Cirurgia GeralCirurgia Vascular

Insuficiência venosa crônica e varizes

A prova cobra três coisas: classificar em CEAP a partir do exame físico, saber que o dúplex é o exame inicial e decidir quem comprime, quem opera e quem não pode ser comprimido.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 48 anos, obesa, queixa-se de peso e cansaço em membros inferiores no fim do dia, com veias dilatadas e tortuosas visíveis, discreto edema perimaleolar vespertino e áreas de hiperpigmentação ocre no terço distal da perna, sem úlcera. Pulsos periféricos presentes e simétricos. Qual a classificação CEAP clínica e a orientação inicial mais adequada?

02

Como esse tema cai

Doença venosa crônica é o guarda-chuva: qualquer alteração morfológica ou funcional do sistema venoso dos membros inferiores, da telangiectasia à úlcera. Insuficiência venosa crônica é o pedaço grave desse guarda-chuva — quando a hipertensão venosa já produziu edema persistente, alteração de pele ou úlcera. A prova usa os dois nomes como se fossem sinônimos, e quase sempre a pergunta real é outra: em que classe da CEAP este paciente está, e o que essa classe muda na conduta.

É uma doença de consultório e de UBS, não de plantão. As complicações agudas são raras, e o que a banca cobra é a sequência ambulatorial: reconhecer que os sintomas são venosos, classificar, pedir o dúplex, indicar compressão e decidir quem precisa de supressão do ponto de refluxo. O único momento de urgência é o sangramento de variz, que vai para o serviço vascular na hora.

A régua brasileira tem duas camadas que não conversam entre si, e é daí que sai a maior parte das questões mal respondidas. A camada científica é a diretriz da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular, de 2023, que recomenda terapia compressiva com classe I. A camada de política pública é a Conitec: a escleroterapia não estética de varizes foi incorporada ao SUS em 2017, e as meias elásticas compressivas para quem já teve úlcera foram avaliadas em 2019 e não foram incorporadas. O tratamento mais recomendado da doença é, portanto, o que o sistema não fornece — e isso não é contradição de ninguém, é a diferença entre recomendar e financiar.

03

O que muda decisão

O que dá errado: hipertensão venosa, não 'má circulação'

O sangue da perna sobe contra a gravidade por três motores: a bomba muscular da panturrilha, o gradiente respiratório e as válvulas venosas, que impedem o refluxo entre uma contração e outra. Quando as válvulas ficam incompetentes, cada passo empurra o sangue para cima e a gravidade o devolve — a pressão venosa deixa de cair durante a deambulação e o sistema passa a viver em hipertensão venosa ambulatorial. Essa é a lesão fundamental. Tudo o que aparece depois, da variz visível à úlcera, é consequência dela.

A pressão elevada é transmitida à microcirculação. As vênulas se distendem, o endotélio ativa moléculas de adesão, leucócitos aderem e migram para o interstício, e a inflamação crônica remodela a derme: extravasa hemácia, a hemossiderina se deposita e pigmenta a pele de castanho, a fibrose endurece o subcutâneo em lipodermatoesclerose e o tecido perde a capacidade de cicatrizar. A diretriz brasileira registra que válvulas incompetentes existem até em veias de pequeno calibre e que a incompetência dessas microválvulas participa da progressão das alterações de pele — motivo pelo qual telangiectasia não é apenas um problema estético.

Os fatores de risco descritos na diretriz brasileira são sexo feminino, idade avançada, obesidade, longos períodos em pé, história familiar e paridade. A progressão é mais provável em quem tem excesso de peso e em quem já teve trombose venosa profunda — a síndrome pós-trombótica é a forma secundária clássica, com destruição valvular por sequela e complicações mais exuberantes. Vale gravar a assimetria como pista: a perna que adoeceu sozinha, sobretudo depois de imobilização, cirurgia ou gestação, levanta a hipótese de causa secundária pós-trombótica, e é essa hipótese que o dúplex confirma ao mostrar o sistema profundo.

Um detalhe que a prova adora e que o exame físico não resolve: a apresentação clínica não corresponde à gravidade hemodinâmica. A diretriz brasileira cita estudo transversal com cem pacientes em que não houve correlação entre o diâmetro médio das safenas e a classificação clínica. Perna com poucas varizes visíveis pode ter refluxo troncular importante, e perna cheia de varizes pode ter sistema profundo íntegro. Quem responde essa pergunta é o dúplex, não a inspeção.

O que o paciente conta e o que a perna mostra

Os sintomas são inespecíficos e, isolados, não fecham nada: peso, cansaço, dor em queimação, prurido, câimbras noturnas, inchaço no fim do dia. O que os torna venosos é o padrão temporal — pioram com ortostatismo prolongado e com o calor, melhoram com a elevação do membro e com a deambulação, e são piores no fim da tarde. Dor que piora ao andar e melhora ao parar é claudicação, ou seja, arterial; dor que melhora ao pendurar a perna para fora da cama é isquemia crítica, o oposto exato do padrão venoso.

Ao exame, a sequência é olhar com o paciente em pé. Telangiectasias são dilatações intradérmicas de cerca de 1 mm; veias reticulares são subdérmicas, de aproximadamente 4 mm e não palpáveis; varizes propriamente ditas são subcutâneas, palpáveis e maiores que 4 mm. Depois procure a pele do terço distal da perna, a região que concentra tudo o que interessa: pigmentação ocre em torno do maléolo medial, eczema venoso, atrofia branca (áreas esbranquiçadas circulares cercadas de capilares dilatados), lipodermatoesclerose e a corona flebectásica — o leque de vênulas dilatadas no pé e no tornozelo.

A úlcera venosa fecha o espectro. É rasa, de bordas irregulares, exsudativa, com fundo de granulação, tipicamente supramaleolar medial, em perna edemaciada e pigmentada, com pulsos presentes e dor que piora em pé e melhora com elevação. A úlcera arterial é o contrário em quase tudo: distal, em ponta de dedo ou calcanhar, de bordas nítidas e fundo pálido ou necrótico, em perna fria e sem pelos, com pulso ausente e dor que piora deitado. A distinção não é acadêmica — ela decide se o paciente pode ou não receber compressão, e é por isso que o relatório da Conitec coloca a medida do índice tornozelo-braço dentro do diagnóstico diferencial, e não dentro do tratamento.

O documento brasileiro define úlcera venosa recorrente com uma frase útil de guardar: nova ruptura da pele no mesmo membro que já teve úlcera cicatrizada, em qualquer ponto entre o maléolo e o joelho. E a recorrência é a regra, não a exceção — o relatório cita séries com 30% de recidiva no primeiro ano chegando a 78% em dois anos após a cicatrização, e uma coorte de Belo Horizonte em que 62,2% dos pacientes recidivaram em dez anos de seguimento.

Comparação entre perna com doença venosa crônica, com edema, pigmentação ocre no maléolo medial e úlcera rasa supramaleolar, e perna com doença arterial, com pele fina e brilhante e úlcera profunda de bordas nítidas em ponta de dedo e calcanhar.
A topografia e o aspecto separam a úlcera venosa da arterial antes de qualquer exame — mas quem autoriza a compressão é o índice tornozelo-braço.

CEAP: a classificação que a prova cobra de verdade

CEAP é a sigla de clínica, etiológica, anatômica e fisiopatológica. Criada em 1994 e revisada recentemente, ela é o idioma comum da doença venosa, e a diretriz brasileira de 2023 a recomenda para todo paciente com insuficiência venosa crônica, com classe I. Nas provas, 90% do uso é do C — a classe clínica, de C0 a C6, em ordem crescente de gravidade.

Duas regras operacionais resolvem quase toda questão de classificação. Primeira: o paciente é classificado pela manifestação mais grave que apresenta, não pela soma. Quem tem variz, edema e pigmentação ocre é C4, e não 'C2 mais C3 mais C4'. Segunda: a úlcera cicatrizada não devolve o paciente ao começo — ela o coloca em C5, uma categoria própria, que existe justamente porque quem já ulcerou tem risco alto de ulcerar de novo.

A revisão da CEAP subdividiu o C4, e a diretriz brasileira registra a mudança que mais aparece: a corona flebectásica foi acrescentada como C4c pelo risco de evoluir para úlcera venosa. Ficam então C4a para pigmentação e eczema, C4b para lipodermatoesclerose e atrofia branca, e C4c para a corona. A mesma revisão criou a subclasse Esi na etiologia, para reconhecer causas secundárias intravenosas — alterações pós-trombóticas e fístulas arteriovenosas traumáticas.

A CEAP descreve, mas não mede gravidade nem resposta ao tratamento — ela é estática. Por isso a diretriz brasileira recomenda, também com classe I, usar junto o Venous Clinical Severity Score, ferramenta que documenta a gravidade dos sintomas de forma reprodutível, correlaciona-se bem com a classe clínica da CEAP e serve para medir a mudança do paciente depois da intervenção. Onde a CEAP diz 'o que este paciente é', o VCSS diz 'o quanto ele melhorou'.

Dúplex primeiro, sempre

A diretriz brasileira de 2023 recomenda o dúplex scan como ferramenta inicial de diagnóstico em todo paciente com suspeita de insuficiência venosa crônica, com nível A e classe I. Ele responde às três perguntas que mudam a conduta: há refluxo, onde está o ponto de fuga e o sistema profundo está pérvio. É também o exame que planeja a intervenção — o mapeamento venoso é individualizado para o paciente e para a técnica que será usada, e a diretriz orienta o uso do eco-Doppler durante o próprio procedimento.

O critério hemodinâmico que a diretriz brasileira registra é o tempo de fluxo reverso na veia femoral comum: refluxo é considerado quando esse tempo é maior que 1 segundo. É esse o número que o documento nacional fixa.

Há uma recomendação que parece exagero e cai em prova: o dúplex está indicado mesmo no paciente C1, só com telangiectasias e veias reticulares. A justificativa está no texto da diretriz — de 40 a 50% dos pacientes C1 têm refluxo de safena associado, e tratar a telangiectasia sem suprimir o ponto de fuga é garantir recidiva. Telangiectasia não é automaticamente 'estética'; é uma classe da CEAP como qualquer outra.

Quando suspeitar de obstrução acima da virilha — edema unilateral desproporcional, sintomas em jovem, história de trombose iliofemoral, dor pélvica — a diretriz recomenda começar pelo dúplex venoso de abdome e pelve. Angiotomografia, angiorressonância e venografia entram como complemento, e o ultrassom intravascular é a investigação adicional mais confiável para estenose ilíaca, superando a venografia, que deixa de identificar lesão ileocava em cerca de um quinto dos membros. Nada disso é exame de triagem: só entra quando a suspeita de obstrução suprainguinal foi levantada.

Tratamento conservador: compressão é tratamento, não consolo

A terapia compressiva é o eixo do tratamento clínico e recebe classe I na diretriz brasileira de 2023 para o tratamento sintomático da insuficiência venosa crônica. Ela reduz o diâmetro venoso, melhora a competência valvular relativa, aumenta a eficiência da bomba muscular, diminui o edema e — o desfecho mais sólido — reduz a recorrência da úlcera de perna. As meias são classificadas por faixa de pressão no tornozelo: baixa abaixo de 20 mmHg, média entre 20 e 30 mmHg, alta acima de 30 mmHg. Para o paciente C5, isto é, com úlcera já cicatrizada, o relatório da Conitec indica compressão de 25 a 35 mmHg, com nível de evidência 1A.

Antes de comprimir, meça o índice tornozelo-braço. É a pressão sistólica máxima do tornozelo dividida pela pressão sistólica máxima do braço, aferida com esfigmomanômetro e Doppler manual. O documento brasileiro é explícito: a compressão está indicada em pacientes com insuficiência venosa e ITB acima de 0,5, porque comprimir perna com fluxo arterial prejudicado piora a isquemia. Meia mal ajustada também não é inofensiva — pode causar desconforto e até necrose por pressão, e o material pode desencadear dermatite de contato.

O calcanhar de Aquiles da compressão é a adesão, e há um achado contraintuitivo no relatório brasileiro que vale como aula. Num ensaio randomizado com cem pacientes, a recorrência de úlcera foi maior no grupo de meia de alta compressão, de 34 a 46 mmHg (61,4%), do que no grupo de compressão moderada, de 23 a 32 mmHg (28,6%), com p = 0,003 — e a não adesão foi significativamente maior justamente no grupo de alta compressão. A meia mais forte só é melhor se for vestida. Prescrever a compressão máxima para um idoso que não consegue calçá-la é prescrever nada.

As drogas venoativas têm recomendação nível A e classe IIa na diretriz brasileira para tratamento sintomático — o destaque nas revisões é a fração flavonoica micronizada de diosmina e hesperidina, e o documento cita também dobesilato de cálcio, rutosídeos, sulodexida e extrato de videira vermelha. O efeito é modesto e sintomático: reduzem discretamente o edema e a circunferência do tornozelo, com distúrbios gastrointestinais como evento adverso mais comum. Não substituem a compressão nem alteram a história natural da doença.

Exercício físico e controle de peso são recomendações classe I na mesma diretriz, em qualquer estágio. Não é conselho genérico: o treino melhora a amplitude de movimento do tornozelo e a força da panturrilha, que é a bomba, e a obesidade aumenta a pressão venosa do pé em todas as posições e se associa a doença mais avançada e a mais úlceras. Elevação dos membros, evitar ortostatismo prolongado e hidratação da pele completam o pacote.

Tratamento invasivo: suprimir o ponto de refluxo

A lógica do tratamento invasivo cabe numa frase: suprimir o ponto de refluxo. A diretriz brasileira recomenda a supressão dos pontos de refluxo para todo paciente sintomático com diagnóstico de insuficiência venosa crônica, com nível A e classe I, e observa que o tratamento invasivo melhora sintomas e qualidade de vida e reduz alterações tróficas — ao custo, para o sistema de saúde, de ser mais caro que o tratamento conservador.

Para a safena magna e a safena parva, a recomendação de maior peso na diretriz brasileira é a termoablação — laser ou radiofrequência, com anestesia tumescente e sem ligadura da junção safeno-femoral — com nível A e classe I. O stripping vem com o mesmo nível A, mas classe IIa: mesma taxa de sucesso a longo prazo, com complicações menores e menos frequentes a curto prazo do lado da termoablação. A escleroterapia com espuma ecoguiada para tronco safeno tem nível A e classe IIb, porque recanaliza mais; a ablação mecanoquímica fica em classe IIb com nível B.

A hierarquia muda conforme o alvo, e é aqui que a prova separa quem leu de quem decorou. Para veias tributárias, a flebectomia ambulatorial é classe I e a escleroterapia com espuma é classe IIa — o laser endovenoso para tributárias fica em classe IIb, com poucas evidências e custo maior. Para perfurantes, tanto termoablação quanto espuma são sugestões classe IIa com nível C, e a diretriz é franca ao dizer que a necessidade de tratar perfurantes ainda é controversa e que as taxas de oclusão ficam entre 30 e 70%. Para pequenos vasos, C1, a escleroterapia química líquida é classe IIa nível A, com tendência a resultado melhor quando se usa agente detergente, como o polidocanol, em vez de agente apenas hipertônico, como a glicose a 75%.

No SUS, a fotografia é a seguinte. Em janeiro de 2017 a Conitec deliberou por unanimidade recomendar a incorporação do tratamento esclerosante não estético de varizes de membros inferiores, e a Portaria SCTIE/MS nº 4, de 31 de janeiro de 2017, tornou pública a decisão de incorporar — o procedimento passou a existir na tabela em duas versões, unilateral e bilateral. Já as meias elásticas compressivas para insuficiência venosa CEAP C5 foram avaliadas a pedido do Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul e não foram incorporadas, pela Portaria SCTIE/MS nº 36, de 22 de julho de 2019. O relatório nomeia os motivos: incerteza sobre adesão ao uso das meias pela população brasileira dadas as características climáticas e geográficas do país, escassez de dados epidemiológicos nacionais e impacto orçamentário estimado na casa dos bilhões de reais no primeiro ano.

A consequência prática dessa combinação aparece no consultório do SUS todo dia: o médico prescreve a meia que a diretriz brasileira recomenda com classe I sabendo que o paciente vai comprá-la, enquanto a escleroterapia, essa sim, tem código próprio para ser faturada. Não é incoerência de nenhum dos dois documentos — a diretriz responde 'o que funciona' e a Conitec responde 'o que o sistema consegue fornecer a todos'.

Úlcera venosa: quem cuida é a compressão

A úlcera venosa é a manifestação mais cara e mais incapacitante da doença. O relatório brasileiro estima que atinge cerca de 1% da população, chegando a 2% acima dos 80 anos, e registra que no Brasil não há estimativa oficial nacional ou regional de prevalência e incidência — o dado local mais citado é o de Botucatu, de 1986, com prevalência de 1,5% de úlcera entre pessoas com insuficiência venosa crônica maiores de 15 anos. A cura estimada na comunidade é de 45%, podendo chegar a 70% em serviços especializados.

O tratamento da úlcera aberta é compressão, curativo e tratamento da causa — nessa ordem de importância. Nenhuma cobertura substitui a compressão: o curativo trata a ferida, a compressão trata a hipertensão venosa que fez a ferida. Depois de cicatrizada, a compressão continua, agora como prevenção da recorrência, com a faixa de 25 a 35 mmHg indicada para o C5. E, porque a recidiva é altíssima, o mapeamento com dúplex entra para identificar refluxo tratável: a diretriz brasileira registra que a espuma ecoguiada pode ser feita inclusive com úlcera ativa, o que a torna uma alternativa quando o paciente não tem condição de operar.

Um alerta de segurança que a prova cobra como pegadinha: ferida crônica em perna de diabético, tabagista ou idoso com claudicação não é automaticamente venosa. Se o índice tornozelo-braço vier baixo, a compressão sai da mesa e o caso vira doença arterial obstrutiva periférica até prova em contrário. Ferida que não cicatriza há meses apesar de tratamento correto, com bordas endurecidas ou elevadas, também exige biópsia — úlcera crônica pode malignizar.

Por fim, o encaminhamento. A referência internacional mais citada nas provas, o NICE, lista quem deve ir para o serviço vascular: variz sintomática primária ou recorrente, alterações de pele atribuídas à insuficiência venosa, trombose de veia superficial com suspeita de incompetência venosa, úlcera de perna que não cicatrizou em duas semanas e úlcera venosa já cicatrizada. Variz sangrando é encaminhamento imediato. É uma lista boa de guardar porque transforma o C da CEAP em decisão administrativa: do C4 em diante, ninguém fica só na atenção primária.

04

CEAP e o que ela decide

A classe clínica da CEAP não é rótulo acadêmico: ela define quem só precisa de orientação, quem precisa de compressão, quem precisa de dúplex e intervenção e quem já está em prevenção de recorrência. O paciente é sempre classificado pela manifestação mais grave que apresenta.

  1. 1Perna sintomática com veia dilatada: classificar o C da CEAP no exame físico, com o paciente em pé, olhando especialmente a pele do terço distal
  2. 2Dúplex venoso em todo paciente com suspeita — inclusive no C1, porque 40 a 50% deles têm refluxo de safena associado
  3. 3Ferida acima do maléolo que não cicatriza: medir o índice tornozelo-braço antes de encostar em qualquer compressão
  4. 4ITB acima de 0,5: terapia compressiva é a base — no C5, faixa de 25 a 35 mmHg, ajustada ao que o paciente consegue vestir todo dia
  5. 5Sintomático com refluxo troncular documentado: encaminhar para supressão do ponto de refluxo, com a técnica disponível no serviço

C0 e C1 — nada visível ou só telangiectasia e veia reticular

C0 é ausência de sinal visível ou palpável de doença venosa; C1 são telangiectasias (cerca de 1 mm, intradérmicas) e veias reticulares (cerca de 4 mm, subdérmicas, não palpáveis). O C1 sintomático merece dúplex: de 40 a 50% têm refluxo de safena associado.

C2 e C3 — variz palpável e edema

C2 é a variz propriamente dita: subcutânea, palpável, maior que 4 mm. C3 acrescenta edema sem alteração de pele. Aqui entram compressão, exercício, controle de peso e a discussão de tratamento invasivo se houver sintoma e refluxo troncular.

C4 — a pele adoeceu (a, b e c)

C4a é pigmentação ocre e eczema venoso; C4b é lipodermatoesclerose e atrofia branca; C4c é a corona flebectásica, acrescentada na revisão da CEAP pelo risco de evoluir para úlcera. Do C4 em diante, ninguém fica só na atenção primária.

C5 e C6 — úlcera cicatrizada e úlcera aberta

C6 é a úlcera venosa ativa; C5 é a úlcera já cicatrizada, categoria própria porque a recorrência chega a 78% em dois anos. O C5 é o alvo da compressão de 25 a 35 mmHg como prevenção — a mesma tecnologia que o SUS avaliou em 2019 e não incorporou.

Classe clínicaO que defineComo o enunciado costuma escrever
C0Sem sinal visível ou palpável de doença venosaPernas com queixa de peso e exame sem alterações
C1Telangiectasias (~1 mm) e/ou veias reticulares (~4 mm)Vasinhos, microvarizes, aranhas vasculares
C2Varizes: subcutâneas, palpáveis, maiores que 4 mmVeias dilatadas e tortuosas na face medial da perna
C3Edema, sem alteração de peleInchaço vespertino que melhora ao elevar a perna
C4aPigmentação e/ou eczema venosoMancha castanha em torno do maléolo medial, prurido
C4bLipodermatoesclerose e/ou atrofia brancaEndurecimento do terço distal, área esbranquiçada circular
C4cCorona flebectásicaLeque de vênulas dilatadas no pé e no tornozelo
C5Úlcera venosa cicatrizadaCicatriz de úlcera prévia, perna íntegra hoje
C6Úlcera venosa ativaFerida rasa supramaleolar medial, exsudativa, há meses

Faixas de compressão e para que servem

Faixa de pressão no tornozeloNomeUso
Menor que 20 mmHgCompressão baixaAlívio sintomático leve, prevenção em quem viaja ou fica muito em pé
20 a 30 mmHgCompressão médiaSintomas de doença venosa crônica e controle de edema
Acima de 30 mmHgCompressão altaDoença avançada, quando o paciente tolera e adere
25 a 35 mmHgFaixa indicada para o C5Prevenção de recorrência de úlcera venosa cicatrizada, nível 1A

O que o SUS decidiu sobre esta doença

TecnologiaDecisãoDocumento
Tratamento esclerosante não estético de varizes de membros inferioresIncorporado ao SUS, unilateral e bilateralCONITEC, relatório nº 247 (jan/2017); Portaria SCTIE/MS nº 4, de 31/01/2017
Meias elásticas compressivas para insuficiência venosa CEAP C5Não incorporadasCONITEC, relatório nº 463 (jun/2019); Portaria SCTIE/MS nº 36, de 22/07/2019

Úlcera venosa x úlcera arterial

CaracterísticaVenosaArterial
LocalizaçãoSupramaleolar medial, terço distal da pernaPonta de dedo, calcanhar, proeminência óssea
Bordas e fundoRasa, bordas irregulares, fundo de granulação, exsudativaProfunda, bordas nítidas, fundo pálido ou necrótico, seca
Pele ao redorPigmentação ocre, eczema, lipodermatoesclerose, edemaFina, brilhante, sem pelos, fria, atrófica
Pulsos e ITBPresentes, ITB normalDiminuídos ou ausentes, ITB baixo
DorPiora em pé, melhora com elevaçãoPiora com elevação e à noite, melhora com a perna pendente
CompressãoÉ o tratamentoPode piorar a isquemia

As duas faixas de compressão que aparecem no capítulo vêm do mesmo relatório da CONITEC e não se contradizem: 'menor que 20 / 20 a 30 / acima de 30 mmHg' classifica o produto, e '25 a 35 mmHg' é a dose indicada para uma situação específica, o C5. Por isso a segunda atravessa as duas últimas faixas da primeira.

O corte de índice tornozelo-braço escrito aqui — compressão indicada acima de 0,5 — é o que o relatório nº 463 da CONITEC registra. O documento não fixa faixas intermediárias de compressão reduzida. Atenção para não confundir dois cortes que respondem a perguntas diferentes: 0,90 é o valor abaixo do qual se diagnostica doença arterial obstrutiva periférica, e 0,5 é o valor abaixo do qual a compressão passa a ser perigosa. Um paciente com ITB de 0,7 tem doença arterial e ainda assim está acima do limite de segurança do documento brasileiro — nesse território a decisão deixa de ser de protocolo e vira avaliação vascular.

O tempo de refluxo citado é o da veia femoral comum, maior que 1 segundo, exatamente como está na diretriz brasileira de 2023. A diretriz não estabelece corte separado para veias superficiais.

O C4 aparece em provas antigas sem subdivisão. As letras a, b e c vieram com a revisão da CEAP, e a diretriz brasileira de 2023 registra especificamente a entrada da corona flebectásica como C4c.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Meia elástica: tratamento de primeira linha, medida de segunda escolha ou tecnologia não financiada?

Terapia compressiva com classe I para tratamento sintomático — SBACV

A diretriz brasileira de doença venosa crônica recomenda o uso da terapia compressiva para tratamento sintomático da insuficiência venosa crônica com nível B e classe I, destacando redução de dor e desconforto e redução da recorrência de úlcera de perna. A compressão aparece como eixo do tratamento conservador, em qualquer estágio, ao lado de exercício e controle de peso.

Diretriz brasileira de doença venosa crônica da SBACV. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064, recomendação 11.

Não oferecer meia para tratar varizes quando há tratamento intervencionista disponível — NICE

A diretriz britânica de 2013 recomenda não oferecer meia elástica para tratar varizes, a menos que o tratamento intervencionista seja inadequado, e limita a compressão pós-procedimento a no máximo sete dias. A meia fica reservada, entre as indicações explícitas, ao alívio do edema de varizes na gestação, situação em que o tratamento invasivo está proscrito fora de circunstâncias excepcionais. O raciocínio do documento é que o paciente sintomático deve ser encaminhado ao serviço vascular e tratado, não manejado indefinidamente com meia.

NICE Clinical Guideline nº 168 — Varicose veins in the legs, 2013, recomendações 6 a 11.

Não incorporada ao SUS para o CEAP C5 — CONITEC e Ministério da Saúde

A avaliação nacional reconheceu que a meia parece eficiente para prevenir recorrência de úlcera em pacientes CEAP C5 desde que haja adesão e acompanhamento, mas concluiu pela não incorporação. Os motivos registrados no relatório são incerteza sobre a adesão da população brasileira em razão do clima e da geografia do país, escassez de dados epidemiológicos nacionais que permitissem dimensionar quantas meias por paciente por ano e um impacto orçamentário estimado em bilhões de reais no primeiro ano. A recomendação final da 78ª reunião ordinária, de 6 de junho de 2019, foi unânime e virou a Portaria SCTIE/MS nº 36, de 22 de julho de 2019.

CONITEC, relatório de recomendação nº 463, junho/2019; Portaria SCTIE/MS nº 36, de 22/07/2019.

Na prova

As três posições respondem a perguntas diferentes — o que funciona, quando usar em vez de intervir e o que o sistema financia — e o enunciado quase sempre revela qual delas está sendo cobrada. Cenário de UBS, paciente com úlcera cicatrizada, pergunta sobre 'orientação ao paciente' ou sobre dispensação: o recorte é o da política pública brasileira, e a meia é recomendada mas comprada pelo paciente. Enunciado que cita nominalmente o NICE, ou que descreve um serviço vascular com dúplex e sala de ablação disponíveis, está no corpo britânico, onde a meia não é o tratamento das varizes. Enunciado que pergunta 'qual a base do tratamento conservador' sem cenário está no corpo da sociedade brasileira. Um distrator denuncia o recorte: alternativa que diz que a meia é fornecida pelo SUS só existe em prova mal calibrada, porque nenhum dos três documentos sustenta isso. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam. A causa da distância entre as três posições não é científica: as duas primeiras discutem eficácia e sequência de tratamento, e a terceira é uma decisão de financiamento tomada com os motivos escritos no próprio relatório — adesão incerta por clima e geografia, ausência de dados epidemiológicos nacionais e impacto orçamentário.

A ordem das técnicas para tratar refluxo de safena

Termoablação, depois espuma ecoguiada, cirurgia por último — NICE

A diretriz britânica de 2013 estabelece uma sequência explícita para varizes com refluxo troncular confirmado: oferecer ablação endotérmica; se ela for inadequada, oferecer escleroterapia com espuma guiada por ultrassom; se a espuma for inadequada, oferecer cirurgia. A cirurgia convencional é a terceira opção da lista.

NICE Clinical Guideline nº 168 — Varicose veins in the legs, 2013, recomendação 6.

Termoablação classe I, stripping classe IIa, espuma classe IIb — SBACV

A diretriz brasileira de 2023 dá à termoablação sem ligadura da junção safeno-femoral nível A e classe I, ao stripping nível A e classe IIa e à escleroterapia com espuma ecoguiada para tronco safeno nível A e classe IIb. Ou seja, coloca a cirurgia convencional acima da espuma, e não abaixo. O texto sustenta a posição com a taxa de recanalização mais alta da espuma e com resultados de longo prazo semelhantes entre termoablação e stripping, com diferença a favor da termoablação nas complicações precoces.

Diretriz brasileira de doença venosa crônica da SBACV. J Vasc Bras. 2023;22:e20230064, recomendações 15 a 17.

Na prova

As duas listas concordam no topo e discordam do meio para baixo — e é exatamente o meio que a questão cobra. Enunciado que cita o NICE, ou que usa o vocabulário britânico de 'ablação endotérmica' e 'serviço vascular', segue a sequência ablação, espuma, cirurgia. Enunciado brasileiro que descreve um hospital-escola com centro cirúrgico e sem cateter de radiofrequência, ou que fala em safenectomia e crossectomia, está no corpo da sociedade brasileira, onde a cirurgia convencional aparece acima da espuma. A diferença de data também explica parte da distância: o documento britânico é de 2013 e o brasileiro é de 2023, com dez anos a mais de seguimento sobre recanalização depois da espuma. Note ainda que a diretriz brasileira condiciona a escolha à disponibilidade técnica do serviço, o que muda a pergunta de 'qual é a melhor' para 'qual é a melhor entre as que existem aqui'.

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Caso resolvido

Mulher de 58 anos, cozinheira, procura a UBS por ferida na perna esquerda há quatro meses, que ora diminui ora aumenta. Refere peso e inchaço nas pernas há mais de dez anos, piores no fim do expediente, e melhora quando deita com as pernas elevadas. Tem hipertensão controlada, IMC 34, e teve trombose venosa profunda à esquerda após uma cirurgia há doze anos. Ao exame, veias dilatadas e tortuosas na face medial de ambas as pernas, edema à esquerda, mancha castanha extensa em torno do maléolo medial esquerdo e uma úlcera rasa de 4 cm logo acima desse maléolo, com bordas irregulares e fundo granuloso, exsudato moderado, sem sinais flogísticos. Pulsos pedioso e tibial posterior palpáveis bilateralmente. Índice tornozelo-braço à esquerda: 1,05.
achado
Úlcera rasa, supramaleolar medial, de bordas irregulares e fundo de granulação, em perna com edema e pigmentação ocre — a topografia e o aspecto são de úlcera venosa. Os sintomas seguem o padrão temporal venoso: pioram em ortostatismo, melhoram com elevação.
classificação
Classe clínica C6: úlcera venosa ativa. Ela tem também variz (C2), edema (C3) e pigmentação (C4a), mas a CEAP classifica pela manifestação mais grave. A etiologia é secundária — trombose venosa profunda prévia com síndrome pós-trombótica —, o que explica a assimetria entre as pernas.
exame
Índice tornozelo-braço de 1,05, dentro da faixa normal e com pulsos palpáveis, afasta doença arterial obstrutiva e libera a compressão: o documento brasileiro indica terapia compressiva em paciente com insuficiência venosa e ITB acima de 0,5. Dúplex venoso de membro inferior está indicado para mapear refluxo, avaliar a perviedade do sistema profundo e planejar tratamento.
conduta
Terapia compressiva como base do tratamento, associada a curativo adequado ao exsudato — o curativo trata a ferida, a compressão trata a hipertensão venosa que a produziu. Somam-se elevação dos membros, exercício e controle de peso, ambos recomendações classe I. Encaminhamento ao serviço vascular: úlcera de perna que não cicatrizou é critério explícito de referência, e o refluxo tratável identificado no dúplex muda a chance de recidiva.
depois
Cicatrizada a úlcera, a paciente passa a C5 e a compressão continua, agora como prevenção — faixa de 25 a 35 mmHg, com nível de evidência 1A. Vale explicar desde já que a meia não é fornecida pelo SUS e escolher a compressão que ela consiga vestir todos os dias: no ensaio citado no relatório brasileiro, a recorrência foi maior no grupo de compressão alta (61,4%) do que no de compressão moderada (28,6%), e a diferença veio da adesão.
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Agora feche você

Homem de 67 anos, tabagista de 40 maços-ano, diabético há 15 anos, chega à UBS com ferida na perna direita há três meses. Relata dor na panturrilha ao caminhar dois quarteirões, que melhora quando para, e dor noturna que alivia quando põe o pé para fora da cama. Ao exame: úlcera de 2 cm na face lateral da perna, de bordas nítidas e fundo pálido, pele perilesional fina, brilhante e sem pelos, perna fria, pulsos pedioso e tibial posterior não palpáveis à direita. Há algumas veias dilatadas na face medial da perna e discreto edema. O enfermeiro da unidade já havia iniciado enfaixamento compressivo na semana passada, e o paciente diz que a dor piorou muito desde então.
achado
A história é de claudicação intermitente e dor de repouso que alivia com a perna pendente — padrão arterial, oposto ao venoso. A úlcera é lateral, de bordas nítidas e fundo pálido, em perna fria, sem pelos e sem pulsos distais. As varizes presentes são uma distração: elas existem, mas não são a causa desta ferida.
exame
Índice tornozelo-braço à direita: 0,45.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Enfaixar antes de medir o índice tornozelo-braço A úlcera venosa é tão mais comum que a arterial que a compressão vira reflexo. Só que comprimir perna isquêmica piora a isquemia, e o documento brasileiro coloca a medida do ITB dentro do diagnóstico diferencial da úlcera, não dentro do seguimento. A presença de varizes na perna não exclui doença arterial — o idoso diabético tabagista costuma ter as duas coisas.
  2. 2Somar as classes da CEAP em vez de pegar a mais grave O paciente com variz, edema e pigmentação ocre é C4a, ponto. A tentação de escrever 'C2, C3 e C4' vem de a CEAP parecer uma lista de achados, quando é uma escala de gravidade — e a alternativa que soma classes costuma ser o distrator mais votado da questão.
  3. 3Achar que a úlcera cicatrizada devolve o paciente ao começo Pele fechada não é doença resolvida: a úlcera cicatrizada é uma categoria própria, C5, e existe porque a recidiva é altíssima — até 78% em dois anos em algumas séries. Quem para a compressão quando a ferida fecha está abrindo a próxima.
  4. 4Prescrever a meia mais forte por achar que é a melhor A intuição de dose-resposta falha aqui porque a variável limitante é a adesão. No ensaio citado no relatório brasileiro, o grupo de compressão alta (34 a 46 mmHg) recidivou mais (61,4%) do que o de compressão moderada (23 a 32 mmHg, 28,6%), e a não adesão foi maior no grupo de compressão alta. A meia que funciona é a que o paciente calça.
  5. 5Chamar telangiectasia de problema estético e dispensar o dúplex C1 é classe da CEAP como qualquer outra, e a diretriz brasileira recomenda dúplex também nesses pacientes: de 40 a 50% deles têm refluxo de safena associado. Tratar o vasinho sem suprimir o ponto de fuga é contratar a recidiva.
  6. 6Trocar a ordem das técnicas por 'menos invasivo é melhor' Parece lógico colocar a espuma antes da cirurgia porque dispensa anestesia. Só que a espuma recanaliza mais, e por isso a diretriz brasileira dá classe IIb à espuma para tronco safeno e classe IIa ao stripping — invertendo a ordem da diretriz britânica. Para tributárias, a hierarquia é outra: aí a flebectomia é classe I e a espuma, classe IIa.
  7. 7Confundir doença venosa crônica com insuficiência venosa crônica Doença venosa crônica é o guarda-chuva, do C0 ao C6. Insuficiência venosa crônica é o pedaço grave, com edema persistente, alteração de pele ou úlcera. Enunciados que descrevem apenas telangiectasias e pedem 'a conduta na insuficiência venosa crônica' estão testando exatamente esse deslize de vocabulário.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Hiperpigmentação/eczema (alterações cutâneas da insuficiência venosa crônica) sem úlcera corresponde à classe C4 da CEAP. A conduta inicial é conservadora: terapia compressiva (meia elástica), elevação, controle do peso e cuidados de pele; intervenção sobre a safena é considerada conforme sintomas e refluxo, mas não como primeira medida obrigatória. C2 é só varizes; C1 são telangiectasias; C5 é úlcera cicatrizada e C6 é úlcera ativa — nenhuma descreve o quadro. Não há indicação de antibiótico ou anticoagulação de rotina.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Recite a escada da CEAP de C0 a C6 em voz alta, com um achado de exame físico para cada degrau, e diga em que letra do C4 entram pigmentação, lipodermatoesclerose e corona flebectásica. Depois responda sem consultar: qual o exame inicial em toda suspeita de insuficiência venosa crônica, e qual o valor de índice tornozelo-braço acima do qual o documento brasileiro autoriza compressão.

em 30 dias

Monte de memória a tabela de úlcera venosa contra úlcera arterial nas seis linhas — localização, bordas e fundo, pele ao redor, pulsos e ITB, padrão da dor e o que a compressão faz em cada uma. Em seguida escreva as duas hierarquias de tratamento invasivo lado a lado, a britânica de 2013 e a brasileira de 2023, e diga em uma frase por que a cirurgia convencional troca de lugar com a espuma entre elas. Feche lembrando as duas decisões da CONITEC: o que foi incorporado ao SUS em 2017 e o que não foi incorporado em 2019.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 52 anos, professora, chega à UBS queixando peso e inchaço nas pernas que pioram no fim do dia de aula e melhoram quando deita com as pernas para cima. Notou manchas escuras acima do tornozelo direito e coceira na pele. Nunca teve ferida. Faça a anamnese, classifique a doença venosa dela, decida qual exame pedir e explique o que muda no tratamento. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Insuficiência venosa crônica e varizes — Preparatório para provas | OsceLabs