Ginecologia e ObstetríciaContracepção, ISTs, climatério e uroginecologia

Incontinência urinária de esforço e de urgência

A prova raramente pede cirurgia: pede que você separe esforço de urgência pelo que precede a perda, peça exame de urina e ofereça treinamento do assoalho pélvico antes de qualquer outra coisa. E o protocolo brasileiro não tem fármaco para a urgência.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher, 54 anos, G3P3 (partos vaginais), refere há 2 anos perda involuntária de urina aos esforços — ao tossir, espirrar e carregar sacolas — sem qualquer sensação de urgência prévia. Nega noctúria, disúria ou perdas noturnas. Ao exame ginecológico, o teste de esforço (manobra de Valsalva com bexiga cheia) é positivo, com escape de urina pelo meato uretral sincrônico ao esforço. Sem prolapso significativo. Urina I e urocultura sem alterações. A paciente deseja tratamento conservador inicial. Qual é a conduta de primeira linha mais apropriada?

02

Como esse tema cai

A vinheta quase sempre entrega o tipo na primeira linha. "Perde urina quando tosse, espirra, ri ou levanta peso" é incontinência urinária de esforço. "Sente vontade súbita e não chega ao banheiro a tempo, urina mais de oito vezes por dia e acorda à noite" é incontinência de urgência. A pergunta que separa as duas não é o que a mulher estava fazendo, e sim o que veio imediatamente antes da perda: o esforço ou a urgência.

A régua brasileira é um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de 2020, aprovado pela Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 1. Ele declara o próprio escopo: estabelece os critérios diagnósticos e terapêuticos não cirúrgicos da incontinência de esforço e de urgência no adulto, para os dois sexos, e exclui a incontinência neurogênica e os menores de 18 anos. Para a cirurgia da incontinência feminina, o documento brasileiro de referência é outro, e é de 2025: o position statement da FEBRASGO sobre slings sintéticos.

Duas coisas separam quem leu o documento brasileiro de quem só leu o compêndio internacional. A primeira: no SUS não há fármaco recomendado para a incontinência de urgência — a Conitec avaliou os antimuscarínicos e a mirabegrona e não recomendou o uso. A segunda: existe um relógio explícito, de no mínimo três meses de tratamento conservador, antes de reavaliar e antes de encaminhar. Questão que oferece oxibutinina numa unidade básica, ou que manda operar sem esses três meses, está testando exatamente isso.

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O que muda decisão

Três diagnósticos e uma síndrome

Incontinência urinária é a perda involuntária de urina relatada pela pessoa. A incontinência urinária de esforço (IUE) ocorre por deficiência do suporte vesical e uretral feito pelos músculos do assoalho pélvico, ou por fraqueza ou lesão do esfíncter uretral: a pressão abdominal sobe com a tosse, o espirro ou o esforço, e vence a resistência uretral. A incontinência urinária de urgência (IUU) é consequência da hiperatividade do detrusor, que se contrai involuntariamente durante o enchimento. Quando as duas coexistem — insuficiência de oclusão uretral somada a hiperatividade detrusora — o quadro é incontinência urinária mista (IUM).

Bexiga hiperativa é o nome da síndrome, não do achado: urgência, frequência (mais de oito micções por dia) e noctúria, com ou sem incontinência de urgência associada. O rótulo só é legítimo depois de excluir as condições locais que produzem os mesmos sintomas — neoplasia vesical, em especial o carcinoma in situ; infecção do trato urinário inferior; litíase; medicamentos com efeito sobre o trato urinário inferior; e a cistite intersticial, sugerida quando a dor progride com o enchimento vesical.

Os códigos que aparecem no protocolo e nos sistemas de informação são N39.3 para a incontinência de tensão ("stress"), N39.4 para outras incontinências urinárias especificadas e R32 para a incontinência urinária não especificada. Os critérios de inclusão do protocolo são adultos acima de 18 anos, de ambos os sexos, com diagnóstico de IUE, IUU ou IUM; os de exclusão são a população pediátrica e a incontinência de causa neurogênica, que corre por outro caminho assistencial.

Corte sagital da pelve feminina em dois painéis: à esquerda, perda do suporte do colo vesical e da uretra proximal com a pressão abdominal vencendo o fechamento uretral; à direita, contração involuntária do detrusor durante o enchimento.
Dois mecanismos, duas doenças: à esquerda a falha de suporte uretral e esfincteriana da incontinência de esforço; à direita a hiperatividade do detrusor da incontinência de urgência.

A história vale mais do que qualquer exame

O protocolo lista o que a anamnese precisa cobrir na mulher: frequência dos episódios de perda e hábitos miccionais, condição da perda (esforço ou urgência), grau de incômodo, necessidade de proteção com absorvente ou fralda, horário em que as perdas ocorrem, associação com medicamentos, ingestão hídrica, cirurgias pélvicas, número e tipo de partos e complicações ginecológicas. Duas comorbidades entram por peso próprio: a constipação, que distende sigmoide distal e reto e pode prejudicar a transmissão parassimpática sacral, e a infecção urinária, cuja recorrência é preditor independente de hiperatividade detrusora.

A revisão da prescrição é parte do diagnóstico, não um detalhe de zelo. Inibidores da ECA causam tosse crônica e agravam a perda aos esforços. Bloqueadores alfa-adrenérgicos diminuem a resistência uretral e também agravam a IUE. Anticolinérgicos relaxam o detrusor e podem levar a retenção e incontinência por transbordamento. Diuréticos não agem no detrusor, mas aumentam o volume urinário e produzem frequência e urgência. Bloqueadores de canal de cálcio e psicotrópicos relaxam a musculatura lisa e prejudicam o esvaziamento. Sedativos contribuem por sedação e delirium. Diabetes mal controlado e diabetes insípido aumentam o débito urinário e vencem os mecanismos normais de continência.

O diário miccional é o instrumento mais barato e mais subestimado da avaliação. Aplicado por um período entre dois e sete dias, registra número de micções, número de episódios de perda e o volume ingerido e eliminado em 24 horas; monitora a resposta ao tratamento e tem papel terapêutico, porque devolve à paciente uma visão do comportamento da própria bexiga. Tem limites declarados: não há evidência de que o resultado do diário, isoladamente, se correlacione com o tipo de incontinência, e pacientes com dificuldade de compreensão ou períodos longos de registro produzem dados pouco confiáveis.

Exame físico: o teste de esforço é o exame

Na mulher, o exame se dirige aos sistemas capazes de explicar a perda: mobilidade, estado cognitivo, edema periférico, exame abdominal em busca de massas pélvicas, avaliação neurológica (esclerose múltipla, doença de Parkinson, compressão de raiz, parestesias), índice de massa corporal, presença de prolapso de órgãos pélvicos e de atrofia vaginal, força e tônus do elevador do ânus e sensibilidade perineal.

O teste diagnóstico que o protocolo descreve é simples e deve ser feito com a bexiga cheia, em posição supina e em ortostatismo: pede-se à paciente que tussa; se a perda urinária ocorrer somente durante o aumento da pressão intra-abdominal, é bastante provável tratar-se de incompetência esfincteriana. Perda sincrônica ao esforço fecha o raciocínio; perda que começa segundos depois, ou perda com jato prolongado, aponta para contração detrusora desencadeada.

O teste do cotonete mede mobilidade uretral, não faz diagnóstico. A revisão da diretriz americana de tratamento cirúrgico é explícita: o teste positivo tem pouco valor para diagnosticar IUE, porque a incontinência de esforço existe sem hipermobilidade uretral e a hipermobilidade existe sem incontinência. O teste do absorvente confirma que há perda, mas não distingue o tipo.

O que pedir — e o que quase nunca precisa

Exame de urina em todas as pessoas com queixa de incontinência, para afastar infecção e outras alterações do sedimento. Na suspeita de bexiga hiperativa, acrescentam-se urocultura com antibiograma, creatinina e glicemia: a infecção reproduz o quadro, a insuficiência renal inicial pode cursar com sintomas de bexiga hiperativa e o diabético descompensado faz diurese osmótica. Hematúria na ausência de infecção obriga a investigar neoplasia e litíase.

Resíduo pós-miccional abaixo de 50 mL é considerado normal. A ultrassonografia do trato urinário e da pelve avalia massas, resíduo pós-miccional e lesões, e entra quando resta dúvida diagnóstica — não como rotina de primeira consulta.

O estudo urodinâmico tem indicações listadas: falha do tratamento inicial; resíduo pós-miccional significativo; cirurgia prévia do trato urinário inferior; suspeita de doença neurológica acometendo a inervação do trato urinário inferior; e sintomas que parecem decorrer de quadro doloroso sugerindo afecção irritativa, como a cistite intersticial. O protocolo brasileiro reconhece que o exame é frequentemente usado antes de tratamentos invasivos e registra, com todas as letras, que fazê-lo rotineiramente antes da cirurgia ainda é debatido, por inconsistência dos dados da literatura.

Primeira linha: o mesmo eixo para os dois tipos

Conduta conservadora antes de qualquer tratamento invasivo, sempre. As medidas de estilo de vida valem para IUE e para IUU: perda de peso quando há sobrepeso ou obesidade — a redução de 5% do peso corporal inicial já tem impacto na redução dos sintomas —, diminuição de cafeína e álcool, cessação do tabagismo, tratamento da constipação e ajuste da ingestão de líquidos em 24 horas suficiente para não desidratar. Atividade física moderada ajuda; exercício extenuante aumenta o risco de perda aos esforços durante a prática.

O treinamento dos músculos do assoalho pélvico (TMAP) é a primeira linha nas duas formas. Não tem contraindicação nem efeito colateral na mulher, e o resultado depende da continuidade dos exercícios. O esquema orientado no protocolo de encaminhamento gaúcho é concreto: contrações de 6 a 10 segundos, em séries de 8 a 12 repetições, 3 vezes ao dia, em 3 a 4 dias na semana, idealmente todos os dias. A paciente aprende a identificar o músculo interrompendo o jato uma vez — não a cada micção — ou contraindo em torno do próprio dedo no canal vaginal. No pós-parto precoce, o TMAP aumenta as chances de continência por até 12 meses.

Na incontinência de urgência, o treinamento vesical é a terapia de primeira linha. Faz-se o diário de 24 horas, urina-se pelo relógio no menor intervalo identificado no diário — tipicamente 1 hora —, controla-se a urgência entre as micções programadas com distração, respiração profunda e contrações rápidas do assoalho pélvico, e a cada 2 a 7 dias com menos sintomas aumenta-se o intervalo em 15 a 30 minutos, até chegar a 2 a 4 horas. A melhora do padrão miccional pode levar até 6 semanas.

O biofeedback é adjuvante do TMAP: permite que a paciente observe a contração, melhora a coordenação e sustenta a adesão. A eletroestimulação, incluída a estimulação percutânea ou transcutânea do nervo tibial, é complementar à terapia comportamental na IUU, sempre que disponível, com estímulo uma vez por semana por no máximo 12 semanas. No SUS, o procedimento que registra essas técnicas é o 03.02.01.002-5, atendimento fisioterapêutico em pacientes com disfunções uroginecológicas.

O relógio do protocolo: boas práticas pressupõem ao menos uma reavaliação após a conclusão da etapa básica de medidas conservadoras fisioterápicas, com tempo mínimo de 3 meses, e avaliações periódicas de seguimento. Nessa reavaliação bastam anamnese e exame físico — não é necessária propedêutica complementar.

O fármaco que o protocolo brasileiro não oferece

A Conitec avaliou os antimuscarínicos registrados no Brasil para bexiga hiperativa — oxibutinina, tolterodina, solifenacina e darifenacina — e também o agonista beta-3 mirabegrona, e não recomendou o uso. A não incorporação foi publicada nas Portarias SCTIE/MS nº 33/2019 e nº 34/2019, e o protocolo de 2020 registra essa decisão como sua seção de "outros tratamentos".

A justificativa está escrita no documento e cai em prova como raciocínio, não como decoreba: mesmo havendo redução de episódios de incontinência por dia e de micções por dia contra placebo, a redução é inconsistente e sem relevância clínica expressiva, correspondendo em geral a menos de um episódio por dia; a maioria dos estudos avaliados tinha alto risco de viés, seguimento curto e resultados heterogêneos; e a razão de custo-efetividade incremental para reduzir um episódio de incontinência por dia apresentou valores altos.

A consequência prática é direta: na rede pública, o tratamento da incontinência de urgência é comportamental e fisioterápico, e o encaminhamento à especialidade acontece por refratariedade, não por necessidade de receita. Isso não significa que o antimuscarínico não funcione — significa que o ganho medido não pagou o custo no parâmetro brasileiro de incorporação. A diretriz americana de 2024, que trabalha com outro parâmetro, classifica a oferta de antimuscarínico ou agonista beta-3 como recomendação forte com evidência de grau A, e no mesmo documento manda discutir com a paciente o risco de demência e comprometimento cognitivo associado aos antimuscarínicos e usá-los com cautela extrema em glaucoma de ângulo estreito, retardo do esvaziamento gástrico e história de retenção urinária.

Quando vira cirurgia — e o que se opera

A cirurgia entra na incontinência de esforço, depois da falha do tratamento clínico ou por escolha da paciente informada sobre as possibilidades terapêuticas. O documento brasileiro de 2025 é direto: o sling sintético de uretra média é o padrão-ouro do tratamento cirúrgico da IUE, e os slings disponíveis no mercado brasileiro são seguros e eficazes. O material recomendado é o polipropileno monofilamentar macroporoso, a chamada tela tipo 1; telas recortadas artesanalmente para baratear o procedimento não são recomendadas, por falta de evidência.

As vias são a retropúbica (o TVT original, descrito em 1996 a partir da teoria integral de 1990) e a transobturatória (descrita em 2001, justamente para evitar o espaço retropúbico depois das perfurações vesicais, intestinais e de grandes vasos). A uretrocistoscopia intraoperatória deve ser feita sempre nos slings retropúbicos, onde o risco de lesão vesical é maior, e sempre que possível nos demais. Se a paciente não deseja material sintético, as alternativas propostas são a colpossuspensão de Burch e o sling pubovaginal autólogo. A colporrafia anterior com plicatura do colo vesical, conhecida como cirurgia de Kelly-Kennedy, foi abandonada: baixo sucesso a longo prazo e fibrose periuretral.

Os números que a prova gosta de citar: em seguimentos acima de dez anos, a taxa de cura dos slings de uretra média varia de 62% a 87% e cai com o tempo; a cura objetiva foi de 85,7% na via transobturatória e 87,2% na retropúbica; readmissão e reoperação ficam entre 0,6% e 0,8%; a lesão vascular ocorre entre 0,5% e 2,5%, sendo o hematoma retropúbico o mais comum e mais frequente na via retropúbica; sintomas de armazenamento após o sling aparecem em torno de 9%, sem diferença entre as vias. Dor inguinal ou na raiz da coxa é mais frequente na via transobturatória (RR 4,12), enquanto a disfunção miccional pós-operatória é menos frequente nessa mesma via (RR 0,53; IC95% 0,43–0,65).

Contra a colpossuspensão de Burch, o sling de uretra média tem cura mais alta (82% contra 74%), com maior risco de perfuração vaginal e vesical. Contra o sling autólogo, tem eficácia e complicações semelhantes, com menos sintomas de armazenamento e menos reoperação, mas com o risco de exposição da tela que o material autólogo não tem. O sling sintético não deve ser usado se a uretra foi lesada durante o procedimento, se a cirurgia inclui correção de divertículo ou fístula uretral, e deve ser evitado em risco de má cicatrização — irradiação prévia, muitas cicatrizes, tecido de má qualidade —, com cautela adicional na paciente imunossuprimida.

Encaminhar: o relógio e o destino

O protocolo de encaminhamento gaúcho, usado como referência de regulação em várias redes, transforma o prazo do protocolo federal em critério: incontinência urinária sem resposta ao tratamento clínico por 3 meses indica encaminhamento para Urologia ou Ginecologia. O tratamento clínico que precisa estar cumprido é o mesmo eixo — exercícios da musculatura pélvica, treinamento vesical e intervenções de estilo de vida, incluída a perda de peso quando necessária e a redução de cafeína e álcool.

Também indicam encaminhamento a incontinência urinária complicada — sintomas de armazenamento ou de esvaziamento refratários ao tratamento clínico, infecções urinárias recorrentes, dor pélvica, doença neurológica, história de cirurgia ou radioterapia pélvica — e, especificamente para a Ginecologia, a incontinência associada a prolapso genital com desejo de tratamento cirúrgico. Retenção urinária aguda é encaminhamento para urgência ou emergência. Retenção urinária crônica tem definição fechada: resíduo pós-miccional maior que 300 mL medido em duas ocasiões diferentes e persistente por pelo menos 6 meses.

O encaminhamento tem conteúdo mínimo, e a ausência dele devolve a fila: sinais e sintomas com tempo de início, tratamento em uso ou já realizado com medicamento, dose, posologia e tempo de uso, resultado de creatinina sérica com data e laudo de ecografia quando realizada.

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Da queixa ao plano: separar o tipo, tratar, contar três meses

O caminho é o mesmo em qualquer cenário de prova: nomear o tipo pela história, afastar o que imita, tratar de forma conservadora com prazo definido e só então decidir entre continuar, encaminhar ou operar.

  1. 1Pergunte o que precede a perda: esforço, urgência ou os dois — isso define IUE, IUU ou IUM
  2. 2Peça exame de urina em todos; na suspeita de bexiga hiperativa, acrescente urocultura, creatinina e glicemia
  3. 3Revise a prescrição e as comorbidades: IECA, alfabloqueador, anticolinérgico, diurético, constipação, diabetes descompensado
  4. 4Peça o diário miccional de 2 a 7 dias e faça o teste de esforço com bexiga cheia, em supino e em pé
  5. 5Inicie tratamento conservador nos dois tipos: estilo de vida, perda de 5% do peso, TMAP e, na urgência, treinamento vesical
  6. 6Reavalie após no mínimo 3 meses só com anamnese e exame físico — sem propedêutica complementar de rotina
  7. 7Sem resposta em 3 meses, ou quadro complicado, encaminhe à Urologia ou à Ginecologia com o conteúdo mínimo do encaminhamento
Incontinência de esforço (IUE)Incontinência de urgência (IUU)
O que precede a perdaTosse, espirro, riso, esforço físico ou esportivoUrgência — desejo súbito e imperioso de urinar
MecanismoFalha do suporte vesicouretral do assoalho pélvico ou fraqueza/lesão do esfíncter uretralHiperatividade do detrusor, com contração involuntária no enchimento
Sintomas de companhiaPerda em jato pequeno, sincrônica ao esforço; pode haver prolapso e atrofia vaginalFrequência acima de 8 micções/dia, noctúria; jato de perda maior
Exame que confirma na consultaTeste de esforço com bexiga cheia, em supino e em ortostatismoDiário miccional; não há teste de consultório que confirme
Primeira linhaEstilo de vida + TMAP (com ou sem biofeedback)Treinamento vesical + TMAP + estilo de vida; eletroestimulação como complemento
Fármaco no SUSNão há fármaco recomendado no protocoloAntimuscarínicos e mirabegrona não incorporados (Portarias SCTIE/MS nº 33 e 34/2019)
Tratamento cirúrgicoSling de uretra média; alternativas: Burch e sling pubovaginal autólogoNão é a via de primeira escolha; refratariedade é critério de encaminhamento

Exames: o que pedir, quando e por quê

ExameQuandoO que muda
Exame de urina (elementos e sedimentos)Em todos os casos, na avaliação inicialAfasta infecção, que reproduz urgência e frequência; hematúria sem infecção obriga investigar neoplasia e litíase
Urocultura com antibiogramaSuspeita de bexiga hiperativa e antes de cirurgiaInfecção tratada pode resolver o quadro sem mais nada
Creatinina e glicemiaSuspeita de bexiga hiperativaInsuficiência renal inicial e diurese osmótica do diabético descompensado imitam bexiga hiperativa
Diário miccional (2 a 7 dias)Avaliação inicial e monitoramentoQuantifica micções, perdas e ingesta; guia o intervalo inicial do treinamento vesical
Resíduo pós-miccionalSintomas de esvaziamento, suspeita de retençãoAbaixo de 50 mL é normal; acima de 300 mL em duas ocasiões por 6 meses define retenção crônica
Ultrassonografia de trato urinário e pelveDúvida diagnóstica persistenteMassas, resíduo pós-miccional, lesões do trato urinário
Estudo urodinâmicoFalha do tratamento inicial; resíduo significativo; cirurgia prévia do trato urinário inferior; suspeita neurológica; dor sugestiva de cistite intersticialDefine o mecanismo quando a clínica não fecha; rotina pré-operatória é ponto em debate no próprio protocolo

Cirurgia da IUE: o que se opera e com que resultado

ProcedimentoSituaçãoNúmeros relatados
Sling sintético de uretra média (retropúbico / TVT)Padrão-ouro; uretrocistoscopia intraoperatória sempreCura objetiva 87,2%; mais hematoma retropúbico; mais disfunção miccional que a via transobturatória
Sling sintético de uretra média (transobturatório / TOT)Padrão-ouro; uretrocistoscopia sempre que possívelCura objetiva 85,7%; mais dor inguinal e na raiz da coxa (RR 4,12); menos disfunção miccional (RR 0,53)
Colpossuspensão de BurchAlternativa quando a paciente recusa material sintéticoCura 74% contra 82% do sling de uretra média
Sling pubovaginal autólogoAlternativa sem material sintéticoEficácia semelhante ao sintético; mais sintomas de armazenamento e mais reoperação; sem risco de exposição de tela
Cirurgia de Kelly-KennedyAbandonadaBaixo sucesso a longo prazo e fibrose periuretral

Todos os slings, somados: cura de 62% a 87% acima de dez anos de seguimento, com queda ao longo do tempo; readmissão e reoperação de 0,6% a 0,8%; lesão vascular de 0,5% a 2,5%; sintomas de armazenamento em torno de 9%.

O protocolo federal de 2020 é, por declaração própria, um documento de conduta não cirúrgica: quando trata de cirurgia, é para dizer que o caso deve ser encaminhado a hospital que realize o procedimento.

Reavaliação depois dos 3 meses de conservador se faz com anamnese e exame físico; o protocolo diz explicitamente que não é necessária propedêutica complementar nesse momento.

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Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Existe tratamento medicamentoso para a incontinência urinária de urgência?

Protocolo do Ministério da Saúde (2020): sem fármaco recomendado

A CONITEC avaliou oxibutinina, tolterodina, solifenacina, darifenacina e mirabegrona e não recomendou o uso; a não incorporação foi publicada nas Portarias SCTIE/MS nº 33/2019 e nº 34/2019, e o protocolo de 2020 registra essa decisão. A justificativa declarada é que a redução de episódios contra placebo é inconsistente e corresponde em geral a menos de um episódio por dia, com estudos de alto risco de viés e razão de custo-efetividade incremental alta. A origem da diferença é econômica e de magnitude absoluta do efeito medido, não uma contestação da farmacologia: no SUS, o tratamento da IUU é comportamental e fisioterápico.

PCDT da Incontinência Urinária não Neurogênica, Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 1, de 9/1/2020, seção 6.2.3

AUA/SUFU (2024): antimuscarínico ou agonista beta-3 como recomendação forte

A diretriz americana de bexiga hiperativa idiopática classifica a oferta de antimuscarínico ou de agonista beta-3 como recomendação forte com evidência de grau A, mantendo o treinamento vesical e as terapias comportamentais para todas as pacientes. No mesmo documento manda discutir o risco de demência e de comprometimento cognitivo com quem usa antimuscarínico e usá-lo com cautela extrema em glaucoma de ângulo estreito, retardo do esvaziamento gástrico e história de retenção urinária.

AUA/SUFU Guideline on the Diagnosis and Treatment of Idiopathic Overactive Bladder, 2024, statements 11, 16, 18 e 19

Na prova

O cenário denuncia o recorte. Unidade básica, rede pública, "conforme o protocolo do Ministério da Saúde", paciente aguardando regulação: o mundo do documento brasileiro, em que a etapa seguinte ao comportamental é o encaminhamento, não a receita. Ambulatório de especialidade, menção a agonista beta-3 ou a nomes comerciais, discussão de perfil de efeito adverso entre fármacos: o mundo do corpo internacional. As alternativas também entregam — se uma delas cita mirabegrona e outra cita treinamento vesical, a questão está testando qual régua o enunciado adotou. Prova oficial do MEC tende a conduta SUS.

Qual cirurgia o documento brasileiro nomeia para a IUE

Protocolo federal (2020): escopo não cirúrgico, e o exemplo citado é a colpossuspensão de Burch

O protocolo delimita o próprio objeto aos critérios diagnósticos e terapêuticos não cirúrgicos e, na seção de regulação, cita a cirurgia de Burch em mulheres como exemplo do procedimento a ser referenciado ao hospital. Não nomeia o sling de uretra média. A diferença vem da data e do objeto declarado do documento, que é organizar o cuidado conservador na rede, e não da eficácia comparada dos procedimentos.

PCDT da Incontinência Urinária não Neurogênica, Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 1, de 9/1/2020, seções 1 e 8

FEBRASGO (2025): sling sintético de uretra média como padrão-ouro

O position statement nº 2 de 2025 afirma que os slings sintéticos disponíveis no mercado brasileiro são seguros e eficazes e que são considerados o padrão-ouro do tratamento cirúrgico da IUE, com tela tipo 1 de polipropileno monofilamentar macroporoso, uretrocistoscopia intraoperatória obrigatória nos retropúbicos e Burch ou sling pubovaginal autólogo como alternativas para quem recusa material sintético. Reporta cura de 82% do sling contra 74% da colpossuspensão de Burch.

FEBRASGO, Position Statement nº 2 – 2025, Rev Bras Ginecol Obstet 2025;47:e-FPS2

Na prova

Documento brasileiro contra documento brasileiro, com cinco anos entre eles e escopos diferentes. Enunciado ancorado em fila de regulação, atenção primária ou "protocolo do Ministério da Saúde" está no recorte de 2020, que para na porta da cirurgia e manda encaminhar. Enunciado de ambulatório de uroginecologia, que descreve via retropúbica e transobturatória, tipo de tela ou taxa de complicação, está no recorte de 2025. Vocabulário como "tela tipo 1", "polipropileno monofilamentar macroporoso" e "uretrocistoscopia intraoperatória" só existe no documento da sociedade.

Estudo urodinâmico antes da cirurgia de incontinência de esforço

Protocolo federal (2020): exame frequentemente usado antes de tratamento invasivo, com a rotina em debate

O protocolo descreve o estudo urodinâmico como complemento amplamente utilizado nas mulheres, especialmente antes de tratamentos invasivos, e registra que a realização rotineira antes do tratamento cirúrgico ainda é debatida por inconsistência dos dados da literatura. Lista as indicações objetivas: falha do tratamento inicial, resíduo pós-miccional significativo, cirurgia prévia do trato urinário inferior, suspeita de doença neurológica e dor sugestiva de afecção irritativa.

PCDT da Incontinência Urinária não Neurogênica, Portaria Conjunta SCTIE/SAES/MS nº 1, de 9/1/2020, seções 5.1.5 e 5.2.5

AUA/SUFU: dispensável na paciente-índice com perda demonstrada

A diretriz de tratamento cirúrgico define paciente-índice como a mulher hígida que considera cirurgia para incontinência de esforço pura ou mista com predomínio de esforço, sem cirurgia antiincontinência prévia, admitindo prolapso de baixo grau. Para essa paciente, admite omitir a urodinâmica quando a perda aos esforços é claramente demonstrada, com base no ensaio VALUE, e reserva o exame para as pacientes fora dessa definição. Também orienta não fazer cistoscopia na avaliação da IUE sem suspeita de anormalidade do trato urinário.

AUA/SUFU Guideline on the Surgical Treatment of Female Stress Urinary Incontinence, statements 4 e 5

Na prova

A vinheta que descreve perda demonstrada ao esforço, sem prolapso avançado, sem cirurgia prévia e sem sintoma de esvaziamento está desenhando a paciente-índice — e o termo "paciente-índice" só existe no documento americano. A vinheta que lista falha de tratamento conservador, resíduo pós-miccional elevado ou cirurgia prévia do trato urinário inferior está usando a lista de indicações do documento brasileiro, e nesse caso as duas réguas coincidem. Onde as duas coincidem é onde a banca costuma construir o gabarito seguro.

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Caso resolvido

Mulher de 54 anos, G3P3 (três partos vaginais), IMC 31, procura a unidade básica referindo perda de urina há dois anos quando tosse, espirra ou carrega a neta. Usa dois absorventes por dia e deixou de fazer caminhada por vergonha. Nega desejo súbito de urinar, nega noctúria e urina cerca de seis vezes ao dia. Faz uso de enalapril para hipertensão e refere tosse seca frequente. Ao exame, IMC elevado, sem massas abdominais, exame neurológico sumário normal, discreta atrofia vaginal, sem prolapso significativo. Com a bexiga cheia e em ortostatismo, a tosse produz perda urinária sincrônica ao esforço.
achado
Perda desencadeada por esforço, sem urgência precedente, com teste de esforço positivo e sincrônico — incontinência urinária de esforço. A frequência de seis micções ao dia e a ausência de noctúria afastam o componente de urgência.
o que revisar antes de rotular
O enalapril produz tosse seca crônica, e a tosse é o gatilho da perda: trocar a classe do anti-hipertensivo pode reduzir os episódios sem tocar no assoalho pélvico. Constipação, diabetes descompensado e infecção urinária precisam estar afastados.
exame
Exame de urina para afastar infecção. Nada mais é obrigatório nessa consulta: não há indicação de urodinâmica, de cistoscopia ou de ultrassonografia, porque o quadro é típico, não houve falha de tratamento e não há cirurgia prévia do trato urinário inferior nem suspeita neurológica.
conduta
Tratamento conservador: perda de peso com meta inicial de 5% do peso corporal, redução de cafeína e álcool, tratamento da constipação se houver, e treinamento dos músculos do assoalho pélvico — contrações de 6 a 10 segundos, séries de 8 a 12 repetições, 3 vezes ao dia, idealmente todos os dias, com biofeedback se disponível. Diário miccional de 2 a 7 dias para acompanhar.
seguimento
Reavaliar em 3 meses, com anamnese e exame físico. Se não houver resposta ao tratamento clínico otimizado nesses 3 meses, encaminhar à Ginecologia ou à Urologia, com sinais e sintomas datados, tratamentos já realizados, creatinina e laudo de ecografia quando houver.
se for para cirurgia
A opção cirúrgica de referência é o sling sintético de uretra média, com uretrocistoscopia intraoperatória obrigatória na via retropúbica. Se a paciente recusar material sintético, as alternativas são a colpossuspensão de Burch e o sling pubovaginal autólogo.
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Agora feche você

Mulher de 66 anos, hipertensa e diabética, chega à unidade básica com queixa de vontade súbita e incontrolável de urinar há um ano. Urina cerca de dez vezes ao dia, acorda três vezes à noite e às vezes não consegue chegar ao banheiro a tempo. Nega perda ao tossir ou espirrar. Toma hidroclorotiazida, metformina e, por conta própria, tem tomado chá diurético à noite. Nega febre, disúria e hematúria. Exame de urina sem leucocitúria, sem nitrito e sem hematúria; urocultura negativa; creatinina normal; glicemia de jejum 178 mg/dL. Ao exame ginecológico, atrofia vaginal, sem prolapso, sem massas.
achado
Urgência precedendo a perda, frequência acima de oito micções por dia e noctúria: incontinência urinária de urgência, no contexto da síndrome de bexiga hiperativa. Urina e urocultura sem infecção afastam a causa que mais imita o quadro.
o que está alimentando o sintoma
Glicemia de 178 mg/dL indica diabetes descompensado, com diurese osmótica; a hidroclorotiazida aumenta o volume urinário; e o chá diurético à noite empurra a noctúria. Nenhum desses três é a doença, mas os três pioram a contabilidade da bexiga.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Pedir estudo urodinâmico na primeira consulta Atrai porque parece rigor diagnóstico e porque o exame existe. O protocolo brasileiro reserva a urodinâmica para falha do tratamento inicial, resíduo pós-miccional significativo, cirurgia prévia do trato urinário inferior, suspeita de doença neurológica ou dor sugerindo afecção irritativa. Na paciente com perda típica ao esforço e teste positivo, o exame não muda o primeiro passo.
  2. 2Prescrever oxibutinina para bexiga hiperativa em cenário de rede pública Atrai porque é o que o compêndio internacional ensina como etapa seguinte à terapia comportamental. A CONITEC avaliou os antimuscarínicos e a mirabegrona e não recomendou o uso; a não incorporação está publicada, e o protocolo de 2020 a registra. No SUS, a etapa seguinte ao comportamental é o encaminhamento, não a receita.
  3. 3Rotular bexiga hiperativa sem exame de urina Urgência e frequência são exatamente o que a infecção urinária produz, e infecção de repetição ainda é preditor independente de hiperatividade detrusora. O exame de urina é a única propedêutica obrigatória em todos os casos, e a hematúria sem infecção muda o rumo para investigação de neoplasia e litíase.
  4. 4Chamar de incontinência de esforço a perda que aconteceu durante um esforço A pergunta não é o que a paciente estava fazendo, e sim o que veio imediatamente antes da perda. Perda que começa depois de um desejo súbito, mesmo durante uma caminhada, é urgência. Perda sincrônica ao aumento da pressão intra-abdominal, sem desejo prévio, é esforço.
  5. 5Indicar cirurgia sem cumprir o tratamento conservador A conduta conservadora precede o tratamento invasivo, e o prazo está escrito: reavaliação após no mínimo 3 meses de medidas conservadoras fisioterápicas. O documento de 2025 é igualmente explícito ao dizer que a cirurgia se indica na falha do tratamento clínico ou por escolha da paciente informada.
  6. 6Ler o teste do cotonete como diagnóstico de incontinência de esforço O teste mede mobilidade uretral. A incontinência de esforço existe sem hipermobilidade e a hipermobilidade existe sem incontinência — o valor diagnóstico do teste é pequeno, e o teste do absorvente confirma que há perda sem dizer de que tipo.
  7. 7Esquecer a lista de medicamentos da paciente Inibidor da ECA causa tosse e agrava a perda aos esforços; alfabloqueador reduz a resistência uretral; anticolinérgico relaxa o detrusor e pode gerar retenção com incontinência por transbordamento; diurético aumenta o volume e produz frequência e urgência. Revisar a prescrição muda o quadro sem custo nenhum.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é clássico de incontinência urinária de esforço (IUE) pura: perda aos esforços, teste de esforço positivo, sem sintomas de urgência. A conduta de primeira linha para IUE, segundo diretrizes (FEBRASGO/EAU/AUA), é a terapia comportamental com treinamento da musculatura do assoalho pélvico (Kegel), preferencialmente supervisionado. Correta: Oxibutinina é anticolinérgico indicado para incontinência de URGÊNCIA/bexiga hiperativa, não para IUE. O sling é tratamento cirúrgico eficaz para IUE, mas é reservado para falha do tratamento conservador — não é primeira linha. Toxina botulínica no detrusor trata bexiga hiperativa refratária, não IUE. Estrogênio sistêmico não melhora a IUE e pode até piorar a continência; estrogênio tópico vaginal tem papel apenas na atrofia/sintomas irritativos.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

O que precede a perda define o tipo: esforço é IUE, urgência é IUU, os dois é mista. Bexiga hiperativa é síndrome — urgência, mais de 8 micções/dia e noctúria — e exige afastar infecção, neoplasia vesical, litíase e medicamentos. Exame de urina em todos; urocultura, creatinina e glicemia quando a suspeita é de bexiga hiperativa. Primeira linha nos dois tipos: estilo de vida com perda de 5% do peso e treinamento dos músculos do assoalho pélvico; na urgência, treinamento vesical. Reavaliar em no mínimo 3 meses; sem resposta, encaminhar. No SUS não há fármaco recomendado para a incontinência de urgência.

em 30 dias

Números que a banca cobra: frequência acima de 8 micções/dia; diário miccional de 2 a 7 dias; resíduo pós-miccional normal abaixo de 50 mL e retenção crônica com mais de 300 mL em duas ocasiões por pelo menos 6 meses; perda de 5% do peso inicial; Kegel de 6 a 10 segundos, 8 a 12 repetições, 3 vezes ao dia; treinamento vesical começando em 1 hora e progredindo 15 a 30 minutos até 2 a 4 horas, com melhora em até 6 semanas; eletroestimulação semanal por no máximo 12 semanas; reavaliação em 3 meses. Cirurgia da IUE: sling de uretra média como padrão-ouro da FEBRASGO em 2025, tela tipo 1 de polipropileno monofilamentar macroporoso, uretrocistoscopia obrigatória na via retropúbica, cura de 62% a 87% acima de dez anos, reoperação de 0,6% a 0,8%, e Burch ou sling autólogo para quem recusa material sintético.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 58 anos, três partos vaginais, IMC 33, chega ao ambulatório de ginecologia dizendo que "perde xixi" há três anos. Conte a história dela: descubra se a perda vem depois de esforço ou depois de urgência, quantas vezes ela urina por dia, se acorda à noite, quantos absorventes usa, que remédios toma e se tem constipação. Faça o exame com bexiga cheia, decida quais exames pedir e monte o plano dos próximos três meses. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Incontinência urinária de esforço e de urgência — Preparatório para provas | OsceLabs