Ginecologia e ObstetríciaContracepção, ISTs, climatério e uroginecologia

Úlceras genitais

A lesão é o enunciado: dói ou não dói, é uma ou são várias, a base é dura ou é mole, o gânglio fistuliza por um furo ou por vários. A prova monta a questão nesses atributos — e o protocolo brasileiro manda tratar antes de saber o agente.

01

Responda antes de ler

Escolha uma alternativa agora, mesmo sem certeza. Errar aqui faz parte — é o que faz a resposta certa grudar depois.

Questão de abertura

Mulher de 19 anos comparece ao pronto-atendimento com febre de 38,4 °C, mal-estar, mialgia e dor vulvar intensa há três dias, além de ardência miccional importante. Ao exame, há vesículas agrupadas de 1 a 3 mm sobre base eritematosa em pequenos lábios e vestíbulo, algumas rotas formando pequenas úlceras, e linfonodos inguinais dolorosos e palpáveis bilateralmente. É a primeira vez que apresenta o quadro. Qual é o tratamento e qual orientação deve ser dada?

02

Como esse tema cai

Este capítulo é a lesão. Como diferenciar uma úlcera genital da outra pela borda, pelo fundo, pela dor e pelo gânglio; o que o fluxograma brasileiro manda tratar antes de saber o agente; e o que muda quando a paciente está grávida. O estadiamento da sífilis — o corte de um ano que separa uma dose de três, a leitura da queda de duas diluições, a cicatriz sorológica, a neurossífilis — é do capítulo de sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. A sífilis da gestante e a congênita têm régua própria, com outro intervalo entre doses e outra definição de tratamento adequado, e estão no capítulo de pré-natal. Corrimento vaginal e cervicite são os capítulos vizinhos desta mesma apostila. Aqui a sífilis entra apenas enquanto cancro duro.

O documento que governa o assunto no Brasil é o PCDT de IST do Ministério da Saúde, e a premissa dele é operacional: a conduta terapêutica não espera o resultado do exame. A justificativa é numérica e está escrita no próprio protocolo — no estudo de validação da abordagem sindrômica no Brasil, o valor preditivo positivo da impressão clínica diante de uma úlcera foi de 30,9% para sífilis e 32,7% para cancroide. Diagnosticar a olho erra em cerca de dois terços das vezes, e o protocolo diz com todas as letras que, em caso de dúvida e na falta de laboratório, o tratamento da úlcera genital como IST deve ser privilegiado. É a mesma lógica que explica por que a tabela de aspectos clínicos ocupa metade deste capítulo e mesmo assim não é ela que decide a conduta.

A prova cobra três coisas com regularidade. A primeira é a tabela: qual úlcera dói, qual é única, qual endurece a base, qual gânglio fistuliza por orifício único e qual por orifícios múltiplos. A segunda é o par empírico do fluxograma — sem laboratório e sem vesícula, trata-se sífilis e cancroide juntos, e não apenas a doença que a lesão parece ser. A terceira é ginecológica e mora só aqui: o que fazer com a gestante que tem herpes genital, que é a única das cinco em que a decisão muda a via de parto.

03

O que muda decisão

Cinco agentes, uma queixa — e por que o olho erra

A úlcera genital é uma síndrome clínica, não um diagnóstico. O protocolo a define como lesão ulcerativa erosiva, precedida ou não por pústulas e vesículas, acompanhada ou não de dor, ardor, prurido, drenagem de material mucopurulento, sangramento e linfadenopatia regional. Cinco agentes respondem pela maior parte dos casos em população sexualmente ativa: Treponema pallidum (sífilis primária), HSV-1 e HSV-2 (herpes genital), Haemophilus ducreyi (cancroide), Chlamydia trachomatis dos sorotipos L1, L2 e L3 (linfogranuloma venéreo) e Klebsiella granulomatis (donovanose).

Esses agentes podem estar isolados ou associados na mesma lesão — o exemplo que o próprio protocolo dá é úlcera por T. pallidum e HSV-2 ao mesmo tempo. A prevalência de cada um sofre influência de fatores geográficos, socioeconômicos e de gênero, além do número de parcerias sexuais, uso de drogas, circuncisão e sexo profissional. Guarde a consequência: a lesão que parece um cancro duro clássico pode conter dois agentes, e tratar o que se enxerga pode deixar o outro sem tratamento.

O protocolo é explícito sobre o limite do exame físico: os aspectos clínicos das úlceras genitais são bastante variados e têm baixo poder preditivo do agente etiológico, mesmo nos casos considerados clássicos. Os números do estudo brasileiro de validação da abordagem sindrômica são 30,9% de valor preditivo positivo para sífilis e 32,7% para cancroide. Isso não torna a tabela inútil — ela continua sendo o que a banca cobra e o que orienta o pedido de exame —, mas explica por que o fluxograma trata mais de um agente ao mesmo tempo em vez de escolher um.

Há ainda um motivo de saúde pública para não deixar a úlcera esperando. A presença de úlcera genital está associada a elevado risco de transmissão e de aquisição do HIV, e o protocolo a descreve como a principal causa de difusão desse vírus nas populações de maior vulnerabilidade. Diagnóstico e tratamento imediatos dessas lesões, na formulação do documento, constituem uma medida de prevenção e controle da epidemia de HIV. A úlcera é porta de entrada, e fechá-la rápido vale mais do que fechá-la com o agente certo na primeira tentativa.

Cinco círculos alinhados representando lesões de pele diferentes: um com anel espesso e centro liso, um com pontos pequenos agrupados, um com contorno irregular e centro irregular, um pequeno e apagado ao lado de uma massa maior, e um grande de superfície granulosa.
Cinco desenhos, cinco agentes — e um valor preditivo positivo de cerca de um terço quando a decisão é tomada só pelo desenho.

Os atributos que a banca usa: dor, número, base, fundo e gânglio

A questão de prova é montada em cima de poucos atributos, e quase sempre bastam dois deles para fechar. O primeiro é a dor. Cancro duro, lesão de inoculação do linfogranuloma e donovanose são indolores; herpes e cancroide doem, e doem muito. O segundo é o gânglio: a donovanose é a única das cinco em que não ocorre adenite — quando muito surgem pseudobubões, que são granulações subcutâneas, quase sempre unilaterais. Se o enunciado descreve uma úlcera que não dói e não tem gânglio, e já vem se arrastando por semanas, a resposta muda de bloco.

O terceiro atributo é a base. O cancro duro tem base endurecida e fundo limpo, e é essa dureza que dá o nome à doença e o contraste com o cancro mole. O cancroide tem borda irregular, contornos eritemato-edematosos e fundo heterogêneo, recoberto por exsudato necrótico amarelado de odor fétido que, removido, revela tecido de granulação com sangramento fácil. A donovanose tem borda plana ou hipertrófica, bem delimitada, e fundo granuloso de aspecto vermelho vivo que sangra ao toque. O herpes não chega a ter borda característica: são vesículas de um a três milímetros sobre base eritematosa, agrupadas, que se rompem e deixam pequenas úlceras arredondadas ou policíclicas.

O quarto é o número. O cancro duro é geralmente único. As lesões do cancroide são geralmente múltiplas, por autoinoculação. As da donovanose costumam ser múltiplas, com a configuração em espelho nas bordas cutâneas ou mucosas — uma lesão que espelha a outra na prega oposta. No herpes, as lesões são agrupadas por definição.

O quinto é o tempo. A incubação do cancro duro é de 10 a 90 dias, com média de três semanas, e a lesão dura de duas a seis semanas antes de sumir sozinha, tratada ou não. A primoinfecção herpética tem incubação média de seis dias. O cancroide incuba em três a cinco dias, podendo se estender por até duas semanas. No linfogranuloma, a lesão de inoculação é fugaz e o que marca o tempo é a adenopatia, que no homem aparece de uma a seis semanas depois. A donovanose é a exceção: o protocolo a descreve como infecção crônica, de evolução lenta e progressiva, sem fixar um período de incubação — o que a caracteriza é a duração, não o intervalo desde o contato.

O sexto atributo é o comportamento do gânglio quando ele existe, e é aqui que mora o contraste mais cobrado. No cancroide, o bubão surge em 30% a 50% dos casos, é unilateral em dois terços, e quando fistuliza — o que acontece em metade dos casos — fistuliza tipicamente por orifício único. No linfogranuloma venéreo, o comprometimento ganglionar evolui com supuração e fistulização por orifícios múltiplos, que correspondem a linfonodos individualizados parcialmente fundidos em uma grande massa. Um furo, cancro mole; vários furos, linfogranuloma. Nos dois, a conduta com o linfonodo tenso e flutuante é a mesma e é contraintuitiva: aspirar com agulha de grosso calibre, nunca incisar.

Vale registrar o que muda na mulher, porque os quadros clássicos foram descritos no homem. No cancroide, o bubão é observado quase exclusivamente no sexo masculino, pelas características anatômicas da drenagem linfática — a ausência de bubão em uma mulher não afasta cancro mole. No linfogranuloma, a adenopatia inguinal unilateral em 70% dos casos é a descrição masculina; na mulher, a localização da adenopatia depende do local da lesão de inoculação, que pode estar na parede vaginal posterior ou no colo uterino, e nesse caso a drenagem não é inguinal. É por isso que a mulher com linfogranuloma pode chegar sem nenhum gânglio palpável na virilha e com queixa proctológica.

O fluxograma brasileiro: o que se trata sem saber o agente

O fluxograma de úlcera genital do PCDT começa antes do diagnóstico: anamnese e exame físico, com avaliação de práticas sexuais e de fatores de risco para IST. O protocolo lista cinco fatores nessa caixa — idade abaixo de 30 anos, novas ou múltiplas parcerias sexuais, parcerias com IST, história prévia ou presença de outra IST, e uso irregular de preservativo. A primeira bifurcação é IST como causa provável; se a resposta for não, o caminho é investigar outras causas, e o capítulo termina em outro lugar.

A segunda bifurcação é a que organiza tudo: laboratório disponível. O laboratório de que o fluxograma fala é a microscopia, que o protocolo descreve como a única opção de teste laboratorial existente no SUS para auxiliar no diagnóstico etiológico das úlceras genitais — e ela só cobre dois agentes. Com laboratório, dois ramos correm em paralelo: a bacterioscopia pelo Gram, que procura bacilos Gram-negativos agrupados em correntes, e a microscopia de campo escuro, que procura treponemas móveis. Gram positivo para o padrão descrito é sugestivo de H. ducreyi e leva a tratar cancroide; campo escuro com treponemas identifica T. pallidum e leva a tratar sífilis primária ou secundária. Quando os dois vêm negativos, o fluxograma manda avaliar histórico de exposição ao risco, sinais e sintomas clínicos, e tratar herpes genital, donovanose e/ou linfogranuloma conforme essa avaliação.

Sem laboratório — que é o cenário da maioria das unidades e o cenário que a prova ambienta —, a pergunta seguinte é se há evidência de lesões vesiculosas ativas. Se há, trata-se herpes genital. Se não há, o fluxograma pergunta se as lesões têm mais de quatro semanas. Com menos de quatro semanas, a conduta é tratar sífilis e cancroide. Com mais de quatro semanas, a conduta é tratar sífilis e cancroide, investigar linfogranuloma e donovanose, e realizar biópsia.

Repare no desenho: as duas doenças que o fluxograma trata empiricamente são exatamente as duas que têm teste de microscopia no SUS. Isso não é coincidência, é consequência. Sífilis e cancroide são as bacterianas de tratamento curto e barato, com desfecho grave quando perdidas, e são as únicas cujo diagnóstico direto o sistema oferece; onde o exame não existe, o tratamento presuntivo ocupa o lugar dele. O herpes fica de fora do par empírico porque tem um sinal clínico próprio, a vesícula, que o fluxograma usa como se fosse um teste. E o linfogranuloma e a donovanose ficam para a segunda linha porque são de curso arrastado — quatro semanas é o corte que os traz para dentro.

A quatro semanas está pendurada também a biópsia, e a razão é o que não é infecção. Úlcera que passa de um mês sem cicatrizar entra em diferencial com neoplasia, e a biópsia deixa de ser complementar para ser necessária mesmo quando o tratamento empírico já foi iniciado.

Todos os ramos convergem para a mesma pergunta final: os sinais e sintomas persistem após 14 dias? Se não, alta. Se sim, referenciar. E, ao longo de todo o caminho, o fluxograma pendura uma lista que vale para qualquer desfecho — orientação centrada na pessoa e em suas práticas sexuais, ajudar a pessoa a reconhecer e minimizar o próprio risco, oferecer testagem para HIV, sífilis e hepatites B e C, oferecer vacinação para hepatites A e B e para HPV quando indicado, informar sobre prevenção combinada, tratar e orientar a pessoa e suas parcerias sexuais, e notificar o caso quando indicado. São sete itens, e boa parte das questões de conduta cobra um deles como alternativa complementar.

Sífilis primária: o cancro duro, a janela e os dois testes

O cancro duro aparece de 10 a 90 dias após o contato sexual, com média de três semanas, no local de entrada da bactéria — pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca ou qualquer outro ponto do tegumento. É úlcera geralmente única, indolor, com base endurecida e fundo limpo, rica em treponemas. Dura de duas a seis semanas e desaparece espontaneamente, independentemente de tratamento. Na mulher, ele aparece com frequência em lugar que ela não vê e não sente, e o desaparecimento espontâneo é o que faz a doença parecer resolvida e o que leva ao estágio seguinte.

A microscopia de campo escuro é a pesquisa direta mais usada no SUS e se faz com o exsudato seroso da lesão, livre de eritrócitos e restos de tecido, analisado imediatamente após a coleta. Ela não é recomendada para material de cavidade oral, por causa da colonização por outras espiroquetas que interferem no resultado. E o resultado negativo não exclui sífilis: pode significar que o número de treponemas na amostra é insuficiente, que a lesão está próxima da cura natural, ou que o paciente já recebeu tratamento sistêmico ou tópico.

Do lado sorológico, existe uma janela real. Os testes não treponêmicos tornam-se reagentes cerca de uma a três semanas após o aparecimento do cancro duro — o que significa que há um intervalo em que a paciente tem a lesão e o VDRL vem não reagente. Diante de sinais de sífilis primária, isso não afasta o diagnóstico nem adia o tratamento.

A leitura dos dois testes obedece a uma lógica simples. Os treponêmicos detectam anticorpos específicos contra o T. pallidum, são os primeiros a positivar e em regra permanecem reagentes pelo resto da vida, por isso não servem para controle de cura. Os não treponêmicos — VDRL, RPR, USR — detectam anticorpos anticardiolipina, não são específicos e permitem quantificação, e são eles que dizem se o tratamento funcionou. Treponêmico reagente com não treponêmico reagente é diagnóstico de sífilis, restando estadiar; ou é cicatriz sorológica, quando há tratamento anterior documentado com queda prévia de pelo menos duas diluições e nenhuma nova exposição de risco no período. Quando os dois discordam, faz-se um terceiro teste treponêmico com metodologia diferente da do primeiro, e é ele que fecha o fluxograma.

Duas notas que o protocolo registra e que voltam em enunciado. Títulos baixos, abaixo de 1:4, podem persistir por meses ou anos. E pessoas com títulos baixos em testes não treponêmicos, sem registro de tratamento e sem data de infecção conhecida, são consideradas portadoras de sífilis latente tardia e devem ser tratadas — o desconhecido puxa para tardio, não para recente.

O tratamento da sífilis primária é benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, por via intramuscular, em dose única, com 1,2 milhão de UI em cada glúteo. O restante da régua — o corte de um ano que separa recente de tardia, as três doses semanais da sífilis tardia, o intervalo máximo entre doses, a alternativa com doxiciclina fora da gestação, a leitura da queda de duas diluições no seguimento, os critérios de retratamento e o esquema da neurossífilis — está no capítulo de sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. Na gestante, o esquema e a definição de tratamento adequado são outros, e estão no capítulo de sífilis na gestação.

Herpes genital: a primoinfecção, a recorrência e o que o antiviral não faz

O herpes genital é a causa mais frequente de úlcera genital, e a maior parte de quem tem o vírus nunca desenvolve manifestação: o protocolo estima a proporção de infecções sintomáticas entre 13% e 37%. Há predomínio do HSV-2 nas lesões genitais e do HSV-1 nas perorais, mas os dois podem causar lesão em qualquer parte do corpo. Entre pessoas com infecção pelo HIV, as manifestações tendem a ser dolorosas, atípicas e de maior duração.

A primoinfecção tem incubação média de seis dias e é a apresentação mais severa. Começa com lesões eritemato-papulosas de um a três milímetros que rapidamente evoluem para vesículas sobre base eritematosa, muito dolorosas, de conteúdo geralmente citrino. O quadro local costuma vir acompanhado de febre, mal-estar, mialgia e disúria, com ou sem retenção urinária — e, na mulher, pode simular quadro de infecção urinária baixa, que é o desvio de raciocínio que a questão explora. A linfadenomegalia inguinal dolorosa e bilateral está presente em 50% dos casos. Quando há acometimento do colo do útero, é comum o corrimento vaginal, que pode ser abundante. O quadro dura de duas a três semanas.

Depois da infecção genital, o vírus ascende pelos nervos periféricos sensoriais, penetra nos núcleos das células dos gânglios sensitivos e entra em latência. A frase que o protocolo escreve e que a prova cobra como comunicação é esta: a ocorrência de infecção do gânglio sensitivo não é reduzida por qualquer medida terapêutica. O antiviral reduz intensidade e duração dos episódios quando iniciado precocemente; ele não erradica o vírus. O herpes genital é classificado como infecção não curável, porém tratável.

As recorrências são a regra depois da primoinfecção: 90% dos pacientes com HSV-2 e 60% com HSV-1 desenvolvem novos episódios nos primeiros 12 meses. A reativação é desencadeada por quadros infecciosos, exposição à radiação ultravioleta, traumatismos locais, menstruação, estresse físico ou emocional, antibioticoterapia prolongada e imunodeficiência. O quadro é menos intenso que o da primoinfecção e costuma ser precedido de pródromo característico — prurido leve ou sensação de queimação, mialgias e fisgadas nas pernas, quadris e região anogenital. A recorrência tende a ocorrer na mesma localização da lesão inicial, em zonas inervadas pelos nervos sensitivos sacrais. Nas mucosas, é incomum ver a vesícula, porque o teto rompe muito facilmente. As lesões regridem espontaneamente em sete a dez dias, e a tendência natural dos surtos é se tornarem menos intensos e menos frequentes com o tempo.

O tratamento no Brasil é aciclovir, e só aciclovir — é a única molécula do código ATC J05AB, o dos análogos de nucleosídeo antiherpéticos, relacionada na Rename 2024, que a traz em comprimido de 200 mg e em pó para solução injetável de 250 mg, ambos no Componente Básico. Por isso o protocolo escreve as doses em comprimidos de 200 mg, e não em miligramas. Primeiro episódio: 2 comprimidos (400 mg) três vezes ao dia por 7 a 10 dias, ou 1 comprimido (200 mg) cinco vezes ao dia — às 7h, 11h, 15h, 19h e 23h — pelo mesmo período, iniciando o mais precocemente possível e podendo prolongar se a cicatrização estiver incompleta após 10 dias. Recidiva: 2 comprimidos (400 mg) três vezes ao dia por 5 dias, ou 4 comprimidos (800 mg) duas vezes ao dia por 5 dias, começando de preferência ainda no pródromo. Supressão: 2 comprimidos (400 mg) duas vezes ao dia por até seis meses, podendo prolongar por até 2 anos, com avaliação periódica de função renal e hepática. Em imunossuprimido com lesões extensas, aciclovir endovenoso 5 a 10 mg/kg de 8 em 8 horas por 5 a 7 dias, ou até a resolução clínica.

Duas contas que o quadro não faz e que ajudam a memorizar. As duas opções do primeiro episódio não entregam a mesma dose diária: 400 mg três vezes ao dia são 1.200 mg por dia, e 200 mg cinco vezes ao dia são 1.000 mg — entre 42 e 60 comprimidos no primeiro esquema, entre 35 e 50 no segundo. Na recidiva a diferença é maior e inverte: 400 mg três vezes ao dia são 1.200 mg por dia e 30 comprimidos no total; 800 mg duas vezes ao dia são 1.600 mg por dia e 40 comprimidos. A supressão fica em 800 mg por dia, o que dá cerca de 720 comprimidos de 200 mg em seis meses de uso contínuo — número que explica por que o protocolo pede avaliação periódica de função renal e hepática.

O protocolo acrescenta o que fazer fora da receita: tratamento local com compressas de solução fisiológica ou degermante em solução aquosa para higienização das lesões, analgésico oral se necessário, e retorno em uma semana para reavaliação das lesões. E manda abordar a forma de transmissão, a possibilidade de infecção assintomática, o medo de rejeição por parte das parcerias sexuais e as preocupações sobre a capacidade de ter filhos. Fecha com uma frase que é resposta de alternativa: não há associação entre herpes simples genital e câncer.

Herpes na gestante: a dose que sobe e a via de parto

Aqui está o único ponto em que uma úlcera genital muda a via de parto, e é a parte do capítulo que não existe nos vizinhos. O PCDT resolve em três linhas: tratar o primeiro episódio em qualquer trimestre da gestação, conforme o esquema do primeiro episódio; se a primoinfecção ocorreu na gestação ou se as recidivas foram frequentes no período gestacional, realizar terapia supressiva a partir da 36ª semana com aciclovir 400 mg três vezes ao dia; e realizar cesariana sempre que houver lesões herpéticas ativas.

A dose de supressão da gestante é maior que a da não gestante, e essa diferença é a pegadinha mais limpa do tema. Fora da gestação, a supressão é 400 mg duas vezes ao dia, ou 800 mg por dia. Na gestação, a partir da 36ª semana, é 400 mg três vezes ao dia, ou 1.200 mg por dia — 50% a mais. O protocolo da Febrasgo dá a razão farmacológica: o aumento da depuração renal na gravidez faz a dose supressiva usada ser maior do que em não gestante. O mesmo protocolo acrescenta que a supressão pode ser antecipada, para a 32ª semana ou antes, quando houver risco de prematuridade — a 36ª semana é o marco de rotina, não um piso rígido.

O risco que justifica tudo isso é a transmissão vertical, e ele depende da classificação da infecção materna. Pelos números da Febrasgo, a transmissão é maior na infecção primária, principalmente se adquirida no último trimestre, quando afeta de 30% a 50% dos recém-nascidos; se a infecção primária ocorre no primeiro trimestre, o risco é inferior a 1%. No primeiro episódio não primário durante o parto, a transmissão ocorre em 24% a 31%. Já nas infecções recorrentes, de 1% a 1,7% dos recém-nascidos são afetados. Dos casos de transmissão vertical, 5% ocorrem no decorrer da gravidez, 85% no parto e 10% no período pós-natal — o parto é o momento, e é por isso que a decisão obstétrica pesa tanto.

Dois números explicam por que a cesariana entra e por que ela não resolve sozinha. Em parturientes com cultura genital positiva para HSV, a transmissão vertical foi de 7,7% nas submetidas a parto vaginal e de 1,2% nas submetidas a cesariana — o parto cirúrgico diminui, mas não elimina. E em 70% dos casos de transmissão vertical a gestante não apresenta história clínica, sinais ou sintomas de úlcera genital, o que significa que a maior parte da transmissão acontece fora do cenário em que a cesariana seria cogitada. Do outro lado da conta, gestante com infecção recorrente e sem lesões ativas ou sintomas prodrômicos nas últimas quatro a seis semanas tem risco de transmissão vertical de 2 em 10 mil, o que não justifica cesariana.

A ruptura prematura de membranas com lesões ativas é a situação que aparece em prova de obstetrícia. A orientação é reduzir o tempo de exposição fetal; abaixo de 34 semanas, os riscos do herpes neonatal e os da prematuridade precisam ser pesados um contra o outro, e quando o manejo expectante é escolhido, o uso de antivirais é recomendado. Em qualquer cenário de exposição intraútero, periparto ou neonatal, o pediatra precisa ser informado — a conduta neonatal depende de saber que houve exposição, e a forma disseminada do herpes neonatal cursa sem lesão cutânea na maioria dos casos.

Cancro mole: o oposto clínico do cancro duro

O cancroide é causado pelo Haemophilus ducreyi e é mais frequente em regiões tropicais. Também se chama cancro mole, cancro venéreo ou cancro de Ducrey. A incubação é geralmente de três a cinco dias, podendo se estender por até duas semanas, e o risco de infecção em uma relação sexual é de 80% — número alto que costuma ser cobrado como distrator invertido. É mais frequente em homens.

As lesões são dolorosas, geralmente múltiplas e devidas à autoinoculação. A borda é irregular, com contornos eritemato-edematosos, e o fundo é heterogêneo, recoberto por exsudato necrótico amarelado de odor fétido que, quando removido, revela tecido de granulação com sangramento fácil. Na mulher, as localizações mais frequentes são a fúrcula e a face interna dos pequenos e grandes lábios; no homem, o frênulo e o sulco bálano-prepucial. Ponha lado a lado com o cancro duro — única, indolor, base endurecida, fundo limpo — e a tabela inteira do capítulo cabe nesse contraste.

Em 30% a 50% dos pacientes a bactéria atinge os linfonodos inguino-crurais, formando o bubão, unilateral em dois terços dos casos e observado quase exclusivamente no sexo masculino pelas características anatômicas da drenagem linfática. Começa como tumefação sólida e dolorosa, evolui para liquefação e fistuliza em metade dos casos, tipicamente por orifício único. A cicatrização pode ser desfigurante, e é isso que sustenta a regra de manejo: a aspiração com agulha de grosso calibre está indicada para alívio de linfonodos tensos e com flutuação, e a incisão com drenagem e a excisão dos linfonodos acometidos são contraindicadas.

O diagnóstico laboratorial disponível é a bacterioscopia de material corado pelo Gram, colhido do exsudato seroso da base da lesão, livre de eritrócitos e restos de tecido. O achado positivo é a visualização de bacilos Gram-negativos típicos, de tamanho pequeno, agrupados em correntes dos tipos cardume de peixes, vias férreas ou impressões digitais. Resultado negativo não exclui, porque nem sempre é possível visualizar as morfologias típicas.

O tratamento é azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, por via oral, em dose única — 1 g em uma única tomada. As alternativas são ceftriaxona 250 mg por via intramuscular em dose única, ou ciprofloxacino 500 mg, 1 comprimido, por via oral, duas vezes ao dia por 3 dias, o que dá 6 comprimidos no total. O ciprofloxacino é contraindicado para gestantes, lactantes e crianças, o que na prática deixa a gestante com azitromicina ou ceftriaxona. O tratamento sistêmico deve ser acompanhado de medidas locais de higiene, e o tratamento das parcerias sexuais é recomendado mesmo quando elas estão assintomáticas.

Linfogranuloma venéreo: três fases e o paciente que chega pela queixa proctológica

O linfogranuloma venéreo é causado pela Chlamydia trachomatis dos sorotipos L1, L2 e L3, que são altamente invasivos aos tecidos linfáticos — e é essa invasividade, e não a úlcera, que define a doença. A manifestação clínica mais comum é a linfadenopatia inguinal e/ou femoral. A evolução se dá em três fases, e a prova costuma esconder uma delas.

A fase de inoculação começa por pápula, pústula ou exulceração indolor, que desaparece sem deixar sequela. Muitas vezes não é notada pelo paciente e raramente é observada pelo profissional de saúde. No homem localiza-se no sulco coronal, frênulo e prepúcio; na mulher, na parede vaginal posterior, colo uterino, fúrcula e outras partes da genitália externa. Ou seja: a úlcera do linfogranuloma é a que ninguém vê, e o enunciado que descreve uma úlcera exuberante provavelmente não está falando dele.

A fase de disseminação linfática regional é o motivo da consulta. No homem, a linfadenopatia inguinal se desenvolve entre uma e seis semanas após a lesão inicial e é geralmente unilateral, em 70% dos casos. Na mulher, a localização da adenopatia depende do local da lesão de inoculação — inoculação alta drena para linfonodos pélvicos profundos, e a virilha pode permanecer normal. É a razão anatômica pela qual a mulher com linfogranuloma pode chegar sem sinal inguinal nenhum.

A fase de sequelas explica por que o diagnóstico tardio é caro. O comprometimento ganglionar evolui com supuração e fistulização por orifícios múltiplos, que correspondem a linfonodos individualizados parcialmente fundidos em uma grande massa. A lesão da região anal pode levar a proctite e proctocolite hemorrágica. O contato orogenital pode causar glossite ulcerativa difusa com linfadenopatia regional. Podem ocorrer sintomas gerais: febre, mal-estar, anorexia, emagrecimento, artralgia, sudorese noturna e meningismo. A obstrução linfática crônica leva à elefantíase genital, que na mulher recebe o nome de estiomene. E podem surgir fístulas retais, vaginais e vesicais, além de estenose retal. Os bubões que se tornarem flutuantes podem ser aspirados com agulha calibrosa, não devendo ser incisados cirurgicamente.

A síndrome anorretal é o disfarce que a banca usa. O protocolo recomenda a pesquisa de C. trachomatis em praticantes de sexo anal que apresentem úlceras anorretais, e registra que mulheres com prática de coito anal e homens que fazem sexo com homens em posição receptiva podem apresentar proctocolite como manifestação inicial. O enunciado, então, não fala de úlcera genital: fala de dor anal, tenesmo, sangramento e secreção — um quadro que passa por doença inflamatória intestinal, fissura ou abscesso. A regra que resolve está escrita no protocolo: o diagnóstico de linfogranuloma venéreo deve ser considerado em todos os casos de adenite inguinal, elefantíase genital e estenose uretral ou retal.

O tratamento é longo, e a duração é o que a questão cobra: doxiciclina 100 mg, 1 comprimido, por via oral, duas vezes ao dia, por 21 dias — 42 comprimidos. A alternativa é azitromicina 500 mg, 2 comprimidos (1 g), por via oral, uma vez por semana, por 21 dias, o que corresponde a três tomadas, e essa é a opção preferencial nas gestantes, porque a doxiciclina é contraindicada na gestação e na lactação. O prolongamento da terapia pode ser necessário até a resolução da sintomatologia. E há uma advertência que serve de alternativa correta em questão de prognóstico: a antibioticoterapia não tem efeito expressivo na duração da linfadenopatia inguinal, embora os sintomas agudos sejam frequentemente erradicados de modo rápido, e os antibióticos não revertem sequelas já instaladas, como estenose retal ou elefantíase genital.

A parceria tem regra própria e assimétrica. Se for sintomática, o tratamento é feito com os mesmos medicamentos do caso-índice, ou seja, o esquema completo de 21 dias. Se for assintomática, recebe esquema curto: azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, em dose única, ou doxiciclina 100 mg, 1 comprimido, duas vezes ao dia, por 7 dias.

Donovanose: a úlcera crônica que não dói e não faz gânglio

A donovanose, ou granuloma inguinal, é uma IST crônica progressiva causada pela Klebsiella granulomatis. Acomete preferencialmente pele e mucosas das regiões genitais, perianais e inguinais, é pouco frequente e ocorre na maioria das vezes em climas tropicais e subtropicais. O protocolo registra que a associação com a transmissão sexual é frequente, embora os mecanismos não sejam bem conhecidos e a transmissibilidade seja baixa — e é essa baixa infectividade que sustenta a única regra de parceria diferente das outras quatro.

O quadro começa com ulceração de borda plana ou hipertrófica, bem delimitada, com fundo granuloso de aspecto vermelho vivo e sangramento fácil. A ulceração evolui lenta e progressivamente, podendo tornar-se vegetante ou úlcero-vegetante. As lesões costumam ser múltiplas, com a configuração em espelho nas bordas cutâneas ou mucosas, e há predileção pelas regiões de dobras e pela região perianal.

O detalhe que decide a questão está na negativa: não ocorre adenite. Raramente podem se formar pseudobubões, que são granulações subcutâneas na região inguinal, quase sempre unilaterais — e pseudobubão não é linfonodo. Na mulher, a forma elefantiásica é sequela tardia, observada quando há predomínio de fenômenos obstrutivos linfáticos. A localização extragenital é rara e quase sempre decorre de lesões genitais ou perigenitais primárias.

O diagnóstico diferencial que o protocolo lista para a donovanose é o mais amplo do capítulo, e é o motivo pelo qual a biópsia entra: sífilis, cancroide, tuberculose cutânea, amebíase cutânea, neoplasias ulceradas, leishmaniose tegumentar americana e outras doenças cutâneas ulcerativas e granulomatosas. Uma úlcera genital vermelho-viva, indolor, de meses de evolução, em paciente de região tropical, exige tanto o tratamento quanto o material histológico.

O tratamento é o mais longo dos cinco: azitromicina 500 mg, 2 comprimidos (1 g), por via oral, uma vez por semana, por pelo menos três semanas — ao menos três tomadas — ou até a cicatrização das lesões. As alternativas são doxiciclina 100 mg, 1 comprimido, duas vezes ao dia, por pelo menos 21 dias ou até o desaparecimento completo das lesões; ciprofloxacino 500 mg, 1 comprimido e meio (750 mg por tomada), duas vezes ao dia, por pelo menos 21 dias ou até a cicatrização; ou sulfametoxazol-trimetoprima 400/80 mg, 2 comprimidos, duas vezes ao dia, por no mínimo 3 semanas ou até a cicatrização. Em todos, o critério de cura é o desaparecimento da lesão, e não um prazo fechado.

Três acabamentos. Não foi relatada infecção congênita por donovanose. As sequelas de destruição tecidual ou de obstrução linfática podem exigir correção cirúrgica, que o antibiótico não substitui. E, devido à baixa infectividade, não é necessário tratar as parcerias sexuais — a donovanose é a única das cinco úlceras em que a resposta correta sobre a parceria é não tratar.

Parceria, notificação e o rastreio que a úlcera obriga

A conduta com a parceria muda de doença para doença, e essa variação é material de alternativa. No cancroide, o tratamento das parcerias é recomendado mesmo quando assintomáticas. No linfogranuloma, as parcerias devem ser tratadas, com esquema completo se sintomáticas e esquema curto se assintomáticas. Na donovanose, não é necessário tratar. No herpes, não existe tratamento de parceria assintomática — o que existe é conversa sobre transmissão, infecção assintomática e medo de rejeição, que o protocolo lista como itens do atendimento. E na sífilis há tratamento presuntivo da parceria com exposição nos últimos 90 dias, cuja régua completa está no capítulo de sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis.

O rastreio que a úlcera dispara é maior do que parece. Pelo Quadro 5 do protocolo, a pessoa com diagnóstico de IST testa HIV e sífilis no momento do diagnóstico e novamente 4 a 6 semanas após o diagnóstico da IST — a mesma célula do quadro cobre as duas colunas, e o segundo tempo existe para vencer a janela imunológica dos dois. Clamídia e gonococo são testados no momento do diagnóstico, assim como hepatites B e C. Some a isso o que o fluxograma pendura: oferecer vacinação para hepatites A e B e para HPV quando indicado, e informar sobre a possibilidade de prevenção combinada. Diante de uma úlcera, pedir só VDRL é responder metade.

A notificação é o ponto em que a maioria erra por excesso. Entre as cinco infecções que causam úlcera genital, apenas a sífilis adquirida é de notificação compulsória nacional, instituída pela Portaria nº 2.472, de 31 de agosto de 2010. Herpes genital, cancroide, linfogranuloma venéreo e donovanose ficam de fora da lista nacional: o protocolo estabelece que as demais IST, caso se considere conveniente, podem ser incluídas na lista de notificação dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A régua que vale, portanto, é dupla — nacional para sífilis adquirida, local para as outras quatro —, e um enunciado ambientado em um município específico pode legitimamente pedir notificação de cancroide.

Fecha o atendimento a orientação de abstinência: o paciente e as parcerias devem se abster de relações sexuais desprotegidas até que o tratamento de ambos esteja completo — o que, nos esquemas de dose única, significa sete dias depois da tomada. E guarde os dois relógios de reavaliação, que são diferentes e caem juntos: o fluxograma da úlcera reavalia em 14 dias, referenciando quem persiste sintomático; o herpes tem retorno próprio em uma semana para reavaliação das lesões.

Quando a úlcera não é IST — e por que biopsiar a que não cicatriza

O primeiro nó do fluxograma pergunta se a IST é a causa provável, e o ramo do não existe porque a queixa de úlcera genital não é exclusividade das IST. O protocolo lista o que entra nesse ramo: infecções inespecíficas por fungos, vírus ou bactérias; dermatoses bolhosas, como o pênfigo, o eritema multiforme e a dermatite de contato; líquen plano erosivo; aftas; lesões traumáticas; erupção fixa por drogas; e lesões malignas, como o carcinoma espinocelular.

Alguns desses diferenciais têm marca própria que o enunciado costuma entregar. A erupção fixa por droga recidiva sempre no mesmo ponto após a exposição ao mesmo medicamento. A dermatite de contato acompanha um produto novo e respeita a área de contato. A lesão traumática tem história. E a afta genital em mulher jovem, muito dolorosa, precedida de quadro febril e sem exposição sexual compatível, é o cenário em que o rótulo de IST faz dano social sem fazer bem clínico — motivo pelo qual o primeiro nó do fluxograma vem antes de qualquer tratamento presuntivo, e não depois.

A biópsia é a peça que fecha o capítulo, e o protocolo a coloca no ramo das lesões com mais de quatro semanas: tratar sífilis e cancroide, investigar linfogranuloma e donovanose, e realizar biópsia. Note que ela não substitui o tratamento empírico — as duas coisas acontecem na mesma consulta. O raciocínio é de risco assimétrico: o tratamento empírico é barato e curto, e a úlcera que não cicatriza pode ser neoplasia.

Do lado ginecológico, o que sustenta essa regra é o perfil do câncer de vulva. O carcinoma de células escamosas corresponde a 90% dos casos, e uma de suas duas vias de carcinogênese é independente do HPV, surgindo em substrato de inflamação crônica ou doença autoimune — exatamente o terreno de uma lesão vulvar que se arrasta. Diante de lesão vulvar clinicamente suspeita, a orientação da Febrasgo é proceder à biópsia, feita por punch ou biópsia incisional, evitando-se a biópsia excisional; e a mesma biópsia serve para elucidar diferenciais granulomatosos, infecciosos, inflamatórios e autoimunes. Ou seja, o material que exclui neoplasia é o mesmo que pode nomear a donovanose — mais uma razão para não adiar.

04

A tabela das cinco úlceras, o fluxograma e os esquemas

A primeira tabela é o mapa que a banca usa para montar o enunciado: dois atributos costumam bastar para fechar, e os mais discriminantes são a dor e o comportamento do gânglio. A segunda e a terceira são as doses. E o fluxo, abaixo, é o algoritmo do PCDT na ordem em que ele decide — repare que o ramo mais cobrado é o de baixo, o da unidade sem microscopia, e que nele o tratamento cobre duas doenças de uma vez.

  1. 1Começar pelo risco e pelo estado geral: dor desproporcional, necrose, imunossupressão ou gestação mudam urgência e investigação.
  2. 2Descrever antes de nomear: dolorosa ou indolor; única ou múltipla; base dura ou mole; fundo limpo, purulento ou granuloso; linfonodo doloroso e padrão de fistulização.
  3. 3Testar sífilis e HIV em toda síndrome ulcerativa e coletar material para herpes quando disponível e dentro da janela útil.
  4. 4Se houver vesículas ou úlceras dolorosas múltiplas, tratar herpes precocemente; se úlcera única indolor e endurecida, tratar sífilis sem esperar a sorologia quando a suspeita é alta.
  5. 5Quando a apresentação não permite separar agentes e o retorno é incerto, aplicar o manejo sindrômico do PCDT, contemplando sífilis e cancro mole.
  6. 6Avaliar parcerias, notificar sífilis, rastrear outras IST e reexaminar. Úlcera persistente, atípica, pigmentada, infiltrada ou que não cicatriza exige biópsia.

Sífilis primária — cancro duro

Única, INDOLOR, base ENDURECIDA, fundo LIMPO. Incuba 10 a 90 dias (média 3 semanas) e some sozinha em 2 a 6 semanas. Adenopatia regional indolor. Benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões UI, IM, dose única.

Herpes genital — HSV-1/HSV-2

VESÍCULAS agrupadas de 1 a 3 mm sobre base eritematosa, MUITO DOLOROSAS. Incubação média de 6 dias. Adenopatia inguinal dolorosa e BILATERAL em 50% da primoinfecção. Aciclovir. Não curável, porém tratável.

Cancroide — cancro mole

MÚLTIPLAS por autoinoculação, DOLOROSAS, borda IRREGULAR, fundo com exsudato necrótico amarelado e FÉTIDO. Incuba 3 a 5 dias. Bubão em 30% a 50%, unilateral em 2/3, fistuliza por ORIFÍCIO ÚNICO. Azitromicina 1 g dose única.

Linfogranuloma venéreo

Lesão de inoculação INDOLOR e FUGAZ, que passa despercebida. Adenopatia 1 a 6 semanas depois, unilateral em 70% no homem. Fistuliza por ORIFÍCIOS MÚLTIPLOS. Sequelas: estenose retal e elefantíase (estiomene). Doxiciclina 21 dias.

Donovanose — granuloma inguinal

Crônica e progressiva, INDOLOR, fundo granuloso VERMELHO VIVO que sangra fácil, configuração EM ESPELHO nas dobras. NÃO OCORRE ADENITE (no máximo pseudobubões). Azitromicina 1 g por semana, ≥ 3 semanas. Parceria NÃO se trata.

Doença (agente)IncubaçãoNúmero e dorBorda, base e fundoAdenopatia e fistulizaçãoA pista que decide
Sífilis primária (Treponema pallidum)10 a 90 dias, média de 3 semanasGeralmente ÚNICA; INDOLORBase ENDURECIDA, fundo LIMPO, rica em treponemasAdenopatia regional; não fistulizaSome sozinha em 2 a 6 semanas, tratada ou não
Herpes genital (HSV-1 e HSV-2)Média de 6 dias na primoinfecçãoAGRUPADAS, vesículas de 1 a 3 mm; MUITO DOLOROSASVesículas de conteúdo citrino sobre base eritematosa; deixam úlceras arredondadas ou policíclicasInguinal DOLOROSA e BILATERAL em 50% da primoinfecçãoPródromo de prurido, queimação e fisgadas antes da recorrência
Cancroide (Haemophilus ducreyi)3 a 5 dias, podendo chegar a 2 semanasMÚLTIPLAS por autoinoculação; DOLOROSASBorda IRREGULAR, contornos eritemato-edematosos, fundo com exsudato necrótico amarelado e FÉTIDO; granulação sangrante sob o exsudatoBubão em 30% a 50%, unilateral em 2/3, fistuliza em 50% por ORIFÍCIO ÚNICOQuase só em homens o bubão aparece; na mulher, fúrcula e face interna dos lábios
Linfogranuloma venéreo (C. trachomatis L1, L2, L3)Adenopatia surge 1 a 6 semanas após a lesão inicialLesão de inoculação ÚNICA e FUGAZ; INDOLORPápula, pústula ou exulceração que some sem sequela e quase nunca é notadaLinfadenopatia inguinal/femoral, unilateral em 70% no homem; fistuliza por ORIFÍCIOS MÚLTIPLOSProctite e proctocolite hemorrágica na prática anal receptiva; sequela de estenose retal e estiomene
Donovanose (Klebsiella granulomatis)Crônica e progressiva; o protocolo não fixa período de incubaçãoMÚLTIPLAS, em ESPELHO nas dobras; INDOLORBorda plana ou hipertrófica, bem delimitada, fundo GRANULOSO VERMELHO VIVO de sangramento fácil; pode virar vegetanteNÃO OCORRE ADENITE; no máximo pseudobubões (granulações subcutâneas), quase sempre unilateraisÚlcera de meses, indolor e sem gânglio — e a que mais pede biópsia

Tratamento das úlceras não sifilíticas (PCDT IST, Quadros 38 e 39)

DoençaPrimeira opçãoAlternativaParceria sexual
Herpes genital — 1º episódioAciclovir 200 mg, 2 comprimidos (400 mg), VO, 3x/dia, por 7 a 10 diasAciclovir 200 mg, 1 comprimido, VO, 5x/dia (7h, 11h, 15h, 19h, 23h), por 7 a 10 diasSem tratamento de parceria assintomática; orientar sobre transmissão e infecção assintomática
Herpes genital — recidivaAciclovir 200 mg, 2 comprimidos (400 mg), VO, 3x/dia, por 5 diasAciclovir 200 mg, 4 comprimidos (800 mg), VO, 2x/dia, por 5 diasIniciar de preferência ainda no período prodrômico
Herpes genital — supressãoAciclovir 200 mg, 2 comprimidos (400 mg), VO, 2x/dia, por até 6 meses (prolongável por até 2 anos)Imunossuprimido com lesões extensas: aciclovir 5 a 10 mg/kg, EV, 8/8h, por 5 a 7 dias ou até resolução clínicaAvaliação periódica de função renal e hepática
CancroideAzitromicina 500 mg, 2 comprimidos (1 g), VO, dose únicaCeftriaxona 250 mg, IM, dose única OU ciprofloxacino 500 mg, 1 comprimido, VO, 2x/dia, por 3 diasTRATAR mesmo se assintomática
Linfogranuloma venéreoDoxiciclina 100 mg, 1 comprimido, VO, 2x/dia, por 21 dias (42 comprimidos)Azitromicina 500 mg, 2 comprimidos (1 g), VO, 1x/semana, por 21 dias — PREFERENCIAL NA GESTANTESintomática: mesmo esquema do caso-índice. Assintomática: azitromicina 1 g dose única OU doxiciclina 100 mg 2x/dia por 7 dias
DonovanoseAzitromicina 500 mg, 2 comprimidos (1 g), VO, 1x/semana, por pelo menos 3 semanas ou até a cicatrizaçãoDoxiciclina 100 mg, 2x/dia OU ciprofloxacino 500 mg, 1½ comprimido (750 mg), 2x/dia OU sulfametoxazol-trimetoprima 400/80 mg, 2 comprimidos, 2x/dia — todos por pelo menos 3 semanas ou até a cicatrizaçãoNÃO é necessário tratar, por baixa infectividade

Herpes genital na gestação: o que muda (PCDT IST, Quadro 38; Febrasgo, Protocolo de Obstetrícia nº 66)

SituaçãoCondutaObservação
Primeiro episódio na gestaçãoTratar em QUALQUER trimestre, com o esquema do primeiro episódio (aciclovir 400 mg, 3x/dia, 7 a 10 dias)O aciclovir é o antiviral mais bem estudado na gestação e seu uso é seguro em qualquer trimestre
Terapia supressivaAciclovir 400 mg, 3x/dia (1.200 mg/dia), A PARTIR DA 36ª SEMANA, se a primoinfecção ocorreu na gestação ou as recidivas foram frequentesDose 50% MAIOR que a supressão fora da gestação (400 mg, 2x/dia = 800 mg/dia), pelo aumento da depuração renal. Pode ser antecipada se houver risco de prematuridade
Via de parto — lesões ativasCesariana sempre que houver lesões herpéticas ativas (PCDT)A Febrasgo acrescenta os sinais prodrômicos bem definidos e a infecção primária dentro das 6 semanas anteriores ao parto
Via de parto — recorrente sem lesãoInfecção recorrente sem lesões ativas nem pródromo nas últimas 4 a 6 semanas NÃO justifica cesarianaRisco de transmissão vertical de 2 em 10 mil nessa situação
Risco de transmissão verticalPrimária no 3º trimestre: 30% a 50%. Primária no 1º trimestre: menos de 1%. Primeiro episódio não primário no parto: 24% a 31%. Recorrente: 1% a 1,7%Dos casos de transmissão vertical, 5% ocorrem na gravidez, 85% no parto e 10% no pós-natal

O que testar, o que notificar e o que fazer com a parceria

ItemRégua
Testagem no diagnóstico de qualquer ISTHIV e sífilis no momento do diagnóstico E novamente 4 a 6 semanas depois; clamídia e gonococo no momento do diagnóstico; hepatites B e C no momento do diagnóstico (PCDT, Quadro 5)
Vacinação a oferecerHepatites A e B e HPV, quando indicado (caixa de conduta do fluxograma de úlcera genital)
Notificação compulsória NACIONALSomente a SÍFILIS ADQUIRIDA, entre as cinco (Portaria nº 2.472, de 31/8/2010). As demais IST podem ser incluídas na lista de notificação de estados, DF e municípios quando se considerar conveniente
Manejo do bubão (cancroide e LGV)ASPIRAR com agulha de grosso calibre o linfonodo tenso e flutuante. Incisão com drenagem e excisão são CONTRAINDICADAS
Abstinência sexualAté que o tratamento da pessoa e da parceria esteja completo — nos esquemas de dose única, 7 dias após a tomada
ReavaliaçãoFluxograma da úlcera: 14 dias (persistindo, referenciar). Herpes: retorno em 1 semana para reavaliação das lesões

Azitromicina 500 mg, 2 comprimidos, é 1 g. O protocolo escreve as doses na apresentação dispensada pela rede, não em miligramas — é a mesma razão pela qual o aciclovir aparece como 2 ou 4 comprimidos de 200 mg em vez de 400 ou 800 mg.

O ciprofloxacino é contraindicado para gestantes, lactantes e crianças; a doxiciclina, para gestantes e lactantes. Isso reorganiza duas linhas inteiras da tabela na gestação: no LGV, a azitromicina semanal deixa de ser alternativa e passa a ser a preferencial; no cancroide, restam azitromicina e ceftriaxona.

No LGV, azitromicina 1 g uma vez por semana por 21 dias corresponde a TRÊS tomadas. Na donovanose, o mesmo esquema por pelo menos 3 semanas corresponde a pelo menos três tomadas — e ali o critério de parada é a cicatrização, não o calendário.

As duas opções do primeiro episódio de herpes não entregam a mesma dose diária: 400 mg 3x/dia são 1.200 mg/dia (42 a 60 comprimidos de 200 mg no total) e 200 mg 5x/dia são 1.000 mg/dia (35 a 50 comprimidos). Na recidiva, 400 mg 3x/dia são 1.200 mg/dia (30 comprimidos) e 800 mg 2x/dia são 1.600 mg/dia (40 comprimidos).

O Quadro 38 do PCDT deixa um valor sem categoria no limiar da terapia supressiva do herpes: a primeira coluna da linha diz '6 ou mais episódios/ano' e a coluna de comentários da MESMA linha diz que são elegíveis pacientes com 'mais de 6 ao ano'. A paciente com exatamente 6 episódios em um ano é elegível pela primeira redação e inelegível pela segunda. Este capítulo adota o rótulo da linha — 6 ou mais —, que é o critério que a banca reproduz.

Ainda no Quadro 39, o comentário da donovanose escreve o resgate com aminoglicosídeo como 'gentamicina, 1 mg/kg/dia, EV, 3x/dia'. A dose e a frequência não fecham entre si: 1 mg/kg por dia não pode ser administrado três vezes ao dia. A leitura que preserva a aritmética é 1 mg/kg por tomada, a cada 8 horas. Como o documento não resolve a ambiguidade, o esquema de resgate fica fora das vinhetas deste capítulo.

Na linha 'Pessoas com diagnóstico de IST' do Quadro 5, a célula com 'No momento do diagnóstico e 4 a 6 semanas após o diagnóstico de IST' ocupa as colunas de HIV E de sífilis. A mescla é da diagramação original — na linha imediatamente abaixo, de hepatites virais, as duas colunas voltam a ser células separadas. Portanto a retestagem de 4 a 6 semanas vale para os dois, e não só para o HIV.

A caixa do fluxograma escreve 'Sugestivo de H. ducrey'. O nome correto do agente, grafado no próprio corpo do protocolo, é Haemophilus ducreyi.

Pseudobubão não é bubão: são granulações subcutâneas da donovanose, quase sempre unilaterais. A frase do protocolo é categórica — na donovanose não ocorre adenite.

Um furo, cancro mole; vários furos, linfogranuloma. Nos dois, a conduta com o linfonodo tenso e flutuante é aspirar com agulha calibrosa; incisão com drenagem e excisão são contraindicadas.

Microscopia de campo escuro negativa não exclui sífilis: pode significar número insuficiente de treponemas na amostra, lesão próxima da cura natural, ou tratamento sistêmico ou tópico prévio. Ela também não é recomendada para material de cavidade oral, por colonização por outras espiroquetas.

Sífilis recente no Brasil é a de até um ano de evolução; documentos internacionais usam o corte de dois anos para a sífilis precoce. Onde a diferença muda a conduta é no estadiamento, que é assunto do capítulo de sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis.

05

Onde as fontes divergem

Nestes pontos as fontes não dizem a mesma coisa. Cada posição vem com quem a sustenta — e com o que fazer diante de uma vinheta de prova.

Úlcera genital sem laboratório: o par empírico é sífilis + cancroide ou sífilis + herpes?

Tratar sífilis e cancroide (PCDT IST, Ministério da Saúde, Figura 14)

No ramo sem laboratório, o fluxograma pergunta primeiro se há lesões vesiculosas ativas; havendo, trata herpes. Não havendo, trata sífilis e cancroide, acrescentando investigação de LGV e donovanose e biópsia quando as lesões passam de quatro semanas. A escolha do par tem lastro estrutural: sífilis e cancroide são as duas únicas etiologias para as quais o SUS oferece diagnóstico direto por microscopia, e onde o exame não existe o tratamento presuntivo ocupa o lugar dele. O herpes fica de fora do par porque o fluxograma usa a vesícula como se fosse um teste.

PCDT IST 2022 (anexo alterado em 4/7/2024), seção 9.3 e Figura 14 — fluxograma para manejo de infecções que causam úlcera genital

Tratar sífilis e herpes; cancroide só onde há casos (OMS, 2021)

Onde o tratamento no mesmo dia não é viável com teste molecular, a OMS sugere tratar sindromicamente sífilis e herpes simples no mesmo dia — herpes se a úlcera for recorrente ou vesicular, sífilis se a pessoa não tiver histórico de tratamento nos últimos três meses — e tratar cancroide apenas em contextos geográficos em que casos sejam reportados ou emergentes. O raciocínio é epidemiológico e está no sumário de evidência: o herpes responde por 30% a 70% das úlceras anogenitais, enquanto a prevalência do cancroide vem caindo em países de alta e de média e baixa renda, de modo que o diagnóstico clínico de cancroide resulta em um número trivial de casos perdidos e em muito tratamento desnecessário.

WHO. Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections, 2021, seções 1.4 e 10.4

Na prova

O sinal está no cenário e no documento citado. Enunciado ambientado em UBS ou pronto-atendimento do SUS, sem microscopia, com a expressão 'manejo sindrômico' ou 'fluxograma do Ministério da Saúde', pede o par brasileiro — e a alternativa correta cobre duas bactérias. Enunciado que nomeia a OMS, que fala em 'settings' ou que menciona teste molecular pede o par internacional, em que o herpes entra por padrão e o cancroide só entra onde há casos reportados. Um distrator que trate as três doenças de uma vez não corresponde a nenhuma das duas réguas. E repare no detalhe que diferencia sem ambiguidade: no fluxograma brasileiro, o herpes só é tratado empiricamente diante de vesícula ativa.

Herpes genital: só aciclovir, ou valaciclovir e fanciclovir também?

Aciclovir como única opção (PCDT IST, Quadro 38; Rename 2024)

Todos os esquemas do quadro — primeiro episódio, recidiva, supressão, imunossuprimido e gestação — são de aciclovir, e as doses vêm expressas em comprimidos de 200 mg. A razão é de lista: a Rename 2024 traz aciclovir em comprimido de 200 mg e em pó para solução injetável de 250 mg, ambos no Componente Básico, e não relaciona valaciclovir nem fanciclovir. Prescrever o que a rede dispensa é parte do desenho do protocolo, que assume tratamento na primeira consulta.

PCDT IST 2022, Quadro 38 (tratamento de herpes genital); Rename 2024, grupo J — anti-infecciosos para uso sistêmico

Valaciclovir e fanciclovir como substitutos eficazes (OMS, 2021; Febrasgo, 2025)

A Tabela 7 da OMS lista, como substitutos eficazes do aciclovir, valaciclovir 500 mg duas vezes ao dia e fanciclovir 250 mg três vezes ao dia na primoinfecção, com ajustes específicos para pessoas vivendo com HIV que se aplicam a esses dois e não ao aciclovir. O protocolo da Febrasgo, no recorte obstétrico, também admite valaciclovir: descreve-o como alternativa segura, de posologia mais cômoda, porém mais cara, e classifica o fanciclovir como a alternativa menos testada na gravidez, cujo uso deve ser exceção.

WHO. Guidelines for the management of symptomatic sexually transmitted infections, 2021, Tabela 7; Febrasgo, Protocolo de Obstetrícia nº 66 (Femina 2026;54(2):122-6)

Na prova

Alternativa que traga valaciclovir ou fanciclovir em questão ambientada na atenção básica brasileira quase sempre é distrator — o esquema que o PCDT lista é integralmente em aciclovir, escrito em comprimidos de 200 mg. Mas o recorte muda em duas situações legítimas: quando o enunciado é de assistência pré-natal e cita a Febrasgo, e quando cita a OMS ou fala em posologia mais cômoda. A pista mais confiável não é a molécula e sim a unidade: enunciado que escreve a dose em 'comprimidos' está reproduzindo o quadro do Ministério da Saúde.

Herpes na gestante: cesariana por lesão ativa, ou decisão individualizada?

Cesariana sempre que houver lesões herpéticas ativas (PCDT IST, Quadro 38)

O protocolo federal resolve a via de parto em uma frase: recomenda-se a realização de cesariana sempre que houver lesões herpéticas ativas. O texto que a antecede dá o motivo — o maior risco de transmissão acontece no momento da passagem do feto pelo canal de parto, e a infecção pode ser ativa em aproximadamente 50% dos casos ou assintomática. É uma regra desenhada para ser aplicável em qualquer maternidade, sem depender de classificar a infecção materna.

PCDT IST 2022, Quadro 38, linha 'Gestação'; e seção 9.1.2

Via de parto individualizada, com o pródromo e a janela de 6 semanas (Febrasgo, Protocolo de Obstetrícia nº 66)

A Febrasgo amplia e restringe ao mesmo tempo. Amplia ao incluir os sinais prodrômicos bem definidos — dor ou queimação vulvar no momento do parto — e as lesões em cicatrização, pela possibilidade de eliminação viral, e ao recomendar cesariana quando a infecção primária ou o primeiro episódio não primário ocorreu dentro das seis semanas anteriores ao parto. Restringe ao afirmar que a gestante com infecção recorrente e sem lesões ativas ou pródromo nas últimas quatro a seis semanas tem risco de transmissão vertical de 2 em 10 mil, o que não justifica cesariana. E lembra que o parto cirúrgico diminui, mas não elimina o risco: em parturientes com cultura genital positiva, a transmissão foi de 7,7% no parto vaginal e de 1,2% na cesariana.

Febrasgo. Infecção pelo vírus do herpes simples na gravidez. Femina 2026;54(2):122-6, seção Via de parto

Na prova

Questão de prova de residência com enunciado curto, citando o Ministério da Saúde ou o manejo das IST, pede a regra fechada: lesão ativa indica cesariana. Enunciado longo, de prova de ginecologia e obstetrícia, que informa a classificação da infecção materna, a data da primoinfecção, a presença de pródromo ou o intervalo desde o último surto, está pedindo a decisão individualizada — e nesse caso a alternativa correta costuma ser a que NÃO indica cesariana para a recorrente sem lesão. Ver 'pródromo' no enunciado é o sinal mais confiável de que o recorte é o da sociedade, porque o pródromo não aparece na redação do protocolo federal.

06

Caso resolvido

Mulher de 23 anos procura a unidade básica de saúde por uma ferida na vulva, percebida há dez dias. Nega dor no local. Relata relação sexual sem preservativo com parceria eventual há cerca de cinco semanas. Ao exame: úlcera única de 1,5 cm na face interna do grande lábio direito, indolor à palpação, com bordas elevadas, base endurecida e fundo limpo; adenomegalia inguinal direita, móvel e indolor. Não há vesículas. A unidade não dispõe de bacterioscopia nem de microscopia de campo escuro, e o resultado de qualquer sorologia só sairá em duas semanas.
leitura da lesão
Úlcera única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, com adenopatia regional indolor, cerca de cinco semanas após a exposição — dentro da janela de incubação de 10 a 90 dias. O desenho é o do cancro duro da sífilis primária.
o que o fluxograma pergunta
O fluxograma não pergunta com o que a lesão se parece. Pergunta, nesta ordem: IST é causa provável (sim, há exposição e fatores de risco), há laboratório disponível (não), há lesões vesiculosas ativas (não), as lesões têm mais de quatro semanas (a lesão foi percebida há dez dias — não).
conduta
Tratar SÍFILIS E CANCROIDE na mesma consulta: benzilpenicilina benzatina 2,4 milhões de UI, IM, dose única, com 1,2 milhão de UI em cada glúteo; mais azitromicina 500 mg, 2 comprimidos (1 g), VO, em dose única. Tratar os dois não é excesso de zelo — é o que o ramo sem laboratório do fluxograma determina, porque a impressão clínica isolada acerta cerca de um terço das vezes.
testagem
Testar HIV e sífilis no momento do diagnóstico e repetir os dois em 4 a 6 semanas; testar clamídia, gonococo e hepatites B e C no momento do diagnóstico. Oferecer vacinação para hepatites A e B e para HPV, se indicado, e informar sobre prevenção combinada.
parceria
A parceria do cancroide é tratada mesmo assintomática. Na sífilis, exposição nos últimos 90 dias indica tratamento presuntivo com dose única de benzilpenicilina benzatina, independentemente de sintomas — a régua completa da parceria na sífilis está no capítulo de sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis. Abstinência sexual até sete dias após as doses únicas, para os dois.
notificação e retorno
Notificar sífilis adquirida no Sinan; cancroide não integra a lista de notificação compulsória nacional. Retorno em 14 dias: se os sinais e sintomas persistirem, referenciar. Se a lesão ainda estiver presente e já tiver passado de quatro semanas de evolução, entra a biópsia, mesmo com o tratamento já feito.
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Agora feche você

Mulher de 31 anos, gestante de 36 semanas e 2 dias, comparece à consulta de pré-natal de rotina. Refere história de herpes genital desde os 24 anos, com cerca de três a quatro surtos por ano, sempre precedidos de queimação vulvar e resolvidos em uma semana. O último episódio foi há dois meses. Está assintomática hoje, sem lesões ao exame da vulva, do períneo e da região perianal, e sem queixas de queimação ou prurido. Traz sorologias do terceiro trimestre não reagentes para sífilis e HIV. Pergunta se vai precisar de cesariana.
classificação
Infecção recorrente, preexistente à gestação, atualmente sem lesões ativas e sem sintomas prodrômicos. Não é primoinfecção adquirida na gravidez, que é o cenário de maior risco de transmissão vertical.
o que a idade gestacional dispara
Trinta e seis semanas é o marco em que a terapia supressiva entra, quando a primoinfecção ocorreu na gestação ou quando as recidivas foram frequentes no período gestacional. Três a quatro surtos por ano configuram recidiva frequente o bastante para o objetivo da supressão, que é reduzir a recorrência no trabalho de parto.
conduta
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Onde a banca derruba

  1. 1Tratar só sífilis diante de um cancro duro clássico, na unidade sem laboratório É o erro mais cobrado do capítulo, e o que atrai é o próprio talento clínico: a lesão é única, indolor, de base endurecida e fundo limpo, e o candidato reconhece o cancro duro. O fluxograma não pergunta com o que a lesão se parece. Sem laboratório e sem vesícula ativa, com menos de quatro semanas, a conduta é tratar SÍFILIS E CANCROIDE. O número que sustenta a regra está no protocolo: o valor preditivo positivo da impressão clínica é de 30,9% para sífilis e 32,7% para cancroide.
  2. 2Incisar e drenar o bubão Linfonodo tenso e flutuante pede alívio, e o reflexo cirúrgico é drenar. O protocolo indica aspiração com agulha de grosso calibre e contraindica expressamente a incisão com drenagem e a excisão dos linfonodos acometidos, tanto no cancroide quanto no LGV. A justificativa é a cicatrização, que pode ser desfigurante. Repare que a única manobra permitida é a mesma nos dois — o que muda entre eles é o número de orifícios de fistulização, não a conduta.
  3. 3Achar que VDRL não reagente afasta sífilis diante de uma úlcera Os testes não treponêmicos tornam-se reagentes cerca de uma a três semanas APÓS o aparecimento do cancro duro. Existe, portanto, uma janela real com lesão presente e VDRL negativo — e é exatamente a janela em que a paciente procura o serviço, porque a lesão é nova. Somando-se a isso a microscopia de campo escuro, cujo resultado negativo também não exclui, a conclusão prática é que nenhum exame negativo desmonta a suspeita de sífilis primária na presença de lesão compatível.
  4. 4Dar à gestante a mesma dose supressiva de herpes da não gestante Fora da gestação, a supressão é aciclovir 400 mg duas vezes ao dia. Na gestação, a partir da 36ª semana, é 400 mg TRÊS vezes ao dia — 1.200 mg/dia contra 800 mg/dia, 50% a mais. A razão é o aumento da depuração renal na gravidez. A alternativa que repete a posologia da não gestante é a mais votada, porque a dose 'já conhecida' parece a segura.
  5. 5Prescrever 7 dias de doxiciclina para linfogranuloma venéreo Sete dias de doxiciclina 100 mg 12/12h é o esquema da clamídia urogenital, e o cérebro faz a ponte porque o agente do LGV é a mesma Chlamydia trachomatis, em outros sorotipos. O LGV recebe 21 dias — 42 comprimidos. Os 7 dias existem no LGV, mas em outro lugar: é o esquema da parceria ASSINTOMÁTICA. Trocar o caso-índice pela parceria é a forma elegante de errar.
  6. 6Tratar a parceria da donovanose A regra geral do capítulo é tratar a parceria, e ela vale para cancroide (mesmo assintomática), LGV e sífilis. A donovanose é a exceção: devido à baixa infectividade, não é necessário tratar as parcerias sexuais. Como a exceção é única e contraria o padrão do resto do protocolo, ela vira alternativa correta com frequência desproporcional ao peso clínico da doença.
  7. 7Notificar todas as úlceras genitais no Sinan O reflexo é notificar tudo que é IST. Entre as cinco causas de úlcera genital, apenas a sífilis adquirida é de notificação compulsória nacional, instituída pela Portaria nº 2.472, de 31 de agosto de 2010. Herpes, cancroide, LGV e donovanose podem ser incluídos na lista de notificação de estados, do Distrito Federal e dos municípios quando se considerar conveniente — o que faz da resposta uma questão de âmbito, e não de gravidade.
  8. 8Confundir pseudobubão com adenite na donovanose O enunciado descreve uma tumefação inguinal e o candidato risca a donovanose da lista. Mas o protocolo diz que na donovanose NÃO ocorre adenite; o que raramente aparece é o pseudobubão, granulação subcutânea, quase sempre unilateral. É a ausência de gânglio verdadeiro — junto com a lesão indolor, vermelho-viva e de meses de evolução — que aponta o diagnóstico.
  9. 9Esperar a biópsia para tratar a úlcera de mais de quatro semanas O ramo do fluxograma que passa de quatro semanas manda fazer as duas coisas na mesma consulta: tratar sífilis e cancroide, investigar LGV e donovanose, E realizar biópsia. Adiar o tratamento até o laudo troca um antibiótico barato por semanas de transmissão. O inverso também erra: tratar e não biopsiar deixa passar o carcinoma espinocelular, que é justamente o diferencial que o corte de quatro semanas existe para pegar.
  10. 10Afastar cancro mole na mulher porque não há bubão O bubão do cancroide aparece em 30% a 50% dos casos e é observado quase exclusivamente no sexo masculino, pelas características anatômicas da drenagem linfática. Numa mulher, portanto, a ausência de gânglio inguinal é o esperado, não o excludente. O mesmo raciocínio anatômico vale para o LGV: na mulher, a localização da adenopatia depende do sítio de inoculação, e uma inoculação em parede vaginal posterior ou colo drena para linfonodos profundos, deixando a virilha normal.
  11. 11Ler a úlcera anorretal como doença proctológica O enunciado traz dor anal, tenesmo, sangramento e secreção em paciente com prática anal receptiva, e a lista mental vira fissura, abscesso e doença inflamatória intestinal. O protocolo recomenda pesquisar C. trachomatis em praticantes de sexo anal com úlceras anorretais e afirma que o diagnóstico de LGV deve ser considerado em TODOS os casos de adenite inguinal, elefantíase genital e estenose uretral ou retal. A proctocolite pode ser a manifestação inicial.
  12. 12Prometer cura do herpes ou associá-lo a câncer Duas frases do protocolo resolvem a questão de comunicação. A primeira: a ocorrência de infecção do gânglio sensitivo não é reduzida por qualquer medida terapêutica — o antiviral reduz intensidade e duração do surto, e o herpes genital é classificado como infecção não curável, porém tratável. A segunda, que o próprio quadro manda mencionar: não há associação entre herpes simples genital e câncer.
Gabarito da questão de abertura
Comentário

O quadro é de primoinfecção herpética: incubação média de seis dias, lesões eritemato-papulosas de um a três milímetros que evoluem rapidamente para vesículas sobre base eritematosa, muito dolorosas, acompanhadas de febre, mal-estar, mialgia e disúria — que na mulher pode simular infecção urinária baixa —, com linfadenomegalia inguinal dolorosa e bilateral presente em 50% dos casos. O esquema do primeiro episódio é aciclovir 200 mg, 2 comprimidos (400 mg), VO, 3x/dia, por 7 a 10 dias, podendo ser prolongado se a cicatrização estiver incompleta após 10 dias. Cinco dias é a duração da recidiva, não do primeiro episódio. A supressão, com 400 mg 2x/dia por até seis meses, é reservada a quem tem episódios repetidos, e não se inicia na primoinfecção. Tratar como cistite com ciprofloxacino é o erro que o próprio protocolo antecipa ao registrar que o quadro pode simular infecção urinária baixa na mulher. Antiviral tópico não altera a história natural da infecção e aumenta o risco de resistência. Quanto à orientação, a frase correta é a do protocolo: a ocorrência de infecção do gânglio sensitivo não é reduzida por qualquer medida terapêutica, e o herpes genital é infecção não curável, porém tratável — prometer erradicação é erro de comunicação. Complementam a conduta as compressas de solução fisiológica, o analgésico oral e o retorno em uma semana para reavaliação das lesões.

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Recuperação

Responda as 10 — o gabarito e o comentário de cada uma abrem a cada questão ou só no fim, como você preferir.

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Plano de revisão

em 7 dias

Os números, na ordem em que a vinheta os usa. A impressão clínica isolada acerta pouco: valor preditivo positivo de 30,9% para sífilis e 32,7% para cancroide. Incubações: cancro duro 10 a 90 dias (média 3 semanas); herpes 6 dias; cancroide 3 a 5 dias; adenopatia do LGV 1 a 6 semanas depois da lesão. Fluxograma sem laboratório: com vesícula, herpes; sem vesícula e com menos de 4 semanas, sífilis + cancroide; com mais de 4 semanas, sífilis + cancroide + investigar LGV e donovanose + biópsia; reavaliar em 14 dias e referenciar quem persiste. Esquemas: cancroide azitromicina 1 g dose única; LGV doxiciclina 100 mg 12/12h por 21 dias (azitromicina 1 g semanal por 21 dias na gestante); donovanose azitromicina 1 g por semana por pelo menos 3 semanas ou até cicatrizar; herpes aciclovir 400 mg 3x/dia por 7 a 10 dias no primeiro episódio e por 5 dias na recidiva, supressão 400 mg 2x/dia — e 400 mg 3x/dia na gestante a partir da 36ª semana.

em 30 dias

As decisões, não os números. Reconstrua quatro sem consultar. (1) Úlcera única e indolor, base endurecida, unidade sem microscopia, dez dias de evolução — quantas doenças você trata e com o quê? (2) Bubão inguinal tenso e flutuante que fistulizou por um único orifício — qual agente, qual antibiótico, e o que NÃO se faz com o linfonodo? (3) Paciente com prática anal receptiva, dor anal, tenesmo e sangramento, sem úlcera visível na genitália — qual diagnóstico entra e por quantos dias se trata? (4) Gestante de 36 semanas com herpes recorrente e sem lesões — qual dose de supressão, e a cesariana está indicada? Feche revisando as três negativas do capítulo: na donovanose não ocorre adenite e não se trata a parceria; entre as cinco úlceras, só a sífilis adquirida é de notificação compulsória nacional; e nenhum exame negativo — nem VDRL, nem campo escuro — afasta sífilis primária diante de lesão compatível.

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Agora atenda

Você sabe decidir com a tomografia na mão. A prova prática, e a vida, pedem outra coisa: chegar lá a partir de um paciente que ainda não tem exame nenhum.

Caso do acervo

Mulher de 26 anos chega à unidade básica de saúde referindo uma ferida na vulva há duas semanas, sem dor no local, e um caroço na virilha direita. Relata relação sexual sem preservativo há cerca de um mês. A unidade não dispõe de bacterioscopia nem de microscopia de campo escuro. Conduza o atendimento: anamnese sexual e fatores de risco, exame da vulva, do períneo e da região inguinal, decisão terapêutica na própria consulta pelo fluxograma de úlcera genital, testagem para as demais IST, orientação sobre abstinência, abordagem da parceria e definição do retorno. — você conduz anamnese, exame físico e conduta; o paciente responde em tempo real e o feedback vem no fim.

Úlceras genitais — Preparatório para provas | OsceLabs