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Aneurisma de aorta abdominal
São duas doenças no mesmo nome. No assintomático, tudo é medida: o diâmetro decide o intervalo do ultrassom e decide a hora de operar — e nada do que você prescreve encolhe o aneurisma. No roto, o relógio manda, a régua muda e a pressão que você deixa o paciente ter passa a ser conduta.
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Homem de 70 anos, tabagista, assintomático, realiza ultrassonografia abdominal de rotina que evidencia aneurisma de aorta abdominal infrarrenal com diâmetro máximo de 4,3 cm. Ele está bem, sem dor. Qual a conduta mais apropriada?
Como esse tema cai
Este capítulo trata do aneurisma da aorta abdominal infrarrenal degenerativo, do achado incidental no ultrassom até a rotura. São dois cenários com lógicas opostas, e a prova cobra os dois. No assintomático, nada é urgente e tudo é medida: o diâmetro define quando repetir o exame e define quando operar, e o intervalo de reavaliação por faixa de diâmetro é o conteúdo mais cobrado do tema. No roto, o diâmetro deixa de importar, a sala de cirurgia é o destino e a pressão arterial que você aceita deixar o paciente ter vira decisão terapêutica.
A rotura também aparece no capítulo de abdome agudo hemorrágico, mas aqui a decisão de imagem precisa de uma ressalva de segurança. A angiotomografia define anatomia e permite planejar EVAR quando o paciente mantém perfusão suficiente para atravessar o exame sem atrasar o controle. No colapso refratário ou na deterioração extrema, não se impõe tomografia: o destino é controle aórtico imediato, geralmente por cirurgia aberta, conforme recurso e anatomia presumida. Este capítulo desenvolve a hipotensão permissiva e a escolha entre reparo endovascular e aberto sem transformar a imagem em etapa obrigatória para quem não a tolera.
Aneurisma torácico, dissecção de aorta e aneurisma infeccioso (micótico) ficam fora — são outras doenças, com outro corte de tamanho e outra conduta, e o documento brasileiro exclui as três do escopo explicitamente. Aneurisma de artéria ilíaca e aneurisma poplíteo aparecem só quando mudam a conduta do aneurisma aórtico.
A régua nacional aqui é dupla, e as duas se somam sem se contradizer. As Diretrizes Brasileiras para o Tratamento de Aneurisma da Aorta Abdominal, aprovadas pela Portaria SAS nº 488 de 2017 a partir de relatório da Conitec, são o documento de caráter nacional que os gestores usam para regular acesso e autorização do procedimento no SUS: elas decidem quem se opera e por qual técnica, e declaram que não avaliaram o tratamento clínico. Rastreamento, intervalo de vigilância, controle medicamentoso e seguimento pós-operatório não estão nelas — esses vêm da diretriz da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, publicada em 2023 no Jornal Vascular Brasileiro. Não há programa de rastreamento populacional de aneurisma de aorta no SUS: o corte de idade e o exame que você vai ver adiante são recomendação de sociedade, não política nacional, e é por isso que a questão de rastreamento quase sempre traz uma sociedade nominalmente no enunciado.
O que muda decisão
Três centímetros, e o que esse número esconde
O diâmetro máximo normal da aorta abdominal do adulto é 2,0 cm. Chama-se aneurisma a dilatação que atinge 3,0 cm ou 50% acima do diâmetro esperado para aquele segmento — as duas definições são oficiais e convivem no mesmo parágrafo do documento brasileiro. A diretriz da SBACV usa a mesma ideia com outra formulação estatística: dilatação de dois desvios-padrão, ou 50% a mais que o diâmetro esperado para aquela artéria naquela região.
Guarde a definição proporcional, porque ela resolve dois tipos de questão. Primeiro, a aorta de 2,8 cm num homem grande não é aneurisma pelo corte absoluto, mas 2,8 cm num segmento cujo diâmetro esperado é 1,7 cm já é dilatação de mais de 50%. Segundo, ela é a única definição que funciona fora da aorta: aneurisma de ilíaca, de poplítea e de femoral não têm um corte absoluto de 3,0 cm, e a régua é sempre a proporção contra o segmento normal adjacente. Entre 2,5 e 2,9 cm a aorta é chamada de ectásica — não é aneurisma, mas também não é normal, e a SBACV prevê para ela um retorno de imagem em 5 a 10 anos.
Aneurisma da aorta abdominal responde por 90% a 95% de todos os aneurismas de aorta. A prevalência é de cerca de 2% na população de 60 anos e de aproximadamente 5% após os 70 — e é doença de homem, 2 a 3 vezes mais frequente segundo o documento nacional, 4 a 6 vezes segundo a comparação direta de coortes. O achado é tipicamente incidental: ultrassom pedido para outra coisa, tomografia de abdome por dor lombar, aorta calcificada notada numa radiografia.
O risco que importa é um só: a rotura. É evento de alta letalidade, e no Brasil, entre 2000 e 2016, cerca de 38 mil pessoas morreram como consequência direta dela. O dado que muda a leitura da estatística hospitalar é que boa parte dessas mortes acontece fora do hospital — as séries americanas estimam que o número de óbitos por rotura seja o dobro ou o triplo do que se conta entre os que chegam vivos ao pronto-socorro. Ou seja: a mortalidade operatória do roto, alta como é, já é a mortalidade dos sobreviventes do trajeto.

Fatores de risco em ordem de força — e a surpresa do diabetes
A SBACV lista os fatores de risco com o tamanho do efeito, e a ordem é diferente da que a intuição sugere. História familiar de aneurisma é o mais forte, com odds ratio de 9,64 (IC95% 1,72-53,98). Depois vêm tabagismo, 2,97 (1,20-7,30); doença coronariana, 2,29 (1,75-3,01); e hipertensão arterial, 1,55 (1,02-2,34). Sexo masculino aumenta o risco entre 4,26 e 8,25 vezes, média de 5,93. Idade é o fator de escala: acima dos 65 anos o risco é quase 200 vezes o da faixa de 40 a 44 anos.
Duas leituras práticas saem dessa lista. A primeira: história familiar bate tabagismo em magnitude, e é por isso que ela é o único fator que muda a recomendação de rastreamento em ambos os sexos. A segunda: o intervalo de confiança da história familiar é enorme (1,72 a 53,98), o que quer dizer que a estimativa é imprecisa — o efeito é grande e certo na direção, incerto no tamanho. Tabagismo, com efeito menor, é o fator que mais importa na conduta, porque é o único modificável dessa lista que também acelera o crescimento e a rotura do aneurisma que já existe.
A parte contraintuitiva é o diabetes. Fator de risco cardiovascular clássico, motor da doença coronariana e da doença arterial periférica, e aqui ele não aparece: a SBACV registra odds ratio de 1,18 com intervalo de confiança de 0,99 a 1,41. Como o intervalo cruza o 1,0, a conclusão do documento é literal e vale decorar na formulação dela — a partir das evidências atuais, ser diabético não é fator de risco significativo, mas também não é fator de proteção. A literatura mais antiga chegou a tratar o diabetes como protetor, por causa de séries em que diabéticos tinham aneurismas menores e de crescimento mais lento, provavelmente por diferença na matriz da parede arterial. A afirmação que a banca cobra é a atual: neutro, nem risco nem proteção. Alternativa que diz "o diabetes protege" é distrator, e alternativa que o lista entre os fatores de risco também.
Aneurisma de aorta abdominal costuma andar acompanhado. Quem tem aneurisma periférico — poplíteo, sobretudo — tem chance alta de ter também um aneurisma aórtico, e a recíproca vale: a SBACV recomenda rastreamento nesse grupo a cada 5 a 10 anos. Aneurisma poplíteo bilateral em homem idoso é indicação de examinar a aorta, e essa é uma associação que aparece em questão de raciocínio.
Rastreamento: uma ultrassonografia, uma vez, num homem
O rastreamento do aneurisma de aorta abdominal é um dos poucos rastreamentos de imagem com um desenho tão econômico que vale decorar inteiro: ultrassonografia abdominal, uma única vez, no homem acima de 65 anos. É o que recomenda a SBACV — ecografia abdominal isolada — e a lógica do "uma vez só" é a que a prova testa. Se a aorta mede menos de 2,5 cm aos 65 anos, a chance de esse homem desenvolver um aneurisma de tamanho cirúrgico no resto da vida é pequena o suficiente para não justificar repetir o exame. Rastreamento negativo aqui é alta, não convite para retorno anual.
O exame é ultrassom por três razões que costumam virar alternativa: é barato, não é invasivo e não usa radiação nem contraste, e sua acurácia para medir o diâmetro máximo da aorta infrarrenal é excelente. Tomografia não é exame de rastreamento de aneurisma — ela entra depois, para planejar a operação. A limitação do ultrassom é operador-dependência e obesidade ou distensão gasosa, que podem impedir a medida; e ele avalia mal a aorta suprarrenal e as ilíacas.
Duas situações escapam da regra do exame único. História familiar de aneurisma de aorta abdominal justifica rastreamento de rotina em ambos os sexos, segundo a SBACV — é a única circunstância em que a mulher entra no rastreamento pela régua brasileira de sociedade. E quem tem aneurisma periférico conhecido é rastreado a cada 5 a 10 anos.
No Brasil, esse rastreamento não é programa: não há política nacional de rastreamento populacional de aneurisma de aorta no SUS, e as Diretrizes aprovadas pela Portaria SAS nº 488 de 2017 tratam de tratamento — quem operar e por qual técnica —, não de busca ativa de casos. Isso explica dois fatos de prova. Primeiro, a recomendação de idade e exame que você vai marcar vem de sociedade, brasileira ou estrangeira. Segundo, na prática do SUS o aneurisma assintomático chega quase sempre como achado incidental de exame pedido por outro motivo, e não por convocação de faixa etária — o que faz do reconhecimento do achado incidental, e do que fazer com ele, a habilidade que realmente se cobra.
Vigilância: o diâmetro escolhe o intervalo
Diagnosticado o aneurisma pequeno, começa a vigilância, e o intervalo sai do diâmetro. A tabela da SBACV é o conteúdo mais cobrado deste capítulo e está no bloco de critério, inteira. A lógica dela é simples e ajuda a reconstruir a tabela se a memória falhar na hora: quanto maior o aneurisma, mais rápido ele cresce e mais perto está do corte cirúrgico, então mais curto é o intervalo. Aorta ectásica, de 2,5 a 2,9 cm, volta em 5 a 10 anos. De 3 a 3,9 cm, a cada 3 anos. De 4 a 4,9 cm, anualmente. A partir de 5 cm, a cada 3 a 6 meses.
Existe uma segunda régua, e ela é a que vale para autorizar procedimento no SUS: as Diretrizes Brasileiras de 2017 recomendam que os pacientes com aneurisma entre 4,0 e 5,5 cm sejam acompanhados com avaliação clínica e exame de imagem a cada 6 meses. É intervalo mais curto que o anual da SBACV na faixa de 4 a 4,9 cm, e a divergência está registrada adiante com o ano de cada documento. O que as duas réguas têm em comum é mais importante que a diferença: aneurisma pequeno não se opera, se mede.
As taxas médias de crescimento explicam por que os intervalos são esses. Abaixo de 5 cm, o aneurisma cresce em média 0,26 cm por ano; acima de 5 cm, cerca de 0,5 cm por ano. Com 0,26 cm por ano, um aneurisma de 3,5 cm precisa de anos para chegar perto de 5,5 cm — três anos de intervalo não deixam passar nada. Com 0,5 cm por ano, um aneurisma de 5,2 cm cruza o corte cirúrgico em menos de um ano, e aí o intervalo de 3 a 6 meses é o que garante pegá-lo no momento certo.
O exame de vigilância é o ultrassom, pelo mesmo motivo do rastreamento: repetir tomografia com contraste a cada seis meses por anos em um idoso é dose de radiação e de nefrotoxicidade sem retorno. A tomografia entra quando a decisão passa a ser operar — para medir colo proximal, avaliar as ilíacas e definir se a anatomia serve para endoprótese. Um detalhe técnico que gera pergunta: o diâmetro que conta é o maior diâmetro transverso externo, perpendicular ao eixo do vaso, e o trombo mural dentro do saco faz parte da medida do saco, não se subtrai.
Quando operar: 5,5 no homem, 5,0 na mulher, e o crescimento rápido
Três coisas indicam correção eletiva de um aneurisma de aorta abdominal, e a prova cobra as três. A primeira é o diâmetro: 5,5 cm no homem e 5,0 cm na mulher, pela diretriz da SBACV. A segunda é a velocidade de crescimento, independentemente do tamanho absoluto: crescimento maior que 0,5 cm em 6 meses ou 1,0 cm em 1 ano é considerado critério primário para o reparo eletivo. A terceira é o sintoma: dor abdominal ou lombar significativa atribuível ao aneurisma indica correção qualquer que seja o diâmetro.
O corte de 5,5 cm não é convenção arbitrária, é resultado de ensaio. Quatro estudos randomizados compararam intervir cedo — cirurgia aberta ou endoprótese — com apenas vigiar aneurismas entre 4,0 e 5,5 cm, e nenhum mostrou vantagem na mortalidade: risco relativo de 1,03 (IC95% 0,86-1,24) para cirurgia aberta contra acompanhamento, 1,03 (0,59-1,80) para endovascular contra acompanhamento, e 1,01 (0,93-1,10) para os dois procedimentos somados contra acompanhamento. A revisão Cochrane de 2015 concluiu, na formulação que o documento brasileiro transcreve, que a evidência atual sustenta adiar o momento cirúrgico até que o diâmetro alcance 5,5 cm. Por isso a recomendação brasileira é forte e é contra operar: aneurisma pequeno operado cedo troca um risco anual baixinho de rotura por uma mortalidade cirúrgica imediata.
O corte menor na mulher tem uma justificativa que a banca gosta de inverter. Não é porque a mulher tem mais aneurisma — ela tem muito menos. É porque, para um mesmo diâmetro, a aorta feminina é proporcionalmente mais dilatada, e a taxa de rotura observada nas mulheres é 3 a 4 vezes superior à dos homens. Mais de um terço de todas as mortes por aneurisma de aorta ocorre em mulheres, apesar da prevalência muito menor. O contrapeso é que a mulher também morre mais na mesa: a metanálise de 61 estudos e 516.118 pacientes citada pelo documento brasileiro mostrou mortalidade de 7,6% contra 5,1% na cirurgia aberta eletiva (OR 1,28; IC95% 1,09-1,49) e de 2,9% contra 1,5% no reparo endovascular eletivo (OR 2,41; IC95% 1,14-5,15).
Aneurisma sacular é a exceção de forma. O aneurisma comum é fusiforme, dilatação de toda a circunferência; o sacular acomete uma face só e é considerado de maior risco de rotura, sendo frequentemente corrigido independentemente do tamanho. Não há evidência boa que fixe um limite, e a formulação brasileira é explícita sobre o porquê: pelos métodos de imagem atuais é impossível distinguir uma dilatação sacular de uma debilidade focal da parede, o que justifica tratar sacular em diâmetros menores que 5 cm. No sacular, além disso, a medida relevante é o raio — a distância do saco ao centro da aorta —, não o diâmetro total.
O aneurisma inflamatório é a outra exceção de comportamento: 5% a 10% dos casos, com parede marcadamente espessada, fibrose retroperitoneal e aderência às estruturas vizinhas. A tríade que o sugere é dor abdominal ou lombar, perda de peso e marcadores inflamatórios elevados em quem tem aneurisma. Ele importa em prova por dois motivos: a fibrose que envolve ureteres e duodeno faz da cirurgia aberta um procedimento tecnicamente difícil, com mortalidade perioperatória três vezes maior que no aneurisma comum; e, apesar disso, a recomendação brasileira é fraca e contrária a tratá-lo de forma diferente dos demais — o corte de tamanho continua o mesmo.
Risco de rotura: por que 5,5 cm é a linha
O risco de rotura cresce de forma não linear com o diâmetro, e é essa curva que põe a linha em 5,5 cm. A coorte de Rochester, transcrita no documento brasileiro, acompanhou 176 pacientes e não observou nenhuma rotura abaixo de 4 cm; na faixa de 4 a 4,99 cm o risco foi de 0,7% ao ano; de 5 a 5,99 cm subiu para 11% ao ano; e de 6 a 6,99 cm, para 26% ao ano. A tabela completa está no bloco de critério.
Leia o salto: de 4 a 5 cm o risco é de fração de ponto percentual ao ano, e entre 5 e 6 cm ele multiplica por mais de dez. É exatamente onde os documentos põem o corte cirúrgico. A mortalidade de um reparo eletivo bem indicado é de poucos pontos percentuais, uma vez na vida; um risco de rotura de 11% ao ano, acumulado por anos, ultrapassa qualquer risco operatório razoável. Abaixo de 5 cm a conta se inverte, e é por isso que operar cedo não salva ninguém.
A coorte de Scott, também transcrita, mostra a outra face: 218 aneurismas menores de 6 cm seguidos por 5,7 anos em média, com 0,7 rotura por ano na faixa de 3 a 4,4 cm e 1,7 na faixa de 4,5 a 5,9 cm — e, no mesmo período, 1,4% de cirurgias eletivas por ano na faixa menor contra 8,5% na maior. O aneurisma pequeno raramente rompe; o que ele faz, com o tempo, é crescer até virar indicação cirúrgica. A vigilância existe para captar essa passagem.
Há um número que serve de contraponto e cai em questão sobre paciente inoperável: numa revisão sistemática de 1.514 pacientes com aneurisma maior que 5,5 cm julgados inaptos à cirurgia aberta, a morte por rotura foi de 9,9% na faixa de 5,5 a 6,0 cm, 8,9% de 6,1 a 7,0 cm e 12,3% acima de 7,0 cm. O que chama atenção não é a progressão, é a comparação: nesse grupo, a morte por outras causas foi maior que a morte por rotura (42% contra 19%). O idoso com comorbidade grave e aneurisma grande tende a morrer de outra coisa antes de o aneurisma romper — e é isso que torna a indicação nesse grupo uma decisão individual, não automática.
EVAR ou cirurgia aberta: a vantagem que se apaga
Existem duas maneiras de corrigir um aneurisma de aorta abdominal. A cirurgia aberta troca o segmento doente por um enxerto sintético, através de laparotomia, com clampeamento da aorta. O reparo endovascular (EVAR) implanta uma endoprótese por punção femoral, que forra a aorta por dentro e exclui o saco da circulação, sem abrir o abdome e sem clampear.
O que decide entre os dois, quando os dois são possíveis, é anatomia mais risco cirúrgico. Anatomia: o EVAR exige um colo proximal adequado — comprimento e angulação de aorta sadia abaixo das renais onde a prótese vá selar — e ilíacas que permitam a passagem do dispositivo. Colo curto, muito angulado ou cônico, e ilíacas muito tortuosas ou calcificadas, empurram para a cirurgia aberta. Risco cirúrgico: o paciente que não tolera laparotomia e clampeamento aórtico — coronariopatia grave, disfunção ventricular, doença pulmonar avançada — é candidato ao EVAR justamente por isso. Idade avançada e comorbidade pesam a favor do endovascular; expectativa de vida longa pesa a favor do aberto, pela durabilidade.
A comparação em números é o ponto do capítulo, e a inversão no tempo é o que a prova cobra. A metanálise Cochrane de 2014 reuniu quatro ensaios randomizados — ACE, DREAM, EVAR 1 e over — em pacientes aptos aos dois procedimentos, e o resultado é este: mortalidade em 30 dias claramente favorável ao EVAR, risco relativo de 0,34 (IC95% 0,21-0,57), ou seja, cerca de um terço da mortalidade precoce da cirurgia aberta. Até 4 anos, a diferença desaparece: RR 0,93 (0,79-1,10). No longo prazo, nada: RR 0,99 (0,89-1,09). E a reintervenção é quase o dobro no EVAR até 4 anos, RR 1,95 (1,56-2,43), mantendo-se em 1,78 (1,50-2,12) no longo prazo. Complicações pulmonares são mais frequentes na cirurgia aberta, RR 0,38 (0,18-0,76) a favor do EVAR; infarto, AVC e complicações renais não diferiram.
Traduzindo a curva: o EVAR compra sobrevida na primeira semana e devolve essa vantagem ao longo dos anos, cobrando reintervenções pelo caminho. A diretriz da SBACV registra a mesma coisa com outros dados — no over, a sobrevida após 4 a 8 anos de seguimento foi similar entre os dois grupos; e na metanálise UK-compass, com mais de 7 mil pacientes, a menor mortalidade do EVAR se perdia em 30 meses. Quem opera um aneurisma por endoprótese não terminou o tratamento: trocou uma cirurgia por um implante que precisa ser vigiado pelo resto da vida.
A recomendação brasileira, apesar disso, é forte e a favor do EVAR nos aneurismas maiores que 5,4 cm, com a justificativa explícita da menor mortalidade em 30 dias, e sugere considerar a experiência da equipe e a preferência do paciente na escolha. É a régua que autoriza procedimento no SUS, e é a que responde questão com cenário brasileiro. Nos inaptos à cirurgia aberta a lógica muda: o EVAR 2, único ensaio a comparar endoprótese com tratamento clínico nesse grupo, não mostrou benefício em mortalidade, infarto ou AVC, e a recomendação passa a ser individualizada — a redução do risco de morte por rotura tem de superar a mortalidade em 30 dias do procedimento, respeitada a expectativa de vida.
O seguimento depois da correção não é opcional e diferencia as duas técnicas. Após EVAR: angiotomografia em 30 dias e, se não houver vazamento e as áreas de selamento estiverem satisfatórias, angiotomografia anual; se houver endoleak ou aumento do saco, o exame se antecipa para 6 meses. Confirmada a ausência de endoleak tipo I ou III na tomografia inicial, o acompanhamento pode seguir com ultrassonografia. Após cirurgia aberta, imagem a cada 5 anos, preferencialmente angiotomografia — o enxerto costurado não tem os modos de falha do dispositivo implantado por dentro.
Endoleak: o preço do EVAR
Endoleak é fluxo de sangue no saco aneurismático depois do implante da endoprótese — o aneurisma não foi de fato excluído da circulação e continua pressurizado, portanto continua podendo romper. É a complicação característica do EVAR e a razão de o seguimento por imagem ser vitalício. A classificação em cinco tipos está na tabela do bloco de critério; o que a prova cobra é a lógica, e a lógica é pressão.
Tipos I e III são vazamentos de alta pressão, ligados diretamente ao fluxo aórtico: o tipo I é falha de selamento nas extremidades da prótese, proximal (Ia) ou distal (Ib); o tipo III é falha entre componentes sobrepostos do dispositivo, ou rasgo no tecido. Nos dois, o saco recebe pressão sistêmica, o risco de rotura é real e a correção é pronta — não se observa. Foi por isso que a SBACV condicionou a vigilância simplificada por ultrassom à ausência de endoleak tipo I ou III na tomografia inicial.
O tipo II é outro animal, e é o mais frequente. Vem de fluxo retrógrado por vasos colaterais — artérias lombares, mesentérica inferior — que enchem o saco por fora da prótese: IIa quando o enchimento vem de um único colateral, IIb quando vêm dois ou mais. É de baixa pressão e a maioria fecha sozinha, então o manejo padrão é observar. Trata-se por embolização quando o vazamento persiste com crescimento do saco acima de 5 mm, ou quando o saco aumenta mais de 10 mm em 6 meses. A resposta correta para um tipo II achado na tomografia de rotina em paciente com saco estável é vigilância — e essa é a armadilha clássica do tema.
Tipo IV é porosidade do tecido da prótese, fenômeno precoce e autolimitado, praticamente desaparecido com os dispositivos atuais. Tipo V, chamado de endotensão, é o crescimento do saco sem vazamento identificável em nenhum exame — diagnóstico de exclusão que importa porque saco que cresce é saco pressurizado, e a conduta segue o crescimento, não a imagem do vazamento. Vale lembrar o número da SBACV para dimensionar o problema: crescimento do saco pode acontecer sem endoleak detectável, e a rotura tardia após EVAR chega a 5% em 8 anos.
A rotura: o quadro que se disfarça
A tríade clássica da rotura de aneurisma de aorta abdominal é dor abdominal ou lombar de forte intensidade, hipotensão e massa abdominal pulsátil. Como toda tríade clássica, ela é útil pelo que sugere e perigosa pelo que promete: a maioria dos pacientes não chega com as três, e esperar pelas três é perder o caso. Massa pulsátil pode ser impalpável no obeso; a pressão pode estar normal no primeiro momento, quando o sangramento está contido no retroperitônio; e a dor pode estar em qualquer lugar entre o epigástrio e a virilha.
É por isso que o quadro engana com tanta frequência. A rotura contida no retroperitônio dói nas costas ou no flanco, e o paciente com dor lombar súbita e intensa, agitado, sem posição de alívio, recebe com facilidade o rótulo de cólica renal — inclusive porque hematúria e história de litíase são comuns na mesma faixa etária. Homem acima de 60 anos com primeiro episódio de "cólica renal" na vida merece a aorta examinada antes do diagnóstico ser aceito. Outras fantasias frequentes: lumbago, diverticulite, hérnia de disco, isquemia mesentérica, infarto. E há a apresentação neurológica que confunde de vez: compressão de raiz pelo hematoma retroperitoneal causando dor irradiada para a coxa ou déficit de força na perna.
Uma advertência que o documento brasileiro traz e que corrige um raciocínio comum: dor abdominal ou lombar, sozinha, discrimina mal roto de não roto. Na série citada, 59% dos pacientes com rotura tinham esses sintomas — e 60% dos sem rotura também. O que se associou fortemente à rotura foi o dado hemodinâmico e hematimétrico: choque, pressão sistólica abaixo de 100 mmHg ou hematócrito abaixo de 37%. Entre os pacientes com rotura, 84% tinham pressão sistólica abaixo de 100 mmHg ou hematócrito abaixo de 37%, contra 27% dos sem rotura. Ou seja: a dor levanta a hipótese, a instabilidade a confirma.
Existe o intermediário, e ele tem conduta própria: o aneurisma sintomático sem rotura — dor atribuível ao aneurisma, embolização distal ou compressão de estrutura vizinha, sem sangramento. É considerado risco de rotura iminente e indica correção independentemente do diâmetro, mas a recomendação brasileira não manda correr para a sala: o fundamental é afastar rotura com tomografia com contraste, e nos casos de sintoma leve a moderado pode ser prudente adiar a operação até que as condições clínicas ideais sejam alcançadas, considerando internação em unidade intensiva. A razão está nos números da mesma série: mortalidade cirúrgica de 18% entre os não rotos operados em caráter emergencial, contra nenhuma morte entre os 105 não rotos operados eletivamente. Operar às três da manhã, sem a equipe habitual, custa caro — quando dá para esperar algumas horas, espera-se.
Vale a distinção de vocabulário porque as bancas a usam: aneurisma íntegro assintomático se opera por diâmetro; aneurisma sintomático sem rotura se opera por sintoma, com preparo; aneurisma roto se opera agora.
Conduta no roto: a pressão que você deixa o paciente ter
Diante da suspeita de rotura, acesso venoso calibroso, sangue, acionamento do cirurgião vascular e deslocamento para o controle definitivo acontecem em paralelo. A angiotomografia deve ser obtida rapidamente quando o paciente está consciente e hemodinamicamente capaz de tolerá-la, porque define a anatomia para EVAR ou cirurgia aberta. Instabilidade extrema, deterioração durante o preparo ou parada iminente retiram a tomografia do caminho: não se atrasa o controle proximal da aorta para completar imagem.
A decisão contraintuitiva é a da ressuscitação volêmica, e ela é conduta de prova: não se normaliza a pressão. A estratégia é a hipotensão permissiva, com alvo de pressão arterial sistólica entre 70 e 90 mmHg, administrando cristaloide de forma conservadora e usando o nível de consciência como parâmetro clínico de perfusão — paciente que conversa está perfundindo o cérebro. O raciocínio é hemostasia: a rotura está contida por um tampão de coágulo e pelo próprio retroperitônio, e encher o paciente de volume eleva a pressão, desloca o coágulo e converte um sangramento contido em hemorragia livre na cavidade. Além disso, a infusão agressiva dilui fatores de coagulação e leva à tríade letal de coagulopatia, hipotermia e acidose. Hipotensão permissiva não é negligenciar o choque: é aceitar uma pressão baixa deliberadamente até que o controle proximal da aorta seja obtido na sala.
Sobre a técnica no roto, a régua brasileira é de escolha guiada por recurso, não de superioridade: os aneurismas rotos estáveis, com anatomia favorável ao tratamento endovascular confirmada pela tomografia, devem ser tratados em caráter emergencial por cirurgia aberta ou EVAR de acordo com a experiência e a disponibilidade da equipe cirúrgica e do material. A base dessa formulação é que as metanálises dos quatro ensaios randomizados do roto — AJAX, Hinchliffe 2006, improve e ECAR — não mostraram diferença significativa entre as duas técnicas nem em morte em 30 dias, nem em morte de 6 a 12 meses. É diferente do eletivo, onde o EVAR tem recomendação forte a seu favor pela mortalidade precoce menor. No roto, empate.
Duas condições limitam o endovascular na emergência, e é bom saber por que a formulação diz "rotos estáveis, com anatomia favorável": o EVAR exige tomografia prévia para escolher o dispositivo e exige que exista dispositivo compatível disponível naquela madrugada. Instabilidade extrema, anatomia proibitiva ou ausência de material levam à cirurgia aberta, e essa não é decisão de segunda linha — é a operação que resolve qualquer anatomia. Um recurso que aparece em questão de centro terciário é o balão de oclusão aórtica, usado para controle proximal temporário enquanto se prepara o reparo.
Um número para fechar a dimensão do problema no Brasil: entre novembro de 2014 e novembro de 2015 houve 8.939 internações relacionadas a aneurisma de aorta abdominal no SUS, a maioria (57,7%) eletiva. A mortalidade média ponderada foi de 13,62% nos procedimentos eletivos e de 15,94% nos de urgência. As Diretrizes advertem, com razão, que comparar diretamente esses dois grupos é enganoso, porque não houve randomização nem ajuste de fatores de risco — mas a ordem de grandeza serve: aneurisma de aorta é doença de mortalidade alta mesmo quando tudo corre bem.
Quem não opera: o que reduz crescimento e o que não reduz
O paciente em vigilância não sai da consulta de mãos vazias, mas é preciso ser honesto sobre o alvo. Nenhum medicamento faz o aneurisma encolher, e o efeito das intervenções sobre a velocidade de crescimento é modesto. O que se trata de fato é o risco cardiovascular global, que é o que mata esse paciente: a mortalidade cardiovascular anual de quem tem aneurisma pequeno, com mediana de idade de 71 anos, é de 3% ao ano. O intervalo entre a detecção e a intervenção é, na formulação do documento brasileiro, uma oportunidade de orientação sobre prevenção cardiovascular — controle de peso, pressão arterial, lipídios e principalmente interrupção do tabagismo.
Cessar o tabagismo é a única medida com relação forte e consistente com o desfecho local: parar de fumar reduz o risco de crescimento e de rotura, e recebe recomendação Classe I na diretriz da SBACV. É o item que sempre está na alternativa correta.
Controle pressórico entra com recomendação Classe IIa: betabloqueadores e bloqueadores do receptor de angiotensina II, com meta de sistólica abaixo de 130 mmHg e diastólica abaixo de 80 mmHg, associados a estatina, retardam o crescimento e reduzem eventos. Vale notar que o betabloqueador chegou a este tema com a promessa específica de frear o aneurisma — hipótese que os ensaios não sustentaram de forma robusta —, e hoje ele é recomendado no contexto do controle pressórico e do risco cardiovascular, não como droga antianeurismática.
A estatina tem a resposta de duas partes, e é aí que a questão separa quem leu. Ela é indicada para todo paciente com aneurisma, sem discussão, pela doença aterosclerótica que ele tem: a SBACV registra retardo do crescimento por ação sobre a metaloproteinase-9, redução significativa do risco de expansão em metanálise, e ganho de sobrevida de 5 anos comparado a quem não usou. A ressalva é que o efeito sobre a velocidade de crescimento é controverso — parte dos estudos mostra redução, parte não. Traduzindo para conduta: prescreva estatina, e prescreva pela sobrevida e pelo risco cardiovascular; se a alternativa afirmar que a estatina impede a progressão do aneurisma, ela está indo além da evidência.
A doxiciclina tem resposta única e definitiva, e é uma pegadinha frequente porque o raciocínio fisiopatológico é bonito. A parede aneurismática degrada elastina por ação de metaloproteinases, tetraciclinas inibem metaloproteinases, e estudos iniciais sugeriram benefício. O ensaio N-TA3CT testou a hipótese: 254 pacientes com aneurisma pequeno, doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia contra placebo por 2 anos. O crescimento médio do diâmetro em 2 anos foi de 0,36 cm com doxiciclina e 0,36 cm com placebo — diferença de 0 cm (IC95% -0,07 a 0,07; p = 0,93). A conclusão dos autores é que os achados não sustentam o uso da doxiciclina para reduzir o crescimento de aneurismas pequenos. Não prescreva; e reconheça o distrator quando ele aparecer com a justificativa da metaloproteinase.
Sobre antiagregante, a advertência é a mesma da doença arterial periférica: o ácido acetilsalicílico se justifica pelo risco cardiovascular do paciente (recomendação Classe I na SBACV), e não por efeito sobre o aneurisma, onde a influência na velocidade de crescimento é controversa. E não existe restrição de atividade física ou de esforço com base no diâmetro do aneurisma — orientação de repouso é conduta sem respaldo nos documentos.
As faixas de diâmetro, do ultrassom à sala
O diâmetro é o eixo do capítulo inteiro: ele decide o intervalo do exame, decide a hora de operar e prevê o risco de rotura. Os cards abaixo percorrem a escala na ordem em que o paciente a atravessa; a primeira tabela é a vigilância por faixa, o conteúdo mais cobrado do tema. A segunda traz o risco de rotura que justifica o corte cirúrgico, a terceira compara as duas técnicas de reparo, e a quarta fecha com os endoleaks.
- 1Achado incidental ou rastreamento: ultrassonografia abdominal mostra aorta com 3,0 cm ou mais, ou 50% acima do diâmetro esperado do segmento. Abaixo de 2,5 cm, alta.
- 2Meça o maior diâmetro transverso e classifique. Trombo mural dentro do saco entra na medida.
- 3Aneurisma pequeno (abaixo de 5,5 cm no homem, 5,0 cm na mulher) e assintomático: vigilância por ultrassom no intervalo da faixa. Não opere — a recomendação brasileira é forte e contrária.
- 4Na mesma consulta, trate o risco cardiovascular: cessação do tabagismo (Classe I), pressão abaixo de 130/80 mmHg, estatina, antiagregante. Nada disso encolhe o aneurisma.
- 5Reavalie a cada retorno três gatilhos de correção: diâmetro atingiu 5,5 cm no homem ou 5,0 cm na mulher; cresceu mais de 0,5 cm em 6 meses ou 1,0 cm em 1 ano; apareceu dor abdominal ou lombar atribuível ao aneurisma. Aneurisma sacular se corrige antes disso.
- 6Indicada a correção: angiotomografia para medir colo proximal e ilíacas e decidir EVAR ou cirurgia aberta, pesando anatomia, risco cirúrgico e expectativa de vida.
- 7Dor forte com hipotensão ou queda de hematócrito: trate como rotura. Sangue e acesso, vascular acionado, hipotensão permissiva com sistólica de 70 a 90 mmHg, sala de cirurgia.
- 8Pós-operatório: após EVAR, angiotomografia em 30 dias e depois anual (6 meses se houver endoleak ou saco crescendo); após cirurgia aberta, imagem a cada 5 anos.
2,5 a 2,9 cm — aorta ectásica
Não é aneurisma: o corte é 3,0 cm. Mas não é aorta normal, cujo diâmetro máximo é 2,0 cm. A SBACV prevê retorno de imagem em 5 a 10 anos. Rotura nessa faixa não é evento esperado, e o valor de reconhecê-la é não dar alta definitiva a quem tem uma aorta em transição — nem alarmar quem não tem aneurisma.
3,0 a 3,9 cm — aneurisma, ultrassom a cada 3 anos
Aqui começa o diagnóstico. Cresce em média 0,26 cm por ano, e nenhuma rotura foi observada nessa faixa na coorte de Rochester. Três anos entre exames é intervalo seguro justamente por isso. O trabalho da consulta é outro: tabagismo, pressão, estatina — o risco de morte desse paciente é cardiovascular, 3% ao ano, não a rotura.
4,0 a 4,9 cm — ultrassom anual
Risco de rotura de 0,7% ao ano. É a faixa em que os quatro ensaios randomizados testaram operar cedo e não encontraram vantagem nenhuma sobre vigiar: risco relativo de 1,01 (IC95% 0,93-1,10) para os dois procedimentos somados contra acompanhamento. Daí a recomendação brasileira forte e CONTRA operar. Atenção à divergência de intervalo: a régua do SUS pede reavaliação a cada 6 meses de 4,0 a 5,5 cm.
5,0 a 5,4 cm — ultrassom a cada 3 a 6 meses
A faixa de transição, e a que separa os sexos. Na mulher, 5,0 cm já é indicação de correção; no homem, ainda é vigilância curta. O aneurisma agora cresce cerca de 0,5 cm por ano e o risco de rotura salta para a ordem de 11% ao ano na faixa de 5 a 5,99 cm. Intervalo de 3 a 6 meses existe para pegar a passagem do corte, não para ganhar tempo.
5,5 cm ou mais — corrigir
O corte cirúrgico do homem, e o consenso dos documentos brasileiro e de sociedade. Acima dele o risco anual de rotura passa a superar a mortalidade de um reparo eletivo bem indicado. A recomendação nacional é forte e a favor do EVAR quando a anatomia permite, pela mortalidade em 30 dias menor — com a ressalva de que essa vantagem se apaga em poucos anos e cobra reintervenções.
Roto — o diâmetro deixa de importar
Dor forte com hipotensão ou queda de hematócrito muda a régua inteira. Use hipotensão permissiva com sistólica em torno de 70–90 mmHg enquanto o paciente permanece consciente, ative sangue, chame a equipe vascular e prepare a sala. A angiotomografia escolhe a técnica se a perfusão e a logística permitirem obtê-la sem atraso; no colapso ou na deterioração extrema, segue-se diretamente para controle aórtico. EVAR depende de anatomia favorável, material e equipe disponíveis; a cirurgia aberta continua sendo a opção imediata quando essas condições faltam.
| Diâmetro da aorta | Intervalo de reavaliação por imagem | O que muda nessa faixa |
|---|---|---|
| Menos de 2,5 cm | Não repetir — rastreamento negativo é alta | Aorta normal (máximo normal 2,0 cm). Homem rastreado aos 65 anos com aorta fina não precisa de novo exame. |
| 2,5 a 2,9 cm | 5 a 10 anos | Aorta ectásica: não é aneurisma, o corte é 3,0 cm. Só volta ao radar muitos anos depois. |
| 3,0 a 3,9 cm | 3 anos | Aneurisma pequeno. Crescimento médio de 0,26 cm por ano; nenhuma rotura observada nessa faixa na coorte de Rochester. |
| 4,0 a 4,9 cm | Anual (SBACV, 2023) — 6 meses pela régua do SUS (Portaria SAS nº 488, 2017) | Risco de rotura de 0,7% ao ano. Operar cedo aqui não reduz mortalidade: é a faixa dos quatro ensaios randomizados. |
| 5,0 a 5,4 cm | 3 a 6 meses | Na MULHER já é indicação de correção (5,0 cm). No homem, vigilância curta: crescimento sobe para cerca de 0,5 cm por ano. |
| 5,5 cm ou mais | Não vigiar — indicar correção | Corte cirúrgico do homem. Risco de rotura na ordem de 11% ao ano entre 5 e 5,99 cm. |
Risco de rotura por diâmetro (coorte de Rochester, 176 pacientes)
| Diâmetro | Roturas por pessoa-ano | Leitura |
|---|---|---|
| Menos de 3 cm | 0 | Não é aneurisma; risco não mensurável na coorte. |
| 3 a 3,99 cm | 0 | Nenhuma rotura em 185 pessoas-ano de seguimento. |
| 4 a 4,99 cm | 0,007 (0,7% ao ano) | Risco baixo o bastante para vigiar em paz. |
| 5 a 5,99 cm | 0,11 (11% ao ano) | O salto. Multiplica por mais de dez em relação à faixa anterior — é aqui que o corte cirúrgico se justifica. |
| 6 a 6,99 cm | 0,26 (26% ao ano) | Um em quatro por ano. Aneurisma nessa faixa sem correção é conduta que precisa de justificativa forte. |
EVAR versus cirurgia aberta no eletivo (metanálise Cochrane 2014: ACE, DREAM, EVAR 1, OVER)
| Desfecho | Risco relativo (IC95%) | Quem leva a vantagem |
|---|---|---|
| Mortalidade em 30 dias | 0,34 (0,21-0,57) | EVAR, com folga — cerca de um terço da mortalidade precoce da cirurgia aberta. É o número que sustenta a recomendação brasileira. |
| Mortalidade até 4 anos | 0,93 (0,79-1,10) | Empate: o intervalo cruza o 1,0. A vantagem inicial já se dissolveu. |
| Mortalidade no longo prazo | 0,99 (0,89-1,09) | Empate completo. No OVER, sobrevida similar em 4 a 8 anos; na metanálise UK-COMPASS, a diferença se perdia em 30 meses. |
| Reintervenção até 4 anos | 1,95 (1,56-2,43) | Cirurgia aberta: quase o dobro de reintervenções no EVAR. No longo prazo, 1,78 (1,50-2,12). |
| Complicações pulmonares | 0,38 (0,18-0,76) | EVAR: sem laparotomia, menos complicação respiratória. |
| Infarto, AVC e complicações renais | Sem diferença significativa | Nenhum dos dois. Alternativa que atribui vantagem renal ao EVAR contraria o dado. |
Endoleak após EVAR: os cinco tipos
| Tipo | Mecanismo | Pressão | Conduta |
|---|---|---|---|
| Ia / Ib | Falha de selamento na extremidade da prótese — proximal (Ia) ou distal (Ib) | Alta | Correção pronta. Saco recebe pressão sistêmica e pode romper. |
| IIa / IIb | Fluxo retrógrado por colateral — lombares, mesentérica inferior. IIa de um vaso, IIb de dois ou mais | Baixa | Observar: a maioria fecha sozinha. Embolizar se persistir com crescimento do saco acima de 5 mm, ou aumento acima de 10 mm em 6 meses. |
| III | Falha entre componentes sobrepostos do dispositivo, ou rasgo do tecido | Alta | Correção pronta, como o tipo I. |
| IV | Porosidade do tecido da prótese | Baixa | Precoce e autolimitado; praticamente extinto com os dispositivos atuais. |
| V (endotensão) | Saco cresce sem vazamento identificável em qualquer exame | Indeterminada | Conduta segue o crescimento do saco, não a imagem. Diagnóstico de exclusão. |
O diâmetro que conta é o maior diâmetro transverso, medido perpendicularmente ao eixo do vaso — e o trombo mural dentro do saco entra na medida, não se subtrai.
Dois gatilhos de correção não dependem de diâmetro: crescimento maior que 0,5 cm em 6 meses ou 1,0 cm em 1 ano, e dor abdominal ou lombar significativa atribuível ao aneurisma. Aneurisma sacular também se corrige com menos de 5 cm, porque é impossível distinguir por imagem uma dilatação sacular de uma debilidade focal da parede.
Seguimento após o reparo: EVAR pede angiotomografia em 30 dias e depois anual, antecipada para 6 meses se houver endoleak ou aumento do saco; confirmada a ausência de endoleak tipo I ou III na tomografia inicial, o acompanhamento pode seguir por ultrassonografia. Cirurgia aberta pede imagem a cada 5 anos, preferencialmente angiotomografia.
No aneurisma sintomático SEM rotura, a pressa é de investigar, não de operar: afastar rotura com tomografia contrastada e, no sintoma leve a moderado, considerar preparo clínico com internação em unidade intensiva. A mortalidade cirúrgica do não roto operado em emergência foi de 18% na série citada pelo documento brasileiro, contra nenhuma morte entre os 105 não rotos operados eletivamente.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Não rastrear em nível populacional, com exceção da história familiar — Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, 2023
A SBACV recomenda ecografia abdominal isolada em homens acima de 65 anos e registra que não se recomenda rastreamento em nível populacional na mulher, apontando a baixa qualidade da evidência disponível. A exceção é a história familiar de aneurisma de aorta abdominal: nesse caso, o documento recomenda rastreamento de rotina em ambos os gêneros. A prevalência muito menor na mulher — o aneurisma é de 4 a 6 vezes mais frequente no homem — é o que derruba o rendimento de um programa populacional feminino.
Projeto Diretrizes, Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular: aneurisma da aorta abdominal. J Vasc Bras. 2023;22:e20230040 — seções de epidemiologia e rastreamento.
Quatro graus, um para cada perfil: D contra rastrear a mulher sem risco e declaração I de evidência insuficiente na mulher com risco — US Preventive Services Task Force, 2019
A USPSTF divide a população em quatro. Homem de 65 a 75 anos que já fumou: rastreamento uma única vez com ultrassonografia, grau B. Homem da mesma faixa que nunca fumou: oferta seletiva em vez de rastreamento de rotina, grau C. Mulher que nunca fumou e não tem história familiar: grau D, não rastrear. Mulher de 65 a 75 anos que já fumou ou tem história familiar: declaração I — a evidência é insuficiente para pesar benefícios e danos, ou seja, a força-tarefa se recusa a recomendar a favor ou contra por falta de dados, e não porque tenha concluído que não há benefício. A diferença de recorte em relação ao documento de sociedade é que a USPSTF condiciona também o homem ao tabagismo, o que a SBACV não faz.
US Preventive Services Task Force. Screening for Abdominal Aortic Aneurysm: Recommendation Statement. JAMA. 2019;322(22):2211-2218.
Na prova
O vocabulário do enunciado entrega o recorte. Letra de grau — B, C, D — e a expressão "evidência insuficiente" só existem no mundo da USPSTF; alternativas construídas como graus de recomendação sinalizam que a questão foi escrita a partir dela. Enunciado que cita a SBACV nominalmente, ou que descreve rastreamento sem qualificar tabagismo no homem, está no corpo brasileiro de sociedade. Cenário também conta: rastreamento populacional organizado, programa de saúde, atenção primária estruturada puxam para o documento de força-tarefa; ambulatório de cirurgia vascular puxa para a sociedade. E note que as duas posições coincidem em dois pontos que costumam estar nas alternativas — o exame é ultrassonografia e, no homem, a triagem é feita uma vez só. Não existe política nacional de rastreamento de aneurisma de aorta no SUS, então questão de banca brasileira sobre o tema está necessariamente citando recomendação de sociedade ou de força-tarefa estrangeira.
Anual de 4 a 4,9 cm e 3 a 6 meses a partir de 5 cm — Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, 2023
A tabela de vigilância da SBACV escalona por faixa: 3 a 3,9 cm a cada 3 anos, 4 a 4,9 cm anualmente, e 5 cm ou mais a cada 3 a 6 meses, com aorta ectásica de 2,5 a 2,9 cm voltando em 5 a 10 anos. O documento apoia o escalonamento em modelagem de coorte com 15 mil pacientes e nas taxas médias de crescimento observadas: cerca de 0,26 cm por ano abaixo de 5 cm e 0,5 cm por ano acima. Com crescimento tão lento na faixa de 4 cm, um exame por ano é suficiente para não perder a passagem do corte cirúrgico.
Projeto Diretrizes, Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular: aneurisma da aorta abdominal. J Vasc Bras. 2023;22:e20230040 — seção de vigilância e história natural.
Avaliação clínica e de imagem a cada 6 meses em todo aneurisma de 4,0 a 5,5 cm — Diretrizes Brasileiras aprovadas pela Portaria SAS nº 488, 2017
O documento nacional é mais curto e não escalona dentro da faixa: pacientes com aneurisma entre 4,0 e 5,5 cm devem ser acompanhados com avaliações clínicas e exames de imagem a cada 6 meses. O contexto explica a formulação — as Diretrizes de 2017 nasceram para responder quem operar e por qual técnica, com recomendação forte contra intervir abaixo de 5,5 cm, e o seguimento semestral é o contrapeso dessa recusa a operar: se não se opera, vigia-se de perto. A régua tem função administrativa além de clínica, porque orienta a regulação de acesso e a autorização de procedimento no SUS.
Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Tratamento de Aneurisma da Aorta Abdominal, Portaria SAS nº 488 de 6 de março de 2017, item 4.1 — aneurismas pequenos.
Na prova
Os dois documentos são brasileiros, o que tira o critério de "nacional versus internacional" da mesa — aqui o que separa é a data e a função. Se o enunciado cita a SBACV, o Jornal Vascular Brasileiro ou traz uma tabela escalonada com várias faixas de diâmetro, está no documento de sociedade de 2023. Se cita portaria, CONITEC, protocolo do Ministério da Saúde, autorização de procedimento ou regulação de acesso, está no documento de 2017. As alternativas também denunciam: uma lista com intervalos diferentes para 3-3,9, 4-4,9 e 5 cm ou mais só existe na versão de sociedade; "a cada 6 meses" aplicado indistintamente de 4,0 a 5,5 cm é a formulação da portaria. Régua geral: prova oficial do MEC tende a conduta SUS; em outras bancas, o recorte se descobre pelo que as alternativas revelam.
5,0 cm na mulher e 5,5 cm no homem — Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, 2023
A SBACV usa cortes diferentes por sexo: aneurisma fusiforme com diâmetro maior que 5,0 cm na mulher e 5,5 cm no homem. O que sustenta o corte menor é a taxa de rotura, de 3 a 4 vezes superior nas mulheres, e o fato de mais de um terço de todas as mortes por aneurisma de aorta ocorrer em mulheres, apesar da prevalência muito menor. Para um mesmo diâmetro absoluto, a aorta feminina está proporcionalmente mais dilatada — a definição por proporção do segmento normal é a lógica por trás da diferença.
Projeto Diretrizes, Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular: aneurisma da aorta abdominal. J Vasc Bras. 2023;22:e20230040 — indicação de tratamento.
Mesmo limiar de 5,5 cm para ambos os sexos — Diretrizes Brasileiras aprovadas pela Portaria SAS nº 488, 2017
O documento nacional discute a questão sob o título "AAA no sexo feminino" e chega a conclusão diferente. Reconhece que as mulheres têm taxa de rotura 3 a 4 vezes maior, mas registra que nos estudos que avaliaram intervenção em aneurismas pequenos não houve benefício de reparação precoce em mulheres, e que a totalidade das evidências disponíveis não fornece boa razão para alterar o limiar de 5,5 cm para reparo eletivo. O contrapeso citado é a mortalidade do procedimento na mulher: na metanálise de 61 estudos e 516.118 pacientes, 7,6% contra 5,1% na cirurgia aberta eletiva (OR 1,28) e 2,9% contra 1,5% no reparo endovascular eletivo (OR 2,41). Ou seja, a mulher rompe mais, mas também morre mais na mesa — e as mulheres estão sub-representadas nos ensaios.
Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Tratamento de Aneurisma da Aorta Abdominal, Portaria SAS nº 488 de 6 de março de 2017, item 4.1, subseção "AAA no sexo feminino".
Na prova
É uma divergência dentro do próprio Brasil, e a data organiza: 2017 no documento que regula o procedimento no SUS, 2023 no documento de sociedade — que acompanhou as diretrizes vasculares internacionais ao adotar o corte menor na mulher. Enunciado que menciona sociedade vascular, ou que traz explicitamente sexos com números diferentes nas alternativas, está no recorte de 2023. Enunciado ancorado em portaria, protocolo ou autorização de procedimento no SUS está no de 2017. Repare que a questão pode ser resolvida sem escolher lado quando o cenário é masculino: 5,5 cm é consenso dos dois documentos, e a divergência só aparece em vinheta feminina entre 5,0 e 5,4 cm — reconhecer que a faixa é justamente a controversa é parte da leitura da questão.
Recomendação forte a favor do EVAR acima de 5,4 cm, pela mortalidade em 30 dias — Diretrizes Brasileiras aprovadas pela Portaria SAS nº 488, 2017
O documento nacional emite recomendação forte, com grau de confiança alto, favorável ao EVAR nos aneurismas maiores que 5,4 cm, justificada pela menor mortalidade em 30 dias, e sugere considerar a experiência da equipe e a preferência do paciente na escolha. A base é a metanálise Cochrane de 2014 com quatro ensaios randomizados: risco relativo de morte em 30 dias de 0,34 (IC95% 0,21-0,57) a favor do endovascular, com menos complicações pulmonares — RR 0,38 (0,18-0,76). O mesmo documento registra o custo dessa escolha: reintervenção quase duas vezes mais frequente no EVAR, RR 1,95 (1,56-2,43) até 4 anos.
Brasil. Ministério da Saúde. Diretrizes Brasileiras para o Tratamento de Aneurisma da Aorta Abdominal, Portaria SAS nº 488 de 6 de março de 2017, item 4.2 e resumo das recomendações.
A vantagem do EVAR é precoce e não se sustenta: sobrevida igual no longo prazo — metanálise Cochrane 2014 (ACE, DREAM, EVAR 1, OVER) e metanálise UK-COMPASS, transcritas pelo documento brasileiro de 2017 e pela diretriz da SBACV, 2023
Os mesmos ensaios que dão o ganho precoce mostram que ele se apaga: mortalidade até 4 anos com risco relativo de 0,93 (0,79-1,10) e no longo prazo 0,99 (0,89-1,09) — intervalos que cruzam o 1,0. A SBACV registra que no OVER a sobrevida em 4 a 8 anos de seguimento foi similar entre os grupos, e que na metanálise UK-COMPASS, com mais de 7 mil pacientes, a menor mortalidade do EVAR se perdia em 30 meses. Some-se a isso a reintervenção persistentemente maior, 1,78 (1,50-2,12) no longo prazo, e o seguimento por imagem vitalício com seus endoleaks. A leitura que decorre disso é a de durabilidade: o paciente jovem, com boa expectativa de vida e anatomia adequada à laparotomia, tem mais anos para gastar a vantagem inicial do EVAR e mais anos de vigilância pela frente.
Paravastu et al., revisão Cochrane de 2014, transcrita no Quadro 6 das Diretrizes Brasileiras (Portaria SAS nº 488, 2017); metanálise UK-COMPASS e ensaio OVER, discutidos na diretriz da SBACV, J Vasc Bras. 2023;22:e20230040.
Na prova
Não são documentos rivais: é o mesmo corpo de evidência lido em janelas de tempo diferentes, e a questão escolhe a janela. Enunciado que fala de mortalidade perioperatória, de 30 dias, de risco cirúrgico imediato ou de paciente idoso com comorbidade está na janela precoce, onde o endovascular tem vantagem numérica clara. Enunciado que fala de sobrevida em 5, 8 ou 10 anos, de durabilidade, de reintervenção, de paciente jovem ou de seguimento tardio está na janela longa, onde a diferença desaparece. Palavras como "expectativa de vida longa", "anatomia favorável à cirurgia aberta" e "necessidade de vigilância vitalícia" marcam o recorte tardio. Cenário de SUS com citação de portaria ou de autorização de procedimento traz a recomendação nacional de 2017. E quando as alternativas contrapõem "menor mortalidade em 30 dias" a "mesma sobrevida em 8 anos", as duas afirmações são verdadeiras — o que a questão testa é qual delas o enunciado pediu.
Caso resolvido
- achado
- Aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 5,2 cm num homem, assintomático, com progressão documentada de 4,1 para 5,2 cm em 4 anos. Nenhum dos três gatilhos de correção está presente: o diâmetro não alcançou 5,5 cm (que é o corte do homem, nos dois documentos brasileiros), não há sintoma atribuível ao aneurisma, e o crescimento não foi rápido — 0,3 cm em 11 meses fica abaixo dos limiares de 0,5 cm em 6 meses e 1,0 cm em 1 ano.
- raciocínio
- A tentação é operar, porque 5,2 cm parece perto o bastante e a curva de crescimento é evidente. Mas a faixa de 5,0 a 5,4 cm no homem é vigilância, não indicação: os ensaios randomizados que testaram intervir abaixo de 5,5 cm não mostraram vantagem alguma na mortalidade (risco relativo de 1,01 para os dois procedimentos somados contra acompanhamento), e a recomendação brasileira nessa faixa é forte e CONTRA operar. O detalhe do sexo é o que salva a questão: se esta vinheta fosse de uma mulher, 5,2 cm já seria indicação de correção pela diretriz da SBACV, que usa 5,0 cm nela.
- conduta
- Manter vigilância, agora com intervalo curto: a partir de 5 cm o retorno é a cada 3 a 6 meses, com ultrassonografia. O que muda hoje na consulta não é a indicação cirúrgica, é o intervalo — sair de anual para semestral ou trimestral. Manter a estatina e reforçar que a abstinência do tabaco, já conquistada, é a medida com relação mais forte com crescimento e rotura. Otimizar o anti-hipertensivo em direção a sistólica abaixo de 130 e diastólica abaixo de 80 mmHg. Não há indicação de restringir esforço físico com base no diâmetro.
- encaminhamento
- O paciente já está com o vascular, e é onde deve ficar: com 5,2 cm e crescendo, ele vai cruzar o corte cirúrgico dentro de um ou dois anos pela taxa esperada de cerca de 0,5 cm por ano acima de 5 cm. É o momento de começar a preparar a decisão — avaliação de risco cardiovascular e, quando o diâmetro se aproximar do corte, angiotomografia para medir colo proximal e ilíacas e definir se a anatomia serve para endoprótese.
- orientação de alarme
- Orientar explicitamente o sinal que muda tudo: dor abdominal ou lombar de início súbito e forte intensidade, com ou sem desmaio, é procura imediata de emergência, dizendo que tem aneurisma de aorta. É a orientação que mais economiza tempo no dia da rotura, porque o quadro se disfarça de cólica renal e de lumbago com facilidade.
Agora feche você
- achado
- Homem idoso, tabagista pesado, com dor lombar súbita e intensa, hipotensão (84 por 52 mmHg), taquicardia, palidez, síncope postural, massa epigástrica e hematócrito de 31%. O rótulo de cólica renal foi aplicado à apresentação clássica de rotura de aneurisma de aorta abdominal contida no retroperitônio — e a associação que discrimina roto de não roto não é a dor, é justamente o que está aqui: pressão sistólica abaixo de 100 mmHg e hematócrito abaixo de 37%.
- erro a desfazer
- Duas condutas já prescritas trabalham contra o paciente: o bolus de 2.000 mL de cristaloide e a investigação urinária. O volume agressivo eleva a pressão, desloca o coágulo que contém a rotura no retroperitônio e converte um sangramento contido em hemorragia livre, além de diluir fatores de coagulação e empurrar para coagulopatia, hipotermia e acidose.
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Operar o aneurisma de 5,0 cm no homem porque "está quase no corte" Atrai porque 5,0 cm soa grande e a diferença para 5,5 cm parece irrelevante. Mas é exatamente a faixa em que quatro ensaios randomizados compararam intervir com vigiar e não encontraram diferença de mortalidade — risco relativo de 1,01 (IC95% 0,93-1,10) para cirurgia e endovascular somados contra acompanhamento. A recomendação brasileira nessa faixa é forte e CONTRA operar. O que muda a partir de 5 cm é o intervalo de vigilância, que encurta para 3 a 6 meses. Na mulher, atenção: 5,0 cm já é indicação pela SBACV.
- 2Repetir o rastreamento negativo A alternativa que oferece "ultrassonografia a cada 5 anos a partir dos 65 anos" parece mais cuidadosa e é errada. O rastreamento é uma ultrassonografia, uma única vez, no homem acima de 65 anos: aorta fina nessa idade praticamente não vira aneurisma cirúrgico no resto da vida. Rastreamento negativo é alta. Repetição só existe em duas situações — história familiar de aneurisma, que justifica rastreamento de rotina em ambos os sexos, e aneurisma periférico conhecido, que pede reavaliação a cada 5 a 10 anos.
- 3Encher de volume o paciente com rotura para "estabilizar antes de levar à sala" É o reflexo do choque hipovolêmico aplicado ao lugar errado. Na rotura de aorta, o sangramento está contido por coágulo e pelo retroperitônio: normalizar a pressão desloca esse tampão e transforma sangramento contido em hemorragia livre, além de diluir fatores de coagulação e levar à tríade de coagulopatia, hipotermia e acidose. A conduta é hipotensão permissiva, com sistólica de 70 a 90 mmHg e o nível de consciência como parâmetro. Estabilizar, aqui, é controlar a aorta na sala — não é subir a pressão no corredor.
- 4Aceitar o diagnóstico de cólica renal no idoso tabagista A rotura contida no retroperitônio dói no flanco e nas costas, o paciente se agita sem achar posição, e hematúria e história de litíase são comuns na mesma faixa etária — o quadro cabe inteiro no rótulo errado. O detalhe que o documento brasileiro sublinha é que dor abdominal ou lombar isolada discrimina mal: 59% dos rotos tinham esses sintomas, e 60% dos não rotos também. O que separa é o hemodinâmico: 84% dos rotos tinham sistólica abaixo de 100 mmHg ou hematócrito abaixo de 37%, contra 27% dos não rotos. Primeiro episódio de "cólica renal" depois dos 60 anos merece a aorta examinada.
- 5Prescrever doxiciclina para frear o crescimento do aneurisma É a armadilha mais elegante do tema, porque o raciocínio fisiopatológico funciona: a parede aneurismática degrada elastina por metaloproteinases, e tetraciclinas as inibem. O ensaio N-TA3CT testou e enterrou a hipótese: 254 pacientes, doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia por 2 anos, crescimento de 0,36 cm contra 0,36 cm no placebo — diferença de 0 cm (IC95% -0,07 a 0,07; p = 0,93). Os autores concluem que os achados não sustentam o uso. Alternativa que traz a doxiciclina com a justificativa da metaloproteinase está usando mecanismo para vender desfecho que não existe.
- 6Tratar o diabetes como fator de risco (ou como protetor) para aneurisma de aorta As duas versões erram, e é raro um tema em que a resposta seja "nem uma coisa nem outra". A SBACV registra odds ratio de 1,18 com intervalo de confiança de 0,99 a 1,41: como o intervalo cruza o 1,0, a conclusão literal do documento é que ser diabético não é fator de risco significativo, mas também não é fator de proteção. A literatura antiga alimentou a versão do diabetes protetor, e por isso ela aparece em alternativa. Os fatores em ordem de força são história familiar (9,64), tabagismo (2,97), doença coronariana (2,29) e hipertensão (1,55) — com idade e sexo masculino como escala.
- 7Reintervir num endoleak tipo II com saco estável O tipo II é o mais frequente e o de menor pressão: enche o saco por fluxo retrógrado de colaterais lombares ou da mesentérica inferior, e a maioria fecha sozinha. Achado em tomografia de rotina com saco estável se observa. Embolização entra quando o vazamento persiste com crescimento do saco acima de 5 mm, ou aumento acima de 10 mm em 6 meses. Quem exige correção pronta são os de alta pressão, tipos I e III, ligados ao fluxo aórtico direto — inverter essa lógica é o erro clássico.
- 8Concluir que o EVAR é melhor porque a mortalidade em 30 dias é menor A premissa é verdadeira e a conclusão excede o dado. O risco relativo de morte em 30 dias é de 0,34 (IC95% 0,21-0,57) a favor do endovascular, e é isso que sustenta a recomendação brasileira nos aneurismas acima de 5,4 cm. Só que a mesma metanálise mostra mortalidade até 4 anos de 0,93 (0,79-1,10) e de longo prazo de 0,99 (0,89-1,09) — empate —, com reintervenção quase dobrada, e a metanálise UK-COMPASS registra a vantagem se perdendo em 30 meses. A leitura correta é temporal: o ganho é precoce e transitório, e cobra vigilância vitalícia com angiotomografia.
Aneurisma de aorta abdominal de 4,3 cm assintomático está abaixo do limiar de reparo eletivo (≥5,5 cm em homens, ou crescimento rápido >0,5 cm/6 meses, ou sintomático). A conduta é vigilância por imagem seriada e cessação do tabagismo/controle de risco. Reparo (aberto ou EVAR) nesse diâmetro não reduz mortalidade. Alta sem seguimento é inadequada — o aneurisma precisa ser monitorado. Anticoagulação não previne ruptura e não tem indicação para essa finalidade.
Recuperação
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Homem de 76 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de forte intensidade, início súbito há 1 hora, e sensação de desmaio. PA 82x50 mmHg, FC 122 bpm, FR 24 ipm. Ao exame, massa abdominal pulsátil dolorosa em epigástrio/mesogástrio. Ele tem antecedente de aneurisma de aorta abdominal de 6 cm em acompanhamento. Qual a conduta mais apropriada?
Tríade de dor abdominal/lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil em portador de AAA de 6 cm é ruptura de aneurisma até prova em contrário — emergência cirúrgica. A conduta é encaminhamento imediato ao reparo (EVAR ou aberto) com hipotensão permissiva (PA sistólica alvo ~70-90 mmHg / paciente consciente) para não agravar o sangramento. Em paciente instável com quadro clássico, aguardar TC atrasa a intervenção que salva a vida (a TC só cabe se o paciente estiver estável). Ressuscitação agressiva com PA normal aumenta sangramento e mortalidade. Betabloqueador/observação e vigilância ambulatorial são fatais nesse contexto.
Homem de 66 anos, tabagista de longa data, realiza ultrassonografia abdominal de rotina que evidencia aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 4,3 cm de diâmetro, assintomático. Sem dor, sem sinais de ruptura. Qual é a conduta mais apropriada neste momento?
AAA infrarrenal assintomático menor que 5,5 cm no homem tem baixo risco de ruptura, portanto a conduta é vigilância por imagem seriada (intervalo conforme diâmetro) e otimização de fatores de risco, com ênfase na cessação do tabagismo (maior fator modificável de crescimento/ruptura). Correção aberta e EVAR eletivos são indicados a partir de ~5,5 cm (homem), crescimento rápido (>1 cm/ano) ou sintomas. Anticoagulação não previne ruptura e aumenta risco hemorrágico se romper. Nenhum tratamento clínico reduz o diâmetro do aneurisma; o objetivo é retardar o crescimento.
Mulher de 68 anos, hipertensa, procura emergência com dor lombar e abdominal súbita e intensa, irradiada para o dorso, associada a lipotímia. Exame: PA 85/50 mmHg, FC 120 bpm, palidez, massa abdominal pulsátil dolorosa. Ultrassonografia à beira do leito mostra aorta abdominal de 6,5 cm com líquido livre retroperitoneal. Qual é a conduta imediata mais adequada nesse cenário?
O quadro é aneurisma de aorta abdominal roto (dor + hipotensão + massa pulsátil + líquido retroperitoneal) — emergência cirúrgica. A conduta é encaminhamento imediato para reparo (aberto ou EVAR de urgência) adotando hipotensão permissiva (manter PA sistólica em torno de 70-90 mmHg / paciente lúcido) para não deslocar o coágulo e agravar o sangramento. Reposição agressiva para normalizar a PA precipita ressangramento. Aguardar angio-TC é aceitável só no paciente estável; aqui a instabilidade impõe ação imediata (a USG já confirmou). Reduzir a PA com anti-hipertensivo agravaria o choque. Observação é fatal.
Homem de 70 anos, hipertenso e tabagista, realiza consulta de rotina na UBS. Ao exame abdominal, palpa-se massa pulsátil e expansível na região mesogástrica, indolor. Está assintomático e hemodinamicamente estável. Qual o exame inicial mais adequado para investigar a suspeita?
Massa abdominal pulsátil e expansível em paciente com fatores de risco sugere aneurisma de aorta abdominal. Em paciente assintomático e estável, o exame inicial de escolha é a ultrassonografia de abdome, por ser barata, não invasiva, acessível na APS e com boa acurácia para medir o diâmetro aórtico e indicar seguimento/encaminhamento. A laparotomia de urgência só se justifica em aneurisma roto/instável. A radiografia simples não é sensível. A endoscopia investiga o trato digestivo, não a aorta.
Homem de 74 anos chega à UPA com dor abdominal e lombar intensa e súbita, hipotensão (PA 80x50 mmHg) e massa abdominal pulsátil. Está pálido e sudoreico. Qual a conduta prioritária?
A tríade dor abdominal/lombar súbita + hipotensão + massa pulsátil caracteriza aneurisma de aorta abdominal roto, emergência cirúrgica com altíssima mortalidade. A conduta é estabilização (acesso venoso calibroso, reposição volêmica controlada com hipotensão permissiva) e transferência imediata para reparo vascular de emergência. Aguardar exame eletivo ou observar retarda fatalmente. Reduzir a PA agressivamente em paciente já hipotenso e chocado é contraindicado (piora a perfusão).
Homem de 74 anos, hipertenso e ex-tabagista, chega à UPA com dor abdominal súbita e intensa irradiada para o dorso, iniciada há 1 hora, associada a sudorese. PA 88x54 mmHg, FC 118 bpm. Ao exame, massa abdominal pulsátil na região periumbilical e dor à palpação. Qual é a conduta prioritária?
Dor abdominal/dorsal súbita, massa pulsátil e instabilidade hemodinâmica em idoso com fatores de risco configuram aneurisma de aorta abdominal roto — emergência cirúrgica de altíssima letalidade. A conduta é reanimação volêmica cautelosa (hipotensão permissiva) e transferência urgente para centro com cirurgia vascular/endovascular. Colonoscopia e AINE são irrelevantes e perigosos. Lavagem gástrica e observação retardam o único tratamento que salva a vida (reparo cirúrgico).
Homem de 55 anos, tabagista de 30 anos-maço, assintomático, comparece à UBS para consulta de rotina. Considerando a epidemiologia e as recomendações de rastreamento em saúde do adulto, qual conduta preventiva relacionada à doença vascular é apropriada oferecer a esse paciente?
Homens com história de tabagismo na faixa etária de rastreio se beneficiam de rastreamento único de aneurisma de aorta abdominal por ultrassonografia, exame barato, não invasivo e disponível, dado que a ruptura tem alta letalidade e o AAA é frequentemente assintomático. Angiotomografia anual de tórax não é rastreio vascular e expõe a radiação/contraste sem indicação. Ecocardiograma transesofágico seriado é invasivo e sem indicação de rastreio. Flebografia é invasiva e não é método de rastreamento.
Homem de 72 anos, hipertenso e ex-tabagista, comparece ao ambulatório para avaliação de rotina. Nega sintomas. Durante o exame físico, o médico palpa uma massa abdominal pulsátil e expansível na região epigástrica/mesogástrica, indolor. A pressão arterial está controlada e o restante do exame é normal. Foi solicitada ultrassonografia de abdome, que evidenciou dilatação da aorta abdominal infrarrenal com diâmetro de 4,2 cm, sem sinais de rotura. O paciente permanece assintomático. Considerando o quadro de aneurisma de aorta abdominal de pequeno calibre, qual é a conduta mais adequada?
Aneurismas de aorta abdominal assintomáticos com diâmetro abaixo de 5,5 cm (no homem) têm baixo risco de rotura e o tratamento eletivo não traz benefício; a conduta é vigilância por imagem seriada e controle rigoroso de fatores de risco (pressão arterial, cessação do tabagismo). A correção (cirúrgica aberta ou endovascular) é indicada com diâmetro ≥5,5 cm, crescimento rápido, sintomas ou rotura — nenhum presente aqui, o que afasta as opções de intervenção imediata/urgente. Dar alta sem seguimento é inadequado, pois o aneurisma pode crescer e romper, exigindo monitoramento.
Homem de 74 anos, ex-tabagista e hipertenso, comparece à UBS para consulta de rotina. Está assintomático. Ao exame abdominal, o médico palpa uma massa pulsátil e expansível na região epigástrica/mesogástrica. A pressão arterial é 150/90 mmHg. Solicitada ultrassonografia abdominal, que evidencia aneurisma de aorta abdominal infrarrenal com diâmetro de 4,2 cm. O paciente não tem dor nem sinais de instabilidade. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Aneurisma de aorta abdominal assintomático com diâmetro < 5,5 cm (aqui 4,2 cm) tem baixo risco de ruptura e indicação de vigilância: controle de fatores de risco (parar de fumar, controlar PA), estatina, e US seriado. O reparo eletivo é indicado com diâmetro ≥ 5,5 cm, crescimento rápido (> 1 cm/ano) ou sintomas. Cirurgia imediata/urgente não se justifica sem esses critérios nem sinais de ruptura (dor, hipotensão, massa pulsátil dolorosa). Anticoagulação não previne ruptura nem é indicada — pode inclusive aumentar risco hemorrágico em caso de ruptura.
Homem de 70 anos, tabagista e hipertenso, é trazido ao pronto-socorro por dor abdominal e lombar súbita e intensa, com sensação de desmaio. Ao exame, está pálido, sudoreico, com PA 80/50 mmHg, FC 120 bpm, e apresenta uma massa abdominal pulsátil e dolorosa em mesogástrio. Tem história prévia de aneurisma de aorta abdominal em acompanhamento. Qual é o diagnóstico e a conduta imediata, respectivamente?
A tríade dor abdominal/lombar súbita + hipotensão/choque + massa abdominal pulsátil em paciente com aneurisma conhecido é ruptura de aneurisma de aorta abdominal até prova em contrário — emergência cirúrgica. A conduta é ressuscitação volêmica controlada (hipotensão permissiva, evitar hipertensão que agrava sangramento) e reparo imediato (aberto ou endovascular). Cólica renal e pancreatite não causam choque com massa pulsátil e não justificam conduta eletiva num paciente instável. IAM não cursa com massa abdominal pulsátil; trombólise seria catastrófica num aneurisma roto.
Homem, 74 anos, tabagista (50 maços-ano), hipertenso, com DPOC, procura ambulatório de cirurgia vascular assintomático, encaminhado após ultrassonografia de abdome de rotina que evidenciou aneurisma de aorta abdominal infrarrenal fusiforme com diâmetro máximo de 4,8 cm. Exame físico: PA 138x84 mmHg, FC 72 bpm, abdome globoso sem massa pulsátil palpável, pulsos periféricos presentes e simétricos. Função renal e demais exames sem alterações. Ele está preocupado e questiona se precisará operar. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Correta: o limiar consagrado para reparo eletivo de AAA infrarrenal é diâmetro ≥ 5,5 cm (ou crescimento > 1,0 cm/ano, ou aneurisma sintomático). Com 4,8 cm assintomático, a conduta é vigilância imagenológica associada a controle de fatores de risco e cessação do tabagismo: para aneurismas de 3,0–3,9 cm o intervalo é de 2–3 anos e para 4,0–5,4 cm de 6 a 12 meses, sendo o intervalo anual apropriado nessa faixa — a intervenção NÃO está indicada. Indicar reparo eletivo erra: 4,8 cm está abaixo do limiar de 5,5 cm. Dar alta do acompanhamento se o crescimento for menor que 0,5 cm erra: o aneurisma exige vigilância continuada e pode crescer. Indicar angiotomografia imediata e reparo endovascular pelo tabagismo erra: o tabagismo é fator de risco de crescimento e rotura, mas não indica cirurgia com esse diâmetro; a angio-TC se reserva ao preparo pré-operatório, quando o limiar for atingido. Vigiar a cada 6 meses é plausível quanto ao intervalo, mas erra na justificativa: 'crescimento rápido esperado' não é presumido nessa faixa de diâmetro.
Homem, 70 anos, hipertenso e ex-tabagista, é trazido ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de forte intensidade, início súbito há 1 hora, associada a sudorese e sensação de desmaio. Exame físico: PA 82x50 mmHg, FC 118 bpm, FR 24 ipm, palidez cutânea, abdome doloroso com massa pulsátil palpável na região periumbilical. Ultrassonografia à beira do leito (FAST/aorta) mostra aorta abdominal dilatada com 6,5 cm e líquido livre em goteira parietocólica. Qual é a conduta prioritária?
Correta: o quadro é de aneurisma de aorta abdominal roto (dor abdominal/lombar súbita + hipotensão + massa pulsátil = tríade clássica), confirmado por USG com aorta de 6,5 cm e líquido livre. É emergência cirúrgica: encaminhamento imediato ao reparo (aberto ou EVAR de urgência) com estratégia de hipotensão permissiva (manter PAS ~70-90 mmHg / paciente consciente) para não deslocar o coágulo e agravar o sangramento. A. Errada: ressuscitação agressiva para normalizar PA aumenta o sangramento (contraindica-se sobre-ressuscitação; usar hipotensão permissiva). B. Errada: em paciente instável não se aguarda angioTC — leva-se ao centro cirúrgico; a TC só é aceitável no paciente estável e sem atrasar o reparo. D. Errada: conduta apenas clínica em aneurisma roto é fatal. E. Errada: paracentese é desnecessária e perigosa, atrasa a cirurgia; o diagnóstico já está estabelecido.
Durante uma campanha de saúde do homem, um médico de um serviço de atenção primária deseja aplicar o rastreamento de aneurisma de aorta abdominal recomendado pelas principais diretrizes. Considere um único exame de ultrassonografia abdominal para identificar indivíduos com maior risco. Qual grupo populacional tem indicação clássica de rastreamento por ultrassonografia para aneurisma de aorta abdominal?
Correta: As diretrizes (USPSTF, SVS) recomendam rastreamento com ultrassonografia abdominal, exame único, para homens de 65 a 75 anos que são ou já foram tabagistas — grupo com maior prevalência de AAA e melhor razão custo-benefício. B. Errada: não há recomendação de rastreamento rotineiro para mulheres jovens; em mulheres o rastreamento é seletivo/incerto (faixa 65-75 anos tabagistas ou com história familiar, conforme a diretriz). C. Errada: história de câncer não é fator de risco para AAA; os fatores são tabagismo, idade, sexo masculino e história familiar de AAA. D. Errada: homens abaixo de 50 anos não compõem a faixa etária de rastreamento. E. Errada: acima de 80 anos, sem fator de risco, o rastreamento populacional não é indicado (baixo benefício frente à expectativa de vida e ao risco cirúrgico).
Homem, 72 anos, ex-tabagista (carga tabágica de 40 maços-ano), hipertenso em uso de losartana, em seguimento ambulatorial de aneurisma de aorta abdominal (AAA) infrarrenal fusiforme, assintomático. Ultrassonografia realizada há 6 meses evidenciava diâmetro máximo de 4,8 cm. A ultrassonografia atual mostra diâmetro máximo de 5,4 cm. O paciente permanece assintomático, com PA 130/80 mmHg e sem outras queixas; risco cirúrgico aceitável. Qual a conduta mais adequada?
Correta: Embora o diametro atual (5,4 cm) esteja logo abaixo do limiar isolado de 5,5 cm para reparo em homens, houve crescimento de 0,6 cm em 6 meses. Um crescimento rapido (>0,5 cm em 6 meses ou >1,0 cm em 1 ano) e, por si so, indicacao de reparo eletivo, independentemente do diametro absoluto. Adiar em vigilancia ignora o criterio de crescimento rapido, que ja preenche indicacao cirurgica. Nenhum farmaco (betabloqueador, estatina, IECA) tem eficacia comprovada em frear o crescimento do AAA a ponto de substituir a indicacao cirurgica. Intervalo de 3 anos aplica-se a aneurismas de 3,0-3,9 cm; e inadequado e perigoso neste contexto.
Homem, 68 anos, tabagista, chega ao pronto-socorro com dor abdominal de inicio subito irradiada para o dorso, associada a episodio de sincope. Ao exame: sonolento, palido e sudoreico, PA 78/40 mmHg, FC 122 bpm, FR 24 ipm. Abdome com massa pulsatil e dolorosa palpavel na regiao mesogastrica. Nao ha melhora hemodinamica apos infusao inicial de cristaloide. Qual a conduta imediata mais apropriada?
Correta: o quadro (dor abdominal/dorsal subita + hipotensao + massa pulsatil) e a triade classica de ruptura de AAA. Em paciente hemodinamicamente instavel, o diagnostico e clinico e a conduta e encaminhamento imediato a cirurgia (reparo aberto ou endovascular de urgencia), sem aguardar exame de imagem. A TC so se justifica no paciente ESTAVEL; no instavel, atrasa o tratamento e aumenta a mortalidade. Um USG negativo nao exclui ruptura e a alta e inaceitavel diante do quadro. A conduta correta e hipotensao permissiva (alvo de PAS ~70-90 mmHg); ressuscitacao agressiva ate >120 mmHg agrava o sangramento e a coagulopatia. Procedimento eletivo e incompativel com a instabilidade e urgencia do caso.
Homem, 66 anos, ex-tabagista (parou ha 3 anos, com historia de 25 macos-ano), assintomatico, comparece a consulta de rotina. Exame fisico abdominal sem alteracoes, sem massas palpaveis. Nunca realizou qualquer rastreamento vascular. Segundo as recomendacoes atuais, qual a conduta de rastreamento para aneurisma de aorta abdominal indicada para este paciente?
Correta: o rastreamento de AAA e recomendado com ultrassonografia UNICA em homens de 65 a 75 anos que ja fumaram (tabagismo atual ou pregresso) - grupo de maior risco. O paciente (66 anos, ex-tabagista) preenche exatamente o criterio. A TC nao e o metodo de rastreamento (custo, radiacao, contraste); o USG e o exame de escolha por ser seguro, barato e acurado. A ausencia de sintomas nao afasta a indicacao - o rastreamento visa justamente detectar o aneurisma assintomatico. O D-dimero nao tem papel no rastreamento de AAA. O rastreamento e um exame unico; se a aorta e normal, nao ha necessidade de repeticao periodica indefinida.
Homem, 68 anos, ex-tabagista (carga de 40 maços-ano, cessou há 2 anos), hipertenso em uso de losartana, comparece a consulta de rotina totalmente assintomático. Exame físico abdominal sem massas ou sopros. Não há histórico familiar de doença arterial. Considerando as recomendações de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal, qual a conduta mais apropriada? Qual a conduta de rastreamento indicada?
Correta: Homens de 65 a 75 anos que já foram tabagistas têm indicação de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal com ultrassonografia UMA ÚNICA vez (recomendação USPSTF grau B). O paciente (68 anos, ex-tabagista) preenche exatamente esse critério. Angio-TC anual é exame de estadiamento/planejamento cirúrgico, não de rastreamento populacional (custo, radiação, contraste). Estar assintomático é justamente a razão de rastrear — o aneurisma é silencioso até romper. D-dímero não rastreia nem diagnostica aneurisma. RM não é o método de rastreamento (a USG é barata, sem radiação e acurada para o diâmetro).
Homem, 72 anos, hipertenso e ex-tabagista, é submetido a ultrassonografia de rastreamento e descobre-se aneurisma de aorta abdominal infrarrenal fusiforme, assintomático. A angiotomografia confirma diâmetro máximo de 5,8 cm, sem sinais de rotura ou dor. Paciente clinicamente estável, com risco cirúrgico aceitável. Qual a conduta mais adequada?
Correta: o reparo eletivo do aneurisma de aorta abdominal está indicado quando o diâmetro atinge ≥ 5,5 cm em homens, quando há crescimento rápido (> 0,5 cm em 6 meses / > 1 cm/ano) ou quando é sintomático. Com 5,8 cm, o risco de rotura supera o risco do reparo eletivo. Vigilância por imagem é a conduta para aneurismas menores (3,0–5,4 cm), com intervalo tanto mais curto quanto maior o diâmetro — inadequada aqui, pois já passou do limiar cirúrgico. Anticoagulação não previne rotura e pode agravar sangramento se romper. Betabloqueador/controle de PA e fatores de risco é adjuvante, mas não substitui o reparo em aneurisma acima do limiar.
Homem, 70 anos, tabagista, chega ao pronto-socorro com dor lombar e abdominal de início súbito há 40 minutos, intensa. Ao exame: descorado, sudoreico, PA 80x50 mmHg, FC 122 bpm, FR 24 ipm, massa abdominal pulsátil palpável em região periumbilical e dor à palpação. Há história prévia de aneurisma de aorta abdominal em acompanhamento. Acesso venoso obtido; paciente permanece hipotenso. Qual a conduta imediata mais adequada?
Correta: a tríade dor abdominal/lombar + massa pulsátil + hipotensão em paciente com aneurisma conhecido caracteriza rotura de aneurisma de aorta abdominal — emergência cirúrgica. A conduta é levar ao centro cirúrgico SEM demora (reparo aberto ou endovascular), com hipotensão permissiva (alvo de PAS ~70–90 mmHg), evitando ressuscitação exagerada. Normalizar a PA com volume aumenta a pressão sobre o tampão hemostático e a hemorragia ('popping the clot') — erro clássico. A angio-TC só é aceitável no paciente ESTÁVEL para planejar EVAR; no instável, atrasa a cirurgia que salva vida. Observar em UTI perde a janela cirúrgica — o paciente está exsanguinando. Não há trombo a lisar; trombólise seria catastrófica em hemorragia ativa.
Homem, 72 anos, tabagista de longa data e hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de início súbito e forte intensidade há cerca de 1 hora. Ao exame: descorado, sudoreico, PA 80/50 mmHg, FC 122 bpm, FR 24 ipm. Abdome doloroso à palpação, com massa pulsátil palpável na região periumbilical. Ecografia à beira do leito evidencia aorta abdominal infrarrenal com diâmetro de 6,5 cm e líquido livre retroperitoneal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade clássica de rotura de aneurisma de aorta abdominal (AAA) — dor abdominal/lombar súbita, hipotensão e massa abdominal pulsátil — está presente, em paciente com fatores de risco típicos (homem idoso, tabagista, hipertenso). A ecografia confirma aorta dilatada (6,5 cm; limiar de AAA é >=3,0 cm e alto risco de rotura acima de 5,5 cm) com líquido livre retroperitoneal, selando o diagnóstico e indicando reparo cirúrgico/endovascular de emergência. Pancreatite: dor epigástrica em faixa com irradiação dorsal existe, mas não cursa com massa pulsátil nem dilatação aórtica ao US. Cólica nefrética: dor lombar em cólica com irradiação para a genitália, tipicamente sem instabilidade hemodinâmica e sem massa pulsátil. Isquemia mesentérica: dor desproporcional ao exame, geralmente com acidose e fonte embolígena, sem massa aórtica pulsátil. Úlcera perfurada: abdome em tábua com pneumoperitônio, e não massa pulsátil com aorta dilatada.
Homem de 68 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Refere ser hipertenso, tabagista de longa data (40 anos-maço) e assintomático do ponto de vista cardiovascular. Nega dor abdominal, claudicação ou episódios sincopais. Ao exame físico apresenta bom estado geral, PA de 138x86 mmHg, abdome flácido, indolor, sem massas palpáveis evidentes. O médico da equipe, ao revisar as recomendações de rastreamento para essa faixa etária e perfil de risco, decide investigar a possibilidade de aneurisma de aorta abdominal. Qual é o exame de escolha, por ser não invasivo, de baixo custo e alta acurácia, para o rastreamento dessa condição nesse paciente?
O rastreamento de aneurisma de aorta abdominal em homens de 65 a 75 anos com história de tabagismo é feito com ultrassonografia abdominal, exame não invasivo, sem radiação, de baixo custo, alta sensibilidade e especificidade, disponível na atenção primária. A angiotomografia é acurada, porém usa contraste e radiação, sendo reservada para planejamento terapêutico, não para rastreamento populacional. A radiografia simples tem baixa sensibilidade, só detectando calcificação da parede em parte dos casos. A ressonância é cara, pouco disponível e não indicada como método de triagem.
Homem de 74 anos, tabagista e hipertenso, é trazido ao pronto-socorro com dor abdominal intensa de início súbito há uma hora, irradiada para o dorso e o flanco esquerdo, associada a sudorese e sensação de desmaio. Ao exame, encontra-se pálido, sudoreico, com PA de 82x50 mmHg e FC de 118 bpm. À palpação abdominal, nota-se massa pulsátil e dolorosa na região epigástrica/mesogástrica. O paciente nunca havia realizado exames de imagem do abdome. Diante desse quadro clínico altamente sugestivo de rotura de aneurisma de aorta abdominal com instabilidade hemodinâmica, qual é a conduta mais adequada?
Paciente idoso, tabagista, com dor abdominal súbita irradiada ao dorso, hipotensão e massa abdominal pulsátil configura rotura de aneurisma de aorta abdominal instável — emergência cirúrgica. A conduta é acionar imediatamente a equipe cirúrgica/vascular, com hipotensão permissiva (reposição cautelosa), pois o paciente instável não deve aguardar imagem. Solicitar angiotomografia antes de tudo atrasa o tratamento definitivo e é inaceitável no instável — a imagem só se aplica ao paciente estável. Apenas observar e reavaliar em 6 horas leva ao óbito por exsanguinação. Reposição agressiva para normalizar a PA aumenta o sangramento pela rotura e o encaminhamento ambulatorial é incompatível com a urgência.
Mulher de 70 anos, ex-tabagista, é acompanhada na Unidade Básica de Saúde. Durante rastreamento, a ultrassonografia abdominal identificou aneurisma fusiforme de aorta abdominal infrarrenal medindo 4,3 cm no maior diâmetro. A paciente está assintomática, sem dor abdominal ou lombar, com pulsos periféricos presentes e simétricos e sem sinais de compressão de estruturas adjacentes. Ela pergunta ao médico se precisará ser operada de imediato. Considerando que o diâmetro ainda não atingiu o limiar habitual indicado para correção cirúrgica eletiva e que o risco de rotura em aneurismas desse tamanho é baixo, qual é a conduta mais apropriada neste momento?
Aneurisma de aorta abdominal assintomático de 4,3 cm está abaixo do limiar de correção eletiva (cerca de 5,5 cm em homens / 5,0 cm em mulheres, ou crescimento rápido/sintomas). A conduta correta é vigilância com ultrassonografia seriada e controle de fatores de risco — cessação do tabagismo e controle pressórico. Encaminhar para cirurgia imediata expõe a paciente a risco cirúrgico desnecessário, pois o risco de rotura nesse diâmetro é baixo. Anticoagulação plena não reduz rotura e ainda aumenta o risco hemorrágico. Arteriografia de urgência e internação são desproporcionais a um aneurisma pequeno e assintomático, além de invasivos e sem benefício.
Homem de 68 anos comparece à unidade de saúde da família para consulta de rotina, assintomático. Tabagista (40 maços-ano), hipertenso em uso de losartana e dislipidêmico em uso irregular de sinvastatina. Ao exame: bom estado geral, PA 148x88 mmHg, FC 76 bpm, IMC 27 kg/m². Abdome flácido, com massa pulsátil indolor em região epigástrica/mesogástrica; pulsos femorais e pediosos presentes e simétricos, sem sopros. A ultrassonografia de abdome solicitada mostra aorta abdominal infrarrenal com diâmetro máximo de 4,2 cm, sem sinais de rotura ou dissecção. Função renal normal. Considerando as recomendações atuais para o manejo do aneurisma de aorta abdominal, qual é a conduta mais apropriada?
Correta: aneurismas de aorta abdominal assintomáticos entre 4,0 e 4,9 cm têm risco de rotura baixo (<1%/ano) e a conduta é vigilância por imagem (intervalo anual nessa faixa) associada ao controle agressivo dos fatores de risco — a cessação do tabagismo é a medida isolada mais eficaz para reduzir a velocidade de expansão, somada a controle pressórico e estatina. O reparo eletivo é reservado a diâmetro ≥5,5 cm em homens (≥5,0 cm em mulheres), expansão rápida (>0,5 cm em 6 meses ou >1,0 cm/ano) ou aneurisma sintomático — por isso Errada: A anticoagulação não previne rotura nem expansão e não tem indicação para trombo mural aórtico assintomático, apenas expondo o paciente a risco hemorrágico (opção errada). Erra porque aneurismas dessa faixa expandem em média 0,2–0,3 cm/ano e podem atingir o limiar cirúrgico; abandonar o seguimento por imagem retira a única chance de reparo eletivo antes da rotura.
Homem de 71 anos chega à UPA com dor lombar esquerda de início súbito há duas horas, contínua, associada a náuseas e agitação. Recebeu analgesia com diagnóstico presuntivo de cólica nefrética; o exame de urina evidenciou hematúria microscópica. Antecedentes: hipertensão arterial, DPOC e tabagismo de 50 maços-ano. Na reavaliação, mantém dor intensa, refere sensação de desmaio e apresenta PA 92x60 mmHg (na admissão, 150x90 mmHg), FC 112 bpm, extremidades frias e pulsos pediosos filiformes. O abdome está distendido e difusamente doloroso, com palpação profunda limitada pela dor. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Correta: dor lombar súbita em homem idoso, tabagista e hipertenso, que evolui com hipotensão e sinais de má perfusão, deve ser tratada como rotura de aneurisma de aorta abdominal até prova em contrário — a rotura é classicamente confundida com cólica nefrética, inclusive porque pode cursar com hematúria microscópica. A ultrassonografia à beira do leito é o exame de escolha no instável (rápido, sem transporte, alta sensibilidade para a dilatação aórtica), somada a acessos calibrosos, reserva de sangue e acionamento imediato da cirurgia vascular. Erra porque paciente hemodinamicamente instável não deve ser transportado ao setor de imagem — a angiotomografia só é aceitável após estabilização. Em C, atribuir a hipotensão a resposta vagal e apenas reobservar é ancoragem diagnóstica com risco de morte por exsanguinação. Em D, faltam febre, disúria e leucocitúria/piúria que sustentem pielonefrite, e antibiótico não corrige choque hemorrágico.
Homem de 72 anos é trazido à UPA com dor lombar esquerda de início súbito e forte intensidade, iniciada há 40 minutos, com irradiação para a região inguinal, associada a um episódio de síncope. É hipertenso em uso irregular de losartana, dislipidêmico e ex-tabagista (40 anos-maço). Ao exame: descorado (2+/4+), sudoreico, PA 80/50 mmHg, FC 122 bpm, FR 24 irpm. Abdome flácido, doloroso à palpação profunda do mesogástrio, onde se palpa massa pulsátil e expansiva; pulsos femorais diminuídos e simétricos. O exame sumário de urina realizado na admissão mostra hematúria microscópica. Considerando o quadro, quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta imediata?
Correta: a tríade dor abdominal/lombar súbita + hipotensão + massa abdominal pulsátil em homem idoso tabagista define rotura de aneurisma da aorta abdominal; é emergência cirúrgica, e o paciente instável deve ir ao centro cirúrgico sem aguardar tomografia, com reposição volêmica restritiva (meta de PAS ~70-90 mmHg) para não agravar o sangramento. A hematúria microscópica é achado inespecífico e desvia para o diagnóstico errado. Cólica nefrética não cursa com choque nem com massa pulsátil expansiva, e a hidratação vigorosa/AINE retardaria a cirurgia. Pancreatite aguda não explica massa pulsátil e a espera pela tomografia seria fatal. A hipótese de aneurisma íntegro com dor musculoesquelética é insustentável diante de hipotensão, taquicardia e síncope, que indicam rotura.
Homem de 67 anos, assintomático, comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina. É ex-tabagista (parou há 3 anos, carga tabágica de 30 anos-maço), hipertenso controlado com hidroclorotiazida e não refere queixas cardiovasculares. Ao exame físico: bom estado geral, IMC 27 kg/m², PA 130/80 mmHg, FC 74 bpm, abdome globoso sem massas palpáveis, pulsos periféricos presentes e simétricos. O médico de família decide realizar rastreamento de aneurisma da aorta abdominal, uma vez que o paciente reúne os fatores de risco clássicos para essa condição. Qual é o exame indicado para esse rastreamento?
Correta: a ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para rastreamento de aneurisma da aorta abdominal em homens acima de 65 anos com história de tabagismo — é acurada (sensibilidade próxima de 100%), barata, disponível na atenção primária, não usa radiação nem contraste, e a recomendação é de rastreamento único. A radiografia simples só mostraria calcificação da parede eventualmente, com baixa sensibilidade, não servindo para rastreio. A angiotomografia é excelente para planejamento cirúrgico e para o paciente sintomático estável, mas expõe a radiação e contraste iodado e tem custo incompatível com rastreamento populacional. A arteriografia é invasiva, subestima o diâmetro do saco aneurismático (mostra apenas a luz) e não tem papel em rastreamento.
Um homem de 71 anos é levado à UPA por dor lombar esquerda de início súbito há 40 minutos, de forte intensidade, com irradiação para a fossa ilíaca e a região inguinal, acompanhada de náuseas e de um episódio de lipotimia. Refere hipertensão arterial em uso irregular de losartana, dislipidemia e tabagismo de 50 anos-maço. Ao exame: descorado (++/4+), sudoreico, consciente e orientado, pressão arterial de 82 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 118 bpm, frequência respiratória de 24 irpm. O abdome está flácido, doloroso à palpação profunda em mesogástrio, onde se palpa massa pulsátil e expansiva de cerca de 6 cm, com sopro à ausculta; pulsos femorais presentes e simétricos. Punho-percussão lombar duvidosa à esquerda e ausência de hematúria macroscópica. Quais são, respectivamente, o diagnóstico mais provável e a conduta imediata?
A tríade dor abdominal/lombar súbita + hipotensão + massa abdominal pulsátil em homem idoso, tabagista e hipertenso define aneurisma de aorta abdominal (AAA) roto até prova em contrário. CORRETA: paciente instável com diagnóstico clínico evidente não deve ser retido para exames; a conduta é transporte imediato para reparo (aberto ou endovascular) em serviço com cirurgia vascular, com hipotensão permissiva (sistólica ~80-90 mmHg, ou nível de consciência preservado) para não deslocar o coágulo contido e agravar o sangramento. Errada: a rotura de AAA classicamente simula cólica nefrética, mas hipotensão, lipotimia, palidez e massa pulsátil não pertencem à litíase; AINE e hidratação vigorosa retardariam a cirurgia e agravariam o quadro. Errada: o diagnóstico está certo, mas a ressuscitação agressiva com alvo pressórico normal aumenta a mortalidade, e angiotomografia só se justifica em paciente hemodinamicamente estável ou quando o diagnóstico é duvidoso. Errada: dissecção tipo B cursa com dor torácica dorsal migratória e assimetria de pulsos, não com massa abdominal pulsátil expansiva, e o betabloqueador em paciente hipotenso e chocado é deletério.
Homem de 73 anos, hipertenso e tabagista de longa data, é trazido à Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal de início súbito há 40 minutos, irradiada para o dorso e o flanco esquerdo, associada a sudorese fria e um episódio de síncope. Ao exame: PA 78/50 mmHg, FC 122 bpm, palidez cutâneo-mucosa, abdome distendido e massa periumbilical pulsátil, dolorosa à palpação. A UPA não dispõe de equipe de cirurgia vascular nem de tomógrafo disponível no momento. Qual é a conduta mais adequada?
Homem idoso, tabagista, com dor abdominal súbita irradiada para o dorso, síncope, hipotensão e massa pulsátil configura rotura de aneurisma da aorta abdominal até prova em contrário — emergência com letalidade elevada. No paciente instável, o diagnóstico se confirma com ultrassonografia à beira do leito (rápida, disponível na UPA, alta sensibilidade para detectar o aneurisma), e o tempo até o reparo é o principal determinante de sobrevida: estabilização mínima com hipotensão permissiva (PAS alvo ~70-90 mmHg, evitando reposição agressiva que agrava o sangramento) e transferência imediata ao serviço com cirurgia vascular. A alternativa da angiotomografia está errada porque o exame só se justifica no paciente estável ou já no serviço de destino — aguardar imagem antes de acionar a transferência custa tempo e vida. A observação clínica com analgesia é inadequada: o paciente já está em choque hemorrágico, e não há dúvida diagnóstica que justifique espera. A hipótese de cólica nefrética é um distrator clássico (a dor irradia para o flanco), mas não explica hipotensão, síncope nem massa pulsátil, e a hidratação vigorosa com anti-inflamatório retardaria o tratamento definitivo.
Homem de 67 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina com a equipe de Saúde da Família. É hipertenso, dislipidêmico e tabagista (40 anos-maço), assintomático do ponto de vista abdominal. Ao exame físico, IMC 33 kg/m², abdome globoso, sem massas palpáveis. Nega história familiar de doença arterial. O médico decide avaliar a necessidade de rastreamento de aneurisma da aorta abdominal. Qual é a conduta correta?
O rastreamento de aneurisma da aorta abdominal é recomendado com ultrassonografia abdominal, exame único, para homens de 65 a 75 anos com história de tabagismo — exatamente o perfil do paciente. O método é barato, não invasivo, sem radiação nem contraste, com sensibilidade e especificidade próximas de 100% para medir o diâmetro aórtico, e por isso é o exame de escolha na Atenção Primária. A angiotomografia está errada como rastreamento: envolve radiação ionizante e contraste iodado (com risco de nefrotoxicidade) e custo elevado, ficando reservada ao planejamento do reparo ou à suspeita de rotura em paciente estável. Confiar apenas na palpação abdominal é inadequado: a sensibilidade do exame físico é baixa e cai ainda mais em obesos (IMC 33), justamente o caso descrito — o rastreamento existe porque a maioria dos aneurismas é assintomática e impalpável até romper. A radiografia simples só mostra calcificações de parede de forma inconstante e não permite medir o diâmetro, não servindo para rastreamento.
Homem de 70 anos, ex-tabagista há 5 anos, hipertenso, assintomático, realizou ultrassonografia de abdome na UBS para investigar dispepsia. O laudo evidenciou colelitíase e, como achado incidental, aneurisma fusiforme da aorta abdominal infrarrenal, com diâmetro máximo de 4,3 cm, sem sinais de dissecção ou trombo mural relevante. Ao exame: PA 148/88 mmHg, FC 72 bpm, abdome sem massas palpáveis, pulsos periféricos simétricos. Faz uso irregular de losartana. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Aneurisma de aorta abdominal assintomático de 4,3 cm é de pequeno calibre: os grandes ensaios mostraram que o reparo precoce nessa faixa não reduz mortalidade em comparação à vigilância, porque o risco de rotura anual é baixo e não supera o risco do procedimento. A conduta correta na Atenção Primária é vigilância por imagem com ultrassonografia em intervalos definidos pelo diâmetro, associada ao controle dos fatores que aceleram a expansão e a rotura — pressão arterial (o paciente está com PA 148/88 e uso irregular de losartana), risco cardiovascular global e, sobretudo, abstinência do tabaco, o fator modificável mais associado ao crescimento. O encaminhamento ao cirurgião vascular fica reservado para diâmetro ≥ 5,5 cm, crescimento rápido (> 1 cm/ano) ou surgimento de sintomas. Encaminhar para reparo imediato é errado — não há indicação com 4,3 cm assintomático. A angiotomografia trimestral expõe desnecessariamente o paciente a radiação e contraste, e esperar a dor para encaminhar é perigoso: dor costuma significar expansão ou rotura iminente. Ignorar o achado também é errado: o aneurisma tende a crescer, e a ausência de sintomas ou de massa palpável não afasta risco futuro.
Um homem de 72 anos, hipertenso e ex-tabagista, é acompanhado em ambulatório de referência por aneurisma de aorta abdominal (AAA) infrarrenal, assintomático. No ultrassom de controle há 6 meses, o diâmetro máximo era de 4,7 cm. No exame atual, o diâmetro é de 5,3 cm. Ele está clinicamente estável, sem dor abdominal ou lombar. Qual é a conduta mais adequada?
Além do limiar de diâmetro (≥ 5,5 cm em homens), a expansão rápida do AAA — crescimento > 0,5 cm em 6 meses ou > 1,0 cm/ano — é indicação isolada de reparo eletivo pelo risco elevado de rotura, mesmo com diâmetro abaixo de 5,5 cm; o crescimento de 4,7→5,3 cm em 6 meses configura essa situação. Manter vigilância anual ignora o critério de crescimento rápido. Repetir US em 6 meses aguardando 5,5 cm expõe o paciente a risco de rotura no intervalo. Otimizar apenas a PA é medida adjuvante, não substitui a indicação cirúrgica.
Um homem de 70 anos chega à emergência de um hospital de referência com dor abdominal intensa de início súbito irradiada para o dorso, iniciada há 40 minutos. Ao exame: palidez, sudorese, PA 80/50 mmHg, FC 122 bpm e massa abdominal pulsátil dolorosa à palpação. Tem antecedente de tabagismo e hipertensão. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
A tríade dor abdominal/lombar súbita + hipotensão + massa abdominal pulsátil em paciente de risco caracteriza rotura de AAA. No paciente hemodinamicamente instável, a conduta é intervenção cirúrgica de urgência sem aguardar exames de imagem. A angiotomografia só é aceitável no paciente estável, pois atrasa o controle da hemorragia no instável. A US com observação é insuficiente diante da instabilidade. A reposição volêmica agressiva visando PA normal contraria a hipotensão permissiva recomendada, pois eleva o risco de ressangramento.
Durante uma consulta de rotina em Unidade Básica de Saúde, o médico avalia quais pacientes têm indicação de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal por ultrassonografia única. Considerando as recomendações vigentes, qual paciente apresenta indicação para esse rastreamento?
O rastreamento de AAA com ultrassonografia única está indicado para homens de 65 a 75 anos com história de tabagismo (atual ou passado) — grupo de maior prevalência e mortalidade por rotura; o homem de 68 anos ex-tabagista preenche exatamente esses critérios. A mulher de 55 anos sem comorbidades e a mulher de 70 anos com dislipidemia, ambas nunca fumantes, estão fora do grupo de rastreamento populacional recomendado. O homem de 40 anos, apesar de tabagista atual, está abaixo da faixa etária de indicação.
Homem de 74 anos, tabagista de 50 maços-ano, hipertenso e com doença arterial coronariana, chega ao pronto-socorro trazido pelo SAMU com dor lombar esquerda de início súbito há 40 minutos, de forte intensidade, associada a sudorese e lipotimia. Ao exame: torporoso, pálido, PA 74x40 mmHg, FC 128 bpm, FR 26 irpm, extremidades frias, tempo de enchimento capilar 5 segundos. Abdome distendido, doloroso à palpação, com massa pulsátil e expansiva em região periumbilical. Pulsos femorais diminuídos bilateralmente. Foi obtido acesso venoso calibroso e iniciada reposição volêmica, sem resposta pressórica sustentada. O centro cirúrgico e a equipe de cirurgia vascular estão disponíveis. Assinale a conduta mais adequada neste momento.
A tríade clássica — dor abdominal/lombar súbita, hipotensão e massa abdominal pulsátil — em homem idoso tabagista é rotura de aneurisma de aorta abdominal (AAA) até prova em contrário. Em paciente HEMODINAMICAMENTE INSTÁVEL, o diagnóstico é clínico e a conduta é transporte imediato ao centro cirúrgico para reparo (aberto ou endovascular, conforme anatomia e disponibilidade), com ressuscitação hipotensiva controlada (PAS-alvo ~70–90 mmHg) para não deslocar o coágulo contido. A angiotomografia é o exame de escolha apenas no paciente ESTÁVEL — no instável, atrasa o único tratamento que salva. O US à beira do leito serve para triagem rápida, mas 'estabilizar antes de operar' é erro conceitual: só o controle proximal da aorta estabiliza a rotura. Elevar a PA agressivamente com vasopressor e transfusão maciça aumenta o sangramento e a mortalidade (contraria a hipotensão permissiva).
Homem de 68 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. É assintomático do ponto de vista cardiovascular. Ex-tabagista, parou há 3 anos, com carga tabágica de 30 maços-ano. Hipertenso em uso de losartana, com PA controlada. Nega história familiar de doenças vasculares. Exame físico sem alterações; abdome plano, indolor, sem massas palpáveis, pulsos periféricos simétricos e cheios. Nunca realizou qualquer exame de imagem do abdome. De acordo com as recomendações vigentes de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal, assinale a conduta correta.
O rastreamento de AAA é recomendado com ULTRASSONOGRAFIA ABDOMINAL, em exame ÚNICO, para homens de 65 a 75 anos com história de tabagismo (atual ou pregresso) — exatamente o perfil deste paciente (68 anos, ex-tabagista de 30 maços-ano). O US é barato, não invasivo, sem radiação/contraste e tem sensibilidade próxima de 100% para AAA infrarrenal. Justamente por ser assintomático é que se rastreia — o AAA é silencioso até romper. A angiotomografia envolve radiação e contraste iodado; é exame de planejamento cirúrgico ou de avaliação do paciente sintomático estável, não de rastreamento populacional. Não há indicação de rastreamento anual desde os 50 anos: a recomendação é exame único na faixa dos 65–75 anos.
Mulher de 71 anos, tabagista ativa (40 maços-ano), hipertensa e dislipidêmica, faz seguimento ambulatorial de aneurisma de aorta abdominal infrarrenal, fusiforme, detectado incidentalmente há 12 meses, quando media 4,3 cm de diâmetro máximo. É assintomática, sem dor abdominal ou lombar. Exame físico: PA 138x84 mmHg, FC 72 bpm, abdome sem massa palpável, pulsos periféricos presentes e simétricos. Traz ultrassonografia de controle realizada esta semana, que evidencia aneurisma de aorta abdominal infrarrenal, fusiforme, com diâmetro máximo de 4,6 cm, sem sinais de rotura ou dissecção. Assinale a conduta mais adequada.
Aneurisma de aorta abdominal assintomático de 4,6 cm em mulher, com expansão de 0,3 cm em 12 meses, não preenche critério de reparo. As indicações de correção eletiva são: diâmetro ≥ 5,5 cm em homens (≥ 5,0 cm em mulheres, pelo maior risco de rotura para o mesmo diâmetro), crescimento rápido (> 1,0 cm/ano ou > 0,5 cm em 6 meses) ou aneurisma sintomático. Nenhum se aplica. A conduta é vigilância ultrassonográfica (intervalo de ~6–12 meses na faixa de 4,0–4,9 cm) somada ao tratamento clínico que comprovadamente reduz a expansão e o risco cardiovascular: CESSAÇÃO DO TABAGISMO (a medida isolada mais importante), controle pressórico e estatina. Antecipam o reparo: em 4,6 cm o risco anual de rotura é baixo e não supera o risco operatório — nem a via endovascular nem a aberta estão indicadas. Expansão de 0,3 cm/ano está dentro do esperado; não há critério de urgência em paciente assintomática e sem sinais de rotura.
Homem de 74 anos, tabagista de longa data (55 maços-ano), hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de início súbito há 40 minutos, associada a síncope na chegada. Ao exame: descorado, sudoreico, PA 78/50 mmHg, FC 122 bpm, com massa abdominal pulsátil e dolorosa à palpação. Refere ter feito ultrassonografia há 6 meses que evidenciou aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 5,8 cm. Considerando o quadro atual, a conduta mais adequada é:
Trata-se de aneurisma de aorta abdominal (AAA) roto: tríade clássica (dor abdominal/lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil) em paciente com AAA conhecido >5,5 cm — emergência cirúrgica. A conduta é encaminhamento IMEDIATO para reparo (aberto ou endovascular/EVAR), sem aguardar exames em paciente instável, adotando hipotensão permissiva/reanimação hipotensiva (PAS ~70–90 mmHg) para não agravar o sangramento. A tomografia só é aceitável no paciente HEMODINAMICAMENTE ESTÁVEL, o que não é o caso. Reposição vigorosa para normalizar a PA aumenta a pressão sobre o coágulo e piora a hemorragia (fenômeno de 'popping the clot').
Homem de 68 anos, ex-tabagista (parou há 5 anos, carga de 40 maços-ano), comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, assintomático. Nega história familiar de doenças vasculares. O médico, atento à prevenção, decide rastrear aneurisma de aorta abdominal. Sobre o rastreamento dessa condição, assinale a alternativa correta quanto ao método e à população indicada:
O rastreamento de AAA é feito com ULTRASSONOGRAFIA abdominal (método de escolha: barato, sem radiação, alta sensibilidade), realizada UMA ÚNICA vez em homens de 65 a 75 anos com história de tabagismo (já fumaram alguma vez na vida) — recomendação clássica da USPSTF e adotada nas diretrizes vasculares. Angiotomografia é exame de estadiamento/planejamento cirúrgico, não de rastreamento populacional, e a faixa/critério estão errados. Repetir anualmente em todos os homens >40 anos não tem respaldo. Esperar a massa pulsátil descaracteriza o conceito de rastreamento, que é justamente detectar o assintomático.
Durante uma consulta ambulatorial, um homem de 70 anos, hipertenso e tabagista, realiza ultrassonografia abdominal que evidencia dilatação sacular da aorta abdominal infrarrenal medindo 3,2 cm de diâmetro. O paciente está assintomático. Qual é o diâmetro mínimo da aorta abdominal a partir do qual se define, por convenção, a presença de um aneurisma?
Por convenção, define-se aneurisma de aorta abdominal quando o diâmetro é igual ou superior a 3,0 cm (ou aumento ≥50% em relação ao diâmetro normal esperado do vaso). O valor de 2,5 cm está dentro da faixa normal da aorta abdominal. O diâmetro de 5,5 cm é o limiar clássico para indicação de reparo eletivo em homens (não a definição de aneurisma), e 4,5 cm não corresponde a nenhum ponto de corte consagrado.
Homem de 70 anos, tabagista de 50 maços-ano, hipertenso e dislipidêmico, é trazido pelo SAMU à sala de emergência com dor abdominal de início súbito há 40 minutos, lancinante, em mesogástrio, com irradiação para o dorso e para a região lombar esquerda, associada a um episódio de lipotímia. Ao exame: palidez cutânea intensa, sudorese fria, Glasgow 15, PA 80x50 mmHg, FC 125 bpm, FR 26 irpm; abdome distendido, com massa pulsátil e dolorosa em mesogástrio, equimose em flanco esquerdo e pulsos femorais diminuídos simetricamente. Acesso venoso calibroso obtido; hemoglobina 8,1 g/dL. Assinale a conduta imediata mais adequada.
O quadro é de abdome agudo hemorrágico por ruptura de aneurisma de aorta abdominal: a tríade dor abdominal/lombar súbita + massa pulsátil + hipotensão, em homem idoso tabagista, com sinal de Grey-Turner e anemia aguda. Com o diagnóstico clínico evidente e instabilidade hemodinâmica, a conduta é levar o paciente imediatamente ao centro cirúrgico para reparo (aberto ou endovascular, conforme disponibilidade e anatomia), mantendo hipotensão permissiva (PAS em torno de 70-90 mmHg, paciente lúcido) até o clampeamento. Realizar angiotomografia antes de qualquer medida atrasa o controle do sangramento em paciente instável — a imagem só se justifica quando o quadro é duvidoso ou o paciente responde à ressuscitação e o serviço planeja terapia endovascular sem retardo. A reposição volêmica agressiva visando PAS acima de 120 mmHg é deletéria: eleva a pressão sobre o tampão hemostático, dilui fatores de coagulação e agrava a hemorragia. USG à beira do leito pode confirmar rapidamente o aneurisma, mas conduzir o paciente para tratamento clínico conservador é conduta fatal.
Homem de 71 anos, hipertenso, ex-tabagista, assintomático, acompanha aneurisma de aorta abdominal infrarrenal fusiforme detectado incidentalmente. A ultrassonografia de 6 meses atrás media 4,6 cm de diâmetro máximo; a atual mede 5,3 cm. Está em uso de losartana, atorvastatina e AAS, com PA 128 x 76 mmHg, sem dor abdominal ou lombar e sem sinais de embolização distal. O risco cirúrgico é aceitável e a anatomia é favorável tanto para reparo endovascular quanto para cirurgia aberta. Assinale a conduta correta.
Além do limiar de diâmetro (≥ 5,5 cm no homem, ≥ 5,0 cm na mulher) e da presença de sintomas, a expansão rápida — mais de 1,0 cm em 12 meses (aqui 0,7 cm em 6 meses, ou seja, ~1,4 cm/ano) — é critério autônomo de indicação de reparo eletivo, por refletir instabilidade da parede e alto risco de rotura. Manter vigilância semestral aplica o critério de diâmetro isoladamente e ignora a cinética de crescimento. Não existe limiar de 6,0 cm nas diretrizes atuais, e o tratamento clínico é adjuvante, não alternativa ao reparo indicado. Aguardar sintomas equivale a aguardar a rotura.
Homem de 74 anos, hipertenso e tabagista, chega à emergência com dor lombar esquerda de início súbito há 2 horas, intensa, irradiada para a fossa ilíaca. Ao exame: consciente e orientado, PA 112 x 70 mmHg, FC 96 bpm, abdome com massa pulsátil palpável em região periumbilical e discreto desconforto à palpação profunda, pulsos femorais e distais presentes e simétricos. Recebeu acesso venoso calibroso bilateral e permanece hemodinamicamente estável após analgesia. A ultrassonografia à beira do leito mostra aorta abdominal com 7,1 cm. Assinale o próximo passo mais adequado.
Trata-se de aneurisma de aorta abdominal sintomático/roto contido em paciente estável: a conduta é angiotomografia de urgência com acionamento simultâneo da equipe vascular, pois é o exame que define anatomia, extensão da rotura e elegibilidade para reparo endovascular. Ultrassonografia seriada é inaceitável diante de dor e massa pulsátil, situação de mortalidade elevadíssima. A reposição volêmica agressiva contraria a hipotensão permissiva (alvo de sistólica em torno de 70–90 mmHg enquanto o paciente mantém perfusão cerebral), pois eleva a pressão de parede e desfaz o tampão do hematoma. Laparotomia imediata sem imagem só se justifica no paciente francamente instável, o que não é o caso.
Homem de 69 anos, ex-tabagista (carga tabágica de 40 anos-maço, cessou há 2 anos), hipertenso e dislipidêmico, comparece à UBS para consulta de rotina, assintomático. Ao exame físico: PA 148x88 mmHg, IMC 28 kg/m², massa pulsátil e expansível em epigástrio/mesogástrio, indolor, sem sopros abdominais; pulsos femorais e distais palpáveis e simétricos. Solicitada ultrassonografia abdominal, que evidencia aneurisma de aorta infrarrenal com diâmetro máximo de 4,6 cm, sem trombo mural volumoso e sem sinais de rotura ou de fissura. Assinale a conduta adequada para este paciente.
Aneurisma de aorta abdominal (AAA) infrarrenal assintomático de 4,6 cm está abaixo do limiar de correção. As diretrizes vasculares indicam reparo eletivo quando o diâmetro atinge 5,5 cm em homens (5,0 cm em mulheres), quando há crescimento rápido (> 1,0 cm/ano) ou quando o aneurisma se torna sintomático/roto. Até lá, a conduta é controle dos fatores de risco cardiovascular (anti-hipertensivo, estatina, cessação definitiva do tabagismo — o fator mais associado à expansão) e vigilância ultrassonográfica: aneurismas de 4,0 a 5,4 cm são reavaliados a cada 6 a 12 meses. Indicar reparo endovascular já a partir de 4,0 cm erra o limiar de indicação cirúrgica. Programar reparo aberto imediato propõe urgência sem qualquer sinal de rotura (dor, hipotensão, massa pulsátil dolorosa), em paciente estável e assintomático. Repetir a ultrassonografia apenas em 5 anos aplica intervalo de rastreamento de aortas de pequeno calibre (2,6 a 2,9 cm) a um aneurisma de 4,6 cm, que exige seguimento semestral a anual.
Homem de 66 anos, sem queixas, procura a unidade de saúde para avaliação de rotina. Fumou por 30 anos e parou há 4. Não tem história familiar de doença aórtica. Nunca fez nenhum exame de imagem do abdome. Considerando a recomendação de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal, qual a conduta correta?
O desenho do rastreamento é o que a questão testa: ultrassonografia abdominal, uma única vez, no homem acima de 65 anos, conforme a diretriz da SBACV — e uma vez só porque aorta de calibre normal nessa idade praticamente não evolui para aneurisma de tamanho cirúrgico no restante da vida, de modo que exame negativo encerra o rastreamento. A segunda erra exatamente nesse ponto, transformando triagem única em programa periódico; repetição existe apenas para história familiar (que indica rastreamento de rotina em ambos os sexos) e para portadores de aneurisma periférico (a cada 5 a 10 anos). A terceira confunde os papéis dos exames: o ultrassom rastreia porque é barato, não invasivo e sem radiação ou contraste, enquanto a angiotomografia é exame de planejamento cirúrgico, usada quando já existe indicação de correção. A quarta restringe indevidamente o rastreamento — a história familiar amplia a indicação, não é condição para ela. A quinta propõe método sem acurácia para medir diâmetro aórtico: calcificação em radiografia é achado incidental, não instrumento de triagem.
Homem de 74 anos foi submetido a reparo endovascular (EVAR) de aneurisma de aorta abdominal há 18 meses. A angiotomografia de rotina mostra vazamento com enchimento do saco aneurismático por fluxo retrógrado proveniente de duas artérias lombares. O maior diâmetro do saco é de 5,1 cm, idêntico ao medido na tomografia de 30 dias e na de 12 meses. O paciente é assintomático. Qual a conduta?
O achado descrito é endoleak tipo II — enchimento do saco por fluxo retrógrado de colaterais, aqui duas artérias lombares (subtipo IIb) —, o mais frequente após EVAR e o de baixa pressão. Como a maioria fecha espontaneamente, o manejo padrão com saco estável é observação: a embolização se reserva ao vazamento persistente com crescimento do saco acima de 5 mm, ou aumento líquido acima de 10 mm em 6 meses, e neste paciente o diâmetro está inalterado em três exames. A segunda generaliza indevidamente a lógica da alta pressão: quem exige correção pronta são os tipos I (falha de selamento proximal Ia ou distal Ib) e III (falha entre componentes sobrepostos ou rasgo do tecido), que transmitem pressão sistêmica ao saco. A terceira trata como tipo Ia um vazamento que é de colateral, propondo correção de um problema de selamento que não existe. A primeira escala para a intervenção mais agressiva possível sem critério de crescimento. A quinta erra em sentido oposto: o seguimento por imagem após EVAR é vitalício — o saco pode crescer sem vazamento detectável (endotensão, tipo V) e a rotura tardia após EVAR chega a 5% em 8 anos.
Mulher de 72 anos, tabagista, hipertensa, com aneurisma de aorta abdominal infrarrenal fusiforme acompanhado há 3 anos. O ultrassom atual mostra maior diâmetro transverso de 5,2 cm, contra 4,9 cm há 7 meses. Ela é assintomática, tem boa capacidade funcional e não apresenta comorbidade que contraindique procedimento. De acordo com a diretriz da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, qual a conduta?
O enunciado cita nominalmente a diretriz da SBACV, e nela o limiar de correção eletiva é de 5,0 cm na mulher e 5,5 cm no homem — logo, 5,2 cm numa mulher já é indicação de correção, e a paciente não tem contraindicação. O corte menor no sexo feminino se sustenta na taxa de rotura de 3 a 4 vezes superior à dos homens e no fato de mais de um terço das mortes por aneurisma de aorta ocorrerem em mulheres, apesar da prevalência muito menor: para o mesmo diâmetro absoluto, a aorta feminina está proporcionalmente mais dilatada. A primeira e a segunda aplicam à mulher o corte masculino de 5,5 cm, erro que a vinheta foi construída para provocar; além disso, a segunda usa intervalo anual numa faixa em que a vigilância seria de 3 a 6 meses. A quarta ignora que o diâmetro é critério independente: sintoma é gatilho adicional, não requisito. A quinta protela sem ganho — a medida é coerente com a série de acompanhamento e a decisão não depende de confirmação em 30 dias. Vale notar que as Diretrizes Brasileiras de 2017, que regulam a autorização do procedimento no SUS, mantêm 5,5 cm para ambos os sexos: é divergência real, e aqui o enunciado nomeia qual régua usar.
Durante discussão de caso, um interno pergunta quais medidas medicamentosas reduzem a velocidade de crescimento de um aneurisma de aorta abdominal pequeno em vigilância. Considerando as evidências atuais, qual afirmativa está correta?
Cessar o tabagismo é a única medida com relação forte e consistente com crescimento e rotura do aneurisma, e recebe recomendação Classe I na diretriz da SBACV; a estatina é indicada a praticamente todo portador, mas a justificativa principal é a doença aterosclerótica e o ganho de sobrevida, já que o efeito sobre a velocidade de crescimento é controverso entre os estudos. A primeira é a armadilha mais elegante do tema: o mecanismo é plausível, mas o ensaio N-TA3CT randomizou 254 pacientes para doxiciclina 100 mg duas vezes ao dia ou placebo por 2 anos e encontrou crescimento de 0,36 cm em ambos os grupos (diferença 0 cm; IC95% -0,07 a 0,07; p = 0,93), concluindo que os achados não sustentam seu uso. A terceira atribui ao betabloqueador um efeito antianeurismático específico que os ensaios não confirmaram: ele entra no contexto do controle pressórico, com meta abaixo de 130/80 mmHg, em recomendação Classe IIa junto aos bloqueadores do receptor de angiotensina. A quarta é niilista e falsa — o paciente em vigilância morre sobretudo de causa cardiovascular, cerca de 3% ao ano, e é isso que o tratamento clínico ataca. A quinta extrapola: o ácido acetilsalicílico se justifica pelo risco cardiovascular (Classe I), e sua influência na velocidade de crescimento é controversa.
Mulher de 68 anos, ex-tabagista de 25 anos-maço, sem história familiar de doença aórtica, procura a atenção primária para avaliação preventiva e pergunta se deve fazer exame para pesquisar aneurisma de aorta abdominal. Segundo a recomendação da US Preventive Services Task Force, qual é a posição sobre o rastreamento nesse perfil?
A USPSTF, na versão de 2019, divide a população em quatro perfis, e esta paciente cai na declaração I: mulher de 65 a 75 anos que já fumou ou tem história familiar — a evidência é insuficiente para pesar benefícios e danos do rastreamento com ultrassonografia. Declaração I não é recomendação contrária: significa que a força-tarefa se recusa a recomendar a favor ou contra por falta de dados, e é essa distinção que a questão cobra. A segunda descreve o grau D, que se aplica à mulher que nunca fumou e não tem história familiar — perfil diferente do da vinheta, já que esta paciente fumou 25 anos-maço. A primeira transporta para ela o grau B, que vale para o homem de 65 a 75 anos com história de tabagismo. A quinta descreve o grau C, reservado ao homem da mesma faixa que nunca fumou, para quem se oferece rastreamento seletivo em vez de rotineiro. A quarta inventa um grau A e ainda contraria o desenho do rastreamento, que é de exame único. Pela régua brasileira de sociedade, a SBACV não recomenda rastreamento populacional na mulher, com a exceção da história familiar, que indica rastrear ambos os sexos.
Homem de 62 anos, sem comorbidade relevante, boa capacidade funcional e expectativa de vida longa, tem aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 5,8 cm com anatomia adequada tanto para reparo endovascular quanto para cirurgia aberta. Ao discutir as duas opções, qual informação traduz corretamente a evidência dos ensaios randomizados que compararam as técnicas no reparo eletivo?
A metanálise Cochrane de 2014, que reuniu os ensaios ACE, DREAM, EVAR 1 e OVER e é a base da recomendação brasileira, mostra vantagem clara do endovascular na mortalidade em 30 dias — risco relativo de 0,34 (IC95% 0,21-0,57) — que desaparece com o tempo: 0,93 (0,79-1,10) até 4 anos e 0,99 (0,89-1,09) no longo prazo, com reintervenção quase dobrada no EVAR, 1,95 (1,56-2,43) até 4 anos e 1,78 (1,50-2,12) depois. A diretriz da SBACV registra o mesmo padrão por outra via: sobrevida similar em 4 a 8 anos no OVER e perda da vantagem em 30 meses na metanálise UK-COMPASS. A primeira acerta o ganho precoce e erra duas vezes ao estendê-lo ao longo prazo e ao inverter o dado de reintervenção. A segunda troca as técnicas de lado no desfecho precoce. A quarta nega a diferença em 30 dias, que é justamente o achado mais robusto e o que fundamenta a recomendação forte a favor do EVAR acima de 5,4 cm no documento brasileiro; anatomia importa, mas não é o único critério — risco cirúrgico e expectativa de vida entram, e é por isso que a durabilidade pesa num paciente de 62 anos com muitos anos de vigilância pela frente.
Homem de 69 anos, tabagista, é levado ao pronto-socorro com dor lombar de início súbito há 40 minutos, forte, sem posição de alívio, e um episódio de escurecimento visual ao tentar caminhar. Está consciente e orientado, pálido e sudoreico, com pressão arterial de 82 por 50 mmHg, frequência cardíaca de 122 bpm e hematócrito de 30%. O abdome está distendido e doloroso, com massa epigástrica pulsátil de limites difusos. Qual a conduta imediata em relação à reposição volêmica?
O quadro é de rotura de aneurisma de aorta abdominal, e a conduta volêmica é hipotensão permissiva: infusão conservadora com alvo de pressão arterial sistólica entre 70 e 90 mmHg, usando o nível de consciência como parâmetro clínico de perfusão, até que se obtenha o controle proximal da aorta no centro cirúrgico. O raciocínio é hemostático — a rotura está contida por coágulo e pelo retroperitônio, e elevar a pressão desloca esse tampão, convertendo sangramento contido em hemorragia livre; a infusão agressiva ainda dilui fatores de coagulação e leva à tríade de coagulopatia, hipotermia e acidose. A primeira e a quarta perseguem normalização hemodinâmica e são justamente o erro que a estratégia evita, com o agravante de que a quarta atrasa a imagem que define a técnica operatória. A terceira troca volume por vasopressor num paciente que está perdendo sangue: vasoconstrição não repõe volume perdido nem controla o sangramento, e a conduta correta inclui reserva de hemocomponentes com ativação de protocolo de transfusão maciça, acesso venoso calibroso e acionamento imediato do cirurgião vascular pela suspeita clínica.
Homem de 70 anos, ex-tabagista, hipertenso, em acompanhamento ambulatorial por aneurisma de aorta abdominal infrarrenal fusiforme assintomático. O ultrassom de hoje, feito 12 meses após o anterior, mostra maior diâmetro transverso de 4,6 cm; o exame anterior mostrava 4,4 cm. Ele nega dor abdominal ou lombar e mantém boa capacidade funcional. Exame físico: pressão arterial 136 por 82 mmHg, abdome sem massa palpável, pulsos periféricos presentes. Qual a conduta adequada neste momento?
Aneurisma de 4,6 cm em homem assintomático é aneurisma pequeno, e nenhum dos três gatilhos de correção está presente: o diâmetro está abaixo de 5,5 cm (corte do homem), não há sintoma atribuível ao aneurisma, e o crescimento de 0,2 cm em 12 meses fica abaixo dos limiares de 0,5 cm em 6 meses ou 1,0 cm em 1 ano. A conduta é vigilância na faixa de 4 a 4,9 cm — anual pela diretriz da SBACV de 2023, semestral pela régua brasileira que autoriza procedimento no SUS — somada ao tratamento do risco cardiovascular, que é o que de fato mata esse paciente (cerca de 3% ao ano). A primeira e a quinta erram porque intervir abaixo de 5,5 cm foi testado em quatro ensaios randomizados e não reduziu mortalidade (risco relativo de 1,01; IC95% 0,93-1,10 para os procedimentos somados contra acompanhamento), de modo que a recomendação brasileira nessa faixa é forte e contrária a operar; progressão dentro do esperado não é critério, o critério é a velocidade acima do limiar. A terceira antecipa exame de planejamento cirúrgico sem indicação cirúrgica: angiotomografia entra quando a decisão de operar já foi tomada, e anatomia favorável não cria indicação. A quarta cai na armadilha da doxiciclina, cuja hipótese de inibir metaloproteinases foi testada no ensaio N-TA3CT e falhou (crescimento de 0,36 cm contra 0,36 cm do placebo; p = 0,93).
Homem de 73 anos chega ao pronto-socorro com dor lombar de moderada intensidade há dois dias, contínua e sem posição de alívio. Está lúcido e corado, com pressão arterial de 138 por 84 mmHg, frequência cardíaca de 78 bpm e hematócrito de 41%. A angiotomografia com contraste mostra aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 6,2 cm, sem líquido livre, sem hematoma retroperitoneal e sem sinal de rotura, e a dor é atribuída ao aneurisma. É noite de fim de semana e a equipe habitual de cirurgia vascular não está no hospital. Qual é a conduta?
O aneurisma sintomático sem rotura indica correção qualquer que seja o diâmetro, mas a orientação brasileira não manda correr para a sala: primeiro se afasta a rotura com tomografia contrastada, e no sintoma de intensidade leve a moderada pode ser prudente adiar a operação até que as condições ideais existam, com internação em unidade intensiva. O número que sustenta essa espera é duro — na mesma série a mortalidade foi de 18% entre os não rotos operados em caráter emergencial, contra nenhuma morte entre os não rotos operados de forma eletiva. Dar alta ignora que a dor atribuível ao aneurisma já é indicação de correção. A hipotensão permissiva é conduta do aneurisma roto, e este paciente está estável e sem sangramento. E manter apenas vigilância desconsidera tanto o sintoma quanto os 6,2 cm, que ultrapassam com folga o limiar masculino.
Homem de 71 anos, ex-tabagista, assintomático, está em vigilância de aneurisma de aorta abdominal infrarrenal fusiforme. O ultrassom de hoje mostra maior diâmetro transverso de 4,9 cm; o exame de seis meses atrás mostrava 4,3 cm. Ele mantém boa capacidade funcional, não tem comorbidade que contraindique procedimento e nega dor abdominal ou lombar. Considerando os critérios de indicação de correção eletiva, qual é a conduta?
A velocidade de crescimento é critério primário de correção eletiva por si só, independentemente do diâmetro absoluto: crescimento maior que 0,5 cm em seis meses, ou de 1,0 cm em um ano, indica o reparo — e aqui a aorta ganhou 0,6 cm em seis meses. Esperar os 5,5 cm trata o diâmetro como se fosse o único critério e ignora que a expansão rápida sinaliza parede instável. O intervalo anual descreve a vigilância de um aneurisma que cresce dentro do esperado, o que deixou de ser o caso. A doxiciclina foi testada contra placebo em aneurismas pequenos e o crescimento médio em dois anos foi idêntico nos dois braços, de modo que a justificativa da metaloproteinase não sobrevive ao ensaio. E aguardar o sintoma transformaria uma indicação eletiva em cirurgia de urgência, com mortalidade muito maior.
Homem de 76 anos foi submetido a reparo endovascular de aneurisma de aorta abdominal. A angiotomografia de 30 dias mostra contraste passando entre a borda proximal da endoprótese e a parede aórtica, enchendo o saco aneurismático já na fase arterial. O maior diâmetro do saco é de 5,6 cm, o mesmo medido antes do procedimento. O paciente está assintomático. Qual é a conduta?
Contraste que entra pela borda proximal da endoprótese é falha de selamento na extremidade do dispositivo: o saco recebe pressão sistêmica e continua podendo romper, por isso a correção é pronta e não se observa, mesmo com o diâmetro parado e o paciente sem queixa. A conduta expectante é a do vazamento de baixa pressão por fluxo retrógrado de colaterais, que na maioria fecha sozinho — confundir os dois é o erro clássico do tema. Trocar a tomografia pela ultrassonografia no seguimento só é permitido depois de confirmada a ausência justamente desse tipo de vazamento de alta pressão no exame inicial. Embolizar artérias lombares trata uma origem que não é a deste caso, em que o enchimento vem da própria linha de selamento. E antecipar o exame para seis meses adia a correção de um vazamento já documentado.
Paciente submetido a reparo aberto de aneurisma de aorta abdominal apresenta, no terceiro dia de pós-operatório, diarreia sanguinolenta e dor abdominal. Qual é a hipótese principal e a conduta?
Diarreia sanguinolenta após cirurgia aórtica é colite isquêmica até prova em contrário, e o segmento tipicamente acometido é o cólon esquerdo e o sigmoide, cuja irrigação depende da mesentérica inferior — ligada ou excluída no reparo — e da circulação colateral, que pode ser insuficiente. A colonoscopia define a extensão e a profundidade: acometimento restrito à mucosa é tratado clinicamente, enquanto necrose transmural exige ressecção urgente. Atribuir a infecção por Clostridioides difficile ou a íleo é o desvio que atrasa uma laparotomia que pode ser salvadora.
Qual achado clínico ou laboratorial pode confundir o diagnóstico de aneurisma de aorta roto e levar a erro diagnóstico inicial?
O erro diagnóstico mais frequente e mais custoso é confundir a ruptura com cólica renal: o paciente idoso chega com dor lombar intensa de início súbito, pode ter hematúria pela proximidade com o trato urinário, e o quadro é rotulado como litíase — enquanto o hematoma retroperitoneal cresce. A regra prática é que todo idoso com dor lombar súbita e fatores de risco vasculares merece pensar na aorta antes de fechar o diagnóstico de cólica, e a ultrassonografia à beira do leito responde a essa pergunta em segundos.
Homem de 71 anos, tabagista, hipertenso, assintomático, tem aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 5,7 cm identificado em tomografia. Qual é a conduta?
O limiar clássico de intervenção eletiva no aneurisma de aorta abdominal é 5,5 cm em homens — patamar em que o risco anual de ruptura passa a superar o risco do procedimento — com limiar menor em mulheres, além de crescimento rápido, acima de cerca de 1 cm ao ano, e presença de sintomas. Manter vigilância em um aneurisma de 5,7 cm é aceitar um risco de ruptura evitável. Esperar sintomas é particularmente perigoso, porque o aneurisma é silencioso e o primeiro sintoma frequentemente é a própria ruptura, com mortalidade global em torno de 80%.
Sobre a fisiopatologia e os fatores de risco do aneurisma de aorta abdominal, qual afirmativa está correta?
A parede aórtica perde elastina e colágeno pela ação de metaloproteinases em um processo inflamatório crônico, e o tabagismo é o fator modificável mais fortemente associado, tanto à formação quanto à expansão e à ruptura. História familiar aumenta o risco de forma consistente, e a doença é bem mais prevalente em homens — embora as mulheres rompam com diâmetros menores, o que justifica limiar de intervenção mais baixo. O diabetes é a curiosidade epidemiológica desta doença: associa-se de forma inversa, com menor prevalência e crescimento mais lento.
Homem de 68 anos com aneurisma de aorta abdominal conhecido apresenta dor lombar intensa há 6 horas, sem hipotensão, com tomografia mostrando hematoma retroperitoneal contido junto ao aneurisma. Qual é a conduta?
A ruptura contida é uma trégua enganosa: o sangramento está temporariamente tamponado pelo retroperitônio, o que explica a pressão arterial ainda preservada, mas a progressão para ruptura livre pode ocorrer a qualquer momento e leva à exsanguinação. A conduta é tratar como urgência e reparar, aproveitando a janela em que o paciente ainda está estável e pode ser preparado adequadamente. Interpretar a estabilidade como segurança para programar cirurgia eletiva ou dar alta é o erro que a questão cobra, e sua consequência costuma ser fatal.
Paciente com aneurisma de aorta abdominal roto, hipotenso, com anatomia favorável documentada em tomografia realizada sem atraso. Qual é a estratégia com melhores resultados quando disponível?
O reparo endovascular deixou de ser exclusivo do cenário eletivo: em serviços organizados, com protocolo de acionamento e anatomia favorável, ele oferece menor mortalidade perioperatória que o reparo aberto na ruptura, e pode ser realizado sob anestesia local, com balão de oclusão aórtica como recurso de controle proximal. A chave é a logística — protocolos que garantam imagem rápida e disponibilidade de material. Tratamento clínico exclusivo e observação em aneurisma roto são condutas incompatíveis com a sobrevivência.
Sobre a comparação entre o tratamento endovascular e o aberto do aneurisma de aorta abdominal eletivo, qual afirmativa está correta?
O reparo endovascular reduz a mortalidade nos primeiros 30 dias e encurta a recuperação, vantagem que se dilui ao longo dos anos por causa das reintervenções e dos vazamentos periprotéticos. O preço é o seguimento vitalício por imagem, e é justamente ele que os pacientes abandonam, chegando anos depois com expansão do saco. A técnica depende de anatomia adequada — colo proximal com comprimento, angulação e diâmetro compatíveis, e acessos ilíacos viáveis — e não se aplica indistintamente. O reparo aberto é mais durável, com menos reintervenções tardias.
Paciente submetido a reparo endovascular de aneurisma de aorta abdominal apresenta, no seguimento tomográfico de 6 meses, aumento do diâmetro do saco aneurismático com contraste dentro do saco, oriundo da fixação proximal da endoprótese. Qual é o tipo de vazamento e a conduta?
A classificação dos vazamentos orienta a conduta. O tipo I decorre de má selagem nas zonas de fixação, proximal ou distal, mantém o saco sob pressão sistêmica e exige correção. O tipo III, por falha ou desconexão dos componentes da prótese, também exige tratamento pela mesma razão. O tipo II, por fluxo retrógrado de ramos como as lombares ou a mesentérica inferior, é o mais comum e costuma ser acompanhado, tratando-se apenas quando há crescimento do saco. O crescimento do saco é sempre sinal de alarme, qualquer que seja o tipo.
Qual é o método de rastreamento recomendado para aneurisma de aorta abdominal e a população-alvo?
A ultrassonografia é o método de rastreamento por ser barata, disponível, sem radiação e acurada para medir o diâmetro, e a população em que o rastreamento tem melhor relação de custo e benefício são homens acima de 65 anos com história de tabagismo, principal fator de risco modificável. Tomografia é excelente para planejar o tratamento, mas inadequada para rastrear pela radiação e pelo custo. Radiografia simples só mostra calcificação da parede e é insensível, e não existe marcador sanguíneo para rastreio.
Paciente idoso com dor lombar súbita, hipotensão e histórico de aneurisma de aorta, é atendido em serviço sem cirurgia vascular. Qual é a conduta?
O aneurisma roto tem mortalidade que depende diretamente do tempo até o controle proximal da aorta, e o serviço sem recursos deve reconhecer isso rapidamente e acionar a transferência, com comunicação prévia para que a equipe receptora esteja preparada quando o paciente chegar, mantendo ressuscitação contida no trajeto. Abrir um abdome com aneurisma roto sem equipe e sem material adequado costuma resultar em perda de controle da hemorragia. Observar ou repetir imagens consome exatamente o tempo que define a sobrevida.
Paciente com aneurisma de aorta abdominal de 4,3 cm, assintomático. Qual é a conduta?
Abaixo do limiar de intervenção, o tratamento é clínico e de vigilância: acompanhamento por imagem em intervalos que se encurtam à medida que o diâmetro aumenta, controle da pressão arterial, estatina, antiagregação conforme o risco cardiovascular global e, sobretudo, cessação do tabagismo, que é a medida que mais reduz a velocidade de crescimento e o risco de ruptura. Intervir em aneurisma pequeno não melhora sobrevida e expõe a paciente a riscos. Anticoagulação não previne crescimento nem ruptura e pode agravar o desfecho de uma eventual ruptura.
Homem de 74 anos chega ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de início súbito e intenso, hipotensão e massa abdominal pulsátil palpável. Qual é a conduta imediata?
A tríade de dor abdominal ou lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil é aneurisma roto, e o diagnóstico é clínico o bastante para acionar a equipe imediatamente — no paciente instável, o caminho é a sala, e a imagem só entra se não atrasar ou se o serviço dispuser de tomografia junto ao trajeto. A ressuscitação é deliberadamente contida, com hipotensão permissiva, mirando pressão sistólica em torno de 70 a 90 mmHg enquanto o paciente estiver consciente: normalizar a pressão a golpes de cristaloide desloca o coágulo contido, dilui fatores e transforma um sangramento tamponado em exsanguinação.
Qual é a principal diferença clínica entre a ruptura de aneurisma de aorta abdominal e a dissecção aórtica aguda?
São doenças diferentes da mesma parede: na ruptura, o sangue sai do vaso e o quadro é de choque hemorrágico com dor abdominal ou lombar e massa pulsátil; na dissecção, o sangue entra na parede e a separa, produzindo dor torácica de início súbito, tipicamente lacerante e migratória, com assimetria de pulsos e de pressão entre os membros, e possível comprometimento de ramos, gerando síndromes de má perfusão coronariana, cerebral, renal, mesentérica ou de membro. A dissecção pode inclusive cursar com hipertensão, ao contrário da ruptura.
Homem de 68 anos, hipertenso e tabagista, chega com dor lombar esquerda de forte intensidade e irradiação para a virilha, sugestiva de cólica nefrética, com hematúria microscópica. Está pálido, com PA 96x60 mmHg e FC 110 bpm. Qual hipótese não pode ser esquecida antes de assumir litíase?
Dor lombar com irradiação inguinal em homem idoso, tabagista e hipertenso, acompanhada de hipotensão e taquicardia, é aneurisma de aorta abdominal roto até prova em contrário — e a hematúria microscópica, presente em parte desses casos, é justamente o dado que faz o plantão rotular como cólica renal e liberar o paciente. Essa é a armadilha clássica: a primeira crise de litíase é rara depois dos 60 anos, e instabilidade hemodinâmica não pertence ao quadro de cálculo. O reconhecimento imediato e a imagem dirigida mudam a sobrevida. As demais hipóteses não explicam a combinação de dor lombar com choque.
Homem de 74 anos, submetido a correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal há 18 meses, apresenta em tomografia de controle contraste dentro do saco aneurismático, com aumento do diâmetro de 55 para 62 mm. O contraste entra por um ramo lombar patente. Qual o tipo de endofuga?
A classificação segue a origem do fluxo: o tipo I vem das zonas de fixação, proximal ou distal, e é de alta pressão; o tipo II vem de ramos colaterais que enchem o saco de forma retrógrada, tipicamente lombares e mesentérica inferior, e é o mais frequente; o tipo III decorre de falha entre componentes ou de rasgo no material; o tipo IV é a porosidade transitória do enxerto; e a endotensão é a expansão do saco sem fuga demonstrável. Identificar corretamente é o que decide a conduta, porque tipos I e III exigem correção imediata e o tipo II costuma ser observado, salvo quando o saco cresce.
Homem de 70 anos, com endoprótese aórtica há 5 anos, apresenta febre prolongada, dor lombar e hemoculturas positivas, com tomografia mostrando gás e coleção perienxerto. Qual a hipótese e a conduta?
Gás e coleção ao redor do enxerto, com bacteremia e sintomas sistêmicos arrastados, caracterizam infecção da prótese, complicação rara mas devastadora, com mortalidade alta; o tratamento definitivo geralmente exige explante do material infectado com reconstrução, seja por derivação extra-anatômica, seja por reconstrução in situ com material resistente à infecção, além de antimicrobiano prolongado. Manter apenas antibiótico raramente cura e costuma levar à erosão para o duodeno com hemorragia digestiva catastrófica. Deve-se investigar ativamente a fístula aortoentérica nesse contexto.
Qual é o objetivo principal do seguimento por imagem após correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal?
O tratamento endovascular exclui o aneurisma da circulação mas não o remove, e por isso o paciente troca uma cirurgia maior por um compromisso de vigilância vitalícia: o seguimento por tomografia ou ultrassonografia com contraste procura fuga, migração, angulação, fratura de componentes e, sobretudo, aumento do diâmetro do saco, que é o marcador prático de falha. Abandonar esse seguimento é uma das principais causas de ruptura tardia após o procedimento, e explicar isso ao paciente faz parte da indicação. A função renal é monitorada, mas como cuidado adicional, e não como objetivo do exame.
Qual complicação isquêmica pode ocorrer após correção de aneurisma de aorta abdominal e se manifesta por diarreia sanguinolenta nas primeiras horas ou dias?
O sigmoide depende do fluxo da mesentérica inferior e das colaterais que vêm da mesentérica superior e das ilíacas internas, e a manipulação ou a exclusão desses territórios durante o tratamento do aneurisma pode produzir colite isquêmica; o sinal de alarme é diarreia com sangue no pós-operatório precoce, achado que deve levar imediatamente à retossigmoidoscopia, já que o quadro varia de colite mucosa reversível à necrose transmural com necessidade de colectomia. Ignorar esse sintoma como diarreia inespecífica do pós-operatório é o erro que permite a evolução para peritonite e sepse.
Paciente com endofuga tipo II persistente e crescimento do saco aneurismático de 5 mm em um ano. Qual a conduta?
A endofuga tipo II é observada enquanto o saco permanece estável, porque muitas se selam espontaneamente; quando há crescimento documentado, ela deixa de ser benigna e passa a exigir tratamento, geralmente por embolização transarterial ou por punção direta do saco. A conversão para cirurgia aberta é recurso de exceção, para falhas repetidas ou fugas não tratáveis por via endovascular. Anticoagular seria contraproducente, pois dificulta a trombose do saco que se deseja obter, e retirar a prótese sem substituição devolveria o aneurisma à circulação sistêmica.
Qual endofuga exige correção imediata por manter o saco aneurismático sob pressão sistêmica?
As endofugas tipo I e tipo III comunicam diretamente a luz aórtica ao saco, que passa a receber pressão sistêmica e volta a correr risco de ruptura, e por isso são tratadas assim que identificadas, geralmente com extensão da endoprótese, balão, manguito ou componentes adicionais. O tipo II é de baixa pressão e frequentemente se resolve sozinho, sendo acompanhado por imagem e tratado com embolização apenas quando o saco cresce de forma persistente. O tipo IV é autolimitado e ligado à porosidade do material nas primeiras horas, e a endotensão só é abordada quando há expansão significativa.
Sobre o rastreamento do aneurisma de aorta abdominal, qual grupo tem maior benefício demonstrado?
O rastreamento com ultrassonografia em homens idosos, com ênfase em tabagistas e em quem tem parente de primeiro grau acometido, reduz mortalidade relacionada ao aneurisma e é recomendado em vários países, porque a doença é silenciosa até romper e o exame é barato, seguro e sensível. Rastrear populações de baixo risco não traz benefício e gera achados incidentais e ansiedade. O tabagismo é o fator de risco modificável mais forte, tanto para a formação quanto para a expansão do aneurisma, o que torna a cessação parte do tratamento e não apenas uma recomendação genérica.
Qual é o principal critério para indicar tratamento eletivo de aneurisma de aorta abdominal assintomático em homens?
O risco de ruptura cresce de forma acentuada a partir de cerca de 5,5 cm em homens, e é esse o limiar clássico de intervenção, com valores um pouco menores considerados em mulheres, além do crescimento rápido e do surgimento de sintomas, que indicam operar independentemente do diâmetro. Aneurismas menores são acompanhados por imagem em intervalos definidos e tratados clinicamente, com controle pressórico e cessação do tabagismo, já que ensaios mostraram que operar precocemente não traz benefício. Trombo mural e calcificação são achados frequentes e não constituem, isoladamente, indicação cirúrgica.
Sobre a comparação entre correção endovascular e cirurgia aberta do aneurisma de aorta abdominal, qual afirmação é correta?
Os ensaios que compararam as duas estratégias mostraram um padrão consistente: menor mortalidade nos primeiros 30 dias com a via endovascular, benefício que se dilui ao longo dos anos, e mais reintervenções e necessidade de seguimento por imagem no grupo endovascular. A cirurgia aberta, uma vez cicatrizada, é definitiva e demanda pouco seguimento. Além disso, a via endovascular depende de anatomia favorável, com colo proximal adequado em comprimento, angulação e ausência de trombo, e acessos ilíacos que permitam a passagem do dispositivo, o que restringe sua aplicabilidade.
Homem de 78 anos apresenta dor lombar intensa de início súbito, hipotensão e massa abdominal pulsátil. Qual a conduta?
A tríade de dor lombar ou abdominal súbita, hipotensão e massa pulsátil configura aneurisma roto, e o tempo até o controle do sangramento define a sobrevida; no paciente instável não se perde tempo com exames que não mudam a conduta, embora a tomografia rápida seja útil quando há estabilidade relativa e serve para avaliar viabilidade endovascular. A ressuscitação deve ser controlada, com hipotensão permissiva, porque elevar a pressão desloca o coágulo contido e converte um sangramento tamponado em hemorragia livre — infundir volume até normalizar a pressão é justamente o erro fisiológico mais grave aqui.
Qual a recomendacao de rastreamento para aneurisma de aorta abdominal?
O rastreamento validado consiste em ultrassonografia abdominal unica em homens de 65 a 75 anos que ja fumaram, populacao com maior prevalencia e maior beneficio em reducao de mortalidade por ruptura; algumas diretrizes estendem a homens dessa faixa sem tabagismo ou a quem tem historia familiar. Tomografia anual universal expoe a radiacao e custo sem beneficio. Mulheres jovens tem prevalencia muito baixa e nao sao rastreadas, embora, quando tem aneurisma, o risco de ruptura seja maior em diametros menores. Dizer que nao ha rastreamento contraria as recomendacoes vigentes. Ressonancia periodica nao e estrategia de rastreamento populacional.
Homem de 74 anos chega com dor abdominal e lombar de inicio subito, hipotensao e massa abdominal pulsatil. Qual a conduta?
A triade de dor abdominal ou lombar subita, hipotensao e massa pulsatil indica aneurisma de aorta abdominal roto, situacao em que o diagnostico e clinico e o tempo ate a cirurgia determina a sobrevida: aciona-se a equipe imediatamente, com hipotensao permissiva, mantendo pressao sistolica em torno de 70 a 90 mmHg enquanto ha sangramento nao controlado. Expandir agressivamente eleva a pressao, desfaz o coagulo contido e aumenta o sangramento, sendo o erro mais perigoso. Aguardar exame de imagem em paciente instavel atrasa o unico tratamento eficaz, embora a tomografia seja util no paciente estavel com duvida diagnostica. Observacao clinica e inaceitavel.
Sobre o crescimento e o risco de ruptura dos aneurismas de aorta, qual afirmativa esta correta?
A relacao entre diametro e tensao de parede segue a lei de Laplace, e o risco de ruptura cresce de forma exponencial com o diametro, motivo pelo qual os limiares de intervencao sao definidos por tamanho; alem disso, crescimento acelerado, em geral acima de 0,5 cm em seis meses ou 1 cm em um ano, indica instabilidade da parede e antecipa a cirurgia. Considerar o risco linear ou equivalente entre calibres pequenos e grandes contraria a fisiopatologia e levaria a operar cedo demais ou tarde demais. Ignorar a velocidade de crescimento perde um dos principais criterios. O tabagismo acelera a expansao e sua cessacao e uma das poucas medidas que a reduzem.
Homem de 74 anos com aneurisma de aorta abdominal de 4,5 cm assintomático, tabagista e hipertenso. Qual a conduta?
Aneurisma abaixo do limiar cirúrgico é acompanhado por imagem em intervalos definidos pelo diâmetro, e o tratamento clínico é o que altera a história natural: cessar o tabagismo é a medida isolada mais eficaz para reduzir a velocidade de crescimento e o risco de ruptura, somada ao controle pressórico e ao manejo global do risco cardiovascular com estatina. Operar aos 4,5 cm expõe a um risco cirúrgico que ainda supera o de ruptura. Abandonar o seguimento é o erro oposto, porque o crescimento é silencioso. Anticoagulação não previne ruptura e antibiótico não tem papel no aneurisma aterosclerótico.
Qual população tem indicação de rastreamento ultrassonográfico único para aneurisma de aorta abdominal?
O rastreamento com ultrassonografia abdominal única é recomendado para homens entre 65 e 75 anos que já fumaram, grupo em que a prevalência justifica a busca ativa e em que a detecção precoce permite a correção eletiva, muito menos letal que a cirurgia de urgência por ruptura. História familiar de aneurisma amplia a indicação em populações selecionadas. Rastrear toda a população adulta gera custo e achados incidentais sem benefício. A ultrassonografia é o método de escolha por ser não invasiva, barata e com boa acurácia para medir o diâmetro aórtico.
Qual é o diâmetro a partir do qual se indica correção eletiva de aneurisma de aorta abdominal assintomático em homens?
A correção eletiva em homens assintomáticos é indicada a partir de 5,5 cm, ponto em que o risco anual de ruptura passa a superar o risco do procedimento; em mulheres o limiar é menor, em torno de 5,0 cm, pelo maior risco de ruptura em diâmetros equivalentes. Também indicam correção o crescimento rápido, acima de 0,5 cm em seis meses ou 1 cm em um ano, e a presença de sintomas, independentemente do tamanho. Abaixo desses valores, a conduta é vigilância por imagem em intervalos definidos pelo diâmetro, associada ao controle rigoroso dos fatores de risco e à cessação do tabagismo.
Homem de 78 anos, tabagista, chega com dor lombar intensa de início súbito, hipotensão e massa abdominal pulsátil. Qual a conduta?
Dor lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil formam a tríade do aneurisma de aorta abdominal roto, e o tratamento é a correção imediata — a tomografia só é aceitável em paciente estável, para planejar abordagem endovascular. Ressuscitar até pressão normal é erro grave: a hipotensão permissiva, mantendo pressão sistólica em torno de 70 a 90 mmHg enquanto o paciente conserva a consciência, evita deslocar o coágulo que está contendo o sangramento. Confundir com cólica renal é o equívoco clássico do idoso com dor lombar, e ele custa a vida do paciente.
Homem de 63 anos, hipertenso e tabagista, assintomático e sem histórico familiar de aneurisma, comparece à consulta. Além do controle pressórico, qual orientação sobre rastreamento é compatível com a recomendação da USPSTF de 2019?
A USPSTF recomenda uma ultrassonografia de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal para homens de 65 a 75 anos que já fumaram. Aos 63 anos, esse paciente ainda está fora da faixa de rastreamento rotineiro dessa recomendação. Sintomas, massa pulsátil ou contextos familiares específicos exigem avaliação própria e não constituem o mesmo cenário de rastreamento. Os demais exames listados não são indicados anualmente como rastreamento vascular ou cardíaco de rotina no assintomático.
Homem de 65 anos, tabagista, é acompanhado na UBS. Ele pergunta se deve fazer algum exame para aneurisma de aorta abdominal, pois um amigo faleceu por rotura. Está assintomático, com exame abdominal sem massa pulsátil. Considerando as recomendações de rastreamento, qual é a conduta mais adequada?
Homens tabagistas em faixa etária de risco se beneficiam de ultrassonografia abdominal única para rastreamento de aneurisma de aorta, exame acessível, seguro e sensível. Angiotomografia anual expõe a radiação e contraste sem benefício populacional. A palpação tem baixa sensibilidade, sobretudo em pacientes com sobrepeso, e não substitui a imagem. Afirmar que não há método detector é incorreto, pois a ultrassonografia identifica dilatações assintomáticas com boa acurácia.
Homem de 62 anos é levado ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar intensa de início súbito, hipotensão e massa abdominal pulsátil palpável. Tem história de tabagismo e hipertensão. Está com PA 76x44 mmHg e FC 126 bpm. Qual é a conduta imediata?
Dor abdominal com massa pulsátil e choque sugere rotura de aneurisma de aorta abdominal, situação em que o encaminhamento imediato para controle cirúrgico ou endovascular, com ressuscitação equilibrada, é determinante para a sobrevida. Aguardar imagem em paciente instável retarda a única medida eficaz. Reduzir a pressão em paciente já hipotenso agrava a hipoperfusão. Paracentese não tem qualquer papel no diagnóstico ou tratamento dessa emergência vascular.
Homem de 58 anos, tabagista de 40 anos-maço, hipertenso e dislipidêmico, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina, assintomático. Relata que o pai morreu subitamente aos 70 anos por 'problema na aorta'. Ao exame: PA 142x88 mmHg, IMC 27 kg/m2, abdome sem massas pulsáteis palpáveis, pulsos periféricos presentes e simétricos. A equipe discute quais rastreamentos oferecer nesta consulta, considerando o perfil de risco e a disponibilidade de exames na rede. A respeito do rastreamento de aneurisma de aorta abdominal, a conduta correta é:
O rastreamento de aneurisma de aorta abdominal por ultrassonografia é recomendado em dose única para homens tabagistas ou ex-tabagistas na faixa dos 65 aos 75 anos, e o paciente reúne o principal fator de risco; o exame é barato, seguro e reduz mortalidade específica. Confiar no exame físico é inadequado, pois a palpação tem baixa sensibilidade, sobretudo em pacientes com sobrepeso. Angiotomografia envolve radiação e contraste e não é exame de rastreamento populacional. Repetição anual indiscriminada não é recomendada: a periodicidade do seguimento depende do diâmetro encontrado, e exame inicial normal dispensa novas avaliações de rotina.
Homem de 74 anos, hipertenso e ex-tabagista, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. É assintomático e o exame abdominal revela massa pulsátil e expansível na região epigástrica, sem sopro. A pressão arterial é de 148x86 mmHg e os pulsos periféricos estão presentes e simétricos. A ultrassonografia abdominal mostra aneurisma de aorta infrarrenal com 4,2 cm de diâmetro máximo, sem sinais de rotura ou trombo mural volumoso. A conduta correta é
Aneurismas de aorta abdominal assintomáticos abaixo do limiar de intervenção, que é em torno de 5,5 cm em homens, são acompanhados com vigilância por imagem em intervalos definidos pelo diâmetro, associada a controle pressórico, estatina e cessação do tabagismo, que reduz a velocidade de crescimento. Corrigir todo aneurisma detectado expõe a mortalidade cirúrgica sem benefício nessa faixa de diâmetro. Anticoagulação não previne rotura e aumenta o risco hemorrágico. Dispensar o seguimento impede detectar o crescimento que definirá o momento da correção.
Homem de 76 anos é levado à Unidade de Pronto Atendimento com dor abdominal e lombar de início súbito e lipotimia. Tem antecedente de aneurisma de aorta abdominal de 6 cm em acompanhamento. À chegada, apresenta pressão arterial de 82x50 mmHg, frequência cardíaca de 124 bpm, palidez e sudorese. O abdome é doloroso, com massa pulsátil palpável em região periumbilical. Ele está lúcido, mas confuso intermitentemente, com extremidades frias e enchimento capilar lentificado. A conduta correta é
Rotura de aneurisma de aorta abdominal é emergência cirúrgica, e a conduta inclui acionamento imediato da equipe vascular, acessos calibrosos, ativação do protocolo de transfusão maciça e hipotensão permissiva, estratégia que evita o deslocamento do coágulo e o aumento do sangramento. Reposição agressiva com normalização pressórica aumenta a hemorragia antes do controle proximal. Solicitar exame ambulatorial em paciente em choque é inaceitável. Anticoagulação agravaria fatalmente a hemorragia.
Homem de 73 anos, submetido a correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal há dois anos, comparece ao ambulatório para seguimento. Ele é assintomático, com pressão arterial de 132x78 mmHg e abdome sem massa pulsátil evidente. A angiotomografia de controle mostra aumento do diâmetro do saco aneurismático de 5,0 para 5,8 cm, com contraste dentro do saco fora da endoprótese. Não há sinais de rotura. A conduta correta é
Contraste dentro do saco aneurismático fora da endoprótese, com crescimento do diâmetro, caracteriza vazamento com pressurização e risco de rotura, indicando reintervenção. Manter apenas vigilância diante de crescimento documentado é conduta insegura. Anticoagulação favoreceria a manutenção do fluxo no saco e aumentaria o risco hemorrágico, sendo o oposto do desejado. Suspender o seguimento contraria a lógica da correção endovascular, que exige vigilância por imagem por toda a vida justamente para detectar vazamentos.
Homem de 64 anos, tabagista, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina e nega sintomas vasculares. O médico da equipe questiona quais pacientes devem ser rastreados para aneurisma de aorta abdominal por ultrassonografia. O paciente é hipertenso, tem dislipidemia, não tem antecedente familiar conhecido de aneurisma e apresenta abdome globoso que dificulta a palpação. A pressão arterial é de 144x86 mmHg e os pulsos periféricos são palpáveis. Considerando as recomendações de rastreamento, a conduta correta é
O rastreamento por ultrassonografia de aorta abdominal é recomendado em homens de faixa etária mais avançada com história de tabagismo, sendo um exame único suficiente quando normal, pela baixa probabilidade de desenvolvimento posterior de aneurisma clinicamente relevante. Condicionar o exame à massa palpável falha porque o abdome globoso limita a palpação e a maioria dos aneurismas é impalpável. A angiotomografia expõe a radiação e contraste, sendo desnecessária como rastreio. Repetir anualmente após exame normal não é recomendado e consome recursos sem benefício.
Homem de 66 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 5,8 cm, é avaliado no ambulatório para decidir a técnica de correção eletiva. Ele tem doença pulmonar obstrutiva crônica grave, insuficiência coronariana e função renal preservada. A anatomia mostra colo infrarrenal adequado, sem angulação excessiva, e artérias ilíacas de bom calibre e sem tortuosidade importante. Ele é assintomático, com pressão arterial de 136x80 mmHg. Considerando o perfil clínico e anatômico, a técnica preferencial é
Em paciente com comorbidades cardiopulmonares importantes e anatomia favorável, a correção endovascular reduz a mortalidade e a morbidade perioperatórias em comparação à cirurgia aberta, ainda que exija vigilância por imagem por toda a vida. Indicar cirurgia aberta independentemente do risco desconsidera o benefício perioperatório do método endovascular nesse perfil. Manter vigilância com 5,8 cm ultrapassa o limiar de intervenção e mantém risco elevado de rotura. Não existe tratamento clínico que impeça o crescimento do aneurisma nesse diâmetro.
Homem de 72 anos é levado ao pronto-socorro com quadro de dor abdominal e lombar iniciado há dois dias, associado a saciedade precoce e febre baixa. Ele tem aneurisma de aorta abdominal de 5,2 cm conhecido. À chegada, apresenta pressão arterial de 132x80 mmHg, frequência cardíaca de 96 bpm e abdome doloroso à palpação profunda sobre a massa pulsátil, sem sinais de choque. A tomografia mostra aneurisma com espessamento periaórtico e borramento da gordura adjacente, sem extravasamento franco de contraste. A conduta correta é
Aneurisma que se torna doloroso, com alterações inflamatórias periaórticas na imagem, é considerado sintomático e apresenta risco iminente de rotura, indicando internação e correção com urgência, independentemente de o diâmetro estar abaixo do limiar eletivo. Dar alta em aneurisma sintomático é conduta de altíssimo risco. Tratar como pielonefrite ignora o achado tomográfico e a dor sobre a massa pulsátil. Esperar o diâmetro atingir o limiar eletivo aplica-se apenas a aneurismas assintomáticos.
Homem de 62 anos, hipertenso e ex-tabagista, é atendido no pronto-socorro com dor abdominal e lombar de forte intensidade há três horas, sem trauma. Ele tem aneurisma de aorta abdominal de 6,2 cm em programação cirúrgica. A pressão arterial é de 104x62 mmHg, a frequência cardíaca é de 106 bpm e há palidez cutânea. O abdome apresenta massa pulsátil dolorosa e há equimose no flanco esquerdo. A hemoglobina é de 9,8 g/dL, com queda em relação ao valor prévio de 13,4 g/dL. A conduta correta é
Dor com massa pulsátil dolorosa, equimose de flanco e queda de hemoglobina em paciente com aneurisma conhecido caracteriza rotura contida, emergência cirúrgica em que a demora aumenta a mortalidade e exames adicionais não devem retardar a operação em paciente com diagnóstico clínico evidente. Agendar cirurgia eletiva em rotura é inaceitável. Liberar o paciente com base em ultrassonografia negativa para líquido livre não afasta rotura retroperitoneal contida. Anticoagulação agravaria a hemorragia de forma potencialmente fatal.
Homem de 65 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 4,8 cm, comparece ao ambulatório para seguimento. Ele mantém pressão arterial em torno de 128x78 mmHg com losartana, usa estatina e parou de fumar há dois anos. Ele pergunta se pode fazer musculação e carregar peso, pois teme que isso rompa o aneurisma. O exame físico é normal, com abdome sem dor e massa pulsátil não expansiva à palpação profunda. A orientação correta quanto à atividade física é
A atividade física aeróbica regular e o exercício resistido de intensidade moderada são benéficos e seguros em portadores de aneurisma de aorta abdominal pequeno, desde que se evitem cargas máximas e a manobra de Valsalva, que elevam abruptamente a pressão intra-aórtica. Proibir toda atividade física piora o risco cardiovascular global, que é a principal causa de morte nesses pacientes. Recomendar exclusivamente força máxima é justamente o oposto da orientação. Restringir caminhadas contraria o benefício comprovado do exercício aeróbico.
Homem de 58 anos, hipertenso e tabagista, comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta e refere que percebeu uma pulsação forte na barriga quando deita. Ele não tem dor abdominal, lombar ou claudicação. Ao exame, o abdome é magro e há massa pulsátil de cerca de 4 cm de largura, indolor, na região periumbilical, sem sopro. A pressão arterial é de 152x92 mmHg, os pulsos periféricos são amplos e simétricos e o restante do exame é normal. A conduta correta na Atenção Primária é
Massa pulsátil abdominal em homem tabagista e hipertenso exige confirmação por ultrassonografia, exame acessível e acurado, associada à otimização do controle pressórico e à cessação do tabagismo, que reduz a velocidade de crescimento do aneurisma. Encaminhar para cirurgia de emergência em paciente assintomático e estável é desproporcional. Atribuir o achado à magreza sem investigação pode retardar o diagnóstico de aneurisma. A radiografia simples tem baixa sensibilidade e não mede o diâmetro aórtico com confiabilidade.
Homem de 73 anos, submetido a correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal há dois anos, comparece ao ambulatório para seguimento. Ele é assintomático, com pressão arterial de 132x78 mmHg e abdome sem massa pulsátil evidente. A angiotomografia de controle mostra aumento do diâmetro do saco aneurismático de 5,0 para 5,8 cm, com contraste dentro do saco fora da endoprótese. Não há sinais de rotura. Ele não relata dor abdominal ou lombar, mantém boa capacidade funcional e usa estatina, ácido acetilsalicílico e anti-hipertensivo com adesão regular. A creatinina está estável e o exame físico não mostra sopros abdominais novos. A conduta correta é
Contraste dentro do saco aneurismático fora da endoprótese, com crescimento do diâmetro, caracteriza vazamento com pressurização e risco de rotura, indicando reintervenção. Manter apenas vigilância diante de crescimento documentado é conduta insegura. Anticoagulação favoreceria a manutenção do fluxo no saco e aumentaria o risco hemorrágico, sendo o oposto do desejado. Suspender o seguimento contraria a lógica da correção endovascular, que exige vigilância por imagem por toda a vida justamente para detectar vazamentos.
Homem de 74 anos, tabagista e hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de início súbito e intenso há uma hora, associada a lipotimia. Ao exame, encontra-se pálido, com pressão arterial de 84 x 50 mmHg, frequência cardíaca de 122 bpm, massa abdominal pulsátil palpável em região periumbilical e dor à palpação profunda, sem sinais de peritonite franca. Extremidades frias, com pulsos femorais presentes e simétricos. A hipótese e a conduta corretas são:
Dor abdominal e lombar súbitas, hipotensão e massa abdominal pulsátil em homem idoso, tabagista e hipertenso, compõem a tríade clássica do aneurisma de aorta abdominal roto, emergência cirúrgica em que a sobrevida depende do reparo imediato, evitando atrasos com exames desnecessários em paciente instável. Cólica renal é diagnóstico diferencial frequente e uma armadilha clássica, mas não explica a massa pulsátil com hipotensão. Lombalgia mecânica não causa choque. Pancreatite não produz massa pulsátil e não justifica conduta expectante nesse contexto.
Homem de 67 anos, com hipertensão e tabagismo de longa data, é atendido em ambulatório após tomografia de abdome solicitada por dor lombar, que evidenciou aneurisma de aorta abdominal infrarrenal de 4,3 cm de diâmetro máximo. Ele é assintomático quanto ao aneurisma, sem dor abdominal ou lombar atual. Ao exame: PA 148x88 mmHg, FC 76 bpm, abdome sem massa pulsátil facilmente palpável, pulsos periféricos presentes e simétricos, ausculta sem sopros abdominais. Exames laboratoriais sem alterações relevantes. A conduta correta é:
Aneurisma de aorta abdominal com diâmetro abaixo do limiar de intervenção é manejado com vigilância por imagem em intervalos definidos pelo tamanho, controle rigoroso da pressão arterial e cessação do tabagismo, que é o principal fator associado à expansão, indicando-se correção ao atingir o limiar ou diante de crescimento rápido ou sintomas. Corrigir todos os aneurismas expõe a riscos cirúrgicos sem benefício. Não acompanhar impede detectar a expansão. Anticoagulação não previne expansão nem ruptura e aumenta o risco hemorrágico.
Homem de 63 anos, com hipertensão e tabagismo, é levado ao pronto-socorro com dor lombar intensa de início súbito e sensação de desmaio há uma hora. Ao exame: pálido, sudoreico, PA 82x50 mmHg, FC 122 bpm, abdome com massa pulsátil dolorosa em região periumbilical, extremidades frias, tempo de enchimento capilar de 4 segundos, pulsos femorais diminuídos. Exames rápidos: hemoglobina 8,6 g/dL, lactato elevado. A ultrassonografia à beira do leito evidencia aorta abdominal com diâmetro de 7,2 cm e líquido livre em cavidade. A conduta imediata correta é:
Dor lombar súbita com hipotensão, massa pulsátil e líquido livre em paciente com aneurisma de grande diâmetro caracteriza ruptura de aneurisma de aorta abdominal, emergência em que a intervenção cirúrgica imediata com reposição de hemoderivados é a única chance de sobrevida. Exigir tomografia em paciente instável atrasa a cirurgia e aumenta a mortalidade. Analgesia com observação é conduta fatal nesse contexto. Anticoagulação agrava a hemorragia e é formalmente contraindicada diante de sangramento ativo.
Um homem de 74 anos, submetido a correção de aneurisma de aorta abdominal com prótese há seis anos, chega ao pronto-socorro com episódio de hematêmese autolimitada seguido, horas depois, de sangramento maciço com choque. A endoscopia inicial não havia mostrado lesões no estômago e no duodeno proximal. A tomografia evidencia gás periprotético e contato íntimo entre a prótese e a terceira porção do duodeno. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Sangramento sentinela seguido de hemorragia maciça em paciente com prótese aórtica, com gás periprotético e contato com o duodeno, define fístula aortoentérica secundária, emergência que exige intervenção vascular imediata, por reparo aberto ou endovascular como ponte, além de antibioticoterapia. Úlcera duodenal seria vista na endoscopia, que foi normal. Varizes gástricas ocorrem na hipertensão portal e teriam sido identificadas. A síndrome de Mallory-Weiss cursa com sangramento autolimitado após vômitos, sem esse contexto protético.
Homem, 68 anos, ex-tabagista de 40 maços-ano, com doença coronariana em prevenção secundária, assintomático do ponto de vista abdominal. PA 136/82 mmHg, FC 68 bpm, IMC 26 kg/m². Ao exame, massa pulsátil discretamente palpável em região periumbilical. Nunca realizou ultrassonografia abdominal e não tem antecedente familiar conhecido de aneurisma. Qual a conduta indicada?
Homem entre 65 e 75 anos com história de tabagismo integra o grupo de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal, e o exame indicado é a ultrassonografia, ainda mais diante de massa pulsátil palpável. A radiografia simples de abdome tem baixa sensibilidade, detectando apenas calcificações da parede. A cirurgia exploradora imediata é inadmissível sem definir diâmetro e sem sinais de rotura. Repetir o exame físico em 5 anos sem imagem desconsidera a limitação da palpação, sobretudo em obesos, e o achado atual. Reservar a angiotomografia para quando houver dor abdominal significa esperar por rotura ou expansão sintomática.
Homem, 59 anos, hipertenso e ex-tabagista, é atendido na UBS com dor lombar de forte intensidade iniciada há 2 horas, associada a sensação de massa pulsátil no abdome e sudorese. PA 96/58 mmHg, FC 118 bpm, FR 24 ipm, palidez cutânea. Exame: massa abdominal pulsátil na região periumbilical, dolorosa à palpação; pulsos femorais diminuídos. Sem trauma. Hemoglobina 11,2 g/dL. A unidade não dispõe de exames de imagem nem de banco de sangue. Qual a conduta imediata?
Dor lombar súbita com massa abdominal pulsátil e instabilidade hemodinâmica caracteriza rotura de aneurisma de aorta abdominal, emergência cirúrgica em que a sobrevida depende do tempo até o centro cirúrgico, devendo-se acionar transporte imediato com acesso venoso, monitorização e hipotensão permissiva. Solicitar ultrassonografia ambulatorial com retorno em 24 horas equivale a abandonar o paciente em risco iminente de morte. Reduzir a pressão de um paciente já hipotenso agravaria a hipoperfusão e aceleraria o colapso. Observar por 6 horas com analgesia oral desperdiça o intervalo decisivo. Aguardar tomografia em serviço sem recursos atrasa a transferência, e a instabilidade hemodinâmica com quadro clínico típico dispensa confirmação por imagem antes do encaminhamento.
Homem, 70 anos, ex-tabagista, assintomático, tem aneurisma de aorta abdominal infrarrenal detectado em rastreamento, com diâmetro atual de 5,7 cm, contra 5,1 cm há 12 meses. PA 138/82 mmHg, FC 72 bpm, IMC 27 kg/m². Sem dor abdominal ou lombar, com pulsos periféricos preservados. Função renal normal e risco cirúrgico aceitável após avaliação clínica. Qual a conduta mais adequada?
Diâmetro acima de 5,5 cm em homens ou crescimento superior a 1 cm em um ano são indicações de correção eletiva do aneurisma de aorta abdominal, e este paciente preenche ambos os critérios. Manter vigilância anual é conduta para aneurismas menores, abaixo do limiar. Aguardar sintomas significa esperar por rotura ou aneurisma sintomático, com mortalidade elevada. O betabloqueador isolado não reduz de forma consistente a expansão nem substitui a correção. Repetir imagem em 5 anos é intervalo incompatível com aneurisma já em limiar cirúrgico.
Homem, 74 anos, chega ao pronto-socorro com dor lombar intensa de início súbito há 40 minutos e episódio de síncope. PA 82/50 mmHg, FC 122 bpm, extremidades frias. Ao exame, massa abdominal pulsátil dolorosa e equimose em flanco esquerdo. Hemoglobina 9,4 g/dL (VR 13–17). Ultrassonografia à beira do leito mostra aorta abdominal com 8 cm e líquido livre retroperitoneal. Qual a conduta mais adequada?
A rotura de aneurisma de aorta abdominal com instabilidade exige encaminhamento imediato para correção, mantendo-se hipotensão permissiva com pressão sistólica em torno de 70 a 90 mmHg para não deslocar o coágulo formado. Exigir tomografia em todos os casos atrasa a cirurgia no paciente instável com diagnóstico já estabelecido pela ultrassonografia. A expansão agressiva até normalizar a pressão aumenta o sangramento e a mortalidade. Observar em unidade intensiva não trata a rotura. Transfundir com conduta expectante ignora que apenas o controle cirúrgico do sangramento salva o paciente.
Homem, 68 anos, ex-tabagista de 30 maços-ano, assintomático, comparece à unidade básica para consulta de rotina. PA 134/80 mmHg, FC 72 bpm, IMC 26 kg/m². Abdome com discreta pulsação palpável na região periumbilical, sem massa evidente. Não tem antecedente familiar de aneurisma e nunca realizou exames de imagem abdominais ao longo da vida. Qual a conduta de rastreamento mais adequada?
Homens entre 65 e 75 anos com história de tabagismo têm indicação de rastreamento de aneurisma de aorta abdominal por ultrassonografia, exame único e não invasivo com boa acurácia. A angiotomografia anual para todos expõe a radiação e contraste sem necessidade. Não rastrear ignora que o aneurisma é assintomático até a rotura, momento em que a mortalidade é altíssima. A radiografia simples tem baixa sensibilidade. A ressonância semestral é onerosa, pouco disponível e desnecessária como método de rastreamento.
Homem, 72 anos, submetido a correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal há 8 meses, realiza tomografia de controle. Assintomático, PA 132/78 mmHg, FC 70 bpm. O exame mostra aumento do saco aneurismático de 5,2 para 5,8 cm e contraste no interior do saco proveniente de ramos lombares patentes, sem falha de vedação nas zonas de ancoragem proximal e distal. Qual o tipo de vazamento identificado?
Contraste no saco proveniente de ramos lombares ou da mesentérica inferior, com zonas de ancoragem íntegras, caracteriza endoleak tipo II, que exige tratamento quando há crescimento do saco, como neste caso. O tipo I decorre de falha de vedação nas zonas de ancoragem, expressamente afastada. O tipo III resulta de desconexão ou defeito entre componentes da endoprótese. O tipo IV é atribuído à porosidade do enxerto, geralmente transitório e no intraoperatório. A endotensão corresponde a crescimento do saco sem vazamento demonstrável, o que não se aplica quando o contraste é visualizado.
Homem, 72 anos, no segundo dia de pós-operatório de correção aberta de aneurisma de aorta abdominal, apresenta diarreia sanguinolenta, dor abdominal e distensão. PA 108/64 mmHg, FC 108 bpm, T 38 °C. Leucócitos de 19.000/mm³, lactato de 3,4 mmol/L (VR < 2,0). Colonoscopia mostra mucosa friável, edemaciada e com áreas de necrose superficial no cólon esquerdo e sigmoide. Qual a explicação mais provável?
A isquemia colônica é complicação conhecida da correção de aneurisma de aorta abdominal, decorrente do sacrifício da artéria mesentérica inferior com circulação colateral insuficiente, acometendo tipicamente cólon esquerdo e sigmoide. A colite pseudomembranosa exigiria exposição a antibiótico e apresentaria pseudomembranas típicas. A doença inflamatória intestinal tem curso crônico e não se instala nesse contexto pós-operatório imediato. A diverticulite complicada mostraria abscesso ou perfuração localizada, e não necrose mucosa difusa segmentar. A colite actínica exigiria antecedente de radioterapia pélvica.
Homem, 76 anos, com correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal há 3 anos e endoleak tipo I não tratado por perda de seguimento, chega com dor abdominal intensa e hipotensão. PA 84/52 mmHg, FC 124 bpm, massa abdominal pulsátil dolorosa. Hemoglobina 8,2 g/dL (VR 13–17). Tomografia mostra extravasamento de contraste para o retroperitônio com hematoma volumoso. Qual a conduta mais adequada?
A rotura de aneurisma previamente tratado, com extravasamento ativo e instabilidade, é emergência que exige intervenção imediata para exclusão do saco, por via endovascular com extensão de componentes ou por conversão cirúrgica aberta. A observação em unidade intensiva não interrompe o sangramento. A transfusão isolada com conduta expectante mantém a hemorragia ativa. Repetir tomografia em 6 horas desperdiça tempo em paciente instável com diagnóstico já estabelecido. A anticoagulação plena agrava o sangramento e é contraindicada.
Homem, 70 anos, tabagista, em investigação por claudicação intermitente, realiza ultrassonografia que identifica aneurisma de aorta abdominal de 4,2 cm, além de doença oclusiva femoropoplítea. PA 142/86 mmHg, FC 74 bpm, índice tornozelo-braquial de 0,62 à direita. Assintomático do ponto de vista abdominal, sem dor lombar e sem massa pulsátil dolorosa ao exame. Qual a conduta mais adequada em relação ao aneurisma?
Aneurisma de aorta abdominal com 4,2 cm em paciente assintomático não atinge o limiar de correção e deve ser acompanhado por imagem em intervalos definidos pelo diâmetro, com controle rigoroso de fatores de risco e cessação do tabagismo, que é o principal fator de expansão. A correção imediata expõe a riscos operatórios sem benefício nesse diâmetro. A anticoagulação não altera a evolução do aneurisma. Condicionar a correção à claudicação mistura duas doenças distintas com indicações independentes. Não realizar seguimento algum ignora o risco de expansão progressiva.
Homem, 84 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 6,5 cm, apresenta demência avançada, dependência total e insuficiência cardíaca em classe funcional IV, com múltiplas internações. PA 108/64 mmHg, FC 86 bpm. Família relata sofrimento nas internações e prioriza conforto. Risco cirúrgico proibitivo tanto para a via aberta quanto para a endovascular, conforme avaliação da equipe. Qual a conduta mais adequada?
Com risco proibitivo para qualquer abordagem e prioridades voltadas ao conforto, a conduta é definir metas de cuidado com controle pressórico e de sintomas, evitando intervenções desproporcionais e esclarecendo a família sobre a evolução esperada. Indicar correção aberta ou endovascular contraria a avaliação de risco proibitivo. Internar para vigilância contínua até a rotura não altera o desfecho e impõe sofrimento. Suspender toda medicação cardiovascular agrava sintomas que o próprio tratamento controla.
Homem, 70 anos, submetido a correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal há 24 horas, apresenta febre de 38,2 °C, leucocitose discreta e dor lombar leve, sem sinais de instabilidade. PA 132/78 mmHg, FC 88 bpm. Tomografia de controle sem endoleak, sem coleções e com saco aneurismático excluído. Hemoculturas colhidas em investigação; ferida inguinal sem sinais flogísticos. Qual a explicação mais provável para o quadro?
Febre com leucocitose discreta nas primeiras horas após implante de endoprótese, sem foco identificável e com tomografia normal, caracteriza a síndrome pós-implante, resposta inflamatória autolimitada e benigna. A infecção de endoprótese é rara nesse período e cursaria com coleções, gás e evolução progressiva. A fístula aortoentérica se manifestaria por hemorragia digestiva. A isquemia colônica cursaria com diarreia sanguinolenta e alterações à colonoscopia. A rotura contida apresentaria dor intensa, instabilidade e extravasamento à tomografia, expressamente ausentes.
Homem, 72 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 6,1 cm e angina instável de início recente. PA 136/82 mmHg, FC 78 bpm, sem dor abdominal ou massa dolorosa. Troponina em curva ascendente e ECG com infradesnivelamento dinâmico de ST. Coronariografia mostra lesão grave de tronco de coronária esquerda; o aneurisma está estável em imagens seriadas nos últimos meses. Qual a ordem de tratamento mais adequada?
Diante de síndrome coronariana instável com lesão de tronco e aneurisma estável e assintomático, a prioridade é tratar a doença coronariana, que representa a ameaça imediata, programando a correção do aneurisma logo em seguida, conforme a estratégia antitrombótica adotada. Corrigir o aneurisma primeiro expõe o paciente a evento coronariano perioperatório de alta mortalidade. Realizar ambos simultaneamente em todos os casos não é conduta padrão e soma riscos. Manter apenas tratamento clínico deixa duas condições graves sem correção. Adiar ambas por 6 meses arrisca infarto e rotura.
Homem, 68 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 5,4 cm conhecido, procura o pronto-socorro por dor lombar e abdominal iniciada há 8 horas, contínua e sem trauma. PA 142/86 mmHg, FC 88 bpm, sem instabilidade. Ao exame, massa abdominal pulsátil dolorosa à palpação. Tomografia mostra aneurisma sem extravasamento de contraste, porém com sinais de crescimento e edema periaórtico. Qual a conduta mais adequada?
O aneurisma sintomático, com dor e massa dolorosa, indica instabilidade da parede e alto risco de rotura iminente, exigindo correção urgente mesmo sem extravasamento de contraste. A alta com controle em 30 dias arrisca rotura no intervalo. Analgesia com observação domiciliar é conduta perigosa diante de aneurisma sintomático. Programar correção eletiva em 6 meses ignora a mudança de comportamento clínico da lesão. A anticoagulação não trata o aneurisma e aumenta o risco hemorrágico em caso de rotura.
Homem, 74 anos, internado para correção eletiva de aneurisma de aorta abdominal de 6 cm, apresenta na véspera do procedimento disúria, febre e urocultura positiva para Escherichia coli com mais de cem mil unidades formadoras de colônias. T 38,3 °C, PA 132/78 mmHg, FC 92 bpm, sem dor abdominal ou massa dolorosa e sem instabilidade. Qual a conduta mais adequada?
Infecção ativa antes de implante de material protético aumenta o risco de infecção de enxerto, complicação grave e de difícil tratamento, de modo que a cirurgia eletiva deve ser adiada, a infecção tratada e o procedimento reprogramado. Manter a cirurgia sem tratar expõe o paciente a esse risco evitável. Operar e iniciar antibiótico apenas depois não elimina a bacteremia no momento do implante. Cancelar definitivamente a correção deixa sem tratamento um aneurisma com indicação formal. Tratar apenas a infecção e nunca operar o aneurisma condena o paciente à rotura futura.
Homem, 68 anos, no pós-operatório imediato de correção aberta de aneurisma de aorta abdominal, apresenta PA de 192/104 mmHg e FC de 96 bpm, com dor abdominal moderada e agitação. Drenos com débito discreto e hemoglobina estável em 11,4 g/dL. Sem sinais de sangramento ativo ou instabilidade, e sem déficit neurológico ou alteração de perfusão nos membros inferiores. Qual a conduta mais adequada?
Hipertensão no pós-operatório de aorta aumenta o risco de sangramento e de tensão nas anastomoses, e a conduta é garantir analgesia adequada, que trata a causa da resposta adrenérgica, associada a fármaco endovenoso titulável para controle pressórico. Manter a pressão elevada aumenta o risco de sangramento anastomótico. O nifedipino sublingual é proscrito pela queda abrupta e imprevisível. O diurético em bolus não trata o mecanismo e pode causar hipovolemia. Suspender a monitorização retira a vigilância necessária nesse período crítico.
Homem, 68 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 6 cm, tem colo proximal curto de 8 mm, muito angulado e com trombo circunferencial, além de artérias ilíacas tortuosas e calcificadas. PA 138/84 mmHg, FC 76 bpm, risco cirúrgico aceitável, com boa função pulmonar e renal e sem doença coronariana significativa após avaliação pré-operatória completa. Qual a estratégia de correção mais adequada?
Colo proximal curto e angulado com trombo circunferencial e acessos ilíacos tortuosos configuram anatomia desfavorável à endoprótese padrão, e em paciente com risco cirúrgico aceitável a correção aberta convencional é a estratégia mais adequada, alternativamente com dispositivos fenestrados em centros especializados. Implantar endoprótese padrão nessa anatomia associa-se a endoleak tipo I e migração. Observar um aneurisma de 6 cm ignora a indicação formal de correção. A anticoagulação não trata o aneurisma. Aguardar 8 cm expõe o paciente a risco elevadíssimo de rotura.
Homem, 70 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 5,3 cm em acompanhamento, retorna para consulta. PA 148/88 mmHg, FC 74 bpm, IMC 24 kg/m², assintomático. Mantém tabagismo de 15 cigarros por dia e não usa estatina nem antiagregante. Imagens seriadas mostram crescimento de 0,3 cm em 6 meses, com morfologia fusiforme e sem sinais inflamatórios ou saculações. Qual medida tem maior impacto na redução da expansão do aneurisma?
O tabagismo é o fator de risco mais fortemente associado à expansão e à rotura do aneurisma de aorta abdominal, e sua cessação é a medida isolada de maior impacto sobre a progressão. O anticoagulante oral não reduz a expansão e aumenta o risco hemorrágico em caso de rotura. A restrição hídrica não tem qualquer efeito sobre a parede aórtica. Anti-inflamatórios contínuos elevam a pressão arterial e trazem riscos cardiovasculares e renais. O repouso prolongado não influencia a evolução do aneurisma e traz malefícios do descondicionamento.
Homem, 70 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 5,8 cm assintomático e diagnóstico recente de adenocarcinoma de cólon com indicação de colectomia. PA 138/84 mmHg, FC 76 bpm, sem obstrução intestinal ou sangramento. A equipe discute a ordem das intervenções, considerando risco de rotura do aneurisma e progressão da neoplasia durante o intervalo entre os procedimentos. Qual a estratégia mais adequada?
Com aneurisma em limiar cirúrgico e neoplasia ressecável, uma estratégia adequada é corrigir o aneurisma por via endovascular, de baixa morbidade e rápida recuperação, operando o tumor logo em seguida, minimizando tanto o risco de rotura quanto o atraso oncológico. Operar apenas o tumor e nunca tratar o aneurisma deixa uma lesão com risco de rotura. Realizar os dois procedimentos abertos simultaneamente em todos os casos soma riscos, incluindo contaminação do enxerto. Adiar ambas por 1 ano é inaceitável. Tratar só o aneurisma e abandonar o câncer inverte a lógica do cuidado integral.
Homem, 62 anos, com dor lombar e abdominal crônica, perda de peso e VHS elevada. PA 138/84 mmHg, FC 82 bpm, com massa abdominal pulsátil. Tomografia mostra aneurisma de aorta abdominal de 5,6 cm com espessamento parietal marcado, realce periaórtico e aderências a estruturas adjacentes, incluindo envolvimento dos ureteres com hidronefrose bilateral discreta. Qual a característica que diferencia esse aneurisma do aterosclerótico habitual?
O aneurisma inflamatório caracteriza-se por espessamento periaórtico com intenso processo inflamatório, aderências a estruturas vizinhas e frequente envolvimento ureteral com hidronefrose, além de sintomas constitucionais e provas inflamatórias elevadas. O trombo mural é achado comum em qualquer aneurisma. A localização infrarrenal é a mais frequente também nos ateroscleróticos. A morfologia fusiforme é típica da forma aterosclerótica habitual. A calcificação parietal ocorre igualmente nos aneurismas degenerativos comuns.
Homem, 68 anos, com aneurisma de aorta abdominal de 4,8 cm em vigilância, mantém PA de 168/98 mmHg apesar de dois anti-hipertensivos, com adesão irregular. FC 78 bpm, assintomático, sem dor abdominal ou lombar. Mantém tabagismo de 20 cigarros por dia e não usa estatina. Imagens seriadas mostram crescimento de 0,5 cm nos últimos 12 meses, com morfologia fusiforme. Qual conjunto de medidas é o mais adequado neste momento?
Com aneurisma abaixo do limiar cirúrgico, a conduta é otimizar o controle pressórico, iniciar estatina, reforçar a cessação do tabagismo, que é o principal fator de expansão, e manter vigilância por imagem em intervalos definidos pelo diâmetro. A correção cirúrgica imediata não está indicada em 4,8 cm assintomático. A anticoagulação não altera a evolução do aneurisma e aumenta o risco em caso de rotura. Suspender a vigilância abandona o acompanhamento de lesão em crescimento. Restringir atividade física isoladamente não modifica a história natural e traz prejuízos do sedentarismo.
Homem, 73 anos, tabagista e hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor abdominal súbita e intensa irradiada para o dorso há 40 minutos, seguida de lipotimia. PA 82x48 mmHg, FC 124 bpm, FR 26 ipm. Abdome doloroso, com massa pulsátil palpável em região periumbilical e equimose em flanco esquerdo. Hb 9,2 g/dL (VR 13–17). O exame ultrassonográfico à beira do leito mostra aorta abdominal com 7,8 cm de diâmetro. Qual a conduta imediata?
O encaminhamento imediato para reparo aórtico com hipotensão permissiva é a conduta correta: a tríade de dor abdominal com irradiação dorsal, hipotensão e massa pulsátil caracteriza aneurisma de aorta abdominal roto, cujo tratamento é o controle proximal urgente, mantendo a pressão em nível apenas suficiente para perfusão. A tomografia é aceitável apenas no paciente estável, o que não é o caso. A reposição agressiva com meta pressórica alta desfaz o coágulo contido e aumenta a hemorragia. A analgesia com observação omite tratamento diante de emergência letal. A endoscopia investiga hipótese distinta e retarda a cirurgia.
Homem, 74 anos, tabagista e hipertenso, apresenta dor abdominal súbita e intensa irradiada para o dorso há 1 hora, com síncope no domicílio. PA 84x50 mmHg, FC 118 bpm, FR 26 ipm. Há massa abdominal pulsátil dolorosa em região periumbilical e equimose em flanco esquerdo. Hemoglobina 9,2 g/dL (VR 13-17). O ultrassom à beira do leito mostra aorta abdominal com 8,4 cm de diâmetro e líquido livre retroperitoneal. Qual a conduta indicada?
O encaminhamento imediato para reparo aórtico é a conduta no aneurisma roto, diagnosticado pela tríade de dor abdominal com irradiação dorsal, hipotensão e massa pulsátil, confirmada pelo ultrassom com líquido retroperitoneal. Exigir tomografia em todos os casos atrasa o tratamento no doente instável, sendo o exame reservado a quem tolera a espera para planejamento endovascular. O controle pressórico isolado com observação não interrompe a hemorragia. A reposição agressiva até normalizar a pressão desfaz o coágulo e aumenta o sangramento, sendo preferida a hipotensão permissiva. A anticoagulação plena agrava a hemorragia ativa.
Homem, 74 anos, tabagista e hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor abdominal e lombar de início súbito e intenso há 1 hora, associada a lipotimia. Exame: PA 82x48 mmHg, FC 122 bpm, palidez, massa abdominal pulsátil dolorosa à palpação, pulsos femorais presentes e simétricos. Avaliação ultrassonográfica à beira do leito mostra aorta abdominal com diâmetro de 8 cm e líquido livre retroperitoneal. Qual a conduta mais adequada?
Dor abdominal e lombar súbita, hipotensão e massa pulsátil em idoso tabagista, com ultrassonografia mostrando aorta de oito centímetros e líquido retroperitoneal, caracterizam aneurisma de aorta abdominal roto, emergência que exige encaminhamento imediato ao centro cirúrgico ou à sala endovascular, com hipotensão permissiva e transfusão. A tomografia só é aceitável em paciente relativamente estável e quando não atrasa o tratamento, mas não deve ser obrigatória diante de diagnóstico já estabelecido com instabilidade. A reposição agressiva até normalizar a pressão aumenta o sangramento e a mortalidade. Internar em enfermaria para observação é conduta fatal. A anticoagulação plena é contraindicada em hemorragia ativa e não trata rotura aneurismática.
Homem, 71 anos, com aneurisma de aorta abdominal conhecido de 7 cm, chega com dor abdominal, edema importante de membros inferiores e dispneia de instalação rápida. PA 96x48 mmHg, FC 118 bpm, pressão venosa jugular elevada. Sopro contínuo em maquinaria audível em mesogástrio, com frêmito. Creatinina 2,4 mg/dL; hematúria macroscópica presente. Angiotomografia mostra aneurisma com comunicação direta para a veia cava inferior. Qual o diagnóstico?
Sopro contínuo em maquinaria com frêmito, edema de membros, congestão venosa, hematúria e comunicação direta entre aneurisma e cava na angiotomografia definem fístula aortocava, complicação rara do aneurisma de aorta abdominal que gera shunt arteriovenoso de alto débito. A ruptura retroperitoneal contida cursaria com hematoma e choque hipovolêmico, sem sopro contínuo. A trombose de cava produz edema, mas não sopro em maquinaria nem comunicação arterial. A insuficiência cardíaca isquêmica não explica o sopro abdominal com frêmito nem a hematúria. O endoleak tipo II pressupõe correção endovascular prévia, que não foi relatada.
Homem de 76 anos com aneurisma abdominal conhecido apresenta dor lombar súbita, síncope e hipotensão. A avaliação à beira-leito confirma dilatação aórtica importante; há forte suspeita de hemorragia retroperitoneal. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A perda sanguínea pode ocorrer para o retroperitônio e causar choque rapidamente. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Homem de 76 anos com aneurisma abdominal conhecido apresenta dor lombar súbita, síncope e hipotensão. A avaliação à beira-leito confirma dilatação aórtica importante; há forte suspeita de hemorragia retroperitoneal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Aneurisma conhecido com dor súbita e choque deve ser tratado como ruptura até avaliação definitiva. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Homem de 76 anos com aneurisma abdominal conhecido apresenta dor lombar súbita, síncope e hipotensão. A avaliação à beira-leito confirma dilatação aórtica importante; há forte suspeita de hemorragia retroperitoneal. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A estabilidade determina a possibilidade de tomografia; suspeita forte em instável exige via rápida de controle. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Homem de 76 anos com aneurisma abdominal conhecido apresenta dor lombar súbita, síncope e hipotensão. A avaliação à beira-leito confirma dilatação aórtica importante; há forte suspeita de hemorragia retroperitoneal. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
O tratamento definitivo exige controlar a ruptura, por via aberta ou endovascular quando adequada. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Exame por outra indicação identifica aorta abdominal com dilatação fusiforme de 4,4 cm, sem flap íntimo ou sintomas agudos. Qual diagnóstico é mais provável?
O achado corresponde a aneurisma abdominal assintomático. Dilatação da aorta abdominal pode ser assintomática ou manifestar-se com dor e ruptura; imagem e estabilidade orientam a abordagem. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Paciente com dor abdominal tem dilatação infrarrenal importante da aorta e sangue retroperitoneal na TC. Qual diagnóstico é mais provável?
O hematoma adjacente sugere ruptura do aneurisma. Dilatação da aorta abdominal pode ser assintomática ou manifestar-se com dor e ruptura; imagem e estabilidade orientam a abordagem. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Homem idoso tabagista apresenta massa abdominal pulsátil. Ultrassom mostra dilatação focal infrarrenal da aorta com diâmetro de 5,6 cm. Qual diagnóstico é mais provável?
A dilatação aórtica documentada caracteriza aneurisma abdominal. Dilatação da aorta abdominal pode ser assintomática ou manifestar-se com dor e ruptura; imagem e estabilidade orientam a abordagem. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Paciente com aneurisma abdominal conhecido tem dor lombar súbita e hipotensão; imagem à beira-leito confirma grande dilatação aórtica. Qual diagnóstico é mais provável?
O contexto exige suspeitar complicação de aneurisma, inclusive ruptura. Dilatação da aorta abdominal pode ser assintomática ou manifestar-se com dor e ruptura; imagem e estabilidade orientam a abordagem. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Pessoa com aneurisma abdominal roto permanece instável durante ressuscitação, sem possibilidade de manejo apenas observacional. Qual estratégia corresponde à prioridade do caso?
Controle definitivo do sangramento é prioritário. Suspeita de aneurisma roto com instabilidade requer ressuscitação e controle hemorrágico sem atrasos desnecessários. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm/treatment
Idoso com colapso e aneurisma abdominal roto foi estabilizado parcialmente, mas mantém hemorragia não controlada. Qual estratégia corresponde à prioridade do caso?
Melhora transitória não dispensa reparo urgente da ruptura. Suspeita de aneurisma roto com instabilidade requer ressuscitação e controle hemorrágico sem atrasos desnecessários. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm/treatment
Homem com aneurisma abdominal apresenta hipotensão e sangue retroperitoneal, com equipe vascular disponível. Qual estratégia corresponde à prioridade do caso?
Ruptura requer controle hemorrágico imediato. Suspeita de aneurisma roto com instabilidade requer ressuscitação e controle hemorrágico sem atrasos desnecessários. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm/treatment
Paciente com grande aneurisma tem dor abdominal súbita e choque, com diagnóstico de ruptura já estabelecido. Qual estratégia corresponde à prioridade do caso?
A prioridade é tratar a fonte de hemorragia. Suspeita de aneurisma roto com instabilidade requer ressuscitação e controle hemorrágico sem atrasos desnecessários. Referência: https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm/treatment
Um aneurisma de aorta abdominal pequeno foi identificado incidentalmente e está em acompanhamento. O paciente não sente dor e pergunta por que precisa de avaliações seriadas. Qual justificativa é adequada?
Ausência de dor não garante estabilidade anatômica. Vigilância acompanha tamanho e crescimento, enquanto fatores clínicos orientam o risco e o momento de eventual intervenção. Referência: NHLBI/NIH. Aortic Aneurysm. https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm
Após implantação de endoprótese aórtica, um exame demonstra fluxo sanguíneo no saco aneurismático por fora da luz da endoprótese. Qual conceito descreve esse achado?
Endoleak é persistência de fluxo no saco aneurismático fora da luz da endoprótese. Sua relevância e manejo dependem do tipo, evolução do saco e contexto; não se deve confundi-lo automaticamente com rotura livre. Referência: NHLBI/NIH. Aortic Aneurysm: Treatment. https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm/treatment
Um paciente será submetido a reparo endovascular de aneurisma aórtico com endoprótese. Qual objetivo mecânico distingue essa técnica da simples observação do aneurisma?
A endoprótese revestida é posicionada para vedar o trajeto e impedir entrada direta de sangue no saco. A eficácia depende de adequada implantação e acompanhamento. Referência: NHLBI/NIH. Aortic Aneurysm: Treatment. https://www.nhlbi.nih.gov/health/aortic-aneurysm/treatment
Para medir o aneurisma mostrado, qual contorno deve ser considerado no diâmetro máximo, segundo a convenção externa informada no protocolo?

Medir só o lúmen residual ignora o trombo e subestima o tamanho do saco.
Sem escala de medidas e sem estudo completo, qual informação não deve ser atribuída a esta figura?

A imagem isolada sem calibração não autoriza medida numérica precisa.
Um paciente com essa alteração apresenta dor abdominal nova e síncope. Qual hipótese exige exclusão imediata?

Dor e instabilidade no contexto de dilatação aórtica exigem avaliação vascular urgente.
Nesta ultrassonografia transversal da aorta, a camada ecogênica entre o lúmen e a parede externa representa mais provavelmente o quê?

O lúmen residual é anecoico, enquanto material organizado ocupa parte do saco dilatado.
Um paciente com aneurisma conhecido apresenta nova dor abdominal e hipotensão. Qual dado impede usar apenas o diâmetro eletivo para decidir urgência?

Dor e choque podem indicar ruptura; emergência não deve aguardar atingir limiar eletivo de tamanho.
Em seguimento, medidas variam entre exames feitos em planos diferentes. Qual conduta melhora interpretação de aparente crescimento?

Variação de técnica e plano pode simular crescimento; comparação consistente reduz erro.
O material aderido à parede interna do saco representa qual achado?

O desenho mostra trombo revestindo parte do saco aneurismático.
Para planejar reparo endovascular em paciente estável, por que o maior diâmetro não basta?

Selagem, fixação e acesso dependem de anatomia além do diâmetro máximo.
A dilatação está situada em relação às artérias renais de que modo?

O esquema mostra aneurisma infrarrenal.
Um homem idoso chega com dor abdominal súbita, síncope e hipotensão. A ultrassonografia à beira-leito mostra o segmento aórtico ilustrado. Qual interpretação deve orientar a abordagem? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

O contexto de choque com aneurisma exige resposta urgente; ultrassonografia que identifica aneurisma não precisa demonstrar extravasamento para motivar essa suspeita.
A ultrassonografia mostra um segmento aneurismático com material mural e uma luz residual. Ao avaliar seu calibre, que erro deve ser evitado? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Isso subestima o diâmetro do segmento dilatado. Os limites de parede devem seguir o protocolo padronizado utilizado.
Qual alteração vascular é sugerida pelas calcificações na radiografia abdominal? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

As calcificações delimitam um contorno aórtico aumentado; é necessário confirmar e medir com método apropriado.
Qual conclusão não pode ser obtida com segurança apenas pela radiografia apresentada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Radiografia simples tem limitações anatômicas e não substitui ultrassom ou angiotomografia conforme o cenário.
O paciente com esse achado desenvolve dor abdominal nova e dor lombar, mantendo pressão estável. Qual abordagem é apropriada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Sintomas novos podem indicar instabilidade da doença mesmo sem hipotensão.
Em uma pessoa assintomática e estável, qual exame pode confirmar e medir inicialmente a dilatação suspeita? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Permite medir o diâmetro aórtico e avaliar a presença de aneurisma sem radiação.
Paciente assintomático em acompanhamento de aneurisma tem ultrassom com diâmetro anteroposterior de 4,8 cm medido de borda interna a borda interna. Uma tomografia recente informa 5,2 cm, de borda externa a borda externa. Antes de afirmar crescimento de 4 mm, o que deve ser feito?
Uma tendência exige comparação tecnicamente coerente. A NG156 explicita a medida ultrassonográfica anteroposterior interna para seus critérios de diâmetro. Referências: NICE NG156. Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng156/chapter/recommendations
Homem de 74 anos, assintomático após reparo endovascular, tem endoleak tipo II isolado, proveniente de ramos lombares. Exames comparáveis mostram saco estável há 12 meses, sem falha de selamento ou defeito da prótese. Qual estratégia é compatível com a discussão de manejo da NG156?
O achado de endoleak tipo II isolado não exige a mesma conduta em todas as situações. Mudança do tamanho do saco modifica a avaliação. Referências: NICE NG156. Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng156/chapter/recommendations
Homem de 73 anos realizou reparo endovascular de aneurisma de aorta abdominal. Está assintomático e a imagem inicial não mostrou complicações. Qual orientação de seguimento é adequada?
O planejamento do seguimento deve considerar o procedimento e os achados individuais. A vigilância permite reconhecer alterações antes de manifestações clínicas. Referências: NICE NG156. Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng156/chapter/recommendations
Após reparo endovascular de aneurisma, exames seriados mostram aumento do saco aneurismático. O Doppler colorido não identificou endoleak. A suspeita clínica permanece e não há contraindicação ao contraste iodado. Segundo a NG156, qual investigação é apropriada?
A discordância entre aumento do saco e Doppler negativo precisa ser esclarecida. O exame complementar deve ser capaz de avaliar o fluxo e a anatomia do reparo. Referências: NICE NG156. Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng156/chapter/recommendations
Um controle após reparo endovascular demonstra endoleak tipo I proximal persistente, com falha de selamento. O paciente está estável, sem sinais de rotura. Qual conduta deve ser considerada pela equipe vascular?
O planejamento pode envolver diferentes técnicas. A decisão depende da avaliação especializada do defeito e do paciente. Referências: NICE NG156. Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management — https://www.nice.org.uk/guidance/ng156/chapter/recommendations
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Números, na ordem em que a questão os usa. DEFINIÇÃO: aorta abdominal normal até 2,0 cm; aneurisma com 3,0 cm ou 50% acima do diâmetro esperado do segmento (ou dois desvios-padrão); 2,5 a 2,9 cm é aorta ectásica. EPIDEMIOLOGIA: 90% a 95% dos aneurismas de aorta; prevalência de 2% aos 60 anos e cerca de 5% após os 70; 2 a 3 vezes mais no homem pelo documento nacional, 4 a 6 vezes na comparação de coortes. FATORES DE RISCO em ordem de força: história familiar 9,64, tabagismo 2,97, doença coronariana 2,29, hipertensão 1,55; sexo masculino em média 5,93; idade acima de 65 anos com risco quase 200 vezes o da faixa de 40 a 44 anos; diabetes 1,18 (IC 0,99-1,41) — nem risco nem proteção. RASTREAMENTO: ultrassonografia, uma única vez, homem acima de 65 anos (SBACV); história familiar rastreia os dois sexos; aneurisma periférico a cada 5 a 10 anos; USPSTF de 2019 com grau B no homem de 65 a 75 que fumou, grau C no que nunca fumou, grau D na mulher sem risco e declaração I na mulher com risco; não há programa nacional no SUS. VIGILÂNCIA: 2,5-2,9 cm em 5 a 10 anos; 3-3,9 cm a cada 3 anos; 4-4,9 cm anual (6 meses de 4,0 a 5,5 cm pela régua de 2017); 5 cm ou mais a cada 3 a 6 meses. CRESCIMENTO médio: 0,26 cm/ano abaixo de 5 cm, 0,5 cm/ano acima. OPERAR: 5,5 cm no homem, 5,0 cm na mulher; crescimento maior que 0,5 cm em 6 meses ou 1,0 cm em 1 ano; sintoma atribuível ao aneurisma; sacular abaixo de 5 cm. ROTURA por ano: 0% abaixo de 4 cm, 0,7% de 4 a 4,99, 11% de 5 a 5,99, 26% de 6 a 6,99. EVAR × ABERTO: morte em 30 dias RR 0,34 (0,21-0,57); até 4 anos 0,93; longo prazo 0,99; reintervenção 1,95 e depois 1,78; complicação pulmonar 0,38 a favor do EVAR; UK-COMPASS perde a vantagem em 30 meses. PÓS-EVAR: angiotomografia em 30 dias, depois anual, 6 meses se endoleak ou saco crescendo; aberto a cada 5 anos. ENDOLEAK: I e III de alta pressão, corrigir; II observar e embolizar se saco crescer acima de 5 mm ou 10 mm em 6 meses; IV porosidade; V endotensão. ROTO: sistólica de 70 a 90 mmHg de hipotensão permissiva; sistólica abaixo de 100 mmHg ou hematócrito abaixo de 37% associa-se fortemente à rotura (84% dos rotos contra 27% dos não rotos). CLÍNICO: tabagismo Classe I; pressão abaixo de 130/80 Classe IIa; estatina sim, pela sobrevida; doxiciclina não (0,36 contra 0,36 cm; p = 0,93).
em 30 dias
Reconstrua o capítulo por perguntas, sem olhar a tabela. (1) Aorta de 3,2 cm num homem de 66 anos: é aneurisma? Quando ele volta? (2) O mesmo homem, três anos depois, com 4,3 cm: qual o intervalo agora, e qual é a divergência entre a régua de sociedade e a régua que autoriza procedimento no SUS? (3) Mulher de 70 anos com 5,2 cm: vigilância ou correção? E se fosse homem? Qual documento sustenta cada resposta e de que ano é? (4) Aneurisma de 4,8 cm que cresceu 0,6 cm em 5 meses: opera ou vigia, e por qual critério? (5) Diga os quatro graus do rastreamento da USPSTF e diga qual deles é a declaração de evidência insuficiente, e em quem. (6) Por que 5,5 cm e não 5,0 cm — que número da coorte de Rochester justifica a linha? (7) Um paciente pergunta se existe remédio para o aneurisma parar de crescer: o que você responde sobre estatina, sobre betabloqueador e sobre doxiciclina, e qual é a única medida com relação forte com crescimento e rotura? (8) Por que o EVAR ganha em 30 dias e empata em 8 anos, e o que isso muda na escolha para um paciente de 62 anos com boa expectativa de vida? (9) Angiotomografia de rotina 18 meses após EVAR mostra endoleak tipo II com saco de mesmo tamanho: conduta? E se fosse tipo Ia? (10) Homem de 69 anos, tabagista, com dor lombar súbita, sistólica de 82 mmHg e hematócrito de 30%: diga em voz alta a sequência inteira, incluindo o alvo de pressão que você vai aceitar e por quê.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 68 anos, tabagista pesado, com dor lombar esquerda súbita e intensa há 50 minutos, síncope ao levantar, pressão arterial 84 por 52 mmHg, taquicardia, palidez, massa epigástrica de limites difusos e hematócrito de 31% — atendido no pronto-socorro com hipótese inicial de cólica renal — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
