Cirurgia GeralCirurgia Vascular

Desfiladeiro torácico: três doenças com um nome só

Síndromes compressivas do desfiladeiro torácico (neurogênica, venosa e arterial)

A neurogênica é a esmagadora maioria e quase nunca opera de imediato; a venosa chega com o braço inchado e tem relógio de trombólise; a arterial é rara e é a que embolisa. O adjetivo que vem antes do nome muda o exame, o prazo e a decisão.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 32 anos, digitadora, refere dormência e formigamento no território ulnar da mão direita, dor cervicobraquial e piora ao elevar os braços para pentear o cabelo. Exame neurológico com hipoestesia em quarto e quinto dedos, sem déficit motor evidente. Qual a hipótese?

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Como esse tema cai

Este capítulo trata da compressão de estruturas neurovasculares na passagem entre o pescoço e a axila. O nome é um só, e as doenças são três, com apresentações que não se parecem: uma dá formigamento na mão, outra dá braço inchado e a terceira dá dedo isquêmico. Elas compartilham a anatomia e quase nada mais.

O que organiza o raciocínio é a proporção. A forma neurogênica responde pela esmagadora maioria dos casos, e o seu tratamento inicial é de reabilitação, não de sala de cirurgia. A forma venosa é uma pequena fração, chega pelo pronto-socorro com o braço aumentado de volume e tem relógio: quanto antes a trombólise, melhor. A forma arterial é rara, quase sempre traz uma anomalia óssea junto, e é a única em que a cirurgia é praticamente obrigatória.

O que fica de fora tem endereço. Lesão vascular por trauma penetrante ou contuso da região cervical e do ombro pertence ao capítulo de trauma. A trombose venosa profunda de membro inferior tem capítulo próprio nesta apostila, e a de membro superior aparece aqui porque a causa dela é a passagem, e não a perna — tratar só a trombose deixa a compressão no lugar. E a oclusão arterial aguda do membro, quando o êmbolo veio de um aneurisma subclávio, é conduzida pelo capítulo dela; o que se diz aqui é de onde o êmbolo saiu.

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O que muda decisão

Três espaços, e a veia que não está no triângulo

A passagem não é um túnel só: são três espaços em série, e saber qual estrutura passa por qual é o que permite explicar por que cada subtipo se comporta de um jeito.

O primeiro é o triângulo interescalênico, delimitado à frente pelo músculo escaleno anterior, atrás pelo escaleno médio e embaixo pela primeira costela. Por ele passam o plexo braquial e a artéria subclávia. É o espaço mais estreito dos três e é onde moram a costela cervical, quando existe, e as bandas fibrosas — motivo pelo qual as formas neurogênica e arterial se concentram ali.

O detalhe que a prova cobra com frequência é o que não passa por esse triângulo. A veia subclávia corre por diante do escaleno anterior, e portanto está fora dele. A consequência é direta: manobra que atua sobre o escaleno, como a de Adson, não interroga a veia, e a compressão venosa não se explica por escalenos.

O segundo espaço é o costoclavicular, entre a clavícula e o músculo subclávio, acima, e a primeira costela, abaixo. Por ele passam as três estruturas — plexo, artéria e veia. É aqui que a forma venosa acontece, porque é o único ponto em que a veia é espremida, e é a razão anatômica de o tratamento definitivo dela envolver a retirada da primeira costela: sem tirar um dos dois lados da pinça, a compressão continua.

O terceiro é o espaço retropeitoral menor, sob o músculo peitoral menor, junto ao processo coracoide. É o mais distal e explica por que os sintomas de algumas pessoas pioram com o braço elevado acima da cabeça, posição em que o peitoral menor se tensiona sobre o feixe.

A proporção entre os três subtipos organiza o raciocínio

A distribuição é muito desigual e vale ser sabida, porque ela define qual hipótese vem primeiro. A forma neurogênica representa a esmagadora maioria dos casos, em torno de 95%. A venosa fica numa faixa pequena, de poucos por cento. A arterial gira em torno de 1%.

Daí decorre uma consequência que parece contraintuitiva. As duas formas que interessam mais diretamente ao cirurgião vascular — a venosa e a arterial — são justamente as raras, e as duas exigem intervenção. A comum é a neurogênica, e nela o tratamento inicial não é cirúrgico. Um serviço de cirurgia vascular que atende sobretudo as formas vasculares tende a ter uma impressão de frequência muito diferente da de um ambulatório de reabilitação, e é por isso que as séries publicadas divergem tanto sobre a proporção.

A distribuição também explica um erro clínico comum: diante de formigamento na mão com piora ao elevar o braço, procurar imediatamente o problema vascular. Na maioria esmagadora dos casos, o problema é do plexo, os pulsos estão normais em posição neutra e nenhuma imagem vascular vai fechar o diagnóstico.

O perfil demográfico também ajuda, e ele difere entre os subtipos de um modo que o enunciado costuma respeitar. A forma neurogênica predomina em mulheres adultas jovens e de meia-idade, com trabalho repetitivo de membros superiores ou postura mantida — costureira, digitadora, cabeleireira, instrumentista —, e a história muitas vezes soma um desencadeante, como mecanismo de chicote cervical ou aumento súbito da carga de trabalho. A forma venosa predomina em homens jovens, atletas ou trabalhadores braçais, e acomete o braço dominante. A forma arterial não tem idade típica, porque quem a determina é a estrutura óssea: ela aparece quando a compressão repetida encontra uma costela cervical, uma primeira costela anômala ou um calo exuberante de fratura de clavícula.

Uma anomalia óssea muda a probabilidade. A costela cervical está presente em menos de 1% da população, e a maioria de quem a tem nunca terá sintoma nenhum — mas, entre os que desenvolvem a forma arterial, a anomalia é quase regra. Encontrar costela cervical numa radiografia, portanto, não faz diagnóstico; encontrá-la em quem tem isquemia digital unilateral, faz quase tudo.

Neurogênica: o tronco inferior, e a mão que denuncia

A compressão neurogênica atinge preferencialmente o tronco inferior do plexo braquial, formado pelas raízes C8 e T1, porque é o que corre mais baixo e mais próximo da primeira costela e da banda fibrosa. Daí sai a distribuição dos sintomas, que é a assinatura do quadro: parestesia e hipoestesia na borda ulnar do antebraço e nos quarto e quinto dedos.

A queixa tem uma característica postural que quase nenhum diferencial reproduz: piora ou aparece com o braço elevado acima da cabeça e melhora em minutos quando o braço desce. Pendurar roupa no varal, secar o cabelo, pegar objeto em prateleira alta, dirigir com as mãos altas no volante e carregar peso pendurado no ombro são os gatilhos que o enunciado usa. Despertar noturno com a mão adormecida também é frequente, e é o achado que mais confunde com síndrome do túnel do carpo.

Quando a compressão é antiga e verdadeiramente neurogênica, aparece o que a mão denuncia: fraqueza da musculatura intrínseca e atrofia, com dificuldade para abrir potes, segurar objetos pequenos e afastar os dedos. A descrição clássica associada a costela cervical ou banda fibrosa combina atrofia importante da eminência tenar com acometimento menos pronunciado da hipotenar, um padrão que não corresponde ao território de nenhum nervo periférico isolado — e é justamente essa incoerência que aponta para o plexo.

Vale separar duas realidades que convivem sob o mesmo rótulo, porque a literatura as separa. A forma neurogênica verdadeira é rara, tem achados objetivos — atrofia, déficit motor, alteração eletrofisiológica — e costuma vir com anomalia óssea. A forma inespecífica, muito mais comum, cursa com sintomas iguais e exames complementares normais, e é diagnosticada clinicamente. A distinção importa porque a primeira tem indicação cirúrgica mais direta, e a segunda tem na reabilitação o seu tratamento.

O exame físico acrescenta dois achados que não são manobras: dor à palpação da região supraclavicular, sobre o triângulo escalênico, que costuma reproduzir a parestesia distal; e a inspeção da postura, com ombros protraídos e cabeça anteriorizada, que é ao mesmo tempo consequência e fator perpetuante.

As manobras provocativas e o que elas realmente valem

São quatro as manobras que a prova nomeia, e conhecer a mecânica de cada uma é mais útil do que decorar o nome. A manobra de Adson roda a cabeça e estende o pescoço com inspiração profunda, tensionando os escalenos e estreitando o triângulo interescalênico. A de Wright, ou de hiperabdução, eleva e roda externamente o braço, fechando o espaço retropeitoral. A manobra costoclavicular, ou posição militar, joga os ombros para trás e para baixo, fechando o espaço entre clavícula e primeira costela. E o teste de Roos, ou teste de estresse com os braços elevados, mantém os braços em abdução e rotação externa com abertura e fechamento das mãos por cerca de três minutos.

A leitura clássica dessas manobras é o desaparecimento do pulso radial, e é aí que mora o problema. A perda posicional do pulso ocorre numa fração expressiva de pessoas sem sintoma nenhum, o que torna esse desfecho pouco específico. Um teste positivo, isolado, nunca faz o diagnóstico, e diagnosticar a doença por sumiço de pulso é o erro mais reproduzido do tema.

O que aumenta o valor da manobra é mudar o desfecho observado: em vez do pulso, procurar a reprodução dos sintomas do paciente, na mesma distribuição e com o mesmo caráter. O teste de Roos é o que mais se aproxima disso, porque sustenta a posição por tempo suficiente para provocar o sintoma, e não apenas para comprimir a artéria por um instante.

É por isso que o documento de padronização propõe critérios combinados para a forma neurogênica, em vez de um teste único: achado local na região supraclavicular, achado periférico no braço e na mão, ausência de outro diagnóstico mais provável e teste posicional positivo. A resposta favorável a um bloqueio anestésico do escaleno anterior entra como elemento de apoio, sobretudo para prever benefício cirúrgico. Nenhum item sozinho basta, e é essa combinação que separa diagnóstico de impressão.

O exame que exclui, e o exame que confirma

Na forma neurogênica, a maior parte da investigação serve para excluir, e não para confirmar. A eletroneuromiografia entra sobretudo para afastar as duas compressões periféricas que imitam o quadro — neuropatia ulnar no cotovelo e síndrome do túnel do carpo — e a radiculopatia cervical. Na forma neurogênica verdadeira, o padrão descrito é de redução das amplitudes sensitiva ulnar e motora mediana, com condução preservada no cotovelo e no punho, além de sinais de desnervação crônica na musculatura intrínseca.

A radiografia de coluna cervical procura anomalia óssea: costela cervical, processo transverso alongado de C7, calo de fratura de clavícula ou de primeira costela. A radiografia de tórax tem outro papel, e ele é obrigatório: afastar massa no ápice pulmonar. Tumor de sulco superior, com ou sem síndrome de Horner, comprime o mesmo tronco inferior e produz exatamente a mesma distribuição de sintomas, em paciente com fator de risco compatível — deixar de pedir a imagem torácica é o erro que transforma um câncer em fisioterapia.

A ressonância magnética do plexo braquial mostra a relação entre as estruturas nervosas e a anomalia, e é útil para planejamento cirúrgico e para afastar massa. A ressonância da coluna cervical afasta hérnia discal e estenose foraminal.

Nas formas vasculares a lógica se inverte, e a imagem confirma. Na forma arterial, a ultrassonografia com Doppler com manobras posicionais mostra a queda de velocidade na subclávia em abdução com recuperação em posição neutra, e a angiotomografia ou a arteriografia mostram a dilatação pós-estenótica, o trombo mural e o território embolizado. Na forma venosa, a ultrassonografia com Doppler documenta a trombose, com a ressalva de que o segmento sob a clavícula é mal visualizado e um exame normal não afasta o diagnóstico — a flebografia é o exame que resolve, e é também a porta do tratamento.

Um alerta de leitura fecha a seção. Achado de imagem posicional isolado, sem sintoma correspondente, não é doença. Compressão da subclávia em abdução acontece em muita gente saudável, do mesmo modo que o pulso some nas manobras. A imagem confirma o que a clínica já suspeitava; ela não substitui a clínica.

Neurogênica: reabilitação primeiro, e as duas portas da cirurgia

O tratamento inicial da forma neurogênica é conservador, e ele não é um placebo de espera: é um programa estruturado, com objetivos definidos e prazo. A fisioterapia trabalha estabilização escapular, fortalecimento dos rotadores e dos músculos que retraem a escápula, alongamento dos escalenos e do peitoral menor, e correção do padrão respiratório que usa a musculatura acessória do pescoço.

Junto vêm as medidas que retiram o gatilho: adaptação ergonômica do posto de trabalho, com teclado e monitor na altura correta e apoio para os antebraços; retirada de carga pendurada no ombro do lado sintomático; e redução das atividades com o braço acima da cabeça. Analgesia e afastamento temporário das tarefas que reproduzem os sintomas completam o pacote.

A resposta se avalia em semanas a meses, e a maioria melhora. Duas portas levam à cirurgia. A primeira é a falha do programa conservador bem conduzido e por tempo adequado, em paciente com diagnóstico bem estabelecido. A segunda dispensa a espera: déficit motor objetivo e progressivo, com atrofia da musculatura intrínseca, sobretudo quando há anomalia óssea documentada. Perda de força que avança enquanto se aguarda fisioterapia não é candidata a mais três meses de fisioterapia.

Entre a reabilitação e a mesa existe um recurso que ajuda a decidir e que a padronização cita: o bloqueio anestésico do escaleno anterior. Alívio importante dos sintomas depois do bloqueio apoia o diagnóstico e prevê melhor resposta à descompressão; ausência de alívio deve fazer voltar à lista de diferenciais antes de operar. Ele não é tratamento definitivo, e o efeito é temporário. A conversa que acompanha a indicação cirúrgica precisa ser igualmente honesta: a operação melhora a maioria, o alívio da dor costuma vir antes da recuperação da força, e a recuperação motora depende do tempo de desnervação já instalado — quem chegou com atrofia de meses não recupera tudo.

A operação é a descompressão do desfiladeiro: ressecção da primeira costela, com escalenectomia anterior e ressecção de bandas fibrosas conforme o achado, por via transaxilar ou supraclavicular. O princípio é remover um dos lados da pinça, e é por isso que a ressecção incompleta da costela é a causa clássica de recidiva — sobra coto, sobra compressão.

As complicações da descompressão formam uma lista que a prova cobra, e todas se explicam pela vizinhança anatômica: lesão do plexo braquial, pneumotórax pela proximidade da cúpula pleural, lesão do nervo torácico longo com escápula alada, lesão do nervo frênico com elevação da cúpula diafragmática, lesão dos vasos subclávios e, do lado esquerdo, lesão do ducto torácico com quilotórax.

Venosa: Paget-Schroetter e o relógio da trombólise

A forma venosa se apresenta como trombose venosa de esforço da veia axilar e subclávia, e tem nome próprio: síndrome de Paget-Schroetter. O paciente típico é jovem, saudável, atleta ou trabalhador braçal, e o acometimento é do braço dominante, depois de atividade repetitiva com o membro elevado — nadar, arremessar, levantar peso, pintar teto.

O quadro instala-se em horas a dias: aumento de volume de todo o membro, sensação de peso, cianose ou coloração arroxeada, e circulação colateral superficial visível no ombro e na parede torácica anterior. Dor há, mas não domina — o que domina é o volume. Comparar os dois braços com fita métrica é gesto de consultório que vale mais que impressão visual.

O diagnóstico começa pela ultrassonografia com Doppler, e aqui vale a ressalva já dita: o segmento retroclavicular é mal visualizado, e exame normal em paciente com quadro típico não encerra a investigação. A flebografia confirma, mostra a extensão do trombo e o ponto de compressão — e, sobretudo, é o mesmo acesso pelo qual o tratamento é feito.

A conduta tem duas metades e as duas são necessárias. A primeira é dissolver o trombo: anticoagulação imediata e trombólise dirigida por cateter, cujo benefício é maior quanto mais precoce, com as fontes situando a janela útil em torno das primeiras duas semanas de sintomas. A segunda é tratar a causa: descompressão do desfiladeiro, com ressecção da primeira costela, porque a compressão que trombosou a veia continua ali depois de o trombo sair.

Há um erro de sequência que a prova cobra e que tem explicação mecânica limpa: implantar stent na veia subclávia antes da descompressão. O stent fica preso entre a clavícula e a primeira costela, sofre compressão a cada movimento do ombro, deforma-se, fratura e retrombosa. Angioplastia com balão de estenose residual, quando indicada, é feita depois da retirada da costela, não antes.

Vale dizer o que está em jogo quando a segunda metade do tratamento não é feita, porque isso explica a insistência com a descompressão. O membro que retrombosa evolui para síndrome pós-trombótica do membro superior, com edema recorrente ao esforço, peso, dor e limitação funcional — e o paciente típico é jovem, trabalha com o braço e tem décadas de uso pela frente. A embolia pulmonar a partir de trombose de membro superior é menos frequente que a de membro inferior, mas acontece, e é outra razão para não tratar o quadro como problema local benigno. Anticoagular e mandar para casa transforma um evento tratável numa incapacidade crônica.

Existe uma variante sem trombose, chamada síndrome de McCleery: compressão venosa posicional intermitente, com inchaço e peso que aparecem com o braço elevado e cedem depois. Ela é a forma venosa antes de trombosar, e reconhecê-la permite descomprimir antes do evento.

Arterial: a rara que embolisa, e a única que sempre opera

A forma arterial é a menos frequente e a mais grave, e quase sempre traz uma anomalia óssea junto — costela cervical, primeira costela anômala, calo exuberante de fratura de clavícula. A mecânica é de repetição: a artéria subclávia é comprimida contra a estrutura óssea a cada movimento, e a agressão crônica produz lesão da parede.

A sequência de eventos é o que faz o quadro ser perigoso. Primeiro aparece uma estenose no ponto de compressão. Depois, imediatamente além dela, uma dilatação pós-estenótica, que pode evoluir para verdadeiro aneurisma da subclávia. Dentro do aneurisma forma-se trombo mural, e daí saem os êmbolos que vão para a mão.

A apresentação clínica é, portanto, de isquemia distal unilateral: dedos frios, pálidos ou cianóticos, dor, hemorragias em estilha sob as unhas, microinfartos de polpa digital, e nos casos mais graves úlcera ou necrose. Pode haver claudicação do membro superior, com dor no antebraço ao usar o braço acima da cabeça. Sopro supraclavicular e massa pulsátil supraclavicular são achados de exame que valem ouro quando presentes.

A regra que fecha o raciocínio é simples e vale como frase de prova: isquemia digital unilateral em pessoa jovem, com costela cervical, é forma arterial até prova em contrário. O grande diferencial é o fenômeno de Raynaud, que é tipicamente bilateral, simétrico, desencadeado por frio e com mudança de cor em fases — e que não produz microinfarto assimétrico de uma mão só.

O tratamento é o ponto em que este subtipo se separa dos outros dois: ele é cirúrgico praticamente sempre, e não há espaço para tentativa conservadora. Retira-se a anomalia óssea e a primeira costela, e reconstrói-se a artéria — ressecção do segmento aneurismático com interposição de enxerto, quando é o caso. Os êmbolos já alojados são tratados à parte, com embolectomia ou trombólise conforme o território e o tempo. Anticoagular e observar deixa a fonte no lugar, e a próxima embolia é questão de tempo.

O diferencial que a prova quer, e a anatomia que o resolve

O diferencial mais cobrado é com a neuropatia ulnar no cotovelo, e há um argumento anatômico que o resolve de forma elegante. A sensibilidade da borda ulnar do antebraço é dada pelo nervo cutâneo medial do antebraço, que sai do fascículo medial do plexo e não é ramo do nervo ulnar. Logo, dormência que ocupa o antebraço, e não apenas a mão, aponta para plexo ou raiz, e não para compressão do ulnar no cotovelo. Some a isso a ausência de sinal de Tinel no túnel cubital e a relação postural dos sintomas.

Esquema frontal: duas faixas musculares paralelas formam um espaço triangular apoiado sobre uma barra óssea horizontal; dentro do triângulo correm um feixe de cordões nervosos e um tubo arterial, enquanto um tubo venoso passa por fora e à frente da faixa muscular anterior, atravessando a fenda entre a barra óssea inferior e uma segunda barra óssea acima.
O triângulo entre os dois escalenos, apoiado na primeira costela, contém o plexo braquial e a artéria subclávia — e é por isso que as formas neurogênica e arterial se concentram ali. A veia subclávia corre por diante do escaleno anterior, fora do triângulo, e é espremida mais adiante, na fenda entre a clavícula e a primeira costela. Essa diferença de endereço explica duas coisas: por que manobra que tensiona escaleno não interroga a veia, e por que o tratamento definitivo da forma venosa passa por retirar um dos dois lados da fenda.

A síndrome do túnel do carpo ocupa o outro lado da mão: primeiros três dedos e metade radial do quarto, com piora noturna, sinais de Tinel e de Phalen no punho e, quando avançada, atrofia tenar. A confusão com a forma neurogênica é frequente porque as duas acordam o paciente à noite — o que separa é a distribuição e a relação com a posição do braço.

A radiculopatia cervical de C8 ou T1 entra pela mesma distribuição de sintomas, e se distingue pela dor cervical com irradiação, pela reprodução dos sintomas na manobra de compressão da coluna e pelos achados de imagem da coluna. O tumor de sulco superior já foi citado e merece repetição: é o diagnóstico que não pode passar, e a radiografia de tórax é barata.

Fecham a lista o fenômeno de Raynaud, bilateral e desencadeado pelo frio, e a tendinopatia do manguito rotador, cuja dor é do ombro, piora à abdução contra resistência e não produz parestesia distal. Vale ainda lembrar a trombose venosa de esforço como diferencial dela mesma: o braço que incha depois de treino intenso não é tendinite.

Uma última observação de método, que atravessa os três subtipos. Como a forma neurogênica é diagnóstico clínico e de exclusão, e como as manobras e as imagens posicionais têm alta taxa de achado em pessoas assintomáticas, a única defesa contra o excesso de diagnóstico é a disciplina de exigir o conjunto: sintoma na distribuição certa, relação postural, achado local, ausência de outra explicação melhor e, quando existir, o achado objetivo. Diagnóstico feito só com manobra positiva leva à cirurgia errada, e a cirurgia errada tem as complicações listadas acima.

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Os três subtipos, lado a lado

Os cartões abaixo separam as três doenças pelo que cada uma entrega na porta: a queixa, o exame que confirma e o prazo da decisão. Repare que apenas uma delas tem tratamento inicial não cirúrgico, e que ela é justamente a mais frequente.

Neurogênica — a esmagadora maioria

Parestesia na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos, que piora com o braço acima da cabeça e melhora ao baixá-lo; em casos antigos, fraqueza e atrofia da musculatura intrínseca da mão. Diagnóstico clínico e de exclusão. A investigação serve sobretudo para afastar túnel do carpo, ulnar no cotovelo, radiculopatia e massa apical. Tratamento inicial é reabilitação estruturada.

Venosa — braço inchado, relógio de dias

Adulto jovem, braço dominante, aumento de volume de todo o membro em horas a dias após esforço repetitivo com o braço elevado, cianose e circulação colateral no ombro e na parede torácica. Ultrassonografia pode não ver o segmento sob a clavícula; a flebografia confirma e é a via do tratamento. Anticoagulação e trombólise dirigida precoce, seguidas de descompressão.

Arterial — a rara que embolisa

Isquemia digital unilateral em pessoa jovem, com hemorragias em estilha, microinfartos de polpa e, às vezes, claudicação do membro superior. Quase sempre há anomalia óssea. A sequência é estenose, dilatação pós-estenótica, trombo mural e embolia distal. Sopro e massa pulsátil supraclaviculares valem ouro. Tratamento cirúrgico praticamente sempre, com ressecção óssea e reconstrução arterial.

As duas portas da cirurgia na forma neurogênica

A primeira é a falha de um programa conservador bem conduzido e por tempo adequado, com diagnóstico bem estabelecido. A segunda dispensa a espera: déficit motor objetivo e progressivo, com atrofia da musculatura intrínseca, sobretudo com anomalia óssea documentada. Perda de força que avança durante a reabilitação não é candidata a mais três meses de reabilitação.

A veia subclávia passa por diante do escaleno anterior e não está no triângulo interescalênico: manobra que tensiona escaleno não interroga a veia, e a compressão venosa acontece na fenda entre a clavícula e a primeira costela.

Perda posicional do pulso radial ocorre numa fração expressiva de pessoas assintomáticas. Manobra positiva isolada não faz diagnóstico; o que aumenta o valor do teste é procurar a reprodução do sintoma, e não o sumiço do pulso.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quando descomprimir o desfiladeiro depois da trombólise na forma venosa

Na mesma internação, logo após a trombólise

Uma corrente indica a ressecção da primeira costela na mesma internação, dias após a trombólise bem-sucedida, com o argumento de que a compressão persiste e de que o intervalo sob anticoagulação expõe o paciente à retrombose e adia o retorno às atividades.

Illig KA, Doyle AJ. A comprehensive review of Paget-Schroetter syndrome. Journal of Vascular Surgery, 2010, seção sobre momento da descompressão.

Depois de algumas semanas de anticoagulação

Outra corrente prefere anticoagular por algumas semanas antes de operar, com o argumento de que a veia e os tecidos ao redor ainda estão inflamados logo após o evento agudo, o que dificulta a dissecção e aumenta o risco de complicação da descompressão.

Seções sobre trombose venosa de membro superior nas diretrizes de tromboembolismo venoso do American College of Chest Physicians, e séries cirúrgicas citadas na mesma revisão.

Na prova

As duas correntes concordam nos dois pontos que a questão costuma cobrar: a trombólise dirigida por cateter é tanto mais útil quanto mais precoce, e a descompressão precisa acontecer, porque anticoagular sozinho deixa a causa no lugar. A discordância é de intervalo, e um enunciado que peça o número exato de semanas está pisando na divergência. Quando o enunciado oferecer como alternativa a anticoagulação isolada por seis meses sem descompressão, essa é a opção errada nas duas leituras.

Até quando vale a pena tentar trombólise na trombose venosa de esforço

Até cerca de duas semanas de sintomas

A leitura mais difundida limita o benefício da trombólise dirigida por cateter aos trombos recentes, com janela útil em torno de quatorze dias desde o início dos sintomas, porque o trombo organizado responde mal ao agente lítico e a taxa de recanalização cai.

Illig KA, Doyle AJ. A comprehensive review of Paget-Schroetter syndrome. Journal of Vascular Surgery, 2010, seção sobre seleção de pacientes para trombólise.

Tentativa individualizada mesmo além desse prazo

Há posição que aceita tentar a trombólise em pacientes jovens e muito sintomáticos além do prazo clássico, avaliando a resposta durante a infusão e interrompendo se não houver recanalização, com o argumento de que o custo de tentar é baixo em quem tem décadas de uso do membro pela frente.

Séries de trombose venosa de esforço citadas na mesma revisão, com resultados heterogêneos em trombos de mais de duas semanas.

Na prova

Fora da faixa não há controvérsia: trombose de três dias em atleta jovem vai para trombólise, e trombose de seis meses já organizada não vai. O enunciado que descrever aumento de volume iniciado há um ou dois dias está pedindo anticoagulação com trombólise precoce, sem discussão. Se o intervalo cair perto de duas semanas com pedido de número, a questão está na zona de divergência, e o que se sustenta é a descrição do princípio: quanto mais recente o trombo, maior o benefício.

Qual o valor da eletroneuromiografia no diagnóstico da forma neurogênica

Serve para excluir, e a normalidade não afasta a doença

A posição predominante entre os serviços que operam a doença sustenta que a eletroneuromiografia é normal na maioria dos pacientes com a forma inespecífica, e que o exame vale sobretudo para afastar neuropatia ulnar no cotovelo, túnel do carpo e radiculopatia — de modo que exame normal não retira o diagnóstico.

Reporting standards of the Society for Vascular Surgery for thoracic outlet syndrome (Illig KA, et al., Journal of Vascular Surgery, 2016), seção de critérios diagnósticos e de exames complementares.

Sem alteração objetiva, o diagnóstico não se sustenta

A leitura mais restritiva, tradicionalmente sustentada em ambientes neurológicos, exige achado eletrofisiológico objetivo para aceitar o diagnóstico, e reserva o rótulo para a forma neurogênica verdadeira, com atrofia e alteração de amplitude. Sem isso, prefere classificar o quadro como dor de outra origem.

Literatura neurológica derivada da descrição original de Gilliatt e colaboradores sobre atrofia da mão associada a costela cervical ou banda fibrosa, Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, 1970.

Na prova

A divergência é real e de fundo, e por isso a questão bem construída não a coloca em jogo: ela descreve um paciente com atrofia e alteração eletrofisiológica, em que as duas leituras concordam, ou pergunta para que serve o exame, cuja resposta defensável é excluir os diferenciais periféricos. Enunciado que ofereça a normalidade da eletroneuromiografia como prova de ausência de doença está adotando a posição restritiva como se fosse consenso.

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Caso resolvido

Mulher de 29 anos, digitadora, procura o ambulatório por parestesia do membro superior direito há cerca de 14 meses, com piora progressiva. Descreve formigamento e dormência que predominam na borda ulnar do antebraço e nos quarto e quinto dedos da mão direita, presentes na maior parte do dia e piores no fim do expediente. Refere dor em peso na região cervical lateral direita e na face medial do braço, que aparece ou piora quando mantém o braço elevado acima da cabeça — ao pendurar roupa, secar o cabelo e pegar objetos em prateleira alta —, com alívio em poucos minutos ao baixar o braço. Desperta à noite com a mão adormecida e melhora ao mudar a posição do braço. Nos últimos dois meses percebeu perda de força para abrir potes e para segurar objetos pequenos, com queda de canetas. Nega mudança de coloração da mão com o frio e nega aumento de volume do braço. Ao exame: postura com ombros protraídos e cabeça anteriorizada; atrofia discreta da eminência hipotenar e do primeiro espaço interósseo à direita; pulsos radial, ulnar e braquial cheios e simétricos em posição neutra; força grau 4 para abdução e adução dos dedos e para preensão à direita; hipoestesia na borda ulnar do antebraço, no quinto dedo e na metade ulnar do quarto dedo à direita, com sensibilidade preservada nos territórios radial e mediano; dor à palpação supraclavicular direita, que reproduz a parestesia distal. Exames: radiografia cervical com costela cervical à direita, articulada com o processo transverso de C7, medindo 4 cm; radiografia de tórax com campos pulmonares livres e sem massa apical; eletroneuromiografia com redução de amplitude do potencial sensitivo ulnar e do potencial motor mediano à direita, com condução preservada no cotovelo e no punho, e desnervação crônica na musculatura intrínseca; ressonância do plexo braquial com banda fibrosa da costela cervical até a primeira costela e angulação do tronco inferior sobre ela; ultrassonografia com Doppler arterial com fluxo trifásico em posição neutra e queda superior a 50% da velocidade na subclávia em abdução, com recuperação ao retornar à neutra.
primeiro, reconheça o subtipo pela distribuição e pela postura
Parestesia na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos é território do tronco inferior, formado por C8 e T1, e a piora com o braço acima da cabeça com alívio ao baixá-lo é a assinatura postural do quadro. Pulsos cheios e simétricos em posição neutra e ausência de aumento de volume do braço afastam, de saída, as formas arterial e venosa. O subtipo é o neurogênico.
segundo, use a anatomia para eliminar as compressões periféricas
A dormência ocupa o antebraço, e não apenas a mão. A sensibilidade da borda ulnar do antebraço vem do nervo cutâneo medial do antebraço, que sai do fascículo medial do plexo e não é ramo do ulnar — logo, o quadro não se explica por compressão do ulnar no cotovelo. A preservação do território mediano afasta o túnel do carpo, cuja distribuição é oposta.
terceiro, peça a radiografia de tórax mesmo quando a hipótese está clara
Tumor de sulco superior comprime o mesmo tronco inferior e produz a mesma distribuição de sintomas. Aqui os campos pulmonares estão livres e não há massa apical, o que fecha essa porta. Este passo não é acessório: é o diagnóstico que não pode passar, e a imagem é barata.
quarto, leia a eletroneuromiografia pelo que ela exclui e pelo que ela confirma
Condução preservada no cotovelo e no punho exclui as duas compressões periféricas. Redução de amplitude sensitiva ulnar e motora mediana com desnervação crônica na musculatura intrínseca é a assinatura da forma neurogênica verdadeira — a que tem achado objetivo, e não apenas sintoma. A costela cervical com banda fibrosa e a angulação do tronco inferior sobre ela completam o quadro.
quinto, prescreva o programa conservador com objetivo e prazo
Fisioterapia dirigida à estabilização escapular, ao fortalecimento dos retratores e ao alongamento de escalenos e peitoral menor; adaptação ergonômica do posto de trabalho; retirada da carga pendurada no ombro direito; redução das atividades com o braço acima da cabeça; analgesia e afastamento temporário das tarefas que reproduzem os sintomas. Retorno com data marcada para reavaliar força e sensibilidade.
sexto, reconheça a porta que dispensa a espera
Há perda de força de instalação recente, com atrofia da hipotenar e do primeiro interósseo, e há anomalia óssea documentada com banda fibrosa angulando o tronco inferior. Déficit motor objetivo e progressivo é a segunda porta da cirurgia, e ela não exige esgotar meses de reabilitação: a descompressão do desfiladeiro está indicada, com ressecção da primeira costela e da costela cervical, escalenectomia anterior e ressecção da banda.
sétimo, informe o que a operação custa
O consentimento precisa nomear as complicações que decorrem da vizinhança anatômica: lesão do plexo braquial, pneumotórax pela proximidade da cúpula pleural, lesão do nervo torácico longo com escápula alada, lesão do frênico com elevação da cúpula diafragmática e, do lado esquerdo, lesão do ducto torácico com quilotórax. Vale dizer também que a ressecção incompleta da costela é a causa clássica de recidiva, e que a recuperação da força depende do tempo de desnervação já instalado.
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Agora feche você

Homem de 24 anos, jogador de vôlei amador e destro, procura o pronto-socorro por aumento de volume de todo o membro superior direito, iniciado há 36 horas. Conta que participou de um torneio no fim de semana, com muitos saques e bloqueios, e que na manhã seguinte acordou com o braço pesado e apertado. Ao exame, o braço direito está difusamente aumentado de volume, com coloração arroxeada, e há veias superficiais proeminentes e tortuosas no ombro direito e na parede torácica anterior do mesmo lado; a circunferência do braço direito é 4 cm maior que a do esquerdo. A mão está quente, com enchimento capilar de 2 segundos, e os pulsos radial e ulnar estão cheios e simétricos. Não há febre, não há dor torácica e não há dispneia. Nega trauma, nega uso de medicamento, nega tabagismo e nega história familiar de trombose. A ultrassonografia com Doppler venoso realizada na admissão descreve fluxo fásico na veia axilar, com visualização limitada do segmento retroclavicular e sem trombo claramente identificado. O hemograma e a função renal são normais.
a hipótese e o perfil que a sustenta
por que a ultrassonografia não encerra
o exame que confirma e por que ele é o mesmo do tratamento
a primeira metade do tratamento
a segunda metade
o erro de sequência a evitar
a variante que se reconhece antes de trombosar
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Onde a banca derruba

  1. 1Diagnosticar pela perda do pulso na manobra A perda posicional do pulso radial ocorre numa fração expressiva de pessoas sem sintoma nenhum, e por isso um teste positivo isolado não faz diagnóstico. O que aumenta o valor da manobra é procurar a reprodução dos sintomas do paciente, na mesma distribuição e com o mesmo caráter, e combinar isso com achado local, achado periférico e ausência de outra explicação melhor.
  2. 2Ler dormência na borda ulnar do antebraço como nervo ulnar A sensibilidade da borda ulnar do antebraço vem do nervo cutâneo medial do antebraço, que sai do fascículo medial do plexo e não é ramo do nervo ulnar. Dormência que ocupa o antebraço, e não apenas a mão, aponta para plexo ou raiz. É o argumento anatômico que separa a doença do desfiladeiro da compressão do ulnar no cotovelo, e ele resolve o diferencial sem exame.
  3. 3Procurar problema vascular em todo formigamento de mão A forma neurogênica responde pela esmagadora maioria dos casos, e nela os pulsos estão normais em posição neutra. Pedir imagem vascular como primeiro exame diante de parestesia postural é procurar a exceção antes da regra. As formas venosa e arterial têm apresentações próprias, e nenhuma delas começa com formigamento isolado nos dois últimos dedos.
  4. 4Esquecer a radiografia de tórax Tumor de sulco superior comprime o mesmo tronco inferior e produz exatamente a mesma distribuição de sintomas, com ou sem síndrome de Horner, em paciente com fator de risco compatível. É o diagnóstico que não pode passar, e a imagem torácica é barata. Encaminhar para fisioterapia sem essa radiografia é o erro que transforma um câncer em programa de reabilitação.
  5. 5Achar que costela cervical na radiografia fecha o diagnóstico Ela está presente em menos de 1% da população, e a maioria de quem a tem nunca desenvolve sintoma. Encontrá-la em exame de rotina não faz diagnóstico. O que muda tudo é o contexto: costela cervical em quem tem isquemia digital unilateral aponta a forma arterial, e costela cervical em quem tem atrofia da mão reforça a forma neurogênica verdadeira.
  6. 6Anticoagular a trombose venosa de esforço e deixar a compressão no lugar A anticoagulação trata o trombo, não a causa. A veia foi espremida entre a clavícula e a primeira costela, e essa pinça continua depois que o trombo sai. O tratamento tem duas metades — dissolver o trombo, com trombólise dirigida tão precoce quanto possível, e descomprimir o desfiladeiro. Tratar só a primeira metade programa a recidiva.
  7. 7Implantar stent na veia subclávia antes de retirar a costela O stent fica preso entre a clavícula e a primeira costela, sofre compressão a cada movimento do ombro, deforma-se, fratura e retrombosa. Angioplastia de estenose residual, quando indicada, é feita depois da descompressão, e não antes. É um erro de sequência com explicação puramente mecânica, e por isso cai em prova.
  8. 8Tentar tratamento conservador na forma arterial É o único subtipo em que a cirurgia é praticamente obrigatória. A sequência de estenose, dilatação pós-estenótica, trombo mural e embolia distal continua rodando enquanto a compressão existir, e anticoagular sem retirar a anomalia óssea deixa a fonte de êmbolos no lugar. Isquemia digital unilateral em jovem com costela cervical é indicação cirúrgica.
  9. 9Confundir a isquemia digital unilateral com fenômeno de Raynaud Raynaud é tipicamente bilateral, simétrico, desencadeado pelo frio e cursa com mudança de cor em fases, sem microinfarto assimétrico. Dedos frios de uma mão só, com hemorragias em estilha e lesões de polpa digital, em pessoa jovem, descrevem embolia a partir de uma fonte proximal — e essa fonte precisa ser procurada na subclávia.
  10. 10Ressecar a primeira costela pela metade O princípio da descompressão é remover um dos lados da pinça, e ressecção incompleta deixa coto e deixa compressão: é a causa clássica de recidiva depois da operação. A lista de complicações da via cirúrgica também precisa ser conhecida, porque toda ela se explica pela vizinhança — plexo braquial, cúpula pleural, nervo torácico longo, nervo frênico e, à esquerda, ducto torácico.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

Sintomas no território do tronco inferior do plexo braquial, com dormência ulnar e piora à elevação dos braços, apontam para compressão neurogênica na saída torácica, a forma mais comum da síndrome. A síndrome do túnel do carpo acomete o território mediano, com dormência em polegar, indicador e médio, e piora noturna. Neuropatia diabética é distal, simétrica e em bota e luva. Radiculopatia de C6 produz sintomas em polegar e indicador com alteração de reflexo braquiorradial. Doença arterial obstrutiva causa claudicação e palidez ao esforço, sem o padrão sensitivo descrito.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Sem consultar nada, escreva: (1) os três espaços da passagem, com as estruturas que atravessam cada um, e diga qual estrutura não está no triângulo interescalênico e o que isso explica; (2) a proporção aproximada entre os três subtipos e a consequência prática dessa proporção; (3) a distribuição sensitiva típica da forma neurogênica e o argumento anatômico que a separa da compressão do ulnar no cotovelo; (4) por que a perda de pulso na manobra provocativa vale pouco, e o que se deve procurar no lugar dela; (5) as duas metades do tratamento da forma venosa e o erro de sequência que envolve o stent; (6) a sequência de quatro eventos que leva da compressão à isquemia digital na forma arterial.

em 30 dias

Pegue a paciente do caso resolvido — 29 anos, digitadora, 14 meses de parestesia na borda ulnar do antebraço e nos dois últimos dedos à direita, piora com o braço acima da cabeça, perda de força há dois meses, atrofia da eminência hipotenar, costela cervical de 4 cm à direita — e mude um dado por vez, dizendo o que quebra em cada mudança. E se a dormência ocupasse os três primeiros dedos, com piora noturna e Tinel positivo no punho? E se houvesse dor cervical irradiada e hérnia discal em C7-T1 na ressonância? E se ela fumasse há quinze anos e tivesse perdido seis quilos, com ptose e miose à direita? E se, em vez de formigamento, ela tivesse chegado com todo o braço direito inchado e arroxeado dois dias depois de uma mudança de casa? E se ela tivesse dedos frios e pálidos apenas na mão direita, com hemorragias em estilha sob as unhas? Em seguida, escreva o programa conservador que você prescreveria, com objetivo e prazo, e diga qual achado, se aparecer durante esse prazo, interrompe a espera e leva à cirurgia.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Você está no ambulatório de cirurgia vascular de um hospital-escola. Chega uma mulher de 29 anos, digitadora, com queixa de formigamento no braço direito há mais de um ano, encaminhada da unidade básica com hipótese de síndrome do túnel do carpo e pedido de fisioterapia. Ela diz que já fez sessões, que não melhorou e que nos últimos meses vem derrubando objetos. Conduza o atendimento: caracterize a distribuição exata da parestesia, investigue a relação com o braço elevado e o que a alivia, quantifique a perda de força e o tempo dela, pergunte pela rotina de trabalho e pelo peso carregado no ombro, procure ativamente sintomas vasculares e de trombose venosa de esforço, faça e narre a palpação supraclavicular, a avaliação de força e de sensibilidade e as manobras posicionais, diga quais exames pede e o que cada um exclui ou confirma, e feche explicando por que a reabilitação vem primeiro e qual achado, se aparecer, muda essa ordem. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Síndromes compressivas do desfiladeiro torácico – Desfiladeiro torácico: três doenças com um nome só — Preparatório para provas | OsceLabs