Cirurgia GeralColoproctologia

Doença hemorroidária

A prova cobra três decisões: em que grau está a hemorroida interna, se aquele sangramento pode mesmo ser creditado a ela, e quem fica no consultório, quem vai para o centro cirúrgico e quem não pode esperar.

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Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Homem de 45 anos procura atendimento por dor anal intensa há 3 dias, de início súbito, acompanhada de abaulamento doloroso na margem anal. Nega febre, sangramento significativo ou secreção. Ao exame proctológico, observa-se nódulo azulado, endurecido e muito doloroso à palpação na borda anal, coberto por pele. Toque retal sem outras alterações. Qual é o diagnóstico mais provável?

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Como esse tema cai

Hemorroida é o diagnóstico que o candidato acerta e a questão que ele erra. O mamilo hemorroidário está lá em boa parte dos adultos que sangram pelo ânus, e vê-lo à anuscopia é fácil. O que a prova testa é o passo seguinte: decidir se aquele sangramento pertence à hemorroida ou se ela é só uma testemunha inocente de um câncer que ninguém procurou.

A segunda decisão é o grau. A classificação de graus I a IV descreve apenas a hemorroida interna e apenas o prolapso — e é ela que escolhe entre orientação dietética, procedimento de consultório e centro cirúrgico. Uma hemorroida externa não tem grau; tem dor, porque está abaixo da linha pectínea, num território de inervação somática.

A terceira decisão é o destino. No Brasil, quem organiza esse destino não é uma diretriz de sociedade e sim um protocolo de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada, de 2016, que fixa prazo (2 meses de tratamento conservador), atalho (graus III e IV vão direto) e urgência (hemorroida encarcerada não espera consulta ambulatorial). As diretrizes brasileiras de sociedade sobre o tema são de 2005 e 2006 — quando elas e um documento internacional recente discordam, quase sempre é distância de data, e o capítulo registra os anos.

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O que muda decisão

A linha pectínea explica quase tudo

O plexo hemorroidário interno fica acima da linha pectínea, recoberto por mucosa colunar ou epitélio transicional, e é formado pela artéria retal superior; suas veias drenam para o sistema porta, pela veia mesentérica inferior. A inervação é visceral autônoma — por isso o paciente com hemorroida interna não complicada relata desconforto anal localizado, e não dor.

O plexo hemorroidário externo fica abaixo da linha pectínea, é formado pela artéria retal inferior (ramo da pudenda interna) e drena para as veias ilíacas internas, ou seja, para o sistema cava. Ali a inervação é somática, rica em fibras de dor, temperatura e tato. É esse detalhe anatômico que transforma uma trombose de poucos milímetros num dos quadros mais dolorosos do pronto-socorro.

A maioria dos pacientes tem três mamilos hemorroidários internos, nas posições anterior direita, posterior direita e lateral esquerda, o que reflete a ramificação da artéria retal superior. Guardar isso rende duas coisas na prova: a descrição típica do exame proctológico e a explicação de por que a ligadura elástica é frequentemente feita em três mamilos numa sessão só.

A doença hemorroidária ocorre nos dois sexos, com prevalência maior entre 45 e 65 anos e queda depois dos 65. Antes dos 20 anos não é comum — sangramento anal em adolescente merece outra hipótese antes de virar hemorroida. Na população geral dos Estados Unidos, a prevalência gira em torno de 4,4%.

Corte longitudinal do canal anal mostrando a linha pectínea, o plexo hemorroidário interno acima dela e o plexo externo abaixo, com os esfíncteres interno e externo.
A linha pectínea separa dois mundos: acima, mucosa e inervação visceral — sangra e prolapsa; abaixo, pele e inervação somática — dói.

O que o paciente conta e o que o exame mostra

O sangramento é o sintoma mais comum e tem assinatura própria: vermelho-vivo, intermitente, de pequena monta, que pinga no vaso ou mancha o papel ao final da evacuação, sem se misturar às fezes. Anemia importante por hemorroida existe, mas é rara — a incidência descrita é de cerca de 0,5 paciente a cada mil por ano. Quando o hemograma cai de verdade, a hipótese hemorroidária precisa ser reexaminada.

O prolapso é a consequência do afrouxamento do tecido conjuntivo entre a mucosa e a camada muscular do reto, e o esforço evacuatório crônico é o motor. Os outros sintomas do quadro são desconforto ou tenesmo anal, irritação e dermatite perianal e a sensação de esvaziamento retal incompleto.

Dor como queixa principal muda a rota. Na doença hemorroidária, dor forte aponta para complicação ou para doença associada: trombose hemorroidária aguda, fissura anal concomitante ou abscesso perianal. Tratar dor anal intensa como 'crise hemorroidária' e mandar o paciente para casa com pomada é o caminho mais curto para perder um abscesso.

O exame proctológico começa pela inspeção, que identifica as hemorroidas externas, as internas prolapsadas — às vezes com mucosa ulcerada — e a trombose com ou sem sinais de flebite. Vem então o toque retal, que informa o tônus esfincteriano de repouso e de contração e afasta lesão tumoral e estenose; em lesão dolorosa, como fissura ou trombose com flebite, o toque deve ser evitado.

Aqui mora a pegadinha clássica: o toque retal não diagnostica hemorroida interna não prolapsada, porque a mucosa anal tem consistência aveludada e o mamilo não é palpável. O exame que vê a hemorroida interna é a anuscopia. Um toque retal normal não encerra a investigação orificial — e também não afasta neoplasia mais alta.

Graus I a IV: a classificação que escolhe o tratamento

Quanto à localização, a doença hemorroidária é interna, externa ou mista; e pode estar complicada, como na trombose aguda, ou não complicada. A classificação em graus, proposta por Dennison e reproduzida no protocolo brasileiro de encaminhamento, se aplica somente ao componente interno e se apoia no prolapso, porque é o prolapso que define o que resolve o caso.

Grau I: sangramento anal sem prolapso durante a evacuação. Grau II: prolapso à evacuação com redução espontânea para o canal anal. Grau III: prolapso à evacuação com necessidade de redução manual. Grau IV: sempre prolapsadas, com redução manual inefetiva. Os dois documentos brasileiros — a diretriz da sociedade e o protocolo do SUS — usam exatamente essas definições, o que torna essa a redação mais segura para reconhecer nas alternativas.

Um percentual alto de pacientes tem componente interno e externo ao mesmo tempo. Nesses casos, o tratamento se orienta pelo componente predominante — e é essa regra que decide, lá na frente, entre um procedimento que atua só sobre o prolapso interno e uma cirurgia que retira o componente externo.

Vale a regra que a diretriz brasileira abre com todas as letras: apenas as hemorroidas sintomáticas precisam ser tratadas. Mamilo hemorroidário encontrado em exame de rotina, sem sangramento, sem prolapso e sem desconforto, não é doença — é achado.

Antes de tratar, tire o câncer da frente

A doença orificial — hemorroida, fissura, fístula, abscesso e condiloma — coexiste com lesão neoplásica benigna ou maligna em até 9,8% dos casos. Encontrar a hemorroida, portanto, não explica o sangramento; apenas mostra que existe uma hemorroida. O diagnóstico diferencial que a diretriz brasileira lista para o sangramento anal inclui neoplasia retal (adenocarcinoma), neoplasia de canal anal (carcinoma epidermoide e melanoma), condiloma acuminado, pólipo retal, papila anal hipertrófica, prolapso retal, fístula anorretal e fissura anal.

Sinal de alarme, em qualquer idade, tira o caso da rota hemorroidária: sangramento de características atípicas para hemorroida, emagrecimento, anemia ferropriva e mudança recente de hábito intestinal. O protocolo brasileiro manda encaminhar esse paciente para investigação precoce de neoplasia, e não para tratamento hemorroidário.

O mesmo protocolo define quando a própria atenção primária solicita colonoscopia: anemia ferropriva de causa desconhecida (hemoglobina abaixo de 13 g/dL em homens e abaixo de 12 g/dL em mulheres) sem outros sinais que orientem a investigação; sangramento persistente do trato gastrointestinal inferior não atribuível a doença orificial; e episódio de melena com origem alta já excluída. Note que anemia ferropriva sem causa também exige endoscopia digestiva alta — o cólon sozinho não fecha a investigação.

E define o que é alta suspeita de neoplasia colorretal: massa abdominal em topografia colônica ou retal ao exame físico ou de imagem; acima de 60 anos com anemia por deficiência de ferro ou mudança de hábito intestinal; acima de 50 anos com sangramento retal e/ou dor abdominal ou retal, tenesmo, mudança persistente de hábito intestinal, emagrecimento ou anemia ferropriva; acima de 50 anos com sangramento retal não atribuível à doença orificial; e acima de 40 anos com emagrecimento involuntário associado a dor abdominal ou retal, ou tenesmo, sem outra origem identificada.

A regra prática que este capítulo adota, e que reproduz o documento operante no SUS: sangramento anal com qualquer sinal de alarme, em qualquer idade, ou sangramento a partir dos 50 anos sem explicação orificial convincente, exige exame do cólon antes de o sangramento ser creditado à hemorroida. Abaixo disso, com sangramento de características típicas e hemorroida documentada à anuscopia, trata-se e reavalia-se — sem esquecer que a diretriz de sociedade de 2005 usa um corte mais baixo, discutido adiante.

Tratamento clínico: o que vale para todos os graus

A modificação de hábitos alimentares, com maior ingesta de líquidos e de fibras, é recomendação universal a todos os portadores de doença hemorroidária, independentemente do grau. O objetivo é mecânico: diminuir o trauma e o esforço evacuatório. O emprego de laxantes formadores de bolo fecal reduz os sintomas de sangramento e de dor à evacuação, com evidência de boa consistência.

A fibra não serve só ao tratamento inicial: em pacientes com hemorroida interna de grau III tratados por ligadura elástica, a manutenção de dieta rica em fibras depois do procedimento reduziu a recorrência dos sintomas. Regularizar o hábito intestinal também vale no sentido oposto — diarreia e aumento do número de evacuações exacerbam os sintomas, e o paciente com síndrome do intestino irritável ou diarreia crônica melhora quando esse hábito é corrigido.

O banho de assento com água morna tem base fisiológica documentada: a água morna aplicada na região anal reduz de forma significativa a pressão de repouso do canal anal provocada pelo espasmo esfincteriano, e é por isso que alivia a dor. Some a ele a orientação higiênica de abolir o papel higiênico, substituindo-o por lavagem.

Pomadas, cremes e supositórios de venda livre — anti-inflamatórios, corticoides e anestésicos — são ubíquos e carecem de evidência consistente de eficácia. Os riscos são concretos: reações alérgicas, sequelas do uso prolongado de corticoide tópico e, o mais grave, o atraso da investigação diagnóstica. Prescrever pomada por seis meses a quem sangra é adiar a colonoscopia de alguém.

Os flavonoides micronizados têm papel definido e estreito. Em pacientes com hemorroidas internas de primeiro e segundo graus com sangramento ativo e agudo, eles superam o placebo e permitem adiar procedimentos invasivos para um momento mais conveniente. Em hemorroidas não prolapsadas com sangramento agudo, a fibra associada ao flavonoide controlou o sangramento de forma mais rápida do que a ligadura elástica associada à fibra, sem diferença na recidiva em seis meses. Na hemorroida complicada, a diretriz de emergência WSES-AAST sugere flavonoides para alívio sintomático (2B).

Procedimentos de consultório: ligadura, infravermelho e escleroterapia

Os três procedimentos ambulatoriais têm o mesmo objetivo: reduzir a vascularização ou o volume do mamilo e aumentar sua fixação à parede retal, atacando prolapso e sangramento. Todos são feitos com anuscópio, sem anestesia, e todos atuam sobre a hemorroida interna — nenhum deles trata componente externo.

A ligadura elástica é o método com melhor desempenho: em metanálise de 18 ensaios clínicos randomizados, foi a que apresentou menor recidiva, e a diretriz brasileira a indica para o tratamento inicial de todos os casos de hemorroidas internas de grau I a III. Antes de indicar cirurgia em grau II ou III, a ligadura deve ser considerada primeiro — tem pouca dor, boa taxa de controle e permite retorno precoce ao trabalho.

A tripla ligadura dos principais mamilos numa sessão única é tão efetiva quanto ligar um mamilo por sessão nos graus I e II, com incidência semelhante de dor e complicações — e melhor relação custo-benefício. Para o desfecho sangramento, a ligadura múltipla numa sessão parou o sangramento na primeira semana em 96,7% dos pacientes, contra 79% da ligadura simples, embora sem diferença após um ano. Injetar anestésico local no mamilo ligado não reduz o desconforto pós-procedimento.

A fotocoagulação com raios infravermelhos é simples, rápida, segura e eficiente nos graus I e II, com menos efeitos adversos e melhor aceitação que a ligadura. O preço é a durabilidade: em um ano de seguimento, mais pacientes tratados por infravermelho precisaram de outros tratamentos, inclusive cirurgia.

A escleroterapia injeta agente esclerosante no interior do mamilo — no Brasil, mais frequentemente fenol a 5% em óleo de amêndoas. Nos graus I e II, tem eficácia de até 90% no alívio ou abolição dos sintomas, independentemente do número de sessões, e associa-se a menos dor que a ligadura. Escleroterapia e ligadura combinadas mostram resultados melhores do que cada uma isolada.

Complicações do tratamento de consultório: a dor é a mais comum, estimada entre 5% e 60% dos pacientes, e se maneja com analgésico e banho de assento. Abscesso, retenção urinária, escape da banda elástica, prolapso e trombose ocorrem em menos de 5%. O sangramento importante costuma acompanhar a queda da escara resultante da necrose do mamilo, e pode exigir injeção, nova ligadura ou sutura sob anestesia. A gangrena de Fournier é extremamente rara e se associa a procedimento realizado em imunocomprometido, neutropênico ou diabético — o que basta para pensar duas vezes antes de ligar o mamilo desses pacientes fora de ambiente controlado.

Cirurgia: quem opera e com o quê

A indicação cirúrgica se concentra em três situações: persistência dos sintomas após tratamento clínico ou conservador; paciente incapaz de tolerar o tratamento conservador ou que não o deseja; e hemorroidas sintomáticas volumosas, associadas ou não a prolapso mucoso do reto. A cirurgia é a forma mais eficaz de tratamento da doença hemorroidária — ao custo da dor pós-operatória e da incapacidade mais prolongada, que são o maior obstáculo à sua oferta.

Aberta contra fechada: as duas são eficientes para hemorroida de segundo e terceiro graus, com baixos índices de complicação em até um ano. A técnica fechada não reduziu a dor pós-operatória, mas mostrou cicatrização mais rápida na avaliação de três semanas; a aberta tem tempo operatório mais curto e se mostrou menos dolorosa no pós-operatório precoce. Entre aberta e semifechada no grau III, as duas são quase equivalentes, com vantagem da aberta na dor da segunda semana entre pacientes mais jovens e com pressões esfincterianas elevadas.

Esfincterotomia lateral interna associada à hemorroidectomia não deve ser rotineira: pode levar a graus variados de incontinência anal e não reduz significativamente a dor pós-operatória. Em casos selecionados, com achado eletromanométrico pré-operatório de pressões de repouso e de contração voluntária elevadas, ela parece segura e sem aumento significativo de morbidade — mas isso é exceção documentada, não rotina.

Os instrumentos importam menos do que se imagina. Bisturi elétrico contra tesoura: reduz tempo operatório e sangramento, sem vantagem em dor, cicatrização ou complicações. Bisturi ultrassônico não mostrou menos dor, sangramento ou retenção urinária, nem na técnica aberta nem na fechada. O selador vascular bipolar é o que acumula mais vantagens: menor sangramento, operação mais curta, mais altas no mesmo dia, menos analgesia, cicatrização mais rápida e retorno mais precoce ao trabalho — sem diferença, porém, em dor pós-operatória, satisfação, recidiva e complicações. Laser não mostrou vantagem sobre a hemorroidectomia fechada na doença mista.

A hemorroidopexia grampeada é o ponto que mais rende questão. Comparada à hemorroidectomia aberta com bisturi elétrico nos graus III e IV não circunferenciais, ela dói menos, exige menos analgesia e encurta o afastamento do trabalho. Em contrapartida, no seguimento de até 15,9 meses apresentou maior incidência de recidiva do prolapso, tanto no grau III quanto no IV. O dilatador anal usado na técnica é a origem de outra preocupação: pequenas rupturas do esfíncter interno foram detectadas ao ultrassom em 13,8% dos operados em até 14 semanas, sem sintoma correspondente e sem diferença de pressões ou de escala de continência. Comparada à ligadura elástica, a grampeada dói mais, mas iguala-se a ela na abolição do prolapso aos seis meses.

Controle da dor no pós-operatório, com o que a evidência sustenta: o bloqueio da fossa isquiorretal somado à infiltração da pele perianal, com bupivacaína a 0,5% e lidocaína a 1% na proporção de 2:1, reduz significativamente a dor e a necessidade de analgesia nas primeiras 24 horas; a ropivacaína a 0,75% (300 mg) infiltrada antes da operação alcança o mesmo objetivo. Já a infiltração perianal isolada com bupivacaína antes da Milligan-Morgan não traz benefício analgésico. Trinitrato de glicerina a 0,2% tópico, aplicado por 7 ou por 42 dias, não reduziu a dor. Metronidazol 400 mg três vezes ao dia por 7 dias não se justifica de rotina após a técnica fechada; após a aberta, há evidência de redução da dor entre o quinto e o sétimo dia. Fentanil transdérmico de 50 µg/hora mostrou-se eficaz e seguro por até 72 horas após a técnica fechada.

Trombose externa e as urgências que não esperam

A trombose hemorroidária externa é um quadro de instalação súbita: nódulo perianal endurecido, arroxeado, exquisitamente doloroso, abaixo da linha pectínea. A dor desproporcional ao tamanho da lesão é consequência direta da inervação somática daquele território, e não sinal de gravidade.

A diretriz de emergência WSES-AAST recomenda manejo não operatório como primeira linha na hemorroida complicada, com mudanças dietéticas e de estilo de vida — aumento de fibras e de água somado a hábitos adequados de evacuação (1B). Sugere flavonoides para aliviar os sintomas (2B) e, nas hemorroidas trombosadas ou estranguladas, o uso de relaxante muscular tópico (2C).

Quando se opta pela cirurgia, a mesma diretriz é explícita em duas frentes. A decisão entre manejo não operatório e excisão cirúrgica precoce se apoia na expertise local e na preferência do paciente (2C) — nenhuma janela em horas é fixada. E há recomendação contra a incisão e drenagem do trombo (2C): a operação da trombose externa é a excisão do mamilo trombosado, não uma incisão para 'esvaziar o coágulo'. Do lado internacional, o documento americano de 2024 diz o mesmo em outra chave: pacientes selecionados com trombose externa podem se beneficiar de excisão cirúrgica precoce (2C).

A regra operacional que resta, e que este capítulo assume: a decisão se ancora na trajetória da dor e na preferência informada do paciente. Dor recente e ainda em ascensão, com trombo tenso, é o cenário em que a excisão resolve rápido; dor que já está cedendo há dias caminha sozinha para a resolução e não ganha nada com a lâmina. O que nunca muda é a técnica — se abrir, excisa-se o mamilo.

Três situações não podem esperar consulta ambulatorial, segundo o protocolo brasileiro de encaminhamento: hemorroida encarcerada, episódio agudo de hematoquezia ou melena, e obstrução intestinal aguda. A hemorroida encarcerada — prolapso irredutível, edemaciado, com dor intensa e risco de estrangulamento e necrose — é urgência cirúrgica, e mantê-la na atenção primária tentando completar prazo de tratamento conservador é erro de fluxo, não de dose.

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Do grau à conduta

O grau é o eixo do capítulo: ele descreve só a hemorroida interna, só pelo prolapso, e é ele que separa quem fica na orientação dietética, quem vai para um procedimento de consultório e quem precisa de centro cirúrgico. Antes dele, porém, vem a pergunta que não é hemorroidária — este sangramento pode mesmo ser creditado à hemorroida?

  1. 1Caracterize o sangramento: vermelho-vivo, indolor, ao final da evacuação, sem se misturar às fezes — e confirme a hemorroida à anuscopia, não ao toque.
  2. 2Afaste neoplasia antes de tratar: sinal de alarme em qualquer idade, ou sangramento a partir dos 50 anos sem explicação orificial, exigem exame do cólon.
  3. 3Classifique: interna, externa ou mista; e o grau (I a IV) do componente interno, pelo comportamento do prolapso.
  4. 4Trate todo mundo com fibra, aumento de ingesta hídrica, banho de assento morno e correção do esforço evacuatório — vale para qualquer grau.
  5. 5Graus I e II sem sinal de alarme: mantenha o clínico e reavalie em 2 meses. Graus III e IV: encaminhe ao proctologista sem esperar o prazo.
  6. 6Dor intensa muda a rota: procure trombose externa, fissura associada ou abscesso perianal, e cheque se o prolapso está irredutível.

Grau I — sangramento sem prolapso

O mamilo permanece acima da linha pectínea durante a evacuação. Só sangra. Tratamento clínico; se persistir, escleroterapia, infravermelho ou ligadura elástica no consultório.

Grau II — prolapso com redução espontânea

O mamilo sai ao esforço e volta sozinho ao canal anal. Tratamento clínico e, na falha, ligadura elástica — o método com menor recidiva entre os de consultório.

Grau III — prolapso com redução manual

O paciente precisa empurrar o mamilo de volta com o dedo. Critério de encaminhamento ao proctologista sem esperar prazo; ligadura elástica antes de indicar cirurgia.

Grau IV — prolapso irredutível

Sempre prolapsadas, e a redução manual não funciona. Encaminhamento ao proctologista; o consultório não resolve, e a via é a hemorroidectomia. Se houver encarceramento agudo, é urgência.

GrauAchado que o definePrimeira linhaQuando escalar
ISangramento anal sem prolapso durante a evacuaçãoFibra, ingesta hídrica, banho de assento morno; flavonoide micronizado enquanto houver sangramento agudoSintoma persistente após 2 meses: consultório (escleroterapia, infravermelho ou ligadura)
IIProlapso à evacuação com redução espontâneaMesmo tratamento clínico, mais correção do esforço evacuatórioSintoma persistente após 2 meses: ligadura elástica, o método de menor recidiva
IIIProlapso à evacuação com necessidade de redução manualTratamento clínico e encaminhamento ao proctologista sem aguardar prazoLigadura elástica antes de indicar cirurgia; hemorroidectomia se a ligadura falhar
IVSempre prolapsadas, redução manual inefetivaTratamento clínico e encaminhamento ao proctologista sem aguardar prazoHemorroidectomia; procedimento de consultório não resolve o prolapso fixo

Destino do paciente segundo o protocolo brasileiro de encaminhamento (2016)

SituaçãoDestino
Hemorroida interna ou mista que persiste sintomática após 2 meses de tratamento conservador (fibras, ingesta hídrica, banho de assento, abolição do papel higiênico)Ambulatório de proctologia
Hemorroida interna de grau III ou IVAmbulatório de proctologia — sem necessidade de completar os 2 meses
Hemorroida encarceradaServiço de urgência/emergência, sem aguardar consulta ambulatorial
Episódio agudo de hematoquezia ou de melenaServiço de urgência/emergência
Sangramento de características atípicas, emagrecimento, anemia ferropriva ou mudança recente de hábito intestinalInvestigação precoce pela rota de suspeita de neoplasia do trato gastrointestinal inferior, não pela rota hemorroidária

Procedimentos de consultório: o que serve para quê

MétodoGrausO que a evidência mostra
Ligadura elásticaI a IIIMelhor método não cirúrgico em metanálise de 18 ensaios randomizados, pela menor recidiva. Tripla ligadura em sessão única tem melhor custo-benefício. Dói mais que escleroterapia e infravermelho.
Fotocoagulação por infravermelhoI e IISimples, rápida, segura, menos dolorosa e melhor aceita; em um ano, porém, mais pacientes precisam de novo tratamento, inclusive cirurgia.
Escleroterapia (fenol a 5% em óleo de amêndoas)I e IIAté 90% de alívio ou abolição dos sintomas, independentemente do número de sessões; menos dor que a ligadura. Combinada à ligadura, resultados melhores que cada uma isolada.

Conteúdo descritivo mínimo do encaminhamento ao proctologista

ItemO que precisa constar
Sinais e sintomasCom descrição da inspeção anal e do toque retal
ClassificaçãoInterna, externa ou mista; e o grau (I a IV) do componente interno
Tratamentos já realizadosTratamento conservador com tempo de duração e procedimentos realizados, quando houver
TeleconsultoriaNúmero do atendimento, se o caso foi discutido com serviço de telessaúde

Toque retal normal não exclui hemorroida interna: a mucosa anal é aveludada e o mamilo não prolapsado não é palpável. O exame que a identifica é a anuscopia.

Dor não é sintoma de hemorroida interna não complicada — o plexo interno tem inervação visceral autônoma. Dor forte pede trombose, fissura ou abscesso perianal.

Nenhum dos documentos de emergência fixa janela em horas para excisar a trombose externa; o que existe é recomendação contra incisar e drenar o trombo (2C).

Escleroterapia, infravermelho e ligadura elástica atuam apenas sobre o componente interno. Componente externo sintomático é território de excisão cirúrgica.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Quem, com sangramento anal, precisa ter o cólon examinado

Sangramento retal acima dos 40 anos vai a exame endoscópico

Todos os pacientes com idade acima de 40 anos que se apresentam com sangramento retal devem ser submetidos a sigmoidoscopia flexível ou colonoscopia, para afastar tumores colorretais benignos ou malignos, doença inflamatória intestinal e doença diverticular. Sustentam o corte dois dados do próprio documento: a doença orificial coexiste com lesão neoplásica em até 9,8% dos casos, e mesmo abaixo dos 40 anos os achados endoscópicos significativos chegam a 21% dos pacientes com sangramento retal.

Sociedade Brasileira de Coloproctologia — Hemorróida: Diagnóstico (Projeto Diretrizes AMB/CFM, 2005)

O corte operante na rede pública é por sinal de alarme e por faixa etária mais alta

O protocolo de encaminhamento vigente na atenção primária manda investigar em qualquer idade o sangramento persistente não atribuível a doença orificial, e classifica como alta suspeita de neoplasia colorretal: sangramento retal acima dos 50 anos, anemia ferropriva ou mudança de hábito intestinal acima dos 60 anos, e emagrecimento involuntário com dor ou tenesmo acima dos 40 anos.

TelessaúdeRS-UFRGS / SES-RS — Protocolos de Encaminhamento para Proctologia Adulto (2016)

Avaliação endoscópica completa do cólon em pacientes selecionados

A avaliação endoscópica completa do cólon é indicada em pacientes selecionados com hemorroida sintomática e sangramento retal (recomendação forte, evidência de qualidade moderada), sem fixar corte etário universal para quem sangra.

ASCRS — Clinical Practice Guidelines for the Management of Hemorrhoids (2024)

Na prova

A distância entre 2005 e 2016 não é discordância clínica — é fila. O documento de sociedade olha o risco individual e pede endoscopia cedo; o protocolo de 2016 organiza o acesso à colonoscopia na rede pública e trabalha com faixas etárias mais altas somadas a sinal de alarme. Enunciado ambientado em unidade básica, com menção a encaminhamento, regulação ou espera, vive no mundo do protocolo do SUS; consultório de especialista, ou citação nominal à sociedade, puxa o corte etário mais baixo. As alternativas denunciam o recorte: a expressão 'sangramento não atribuível a doença orificial' é vocabulário do protocolo brasileiro de encaminhamento, e 'pacientes selecionados' é vocabulário do documento americano. Prova oficial do MEC tende a conduta do SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.

Grau III: procedimento de consultório ou centro cirúrgico

Ligadura elástica como tratamento inicial dos graus I a III

Em metanálise de 18 ensaios randomizados, a ligadura elástica se destacou como o melhor método não cirúrgico pela menor recidiva, e está indicada para o tratamento inicial de todos os casos de hemorroidas internas de grau I a III. Antes de indicar cirurgia em doença de segundo ou terceiro grau, a ligadura deve ser considerada primeiro, por apresentar resultados satisfatórios quanto à recidiva, pouca dor e retorno precoce ao trabalho.

Sociedade Brasileira de Coloproctologia — Hemorróida: Manejo Não-Cirúrgico (Projeto Diretrizes AMB/CFM, 2006)

Grau III no consultório apenas em pacientes selecionados

A maioria dos pacientes com graus I e II, e pacientes selecionados com doença hemorroidária interna de grau III que falharam ao tratamento clínico, podem ser efetivamente tratados com procedimentos de consultório — ligadura, escleroterapia e coagulação por infravermelho (recomendação forte, evidência de alta qualidade).

ASCRS — Clinical Practice Guidelines for the Management of Hemorrhoids (2024)

Na prova

A diferença é de data e de casuística acumulada: o documento brasileiro é de 2006 e trata o grau III como bloco homogêneo; o americano é de 2024 e já incorpora as séries que mostram recidiva maior nesse grau. Quando o enunciado descreve grau III com prolapso volumoso, componente externo associado ou falha de ligadura prévia, o vocabulário do documento recente aparece nas alternativas. Quando o cenário é ambulatório geral e as alternativas contrapõem 'ligadura elástica' a 'hemorroidectomia' sem meio-termo, o recorte é o da diretriz brasileira, que coloca a ligadura antes da sala.

Hemorroidopexia grampeada contra hemorroidectomia excisional

Grampeada como alternativa segura, com menos dor e retorno mais rápido

A hemorroidopexia grampeada é considerada tão segura quanto as técnicas convencionais e, nos graus III e IV não circunferenciais, dói menos, exige menos analgesia e encurta o afastamento do trabalho. As contrapartidas documentadas: maior incidência de recidiva do prolapso em seguimento de até 15,9 meses, e pequenas rupturas do esfíncter interno detectadas ao ultrassom em 13,8% dos operados em até 14 semanas, sem sintoma correspondente.

Sociedade Brasileira de Coloproctologia — Hemorróida: Tratamento Cirúrgico (Projeto Diretrizes AMB/CFM, 2006)

Excisional quando os sintomas vêm de componente externo ou misto

A hemorroidectomia deve ser tipicamente oferecida a pacientes cujos sintomas decorrem de hemorroidas externas ou da combinação de internas e externas (recomendação forte, evidência de alta qualidade).

ASCRS — Clinical Practice Guidelines for the Management of Hemorrhoids (2024)

Na prova

As duas posições não descrevem o mesmo paciente, e é aí que a questão se decide. A grampeada atua sobre o prolapso mucoso interno e não retira componente externo: enunciado com plicoma, dor somática ou mamilo misto está no terreno da excisional. Enunciado que enfatiza prolapso interno circunferencial, retorno precoce ao trabalho e menor dor no pós-operatório está no terreno da grampeada — e costuma trazer, entre os distratores, a recidiva de prolapso no seguimento, que é o dado que o documento brasileiro registra. Os anos importam: 2006 de um lado, 2024 do outro.

06

Caso resolvido

Homem de 38 anos, motorista, procura a unidade básica por sangramento anal há 4 meses: sangue vermelho-vivo que pinga no vaso ao final da evacuação e mancha o papel, sem dor. Há dois meses nota 'uma bolinha' que sai ao evacuar e volta sozinha. Nega emagrecimento, dor abdominal e mudança de hábito intestinal; sem história familiar de câncer colorretal. Evacua a cada dois dias, com esforço. Hemograma normal. Inspeção anal sem lesões; toque retal com tônus preservado, sem massas; anuscopia mostra mamilos hemorroidários internos congestos, um deles sangrando em babação.
achado
Sangramento vermelho-vivo, indolor, ao final da evacuação, sem se misturar às fezes: assinatura hemorroidária. E foi a anuscopia — não o toque retal — que mostrou o mamilo, como tem de ser: a hemorroida interna não prolapsada não é palpável.
classificação
Prolapso à evacuação com redução espontânea define grau II. A ausência de dor confirma que o problema está no plexo interno, acima da linha pectínea, de inervação visceral autônoma.
risco de neoplasia
38 anos, sangramento típico, hemograma normal e nenhum sinal de alarme: o caso não preenche critério algum de alta suspeita de neoplasia colorretal do protocolo brasileiro, e não há indicação de colonoscopia neste momento. Registrar isso no prontuário é parte da conduta.
conduta
Aumento de fibras e de ingesta hídrica, banho de assento com água morna, abolição do papel higiênico e correção do esforço evacuatório — recomendação universal, qualquer que seja o grau, e a única com evidência de redução de sangramento e dor. Flavonoide micronizado é opção enquanto o sangramento agudo persistir. Pomada de corticoide não entra: sem eficácia consistente e com risco de atrasar a investigação.
seguimento
Reavaliação em 2 meses. Se o sangramento e o prolapso persistirem, o encaminhamento ao proctologista está indicado — com inspeção e toque descritos, classificação e grau, e o tempo de tratamento conservador registrado. No especialista, a ligadura elástica é o primeiro procedimento a considerar, antes de qualquer indicação cirúrgica.
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Agora feche você

Mulher de 64 anos, hipertensa, chega à unidade básica relatando sangue nas fezes há 3 meses, às vezes misturado ao bolo fecal, e fezes mais afiladas nos últimos 2 meses. Perdeu 6 kg sem dieta. Hemoglobina 9,8 g/dL, VCM 74 fL, ferritina baixa. Ao exame proctológico: inspeção anal sem lesões, toque retal sem massas palpáveis, e anuscopia com mamilos hemorroidários internos congestos, sem prolapso.
achado
Existe hemorroida interna documentada à anuscopia — mas o sangramento não tem características hemorroidárias: vem misturado às fezes, acompanha afilamento recente, emagrecimento involuntário e anemia ferropriva.
armadilha
A hemorroida é real e irrelevante para explicar este quadro. Doença orificial coexiste com lesão neoplásica benigna ou maligna em até 9,8% dos casos, e o toque retal negativo não afasta lesão acima do alcance do dedo.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Creditar o sangramento à hemorroida que você acabou de ver A hemorroida quase sempre está lá — e coexiste com lesão neoplásica em até 9,8% dos casos de doença orificial. Achar o mamilo é fácil e não prova nada. O que decide é a característica do sangramento e a presença de sinal de alarme, não o achado da anuscopia.
  2. 2Encerrar a investigação orificial com um toque retal normal A mucosa anal é aveludada e a hemorroida interna não prolapsada simplesmente não é palpável. Quem espera diagnosticá-la pelo dedo conclui 'não há hemorroida' e para de investigar — quando o exame que faltava era a anuscopia, e o que o toque afasta é outra coisa: tumor e estenose ao alcance do dedo.
  3. 3Incisar e drenar o trombo da hemorroida externa É o gesto que parece intuitivo — dói, está tenso, então esvazia-se. A diretriz de emergência recomenda contra a incisão e drenagem do trombo (2C). Quando se opera, a operação é a excisão do mamilo trombosado; e a escolha entre operar e não operar se apoia na expertise local e na preferência do paciente, não numa contagem de horas.
  4. 4Ler dor anal intensa como 'crise hemorroidária' O plexo interno tem inervação visceral autônoma: hemorroida interna não complicada dá desconforto, não dor forte. Dor como queixa principal aponta para trombose aguda, fissura anal associada ou abscesso perianal — e o abscesso é o que não perdoa a pomada com reavaliação em duas semanas.
  5. 5Segurar grau III e IV na atenção primária para completar os 2 meses O prazo de 2 meses de tratamento conservador é critério de encaminhamento para hemorroida interna ou mista sintomática — mas graus III e IV são critério independente, que dispensa o prazo. Cumprir o cronograma no paciente errado é o erro de fluxo mais comum na questão de encaminhamento.
  6. 6Somar esfincterotomia lateral interna à hemorroidectomia para o paciente doer menos A associação não deve ser rotineira: não reduz significativamente a dor pós-operatória e pode causar graus variados de incontinência anal. A exceção documentada é estreita — casos selecionados com pressões esfincterianas de repouso e de contração elevadas na eletromanometria pré-operatória.
  7. 7Tratar hemorroida assintomática encontrada em exame de rotina Apenas as hemorroidas sintomáticas precisam ser tratadas. Mamilo visto à anuscopia num paciente sem sangramento, sem prolapso e sem desconforto é achado, não doença — e indicar ligadura ali só oferece as complicações do procedimento, sem benefício algum a colher.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

A tríade dor anal súbita, nódulo azulado endurecido coberto por pele na margem anal define a trombose hemorroidária externa. Abscesso perianal cursaria com sinais flogísticos, febre e flutuação, não com nódulo azulado. Fissura anal apresenta dor à evacuação com laceração linear no canal, não nódulo. Fístula tem orifício externo com drenagem de secreção. Papila hipertrófica é achado interno, indolor e esbranquiçado.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Graus, palavra por palavra: I sangra sem prolapso; II prolapsa e volta sozinho; III prolapsa e precisa do dedo; IV está sempre fora e não reduz. Anuscopia vê a hemorroida interna, toque retal não. Encaminhamento: 2 meses de tratamento conservador sem melhora, ou grau III/IV direto; encarcerada é urgência. Trombose externa: excisão, nunca incisão e drenagem.

em 30 dias

Reconstrua a rota inteira num paciente imaginário de 58 anos com sangramento anal: quais critérios do protocolo brasileiro mandam examinar o cólon antes de tratar, o que muda se ele tiver 34 anos e sangramento típico, e onde entra cada procedimento de consultório por grau. Depois recite as três divergências com os anos: 2005 contra 2016 no corte para endoscopia, 2006 contra 2024 no grau III de consultório, e 2006 contra 2024 na grampeada contra a excisional.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Homem de 45 anos chega ao ambulatório de clínica com sangramento anal ao evacuar há 6 meses e uma massa que sai do ânus a cada evacuação e só volta quando ele a empurra com o dedo. Sem dor, sem emagrecimento, sem mudança de hábito intestinal. Conduza a consulta: caracterize o sangramento, classifique a hemorroida, decida se o cólon precisa ser investigado agora e defina o destino do paciente. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Doença hemorroidária — Preparatório para provas | OsceLabs