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Osteoporose pós-menopausa
A prova raramente pergunta o que é osteoporose. Pergunta quem faz densitometria, o que fazer com um T-escore de osteopenia e qual droga o SUS entrega — nessa ordem.
Responda antes de ler
Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.
Mulher de 85 anos, com fragilidade, sarcopenia e histórico de queda com fratura de fêmur prévia, tem densitometria óssea com T-score de -3,0 no colo femoral. Está assintomática do ponto de vista gastrointestinal, com clearance de creatinina de 55 mL/min e cálcio e vitamina D adequados. Qual é a conduta farmacológica de primeira linha mais adequada para reduzir o risco de nova fratura osteoporótica nessa paciente, na ausência de contraindicações?
Como esse tema cai
A régua brasileira da osteoporose é o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, aprovado pela Portaria Conjunta SAES/sectics nº 22, de 22 de outubro de 2025, que revogou a versão de 2023. A troca importa para quem estuda por material antigo: a teriparatida saiu do SUS e o romosozumabe deixou de ser exclusivo de mulheres acima de 70 anos, passando a valer para qualquer mulher na pós-menopausa com osteoporose grave e falha terapêutica documentada.
O erro que mais custa ponto é tratar T-escore como sinônimo de doença. Osteoporose tem três portas de entrada, e só uma delas é o número da densitometria. A própria distribuição da massa óssea explica por quê: como a maior parte da população se concentra entre -1,0 e -2,49 desvios-padrão, a maior parte das fraturas por fragilidade acontece em quem tem osteopenia, não em quem tem osteoporose densitométrica. Quem exige T-escore ≤ -2,5 para tratar deixa passar a maioria das fraturas evitáveis.
O segundo tropeço é confundir rastreamento populacional com indicação de densitometria. O protocolo diz, com todas as letras, que rastreamento amplo e aleatório com densitometria não é preconizado — pelo custo. E, na frase seguinte, indica densitometria para toda mulher a partir dos 65 anos, todo homem a partir dos 70 e qualquer pessoa com fator de risco. Não há contradição: é rastreamento seletivo, disparado por idade e por fator de risco, não busca ativa na população geral.
O que muda decisão
Quem faz densitometria, e onde se mede
A indicação de avaliar a densidade mineral óssea (DMO) por densitometria é para todas as mulheres com 65 anos ou mais, todos os homens com 70 anos ou mais, e para quem tem fator de risco em qualquer idade: baixo peso, fratura prévia, uso de medicamentos ou presença de doenças que sabidamente afetam a saúde óssea.
Os sítios que valem medida são coluna lombar em ântero-posterior, colo femoral, fêmur total (quadril total) e um terço do rádio. O antebraço é a alternativa quando os demais sítios têm artefato — artrose importante, material de síntese, escoliose grave — e no hiperparatireoidismo, em que o osso cortical do rádio é o mais acometido.
O T-escore compara o paciente com o adulto jovem e só define a doença em mulheres na pós-menopausa e em homens acima dos 50 anos. Fora dessas duas populações, o número da densitometria não fecha diagnóstico de osteoporose e a investigação corre por outro caminho — na mulher jovem com massa óssea baixa, o que se procura é causa secundária.
E o T-escore mede risco relativo, não risco absoluto. Ele diz o quanto aquela paciente se afasta da referência, não a chance dela de fraturar nos próximos dez anos. Quem faz essa conta é o FRAX.

As três portas do diagnóstico
Há osteoporose quando existe pelo menos uma destas três situações. Primeira: T-escore menor ou igual a -2,5 desvios-padrão em coluna lombar (ântero-posterior), colo femoral, quadril total ou um terço do rádio, mesmo sem nenhuma fratura. Segunda: fratura osteoporótica — também chamada de fratura por fragilidade —, isto é, fratura por trauma mínimo, insuficiente para quebrar um osso normal, independentemente do T-escore. Terceira: T-escore entre -1,0 e -2,49 associado a risco aumentado de fratura pelo FRAX.
Queda da própria altura ou de menos é o padrão de trauma mínimo. Uma paciente de 62 anos que fratura o punho ao tropeçar em casa tem osteoporose mesmo com densitometria mostrando -1,8 — e tem indicação de tratamento medicamentoso sem precisar de nenhum exame adicional para justificar.
Osteoporose grave é a soma das duas primeiras portas: T-escore menor ou igual a -2,5 associado a uma ou mais fraturas por fragilidade. Essa definição não é decorativa — é ela que abre a porta do romosozumabe no SUS.
Onde não há densitometria disponível, a presença de fratura osteoporótica e o FRAX calculado sem DMO já estratificam o risco e direcionam o tratamento. Isso importa em prova de cenário de atenção primária: a ausência do exame não é motivo para adiar a decisão.
FRAX Brasil e o limiar de intervenção
O FRAX calcula a probabilidade, em dez anos, de uma fratura osteoporótica maior — vertebral clínica, úmero, punho ou quadril — e, separadamente, de fratura de quadril isolada, em homens e mulheres entre 40 e 90 anos. Entram na conta idade, sexo e índice de massa corporal, mais os fatores de risco: fratura prévia por fragilidade, história parental de fratura de quadril, tabagismo atual ou prévio, uso prolongado de glicocorticoide, artrite reumatoide, consumo alto de álcool e outras causas de osteoporose secundária, entre elas diabetes tipo 1 e menopausa precoce antes dos 40 anos. A DMO do colo femoral é campo opcional e melhora a predição.
O modelo brasileiro é calibrado com a epidemiologia nacional de fratura de quadril e mortalidade, é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e está disponível pela abrasso. A saída não é um percentual solto: a ferramenta posiciona a paciente contra um limiar de intervenção que sobe com a idade, construído sobre a lógica do National Osteoporosis Guideline Group — trata-se quem já alcançou o risco de uma mulher da mesma idade que fraturou.
Consequência prática: no Brasil não existe um número redondo para decorar. Quem responde 'trato se o risco de fratura maior passar de 20%' está usando um corte de outro país. A resposta brasileira é 'trato se o FRAX ficar acima do limiar de intervenção para aquela idade'.
Estratificação de risco: três degraus
O protocolo organiza o risco de fratura em três categorias, e é essa estratificação que orienta a intensidade da conduta. Risco baixo a moderado exige todos os fatores presentes: T-escore maior que -2,5, baixo risco no FRAX e nenhuma fratura prévia.
Risco alto é qualquer um destes: T-escore igual ou inferior a -2,5; ou T-escore entre -1,0 e -2,49 com alto risco no FRAX; ou fratura prévia.
Risco muito alto é um ou mais destes: fratura nos últimos 12 meses; múltiplas fraturas; fratura durante o tratamento; fratura em uso de medicamento que altera o metabolismo ósseo; T-escore inferior a -3,0; risco muito alto no FRAX; ou risco de queda aumentado. Note que 'risco de queda aumentado' é critério isolado — a paciente frágil, que anda com auxílio ou depende de terceiros, já é de risco muito alto mesmo com densitometria pouco alterada.
Antes de tratar: procurar a causa secundária
Osteoporose secundária responde por cerca de 30% dos casos em mulheres na pós-menopausa, 40% a 50% em mulheres na pré-menopausa e 50% a 55% em homens. Fechar o diagnóstico e prescrever bisfosfonato sem investigar é errar em um terço das pacientes.
O painel mínimo é hemograma, VHS, cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D e cálcio na urina de 24 horas. Outros exames entram conforme a história.
Radiografia de coluna dorsal e lombar em ântero-posterior e perfil procura fratura vertebral, sintomática ou não — e fratura vertebral muda a categoria de risco. Está indicada no início do tratamento de quem tem diagnóstico densitométrico ou clínico, e sempre que houver dor intensa aguda, dor crônica persistente ou perda de altura maior que 4 cm. É esse exame que transforma uma paciente 'só com osteopenia' em uma paciente com fratura por fragilidade prevalente.
Prevenção: cálcio, vitamina D, carga e chão seguro
Cálcio e colecalciferol fazem parte de todos os esquemas — inclusive dos preventivos. A meta é de 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia, de preferência pela dieta; suplementa-se quando a ingestão de laticínios não alcança a meta. A dose deve ficar abaixo de 1.400 mg/dia e ser fracionada em tomadas de no máximo 500 mg de cálcio elementar, porque a preocupação com evento cardiovascular só se sustenta no excesso de suplementação, acima de 1.400 mg/dia.
De vitamina D, 800 a 1.000 UI/dia de colecalciferol (ou 7.000 UI por semana) para todos; acima dos 60 anos pode ser necessário chegar a 2.000 UI/dia (ou 14.000 UI por semana). Quem tem 25-hidroxivitamina D abaixo de 20 ng/mL pode precisar de dose maior até estabilizar acima de 30 ng/mL.
Calcitriol não é vitamina D para esse fim: ele não repõe os níveis de 25-hidroxivitamina D. Só entra em insuficiência renal crônica com depuração de creatinina menor ou igual a 30 mL/min, osteomalácia hipofosfatêmica ou por deficiência de 1-alfa-hidroxilase, insuficiência hepática e hipoparatireoidismo. Prescrever calcitriol como reposição rotineira é erro conceitual, não de dose.
Do lado não medicamentoso, exercício com ação da gravidade — a força que o músculo faz sobre o osso é o que aumenta a DMO —, prevenção de quedas com revisão dos medicamentos que sedam ou causam hipotensão, correção de déficit visual e auditivo, avaliação neurológica e segurança ambiental. Tabagismo e consumo excessivo de álcool devem ser desencorajados desde a adolescência.
O que o SUS entrega, e em que ordem
O tratamento preferencial é cálcio e colecalciferol associados a um bisfosfonato oral: alendronato de sódio 10 mg/dia ou 70 mg uma vez por semana, ou risedronato sódico 35 mg uma vez por semana. A escolha entre os dois se dá por experiência de uso e custo — não há evidência de superioridade de um bisfosfonato sobre outro na prevenção de fraturas. O esquema semanal tem melhor adesão que o diário.
A orientação de tomada é parte da prescrição: em jejum, pelo menos 30 minutos antes da primeira refeição e de outros medicamentos, com um copo de água (200 mL), permanecendo sentado ou em pé por 30 a 60 minutos. Contraindicam o bisfosfonato oral hipersensibilidade, hipocalcemia, gravidez e lactação, insuficiência renal grave (depuração abaixo de 30 mL/min) e a incapacidade de permanecer sentado ou em pé pelo tempo exigido. O alendronato não é recomendado com depuração abaixo de 35 mL/min.
Ácido zoledrônico 5 mg intravenoso uma vez por ano não é escolha de conforto: é reservado a quem tem intolerância ou dificuldade de deglutição dos orais por anormalidade esofágica que retarda o esvaziamento — estenose, acalasia —, doença do refluxo importante ou situação que comprometa a absorção. Pamidronato 60 mg IV a cada três meses só quando o zoledrônico está indisponível ou contraindicado.
Raloxifeno 60 mg/dia é para mulher na pós-menopausa com baixo risco de tromboembolismo venoso, sem estrogênio concomitante, e que tenha alto risco de câncer de mama, ou osteonecrose de mandíbula ou fratura atípica de fêmur, ou intolerância ou contraindicação aos bisfosfonatos. Previne fratura vertebral, mas não tem evidência para fratura de quadril nem para as não vertebrais — é menos efetivo que o bisfosfonato, e por isso não é primeira linha.
Estrogênios conjugados entram pela porta do climatério: mulher com sintoma vasomotor comprometendo a qualidade de vida, sem raloxifeno concomitante, com avaliação prévia de antecedentes de neoplasia hormônio-dependente e exame ginecológico completo. Útero presente exige progestagênio associado. Reduzem fratura de quadril, vertebral e não vertebral, ao custo de risco de AVE, câncer de mama e tromboembolismo.
Romosozumabe 210 mg por via subcutânea, uma vez por mês, por no máximo 12 meses, é o único anabólico do protocolo e o último degrau: exige mulher na pós-menopausa com osteoporose grave e falha terapêutica. Corrigir hipocalcemia antes de iniciar; não iniciar em quem teve infarto ou AVE no ano anterior; e, terminado o ano, emendar bisfosfonato imediatamente, mesmo com ganho expressivo de DMO. Não há evidência que sustente retratamento.
Calcitonina intranasal 400 UI/dia sobrou como opção residual — osteonecrose de mandíbula, fratura atípica associada a bisfosfonato ou contraindicação absoluta a todo o resto —, com orientação de evitar uso prolongado pelo sinal de maior incidência de malignidade. Fora do protocolo ficam a teriparatida, excluída do SUS, e o denosumabe, que não consta entre os medicamentos padronizados. E o protocolo não preconiza tratamento medicamentoso em doença renal crônica estágios 4 e 5: nesses pacientes, medidas não medicamentosas e controle da doença renal.
Falha terapêutica, tempo de tratamento e 'férias'
Falha terapêutica tem definição fechada: duas ou mais fraturas osteoporóticas em vigência dos medicamentos do protocolo por pelo menos um ano, com cálcio e vitamina D adequados; ou uma fratura incidente após pelo menos um ano de tratamento associada a perda significativa de DMO — redução maior que 5% em qualquer sítio no intervalo avaliado —, considerando boa adesão e ausência de causa secundária.
Não é falha a perda de DMO ou a fratura que ocorre logo após o início da terapia, nem fratura não osteoporótica. Nesses casos a conduta é individualizar: revisar adesão, absorção de cálcio, medicamentos que causam perda óssea e causas secundárias — antes de trocar o esquema.
A duração padrão é de cinco anos para bisfosfonato oral e três anos para bisfosfonato intravenoso. Em risco elevado — T-escore menor que -3,0 ou presença de fraturas — o tratamento pode ser estendido a dez anos no oral e seis anos no intravenoso. Depois de cinco anos de bisfosfonato oral, pode haver pausa de um a dois anos, o intervalo em que a preocupação com fratura atípica de fêmur e osteonecrose de mandíbula pesa mais do que o ganho adicional.
Casos especiais: quando o corte deixa de ser -2,5
Em quem vai usar glicocorticoide em dose diária acima de 5 mg de prednisona ou equivalente por três meses ou mais, há indicação de tratamento medicamentoso na presença de fratura osteoporótica prévia, T-escore menor ou igual a -2,0 na coluna ou no quadril, ou FRAX acima do limiar de intervenção. O corte desce de -2,5 para -2,0 — e essa meia unidade é o detalhe que a questão costuma cobrar.
A mesma régua de -2,0 vale para o homem com carcinoma de próstata que vai iniciar e manter privação androgênica com agonista ou antagonista de GnRH ou terapia antiandrogênica.
No câncer de mama com inibidor de aromatase, há indicação de tratamento com T-escore menor ou igual a -2,0 na coluna ou no quadril ou com redução anual da DMO de 5% a 10% após o início da terapia. Com T-escore maior que -2,0, trata-se quem tem dois ou mais dos seguintes: T-escore menor que -1,5, idade acima de 65 anos, IMC abaixo de 20 kg/m², história familiar de fratura de quadril, fratura por fragilidade pessoal, tabagismo ou uso de glicocorticoide por mais de seis meses.
Monitorização: o que repetir e quando
Densitometria na avaliação inicial e depois do início do tratamento, repetida a cada um a dois anos até a massa óssea estabilizar; daí em diante, o intervalo segue a avaliação clínica. Comparação só vale no mesmo equipamento.
Radiografia de coluna dorsal e lombar em perfil se repete quando houver clínica sugestiva de fratura ou perda progressiva de altura maior que 4 cm. Exames laboratoriais voltam a critério clínico — basicamente para checar vitamina D e cálcio séricos ou reinvestigar causa secundária quando o tratamento não funciona.
O tratamento é considerado bem-sucedido quando a DMO está crescente ou estável e não há novas fraturas. Ou seja: DMO parada não é falha. Esperar aumento de densidade para dizer que deu certo é uma exigência que o protocolo não faz.
Da suspeita ao tratamento
O caminho é sempre o mesmo: identificar quem tem indicação de avaliação, decidir se há diagnóstico por alguma das três portas, estratificar o risco, procurar causa secundária e só então prescrever. Pular a estratificação é o que faz o candidato escolher o remédio certo para a paciente errada.
- 1Mulher ≥ 65 anos, homem ≥ 70 anos ou qualquer idade com fator de risco: solicitar densitometria
- 2Fratura por trauma mínimo comprovada radiologicamente: o diagnóstico está fechado, tratar sem depender da densitometria
- 3T-escore ≤ -2,5 em coluna lombar, colo femoral, quadril total ou 1/3 do rádio: osteoporose densitométrica
- 4T-escore entre -1,0 e -2,49: calcular o FRAX Brasil e comparar com o limiar de intervenção da idade
- 5Estratificar em risco baixo/moderado, alto ou muito alto
- 6Investigar causa secundária com o painel laboratorial e radiografar coluna dorsolombar
- 7Prescrever cálcio e colecalciferol + bisfosfonato oral, com a orientação de tomada, e programar reavaliação da DMO em 1 a 2 anos
Risco baixo a moderado
Todos os fatores presentes: T-escore maior que -2,5, baixo risco no FRAX e nenhuma fratura prévia. Conduta é prevenção — cálcio, vitamina D, exercício com carga, prevenção de queda e controle de tabagismo e álcool.
Risco alto
Qualquer um destes: T-escore igual ou inferior a -2,5; ou T-escore entre -1,0 e -2,49 com alto risco no FRAX; ou fratura prévia. Conduta é tratamento medicamentoso — cálcio e colecalciferol com bisfosfonato oral.
Risco muito alto
Um ou mais destes: fratura nos últimos 12 meses, múltiplas fraturas, fratura durante o tratamento ou em uso de medicamento que altera o metabolismo ósseo, T-escore inferior a -3,0, risco muito alto no FRAX ou risco de queda aumentado. Tratar e vigiar de perto — é aqui que o tempo de tratamento se estende e que a falha terapêutica abre a porta do romosozumabe.
| Medicamento | Dose e via | Quando entra pelo protocolo |
|---|---|---|
| Carbonato de cálcio | 500 a 1.400 mg/dia de cálcio elementar, VO, fracionado em tomadas de no máximo 500 mg | Em todos os esquemas, quando a dieta não alcança 1.000 a 1.200 mg/dia |
| Colecalciferol | 800 a 1.000 UI/dia ou 7.000 UI/semana; até 2.000 UI/dia (14.000 UI/semana) acima dos 60 anos | Em todos os esquemas; alvo sérico acima de 30 ng/mL |
| Alendronato de sódio | 10 mg/dia ou 70 mg/semana, VO, em jejum, com 200 mL de água, sem deitar por 30 a 60 min | Primeira linha, junto de cálcio e vitamina D |
| Risedronato sódico | 35 mg/semana, VO, mesma orientação de tomada | Primeira linha, alternativa ao alendronato |
| Ácido zoledrônico | 5 mg IV, uma vez ao ano | Intolerância ou dificuldade de deglutição do bisfosfonato oral (estenose, acalasia, refluxo importante, disabsorção) |
| Pamidronato dissódico | 60 mg IV a cada 3 meses, diluído em 500 mL de SF, infusão mínima de 2 h | Apenas se ácido zoledrônico indisponível ou contraindicado |
| Raloxifeno | 60 mg/dia, VO | Mulher na pós-menopausa, baixo risco de TEV, sem estrogênio concomitante, com alto risco de câncer de mama, osteonecrose de mandíbula/fratura atípica ou intolerância a bisfosfonato |
| Estrogênios conjugados | Dose individualizada, VO (com progestagênio se útero presente) | Climatério com sintoma vasomotor comprometendo a qualidade de vida, sem raloxifeno concomitante |
| Romosozumabe | 210 mg SC, uma vez por mês, por no máximo 12 meses | Mulher na pós-menopausa com osteoporose grave e falha terapêutica; emendar bisfosfonato ao fim do ano |
| Calcitonina | 400 UI/dia, intranasal | Osteonecrose de mandíbula, fratura atípica ou contraindicação absoluta aos demais; evitar uso prolongado |
| Calcitriol | 0,25 mcg duas vezes ao dia, VO | Não repõe 25-hidroxivitamina D: só em DCE ≤ 30 mL/min, osteomalácia hipofosfatêmica ou por deficiência de 1-alfa-hidroxilase, insuficiência hepática, hipoparatireoidismo |
As três portas do diagnóstico de osteoporose
| Porta | O que precisa | Depende de densitometria? |
|---|---|---|
| Densitométrica | T-escore ≤ -2,5 em coluna lombar AP, colo femoral, quadril total ou 1/3 do rádio | Sim |
| Clínica | Fratura por trauma mínimo (queda da própria altura ou menos), comprovada radiologicamente | Não |
| Por risco calculado | T-escore entre -1,0 e -2,49 com FRAX acima do limiar de intervenção | Sim, ou FRAX sem DMO quando o exame é indisponível |
Casos especiais: o corte desce para -2,0
| Situação | Quando tratar |
|---|---|
| Glicocorticoide > 5 mg/dia de prednisona por ≥ 3 meses | Fratura osteoporótica prévia, ou T-escore ≤ -2,0 em coluna ou quadril, ou FRAX acima do limiar |
| Privação androgênica no carcinoma de próstata | Fratura osteoporótica prévia, ou T-escore ≤ -2,0 em coluna ou quadril, ou FRAX acima do limiar |
| Inibidor de aromatase no carcinoma de mama | T-escore ≤ -2,0 em coluna ou quadril, ou redução anual da DMO de 5% a 10%. Com T-escore > -2,0, tratar se houver 2 ou mais fatores: T < -1,5, idade > 65 anos, IMC < 20 kg/m², história familiar de fratura de quadril, fratura por fragilidade pessoal, tabagismo ou glicocorticoide por mais de 6 meses |
Tempo de tratamento e pausa
| Situação | Duração | Depois |
|---|---|---|
| Bisfosfonato oral, risco não elevado | 5 anos | Pausa de 1 a 2 anos |
| Bisfosfonato intravenoso, risco não elevado | 3 anos | Reavaliar |
| Bisfosfonato oral, risco elevado (T < -3,0 ou fraturas) | Até 10 anos | Individualizar |
| Bisfosfonato intravenoso, risco elevado | Até 6 anos | Individualizar |
| Romosozumabe | Máximo de 12 meses | Bisfosfonato imediatamente, independentemente da DMO |
Densitometria de rastreamento populacional amplo e aleatório não é preconizada pelo custo; a indicação é seletiva, por idade e por fator de risco.
Tratamento bem-sucedido é DMO crescente ou estável sem novas fraturas — DMO parada não configura falha.
Doença renal crônica estágios 4 e 5 fica fora do tratamento medicamentoso do protocolo: medidas não medicamentosas e controle da doença renal.
Onde as fontes divergem
Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.
Limiar dependente da idade — PCDT da Osteoporose (2025) e FRAX Brasil/ABRASSO
O limiar de intervenção não é um percentual único: é uma curva que sobe com a idade, fixada na probabilidade de fratura equivalente à de uma mulher da mesma idade com fratura de fragilidade prévia, na lógica do National Osteoporosis Guideline Group. A ferramenta devolve a posição da paciente em relação a essa curva, em categorias de risco.
Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22/2025 (PCDT da Osteoporose), item 3.1 e Figura 1; ferramenta FRAX Brasil da ABRASSO
Cortes fixos de 3% e 20% — Bone Health and Osteoporosis Foundation (2022)
Em vigência de massa óssea baixa (osteopenia), trata-se quando a probabilidade em dez anos de fratura de quadril é ≥ 3% ou a de fratura osteoporótica maior é ≥ 20%, no modelo FRAX adaptado aos Estados Unidos. Números fixos, iguais em qualquer idade.
BHOF. The Clinician's Guide to Prevention and Treatment of Osteoporosis. Osteoporos Int. 2022;33:2049-2102
Na prova
Enunciado que entrega um percentual redondo — 'risco de fratura maior em 10 anos de 22%' — e pede a decisão está falando a língua do corte fixo americano. Enunciado que diz 'FRAX acima do limiar de intervenção', sem número, ou que ambienta a cena em UBS e cita o SUS, está na régua nacional. As alternativas denunciam o recorte: se uma delas traz '3%' ou '20%' como critério, a questão foi construída no modelo americano. A causa da diferença é de calibração, não de qualidade: o corte fixo nasce da epidemiologia e do custo dos Estados Unidos, enquanto a curva por idade traduz a lógica de tratar quem já alcançou o risco de quem fraturou — e é ela que a calibração brasileira do FRAX adotou.
Densitometria a partir dos 70 anos — PCDT da Osteoporose (2025)
A avaliação da densidade mineral óssea está indicada para todos os homens com 70 anos ou mais, ou em qualquer idade na presença de fator de risco, e o T-escore define a doença em homens acima dos 50 anos.
Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22/2025 (PCDT da Osteoporose), item 3.1
Evidência insuficiente — US Preventive Services Task Force (2025)
Na recomendação final de 14 de janeiro de 2025, o rastreamento em homens recebe grau I, evidência insuficiente para pesar benefício e dano. Para mulheres com 65 anos ou mais e para pós-menopáusicas abaixo de 65 anos com risco aumentado, o grau é B.
USPSTF. Screening for Osteoporosis to Prevent Fractures. JAMA, 14 jan 2025
Na prova
Vocabulário separa os dois mundos: 'grau de recomendação', 'força de evidência', 'I statement' são a gramática do USPSTF e aparecem em questão de medicina preventiva. 'Indicação de densitometria pelo protocolo do Ministério da Saúde' é a gramática do acesso ao SUS. Prova oficial do MEC costuma cobrar a conduta do SUS. A divergência não é de mérito clínico: o USPSTF só grada positivamente o que tem ensaio de rastreamento com desfecho de fratura, e esses ensaios foram conduzidos em mulheres; o protocolo brasileiro é documento de acesso a diagnóstico e tratamento no SUS, com finalidade diferente da de graduar evidência de rastreamento populacional.
Anabólico só após falha do antirreabsortivo — PCDT da Osteoporose (2025)
O bisfosfonato oral com cálcio e vitamina D é o tratamento preferencial para todos. O romosozumabe, único anabólico do protocolo, exige mulher na pós-menopausa com osteoporose grave e falha terapêutica documentada — duas ou mais fraturas em vigência de tratamento, ou uma fratura após pelo menos um ano com perda de DMO maior que 5%. A teriparatida foi excluída do SUS e o denosumabe não consta entre os medicamentos padronizados.
Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 22/2025 (PCDT da Osteoporose), itens 4 e 7.2
Anabólico primeiro na terapia sequencial — Bone Health and Osteoporosis Foundation (2022)
Quando se considera tratamento sequencial, começar pelo anabólico e seguir com o antirreabsortivo é a ordem preferida: o anabólico administrado depois de um antirreabsortivo potente tem efeito menor sobre a densidade mineral óssea, podendo haver atenuação ou até perda óssea.
BHOF. The Clinician's Guide to Prevention and Treatment of Osteoporosis. Osteoporos Int. 2022;33:2049-2102
Na prova
Cenário de SUS, de dispensação pelo componente especializado ou de 'medicamento disponível no protocolo' pede a sequência nacional. Cenário de centro terciário, com teriparatida ou denosumabe entre as alternativas, está no mundo internacional — e alternativa que ofereça teriparatida no SUS está desatualizada em relação à régua de 2025. A restrição brasileira tem causa econômica declarada: em julho de 2024 as evidências de eficácia, segurança e custo de romosozumabe e teriparatida foram revistas, com posição favorável à ampliação do romosozumabe para osteoporose grave com falha terapêutica e à exclusão da teriparatida do SUS.
Caso resolvido
- achado
- Perda de altura maior que 4 cm, dor lombar sem trauma e cifose nova em mulher de 71 anos. Isso não é 'dor de coluna da idade': é o quadro clássico de fratura vertebral por fragilidade, que costuma ser assintomática ou pouco sintomática.
- risco
- Idade acima de 65, IMC baixo, tabagismo e história parental de fratura de quadril são todos fatores do FRAX. A indicação de densitometria já existia só pela idade.
- exames
- Radiografia de coluna dorsal e lombar em AP e perfil — indicada exatamente por dor e perda de altura maior que 4 cm — e densitometria. Painel de causa secundária: hemograma, VHS, cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D e cálcio urinário de 24 h.
- resultado
- Radiografia com fratura por acunhamento em T12 e L1. Densitometria com T-escore de -2,8 no colo femoral.
- diagnóstico
- Osteoporose grave: T-escore menor ou igual a -2,5 associado a fratura por fragilidade. Duas fraturas vertebrais colocam a paciente em risco muito alto.
- conduta
- Cálcio elementar até 1.200 mg/dia fracionado em tomadas de no máximo 500 mg, colecalciferol 2.000 UI/dia por ter mais de 60 anos, e alendronato 70 mg por semana em jejum com 200 mL de água, sem deitar por 30 a 60 minutos. Cessação do tabagismo, exercício com carga e programa de prevenção de quedas. Reavaliar a densitometria em 1 a 2 anos, no mesmo aparelho.
- pegadinha
- Nada aqui justifica começar por ácido zoledrônico ou romosozumabe. O intravenoso depende de intolerância ou impossibilidade do oral; o romosozumabe depende de falha terapêutica, que exige tratamento prévio de pelo menos um ano — e esta paciente nunca tratou.
Agora feche você
- achado
- T-escore de -1,7 é osteopenia, não osteoporose densitométrica. Mas a paciente está em inibidor de aromatase, e nesse cenário o protocolo tem régua própria.
- conduta
- A perda anual de 6% de DMO durante anastrozol já indica tratamento? Justifique e descreva a avaliação e as medidas terapêuticas.
Onde a banca derruba
- 1Exigir T-escore ≤ -2,5 para dizer que há osteoporose É a armadilha mais rentável em prova porque o número é o que se decora. Fratura por trauma mínimo fecha o diagnóstico sozinha, independentemente da densitometria — e a maioria das fraturas por fragilidade acontece em quem tem osteopenia, porque é aí que está a maior parte da população.
- 2Usar o corte -2,5 em quem toma corticoide, inibidor de aromatase ou faz privação androgênica Nesses três cenários o corte desce para -2,0, e no inibidor de aromatase a perda de 5% a 10% ao ano já indica tratamento com qualquer T-escore. A questão descreve o medicamento em uso e oferece um T-escore entre -2,0 e -2,5 justamente para separar quem leu os casos especiais.
- 3Escolher ácido zoledrônico porque a adesão ao comprimido é ruim Soa razoável e é errado pelo protocolo: o intravenoso é reservado a intolerância ou dificuldade de deglutição por anormalidade esofágica, refluxo importante ou disabsorção. Dificuldade de adesão se resolve com o esquema semanal, que já tem melhor adesão que o diário.
- 4Prescrever calcitriol como reposição de vitamina D Calcitriol não repõe 25-hidroxivitamina D — ele pula a etapa que o exame mede. Só tem lugar em depuração de creatinina ≤ 30 mL/min, osteomalácia hipofosfatêmica ou por deficiência de 1-alfa-hidroxilase, insuficiência hepática e hipoparatireoidismo. Em paciente com função renal normal, é escolha errada em qualquer dose.
- 5Dar todo o cálcio de uma vez A absorção limita a tomada a 500 mg de cálcio elementar por vez, e o total diário deve ficar abaixo de 1.400 mg — é acima desse patamar que a preocupação cardiovascular com a suplementação se sustenta. Alternativa que ofereça 1.500 mg em dose única erra por dois motivos ao mesmo tempo.
- 6Tratar romosozumabe como droga de manutenção São no máximo 12 meses, e ao fim do período o bisfosfonato entra imediatamente, mesmo com ganho substancial de densidade — sem isso o ganho se perde. Também não se inicia em quem teve infarto ou AVE no ano anterior, e a hipocalcemia precisa estar corrigida antes da primeira dose.
- 7Chamar de falha terapêutica a DMO que não subiu Sucesso é DMO crescente OU estável, sem novas fraturas. Falha tem definição fechada e exige fratura: duas ou mais em vigência de tratamento por pelo menos um ano, ou uma fratura após um ano de tratamento somada a perda de DMO maior que 5%. Fratura logo após o início do tratamento também não conta como falha.
Idosa com osteoporose (T-score -3,0) e fratura prévia por fragilidade tem indicação clara de tratamento; o bisfosfonato é a primeira linha para redução do risco de novas fraturas, com cálcio/vitamina D já otimizados e função renal aceitável (correta). A reposição estrogênica não é primeira linha em idosa dessa faixa etária pelo risco cardiovascular/tromboembólico. Cálcio e vitamina D isolados são insuficientes na osteoporose estabelecida. Calcitonina tem eficácia limitada e não é primeira linha. Testosterona não é indicada para osteoporose em mulheres.
Recuperação
Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.
Mulher de 55 anos, pós-menopausa há 5 anos, sofreu fratura de punho após queda da própria altura. Densitometria óssea evidencia T-score de -2,7 em colo femoral. Cálcio e função renal normais. Sem uso de corticoide. Na UBS, além de orientar cálcio, vitamina D e atividade física, qual é a conduta farmacológica de primeira linha para a osteoporose?
A paciente tem osteoporose (T-score ≤ -2,5) com fratura por fragilidade, indicação clara de tratamento farmacológico. Os bifosfonatos (alendronato) são a primeira linha, disponíveis no SUS, reduzindo risco de novas fraturas, associados a cálcio, vitamina D e exercício. A reposição estrogênica isolada não é primeira linha para osteoporose pelo perfil de risco (cardiovascular/mama) e não é o tratamento de escolha nesse cenário. Aguardar 5 anos sem tratar uma paciente que já fraturou é inadequado. Corticoide agrava a osteoporose e não trata a doença.
Uma mulher de 66 anos, na pós-menopausa há 15 anos, sofre fratura de punho após queda da própria altura. Nega uso de corticoide e tabagismo. Ao exame, sem alterações relevantes além da fratura. A densitometria óssea mostra T-score de -2,8 no colo femoral e -2,6 na coluna lombar. Cálcio, fósforo, função renal e vitamina D dentro da normalidade. Considerando as diretrizes atuais, assinale o diagnóstico e a conduta terapêutica de primeira linha, respectivamente.
T-score ≤ -2,5 associado a fratura por fragilidade (queda da própria altura) confirma osteoporose. A primeira linha é um bifosfonato (ex.: alendronato), com garantia de aporte adequado de cálcio e vitamina D. T-score de -2,8/-2,6 não é osteopenia (que fica entre -1,0 e -2,5). A osteomalácia cursaria com alterações de cálcio/fósforo/vitamina D e dor óssea difusa. A doença de Paget tem fosfatase alcalina elevada e alterações radiológicas típicas, ausentes aqui.
Mulher, 61 anos, menopausa aos 49 anos, sem antecedentes de fraturas. IMC 22 kg/m². Nega tabagismo, etilismo ou uso de corticoide. Sem história familiar de fratura de quadril. Realizou densitometria óssea (DXA) que evidenciou: coluna lombar T-score -1,8; colo femoral T-score -2,2; fêmur total T-score -1,9. A ferramenta FRAX (Brasil) estimou risco de fratura maior osteoporótica em 8% e risco de fratura de quadril em 1,2% em 10 anos. Qual a conduta mais apropriada? Defina a conduta terapêutica.
Correta: a paciente tem osteopenia (T-score entre -1,0 e -2,5) no colo femoral (-2,2), sem fratura de fragilidade prévia e com FRAX abaixo dos limiares de tratamento (no Brasil/NOF, tratar osteopenia quando FRAX de fratura maior >=20% ou de quadril >=3%). Com FRAX de 8% e 1,2%, a conduta é otimizar cálcio/vitamina D, estilo de vida e reavaliar com nova DXA. Osteopenia isolada com FRAX baixo não indica bisfosfonato. Terapia hormonal não é primeira linha para prevenção de fratura e não se justifica sem sintomas vasomotores/indicação específica. Denosumabe é reservado a osteoporose/alto risco, não a osteopenia com FRAX baixo. Teriparatida é anabólico para osteoporose grave/muito alto risco, inadequado aqui.
Mulher, 68 anos, na pós-menopausa há 18 anos, comparece para avaliação de saúde. Refere queda da própria altura há 3 meses com dor lombar persistente. Ao exame: cifose dorsal e redução de 4 cm na estatura em relação à altura habitual. A radiografia de coluna toracolombar evidencia fratura por compressão do corpo vertebral de T12, sem trauma significativo. A densitometria óssea mostra T-score de colo femoral -2,1. Qual a interpretação e conduta corretas?
Correta: Fratura por fragilidade de vértebra (ou quadril) em pós-menopausa define osteoporose clínica independentemente do T-score, e há indicação de tratamento farmacológico (bisfosfonato como primeira linha) associado a cálcio/vitamina D. Erram ao exigir T-score <= -2,5 ou negar o diagnóstico: a fratura de fragilidade é critério diagnóstico por si só. Protelar tratamento na presença de fratura aumenta risco de nova fratura. Restringir a cálcio/vitamina D subtrata uma osteoporose já estabelecida por fratura.
Mulher, 66 anos, assintomática, na pós-menopausa há 15 anos, comparece para consulta de rotina. Nunca realizou densitometria óssea. Nega fraturas, uso de corticoide ou tabagismo. Qual a conduta de rastreamento de osteoporose recomendada?
Correta: o rastreamento de osteoporose com densitometria (DXA) está indicado para todas as mulheres a partir dos 65 anos, independentemente de fatores de risco — e antes disso em pós-menopausadas que os tenham. Não rastrear por ser assintomática contraria essa recomendação universal aos 65 anos. A radiografia de coluna não quantifica densidade mineral óssea nem serve para rastreamento. Iniciar bisfosfonato empiricamente trata sem diagnóstico, o que é inadequado. Cálcio e fósforo séricos costumam ser normais na osteoporose e não avaliam massa óssea; a DXA é o exame padrão.
Mulher, 68 anos, na pós-menopausa há 16 anos, comparece em consulta ambulatorial referindo fratura de punho (Colles) há 8 meses após queda da própria altura. Não fuma, não usa corticoide e nega histórico familiar relevante. Traz densitometria óssea (DXA) recente: T-score de colo femoral de -2,7 DP. Exames laboratoriais de cálcio, fósforo, função renal e vitamina D dentro da normalidade. Qual é a conduta farmacológica mais apropriada para reduzir o risco de fratura de quadril nessa paciente?
Correta: a paciente preenche critério de osteoporose (T-score ≤ -2,5 no colo femoral: -2,7) E já teve fratura por fragilidade (Colles após queda de baixa energia) — indicação clara de terapia antirreabsortiva, sendo o bifosfonato (alendronato) a primeira linha, sempre associado a cálcio e vitamina D adequados. Cálcio e vitamina D isolados são insuficientes diante de osteoporose com fratura prévia. A reposição hormonal não é primeira linha para osteoporose estabelecida pelo perfil de risco (cardiovascular/tromboembólico/neoplásico); bifosfonato é preferido. Postergar tratamento por nova DXA é inadequado com diagnóstico e fratura já estabelecidos. Apenas atividade física, sem fármaco, subtrata paciente de alto risco com fratura prévia.
Mulher, 67 anos, na pós-menopausa há 15 anos, assintomática, comparece a consulta de rotina. Nega tabagismo, uso de corticoide, fraturas prévias ou história familiar de fratura de quadril. Exame físico e antropometria sem alterações; PA 128×78 mmHg, IMC 24 kg/m². Nunca realizou avaliação de massa óssea. Qual a conduta de rastreamento de osteoporose indicada para esta paciente?
Correta: As diretrizes brasileiras e internacionais recomendam rastreamento universal de osteoporose com densitometria óssea (DXA) de coluna lombar e fêmur em TODAS as mulheres a partir dos 65 anos, independentemente de sintomas ou fatores de risco (aos 67 anos ela já tem indicação clara). Erra: idade ≥65 anos é, por si só, indicação de DXA — a ausência de outros fatores não isenta do rastreio. Erra: radiografia só detecta perda óssea >30% e serve para avaliar fraturas vertebrais, não para rastrear/diagnosticar osteoporose. Erra: cálcio e fósforo costumam ser normais na osteoporose primária e não medem massa óssea. Erra: postergar contraria a recomendação de rastrear aos 65 anos e a prevenção pré-fratura.
Mulher, 64 anos, na pós-menopausa, sofreu fratura de punho (rádio distal) após queda da própria altura enquanto caminhava em casa. Nega uso de corticoide ou doenças osteometabólicas conhecidas. A densitometria óssea mostra T-score de -2,1 no colo femoral (menor valor). Cálcio, fósforo, TSH e função renal normais. Com base nesses dados, qual a interpretação diagnóstica e a conduta corretas?
Correta: a ocorrência de fratura por fragilidade (queda da própria altura, baixo impacto) em sítio típico como punho define osteoporose CLINICAMENTE estabelecida, independentemente do valor densitométrico — logo há indicação de tratamento farmacológico (ex.: bisfosfonato), além de cálcio/vitamina D. Erra: embora o T-score de -2,1 esteja na faixa de osteopenia (-1,0 a -2,5), a fratura de fragilidade reclassifica o quadro como osteoporose; cálcio/vitamina D isolados são insuficientes. Erra T-score -2,1 não é normal e há fratura — repetir em 5 anos posterga tratamento indicado. Erra 'osteoporose grave' exige T-score ≤ -2,5 com fratura, e não há critério de internação. Erra em mulher na pós-menopausa usa-se o T-score (comparação com adulto jovem), não o Z-score, que se aplica a pré-menopausa/homens jovens.
Mulher, 58 anos, na pós-menopausa há 6 anos, mãe com fratura de quadril, tabagista (20 maços-ano). Assintomática, sem fraturas prévias. A densitometria mostra T-score de -1,8 no colo femoral (faixa de osteopenia). Ao aplicar o FRAX (calibrado para o Brasil, sem o valor de DXA já ajustado), obtém-se risco em 10 anos de fratura osteoporótica maior de 22% e de fratura de quadril de 3,5%. Exames laboratoriais osteometabólicos normais. Qual a conduta mais adequada?
Correta: Em pacientes com osteopenia (T-score entre -1,0 e -2,5), a decisão de tratar baseia-se na estratificação de risco pelo FRAX: os limiares consagrados indicam terapia quando o risco em 10 anos de fratura osteoporótica maior é ≥20% ou de fratura de quadril é ≥3%. Esta paciente atinge ambos (22% e 3,5%), portanto há indicação de tratamento farmacológico, sendo o alendronato (bisfosfonato) a primeira linha. Erra: cálcio/vitamina D são adjuvantes, mas insuficientes diante de risco elevado pelo FRAX. Erra: postergar 2 anos ignora que o risco já ultrapassa o limiar de intervenção. Erra: o critério densitométrico (T ≤ -2,5) NÃO é a única via de indicação — osteopenia com FRAX acima do limiar também indica tratar. Erra: a terapia hormonal não é primeira linha para tratar osteopenia/osteoporose estabelecida (é opção de prevenção em contexto de sintomas vasomotores); a primeira escolha antifratura é o bisfosfonato.
Mulher, 71 anos, na menopausa há 20 anos, comparece ao ambulatório após sofrer queda da própria altura em casa, sem trauma de alta energia. Refere dor lombar intensa desde a queda. Radiografia de coluna toracolombar evidencia fratura por compressão do corpo vertebral de L1. Nega uso de corticoide e não tem histórico de neoplasia. Densitometria óssea (DEXA) realizada na sequência mostra T-score de -2,2 no colo femoral e -2,3 na coluna lombar (VR: normal ≥ -1,0; osteopenia entre -1,0 e -2,5; osteoporose ≤ -2,5). Exames laboratoriais (cálcio, fósforo, 25-OH-vitamina D, função renal e PTH) sem alterações. Qual é a conduta mais adequada?
Correta: Uma fratura por fragilidade (queda da própria altura, baixo impacto) em vértebra ou quadril define osteoporose clinicamente, independentemente do valor do T-score — mesmo que a DEXA esteja na faixa de osteopenia. Portanto está indicado tratamento farmacológico antirreabsortivo (bisfosfonato oral, ex.: alendronato) associado à otimização de cálcio e vitamina D, após já ter afastado causas secundárias (labs normais). Erra porque a presença da fratura por fragilidade 'reclassifica' o quadro para osteoporose, tornando insuficiente a conduta apenas de suplementação e seguimento. Erra ao ignorar que a fratura por fragilidade, e não só o T-score, guia o diagnóstico. Erra: sem sinais de alarme para malignidade (mecanismo compatível com fratura osteoporótica, labs normais), a cintilografia não é o próximo passo e apenas atrasaria o tratamento. Erra porque, aos 71 anos e 20 anos de menopausa, a terapia hormonal não é primeira linha para tratamento de osteoporose/prevenção de fraturas — os bisfosfonatos são a escolha inicial.
Mulher de 63 anos, na pós-menopausa há 12 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde com queixa de dor lombar crônica. Nega tabagismo, uso de corticoide ou história familiar relevante. A densitometria óssea (DXA) revelou T-score de -2,8 em colo femoral, confirmando osteoporose. Diante do achado, o médico solicitou exames complementares para investigar causas secundárias, obtendo: cálcio total 11,4 mg/dL (referência 8,5-10,2), fósforo 2,4 mg/dL (referência 2,5-4,5) e fosfatase alcalina discretamente elevada. A paciente encontra-se assintomática do ponto de vista renal e sem litíase prévia. Considerando o quadro, qual é a conduta mais apropriada antes de iniciar tratamento para a osteoporose?
Correta: Osteoporose com hipercalcemia + hipofosfatemia levanta forte suspeita de hiperparatireoidismo primário (causa secundária), e o próximo passo é dosar o PTH para confirmar. Erro clássico de atribuir tudo à menopausa e ignorar a hipercalcemia. Repor cálcio em paciente hipercalcêmica é contraindicado e agravaria o quadro. Estrogênio não trata a causa e a reposição ainda mexige antes esclarecer a hipercalcemia.
Mulher de 66 anos, na pós-menopausa, sem fraturas prévias e sem uso de medicamentos que afetem o metabolismo ósseo, é encaminhada pela equipe de Saúde da Família para rastreamento de osteoporose por ter mais de 65 anos. Ela é assistida em UBS do SUS, mantém-se ativa e nega quedas recentes. Realizou densitometria óssea (DXA) que evidenciou T-score de -2,6 no colo do fêmur e -2,5 na coluna lombar. Não há hipercalcemia nem outras alterações laboratoriais. De acordo com os critérios diagnósticos da Organização Mundial da Saúde, qual é o diagnóstico densitométrico dessa paciente?
Correta: Pelo critério da OMS, em mulher na pós-menopausa, T-score menor ou igual a -2,5 define osteoporose; a paciente tem -2,6, portanto osteoporose. Normal seria T-score maior ou igual a -1,0. Osteopenia é T-score entre -1,0 e -2,5. Osteomalácia é defeito de mineralização (clínico/laboratorial, geralmente por deficiência de vitamina D), não um diagnóstico densitométrico por T-score.
Mulher de 70 anos comparece à emergência de UPA após queda da própria altura no banheiro, evoluindo com dor torácica dorsal intensa. Radiografia de coluna evidencia fratura por compressão de vértebra torácica (T8), sem trauma de alta energia. A paciente é hipertensa, na pós-menopausa há 20 anos, e traz densitometria óssea recente com T-score de -1,9 em colo femoral, dentro da faixa de osteopenia. Função renal normal e cálcio sérico normal. Após analgesia e estabilização, a equipe discute o manejo de longo prazo. Considerando as diretrizes brasileiras, qual é, respectivamente, o diagnóstico e a conduta mais adequada?
Correta: fratura por fragilidade — queda da própria altura, baixo impacto — em vértebra estabelece o diagnóstico de osteoporose clínica independentemente do T-score, e o tratamento de primeira linha é o bisfosfonato associado a cálcio e vitamina D. Chamar de osteopenia e apenas suplementar subestima o quadro: a fratura por fragilidade já indica tratamento antirreabsortivo. Tratar como fratura traumática isolada erra o mecanismo: não houve alta energia, e a fratura é marcador de osteoporose. E a osteomalácia é defeito de mineralização, não compatível com cálcio normal e com fratura por fragilidade típica de osteoporose.
Uma mulher de 62 anos, branca, comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina. Está na menopausa desde os 49 anos e nunca usou terapia hormonal. Refere caminhadas três vezes por semana, nega tabagismo e etilismo. Nega fraturas prévias e nega histórico de fratura de quadril nos pais. Não usa corticoide nem outras medicações contínuas. Ao exame: bom estado geral, IMC 24 kg/m², altura 1,60 m (sem perda de estatura documentada), coluna sem deformidades, ausculta cardiopulmonar normal. Traz exames laboratoriais recentes sem alterações. A paciente pergunta se precisa de algum exame para "ver os ossos".
Correta: as diretrizes brasileiras (Febrasgo/SBDens) e a USPSTF indicam DXA para toda mulher a partir dos 65 anos e, abaixo dessa idade, apenas para a pós-menopáusica com fator de risco adicional (fratura prévia por baixo impacto, fratura de quadril em parente de 1º grau, baixo IMC, tabagismo, etilismo, corticoterapia, artrite reumatoide, menopausa precoce). A paciente tem 62 anos e nenhum fator de risco, logo cabe prevenção e rastreamento programado aos 65 anos. Erra: rastrear universalmente toda pós-menopausa gera exame sem impacto em desfecho. Erra: tempo de menopausa isolado não indica DXA. Erra: radiografia não é método de rastreamento de osteoporose (só detecta perda óssea tardia, acima de 30%); serve para identificar fratura vertebral, não para medir massa óssea.
Uma mulher de 66 anos é atendida na unidade de saúde da família trazendo densitometria óssea solicitada na consulta anterior. Menopausa aos 51 anos, sem terapia hormonal. Nega fraturas, nega quedas no último ano e nega uso de corticoide. Ao exame físico, sem alterações, IMC 23 kg/m². A densitometria mostra: coluna lombar (L1-L4) T-score -1,8; colo femoral T-score -2,1; fêmur total T-score -1,9. Exames laboratoriais: cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, creatinina e TSH normais; 25-OH-vitamina D 34 ng/mL. A paciente relata ingestão diária de aproximadamente dois copos de leite e uma fatia de queijo, e é sedentária.
Correta: pelo critério da OMS, T-score entre -1,0 e -2,5 em qualquer sítio define osteopenia (baixa massa óssea); o menor T-score aqui é -2,1 (colo femoral). Sem fratura por fragilidade e sem alto risco calculado, a conduta do generalista é não farmacológica: cálcio adequado (~1.200 mg/dia, preferencialmente dieta), vitamina D, exercícios resistidos e com impacto, e prevenção de quedas, com reavaliação por DXA em alguns anos. Erra: o ponto de corte: osteoporose exige T-score ≤ -2,5, e bisfosfonato não está indicado em osteopenia sem alto risco. Erra: duplamente: osteoporose estabelecida exige T-score ≤ -2,5 com fratura por fragilidade, e teriparatida é reservada a casos graves/falha terapêutica. Erra: densidade normal é T-score ≥ -1,0, e omitir medidas preventivas contraria a integralidade do cuidado.
Uma mulher de 58 anos procura a unidade básica de saúde com dor lombar de início súbito há uma semana, após pegar um saco de compras do chão, sem queda. A dor piora ao levantar-se e melhora em repouso. Menopausa aos 44 anos, sem terapia hormonal. Faz uso de prednisona 10 mg/dia há dois anos por artrite reumatoide. Tabagista (20 maços-ano), IMC 21 kg/m². Refere ter perdido cerca de 4 cm de altura nos últimos anos. Ao exame: dor à percussão do processo espinhoso de T12, sem déficit neurológico, sem febre. Radiografia de coluna toracolombar mostra fratura por acunhamento do corpo vertebral de T12, sem outras alterações.
Correta: fratura vertebral por fragilidade (trauma mínimo, como levantar peso) em mulher na pós-menopausa define osteoporose estabelecida por critério clínico, independentemente do T-score; a paciente ainda soma menopausa precoce (44 anos), corticoterapia crônica, tabagismo e baixo IMC. Indica-se tratamento farmacológico (bisfosfonato, ex.: alendronato) com cálcio e vitamina D, DXA basal para seguimento e investigação de causas secundárias (cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função renal, TSH, 25-OH-vitamina D). Erra: condicionar o tratamento ao T-score atrasa a terapia em quem já tem o diagnóstico clínico e o maior preditor de nova fratura. Erra: tratar só a dor ignora o risco iminente de nova fratura. Erra: vertebroplastia não é primeira linha na fratura vertebral osteoporótica recente sem déficit e não substitui o tratamento da doença de base.
Mulher de 63 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Menopausa aos 49 anos, sem terapia hormonal. Nega fraturas prévias, quedas ou uso de corticoide. Mãe teve fratura de quadril aos 70 anos. Tabagista (20 anos-maço), sedentária, IMC 21 kg/m². Exame físico sem alterações; altura estável em relação à medida de dois anos atrás. Traz densitometria óssea (DXA) solicitada na consulta anterior, com os seguintes resultados: coluna lombar T-score -2,1 e colo do fêmur T-score -2,7. Cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, creatinina, TSH e 25-hidroxivitamina D dentro dos valores de referência. Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, o diagnóstico densitométrico e a conduta mais adequada para o caso.
O diagnóstico densitométrico de osteoporose em mulher na pós-menopausa é feito pelo menor T-score entre os sítios avaliados: T-score ≤ -2,5 (aqui, colo do fêmur -2,7) define osteoporose, independentemente de o valor lombar estar na faixa de osteopenia. Confirmado o diagnóstico e afastadas causas secundárias (exames metabólicos normais), o tratamento de primeira linha é o bisfosfonato oral (alendronato), associado a cálcio, vitamina D, exercícios com carga, cessação do tabagismo e prevenção de quedas. A alternativa que fala em osteopenia usa o valor lombar isolado, o que é incorreto. Dizer que a densidade é normal ignora o critério da OMS. A investigação de causa secundária já foi feita e resultou normal, não justificando encaminhamento nem postergar o tratamento — conduta do generalista na atenção primária.
Mulher de 66 anos, assintomática, comparece à Unidade de Saúde da Família para consulta de rotina. Menopausa aos 51 anos, sem uso de terapia hormonal. Nega fraturas, quedas, tabagismo, etilismo ou uso de corticoide; não tem histórico familiar de fratura de quadril. Caminha três vezes por semana e tem dieta variada, com consumo regular de laticínios. Exame físico: IMC 25 kg/m², altura 1,60 m (sem perda de estatura documentada), sem deformidades da coluna e sem outras alterações. Nunca realizou densitometria óssea. Exames laboratoriais recentes de rotina, sem alterações. De acordo com as recomendações de rastreamento de osteoporose, a conduta adequada é
O rastreamento de osteoporose com densitometria óssea (DXA) está indicado para todas as mulheres a partir dos 65 anos, independentemente da presença de outros fatores de risco (abaixo dessa idade, indica-se em pós-menopausadas com fatores de risco). A paciente tem 66 anos e nunca realizou o exame, portanto a DXA de coluna lombar e fêmur proximal é a conduta correta. A radiografia simples é insensível — só evidencia rarefação com perda óssea acentuada — e não é método de rastreamento. Iniciar bisfosfonato empiricamente é inadequado, pois o tratamento depende do diagnóstico densitométrico ou de fratura por fragilidade. Deixar de rastrear contraria a recomendação, já que a idade por si só é a indicação.
Mulher de 61 anos é atendida na Unidade Básica de Saúde com dor lombar de forte intensidade iniciada há três semanas, após escorregar e cair da própria altura no banheiro. Menopausa aos 50 anos. Nega uso de corticoide, neoplasia, febre ou perda ponderal. Ao exame: dor à palpação de processos espinhosos em transição toracolombar, sem déficit neurológico; refere ter perdido cerca de 3 cm de altura nos últimos anos. Radiografia de coluna: fratura por compressão do corpo vertebral de T12, sem sinais líticos. Densitometria óssea: coluna lombar T-score -1,9 e colo do fêmur T-score -1,7. Cálcio, creatinina, fosfatase alcalina, TSH e 25-hidroxivitamina D normais. A conduta mais adequada é
Fratura por fragilidade (trauma de baixa energia, como queda da própria altura) em vértebra ou quadril em mulher na pós-menopausa estabelece o diagnóstico clínico de osteoporose independentemente do valor do T-score — por isso a densitometria na faixa de osteopenia não afasta a doença, e o tratamento antirreabsortivo (bisfosfonato) associado a cálcio, vitamina D, analgesia e prevenção de quedas deve ser iniciado. Apenas observar e repetir a DXA deixa sem tratamento uma paciente de altíssimo risco de nova fratura. A terapia hormonal da menopausa não é o tratamento de escolha para fratura osteoporótica já estabelecida nessa faixa etária. A radiografia sem lesão lítica, na ausência de febre, neoplasia conhecida ou perda ponderal, não sustenta indicação de biópsia.
Uma mulher de 68 anos, na menopausa desde os 50 anos, comparece à consulta na unidade básica de saúde para acompanhamento de rotina. É assintomática, nunca fraturou nenhum osso, não fuma, não usa corticoide e não tem história familiar de fratura de quadril. O médico solicitou densitometria óssea (DXA) por rastreamento, conforme a faixa etária. O exame mostrou T-escore de -2,7 na coluna lombar e de -2,0 no colo do fêmur. Os exames laboratoriais complementares (cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, função renal, TSH e 25-OH-vitamina D) estão dentro da normalidade. De acordo com os critérios diagnósticos densitométricos da Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico dessa paciente é
Correta: pelos critérios densitométricos da OMS, aplicados a mulheres na pós-menopausa, considera-se normal T-escore ≥ -1,0; osteopenia (baixa massa óssea) entre -1,0 e -2,5; e osteoporose quando T-escore ≤ -2,5 em qualquer sítio avaliado (coluna lombar, colo do fêmur ou fêmur total). O valor de -2,7 na coluna lombar fecha o diagnóstico de osteoporose, independentemente de o colo femoral estar em faixa de osteopenia — usa-se o PIOR sítio. Normal: incorreta, pois o T-escore lombar é francamente patológico. Osteopenia: incorreta, pois o critério considera o menor valor (-2,7), e não o de -2,0. Osteoporose estabelecida (grave): incorreta, pois esse termo exige fratura por fragilidade associada, e a paciente nunca fraturou.
Uma mulher de 75 anos recebe alta hospitalar após osteossíntese de fratura transtrocantérica do fêmur esquerdo, ocorrida por queda da própria altura em casa. Evoluiu bem no pós-operatório, iniciou fisioterapia e deambula com andador. Mora sozinha, em casa com tapetes soltos e sem barras de apoio no banheiro; relata dois episódios de queda no último ano. Não faz uso de corticoide nem de medicação antirreabsortiva, e a dosagem de 25-OH-vitamina D está baixa. Cálcio, fósforo, função renal e TSH estão normais. Retorna à unidade básica de saúde para seguimento. Quanto à prevenção de novas fraturas nessa paciente, a conduta mais adequada é
Correta: fratura de quadril por trauma de baixa energia (queda da própria altura) em mulher idosa É fratura por fragilidade e define osteoporose estabelecida por critério CLÍNICO — o tratamento está indicado independentemente da densitometria. A conduta é iniciar antirreabsortivo de primeira linha (alendronato), garantir aporte de cálcio e corrigir a hipovitaminose D, e atuar sobre o principal fator de risco modificável da paciente: as quedas (retirar tapetes, instalar barras de apoio e iluminação, revisar medicações sedativas, manter fisioterapia/fortalecimento). Apenas cálcio e vitamina D: incorreta, pois são adjuvantes e isoladamente não reduzem de forma suficiente o risco de nova fratura em quem já fraturou. Aguardar a DXA para tratar: incorreta, pois retarda o tratamento em paciente já com indicação clínica firmada (a DXA serve para seguimento, não como condição para iniciar). Estrogenioterapia: incorreta, pois não é tratamento de escolha da osteoporose, e aos 75 anos, com mais de 20 anos de menopausa, o risco cardiovascular e tromboembólico supera o benefício ósseo.
Uma mulher de 68 anos comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina. Refere menopausa aos 49 anos, sem uso de terapia hormonal. Nega tabagismo e etilismo. É hipertensa em uso de losartana e teve fratura de punho direito há dois anos após queda da própria altura. A mãe sofreu fratura de quadril aos 72 anos. Ao exame: bom estado geral, IMC 21 kg/m², PA 130 x 80 mmHg, sem dor à palpação da coluna. Traz densitometria óssea recente: T-score de -2,1 em coluna lombar e -2,3 em colo femoral. Exames laboratoriais mostram cálcio total 9,4 mg/dL, fósforo 3,5 mg/dL, creatinina 0,8 mg/dL, TSH 2,1 mUI/L e 25-OH-vitamina D 34 ng/mL. Qual é o diagnóstico e a conduta adequada, respectivamente?
A presença de fratura por fragilidade (queda da própria altura, trauma de baixo impacto) em mulher na pós-menopausa define OSTEOPOROSE ESTABELECIDA independentemente do T-score — o diagnóstico é clínico e prevalece sobre a densitometria. Portanto há indicação formal de tratamento farmacológico, e o bisfosfonato (alendronato) é a primeira linha recomendada pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Osteoporose do Ministério da Saúde, sempre associado a cálcio e vitamina D e a medidas não farmacológicas. Errada: porque, apesar do T-score estar na faixa de osteopenia, a fratura prévia por fragilidade já qualifica osteoporose e obriga tratamento medicamentoso — postergar expõe a paciente a nova fratura. Errada porque a terapia hormonal não é primeira linha para tratamento de osteoporose, especialmente em mulher com 19 anos de menopausa (risco cardiovascular e tromboembólico supera o benefício ósseo nessa janela). Errada porque T-score entre -1 e -2,5 nunca é 'normal', e existe fratura prévia documentada.
Um homem de 74 anos é atendido na unidade de saúde da família com queixa de dor lombar de forte intensidade há três semanas, iniciada após esforço leve ao levantar um balde. Refere perda de 4 cm de estatura no último ano. Tem antecedente de asma persistente grave, em uso de prednisona 10 mg/dia há cerca de três anos, além de corticoide inalatório. Nega tabagismo. Ao exame: dor à percussão de processos espinhosos em região torácica baixa, sem déficit neurológico, força e reflexos preservados. A radiografia de coluna toracolombar evidencia acunhamento anterior do corpo vertebral de T12, sem lesões líticas. Exames: cálcio total 9,1 mg/dL, fósforo 3,2 mg/dL, fosfatase alcalina 96 U/L, creatinina 1,0 mg/dL, hemograma normal e eletroforese de proteínas séricas sem pico monoclonal. Qual é a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais apropriada, respectivamente?
O quadro é típico de fratura vertebral por fragilidade em paciente com osteoporose induzida por glicocorticoide: uso de prednisona ≥ 5 mg/dia por mais de três meses é fator de risco maior, e a perda de estatura com acunhamento vertebral após esforço trivial confirma fratura por baixo impacto. A conduta é analgesia, cálcio e vitamina D e bisfosfonato — nesse contexto o tratamento independe da densitometria, e deve-se sempre revisar a possibilidade de reduzir o corticoide para a menor dose eficaz. Errada porque não há febre, síndrome inflamatória nem envolvimento discal/erosão de plataformas na imagem — o acunhamento isolado não sugere infecção. Errada porque a radiografia não mostra lesões líticas ou blásticas e a eletroforese é normal; investigar neoplasia é razoável no diferencial, mas não justifica postergar o tratamento da fratura osteoporótica, que é a hipótese principal pelo contexto de corticoterapia. Errada porque a osteomalácia cursa classicamente com fosfatase alcalina elevada, hipocalcemia e/ou hipofosfatemia (aqui todos normais), e tratar somente com vitamina D deixaria a osteoporose por corticoide sem terapia antirreabsortiva.
Mulher de 78 anos é levada à unidade de pronto atendimento após queda da própria altura no banheiro de casa, com dor intensa no quadril direito e incapacidade de deambular. Refere hipertensão arterial em uso de losartana, menopausa aos 49 anos e fratura de punho esquerdo há três anos, também após queda da própria altura, tratada com imobilização. Nega tabagismo e uso de corticoide. Ao exame: consciente, orientada, PA 140x85 mmHg, FC 92 bpm; membro inferior direito encurtado e em rotação externa, com dor à mobilização passiva do quadril. A radiografia de bacia em anteroposterior evidencia traço de fratura na região trocantérica do fêmur direito, com desvio. Exames laboratoriais iniciais sem alterações relevantes. Considerando o caso, qual é a conduta mais adequada?
Correta: a paciente apresenta fratura por fragilidade (queda da própria altura) em fêmur proximal — evento definidor de osteoporose estabelecida, que dispensa densitometria para iniciar tratamento farmacológico (o antecedente de fratura de punho por baixo impacto reforça o diagnóstico). Fratura transtrocantérica com desvio tem indicação de osteossíntese, idealmente com haste cefalomedular, e a cirurgia precoce (24-48 h) reduz mortalidade e complicações do imobilismo (TVP, pneumonia, úlcera por pressão, delirium). O tratamento antirreabsortivo (bisfosfonato) com cálcio e vitamina D deve ser iniciado ainda na internação/alta, junto à prevenção de novas quedas. Errada: tratamento conservador com tração e repouso prolongado em idoso é fator de mortalidade elevada e não é a conduta de escolha em fratura com desvio; postergar o antirreabsortivo não se justifica. Errada: exigir T-score ≤ -2,5 para tratar ignora que a fratura por fragilidade já define osteoporose clínica, mesmo com densitometria normal ou osteopenia; aguardar o exame atrasa a prevenção de nova fratura. Errada: artroplastia é opção para fratura de colo femoral desviada, não para fratura transtrocantérica, cujo tratamento padrão é a osteossíntese; além disso, cálcio e vitamina D isolados não constituem tratamento da osteoporose estabelecida.
Mulher de 68 anos, na pós-menopausa há 16 anos, comparece à Unidade Básica de Saúde após queda da própria altura, evoluindo com fratura de rádio distal (fratura de Colles). Nega uso de corticoide e outras comorbidades. A densitometria óssea (DXA) realizada mostra T-score de -1,9 no colo femoral (faixa de osteopenia). Diante desse quadro, qual é a conduta mais adequada?
A ocorrência de fratura por fragilidade (queda da própria altura) em sítio típico, como o rádio distal, em mulher na pós-menopausa, define osteoporose clinicamente e indica tratamento farmacológico mesmo com T-score na faixa de osteopenia; o bifosfonato (alendronato) é a primeira linha. A alternativa que oferece apenas cálcio e vitamina D subtrata uma paciente com doença estabelecida. Exigir T-score menor ou igual a -2,5 é o erro central: esse critério vale para pacientes SEM fratura; a fratura por fragilidade dispensa o ponto de corte densitométrico. A terapia hormonal não é primeira linha para tratar osteoporose estabelecida em mulher idosa, pelo perfil de risco cardiovascular e tromboembólico.
Mulher de 60 anos comparece à UBS para consulta de rotina. Refere menopausa aos 42 anos (precoce), é tabagista de longa data, tem baixo índice de massa corporal e relata que a mãe sofreu fratura de quadril aos 70 anos. Está assintomática e nunca fez densitometria. Qual a conduta mais apropriada em relação ao rastreamento de osteoporose?
Embora o rastreamento universal com DXA seja recomendado a partir dos 65 anos em mulheres, deve ser antecipado em mulheres pós-menopausa com menos de 65 anos que apresentem fatores de risco, como menopausa precoce, tabagismo, baixo peso e história familiar de fratura de quadril; portanto a densitometria está indicada agora. Aguardar até os 65 anos ignora o risco aumentado dessa paciente. Iniciar bifosfonato sem densitometria trata sem definir a indicação e o T-score de base. Suplementar apenas cálcio e adiar a avaliação por 5 anos posterga um diagnóstico que muda a conduta.
Durante uma capacitação sobre saúde da mulher na Atenção Primária, discute-se o rastreamento de osteoporose. Considerando uma mulher na pós-menopausa, assintomática e SEM fatores de risco adicionais, a partir de qual idade está indicado o rastreamento de rotina com densitometria óssea (DXA)?
Para mulheres na pós-menopausa assintomáticas e sem fatores de risco adicionais, o rastreamento de rotina da osteoporose com densitometria óssea está indicado a partir dos 65 anos. As idades de 50, 55 e 60 anos só justificam antecipar o exame quando há fatores de risco (menopausa precoce, tabagismo, baixo peso, uso de corticoide, história familiar de fratura), o que não é o caso descrito; na ausência desses, a idade de corte permanece 65 anos.
Mulher de 67 anos, na pós-menopausa há 15 anos, comparece à UBS para consulta de rotina. Há 3 meses, radiografia solicitada por dorsalgia evidenciou fratura por compressão da vértebra T12, sem antecedente de trauma significativo. Nega uso de corticoide, tabagismo ou etilismo. Densitometria óssea recente: T-score de -2,1 no colo femoral e -1,9 na coluna lombar. Cálcio e 25-OH-vitamina D normais. Qual a conduta mais adequada?
Uma fratura por fragilidade (baixo impacto) de vértebra ou de fêmur proximal estabelece o diagnóstico clínico de osteoporose e indica tratamento, mesmo quando o T-score está na faixa de osteopenia (entre -1,0 e -2,5). O bisfosfonato oral (alendronato) é a primeira linha, disponível no SUS. Tanto manter apenas a suplementação de cálcio e vitamina D com nova densitometria em 2 anos quanto deixar de tratar por considerar o quadro apenas osteopenia erram ao ancorar a decisão somente no T-score, ignorando a fratura, que é o dado mais relevante. Encaminhar ao reumatologista para pulsoterapia com corticoide é inadequado: o manejo inicial cabe à atenção primária e não se usa pulsoterapia na osteoporose.
Homem de 54 anos é atendido em ambulatório de referência após fratura de colo femoral decorrente de queda da própria altura. A densitometria óssea mostra T-score de -2,7 no colo femoral. Ao interrogatório, relata fadiga progressiva e diminuição da libido há cerca de um ano. Antes de iniciar terapia antirreabsortiva, qual é a conduta mais apropriada?
Osteoporose em homem, sobretudo com sinais sugestivos de causa secundária (aqui, hipogonadismo: fadiga e redução da libido), obriga investigação etiológica com exames laboratoriais antes ou concomitante ao tratamento, pois causas secundárias são frequentes no sexo masculino (hipogonadismo, hiperparatireoidismo, hipertireoidismo, deficiência de vitamina D). Iniciar bisfosfonato de imediato, supondo que o diagnóstico densitométrico dispensa investigação adicional, ignora essa alta prevalência. Solicitar apenas nova densitometria em 12 meses posterga a conduta sem esclarecer a causa. A densitometria de corpo inteiro avalia composição corporal, não o metabolismo ósseo.
Mulher de 70 anos, na pós-menopausa, recebe diagnóstico de osteoporose (T-score de -3,0 na coluna lombar), sem fraturas prévias e sem contraindicações. Já faz uso adequado de cálcio e vitamina D. Na UBS, qual é o medicamento de primeira linha para reduzir o risco de fraturas?
Os bisfosfonatos orais, como o alendronato, são a primeira linha no tratamento da osteoporose pós-menopáusica, com forte evidência de redução de fraturas, baixo custo e disponibilidade no SUS. A teriparatida (anabólico) e o denosumabe ficam reservados a casos graves, refratários ou de intolerância aos bisfosfonatos. O raloxifeno (SERM) é opção de segunda linha, com menor eficácia na prevenção de fratura de quadril.
Mulher de 71 anos é atendida em centro de referência após sofrer fratura de punho ao apoiar a mão em uma queda da própria altura. É a segunda fratura por baixo impacto em dois anos, sendo a primeira vertebral, identificada em radiografia. Não faz uso de corticoide e nega outras comorbidades. A densitometria óssea ainda não foi realizada na rede. Qual é a conduta mais adequada para o manejo da osteoporose nesta paciente?
A ocorrência de fratura por fragilidade em sítio típico já estabelece o diagnóstico clínico de osteoporose e indica tratamento farmacológico, sendo o bifosfonato (ex.: alendronato) a primeira linha, sempre associado a cálcio e vitamina D. Aguardar a densitometria retarda uma indicação já definida pela fratura. Cálcio e vitamina D isolados não tratam adequadamente a osteoporose estabelecida. A terapia de reposição hormonal não é primeira linha para osteoporose nessa faixa etária, pelo perfil de risco.
Mulher de 63 anos comparece a consulta ambulatorial de rotina. Menopausa aos 51 anos, sem terapia hormonal. Nega fraturas prévias e quedas. Mãe sofreu fratura de quadril aos 70 anos. Tabagista (1 maço/dia há 30 anos). Peso 52 kg, altura 1,64 m (IMC 19,3 kg/m²). Densitometria óssea: coluna lombar T-score −2,2; colo femoral T-score −1,8. Cálcio, fósforo, creatinina, TSH e 25-OH-vitamina D (34 ng/mL) normais. FRAX-Brasil com DMO: risco em 10 anos de fratura osteoporótica maior 21% e de fratura de quadril 3,4%. Assinale a conduta adequada.
Na faixa de osteopenia (T-score entre −1,0 e −2,5), o tratamento farmacológico é indicado quando o FRAX ultrapassa os limiares de intervenção — probabilidade de fratura osteoporótica maior ≥ 20% ou de quadril ≥ 3% em 10 anos. A paciente tem 21% e 3,4%, com fatores somados (história materna de fratura de quadril, tabagismo, baixo IMC): o alendronato com cálcio e vitamina D é a primeira linha. Orientar apenas medidas não farmacológicas e repetir a densitometria em dois anos perde a janela de prevenção em quem já cruzou o limiar de intervenção. Reservar o antirreabsortivo para quando o T-score chegar a −2,5 é justamente a pegadinha: o diagnóstico densitométrico não é o único gatilho de tratamento. E a terapia hormonal com estrogênios conjugados não é primeira escolha aos 63 anos (mais de 10 anos de menopausa), pelo perfil de risco cardiovascular e tromboembólico.
Mulher de 55 anos, em acompanhamento na unidade básica de saúde, com menopausa aos 52 anos. Há 8 meses recebeu diagnóstico de artrite reumatoide e está em uso de metotrexato e prednisona 7,5 mg/dia, esta última mantida sem interrupção há 6 meses. Nega fraturas, quedas, tabagismo e etilismo. Peso 62 kg, altura 1,60 m (IMC 24,2 kg/m²). Nunca realizou densitometria óssea. Exame físico sem alterações relevantes além de sinovite discreta em mãos. Assinale a conduta adequada quanto ao rastreamento de osteoporose nessa paciente.
Correta: o rastreamento com densitometria é indicado em toda mulher com ≥ 65 anos, mas deve ser antecipado nas pós-menopáusicas mais jovens com fatores de risco. O uso de glicocorticoide sistêmico em dose ≥ 5 mg/dia de prednisona por ≥ 3 meses é fator de risco maior e indica DXA imediata (além da própria artrite reumatoide, causa secundária no FRAX). Errada: a idade de 65 anos vale para a mulher sem fatores de risco — aqui há dois. Errada: a radiografia detecta fratura vertebral prevalente, mas não é exame de rastreamento de massa óssea; é pouco sensível para perda óssea inicial. Errada: cálcio e vitamina D isolados não substituem a avaliação de risco em paciente sob corticoterapia prolongada.
Mulher de 70 anos, menopausa aos 50 anos, assintomática, é encaminhada ao ambulatório com densitometria óssea recente: coluna lombar (L1–L4) T-score −1,4; colo femoral T-score −2,7; fêmur total T-score −2,4. O laudo descreve espondiloartrose acentuada de L2 a L4 e calcificação aórtica. Refere perda de 4 cm de estatura nos últimos anos. Nega fraturas conhecidas e uso de corticoide. Cálcio, fósforo, creatinina, TSH, PTH e 25-OH-vitamina D estão normais. Assinale a interpretação e a conduta corretas.
Correta: alterações degenerativas da coluna (osteófitos, esclerose facetária) e calcificação aórtica aumentam artificialmente a densidade medida em L1–L4, tornando o T-score lombar falsamente elevado em idosas. Nessa situação, vale o sítio válido de menor T-score — o colo femoral (−2,7) — que fecha o critério densitométrico de osteoporose (T-score ≤ −2,5), com indicação de tratamento farmacológico (bisfosfonato como primeira linha) associado a cálcio e vitamina D. A perda de 4 cm de estatura ainda reforça a suspeita de fratura vertebral, justificando radiografia toracolombar. Errada: classificar pelo sítio contaminado subestima a doença — a discordância entre sítios não invalida o diagnóstico. Errada: a discordância é explicada pela artrose, não por falha técnica; repetir o exame só atrasa o tratamento. Errada: laboratório normal afasta as causas secundárias frequentes; biópsia óssea não tem papel na osteoporose pós-menopáusica típica.
Mulher de 72 anos procura a UBS por dor lombar há 3 meses, iniciada após carregar uma sacola de compras. Menopausa aos 48 anos, ex-tabagista, sem uso de corticoide. Exame físico: cifose dorsal acentuada, perda de 5 cm de estatura, sem déficit neurológico. Radiografia de coluna: fratura por compressão de T12. Densitometria: T-score de -3,6 em colo femoral. Exames: cálcio total 8,7 mg/dL (VR 8,5-10,2), albumina 4,0 g/dL, fósforo 3,2 mg/dL (VR 2,5-4,5), 25-OH-vitamina D 11 ng/mL, PTH 82 pg/mL (VR 15-65), creatinina 0,8 mg/dL (TFGe 79 mL/min/1,73m²). A equipe programa ácido zoledrônico 5 mg EV. Assinale a conduta adequada neste momento.
A paciente tem osteoporose estabelecida (fratura vertebral por fragilidade + T-score -3,6), com indicação formal de antirreabsortivo potente. Porém apresenta deficiência grave de vitamina D (11 ng/mL) com hiperparatireoidismo secundário (PTH 82, cálcio no limite inferior). Bisfosfonato EV e denosumabe são as drogas de maior risco de hipocalcemia sintomática quando administradas nesse cenário — todas as bulas e diretrizes (SBEM/AACE) exigem repleção de vitamina D e cálcio ANTES de iniciar. Logo, a conduta é repor colecalciferol até 25-OH-D adequada (>30 ng/mL) com normalização do PTH e só então infundir. Correta: Inverte a sequência e expõe a paciente à hipocalcemia pós-infusão, complicação clássica do zoledrônico em deficiente de vitamina D. Denosumabe é o antirreabsortivo com MAIOR risco de hipocalcemia grave nesse contexto, não o mais seguro. Raloxifeno também requer repleção, é de baixa potência antifratura vertebral e não protege quadril — escolha ruim em fratura vertebral prevalente.
Mulher de 66 anos, menopausada aos 51 anos, comparece à UBS para avaliação de rotina. Assintomática, nunca sofreu fratura, sem quedas, não usa corticoide, não fuma e não ingere álcool. Exame físico: IMC 24 kg/m², altura preservada, coluna sem deformidades, sem dor à palpação. Traz densitometria óssea (DXA) de aparelho calibrado, com os seguintes resultados: coluna lombar (L1-L4) T-score de -2,6 e colo femoral T-score de -2,0. Cálcio, fósforo, fosfatase alcalina, PTH e 25-OH-vitamina D normais. Segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde, o diagnóstico densitométrico é
Pelos critérios da OMS, aplicáveis a mulheres na pós-menopausa, o diagnóstico densitométrico usa o T-score do MENOR valor entre os sítios avaliados: normal ≥ -1,0; osteopenia (baixa massa óssea) entre -1,0 e -2,5; osteoporose ≤ -2,5. Com T-score de -2,6 em coluna lombar, o diagnóstico é osteoporose, ainda que o colo femoral esteja em faixa de osteopenia. Correta: Osteopenia exigiria que TODOS os sítios estivessem entre -1,0 e -2,5. Osteoporose grave/estabelecida requer T-score ≤ -2,5 ASSOCIADO a fratura por fragilidade, ausente no caso. Osteomalácia é diagnóstico de mineralização deficiente, com hipovitaminose D, hipofosfatemia e fosfatase alcalina elevada — todos os exames aqui são normais.
Mulher de 72 anos, na pós-menopausa desde os 50 anos, comparece ao ambulatório após tratamento de fratura de rádio distal decorrente de queda da própria altura há 2 meses. Nega tabagismo, etilismo e uso de corticoide. A densitometria óssea (DXA) revela T-score de -2,0 no colo femoral e -2,3 na coluna lombar. Cálcio sérico, 25-OH-vitamina D e função renal estão normais. Considerando o quadro, qual a conduta em relação ao diagnóstico e tratamento?
O raciocínio exige integrar clínica e DXA: uma fratura por fragilidade (queda da própria altura) em pós-menopausada, mesmo com T-score na faixa de osteopenia (-1,0 a -2,5), define osteoporose e indica tratamento farmacológico. O bisfosfonato oral é a primeira linha, sempre com reposição de cálcio e vitamina D. Rotular o caso apenas como osteopenia ignora que a fratura por fragilidade estabelece o diagnóstico independentemente do T-score. Adiar o tratamento expõe a paciente a nova fratura. A teriparatida é reservada a casos graves/refratários ou muito alto risco, não é primeira linha aqui.
Mulher de 58 anos, menopausa aos 51 anos, comparece ao ambulatório após queda da própria altura em ambiente domiciliar há dois meses, com fratura de rádio distal já consolidada. Nega uso de corticoide, tabagismo ou etilismo. IMC 23 kg/m². Exame físico sem alterações; sem redução de estatura. Traz densitometria óssea atual: T-score de -2,3 em coluna lombar e -2,0 em colo femoral. Cálcio, fósforo, TSH, PTH, função renal e 25-OH-vitamina D dentro da normalidade. Assinale a conduta mais adequada.
Fratura por fragilidade (queda da própria altura) em mulher na pós-menopausa define osteoporose estabelecida mesmo com T-score na faixa de osteopenia, e é indicação formal de tratamento farmacológico — bisfosfonato oral é a primeira linha, sempre com cálcio e vitamina D e após exclusão de causas secundárias (já feita). Observação e nova DXA em 2 anos subtratam uma paciente que já fraturou. Terapia hormonal não é primeira escolha para tratar osteoporose estabelecida, tendo indicação principal em sintomas vasomotores da transição menopáusica. Teriparatida é anabólico reservado a muito alto risco (fratura vertebral/quadril, falha ou múltiplas fraturas), não a fratura isolada de punho.
Paciente de 58 anos, na pós-menopausa desde os 49 anos, assintomática, comparece à unidade básica para consulta de rotina. Refere tabagismo de 25 anos-maço e mãe com fratura de quadril aos 70 anos. IMC 18,7 kg/m². Nunca realizou densitometria óssea. Nega uso de corticoide, fraturas prévias ou quedas. Exame físico sem alterações, estatura estável. Assinale a conduta correta quanto ao rastreamento de osteoporose nesta paciente.
O rastreamento é universal a partir dos 65 anos, mas deve ser antecipado em mulheres na pós-menopausa com fatores de risco — esta paciente reúne tabagismo, baixo IMC e história materna de fratura de quadril, justificando a DXA agora. Aguardar os 65 anos ignora esses fatores. A radiografia simples só mostra perda óssea acima de 30% e serve para identificar fratura vertebral, não para rastrear. Tratar empiricamente sem DXA impede a estratificação de risco e o seguimento da resposta terapêutica.
Mulher de 67 anos com osteoporose densitométrica iniciará tratamento. Relata ingestão de laticínios muito baixa e dosagem de 25-hidroxivitamina D de 18 ng/mL, com função renal e hepática normais. Qual prescrição de cálcio e vitamina D está de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde?
A meta é de 1.000 a 1.200 mg de cálcio elementar por dia, com suplementação quando a dieta não alcança, fracionada em tomadas de no máximo 500 mg por vez e mantida abaixo de 1.400 mg/dia. De vitamina D, 800 a 1.000 UI/dia para todos, podendo chegar a 2.000 UI/dia acima dos 60 anos e em quem tem 25-hidroxivitamina D abaixo de 20 ng/mL, até estabilizar acima de 30 ng/mL. A dose única de 1.500 mg erra duas vezes: ultrapassa o teto diário e ignora o fracionamento. Calcitriol não repõe 25-hidroxivitamina D e só tem lugar em depuração de creatinina igual ou menor que 30 mL/min, osteomalácia hipofosfatêmica ou por deficiência de 1-alfa-hidroxilase, insuficiência hepática e hipoparatireoidismo. A preocupação cardiovascular só se sustenta no excesso de suplementação, acima de 1.400 mg/dia.
Mulher de 70 anos com osteoporose densitométrica (T-escore de -2,9 no colo femoral) tem estenose esofágica por doença do refluxo de longa data, com disfagia e episódios de impactação alimentar. O gastroenterologista contraindica formulações orais que exijam permanência prolongada na posição ortostática. Qual a conduta medicamentosa adequada pelo protocolo do Ministério da Saúde?
O ácido zoledrônico é justamente a alternativa prevista para quem tem intolerância ou dificuldade de deglutição dos bisfosfonatos orais por anormalidade do esôfago que retarda o esvaziamento esofágico, como estenose ou acalasia, doença do refluxo importante ou situações que comprometem a absorção. Manter o alendronato ignora a contraindicação e o risco de ulceração esofágica. O raloxifeno também é oral e, além disso, tem indicação restrita — mulher com baixo risco de tromboembolismo e alto risco de câncer de mama, osteonecrose de mandíbula, fratura atípica ou intolerância a bisfosfonato — e não previne fratura de quadril. A calcitonina ficou como opção residual, com orientação de evitar uso prolongado. O romosozumabe depende de osteoporose grave com falha terapêutica.
Mulher de 68 anos, assintomática, comparece à unidade básica de saúde para consulta de rotina. Menopausa aos 51 anos, IMC 23 kg/m², não fuma, sem fraturas prévias e sem uso de medicamentos. A primeira densitometria mostra T-escore de -2,6 no colo femoral e -2,2 na coluna lombar. Exames laboratoriais de causa secundária sem alterações. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose do Ministério da Saúde, qual é a conduta?
Basta um sítio com T-escore igual ou menor que -2,5 para fechar o diagnóstico densitométrico de osteoporose — o colo femoral com -2,6 já resolve, e não se exige que todos os sítios estejam alterados, o que elimina a primeira alternativa. Fechado o diagnóstico, o FRAX não é necessário: ele serve para decidir na faixa de -1,0 a -2,49, e além disso o limiar brasileiro é uma curva por idade, não o corte fixo de 20% da régua americana. O tratamento preferencial é cálcio e colecalciferol associados a bisfosfonato oral, com a orientação de tomada em jejum e sem deitar por 30 a 60 minutos. O ácido zoledrônico depende de intolerância ou impossibilidade do bisfosfonato oral, e o romosozumabe exige osteoporose grave com falha terapêutica documentada — nenhuma das duas condições existe aqui.
Durante a organização da agenda de uma equipe de saúde da família, o médico revisa quem tem indicação de densitometria óssea segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose do Ministério da Saúde. Qual das situações abaixo tem indicação do exame apenas pelo critério de idade, sem necessidade de nenhum fator de risco adicional?
O protocolo indica avaliação da densidade mineral óssea para todas as mulheres com 65 anos ou mais e todos os homens com 70 anos ou mais; abaixo dessas idades, a indicação depende de fator de risco, como baixo peso, fratura prévia, uso de medicamentos ou doenças que afetam a saúde óssea. A mulher de 66 anos preenche o critério etário sozinha. A de 55 e a de 48 precisam de um fator de risco — e menopausa precoce entra como fator de risco no FRAX, não como indicação automática de exame pela idade. O homem de 60 anos está dez anos abaixo do corte masculino. Vale lembrar que rastreamento populacional amplo e aleatório com densitometria não é preconizado pelo custo: a indicação é seletiva.
Mulher de 59 anos com arterite de células gigantes está em uso de prednisona 15 mg/dia há quatro meses, com previsão de manutenção por mais seis meses. Nunca fraturou. A densitometria mostra T-escore de -2,1 na coluna lombar e -1,9 no colo femoral. Qual é a conduta?
Em quem inicia e mantém glicocorticoide em dose diária superior a 5 mg de prednisona ou equivalente por período igual ou superior a três meses, o protocolo indica tratamento medicamentoso na presença de fratura osteoporótica prévia, T-escore menor ou igual a -2,0 na coluna ou no quadril, ou FRAX acima do limiar de intervenção. A paciente usa 15 mg/dia há quatro meses e tem -2,1 na coluna: preenche o critério. Aplicar o corte habitual de -2,5 é o erro que a questão persegue. Cálcio e colecalciferol isolados não substituem o antirreabsortivo quando há indicação de tratamento — eles acompanham todos os esquemas. Romosozumabe exige mulher na pós-menopausa com osteoporose grave e falha terapêutica documentada, o que não se aplica a quem nunca tratou.
Mulher de 73 anos na pós-menopausa está em uso de alendronato 70 mg/semana com boa adesão, além de cálcio e colecalciferol em doses adequadas, há 20 meses. Nesse período apresentou uma fratura vertebral por fragilidade, e a densitometria de controle mostra queda de 7% na densidade mineral óssea da coluna lombar em relação ao exame prévio, com T-escore atual de -3,4. Causas secundárias foram investigadas e afastadas. Qual a conduta prevista no protocolo do Ministério da Saúde?
Há falha terapêutica pelo segundo critério do protocolo: uma fratura incidente após pelo menos um ano de tratamento somada a perda significativa de densidade mineral óssea, definida como redução maior que 5% em qualquer sítio, com boa adesão e sem causa secundária. Como há também T-escore menor ou igual a -2,5 com fratura por fragilidade, a paciente tem osteoporose grave, e as duas condições juntas abrem a indicação de romosozumabe, limitado a 12 meses e obrigatoriamente seguido de bisfosfonato para preservar o ganho de massa óssea. A teriparatida foi excluída do SUS na atualização do protocolo. Raloxifeno e calcitonina são opções menos efetivas com indicações restritas e não se aplicam a esse cenário de falha com osteoporose grave.
Mulher de 62 anos, menopausa aos 50, sofreu fratura de rádio distal ao tropeçar e cair da própria altura em casa, confirmada radiologicamente. A densitometria realizada após a fratura mostra T-escore de -1,8 no colo femoral e -1,9 na coluna lombar. Qual é a conduta correta?
Fratura por trauma mínimo — queda da própria altura ou de menos — é uma das três portas do diagnóstico de osteoporose e vale independentemente do T-escore, sendo o rádio distal uma das fraturas maiores listadas no protocolo, ao lado de fêmur proximal, úmero proximal e coluna vertebral. A paciente entra nos critérios de inclusão sem necessidade de densitometria e sem depender do FRAX, que é ferramenta para decidir na faixa de osteopenia sem fratura. Manter observação porque o número é -1,8 é justamente o erro que a questão testa: a maior parte das fraturas por fragilidade ocorre em pessoas com osteopenia. Perda de altura maior que 4 cm é gatilho para radiografar a coluna à procura de fratura vertebral, não um requisito para tratar.
Mulher de 69 anos completa cinco anos de alendronato 70 mg/semana por osteoporose densitométrica, sempre com cálcio e colecalciferol. Não teve fraturas em nenhum momento, a densitometria está estável em relação ao exame anterior e o T-escore atual é de -2,2 no colo femoral. Qual conduta está de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde?
A duração padrão do bisfosfonato oral é de cinco anos, e após esse período pode haver pausa de um a dois anos — o intervalo em que o risco de fratura atípica de fêmur e osteonecrose de mandíbula pesa mais que o ganho adicional. A extensão para dez anos é reservada a risco elevado, definido como T-escore menor que -3,0 ou presença de fraturas, o que não é o caso. Densidade estável não é falha: o tratamento é considerado bem-sucedido com densidade crescente ou estável e sem novas fraturas, e falha exige fratura em vigência de tratamento. Trocar para o intravenoso não reduz o risco de fratura atípica, que é de classe. Cálcio, colecalciferol e as medidas não medicamentosas acompanham todas as situações e não são suspensos na pausa.
Mulher de 70 anos comparece à consulta com densitometria prévia mostrando T-escore de -1,7 na coluna lombar e -1,6 no colo femoral, rotulada como osteopenia. Refere dor dorsal crônica há um ano e a família notou que ela ficou mais curva. Na medida de hoje, a altura está 5 cm menor que a registrada no prontuário há seis anos. Nunca teve fratura diagnosticada. Qual exame deve ser solicitado?
A radiografia de coluna dorsal e lombar em ântero-posterior e perfil procura fratura vertebral, sintomática ou não, e está indicada sempre que houver dor intensa aguda, dor crônica persistente ou perda de altura maior que 4 cm — os dois últimos gatilhos estão no enunciado. É esse exame que transforma uma paciente rotulada como portadora de osteopenia em uma paciente com fratura por fragilidade prevalente, o que muda a categoria de risco e abre indicação de tratamento independentemente do T-escore. Repetir a densitometria em dois anos adia a resposta e mantém o rótulo errado. O antebraço é sítio alternativo quando os demais têm artefato, como artrose importante, material de síntese ou escoliose grave, e não substitui a busca por fratura. A cintilografia não é o exame previsto para esse rastreio. E a ressonância não consta da rotina do protocolo para essa finalidade.
Mulher de 63 anos recebe diagnóstico densitométrico de osteoporose, com T-escore de -2,7 no colo femoral, em primeira avaliação. Está assintomática, sem fraturas, e a equipe cogita já prescrever o bisfosfonato na mesma consulta. Segundo o protocolo do Ministério da Saúde, o que precisa ser feito antes de iniciar o tratamento medicamentoso?
A osteoporose secundária responde por cerca de 30% dos casos em mulheres na pós-menopausa — fechar o diagnóstico e prescrever bisfosfonato sem investigar erra em quase um terço das pacientes. O painel mínimo é hemograma, VHS, cálcio, fósforo, albumina, creatinina, fosfatase alcalina, PTH, TSH, T4 livre, 25-hidroxivitamina D e cálcio na urina de 24 horas, com outros exames conforme a história. Tratar a causa secundária como raridade contraria a própria proporção medida. Adiar tudo por um ano à espera de nova densitometria deixa sem tratamento uma paciente cujo diagnóstico já está fechado. A ressonância de coluna não integra essa investigação — quem procura fratura vertebral é a radiografia de coluna dorsal e lombar. E oferecer apenas cálcio e vitamina D até os 65 anos inventa um corte etário inexistente: quem tem T-escore igual ou menor que -2,5 tem indicação de tratamento medicamentoso.
Mulher de 78 anos, na pós-menopausa, é avaliada em consulta de rotina. Anda com auxílio de andador desde uma cirurgia de quadril por artrose e sofreu duas quedas da própria altura no último ano, sem fratura. A densitometria mostra T-escore de -2,3 no colo femoral e -2,1 na coluna lombar. Nunca fraturou e não usa medicamentos que afetem o osso. Segundo a estratificação de risco de fratura do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Osteoporose, em que categoria ela se enquadra?
O risco muito alto reúne, em lista de um ou mais itens, fratura nos últimos 12 meses, múltiplas fraturas, fratura durante o tratamento, fratura em uso de medicamento que altera o metabolismo ósseo, T-escore inferior a -3,0, risco muito alto no FRAX e risco de queda aumentado. O último é critério isolado, e a paciente que anda com auxílio e já caiu duas vezes o preenche sozinha, mesmo com densitometria pouco alterada. O risco baixo a moderado exige que todos os elementos estejam presentes — T-escore maior que -2,5, baixo risco no FRAX e nenhuma fratura prévia —, e a queda quebra esse conjunto. Um T-escore entre -1,0 e -2,49 só caracteriza risco alto quando somado a alto risco no FRAX. Exigir fratura prévia para chegar ao topo da escala ignora que a lista é alternativa, não cumulativa. E a estratificação não fica suspensa à espera do FRAX: os critérios clínicos já resolvem o caso.
Antes de iniciar tratamento para osteoporose, quais causas secundarias devem ser rotineiramente afastadas?
Uma parcela relevante das osteoporoses tem causa secundaria tratavel, e a investigacao minima inclui calcio, fosforo, funcao renal, vitamina D, PTH, TSH e avaliacao dirigida conforme a suspeita - corrigir a causa muda a resposta ao tratamento. Corrigir a deficiencia de vitamina D antes de iniciar bisfosfonato tem razao pratica adicional: evita hipocalcemia sintomatica apos a droga. Assumir que a menopausa explica tudo engana porque ela e a causa mais comum, mas nao dispensa a investigacao.
Paciente em uso de alendronato ha 6 anos, com boa adesao e sem fraturas, apresenta densitometria estavel e risco clinico agora considerado nao alto. Qual conduta deve ser considerada?
Os bisfosfonatos se acumulam na matriz ossea e mantem efeito apos a suspensao, o que permite o feriado terapeutico em pacientes de risco nao alto apos 3 a 5 anos (oral) - estrategia que reduz a exposicao a eventos raros como osteonecrose de mandibula e fratura atipica de femur, sempre com reavaliacao periodica. Trocar por denosumabe e simplesmente parar engana porque essa droga NAO tem efeito residual: sua suspensao sem terapia subsequente provoca perda ossea rapida e fraturas vertebrais multiplas.
Mulher de 66 anos, pos-menopausa, sem fraturas previas, realiza densitometria com escore T de -2,6 em colo femoral. Qual a interpretacao e a conduta?
Escore T igual ou menor que -2,5 define osteoporose e indica tratamento, sendo o bisfosfonato a primeira escolha na maioria dos casos, junto de calcio, vitamina D, exercicio com carga e prevencao de quedas. Chamar de osteopenia engana quem confunde as faixas: entre -1,0 e -2,5 e osteopenia, e ai a decisao depende do risco absoluto de fratura estimado por ferramenta como o FRAX. A teriparatida se reserva a risco muito alto, fratura vertebral grave ou falha do tratamento antirreabsortivo.
Paciente com dor ossea difusa, fraqueza muscular proximal, marcha bamboleante, calcio no limite inferior, fosforo baixo, fosfatase alcalina elevada, PTH elevado e vitamina D muito baixa. Qual o diagnostico?
Dor ossea difusa com fraqueza proximal, calcio e fosforo baixos, fosfatase alcalina e PTH elevados e vitamina D muito reduzida configuram mineralizacao ossea deficiente - a osteomalacia, cujo tratamento e a reposicao de vitamina D e calcio. A doenca de Paget engana porque tambem eleva a fosfatase alcalina, mas nela calcio, fosforo e PTH sao normais, o acometimento e focal e nao ha miopatia. A osteoporose, por sua vez, cursa com exames bioquimicos tipicamente NORMAIS.
Sobre o critério densitométrico da Organização Mundial da Saúde para osteoporose em mulheres na pós-menopausa, assinale a alternativa correta.
O T-escore compara com o adulto jovem e o valor igual ou abaixo de -2,5 define osteoporose; entre -1,0 e -2,5 tem-se osteopenia, ou baixa massa óssea. Inverter as faixas é o erro mais comum de prova. O Z-escore compara com pares de mesma idade e sexo, e é o parâmetro adequado em pré-menopausadas, homens jovens e crianças, situações em que o T-escore não deve ser usado para classificar.
Sobre a ferramenta FRAX na avaliação do risco de fratura, assinale a alternativa correta.
O FRAX combina fatores clínicos — idade, sexo, IMC, fratura prévia, história familiar de fratura de quadril, tabagismo, corticoide, artrite reumatoide, álcool — e opcionalmente a densidade do colo femoral, gerando risco em 10 anos de fratura maior e de quadril. Exigir densitometria engana quem esquece que a ferramenta foi desenhada justamente para ambientes sem acesso ao exame. Ele informa a decisão, mas não a substitui, e não usa marcadores bioquímicos.
Sobre o rastreamento de osteoporose com densitometria óssea em mulheres, assinale a alternativa correta.
O rastreamento universal começa aos 65 anos nas mulheres, antecipando-se na pós-menopausa quando há fatores de risco como baixo peso, tabagismo, corticoterapia, história familiar de fratura de quadril ou fratura prévia. Esperar a primeira fratura engana quem confunde rastreio com diagnóstico tardio — o objetivo do exame é justamente tratar antes do evento. A radiografia simples só detecta perda óssea quando já ultrapassa cerca de 30%.
Sobre quando solicitar densitometria óssea para rastreamento em mulheres, qual conduta é correta?
O rastreamento universal começa aos 65 anos; antes disso, ele é dirigido pelo risco — fratura prévia, corticoterapia, tabagismo, baixo peso, menopausa precoce, história familiar. Rastrear todas aos 40 anos gera achados sem consequência e custo sem benefício, e esperar a primeira fratura é abrir mão da prevenção primária, que é o objetivo do exame. A repetição anual também não se justifica: a massa óssea muda lentamente e intervalos de dois anos ou mais são o padrão.
Mulher de 66 anos com osteoporose densitométrica, sem contraindicações, função renal normal e sem sintomas climatéricos. Qual o tratamento farmacológico de primeira linha?
Os bisfosfonatos são a primeira linha na osteoporose pós-menopausa, com redução comprovada de fraturas vertebrais, não vertebrais e de quadril, bom perfil de custo e ampla disponibilidade. A terapia hormonal previne fratura, mas em mulher de 66 anos e assintomática está fora da janela de oportunidade e seu balanço risco-benefício deixa de justificá-la como tratamento ósseo — é o distrator mais tentador quando se lembra apenas do efeito no osso. A calcitonina caiu em desuso por eficácia modesta.
Mulher de 52 anos, com fogachos intensos, osteopenia e alto risco familiar de câncer de mama, sem trombofilia. Deseja tratamento que contemple osso e mama. Qual opção merece consideração?
O raloxifeno é modulador seletivo do receptor estrogênico com efeito agonista no osso e antagonista na mama: reduz fratura vertebral e incidência de câncer de mama invasivo, o que atende ao perfil de risco dessa paciente. O ponto que a questão cobra é a contrapartida — ele piora fogachos e aumenta risco tromboembólico, de modo que não resolve o sintoma vasomotor. A terapia hormonal combinada faria o contrário do desejado quanto à mama, e a teriparatida é anabólico reservado a osteoporose grave.
Mulher de 57 anos, na pós-menopausa, com T-score de -2,0 e história familiar de fratura de quadril materna, tabagista. Qual ferramenta auxilia na decisão de tratar essa paciente com osteopenia?
O FRAX incorpora idade, fratura prévia, história familiar, tabagismo, álcool, corticoide e artrite reumatoide ao T-score do colo femoral, transformando um número de densidade em risco absoluto de fratura em dez anos — é o que permite tratar quem está na faixa de osteopenia mas tem risco alto. Esperar o T-score piorar até -2,5 é o erro que só trata depois que o risco já se materializou. Marcadores de remodelação servem para acompanhar resposta, não para indicar tratamento.
Antes de iniciar tratamento para osteoporose em mulher de 60 anos, qual investigação mínima deve ser realizada?
Uma fração relevante das osteoporoses tem causa secundária — hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D, hipertireoidismo, doença celíaca, mieloma, uso de corticoide — e tratar sem investigar deixa a causa ativa corroendo o osso apesar do antirreabsortivo. Além disso, iniciar bisfosfonato com hipocalcemia ou vitamina D baixa precipita hipocalcemia sintomática. A biópsia óssea é reservada a casos atípicos e a cintilografia não avalia massa óssea.
Mulher de 64 anos realiza densitometria óssea com T-score de -2,7 no colo femoral e -2,1 na coluna lombar, sem fraturas prévias. Qual o diagnóstico?
O diagnóstico densitométrico usa o pior sítio medido: T-score menor ou igual a -2,5 em qualquer um deles define osteoporose, e o colo femoral com -2,7 basta. Concluir osteopenia olhando a coluna é o erro de leitura mais frequente — a média dos sítios não vale, o menor valor é o que classifica. Osteomalácia é defeito de mineralização, com quadro bioquímico próprio, e não se diagnostica por densitometria.
Sobre a suplementação de cálcio e vitamina D no manejo da osteoporose pós-menopausa, qual afirmação está correta?
A adequação nutricional acompanha o tratamento da osteoporose. O cálcio deve ser obtido preferencialmente pela alimentação, com suplemento quando o aporte for insuficiente. A deficiência de vitamina D e a hipocalcemia precisam ser corrigidas. Isso não implica prescrever comprimidos de cálcio a todas as pacientes independentemente da dieta. Suplementos isolados não substituem a terapia antifratura indicada, que pode incluir fármacos antirreabsortivos ou formadores de osso conforme o risco. Excesso de cálcio não traz benefício ósseo adicional.
Paciente de 68 anos sofre fratura de vértebra torácica após queda da própria altura. A densitometria mostra T-score de -1,8. Qual a conclusão?
Fratura por fragilidade em vértebra ou quadril — aquela decorrente de trauma de baixa energia, como a queda da própria altura — define osteoporose clinicamente, mesmo com densitometria na faixa de osteopenia, e indica tratamento farmacológico. Recuar para 'apenas osteopenia' pelo número é o erro que deixa sem tratamento a paciente de maior risco, já que fratura prévia é o mais forte preditor de nova fratura. Cálcio e vitamina D são adjuvantes, nunca o tratamento isolado.
Paciente de 63 anos usa denosumabe há 4 anos e deseja interromper a medicação por questões financeiras. Qual a orientação correta?
O denosumabe não se deposita no osso: interrompido, a reabsorção retorna de forma exagerada e há risco de fraturas vertebrais múltiplas em poucos meses, mesmo em quem ganhou massa óssea durante o tratamento. Por isso a descontinuação exige transição planejada para um bisfosfonato. Supor que o efeito persiste é a confusão com a farmacologia dos bisfosfonatos, esses sim retidos na matriz óssea, o que permite as chamadas pausas terapêuticas.
Paciente em uso de alendronato há 6 anos refere dor em coxa há 3 meses, que piora ao caminhar. A radiografia mostra espessamento cortical lateral no fêmur proximal com traço transverso incompleto. Qual a hipótese e a conduta?
Dor prodrômica em coxa, com espessamento cortical lateral e traço transverso no fêmur subtrocantérico ou diafisário, em usuária de longa data de bisfosfonato, caracteriza a fratura atípica: a droga deve ser suspensa, o lado contralateral avaliado e a fixação profilática considerada antes que a fratura se complete. Tratar como osteoartrose é o erro que permite a fratura completa em ambiente extra-hospitalar. A fratura osteoporótica típica ocorre no colo ou na região intertrocantérica, com traço distinto.
Mulher de 63 anos com osteopenia na densitometria, T-escore de menos 1,8 em colo femoral, sem fratura prévia. O cálculo do risco absoluto de fratura em 10 anos pela ferramenta FRAX mostra 4 por cento para fratura de fêmur e 22 por cento para fratura maior osteoporótica. Qual a conduta?
A decisão terapêutica na osteoporose não se resume ao T-escore: em pacientes com osteopenia, o cálculo do risco absoluto por ferramenta como o FRAX qualifica quem se beneficia de tratamento, e os limiares de intervenção amplamente utilizados são 3 por cento para fratura de fêmur ou 20 por cento para fratura maior osteoporótica em 10 anos. Esta paciente ultrapassa ambos e deve ser tratada. Esperar o T-escore chegar a menos 2,5 é o erro mais frequente e significa aguardar a doença progredir, ou a fratura acontecer, para agir. O FRAX foi construído justamente para estimar risco em quem ainda não fraturou, incorporando idade, sexo, índice de massa corporal, tabagismo, álcool, corticoide, artrite reumatoide, fratura prévia, história familiar e densidade do colo femoral. Repetir densitometria em 6 meses não é intervalo útil, pois a variação detectável requer 1 a 2 anos. E a primeira linha aqui é bisfosfonato, não anabólico.
Mulher de 71 anos com diagnóstico de osteoporose e clearance de creatinina de 62 mL/min inicia tratamento. Qual a primeira linha farmacológica e o cuidado essencial antes de iniciar?
Os bisfosfonatos são a primeira linha na osteoporose pós-menopausa, com redução consistente de fratura vertebral e de fêmur, e são seguros com função renal preservada, evitando-se em geral quando o clearance cai abaixo de 30 a 35 mL/min. Antes de iniciar, é indispensável corrigir deficiência de vitamina D e garantir aporte de cálcio, sob risco de hipocalcemia, e avaliar a saúde bucal pela associação, ainda que rara, com osteonecrose de mandíbula. A tomada exige jejum, com água, e manter-se em pé ou sentada por pelo menos 30 minutos, pelo risco de esofagite. A teriparatida é anabólica e reservada a osteoporose grave, múltiplas fraturas ou falha de antirreabsortivo, e escolhê-la de saída é o distrator mais tentador para quem associa gravidade a potência. Terapia hormonal aos 71 anos está fora da janela de oportunidade. Calcitonina praticamente saiu de uso. E cálcio isolado não previne fratura de forma relevante.
Mulher de 66 anos com osteoporose pergunta sobre a suplementação de cálcio e vitamina D. Qual orientação está correta?
Cálcio e vitamina D são a base sobre a qual o tratamento farmacológico funciona, e não o tratamento em si: a meta de ingestão total gira em torno de 1.000 a 1.200 mg de cálcio ao dia, priorizando alimentos e suplementando apenas a diferença, porque doses altas de suplemento aumentam litíase renal e possivelmente eventos cardiovasculares, sem ganho proporcional. Achar que mais é melhor é o erro mais comum. Vitamina D é reposta para manter níveis adequados, em esquema diário ou semanal, e há evidência de que megadoses anuais podem até aumentar quedas, o que desqualifica essa alternativa. Suplementar sem antirreabsortivo em paciente com osteoporose estabelecida deixa o risco de fratura praticamente intocado. E o inverso também é verdade: iniciar bisfosfonato com vitamina D deficiente ou cálcio insuficiente favorece hipocalcemia e reduz a eficácia, razão pela qual a correção precede o fármaco.
Sobre a interpretação da densitometria óssea, qual afirmativa está correta?
O T-escore compara a densidade da paciente com a de adulto jovem no pico de massa óssea e é o parâmetro diagnóstico em mulheres na pós-menopausa e homens acima de 50 anos: normal acima de menos 1,0, osteopenia entre menos 1,0 e menos 2,5, e osteoporose em menos 2,5 ou abaixo. O Z-escore compara com pessoas de mesma idade e sexo e é o parâmetro em pré-menopausa, homens jovens e crianças, situações em que se fala em densidade abaixo do esperado para a idade e não em osteoporose densitométrica. Trocar os dois é o erro clássico, e a confusão sobre o que cada um compara é exatamente o que a questão testa. Os sítios de referência são coluna lombar e fêmur, total e colo, ficando o antebraço para situações específicas como impossibilidade de avaliar os sítios habituais ou hiperparatireoidismo. E a faixa intermediária corresponde a osteopenia, não a osteoporose.
Mulher de 79 anos apresenta dor lombar de início súbito ao carregar uma sacola, com piora à mudança de decúbito e redução de 4 cm na altura no último ano. A radiografia mostra acunhamento de corpo vertebral em T12. Qual a conduta inicial?
Fratura vertebral por fragilidade é o marcador de osteoporose mais frequentemente subdiagnosticado, muitas vezes indolor e revelado por perda de altura e cifose. Quando sintomática, o manejo é analgesia, mobilização precoce conforme tolerância, órtese apenas por período curto e conforto se necessário, e sobretudo iniciar tratamento antirreabsortivo, além de investigar causas secundárias como hiperparatireoidismo, mieloma, uso de corticoide e hipertireoidismo. Repouso absoluto prolongado é o erro mais nocivo, porque acelera perda óssea e muscular, favorece tromboembolismo, úlcera por pressão, pneumonia e delirium, ou seja, produz a síndrome da imobilidade. Vertebroplastia e cifoplastia ficam para dor refratária ao tratamento conservador, com resultados controversos, e não são urgência. Colete isolado sem tratar a doença de base deixa a paciente com risco muito alto de nova fratura, e artrodese não é conduta para fratura osteoporótica simples.
Mulher de 70 anos em uso de alendronato há 6 anos, sem fraturas no período, com T-escore atual de menos 1,9 e baixo risco pelo FRAX. Qual a conduta em relação ao tratamento?
Bisfosfonatos se incorporam à matriz óssea e mantêm efeito residual após a suspensão, o que permite a chamada pausa terapêutica em pacientes de baixo risco após 5 anos de uso oral, ou 3 anos do intravenoso, com o objetivo de reduzir a exposição a eventos raros como osteonecrose de mandíbula e fratura atípica de fêmur. Pausa não é alta: o risco é reavaliado periodicamente, com densitometria e às vezes marcadores de remodelação, e o tratamento é retomado se houver fratura, queda da densidade ou aumento do risco, e por isso dar alta do seguimento é o erro conceitual da questão. Manter indefinidamente cabe a quem permanece de alto risco, não a esta paciente. Trocar por denosumabe é escolha ruim aqui, e há um detalhe importante: o denosumabe não permite pausa, pois sua interrupção provoca perda óssea rápida com risco de fraturas vertebrais múltiplas. Associar anabólico a antirreabsortivo não é conduta de baixo risco.
Mulher de 68 anos, na menopausa há 17 anos, sofreu fratura de rádio distal após queda da própria altura. A densitometria óssea mostra T-escore de menos 2,1 em coluna lombar e menos 1,9 em colo femoral. Qual o diagnóstico e a conduta?
Fratura por fragilidade, ou seja, ocorrida após trauma de baixa energia como a queda da própria altura, define osteoporose clinicamente, mesmo com T-escore na faixa de osteopenia: a densitometria mede densidade, mas a fratura mede o que de fato importa, a resistência óssea, e essa dissociação é justamente o ponto testado. Por isso classificar como osteopenia e apenas suplementar é o erro mais comum, e ele deixa sem tratamento uma paciente que já demonstrou o desfecho que se quer prevenir. Sítios típicos de fratura por fragilidade são vértebra, fêmur proximal, rádio distal, úmero proximal e pelve; dedos, mãos, pés e crânio não contam. O corte de menos 2,5 serve para diagnosticar osteoporose em quem não fraturou. E osteomalácia é outra doença, com dor óssea difusa e deficiência grave de vitamina D, apresentando alterações laboratoriais próprias.
Paciente em uso de alendronato há seis anos, com boa resposta e sem fraturas, apresenta agora dor difusa na coxa. Radiografia mostra espessamento cortical lateral do fêmur com linha de fratura incompleta transversa. Qual a conduta?
Dor prodrômica em coxa com espessamento cortical lateral e traço transverso caracteriza fratura atípica, complicação rara ligada à supressão prolongada da remodelação óssea, que exige interromper a droga e avaliar fixação profilática antes que a fratura se complete. Aumentar a dose agrava a fisiopatologia. Manter o tratamento apenas com analgesia ou adiar a avaliação por meses permite a progressão para fratura completa, muitas vezes bilateral.
Em qual situação a teriparatida está indicada no tratamento da osteoporose?
O análogo do paratormônio é anabólico e reservado às formas mais graves ou refratárias, por seu custo e pela via injetável diária. As duas últimas alternativas descrevem contraindicações e não indicações: radioterapia prévia sobre o osso e hipercalcemia estão entre as situações em que a droga não deve ser usada, ao lado de doença de Paget e elevação inexplicada da fosfatase alcalina. Osteopenia sem fraturas raramente exige qualquer farmacoterapia.
Paciente em uso de denosumabe há três anos deseja interromper o tratamento. Qual a orientação correta?
O bloqueio do ligante que ativa os osteoclastos é totalmente reversível, e sua interrupção libera uma onda de reabsorção que já provocou fraturas vertebrais múltiplas semanas a meses depois, motivo pelo qual a transição para um bisfosfonato é obrigatória. Tratar a droga como um antirreabsortivo qualquer, com efeito residual no osso, é justamente o erro que causou esses casos. Suplementos isolados não contêm o rebote.
Mulher de 58 anos, na pós-menopausa, sem fraturas prévias. Em qual situação está indicada a densitometria óssea antes dos 65 anos?
O rastreio universal começa aos 65 anos, mas antecipa-se diante de fatores que aceleram a perda óssea ou aumentam o risco de queda e fratura, entre eles corticoterapia, tabagismo, baixo peso e menopausa precoce. Esperar a fratura para investigar é o oposto da prevenção, já que a fratura por fragilidade é o desfecho que se quer evitar. Obesidade não é indicação antecipada, e dor lombar isolada não é critério.
Sobre a suplementação de cálcio e vitamina D na osteoporose pós-menopausa, é correto afirmar:
Sem substrato mineral e sem vitamina D adequada, os antirreabsortivos perdem eficácia e há risco de hipocalcemia, mas a suplementação isolada não reduz fraturas de forma relevante em quem já tem osteoporose, sendo esse o equívoco mais comum. Doses excessivas de cálcio aumentam risco de litíase e possivelmente de eventos cardiovasculares, e a preferência pela fonte alimentar reduz esses riscos.
Qual é o critério densitométrico que define osteoporose em mulher na pós-menopausa?
O ponto de corte compara a densidade com a de adultos jovens do mesmo sexo, e valores entre -1,0 e -2,5 caracterizam osteopenia, categoria intermediária frequentemente confundida com o diagnóstico de osteoporose. O escore que compara com pares da mesma idade é usado em mulheres na pré-menopausa e em crianças, não sendo o parâmetro da definição na pós-menopausa. Variação percentual entre exames avalia resposta terapêutica, não diagnóstico.
Qual é o tratamento farmacológico de primeira linha da osteoporose pós-menopausa e como deve ser administrado?
Os bisfosfonatos reduzem fraturas vertebrais e não vertebrais com boa relação entre custo e benefício, mas dependem de administração correta, pois a absorção é baixíssima e o contato prolongado com o esôfago causa esofagite. Suplementos são adjuvantes indispensáveis e não substituem o antirreabsortivo, engano frequente na prática. O anabólico é reservado a casos graves, e a hormonioterapia perde favorabilidade fora da janela de oportunidade.
Quais causas secundárias devem ser investigadas antes de atribuir a osteoporose exclusivamente à menopausa?
Uma parcela relevante dos casos tem causa identificável e tratável, e ignorá-la significa medicar o osso enquanto a doença de base continua consumindo massa óssea; a triagem inclui cálcio, fósforo, paratormônio, hormônio tireoestimulante, vitamina D, função renal e hepática, além de rastreio de má absorção e discrasias quando o quadro é atípico. Doenças articulares degenerativas e condições cardiovasculares ou alérgicas não têm relação causal com a perda de massa óssea.
Mulher de 68 anos sofre fratura de vértebra torácica após tossir, sem trauma significativo. A densitometria mostra escore T de -2,0 em coluna e -1,9 em colo femoral. Qual o diagnóstico?
Fratura de vértebra ou de quadril ocorrida com trauma mínimo estabelece o diagnóstico clínico de osteoporose mesmo com densitometria em faixa de osteopenia, porque a densidade não captura toda a qualidade óssea. Rotular como osteopenia sem tratamento é o erro que deixa sem terapia uma paciente de altíssimo risco de nova fratura. Tossir não constitui trauma significativo, e neoplasia deve ser considerada em casos atípicos, mas não é a explicação mais provável nesse contexto.
Qual é a finalidade da ferramenta FRAX na avaliação da paciente com baixa massa óssea?
O instrumento combina fatores clínicos com a densidade do colo femoral e devolve uma probabilidade de fratura, o que é especialmente útil na zona cinzenta da osteopenia, em que a decisão de tratar não decorre automaticamente do escore densitométrico. Não é método diagnóstico nem substitui a investigação de causas secundárias, e não define posologia; usá-lo como diagnóstico é a confusão mais comum.
Mulher de 66 anos com fratura de Colles é tratada com redução e gesso. Qual conduta adicional é essencial e frequentemente esquecida no seguimento ambulatorial?
Fratura do rádio distal por queda da própria altura em mulher na pós-menopausa é fratura por fragilidade e funciona como sentinela: costuma preceder em anos a fratura de quadril, e é a oportunidade de investigar com densitometria, repor cálcio e vitamina D, avaliar causas secundárias e iniciar terapia antirreabsortiva quando indicada. Tratar apenas o osso quebrado e liberar é a falha assistencial mais comum nesse cenário, e esperar a próxima fratura para investigar inverte a lógica da prevenção.
Qual das seguintes é a explicação correta para a redução progressiva da estatura e o aumento da cifose torácica em mulheres idosas com fraturas vertebrais osteoporóticas múltiplas?
A coluna anterior suporta a carga axial e é a primeira a colapsar no osso osteoporótico, de modo que cada vértebra que perde altura anteriormente soma alguns graus de angulação e alguns milímetros de estatura — a repetição do fenômeno produz a cifose e a perda de altura características. Os discos, ao contrário, desidratam e perdem altura com a idade, e não hipertrofiam. Escorregamento vertebral lombar e ossificação ligamentar são entidades distintas, com apresentação e imagem próprias, e a contratura muscular é consequência, não causa, da deformidade estabelecida.
Qual dos achados abaixo é o mais forte preditor de uma nova fratura vertebral por fragilidade no ano seguinte?
Quem já teve fratura vertebral por fragilidade carrega o maior risco de ter outra, com pico nos primeiros 12 meses — é o que define o conceito de risco iminente e justifica não adiar o tratamento. O valor densitométrico na faixa de osteopenia é o distrator que mais engana, porque a maioria das fraturas ocorre justamente em pessoas que não atingem o limiar de osteoporose na densitometria, o que mostra que o exame sozinho não captura o risco. Índice de massa corporal elevado, fosfatase alcalina normal e idade da menarca precoce não são preditores desse desfecho.
Mulher de 74 anos refere dor lombar de início súbito ao levantar uma caixa leve, há três semanas, que piora ao sentar e ao ficar de pé e melhora deitada. Nega trauma significativo, febre ou perda ponderal. Exame: dor à percussão de processo espinhoso de L1, sem déficit neurológico. Radiografia mostra acunhamento anterior do corpo de L1 com perda de 30% da altura. Qual a conduta inicial?
A fratura vertebral osteoporótica sem déficit neurológico e sem sinais de alarme é tratada conservadoramente: analgesia escalonada, mobilização o mais precoce possível e, sobretudo, o início do tratamento da doença de base, porque essa fratura é o maior preditor de uma próxima. Os procedimentos de cimentação são o distrator que mais atrai pela dor intensa, mas são reservados a dor refratária ao tratamento clínico bem conduzido, não à abordagem inicial. Repouso prolongado piora a perda óssea e a massa muscular, e a descompressão só se discute quando há compressão neurológica, que aqui não existe.
Mulher de 70 anos, menopausa aos 48 anos, sem fraturas prévias, densitometria com T-score de -2,8 em coluna lombar. Cálcio sérico normal, 25-hidroxivitamina D de 18 ng/mL, função renal normal. Qual a conduta terapêutica correta?
O T-score abaixo de -2,5 fecha o diagnóstico de osteoporose e indica tratamento farmacológico, mas iniciar antirreabsortivo com vitamina D insuficiente expõe a hipocalcemia e reduz a eficácia, então repor primeiro é parte da prescrição correta, junto de cálcio na dieta e exercício com carga. Deixar só cálcio e vitamina D é subtratamento em paciente com diagnóstico firmado. O agente anabólico fica reservado a osteoporose grave, com múltiplas fraturas ou falha do antirreabsortivo, e não é primeira linha aqui. A terapia hormonal aos 70 anos, mais de duas décadas após a menopausa, tem relação risco-benefício desfavorável.
Mulher de 68 anos com fratura vertebral osteoporótica recente. A investigação de causas secundárias deve ser realizada. Qual conjunto de exames é o mais apropriado como avaliação inicial?
A investigação inicial precisa excluir as causas secundárias que mudam completamente o tratamento — hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D, doença renal, hipertireoidismo e mieloma múltiplo —, e é isso que o painel bioquímico com eletroforese de proteínas cobre. Limitar-se à densitometria e à radiografia é o distrator que engana porque esses exames medem a consequência e não a causa. Métodos de imagem de corpo inteiro entram apenas quando há suspeita de neoplasia, e a biópsia óssea é recurso de exceção, reservada a casos indefinidos após toda a avaliação não invasiva.
Sobre o tratamento farmacológico da osteoporose pós-menopausa em paciente com fratura por fragilidade, é correto afirmar:
Após fratura por fragilidade, o tratamento farmacológico é indicado independentemente do valor de densitometria, e os bisfosfonatos costumam ser a primeira linha pela eficácia e pelo custo, com denosumabe como alternativa e anabólicos como teriparatida reservados a casos de alto risco, fraturas múltiplas ou falha terapêutica. Cálcio e vitamina D são adjuvantes indispensáveis, mas não substituem o antirreabsortivo — reduzir o tratamento a eles é a lacuna mais comum. Vale ainda lembrar da atenção à adesão, que costuma ser baixa, e do cuidado com a suspensão abrupta do denosumabe.
A mesma paciente de 72 anos com fratura do úmero proximal após queda da própria altura pergunta se precisa tratar 'osso fraco'. Nunca fez densitometria. Qual a conduta?
Fratura por fragilidade em vértebra ou quadril, e também em úmero proximal, punho ou pelve na pós-menopausa, fecha o diagnóstico de osteoporose independentemente da densitometria — o tratamento antirreabsortivo começa sem esperar o exame, ainda que a densitometria seja útil como linha de base para seguimento. Esperar o T-escore é o erro mais comum e adia por meses o tratamento de quem já provou que fratura. Cálcio e vitamina D isolados são coadjuvantes e não reduzem fratura sozinhos; a teriparatida fica reservada a casos de altíssimo risco ou falha terapêutica.
Homem de 61 anos apresenta fratura de fragilidade e densitometria com T-escore de -2,8 em coluna lombar. Qual o conjunto inicial de exames para investigar causas secundárias de osteoporose?
A investigação de segunda causa é obrigatória em homem, em mulher pré-menopausa e sempre que a doença for desproporcional à idade: o painel básico rastreia hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D, doença renal, hipertireoidismo e hipercalciúria, ao qual se somam eletroforese de proteínas e testosterona conforme o contexto. Pedir só vitamina D e cálcio deixa passar o hiperparatireoidismo primário e o mieloma, que são achados de alto rendimento nesse grupo. A biópsia óssea é reservada a casos indefinidos após todo esse arsenal.
Segundo os critérios da Organização Mundial da Saúde, qual valor de T-escore em coluna lombar, colo femoral ou fêmur total define osteoporose?
O T-escore compara a densidade da paciente com a de adultos jovens do mesmo sexo: até -1,0 é normal, entre -1,0 e -2,5 é osteopenia (baixa massa óssea) e igual ou abaixo de -2,5 é osteoporose. A faixa da osteopenia é o distrator que confunde quem inverte os limites; ela não define osteoporose, mas pode indicar tratamento quando o risco calculado pelo FRAX for alto.
Mulher de 70 anos em uso de alendronato há sete anos refere dor surda na face lateral da coxa direita há três meses, que piora ao caminhar e não teve trauma. Qual a conduta mais adequada?
Dor prodrômica em coxa ou virilha em quem usa bisfosfonato por anos é fratura atípica de fêmur até prova em contrário: procura-se espessamento cortical lateral com traço transverso, e como a lesão costuma ser bilateral radiografam-se os dois lados, complementando com ressonância se a radiografia for normal. Confirmada, suspende-se o antirreabsortivo e discute-se fixação profilática com haste. Tratar como bursite trocantérica é o erro que deixa a fratura incompleta evoluir para fratura completa com trauma mínimo.
Mulher de 61 anos, com IMC 24 kg/m², menopausa aos 48 anos, tabagista, mãe com fratura de quadril, procura a Unidade Básica de Saúde para avaliação de saúde óssea. Não teve fraturas. A densitometria óssea mostra T-escore de -2,6 em colo femoral e -2,3 em coluna lombar. Cálcio, fósforo, função renal e vitamina D dentro da normalidade. Qual é a conduta mais adequada?
T-escore igual ou menor que -2,5 estabelece o diagnóstico de osteoporose e, associado a fatores de risco como tabagismo e história familiar de fratura de quadril, indica tratamento farmacológico com bisfosfonato, além de cálcio, vitamina D, exercício e cessação do tabagismo. Somente orientar dieta deixa sem tratamento uma paciente com diagnóstico densitométrico e risco elevado de fratura. A terapia hormonal previne perda óssea, mas não é primeira linha para tratar osteoporose estabelecida nessa idade. A cintilografia óssea não diagnostica osteoporose; ela investiga lesões focais, como metástases e fraturas ocultas.
Mulher de 67 anos comparece à Unidade Básica de Saúde para consulta de rotina. Está na menopausa desde os 50 anos, nunca usou terapia hormonal, não fuma, não bebe e caminha três vezes por semana. Mãe teve fratura de quadril aos 74 anos. Nega fraturas próprias, quedas ou uso de corticoide. Ao exame: IMC 22 kg/m2, altura 1,58 m sem perda documentada, sem cifose, sem dor à palpação de coluna. Não realizou densitometria óssea previamente. A conduta de rastreamento correta é:
O rastreamento de osteoporose com densitometria é recomendado para todas as mulheres a partir dos 65 anos, e antes disso apenas para as pós-menopáusicas com fatores de risco; a paciente preenche o critério etário. Considerar dispensável o rastreamento por ausência de fratura confunde prevenção secundária com primária, sendo a finalidade justamente identificar risco antes da primeira fratura. Radiografia simples só detecta perda óssea avançada e não substitui a densitometria na quantificação de massa óssea. Iniciar bifosfonato sem diagnóstico expõe a efeitos adversos, como osteonecrose de mandíbula e fratura atípica, sem definição de indicação.
Mulher de 64 anos, na pós-menopausa há 12 anos, procura a Unidade Básica de Saúde para avaliação. É tabagista, sedentária, tem índice de massa corporal de 20 kg/m² e a mãe fraturou o quadril aos 70 anos. Fez uso de corticoide oral por seis meses no ano passado por doença pulmonar. Ao exame: sem deformidades, sem dor à palpação de coluna, com estatura 3 cm menor do que a referida aos 40 anos. Não há fraturas prévias conhecidas. Qual é a conduta mais adequada neste momento?
Mulher na pós-menopausa com múltiplos fatores de risco, incluindo tabagismo, baixo peso, história familiar de fratura de quadril, uso prévio de corticoide e perda de estatura, tem indicação clara de densitometria óssea, que quantifica a massa óssea e orienta a decisão terapêutica junto com a avaliação de risco de fratura. Tratar empiricamente sem medir expõe a efeitos adversos sem individualização. A radiografia só detecta perda óssea acentuada e não serve como rastreio. Esperar a fratura ocorrer é justamente o desfecho que a prevenção pretende evitar.
Mulher de 60 anos, na pós-menopausa há dez anos, é acompanhada na Unidade Básica de Saúde e realiza consulta de rotina. Refere baixa ingestão de leite e derivados, exposição solar mínima por trabalhar em ambiente fechado e vida sedentária. Não teve fraturas, não usa medicamentos e o exame físico é normal, com índice de massa corporal de 24 kg/m². A densitometria mostra escore T de -1,3 na coluna lombar. A dosagem de vitamina D está em 18 ng/mL. Qual é a conduta adequada?
Diante de osteopenia leve com insuficiência de vitamina D e baixa ingestão de cálcio, a conduta é otimizar a dieta, repor a vitamina e estimular exercícios com carga, medidas que melhoram a massa óssea e reduzem o risco de queda. O bisfosfonato não está indicado apenas por escore T de -1,3 sem outros fatores de risco relevantes. A terapia hormonal iniciada dez anos após a menopausa e apenas com finalidade óssea tem relação risco-benefício desfavorável. Deixar de intervir desperdiça a oportunidade de corrigir deficiências que já contribuem para a perda óssea.
Uma mulher de 66 anos, na pós-menopausa desde os 50 anos, comparece à unidade básica de saúde. É magra, com índice de massa corporal de 19 kg/m², tabagista, teve a mãe com fratura de quadril e usou corticoide oral por dois anos para polimialgia reumática. Nunca sofreu fratura e não realizou densitometria óssea. A médica avalia a indicação de rastreamento de osteoporose. Ela relata perda de 3 cm de estatura nos últimos anos, não pratica atividade física e ingere pouco cálcio na alimentação, sem uso de qualquer suplemento. Qual é a conduta correta?
Mulher na pós-menopausa com 65 anos ou mais, e especialmente com fatores adicionais como baixo peso, tabagismo, uso prolongado de corticoide e história familiar de fratura de quadril, tem indicação de densitometria óssea para rastreamento e decisão terapêutica. Esperar a fratura converte prevenção primária em manejo tardio de evento já ocorrido. Iniciar bisfosfonato sem medida da densidade impede a definição de indicação e o acompanhamento. Radiografia simples detecta apenas perda óssea avançada e não quantifica a densidade mineral.
Mulher, 62 anos, comparece à UBS para consulta de rotina. Menopausa aos 49 anos, sem terapia hormonal. IMC 21 kg/m², tabagista de 25 maços-ano, mãe com fratura de quadril aos 70 anos. Nega uso de corticoide, artrite reumatoide ou fraturas prévias. PA 122/76 mmHg. Refere sedentarismo e baixa ingesta de laticínios. Cálcio sérico 9,4 mg/dL (VR 8,5–10,5); creatinina 0,8 mg/dL; TSH normal. Qual a conduta correta quanto ao rastreamento de osteoporose?
A densitometria óssea é o método de rastreamento e está indicada em mulheres a partir dos 65 anos e antes disso na presença de fatores de risco, aqui abundantes: menopausa precoce em relação à média, baixo índice de massa corporal, tabagismo, sedentarismo, baixa ingesta de cálcio e história familiar de fratura de quadril. Adiar para os 70 anos ignora que o objetivo do rastreamento é identificar risco antes da primeira fratura. A radiografia só detecta perda óssea acima de 30% e não quantifica densidade mineral, sendo inadequada para triagem. Iniciar bisfosfonato sem densitometria e sem fratura por fragilidade trata sem diagnóstico e expõe a efeitos adversos. Os marcadores de remodelação servem para monitorar resposta terapêutica e adesão, não para rastrear a doença.
Mulher, 61 anos, menopausada há 10 anos, com osteoporose densitométrica e T-score de -2,6 em coluna lombar, sem fraturas prévias. Tem antecedente familiar de câncer de mama na mãe, aos 60 anos. Nega fogachos, sintomas urogenitais e trombose prévia. Não tolera bisfosfonato oral por esofagite grave documentada em endoscopia. Função renal normal, com clearance de creatinina de 82 mL/min. Sobre o raloxifeno nessa paciente, é correto afirmar que:
O raloxifeno é modulador seletivo do receptor de estrogênio com efeito agonista no osso e antagonista na mama: reduz fratura vertebral e a incidência de câncer de mama com receptor hormonal positivo, mas aumenta o risco de tromboembolismo venoso, o que exige avaliação individual. Não há redução consistente de fratura de quadril com raloxifeno, desfecho em que os bisfosfonatos são superiores. Ele não melhora fogachos e pode até piorá-los, por antagonismo estrogênico central. No endométrio o raloxifeno é neutro, ao contrário do tamoxifeno, dispensando progestagênio associado. História familiar de câncer de mama não é contraindicação; ao contrário, o efeito protetor mamário é um dos argumentos a favor da escolha em paciente com esse perfil.
Mulher, 62 anos, sem fraturas prévias, realiza densitometria óssea que mostra escore T de -1,8 em colo femoral e -1,7 em coluna lombar, caracterizando osteopenia. Não usa corticoide, não fuma e não tem antecedente familiar de fratura de quadril. IMC 23 kg/m². Cálcio e vitamina D adequados. Cálculo do risco de fratura pelo FRAX indica probabilidade de fratura maior osteoporótica em 10 anos de 6% e de fratura de quadril de 1,2%. Qual a conduta adequada?
Osteopenia sem fratura prévia e com risco calculado abaixo dos limiares de intervenção não indica tratamento farmacológico: a conduta é otimizar cálcio, vitamina D e exercícios com carga, prevenir quedas e reavaliar com densitometria em intervalo apropriado. Iniciar bisfosfonato com esses valores expõe a efeitos adversos sem benefício demonstrado. A teriparatida é anabólica reservada a osteoporose grave ou refratária. A terapia hormonal por 10 anos em mulher assintomática e sem osteoporose não é estratégia recomendada de prevenção isolada. Adiar a densitometria por 10 anos sem qualquer medida perde a oportunidade de intervenção não farmacológica e o acompanhamento da evolução.
Mulher, 61 anos, menopausada há 10 anos, sem fraturas prévias e sem uso de corticoide, é avaliada quanto à necessidade de densitometria óssea. Nega tabagismo e etilismo, tem IMC de 24 kg/m² e não tem antecedente familiar de fratura de quadril. Nunca realizou o exame. Exame físico sem alterações, com estatura estável em relação a medidas anteriores e sem cifose torácica significativa. Qual a orientação correta quanto à densitometria?
A densitometria óssea é recomendada de rotina em mulheres a partir dos 65 anos, e antes disso em mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, como menopausa precoce, uso de corticoide, baixo peso, tabagismo, etilismo, antecedente familiar de fratura de quadril ou doenças associadas à perda óssea. Indicá-la anualmente a partir dos 40 anos gera exames sem benefício. Esperar a ocorrência de fratura contraria toda a lógica preventiva. Restringir a escores muito elevados deixaria de identificar osteoporose densitométrica tratável. Afirmar que nunca está indicada em assintomáticas ignora que a osteoporose é silenciosa até a fratura.
Mulher, 42 anos, sobrevivente de linfoma tratado na adolescência com quimioterapia e radioterapia em manto, apresenta menopausa precoce aos 36 anos e não faz reposição hormonal. Refere fogachos leves e dor lombar ocasional. Nega fraturas. IMC 21 kg/m², tabagista de 10 cigarros por dia. Densitometria óssea: escore T de -2,7 em coluna lombar e -2,4 em colo femoral, sem fraturas prévias documentadas. Qual a conduta mais adequada?
Sobreviventes de câncer com menopausa precoce induzida por tratamento acumulam risco ósseo e cardiovascular, e a conduta é tratar a osteoporose densitométrica, discutir terapia hormonal até cerca da idade média da menopausa — possível na maioria dos tumores não hormônio-dependentes, como o linfoma — e cessar o tabagismo. Observar sem tratar aceita risco elevado de fratura. Cálcio e vitamina D isolados são insuficientes na osteoporose estabelecida. Contraindicar a terapia hormonal apenas pelo antecedente de linfoma é equivocado, pois não se trata de tumor hormônio-dependente. Repetir a densitometria em 5 anos adia um tratamento já indicado.
Mulher, 55 anos, na menopausa há 3 anos, com densitometria mostrando osteopenia leve e sem fraturas prévias. Refere consumo diário de apenas uma xícara de leite e nenhum outro laticínio, além de vida sedentária. Cálcio sérico 9,1 mg/dL (VR 8,5–10,5) e 25-hidroxivitamina D 28 ng/mL (VR 30–100). Nega tabagismo e uso de corticoide, com IMC 23 kg/m². Qual orientação inicial é a mais adequada?
Na osteopenia sem fratura prévia, as medidas iniciais são a adequação da ingestão de cálcio, preferencialmente pela dieta, a correção da vitamina D e a prática de exercícios com impacto e fortalecimento, que estimulam a formação óssea e reduzem o risco de quedas. O bifosfonato imediato ignora a estratificação de risco e as medidas básicas ainda não implementadas. Prescrever cálcio em dose muito elevada sem considerar o total diário aumenta risco de litíase e efeitos adversos. Recomendar repouso agrava a perda óssea e a sarcopenia, aumentando o risco de queda. Solicitar apenas nova densitometria sem qualquer orientação desperdiça a consulta.
Mulher, 62 anos, na pós-menopausa, com osteopenia, pergunta sobre suplementação de cálcio após ler sobre risco cardiovascular. Alimenta-se com cerca de duas porções diárias de laticínios. PA 128x78 mmHg, FC 72 bpm, IMC 24 kg/m². Exames: cálcio total 9,4 mg/dL; 25-hidroxivitamina D 34 ng/mL; função renal normal; sem litíase renal prévia e sem doença cardiovascular estabelecida. Sobre a suplementação, assinale a alternativa INCORRETA.
A afirmação incorreta é a que prescreve dose alta a todas as mulheres na menopausa: a suplementação deve ser individualizada, complementando apenas o que falta para atingir a meta diária, pois o excesso não traz benefício ósseo adicional e associa-se a efeitos adversos. É correto priorizar a fonte alimentar. A suplementação excessiva de fato aumenta o risco de litíase renal. A vitamina D em nível adequado favorece a absorção intestinal do cálcio. E a dose suplementar deve descontar a ingestão dietética já existente.
Mulher, 66 anos, na pós-menopausa há 14 anos, comparece a consulta de rotina assintomática. Nunca fraturou, não usa corticoide e não tem doenças crônicas. Índice de massa corporal 24 kg/m², tabagista de 10 cigarros por dia, mãe com fratura de quadril aos 78 anos. Exame físico normal, sem cifose ou perda de estatura relatada. Cálcio total 9,4 mg/dL (VR 8,5–10,5); TSH normal; função renal normal. Nunca realizou densitometria óssea. Qual a conduta?
O rastreamento com densitometria óssea está indicado em mulheres a partir dos 65 anos e, antes disso, em mulheres na pós-menopausa com fatores de risco, situação em que esta paciente se enquadra duplamente, pela idade e pelo tabagismo somado ao antecedente materno de fratura de quadril. Dispensar o rastreamento por ausência de fratura prévia inverte a lógica da prevenção, que busca justamente evitar a primeira fratura. A radiografia simples detecta fraturas vertebrais, mas não quantifica densidade mineral e não é método de rastreamento. Iniciar bisfosfonato sem densitometria impede estratificar risco e acompanhar resposta. Adiar o rastreamento para os 80 anos desperdiça mais de uma década de prevenção possível.
Mulher de 68 anos sofreu fratura vertebral após esforço mínimo. A densitometria revela baixa massa óssea em faixa osteoporótica; investigação não identifica causa secundária. Não há contraindicação ao tratamento farmacológico. Qual é o diagnóstico mais provável?
Fratura de baixo trauma e baixa densidade caracterizam elevado risco de novas fraturas. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
Mulher de 68 anos sofreu fratura vertebral após esforço mínimo. A densitometria revela baixa massa óssea em faixa osteoporótica; investigação não identifica causa secundária. Não há contraindicação ao tratamento farmacológico. Qual intervenção dirigida à causa é a mais adequada entre as opções?
Antirreabsortivo ou terapia formadora de osso depende do risco; cálcio isolado não basta em doença com fratura. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
Mulher de 68 anos sofreu fratura vertebral após esforço mínimo. A densitometria revela baixa massa óssea em faixa osteoporótica; investigação não identifica causa secundária. Não há contraindicação ao tratamento farmacológico. Qual achado complementar favorece especificamente essa hipótese?
A fratura prévia é marcador de risco além do valor densitométrico isolado. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
Mulher de 68 anos sofreu fratura vertebral após esforço mínimo. A densitometria revela baixa massa óssea em faixa osteoporótica; investigação não identifica causa secundária. Não há contraindicação ao tratamento farmacológico. Qual mecanismo explica melhor o quadro?
A qualidade e a quantidade de osso se deterioram, aumentando fragilidade. Referência: https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
O que significa T-score de−2,8 no painel lombar?

O escore padroniza a comparação densitométrica.
Para avaliar uma mudança futura da densidade em relação a este exame, qual informação técnica é necessária?

Uma diferença deve superar o erro de precisão para ser interpretada como mudança real.
Qual região mostrada apresenta o menor T-score?

O valor é−2,8.
Com aquisição e análise válidas, qual classificação densitométrica se aplica à mulher pós-menopáusica da figura?

A coluna apresenta T-score ≤−2,5.
Qual dado clínico acrescenta informação importante ao risco de fratura além dos valores mostrados?

O antecedente modifica o risco e a decisão terapêutica.
Ao explicar a história natural da osteoporose pós-menopausa, qual afirmação sobre sintomas e perda de massa óssea é correta?
A osteoporose frequentemente evolui sem manifestações até uma fratura. A ausência de dor não comprova integridade da massa ou da resistência óssea. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: overview, symptoms and causes. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
Um exame de ultrassonometria quantitativa do calcâneo sugere alteração da qualidade óssea. Qual afirmação descreve corretamente sua relação com a DXA central?
A ultrassonometria avalia propriedades do osso, mas não mede a densidade mineral da mesma forma que a DXA; resultados alterados não tornam os métodos intercambiáveis. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: diagnosis, treatment and steps to take. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Entre os fármacos utilizados na osteoporose, o romosozumabe pode favorecer formação óssea e reduzir reabsorção. Qual mecanismo explica esse efeito?
O romosozumabe é um anticorpo contra a esclerostina; seu bloqueio favorece formação de osso e reduz reabsorção. Referência: European Medicines Agency. Evenity: mecanismo de ação. https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/evenity
Na farmacologia da osteoporose pós-menopausa, o denosumabe interfere na diferenciação e atividade osteoclástica. Qual é seu alvo molecular direto?
O denosumabe liga-se ao RANKL e impede sua interação com RANK, reduzindo a atividade osteoclástica e a reabsorção óssea. Referência: NCI/NIH. Drug Dictionary: denosumab. https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-drug/def/denosumab
No acompanhamento da osteoporose pós-menopausa, qual desfecho representa o objetivo clínico central do tratamento, para além de mudanças numéricas na densitometria?
O tratamento visa reduzir perda óssea e prevenir fraturas, que podem causar dor, incapacidade e perda de independência; a densitometria contribui para o acompanhamento, mas não esgota o objetivo clínico. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: diagnosis, treatment and steps to take. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
A imobilidade prolongada merece atenção no acompanhamento de mulheres após a menopausa. Qual combinação de efeitos explica seu potencial de aumentar o risco de fratura?
Baixa atividade e imobilidade favorecem perda óssea; a piora da força e do condicionamento também aumenta a vulnerabilidade funcional e a quedas. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: overview, symptoms and causes. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
Na avaliação de risco de osteoporose em mulheres após a menopausa, qual característica corporal se associa a maior vulnerabilidade à perda de resistência óssea?
Pessoas de baixo peso e constituição delgada podem ter menor reserva de massa óssea; esse perfil é um fator de risco a considerar junto aos demais. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: overview, symptoms and causes. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
A densitometria central por DXA é amplamente empregada na avaliação da massa óssea. Qual descrição corresponde ao princípio do exame?
A DXA utiliza absorciometria por raios X de dupla energia e baixa exposição para avaliar densidade mineral, usualmente em coluna e quadril. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: diagnosis, treatment and steps to take. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Identificar menopausa em uma mulher com baixa massa óssea não encerra a avaliação etiológica. Qual princípio deve orientar a investigação de fatores contribuintes?
Menopausa e fatores secundários podem coexistir; revisar doenças, medicamentos e estado nutricional ajuda a identificar causas tratáveis de perda óssea. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: diagnosis, treatment and steps to take. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
Ao comparar as classes usadas na osteoporose pós-menopausa, qual descrição resume o principal efeito dos bisfosfonatos sobre a remodelação óssea?
Os bisfosfonatos são antirreabsortivos: reduzem a perda óssea ao diminuir a atividade de reabsorção, contribuindo para preservar resistência e reduzir fraturas. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: diagnosis, treatment and steps to take. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis/diagnosis-treatment-and-steps-to-take
A fragilidade óssea não é explicada apenas pelo conteúdo mineral isolado. Qual formulação descreve melhor a alteração estrutural relacionada à osteoporose?
A perda de massa e as alterações de microarquitetura contribuem para reduzir a resistência e aumentar a suscetibilidade a fraturas. Referência: NIAMS/NIH. Osteoporosis: overview, symptoms and causes. https://www.niams.nih.gov/health-topics/osteoporosis
Qual exame estima densidade mineral óssea?

DXA é o método habitual de avaliação da densidade mineral óssea.
Qual exposição da tabela pode aumentar perda óssea?

Glicocorticoides podem aumentar risco de fratura por efeitos sobre osso e outros fatores.
Qual medida deve integrar o plano além de terapia óssea quando indicada?

Abordagem multidimensional reduz riscos persistentes e trata fatores modificáveis.
Qual segmento do esqueleto sofreu fratura no caso?

O evento descrito é uma fratura de vértebra.
Por que T-score acima de −2,5 não encerra a avaliação desta paciente?

Decisão considera fratura, causas secundárias e risco global, e não apenas um ponto de corte.
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em 7 dias
Três portas do diagnóstico: T-escore ≤ -2,5; fratura por trauma mínimo (independe do T-escore); T entre -1,0 e -2,49 com FRAX acima do limiar. Densitometria para mulher ≥ 65, homem ≥ 70 ou fator de risco. Primeira linha: cálcio 1.000-1.200 mg/dia fracionado em tomadas de até 500 mg + colecalciferol 800-1.000 UI/dia (até 2.000 UI acima dos 60 anos) + alendronato 70 mg/semana ou risedronato 35 mg/semana, em jejum, sem deitar por 30 a 60 minutos.
em 30 dias
Casos especiais em que o corte é -2,0: corticoide acima de 5 mg/dia de prednisona por ≥ 3 meses, privação androgênica e inibidor de aromatase (que também trata com queda anual de DMO de 5% a 10%). Zoledrônico 5 mg IV/ano só por impossibilidade do oral. Romosozumabe 210 mg SC/mês por até 12 meses só em osteoporose grave com falha terapêutica, seguido de bisfosfonato. Duração: 5 anos oral e 3 anos IV, estendendo a 10 e 6 anos se T < -3,0 ou fraturas; pausa de 1 a 2 anos após 5 anos de oral. Monitorar com DXA a cada 1 a 2 anos no mesmo aparelho.
Agora atenda
Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.
Mulher de 66 anos chega à UBS com o resultado da primeira densitometria: T-escore de -2,6 no colo do fêmur e -2,3 na coluna lombar. Nunca fraturou, não toma medicamento nenhum, bebe pouco leite e caminha três vezes por semana. Conduza a consulta: investigue causas secundárias, decida se há indicação de tratamento medicamentoso e prescreva. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.
