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Clínica MédicaCardiologia

Bradiarritmias e bloqueios atrioventriculares

Reconhecer o nível do bloqueio, tratar a instabilidade e indicar o marca-passo definitivo sem atrasar a correção das causas reversíveis.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 75 anos é trazido ao pronto-socorro com rebaixamento do nível de consciência e má perfusão periférica. O monitor mostra bradicardia com FC 34 bpm. O ECG evidencia dissociação atrioventricular completa, com ondas P e complexos QRS independentes entre si. PA 78x50 mmHg, extremidades frias. Qual é a conduta inicial mais adequada enquanto se prepara o marcapasso?

02

Como esse tema cai

Bradiarritmia é o tema em que a banca troca diagnóstico por vocabulário. A vinheta descreve um traçado em palavras — ondas P que não conduzem, intervalo que se alonga, átrio mais rápido que ventrículo — e a resposta depende de o candidato converter aquela descrição no nome certo e, do nome, tirar a conduta. O diagnóstico raramente é difícil; o difícil é que os documentos brasileiros nomeiam os mesmos achados de três maneiras diferentes, e um deles nomeia errado.

Este capítulo cobre a bradicardia do adulto com pulso: a doença do nó sinusal, os bloqueios atrioventriculares dos quatro graus e o bloqueio intraventricular quando ele muda a decisão. Cobre também o que fazer na primeira hora — atropina, drogas alternativas, marca-passo temporário — e quando o dispositivo vira definitivo. Fica de fora a parada cardiorrespiratória em assistolia e em atividade elétrica sem pulso, que é ritmo de parada e mora no capítulo de reanimação; fica de fora a taquicardia com pulso, que tem capítulo próprio nesta apostila; e fica de fora a triagem da perda transitória de consciência, que é o capítulo de síncope — de lá vem o risco alto do achado, daqui vem o que fazer com ele.

A régua brasileira está repartida entre três documentos da Sociedade Brasileira de Cardiologia, sem protocolo do Ministério da Saúde para o tema. A Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, de 2023, manda no marca-passo definitivo. A Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar, de 2019, manda no pronto-socorro. A Diretriz de Cardiomiopatia da Doença de Chagas, de 2023, é a que explica por que o bloqueio atrioventricular é, no Brasil, uma doença com epidemiologia própria. O contraponto internacional que as bancas também usam é a diretriz europeia de estimulação cardíaca de 2021.

O peso do tema na prova vem de dois números que se opõem. A bradicardia é comum e quase sempre benigna — sono, atleta, tônus vagal —, mas o bloqueio infra-hissiano progride para assistolia sem aviso, e o candidato que trata todo mundo erra tanto quanto o que observa todo mundo. O eixo de todas as respostas é um só: correlacionar sintoma com ritmo e procurar causa reversível antes de furar a veia subclávia.

03

O que muda decisão

Três documentos brasileiros, três pedaços do mesmo tema

A primeira decisão do candidato não é clínica, é bibliográfica: descobrir qual documento o enunciado está lendo. A Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, publicada em janeiro de 2023 depois de dezesseis anos sem atualização, é a dona da indicação de marca-passo definitivo — dela saem as classes e os níveis de evidência, e é ela quem classifica o bloqueio atrioventricular em cinco subtipos. A Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar, de 2019, é a dona da primeira hora: define bradicardia por um número, fixa a dose da atropina, escolhe as drogas de resgate e diz quando ligar o marca-passo transcutâneo. E a Diretriz de Cardiomiopatia da Doença de Chagas, de 2023, é a que dá ao tema a cara brasileira.

Essa divisão explica um padrão de enunciado. Vinheta de pronto-socorro, com pressão baixa e monitor ligado, usa o vocabulário e os números de 2019. Vinheta de enfermaria ou ambulatório, com paciente estável e a pergunta sendo se implanta ou não, passa a falar em classe e nível, e o documento é o de 2023. Vinheta com zona endêmica, sorologia positiva ou bloqueio de ramo direito somado a bloqueio divisional anterossuperior esquerdo puxa o documento de Chagas.

Nada disso seria problema se os três dissessem a mesma coisa. Não dizem. As diferenças não estão na medicina — estão na redação, e é exatamente aí que a prova encontra o que perguntar.

A bradicardia que se trata e a que só se observa

A diretriz de 2019 abre o assunto com uma definição numérica: bradicardia é o ritmo com frequência cardíaca menor que 50 batimentos por minuto. E imediatamente relativiza — o limite é individual, e frequências abaixo desse valor podem ser fisiológicas para uns e inadequadas para outros. A frase seguinte é a que governa todo o tema: o tratamento está indicado somente nos casos em que a bradicardia, independentemente do tipo ou da causa, provoca sinais clínicos de baixo débito.

Traduzindo para a vinheta: o número no monitor nunca é a resposta sozinho. Um atleta de 22 anos com 42 batimentos por minuto durante o sono e um idoso de 78 anos com 42 batimentos por minuto, tontura e pressão sistólica de 82 milímetros de mercúrio têm o mesmo número e condutas opostas. A diretriz de dispositivos fecha o outro lado da linha ao lembrar que a bradicardia funcional assintomática — sono, jovens saudáveis, atletas — não representa risco e não deve ser tratada.

O segundo filtro é a causa reversível, e ele vem antes de qualquer dispositivo. A lista das causas extrínsecas é decorada: betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio, digitálicos, antiarrítmicos, simpaticolíticos e o lítio, este capaz de causar disfunção muitas vezes definitiva. Somam-se acidose sistêmica grave, hipercalemia, hipocalemia, hipocalcemia, hipotireoidismo, hipóxia, hipotermia e toxinas. O bloqueio atribuível a isquemia da parede inferior pode ser reversível, assim como os bloqueios mediados pelo sistema nervoso autônomo — e, nas raras epilepsia assistólica do lobo temporal e neuralgia do glossofaríngeo com assistolia, tratar a doença de base costuma regularizar o ritmo sem dispositivo definitivo.

O terceiro filtro é a correlação documentada. Para definir conduta na doença do nó sinusal, diz a diretriz de 2023, é fundamental correlacionar o sintoma com a bradicardia — com eletrocardiograma, Holter de 24 ou 48 horas ou de 7 dias, monitor de eventos externo ou implantável. O estudo eletrofisiológico invasivo não deve ser usado regularmente para isso, porque não há dados conclusivos ligando um tempo de recuperação do nó sinusal alterado à indicação real de marca-passo.

Doença do nó sinusal: cinco apresentações de uma coisa só

Disfunção do nó sinusal que produz sintoma chama-se doença do nó sinusal, e ela é a indicação mais comum de estimulação cardíaca artificial no mundo — cerca de metade dos implantes de marca-passo definitivo. Afeta 1 em cada 600 pacientes acima de 65 anos, sem preferência por sexo. Numa unidade básica com 3.000 pessoas nessa faixa etária, portanto, cinco delas carregam o diagnóstico.

Do ponto de vista eletrocardiográfico, o texto brasileiro a define por uma ou mais de cinco manifestações: bradicardia sinusal, pausa ou parada sinusal, bloqueio sinoatrial, taquiarritmias atriais associadas a pausas — a síndrome bradi-taqui — e incompetência cronotrópica, que é a resposta inadequada da frequência ao exercício ou ao estresse. Repare que a lista tem cinco entradas e nenhuma delas exige síncope: o sintoma mais comum é palpitação, cansaço, dispneia ou tontura, e a síncope aparece em cerca de metade dos pacientes encaminhados para implante.

A causa intrínseca mais comum é a fibrose degenerativa idiopática relacionada à idade, somada a doenças infiltrativas como hemocromatose e amiloidose, inflamatórias como a sarcoidose, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e coronariopatia crônica com acometimento da artéria do nó sinusal.

A Tabela 1 da diretriz de 2023 é um bom exemplo de tabela bem-feita, e vale guardá-la como padrão de comparação: quatro degraus e nenhum vão. Classe I para doença espontânea, sem causa tratável ou induzida por fármaco insubstituível, com sintoma documentado. Classe IIa para o mesmo quadro com sintoma não documentado após investigação preconizada, o diagnóstico presuntivo, e para síncope inexplicada com evidência da doença no estudo eletrofisiológico. Classe IIb para síncope inexplicada com pausa sinusal assintomática acima de 6 segundos. E classe III para o assintomático, para quem tem sintoma documentado não relacionado à bradicardia e para o sintomático cuja bradicardia decorre de causa reversível. Quando a próxima seção mostrar a tabela do bloqueio atrioventricular, a diferença salta aos olhos.

A classificação do bloqueio — e as três listas brasileiras que não coincidem

A diretriz de dispositivos de 2023 classifica o bloqueio atrioventricular em 1º grau, 2º grau — com quatro subtipos: Mobitz I, Mobitz II, 2:1 e avançado — e 3º grau. As definições são limpas e vale reproduzi-las na ordem em que o texto as dá.

O bloqueio de 1º grau é o retardo da condução do átrio ao ventrículo com intervalo PR acima de 200 milissegundos, todas as ondas P conduzindo. No 2º grau tipo I, ou Mobitz I, o bloqueio ocorre após prolongamento gradual dos intervalos PR — o fenômeno de Wenckebach — com uma onda P bloqueada ao final. No 2º grau tipo II, ou Mobitz II, a onda P é subitamente bloqueada, sem alargamento progressivo do PR. O bloqueio avançado é o bloqueio de duas ou mais ondas P consecutivas com alguns batimentos conduzidos, o que indica alguma preservação da condução. E o de 3º grau, ou bloqueio atrioventricular total, é a ausência completa de condução, com dissociação entre ondas P e complexos ventriculares e frequência atrial superior à ventricular.

O subtipo 2:1 ganha do texto brasileiro um tratamento honesto que muitos livros não dão: nesse padrão, diz a diretriz, o bloqueio de segundo grau habitualmente não pode ser classificado inequivocamente como tipo I ou tipo II sem manobras autonômicas, fármacos ou estudo eletrofisiológico invasivo. A razão é aritmética: com apenas um batimento conduzido entre dois bloqueados, não há dois intervalos PR consecutivos para comparar, e sem comparação não há como ver — ou descartar — o alongamento progressivo que define Wenckebach. Reconhecer isso é o oposto de um vão: é um documento admitindo o limite do próprio critério.

A comparação com o documento europeu tranquiliza num ponto e revela em outro. Tranquiliza porque as duas definições de bloqueio avançado, apesar de redigidas de formas diferentes, dizem o mesmo: duas ou mais ondas P consecutivas bloqueadas com algumas conduzidas equivale exatamente a uma razão de três ondas P para cada complexo ventricular, ou mais, que é como o texto europeu a define. Revela porque o documento europeu coloca o padrão 2:1 no mesmo bloco do Mobitz II e do avançado, tratando o conjunto como um só para efeito de indicação.

O terceiro documento brasileiro é onde a redação falha. Na seção de bradicardias da diretriz de reanimação de 2019, a classificação aparece assim: os bloqueios podem ser divididos de acordo com a gravidade em bloqueio de primeiro grau; bloqueio de segundo grau, que inclui tipo I ou Mobitz I ou fenômeno de Wenckebach, e tipo II ou Mobitz tipo I; bloqueio total ou de terceiro grau. O rótulo Mobitz I aparece duas vezes, uma para cada subtipo do segundo grau. Quem aprender a classificação por essa frase fica sem nome algum para o Mobitz II — justamente o achado que, adiante no mesmo documento, dispara a indicação de marca-passo transcutâneo.

A diretriz de Chagas de 2023 dá ainda uma quarta lista: 1º grau; 2º grau do tipo Mobitz I, Mobitz II ou de grau avançado; e 3º grau. Está correta, mas o padrão 2:1 desapareceu. Somando os três documentos brasileiros: um lista cinco subtipos e nomeia todos corretamente, outro lista quatro e perde o 2:1, e o terceiro lista três e nomeia dois deles com o mesmo rótulo.

Matriz de comparação com três colunas, uma por documento brasileiro, e seis linhas com os tipos de bloqueio atrioventricular. Células cheias indicam o tipo nomeado e células vazias os ausentes. A coluna de 2023 tem as seis cheias; a de Chagas perde o padrão 2:1; a de reanimação de 2019 perde o 2:1 e o avançado, e tem a célula do Mobitz II hachurada com a observação de que foi nomeado Mobitz I por engano.
Os três documentos brasileiros lado a lado: o padrão 2:1 desaparece em dois deles, e a diretriz de reanimação de 2019 deixa o Mobitz II — o achado que dispara o marca-passo — sem nome próprio.

Nodal ou infra-hissiano: a pergunta que escolhe a droga

Classificar pelo eletrocardiograma responde ao que está acontecendo. Classificar pelo sítio anatômico responde ao que fazer. A diretriz de 2023 separa o bloqueio em nodal, intra-hissiano e infra-hissiano, e a diferença entre eles é a diferença entre uma ampola de atropina resolver e não resolver.

O bloqueio nodal tem progressão mais lenta, escape juncional mais rápido e confiável e boa resposta à manipulação autonômica — atropina, isoproterenol, adrenalina. Os bloqueios intra-hissiano e infra-hissiano progridem mais rapidamente, têm escape ventricular mais lento e imprevisível, complexos ventriculares mais largos e respondem mal ao estímulo adrenérgico e ao bloqueio vagal. Os bloqueios de alto grau, avançados ou de terceiro grau, apresentam maior risco de baixo débito e de assistolia grave, o que implica necessidade de terapêutica urgente.

Na vinheta, quatro pistas apontam o sítio. A largura do complexo: escape estreito sugere foco juncional, bloqueio alto; escape largo sugere foco ventricular, bloqueio abaixo do feixe. A frequência do escape: 40 a 60 no juncional, 20 a 40 no ventricular. O contexto: o bloqueio do infarto inferior costuma ser nodal e transitório, porque o nó é irrigado pela coronária direita na maioria das pessoas; o do infarto anterior extenso costuma ser infra-hissiano, marcador de necrose septal ampla. E o comportamento com o esforço ou com a atropina: bloqueio nodal melhora quando o tônus simpático sobe, infranodal pode piorar, porque a aceleração atrial chega a um sistema His-Purkinje que não acompanha.

Há um caso particular que a prova adora e que só se resolve com essa chave: a fibrilação atrial. Sem ondas P, não há como contar bloqueio por razão entre átrio e ventrículo. O texto brasileiro dá o critério de substituição: na presença de fibrilação atrial, identifica-se bloqueio atrioventricular total quando a resposta ventricular está baixa, abaixo de 50 batimentos por minuto, com intervalo entre complexos regular. O que denuncia o bloqueio completo é a regularização de um ritmo que, por definição, é irregular.

A primeira hora: uma droga, três doses e duas caixas que se contradizem

A atropina é a droga de escolha para a bradicardia sintomática aguda na ausência de causas reversíveis, com classe IIa e nível de evidência B na diretriz brasileira de 2019. Ela reverte as bradicardias mediadas por via colinérgica, é útil na bradicardia sinusal sintomática e pode ser benéfica em qualquer bloqueio atrioventricular em nível nodal — a ressalva anatômica está escrita no próprio documento.

A dose é onde os documentos se separam. O texto brasileiro de 2019 recomenda 0,5 mg por via intravenosa a cada 3 a 5 minutos, com dose máxima total de 3 mg, e acrescenta um alerta que quase nenhum resumo reproduz: doses menores que 0,5 mg podem, paradoxalmente, causar lentificação do ritmo. O algoritmo americano de bradicardia com pulso fixa a primeira dose em 1 mg, com repetição a cada 3 a 5 minutos e o mesmo teto. E a diretriz americana específica de bradicardia, de 2018, escreve a dose como faixa: 0,5 a 1 mg, também com teto de 3 mg.

O teto igual esconde uma diferença de tempo que importa à beira do leito. Com 0,5 mg por dose e teto de 3 mg cabem seis doses, e seis doses separadas por 3 a 5 minutos consomem cinco intervalos, ou seja, 15 a 25 minutos até se poder dizer que a atropina falhou. Com 1 mg por dose cabem três doses, dois intervalos, 6 a 10 minutos. O paciente que segue a régua brasileira espera duas a três vezes mais tempo antes de o marca-passo transcutâneo ser declarado necessário.

As drogas alternativas repetem o padrão. Dopamina e adrenalina entram quando a bradicardia não responde à atropina, como medida transitória. Adrenalina, 2 a 10 microgramas por minuto, é número consensual. A dopamina, não: na seção do marca-passo transcutâneo, o mesmo documento de 2019 escreve 2 a 10 microgramas por quilo por minuto; na seção de bradicardias, catorze páginas adiante, escreve 2 a 20 — que é o que dizem também a menção pediátrica e o capítulo de medicamentos para manutenção do débito. Num adulto de 70 quilos, o teto de uma versão é 700 microgramas por minuto e o da outra, 1.400: o máximo de um documento é metade do máximo do mesmo documento. Os textos americanos escrevem 5 a 20.

A contradição seguinte não é de dose, é de classe. O Quadro 5.9 da diretriz de 2019 resume o tratamento farmacológico das bradicardias assim: atropina classe IIa nível B, marca-passo transcutâneo classe IIa nível B, adrenalina e dopamina classe IIb nível B. O Quadro 5.11, oito páginas adiante, resume as mesmas condutas assim: atropina para bradicardia com sinais e sintomas de instabilidade classe IIa nível B, e dopamina, epinefrina ou marca-passo transcutâneo para bradicardia sintomática refratária à atropina classe IIa nível B. Ao juntar as três coisas numa linha só, o segundo quadro promoveu as duas aminas de IIb para IIa sem que o texto corrido dissesse isso em lugar nenhum.

O marca-passo transcutâneo tem indicação no Quadro 3.4: bradicardia de alto grau sintomática com pulso — o quadro explicita bloqueio de segundo grau Mobitz II e de terceiro grau ou total — e falência do tratamento com atropina. Não indicado na assistolia. Note que o bloqueio avançado e o padrão 2:1 não aparecem nessa lista, embora o documento de 2023 os classifique como alto grau. A instalação deve ser imediata, é classe IIa nível B, e o acionamento pode ser doloroso e não produzir captura mecânica eficaz — daí a analgesia e a sedação previstas, e daí a regra de conferir pulso, e não apenas o traçado, para dizer se capturou.

Uma contraindicação vale saber porque aparece em prova e não está no documento brasileiro: atropina não deve ser dada no coração transplantado. O órgão é desnervado, o bloqueio vagal não tem o que bloquear, e a diretriz americana de 2018 põe a advertência no próprio algoritmo. Para esse paciente, e também para o bloqueio do infarto inferior e para a bradicardia da lesão medular, o mesmo documento lista aminofilina.

Quando o dispositivo vira definitivo — e os dois relógios do infarto

A Tabela 3 da diretriz de 2023 reúne as indicações de marca-passo definitivo no bloqueio atrioventricular. O primeiro bloco, classe I nível B, começa pelo caso central: bloqueio adquirido de 2º grau Mobitz II, de grau avançado ou de 3º grau, não atribuíveis a causa reversível ou fisiológica, independentemente da ocorrência de sintomas. Aí está a regra que mais cai: nesses três subtipos, sintoma não é condição.

O segundo bloco, classe I nível C, cobre o bloqueio de 2º grau Mobitz I sintomático não atribuível a causa reversível ou a fármaco não essencial; o Mobitz II, avançado ou de 3º grau assintomático persistente após pelo menos 5 dias de cirurgia cardíaca; e a fibrilação atrial permanente com baixa resposta ventricular e sintomas atribuídos à bradicardia. Depois vêm duas linhas de classe IIa: bloqueio de 3º grau congênito em adulto assintomático, nível B, e o sintoma claramente decorrente de bloqueio de 1º grau significativo — a pseudossíndrome do marca-passo, associada no texto a intervalo PR acima de 300 milissegundos —, nível C.

E acabou. A Tabela 3 não tem linha de classe III. A Tabela 1, da doença do nó sinusal, tem; a Tabela 4, do bloqueio intraventricular, tem. A do bloqueio atrioventricular, que é a mais consultada das três, nunca diz quando não implantar. A exclusão por causa reversível existe, mas está embutida na redação das linhas de classe I — quem lê a tabela procurando a linha que proíbe não encontra nenhuma.

Dentro do bloco de classe I nível B moram duas linhas sobre infarto que não fecham entre si. Uma diz: bloqueio de 2º grau Mobitz II, avançado, de 3º grau ou bloqueio de ramo alternante, mesmo assintomático, e persistente após pelo menos 72 horas de infarto. A outra, quatro linhas abaixo e na mesma célula de classe e nível, diz: bloqueio avançado após infarto, persistente por pelo menos 5 dias. O bloqueio avançado persistente pós-infarto está descrito nas duas, com dois relógios diferentes. Entre 72 horas e 5 dias há 48 horas em que a mesma tabela indica e adia o implante ao mesmo tempo.

A origem dos dois números é rastreável. A janela de 5 dias é a europeia: o documento de 2021 a recomenda em classe I nível C, e acrescenta que a espera pode chegar a 10 dias, encurtando para 5 conforme o vaso ocluído, o tempo até a reperfusão e o sucesso da revascularização. A janela de 72 horas é a americana, da diretriz de bradicardia de 2018. A tabela brasileira acomodou as duas em linhas vizinhas sem escolher.

Vale registrar o que o texto europeu tem e o brasileiro não: uma recomendação de classe III nível B dizendo que o marca-passo não é recomendado se o bloqueio se resolve após a revascularização ou espontaneamente, e outra de classe III para bloqueios de causa transitória corrigível. É a mesma medicina — escrita como proibição de um lado e como condição no meio de uma frase do outro.

As demais janelas da Tabela 3 valem como conjunto: 24 a 48 horas para bloqueio avançado ou de ramo alternante após válvula aórtica transcateter; 5 dias para bloqueio avançado sintomático persistente após cirurgia valvar, revascularização ou cirurgia de fibrilação atrial. No bloqueio de 3º grau congênito, o dispositivo é mandatório na presença de sintomas ou quando a criança tem frequência de repouso abaixo de 55 batimentos por minuto, ou abaixo de 70 se houver doença cardíaca estrutural.

Há ainda um par de números sobre fibrilação atrial. Numa página, o texto de 2023 diz que, na presença de fibrilação atrial com pausas significativas, acima de 5 segundos, deve ser considerada a possibilidade de bloqueio de alto grau. Duas páginas adiante, diz que nos casos com pausas significativas, acima de 3 segundos, sintomáticas ou atribuíveis a bloqueio infranodal, indica-se marca-passo. A expressão é idêntica; a pergunta que cada uma responde não é — a primeira é diagnóstica, a segunda é terapêutica. Quem memoriza a expressão sem o contexto fica com dois números para a mesma palavra.

A Tabela 4, do bloqueio intraventricular, é curta e cai mais do que parece. Classe I para síncope com bloqueio de ramo e intervalo HV maior ou igual a 70 milissegundos ou bloqueio infranodal no estudo eletrofisiológico; classe I para bloqueio de ramo alternante, independentemente de sintomas, porque denota doença infranodal com alto risco de bloqueio total; e classe III para o assintomático com distúrbio de condução intraventricular isolado e condução preservada. O número que sustenta essa última linha está no texto: a progressão do bloqueio de ramo esquerdo ou do bifascicular para bloqueio avançado é de cerca de 1% ao ano, ou seja, em uma década nove em cada dez não progridem.

Chagas: por que o bloqueio atrioventricular tem epidemiologia brasileira

Entre as causas infecciosas de bloqueio, diz a diretriz de dispositivos, destaca-se em nosso meio a miocardite crônica da doença de Chagas. A diretriz específica de 2023 dá o tamanho disso com um dado de registro: segundo o Registro Brasileiro de Marca-passos, a cardiomiopatia crônica da doença de Chagas é a primeira causa de bloqueio atrioventricular na América Latina, responsável por cerca de 25% das indicações de marca-passo. Um em cada quatro dispositivos implantados na região tem essa etiologia.

O acometimento do nó sinusal ocorre precocemente, e a manifestação mais frequente é a bradicardia sinusal. O bloqueio intraventricular predominante é o bloqueio de ramo direito, isolado ou associado ao bloqueio divisional anterossuperior esquerdo — a dupla que, num eletrocardiograma de rotina de paciente vindo de área endêmica, acende o alerta. O bloqueio total ocorre em cerca de 10% dos pacientes com a forma cardíaca crônica, frequência maior do que em qualquer outra cardiopatia adquirida.

A base de evidência merece leitura atenta, porque a própria diretriz a expõe sem maquiagem: a indicação, desde a década de 1970, obedece ao princípio de plausibilidade extrema, e a evidência de nítido benefício consistiu tão somente num estudo observacional de curvas de sobrevida históricas. Antes do dispositivo, 147 pacientes com sobrevida de 70%, 37% e 6% em 1, 5 e 10 anos; depois dele, 74 pacientes com 86%, 57% e 44%. A diferença absoluta em 10 anos é de 38 pontos percentuais, cerca de 2,6 pacientes tratados por sobrevivente adicional; entre o quinto e o décimo ano, o grupo sem dispositivo perdeu 31 dos seus 37 sobreviventes, ou 84%, contra 13 de 57, ou 23%, com dispositivo. São números de comparação histórica, não de alocação aleatória — e a diretriz diz exatamente isso.

Uma coorte prospectiva de 2018 com 396 portadores de marca-passo e cardiopatia chagásica completa o retrato: idade média de 62,5 anos, 64% mulheres, 95% em classe funcional I ou II, cerca de 75% com bloqueio avançado como indicação, estimulação de ventrículo direito em 82,2% e mortalidade anual de 8,4%. A diretriz fecha o assunto evitando a armadilha oposta: de modo geral, as indicações de marca-passo na cardiopatia chagásica não diferem das clássicas aplicadas a outras etiologias. Chagas muda a probabilidade a priori do diagnóstico, não a régua da indicação.

O modo de estimulação, que a prova cobra pouco e a vida cobra muito

Escolhido o implante, resta o modo. A Tabela 2 da diretriz de 2023 é curta: classe I para estimulação atrial com condução atrioventricular normal e para dupla câmara com bloqueio avançado; classe IIa para dupla câmara com algoritmo que minimize a estimulação ventricular em quem tem condução preservada; classe IIb para estimulação ventricular isolada em idosos sem condução retrógrada e em quem precise de estimulação por curtos períodos ou tenha comorbidade que limite a sobrevida; e classe III para ventricular isolada com condução retrógrada e para atrial isolada em quem tem bloqueio avançado.

O raciocínio é fisiológico e cai em questão de mecanismo. A estimulação crônica do ventrículo direito produz dissincronia, remodelamento, queda da fração de ejeção e insuficiência mitral funcional — embora apenas 5% a 9% dos estimulados cronicamente desenvolvam disfunção grave com sintomas. Por isso, em quem não tem bloqueio associado, programam-se algoritmos que evitam estimular o ventrículo sem necessidade.

Dois ensaios explicam as classes. O DANPACE, que comparou estimulação atrial isolada com dupla câmara na doença do nó sinusal, mostrou mais fibrilação atrial paroxística com a atrial isolada e o dobro de reoperações, a maior parte por conversão para dupla câmara quando o bloqueio surgia na evolução. O UKPace, em pacientes com 75 anos ou mais, não mostrou benefício da dupla câmara em mortalidade, fibrilação atrial ou insuficiência cardíaca, e registrou mais complicações cirúrgicas com ela — 7,8% contra 3,5%. Daí a linha de classe IIb que autoriza estimulação ventricular isolada no paciente frágil, muito idoso ou sedentário.

Fecha o quadro a advertência que resume o tema: em paciente com indicação de marca-passo e disfunção ventricular esquerda, o cardiodesfibrilador deve ser considerado, e com fração de ejeção reduzida a terapia de ressincronização mostrou melhora funcional e remodelamento reverso frente à estimulação convencional do ventrículo direito. Escolher o modo não é detalhe técnico: é a diferença entre corrigir a bradicardia e criar uma miocardiopatia nova.

Como a prova pergunta cada um desses números

Enunciado que diz atropina 0,5 mg está lendo o documento brasileiro de 2019; enunciado que diz 1 mg está lendo o algoritmo americano; enunciado que oferece a faixa de 0,5 a 1 mg está lendo a diretriz americana de bradicardia de 2018. As três estão corretas dentro da própria fonte, e o teto de 3 mg é comum às três — quando a alternativa mexe no teto, ela está errada em qualquer régua.

Enunciado que pergunta a espera antes do marca-passo definitivo pós-infarto e escreve 72 horas está na primeira linha da tabela brasileira; enunciado que escreve 5 dias está na quarta linha da mesma tabela, ou no documento europeu. Alternativa que oferece implante imediato, ainda na sala de hemodinâmica, está errada nas duas réguas — é o ponto de concordância que mais aparece.

Enunciado que descreve alongamento progressivo do intervalo até uma onda bloqueada quer o nome Mobitz I e, em geral, vigilância. Bloqueio súbito sem alongamento prévio quer Mobitz II e dispositivo independentemente de sintoma. Uma onda conduzida para cada duas é o padrão 2:1, e a resposta que o texto brasileiro sustenta é que ele não se classifica sem manobra, fármaco ou estudo eletrofisiológico — alternativa que o rotula categoricamente como Mobitz II afirma mais do que o documento afirma.

Enunciado com fibrilação atrial de resposta ventricular baixa e regular quer bloqueio atrioventricular total, não fibrilação de baixa resposta. Enunciado que traz hipercalemia, betabloqueador recém-introduzido, lítio, hipotireoidismo ou hipotermia junto do bloqueio quer causa reversível — nenhuma dessas situações abre indicação de dispositivo definitivo antes da correção.

E enunciado que traz sorologia positiva para Trypanosoma cruzi, procedência de área endêmica ou bloqueio de ramo direito com bloqueio divisional anterossuperior esquerdo está apontando para a etiologia mais comum de bloqueio atrioventricular na América Latina — sem, com isso, mudar qual classe de recomendação se aplica.

04

As réguas do tema, com os vãos marcados

A vinheta de bradiarritmia se resolve em quatro perguntas encadeadas: o paciente tem sintoma atribuível ao ritmo, existe causa reversível, qual é o subtipo e onde fica o bloqueio. Cada pergunta tem documento dono, e em quatro pontos o número do documento não fecha — por isso a redação do enunciado pesa tanto quanto o traçado descrito.

  1. 1O ritmo é lento e há sinal de baixo débito? Sem sinal clínico, não se trata — nem atleta, nem sono, nem bradicardia de 48 batimentos assintomática.
  2. 2Existe causa reversível? Fármaco, hipercalemia, hipotireoidismo, hipotermia, hipóxia, isquemia inferior, tônus vagal. Corrigir vem antes de implantar.
  3. 3Instável agora? Atropina na dose do documento que a banca está usando, teto de 3 mg, e marca-passo transcutâneo se falhar — com analgesia, sedação e checagem de pulso para confirmar captura.
  4. 4Qual o subtipo? Primeiro grau, Mobitz I, Mobitz II, 2:1, avançado ou total. O 2:1 não se tipifica sem manobra, fármaco ou estudo eletrofisiológico.
  5. 5Onde fica o bloqueio? Escape estreito e rápido aponta nodal, responde à atropina; escape largo e lento aponta infra-hissiano, não responde.
  6. 6Cabe dispositivo definitivo? Mobitz II, avançado e total sem causa reversível são classe I independentemente de sintoma; Mobitz I precisa de sintoma; primeiro grau só na pseudossíndrome do marca-passo.
  7. 7Qual o modo? Condução preservada pede estimulação atrial ou dupla câmara com algoritmo que poupe o ventrículo; condução retrógrada contraindica ventricular isolada.

O paciente das 48 horas

A mesma célula de classe I nível B da tabela brasileira indica marca-passo em bloqueio avançado persistente 72 horas depois do infarto e, quatro linhas abaixo, exige 5 dias. Quem está no quarto dia satisfaz uma linha e não satisfaz a outra.

O 2:1 sem linha

O padrão 2:1 é nomeado no texto como subtipo do segundo grau, mas não aparece em nenhuma linha da tabela de indicação. Quem procura o próprio paciente na tabela não o encontra.

A tabela sem classe III

As tabelas de doença do nó sinusal e de bloqueio intraventricular dizem quando não implantar. A do bloqueio atrioventricular, a mais consultada, para na classe IIa e nunca diz.

Metade do teto

Numa página, dopamina de 2 a 10 microgramas por quilo por minuto; catorze páginas adiante, de 2 a 20. Num adulto de 70 quilos, 700 contra 1.400 microgramas por minuto no mesmo documento.

Duas vezes Mobitz I

Na diretriz de reanimação de 2019, o segundo grau tipo II é nomeado Mobitz tipo I, o mesmo rótulo já dado ao tipo I na frase anterior. O Mobitz II fica sem nome no único documento que decide o marca-passo transcutâneo.

A mesma expressão, dois cortes

Pausa significativa na fibrilação atrial é acima de 5 segundos quando a pergunta é diagnóstica e acima de 3 segundos quando é de indicação — mesma expressão, mesmo documento.

Os subtipos do bloqueio de 2º grau, documento a documento

DocumentoSubtipos nomeadosO que fica de fora ou sai errado
Diretriz de dispositivos, 2023Mobitz I, Mobitz II, 2:1 e avançadoLista completa. O 2:1 vem com a ressalva de que não se classifica sem manobra, fármaco ou estudo eletrofisiológico
Diretriz de Chagas, 2023Mobitz I, Mobitz II e avançadoO padrão 2:1 não é citado
Diretriz de reanimação, 2019Tipo I ou Mobitz I ou Wenckebach; tipo II ou Mobitz tipo IO 2:1 e o avançado não são citados, e o tipo II recebe o rótulo do tipo I
Diretriz europeia, 2021Mobitz I em seção própria; Mobitz II, 2:1 e avançado numa seção sóDefine avançado por razão de três ondas P ou mais para cada complexo, equivalente a duas ondas P consecutivas bloqueadas

Marca-passo definitivo no bloqueio atrioventricular (Tabela 3 da diretriz de 2023)

SituaçãoClasseNível
Mobitz II, avançado ou total adquiridos, sem causa reversível ou fisiológica, com ou sem sintomaIB
Mobitz II, avançado, total ou bloqueio de ramo alternante, mesmo assintomático, persistente após pelo menos 72 horas de infartoIB
Bloqueio avançado ou de ramo alternante após válvula aórtica transcateter, persistente por 24 a 48 horasIB
Bloqueio avançado após infarto, persistente por pelo menos 5 diasIB
Bloqueio avançado sintomático persistente após 5 dias de cirurgia valvar, revascularização ou cirurgia de fibrilação atrialIB
Bloqueio total congênito sintomático, ou assintomático com fator de risco (pausa acima de três vezes o ciclo basal, complexo largo, QT corrigido longo, arritmia ventricular complexa, frequência média abaixo de 50, disfunção ventricular)IB
Mobitz I sintomático, sem causa reversível nem fármaco não essencialIC
Mobitz II, avançado ou total assintomático persistente após pelo menos 5 dias de cirurgia cardíacaIC
Fibrilação atrial permanente com baixa resposta ventricular e sintomas atribuídos à bradicardiaIC
Bloqueio total congênito em adulto assintomáticoIIaB
Sintoma claramente decorrente de bloqueio de 1º grau significativo (pseudossíndrome do marca-passo)IIaC
Quando não implantarSem linhaSem linha

As doses do atendimento agudo, fonte a fonte

FármacoDiretriz brasileira de 2019Algoritmo americanoDiretriz americana de bradicardia, 2018
Atropina0,5 mg a cada 3 a 5 min, teto de 3 mg1 mg na primeira dose, a cada 3 a 5 min, teto de 3 mg0,5 a 1 mg a cada 3 a 5 min, teto de 3 mg
Doses que cabem até o tetoSeisTrêsTrês a seis
Tempo até esgotar o teto15 a 25 minutos6 a 10 minutos6 a 25 minutos
Dopamina2 a 10 numa seção e 2 a 20 em outra, microgramas por quilo por minuto5 a 20 microgramas por quilo por minuto5 a 20, começando em 5, microgramas por quilo por minuto
Adrenalina2 a 10 microgramas por minuto2 a 10 microgramas por minuto2 a 10 microgramas por minuto
Classe da atropinaIIa, nível BPrimeira linha do algoritmoClasse IIa
Classe das aminasIIb no Quadro 5.9 e IIa no Quadro 5.11Alternativa ao marca-passo transcutâneoDepende da causa

O teto de 3 mg de atropina é o único número idêntico nas três fontes. Alternativa que muda o teto está errada em qualquer régua.

Bloqueio avançado tem duas definições equivalentes: duas ou mais ondas P consecutivas bloqueadas com algumas conduzidas, na redação brasileira, e razão de três ondas P ou mais para cada complexo ventricular, na europeia. Não há vão entre elas.

Na doença do nó sinusal, o único achado que dispensa correlação sintomática é a pausa assintomática acima de 6 segundos com síncope inexplicada, e mesmo essa é classe IIb.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Dose inicial de atropina na bradicardia sintomática do adulto

0,5 mg, com teto de 3 mg

A dose recomendada para a atropina na bradicardia é de 0,5 mg por via intravenosa a cada 3 a 5 minutos, com dose máxima total de 3 mg. Doses menores que 0,5 mg podem, paradoxalmente, causar lentificação do ritmo.

Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar da SBC, 2019, seção 5.8, Arq Bras Cardiol 2019;113(3):449-663

1 mg na primeira dose, com teto de 3 mg

Atropina por via intravenosa: primeira dose de 1 mg em bolus, repetida a cada 3 a 5 minutos, com dose total máxima de 3 mg.

American Heart Association, Adult Bradycardia With a Pulse Algorithm, 2025

0,5 a 1 mg, com teto de 3 mg

Atropina para bradicardia sinusal sintomática ou bloqueio atrioventricular: 0,5 a 1 mg por via intravenosa, podendo ser repetida a cada 3 a 5 minutos até a dose máxima de 3 mg.

2018 ACC/AHA/HRS Guideline on Bradycardia and Cardiac Conduction Delay, tabela de manejo agudo

Na prova

O recorte se identifica pelo número escrito na alternativa e pela fonte que o enunciado invoca. Enunciado que cita a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ou que descreve o atendimento numa unidade de pronto atendimento do sistema público sem citar fonte, tende a esperar 0,5 mg. Enunciado que cita suporte avançado de vida ou o algoritmo americano tende a esperar 1 mg. O que não muda em régua nenhuma é o teto de 3 mg, o intervalo de 3 a 5 minutos e a advertência de que a atropina não resolve bloqueio infra-hissiano — alternativas que mexem nesses três pontos estão erradas em qualquer leitura.

Quanto esperar antes do marca-passo definitivo no bloqueio persistente pós-infarto

72 horas

Bloqueio de 2º grau Mobitz II, avançado, de 3º grau ou bloqueio de ramo alternante, mesmo assintomático, e persistente após pelo menos 72 horas de infarto agudo do miocárdio: classe I, nível de evidência B.

Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, 2023, Tabela 3, segunda linha do bloco de classe I nível B

5 dias

Bloqueio avançado após infarto agudo do miocárdio, persistente por pelo menos 5 dias: classe I, nível de evidência B.

Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, 2023, Tabela 3, quarta linha do mesmo bloco de classe I nível B

Pelo menos 5 dias, podendo chegar a 10

O implante de marca-passo definitivo é recomendado com as mesmas indicações da população geral quando o bloqueio não se resolve dentro de um período de espera de pelo menos 5 dias após o infarto, classe I nível C. O período pode durar até 10 dias e ser encurtado para 5 conforme o vaso ocluído, o tempo até a reperfusão e o sucesso da revascularização. O marca-passo não é recomendado se o bloqueio se resolve após a revascularização ou espontaneamente, classe III nível B.

2021 ESC Guidelines on cardiac pacing and cardiac resynchronization therapy, Eur Heart J 2021;42(35):3427-3520

Na prova

O enunciado que descreve um paciente no terceiro ou quarto dia de infarto está pisando exatamente na faixa em que as duas linhas da tabela brasileira discordam, e o candidato precisa reconhecer isso em vez de forçar um número. Quando a vinheta diz avançado e assintomático e conta as horas, o recorte é o da linha de 72 horas; quando diz cinco dias ou usa a palavra espera, o recorte é o europeu, que também é o da quarta linha brasileira. Em qualquer das leituras, implantar dispositivo definitivo antes de terminada a fase aguda e sem tentar reperfusão é erro, e é esse o ponto de concordância que a banca mais cobra.

O que fazer com bloqueio 2:1 assintomático e complexo estreito

Não classifique antes de investigar

Quando a condução atrioventricular ocorre com padrão 2:1, o bloqueio de segundo grau habitualmente não pode ser classificado inequivocamente como tipo I ou tipo II sem o auxílio de manobras autonômicas, fármacos ou mesmo estudo eletrofisiológico invasivo. O padrão 2:1 não aparece em nenhuma linha da tabela de indicação de marca-passo definitivo.

Diretriz Brasileira de Dispositivos Cardíacos Eletrônicos Implantáveis, 2023, item 2.2.1 e Tabela 3

Trate junto com o Mobitz II, salvo prova de bloqueio alto

O padrão 2:1 é tratado na mesma seção do Mobitz II e do bloqueio avançado. Em paciente assintomático com complexo estreito e bloqueio 2:1, a estimulação pode ser evitada se o bloqueio supra-hissiano for clinicamente suspeitado — quando se observa Wenckebach concomitante e o bloqueio desaparece com o exercício — ou demonstrado no estudo eletrofisiológico.

2021 ESC Guidelines on cardiac pacing, seção 5.2.1.3 e nota de rodapé da tabela de recomendações

Na prova

O vocabulário denuncia o recorte. Enunciado que descreve uma onda conduzida para cada duas e pergunta a classificação está lendo o texto brasileiro, e a resposta que ele sustenta é que o subtipo não se define sem manobra, fármaco ou estudo. Enunciado que descreve complexo estreito, Wenckebach concomitante e desaparecimento do bloqueio com o exercício está lendo o documento europeu, que autoriza não estimular. Alternativa que rotula o padrão 2:1 categoricamente como Mobitz II, sem qualquer manobra, afirma mais do que qualquer um dos dois documentos afirma.

Faixa de infusão da dopamina na bradicardia refratária à atropina

2 a 10 microgramas por quilo por minuto

Considere o uso de epinefrina, de 2 a 10 microgramas por minuto, ou infusão de dopamina, de 2 a 10 microgramas por quilo por minuto, enquanto se aguarda a colocação do marca-passo transcutâneo, ou se este não for eficaz.

Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar da SBC, 2019, seção 3.3, sobre marca-passo transcutâneo

2 a 20 microgramas por quilo por minuto

O cloridrato de dopamina tem ações alfa e beta-adrenérgica, com classe de recomendação IIb e nível de evidência B. A infusão é de 2 a 20 microgramas por quilo por minuto e pode ser associada à adrenalina ou administrada isoladamente.

Atualização da Diretriz de Ressuscitação Cardiopulmonar da SBC, 2019, seção 5.8, drogas alternativas na bradicardia

5 a 20 microgramas por quilo por minuto

Dopamina em infusão intravenosa: a taxa usual é de 5 a 20 microgramas por quilo por minuto, titulada conforme a resposta do paciente, com redução gradual.

American Heart Association, Adult Bradycardia With a Pulse Algorithm, 2025, e tabela de manejo agudo da diretriz americana de bradicardia de 2018

Na prova

Aqui o candidato não tem como decidir pela clínica, porque as duas faixas brasileiras estão no mesmo documento. O que a prova consegue cobrar com segurança é o piso, o papel e a classe: a dopamina é medida transitória, entra só depois da atropina e enquanto o marca-passo não chega, e a diretriz brasileira a descreve como classe IIb no texto corrido. Alternativa que ofereça dopamina antes da atropina, ou como tratamento definitivo, está errada nas três fontes.

06

Caso resolvido

Homem de 68 anos, hipertenso e diabético, é admitido com dor precordial de 3 horas. O eletrocardiograma mostra supradesnivelamento de ST em DII, DIII e aVF, com infradesnivelamento especular em DI e aVL. Vai para angioplastia primária, que é realizada com sucesso na coronária direita. No terceiro dia de internação, o monitor registra ondas P a 88 por minuto com duas ondas P consecutivas bloqueadas seguidas de um batimento conduzido, frequência ventricular de 46 por minuto e complexo estreito, com 92 milissegundos. O paciente está lúcido, sem dor, pressão de 118 por 74 milímetros de mercúrio, sem tontura e sem sinal de baixo débito. Potássio de 4,2 miliequivalentes por litro, sem betabloqueador ou digital em uso, função tireoidiana normal.
o que o traçado já entrega
Duas ou mais ondas P consecutivas bloqueadas com alguns batimentos conduzidos é a definição textual de bloqueio atrioventricular avançado na diretriz brasileira de 2023, e equivale à razão de três ondas P ou mais por complexo do documento europeu. Não é bloqueio total: ainda há condução, e a frequência ventricular de 46 com complexo estreito indica escape juncional, portanto bloqueio alto, nodal.
o contexto que muda o prognóstico
Infarto de parede inferior com coronária direita revascularizada. O nó atrioventricular é irrigado pela coronária direita na maioria das pessoas, e a própria diretriz registra que o bloqueio atribuível a isquemia da parede inferior pode ser reversível. Somado ao complexo estreito e ao escape rápido, tudo aponta para bloqueio transitório.
a conduta da hora
Paciente estável e assintomático não recebe tratamento pela definição de 2019: só se trata a bradicardia que provoca sinais clínicos de baixo débito. Monitorização contínua, correção de qualquer distúrbio eletrolítico, revisão da prescrição em busca de bloqueadores do nó e material de marca-passo transcutâneo disponível à beira do leito, com atropina reservada para o caso de instabilidade.
o vão que este paciente pisa
É o terceiro dia — exatamente 72 horas. A segunda linha do bloco de classe I nível B da Tabela 3 já o cobre: bloqueio avançado, mesmo assintomático, persistente após pelo menos 72 horas de infarto. A quarta linha do mesmo bloco, no entanto, exige pelo menos 5 dias para o bloqueio avançado pós-infarto. As duas linhas têm a mesma classe e o mesmo nível, e este paciente satisfaz uma e não satisfaz a outra.
como decidir na vida real
A régua europeia desempata em favor da espera, com classe I nível C para o período de pelo menos 5 dias e classe III nível B contra o implante se o bloqueio se resolver após a revascularização ou espontaneamente. Como o paciente está estável, o bloqueio é nodal, o vaso foi reperfundido e o escape é confiável, o caminho de menor arrependimento é observar até o quinto dia antes de decidir — dispositivo implantado é irreversível, espera de 48 horas não é.
o que fecharia a indicação antes
Três coisas mudariam a conduta imediatamente: instabilidade hemodinâmica, que dispara atropina e marca-passo transcutâneo; progressão para escape largo e lento, que indica descida do bloqueio para o sistema His-Purkinje; e surgimento de bloqueio de ramo alternante, que a Tabela 4 indica como classe I independentemente de sintomas.
07

Agora feche você

Mulher de 71 anos, natural de zona rural do sul da Bahia, chega ao pronto-socorro trazida por familiares depois do terceiro episódio de perda súbita de consciência em dois meses, o último com queda e corte no supercílio. Relata cansaço aos esforços e tontura há semanas. Ao exame: lúcida, orientada, pressão de 104 por 66 milímetros de mercúrio, frequência de 34 batimentos por minuto, ausculta pulmonar limpa, sem congestão, e uma bulha intermitente muito intensa na jugular. O eletrocardiograma mostra ondas P regulares a 84 por minuto e complexos ventriculares regulares a 34 por minuto, sem qualquer relação entre eles, com complexo de 150 milissegundos e bloqueio de ramo direito associado a desvio do eixo para a esquerda. Potássio de 4,4, função tireoidiana normal, nenhuma medicação cardiológica em uso.
primeiro, nomeie o traçado
Diga o subtipo usando a definição textual da diretriz de 2023, e justifique com os três achados que a compõem: relação entre ondas P e complexos, comparação entre as duas frequências e regularidade de cada uma. Explique também o que a bulha intermitente na jugular representa e por que ela só aparece nesse subtipo.
depois, localize o bloqueio
Use as quatro pistas de sítio — largura do complexo, frequência do escape, contexto clínico e resposta esperada ao estímulo adrenérgico — e diga se este bloqueio é nodal ou infra-hissiano. Em seguida, preveja o que aconteceria se fosse dada atropina e explique por quê.
procure a causa antes de decidir
Liste as causas reversíveis que precisam ser afastadas neste caso e diga quais já foram afastadas pelos dados disponíveis. Depois explique por que a procedência e o padrão de bloqueio de ramo desta paciente apontam para uma etiologia específica, e cite o número do Registro Brasileiro de Marca-passos que sustenta essa suspeita.
decida o dispositivo
Encontre a linha exata da Tabela 3 que cobre esta paciente e escreva sua classe e seu nível de evidência. Diga se o sintoma é condição nessa linha e por quê. Em seguida, verifique se alguma linha da Tabela 4 também se aplica ao bloqueio de ramo descrito.
e escolha o modo
Considerando que a paciente tem bloqueio avançado e não apenas doença do nó sinusal, diga qual modo de estimulação é classe I e qual seria classe III neste caso. Justifique com o que a estimulação crônica de ventrículo direito faz com a função ventricular ao longo do tempo e com o que o estudo em pacientes acima de 75 anos mostrou sobre complicações cirúrgicas.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Exigir sintoma para indicar marca-passo no Mobitz II É o erro mais caro do tema porque parece prudência. A linha de classe I nível B da tabela brasileira diz, com todas as letras, que bloqueio adquirido de 2º grau Mobitz II, avançado ou de 3º grau sem causa reversível ou fisiológica indica marca-passo definitivo independentemente da ocorrência de sintomas. O sintoma é condição no Mobitz I, não no Mobitz II. Vinheta típica: paciente de 66 anos, assintomático, eletrocardiograma de rotina pré-operatório com ondas P subitamente bloqueadas sem alongamento prévio do intervalo e complexo largo. A alternativa que atrai é vigilância ambulatorial com Holter.
  2. 2Chamar o padrão 2:1 de Mobitz II e seguir em frente Com um batimento conduzido entre dois bloqueados não existem dois intervalos consecutivos para comparar, e sem comparação não há como afirmar que o intervalo não estava se alongando. O texto brasileiro é explícito ao dizer que o subtipo habitualmente não se define sem manobra autonômica, fármaco ou estudo eletrofisiológico, e a tabela de indicação simplesmente não tem linha para ele. Vinheta típica: 58 anos, tontura aos esforços, traçado com uma onda P conduzida a cada duas, complexo estreito, e o teste ergométrico melhorando a condução. A alternativa que atrai é marca-passo definitivo classe I por Mobitz II.
  3. 3Dar atropina no bloqueio de escape largo e chamar de falha do paciente Bloqueio intra-hissiano ou infra-hissiano responde mal ao bloqueio vagal, e a diretriz brasileira registra isso ao dizer que apenas o bloqueio nodal tem boa resposta à atropina, ao isoproterenol e à adrenalina. Dar a droga não é erro grave, porque ela é a primeira linha do algoritmo e o preparo do marca-passo corre em paralelo, mas contar com ela é. Vinheta típica: infarto anterior extenso com dissociação atrioventricular, escape de 28 batimentos por minuto e complexo acima de 140 milissegundos, pressão de 70 por 40. A alternativa que atrai é repetir atropina até o teto antes de ligar o marca-passo transcutâneo.
  4. 4Confundir fibrilação atrial de baixa resposta com bloqueio total A distinção está numa palavra: regularidade. Fibrilação atrial mantém intervalos entre complexos irregulares por definição; quando a resposta ventricular cai abaixo de 50 batimentos por minuto e os intervalos ficam regulares, o que existe é bloqueio atrioventricular total com ritmo de escape. Vinheta típica: paciente com fibrilação atrial crônica em uso de digoxina e betabloqueador, frequência de 36 batimentos por minuto perfeitamente regular. A alternativa que atrai é aumentar o controle de frequência, quando a conduta é suspender os bloqueadores do nó e reavaliar.
  5. 5Implantar dispositivo definitivo antes de corrigir a causa reversível A tabela do bloqueio atrioventricular não tem linha de classe III, então quem procura a proibição não a acha; ela está embutida na expressão não atribuíveis a causa reversível ou fisiológica, dentro da própria linha de classe I. Vinheta típica: renal crônica com potássio de 7,2, bradicardia de 38 batimentos por minuto e bloqueio de segundo grau ao monitor. A alternativa que atrai é preparo para marca-passo definitivo — quando o tratamento é o da hipercalemia, com o transcutâneo apenas como ponte se houver instabilidade.
  6. 6Aplicar a régua de Chagas como se fosse uma régua diferente A cardiopatia chagásica muda a probabilidade a priori, não as classes de recomendação. A diretriz de 2023 fecha a seção de marca-passo dizendo que, de modo geral, as indicações nessa etiologia não diferem das clássicas aplicadas a cardiopatias de outras causas. Vinheta típica: homem de 54 anos vindo do norte de Minas Gerais, sorologia positiva, bloqueio de ramo direito com bloqueio divisional anterossuperior esquerdo e um episódio de síncope. A alternativa que atrai é indicar dispositivo pela etiologia, sem documentar o distúrbio de condução que justifica a indicação.
  7. 7Tratar o número do monitor em vez do paciente A diretriz brasileira de 2019 define bradicardia como frequência abaixo de 50 batimentos por minuto e, na frase seguinte, diz que o limite é individual e que o tratamento só está indicado quando há sinais clínicos de baixo débito. A diretriz de dispositivos completa o cerco ao lembrar que bradicardia funcional assintomática, do sono, do jovem saudável e do atleta, não deve ser tratada. Vinheta típica: corredor de 24 anos, 44 batimentos por minuto no eletrocardiograma admissional de exame ocupacional, sem sintoma nenhum. A alternativa que atrai é encaminhamento para avaliação de marca-passo.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é de bloqueio atrioventricular total (dissociação AV completa) com bradicardia sintomática e instabilidade. A atropina endovenosa é a primeira medida farmacológica enquanto se prepara marcapasso transcutâneo/transvenoso, embora tenha resposta limitada em bloqueios infranodais. A adenosina reduz ainda mais a condução AV, sendo contraindicada. A amiodarona é para taquiarritmias, agravaria a bradicardia. A cardioversão elétrica sincronizada trata taquiarritmias instáveis, não bradicardia. A manobra vagal reduziria ainda mais a frequência, sendo prejudicial.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

Sorteando as questões…

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Plano de revisão

em 7 dias

Escreva de memória os cinco subtipos do bloqueio de 2º grau segundo a diretriz brasileira de dispositivos e explique, em uma frase, por que o padrão 2:1 não se classifica sem manobra. Depois reproduza a linha de classe I nível B que dispensa sintoma e diga quais três subtipos ela cobre. Escreva as duas janelas pós-infarto da mesma tabela e calcule quantas horas de discordância existem entre elas. Termine escrevendo a dose de atropina nas três fontes, calculando quantas doses cabem no teto de 3 mg em cada uma e quantos minutos leva para esgotá-lo.

em 30 dias

Pegue quatro vinhetas e resolva cada uma em voz alta, dizendo em cada passo qual documento está usando: idoso assintomático com ondas P subitamente bloqueadas e complexo largo em eletrocardiograma pré-operatório; paciente no quarto dia de infarto inferior com bloqueio avançado persistente e sem sintomas; renal crônico com potássio de 7,2 e bloqueio de segundo grau; paciente de área endêmica com bloqueio de ramo direito, bloqueio divisional anterossuperior esquerdo e síncope. Para cada uma escreva o subtipo, o sítio provável do bloqueio, se há causa reversível, a conduta da primeira hora com dose e a decisão sobre dispositivo definitivo com classe e nível. Depois reconstrua a Tabela 3 inteira de memória e marque qual classe está faltando nela.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você é o plantonista de uma unidade de pronto atendimento com eletrocardiógrafo, monitor com função de marca-passo transcutâneo, laboratório básico e transporte para hospital terciário a 40 minutos. Recebe um homem de 72 anos trazido pela família após síncope, com frequência de 36 batimentos por minuto ao monitor. Conduza o caso: colha o que muda a decisão — tempo de sintomas, tontura e cansaço aos esforços, medicações em uso com atenção a bloqueadores do nó e lítio, doença renal, tireoide, procedência e sorologia para doença de Chagas —, examine procurando sinais de baixo débito e a bulha intermitente na jugular, leia o eletrocardiograma em voz alta dizendo o subtipo e o sítio provável do bloqueio, peça os exames que buscam causa reversível e diga quais não valem a pena agora, decida se trata ou observa dizendo qual critério está usando, prescreva com dose e declare de qual documento tirou o número, e explique à família, sem jargão, o que é o dispositivo que pode vir a ser necessário e por que a decisão sobre ele não é para hoje. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Bradiarritmias e bloqueios atrioventriculares — Preparatório para provas | OsceLabs