreitamento em ampulheta e de instabilidade da haste. Mede-se também o comprimento em estiramento, porque parte das técnicas cobra centímetros.

As associações contam história e aparecem no enunciado como pista. Contratura de Dupuytren na fáscia palmar, nódulos plantares, diabetes, dislipidemia, tabagismo e cirurgia prostática prévia. Um cordão fibroso na palma da mão, numa consulta por curvatura peniana, não é coincidência: é a mesma diátese fibrosante em outro tecido.

O tratamento clínico tem uma lista negativa longa e uma positiva curta. As terapias orais consagradas pelo hábito — vitamina E, colchicina, tamoxifeno, para-aminobenzoato de potássio — carecem de sustentação e não são recomendadas pela diretriz americana. Tratamento intralesional e tração têm lugar na fase ativa e nas curvaturas moderadas, com resultado parcial. O que muda vida, na fase estável com curvatura incapacitante, é cirurgia.

Qual cirurgia: a rigidez escolhe a família, o ângulo escolhe a técnica

São três famílias de operação, e a ordem das perguntas importa mais do que a lista. A primeira pergunta nunca é sobre o ângulo: é sobre a função erétil. Quem não tem rigidez suficiente para penetração antes da operação não vai passar a ter depois de endireitar a haste — endireitar não trata disfunção erétil. Esse paciente é candidato a prótese, com ou sem manobra de modelagem da curvatura sobre o implante, e resolve as duas queixas num tempo só.

Se a rigidez é boa, a escolha passa a ser entre encurtar o lado convexo e alongar o lado côncavo. As técnicas de encurtamento — plicatura da túnica e as variantes de Nesbit — retiram ou pregueiam tecido do lado oposto à placa até equilibrar os dois lados. São tecnicamente mais simples, têm baixo risco de piorar a ereção e são a escolha nas curvaturas menores, sem ampulheta, em quem tem comprimento de sobra. O preço está no nome: elas encurtam o pênis, e isso precisa ser dito antes, não depois.

As técnicas de enxertia fazem o contrário: incisam ou removem a placa e cobrem o defeito com enxerto, alongando o lado côncavo. São a escolha nas curvaturas acentuadas, nas deformidades complexas e no estreitamento em ampulheta com instabilidade. Preservam melhor o comprimento, e cobram por isso: o risco de disfunção erétil de novo é maior, e alterações de sensibilidade da glande são descritas. Por isso a enxertia exige boa função erétil prévia — quem já está no limite não tem margem para perder.

A régua prática que resume tudo cabe em três linhas. Sem rigidez adequada, prótese. Com rigidez adequada e curvatura menor, sem ampulheta e com comprimento confortável, encurtamento do lado convexo. Com rigidez adequada e curvatura acentuada ou deformidade complexa, enxertia. O limiar que se costuma citar para separar as duas últimas gira em torno de 60 graus, e ele orienta em vez de decidir: ampulheta, instabilidade e comprimento curto empurram para a enxertia mesmo em ângulos menores.

Fica o alerta de leitura. Um enunciado que descreve curvatura estável há meses, dor ausente, penetração impossível e rigidez preservada está pedindo cirurgia — e o erro mais comum é responder tratamento clínico por prudência. Um enunciado que descreve dor à ereção e curvatura que mudou nos últimos dois meses está pedindo o contrário, e ali a cirurgia é o erro.

Priapismo: o terceiro relógio, e a única emergência do capítulo

Priapismo é ereção que persiste além de quatro horas, sem relação com estímulo sexual ou muito além dele. São três entidades com o mesmo nome, e tratá-las como uma só é o erro que custa tecido.

O priapismo isquêmico, também chamado de baixo fluxo ou veno-oclusivo, é o mais comum e é o que constitui emergência. O sangue fica preso nos corpos cavernosos, o consumo de oxigênio continua, e o compartimento entra em acidose e hipóxia progressivas: é uma síndrome compartimental dos corpos cavernosos. Clinicamente, a dor é o sintoma dominante e cresce com o tempo, os corpos cavernosos estão rígidos, e há um achado que a prova adora — a glande e o corpo esponjoso permanecem moles, porque a estase é cavernosa.

O priapismo não isquêmico, de alto fluxo ou arterial, nasce de trauma perineal ou peniano fechado que lacera uma artéria cavernosa e cria uma comunicação direta entre artéria e sinusoides. O quadro costuma aparecer dias depois do trauma, a rigidez é parcial e, sobretudo, não dói. Não há isquemia, e por isso não há urgência: a conduta inicial é observação, com gelo e compressão perineal, porque parte resolve sozinha; a embolização arterial seletiva fica para os casos persistentes ou incômodos.

O priapismo intermitente, ou recorrente, é uma série de episódios isquêmicos curtos e autolimitados, e o cenário clássico é a doença falciforme. Cada episódio é isquêmico e obedece às mesmas regras; o que muda é a prevenção, que passa pelo tratamento da doença de base.

As causas medicamentosas são pergunta frequente e a lista é curta: agentes vasoativos intracavernosos, trazodona, antipsicóticos como a clorpromazina e a risperidona, e cocaína. A anemia falciforme é a causa hematológica dominante, sobretudo em crianças e adultos jovens.

A gasometria do corpo cavernoso decide, e o relógio decide o resto

O exame que separa as duas formas é a gasometria do sangue aspirado do corpo cavernoso, e ele é feito à beira do leito, com a mesma agulha que já inicia o tratamento. No priapismo isquêmico o sangue é escuro e a gasometria mostra o padrão de um compartimento fechado: oxigênio abaixo de 30 mmHg, gás carbônico acima de 60 mmHg e pH abaixo de 7,25. No não isquêmico o sangue é vermelho-vivo e a gasometria se parece com sangue arterial, com oxigênio alto e pH próximo do normal.

A ultrassonografia com Doppler confirma e serve para quem tem dúvida ou para quem precisa localizar a fístula: no isquêmico o fluxo nas artérias cavernosas está ausente ou mínimo; no não isquêmico há fluxo alto, turbulento, com o ponto de fístula visível. Repare na ordem correta: no isquêmico o exame não pode atrasar a aspiração, porque o tratamento inicial e o exame diagnóstico são o mesmo gesto.

O tratamento do isquêmico é uma escada, e subir degrau só depois de esgotar o anterior. Primeiro, aspiração do sangue estagnado com irrigação salina, que já descomprime e colhe a amostra. Segundo, simpatomimético intracavernoso — fenilefrina diluída, em doses repetidas a cada poucos minutos, com aferição de pressão e frequência entre as aplicações, porque o efeito adrenérgico sistêmico é real. Terceiro, derivação cirúrgica distal, entre glande e corpo cavernoso; e, se falhar, derivação proximal. Nos episódios muito prolongados, o implante precoce de prótese entra como alternativa às derivações, com um argumento honesto: o tecido erétil já se perdeu, e implantar cedo evita operar depois num corpo cavernoso fibrosado e retraído.

O relógio governa o prognóstico e a conversa. Até cerca de 24 horas, a chance de preservar função é razoável. Entre 24 e 48 horas, o dano à musculatura lisa se instala e a recuperação passa a ser exceção. Além disso, a disfunção erétil é praticamente a regra, e o objetivo do procedimento muda: deixa de ser preservar a ereção e passa a ser aliviar a dor e evitar a retração fibrótica que inviabiliza a prótese futura. Dizer isso ao paciente faz parte do tratamento.

Na doença falciforme há um erro de sequência que a prova cobra. Hidratação, oxigênio, analgesia e o manejo da crise entram, mas não substituem nem adiam o tratamento local: o corpo cavernoso continua sendo um compartimento em isquemia enquanto se corre o soro. A prevenção dos episódios recorrentes é outra conversa, e passa pelo tratamento da doença de base.

Onde os três se cruzam, e como o enunciado costuma armar o cruzamento

O cruzamento mais frequente é iatrogênico e já foi anunciado: o paciente que recebeu injeção intracavernosa como segunda linha e voltou com ereção dolorosa de seis horas. Ali, três conteúdos se encontram — a indicação da segunda linha, a orientação de retorno em quatro horas e a escada do priapismo isquêmico. A resposta esperada quase nunca é encaminhar: é aspirar.

O segundo cruzamento é anatômico. A placa de Peyronie mora na túnica albugínea, que é a mesma estrutura contra a qual as vênulas emissárias são comprimidas para reter o sangue. Por isso a doença de Peyronie e a disfunção erétil coexistem com frequência, e por isso a avaliação da rigidez precede a discussão do ângulo. Um paciente com placa dorsal, curvatura estável e rigidez ruim tem duas doenças e uma operação só.

O terceiro cruzamento é vascular e vem de fora da urologia. O homem com claudicação de panturrilha, pulsos distais reduzidos e disfunção erétil progressiva tem uma doença arterial difusa que se manifestou em dois territórios. O comprimido pode falhar por razão hemodinâmica, e o encaminhamento correto envolve o cardiologista e o cirurgião vascular tanto quanto o urologista. É o mesmo raciocínio da hipótese do calibre, agora lido de trás para frente: quando o leito grande já dá sintoma, o pequeno costuma estar pior.

Corte transversal esquemático: um anel externo espesso envolve dois compartimentos esponjosos maiores lado a lado e um menor abaixo, atravessado por um canal central; um trecho do anel, na parte superior, está desenhado muito mais espesso e rígido que o restante.
O anel externo é a túnica albugínea, e é contra ela que as vênulas emissárias são comprimidas para reter o sangue. O trecho espessado na parte de cima é a placa: onde a túnica perde elasticidade, aquela parede deixa de acompanhar o alongamento na ereção — por isso a haste dobra para o lado da placa e o comprimento diminui. O compartimento menor de baixo, atravessado pelo canal uretral, é o corpo esponjoso, e é ele que permanece mole no priapismo isquêmico.

Por fim, uma advertência de leitura que vale para os três temas. O enunciado costuma esconder a decisão num dado que parece acessório: o intervalo desde o início, a presença ou ausência de dor, e a rigidez basal. Tempo de ereção resolve o priapismo; presença de dor resolve o tipo de priapismo e também a fase da Peyronie; rigidez basal resolve qual operação corrige a curvatura. Três adjetivos, três decisões.

04

Os três relógios, lado a lado

Os cartões abaixo põem as três queixas na mesma régua, na ordem em que o tempo aperta. O que muda de um para o outro não é a gravidade da doença: é o intervalo dentro do qual a decisão ainda vale alguma coisa, e o dado do enunciado que abre esse intervalo.

Disfunção erétil — relógio de anos

A queixa sexual costuma anteceder o evento coronariano, e o intervalo se conta em anos. A consulta que a recebe tem duas tarefas simultâneas: tratar a ereção e estratificar o risco cardiovascular. O dado que abre a decisão é a capacidade de esforço — quem sobe dois lances de escada sem sintoma está liberado para a atividade sexual; quem não sobe precisa de teste antes.

Doença de Peyronie — relógio de meses

A decisão inteira depende de a deformidade ter parado de mudar. Dor à ereção e curvatura em progressão marcam a fase ativa, em que a cirurgia se perde. Ausência de dor e estabilidade por meses marcam a fase estável, em que a correção se sustenta. O dado que abre a decisão é a dupla dor e estabilidade, e não o número de graus.

Priapismo isquêmico — relógio de horas

Quatro horas definem a entidade e disparam a intervenção. Até cerca de 24 horas ainda se preserva função; entre 24 e 48 o dano à musculatura lisa se instala; além disso o objetivo passa a ser dor e prevenção de fibrose. O dado que abre a decisão é a hora de início — e o gesto que ela pede, a aspiração, é o mesmo que colhe a gasometria.

Priapismo não isquêmico — sem relógio

Trauma perineal ou peniano prévio, rigidez apenas parcial e ausência de dor. A gasometria do sangue cavernoso se parece com sangue arterial. Não há isquemia e não há urgência: observação, gelo e compressão perineal primeiro, embolização seletiva para o que persiste. Aspirar e injetar simpatomimético aqui trata uma doença que o paciente não tem.

Ereção prolongada em quem recebeu injeção intracavernosa é priapismo isquêmico até prova em contrário, e a orientação de procurar urgência às quatro horas faz parte da prescrição da segunda linha.

A glande e o corpo esponjoso moles, com corpos cavernosos rígidos, são o achado de exame que aponta o priapismo isquêmico antes de qualquer exame complementar.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

A partir de que valor a testosterona total é considerada baixa

300 ng/dL — régua americana

A diretriz americana de disfunção erétil e os documentos de deficiência androgênica da mesma sociedade trabalham com o limiar de 300 nanogramas por decilitro em amostra matinal, confirmado em segunda coleta, como ponto de corte para investigar e tratar.

Erectile Dysfunction: AUA Guideline (American Urological Association / SMSNA, 2018), seção de avaliação laboratorial, e os documentos correlatos da mesma sociedade sobre deficiência de testosterona.

12 nmol/L — régua europeia

A diretriz europeia de saúde sexual e reprodutiva trabalha em unidades do sistema internacional e adota 12 nanomoles por litro, valor que corresponde a cerca de 346 nanogramas por decilitro — acima, portanto, do corte americano.

EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health (European Association of Urology), capítulo de hipogonadismo masculino, tabela de valores de referência.

264 ng/dL — régua do ensaio harmonizado

A sociedade endocrinológica derivou o limiar de um percentil inferior de população jovem saudável medida por espectrometria de massa harmonizada, e chega a valor mais baixo que os dois anteriores. A diferença não é de opinião clínica: é de método de dosagem e de população de referência.

Endocrine Society, guia de prática clínica sobre testosterona em homens com hipogonadismo, seção de valores de referência e harmonização de ensaios.

Na prova

Três documentos de peso comparável usam três números, e nenhum deles é o certo em abstrato. Uma questão que dependa do corte exato está mal construída, e o enunciado costuma denunciar isso ao dar um valor colado no limite. O que se cobra de verdade é a conduta ao redor: amostra matinal, repetição em segunda coleta quando vier baixa, prolactina associada quando há queda de libido, e o fato de que corrigir a testosterona baixa melhora a resposta ao inibidor oral. Se o valor do enunciado está muito abaixo de qualquer um dos cortes, a leitura é a mesma nas três réguas.

Quanto tempo de estabilidade a doença de Peyronie precisa antes da cirurgia

Pelo menos três meses sem mudança

A diretriz americana condiciona a correção cirúrgica à fase estável, caracterizada por ausência de dor e deformidade sem alteração por pelo menos três meses, com a deformidade documentada objetivamente em ereção.

Peyronie's Disease: AUA Guideline (American Urological Association, 2015), seção de tratamento cirúrgico e definição de doença estável.

Estabilidade de três a seis meses e pelo menos doze meses de doença

A leitura europeia é mais conservadora e costuma somar duas exigências: estabilidade de três a seis meses e um tempo mínimo desde o início do quadro, em torno de doze meses, para reduzir o risco de operar antes de a fibrose se consolidar.

EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health (European Association of Urology), capítulo de doença de Peyronie, seção de indicação cirúrgica.

Na prova

As duas posições concordam no que a questão de fato testa: dor ativa ou deformidade em progressão contraindicam a cirurgia. O intervalo exato é onde elas se afastam, e por isso o enunciado bem construído dá margem larga — descreve dor que cessou há mais de seis meses e curvatura parada há meses, o que satisfaz as duas réguas. Quando o enunciado der um paciente com quatro meses de estabilidade e dois meses de doença, ele está pedindo a fase, não o número: a resposta é aguardar e reavaliar.

Quando o priapismo isquêmico prolongado deixa de valer a escada e passa a valer a prótese

A partir de cerca de 36 horas

Há posição que antecipa o implante para episódios acima de aproximadamente 36 horas, com o argumento de que além desse ponto a musculatura lisa já está lesada, as derivações raramente restauram função e a fibrose subsequente torna o implante tardio tecnicamente muito mais difícil.

Acute Ischemic Priapism: An AUA/SMSNA Guideline (2021), discussão sobre priapismo isquêmico prolongado e implante precoce de prótese.

A partir de 48 a 72 horas

Outra leitura mantém a escada de aspiração, simpatomimético e derivação até mais tarde, reservando o implante precoce para episódios acima de 48 a 72 horas, com o argumento de que parte dos casos ainda responde e de que o implante em tecido inflamado tem risco infeccioso maior.

EAU Guidelines on Sexual and Reproductive Health (European Association of Urology), capítulo de priapismo, seção de priapismo isquêmico refratário e prolongado.

Na prova

O intervalo em que os documentos discordam é estreito e fica entre 36 e 72 horas — fora dele não há controvérsia. Enunciado com seis, doze ou vinte e quatro horas pede a escada, sem discussão; enunciado com cinco dias, dor já reduzida e corpos endurecidos pede a conversa sobre prótese e sobre perda de função. Se o cenário cair exatamente na faixa de 36 a 72 horas com pedido de número, a questão está pisando na divergência, e a leitura defensável é a que descreve o objetivo do procedimento naquele ponto: aliviar a dor e preservar a possibilidade de implante.

06

Caso resolvido

Homem de 61 anos, diabético há 18 anos com controle irregular, hipertenso e com revascularização miocárdica há seis anos, procura o ambulatório por disfunção erétil progressiva há quatro anos, hoje com incapacidade de penetração em todas as tentativas. Perdeu as ereções matinais e noturnas há cerca de dois anos, mantém a libido e nega variação entre a masturbação e a relação. Usou inibidor oral prescrito pelo clínico em oito ocasiões, com orientação correta quanto a jejum, tempo de espera e estímulo sexual, sem qualquer resposta. Nega dor peniana, curvatura, nódulo palpável e priapismo prévio. Refere dor em panturrilhas ao caminhar duas quadras, com alívio ao repouso. Ao exame: índice de massa corporal de 31,8 kg/m2, pulsos femorais amplos, poplíteos reduzidos e pediosos não palpáveis dos dois lados, enchimento capilar de quatro segundos nos hálux; haste peniana sem placas e sem nódulos. Exames: testosterona total de 246 ng/dL em duas amostras matinais, hemoglobina glicada de 9,2%, filtração glomerular estimada de 44 mL/min/1,73 m2; ultrassonografia com Doppler peniano após indução mostra pico sistólico de 18 cm/s, diastólica final de 8 cm/s e índice de resistividade de 0,55, sem placa na túnica albugínea.
primeiro, leia a queixa como sintoma vascular
Instalação gradual em quatro anos, perda das ereções espontâneas, ausência de variação entre contextos e libido preservada afastam o padrão psicogênico e apontam causa orgânica. A claudicação a duas quadras, os pulsos distais ausentes e o enchimento capilar lentificado nos hálux dizem que a doença arterial não está apenas no pênis. É o mesmo processo em dois territórios de calibre diferente.
segundo, estratifique o coração antes de discutir o remédio
Revascularização prévia, diabetes de longa data e doença arterial periférica colocam este paciente pelo menos no grupo intermediário, que exige avaliação da capacidade funcional antes de liberar a atividade sexual. A pergunta é se ele sobe dois lances de escada sem sintoma. Liberar o esforço vem antes de escolher a linha de tratamento — e, se ele estivesse em uso de nitrato, essa informação sozinha retiraria a primeira linha da mesa.
terceiro, leia os três números do Doppler peniano
Pico sistólico de 18 cm/s está abaixo do limiar de 30 e caracteriza insuficiência arterial. Diastólica final de 8 cm/s, acima de 5, com índice de resistividade de 0,55, abaixo de 0,8, caracteriza escape venoso. As duas coisas juntas fecham disfunção erétil vasculogênica de padrão misto, que é o que explica a ausência de resposta ao comprimido: falta fluxo de entrada e falta continência de saída.
quarto, confirme que a tentativa com o oral foi adequada antes de abandoná-lo
Oito tentativas, com orientação correta de jejum, tempo de espera e estímulo sexual, preenchem o critério de tentativa adequada — desde que a dose tenha sido escalonada até o máximo tolerado. Falta um modificador: a testosterona de 246 ng/dL é baixa em qualquer das réguas em uso, e corrigi-la melhora a resposta ao inibidor. Antes de declarar falha definitiva da primeira linha, essa correção precisa ser considerada, com a discussão de riscos que ela envolve.
quinto, ofereça a segunda linha com a instrução que ela exige
A terapia intracavernosa não depende de estímulo sexual e é a próxima opção, com primeira dose titulada em consultório. A alta sai com uma frase obrigatória: se a ereção passar de quatro horas, procurar urgência. Alprostadil intrauretral e dispositivo de vácuo são alternativas de menor eficácia para quem recusa a injeção.
sexto, apresente a terceira linha pelo que ela custa
Diante de falha ou recusa das linhas anteriores, o implante de prótese resolve, com alta satisfação nas séries. O que precisa ser dito é a irreversibilidade: o implante ocupa e destrói o tecido erétil, e depois dele não há retorno para comprimido, injeção ou vácuo. Neste paciente, o controle glicêmico entra também como preparo — a infecção do implante é mais frequente no diabético descompensado.
sétimo, trate o que causou tudo isso
Hemoglobina glicada de 9,2%, filtração glomerular de 44, dislipidemia e doença arterial periférica são o pano de fundo da queixa e o que define o prognóstico deste homem. Otimizar o controle metabólico, cessar o tabagismo e revisar o esquema anti-hipertensivo com o cardiologista não são recomendações genéricas de fim de consulta: são parte do tratamento da ereção, e são o que muda a história natural.
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Agora feche você

Homem de 52 anos, diabético e tabagista, procura o ambulatório por curvatura peniana dorsal iniciada há 18 meses. Conta que o quadro começou com endurecimento palpável no dorso da haste acompanhado de dor durante a ereção; a dor persistiu por cerca de oito meses e cessou completamente há mais de seis meses. A angulação progrediu no primeiro ano e não muda há seis meses. Refere encurtamento do comprimento em ereção e impossibilidade de penetração nos últimos quatro meses. A rigidez erétil está preservada, com ereções matinais presentes, e a libido está mantida. Nega trauma peniano, estalo durante relação, hematoma prévio, uso de injeção intracavernosa e instrumentação uretral. Refere nódulo endurecido na palma da mão direita com retração progressiva do quarto dedo. Ao exame, a haste tem placa endurecida de cerca de 2,5 por 1,5 cm na face dorsal do terço médio, aderida à túnica albugínea, indolor à compressão. A ultrassonografia com Doppler após indução mostra placa hiperecogênica com sombra acústica na túnica dorsal medindo 2,4 cm, pico sistólico de 32 cm/s, diastólica final de 4 cm/s e curvatura dorsal medida em 65 graus.
a fase
a documentação
a pista da mão
a pergunta que vem antes do ângulo
a família de operação
o consentimento
o preparo
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Onde a banca derruba

  1. 1Rotular como refratário quem nunca fez uma tentativa adequada Falha de inibidor oral só se caracteriza com dose máxima tolerada, várias tentativas em condições adequadas e estímulo sexual presente. Some a isso a refeição gordurosa que atrapalha a absorção de sildenafila e vardenafila, o intervalo até o pico e a testosterona baixa que reduz a resposta. Grande parte dos supostos não respondedores respondeu depois que uma dessas quatro coisas foi corrigida.
  2. 2Tratar o alfabloqueador como se fosse nitrato Nitrato em qualquer forma é contraindicação absoluta ao inibidor da fosfodiesterase tipo 5, e a mesma proibição alcança o estimulador da guanilato ciclase solúvel. O alfabloqueador do trato urinário inferior é outra coisa: pede cautela, dose inicial baixa, estabilização de um antes de introduzir o outro e espaçamento de horários. Confundir os dois retira do paciente a primeira linha inteira.
  3. 3Liberar a atividade sexual sem estratificar o risco cardiovascular A pergunta que vem antes do medicamento é se o coração aguenta o esforço. Quem sobe dois lances de escada sem dor, dispneia desproporcional ou arritmia está em baixo risco. Angina instável, infarto recente, insuficiência cardíaca descompensada, arritmia de alto risco e estenose aórtica grave sintomática colocam o paciente no grupo em que a atividade sexual espera a estabilização.
  4. 4Prescrever injeção intracavernosa sem ensinar o limite de quatro horas A terapia intracavernosa produz a ereção sem depender de estímulo, e por isso funciona onde o comprimido falha — mas cria de propósito a condição do priapismo isquêmico, com incidência na casa de cerca de 1%. A primeira dose é titulada em consultório e a alta sai com a instrução de procurar urgência se a ereção passar de quatro horas.
  5. 5Operar a curvatura peniana na fase ativa Dor à ereção e deformidade que mudou nos últimos meses definem a fase ativa, em que a correção é feita sobre um alvo em movimento e o resultado se perde. A fase estável é a do silêncio: sem dor, sem progressão. O erro simétrico também cai em prova — indicar tratamento clínico prolongado para quem já está estável há meses, com curvatura que impede a penetração, é adiar a única conduta que resolve.
  6. 6Escolher a técnica pelo ângulo antes de perguntar pela rigidez Endireitar a haste não trata disfunção erétil. Quem não consegue penetração por falta de rigidez antes da operação continua sem consegui-la depois, com a haste reta — esse paciente é candidato a prótese, com modelagem da curvatura. Só depois de estabelecida a rigidez é que o ângulo escolhe entre encurtar o lado convexo e enxertar o lado côncavo.
  7. 7Prometer que a plicatura preserva o comprimento As técnicas de encurtamento equilibram os lados retirando ou pregueando tecido do lado são, e por definição reduzem o comprimento. É informação de consentimento, não detalhe técnico. A enxertia preserva melhor o comprimento e cobra em outra moeda: maior risco de disfunção erétil de novo e de alteração da sensibilidade da glande, o que exige boa função erétil prévia.
  8. 8Tratar o priapismo não isquêmico como emergência Trauma perineal prévio, rigidez parcial e ausência de dor descrevem a forma arterial, em que a gasometria do sangue cavernoso se parece com sangue arterial. Ali não há isquemia: a conduta inicial é observação com gelo e compressão perineal, e a embolização seletiva fica para o que persiste. Aspirar e injetar simpatomimético nesse paciente trata uma doença que ele não tem.
  9. 9Correr soro na crise falciforme e adiar o tratamento local Hidratação, oxigênio, analgesia e manejo da crise entram, e não substituem nem adiam a aspiração e o simpatomimético intracavernoso. Enquanto o suporte sistêmico corre, o corpo cavernoso segue sendo um compartimento fechado em isquemia. A prevenção dos episódios recorrentes é outra conversa e vem depois de resolvido o episódio.
  10. 10Pedir imagem antes de aspirar no priapismo isquêmico A aspiração do sangue cavernoso é ao mesmo tempo o primeiro degrau do tratamento e a coleta da amostra que confirma o diagnóstico — sangue escuro, oxigênio abaixo de 30 mmHg, gás carbônico acima de 60 mmHg e pH abaixo de 7,25. Segurar a agulha esperando ultrassonografia gasta o único recurso que não volta, que é o tempo de isquemia do compartimento.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Angulação grave com estreitamento em ampulheta não se corrige por encurtamento do lado oposto: a plicatura nesse cenário deixaria o pênis funcionalmente curto demais, e por isso a escolha recai sobre incidir ou excisar a placa e cobrir o defeito com enxerto, técnica que preserva comprimento. A plicatura é justamente o distrator para quem memoriza a operação mais simples sem olhar o grau da curvatura e a presença de ampulheta. Prótese fica reservada para quem já perdeu a função erétil.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Sem consultar nada, escreva: (1) as três condições que precisam estar preenchidas antes de chamar alguém de refratário ao inibidor oral, e o que a testosterona baixa faz com essa resposta; (2) o intervalo mínimo entre o inibidor e a administração de nitrato para as moléculas de meia-vida curta e para a de meia-vida longa; (3) os três números da gasometria do sangue cavernoso que definem o priapismo isquêmico, e o que a gasometria mostra na forma não isquêmica; (4) o que define a fase estável da doença de Peyronie, em dois adjetivos; (5) a pergunta que vem antes do ângulo na escolha da operação da curvatura, e para onde a resposta negativa manda o paciente.

em 30 dias

Pegue o paciente do caso resolvido — 61 anos, diabético de longa data, disfunção erétil de quatro anos, oito tentativas com inibidor oral em condições corretas, pico sistólico de 18 cm/s, diastólica final de 8 cm/s e índice de resistividade de 0,55 — e mude um dado por vez, dizendo o que quebra em cada mudança. E se as ereções matinais estivessem preservadas e a queixa variasse entre a masturbação e a relação? E se o pico sistólico fosse 42 cm/s com diastólica final de 9 cm/s? E se ele estivesse em uso de mononitrato de isossorbida? E se ele tivesse também placa dorsal de 2 cm com curvatura de 70 graus estável há oito meses? E se, depois da primeira injeção intracavernosa em consultório, voltasse seis horas depois com ereção rígida e dolorosa, glande mole? E se esse mesmo retorno fosse doze horas depois de um trauma perineal em bicicleta, com ereção parcial e indolor? Em seguida, refaça o raciocínio de escolha cirúrgica da curvatura em três cenários: rigidez preservada com 40 graus e comprimento confortável; rigidez preservada com 80 graus e ampulheta; rigidez insuficiente com 45 graus.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você está no ambulatório de urologia de um hospital geral. Chega um homem de 61 anos, diabético de longa data e com revascularização miocárdica prévia, encaminhado pelo clínico com a anotação de que já usou o comprimido para ereção e não respondeu. Ele está constrangido e começa a consulta pedindo desculpas por trazer esse assunto. Conduza o atendimento: acolha a queixa sem julgamento, caracterize a instalação e as ereções espontâneas, confirme se a tentativa com o inibidor oral foi de fato adequada, procure na anamnese e no exame o que mostra que a doença arterial não está só no pênis, explique o exame genital antes de fazê-lo, diga quais exames pede e por quê, e ofereça as linhas de tratamento na ordem, dizendo em voz alta o que cada uma custa. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Andrologia: três queixas da mesma haste, três relógios diferentes — Preparatório para provas | OsceLabs