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Fissura, abscesso e fístula anal
Fissura anal e abscesso/fístula anorretal
As três entidades que se apresentam como dor anal e exigem condutas opostas: relaxar o esfíncter, drenar imediatamente ou mapear o trajeto. A prova cobra a separação pela característica da dor e o erro de tratar abscesso com antibiótico.
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Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Homem de 35 anos queixa-se de dor anal intensa durante e após a evacuação, associada a sangramento vermelho-vivo em pequena quantidade no papel higiênico. Refere constipação. Ao exame proctológico observa-se uma fissura na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela. Qual o diagnóstico e a orientação inicial mais adequada?
Como esse tema cai
Fissura, abscesso e fístula chegam pela mesma queixa — dor anal — e pedem três condutas que não se substituem. A fissura é uma úlcera longitudinal distal à linha pectínea mantida por um ciclo de dor, espasmo do esfíncter interno e isquemia: o tratamento é reduzir a pressão de repouso. O abscesso é pus em um espaço fechado: o tratamento é drenar, hoje, e o antibiótico não substitui a lâmina. A fístula é o trajeto epitelizado que sobra do abscesso drenado: o tratamento é mapear e operar sem destruir esfíncter. Trocar uma pela outra custa caro nas duas direções — pomada em abscesso atrasa a drenagem; antibiótico em fissura não faz nada.
A separação é clínica e cabe em uma frase de anamnese. Dor que só existe na evacuação, em rasgo, dura minutos a horas depois e vem com sangue vivo no papel é fissura. Dor contínua, progressiva, que piora dia a dia, independe de evacuar e vem com febre é abscesso. Secreção perianal persistente que suja a roupa, com ou sem episódios de abscesso que 'estouram e melhoram', é fístula. O exame que decide os três é a inspeção com afastamento das nádegas — não o toque retal, que na fissura aguda costuma ser impossível pela dor.
A prova brasileira cobra três coisas nesse tema: o reconhecimento pela característica da dor, a régua de encaminhamento (a fissura tratada por dois meses sem resposta e a fístula suspeita ou confirmada saem da atenção primária) e o passo terapêutico que não depende de nada além do médico presente — drenar o abscesso. O tratamento tópico da fissura tem uma particularidade nacional que vale nota própria: os agentes que funcionam existem no protocolo brasileiro apenas como fórmula manipulada, e o único tópico anal do elenco financiado pelo SUS é justamente o de pior desempenho.
O que muda decisão
A anatomia que explica as três doenças
O canal anal tem uma fronteira que organiza tudo: a linha pectínea. Acima dela, epitélio colunar e inervação visceral autônoma — a lesão dá desconforto, peso, sangramento indolor. Abaixo, epitélio escamoso e inervação somática — a lesão dói, e dói muito. A fissura é, por definição, distal à linha pectínea: por isso é a doença orificial que dói. A hemorroida interna não complicada, proximal, não dói, e essa assimetria é o divisor de águas na anamnese da dor anal.
Na própria linha pectínea abrem-se as criptas de Morgagni, e no fundo delas desembocam as glândulas anais, que atravessam o esfíncter interno e terminam no espaço interesfincteriano. Obstruída a cripta, a glândula infecta e o pus se acumula no espaço interesfincteriano — esse é o começo criptoglandular, que responde pela maioria dos abscessos e das fístulas. O pus então escolhe um caminho: para baixo, até a margem anal, produz o abscesso perianal, o mais comum e o mais evidente; lateralmente, através do esfíncter externo, produz o abscesso isquiorretal, com abaulamento amplo da nádega; permanecendo entre os dois esfíncteres, produz o abscesso interesfincteriano, sem nada para ver por fora; e, subindo, produz o abscesso supraelevador, o mais traiçoeiro de todos.
Os dois esfíncteres têm funções distintas e consequências cirúrgicas distintas. O esfíncter interno é liso, involuntário, e responde pela maior parte da pressão de repouso do canal — é ele que entra em espasmo na fissura e é ele que se secciona na esfincterotomia lateral interna; à manometria anorretal, pressão de repouso baixa é o marcador de disfunção justamente desse componente. O esfíncter externo é estriado, voluntário, e responde pela contração de urgência — seccioná-lo, mesmo parcialmente, é o que produz incontinência. Toda a técnica cirúrgica da fístula gira em torno de quanto esfíncter externo o trajeto atravessa: essa é a lógica da classificação de Parks, e é ela que separa fístula simples de complexa.
Uma consequência prática dessa anatomia: o abscesso interesfincteriano e o supraelevador não produzem flutuação visível, não têm eritema na pele e não têm massa palpável no exame externo. O paciente tem dor anal intensa, febre e toque retal muito doloroso com abaulamento na parede do canal — nada mais. Quem procura só o que se vê manda esse paciente para casa.

Fissura anal: a dor que tem hora marcada
A queixa é estereotipada: dor em rasgo, em corte ou em vidro, que começa no momento da evacuação e persiste de minutos a horas depois, acompanhada de sangue vivo no papel ou raiando as fezes, em pequena quantidade. O paciente passa a adiar a evacuação por medo, as fezes endurecem, o trauma se repete — o ciclo se fecha sozinho. O risco de ter uma fissura ao longo da vida está estimado entre 7,8% e 11%, o que faz dela uma das doenças anorretais benignas mais comuns.
O diagnóstico é de inspeção. Afastadas as nádegas com delicadeza, vê-se a solução de continuidade longitudinal na comissura. A localização importa: na meta-análise de oito ensaios randomizados de esfincterotomia, 86,1% das fissuras (intervalo de confiança de 95%: 81,5% a 90,8%) estavam na linha média posterior — a literatura descritiva costuma arredondar esse número para cerca de 90%, com o restante na comissura anterior, mais frequente em mulheres, e uma minoria nas duas posições. A explicação clássica é vascular: a irrigação da comissura posterior é a mais pobre do canal anal, e o espasmo do esfíncter interno a reduz ainda mais.
A cronicidade é definida por tempo mais aspecto: fissura que persiste além de seis semanas e exibe pelo menos um estigma de cronicidade — papila anal hipertrófica na extremidade proximal, plicoma sentinela na extremidade distal e fibras esbranquiçadas do esfíncter interno expostas no fundo da úlcera. Essa distinção não é acadêmica: a fissura aguda cicatriza com medidas conservadoras em cerca de 90% dos casos, e a crônica é a que precisa de agente tópico e, se falhar, de cirurgia.
Existe uma fissura que não é fissura comum, e reconhecê-la é o que separa o candidato preparado. Fissura fora das linhas médias — lateral —, múltipla, de bordas escavadas e irregulares, indolor, associada a plicomas volumosos e edemaciados ou que não cicatriza apesar do tratamento correto exige investigar outra causa: doença de Crohn, tuberculose, sífilis, infecção pelo HIV com úlcera oportunista e neoplasia do canal anal. Nesse cenário, o próximo passo não é trocar a pomada, é biopsiar e investigar o paciente.
Tratar a fissura é baixar a pressão de repouso
Todo o tratamento clínico persegue um único alvo fisiológico: reduzir o tônus do esfíncter interno para restaurar a perfusão da comissura e permitir que a úlcera feche. As medidas iniciais do protocolo brasileiro são banho de assento em água morna por 10 a 15 minutos, 2 a 4 vezes ao dia e após evacuar; ingestão de 1,5 a 2 litros de água por dia; 20 a 35 gramas de fibra por dia; e abandono do papel higiênico em favor de água morna e sabonete neutro. O protocolo é explícito ao registrar que essas medidas têm resultado clínico superior ao uso isolado de anestésico tópico, como lidocaína 2%, ou de corticoide tópico — o que desmonta a prescrição mais comum do pronto-socorro.
Persistindo os sintomas, ou já na fissura crônica, entra o agente tópico, aplicado sobre a fissura e no canal anal. O Quadro 3 do protocolo brasileiro traz quatro opções, todas anotadas como dose para manipulação: nifedipina 0,2% a 0,3%, 2 a 4 vezes ao dia, por 8 semanas; diltiazem 2%, 3 vezes ao dia, por 8 semanas; dinitrato de isossorbida 1%, 2 vezes ao dia, por 8 semanas, intra-anal; e trinitrato de glicerina 0,2%, 2 vezes ao dia, por 8 semanas, intra-anal. Havendo melhora parcial ao fim das 8 semanas, o próprio protocolo autoriza estender o tempo ou trocar de classe antes de considerar falha.
A comparação direta entre esses agentes existe e é recente. A meta-análise em rede de 22 ensaios randomizados com 1770 participantes ordenou a cicatrização assim: nifedipina em primeiro (SUCRA 96,6), diltiazem em segundo (67,5), minoxidil em terceiro (57,8), trinitrato de glicerila em quarto (28,0) e lidocaína em último (SUCRA 0). A nifedipina teve chance de cicatrizar 12,52 vezes maior que a lidocaína (IC 95%: 5,06 a 31,00) e 3,81 vezes maior que o trinitrato (1,92 a 7,55); o diltiazem superou o trinitrato (razão de chances 2,09; 1,36 a 3,22), mas nifedipina e diltiazem não se separaram entre si (1,82; 0,88 a 3,76). Para recidiva, o diltiazem lidera (SUCRA 84,9) e a lidocaína fecha a lista (4,1); para alívio da dor, diltiazem de novo em primeiro (83,1) e lidocaína em último (0). O trinitrato foi o agente com maior taxa de efeitos adversos — a cefaleia é o motivo clássico de abandono, e é o que faz o nitrato ser a última escolha entre os que funcionam.
Falhado o tratamento clínico bem conduzido, o passo é a esfincterotomia lateral interna: secção parcial e controlada do esfíncter interno, fora das linhas médias, que quebra o espasmo em definitivo. Os números agregados de oito ensaios randomizados com 1035 pacientes são cicatrização de 90,2%, recidiva de 3,7% e incontinência pós-operatória de 8,9%. É por causa desses 8,9% que a indicação é seletiva e que a função esfincteriana precisa ser interrogada antes — incontinência prévia, parto com laceração, cirurgia anal anterior e fissura anterior em mulher pesam contra. Comparando as duas técnicas, a fechada teve menos incontinência que a aberta (risco relativo 0,60; 0,37 a 0,96), sem diferença significativa de recidiva (1,73; 0,86 a 3,47). A dilatação anal forçada, procedimento histórico, foi abandonada por lesão esfincteriana incontrolável. Um ponto de fronteira: somar esfincterotomia lateral interna à hemorroidectomia apenas para reduzir dor pós-operatória é conduta que o capítulo de doença hemorroidária já desaconselha — a indicação aqui é a fissura crônica refratária, não o conforto do pós-operatório alheio.
A régua brasileira de encaminhamento é objetiva e cai em prova de estratégia de saúde: sai da atenção primária para a proctologia a fissura recorrente ou refratária ao tratamento clínico otimizado por 2 meses, e a fissura com comorbidade orificial cirúrgica associada — a fístula. O encaminhamento precisa descrever a inspeção anal e o toque retal, dizer se há outra doença orificial, registrar alteração do hábito intestinal e listar os tratamentos já feitos com o tempo de uso.
Abscesso anorretal: a lâmina vem antes do antibiótico
A dor do abscesso não pede licença à evacuação: é contínua, progressiva ao longo de dias, latejante, piora ao sentar e frequentemente acorda o paciente. Febre, calafrio e mal-estar completam o quadro. Na inspeção do abscesso perianal há eritema, abaulamento, calor e flutuação junto à margem anal; no isquiorretal, o abaulamento é mais amplo, mais profundo e menos delimitado, ocupando a nádega, e a flutuação pode demorar a aparecer.
O tratamento é a drenagem cirúrgica imediata, e essa é a frase da prova. Antibiótico isolado não resolve coleção fechada, não penetra pus e converte um problema de horas em uma sepse perineal. A incisão deve ser feita o mais próximo possível da margem anal — para encurtar o eventual trajeto fistuloso futuro —, ampla o bastante para não fechar antes de esvaziar, com desbridamento dos septos. Antibiótico é adjuvante, com indicação restrita: celulite extensa ao redor, sinais de infecção sistêmica, imunossupressão, diabetes descompensado, valvopatia ou prótese com risco de endocardite.
O abscesso que engana é o que não se vê. No interesfincteriano e no supraelevador não há eritema, não há flutuação e a inspeção é normal ou quase normal; o que existe é dor anal desproporcional ao exame externo, febre e um toque retal muito doloroso, às vezes com abaulamento na parede do canal ou do reto. Diante dessa combinação, o passo é imagem — tomografia ou ressonância de pelve — ou exame sob anestesia, e não alta com analgésico. O supraelevador tem ainda a armadilha da origem dupla: pode vir de baixo, do trajeto criptoglandular que subiu, ou de cima, de doença intra-abdominal (diverticulite, doença de Crohn, apendicite pélvica), e o lado de origem muda por onde se drena.
Dois cenários exigem pressa maior do que a habitual. Paciente diabético, imunossuprimido ou neutropênico com dor perineal desproporcional, crepitação, área de necrose cutânea, equimose ou toxemia pode estar em gangrena de Fournier — fasciíte necrosante do períneo —, e aí a conduta é ressuscitação, antibiótico de amplo espectro e desbridamento cirúrgico agressivo em centro cirúrgico, não drenagem simples de beira de leito. E o neutropênico febril com dor anal pode ter uma inflamação perianal sem coleção formada: nele, a decisão entre operar e tratar clinicamente muda, porque não há pus para drenar enquanto não houver neutrófilos.
A fístula não é complicação rara, é continuação esperada: entre 30% e 70% dos pacientes que se apresentam com abscesso anorretal já têm fístula concomitante, e, entre os que não têm, cerca de 30% a 50% desenvolvem uma nos meses a anos seguintes. Isso precisa ser dito ao paciente na alta, junto com o retorno programado: secreção persistente semanas depois não é falha de cicatrização, é fístula. Recidiva do próprio abscesso, por sua vez, costuma ter causa técnica — drenagem insuficiente, fechamento precoce das bordas da pele, abscesso em ferradura não reconhecido ou coleção adicional não drenada.
Fístula anorretal: mapear o trajeto antes de operar
A fístula é um trajeto epitelizado entre o orifício interno, na cripta da linha pectínea, e o orifício externo, na pele perianal. Predomina em homens e concentra-se entre os 20 e os 40 anos. A queixa é secreção purulenta ou serosa persistente, prurido, desconforto e episódios de reagudização em que a dor cresce até um novo abscesso, drena e alivia — o ciclo do 'estoura e melhora' que o paciente descreve espontaneamente.
A classificação de Parks organiza o trajeto pela relação com o aparelho esfincteriano e continua sendo a mais usada nas diretrizes: interesfincteriana, que sobe entre os dois esfíncteres e é a mais comum; transesfincteriana, que cruza o esfíncter externo em altura variável; supraesfincteriana, que passa por cima do puborretal; e extraesfincteriana, que atravessa o elevador e se comunica com o reto por fora de todo o complexo esfincteriano, muitas vezes de causa iatrogênica, traumática ou inflamatória, e não criptoglandular. Quanto mais alta a passagem pelo esfíncter externo, maior o esfíncter em risco na operação.
A tradução prática dessa classificação é a divisão em simples e complexa, que é o que decide a técnica. Simples: trajeto único, baixo, interesfincteriano ou transesfincteriano baixo, envolvendo menos de um terço do esfíncter externo, sem doença de base, com continência normal. Complexa: trajeto alto, múltiplo ou em ferradura, anterior em mulher, recidivado, com incontinência prévia, secundário a doença de Crohn ou a radioterapia pélvica, ou associado a fístula retovaginal.
Achar o orifício interno é metade da operação, e existe uma regra clínica para prevê-lo a partir do externo: a regra de Goodsall. Traçada uma linha transversa imaginária pelo ânus, orifícios externos posteriores a ela teriam trajeto curvo, com orifício interno na linha média posterior; orifícios anteriores teriam trajeto radial, direto, com orifício interno na posição horária correspondente. A regra acerta em até 75% dos casos, e a própria descrição impõe um limite: a previsão de trajeto radial vale para orifícios anteriores situados a menos de 3 cm da margem anal. Ou seja, é um bom ponto de partida e uma péssima certeza — o orifício interno é confirmado no toque retal, como área endurecida junto à linha pectínea, e no exame sob anestesia.
O exame de imagem preferencial é a ressonância magnética — é a recomendação mais consistente entre as 15 diretrizes e consensos revisados, com evidência de nível 1a, e ela mapeia trajeto, ramificações, coleções ocultas e a relação com os esfíncteres. A ultrassonografia endoanal é a alternativa aceita, e o exame sob anestesia agrega, mas as diretrizes registram que ele não deve ser o único método nos casos complexos. A tomografia é explicitamente desaconselhada de rotina, por radiação e por depender de contraste, ficando como alternativa provisória onde não há ressonância — o que, na rede pública brasileira, é a situação frequente e a razão pela qual o protocolo de regulação pede que se anexe o laudo do exame que houver, sem exigir nenhum deles para encaminhar.
A escolha cirúrgica é um equilíbrio entre cura e continência. Na fístula simples com esfíncter normal, a fistulotomia — abrir o trajeto e deixar cicatrizar por segunda intenção — tem a maior taxa de cura e é a preferida. Nas complexas, entram as técnicas poupadoras: ligadura do trajeto interesfincteriano (LIFT), retalho de avanço endorretal e o seton frouxo de drenagem, que não corta, apenas mantém o trajeto aberto e controla a sepse enquanto a doença de base é tratada. O seton cortante recebe recomendação baixa na maioria dos documentos, justamente por incontinência. Cola de fibrina é considerada ineficaz por três diretrizes, reservada a circunstâncias excepcionais, e o plug é desaconselhado pela maioria. O retalho de avanço perdeu força: o grau de recomendação, que era 1B nos documentos anteriores a 2020, foi rebaixado para 1C nas diretrizes de 2022 e 2023.
A régua brasileira de encaminhamento aqui é mais frouxa de propósito: encaminha-se todo caso suspeito — secreção perianal persistente ou abscessos anorretais recorrentes — ou confirmado de fístula anal, sem exigir tempo de tratamento prévio, porque não há tratamento clínico que feche fístula criptoglandular. Mais que isso: o protocolo dá prioridade no encaminhamento à fístula anal com abscessos de repetição, colocando-a acima da maioria das outras condições proctológicas na fila.
Quando a fístula é da doença de Crohn
Nem toda fístula é criptoglandular, e a exceção que mais cai é a doença de Crohn. O protocolo brasileiro registra que a manifestação perianal acomete até 40% dos pacientes com doença de Crohn e que o fenótipo fistulizante ou penetrante responde por 30% dos casos, frequentemente associado à localização colônica ou ileocolônica, embora possa ocorrer independentemente dela. Fissura anal, nova fístula e abscesso contam como complicações no índice de Harvey-Bradshaw usado para medir atividade da doença.
A conduta muda de eixo. O protocolo brasileiro estabelece que fístulas perianais simples — superficiais ou interesfincterianas — e assintomáticas não requerem tratamento específico; que complicações perianais não supurativas costumam responder a metronidazol, com ou sem cloridrato de ciprofloxacino; e que as fístulas perianais complexas, por serem supurativas, requerem drenagem cirúrgica, assim como os abscessos perianais e perirretais. A ordem é essa: controlar o pus primeiro, imunossuprimir depois.
O biológico entra com endereço e esquema definidos. Para fístula perianal complexa, o infliximabe é usado a 5 mg/kg nas semanas 0, 2 e 6, com manutenção a cada 8 semanas; se não houver resposta após essas três doses, o protocolo determina não instituir tratamento adicional com infliximabe. A apresentação subcutânea é a preferencial na manutenção da fístula perianal complexa, a 120 mg a cada 2 semanas a partir da semana 6, sempre depois da indução intravenosa, e reservando a via intravenosa para a indução ou para indisponibilidade da subcutânea; ela exige 18 anos ou mais, enquanto o infliximabe intravenoso é autorizado a partir dos 6 anos. O adalimumabe fica para a falha do infliximabe, e o protocolo registra que a associação de adalimumabe com cloridrato de ciprofloxacino é superior à monoterapia com adalimumabe. Na falha aos anti-TNF, ustequinumabe e vedolizumabe são as opções, com preferência ao vedolizumabe.
Uma trava técnica que a prova gosta: as diretrizes internacionais que recomendam a ligadura do trajeto interesfincteriano como opção nas fístulas transesfincterianas excluem explicitamente a fístula da doença de Crohn dessa indicação, e o retalho de avanço, quando indicado nesse contexto, só deve ser feito depois de controlada a inflamação. Proctectomia e derivação fecal existem, mas todas as diretrizes que as mencionam as colocam como último recurso.
Da dor anal à conduta
A separação entre as três entidades se faz com duas perguntas de anamnese e uma inspeção. O erro caro não é diagnóstico, é de sequência: prescrever antes de olhar, e olhar sem afastar as nádegas.
- 1Caracterize a dor: só na evacuação, em rasgo, com sangue vivo em pequena quantidade sugere fissura; contínua, progressiva, independente de evacuar, com febre sugere abscesso; ausente ou leve, com secreção crônica que suja a roupa, sugere fístula.
- 2Inspecione com as nádegas afastadas, em decúbito lateral ou posição genupeitoral, com boa luz. A fissura, o orifício externo da fístula e o abaulamento do abscesso perianal são diagnósticos de inspeção.
- 3Na fissura aguda não force o toque retal: a dor o torna inviável e ele não acrescenta ao diagnóstico. Reserve o toque e a anuscopia para depois do controle da dor, ou faça exame sob anestesia se houver dúvida.
- 4Havendo abscesso, drene — a drenagem não espera antibiótico, exame de imagem nem jejum prolongado. Reserve o antibiótico para celulite extensa, repercussão sistêmica, imunossupressão ou risco de endocardite.
- 5Dor anal intensa com febre e toque doloroso, mas inspeção normal, obriga a considerar abscesso interesfincteriano ou supraelevador: peça imagem ou exame sob anestesia.
- 6Fissura fora das linhas médias, múltipla, indolor ou refratária ao tratamento correto: investigue doença de Crohn, tuberculose, sífilis, HIV e neoplasia antes de repetir a prescrição.
- 7Fissura tratada de forma otimizada por 2 meses sem resposta, ou associada a fístula, é encaminhamento para proctologia; fístula suspeita ou confirmada é encaminhamento independentemente de tratamento prévio.
Interesfincteriana — entre os dois esfíncteres
Trajeto sobe pelo espaço interesfincteriano e sai perto da margem anal, sem cruzar o esfíncter externo. É a mais comum e a mais benigna: costuma ser fístula simples, e a fistulotomia sacrifica pouco ou nenhum esfíncter externo.
Transesfincteriana — cruza o esfíncter externo
Trajeto atravessa o esfíncter externo em altura variável e chega à fossa isquiorretal. Baixa e envolvendo menos de um terço do esfíncter externo, ainda é simples; alta, vira complexa e pede técnica poupadora.
Supraesfincteriana — por cima do puborretal
Trajeto sobe no espaço interesfincteriano, contorna a borda superior do puborretal e desce pela fossa isquiorretal. É complexa por definição: abrir esse trajeto secciona o mecanismo de continência inteiro.
Extraesfincteriana — por fora de todo o complexo
Trajeto atravessa o elevador do ânus e comunica reto e pele por fora de todo o aparelho esfincteriano. Raramente é criptoglandular: pense em iatrogenia, corpo estranho, trauma, doença de Crohn ou neoplasia, e trate a causa.
| Entidade | Característica da dor | Inspeção | Sinais associados | Conduta imediata |
|---|---|---|---|---|
| Fissura anal | Em rasgo, começa na evacuação e dura minutos a horas depois | Úlcera longitudinal, quase sempre na linha média posterior; se crônica, plicoma sentinela e papila hipertrófica | Sangue vivo em pequena quantidade, constipação por medo de evacuar | Banho de assento, fibra 20–35 g/dia, 1,5–2 L de água, agente tópico se crônica ou persistente |
| Abscesso perianal ou isquiorretal | Contínua, progressiva em dias, independe de evacuar, piora ao sentar | Eritema, abaulamento, calor e flutuação junto à margem anal ou na nádega | Febre, calafrio, mal-estar | Drenagem cirúrgica imediata; antibiótico só se celulite extensa, repercussão sistêmica, imunossupressão ou risco de endocardite |
| Abscesso interesfincteriano ou supraelevador | Intensa, desproporcional ao que se vê | Normal ou quase normal por fora; toque retal muito doloroso, às vezes com abaulamento na parede | Febre sem foco visível | Imagem de pelve ou exame sob anestesia; drenagem pela via que a origem indicar |
| Fístula anorretal | Ausente ou leve entre as crises; dor crescente quando o trajeto obstrui | Orifício externo na pele perianal com secreção à expressão | Secreção purulenta persistente, abscessos de repetição que drenam e aliviam | Encaminhar à proctologia; mapear com ressonância nos casos complexos; nunca prometer resolução clínica |
| Fissura atípica | Variável, às vezes indolor | Fora das linhas médias, múltipla, bordas escavadas, plicomas volumosos | Diarreia crônica, emagrecimento, lesões genitais, imunossupressão | Investigar Crohn, tuberculose, sífilis, HIV e neoplasia; biopsiar em vez de repetir a prescrição |
Tratamento tópico da fissura crônica: doses do protocolo brasileiro e desempenho comparado
| Agente tópico | Concentração e posologia (protocolo brasileiro, 8 semanas) | SUCRA de cicatrização | SUCRA de recidiva (maior é melhor) | Situação na Rename 2024 |
|---|---|---|---|---|
| Nifedipina | 0,2% a 0,3%, 2 a 4 vezes ao dia | 96,6 (1º) | 61,7 (3º) | Só nifedipino oral, 10 mg cápsula e 10 mg comprimido (C08CA05). Sem apresentação tópica |
| Diltiazem | 2%, 3 vezes ao dia | 67,5 (2º) | 84,9 (1º) | Ausente da Rename em qualquer forma farmacêutica |
| Dinitrato de isossorbida | 1%, 2 vezes ao dia, intra-anal | Não avaliado isoladamente na meta-análise em rede | Não avaliado | Só 5 mg comprimido sublingual (C01DA08) |
| Trinitrato de glicerina | 0,2%, 2 vezes ao dia, intra-anal | 28,0 (4º) | 32,9 (4º) | Ausente da Rename |
| Lidocaína gel 2% | Não é o tratamento indicado: o protocolo registra que as medidas iniciais o superam | 0 (último) | 4,1 (último) | Presente: gel 20 mg/g, Componente Básico (D04AB01) |
Fístula anal: simples ou complexa (a divisão que escolhe a técnica)
| Critério | Simples | Complexa |
|---|---|---|
| Trajeto de Parks | Interesfincteriana ou transesfincteriana baixa | Transesfincteriana alta, supraesfincteriana ou extraesfincteriana |
| Etiologia | Criptoglandular | Não criptoglandular: doença de Crohn, neoplasia, radioterapia, tuberculose |
| Número de trajetos e coleções | Trajeto único, sem abscesso associado | Múltiplos, ramificados ou em ferradura; abscesso associado |
| Situações que reclassificam | Nenhuma | Anterior em mulher, recidivada, função esfincteriana deficiente, fístula retovaginal |
| Imagem antes de operar | Dispensável na maioria | Ressonância magnética (evidência 1a); ultrassonografia endoanal como alternativa |
| Técnica de escolha | Fistulotomia | Seton frouxo para controle da sepse; depois LIFT ou retalho de avanço, conforme o caso |
Fibra na Rename 2024 tem nome e apresentação: plantago (Plantago ovata), 3 a 30 g por dia, em pó para dispersão oral ou granulado, no Componente Básico. Lactulose xarope e óleo mineral também estão no elenco — a orientação de fibra não precisa ficar no plano do conselho genérico.
Metronidazol comprimido está na Rename no Componente Básico e classificado como antimicrobiano de Acesso; o ciprofloxacino, também no Básico, é classificado como de Alerta. Nas complicações perianais não supurativas da doença de Crohn, o protocolo brasileiro usa metronidazol com ou sem ciprofloxacino — e a categoria de Alerta é o motivo para não estender a quinolona sem necessidade.
A incisão de drenagem do abscesso perianal deve ficar o mais próximo possível da margem anal: se o trajeto virar fístula, o orifício externo ficará mais perto do interno, e o trajeto a operar será mais curto e mais superficial.
Entre 30% e 70% dos pacientes com abscesso anorretal já têm fístula concomitante, e cerca de 30% a 50% dos que não tinham desenvolvem uma depois. Isso é evolução do trajeto criptoglandular, não erro técnico — e precisa constar da orientação de alta. Já a recidiva do abscesso aponta para falha técnica: drenagem insuficiente, bordas da pele que fecharam cedo demais ou coleção não reconhecida.
A regra de Goodsall acerta em até 75% dos casos e nada mais que isso: serve para orientar a busca do orifício interno, não para dispensar o toque retal nem o exame sob anestesia. No abscesso perianal, o orifício interno é identificado em apenas cerca de um terço dos pacientes no momento do exame.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Bloqueador de canal de cálcio tópico como primeira linha, por eficácia e perfil de efeitos adversos
A meta-análise em rede de 22 ensaios randomizados com 1770 participantes coloca nifedipina em primeiro na cicatrização (SUCRA 96,6) e diltiazem em primeiro na recidiva (84,9) e no alívio da dor (83,1). A nifedipina cicatriza 3,81 vezes mais que o trinitrato de glicerila (IC 95%: 1,92 a 7,55) e 12,52 vezes mais que a lidocaína (5,06 a 31,00); o trinitrato é o agente com maior taxa de efeitos adversos, com a cefaleia liderando os abandonos. As diretrizes norte-americanas de 2023 recomendam tópicos como primeira linha com grau 1B e reservam a esfincterotomia lateral interna, grau 1A, para a fissura crônica que não respondeu.
Wang C et al., International Journal of Surgery, 2025; diretrizes da ASCRS de 2023, conforme reproduzidas nessa meta-análise
No Brasil, os mesmos agentes existem apenas como fórmula manipulada, e o único tópico anal financiado é a lidocaína
O protocolo brasileiro de regulação prescreve exatamente esses agentes — nifedipina 0,2% a 0,3%, diltiazem 2%, dinitrato de isossorbida 1% e trinitrato de glicerina 0,2% —, mas anota, para todos, dose para manipulação. A Rename 2024 traz nifedipino somente em cápsula e comprimido de 10 mg (C08CA05), não traz diltiazem em nenhuma forma farmacêutica, e do grupo dos nitratos traz apenas dinitrato de isossorbida 5 mg comprimido sublingual (C01DA08). O único tópico de uso anal do elenco é o gel de cloridrato de lidocaína 2% (D04AB01) — e a mesma meta-análise o coloca em último em cicatrização (SUCRA 0), em último em alívio da dor (0) e em penúltimo em recidiva (4,1). O próprio protocolo brasileiro registra que as medidas comportamentais superam o anestésico tópico isolado.
TelessaúdeRS-UFRGS/SES-RS, Protocolos de Regulação Ambulatorial — Proctologia Adulto, 2021, Quadro 3; Rename 2024 (Portaria GM/MS nº 6.324/2024)
Na prova
A causa da diferença é de apresentação farmacêutica e de disponibilidade, não de evidência: o Brasil concorda com o mecanismo e prescreve os mesmos fármacos, mas em fórmula manipulada, que a assistência farmacêutica básica não dispensa. Identifique o recorte pelo cenário e pelo vocabulário: enunciado ambientado em unidade básica, com menção a Rename, elenco, dispensação, manipulação ou custo para o paciente, trabalha no corpo brasileiro; enunciado de ambulatório de coloproctologia ou com menção nominal a sociedade norte-americana trabalha na diretriz internacional. As alternativas entregam o mundo da questão: se aparecer pomada de diltiazem 2% ao lado de lidocaína gel, a questão está discutindo eficácia; se aparecer 'orientar dieta com fibras e encaminhar após dois meses sem resposta', está discutindo a régua de acesso do SUS. Prova oficial do MEC tende a conduta compatível com o SUS; outras bancas dependem do que as alternativas revelam.
Opção intermediária entre o tópico e a cirurgia, na literatura internacional
A injeção de toxina botulínica no esfíncter interno produz esfincterotomia química temporária e é estudada como alternativa para quem falhou ao tratamento tópico e quer evitar a secção definitiva do esfíncter — a própria meta-análise em rede exclui esses ensaios do seu escopo justamente porque a toxina forma um corpo de evidência à parte, com discussão específica de dose e de sítio de injeção.
Wang C et al., International Journal of Surgery, 2025 (critérios de exclusão e discussão)
No SUS, a toxina existe no elenco, mas com endereço em outros protocolos
A Rename 2024 traz toxina botulínica A em pó para solução injetável, 100 U e 500 U, no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, grupo 1A, tendo como documentos norteadores o PCDT de Distonias e Espasmo Hemifacial e o PCDT de Espasticidade. Não há protocolo nacional que a vincule à fissura anal, e o protocolo brasileiro de proctologia sequer a menciona entre as opções de tratamento clínico.
Rename 2024 (Portaria GM/MS nº 6.324/2024), Componente Especializado; TelessaúdeRS-UFRGS/SES-RS, Proctologia Adulto, 2021
Na prova
A causa aqui é de endereço da incorporação: o medicamento está no SUS, mas amarrado a protocolos de outra doença, o que o torna indisponível por essa via para a fissura. Enunciado que descreve a etapa entre falha do tópico e cirurgia, em serviço especializado, costuma trabalhar no corpo internacional; enunciado que pergunta o que fazer na rede pública depois de dois meses de tratamento otimizado trabalha na régua de encaminhamento brasileira, em que o passo seguinte é a proctologia.
Primeira linha nas fístulas altas, pela diretriz alemã S3
A diretriz alemã S3 recomenda fortemente o LIFT como primeira opção para fístulas anais altas, com base em evidência de qualidade moderada, sustentando-se na combinação de taxa de sucesso e preservação esfincteriana.
Ommer A et al., diretriz alemã S3, conforme a revisão sistemática de diretrizes de Lu MY et al., Frontiers in Surgery, 2025
Preferida na transesfincteriana, mas proibida na doença de Crohn, pela diretriz norte-americana de 2022
As diretrizes da ASCRS de 2022 listam o LIFT como o procedimento preferencial nas fístulas transesfincterianas e vedam explicitamente o seu uso na fístula perianal da doença de Crohn.
Wolfgang B et al., ASCRS 2022, conforme a revisão sistemática de Lu MY et al., Frontiers in Surgery, 2025
Cautela por ausência de evidência de longo prazo, pela diretriz europeia de 2023
A diretriz da Sociedade Europeia de Coloproctologia mantém posição conservadora sobre o LIFT, por considerar insuficiente a evidência de eficácia a longo prazo — e é o documento com maior pontuação em todos os seis domínios do AGREE II entre os quinze avaliados.
Reza L et al., ESCP 2023, conforme a revisão sistemática de Lu MY et al., Frontiers in Surgery, 2025
Na prova
A causa é de horizonte de evidência: as três posições olham para os mesmos ensaios e discordam sobre quanto tempo de seguimento basta para chamar de cura. Reconheça o recorte pela menção nominal à sociedade no enunciado e pelo cenário — quando a questão descreve doença de Crohn com fístula transesfincteriana, o distrator que oferece LIFT denuncia a diretriz norte-americana, que veda essa combinação. Quando não há sociedade citada e o caso é criptoglandular simples, a discussão costuma nem chegar ao LIFT: fica na fistulotomia.
Caso resolvido
- achado
- Dor contínua e progressiva, independente da evacuação, com febre e flutuação junto à margem anal: abscesso perianal. A característica da dor já separava do diagnóstico de fissura na primeira consulta.
- erro cometido
- Antibiótico oral e pomada no lugar da drenagem. Antibiótico não penetra coleção fechada; a prescrição não trata o abscesso e ainda cria a impressão de conduta tomada, empurrando o paciente para um retorno em duas semanas que ele não teria condições de esperar.
- conduta
- Drenagem cirúrgica imediata, com incisão o mais próxima possível da margem anal, ampla o suficiente para esvaziar a cavidade e com desbridamento dos septos. Não se aguarda antibiótico, imagem ou jejum prolongado para drenar.
- antibiótico
- Aqui há indicação de antibiótico como adjuvante — não pela existência do abscesso, mas pelo diabetes descompensado com repercussão sistêmica (febre, taquicardia, glicemia de 288 mg/dL). No paciente hígido, com abscesso perianal simples bem drenado e sem celulite, a drenagem isolada basta.
- sinal de alarme afastado
- A ausência de crepitação, necrose cutânea, equimose e dor desproporcional ao exame afasta, neste momento, a gangrena de Fournier — que mudaria a conduta para ressuscitação, antibiótico de amplo espectro e desbridamento agressivo em centro cirúrgico. O diabetes descompensado mantém esse diagnóstico em vigilância nas reavaliações.
- orientação de alta
- Explicar que cerca de 30% a 50% dos pacientes sem fístula ao diagnóstico desenvolvem uma depois do abscesso drenado, e que secreção persistente semanas depois não é cicatrização ruim: é fístula, e o caminho é a proctologia. Controle glicêmico entra no mesmo plano, porque é ele que sustenta a recidiva.
Agora feche você
- achado
- Fissura em linha média posterior, com mais de seis semanas de evolução e dois estigmas de cronicidade — plicoma sentinela e esfíncter interno exposto no fundo. Localização típica, sem sinal de doença sistêmica, o que afasta a fissura atípica e dispensa, por ora, a investigação de Crohn, tuberculose, sífilis, HIV e neoplasia.
- tratamento já realizado
- Medidas comportamentais completas mais bloqueador de canal de cálcio tópico em concentração e posologia corretas, por oito semanas — ou seja, tratamento clínico otimizado, sem resposta, pelo período que o protocolo brasileiro define.
- continência
- …
- conduta
- …
Onde a banca derruba
- 1Tratar dor anal intensa como crise hemorroidária e mandar pomada com retorno em duas semanas A hemorroida interna não complicada não dói — o plexo interno tem inervação visceral autônoma. Dor como queixa principal aponta para trombose hemorroidária, fissura ou abscesso, como o capítulo de doença hemorroidária já registra. A diferença é que, entre esses três, o abscesso é o que não perdoa a espera: duas semanas de pomada em um abscesso perianal em diabético é o caminho mais curto para a gangrena de Fournier.
- 2Prescrever antibiótico e adiar a drenagem porque o abscesso 'ainda não flutuou' Atrai porque parece prudente e porque a flutuação é o sinal que se aprende a procurar. Mas o abscesso isquiorretal é profundo e pode não flutuar por dias, e o interesfincteriano nunca flutua. Antibiótico isolado não esteriliza coleção fechada: converte um procedimento de consultório em uma sepse perineal. Diante de dor progressiva com febre e toque retal muito doloroso, o passo é imagem ou exame sob anestesia, não observação com cefalexina.
- 3Insistir no toque retal na fissura aguda para 'confirmar o diagnóstico' Parece rigor de exame físico e é iatrogenia. A dor da fissura aguda torna o toque impraticável, e ele não acrescenta nada ao que a inspeção com afastamento das nádegas já mostrou. O toque e a anuscopia ficam para depois do controle da dor, ou para exame sob anestesia quando houver dúvida real.
- 4Tratar fissura lateral como fissura comum e apenas trocar a pomada quando não cicatriza A localização fora das linhas médias é o marcador de que a fissura não é mecânica. Fissura lateral, múltipla, de bordas escavadas, indolor ou refratária ao tratamento correto exige investigar doença de Crohn, tuberculose, sífilis, infecção pelo HIV e neoplasia do canal anal — e biopsiar. Repetir a prescrição por mais oito semanas atrasa um diagnóstico que muda a vida do paciente.
- 5Fazer fistulotomia na fístula complexa porque 'abriu, cicatriza' A fistulotomia é a técnica de maior cura na fístula simples justamente porque sacrifica pouco esfíncter. Aplicada à transesfincteriana alta, à supraesfincteriana, à fístula anterior em mulher ou à do paciente com incontinência prévia, ela troca a fístula por incontinência definitiva. O caminho nesses casos é o seton frouxo para controlar a sepse e, depois, a técnica poupadora.
- 6Prescrever corticoide tópico ou anestésico isolado como tratamento da fissura É a prescrição mais frequente do pronto-socorro e a que o protocolo brasileiro contradiz por escrito: as medidas iniciais têm resultado clínico superior ao uso isolado de anestésico tópico, como lidocaína 2%, ou de corticoide tópico. A meta-análise em rede reforça pelo outro lado — a lidocaína ficou em último em cicatrização e em alívio da dor entre os cinco agentes comparados. Alívio momentâneo não é tratamento: o alvo é a pressão de repouso do esfíncter interno.
- 7Começar biológico na fístula perianal da doença de Crohn antes de drenar Atrai porque o anti-TNF é, de fato, a base do tratamento da doença perianal fistulizante. Mas o protocolo brasileiro é explícito na ordem: fístulas perianais complexas são supurativas e requerem drenagem cirúrgica, assim como os abscessos perianais e perirretais. Imunossuprimir sobre coleção não drenada agrava a sepse — e, do outro lado da régua, fístula perianal simples e assintomática não requer tratamento específico nenhum.
Dor anal intensa relacionada à evacuação com sangramento vivo em pequena quantidade e fissura na linha média posterior é o quadro típico de fissura anal. O tratamento inicial (fissura aguda) é conservador: regularização do hábito intestinal com fibras e hidratação, banhos de assento e agentes tópicos relaxantes do esfíncter (nitrato/bloqueador de canal de cálcio). Hemorroida trombosada dá nódulo azulado doloroso, não fissura. Abscesso cursa com tumor flutuante, febre e dor contínua. Câncer anal exige lesão suspeita/ulcerada persistente. Fístula tem orifício com drenagem crônica — não descrito.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 38 anos relata dor anal intensa que piora durante e após as evacuações, com raias de sangue vivo no papel higiênico há 6 semanas. Refere constipação crônica. Ao exame, há intensa dor e hipertonia esfincteriana que dificulta o toque; visualiza-se uma solução de continuidade linear na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela distal. Qual é a conduta inicial mais adequada?
A fissura anal crônica (linha média posterior + plicoma sentinela) tem tratamento inicial CLÍNICO: regularização do hábito intestinal com fibras/hidratação, banho de assento e relaxantes tópicos do esfíncter (bloqueadores de canal de cálcio como diltiazem, ou nitratos). A esfincterotomia lateral interna é reservada para falha do tratamento clínico. Fistulotomia é para fístulas. Hemorroidectomia trata doença hemorroidária. Drenagem/antibiótico é para abscesso.
Homem de 55 anos, diabético, procura o pronto-socorro com dor anal pulsátil há 2 dias, febre de 38,5 °C e abaulamento perianal. Ao exame: PA 130x80 mmHg, FC 96 bpm, T 38,4 °C. Inspeção da região perianal mostra área eritematosa, quente, edemaciada e flutuante a cerca de 3 cm da margem anal. Qual é a conduta imediata mais apropriada?
Abscesso anorretal (dor pulsátil, febre, flutuação) é emergência cirúrgica: o tratamento é DRENAGEM imediata, independentemente do uso de antibiótico. Antibiótico isolado não resolve coleção purulenta e é adjuvante em diabéticos/imunossuprimidos. Fistulotomia primária não é rotina na drenagem de abscesso (risco de incontinência e nem sempre há trajeto definido). Banho de assento não drena a coleção. Colonoscopia não tem papel na urgência do abscesso.
Mulher de 58 anos submetida à drenagem de abscesso perianal há 6 semanas evolui com drenagem persistente de secreção purulenta por um orifício externo cutâneo a 2 cm da margem anal, na posição posterior. Ao exame identifica-se orifício externo e, ao toque, orifício interno na linha média posterior. Aplicando a regra de Goodsall, qual é a trajetória esperada da fístula e a conduta de primeira linha para uma fístula interesfincteriana baixa?
Pela regra de Goodsall, orifícios externos POSTERIORES (atrás da linha transversa anal) têm trajeto CURVO em direção à linha média posterior. Em fístulas interesfincterianas/transesfincterianas BAIXAS, com pouco envolvimento esfincteriano, a fistulotomia é o tratamento de primeira linha (alta taxa de cura). Orifícios anteriores é que têm trajeto radial direto. Colostomia e sedenho de corte são para fístulas complexas/altas. Retalho de avanço é para fístulas altas com preservação esfincteriana. Antibiótico isolado não cura fístula.
Mulher de 38 anos, previamente hígida, apresenta há 4 dias dor anal intensa e contínua, pior ao sentar, com febre de 38,3°C. Ao exame da região perianal observa-se área de eritema, edema, calor e flutuação localizada a cerca de 2 cm da margem anal, no quadrante posterior. Toque retal doloroso, sem sinais de acometimento do canal profundo. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Abscesso anorretal é diagnóstico clínico e o tratamento é drenagem cirúrgica imediata — abscesso não se resolve com antibiótico isolado. Antibiótico oral é insuficiente e retarda a drenagem. RM não é necessária na fase aguda de abscesso perianal superficial. Banhos de assento tratam apenas sintoma e permitem progressão da sepse. Fistulotomia primária no mesmo tempo é controversa e não indicada de rotina no abscesso agudo (risco de incontinência e o trajeto pode não estar definido).
Homem de 52 anos apresenta drenagem intermitente de secreção purulenta por orifício na pele perianal, a 3 cm da margem anal no quadrante posterior. Ao exame identifica-se orifício fistuloso externo único. Aplicando a regra de Goodsall, qual é a localização mais provável do orifício interno dessa fístula anal?
Pela regra de Goodsall, orifícios externos posteriores (posteriores à linha transversa que cruza o ânus) têm trajeto curvo e o orifício interno na linha média posterior. Orifícios anteriores têm trajeto radial/curto até a cripta correspondente — por isso 'radialmente alinhado' vale para os anteriores, não para o posterior deste caso. Linha média anterior não corresponde à regra para orifício posterior. Quadrante lateral esquerdo fixo e localização aleatória são incorretos.
Mulher de 29 anos relata dor anal intensa em pontada durante e após a evacuação, com sangramento em pequena quantidade que mancha o papel, há 5 semanas. Refere constipação prévia. Ao afastar suavemente as pregas anais, observa-se úlcera linear na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela e fibras do esfíncter interno visíveis no fundo. Além de medidas higienodietéticas, qual é o agente tópico de primeira linha para promover a cicatrização nesse quadro?
Na fissura anal crônica, o primeiro passo farmacológico é relaxar o esfíncter interno hipertônico com nitrato tópico ou bloqueador de cálcio tópico (diltiazem), que melhora o fluxo sanguíneo e permite cicatrização. Corticoide e antibiótico tópicos não tratam a hipertonia esfincteriana. Lidocaína alivia dor mas não cura. Toxina botulínica é opção de 2ª linha (quando falha o tópico), não primeira medida.
Mulher de 34 anos com doença de Crohn de longa data apresenta fístula perianal complexa transesfincteriana alta, com trajeto único, sem coleção residual e reto sem inflamação ativa à endoscopia. Está em uso de terapia biológica (anti-TNF) otimizada. Considerando o alto risco de incontinência pela altura do trajeto e a necessidade de preservar o esfíncter, qual é a técnica cirúrgica de preservação esfincteriana mais adequada para tentar a cura dessa fístula?
Em fístula transesfincteriana ALTA (esfíncter externo relevante no trajeto), a fistulotomia causaria incontinência — proscrita. Técnicas de preservação esfincteriana como LIFT ou retalho de avanço endoanal são as indicadas, especialmente na Crohn com reto sem inflamação ativa. Seton de corte secciona gradualmente o esfíncter e também compromete a continência em trajeto alto. Colostomia isolada não cura a fístula. Fenol esclerosante não é a técnica de escolha para fístula complexa transesfincteriana.
Mulher de 32 anos comparece à UBS com dor anal intensa 'em rasgo' durante e após a evacuação, associada a pequeno sangramento vermelho-vivo no papel. Relata constipação e fezes endurecidas. Ao exame, dor intensa dificulta o toque; visualiza-se uma úlcera linear na linha média posterior do ânus. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor anal intensa 'em rasgo' desencadeada pela evacuação, com pequeno sangramento vivo e uma úlcera/ferida linear na linha média posterior do ânus, em paciente constipada, é o quadro clássico de fissura anal. A trombose hemorroidária apresenta nódulo azulado doloroso na borda anal, não uma fissura linear. Fístula anal cursa com orifício com drenagem de secreção/pus, não com dor 'em rasgo' à evacuação. Proctite dá tenesmo, secreção e sangramento difuso, sem a úlcera linear típica.
Homem de 45 anos procura a UPA com dor perianal latejante e progressiva há 3 dias, febre (38,5°C) e mal-estar. Ao exame, há tumoração perianal quente, hiperemiada, endurecida e muito dolorosa, com área de flutuação à palpação. Qual a conduta mais adequada?
O quadro é de abscesso perianal: tumoração quente, dolorosa, com flutuação, febre e sinais inflamatórios. O tratamento é a drenagem cirúrgica imediata da coleção — o pilar do manejo de qualquer abscesso é a drenagem; antibiótico isolado não resolve a coleção purulenta e é adjuvante (indicado sobretudo em imunossuprimidos, celulite extensa ou sepse). Analgésico/laxante não tratam a coleção. Colonoscopia de urgência não tem papel no manejo agudo do abscesso; investigação (ex.: para doença de Crohn ou fístula) é feita eletivamente após controle.
Homem de 30 anos vem à UBS relatando dor anal intensa durante e após as evacuações, com sangramento em pequena quantidade no papel higiênico, há 6 semanas. Refere constipação e evacuação de fezes endurecidas. Ao afastar as pregas anais, observa-se ferida linear na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela. Qual é a conduta inicial mais adequada?
Fissura anal aguda/posterior típica é tratada inicialmente de forma conservadora: correção da constipação (fibras, hidratação, amolecedores), banho de assento e agentes tópicos que reduzem o tônus esfincteriano (bloqueador de canal de cálcio ou nitrato), que curam a maioria das fissuras. A esfincterotomia lateral interna é reservada às fissuras crônicas refratárias ao tratamento clínico. Colonoscopia de urgência não é necessária em fissura típica em local clássico posterior. Antibiótico/corticoide sistêmico não têm papel.
Homem de 42 anos procura a UPA com dor perianal intensa, pulsátil, febre (38,5°C) e abaulamento eritematoso, quente e flutuante na região perianal há 3 dias. Ao exame, há tumoração dolorosa com flutuação evidente, sem drenagem espontânea. Qual é a conduta mais adequada?
Abscesso perianal (dor, febre, tumoração flutuante) é uma coleção purulenta e o tratamento definitivo é a DRENAGEM cirúrgica precoce, independentemente do uso de antibiótico. Antibiótico isolado não resolve coleção formada e retarda o tratamento, com risco de progressão para sepse/gangrena. Analgesia e espera são inadequadas frente a abscesso estabelecido. Colonoscopia não deve postergar a drenagem de urgência de uma infecção supurada.
Mulher de 29 anos vai à UBS com dor anal intensa e em pontada durante e após a evacuação, associada a pequena quantidade de sangue vivo no papel higiênico. Refere constipação e fezes endurecidas. Ao exame, o afastamento das nádegas revela uma ulceração linear na comissura posterior do ânus. Qual o diagnóstico mais provável?
Dor anal intensa em pontada relacionada à evacuação, sangramento discreto e ulceração linear na linha média posterior do ânus são clássicos de fissura anal, tipicamente associada a fezes endurecidas/constipação. A trombose hemorroidária externa cursa com nódulo azulado doloroso, não úlcera linear. A fístula apresenta orifício com drenagem de secreção. O prolapso retal mostra protrusão de mucosa/parede retal, sem a úlcera característica.
Homem de 45 anos procura a UPA com dor anal pulsátil e intensa há 3 dias, febre de 38,5°C e mal-estar. Ao exame, há abaulamento perianal eritematoso, quente, doloroso e com flutuação à palpação. Qual a conduta mais adequada?
O quadro é de abscesso perianal: dor pulsátil, febre e abaulamento flutuante. O tratamento definitivo e prioritário é a DRENAGEM cirúrgica — coleção purulenta não resolve com antibiótico isolado, que fica como adjuvante em imunossuprimidos, diabéticos ou celulite extensa. Banhos de assento e analgesia sem drenagem retardam a resolução e podem evoluir para sepse/fascite. Colonoscopia de urgência não tem papel no manejo agudo do abscesso.
Mulher de 34 anos procura a UPA com dor anal intensa há 3 dias, em fisgada, que piora acentuadamente durante e após a evacuação, associada a pequeno sangramento vivo no papel. Relata constipação crônica. Ao exame, o simples afastamento das nádegas provoca dor importante e observa-se uma solução de continuidade linear na linha média posterior da borda anal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor anal intensa em fisgada relacionada à evacuação, sangramento vivo em pequena quantidade, constipação e solução de continuidade linear na linha média posterior caracterizam fissura anal. A fístula anal cursa com orifício com drenagem purulenta crônica; o abscesso perianal apresenta tumoração flutuante, dolorosa, com sinais flogísticos e frequentemente febre; a trombose hemorroidária externa manifesta-se como nódulo azulado doloroso na borda anal, não como fenda linear.
Homem de 45 anos chega à UPA com dor pulsátil intensa na região perianal há 2 dias, febre de 38,5°C e queda do estado geral. Ao exame, há área endurecida, hiperemiada, quente e flutuante ao lado do ânus, muito dolorosa à palpação. Não há alterações à ausculta abdominal. Qual é a conduta inicial mais apropriada?
O quadro é de abscesso perianal (coleção flutuante, dor, febre); o tratamento é drenagem cirúrgica precoce (correta), pois a antibioticoterapia isolada não resolve coleção fechada. Antibiótico oral sem drenagem e conduta expectante permitem progressão para sepse ou gangrena de Fournier. Colonoscopia de urgência não é prioridade no abscesso agudo e é contraindicada na vigência de processo inflamatório agudo perianal; a investigação de DII, se pertinente, é feita depois da resolução.
Homem de 28 anos, portador de doença de Crohn perianal, é acompanhado no ambulatório de referência com fístula anal transesfincteriana alta complexa, com múltiplos trajetos e drenagem recorrente. Está em uso de terapia imunobiológica. Qual é a abordagem cirúrgica mais apropriada para o controle local dessa fístula nesse contexto, priorizando a preservação da continência?
Em fístula perianal complexa da doença de Crohn, com trajeto transesfincteriano alto, a fistulotomia ampla causaria incontinência por secção de grande porção do esfíncter; a conduta que controla a sepse local preservando a continência é o sedenho (seton) de drenagem, associado ao controle clínico da doença de base com imunobiológico (correta). A ressecção abdominoperineal é medida extrema, reservada a doença refratária/perineal destrutiva. A esfincterotomia lateral interna é tratamento de fissura anal crônica, não de fístula.
Mulher de 29 anos procura o pronto atendimento com dor anal intensa há 5 dias, descrita como um corte/fisgada durante a evacuação e que persiste por horas depois, associada a pequena quantidade de sangue vivo no papel higiênico. Refere constipação intestinal e fezes endurecidas. Por causa da dor, evita evacuar. Ao exame, a paciente apresenta grande dificuldade e dor à separação das nádegas; visualiza-se uma solução de continuidade linear na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela associado. O toque retal é extremamente doloroso. Qual é a hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais apropriada, respectivamente?
Dor anal intensa em fisgada durante e após a evacuação, sangramento discreto vivo, associada a laceração linear na linha média posterior com plicoma sentinela é o quadro clássico de fissura anal; o tratamento de primeira linha é conservador (fibras, hidratação, banhos de assento, analgesia e regularização do hábito intestinal). O abscesso perianal cursa com dor pulsátil contínua, abaulamento flutuante, calor e febre, exigindo drenagem — ausente. A trombose hemorroidária apresenta nódulo azulado, doloroso e edemaciado na margem anal, não fissura linear. Câncer de canal anal é raro nessa idade e apresentação, e o quadro é benigno e típico.
Homem de 34 anos comparece ao pronto-socorro com dor pulsátil e progressiva na região perianal há 3 dias, com piora ao sentar. Refere febre não medida e mal-estar. Ao exame: temperatura axilar de 38,3°C, e observa-se, na margem anal à esquerda, área de abaulamento avermelhado, quente, endurecido e doloroso à palpação, com ponto de flutuação central. Não há lesões fissurárias visíveis e o restante do exame abdominal é normal. Exames laboratoriais mostram leucocitose de 14.000/mm³ com desvio à esquerda. Qual é o diagnóstico mais provável e a conduta terapêutica adequada, respectivamente?
Dor perianal pulsátil e progressiva, febre, abaulamento eritematoso, quente, endurecido com ponto de flutuação e leucocitose caracterizam abscesso perianal, cujo tratamento definitivo é a drenagem cirúrgica (o antibiótico é adjuvante em casos selecionados, mas não substitui a drenagem). Doença hemorroidária grau IV cursa com prolapso irredutível e sangramento, sem flutuação/febre. O cisto pilonidal localiza-se na região sacrococcígea (fenda interglútea), não na margem anal, e quando abscedado também exige drenagem. Fissura anal cursa com dor à evacuação e laceração linear, sem coleção flutuante.
Mulher de 30 anos procura o pronto-socorro por dor anal intensa, em pontada, durante e após a evacuação, há duas semanas, com pequena quantidade de sangue vermelho-vivo no papel. Refere constipação e medo de evacuar pela dor. Ao exame, o toque retal é muito doloroso e o esfíncter apresenta-se hipertônico; à inspeção, com afastamento cuidadoso das nádegas, observa-se uma úlcera linear na comissura posterior do ânus, com plicoma sentinela. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada, respectivamente?
Dor anal intensa, em fisgada/pontada, durante e após evacuar, sangue vivo no papel, hipertonia esfincteriana e úlcera linear na linha média posterior com plicoma sentinela definem fissura anal. O tratamento inicial da fissura aguda é clínico: fibras, ingesta hídrica, banhos de assento e agentes tópicos que relaxam o esfíncter (bloqueador de canal de cálcio ou nitrato tópicos); esfincterotomia fica para fissuras crônicas refratárias. A doença hemorroidária externa trombosada, que motivaria excisão de urgência, apresenta nódulo azulado externo doloroso, não úlcera linear. A neoplasia do canal anal, que exigiria biópsia, tem lesão vegetante/endurecida irregular. O abscesso anorretal, tratado com antibioticoterapia venosa, cursa com abaulamento flutuante, febre e dor contínua, não úlcera linear com hipertonia.
Homem de 35 anos procura o pronto-socorro com dor anal contínua e pulsátil há quatro dias, febre e abaulamento doloroso na região perianal. Ao exame, apresenta temperatura de 38,3 °C e, na inspeção da região perianal, há uma tumoração eritematosa, quente, flutuante à palpação, muito dolorosa, adjacente ao ânus. O toque retal é limitado pela dor. Não há relato de sangramento ao evacuar. Qual é o diagnóstico e a conduta mais adequada, respectivamente?
Dor anal contínua e pulsátil, febre e tumoração perianal eritematosa, quente e flutuante caracterizam abscesso perianal. O tratamento é drenagem cirúrgica imediata; antibiótico é adjuvante em imunossuprimidos, diabéticos, sinais sistêmicos importantes ou celulite extensa, mas não substitui a drenagem. Fissura causa dor à evacuação com úlcera linear, sem coleção flutuante. Hemorroida grau I causa sangramento indolor sem prolapso, sem febre. Fístula anal é a evolução crônica após drenagem do abscesso, apresentando orifício com drenagem crônica — não é o quadro agudo flutuante e febril atual.
Homem de 40 anos retorna à UBS relatando que, há dois meses, teve um abscesso perianal drenado no pronto-socorro. Desde então persiste com drenagem intermitente de secreção purulenta por um pequeno orifício na pele perianal, associada a prurido e umidade local. Nega febre atualmente. Ao exame, observa-se orifício cutâneo externo perianal com saída de secreção purulenta à expressão, e palpa-se um trajeto endurecido em direção ao ânus. O toque retal identifica um orifício interno no canal anal. Qual é o diagnóstico e a conduta mais adequada, respectivamente?
Drenagem purulenta crônica por orifício cutâneo perianal, após abscesso drenado, com trajeto endurecido palpável e orifício interno no canal anal, define fístula anal — complicação crônica do abscesso. O tratamento é cirúrgico (fistulotomia em trajetos baixos/simples; técnicas preservadoras como sedenho/LIFT em trajetos altos que envolvem o esfíncter), pois não cicatriza espontaneamente. Fissura é úlcera linear dolorosa à evacuação, sem trajeto/orifício drenante. Nova drenagem isolada não resolve o trajeto epitelizado já estabelecido. Condiloma são lesões verrucosas vegetantes por HPV, sem drenagem purulenta nem trajeto ao canal anal.
Mulher, 34 anos, previamente hígida, procura o pronto-atendimento com dor anal intensa "em rasgo" durante e por horas após as evacuações, associada a sangramento vivo em pequena quantidade no papel higiênico há três semanas. Refere constipação intestinal e fezes ressecadas. Ao exame proctológico, ao afastar delicadamente as pregas anais observa-se uma úlcera linear na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela distal. A dor impede a realização do toque retal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade dor anal em rasgo relacionada à evacuação, sangramento vivo em pequena quantidade e úlcera linear na linha média posterior com plicoma sentinela é o quadro clássico de fissura anal, tipicamente por hipertonia esfincteriana e trauma por fezes ressecadas. Abscesso cursa com dor contínua, latejante, tumoração flutuante, calor e sinais inflamatórios/febre, não úlcera linear. Hemorroida trombosada dá nódulo azulado doloroso na borda anal, não úlcera linear posterior. Carcinoma epidermoide gera úlcera irregular, endurecida e infiltrativa, geralmente em paciente mais idoso e sem o padrão de dor cíclica com a evacuação. Herpes anal produz vesículas/úlceras múltiplas e superficiais, agrupadas, não a fissura linear única.
Homem, 52 anos, diabético, evolui há dois dias com dor anal contínua e latejante, febre de 38,5 °C e tumoração dolorosa na região perianal. Ao exame, há área eritematosa, quente e flutuante na margem anal às 4 horas (posição de litotomia), sem crepitação. É submetido a drenagem cirúrgica do abscesso perianal, com boa evolução. Seis semanas depois, retorna com secreção purulenta intermitente por um orifício externo cutâneo situado a 3 cm da borda anal, na posição posterolateral direita. Considerando a regra de Goodsall-Salmon para prever o trajeto da provável fístula anorretal, qual é a localização mais provável do orifício interno?
Correta: pela regra de Goodsall-Salmon, orifícios externos POSTERIORES à linha transversa que passa pelo ânus (ou anteriores a mais de 3 cm da margem) têm trajeto CURVO e drenam para a linha média posterior do canal anal (cripta posterior). Como o orifício está posterolateral, o interno se localiza na linha média posterior com trajeto curvilíneo. O trajeto radial retilíneo com orifício interno no mesmo quadrante é a previsão para orifícios ANTERIORES à linha transversa e a menos de 3 cm da margem — não é o caso. A linha média anterior não corresponde à drenagem de fístulas posteriores. O orifício interno situa-se na linha pectínea (cripta anal), origem criptoglandular da fístula, e não no reto médio. Fístula anorretal criptoglandular por definição comunica pele e canal anal, tendo orifício interno — afirmar que é cega está errado.
Mulher, 32 anos, previamente hígida, queixa-se de dor anal intensa, descrita como "em rasgadura", que surge durante a evacuação e persiste por cerca de duas horas depois, há três semanas. Refere constipação crônica e notou pequena quantidade de sangue vivo no papel higiênico ao final da evacuação. Ao exame, apresenta acentuada hipertonia do esfíncter anal e, ao afastar suavemente as pregas anais, observa-se solução de continuidade linear (ulceração) na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela associado. O toque retal não foi possível pela dor. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade dor anal intensa desencadeada pela evacuação e que persiste depois, sangramento vivo em pequena quantidade e hipertonia esfincteriana, somada à ulceração linear na linha média posterior (localização típica, >90% dos casos) e ao plicoma sentinela, define a fissura anal — habitualmente crônica quando há mais de 6 semanas de evolução ou plicoma/papila hipertrófica. Hemorroidas causam sangramento e prolapso, mas classicamente são indolores; a dor intensa à evacuação não é o padrão. Abscesso perianal cursa com tumefação flutuante, eritema e febre, ausentes aqui. Fístula manifesta-se por orifício externo com drenagem purulenta intermitente, não descrito. Neoplasia de canal anal produz lesão vegetante/endurecida, ocorre em faixa etária mais avançada e não explica o quadro agudo com fissura em linha média posterior.
Homem, 54 anos, diabético tipo 2 em uso irregular de metformina, procura o pronto-socorro com dor anal intensa, pulsátil e progressiva há quatro dias, associada a febre e mal-estar. Ao exame: PA 132/84 mmHg, FC 98 bpm, FR 18 ipm, T 38,7 °C. Observa-se área de tumefação eritematosa, quente, flutuante e muito dolorosa na região perianal direita, a 2 cm da borda anal, sem drenagem espontânea. Hemograma com leucócitos 15.400/mm³ (VR 4.000–11.000). Qual é a conduta mais adequada?
Correta: Abscesso anorretal é diagnóstico clínico (coleção flutuante, dolorosa, com sinais flogísticos) e seu tratamento é a drenagem cirúrgica precoce, independentemente do estágio — o adiamento aumenta o risco de progressão para necrose/gangrena de Fournier, especialmente no diabético. Antibiótico é apenas adjuvante em situações selecionadas (imunossupressão, celulite extensa, valvopatia), nunca substitui a drenagem. Antibiótico isolado não resolve coleção purulenta e permite disseminação. Medidas conservadoras estão indicadas na fissura, não no abscesso estabelecido. Investigar DII é pertinente em fístulas complexas/recorrentes, mas jamais deve retardar a drenagem de um abscesso agudo. A RM tem papel na avaliação de fístulas complexas e supraelevadoras, não como primeiro passo de um abscesso perianal simples e evidente ao exame.
Homem, 40 anos, com antecedente de drenagem de abscesso perianal há dois meses, evolui com secreção seropurulenta intermitente por um orifício na pele perianal, sem febre. Ao exame proctológico, em posição de litotomia, identifica-se um único orifício fistuloso externo na região perianal posterior, a cerca de 2 cm da borda anal, na posição de 6 horas. Não há sinais inflamatórios agudos, e o restante do canal anal está íntegro à anuscopia. Com base na regra de Goodsall, qual é a localização mais provável do orifício interno (primário) dessa fístula?
Correta: Pela regra de Goodsall, orifícios externos localizados POSTERIORMENTE a uma linha transversal imaginária que cruza o ânus têm trajeto CURVILÍNEO e desembocam no orifício interno na linha média posterior (6 horas) — reflexo do padrão de drenagem das criptas posteriores. O trajeto retilíneo/radial aplica-se aos orifícios ANTERIORES (que se dirigem à cripta anterior correspondente, em geral a até 3 cm da borda), não aos posteriores. A linha média anterior seria alvo apenas de orifícios anteriores próprios, não deste, que é posterior. A posição de 3 horas não corresponde ao ponto de convergência das fístulas posteriores. O quadro (abscesso prévio drenado seguido de drenagem crônica por orifício cutâneo) caracteriza fístula completa, com orifício interno na cripta de origem — não fístula cega.
Homem, 42 anos, previamente hígido, procura o pronto-socorro com dor perianal intensa, contínua e progressiva há 3 dias, associada a febre não aferida e mal-estar. Nega sangramento ou saída de secreção. Ao exame: T 38,2 °C, tumoração perianal à direita do ânus, com eritema, calor local, endurecimento e ponto de flutuação, muito dolorosa à palpação. Toque retal impraticável pela dor. Qual é a conduta inicial mais adequada?
O quadro de dor perianal intensa e progressiva com massa eritematosa, endurecida e flutuante, acompanhada de febre, é típico de abscesso anorretal (aqui, perianal). O tratamento é a drenagem cirúrgica imediata (incisão e drenagem) — coleção purulenta drena, não regride com medicamento. É correta. Errada: antibiótico isolado não drena o pus; é apenas adjuvante em casos selecionados (imunossupressão, celulite extensa, valvopatia). Errada: abscesso flutuante não resolve espontaneamente e retardar a drenagem favorece progressão para fascite/gangrena de Fournier. Errada: investigação de DII não é a prioridade na urgência de uma coleção que exige drenagem. Errada: não há infecção fúngica; corticoide local é contraindicado em processo infeccioso agudo.
Mulher, 35 anos, com constipação crônica, refere dor anal intensa em pontada, que ocorre durante a evacuação e persiste por horas depois, há cerca de 8 semanas, associada a raias de sangue vermelho-vivo no papel higiênico. Ao exame proctológico, na linha média posterior, observa-se solução de continuidade com bordas endurecidas, plicoma sentinela e exposição das fibras do esfíncter anal interno no leito da lesão. Já vem em uso de dieta rica em fibras e aumento da ingesta hídrica há 4 semanas, sem melhora. Qual é o próximo passo terapêutico mais adequado?
O plicoma sentinela, as bordas fibrosadas e as fibras do esfíncter no fundo, na linha média posterior, com dor em pontada durante/após evacuação e sangramento vivo, caracterizam fissura anal crônica. Após falha das medidas conservadoras (fibra/hidratação), o próximo passo é a esfincterotomia química com relaxantes tópicos — bloqueador de canal de cálcio (diltiazem) ou nitrato — que reduzem a hipertonia do esfíncter interno e favorecem a cicatrização. Correta: Errada: a esfincterotomia lateral interna é o padrão-ouro, mas reservada para fissuras refratárias ao tratamento tópico, pelo risco de incontinência. Errada: não há fístula descrita; o achado é uma fissura. Errada: a lesão é fissura, não doença hemorroidária. Errada: fissura típica na linha média posterior em paciente jovem não exige colonoscopia de urgência; ela seria considerada apenas diante de sinais de alarme ou fissura atípica/lateral (suspeita de Crohn/neoplasia).
Um homem de 34 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor anal intensa, em pontada, que surge durante a evacuação e persiste por cerca de duas horas depois. Refere que percebe pequena quantidade de sangue vermelho-vivo no papel higiênico ao se limpar. Relata constipação crônica e fezes endurecidas. Ao exame proctológico, ao afastar delicadamente as pregas anais, observa-se uma úlcera linear longitudinal na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela adjacente. A dor impede a realização do toque retal. Qual é o diagnóstico mais provável?
Correta: a tríade dor anal intensa desencadeada pela evacuação, sangramento vermelho-vivo em pequena quantidade e úlcera linear na linha média posrterior com plicoma sentinela é típica de fissura anal crônica. A dor que impede o toque também é característica. Trombose hemorroidária cursa com nódulo azulado doloroso agudo, não úlcera linear. Abscesso perianal apresenta tumoração flutuante, dolorosa, com sinais flogísticos e frequentemente febre, não úlcera. Fístula anorretal manifesta-se por orifício externo com drenagem crônica de secreção/pus, não pela dor aguda ligada à evacuação.
Um homem de 42 anos, diabético, chega ao pronto-socorro com dor anal intensa e pulsátil há três dias, febre de 38,7 °C e sensação de peso na região perianal. Ao exame, observa-se, na margem anal à direita, área de tumefação eritematosa, quente, endurecida e muito dolorosa à palpação, com ponto de flutuação. Não há orifício de drenagem espontânea. Considerando o diagnóstico e a conduta iniciais mais adequados no SUS, qual é a alternativa correta?
Correta: o quadro de tumefação perianal flutuante, dolorosa, com eritema, calor e febre corresponde a abscesso perianal, cujo tratamento é a drenagem cirúrgica imediata — a antibioticoterapia é adjuvante (indicada em diabéticos, imunossuprimidos, sinais de celulite extensa ou sepse), mas nunca substitui a drenagem. Por isso, tratar só com antibiótico oral é inadequado e retarda o controle da infecção. Fissura anal cursa com úlcera linear e dor ligada à evacuação, sem tumor flutuante. Trombose hemorroidária apresenta nódulo azulado no plexo hemorroidário, sem febre nem flutuação.
Uma mulher de 38 anos comparece à Unidade Básica de Saúde relatando que, há cerca de dois meses, apresentou um abscesso perianal que foi drenado cirurgicamente. Desde então, queixa-se de drenagem intermitente de secreção purulenta e umidade constante na região anal, que suja a roupa íntima. Ao exame, identifica-se, na pele perianal, um pequeno orifício externo com saída de secreção à expressão e um trajeto endurecido palpável em direção ao ânus. Nega dor intensa. Qual é o diagnóstico e a conduta definitiva mais apropriada?
Correta: drenagem crônica de secreção purulenta por orifício externo com trajeto endurecido, surgindo após abscesso perianal drenado, caracteriza fístula anorretal — cerca de um terço a metade dos abscessos evoluem para fístula. O tratamento definitivo é cirúrgico (fistulotomia, fistulectomia ou uso de sedenho conforme a relação com o esfíncter), pois a fístula não cicatriza espontaneamente. Fissura anal cursa com úlcera e dor à evacuação, não drenagem crônica. Nova drenagem/antibiótico trata o abscesso agudo, mas não resolve o trajeto fistuloso estabelecido. Hidradenite supurativa acomete áreas com glândulas apócrinas com múltiplos nódulos/cicatrizes, sem trajeto originado no canal anal, e não é tratada apenas com corticoide tópico.
Uma mulher de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor anal intensa há 12 dias. Refere que a dor surge no momento da evacuação, descrita como "corte de lâmina", e persiste por cerca de duas horas depois, acompanhada de sangramento vermelho-vivo em pequena quantidade, que apenas suja o papel higiênico. Relata constipação crônica, com evacuações endurecidas a cada três dias, e baixa ingestão de fibras e água. Nega febre, emagrecimento, secreção purulenta ou diarreia. Nega antecedentes patológicos. Ao exame proctológico, o afastamento suave das nádegas revela uma úlcera linear, superficial, de bordas planas, na linha média posterior do canal anal, com intensa hipertonia esfincteriana à tentativa de toque, que não é completado pela dor. Não há abaulamentos, calor ou flutuação perianal.
Correta: a tríade dor anal em corte durante e após a evacuação, sangramento vermelho-vivo escasso e úlcera linear na linha média posterior com hipertonia esfincteriana define fissura anal aguda (< 6-8 semanas). O tratamento inicial preconizado é clínico/conservador: regularização do hábito intestinal com fibras e hidratação, banhos de assento mornos (relaxam o esfíncter interno), analgesia e relaxante tópico do esfíncter, com cicatrização na maioria dos casos. A alternativa do abscesso é rejeitada por não haver febre, abaulamento, calor ou flutuação perianal. A doença hemorroidária não causa úlcera linear nem dor típica "em corte" pós-evacuatória, e o terceiro grau implicaria mamilos prolapsados redutíveis manualmente, ausentes ao exame. A fístula anorretal cursa com secreção purulenta crônica e orifício externo na pele perianal, também ausentes; além disso, investigação por imagem e cirurgia não cabem numa fissura aguda virgem de tratamento.
Um homem de 48 anos, com diabetes mellitus tipo 2 em uso irregular de metformina, chega à UPA com dor anal contínua, latejante e progressiva há quatro dias, que piora ao sentar e independe da evacuação. Refere febre aferida de 38,5 °C e mal-estar. Nega sangramento e secreção. Ao exame: temperatura axilar 38,4 °C, FC 104 bpm, PA 128 x 78 mmHg. Na inspeção perianal, observa-se área de cerca de 4 cm na região lateral esquerda, eritematosa, quente, endurecida e com flutuação central; o toque retal é impossibilitado pela dor. Não há crepitação nem necrose cutânea. Exames: leucócitos 16.800/mm³ com 8% de bastões, glicemia capilar 268 mg/dL.
Correta: dor anal contínua e latejante, independente da evacuação, com febre e coleção perianal flutuante caracterizam abscesso anorretal, cujo tratamento é a drenagem cirúrgica imediata — a conduta não deve ser postergada. O antibiótico não substitui a drenagem, mas está indicado como complemento neste paciente por haver diabetes (imunocomprometimento), celulite extensa e repercussão sistêmica, junto ao controle glicêmico. A primeira alternativa erra ao tratar com antibiótico isolado uma coleção já flutuante, retardando a drenagem e favorecendo progressão para fasciíte necrosante, risco elevado no diabético. A segunda é inadequada por confiar na drenagem espontânea, que é incompleta e perpetua a infecção. A quarta erra porque a ressonância tem papel na avaliação eletiva de fístulas complexas, e não na fase aguda: aguardar imagem para drenar uma coleção evidente ao exame físico atrasa o único tratamento definitivo.
Um homem de 39 anos retorna à Unidade de Saúde da Família relatando que, há cerca de três meses, foi submetido à drenagem cirúrgica de um abscesso perianal em pronto-socorro. Após melhora inicial, passou a notar saída intermitente de secreção purulenta e serossanguinolenta por um pequeno orifício na região perianal, que mancha a roupa íntima e ora fecha, ora reabre, acompanhada de discreto desconforto local. Nega febre, dor intensa, diarreia crônica, emagrecimento ou lesões orais. Ao exame perianal, identifica-se um orifício externo puntiforme com granulação e discreta drenagem purulenta à expressão, situado a 3 cm da borda anal, na região posterior à direita da linha transversa que cruza o ânus. O toque retal é tolerado e não há abaulamentos ou flutuação.
Correta: drenagem purulenta crônica e intermitente por orifício perianal após drenagem de abscesso é a evolução clássica para fístula anorretal criptoglandular (cerca de um terço a metade dos abscessos evolui assim). Pela regra de Goodsall, orifícios externos posteriores à linha transversa que cruza o ânus têm trajeto curvilíneo até um orifício interno na linha média posterior; orifícios anteriores é que costumam ter trajeto retilíneo/radial. A fístula não cicatriza espontaneamente e o tratamento é cirúrgico (fistulotomia ou técnicas preservadoras do esfíncter), o que justifica o encaminhamento. A segunda alternativa inverte a regra de Goodsall e erra ao propor antibiótico como tratamento definitivo, que não fecha o trajeto epitelizado. A terceira é rejeitada porque não há dor intensa, febre, abaulamento ou flutuação que caracterizem abscesso agudo. A quarta não se sustenta: não há úlcera anal nem dor evacuatória em corte, e sim orifício externo com secreção.
Homem de 27 anos, em acompanhamento por doença de Crohn ileocolônica, apresenta há três semanas dor perianal crescente com saída de secreção purulenta por dois orifícios na região perianal esquerda. A ressonância magnética de pelve mostra trajeto transesfincteriano alto com ramificação e coleção de 2 cm no espaço isquiorretal. Segundo o protocolo brasileiro vigente para doença de Crohn, qual é a sequência correta?
O protocolo brasileiro é explícito na ordem: fístulas perianais complexas apresentam complicações supurativas e requerem drenagem cirúrgica, assim como abscessos perianais e perirretais — imunossuprimir sobre coleção não drenada agrava a sepse. Controlado o pus, o infliximabe é indicado a 5 mg/kg nas semanas 0, 2 e 6, com manutenção a cada 8 semanas; se não houver resposta após essas três doses, o protocolo determina não instituir tratamento adicional com infliximabe. A apresentação subcutânea, 120 mg a cada 2 semanas a partir da semana 6, é a preferencial na manutenção da fístula perianal complexa e exige indução intravenosa prévia e idade mínima de 18 anos. A fistulotomia de trajeto transesfincteriano alto ramificado troca a fístula por incontinência, e as diretrizes que recomendam ligadura do trajeto interesfincteriano em fístulas transesfincterianas excluem explicitamente a doença de Crohn. Proctectomia com derivação existe, mas todas as diretrizes a colocam como último recurso.
Mulher de 38 anos com fissura anal crônica em linha média posterior completou oito semanas de medidas comportamentais e diltiazem tópico 2% sem qualquer melhora. Não tem incontinência a fezes ou gases, não teve partos e nunca fez cirurgia anal. É encaminhada à coloproctologia e questiona os riscos do tratamento cirúrgico. Sobre a esfincterotomia lateral interna, qual informação está correta?
Na meta-análise de oito ensaios randomizados com 1035 pacientes, a esfincterotomia lateral interna resultou em cicatrização de 90,2%, recidiva de 3,7% e incontinência pós-operatória de 8,9%. É por causa desses quase 9% que a indicação é seletiva e que se interroga a função esfincteriana antes: incontinência prévia, parto com laceração, cirurgia anal anterior e fissura anterior em mulher pesam contra — nenhum presente nesta paciente. A técnica secciona o esfíncter interno, que é liso, involuntário e responde pela maior parte da pressão de repouso; o externo é estriado e voluntário, e é a sua lesão que produz incontinência franca. A dilatação anal forçada foi abandonada exatamente por lesão esfincteriana incontrolável. Entre as técnicas, a fechada teve menos incontinência que a aberta (risco relativo 0,60; IC 95%: 0,37 a 0,96), sem diferença significativa de recidiva.
Médico de família atende paciente com fissura anal crônica em unidade básica e deseja prescrever tratamento tópico seguindo o protocolo brasileiro de regulação ambulatorial em proctologia, considerando o que a assistência farmacêutica do SUS dispensa. Sobre esse cenário, qual afirmativa está correta?
A Rename 2024 traz cloridrato de lidocaína gel 20 mg/g (2%) no Componente Básico — o único tópico de uso anal do elenco. Na meta-análise em rede de 22 ensaios com 1770 participantes, a lidocaína ficou em último em cicatrização (SUCRA 0) e em alívio da dor (0), e o próprio protocolo brasileiro registra que as medidas comportamentais superam o anestésico tópico isolado. O diltiazem não consta da Rename em nenhuma forma farmacêutica; o nifedipino consta apenas como cápsula e comprimido de 10 mg, de uso oral, de modo que a apresentação tópica exige manipulação, como o Quadro 3 do protocolo explicita; dos nitratos, só há dinitrato de isossorbida 5 mg sublingual, e o trinitrato de glicerila foi o agente com maior taxa de efeitos adversos, não o melhor. A toxina botulínica A está no Componente Especializado, mas norteada pelos protocolos de Distonias e Espasmo Hemifacial e de Espasticidade — nenhum deles é fissura anal.
Homem de 45 anos, previamente hígido, chega ao pronto-socorro com dor perianal contínua há três dias, progressiva, sem relação com a evacuação, associada a febre de 38,5 °C. Ao exame, há área de eritema, calor, abaulamento e flutuação a 2 cm da margem anal, à direita. Não há crepitação, necrose cutânea nem instabilidade hemodinâmica. Qual é a conduta?
O abscesso superficial flutuante requer drenagem, sem aguardar ressonância de rotina. Neste caso há febre de 38,5 °C, uma manifestação sistêmica que favorece antibiótico adjuvante, mesmo sem choque ou comorbidade. Isso é diferente de prescrevê-lo por dez dias a todos os abscessos. Antibiótico isolado e espera por drenagem espontânea não substituem controle adequado da coleção. Exames adicionais dependem de suspeita de extensão profunda, recorrência ou apresentação atípica.
Mulher de 29 anos procura a unidade básica de saúde com dor anal há sete semanas. Descreve a dor como um rasgo que começa no momento da evacuação e persiste por cerca de uma hora depois, acompanhada de pequena quantidade de sangue vivo no papel higiênico. Passou a adiar a evacuação por medo. Ao exame, com as nádegas afastadas, observa-se solução de continuidade longitudinal na linha média posterior do canal anal, com um plicoma cutâneo na extremidade distal e fibras esbranquiçadas visíveis no fundo da lesão. Não há abaulamento, eritema, secreção, orifício externo nem febre. A paciente não tolera o toque retal pela dor. Qual é o diagnóstico e a conduta inicial mais adequada?
A dor em rasgo que começa na evacuação e persiste depois, com sangue vivo em pequena quantidade, é a apresentação típica da fissura anal. A cronicidade se define por tempo acima de seis semanas somado a pelo menos um estigma: aqui há dois — plicoma sentinela distal e fibras do esfíncter interno expostas no fundo. O tratamento persegue a redução da pressão de repouso do esfíncter interno: banho de assento morno de 10 a 15 minutos, 2 a 4 vezes ao dia, 20 a 35 g de fibra e 1,5 a 2 L de água por dia, abandono do papel higiênico, mais agente tópico por oito semanas — nifedipina 0,2% a 0,3% ou diltiazem 2%, na fórmula manipulada do protocolo brasileiro. A alternativa do corticoide com anestésico erra porque o próprio protocolo registra que as medidas iniciais superam o uso isolado desses tópicos, e porque a lesão é crônica, não aguda. O abscesso interesfincteriano cursa com dor contínua e febre, não com dor ligada à evacuação. A hemorroida interna não complicada não dói, por inervação visceral autônoma. A fissura atípica se caracteriza por localização fora das linhas médias, lesões múltiplas ou bordas escavadas — o caso descreve localização posterior clássica.
Homem de 52 anos é avaliado por secreção perianal persistente há quatro meses, com dois episódios prévios de abscesso que drenaram espontaneamente. À inspeção, há um orifício externo com saída de secreção à expressão, a 3 cm da margem anal. Não tem doença inflamatória intestinal, radioterapia prévia nem alteração de continência. Sobre a investigação e o tratamento da fístula anal, qual afirmativa está correta?
A ressonância magnética é a recomendação mais consistente entre as quinze diretrizes e consensos revisados, com evidência de nível 1a, por mapear trajeto, ramificações, coleções ocultas e a relação com os esfíncteres; a ultrassonografia endoanal é a alternativa aceita, e a tomografia é explicitamente desaconselhada de rotina por radiação e dependência de contraste, ficando como alternativa provisória onde não houver ressonância. Na fístula simples com esfíncter normal, a fistulotomia tem a maior taxa de cura e é a técnica preferida. A cola de fibrina é considerada ineficaz por três diretrizes e reservada a circunstâncias excepcionais; o plug é desaconselhado pela maioria; o seton cortante recebe recomendação baixa na maior parte dos documentos, justamente por incontinência. Não há tratamento antibiótico que feche fístula criptoglandular — e é por isso que o protocolo brasileiro encaminha caso suspeito ou confirmado sem exigir tempo de tratamento prévio.
Mulher de 41 anos, em uso de terapia antirretroviral, refere dor anal há cinco meses. Ao exame, há duas fissuras de bordas escavadas e irregulares, situadas às 3 e às 9 horas, com plicomas volumosos e edemaciados, sem melhora após oito semanas de medidas comportamentais e diltiazem tópico. Relata também diarreia crônica e perda de 6 kg no período. Qual é a conduta mais adequada?
Localização lateral (fora das linhas médias), lesões múltiplas, bordas escavadas e plicomas volumosos são os marcadores de fissura atípica, e o quadro sistêmico — diarreia crônica, emagrecimento, imunossupressão — reforça a suspeita. Nesse cenário, o passo é investigar causa secundária com biópsia e avaliação dirigida para doença de Crohn, tuberculose, sífilis, úlceras oportunistas do HIV e neoplasia do canal anal, e não repetir o ciclo terapêutico. Trocar o agente tópico ou acrescentar corticoide apenas atrasa o diagnóstico. A esfincterotomia lateral interna, indicada na fissura crônica idiopática refratária, é particularmente arriscada aqui: em doença de Crohn ativa a cicatrização é ruim e o risco de fístula e de incontinência aumenta. A manometria não responde à pergunta principal, que é etiológica.
Homem de 63 anos, hipertenso, chega ao pronto-socorro com dor anal intensa há quatro dias e febre de 38,8 °C. Refere que a dor não se relaciona com a evacuação e piora ao sentar. À inspeção da região perianal, com as nádegas afastadas e boa iluminação, não há eritema, abaulamento, flutuação ou orifício externo. O toque retal é extremamente doloroso e o examinador percebe abaulamento na parede lateral direita do canal anal. Qual é a conduta?
A combinação de dor anal desproporcional ao exame externo, febre e toque retal muito doloroso com abaulamento na parede do canal descreve o abscesso que não aparece na inspeção: o interesfincteriano e o supraelevador não produzem eritema nem flutuação, porque o pus está entre os esfíncteres ou acima do elevador. Nesse cenário, imagem de pelve (tomografia ou ressonância) ou exame sob anestesia definem a coleção e a via de drenagem. Liberar com analgésico ou marcar consulta eletiva ignora um foco fechado com repercussão sistêmica. Fissura não cursa com febre nem com dor independente da evacuação, e a inspeção mostraria a úlcera. A colonoscopia não tem papel na urgência aqui, e a dor tornaria o exame inviável. Vale lembrar que o abscesso supraelevador pode vir de baixo, pelo trajeto criptoglandular que subiu, ou de cima, por doença intra-abdominal — e a origem muda por onde se drena.
Homem de 46 anos procura a unidade básica com dor anal em rasgo há nove dias, que começa no momento da evacuação e cede em cerca de vinte minutos, com raias de sangue vivo no papel. O quadro apareceu depois de uma semana de fezes endurecidas por mudança de rotina alimentar em viagem. À inspeção, afastadas as nádegas, há solução de continuidade longitudinal na linha média posterior, de bordas planas e fundo avermelhado, sem plicoma sentinela, sem papila anal hipertrófica e sem fibras esbranquiçadas expostas. Não há febre, abaulamento, secreção nem orifício externo, e ele nunca fez tratamento algum. Qual é a conduta inicial?
A fissura é aguda: dez dias de evolução, portanto muito abaixo das seis semanas, e sem nenhum estigma de cronicidade — não há plicoma sentinela, papila anal hipertrófica nem fibras do esfíncter interno expostas no fundo da úlcera. A fissura aguda cicatriza com medidas conservadoras em cerca de 90% dos casos, e o protocolo brasileiro as descreve com números: banho de assento em água morna por 10 a 15 minutos, 2 a 4 vezes ao dia e após evacuar; 1,5 a 2 litros de água por dia; 20 a 35 gramas de fibra por dia; e abandono do papel higiênico. O agente tópico entra quando os sintomas persistem ou quando a fissura já é crônica, e não como primeira medida em quem nunca tratou. A esfincterotomia lateral interna se reserva à fissura crônica refratária ao tratamento clínico bem conduzido, e carrega incontinência pós-operatória em torno de 9%. O gel de lidocaína a 2% é o pior dos agentes comparados: numa análise em rede de 22 ensaios com 1.770 participantes, ficou em último lugar em cicatrização e em alívio da dor. E a lesão não é atípica — é única, está na linha média posterior e dói; biópsia se reserva à fissura lateral, múltipla, escavada, indolor ou refratária.
Homem de 39 anos tem secreção perianal há cinco meses, com dois abscessos prévios drenados. À inspeção há um único orifício externo, situado anteriormente à linha transversa que passa pelo ânus e a 4,5 cm da margem anal. Não tem doença inflamatória intestinal, radioterapia prévia nem alteração da continência. A equipe discute como prever a localização do orifício interno antes de operar. Qual é a leitura correta?
A regra de Goodsall traça uma linha transversa imaginária pelo ânus: orifícios externos posteriores a ela teriam trajeto curvo, com orifício interno na linha média posterior, e orifícios anteriores teriam trajeto radial, direto, com orifício interno na posição horária correspondente. A própria descrição impõe o limite numérico que decide este caso — a previsão de trajeto radial vale para orifícios anteriores situados a MENOS de 3 cm da margem anal. Com 4,5 cm o paciente está fora dessa faixa, e o trajeto pode curvar-se para a linha média posterior como se fosse posterior. A regra acerta em até 75% dos casos: é bom ponto de partida e péssima certeza, de modo que afirmar confiabilidade quase universal, ou autorizar fistulotomia direta sem confirmação, é apostar um quarto de erro sobre o aparelho esfincteriano. Ela também não é exclusiva dos orifícios posteriores — descreve os dois lados. A confirmação vem do toque retal, como área endurecida junto à linha pectínea, e do exame sob anestesia, com ressonância magnética preferencial nos casos complexos.
Homem de 34 anos teve abscesso perianal drenado cirurgicamente há três semanas, com boa evolução inicial. Retorna à unidade básica porque, desde a segunda semana, persiste saída de secreção serosa pelo local da drenagem, sem febre, sem dor importante e sem abaulamento. À inspeção há um pequeno orifício externo com saída de secreção à expressão. Não tem doença inflamatória intestinal, radioterapia prévia nem alteração da continência. Qual é a leitura correta desse quadro e a conduta?
Secreção que persiste semanas depois da drenagem de um abscesso anorretal não é falha de cicatrização — é fístula, e isso precisa ser dito ao paciente já na alta da drenagem, junto com o retorno programado. A continuidade é esperada: entre 30% e 70% dos pacientes que se apresentam com abscesso anorretal já têm fístula concomitante e, entre os que não têm, cerca de 30% a 50% desenvolvem uma nos meses a anos seguintes. A régua brasileira de encaminhamento é deliberadamente frouxa aqui: encaminha-se todo caso suspeito — secreção perianal persistente ou abscessos anorretais recorrentes — ou confirmado, SEM exigir tempo de tratamento prévio, porque não existe tratamento clínico que feche fístula criptoglandular; a fístula com abscessos de repetição ganha ainda prioridade na fila. Por isso não cabe esperar mais oito semanas nem cumprir os dois meses de conservador, prazo que pertence à fissura. A antibioticoterapia prolongada não fecha um trajeto epitelizado entre a cripta e a pele. E não se trata de recidiva do abscesso, que cursa com dor crescente, abaulamento e febre, e cuja causa costuma ser técnica — drenagem insuficiente, fechamento precoce das bordas da pele ou coleção adicional não drenada.
Homem de 52 anos, diabético descompensado, apresenta dor perineal desproporcional ao exame, crepitação subcutânea, área de necrose escrotal e instabilidade hemodinâmica, 3 dias após drenagem inadequada de abscesso perianal. Qual a conduta prioritária?
Dor desproporcional, crepitação, necrose cutânea e instabilidade caracterizam infecção necrosante do períneo, cuja prioridade absoluta é o desbridamento cirúrgico amplo e precoce, com antibiótico e ressuscitação em paralelo — cada hora de atraso aumenta a mortalidade. Aguardar exame de imagem em paciente instável com quadro clínico evidente é o erro mais custoso. Oxigenoterapia hiperbárica e desbridamento enzimático são complementos, jamais substitutos da sala cirúrgica.
Após a drenagem de um abscesso isquiorretal, o paciente evolui bem, mas retorna em 8 semanas com drenagem intermitente de secreção purulenta por orifício cutâneo na região perianal direita, a 4 cm da margem anal. Qual é a explicação e a conduta?
Aproximadamente um terço dos abscessos anorretais evolui para fístula, porque a origem é criptoglandular: a glândula infectada mantém comunicação entre a cripta anal e a pele. Drenagem repetida sem tratar o trajeto perpetua o ciclo. A conduta é caracterizar o trajeto e sua relação com o esfíncter — regra de Goodsall, exame sob anestesia, ultrassonografia endoanal ou ressonância — e planejar o tratamento eletivo. Hidradenite acomete pele e anexos com múltiplos orifícios e não se comunica com o canal anal; o cisto pilonidal fica na linha média sacrococcígea, não na região perianal lateral.
Homem de 41 anos com dor perianal contínua e progressiva há 4 dias, febre 38,4 °C e dificuldade para sentar. Ao exame há abaulamento doloroso e endurecido na região glútea direita, com flutuação profunda, e o toque retal é muito doloroso. Qual é a conduta?
Abscesso anorretal é diagnóstico clínico e o tratamento é drenagem, sem esperar flutuação superficial nem confirmação por imagem — a demora é o que produz extensão para a fossa isquiorretal contralateral, no chamado abscesso em ferradura, e infecção necrosante do períneo. Antibiótico isolado não penetra a cavidade e apenas mascara. Imagem se reserva a suspeita de coleção supraelevadora, doença de Crohn ou recidiva com trajeto complexo, e a colonoscopia é investigação eletiva depois do quadro agudo, nunca antes da drenagem.
Após drenagem adequada de abscesso perianal simples em paciente hígido, sem celulite extensa, qual é a conduta quanto ao antibiótico?
Drenado o abscesso, o antibiótico acrescenta pouco no paciente hígido: a indicação se restringe a celulite significativa em torno, imunossupressão, diabetes descompensado, sinais sistêmicos de infecção, próteses valvares ou risco de endocardite. Prescrever para todo mundo com a justificativa de prevenir fístula é crença antiga e não sustentada — a fístula depende do trajeto criptoglandular, não da cobertura antimicrobiana. Antibiótico tópico não tem papel, e uso contínuo por meses só produz resistência e efeitos adversos.
Homem de 24 anos com doença de Crohn apresenta fístula perianal complexa, com trajeto transesfincteriano alto e supuração recorrente. Qual a estratégia terapêutica mais adequada?
Em doença perianal por Crohn, a combinação de sedenho para drenagem e terapia biológica controla a supuração sem sacrificar esfíncter, e é a estratégia que preserva continência em pacientes jovens que podem precisar de várias intervenções ao longo da vida. Fistulotomia ampla em trajeto alto e em mucosa doente é o erro que produz incontinência e ferida crônica. Proctectomia fica reservada a doença refratária com reto inviável.
Homem de 40 anos apresenta dor anal intensa ao evacuar, em pontada, que persiste por cerca de uma hora após a evacuação, associada a sangramento discreto no papel. O exame mostra úlcera longitudinal na linha média posterior do canal anal com plicoma sentinela. Qual o tratamento inicial?
Fissura anal crônica se trata primeiro clinicamente: regularizar o bolo fecal e reduzir a hipertonia do esfíncter interno com nitrato ou bloqueador de canal de cálcio tópico cicatriza boa parte dos casos sem risco de incontinência. A esfincterotomia é eficaz e permanece como opção, mas depois da falha do tratamento clínico, e é o distrator de quem pula etapas. Fistulotomia trata trajeto fistuloso, entidade distinta da úlcera do canal anal.
Sobre o exame sob anestesia no manejo da doença anorretal supurativa, qual afirmativa está correta?
A dor impede o exame anorretal adequado justamente quando ele é mais necessário, e o exame sob anestesia resolve isso: permite palpar, avaliar o canal, procurar o orifício interno, identificar extensões em ferradura e drenar no plano correto. É parte do tratamento, não apenas do diagnóstico, e a fase aguda é exatamente a sua indicação. Ele não substitui a ressonância em trajetos complexos ou recidivados — os métodos são complementares, e a imagem mapeia o que a mão não alcança, sobretudo em coleções supraelevadoras.
Qual é a origem anatômica da maioria dos abscessos anorretais?
A teoria criptoglandular explica cerca de 90% dos abscessos anorretais: as glândulas anais desembocam nas criptas da linha pectínea e se estendem ao espaço interesfincteriano; obstruídas, infectam e o pus dissecta os planos, produzindo abscesso perianal, isquiorretal, interesfincteriano ou supraelevador conforme a direção que toma. Entender isso é o que explica a fístula subsequente e por que a drenagem sozinha nem sempre cura. Infecção folicular produz furúnculo, entidade superficial e distinta. Trombose hemorroidária dá dor intensa e nódulo azulado, sem febre nem pus.
Mulher de 34 anos com dor anal intensa em fisgada durante e após a evacuação, há 3 meses, com sangramento vivo em pequena quantidade no papel. Ao exame há lesão longitudinal na linha média posterior do canal anal, com fibras do esfíncter interno visíveis e plicoma sentinela. Qual é o tratamento inicial?
A fissura crônica é mantida por um ciclo de hipertonia do esfíncter interno, isquemia e dor, e o tratamento inicial ataca exatamente esse ciclo: amolecer as fezes e relaxar quimicamente o esfíncter com diltiazem ou nitrato tópico, o que cura a maioria em algumas semanas. A esfincterotomia lateral interna é eficaz, mas é segunda linha justamente porque corta esfíncter de forma definitiva e carrega risco de incontinência — indicá-la de saída é o erro que a prova cobra. Ligadura elástica é procedimento para doença hemorroidária. Vale lembrar que fissura fora da linha média deve levantar suspeita de doença de Crohn, tuberculose, sífilis ou neoplasia.
Qual característica ajuda a diferenciar o abscesso pilonidal do abscesso perianal de origem criptoglandular?
A topografia resolve o diferencial: a doença pilonidal ocupa a linha média da fenda, alguns centímetros acima do ânus, e costuma exibir orifícios com pelos, enquanto o abscesso criptoglandular se origina nas criptas anais e aponta junto à margem anal. Febre, dor e drenagem espontânea ocorrem nas duas condições e por isso não discriminam. Nenhuma das duas responde a antibiótico isolado quando há coleção formada.
Homem de 35 anos, hígido, apresenta há 3 dias dor anal intensa, contínua e progressiva, febre de 38,5 °C e abaulamento avermelhado, quente e flutuante na região perianal direita. Qual a conduta?
Abscesso perianal é diagnóstico clínico e o tratamento é a drenagem, sem esperar exame de imagem nem confiar em antibiótico isolado — antibiótico não penetra a coleção e apenas retarda o alívio, com risco de evolução para infecção necrosante em diabéticos e imunossuprimidos. Solicitar ressonância antes de drenar uma coleção flutuante e superficial atrasa o tratamento. A fistulotomia no mesmo tempo não é rotina, pois nem sempre há trajeto definido e o risco de lesão esfincteriana é real.
Paciente com fístula anal transesfincteriana alta, envolvendo mais de um terço do esfíncter externo, sem doença inflamatória intestinal. Qual é a conduta que melhor equilibra cura e continência?
A regra é simples de enunciar e difícil de executar: quanto mais esfíncter o trajeto atravessa, menos se pode cortar. Fístulas baixas e superficiais toleram fistulotomia, com cura alta; fístulas transesfincterianas altas exigem técnicas poupadoras, muitas vezes precedidas de sedenho para drenar e maturar o trajeto. Fazer fistulotomia ampla é o distrator tentador porque tem a melhor taxa de cura — e a pior taxa de incontinência, sequela irreversível e mais incapacitante que a própria fístula. Esfincterotomia lateral interna é tratamento de fissura anal crônica e aqui só somaria dano esfincteriano.
Homem de 33 anos apresenta abscesso perianal drenado há 8 semanas e, desde então, mantém drenagem purulenta intermitente por orifício externo a 2 cm da margem anal, na posição posterior. Qual a conduta diagnóstica para planejar o tratamento?
A fístula que se segue a um abscesso drenado exige mapear o trajeto: identificar o orifício interno é o passo que define a técnica, e a regra de Goodsall orienta a busca a partir da posição do orifício externo, com ressonância ou ultrassonografia endoanal reservadas a trajetos complexos ou recidivados. Começar por colonoscopia é útil apenas quando há suspeita de doença inflamatória intestinal, e como exame inicial atrasa o tratamento. Manometria interessa à avaliação da continência, não ao mapeamento do trajeto.
Sobre o tratamento cirúrgico da fístula anal, assinale a afirmativa correta.
A regra de ouro é proporcionalidade: quanto mais esfíncter o trajeto atravessa, maior o risco de incontinência ao seccioná-lo, e por isso a fistulotomia se restringe a trajetos baixos, enquanto trajetos altos exigem técnicas poupadoras como retalho de avanço, ligadura interesfincteriana do trajeto ou sedenho. Generalizar a fistulotomia é o erro que produz incontinência iatrogênica. O retalho de avanço, ao contrário do enunciado do distrator, preserva o esfíncter.
Paciente drenado por abscesso perianal retorna em 10 dias com dor e febre. Ao exame sob anestesia, encontra-se coleção acima do músculo elevador do ânus. Qual é a implicação dessa localização?
O abscesso supraelevador é o que mais castiga a drenagem apressada: se a origem for a extensão de um abscesso interesfincteriano, drena-se para o reto; se vier da fossa isquiorretal, drena-se pela pele. Escolher a via errada cria trajeto que atravessa todo o aparelho esfincteriano, transformando um problema tratável em fístula complexa com risco de incontinência. Além disso, coleção supraelevadora pode ter origem abdominal ou pélvica — diverticulite, doença de Crohn, apendicite pélvica — e isso deve ser investigado. Antibiótico isolado não drena, e colostomia não é regra.
Mulher de 32 anos relata dor anal intensa, em queimação, que começa durante a evacuação e persiste por cerca de 2 horas, associada a sangue vivo em pequena quantidade no papel higiênico. Refere constipação. Ao afastar as nádegas, observa-se solução de continuidade longitudinal na linha média posterior do canal anal. Qual é o diagnóstico?
Dor anal que começa com a evacuação e persiste por horas, associada a sangramento vivo escasso e a uma úlcera longitudinal na linha média posterior, é o quadro típico da fissura anal, e a topografia posterior se explica pela menor perfusão da comissura posterior. A doença hemorroidária é o principal distrator, mas hemorroida interna não dói, exceto quando trombosada ou encarcerada, e costuma sangrar em maior volume. Abscesso cursa com dor contínua, latejante, febre e abaulamento flutuante. Carcinoma anal produz úlcera endurecida, de bordas irregulares, geralmente em paciente mais velho e com sintomas progressivos.
Mulher de 30 anos, no terceiro mês pós-parto vaginal com laceração perineal de segundo grau, apresenta fissura anal anterior dolorosa, refratária a 8 semanas de tratamento clínico. Qual é a conduta mais segura?
Fissura anterior em mulher com parto vaginal recente e laceração perineal é a situação clássica de risco de incontinência: o esfíncter pode já estar parcialmente lesado, e seccioná-lo transforma um déficit oculto em incontinência manifesta. Por isso a avaliação funcional, com ultrassonografia endoanal ou manometria quando disponíveis, precede a decisão, e as opções que preservam o esfíncter, como toxina botulínica e anoplastia com retalho de avanço, ganham preferência. Indicar a esfincterotomia por ser o padrão geral é justamente o erro que a topografia anterior e o antecedente obstétrico deveriam impedir.
Qual é o exame de imagem mais adequado para mapear o trajeto de uma fístula anal complexa antes do planejamento cirúrgico?
A ressonância magnética de pelve é o exame de referência para fístulas complexas, recidivadas ou associadas à doença de Crohn, porque delimita o trajeto primário, os trajetos secundários e as coleções em relação ao complexo esfincteriano, informação que determina a técnica cirúrgica. A ultrassonografia endoanal é alternativa útil, operador-dependente e com menor alcance para trajetos supraelevadores. A tomografia sem contraste tem baixa resolução para partes moles do períneo. A colonoscopia investiga doença inflamatória intestinal associada, mas não mapeia o trajeto, e a cintilografia não tem esse papel.
Paciente com dor anal intensa, febre alta e toque retal com abaulamento doloroso acima do músculo elevador do ânus, sem abaulamento cutâneo perianal evidente. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Dor intensa com febre e abaulamento ao toque, sem sinal cutâneo, aponta para abscesso em espaço profundo, tipicamente o supraelevador, cuja drenagem exige definir a origem: se vem do espaço interesfincteriano, drena-se para o reto; se vem da fossa isquiorretal, drena-se pelo períneo. Escolher a via errada é o que cria fístula extraesfincteriana iatrogênica, complicação temida e de tratamento difícil. A ausência de abaulamento cutâneo é justamente o que engana e faz esses abscessos serem subdiagnosticados. Fissura, trombose hemorroidária e proctalgia fugaz não cursam com febre e abaulamento profundo.
Paciente de 28 anos apresenta múltiplas fissuras anais de localização lateral, indolores, com bordas irregulares e associadas a diarreia crônica e perda ponderal. Qual é a conduta mais adequada?
Fissura fora da linha média, múltipla, indolor ou de aspecto atípico é sinal de alerta para causa secundária, e a associação com diarreia crônica e perda ponderal aponta fortemente para doença de Crohn, entrando ainda no diferencial sífilis, herpes, HIV, tuberculose e neoplasia. A investigação precede qualquer decisão cirúrgica, e essa é a razão prática: operar a fissura de um paciente com Crohn perianal costuma resultar em ferida que não cicatriza e em lesão esfincteriana definitiva. Tratar como fissura idiopática atrasa o diagnóstico da doença de base.
Mulher de 34 anos, multípara, com fissura anal crônica refratária ao tratamento tópico, refere episódios ocasionais de urgência evacuatória e teme incontinência. Qual é a alternativa terapêutica mais adequada antes de considerar a esfincterotomia?
A toxina botulínica promove relaxamento temporário e reversível do esfíncter interno, quebrando o ciclo isquêmico sem lesão anatômica definitiva, e por isso é a opção preferida em pacientes com risco aumentado de incontinência, como multíparas com sintomas de urgência ou continência limítrofe. Se a fissura cicatriza, o efeito se dissipa sem sequela; se recidiva, a discussão cirúrgica segue possível. Dilatação forçada em domicílio produz lesão esfincteriana imprevisível e foi abandonada. Corticoide sistêmico e colostomia derivativa são desproporcionais para uma fissura idiopática.
Paciente do sexo masculino, 40 anos, com fissura anal crônica posterior refratária a 8 semanas de tratamento clínico otimizado, sem incontinência prévia e sem doença inflamatória intestinal. Qual é o tratamento cirúrgico de escolha e sua principal complicação?
A esfincterotomia lateral interna é o padrão-ouro cirúrgico da fissura crônica refratária, com taxas de cura acima de 90%, porque reduz de forma definitiva a hipertonia do esfíncter interno e restaura a perfusão da comissura posterior. Sua complicação temida é o distúrbio de continência, em geral para gases, o que explica a cautela em mulheres multíparas e em pacientes com continência limítrofe. A dilatação anal forçada foi abandonada justamente por produzir lesão esfincteriana descontrolada. A anoplastia com retalho é a alternativa preferida quando há risco de incontinência, e não a primeira escolha no paciente aqui descrito.
Homem de 42 anos apresenta dor anal contínua e latejante há 4 dias, que piora ao sentar, com febre de 38,5 °C. Ao exame há abaulamento eritematoso, endurecido e flutuante na região perianal direita. Qual é a conduta?
Abscesso é coleção purulenta, e o tratamento é a drenagem, sem exceção: a flutuação já indica a presença de pus, e postergar o procedimento permite a progressão para os espaços profundos e para infecção necrosante do períneo. O antibiótico isolado é o erro mais frequente e não penetra a cavidade abscedada, ficando reservado a situações específicas como celulite extensa, imunossupressão, diabetes descompensado, valvopatia ou prótese. Aguardar drenagem espontânea produz fístula complexa e mais destruição tecidual. Ressonância e colonoscopia são exames de investigação posterior, e não devem preceder o alívio cirúrgico.
Em qual das situações a seguir a antibioticoterapia sistêmica deve ser associada à drenagem cirúrgica do abscesso perianal?
Incisão e drenagem são o tratamento fundamental do abscesso anorretal. Segundo a diretriz da American Society of Colon and Rectal Surgeons, antibióticos sistêmicos devem ser reservados, em geral, aos casos complicados por celulite, sinais sistêmicos de infecção ou imunossupressão. Não são recomendados rotineiramente após drenagem de abscesso não complicado em paciente hígido. A decisão é clínica e não depende de esperar cultura. Profilaxia de endocardite em procedimentos específicos segue critérios cardiológicos próprios e não deve ser apresentada como indicação geral de tratamento antimicrobiano do abscesso. Fonte: ASCRS Clinical Practice Guideline, 2022.
Qual conjunto de achados caracteriza a fissura anal crônica?
A cronicidade se define por tempo, habitualmente superior a 6 a 8 semanas, e pela tríade morfológica de plicoma sentinela na extremidade distal, papila hipertrófica na extremidade proximal e fibras esbranquiçadas do esfíncter interno visíveis no fundo da úlcera. Reconhecer esses elementos importa porque a fissura crônica responde menos ao tratamento tópico e frequentemente exige intervenção. Sangramento indolor em jato é da doença hemorroidária, orifício com drenagem purulenta indica fístula anal, e massa endurecida com adenomegalia inguinal levanta a suspeita de carcinoma do canal anal.
Homem de 38 anos apresenta fístula anal transesfincteriana alta, envolvendo mais de um terço do esfíncter externo, sem doença inflamatória intestinal. Qual é a conduta mais adequada?
A regra que governa o tratamento da fístula anal é a quantidade de esfíncter em risco: em trajetos altos, que envolvem parcela significativa do esfíncter externo, a fistulotomia produz incontinência e por isso se opta por técnicas que preservam a musculatura, como o sedenho, a ligadura interesfincteriana do trajeto e o retalho de avanço. Fazer fistulotomia por ser a técnica com maior taxa de cura é o erro clássico, pois troca uma doença incômoda por uma sequela funcional definitiva. Antibiótico isolado não fecha trajeto epitelizado, e corticoide local não tem qualquer papel.
Qual é o mecanismo fisiopatológico central da fissura anal idiopática?
A fissura idiopática combina trauma da passagem de fezes endurecidas com hipertonia reflexa do esfíncter interno, e essa hipertonia reduz a perfusão justamente na comissura posterior, que já é a área menos vascularizada do canal anal; o resultado é uma úlcera isquêmica que não cicatriza enquanto o tônus permanecer elevado. Todo o tratamento decorre disso, seja o relaxamento farmacológico do esfíncter, a toxina botulínica ou a esfincterotomia. A infecção criptoglandular é o mecanismo do abscesso e da fístula anal, e o prolapso dos coxins vasculares explica a doença hemorroidária.
Qual é o mecanismo fisiopatológico mais aceito para a origem dos abscessos e das fístulas anais?
A teoria criptoglandular explica a maioria dos abscessos e fístulas anais: as glândulas anais se abrem nas criptas da linha pectínea e atravessam o esfíncter interno até o espaço interesfincteriano, de modo que a obstrução do ducto glandular gera infecção que se propaga pelos espaços perianais, isquiorretais ou supraelevadores. Isso explica por que o abscesso drenado frequentemente evolui para fístula, cujo orifício interno fica na cripta de origem. A isquemia da comissura posterior por hipertonia é o mecanismo da fissura anal, e a trombose dos coxins explica a doença hemorroidária.
Paciente com fissura anal aguda posterior, com 3 semanas de evolução, sem plicoma ou papila hipertrófica. Qual é o tratamento inicial mais adequado?
O tratamento inicial da fissura aguda é clínico e resolve a grande maioria dos casos: fibras e água amolecem as fezes e quebram o ciclo do trauma, o banho de assento morno relaxa o esfíncter, e o bloqueador de canal de cálcio tópico ou o nitrato reduzem a hipertonia esfincteriana, melhorando a perfusão da comissura posterior. Indicar cirurgia de saída é o erro que expõe a paciente ao risco de incontinência sem antes tentar a via conservadora. Corticoide tópico não trata o mecanismo isquêmico e hipertônico, e analgesia isolada apenas mascara enquanto a fissura persiste.
Segundo a classificação de Parks, quais são os tipos de fístula anal em relação ao complexo esfincteriano?
A classificação de Parks organiza a fístula pelo trajeto em relação aos esfíncteres: a interesfincteriana corre entre os esfíncteres interno e externo e é a mais comum; a transesfincteriana atravessa o esfíncter externo em direção à fossa isquiorretal; a supraesfincteriana sobe acima do puborretal antes de descer; e a extraesfincteriana atravessa o elevador do ânus sem relação com a linha pectínea, geralmente secundária a trauma, corpo estranho ou doença de Crohn. A utilidade prática é direta, porque o quanto de esfíncter o trajeto envolve determina se cabe fistulotomia ou se é preciso preservar a continência com outra técnica.
Paciente com fístula anal interesfincteriana baixa, trajeto único, sem comprometimento significativo do esfíncter externo e sem doença de Crohn. Qual é o tratamento de escolha?
Na fístula simples, baixa e interesfincteriana, a fistulotomia é o tratamento de escolha, com taxas de cura acima de 90% e risco baixo de comprometimento da continência, porque a quantidade de esfíncter seccionada é mínima. As técnicas poupadoras de esfíncter, como retalho de avanço e ligadura interesfincteriana, têm menor taxa de cura e ficam reservadas às fístulas altas ou complexas, sendo o distrator de quem generaliza a preocupação com a continência. Sedenho indefinido é opção paliativa em doença de Crohn, e colostomia é medida de exceção na doença perianal grave e refratária.
Paciente apresenta orifício fistuloso externo situado a 2 cm da borda anal, na região posterior. Segundo a regra de Goodsall, qual é o provável trajeto e a localização do orifício interno?
A regra de Goodsall estabelece que orifícios externos situados posteriormente a uma linha transversa que passa pelo ânus tendem a ter trajeto curvo, convergindo para a linha média posterior, ao passo que orifícios anteriores tendem a ter trajeto retilíneo e radial até a cripta correspondente. A exceção prática é o orifício anterior situado a mais de 3 cm da borda anal, que costuma se comportar como posterior. Aplicar o trajeto radial ao orifício posterior é o erro que faz o cirurgião procurar o orifício interno no lugar errado e deixar trajeto residual, com recidiva.
Mulher de 36 anos, com dois partos vaginais e episiotomia prévia, apresenta fístula transesfincteriana anterior. Qual conduta é a mais apropriada antes de definir a técnica cirúrgica?
A fístula anterior em mulher com antecedente obstétrico é a combinação de maior risco funcional, porque o esfíncter externo é mais curto anteriormente e pode já apresentar defeito oculto de parto; por isso a avaliação da integridade e da função esfincteriana precede a escolha da técnica e costuma direcionar para opções que preservam o esfíncter. Indicar fistulotomia por facilidade de acesso é exatamente o erro que produz incontinência definitiva nessa paciente. A colonoscopia investiga doença inflamatória associada, mas não define a técnica, e a colostomia não é etapa inicial.
Após a drenagem adequada de um abscesso perianal em paciente hígido, qual é a probabilidade aproximada de evolução para fístula anal e a conduta no momento da drenagem?
Aproximadamente um terço dos abscessos perianais evolui para fístula, e por isso o paciente precisa ser informado e reavaliado após a resolução do quadro agudo. Na urgência, a prioridade é drenar bem, e a busca sistemática do trajeto em tecido edemaciado e inflamado é o erro que gera falsos trajetos e lesão esfincteriana desnecessária. A fistulotomia no mesmo tempo pode ser considerada apenas em trajeto superficial evidente e por cirurgião experiente. E o antibiótico, quando indicado, não reduz de forma consistente a formação de fístula.
Paciente apresenta abscesso perianal que se estende bilateralmente ao redor do canal anal, com orifícios de drenagem em ambas as fossas isquiorretais e comunicação pelo espaço pós-anal profundo. Qual é o diagnóstico e o princípio do tratamento?
O abscesso em ferradura se origina no espaço pós-anal profundo e se propaga para as duas fossas isquiorretais, de modo que drenar apenas os dois lados sem abordar o espaço central deixa o foco intacto e garante a recidiva. A operação clássica de Hanley trata exatamente esse ponto, drenando o espaço pós-anal profundo e associando contraincisões laterais. Tratar como dois abscessos independentes é o erro que explica a maioria das recorrências. Hidradenite e doença pilonidal têm topografias e apresentações distintas, sem comunicação com o canal anal.
Durante exame sob anestesia, identifica-se fístula anal cujo trajeto parte de uma cripta na linha pectínea, atravessa o esfíncter anal interno e o externo e alcança a fossa isquiorretal antes de emergir na pele. Como se classifica essa fístula?
O trajeto que cruza os dois esfíncteres e ganha a fossa isquiorretal define a fístula transesfincteriana, a segunda mais frequente na classificação de Parks. A interesfincteriana, mais comum, permanece no plano entre os esfíncteres e não atinge a fossa isquiorretal, sendo o distrator mais próximo. A supraesfincteriana sobe acima do músculo puborretal antes de descer pela fossa isquiorretal, e a extraesfincteriana atravessa o elevador do ânus sem relação com a linha pectínea, quase sempre secundária a trauma, corpo estranho, doença de Crohn ou iatrogenia.
Em qual das situações a seguir o retalho de avanço endorretal está contraindicado ou deve ser evitado no tratamento da fístula transesfincteriana?
O retalho de avanço endorretal depende de mucosa e submucosa saudáveis e bem vascularizadas para cobrir o orifício interno, o que torna a proctite ativa e a estenose retal contraindicações claras; a sepse perianal não controlada precisa ser drenada antes, sob pena de o retalho necrosar. Justamente as demais situações listadas são as suas melhores indicações: fístula alta, fístula anterior em mulher, recidiva após fistulotomia e orifício interno único, todas em que se busca preservar o esfíncter. Confundir indicação com contraindicação é o que a questão testa.
Após tratamento cirúrgico de fístula transesfincteriana, o paciente evolui com recidiva. Qual é a causa mais frequente de recorrência?
A cura da fístula anal depende de eliminar a origem criptoglandular e todos os trajetos, e a recidiva se explica quase sempre por orifício interno não localizado ou por extensão secundária deixada para trás, motivo pelo qual o exame sob anestesia cuidadoso e a ressonância nas fístulas complexas melhoram os resultados. Atribuir a recorrência a antibiótico insuficiente é o erro mais comum e desvia a atenção do problema anatômico, já que o antimicrobiano tem papel limitado nessa doença. Fibras, atividade física e banhos de assento não explicam recidiva.
Sobre as técnicas de oclusão do trajeto fistuloso, como a cola de fibrina e o plug bioprotético, qual afirmativa está correta?
O apelo dessas técnicas é justamente não seccionar esfíncter, o que preserva a continência, mas a contrapartida é a taxa de sucesso menor e bastante variável entre as séries, o que as coloca como alternativas em fístulas complexas ou em pacientes com continência limítrofe, e não como primeira linha. Em fístula simples e baixa, a fistulotomia continua superior, e propor a oclusão nesse cenário é abrir mão de alta taxa de cura sem ganho funcional relevante. Nenhum procedimento de oclusão deve ser feito com abscesso não drenado, e em Crohn essas opções podem ser consideradas após controle da doença.
Paciente de 62 anos com fístula perianal de longa data, com mais de 15 anos de evolução, apresenta endurecimento progressivo do trajeto, secreção mucoide e dor persistente. Qual é a conduta essencial?
Fístula perianal crônica, com muitos anos de evolução, endurecimento e mudança do padrão de secreção, levanta a suspeita de degeneração maligna, mais frequentemente adenocarcinoma mucinoso originado no epitélio do trajeto, e a biópsia é obrigatória. Operar sem exame histológico é o erro que retarda o diagnóstico de um tumor cujo tratamento é radicalmente diferente, com necessidade de ressecção oncológica. Antibiótico e curativos apenas mascaram a evolução, e presumir doença de Crohn sem investigação não se sustenta em um paciente dessa faixa etária com trajeto endurecido.
Paciente em quimioterapia por leucemia aguda, com neutrófilos de 180/mm³, apresenta dor perianal intensa, febre e área de induração perianal sem flutuação evidente. Qual é a conduta?
No neutropênico a coleção pode não se formar por falta de neutrófilos, e a apresentação é de induração dolorosa sem flutuação; por isso o manejo começa com antibiótico de amplo espectro e caracterização por imagem, reservando a drenagem para coleção documentada ou para piora clínica, já que uma incisão em tecido sem pus organizado amplia a porta de entrada. A conduta oposta, de não fazer nada até a recuperação medular, ignora que a infecção perianal é causa relevante de sepse nesse grupo. Corticoide agrava a imunossupressão e não tem papel.
Homem de 45 anos apresenta dor anal intensa e progressiva há 5 dias, com febre. O exame da região perianal externa é praticamente normal, sem abaulamento ou eritema cutâneo, mas o toque retal desperta dor exagerada e há abaulamento doloroso no canal anal, entre os esfíncteres. Qual é o diagnóstico mais provável?
Dor anal desproporcional com febre e exame externo pobre é a assinatura do abscesso interesfincteriano, que fica confinado entre os esfíncteres interno e externo e por isso não produz sinal cutâneo. O diagnóstico depende do toque retal, muitas vezes só tolerado sob anestesia, e o tratamento é a drenagem para a luz do canal anal. Trombose hemorroidária externa é visível como nódulo azulado doloroso na margem anal, e sua ausência ao exame já a afasta. Proctalgia fugaz é dor breve, autolimitada e sem febre, e o cisto pilonidal se localiza na região sacrococcígea, não no canal anal.
Sobre a técnica de drenagem cirúrgica do abscesso perianal, qual princípio está correto?
A incisão de drenagem próxima à borda anal encurta a distância entre a pele e a cripta de origem, o que torna mais simples e menos mutilante o tratamento de uma eventual fístula subsequente; incisões muito laterais criam trajetos longos e fístulas mais complexas, e esse é justamente o erro técnico mais comum. A drenagem precisa ser ampla o bastante para não fechar precocemente, motivo pelo qual a punção aspirativa não serve e o fechamento primário da cavidade é proscrito. Fistulotomia concomitante universal expõe o paciente a risco desnecessário de incontinência.
Homem de 44 anos com fístula transesfincteriana baixa, envolvendo menos de um terço do esfíncter externo, sem doença inflamatória intestinal e com continência normal documentada. Qual é o tratamento com maior taxa de cura e risco funcional aceitável?
Em fístula transesfincteriana baixa, com pouco esfíncter externo envolvido e continência preservada, a fistulotomia mantém taxa de cura muito alta com risco funcional aceitável, sendo a escolha nesse subgrupo. A cautela com o esfíncter é legítima, mas aplicá-la indistintamente leva a oferecer técnicas de menor eficácia a quem poderia ser curado em um tempo. Sedenho indefinido é paliativo, útil na doença de Crohn ou como preparo, e cola de fibrina tem taxa de sucesso baixa. Antibiótico não fecha trajeto epitelizado, e colostomia é medida de exceção.
Homem de 50 anos apresenta fístula anal recidivada após duas fistulotomias prévias, com incontinência para flatos e para fezes líquidas. Qual é a conduta mais adequada?
Fístula recidivada após múltiplas fistulotomias em paciente que já apresenta incontinência exige inversão da lógica habitual: antes de decidir a técnica, é preciso saber quanto esfíncter restou e quanto ele funciona, e mapear o trajeto com ressonância de pelve. Só então se escolhe entre ligadura interesfincteriana do trajeto, retalho de avanço ou sedenho de longa permanência. Repetir a fistulotomia é o caminho direto para incontinência maior e definitiva. A colostomia é medida de exceção, e procedimentos como cola de fibrina, sem mapeamento, têm taxas de sucesso baixas.
Sobre a técnica de ligadura interesfincteriana do trajeto fistuloso, conhecida como LIFT, qual afirmativa está correta?
A técnica LIFT abre o plano entre os esfíncteres interno e externo, identifica o trajeto nesse espaço, liga-o dos dois lados e o secciona, além de curetar a porção externa; como nenhum esfíncter é seccionado, a continência é preservada, o que a tornou opção atraente em fístulas transesfincterianas altas. Confundi-la com a fistulotomia é o erro conceitual mais frequente, pois é justamente a secção esfincteriana que ela evita. Também não é técnica de oclusão por material, e não envolve derivação intestinal nem ressecção do complexo esfincteriano.
Qual é o papel do exame sob anestesia no manejo da doença anorretal supurativa?
A dor intensa da doença anorretal supurativa impede o exame adequado no consultório, e o exame sob anestesia resolve isso: permite inspeção completa, toque indolor, identificação dos orifícios interno e externo, drenagem de coleções e colocação de sedenho no mesmo tempo. Ele é ferramenta diagnóstica e terapêutica ao mesmo tempo. O risco de falsos trajetos existe quando se instrumenta tecido muito inflamado com força, o que exige delicadeza, mas não contraindica o exame. Em fístulas complexas ele é complementar à ressonância de pelve, e não substituto dela.
Qual é a principal vantagem e a principal limitação das técnicas poupadoras de esfíncter no tratamento da fístula transesfincteriana alta?
O trade-off é explícito e precisa ser discutido com o paciente: técnicas como ligadura interesfincteriana do trajeto, retalho de avanço e plugs preservam a continência, o que é decisivo em fístula alta, mas curam menos que a fistulotomia e não é raro exigirem um segundo procedimento. Ignorar essa troca leva tanto ao excesso de fistulotomias com incontinência quanto à frustração com reoperações não antecipadas. Nenhuma dessas técnicas dispensa o mapeamento do trajeto, e estenose anal não é sua complicação característica.
Paciente com fístula transesfincteriana apresenta, à ressonância de pelve, além do trajeto primário, extensões secundárias em ferradura para ambas as fossas isquiorretais. Qual é a implicação para o tratamento?
A recidiva da fístula anal decorre mais frequentemente de trajeto secundário ou de orifício interno não identificado do que de falha da técnica escolhida, e é exatamente por isso que a ressonância de pelve mudou os resultados em fístulas complexas: ela mapeia extensões que o exame físico não alcança. O tratamento precisa contemplar todos os trajetos, com drenagem e curetagem, além do trajeto primário. Supor que as extensões secundárias regridem sozinhas é a suposição que explica boa parte das reoperações, e a ressonância é justamente o exame de referência para identificá-las.
Sobre o uso do sedenho no tratamento da fístula transesfincteriana, qual afirmativa é correta?
O sedenho tem dois papéis distintos que costumam ser confundidos: o frouxo funciona como dreno, mantém o trajeto aberto, controla a sepse e é especialmente útil na doença de Crohn e como preparo para outra técnica; o cortante promove secção lenta e progressiva do esfíncter, com fibrose acompanhando o corte, mas as séries mostram taxas nada desprezíveis de distúrbio de continência. Considerar o cortante isento de risco é o engano central. O sedenho frouxo isolado raramente cura de forma definitiva, e a identificação do orifício interno segue indispensável.
Mulher de 38 anos apresenta dor anal intensa durante e após a evacuação há 3 meses, com sangramento vivo em pequena quantidade e úlcera longitudinal na linha média posterior do canal anal, com plicoma sentinela. Qual o tratamento inicial?
A fissura crônica se mantém por um ciclo de hipertonia do esfíncter interno, isquemia da comissura posterior e dor, e o tratamento inicial ataca exatamente esse ciclo: amolecer as fezes, aliviar a dor e relaxar quimicamente o esfíncter com nitrato ou bloqueador de canal de cálcio tópicos, com boa taxa de cicatrização. A esfincterotomia interna lateral é o tratamento mais eficaz, porém reservada à falha clínica, pelo risco de incontinência, especialmente em mulheres com partos prévios. Corticoide tópico não trata o mecanismo e pode retardar a cicatrização.
Qual regra auxilia a prever o trajeto de uma fístula anal a partir da localização do orifício externo?
A regra de Goodsall orienta a busca do orifício interno: orifícios externos anteriores costumam se conectar por trajeto retilíneo ao ponto correspondente da linha pectínea, enquanto os posteriores tendem a curvar-se em direção à linha média posterior, o que também explica por que as fístulas em ferradura são posteriores. Ela é uma orientação prática, com exceções, sobretudo em trajetos longos ou em doença de Crohn. As demais classificações citadas pertencem a outros contextos, como queimaduras, diverticulite, trauma craniano e dissecção aórtica.
Paciente com fístula anal alta, transesfincteriana envolvendo grande parte do esfíncter externo. Qual conduta minimiza o risco de incontinência?
A decisão na fístula anal equilibra cura e continência: trajetos baixos, que envolvem pouca musculatura, são bem tratados por fistulotomia, com altas taxas de cura; trajetos altos, que atravessam boa parte do esfíncter externo, exigem técnicas que preservem a musculatura, como o sedenho, o retalho de avanço endorretal e a ligadura interesfincteriana do trajeto, aceitando taxas de cura menores em troca de continência preservada. Seccionar amplamente um esfíncter alto é o erro que cura a fístula e entrega ao paciente uma incontinência definitiva.
Homem de 40 anos apresenta dor anal intensa, contínua, com febre e abaulamento doloroso e flutuante na região perianal. Qual a conduta?
Abscesso perianal é diagnóstico clínico e se trata drenando: antibiótico isolado não resolve uma coleção e apenas atrasa o alívio, permitindo que a infecção se estenda pelos espaços perianais e evolua para uma situação bem mais grave. O antimicrobiano é adjuvante em imunossuprimidos, diabéticos, portadores de valvopatia e quando há celulite extensa. Procurar e tratar o trajeto fistuloso no mesmo tempo é controverso e não deve comprometer a drenagem adequada, sobretudo quando a anatomia não está clara em um campo inflamado.
Qual complicação da cirurgia anorretal deve ser avaliada de forma ativa no seguimento, por ser frequentemente omitida pelo paciente?
A continência depende de um mecanismo delicado que envolve os esfíncteres interno e externo, o coxim hemorroidário, a sensibilidade do canal anal e a complacência retal, e qualquer cirurgia sobre essa região pode comprometê-lo em graus variados. O escape de gases e a sujidade da roupa íntima são consequências que o paciente raramente relata espontaneamente, por constrangimento, o que torna a pergunta dirigida parte obrigatória do seguimento. A avaliação pode ser complementada por ultrassonografia endoanal e manometria, orientando reabilitação com biofeedback ou intervenções específicas.
Como diferenciar clinicamente a hidradenite supurativa perianal da fístula anal criptoglandular?
A chave diagnóstica é a comunicação com o canal anal: a fístula criptoglandular nasce de uma cripta na linha pectínea e tem orifício interno identificável, enquanto a hidradenite é doença da pele, com trajetos superficiais, comedões duplos, cicatrizes em ponte e acometimento frequente de outras áreas ricas em glândulas apócrinas, como axilas e virilhas, sem qualquer comunicação com o reto. Essa distinção evita cirurgias sobre o esfíncter em paciente cuja doença é exclusivamente cutânea.
Sobre a regra de Goodsall aplicada às fístulas anais, qual afirmativa está correta?
A regra descreve a tendência anatômica dos trajetos: orifício externo anterior costuma comunicar-se de forma retilínea com a cripta radialmente correspondente, e orifício posterior costuma curvar-se para a linha média posterior. Ela orienta a busca do orifício interno, mas é apenas uma probabilidade e não substitui a exploração, sobretudo em trajetos recidivados, em orifícios muito distantes da margem anal e na doença de Crohn. Tomá-la como determinante do tratamento engana quem procura uma regra fechada onde existe uma orientação anatômica.
Homem de 30 anos apresenta dor anal intensa à evacuação, em pontada, seguida de dor por horas, com sangramento em raias no papel. Ao exame, lesão linear na linha média posterior do canal anal com plicoma sentinela. Qual a conduta inicial?
A fissura anal se perpetua por um ciclo de dor, hipertonia esfincteriana e isquemia da comissura posterior: o tratamento inicial quebra esse ciclo com fezes amolecidas, banhos de assento e relaxante tópico do esfíncter, e a maioria cicatriza sem cirurgia. Indicar esfincterotomia de saída engana porque ela é de fato o tratamento mais eficaz na fissura crônica refratária, mas carrega risco de incontinência e não é primeira linha. Antibiótico não tem papel e a lesão não é uma coleção a ser drenada.
Paciente de 44 anos apresenta dor perianal intensa, febre de 38,7 °C e área endurecida, hiperemiada e flutuante na região perianal esquerda. Qual a conduta?
Abscesso perianal se trata com drenagem, e antibiótico isolado não resolve coleção formada: a espera favorece extensão para os espaços profundos e, em imunossuprimidos e diabéticos, gangrena de Fournier. Antibiótico é adjuvante em situações selecionadas, como celulite extensa, imunossupressão ou valvopatia. Fazer fistulotomia primária em todos engana porque parte dos abscessos evolui com fístula e a tentação é resolver tudo de uma vez, mas o trajeto nem sempre é identificável no quadro agudo e a abordagem indiscriminada arrisca a continência.
Paciente com doenca de Crohn e doenca perianal ativa recebe antibioticos como adjuvantes. Quais agentes sao classicamente utilizados nesse contexto?
Metronidazol e ciprofloxacino reduzem drenagem e desconforto na doenca perianal e sao usados como adjuvantes, com a ressalva de que o beneficio nao se sustenta apos a suspensao e que o uso prolongado de metronidazol traz neuropatia periferica. Escolher vancomicina oral engana porque ela e o tratamento da infeccao por Clostridioides difficile, complicacao possivel nesses pacientes, mas nao tem papel na fistula perianal. Nenhum antibiotico substitui a drenagem e a terapia biologica.
Paciente com doenca de Crohn e fistula perianal com multiplos orificios externos e suspeita de trajeto transesfincteriano alto. Qual a avaliacao mais adequada antes do planejamento terapeutico?
A ressonancia de pelve define trajetos, ramificacoes e colecoes ocultas com precisao e classifica a fistula em simples ou complexa, informacao que muda a estrategia; o exame sob anestesia complementa e permite drenagem e passagem de sedenho no mesmo tempo, e a avaliacao da atividade retal e essencial porque proctite ativa piora o prognostico. A fistulografia engana por ser o exame historicamente associado a fistulas, mas foi superada em acuracia e nao mostra a relacao com o esfincter.
Paciente com doenca de Crohn e fistula perianal complexa ja drenada, com sedenho posicionado. Qual a estrategia terapeutica de maior eficacia para cicatrizacao da fistula?
O infliximabe e a terapia com melhor evidencia para fechamento de fistulas perianais no Crohn, e o resultado depende da combinacao com o manejo cirurgico - drenagem de colecoes e sedenho mantendo o trajeto aberto ate a resposta. Corticoide engana porque trata a atividade luminal, mas piora a cicatrizacao e a infeccao perianal. A esfincterotomia esta contraindicada nesse contexto: no intestino inflamado, a cicatrizacao e ruim e o risco de incontinencia, alto.
Paciente de 32 anos com doenca de Crohn apresenta dor perianal intensa, secrecao purulenta e febre, com area endurecida e flutuante em regiao perianal. Qual a conduta imediata?
Abscesso e colecao: exige drenagem, e nenhuma droga substitui esse passo - o antibiotico e complemento. Alem disso, iniciar ou intensificar imunobiologico com foco infeccioso nao drenado pode precipitar sepse, motivo pelo qual o controle do foco vem antes. Prescrever corticoide engana porque a doenca de base e inflamatoria e o reflexo e 'desinflamar', mas isso agrava a infeccao. Apos a drenagem, define-se a anatomia da fistula e planeja-se o tratamento combinado.
Paciente com fissura anal cronica, sem doenca inflamatoria intestinal, mantida apesar de medidas higienodieteticas. Qual o tratamento de escolha antes de considerar cirurgia?
A fissura cronica se perpetua por hipertonia do esfincter interno com isquemia local; relaxar quimicamente o esfincter, com diltiazem ou nitrato topico, quebra esse ciclo e permite cicatrizacao, associado a amolecimento das fezes. A esfincterotomia e eficaz, mas fica reservada a falha do tratamento clinico pelo risco de incontinencia - e, no paciente com doenca de Crohn, deve ser evitada. Corticoide topico prolongado atrofia a mucosa e nao trata o mecanismo.
Paciente com doenca de Crohn refere pneumaturia, fecaluria e infeccoes urinarias de repeticao por germes entericos. Qual a hipotese e o exame inicial?
Ar e material fecal na urina, com infeccoes de repeticao por germes entericos, sao praticamente diagnosticos de comunicacao entre intestino e bexiga - complicacao tipica do Crohn e tambem da diverticulite. A tomografia com contraste e o melhor exame inicial, frequentemente mostrando ar intravesical. Tratar como infeccao urinaria recorrente engana porque as uroculturas de fato voltam positivas, e ciclos repetidos de antibiotico mascaram o problema por meses sem resolver a fistula.
Mulher de 29 anos refere dor anal intensa durante e após a evacuação, com sangramento vivo em pequena quantidade no papel, há 6 semanas. Ao exame, lesão linear na linha média posterior do canal anal com plicoma sentinela. Qual o tratamento inicial?
Fissura anal crônica se trata inicialmente de forma conservadora: regularizar o hábito intestinal com fibras e hidratação, banhos de assento e relaxante tópico do esfíncter interno, que rompe o ciclo de hipertonia e isquemia. A esfincterotomia é o distrator forte porque é o tratamento definitivo mais eficaz, mas fica reservada à falha do tratamento clínico, pelo risco de incontinência. Ligadura elástica é técnica para doença hemorroidária, e nem antimicrobiano nem corticoide potente atuam no mecanismo da fissura.
Homem de 38 anos submetido à drenagem de abscesso perianal há 8 semanas evolui com orifício externo a 2 cm da margem anal, na região posterior, drenando secreção purulenta intermitente. Qual a conduta e o raciocínio anatômico?
Abscesso perianal drenado que evolui com orifício persistente drenando secreção é fístula anal, e a regra de Goodsall orienta a expectativa do trajeto: orifícios posteriores costumam ter percurso curvo para a linha média posterior, enquanto os anteriores tendem ao trajeto radial. Indicar fistulotomia sempre é o erro que custa incontinência, porque trajetos altos, com muito esfíncter envolvido, pedem sedenho ou técnicas poupadoras. Fissura anal cursa com dor evacuatória e sangramento em fio, sem orifício drenante.
Homem de 46 anos chega ao pronto-socorro com dor anal intensa e contínua há 3 dias, febre de 38,4 °C e dificuldade para sentar. Ao exame, há abaulamento eritematoso, quente e flutuante na região perianal direita, muito doloroso à palpação. Não há sinais de sepse. Qual é a conduta adequada?
Abscesso perianal é tratado com drenagem cirúrgica, medida definitiva para o controle da infecção; o antibiótico é adjuvante em casos selecionados, como imunossupressão ou celulite extensa. Antibiótico isolado não resolve a coleção formada e permite progressão para infecção grave. Medidas conservadoras retardam a drenagem e aumentam o risco de fístula e de sepse perineal. Ligadura elástica é procedimento para doença hemorroidária, sem qualquer papel no abscesso.
Homem de 34 anos comparece ao ambulatório de cirurgia com história de dor anal intensa durante e após a evacuação, com sangramento vivo em pequena quantidade no papel higiênico, há 3 meses. Refere constipação crônica. Ao exame, há lesão linear no canal anal posterior, com plicoma sentinela. Qual é o tratamento inicial adequado?
A fissura anal crônica é tratada inicialmente de forma conservadora, com regularização do hábito intestinal, higiene local e agentes tópicos que reduzem o espasmo esfincteriano, com boa taxa de cicatrização. A esfincterotomia é reservada aos casos refratários ao tratamento clínico, pelo risco de incontinência. Hemorroidectomia trata outra doença, que não corresponde à lesão linear descrita. Antibiótico não trata a fisiopatologia isquêmica e espástica da fissura.
Homem de 40 anos comparece ao ambulatório com queixa de secreção purulenta intermitente em região perianal há 4 meses, após drenagem de abscesso na mesma topografia. Ao exame, há orifício externo com saída de secreção a 2 cm da borda anal, com trajeto endurecido palpável. Não há febre nem dor intensa. Qual é o diagnóstico e a conduta?
Drenagem prévia de abscesso seguida de secreção crônica por orifício externo com trajeto palpável caracteriza fístula perianal, cujo tratamento é cirúrgico, com técnica definida pela relação do trajeto com o esfíncter. Hemorroida trombosada provoca dor aguda e nódulo azulado, sem drenagem crônica. Cisto pilonidal localiza-se na região sacrococcígea, e não na margem anal. Carcinoma de canal anal apresenta lesão vegetante ou ulcerada, exigindo biópsia antes de qualquer tratamento oncológico.
Homem de 33 anos comparece à Unidade Básica de Saúde com dor anal intensa durante e após as evacuações, em pontada, associada a sangramento vermelho vivo em pequena quantidade no papel, há seis semanas. Refere constipação e fezes endurecidas. Ao exame: inspeção anal com fissura longitudinal na linha média posterior, com plicoma sentinela, sem abscesso, sem fístula, sem secreção purulenta; toque retal não realizado pela dor intensa, sem sinais de infecção sistêmica, afebril. A conduta inicial mais adequada é:
Fissura anal aguda em posição típica é tratada inicialmente com correção da constipação, analgesia tópica, banhos de assento e, quando disponível, relaxante do esfíncter tópico para quebrar o ciclo de hipertonia e isquemia, com cirurgia reservada a casos crônicos e refratários. Esfincterotomia como primeira medida expõe ao risco de incontinência sem tentativa conservadora. Antibiótico não trata fissura sem abscesso ou fístula. Corticoide tópico prolongado causa atrofia da pele perianal e não corrige o mecanismo de hipertonia esfincteriana.
Mulher de 32 anos procura a Unidade Básica de Saúde com dor anal intensa durante e após as evacuações, descrita como corte ou rasgo, associada a pequeno sangramento vivo no papel higiênico, há três semanas. Refere constipação e fezes endurecidas. Ao exame, o afastamento suave das margens anais revela solução de continuidade linear na linha média posterior, muito dolorosa, impedindo o toque retal. Não há secreção purulenta, abaulamento ou febre. A conduta inicial adequada é:
A fissura anal aguda é tratada de forma conservadora, com regularização do hábito intestinal, analgesia, banhos de assento e agentes tópicos que reduzem o tônus do esfíncter interno, quebrando o ciclo de dor, espasmo e isquemia, com altas taxas de cicatrização. Esfincterotomia é reservada a fissuras crônicas refratárias, pelo risco de incontinência. Drenagem cirúrgica se aplica a abscesso, ausente aqui. Antibiótico não trata a fissura, cuja fisiopatologia é isquêmica e mecânica, e não infecciosa.
Homem de 38 anos, diabético, chega à Unidade de Pronto Atendimento com dor anal intensa e contínua há três dias, com piora progressiva e febre. Ao exame, temperatura axilar de 38,7 °C, frequência cardíaca de 108 bpm, e na região perianal observa-se abaulamento avermelhado, quente, endurecido e muito doloroso, com flutuação à palpação, na margem anal direita. Glicemia capilar de 288 mg/dL e leucócitos de 17.500/mm³. A conduta correta é:
O abscesso perianal é tratado por drenagem cirúrgica, que é o passo essencial, associada a antibiótico em pacientes com sinais sistêmicos, imunossupressão ou diabetes descompensado, com controle glicêmico e vigilância de evolução para infecção necrosante, especialmente nesse perfil. Antibiótico isolado não resolve coleção formada. Analgesia e banhos de assento não drenam o abscesso. A fistulotomia no mesmo tempo só é considerada em situações selecionadas, com trajeto claramente identificado, pelo risco de incontinência.
Homem de 34 anos chega ao pronto-socorro com dor perianal intensa e progressiva há 4 dias, febre e dificuldade para sentar. É diabético com controle irregular. Ao exame apresenta temperatura axilar 38,6 °C, FC 108 bpm, PA 118x72 mmHg, glicemia capilar de 296 mg/dL e, na região perianal, área endurecida, quente e muito dolorosa à palpação, com flutuação evidente e eritema perilesional, sem crepitação e sem necrose cutânea. A conduta mais adequada é:
O abscesso perianal exige drenagem cirúrgica, que é o tratamento definitivo, associada ao controle glicêmico no diabético, com antibiótico indicado quando há celulite extensa, imunossupressão, sinais sistêmicos importantes ou valvopatia. Antibiótico oral isolado não resolve coleção formada e permite progressão para infecção necrosante. Punção aspirativa não drena adequadamente a cavidade e leva a recidiva. Banhos de assento e analgesia isolados são medidas de conforto insuficientes diante de flutuação evidente.
Homem de 36 anos procura ambulatório com dor anal intensa durante e após a evacuação há dois meses, descrita como corte, associada a sangramento vivo em pequena quantidade no papel higiênico. Refere constipação e fezes endurecidas. Ao exame, à inspeção anal com afastamento suave das nádegas, observa-se lesão linear na linha média posterior do canal anal, sem plicoma sentinela, sem fibrose das bordas e sem exposição de fibras musculares, com espasmo esfincteriano que dificulta o toque retal. A conduta inicial mais adequada é:
A fissura anal aguda, sem sinais de cronicidade como plicoma sentinela, bordas fibrosadas e exposição de fibras musculares, é tratada clinicamente com regularização do hábito intestinal, fibras, hidratação, banhos de assento e relaxantes tópicos do esfíncter, com alta taxa de cicatrização. Esfincterotomia é reservada a fissuras crônicas refratárias, pelo risco de incontinência. Antibiótico não trata fissura. Exérese ampla na primeira consulta é desproporcional e dolorosa.
Homem de 42 anos procura a Unidade Básica de Saúde com abaulamento doloroso na região perianal há quatro dias, com piora progressiva, febre e dificuldade para sentar. Nega diarreia, sangramento retal volumoso e comorbidades. Ao exame: temperatura axilar 38,2 °C, área endurecida, eritematosa e muito dolorosa em região perianal à direita, com flutuação evidente à palpação, sem crepitação, sem necrose e sem extensão para períneo ou bolsa escrotal. Qual é a conduta correta?
O abscesso perianal é tratado com drenagem cirúrgica, que é a medida definitiva, associando-se antibiótico em casos com celulite extensa, imunossupressão, diabetes, próteses ou sinais sistêmicos, com atenção posterior à possibilidade de fístula anal. Antibiótico isolado não resolve coleção purulenta organizada. Banhos de assento são medida de conforto e não substituem a drenagem. Colonoscopia de urgência não é necessária e pode ser considerada depois, na investigação de doença inflamatória intestinal.
Mulher de 45 anos é atendida em ambulatório com dor anal intensa e contínua há três dias, com febre e dificuldade para sentar. Ao exame: temperatura 38,4 °C, PA 122x76 mmHg, FC 96 bpm, região perianal com área endurecida, eritematosa, quente e muito dolorosa à palpação, com flutuação evidente a cerca de 2 cm da margem anal, sem drenagem espontânea, toque retal muito doloroso e não realizado completamente. Exames: leucócitos 16.400/mm3, glicemia 178 mg/dL, proteína C reativa elevada. A conduta correta é:
Abscesso perianal com flutuação exige drenagem cirúrgica urgente, que é o tratamento definitivo, associada a antibiótico conforme comorbidades, imunossupressão ou celulite extensa, com atenção especial ao paciente diabético pelo risco de progressão para infecção necrosante. Antibiótico isolado não resolve a coleção e permite progressão. Punção aspirativa não drena adequadamente e leva a recidiva. Corticoide agrava a infecção e retarda o tratamento cirúrgico necessário.
Homem de 47 anos é atendido em ambulatório com drenagem intermitente de secreção purulenta em região perianal há seis meses, após episódio de abscesso drenado cirurgicamente. Ele nega diarreia crônica, perda ponderal ou sintomas sistêmicos. Ao exame: orifício externo com drenagem purulenta a 3 cm da margem anal, com trajeto endurecido palpável em direção ao canal anal, sem sinais inflamatórios agudos, sem massa perianal, toque retal sem lesões vegetantes. Exames laboratoriais sem alterações relevantes, colonoscopia prévia sem sinais de doença inflamatória intestinal. A conduta correta é:
Fístula perianal crônica após abscesso drenado tem tratamento cirúrgico, com técnica escolhida conforme o trajeto e o envolvimento do complexo esfincteriano, buscando cura sem comprometer a continência. Antibiótico prolongado não fecha o trajeto epitelizado. Curativos indefinidos perpetuam a drenagem e o desconforto. Colectomia total não tem qualquer relação com o tratamento de fístula perianal criptoglandular em paciente sem doença inflamatória intestinal.
Mulher de 48 anos é atendida em ambulatório com dor anal intensa durante e após as evacuações há quatro meses, associada a sangramento vermelho-vivo no papel. Ela já usou pomadas diversas sem melhora. Ao exame: fissura anal em linha média posterior com bordas endurecidas, plicoma sentinela e papila hipertrófica, sem abscesso ou fístula, hipertonia esfincteriana evidente ao toque, que é muito doloroso. Exames laboratoriais sem alterações relevantes. Ela mantém constipação apesar de fibras e laxante osmótico usados de forma regular nos últimos meses. A conduta mais adequada é:
Fissura anal crônica, caracterizada por bordas endurecidas, plicoma sentinela e papila hipertrófica, refratária ao tratamento clínico otimizado com manejo da constipação, tem indicação de tratamento cirúrgico, sendo a esfincterotomia lateral interna a técnica de referência, com atenção ao risco de incontinência. Manter tratamento tópico indefinido perpetua a dor. Antibiótico não trata fissura. Colectomia não tem qualquer indicação para constipação com fissura anal.
Mulher de 49 anos é atendida em ambulatório com queixa de dor perianal recorrente, com episódios de saída de secreção purulenta há um ano, que aliviam a dor temporariamente e depois recidivam. Ao exame: orifício externo em região perianal a 2 cm da margem anal, com saída de secreção à expressão, cordão fibroso palpável em direção ao canal anal, sem abscesso volumoso no momento, toque retal com orifício interno palpável, sem estenose. Exames: hemograma sem alterações, ressonância de pelve confirmando trajeto fistuloso interesfincteriano único. A conduta correta é:
Fístula perianal estabelecida não cicatriza espontaneamente e mantém ciclos de acúmulo e drenagem de secreção, exigindo tratamento cirúrgico com técnica escolhida conforme o trajeto e o comprometimento esfincteriano, para evitar incontinência. Antibiótico isolado trata a infecção aguda, mas não o trajeto. Drenagens repetidas perpetuam o problema. Considerar o quadro autolimitado ignora a recorrência já documentada e o desconforto crônico da paciente.
Lactente de 6 meses é levado ao pronto-socorro com choro intenso à evacuação e aumento de volume doloroso na região perianal há três dias, com febre baixa. Ao exame: temperatura axilar 37,9 °C, nódulo eritematoso, endurecido e flutuante a 1 cm da margem anal, com calor local e dor intensa à palpação, sem celulite extensa, sem sinais sistêmicos de gravidade e com bom estado geral, mantendo boa aceitação do seio materno. Qual é a conduta correta?
O abscesso perianal do lactente é tratado com drenagem da coleção e cuidados locais, com antibiótico conforme a extensão da celulite associada e o estado imunológico, sendo frequente a evolução para fístula que pode ser abordada posteriormente. Antibiótico isolado não resolve coleção flutuante. Banho de assento com observação prolonga a dor e o risco de progressão. Fistulotomia ampla no primeiro episódio é conduta desproporcional nessa faixa etária.
Homem de 42 anos comparece ao ambulatório com saída intermitente de secreção purulenta por orifício na região perianal há quatro meses, com episódios de dor e aumento de volume que cedem após a drenagem espontânea. Teve abscesso perianal drenado cirurgicamente há seis meses. Ao exame, observa-se orifício externo a 2 cm da borda anal, com discreta secreção à compressão e trajeto endurecido palpável em direção ao canal anal. Não há febre nem sinais de sepse. Qual é a conduta adequada?
Drenagem crônica após abscesso perianal drenado caracteriza fístula, cuja cura exige tratamento cirúrgico, definido conforme a relação do trajeto com o aparelho esfincteriano, para evitar incontinência. O antibiótico isolado não fecha o trajeto epitelizado e apenas controla surtos infecciosos. Nova drenagem do orifício externo trata episódios agudos, mas mantém a fístula. A colostomia derivativa é reservada a fístulas complexas e refratárias, especialmente em doença de Crohn, e não é a primeira medida.
Homem, 48 anos, com dor anal intensa durante e após a evacuação há 2 meses, associada a sangramento vivo em pequena quantidade no papel. Refere constipação crônica. Ao exame, há intensa dor ao afastamento das nádegas, com fissura na linha média posterior e plicoma sentinela. Não há febre nem drenagem purulenta. Qual a conduta inicial mais adequada?
A fissura anal aguda em linha média posterior responde em cerca de 70% dos casos ao tratamento conservador: regularização do hábito intestinal com fibras e água, banhos de assento e relaxante do esfíncter interno tópico, como o diltiazem ou a nitroglicerina. A esfincterotomia lateral interna é a opção nas fissuras crônicas refratárias ao tratamento clínico, e antecipá-la expõe o paciente ao risco de incontinência sem necessidade. A antibioticoterapia prolongada não trata a hipertonia esfincteriana, que é o mecanismo da isquemia local. A ligadura elástica é procedimento para doença hemorroidária interna, não para fissura, e seria extremamente dolorosa nessa topografia. A drenagem com fistulotomia pressupõe abscesso ou trajeto fistuloso, e não há febre nem drenagem purulenta na vinheta.
Mulher, 60 anos, com dor perianal latejante há 4 dias, febre e dificuldade para sentar. PA 126/80 mmHg, FC 102 bpm, T 38,5 °C. Ao exame, área de flutuação dolorosa em região perianal esquerda, com hiperemia e calor local, a 2 cm da margem anal. Leucócitos 15.900/mm³ (VR 4.000–11.000). Diabética em uso de metformina, glicemia 210 mg/dL (VR 70–99). Qual a conduta indicada?
O abscesso perianal com flutuação tem tratamento cirúrgico: drenagem imediata, e a antibioticoterapia sistêmica se justifica aqui pela diabetes descompensada, condição de risco para progressão para infecção necrosante perineal. A antibioticoterapia isolada não resolve coleção formada e permite extensão do processo em paciente imunocomprometida. A fistulotomia primária no mesmo tempo é controversa e não deve ser feita em todos os casos, pelo risco de incontinência e porque o trajeto muitas vezes não é identificável no momento agudo. A ressonância de pelve é útil em abscessos complexos, supraelevadores ou recidivados, mas não deve atrasar a drenagem de coleção superficial evidente. Corticoide tópico não tem qualquer papel no controle de infecção supurativa.
Homem, 46 anos, com drenagem intermitente de secreção purulenta por orifício externo na região perianal posterior, a 3 cm da margem anal, há 5 meses, com episódios de abscesso drenados previamente. Exame: orifício externo posterior, com trajeto palpável em direção ao canal anal. Ressonância de pelve: trajeto fistuloso transesfincteriano alto, atravessando mais de 50% do esfíncter externo, sem coleções residuais. Qual a conduta cirúrgica mais adequada?
Na fístula transesfincteriana alta, que envolve mais da metade do esfíncter externo, a fistulotomia comprometeria a continência, e a conduta correta é a drenagem com sedenho seguida de técnica de preservação esfincteriana, como ligadura interesfincteriana do trajeto ou retalho de avanço. A fistulotomia ampla com secção do esfíncter externo é adequada apenas em fístulas interesfincterianas ou transesfincterianas baixas. A antibioticoterapia prolongada isolada não elimina o trajeto epitelizado e apenas controla surtos infecciosos. A proctocolectomia total é conduta de doença de Crohn perianal grave e refratária com reto inviável, cenário não descrito. A drenagem simples com alta sem seguimento perpetua a fístula e leva a novos abscessos.
Homem, 44 anos, apresenta dor perianal há 3 dias, com febre e dificuldade para evacuar. Ao exame, há dor intensa ao toque retal, sem abaulamento visível ou flutuação na pele perianal, com abaulamento doloroso palpável acima da linha pectínea à direita. T 38,4 °C, FC 106 bpm. Leucócitos 16.800/mm³ (VR 4.000–11.000). A ressonância de pelve confirma coleção no espaço supraelevador direito de 4 cm. Qual a conduta indicada?
Abscessos supraelevadores exigem drenagem cirúrgica planejada, com escolha da via conforme a origem do processo, para evitar a criação de fístulas complexas, associada a antibioticoterapia, especialmente em coleções profundas com repercussão sistêmica. A antibioticoterapia oral isolada não resolve coleção formada nesse espaço profundo. Drenar pela pele atravessando o esfíncter externo cria fístula transesfincteriana alta e compromete a continência. Banhos de assento são medida adjuvante, insuficiente para abscesso profundo com febre e leucocitose. A colostomia isolada não drena o foco e impõe estoma desnecessário nessa etapa.
Homem, 39 anos, apresenta dor anal intensa durante e após a evacuação há 8 meses, com sangramento vivo. Já realizou tratamento clínico otimizado por 3 meses, com fibras, banhos de assento e bloqueador de canal de cálcio tópico, sem melhora. Ao exame, há fissura em linha média posterior com bordas fibrosadas, plicoma sentinela e papila hipertrófica, com hipertonia esfincteriana evidente ao toque, sem sinais de doença inflamatória intestinal. Qual a conduta indicada?
Fissura anal crônica, com bordas fibrosadas, plicoma sentinela e papila hipertrófica, refratária ao tratamento clínico otimizado, tem indicação de esfincterotomia lateral interna, que reduz a hipertonia e permite a cicatrização com altas taxas de sucesso. Manter o mesmo tratamento por mais um ano perpetua a dor sem perspectiva de melhora. A fistulotomia trata trajeto fistuloso, ausente nesse caso. A hemorroidectomia trata doença hemorroidária, mecanismo distinto da fissura. A colostomia derivativa é medida extrema e desproporcional para uma condição com tratamento cirúrgico simples e eficaz bem estabelecido.
Homem, 37 anos, apresenta dor anal intensa e contínua há 4 dias, que piora ao sentar, sem relação exclusiva com a evacuação. PA 132x82 mmHg, FC 96 bpm, T 37,9 °C. A inspeção perianal não mostra abaulamento, hiperemia ou flutuação externa. O toque retal, muito doloroso, revela abaulamento no canal anal entre os esfíncteres, sem ponto flutuante na pele. Leucócitos 14.900/mm³ (VR 4.000–11.000). Qual a conduta indicada?
A drenagem cirúrgica por via transanal é a conduta indicada: o abscesso interesfincteriano não aponta na pele e só é percebido pelo abaulamento doloroso no canal anal, exigindo drenagem para dentro da luz anal, e não pela via perianal. A antibioticoterapia isolada não drena coleção formada. Esperar que a coleção aponte na pele prolonga a sepse perineal, com risco de extensão supraelevadora. A esfincterotomia lateral interna trata fissura e não abre a coleção. Pomadas relaxantes tratam hipertonia da fissura anal, hipótese incompatível com febre e leucocitose.
Homem, 41 anos, com fístula anal há 1 ano, apresenta orifício externo a 4 cm da borda anal, na posição posterior. PA 124x76 mmHg, FC 72 bpm, T 36,5 °C. A ressonância mostra trajeto único transesfincteriano que atravessa cerca de 60% do esfíncter externo, sem trajetos secundários e sem coleções. A manometria mostra pressões de repouso e de contração voluntária no limite inferior da normalidade. Não há doença de Crohn. Qual a técnica cirúrgica mais adequada?
A ligadura interesfincteriana do trajeto é a técnica mais adequada: em fístula transesfincteriana alta, com envolvimento de grande parte do esfíncter externo e pressões manométricas já no limite inferior, a prioridade é preservar a continência, o que essa técnica permite ao fechar o trajeto no plano interesfincteriano. A fistulotomia completa seccionaria a maior parte do esfíncter e provocaria incontinência. A amputação abdominoperineal é inaceitável em doença benigna. A cola de fibrina isolada tem baixa taxa de cura. O sedenho cortante secciona lentamente o esfíncter e também compromete a continência nesse paciente.
Gestante de 27 anos, com 26 semanas, refere dor anal intensa durante e após a evacuação, com sangramento vermelho-vivo em pequena quantidade no papel higiênico, há duas semanas. Relata evacuações a cada três dias, com fezes endurecidas, e uso de suplemento de ferro. Ao exame proctológico, identifica-se fissura na linha média posterior do canal anal, sem abscesso, fístula ou massa palpável ao toque, que é muito doloroso. Qual a conduta correta?
A fissura anal na gestação é tratada de forma conservadora, com regularização do hábito intestinal por fibras e hidratação, analgesia tópica, banhos de assento e ajuste da suplementação de ferro quando necessário. Indicar esfincterotomia de urgência é desproporcional, pois a cirurgia se reserva a fissuras crônicas refratárias. Suspender definitivamente o ferro deixa a gestante sob risco de anemia, sendo preferível ajustar a dose ou a formulação. Prescrever laxante estimulante contínuo em dose alta pode causar cólicas e desequilíbrio eletrolítico. Indicar colonoscopia é desnecessário diante de lesão visível que explica integralmente o sangramento.
Homem, 42 anos, previamente hígido, refere dor perianal contínua e progressiva há 4 dias, pior ao sentar, com febre não aferida em domicílio. Ao exame: PA 128x80 mmHg, FC 98 bpm, T 38,3 graus Celsius. Há abaulamento eritematoso, quente e flutuante na região perianal esquerda, a 3 cm da borda anal, muito doloroso à palpação. O toque retal é limitado pela dor. Leucócitos 15.200/mm3 (VR 4.000-11.000). Qual a conduta indicada?
A drenagem cirúrgica é o tratamento do abscesso perianal, sendo o antibiótico reservado a imunossuprimidos, diabéticos, portadores de prótese valvar ou casos com celulite extensa. A antibioticoterapia isolada não resolve coleção formada e permite progressão para infecção perineal grave. Banhos de assento e analgesia tratam apenas sintomas e retardam o controle do foco. A fistulotomia de rotina no mesmo tempo é inadequada porque nem todo abscesso tem trajeto fistuloso identificável e o procedimento eleva o risco de incontinência. A colonoscopia de urgência não é necessária no primeiro episódio e não precede a drenagem.
Mulher, 29 anos, apresenta há 3 semanas dor anal intensa em rasgo durante a evacuação, que persiste por cerca de 1 hora após, associada a sangramento em pequena quantidade no papel higiênico. Refere constipação e evita evacuar por medo da dor. T 36,5 graus Celsius, PA 112x70 mmHg. O exame mostra lesão linear na comissura posterior, com hipertonia esfincteriana importante que impede o toque retal. Qual a conduta inicial?
A regularização do hábito intestinal, com banhos de assento e uso de relaxante tópico do esfíncter, é o tratamento inicial da fissura anal aguda, quebrando o ciclo de dor, hipertonia e isquemia local. A esfincterotomia lateral interna é reservada às fissuras crônicas refratárias ao tratamento clínico. A dilatação anal forçada foi abandonada pelo risco elevado de incontinência. A antibioticoterapia sistêmica não tem indicação, pois não se trata de processo infeccioso. A colostomia derivativa é medida desproporcional para uma lesão que cicatriza com tratamento conservador na maioria dos casos.
Homem, 39 anos, com drenagem de secreção purulenta na região perianal há 4 meses, após abscesso drenado. Ao exame em posição de litotomia, identifica-se orifício externo a 2 cm da borda anal, na posição de 4 horas do relógio. PA 122x76 mmHg, FC 72 bpm, T 36,6 °C; sem sinais de celulite ou coleção. O toque retal não demonstra endurecimento em ferradura. Segundo a regra de Goodsall, qual o trajeto esperado?
A regra de Goodsall estabelece que orifícios externos posteriores à linha transversa que cruza o ânus têm trajeto curvo e desembocam na linha média posterior, e o orifício descrito às 4 horas em litotomia é posterior, portanto com trajeto curvo até a cripta posterior. O trajeto retilíneo em direção à linha média anterior é o previsto para orifícios anteriores e próximos da borda anal. O trajeto radial até a posição de 4 horas contraria a própria regra para orifícios posteriores. O trajeto supraelevador descreve fístula complexa extraesfincteriana, incompatível com a descrição. O trajeto até a linha média anterior baixa aplicaria a regra anterior a um orifício posterior.
Homem, 31 anos, com dor anal intensa, contínua e pulsátil há 3 dias, pior ao sentar, com febre. PA 128x78 mmHg, FC 102 bpm, T 38,4 °C. Ao exame, há área endurecida, eritematosa e flutuante na região perianal direita, a 3 cm da borda anal, muito dolorosa à palpação. Leucócitos 16.400/mm³ (VR 4.000–11.000); glicemia 108 mg/dL (VR 70–99). Qual a conduta indicada?
Abscesso perianal com flutuação e sinais sistêmicos é diagnóstico clínico e exige drenagem cirúrgica imediata, pois antibiótico isolado não resolve coleção e permite progressão para fasciíte perineal. O antibiótico é adjuvante em diabéticos, imunossuprimidos ou com celulite extensa, mas nunca substitui a drenagem. A ressonância de pelve é útil no mapeamento de fístulas complexas, não na urgência de uma coleção superficial evidente. A fistulotomia primária no mesmo tempo é controversa e arriscada, pelo risco de incontinência quando o trajeto ainda não está definido. Corticoide tópico não tem indicação e retarda o tratamento definitivo.
Mulher, 35 anos, com dor anal intensa durante e após as evacuações há 5 meses, associada a sangramento vivo em pequena quantidade no papel higiênico. PA 116x74 mmHg, FC 74 bpm, T 36,5 °C. Ao exame, há úlcera longitudinal na linha média posterior, com fibras do esfíncter interno visíveis no fundo, plicoma sentinela e papila hipertrófica. Não houve resposta a medidas dietéticas e pomadas por 8 semanas. Qual o tratamento indicado?
Fissura anal crônica, com fibras do esfíncter interno expostas, plicoma sentinela e papila hipertrófica, refratária ao tratamento clínico por oito semanas, tem na esfincterotomia lateral interna o padrão-ouro, com altas taxas de cicatrização e baixo risco de incontinência quando bem indicada. A hemorroidectomia trata doença hemorroidária, que não é a queixa principal. A dilatação anal forçada foi abandonada por lesão esfincteriana imprevisível e incontinência. A fistulotomia trata fístula, condição distinta da fissura. Retirar apenas a papila hipertrófica não corrige a hipertonia do esfíncter interno, que é o mecanismo perpetuador da isquemia da comissura posterior.
Homem, 27 anos, com dor anal intensa em queimação durante e após as evacuações há 3 semanas, com sangramento vivo em pequena quantidade. Refere constipação e fezes endurecidas. PA 122x76 mmHg, FC 74 bpm, T 36,6 °C; ao exame, há úlcera superficial na linha média posterior, sem plicoma sentinela, sem papila hipertrófica e sem exposição de fibras musculares no fundo da lesão. Qual o tratamento inicial indicado?
Fissura anal aguda, sem sinais de cronicidade como plicoma sentinela, papila hipertrófica ou fibras musculares expostas, tem tratamento clínico inicial com regularização do hábito intestinal, banhos de assento e pomada relaxante do esfíncter, à base de nitrato ou bloqueador de canal de cálcio, com cicatrização em cerca de 80% dos casos. A esfincterotomia lateral interna é reservada às fissuras crônicas refratárias. A hemorroidectomia trata outra doença. A dilatação anal forçada foi abandonada por lesão esfincteriana e incontinência. O antibiótico não tem indicação, pois não se trata de processo infeccioso.
Homem, 44 anos, com dor anal profunda e contínua há 5 dias, pior ao sentar, sem abaulamento visível na inspeção perianal. PA 128x80 mmHg, FC 96 bpm, T 38,2 °C; ao toque retal, há abaulamento doloroso e flutuante acima da linha pectínea, no espaço entre os esfíncteres. Leucócitos 15.800/mm³ (VR 4.000–11.000). A ressonância confirma coleção interesfincteriana de 2 cm. Qual a conduta indicada?
Abscesso interesfincteriano manifesta-se por dor anal intensa sem abaulamento externo e é drenado por via transanal, abrindo o plano interesfincteriano com secção do esfíncter interno sobre a coleção, o que preserva a continência. O antibiótico isolado não resolve coleção formada. A incisão cutânea perianal ampla drena para fora do trajeto e pode criar fístula complexa. A fistulotomia com secção dos dois esfíncteres causa incontinência grave e é inaceitável. Aguardar que a coleção aponte na pele significa permitir progressão para abscesso mais extenso e sepse perineal.
Homem, 38 anos, com antecedente de drenagem de abscesso perianal há 4 meses, apresenta drenagem intermitente de secreção purulenta por orifício cutâneo situado a 2 cm da borda anal, com episódios de dor e melhora após a saída da secreção. Está afebril, T 36,6 graus Celsius, sem sinais flogísticos importantes. O toque retal identifica trajeto endurecido em direção à linha pectínea. Qual a conduta indicada?
O tratamento cirúrgico do trajeto fistuloso, com técnica definida conforme sua relação com o complexo esfincteriano, é a conduta na fístula perianal, complicação frequente após abscesso drenado. A antibioticoterapia prolongada não fecha o trajeto epitelizado. Uma nova drenagem simples trata apenas eventual coleção e mantém a fístula. O corticoide tópico não tem papel curativo. Afirmar fechamento espontâneo na maioria é incorreto, pois o trajeto persiste e mantém episódios recorrentes de supuração.
Menino, 4 anos, apresenta sangue vivo recobrindo as fezes há 3 semanas, em pequena quantidade, com dor à evacuação e fezes endurecidas. FC 92 bpm, T 36,6 °C; peso e estatura adequados, sem palidez. Hb 12,6 g/dL (VR 11,5–15,5). Ao exame perianal, observa-se solução de continuidade linear na linha média posterior da margem anal, com plicoma pequeno associado. Qual a principal hipótese diagnóstica?
Sangue vivo recobrindo fezes endurecidas, com dor à evacuação e lesão linear na linha média posterior, caracteriza fissura anal secundária à constipação, causa mais comum de sangramento retal na infância. O pólipo juvenil causa sangramento tipicamente indolor e pode prolapsar, sem fissura visível. O divertículo de Meckel provoca sangramento indolor e volumoso, com anemia. A doença inflamatória intestinal cursa com diarreia sanguinolenta, dor abdominal e repercussão sistêmica. A invaginação apresenta crises de dor, massa palpável e fezes em geleia de framboesa, quadro agudo e distinto.
Homem, 44 anos, com drenagem purulenta intermitente por orifício perianal há 8 meses, após abscesso drenado. PA 126x78 mmHg, FC 76 bpm, T 36,7 °C. Exame: orifício externo a 4 cm da borda anal, às 5 horas, com trajeto palpável. Ressonância de pelve mostra trajeto transesfincteriano alto, envolvendo mais de dois terços do esfíncter externo, sem coleção residual. Continência fecal preservada. Qual a conduta mais adequada?
A passagem de seton, seguida de tratamento definitivo em etapas com técnicas poupadoras de esfíncter, é a conduta adequada na fístula transesfincteriana alta, pois preserva a continência ao evitar a secção de grande parte do esfíncter externo. A fistulotomia ampla com secção esfincteriana em trajeto que envolve mais de dois terços do complexo muscular acarreta risco elevado de incontinência. A drenagem simples repetida trata apenas as agudizações e perpetua a doença. A colostomia derivativa definitiva é medida extrema, reservada a casos refratários e complexos, geralmente com doença de Crohn grave. A injeção de corticosteroide no trajeto não é tratamento reconhecido.
Mulher, 31 anos, com doença de Crohn ileocolônica, apresenta dor perianal e secreção há 3 meses, com dois orifícios externos. PA 118x72 mmHg, FC 84 bpm, T 37,2 °C. Proteína C reativa 38 mg/L (VR até 5). O exame sob anestesia foi realizado há 1 mês, com drenagem de coleção. Persiste secreção e a equipe deseja mapear a anatomia dos trajetos antes de planejar a terapia com biológico. Qual o exame mais adequado?
A ressonância magnética de pelve com protocolo específico é o exame de escolha para mapear fístulas perianais na doença de Crohn, pois define trajetos, relação com o complexo esfincteriano e coleções ocultas, orientando a terapia combinada cirúrgica e medicamentosa. A tomografia tem resolução inferior para partes moles do períneo e expõe a radiação. O enema opaco não demonstra a relação dos trajetos com os esfíncteres. A colonoscopia avalia a atividade inflamatória luminal, informação complementar, mas não a anatomia fistulosa. A ultrassonografia transparietal do períneo é limitada, sendo a ultrassonografia endoanal, e não a transabdominal, a alternativa aceitável à ressonância.
Homem, 35 anos, com dor anal intensa durante e após as evacuações há 6 meses, associada a sangramento vivo em pequena quantidade. PA 122x76 mmHg, FC 74 bpm. Exame: úlcera na comissura posterior com bordas fibróticas, fibras do esfíncter interno visíveis no leito, plicoma sentinela e papila hipertrófica. Já usou pomada de nitrato e bloqueador de canal de cálcio tópicos por 8 semanas, sem melhora. Qual a conduta mais adequada?
A esfincterotomia lateral interna é a conduta indicada na fissura anal crônica refratária ao tratamento tópico, com sinais de cronicidade como bordas fibróticas, fibras do esfíncter interno expostas, plicoma sentinela e papila hipertrófica, sendo o padrão-ouro por altas taxas de cicatrização. Repetir o nitrato tópico por mais 12 semanas após falha de 8 semanas apenas prolonga o sofrimento. A hemorroidectomia trata doença hemorroidária, que não é o diagnóstico. A fistulotomia se destina a trajeto fistuloso, ausente na descrição. A colostomia derivativa é medida extrema e injustificada para doença benigna com tratamento cirúrgico ambulatorial eficaz.
Homem, 29 anos, vivendo com HIV com má adesão à terapia antirretroviral e linfócitos T CD4 de 180 células/mm3, apresenta dor anal e secreção há 2 meses. PA 118x74 mmHg, FC 88 bpm, T 37,4 °C. Exame: úlcera anal ampla e irregular na parede lateral direita, de bordas descoladas e fundo sujo, com adenopatia inguinal dolorosa bilateral. Não há plicoma sentinela nem papila hipertrófica. Qual a conduta mais adequada?
Biópsia com investigação de causas infecciosas e neoplásicas é a conduta correta diante de fissura atípica, pois úlcera lateral, ampla, irregular e com adenopatia em paciente imunossuprimido sugere sífilis, herpes, tuberculose, linfogranuloma venéreo, doença de Crohn ou neoplasia, e não fissura idiopática. A esfincterotomia lateral interna em úlcera de etiologia não esclarecida pode agravar a lesão e causar incontinência. O nitrato tópico trata a fissura idiopática por isquemia da comissura posterior, mecanismo ausente aqui. A hemorroidectomia não tem relação com o quadro. Observar por 6 meses retarda o diagnóstico de condições graves e tratáveis.
Homem, 48 anos, com dor perineal profunda e retal há 5 dias, febre e disúria, sem abaulamento visível na pele perianal. PA 106x64 mmHg, FC 112 bpm, T 38,8 °C. Toque retal doloroso, com abaulamento e flutuação acima do anel anorretal. Leucócitos 19.500/mm3 (VR 4.000 a 11.000). Tomografia mostra coleção de 5 cm no espaço supraelevador direito, com origem em trajeto interesfincteriano. Qual a conduta mais adequada?
A drenagem pelo reto é a conduta correta quando o abscesso supraelevador tem origem em trajeto interesfincteriano, pois drená-lo pela fossa isquiorretal criaria uma fístula supraesfincteriana iatrogênica de tratamento muito mais complexo. Drenar pela pele glútea através do elevador é justamente o erro descrito, indicado apenas quando a origem é isquiorretal. O antibiótico isolado não controla coleção de 5 cm e permite progressão para sepse perineal. A colostomia derivativa não drena o abscesso e não é tratamento definitivo. A fistulotomia ampla imediata em vigência de infecção aguda e com trajeto alto acarreta risco elevado de incontinência.
Lactente de 10 meses apresenta há 3 semanas choro intenso durante a evacuação, com fezes endurecidas e raias de sangue vivo recobrindo o bolo fecal. Está em boas condições gerais, com bom ganho ponderal e sem febre. FC 128 bpm, T 36,7 °C. Exame proctológico mostra pequena fissura na linha média posterior, sem abscesso, fístula ou lesões atípicas. Hemograma normal. Acerca do manejo desse quadro, assinale a alternativa INCORRETA.
Afirmar que a esfincterotomia lateral interna é o tratamento inicial é incorreto e corresponde à assertiva pedida: no lactente, a fissura anal responde ao tratamento conservador, e o procedimento cirúrgico é excepcional pelo risco de incontinência em esfíncter imaturo. O amolecimento das fezes com laxante osmótico e ajuste dietético é de fato a base do tratamento. A analgesia local e a higiene interrompem o ciclo de dor, retenção e endurecimento fecal. A localização na linha média posterior é a mais comum na fissura idiopática. Fissuras laterais, múltiplas ou de aspecto atípico obrigam a investigar doença de Crohn, infecções e abuso sexual.
Mulher de 33 anos tem dor cortante ao evacuar e por algum tempo depois, com pequena quantidade de sangue. A inspeção cuidadosa mostra solução de continuidade linear na linha média posterior; não há massa ou abscesso. Qual diagnóstico é mais provável?
Dor evacuatória intensa e lesão linear posterior são típicas de fissura. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/001130.htm
Homem de 36 anos apresenta dor anal contínua, febre e tumoração perianal quente, eritematosa e flutuante. A dor não se limita à evacuação. Não há neutropenia nem doença inflamatória intestinal conhecida. Qual abordagem dirigida é a mais apropriada entre as opções?
A drenagem é o tratamento principal da coleção; antibiótico isolado geralmente é insuficiente. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Um homem teve abscesso perianal drenado há três meses e agora apresenta drenagem purulenta intermitente por pequeno orifício na pele. Não tem febre ou coleção aguda. A avaliação identifica trajeto comunicando canal anal e pele. Qual alteração anatômica ou patológica caracteriza a doença?
O trajeto mantém drenagem e pode ter relação variável com os esfíncteres. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Um homem teve abscesso perianal drenado há três meses e agora apresenta drenagem purulenta intermitente por pequeno orifício na pele. Não tem febre ou coleção aguda. A avaliação identifica trajeto comunicando canal anal e pele. Qual achado favorece especificamente essa hipótese?
Definir o trajeto e sua relação esfincteriana é essencial para planejar tratamento seguro. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Um homem teve abscesso perianal drenado há três meses e agora apresenta drenagem purulenta intermitente por pequeno orifício na pele. Não tem febre ou coleção aguda. A avaliação identifica trajeto comunicando canal anal e pele. Qual diagnóstico é mais provável?
Trajeto persistente entre canal anal e pele após abscesso caracteriza fístula. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Homem de 36 anos apresenta dor anal contínua, febre e tumoração perianal quente, eritematosa e flutuante. A dor não se limita à evacuação. Não há neutropenia nem doença inflamatória intestinal conhecida. Qual alteração anatômica ou patológica caracteriza a doença?
A infecção glandular pode espalhar-se pelos espaços perianais e formar pus sob pressão. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Homem de 36 anos apresenta dor anal contínua, febre e tumoração perianal quente, eritematosa e flutuante. A dor não se limita à evacuação. Não há neutropenia nem doença inflamatória intestinal conhecida. Qual achado favorece especificamente essa hipótese?
A flutuação favorece abscesso superficial; coleções profundas podem não ser visíveis externamente. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Homem de 36 anos apresenta dor anal contínua, febre e tumoração perianal quente, eritematosa e flutuante. A dor não se limita à evacuação. Não há neutropenia nem doença inflamatória intestinal conhecida. Qual diagnóstico é mais provável?
Dor contínua com sinais inflamatórios e coleção flutuante indica abscesso. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Mulher de 33 anos tem dor cortante ao evacuar e por algum tempo depois, com pequena quantidade de sangue. A inspeção cuidadosa mostra solução de continuidade linear na linha média posterior; não há massa ou abscesso. Qual abordagem dirigida é a mais apropriada entre as opções?
A abordagem reduz trauma e espasmo; cirurgia é reservada a situações selecionadas, considerando continência. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/001130.htm
Um homem teve abscesso perianal drenado há três meses e agora apresenta drenagem purulenta intermitente por pequeno orifício na pele. Não tem febre ou coleção aguda. A avaliação identifica trajeto comunicando canal anal e pele. Qual abordagem dirigida é a mais apropriada entre as opções?
Não se deve seccionar indiscriminadamente o esfíncter; fístulas simples e complexas requerem estratégias diferentes. Referência: Tarasconi et al. Anorectal emergencies: WSES-AAST guidelines, 2021. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Mulher de 33 anos tem dor cortante ao evacuar e por algum tempo depois, com pequena quantidade de sangue. A inspeção cuidadosa mostra solução de continuidade linear na linha média posterior; não há massa ou abscesso. Qual achado favorece especificamente essa hipótese?
Fissuras múltiplas ou laterais exigem considerar causas secundárias; a apresentação descrita é típica. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/001130.htm
Mulher de 33 anos tem dor cortante ao evacuar e por algum tempo depois, com pequena quantidade de sangue. A inspeção cuidadosa mostra solução de continuidade linear na linha média posterior; não há massa ou abscesso. Qual alteração anatômica ou patológica caracteriza a doença?
Dor e espasmo podem perpetuar redução de perfusão local e dificuldade de cicatrização. Referência: https://medlineplus.gov/ency/article/001130.htm
Pessoa com dor anal intensa e febre apresenta coleção isquioanal em exame de imagem, sem causa tumoral identificada. Qual diagnóstico é mais provável?
A localização profunda caracteriza abscesso anorretal. Dor contínua, sinais inflamatórios e coleção purulenta sugerem abscesso, que geralmente exige drenagem; formas profundas podem ter poucos sinais externos. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Pessoa apresenta dor cortante durante a evacuação, persistindo por algum tempo, com pequena estria de sangue e lesão linear posterior. Qual diagnóstico é mais provável?
A dor relacionada à passagem das fezes e a lesão linear indicam fissura. Dor à evacuação e pequena quantidade de sangue vivo, com solução de continuidade no canal anal, são características de fissura. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Paciente tem dor anal contínua, febre e tumoração perianal quente e flutuante, sem drenagem espontânea. Qual diagnóstico é mais provável?
A coleção inflamatória sugere abscesso perianal. Dor contínua, sinais inflamatórios e coleção purulenta sugerem abscesso, que geralmente exige drenagem; formas profundas podem ter poucos sinais externos. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Após drenagem de abscesso, pessoa mantém orifício perianal que elimina secreção de forma intermitente há meses. Qual diagnóstico é mais provável?
Persistência de comunicação após abscesso favorece fístula. Trajeto persistente entre canal anal e pele pode causar drenagem recorrente, frequentemente após abscesso; anatomia e continência orientam tratamento. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Mulher constipada tem dor intensa ao eliminar fezes endurecidas; inspeção identifica fissura mediana com plicoma sentinela. Qual diagnóstico é mais provável?
O plicoma pode acompanhar fissura crônica. Dor à evacuação e pequena quantidade de sangue vivo, com solução de continuidade no canal anal, são características de fissura. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Pessoa diabética tem dor anorretal progressiva e febre, com pouca alteração cutânea; imagem demonstra coleção profunda. Qual diagnóstico é mais provável?
Ausência de flutuação externa não exclui abscesso profundo. Dor contínua, sinais inflamatórios e coleção purulenta sugerem abscesso, que geralmente exige drenagem; formas profundas podem ter poucos sinais externos. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Paciente alterna tumefação perianal e saída de pus por pequeno orifício; avaliação identifica trajeto comunicante com o canal anal. Qual diagnóstico é mais provável?
O trajeto define fístula anal. Trajeto persistente entre canal anal e pele pode causar drenagem recorrente, frequentemente após abscesso; anatomia e continência orientam tratamento. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Paciente relata medo de evacuar por dor aguda; inspeção mostra pequena ruptura longitudinal na linha média posterior. Qual diagnóstico é mais provável?
A ruptura do anodermo explica a dor característica. Dor à evacuação e pequena quantidade de sangue vivo, com solução de continuidade no canal anal, são características de fissura. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Homem tem dor latejante perianal e área eritematosa muito dolorosa, com coleção líquida confirmada. Qual diagnóstico é mais provável?
A coleção purulenta é compatível com abscesso. Dor contínua, sinais inflamatórios e coleção purulenta sugerem abscesso, que geralmente exige drenagem; formas profundas podem ter poucos sinais externos. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Pessoa apresenta secreção crônica por abertura próxima ao ânus, com cicatrizes de episódios prévios de abscesso e trajeto demonstrado. Qual diagnóstico é mais provável?
A recorrência e o trajeto sustentam fístula anorretal. Trajeto persistente entre canal anal e pele pode causar drenagem recorrente, frequentemente após abscesso; anatomia e continência orientam tratamento. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Após episódio de fezes volumosas, adulto apresenta dor ao evacuar e sangramento discreto; inspeção revela lesão linear recente no canal anal distal. Qual diagnóstico é mais provável?
Trauma local pode iniciar fissura aguda. Dor à evacuação e pequena quantidade de sangue vivo, com solução de continuidade no canal anal, são características de fissura. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Após repetidos episódios de drenagem perianal, exame especializado identifica comunicação persistente entre cripta anal e pele. Qual diagnóstico é mais provável?
A comunicação anormal caracteriza fístula anal. Trajeto persistente entre canal anal e pele pode causar drenagem recorrente, frequentemente após abscesso; anatomia e continência orientam tratamento. Referência: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34530908/
Qual cuidado técnico decorre da relação das coleções com os esfíncteres mostrados?

Trajeto inadequado pode criar fístula complexa e lesar continência.
Na figura, a coleção alongada entre os dois esfíncteres, à esquerda, ocupa qual espaço?

Está entre o esfíncter interno e o externo.
Qual origem explica grande parte dos abscessos anorretais esquematizados?

O mecanismo criptoglandular relaciona criptas, glândulas e compartimentos perianais.
Na técnica LIFT para fístula anal, qual plano anatômico é utilizado para abordar e interromper o trajeto, buscando preservar a musculatura esfincteriana?
A ligadura e divisão do trajeto no plano interesfincteriano permitem evitar secção do complexo muscular. Referência: ASCRS. Abscess and Fistula Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Abscess-and-Fistula-Expanded-Information.aspx
Ao descrever uma fistulotomia para uma fístula anal adequadamente selecionada, qual manobra diferencia essa operação das técnicas de fechamento do trajeto?
A fistulotomia destelha o trajeto e permite cicatrização aberta. Referência: NHS. Anal fistula: treatment. https://www.nhs.uk/conditions/anal-fistula/treatment/
No tratamento em etapas de uma fístula anal, qual é a finalidade de um sedenho frouxo de drenagem, distinguindo-o de um sedenho cortante?
O sedenho frouxo controla a drenagem e não equivale, por si só, à cura definitiva. Referência: NHS. Anal fistula: treatment. https://www.nhs.uk/conditions/anal-fistula/treatment/
Em uma operação de fístula anal com retalho de avanço endoanal, qual manobra caracteriza o princípio de fechamento do ponto de origem do trajeto?
O retalho recobre o orifício interno para tentar interromper a comunicação. Referência: NHS. Anal fistula: treatment. https://www.nhs.uk/conditions/anal-fistula/treatment/
Na fissura anal primária associada à hipertonia, qual sequência ajuda a explicar por que a lesão pode persistir mesmo depois do trauma evacuatório inicial?
A hipertonia pode reduzir o fluxo sanguíneo e manter um ciclo de dor e reparo insuficiente. Referência: ASCRS. Anal Fissure Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Anal-Fissure-Expanded-Information.aspx
Uma pessoa com fissura anal afirma que a ausência de constipação exclui trauma relacionado às evacuações. Qual esclarecimento sobre fatores desencadeantes está correto?
Além de fezes duras, diarreia frequente pode lesar ou irritar a região anal. Referência: NHS. Anal fissure (2025). https://www.nhs.uk/conditions/anal-fissure/
Ao prescrever nitroglicerina tópica para fissura anal, qual efeito adverso é frequente e pode limitar a adesão mesmo quando a aplicação é feita corretamente?
Cefaleia é um efeito adverso importante dos nitratos tópicos; também pode ocorrer queda da pressão arterial. Referência: ASCRS. Anal Fissure Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Anal-Fissure-Expanded-Information.aspx
Na forma criptoglandular de abscesso anorretal, qual evento inicia o processo infeccioso que pode se estender aos espaços perianais?
Infecção glandular é a origem mais comum dos abscessos anorretais criptoglandulares. Referência: ASCRS. Abscess and Fistula Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Abscess-and-Fistula-Expanded-Information.aspx
Após melhora da dor e cicatrização de uma fissura anal, qual orientação sobre os hábitos evacuatórios deve ser mantida para reduzir a chance de nova lesão?
A cicatrização não elimina a possibilidade de novo trauma; hábitos intestinais adequados continuam relevantes. Referência: NHS. Anal fissure (2025). https://www.nhs.uk/conditions/anal-fissure/
Antes de indicar esfincterotomia para fissura anal, por que é importante investigar incontinência prévia e lesão esfincteriana obstétrica?
Dano prévio exige ponderar opções que preservem a função esfincteriana. Referência: ASCRS. Anal Fissure Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Anal-Fissure-Expanded-Information.aspx
Ao discutir a injeção de toxina botulínica para uma fissura anal selecionada, qual alteração funcional é buscada para favorecer a cicatrização?
O relaxamento esfincteriano reduz o espasmo e favorece a cicatrização. Referência: ASCRS. Anal Fissure Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Anal-Fissure-Expanded-Information.aspx
Na fissura anal, diltiazem e nifedipino podem ser empregados em formulações tópicas. Em comparação com a administração oral para essa finalidade, qual vantagem sustenta a preferência pela via tópica?
Formulações tópicas têm perfil favorável de cicatrização e tolerabilidade em relação ao uso oral para fissura. Referência: ASCRS. Anal Fissure Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Anal-Fissure-Expanded-Information.aspx
Ao descrever um abscesso anorretal como “em ferradura”, a equipe está destacando qual característica de sua distribuição anatômica?
O termo indica o padrão de propagação que contorna essas estruturas. Referência: ASCRS. Abscess and Fistula Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Abscess-and-Fistula-Expanded-Information.aspx
Uma fístula anal apresenta períodos de drenagem e de aparente fechamento da pele. Por que o fechamento isolado do orifício externo pode ser seguido de novo abscesso?
Fechamento superficial não garante eliminação do trajeto e pode permitir novo acúmulo infectado. Referência: ASCRS. Abscess and Fistula Expanded Information. https://fascrs.org/Web/Web/Patients/Diseases-and-Conditions/A-Z/Abscess-and-Fistula-Expanded-Information.aspx
Durante drenagem de abscesso perianal, o cirurgião não identifica orifício interno ou trajeto fistuloso evidente. Um auxiliar sugere sondar vigorosamente a cavidade para encontrar uma comunicação. Qual conduta é mais adequada?
Sem fístula evidente, a exploração agressiva pode causar complicações iatrogênicas; o foco inicial é a drenagem adequada. Referência: Tarasconi et al. WSES-AAST. Anorectal emergencies: guidelines, 2021. https://doi.org/10.1186/s13017-021-00384-x
Um adulto sem diagnóstico prévio de diabetes apresenta abscesso perianal e relata poliúria e perda de peso recentes. A drenagem está sendo organizada. Qual avaliação adicional é especialmente pertinente?
Poliúria e perda de peso justificam investigar diabetes e possível descompensação concomitante ao foco infeccioso. Referência: Tarasconi et al. WSES-AAST. Anorectal emergencies: guidelines, 2021. https://doi.org/10.1186/s13017-021-00384-x
Após drenagem adequada de um abscesso, permanece orifício com secreção recorrente. Qual hipótese deve ser investigada? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Uma comunicação persistente entre canal anal e pele pode explicar drenagem crônica.
Febre e dor anal profunda persistem, mas não existe flutuação externa evidente. Qual conclusão é apoiada pela distribuição dos espaços na figura? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Coleções supralevadoras ou profundas podem não produzir abaulamento cutâneo claro.
A coleção mais cranial à direita fica acima do músculo oblíquo do assoalho pélvico. Qual nome corresponde? Imagem didática do acervo OsceLabs.

Sua posição é superior ao levantador do ânus.
A coleção grande à direita da figura está lateral ao esfíncter externo e abaixo do levantador do ânus. Qual espaço ocupa? Imagem didática do acervo OsceLabs.

A localização lateral ao aparelho esfincteriano e inferior ao levantador define esse espaço.
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em 7 dias
Recite as três dores: fissura dói na evacuação e passa depois; abscesso dói o tempo todo e piora a cada dia; fístula não dói, suja. Diga em voz alta o que cada uma pede: baixar a pressão do esfíncter interno, drenar hoje, mapear o trajeto. Depois enumere os quatro tipos de Parks do mais baixo ao mais alto e diga qual deles a fistulotomia pode abrir sem medo.
em 30 dias
Reconstrua a régua brasileira sem consultar: os quatro tópicos do Quadro 3 com concentração e frequência, o prazo de 2 meses que dispara o encaminhamento da fissura, a ausência de prazo para a fístula suspeita, e por que a lidocaína gel — o único tópico anal da Rename — não é o tratamento. Depois refaça o caminho da fístula de Crohn: simples assintomática não trata, não supurativa recebe metronidazol com ou sem ciprofloxacino, complexa drena e só então recebe infliximabe 5 mg/kg nas semanas 0, 2 e 6.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Homem de 41 anos chega à unidade básica com dor perianal há cinco dias, contínua, que não melhora após evacuar e piora ao sentar. Teve febre aferida de 38,4 °C ontem. Conta que há três meses teve um episódio parecido, que 'estourou sozinho', saiu pus e melhorou em dois dias — desde então, percebe uma umidade constante na roupa íntima. Conduza a consulta: caracterize a dor, faça a inspeção com afastamento das nádegas, decida se há coleção a drenar agora e explique ao paciente por que a secreção que voltou não é problema de cicatrização. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
