Clínica Médica › Cardiologia
SCA sem supradesnível de ST
Síndrome coronariana aguda sem supra de ST / angina instável (IAMSSST)
O eletrocardiograma não fecha o diagnóstico e a troponina não é um sim ou não. Aqui o que decide é a curva do marcador e o escore de risco — que definem se o cateterismo é em 2, 24 ou 72 horas, ou se não é.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 65 anos com IAM sem supra de ST de risco intermediário chega ao pronto-socorro. Além de dupla antiagregação plaquetária e anticoagulação, está indicada terapia anti-isquêmica. Ele tem antecedente de asma brônquica com broncoespasmo desencadeado por betabloqueador. Qual classe de medicação anti-isquêmica é a mais adequada como alternativa para controle da frequência e da isquemia?
Como esse tema cai
Este capítulo trata do paciente que chega com dor torácica, faz um eletrocardiograma sem supradesnivelamento de ST e, mesmo assim, está infartando — ou está a caminho disso. É a apresentação mais comum das síndromes coronarianas agudas e a que mais cai em prova, justamente porque nenhuma decisão aqui é automática: o diagnóstico depende de uma curva de troponina e a conduta depende de um escore.
Três decisões organizam tudo. Primeira: confirmar ou descartar infarto com troponina de alta sensibilidade em 1 a 3 horas. Segunda: classificar o risco com GRACE, TIMI ou Heart. Terceira: definir se este paciente vai para o cateterismo em 2 horas, em 24 horas, em 72 horas — ou se não vai. É nesse terceiro ponto que as bancas concentram o veneno.
O infarto com supra de ST e a insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida têm capítulos próprios nesta apostila. Aqui a fisiopatologia entra no mínimo indispensável: o suficiente para você entender por que o eletrocardiograma pode ser normal, por que a troponina não é, e por que fibrinolítico está proibido.
O que muda decisão
A síndrome que o eletrocardiograma não fecha
Síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST é um quadro clínico compatível com isquemia miocárdica somado a um eletrocardiograma que não mostra supradesnivelamento persistente. Dentro desse guarda-chuva moram duas entidades separadas por um único exame: angina instável, quando a troponina não sobe, e infarto agudo do miocárdio sem supra de ST, quando ela sobe com curva. Clinicamente elas são indistinguíveis na porta do pronto-socorro. Só o marcador as separa.
A fisiopatologia explica o resto. Uma placa aterosclerótica rompe ou erode e forma sobre si um trombo rico em plaquetas que obstrui a luz de modo parcial. Sobra fluxo residual. A isquemia se instala na camada mais vulnerável, o subendocárdio, e não atravessa toda a espessura da parede — por isso o vetor de lesão não produz supradesnivelamento, e sim infradesnivelamento ou alteração de onda T. No infarto com supra, o trombo é rico em fibrina e oclui a artéria por completo: isquemia transmural, supradesnivelamento, relógio correndo para reperfusão em minutos.
Daí a consequência prática mais cobrada de todas: aqui não se tromboliza. O trombo plaquetário não responde bem ao fibrinolítico, os ensaios mostraram excesso de sangramento sem redução de eventos, e o tratamento é antiagregação, anticoagulação, terapia anti-isquêmica e revascularização programada por cateterismo. Fibrinolítico em infra de ST é erro de conduta, não alternativa razoável.
Vale registrar que a angina instável virou diagnóstico raro depois da troponina de alta sensibilidade: boa parte dos pacientes que antes recebiam esse rótulo hoje tem marcador detectável e curva mensurável, ou seja, é infarto. E, pela quarta definição universal, infarto exige elevação e ou queda de troponina com pelo menos um valor acima do percentil 99 mais evidência de isquemia — sintoma compatível, alteração isquêmica de eletrocardiograma, alteração segmentar nova de contratilidade ou trombo à angiografia. Um número alto sozinho não fecha o diagnóstico.

O eletrocardiograma: o que procurar quando não há supra
O eletrocardiograma tem que sair em até 10 minutos do primeiro contato com qualquer paciente que chegue com dor torácica ou equivalente anginoso. Ele serve primeiro para excluir a rota do supra e só depois para estratificar.
Os achados que indicam isquemia sem supra são o infradesnivelamento de ST de pelo menos 0,5 mm em duas derivações contíguas e a inversão de onda T de pelo menos 1 mm — mais específica quanto mais profunda e simétrica. Supradesnivelamento transitório, que aparece e some, também entra aqui e conta como critério de alto risco. Quanto mais derivações com infra e quanto maior a magnitude, pior o prognóstico.
Mais de um terço dos pacientes com síndrome coronariana aguda sem supra tem eletrocardiograma normal ou inespecífico. Eletrocardiograma normal com dor típica não descarta nada: obriga troponina seriada. E o traçado é dinâmico — repita em 15 a 30 minutos se a dor persistir ou recorrer, e sempre que houver mudança clínica.
Duas leituras salvam questão. Infradesnivelamento de V1 a V3 com onda R alta e onda T positiva é a imagem em espelho de um infarto de parede posterior: peça V7, V8 e V9, e se houver supra ali o paciente saiu desta rota e vai para reperfusão imediata. Infradesnivelamento difuso em oito ou mais derivações com supradesnivelamento em aVR sugere lesão de tronco de coronária esquerda ou doença triarterial grave, e conta como critério de risco muito alto.
Por fim, o padrão de Wellens: ondas T bifásicas ou profundamente invertidas em V2 e V3, tipicamente em paciente sem dor no momento e com troponina pouco ou nada alterada. Traduz estenose crítica proximal da artéria descendente anterior. Esse paciente não faz teste ergométrico — provocá-lo pode ser fatal. Ele faz cateterismo.

Troponina: o valor importa, o delta decide
A troponina é o biomarcador de escolha no diagnóstico do infarto — Classe I, nível A na diretriz brasileira. CK-MB e mioglobina não entram na avaliação inicial e não têm mais papel diagnóstico; CK-MB sobrevive apenas como coadjuvante na suspeita de reinfarto precoce. O corte de anormalidade é o percentil 99 da população de referência, específico do ensaio e, idealmente, do sexo.
Com ensaio de alta sensibilidade, o protocolo é 0 hora e 1 hora. Usando hs-cTnT da Roche, que é o mais difundido no Brasil e tem percentil 99 de 14 ng/L, a leitura é esta. excluir infarto: valor de chegada abaixo de 5 ng/L quando a dor começou há mais de 3 horas, ou valor de chegada abaixo de 12 ng/L com variação absoluta em 1 hora menor que 3 ng/L. confirmar infarto: valor de chegada de 52 ng/L ou mais, ou variação absoluta em 1 hora de 5 ng/L ou mais. Tudo o que sobra — grosso modo, valores entre 13 e 51 ng/L com deltas intermediários — cai na zona de observação.
Zona de observação não é alta e não é internação em unidade coronariana: é uma terceira coleta. Repita a troponina em 3 horas. Concentração de 3 horas abaixo de 15 ng/L somada a variação absoluta 0-3 horas abaixo de 4 ng/L permite descartar infarto com segurança; qualquer coisa acima disso, ou dor que persiste, empurra o paciente para investigação anatômica ou funcional antes da alta.
Os cortes são específicos do ensaio e não se transportam entre kits. Para hs-cTnI da Abbott, os valores publicados pela ESC são: excluir com chegada abaixo de 4 ng/L (dor há mais de 3 horas) ou abaixo de 5 ng/L com delta de 1 hora menor que 2 ng/L; confirmar com chegada de 64 ng/L ou mais, ou delta de 1 hora de 6 ng/L ou mais. Se o seu serviço usa troponina convencional, ou se o enunciado não especifica alta sensibilidade, o protocolo é 0 e 3 horas: coleta na admissão e nova coleta entre 3 e 6 horas caso a primeira seja normal ou discretamente elevada — Classe I, nível B na diretriz brasileira.
Troponina elevada não é sinônimo de síndrome coronariana. Injúria miocárdica é qualquer necrose de miócito, e ela acontece em sepse, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca descompensada, miocardite, taquiarritmia sustentada, doença renal crônica, acidente vascular cerebral, contusão torácica e pós-operatório de grande porte. O infarto tipo 2 é isquemia verdadeira por desequilíbrio entre oferta e demanda, sem trombo agudo — anemia grave, choque, crise hipertensiva, taquiarritmia. O que separa esses cenários do infarto tipo 1 não é o número: é a presença de curva somada a contexto clínico e eletrocardiográfico de isquemia.
E existe o infarto com coronárias sem obstrução, o MINOCA: troponina em curva, quadro de infarto e cateterismo sem lesão de 50% ou mais. Isso não encerra o caso, abre uma segunda investigação — dissecção coronária espontânea, espasmo, embolia coronária, trombofilia e miocardite, esta última frequentemente esclarecida por ressonância magnética cardíaca.
Estratificar: HEART decide a alta, GRACE decide o tempo
Existem três escores na prova e cada um responde a uma pergunta diferente. Confundir qual serve para quê é o erro conceitual mais caro deste tema.
O Heart é o escore da porta de entrada e responde: este paciente pode ir para casa? Ele soma cinco domínios de 0 a 2 pontos cada — History (história), ECG, Age (idade), Risk factors (fatores de risco) e Troponin —, total de 0 a 10. De 0 a 3 é baixo risco e identifica entre 35% e 46% dos pacientes atendidos por dor torácica, com taxa de eventos muito baixa; de 4 a 6 é intermediário e obriga observação e investigação; de 7 a 10 é alto risco, com mais de 50% de eventos em 6 semanas. A diretriz brasileira recomenda o Heart para estratificação de risco e auxílio na decisão de alta com Classe I, nível B.
O GRACE é o escore de prognóstico e responde: quando este paciente vai para a hemodinâmica? Usa oito variáveis — idade, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, creatinina, classe de Killip, parada cardíaca na admissão, desvio do segmento ST e elevação de biomarcador. Pontuação menor ou igual a 108 é baixo risco, com mortalidade intra-hospitalar abaixo de 1%. De 109 a 140 é risco intermediário, mortalidade de 1% a 3%. Acima de 140 é alto risco, mortalidade acima de 3%. Guarde o 140: é o número que mais aparece em enunciado.
O TIMI é o escore de bolso: sete itens que valem 1 ponto cada e se calculam de cabeça. Idade de 65 anos ou mais; três ou mais fatores de risco para doença coronária; doença arterial coronária conhecida com estenose de 50% ou mais; uso de AAS nos 7 dias anteriores; angina grave recente, nas últimas 24 horas; infradesnivelamento de ST de pelo menos 0,5 mm; elevação de marcador de necrose. De 0 a 2 é baixo risco, de 3 a 4 intermediário, de 5 a 7 alto risco. No estudo de derivação, o desfecho composto em 14 dias subiu de cerca de 5% nos pacientes com 0 ou 1 ponto para cerca de 41% naqueles com 6 ou 7 pontos. É prático, mas discrimina menos que o GRACE, e por isso o GRACE é quem manda no tempo do cateterismo.
A regra de uso é simples: Heart na triagem, para decidir quem fica; GRACE depois do diagnóstico, para decidir quando cateterizar; TIMI quando a prova pede o cálculo mental ou quando não há calculadora à mão.
Quando cateterizar: os quatro tempos
Muito alto risco vai para angiografia coronária imediata, em até 2 horas. Os critérios são clínicos, não numéricos: instabilidade hemodinâmica ou choque cardiogênico; angina refratária, isto é, dor que persiste apesar de terapia anti-isquêmica otimizada; instabilidade elétrica, com arritmia ventricular grave ou parada cardíaca ressuscitada; insuficiência cardíaca aguda ou edema agudo de pulmão atribuíveis à isquemia; complicação mecânica; e supradesnivelamento de ST transitório e recorrente. A diretriz brasileira recomenda a estratégia invasiva urgente ou imediata nesses pacientes com Classe I, nível A. Eles são tratados como um infarto com supra no que diz respeito ao relógio — mas sem fibrinolítico.
Alto risco vai para angiografia nas primeiras 24 horas. Entram aqui o infarto sem supra confirmado por troponina em curva, as alterações dinâmicas de ST ou de onda T mesmo em paciente assintomático, e o GRACE acima de 140. Registre a nuance de força: a diretriz europeia de 2023 rebaixou essa recomendação de Classe I nível A para Classe IIa nível A, porque as metanálises não demonstraram redução de mortalidade da estratégia em 24 horas contra a estratégia adiada. Na prova brasileira, GRACE acima de 140 continua respondendo cateterismo nas primeiras 24 horas.
Risco intermediário vai para angiografia em até 72 horas, com o paciente internado. São os pacientes com GRACE entre 109 e 140 ou com comorbidade de peso: diabetes mellitus, doença renal crônica com taxa de filtração glomerular abaixo de 60 mL/min, fração de ejeção abaixo de 40%, angina pós-infarto, intervenção coronária percutânea prévia, cirurgia de revascularização prévia ou isquemia recorrente durante a internação.
Baixo risco não vai direto para o cateterismo. Paciente sem nenhum dos critérios acima, com GRACE de até 108, Heart de 0 a 3 e troponina seriada sem curva entra na estratégia seletiva: primeiro um teste não invasivo — funcional, de preferência com imagem — ou uma angiotomografia de coronárias. Só se houver isquemia significativa ou doença obstrutiva é que o cateterismo é indicado. A angiotomografia tem valor preditivo negativo muito alto e é especialmente útil em probabilidade pré-teste baixa a intermediária.
E a regra que resolve empate: instabilidade vence escore. Um paciente com GRACE de 95 que faz taquicardia ventricular sustentada não é de baixo risco — é de risco muito alto e vai para a sala em 2 horas. O escore estima prognóstico em quem está estável; ele não é uma autorização para esperar quando o paciente está deteriorando na sua frente.
A ponte até a sala de hemodinâmica
AAS para todos, imediatamente, salvo alergia verdadeira: 150 a 300 mg mastigados na dose de ataque e 81 a 100 mg por dia de manutenção, por tempo indefinido.
O inibidor de P2Y12 é onde a conduta mudou e onde as bancas cobram. Ticagrelor 180 mg de ataque com 90 mg a cada 12 horas, ou prasugrel 60 mg de ataque com 10 mg por dia — 5 mg se o paciente tiver 75 anos ou mais, ou pesar menos de 60 kg, e contraindicado em quem já teve acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório — são preferidos ao clopidogrel (300 a 600 mg de ataque, 75 mg por dia) nos pacientes que vão para intervenção percutânea, conforme a diretriz americana de 2025. Clopidogrel fica para quem tem alto risco de sangramento ou precisa de anticoagulação oral crônica.
O ponto crítico é o momento, não a escolha. Não se faz pré-tratamento rotineiro com inibidor de P2Y12 antes de conhecer a anatomia coronária. A diretriz brasileira orienta não pré-tratar o paciente instável ou de alto risco encaminhado à estratégia imediata, reservando a droga para a sala de hemodinâmica com a anatomia na tela, e não vê indicação rotineira de iniciá-la em quem vai cateterizar em menos de 24 horas; o pré-tratamento com prasugrel é Classe III. A diretriz europeia de 2023 é ainda mais direta: pré-tratamento com anatomia desconhecida é Classe III, nível A. O motivo é concreto — quem tem lesão de tronco ou doença triarterial pode ir para cirurgia de revascularização, e o antiagregante já embarcado adia a cirurgia e aumenta o sangramento.
Anticoagulação para todos, mantida até a revascularização, a alta ou até 8 dias. Enoxaparina 1 mg/kg por via subcutânea a cada 12 horas — 0,75 mg/kg a cada 12 horas se 75 anos ou mais, 1 mg/kg a cada 24 horas se clearance de creatinina entre 15 e 30 mL/min, máximo de 150 mg por dose — com Classe I, nível A. Fondaparinux 2,5 mg por via subcutânea uma vez ao dia é a opção de menor risco hemorrágico, com Classe I nível B, e está contraindicado com clearance abaixo de 20 mL/min. Heparina não fracionada fica para clearance muito baixo, para quem tem cirurgia prevista nas próximas 24 horas e para a sala de hemodinâmica no paciente de risco muito alto.
Terapia anti-isquêmica: nitrato sublingual é Classe I, nível C, seguido de nitroglicerina endovenosa se a dor persistir ou houver hipertensão ou congestão — proibido se houve uso de inibidor de fosfodiesterase-5 nas últimas 24 a 48 horas, se há hipotensão ou se há infarto de ventrículo direito. Betabloqueador por via oral nas primeiras 24 horas em quem não tem contraindicação, com Classe IIa nível B: metoprolol 50 a 100 mg a cada 12 horas por via oral, e a formulação endovenosa (5 mg a cada 5 minutos, até 15 mg) reservada a casos selecionados. Não administre betabloqueador em Killip II ou maior, choque, bradicardia, bloqueio avançado, broncoespasmo ativo ou suspeita de isquemia por cocaína.
Morfina é Classe IIb, nível B, e só para dor que persiste apesar de terapia anti-isquêmica otimizada — ela retarda a absorção dos inibidores de P2Y12 orais. Oxigênio apenas se a saturação estiver abaixo de 90%. Estatina de alta potência (atorvastatina 40 a 80 mg ou rosuvastatina 20 a 40 mg) o quanto antes, independentemente do valor do LDL.
Depois da anatomia
Conhecida a anatomia, a estratégia recomendada é a revascularização completa, e não apenas o tratamento da lesão culpada — vale tanto para o infarto com supra quanto para o sem supra, segundo a diretriz americana de 2025. O método é escolhido pela complexidade coronária e pelas comorbidades: doença de tronco não protegido, doença triarterial com anatomia complexa e diabetes tendem à cirurgia de revascularização; o restante, à intervenção percutânea com stent farmacológico.
A dupla antiagregação com AAS e inibidor de P2Y12 é mantida por pelo menos 12 meses como estratégia padrão, encurtada em quem tem alto risco de sangramento e prolongada em quem tem alto risco isquêmico e baixo risco hemorrágico.
A alta é uma prescrição inteira, não só o stent: AAS indefinidamente, inibidor de P2Y12 por 12 meses, estatina de alta potência, betabloqueador, inibidor da enzima conversora de angiotensina ou bloqueador do receptor de angiotensina — obrigatórios se fração de ejeção abaixo de 40%, hipertensão, diabetes ou doença renal crônica —, antagonista do receptor mineralocorticoide se fração de ejeção de 40% ou menos com insuficiência cardíaca ou diabetes, cessação do tabagismo, reabilitação cardiovascular e reavaliação precoce em consulta.
Os quatro tempos até o cateterismo
Confirmado ou descartado o infarto, sobra uma pergunta: quando este paciente entra na hemodinâmica? A instabilidade responde primeiro; na ausência dela, quem responde é o GRACE.
- 1Eletrocardiograma em até 10 minutos do primeiro contato. Supradesnivelamento persistente, ou infra de V1 a V3 com R alto e supra em V7-V9, tira o paciente desta rota: é reperfusão imediata.
- 2Troponina de alta sensibilidade na chegada e em 1 hora. Três saídas possíveis: excluir, confirmar ou zona de observação (que significa terceira coleta em 3 horas, não alta).
- 3Procurar critérios de risco MUITO ALTO. Se houver um só, o escore deixa de importar: cateterismo em até 2 horas.
- 4Sem instabilidade, calcular o GRACE. Acima de 140, ou troponina em curva, ou alteração dinâmica de ST e onda T: cateterismo nas primeiras 24 horas.
- 5GRACE de 109 a 140, ou comorbidade de peso (diabetes, filtração glomerular abaixo de 60, fração de ejeção abaixo de 40%, revascularização prévia): cateterismo em até 72 horas, com o paciente internado.
- 6GRACE de até 108, HEART de 0 a 3 e troponina seriada sem curva: estratégia seletiva. Teste funcional ou angiotomografia de coronárias decidem se haverá cateterismo.
Muito alto risco — até 2 horas
Instabilidade hemodinâmica ou choque, angina refratária apesar de terapia otimizada, arritmia ventricular grave ou parada ressuscitada, insuficiência cardíaca aguda isquêmica, complicação mecânica, supra de ST transitório recorrente. Classe I, nível A.
Alto risco — até 24 horas
Infarto sem supra confirmado por troponina em curva, alterações dinâmicas de ST ou de onda T, GRACE acima de 140. Recomendação forte na diretriz brasileira; rebaixada para Classe IIa nível A pela europeia de 2023.
Risco intermediário — até 72 horas
GRACE de 109 a 140, diabetes, filtração glomerular abaixo de 60 mL/min, fração de ejeção abaixo de 40%, angina pós-infarto, angioplastia ou cirurgia de revascularização prévias, isquemia recorrente. Internado.
Baixo risco — estratégia seletiva
GRACE de até 108, HEART de 0 a 3, troponina seriada sem curva e eletrocardiograma sem isquemia. Teste funcional ou angiotomografia de coronárias primeiro; cateterismo só se houver isquemia significativa ou doença obstrutiva.
| Escore | Faixa | O que significa | O que muda na conduta |
|---|---|---|---|
| GRACE | Até 108 | Baixo risco: mortalidade intra-hospitalar abaixo de 1% | Estratégia seletiva — teste funcional ou angiotomografia antes de qualquer cateterismo |
| GRACE | 109 a 140 | Risco intermediário: mortalidade de 1% a 3% | Cateterismo em até 72 horas, com o paciente internado |
| GRACE | Acima de 140 | Alto risco: mortalidade acima de 3% | Cateterismo nas primeiras 24 horas |
| TIMI | 0 a 2 | Baixo risco | Não indica invasiva por si só; use junto do HEART para decidir a alta |
| TIMI | 3 a 4 | Risco intermediário | Internar e investigar; invasiva conforme evolução e GRACE |
| TIMI | 5 a 7 | Alto risco | Estratégia invasiva; confirme o tempo pelo GRACE e pela clínica |
| HEART | 0 a 3 | Baixo risco: de 35% a 46% dos pacientes com dor torácica | Alta do pronto-socorro com seguimento, após troponina seriada sem curva |
| HEART | 4 a 6 | Risco intermediário | Observação, troponina seriada e investigação antes de qualquer alta |
| HEART | 7 a 10 | Alto risco: mais de 50% de eventos em 6 semanas | Internar e seguir para estratégia invasiva |
Os cortes de troponina são específicos do ensaio e não se transportam entre kits. Os números de 0/1 hora deste capítulo (5, 12 e 52 ng/L, com deltas de 3 e 5 ng/L) são do hs-cTnT da Roche, o mais difundido no Brasil e o que a prova cobra. Para hs-cTnI da Abbott, a ESC publica 4, 5 e 64 ng/L, com deltas de 2 e 6 ng/L.
Zona de observação do 0/1 hora não vira alta. A terceira coleta é em 3 horas: hs-cTnT abaixo de 15 ng/L com variação 0-3 horas abaixo de 4 ng/L é o que permite descartar com segurança.
Sem ensaio de alta sensibilidade, o protocolo é 0 e 3 horas: coleta na admissão e nova entre 3 e 6 horas se a primeira for normal ou discretamente elevada — Classe I, nível B na diretriz brasileira.
Instabilidade hemodinâmica, angina refratária, arritmia ventricular grave ou parada ressuscitada anulam qualquer escore: o tempo passa a ser 2 horas, mesmo com GRACE baixo.
Fibrinolítico não entra em nenhuma das quatro faixas. Se a alternativa oferece trombólise em paciente sem supradesnivelamento, ela está errada por definição.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Diretriz brasileira e prática nacional
Paciente de alto risco — infarto sem supra confirmado, alterações dinâmicas de ST e onda T, GRACE acima de 140 — deve ir para estratégia invasiva precoce, nas primeiras 24 horas. É a recomendação que estrutura os protocolos de dor torácica no Brasil e a que as bancas nacionais cobram.
Diretrizes SBC sobre Angina Instável e IAM sem Supradesnível do Segmento ST — 2021 (Arq Bras Cardiol 2021;117(1):181-264)
Diretriz europeia de 2023
A recomendação de angiografia em menos de 24 horas nesses pacientes foi rebaixada de Classe I nível A (versão de 2020) para Classe IIa nível A, porque as metanálises não mostraram redução de mortalidade contra a estratégia adiada. Quando a logística não permite as 24 horas, angiografia em até 72 horas é considerada aceitável e segura.
2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes (Eur Heart J 2023;44(38):3720) e documento de endosso da NVVC no Netherlands Heart Journal
Na prova
As duas posições mandam o paciente ao cateterismo e divergem na força com que sustentam o prazo. A SBC 2021 mantém as primeiras 24 horas como estratégia invasiva precoce no alto risco (infarto sem supra confirmado, alterações dinâmicas de ST e onda T, GRACE acima de 140), e é sobre esse prazo que os protocolos nacionais de dor torácica e a regulação de vagas de hemodinâmica foram construídos. A ESC 2023 rebaixou a mesma conduta de Classe I nível A para Classe IIa nível A porque as metanálises não mostraram redução de mortalidade contra a estratégia adiada, e considera aceitável a angiografia em até 72 horas quando a logística não permite as 24 horas — leitura que interessa justamente a quem depende de transferência para outro serviço. Menção nominal à ESC de 2023, pergunta sobre classe e nível de evidência, ou vinheta que descreve serviço sem hemodinâmica com transferência regulada, apontam para a janela mais larga; protocolo institucional brasileiro, GRACE citado como gatilho e o vocabulário de “estratégia invasiva precoce” apontam para as 24 horas. Alternativa que ofereça estratégia conservadora nesse perfil de alto risco não se apoia em nenhum dos dois documentos.
Algoritmo vigente da ESC
Para hs-cTnI no ensaio Architect da Abbott, confirma-se infarto com valor de chegada de 64 ng/L ou mais, ou variação absoluta em 1 hora de 6 ng/L ou mais. A exclusão usa 4 ng/L na chegada (dor há mais de 3 horas) ou 5 ng/L com delta menor que 2 ng/L.
Algoritmo 0/1 hora publicado nas diretrizes da ESC (edições de 2020 e 2023)
Versão anterior do algoritmo, ainda reproduzida na literatura laboratorial
Para o mesmo ensaio Architect, a confirmação usava valor de chegada de 52 ng/L ou mais, ou delta de 1 hora de 6 ng/L ou mais — número que continua aparecendo em artigos de medicina laboratorial e em protocolos institucionais desatualizados.
Commercial Quality Control Imprecision Estimates for High-Sensitivity Cardiac Troponin Deltas Used to Rule-in Myocardial Infarction with the ESC 0/1-Hour Algorithm (J Appl Lab Med, 2020), reproduzindo o algoritmo da ESC de 2015
Na prova
Aqui não há divergência de conduta, e sim de versão e de ensaio: os cortes do algoritmo 0/1 hora são calibrados para cada plataforma, e o mesmo raciocínio muda de número quando muda o kit. Para hs-cTnI no Architect, as edições vigentes da ESC (2020 e 2023) confirmam com 64 ng/L na chegada ou variação de 6 ng/L em 1 hora, e excluem com 4 ng/L na chegada (dor há mais de 3 horas) ou 5 ng/L com delta menor que 2 ng/L; a versão de 2015 confirmava com 52 ng/L, número que segue reproduzido em artigos de medicina laboratorial e em protocolos institucionais desatualizados — e que também circula em material brasileiro referido à troponina T ultrassensível, o que multiplica a confusão. O que identifica o recorte da questão é o enunciado nomear o ensaio (troponina I ou T, Architect ou Elecsys), datar o algoritmo, ou trazer a tabela de exclusão junto; sem essa informação, o que resta testável é a lógica — valor na chegada somado à variação de 1 hora, com pontos de corte específicos do ensaio — e não o número decorado. Alternativa que aplique um corte único a qualquer troponina ultrassensível expõe exatamente o erro conceitual que o algoritmo existe para evitar.
Diretrizes brasileira e europeia
Não pré-tratar. A brasileira orienta reservar o inibidor de P2Y12 para a sala de hemodinâmica com a anatomia conhecida no paciente instável ou de alto risco, e não vê indicação rotineira em quem vai cateterizar em menos de 24 horas; o pré-tratamento com prasugrel é Classe III. A europeia de 2023 é categórica: Classe III, nível A quando a anatomia é desconhecida.
Diretrizes SBC 2021 e 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes
Diretriz americana de 2025
Mantém que não há benefício no pré-tratamento rotineiro, mas admite que, quando a angiografia for demorar mais de 24 horas, o uso a montante de clopidogrel ou ticagrelor pode ser considerado para reduzir eventos cardiovasculares maiores.
2025 ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes
Na prova
Os três documentos concordam que não há ganho no pré-tratamento rotineiro; divergem sobre o que fazer quando a anatomia vai demorar. SBC 2021 e ESC 2023 tratam a anatomia desconhecida como contraindicação (Classe III nível A na europeia; prasugrel Classe III também na brasileira), enquanto a ACC/AHA/SCAI 2025 admite clopidogrel ou ticagrelor a montante quando a angiografia for demorar mais de 24 horas — e essa exceção descreve bem a realidade de quem depende de transferência regulada para um serviço com hemodinâmica. Vinheta em que o cateterismo está garantido nas próximas horas, ou que cita SBC e ESC, mantém o inibidor de P2Y12 para a sala de hemodinâmica com a anatomia conhecida; vinheta que declara ausência de hemodinâmica, transferência demorada, ou que cita nominalmente a diretriz americana de 2025, é o cenário em que o uso a montante entra na discussão. Prasugrel antes de conhecer a anatomia não encontra apoio em nenhuma das três fontes, e o AAS na chegada é comum a todas.
Caso resolvido
- achado
- Dor isquêmica em repouso com mais de 20 minutos de duração e infradesnivelamento de ST em quatro derivações. Não há supradesnivelamento: a rota é a da síndrome coronariana aguda sem supra.
- achado
- A troponina T de chegada, 68 ng/L, já está acima do corte de confirmação de 52 ng/L, e a variação de 42 ng/L em 1 hora supera com folga o delta de 5 ng/L. Elevação com curva somada a sintoma e alteração isquêmica de eletrocardiograma fecha infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST. Não é angina instável.
- raciocínio
- Verificar primeiro os critérios de risco muito alto: está estável, sem angina refratária, sem arritmia, sem sinais de insuficiência cardíaca aguda. Não são 2 horas. Em seguida, o GRACE: idade de 68 anos, creatinina de 1,4 mg/dL, desvio de ST e biomarcador elevado somam bem acima de 140 — alto risco.
- conduta
- AAS 300 mg mastigado agora. Anticoagulação plena com enoxaparina 1 mg/kg por via subcutânea a cada 12 horas, sem redução de dose porque o clearance está acima de 30 mL/min e ele tem menos de 75 anos. Nitrato sublingual, e endovenoso se a dor recorrer. Betabloqueador por via oral nas primeiras 24 horas, já que está em Killip I. Atorvastatina 80 mg. Monitorização contínua.
- conduta
- Cateterismo nas primeiras 24 horas. O inibidor de P2Y12 fica para a sala de hemodinâmica, com a anatomia na tela: se aparecer lesão de tronco ou doença triarterial com indicação cirúrgica, o antiagregante embarcado apenas adiaria a cirurgia e aumentaria o sangramento.
- armadilha
- Fibrinolítico não entra em momento algum. Infradesnivelamento de ST não é indicação de trombólise — o trombo aqui é suboclusivo e rico em plaquetas, e o fibrinolítico só acrescenta risco hemorrágico. Se o hospital não tivesse hemodinâmica, a conduta seria transferir, não trombolisar.
Agora feche você
- achado
- Dor de baixa probabilidade isquêmica, eletrocardiograma normal, HEART na faixa de 0 a 3 e troponina T de alta sensibilidade abaixo de 5 ng/L com dor iniciada há mais de 3 horas.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Eletrocardiograma normal não descarta Mais de um terço dos pacientes com síndrome coronariana aguda sem supra tem traçado normal ou inespecífico. Traçado limpo com dor típica obriga troponina seriada e eletrocardiograma repetido, não alta.
- 2Trombolisar infradesnivelamento de ST Fibrinolítico é contraindicado na síndrome coronariana aguda sem supra: aumenta sangramento sem reduzir eventos. Sem hemodinâmica no serviço, a conduta é otimizar o tratamento clínico e transferir.
- 3Ignorar a parede posterior Infradesnivelamento de V1 a V3 com onda R alta é imagem em espelho. Peça V7, V8 e V9: se houver supradesnivelamento, o paciente é um infarto com supra e vai para reperfusão imediata, não para a rota das 24 horas.
- 4Confundir troponina alta com infarto Infarto exige curva mais evidência de isquemia. Sepse, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca descompensada, doença renal crônica, miocardite e taquiarritmia elevam troponina sem que haja trombo coronário agudo.
- 5Pré-tratar com inibidor de P2Y12 Com anatomia desconhecida, o pré-tratamento rotineiro não é recomendado, e o pré-tratamento com prasugrel é Classe III. O AAS é imediato; o inibidor de P2Y12 espera a sala de hemodinâmica.
- 6Deixar o escore vencer a clínica Angina refratária, instabilidade hemodinâmica, arritmia ventricular grave ou parada ressuscitada colocam o paciente na faixa de 2 horas independentemente do GRACE. Escore estima prognóstico em quem está estável.
- 7Nitrato depois de inibidor de fosfodiesterase-5 Sildenafila ou tadalafila nas últimas 24 a 48 horas contraindicam o nitrato pelo risco de hipotensão grave. A mesma cautela vale para hipotensão prévia e para infarto de ventrículo direito.
- 8Betabloqueador em quem está congesto Killip II ou maior, choque, bradicardia, bloqueio atrioventricular avançado, broncoespasmo ativo ou isquemia por cocaína adiam o betabloqueador. A recomendação de iniciá-lo nas primeiras 24 horas é para quem não tem contraindicação.
- 9Tratar zona de observação como alta Quem não excluiu nem confirmou no 0/1 hora precisa da coleta de 3 horas e, muitas vezes, de teste funcional ou angiotomografia antes de sair. Zona cinzenta é motivo para mais exame, não para liberar.
- 10Encerrar o caso com coronárias limpas Infarto com coronárias sem obstrução significativa é MINOCA e abre uma segunda investigação: dissecção espontânea, espasmo, embolia, miocardite. Ressonância cardíaca resolve boa parte desses casos.
Em paciente com contraindicação a betabloqueador (asma com broncoespasmo), os bloqueadores de canal de cálcio não di-hidropiridínicos (diltiazem/verapamil) controlam frequência cardíaca e isquemia, sendo a alternativa adequada. Os di-hidropiridínicos de ação rápida causam taquicardia reflexa, indesejável na isquemia. A hidralazina é vasodilatador arterial usado em hipertensão/IC, também causa taquicardia reflexa. A alfametildopa é anti-hipertensivo de ação central sem papel anti-isquêmico agudo. O nitroprussiato é para emergências hipertensivas, não para controle crônico de isquemia neste contexto.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 50 anos, previamente hígido, apresenta dor torácica anginosa há 6 horas. PA 128x82 mmHg, FC 84 bpm, FR 18 ipm, SatO2 97%. O ECG não mostra supradesnivelamento de ST, apenas infra de ST de 1 mm em V4-V6. A primeira troponina de alta sensibilidade está elevada acima do percentil 99 e apresenta curva ascendente na dosagem seriada. Qual é o diagnóstico e a estratégia mais adequada?
Dor anginosa, infra de ST e troponina elevada com curva ascendente configuram síndrome coronariana aguda sem supra de ST (IAMSST); a conduta é terapia antitrombótica e estratégia invasiva (coronariografia) conforme o risco. Angina estável não eleva troponina. Pericardite tem supra difuso e ausência de curva típica de necrose. Dor musculoesquelética não eleva troponina. Não há supra de ST, portanto não há indicação de trombólise/angioplastia primária como no IAMCSST.
Homem de 55 anos, com dor torácica típica há 40 minutos, chega ao PS. PA 140x88 mmHg, FC 82 bpm. O ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4-V6 e a troponina ultrassensível vem elevada e ascendente. Não há supradesnivelamento persistente. Qual é o diagnóstico e a categoria de manejo?
Dor típica, infra de ST e troponina elevada com curva ascendente, sem supra persistente, definem IAMSSST, cujo manejo inclui antiagregação, anticoagulação e estratégia invasiva conforme estratificação de risco (ex.: GRACE). Angina estável não eleva troponina. IAMCSST exige supra persistente. Pericardite dá supra difuso côncavo, não infra com troponina em curva isquêmica. A troponina positiva afasta origem não cardíaca.
Homem de 60 anos, tabagista, procura pronto-socorro por dor torácica em aperto há 2 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo. PA 140/88 mmHg, FC 82 bpm. O ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1 mm em V4-V6 e a primeira troponina está elevada. Qual é a classificação e a conduta imediata mais adequada?
Dor em repouso com infra de ST e troponina elevada caracteriza infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST (SCA sem supra de ST). A conduta é dupla antiagregação (AAS + inibidor de P2Y12), anticoagulação e estratificação de risco para definir timing da coronariografia. Angina estável não cursa com troponina elevada. Não há supra de ST, afastando trombólise. Pericardite não eleva troponina desse modo e tem ECG difuso. A apresentação não sugere dissecção.
Mulher de 50 anos chega à UPA com dor torácica em queimação relacionada ao esforço há 3 horas, agora em repouso. Está estável. O ECG mostra infradesnível de ST de 1 mm em parede lateral e a primeira troponina está elevada. Qual é o diagnóstico mais provável e a classificação da síndrome?
Dor de padrão anginoso em repouso, com infradesnível de ST e troponina elevada, caracteriza IAMSST. Não é angina estável, pois há necrose miocárdica (troponina positiva) e dor em repouso. Não é IAMCST, pois não há supradesnível persistente de ST. A pericardite tipicamente cursa com supra difuso côncavo e infra de PR, não com infra localizado e elevação de troponina por isquemia coronariana.
Homem de 61 anos chega à UPA com dor torácica típica há 2 horas. O eletrocardiograma mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4-V6 e a primeira troponina está elevada. Não há supradesnivelamento de ST. Está com PA 138/84 mmHg, FC 78 bpm, sem sinais de insuficiência cardíaca. A unidade não possui hemodinâmica. Qual é a conduta mais adequada?
O quadro é síndrome coronariana aguda sem supra de ST (troponina elevada = infarto sem supra). A conduta é iniciar terapia antitrombótica (AAS, segundo antiagregante, anticoagulante) e antianginosa, estratificar o risco e encaminhar para estratégia invasiva em centro com hemodinâmica. Fibrinolítico NÃO tem benefício e é potencialmente danoso no IAMSSST (só indicado no IAM com supra sem acesso a angioplastia primária no tempo). Liberar para casa com troponina positiva é inadequado e perigoso. Teste ergométrico é contraindicado na fase aguda com isquemia ativa/troponina positiva.
Mulher de 58 anos, diabética, procura a UPA com desconforto epigástrico, náuseas e sudorese há 40 minutos, sem dor torácica típica. PA 128/78 mmHg, FC 84 bpm. O ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm nas derivações V4-V6 e a primeira troponina está discretamente elevada. Não há supradesnivelamento. A classificação e a conduta imediata mais adequadas são:
Sintomas isquêmicos (equivalente anginoso em diabética), infra de ST e troponina elevada sem supra configuram IAMSSST; a conduta é terapia antitrombótica/antianginosa e estratificação de risco para definir o tempo da coronariografia. Não há supra, portanto reperfusão emergencial por fibrinólise não se aplica. Angina estável é excluída pela troponina elevada e quadro agudo em repouso. Atribuir a causa gástrica e dar alta ignoraria os marcadores de isquemia, sendo conduta perigosa.
Homem, 62 anos, hipertenso e tabagista, comparece ao pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 3 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo, associada a sudorese. Ao exame: PA 148/92 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. O ECG realizado na chegada mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1 mm em parede anterior (V4–V6), sem supradesnivelamento. A primeira dosagem de troponina ultrassensível veio dentro do valor de referência. O paciente permanece com dor. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: Trata-se de dor torácica de provável origem isquêmica com ECG demonstrando infra de ST — quadro compatível com SCA sem supra. Uma única troponina normal na chegada NÃO exclui o diagnóstico, especialmente com apenas 3 horas de dor e paciente sintomático; o protocolo com troponina ultrassensível exige uma segunda dosagem seriada (0h/1h ou 0h/3h) para confirmar ou afastar necrose miocárdica. Errada: liberar com troponina única normal e ECG isquêmico é conduta insegura, pode mascarar IAMSSST em curva ascendente. Errada: angioplastia primária de emergência é indicada no IAMCSST (com supra) ou em SCASSST muito instável (dor refratária, instabilidade hemodinâmica/elétrica) — aqui o paciente está estável e precisa de estratificação. Errada: trombólise NÃO tem papel na SCA sem supra de ST — pode ser deletéria. Errada: teste ergométrico é contraindicado em paciente com dor em curso e ECG isquêmico agudo.
Mulher, 68 anos, diabética e dislipidêmica, admitida há 2 horas por dor precordial em repouso. ECG com infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4–V6 e DI/aVL; troponina ultrassensível elevada em curva ascendente (2ª dosagem 340 ng/L, VR < 14 ng/L). Firmado o diagnóstico de IAMSSST. PA 138/84 mmHg, FC 82 bpm, sem sinais de insuficiência cardíaca (Killip I). Escore GRACE calculado em 152. Foi iniciada dupla antiagregação (AAS + inibidor de P2Y12), anticoagulação e terapia anti-isquêmica; a paciente evoluiu com alívio da dor e permanece estável. Com base na estratificação de risco, qual é a estratégia invasiva mais apropriada?
Correta: Na SCA sem supra de ST, a estratégia invasiva é modulada pelo risco. Um GRACE > 140, elevação de troponina compatível com IAM e alterações dinâmicas de ST classificam a paciente como ALTO risco, para o qual as diretrizes recomendam estratégia invasiva precoce com coronariografia em até 24 horas. Errada: a estratégia invasiva IMEDIATA (< 2 h) é reservada para o MUITO alto risco — instabilidade hemodinâmica/choque, dor refratária, arritmias ameaçadoras, complicações mecânicas ou IC aguda; a paciente está estável (Killip I) e com dor resolvida. Errada: a estratégia conservadora/seletiva cabe apenas ao baixo risco (GRACE < 140, sem elevação de troponina, sem alterações dinâmicas) — não é o caso. Errada: postergar 72 horas expõe a paciente de alto risco a eventos evitáveis. Errada: trombólise não tem indicação na SCA sem supra.
Homem, 58 anos, tabagista, chega ao pronto-socorro com dor precordial opressiva em repouso, iniciada há 40 minutos e ainda presente. PA 130/80 mmHg, FC 76 bpm, SatO2 97% em ar ambiente. O ECG mostra inversão simétrica e profunda da onda T de V1 a V4, sem supradesnivelamento de ST. Não há sinais de insuficiência cardíaca. O médico assistente cogita o diagnóstico de síndrome coronariana aguda sem supra de ST, associada a lesão crítica proximal da artéria descendente anterior. O padrão eletrocardiográfico descrito é classicamente conhecido como:
Correta: o padrão de Wellens caracteriza-se por ondas T bifásicas ou profundamente invertidas e simétricas em V2–V3 (podendo estender-se a V1–V4), tipicamente registradas em fase SEM dor, e sinaliza estenose crítica proximal da artéria descendente anterior — é uma forma de SCA sem supra de alto risco que exige coronariografia, contraindicando o teste ergométrico. Errada: o sinal de Sgarbossa serve para diagnosticar IAM na vigência de bloqueio de ramo esquerdo ou ritmo de marcapasso, não descreve inversão de T anterior. Errada: o padrão de De Winter mostra infradesnível de ST com ponto J deprimido e ondas T apiculadas/simétricas nas precordiais — equivalente de oclusão da DA, mas eletrocardiograficamente distinto. Errada: a onda de Osborn (onda J) associa-se à hipotermia. Errada: a repolarização precoce é um padrão benigno com elevação do ponto J e não com T profundamente invertida em contexto isquêmico.
Homem, 62 anos, hipertenso e diabético, procura o pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 3 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo, associada a sudorese. Ao exame: PA 148/90 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, sem sinais de congestão. O ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1 mm nas derivações V4 a V6, sem supradesnivelamento. A primeira troponina de alta sensibilidade coletada na admissão veio dentro do valor de referência. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Correta: quadro clínico típico + infra de ST são altamente sugestivos de SCA sem supra (IAMSSST/angina instável). Uma única troponina normal na admissão NÃO exclui infarto, pois a elevação pode ser tardia; o protocolo é repetir a dosagem seriada (algoritmo 0/1h ou 0/3h) enquanto se inicia terapia anti-isquêmica e antitrombótica. Alta é inadequada e perigosa, pois a troponina seriada ainda não foi avaliada e o quadro é de alto risco. Angioplastia primária imediata é regra do IAM COM supra; sem supra, a estratégia invasiva é definida pelo risco/tempo, não emergência de reperfusão. Teste ergométrico é contraindicado na vigência de isquemia ativa/instabilidade. Trombolítico não tem benefício e é contraindicado na SCA sem supra de ST (aumenta risco sem reduzir eventos).
Mulher, 68 anos, tabagista e dislipidêmica, chega ao pronto-socorro com dor torácica em repouso há 2 horas. PA 132/84 mmHg, FC 76 bpm, sem sinais de insuficiência cardíaca. ECG com infradesnivelamento de ST de 0,5 mm em parede inferior; troponina de alta sensibilidade acima do percentil 99, com elevação e queda em curva seriada. Confirma-se o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST. A paciente permanece hemodinamicamente estável, sem dor refratária, sem arritmia maligna e sem instabilidade elétrica. Calculado o escore GRACE, obteve-se valor de 156. Qual a estratégia de estratificação invasiva mais apropriada?
Correta: na SCA sem supra, a paciente NÃO tem critérios de muito alto risco (instabilidade hemodinâmica/elétrica, dor refratária, arritmia maligna, complicação mecânica) que exigiriam cateterismo em 2h. Ela é de ALTO risco por ter diagnóstico confirmado de IAMSSST (troponina em curva) e GRACE > 140 — a diretriz recomenda estratégia invasiva precoce, coronariografia em até 24 horas. Reservada ao muito alto risco, ausente aqui. 25-72h é a janela do risco intermediário (GRACE 109-140 ou diabetes/DRC sem os critérios de alto risco). Estratégia conservadora/eletiva é para baixo risco (GRACE < 109, sem elevação de troponina), o que não se aplica a IAMSSST confirmado de alto risco.
Homem, 58 anos, com dor precordial em repouso há 1 hora, chega ao pronto-socorro. PA 140/85 mmHg, FC 82 bpm, SatO2 97%. ECG sem supradesnivelamento de ST, com inversão de onda T em derivações precordiais. Iniciado tratamento da síndrome coronariana aguda sem supra de ST. Durante a prescrição, a equipe revisa as contraindicações dos fármacos. O paciente relata episódio de dor torácica após uso de sildenafila há cerca de 12 horas para disfunção erétil. Diante desse dado, qual medicação deve ser EVITADA neste momento?
Correta: o uso recente de inibidores da fosfodiesterase-5 (sildenafila nas últimas 24h; tadalafila nas últimas 48h) contraindica o nitrato, pois a combinação causa vasodilatação sinérgica e hipotensão grave/potencialmente fatal. Comando com negação (EVITADA). AAS é a base antiplaquetária da SCA e deve ser dado. Enoxaparina (anticoagulação) é indicada, sem relação com o PDE5. Estatina de alta intensidade é recomendada precocemente em toda SCA. Betabloqueador é indicado no paciente estável sem sinais de baixo débito/congestão, e não interage com sildenafila da forma perigosa que o nitrato interage.
Homem, 62 anos, hipertenso e tabagista de longa data, procura o pronto-socorro por dor precordial em aperto iniciada há 2 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo e associada a sudorese fria. Ao exame: regular estado geral, PA 150/90 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V4–V6 e DII, sem supradesnível de ST. Troponina I de alta sensibilidade colhida na admissão: 480 ng/L (VR < 34), com segunda dosagem em ascensão. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: Há síndrome coronariana aguda (dor típica em repouso + infra de ST) e, o dado decisivo, a troponina de alta sensibilidade está elevada acima do percentil 99 com curva ascendente — isso caracteriza necrose miocárdica na ausência de supra de ST, definindo IAMSSST. Angina instável erra: porque, por definição, cursa com troponina NORMAL; aqui a troponina está claramente elevada, o que a exclui. IAMCSST erra: porque o ECG mostra infra, e não supra de ST (ou BRE novo), não preenchendo o critério eletrocardiográfico de STEMI. Pericardite erra: o padrão clássico é supra de ST côncavo difuso com infra de PR, dor pleurítica que muda com a posição, e não infra localizado com troponina em curva isquêmica. Prinzmetal erra: o vasoespasmo cursa tipicamente com SUPRA de ST transitório que reverte, geralmente em jovens/sem tantos fatores de risco ateroscleróticos, não com infra persistente e troponina em ascensão.
Mulher, 70 anos, diabética e com doença renal crônica leve, é internada com diagnóstico de IAM sem supradesnível de ST (troponina elevada com curva ascendente e infra de ST dinâmico). Após AAS, ticagrelor, anticoagulação parenteral e nitrato, evolui hemodinamicamente estável, sem dor no momento, sem sinais de insuficiência cardíaca e sem arritmias. O escore GRACE calculado é de 155 pontos. Qual é a estratégia de estratificação invasiva mais adequada para esta paciente?
Correta: a paciente tem IAMSSST de ALTO risco — o escore GRACE de 155 é > 140, além de diabetes e troponina dinâmica. As diretrizes recomendam, para alto risco (GRACE > 140), estratégia invasiva PRECOCE, com coronariografia em até 24 horas. < 2h está reservada ao grupo de MUITO alto risco: instabilidade hemodinâmica/choque, angina refratária/recorrente apesar de tratamento, arritmias com risco de vida ou complicação mecânica — nada disso está presente, pois ela está estável e sem dor. < 72h seria apropriada para risco INTERMEDIÁRIO (ex.: GRACE 109–140), subestimando o risco desta paciente. Conservadora é reservada a pacientes de BAIXO risco (GRACE < 109, sem critérios de alto risco) e é inadequada aqui. Fibrinólise é contraindicada no IAMSSST — não há benefício e há risco de sangramento; a trombólise só tem papel no IAMCSST sem acesso oportuno à angioplastia primária.
Homem, 58 anos, hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor precordial em repouso. ECG evidencia infradesnivelamento de ST de 1 mm em parede lateral, sem supra de ST; troponina de alta sensibilidade elevada, confirmando IAM sem supradesnível de ST. Encontra-se estável, com dor em melhora após medidas iniciais, PA 140/85 mmHg e FC 76 bpm. Assinale a conduta CONTRAINDICADA neste paciente.
Correta: a terapia fibrinolítica é CONTRAINDICADA no IAMSSST: nesse cenário não há oclusão coronariana total com supra de ST, os estudos não mostraram benefício e há aumento do risco de sangramento — a reperfusão, quando indicada, é feita por estratégia invasiva (cateterismo/angioplastia), não por trombólise. As demais são condutas Corretas: Dupla antiagregação com AAS + inibidor de P2Y12 é pilar do tratamento antitrombótico da SCA sem supra. Anticoagulação parenteral, enoxaparina ou fondaparinux é recomendada na fase aguda. Betabloqueador nas primeiras 24h é indicado na ausência de contraindicações como insuficiência cardíaca aguda, bradicardia ou broncoespasmo — o paciente está estável e sem sinais de IC. Estatina de alta potência precoce é recomendada para todos os pacientes com SCA, independentemente do LDL basal, pelo benefício de estabilização de placa.
Homem, 62 anos, hipertenso e tabagista, procura a emergência com dor precordial em aperto iniciada há 2 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo, ainda presente no momento do atendimento. PA 148/90 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, ausência de sinais de congestão. ECG: infradesnivelamento do segmento ST de 1 mm em V4–V6, sem supradesnível. Primeira dosagem de troponina de alta sensibilidade dentro do valor de referência. Qual é o próximo passo mais adequado?
Trata-se de quadro clínico de síndrome coronariana aguda sem supra de ST (dor em repouso, fatores de risco, infra de ST). O raciocínio de 2 passos: (1) reconhecer o cenário de NSTE-ACS e (2) saber que uma única troponina de alta sensibilidade normal, colhida precocemente (2 h do início), NÃO exclui infarto — é obrigatória a curva seriada em 1–3 h (protocolos 0/1 h ou 0/2 h da ESC/SBC) para confirmar ou afastar IAMSSST. Correta: Erra porque trombolítico é contraindicado no NSTE-ACS (sem supra, sem oclusão total demonstrada, só aumenta sangramento). Erra por ignorar dor persistente com infra de ST, que já caracteriza alto risco. Erra porque teste provocativo de isquemia é proibido na vigência de dor/isquemia ativa. Erra por postergar de forma inaceitável a estratificação de um paciente sintomático de alto risco.
Mulher, 68 anos, diabética e dislipidêmica, internada há 6 horas por IAM sem supra de ST (troponina elevada e em ascensão, infradesnivelamento de ST em parede anterior). Mantém angina em repouso apesar de nitroglicerina endovenosa em dose otimizada, dupla antiagregação plaquetária, anticoagulação plena e betabloqueador. PA 112/70 mmHg, FC 80 bpm, sem sinais de congestão pulmonar e sem arritmias ao monitor. Qual a conduta mais apropriada?
A pegadinha está em separar 'muito alto risco' de 'alto risco'. Angina refratária/recorrente APESAR de terapia clínica plena é critério de MUITO alto risco (junto de instabilidade hemodinâmica, choque, arritmia ameaçadora e complicação mecânica) e indica coronariografia IMEDIATA, em até 2 horas — Correta: Até 24 h é a estratégia para o alto risco estável: elevação de troponina compatível com IAM, alterações dinâmicas de ST ou GRACE > 140, o que NÃO se aplica aqui porque a paciente segue sintomática sob tratamento otimizado. Até 72 h vale para risco intermediário (ex.: diabetes, DRC, FE reduzida, GRACE 109–140) sem isquemia ativa. Inadequada: e perigosa: teste provocativo em paciente com isquemia refratária é contraindicado. Erra porque trombólise não tem papel no IAMSSST.
Mulher, 68 anos, hipertensa e diabética, chega ao pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 2 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo. PA 150/90 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente. O ECG mostra inversão de onda T de V3 a V6, sem supradesnivelamento de ST. A primeira troponina (colhida na chegada) está dentro do valor de referência. A dor cedeu parcialmente após nitrato sublingual. Qual o próximo passo mais adequado?
Quadro típico de síndrome coronariana aguda sem supra de ST (dor em repouso, alterações isquêmicas de repolarização, fatores de risco). Uma única troponina normal na chegada NÃO exclui IAMSSST, pois a elevação pode ser tardia — a conduta correta é a curva seriada com troponina de alta sensibilidade em 1–3 h somada à estratificação de risco. Erra porque alta precoce com troponina única normal e ECG isquêmico é insegura (risco de IAM em evolução). Erra porque trombólise é contraindicada na SCA SEM supra de ST — não há oclusão total a ser reperfundida farmacologicamente e o risco hemorrágico não se justifica. Erra por desviar para diagnóstico menos provável frente a um cenário coronariano clássico. Erra: pela demora excessiva: os protocolos atuais usam intervalos de 1–3 h, não 12 h, retardando conduta em quadro potencialmente instável.
Homem, 60 anos, tabagista, com diagnóstico de IAMSSST confirmado (troponina elevada e infradesnivelamento de ST de 1 mm em parede inferolateral). Foram iniciados AAS, ticagrelor, enoxaparina, nitrato e atorvastatina. Cerca de 2 horas após a admissão, mantém dor anginosa refratária apesar de nitrato endovenoso e evolui com PA 85/50 mmHg, FC 110 bpm, estertores crepitantes em bases pulmonares e presença de terceira bulha (B3). Quanto ao momento da coronariografia, qual a estratégia mais apropriada?
O paciente preenche critérios de MUITO alto risco na SCA sem supra de ST: angina refratária apesar de tratamento clínico otimizado, instabilidade hemodinâmica e sinais de insuficiência cardíaca aguda (B3, congestão pulmonar, hipotensão). Nesses casos, a diretriz indica estratégia invasiva IMEDIATA (< 2 h), sem depender do cálculo do GRACE — resposta. 24 h é a janela para alto risco (ex.: GRACE > 140, troponina dinâmica) sem esses marcadores de gravidade — insuficiente aqui. 72 h corresponde ao risco intermediário — muito tardio para este quadro. Conservadora é reservada ao baixo risco e seria negligente diante da instabilidade. Trombólise é formalmente contraindicada na SCA sem supra de ST, mesmo com choque — a reperfusão indicada é mecânica (cateterismo), não farmacológica.
Homem, 62 anos, hipertenso e tabagista, procura o pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 2 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo. PA 138/84 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 ipm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta cardíaca sem sopros. O ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V3–V5, sem qualquer supradesnivelamento. Troponina I ultrassensível 850 ng/L (VR < 34 ng/L), com segunda dosagem em ascensão. Qual é o diagnóstico mais provável?
Gabarito: o quadro reúne dor anginosa típica em repouso, ECG sem supra de ST (apenas infra em V3–V5) e troponina elevada com curva ascendente — a tríade que define infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST). Errada: não há supradesnivelamento de ST ao ECG, requisito para o IAMCSST. Errada: na angina instável, por definição, a troponina é NORMAL; aqui está claramente elevada (850 ng/L, VR < 34), o que caracteriza necrose miocárdica. Errada: a pericardite aguda cursa com supra de ST difuso (côncavo) e infra de PR, além de dor pleurítica/posicional e eventual atrito pericárdico — padrão ausente aqui. Errada: a angina estável é desencadeada por esforço, alivia com repouso e não eleva troponina, incompatível com dor em repouso e biomarcador positivo.
Homem, 68 anos, hipertenso e diabético, é admitido no pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 3 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo. Ao exame: PA 150/90 mmHg, FC 92 bpm, FR 18 ipm, SatO2 96% em ar ambiente, ausculta cardiopulmonar sem alterações. ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V4–V6 e DII, sem supradesnivelamento. Troponina de alta sensibilidade inicial elevada, com aumento significativo na segunda dosagem. Escore GRACE de 155. Após AAS, anticoagulação plena e demais medidas iniciais, qual a conduta mais apropriada?
O quadro é uma síndrome coronariana aguda sem supra de ST (IAMSSST): dor isquêmica em repouso, infra de ST dinâmico e troponina de alta sensibilidade com curva ascendente, sem supradesnivelamento. O passo seguinte é estratificar o risco: GRACE 155 (>140), infra de ST e elevação de troponina classificam o paciente como de altíssimo/alto risco, cuja recomendação é estratégia invasiva precoce com coronariografia em até 24 horas (opção correta). Fibrinólise é indicada apenas no IAMCSST — no IAMSSST é ineficaz e aumenta sangramento, sem trombo oclusivo com supra a lisar. Angioplastia primária imediata (<90 min) é a conduta do IAMCSST; sem supra de ST não há indicação de reperfusão emergencial. Estratégia conservadora com ergometria é reservada a pacientes de baixo risco, incompatível com GRACE 155 e troponina positiva. Alta é conduta insegura em SCA de alto risco confirmada, com risco elevado de evento maior.
Mulher, 58 anos, tabagista, procura a emergência com dor torácica opressiva retroesternal iniciada há 1 hora, já em melhora na chegada. Ao exame: PA 138/84 mmHg, FC 78 bpm, FR 16 ipm, SatO2 98% em ar ambiente, ausculta cardiopulmonar sem alterações e panturrilhas livres. ECG inicial sem alterações isquêmicas evidentes. Troponina de alta sensibilidade colhida na admissão dentro do valor de referência. A paciente encontra-se assintomática e hemodinamicamente estável. Qual a conduta mais adequada neste momento?
Trata-se de dor torácica de possível origem isquêmica em apresentação muito precoce (1 hora). O primeiro passo é reconhecer que uma única troponina normal colhida cedo NÃO exclui IAMSSST, pois a curva pode ainda não ter se elevado; o segundo é aplicar o protocolo de rule-out seriado. A conduta correta é repetir ECG e troponina de alta sensibilidade em 1–3 horas para avaliar a variação (delta) e definir com segurança (opção correta). Liberar com base em dosagem única precoce arrisca perder um infarto em ascensão de troponina. Coronariografia de urgência não se justifica em paciente assintomática, estável, sem alterações de ECG nem troponina. Fibrinólise só tem lugar no IAMCSST e seria deletéria aqui. Angiotomografia para TEP não é a hipótese principal — quadro típico de dor isquêmica, exame respiratório normal e sem fatores clínicos que apontem embolia como causa preferencial.
Homem de 62 anos, hipertenso e tabagista de longa data, procura a UPA relatando dor precordial em aperto iniciada em repouso ha cerca de 40 minutos, com irradiacao para o membro superior esquerdo e sudorese. Ao exame: consciente, PA 150/90 mmHg, FC 88 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alteracoes, sem sinais de baixo debito. O ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1 mm em V4-V6 e inversao de onda T nessas derivacoes, sem supradesnivelamento. A dor cedeu apos nitrato sublingual. A primeira dosagem de troponina, colhida a chegada, resultou normal. Qual e a conduta mais apropriada neste momento?
O quadro configura sindrome coronariana aguda sem supra de ST (angina instavel/IAMSSST): dor em repouso, ECG com alteracoes isquemicas (infra de ST e inversao de T) e uma unica troponina normal NAO exclui o diagnostico, pois o marcador se eleva de forma seriada. A conduta correta e observacao monitorizada, AAS e dosagem seriada de troponina com ECG seriado. Fibrinolise e contraindicada no IAMSSST, pois nao ha oclusao total com supra de ST e o risco de sangramento supera o beneficio. Alta e insegura com troponina unica. Teste ergometrico na vigencia de dor/isquemia ativa e contraindicado.
Homem de 70 anos, diabetico e coronariopata, e internado com diagnostico de sindrome coronariana aguda sem supra de ST. Recebe terapia otimizada: AAS, inibidor de P2Y12, anticoagulacao plena e nitroglicerina endovenosa. Apesar disso, mantem dor precordial refrataria e passa a apresentar PA 85/50 mmHg, taquicardia, estertores crepitantes bilaterais e desconforto respiratorio progressivo. A troponina esta elevada e em ascensao; o ECG mostra infradesnivelamento dinamico de ST em parede anterior. Considerando a estratificacao de risco e o momento ideal da abordagem invasiva, qual e a conduta mais adequada?
As diretrizes estratificam o IAMSSST por risco para definir o tempo da coronariografia. Pacientes de MUITO alto risco - instabilidade hemodinamica/choque, angina refrataria a tratamento otimo, arritmia grave ou complicacao mecanica - tem indicacao de estrategia invasiva IMEDIATA (cateterismo em ate 2 horas), como neste caso. A estrategia precoce em ate 24h ou eletiva em 24-72h se aplica a pacientes de alto/intermediario risco estaveis, o que nao e o caso. Fibrinolise e contraindicada no IAMSSST. Manejo puramente conservador Inadequado: diante de instabilidade e isquemia refrataria.
Mulher de 64 anos, diabetica e hipertensa, procura a Unidade Basica de Saude com queixa de cansaco intenso e desconforto epigastrico ha cerca de 2 horas, acompanhados de sudorese fria e nauseas. Nega dor toracica tipica. Ao exame: PA 138/86 mmHg, FC 96 bpm, discreta palidez. Um ECG realizado na unidade mostra infradesnivelamento de ST de 2 mm em V2-V4, sem supradesnivelamento. Ha disponibilidade de teste rapido de troponina, que resulta elevado. Considerando o perfil da paciente, quais sao, respectivamente, o diagnostico mais provavel e a conduta inicial correta?
Mulheres, diabeticos e idosos frequentemente apresentam SCA de forma atipica (dispneia, fadiga, desconforto epigastrico) - o chamado equivalente anginoso. O ECG com infra de ST e a troponina elevada, sem supra, confirmam IAMSSST: a conduta inicial e antiagregacao dupla, anticoagulacao e transferencia rapida para servico com hemodinamica. Nao ha supra de ST, portanto fibrinolise Incorreta: e perigosa. Rotular como dispepsia ou angina estavel com investigacao ambulatorial ignora a troponina positiva e as alteracoes isquemicas, retardando o tratamento de uma emergencia cardiovascular.
Um homem de 63 anos, hipertenso e tabagista, procura a UPA relatando dor precordial em aperto iniciada há 3 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo, acompanhada de sudorese. Refere episódios semelhantes, porém mais breves e desencadeados por esforço, nas últimas duas semanas. Ao exame: consciente, PA 150x90 mmHg, FC 88 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alterações. O eletrocardiograma mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V4-V6 e onda T invertida em DII, DIII e aVF, sem supradesnivelamento. A primeira dosagem de troponina está acima do percentil 99. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta imediata mais apropriada?
O quadro de dor anginosa em repouso, infra de ST/inversão de T (sem supra) e troponina elevada define infarto agudo do miocárdio SEM supra de ST (IAMSSST). A conduta é AAS + segundo antiplaquetário, anticoagulação parenteral e estratificação de risco para definir estratégia invasiva — não há indicação de reperfusão imediata como no IAMCSST. Errada: não há supra de ST. Errada: dor em repouso com marcador positivo não é angina estável. Errada: pericardite cursa com dor pleurítica e supra difuso côncavo, não infra localizado com troponina isquêmica.
Uma mulher de 58 anos, diabética, chega ao pronto-socorro de um hospital do SUS com dor torácica retroesternal em repouso há 1 hora, sem irradiação, associada a náuseas. Está estável hemodinamicamente, com PA 130x80 mmHg e FC 76 bpm. O eletrocardiograma inicial não mostra supradesnivelamento do segmento ST. Diante da suspeita de síndrome coronariana aguda sem supra de ST, qual é o exame laboratorial mais indicado para detectar lesão/necrose miocárdica e confirmar o diagnóstico?
A troponina cardíaca é o biomarcador de escolha, por sua alta sensibilidade e especificidade para lesão miocárdica; sua dosagem seriada confirma (ou exclui) infarto na SCA sem supra. PCR é marcador inflamatório inespecífico. Dímero-D é útil no tromboembolismo, não na necrose miocárdica. BNP relaciona-se a sobrecarga/insuficiência ventricular, não sendo o marcador de necrose.
Um homem de 70 anos, com antecedente de infarto prévio, é admitido no pronto-socorro com diagnóstico de síndrome coronariana aguda sem supra de ST. Iniciados AAS, segundo antiplaquetário e anticoagulação. Cerca de duas horas depois, apresenta novo episódio de dor precordial intensa em repouso, refratária à nitroglicerina, evoluindo com PA 85x50 mmHg, FC 118 bpm, estertores pulmonares bibasais e sudorese fria. O monitor mantém infradesnivelamento dinâmico do segmento ST. Considerando esse cenário de instabilidade, qual é a conduta mais apropriada?
Angina refratária/recorrente, instabilidade hemodinâmica, sinais de insuficiência cardíaca e alterações dinâmicas do ST caracterizam MUITO ALTO RISCO na SCA sem supra, indicando estratégia invasiva imediata/urgente (coronariografia). Errada: aguardar seria arriscado num paciente instável. Errada: trombólise não tem benefício e é contraindicada no IAMSSST. Errada: teste ergométrico é contraindicado na instabilidade e suspender anticoagulação agrava a isquemia.
Um homem de 62 anos, hipertenso e tabagista, procura a UPA com dor precordial em aperto iniciada há 3 horas, em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo, acompanhada de sudorese. Refere que nas últimas duas semanas vinha apresentando episódios semelhantes aos esforços, cada vez mais frequentes. Ao exame: PA 150x90 mmHg, FC 88 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alterações. O ECG mostra infradesnivelamento de 1,5 mm do segmento ST em V4 a V6, sem supradesnivelamento. A primeira troponina, colhida à admissão, encontra-se dentro do valor de referência. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Trata-se de quadro típico de síndrome coronariana aguda sem supra de ST (angina instável/IAMSSST): dor em repouso, progressiva, com infradesnivelamento de ST. A conduta é iniciar AAS, terapia anti-isquêmica (nitrato/betabloqueador) e anticoagulação, além de repetir a troponina em 1-3h, pois um único valor normal não exclui o diagnóstico (a curva é seriada). Errada porque uma troponina inicial normal não descarta SCA. Errada porque trombólise só se aplica ao IAM com supra de ST — no IAMSSST a trombólise é contraindicada. Errada porque teste ergométrico é contraindicado na fase aguda/instável, pelo risco de evento isquêmico.
Uma mulher de 68 anos, hipertensa e diabética tipo 2 em uso de losartana e metformina, procura a UPA com dor retroesternal em aperto iniciada há 3 horas, em repouso, irradiada para o membro superior esquerdo, acompanhada de sudorese e náuseas. Nega episódios semelhantes prévios. Ao exame: regular estado geral, consciente, PA 148 x 88 mmHg, FC 92 bpm, FR 20 irpm, SpO2 96% em ar ambiente, ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas sem sopros, ausculta pulmonar sem alterações, sem turgência jugular e sem edema de membros inferiores. O eletrocardiograma mostra infradesnivelamento do segmento ST de 2 mm em V4, V5 e V6, sem supradesnivelamento em nenhuma derivação. A troponina ultrassensível colhida na admissão está elevada. A UPA não dispõe de laboratório de hemodinâmica.
Dor torácica anginosa em repouso + infradesnivelamento de ST + troponina elevada define infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST (IAMSSST). A conduta é terapia antitrombótica (AAS + segundo antiagregante + anticoagulação), monitorização e estratificação invasiva precoce (coronariografia em até 24 h em paciente de alto risco por troponina positiva e alteração dinâmica de ST), o que exige regulação para serviço com hemodinâmica. Fibrinolítico está formalmente contraindicado no IAMSSST, pois não há oclusão coronariana total e o balanço risco-benefício é desfavorável (aumenta sangramento sem reduzir mortalidade). Pericardite aguda cursaria com dor pleurítica que melhora à inclinação anterior, atrito pericárdico e supra de ST difuso com concavidade superior, não com infra localizado. Angina estável é dor desencadeada por esforço, com alívio ao repouso e sem elevação de troponina — incompatível com dor em repouso e marcador positivo.
Um homem de 60 anos, tabagista de 40 maços-ano e dislipidêmico, é atendido no pronto-socorro de um hospital municipal com dor precordial em queimação iniciada em repouso há 2 horas, de forte intensidade, sem relação com a respiração ou com a movimentação do tórax. Ao exame físico: bom estado geral, PA 132 x 84 mmHg, FC 78 bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, pulsos periféricos simétricos, sem atrito pericárdico. O eletrocardiograma de 12 derivações evidencia infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em DII, DIII e aVF, sem qualquer supradesnivelamento. A troponina ultrassensível na admissão está acima do percentil 99 e, na dosagem seriada de 3 horas, mostra elevação significativa em relação ao valor inicial.
Quadro clínico compatível com isquemia miocárdica em repouso, associado a curva ascendente de troponina (acima do percentil 99, com variação significativa na dosagem seriada) e eletrocardiograma SEM supradesnivelamento de ST, define infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST). Angina instável está errada porque, por definição, cursa com troponina normal (sem necrose miocárdica) — é exatamente a troponina positiva que separa as duas entidades dentro da síndrome coronariana aguda sem supra. IAMCSST está errado porque o traçado mostra infradesnivelamento, não supradesnivelamento persistente (nem bloqueio de ramo esquerdo novo). Pericardite aguda está errada porque a dor não é pleurítica nem posicional, não há atrito pericárdico e o ECG mostraria supra de ST difuso com concavidade superior e infra de PR, e não infra de ST localizado na parede inferior.
Um homem de 58 anos, hipertenso, chega à unidade de pronto atendimento com dor torácica opressiva iniciada há 90 minutos, em repouso, com irradiação para a mandíbula e sudorese fria. Ao ser questionado sobre medicações, relata que usou sildenafila há cerca de 6 horas. Exame físico: PA 118 x 72 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 irpm, SpO2 97% em ar ambiente, ausculta cardiopulmonar sem alterações, sem sinais de congestão. O eletrocardiograma mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1 mm em V3 a V5, sem supradesnivelamento; a primeira troponina ultrassensível está elevada. Ele não apresenta sangramento ativo, história de úlcera péptica, alergias ou uso de anticoagulantes. Sobre a conduta medicamentosa inicial nesta unidade, assinale a alternativa correta.
Trata-se de IAMSSST (dor anginosa em repouso, infra de ST e troponina elevada). O AAS 300 mg mastigado deve ser dado o mais precocemente possível a todo paciente com síndrome coronariana aguda sem contraindicação, pois reduz mortalidade. O nitrato, embora seja rotina para alívio isquêmico, está CONTRAINDICADO quando houve uso de inibidor da fosfodiesterase-5 nas últimas 24 horas (sildenafila/vardenafila) ou 48 horas (tadalafila), pela potencialização da vasodilatação e risco de hipotensão refratária — este é o ponto crítico da questão. Fibrinolítico está contraindicado no IAMSSST, independentemente do tempo de dor ou do valor da troponina: só tem indicação no IAMCSST sem acesso oportuno à angioplastia primária. Adiar a antiagregação até a coronariografia contraria as diretrizes: o AAS é benefício comprovado e imediato, e o retardo aumenta eventos isquêmicos.
Um homem de 62 anos, hipertenso e tabagista (30 anos-maço), procura a unidade de pronto atendimento (UPA) relatando dor precordial em aperto, de forte intensidade, iniciada há 2 horas, com irradiação para o membro superior esquerdo, acompanhada de sudorese fria e náuseas. Nega uso de medicações nas últimas 24 horas. Ao exame: regular estado geral, consciente e orientado, PA = 148 x 92 mmHg, FC = 96 bpm, FR = 20 irpm, SpO2 = 97% em ar ambiente, ausculta cardíaca com bulhas rítmicas e normofonéticas sem sopros, ausculta pulmonar com murmúrio vesicular universalmente audível sem ruídos adventícios. O eletrocardiograma mostra ritmo sinusal com infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V4, V5 e V6, sem supradesnivelamento em nenhuma derivação. A troponina I coletada na admissão está elevada, cinco vezes acima do percentil 99. Qual é o diagnóstico mais provável?
A tríade dor anginosa prolongada em repouso + infradesnivelamento de ST (sem supra) + troponina elevada acima do percentil 99 define infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento do segmento ST (IAMSSST), conforme a Quarta Definição Universal de Infarto e as diretrizes brasileiras de SCA sem supra. A angina estável está incorreta porque a dor ocorreu em repouso, foi prolongada e cursou com necrose miocárdica (troponina positiva) — na angina estável a troponina é normal e a dor é desencadeada por esforço e cede com repouso. O IAMCSST está incorreto porque o ECG não mostra supradesnivelamento de ST em nenhuma derivação, elemento obrigatório para essa classificação e para indicar reperfusão imediata. A pericardite aguda está incorreta porque cursa tipicamente com dor pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente, atrito pericárdico e supradesnivelamento de ST côncavo difuso com infradesnivelamento de PR — padrão oposto ao apresentado.
Uma mulher de 58 anos, diabética em uso de metformina e com dislipidemia, chega ao pronto-socorro de hospital geral do SUS às 14h relatando dor retroesternal em queimação, de moderada intensidade, que durou cerca de 20 minutos e cedeu espontaneamente há 40 minutos. Refere dois episódios semelhantes na última semana, ambos em repouso e de duração crescente. Ao exame: bom estado geral, assintomática no momento, PA = 132 x 80 mmHg, FC = 78 bpm, SpO2 = 98% em ar ambiente, ausculta cardiopulmonar sem alterações, sem sinais de congestão, pulsos simétricos. O eletrocardiograma na admissão é normal. A troponina de alta sensibilidade coletada na chegada encontra-se dentro dos valores de referência. A paciente pergunta se pode ir para casa. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
O quadro é de angina instável (dor em repouso, episódios em crescendo, paciente diabética), e um ECG normal com troponina única normal colhida precocemente NÃO exclui síndrome coronariana aguda sem supra: as diretrizes brasileiras e os algoritmos de troponina de alta sensibilidade exigem observação com ECG seriado e nova dosagem no intervalo preconizado (0/1h ou 0/3h) antes de qualquer decisão de alta. A alta com omeprazol está incorreta e é potencialmente fatal — atribuir a dor a causa péptica com base em exames iniciais normais ignora que a curva de troponina pode positivar horas depois e que a angina instável cursa justamente com troponina normal. O trombolítico está formalmente contraindicado na SCA sem supradesnivelamento de ST, pois não traz benefício e aumenta o risco de sangramento. O teste ergométrico está contraindicado na fase aguda, antes de excluída a instabilidade, por risco de desencadear evento isquêmico — a estratificação funcional só se faz após período de observação com marcadores seriados negativos e paciente estável.
Um homem de 70 anos, hipertenso e com doença renal crônica (creatinina = 1,8 mg/dL), é atendido em UPA com dor precordial em repouso há 3 horas. Ao exame: PA = 108 x 66 mmHg, FC = 112 bpm, FR = 24 irpm, estertores crepitantes em bases pulmonares (Killip II). O eletrocardiograma mostra infradesnivelamento de ST de 2 mm em V3-V6 e DI/aVL, sem supradesnivelamento. Troponina elevada. Calculado o escore GRACE, obtém-se 168 pontos. Recebeu AAS, clopidogrel, anticoagulação e nitrato, mantendo-se sem dor após as medidas iniciais, consciente e com PA estável. A UPA não dispõe de laboratório de hemodinâmica; o hospital de referência regional, com serviço de hemodinâmica 24 horas, fica a 50 minutos de ambulância. Qual é a conduta mais adequada?
O escore GRACE de 168 pontos (>140) associado a Killip II classifica o paciente como de ALTO risco na SCA sem supradesnivelamento de ST, e as diretrizes brasileiras/da Sociedade Brasileira de Cardiologia recomendam estratégia invasiva precoce, com coronariografia em até 24 horas, após terapia antitrombótica e anti-isquêmica inicial — o que impõe transferência regulada para serviço com hemodinâmica. O trombolítico está formalmente CONTRAINDICADO no IAMSSST, independentemente do tempo de transporte: essa é a pegadinha da questão, pois a lógica do tempo porta-balão de 30/120 minutos aplica-se ao IAM COM supra, não ao sem supra. A estratégia exclusivamente conservadora só se justifica em pacientes de baixo risco (GRACE < 109) ou com comorbidade proibitiva, o que não é o caso de um paciente com GRACE alto e insuficiência cardíaca aguda. A transferência eletiva com cintilografia em 30 dias é inadequada e perigosa — teste funcional não se aplica a paciente de alto risco na fase aguda, cuja mortalidade a curto prazo é reduzida pela revascularização precoce.
Um homem de 62 anos, hipertenso e tabagista, procura a unidade de pronto atendimento com dor torácica retroesternal em aperto, de forte intensidade, iniciada há 40 minutos em repouso, com irradiação para o membro superior esquerdo, associada a sudorese fria. Refere que, nos últimos 15 dias, vinha apresentando dor semelhante aos médios esforços. Ao exame: regular estado geral, corado, hidratado, consciente e orientado; pressão arterial de 150 x 90 mmHg, frequência cardíaca de 92 bpm, frequência respiratória de 20 irpm, saturação de oxigênio de 97% em ar ambiente. Ausculta cardíaca com bulhas normofonéticas, sem sopros; ausculta pulmonar sem alterações; sem turgência jugular e sem edema de membros inferiores. O eletrocardiograma realizado na admissão mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm nas derivações V4, V5 e V6, sem supradesnivelamento em nenhuma derivação. Qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta inicial adequada nesse caso?
Dor anginosa em repouso, prolongada, com fatores de risco e infradesnivelamento de ST em parede lateral configura síndrome coronariana aguda SEM supradesnivelamento de ST (angina instável/IAMSSST). A conduta inicial preconizada pelas diretrizes brasileiras é AAS (dose de ataque), terapia anti-isquêmica (nitrato/betabloqueador conforme o caso), anticoagulação, dosagem seriada de troponina, monitorização e estratificação de risco para definir a estratégia invasiva. A alternativa 2 está errada porque não há supradesnivelamento de ST — fibrinolítico é formalmente contraindicado no IAMSSST. A alternativa 3 é improvável: não há dor dilacerante com irradiação para o dorso, assimetria de pulsos ou diferença pressórica entre os membros. A alternativa 4 é inaceitável: liberar um paciente com dor isquêmica em repouso e ECG alterado configura risco de morte.
Uma mulher de 68 anos, diabética em uso de metformina, chega à unidade de pronto atendimento com queixa de desconforto epigástrico e dispneia há cerca de 1 hora, sem dor torácica típica. Ao exame físico: bom estado geral, pressão arterial de 130 x 80 mmHg, frequência cardíaca de 88 bpm, frequência respiratória de 18 irpm, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente; ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações; abdome flácido, indolor à palpação. O eletrocardiograma inicial evidencia inversão simétrica da onda T em V2, V3 e V4, sem supradesnivelamento do segmento ST. A primeira dosagem de troponina, coletada na chegada, encontra-se dentro dos valores de referência. Considerando o quadro, qual é a conduta mais adequada nesse momento?
Sintomas atípicos (equivalente anginoso) são frequentes em mulheres, idosos e diabéticos, e uma troponina única normal colhida precocemente NÃO exclui síndrome coronariana aguda — as diretrizes exigem curva de marcadores com nova dosagem no intervalo preconizado, além de ECG seriado e monitorização. A alternativa 2 é o erro clássico: descartar SCA com troponina única precoce e alta hospitalar, com risco de evento fatal. A alternativa 3 está errada: não há supradesnivelamento de ST, e fibrinolítico é contraindicado no IAMSSST. A alternativa 4 é inadequada: teste ergométrico é formalmente contraindicado na vigência de sintomas e antes de descartar isquemia aguda.
Homem de 62 anos, hipertenso e diabético, chega à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) com dor precordial em aperto iniciada em repouso há 3 horas, com irradiação para o membro superior esquerdo e sudorese. Ao exame: PA 140x85 mmHg, FC 88 bpm, FR 18 irpm, SatO2 97% em ar ambiente, ausculta cardiopulmonar sem alterações. O ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V4–V6 e DII, sem supradesnivelamento. A troponina ultrassensível está acima do percentil 99. A UPA não dispõe de laboratório de hemodinâmica. Qual é a conduta adequada?
O quadro é de infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST (IAMSSST): dor anginosa em repouso, infra de ST e troponina elevada. A conduta é terapia antitrombótica e anti-isquêmica imediata associada à regulação/transferência para serviço com hemodinâmica, já que a estratégia invasiva é o tratamento definitivo e a UPA é ponto de estabilização e encaminhamento na rede. A fibrinólise é formalmente contraindicada na SCA sem supra de ST — não reduz mortalidade e aumenta sangramento; só tem papel no IAMCSST. Alta com investigação ambulatorial é inaceitável em paciente com necrose miocárdica documentada, de altíssimo risco de eventos precoces. Repetir troponina não acrescenta nada quando o marcador já está positivo e o ECG é isquêmico — o diagnóstico está fechado e a espera apenas retarda a reperfusão.
Mulher de 58 anos, hipertensa, internada em enfermaria de hospital geral com diagnóstico de IAMSSST, escore GRACE de 105. Recebeu ácido acetilsalicílico, clopidogrel, enoxaparina, betabloqueador e nitrato endovenoso. Após 8 horas de terapia otimizada, apresenta novo episódio de dor anginosa em repouso, prolongada, acompanhada de infradesnivelamento dinâmico de ST de 2 mm em parede anterior, que se resolve parcialmente com o nitrato. PA 118x70 mmHg, FC 92 bpm, sem sinais de congestão. Qual a conduta?
A pegadinha está em usar o GRACE isoladamente. Critérios de risco MUITO ALTO na SCA sem supra — instabilidade hemodinâmica/choque, arritmia ventricular grave, insuficiência cardíaca aguda, complicação mecânica e angina refratária ou recorrente sob terapia otimizada, sobretudo com alterações dinâmicas de ST — indicam estratégia invasiva imediata (até 2 horas), qualquer que seja o escore. Manter estratégia conservadora com teste de isquemia não invasivo antes da alta porque o GRACE é menor que 140 erra ao deixar o escore sobrepor-se a um critério clínico de risco muito alto. Administrar fibrinolítico repete o erro clássico: o fibrinolítico não tem indicação na SCA sem supra de ST. E programar coronariografia eletiva em até 72 horas descreve a janela da estratégia invasiva de risco intermediário, inadequada diante de isquemia refratária em curso.
Homem de 55 anos, tabagista de 30 anos-maço, procura a Unidade Básica de Saúde (UBS) queixando-se de dor retroesternal em aperto, iniciada em repouso há cerca de 40 minutos e ainda presente, associada a náusea e mal-estar. Ao exame: PA 130x80 mmHg, FC 84 bpm, SatO2 96%, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. A equipe realiza eletrocardiograma, que não evidencia alterações isquêmicas. A UBS não dispõe de dosagem de troponina. Qual a conduta?
Dor anginosa em repouso, prolongada, em homem com fator de risco maior configura suspeita de angina instável. Um ECG inicial normal ocorre em parte relevante das SCA sem supra de ST e NÃO afasta o diagnóstico — a exclusão exige ECG seriado e troponina, indisponíveis na APS. Assim, a conduta na UBS é antiagregação imediata com ácido acetilsalicílico 300 mg mastigado e transporte regulado (SAMU) para a emergência. Prescrever inibidor de bomba de prótons com retorno em 7 dias atribui causa dispéptica sem investigação, com risco de óbito evitável. Solicitar teste ergométrico ambulatorial propõe teste provocativo de isquemia em paciente com dor em curso — contraindicado — e ainda mantém observação em serviço sem retaguarda. E repetir o ECG em 24 horas na própria UBS posterga a avaliação de um quadro potencialmente letal justamente nas primeiras horas.
Homem de 62 anos, hipertenso e tabagista, procura a UPA com dor retroesternal em aperto que iniciou há 3 horas, durou cerca de 20 minutos em repouso e cedeu espontaneamente. Ao exame: PA 148x90 mmHg, FC 82 bpm, ausculta cardiopulmonar normal. O ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4-V6 com inversão de onda T. A primeira dosagem de troponina de alta sensibilidade está elevada acima do percentil 99. Qual a conduta mais adequada?
O quadro clínico anginoso, com infra de ST e troponina elevada, define IAM sem supra de ST (IAMSSST) de alto risco. A conduta é iniciar dupla via de tratamento (antiagregante + anticoagulante), monitorizar e referenciar para estratificação invasiva em serviço com hemodinâmica. Liberar com anti-inflamatório ignora o infarto em curso. Trombolítico só tem indicação no IAM COM supra de ST, sendo contraindicado no IAMSSST. Teste ergométrico ambulatorial é proibido na vigência de isquemia aguda/instável.
Mulher de 58 anos, com diagnóstico prévio de angina aos grandes esforços há 2 anos, procura o pronto-atendimento relatando que, nas últimas 48 horas, os episódios de dor precordial passaram a ocorrer em repouso, tornaram-se mais frequentes e mais duradouros. No momento está sem dor. PA 130x80 mmHg, FC 76 bpm. O ECG está sem alterações agudas e a troponina está normal. Qual o diagnóstico mais provável?
A mudança do padrão anginoso — dor em repouso, mais frequente e mais prolongada (padrão em crescendo) — com troponina normal caracteriza angina instável, parte do espectro da síndrome coronariana aguda sem supra de ST. Angina estável mantém padrão de esforço fixo e previsível. IAM com supra exigiria supradesnivelamento de ST no ECG. Pericardite cursa com dor pleurítica, que piora com decúbito e melhora sentado, e supra de ST difuso, ausentes aqui.
Homem de 67 anos, diabético, chega à UPA com dor precordial em repouso iniciada há 1 hora, de caráter atípico, já em regressão. PA 138x84 mmHg, FC 88 bpm, ausculta normal. O ECG não mostra supradesnivelamento de ST e a primeira dosagem de troponina de alta sensibilidade, colhida na admissão, está dentro da normalidade. Qual o próximo passo mais adequado?
Uma única troponina normal na admissão NÃO exclui síndrome coronariana aguda, sobretudo em dor de início recente e paciente de alto risco (idoso, diabético). O protocolo exige curva de troponina seriada (por exemplo, 0 e 1-3 horas) com observação e monitorização. Liberar após uma dosagem pode deixar escapar um IAMSSST em evolução. Trombolítico não tem indicação sem supra de ST. Holter ambulatorial não avalia isquemia aguda e adia perigosamente a estratificação.
Homem de 58 anos, hipertenso, diabético tipo 2 e tabagista (30 maços-ano), em uso de losartana e metformina, procura a emergência com dor torácica opressiva em repouso há 2 horas, irradiada para o membro superior esquerdo, acompanhada de sudorese fria. Exame físico: PA 138 × 86 mmHg, FC 88 bpm, SpO2 97% em ar ambiente, ausculta cardiopulmonar normal, sem sinais de congestão ou hipoperfusão. ECG: infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em V4–V6, sem supradesnivelamento. Troponina ultrassensível elevada na admissão, com nova elevação na dosagem de 3 horas. Após nitrato sublingual, o paciente fica assintomático e permanece hemodinamicamente estável. Além da terapia antitrombótica plena, a estratégia mais adequada é
Trata-se de IAMSSST (dor anginosa em repouso + infra de ST dinâmico + troponina em curva ascendente) de ALTO risco — elevação/queda de troponina e alteração dinâmica de ST são critérios que, pelas diretrizes (ESC/SBC), indicam estratégia invasiva PRECOCE, com coronariografia em até 24 horas. A fibrinólise com tenecteplase é formalmente contraindicada na SCA sem supra de ST, pois não há oclusão coronariana total na maioria dos casos e o risco supera o benefício. A estratégia invasiva imediata, com coronariografia em menos de 2 horas, é reservada aos critérios de muito alto risco (choque, instabilidade hemodinâmica ou elétrica, angina refratária, complicação mecânica, IC aguda), ausentes aqui — o paciente ficou assintomático e estável. A estratégia conservadora, com teste ergométrico antes da alta, seria aceitável apenas em pacientes de baixo risco, sem troponina positiva nem alteração dinâmica de ST.
Mulher de 71 anos, 55 kg, hipertensa, com antecedente de acidente isquêmico transitório há 2 anos, é admitida com infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST: dor anginosa em repouso, infradesnivelamento de ST em parede lateral e troponina ultrassensível em curva ascendente. Na admissão, recebeu AAS em dose de ataque e foi anticoagulada com fondaparinux 2,5 mg por via subcutânea. Pelo escore GRACE de 152, é encaminhada à coronariografia em 18 horas, que evidencia lesão suboclusiva em artéria descendente anterior, com indicação de angioplastia com implante de stent no mesmo procedimento. Em relação à anticoagulação periprocedimento, a conduta correta é
Paciente anticoagulado com fondaparinux que vai à intervenção coronariana percutânea DEVE receber bolus adicional de heparina não fracionada durante o procedimento: o fondaparinux, inibidor seletivo do fator Xa sem ação antitrombínica, associa-se a trombose de cateter na ICP (demonstrado no estudo OASIS-5), e as diretrizes exigem a suplementação com HNF. Manter fondaparinux isolado expõe ao risco de trombose de cateter. Trocar por enoxaparina e adiar Errado: além de atrasar desnecessariamente a ICP em paciente de alto risco (GRACE > 140 pede invasiva em até 24 h), a troca de anticoagulantes ('crossover') aumenta sangramento. Inibidor de GP IIb/IIIa de rotina não é recomendado (uso apenas em resgate, para complicações trombóticas) e não corrige a ausência de atividade antitrombínica.
Homem de 64 anos, hipertenso e dislipidêmico, em uso irregular de anlodipino e sinvastatina, procura a UPA relatando três episódios de dor precordial em aperto, em repouso, nas últimas 24 horas — o último há 1 hora, com duração aproximada de 15 minutos e melhora espontânea. Nega dispneia, síncope ou episódios prévios semelhantes aos esforços. Exame físico: PA 142 × 88 mmHg, FC 76 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alterações. ECG de admissão sem alterações isquêmicas. Troponina ultrassensível dentro do limite da normalidade na admissão e na dosagem seriada de 3 horas, sem variação significativa. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável e a conduta adequada.
Dor anginosa recorrente EM REPOUSO nas últimas 48 horas, com ECG sem alterações e troponina seriada NEGATIVA (sem curva), define angina instável — síndrome coronariana aguda sem necrose miocárdica —, que exige internação, antiagregação com AAS, anticoagulação e estratificação de risco (invasiva ou não invasiva conforme escore) antes da alta. Angina estável é desencadeada por esforço e reprodutível — o padrão em repouso e de início recente exclui essa hipótese, e dar alta seria o erro clássico. IAMSSST exigiria troponina elevada com curva; ademais, coronariografia < 2 h é reservada a critérios de muito alto risco. Angina vasoespástica exigiria documentação de supradesnivelamento transitório durante a dor, e mesmo assim não se daria alta sem estratificação na fase aguda.
Homem de 68 anos, hipertenso, diabético tipo 2 e tabagista, chega ao pronto-socorro com dor precordial opressiva em repouso há 3 horas, com irradiação para o membro superior esquerdo. Exame: PA 140/85 mmHg, FC 92 bpm, ausculta cardiopulmonar sem sinais de congestão (Killip I). O ECG mostra infradesnivelamento dinâmico do segmento ST de 1,5 mm em V4-V6. A troponina ultrassensível está elevada e em ascensão na dosagem seriada. O escore GRACE calculado é de 155. Firmado o diagnóstico de síndrome coronariana aguda sem supra de ST, assinale a estratégia de reperfusão/estratificação invasiva mais adequada para este paciente.
Paciente com SCASSST de ALTO risco: GRACE > 140, troponina em ascensão e alteração dinâmica do ST — isso indica estratégia invasiva precoce (cateterismo em ATÉ 24 horas). A imediata (< 2h) fica reservada aos critérios de MUITO alto risco (instabilidade hemodinâmica, angina refratária, arritmia ameaçadora à vida, complicação mecânica ou IC aguda), ausentes aqui (Killip I, sem dor refratária). A janela de 72h é para risco intermediário (GRACE 109-140). Estratégia conservadora só para baixo risco.
Mulher de 59 anos, hipertensa e dislipidêmica, procura o pronto-socorro relatando três episódios de dor precordial em repouso nas últimas 24 horas, cada um com cerca de 15 minutos de duração e resolução espontânea. No momento da avaliação está assintomática. Exame físico: PA 138/82 mmHg, FC 78 bpm, sem alterações. O ECG evidencia inversão da onda T em parede anterior. Foram realizadas duas dosagens de troponina ultrassensível (na admissão e após 3 horas), ambas dentro do valor de referência e sem variação significativa (delta). Assinale o diagnóstico mais provável.
Quadro de isquemia miocárdica (dor em repouso, recorrente, com alteração isquêmica no ECG) SEM elevação/variação de troponina define angina instável — isquemia sem necrose miocárdica detectável. O IAMSSST exige curva de troponina positiva (elevação com delta significativo), ausente aqui. A origem musculoesquelética não explica dor em repouso recorrente com inversão de T. Na pericardite o padrão eletrocardiográfico clássico é supra de ST difuso, côncavo, com infra de PR, e não inversão isolada de T anterior.
Homem de 60 anos chega ao pronto-socorro com dor precordial típica em repouso iniciada há 1 hora. O ECG mostra infradesnivelamento do segmento ST em parede inferior e a primeira dosagem de troponina está elevada, confirmando síndrome coronariana aguda sem supra de ST. Além da analgesia e da monitorização eletrocardiográfica contínua, assinale o medicamento que deve ser administrado imediatamente, salvo contraindicação, por comprovado impacto na redução de mortalidade.
O AAS é a medida farmacológica inicial obrigatória na SCA, com redução comprovada de mortalidade, e deve ser dado o mais precocemente possível (dose de ataque mastigável), salvo contraindicação. Oxigênio só está indicado se SatO2 < 90% — seu uso liberal é deletério. Nifedipino de ação rápida é contraindicado (taquicardia reflexa e hipotensão, podendo piorar a isquemia). Fibrinolítico não tem indicação na SCA SEM supra de ST.
Homem de 68 anos, diabético e com doença renal crônica (creatinina 1,9 mg/dL), procura o pronto-socorro por dois episódios de dor precordial em repouso nas últimas 12 horas, o último há 3 horas. Encontra-se assintomático, PA 132x80 mmHg, FC 78 bpm, sem sinais de congestão. O ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4-V6, e a troponina ultrassensível está elevada com curva ascendente. O escore GRACE calculado é 158. Assinale o próximo passo.
Trata-se de IAM sem supra de ST de alto risco: GRACE acima de 140, troponina com curva dinâmica, diabetes e disfunção renal. A recomendação é estratégia invasiva precoce, com coronariografia em até 24 horas, sob antiagregação dupla e anticoagulação. Teste ergométrico é reservado a pacientes de baixo risco com troponina negativa — aqui há necrose confirmada e alteração isquêmica no ECG. Estratégia conservadora ambulatorial subestima um risco alto. A coronariografia imediata (menos de 2 horas) cabe apenas em muito alto risco: instabilidade hemodinâmica, angina refratária, arritmia maligna ou insuficiência cardíaca aguda — o paciente está estável e assintomático.
Mulher de 61 anos, hipertensa e dislipidêmica, relata que há dois dias vem apresentando dor precordial em aperto que agora surge em repouso, com duração de cerca de 15 minutos e resolução espontânea — antes, os episódios só ocorriam ao subir ladeiras. Chega à emergência sem dor. Exame físico normal. O ECG durante um episódio mostrou infradesnivelamento de ST de 1 mm em parede lateral, que normalizou após o alívio da dor. Troponina ultrassensível normal na admissão e após 3 horas. Assinale o diagnóstico mais provável.
Dor anginosa que muda de padrão (passa a ocorrer em repouso, com limiar decrescente), documentação de infradesnivelamento transitório de ST e troponina ultrassensível seriada normal caracterizam angina instável — isquemia miocárdica sem necrose detectável. O IAMSSST exigiria elevação de troponina com curva dinâmica, ausente aqui. A angina estável tem limiar previsível ao esforço e não ocorre em repouso; o próprio relato descreve a perda desse padrão. A pericardite cursa com dor pleurítica que melhora à inclinação anterior e supradesnivelamento côncavo difuso com infra de PR, não infra localizado transitório.
Mulher de 58 anos com infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST, hemodinamicamente estável, GRACE de 150, com cateterismo programado para daqui a 18 horas no próprio serviço. Sobre a terapia antiplaquetária, assinale a alternativa correta:
O AAS é administrado a todos, imediatamente, na dose de ataque de 150 a 300 mg. O inibidor de P2Y12, quando o cateterismo está próximo, fica para a sala de hemodinâmica com a anatomia conhecida: se houver lesão de tronco ou doença triarterial com indicação cirúrgica, o antiagregante já embarcado adia a revascularização e aumenta o sangramento. O pré-tratamento com prasugrel antes da anatomia é Classe III, com base no estudo ACCOAST, e a diretriz europeia de 2023 mantém Classe III nível A para pré-tratamento rotineiro com anatomia desconhecida.
Paciente de 74 anos internado por pneumonia grave com sepse apresenta troponina T de alta sensibilidade de 90 ng/L, sem dor torácica, com eletrocardiograma mostrando taquicardia sinusal e sem alterações isquêmicas. Nova dosagem após 3 horas: 95 ng/L. Qual a interpretação correta?
O diagnóstico de infarto exige elevação com curva, de subida ou de queda, somada a evidência clínica de isquemia: sintoma compatível, alteração isquêmica do eletrocardiograma, alteração segmentar nova de contratilidade ou trombo à angiografia. Aqui o valor está elevado, mas praticamente estável de 90 para 95 ng/L, e não há sintoma nem alteração isquêmica — trata-se de injúria miocárdica associada à sepse. Troponina isolada acima do percentil 99 não faz diagnóstico de infarto: sepse, embolia pulmonar, insuficiência cardíaca descompensada, doença renal crônica e miocardite elevam o marcador.
Homem de 47 anos com dor torácica atípica, eletrocardiograma normal, escore HEART de 3 e duas dosagens de troponina de alta sensibilidade sem variação significativa. Qual a conduta mais adequada?
O escore HEART de 0 a 3 identifica entre 35% e 46% dos pacientes com dor torácica como de baixo risco, com taxa de eventos muito baixa, e a diretriz brasileira o recomenda para estratificação e auxílio na decisão de alta com Classe I, nível B. Com eletrocardiograma normal e troponina seriada sem curva, o paciente entra na estratégia seletiva: teste não invasivo ou angiotomografia de coronárias em regime ambulatorial, reservando o cateterismo para quem apresentar isquemia significativa ou doença obstrutiva.
Paciente de 70 anos com infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento de ST é atendido em hospital sem serviço de hemodinâmica. Está estável, com dor controlada e sem sinais de congestão. Qual das condutas abaixo está CONTRAINDICADA?
Fibrinolítico é contraindicado na síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST. O trombo aqui é suboclusivo e rico em plaquetas, e os ensaios mostraram aumento de sangramento sem redução de eventos isquêmicos. O tratamento é antiagregação, anticoagulação, terapia anti-isquêmica, estatina de alta potência e revascularização programada por cateterismo — transferir o paciente é exatamente o que se espera de um serviço sem hemodinâmica.
Sobre o escore GRACE na síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST, assinale a alternativa correta:
O GRACE usa oito variáveis: idade, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica, creatinina, classe de Killip, parada cardíaca na admissão, desvio do segmento ST e elevação de biomarcador. Até 108 pontos é baixo risco, com mortalidade intra-hospitalar abaixo de 1%, e vai para estratégia seletiva. De 109 a 140 é intermediário, com mortalidade de 1% a 3%, e cateteriza em até 72 horas. Acima de 140 é alto risco, mortalidade acima de 3%, e cateteriza nas primeiras 24 horas. Nenhum escore substitui a clínica: instabilidade antecipa o procedimento para 2 horas.
Homem de 62 anos, hipertenso e ex-tabagista, chega ao pronto-socorro com dor retroesternal em aperto há 3 horas, iniciada em repouso. Pressão arterial 138/84 mmHg, frequência cardíaca 88 bpm, sem sinais de congestão pulmonar. O eletrocardiograma, realizado em 7 minutos, mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4, V5 e V6, sem supradesnivelamento em nenhuma derivação. Troponina T de alta sensibilidade: 45 ng/L na chegada e 130 ng/L após 1 hora. Escore GRACE calculado: 158. A dor cedeu com nitrato sublingual e não retornou. Qual a conduta mais adequada?
A troponina em curva (45 para 130 ng/L, delta muito acima de 5 ng/L) somada ao infradesnivelamento de ST fecha infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento. GRACE de 158, acima de 140, coloca o paciente na faixa de alto risco, cujo tempo é cateterismo nas primeiras 24 horas. Ele não é de risco muito alto: está estável, sem angina refratária e sem instabilidade elétrica, o que afastaria a janela de 2 horas. Fibrinolítico é contraindicado em síndrome coronariana aguda sem supra, e teste funcional ou angiotomografia pertencem à estratégia seletiva do baixo risco.
Homem de 39 anos, sem fatores de risco cardiovascular, com dor torácica em pontada iniciada há 5 horas, eletrocardiograma normal e exame físico sem alterações. A troponina T de alta sensibilidade na admissão é de 3 ng/L. Segundo o algoritmo 0/1 hora, qual a conduta correta?
No braço de exclusão do algoritmo 0/1 hora com troponina T de alta sensibilidade, valor abaixo de 5 ng/L na admissão já descarta infarto quando a dor começou há mais de 3 horas, sem necessidade de repetir. Se a dor tivesse menos de 3 horas, a segunda coleta seria obrigatória e a exclusão exigiria valor abaixo de 12 ng/L com variação menor que 3 ng/L em 1 hora. A confirmação, no outro extremo, exige 52 ng/L ou mais na chegada ou delta de 5 ng/L ou mais.
Qual das situações abaixo, em paciente com síndrome coronariana aguda SEM supradesnivelamento de ST, indica cateterismo em até 2 horas?
Risco muito alto, e portanto cateterismo em até 2 horas, é definido por critérios clínicos: instabilidade hemodinâmica ou choque cardiogênico, angina refratária apesar de terapia otimizada, instabilidade elétrica ou parada cardíaca ressuscitada, insuficiência cardíaca aguda de causa isquêmica, complicação mecânica e supradesnivelamento de ST transitório recorrente. A diretriz brasileira recomenda a estratégia invasiva imediata nesses casos com Classe I, nível A. GRACE de 132 e comorbidades levam à janela de 72 horas; troponina em curva e alterações dinâmicas de ST e onda T levam à janela de 24 horas.
Mulher de 63 anos, hipertensa, com dor torácica em aperto iniciada há 4 horas, já sem dor à admissão. O eletrocardiograma não mostra alterações isquêmicas. Troponina T de alta sensibilidade: 28 ng/L na chegada e 30 ng/L após 1 hora. Segundo o algoritmo de 0 e 1 hora, qual é a conduta?
Chegada de 28 ng/L com variação de 2 ng/L em 1 hora não exclui nem confirma: fica acima do valor de exclusão, que é 5 ng/L com dor de mais de 3 horas ou 12 ng/L com variação menor que 3 ng/L, e abaixo do de confirmação, que é 52 ng/L ou variação de 5 ng/L ou mais. Essa é a zona de observação, e ela significa terceira coleta em 3 horas, não alta. Concentração de 3 horas abaixo de 15 ng/L com variação de 0 a 3 horas abaixo de 4 ng/L é o que permite descartar com segurança. Liberar, confirmar infarto ou provocar isquemia com esforço antes disso são condutas que o algoritmo não sustenta.
Homem de 57 anos, tabagista, teve dois episódios de dor retroesternal em repouso nas últimas 48 horas, ambos com resolução espontânea. Está sem dor no momento. O eletrocardiograma mostra ondas T bifásicas e profundamente invertidas em V2 e V3, sem supradesnivelamento. A troponina de alta sensibilidade está discretamente elevada, sem variação relevante. Qual é a conduta correta?
Ondas T bifásicas ou profundamente invertidas em V2 e V3, em paciente sem dor no momento e com marcador pouco alterado, formam o padrão de Wellens e traduzem estenose crítica proximal da artéria descendente anterior. Esse paciente vai para cinecoronariografia: provocar isquemia com esforço pode ser fatal, e por isso o teste ergométrico está proscrito nesse cenário. Mandar para casa ou apenas repetir o traçado deixa uma lesão crítica sem tratamento. Fibrinolítico não tem lugar em síndrome sem supradesnivelamento — aumenta sangramento sem reduzir eventos.
Mulher de 44 anos com infarto agudo do miocárdio sem supradesnivelamento, confirmado por curva de troponina e alteração dinâmica de onda T, é levada ao cateterismo, que não mostra nenhuma lesão coronária de 50% ou mais. Qual é a interpretação e o próximo passo?
Troponina em curva com quadro de infarto e cateterismo sem lesão de 50% ou mais define o infarto com coronárias sem obstrução significativa, que não encerra o caso: abre uma segunda investigação de dissecção coronária espontânea, espasmo, embolia coronária, trombofilia e miocardite, e a ressonância magnética cardíaca resolve boa parte desses casos. Chamar de falso-positivo ignora que houve curva com evidência de isquemia. Angina instável exige troponina que não sobe. E miocardite é uma das hipóteses a testar, não diagnóstico fechado que autorize imunossupressão.
Paciente com sindrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST, sem uso previo de antiagregante. Qual a terapia antitrombotica inicial adequada?
Na síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST, AAS e anticoagulação parenteral integram o tratamento inicial, consideradas as contraindicações. A dupla antiagregação é parte do tratamento, mas isso não significa administrar P2Y12 de rotina antes de conhecer a anatomia coronária quando se planeja estratégia invasiva precoce. Se a angiografia for adiada, o pré-tratamento pode ser considerado conforme o risco hemorrágico; quem segue para intervenção sem pré-tratamento recebe a dose de ataque no momento apropriado. Fibrinolítico não é tratamento dessa síndrome. Varfarina ou anticoagulante oral direto isolado não substituem o esquema agudo.
Homem de 70 anos com sindrome coronariana aguda sem supradesnivelamento apresenta dor refrataria, instabilidade hemodinamica e arritmia ventricular sustentada. Qual a conduta?
Instabilidade hemodinamica, dor refrataria a tratamento otimizado, arritmias ventriculares com risco de vida, insuficiencia cardiaca aguda e alteracao eletrocardiografica dinamica configuram criterios de risco muito alto e indicam cateterismo imediato, em menos de duas horas, com a mesma logica da reperfusao no infarto com supradesnivelamento. Prazos de 24 ou 72 horas se aplicam a risco alto e intermediario respectivamente, e transportar esses prazos para o paciente instavel e o erro que custa vidas. Estrategia conservadora se reserva a risco baixo. Trombolise nao tem indicacao. Aguardar nova troponina em paciente instavel apenas atrasa a intervencao.
Mulher de 68 anos com sindrome coronariana aguda sem supradesnivelamento e fibrilacao atrial cronica em uso de anticoagulante oral direto sera submetida a angioplastia com implante de stent. Qual a estrategia antitrombotica apos o procedimento?
A combinacao de anticoagulante e dupla antiagregacao multiplica o risco hemorragico, e a estrategia atual e encurtar ao maximo a terapia tripla, muitas vezes limitada ao periodo periprocedimento ou a poucos dias a semanas, seguida de anticoagulante oral associado a clopidogrel por cerca de doze meses e, apos, anticoagulante isolado. Manter tripla por um ano reproduz conduta antiga e aumenta sangramento grave. Suspender o anticoagulante deixa a paciente sem protecao contra cardioembolia. Manter apenas anticoagulante logo apos o implante de stent aumenta o risco de trombose. Trocar por varfarina nao e obrigatorio e os anticoagulantes diretos tem melhor perfil de seguranca nesse contexto.
Qual e a contraindicacao ao uso de nitrato em paciente com sindrome coronariana aguda?
O nitrato associado a inibidor de fosfodiesterase 5 provoca hipotensao grave e refrataria, e o intervalo de seguranca varia conforme a droga, de 24 horas para as de meia-vida curta a 48 horas para o tadalafila; a outra contraindicacao classica e o infarto de ventriculo direito, dependente de pre-carga, no qual o nitrato precipita colapso hemodinamico. Diabetes e taquicardia nao contraindicam nitrato. Asma contraindica relativamente o betabloqueador nao seletivo, e essa e a troca mais comum na prova. Estatina nao interage nesse sentido. Vale lembrar que o nitrato alivia sintomas mas nao reduz mortalidade na sindrome coronariana aguda.
Qual condicao pode elevar a troponina sem que haja sindrome coronariana aguda, exigindo interpretacao contextualizada?
A troponina marca lesao miocardica, nao mecanismo, e pode se elevar em diversas condicoes por desequilibrio entre oferta e demanda ou por injuria direta: tromboembolismo pulmonar, miocardite, sepse, taquiarritmias, crise hipertensiva, insuficiencia cardiaca e doenca renal cronica, que reduz a depuracao. Por isso a interpretacao exige contexto clinico, eletrocardiograma e curva de valores, e a distincao entre infarto tipo 1, por ruptura de placa, e tipo 2, por desequilibrio, muda completamente a conduta. Estatina, hipotireoidismo subclinico, anemia leve e inibidores de bomba nao elevam troponina de forma relevante e servem apenas para mostrar que nem toda alteracao laboratorial se relaciona ao miocardio.
Homem de 62 anos, diabetico, chega ao pronto-socorro com dor precordial em repouso ha duas horas, ja resolvida. Eletrocardiograma mostra infradesnivelamento de ST de 1 mm em V4 a V6 e a troponina ultrassensivel esta discretamente elevada com curva ascendente. PA 138x82 mmHg, FC 84 bpm, sem sinais de congestao. Qual a classificacao e a estrategia?
Dor em repouso com alteracao dinamica de ST e elevacao de troponina define sindrome coronariana aguda sem supradesnivelamento, e a presenca de marcador de necrose classifica como risco alto, indicando estrategia invasiva precoce em ate 24 horas, alem de dupla antiagregacao, anticoagulacao e terapia anti-isquemica. Chamar de angina estavel ignora que a dor ocorreu em repouso e ha marcador positivo. Nao ha supradesnivelamento que justifique reperfusao imediata, e trombolisar nesse contexto e prejudicial. Pericardite cursaria com supradesnivelamento difuso concavo e infradesnivelamento de PR. Dar alta precoce com troponina em ascensao e o erro mais grave possivel nesse cenario.
Na alta hospitalar de paciente apos sindrome coronariana aguda sem supradesnivelamento, quais medidas devem constar da prescricao para reduzir eventos futuros?
A alta apos evento coronariano exige um pacote completo: dupla antiagregacao pelo tempo indicado conforme risco isquemico e hemorragico, estatina de alta intensidade com meta agressiva de LDL, betabloqueador sobretudo quando ha disfuncao ventricular, inibidor da enzima conversora em diabeticos, hipertensos, disfuncao ventricular ou doenca renal, controle rigoroso de fatores de risco, cessacao do tabagismo e encaminhamento a reabilitacao cardiovascular, que reduz mortalidade e reinternacao. Nitrato isolado apenas alivia sintomas. Antiagregacao simples subtrata o periodo de maior risco. Anticoagulacao plena universal nao esta indicada. Omitir antiagregante apos evento agudo e erro grave.
Qual e a principal diferenca fisiopatologica entre angina instavel e infarto sem supradesnivelamento de ST?
As duas entidades formam um continuo com o mesmo substrato, a ruptura ou erosao de placa com trombo suboclusivo e embolizacao distal, e o que as separa e a presenca de necrose miocitaria detectada pela troponina; com os ensaios ultrassensiveis, a fatia rotulada como angina instavel diminuiu bastante. Vasoespasmo puro corresponde a outra entidade. Angina instavel pode cursar com infradesnivelamento e inversao de onda T. Onda Q patologica indica infarto transmural estabelecido e nao e regra no infarto sem supradesnivelamento. Trombolise nao esta indicada em nenhuma das duas, e essa e a confusao que mais compromete conduta na emergencia.
Qual escore e utilizado para estratificar o risco e orientar o momento da estrategia invasiva na sindrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST?
O escore GRACE estima mortalidade hospitalar e em seis meses combinando idade, frequencia cardiaca, pressao, creatinina, classe de Killip, parada cardiaca na admissao, desvio de ST e marcadores de necrose, e valores elevados indicam estrategia invasiva precoce; o escore TIMI e alternativa mais simples. O CHA2DS2-VASc estima risco embolico na fibrilacao atrial. O escore de Wells avalia probabilidade de tromboembolismo venoso. A classificacao de Killip descreve insuficiencia cardiaca no infarto e integra o GRACE, mas isolada nao estratifica o momento da intervencao. O Framingham estima risco cardiovascular em prevencao primaria, ou seja, aplica-se a quem ainda nao teve evento.
Paciente com infarto sem supradesnível de ST evolui, na segunda hora de observação, com hipotensão de 78x50 mmHg, congestão pulmonar e sudorese, mantendo dor. Qual a conduta?
Instabilidade hemodinâmica com congestão e dor persistente reclassifica o paciente para risco muito alto, e a janela deixa de ser 24 horas para passar a ser imediata, em até 2 horas — mesma lógica de urgência do infarto com supra. Esperar o prazo original é o erro que custa miocárdio. Nitroglicerina endovenosa em paciente hipotenso agrava a hipotensão e não deve ser a prioridade. Fibrinólise permanece contraindicada nessa síndrome, e repetir marcador em quem já tem diagnóstico e instabilidade só adia o que precisa acontecer agora.
Homem de 58 anos com dor precordial em repouso há 3 dias, hoje assintomático. ECG em ritmo sinusal mostra ondas T bifásicas em V2-V3, com progressão para T profundamente invertidas. Troponina levemente elevada. Qual a conduta prioritária?
O padrão de ondas T bifásicas ou profundamente invertidas em V2-V3 em paciente sem dor no momento sinaliza suboclusão crítica proximal da descendente anterior, com risco elevado de infarto anterior extenso nos dias seguintes. A armadilha é justamente o paciente parecer bem: teste provocativo nesse cenário pode desencadear o infarto que se quer evitar e está formalmente contraindicado. A conduta é levar ao cateterismo. Alta hospitalar com terapia clínica ignora um achado eletrocardiográfico de altíssimo valor preditivo, e anticoagulação prolongada não trata a lesão obstrutiva.
Paciente de 72 anos internado por pneumonia grave e sepse apresenta troponina ultrassensível elevada, sem dor torácica, com ECG mostrando taquicardia sinusal e sem alterações isquêmicas. Ecocardiograma sem alteração segmentar. Qual a interpretação?
Troponina elevada não é sinônimo de infarto aterotrombótico: sepse, taquicardia, anemia e hipoxemia elevam o marcador por desequilíbrio entre oferta e demanda, configurando injúria miocárdica ou infarto tipo 2, cujo tratamento é corrigir a causa de base. Tratar todo mundo como infarto tipo 1, com dupla antiagregação e anticoagulação, expõe a sangramento um paciente que já é frágil e não muda o desfecho. Também não se deve chamar de falso-positivo: a troponina está de fato alta e carrega valor prognóstico ruim, apenas com mecanismo diferente.
Mulher de 68 anos com infarto sem supradesnível de ST tem escore TIMI de 5. Qual a implicação principal desse resultado?
O escore TIMI soma variáveis simples como idade, fatores de risco, uso prévio de ácido acetilsalicílico, angina recente, desvio de ST, marcador elevado e doença coronariana conhecida; a partir de 5 pontos o risco de morte, infarto ou revascularização urgente em duas semanas é alto e a estratégia invasiva traz benefício. O erro é ler o escore como marcador de sangramento — quem estima hemorragia é o CRUSADE, e são coisas diferentes. Fibrinólise segue sem papel nessa síndrome, e anticoagulação oral prolongada não decorre do escore isquêmico.
Mulher de 55 anos com dor torácica em repouso há 40 minutos, já resolvida na chegada. ECG normal e troponina ultrassensível colhida na admissão indetectável. Ela está assintomática, sem fatores de risco além de tabagismo. Qual a conduta?
Uma única troponina não exclui síndrome coronariana quando a dor é recente: a curva precisa de tempo, e os protocolos de troponina ultrassensível trabalham com dosagem seriada em 1 ou 3 horas para descartar com segurança. Liberar com uma só dosagem é justamente o erro que gera infarto perdido em pronto-socorro, sobretudo em mulher com dor atípica. Heparina plena empírica em paciente sem evidência de isquemia expõe a sangramento sem ganho. E teste provocativo antes de descartar evento agudo é sequência invertida — funcional só entra depois de excluída a síndrome aguda.
Homem de 62 anos, hipertenso e diabético, chega ao pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 2 horas, em repouso, com irradiação para mandíbula. PA 148x88 mmHg, FC 92 bpm, sem congestão. ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4-V6 e DI. Troponina ultrassensível inicial acima do percentil 99. Qual o diagnóstico?
A combinação de quadro clínico compatível com isquemia, alteração dinâmica de ST e troponina elevada acima do percentil 99 define infarto sem supradesnível de ST. Angina instável é o diagnóstico quando há sintoma isquêmico em repouso mas a troponina permanece normal em curva seriada — com a troponina alta, esse rótulo não cabe mais e o prognóstico muda. Não há supradesnível, portanto não há indicação de reperfusão imediata por fibrinólise. Pericardite cursa com supra difuso côncavo e infra de PR, não com infra localizado em parede lateral.
Homem de 70 anos com infarto sem supradesnível de ST, GRACE de 165, troponina em ascensão, dor recorrente apesar de nitrato e betabloqueador, sem instabilidade hemodinâmica. Qual a estratégia mais adequada quanto ao momento da coronariografia?
Dor recorrente apesar de nitrato e betabloqueador caracteriza isquemia recorrente ou refratária ao tratamento médico, um critério de muito alto risco nas diretrizes de síndrome coronariana aguda. Nessa situação, recomenda-se estratégia invasiva imediata, tão logo possível. GRACE acima de 140, elevação dinâmica de troponina e alterações dinâmicas do ST sustentariam uma estratégia invasiva precoce se não houvesse um critério de muito alto risco; aqui, a dor persistente apesar do tratamento muda a prioridade. Fibrinólise não é indicada no infarto sem supradesnível de ST. A versão anterior marcou até 24 horas e acrescentou, sem apoio no enunciado, que a dor recorrente respondia ao tratamento. Fontes: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37622654/ ; https://www.escardio.org/Guidelines/Clinical-Practice-Guidelines/Acute-Coronary-Syndromes-ACS-Guidelines
Paciente de 67 anos com infarto sem supradesnível de ST tem hemoglobina de 9,2 g/dL, clearance de creatinina de 28 mL/min e antecedente de sangramento digestivo. Qual cuidado é prioritário na prescrição antitrombótica?
Anemia, disfunção renal avançada e sangramento prévio compõem risco hemorrágico alto, e a resposta correta é individualizar: ajustar dose de anticoagulante parenteral à função renal, preferir o antiplaquetário de menor risco de sangramento, associar inibidor de bomba de prótons e planejar acesso radial. Suspender toda antiagregação deixa o paciente exposto a trombose e não é conduta. Dose plena para todos ignora o dado que a questão oferece. E transfusão liberal em síndrome coronariana não melhora desfecho, com alvo restritivo sendo a prática atual.
Paciente de 65 anos internado com infarto sem supradesnível de ST, aguardando cateterismo em 24 horas. Já recebeu ácido acetilsalicílico. Qual esquema antitrombótico complementar é o mais apropriado?
Na síndrome coronariana aguda sem supradesnível do ST, anticoagulação parenteral deve acompanhar o tratamento antiagregante. Quando a angiografia precoce está planejada e a anatomia ainda é desconhecida, as diretrizes contemporâneas não recomendam pré-tratamento rotineiro com inibidor de P2Y12; a carga é decidida após conhecer a anatomia e confirmar a estratégia de intervenção, ponderando sangramento e eventual cirurgia. Fibrinólise não tem indicação na SCA sem supra, varfarina não trata o evento agudo e AAS isolado deixa o componente anticoagulante sem tratamento. Fonte: ESC Guidelines for Acute Coronary Syndromes, 2023.
Homem de 66 anos recebe alta após infarto sem supradesnível de ST tratado com angioplastia e implante de stent farmacológico. Fração de ejeção 45%, diabético, sem sangramento. Qual conjunto de medicações deve compor a prescrição de alta?
A prescrição pós-infarto reúne dupla antiagregação por cerca de doze meses, estatina de alta potência independentemente do nível basal de colesterol, betabloqueador e bloqueio do sistema renina-angiotensina, este último ainda mais indicado com disfunção ventricular e diabetes. Reduzir para monoterapia antiplaquetária logo após implante de stent expõe a trombose de stent e é o erro mais perigoso da lista. Antiarrítmico profilático não reduz mortalidade e pode aumentá-la. Anticoagulante oral entra apenas se houver indicação própria, como fibrilação atrial.
Homem de 59 anos com dor torácica em repouso e ECG inicial normal. A troponina ultrassensível colhida na admissão está discretamente elevada e, na dosagem de 1 hora, apresenta variação absoluta expressiva em relação à primeira. Qual a interpretação?
O que separa injúria aguda de crônica é a variação da troponina entre duas dosagens: elevação com delta significativo indica processo agudo e, em contexto clínico de isquemia, fecha infarto mesmo com ECG normal — uma parcela relevante dos infartos sem supra tem eletrocardiograma inicial sem alterações. Elevação estável, sem delta, é o padrão da doença renal crônica ou da cardiopatia estrutural. Descartar o resultado porque o traçado é normal é justamente o raciocínio que perde infarto no pronto-socorro.
Homem de 54 anos apresenta episódios de dor precordial que, nas últimas duas semanas, passaram a ocorrer com esforços cada vez menores e, ontem, em repouso. ECG e troponina seriada normais. Qual o diagnóstico?
Angina que muda de padrão — surge em repouso, com esforço menor ou mais frequente — em paciente com troponina seriada normal é angina instável, entidade que hoje representa parcela menor das síndromes agudas justamente porque a troponina ultrassensível reclassifica muitos casos como infarto. Chamar de infarto sem supra exige marcador alterado, e essa é a confusão mais comum. Estabilidade pressupõe padrão inalterado por meses. E atribuir causa musculoesquelética a uma dor que progride em intensidade e limiar é subestimar um quadro que ainda merece estratificação.
Paciente com infarto sem supradesnível de ST tem coronariografia mostrando lesão de tronco de coronária esquerda de 70% e doença triarterial, com diabetes e fração de ejeção de 40%. Qual a estratégia de revascularização preferencial?
Doença multiarterial complexa com acometimento de tronco em paciente diabético e com disfunção ventricular é o cenário em que a cirurgia supera a angioplastia em sobrevida e necessidade de nova revascularização — anatomia complexa e diabetes são os dois marcadores que mais pesam a favor do bisturi. Tratar só o tronco por via percutânea deixa isquemia residual em território extenso. Tratamento clínico isolado é insuficiente diante de lesão de tronco. E transplante não se cogita em paciente com miocárdio viável e revascularizável.
Qual afirmação sobre a estratégia conservadora inicial na síndrome coronariana sem supradesnível de ST está correta?
A estratégia conservadora reserva-se ao risco baixo, com troponina negativa e sem alterações dinâmicas, e não significa alta sem investigação: o paciente deve realizar teste funcional ou anatômico não invasivo antes ou logo após a alta, com cateterismo se houver isquemia significativa. Idade avançada isoladamente não justifica conduta conservadora, e o paciente com GRACE alto pertence à faixa invasiva. Suspender antiagregação sem indicação expõe a novos eventos isquêmicos.
Qual escore é utilizado para estimar o risco de sangramento em pacientes com síndrome coronariana aguda?
O CRUSADE estima o risco hemorrágico usando hematócrito, clearance de creatinina, frequência cardíaca, sexo, sinais de insuficiência cardíaca, doença vascular prévia, diabetes e pressão sistólica, orientando ajuste de doses e escolha do acesso vascular. GRACE e TIMI medem risco isquêmico, e confundir um com o outro leva a decisões erradas em ambas as direções. O escore de risco cardioembólico serve à fibrilação atrial, e a classificação de Killip descreve a apresentação clínica do infarto.
Segundo a diretriz ESC 2023 para síndrome coronariana aguda, qual situação é a mais compatível com uma estratégia invasiva precoce, idealmente em menos de 24 horas, em vez de uma estratégia invasiva imediata?
No paciente estável com NSTE-ACS de alto risco, como infarto confirmado por troponina associado a alterações dinâmicas de ST, uma estratégia invasiva precoce, idealmente em menos de 24 horas, deve ser considerada. A recomendação ESC 2023 não torna esse prazo obrigatório para todo paciente estável. Choque cardiogênico, instabilidade arrítmica e angina refratária configuram muito alto risco e indicam estratégia invasiva imediata; após parada ressuscitada, a decisão depende do contexto clínico e neurológico. Fonte: 2023 ESC Guidelines for the management of acute coronary syndromes, PMID 37622654.
Qual dos critérios abaixo classifica um paciente com síndrome coronariana sem supradesnível como de risco MUITO ALTO, com indicação de coronariografia em até 2 horas?
Risco muito alto reúne instabilidade hemodinâmica, choque, angina refratária ou recorrente apesar de tratamento, arritmia ventricular grave, parada cardíaca ressuscitada, insuficiência cardíaca aguda relacionada à isquemia e alteração dinâmica e recorrente de ST — todos indicam abordagem em até 2 horas. Troponina elevada, GRACE acima de 140 e alterações dinâmicas de ST caracterizam risco alto, com janela de 24 horas, e é aí que mora a confusão. Idade e diabetes pesam nos escores, mas isoladamente não definem urgência.
Paciente com infarto sem supradesnível de ST de alto risco tem coronariografia programada. Qual via de acesso vascular é preferencial?
O acesso radial reduz sangramento no sítio de punção, complicações vasculares e, em populações de síndrome coronariana aguda, mortalidade, tendo se tornado a via preferencial. A femoral segue necessária em situações específicas, como necessidade de dispositivos de suporte circulatório ou impossibilidade anatômica, mas não é a escolha padrão. Sangramento pós-procedimento não é evento cosmético: associa-se a transfusão, suspensão de antitrombóticos e pior prognóstico.
Homem de 60 anos com infarto sem supradesnível de ST apresenta, durante a observação, taquicardia ventricular sustentada com instabilidade. Após a reversão, qual a conduta?
Arritmia ventricular com instabilidade em vigência de síndrome coronariana aguda indica isquemia ativa e coloca o paciente na faixa de abordagem imediata, porque a melhor terapia antiarrítmica nesse cenário é abrir a artéria. Antiarrítmico isolado trata o sintoma elétrico e deixa a causa. Implante de desfibrilador não se decide na fase aguda, quando a arritmia é atribuível à isquemia reversível, e sim após reavaliação com o paciente revascularizado e otimizado.
Homem de 69 anos chega com dor precordial em repouso há 4 horas, PA 138x86 mmHg, ECG com infradesnivelamento de ST de 2 mm em seis derivações e supradesnivelamento em aVR. Troponina elevada. Qual a hipótese anatômica mais provável?
Infradesnivelamento difuso associado a supradesnível em aVR traduz isquemia subendocárdica global e sugere obstrução de tronco de coronária esquerda ou doença triarterial grave, cenário de altíssimo risco que indica coronariografia precoce e frequentemente revascularização cirúrgica. Interpretar como pericardite é o erro mais perigoso, já que nessa condição o supra é difuso e côncavo, com infra de PR, e o tratamento seria oposto. Oclusão de um único vaso raramente produz alteração tão difusa.
Paciente de 71 anos com infarto sem supradesnível de ST de alto risco apresenta insuficiência cardíaca aguda com congestão pulmonar atribuível à isquemia. Qual a conduta quanto ao momento do cateterismo?
Insuficiência cardíaca aguda ou edema pulmonar atribuídos à isquemia colocam o paciente na faixa de risco muito alto, cuja recomendação é abordagem invasiva imediata, sem aguardar a compensação — tentar estabilizar antes é o erro que a questão testa, porque a causa da descompensação é justamente a isquemia em curso. Estratégia conservadora se reserva ao risco baixo. Fibrinólise permanece contraindicada na síndrome sem supradesnível, independentemente da gravidade.
Homem de 40 anos com dor torácica e elevação de troponina tem coronárias normais. Qual conjunto de hipóteses deve ser considerado?
Troponina é marcador de lesão miocárdica, não de obstrução coronariana, e eleva-se em miocardite, Takotsubo, embolia pulmonar, sepse, taquiarritmias, insuficiência renal e desequilíbrio entre oferta e demanda, entre outras causas. Restringir a miocardite engana quem acerta a hipótese mais provável no jovem com pródromo viral, mas empobrece o raciocínio diante de outras apresentações. Atribuir a erro laboratorial ignora a especificidade do marcador para lesão do miocárdio. Doenças pericárdicas isoladas não elevam troponina, salvo quando há acometimento miocárdico. Valvopatias degenerativas não são a explicação usual.
Qual conduta é correta em relação ao uso de nitrato em paciente com dor torácica que usou inibidor da fosfodiesterase-5 nas últimas 24 horas?
A associação de nitrato com inibidor da fosfodiesterase-5 pode causar hipotensão refratária, e o nitrato é contraindicado por 24 horas após sildenafila ou vardenafila e por 48 horas após tadalafila. Perguntar sobre esse uso é parte obrigatória da anamnese na dor torácica, e a omissão dessa pergunta é o erro que produz o evento adverso.
Qual é a base do tratamento inicial da síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST em paciente de alto risco?
No alto risco — elevação de troponina, alterações dinâmicas de ST, escore GRACE elevado — indica-se estratégia invasiva precoce, em até 24 horas, associada a antiagregação dupla e anticoagulação. A fibrinólise não tem papel na síndrome sem supradesnivelamento e chega a ser deletéria, sendo o distrator que confunde os dois cenários da síndrome coronariana aguda.
Sobre a antiagregação plaquetária na síndrome coronariana aguda sem supradesnível de ST, qual afirmativa é correta?
A dupla antiagregação é padrão, e a escolha do segundo agente e o momento da administração dependem do balanço entre risco isquêmico e hemorrágico, além da probabilidade de revascularização cirúrgica, situação em que a administração precoce pode obrigar a adiar a operação. Restringir-se ao ácido acetilsalicílico é subtratamento. A idade aumenta o risco hemorrágico e influencia a escolha da droga, mas não contraindica a estratégia, e a antiagregação é mantida por meses após o implante de stent, e não suspensa logo depois.
Paciente com síndrome coronariana aguda sem supradesnível de ST, de baixo risco, com troponina seriada negativa e eletrocardiograma sem alterações. Qual é a conduta?
No paciente de baixo risco com marcadores negativos e traçado normal, a estratégia é a investigação não invasiva, com teste funcional ou angiotomografia de coronárias conforme a probabilidade pré-teste e a disponibilidade, definindo seguimento ambulatorial. Coronariografia para todos expõe a risco e custo sem benefício. Alta sem qualquer investigação deixa passar doença coronariana significativa, e manter dupla antiagregação prolongada sem diagnóstico estabelecido acrescenta risco de sangramento sem indicação.
Mulher de 64 anos, diabética, apresenta dor torácica em repouso há 6 horas, eletrocardiograma com infradesnível de ST de 1,5 mm em V4 a V6 e troponina de alta sensibilidade elevada com variação na curva. Está estável e sem dor no momento. Qual é a classificação e a conduta?
Infradesnível de ST com elevação e variação da troponina define infarto sem supradesnível, classificado como de alto risco, cuja conduta é estratégia invasiva precoce, tipicamente em até 24 horas, além de antiagregação, anticoagulação e terapia anti-isquêmica. Trombólise não está indicada nesse grupo e chega a ser prejudicial, sendo o distrator mais perigoso. Angina estável não cursa com dor em repouso e troponina alterada, e pericardite produziria supradesnível difuso com concavidade superior e infradesnível de PR.
Qual achado indica necessidade de estratégia invasiva imediata, em menos de 2 horas, em paciente com síndrome coronariana aguda sem supradesnível de ST?
Instabilidade hemodinâmica ou elétrica, angina refratária, insuficiência cardíaca aguda e alterações dinâmicas do segmento ST caracterizam risco muito alto e indicam coronariografia imediata, comportando-se de forma semelhante ao infarto com supradesnível em termos de urgência. Risco intermediário, idade e diabetes influenciam o escore e o momento da estratégia invasiva, mas não justificam abordagem em menos de duas horas. Paciente com eletrocardiograma normal e troponina negativa segue vias de estratificação, não de intervenção imediata.
Após alta por síndrome coronariana aguda, qual conjunto de medidas compõe a prevenção secundária?
A prevenção secundária combina terapia antitrombótica, estatina de alta potência com metas agressivas de colesterol, controle de pressão e glicemia, cessação do tabagismo, atividade física estruturada em programa de reabilitação, que reduz mortalidade e reinternação, e estratégias que sustentem a adesão. Suspender a estatina ao atingir a meta é erro conceitual, já que seu benefício é contínuo e vai além do valor lipídico. O uso intermitente de antiagregante não protege, e a reabilitação é recomendada, e não contraindicada.
Paciente de 70 anos com dor torácica e troponina de alta sensibilidade elevada, sem variação significativa em duas dosagens, com eletrocardiograma sem alterações isquêmicas e função renal reduzida. Qual é a interpretação?
A troponina indica lesão miocárdica, não necessariamente isquêmica ou aguda: valores cronicamente elevados aparecem em doença renal crônica, insuficiência cardíaca, hipertrofia, sepse, embolia pulmonar e miocardite, e o que caracteriza o evento agudo é a variação significativa entre dosagens seriadas no contexto clínico compatível. Tratar todo valor elevado como infarto leva a intervenções desnecessárias, e descartá-lo como falso-positivo ignora que ele carrega valor prognóstico próprio, mesmo sem doença coronariana aguda.
Qual é a principal diferença fisiopatológica entre o infarto com supradesnível e o sem supradesnível de ST?
A oclusão total e persistente da coronária produz isquemia transmural e supradesnível, exigindo reperfusão imediata, enquanto a suboclusão ou a oclusão com circulação colateral gera isquemia predominantemente subendocárdica, com infradesnível ou alterações de onda T. Há trombo nos dois cenários, com composição e grau de oclusão distintos. A troponina é marcador de necrose e não define a estratégia de reperfusão. A mortalidade hospitalar tende a ser maior no infarto com supradesnível, mas em um ano os desfechos se aproximam, sobretudo em pacientes mais idosos e com mais comorbidades.
Homem de 58 anos com dor torácica em repouso, eletrocardiograma com inversão profunda e simétrica de onda T em V2 a V4 e troponina negativa. Qual é a implicação desse padrão eletrocardiográfico?
O padrão de ondas T profundas e simétricas nas derivações precordiais anteriores, descrito na síndrome de Wellens, associa-se a estenose crítica proximal da descendente anterior e costuma aparecer em período livre de dor com troponina normal ou pouco alterada, o que torna a alta e o teste ergométrico especialmente perigosos, pelo risco de infarto anterior extenso. Confundi-lo com repolarização precoce ou considerar segura a alta por troponina negativa é justamente o erro que a síndrome ilustra na literatura.
Qual medicamento deve ser evitado em paciente com síndrome coronariana aguda e sinais de insuficiência cardíaca aguda com hipotensão?
O betabloqueador endovenoso na fase aguda está associado a maior risco de choque cardiogênico em pacientes com sinais de insuficiência cardíaca, hipotensão, bradicardia ou baixo débito, e deve ser postergado até a estabilização. Antiagregante, estatina e anticoagulante permanecem indicados conforme protocolo. O oxigênio deve ser ofertado apenas quando há hipoxemia, pois a hiperóxia em paciente com saturação normal não traz benefício e pode ser prejudicial, mas em paciente hipoxêmico sua indicação não é questionada.
Qual escore é utilizado para estratificação de risco isquêmico em pacientes com síndrome coronariana aguda sem supradesnível de ST?
O escore GRACE estima mortalidade hospitalar e em seis meses a partir de idade, frequência cardíaca, pressão, creatinina, classe de Killip, parada na admissão, desvio de ST e elevação de marcadores, orientando o momento da estratégia invasiva. O escore de Wells avalia probabilidade de tromboembolismo, o CURB-65 estratifica pneumonia comunitária, o de Ranson prediz gravidade em pancreatite e o de Alvarado apoia o diagnóstico de apendicite: cada um pertence a um cenário distinto, e trocá-los revela memorização sem vínculo com a doença.
Homem de 71 anos, no segundo dia de pós-operatório de cirurgia vascular, apresenta hipotensão e dispneia, sem dor torácica. Ao exame, pressão arterial de 92 x 58 mmHg, frequência cardíaca de 108 bpm, frequência respiratória de 26 irpm, estertores bibasais, turgência jugular e saturação de 91% em ar ambiente. O eletrocardiograma mostra infradesnivelamento do segmento ST em parede anterior e a troponina está elevada e em ascensão em dosagens seriadas. Não há sinais de sangramento ativo. A interpretação e a conduta corretas são:
O infarto perioperatório frequentemente ocorre nas primeiras 48 horas e costuma ser silencioso ou atípico, pela analgesia e pela sedação, sendo detectado por alterações eletrocardiográficas e elevação de troponina em ascensão; o manejo exige avaliação cardiológica e terapia antitrombótica ponderada, equilibrando o risco isquêmico e o risco de sangramento da cirurgia recente. Excluir o diagnóstico pela ausência de dor é erro clássico. Anticoagular e antiagregar sem ponderar o risco hemorrágico pode ser desastroso. Atribuir tudo à dor ignora achados objetivos de isquemia.
Homem de 59 anos, tabagista de 30 anos-maço, hipertenso e dislipidêmico, procura a Unidade de Pronto Atendimento com dor torácica opressiva iniciada há três horas, em repouso, com duração de 25 minutos e alívio espontâneo, seguida de novo episódio de menor intensidade. Ao exame: PA 142x88 mmHg, FC 88 bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, sem estase jugular ou edema, saturação 97%. Eletrocardiograma mostra infradesnivelamento do segmento ST de 1,5 mm em derivações V4 a V6, sem supradesnivelamento. Troponina de alta sensibilidade elevada. A conduta correta é:
Dor em repouso com infradesnivelamento do segmento ST e troponina elevada configura síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento, cuja conduta é internação em unidade monitorizada, antiagregação, anticoagulação, terapia antianginosa e estratificação de risco para definir o momento da coronariografia. Liberar o paciente ignora um infarto em curso, com alto risco de evolução. Trombólise não é indicada nesse subtipo, sendo reservada ao infarto com supradesnivelamento sem acesso oportuno à angioplastia. Teste ergométrico é contraindicado na fase aguda instável.
Homem de 58 anos, hipertenso e diabético, é atendido na Unidade de Pronto Atendimento com dor torácica em queimação há oito horas, intermitente, sem irradiação. Ele já procurou atendimento duas vezes na última semana por queixa semelhante. Ao exame: PA 136x84 mmHg, FC 82 bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações, sem estase jugular, saturação 97%, extremidades bem perfundidas. Eletrocardiograma inicial sem alterações isquêmicas e troponina de alta sensibilidade dentro da normalidade na primeira coleta. Ele está assintomático no momento da avaliação. A conduta correta é:
Dor torácica com fatores de risco e episódios recorrentes exige avaliação seriada de eletrocardiograma e troponina, associada a escore de risco, pois um único conjunto normal não exclui síndrome coronariana aguda, sobretudo em apresentações precoces ou intermitentes. Liberar o paciente após uma única coleta é erro frequente com risco de evento grave. Trombólise sem critérios eletrocardiográficos é inadequada e perigosa. Teste ergométrico na fase aguda, antes de excluir instabilidade, é contraindicado por risco de precipitar evento isquêmico.
Homem de 64 anos, com hipertensão e diabetes, é atendido no pronto-socorro com dor torácica prolongada e dispneia há cinco horas. Ao exame: PA 122x76 mmHg, FC 96 bpm, estertores em bases pulmonares, terceira bulha, saturação 94%, sem hipotensão ou hipoperfusão. Eletrocardiograma com infradesnivelamento do segmento ST de 2 mm em seis derivações e supradesnivelamento em aVR. Troponina elevada em curva ascendente. Exames: creatinina 1,2 mg/dL, hemoglobina 13,8 g/dL, potássio 4,2 mEq/L. A interpretação e a conduta corretas são:
Infradesnivelamento difuso do segmento ST com supradesnivelamento em aVR, associado a elevação de troponina e sinais de congestão, sugere isquemia extensa por lesão de tronco de coronária esquerda ou doença multiarterial grave, indicando internação monitorizada e estratégia invasiva precoce. Pericardite produz supradesnivelamento côncavo difuso com infradesnivelamento do segmento PR. Repolarização precoce não cursa com elevação de troponina. Sobrecarga ventricular isolada não explica dor prolongada com marcadores em ascensão.
Homem de 60 anos, com hipertensão, é atendido no pronto-socorro com dor torácica atípica e ansiedade. Ao exame: PA 148x92 mmHg, FC 96 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alterações, saturação 98%, sem sinais de congestão ou hipoperfusão. Eletrocardiograma sem alterações isquêmicas. Duas troponinas de alta sensibilidade colhidas com intervalo adequado permanecem normais, e o escore de risco aplicado indica baixo risco. Ele está assintomático após analgesia simples. Não há critérios de instabilidade nem alterações dinâmicas do traçado eletrocardiográfico durante a observação. A conduta correta é:
Paciente com eletrocardiograma sem alterações, troponinas seriadas normais e escore de baixo risco pode receber alta com orientação clara de sinais de alarme e programação de avaliação ambulatorial, estratégia segura e que evita internações desnecessárias. Internar todos os casos de baixo risco sobrecarrega o sistema sem benefício. Cateterismo universal é invasivo e injustificado. Antiagregação dupla e anticoagulação sem síndrome coronariana documentada expõem o paciente a sangramento sem qualquer indicação.
Homem de 68 anos, com hipertensão e diabetes, é atendido no pronto-socorro com dor torácica e dispneia há quatro horas. Ao exame: PA 138x84 mmHg, FC 88 bpm, ausculta cardiopulmonar sem alterações importantes, saturação 96%, sem sinais de congestão significativa. Eletrocardiograma sem supradesnivelamento, com infradesnivelamento discreto em derivações laterais. Troponina de alta sensibilidade elevada com curva ascendente. Ele apresenta escore de risco alto e persistência de dor apesar da terapia inicial otimizada com antiagregação, anticoagulação e antianginosos. A conduta correta é:
Síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento com alto risco e sintomas refratários ao tratamento clínico otimizado tem indicação de estratégia invasiva precoce, com coronariografia nas primeiras horas, o que reduz eventos isquêmicos recorrentes. Programar coronariografia eletiva para meses adiante mantém o paciente sob risco elevado. Trombolítico não é indicado nesse subtipo e aumenta o risco hemorrágico sem benefício. Liberar o paciente com dor refratária e troponina em ascensão é conduta potencialmente fatal.
Homem de 66 anos, em hemodiálise há quatro anos, é atendido em ambulatório com queixa de dor torácica ao esforço. Ele tem diabetes e hipertensão. Ao exame: PA 148x88 mmHg pré-diálise, FC 78 bpm, sopro sistólico discreto em foco aórtico, sem estase jugular, sem edema importante. Exames: hemoglobina 10,8 g/dL, potássio 5,0 mEq/L, cálcio e fósforo com produto elevado, troponina discretamente elevada e estável em coletas seriadas, sem curva ascendente, eletrocardiograma sem alterações isquêmicas agudas. A interpretação e a conduta corretas são:
Pacientes em diálise frequentemente apresentam troponina cronicamente elevada por lesão miocárdica crônica e menor depuração, de modo que a interpretação deve valorizar a variação seriada, ausente neste caso, com investigação eletiva de doença coronariana conforme a clínica. Trombolisar com base em valor elevado estável é conduta perigosa. Ignorar a dor torácica em paciente de altíssimo risco cardiovascular é inadequado. Suspender a diálise expõe a uremia, hipercalemia e sobrecarga volêmica graves.
Mulher, 67 anos, hipertensa e dislipidêmica, com dor torácica em repouso há 6 horas, já cessada. PA 142/86 mmHg, FC 84 bpm, SatO2 97%. ECG com infradesnivelamento de ST de 1 mm em V4–V6, sem supradesnivelamento. Troponina ultrassensível 180 ng/L (VR < 14) na admissão e 340 ng/L na segunda dosagem. Escore GRACE calculado em 152 pontos. Encontra-se estável hemodinamicamente e sem dor no momento. Qual o momento indicado para a estratégia invasiva?
O escore GRACE acima de 140 com curva de troponina ascendente define risco alto, cuja recomendação é coronariografia precoce, em até 24 horas da admissão. A abordagem imediata em até 2 horas é reservada ao risco muito alto — instabilidade hemodinâmica, angina refratária, arritmia ventricular ou insuficiência cardíaca aguda —, situações ausentes nesta paciente estável e sem dor. A janela de 25 a 72 horas corresponde ao risco intermediário, incompatível com GRACE de 152. A estratégia conservadora com teste funcional é opção do risco baixo, sem elevação de troponina. A coronariografia eletiva em 30 dias ignora a definição de infarto sem supra em curso e expõe a paciente a evento recorrente.
Homem, 55 anos, submetido a angioplastia com stent farmacológico por infarto sem supradesnivelamento de ST há 2 dias. Não tem histórico de sangramento, acidente vascular cerebral ou anticoagulação prévia. Função renal normal (creatinina 0,9 mg/dL; VR 0,7–1,3). Recebe alta com ácido acetilsalicílico, estatina de alta potência, betabloqueador e inibidor da enzima conversora. Sobre o segundo antiagregante, assinale a alternativa correta.
Nas síndromes coronarianas agudas tratadas com angioplastia, os inibidores potentes do P2Y12 — ticagrelor ou prasugrel — reduzem eventos isquêmicos em comparação ao clopidogrel, e a duração padrão da dupla antiagregação é de 12 meses em paciente sem alto risco hemorrágico. Preferir clopidogrel pela segurança hemorrágica é conduta de paciente com risco de sangramento elevado, o que não se aplica aqui. Afirmar que o prasugrel é seguro em qualquer idade ignora sua contraindicação após acidente vascular cerebral prévio e a cautela acima de 75 anos ou abaixo de 60 kg. Trocar por clopidogrel em 30 dias é estratégia de desescalonamento, não a regra inicial. Dispensar o segundo antiagregante após stent expõe a trombose aguda, complicação de alta letalidade.
Homem, 72 anos, com fibrilação atrial em uso de apixabana e CHA2DS2-VASc de 4, foi submetido a angioplastia com stent farmacológico por infarto sem supradesnivelamento de ST. PA 128/78 mmHg, FC 72 bpm. Escore HAS-BLED de 3, sem sangramento ativo. Creatinina 1,2 mg/dL (VR 0,7–1,3); hemoglobina 13,0 g/dL (VR 13–17). Recebe alta hospitalar no terceiro dia. Qual a estratégia antitrombótica de alta mais adequada?
Após angioplastia em paciente com fibrilação atrial que exige anticoagulação, a estratégia atual é a terapia dupla — anticoagulante oral direto associado a clopidogrel —, com suspensão precoce do ácido acetilsalicílico, o que reduz sangramentos sem aumento significativo de eventos isquêmicos. Manter a terapia tripla por 12 meses eleva muito o risco hemorrágico, sendo hoje restrita a poucos dias ou semanas em alto risco isquêmico. Suspender a anticoagulação deixa o paciente com CHA2DS2-VASc de 4 desprotegido contra cardioembolia. Trocar por varfarina com ticagrelor é combinação de maior risco hemorrágico e não é recomendada. O ácido acetilsalicílico em monoterapia não previne nem trombose de stent nem embolia de origem atrial.
Mulher, 66 anos, diabética, procura o pronto-socorro por náuseas, sudorese e cansaço extremo iniciados há 3 horas, sem dor torácica típica. PA 118/74 mmHg, FC 96 bpm, FR 22 ipm. ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em V4–V6 e DII. Troponina ultrassensível 210 ng/L (VR < 14), com segunda dosagem de 480 ng/L. Glicemia capilar 268 mg/dL. Qual a interpretação e conduta corretas?
Equivalentes anginosos como náuseas, sudorese e fadiga são apresentação frequente de síndrome coronariana aguda em mulheres e diabéticos, e a curva ascendente de troponina com infradesnivelamento de ST confirma infarto sem supradesnivelamento, indicando internação e estratégia invasiva conforme risco. Atribuir tudo à crise hiperglicêmica ignora as alterações eletrocardiográficas e a curva enzimática. Afirmar que a ausência de dor típica afasta o diagnóstico é justamente o erro que retarda o atendimento nesse grupo. Creditar a troponina à hiperglicemia desconsidera o padrão dinâmico com alteração isquêmica no ECG. O teste ergométrico é contraindicado na fase aguda da síndrome coronariana.
Homem, 66 anos, com três episódios de dor precordial em repouso nas últimas 24 horas, o último há 1 hora, cada um com duração de 15 minutos. PA 138/84 mmHg, FC 82 bpm. Durante a dor, ECG mostrou infradesnivelamento dinâmico de ST de 2 mm em V4–V6, normalizado com o alívio. Troponina ultrassensível 9 e 11 ng/L (VR < 14) em duas dosagens com 3 horas de intervalo. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor isquêmica em repouso com alteração dinâmica de ST e troponina seriada normal define angina instável, isto é, isquemia sem necrose miocárdica detectável. O infarto sem supradesnivelamento exigiria elevação e curva de troponina, ausentes nas duas dosagens. A pericardite produz supradesnivelamento côncavo difuso com dor pleurítica e posicional, não infradesnivelamento dinâmico. A dor musculoesquelética não se acompanha de alteração eletrocardiográfica coincidente com o sintoma. O espasmo esofágico pode simular angina, mas não gera infradesnivelamento de ST reversível sincronizado com a dor.
Homem, 48 anos, com dor torácica atípica iniciada há 5 horas, sem fatores de risco além de tabagismo leve. PA 128/78 mmHg, FC 74 bpm, exame físico normal. ECG sem alterações isquêmicas em dois traçados. Troponina ultrassensível na admissão de 3 ng/L (VR < 14) e após 1 hora de 4 ng/L, sem variação significativa. Escore HEART calculado em 2 pontos. Qual a conduta mais adequada?
Escore HEART baixo com ECG não isquêmico e algoritmo de troponina ultrassensível em 0 e 1 hora sem elevação nem variação permite descartar síndrome coronariana aguda e liberar o paciente com seguimento ambulatorial. A internação em unidade coronariana é desperdício de recurso em paciente já classificado como de risco muito baixo. A coronariografia invasiva não se justifica sem evidência de isquemia. A trombólise empírica é inaceitável sem supradesnivelamento de ST. Iniciar dupla antiagregação com anticoagulação expõe a sangramento sem diagnóstico de síndrome coronariana.
Mulher, 76 anos, internada por sepse de foco urinário, apresenta troponina ultrassensível de 68 ng/L (VR < 14), sem dor torácica. PA 96/58 mmHg com noradrenalina em dose baixa, FC 112 bpm, T 38,9 °C. ECG mostra taquicardia sinusal sem alterações isquêmicas. Ecocardiograma sem alteração segmentar; creatinina 2,4 mg/dL (VR 0,6–1,1), lactato 3,0 mmol/L. Qual a interpretação mais adequada?
A troponina elevada sem dor torácica, sem alteração isquêmica no ECG e sem alteração segmentar ao ecocardiograma, em paciente séptico com disfunção renal, traduz lesão miocárdica secundária por demanda aumentada e depuração reduzida, e a conduta é tratar a causa de base. Falar em infarto com supradesnivelamento contraria um ECG sem supradesnivelamento. Indicar coronariografia de urgência expõe a paciente instável a risco sem evidência de oclusão. Considerar o resultado falso-positivo e ignorá-lo despreza o valor prognóstico da lesão miocárdica na sepse. A trombólise sistêmica é contraindicada e perigosa nesse contexto.
Homem, 55 anos, com episódios de dor precordial nos últimos 2 dias, agora assintomático no pronto-socorro. PA 132/80 mmHg, FC 76 bpm. ECG sem dor mostra ondas T bifásicas em V2 e V3, com progressão para inversão profunda e simétrica, sem ondas Q nem perda de progressão de R. Troponina ultrassensível discretamente elevada em 22 ng/L (VR < 14), sem curva ascendente expressiva. Qual a conduta mais adequada?
O padrão de ondas T bifásicas evoluindo para inversão profunda e simétrica em V2 e V3 no período livre de dor é a síndrome de Wellens, marcador de estenose crítica proximal da artéria descendente anterior, que exige internação e coronariografia, com contraindicação a testes provocativos pelo risco de infarto extenso. O teste ergométrico é justamente o que se deve evitar. A alta com retorno em 30 dias expõe o paciente a infarto anterior extenso iminente. O ecocardiograma de estresse compartilha o risco do estímulo isquêmico. A trombólise não está indicada sem supradesnivelamento de ST ou oclusão aguda documentada.
Mulher, 88 anos, com demência moderada e fragilidade, é levada por confusão e prostração há 12 horas, sem queixa de dor. PA 104/62 mmHg, FC 96 bpm, FR 24 ipm, SatO2 93%. ECG mostra infradesnivelamento de ST de 2 mm em parede anterolateral. Troponina ultrassensível 320 ng/L com segunda dosagem de 610 ng/L (VR < 14). Sem sangramento ativo e função renal com creatinina de 1,4 mg/dL. Qual a conduta mais adequada?
A apresentação atípica com delirium é comum no idoso, e a curva de troponina com infradesnivelamento define síndrome coronariana aguda, devendo-se tratar clinicamente e individualizar a estratégia invasiva conforme fragilidade, comorbidades e preferências do paciente e da família. Não investigar nem tratar apenas pela idade é discriminação etária, sem respaldo clínico. O teste ergométrico é contraindicado na fase aguda e inviável em paciente com demência e prostração. Indicar coronariografia de urgência sem considerar o contexto ignora o balanço de risco e benefício nessa faixa de fragilidade. Limitar-se a analgesia deixa sem tratamento uma condição de alta mortalidade.
Homem, 61 anos, admitido com infarto sem supradesnivelamento de ST, mantém dor torácica leve residual. PA 92/58 mmHg, FC 108 bpm, FR 26 ipm, SatO2 93%. Ausculta com estertores em terços inferiores bilateralmente e terceira bulha; extremidades levemente frias. Killip II a III. Troponina em curva ascendente. A equipe considera introduzir betabloqueador ainda nas primeiras horas. Assinale a alternativa correta sobre essa decisão.
Na presença de sinais de insuficiência cardíaca, hipotensão, taquicardia e sinais de baixo débito, a introdução do betabloqueador deve ser adiada até a estabilização, pelo risco de precipitar choque cardiogênico. Administrá-lo por via endovenosa a todos os pacientes reproduz prática abandonada, associada a mais choque. A afirmação de que o benefício só existe por via endovenosa precoce é falsa, pois o ganho consolidado vem do uso oral após estabilização. Falar em contraindicação definitiva é excessivo, já que o fármaco deverá ser introduzido assim que houver compensação. O verapamil é inotrópico negativo e inadequado nesse cenário.
Mulher, 76 anos, internada por hemorragia digestiva alta com hemoglobina de 6,2 g/dL (VR 12–16), apresenta dor torácica e dispneia. PA 92/56 mmHg, FC 122 bpm. ECG mostra infradesnivelamento de ST de 2 mm em parede anterolateral. Troponina ultrassensível sobe de 40 para 180 ng/L (VR < 14). Coronariografia posterior mostra apenas doença coronariana moderada, sem oclusão trombótica aguda. Qual o tipo de infarto, segundo a definição universal?
Elevação de troponina com sintomas e alterações isquêmicas em contexto de anemia grave e taquicardia, sem oclusão trombótica aguda, define infarto tipo 2, por desequilíbrio entre oferta e demanda. O tipo 1 exige evento aterotrombótico agudo com rotura ou erosão de placa. O tipo 3 corresponde à morte súbita com sinais de isquemia antes que os marcadores possam ser dosados. O tipo 4a se relaciona a intervenção coronariana percutânea. O tipo 5 se associa à cirurgia de revascularização miocárdica.
Homem, 64 anos, com angioplastia e stent farmacológico há 3 meses, em uso de ácido acetilsalicílico e clopidogrel com boa adesão, apresenta novo evento isquêmico com trombose subaguda do stent, confirmada por coronariografia. PA 124/76 mmHg, FC 76 bpm. Nega interrupção de medicação e não usa inibidor de bomba de prótons potente. Teste genético revela perda de função do citocromo CYP2C19. Qual a conduta mais adequada quanto à antiagregação?
A perda de função do CYP2C19 compromete a conversão do clopidogrel em metabólito ativo, e a substituição por ticagrelor ou prasugrel, que independem dessa via, é a conduta indicada após trombose de stent. Dobrar o ácido acetilsalicílico não corrige a inibição inadequada do receptor P2Y12. Trocar antiagregação por anticoagulação não previne trombose de stent, cujo mecanismo é plaquetário. O dipiridamol não tem papel nessa indicação. Reduzir a dose do clopidogrel agrava justamente o problema de baixa inibição plaquetária.
Homem, 70 anos, com doença coronariana conhecida, no segundo dia de pós-operatório de artroplastia de quadril, apresenta dispneia leve e hipotensão, sem dor torácica. PA 96/58 mmHg, FC 108 bpm, SatO2 93%. ECG mostra infradesnivelamento de ST de 1,5 mm em parede anterolateral, novo em relação ao pré-operatório. Troponina ultrassensível sobe de 25 para 310 ng/L (VR < 14). Hemoglobina 8,6 g/dL. Qual a conduta mais adequada?
O infarto perioperatório frequentemente cursa sem dor, sendo detectado por elevação de troponina com alterações eletrocardiográficas, e o manejo envolve corrigir precipitantes como anemia, taquicardia e hipotensão, iniciar terapia antitrombótica possível e avaliar estratégia invasiva ponderando o risco de sangramento cirúrgico. A trombólise é contraindicada em pós-operatório recente. Atribuir a elevação ao trauma cirúrgico ignora um evento de alta mortalidade. Suspender toda antiagregação e apenas observar deixa o evento isquêmico sem tratamento. O teste ergométrico é impraticável e contraindicado nesse cenário agudo.
Mulher, 86 anos, com infarto sem supradesnivelamento de ST, fragilidade importante, demência leve e dependência parcial. PA 118/70 mmHg, FC 84 bpm, sem angina no momento e sem insuficiência cardíaca. Troponina em curva ascendente, GRACE elevado. Creatinina 1,8 mg/dL (VR 0,6–1,1), hemoglobina 10,2 g/dL. A família deseja participar da decisão e pergunta sobre riscos e benefícios da abordagem invasiva. Qual a conduta mais adequada?
Em idoso frágil com síndrome coronariana aguda, a decisão deve ser compartilhada, ponderando benefício esperado da estratégia invasiva, risco de sangramento e de nefropatia, fragilidade e preferências, mantendo em qualquer cenário a terapia clínica otimizada. Indicar coronariografia sem discussão desrespeita a autonomia e ignora o balanço de riscos. Excluir a estratégia invasiva apenas pela idade é discriminação etária, já que idosos selecionados se beneficiam. Suspender a terapia antitrombótica por anemia leve sem sangramento aumenta o risco isquêmico. Encaminhar diretamente a cuidados exclusivamente paliativos é precipitado em paciente sem doença terminal.
Homem, 72 anos, com doença triarterial e comorbidades, foi submetido a angioplastia apenas do vaso culpado por infarto sem supradesnivelamento de ST, permanecendo com lesões significativas em outros dois vasos. PA 124/76 mmHg, FC 70 bpm, sem angina residual em repouso. Fração de ejeção de 45%. Encontra-se estável, em terapia clínica otimizada, aguardando definição sobre o restante do tratamento. Qual a conduta mais adequada quanto às lesões remanescentes?
Após infarto, a revascularização completa das lesões significativas remanescentes, guiada por avaliação funcional, reduz eventos em comparação ao tratamento apenas do vaso culpado, devendo ser programada conforme condição clínica. Afirmar que a revascularização completa nunca traz benefício contraria evidência consolidada. Repetir angioplastia do vaso já tratado não tem sentido sem reestenose documentada. O transplante cardíaco não tem indicação com fração de ejeção de 45% e doença revascularizável. Suspender a antiagregação após implante de stent expõe a trombose, complicação de alta letalidade.
Homem, 68 anos, em hemodiálise, apresenta angina progressiva há 2 meses, agora aos pequenos esforços. PA 148/86 mmHg, FC 74 bpm. Troponina basal cronicamente elevada, sem variação dinâmica recente. Ecocardiograma com hipertrofia ventricular esquerda e fração de ejeção de 48%. Cintilografia mostra isquemia moderada em parede anterior; hemoglobina 10,4 g/dL e fósforo elevado. Qual cuidado é fundamental na interpretação da troponina desse paciente?
Pacientes em diálise costumam ter troponina cronicamente elevada por lesão miocárdica subclínica e depuração reduzida, de modo que o diagnóstico de infarto exige variação dinâmica significativa entre dosagens seriadas, e não o valor absoluto. Considerar qualquer elevação como infarto gera excesso de diagnósticos e intervenções. Desconsiderar a troponina descarta um marcador com valor prognóstico e diagnóstico quando bem interpretado. A creatinoquinase total é menos sensível e específica. Restringir a interpretação ao período pós-diálise não corrige o problema, pois a elevação crônica persiste.
Homem, 62 anos, com infarto sem supradesnivelamento de ST, será submetido a coronariografia com possível angioplastia. PA 128/78 mmHg, FC 76 bpm. Está em uso de dupla antiagregação e anticoagulação parenteral. Teste de Allen sem alterações, com boa perfusão colateral da mão. Não há fístula arteriovenosa, cirurgia prévia em membro superior ou doença arterial periférica importante. Qual via de acesso é preferível e por quê?
O acesso radial reduz complicações vasculares locais, sangramentos maiores e mortalidade em síndromes coronarianas agudas, sendo a via preferencial quando há perfusão colateral adequada. Afirmar que a femoral é sempre tecnicamente mais simples ignora a curva de aprendizado e as complicações que ela acrescenta. O acesso braquial tem maior risco de complicações neurovasculares e não é rotina. A via femoral não reduz exposição à radiação de forma que justifique sua escolha. Reservar a radial apenas para quando a femoral estiver contraindicada inverte a hierarquia atual de preferência.
Homem, 66 anos, com infarto sem supradesnivelamento de ST, iniciou heparina não fracionada em bomba de infusão contínua. PA 128/78 mmHg, FC 76 bpm, sem sangramento. Peso de 82 kg, creatinina 1,6 mg/dL (VR 0,7–1,3), plaquetas de 210.000/mm³. A equipe deseja definir o método de monitorização adequado do efeito anticoagulante durante a infusão contínua. Qual exame deve ser utilizado para o ajuste da dose?
A heparina não fracionada em infusão contínua é monitorizada pelo tempo de tromboplastina parcial ativada ou pela atividade anti-Xa, com ajuste conforme protocolo baseado no peso. O tempo de protrombina com RNI monitoriza antagonistas da vitamina K. O tempo de sangramento é exame obsoleto e não avalia o efeito da heparina. A contagem de plaquetas é essencial para detectar trombocitopenia induzida por heparina, mas não serve para ajustar a dose. O dímero D não tem papel no ajuste da anticoagulação.
Mulher, 84 anos, com fibrilação atrial anticoagulada e infarto sem supradesnivelamento de ST, será submetida a coronariografia. PA 122/74 mmHg, FC 78 bpm. Hemoglobina 10,8 g/dL (VR 12–16), creatinina 1,6 mg/dL (VR 0,6–1,1), peso 52 kg. Escore de risco hemorrágico elevado, com antecedente de sangramento digestivo há 2 anos, tratado endoscopicamente e sem recidiva. Qual medida reduz o risco hemorrágico no procedimento?
A redução do risco hemorrágico em idosa frágil se apoia em acesso radial, ajuste das doses dos antitrombóticos ao peso e à função renal e proteção gástrica com inibidor de bomba de prótons, sobretudo com antecedente de sangramento digestivo. O acesso femoral com dose plena aumenta as complicações vasculares. Suspender toda antiagregação após o stent expõe a trombose. A terapia tripla prolongada por 12 meses eleva muito a hemorragia. A transfusão profilática sem anemia significativa nem sangramento ativo não reduz risco e acrescenta complicações.
Homem, 34 anos, corredor amador, completou maratona e procurou atendimento por desconforto torácico leve e fadiga intensa. PA 118/72 mmHg, FC 88 bpm, SatO2 98%. ECG sem alterações isquêmicas. Troponina ultrassensível 60 ng/L (VR < 14), com segunda dosagem de 52 ng/L após 3 horas. Creatinoquinase elevada, sem dor torácica típica e com ecocardiograma sem alteração segmentar. Qual a interpretação mais adequada?
Elevações discretas de troponina após esforço extremo são bem descritas em atletas, com curva estável ou descendente, ECG normal e ausência de alteração segmentar, configurando fenômeno benigno e autolimitado. O infarto tipo 1 exigiria curva ascendente com alterações eletrocardiográficas ou de imagem. A miocardite fulminante cursaria com disfunção ventricular grave e instabilidade hemodinâmica. O tromboembolismo maciço apresentaria hipoxemia, taquicardia importante e sobrecarga de câmaras direitas. A dissecção tipo A produziria dor lancinante, assimetria de pulsos e alterações à imagem aórtica.
Homem, 68 anos, no segundo dia de infarto sem supradesnivelamento de ST, recebeu metoprolol por via oral e evolui com hipotensão e bradicardia. PA 84/52 mmHg, FC 44 bpm, extremidades frias e enchimento capilar de 4 segundos. Não há sinais de congestão pulmonar e o ecocardiograma mostra fração de ejeção de 40%, sem complicações mecânicas ou derrame pericárdico. Qual a conduta inicial mais adequada?
Hipotensão com bradicardia e hipoperfusão após betabloqueador exige suspensão do fármaco, expansão volêmica cuidadosa e monitorização, considerando atropina ou vasopressor se não houver resposta. Aumentar a dose agrava o quadro. A nitroglicerina reduz ainda mais a pré-carga e a pressão. O diurético em dose alta piora a hipoperfusão em paciente sem congestão. A cardioversão elétrica não tem indicação, pois não há taquiarritmia a ser revertida.
Homem, 58 anos, com infecção respiratória viral há 6 semanas, apresenta dor precordial em repouso há 3 horas. PA 128/78 mmHg, FC 92 bpm, SatO2 96%. ECG mostra infradesnivelamento de ST de 2 mm em parede anterolateral. Troponina ultrassensível sobe de 45 para 190 ng/L (VR < 14). Dímero D elevado; angiotomografia de tórax sem tromboembolismo pulmonar e sem infiltrados pulmonares novos. Qual a conduta mais adequada?
Dor isquêmica em repouso com infradesnivelamento dinâmico e curva ascendente de troponina define síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento, devendo ser conduzida com terapia antitrombótica e estratégia invasiva conforme o risco, independentemente da infecção prévia. Atribuir tudo à infecção e dar alta ignora um evento coronariano em curso. O corticoide não trata síndrome coronariana aterotrombótica. A anticoagulação isolada sem investigação deixa a lesão culpada sem tratamento. Repetir a angiotomografia não acrescenta informação, pois o tromboembolismo já foi afastado.
Homem, 66 anos, com infarto sem supradesnivelamento de ST e doença de tronco de coronária esquerda com anatomia desfavorável à angioplastia, mantém angina recorrente em repouso. PA 118/72 mmHg, FC 78 bpm, sem congestão. Está em uso de ácido acetilsalicílico, ticagrelor iniciado há 12 horas e anticoagulação parenteral. Foi indicada cirurgia de revascularização miocárdica de urgência pela equipe. Qual cuidado é necessário em relação à antiagregação antes da cirurgia?
Inibidores potentes do P2Y12 aumentam o sangramento perioperatório, e a recomendação é suspender o ticagrelor respeitando o intervalo recomendado antes da revascularização cirúrgica, sempre que a estabilidade clínica permitir aguardar. Manter o fármaco até a incisão em todos os casos eleva muito o risco hemorrágico. Suspender o ácido acetilsalicílico por 7 dias não é a prática, pois ele costuma ser mantido no perioperatório. Substituir por prasugrel não resolve o problema, pois também é inibidor potente e irreversível. Transfundir plaquetas profilaticamente e operar imediatamente em todos os casos não é estratégia padrão, ficando restrita a situações de urgência inadiável.
Homem, 58 anos, com infarto sem supradesnivelamento de ST, refere história de urticária generalizada e angioedema após uso de ácido acetilsalicílico há 5 anos, confirmada por relato consistente. PA 128/78 mmHg, FC 76 bpm. Sem broncoespasmo atual, sem uso recente de anti-inflamatórios e sem outras alergias medicamentosas conhecidas; será submetido a angioplastia com implante de stent. Qual a conduta mais adequada?
Em alergia documentada ao ácido acetilsalicílico com necessidade de antiagregação após implante de stent, as opções são a dessensibilização, geralmente rápida e eficaz, ou o uso de inibidor do P2Y12 conforme protocolo institucional. Prescrever o fármaco ignorando o relato arrisca reação grave. Não usar nenhum antiagregante expõe a trombose de stent. Substituir por anticoagulação isolada não previne trombose de stent, cujo mecanismo é plaquetário. Adiar indefinidamente a angioplastia deixa sem tratamento uma síndrome coronariana aguda.
Mulher, 62 anos, chega com palpitações e dor torácica leve. PA 118/74 mmHg, FC 178 bpm. ECG mostra taquicardia supraventricular, revertida com adenosina, com desaparecimento da dor. Troponina ultrassensível de 65 ng/L (VR < 14) na admissão e 58 ng/L após 3 horas. ECG pós-reversão sem alterações isquêmicas; ecocardiograma sem alteração segmentar e com função preservada. Qual a interpretação mais adequada?
Elevação discreta de troponina com curva não ascendente após taquiarritmia sustentada, sem alterações isquêmicas persistentes nem alteração segmentar, reflete lesão miocárdica por desequilíbrio entre oferta e demanda, correspondente ao infarto tipo 2 ou à simples lesão miocárdica. O infarto tipo 1 exigiria evento aterotrombótico com curva ascendente e alterações isquêmicas mantidas. A miocardite cursaria com pródromo viral e alterações à ressonância. O tromboembolismo apresentaria hipoxemia e sobrecarga direita. A dissecção aórtica teria dor lancinante com assimetria de pulsos e alterações à imagem aórtica.
Homem, 57 anos, é admitido na UTI com dor torácica de 4 horas, sem supradesnivelamento de ST. Exame: PA 138/82 mmHg, FC 92 bpm, sem sinais de congestão, Killip I. ECG com infradesnivelamento de ST de 2 mm em parede anterior e inversão de onda T. Troponina ultrassensível elevada e em ascensão. Escore GRACE indicando alto risco. Sem sangramento ativo, sem contraindicação a antitrombóticos e sem instabilidade hemodinâmica. Qual a conduta correta?
Síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST com troponina elevada e escore de risco alto tem indicação de terapia antitrombótica combinada e estratégia invasiva precoce, com coronariografia em até 24 horas, o que reduz eventos isquêmicos. Trombólise não é indicada em síndrome sem supradesnivelamento e associa-se a pior desfecho nesse subgrupo. Estratégia conservadora com teste ergométrico tardio é inadequada em alto risco com marcador de necrose positivo. Anticoagular sem antiagregar deixa de bloquear a via plaquetária, central na fisiopatologia. Alta após alívio da dor ignora o risco elevado de infarto e óbito nos dias seguintes.
Homem, 52 anos, hipertenso e tabagista, chega com dor torácica em aperto iniciada há 3 horas, já melhorada. Exame: PA 138x84 mmHg, FC 78 bpm, ausculta normal, sem sinais de insuficiência cardíaca. Eletrocardiograma sem alterações isquêmicas. Troponina de alta sensibilidade inicial normal e segunda dosagem em 3 horas também normal. O escore de risco calculado é baixo. Sobre a estratificação da dor torácica, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que considera um único eletrocardiograma normal suficiente para afastar síndrome coronariana aguda: o exame pode ser normal em fase inicial ou entre episódios de dor, e a estratificação exige seriar traçados e marcadores. É correto que os escores de risco combinam história, eletrocardiograma, idade, fatores de risco e troponina. Também é correto que troponinas seriadas negativas com escore de baixo risco permitem alta segura com seguimento. Repetir o eletrocardiograma diante de recorrência ou mudança do quadro é conduta adequada. Pacientes de risco intermediário ou alto de fato merecem investigação hospitalar adicional.
Um paciente procura atendimento logo após início de dor torácica sugestiva de isquemia. A primeira troponina está abaixo do limite de referência. Qual interpretação é adequada?
Uma coleta muito precoce pode anteceder elevação detectável; a decisão usa o conjunto clínico e protocolos com medidas seriadas quando necessários. Referência: NHLBI/NIH. Heart Attack: Diagnosis. https://www.nhlbi.nih.gov/health/heart-attack/diagnosis
Qual cenário associa uma curva ascendente de troponina a sintomas e ECG sugestivos de isquemia?

A linha A combina dor típica, ST deprimido e aumento importante da troponina.
Uma troponina acima do limite de referência indica, em termos gerais, qual fenômeno?

A etiologia e o caráter agudo ou crônico dependem do contexto e da evolução.
Qual comparação entre A e C melhor distingue lesão miocárdica de infarto?

Infarto exige lesão aguda associada a evidência de isquemia; sepse com troponina dinâmica não basta por si só.
O padrão de troponina do cenário B, com contexto estável e pouca variação, é mais compatível com qual descrição?

Troponina persistentemente elevada pode ocorrer na DRC; o contexto e a estabilidade favorecem cronicidade.
O paciente D continua com dor suspeita. Por que não se deve concluir exclusão definitiva de evento coronário apenas por essas informações?

Apresentação muito precoce exige integrar cronologia, risco e testes; números isolados não substituem o algoritmo apropriado.
A figura mostra ruptura com trombo, mas não fornece ECG, troponina ou sintomas. Qual conclusão clínica excederia o que esse esquema permite afirmar? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A morfologia sustenta um mecanismo aterotrombótico, mas a síndrome clínica e eletrocardiográfica depende de dados adicionais.
Comparando a placa central com a da direita, qual fenômeno explica por que uma lesão pode se tornar clinicamente aguda sem depender apenas de maior crescimento lento da placa? Esquema didático do acervo OsceLabs.

A integridade da capa importa além do estreitamento fixo; trombo pode alterar subitamente o fluxo.
Um paciente com dor torácica recente apresenta este traçado. A primeira dosagem de troponina ainda não está disponível. Qual conclusão permanece adequada nesse momento? Exame sintético do acervo OsceLabs. Velocidade: 25 mm/s; ganho: 10 mm/mV.

O infradesnivelamento lateral do ST sustenta suspeita de isquemia. Não há informação de troponina na imagem para confirmar necrose miocárdica.
Uma mulher de 64 anos apresenta desconforto torácico há 40 minutos. Qual descrição da repolarização deve constar na primeira interpretação deste ECG? Exame sintético do acervo OsceLabs. Velocidade: 25 mm/s; ganho: 10 mm/mV.

Há infradesnivelamento do ST em I, aVL e V4–V6, com ondas T negativas nas derivações laterais. O ECG deve ser integrado à clínica e à troponina.
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em 7 dias
Reconstrua de memória, sem consultar, o algoritmo 0/1 hora do hs-cTnT — os três números (5, 12 e 52 ng/L) e os dois deltas (3 e 5 ng/L) — e as três faixas do GRACE com o tempo de cateterismo de cada uma. Depois responda em voz alta: qual achado tira o paciente do escore e o joga direto para as 2 horas?
em 30 dias
Pegue três vinhetas de dor torácica sem supradesnivelamento e, em cada uma, decida em sequência: excluir, observar ou confirmar; HEART e GRACE; tempo do cateterismo. Ao final, confira se em alguma delas você indicou fibrinolítico ou pré-tratamento com inibidor de P2Y12 antes da anatomia — são os dois erros que mais custam ponto neste tema.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 61 anos chega andando ao pronto-socorro com dor precordial em aperto iniciada há 2 horas, em repouso. Eletrocardiograma sem supradesnivelamento de ST. Você tem 10 minutos para pedir o que importa, estratificar e decidir se ele fica. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
