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Desfiladeiro torácico: três doenças com um nome só
Síndromes compressivas do desfiladeiro torácico (neurogênica, venosa e arterial)
A neurogênica é a esmagadora maioria e quase nunca opera de imediato; a venosa chega com o braço inchado e tem relógio de trombólise; a arterial é rara e é a que embolisa. O adjetivo que vem antes do nome muda o exame, o prazo e a decisão.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 32 anos, digitadora, refere dormência e formigamento no território ulnar da mão direita, dor cervicobraquial e piora ao elevar os braços para pentear o cabelo. Exame neurológico com hipoestesia em quarto e quinto dedos, sem déficit motor evidente. Qual a hipótese?
Como esse tema cai
Este capítulo trata da compressão de estruturas neurovasculares na passagem entre o pescoço e a axila. O nome é um só, e as doenças são três, com apresentações que não se parecem: uma dá formigamento na mão, outra dá braço inchado e a terceira dá dedo isquêmico. Elas compartilham a anatomia e quase nada mais.
O que organiza o raciocínio é a proporção. A forma neurogênica responde pela esmagadora maioria dos casos, e o seu tratamento inicial é de reabilitação, não de sala de cirurgia. A forma venosa é uma pequena fração, chega pelo pronto-socorro com o braço aumentado de volume e tem relógio: quanto antes a trombólise, melhor. A forma arterial é rara, quase sempre traz uma anomalia óssea junto, e é a única em que a cirurgia é praticamente obrigatória.
O que fica de fora tem endereço. Lesão vascular por trauma penetrante ou contuso da região cervical e do ombro pertence ao capítulo de trauma. A trombose venosa profunda de membro inferior tem capítulo próprio nesta apostila, e a de membro superior aparece aqui porque a causa dela é a passagem, e não a perna — tratar só a trombose deixa a compressão no lugar. E a oclusão arterial aguda do membro, quando o êmbolo veio de um aneurisma subclávio, é conduzida pelo capítulo dela; o que se diz aqui é de onde o êmbolo saiu.
O que muda decisão
Três espaços, e a veia que não está no triângulo
A passagem não é um túnel só: são três espaços em série, e saber qual estrutura passa por qual é o que permite explicar por que cada subtipo se comporta de um jeito.
O primeiro é o triângulo interescalênico, delimitado à frente pelo músculo escaleno anterior, atrás pelo escaleno médio e embaixo pela primeira costela. Por ele passam o plexo braquial e a artéria subclávia. É o espaço mais estreito dos três e é onde moram a costela cervical, quando existe, e as bandas fibrosas — motivo pelo qual as formas neurogênica e arterial se concentram ali.
O detalhe que a prova cobra com frequência é o que não passa por esse triângulo. A veia subclávia corre por diante do escaleno anterior, e portanto está fora dele. A consequência é direta: manobra que atua sobre o escaleno, como a de Adson, não interroga a veia, e a compressão venosa não se explica por escalenos.
O segundo espaço é o costoclavicular, entre a clavícula e o músculo subclávio, acima, e a primeira costela, abaixo. Por ele passam as três estruturas — plexo, artéria e veia. É aqui que a forma venosa acontece, porque é o único ponto em que a veia é espremida, e é a razão anatômica de o tratamento definitivo dela envolver a retirada da primeira costela: sem tirar um dos dois lados da pinça, a compressão continua.
O terceiro é o espaço retropeitoral menor, sob o músculo peitoral menor, junto ao processo coracoide. É o mais distal e explica por que os sintomas de algumas pessoas pioram com o braço elevado acima da cabeça, posição em que o peitoral menor se tensiona sobre o feixe.
A proporção entre os três subtipos organiza o raciocínio
A distribuição é muito desigual e vale ser sabida, porque ela define qual hipótese vem primeiro. A forma neurogênica representa a esmagadora maioria dos casos, em torno de 95%. A venosa fica numa faixa pequena, de poucos por cento. A arterial gira em torno de 1%.
Daí decorre uma consequência que parece contraintuitiva. As duas formas que interessam mais diretamente ao cirurgião vascular — a venosa e a arterial — são justamente as raras, e as duas exigem intervenção. A comum é a neurogênica, e nela o tratamento inicial não é cirúrgico. Um serviço de cirurgia vascular que atende sobretudo as formas vasculares tende a ter uma impressão de frequência muito diferente da de um ambulatório de reabilitação, e é por isso que as séries publicadas divergem tanto sobre a proporção.
A distribuição também explica um erro clínico comum: diante de formigamento na mão com piora ao elevar o braço, procurar imediatamente o problema vascular. Na maioria esmagadora dos casos, o problema é do plexo, os pulsos estão normais em posição neutra e nenhuma imagem vascular vai fechar o diagnóstico.
O perfil demográfico também ajuda, e ele difere entre os subtipos de um modo que o enunciado costuma respeitar. A forma neurogênica predomina em mulheres adultas jovens e de meia-idade, com trabalho repetitivo de membros superiores ou postura mantida — costureira, digitadora, cabeleireira, instrumentista —, e a história muitas vezes soma um desencadeante, como mecanismo de chicote cervical ou aumento súbito da carga de trabalho. A forma venosa predomina em homens jovens, atletas ou trabalhadores braçais, e acomete o braço dominante. A forma arterial não tem idade típica, porque quem a determina é a estrutura óssea: ela aparece quando a compressão repetida encontra uma costela cervical, uma primeira costela anômala ou um calo exuberante de fratura de clavícula.
Uma anomalia óssea muda a probabilidade. A costela cervical está presente em menos de 1% da população, e a maioria de quem a tem nunca terá sintoma nenhum — mas, entre os que desenvolvem a forma arterial, a anomalia é quase regra. Encontrar costela cervical numa radiografia, portanto, não faz diagnóstico; encontrá-la em quem tem isquemia digital unilateral, faz quase tudo.
Neurogênica: o tronco inferior, e a mão que denuncia
A compressão neurogênica atinge preferencialmente o tronco inferior do plexo braquial, formado pelas raízes C8 e T1, porque é o que corre mais baixo e mais próximo da primeira costela e da banda fibrosa. Daí sai a distribuição dos sintomas, que é a assinatura do quadro: parestesia e hipoestesia na borda ulnar do antebraço e nos quarto e quinto dedos.
A queixa tem uma característica postural que quase nenhum diferencial reproduz: piora ou aparece com o braço elevado acima da cabeça e melhora em minutos quando o braço desce. Pendurar roupa no varal, secar o cabelo, pegar objeto em prateleira alta, dirigir com as mãos altas no volante e carregar peso pendurado no ombro são os gatilhos que o enunciado usa. Despertar noturno com a mão adormecida também é frequente, e é o achado que mais confunde com síndrome do túnel do carpo.
Quando a compressão é antiga e verdadeiramente neurogênica, aparece o que a mão denuncia: fraqueza da musculatura intrínseca e atrofia, com dificuldade para abrir potes, segurar objetos pequenos e afastar os dedos. A descrição clássica associada a costela cervical ou banda fibrosa combina atrofia importante da eminência tenar com acometimento menos pronunciado da hipotenar, um padrão que não corresponde ao território de nenhum nervo periférico isolado — e é justamente essa incoerência que aponta para o plexo.
Vale separar duas realidades que convivem sob o mesmo rótulo, porque a literatura as separa. A forma neurogênica verdadeira é rara, tem achados objetivos — atrofia, déficit motor, alteração eletrofisiológica — e costuma vir com anomalia óssea. A forma inespecífica, muito mais comum, cursa com sintomas iguais e exames complementares normais, e é diagnosticada clinicamente. A distinção importa porque a primeira tem indicação cirúrgica mais direta, e a segunda tem na reabilitação o seu tratamento.
O exame físico acrescenta dois achados que não são manobras: dor à palpação da região supraclavicular, sobre o triângulo escalênico, que costuma reproduzir a parestesia distal; e a inspeção da postura, com ombros protraídos e cabeça anteriorizada, que é ao mesmo tempo consequência e fator perpetuante.
As manobras provocativas e o que elas realmente valem
São quatro as manobras que a prova nomeia, e conhecer a mecânica de cada uma é mais útil do que decorar o nome. A manobra de Adson roda a cabeça e estende o pescoço com inspiração profunda, tensionando os escalenos e estreitando o triângulo interescalênico. A de Wright, ou de hiperabdução, eleva e roda externamente o braço, fechando o espaço retropeitoral. A manobra costoclavicular, ou posição militar, joga os ombros para trás e para baixo, fechando o espaço entre clavícula e primeira costela. E o teste de Roos, ou teste de estresse com os braços elevados, mantém os braços em abdução e rotação externa com abertura e fechamento das mãos por cerca de três minutos.
A leitura clássica dessas manobras é o desaparecimento do pulso radial, e é aí que mora o problema. A perda posicional do pulso ocorre numa fração expressiva de pessoas sem sintoma nenhum, o que torna esse desfecho pouco específico. Um teste positivo, isolado, nunca faz o diagnóstico, e diagnosticar a doença por sumiço de pulso é o erro mais reproduzido do tema.
O que aumenta o valor da manobra é mudar o desfecho observado: em vez do pulso, procurar a reprodução dos sintomas do paciente, na mesma distribuição e com o mesmo caráter. O teste de Roos é o que mais se aproxima disso, porque sustenta a posição por tempo suficiente para provocar o sintoma, e não apenas para comprimir a artéria por um instante.
É por isso que o documento de padronização propõe critérios combinados para a forma neurogênica, em vez de um teste único: achado local na região supraclavicular, achado periférico no braço e na mão, ausência de outro diagnóstico mais provável e teste posicional positivo. A resposta favorável a um bloqueio anestésico do escaleno anterior entra como elemento de apoio, sobretudo para prever benefício cirúrgico. Nenhum item sozinho basta, e é essa combinação que separa diagnóstico de impressão.
O exame que exclui, e o exame que confirma
Na forma neurogênica, a maior parte da investigação serve para excluir, e não para confirmar. A eletroneuromiografia entra sobretudo para afastar as duas compressões periféricas que imitam o quadro — neuropatia ulnar no cotovelo e síndrome do túnel do carpo — e a radiculopatia cervical. Na forma neurogênica verdadeira, o padrão descrito é de redução das amplitudes sensitiva ulnar e motora mediana, com condução preservada no cotovelo e no punho, além de sinais de desnervação crônica na musculatura intrínseca.
A radiografia de coluna cervical procura anomalia óssea: costela cervical, processo transverso alongado de C7, calo de fratura de clavícula ou de primeira costela. A radiografia de tórax tem outro papel, e ele é obrigatório: afastar massa no ápice pulmonar. Tumor de sulco superior, com ou sem síndrome de Horner, comprime o mesmo tronco inferior e produz exatamente a mesma distribuição de sintomas, em paciente com fator de risco compatível — deixar de pedir a imagem torácica é o erro que transforma um câncer em fisioterapia.
A ressonância magnética do plexo braquial mostra a relação entre as estruturas nervosas e a anomalia, e é útil para planejamento cirúrgico e para afastar massa. A ressonância da coluna cervical afasta hérnia discal e estenose foraminal.
Nas formas vasculares a lógica se inverte, e a imagem confirma. Na forma arterial, a ultrassonografia com Doppler com manobras posicionais mostra a queda de velocidade na subclávia em abdução com recuperação em posição neutra, e a angiotomografia ou a arteriografia mostram a dilatação pós-estenótica, o trombo mural e o território embolizado. Na forma venosa, a ultrassonografia com Doppler documenta a trombose, com a ressalva de que o segmento sob a clavícula é mal visualizado e um exame normal não afasta o diagnóstico — a flebografia é o exame que resolve, e é também a porta do tratamento.
Um alerta de leitura fecha a seção. Achado de imagem posicional isolado, sem sintoma correspondente, não é doença. Compressão da subclávia em abdução acontece em muita gente saudável, do mesmo modo que o pulso some nas manobras. A imagem confirma o que a clínica já suspeitava; ela não substitui a clínica.
Neurogênica: reabilitação primeiro, e as duas portas da cirurgia
O tratamento inicial da forma neurogênica é conservador, e ele não é um placebo de espera: é um programa estruturado, com objetivos definidos e prazo. A fisioterapia trabalha estabilização escapular, fortalecimento dos rotadores e dos músculos que retraem a escápula, alongamento dos escalenos e do peitoral menor, e correção do padrão respiratório que usa a musculatura acessória do pescoço.
Junto vêm as medidas que retiram o gatilho: adaptação ergonômica do posto de trabalho, com teclado e monitor na altura correta e apoio para os antebraços; retirada de carga pendurada no ombro do lado sintomático; e redução das atividades com o braço acima da cabeça. Analgesia e afastamento temporário das tarefas que reproduzem os sintomas completam o pacote.
A resposta se avalia em semanas a meses, e a maioria melhora. Duas portas levam à cirurgia. A primeira é a falha do programa conservador bem conduzido e por tempo adequado, em paciente com diagnóstico bem estabelecido. A segunda dispensa a espera: déficit motor objetivo e progressivo, com atrofia da musculatura intrínseca, sobretudo quando há anomalia óssea documentada. Perda de força que avança enquanto se aguarda fisioterapia não é candidata a mais três meses de fisioterapia.
Entre a reabilitação e a mesa existe um recurso que ajuda a decidir e que a padronização cita: o bloqueio anestésico do escaleno anterior. Alívio importante dos sintomas depois do bloqueio apoia o diagnóstico e prevê melhor resposta à descompressão; ausência de alívio deve fazer voltar à lista de diferenciais antes de operar. Ele não é tratamento definitivo, e o efeito é temporário. A conversa que acompanha a indicação cirúrgica precisa ser igualmente honesta: a operação melhora a maioria, o alívio da dor costuma vir antes da recuperação da força, e a recuperação motora depende do tempo de desnervação já instalado — quem chegou com atrofia de meses não recupera tudo.
A operação é a descompressão do desfiladeiro: ressecção da primeira costela, com escalenectomia anterior e ressecção de bandas fibrosas conforme o achado, por via transaxilar ou supraclavicular. O princípio é remover um dos lados da pinça, e é por isso que a ressecção incompleta da costela é a causa clássica de recidiva — sobra coto, sobra compressão.
As complicações da descompressão formam uma lista que a prova cobra, e todas se explicam pela vizinhança anatômica: lesão do plexo braquial, pneumotórax pela proximidade da cúpula pleural, lesão do nervo torácico longo com escápula alada, lesão do nervo frênico com elevação da cúpula diafragmática, lesão dos vasos subclávios e, do lado esquerdo, lesão do ducto torácico com quilotórax.
Venosa: Paget-Schroetter e o relógio da trombólise
A forma venosa se apresenta como trombose venosa de esforço da veia axilar e subclávia, e tem nome próprio: síndrome de Paget-Schroetter. O paciente típico é jovem, saudável, atleta ou trabalhador braçal, e o acometimento é do braço dominante, depois de atividade repetitiva com o membro elevado — nadar, arremessar, levantar peso, pintar teto.
O quadro instala-se em horas a dias: aumento de volume de todo o membro, sensação de peso, cianose ou coloração arroxeada, e circulação colateral superficial visível no ombro e na parede torácica anterior. Dor há, mas não domina — o que domina é o volume. Comparar os dois braços com fita métrica é gesto de consultório que vale mais que impressão visual.
O diagnóstico começa pela ultrassonografia com Doppler, e aqui vale a ressalva já dita: o segmento retroclavicular é mal visualizado, e exame normal em paciente com quadro típico não encerra a investigação. A flebografia confirma, mostra a extensão do trombo e o ponto de compressão — e, sobretudo, é o mesmo acesso pelo qual o tratamento é feito.
A conduta tem duas metades e as duas são necessárias. A primeira é dissolver o trombo: anticoagulação imediata e trombólise dirigida por cateter, cujo benefício é maior quanto mais precoce, com as fontes situando a janela útil em torno das primeiras duas semanas de sintomas. A segunda é tratar a causa: descompressão do desfiladeiro, com ressecção da primeira costela, porque a compressão que trombosou a veia continua ali depois de o trombo sair.
Há um erro de sequência que a prova cobra e que tem explicação mecânica limpa: implantar stent na veia subclávia antes da descompressão. O stent fica preso entre a clavícula e a primeira costela, sofre compressão a cada movimento do ombro, deforma-se, fratura e retrombosa. Angioplastia com balão de estenose residual, quando indicada, é feita depois da retirada da costela, não antes.
Vale dizer o que está em jogo quando a segunda metade do tratamento não é feita, porque isso explica a insistência com a descompressão. O membro que retrombosa evolui para síndrome pós-trombótica do membro superior, com edema recorrente ao esforço, peso, dor e limitação funcional — e o paciente típico é jovem, trabalha com o braço e tem décadas de uso pela frente. A embolia pulmonar a partir de trombose de membro superior é menos frequente que a de membro inferior, mas acontece, e é outra razão para não tratar o quadro como problema local benigno. Anticoagular e mandar para casa transforma um evento tratável numa incapacidade crônica.
Existe uma variante sem trombose, chamada síndrome de McCleery: compressão venosa posicional intermitente, com inchaço e peso que aparecem com o braço elevado e cedem depois. Ela é a forma venosa antes de trombosar, e reconhecê-la permite descomprimir antes do evento.
Arterial: a rara que embolisa, e a única que sempre opera
A forma arterial é a menos frequente e a mais grave, e quase sempre traz uma anomalia óssea junto — costela cervical, primeira costela anômala, calo exuberante de fratura de clavícula. A mecânica é de repetição: a artéria subclávia é comprimida contra a estrutura óssea a cada movimento, e a agressão crônica produz lesão da parede.
A sequência de eventos é o que faz o quadro ser perigoso. Primeiro aparece uma estenose no ponto de compressão. Depois, imediatamente além dela, uma dilatação pós-estenótica, que pode evoluir para verdadeiro aneurisma da subclávia. Dentro do aneurisma forma-se trombo mural, e daí saem os êmbolos que vão para a mão.
A apresentação clínica é, portanto, de isquemia distal unilateral: dedos frios, pálidos ou cianóticos, dor, hemorragias em estilha sob as unhas, microinfartos de polpa digital, e nos casos mais graves úlcera ou necrose. Pode haver claudicação do membro superior, com dor no antebraço ao usar o braço acima da cabeça. Sopro supraclavicular e massa pulsátil supraclavicular são achados de exame que valem ouro quando presentes.
A regra que fecha o raciocínio é simples e vale como frase de prova: isquemia digital unilateral em pessoa jovem, com costela cervical, é forma arterial até prova em contrário. O grande diferencial é o fenômeno de Raynaud, que é tipicamente bilateral, simétrico, desencadeado por frio e com mudança de cor em fases — e que não produz microinfarto assimétrico de uma mão só.
O tratamento é o ponto em que este subtipo se separa dos outros dois: ele é cirúrgico praticamente sempre, e não há espaço para tentativa conservadora. Retira-se a anomalia óssea e a primeira costela, e reconstrói-se a artéria — ressecção do segmento aneurismático com interposição de enxerto, quando é o caso. Os êmbolos já alojados são tratados à parte, com embolectomia ou trombólise conforme o território e o tempo. Anticoagular e observar deixa a fonte no lugar, e a próxima embolia é questão de tempo.
O diferencial que a prova quer, e a anatomia que o resolve
O diferencial mais cobrado é com a neuropatia ulnar no cotovelo, e há um argumento anatômico que o resolve de forma elegante. A sensibilidade da borda ulnar do antebraço é dada pelo nervo cutâneo medial do antebraço, que sai do fascículo medial do plexo e não é ramo do nervo ulnar. Logo, dormência que ocupa o antebraço, e não apenas a mão, aponta para plexo ou raiz, e não para compressão do ulnar no cotovelo. Some a isso a ausência de sinal de Tinel no túnel cubital e a relação postural dos sintomas.

A síndrome do túnel do carpo ocupa o outro lado da mão: primeiros três dedos e metade radial do quarto, com piora noturna, sinais de Tinel e de Phalen no punho e, quando avançada, atrofia tenar. A confusão com a forma neurogênica é frequente porque as duas acordam o paciente à noite — o que separa é a distribuição e a relação com a posição do braço.
A radiculopatia cervical de C8 ou T1 entra pela mesma distribuição de sintomas, e se distingue pela dor cervical com irradiação, pela reprodução dos sintomas na manobra de compressão da coluna e pelos achados de imagem da coluna. O tumor de sulco superior já foi citado e merece repetição: é o diagnóstico que não pode passar, e a radiografia de tórax é barata.
Fecham a lista o fenômeno de Raynaud, bilateral e desencadeado pelo frio, e a tendinopatia do manguito rotador, cuja dor é do ombro, piora à abdução contra resistência e não produz parestesia distal. Vale ainda lembrar a trombose venosa de esforço como diferencial dela mesma: o braço que incha depois de treino intenso não é tendinite.
Uma última observação de método, que atravessa os três subtipos. Como a forma neurogênica é diagnóstico clínico e de exclusão, e como as manobras e as imagens posicionais têm alta taxa de achado em pessoas assintomáticas, a única defesa contra o excesso de diagnóstico é a disciplina de exigir o conjunto: sintoma na distribuição certa, relação postural, achado local, ausência de outra explicação melhor e, quando existir, o achado objetivo. Diagnóstico feito só com manobra positiva leva à cirurgia errada, e a cirurgia errada tem as complicações listadas acima.
Os três subtipos, lado a lado
Os cartões abaixo separam as três doenças pelo que cada uma entrega na porta: a queixa, o exame que confirma e o prazo da decisão. Repare que apenas uma delas tem tratamento inicial não cirúrgico, e que ela é justamente a mais frequente.
Neurogênica — a esmagadora maioria
Parestesia na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos, que piora com o braço acima da cabeça e melhora ao baixá-lo; em casos antigos, fraqueza e atrofia da musculatura intrínseca da mão. Diagnóstico clínico e de exclusão. A investigação serve sobretudo para afastar túnel do carpo, ulnar no cotovelo, radiculopatia e massa apical. Tratamento inicial é reabilitação estruturada.
Venosa — braço inchado, relógio de dias
Adulto jovem, braço dominante, aumento de volume de todo o membro em horas a dias após esforço repetitivo com o braço elevado, cianose e circulação colateral no ombro e na parede torácica. Ultrassonografia pode não ver o segmento sob a clavícula; a flebografia confirma e é a via do tratamento. Anticoagulação e trombólise dirigida precoce, seguidas de descompressão.
Arterial — a rara que embolisa
Isquemia digital unilateral em pessoa jovem, com hemorragias em estilha, microinfartos de polpa e, às vezes, claudicação do membro superior. Quase sempre há anomalia óssea. A sequência é estenose, dilatação pós-estenótica, trombo mural e embolia distal. Sopro e massa pulsátil supraclaviculares valem ouro. Tratamento cirúrgico praticamente sempre, com ressecção óssea e reconstrução arterial.
As duas portas da cirurgia na forma neurogênica
A primeira é a falha de um programa conservador bem conduzido e por tempo adequado, com diagnóstico bem estabelecido. A segunda dispensa a espera: déficit motor objetivo e progressivo, com atrofia da musculatura intrínseca, sobretudo com anomalia óssea documentada. Perda de força que avança durante a reabilitação não é candidata a mais três meses de reabilitação.
A veia subclávia passa por diante do escaleno anterior e não está no triângulo interescalênico: manobra que tensiona escaleno não interroga a veia, e a compressão venosa acontece na fenda entre a clavícula e a primeira costela.
Perda posicional do pulso radial ocorre numa fração expressiva de pessoas assintomáticas. Manobra positiva isolada não faz diagnóstico; o que aumenta o valor do teste é procurar a reprodução do sintoma, e não o sumiço do pulso.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Na mesma internação, logo após a trombólise
Uma corrente indica a ressecção da primeira costela na mesma internação, dias após a trombólise bem-sucedida, com o argumento de que a compressão persiste e de que o intervalo sob anticoagulação expõe o paciente à retrombose e adia o retorno às atividades.
Illig KA, Doyle AJ. A comprehensive review of Paget-Schroetter syndrome. Journal of Vascular Surgery, 2010, seção sobre momento da descompressão.
Depois de algumas semanas de anticoagulação
Outra corrente prefere anticoagular por algumas semanas antes de operar, com o argumento de que a veia e os tecidos ao redor ainda estão inflamados logo após o evento agudo, o que dificulta a dissecção e aumenta o risco de complicação da descompressão.
Seções sobre trombose venosa de membro superior nas diretrizes de tromboembolismo venoso do American College of Chest Physicians, e séries cirúrgicas citadas na mesma revisão.
Na prova
As duas correntes concordam nos dois pontos que a questão costuma cobrar: a trombólise dirigida por cateter é tanto mais útil quanto mais precoce, e a descompressão precisa acontecer, porque anticoagular sozinho deixa a causa no lugar. A discordância é de intervalo, e um enunciado que peça o número exato de semanas está pisando na divergência. Quando o enunciado oferecer como alternativa a anticoagulação isolada por seis meses sem descompressão, essa é a opção errada nas duas leituras.
Até cerca de duas semanas de sintomas
A leitura mais difundida limita o benefício da trombólise dirigida por cateter aos trombos recentes, com janela útil em torno de quatorze dias desde o início dos sintomas, porque o trombo organizado responde mal ao agente lítico e a taxa de recanalização cai.
Illig KA, Doyle AJ. A comprehensive review of Paget-Schroetter syndrome. Journal of Vascular Surgery, 2010, seção sobre seleção de pacientes para trombólise.
Tentativa individualizada mesmo além desse prazo
Há posição que aceita tentar a trombólise em pacientes jovens e muito sintomáticos além do prazo clássico, avaliando a resposta durante a infusão e interrompendo se não houver recanalização, com o argumento de que o custo de tentar é baixo em quem tem décadas de uso do membro pela frente.
Séries de trombose venosa de esforço citadas na mesma revisão, com resultados heterogêneos em trombos de mais de duas semanas.
Na prova
Fora da faixa não há controvérsia: trombose de três dias em atleta jovem vai para trombólise, e trombose de seis meses já organizada não vai. O enunciado que descrever aumento de volume iniciado há um ou dois dias está pedindo anticoagulação com trombólise precoce, sem discussão. Se o intervalo cair perto de duas semanas com pedido de número, a questão está na zona de divergência, e o que se sustenta é a descrição do princípio: quanto mais recente o trombo, maior o benefício.
Serve para excluir, e a normalidade não afasta a doença
A posição predominante entre os serviços que operam a doença sustenta que a eletroneuromiografia é normal na maioria dos pacientes com a forma inespecífica, e que o exame vale sobretudo para afastar neuropatia ulnar no cotovelo, túnel do carpo e radiculopatia — de modo que exame normal não retira o diagnóstico.
Reporting standards of the Society for Vascular Surgery for thoracic outlet syndrome (Illig KA, et al., Journal of Vascular Surgery, 2016), seção de critérios diagnósticos e de exames complementares.
Sem alteração objetiva, o diagnóstico não se sustenta
A leitura mais restritiva, tradicionalmente sustentada em ambientes neurológicos, exige achado eletrofisiológico objetivo para aceitar o diagnóstico, e reserva o rótulo para a forma neurogênica verdadeira, com atrofia e alteração de amplitude. Sem isso, prefere classificar o quadro como dor de outra origem.
Literatura neurológica derivada da descrição original de Gilliatt e colaboradores sobre atrofia da mão associada a costela cervical ou banda fibrosa, Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, 1970.
Na prova
A divergência é real e de fundo, e por isso a questão bem construída não a coloca em jogo: ela descreve um paciente com atrofia e alteração eletrofisiológica, em que as duas leituras concordam, ou pergunta para que serve o exame, cuja resposta defensável é excluir os diferenciais periféricos. Enunciado que ofereça a normalidade da eletroneuromiografia como prova de ausência de doença está adotando a posição restritiva como se fosse consenso.
Caso resolvido
- primeiro, reconheça o subtipo pela distribuição e pela postura
- Parestesia na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos é território do tronco inferior, formado por C8 e T1, e a piora com o braço acima da cabeça com alívio ao baixá-lo é a assinatura postural do quadro. Pulsos cheios e simétricos em posição neutra e ausência de aumento de volume do braço afastam, de saída, as formas arterial e venosa. O subtipo é o neurogênico.
- segundo, use a anatomia para eliminar as compressões periféricas
- A dormência ocupa o antebraço, e não apenas a mão. A sensibilidade da borda ulnar do antebraço vem do nervo cutâneo medial do antebraço, que sai do fascículo medial do plexo e não é ramo do ulnar — logo, o quadro não se explica por compressão do ulnar no cotovelo. A preservação do território mediano afasta o túnel do carpo, cuja distribuição é oposta.
- terceiro, peça a radiografia de tórax mesmo quando a hipótese está clara
- Tumor de sulco superior comprime o mesmo tronco inferior e produz a mesma distribuição de sintomas. Aqui os campos pulmonares estão livres e não há massa apical, o que fecha essa porta. Este passo não é acessório: é o diagnóstico que não pode passar, e a imagem é barata.
- quarto, leia a eletroneuromiografia pelo que ela exclui e pelo que ela confirma
- Condução preservada no cotovelo e no punho exclui as duas compressões periféricas. Redução de amplitude sensitiva ulnar e motora mediana com desnervação crônica na musculatura intrínseca é a assinatura da forma neurogênica verdadeira — a que tem achado objetivo, e não apenas sintoma. A costela cervical com banda fibrosa e a angulação do tronco inferior sobre ela completam o quadro.
- quinto, prescreva o programa conservador com objetivo e prazo
- Fisioterapia dirigida à estabilização escapular, ao fortalecimento dos retratores e ao alongamento de escalenos e peitoral menor; adaptação ergonômica do posto de trabalho; retirada da carga pendurada no ombro direito; redução das atividades com o braço acima da cabeça; analgesia e afastamento temporário das tarefas que reproduzem os sintomas. Retorno com data marcada para reavaliar força e sensibilidade.
- sexto, reconheça a porta que dispensa a espera
- Há perda de força de instalação recente, com atrofia da hipotenar e do primeiro interósseo, e há anomalia óssea documentada com banda fibrosa angulando o tronco inferior. Déficit motor objetivo e progressivo é a segunda porta da cirurgia, e ela não exige esgotar meses de reabilitação: a descompressão do desfiladeiro está indicada, com ressecção da primeira costela e da costela cervical, escalenectomia anterior e ressecção da banda.
- sétimo, informe o que a operação custa
- O consentimento precisa nomear as complicações que decorrem da vizinhança anatômica: lesão do plexo braquial, pneumotórax pela proximidade da cúpula pleural, lesão do nervo torácico longo com escápula alada, lesão do frênico com elevação da cúpula diafragmática e, do lado esquerdo, lesão do ducto torácico com quilotórax. Vale dizer também que a ressecção incompleta da costela é a causa clássica de recidiva, e que a recuperação da força depende do tempo de desnervação já instalado.
Agora feche você
- a hipótese e o perfil que a sustenta
- …
- por que a ultrassonografia não encerra
- …
- o exame que confirma e por que ele é o mesmo do tratamento
- …
- a primeira metade do tratamento
- …
- a segunda metade
- …
- o erro de sequência a evitar
- …
- a variante que se reconhece antes de trombosar
- …
Onde a banca derruba
- 1Diagnosticar pela perda do pulso na manobra A perda posicional do pulso radial ocorre numa fração expressiva de pessoas sem sintoma nenhum, e por isso um teste positivo isolado não faz diagnóstico. O que aumenta o valor da manobra é procurar a reprodução dos sintomas do paciente, na mesma distribuição e com o mesmo caráter, e combinar isso com achado local, achado periférico e ausência de outra explicação melhor.
- 2Ler dormência na borda ulnar do antebraço como nervo ulnar A sensibilidade da borda ulnar do antebraço vem do nervo cutâneo medial do antebraço, que sai do fascículo medial do plexo e não é ramo do nervo ulnar. Dormência que ocupa o antebraço, e não apenas a mão, aponta para plexo ou raiz. É o argumento anatômico que separa a doença do desfiladeiro da compressão do ulnar no cotovelo, e ele resolve o diferencial sem exame.
- 3Procurar problema vascular em todo formigamento de mão A forma neurogênica responde pela esmagadora maioria dos casos, e nela os pulsos estão normais em posição neutra. Pedir imagem vascular como primeiro exame diante de parestesia postural é procurar a exceção antes da regra. As formas venosa e arterial têm apresentações próprias, e nenhuma delas começa com formigamento isolado nos dois últimos dedos.
- 4Esquecer a radiografia de tórax Tumor de sulco superior comprime o mesmo tronco inferior e produz exatamente a mesma distribuição de sintomas, com ou sem síndrome de Horner, em paciente com fator de risco compatível. É o diagnóstico que não pode passar, e a imagem torácica é barata. Encaminhar para fisioterapia sem essa radiografia é o erro que transforma um câncer em programa de reabilitação.
- 5Achar que costela cervical na radiografia fecha o diagnóstico Ela está presente em menos de 1% da população, e a maioria de quem a tem nunca desenvolve sintoma. Encontrá-la em exame de rotina não faz diagnóstico. O que muda tudo é o contexto: costela cervical em quem tem isquemia digital unilateral aponta a forma arterial, e costela cervical em quem tem atrofia da mão reforça a forma neurogênica verdadeira.
- 6Anticoagular a trombose venosa de esforço e deixar a compressão no lugar A anticoagulação trata o trombo, não a causa. A veia foi espremida entre a clavícula e a primeira costela, e essa pinça continua depois que o trombo sai. O tratamento tem duas metades — dissolver o trombo, com trombólise dirigida tão precoce quanto possível, e descomprimir o desfiladeiro. Tratar só a primeira metade programa a recidiva.
- 7Implantar stent na veia subclávia antes de retirar a costela O stent fica preso entre a clavícula e a primeira costela, sofre compressão a cada movimento do ombro, deforma-se, fratura e retrombosa. Angioplastia de estenose residual, quando indicada, é feita depois da descompressão, e não antes. É um erro de sequência com explicação puramente mecânica, e por isso cai em prova.
- 8Tentar tratamento conservador na forma arterial É o único subtipo em que a cirurgia é praticamente obrigatória. A sequência de estenose, dilatação pós-estenótica, trombo mural e embolia distal continua rodando enquanto a compressão existir, e anticoagular sem retirar a anomalia óssea deixa a fonte de êmbolos no lugar. Isquemia digital unilateral em jovem com costela cervical é indicação cirúrgica.
- 9Confundir a isquemia digital unilateral com fenômeno de Raynaud Raynaud é tipicamente bilateral, simétrico, desencadeado pelo frio e cursa com mudança de cor em fases, sem microinfarto assimétrico. Dedos frios de uma mão só, com hemorragias em estilha e lesões de polpa digital, em pessoa jovem, descrevem embolia a partir de uma fonte proximal — e essa fonte precisa ser procurada na subclávia.
- 10Ressecar a primeira costela pela metade O princípio da descompressão é remover um dos lados da pinça, e ressecção incompleta deixa coto e deixa compressão: é a causa clássica de recidiva depois da operação. A lista de complicações da via cirúrgica também precisa ser conhecida, porque toda ela se explica pela vizinhança — plexo braquial, cúpula pleural, nervo torácico longo, nervo frênico e, à esquerda, ducto torácico.
Sintomas no território do tronco inferior do plexo braquial, com dormência ulnar e piora à elevação dos braços, apontam para compressão neurogênica na saída torácica, a forma mais comum da síndrome. A síndrome do túnel do carpo acomete o território mediano, com dormência em polegar, indicador e médio, e piora noturna. Neuropatia diabética é distal, simétrica e em bota e luva. Radiculopatia de C6 produz sintomas em polegar e indicador com alteração de reflexo braquiorradial. Doença arterial obstrutiva causa claudicação e palidez ao esforço, sem o padrão sensitivo descrito.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Homem de 26 anos, jogador de vôlei, apresenta edema súbito, cianose e sensação de peso em todo o membro superior direito, com circulação colateral visível no ombro, após treino intenso. Qual o diagnóstico?
Edema súbito, cianose e circulação colateral no ombro de atleta jovem após esforço repetitivo com o braço acima da cabeça caracterizam a trombose venosa de esforço da subclávia, a forma venosa da síndrome, decorrente da compressão repetida no espaço costoclavicular. Linfedema primário é de instalação lenta e sem cianose. Celulite cursa com calor, eritema e febre. A síndrome do túnel cubital produz sintomas sensitivos e motores ulnares, sem edema do membro. Bursite subacromial dói ao movimento do ombro, sem congestão venosa nem aumento do volume do braço.
Qual é o principal diagnóstico diferencial da forma neurogênica da síndrome do desfiladeiro torácico e como diferenciá-lo?
A radiculopatia cervical é o diferencial mais importante e mais frequentemente confundido, e se distingue pelo padrão radicular da dor e do déficit, pela alteração de reflexos correspondentes e pelos achados de compressão radicular na ressonância cervical, além da piora com manobras de compressão axial do pescoço. Tendinite do supraespinhal, neuropatia femoral, síndrome do piriforme e doença de Dupuytren envolvem territórios e quadros clínicos completamente distintos, sendo distratores que não competem clinicamente. Excluir compressão radicular e neuropatias periféricas é etapa obrigatória antes de firmar o diagnóstico.
Paciente com trombose de veia subclávia por esforço, diagnosticada em 48 horas, em atleta jovem. Qual a estratégia de tratamento com melhor resultado funcional?
Em atleta jovem com trombose de esforço diagnosticada precocemente, a combinação de trombólise dirigida por cateter com posterior descompressão do desfiladeiro, retirando a causa mecânica da compressão, oferece o melhor resultado funcional e reduz recidiva. Anticoagulação isolada resolve o trombo, mas deixa a compressão intacta, com risco de nova trombose e de síndrome pós-trombótica do membro superior. Operar sem anticoagular expõe a extensão do trombo e a embolia. Filtro em veia cava superior não tem indicação nesse cenário. Repouso e compressão são medidas de suporte insuficientes.
Qual o tratamento inicial da forma neurogênica da síndrome do desfiladeiro torácico na maioria dos pacientes?
A maioria dos pacientes com a forma neurogênica melhora com tratamento conservador bem conduzido, que inclui fisioterapia dirigida à musculatura escapular, correção postural, alongamento dos escalenos e ajustes ergonômicos, reservando-se a cirurgia aos casos refratários ou com déficit neurológico objetivo. Operar todos ao diagnóstico expõe pacientes a uma cirurgia com risco de lesão de plexo e vasos. Anticoagulação pertence à forma venosa com trombose. Simpatectomia trata hiperidrose e dor simpática, não a compressão do plexo. Imobilização prolongada agrava a atrofia e a disfunção escapular.
Qual manobra de exame físico é utilizada na avaliação da síndrome do desfiladeiro torácico, reproduzindo os sintomas com os braços elevados e abrindo e fechando as mãos por três minutos?
O teste em que o paciente mantém os braços abduzidos e em rotação externa, abrindo e fechando as mãos por alguns minutos, reproduz os sintomas por estreitamento dinâmico do espaço costoclavicular e é o mais utilizado na avaliação da síndrome. O teste de Phalen e o sinal de Tinel no punho investigam a compressão do nervo mediano no túnel do carpo. A manobra de Finkelstein avalia tenossinovite dos tendões do polegar. O teste de Lasègue investiga radiculopatia lombossacra. Nenhuma manobra isolada confirma o diagnóstico, que continua sendo clínico e de exclusão.
Qual exame é mais útil para documentar compressão vascular dinâmica no desfiladeiro torácico?
A compressão no desfiladeiro é dinâmica, e por isso o exame precisa comparar a posição neutra com manobras de abdução e rotação, o que a angiotomografia e o Doppler realizam bem, demonstrando redução de fluxo ou de calibre apenas na posição provocativa. A radiografia de tórax é útil por outro motivo, que é identificar costela cervical, mas não avalia fluxo. Eletrocardiograma de esforço e cintilografia miocárdica investigam coronariopatia. Ressonância de crânio não avalia a saída torácica. A eletroneuromiografia, por sua vez, apoia a avaliação neurogênica e ajuda a excluir outras neuropatias.
Qual forma da síndrome do desfiladeiro torácico é a menos frequente, porém a mais grave, por risco de isquemia do membro?
A forma arterial responde por parcela pequena dos casos, mas é a mais temida, porque a compressão crônica da subclávia leva a estenose pós-estenótica, dilatação aneurismática, formação de trombo mural e embolização distal, podendo causar isquemia digital e perda de tecido. A forma neurogênica é de longe a mais comum e cursa com sintomas sensitivos. A venosa é intermediária em frequência e se manifesta por edema e cianose. A designação de forma mista assintomática não corresponde à classificação usual. E não existe forma linfática descrita para essa síndrome.
Qual alteração anatômica é classicamente associada à síndrome do desfiladeiro torácico?
A costela cervical, ou a banda fibrosa que se estende do processo transverso de C7 até a primeira costela, estreita o espaço por onde passam o plexo braquial e os vasos subclávios, sendo a alteração anatômica classicamente associada à síndrome. Costelas flutuantes são normais e não têm relação com a saída torácica. Escápula alada resulta de lesão do nervo torácico longo e produz outro quadro clínico. Fusão de vértebras lombares não interfere no plexo braquial. Uma vértebra cervical bífida isolada é achado sem significado compressivo para o desfiladeiro.
Qual complicação deve ser vigiada após a ressecção da primeira costela para tratamento da síndrome do desfiladeiro torácico?
A ressecção da primeira costela ocorre em espaço estreito, cercada pelo plexo braquial, pelos vasos subclávios e pela cúpula pleural, de modo que lesão nervosa, pneumotórax e lesão vascular são as complicações a vigiar, com exame neurológico e radiografia de controle no pós-operatório. Fístula pancreática pertence a operações abdominais. Estenose de artéria renal não tem relação anatômica com o campo cirúrgico. Perfuração esofágica cervical não é complicação típica dessa via. Hérnia diafragmática congênita é malformação, e não complicação operatória. Conhecer a vizinhança anatômica é o que orienta a vigilância pós-operatória.
Mulher de 33 anos, sem comorbidades e não tabagista, apresenta há três semanas dedos frios e dolorosos apenas na mão direita, com hemorragias em estilha sob as unhas e pequena área de necrose na polpa do terceiro dedo. A mão esquerda é normal e não há relação com exposição ao frio. A radiografia cervical mostra costela cervical à direita. Qual é a hipótese e o tratamento adequado?
Isquemia digital unilateral em pessoa jovem, com hemorragias em estilha e necrose de polpa, sem relação com frio e com costela cervical do mesmo lado, é forma arterial até prova em contrário. A sequência que a explica é conhecida: compressão repetida da subclávia contra a anomalia óssea, estenose, dilatação pós-estenótica, trombo mural e embolia para os dedos. O tratamento é cirúrgico e praticamente sempre indicado — ressecção da anomalia óssea e da primeira costela, com reconstrução arterial do segmento dilatado, além do manejo dos êmbolos já alojados. Fenômeno de Raynaud é tipicamente bilateral, simétrico, desencadeado pelo frio e cursa com mudança de cor em fases, sem microinfarto assimétrico, o que o enunciado nega em três pontos. A forma neurogênica não produz isquemia digital, e mandar esta paciente para doze semanas de fisioterapia deixa a fonte de êmbolos ativa. Vasculite é hipótese razoável diante de lesões digitais, mas o acometimento estritamente unilateral com anomalia óssea homolateral aponta para causa mecânica proximal. E anticoagular isoladamente, mesmo com o diagnóstico correto, deixa a compressão e o aneurisma no lugar: a próxima embolia é questão de tempo.
Homem de 26 anos, nadador, chega com aumento de volume de todo o membro superior direito iniciado há dois dias, com coloração arroxeada e veias superficiais proeminentes no ombro e na parede torácica. A mão está quente e os pulsos são cheios. A ultrassonografia com Doppler foi limitada no segmento retroclavicular e não identificou trombo. Qual é a conduta adequada?
O perfil é o da trombose venosa de esforço: adulto jovem, braço dominante, atividade repetitiva com o membro elevado, instalação em horas a dias, aumento de volume de todo o membro com cianose e circulação colateral superficial. A limitação da ultrassonografia no segmento sob a clavícula é conhecida, e exame negativo nesse contexto não afasta o diagnóstico — por isso dar alta com anti-inflamatório é o desfecho mais perigoso da lista. A conduta é anticoagular e prosseguir com flebografia, que confirma, mostra a extensão do trombo e é o próprio acesso pelo qual a trombólise dirigida por cateter é realizada, com benefício tanto maior quanto mais precoce. Ressonância de plexo e fisioterapia respondem à forma neurogênica, que não é a descrita: não há parestesia na distribuição ulnar e o problema é volume, não sensibilidade. Anticoagular por seis meses sem exame adicional trata o trombo e deixa intacta a compressão que o produziu, programando a recidiva. E implantar stent agora é o erro de sequência clássico: sem a descompressão prévia, o stent é comprimido entre a clavícula e a primeira costela, deforma-se e retrombosa.
Um residente propõe que a dormência na borda ulnar do antebraço de um paciente seja explicada por compressão do nervo ulnar no cotovelo. Qual argumento anatômico refuta essa hipótese e para onde ele desloca a suspeita?
A sensibilidade da borda ulnar do antebraço é dada pelo nervo cutâneo medial do antebraço, que se origina do fascículo medial do plexo braquial e não é ramo do nervo ulnar. Consequência direta: uma lesão do ulnar no cotovelo pode produzir dormência da mão no território ulnar, mas não alcança o antebraço. Dormência que ocupa o antebraço, e não apenas a mão, desloca a suspeita para o plexo braquial ou para a raiz — que é exatamente o que se espera na compressão do desfiladeiro sobre o tronco inferior. Atribuir a região a ramo do mediano inverte os territórios, já que o mediano inerva a face palmar dos primeiros dedos e não a borda ulnar do antebraço. Atribuí-la ao radial superficial também erra o lado, porque esse ramo cobre o dorso radial da mão. Dizer que a região não tem inervação cutânea própria é falso e apagaria justamente o achado mais útil do exame. E propor um ramo do ulnar originado acima do túnel cubital é uma construção que não corresponde à anatomia: o ulnar não emite ramo cutâneo para o antebraço.
Mulher de 42 anos tem dormência que acorda à noite e melhora ao sacudir a mão, restrita ao polegar, indicador, médio e metade radial do anular, sem sintomas no antebraço e sem relação com a posição do braço. Há atrofia da eminência tenar e o percurso do sinal de Tinel positivo está no punho. Qual é o diagnóstico e o que o separa da compressão do desfiladeiro?
A distribuição descrita — polegar, indicador, médio e metade radial do anular — é território do nervo mediano na mão, e o sinal de Tinel positivo no punho localiza a compressão no túnel do carpo. Isso é o oposto da distribuição da compressão do desfiladeiro, que ocupa a borda ulnar do antebraço e os dois últimos dedos. O segundo elemento que separa os dois é a ausência de relação postural: na compressão do desfiladeiro os sintomas pioram com o braço acima da cabeça e cedem ao baixá-lo, o que aqui não ocorre. O despertar noturno é comum às duas condições e por isso não serve para distingui-las, o que invalida a alternativa que o usa como critério. Radiculopatia de C6 acomete polegar e indicador com dor cervical irradiada, e a atrofia tenar não é o que a separa. Compressão do ulnar no cotovelo daria sintomas no território oposto, e a atrofia esperada seria da musculatura intrínseca de predomínio hipotenar. E o fenômeno de Raynaud é vasoespástico, com mudança de cor desencadeada pelo frio, e não produz parestesia em território de nervo.
Um paciente com trombose venosa de esforço confirmada pergunta por que o teste que o ortopedista fizera semanas antes, girando a cabeça e estendendo o pescoço enquanto palpava o pulso do punho, não havia provocado nenhum dos sintomas que ele sentia ao levantar o braço. Qual explicação anatômica responde a essa pergunta e onde ocorre a compressão nesse subtipo?
O teste descrito tensiona os escalenos e estreita o triângulo entre eles, por onde passam o plexo braquial e a artéria subclávia. A veia subclávia não está ali: ela corre por diante do escaleno anterior e, portanto, fora do triângulo. Daí a resposta à pergunta do paciente — manobra que atua sobre escaleno não interroga a veia. A compressão venosa acontece adiante, na fenda entre a clavícula com o músculo subclávio, acima, e a primeira costela, abaixo, e é essa pinça que explica por que o tratamento definitivo passa por retirar um dos seus lados. Dizer que a veia passa dentro do triângulo e é espremida sob o peitoral menor troca dois endereços de uma vez. Situar a veia atrás do escaleno médio inverte a relação com os músculos e inventa uma compressão vertebral que não existe nesse quadro. Afirmar que a veia acompanha a artéria dentro do triângulo é justamente o erro que a pergunta desmonta, porque implicaria que o tônus dos escalenos governa a compressão venosa. E atribuir tudo a trombofilia hereditária ignora que a característica definidora desse subtipo é a compressão mecânica no braço dominante depois de esforço repetido.
Homem de 58 anos, tabagista de longa data, procura o ambulatório por dor no ombro esquerdo e formigamento na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos há quatro meses, com perda de seis quilos no período. Ao exame há discreta ptose e miose à esquerda. Antes de considerar qualquer hipótese compressiva postural, qual exame é obrigatório e por quê?
Tabagismo de longa data, perda de peso, dor no ombro e sintomas na distribuição do tronco inferior, somados a ptose e miose que sugerem comprometimento simpático, desenham tumor de sulco superior até prova em contrário. Ele comprime exatamente o mesmo tronco inferior do plexo e produz a mesma distribuição de sintomas da forma neurogênica, e por isso a imagem do tórax é obrigatória antes de rotular o quadro como compressão postural. É o diagnóstico que não pode passar, e o exame é barato. A eletroneuromiografia caracteriza a topografia da lesão, mas não distingue a causa e não afastaria uma massa. A ultrassonografia arterial com manobras posicionais responde à forma arterial, que não é sugerida por nenhum achado aqui, e ainda tem alta taxa de positividade em pessoas assintomáticas. A ressonância cervical é útil no diferencial com radiculopatia, mas deixaria a hipótese mais grave sem resposta. E a flebografia investiga a forma venosa, cuja apresentação é aumento de volume do membro, ausente no enunciado.
Durante a avaliação de um paciente com parestesia do membro superior, o examinando realiza a manobra de Adson e observa desaparecimento do pulso radial, sem qualquer alteração dos sintomas referidos pelo paciente. Como esse achado deve ser interpretado?
A perda posicional do pulso radial ocorre numa fração expressiva de pessoas sem sintoma nenhum, o que torna esse desfecho pouco específico. Um teste positivo isolado, portanto, não faz diagnóstico, e diagnosticar a doença pelo sumiço do pulso é o erro mais reproduzido do tema. O que aumenta o valor da manobra é mudar o desfecho observado: procurar a reprodução dos sintomas do paciente, na mesma distribuição e com o mesmo caráter, o que o teste de estresse com os braços elevados faz melhor porque sustenta a posição por tempo suficiente. Considerar o achado confirmatório e dispensar investigação leva a diagnóstico excessivo e, no limite, a cirurgia desnecessária, com as complicações que ela carrega. Interpretá-lo como compressão arterial estabelecida com indicação de arteriografia de urgência transforma um achado inespecífico em emergência que não existe. Dizer que o achado afasta a doença inverte a leitura. E descartar a manobra por completo também é excessivo: ela integra os critérios combinados, ao lado de achado local, achado periférico e ausência de outra explicação melhor.
Homem de 38 anos com forma neurogênica bem estabelecida completou dez semanas de programa de fisioterapia estruturada com adaptação ergonômica, sem melhora dos sintomas. Nas últimas três semanas surgiu perda de força para a preensão e atrofia visível do primeiro espaço interósseo, ausentes no início. Não há anomalia óssea na radiografia cervical. Qual é a conduta adequada?
As duas portas da cirurgia na forma neurogênica estão abertas neste caso. A primeira é a falha de um programa conservador bem conduzido e por tempo adequado, com diagnóstico bem estabelecido — dez semanas de fisioterapia estruturada com adaptação ergonômica preenchem esse requisito. A segunda dispensa a espera e é ainda mais forte: déficit motor objetivo e progressivo, com atrofia que não existia no início. Perda de força que avança enquanto se aguarda reabilitação não é candidata a mais meses de reabilitação, e a ausência de costela cervical não retira a indicação, porque bandas fibrosas e conflito com a primeira costela produzem o mesmo efeito sem anomalia visível na radiografia. Prescrever apenas analgesia e afastamento definitivo abandona um paciente com déficit tratável. O bloqueio do escaleno anterior tem valor diagnóstico e prognóstico, ajudando a prever benefício cirúrgico, mas não é tratamento definitivo. E solicitar arteriografia com manobras posicionais investiga uma forma que o enunciado não descreve, além de a compressão arterial posicional ser achado frequente em pessoas assintomáticas.
No segundo dia após ressecção da primeira costela por via supraclavicular à esquerda, um paciente desenvolve derrame pleural esquerdo de aspecto leitoso, com aumento do débito após a reintrodução da dieta com gordura. Qual estrutura foi lesada e qual é a explicação anatômica desse achado?
Derrame pleural de aspecto leitoso que aumenta com a reintrodução de gordura na dieta é quilotórax, e a estrutura responsável é o ducto torácico, que sobe pelo mediastino e desemboca na junção da veia subclávia com a jugular interna do lado esquerdo. É por isso que essa complicação é característica das abordagens supraclaviculares à esquerda, e é por isso que ela figura entre os riscos que o consentimento da descompressão precisa nomear. A lesão do nervo frênico produz elevação da cúpula diafragmática e, eventualmente, atelectasia e insuficiência respiratória, mas não explica líquido leitoso nem a relação com a dieta. A lesão do nervo torácico longo produz escápula alada, que é um achado motor, sem derrame. Lesão da artéria subclávia produz hemotórax, cujo aspecto é sanguinolento e cuja apresentação é precoce e hemodinâmica, não nutricional. E abertura da cúpula pleural produz pneumotórax, complicação frequente da via cirúrgica e que o enunciado não descreve — o aspecto do líquido e a relação com a gordura são o que fecha o raciocínio.
Após trombólise dirigida por cateter bem-sucedida em um paciente com trombose venosa de esforço, a flebografia de controle mostra estenose residual da veia subclávia no ponto de compressão, com a primeira costela ainda no lugar. Qual é a conduta correta quanto ao tratamento dessa estenose?
A compressão que trombosou a veia continua no lugar enquanto a primeira costela estiver lá, e é essa pinça entre clavícula e costela que precisa ser desfeita. Por isso a descompressão vem antes, e o tratamento de eventual estenose residual, quando indicado, vem depois dela. Implantar stent com a costela mantida é o erro de sequência mais cobrado do tema, e a razão é puramente mecânica: o dispositivo fica preso na fenda, sofre compressão a cada movimento do ombro, deforma-se, fratura e retrombosa. Fazer angioplastia e implantar stent no mesmo tempo repete o mesmo erro e ainda acrescenta o trauma da dilatação num segmento que continuará sendo comprimido. Manter apenas anticoagulação indefinida trata a consequência e abandona a causa, além de afirmar de forma incorreta que a estenose residual não tem tratamento — ela tem, e ele é a angioplastia depois da descompressão. E derivação venosa com enxerto é procedimento de exceção, reservado a falhas e a oclusões extensas, e não substitui a retirada de um dos lados da pinça.
Mulher de 31 anos, costureira, relata há um ano formigamento na borda ulnar do antebraço direito e nos dois últimos dedos da mão, que piora quando trabalha com os braços elevados e melhora minutos depois de baixá-los. Há dois meses derruba objetos pequenos. Ao exame há atrofia discreta da musculatura intrínseca da mão direita, com pulsos radiais cheios e simétricos em posição neutra e sem aumento de volume do braço. Qual é o subtipo mais provável e o que ele implica?
A distribuição C8–T1 e a piora com elevação dos braços favorecem desfiladeiro torácico neurogênico, mas é necessário excluir radiculopatia e neuropatias periféricas. Reabilitação costuma ser inicial quando não há déficit motor relevante; fraqueza progressiva e atrofia mudam essa prioridade e justificam avaliação cirúrgica precoce segundo o INTOS. Pulsos preservados e ausência de edema tornam a apresentação vascular menos sugestiva, sem excluí-la de forma absoluta. Arteriografia não é teste confirmatório obrigatório do subtipo neurogênico.
Sobre a chamada síndrome do desfiladeiro torácico, é correto afirmar:
A síndrome do desfiladeiro torácico resulta da compressão do plexo braquial e dos vasos subclávios entre os escalenos, a primeira costela, a clavícula e o peitoral menor, podendo ter formas neurogênica, venosa e arterial. O sintoma característico é a piora com o braço elevado — pentear o cabelo, dirigir, trabalhar acima da cabeça — o que faz a alternativa que descreve melhora com elevação ser exatamente o inverso. Costela cervical e sequelas de trauma são causas conhecidas. Reconhecê-la evita atribuir toda cervicobraquialgia a hérnia discal e permite tratamento direcionado, geralmente conservador.
Mulher de 24 anos, atleta amadora de vôlei, comparece à Unidade de Pronto Atendimento com edema, cianose e sensação de peso no membro superior direito, iniciados há 24 horas após treino intenso. Ela não usa contraceptivo hormonal, não tem antecedente de trombose e não há cateter venoso central. Ao exame, há aumento da circunferência do braço direito, cianose discreta e circulação colateral visível na região do ombro e do tórax anterior. Os pulsos radiais são simétricos e não há déficit neurológico. O diagnóstico mais provável é
Edema, cianose e circulação colateral no membro superior de paciente jovem após esforço repetitivo caracterizam a trombose venosa de esforço, associada à compressão da veia subclávia no desfiladeiro torácico, cujo manejo envolve anticoagulação e avaliação para descompressão. Celulite cursa com eritema, calor e febre, ausentes. Linfedema não se instala em 24 horas nem produz cianose e colaterais. Tendinite do manguito rotador causa dor à mobilização do ombro, sem edema global do braço nem circulação colateral torácica.
Mulher de 40 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando episódios de dor, palidez e formigamento na mão direita quando eleva o braço para pendurar roupas ou dirigir por longos períodos. Trabalha como operadora de caixa. Ao exame, há reprodução dos sintomas e redução do pulso radial direito durante a manobra de hiperabdução e rotação externa do braço, com desaparecimento na posição neutra. Não há atrofia muscular, edema, cianose fixa ou úlceras digitais. A radiografia de tórax mostra costela cervical à direita. A hipótese diagnóstica mais provável é
Sintomas posicionais com redução do pulso radial em manobras de hiperabdução, associados a costela cervical, caracterizam a síndrome do desfiladeiro torácico com componente arterial, condição que pode evoluir para aneurisma subclávio e embolização distal se não reconhecida. A tromboangeíte obliterante ocorre em tabagistas pesados e causa isquemia distal fixa, não posicional. O fenômeno de Raynaud é desencadeado pelo frio e é tipicamente bilateral e simétrico. A tendinite produz dor à mobilização do ombro sem alteração de pulso.
Mulher, 30 anos, apresenta dor e parestesia no membro superior direito que pioram com elevação do braço e ao carregar peso, há 2 anos. Ao exame, há redução do pulso radial durante manobras de abdução e rotação externa do ombro, com reprodução dos sintomas. A radiografia de tórax mostra costela cervical à direita. A eletroneuromiografia evidencia comprometimento do tronco inferior do plexo braquial. Qual o diagnóstico e a conduta indicada?
Sintomas neurovasculares posicionais no membro superior, com costela cervical e comprometimento do tronco inferior do plexo braquial, caracterizam síndrome do desfiladeiro torácico, cujo manejo começa com fisioterapia e correção postural, reservando a descompressão cirúrgica com ressecção da costela para os casos refratários ou com comprometimento vascular significativo. O tumor de Pancoast apresenta massa apical e síndrome de Horner. A síndrome do túnel do carpo acomete o nervo mediano no punho, sem alteração do pulso radial às manobras. A hérnia de disco cervical produz radiculopatia com padrão dermatomérico, sem componente vascular posicional. A tromboangeíte obliterante acomete artérias distais em tabagistas, sem relação com costela cervical.
Homem, 28 anos, jogador de vôlei, apresenta edema súbito e cianose de todo o membro superior direito há 2 dias, com sensação de peso, após treino intenso. PA 124/78 mmHg, FC 82 bpm, sem dispneia ou dor torácica. Ao exame, veias superficiais dilatadas no ombro e no tórax. Ultrassonografia com Doppler mostra trombose da veia axilar e subclávia direitas, sem cateter prévio ou neoplasia. Qual o diagnóstico mais provável?
Trombose de veia axilar e subclávia em atleta jovem após esforço repetitivo com o membro superior, sem cateter ou neoplasia, caracteriza a trombose venosa de esforço, ou síndrome de Paget-Schroetter, associada à compressão no desfiladeiro torácico. A trombose associada a cateter exigiria dispositivo prévio, expressamente negado. O linfedema secundário é crônico e sem cianose aguda. A celulite cursaria com eritema, calor e febre, sem trombose documentada. A síndrome do roubo da subclávia é arterial e provoca sintomas vertebrobasilares ao esforço do braço.
Mulher, 34 anos, digitadora, refere parestesias em face medial do antebraço e nos dedos anular e mínimo, com fraqueza para atividades acima da cabeça, há 8 meses. PA 118/74 mmHg, FC 74 bpm, pulsos radiais simétricos e sem alterações às manobras posturais. Eletroneuromiografia sugere comprometimento do tronco inferior do plexo braquial; radiografia sem costela cervical. Qual a conduta inicial mais adequada?
A forma neurogênica da síndrome do desfiladeiro torácico, a mais frequente, tem no tratamento conservador com fisioterapia específica, correção postural e fortalecimento a abordagem inicial, reservando a cirurgia para falha após período adequado. A descompressão cirúrgica imediata ignora o bom resultado do tratamento conservador em grande parte dos casos. A anticoagulação é indicada na forma venosa com trombose, ausente aqui. A ressecção de primeira costela em todos os casos generaliza indevidamente um procedimento com morbidade. A infiltração no ombro trata patologia articular, sem relação com a compressão do plexo.
Mulher, 28 anos, refere palidez e frialdade da mão direita ao elevar o braço, com dor e parestesias, além de um episódio de lesões isquêmicas em polpas digitais. PA 124/78 mmHg no braço esquerdo e 108/68 mmHg no direito, FC 76 bpm. Pulso radial direito desaparece à manobra de abdução e rotação externa. Radiografia mostra costela cervical à direita. Qual a forma da síndrome do desfiladeiro torácico e a conduta indicada?
Isquemia digital com assimetria pressórica, desaparecimento do pulso em manobras posturais e costela cervical caracteriza a forma arterial da síndrome do desfiladeiro torácico, que tem indicação de descompressão cirúrgica, dado o risco de lesão arterial e embolização distal. A forma neurogênica cursa com parestesias sem alteração isquêmica objetiva e é tratada inicialmente com fisioterapia. A forma venosa se apresenta com edema e cianose do membro por trombose. O Raynaud primário é simétrico e sem assimetria de pulsos. A doença de Buerger acomete tabagistas com isquemia distal difusa, sem relação com costela cervical.
Mulher, 32 anos, nadadora, refere dormência e peso em membro superior direito há 8 meses, que pioram ao elevar o braço e ao carregar peso. Nega trauma. PA 118x74 mmHg simétrica nos dois braços, FC 72 bpm. Parestesias em território ulnar da mão direita, sem atrofia significativa. A manobra de elevação e abertura e fechamento das mãos reproduz os sintomas à direita. Radiografia cervical com costela cervical rudimentar. Qual a conduta inicial?
A síndrome do desfiladeiro torácico de predomínio neurogênico, com sintomas posicionais reproduzidos por manobras de provocação, é tratada inicialmente de forma conservadora, com fisioterapia postural específica, fortalecimento e correção ergonômica, mesmo na presença de costela cervical. A ressecção cirúrgica é reservada à falha do tratamento conservador ou a formas vasculares com trombose. A anticoagulação exigiria trombose documentada, com edema e cianose do membro. A infiltração no túnel do carpo trata compressão do mediano, território distinto. A imobilização prolongada favorece atrofia e rigidez.
Mulher, 32 anos, nadadora, refere dormência e peso no membro superior direito ao elevar o braço para pentear os cabelos há 6 meses, com alívio ao abaixá-lo. Exame: pulso radial diminui à abdução com rotação externa do ombro, sem atrofia muscular, força e reflexos normais, sem edema do membro. Radiografia de tórax mostra costela cervical à direita. Eletroneuromiografia sem sinais de denervação nos músculos da mão. Qual o diagnóstico?
O diagnóstico é síndrome do desfiladeiro torácico: sintomas posicionais desencadeados pela elevação do braço, redução do pulso à abdução com rotação externa e presença de costela cervical na radiografia localizam a compressão na saída torácica, com eletroneuromiografia normal por se tratar de forma não neurogênica verdadeira. A síndrome do túnel do carpo produz parestesia noturna no território mediano, sem relação com a posição do ombro. A radiculopatia C6 causa dor irradiada com alteração de reflexo, ausentes. A trombose venosa profunda de membro superior cursa com edema e circulação colateral, também ausentes. A neuropatia do nervo axilar limita a abdução e provoca hipoestesia lateral do ombro, quadro distinto.
Homem, 25 anos, jogador de vôlei, apresenta edema e cianose do membro superior direito há 3 dias, com dor em peso e circulação colateral visível no ombro. Nega trauma direto ou cateter prévio. PA 124x78 mmHg, FC 82 bpm, T 36,6 °C. Ultrassonografia com Doppler mostra trombose da veia subclávia direita em seu segmento retroclavicular, com compressão dinâmica à manobra de abdução. Qual o diagnóstico e a conduta?
A trombose venosa de esforço da subclávia em atleta jovem, com compressão dinâmica no desfiladeiro torácico, é a síndrome de Paget-Schroetter; o tratamento envolve anticoagulação, trombólise dirigida por cateter em casos precoces e descompressão do desfiladeiro com ressecção da primeira costela. O linfedema primário evolui de forma insidiosa, sem cianose nem trombo ao Doppler. A celulite cursaria com hiperemia, calor e febre, ausentes no caso. A síndrome da veia cava superior produz edema bilateral de face e pescoço com turgência jugular, e não edema unilateral do braço. A trombose de veia cefálica é superficial, com cordão palpável, sem cianose difusa nem circulação colateral no ombro.
Qual região anatômica está implicada no nome da síndrome?

Estruturas neurovasculares podem ser comprimidas na passagem cervicotorácica.
Em B, qual plano depende da fase, extensão e sintomas da trombose?

Trombose relacionada ao desfiladeiro exige seleção terapêutica individualizada e avaliação anatômica.
Qual achado aponta para isquemia distal?

Êmbolos arteriais podem obstruir circulação digital.
Por que uma manobra provocativa positiva isolada em A não encerra diagnóstico?

Testes provocativos têm limitações; história, exame e estudos dirigidos compõem diagnóstico.
Qual apresentação corresponde ao componente venoso?

Edema, cianose e trombose venosa caracterizam apresentação venosa.
Na pessoa com a variante mostrada, surgem dor súbita, palidez e redução do pulso radial. Qual componente exige investigação urgente? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Sinais de isquemia exigem avaliação vascular; a variante pode contribuir para compressão ou lesão arterial.
A variante é descoberta em pessoa assintomática. Qual interpretação evita excesso de diagnóstico? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

É necessário correlacionar sintomas, exame e investigação dirigida.
Em pessoa com parestesias do membro superior desencadeadas pela elevação do braço, qual síndrome pode se associar à variante mostrada? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

A costela adicional pode contribuir para compressão de estruturas neurovasculares.
Qual variante óssea está demonstrada acima da primeira costela torácica? Imagem sintética de exame, para fins didáticos.

Há um elemento costal adicional na transição cervicotorácica.
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em 7 dias
Sem consultar nada, escreva: (1) os três espaços da passagem, com as estruturas que atravessam cada um, e diga qual estrutura não está no triângulo interescalênico e o que isso explica; (2) a proporção aproximada entre os três subtipos e a consequência prática dessa proporção; (3) a distribuição sensitiva típica da forma neurogênica e o argumento anatômico que a separa da compressão do ulnar no cotovelo; (4) por que a perda de pulso na manobra provocativa vale pouco, e o que se deve procurar no lugar dela; (5) as duas metades do tratamento da forma venosa e o erro de sequência que envolve o stent; (6) a sequência de quatro eventos que leva da compressão à isquemia digital na forma arterial.
em 30 dias
Pegue a paciente do caso resolvido — 29 anos, digitadora, 14 meses de parestesia na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos à direita, piora com o braço acima da cabeça, perda de força há dois meses, atrofia da eminência hipotenar, costela cervical de 4 cm à direita — e mude um dado por vez, dizendo o que quebra em cada mudança. E se a dormência ocupasse os três primeiros dedos, com piora noturna e Tinel positivo no punho? E se houvesse dor cervical irradiada e hérnia discal em C7-T1 na ressonância? E se ela fumasse há quinze anos e tivesse perdido seis quilos, com ptose e miose à direita? E se, em vez de formigamento, ela tivesse chegado com todo o braço direito inchado e arroxeado dois dias depois de uma mudança de casa? E se ela tivesse dedos frios e pálidos apenas na mão direita, com hemorragias em estilha sob as unhas? Em seguida, escreva o programa conservador que você prescreveria, com objetivo e prazo, e diga qual achado, se aparecer durante esse prazo, interrompe a espera e leva à cirurgia.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Você está no ambulatório de cirurgia vascular de um hospital-escola. Chega uma mulher de 29 anos, digitadora, com queixa de formigamento no braço direito há mais de um ano, encaminhada da unidade básica com hipótese de síndrome do túnel do carpo e pedido de fisioterapia. Ela diz que já fez sessões, que não melhorou e que nos últimos meses vem derrubando objetos. Conduza o atendimento: caracterize a distribuição exata da parestesia, investigue a relação com o braço elevado e o que a alivia, quantifique a perda de força e o tempo dela, pergunte pela rotina de trabalho e pelo peso carregado no ombro, procure ativamente sintomas vasculares e de trombose venosa de esforço, faça e narre a palpação supraclavicular, a avaliação de força e de sensibilidade e as manobras posicionais, diga quais exames pede e o que cada um exclui ou confirma, e feche explicando por que a reabilitação vem primeiro e qual achado, se aparecer, muda essa ordem. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
