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Hipertensão arterial sistêmica
O número que diagnostica não é o número que trata: fecha-se HAS com 140/90 no consultório e trata-se para 130/80. Quem troca os dois erra a questão inteira.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Paciente de 62 anos em uso de captopril para hipertensão retorna referindo tosse seca persistente, sem outros sintomas respiratórios, iniciada após introdução da medicação. Qual é o mecanismo responsável por esse efeito adverso?
Como esse tema cai
Hipertensão é o diagnóstico mais comum do ambulatório brasileiro e um dos mais mal feitos. Três decisões concentram tudo o que a prova cobra: este paciente tem hipertensão (e com qual medida você provou isso)? Qual o risco cardiovascular dele? Qual é a meta e com quantos comprimidos se chega lá? Se você acertar essas três, acerta a questão mesmo sem decorar o resto.
A tese do capítulo é uma frase só: o número que diagnostica não é o número que trata. No consultório, hipertensão é PAS de 140 mmHg ou mais e/ou PAD de 90 mmHg ou mais. A meta do tratamento é abaixo de 130/80. São dois números diferentes, com funções diferentes, e a banca adora oferecer a alternativa 'iniciar anti-hipertensivo porque a PA está 134/86'. Na maioria absoluta dos casos, isso está errado.
O eixo aqui é ambulatorial. Crise hipertensiva — emergência, o que sobrou da antiga urgência, drogas intravenosas — é assunto de outro capítulo; deste, sai apenas a fronteira: como reconhecer que o paciente atravessou para o outro lado. Hipertensão na gestação e o aprofundamento de cada causa secundária também ficam fora; aqui entra só o gatilho que faz você investigar.
As duas referências brasileiras são de 2025 e não dizem exatamente a mesma coisa. A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial 2025 (SBC, SBH e SBN) reescreveu a classificação e cravou meta única de 130/80 para todo hipertenso. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, publicado no mesmo ano, manteve a tabela antiga e uma meta escalonada. Onde elas divergem é exatamente onde a prova tem margem para cobrar — e por isso a divergência tem seção própria mais adiante.
O que muda decisão
A medida é o exame
Não existe diagnóstico de hipertensão melhor que a medida que o originou. Antes de discutir estágio, risco ou droga, o paciente precisa ter sido medido direito — e a diretriz de 2025 descreve o procedimento passo a passo justamente porque é aqui que a maior parte do erro acontece.
O preparo: braço nu, apoiado na altura do coração, palma da mão voltada para cima. Ambiente silencioso e com temperatura confortável. Trinta minutos sem fumar, comer ou tomar cafeína, e noventa minutos sem exercício físico. Paciente sentado, costas apoiadas na cadeira, pernas descruzadas, pés no chão, bexiga vazia, em silêncio por pelo menos cinco minutos.
A execução: manguito sem folgas, 2 a 3 cm acima da fossa cubital, com o meio da bolsa inflável centralizado sobre a artéria braquial. Na técnica auscultatória, estima-se a sistólica por palpação, insufla-se 20 a 30 mmHg acima desse valor, desinsufla-se devagar (cerca de 2 mmHg por segundo), registra-se a sistólica no primeiro som e a diastólica no desaparecimento dos sons.
O número que vale: realizam-se três medidas com um minuto de intervalo e usa-se a média das duas últimas. A primeira é descartada — ela quase sempre é a mais alta. Se a diferença entre as medidas passar de 10 mmHg, fazem-se medidas adicionais. A DBHA 2025 recomenda formalmente equipamento automático de braço validado, com força forte, porque ele reduz erro de observador e o efeito do avental branco.
Duas armadilhas mecânicas valem dinheiro em prova: manguito estreito demais para o braço superestima a pressão (obeso 'vira hipertenso' por causa do equipamento), e a suspeita de coarctação de aorta ou de doença arterial periférica exige medir os quatro membros, não só um braço.

Diagnóstico: 140/90 no consultório e os quatro números de fora dele
No consultório, o diagnóstico é PAS de 140 mmHg ou mais e/ou PAD de 90 mmHg ou mais, confirmado em duas ocasiões diferentes, com intervalo de dias a semanas. A classificação usa o maior valor entre sistólica e diastólica — 138/96 é estágio 1 pela diastólica, não é 'quase normal'.
Existem duas exceções que fecham o diagnóstico numa consulta só: pressão substancialmente elevada, ou seja, estágio 3 (180/110 ou mais), e presença de lesão de órgão-alvo ou doença cardiovascular estabelecida. Nesses dois casos não se pede confirmação em segunda visita nem medida fora do consultório: o achado já é suficiente.
Fora do consultório os limiares são outros, e este é o ponto de consenso entre a SBC e o Ministério da Saúde — ambos os documentos de 2025 usam os mesmos quatro valores. mapa de 24 horas: 130/80 ou mais. mapa na vigília: 135/85 ou mais. mapa no sono: 120/70 ou mais. MRPA: 130/80 ou mais. Os números são menores porque fora do consultório não há efeito de avental branco e a média incorpora períodos de repouso.
Daí saem os dois fenótipos discordantes. Hipertensão do avental branco é pressão elevada no consultório (140/90 ou mais) e normal fora dele (abaixo de 130/80 na mapa de 24 horas ou na MRPA); a prevalência é de 7% a 15% e ela é mais comum no estágio 1 e nas formas sistólica ou diastólica isolada. Hipertensão mascarada é o inverso — normal no consultório, elevada fora — com prevalência de 8% a 22%, mais frequente em diabéticos e obesos. A mascarada é a perigosa: o risco cardiovascular dela é semelhante ao da hipertensão sustentada, e ela passa despercebida em quem só é medido na consulta.
Em paciente já tratado os termos mudam de nome (hipertensão do avental branco não controlada, mascarada não controlada) e o limiar muda de lugar: nos tratados, a diretriz de 2025 considera elevada a pressão de 130/80 ou mais, tanto no consultório quanto fora dele — porque nesse cenário o que está sendo avaliado não é diagnóstico, é meta.
Duas formas merecem nome próprio. Hipertensão sistólica isolada: PAS de 140 mmHg ou mais com PAD abaixo de 90 — típica do idoso, por enrijecimento arterial, e classificada em estágio 1, 2 ou 3 pelo valor da sistólica. Hipertensão diastólica isolada: PAS abaixo de 140 com PAD de 90 ou mais, mais comum no adulto jovem, classificada pelo valor da diastólica.
A classificação mudou em 2025 — e o Ministério da Saúde não seguiu
A DBHA 2025 fez duas mudanças na tabela. Primeira: aposentou a categoria 'PA ótima'; aquela faixa foi absorvida pela nova 'PA normal', que agora é PAS abaixo de 120 e PAD abaixo de 80. Segunda: alargou a pré-hipertensão, que passou a cobrir PAS de 120 a 139 e/ou PAD de 80 a 89 — engolindo o que a diretriz de 2020 chamava de 'PA normal' (120-129/80-84). A intenção declarada é identificar mais cedo quem está em risco.
Os estágios não mudaram: estágio 1 é 140-159 e/ou 90-99; estágio 2 é 160-179 e/ou 100-109; estágio 3 é 180 ou mais e/ou 110 ou mais.
O PCDT do Ministério da Saúde, de 2025, manteve a tabela da diretriz de 2020: PA ótima abaixo de 120/80, normal 120-129/80-84, normal alta 130-139/85-89, e hipertensão em graus 1, 2 e 3 com exatamente os mesmos cortes de 140/90, 160/100 e 180/110. Ou seja: no Brasil, em 2025, um paciente com 124/82 é 'pré-hipertenso' para a SBC e 'PA normal' para o Ministério da Saúde. E a diretriz da SBC fala em 'estágios', o PCDT fala em 'graus'.
Na prática terapêutica isso muda pouco — o gatilho para droga na zona cinzenta é 130-139/80-89 com alto risco nos dois documentos. O que muda é o rótulo, e rótulo é exatamente o que enunciado de múltipla escolha testa. Se a questão citar a fonte, siga a fonte citada. Se não citar, a resposta padrão de prova de residência é a diretriz da SBC.
O PCDT também define o ritmo do rastreamento na atenção primária, que é conteúdo típico de ENAMED e Revalida: PA entre 140/90 e 159/99 exige confirmação com duas medições, em intervalo de 7 a 14 dias. PA de 160/100 ou mais tem indicação de consulta médica imediata. E PA de 180/110 ou mais, ou qualquer evidência de doença cardiovascular ou lesão de órgão-alvo, fecha o diagnóstico numa consulta só.
Estratificar risco: o escore mudou, o que se procura não
A DBHA 2025 manda estratificar todo indivíduo com PA de 130/80 ou mais — não só o hipertenso. A avaliação clínica e complementar busca quatro coisas: fatores de risco cardiovascular, lesão de órgão-alvo, doença cardiovascular estabelecida e doença renal crônica. Depois disso, aplica-se o escore.
Aqui houve troca de ferramenta. A DBHA 2025 recomenda o escore prevent, da American Heart Association, com força forte e certeza alta. Ele estima risco em 10 e em 30 anos, para pessoas de 30 a 79 anos, e foi escolhido por ser o único que incorpora a síndrome cardiorrenal e metabólica — além das variáveis clássicas, ele usa taxa de filtração glomerular estimada, relação albuminúria/creatininúria e hemoglobina glicada. O PCDT do Ministério da Saúde, por sua vez, adotou a calculadora da iniciativa HEARTS, da OPAS e da OMS, por ser mais simples e ter melhor adesão na atenção primária. Quem já tem doença cardiovascular estabelecida não precisa de escore nenhum: é risco muito alto por definição.
Os exames de rotina de todo hipertenso, pelo Quadro 4.3 da diretriz, são: análise de urina; potássio plasmático; creatinina plasmática com estimativa da taxa de filtração glomerular pelo CKD-EPI; relação proteinúria/creatininúria ou albuminúria/creatininúria; glicemia de jejum e hemoglobina glicada (se houver risco de diabetes ou síndrome metabólica); colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos; ácido úrico plasmático; e eletrocardiograma convencional. É uma lista curta e cobrável — repare que ecocardiograma não é rotina.
Lesão de órgão-alvo tem critérios numéricos, e eles caem. No coração, pelo eletrocardiograma: índice de Sokolow-Lyon (onda S de V1 somada à onda R de V5 ou V6) acima de 35 mm; onda R de aVL de 11 mm ou mais; índice de Cornell (S de V3 somada a R de aVL) acima de 28 mm em homens e acima de 20 mm em mulheres. Pelo ecocardiograma, índice de massa ventricular esquerda de 116 g/m² ou mais em homens e 96 g/m² ou mais em mulheres, indexado por superfície corpórea.
Nos grandes vasos: índice tornozelo-braquial abaixo de 0,9; presença de placa na ultrassonografia de carótidas; velocidade de onda de pulso carotídeo-femoral de 10 m/s ou mais. No rim: doença renal crônica a partir do estágio 3a, ou seja, filtração glomerular abaixo de 60 mL/min/1,73 m², e albuminúria de 30 mg/24 h ou mais, ou relação albuminúria/creatininúria de 30 mg/g ou mais. Na retina: retinopatia hipertensiva pela classificação de Keith-Wagener-Barker.
A avaliação de lesão de órgão-alvo se repete pelo menos anualmente, e a cada 6 a 12 meses se a pressão não estiver controlada ou já houver lesão na avaliação inicial. Albuminúria e velocidade de onda de pulso são os parâmetros que respondem mais rápido ao tratamento — de semanas a poucos meses —, o que os torna úteis para mostrar ao paciente que o esforço está valendo.

Metas: 130/80 é o alvo, não o diagnóstico
A DBHA 2025 unificou a meta e essa é a mudança mais cobrável do documento: pressão abaixo de 130/80 para todo paciente com hipertensão, independentemente de o risco cardiovascular ser baixo, moderado ou alto — força forte, certeza alta. A mesma meta vale para quem tem 130-139/80-89 com alto risco, para o diabético, para o portador de doença renal crônica, para o coronariopata, para a hipertensão resistente e refratária, e para a maioria dos idosos.
Existe uma válvula de escape explícita: quem não tolerar a meta de 130/80 deve ter a pressão reduzida até o menor valor tolerado. Isso não é permissão para desistir cedo — é reconhecimento de que hipotensão sintomática, síncope, injúria renal aguda e hipercalemia são desfechos reais, especialmente abaixo de 120/70.
No idoso, a recomendação é abaixo de 130/80 para a maioria, com força forte e certeza alta. A exceção é nominal: idoso frágil, muito idoso ou com condição que comprometa a expectativa de vida — nesses, reduzir até o menor valor tolerado. Em quem usa muitos medicamentos, a diretriz pede revisão periódica de cada droga e o menor número possível de comprimidos por dia, preferindo combinações em dose única diária.
Na hipertensão sistólica isolada a meta se restringe, na prática, à sistólica: a diastólica já está abaixo de 90 e cai junto, e não faz sentido perseguir um número diastólico que a fisiologia do paciente não comporta. O acompanhamento precisa ser mais frequente nesse grupo.
Na doença arterial coronariana, a diretriz vai um passo além e resolve uma dúvida comum: reduzir até 120/70 não aumenta risco cardiovascular, e o paciente assintomático que já está abaixo de 120/70 não precisa suspender nem reduzir o anti-hipertensivo. Sempre que possível, confirme o alcance da meta com medida fora do consultório, por mapa ou MRPA.
O PCDT do Ministério da Saúde propõe outro caminho para o mesmo destino: meta inicial abaixo de 140/90 para todos, independentemente de comorbidade e risco; se o tratamento for bem tolerado, a meta passa a 130/80 nos menores de 65 anos, sobretudo com diabetes, doença renal crônica, coronariopatia ou antecedente de AVC/AIT. Entre 65 e 79 anos, reduzir primeiro a sistólica para a faixa de 130 a 140 mmHg, e só depois abaixo de 130 se houver tolerância e nenhum sinal de hipoperfusão; a diastólica vai abaixo de 80, mas sem levar sistólica e diastólica abaixo de 120/70. Na gestante, o PCDT delimita a sistólica entre acima de 120 e abaixo de 160, e a diastólica entre acima de 80 e abaixo de 110, porque tanto hipertensão quanto hipotensão induzida prejudicam a perfusão placentária.
Quando começar e com quantos comprimidos
As medidas não medicamentosas entram para todo mundo com PA de 120/80 ou mais, com força forte e certeza alta: não fumar, dieta DASH, IMC entre 18 e 24,9 kg/m², redução da ingestão de sódio, aumento da ingestão de potássio (exceto na doença renal crônica), atividade física aeróbica regular e baixa ingestão de álcool.
O fármaco tem dois gatilhos, e só dois. Pressão de 140/90 ou mais: iniciar tratamento medicamentoso, ponto. Pressão de 130-139/80-89 com alto risco cardiovascular: iniciar após três meses de medidas não medicamentosas. Fora dessas duas situações, na zona cinzenta, não se prescreve anti-hipertensivo.
A escolha entre um e dois comprimidos é uma lista fechada, e vale decorar. Monoterapia é indicada em quatro situações: pressão de 130-139/80-89 com alto risco; hipertensão estágio 1 de baixo risco (aqui o médico pode optar por associação, se julgar melhor); indivíduo frágil; e muito idoso, com 80 anos ou mais, ou com hipotensão ortostática sintomática. Para todo o resto — estágio 1 de risco moderado ou alto, estágio 2 e estágio 3 — a recomendação é começar já com associação dupla, em doses baixas, preferencialmente em comprimido único.
As classes preferenciais são três: diuréticos tiazídicos ou similares, inibidores da ECA ou bloqueadores do receptor da angiotensina, e bloqueadores dos canais de cálcio. A combinação inicial recomendada é um inibidor da ECA ou BRA associado a um bloqueador de canal de cálcio e/ou a um diurético tiazídico. Nunca se associa inibidor da ECA com BRA.
Betabloqueador não é primeira linha genérica em hipertensão. Ele entra por indicação específica: insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e outras arritmias, doença arterial coronariana, hipertensão em paciente em hemodiálise, e algumas situações particulares (enxaqueca, tremor essencial, mulher que deseja engravidar, varizes esofágicas).
A ordem de escalonamento importa: alcance as doses plenas da combinação de dois antes de acrescentar o terceiro. A quarta droga preferencial é a espironolactona, na faixa de 25 a 50 mg por dia — no SUS, se houver intolerância ou falha, seguem-se um simpatolítico (metildopa 500 a 1.500 mg/dia ou clonidina 0,2 a 0,6 mg/dia) ou um betabloqueador.
O seguimento tem prazo definido: revisão a cada quatro semanas até atingir a meta. Antes de subir dose ou acrescentar classe, verifique adesão — a falta de adesão é a causa mais frequente de pressão não controlada. E a diretriz nomeia o outro vilão: inércia terapêutica, que é o médico ver a pressão fora da meta e não mudar nada.
Resistente, refratária e secundária
Hipertensão arterial resistente, pela DBHA 2025, é a pressão de consultório que permanece acima da meta proposta para aquele paciente em uso de três ou mais classes de anti-hipertensivos com ações sinérgicas, em doses máximas preconizadas ou toleradas — preferencialmente um diurético tiazídico ou similar, um inibidor do sistema renina-angiotensina-aldosterona (IECA ou BRA) e um bloqueador de canal de cálcio de ação prolongada — por pelo menos 30 a 60 dias, e depois de afastadas as causas de pseudorresistência. Atenção: também é considerado resistente o paciente que atingiu o controle da pressão, mas precisou de quatro ou mais anti-hipertensivos para isso.
Hipertensão refratária é um subgrupo da resistente verdadeira: pressão que segue acima da meta apesar de cinco ou mais anti-hipertensivos, incluindo preferencialmente um antagonista do receptor mineralocorticoide (espironolactona, ou eplerenona se houver efeito colateral hormonal) e um diurético tiazídico similar de ação prolongada, como clortalidona ou indapamida.
Antes de rotular, exclua pseudorresistência — são quatro causas, e elas aparecem em ordem de frequência: falha na técnica de medida, efeito do avental branco, inércia terapêutica e falta de adesão. Por isso a diretriz recomenda confirmar o diagnóstico preferencialmente com mapa, ou com MRPA se a mapa não estiver disponível. Em números: a prevalência de resistente é de 6% a 18%, e o estudo brasileiro ReHOT encontrou 11,7%; entre os resistentes, de 3,6% a 17,6% são refratários.
Hipertensão secundária responde por 5% a 10% dos casos e não se investiga por rotina — investiga-se diante de indício vindo da história, do exame físico ou dos exames iniciais. Os gatilhos que a diretriz nomeia: hipertensão resistente ou refratária; início súbito ou piora sem causa aparente antes dos 30 ou depois dos 55 anos; hipopotassemia; nódulo adrenal; e uso de hormônios, medicamentos ou substâncias que elevam a pressão.
Cada suspeita tem um rastreio. Doença renal parenquimatosa (edema, anemia, creatinina e ureia elevadas, sedimento urinário alterado): creatinina com filtração estimada, ultrassonografia renal, sumário de urina e albuminúria. Estenose de artéria renal (sopro abdominal, edema agudo de pulmão súbito, piora da função renal ao bloquear o sistema renina-angiotensina, assimetria renal maior que 1,5 cm): ultrassonografia com Doppler como rastreio, angiotomografia ou angiorressonância, com arteriografia convencional como padrão-ouro. Hiperaldosteronismo primário (resistente ou refratária, com ou sem hipopotassemia, com ou sem nódulo adrenal): dosagem de aldosterona e de renina plasmática, seguida de testes confirmatórios.
Feocromocitoma se anuncia pela tríade de hipertensão paroxística com cefaleia, sudorese e palpitações; o rastreio é metanefrinas plasmáticas livres e metanefrinas fracionadas urinárias. Apneia obstrutiva do sono (ronco na maioria das noites, pausas ou engasgos, sonolência diurna, sono não reparador, nictúria, cefaleia matinal) tem a polissonografia como padrão-ouro, com índice de apneia-hipopneia de 30 ou mais eventos por hora definindo forma grave. Coarctação de aorta dá pulsos diminuídos ou ausentes em membros inferiores, sistólica pelo menos 10 mmHg maior nos membros superiores que nos inferiores e sopro interescapular; confirma-se por angiotomografia ou, preferencialmente, angiorressonância da aorta.
E pergunte sempre o que o paciente está tomando: anti-inflamatórios não esteroidais, corticoides, anticoncepcionais, descongestionantes nasais, esteroides anabolizantes, eritropoetina e drogas ilícitas sobem a pressão ou impedem seu controle — e nenhum deles aparece se você não perguntar.
A fronteira com a crise hipertensiva
Estágio 3, ou seja, 180/110 ou mais, não é emergência hipertensiva por definição. Emergência se define por lesão de órgão-alvo aguda em curso, não pelo valor da pressão. Um paciente com 210/120 assintomático e sem lesão aguda é um hipertenso estágio 3 mal controlado, não um paciente de UTI.
A DBHA 2025 aposentou o termo 'urgência hipertensiva'. O que sobrou chama-se elevação importante da pressão sem lesão de órgão-alvo aguda, e a conduta é ambulatorial: reavaliação em 1 a 7 dias, com alvo de sistólica abaixo de 160 e diastólica abaixo de 100 mmHg. É recomendação fraca, com certeza baixa — o que significa que a diretriz reconhece a fragilidade da evidência, mas rejeita a prática de baixar a pressão às pressas no pronto-socorro.
A emergência hipertensiva, essa sim, vai para UTI, com anti-hipertensivo intravenoso, monitorização da pressão e vigilância da progressão da lesão. O PCDT do Ministério da Saúde dá as balizas de redução: queda de até 25% da pressão arterial média na primeira hora, algo em torno de 160/100-110 mmHg entre 2 e 6 horas, e cerca de 135/85 mmHg nas 24 a 48 horas seguintes.
Duas condutas que ainda aparecem como distratores e estão erradas: nifedipina sublingual — abandonada, por queda abrupta e imprevisível — e internar ou medicar por via intravenosa alguém que só tem número alto, sem lesão aguda. Baixar pressão depressa em quem se autorregulou em níveis altos produz AVC, infarto e cegueira.
Como fechar o diagnóstico e escolher a meta
O caminho é sempre o mesmo e tem oito passos. Medir direito, confirmar, classificar, estratificar, definir a meta, escolher o esquema, revisar em quatro semanas e não aceitar pressão fora da meta sem mudar alguma coisa. Os números abaixo são os da DBHA 2025 (SBC/SBH/SBN), com as diferenças do PCDT do Ministério da Saúde sinalizadas nas notas.
- 1Meça com técnica: 5 minutos de repouso, braço nu na altura do coração, três medidas com 1 minuto de intervalo — e registre a média das duas últimas, nunca a primeira.
- 2Média de 140/90 ou mais? Repita em outra consulta, com intervalo de dias a semanas. Exceção: 180/110 ou mais, ou lesão de órgão-alvo / doença cardiovascular já estabelecida fecham o diagnóstico numa consulta só.
- 3Sempre que possível, confirme fora do consultório: MAPA de 24 h a partir de 130/80, vigília a partir de 135/85, sono a partir de 120/70, MRPA a partir de 130/80. É isso que separa hipertensão sustentada de avental branco e revela a mascarada.
- 4Classifique pelo maior valor, sistólico ou diastólico: pré-hipertensão, estágio 1, 2 ou 3.
- 5Estratifique o risco de todo indivíduo com 130/80 ou mais: fatores de risco, lesão de órgão-alvo, doença cardiovascular, doença renal crônica, mais o escore PREVENT (a calculadora HEARTS, no PCDT). Peça os exames de rotina, incluindo eletrocardiograma.
- 6Defina a meta: abaixo de 130/80 para todo hipertenso, independentemente do risco. Se não tolerar, reduza até o menor valor tolerado.
- 7Escolha o esquema: monoterapia só nas quatro situações listadas (130-139/80-89 de alto risco; estágio 1 de baixo risco; frágil; 80 anos ou mais / hipotensão ortostática sintomática). Para todo o resto, dupla combinação em dose baixa, preferencialmente em comprimido único, com IECA ou BRA associado a bloqueador de canal de cálcio e/ou diurético tiazídico.
- 8Reveja a cada 4 semanas até a meta. Fora da meta: cheque adesão e técnica antes de subir dose, complete as doses plenas da dupla antes de entrar com a terceira classe, e a quarta droga é a espironolactona.
Pré-hipertensão
120-139 e/ou 80-89 mmHg. Medidas não medicamentosas para todos. Fármaco só se a PA estiver em 130-139/80-89 com alto risco cardiovascular, e ainda assim depois de 3 meses de mudança de estilo de vida.
Estágio 1
140-159 e/ou 90-99 mmHg. Já é hipertensão e já entra fármaco. Monoterapia só se o risco for baixo; risco moderado ou alto começa com dupla combinação.
Estágio 2
160-179 e/ou 100-109 mmHg. Dupla combinação de largada, em dose baixa e preferencialmente em comprimido único. Confirmação exige visitas mais próximas entre si.
Estágio 3
180 mmHg ou mais e/ou 110 mmHg ou mais. Diagnóstico numa consulta só, sem esperar segunda medida. Não é emergência por si — emergência exige lesão de órgão-alvo aguda.
| Categoria ou método | PAS (mmHg) | PAD (mmHg) | O que dispara |
|---|---|---|---|
| PA normal (consultório) | < 120 | e < 80 | Só prevenção; reavaliação periódica |
| Pré-hipertensão (consultório, DBHA 2025) | 120-139 | e/ou 80-89 | Medidas não medicamentosas para todos; fármaco só em 130-139/80-89 com alto risco, após 3 meses |
| HA estágio 1 (consultório) | 140-159 | e/ou 90-99 | Confirmar em 2ª ocasião e tratar; mono se baixo risco, dupla se risco moderado ou alto |
| HA estágio 2 (consultório) | 160-179 | e/ou 100-109 | Tratar já com dupla combinação; visitas de confirmação mais próximas |
| HA estágio 3 (consultório) | ≥ 180 | e/ou ≥ 110 | Diagnóstico em uma única consulta; dupla combinação |
| MAPA — média de 24 horas | ≥ 130 | e/ou ≥ 80 | Confirma hipertensão fora do consultório |
| MAPA — vigília | ≥ 135 | e/ou ≥ 85 | Confirma hipertensão fora do consultório |
| MAPA — sono | ≥ 120 | e/ou ≥ 70 | Confirma hipertensão fora do consultório |
| MRPA | ≥ 130 | e/ou ≥ 80 | Confirma hipertensão fora do consultório |
| Meta de tratamento (DBHA 2025) | < 130 | e < 80 | Vale para todo hipertenso, qualquer risco; se não tolerar, o menor valor tolerado |
Os quatro limiares de MAPA e MRPA são idênticos na DBHA 2025 e no PCDT do Ministério da Saúde de 2025 — é o ponto de consenso do capítulo e o mais seguro de decorar.
O PCDT do Ministério da Saúde não usa 'pré-hipertensão': mantém PA ótima (< 120/80), normal (120-129/80-84) e normal alta (130-139/85-89), e fala em graus 1, 2 e 3 em vez de estágios.
Em paciente já tratado, o valor de referência muda de função: considera-se elevado 130/80 ou mais dentro e fora do consultório, porque aí o que se avalia é meta, não diagnóstico.
Lesão de órgão-alvo ou doença cardiovascular estabelecida dispensam a confirmação em segunda visita e dispensam a medida fora do consultório.
Abaixo de 120/70 aumenta o risco de hipotensão sintomática, síncope, injúria renal aguda e hipercalemia. Não é meta a perseguir — mas, no coronariopata assintomático que já está lá, também não se reduz a medicação.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Brasil — 140/90
Hipertensão é PAS de 140 mmHg ou mais e/ou PAD de 90 mmHg ou mais na medida de consultório, confirmada em duas ocasiões. A faixa de 120-139/80-89 é pré-hipertensão: recebe medidas não medicamentosas, e fármaco apenas em 130-139/80-89 com alto risco cardiovascular, depois de três meses.
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025 (SBC/SBH/SBN), Quadro 3.2 e capítulo 5
Estados Unidos — 130/80
Hipertensão começa em 130/80. Estágio 1 é 130-139/80-89 e estágio 2 é 140/90 ou mais. No estágio 1 com risco estimado abaixo de 7,5% em 10 anos pelo escore PREVENT, o fármaco entra se a pressão continuar em 130/80 ou mais após 3 a 6 meses de mudança de estilo de vida.
2025 AHA/ACC Guideline for the Prevention, Detection, Evaluation and Management of High Blood Pressure in Adults
Europa — 140/90, com uma faixa intermediária
Hipertensão permanece em 140/90 ou mais. Entre 120-139/70-89 criou-se a categoria 'pressão elevada', em que o fármaco depende do risco e da resposta a três meses de estilo de vida. O alvo de sistólica para quem é tratado é a faixa de 120-129 mmHg.
2024 ESC/ESH Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension
Na prova
Três documentos vigentes, dois cortes. A AHA/ACC 2025 desce o diagnóstico para 130/80 — estágio 1 de 130-139/80-89 e estágio 2 a partir de 140/90 —, escolhendo rotular o risco mais cedo e apoiar a decisão de tratar no escore PREVENT; a Diretriz Brasileira de 2025 e a ESC/ESH 2024 mantêm 140/90 na medida de consultório, confirmada em duas ocasiões, com a faixa intermediária nomeada pré-hipertensão (120-139/80-89) ou pressão elevada (120-139/70-89), pesando o custo de rotular e medicar populações inteiras e a capacidade de seguimento que isso exige. Boa parte da confusão vem de 130/80 aparecer nos três textos com papéis distintos: nos Estados Unidos é corte diagnóstico; no Brasil é meta de tratamento, limiar das medidas fora do consultório e gatilho de fármaco na zona cinzenta (130-139/80-89 com alto risco cardiovascular, após três meses de medidas não medicamentosas). Citação nominal da AHA/ACC, uso do PREVENT ou o vocabulário de “estágio 1” e “estágio 2” revelam o corte de 130/80; citação da diretriz brasileira ou do PCDT, cenário de UBS, exigência de confirmação em duas ocasiões e o vocabulário de “pré-hipertensão” revelam o de 140/90. Se as alternativas classificam uma PA de 134/86 tanto como hipertensão estágio 1 quanto como pré-hipertensão, é o próprio par que está pedindo a identificação da fonte no enunciado.
SBC/SBH/SBN 2025 — meta única de 130/80
Abaixo de 130/80 para todo paciente com hipertensão, independentemente de o risco cardiovascular ser baixo, moderado ou alto (força forte, certeza alta). Vale também para a maioria dos idosos, para diabético, doença renal crônica, coronariopata e hipertensão resistente. Quem não tolerar: reduzir até o menor valor tolerado.
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025, capítulo 5 (metas terapêuticas) e capítulo 9 (idosos)
Ministério da Saúde 2025 — meta escalonada
Meta inicial abaixo de 140/90 para todos. Se bem tolerado, passa a 130/80 nos menores de 65 anos, sobretudo com diabetes, doença renal crônica, coronariopatia ou AVC/AIT prévio. Entre 65 e 79 anos, reduzir a sistólica primeiro para a faixa de 130-140 mmHg e só depois abaixo de 130 se houver tolerância, sem levar a pressão abaixo de 120/70.
PCDT da Hipertensão Arterial Sistêmica, Conitec/Ministério da Saúde, 2025, item 10.1
Na prova
Os dois documentos são brasileiros, de 2025, e diferem no desenho da titulação. A DBHA propõe meta única abaixo de 130/80 para todo hipertenso, independentemente do risco (força forte, certeza alta), com “menor valor tolerado” para quem não alcança; o PCDT do Ministério da Saúde parte de abaixo de 140/90 para todos e escalona — 130/80 nos menores de 65 anos, sobretudo com diabetes, doença renal crônica, coronariopatia ou AVC/AIT prévio, e nos de 65 a 79 anos sistólica primeiro na faixa de 130-140 mmHg antes de apertar, sem levar a pressão abaixo de 120/70 —, escalonamento coerente com uma rede de retornos espaçados, titulação lenta e risco relevante de hipotensão e queda. O desenho da vinheta identifica o documento: idade entre 65 e 79 anos, atenção primária, citação do Ministério da Saúde ou do PCDT e ênfase em tolerância apontam para a meta escalonada; citação da SBC, do capítulo de metas terapêuticas, ou paciente de alto risco em seguimento especializado, apontam para a meta única. Duas alternativas plausíveis com 140/90 e 130/80 costumam se resolver por esse par idade + cenário, e alvo abaixo de 120/70 não é objetivo em nenhum dos dois.
Pré-hipertensão ampliada (SBC 2025)
PAS de 120 a 139 e/ou PAD de 80 a 89. A categoria 'PA ótima' foi extinta e absorvida pela 'PA normal' (abaixo de 120/80). A faixa 120-129/80-84, que era 'normal' em 2020, virou pré-hipertensão.
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025, Quadro 3.2
PA normal alta (Ministério da Saúde 2025)
Mantém a tabela de 2020: ótima abaixo de 120/80, normal 120-129/80-84 e normal alta 130-139/85-89. Repare que a diastólica da faixa intermediária começa em 85, não em 80.
PCDT da Hipertensão Arterial Sistêmica, Conitec/Ministério da Saúde, 2025, Quadro 1
Na prova
Dois documentos brasileiros oficiais, do mesmo ano, dão nomes diferentes ao mesmo paciente: a DBHA 2025 extinguiu a “PA ótima”, absorveu-a em “PA normal” (abaixo de 120/80) e chamou de pré-hipertensão toda a faixa de 120-139/80-89; o PCDT do Ministério da Saúde manteve a tabela de 2020 — ótima abaixo de 120/80, normal 120-129/80-84 e normal alta 130-139/85-89 —, em que a diastólica da faixa intermediária começa em 85, não em 80. O vocabulário do enunciado entrega qual foi adotado: “pré-hipertensão” e “estágios 1 a 3” são da SBC; “PA ótima”, “PA normal alta” e “graus 1, 2 e 3” são do PCDT. Vale reparar no detalhe aritmético, porque às vezes ele é a questão inteira: uma PA de 124/82 é pré-hipertensão pela SBC e apenas “normal” pela tabela do PCDT. A conduta não se move em nenhum dos dois — fármaco na zona cinzenta só em 130-139/80-89 com alto risco cardiovascular —, então a divergência é de rótulo, não de decisão.
SBC 2025 — acima da meta individual
Pressão acima da meta proposta para aquele paciente (ou seja, 130/80, na prática) com três ou mais classes sinérgicas em doses máximas preconizadas ou toleradas, por pelo menos 30 a 60 dias, afastada a pseudorresistência. Também é resistente quem só controlou com quatro ou mais drogas. Refratária: acima da meta com cinco ou mais drogas, incluindo um antagonista mineralocorticoide e um tiazídico similar de ação prolongada.
Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025, item 12.1
Ministério da Saúde 2025 — ancorada em 140/90
Resistente: pressão que permanece em 140/90 ou mais apesar de três ou mais classes em doses máximas. Resistente controlada: abaixo de 140/90, mas com quatro ou mais drogas. Refratária: 140/90 ou mais mesmo com cinco ou mais drogas.
PCDT da Hipertensão Arterial Sistêmica, Conitec/Ministério da Saúde, 2025, Quadro 2
Na prova
O esqueleto é idêntico nos dois documentos: três ou mais classes sinérgicas em doses máximas preconizadas ou toleradas para resistente, quatro ou mais para a resistente já controlada, cinco ou mais (incluindo antagonista mineralocorticoide e tiazídico similar de ação prolongada) para refratária, sempre depois de afastar pseudorresistência. Só muda o número de referência: a SBC ancora na meta proposta para aquele paciente — 130/80 na prática, com o critério de pelo menos 30 a 60 dias em dose máxima — e o PCDT ancora no corte fixo de 140/90. Citação da diretriz da SBC, meta individualizada, ou o intervalo de 30 a 60 dias, apontam para o primeiro; citação do Ministério da Saúde, do PCDT, ou dos quadros ancorados em 140/90, apontam para o segundo. Isso raramente decide a questão sozinho, mas explica como dois gabaritos aparentemente conflitantes podem estar corretos cada um em sua fonte: um paciente com 136/86 em três drogas em dose máxima é resistente pela SBC e simplesmente controlado pelo PCDT.
Caso resolvido
- achado
- O valor a registrar é a média das duas últimas medidas: 147/92 mmHg. A primeira aferição (154/96) é descartada, e a medida da farmácia não substitui a medida técnica.
- classificação
- 147/92 mmHg é hipertensão estágio 1 (140-159 e/ou 90-99). Não é estágio 3, e ele não tem lesão de órgão-alvo nem doença cardiovascular conhecida — logo, o diagnóstico ainda não está fechado com uma consulta só.
- confirmação
- Marque nova consulta em dias a semanas para segunda medida e, se disponível, solicite MAPA ou MRPA. O critério fora do consultório é 130/80 na média de 24 horas, 135/85 na vigília, 120/70 no sono e 130/80 na MRPA. É isso que vai separar hipertensão sustentada de avental branco.
- estratificação
- Ele já tem PA acima de 130/80, então estratifique agora: peça análise de urina, potássio, creatinina com TFGe pelo CKD-EPI, relação albuminúria/creatininúria, glicemia de jejum e HbA1c, perfil lipídico, ácido úrico e eletrocardiograma. Tabagismo, sobrepeso e história familiar de doença coronariana precoce já pesam; aplique o escore PREVENT.
- meta
- Abaixo de 130/80 mmHg. A meta não depende de o risco dele ser baixo, moderado ou alto — é a mesma para todo hipertenso na DBHA 2025.
- conduta
- Medidas não medicamentosas desde já: cessação do tabagismo, dieta DASH, redução de sódio, aumento de potássio, atividade física e perda de peso. Confirmado o diagnóstico, inicia-se anti-hipertensivo — estágio 1 com risco moderado ou alto começa com dupla combinação em dose baixa (IECA ou BRA associado a bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico), preferencialmente em comprimido único. Revisão em quatro semanas.
Agora feche você
- achado
- PA sentada de 158/78 mmHg é hipertensão sistólica isolada em estágio 1 pela sistólica (140-159), com diastólica abaixo de 90 — padrão típico do idoso, por enrijecimento arterial. A queda de 26 mmHg de sistólica ao ficar em pé, com tontura, caracteriza hipotensão ortostática sintomática.
- lesão de órgão-alvo
- Sokolow-Lyon de 39 mm ultrapassa o corte de 35 mm: há hipertrofia ventricular esquerda pelo eletrocardiograma. Isso é lesão de órgão-alvo estabelecida e coloca a paciente em risco alto, independentemente de escore.
- fragilidade
- Idade de 84 anos, perda de peso não intencional, marcha comprometida após fratura e hipotensão ortostática sintomática compõem o quadro de fragilidade — categoria que a diretriz trata à parte, tanto na meta quanto no esquema.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Usar a primeira medida, ou uma medida só São três medidas com um minuto de intervalo, e o valor que vale é a média das duas últimas. A primeira quase sempre é a mais alta. Se a diferença entre medidas passar de 10 mmHg, faça medidas adicionais. Questão que dá três valores e pergunta a conduta está testando isso, não a conduta.
- 2Tratar farmacologicamente a pré-hipertensão de baixo risco Pressão em 132/86 com risco baixo recebe medidas não medicamentosas e reavaliação, não anti-hipertensivo. O fármaco na faixa 130-139/80-89 só entra com alto risco cardiovascular, e ainda assim depois de três meses de mudança de estilo de vida. Essa é a alternativa que a banca oferece contando com quem confundiu meta de tratamento com corte diagnóstico.
- 3Chamar 190/115 assintomático de emergência hipertensiva Emergência se define por lesão de órgão-alvo aguda em curso, nunca pelo valor da pressão. Sem lesão aguda, é elevação importante da pressão: reavaliação ambulatorial em 1 a 7 dias, com alvo de sistólica abaixo de 160 e diastólica abaixo de 100. Nada de via intravenosa, nada de nifedipina sublingual, nada de internar.
- 4Achar que a hipertensão do avental branco é a perigosa É a mascarada. Pressão normal no consultório e elevada fora dele tem risco cardiovascular semelhante ao da hipertensão sustentada, e passa despercebida em quem só é medido na consulta — daí o peso da MAPA e da MRPA em diabéticos e obesos, os grupos onde ela é mais frequente.
- 5Rotular hipertensão resistente sem excluir pseudorresistência Antes do rótulo, quatro causas precisam cair: técnica de medida errada, efeito do avental branco, inércia terapêutica e falta de adesão. A diretriz manda confirmar preferencialmente com MAPA. E lembre que a definição exige doses máximas preconizadas ou toleradas por 30 a 60 dias — três drogas em dose baixa não caracterizam resistência.
- 6Colocar betabloqueador como primeira linha As classes preferenciais são diurético tiazídico ou similar, IECA ou BRA, e bloqueador de canal de cálcio. Betabloqueador entra por indicação específica: insuficiência cardíaca, fibrilação atrial e arritmias, doença coronariana, hemodiálise, e algumas situações particulares como enxaqueca, tremor essencial e mulher que deseja engravidar. E nunca associe IECA com BRA.
- 7Pedir ecocardiograma como exame de rotina A rotina inicial é análise de urina, potássio, creatinina com TFGe pelo CKD-EPI, relação albuminúria/creatininúria, glicemia de jejum e HbA1c quando indicado, perfil lipídico, ácido úrico e eletrocardiograma. Ecocardiograma, ultrassonografia de carótidas e velocidade de onda de pulso avaliam lesão de órgão-alvo, mas não compõem a lista de rotina.
- 8Investigar causa secundária em todo hipertenso São 5% a 10% dos casos, e a investigação parte de indício, não de rotina. Os gatilhos são objetivos: hipertensão resistente ou refratária, início ou piora súbita antes dos 30 ou depois dos 55 anos, hipopotassemia, nódulo adrenal, e uso de substâncias que elevam a pressão. Sem indício, não se rastreia.
A tosse seca é efeito adverso clássico dos inibidores da ECA (captopril), decorrente do acúmulo de bradicinina, que a ECA normalmente degrada. O broncoespasmo por bloqueio beta-adrenérgico ocorre com betabloqueadores, não com IECA. A hipopotassemia é efeito de diuréticos e não causa tosse. O depósito pulmonar é toxicidade da amiodarona (fibrose), com quadro diferente. A hipotensão postural não explica tosse seca.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 45 anos assintomático realiza aferição de PA em duas consultas distintas, com média de 152x96 mmHg na primeira e 150x94 mmHg na segunda, sem lesão de órgão-alvo. Segundo a classificação da pressão arterial em adultos, em que estágio de hipertensão ele se enquadra?
PA sistólica de 140-159 mmHg e/ou diastólica de 90-99 mmHg classifica hipertensão estágio 1. PA normal corresponde a valores abaixo de 120x80 mmHg. A pré-hipertensão abrange faixas intermediárias abaixo de 140x90. O estágio 2 corresponde a 160-179 e/ou 100-109 mmHg. O estágio 3 corresponde a valores iguais ou acima de 180 e/ou 110 mmHg.
Homem de 54 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Nega sintomas. Traz aferições domiciliares elevadas. Na unidade, em duas medidas em dias diferentes, apresenta PA de 152/96 mmHg e 156/98 mmHg, com técnica adequada. Exame físico sem alterações; IMC 27 kg/m². Considerando a classificação da pressão arterial, esse paciente enquadra-se em qual estágio?
PA sistólica 140–159 e/ou diastólica 90–99 mmHg confirmada define hipertensão estágio 1. Ótima é <120/80. Pré-hipertensão (ou PA elevada) fica na faixa 130–139/85–89. Estágio 2 é 160–179/100–109. Estágio 3 é ≥180/110 mmHg. Com 152–156/96–98 confirmada, o paciente é estágio 1.
Homem de 40 anos, sem comorbidades, apresenta ao exame de rotina PA 158/98 mmHg confirmada em duas consultas. Assintomático, sem lesão de órgão-alvo evidente e sem histórico familiar relevante. Considerando hipertensão estágio 2 em paciente de baixo risco cardiovascular, qual é a estratégia inicial mais adequada segundo as diretrizes atuais?
Na hipertensão estágio 2 (PA ≥ 160/100 ou próxima disso), as diretrizes recomendam início de tratamento com terapia combinada de dois fármacos de classes diferentes (preferencialmente IECA/BRA + bloqueador de cálcio ou tiazídico), associada a medidas não farmacológicas. Aguardar 6 meses só com estilo de vida atrasa o controle no estágio 2. Betabloqueador não é primeira linha na ausência de indicação específica. Aguardar lesão de órgão-alvo é conduta inadequada. Diurético de alça não é primeira linha na HAS sem IC/insuficiência renal.
Homem de 45 anos, assintomático, comparece à UBS. Nega comorbidades. Ao aferir a PA em duas ocasiões, obtém-se média de 148x94 mmHg, confirmada em consultas subsequentes. Segundo as diretrizes atuais de manejo da hipertensão arterial na APS, além de mudanças de estilo de vida, qual é a conduta farmacológica inicial mais apropriada para este paciente sem comorbidades?
Correta (monoterapia com tiazídico, IECA/BRA ou BCC): em hipertensão estágio 1 (140-159 x 90-99) sem comorbidade, indica-se estilo de vida associado a monoterapia com uma das classes de primeira linha. Adiar fármaco por 6 meses não é adequado com PA confirmada em estágio 1 em paciente que já mantém níveis elevados. Betabloqueador não é primeira escolha sem indicação específica. Terapia tripla inicial é reservada a estágios mais graves. O manejo inicial é função da APS, não exigindo encaminhamento.
Homem de 45 anos, assintomático, tem em consulta de rotina PA de 138/86 mmHg aferida corretamente em duas ocasiões. IMC 27 kg/m², sem diabetes, sem doença renal, sem lesão de órgão-alvo. Segundo as diretrizes brasileiras atuais de hipertensão, qual é a classificação da PA e a conduta inicial mais apropriada na APS?
PA de 130–139/85–89 mmHg é classificada como pré-hipertensão nas diretrizes brasileiras; sem lesão de órgão-alvo, diabetes ou alto risco, a conduta é modificação do estilo de vida e monitorização. Não se trata de hipertensão estágio 1 (≥140/90), portanto não há indicação de iniciar fármaco de imediato. Não é PA ótima (que seria <120/80). Estágio 2 corresponde a ≥160/100. Crise hipertensiva envolve PA muito elevada com risco iminente/lesão aguda, o que não é o caso.
Mulher de 45 anos comparece à UBS para consulta de rotina, assintomática. Em duas aferições em consultas distintas, com técnica adequada, apresentou pressão arterial de 148/94 mmHg e 152/96 mmHg. Não há lesão de órgão-alvo conhecida. Segundo os critérios habituais, qual é a classificação da pressão arterial dessa paciente?
PA sistólica 140-159 e/ou diastólica 90-99 mmHg, confirmada em medidas repetidas, define hipertensão estágio 1. Ótima seria <120/80. Pré-hipertensão corresponde a 130-139 e/ou 85-89. Estágio 3 exige valores ≥180 e/ou ≥110 mmHg.
Homem de 48 anos, assintomático, é diagnosticado na UBS com hipertensão estágio 1 confirmada. Possui diabetes tipo 2. Já orientado sobre medidas não farmacológicas. Considerando o perfil de comorbidade, qual classe de anti-hipertensivo é preferencial para iniciar o tratamento farmacológico nesse paciente?
No hipertenso diabético, IECA ou BRA são preferenciais por nefroproteção e benefício sobre desfechos cardiovasculares e renais. Alfabloqueadores centrais não são primeira linha. Poupador de potássio isolado não é escolha inicial de monoterapia anti-hipertensiva. Hidralazina em monoterapia causa taquicardia reflexa e retenção hídrica e não é droga de início preferencial na HAS.
Homem de 45 anos, assintomático, comparece à UBS para consulta de rotina. Na aferição, apresenta PA de 148x94 mmHg. Nega comorbidades e uso de medicamentos. Qual a conduta inicial mais adequada na APS antes de firmar o diagnóstico de hipertensão arterial?
O diagnostico de hipertensao, salvo niveis muito elevados ou lesao de orgao-alvo, exige confirmacao com afericoes repetidas em diferentes momentos (ou MAPA/MRPA), associadas a orientacao de estilo de vida. Iniciar farmaco de imediato com retorno tardio e precipitado. Encaminhar ao cardiologista nao se justifica na avaliacao inicial de hipertensao na APS. Cateterismo e invasivo e sem indicacao neste contexto.
Um homem de 52 anos, hipertenso, é acompanhado na UBS. Sua pressão arterial está em 158/98 mmHg em duas consultas, apesar do uso regular de hidroclorotiazida 25 mg/dia. Não há lesão de órgão-alvo evidente e não fuma. Qual é a conduta mais adequada na APS para o manejo da hipertensão não controlada?
Diante de HAS não controlada em monoterapia otimizada, a conduta na APS é associar um segundo fármaco de classe complementar (tiazídico + IECA/BRA ou bloqueador de canal de cálcio). Encaminhamento imediato ao especialista não se justifica sem sinais de HAS secundária ou refratariedade a ≥3 fármacos. Suspender o único anti-hipertensivo piora o controle. Investigação vascular renal invasiva só se indica quando há suspeita clínica de causa secundária, ausente aqui.
Uma mulher de 55 anos, hipertensa, comparece à UBS para consulta de rotina. Está assintomática, com PA de 138/86 mmHg aferida corretamente. Faz uso regular de losartana e mantém bom controle. Vem trazendo dúvida sobre com que frequência deve retornar. Qual a conduta de coordenação do cuidado mais adequada na APS?
Hipertensão controlada em paciente estável é condição crônica de manejo na APS, com acompanhamento longitudinal programado, reforço de adesão e monitorização de fatores de risco (opção correta). Não há indicação de referência ao cardiologista para hipertensão estável e controlada (opção errada). Suspender a medicação em paciente controlado provoca perda do controle pressórico (opção errada). Não há necessidade de internação em paciente assintomático e estável (opção errada).
Homem de 54 anos comparece a consulta de rotina na UBS. Assintomático, não fumante, sem comorbidades conhecidas. Traz duas aferições domiciliares e, na consulta de hoje, apresenta PA de 158x96 mmHg em duas medidas com técnica adequada. IMC 27 kg/m². Na estratégia da APS, qual é a conduta mais adequada?
Diante de PA elevada (estágio 1-2) em paciente assintomático, o diagnóstico deve ser confirmado com medidas repetidas em outra consulta ou por MRPA/MAPA, conforme diretrizes brasileiras, antes de rotular e tratar. Iniciar dois fármacos e encaminhar ao especialista é desproporcional e desnecessário na APS para HAS não complicada. Estágio 3 exigiria PA ≥180x110 e não há indicação de internação. Adiar 6 meses Inadequado pois valores em estágio 2 exigem confirmação em prazo mais curto e podem já demandar tratamento.
Homem de 58 anos comparece à UBS para consulta de rotina. É assintomático, não fuma, não tem diabetes. Ao exame, apresenta duas aferições de pressão arterial em consulta, em dias diferentes, de 152/96 mmHg e 148/98 mmHg, com técnica adequada. Restante do exame sem alterações. Qual é a classificação da pressão arterial deste paciente segundo as diretrizes brasileiras de hipertensão?
Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão, valores de PA sistólica 140-159 mmHg e/ou diastólica 90-99 mmHg em consultório configuram hipertensão estágio 1 (as duas medidas do paciente se enquadram). Normal seria PAS <120 e PAD <80. Pré-hipertensão corresponde a PAS 121-139 e/ou PAD 81-89. Estágio 2 seria PAS 160-179 e/ou PAD 100-109 — valores acima dos apresentados. O diagnóstico de HAS aqui se apoia em medidas repetidas em dias diferentes, conforme preconizado.
Um homem de 63 anos comparece à UBS para consulta de rotina. É hipertenso, dislipidêmico e tabagista, assintomático. Traz aferições domiciliares repetidamente acima de 140x90 mmHg. Ao exame: PA 152x94 mmHg em duas medidas, FC 78 bpm, IMC 29 kg/m², ausculta cardíaca e pulmonar normais, sem edema. Exames: creatinina normal, potássio normal, glicemia de jejum 102 mg/dL. Não faz uso de medicação anti-hipertensiva regular. Considerando as diretrizes brasileiras de manejo da hipertensão, qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
Paciente com HAS estágio 1 confirmada e alto risco cardiovascular (tabagismo, dislipidemia, idade), o que indica início de tratamento medicamentoso junto com mudanças de estilo de vida. Apenas orientar mudanças no estilo de vida subestima o risco: em alto risco, não se protela a medicação por um ano. Internar para investigar hipertensão secundária não se justifica: exames básicos normais, sem sinais de hipertensão secundária. Inadequada: nitrato sublingual não é tratamento crônico de HAS e não tem papel no manejo ambulatorial de rotina.
Homem de 54 anos, pedreiro, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. É tabagista (30 maços-ano), sedentário e refere consumo diário de bebida alcoólica. Nega sintomas. Ao exame: IMC 31 kg/m², circunferência abdominal 106 cm, PA de 152/96 mmHg aferida em duas ocasiões distintas com técnica adequada. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Traz exames recentes: glicemia de jejum 118 mg/dL, colesterol total 240 mg/dL, HDL 38 mg/dL. Na APS, considerando os princípios de estratificação de risco e a organização do cuidado, qual é a hipótese diagnóstica principal e a conduta inicial mais adequada, respectivamente?
PA 152/96 em duas medidas confirma HAS estágio 1 (140-159/90-99). A presença de múltiplos fatores de risco (tabagismo, dislipidemia, obesidade, glicemia alterada) eleva o risco cardiovascular a alto, indicando tratamento medicamentoso já no início, associado a mudanças no estilo de vida. Erra ao propor dois fármacos em dose plena de imliação para estágio 1 (inicia-se em geral com monoterapia ou dupla em baixa dose, e não em dose plena). Rotular como pré-hipertensão erra o diagnóstico e adiar tratamento em paciente de alto risco é inadequado. Atribuir ao avental branco é infundado, pois a medida ambulatorial já foi confirmada em duas ocasiões e o paciente tem alto risco, não justificando postergar.
Homem de 52 anos comparece à UBS para consulta de rotina, assintomático. É sedentário e tem histórico familiar de doença coronariana precoce. Ao exame: PA 152x96 mmHg confirmada em duas consultas, IMC 31 kg/m2, restante sem alterações. Os exames mostram glicemia de jejum 108 mg/dL, LDL 168 mg/dL, sem lesão de órgão-alvo. Trata-se de hipertensão estágio 1 sem indicação de início imediato de dois fármacos. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
Hipertensão estágio 1 confirmada, com fatores de risco associados, tem indicação de mudança de estilo de vida somada a monoterapia anti-hipertensiva, além de manejo de dislipidemia e risco cardiovascular global. Iniciar três fármacos é desproporcional ao estágio. Apenas orientar por um ano retarda o controle em paciente de risco. Anticoagulação não tem papel na prevenção primária de doença aterosclerótica.
Mulher, 58 anos, hipertensa, em uso regular de losartana e anlodipino. Sem outras comorbidades conhecidas, sem diabetes e sem doença renal. Em consulta, com técnica adequada e média de duas aferições, apresenta PA de 132 x 82 mmHg. Assintomática. De acordo com as diretrizes brasileiras atuais, a meta pressórica de consultório recomendada para a maioria dos pacientes hipertensos como esta é atingir valores:
Correta: As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão recomendam, para a maioria dos hipertensos, meta de PA de consultório < 130 x 80 mmHg (respeitando individualização e tolerância). A paciente com 132 x 82 mmHg ainda não atingiu plenamente a meta, reforçando a otimização/aderência. (B) < 140/90 é meta mais conservadora, aplicável a subgrupos específicos (ex.: idosos frágeis), não a maioria. (C) < 120/70 é excessivamente rígido e não é a meta geral recomendada. Valores de 150/90 e 160/100 são altos e não constituem meta terapêutica adequada — representariam hipertensão não controlada.
Homem, 60 anos, com diagnóstico recente de hipertensão arterial (PA de consultório 152 x 96 mmHg confirmada por MAPA). Tabagista, dislipidêmico. Exames iniciais: creatinina 1,1 mg/dL (VR 0,7-1,3), potássio 4,2 mEq/L, glicemia de jejum 98 mg/dL (VR 70-99), relação albumina/creatinina urinária 45 mg/g (VR < 30). ECG com índice de Sokolow-Lyon aumentado, compatível com hipertrofia ventricular esquerda. Considerando a presença de lesão em órgão-alvo neste paciente, qual é a implicação para a estratificação de risco cardiovascular?
Correta: Na estratificação de risco cardiovascular do hipertenso, a presença de lesão de órgão-alvo (LOA) — aqui evidenciada por HVE ao ECG e albuminúria/relação albumina-creatinina >= 30 mg/g — reclassifica o paciente para risco alto, mesmo sem doença cardiovascular clínica estabelecida e independentemente de o estágio de PA ser 1 ou 2. A creatinina normal não afasta LOA: a albuminúria já indica lesão renal subclínica. A albuminúria é marcador de LOA e altera sim a estratificação. A HVE é uma das principais LOAs cardíacas usadas na estratificação. Risco alto não exige doença clínica estabelecida — LOA subclínica basta para elevá-lo.
Homem, 52 anos, contador, assintomático, comparece à unidade básica para avaliação de rotina. Nega comorbidades ou uso de medicações. Na primeira consulta, a média de duas aferições da pressão arterial em consultório foi 148/94 mmHg. Exame físico sem alterações; IMC 27 kg/m2. Diante da suspeita de hipertensão, opta-se por confirmação diagnóstica com Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) de 24 horas, que evidencia média de vigília de 128/80 mmHg, média de sono de 108/64 mmHg e média das 24 horas de 120/74 mmHg. Com base nesses dados, qual é a interpretação diagnóstica correta?
Resposta Correta: o paciente tem PA de consultório elevada (148/94 mmHg, faixa de estágio 1) mas com médias na MAPA dentro da normalidade (vigília <135/85 e 24h <130/80 mmHg) — esse padrão define hipertensão do avental branco, exatamente a situação em que o exame fora do consultório afasta o diagnóstico. Errada: não se confirma HAS estágio 1 nem se inicia droga, pois a MAPA está normal — a confirmação exige valores elevados também fora do consultório. Errada: hipertensão mascarada é o oposto — PA de consultório normal com MAPA/MRPA elevada. Errada: os valores de consultório estão acima da faixa de pré-hipertensão (130-139/85-89), e a conduta correta não é apenas reavaliação anual, mas caracterizar o fenômeno do avental branco com seguimento adequado. Errada: uma aferição de consultório elevada não confirma HAS quando o método fora do consultório (MAPA) está normal; o diagnóstico não se sustenta só pela medida de consultório neste contexto.
Homem, 68 anos, aposentado, com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus tipo 2, em uso de losartana e metformina. Retorna para reavaliação, assintomático. Traz Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA) com média de 138/86 mmHg. Ao exame, PA de consultório 142/88 mmHg, FC 72 bpm; restante do exame sem particularidades. Função renal e potássio normais. Considerando o perfil de risco do paciente e as metas pressóricas recomendadas pelas diretrizes brasileiras atuais, qual é a conduta mais apropriada?
Resposta Correta: Paciente diabético e hipertenso é classificado como de alto risco cardiovascular; as diretrizes brasileiras recomendam meta de PA de consultório menor que 130/80 mmHg (respeitando tolerância) para pacientes de alto risco, incluindo diabéticos. Com PA de 142/88 mmHg e MRPA 138/86 (ambas acima da meta), a conduta é otimizar o tratamento. Errada: a meta <150/90 seria excessivamente permissiva para um diabético de alto risco; além disso a PA atual está acima até desse valor de diastólica não, mas o alvo correto é mais rigoroso. Errada: a PA está acima da meta e o paciente é de alto risco — suspender o anti-hipertensivo pioraria o controle e o risco. Errada: não há sinais de hipotensão; reduzir a dose e afrouxar a meta contraria a recomendação de controle mais rígido no alto risco. Errada: a coexistência de diabetes e HAS é comum e não indica, por si, rastreio de hipertensão secundária, que se reserva a sinais/sintomas sugestivos (início precoce/tardio, refratariedade, hipocalemia, sopros, etc.).
Homem, 52 anos, assintomático, comparece a consulta de rotina. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicações. Exame físico sem alterações; IMC 26 kg/m². A aferição da pressão arterial em consultório, com técnica adequada e média de duas medidas, resulta em 148/94 mmHg. Exames laboratoriais (glicemia, perfil lipídico, função renal), ECG e fundoscopia sem sinais de lesão de órgão-alvo; risco cardiovascular estimado como baixo. Qual é a conduta mais adequada para confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial?
Correta: Paciente com PA de consultório em estágio 1 (140-159/90-99 mmHg), assintomático, sem lesão de órgão-alvo e de baixo risco cardiovascular NÃO deve ter o diagnóstico firmado apenas pela medida de consultório — a diretriz brasileira recomenda confirmação com medida fora do consultório (MAPA ou MRPA) para excluir hipertensão do avental branco antes de rotular e tratar. Iniciar farmacoterapia sem confirmação é precoce neste cenário de baixo risco. Diagnosticar HAS com uma única medida de consultório em estágio 1/baixo risco não é recomendado; a confirmação out-of-office é o passo correto. Igual a B — tratar antes de confirmar. Não há dados sugestivos de hipertensão secundária (idade típica, sem achados de alarme), não justificando encaminhamento nesta etapa.
Mulher, 58 anos, em avaliação clínica. Após medidas repetidas e adequadas em consultório, apresenta pressão arterial média de 165/105 mmHg, confirmada em consulta subsequente. Segundo a classificação da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, esses valores correspondem a qual estágio?
Correta: Pela classificação brasileira, hipertensão estágio 2 corresponde a PAS 160-179 e/ou PAD 100-109 mmHg — os valores de 165/105 mmHg enquadram-se exatamente nessa faixa. Pré-hipertensão é PAS 130-139 e/ou PAD 85-89 mmHg. Estágio 1 é PAS 140-159 e/ou PAD 90-99 mmHg. Estágio 3 exige PAS ≥180 e/ou PAD ≥110 mmHg. PA normal é PAS 120-129 e/ou PAD 80-84 mmHg. Quando PAS e PAD caem em categorias diferentes, prevalece a mais alta.
Homem, 64 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos e doença arterial coronariana estabelecida (infarto prévio), em uso de metformina, AAS e estatina. Assintomático no momento. PA de consultório 152/92 mmHg, confirmada em medidas domiciliares. Considerando a estratificação de risco cardiovascular e a boa tolerância do paciente, qual é a meta pressórica mais adequada a ser buscada com o tratamento?
Correta: o paciente é de risco cardiovascular alto/muito alto (diabetes + doença cardiovascular estabelecida). Nesses pacientes, com boa tolerância, a diretriz brasileira recomenda meta mais rigorosa, com alvo abaixo de 130/80 mmHg. Menos de 140/90 mmHg é a meta geral para a maioria dos hipertensos, insuficiente para o alto risco deste caso. Alvo abaixo de 120/70 mmHg é excessivamente baixo e não recomendado como meta, podendo aumentar eventos por hipoperfusão (curva J). Menos de 160/100 mmHg não constitui meta terapêutica adequada, apenas descreve controle insuficiente. Menos de 150/90 mmHg é meta ocasionalmente aceita em idosos muito frágeis, mas não se aplica a este paciente de alto risco e boa tolerância.
Mulher, 52 anos, contadora, assintomática, comparece para avaliação de rotina. Nas duas últimas consultas apresentou PA de 148/92 mmHg e 152/96 mmHg, aferidas de forma padronizada após repouso. Nega comorbidades e não usa medicações. Exame físico normal, IMC 24 kg/m², fundoscopia sem alterações. Diante da suspeita de reação de alarme no consultório, o médico solicita MAPA de 24 horas, que evidencia: média de vigília 128/80 mmHg, média de sono 108/65 mmHg e média de 24 horas 120/74 mmHg. Qual o diagnóstico mais provável?
Correta: As Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial definem hipertensão do avental branco como PA de consultório elevada (aqui ≥140/90 mmHg, valores de estágio 1) com médias normais fora do consultório. No MAPA, os limites de normalidade são vigília <135/85, sono <120/70 e 24h <130/80 mmHg — todos respeitados neste caso, confirmando o diagnóstico. Exigiriam confirmação da elevação também fora do consultório, o que não ocorreu. Hipertensão mascarada é o oposto: consultório normal com MAPA/MRPA elevados. Pré-hipertensão descreveria PA de consultório 130–139/85–89 mmHg, abaixo dos valores medidos.
Homem, 60 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos e doença renal crônica (TFG estimada 55 mL/min/1,73 m²), em uso regular de losartana e anlodipino. Assintomático. No consultório apresenta PA média de 138/86 mmHg em aferições repetidas, com MAPA compatível. É classificado como paciente de alto risco cardiovascular e tolera bem a medicação atual. Segundo as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, qual a meta de PA de consultório mais adequada?
Correta: Para pacientes de alto e muito alto risco cardiovascular (como este, com diabetes e doença renal crônica), a diretriz recomenda meta de consultório <130/80 mmHg quando bem tolerada, buscando maior proteção de órgãos-alvo. (E) <140/90 mmHg é a meta da população geral/baixo-moderado risco, insuficiente neste perfil de alto risco. (A) <120/70 mmHg é excessivamente rigorosa: a diretriz alerta para NÃO reduzir abaixo desse piso, pelo risco de eventos por hipoperfusão (curva J). São metas frouxas demais, que deixariam o paciente de alto risco sob controle inadequado.
Homem, 58 anos, contador, assintomático, comparece para avaliação de rotina. Refere diabetes mellitus tipo 2 há 6 anos e tabagismo (30 anos-maço). Em duas consultas distintas, com técnica adequada, a pressão arterial de consultório foi 150/94 mmHg e 152/96 mmHg. Exame físico: IMC 29 kg/m², restante sem alterações. Exames: LDL 148 mg/dL (VR <100), HbA1c 7,8%, creatinina 1,0 mg/dL (VR 0,7–1,3), relação albumina/creatinina urinária 15 mg/g (VR <30). Confirmou-se o diagnóstico de hipertensão arterial estágio 1. Considerando a estratificação de risco cardiovascular, qual é a meta pressórica de consultório recomendada?
A presença de diabetes associado a tabagismo e dislipidemia coloca o paciente em ALTO risco cardiovascular, mesmo com PA em estágio 1. Para hipertensos de alto/muito alto risco, as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial (2020) recomendam meta de consultório < 130/80 mmHg (sem reduzir abaixo de 120/70). (A) < 140/90 é a meta do hipertenso de baixo/moderado risco, insuficiente aqui. (C) < 120/70 extrapola o piso de segurança recomendado, com risco de hipoperfusão. (D) < 150/90 é a meta tolerada em idosos frágeis ≥ 80 anos, não se aplica. (E) < 130/85 não corresponde a nenhuma meta preconizada e mistura o diastólico da faixa pré-hipertensão.
Mulher, 45 anos, professora, assintomática, sem comorbidades e sem uso de medicações, em consulta de rotina. História familiar de infarto (pai aos 55 anos). A pressão arterial de consultório, aferida em duas ocasiões com técnica adequada, foi 134/86 mmHg e 136/84 mmHg. Diante dos valores limítrofes, solicitou-se monitorização ambulatorial da pressão arterial (MAPA) de 24 horas, que evidenciou: média de vigília 140/92 mmHg, média de sono 122/74 mmHg e média de 24 horas 132/82 mmHg. Qual é o diagnóstico?
A PA de consultório está < 140/90 mmHg (faixa pré-hipertensão), porém a MAPA mostra médias ACIMA dos cortes de normalidade (vigília ≥ 135/85, 24 h ≥ 130/80). Consultório normal + ambulatorial elevada define hipertensão arterial mascarada, condição de risco cardiovascular aumentado. Avental branco é o oposto: consultório alto e ambulatorial normal. Estágio 1 exigiria PA de consultório ≥ 140/90 confirmada. A pré-hipertensão isolada é descartada justamente porque a MAPA está alterada. Normotensão verdadeira exigiria valores normais tanto no consultório quanto na MAPA.
Homem, 60 anos, comerciante, assintomático. Em duas consultas distintas, com técnica de aferição adequada (repouso, manguito apropriado ao braço), apresentou pressão arterial de consultório de 166/104 mmHg e 168/106 mmHg. Nega uso de anti-hipertensivos. Segundo a classificação das diretrizes brasileiras, esses valores correspondem a qual estágio?
PA sistólica 160–179 mmHg e/ou diastólica 100–109 mmHg define hipertensão arterial estágio 2 pelas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, compatível com 166–168/104–106 mmHg. Pré-hipertensão é 130–139/85–89 mmHg. Estágio 1 é 140–159/90–99 mmHg. Estágio 3 exige PA ≥ 180/110 mmHg. Hipertensão sistólica isolada requer sistólica ≥ 140 com diastólica < 90 mmHg, o que não ocorre pois a diastólica está elevada.
Mulher, 58 anos, assintomática, comparece à unidade básica para avaliação de rotina. Nega comorbidades e não usa medicações. Em três consultas distintas, a PA de consultório foi 148/94, 152/96 e 150/92 mmHg. Exame físico normal, sem sinais de lesão de órgão-alvo; exames laboratoriais dentro da normalidade. Solicitada MAPA de 24 horas, que mostrou: média de vigília 128/80 mmHg, média de sono 108/64 mmHg e média de 24 horas 120/74 mmHg. Qual é o diagnóstico?
Correta: o diagnóstico exige convergência entre as medidas de consultório e as fora do consultório. Aqui a PA de consultório está persistentemente elevada (≥140/90 mmHg), mas a MAPA é normal (vigília <135/85, sono <120/70 e 24h <130/80 mmHg) — padrão que define hipertensão do avental branco. Classificam como HAS estabelecida com base só no consultório, ignorando a MAPA normal que descarta a hipertensão sustentada. Hipertensão mascarada é o oposto do quadro: consultório normal com MAPA elevada. PA normal não se aplica porque as medidas de consultório estão claramente acima do limiar de 140/90 mmHg.
Homem, 45 anos, sem comorbidades e sem uso de anti-hipertensivos, apresenta PA de consultório de 168/104 mmHg e, em nova consulta, 172/106 mmHg, valores posteriormente confirmados por MAPA. Assintomático ao exame. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, como se classifica a PA deste paciente?
Correta: a classificação usa o maior valor (PAS ou PAD): estágio 1 = 140–159/90–99, estágio 2 = 160–179/100–109 e estágio 3 ≥180/110 mmHg. Com 168–172/104–106 mmHg, ambos os componentes caem na faixa 160–179/100–109 → estágio 2. Estágio 1 exigiria PAS 140–159 ou PAD 90–99, abaixo dos valores apresentados. Estágio 3 exigiria PAS ≥180 ou PAD ≥110 mmHg. Pré-hipertensão (PAS 130–139 ou PAD 85–89) e (E) PA normal-alta descrevem faixas muito inferiores às medidas do paciente.
Homem, 62 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e doença arterial coronariana estabelecida (alto risco cardiovascular), em uso regular de anti-hipertensivos. PA de consultório atual 138/86 mmHg, bem tolerada, sem hipotensão postural ou sintomas. Função renal e eletrólitos normais. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020), qual é a meta de PA de consultório recomendada para este paciente?
Correta: Para hipertensos de alto e muito alto risco cardiovascular (como o diabético com DAC estabelecida), a Diretriz Brasileira de 2020 recomenda meta de consultório mais rigorosa: PAS 120–129 mmHg e PAD 70–79 mmHg, desde que bem tolerada — logo, seus 138/86 mmHg ainda estão acima do alvo e o tratamento deve ser intensificado. (A) <120/70 é excessivamente baixo e não é a meta preconizada, associando-se a risco da curva J. (C) <140/90 é a meta geral para baixo/moderado risco, insuficiente para este paciente de alto risco. (D) <150/90 e (E) <160/100 são metas frouxas, não recomendadas nesse contexto e reservadas, no máximo, a idosos frágeis com individualização.
Mulher, 45 anos, contadora, assintomática, comparece à consulta de rotina. Refere que em duas medidas de consultório, em ocasiões distintas, apresentou PA de 150/96 mmHg e 148/92 mmHg. Nega tabagismo, diabetes ou dislipidemia; IMC 24 kg/m². Exame físico sem alterações, fundoscopia normal, ECG sem sinais de hipertrofia. Diante da suspeita, solicita-se MAPA de 24 horas, que evidencia: média de 24h 118/74 mmHg, média de vigília 122/76 mmHg e média de sono 104/62 mmHg. Qual o diagnóstico?
Há PA de consultório elevada (≥140/90 mmHg em medidas repetidas) com médias ambulatoriais normais na MAPA (24h <130/80; vigília <135/85; sono <120/70 mmHg) — padrão definidor de hipertensão do avental branco pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020). Os diagnósticos de hipertensão arterial estágio 1 e estágio 2 exigem confirmação por medida fora do consultório, que aqui está normal, ficando afastados. A hipertensão mascarada é o oposto: PA de consultório normal com MAPA/AMPA elevada. E rotular o caso como normotensão verdadeira sem necessidade de seguimento é incorreto: apesar da normotensão ambulatorial, a elevação no consultório confere maior risco cardiovascular futuro e obriga seguimento periódico, não alta.
Homem, 58 anos, motorista, em acompanhamento por hipertensão arterial. Antecedente de diabetes mellitus tipo 2 há 8 anos e acidente vascular cerebral isquêmico há 2 anos, com boa recuperação funcional. Em uso de losartana 100 mg/dia e metformina. Na consulta, PA de 152/96 mmHg confirmada em nova aferição; média em AMPA de 148/94 mmHg. Creatinina e potássio normais. Considerando a estratificação de risco cardiovascular, qual a meta pressórica recomendada para este paciente pela diretriz brasileira atual?
Correta: o paciente é hipertenso de alto risco cardiovascular (diabetes + doença cerebrovascular estabelecida). Para hipertensos de alto/muito alto risco, a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (2020) recomenda meta de 120–129 / 70–79 mmHg, desde que bem tolerada. (B) < 140/90 mmHg é a meta para hipertensos de risco baixo e moderado, insuficientemente rigorosa aqui. (C) < 130/85 não corresponde à faixa preconizada. (D) < 150/90 é reservado a idosos frágeis com baixa tolerância, não a este paciente. Reduzir a PA sistólica abaixo de 120 mmHg não traz benefício adicional e aumenta o risco de eventos por hipoperfusão (curva J), não sendo a meta recomendada.
Uma mulher de 54 anos, cozinheira, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Nega sintomas, tabagismo ou uso de medicamentos. Antecedente de mãe hipertensa. Ao exame: IMC 27 kg/m², sem outras alterações. A aferição da pressão arterial no consultório, com técnica adequada e após repouso, resultou em 148/94 mmHg na primeira consulta e 150/96 mmHg em uma segunda consulta duas semanas depois. Foi solicitada Monitorização Residencial da Pressão Arterial (MRPA), cuja média foi 128/80 mmHg. Com base nesses achados, qual é a interpretação diagnóstica mais adequada?
Quando a PA de consultório está elevada (aqui ≥140/90 mmHg em duas ocasiões) mas a monitorização fora do consultório (MRPA <130/80 mmHg de média) é normal, o diagnóstico é hipertensão do avental branco. Não se confirma HAS sustentada, logo iniciar fármaco de imediato é incorreto. Hipertensão mascarada é o oposto: consultório normal e MAPA/MRPA elevada. Pré-hipertensão/PA limítrofe não descreve o quadro e exige acompanhamento por risco de evolução.
Um homem de 60 anos, pedreiro, comparece à Unidade Básica de Saúde. É assintomático e nega comorbidades ou uso de medicações. A pressão arterial foi aferida com técnica correta, após repouso, em duas consultas distintas separadas por duas semanas, com valores de 162/102 mmHg e 158/100 mmHg, respectivamente. As demais aferições confirmaram valores semelhantes. De acordo com a classificação da pressão arterial em consultório para adultos, esses valores caracterizam hipertensão arterial de qual estágio?
A classificação em consultório considera: PA ótima/normal <130/85; pré-hipertensão 130-139/85-89; estágio 1 140-159/90-99; estágio 2 160-179/100-109; estágio 3 ≥180/110 mmHg. Com PAS 158-162 e PAD 100-102 mmHg (predomina o maior valor), o paciente enquadra-se no estágio 2. Estágio 1 exigiria valores até 159/99; pré-hipertensão é bem inferior; estágio 3 exigiria ≥180/110 mmHg.
Um homem de 58 anos, com diabetes mellitus tipo 2 e hipertensão arterial, é acompanhado na Unidade Básica de Saúde. Está em uso de losartana e metformina, com boa adesão. Refere estar assintomático. Ao exame: PA de 146/88 mmHg em consultório, confirmada por aferições domiciliares. Exames recentes mostram creatinina de 1,3 mg/dL, com taxa de filtração glomerular estimada em 62 mL/min/1,73m² e albuminúria moderada. Considerando o alto risco cardiovascular e o objetivo de proteção de órgãos-alvo, qual deve ser o próximo passo e a meta pressórica recomendada para esse paciente?
Paciente diabético com doença renal e albuminúria é de alto risco cardiovascular, no qual a meta pressórica recomendada é <130/80 mmHg. Como está em 146/88 mmHg, deve-se otimizar o tratamento. Manter conduta aceita erroneamente meta de 140/90 para quem tem indicação de meta mais rígida. Reduzir dose e suspender o fármaco agravariam o controle pressórico e o risco de lesão de órgão-alvo, sendo condutas inadequadas.
Uma mulher de 45 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Nega sintomas, tabagismo, etilismo ou uso de medicamentos, e não tem antecedentes pessoais ou familiares relevantes. Ao exame, está em bom estado geral, IMC de 26 kg/m², sem alterações cardiovasculares, renais ou neurológicas. A pressão arterial, aferida de forma adequada após repouso, é de 146/92 mmHg; uma segunda medida no mesmo braço, na mesma consulta, mostra 148/90 mmHg. Os exames laboratoriais de rotina estão normais e não há evidência de lesão de órgão-alvo. Considerando as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, qual é a conduta mais apropriada para a confirmação diagnóstica nesta paciente?
Trata-se de hipertensão estágio 1 (140–159/90–99 mmHg) em paciente de baixo risco, sem lesão de órgão-alvo. Nesse cenário, a diretriz brasileira recomenda confirmar o diagnóstico com medida fora do consultório (MAPA/MRPA) ou com aferições repetidas em consultas subsequentes, evitando rotular e tratar com base em uma única visita. Estágio 2 exige valores ≥160/100 mmHg, não presentes aqui, e não se inicia dupla terapia às cegas. Não há dados para presumir avental branco nem para adiar a avaliação por um ano. Investigação de causa secundária não é o passo inicial em hipertensa jovem sem sinais de alarme.
Um homem de 58 anos é atendido na Unidade Básica de Saúde com queixa de cefaleia occipital ocasional. É tabagista (30 anos-maço) e tem diabetes mellitus tipo 2 diagnosticado há 5 anos, em uso irregular de metformina. Relata pai falecido por infarto aos 60 anos. Ao exame, apresenta PA de 152/96 mmHg, confirmada em duas consultas e por MRPA; IMC de 29 kg/m²; restante sem alterações. Exames: glicemia de jejum 148 mg/dL, LDL 150 mg/dL, creatinina normal, sem albuminúria; ECG sem sinais de sobrecarga ventricular. Foi firmado o diagnóstico de hipertensão arterial estágio 1. Qual é a classificação de risco cardiovascular deste paciente?
Nas Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, a presença de diabetes mellitus em paciente hipertenso já o classifica como de alto risco cardiovascular, independentemente do estágio da PA ou da ausência de lesão de órgão-alvo. Por isso não pode ser rotulado como baixo risco. O tabagismo é fator de risco adicional, mas não é o determinante isolado da categoria. A estratificação é feita com dados clínicos e laboratoriais já disponíveis (fatores de risco, comorbidades, lesão de órgão-alvo), não dependendo obrigatoriamente de ecocardiograma ou fundoscopia para ser definida.
Uma mulher de 64 anos, hipertensa e diabética tipo 2 há 8 anos, retorna à Unidade Básica de Saúde para acompanhamento. Faz uso de losartana, hidroclorotiazida e metformina. Nega sintomas. Ao exame, encontra-se em bom estado geral, com PA de 138/86 mmHg confirmada por MRPA, sem sinais de descompensação; exames laboratoriais estáveis, função renal preservada e sem lesão de órgão-alvo avançada. Ela pergunta se sua pressão já está 'controlada'. Considerando o alto risco cardiovascular e as Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, qual é a meta pressórica recomendada para orientar o ajuste terapêutico desta paciente?
Em hipertensos de alto risco cardiovascular — como a paciente diabética descrita — a diretriz brasileira recomenda meta pressórica abaixo de 130/80 mmHg (faixa de 120–129/70–79 mmHg), desde que bem tolerada. Assim, PA de 138/86 mmHg ainda está acima do alvo e justifica otimização do tratamento. A meta <140/90 mmHg aplica-se ao paciente de risco baixo/moderado, não a esta diabética. Reduzir abaixo de 120/70 mmHg não traz benefício e aumenta risco de eventos por hipotensão. O alvo de 150/90 mmHg é reservado a idosos muito frágeis (em geral ≥80 anos), o que não é o caso.
Homem de 54 anos, motorista, comparece a Unidade Basica de Saude para consulta de rotina, assintomatico. Nega diagnostico previo de hipertensao. Tem pai e irmao hipertensos. IMC 28 kg/m2. Na primeira consulta, a medida da pressao arterial no consultorio, com tecnica adequada, foi 152/96 mmHg em duas afericoes. O restante do exame fisico e normal e ele nao apresenta lesao de orgao-alvo nem doenca cardiovascular estabelecida. De acordo com as diretrizes brasileiras, qual e a conduta mais apropriada para confirmar o diagnostico de hipertensao arterial neste momento?
Correta: Com PA de consultorio 140-159/90-99 mmHg (estagio 1) em paciente sem lesao de orgao-alvo ou doenca CV, o diagnostico deve ser confirmado por medida fora do consultorio (MAPA/MRPA) ou por nova consulta, evitando rotular como hipertenso a partir de uma unica visita. Iniciar tratamento sem confirmar, em estagio 1 de baixo risco, e precipitado. Investigacao de causa secundaria nao e o primeiro passo em paciente com quadro tipico e sem sinais de alarme. PA elevada em consultorio nao pode ser simplesmente descartada; exige confirmacao.
Mulher de 60 anos, com hipertensao arterial sistemica ha 10 anos, comparece a consulta de acompanhamento na Unidade de Saude da Familia. Faz uso de losartana e hidroclorotiazida. Nega sintomas. Ao exame, a pressao arterial de consultorio, medida corretamente e confirmada em duas afericoes, e de 168/104 mmHg. Segundo a classificacao das diretrizes brasileiras de hipertensao, em que estagio se enquadra esse nivel pressorico de consultorio?
Correta: Pela classificacao das diretrizes brasileiras: estagio 1 = PAS 140-159 e/ou PAD 90-99 mmHg; estagio 2 = PAS 160-179 e/ou PAD 100-109 mmHg; estagio 3 = PAS >=180 e/ou PAD >=110 mmHg. A PA de 168/104 mmHg (PAS 160-179 e PAD 100-109) corresponde ao estagio 2. Pre-hipertensao e PAS 130-139/PAD 85-89. Estagio 1 exige valores menores. Estagio 3 exige >=180/110.
Uma mulher de 52 anos, professora, comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina. Nega cefaleia, dispneia, dor torácica ou edema. Não é tabagista, não usa medicações contínuas e refere caminhadas três vezes por semana. Antecedentes familiares: mãe hipertensa. Ao exame físico, encontra-se ansiosa, IMC de 26 kg/m², circunferência abdominal de 84 cm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, pulsos periféricos simétricos, sem edema. A pressão arterial (PA) aferida com técnica adequada foi de 152/94 mmHg nesta consulta e de 150/92 mmHg em consulta realizada três semanas antes. Exames laboratoriais, eletrocardiograma e fundoscopia sem alterações. Solicitada monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), cuja média foi de 124/76 mmHg. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta adequada para o caso?
Correta: a discordância entre PA elevada no consultório (≥140/90 mmHg) e PA normal fora do consultório (MRPA <130/80 mmHg), sem lesão de órgão-alvo, define hipertensão do avental branco — conduta é medida não farmacológica e seguimento com monitorização fora do consultório, pois há risco aumentado de evolução para hipertensão sustentada. Estágio 1 exigiria confirmação por medida fora do consultório, que aqui foi normal. Hipertensão mascarada é o oposto (PA normal no consultório e elevada fora dele). Não se trata de PA normal com alta: a paciente tem risco aumentado e precisa de reavaliação periódica.
Um homem de 58 anos, motorista, é atendido na unidade de saúde da família em consulta de acompanhamento. Tem diabetes melito tipo 2 há 10 anos, em uso de metformina 1.700 mg/dia, com hemoglobina glicada de 7,4%. Nega angina, claudicação ou déficit neurológico prévio. Ex-tabagista (20 anos-maço). Ao exame: IMC de 29 kg/m², PA de 148/92 mmHg, confirmada em duas aferições em consultas distintas e por monitorização residencial (média de 142/88 mmHg); ausculta cardíaca e pulmonar normais, pulsos pediosos presentes, sem edema. Exames: creatinina de 1,2 mg/dL (taxa de filtração glomerular estimada de 62 mL/min/1,73 m²), relação albuminúria/creatininúria de 120 mg/g, LDL-colesterol de 118 mg/dL. Eletrocardiograma sem alterações. Considerando a estratificação de risco cardiovascular e a meta pressórica, qual é a conduta adequada?
Correta: hipertensão confirmada em paciente com diabetes e lesão de órgão-alvo (albuminúria de 120 mg/g, ou seja, ≥30 mg/g, com TFG reduzida) o classifica como risco cardiovascular alto; nesse cenário indica-se tratamento farmacológico já de início, e o bloqueio do sistema renina-angiotensina (IECA ou BRA) é a escolha preferencial por nefroproteção na albuminúria, com meta de PA <130/80 mmHg. Risco baixo é incompatível com diabetes e albuminúria, e adiar o fármaco por seis meses expõe o paciente a risco desnecessário. A meta de <140/90 mmHg e a ausência de preferência de classe subestimam o risco e ignoram a albuminúria. Meta <120/70 mmHg não é recomendada (risco de hipotensão/eventos) e betabloqueador não é primeira linha na ausência de indicação compulsória.
Um homem de 45 anos, pedreiro, procura a unidade básica de saúde referindo que a pressão estava alta em aferição feita na farmácia. Nega cefaleia, alterações visuais, dispneia, dor torácica ou déficits neurológicos. Nega comorbidades e uso de medicamentos, anti-inflamatórios ou drogas ilícitas. Refere consumo de bebida alcoólica aos fins de semana e alimentação com muito sal. Ao exame físico, encontra-se em bom estado geral, corado, IMC de 28 kg/m², ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas sem sopros, ausculta pulmonar limpa, pulsos simétricos, sem edema e fundoscopia sem alterações. A pressão arterial, aferida com manguito adequado e paciente em repouso, foi de 164/102 mmHg nesta consulta e de 160/100 mmHg em consulta realizada duas semanas antes. De acordo com as diretrizes brasileiras, qual é a classificação da pressão arterial desse paciente?
Correta: pelas diretrizes brasileiras de hipertensão, a medida de consultório entre 160-179 mmHg de sistólica e/ou 100-109 mmHg de diastólica, confirmada em duas consultas distintas, define hipertensão arterial estágio 2. PA normal corresponde a valores <130/85 mmHg e pré-hipertensão a 130-139/85-89 mmHg — ambos incompatíveis com os valores encontrados. Estágio 1 corresponde a 140-159/90-99 mmHg, faixa inferior à do paciente, que apresenta sistólica de 160-164 e diastólica de 100-102 mmHg.
Um homem de 47 anos comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina, assintomático. Nega tabagismo, diabetes ou doença renal; o pai é hipertenso. IMC 26,4 kg/m². Na primeira consulta, a pressão arterial aferida com técnica adequada, em ambos os braços e após repouso, foi de 150/94 mmHg; em nova consulta, 15 dias depois, obteve-se 148/92 mmHg. O exame físico é normal, com ausculta cardíaca e pulsos periféricos sem alterações. Exames: glicemia de jejum 92 mg/dL, creatinina 0,9 mg/dL, potássio 4,2 mEq/L, colesterol total 190 mg/dL, urina de rotina normal e eletrocardiograma sem sobrecarga ventricular. Por suspeitar de efeito do avental branco, o médico solicitou monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), cuja média foi de 128/78 mmHg. Considerando as diretrizes brasileiras, quais são, respectivamente, o diagnóstico e a conduta?
A PA elevada e persistente no consultório (≥ 140/90 mmHg em duas consultas) com médias normais fora do consultório (MRPA abaixo de 130/80 mmHg) define hipertensão do avental branco. A conduta é não farmacológica — mudanças no estilo de vida — com seguimento e reavaliação periódica por MRPA ou MAPA, pois esses pacientes têm risco intermediário e podem evoluir para hipertensão sustentada. Diagnosticar hipertensão estágio 1 e iniciar fármaco está errado: a hipertensão sustentada exigiria confirmação também fora do consultório, e a MRPA foi normal — tratar exporia o paciente a risco desnecessário. Falar em hipertensão mascarada inverte os conceitos: nela a PA é normal no consultório e elevada fora dele, o oposto do caso. E declarar normotensão verdadeira com alta do seguimento erra porque a PA de consultório é anormal, e dar alta contraria a recomendação de vigilância periódica desses pacientes.
Um homem de 52 anos, motorista, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, assintomático. Refere pai e irmão hipertensos, é sedentário, tem consumo elevado de sal e nega tabagismo. Ao exame físico: bom estado geral, IMC 27,4 kg/m², circunferência abdominal 98 cm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, pulsos periféricos simétricos, sem edema. A pressão arterial, aferida com técnica adequada e manguito apropriado, em ambos os braços, com o paciente sentado e após repouso, apresentou média de 150 x 96 mmHg. O paciente retorna em quatro semanas e, na mesma condição padronizada, a média das medidas foi de 152 x 94 mmHg. Exames laboratoriais de rotina sem alterações. Considerando as diretrizes brasileiras vigentes, qual é o diagnóstico desse paciente?
Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, o diagnóstico no consultório exige PA ≥ 140/90 mmHg confirmada em pelo menos duas consultas distintas, com técnica padronizada — exatamente o que ocorreu (150/96 e 152/94 mmHg). Valores de PAS 140–159 e/ou PAD 90–99 mmHg definem hipertensão estágio 1. Pré-hipertensão/PA elevada corresponde a PAS 130–139 e/ou PAD 85–89 mmHg, valores inferiores aos do caso. Estágio 2 exigiria PAS 160–179 e/ou PAD 100–109 mmHg. PA normal seria ≤ 129/84 mmHg. Assim, a única classificação compatível é hipertensão arterial estágio 1.
Mulher de 54 anos, assintomática, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Não é tabagista, não tem diabetes nem dislipidemia, e o exame físico é normal (IMC 24 kg/m²). Em duas consultas distintas, com técnica adequada, a média da pressão arterial foi 152/94 mmHg e 150/96 mmHg. Solicitada monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), cuja média foi 126/78 mmHg. Não há evidência de lesão de órgão-alvo. Qual a conduta correta?
Correta: PA de consultório ≥140/90 mmHg com média fora do consultório normal (MRPA <130/80 mmHg) define hipertensão do avental branco; em paciente de baixo risco e sem lesão de órgão-alvo, a conduta é mudança de estilo de vida e seguimento, pois a medida fora do consultório prevalece sobre a de consultório para o diagnóstico. A primeira alternativa erra ao tratar como hipertensão sustentada, ignorando a MRPA normal. A segunda inverte os conceitos: hipertensão mascarada é PA normal no consultório com PA elevada fora dele — exatamente o oposto do caso. A quarta insiste na medida de consultório, que já foi superada por um método validado fora do consultório, e levaria a tratamento desnecessário.
Homem de 47 anos, assintomático, é atendido na Unidade Básica de Saúde. Refere sedentarismo e uso de sal em excesso. Exame físico sem alterações. Em duas consultas, com técnica adequada, a média da pressão arterial foi 152/96 mmHg e 154/94 mmHg. A MAPA mostrou média de vigília de 146/92 mmHg e média de 24 horas de 138/86 mmHg. Segundo as diretrizes brasileiras, qual a classificação da pressão arterial deste paciente?
Correta: pressão sistólica entre 140–159 mmHg e/ou diastólica entre 90–99 mmHg no consultório classifica hipertensão estágio 1, e a MAPA de vigília ≥135/85 mmHg confirma hipertensão sustentada. A primeira alternativa se aplicaria a valores de 130–139/85–89 mmHg, abaixo dos aferidos. A terceira exigiria 160–179/100–109 mmHg. A quarta exigiria ≥180/110 mmHg, muito acima do encontrado.
Homem de 58 anos, atendido na Unidade Básica de Saúde, tem diabetes tipo 2 há 8 anos em uso de metformina. Assintomático, IMC 28 kg/m². Média da pressão arterial no consultório em duas consultas: 146/92 mmHg; MRPA confirmou média de 142/90 mmHg. Exames: creatinina com taxa de filtração glomerular estimada de 55 mL/min/1,73 m² e relação albuminúria/creatininúria de 60 mg/g. Qual a conduta mais adequada?
Correta: apesar de a PA ser de estágio 1, a presença de diabetes e de lesão renal (TFG reduzida com albuminúria) classifica o paciente como de alto risco cardiovascular, o que impõe início imediato de terapia medicamentosa junto com as medidas não medicamentosas; IECA ou BRA são de escolha pelo efeito antiproteinúrico, e a meta pressórica no alto risco é mais rigorosa (abaixo de 130/80 mmHg, alvo de 120–129/70–79 mmHg se tolerado). A primeira alternativa reserva o período de observação apenas ao estágio 1 de risco baixo, o que não é o caso. A segunda posterga o tratamento: o manejo inicial da hipertensão com doença renal do diabetes é competência da atenção primária, e o encaminhamento não é pré-requisito. A terceira adota um limiar de tratamento inadequado, deixando o paciente de alto risco sem controle pressórico.
Um homem de 58 anos, acompanhado na Unidade Básica de Saúde, teve infarto agudo do miocárdio há 2 anos e está assintomático. A pressão arterial (PA) de consultório, aferida em duas consultas distintas, foi de 146/92 mmHg e 144/90 mmHg. A média das medidas domiciliares foi de 138/86 mmHg. Exame físico e demais exames sem outras alterações. Qual a conduta mais adequada quanto ao tratamento anti-hipertensivo e à meta pressórica?
Trata-se de hipertensão estágio 1 (PA 140-159/90-99 mmHg) confirmada, em paciente de risco cardiovascular alto/muito alto (doença coronariana estabelecida). Nessa situação, a Diretriz Brasileira de Hipertensão indica início imediato de fármaco (não se aguardam meses de MEV isolada) com meta mais rigorosa, inferior a 130/80 mmHg — alternativa correta. Errada: porque, no alto risco, não se posterga o fármaco nem se aceita meta de 140/90 mmHg. A MAPA é desnecessária: a PA já foi confirmada em consultório em duas ocasiões (a domiciliar apenas reforça o diagnóstico). A meta abaixo de 120/80 mmHg não é recomendada pela diretriz por risco de eventos por hipoperfusão.
Um homem de 52 anos, assintomático, comparece à Unidade Básica de Saúde. Em duas consultas distintas, a PA de consultório foi de 162/100 mmHg e 164/102 mmHg, com técnica de aferição adequada. Segundo a classificação da Diretriz Brasileira de Hipertensão, como se classifica essa pressão arterial?
A hipertensão é definida por PA de consultório igual ou superior a 140/90 mmHg em pelo menos duas medidas. O estágio 2 corresponde a PA sistólica de 160-179 mmHg e/ou diastólica de 100-109 mmHg — exatamente o caso (162-164/100-102 mmHg), tornando essa a alternativa correta. Estágio 1 é 140-159/90-99 mmHg. Estágio 3 é igual ou superior a 180/110 mmHg. Normal alta/pré-hipertensão é 130-139/85-89 mmHg, muito abaixo dos valores apresentados.
Mulher de 48 anos, assintomática, comparece à UBS para consulta de rotina. Em duas consultas, com técnica adequada, apresentou PA de 148/94 mmHg e 146/92 mmHg. Nega tabagismo e diabetes; IMC de 26 kg/m². Exames: glicemia de jejum 92 mg/dL, creatinina 0,8 mg/dL, potássio 4,1 mEq/L, ECG sem alterações, relação albumina/creatinina urinária normal. A MAPA de 24 horas mostrou médias de 122/76 mmHg nas 24 horas, 126/80 mmHg na vigília e 112/66 mmHg no sono. Considerando a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, assinale o diagnóstico correto.
A paciente tem PA de consultório persistentemente ≥140/90 mmHg, mas MAPA normal (24h <130/80, vigília <135/85 e sono <120/70 mmHg): é a definição de hipertensão do avental branco, que exige seguimento periódico (risco de progressão para HA sustentada) e medidas de estilo de vida, sem anti-hipertensivo de rotina. HA estágio 1 está errada porque a MAPA afasta hipertensão verdadeira, não cabendo tratamento medicamentoso. Hipertensão mascarada é o fenômeno inverso (consultório normal com MAPA/MRPA elevada). Pré-hipertensão não se aplica: as medidas de consultório ultrapassam 140/90 mmHg, apenas não se confirmam fora dele.
Homem de 55 anos, assintomático, comparece a consulta de rotina na UBS. Aferições de PA realizadas com técnica correta, em duas ocasiões distintas com intervalo de duas semanas, mostraram médias de 168/102 mmHg e 166/100 mmHg. Nega cefaleia, dor torácica, dispneia ou déficits neurológicos. Segundo a classificação da pressão arterial de consultório da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial vigente, assinale a categoria em que o paciente se enquadra.
Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão (2020), PA sistólica de 160–179 e/ou diastólica de 100–109 mmHg, confirmada em ocasiões distintas, define hipertensão estágio 2 — exatamente o caso (168/102 e 166/100 mmHg). Estágio 1 é 140–159/90–99 mmHg, abaixo dos valores do paciente. Estágio 3 exige ≥180 e/ou ≥110 mmHg, não atingidos. Urgência hipertensiva pressupõe elevação acentuada (em geral ≥180/120 mmHg) sintomática sem lesão aguda de órgão-alvo, o que não descreve um paciente assintomático com 168/102 mmHg em consulta de rotina.
Homem de 62 anos, hipertenso e diabético tipo 2, com infarto do miocárdio prévio há 3 anos, é acompanhado em ambulatório. Usa losartana 100 mg/dia, anlodipino 5 mg/dia, metformina, AAS e estatina, com boa adesão referida. Nega sintomas. Exame físico: PA de 136/84 mmHg (média de duas medidas, técnica adequada), FC 68 bpm, IMC 28 kg/m². Exames: HbA1c 7,1%, creatinina 1,0 mg/dL, potássio 4,3 mEq/L. Considerando a estratificação de risco e as metas pressóricas da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, assinale a conduta adequada.
Diabetes mellitus e doença coronariana estabelecida (IAM prévio) classificam o paciente como de alto risco cardiovascular; para esse grupo, a Diretriz Brasileira de Hipertensão recomenda meta de PA <130/80 mmHg (evitando valores <120/70 mmHg), de modo que 136/84 mmHg exige intensificação do tratamento. Manter o esquema pela meta <140/90 mmHg aplica o alvo de pacientes de risco baixo/moderado, não o de alto risco. Não é hipertensão resistente: usa apenas 2 fármacos, sem diurético e sem dose plena de todos; espironolactona seria 4ª droga. MAPA para avental branco investiga consultório elevado com suspeita de PA normal fora dele, mas aqui a conduta se baseia na meta de alto risco não atingida.
Homem de 52 anos, assintomático, comparece à UBS para avaliação de rotina. Nega comorbidades, tabagismo ou uso de medicamentos. Foi orientado a retornar em duas ocasiões distintas para aferição da pressão arterial em consultório, com técnica adequada. Na primeira consulta, a média foi 150/96 mmHg; na segunda, 154/94 mmHg. Exame físico sem alterações; IMC 26 kg/m². Considerando os valores obtidos em consultório e a classificação da Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, assinale o diagnóstico mais provável.
Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão, PA de consultório 140–159 e/ou 90–99 mmHg confirmada em duas medidas define estágio 1 — é o caso (150–154/94–96). Estágio 2 exige 160–179 e/ou 100–109; estágio 3, ≥180 e/ou ≥110 — ambos acima dos valores medidos. Pré-hipertensão (130–139/85–89) situa-se abaixo do limiar diagnóstico e não se aplica a valores ≥140/90.
Mulher de 45 anos, hígida, é encaminhada por medidas de PA elevadas em consultório (média 148/92 mmHg em três consultas), porém refere sentir-se bem e ter aferições domiciliares baixas. Nega lesão de órgão-alvo; exame físico, fundoscopia e exames laboratoriais normais. Solicitada Monitorização Ambulatorial da PA (MAPA), que evidenciou média de vigília de 126/78 mmHg e média de 24 horas de 120/74 mmHg. Com base na comparação entre as medidas de consultório e as ambulatoriais, assinale o diagnóstico correto.
PA de consultório elevada (≥140/90) com médias ambulatoriais normais (vigília <135/85 e 24h <130/80) define hipertensão do avental branco. Hipertensão mascarada é o oposto (consultório normal, ambulatorial alta). HAS verdadeira exigiria MAPA também elevada, o que não ocorreu. Hipertensão sistólica isolada requer PAS ≥140 com PAD <90 de forma sustentada.
Homem de 60 anos com diabetes mellitus tipo 2 há 10 anos, ex-tabagista, apresenta doença arterial coronariana estável (revascularizado há 2 anos) e albuminúria moderada. Em uso de metformina, atorvastatina, AAS e enalapril. PA de consultório em duas consultas: 138/86 e 142/88 mmHg, confirmada por MAPA. Estratificado como risco cardiovascular alto/muito alto. O paciente tolera bem a medicação, sem sintomas de hipotensão. De acordo com a Diretriz Brasileira de Hipertensão, qual a meta pressórica de consultório mais adequada para este paciente?
Em pacientes de risco cardiovascular alto/muito alto (aqui: DM, DAC estabelecida e albuminúria), a diretriz recomenda meta mais rigorosa de <130/80 mmHg, sem reduzir a PAS abaixo de 120 mmHg (curva em J). A meta <140/90 aplica-se ao hipertenso de risco baixo/moderado, subtratando este perfil. <150/90 seria alvo frouxo, reservado a idosos frágeis. <120/70 obrigatório expõe a hipotensão e não é preconizado.
Homem de 52 anos, assintomático, comparece à unidade de saúde para avaliação. Nega diabetes, tabagismo ou eventos cardiovasculares. Em duas consultas distintas, com técnica adequada e manguito apropriado, as médias das aferições foram 152/96 mmHg e 148/94 mmHg. Exame físico: IMC 26 kg/m², FC 72 bpm, restante sem alterações. Exames: creatinina 0,9 mg/dL; potássio 4,2 mEq/L; glicemia 92 mg/dL; LDL-c 118 mg/dL; ECG sem sinais de sobrecarga; sem albuminúria. Realizada MAPA: média de 24 horas 121/74 mmHg; vigília 126/78 mmHg; sono 108/66 mmHg. Assinale a conduta adequada.
PA de consultório elevada (≥ 140/90 mmHg) com medidas ambulatoriais normais (vigília < 135/85 e 24 h < 130/80 mmHg) define hipertensão do avental branco; nesse cenário, sem lesão de órgão-alvo e com risco cardiovascular baixo, a conduta é não medicar, indicar mudanças de estilo de vida e manter seguimento com medidas fora do consultório, pois há risco aumentado de evolução para hipertensão sustentada. Tratar como estágio 1 ignora o padrão-ouro ambulatorial. Hipertensão mascarada é o inverso — consultório normal e MAPA alterada. A MAPA é exame confirmatório e não precisa ser repetida rotineiramente quando tecnicamente adequada. A medida ambulatorial prevalece sobre a de consultório na definição diagnóstica.
Mulher de 61 anos comparece à unidade básica de saúde para avaliação de rotina. É sedentária, nega tabagismo, diabetes ou eventos cardiovasculares prévios e não usa medicações. Em duas consultas, as médias das aferições foram 164/100 mmHg e 160/98 mmHg, valores confirmados por automedida residencial (média 158/96 mmHg). Exame físico: IMC 28 kg/m², FC 74 bpm, pulsos simétricos, sem sopros. Exames: creatinina 0,8 mg/dL; potássio 4,0 mEq/L; glicemia 96 mg/dL; ECG normal; sem albuminúria; fundo de olho sem alterações. Assinale a conduta inicial adequada.
PA ≥ 160/100 mmHg caracteriza hipertensão estágio 2; a diretriz brasileira recomenda início já com combinação dupla em doses baixas (preferencialmente em comprimido único, associando IECA ou BRA a bloqueador de canal de cálcio ou diurético tiazídico), somada a mudanças de estilo de vida, com meta < 130/80 mmHg para a maioria dos adultos. Mudança de estilo de vida isolada só é aceitável no estágio 1 de baixo risco. Não há sinais de alerta para causa secundária — idade típica, ausência de hipocalemia ou de hipertensão resistente. Monoterapia é insuficiente para estágio 2 e a meta relaxada não se aplica a paciente de 61 anos sem fragilidade.
Mulher de 38 anos, assintomática, sem comorbidades, não tabagista, IMC 23 kg/m², sem história familiar relevante e com exames laboratoriais e eletrocardiograma normais. Apresenta, em duas consultas, medidas de pressão arterial de 134/86 e 132/84 mmHg (médias das duas últimas de três aferições). O risco cardiovascular estimado é baixo. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, qual é a conduta?
Pela DBHA 2025, valores de 120-139 e/ou 80-89 mmHg no consultório configuram pré-hipertensão, não hipertensão — o corte diagnóstico brasileiro permanece em 140/90 mmHg. As medidas não medicamentosas estão indicadas para todos a partir de 120/80 mmHg, mas o tratamento medicamentoso na faixa 130-139/80-89 só é recomendado após três meses de mudança de estilo de vida e apenas em pacientes de alto risco cardiovascular, o que não é o caso. Aqui mora a divergência internacional mais cobrada: a diretriz americana de 2025 chamaria esta paciente de hipertensa estágio 1 (130-139/80-89), mas, mesmo lá, com risco estimado abaixo de 7,5% pelo escore PREVENT, o fármaco só entraria após 3 a 6 meses de estilo de vida. A alternativa da MAPA erra ao transformar limiar diagnóstico fora do consultório em gatilho automático de prescrição.
Mulher de 41 anos, hipertensa há dois anos, em uso de três classes de anti-hipertensivos em doses máximas, mantém pressão de 158/98 mmHg. Exames mostram potássio de 3,1 mEq/L (sem uso de diurético de alça), creatinina normal e sumário de urina sem alterações. Tomografia de abdome, feita por outro motivo, evidenciou nódulo adrenal de 1,8 cm. Qual é a investigação inicial mais adequada?
A tríade hipertensão resistente, hipopotassemia espontânea e nódulo adrenal é a apresentação clássica do hiperaldosteronismo primário, causa endócrina mais comum de hipertensão secundária. O rastreio recomendado é a determinação de aldosterona e de atividade ou concentração de renina plasmática, seguida de testes confirmatórios (infusão salina, captopril, fludrocortisona ou furosemida intravenosa) e, quando indicada a definição de subtipo, cateterismo de veias adrenais. Vale lembrar que a hipopotassemia não é obrigatória para a suspeita. Metanefrinas rastreiam feocromocitoma, cuja marca é hipertensão paroxística com cefaleia, sudorese e palpitações. Doppler renal investiga estenose de artéria renal, e polissonografia, apneia obstrutiva do sono.
Mulher de 52 anos, sem comorbidades, apresenta medidas repetidas de pressão arterial no consultório entre 146/92 e 152/96 mmHg em três consultas distintas. Refere que em casa e na farmácia os valores são sempre normais. Solicitada MAPA de 24 horas, os resultados são: média de 24 horas 122/74 mmHg, média de vigília 126/78 mmHg e média de sono 108/64 mmHg. Qual é o diagnóstico?
Hipertensão do avental branco é definida como pressão elevada no consultório (140/90 mmHg ou mais) e normal fora dele, isto é, abaixo de 130/80 mmHg na MAPA de 24 horas ou na MRPA. Todos os valores da MAPA estão abaixo dos limiares diagnósticos: 24 horas 122/74 (corte 130/80), vigília 126/78 (corte 135/85) e sono 108/64 (corte 120/70). A prevalência é de 7% a 15% e a condição é mais comum justamente no estágio 1 e nas formas sistólica ou diastólica isoladas. Hipertensão mascarada seria o inverso — pressão normal no consultório e elevada fora dele — e é a forma de maior risco, com prognóstico semelhante ao da hipertensão sustentada.
Homem de 54 anos em uso regular e comprovado de losartana 100 mg/dia, anlodipino 10 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia há quatro meses. Pressão de consultório em duas consultas: 152/94 e 148/92 mmHg. MAPA de 24 horas confirma média de 142/88 mmHg. Adesão verificada por contagem de comprimidos e técnica de medida revisada. Qual é o diagnóstico e a conduta medicamentosa preferencial?
Hipertensão arterial resistente é a pressão que permanece acima da meta com três ou mais classes sinérgicas em doses máximas preconizadas ou toleradas — preferencialmente um diurético tiazídico ou similar, um bloqueador do sistema renina-angiotensina e um bloqueador de canal de cálcio de ação prolongada — por pelo menos 30 a 60 dias, afastadas as causas de pseudorresistência. O caso preenche tudo: três classes corretas em dose máxima, quatro meses de uso, adesão comprovada, técnica revista e MAPA confirmando que não é avental branco. A quarta droga preferencial é a espironolactona (25 a 50 mg/dia), com recomendação forte e certeza alta de evidência. Refratária exigiria cinco ou mais anti-hipertensivos, incluindo um antagonista mineralocorticoide e um tiazídico similar de ação prolongada.
Homem de 45 anos, assistente administrativo, comparece à unidade básica de saúde assintomático, para avaliação de rotina. Não tem comorbidades, não fuma, IMC 26 kg/m², sem história familiar de doença cardiovascular precoce. Após cinco minutos de repouso, sentado, com o braço apoiado na altura do coração, são realizadas três medidas da pressão arterial com um minuto de intervalo: 152/94, 146/90 e 144/90 mmHg. O exame físico é normal e ele não apresenta sinais de lesão de órgão-alvo. Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, qual é a conduta correta neste momento?
O valor a registrar é a média das duas últimas de três medidas — (146+144)/2 = 145 e (90+90)/2 = 90 — ou seja, 145/90 mmHg; a primeira aferição é sempre descartada. Isso é hipertensão estágio 1 (140-159 e/ou 90-99), mas o diagnóstico exige confirmação em duas ocasiões diferentes, com intervalo de dias a semanas, ou medida fora do consultório (MAPA de 24 h a partir de 130/80, vigília 135/85, sono 120/70, ou MRPA 130/80). A confirmação só é dispensada em duas situações, ausentes aqui: estágio 3 (180/110 ou mais) ou lesão de órgão-alvo / doença cardiovascular já estabelecida. As medidas não medicamentosas, essas sim, começam imediatamente — valem para todos a partir de 120/80 mmHg. Ecocardiograma e carótidas não são exames de rotina.
Homem de 47 anos, obeso, sedentário, tabagista, com diagnóstico confirmado de hipertensão arterial. Média das medidas de consultório em duas consultas: 168/104 mmHg. Sem lesão de órgão-alvo detectada e sem doença cardiovascular estabelecida. Qual é a estratégia inicial de tratamento medicamentoso recomendada?
A pressão de 168/104 mmHg configura hipertensão estágio 2 (160-179 e/ou 100-109). Para a maioria dos pacientes — e explicitamente para os estágios 2 e 3, e para o estágio 1 de risco moderado ou alto — a DBHA 2025 recomenda iniciar já com associação dupla em doses baixas, preferencialmente em comprimido único, com recomendação forte. As classes preferenciais são diurético tiazídico ou similar, IECA ou BRA e bloqueador de canal de cálcio; a combinação de escolha é um bloqueador do sistema renina-angiotensina associado a bloqueador de canal de cálcio e/ou diurético. Monoterapia fica restrita a quatro cenários (PA 130-139/80-89 de alto risco, estágio 1 de baixo risco, indivíduo frágil, e 80 anos ou mais / hipotensão ortostática sintomática). Betabloqueador não é primeira linha genérica, e a terceira classe só entra depois de alcançadas as doses plenas da dupla.
Mulher de 86 anos, hipertensa, mora em instituição de longa permanência, apresenta perda ponderal no último ano, dificuldade para deambular e episódios de tontura ao levantar-se. Pressão arterial sentada de 156/82 mmHg e, em ortostase, 128/74 mmHg com tontura. Está em uso de anlodipino 5 mg/dia. Qual é a conduta mais adequada quanto ao esquema medicamentoso?
A paciente reúne duas das exceções explícitas da DBHA 2025 ao início com combinação dupla: idade de 80 anos ou mais e fragilidade, somadas a hipotensão ortostática sintomática. Nesses casos a recomendação é monoterapia, e a meta deixa de ser rígida — para idoso frágil, muito idoso ou com condições que comprometam a expectativa de vida, a orientação é reduzir a pressão até o menor valor tolerado, e não perseguir 130/80 a qualquer custo. A diretriz ainda pede, nesse perfil, revisão periódica de toda a polifarmácia, ênfase nas medidas não medicamentosas e preferência por esquemas com o menor número possível de comprimidos ao dia. Escalar o tratamento aqui aumenta risco de queda, síncope e injúria renal aguda sem ganho demonstrado.
Homem de 58 anos, diabético tipo 2 há oito anos, com hipertensão arterial estágio 2 recém-diagnosticada e relação albuminúria/creatininúria de 45 mg/g. Taxa de filtração glomerular estimada de 72 mL/min/1,73 m². Segundo a Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, qual é a meta pressórica deste paciente?
A DBHA 2025 unificou a meta: pressão abaixo de 130/80 mmHg para todo paciente com hipertensão, independentemente de o risco cardiovascular ser baixo, moderado ou alto — recomendação forte, com certeza alta de evidência. A mesma meta é reafirmada nominalmente para diabéticos, para doença renal crônica, para doença arterial coronariana, para hipertensão resistente e para a maioria dos idosos. Não existe meta mais rigorosa que 130/80 recomendada como alvo: abaixo de 120/70 há maior risco de hipotensão sintomática, síncope, injúria renal aguda e hipercalemia, e a diretriz não recomenda perseguir esses valores. A ressalva prevista é a oposta — quem não tolerar 130/80 deve ter a pressão reduzida até o menor valor tolerado.
Homem de 54 anos, obeso e diabético tipo 2, tem pressão de consultório de 128/82 e 126/80 mmHg em duas consultas, medida com técnica adequada. Por causa de relação albuminúria/creatininúria de 42 mg/g, solicita-se monitorização residencial da pressão arterial, cuja média é de 138/86 mmHg. Qual é o diagnóstico?
Pressão normal no consultório e elevada fora dele caracteriza a forma mascarada: o limiar da monitorização residencial é 130/80 mmHg, e 138/86 o ultrapassa. Ela é mais frequente em diabéticos e obesos e tem risco cardiovascular semelhante ao da hipertensão sustentada, o que explica por que passar despercebida é o problema. O avental branco é o quadro inverso, com consultório alto e medida domiciliar normal. Chamar de pré-hipertensão ou de pressão normal usaria só a medida de consultório, justamente a que engana aqui, e a forma sistólica isolada exigiria sistólica de 140 mmHg ou mais com diastólica abaixo de 90.
Mulher de 63 anos, tabagista, com hipertensão de difícil controle iniciada há 8 meses. Após a introdução de enalapril, a creatinina subiu de 1,0 para 1,7 mg/dL em duas semanas. Teve um episódio de edema agudo de pulmão sem dor torácica. A ultrassonografia mostra o rim direito 2 cm menor que o esquerdo. Qual é a hipótese e o rastreio inicial?
Piora da função renal logo após bloquear o sistema renina-angiotensina, edema agudo de pulmão súbito e assimetria renal maior que 1,5 cm formam o conjunto que aponta estenose de artéria renal, e o rastreio é a ultrassonografia com Doppler, seguida de angiotomografia ou angiorressonância quando necessário. O hiperaldosteronismo se anuncia por hipopotassemia ou nódulo adrenal, e o feocromocitoma pela tríade de hipertensão paroxística com cefaleia, sudorese e palpitações. A coarctação daria pulsos femorais diminuídos e diferença de pressão entre os membros. Biópsia renal não é exame de rastreio nesse contexto.
Homem de 58 anos com hipertensão arterial estágio 2 recém-diagnosticada realiza os exames de rotina. O eletrocardiograma mostra soma da onda S de V1 com a onda R de V5 de 41 mm. Os demais exames não têm alterações. Qual é a leitura correta desse achado?
O índice de Sokolow-Lyon soma a onda S de V1 à onda R de V5 ou V6, e valores acima de 35 mm caracterizam hipertrofia ventricular esquerda, que é lesão de órgão-alvo — 41 mm ultrapassa o corte, e não existe corte de 45 mm nessa régua. O índice de Cornell é outra soma, a da onda S de V3 com a onda R de aVL, com cortes de 28 mm em homens e 20 mm em mulheres. O eletrocardiograma faz parte da rotina inicial e basta para caracterizar a lesão; o ecocardiograma acrescenta o índice de massa ventricular, mas não é exigido. E lesão crônica de órgão-alvo não é emergência, que exige dano agudo e progressivo.
Paciente com hipertensão em uso de hidroclorotiazida, anlodipino e losartana em doses plenas, com aferições domiciliares confirmando 158x96 mmHg. Adesão comprovada. Qual a quarta droga de escolha antes de aprofundar a investigação de causas secundárias raras?
Hipertensão resistente é definida por pressão não controlada com três drogas em dose otimizada, uma delas diurético, e o antagonista mineralocorticoide é a quarta droga com melhor evidência, superando betabloqueador e alfabloqueador em ensaios dedicados — o que reflete o papel do excesso relativo de aldosterona nesse grupo. Clonidina e metildopa são opções de segunda linha, com tolerabilidade ruim e efeito rebote no caso da primeira. Hidralazina isolada provoca taquicardia reflexa e retenção de sódio, devendo ser combinada. A furosemida não substitui o tiazídico no hipertenso com função renal preservada, ficando reservada a quem tem doença renal crônica avançada ou congestão. Reconhecer a resistência verdadeira é justamente o gatilho para investigar apneia do sono, hiperaldosteronismo e doença renovascular.
Qual meta pressórica ambulatorial é razoável para prevenção secundária em paciente com AVC lacunar prévio e boa tolerância ao tratamento?
Na doença de pequenos vasos o controle mais estrito, abaixo de 130x80 mmHg quando bem tolerado, reduz recorrência e progressão da lesão de substância branca. Manter a sistólica alta para preservar perfusão engana quem estende a permissividade da fase aguda para o seguimento crônico, momentos com lógicas opostas. Aceitar apenas evitar picos deixa o paciente exposto ao mesmo mecanismo que causou a lacuna.
Paciente com AVC lacunar recente e hipertensão arterial de longa data. Qual é o pilar principal da prevenção secundária?
A doença de pequenos vasos é movida pela pressão, e o controle pressórico sustentado é o que mais reduz recorrência e progressão da leucoaraiose, somado a antiagregante e estatina. Anticoagular engana quem transporta a conduta do AVC cardioembólico para o lacunar, aumentando hemorragia intracraniana sem benefício. Dupla antiagregação crônica também eleva sangramento, e revascularizar carótida não trata arteríola perfurante.
Sobre o tratamento farmacológico inicial da hipertensão arterial em adulto sem comorbidades específicas, qual afirmação está correta?
As diretrizes atuais favorecem iniciar com combinação em doses baixas, tipicamente bloqueador do sistema renina-angiotensina somado a bloqueador de canal de cálcio ou a tiazídico, porque o controle é mais rápido, os efeitos adversos são menores e a adesão melhora com o comprimido único. Escalar a monoterapia até a dose máxima engana quem segue o modelo antigo, aumenta efeitos adversos e retarda o controle. Betabloqueador é primeira linha apenas com indicação específica.
Sobre a avaliação de lesão de órgão-alvo no hipertenso, qual exame permite identificar hipertrofia ventricular esquerda com maior sensibilidade e é recomendado quando há dúvida diagnóstica?
O ecocardiograma quantifica massa ventricular, geometria e função, sendo bem mais sensível que o eletrocardiograma para detectar hipertrofia, além de avaliar disfunção diastólica e átrio esquerdo. O eletrocardiograma engana por estar em toda avaliação inicial e ser barato, mas sua sensibilidade é baixa — um traçado sem critérios de hipertrofia não afasta o achado. A monitorização ambulatorial mede a pressão, não a lesão que ela produziu.
Paciente hipertenso em uso de três anti-hipertensivos em doses otimizadas, incluindo diurético tiazídico, mantém pressão acima da meta. Adesão confirmada e medida domiciliar concordante. Qual o quarto fármaco preferencial?
Na hipertensão resistente verdadeira - com adesão confirmada, técnica correta de medida e efeito do avental branco afastado - o quarto fármaco com melhor evidência é a espironolactona, resultado consistente do estudo que comparou antagonista mineralocorticoide a betabloqueador e alfabloqueador. É preciso vigiar potássio e função renal. Trocar tiazídico por furosemida é opção quando há doença renal crônica avançada, e não regra. Metildopa e clonidina são de última linha pela tolerância. Nifedipino de liberação rápida não deve ser usado no tratamento crônico da hipertensão em nenhuma circunstância.
Homem de 38 anos com emergência hipertensiva de repetição, hipopotassemia (K 2,9 mEq/L) sem uso de diurético e alcalose metabólica. Qual investigação de hipertensão secundária deve ser priorizada?
Hipertensão de difícil controle em paciente jovem, com hipopotassemia espontânea e alcalose metabólica, é a apresentação clássica do hiperaldosteronismo primário, e o rastreio é a relação aldosterona/renina - lembrando que vários anti-hipertensivos, sobretudo espironolactona, interferem no resultado e precisam ser ajustados antes da coleta. Apneia do sono é causa secundária muito prevalente e deve ser lembrada, mas não explica a hipopotassemia com alcalose, que é o dado dirigido da vinheta. Feocromocitoma, doença renovascular e doença parenquimatosa renal completam a lista, cada um com pistas próprias.
Qual característica clínica NÃO sugere hipertensão arterial secundária?
Hipertensão leve, de início na meia-idade, com histórico familiar e resposta a monoterapia é o retrato da hipertensão primária, que responde por mais de 90% dos casos e não justifica investigação etiológica ampliada. Os demais itens são exatamente os gatilhos que obrigam a procurar causa secundária: início precoce ou muito tardio, resistência a esquema pleno com diurético, perda súbita de controle em paciente previamente compensado e hipocalemia espontânea. Reconhecer quem NÃO investigar é tão cobrado quanto reconhecer quem investigar, porque rastrear todo hipertenso gera exames desnecessários e achados incidentais.
Qual é o principal fator desencadeante de emergências hipertensivas em pacientes previamente diagnosticados e tratados?
A causa mais frequente é a má adesão - abandono do tratamento, uso irregular, falta de acesso à medicação -, motivo pelo qual a alta após uma emergência hipertensiva deve investigar ativamente barreiras de adesão, simplificar o esquema, preferir combinações em comprimido único e garantir seguimento. Outras causas incluem uso de cocaína e simpaticomiméticos, anti-inflamatórios, interrupção abrupta de clonidina ou betabloqueador e hipertensão secundária não diagnosticada. Exercício aeróbico regular reduz a pressão arterial, e estatina e vacina inativada não desencadeiam crises.
Paciente com hipertensão secundária apresenta hipocalemia, alcalose metabólica, renina suprimida E aldosterona suprimida. Qual a hipótese?
Quando renina e aldosterona estão ambas suprimidas mas o paciente se comporta como se tivesse excesso de mineralocorticoide, a causa está fora da aldosterona: consumo de alcaçuz, que inibe a enzima que protege o receptor mineralocorticoide, síndrome de Liddle, com canal de sódio hiperativo, ou excesso de outro esteroide com atividade mineralocorticoide. No hiperaldosteronismo primário a aldosterona está elevada, e na estenose de artéria renal tanto renina quanto aldosterona sobem — comparar esses três padrões é exatamente o que a questão testa. Feocromocitoma não produz esse perfil eletrolítico.
Qual grupo de medicamentos e substâncias deve ser sistematicamente pesquisado como causa de elevação da pressão arterial?
A revisão de fármacos e substâncias é etapa obrigatória na avaliação de hipertensão resistente ou de início abrupto, e a lista inclui anti-inflamatórios, simpaticomiméticos, corticoides, contraceptivos hormonais, imunossupressores como ciclosporina e tacrolimo, eritropoetina, alguns antidepressivos, álcool em excesso, anfetaminas e cocaína. Esse rastreio custa uma pergunta e frequentemente resolve o caso, ao contrário da investigação laboratorial extensa que costuma vir antes.
Qual medida não farmacológica proporciona a maior redução média de pressão arterial em hipertensos com sobrepeso?
A redução de peso é a intervenção não farmacológica de maior impacto, com queda aproximada de 1 mmHg para cada quilograma perdido, seguida por padrão alimentar rico em frutas, verduras e laticínios com baixo teor de gordura, restrição de sódio, exercício aeróbico regular e moderação no consumo de álcool. Suplementos de cálcio e vitamina D não têm efeito relevante sobre a pressão e são os distratores que confundem suplementação com mudança de estilo de vida.
Paciente hipertenso em uso de três drogas em dose plena, incluindo diurético, mantém PA acima da meta. Antes de rotular como hipertensão resistente, qual verificação é essencial?
Falta de adesão e hipertensão do avental branco respondem por boa parte dos casos rotulados como resistentes, e por isso a confirmação com medida residencial ou ambulatorial e a checagem objetiva de adesão precedem qualquer escalada. Também entram nessa etapa a revisão de drogas que elevam a pressão, como anti-inflamatórios, descongestionantes e corticoides, e o excesso de sal na dieta. A espironolactona é de fato a quarta droga de escolha, mas prescrevê-la sem confirmar a resistência é tratar um diagnóstico não estabelecido.
Qual combinação de anti-hipertensivos deve ser evitada por não trazer benefício adicional e aumentar eventos adversos?
O bloqueio duplo do sistema renina-angiotensina não melhora desfechos e aumenta hipercalemia, hipotensão e disfunção renal, sendo formalmente desaconselhado após ensaios que testaram justamente essa associação. As demais combinações são sinérgicas e recomendadas, com a associação de bloqueador do sistema renina-angiotensina e bloqueador de canal de cálcio sendo a que reúne melhor evidência de proteção cardiovascular — reconhecer o par proibido é o ponto que separa quem apenas decorou classes de quem entendeu os mecanismos somados.
Qual meta pressórica é recomendada para a maioria dos pacientes hipertensos com risco cardiovascular alto e boa tolerância ao tratamento?
As diretrizes contemporâneas convergem para alvo abaixo de 130x80 mmHg em pacientes de risco alto que toleram o tratamento, patamar sustentado por ensaios que mostraram redução de eventos com controle mais intensivo. Manter alvo de 150x90 é recomendação antiga, hoje reservada apenas a idosos frágeis com cautela individualizada. Perseguir metas muito baixas em todos os pacientes tampouco é correto, porque em idosos frágeis a hipotensão traz quedas, síncope e lesão renal.
Homem de 55 anos, hipertenso, inicia enalapril. Após 10 dias apresenta tosse seca persistente e incômoda, sem outras alterações. Qual a conduta?
A tosse dos inibidores da enzima conversora decorre do acúmulo de bradicinina e ocorre em parcela significativa dos usuários, sendo motivo frequente de abandono; a solução é trocar por um bloqueador do receptor de angiotensina, que mantém o benefício da classe sem esse efeito. Excluir todo o eixo renina-angiotensina é privar o paciente de proteção cardiovascular e renal por um efeito específico de uma das duas classes. Antitussígeno mascara sem resolver e reduzir a dose raramente elimina o sintoma.
Homem de 49 anos, assintomático, apresenta em duas consultas médias de PA de 152x96 e 156x94 mmHg. Monitorização ambulatorial de 24 horas com média de vigília de 142x90 mmHg. Sem lesão de órgão-alvo e sem comorbidades. Qual a conduta?
O diagnóstico está confirmado por medida ambulatorial acima dos limites de vigília, caracterizando hipertensão estágio 1, e a recomendação atual é iniciar o tratamento farmacológico junto às medidas não medicamentosas, sem postergar. Reservar a droga para depois da lesão de órgão-alvo é a inércia terapêutica que a diretriz combate: quando o dano aparece, parte dele já é irreversível. As medidas de estilo de vida são obrigatórias em qualquer estágio, mas isoladas não bastam nesse patamar de risco.
Paciente com hipertensão e diabetes tipo 2 apresenta relação albumina/creatinina urinária de 380 mg/g. Qual classe deve compor obrigatoriamente o esquema?
Na presença de albuminúria, os bloqueadores do sistema renina-angiotensina reduzem a proteinúria e retardam a progressão da doença renal por efeito hemodinâmico intraglomerular, benefício que vai além da redução da pressão e por isso torna a classe obrigatória. Betabloqueador e alfabloqueador controlam pressão sem essa proteção específica, e o alfabloqueador sequer é escolha de primeira linha. Nesse perfil também se avalia a associação de inibidor do cotransportador de sódio e glicose pelo benefício renal adicional.
Homem de 55 anos, hipertenso em uso de enalapril há 8 meses, apresenta tosse seca persistente há 4 meses, sem dispneia, sem febre e com exame físico e radiografia de tórax normais. Qual a conduta inicial mais adequada?
Tosse seca em usuário de inibidor da ECA é causa medicamentosa clássica, mediada por acúmulo de bradicinina, e pode começar meses após o início da droga. A prova está na suspensão: trocar por um bloqueador do receptor de angiotensina, que não tem esse efeito, e reavaliar em algumas semanas — a resolução pode demorar até 4 semanas ou mais. Tratar refluxo empiricamente engana quem pula a revisão da prescrição, um erro caro porque adia a resolução e adiciona droga desnecessária. Antitussígeno mascara sem corrigir a causa, e exames de imagem avançados não têm papel enquanto a causa evidente não for retirada.
Sobre a definição de hipertensão resistente, qual afirmativa está correta?
O rótulo de resistência exige esquema com três classes em doses otimizadas, obrigatoriamente com diurético, ou controle que só se consegue com quatro ou mais drogas. Antes de aplicá-lo, é indispensável excluir pseudo-resistência: má adesão, técnica inadequada de medida, efeito do avental branco confirmado por monitorização ambulatorial e uso de substâncias que elevam a pressão, como anti-inflamatórios, corticoides e descongestionantes. Pular essa etapa engana e leva a investigações caras num paciente que apenas não toma a medicação.
Sobre a monitorização ambulatorial da pressão arterial e a medida residencial, qual afirmativa está correta?
As medidas fora do consultório usam limiares mais baixos, porque o ambiente clínico eleva a pressão, e permitem identificar dois fenômenos de conduta oposta: o avental branco, que evita tratamento desnecessário, e a hipertensão mascarada, em que o paciente aparece normal no consultório e hipertenso na vida real, com risco cardiovascular aumentado. Aplicar os cortes do consultório a esses exames engana e leva a classificações erradas. O valor prognóstico dessas medidas é reconhecidamente superior ao da aferição isolada em consultório.
Paciente de 44 anos com hipertensão de difícil controle em uso de três drogas em dose otimizada, incluindo diurético, apresenta hipocalemia espontânea e nódulo adrenal na tomografia. Qual investigação é prioritária?
Hipertensão resistente com hipocalemia espontânea e nódulo adrenal aponta hiperaldosteronismo primário, e o exame de triagem é a relação entre aldosterona e atividade de renina plasmática, com atenção às drogas que interferem no resultado. Confirmada a triagem, seguem-se testes confirmatórios e cateterismo de veias adrenais quando se cogita adrenalectomia. Investigar apenas feocromocitoma engana quem associa nódulo adrenal automaticamente a catecolaminas, sem valorizar o padrão eletrolítico que aponta para a aldosterona.
Qual medida não farmacológica tem maior impacto na redução da pressão arterial em paciente obeso e hipertenso?
A redução ponderal é a medida não farmacológica de maior efeito no obeso hipertenso, com queda aproximada de 1 mmHg de pressão sistólica por quilograma perdido, seguida por padrão alimentar rico em frutas, verduras e laticínios magros, restrição de sódio, atividade física regular e moderação alcoólica. Suplementos isolados não têm efeito clinicamente relevante.
Mulher de 58 anos, hipertensa, com pressao de consultorio de 152x94 mmHg em tres consultas e MAPA com media de vigilia de 148x92 mmHg, sem lesao de orgao-alvo. A conduta correta e:
Hipertensao confirmada por medida de consultorio e por monitorizacao ambulatorial, em estagio que ja ultrapassa os limiares, indica tratamento farmacologico desde o diagnostico, associado as medidas de estilo de vida — que sozinhas ficam reservadas a pressao limitrofe ou estagio 1 de baixo risco. Aguardar lesao de orgao-alvo para tratar engana porque inverte a logica da prevencao: a lesao e o desfecho que se quer evitar, nao o gatilho do tratamento.
Sobre o consumo de sodio, a recomendacao da Organizacao Mundial da Saude para adultos e a principal fonte na dieta brasileira sao, respectivamente:
A recomendacao e de menos de 2 g de sodio ao dia, equivalente a cerca de 5 g de sal de cozinha, e no Brasil o consumo e mais que o dobro disso, com contribuicao do sal adicionado no preparo e crescente participacao dos ultraprocessados. Confundir gramas de sodio com gramas de sal e o erro mais comum na leitura de rotulos, porque 5 g de sal contem apenas cerca de 2 g de sodio. Reducao de sodio diminui pressao arterial mesmo em normotensos.
Qual achado sugere hipertensão arterial secundária e justifica investigação adicional?
Sinais de alerta para causa secundária incluem início em idade atípica, hipertensão resistente ou de instalação abrupta, hipocalemia espontânea que sugere hiperaldosteronismo, sopro abdominal compatível com doença renovascular, além de sinais de apneia do sono, de feocromocitoma ou de hipercortisolismo. Obesidade, sedentarismo e necessidade de duas drogas são achados comuns na hipertensão primária, e investigar todos os hipertensos gera exames desnecessários sem alterar a conduta na imensa maioria.
Homem de 52 anos comparece à unidade básica de saúde com pressão de 150x96 mmHg em duas aferições na mesma consulta. Está assintomático, sem diagnóstico prévio. Qual é a conduta para confirmar o diagnóstico de hipertensão?
O diagnóstico de hipertensão exige confirmação, seja com aferições em consultas distintas e técnica adequada, seja com medidas fora do consultório, que têm melhor correlação prognóstica e identificam hipertensão do avental branco e hipertensão mascarada. Iniciar tratamento com base em uma única consulta em paciente assintomático e com valores de estágio 1 expõe a tratamento desnecessário. Considerar normal contraria os valores encontrados, e investigar causa secundária sem indícios que a sugiram é desperdício de recursos.
Paciente hipertenso em uso de três anti-hipertensivos em doses otimizadas, incluindo diurético, mantém pressão acima da meta. Qual é a conduta?
Diante de hipertensão aparentemente resistente, o primeiro passo é confirmar que ela é real: verificar adesão, técnica de aferição, uso de interferentes como anti-inflamatórios, corticoides, descongestionantes e álcool, e afastar efeito do avental branco com medida ambulatorial, investigando então causas secundárias. A espironolactona é a quarta droga com melhor evidência nesse cenário. Trocar tudo às cegas, retirar o diurético ou aceitar o descontrole sem investigação são condutas que perpetuam o risco.
Qual é a técnica correta para a aferição da pressão arterial no consultório?
Erros de técnica produzem valores falsamente altos ou baixos e levam a diagnósticos e tratamentos equivocados: é preciso repouso prévio, posição sentada com dorso apoiado e pés no chão, braço na altura do coração, manguito compatível com a circunferência do braço, silêncio durante a medida e repetição das aferições. Manguito pequeno em braço largo superestima a pressão, e braço pendente abaixo do nível do coração também eleva o valor medido, ambos erros frequentes na rotina.
Paciente hipertenso inicia inibidor da enzima conversora de angiotensina. Após duas semanas, a creatinina sobe de 1,0 para 1,2 mg/dL e o potássio vai de 4,2 para 5,0 mEq/L. Qual é a conduta?
A redução da pressão intraglomerular pelo bloqueio do sistema renina-angiotensina provoca elevação previsível e geralmente benigna da creatinina, aceitando-se aumentos de até cerca de trinta por cento com monitorização, já que a droga é justamente a que protege o rim a longo prazo. Suspender diante de qualquer elevação é o erro que priva o paciente do benefício renal. Elevações maiores, hipercalemia significativa ou queda abrupta da função obrigam a investigar estenose de artéria renal e depleção de volume.
Qual estratégia da atenção primária é mais efetiva para melhorar o controle pressórico da população adscrita?
O controle populacional da hipertensão depende de continuidade do cuidado, atuação de equipe multiprofissional, busca ativa dos que faltam às consultas, educação em saúde, esquemas simplificados de preferência em dose única diária e combinações fixas, além de estratégias que sustentem a adesão, que é o principal fator de descontrole. Encaminhamento universal ao especialista, mais consultas de urgência para valores pressóricos isolados e trocas frequentes de esquema fragmentam o cuidado sem melhorar desfechos.
Qual conjunto de exames compõe a avaliação inicial de rotina do paciente com diagnóstico recente de hipertensão na atenção primária?
A avaliação inicial busca estratificar risco cardiovascular, identificar lesão de órgão-alvo e rastrear comorbidades, com exames simples e amplamente disponíveis, incluindo função renal, potássio, glicemia, lipidograma, urina com avaliação de albuminúria e eletrocardiograma. Exames de imagem avançados e investigação hormonal são reservados a suspeita de causa secundária, sinalizada por início muito precoce ou tardio, hipertensão resistente, hipocalemia espontânea ou sintomas sugestivos, e solicitá-los para todos onera o sistema sem benefício.
Paciente hipertenso de 58 anos, diabético, com pressão de 158x94 mmHg confirmada. Qual é a estratégia inicial de tratamento farmacológico mais adequada?
Em hipertensão estágio 2 ou em pacientes de alto risco, como diabéticos, a combinação inicial de duas classes atinge a meta mais rápido e com melhor adesão do que a titulação sequencial em monoterapia, sendo preferido um bloqueador do sistema renina-angiotensina, sobretudo com albuminúria, associado a diurético tiazídico ou bloqueador de canal de cálcio. Postergar a medicação por meses em paciente de alto risco é o erro que acumula lesão de órgão-alvo. Betabloqueador e alfabloqueador não são primeira linha na ausência de indicação específica.
Qual é a intervenção não farmacológica com maior impacto na redução da pressão arterial?
As medidas com maior efeito documentado sobre a pressão são a perda de peso, a redução do sódio da dieta, o padrão alimentar rico em frutas, hortaliças e laticínios magros, a prática regular de atividade física aeróbica, a moderação do consumo de álcool e a cessação do tabagismo, que reduz risco cardiovascular global. Suplementos vitamínicos e minerais isolados não demonstraram benefício pressórico consistente, adoçantes não reduzem pressão, e restringir líquidos não é recomendação para hipertensão.
Adolescente de 14 anos com obesidade e hipertensão confirmada. Qual é a abordagem inicial recomendada?
Na hipertensão primária de estágio 1 sem lesão de órgão-alvo, comorbidade ou sintomas, a primeira intervenção é comportamental, com metas realistas de peso, redução de sódio, aumento de frutas e hortaliças e exercício aeróbico regular. Iniciar anti-hipertensivo de imediato engana quem vê o número alto e quer normalizá-lo rapidamente, mas a farmacoterapia entra quando as medidas falham, quando há sintomas, diabetes, doença renal ou hipertrofia ventricular. Restringir atividade física é contraproducente, exceto em situações específicas de estágio 2 não controlado.
Adolescente de 15 anos, índice de massa corporal no percentil 98, apresenta em três consultas distintas pressão arterial de 148/94, 152/96 e 146/92 mmHg (acima do percentil 95 para idade, sexo e estatura). Exame físico com acantose nigricans cervical, sem sopros abdominais e com pulsos femorais amplos. Qual é a hipótese mais provável?
Em adolescente obeso, com acantose nigricans e sem achados sugestivos de causa secundária, a hipertensão primária tornou-se a etiologia mais frequente — mudança epidemiológica importante, já que na criança pequena a regra ainda é a causa secundária. A coarctação engana por ser a causa secundária que mais se procura, mas exige gradiente entre membros superiores e inferiores com pulsos femorais reduzidos ou retardados, ausentes aqui. Feocromocitoma cursaria com crises paroxísticas de cefaleia, sudorese e palpitações.
Adolescente de 16 anos, atleta, apresenta pressão arterial elevada apenas nas consultas médicas, com medidas domiciliares e monitorização ambulatorial normais. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Pressão alta no consultório com medidas ambulatoriais normais define a hipertensão do jaleco branco, que não indica tratamento medicamentoso, mas exige seguimento, pois parte desses jovens evolui para hipertensão sustentada. A hipertensão mascarada engana por ser o conceito espelhado e frequentemente confundido: nela a pressão é normal no consultório e ELEVADA fora dele, situação de maior risco cardiovascular e que realmente demanda tratamento. As causas secundárias não se sustentam com monitorização ambulatorial normal.
Adolescente de 17 anos, obeso, com hipertensão em estágio 2 e microalbuminúria, já em medidas não farmacológicas há 6 meses sem controle. Qual classe de anti-hipertensivo é preferencial nesse contexto?
O bloqueio do sistema renina-angiotensina reduz a pressão e tem efeito nefroprotetor, o que o torna a escolha diante de albuminúria — com a ressalva obrigatória de contraindicação na gravidez e da necessidade de contracepção em adolescentes do sexo feminino. O betabloqueador engana por ser lembrado como classe clássica, mas piora perfil metabólico e broncoespasmo, sendo pouco atrativo no adolescente obeso. Diurético de alça não é anti-hipertensivo de manutenção, e a clonidina tem efeitos adversos centrais e risco de rebote.
Qual é a técnica correta para aferir a pressão arterial em uma criança ou adolescente?
O manguito precisa ser proporcional ao braço: um manguito estreito demais comprime mal e superestima a pressão, gerando diagnósticos falsos de hipertensão, enquanto um largo demais subestima. A medida exige repouso prévio e posição adequada, com confirmação em consultas distintas. Escolher deliberadamente o manguito pequeno engana quem raciocina que errar para cima seria mais seguro — mas rotular indevidamente um adolescente como hipertenso desencadeia investigação, medicação e estigma desnecessários.
Homem de 52 anos, com diagnóstico recente de hipertensão, comparece à UBS. Pressão arterial de 152x94 mmHg em duas aferições, índice de massa corporal de 31 kg/m², sedentário, sem lesão de órgão-alvo, sem diabetes e sem doença cardiovascular estabelecida. Exames de rotina normais. Segundo a linha de cuidado do Ministério da Saúde, qual é a conduta inicial?
Hipertensão estágio 1 com risco cardiovascular adicionado por obesidade e sedentarismo tem indicação de tratamento não farmacológico associado a medicamento, com reavaliação para ajuste. Restringir a medidas comportamentais por um ano prolonga a exposição a níveis pressóricos elevados nesse perfil. Iniciar tripla terapia é desproporcional a valores de estágio 1 e aumenta risco de efeitos adversos. A investigação de causa secundária exige sinais de alerta, como início antes dos 30 anos, hipertensão resistente ou hipocalemia espontânea, ausentes no caso.
Mulher de 47 anos, assintomática, apresenta na Unidade Básica de Saúde medidas de pressão arterial de 152x94 mmHg e 148x92 mmHg em duas consultas distintas, com técnica adequada e manguito apropriado. Em casa, aferições feitas por vizinha enfermeira mostram valores em torno de 124x78 mmHg. Não tem diabetes, doença renal ou lesão de órgão-alvo conhecida. IMC 26 kg/m². Qual é o próximo passo mais adequado?
A discrepância entre medidas de consultório elevadas e medidas fora do consultório normais sugere hipertensão do avental branco, e a confirmação exige monitorização ambulatorial ou residencial padronizada antes de rotular e tratar. Iniciar fármaco apenas com medidas de consultório expõe a paciente a hipotensão e a tratamento desnecessário. Repetir medidas de consultório por um ano protela a definição sem acrescentar informação. Investigação de causa secundária pressupõe diagnóstico confirmado e sinais de alerta, ausentes aqui.
Homem de 60 anos, hipertenso, comparece à consulta com PA 156x94 mmHg pela terceira vez consecutiva, em uso de monoterapia com losartana 50 mg/dia há dois anos. Traz medidas residenciais também elevadas e afirma tomar o remédio corretamente, o que é confirmado pela dispensação regular. Não usa fármacos que elevem a pressão e tem exame físico sem alterações. Qual é o problema principal e a conduta?
Manter o mesmo esquema diante de pressão persistentemente acima da meta, com adesão comprovada, caracteriza inércia terapêutica, e a conduta correta é intensificar o tratamento com aumento de dose ou associação de outra classe. Atribuir à adesão contraria a comprovação de uso regular. Investigação de causa secundária se justifica após falha de esquema otimizado ou diante de sinais de alerta. Efeito do avental branco está afastado pelas medidas residenciais elevadas.
Uma equipe de Saúde da Família quer melhorar o controle pressórico dos usuários hipertensos do território, hoje em torno de 40% dentro da meta. Dispõe de aparelhos automáticos validados e de agentes comunitários que fazem visitas mensais. A equipe deseja escolher uma estratégia com evidência de efetividade e viável na rotina. Qual é a mais adequada?
A automonitorização residencial associada a registro estruturado e ajuste terapêutico programado melhora o controle pressórico e é viável com os recursos descritos, engajando o usuário no próprio cuidado. Aumentar consultas sem mudar o processo mantém a inércia terapêutica. Monitorização de vinte e quatro horas universal é inviável e não se destina ao seguimento rotineiro. Encaminhar todos ao especialista sobrecarrega a rede e fragmenta o cuidado.
Mulher de 52 anos, com tosse crônica há 5 meses, é avaliada na Unidade Básica de Saúde. Não é tabagista, tem radiografia de tórax normal e espirometria normal. Está em uso de enalapril há 8 meses para hipertensão arterial. A tosse é seca, persistente e piora à noite. Não há pirose, obstrução nasal ou gotejamento pós-nasal. Qual é a conduta inicial mais adequada?
A tosse seca é efeito adverso clássico dos inibidores da enzima conversora de angiotensina, podendo surgir semanas a meses após o início, e a conduta é substituir o fármaco e reavaliar, medida diagnóstica e terapêutica simples. Tomografia e broncoscopia imediatas são desproporcionais diante de causa medicamentosa provável e exames iniciais normais. Corticoide inalatório em dose alta seria empirismo sem alvo definido. Antitussígeno com codeína mascara o sintoma, traz risco de dependência e não remove a causa.
Homem de 48 anos, motorista de ônibus urbano, comparece ao exame periódico assintomático. Relata uso irregular de losartana e refere que costuma fazer refeições rápidas e dormir cerca de cinco horas por noite. Ao exame, índice de massa corporal de 31 kg/m², pressão arterial de 176 x 108 mmHg em duas aferições com técnica adequada, frequência cardíaca de 84 bpm, sem sopros, sem edema e com fundo de olho não realizado no serviço. Eletrocardiograma mostra sobrecarga ventricular esquerda. A conduta mais adequada é:
Pressão arterial em níveis muito elevados, com lesão de órgão-alvo no eletrocardiograma, em condutor profissional de transporte coletivo, implica risco de evento agudo ao volante com repercussão para terceiros; a conduta é a inaptidão temporária, otimização do tratamento e reavaliação após controle, sem caráter punitivo. Liberar com orientação dietética e reavaliação anual ignora o risco imediato. Aposentadoria por invalidez é desproporcional para uma condição tratável e potencialmente controlável. Manter o trabalhador dirigindo enquanto se aguardam exames transfere ao usuário do transporte um risco evitável.
Durante capacitação da equipe de enfermagem de uma Unidade Básica de Saúde sobre aferição da pressão arterial, o médico observa as seguintes práticas: uso de manguito padrão em usuário com circunferência braquial de 38 cm, medida imediatamente após a chegada do usuário à sala, braço apoiado abaixo do nível do coração e conversa durante o procedimento. A unidade tem alta prevalência de hipertensão e vem registrando muitos encaminhamentos por pressão elevada isolada. O erro que mais tende a superestimar os valores obtidos é:
Manguito estreito demais para o braço exige pressão maior para ocluir a artéria e superestima sistematicamente os valores, sendo erro frequente em pessoas com obesidade; a largura da bolsa inflável deve corresponder a cerca de 40% da circunferência braquial. Sentar com pés apoiados e costas encostadas é a técnica correta e reduz medidas falsamente elevadas. Repouso de cinco minutos antes da aferição também é parte da técnica preconizada. Realizar duas medidas e usar a média é recomendação padronizada para reduzir variabilidade, não fonte de erro. Reconhecer esses erros evita rótulos diagnósticos indevidos e encaminhamentos desnecessários.
Mulher de 55 anos, com hipertensão, inicia uso de anlodipino prescrito na Unidade Básica de Saúde. Após três semanas, retorna referindo edema importante em membros inferiores, sem dispneia, ortopneia ou dor torácica. Ao exame: PA 128x78 mmHg, FC 74 bpm, edema depressível bilateral até terço médio das pernas, sem estase jugular, ausculta cardíaca e pulmonar normais, sem sinais de trombose venosa. Exames: creatinina 0,9 mg/dL, albumina 4,2 g/dL, urina tipo I sem proteinúria. A conduta mais adequada é:
Edema periférico bilateral, dose-dependente e sem sinais de congestão sistêmica ou pulmonar, surgido semanas após o início de di-hidropiridínico, é efeito adverso típico por vasodilatação arteriolar; a conduta é reduzir a dose ou trocar a classe, sendo a associação com bloqueador do sistema renina-angiotensina uma estratégia que atenua o edema quando o fármaco precisa ser mantido. Furosemida contínua trata mal esse tipo de edema e expõe a distúrbios eletrolíticos. Insuficiência cardíaca cursaria com estase jugular, dispneia ou crepitações, ausentes. Síndrome nefrótica exigiria proteinúria e hipoalbuminemia, afastadas pelos exames.
Mulher de 66 anos, com hipertensão e osteoartrite, é acompanhada na Unidade Básica de Saúde e recebe prescrição de ibuprofeno para dor no joelho. Duas semanas depois, retorna com queixa de piora do controle pressórico. Ao exame: PA 158x96 mmHg, sendo que estava em 132x82 mmHg na consulta anterior; sem edema, sem alterações à ausculta cardíaca e pulmonar. Faz uso regular de enalapril e hidroclorotiazida, com adesão confirmada. Nega mudanças na dieta, no consumo de sal ou no uso das medicações. A explicação mais provável para a elevação pressórica é:
Anti-inflamatórios não esteroidais elevam a pressão arterial por inibirem prostaglandinas vasodilatadoras e natriuréticas, retendo sódio e água e antagonizando o efeito de inibidores da enzima conversora e de diuréticos, o que explica a elevação temporalmente relacionada à sua introdução. Não existe tolerância farmacológica ao enalapril nesse sentido. Progressão natural da doença não produziria elevação abrupta em duas semanas com adesão mantida. Dor em joelho não interfere na aferição braquial, e atribuir o achado a erro de técnica ignora um mecanismo farmacológico bem estabelecido e reversível com a suspensão do fármaco.
Homem de 58 anos, com hipertensão e diabetes, é atendido na Unidade Básica de Saúde por quadro de tosse seca persistente há dois meses, sem febre, dispneia, perda de peso ou sibilância. Iniciou enalapril há três meses. Nega tabagismo, refluxo gastroesofágico e sintomas nasais. Ao exame: orofaringe sem alterações, ausculta pulmonar limpa, sem estertores ou sibilos, saturação 97%, PA 128x78 mmHg. Radiografia de tórax sem alterações. Já usou antitussígeno sem melhora. A conduta mais adequada é:
Tosse seca persistente iniciada semanas a meses após inibidor da enzima conversora de angiotensina, com exame e radiografia normais e sem outras causas, é efeito adverso clássico de classe, mediado por acúmulo de bradicinina; a conduta é substituir por bloqueador do receptor de angiotensina e reavaliar. Tomografia e broncoscopia são investigações desproporcionais antes do teste de retirada do fármaco suspeito. Corticoide inalatório sem outros sinais de asma trata hipótese menos provável e mantém a causa. Antibiótico não tem indicação em tosse sem sinais infecciosos e favorece resistência.
Homem de 43 anos, com diagnóstico recente de hipertensão, comparece à Unidade Básica de Saúde para retorno após três meses de tratamento com losartana em dose máxima e mudanças de estilo de vida. Traz registros de medida residual da pressão com média de 152x96 mmHg, coerentes com as medidas do consultório de hoje, que mostram 154x94 mmHg. Refere adesão adequada, confirmada pela contagem de comprimidos, e reduziu sal e álcool. Ao exame: IMC 27 kg/m2, sem outras alterações. Exames laboratoriais sem alterações. A conduta mais adequada é:
Pressão acima da meta com dose máxima de monoterapia e adesão comprovada indica associação de segunda classe complementar, estratégia mais eficaz e com melhor tolerância do que empurrar uma única droga, preferindo-se combinações que facilitem a adesão, com reavaliação em curto prazo. Aguardar mais seis meses mantém o paciente exposto a risco cardiovascular sem controle. Trocar por outro bloqueador do mesmo grupo tende a repetir o efeito, pois o problema é insuficiência da classe isolada. Hipertensão resistente requer falha de três fármacos, sendo um diurético, de modo que a investigação de causa secundária ainda não está indicada por esse critério.
Mulher de 88 anos, com hipertensão, é acompanhada na Estratégia Saúde da Família. Mora com a filha, deambula com bengala, mantém independência parcial nas atividades básicas e apresenta déficit cognitivo leve. Teve duas quedas no último ano, sem fratura. Faz uso de losartana e anlodipino. Ao exame: PA sentada 148x76 mmHg e em pé 126x68 mmHg, FC 70 bpm, marcha lentificada, sem edema. Exames: creatinina 1,2 mg/dL, potássio 4,4 mEq/L, sem outras alterações relevantes. A conduta mais adequada quanto à meta pressórica é:
Em pessoa muito idosa, frágil, com quedas e hipotensão postural documentada, a meta pressórica deve ser individualizada, priorizando funcionalidade e segurança e evitando intensificação que agrave a queda postural, embora o tratamento da hipertensão siga trazendo benefício nessa faixa etária. Perseguir sistólica abaixo de 120 mmHg de forma universal ignora a heterogeneidade dos idosos e aumenta quedas e síncope. Suspender todos os anti-hipertensivos é incorreto, pois há benefício demonstrado mesmo acima dos 80 anos. Diurético em dose alta agravaria a hipotensão ortostática e o risco de distúrbio eletrolítico.
Homem de 88 anos, com fragilidade avançada, demência moderada, história de quedas e velocidade de marcha muito reduzida, é acompanhado em domicílio. Usa três anti-hipertensivos. A cuidadora relata tonturas ao levantar e mais uma queda no último mês. Ao exame, pressão arterial sentado de 118 x 68 mmHg e em pé de 96 x 58 mmHg, com sintomas ao ortostatismo, frequência cardíaca de 70 bpm, sem edema, sem sinais de congestão e sem sopros carotídeos. A conduta mais adequada é:
No idoso muito frágil, com demência, quedas e hipotensão ortostática sintomática, as metas pressóricas devem ser individualizadas e menos rígidas, pois o excesso de tratamento aumenta quedas, síncope, lesão renal e mortalidade; a conduta é reduzir ou simplificar o esquema e reavaliar. Buscar sistólica muito baixa nesse perfil é justamente o que agrava os sintomas. Manter o esquema ignora a hipotensão ortostática documentada com sintomas e quedas. Acrescentar mais um fármaco aumenta a polifarmácia e o risco, sem benefício demonstrado nesse contexto.
Homem de 48 anos, com hipertensão, comparece à Unidade Básica de Saúde referindo que mede a pressão em farmácias duas a três vezes por semana e fica ansioso com as variações encontradas, trazendo dezenas de anotações com valores entre 118x76 mmHg e 148x94 mmHg. Está assintomático e em uso regular de losartana. Ao exame: PA 128x80 mmHg em duas medidas com técnica adequada, FC 72 bpm, IMC 26 kg/m2, exame físico sem alterações. Exames laboratoriais recentes sem alterações relevantes. A conduta mais adequada é:
A pressão arterial varia fisiologicamente ao longo do dia, e decisões terapêuticas devem se basear em médias de medidas padronizadas, não em valores isolados; a conduta é explicar a variabilidade, orientar automedida residencial com técnica, horários e número de aferições definidos e usar a média para decidir. Ajustar a dose a cada valor isolado provoca oscilações e hipotensão. Suspender qualquer automonitorização perde uma ferramenta útil de manejo e adesão. Internação para monitorização é medida desproporcional e sem indicação nesse contexto.
Homem de 55 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Ele é negro, tem hipertensão diagnosticada há dois anos e mantém pressão acima da meta em uso de enalapril em dose plena, com boa adesão comprovada e sem uso de anti-inflamatórios ou outros interferentes. Ao exame: PA 152x94 mmHg, IMC 28 kg/m2, sem edema, sem sopros. Exames: creatinina 1,0 mg/dL, potássio 4,2 mEq/L, urina tipo I sem proteinúria, perfil lipídico controlado. A conduta farmacológica mais adequada é:
Pessoas negras tendem a apresentar resposta anti-hipertensiva menor a inibidores da enzima conversora em monoterapia, e a associação com diurético tiazídico ou bloqueador de canal de cálcio oferece melhor controle pressórico, mantendo-se as medidas não farmacológicas. Trocar por outro fármaco da mesma classe tende a repetir a resposta insuficiente. Manter monoterapia e aguardar seis meses prolonga a exposição ao risco cardiovascular. Betabloqueador não é primeira escolha para controle pressórico na ausência de indicação específica, como doença coronariana ou insuficiência cardíaca.
Mulher de 49 anos, com hipertensão, é atendida em ambulatório trazendo monitorização ambulatorial da pressão arterial de 24 horas. As medidas de consultório mostram, de forma repetida, valores em torno de 152x94 mmHg, enquanto o exame revela média de vigília de 126x78 mmHg e média de sono de 108x66 mmHg, com descenso noturno preservado. Ela é assintomática, não usa medicamentos e nega comorbidades. Ao exame: IMC 25 kg/m2, exame cardiovascular sem alterações. Exames laboratoriais e eletrocardiograma normais. A conduta correta é:
Pressão elevada no consultório com médias normais na monitorização ambulatorial, em paciente sem tratamento, define hipertensão do avental branco, condição que não indica início de fármaco, mas acompanhamento com medidas fora do consultório e modificação de estilo de vida, dado o risco aumentado de evoluir para hipertensão sustentada. Iniciar dois fármacos expõe a hipotensão e efeitos adversos. Repetir o exame mensalmente é desnecessário. Desconsiderar a monitorização contraria a evidência de que as medidas fora do consultório predizem melhor o risco cardiovascular.
Homem de 44 anos, sem comorbidades conhecidas, procura ambulatório após avaliação ocupacional que detectou pressão arterial elevada. Ele é assintomático e não usa medicamentos. Ao exame: PA 156x98 mmHg em duas medidas na mesma consulta, com técnica adequada e manguito apropriado, FC 76 bpm, IMC 29 kg/m2, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, sem sopros abdominais, pulsos periféricos simétricos. Exames iniciais: creatinina 0,9 mg/dL, potássio 4,2 mEq/L, glicemia de jejum 96 mg/dL, urina tipo I normal, eletrocardiograma sem sobrecarga. A conduta correta é:
O diagnóstico de hipertensão exige confirmação com medidas repetidas em ocasiões distintas ou, preferencialmente, com medida fora do consultório, seguida de estratificação de risco, mudanças de estilo de vida e decisão sobre farmacoterapia conforme estágio e risco global. Iniciar três fármacos sem confirmar o diagnóstico é desproporcional e arrisca hipotensão. Ausência de sintomas não exclui hipertensão, que é assintomática na maioria dos casos. Arteriografia renal é exame invasivo, reservado a suspeita fundamentada de causa renovascular.
Homem de 52 anos, com hipertensão, é atendido em ambulatório para revisão. Ele relata boa adesão ao enalapril, mas queixa-se de tosse seca persistente há dois meses, que atrapalha o sono e o trabalho. Nega febre, dispneia, sibilância ou refluxo. Ao exame: PA 128x80 mmHg, FC 72 bpm, orofaringe sem alterações, ausculta pulmonar limpa, saturação 98%, sem edema. Radiografia de tórax normal e exames laboratoriais, incluindo hemograma e função renal, sem alterações. Ele não fuma e não usa outros medicamentos. A conduta mais adequada é:
Tosse seca persistente é efeito adverso de classe dos inibidores da enzima conversora, mediado pelo acúmulo de bradicinina, e a conduta é substituir por bloqueador do receptor de angiotensina, que mantém benefício semelhante sem esse efeito. Manter o fármaco com antitussígeno contínuo não resolve a causa. Suspender todo o tratamento anti-hipertensivo expõe o paciente a risco cardiovascular. Investigação por imagem e broncoscopia é desproporcional antes do simples teste de retirada do fármaco suspeito, com exame e radiografia normais.
Mulher de 61 anos, com hipertensão e diabetes, é atendida em ambulatório após três meses de tratamento com dois anti-hipertensivos combinados. Ela mantém boa adesão, reduziu sal e iniciou caminhadas. Ao exame: PA 142x88 mmHg em consultório, com medidas residenciais confirmando média de 138x86 mmHg, FC 74 bpm, IMC 29 kg/m2, sem edema, ausculta cardiopulmonar normal. Exames: creatinina 1,0 mg/dL, potássio 4,2 mEq/L, relação albumina/creatinina urinária de 60 mg/g, hemoglobina glicada 7,0%, LDL 96 mg/dL em uso de estatina. A conduta mais adequada é:
Paciente com diabetes e albuminúria tem indicação de meta pressórica mais rigorosa, pois o controle mais intensivo reduz progressão renal e eventos cardiovasculares, justificando intensificação do tratamento diante de valores ainda acima do alvo. Manter o esquema por estar abaixo de 140x90 mmHg desconsidera a meta individualizada para esse perfil. Retirar um fármaco piora o controle. Substituir por monoterapia reduz a eficácia anti-hipertensiva e abandona o bloqueio do sistema renina-angiotensina, que oferece nefroproteção na albuminúria.
Homem de 58 anos, com hipertensão e diabetes, é atendido em ambulatório para reavaliação após três meses de mudanças de estilo de vida. Ele perdeu 4 kg, reduziu sal e iniciou caminhadas cinco vezes por semana. Ao exame: PA 138x86 mmHg em consultório, com média residencial de 134x84 mmHg, FC 72 bpm, IMC 28 kg/m2, sem edema, exame cardiovascular normal. Exames: creatinina 1,0 mg/dL, potássio 4,3 mEq/L, hemoglobina glicada 6,8%, LDL 88 mg/dL em uso de estatina, relação albumina/creatinina urinária normal. Ele faz uso de losartana em dose intermediária. A conduta correta é:
Paciente diabético com valores ainda acima da meta individualizada deve ter o tratamento otimizado, seja aumentando a dose do bloqueador do receptor de angiotensina, seja associando segundo fármaco de classe complementar, mantendo as medidas não farmacológicas já implementadas. Suspender o anti-hipertensivo com pressão ainda fora da meta eleva o risco cardiovascular. Betabloqueador não é primeira escolha para controle pressórico sem indicação específica. Adiar por um ano prolonga a exposição a valores inadequados.
Mulher de 52 anos, com hipertensão, é atendida em ambulatório referindo que mede a pressão em casa e encontra valores muito variáveis, com picos após discussões e antes de consultas. Ela usa losartana e hidroclorotiazida com boa adesão. Ao exame: PA 138x86 mmHg, FC 74 bpm, IMC 26 kg/m2, ausculta cardiopulmonar normal, sem edema. Monitorização ambulatorial de 24 horas mostra média de vigília de 128x80 mmHg, média de sono de 112x68 mmHg e descenso noturno preservado, sem picos sustentados relevantes. Exames laboratoriais sem alterações. A conduta correta é:
A pressão arterial varia continuamente com o estado emocional e a atividade, e o controle é definido por médias, não por valores isolados; com monitorização ambulatorial demonstrando médias adequadas, a conduta é manter o esquema, explicar a variabilidade e orientar que os ajustes se baseiem em médias. Elevar doses a cada pico provoca hipotensão e oscilações. Anti-hipertensivo de resgate para picos isolados é prática inadequada e potencialmente perigosa. Suspender toda a medicação em paciente controlada leva à perda do controle pressórico.
Mulher de 58 anos, com hipertensão, é atendida em ambulatório com queixa de dispneia aos esforços e edema. Ela usa anlodipino há três meses, com boa adesão, e teve controle pressórico adequado desde então. Ao exame: PA 126x78 mmHg, FC 72 bpm, edema depressível bilateral em membros inferiores até terço médio das pernas, sem estase jugular, ausculta pulmonar limpa, sem terceira bulha. Exames: creatinina 0,9 mg/dL, albumina 4,3 g/dL, peptídeo natriurético normal, urina tipo I sem proteinúria, ecocardiograma com função sistólica e diastólica preservadas. A conduta correta é:
Edema periférico dose-dependente por vasodilatação arteriolar é efeito adverso característico dos di-hidropiridínicos, e o quadro sem congestão sistêmica, com peptídeo natriurético normal e ecocardiograma sem alterações confirma essa origem; a conduta é reduzir a dose, trocar de classe ou associar bloqueador do sistema renina-angiotensina, que atenua o edema. Diurético trata mal esse tipo de edema e causa depleção. Terapia para insuficiência cardíaca não se justifica sem a doença. Biópsia renal é desproporcional sem proteinúria ou hipoalbuminemia.
Homem de 47 anos é atendido em ambulatório com hipertensão detectada em exame periódico. Ele trabalha em turnos noturnos, dorme cerca de cinco horas por noite, consome álcool em fins de semana em grande quantidade e ganhou 10 kg em dois anos. Ao exame: PA 152x96 mmHg confirmada em medidas repetidas, FC 80 bpm, IMC 31 kg/m2, circunferência abdominal 108 cm, ausculta cardiopulmonar normal, sem edema. Exames: glicemia de jejum 108 mg/dL, triglicerídeos 220 mg/dL, HDL 36 mg/dL, creatinina 0,9 mg/dL, potássio 4,1 mEq/L, urina tipo I normal. A conduta inicial mais adequada é:
Hipertensão confirmada em estágio que, somada aos fatores de risco metabólicos, justifica tratamento farmacológico desde o início, associado a mudanças estruturadas de estilo de vida, com atenção ao consumo de álcool, ao ganho ponderal e à privação de sono, que contribuem diretamente para a elevação pressórica. Adiar o fármaco por um ano prolonga a exposição ao risco. Quatro fármacos de início é desproporcional. Investigação ampla de causas secundárias antes de tratar não se justifica sem sinais de alerta específicos.
Mulher de 59 anos, com hipertensão, é atendida em ambulatório com queixa de cansaço e câimbras. Ela usa clortalidona há seis meses, com bom controle pressórico. Ao exame: PA 126x78 mmHg, FC 72 bpm, sem edema, ausculta cardiopulmonar normal, sem sinais de desidratação. Exames: potássio 3,2 mEq/L, sódio 133 mEq/L, ácido úrico 9,0 mg/dL, glicemia de jejum 112 mg/dL, cálcio total discretamente elevado, creatinina 0,9 mg/dL. Ela nega vômitos, diarreia ou uso de laxantes, e mantém dieta habitual sem restrições importantes. A conduta mais adequada é:
Hipocalemia, hiponatremia, hiperuricemia, intolerância à glicose e hipercalcemia leve compõem o perfil clássico de efeitos metabólicos dos diuréticos tiazídicos, e a conduta é ajustar a dose ou associar poupador de potássio, corrigindo os distúrbios sem perder o controle pressórico. Repor potássio sem ajustar a causa perpetua o problema. Suspender todos os anti-hipertensivos expõe a paciente a descontrole pressórico. Aumentar a dose agrava exatamente as alterações identificadas.
Mulher de 71 anos, com hipertensão e artrose, é atendida em ambulatório após início de tratamento com um novo anti-hipertensivo. Ela relata tosse seca leve, tontura ao levantar e inchaço nos tornozelos, todos iniciados nas últimas semanas. Ao exame: PA deitada 124x76 mmHg e em pé 108x66 mmHg, FC 70 bpm, edema maleolar bilateral discreto, ausculta pulmonar limpa, sem estase jugular. Exames: creatinina 1,1 mg/dL, potássio 4,6 mEq/L, sódio 138 mEq/L, hemograma sem alterações. Ela usa enalapril, anlodipino e hidroclorotiazida, todos iniciados no último mês. A conduta mais adequada é:
Os sintomas descritos correspondem a efeitos adversos característicos das classes em uso: tosse pelo inibidor da enzima conversora, edema maleolar pelo di-hidropiridínico e hipotensão postural favorecida pelo diurético, exigindo revisão individualizada com ajuste ou substituição do fármaco responsável por cada queixa. Suspender tudo por três meses expõe a descontrole pressórico. Acrescentar fármacos para cada sintoma configura cascata de prescrição. Negar a relação com os medicamentos ignora associação temporal evidente e compromete a adesão.
Mulher de 51 anos, com hipertensão, é atendida em ambulatório com queixa de cansaço e edema. Ela iniciou, há dois meses, uso regular de descongestionante nasal por via oral e anti-inflamatório para dor lombar crônica, ambos por conta própria. Ao exame: PA 168x100 mmHg, previamente controlada em 128x80 mmHg, FC 84 bpm, edema maleolar discreto, ausculta pulmonar limpa, sem estase jugular. Exames: creatinina 1,4 mg/dL, previamente 0,9 mg/dL, potássio 5,2 mEq/L, sódio 138 mEq/L, urina tipo I sem proteinúria significativa. A conduta correta é:
Anti-inflamatórios não esteroidais e descongestionantes simpaticomiméticos elevam a pressão arterial, retêm sódio, pioram a função renal e favorecem hipercalemia, explicando a perda de controle em paciente previamente compensada; a conduta é suspendê-los, oferecer alternativas seguras e reavaliar em curto intervalo. Aumentar anti-hipertensivos mantendo os agressores mascara a causa. Investigar causa secundária antes de retirar fármacos evidentes gera exames desnecessários. Retirar o anti-hipertensivo agrava o descontrole pressórico.
Mulher de 40 anos é atendida em ambulatório com tosse seca persistente há três meses e dispneia leve. Ela iniciou uso de inibidor da enzima conversora de angiotensina há quatro meses para hipertensão. Ao exame: PA 128x80 mmHg, FC 76 bpm, FR 16 ipm, saturação 98%, ausculta pulmonar limpa, orofaringe sem alterações, sem sinais de rinite ou refluxo. Radiografia de tórax normal e espirometria com prova broncodilatadora normal. Ela nega tabagismo, exposições ocupacionais e sintomas nasais, e não usa outros medicamentos além do anti-hipertensivo recentemente iniciado. A conduta correta é:
Tosse seca iniciada semanas após introdução de inibidor da enzima conversora, com exames normais e sem outras causas, caracteriza efeito adverso de classe, e a conduta é substituir por bloqueador do receptor de angiotensina, com reavaliação após semanas, já que a resolução pode ser gradual. Manter o fármaco com antitussígeno não corrige a causa. Exames invasivos são desproporcionais antes do teste de retirada. Corticoide inalatório trata hipótese improvável diante de função pulmonar normal.
Homem de 60 anos é atendido em ambulatório com hipertensão de difícil controle e piora da função renal após introdução de bloqueador do receptor de angiotensina há três semanas. Ele é tabagista e tem doença arterial periférica. Ao exame: PA 172x100 mmHg, FC 78 bpm, sopro abdominal periumbilical, pulsos pediosos diminuídos, sem edema. Exames: creatinina 2,2 mg/dL, previamente 1,2 mg/dL, potássio 4,8 mEq/L, urina tipo I sem proteinúria significativa ou hematúria, ultrassonografia com assimetria de tamanho renal e índices de resistência alterados. A hipótese mais provável é:
Piora acentuada da função renal após introdução de bloqueador do sistema renina-angiotensina, em paciente com aterosclerose difusa, sopro abdominal e assimetria renal, é fortemente sugestiva de estenose bilateral de artérias renais ou de estenose em rim único funcionante, pois a filtração depende da vasoconstrição eferente mediada pela angiotensina. Nefropatia diabética cursa com albuminúria. Glomerulonefrite rapidamente progressiva apresenta sedimento ativo. Nefrite intersticial não causa assimetria renal.
Gestante de 27 anos, com 32 semanas, comparece à Unidade Básica de Saúde e a equipe realiza a medida da pressão arterial. A estudante presente pergunta sobre a técnica correta, pois a paciente chegou apressada e o manguito disponível parece pequeno para o braço dela. A gestante tem circunferência braquial aumentada, está ansiosa e acabou de subir escadas. A primeira medida mostra 148x94 mmHg e ela é assintomática, sem proteinúria e sem edema significativo. A conduta correta é
A medida correta da pressão arterial exige repouso prévio de pelo menos cinco minutos, posição adequada, braço apoiado ao nível do coração e manguito compatível com a circunferência braquial, pois manguito pequeno superestima os valores e leva a diagnósticos equivocados. Registrar a primeira medida em condições inadequadas gera rotulagem incorreta. Usar manguito inadequado é justamente a fonte do erro. A medida em membro inferior não é o método padronizado para diagnóstico na gestação.
Mulher de 31 anos é atendida em ambulatório com hipertensão de início recente e cefaleia. Ela é jovem, magra e sem antecedentes familiares de hipertensão. Ao exame: PA 178x108 mmHg, FC 84 bpm, IMC 21 kg/m2, sopro abdominal audível em região epigástrica, pulsos periféricos simétricos, sem edema. Exames: creatinina 1,0 mg/dL, potássio 3,2 mEq/L, urina tipo I sem proteinúria ou hematúria, e a angiotomografia mostra estenose de artéria renal direita com aspecto em colar de contas na porção média do vaso, sem calcificações ateroscleróticas. A hipótese mais provável é:
Hipertensão grave de início precoce em mulher jovem, magra, sem fatores de risco ateroscleróticos, com sopro abdominal e aspecto angiográfico em colar de contas na porção média da artéria renal, caracteriza displasia fibromuscular, cujo tratamento frequentemente inclui angioplastia com bons resultados. Estenose aterosclerótica acomete o óstio e o terço proximal, em pacientes mais velhos e com calcificações. Trombose de veia renal tem apresentação distinta. Nefropatia por imunoglobulina A cursa com hematúria dismórfica.
Homem de 35 anos é atendido em ambulatório com hipertensão detectada em avaliação de rotina e histórico de cefaleia frequente. Ele nega comorbidades e uso de medicamentos. Ao exame: PA 172x104 mmHg, FC 80 bpm, IMC 23 kg/m2, sem sopros abdominais, pulsos femorais presentes e simétricos, sem edema. Exames: creatinina 1,0 mg/dL, potássio 4,2 mEq/L, urina tipo I sem proteinúria ou hematúria, ultrassonografia renal sem alterações, e a monitorização ambulatorial confirma hipertensão sustentada com médias elevadas em vigília e sono, com descenso noturno ausente. A conduta correta é:
Hipertensão grave em adulto jovem, com ausência de descenso noturno na monitorização ambulatorial, é indicação de investigação de causas secundárias, incluindo renais, endócrinas e vasculares, associada ao início do tratamento anti-hipertensivo. Apenas mudanças de estilo de vida com reavaliação anual mantêm o paciente exposto a lesão de órgão-alvo. Assumir hipertensão primária sem investigar em paciente jovem e grave é inadequado. Monitorização sem tratamento não protege contra as complicações da hipertensão.
Um homem de 52 anos apresenta pressão arterial de 152x94 mmHg em três consultas na unidade básica de saúde, sempre aferida logo após chegar apressado da rua. Ele relata que, nas medidas feitas em casa com aparelho validado, os valores ficam em torno de 128x80 mmHg. Não tem lesão de órgão-alvo, diabetes ou doença renal, e o exame físico é normal. Qual é a conduta mais adequada antes de iniciar tratamento farmacológico?
Discrepância entre valores elevados no consultório e normais em casa sugere hipertensão do avental branco, e a conduta correta é confirmar o diagnóstico com medida fora do consultório, por monitorização ambulatorial ou residencial, evitando tratamento desnecessário. Iniciar fármaco apenas com medidas de consultório expõe o paciente a efeitos adversos e custo sem benefício. Repetir por seis meses sem método adequado atrasa a definição. Ecocardiograma e ultrassonografia avaliam repercussão e causas secundárias, não estabelecem o diagnóstico de hipertensão.
Um homem de 55 anos mantém pressão arterial de 158x96 mmHg apesar do uso de losartana, anlodipino e hidroclorotiazida em doses otimizadas há seis meses. Ele nega uso de anti-inflamatórios, descongestionantes ou álcool em excesso, tem índice de massa corporal de 34 kg/m², ronca alto e relata sonolência diurna. A pressão medida em casa confirma valores elevados. Os exames mostram potássio de 4,2 mEq/L, creatinina de 1,1 mg/dL e relação albumina/creatinina urinária normal, sem sinais de hipercortisolismo ao exame físico. Qual é a conduta mais adequada na atenção primária?
Pressão não controlada com três fármacos otimizados, um deles diurético, define hipertensão resistente e indica confirmação por medida fora do consultório, revisão de adesão e de ingestão de sódio e investigação de causas secundárias, sendo a apneia obstrutiva do sono altamente provável neste paciente obeso e roncador. Simplesmente dobrar doses sem investigar mantém o quadro e amplia efeitos adversos. Denervação renal é procedimento restrito a casos selecionados em centros especializados. Trocar todo o esquema por betabloqueador em monoterapia reduz a eficácia anti-hipertensiva.
Homem, 56 anos, obeso, mantém PA de 158/98 mmHg no consultório e média de 152/94 mmHg na MAPA de vigília, apesar de losartana 100 mg/dia, anlodipino 10 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia, com adesão confirmada por contagem de comprimidos. FC 76 bpm. Potássio 4,0 mEq/L (VR 3,5–5,0), creatinina 1,0 mg/dL (VR 0,7–1,3), taxa de filtração glomerular estimada de 82 mL/min/1,73 m². Qual o quarto fármaco de escolha?
Na hipertensão resistente com adesão comprovada e três fármacos em dose otimizada incluindo diurético, a espironolactona é o quarto agente de escolha, com superioridade demonstrada frente a alternativas em ensaio dedicado, e o potássio de 4,0 mEq/L com função renal preservada permite seu uso. A clonidina tem efeito rebote e mais efeitos adversos centrais, ficando para linhas posteriores. A hidralazina causa taquicardia reflexa e retenção hídrica, exigindo associação. A metildopa é reservada sobretudo à gestação, com eficácia modesta e sonolência. A prazosina é opção quando há hiperplasia prostática associada, mas com menor redução pressórica e risco de hipotensão postural.
Mulher, 48 anos, sem comorbidades, apresenta medidas de consultório repetidamente elevadas: 152/94 mmHg, 148/92 mmHg e 154/96 mmHg em três consultas. Nega sintomas. IMC 24 kg/m², exame cardiovascular normal, sem lesão de órgão-alvo ao ECG e à fundoscopia. MAPA mostra média de vigília de 126/78 mmHg e média de sono de 108/66 mmHg, com descenso noturno preservado. Qual a conduta mais adequada?
Pressão elevada no consultório com médias normais na MAPA define hipertensão do avental branco, cuja conduta é não medicar, orientar mudanças de estilo de vida e manter monitorização periódica, pela possibilidade de evolução para hipertensão sustentada. Iniciar hidroclorotiazida expõe a paciente a efeitos adversos sem benefício, já que a pressão ambulatorial é normal. Associar dois fármacos agrava esse erro e traz risco de hipotensão. A hipertensão mascarada é o padrão oposto — consultório normal com ambulatorial elevada —, incompatível com os achados. Investigar hipertensão secundária não se justifica em paciente cuja pressão fora do consultório é normal e sem lesão de órgão-alvo.
Homem, 58 anos, diabético tipo 2, com pressão de consultório de 152/94 mmHg confirmada em duas visitas e média de MRPA de 146/90 mmHg. IMC 29 kg/m², creatinina 1,1 mg/dL (VR 0,7–1,3), albuminúria de 180 mg/g de creatinina (VR < 30). Fundoscopia com cruzamentos arteriovenosos patológicos. Não usa anti-hipertensivo e já pratica atividade física regular. Qual esquema inicial é o mais adequado?
Hipertensão estágio 2 em diabético com albuminúria indica início com combinação, preferencialmente bloqueador do sistema renina-angiotensina — nefroprotetor na albuminúria — associado a bloqueador de canal de cálcio, estratégia com boa tolerabilidade e eficácia. O betabloqueador em monoterapia não é primeira linha na hipertensão sem indicação cardíaca específica. A hidroclorotiazida isolada é insuficiente para estágio 2 e não confere a proteção renal necessária. Associar inibidor da enzima conversora a bloqueador do receptor de angiotensina é contraindicado, por aumentar hipercalemia e lesão renal sem ganho de desfecho. A alfametildopa tem espaço restrito à gestação e não é opção para este perfil.
Homem, 59 anos, hipertenso há 15 anos com controle irregular, assintomático. PA 158/96 mmHg, FC 74 bpm; ictus propulsivo e desviado, B4 audível. ECG mostra critérios de sobrecarga de ventrículo esquerdo com alterações de repolarização. Ecocardiograma revela espessura septal de 14 mm, massa ventricular indexada aumentada, padrão concêntrico e fração de ejeção de 62%, com disfunção diastólica grau I. Qual classe farmacológica tem melhor efeito sobre a regressão da hipertrofia?
Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona são os que promovem maior regressão da hipertrofia ventricular esquerda para uma mesma redução pressórica, por atuarem sobre o estímulo trófico da angiotensina II e da aldosterona. A hidralazina causa taquicardia reflexa e ativação neuro-hormonal, com efeito desfavorável sobre a massa ventricular. Betabloqueadores de primeira geração como o atenolol mostram regressão inferior nas comparações diretas. Diuréticos de alça em dose alta não são anti-hipertensivos de escolha na função renal preservada e não têm esse efeito estrutural. Alfabloqueadores reduzem a pressão, mas não figuram como primeira linha nem se destacam na regressão da hipertrofia.
Homem, 62 anos, comparece à unidade básica para avaliação de pressão arterial. Chegou correndo, tomou café há 10 minutos e fuma há 30 anos, tendo fumado no trajeto. O técnico afere a pressão imediatamente, com o paciente sentado, braço pendente e manguito padrão sobre a manga da camisa, obtendo 158/96 mmHg. A circunferência braquial do paciente é de 38 cm. Qual erro técnico tende a SUPERESTIMAR a pressão arterial aferida?
Manguito estreito para a circunferência do braço exige pressão maior para ocluir a artéria e superestima os valores, erro frequente em braços com circunferência aumentada como os 38 cm descritos. Manguito largo demais tem o efeito oposto, subestimando a pressão. Apoiar o braço na altura do coração é justamente a técnica correta, sem introduzir erro. A deflação a 2 mmHg por segundo é a velocidade recomendada. O repouso prévio de 5 minutos é parte do preparo adequado e reduz, em vez de aumentar, valores falsamente elevados.
Homem, 44 anos, executivo, tem medidas de consultório de 128/82 mmHg e 132/84 mmHg em duas consultas. Refere estresse laboral e sono irregular. IMC 28 kg/m², FC 76 bpm. ECG mostra critérios de sobrecarga de ventrículo esquerdo e o ecocardiograma confirma hipertrofia concêntrica. MAPA revela média de vigília de 148/92 mmHg e ausência de descenso noturno. Qual o diagnóstico e a conduta corretos?
Pressão normal no consultório com médias elevadas fora dele define hipertensão mascarada, condição de risco cardiovascular comparável ao da hipertensão sustentada, aqui já com lesão de órgão-alvo pela hipertrofia ventricular, o que impõe tratamento. A hipertensão do avental branco é o padrão inverso, com consultório alto e ambulatorial normal. Considerar a pressão normal ignora a MAPA e a hipertrofia documentada. Falar em efeito do avental branco e encerrar a investigação desconsidera todos os achados. A pseudo-hipertensão ocorre em idosos com artérias muito calcificadas e não explica pressão ambulatorial elevada com hipertrofia.
Mulher, 84 anos, hipertensa, mora sozinha e caminha com bengala após queda recente. PA 162/78 mmHg sentada e 138/70 mmHg em pé após 3 minutos, com tontura postural. FC 72 bpm. Usa hidroclorotiazida 25 mg/dia. Creatinina 1,2 mg/dL (VR 0,6–1,1), sódio 133 mEq/L (VR 135–145). Escore de fragilidade compatível com fragilidade moderada. Qual a conduta mais adequada?
No idoso frágil com hipotensão ortostática sintomática e queda recente, a estratégia é reduzir a pressão de forma gradual, com metas individualizadas e vigilância da variação postural, ajustando fármacos que agravem a ortostase — e a hidroclorotiazida ainda contribui para a hiponatremia. Buscar rapidamente valores abaixo de 120 mmHg nesse perfil aumenta quedas, síncope e lesão renal. Suspender todo anti-hipertensivo pela idade expõe a eventos cardiovasculares, já que o benefício do tratamento persiste no idoso. Associar dois fármacos em dose plena de imediato é agressivo e perigoso. Ignorar a variação postural mantém o risco de nova queda com fratura.
Mulher, 66 anos, hipertensa em uso de hidroclorotiazida 25 mg/dia há 8 meses, retorna com exames de rotina. Assintomática, PA 132/82 mmHg, FC 74 bpm. Potássio 3,1 mEq/L (VR 3,5–5,0), sódio 130 mEq/L (VR 135–145), ácido úrico 9,2 mg/dL (VR até 6,0), glicemia de jejum 118 mg/dL (VR < 100) e cálcio total 10,8 mg/dL (VR 8,5–10,5). Qual alteração NÃO é atribuível ao uso do tiazídico?
O tiazídico reduz a excreção urinária de cálcio e tende a elevar a calcemia, de modo que hipocalcemia não é efeito esperado — e o cálcio da paciente está, de fato, aumentado. A hipopotassemia decorre do aumento da oferta distal de sódio com troca por potássio. A hiponatremia é efeito adverso clássico, sobretudo em idosas. A hiperuricemia resulta da competição pela secreção tubular de urato e pode precipitar gota. A intolerância à glicose é efeito metabólico reconhecido dessa classe, relevante em pacientes com risco de diabetes.
Homem, 54 anos, hipertenso há 6 anos, retorna com PA de 156/96 mmHg, mesma faixa das últimas três consultas, em uso prescrito de losartana 50 mg/dia. Refere esquecer as doses várias vezes por semana e desconhecer as metas de tratamento. FC 78 bpm, IMC 29 kg/m². Exames laboratoriais sem alterações; MRPA confirma médias elevadas em casa. Qual a conduta mais adequada nesta consulta?
Pressão persistentemente elevada com baixa adesão exige intervenção sobre a adesão — simplificação do esquema, educação e uso de combinações — e ajuste terapêutico, evitando a inércia de manter uma prescrição que não atinge a meta. Repetir a mesma prescrição por 6 meses é exatamente a inércia terapêutica a ser evitada. Investigar hipertensão secundária de imediato é prematuro sem antes garantir adesão e dose otimizada. Rotular como hipertensão resistente é incorreto, pois o diagnóstico exige três fármacos em doses otimizadas, incluindo diurético, com adesão comprovada. Suspender o anti-hipertensivo e apostar só na dieta deixa a pressão descontrolada.
Mulher, 50 anos, com diagnóstico recente de hipertensão estágio 1 confirmada por MRPA, assintomática. PA de consultório 146/92 mmHg, FC 76 bpm, IMC 27 kg/m². Sem uso de medicamentos e sem comorbidades conhecidas. O médico planeja a avaliação inicial de rotina antes de definir o tratamento e estratificar o risco cardiovascular global. Qual conjunto de exames compõe a avaliação inicial de rotina?
A avaliação inicial do hipertenso inclui potássio, creatinina com estimativa da filtração glomerular, glicemia, perfil lipídico, ácido úrico, urina tipo 1 e eletrocardiograma, que rastreiam lesão de órgão-alvo e permitem estratificar o risco. Ecocardiograma, MAPA prolongada e angiotomografia renal são exames complementares indicados em situações específicas, não de rotina. Cintilografia renal, metanefrinas e cortisol investigam hipertensão secundária, reservados a suspeita clínica. Ressonância cardíaca, ergometria e polissonografia dependem de indicações próprias. Hemograma e radiografia de tórax isolados não avaliam lesão de órgão-alvo relevante nem compõem a rotina mínima.
Homem, 57 anos, hipertenso há 8 anos em uso de anlodipino 10 mg/dia, com PA de 138/86 mmHg. FC 74 bpm, IMC 28 kg/m². Creatinina 1,0 mg/dL (VR 0,7–1,3), taxa de filtração glomerular estimada de 84 mL/min/1,73 m², relação albumina/creatinina urinária de 120 mg/g (VR < 30). Glicemia de jejum 98 mg/dL; fundoscopia sem retinopatia. Qual a conduta mais adequada?
A albuminúria elevada é marcador de lesão renal e de risco cardiovascular, e o tratamento indicado é associar inibidor da enzima conversora ou bloqueador do receptor de angiotensina, que reduzem a pressão intraglomerular e a proteinúria. Manter apenas o anlodipino e reavaliar em 1 ano ignora um marcador de lesão em progressão, pois essa classe não tem efeito antiproteinúrico próprio. O diurético de alça em dose alta não é anti-hipertensivo de escolha com função renal preservada nem reduz albuminúria. Restrição proteica abaixo de 0,4 g/kg/dia é excessiva e favorece desnutrição. O alopurinol trata hiperuricemia, sem indicação estabelecida para reduzir albuminúria.
Homem, 49 anos, hipertenso em uso de losartana 100 mg/dia, mantém PA de 148/92 mmHg. Relata alimentação rica em embutidos, temperos prontos e refeições fora de casa cinco vezes por semana. FC 76 bpm, IMC 30 kg/m². Sódio urinário de 24 horas de 220 mEq (correspondente a cerca de 13 g de sal por dia). Creatinina 1,0 mg/dL, potássio 4,2 mEq/L. Qual a conduta com maior impacto pressórico neste caso?
Ingestão de sódio muito elevada, comprovada pela excreção urinária, é a causa mais provável do controle inadequado, e sua redução para cerca de 2 g de sódio ao dia produz queda pressórica clinicamente relevante, além de melhorar a resposta ao bloqueador do receptor de angiotensina. Aumentar a losartana para 200 mg/dia ultrapassa a dose máxima recomendada, com ganho pressórico marginal. A restrição hídrica não reduz a pressão e pode causar desidratação. A suplementação de potássio em dose alta traz risco de hipercalemia em quem já usa bloqueador do sistema renina-angiotensina. Investigar hiperaldosteronismo antes de corrigir um erro dietético evidente é sequência inadequada.
Homem, 52 anos, com hipertensão estágio 2 recém-diagnosticada, PA de 164/100 mmHg confirmada em MAPA, sem lesão de órgão-alvo aparente. FC 78 bpm, IMC 28 kg/m². Sem comorbidades e sem uso de medicamentos. Exames iniciais normais. O médico deseja iniciar terapia que otimize adesão e alcance a meta pressórica com rapidez e segurança. Qual a estratégia inicial mais adequada?
Na hipertensão estágio 2, a recomendação atual é iniciar com combinação de dois fármacos, preferencialmente em comprimido único, o que acelera o controle e melhora a adesão. A monoterapia com titulação trimestral atinge a meta com lentidão nesse estágio. Três fármacos em dose plena de início é agressivo e arrisca hipotensão em paciente virgem de tratamento. Adiar por 6 meses apenas com mudanças de estilo de vida é aceitável no estágio 1 de baixo risco, mas não com 164/100 mmHg. O diurético de alça não é anti-hipertensivo de escolha na função renal preservada, dada a curta duração de ação.
Homem, 58 anos, retorna à UBS após 6 meses de tratamento com hidroclorotiazida e enalapril, com PA média domiciliar de 142/90 mmHg. É diabético, com hemoglobina glicada de 7,2%, e tem albuminúria de 220 mg/g. Refere adesão adequada, dieta com redução de sal e caminhadas cinco vezes por semana. Potássio 4,4 mEq/L, creatinina 1,1 mg/dL, clearance de 72 mL/min. IMC 27 kg/m², sem uso de anti-inflamatórios ou descongestionantes. Qual a conduta mais adequada para atingir a meta pressórica?
Diante de pressão acima da meta com dois fármacos em uso adequado, a conduta é acrescentar uma terceira classe de mecanismo complementar, e a combinação de inibidor da enzima conversora, diurético tiazídico e bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico é a associação preferencial, especialmente em diabético com albuminúria. Trocar inibidor da ECA por bloqueador do receptor de angiotensina não amplia o efeito, pois atuam no mesmo eixo. Associar dois bloqueadores do sistema renina-angiotensina é contraindicado, por aumentar hipercalemia e lesão renal aguda sem benefício. Suspender o diurético e manter monoterapia reduz o controle já parcial obtido. A clonidina tem efeitos adversos centrais relevantes e risco de hipertensão rebote, sendo reservada a situações específicas e não a terceira droga de escolha.
Homem, 58 anos, hipertenso e diabético, com PA de consultório de 138/84 mmHg em uso de dois fármacos. FC 74 bpm. MAPA mostra média de vigília de 132/80 mmHg e média de sono de 136/82 mmHg, com padrão de ausência de descenso noturno. Creatinina 1,3 mg/dL (VR 0,7–1,3), albuminúria de 90 mg/g. Refere ronco e sonolência diurna leve. Qual a implicação clínica desse padrão pressórico?
A ausência de descenso noturno associa-se a maior risco de eventos cardiovasculares e lesão renal, e sua identificação deve levar à investigação de causas como apneia obstrutiva do sono, sugerida pelo ronco e pela sonolência, além do ajuste do esquema terapêutico, eventualmente com administração noturna de fármaco. Considerar o padrão normal ignora seu valor prognóstico. A hipertensão do avental branco exigiria consultório elevado com médias ambulatoriais normais. Suspender o tratamento agravaria o quadro. Atribuir o achado a erro do exame e adiar por 12 meses despreza um resultado consistente e clinicamente coerente.
Mulher, 46 anos, com hipertensão previamente controlada com losartana 50 mg/dia, apresenta elevação da PA para 158/98 mmHg nas últimas semanas. FC 78 bpm, IMC 27 kg/m². Nega mudança de dieta ou má adesão. Relata uso diário de descongestionante nasal há 6 semanas por rinite, além de anti-inflamatório ocasional e chá para emagrecer. Exames laboratoriais sem alterações. Qual a conduta inicial mais adequada?
Descongestionantes com ação simpaticomimética, anti-inflamatórios e produtos para emagrecimento elevam a pressão, e a conduta inicial é suspender essas substâncias e reavaliar antes de modificar o esquema anti-hipertensivo. Dobrar a losartana sem retirar a causa mascara o problema. Associar três fármacos de uma vez é desproporcional para elevação de causa identificável e reversível. Investigar feocromocitoma sem paroxismos característicos e com causa evidente é sequência inadequada. Rotular como hipertensão resistente é incorreto, pois o diagnóstico exige três fármacos otimizados e exclusão de causas de pseudorresistência, exatamente o que se investiga aqui.
Homem, 55 anos, com hipertensão estágio 1 e três crises de gota no último ano, em uso de alopurinol. PA 146/90 mmHg confirmada em MRPA, FC 74 bpm, IMC 29 kg/m². Ácido úrico 8,4 mg/dL (VR até 6,0), creatinina 1,0 mg/dL (VR 0,7–1,3). Sem doença renal, diabetes ou doença coronariana. Necessita iniciar tratamento anti-hipertensivo farmacológico. Qual fármaco deve ser preferencialmente EVITADO?
A hidroclorotiazida eleva o ácido úrico por competição na secreção tubular de urato e pode precipitar novas crises de gota, devendo ser evitada neste paciente. A losartana é a opção mais interessante aqui, por apresentar efeito uricosúrico próprio que reduz a uricemia. O anlodipino é neutro sobre o metabolismo do urato e pode ser usado com segurança. O enalapril também não eleva significativamente o ácido úrico. A combinação de ramipril com anlodipino reúne duas classes seguras quanto ao urato e não representa fármaco a ser evitado.
Homem, 58 anos, hipertenso em uso de atenolol 50 mg/dia e hidroclorotiazida 25 mg/dia há 2 anos, com PA controlada em 128/78 mmHg. Refere disfunção erétil progressiva iniciada após o começo do tratamento, com impacto conjugal importante. FC 62 bpm, IMC 27 kg/m². Glicemia e testosterona normais; não fuma e não tem sintomas de doença coronariana ou claudicação. Qual a conduta mais adequada?
Betabloqueadores de gerações antigas e diuréticos tiazídicos estão entre os anti-hipertensivos mais associados à disfunção erétil, e a substituição por bloqueador do receptor de angiotensina com bloqueador de canal de cálcio, classes de perfil neutro ou favorável, melhora o sintoma e preserva o controle pressórico. Negar a relação com os fármacos ignora um efeito adverso bem descrito e favorece o abandono do tratamento. Suspender toda a terapia expõe a eventos cardiovasculares. A testosterona exógena não é indicada com dosagem normal e traz riscos próprios. Aumentar o atenolol agrava o efeito adverso.
Equipe de saúde da família planeja ação de rastreamento e controle da hipertensão em território com 4.000 adultos cadastrados. Dados locais mostram que grande parte dos hipertensos desconhece o diagnóstico e que, entre os tratados, menos da metade atinge a meta pressórica. Não há restrição de acesso a medicamentos na farmácia da unidade e a equipe conta com agentes comunitários atuantes. Qual estratégia tem maior impacto no controle populacional da doença?
O maior ganho populacional vem da aferição sistemática da pressão em todo contato com o serviço, associada à vinculação do paciente diagnosticado e ao acompanhamento longitudinal com ajuste terapêutico, que atacam simultaneamente o desconhecimento do diagnóstico e a inércia terapêutica. Campanhas pontuais anuais detectam casos, mas sem seguimento têm impacto reduzido. Encaminhar todos ao cardiologista sobrecarrega a atenção especializada sem necessidade, pois a maioria é manejável na atenção primária. Solicitar MAPA para todos os adultos é inviável e desnecessário. A distribuição isolada de folhetos tem efeito mínimo sobre o controle pressórico.
Mulher, 47 anos, com hipertensão estágio 1 e risco cardiovascular baixo, PA de 144/90 mmHg confirmada por MRPA. IMC 31 kg/m², circunferência abdominal 96 cm, sedentária, consome bebida alcoólica em fins de semana e usa sal em excesso. Exames laboratoriais sem alterações e sem lesão de órgão-alvo ao ECG e à fundoscopia. Concorda em tentar mudanças de estilo de vida antes de iniciar fármaco. Qual intervenção não farmacológica tem maior efeito pressórico esperado?
A perda ponderal combinada com padrão alimentar rico em frutas, hortaliças e laticínios com baixo teor de gordura e restrição de sódio produz as maiores reduções pressóricas entre as medidas não farmacológicas, somando-se ao exercício e à moderação do álcool. A suplementação de cálcio isolada tem efeito marginal. O aumento do consumo de café não reduz a pressão e pode elevá-la de forma transitória. A vitamina D isolada não demonstrou efeito anti-hipertensivo relevante. A substituição de açúcar por adoçantes pode auxiliar no controle calórico, mas não é a intervenção de maior impacto pressórico.
Homem, 45 anos, hipertenso em uso de losartana e anlodipino, mantém PA de 152/94 mmHg apesar de boa adesão. Relata consumo de cerca de seis doses de destilado por dia nos últimos anos. FC 82 bpm, IMC 28 kg/m². Gama-glutamil transferase elevada e VCM de 102 fL (VR 80–100). Nega uso de outros fármacos, drogas ou suplementos, e a dieta é pobre em sal segundo relato. Qual a intervenção com maior impacto pressórico esperado?
O consumo elevado de álcool eleva a pressão de forma dose-dependente, e sua redução acentuada ou cessação produz queda pressórica clinicamente relevante, além de melhorar as alterações hepáticas e hematológicas observadas. Aumentar o anlodipino para 20 mg/dia ultrapassa a dose máxima recomendada e amplia o edema. Associar betabloqueador em dose alta não é primeira linha e não corrige a causa. A restrição hídrica não reduz a pressão arterial. A suplementação de magnésio tem efeito pressórico marginal e não trata o fator dominante neste caso.
Mulher, 68 anos, com PA de consultório de 168/96 mmHg em uso de três anti-hipertensivos em doses otimizadas, incluindo diurético. FC 74 bpm, circunferência braquial de 40 cm, aferição realizada com manguito padrão sobre a manga da blusa e sem repouso prévio. MRPA realizada em casa com equipamento validado mostra média de 132/80 mmHg. Sem lesão de órgão-alvo nova ao ECG e à fundoscopia. Qual a interpretação correta?
Medidas de consultório elevadas com técnica inadequada e médias domiciliares normais caracterizam pseudorresistência, causada por manguito inapropriado para a circunferência braquial, aferição sobre a roupa, falta de repouso e efeito do avental branco. Diagnosticar hipertensão resistente verdadeira exige medidas fora do consultório elevadas, o oposto do encontrado. Hipertensão maligna exigiria lesão aguda de órgão-alvo com papiledema. Investigar hiperaldosteronismo é prematuro sem confirmar hipertensão realmente resistente. Descartar o equipamento domiciliar validado, que é o que revela o padrão real, inverte a hierarquia diagnóstica.
Homem, 44 anos, com hipertensão estágio 1 recém-diagnosticada, sem comorbidades, sem doença coronariana, insuficiência cardíaca ou arritmia. PA 148/92 mmHg confirmada em MAPA, FC 78 bpm, IMC 26 kg/m². Exames laboratoriais normais e ECG sem alterações. O médico assistente considera iniciar betabloqueador por ser um fármaco de baixo custo e disponível na unidade. Assinale a alternativa correta.
Sem indicação cardíaca específica, como doença coronariana, insuficiência cardíaca ou arritmia, o betabloqueador não figura entre as primeiras linhas do tratamento da hipertensão, que privilegia bloqueadores do sistema renina-angiotensina, bloqueadores de canal de cálcio e diuréticos tiazídicos. Considerá-lo primeira escolha em todo jovem contraria as diretrizes. Afirmar superioridade em desfechos é falso, pois estudos mostram desempenho inferior na prevenção de acidente vascular cerebral. Frequência acima de 70 bpm, isoladamente, não obriga seu uso. No diabético com albuminúria, o bloqueio do sistema renina-angiotensina tem vantagem específica que o betabloqueador não substitui.
Mulher, 58 anos, hipertensa em uso de losartana 50 mg e hidroclorotiazida 25 mg, retorna à unidade básica com PA de 134/84 mmHg, confirmada em segunda medida. FC 72 bpm, IMC 27 kg/m². Refere boa adesão e nega sintomas. Exames de rotina do último ano dentro da normalidade, com creatinina de 0,9 mg/dL, potássio de 4,0 mEq/L e ECG sem alterações. Qual a conduta mais adequada nesta consulta?
Com pressão dentro da meta para paciente sem indicações especiais, a conduta é manter o esquema, reforçar medidas de estilo de vida e programar seguimento com monitorização periódica. Aumentar as doses de fármacos em paciente controlada expõe a hipotensão e efeitos adversos. Suspender o diurético sem efeito adverso documentado tende a elevar a pressão. Encaminhar ao especialista sem sinais de hipertensão secundária sobrecarrega a rede sem benefício. Solicitar MAPA em todos os retornos é uso inadequado de recurso, reservado a dúvidas diagnósticas específicas.
Mulher, 62 anos, hipertensa há 15 anos com controle irregular, sem sintomas cardíacos. PA 158/94 mmHg, FC 76 bpm, IMC 29 kg/m². Ecocardiograma mostra hipertrofia ventricular esquerda concêntrica com fração de ejeção de 62% e disfunção diastólica grau I, sem dilatação de câmaras. NT-proBNP normal e ECG com critérios de sobrecarga ventricular esquerda. Qual a intervenção mais eficaz para prevenir a progressão para insuficiência cardíaca sintomática?
A hipertensão é o principal fator de risco modificável para insuficiência cardíaca, e seu controle eficaz e sustentado reduz de forma expressiva a incidência da doença, além de promover regressão da hipertrofia ventricular. A digoxina não previne insuficiência cardíaca e não tem indicação em paciente assintomática. O diurético de alça contínuo trata congestão inexistente e provoca distúrbios eletrolíticos. A restrição hídrica rigorosa não tem efeito preventivo. A ivabradina reduz frequência em pacientes com fração de ejeção reduzida sintomáticos, cenário distinto do apresentado.
Homem, 56 anos, com polimialgia reumática, iniciou prednisona 20 mg/dia há 6 semanas. Retorna com PA de 158/96 mmHg, contra 128/78 mmHg antes do tratamento. FC 78 bpm, ganho de 4 kg, edema maleolar leve. Potássio 3,3 mEq/L (VR 3,5–5,0), glicemia de jejum 128 mg/dL (VR < 100). Não houve mudança de dieta relatada e a adesão ao restante das medicações está mantida. Qual mecanismo explica melhor a elevação pressórica?
Os glicocorticoides em doses elevadas exercem efeito mineralocorticoide, promovendo retenção de sódio e água, com ganho de peso, edema, hipopotassemia e elevação pressórica, além de piorar o controle glicêmico. A ativação alfa-adrenérgica direta não é o mecanismo predominante. A renina tende a estar suprimida pela expansão volêmica, e não aumentada. A resistência vascular periférica não se reduz, o que contrariaria a elevação da pressão. Não existe efeito diurético paradoxal do corticoide, cuja ação sobre o sódio é justamente de retenção.
Homem, 74 anos, hipertenso, apresenta PA de 156/92 mmHg em uso de atenolol 50 mg/dia. FC 48 bpm em repouso, com relato de fadiga aos esforços leves. ECG mostra bradicardia sinusal, sem bloqueio atrioventricular. Potássio 4,2 mEq/L, creatinina 1,1 mg/dL (VR 0,7–1,3), TSH normal. Nega síncope, tontura ou episódios de escurecimento visual. Qual a conduta mais adequada?
Com pressão descontrolada, bradicardia e fadiga em paciente sem indicação cardíaca específica para betabloqueador, a conduta é substituí-lo por classe de primeira linha, como bloqueador do sistema renina-angiotensina, bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico ou tiazídico. Aumentar o atenolol agrava a bradicardia e a fadiga. Associar verapamil soma efeito cronotrópico negativo, com risco de bloqueio avançado. Implantar marca-passo apenas para permitir mais betabloqueador é conduta invasiva e injustificada. A digoxina reduz ainda mais a frequência e não trata hipertensão.
Mulher, 70 anos, com hipertensão estágio 1 e osteoporose com T-escore de −2,8 em coluna, além de hipercalciúria idiopática documentada. PA 148/88 mmHg confirmada em MRPA, FC 74 bpm. Creatinina 0,9 mg/dL (VR 0,6–1,1), potássio 4,2 mEq/L, cálcio sérico normal. Nega gota, hiponatremia prévia ou intolerância a diuréticos, e não usa outros fármacos. Qual classe anti-hipertensiva oferece benefício adicional neste caso?
Os tiazídicos reduzem a excreção urinária de cálcio, sendo úteis na hipercalciúria e associados a menor perda de massa óssea, o que agrega benefício em paciente com osteoporose. O diurético de alça aumenta a calciúria e favorece perda óssea, tendo efeito oposto ao desejado. O betabloqueador não é primeira linha na hipertensão sem indicação cardíaca específica e não atua sobre o metabolismo do cálcio. O alfabloqueador provoca hipotensão postural, aumentando o risco de quedas e fraturas na idosa. O vasodilatador direto causa taquicardia reflexa e retenção hídrica, sem benefício ósseo.
Mulher, 55 anos, hipertensa em uso de dois anti-hipertensivos, mantém PA de 150/92 mmHg. Afirma seguir dieta rigorosamente hipossódica e negar uso de sal. FC 76 bpm, IMC 30 kg/m². Sódio urinário de 24 horas de 190 mEq, creatinina urinária compatível com coleta adequada e função renal normal. Nega uso de anti-inflamatórios, descongestionantes ou suplementos. Qual a interpretação mais adequada?
Em equilíbrio, a excreção urinária de sódio de 24 horas reflete a ingestão, e 190 mEq correspondem a cerca de 11 g de sal ao dia, muito acima do recomendado, o que contradiz o relato e explica o controle pressórico inadequado. Considerar a dieta adequada ignora o dado objetivo. Chamar o exame de irrelevante descarta o melhor marcador disponível de ingestão de sódio. Perda renal primária de sódio cursaria com hipovolemia e hiponatremia, e não com hipertensão. Suplementar sódio agravaria a hipertensão.
Homem, 48 anos, transplantado renal há 1 ano em uso de ciclosporina, apresenta PA de 158/96 mmHg em MRPA, contra valores normais antes do transplante. FC 78 bpm, creatinina 1,4 mg/dL (VR 0,7–1,3) com função de enxerto estável. Potássio 5,1 mEq/L, magnésio 1,5 mg/dL, ácido úrico elevado. Sem sinais de rejeição e com níveis do imunossupressor dentro do alvo. Qual classe anti-hipertensiva é preferencialmente indicada nesse contexto?
A hipertensão induzida por inibidores de calcineurina decorre de vasoconstrição renal e sistêmica, e os bloqueadores de canal de cálcio di-hidropiridínicos são especialmente eficazes nesse mecanismo, com boa tolerância no transplantado. A espironolactona agrava a hipercalemia já presente. O diurético de alça em dose alta não é primeira escolha com função de enxerto estável e agrava distúrbios eletrolíticos. O betabloqueador não seletivo não trata o mecanismo vasoconstritor predominante. A associação de inibidor direto da renina com inibidor da enzima conversora é desaconselhada, por hipercalemia e lesão renal sem ganho de desfecho.
Homem, 64 anos, com nefropatia diabética e albuminúria, apresentou hipercalemia grave e angioedema com inibidor da enzima conversora, e hipercalemia recorrente com bloqueador do receptor de angiotensina. PA 152/92 mmHg, FC 76 bpm. Potássio 5,6 mEq/L (VR 3,5–5,0) mesmo com dieta orientada e uso de quelante, creatinina 2,0 mg/dL e taxa de filtração glomerular estimada de 34 mL/min/1,73 m². Qual a conduta anti-hipertensiva mais adequada?
Com angioedema prévio e hipercalemia refratária, o bloqueio do sistema renina-angiotensina é inviável, e a alternativa é bloqueador de canal de cálcio associado a diurético apropriado à função renal, como o de alça em filtração reduzida. Reintroduzir inibidor da enzima conversora após angioedema é formalmente contraindicado. A espironolactona agravaria a hipercalemia. Apostar apenas em restrição de sódio deixa a pressão descontrolada em paciente com nefropatia. Associar inibidor direto da renina a bloqueador do receptor de angiotensina eleva hipercalemia e lesão renal sem benefício.
Homem, 58 anos, hipertenso, iniciou anti-hipertensivo há 4 semanas e refere pesadelos frequentes, insônia e sensação de fadiga matinal, com prejuízo do desempenho no trabalho. PA 132/82 mmHg, FC 62 bpm, com bom controle pressórico. Nega depressão prévia, uso de álcool ou outras medicações novas; polissonografia não realizada e sem ronco ou pausas presenciadas. Qual classe é a causa mais provável desses sintomas?
Betabloqueadores lipofílicos, como propranolol e metoprolol, atravessam a barreira hematoencefálica e associam-se a pesadelos, insônia e fadiga, coerente com a frequência de 62 bpm e o início recente do fármaco. Os bloqueadores de canal de cálcio di-hidropiridínicos causam edema, cefaleia e rubor, sem esse padrão de distúrbio do sono. Os tiazídicos provocam distúrbios eletrolíticos e noctúria, e não pesadelos. Os bloqueadores do receptor de angiotensina são bem tolerados e raramente associados a sintomas centrais. O inibidor direto da renina também não tem esse perfil de efeitos adversos.
Homem, 57 anos, negro, hipertenso sem proteinúria e sem diabetes, com creatinina de 1,0 mg/dL (VR 0,7–1,3) e taxa de filtração glomerular de 82 mL/min/1,73 m2. PA 156/96 mmHg em medidas repetidas, FC 74 bpm, índice de massa corporal de 29 kg/m2. Não há doença cardiovascular estabelecida e o potássio sérico é de 4,2 mEq/L, sem uso prévio de anti-hipertensivos. Qual a classe de primeira escolha nesse perfil?
Em pacientes negros sem proteinúria, diabetes ou indicação compulsória específica, diuréticos tiazídicos e bloqueadores de canal de cálcio mostram maior eficácia anti-hipertensiva e melhores desfechos que a monoterapia com bloqueadores do sistema renina-angiotensina. O inibidor da enzima conversora tem resposta pressórica menor nesse subgrupo quando usado isoladamente. Betabloqueadores não são primeira linha na hipertensão não complicada. Antagonistas mineralocorticoides são reservados à hipertensão resistente. Alfabloqueadores centrais e vasodilatadores diretos são fármacos de linhas posteriores.
Homem, 54 anos, com pressão arterial de 158/96 mmHg apesar do uso de losartana, anlodipino e hidroclorotiazida em doses otimizadas, com boa adesão confirmada. FC 76 bpm, índice de massa corporal de 33 kg/m2, ronco e sonolência diurna. Potássio de 3,6 mEq/L (VR 3,5–5,0), creatinina de 1,1 mg/dL e monitorização ambulatorial confirmando médias pressóricas elevadas. Qual a conduta indicada?
Na hipertensão resistente confirmada, a espironolactona é o quarto fármaco de escolha, com benefício demonstrado, devendo-se investigar causas secundárias, entre elas apneia obstrutiva do sono, sugerida pela obesidade, ronco e sonolência diurna. Trocar tiazídico por furosemida pode ser útil na disfunção renal avançada, mas não é a medida isolada indicada aqui. Reduzir o número de fármacos piora o controle pressórico. A denervação renal é terapia de exceção, indicada após falha do tratamento clínico otimizado. Apenas repetir medidas em três meses adia o tratamento necessário.
Homem, 52 anos, hipertenso há dez anos com controle irregular, comparece à consulta de rotina. PA 154/94 mmHg, FC 78 bpm. Traz exames: creatinina de 1,4 mg/dL (VR 0,7–1,3), relação albumina-creatinina urinária de 90 mg/g, eletrocardiograma com índice de Sokolow-Lyon aumentado e fundoscopia com estreitamento arteriolar e cruzamentos arteriovenosos patológicos bilaterais. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a lesão de órgão-alvo nesse paciente.
Afirmar que a lesão de órgão-alvo não altera a meta pressórica é incorreto, pois sua presença eleva a estratificação de risco cardiovascular e justifica tratamento farmacológico mais precoce e metas mais rigorosas. A albuminúria é reconhecidamente marcador precoce de lesão renal e preditor de eventos cardiovasculares. A hipertrofia ventricular esquerda é fator de risco independente bem estabelecido. As alterações de fundo de olho descritas traduzem repercussão vascular crônica. A elevação da creatinina reforça a necessidade de controle pressórico mais estrito e de nefroproteção.
Homem, 29 anos, sem comorbidades, com pressão arterial de 172/108 mmHg confirmada em três consultas. FC 78 bpm, índice de massa corporal de 24 kg/m2, sem uso de medicamentos ou drogas. Potássio de 3,1 mEq/L (VR 3,5–5,0) sem uso de diurético, creatinina de 1,0 mg/dL e ausência de história familiar de hipertensão em parentes de primeiro grau. Assinale a alternativa INCORRETA sobre a investigação de causas secundárias.
Afirmar que a ausência de história familiar exclui hipertensão primária é incorreto, pois a história familiar aumenta a probabilidade, mas sua ausência não descarta a forma primária, que continua sendo a mais prevalente. Hipertensão grave em paciente jovem é sinal de alerta clássico para causas secundárias. A hipocalemia espontânea sem diurético sugere excesso mineralocorticoide e orienta a dosagem de aldosterona e renina. A resistência a três fármacos otimizados é indicação formal de rastreamento. A apneia obstrutiva do sono é causa secundária frequente e subdiagnosticada.
Homem, 49 anos, com pressão arterial de 148/92 mmHg em três consultas de consultório e medidas domiciliares consistentemente abaixo de 130/80 mmHg. FC 74 bpm, índice de massa corporal de 26 kg/m2. Creatinina de 1,0 mg/dL (VR 0,7–1,3), relação albumina-creatinina urinária de 10 mg/g, eletrocardiograma normal e fundoscopia sem alterações vasculares hipertensivas. Qual o diagnóstico mais provável?
Pressão elevada no consultório com medidas domiciliares normais e ausência de lesão de órgão-alvo caracteriza hipertensão do avental branco, que exige acompanhamento periódico por maior risco de evolução para hipertensão sustentada. A hipertensão mascarada apresenta o padrão inverso, com consultório normal e medidas fora dele elevadas. O estágio 2 exigiria elevação confirmada fora do consultório. Não há albuminúria nem alteração do sedimento que sustentem doença renal parenquimatosa. A pseudo-hipertensão ocorre em idosos com artérias muito rígidas, perfil diferente do apresentado.
Homem, 51 anos, hipertenso, retorna com PA 168/102 mmHg apesar de prescrição de três anti-hipertensivos. FC 78 bpm. Ao ser questionado, relata tomar os medicamentos apenas quando sente dor de cabeça e refere dificuldade financeira para adquirir um dos fármacos. Creatinina de 1,2 mg/dL, potássio de 4,2 mEq/L e ausência de lesão de órgão-alvo nos exames complementares realizados. Qual a conduta mais adequada?
A não adesão é a causa mais comum de hipertensão aparentemente resistente, e a conduta é abordá-la de forma acolhedora, simplificar o esquema com combinações fixas, priorizar fármacos disponíveis na rede pública e ajustar às condições socioeconômicas. Aumentar doses sem discutir adesão não corrige a causa. Acrescentar um quarto fármaco amplia o custo e a complexidade. Classificar como resistente exige uso comprovadamente adequado de três fármacos, o que não ocorre. A denervação renal é procedimento de exceção, jamais indicado antes de garantir adesão.
Homem, 42 anos, com índice de massa corporal de 36 kg/m2 e circunferência abdominal de 118 cm, apresenta PA 152/96 mmHg confirmada por monitorização ambulatorial. FC 80 bpm. Glicemia de jejum de 112 mg/dL, triglicerídeos de 210 mg/dL, colesterol da lipoproteína de alta densidade de 34 mg/dL, creatinina de 1,0 mg/dL e relação albumina-creatinina urinária de 24 mg/g. Qual a conduta de maior impacto sobre a pressão arterial?
A perda ponderal é a intervenção não farmacológica de maior impacto sobre a pressão arterial em paciente obeso, com redução expressiva a cada quilo perdido, devendo ser combinada a dieta, atividade física e tratamento farmacológico anti-hipertensivo. O diurético isolado sem mudança de estilo de vida perde grande parte do benefício potencial. Restrição calórica extrema com jejum prolongado é insustentável e traz riscos metabólicos. A cirurgia bariátrica é indicada após critérios específicos e falha do tratamento clínico. A denervação renal é procedimento de exceção.
Mulher, 86 anos, frágil, com histórico de quedas e tontura postural, apresenta PA 158/78 mmHg sentada e 128/68 mmHg em ortostase. FC 72 bpm. Creatinina de 1,3 mg/dL (VR 0,6–1,1), taxa de filtração glomerular de 38 mL/min/1,73 m2. Faz uso de hidroclorotiazida e enalapril, com boa adesão, e mora sozinha com apoio de cuidadora em período parcial. Qual a conduta mais adequada?
Em idosa frágil com hipotensão postural e histórico de quedas, a meta pressórica deve ser individualizada, priorizando a prevenção de hipotensão sintomática, com metas menos rigorosas e ajuste dos fármacos que agravam a queda postural. Buscar sistólica abaixo de 120 mmHg em todas as posições aumenta quedas, síncope e lesão renal aguda. Suspender todos os anti-hipertensivos abandona o controle pressórico. Aumentar o diurético agrava a hipotensão postural e a depleção. Acrescentar um terceiro fármaco amplia o risco sem benefício claro nesse perfil.
Mulher, 32 anos, previamente normotensa, apresenta pressão elevada em três aferições nos últimos 3 meses. Iniciou anticoncepcional oral combinado há 8 meses e usa corticoide nasal e prednisona intermitente por rinossinusite. PA média de 152x96 mmHg, FC 80 bpm, IMC 26 kg/m². Exames: potássio 3,4 mEq/L; creatinina 0,8 mg/dL; urina tipo 1 normal; relação aldosterona-renina não realizada. Qual a conduta inicial?
A hipertensão em mulher jovem previamente normotensa, temporalmente ligada ao uso de anticoncepcional combinado e corticoide, é provavelmente medicamentosa, e a conduta inicial é suspender ou substituir os agentes implicados com reavaliação pressórica antes de rotular hipertensão primária. Iniciar três fármacos mantendo as causas é conduta desproporcional. A arteriografia renal é invasiva e prematura. A espironolactona empírica sem investigação adequada mascara o diagnóstico de hiperaldosteronismo. Assumir hipertensão primária com tratamento vitalício ignora uma causa reversível.
Mulher, 79 anos, assintomática, apresenta em três aferições em consultório PA média de 168x72 mmHg, confirmada por monitorização residencial. FC 70 bpm, IMC 26 kg/m², T 36,4 °C. Exames: creatinina 0,9 mg/dL; potássio 4,2 mEq/L; glicemia 98 mg/dL; colesterol LDL 118 mg/dL; eletrocardiograma com sobrecarga ventricular esquerda incipiente. Não há hipotensão ortostática nem histórico de quedas. Sobre esse padrão pressórico, é correto afirmar que:
A hipertensão sistólica isolada decorre do enrijecimento das grandes artérias com o envelhecimento e é a forma mais comum de hipertensão no idoso, associando-se a risco elevado de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e mortalidade, com benefício demonstrado do tratamento, iniciado em doses baixas e com titulação gradual, monitorizando hipotensão ortostática. Considerá-la fisiológica e não tratar contraria evidência de ensaios clínicos em idosos. A diastólica baixa exige cautela na titulação, mas não contraindica o tratamento. O alvo primário é a sistólica. Aguardar lesão de órgão-alvo desperdiça a oportunidade de prevenção, ainda mais com sobrecarga ventricular já incipiente.
Homem, 61 anos, com diabetes mellitus tipo 2 há 12 anos e nefropatia diabética, tem PA de consultório de 132/80 mmHg em uso de três anti-hipertensivos. Refere nictúria de três episódios. A monitorização ambulatorial de 24 horas mostra média de vigília de 130/78 mmHg e média de sono de 138/84 mmHg, com ausência de descenso noturno. Creatinina 1,4 mg/dL; relação albumina/creatinina urinária de 280 mg/g (VR < 30). Qual a interpretação e a conduta?
A ausência de descenso noturno, com médias do sono superiores às da vigília, é padrão comum em diabéticos com nefropatia e disautonomia, associa-se a maior risco cardiovascular e progressão renal e demanda ajuste terapêutico, incluindo a consideração de administrar parte dos fármacos à noite e investigar apneia obstrutiva do sono. Considerar o controle adequado ignora justamente o achado de maior valor prognóstico do exame. Hipertensão do avental branco exigiria pressão de consultório elevada com médias ambulatoriais normais, o oposto do encontrado. Não há hipotensão noturna, e sim elevação. Afirmar que a monitorização não avalia o sono contraria a principal vantagem do método.
Um adulto tem medidas repetidas normais de pressão no consultório, mas registros domiciliares tecnicamente adequados mostram elevação persistente. Qual fenômeno deve ser investigado?
A pressão elevada fora do consultório pode não aparecer nas aferições clínicas habituais. Referência: NHLBI/NIH. High Blood Pressure: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/high-blood-pressure/diagnosis
Um paciente chega caminhando apressado, toma café e imediatamente tem a pressão aferida enquanto conversa, com o braço sem apoio. Qual ação é apropriada antes de interpretar uma elevação isolada?
Atividade recente, cafeína, conversa e posição do braço podem interferir; a técnica deve ser corrigida. Referência: NHLBI/NIH. High Blood Pressure: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/high-blood-pressure/diagnosis
Uma mulher sem tratamento tem medidas de pressão elevadas em consultas sucessivas. Na monitorização fora do consultório, os valores são normais com técnica adequada. Qual interpretação é a mais provável?
A discrepância descrita caracteriza elevação no ambiente de consulta com valores normais fora dele. Referência: NHLBI/NIH. High Blood Pressure: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/high-blood-pressure/diagnosis
Qual interpretação exige confirmação e acompanhamento, evitando escalada baseada só no consultório?

Elevação no consultório com medidas externas normais sugere efeito do avental branco; técnica e risco global importam.
Qual local apresenta medidas maiores?

O contraste entre ambientes é o dado principal.
Se o manguito utilizado em casa é inadequado ao braço, qual passo precede concluir o fenótipo?

Erro de medida pode criar discordância artificial e levar a diagnóstico incorreto.
Qual exame registra pressão durante atividades e sono?

MAPA acompanha pressão ambulatorial ao longo do dia e da noite.
Por que a hipótese do avental branco não significa abandonar seguimento?

A conduta integra risco cardiovascular, hábitos e medidas seriadas, sem presumir inocuidade absoluta.
Em uma segunda medida, o examinador retira o apoio e deixa o braço pendente abaixo da referência cardíaca mostrada. Qual viés essa mudança tende a introduzir? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A medida abaixo do nível cardíaco e sem apoio pode aumentar o valor, devendo-se corrigir a técnica antes de interpretar diferenças.
A figura permite avaliar a postura, mas qual requisito importante não pode ser confirmado por uma imagem estática? Esquema didático do acervo OsceLabs.

Uma imagem não informa o tempo prévio de repouso ou a sequência de medidas.
A postura do paciente foi reproduzida, mas o braço tem circunferência muito maior que a faixa indicada para o manguito usado. Qual decisão melhora a interpretação de uma leitura elevada? Esquema didático do acervo OsceLabs.

Manguito pequeno pode superestimar a pressão; boa postura não compensa dimensionamento incorreto.
Qual elemento de posicionamento adequado está diretamente demonstrado na ilustração da medida da pressão arterial? Esquema didático do acervo OsceLabs.

O apoio reduz esforço muscular e mantém a referência hidrostática próxima ao coração.
Homem hipertenso de 68 anos apresenta este ECG em avaliação ambulatorial, sem sintomas agudos. Qual associação entre o achado do traçado e o exame complementar é mais apropriada? ECG real anonimizado; vinheta clínica didática. Fonte: PTB-XL v1.0.3 (CC BY 4.0).

S de V1 e R de V5–V6 são aumentadas, com T negativa em derivações laterais. Esse padrão sugere sobrecarga ventricular esquerda. O ecocardiograma pode confirmar ou refutar aumento anatômico de massa e avaliar a função.
Mulher de 62 anos realiza este ECG. Considerando a onda R de aVL e a onda S de V3, qual interpretação do critério de Cornell é adequada? ECG real anonimizado; vinheta clínica didática. Fonte: PTB-XL v1.0.3 (CC BY 4.0).

Com ganho de 5 mm/mV, R de aVL e S de V3 correspondem, aproximadamente, a 1,3 e 1,5 mV. A soma de cerca de 2,8–3,0 mV satisfaz o critério de Cornell feminino. Esse critério é eletrocardiográfico, não uma medida anatômica.
Pessoa de 64 anos com hipertensão de longa duração realiza este ECG em consulta, sem sintomas agudos. Considerando o ganho indicado, qual alteração é mais bem sustentada pelos complexos precordiais? ECG real anonimizado; vinheta clínica didática. Fonte: PTB-XL v1.0.3 (CC BY 4.0).

Há ondas S profundas em V1 e ondas R altas em V5–V6. O ganho é de 5 mm/mV; a soma de S em V1 e R em V5 é aproximadamente 8 mV, claramente acima do limiar usual de voltagem. O ECG sugere sobrecarga, sem medir diretamente a massa ventricular.
Um adulto hipertenso, sem dor torácica atual, apresenta o ECG mostrado. Qual descrição das alterações de ST-T nas derivações laterais é mais apropriada? ECG real anonimizado; vinheta clínica didática. Fonte: PTB-XL v1.0.3 (CC BY 4.0).

O traçado reúne altas voltagens precordiais e alterações de repolarização lateral, com ST deprimido e T negativa assimétrica. Esse conjunto é compatível com strain; não permite descartar isquemia se houver contexto clínico sugestivo.
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Refaça as quatro divergências como se estivesse explicando a um colega: por que o Brasil diagnostica em 140/90 e os Estados Unidos em 130/80; por que a SBC crava meta única de 130/80 e o Ministério da Saúde escalona; por que 'pré-hipertensão' e 'PA normal alta' não cobrem a mesma faixa; e por que resistente e refratária mudam de número entre as duas fontes brasileiras. Feche resolvendo um caso de hipertensão resistente do zero: exclua pseudorresistência, confirme com MAPA, escolha a quarta droga e liste os gatilhos de causa secundária que você investigaria naquele paciente.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Ambulatório de atenção primária. Homem de 48 anos, pedreiro, vem buscar resultado de exames pedidos pela enfermagem depois de duas aferições alteradas na sala de acolhimento. Diz que não sente nada e que só quer 'o papel do trabalho'. Cabe a você medir a pressão com técnica, decidir se há diagnóstico de hipertensão, estratificar o risco com o que tem na unidade e explicar a ele — em linguagem de quem não estudou medicina — por que um número que não dói precisa de tratamento contínuo. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
