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Clínica MédicaCardiologia

Pericardite aguda e tamponamento cardíaco

Do diagnóstico eletrocardiográfico à identificação de alto risco, ao tratamento anti-inflamatório e à drenagem do tamponamento.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 55 anos com dor torácica em queimação, retroesternal, que piora ao deitar e melhora ao sentar-se inclinado para frente, iniciada há 2 dias após quadro viral. Ao exame ausculta-se atrito pericárdico. O ECG mostra supradesnivelamento difuso e côncavo do segmento ST em múltiplas derivações e infradesnível do segmento PR. Qual é o diagnóstico mais provável?

02

Como esse tema cai

Pericardite aguda é um dos poucos temas em que a vinheta de prova é fácil e a régua é escorregadia. A vinheta se repete há vinte anos: homem jovem, quadro gripal na semana anterior, dor torácica que piora deitado e alivia quando ele se inclina para a frente, atrito pericárdico à ausculta, supradesnivelamento de segmento ST difuso e côncavo com infradesnivelamento de PR. Ninguém erra o diagnóstico. O que separa candidato é o que vem depois: quem interna e quem manda para casa, quanto tempo de anti-inflamatório, qual dose de colchicina, quantos meses na recorrência, e o que muda quando a causa é urêmica, tuberculosa ou pós-infarto.

Esse capítulo lê o documento brasileiro que responde a essas perguntas — a I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites, de 2013 — pelas bordas dos seus quadros, e coloca ao lado dele a diretriz de miocardites de 2022 e o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde. A leitura pelas bordas não é preciosismo: as fronteiras dos quadros são justamente onde a banca constrói a alternativa que separa quem estudou de quem decorou a vinheta.

O que aparece na leitura é específico e verificável. A caixa de alto risco do fluxograma de internação tem quatro itens; o parágrafo que a antecede, na mesma página, tem sete — e três dos que faltam são febre acima de 38 graus, leucocitose e imunossupressão. A colchicina aparece com três doses diárias diferentes em três capítulos do mesmo documento. O desmame do ácido acetilsalicílico só fecha em zero se o paciente tiver começado na menor dose da faixa impressa. A síndrome de Dressler tem duas janelas de início que não se tocam. E a tabela que ensina a tratar a pericardite tuberculosa foi adaptada de uma sociedade norte-americana, com esquemas intermitentes e um fármaco que não faz parte do esquema brasileiro.

Nada disso torna o documento ruim. Ele também acerta em lugares onde é difícil acertar: declara a polaridade de um corte eletrocardiográfico com todas as letras, publica o ensaio negativo que contraria a própria conduta que descreve, dá os dois sentidos do erro de um teste diagnóstico com números, e registra que baixas doses de corticoide tiveram a mesma eficácia das altas com menos efeito adverso. O objetivo aqui é ler as duas coisas com a mesma atenção, porque a prova cobra as duas.

03

O que muda decisão

O supra que não respeita território

O eletrocardiograma da pericardite aguda evolui em quatro estágios, e a diretriz de 2013 os descreve com precisão incomum. No estágio um há supradesnivelamento de segmento ST côncavo e difuso, com duas exceções nomeadas: aVR e V1, onde ocorre infradesnivelamento. A onda T fica apiculada. E o segmento PR se infradesnivela — outra vez com aVR de fora, porque ali o PR sobe. Essas alterações estão presentes em mais de oitenta por cento dos casos. O estágio dois normaliza ST e PR e achata a onda T; o três inverte a onda T de forma difusa, simulando isquemia; o quatro devolve a onda T ao normal, e pode levar semanas ou meses.

Duas coisas dessa descrição valem alternativa. A primeira é o par de exceções: aVR e V1 fazem o espelho, e é essa reciprocidade restrita a duas derivações que distingue o supra da pericardite do supra do infarto, em que o espelho aparece na parede oposta ao território ocluído. A segunda é o comportamento do PR, o achado mais específico do traçado e o que o candidato mais esquece — o mesmo segmento que se deprime em quase todo o traçado se eleva em aVR. Quem só decora supra côncavo difuso perde metade do achado que a banca pontua.

O documento ainda dá o corte que separa pericardite de repolarização precoce, e o dá com polaridade explícita: a razão entre a amplitude do início do ST e a amplitude da onda T, medida em V6, fecha o diagnóstico de pericardite quando é igual ou maior que 0,25. A palavra igual não é decorativa. Numa variável em que o valor exato costuma ser o distrator, dizer se 0,25 pertence à pericardite ou à repolarização precoce é o que decide a questão — e aqui o texto resolve. É o melhor momento metodológico do capítulo eletrocardiográfico, e vale guardá-lo como contraexemplo das linhas em que a polaridade some.

O traçado pode ser normal em até seis por cento dos casos, de modo que ECG limpo não afasta a doença. Baixa amplitude de QRS aparece quando há derrame e melhora depois da pericardiocentese; a alternância de morfologia ou amplitude do QRS já está associada a derrame volumoso com sinais de tamponamento. Essa gradação — voltagem baixa indica líquido, alternância indica líquido com repercussão — transforma dois achados parecidos em dois níveis de urgência. A diretriz de 2022 repete o padrão com as mesmas palavras ao descrever o envolvimento pericárdico de quem já tem miocardite.

Os critérios contáveis que o documento brasileiro de pericardite não escreveu

A pergunta mais comum de prova depois da vinheta é quantos critérios fecham o diagnóstico. A resposta que circula é dois de quatro: dor pleurítica típica, atrito pericárdico, alterações eletrocardiográficas características e derrame novo ou em piora. Essa regra é europeia. A diretriz brasileira de 2013, que é a peça nacional dedicada ao assunto, não a enuncia: descreve a apresentação clássica como síndrome febril com acometimento de vias aéreas superiores, dor torácica e atrito, e segue direto para os marcadores de risco. Não há, no documento, contagem mínima de critérios.

A regra contável aparece do lado brasileiro só em 2022, e num recorte diferente. A diretriz de miocardites determina que o diagnóstico de miocardite associada à pericardite aguda deve ser suspeitado em quem já tem miocardite e apresenta pelo menos dois de quatro itens: dor de caráter pleurítico, que pode ser difícil de identificar pela dor do próprio acometimento miocárdico; atrito pericárdico; alterações eletrocardiográficas sugestivas de pericardite; derrame pericárdico novo ou piora do preexistente. São exatamente os quatro itens da regra europeia, mas o gatilho é outro — pressupõem miocardite já diagnosticada.

A consequência cai em prova. Um paciente sem miocardite, com dor pleurítica típica e supra difuso com PR deprimido, satisfaz dois dos quatro itens e é pericardite aguda por qualquer leitura razoável — mas o documento brasileiro que traz a contagem não cobre o cenário dele, e o que cobre o cenário dele não traz a contagem. Não é contradição entre as duas edições: é um vão entre elas. Quem tentar citar fonte nacional para a regra dos dois critérios não encontra onde.

Vale registrar o cuidado metodológico da edição de 2022, do tipo que este capítulo se propôs a elogiar quando aparece: o texto não estende o critério além do que ele mede. Diz que serve para suspeitar de envolvimento pericárdico em quem tem miocardite, e não para diagnosticar pericardite em geral. Declarar o limite do próprio instrumento é o oposto do que costuma acontecer com escore importado.

A caixa de alto risco que perdeu três linhas no caminho para o fluxograma

Na página em que a diretriz de 2013 trata da pericardite aguda, um parágrafo lista os marcadores de alto risco: elevação de enzimas de necrose miocárdica; febre acima de 38 graus e leucocitose, com a observação de que a combinação levanta elevada possibilidade de pericardite purulenta; derrames volumosos com ou sem tamponamento; pacientes imunocomprometidos; história prévia de anticoagulação oral; e disfunção global ao ecocardiograma. São sete itens, e o parágrafo fecha dizendo que eles indicam admissão hospitalar, intensificação da avaliação etiológica e otimização terapêutica.

Logo abaixo, na mesma página, está a Figura 3, fluxograma de conduta admissional das pericardites. A caixa que decide a internação se chama pericardite de alto risco e lista quatro itens: elevação de troponina I, pericardite recorrente, trauma e uso de anticoagulantes. Dois correspondem a itens do parágrafo. Derrame volumoso e disfunção do ventrículo esquerdo aparecem no fluxograma como nós de decisão separados, então não se perderam. O que se perdeu foram três: febre acima de 38 graus, leucocitose e imunossupressão. E entraram dois que o parágrafo não tinha: pericardite recorrente e trauma.

O prejuízo não é simétrico. Recorrência e trauma são acréscimos defensáveis, e a diretriz europeia os trata como fatores menores. Já a tríade febre alta, leucocitose e imunossupressão é exatamente o alerta de pericardite purulenta que o próprio parágrafo nomeia — quadro raro, de alta mortalidade, cujo diagnóstico depende de pericardiocentese com bacterioscopia e cultura. Perder essa linha justamente na figura que decide alta ou internação é perder a linha que custa mais caro.

Quem decorasse o fluxograma e ignorasse o parágrafo mandaria para casa, com anti-inflamatório, o paciente febril e leucocitário sem troponina alterada, sem recorrência, sem trauma e sem anticoagulante — e é esse o paciente que precisa de pericardiocentese diagnóstica. A pericardite purulenta é rara em adultos, com predomínio de gram-positivos em 64,2 por cento dos casos, e é a etiologia em que a demora custa mais.

Colchicina: um fármaco, três doses diárias, três capítulos

A colchicina é o que mudou o tratamento da pericardite nos últimos vinte anos, porque é a droga que reduz recorrência. A diretriz de 2013 registra a dose no capítulo de tratamento: 0,5 miligrama de doze em doze horas, ou 0,5 miligrama a cada vinte e quatro horas nos pacientes com menos de setenta quilos, por três meses no primeiro evento e seis meses na pericardite recorrente. A regra do peso é a mesma dos ensaios que consagraram o fármaco, e está correta.

O problema é que ela não sobrevive à travessia do documento. No parágrafo sobre retirada do corticoide, a orientação é associar colchicina na dose de 1 miligrama por dia — sem qualquer menção a peso. Um paciente de sessenta quilos em desmame de prednisona receberia, por essa linha, o dobro do que a linha anterior lhe daria. No capítulo de pericardite pós-infarto, a dose aparece pela terceira vez, como 0,6 miligrama duas vezes ao dia, o que dá 1,2 miligrama diários. São três doses diárias para o mesmo fármaco, na mesma doença, no mesmo documento.

A terceira tem um problema adicional e brasileiro: o comprimido de 0,6 miligrama é a apresentação norte-americana, e no Brasil a colchicina é comercializada em 0,5 miligrama. A recomendação não é executável com o que existe na farmácia daqui. O contraste com o capítulo de tratamento é instrutivo — lá a diretriz usou a apresentação nacional e ainda ajustou por peso; aqui reproduziu a fonte estrangeira sem traduzir a posologia.

A duração também se desdobra. Texto e Tabela 30 concordam em três meses no primeiro evento e seis na recorrência, com classe um e nível de evidência A. Mas o parágrafo seguinte do mesmo capítulo diz que, nas formas mais graves e recorrentes, alguns estudos sugerem colchicina por doze a vinte e quatro meses após o último evento, com retirada gradual. Seis meses com nível A e doze a vinte e quatro meses como sugestão convivem em parágrafos vizinhos, sem que o texto diga qual paciente pertence a qual regra. Já a frase de que a colchicina se mostrou efetiva na prevenção da recorrência ao fim de dezoito meses descreve o horizonte de seguimento dos ensaios, não uma prescrição: duas maneiras de dizer a mesma coisa não são vão, mas janela de observação confundida com posologia seria erro de leitura.

O principal efeito adverso é diarreia, em cerca de oito por cento. A droga deve ser evitada na insuficiência renal grave, na disfunção hepática, nas discrasias sanguíneas e nos distúrbios de motilidade gastrointestinal — lista que conversa mal com o costume de prescrever colchicina para qualquer atrito pericárdico.

O desmame do salicilato que só fecha na menor dose

Os anti-inflamatórios são a base do tratamento da pericardite idiopática e viral, e a diretriz dá as doses em faixas: ácido acetilsalicílico de 500 a 750 miligramas a cada seis ou oito horas, por sete a dez dias, seguido de redução gradual de 500 miligramas por semana, por três semanas; ibuprofeno de 400 a 800 miligramas a cada seis ou oito horas, por catorze dias; indometacina de 75 a 150 miligramas ao dia. Todos com inibidor de bomba de prótons associado.

A aritmética do desmame do salicilato merece ser feita à mão, porque fecha num caso e não fecha nos outros três. Quem começa com 500 miligramas a cada oito horas está em 1.500 por dia; retirando 500 por semana durante três semanas, chega a zero exatamente no fim da terceira. Quem começa com 500 a cada seis horas está em 2.000 e termina em 500. Quem começa com 750 a cada oito horas está em 2.250 e termina em 750. E quem começa no teto da faixa, 750 a cada seis horas, está em 3.000 miligramas por dia e, após três semanas, ainda estaria em 1.500 — metade da dose inicial, com o desmame declarado por encerrado. Para zerar a partir do teto seriam necessárias seis semanas.

Gráfico com quatro linhas em degraus descendo ao longo de três semanas, todas caindo 500 miligramas por semana. A que parte de 1500 miligramas por dia alcança o zero no fim da terceira semana; as que partem de 2000, 2250 e 3000 terminam ainda em 500, 750 e 1500 miligramas, acima da linha tracejada do zero que marca o fim do desmame previsto.
A mesma regra de retirada — 500 mg por semana, por três semanas — só zera a partir da menor dose da faixa; começando pelo teto, o desmame termina com metade da dose inicial ainda em uso.

O detalhe que torna o achado específico é que o par vizinho fecha: a conta funciona na combinação mais baixa da faixa e falha em todas as outras. Não é erro de digitação de um número, e sim regra de retirada calibrada para uma dose e escrita como se valesse para a faixa inteira.

A Tabela 30 acrescenta uma discordância de duração. Ela recomenda, com classe um e nível A, aspirina ou ibuprofeno por catorze dias. Para o ibuprofeno isso bate com o texto. Para o salicilato, não: o corpo manda sete a dez dias em dose plena mais três semanas de retirada, o que dá vinte e oito a trinta e um dias. O paciente no décimo quarto dia de aspirina, pela tabela terminou; pelo texto, está no meio do desmame. Uma linha de recomendação que junta dois fármacos apaga a diferença que o texto tinha o cuidado de fazer.

Há ainda uma proibição específica que a prova adora: na pericardite pós-infarto deve-se evitar indometacina, por estar relacionada à redução do processo cicatricial da área infartada. É contraindicação de mecanismo, não de classe — os outros anti-inflamatórios seguem indicados no cenário, com o ibuprofeno preferido por aumentar o fluxo sanguíneo coronariano.

A dose de prednisona que o próprio documento desaconselha

O corticoide na pericardite tem indicação estreita, e a diretriz a define bem: ausência de resposta aos anti-inflamatórios e à colchicina, ou pericardite secundária a doença autoimune, doença do tecido conectivo ou pericardite urêmica. O texto explica por quê, e a explicação é boa: a terapia com corticoide favorece recorrência por um fenômeno de ancoramento imunológico, e na suspeita de causa viral é preciso pesquisar presença do vírus antes de imunossuprimir.

A posologia aparece em três versões. Na pericardite aguda idiopática refratária, 1 miligrama por quilo por duas a quatro semanas. Na recorrente com crises frequentes, de 1 a 1,5 miligrama por quilo por quatro semanas, com retirada lenta ao longo de cerca de três meses. E no capítulo pós-infarto, corticoide oral restrito a baixas doses, de 0,2 a 0,5 miligrama por quilo ao dia.

O que fecha o raciocínio é a frase final do capítulo de imunossupressão, e ela é o contraponto honesto deste texto. A diretriz registra que baixas doses de prednisona, de 0,2 a 0,5 miligrama por quilo ao dia por quatro semanas, demonstraram a mesma eficácia terapêutica das doses de 1 miligrama por quilo, com menor taxa de efeitos adversos. O documento publica, dentro do próprio capítulo, o dado que desautoriza a dose que recomenda no parágrafo de cima. Isso é desconfiar da própria medida, e é raro — o defeito é não voltar para corrigir a recomendação.

A Tabela 30 completa o quadro de um jeito curioso: lista prednisona em três linhas de recomendação, com classes e níveis de evidência, e não traz dose em nenhuma delas. A tabela que o candidato consulta para decidir conduta nomeia o fármaco e omite o número que muda a conduta. Quem quiser a dose precisa voltar ao corpo do texto e escolher entre as três versões — e, se escolher pela evidência que o próprio documento cita, escolherá a mais baixa.

Nenhuma das doses traz teto absoluto. Um paciente de 110 quilos, na regra da pericardite recorrente, receberia de 110 a 165 miligramas de prednisona por dia. Ausência de limite ponderal em corticoide sistêmico é o tipo de omissão que não aparece em vinheta de peso normal e explode em vinheta de obesidade.

Dressler: duas janelas de início que não se tocam

A pericardite depois do infarto tem duas formas, e a diretriz as nomeia nos dois lugares em que fala do assunto. A precoce é a epistenocárdica, também chamada peri-infarto, ligada à vizinhança do miocárdio necrótico. A tardia é a síndrome de Dressler, de mecanismo autoimune. Até aqui os dois trechos concordam.

As janelas temporais não. No capítulo de etiopatogenia, a pericardite pós-infarto pode ocorrer precocemente nos três primeiros dias e, tardiamente, de três semanas a seis meses, quando a atividade autoimune recebe o nome de Dressler. No capítulo de situações especiais, a peri-infarto se desenvolve no segundo ou terceiro dia após infarto transmural, e a pós-infarto ocorre em aproximadamente 5 a 6 por cento dos pacientes trombolisados e se desenvolve normalmente durante a segunda semana, podendo se manifestar meses depois.

A forma precoce fecha: três primeiros dias e segundo ou terceiro dia são duas maneiras de dizer a mesma coisa, e duas regras aritmeticamente compatíveis não são um vão — convém dizê-lo para que o achado seguinte não pareça exagero. A forma tardia é que não fecha: um piso de três semanas contra um pico na segunda semana. Um paciente no décimo segundo dia após o infarto, com dor pleurítica, atrito e febre, é o caso típico pela segunda leitura e é cedo demais pela primeira.

O trecho foi conferido em duas renderizações independentes. No arquivo em formato de página, a frase das três semanas a seis meses está na página 23, no bloco de coluna que ocupa as coordenadas de 286 a 516 na horizontal e de 89 a 188 na vertical; a frase da segunda semana está na página 34, no bloco de 326 a 555 por 652 a 739. Na versão em marcação da mesma peça, com paginação e geometria completamente diferentes, as duas frases reaparecem intactas, separadas por centenas de parágrafos. Não é artefato de extração.

Tamponamento: a tríade que o documento não escreve

O saco pericárdico contém de trinta a cinquenta mililitros de líquido. Quando o acúmulo ultrapassa a capacidade de distensão do tecido fibroelástico, todas as câmaras passam a ser comprimidas, o volume de enchimento cai e a interdependência ventricular aumenta. O que decide a apresentação não é o volume, e sim a velocidade: o tamponamento agudo se instala em minutos, por trauma, ruptura cardíaca ou aórtica, ou como complicação de procedimento, e chega como choque; o subagudo se instala em dias a semanas e chega como dispneia e fadiga. Duas formas menos lembradas completam a classificação: o de baixa pressão, no hipovolêmico, e o regional, em que derrame localizado comprime uma única câmara.

O diagnóstico, diz o documento, é clínico, e a lista de achados é taquicardia, pressão venosa elevada, hipotensão arterial e presença de pulso arterial paradoxal. Falta uma coisa nessa lista: o abafamento de bulhas. A tríade de Beck, nome pelo qual a prova cobra o conjunto, é hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas. A diretriz brasileira substituiu a hipofonese por taquicardia e pulso paradoxal, o que descreve melhor a fisiologia e responde pior à questão que usa o epônimo.

O pulso paradoxal merece uma nota de calibração vinda do capítulo de pericardite constritiva: ali ele aparece em cerca de um terço dos casos. Ausência de pulso paradoxal não afasta constrição, e o achado é bem mais fiel ao tamponamento. Na constrição, os achados venosos é que mandam — colapso ipsilon proeminente e sinal de Kussmaul, com ascite desproporcional ao edema de membros inferiores.

O tratamento é a drenagem. Antes dela, cristaloide em infusão rápida para melhorar a perfusão, e amina ou atropina se houver bradicardia — medidas de ponte, jamais definitivas. A pericardiocentese por cateter deve ser guiada por ecocardiografia, e o documento dá um critério operacional que quase ninguém decora: o cateter não deve ser removido enquanto a drenagem não cair abaixo de vinte a trinta mililitros em vinte e quatro horas. A drenagem cirúrgica tem a vantagem da biópsia e é a via recomendada em recidiva após cateter e em derrames coagulados ou localizados. Na Tabela 31, pericardiocentese ou drenagem aberta no tamponamento é classe um com nível C, assim como a pericardiectomia na constrição sintomática refratária.

A radiografia é fraca, e o documento diz isso com números: a cardiomegalia só aparece com mais de duzentos mililitros no saco pericárdico, o aumento de silhueta tem sensibilidade moderada de setenta por cento e especificidade baixa de quarenta e um por cento, e o texto conclui que não é possível definir pericardite apenas com dados radiográficos. Declarar que o próprio exame não dá conta da tarefa é outro acerto de método.

Pericardite tuberculosa: uma tabela norte-americana dentro de um guia brasileiro

A tuberculose pericárdica ocorre em 1 a 4 por cento das pessoas com tuberculose pulmonar e responde por 7 por cento dos casos de tamponamento. A mortalidade sem tratamento é de aproximadamente 85 por cento, e a constrição se desenvolve em 30 a 50 por cento. Passa por quatro estágios: seco, efusivo, absortivo e constritivo.

O capítulo de diagnóstico é onde a diretriz mais desconfia dos próprios instrumentos, e isso é virtude. O teste tuberculínico pode ser falso negativo em 25 a 33 por cento dos pacientes e falso positivo em 30 a 40 por cento entre idosos — os dois sentidos do erro, com números. A cultura do líquido tem sensibilidade modesta e especificidade de cem por cento. O teste de interferon gama está aprovado para sangue periférico e não para outros líquidos, e o texto declara que não é certo que tenha vantagem significativa sobre a dosagem de adenosina desaminase, em vez de extrapolar. E a diretriz publica o resultado negativo que contraria a prática difundida: a prevenção da constrição no derrame crônico de etiologia indeterminada com medicação antituberculose não obteve sucesso.

O rendimento da pericardiocentese, porém, aparece com dois valores no mesmo capítulo. Um parágrafo informa que somente 40 a 60 por cento dos pacientes submetidos tiveram bacilo no exame direto; outro compara biópsia e pericardiocentese em cem por cento contra trinta e três por cento de sensibilidade. Trinta e três não pertence à faixa de quarenta a sessenta. E a sensibilidade de cem por cento da biópsia vem sem número de pacientes e sem intervalo de confiança, num capítulo que dá intervalo para quase tudo o mais.

O tratamento é onde a leitura pelas bordas mais rende. A Tabela 32 traz isoniazida 300 miligramas por dia e rifampina 600 miligramas por dia em dose fixa, ao lado de pirazinamida de 15 a 30 miligramas por quilo e etambutol de 15 a 20 miligramas por quilo. Duas drogas por peso, duas em dose fixa. Confrontando com o Quadro 20 do manual do Ministério da Saúde, que prescreve a combinação em dose fixa por faixa de peso, o par ajustado por quilo fecha: no paciente de setenta quilos, a pirazinamida do manual entrega 1.600 miligramas, dentro da faixa de 1.050 a 2.100 da diretriz, e o etambutol entrega 1.100, dentro da faixa de 1.050 a 1.400. As duas doses fixas é que não fecham — 300 e 600 miligramas correspondem exatamente à faixa de 51 a 70 quilos do esquema nacional. Abaixo dela o paciente é sobredosado; acima de setenta quilos o manual manda cinco comprimidos, o que dá 375 e 750 miligramas, e a dose fixa fica vinte por cento abaixo do que o Sistema Único de Saúde entrega. É teto ponderal que sumiu, e o par vizinho fechando é o que torna o achado específico.

A Tabela 33 vai adiante. Traz quatro opções de tratamento inicial adaptadas de uma sociedade norte-americana, e as quatro somam durações diferentes: oito mais dezoito semanas dá vinte e seis; duas mais seis mais dezesseis dá vinte e quatro; a terceira declara seis meses; a quarta, oito mais trinta e uma, dá trinta e nove. Quatro alternativas apresentadas como equivalentes variando de vinte e quatro a trinta e nove semanas. Duas usam administração duas ou três vezes por semana, uma cita rifapentina semanal, e nenhuma é o esquema brasileiro — o manual coloca a forma pericárdica no Esquema Básico, com dois meses de rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol e quatro meses de rifampicina e isoniazida, diariamente, sendo as únicas exceções a forma meningoencefálica e a osteoarticular.

A Tabela 32 do mesmo documento, aliás, concorda com o manual e discorda da tabela ao lado: manda interromper o regime de quatro drogas após dois meses e manter duas por um total de seis meses. Seis meses numa tabela, até trinta e nove semanas na tabela seguinte, na mesma página dupla. A escolha certa no Brasil é a do manual.

Urêmica, pós-infarto e no paciente com o vírus da imunodeficiência humana

A doença renal crônica grave é causa comum de doença pericárdica, e o documento separa duas entidades. A pericardite urêmica ocorre em torno de 10 por cento dos pacientes, antecedendo a diálise ou logo após seu início, e se relaciona sobretudo aos níveis de ureia. A pericardite associada à diálise ocorre em torno de 15 por cento dos pacientes em hemodiálise, mais raramente em diálise peritoneal, e está ligada a hipervolemia e diálise inadequada — correção volêmica e adequação da diálise são essenciais.

Dois detalhes semiológicos dessa seção caem em prova. A dor torácica ocorre menos nos pacientes com doença renal terminal, e o eletrocardiograma costuma não apresentar as alterações típicas da pericardite aguda, por ausência de inflamação miocárdica. Ou seja: o paciente renal com atrito pode ter traçado limpo, e o traçado limpo não o exclui. Anti-inflamatórios e corticoides mostraram menor eficácia nos refratários à diálise; nesses casos a colchicina tem demonstrado algum benefício. A evolução para constrição é rara.

No paciente com o vírus da imunodeficiência humana, a doença pericárdica é a manifestação cardiovascular mais frequente. O derrame ocorre em 20 por cento, com faixa de 10 a 40, sendo volumoso em 4 por cento, e dois terços decorrem de infecção ou neoplasia. A frase seguinte diz que o tamponamento ocorre entre 33 e 40 por cento dos casos — e o antecedente de casos não está resolvido. Se for um terço dos que têm derrame, daria de 6,6 a 8 por cento de todos os pacientes com a síndrome, número implausível; se for um terço dos derrames volumosos, dá de 1,3 a 1,6 por cento, que é a leitura que sobrevive à conferência. Denominador ausente em frase de prevalência é o tipo de linha que o leitor precisa reconhecer para não decorar o número errado.

O mesmo capítulo abriga a contradição mais clara do documento sobre conduta. Na seção de tuberculose pericárdica, o texto determina que somente pacientes com pericardite tuberculosa comprovada ou muito provável devem ser tratados. Duas páginas adiante, na seção do vírus da imunodeficiência humana, a orientação é que, se o derrame for volumoso em paciente com a síndrome e sem etiologia estabelecida, o tratamento empírico para o bacilo está indicado. As duas frases descrevem cenários que se sobrepõem, e uma proíbe o que a outra manda. Para a prova, prevalece a segunda, porque é a específica: no imunodeprimido com derrame volumoso sem causa, trata-se empiricamente.

A moldura de 2025: síndrome miopericárdica inflamatória, imagem e retorno seguro

A ESC 2025 reuniu miocardite e pericardite sob o termo síndrome miopericárdica inflamatória, usado como diagnóstico guarda-chuva até que o fenótipo predominante seja definido. A mudança é prática: dor torácica, insuficiência cardíaca, arritmia e apresentação fulminante passam a organizar a investigação antes de se discutir etiologia rara.

O ecocardiograma continua sendo o primeiro exame de imagem para derrame, função ventricular e repercussão hemodinâmica. A ressonância magnética cardíaca ganhou papel central quando há troponina elevada, disfunção ventricular, arritmia, dúvida diagnóstica, suspeita de envolvimento miocárdico ou evolução atípica. Tomografia contribui para espessamento e calcificação pericárdica e para diagnósticos alternativos; os métodos são complementares, não concorrentes.

Biópsia endomiocárdica ou pericárdica não é exame de rotina na pericardite idiopática não complicada. Deve ser reservada a apresentações de alto risco ou diagnóstico incerto nas quais o resultado possa mudar tratamento — por exemplo, insuficiência cardíaca rapidamente progressiva, arritmia ventricular ou bloqueio avançado, suspeita de miocardite específica tratável, neoplasia, tuberculose ou infecção purulenta.

O seguimento deve confirmar remissão clínica e biológica. Dor, atrito, febre, marcadores inflamatórios, eletrocardiograma e ecocardiograma orientam a resposta; ressonância é particularmente útil quando houve envolvimento miocárdico ou persistem dúvidas. Recorrência não deve ser definida por dor isolada sem evidência objetiva de nova atividade inflamatória.

O retorno ao exercício deixou de ser uma proibição fixa e passou a ser individualizado. Na pericardite sem miocardite, exige remissão clínica e normalização dos marcadores; quando existe envolvimento miocárdico, a liberação depende de reavaliação mais ampla, incluindo função ventricular, arritmias e, quando indicado, ressonância. Atleta e atividade de alta intensidade requerem avaliação mais rigorosa.

04

As réguas, lado a lado

Quatro tabelas para separar o que a diretriz brasileira de 2013 imprime no texto, o que ela imprime na figura e nas tabelas de recomendação, e o que o Ministério da Saúde manda quando a causa é tuberculose.

  1. 1Dor torácica pleurítica que piora deitado e alivia com a inclinação anterior, após quadro viral: pensar em pericardite aguda e auscultar procurando atrito, com o paciente sentado e inclinado.
  2. 2Eletrocardiograma: supra de ST difuso e côncavo poupando aVR e V1, infra de PR com supra de PR em aVR. Traçado normal não afasta — ocorre em até 6 por cento.
  3. 3Razão da amplitude do início do ST sobre a onda T em V6: igual ou maior que 0,25 fecha pericardite contra repolarização precoce.
  4. 4Marcadores de alto risco pelo texto: elevação de marcador de necrose, febre acima de 38 graus, leucocitose, derrame volumoso com ou sem tamponamento, imunossupressão, anticoagulação oral prévia, disfunção global ao ecocardiograma. Qualquer um indica internação.
  5. 5Baixo risco: tratamento ambulatorial com anti-inflamatório e colchicina, e reavaliação. Alto risco: internação, investigação etiológica e, na suspeita de origem purulenta, pericardiocentese diagnóstica.
  6. 6Anti-inflamatório: ibuprofeno por catorze dias, ou ácido acetilsalicílico por sete a dez dias com retirada gradual. Inibidor de bomba de prótons para todos. Indometacina proibida no pós-infarto.
  7. 7Colchicina associada desde o início: 0,5 miligrama de doze em doze horas, ou uma vez ao dia abaixo de setenta quilos. Três meses no primeiro evento, seis na recorrência.
  8. 8Corticoide só na falha do anti-inflamatório com colchicina, ou em causa autoimune, do tecido conectivo ou urêmica — e depois de afastar vírus.
  9. 9Instabilidade com derrame e colapso de câmaras direitas: drenagem. Cristaloide e amina são ponte. Cateter só sai com drenagem abaixo de vinte a trinta mililitros em vinte e quatro horas.
  10. 10Causa tuberculosa: Esquema Básico do Ministério da Saúde, dois meses de quatro drogas e quatro meses de duas, diariamente, em combinação de dose fixa por faixa de peso.

Os quatro estágios eletrocardiográficos como a diretriz de 2013 os imprime

EstágioSegmento STSegmento PROnda TObservação de leitura
UmSupra côncavo e difuso, com infra em aVR e V1Infra difuso, com supra em aVRApiculada, leve aumento de amplitudePresente em mais de 80 por cento dos casos
DoisNormalizadoNormalizadoAchatadaFase de transição, mais curta e menos vista
TrêsNormalNormalInvertida de forma difusaSimula isquemia; a inversão difusa é a pista
QuatroNormalNormalDe volta ao normalPode levar semanas ou meses após o evento
QualquerBaixa amplitude de QRSIndica derrame; melhora após pericardiocentese
QualquerAlternância de amplitude ou morfologia do QRSDerrame volumoso com sinais de tamponamento

Alto risco na pericardite aguda: o parágrafo contra o fluxograma da mesma página

MarcadorNo parágrafo do textoNa caixa da Figura 3O que isso muda
Elevação de marcador de necrose miocárdicaSimSim, como elevação de troponina IConcordam
Febre acima de 38 grausSimNãoÉ o alerta de origem purulenta e some da figura
LeucocitoseSimNãoVinha em par com a febre no texto; some junto
Derrame volumoso com ou sem tamponamentoSimSim, como nó de decisão próprioConcordam por caminho diferente
Paciente imunocomprometidoSimNãoPerde-se o grupo de maior risco etiológico
Anticoagulação oral préviaSimSimConcordam
Disfunção global ao ecocardiogramaSimSim, como nó de decisão próprioConcordam por caminho diferente
Pericardite recorrenteNãoSimAcréscimo da figura, defensável e ausente do texto
TraumaNãoSimAcréscimo da figura, defensável e ausente do texto

Colchicina, salicilato e corticoide: o que cada trecho do mesmo documento manda

FármacoTrecho do documentoO que está impressoTotal diário ou duração
ColchicinaTratamento da pericardite aguda0,5 mg de 12 em 12 h, ou 1 vez ao dia abaixo de 70 kg1,0 mg ou 0,5 mg por dia
ColchicinaRetirada do corticoide1 mg por dia, sem menção a peso1,0 mg por dia
ColchicinaPericardite pós-infarto0,6 mg duas vezes ao dia1,2 mg por dia, apresentação inexistente no país
ColchicinaTexto e Tabela 30Três meses no primeiro evento, seis na recorrênciaClasse I, nível A
ColchicinaParágrafo seguinte, mesmo capítuloDoze a vinte e quatro meses após o último eventoSugestão de alguns estudos, sem classe
Ácido acetilsalicílicoTratamento da pericardite aguda500 a 750 mg de 6 em 6 ou 8 em 8 h por 7 a 10 dias, retirada de 500 mg por semana por 3 semanas28 a 31 dias; o desmame só zera partindo de 1.500 mg por dia
Ácido acetilsalicílicoTabela 30Aspirina ou ibuprofeno por catorze dias14 dias; menos da metade do que o texto manda
Ácido acetilsalicílicoPericardite pós-infarto2 a 4 g por dia por 2 a 5 diasTeto acima do teto do capítulo de tratamento
IbuprofenoTratamento da pericardite aguda400 a 800 mg de 6 em 6 ou 8 em 8 h por 14 dias1.200 a 3.200 mg por dia
IbuprofenoPericardite pós-infarto1.600 a 3.200 mg por dia por até 2 semanasPiso diferente do outro capítulo; teto igual
PrednisonaPericardite aguda refratária1 mg por quilo por 2 a 4 semanasSem teto absoluto
PrednisonaPericardite recorrente1 a 1,5 mg por quilo por 4 semanas, retirada em cerca de 3 mesesSem teto absoluto
PrednisonaFrase final do capítulo0,2 a 0,5 mg por quilo por 4 semanas teve a mesma eficácia com menos efeito adversoDado que desautoriza a dose recomendada acima
PrednisonaTabela 30Três linhas de recomendação, com classe e nívelNenhuma dose impressa

Pericardite tuberculosa: diretriz de 2013 contra o manual do Ministério da Saúde de 2019

ItemDiretriz de 2013Manual do Ministério da SaúdeComentário
EsquemaQuatro opções adaptadas de sociedade norte-americana, duas delas intermitentesEsquema Básico, diárioRegime intermitente não é praticado no país
Duração24, 26, 26 e 39 semanas conforme a opção; a Tabela 32 diz seis mesesDois meses de quatro drogas e quatro meses de duasTabelas vizinhas discordam entre si
Isoniazida300 mg por dia, dose fixaPor faixa de peso, em combinação de dose fixaA dose fixa corresponde só à faixa de 51 a 70 kg
Rifampicina600 mg por dia, dose fixa, grafada como rifampinaPor faixa de peso, em combinação de dose fixaAcima de 70 kg o manual entrega 750 mg
Pirazinamida15 a 30 mg por quilo por diaPor faixa de pesoA 70 kg o manual entrega 1.600 mg, dentro da faixa
Etambutol15 a 20 mg por quilo por diaPor faixa de pesoA 70 kg o manual entrega 1.100 mg, dentro da faixa
CorticoidePrednisona 1 a 2 mg por quilo por dia, com redução em 6 a 8 semanas, na Tabela 32Corticoide previsto para a forma meningoencefálica e a osteoarticularO corpo do texto de 2013 chama o uso de controverso
Fármaco citadoRifapentina semanal em pacientes selecionadosRifapentina fora do Esquema BásicoA opção não é executável na rede
Tratar sem confirmaçãoSomente comprovada ou muito provável deve ser tratadaNão aplicável ao recorte do manualContrariado pelo próprio capítulo do vírus da imunodeficiência humana

As coordenadas e as páginas citadas no capítulo referem-se ao arquivo em formato de página da diretriz de 2013 obtido na SciELO, com 45 páginas. A numeração impressa no rodapé do artigo é a do periódico e não coincide com a do arquivo.

A discordância entre o parágrafo de alto risco e a caixa da Figura 3 foi conferida em raster a três vezes das duas regiões da mesma página, e a caixa foi lida item a item na imagem.

A troca de legenda da Tabela 23 foi confirmada comparando-a com a Tabela 6 do mesmo documento, que é a tabela de angiotomografia de coronárias de verdade: as duas legendas são idênticas e as linhas de conteúdo são diferentes.

A diretriz de 2022 não trata de pericardite isolada. Quando este capítulo a cita, é sempre no recorte do envolvimento pericárdico em quem já tem miocardite.

A ESC 2025 deve ser a régua atual para enquadramento diagnóstico e seguimento: síndrome miopericárdica inflamatória, abordagem orientada pela apresentação, integração de ecocardiograma/ressonância/tomografia, biópsia apenas quando o resultado muda conduta e retorno ao exercício individualizado após remissão.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Corticoide na pericardite tuberculosa

Prescrever junto com os tuberculostáticos

A Tabela 32, de doses terapêuticas e manejo da pericardite tuberculosa, traz prednisona de 1 a 2 miligramas por quilo por dia, administrada simultaneamente à terapia antituberculostática por cinco a sete dias, com redução progressiva e descontinuação em seis a oito semanas. A linha aparece na tabela de manejo, sem qualificação de gravidade e sem restrição a subgrupo.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, Tabela 32, p. 23 do artigo.

Reservar às formas meningoencefálica e osteoarticular

O Esquema Básico do manual nacional coloca a tuberculose pericárdica entre as formas extrapulmonares tratadas com dois meses de quatro drogas e quatro meses de duas, e a orientação de associar corticosteroide — prednisona de 1 a 2 miligramas por quilo por dia por quatro semanas, ou dexametasona injetável nos casos graves de forma meningoencefálica — aparece apenas no esquema reservado às formas meningoencefálica e osteoarticular.

Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. 2ª edição. Brasília, 2019, seções do Esquema Básico e do esquema para a forma meningoencefálica e osteoarticular, p. 105-107.

O próprio texto de 2013 chama o uso de controverso

Uma linha acima da tabela que prescreve o corticoide, o corpo do capítulo registra que o uso de esteroides permanece controverso, e que uma metanálise de pacientes com derrame e com constrição apenas sugere que a combinação com tuberculostáticos poderia estar associada a redução de mortalidade e menor necessidade de pericardiocentese ou pericardiectomia. O verbo é condicional; a tabela, imperativa.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, seção 6.4.1, Tratamento, p. 23 do artigo.

Na prova

O avaliador que cita o manual do Ministério da Saúde está cobrando o esquema básico sem corticoide na pericárdica; o que cita a diretriz de sociedade de 2013 pode estar cobrando a linha da Tabela 32. Leia o enunciado procurando qual documento ele nomeia e, se não nomear nenhum, procure a palavra controverso ou a menção a metanálise, que denuncia o recorte do corpo do texto e não o da tabela.

Janela de início da síndrome de Dressler

De três semanas a seis meses

No capítulo de etiopatogenia, a pericardite pós-infarto pode ocorrer precocemente nos três primeiros dias, como pericardite epistenocárdica, e tardiamente, de três semanas a seis meses, quando a atividade autoimune recebe o nome de síndrome de Dressler. Nessa leitura, um quadro na segunda semana não é Dressler.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, seção 3, Etiopatogenia, p. 14 do artigo; bloco de coluna nas coordenadas 286 a 516 por 89 a 188 da página 23 do arquivo.

Durante a segunda semana

No capítulo de situações especiais, a pericardite peri-infarto se desenvolve no segundo ou terceiro dia após infarto transmural, e a pericardite pós-infarto ocorre em aproximadamente 5 a 6 por cento dos pacientes trombolisados e se desenvolve normalmente durante a segunda semana, podendo se manifestar meses após o evento. Nessa leitura, a segunda semana é o pico.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, seção de pericardite pós-infarto do miocárdio, p. 25 do artigo; bloco de coluna nas coordenadas 326 a 555 por 652 a 739 da página 34 do arquivo.

Na prova

Quando o enunciado der uma data exata entre o oitavo e o vigésimo dia, desconfie: as duas leituras brasileiras discordam justamente aí. Procure no enunciado outro discriminador — atrito, dor pleurítica, febre e elevação de marcadores inflamatórios apontam a forma autoimune; e a distinção que a banca realmente costuma cobrar é contra a epistenocárdica dos três primeiros dias, que nenhuma das duas leituras contesta.

Tamponamento como desfecho da tuberculose pericárdica

Mais frequente quando a causa é tuberculose ou neoplasia

O capítulo de epidemiologia registra que o derrame pericárdico é mais frequente quando o comprometimento é por tuberculose ou neoplasia, e que o mesmo acontece em relação ao tamponamento cardíaco, sendo a frequência menor nas demais etiologias. O capítulo específico acrescenta que a tuberculose responde por 7 por cento dos casos de tamponamento e lista o tamponamento silencioso entre as apresentações.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, seção 1, Epidemiologia, p. 14, e seção 6.4, Pericardite tuberculosa, p. 23 do artigo.

Raramente evolui com tamponamento

A descrição clínica da tuberculose pericárdica no manual nacional lista dor torácica, tosse seca e dispneia como sintomas principais, observa que muitas vezes a dor não se manifesta como dor pericárdica clássica, e encerra registrando que raramente a forma pericárdica evolui com sinais clínicos de tamponamento cardíaco.

Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. 2ª edição. Brasília, 2019, apresentação clínica das formas extrapulmonares, p. 67-68.

Na prova

Não são duas medidas do mesmo número: uma fala da fração dos tamponamentos que é tuberculosa, a outra da fração das tuberculoses pericárdicas que tampona. Se a questão perguntar qual etiologia mais frequentemente cursa com derrame volumoso e tamponamento, a resposta esperada é tuberculose ou neoplasia; se perguntar o que esperar de uma tuberculose pericárdica diagnosticada, a resposta esperada segue o manual e é evolução geralmente sem tamponamento.

Tratar tuberculose pericárdica sem confirmação

Só a comprovada ou muito provável

A seção de tratamento da pericardite tuberculosa abre determinando que somente pacientes com pericardite tuberculosa comprovada ou muito provável devem ser tratados, e reforça a posição logo depois com o ensaio negativo: a prevenção da constrição no derrame pericárdico crônico de etiologia indeterminada com medicação antituberculose não obteve sucesso.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, seção 6.4.1, Tratamento, p. 23 do artigo.

Empírico no derrame volumoso do imunodeprimido

Duas páginas adiante, a seção dedicada ao vírus da imunodeficiência humana determina que, se o derrame pericárdico for volumoso em paciente com a síndrome e sem etiologia estabelecida, o tratamento empírico para o bacilo está indicado. A mesma seção registra que o teste tuberculínico negativo não exclui o diagnóstico e que a biópsia pericárdica é mais sensível que esfregaço e cultura do líquido.

Sociedade Brasileira de Cardiologia. I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites. Arq Bras Cardiol. 2013;100(4 Supl. 1):1-36, seção 6.9, HIV, p. 25 do artigo.

Na prova

As duas frases se sobrepõem no paciente imunodeprimido com derrame volumoso sem causa definida, e a regra específica vence a geral: nesse recorte, trata-se empiricamente. Quando o enunciado descrever paciente imunocompetente com derrame crônico de causa indeterminada, a resposta esperada é a oposta — investigar, e não iniciar tuberculostático.

Documento brasileiro de 2013 e enquadramento ESC de 2025

Recorte brasileiro histórico

Mantém valor para doses, etiologias nacionais e contradições documentais discutidas no capítulo.

I Diretriz Brasileira de Miocardites e Pericardites, 2013

Enquadramento contemporâneo

Introduz síndrome miopericárdica inflamatória, investigação guiada pela apresentação, papel central da ressonância e retorno individualizado ao exercício.

2025 ESC Guidelines for the management of myocarditis and pericarditis

Na prova

Use a diretriz brasileira para epidemiologia e particularidades nacionais, mas não trate sua arquitetura diagnóstica como a mais atual. Questões contemporâneas sobre imagem, sobreposição miocárdica, biópsia ou retorno ao exercício devem seguir a ESC 2025.

06

Caso resolvido

Homem de 34 anos, hígido, procura o pronto-socorro com dor torácica retroesternal há dois dias, ventilatório-dependente, que piora ao deitar e alivia quando ele se senta e se inclina para a frente. Refere quadro gripal na semana anterior. Ao exame: temperatura axilar 38,6 graus, pressão arterial 122 por 78, frequência cardíaca 98, atrito pericárdico audível na borda esternal esquerda. Eletrocardiograma com supra de ST difuso e côncavo, infra de PR nas derivações inferiores e laterais, com infra de ST e supra de PR em aVR. Troponina normal. Leucócitos 17.400 por milímetro cúbico com desvio à esquerda, proteína C reativa 118 miligramas por litro. Ecocardiograma com derrame pericárdico laminar. Pesa 62 quilos.
Fechar o diagnóstico sindrômico
Dor pleurítica posicional pós-viral, atrito pericárdico e o traçado com supra difuso côncavo e infra de PR poupando aVR fecham pericardite aguda. A troponina normal afasta o componente miocárdico: não é miopericardite. O derrame laminar não muda a conduta hemodinâmica.
Decidir internação pela régua certa
Pelo fluxograma da figura, este paciente é de baixo risco: troponina normal, sem recorrência prévia, sem trauma, sem anticoagulante, derrame leve. Iria para casa. Pelo parágrafo do texto, tem dois marcadores maiores — febre acima de 38 graus e leucocitose — e a própria diretriz diz que essa combinação levanta elevada possibilidade de pericardite purulenta. Interna.
Nomear o que a internação vai buscar
A internação não é observação: é intensificação da avaliação etiológica. Na suspeita de origem purulenta, a confirmação depende de pericardiocentese com bacterioscopia, cultura e pesquisa de fungos e de tuberculose, e a antibioticoterapia empírica inicial cobre estafilococo até a cultura voltar. A pericardite purulenta é rara em adultos e tem elevada mortalidade, com predomínio de gram-positivos em 64,2 por cento.
Prescrever o anti-inflamatório com a conta feita
Se optar por ibuprofeno, 400 a 800 miligramas a cada seis ou oito horas por catorze dias. Se optar por salicilato, 500 miligramas a cada oito horas por sete a dez dias e depois reduzir 500 miligramas por semana durante três semanas, que é a única combinação da faixa em que o desmame chega a zero no prazo declarado. Inibidor de bomba de prótons em qualquer caso.
Acrescentar colchicina na dose do peso
Com 62 quilos, a dose é 0,5 miligrama uma vez ao dia, e não de doze em doze horas. Três meses, por ser primeiro evento. Antes de prescrever, verificar função renal e hepática, porque a droga é contraindicada na insuficiência renal grave e na disfunção hepática.
Deixar o corticoide fora
Não há indicação: não houve falha de anti-inflamatório com colchicina, não há doença autoimune, do tecido conectivo nem uremia. E há motivo positivo para evitá-lo — a diretriz atribui ao corticoide um fenômeno de ancoramento imunológico que favorece recorrência, e recomenda pesquisar presença viral antes de imunossuprimir na suspeita de causa viral.
07

Agora feche você

Mulher de 47 anos, com o vírus da imunodeficiência humana, em uso irregular da terapia antirretroviral, chega com dispneia progressiva há três semanas, febre vespertina e perda de nove quilos. Pressão arterial 96 por 74, frequência cardíaca 118, turgência jugular a quarenta e cinco graus, bulhas de difícil ausculta. Eletrocardiograma com baixa voltagem difusa e alternância de amplitude do QRS. Ecocardiograma com derrame pericárdico volumoso e colapso diastólico de átrio e ventrículo direitos. Radiografia de tórax sem consolidação e sem cavitação. Pesa 44 quilos. O serviço tem ecocardiografia à beira do leito e cirurgião disponível.
Primeiro
Diga o que a alternância de amplitude do QRS acrescenta à baixa voltagem, e por que os dois achados juntos, nesta paciente, mudam a urgência da conduta em relação a um derrame sem eles.
Segundo
Decida a via de drenagem e justifique. Diga qual das duas vias permite o exame que esta paciente especificamente precisa, e o que o líquido e o fragmento devem ser enviados para investigar.
Terceiro
Sem confirmação microbiológica, decida se inicia tuberculostático hoje. Nomeie a frase da diretriz que proíbe e a frase da mesma diretriz que autoriza, e explique por que uma vence a outra neste recorte.
Quarto
Escreva o esquema antituberculose que se prescreve no Brasil para tuberculose pericárdica, com número de meses de cada fase, e diga quantos comprimidos da combinação de dose fixa esta paciente receberia na fase intensiva pela faixa de peso dela.
Quinto
Diga se prescreveria corticoide e sustente a resposta pelos dois documentos, nomeando qual deles reserva o corticoide a outras formas e qual o coloca na tabela de manejo da pericárdica — e o que o corpo do texto desse segundo documento diz sobre a força dessa evidência.
Sexto
Defina o critério de retirada do cateter de drenagem, em mililitros por vinte e quatro horas, e diga o que faria se o derrame recidivasse depois da retirada.
08

Onde a banca derruba

  1. 1Estudar o alto risco pelo fluxograma em vez do parágrafo A caixa da figura tem quatro itens e o parágrafo tem sete. Febre acima de 38 graus, leucocitose e imunossupressão estão só no parágrafo — e são justamente o alerta de pericardite purulenta, que o próprio texto nomeia. A alternativa que a banca oferece é febre alta com leucocitose, e ela é a correta.
  2. 2Decorar supra difuso e côncavo e esquecer o que aVR faz No estágio um o supra poupa aVR e V1, onde há infra; e o infra de PR poupa aVR, onde há supra de PR. Essa reciprocidade restrita a duas derivações é o que separa o traçado da pericardite do traçado do infarto, em que o espelho aparece na parede oposta ao território ocluído.
  3. 3Prescrever colchicina sem perguntar o peso A dose é 0,5 miligrama de doze em doze horas, e cai para uma vez ao dia abaixo de setenta quilos. Duas outras passagens do mesmo documento prescrevem 1 miligrama e 1,2 miligrama por dia sem qualquer ajuste, e a de 1,2 usa um comprimido de 0,6 miligrama que não existe no país. A regra a levar é a do capítulo de tratamento.
  4. 4Somar catorze dias de aspirina e considerar o tratamento encerrado A tabela de recomendação junta aspirina e ibuprofeno em catorze dias, mas o corpo do texto dá ao salicilato sete a dez dias em dose plena mais três semanas de retirada gradual. São vinte e oito a trinta e um dias. E a retirada de 500 miligramas por semana só chega a zero em três semanas se o paciente tiver começado em 1.500 miligramas por dia.
  5. 5Tratar o pulso paradoxal como sinal obrigatório da constrição Na pericardite constritiva o pulso paradoxal aparece em cerca de um terço dos casos. Ausência dele não afasta constrição. Os achados que mandam ali são venosos: colapso ipsilon proeminente e sinal de Kussmaul, com ascite desproporcional ao edema de membros inferiores.
  6. 6Achar que a lista de tamponamento da diretriz é a tríade de Beck O documento lista taquicardia, pressão venosa elevada, hipotensão e pulso paradoxal — quatro achados, sem o abafamento de bulhas. A tríade que a prova cobra pelo epônimo é hipotensão, turgência jugular e bulhas abafadas. Quem estuda só pela lista brasileira fica sem o terceiro pé.
  7. 7Reproduzir a tabela de tuberculose da diretriz numa prova brasileira As quatro opções de tratamento inicial vieram adaptadas de sociedade norte-americana, variam de vinte e quatro a trinta e nove semanas, incluem regimes duas e três vezes por semana e citam rifapentina. Nenhuma delas é o Esquema Básico. Na pericárdica, o esquema é diário, com dois meses de quatro drogas e quatro meses de duas, em combinação de dose fixa por faixa de peso.
  8. 8Prescrever anti-inflamatório como base do tratamento da pericardite urêmica Anti-inflamatórios e corticoides mostraram menor eficácia nos pacientes refratários à diálise, e o que resolve o quadro é a terapia dialítica, com correção volêmica e adequação da diálise. Some-se a isso que a dor torácica é menos frequente na doença renal terminal e que o eletrocardiograma costuma não trazer as alterações típicas — traçado limpo com atrito não exclui nada.
  9. 9Procurar a recomendação eletrocardiográfica pela legenda da tabela A Tabela 23 do documento traz a recomendação de eletrocardiograma para diagnóstico de pericardite aguda, em classe um com nível de evidência C, sob uma legenda que anuncia recomendações de angiotomografia de coronárias na avaliação de miocardite — legenda idêntica à da Tabela 6, que é a tabela de angiotomografia de verdade. Quem confere pela legenda conclui que a recomendação não está lá.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A dor pleurítica que melhora ao inclinar-se para frente, atrito pericárdico e o ECG com supra de ST difuso e côncavo associado a infradesnível de PR são diagnósticos de pericardite aguda, frequentemente pós-viral. No IAM o supra é localizado, convexo e acompanhado de imagem recíproca. A dissecção aórtica cursa com dor lancinante irradiada para o dorso e assimetria de pulsos. O TEP causa dor pleurítica com dispneia súbita e sinais de sobrecarga direita. O espasmo esofágico não gera atrito nem alterações eletrocardiográficas descritas.

09

Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Sete dias depois, recupere os critérios clínicos de pericardite, os marcadores de alto risco, a dose de colchicina e os achados de tamponamento. Depois acrescente a camada de 2025: o significado de síndrome miopericárdica inflamatória, quando pedir ressonância, quando uma biópsia pode mudar a conduta e quais dados precisam normalizar antes do retorno ao exercício.

em 30 dias

Trinta dias depois, resolva cinco cenários. Jovem com pericardite pós-viral não complicada: confirme diagnóstico, risco e tratamento. Paciente com troponina elevada e arritmia: enquadre como síndrome miopericárdica inflamatória e indique ressonância. Paciente com insuficiência cardíaca rapidamente progressiva e bloqueio avançado: explique por que biópsia pode mudar a conduta. Paciente com tamponamento: reconheça a fisiologia e indique drenagem. Por fim, atleta após pericardite: descreva os critérios objetivos de remissão e como a presença de envolvimento miocárdico torna a liberação mais rigorosa.

11

Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Na próxima dor torácica pleurítica que aliviar com a inclinação anterior, faça três coisas antes de decidir a alta. Ausculte de novo com o paciente sentado e inclinado, procurando o atrito, que é transitório e pode ter sumido na primeira ausculta. Olhe o segmento PR em todas as derivações, inclusive aVR, antes de olhar o ST. E pergunte a temperatura e o leucograma em voz alta, porque é a combinação de febre acima de 38 graus com leucocitose que separa o paciente que vai para casa com anti-inflamatório do paciente que precisa de pericardiocentese diagnóstica — e é exatamente a linha que o fluxograma da diretriz não tem. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Pericardite aguda e tamponamento cardíaco — Preparatório para provas | OsceLabs