Fundamentos da Prática ClínicaSemiologia: sistemas específicos

Manobras por articulação

Lachman vale 25, McMurray vale 1,3 — e por que um teste serve para incluir e o outro para excluir

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A cena

Jogador de futebol, joelho torcido, inchou na hora. O interno faz McMurray, sente um estalido, e anota provável lesão meniscal. Depois faz gaveta anterior, acha duvidosa, e não faz Lachman porque nunca pegou bem a técnica.

Ele executou as duas manobras de menor rendimento e pulou a de maior. O McMurray tem razão de verossimilhança positiva de 1,3 — praticamente não move a probabilidade. A dor à palpação da interlinha, tão valorizada, tem 0,9, que é literalmente ausência de informação. E o Lachman, que ficou de fora, tem 25,0.

Este capítulo é sobre isso: entre as manobras com nome próprio de cada articulação, há uma diferença enorme de rendimento, e ela não corresponde à fama de cada uma. Saber quais valem a pena é o que transforma uma bateria de testes em exame.

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De onde vem o sinal

As manobras especiais das articulações funcionam por um princípio comum: aplicar uma força que estressa seletivamente uma estrutura e observar se aparece dor, frouxidão ou bloqueio. Um teste ligamentar procura movimento anormal; um teste meniscal tenta prender o fragmento entre as superfícies articulares; um teste de raiz nervosa tenta estirá-la.

No joelho, os testes ligamentares medem frouxidão, e é por isso que funcionam melhor que os meniscais. O ligamento cruzado anterior impede a translação anterior da tíbia sobre o fêmur; se ele está roto, essa translação aumenta e é sentida diretamente pela mão. O que diferencia o Lachman da gaveta anterior é o grau de flexão do joelho: no Lachman, a cerca de vinte a trinta graus, os músculos isquiotibiais não conseguem estabilizar a articulação; na gaveta, a noventa graus, eles se tensionam e podem mascarar a frouxidão. É essa diferença mecânica que explica por que um teste vale muito mais que o outro.

Nos meniscos, o desafio é maior. Não há frouxidão a ser medida: procura-se reproduzir dor ou um clique ao girar o joelho sob carga, e isso depende do tipo, do tamanho e da localização da lesão, além de doer em muita gente sem lesão nenhuma. Daí o desempenho modesto.

Na coluna, o mecanismo do Lasègue é o estiramento da raiz nervosa. Elevar a perna estendida traciona as raízes lombossacras sobre uma hérnia; se a raiz está comprimida, a manobra reproduz a dor irradiada. O Lasègue cruzado usa a mesma lógica pelo lado saudável: elevar a perna oposta só reproduz dor no lado doente se a compressão for importante — por isso ele é raro, mas quando presente pesa.

No ombro, a mecânica é mais difícil e a literatura é mais fraca. A revisão sistemática que criticou 45 estudos de testes de ombro encontrou que apenas metade tinha qualidade aceitável e somente dois tinham tamanho amostral adequado. Isso não anula os testes; recomenda cautela ao repetir números de sensibilidade e especificidade de ombro como se fossem tão sólidos quanto os do joelho.

Manobras articulares dirigidas
Posição, estabilização e direção da força definem a manobra.
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O que perguntar

O mecanismo do trauma e o comportamento da dor predizem a estrutura antes de qualquer manobra.

  • O joelho inchou na hora ou no dia seguinte?

    Edema nas primeiras horas sugere sangramento intra-articular, mais associado a lesão ligamentar; edema tardio favorece lesão meniscal.

  • Ouviu ou sentiu um estalo no momento da lesão?

    Estalo audível no trauma acompanha rotura ligamentar com frequência e reforça a indicação do Lachman.

  • O joelho falha, como se fosse ceder?

    Sensação de falseio aponta instabilidade ligamentar; travamento aponta bloqueio mecânico, mais compatível com lesão meniscal.

  • A dor nas costas irradia abaixo do joelho? Segue um trajeto?

    Dor radicular verdadeira desce abaixo do joelho seguindo um dermátomo — é o que dá sentido ao Lasègue. Dor lombar sem irradiação muda o exame.

  • A dor irradiada piora ao tossir, espirrar ou fazer força?

    Aumento da pressão intratecal piorando a dor reforça compressão radicular.

  • Consegue levantar o braço acima da cabeça? Dói em algum ponto do arco?

    Arco doloroso e limitação ativa orientam quais testes de ombro fazem sentido e quais só provocariam dor.

  • Perdeu força, sente dormência ou tem alteração para urinar?

    Déficit neurológico com lombalgia é bandeira vermelha; alteração esfincteriana exige avaliação imediata.

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Antes de encostar

Paciente relaxado — sem isso, testes ligamentares não funcionam
Musculatura contraída estabiliza a articulação e esconde frouxidão. É a causa mais comum de teste ligamentar falsamente negativo.
Examinar o lado sadio primeiro
Estabelece a referência daquele paciente e ensina a ele o que vai acontecer, reduzindo a defesa quando chegar ao lado doente.
Exposição adequada dos dois lados
Toda manobra articular é comparativa. A frouxidão que importa é a diferença em relação ao outro joelho, não um valor absoluto.
Explicar cada manobra antes
Vários testes provocam dor ou sensação de instabilidade. Paciente avisado colabora; surpreendido contrai e invalida o teste.
Mesa firme e altura adequada
O Lasègue e os testes de joelho exigem apoio estável e controle do movimento. Maca mole ou baixa demais compromete a execução.
Priorizar as manobras de maior rendimento
Não há obrigação de executar todas as manobras descritas nos livros. Escolher as que mais deslocam a probabilidade poupa dor e tempo.
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A técnica

Joelho, coluna e ombro. Em cada um, a manobra que mais rende vem primeiro.

  1. 1

    Teste de Lachman

    Com o joelho fletido entre vinte e trinta graus, estabilize o fêmur com uma mão e, com a outra na região proximal da tíbia, aplique tração anterior. Avalie o deslocamento e a qualidade do ponto de parada, comparando com o outro joelho.

    Erro comum: Fletir demais o joelho. Acima de trinta graus os isquiotibiais estabilizam e mascaram a frouxidão — é o que torna a gaveta anterior inferior.

  2. 2

    Gaveta anterior

    Com o joelho a noventa graus e o pé apoiado, tracione a tíbia anteriormente. Serve como complemento, não como substituto do Lachman.

    Erro comum: Usá-la no lugar do Lachman. Sua razão de verossimilhança positiva é 3,8, contra 25,0 do Lachman.

  3. 3

    Teste de McMurray

    Com o joelho em flexão máxima, rode a perna externamente e estenda o joelho procurando dor ou clique; repita com rotação interna. Registre o achado sabendo o peso que ele tem.

    Erro comum: Tratar um McMurray positivo como diagnóstico de lesão meniscal. Sua razão de verossimilhança positiva é 1,3.

  4. 4

    Palpação da interlinha articular

    Com o joelho fletido, palpe as interlinhas medial e lateral procurando dor localizada. É achado tradicional e deve ser interpretado com o desempenho real em mente.

    Erro comum: Valorizar a dor de interlinha como se fosse específica. A razão de verossimilhança positiva medida foi 0,9 — praticamente ausência de informação.

  5. 5

    Compor o exame do joelho em vez de somar manobras isoladas

    Integre mecanismo do trauma, tempo do edema, achados de estabilidade e a impressão global. O exame composto teve desempenho muito superior ao de qualquer manobra isolada.

    Erro comum: Executar uma bateria de testes sem formar conclusão. É a conclusão integrada que carrega o desempenho.

  6. 6

    Teste de Lasègue

    Com o paciente em decúbito dorsal, eleve passivamente o membro estendido e observe em que ângulo surge dor irradiada abaixo do joelho, seguindo um trajeto. Dor apenas lombar ou apenas na coxa posterior não caracteriza o teste.

    Erro comum: Aceitar dor lombar isolada ou estiramento de isquiotibiais como Lasègue positivo. O que define é a dor radicular irradiada.

  7. 7

    Lasègue cruzado

    Eleve o membro assintomático e observe se surge dor irradiada no membro DOENTE. É pouco frequente, mas quando presente pesa bastante.

    Erro comum: Deixar de fazer. É rápido e, quando positivo, aumenta mais a probabilidade que o Lasègue simples; ainda precisa concordar com a clínica e o exame neurológico.

  8. 8

    Exame neurológico dos membros inferiores

    Complete com força, reflexos e sensibilidade por dermátomo. Déficit neurológico muda a conduta independentemente das manobras.

    Erro comum: Fazer manobras de coluna sem exame neurológico. As manobras sugerem; o déficit decide urgência.

  9. 9

    Avaliar o ombro pelo arco de movimento antes dos testes especiais

    Observe a amplitude ativa e passiva e identifique o arco em que a dor aparece. Isso orienta quais testes fazem sentido e evita provocar dor à toa.

    Erro comum: Aplicar toda a bateria de testes de ombro por rotina, sem hipótese, em um paciente que já está com dor.

  10. 10

    Interpretar testes de ombro com cautela extra

    Registre o resultado, mas lembre que a literatura desses testes é mais frágil: dos 45 estudos revisados, apenas metade tinha qualidade aceitável e só dois tinham amostra adequada.

    Erro comum: Citar números de sensibilidade e especificidade de testes de ombro com a mesma confiança dos do joelho.

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Achados, limites e forma de registro

Normal
  • Lachman com deslocamento simétrico ao do lado contralateral e ponto de parada firme.
  • Gaveta anterior sem aumento do deslocamento comparado ao lado sadio.
  • McMurray sem dor nem clique.
  • Lasègue e Lasègue cruzado sem dor irradiada.
  • Ombro com arco de movimento completo e indolor.
  • Exemplo de registro: elevação da perna estendida reproduziu dor irradiada abaixo do joelho entre 35° e 70°, com lado e território descritos; achado integrado ao exame neurológico, sem registrar apenas ‘Lasègue positivo’.
Lachman com deslocamento aumentado e ponto de parada mole
Achado de maior peso do exame do joelho para lesão do ligamento cruzado anterior, com razão de verossimilhança positiva de 25,0.
Lachman normal
Reduz bastante a probabilidade de lesão do cruzado anterior, com razão de verossimilhança negativa de 0,1. É útil nas duas direções.
McMurray positivo isolado
Praticamente não muda a probabilidade de lesão meniscal — razão de verossimilhança positiva de 1,3. Só ganha sentido dentro do exame composto.
Dor à palpação da interlinha articular
Razão de verossimilhança positiva de 0,9, o que equivale a ausência de informação sobre lesão meniscal, apesar da tradição que a valoriza.
Lasègue positivo, com dor irradiada abaixo do joelho
Sensibilidade alta e especificidade baixa: sua AUSÊNCIA é que ajuda, tornando hérnia menos provável. A presença isolada muda pouco.
Lasègue cruzado positivo
Perfil oposto: especificidade maior e sensibilidade baixa. Quando positivo, reforça a hipótese; a magnitude depende da probabilidade pré-teste e da população examinada.
Lombalgia com déficit motor, alteração de reflexos ou sintoma esfincteriano
Bandeira vermelha. Muda a urgência independentemente do resultado das manobras.
Dor no ombro reproduzida em um arco específico do movimento
Orienta a hipótese e indica quais testes especiais valem a pena — mas com a ressalva de que a literatura dos testes de ombro é metodologicamente mais frágil.
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O que isso quer dizer

A revisão sistemática do JAMA sobre o joelho analisou 88 artigos e incluiu 23, comparando as manobras com artroscopia e ressonância. Os números organizam uma hierarquia clara e pouco intuitiva.

O teste de Lachman teve razão de verossimilhança positiva de 25,0, com intervalo de 2,7 a 651,0, e negativa de 0,1, com intervalo de 0,0 a 0,4, para lesão do ligamento cruzado anterior. É um dos raros achados de exame físico que serve bem nas duas direções: presente, confirma com força; ausente, afasta com força.

A gaveta anterior, para o mesmo diagnóstico, ficou em 3,8, com intervalo de 0,7 a 22,0 — intervalo que inclui 1, ou seja, compatível com ausência de informação. A explicação é mecânica: a noventa graus de flexão os isquiotibiais estabilizam a articulação e mascaram a frouxidão que o Lachman detectaria.

Nos meniscos o quadro é bem pior. O teste de McMurray teve razão de verossimilhança positiva de 1,3, com intervalo de 0,9 a 1,7, e a dor à palpação da interlinha articular ficou em 0,9, com intervalo de 0,8 a 1,0. Um valor de 0,9 significa, na prática, que encontrar o achado deixa a probabilidade praticamente onde estava — e ainda assim é um dos achados mais citados no exame do joelho.

A conclusão dos autores aponta a saída: o exame composto para lesões meniscais ou ligamentares específicas teve desempenho muito melhor que as manobras isoladas. Para o cruzado anterior, o exame composto alcançou razão positiva de 25,0 e negativa de 0,04; para menisco, 2,7 e 0,4. Ou seja, integrar mecanismo do trauma, tempo do edema, estabilidade e impressão global vale mais que executar manobras em série sem formar conclusão.

Na coluna, o par Lasègue e Lasègue cruzado é quase uma aula de raciocínio diagnóstico. A revisão que agrupou 11 estudos, todos em populações cirúrgicas, encontrou para o Lasègue simples sensibilidade de 0,91, com intervalo de 0,82 a 0,94, e especificidade de apenas 0,26, com intervalo de 0,16 a 0,38. Para o Lasègue cruzado, sensibilidade de 0,29, com intervalo de 0,24 a 0,34, e especificidade de 0,88, com intervalo de 0,86 a 0,90.

Os dois têm perfis espelhados. O Lasègue simples é sensível e pouco específico: o resultado negativo reduz a probabilidade, enquanto o positivo move pouco. O Lasègue cruzado aparece em menos de um terço dos doentes, mas é menos frequente em quem não tem hérnia: o positivo aumenta a probabilidade, e o negativo pouco informa. Como os dados vieram de populações cirúrgicas, nenhum dos dois deve ser tratado como confirmação isolada em atenção primária.

Uma ressalva metodológica importante: os estudos incluídos eram todos de populações cirúrgicas, com prevalência de hérnia muito alta, e a própria revisão registra que o poder discriminativo foi menor nos estudos mais recentes, nos que incluíram só hérnias primárias e nos com avaliação cega. Isso sugere que, na atenção primária, o desempenho real é provavelmente mais modesto que esses números.

Sobre o ombro, o recado é de humildade. A revisão sistemática que criticou 45 estudos de testes de ombro encontrou apenas metade com qualidade metodológica aceitável e somente dois com tamanho amostral adequado. Os testes continuam úteis para orientar hipóteses; o que não se sustenta é repetir seus números de acurácia com a mesma confiança que se repete um Lachman.

Manobras especiais modificam probabilidade apenas quando reproduzem o fenômeno esperado com técnica e população adequadas. No Lasègue, dor lombar isolada ou desconforto posterior inespecífico não equivalem a tensão radicular; irradiação, ângulo, distribuição e exame neurológico devem ser concordantes.

SinalMedidaValorFonte
Teste de Lachman para lesão do ligamento cruzado anteriorDesempenho contra artroscopia e ressonância, em revisão de 23 estudos. É um dos poucos achados do exame físico útil nas duas direções.LR+ 25,0 (IC 95% 2,7–651,0) e LR- 0,1 (IC 95% 0,0–0,4)Solomon DH, Simel DL, Bates DW, Katz JN, Schaffer JL. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001;286(13):1610-20.
Gaveta anterior, teste de McMurray e dor à palpação da interlinhaDesempenho das manobras isoladas do joelho. Os intervalos que incluem 1 e os valores próximos de 1 indicam achados que quase não deslocam a probabilidade.Gaveta anterior LR+ 3,8 (IC 95% 0,7–22,0); McMurray LR+ 1,3 (IC 95% 0,9–1,7); dor de interlinha LR+ 0,9 (IC 95% 0,8–1,0)Solomon DH, Simel DL, Bates DW, Katz JN, Schaffer JL. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001;286(13):1610-20.
Exame composto do joelhoDesempenho da avaliação integrada. Os autores concluíram que o exame composto teve desempenho muito melhor que as manobras específicas isoladas.Para o cruzado anterior, LR+ 25,0 (IC 95% 2,1–306,0) e LR- 0,04 (IC 95% 0,01–0,48); para menisco, LR+ 2,7 (IC 95% 1,4–5,1) e LR- 0,4 (IC 95% 0,2–0,7)Solomon DH, Simel DL, Bates DW, Katz JN, Schaffer JL. The rational clinical examination. Does this patient have a torn meniscus or ligament of the knee? Value of the physical examination. JAMA. 2001;286(13):1610-20.
Teste de Lasègue e Lasègue cruzado para hérnia de discoDesempenho em 11 estudos agrupados, todos de populações cirúrgicas com cirurgia como referência. São perfis espelhados: o simples serve para afastar, o cruzado para confirmar. Na atenção primária o desempenho é provavelmente mais modesto — a própria revisão registra poder discriminativo menor em estudos com avaliação cega.Lasègue: sensibilidade 0,91 (IC 95% 0,82–0,94) e especificidade 0,26 (IC 95% 0,16–0,38). Lasègue cruzado: sensibilidade 0,29 (IC 95% 0,24–0,34) e especificidade 0,88 (IC 95% 0,86–0,90)Devillé WL, van der Windt DA, Dzaferagić A, Bezemer PD, Bouter LM. The test of Lasègue: systematic review of the accuracy in diagnosing herniated discs. Spine (Phila Pa 1976). 2000;25(9):1140-7.
Qualidade da literatura sobre testes especiais do ombroAvaliação de qualidade em revisão sistemática dos testes de ombro. Recomenda cautela ao repetir números de acurácia desses testes.Dos 45 estudos criticados, apenas metade apresentou qualidade metodológica aceitável e somente dois tinham tamanho amostral adequadoHegedus EJ, et al. Physical examination tests of the shoulder: a systematic review with meta-analysis of individual tests. Br J Sports Med. 2008. PMID: 17720798.
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Serve para incluir ou para excluir?

Cada manobra tem uma direção em que rende. Saber qual evita usar o teste certo para a pergunta errada.

ManobraPerfilServe melhor paraNúmeros
LachmanAlta em ambas as direçõesIncluir e excluir lesão do cruzado anteriorLR+ 25,0 / LR- 0,1
Gaveta anteriorIntermediário e imprecisoComplementar o LachmanLR+ 3,8 (IC inclui 1)
McMurrayBaixo rendimentoQuase nada isoladamenteLR+ 1,3
Dor de interlinhaSem informaçãoNada isoladamenteLR+ 0,9
Exame composto do joelhoAltoIncluir e excluir, integrando tudoLR+ 25,0 / LR- 0,04 (cruzado anterior)
LasègueSensível, pouco específicoExcluir hérnia quando negativoS 0,91 / E 0,26
Lasègue cruzadoEspecífico, pouco sensívelConfirmar hérnia quando positivoS 0,29 / E 0,88
  • Lasègue e Lasègue cruzado são espelhos: fazer os dois cobre as duas direções e custa segundos.
  • O exame composto do joelho supera com folga qualquer manobra isolada — integrar vale mais que acumular testes.
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Erros que custam o achado

Substituir o Lachman pela gaveta anterior
A noventa graus os isquiotibiais estabilizam o joelho e mascaram a frouxidão. A gaveta tem LR+ 3,8 com intervalo que inclui 1; o Lachman, 25,0. Se você só souber fazer uma manobra de joelho, que seja o Lachman.
Diagnosticar lesão meniscal por McMurray positivo
Razão de verossimilhança positiva de 1,3 significa que a probabilidade praticamente não se moveu. O achado só ganha sentido dentro do exame composto.
Valorizar a dor de interlinha como achado específico
LR+ 0,9 é ausência de informação. É um dos achados mais citados do exame do joelho e um dos que menos contribuem isoladamente.
Chamar de Lasègue positivo a dor lombar ou de coxa posterior
O que caracteriza o teste é dor radicular irradiada abaixo do joelho seguindo um trajeto. Estiramento de isquiotibiais dói em quase todo mundo e não é o sinal.
Usar o Lasègue positivo para confirmar hérnia
Com especificidade de 0,26, muita gente sem hérnia tem o teste positivo. O resultado negativo reduz a probabilidade; o Lasègue cruzado positivo a eleva mais, mas não confirma hérnia isoladamente.
Não fazer o Lasègue cruzado
É o teste com especificidade 0,88 e sensibilidade 0,29: quando positivo, reforça a hipótese mais que o Lasègue simples, mas não a confirma isoladamente. Custa segundos e quase nunca é executado.
Aplicar os números do Lasègue à atenção primária sem ressalva
Os estudos agrupados eram de populações cirúrgicas, com prevalência muito alta, e o poder discriminativo foi menor nos estudos com avaliação cega. Em pronto atendimento e ambulatório o desempenho real tende a ser mais modesto.
Testar o joelho com o paciente contraído
Musculatura tensa estabiliza a articulação e esconde frouxidão. É a causa mais comum de teste ligamentar falsamente negativo — examine o lado sadio primeiro para reduzir a defesa.
Repetir números de testes de ombro com excesso de confiança
Metade dos 45 estudos revisados não tinha qualidade aceitável e apenas dois tinham amostra adequada. Os testes orientam hipótese; seus números de acurácia não têm o mesmo lastro dos do joelho.
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Roteiro da estação

Manobras dirigidas, escolhidas pela hipótese e pelo rendimento.

  1. 01Higienizar as mãos, explicar o exame e expor os dois lados
  2. 02Examinar primeiro o lado assintomático, para estabelecer a referência
  3. 03No joelho: inspeção, derrame, amplitude e palpação das interlinhas
  4. 04Executar o teste de Lachman, comparando com o lado sadio
  5. 05Complementar com gaveta anterior, ciente do rendimento menor
  6. 06Executar o McMurray, registrando com o peso que ele tem
  7. 07Formar a conclusão integrando mecanismo, edema, estabilidade e impressão global
  8. 08Na coluna: inspeção, amplitude e palpação da musculatura paravertebral
  9. 09Executar o teste de Lasègue, exigindo dor irradiada abaixo do joelho
  10. 10Executar o Lasègue cruzado
  11. 11Completar com exame neurológico de membros inferiores
  12. 12No ombro: avaliar arco de movimento antes de escolher testes especiais
  13. 13Registrar cada manobra e a conclusão integrada
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Teste-se

Sorteando as questões…
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Agora faça no paciente

Homem de 24 anos chega ao ambulatório e a primeira coisa que você ouve é: "Doutor, machuquei o joelho direito jogando bola e ele vive falhando comigo." Agora é sua vez: conduza a anamnese, examine e monte o seu raciocínio.

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Revisão espaçada

7 dias

Por que o Lachman rende mais que a gaveta anterior? Qual a diferença de perfil entre o Lasègue simples e o cruzado, e como usar os dois?

30 dias

O McMurray tem LR+ 1,3 e a dor de interlinha, 0,9, mas o exame composto do joelho para menisco chega a 2,7 e para cruzado anterior a 25,0. O que isso ensina sobre como estudar e como executar as manobras articulares?

Manobras por articulação — Ciclo básico | OsceLabs