Cirurgia GeralCirurgia Torácica

Pneumotórax espontâneo: o tamanho, o sintoma e a recidiva

A prova cobra três decisões em sequência: se o paciente é primário ou secundário, se aquele pneumotórax exige procedimento ou só observação, e a partir de que episódio a prevenção de recidiva entra na conta.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 22 anos, alto e magro, tabagista, apresenta dor torácica súbita à direita e dispneia leve há 2 horas, sem trauma. Exame: PA 122x76 mmHg, FC 92 bpm, FR 20 ipm, SatO2 95%, murmúrio vesicular abolido e timpanismo à percussão no hemitórax direito, traqueia centrada. Radiografia confirma pneumotórax espontâneo com linha pleural a cerca de 3 cm da parede torácica. Qual é a conduta mais apropriada?

02

Como esse tema cai

Pneumotórax espontâneo é ar livre na cavidade pleural sem trauma e sem procedimento que o explique. Ele se divide em primário, quando não há doença pulmonar conhecida, e secundário, quando é complicação de uma doença que já existia — doença pulmonar obstrutiva crônica, neoplasia, infecção, fibrose cística, síndrome de Marfan, granuloma eosinofílico. Essa divisão parece taxonômica e não é: ela é o primeiro nó da árvore de decisão, porque muda o limiar de internação, o procedimento inicial e o momento em que a prevenção de recidiva entra em cena.

O pneumotórax não tem protocolo clínico e diretrizes terapêuticas no Ministério da Saúde, ao contrário da asma e da doença pulmonar obstrutiva crônica, que têm PCDT próprio — o que faz sentido, porque PCDT é instrumento desenhado para amarrar dispensação de medicamento a critério de inclusão, e aqui a decisão é de procedimento, não de fármaco. A referência nacional é o capítulo de Pneumotórax da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia em 2006, construído sobre o consenso Delphi do American College of Chest Physicians de 2001 e sobre a diretriz da British Thoracic Society de 2003. É desse capítulo que saem as rotinas dos serviços brasileiros, e é dele que sai o número que a prova nacional cobra.

Em 2023 a British Thoracic Society reescreveu a sua diretriz e derrubou justamente o eixo que o documento brasileiro mantém: o tamanho. Isso significa que, para o mesmo paciente, existem hoje duas condutas defensáveis com endereços documentais distintos — e o enunciado sempre diz qual dos dois mundos está pedindo. Duas coisas ficam fora deste capítulo por já terem dono: o ponto e a técnica da descompressão por agulha no pneumotórax hipertensivo estão em Trauma torácico grave, e a técnica de drenagem pleural, o triângulo de segurança e a pleurodese do derrame maligno estão em Derrame pleural e empiema.

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O que muda decisão

Primário e secundário: o rótulo que decide tudo o que vem depois

O pneumotórax espontâneo primário acontece em paciente sem doença pulmonar evidente, e o mecanismo é a rotura de bolhas subpleurais — as blebs — habitualmente apicais. Chamar esse pulmão de normal é impreciso: nos pacientes primários levados à videotoracoscopia, encontram-se bolhas ou lesões subpleurais em 76% a 100% dos casos, e virtualmente em todos os submetidos a toracotomia. Na tomografia, a maioria dos primários tem bolhas ipsilaterais visíveis. Há tendência familiar com transmissão autossômica dominante descrita, e o tabagismo aumenta muito o risco, de forma proporcional ao consumo de cigarro.

O secundário é complicação de doença pulmonar conhecida. A lista clássica é doença pulmonar obstrutiva crônica com enfisema bolhoso, neoplasia, infecção — pneumonia abscedada, Pneumocystis —, rotura espontânea do esôfago na síndrome de Boerhaave, fibrose cística, síndrome de Marfan, granuloma eosinofílico, além das formas catamenial e neonatal. O ponto que a prova explora é fisiológico: o paciente secundário tem menor complacência e menor reserva, e por isso um pneumotórax que parece pequeno na radiografia já pode ser suficiente para gerar consequência grave.

A diretriz britânica de 2023 acrescentou um critério que não é etiológico e sim comportamental: além da doença pulmonar estabelecida, o paciente pode ser caracterizado como secundário se tiver mais de 50 anos e história de tabagismo. A justificativa que o próprio documento dá é que séries de casos indicam que esse grupo responde de forma diferente à aspiração por agulha em comparação com pacientes mais jovens ou não fumantes. Ou seja: o rótulo deixou de descrever apenas a origem do ar e passou a descrever também como o paciente se comporta diante do tratamento.

O quadro clínico — e por que o exame físico não mede o pneumotórax

O pneumotórax espontâneo geralmente ocorre com o paciente em repouso, e raramente durante exercício — detalhe que desmente a vinheta intuitiva do jovem que colapsa jogando futebol. Dor torácica e dispneia são os sintomas mais frequentes. A dor é aguda e ipsilateral. A dispneia é proporcional ao tamanho, à velocidade de acúmulo do ar e à reserva cardiopulmonar — três variáveis, e não uma, o que explica por que o mesmo volume de ar derruba um enfisematoso e passa quase despercebido num rapaz de vinte anos.

No exame físico do lado acometido: murmúrio vesicular reduzido, frêmito toracovocal reduzido, expansibilidade diminuída localmente com aumento do volume do hemitórax, e timpanismo à percussão. Enfisema subcutâneo e pneumomediastino podem acompanhar, dependendo da causa. A frase que o documento brasileiro faz questão de registrar é a que mais rende questão: em muitas situações os achados clínicos não refletem o tamanho do pneumotórax. Exame físico serve para levantar a hipótese e para reconhecer o hipertensivo, não para graduar a magnitude.

O pneumotórax hipertensivo é o desfecho a temer quando a pressão intrapleural sobe acima da atmosférica: o mediastino desvia, as veias cavas são pinçadas, o retorno venoso cai e o débito cardíaco despenca, com dispneia intensa e instabilidade hemodinâmica. É diagnóstico clínico e emergência — não se atrasa a descompressão para fazer exame de imagem. Onde puncionar, com que cateter e por que o ponto mudou está em Trauma torácico grave; aqui basta reter que a suspeita interrompe qualquer algoritmo de tamanho.

A radiografia, o corte de 3 cm e por que nenhuma medida funciona bem

A radiografia simples de tórax em geral confirma o diagnóstico, pela faixa de ar entre a parede torácica ou o diafragma e a pleura visceral. A incidência lateral ajuda em algumas situações, e a radiografia em expiração forçada pode revelar pequenos volumes de ar não vistos na incidência convencional. A tomografia fica reservada a situações especiais em que a radiografia falha por construção: enfisema de subcutâneo extenso, paciente em unidade de terapia intensiva com radiografia no leito, ar septado ou coleção anterior ao pulmão que o raio incidente não separa.

Sobre a medida, o documento brasileiro é explícito quanto à sua própria fragilidade: existem vários métodos para calcular a área do pneumotórax e todos apresentam falhas, porque o colapso do pulmão é irregular e aleatório. A distância entre as pleuras é apenas um valor de referência, a ser considerado junto com o quadro clínico e os demais recursos. Reconhecido isso, para efeito prático a recomendação é adotar a distância entre o ápice do pulmão e a extremidade apical da cavidade pleural: menos de 3 cm é pneumotórax de pequena magnitude, mais de 3 cm é de grande magnitude.

Esse é o número a decorar para a prova nacional, e é preciso decorá-lo com o ponto de medida junto, porque a palavra pequeno tem outro valor em outro documento. A diretriz britânica, mesmo na versão de 2023, ainda chama de pequeno o pneumotórax menor que 2 cm — é assim que ela descreve a gestante que pode ser apenas observada. Dois documentos, duas palavras iguais, dois números diferentes e dois pontos de aferição diferentes: quem guarda o número solto erra a questão que dá o outro.

Corte frontal do tórax adulto. À direita, pulmão normal preenchendo toda a cavidade pleural. À esquerda, pulmão parcialmente colapsado e retraído em direção ao hilo, com a linha fina da pleura visceral separando-o de um espaço de ar junto à parede torácica. Uma marca vertical mede a distância entre o ápice do pulmão colapsado e o ápice da cavidade pleural.
A medida que a régua brasileira usa: do ápice do pulmão ao ápice da cavidade pleural. Abaixo ou acima de 3 cm separa pequena de grande magnitude — e é essa distância, não a impressão do exame físico, que entra na decisão.

Primário, estável e pequeno: a conduta que não faz nada

Paciente com pneumotórax espontâneo primário, oxigenação e sinais vitais mantidos, distância menor que 3 cm: a conduta inicial é sempre conservadora, com analgésicos e repouso relativo. O paciente fica no setor de emergência e é reavaliado clínica e radiologicamente depois de quatro a seis horas. Se estável, pode ser dispensado com reavaliação no dia seguinte e orientação explícita de retornar imediatamente a qualquer mudança dos sintomas.

A ressalva está no risco de progressão, que se concentra nas primeiras horas de sintoma. Por isso o documento registra que manter observação intra-hospitalar por 24 horas, com reavaliação clínica e radiológica nesse período, não é exagero. Confirmada a estabilidade nas primeiras 24 horas, o seguimento passa a ser ambulatorial até a resolução completa, documentada por radiografia.

Há uma manobra que aparece muito em questão e quase nunca na prática: oxigênio em alta dose, na faixa de 10 litros por minuto, acelera a absorção do pneumotórax ao reduzir a pressão alveolar de nitrogênio e forçar passivamente a passagem do ar da cavidade pleural para o alvéolo. O mecanismo é real. O que o documento diz na sequência é que não se trata de conduta prática, porque implica repouso absoluto e internação prolongada. Reconhecer o raciocínio fisiológico sem transformá-lo em conduta padrão é exatamente o que o item cobra.

Primário estável mas grande: aspiração ou dreno fino, e nunca dreno calibroso

Com pneumotórax de grande magnitude, mesmo clinicamente estável, o paciente deve ser hospitalizado por pelo menos 24 horas e submetido a algum procedimento invasivo que assegure a reexpansão do parênquima colapsado. Duas opções abrem esse caminho. A primeira é a simples aspiração do pneumotórax como tratamento inicial: procedimento de baixa morbidade, com índice de sucesso comparável ao da drenagem convencional, e que pode ser repetido em caso de recidiva precoce até a manutenção da expansão completa.

A segunda é a drenagem torácica, que dispensa punções seriadas ao manter a saída do ar de uma eventual fístula. Aqui está um erro frequente de raciocínio: como se está drenando ar, e não sangue nem pus, não há necessidade de dreno calibroso. A recomendação nacional é dreno fino, 12F, tipo pig tail, posicionado na intersecção do segundo espaço intercostal com a linha hemiclavicular ou na intersecção do quinto espaço com a linha axilar anterior, conectado a frasco com selo d'água ou a válvula unidirecional tipo Heimlich. Se o pulmão não reexpande após a drenagem, entra aspiração contínua controlada com pressão negativa de até 20 cmH2O, acompanhada de fisioterapia respiratória.

O contrapeso a ter na cabeça antes de esvaziar depressa um colapso antigo é o edema pulmonar de reexpansão. Pacientes com grandes colapsos de mais de 72 horas de evolução podem desenvolvê-lo após a drenagem, e conforme a intensidade ele evolui para insuficiência respiratória, instabilidade hemodinâmica e óbito. A recomendação é monitorar cuidadosamente quem tem história clínica de duração maior que 48 horas; suspeitando de edema de reexpansão, a assistência é em unidade de terapia intensiva. Pneumotórax de semanas não se trata com pressa.

Paciente instável — oxigenação e sinais vitais alterados — é tratado como o pneumotórax grande, independentemente da medida ser maior ou menor que 3 cm, com a diferença de que o procedimento é urgente. Na impossibilidade de drenagem imediata, por falta de material ou de profissional capacitado, a punção simples com cateter fino descomprime e reverte a gravidade até que a drenagem definitiva seja feita.

Secundário: a regra muda inteira

No secundário, o tratamento primeiro pertence à doença de base — na síndrome de Boerhaave, por exemplo, não basta cuidar do pneumotórax. Controlada a doença primária, o manejo do ar segue as mesmas regras do primário com duas ressalvas que invertem o padrão. A primeira: a internação é obrigatória, mesmo nos casos de pneumotórax diminuto em paciente estável. A segunda: pela maior mortalidade das recidivas, considera-se procedimento de prevenção de recorrência, ou seja pleurodese, já no primeiro episódio.

O procedimento inicial de escolha também muda. No secundário, a drenagem torácica com dreno tubular é sempre o tratamento inicial de escolha, exceto em paciente estável com pneumotórax muito pequeno — laminar, ou menor que 1 cm. A justificativa é a mesma da fisiologia: menor complacência pulmonar, e um pneumotórax aparentemente pequeno já bastando para gerar consequências graves.

A diretriz britânica de 2023 chega ao mesmo lugar por outro caminho ao recomendar que a pleurodese química seja considerada para prevenção de recidiva de pneumotórax secundário — usando como exemplo o paciente com doença pulmonar obstrutiva crônica grave que descompensou de forma significativa na vigência do pneumotórax, mesmo durante ou depois do primeiro episódio. As estimativas agrupadas do documento sustentam a escolha: recidiva de 179 por mil com pleurodese química contra 320 por mil com dreno isolado. O preço aparece na mesma tabela: maior necessidade de opioide para dor após a pleurodese.

O pneumotórax adquirido segue uma lógica própria que vale registrar porque a prova mistura os cenários. No paciente sob ventilação com pressão positiva, a drenagem é sempre obrigatória — o risco de evoluir para hipertensivo não justifica conduta conservadora em hipótese nenhuma. Sem pressão positiva, o iatrogênico segue as regras do primário, com internação obrigatória mesmo nos diminutos, drenagem de quem vai ser transportado, sobretudo por via aérea, e a regra prática de que, em caso de dúvida, é melhor drenar.

Recidiva: os números que justificam operar

A recidiva depois do primeiro episódio varia, conforme a casuística, de 20% a 50%. Depois do segundo episódio, salta para 60% a 80%. A recidiva contralateral aparece nas maiores estatísticas entre 5% e 14%, e chega a 40% em pacientes com menos de vinte anos. Havendo bolhas subpleurais visíveis na radiografia, o número contralateral sobe para 29%, e a 60% no grupo abaixo dos vinte anos. São esses valores, e não a gravidade do episódio, que justificam intervir para controle de recidiva a partir do segundo episódio no mesmo lado, e considerar intervenção na recidiva contralateral.

Diagnosticado o pneumotórax recidivado, não basta reexpandir o pulmão: é preciso um procedimento que controle a recidiva. O tratamento de escolha é a videotoracoscopia. Identificada a região suspeita pela origem do vazamento — tipicamente bolhas subpleurais —, faz-se a ressecção do segmento com grampeadores lineares cortantes. Alguma forma de pleurodese deve sempre complementar o procedimento: abrasão pleural simples ou pleurectomia apical. A pleurodese por aspersão de talco, até 5 gramas, pode ser realizada, mas é controversa pelos efeitos colaterais sistêmicos relatados com o talco intrapleural.

Os resultados sustentam a escolha da via minimamente invasiva sem escondê-la: as grandes revisões apontam insucesso terapêutico entre 6,6% e 10% com toracoscopia, contra 3% ou menos com toracotomia — há casuística com recorrência de apenas 0,4%. As taxas de complicação são superponíveis, de 8% a 10% nas duas vias. Como a toracotomia, por menor que seja, gera agressão cirúrgica maior, ela fica reservada aos serviços sem os recursos de videocirurgia e aos casos de insucesso do tratamento por toracoscopia.

A revisão britânica de 2023 mede a mesma comparação com outra régua e chega a um retrato mais fino: com videotoracoscopia a internação é 3,66 dias mais curta e as complicações caem para 99 por mil contra 138 por mil da toracotomia, com menor necessidade de analgesia pós-operatória; em troca, a recidiva é discretamente maior, 31 por mil contra 15 por mil, sendo baixa nas duas técnicas, sem diferença de mortalidade. E, quanto ao que se faz dentro do tórax, a revisão não encontrou diferença entre bulectomia e pleurodese cirúrgica em recidiva, internação, duração da fístula, complicações ou mortalidade — a recomendação é considerar pleurodese cirúrgica e/ou bulectomia, sem hierarquia entre as duas.

Dreno, alta e a vida depois do episódio

O acompanhamento de quem está drenado tem quatro alvos: expansão pulmonar adequada, bom funcionamento do dreno, presença de fístula aérea e volume drenado. Isso se traduz em exame clínico e radiografias periódicas. Uma regra explícita: não se deve clampear os drenos habitualmente. Em especial na vigência de fístula aérea, o clampeamento pode piorar o pneumotórax e chegar a produzir um hipertensivo — o teste de clampeamento é a manobra que transforma um problema controlado em emergência.

A retirada do dreno exige três condições simultâneas: ausência de fístula aérea, volume líquido de drenagem baixo, menor ou igual a 100 mL por dia, e expansão pulmonar total. Quanto à fístula, convém manter a drenagem por pelo menos 24 horas após a última evidência de escape de ar antes de retirar o dreno.

Depois da alta, retornos periódicos para exame clínico e radiológico. Durante o primeiro mês não é recomendável esforço físico; atividades sociais e profissionais são liberadas quinze dias após a resolução completa do quadro. A diretriz britânica acrescenta a essa lista o que o paciente precisa ouvir antes de sair: orientação verbal e escrita para retornar imediatamente ao pronto-socorro se houver nova falta de ar, seguimento com pneumologista, radiografia de controle em 2 a 4 semanas para quem foi apenas observado ou aspirado, e reforço sobre cessação do tabagismo, que influencia o risco de recidiva.

Duas orientações de vida são cobradas nominalmente. Voo comercial: paciente com pneumotórax fechado persistente e não resolvido na radiografia não deve voar; com resolução radiológica documentada, pode voar 7 dias depois da radiografia que mostra a resolução completa — e a razão dos 7 dias é excluir recidiva precoce, não a pressurização em si. Mergulho autônomo com cilindro: deve ser desencorajado permanentemente após um pneumotórax, a menos que se tenha realizado uma estratégia definitiva e muito segura de prevenção, como a pleurectomia cirúrgica. Note a assimetria — o voo libera com o tempo, o mergulho só libera com cirurgia.

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A régua da decisão: quem observa, quem aspira, quem drena, quem opera

A sequência abaixo é a do documento nacional, que decide por três variáveis em ordem fixa: etiologia (primário ou secundário), estabilidade clínica e magnitude. Só depois de percorrida a sequência é que entra a pergunta da prevenção de recidiva. Um alerta sobre a primeira tabela: nela, pequeno e grande significam menos ou mais de 3 cm entre o ápice do pulmão e o ápice da cavidade pleural — a medida do capítulo da SBPT.

  1. 1Há instabilidade hemodinâmica ou respiratória, ou suspeita de hipertensivo? Se sim, descompressão e drenagem com urgência, independentemente da medida — e o algoritmo de tamanho para aqui.
  2. 2O paciente está sob ventilação com pressão positiva? Se sim, drenagem obrigatória, sem espaço para conduta conservadora.
  3. 3Há doença pulmonar de base conhecida? Se sim, é secundário: internação obrigatória, mesmo em pneumotórax diminuto.
  4. 4Sendo primário e estável, medir a distância do ápice do pulmão ao ápice da cavidade pleural: menos de 3 cm segue conservador com reavaliação em 4 a 6 horas; mais de 3 cm exige internação de pelo menos 24 horas e procedimento que assegure a reexpansão.
  5. 5Sendo secundário e estável, drenar com dreno tubular, exceto no pneumotórax laminar ou menor que 1 cm, que pode ser observado internado.
  6. 6Perguntar a recidiva: é o primeiro episódio primário sem critério do quadro de exceção? Só reexpandir. É segundo episódio ipsilateral, recidiva contralateral, ou secundário com descompensação importante? Associar prevenção de recorrência.
CenárioInternaçãoProcedimento inicialPrevenção de recidiva no episódio
Primário, estável, pequeno (< 3 cm)Observação 4-6 h no pronto-socorro; 24 h intra-hospitalar não é exageroNenhum — analgésico e repouso relativoNão, salvo critério do quadro de exceção
Primário, estável, grande (> 3 cm)Pelo menos 24 hAspiração simples ou dreno fino 12F pig tail em selo d'águaNão, salvo critério do quadro de exceção
Primário, instável (qualquer tamanho)SimDescompressão e drenagem com urgênciaAvaliar após estabilizar
Secundário, estável, laminar ou < 1 cmObrigatóriaObservação sob internaçãoConsiderar já no 1º episódio
Secundário, demais casosObrigatóriaDreno tubularConsiderar já no 1º episódio
Iatrogênico sob ventilação com pressão positivaSimDrenagem obrigatóriaNão se aplica
Recidiva ipsilateral (2º episódio)SimVideotoracoscopia com ressecção da bolhaSim — abrasão, pleurectomia apical ou talco

Risco de recidiva — os números que justificam a cirurgia

SituaçãoRisco de novo pneumotóraxO que o número justifica
Após o 1º episódio20% a 50%Reexpandir e observar; risco alto mas não suficiente para operar de rotina
Após o 2º episódio ipsilateral60% a 80%Indicação de intervenção para controle de recidiva
Recidiva contralateral (geral)5% a 14%Considerar intervenção
Recidiva contralateral, menor de 20 anos40%Peso adicional a favor de intervir
Contralateral com bolhas visíveis na radiografia29%Bolha visível é agravante do risco, não achado incidental
Contralateral com bolhas, menor de 20 anos60%Maior risco descrito na série; intervenção precoce entra na conversa

Quando o PRIMEIRO episódio já vai para a mesa — as duas listas

SituaçãoSBPT / J Bras Pneumol, 2006BTS, 2023
Fístula aérea persistenteToracoscopia a partir do 4º dia (indicação não consensual no próprio documento)Avaliação cirúrgica após 5 a 7 dias de drenagem
Falha de expansão apesar da drenagemSim — cavidade aérea persistenteSim
Hemotórax associadoSimSim — hemotórax espontâneo
Primeiro episódio que cursou com hipertensivoNão listado como talSim
Primeiro secundário com repercussão fisiológica importanteNão listado como talSim
Reserva pulmonar comprometida (pneumectomia, grandes ressecções, sequela contralateral)SimNão listado como item próprio
Profissão de risco (mergulhador, aviador, piloto)SimSim, mesmo após episódio único
Bolhas visíveis em radiografia ou tomografiaSimNão consta da lista
TabagismoSimNão consta da lista de indicação cirúrgica; entra como orientação de cessação
Episódio contralateral prévioSimSim — primeiro contralateral
Pneumotórax espontâneo bilateral simultâneoNão listadoSim
GestaçãoNão listadoSim

Instabilidade e ventilação com pressão positiva vêm antes de qualquer medida: nesses dois cenários o tamanho não participa da decisão.

A medida de 3 cm é entre o ápice do pulmão e a extremidade apical da cavidade pleural, e não entre pleuras no hilo. O documento que a recomenda avisa, na mesma página, que todo método de cálculo tem falhas porque o colapso pulmonar é irregular e aleatório.

Drenar ar não exige dreno calibroso: a recomendação nacional é 12F tipo pig tail. Dreno grosso é conversa de hemotórax e de empiema, não de pneumotórax.

Colapso com mais de 48 a 72 horas de evolução exige vigilância para edema pulmonar de reexpansão depois da drenagem.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

O que dispara o procedimento: a medida do pneumotórax ou o sintoma do paciente

O tamanho decide — SBPT, 2006, seguindo o consenso do ACCP de 2001

Primário estável com distância maior que 3 cm entre ápice pulmonar e ápice da cavidade pleural exige internação de pelo menos 24 horas e um procedimento invasivo que assegure a reexpansão, ainda que o paciente esteja confortável. Abaixo de 3 cm, conduta conservadora com reavaliação em 4 a 6 horas.

Andrade Filho LO, Campos JRM, Haddad R. Pneumotórax. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 4):S212-S216.

O sintoma decide — BTS, 2023

O documento afirma que o tamanho do pneumotórax deixou de ser indicação de manejo invasivo, servindo apenas para dizer se é seguro intervir. O manejo conservador pode ser considerado no primário minimamente sintomático — sem dor ou falta de ar significativas e sem repercussão fisiológica — ou assintomático, independentemente do tamanho. O manejo ambulatorial com dispositivo de válvula unidirecional é a opção inicial onde houver estrutura e seguimento; aspiração ou dreno ficam para quem não se enquadra nas duas primeiras.

Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Suppl 3):s1-s42.

Na prova

A causa é dupla: data e base de evidência. O capítulo brasileiro é de 2006 e se apoia em documentos de 2001 e 2003; os ensaios que sustentam a virada britânica só apareceram depois — o principal deles randomizou 316 pacientes de 14 a 50 anos com primeiro episódio unilateral moderado a grande e mostrou reexpansão em 8 semanas de 94,4% no conservador contra 98,5% no intervencionista. A revisão que a BTS fez em cima desse conjunto estimou recidiva de 111 por mil no manejo conservador contra 179 por mil na drenagem. Como identificar o recorte: enunciado que fornece a medida em centímetros e usa as palavras pequena ou grande magnitude, ou que se passa em pronto-socorro brasileiro sem menção a diretriz estrangeira, está no corpo nacional; enunciado que descreve o paciente como minimamente sintomático, que cita a British Thoracic Society, que oferece manejo ambulatorial com válvula unidirecional entre as alternativas, ou que traz a expressão independentemente do tamanho, está no corpo britânico de 2023. Prova oficial do MEC tende a conduta do SUS; nas demais bancas, o distrator denuncia o mundo — alternativa com dispositivo ambulatorial de válvula só existe no documento de 2023.

Quem é secundário: o critério é a doença pulmonar ou também idade e tabagismo

Secundário é quem tem doença pulmonar conhecida — SBPT, 2006

A classificação é etiológica. O pneumotórax é secundário quando ocorre como complicação de doença pulmonar conhecida: doença pulmonar obstrutiva crônica, neoplasia, infecção, rotura espontânea do esôfago, fibrose cística, síndrome de Marfan, granuloma eosinofílico, além das formas catamenial e neonatal. Um fumante de 55 anos sem doença diagnosticada e com parênquima sem alteração conhecida é classificado como primário.

Andrade Filho LO, Campos JRM, Haddad R. Pneumotórax. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 4):S212-S216.

Secundário inclui quem tem mais de 50 anos e história de tabagismo — BTS, 2023

Além da doença pulmonar estabelecida, o documento caracteriza como secundário o paciente com mais de 50 anos e história de tabagismo. A justificativa declarada é que séries de casos mostram que esse grupo pode responder de forma diferente à aspiração por agulha em comparação com pacientes mais jovens ou não fumantes. O mesmo documento registra que a distinção entre primário e secundário nunca significou parênquima normal — a maioria dos primários tem alterações do tipo enfisematoso na tomografia —, e sim que manejo e desfecho diferem entre os dois grupos.

Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Suppl 3):s1-s42.

Na prova

A causa é de construto: o rótulo deixou de nomear a origem do ar e passou a nomear o comportamento clínico diante do tratamento. A consequência prática é grande, porque no corpo brasileiro o secundário tem internação obrigatória, dreno tubular como procedimento inicial e prevenção de recidiva já no primeiro episódio. O mesmo homem de 55 anos, fumante, radiografia sem doença conhecida, é primário num documento e secundário no outro — e sai da emergência de dois jeitos diferentes. Como identificar o recorte: enunciado que oferece a idade e o tabagismo com destaque, sem doença pulmonar diagnosticada, e que cita a diretriz britânica, está pedindo a leitura de 2023; enunciado que descreve doença pulmonar obstrutiva crônica, neoplasia ou fibrose cística explícitas está no terreno onde os dois documentos concordam, e a idade é ruído.

O relógio da fístula aérea persistente e o que mais leva o primeiro episódio à cirurgia

Quarto dia, com bolhas e tabagismo na lista — SBPT, 2006

A toracoscopia pode ser indicada a partir do quarto dia de fístula aérea persistente, e o próprio documento registra que essa indicação não é aceita de forma consensual. O quadro de indicações no primeiro episódio inclui, além da falha do tratamento com drenagem, três grupos: reserva pulmonar comprometida (pneumectomia, grandes ressecções, sequela contralateral), profissões de risco (mergulhadores, aviadores) e chance de recorrência muito elevada — nesta última entram bolhas visíveis em radiografia ou tomografia, episódio contralateral prévio e tabagismo.

Andrade Filho LO, Campos JRM, Haddad R. Pneumotórax. J Bras Pneumol. 2006;32(Supl 4):S212-S216.

Cinco a sete dias, com bilateral e gestação na lista — BTS, 2023

A fístula aérea persistente entra como indicação aceita de avaliação cirúrgica após 5 a 7 dias de drenagem torácica. A lista traz itens ausentes do documento brasileiro — primeiro episódio que cursou com hipertensivo, primeiro secundário com repercussão fisiológica importante, pneumotórax espontâneo bilateral simultâneo e gestação — e não traz bolhas visíveis nem tabagismo como indicação cirúrgica. O documento enquadra a decisão como um balanço entre a redução do risco de recidiva e o custo de dor crônica e parestesia.

Roberts ME, Rahman NM, Maskell NA, et al. British Thoracic Society Guideline for pleural disease. Thorax. 2023;78(Suppl 3):s1-s42.

Na prova

Há duas causas empilhadas. Uma é de data — dezessete anos separam as listas. A outra é de método de construção: o quadro brasileiro é consenso de especialistas, e o próprio texto assume que a indicação do quarto dia não é consensual; a lista britânica é o resíduo de uma revisão sistemática com GRADE, e o que não sobreviveu à revisão saiu. Como identificar o recorte: enunciado que dá o número de dias de escape aéreo pelo dreno é a pista mais limpa — quarto dia é vocabulário do documento nacional, quinto a sétimo dia é do britânico. Enunciado que traz tabagismo ou bolha na tomografia como argumento para operar já no primeiro episódio está no corpo brasileiro; enunciado com gestante ou com pneumotórax bilateral simultâneo está no corpo britânico, porque essas duas situações não aparecem no quadro de 2006.

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Caso resolvido

Homem de 23 anos, 1,88 m, magro, tabagista de 6 maços-ano, chega ao pronto-socorro com dor torácica esquerda de início súbito há 5 horas, começada enquanto assistia televisão, e falta de ar leve. Nega trauma, febre e procedimento recente. Sem doença pulmonar conhecida. Frequência respiratória 20 irpm, saturação 96% em ar ambiente, pressão arterial 124/78 mmHg, frequência cardíaca 92 bpm. À ausculta, murmúrio vesicular reduzido em todo o hemitórax esquerdo, com timpanismo à percussão. Radiografia de tórax: linha da pleura visceral visível à esquerda, com distância de 4 cm entre o ápice do pulmão e o ápice da cavidade pleural.
classificação
Pneumotórax espontâneo primário: jovem, longilíneo, tabagista, sem doença pulmonar conhecida, quadro iniciado em repouso — que é a regra, e não a exceção. O mecanismo é a rotura de bleb apical.
estabilidade
Estável: oxigenação e sinais vitais mantidos, sem hipotensão, sem turgência jugular, sem desvio de traqueia. Sem elemento de hipertensivo, o algoritmo de tamanho vale.
magnitude
Distância de 4 cm entre o ápice do pulmão e o ápice da cavidade pleural: pneumotórax de grande magnitude pela régua nacional, que corta em 3 cm. O achado de exame físico não entra nessa medida — murmúrio abolido não gradua nada.
conduta
Internação por pelo menos 24 horas e procedimento que assegure a reexpansão. Duas opções válidas: aspiração simples, de baixa morbidade e sucesso comparável ao da drenagem, ou dreno fino 12F tipo pig tail em selo d'água, posicionado no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular ou no quinto espaço na linha axilar anterior. Dreno calibroso não tem lugar aqui — está se drenando ar.
se não reexpandir
Aspiração contínua controlada, com pressão negativa de até 20 cmH2O, associada a fisioterapia respiratória. Sintomas de 5 horas afastam a preocupação imediata com edema de reexpansão, que se concentra em colapsos de mais de 48 a 72 horas.
prevenção de recidiva
Primeiro episódio primário, sem fístula persistente, sem hemotórax, sem profissão de risco e sem comprometimento de reserva pulmonar: não se opera agora. O risco de recidiva de 20% a 50% é alto, mas é o segundo episódio ipsilateral, com 60% a 80%, que muda a indicação. O tabagismo, porém, consta do quadro brasileiro de chance de recorrência muito elevada — o que torna a cessação parte do plano, não conselho de rodapé.
alta
Retirada do dreno com ausência de fístula aérea, drenagem menor ou igual a 100 mL por dia e expansão total, mantendo o dreno por pelo menos 24 horas após a última evidência de escape. Sem clampeamento de teste. Orientações: sem esforço físico no primeiro mês, atividades sociais e profissionais liberadas 15 dias após a resolução completa, e retorno imediato se voltar a falta de ar.
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Agora feche você

Mulher de 66 anos, ex-tabagista de 45 maços-ano, com doença pulmonar obstrutiva crônica em uso de broncodilatador de longa ação, chega com piora da dispneia habitual há 8 horas e dor no hemitórax direito. Frequência respiratória 26 irpm, saturação 89% em ar ambiente, pressão arterial 132/80 mmHg, frequência cardíaca 104 bpm, sem turgência jugular e sem desvio de traqueia. Ausculta com murmúrio globalmente reduzido, sem assimetria evidente — o padrão de base já era esse. Radiografia de tórax mostra pneumotórax à direita, com distância de 2 cm entre o ápice do pulmão e o ápice da cavidade pleural.
classificação
Pneumotórax espontâneo secundário: há doença pulmonar obstrutiva crônica estabelecida. Os dois documentos concordam neste rótulo — aqui a idade e o tabagismo são ruído, porque a doença de base já resolve a classificação.
armadilha da medida
Dois centímetros é pneumotórax de pequena magnitude pela régua de 3 cm. No primário, isso autorizaria observação e alta em 4 a 6 horas. Aqui não autoriza.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Guardar o número sem o documento: pequeno tem dois valores e dois pontos de medida O corte brasileiro é 3 cm entre o ápice do pulmão e a extremidade apical da cavidade pleural. A diretriz britânica chama de pequeno o pneumotórax menor que 2 cm — é assim que ela descreve a gestante que pode ser apenas observada. Quem decora 2 cm erra a questão nacional, e quem decora 3 cm erra a questão que cita a British Thoracic Society. O número só é útil colado ao documento e ao ponto de aferição.
  2. 2Chamar de primário o fumante de 55 anos porque a radiografia não mostra doença Atrai porque a definição clássica é etiológica: sem doença pulmonar conhecida, é primário. A diretriz britânica de 2023 caracteriza como secundário quem tem mais de 50 anos e história de tabagismo, pela resposta diferente à aspiração por agulha descrita em séries de casos. Enunciado que insiste na idade e no tabagismo, e cita a BTS, está montando exatamente essa mudança de rótulo — e, com ela, muda internação, procedimento inicial e prevenção de recidiva.
  3. 3Usar o exame físico para graduar a magnitude do pneumotórax Murmúrio abolido e timpanismo francos sugerem pneumotórax, não medem pneumotórax. O documento nacional registra que em muitas situações os achados clínicos não refletem o tamanho. A dispneia depende de três variáveis simultâneas — volume, velocidade de acúmulo e reserva cardiopulmonar —, o que faz o mesmo tamanho parecer trivial num jovem e catastrófico num enfisematoso.
  4. 4Clampear o dreno para testar antes de retirar Parece prudência e é o contrário. A recomendação é explícita: não se deve clampear os drenos habitualmente, e em vigência de fístula aérea o clampeamento pode piorar o pneumotórax e chegar a produzir um hipertensivo. Os critérios de retirada são objetivos e dispensam teste: ausência de fístula, drenagem menor ou igual a 100 mL por dia, expansão total, e pelo menos 24 horas de dreno após a última evidência de escape.
  5. 5Esvaziar depressa o colapso antigo Grandes colapsos com mais de 72 horas de evolução podem cursar com edema pulmonar de reexpansão depois da drenagem, que conforme a intensidade evolui para insuficiência respiratória, instabilidade hemodinâmica e óbito. A recomendação é vigilância cuidadosa já a partir de 48 horas de história, e unidade de terapia intensiva à suspeita. Pneumotórax de semanas não se trata com pressa.
  6. 6Escolher dreno calibroso porque o pneumotórax é grande O calibre do dreno segue o que está sendo drenado, não o tamanho da coleção. Como se drena ar, a recomendação nacional é dreno fino 12F tipo pig tail, conectado a selo d'água ou a válvula unidirecional tipo Heimlich. Dreno grosso pertence ao hemotórax e ao empiema — assunto de outro capítulo desta apostila.
  7. 7Tratar pneumotórax pequeno de forma conservadora em paciente sob ventilação com pressão positiva Sob pressão positiva a drenagem é sempre obrigatória, e o texto não abre exceção de tamanho: o risco de evolução para hipertensivo não justifica conduta conservadora em hipótese nenhuma. A mesma lógica sustenta drenar antes de transporte, sobretudo aéreo.
  8. 8Liberar mergulho depois da resolução radiológica Voo e mergulho têm réguas diferentes e a assimetria é o item. Com resolução radiológica documentada, o voo comercial é liberado 7 dias depois da radiografia — o intervalo existe para excluir recidiva precoce. O mergulho autônomo com cilindro deve ser desencorajado permanentemente após um pneumotórax, a menos que se tenha feito uma prevenção definitiva e muito segura, como a pleurectomia cirúrgica. Tempo libera voo; só cirurgia libera mergulho.
  9. 9Transformar o oxigênio a 10 litros por minuto em conduta padrão O mecanismo é verdadeiro: oxigênio em alta dose reduz a pressão alveolar de nitrogênio e acelera a absorção do ar pleural. A frase seguinte do documento é a que a questão cobra — não é conduta prática, porque implica repouso absoluto e internação prolongada. Alternativa que oferece oxigênio a 10 L/min como tratamento do pneumotórax pequeno explora o fato de o candidato lembrar do mecanismo e esquecer da ressalva.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Trata-se de pneumotórax espontâneo primário grande (> 2–3 cm) com sintomas, cuja conduta indicada é a drenagem torácica em selo d'água. Observação isolada aplica-se a pneumotórax pequeno e pouco sintomático. Punção de alívio no 2º EIC é a manobra de emergência do pneumotórax hipertensivo — aqui a traqueia está centrada e não há instabilidade. Toracotomia de urgência é desproporcional para o primeiro episódio. Pleurodese é considerada em recidivas, não no manejo agudo inicial.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Diga em voz alta os três nós na ordem: instabilidade ou ventilação com pressão positiva primeiro, depois primário ou secundário, depois a medida de 3 cm entre ápice do pulmão e ápice da cavidade pleural. Some os quatro números da recidiva: 20% a 50% após o primeiro episódio, 60% a 80% após o segundo, 5% a 14% contralateral, 40% abaixo dos 20 anos. Termine dizendo por que o secundário interna sempre.

em 30 dias

Reconstrua as duas divergências que mudam conduta: o tamanho como gatilho (SBPT 2006, 3 cm) contra o sintoma como gatilho (BTS 2023, independentemente do tamanho); e a definição de secundário por doença pulmonar contra a definição por idade acima de 50 anos mais tabagismo. Depois recite os três critérios de retirada do dreno e a regra dos 7 dias para voar e do desencorajamento permanente do mergulho.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Rapaz de 21 anos, alto e magro, chega ao pronto-socorro com dor torácica esquerda súbita e falta de ar, iniciadas em repouso. Nega trauma. Você tem cinco minutos para classificar o pneumotórax, decidir se ele precisa de procedimento e explicar ao paciente por que ele vai ou não ficar internado — e o que muda se o segundo episódio acontecer. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Pneumotórax espontâneo: o tamanho, o sintoma e a recidiva — Preparatório para provas | OsceLabs