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Clínica MédicaReumatologia

Antes da primeira erosão

Artrite reumatoide

Artrite reumatoide para o interno: reconhecer a sinovite na unidade básica, encaminhar sem esperar exame, começar o metotrexato que o protocolo permite, preparar o paciente antes de imunossuprimir e não perder o que ameaça a vida fora da articulação.

Fontes deste capítulo

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Especializada à Saúde; Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde. Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19 de janeiro de 2026 — aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Artrite Reumatoide (revoga a Portaria Conjunta SAES-SCTIE/MS nº 16, de 3 de setembro de 2021).

Brasil. Ministério da Saúde; Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada, volume III: Reumatologia e Ortopedia. Brasília: Ministério da Saúde, 2016 (versão preliminar).

Brasil. Ministério da Saúde. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename 2024. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.

Brasil. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta nº 21, de 1º de novembro de 2022 — aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Lúpus Eritematoso Sistêmico.

Santa Catarina. Secretaria de Estado da Saúde (DIAF/SAS). Artrite reumatoide — Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33/2026: critérios, documentos e exames para solicitação no Componente Especializado. Agosto de 2026.

01

Responda antes de ler

Homem de 45 anos com artrite reumatoide de início recente e atividade alta começa metotrexato hoje e não consegue trabalhar pela dor. Sobre o glicocorticoide como ponte até o efeito do metotrexato, a conduta que segue o texto do protocolo de 2026 é:

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O paciente que você vai ver

Terça-feira, oito e cinquenta da manhã, consultório 2 de uma unidade básica de saúde num bairro de cidade média. A agenda tem quinze nomes, a preceptora atende na sala ao lado e passa por aqui a cada três pacientes. O quarto nome da manhã é Hebe Chaves, 44 anos, cozinheira de um restaurante de comida a quilo, 62 quilos. Ela entra com a bolsa pendurada no antebraço, e não na mão, e senta sem apoiar as palmas na cadeira. Antes de você perguntar qualquer coisa, estende as duas mãos sobre a mesa, com os dedos meio abertos, como quem mostra uma prova.

A queixa, nas palavras dela, é que “as mãos incharam e não desincham”. Começou há quatro meses nos dois punhos; em poucas semanas passou para os nós dos dedos das duas mãos, sem que os punhos melhorassem; há um mês, a sola dos pés dói nos primeiros passos ao levantar da cama. De manhã as mãos acordam duras, “como luva de borracha molhada”, e só soltam depois de uma hora e meia, quando ela já está no ônibus. No restaurante, não consegue mais fechar a mão no cabo da faca nem torcer o pano de prato, e passou a cortar cebola com a esquerda por cima da direita. Tomou diclofenaco comprado na farmácia, dois comprimidos por dia, com alívio de poucas horas. Há seis semanas foi à unidade de pronto atendimento, ouviu que era “reumatismo, coisa da idade”, tomou uma injeção e saiu com a orientação de procurar o posto.

Você a examina. Temperatura axilar de 36,6 °C, pressão de 124 por 78 mmHg. Os dois punhos têm aumento de volume mole, com calor discreto e dor à palpação. A segunda e a terceira metacarpofalângicas das duas mãos estão inchadas a ponto de apagar o vale que existe entre os nós dos dedos quando ela fecha a mão. As interfalângicas proximais do segundo e do terceiro dedos da mão direita e do terceiro da esquerda têm o mesmo inchaço, em fuso. As interfalângicas distais estão normais, sem nódulo duro. Quando você aperta as metacarpofalângicas de um lado para o outro da mão, ela puxa o braço; o mesmo aperto nas metatarsofalângicas dói nos dois pés, embora, palpadas uma a uma, nenhuma delas pareça inchada. Ombros, cotovelos, joelhos e tornozelos não têm sinovite. A pele não tem placas descamativas, as unhas não têm depressões, a boca não tem úlceras, os cotovelos não têm nódulos, e a ausculta pulmonar é limpa.

O único papel que ela trouxe é um exame colhido na unidade de pronto atendimento: hemoglobina de 12,6 g/dL, leucócitos e plaquetas normais, velocidade de hemossedimentação de 48 mm na primeira hora e, na última linha, “fator reumatoide (látex): não reagente”. Ela aponta essa linha com o dedo que ainda consegue esticar: “Disseram que reumatismo mesmo não é, porque deu negativo.”

A história que ela não contaria sem pergunta vem em seguida. Fuma seis cigarros por dia desde os vinte anos. Bebe duas latas de cerveja no domingo. Usa dispositivo intrauterino de cobre há três anos e não pretende ter mais filhos; o mais novo tem quinze. Uma tia materna “tinha as mãos tortas” e morreu antes dos sessenta. O cartão de vacinas ficou em alguma gaveta; a última vacina de que se lembra foi a antitetânica, depois de um corte na cozinha, há mais de dez anos. É ela quem sustenta a casa, e o dono do restaurante já perguntou se ela vai conseguir continuar na chapa.

A preceptora entra, escuta a apresentação — poliartrite simétrica e aditiva de pequenas articulações das mãos e dos punhos, com rigidez matinal de uma hora e meia, há quatro meses, teste do aperto positivo nas mãos e nos pés, velocidade de hemossedimentação elevada e fator reumatoide por látex não reagente — e faz três perguntas antes de voltar para a sala dela. O que falta para chamar isso de artrite reumatoide? O que você faz hoje, antes de ter o nome? E o que se começa aqui, nesta unidade, sem esperar a fila da reumatologia? Na porta, acrescenta uma quarta, que é a que organiza as outras: por que a pressa, se ela está andando?

A resposta à quarta pergunta está no que ainda não aparece. Quatro meses de sinovite não deixam marca na radiografia de hoje, e é exatamente por isso que importam: a destruição da cartilagem e do osso nessa doença é irreversível, e o protocolo brasileiro trata os primeiros seis meses de sintomas como o período em que tratar com meta muda o resultado. Este capítulo acompanha Hebe desta consulta até o quinto mês de metotrexato. No caminho, passa pelo que se pede e por quê, pelo critério que classifica sem diagnosticar, pela receita que não pode ser lida errado, pelo que a farmácia do SUS entrega e por qual porta, pelo que precisa ser conferido antes de imunossuprimir e pelo que, fora da articulação, o interno não pode deixar passar.

03

Quem adoece disso

A artrite reumatoide não é rara, mas também não é a regra da dor nas mãos, e é essa proporção que o interno precisa ter na cabeça. O protocolo brasileiro de 2026 registra que há poucos estudos de prevalência na América Latina: no México, 1,6% da população; no Brasil, um estudo em Minas Gerais encontrou 0,46%. Aplicado a uma equipe de saúde da família com três mil adultos cadastrados, o número de Minas dá cerca de catorze pessoas com a doença — e boa parte delas passa pela unidade básica com outro nome antes de chegar a um reumatologista: artrose, tendinite, ácido úrico, “reumatismo”.

O retrato de quem adoece é conhecido e ajuda a suspeitar. A doença é mais frequente em mulheres, aparece sobretudo entre os 30 e os 50 anos e tem pico de incidência na quinta década de vida. A história familiar pesa: ter um parente com artrite reumatoide aumenta o risco de três a cinco vezes. Hebe reúne as três coisas — mulher, 44 anos, uma tia com as mãos deformadas —, o que não fecha diagnóstico nenhum, mas tira da mesa a explicação de que é “coisa da idade”.

O que faz a doença merecer pressa é o que ela tira. O protocolo descreve destruição articular irreversível, piora da qualidade de vida, incapacidade funcional, perda de produtividade e custo alto para a sociedade. Descreve também o que se esquece quando se pensa só em articulação: a artrite reumatoide reduz a expectativa de vida, e o excesso de mortalidade vem de doença cardiovascular, de infecção e de neoplasia. As manifestações fora da articulação — nódulos, vasculite, derrame pleural, episclerite e escleromalácia perfurante, entre outras — acompanham pior prognóstico e maior mortalidade.

O tempo tem número. Segundo o protocolo, os avanços no diagnóstico e no monitoramento permitiram identificar a doença cedo e tratá-la nas fases iniciais, e o tratamento dirigido à remissão ou à baixa atividade em pacientes com início recente, definido como menos de seis meses de sintomas, melhorou significativamente os resultados. O protocolo federal de encaminhamento de 2016 usa outra régua para a fila: dá preferência à suspeita de artrite reumatoide com menos de um ano de sintomas. As duas não se contradizem — uma define o paciente em que a estratégia terapêutica rende mais, a outra define quem passa na frente na regulação —, e Hebe, com quatro meses, está dentro das duas.

Nem toda artrite reumatoide evolui igual, e o protocolo lista os fatores ligados à progressão mais rápida da destruição articular: sexo feminino, tabagismo, baixo nível socioeconômico, início em idade mais precoce, fator reumatoide ou anti-CCP em títulos elevados, proteína C reativa ou velocidade de hemossedimentação elevadas, grande número de articulações edemaciadas, manifestações extra-articulares, atividade inflamatória alta, erosões precoces e a presença do epítopo compartilhado — este último, exame que não entra na rotina assistencial. A presença de alguns desses fatores pode pedir acompanhamento e reavaliação mais frequentes.

Os anticorpos têm números que o interno deve saber de cor, porque decidem como ler o papel que o paciente traz. O protocolo dá ao fator reumatoide sensibilidade de 75% e especificidade de 85%, e ao anti-CCP sensibilidade de 75% e especificidade de 95%. Traduzido para a consulta: de cada quatro pessoas com artrite reumatoide, uma tem fator reumatoide negativo; e, entre pessoas sem a doença que fazem o exame, 15% terão fator reumatoide positivo e 5% terão anti-CCP positivo. O látex negativo de Hebe, portanto, não absolve nada — e a doença soronegativa existe com código próprio na classificação internacional.

O tratamento também tem números que explicam a conduta. O metotrexato, âncora do protocolo, tem taxa alta de toxicidade hepática e gastrointestinal e leva à suspensão do tratamento em aproximadamente três de cada dez pacientes — daí o ácido fólico, a divisão da dose e a via injetável aparecerem no mesmo parágrafo do protocolo em que ele é escolhido. Na gestação, o consenso de 2012 da Sociedade Brasileira de Reumatologia registra melhora das manifestações em até 75% das pacientes e recaída em 90% nos primeiros seis meses do puerpério — o planejamento da gravidez é assunto de consulta, e não de improviso. E o SUS entrega o tratamento inteiro do protocolo, mas por portas diferentes: o metotrexato, os demais modificadores sintéticos, os oito imunobiológicos e os três inibidores de JAK estão no Componente Especializado da Rename 2024; o ácido fólico, a prednisona e o ibuprofeno estão no Componente Básico.

04

Por que acontece o que acontece

A membrana sinovial normal é uma película de poucas camadas de células que forra a cápsula e produz o líquido que lubrifica a articulação. Na artrite reumatoide, depois de um estímulo que o protocolo descreve como possivelmente autoimune ou infeccioso, macrófagos e fibroblastos da sinóvia proliferam. A membrana engrossa, cria vasos novos e forma um tecido que avança sobre a borda da cartilagem e sobre o osso logo abaixo dela, onde a cápsula se insere. É esse avanço que produz a erosão. A inflamação vem antes, e a erosão é a cicatriz de meses de inflamação sem controle: por isso uma radiografia normal aos quatro meses não tranquiliza ninguém, e por isso o tratamento precoce muda o que a radiografia vai mostrar aos quatro anos.

A autoimunidade que sustenta esse processo nasce do encontro entre predisposição e ambiente. O protocolo cita a importância de genes do sistema HLA, como o HLA-DRB1, e de vias de sinalização como JAK-STAT e NF-kB. Do lado do ambiente, o tabagismo tem papel conhecido — e o protocolo o lista entre os fatores de progressão mais rápida. Em tecido inflamado, algumas proteínas sofrem citrulinação, a troca de um aminoácido, a arginina, por outro, a citrulina; em pessoas predispostas, essas proteínas modificadas passam a ser reconhecidas como estranhas. O anti-CCP mede anticorpos contra peptídeos citrulinados, e é por nascer desse mecanismo específico que ele é mais específico que o fator reumatoide. O fator reumatoide é um anticorpo dirigido contra a porção constante da imunoglobulina G, produzido também em outras doenças inflamatórias e infecciosas crônicas — daí a especificidade menor.

Quem mantém a sinovite acesa são as citocinas. O protocolo nomeia as principais: fator de necrose tumoral alfa, interleucina 1 e interleucina 6. O fator de necrose tumoral ativa as células que reabsorvem osso e amplifica o recrutamento de outras células inflamatórias; a interleucina 6 manda o fígado produzir proteína C reativa e outras proteínas de fase aguda, e é uma das pontes entre a articulação e o corpo inteiro — a fadiga, a elevação da velocidade de hemossedimentação e a anemia da inflamação. Cada uma dessas moléculas virou alvo: os anti-TNF bloqueiam o fator de necrose tumoral, o tocilizumabe bloqueia o receptor da interleucina 6, o abatacepte interfere na ativação do linfócito T, o rituximabe elimina linfócitos B, e os inibidores de JAK bloqueiam, dentro da célula, a sinalização comum a várias citocinas.

O padrão clínico sai da anatomia da doença. As pequenas articulações das mãos e dos pés têm muita sinóvia para o tamanho que têm e são as primeiras a inchar. A doença é sistêmica, e por isso tende a ser simétrica. É aditiva: articulações novas se somam às antigas sem que estas melhorem, ao contrário do padrão migratório, em que uma articulação melhora quando outra piora. A rigidez matinal longa tem explicação física: durante a imobilidade da noite, o edema inflamatório se acumula na sinóvia e nos tecidos em volta, e só o movimento o redistribui. Quanto mais inflamação, mais tempo a articulação leva para soltar — e é por isso que os critérios de encaminhamento usam rigidez acima de 30 minutos como sinal de doença inflamatória, enquanto a rigidez da osteoartrite dura menos de 30 minutos.

O critério de classificação de 2010 exclui da contagem as interfalângicas distais, a primeira carpometacarpal e a primeira metatarsofalângica. A razão é o outro lado da mesma anatomia: essas são as articulações preferidas da osteoartrite, e contá-las transformaria nódulos de Heberden e rizartrose em pontos para artrite reumatoide. A interfalângica distal inchada e dura puxa o raciocínio para a osteoartrite; a distal inflamada com unha alterada ou dedo em salsicha puxa para a artrite psoriásica.

Com o tempo, a sinovite crônica distende cápsulas e ligamentos, desloca tendões de seus trilhos e desalinha as articulações. Daí vêm as deformidades que o protocolo descreve — o desvio ulnar dos dedos, o pescoço de cisne, a botoeira, o dorso de camelo, o hálux valgo e os dedos em martelo. Na coluna cervical, a sinovite da articulação entre o atlas e o áxis e o afrouxamento do ligamento que prende o processo odontoide deixam a primeira vértebra deslizar sobre a segunda. O espaço do canal diminui, e a medula fica exposta a compressão. É uma complicação de doença antiga, silenciosa até deixar de ser.

A inflamação crônica não fica na articulação. Ela acelera a aterosclerose, que é o caminho do excesso de mortalidade cardiovascular que o protocolo registra; o glicocorticoide, quando usado por muito tempo, soma a isso seus efeitos sobre glicose, pressão e osso. A própria doença e os remédios que a controlam aumentam o risco de infecção. O mesmo processo imune pode atingir o pulmão — o protocolo tem código próprio para a doença reumatoide do pulmão —, a pleura, o olho, os vasos e o baço; a síndrome de Felty, também com código próprio, junta artrite reumatoide, neutropenia e baço aumentado.

Os remédios agem em pontos diferentes dessa cadeia, e entender onde explica a receita. Anti-inflamatório e glicocorticoide aliviam sintomas rapidamente, mas não substituem o tratamento de base: o protocolo afirma que o uso crônico de anti-inflamatório indica doença sem controle. O metotrexato em dose baixa e semanal age, em boa parte, modulando o metabolismo da adenosina, um mediador anti-inflamatório, enquanto parte da sua toxicidade vem da inibição da enzima que recicla o folato — por isso o ácido fólico reduz eventos adversos sem anular o efeito, e por isso a dose diária é perigosa. O efeito leva semanas para aparecer, e o protocolo manda esperar ao menos três meses de tratamento para julgar a eficácia. E o fator de necrose tumoral que alimenta a sinovite é o mesmo que mantém fechado o granuloma da tuberculose latente: bloqueá-lo sem rastrear antes é abrir essa porta.

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Como se apresenta de verdade

A artrite reumatoide quase nunca chega à unidade básica com o próprio nome. Chega como mão inchada que “deve ser da água”, como punho que “é tendinite do serviço”, como pé que dói ao levantar, como exame de fator reumatoide pedido por alguém e deixado sem leitura. O trabalho do interno é reconhecer um padrão feito de quatro elementos — quais articulações, há quanto tempo, quanto dura a rigidez da manhã e se a distribuição é simétrica — e, ao mesmo tempo, olhar para o que está fora da articulação, porque é ali que estão as complicações que matam.

Este capítulo é dono da artrite reumatoide do adulto: a suspeita na atenção primária, a classificação, o tratamento pelo protocolo até onde o interno prescreve e acompanha, o preparo para imunossuprimir, as intercorrências do paciente em tratamento e as comorbidades que a doença traz. Cede a monoartrite aguda e a artrite séptica, inclusive a do paciente com artrite reumatoide, ao capítulo Monoartrite aguda e artrite séptica; a gota a O cristal não absolve; o lúpus e a leitura do fator antinuclear a O FAN não fecha o diagnóstico; a fibromialgia a Dor em todo lugar, lesão em lugar nenhum — todos desta apostila. O capítulo de osteoartrite desta apostila, O joelho que a radiografia não explica, ficou com o reconhecimento do padrão inflamatório e com o encaminhamento e deixou o tratamento da artrite reumatoide para o capítulo próprio: é este, e ele assume o tratamento. As espondiloartrites, com a artrite psoriásica, têm capítulo nesta apostila — Espondiloartrites e artrite psoriásica —, e as vasculites estão previstas; aqui as duas aparecem só como diagnóstico diferencial.

Percurso de aprendizagem

Identifique sinovite persistente, distribuição articular, rigidez e perda funcional. Sorologia negativa e radiografia normal no início não justificam esperar erosão para encaminhar.

Diferencie alívio sintomático e modificação da doença. Aprenda o uso semanal seguro do metotrexato, prevenção de toxicidade, acompanhamento e ajuste por resposta; as etapas de acesso não obrigam manter fármaco tóxico ou doença ativa.

Use os casos para explicar decisões e consequências. As doses e os horários da narrativa são exemplos contextualizados; confirme sua adequação ao paciente e ao protocolo assistencial. Consulte as divergências e regras de acesso quando elas mudarem uma decisão concreta.

O padrão que se reconhece na consulta

O protocolo resume o quadro clínico em poucas palavras: poliartrite simétrica e aditiva, artralgia, rigidez matinal e provas de atividade inflamatória elevadas. Na mão, as articulações típicas são as metacarpofalângicas, as interfalângicas proximais e os punhos; no pé, as metatarsofalângicas do segundo ao quinto dedo. Para o critério de classificação, contam como pequenas articulações as metacarpofalângicas, as interfalângicas proximais, as metatarsofalângicas do segundo ao quinto dedo, as interfalângicas dos polegares e os punhos; contam como grandes os ombros, os cotovelos, os quadris, os joelhos e os tornozelos.

O exame separa sinovite de dor. A articulação com sinovite tem aumento de volume mole, que cede à pressão como borracha, apaga o relevo normal da articulação e costuma doer à palpação da linha articular. O aumento de volume duro, ósseo, nas interfalângicas distais e proximais — os nódulos de Heberden e de Bouchard — é da osteoartrite. Na metacarpofalângica, o sinal mais fácil de ver é o sumiço do vale entre as cabeças dos metacarpos quando a mão está fechada.

Duas mãos vistas pelo dorso, com tumefação de metacarpofalângicas, interfalângicas proximais e punhos, sem deformidades fixas e com interfalângicas distais relativamente preservadas.
Padrão sugestivo de artrite reumatoide de início recente: predomínio em metacarpofalângicas, interfalângicas proximais e punhos, com interfalângicas distais relativamente poupadas. Reconhecer a distribuição permite suspeitar da doença antes das erosões. Simetria e essa distribuição são pistas clínicas, não requisitos presentes em todos os pacientes nem diagnóstico pela imagem.

O teste do aperto é a manobra que mais rende na atenção primária. O examinador comprime lateralmente, de uma borda à outra, a fileira de metacarpofalângicas ou de metatarsofalângicas; dor referida pelo paciente conta como positivo. O protocolo o descreve como teste de elevada sensibilidade para avaliar a dor de modo mais objetivo — o que quer dizer que o negativo ajuda a afastar e que o positivo, sozinho, não basta: quem tem só dor à compressão, sem sinovite, precisa ser reexaminado, e não rotulado.

A rigidez matinal se pergunta em minutos, e não em sim ou não. “Quanto tempo depois de acordar a senhora consegue abotoar a blusa?” rende mais do que “tem rigidez de manhã?”. Rigidez que passa de 30 minutos é inflamatória; a de Hebe, de uma hora e meia, é a de uma sinovite ativa.

Como ela começa e o que ela ainda não é nas primeiras semanas

O começo típico é insidioso: semanas a meses de dor e inchaço que vão somando articulações. Às vezes a doença abre por uma articulação só, e aí a primeira pergunta é a do capítulo de monoartrite — infecção e cristal vêm antes de qualquer rótulo reumatológico. O que transforma queixa em suspeita é a soma de articulações com sinovite, a simetria e o tempo.

O tempo tem uma fronteira de seis semanas, e ela aparece duas vezes. No critério de classificação, sintomas com menos de seis semanas não pontuam na duração. E o protocolo manda considerar infecção viral em toda poliartrite com menos de seis semanas, especialmente com febre e exantema, e nomeia os vírus mais associados: parvovírus B19, chikungunya, rubéola, HIV e os vírus das hepatites B e C. Muitas dessas artrites melhoram sozinhas; a de chikungunya pode passar dessa marca e imitar a artrite reumatoide por meses, e é por isso que a pergunta sobre febre e manchas no corpo nas semanas anteriores faz parte da primeira consulta.

A doença que já começou com fator reumatoide em título alto, anti-CCP positivo, muitas articulações inchadas ou manifestação fora da articulação tem, pelo protocolo, pior prognóstico — e justifica acompanhamento mais próximo desde o início.

Quando a doença já deixou marca

Nas fases tardias, o protocolo descreve as deformidades que o interno vai ver no ambulatório de quem adoeceu há anos: o desvio ulnar dos dedos, ou dedos em ventania; o pescoço de cisne, com hiperextensão da interfalângica proximal e flexão da distal; a botoeira, com flexão da proximal e hiperextensão da distal; a mão em dorso de camelo, com punho e metacarpofalângicas aumentados e atrofia dos interósseos do dorso; joelhos e tornozelos valgos; hálux valgo; dedos em martelo; dedos em crista de galo, com as cabeças dos metatarsos expostas na planta do pé; e pés planos.

Essas deformidades têm duas leituras. A primeira é que elas são o resultado do que não foi controlado a tempo, e por isso o capítulo insiste na janela. A segunda é prática: a pessoa com a mão deformada pode ter a doença inativa hoje, e deformidade não é sinônimo de atividade. O que decide atividade é a articulação inchada e dolorosa contada na consulta, e não a forma da mão.

Os nódulos reumatoides, firmes e indolores, sob a pele de áreas de pressão como a face extensora do antebraço, estavam entre os critérios de 1987 e são manifestação extra-articular associada a doença soropositiva e mais grave.

O pescoço de quem tem artrite reumatoide antiga

A subluxação entre a primeira e a segunda vértebras cervicais é a complicação que se esconde atrás das deformidades das mãos. O protocolo descreve como ela se manifesta: dor irradiada para a região occipital, perda da lordose cervical e resistência à movimentação passiva do pescoço. Quando surgem sintomas neurológicos — parestesias nas extremidades ou perda do controle dos esfíncteres —, a mortalidade chega a 50% em um ano.

A suspeita se confirma com radiografia de coluna cervical funcional, em flexão e extensão. O protocolo dá os dois números que indicam aumento do risco de compressão medular: distância entre o processo odontoide e o arco anterior do atlas acima de 3 mm, ou distância entre o processo odontoide e o arco posterior do atlas abaixo de 14 mm.

Maximiano Severo, 69 anos, tem artrite reumatoide há 22 anos e mãos em ventania. Há dez dias sente dor na nuca e formigamento nas duas mãos, que ele atribui à artrite. O formigamento novo nas mãos de quem tem doença antiga não é da artrite até que o pescoço tenha sido examinado: força, reflexos, sensibilidade e controle esfincteriano, e a radiografia funcional. Sinal neurológico objetivo transforma a consulta em avaliação no mesmo dia.

Fora da articulação

O protocolo lista entre as manifestações extra-articulares os nódulos reumatoides, a vasculite, o derrame pleural, a episclerite e a escleromalácia perfurante, e dá código próprio à doença reumatoide do pulmão e à síndrome de Felty. Todas se correlacionam com pior prognóstico.

No pulmão, o interno precisa de uma pergunta fixa em cada retorno: tosse seca ou falta de ar novas? A doença pulmonar da própria artrite e o dano pulmonar pelo metotrexato — pneumonia intersticial, efeito adverso menos frequente no consenso de 2012; fibrose pulmonar, na lista que o termo de esclarecimento do protocolo entrega ao paciente — começam da mesma forma, e as duas pedem radiografia e reavaliação antes da próxima dose. A pleurite reumatoide produz derrame com pH e glicose baixos e entra no diagnóstico diferencial da adenosina deaminase elevada; a investigação do derrame é do capítulo O líquido já está no frasco, da apostila de Cirurgia Torácica.

No olho, a episclerite dá vermelhidão localizada com pouco desconforto; a esclerite dói, e a escleromalácia perfurante afina a esclera, muitas vezes sem dor, e pode chegar à perfuração. Olho vermelho e doloroso em quem tem artrite reumatoide é avaliação oftalmológica no mesmo dia. Na pele e nos nervos, úlcera de perna que não cicatriza, púrpura palpável, lesão na polpa dos dedos ou mão e pé caídos sugerem vasculite.

O protocolo reserva o glicocorticoide em dose alta às manifestações extra-articulares que ameaçam a vida ou a função de um órgão — vasculite, neurite, pneumonite — e diz que elas exigem atenção hospitalar especializada, geralmente com pulsoterapia de metilprednisolona intravenosa e, em alguns casos, imunossupressor como ciclofosfamida, azatioprina ou ciclosporina. Isso não é conduta de unidade básica: é encaminhamento no mesmo dia.

A anemia é comum na doença ativa e tem mecanismo inflamatório; a leitura da ferritina, que a inflamação eleva sem relação com o estoque de ferro, é do capítulo Anemia ferropriva, e a anemia da doença crônica é de O dano que não volta, os dois da apostila de Hematologia e Hemoterapia.

O que imita artrite reumatoide

O protocolo lista os diferenciais que não podem faltar: osteoartrite, fibromialgia, doenças autoimunes sistêmicas e outras doenças que dão dor articular; infecção viral na poliartrite com menos de seis semanas; síndrome de Sjögren e lúpus, que confundem sobretudo quando o fator reumatoide é positivo; e, no idoso com poliartrite, polimialgia reumática e manifestação paraneoplásica.

A osteoartrite da mão dá nódulo duro nas interfalângicas, rigidez de menos de 30 minutos e dor que piora com o uso ao longo do dia. A fibromialgia dá dor difusa, sono ruim e cansaço, sem sinovite — o exame normal das articulações é o dado que separa. O lúpus dá artrite que costuma não erodir, com pele, mucosa, serosas, rim e sangue contando a outra parte da história. A gota poliarticular crônica, com tofos, pode imitar a doença, e o líquido sinovial resolve.

A artrite psoriásica merece uma linha própria no diferencial — o capítulo dela é Espondiloartrites e artrite psoriásica, nesta apostila. Ela entra quando há psoríase na pele, história pessoal ou familiar de psoríase, alteração de unha, dedo em salsicha, inflamação da entese no calcanhar ou na planta do pé, acometimento das interfalângicas distais ou dor lombar de padrão inflamatório. O protocolo de encaminhamento de 2016 manda encaminhar à reumatologia a suspeita e o diagnóstico, e este capítulo fica com esse reconhecimento.

Duas imitações são brasileiras. A artrite pós-chikungunya pode persistir por meses depois da febre e do exantema; o capítulo Dengue, Zika e Chikungunya, da apostila de Infectologia, descreve a fase subaguda, e a conduta da fase crônica não está escrita em nenhum capítulo deste nível. E a hanseníase em reação tipo 2 pode simular artrite reumatoide, a ponto de haver casos descritos de pessoas que receberam anti-TNF para uma artrite que era hanseníase: nódulos dolorosos que vão e voltam e manchas com alteração de sensibilidade levam ao capítulo Hanseníase: a mancha que não sente, da apostila de Dermatologia.

No idoso, a dor e a rigidez de ombros e quadris instaladas em semanas, com provas inflamatórias altas, apontam para polimialgia reumática, cujo reconhecimento está em Dor em todo lugar, lesão em lugar nenhum, desta apostila; perda de peso, sintomas constitucionais e baqueteamento digital puxam a investigação para neoplasia antes de qualquer tratamento imunossupressor.

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Como fechar o diagnóstico

O protocolo é direto: o diagnóstico de artrite reumatoide se faz com achados clínicos e exames complementares, e nenhum exame isolado — laboratorial, de imagem ou histopatológico — confirma a doença. Os exames servem a três perguntas diferentes, e misturá-las é a origem da maior parte dos erros: sustentam ou enfraquecem a suspeita e permitem classificar; medem a atividade, que é o que decide a conduta; e preparam o tratamento, porque o metotrexato e, depois dele, os imunobiológicos exigem saber como estão o sangue, o fígado, o rim, as hepatites virais, a tuberculose e o cartão de vacinas.

A consequência prática é pedir tudo na primeira consulta. O resultado que vai liberar o metotrexato é o mesmo que ajuda a classificar, e uma segunda rodada de pedidos custa semanas de sinovite. O encaminhamento, por outro lado, não espera nenhum desses resultados: ele depende do exame físico.

O pedido da primeira consulta, exame por exame

Velocidade de hemossedimentação e proteína C reativa entram no critério de classificação e na medida de atividade; peça as duas, com os valores de referência do laboratório. Fator reumatoide quantitativo, e não só o látex, porque o título muda a pontuação. Anti-CCP: o protocolo diz que não é obrigatório e que costuma ser reservado aos casos de dúvida com fator reumatoide negativo — exatamente o caso de Hebe. Onde não houver anti-CCP, a suspeita e o encaminhamento seguem de pé.

Hemograma, AST, ALT e creatinina com taxa de filtração estimada são a linha de base do metotrexato e respondem à pergunta do Quadro 6 do protocolo: a atenção primária pode iniciar metotrexato, mas não quando há citopenia isolada ou bicitopenia, transaminases acima do limite superior da normalidade ou taxa de filtração entre 30 e 60 mL/min/1,73 m². Glicemia e perfil lipídico entram porque o protocolo manda tratar e monitorar hipertensão, diabetes, dislipidemia e osteoporose como parte do tratamento, e porque a artrite reumatoide pesa no risco cardiovascular.

HBsAg e anti-HBc total, os dois: o capítulo Hepatite B, da apostila de Gastroenterologia, dono desse marco, manda rastrear com os dois marcadores antes de qualquer terapia imunossupressora, idealmente antes da primeira dose. Anti-HCV e anti-HIV completam as sorologias que a Sociedade Brasileira de Reumatologia inclui na avaliação antes do anti-TNF; pedi-las agora evita repetir a espera lá na frente, e as duas infecções também entram no diferencial da poliartrite. Beta-hCG em toda mulher que pode engravidar, porque metotrexato e leflunomida são contraindicados na gestação.

Radiografia de mãos e de pés, para ter a linha de base das erosões. O protocolo federal de encaminhamento pede a descrição da radiografia de mãos, punhos e pés, com data, quando necessária. Radiografia de tórax: o protocolo a exige antes de imunobiológico ou inibidor de JAK, para todos; antes do metotrexato não a exige, mas o consenso de 2012 manda evitar o metotrexato em comprometimento pulmonar moderado ou grave, e esta apostila tira daí uma regra prática: quem tem tosse, dispneia, estertores ou sintoma respiratório de tabagista faz a radiografia antes da primeira dose.

Fator reumatoide e anti-CCP: o que o resultado diz e o que não diz

O protocolo define o título a partir do limite superior da normalidade do laboratório e do teste. Até esse limite, o resultado é negativo. Acima dele e até três vezes o limite, é positivo em título baixo. Acima de três vezes, é positivo em título alto. Quando o laboratório só informa positivo ou negativo, o positivo conta como título baixo. Por isso o fator reumatoide quantitativo vale mais que o látex: um mesmo “reagente” pode valer dois ou três pontos no critério.

Com sensibilidade de 75%, um em cada quatro pacientes com artrite reumatoide tem fator reumatoide negativo, e o negativo não afasta a doença. Com especificidade de 85%, o positivo aparece em pessoas sem a doença — o protocolo cita a síndrome de Sjögren e o lúpus como os que mais confundem, e a positividade também acompanha outras doenças inflamatórias e infecciosas crônicas. O anti-CCP, com especificidade de 95%, erra menos para o lado do falso-positivo. Os dois, em título alto, estão entre os fatores de pior prognóstico.

A regra de uso é a mesma do fator antinuclear: exame de anticorpo se pede para responder a uma suspeita feita no exame físico. Fator reumatoide para dor difusa sem sinovite produz positivos que não significam doença e rótulos que não saem mais do prontuário.

O critério de 2010: classificar não é diagnosticar

O critério do American College of Rheumatology e da European League Against Rheumatism, de 2010, soma pontos em quatro domínios: acometimento articular, de 0 a 5; sorologia, de 0 a 3; provas de fase aguda, de 0 a 1; e duração dos sintomas, de 0 a 1. Seis ou mais pontos, de dez possíveis, classificam o paciente como tendo artrite reumatoide. Conta como acometida a articulação edemaciada ou dolorosa ao exame, e, na dúvida, a ultrassonografia ou a ressonância podem confirmar a sinovite. As interfalângicas distais, a primeira carpometacarpal e a primeira metatarsofalângica ficam fora da conta, e a categoria é sempre a mais alta que o padrão de articulações permite.

O protocolo faz questão da ressalva: os critérios de 1987 e de 2010 são classificatórios, e não diagnósticos. Nasceram para formar grupos homogêneos de pesquisa e ajudam o diagnóstico clínico, mas não o substituem. Três regras decorrem disso. Quem tem menos de seis pontos não pode ser classificado, mas deve ser reavaliado, e os pontos se somam ao longo do tempo. Quem tem doença erosiva típica e história compatível com o critério é classificado mesmo sem somar seis hoje. E o encaminhamento não depende de chegar a seis.

Hebe, na primeira consulta, tem nove pequenas articulações acometidas — dois punhos, quatro metacarpofalângicas e três interfalângicas proximais —, que valem 3; velocidade de hemossedimentação alterada, que vale 1; e quatro meses de sintomas, que valem 1. Com o látex não reagente, a sorologia vale 0, e o total é 5. Ela não pode ser classificada hoje, e mesmo assim preenche a alta suspeita do protocolo de encaminhamento. Nove dias depois, com anti-CCP acima de três vezes o limite, a sorologia passa a valer 3, e o total chega a 8.

Medir a atividade: um índice, sempre o mesmo

A atividade é o que decide a conduta, e o protocolo manda medi-la, de preferência, em todas as consultas, com um índice composto. Os três validados são o CDAI, o SDAI e o DAS-28. Os três contam 28 articulações pré-estabelecidas — interfalângicas proximais, metacarpofalângicas, punhos, cotovelos, ombros e joelhos, dos dois lados —, dolorosas e edemaciadas separadamente. O CDAI soma essas duas contagens à avaliação global da atividade pelo paciente e pelo médico, cada uma de 0 a 10. O SDAI soma ao CDAI a proteína C reativa em mg/dL. O DAS-28 usa uma fórmula com raízes quadradas das contagens, o logaritmo da velocidade de hemossedimentação e a avaliação global do paciente, e pede calculadora.

A escolha é do profissional, com uma condição: o mesmo paciente é medido sempre com o mesmo instrumento, para que os números sejam comparáveis. Na unidade básica, o CDAI é o mais prático, porque não depende de exame e sai na própria consulta — a decisão acontece com o paciente na sala, e não quando o resultado chega. Os pés não entram nas 28 articulações: a dor à compressão das metatarsofalângicas de Hebe não muda o índice, e só entraria no critério de classificação se, palpadas uma a uma, elas estivessem dolorosas ou inchadas.

Hebe, na segunda consulta, tem nove articulações dolorosas e nove edemaciadas entre as 28, dá nota 7 à própria doença e recebe nota 6 do examinador: CDAI de 31, atividade alta. Com proteína C reativa de 3,4 mg/dL, o SDAI seria 34,4; com velocidade de hemossedimentação de 52 mm e avaliação global de 70 mm, o DAS-28 seria 6,27 — alta atividade pelos três. O protocolo também manda avaliar a capacidade funcional com questionário validado, como o HAQ, ao menos uma vez por ano e com mais frequência quando a doença está ativa.

Imagem: o que a radiografia mostra e o que chega tarde

O protocolo resume as vantagens e os limites de cada método. A radiografia simples é barata, acessível e permite pontuar alterações ao longo dos anos; tem radiação e é pouco sensível para inflamação de partes moles e para as alterações ósseas iniciais. A ressonância magnética é mais sensível que o exame clínico e que a radiografia nas fases iniciais e avalia todas as estruturas da articulação, mas é cara, demorada e às vezes mal tolerada. A ultrassonografia tem excelente resolução para partes moles, e o Doppler mostra a neovascularização da sinóvia em tempo real, mas não atravessa osso e depende muito de quem examina.

Para o interno, isso se traduz em três frases. A radiografia de mãos e de pés é o exame de imagem da primeira consulta, e ela vem normal na maior parte das artrites de poucos meses — o que não afasta nada. Ultrassonografia e ressonância são exames do serviço especializado, úteis quando o exame físico deixa dúvida sobre sinovite. E a radiografia de coluna cervical funcional é pedida por sintoma, na doença antiga, e não por rotina.

Antes de imunossuprimir: o que se pede e de quem é a conduta

Tuberculose. Antes de imunobiológico ou inibidor de JAK, o protocolo manda pesquisar tuberculose ativa e infecção latente: exame clínico, radiografia de tórax para todos, independentemente de sintomas, e prova tuberculínica ou IGRA — este disponível para quem atende aos critérios de indicação do exame. Trata-se a infecção latente com prova tuberculínica de 5 mm ou mais ou IGRA reagente, depois de afastada a doença ativa; radiografia com sequela de tuberculose nunca tratada ou contato próximo com caso pulmonar nos últimos dois anos indicam o tratamento sem necessidade de teste. O imunobiológico ou o inibidor de JAK começa quatro semanas depois do início do tratamento da infecção latente. O esquema, a dose e o seguimento desse tratamento são do capítulo Tuberculose: a pergunta que ninguém faz, da apostila de Infectologia.

O protocolo também diz o que não se repete: prova tuberculínica ou IGRA de quem já foi positivo, de quem já tratou a infecção latente em qualquer momento da vida ou de quem completou tratamento de tuberculose, salvo nova exposição; quem fez prova tuberculínica antes do tratamento continua sendo acompanhado com prova tuberculínica, e quem fez IGRA, com IGRA. Nos negativos, repete-se o teste uma vez por ano durante o uso, especialmente onde a carga de tuberculose é alta, e a radiografia de tórax só se repete por suspeita clínica ou quando o teste vira positivo.

Hepatites. HBsAg e anti-HBc total antes de imunossuprimir; qualquer dos dois reagente vai para a estratificação do risco de reativação e para a decisão sobre profilaxia antiviral, que o capítulo Hepatite B ensina. Anti-HCV reagente segue o capítulo Achar é mais difícil que curar, da mesma apostila. O protocolo da artrite reumatoide lista as hepatites B e C agudas como contraindicação ao metotrexato, à leflunomida, à sulfassalazina e aos imunobiológicos.

Vacinas. A decisão vacinal do paciente que vai ser imunossuprimido é do capítulo O cartão que ninguém pede, da apostila de Medicina Preventiva e Saúde Coletiva, que a assume por inteiro: inativadas ao menos 14 dias antes do início da terapia, atenuadas idealmente quatro semanas antes, e o paciente em metotrexato tratado como imunossuprimido para efeito de vacina atenuada. O que este capítulo acrescenta é o momento: a consulta em que se decide começar o metotrexato é a consulta em que o cartão é conferido — não a seguinte. O protocolo da artrite reumatoide recomenda cobertura vacinal atualizada, mas declara, no apêndice metodológico, que não avaliou vacinação.

Planejar gestação e paternidade com reumatologia. Exposição materna a metotrexato e leflunomida exige suspensão/substituição e intervalos específicos antes da concepção; exposição paterna tem recomendações próprias e não recebe automaticamente a mesma contraindicação. Rever contracepção, lactação e eliminação do fármaco conforme a situação.

07

Reconhecer sinovite e prevenir dano na artrite reumatoide

Objetivo no internato: compreender a apresentação, justificar as hipóteses e propor cuidado e reavaliação sob supervisão. Identifique sinovite persistente, distribuição articular, rigidez e perda funcional. Sorologia negativa e radiografia normal no início não justificam esperar erosão para encaminhar. O fluxo resume o caminho da primeira consulta à porta do serviço especializado. As tabelas montam o critério de 2010 com o caso de Hebe, os três índices de atividade com seus cortes, a conversão de cada dose do protocolo em comprimido ou mililitro da farmácia do SUS numa adulta de 62 kg e a periodicidade dos exames. As notas registram os pontos em que os documentos oficiais se contradizem de um jeito que muda o que o interno prescreve, com a conta feita.

  1. 1Dor e inchaço em mãos, punhos ou pés há semanas: conte as articulações com sinovite uma a uma, pergunte a rigidez da manhã em minutos e faça o teste do aperto nas metacarpofalângicas e nas metatarsofalângicas.
  2. 2Três ou mais articulações com sinovite e rigidez acima de 30 minutos, ou três ou mais com teste do aperto positivo: alta suspeita. Encaminhe à reumatologia no mesmo dia, com preferência quando os sintomas têm menos de um ano; não espere exame.
  3. 3Poliartrite com menos de seis semanas, sobretudo com febre ou exantema recentes: considere artrite viral, colha a história epidemiológica e reavalie; a duração ainda não pontua no critério.
  4. 4Na mesma consulta, peça velocidade de hemossedimentação, proteína C reativa, fator reumatoide quantitativo, anti-CCP se o fator reumatoide vier negativo, hemograma, AST, ALT, creatinina com filtração estimada, HBsAg, anti-HBc total, anti-HCV, anti-HIV, beta-hCG se couber e radiografia de mãos e pés.
  5. 5Com os resultados, some o critério de 2010: seis pontos ou mais classificam; menos de seis pedem reavaliação e soma ao longo do tempo. O encaminhamento já feito não depende do total.
  6. 6Meça a atividade com um índice composto — o CDAI é o mais prático na consulta —, anote os quatro componentes e use sempre o mesmo instrumento naquele paciente.
  7. 7Sem citopenia, com transaminases normais e filtração acima de 60 mL/min/1,73 m²: a atenção primária pode iniciar o metotrexato enquanto o paciente aguarda a reumatologia. Antes, confira contraindicações, contracepção e cartão de vacinas, e abra o processo do Componente Especializado.
  8. 8Metotrexato uma vez por semana, com o dia escrito por extenso, e ácido fólico 5 mg 36 horas depois; dose inicial de 10 a 15 mg, subindo a cada 2 a 4 semanas até o controle, sem passar de 25 mg por semana.
  9. 9Se necessário para sintomas intensos, discutir ponte breve de glicocorticoide em baixa dose enquanto o modificador age; usar o mínimo e planejar retirada. A ponte não é obrigatória para toda pessoa com atividade moderada/alta.
  10. 10Hemograma, AST, ALT e creatinina a cada 2 a 4 semanas nos três primeiros meses e depois de cada aumento de dose, a cada 8 a 12 semanas até o sexto mês e a cada 12 semanas depois.
  11. 11Três meses de tratamento otimizado sem atingir a meta: a troca ou a combinação é decidida no serviço especializado, que também abre a porta dos imunobiológicos e dos inibidores de JAK — com tuberculose latente, hepatite B e vacinas conferidas antes da primeira dose.

O critério de 2010 contado na consulta, com Hebe como exemplo

DomínioFaixas e pontosRegra de contagemHebe na consulta 1Hebe no dia 9
Acometimento articular1 grande: 0 · 2 a 10 grandes: 1 · 1 a 3 pequenas: 2 · 4 a 10 pequenas: 3 · mais de 10, com ao menos 1 pequena: 5Articulação edemaciada ou dolorosa ao exame; na dúvida, imagem confirma a sinovite; interfalângicas distais, 1ª carpometacarpal e 1ª metatarsofalângica não contam; vale a categoria mais alta alcançada9 pequenas — 2 punhos, 4 metacarpofalângicas, 3 interfalângicas proximais: 33
SorologiaNegativos: 0 · acima do limite superior e até 3 vezes: 2 · acima de 3 vezes: 3Fator reumatoide ou anti-CCP; basta um resultado; positivo sem título conta como baixoLátex não reagente: 0Anti-CCP acima de 3 vezes o limite: 3
Provas de fase agudaVHS e PCR normais: 0 · VHS ou PCR alterados: 1Basta um resultado; normalidade pela referência do laboratórioVHS de 48 mm: 1VHS de 52 mm e PCR de 3,4 mg/dL: 1
Duração dos sintomasMenos de 6 semanas: 0 · 6 semanas ou mais: 1Pelo relato do paciente sobre as articulações acometidas no exame, independentemente de tratamento4 meses: 11
Total6 ou mais, de 10 possíveis, classificamClassificação não é diagnóstico; abaixo de 6, reavaliar e somar ao longo do tempo; o encaminhamento não depende do total5: não classifica, mas é alta suspeita8: classifica

Atividade da doença: os três índices e as quatro faixas

ÍndiceO que somaRemissãoBaixaModeradaAlta
CDAIArticulações dolorosas e edemaciadas entre 28 + nota do paciente de 0 a 10 + nota do médico de 0 a 10Até 2,8Acima de 2,8 até 10Acima de 10 até 22Acima de 22
SDAICDAI + proteína C reativa em mg/dLAté 3,3Acima de 3,3 até 11Acima de 11 até 26Acima de 26
DAS-28Fórmula com a raiz quadrada das duas contagens, o logaritmo da VHS e a nota global do paciente de 0 a 100 mmAté 2,6Acima de 2,6 até 3,2Acima de 3,2 até 5,1Acima de 5,1
Hebe pelo CDAIDia 9: 9 dolorosas + 9 edemaciadas + 7 + 6Semana 20: 2,5Semana 13: 7Semana 4: 18Dia 9: 31

Da dose ao comprimido: o que a farmácia do SUS entrega, numa adulta de 62 kg

FármacoDose do protocoloApresentação e componente na Rename 2024Na mão da pacienteCuidado que muda a conduta
Metotrexato oral7,5 a 25 mg uma vez por semanaComprimido de 2,5 mg — Especializado15 mg = 6 comprimidos · 20 mg = 8 · 25 mg = 10, sempre no mesmo dia da semanaNunca diário; com enjoo, dividir a dose em duas tomadas no mesmo dia
Metotrexato injetável7,5 a 25 mg uma vez por semana, subcutâneo ou intramuscularSolução de 25 mg/mL — Especializado15 mg = 0,6 mL · 20 mg = 0,8 mL · 25 mg = 1 mLAlternativa na intolerância ao oral antes de trocar de fármaco
Ácido fólico5 mg uma vez por semana, 36 horas depois do metotrexatoComprimido de 5 mg — Básico1 comprimido: metotrexato na quinta à noite, ácido fólico no sábado de manhãNunca no mesmo dia do metotrexato
Prednisona como ponteAté 10 mg/dia, por menos de 3 mesesComprimidos de 5 e de 20 mg — Básico e Estratégico10 mg = 2 comprimidos de 5 mg · 7,5 mg = 1 e meio · 5 mg = 1 · 2,5 mg = meioData de término na receita; mais de 5 mg/dia por 3 meses ou mais aciona a régua do osso
Hidroxicloroquina400 mg uma vez ao diaComprimido de 400 mg — Especializado1 comprimido = 6,5 mg/kg nesta paciente; 5 mg/kg de peso real seriam 310 mg/diaExame oftalmológico no início; abaixo de 80 kg, a dose fixa passa do limiar de risco
Sulfassalazina500 mg a 3 g por diaComprimido de 500 mg — Especializado1 g = 2 comprimidos · 2 g = 4 · 3 g = 6 por dia, em tomadas divididasNa gestação, só com orientação médica pelo protocolo; relativamente segura pelo consenso de 2012
Leflunomida20 mg uma vez ao diaComprimido de 20 mg — Especializado1 comprimido por diaContraindicada na concepção; a eliminação com colestiramina depende de fármaco que não consta da Rename
Ibuprofeno600 a 2.700 mg por dia, em 3 tomadasComprimidos de 200, 300 e 600 mg e suspensão de 50 mg/mL — Básico600 mg de 8 em 8 horas = 1 comprimido de 600 mg por tomada; o teto dá 900 mg por tomada, 1 e meioUso crônico indica doença sem controle; fora com sangramento digestivo não controlado ou depuração abaixo de 30
Naproxeno500 a 1.000 mg por dia, em 2 tomadasComprimidos de 250 e de 500 mg — Especializado250 a 500 mg por tomada = 1 comprimido de 250 ou de 500 mgMesmas contraindicações do ibuprofeno; meia-vida mais longa

Exames antes de começar e durante o tratamento

Momento ou achadoMetotrexato, leflunomida ou sulfassalazinaHidroxicloroquinaImunobiológico ou inibidor de JAK
Antes da primeira doseHemograma, AST, ALT, creatinina; HBsAg e anti-HBc total; anti-HCV; beta-hCG quando couberHemograma, AST, ALT e creatinina iniciais e exame oftalmológico inicialOs mesmos do metotrexato, mais radiografia de tórax para todos e prova tuberculínica ou IGRA
Até 3 mesesHemograma, AST, ALT e creatinina a cada 2 a 4 semanasNenhum exame de sangue pelo Quadro 5 (ver nota sobre o Quadro S4)Hemograma, AST, ALT e creatinina a cada 2 a 4 semanas
De 3 a 6 mesesA cada 8 a 12 semanasNenhum pelo Quadro 5A cada 8 a 12 semanas; lipídios cerca de 12 semanas depois de iniciar baricitinibe
Depois de 6 mesesA cada 12 semanas, e de novo após cada aumento de doseExame oftalmológico anual após 5 anos, ou anual desde o início quando há fator de riscoA cada 12 semanas; prova tuberculínica ou IGRA anual em quem era negativo
Transaminase entre 1 e 3 vezes o limite superiorReduzir a dose em 25% a 50%Reduzir a dose em 25% a 50%Mesma regra no Quadro S4; o tocilizumabe tem regra própria — decisão do serviço que prescreve
Transaminase entre 3 e 5 vezes o limite superiorSuspender até voltar a 1 a 3 vezes e reiniciar com 50% da doseSuspender até voltar a 1 a 3 vezes e reiniciar com 50% da doseMesma regra no Quadro S4 — decisão do serviço que prescreve
Transaminase acima de 5 vezes o limite superiorInterromper o fármacoInterromper o fármacoInterromper — decisão do serviço que prescreve
Anemia, leucopenia ou plaquetopenia novas ou mais acentuadasReduzir a dose em 25% a 50%; interromper se persistiremReduzir a dose em 25% a 50%; interromper se persistiremTocilizumabe: suspender com neutrófilos de 500 a 1.000/mm³ ou plaquetas de 50.000 a 100.000/mm³ — decisão do serviço que prescreve

Duas definições de dose baixa de glicocorticoide no mesmo protocolo. O item 6.2.3 do protocolo de 2026 autoriza a ponte com glicocorticoide em dose baixa, até 10 mg/dia, por menos de três meses, e o Quadro 3 repete: dose baixa, até 10 mg/dia de prednisona; dose alta, acima de 10 e até 60 mg/dia, com redução rápida. O Quadro 4, que dá os esquemas de administração, escreve para a prednisona: baixa dose até 5 mg/dia e alta dose acima de 60 mg/dia. A conta: pelo Quadro 4, qualquer dose de 6 a 60 mg/dia fica sem classe, e a ponte de 10 mg/dia que o próprio texto autoriza deixa de ser dose baixa; e 70 mg/dia, que o Quadro 4 chama de dose alta, está acima do teto de 60 mg que o Quadro 3 dá à dose alta. A recomendação de 2017 da Sociedade Brasileira de Reumatologia usa até 10 mg/dia. Esta apostila adota até 10 mg/dia, e a divergência está no bloco próprio.

Metilprednisolona: a dose por peso estoura o teto escrito na mesma linha. O Quadro 4 dá ao succinato de metilprednisolona intravenoso 20 a 30 mg/kg/dia por 1 a 3 dias, seguidos de 2 mg/kg/dia em 2 a 4 tomadas, com dose máxima de 60 mg. A conta, num adulto de 60 kg: 20 mg/kg dão 1.200 mg por dia, vinte vezes o teto, e 30 mg/kg dão 1.800 mg, trinta vezes; o teto de 60 mg é ultrapassado a partir de 3 kg de peso; e a fase seguinte, de 2 mg/kg/dia, dá 120 mg, o dobro do teto. O mesmo protocolo lista frascos de 500 e de 1.000 mg. A linha não fecha com nenhum peso de adulto. A pulsoterapia é procedimento hospitalar de serviço especializado e este capítulo não dá a dose: quem a indicar confirma a dose fora dessa linha.

Metotrexato na doença renal: contraindicado no corpo do protocolo, meia dose no material suplementar. A lista de contraindicações do protocolo de 2026 exclui o metotrexato com depuração de creatinina abaixo de 30 mL/min/1,73 m² sem diálise, e o Quadro 6 não recomenda sequer iniciá-lo na atenção primária com filtração entre 30 e 60. O Quadro S4 manda dar 50% da dose com depuração entre 10 e 50 mL/min e evitar o uso só abaixo de 10. A conta: com depuração de 20 mL/min, o corpo do protocolo contraindica e o Quadro S4 prescreve metade — 10 mg de uma dose de 20 mg por semana. O Quadro S4 declara como fonte a Portaria Conjunta SAS/SCTIE/MS nº 15, de 2017: é a tabela do protocolo anterior reproduzida dentro do atual. Esta apostila segue o corpo de 2026 — abaixo de 30, não se usa metotrexato —, em linha com o consenso de 2012 da Sociedade Brasileira de Reumatologia, que o contraindica na insuficiência renal.

Hidroxicloroquina: nenhuma coleta ou até doze por ano. O Quadro 5 do corpo do protocolo diz, para hidroxicloroquina e cloroquina, nenhum exame de sangue após a avaliação inicial, nos três períodos. O Quadro S4, a tabela de 2017 reproduzida no material suplementar, manda hemograma, AST e ALT a cada 1 a 3 meses. A conta: de zero a doze coletas por ano para o mesmo paciente, conforme a página que se lê — quatro por ano no intervalo de três meses. Esta apostila segue o Quadro 5, do corpo de 2026; o exame oftalmológico continua obrigatório pelos dois.

Antimaláricos: o protocolo diz que a dose máxima não deve ser ultrapassada e não diz qual é. O Quadro S4 manda repetir o exame oftalmológico anualmente desde o início quando há fator de risco para maculopatia, e inclui entre os fatores as doses usadas acima da dose máxima, que não devem ser usadas — sem dar o número. O Quadro 4 dá hidroxicloroquina fixa de 400 mg/dia e cloroquina de 4 mg/kg/dia. O PCDT do Lúpus de 2022 dá o número: risco com hidroxicloroquina acima de 5 mg/kg ou cloroquina acima de 2,3 mg/kg de peso corporal real. A conta: 400 mg divididos por 5 mg/kg dão 80 kg — abaixo desse peso, a dose fixa passa do limiar, com 6,5 mg/kg numa pessoa de 62 kg e 7,4 mg/kg numa de 54 kg; e a cloroquina a 4 mg/kg/dia é 1,74 vez o limiar em qualquer peso. A posição desta apostila está no bloco de divergências.

Encaminhamento: a pontuação que solta o teste do aperto. O Quadro 6 do protocolo, que cita como fonte o TelessaúdeRS, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, sugere encaminhar o diagnóstico; ou a alta suspeita, definida por artrite de três ou mais articulações associadas a rigidez matinal acima de 30 minutos; ou teste do aperto positivo. O protocolo federal de encaminhamento de 2016, elaborado com o mesmo TelessaúdeRS, define a alta suspeita como artrite em três ou mais articulações associada a rigidez acima de 30 minutos e/ou teste do aperto positivo. A conta é lógica: no texto de 2016, a sinovite em três articulações é obrigatória e o aperto pode substituir a rigidez; na pontuação do protocolo de 2026, o aperto positivo vira critério isolado — e o próprio protocolo o descreve como teste de elevada sensibilidade. Lido ao pé da letra, põe na frente da fila quem tem só dor à compressão das metacarpofalângicas, sem sinovite. Esta apostila lê o Quadro 6 pela fonte que ele cita.

08

A conduta, hora a hora

A conduta da artrite reumatoide é uma sequência de consultas com prazos, e não uma receita. O protocolo de 2026 divide o trabalho entre os níveis de atenção: a atenção primária reconhece, encaminha com prioridade e pode iniciar o metotrexato enquanto o paciente espera o reumatologista; a substituição ou a combinação de modificadores depois da falha da monoterapia inicial é feita no serviço especializado; e o tratamento deve ser acompanhado, de preferência, por equipe multiprofissional, com orientação para parar de fumar, reduzir o álcool, reduzir o peso e praticar atividade física, além de tratar hipertensão, diabetes, dislipidemia e osteoporose. O paciente atendido no serviço especializado continua sendo acompanhado na atenção primária.

Os marcos abaixo seguem Hebe da primeira consulta à semana 20 do metotrexato e depois abrem duas situações que o interno vai encontrar em outros pacientes: a preparação para o imunobiológico que o reumatologista indica e as intercorrências de quem já está imunossuprimido. Onde a fonte não fixa um detalhe — a velocidade de retirada da prednisona, por exemplo —, o texto diz que a escolha é desta apostila.

Na revisão de medicamentos de quem usa metotrexato, atenção especial a trimetoprima-sulfametoxazol, pela possibilidade de toxicidade antifolato e mielossupressão, sobretudo com disfunção renal. Evitar associação sem indicação e supervisão específicas; úlceras orais, febre ou citopenias exigem reavaliação imediata.

  1. Consulta 1, 9h10 — a suspeita escrita, o encaminhamento hoje e todos os exames de uma vez

    Hebe tem sinovite em nove pequenas articulações, rigidez de uma hora e meia e teste do aperto positivo: é alta suspeita de artrite reumatoide pelo protocolo federal de encaminhamento, e a suspeita tem quatro meses, já tempo suficiente para priorizar avaliação e tratamento; a preferência regulatória até um ano não significa que esperar um ano seja adequado. O encaminhamento sai hoje, antes de qualquer resultado, com o conteúdo mínimo que o protocolo pede — articulações acometidas e tempo de evolução, duração da rigidez, resultado do teste do aperto, fator reumatoide e provas inflamatórias com data quando houver, descrição da radiografia quando houver. Os exames saem na mesma folha, porque vão servir ao critério, à medida de atividade e à liberação do metotrexato. O látex não reagente não entra como argumento contra, e sim como dado a completar. Para a dor, o diclofenaco comprado na farmácia sai e entra um anti-inflamatório que o protocolo inclui e que o Componente Básico entrega, pelo menor tempo; ela não tem história de sangramento digestivo, úlcera, doença renal ou hepática. O retorno fica em nove dias, e não em um mês: a decisão de começar o metotrexato depende do que vai chegar.

    Prescrição
    • Encaminhamento à reumatologia com prioridade: alta suspeita de artrite reumatoide de início recente — sinovite em punhos, 2ª e 3ª metacarpofalângicas bilaterais e três interfalângicas proximais, rigidez matinal de 90 minutos, teste do aperto positivo em mãos e pés, sintomas há 4 meses, látex não reagente e VHS de 48 mm há seis semanas [Protocolo de encaminhamento MS/UFRGS, 2016, item 1.1]
    • VHS, proteína C reativa, fator reumatoide quantitativo e anti-CCP [PCDT AR 2026, item 5]
    • Hemograma, AST, ALT, creatinina com taxa de filtração estimada, glicemia de jejum e perfil lipídico [PCDT AR 2026, itens 6 e 8]
    • HBsAg, anti-HBc total, anti-HCV e anti-HIV; beta-hCG [capítulo Hepatite B; SBR 2017]
    • Radiografia de mãos e de pés [Protocolo de encaminhamento MS/UFRGS, 2016]
    • Se AINE for apropriado, usar a menor dose eficaz por curto período, com data de revisão; o exemplo de ibuprofeno 600 mg VO 8/8 h exige avaliar risco renal, gastrointestinal e cardiovascular. Suspender diclofenaco e não associar outro AINE. Não escrever apenas enquanto houver dor, sem prazo ou monitorização.
    • Retorno em 9 dias com os resultados; voltar antes se aparecer febre ou uma articulação muito mais inchada e quente que as outras
  2. Dia 9 — o resultado que classifica e as perguntas que ninguém faz

    Os exames chegaram. Hemoglobina de 12,6 g/dL, leucócitos de 8.100/mm³, plaquetas de 388.000/mm³; AST de 21 e ALT de 18 U/L, com limite superior de 35; creatinina de 0,72 mg/dL, com filtração estimada acima de 90 mL/min/1,73 m²; VHS de 52 mm e proteína C reativa de 3,4 mg/dL; fator reumatoide de 12 UI/mL, abaixo do limite de 14; anti-CCP de 118 U/mL, com limite de 20 — quase seis vezes o limite, título alto. HBsAg, anti-HBc total, anti-HCV e anti-HIV não reagentes; beta-hCG negativo; radiografia de mãos e pés sem erosões, com aumento de partes moles nas metacarpofalângicas. O critério de 2010 soma 8 pontos, e o CDAI de hoje é 31, atividade alta. Pelo Quadro 6 do protocolo, nada impede a atenção primária de começar o metotrexato: não há citopenia, as transaminases estão normais e a filtração está acima de 60. Antes da receita vêm três perguntas que costumam ficar para depois. Gravidez: ela usa dispositivo intrauterino de cobre e não quer mais filhos, o que fica escrito. Vacinas: o cartão foi achado, com a última dupla adulto há mais de dez anos e sem hepatite B; a conferência e o que aplicar hoje seguem o capítulo O cartão que ninguém pede, e as inativadas pedem ao menos 14 dias antes do início da imunossupressão — por isso a primeira dose do metotrexato fica marcada para o dia 23, tempo também para abrir o processo do Componente Especializado. E hábitos: ela aceita o grupo de cessação do tabagismo da unidade e ouve que o álcool, nos meses do metotrexato, fica no mínimo — o protocolo manda reduzir sem fixar quantidade, e o consenso de 2012 contraindica o metotrexato no etilismo. A atividade alta não espera esses catorze dias: pede ponte, com prednisona em dose baixa e data para acabar.

    Prescrição
    • Registrar: critério ACR/EULAR 2010 = 8 pontos (articulações 3, sorologia 3, fase aguda 1, duração 1); CDAI = 31 (9 dolorosas, 9 edemaciadas, paciente 7, médico 6), atividade alta [PCDT AR 2026, Quadros 1 e 2]
    • Abrir o processo do Componente Especializado para metotrexato 2,5 mg, com o formulário e os exames que a secretaria estadual exige, e anexar os resultados ao encaminhamento [Rename 2024; PCDT AR 2026, item 8]
    • Se houver necessidade de ponte com glicocorticoide, discutir prednisona em baixa dose e pelo menor tempo possível. O esquema ilustrativo de 10 mg/dia com redução até a décima semana precisa ser revisto pela resposta e tolerância; não é obrigatório para toda pessoa que inicia metotrexato. Evitar perpetuação da ponte.
    • Suspender o ibuprofeno quando a prednisona começar e retomá-lo só se a dor voltar, pelo menor tempo
    • Conferir o cartão e aplicar hoje as vacinas inativadas indicadas antes da imunossupressão, pelo capítulo O cartão que ninguém pede; a hepatite B da pessoa suscetível que vai ser imunossuprimida tem esquema próprio, no capítulo Hepatite B
    • Contracepção: manter o dispositivo intrauterino de cobre e registrar que o metotrexato é contraindicado na gestação, na amamentação e na concepção [PCDT AR 2026, item 6.2.4]
    • Oferecer apoio para cessação do tabagismo; durante metotrexato, discutir evitar álcool e investigar outras exposições hepatotóxicas, em vez de deixar a expressão álcool no mínimo sem definição.
    • Retorno no dia 23, uma quinta-feira, para a primeira dose orientada do metotrexato
  3. Dia 23, uma quinta-feira — a primeira dose e a receita que não pode ser lida errado

    O metotrexato da artrite reumatoide é semanal, e o erro que mata é tomá-lo todo dia. A receita e a orientação são desenhadas contra esse erro: dia da semana escrito por extenso, número de comprimidos da dose inteira e a paciente repetindo com as próprias palavras o que vai fazer na quinta e o que vai fazer no sábado. O protocolo dá a faixa de 7,5 a 25 mg por semana e não fixa como começar nem como subir; o consenso de 2012 da Sociedade Brasileira de Reumatologia fixa: dose inicial de 10 a 15 mg por semana e aumento progressivo a cada 2 a 4 semanas se não houver controle, de preferência nas primeiras 12 semanas. O mesmo consenso chegava a 30 mg por semana; o protocolo de 2026, mais novo e com o mesmo escopo, para em 25 mg, e esta apostila adota o teto do protocolo. Hebe começa com 15 mg, pela via oral. O ácido fólico entra 36 horas depois, como manda o protocolo — com a dose da quinta à noite, fica no sábado de manhã. Se vier enjoo no dia seguinte, o protocolo dá o primeiro passo antes de pensar em troca: dividir a dose oral em duas tomadas no mesmo dia; o segundo é a via injetável.

    Prescrição
    • Metotrexato 2,5 mg (Rename, Componente Especializado): 6 comprimidos (15 mg) por via oral, de uma só vez, toda quinta-feira à noite, depois do jantar — uma vez por semana, nunca todos os dias [PCDT AR 2026, Quadro 4; Consenso SBR 2012]
    • Ácido fólico 5 mg (Rename, Componente Básico): 1 comprimido por via oral todo sábado de manhã, 36 horas depois do metotrexato [PCDT AR 2026, item 6.2.1]
    • Escrever uma vez por semana, quinta-feira, e o número total de comprimidos da dose. Usar calendário específico do metotrexato; não riscar os dias das outras medicações, que têm horários próprios. Pedir que a paciente explique o esquema.
    • Se houver enjoo no dia seguinte à dose: dividir os 6 comprimidos em duas tomadas na mesma quinta-feira — 3 depois do almoço e 3 depois do jantar [PCDT AR 2026, item 6.2.1]
    • Hemograma, AST, ALT e creatinina em 2 a 4 semanas [PCDT AR 2026, Quadro 5]
    • Voltar no mesmo dia se houver febre, tosse seca ou falta de ar novas, feridas na boca, manchas roxas ou sangramento
  4. Semanas 4 e 8 do metotrexato — duas subidas, o teto do protocolo e a ponte que termina

    Na semana 4, Hebe tomou as quatro doses no dia certo; teve enjoo leve na sexta-feira depois das duas primeiras e passou a dividir a dose, como combinado. Hemoglobina de 12,9 g/dL, leucócitos de 6.900/mm³, plaquetas de 310.000/mm³, AST de 24 e ALT de 29 U/L, creatinina de 0,70 mg/dL — tudo dentro da referência, e a tabela de alterações do protocolo não é acionada. O CDAI caiu para 18: cinco articulações dolorosas, quatro edemaciadas, nota 5 dela e 4 do examinador, atividade moderada. Melhorou, mas não está controlada, e a dose está no começo da faixa: sobe para 20 mg, o passo de 5 mg que o consenso de 2012 descreve, e a prednisona segue a retirada escrita, agora em 5 mg. Na semana 8, exames normais outra vez e CDAI de 12 — três dolorosas, três edemaciadas, nota 3 dela e 3 do examinador —, ainda moderada, com a prednisona terminando, o que costuma revelar a atividade que o corticoide mascarava. A dose sobe para 25 mg, o teto do protocolo; daqui para cima não há passo no SUS, e a próxima decisão, se a meta não vier, é de troca ou combinação. Ela tolera a dose oral dividida; se não tolerasse, a via subcutânea — que a recomendação de 2017 da Sociedade Brasileira de Reumatologia descreve como mais bem tolerada e com maior biodisponibilidade — entraria antes de qualquer troca de fármaco. Depois de cada aumento, exames em até quatro semanas, porque o protocolo pede monitoramento mais frequente nos três primeiros meses e depois de aumento de dose.

    Prescrição
    • Semana 4 — metotrexato 2,5 mg: 8 comprimidos (20 mg) toda quinta-feira, 4 depois do almoço e 4 depois do jantar; CDAI = 18 (5, 4, 5, 4), moderada [PCDT AR 2026, Quadro 4; Consenso SBR 2012]
    • Semana 8 — metotrexato 2,5 mg: 10 comprimidos (25 mg) toda quinta-feira, 5 depois do almoço e 5 depois do jantar; é o teto do protocolo; CDAI = 12 (3, 3, 3, 3), moderada [PCDT AR 2026, Quadro 4]
    • Se o enjoo impedir a dose oral: metotrexato 25 mg/mL (Rename, Componente Especializado), 1 mL (25 mg) por via subcutânea uma vez por semana, na quinta-feira, com a aplicação ensinada na unidade [PCDT AR 2026, item 6.2.1; SBR 2017]
    • Ácido fólico 5 mg: manter 1 comprimido todo sábado de manhã
    • Prednisona: seguir a retirada escrita no dia 9 — 5 mg das semanas 4 a 6 do metotrexato, 2,5 mg das semanas 6 a 8 e fim na semana 8 [PCDT AR 2026, item 6.2.3]
    • Hemograma, AST, ALT e creatinina em até 4 semanas depois de cada aumento de dose [PCDT AR 2026, Quadro 5]
  5. Semana 13 — a meta medida e o relógio que o protocolo usa

    Com três meses de tratamento, o CDAI é 7: duas articulações dolorosas, uma edemaciada, nota 2 da paciente e 2 do examinador, sem prednisona desde a semana 8. Houve melhora até baixa atividade, mas a meta preferencial na doença inicial continua sendo remissão. Hebe chegou a 25 mg de metotrexato na semana 8; dose, adesão, tolerância e trajetória ajudam a decidir, sem obrigar esperar até a semana 20 para rever o plano. A referência à reumatologia precisa ser priorizada agora para discutir atividade residual, otimização e eventual mudança. A unidade acompanha função, sinovite e exames de segurança; intervalo de 8–12 semanas só cabe se a fase e a estabilidade permitirem, com avaliação antecipada se piora ou toxicidade.

    Prescrição
    • Registrar CDAI = 7 (2 dolorosas, 1 edemaciada, paciente 2, médico 2), baixa atividade; meta desta paciente: remissão, CDAI até 2,8 [PCDT AR 2026, itens 5 e 7]
    • Manter metotrexato 25 mg toda quinta-feira e ácido fólico 5 mg todo sábado
    • Hemograma, AST, ALT e creatinina a cada 8 a 12 semanas até o sexto mês e a cada 12 semanas depois [PCDT AR 2026, Quadro 5]
    • Reavaliar na semana 20, quando se completam 3 meses na dose otimizada; sem remissão, a troca por outro modificador ou a combinação dupla ou tripla é decisão do serviço especializado [PCDT AR 2026, item 6.2.1 e Quadro 6]
    • Atualizar o encaminhamento: datas e valores do critério, os quatro CDAI com componentes, doses e datas de cada mudança, fim da prednisona na semana 8 e todos os exames
  6. Semana 20 e depois — remissão, e o caminho de quem não chega lá

    Na semana 20, o CDAI de Hebe é 2,5: nenhuma articulação edemaciada, uma dolorosa, nota 1 dela e 0,5 do examinador. Remissão. A rigidez da manhã dura dez minutos, ela voltou à chapa do restaurante e está há seis semanas sem fumar. A conduta passa a ser manter e medir: pelo protocolo, as consultas podem se espaçar para intervalos de 6 a 12 meses quando a meta é atingida, mas os exames de segurança seguem a periodicidade própria. O protocolo diz que a artrite reumatoide é, em geral, tratada por toda a vida, e que a remissão sustentada por mais de 6 a 12 meses permite tentar a retirada gradual do imunobiológico ou do tofacitinibe, mantendo o modificador sintético, de forma individualizada e compartilhada com o paciente e, de preferência, com o especialista. Para quem não chega à meta, o caminho é outro. O protocolo prevê troca simples ou combinação dupla ou tripla de modificadores sintéticos — metotrexato ou leflunomida com hidroxicloroquina, metotrexato ou leflunomida com sulfassalazina, ou metotrexato com hidroxicloroquina e sulfassalazina —, e só depois de pelo menos dois esquemas de três meses cada, com atividade persistente, a segunda etapa: imunobiológico ou inibidor de JAK, associado ao metotrexato sempre que possível. Cada troca exige ao menos três meses do esquema anterior, e o rituximabe fica reservado a contraindicação, toxicidade ou falha dos demais.

    Prescrição
    • Registrar CDAI = 2,5, remissão; manter metotrexato 25 mg semanal e ácido fólico 5 mg semanal [PCDT AR 2026, item 7]
    • Hemograma, AST, ALT e creatinina a cada 12 semanas; HAQ ao menos uma vez por ano [PCDT AR 2026, itens 5 e 7]
    • Reavaliar atividade e segurança a cada 1–3 meses enquanto o controle se estabelece. Depois de remissão sustentada, individualizar o intervalo de consultas, sem espaçar os exames de segurança nem deixar sintomas novos aguardando a consulta de rotina.
    • Sem remissão num paciente com três meses de dose otimizada: encaminhar a decisão de troca ou combinação ao serviço especializado, com a série de índices [PCDT AR 2026, item 6.2.1 e Quadro 6]
    • Os prazos de avaliação de eficácia não impedem suspensão ou mudança antecipada por toxicidade, contraindicação, infecção grave ou piora importante. Não manter tratamento perigoso para completar três meses.
  7. Quando o reumatologista indica imunobiológico — o que o interno prepara e o que ele não pode esquecer

    Adonai Ferrão, 52 anos, 78 kg, tem artrite reumatoide há seis anos e falhou ao metotrexato e, depois, ao metotrexato com leflunomida, cada esquema por mais de três meses. O reumatologista indica adalimumabe associado ao metotrexato e devolve o paciente à unidade básica com a lista do que precisa estar pronto. O protocolo diz o que é: pesquisa de tuberculose ativa e de infecção latente, com radiografia de tórax para todos e prova tuberculínica ou IGRA. A radiografia de Adonai é normal, ele não tem tosse, febre nem perda de peso, e a prova tuberculínica mede 8 mm. Com 5 mm ou mais, excluída a doença ativa, trata-se a infecção latente — o corte de 10 mm não serve a quem vai receber imunobiológico —, e o adalimumabe começa quatro semanas depois do início desse tratamento. O esquema e o seguimento da infecção latente são do capítulo Tuberculose: a pergunta que ninguém faz. HBsAg e anti-HBc total entram no mesmo pedido, e qualquer um reagente leva à decisão sobre profilaxia do capítulo Hepatite B. O cartão é conferido de novo, porque vacina atenuada fica contraindicada durante o uso. E há três perguntas do protocolo para os anti-TNF que precisam estar escritas: insuficiência cardíaca classe III ou IV, doença desmielinizante e neoplasia nos últimos cinco anos. Se a indicação fosse um inibidor de JAK, o protocolo acrescenta a avaliação dos fatores de risco para trombose venosa antes e durante o tratamento e a atenção ao herpes-zóster, mais frequente com esses fármacos.

    Prescrição
    • Radiografia de tórax, independentemente de sintomas [PCDT AR 2026, item 7]
    • Prova tuberculínica, ou IGRA onde o paciente atender aos critérios de indicação do exame [PCDT AR 2026, item 7]
    • Tratar infecção latente após avaliação que afaste doença ativa; o protocolo citado permite iniciar adalimumabe após quatro semanas de tratamento. Confirmar adesão, tolerância, ausência de sinais novos e decisão do reumatologista; a data não é liberação automática.
    • HBsAg e anti-HBc total no mesmo pedido; reagente vai para a decisão de profilaxia no capítulo Hepatite B
    • Registrar no pedido ao Componente Especializado: ausência de insuficiência cardíaca classe III ou IV, de doença desmielinizante e de neoplasia nos últimos 5 anos [PCDT AR 2026, item 6.2.4]
    • Cartão de vacinas conferido antes da primeira aplicação, pelo capítulo O cartão que ninguém pede; vacina atenuada contraindicada durante o uso
    • Durante o uso: prova tuberculínica anual se a primeira tivesse sido abaixo de 5 mm; em quem já tratou a infecção latente, não repetir o teste nem o tratamento sem nova exposição [PCDT AR 2026, item 7]
  8. Intercorrências de quem já está em tratamento — a infecção, a articulação que destoa e o desejo de gestar

    Três situações chegam ao pronto atendimento e à unidade básica, e o interno precisa decidir o que fazer com os remédios da artrite antes de decidir qualquer outra coisa. A primeira é a infecção. O protocolo lista como contraindicação ao metotrexato, à leflunomida e aos imunobiológicos a infecção bacteriana com indicação de antibiótico, o herpes-zóster ativo e a infecção fúngica ameaçadora à vida: enquanto durar o tratamento da infecção, esses fármacos ficam suspensos, e voltam com a infecção resolvida e o hemograma conferido. A hidroxicloroquina não tem infecção entre as contraindicações do protocolo e não precisa ser suspensa por isso. A prednisona em uso há semanas não se interrompe de uma vez por causa da infecção. A segunda é a articulação que destoa: uma articulação só, muito mais inchada, quente e dolorosa que as outras, com ou sem febre, no paciente imunossuprimido, é artrite séptica até prova em contrário, e a conduta é do capítulo Monoartrite aguda e artrite séptica — aumentar o corticoide por achar que é surto é o erro a evitar. A terceira é a gravidez desejada, que não tem outro capítulo neste nível e fica com este. As recomendações diferenciam exposição materna e paterna e exigem planejamento reprodutivo específico; o protocolo citado não fixa o intervalo entre a suspensão e a tentativa de gestar: esse planejamento se faz com a reumatologia, antes de retirar a contracepção. Para a leflunomida, o consenso de 2012 recomenda a suspensão até dois anos antes da gravidez ou a eliminação com colestiramina, 8 g três vezes ao dia por 11 dias — e a colestiramina não consta da Rename 2024. O mesmo consenso considera a hidroxicloroquina e a sulfassalazina relativamente seguras na gestação, e o protocolo diz que elas só devem ser usadas na gravidez sob orientação médica. A gestação costuma acalmar a doença, e o puerpério costuma trazê-la de volta: o consenso registra melhora em até 75% das pacientes e recaída em 90% nos primeiros seis meses depois do parto.

    Prescrição
    • Infecção bacteriana com indicação de antibiótico, herpes-zóster ativo ou infecção fúngica grave: suspender metotrexato, leflunomida e imunobiológico durante o tratamento da infecção e retomar com a infecção resolvida e o hemograma conferido [PCDT AR 2026, item 6.2.4]
    • Manter a hidroxicloroquina durante a infecção; não interromper de uma vez a prednisona em uso há semanas
    • Monoartrite que destoa do padrão, com ou sem febre: artrite séptica até prova em contrário, pelo capítulo Monoartrite aguda e artrite séptica; não aumentar o corticoide nem infiltrar
    • Planejar gestação ou paternidade com reumatologia. Metotrexato e leflunomida não são usados durante gestação materna; exposição paterna e intervalos antes da concepção têm recomendações próprias e não devem receber automaticamente a mesma proibição. Não suspender tratamento por conta própria.
    • Leflunomida em quem quer engravidar: suspensão até 2 anos antes ou eliminação com colestiramina 8 g 3 vezes ao dia por 11 dias, fármaco que não consta da Rename 2024 [Consenso SBR 2012; Rename 2024]
    • Puerpério: consulta com índice nos primeiros meses depois do parto, pela recaída frequente [Consenso SBR 2012]
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Como saber se está funcionando

Na artrite reumatoide, reavaliar significa repetir as mesmas medidas, com o mesmo instrumento e em datas marcadas, contra a meta combinada. O protocolo recomenda tratar por meta em qualquer nível de atividade, com a meta pactuada com o paciente e repactuável ao longo do seguimento: remissão, de preferência, e baixa atividade quando a remissão não é viável. No começo, as consultas são a cada 1 a 3 meses; atingida a meta, podem se espaçar para 6 a 12 meses, mas a vigilância de segurança não se espaça junto.

A eficácia é acompanhada desde o início, pela trajetória de sinovite, função e índices; a meta costuma ser discutida em marcos de três a seis meses. Isso não obriga esperar três meses para corrigir dose, adesão, piora importante ou toxicidade. A segurança é avaliada desde a primeira prescrição, e bom índice clínico não dispensa atenção a efeitos adversos.

Índice composto de atividade, com os componentes anotadosEm toda consulta, sempre com o mesmo índice; a cada 1 a 3 meses até a meta

Esperado: Queda a cada consulta e chegada à remissão na doença recente (CDAI até 2,8) ou à baixa atividade na doença de anos (CDAI até 10)

Se não melhora: Antes de chamar de falha, confira dose, dia da tomada e adesão; com três meses de tratamento otimizado sem meta, a troca ou a combinação vai ao serviço especializado, com a série de índices em mãos

Rigidez matinal, em minutosEm toda consulta, com a mesma pergunta: quanto tempo até conseguir usar as mãos

Esperado: Encurtar até menos de 30 minutos, acompanhando o índice

Se não melhora: Rigidez que volta a crescer com índice estável pede nova contagem articular cuidadosa e revisão da adesão; rigidez que some com dor nova numa articulação só pede o capítulo de monoartrite

Velocidade de hemossedimentação e proteína C reativaJunto das consultas de avaliação, e sempre que o SDAI ou o DAS-28 for o índice escolhido

Esperado: Normalizar ou cair em paralelo à contagem articular

Se não melhora: Prova inflamatória alta com articulações calmas não é, sozinha, motivo para subir tratamento: procure infecção, outra doença inflamatória e anemia antes

Hemograma, AST, ALT e creatinina; glicemia e pressão enquanto houver prednisonaA cada 2 a 4 semanas nos três primeiros meses e depois de aumento de dose, a cada 8 a 12 semanas até o sexto mês e a cada 12 semanas depois; com glicocorticoide, glicemia e pressão a cada 1 a 3 meses

Esperado: Tudo dentro da referência do laboratório

Se não melhora: Transaminase de 1 a 3 vezes o limite: reduzir a dose em 25% a 50%; de 3 a 5 vezes: suspender até voltar a 1 a 3 vezes e reiniciar com metade; acima de 5 vezes: interromper; citopenia nova: reduzir 25% a 50% e interromper se persistir — e reveja álcool e outros fármacos hepatotóxicos

Tomada correta e tolerância ao metotrexatoEm toda consulta, pedindo que o paciente diga o dia e o número de comprimidos

Esperado: Dose semanal no dia combinado, ácido fólico 36 horas depois, sem feridas na boca nem enjoo que impeça a dose

Se não melhora: Enjoo: dividir a dose no mesmo dia e, se não bastar, via subcutânea; tomada diária por engano, feridas na boca com febre ou manchas roxas: hemograma e avaliação no mesmo dia

Capacidade funcionalQuestionário HAQ ao menos uma vez por ano e com mais frequência na doença ativa

Esperado: Voltar às tarefas do trabalho e da casa; no caso de Hebe, a faca e o pano de prato

Se não melhora: Terapia ocupacional, fisioterapia, exercício resistido e órteses quando indicadas, que o protocolo recomenda de forma individualizada; perda funcional com índice bom sugere dano estrutural ou outra causa de dor

Sinais fora da articulação e de toxicidadeEm toda consulta, com perguntas fixas; exame oftalmológico de quem usa antimalárico no início e depois conforme o risco

Esperado: Sem tosse ou falta de ar novas, febre, lesões de herpes-zóster, olho vermelho doloroso, úlcera de perna ou formigamento com dor na nuca

Se não melhora: Tosse ou dispneia: radiografia e suspensão do metotrexato até esclarecer; febre com foco: regras de infecção do marco de intercorrências; olho vermelho doloroso ou sinal neurológico cervical: avaliação especializada no mesmo dia; periodicidade da retina pelo capítulo O olho que não dói, da apostila de Oftalmologia

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Onde o erro machuca

Esperar o fator reumatoide positivo para encaminhar ou para tratar

O dano: Um em cada quatro pacientes com artrite reumatoide tem fator reumatoide negativo. O látex não reagente vira alta, a sinovite segue meses sem tratamento e a janela de início recente fecha antes da primeira erosão aparecer na radiografia.

Como pegar a tempo: Encaminhe pelo exame: sinovite em três ou mais articulações com rigidez acima de 30 minutos ou com teste do aperto positivo. Com fator reumatoide negativo e dúvida, peça anti-CCP — e não segure o encaminhamento pelo resultado.

Controlar a dor com anti-inflamatório e corticoide e deixar o metotrexato para quando o especialista chamar

O dano: O sintoma melhora e a destruição articular continua. A fila da reumatologia passa a decidir o prognóstico, e o corticoide sem data de término acumula glicose alta, pressão alta, perda óssea e infecção.

Como pegar a tempo: O protocolo permite que a atenção primária inicie o metotrexato enquanto o paciente aguarda, desde que não haja citopenia, transaminase alterada ou filtração entre 30 e 60. Anti-inflamatório e prednisona são ponte, com data para acabar em menos de três meses.

Escrever metotrexato como se fosse remédio de uso diário

O dano: A dose semanal tomada todo dia intoxica medula óssea e mucosas em questão de dias, com feridas na boca, febre, sangramento e infecção grave. É o erro de prescrição mais perigoso do capítulo, e acontece com receita correta mal explicada.

Como pegar a tempo: Escreva o dia da semana por extenso, a dose inteira em comprimidos e o ácido fólico em outro dia; risque os outros dias no papel que o paciente leva e peça que ele repita a orientação antes de sair.

Pedir só HBsAg antes de imunossuprimir

O dano: O paciente com anti-HBc total reagente e HBsAg negativo pode guardar no fígado um vírus que a imunossupressão reativa, e a reativação pode ser fulminante. O exame que faltou era o único que mostraria o risco.

Como pegar a tempo: HBsAg e anti-HBc total, os dois, antes da primeira dose de metotrexato, leflunomida, imunobiológico ou inibidor de JAK; qualquer um reagente vai para a decisão de profilaxia do capítulo Hepatite B antes de começar.

Ler a prova tuberculínica com o corte de 10 mm no paciente que vai receber imunobiológico

O dano: Uma prova de 6 ou 8 mm lida como negativa deixa a infecção latente sem tratamento, e o bloqueio do fator de necrose tumoral abre o granuloma: tuberculose ativa semanas ou meses depois da primeira dose.

Como pegar a tempo: Antes de imunobiológico ou inibidor de JAK, o corte do protocolo é 5 mm ou IGRA reagente, com radiografia de tórax para todos; trate a infecção latente e comece o imunobiológico quatro semanas depois do início desse tratamento.

Deixar a prednisona da ponte sem data de término

O dano: A ponte de semanas vira uso de anos. Acima de 5 mg por dia por três meses ou mais, o paciente entra no grupo de risco de osteoporose pelo glicocorticoide, além de acumular diabetes, hipertensão, catarata e infecção — com a doença mascarada e sem o tratamento de base ajustado.

Como pegar a tempo: Escreva na primeira receita a dose, o esquema de retirada e o dia de parar, antes de três meses. Se não der para tirar, a doença não está controlada: ajuste o modificador e aplique a régua do osso do capítulo A causa antes do comprimido, da apostila de Endocrinologia, dono da osteoporose induzida por glicocorticoide.

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O que dizer ao paciente e à família

Na artrite reumatoide, a conversa decide a adesão a um remédio que a pessoa vai tomar por anos, que tem nome de quimioterapia, que se toma uma vez por semana e que exige exame de sangue sem sintoma nenhum. O protocolo manda que o paciente expresse suas preferências — via, intervalo, tolerância — e que a meta seja pactuada e repactuada ao longo do seguimento, e lembra que é obrigatório informar riscos e eventos adversos, com o termo de esclarecimento e responsabilidade.

As falas abaixo foram escritas para Hebe, mas servem a quase todo paciente. Cada uma tem a frase que se evita, porque é ela que sai quando o consultório está atrasado.

Dizer o nome e explicar a pressa

“Dona Hebe, o que a senhora tem se chama artrite reumatoide. É uma inflamação que o próprio corpo faz dentro das juntas, e ela tem tratamento. A pressa é porque, se a gente controla a inflamação nos primeiros meses, a junta não fica torta e a senhora continua cozinhando. O exame da UPA não descartou nada: um em cada quatro pacientes com essa doença tem esse exame negativo.”

Não diga: “É reumatismo, a senhora vai ter que aprender a conviver.” A frase apaga a urgência, transforma a janela em espera e ensina a paciente a não voltar.

Responder ao “isso não é remédio de câncer?”

“O metotrexato também é usado em câncer, só que em doses muito maiores e de outro jeito. Na artrite, a dose é pequena e uma vez por semana. Ele é o remédio de primeira escolha para essa doença, no SUS e para os reumatologistas, e a gente vai acompanhar com exame de sangue justamente para pegar cedo qualquer problema.”

Não diga: “É quimioterapia, mas é fraquinha.” Ou fugir da pergunta. A paciente lê a bula em casa, encontra a palavra câncer e para o remédio sem avisar.

Ensinar o dia da semana e o ácido fólico

“O metotrexato é só na quinta-feira à noite, depois do jantar, os comprimidos todos. Nos outros dias, nada. No sábado de manhã, um comprimido de ácido fólico, que protege o estômago e o sangue. Me conta agora, com as suas palavras, como a senhora vai tomar?”

Não diga: “Toma o metotrexato e o ácido fólico direitinho.” Sem dia, sem número e sem pedir que ela repita, a receita correta vira dose diária.

Falar de álcool e cigarro sem sermão

“Dois pedidos que ajudam o remédio a funcionar. O cigarro piora essa doença e o coração de quem tem artrite: a unidade tem grupo para parar, e eu quero te colocar nele. E a cerveja, enquanto a gente acerta o metotrexato, fica no mínimo, porque os dois passam pelo fígado.”

Não diga: “Com esse remédio, bebida é proibida para sempre” ou “um pouquinho não faz mal”. A primeira não será cumprida; a segunda não tem número que a sustente nos documentos deste capítulo.

Tratar de gravidez e contracepção

“Esse remédio não pode ser usado por quem está grávida nem por quem está tentando engravidar, enquanto o planejamento de paternidade segue recomendações próprias, discutidas com a equipe. Com o DIU, a senhora está protegida. Se um dia a ideia mudar, a gente planeja antes, junto com o reumatologista — não pare o DIU nem o remédio por conta própria.”

Não diga: “Com essa doença a senhora não pode mais ter filho.” É falso, e a pessoa que quer engravidar passa a esconder a vontade até a gravidez acontecer em uso do remédio.

Explicar por que tanto exame antes e durante

“Antes de começar, a gente olha fígado, rim, sangue e hepatite, porque o remédio mexe com a defesa do corpo e com o fígado. Depois, o exame vem a cada poucas semanas no começo e vai espaçando. Não é desconfiança de nada: é o jeito seguro de usar o remédio por anos.”

Não diga: “É rotina.” O paciente não entende por que colher sangue sem sentir nada, falta à coleta e a toxicidade aparece quando já dá sintoma.

Combinar quando voltar antes da data

“Volte no mesmo dia, sem esperar a consulta, se tiver febre, tosse seca ou falta de ar que não tinha, feridas na boca, manchas roxas ou sangramento, ou se uma junta ficar muito mais inchada e quente que as outras. Nessas horas pode ser preciso parar o metotrexato, e quem decide é quem examina.”

Não diga: “Qualquer coisa, volta.” Qualquer coisa não quer dizer nada, e a febre de quem usa imunossupressor fica em casa esperando passar.

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Onde bons médicos discordam

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que pesa na hora de decidir para o seu paciente.

Quanto é dose baixa de prednisona na ponte: até 10 mg/dia ou até 5 mg/dia

PCDT da Artrite Reumatoide, 2026, item 6.2.3 e Quadro 3; recomendação da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2017 — até 10 mg/dia (lado adotado)

O texto do protocolo autoriza, na doença de início recente com atividade moderada ou alta, anti-inflamatório e glicocorticoide em dose baixa, até 10 mg/dia, por menos de três meses, como ponte até o efeito do modificador, e desaconselha manter glicocorticoide por longos períodos junto do tratamento de base. O Quadro 3 do mesmo protocolo define dose baixa como até 10 mg/dia de prednisona ou equivalente e dose alta como acima de 10 e até 60 mg/dia, com redução rápida. A recomendação de 2017 da Sociedade Brasileira de Reumatologia usa o mesmo corte de 10 mg/dia, pelo menor tempo possível.

Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19/01/2026, item 6.2.3 e Quadro 3; Mota LMH et al., Advances in Rheumatology 2018;58:2, recomendação 10

PCDT da Artrite Reumatoide, 2026, Quadro 4 (esquemas de administração) — baixa dose até 5 mg/dia, alta dose acima de 60 mg/dia

Na linha da prednisona, o quadro de esquemas de administração escreve baixa dose como até 5 mg/dia e alta dose como acima de 60 mg/dia. Quem lê só o quadro de doses conclui que a ponte de 10 mg/dia já não é dose baixa, e não encontra classe para nada entre 6 e 60 mg/dia.

Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19/01/2026, Quadro 4

Como decidir

Como as duas linhas vêm do mesmo protocolo, os três primeiros degraus da régua desta apostila não separam nada, e a decisão cai no quarto, a coerência interna: o Quadro 4 contradiz o texto e o Quadro 3 do próprio protocolo e deixa as doses de 6 a 60 mg/dia sem classe — a conta está nas notas do bloco de critério. Vence o lado coerente, que ainda coincide com a recomendação da sociedade de especialistas. Esta apostila adota até 10 mg/dia como teto da dose baixa. Para o paciente à sua frente: use a menor dose que devolve a função — 10 mg/dia quando a atividade é alta, como em Hebe, menos quando basta —, escreva o dia de parar antes de três meses e não trate o teto como alvo. Se a prednisona passar de 5 mg/dia por três meses ou mais, o paciente entra no caso especial do glicocorticoide, cuja conduta é do capítulo A causa antes do comprimido, da apostila de Endocrinologia: é aí que o número 5 importa, e não na definição de dose baixa.

Hidroxicloroquina: 400 mg/dia para todos ou teto pelo peso real

PCDT da Artrite Reumatoide, 2026 — 400 mg uma vez ao dia, sem ajuste por peso

O quadro de esquemas de administração dá hidroxicloroquina 400 mg por via oral uma vez ao dia, e a Rename 2024 só tem o comprimido de 400 mg. O material suplementar manda exame oftalmológico inicial e anual depois de cinco anos, ou anual quando há fator de risco para maculopatia, citando entre os fatores as doses acima da dose máxima, que não devem ser usadas — sem dizer qual é a dose máxima.

Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19/01/2026, Quadro 4 e Quadro S4; Rename 2024

PCDT do Lúpus Eritematoso Sistêmico, 2022 — risco de maculopatia acima de 5 mg/kg de peso corporal real (lado adotado para o teto)

O protocolo federal do lúpus lista como fator de risco para maculopatia a dose diária de hidroxicloroquina acima de 5 mg/kg, ou de cloroquina acima de 2,3 mg/kg, de peso corporal real, manda exame oftalmológico no início e depois anual conforme o risco, afirma que o fundo de olho sozinho não basta e registra a recomendação da Academia Americana de Oftalmologia de até 5 mg/kg/dia como a dose mais segura a longo prazo.

Portaria Conjunta nº 21, de 01/11/2022, item de monitoramento

Consenso da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2012 — até 6 mg/kg/dia

A tabela de fármacos do consenso de 2012 para o tratamento da artrite reumatoide dá hidroxicloroquina até 6 mg/kg/dia por via oral.

Mota LMH et al., Revista Brasileira de Reumatologia 2012;52(2):152-74

Como decidir

Pelo primeiro degrau, a dose de quem tem artrite reumatoide é a do protocolo da artrite reumatoide, e esta apostila não troca o esquema do SUS: 400 mg por dia, o comprimido que a farmácia entrega. Mas o próprio protocolo diz que doses acima da dose máxima não devem ser usadas e não escreve qual é essa dose — defeito de coerência interna exatamente no ponto em disputa —, e o único documento federal que dá o número é o do lúpus, de 2022, mais novo que o consenso de 2012, que por isso fica como régua antiga. Esta apostila adota, e a combinação é escolha dela: o esquema de 400 mg/dia do protocolo, lido contra o limiar de 5 mg/kg de peso real do protocolo do lúpus. Para o paciente à sua frente, divida 400 pelo peso. Com 80 kg ou mais, a dose fica dentro do limiar. Abaixo de 80 kg — Hebe, com 62 kg, receberia 6,5 mg/kg —, registre a dose por quilo no prontuário, trate o paciente como portador de fator de risco, com exame oftalmológico no início e anual desde o começo, pela periodicidade do capítulo O olho que não dói, da apostila de Oftalmologia, e leve a dose ao reumatologista que prescreve, que decide o ajuste. A hidroxicloroquina não se suspende por conta própria: o que se corrige é o risco não registrado.

Quando trocar o tratamento: três meses de dose otimizada ou até seis meses para atingir a meta

PCDT da Artrite Reumatoide, 2026 — atividade persistente pela meta após 3 meses de tratamento otimizado leva à troca ou à combinação (lado adotado)

Em caso de falha da monoterapia inicial, definida como persistência da atividade de doença, de acordo com a meta terapêutica, após três meses de tratamento otimizado — dose máxima tolerada e adesão adequada —, passa-se para troca simples ou combinação dupla ou tripla de modificadores. Para avaliar a eficácia, espera-se pelo menos três meses do tratamento vigente, e não se troca de linha ou etapa em intervalo menor.

Portaria Conjunta SAES/SCTIE nº 33, de 19/01/2026, item 6.2.1 e notas das Figuras 1 e 2

Recomendação da Sociedade Brasileira de Reumatologia, 2017 — trocar sem resposta clínica em 3 meses ou sem meta em 6 meses

Quando não há resposta clínica em três meses, ou quando a meta — remissão sustentada ou baixa atividade por índice composto — não é atingida em seis meses com dose ótima de metotrexato, ou diante de evento adverso, recomenda-se trocar o metotrexato por outro modificador em monoterapia ou combiná-lo; o mesmo prazo vale para passar à segunda linha.

Mota LMH et al., Advances in Rheumatology 2018;58:2, primeira e segunda linha de tratamento

Como decidir

Acompanhar resposta e segurança desde o início. Ausência de melhora por volta de três meses e ausência de meta até seis meses são marcos para revisar estratégia, conforme diretriz e situação clínica; não reiniciar um relógio que obrigue esperar três meses após a dose máxima. Sinovite persistente, piora funcional ou toxicidade antecipam contato com reumatologia. Levar doses, adesão, trajetória de atividade e eventos adversos para decidir otimização, troca ou associação.

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O raciocínio, em voz alta

Pulquéria Colombo tem 61 anos, 54 kg, é costureira aposentada e tem artrite reumatoide soropositiva há onze anos. Usa metotrexato 20 mg por semana há nove anos, hidroxicloroquina 400 mg por dia há sete e prednisona 7,5 mg por dia há dois anos, desde uma piora que ninguém retirou. Chega à unidade básica numa segunda-feira com febre de 38,4 °C, tosse com catarro amarelado e dor do lado direito do tórax ao respirar há três dias. Frequência respiratória de 24 incursões por minuto, saturação de 94% em ar ambiente, pressão de 118 por 72 mmHg, frequência cardíaca de 104 batimentos por minuto, estertores na base direita. Está lúcida e orientada. As mãos têm desvio ulnar, sem sinovite ativa hoje. Ela tomou o metotrexato no sábado. Diz que enxerga pior para costurar há um ano e que nunca fez exame de vista pelo remédio. O último exame de sangue é de cinco meses atrás, e o cartão de vacinas não tem pneumocócica.

  1. 1. Onde ela vai ser tratada não é decisão da artrite

    O quadro é de pneumonia adquirida na comunidade em pessoa imunossuprimida. A gravidade, o local de tratamento, os exames e o antibiótico seguem o capítulo Pneumonia na comunidade: onde este paciente vai dormir, da apostila de Pneumologia. O que este capítulo acrescenta é o que fazer com os três remédios da artrite — e o que a consulta de hoje revela sobre o tratamento dos últimos anos.

  2. 2. O metotrexato para enquanto durar o antibiótico

    O protocolo lista a infecção bacteriana com indicação de antibiótico entre as contraindicações ao metotrexato. A dose do próximo sábado não é tomada, e o metotrexato fica suspenso enquanto durar o tratamento da pneumonia; volta com a infecção resolvida e o hemograma conferido, que também está atrasado — o último tem cinco meses, e o protocolo pede a cada 12 semanas depois do sexto mês.

  3. 3. Pneumonia ou pulmão do metotrexato

    A apresentação focal com febre e sintomas respiratórios favorece pneumonia, mas pessoa em metotrexato também pode ter pneumonite medicamentosa ou doença pulmonar da artrite, e elas podem coexistir com infecção. Radiografia é um começo, não um teste que separa com segurança todas as hipóteses. Reavaliar oxigenação e evolução; imagem difusa, hipoxemia ou resposta inadequada pedem avaliação hospitalar/especializada e investigação dirigida antes de retomar metotrexato.

  4. 4. A prednisona não para, e a hidroxicloroquina também não

    Dois anos de prednisona a 7,5 mg não se interrompem de uma vez por causa da infecção. A hidroxicloroquina não tem infecção entre as contraindicações do protocolo e segue sendo tomada. Na receita de alta ou no leito, os dois continuam, e fica escrito que o metotrexato está suspenso e por quê.

  5. 5. A dose da hidroxicloroquina passou do limiar

    Quatrocentos miligramas em 54 kg dão 7,4 mg/kg por dia, acima do limiar de 5 mg/kg de peso real que o protocolo do lúpus usa como fator de risco para maculopatia, e ela usa o fármaco há sete anos, mais de cinco. Pelas duas contas, é paciente com fator de risco, e nunca fez o exame oftalmológico que o protocolo exige no início. A queixa de visão para costurar pode ser presbiopia ou catarata — o corticoide contribui para ela —, mas não se assume isso: encaminhamento oftalmológico com a indicação escrita, pela periodicidade do capítulo O olho que não dói, e a dose por quilo levada ao reumatologista.

  6. 6. Dois anos de prednisona: o osso e a ponte que virou uso contínuo

    Prednisona acima de 5 mg por dia por três meses ou mais põe Pulquéria no caso especial do glicocorticoide, cuja investigação e tratamento são do capítulo A causa antes do comprimido, da apostila de Endocrinologia, dono da osteoporose induzida por glicocorticoide; e, aos 61 anos e depois da menopausa, ela também está na régua de rastreamento de Osteoporose pós-menopausa, da apostila de Ginecologia. Ao mesmo tempo, na doença estabelecida o protocolo só admite glicocorticoide em dose baixa por período prolongado em casos particulares, por decisão compartilhada entre médico e paciente — decisão que não está escrita em lugar nenhum do prontuário dela. Se a prednisona não saiu porque a atividade não deixou, a doença não estava controlada, e a pergunta volta ao serviço especializado depois da pneumonia, com índice de atividade medido na consulta de retorno.

  7. 7. Depois da pneumonia: vacinas, coração e o retorno com data

    O cartão sem pneumocócica numa pessoa imunossuprimida é assunto do capítulo O cartão que ninguém pede, que decide o que aplicar e quando, lembrando que ela está em uso de metotrexato e prednisona. A artrite reumatoide reclassifica o risco cardiovascular para cima pela régua do capítulo Dislipidemias e risco cardiovascular global, da apostila de Cardiologia, e a prednisona crônica pede glicemia e pressão a cada 1 a 3 meses. O retorno fica marcado para a semana seguinte ao fim do antibiótico: hemograma, transaminases e creatinina, CDAI, decisão sobre voltar o metotrexato e as três pendências — retina, osso e prednisona — escritas no encaminhamento.

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Faça você

Virgílio Mascarenhas tem 36 anos e é pedreiro. Há três semanas teve febre de 39 °C por quatro dias, manchas vermelhas no tronco e dor intensa nas mãos e nos tornozelos; o bairro teve muitos casos de chikungunya no último mês. A febre passou. A dor nas juntas não: hoje ele tem inchaço nos dois punhos, em quatro metacarpofalângicas e nos dois tornozelos, rigidez de uma hora ao acordar e não consegue segurar a colher de pedreiro. Não tem psoríase, lesões de pele, alteração de unha nem dor lombar. Trouxe um fator reumatoide qualitativo, colhido numa farmácia, com resultado “reagente”. Pede um remédio forte para voltar à obra na semana que vem.

  1. 1. Some o critério de 2010 e diga o que o total significa hoje

    Descreva primeiro a hipótese e os diagnósticos alternativos. Depois use o escore como apoio e explique por que ele não pode classificar artrite reumatoide sem excluir uma explicação melhor para a sinovite.

  2. 2. O que o protocolo manda considerar nesta poliartrite de três semanas

    Liste os diagnósticos que a história de febre e exantema recentes coloca na frente da artrite reumatoide e diga que exames pediria na consulta de hoje.

  3. 3. O que o fator reumatoide reagente muda

    Explique quanto ele vale no critério, por que um resultado qualitativo conta como título baixo e por que ele não confirma artrite reumatoide nesta história.

  4. 4. O que fazer hoje e o que faria você encaminhar com prioridade

    Diga o que entra e o que fica fora da receita de hoje, quando reavaliar e que achado, na reavaliação, transformaria o caso em alta suspeita de artrite reumatoide.

Ver como fecharíamos

O quadro recente após febre/exantema e circulação de chikungunya torna artrite pós-infecciosa uma hipótese importante, sem dispensar reavaliação da sinovite. No cálculo didático, seis pequenas articulações dão 3 pontos, fator reumatoide qualitativo positivo conta como baixo título, 2 pontos, e menos de seis semanas não pontua duração; fase aguda alterada acrescentaria 1. Contudo, o critério pressupõe que nenhuma outra doença explique melhor a sinovite: chegar a seis não confirma artrite reumatoide neste cenário. Investigar conforme epidemiologia e fase da infecção, com hemograma, função renal/hepática, marcadores e testes dirigidos para arboviroses e outras causas quando pertinentes. Fator reumatoide isolado não escolhe o diagnóstico nem justifica metotrexato. Oferecer alívio seguro e discutir limitação temporária do trabalho, com retorno próximo, em uma a duas semanas ou antes se piorar. Não é obrigatório esperar completar seis semanas para encaminhar: incapacidade importante, sinovite persistente ou dúvida podem justificar referência precoce. A evolução e, quando indicado, anti-CCP ajudam a distinguir artrite persistente pós-chikungunya de artrite reumatoide. A remissão ou persistência precisa ser verificada, não presumida.

Gabarito da questão de abertura
Comentário

Se a ponte for necessária, usar glicocorticoide na menor dose eficaz e pelo menor tempo, com plano de retirada e revisão frequente. A alternativa proposta é compatível com o limite do protocolo citado, mas o uso não é obrigatório em todo início de metotrexato. A resposta, os riscos e o controle com modificador orientam a decisão; uma dose baixa ainda pode causar dano.

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Teste-se

Cada uma é um ponto de bifurcação: o que você faz agora. O comentário abre a cada decisão ou só no fim — você escolhe.

Sorteando as questões…
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Plano de revisão

Em 7 dias

Descreva quais achados fazem suspeitar de artrite reumatoide precoce e que informações ajudam a referência sem atrasá-la.

Em 30 dias

Explique o calendário semanal do metotrexato e o que fazer diante de úlcera oral, febre ou falta de ar. Compare doença ainda ativa e toxicidade como motivos diferentes para reavaliar o tratamento.

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Agora atenda

Agora atenda: mulher de 38 anos, manicure, com dor e inchaço nas mãos há dez semanas, rigidez de manhã que ela mede pelo tempo que leva para conseguir segurar o alicate e um exame de fator reumatoide negativo feito por conta própria. Colha a história que separa artrite de dor, pergunte o que aconteceu nas semanas antes de começar, examine uma a uma as articulações que o critério conta, faça o teste do aperto, peça de uma vez os exames da primeira consulta e decida com a paciente o encaminhamento, a ponte para a dor e o que precisa estar pronto para o metotrexato poder começar.

Artrite reumatoide – Antes da primeira erosão — Internato | OsceLabs